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CENTRO UNIVERSITÁRIO FEI NATAN ABDALA ANÁLISE DOS RESULTADOS DA METODOLOGIA LEAN NA EFICIÊNCIA OPERACIONAL DE EMERGÊNCIAS HOSPITALARES SÃO BERNARDO DO CAMPO - SP 2024 NATAN ABDALA ANÁLISE DOS RESULTADOS DA METODOLOGIA LEAN NA EFICIÊNCIA OPERACIONAL DE EMERGÊNCIAS HOSPITALARES Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro Universitário FEI, como parte dos requisitos necessários para obtenção do título de Bacharel em Engenharia da Produção. Orientado pelo Prof. Henrricco Pujol. SÃO BERNARDO DO CAMPO - SP 2024 NATAN ABDALA ANÁLISE DOS RESULTADOS DA METODOLOGIA LEAN NA EFICIÊNCIA OPERACIONAL DE EMERGÊNCIAS HOSPITALARES Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro Universitário FEI, como parte dos requisitos necessários para obtenção do título de Bacharel em Engenharia da Produção. Orientado pelo Prof. Henrricco Pujol. Comissão julgadora ________________________________________ Orientador e presidente _______________________________________ Examinador (1) _______________________________________ Examinador (2) SÃO BERNARDO DO CAMPO - SP 2024 Dedico este trabalho, primeiramente, a Deus, por me conceder força, sabedoria e inspiração ao longo desta jornada acadêmica. Sua presença constante guiou meus passos, iluminando meu caminho e me dando coragem nos momentos de dificuldade. Sem a sua graça e benevolência, este sonho não teria se tornado realidade. A Ele, toda a honra e glória. AGRADECIMENTOS Agradeço profundamente à minha família pelo apoio incondicional ao longo desta jornada. Aos meus pais, por seu amor, paciência e incentivo constantes, e aos meus irmãos, pelo companheirismo e palavras de encorajamento. Vocês foram fundamentais para a realização deste trabalho, e sou eternamente grato por estarem ao meu lado em cada etapa. Este sucesso é nosso. Expresso minha gratidão ao Centro Universitário FEI, especialmente ao corpo discente e docente do curso de Engenharia de Produção, por proporcionar um ensino de qualidade e preparar-nos como profissionais capacitados para o mercado de trabalho. Ao Prof. Henrricco Nieves Pujol Tucci e à Profa. Denise Luciana Rieg Scramim, meus sinceros agradecimentos pelo auxílio prestado. Sou profundamente grato pela orientação excepcional durante a elaboração desta pesquisa. Os conhecimentos compartilhados e o apoio foram fundamentais para me guiar diante dos desafios enfrentados ao longo do processo. A todos, meu mais sincero obrigado! "Não é a força, mas a perseverança dos altos sentimentos que faz as grandes obras." —Friedrich Nietzsche. RESUMO Este trabalho tem como objetivo avaliar a eficiência hospitalar através da análise de indicadores de desempenho e da aplicação das metodologias Lean e Six Sigma em processos hospitalares. A pesquisa utiliza indicadores como taxa de ocupação de leitos, dias de permanência e taxa de mortalidade para mensurar a eficiência e a qualidade dos serviços prestados em uma instituição hospitalar. Com base na literatura e nos dados analisados, a aplicação dos conceitos Lean e Six Sigma demonstrou-se eficaz na identificação e eliminação de desperdícios, promovendo a melhoria contínua e a otimização do fluxo de pacientes. O uso de testes estatísticos, como Shapiro-Wilk, garantiu a precisão dos dados, permitindo uma análise detalhada das relações entre os indicadores estudados. Os resultados indicam que a aplicação de metodologias de eficiência em ambientes hospitalares pode aumentar a capacidade de resposta e a qualidade do atendimento, proporcionando uma gestão mais racional dos recursos disponíveis. Conclui-se que a análise contínua de indicadores e a adoção de práticas baseadas em evidências são essenciais para a promoção de um atendimento hospitalar de qualidade e sustentável. Recomenda-se que futuras pesquisas expandam o uso de tecnologias de monitoramento e análise em tempo real, visando aprimorar a eficiência e o desempenho hospitalar. Palavras-chave: Eficiência hospitalar. Indicadores de desempenho. Lean Six Sigma. ABSTRACT This study aims to evaluate hospital efficiency through the analysis of performance indicators and the application of Lean and Six Sigma methodologies in hospital processes. The research utilizes indicators