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AULA 4 LOGÍSTICA EMPRESARIAL E CADEIA DE SUPRIMENTOS Prof. Sérgio Luiz Pirani 2 CONTEXTUALIZANDO Em um primeiro momento será tratado como os armazéns têm função estratégica na Logística Empresarial, uma vez que as empresas se preocupam intensamente com a diferenciação em serviços prestados aos consumidores finais, na tentativa de atendê-los do modo mais eficiente possível para suprir suas expectativas em relação ao tempo de entrega dos pedidos realizados. Assim, os armazéns devem estar alocados em pontos estratégicos geograficamente, no intuito de ficar o mais próximo possível tanto dos fornecedores, quanto do ponto com a maior concentração demográfica de consumidores finais. As tecnologias empregadas para que os processos logísticos de armazenagens sejam eficientes, as quais envolvem a guarda e armazenagem de produtos, recebimentos, movimentação e expedição de mercadorias, a acuracidade dos controles devem ficar próxima de 100%. A quantidade de itens que circulam em um grande armazém de secos e molhados, por exemplo, pode chegar a centenas de milhares de itens e a exatidão dos controles de fluxo de materiais (acurácia) só é possível com o emprego de tecnologias de ponta, como sistemas informatizados, destinados aos controles de armazenagem de materiais a exemplo do sistema Warehouse Management System – WMS, etiquetas que operam com rádio frequência - Radio Frequency Identification – RFID, códigos de barras ou Bar Code e o Quick Response Code – QR Code ou código de resposta rápida que liga o usuário diretamente ao produto. Isso é corroborado por Akabane [S.d.], citado por Nogueira (2018, p.1), quando infere que A questão tecnológica exerce uma função importante no aprimoramento da excelência das operações logísticas. A disponibilidade de aplicações para o rastreamento em tempo real dos materiais em movimento, que incluem a quantidade, localização, posição do estoque e de mercadorias, forma um sistema eficiente de apoio à decisão para os gestores empresariais. No segundo momento será tratado o assunto sobre compras, sua função, meios de aquisição e a relação com outros setores na organização. A importância dada ao setor de compras nas organizações se dá pelo seguinte motivo 3 O valor total gasto nas compras de insumos para a produção, seja do produto ou do serviço final, varia de 50% a 80% do total das receitas brutas. No setor industrial, esse número alcança casa dos 57%. É fácil perceber que mesmo pequenos ganhos decorrentes de melhor produtividade na função têm grande repercussão no lucro. (Martins; Alt, 2009, p. 94) É nesse contexto que ocorrerá a tratativa da aula, ou seja, os tipos de armazéns e suas destinações, as tecnologias empregadas para a gestão de fluxo de mercadorias, assim como a função compras nas organizações. Então entenderemos como isso funciona. TEMA 1 – TIPOS E CLASSIFICAÇÃO DE ARMAZÉNS Como mencionado anteriormente, a armazenagem de materiais empata um montante razoável de capital de uma empresa para que a função de armazenagem e distribuição de materiais aconteça. O processo de armazenagem atinge a esfera econômica, financeira e legal. Consideraremos aqui quatro tipos básicos de armazéns, sendo os de propriedade privada, os públicos (do governo), os espaços contratados e a estocagem em trânsito. O tipo de armazém e armazenagem está ligado diretamente ao ramo de atividade da empresa, pois devem obedecer as especificidades de cada material; a carne, por exemplo, precisa ser armazenada em câmera fria, já o charque, em local seco e arejado; ovos de páscoa é outro produto muito delicado e deve receber atenção redobrada no seu armazenamento, o local precisa ser refrigerado e livre de qualquer odor que possa comprometer as características do produto. Você conseguiu compreender a importância do processo de armazenagem e sua movimentação? Veja então, a seguir, os tipos de armazéns e suas utilizações. 