such as bed occupancy rate, length of stay, and mortality rate to measure the efficiency and quality of services provided in a hospital institution. Based on the literature and analyzed data, the application of Lean and Six Sigma concepts proved effective in identifying and eliminating waste, promoting continuous improvement, and optimizing patient flow. The use of statistical tests, such as Shapiro- Wilk, ensured data accuracy, allowing for a detailed analysis of relationships between the studied indicators. The results indicate that the application of efficiency methodologies in hospital settings can enhance responsiveness and service quality, providing a more rational management of available resources. It is concluded that continuous analysis of indicators and the adoption of evidence-based practices are essential for promoting high- quality and sustainable hospital care. Future research is recommended to expand the use of real-time monitoring and analysis technologies to further improve hospital efficiency and performance. Keywords: Hospital efficiency. Performance indicators. Lean Six Sigma. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figuras Figura 1: Etapas do Ciclo DMAIC .............................................................................. 15 Figura 2: Ferramentas utilizadas Lean nas Emergências ..............................................26 Tabelas Tabela 1: Hipóteses 29 Tabela 2: Tabela de análise 30 Tabela 3: Tabela com indicadores descritivos e categorizados 38 Tabela 4: Tabela de indicadores analisados 39 Tabela 5: Tabela com validação dos dados hospitalares originais com a quantidade de internações e média de permanência por ano 40 Tabela 6: Resultados do teste de Shapiro-Wilk para normalidade (dados do DATASUS) 42 Tabela 7: Resultados da correlação de Spearman entre variáveis (dados do DATASUS) 43 Tabela 8: Resultados do teste de Mann-Whitney entre duas categorias de internação (dados do DATASUS) 44 Tabela 9: Resultados do teste de Kruskal-Wallis para média de permanência hospitalar entre os anos analisados (dados do DATASUS) 44 Tabela 10: Turnover de leitos 45 Tabela 11: Resultados do teste de turnover de leitos (dados do DATASUS) 46 SUMÁRIO INTRODUÇÃO......................................................................................................... 11 1.1 PERGUNTA PROBLEMA................................................................................... 12 1.2 OBJETIVO GERAL............................................................................................. 13 1.2.1 Objetivos específicos ........................................................................................ 13 1.3 JUSTIFICATIVA.................................................................................................. 13 1.4 METODOLOGIA ................................................................................................ 16 1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO.........................................................................DA INTERNAÇÃO TOTAL GERAL ELETIVO QT INTERNACAO 47.287 QT DIAS PERMANENCIA 137968 MEDIA DE PERMENCIA 2,92 QT OBITOS 533 TAXA DE MORTALIDADE 1,13% URGENCIA/EMERGENCIA QT INTERNACAO 62.610 QT DIAS PERMANENCIA 520464 MEDIA DE PERMENCIA 8,31 QT OBITOS 8.597 TAXA DE MORTALIDADE 13,73% Total QT INTERNACAO 109.897 Total QT DIAS PERMANENCIA 658432 Total MEDIA DE PERMENCIA 5,99 Total QT OBITOS 9.130 Total TAXA DE MORTALIDADE 8,31% Outro indicador relevante é a média de permanência que mede o tempo médio em dias que os pacientes permanecem internados no hospital. Esse dado é calculado dividindo-se o total de dias de permanência pelo número total de internações. Trata-se de um indicador crucial para avaliar a eficiência operacional, pois períodos de permanência mais curtos geralmente refletem maior agilidade nos processos hospitalares, permitindo a liberação de leitos de forma mais rápida para novos pacientes. Além disso, a média de permanência também pode indicar a complexidade dos casos atendidos já que permanências mais longas tendem a estar associadas a quadros mais graves ou que demandam cuidados intensivos. Cabe destacar que períodos prolongados de internação estão diretamente ligados a custos mais elevados, o que impacta tanto o orçamento hospitalar quanto os pacientes e suas famílias. A análise dos dados organizados anualmente, no período de 2017 a 2022, possibilita uma avaliação temporal essencial para medir o impacto de intervenções realizadas nesse intervalo como a adoção do projeto Lean ou outras estratégias de gestão. 