4 Figura 1 - Armazém de carnes congeladas Crédito: Grigvovan/Shutterstock. Os armazéns privados são aqueles que pertencem a organizações de capital aberto ou outro meio de sociedade, em que a própria organização tem o controle administrativo e de capital da propriedade, funcionários, equipamentos, sendo responsável pela locação de espaços ou de administrar materiais colocados sob a custódia da empresa. É uma alternativa que se tornou atraente para empresas que não tenham o seu foco voltado para o armazenamento de materiais, ou que necessitam de armazenar periodicamente produtos com características sazonais. Os armazéns públicos são locais administrados pelo governo, podendo esse espaço pertencer ao governo ou, ainda, ser alugado por ele. São armazéns que, de um modo geral, não dispõe de tecnologias comparáveis aos armazéns privados, assim são procurados para armazenagem de produtos a granel (soja, feijão, milho, etc.), depósitos de produtos que necessitem de refrigeração e depósitos de produtos gerais (quando há produtos diferentes, como grãos e produtos manufaturados, como fécula ̶ amido de mandioca, por exemplo). 5 Figura 2 – Armazém tipo os da CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento – órgão do governo Crédito: Focon/Shutterstock Os espaços contratados são conhecidos como armazenagem de oportunidade, são alugados por períodos determinados a demanda de certos produtos e são largamente utilizados para produtos sazonais (ovos de páscoa, produtos natalinos, colheitas de grãos, etc.). Estes espaços não são necessariamente prédios, pois existem armazéns infláveis, assim loca-se somente o espaço, que pode ainda ser utilizado para ser depósito de areia, pedra, etc., não necessitando de grandes ajustes, conforme for o ramo e a necessidade da empresa que locar o espaço. Figura 3 - Armazém inflável e seu funcionamento Crédito: Azat Valeev/Shutterstock. 6 A estocagem em trânsito são commodities agrícolas, carros e outros produtos que ficam em modais de transportes, como pátios de portos marítimos, por exemplo, para exportação. São exemplos de estocagem em trânsito, uma vez que esses produtos ficam aguardando determinado período até serem transportados para o seu destino final. Figura 4 - Produtos estocados em contêineres aguardando a exportação por navios Crédito: Lightrain/Shutterstock. Como você pôde observar na leitura realizada até aqui, existem vários tipos de armazéns e seu destino de uso é vinculado ao ramo de atividade das organizações. Foi possível também perceber que existem sistemas de armazenagens mais complexos do que outros, a armazenagem de grãos, por exemplo, tem tecnologia específica como o controle de temperatura e aberturas para evasão de gases, por exemplo, enquanto que em um armazém de um atacadista de secos e molhados, o controle de estoques dispõe de uma tecnologia mais complexa, como a gestão de itens realizada por processos integrados de gestão, como warehouse management system (WMS), ERP. Veremos como funcionam essas tecnologias a seguir. TEMA 2 – TECNOLOGIAS DE GERENCIAMENTO DE ARMAZÉNS O sistema de gestão de armazém Warehouse management system (WMS), figura 5, ou sistema de gerenciamento de armazéns, está sendo muito difundido na logística devido a sua alta eficiência nos resultados operacionais, na movimentação, no endereçamento, no controle e na capacidade de integração 7 com outros sistemas de gestão. O WMS é capaz de se comunicar com uma quantidade enorme de outras tecnologias, como as etiquetas RFID, os códigos de barras, as redes sem fio, os dispositivos móveis, as tecnologias embarcadas de transportes para captura e envio de dados, por exemplo. Por ser capaz de manter um banco de dados central, permite o processamento em lotes de prioridades, agilizando, assim, os processos de recebimento e expedição de mercadorias no armazém. Há, ainda, funcionalidadesque integradas aos clientes podem informar agendamento de recebimento de mercadorias, recebimento e agendamento de docas por ordem de clientes, endereçamento de materiais, separação e entregas de remessas, além da integração com a linha de produção (quando sistemas de produção), ou seja, é um sistema extremamente versátil. Figura 5 - Ilustração da integração do sistema WMS com outras atividades logísticas Crédito: Africa Studio/Shutterstock. O sistema Enterprise resource planning - ERP de integração e gestão organizacional (figura 6) melhora significativamente a acuracidade dos controles de estoques nos armazéns, há a integração do setor de compras com o armazém que recebe em tempo real o volume de compra realizada por produto, fornecendo a característica de giro de cada um, ou seja, produtos de alto giro, sazonais e intermitentes, permitindo, assim, uma gestão otimizada da ocupação do armazém. 8 Figura 6 - Enterprise Resource Planning – ERP (Sistema integrado de gestão) Crédito: Ananaline/Shutterstock. Observe que a figura 6 ilustra a integração de todos os setores da organização e não só compras e armazém, mas há outra integração importante, o armazém, Material Requirement Planning - MRP I e Manufacturing Resourse Planning - MRPII. O que difere entre um e outro sistema é o foco de gestão, sendo que o MRP I foca na gestão de materiais (estoques) e MRP II, no sistema produtivo, mas há a integração entre todos que fica denominado então como ERP. O primeiro, MRP I, há a especialização para a administração de materiais e o segundo, o MRP II, foi uma evolução do MRP I, ocorrida a partir da década de 1980, assim passou a integrar o Planejamento de Recursos de Produção, como demanda futura, engenharia, finanças e recursos humanos, ou seja, atua com foco no planejamento da produção. A evolução atual está na integração de todos os processos organizacionais por meio de uma arquitetura de software denominada Entreprise Resource Planning – ERP, que integra todos os fluxos de informações e atividades dentro de uma organização, como a logística, os sistemas de produção, as compras, os recursos humanos e as finanças. É um sistema que apresenta grande flexibilidade para inovação e a cada dia são implementadas mais tarefas que podem ser administradas de forma integrada por essa arquitetura de software. 9 Figura 7 - Ilustração da integração de tarefas que pode ser executadas pelo MRP numa empresa Crédito: VectorMine/Shutterstock. Analise as figuras 6 e 7 e perceberá o foco de atuação do ERP, o qual integra todos os processos de uma organização e o MRP que tem foco direcionado à administração de materiais (gestão de estoques, previsão de demanda, ordem de serviço, etc.). TEMA 3 – COMPRAS E SUA FUNÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES A função compras na organização é conhecida como Logística de Suprimentos, sendo responsável pelos fluxos de materiais no sentido inbound, ou de entrada para a manufatura, como matérias-primas e insumos (outros produtos necessários para o processo de manufatura) ou distribuição (quando há produtos acabados prontos para o consumo). Assim, o termo suprimentos é mais apropriado por ser mais abrangente, pois quando se trata de suprimentos de materiais, por exemplo, esse pode ser identificado como os estoques, os materiais adquiridos e movimentados dentro da 10 organização, movimentados para a produção, endereçamento dos materiais, para estoques de produtos acabados e, por fim, à expedição (logística out bound). Contudo, é interessante salientar que o setor de compras há algumas décadas era considerado um mal necessário para as organizações, pois só gerava despesas para a empresa. A companhia tinha que dispor de uma equipe somente para fazer cotações e analisar o fornecedor com a melhor oferta para então adquirir o material, assim, não agregava nenhum valor ao produto comprado. Esse cenário é confirmado por Martins e Alt (2009, p. 95) que destacam que no sistema tradicional o que havia era uma função de compras, isto é, uma negociação baseada em preço, prazo e qualidade. A burocracia resultante seguia um procedimento que datava do início do século XX, integrando apenas o uso mais recente de recursos de computação. Na “função compras”, os profissionais desse setor eram acionados via Programação e Controle da Produção – PCP, assim quando o PCP necessitava de materiais, era então disparada a requisição de materiais para que se iniciassem o processo de cotação baseado em preço, prazo e qualidade. O ciclo se dava na escolha do fornecedor, geralmente pelo melhor preço e análise de qualidade, pelo setor de qualidade da empresa que seguia para recebimento, para contas a pagar, emissão de notas e liberação ao PCP. Não havia nenhum tipo de relação entre fornecedor e comprador que ultrapassasse essa esfera. Na atualidade, o setor de compras dentro de uma organização tem função estratégica e permeia vários setores dentro da empresa, como o setor de qualidade, produção, finanças, marketing, jurídico e até desenvolvimento de produtos, pois envolve o preço final do produto. Como compras (também conhecido no meio empresarial como procurement) envolve vários setores, os profissionais dessa área também passaram a ter novos conhecimentos, assim é comum ver compradores engenheiros, dentistas, administradores. Isso porque quando se trata de compras técnicas e há uma parceria de desenvolvimento de produtos, o profissional de compras precisa de formação técnica na área de atuação. É fácil compreender esse cenário, imagine uma empresa que desenvolva grandes projetos de instalações elétricas industriais e prediais, cuja rotina é ter projetos que necessitem de materiais adequados às necessidades de determinados projetos. Assim, para o acompanhamento do desenvolvimento do produto que impactará nos custos finais, cabe o acompanhamento de um 11 engenheiro eletricista para analisar se o produto está saindo em conformidade, ou não, com as especificidades do que foi solicitado. O setor de compras além de se ter especializado, atua em uma esfera de parceria e não mais de puramente em uma relação comercial entre comprador e fornecedor. Nas parcerias, o preço entra em segundo plano, mas na grande maioria das parcerias, o produto final fornecido é compensador. Faremos uma analogia supondo que, em uma relação comercial (cotação, qualidade e melhor preço), um dos fornecedores tenha um melhor preço que o fornecedor com relação de parceria. Nessa análise de relação comercial é analisado o preço e não todo o processo de aquisição, assim se analisarmos melhor o preço do parceiro em relação a todo o processo de aquisição, pode existir inúmeras vantagens que tornam o preço final do produto com o sistema de aquisição por parceria de compras do que com o de relação comercial. Veja que, no primeiro, o foco foi o preço e, no segundo, todo o processo de aquisição do material. No processo com o parceiro, de uma forma geral há contratos, pois há confiança na relação, assim os produtos vêm sempre com a mesma qualidade, as entregas podem ficar por conta do fornecedor e pode constar entregas em pequenos lotes para evitar o custo de armazenagem. Observe que aqui foram citadas apenas algumas vantagens, como a redução do custo de transporte e armazenagem, assim o custo final do processo de compras faz com o que o produto tenha um custo final mais em conta em relação à aquisição de produtos na relação puramente comercial. Você deve ter observado que a ação de comprar obedece a um ciclo contínuo, o qual tem como protagonista o cliente final, que tanto pode ser uma indústria, uma loja ou ainda o consumidor final, os quais dão início a todo o processo de aquisição de matéria, seja para a manufatura, ou para produtos acabados, como para um varejista, por exemplo. Figura 8 - Ciclo de compras12 Crédito: Panchenko Vladimir/Shutterstock. 13 Então quando há o consumo de um item no mercado consumidor, há a necessidade de reposição desse item, assim inicia-se o ciclo que se dá inicialmente pelo consumo do bem, captado pelo setor de marketing, que informa a produção, solicita as compras do que for necessário para produzir o item, o setor de compras seleciona o fornecedor ou parceiro, preço e quantidade na qualidade especificada, fecha-se o pedido de compras e há o acompanhamento do pedido para garantir o prazo de entrega, receber e conferir os produtos em relação ao que foi solicitado, destinar os produtos para estoques e produção e, por fim, emitir a fatura para pagamento ao fornecedor. Esse ciclo se repete sempre quando forem necessárias novas aquisições. Acredito que já tenha percebido que o setor de compras sofreu uma grande evolução até a atualidade. TEMA 4 – A FILOSOFIA JUST IN TIME – JIT (NA HORA CERTA) E COMPRAS A filosofia Just in time – JIT, tem como premissa eliminar desperdícios. Há dentro deste contexto uma forte relação com o setor de compras, gestão de estoques e produção, pois as compras de materiais só serão realizadas em pequenos lotes em um sistema puxado, ou seja, quando houver consumo do produto por um consumidor, outro será produzido, seguindo o fluxo de aquisição, estoques e produção. A filosofia Just in time – JIT/TQC – Total Quality Control surgiu no Japão na década de 1960, sendo aplicada inicialmente na indústria automobilística, em particular na Toyota Motors Company. “Aos poucos, os princípios gerais dessa filosofia foram se consolidando e seus conceitos, difundidos para o ramo de autopeças e eletrônica, em que o Japão passou a ser reconhecido como padrão de excelência [...] O JIT seria uma filosofia voltada para a otimização da produção” (Tubino, 2000, p. 44). Assim, deve-se observar os objetivos do setor de suprimentos, os quais devem garantir a quantidade de produtos a serem fornecidos, o que está diretamente ligado à qualidade do atendimento do fornecedor. A relação de atendimento com o fornecedor deve-se haver uma troca de cultura de bons atendimentos e confiança nas relações e atribuir critérios que precisam ser obedecidos por ambas as partes. De um lado, o fornecedor, deve compreender o que é um prazo normal ou urgente, como também precisa trabalhar para fornecer um produto com o menor custo total, também estando ciente de prazos de 14 pagamentos pelo comprador. Por outro lado, o comprador deve exercer o compromisso de recebimentos nos horários programados, compromissos com os prazos de pagamentos para preservar a relação de confiança entre as partes. Para que o sistema JIT funcione de forma adequada, os processos supracitados devem estar alinhados entre comprador e fornecedor, assim quando há a aquisição de materiais em pequenos lotes, o fornecedor deve ter a quantidade dos produtos solicitados e disponibilidade de entregas previamente combinadas em contratos. O comprador, por sua vez, necessita de ter docas específicas, assim como pessoal para receber, conferir e destinar o material recebido no menor tempo possível para liberar o fornecedor. Pode-se, assim, inferir que a filosofia JIT busca otimizar o sistema de produção que por sua vez “puxa” uma sequência de boas práticas dentro da filosofia, voltadas às políticas de atitudes, relacionamento e procedimentos voltados para a competitividade. Mas para que isso aconteça há algumas premissas que devem ser obedecidas, como o planejamento de todo o processo de aquisição, fabricação e gestão de estoques, fornecedores e clientes que interajam em tempo real, pois são as informações assertivas que farão o processo funcionar conforme o planejado. É importante salientar que a filosofia JIT está atrelada ao Total Quality Control - TQC, método de controle de qualidade voltado para a melhoria contínua, ou seja, sempre é possível melhorar ainda mais aquilo que se faz. O TQC tem uma filosofia gerencial voltada para todo o pessoal da organização, pois não se compreende como pode se ter qualidade se não houver o conhecimento do programa e as atribuições e responsabilidades de cada um no processo, para que se tenha sucesso no final do projeto. O objetivo final do TQC é ultrapassar a expectativa do cliente final em tempo e qualidade do produto recebido. 4.1 A importância da escolha do fornecedor Vimos para que para funcionar ordenadamente e com confiabilidade, o sistema JIT deve estar amparado na confiabilidade de entregas de toda a cadeia de fornecedores, basta apenas um dos fornecedores “quebrar” o ciclo de entregas no horário ou dia programado que todo o processo de produção seja comprometido. Pode-se interpretar assim que os fornecedores têm papel fundamental para a eficiência do processo de produção, seja para empresas que trabalham com a 15 filosofia de produção enxuta – JIT, ou não, pois a grande maioria das empresas espera que exista pontualidade, ou seja, uma logística eficiente de distribuição, para que os produtos pedidos cheguem conforme o combinado. Dessa forma, a escolha dos fornecedores é uma das funções atribuída ao setor de compras, que segue alguns critérios para selecionar seus fornecedores, e esses critérios de escolha não são uma regra a ser obedecida, pois cada empresa tem sua própria política, mas existem alguns pontos em comum e que são unânimes entre as organizações. Esses critérios são: • Tecnologia no mesmo nível do comprador, pois discrepância nesse fator pode comprometer a produção do comprador; • Quando possível, a proximidade é relevante, pois garante menor custo e agilidade nas entregas; • Idoneidade, o histórico de pontualidade de entregas do fornecedor é fator que deve ser considerado; • Ética, a relação de compras e fornecimento deve obedecer à política de ética de ambos os lados (fornecedor x comprador); • Flexibilidade na produção e fornecimento; • Histórico de inovação em produtos, processos (tecnologia); • Pontualidade nas entregas, conforme o planejamento fornecido pelo comprador para tal comprometimento; • Estabilidade financeira, para garantir um relacionamento em longo prazo; • Serviço pós-venda, quando se trata de produtos que necessitarão de manutenção e peças de reposição, o fornecedor deve ser capaz de suprir essa demanda pós-venda. Esses fatores que determinam o perfil do fornecedor são para que o setor de compras possa ser capaz de cumprir seus objetivos de aquisição de materiais: qualidade, preço competitivo e cumprimento dos prazos de entregas. TEMA 5 – DILEMA ENTRE COMPRAR X PRODUZIR INTERNAMENTE O dilema entre comprar um produto de terceiros (terceirização ou outsourcing), a horizontalização, ou seja, o que e quanto adquirir de terceiros, insumos como materiais e serviços para que ocorram normalmente as operações na empresa, ou produzir internamente um produto, a verticalização (produzir o máximo que puder dentro da organização), é estudado e tratado pelo setor de 16 compras junto ao setor de engenharia de produtos. Esse último desenvolve o projeto do produto e cabe ao setor de compras determinar o menor custo de produção com pesquisas de materiais e fornecedores que cumpram o perfil exigido para a situação. Com todos os levantamentos realizados, decide-se se é melhor produzir internamente ou terceirizar. Martins e Alt (2009, p.106-107), pontuam as vantagens de desvantagens entre horizontalizar (terceirizar) e verticalizar (produzir o máximo internamente), quais estão demonstradas nos quadros 1 e 2. Quadro 1 - Vantagens e desvantagens da horizontalização Vantagens e desvantagens da horizontalização Vantagens Desvantagens Redução de custos Menor controle tecnológico Maior flexibilidade e eficiência Deixa de auferir o lucro do fornecedor Incorporação de novas tecnologias Maior e exposição Foco nonegócio principal da empresa Fonte: Martins; Alt (2009, p.106). Quadro 2 - Vantagens e desvantagens da verticalização Vantagens e desvantagens da Verticalização Vantagens Desvantagens Independência de terceiros Maior investimento Maiores lucros Menor flexibilidade (perda de foco) Maior autonomia Aumento da estrutura da empresa Domínio sobre tecnologia própria Fonte: Martins, Alt (2009, p.107). Logicamente que a decisão não é tão simples assim e depende de muitos outros fatores, como os levantamentos dos custos fixos (Cf) e dos custos variáveis (Cv), dos processos de produção (produzir internamente), como dos custos de terceirização (horizontalização). Vejamos como isso funciona: Selecionam-se os métodos de produção, qual será o motivo da decisão e levantam-se os seus custos fixos e variáveis. Uma vez escolhido o fornecedor e conhecendo o custo que ele entregará ao produto, têm-se os dados necessários paro o estudo dos custos variáveis do fornecedor. Com os dados em mãos, determina-se os custos totais (CT) de cada situação e a que obtiver o menor valor poderá ser escolhida. Os custos totais são determinados pela fórmula CT = CF (R$/ano) + CV (R$/un) x Q, sendo: 17 • CF – a soma dos custos com aluguéis, energia, funcionários, etc. (o custo que não sofrerá variação no período a ser estudado e indireto a produção); • CV – custos que variam com a quantidade produzida (custos diretos a produção); • Q – o volume ou quantidade de itens produzidos ou terceirizados; • Tem-se a seguinte fórmula – CT = CF (R$/ano) + CV (R$/un) x Q. Essa fórmula, além de fornecer os custos totais, proporciona a construção do Ponto de Equilíbrio – PE entre a situação em estudo, o que nos permite uma leitura precisa e fácil. O ponto de partida para a produção interna (verticalização) será o custo total pela quantidade produzida, tendo o custo fixo (o menor) como ponto de partida para cruzar o encontro da reta e permitir a leitura com maior facilidade. Para construir o PE para a terceirização (horizontalização), deve-se desconsiderar os CF, logo CF = 0, uma vez que não haverá esses custos para a empresa que comprará, assim considera-se os custos dos números de itens para estudo. Vejamos como isso funciona com o exemplo a seguir: Em uma situação hipotética, são considerados os seguintes custos fixos para a produção pelo método 1 e outros custos pelo método 2 de produção e os custos da terceirização. Quadro 3 – Situação hipotética Método 1 Método 2 Terceirizar Q (un/ano) 7.500,00 7.500,00 7.500,00 Custo fixo (R$/ano) 75.000,00 225.000,00 - Custos variáveis (R$/un) 56,25 52,25 60,00 18 Observe que o valor de Q (quantidade) deve ser igual para os métodos de produção e terceirização para facilitar as comparações e análise. Veremos as situações possíveis a seguir: A. Comparando somente os custos, tem-se entre os métodos 1 e 2 e da terceirização os seguintes resultados: Tabela 1 – Custos totais dos métodos 1, 2 e terceirizar CT = CF (R$/ano) + CV (R$/un) x Q Custo total do método de produção 1 CT método 1 = 75.000 + 56,25 x 7.500 CT método 1= 75.000 + 56,25 x 7.500 CT método 1= 75.000 + 421.875 CT método 1= 496.875 Custo total do método de produção 2 CT método 2 = 225.000 + 52,25 x 7.500 CT método 2= 225.000 + 52,25 x 7.500 CT método 2= 225.000 + 319.875 CT método 2= 616.875 Custo total terceirização CT Terceirizar = 60 x 7.500 CT Terceirizar= 60 x 7.500 CT Terceirizar= 450.000,00 Nesta primeira situação, pode-se concluir que comprar de terceiros seria mais viável, devido ao menor custo. Contudo, a análise não para por aqui e devemos comparar o método 1 com terceirizar e o método 1 e 2, assim consegue- se ver se a quantidade a ser produzida por cada situação é menos oneroso. Quando se faz a comparação entre um método e outro, há igualdade entre as duas situações para que se determine a quantidade (Q), tendo-se o valor de Q é então possível determinar os custos de produção de Q para se chegar a um resultado, vejamos: 19 Tabela 2 – Ponto de equilíbrio entre os métodos 1 e terceirizar MÉTODO 1 X TERCEIRIZAR Determinação da quantidade a ser produzida 75.000 + 56,25 x Q = 60 X Q 60 – 56,25 Q = 75.000 3,75 Q = 75.000 Q = 75.000/3,75 Q = 20.000 unidades/ano Determinação do custo de produção dessa quantidade Q = 20.000 (se o método 1 = a terceirizar, pode-se escolher qualquer uma) CT (método 1x terceirizar) = 75.000 + 56,25 x 20.000 CT (método 1x terceirizar) = 75.000 + 1.125.000 CT (método 1x terceirizar) = 1.200.00 a.a. CT (m1 x t) = 60 x 20.000 CT (m1 x t) = 1.200.000 a.a. Nesta situação, o PE é o cruzamento das retas Q e CT(método 1x terceirizar). Veja como se constrói o PE e se faz a sua interpretação no gráfico 1 a seguir. Ponto de Equilíbrio entre o método 1 e terceirizar. Como na terceirização o CF = zero, portanto menor que produzir pelo método 1 (CF = 75.000,00), esse será o ponto de partida. Vamos analisar agora o método 2 de produção e terceirização. Tabela 3 – Ponto de equilíbrio entre os métodos 2 e terceirizar MÉTODO 2 X Terceirizar Determinação da quantidade a ser produzida 225.000 + 52,25Q = 60Q 225.000 = 60Q – 52,25Q 225.000 = 7,75Q 225.000/7,75 = Q Q = 29.032,26 Determinação do custo de produção dessa quantidade Q = 29.032.26 (se o método 1 = Terceirizar, pode-se escolher qualquer um) CT (método 2x t) = 60 x 29.032,26 CT (método 2x t) = 1.741.935,60 CT (método 2x t) = 225.000+ 52,25 x 29.032,26 CT (método 2x t) = 255.000 + 1.516.935,58 CT (método 2x t) = 1.741.935,60 20 Vamos, então, para a análise dos métodos de produção 1 e 2. Tabela 4 – Ponto de equilíbrio entre os métodos 1 e 2 MÉTODO 1 X MÉTODO 2 Determinação da quantidade a ser produzida 75.000 + 56,25 x Q = 225.000 + 52,25 x Q 56,25Q – 52,25Q = 225.000 – 75.000 4Q = 150.000 Q = 150.000/4 Q = 37.500 unidades/ano Determinação do custo de produção dessa quantidade Q = 37.500 (se o método 1 =método 2, pode-se escolher qualquer uma) CT (método 1x 2) = 75.000 + 56,25 x 37.500 CT (método 1x 2) = 75.000 + 2.109.375 CT (método 1x 2) = 2.184.375 ao ano Com todos os dados disponíveis, então podemos plotar o gráfico para assim fazer a leitura de cada situação, a fim de decidir qual método será mais vantajoso. Vamos ver como é que fica? Preste bem atenção no gráfico, na origem do ponto até o cruzamento da reta, na qual sai uma reta das quantidades a serem produzidas e custo para produzir aquela quantidade, isso é o ponto de equilíbrio, ou seja, quando a reta sai dos custos fixos e cruza o ponto de encontro entre Q e CT, até esse ponto temos os menores custos. Agora então vamos para a leitura e análise do gráfico. 21 Gráfico 1 - Demonstração dos pontos de equilíbrios para as análises das situações propostas Observe a reta que indica M2 x Terceirizar, a qual cruza com M1 x M2 no ponto Q = 15.000 unidades, isso indica que é melhor terceirizar para quantidades de até 15.000 unidades. Observe que a partir desse ponto, os custos da terceirização aumentam e os custos dos métodos M1 e 2 começam a cair, assim a partir de 15.000 unidades até 40.000 unidades, a melhor opção seria produzir pelo método 1. Mas como foi decidido pelo método 1 e não pelo 2, se há uma igualdade nas operações? É simples: nessa igualdade o menor custo fixo é o do método 1, logo esse é o escolhido. Acredito que com toda essa leitura sobre compras você tenha percebido a sua evolução nas empresas, assim como a sua importância na evolução e sucesso nos negócios organizacionais. 22 REFERÊNCIAS MARTINS, P. G.; ALT, P. R. C. Administração de materiais e recursos patrimoniais. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. NOGUEIRA, A. de S. Logística empresarial – um guia prático de operações logísticas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2018. TUBINO, D. F. Manual de planejamentoe controle da produção. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. TEMA 1 – tipos e classificação de armazéns TEMA 2 – TECNOLOGIAS DE GERENCIAMENTO DE ARMAZÉNS