1 Tabela dos indicadores usados no período de maio de 2017 a maio de 2022 onde é demonstrado o total geral devido à restrição dos dados analisados. 40 Essa abordagem permite identificar tendências e avanços como a redução gradual na média de permanência ou o aumento na quantidade de internações que podem indicar um crescimento na capacidade de atendimento do hospital ou uma maior demanda da população. A segmentação dos dados por tipo de internação como eletivas e urgências oferece uma visão detalhada sobre a dinâmica de cada tipo de atendimento. Internações de urgência, por exemplo, geralmente, requerem recursos imediatos e tendem a apresentar tempos de permanência mais elevados quando comparadas às internações eletivas que são programadas e possuem fluxos mais previsíveis. Esses indicadores são indispensáveis para o hospital, pois proporcionam uma visão abrangente das operações e permitem a identificação de áreas que demandam melhorias. Eles contribuem para assegurar eficiência operacional, mantendo a qualidade do atendimento e equilibrando custos e receitas. Além disso, a análise desses dados possibilita aos gestores hospitalares tomarem decisões fundamentadas, promovendo uma gestão mais eficiente e sustentável em um cenário caracterizado por recursos limitados e pela crescente demanda por serviços de saúde de qualidade. Assim, esses indicadores constituem uma base sólida para uma gestão hospitalar eficaz, orientada por resultados e alinhada às necessidades dos pacientes e da instituição. A Tabela 2 apresenta os dados validados sobre a quantidade de internações e a média de permanência de pacientes ao longo dos anos. Esses dados foram analisados para garantir a consistência e fornecer uma base confiável para as análises estatísticas subsequentes. Após a validação inicial os dados foram submetidos a um entendimento estatístico que incluiu os testes de correlação e normalidade para avaliar as associações entre quantidade de internações e taxa de mortalidade, e entre dias de permanência e óbitos. Tabela 5: Tabela com validação dos dados hospitalares originais com a quantidade de internações e média de permanência por ano CARATER DA INTERNAÇÃO 2017 2018 2019 2020 2021 2022 Total Geral 01 QT INTERNACAO 9.988 12.555 15.569 12.656 13.466 11.390 75.624 MEDIA DE PERMENCIA 5,77 5,89 4,92 5,44 4,76 4,72 5,22 03 QT INTERNACAO 5.885 7.686 7.876 7.799 8.886 6.768 44.900 MEDIA DE PERMENCIA 6,52 7,06 6,94 7,71 7,64 6,81 7,16 41 Fonte: Dados fornecidos pela instituição hospitalar via DATASUS (Sistema de Informações Hospitalares do SUS - SIH/SUS). A tabela indica a evolução dos indicadores onde o projeto Lean fora aplicado. O CNEs da Santa Casa possui várias habilitações de leitos. O projeto foi aplicado em pacientes adultos com perfil nos leitos 01 clínicos e 03 cirúrgicos. Foi aplicado especificamente nas origens de urgência e emergência com impacto direto nos eletivos, reduzindo a permanência dos pacientes e garantindo o sistema “puxado” da internação até a alta. Dessa maneira é possível aumentar a disponibilidade de leitos para internar eletivo com variados impactos positivos, como o giro nas UTIs. Com base nesses dados validados e analisados, é possível identificar padrões de eficiência no uso dos leitos hospitalares e na rotatividade dos pacientes. A análise dos indicadores hospitalares, incluindo taxa de ocupação de leitos, taxa de mortalidade e dias de permanência, revelou informações importantes sobre a eficiência operacional e áreas em que o fluxo de pacientes poderia ser melhorado. A análise dos dados coletados e a interpretação dos resultados obtidos a partir da aplicação de indicadores de desempenho hospitalar e metodologias de eficiência. Nesse contexto, a utilização de ferramentas do conjunto Lean e Six Sigma, aliadas a métodos estatísticos, permite examinar o funcionamento dos processos hospitalares e identificar áreas de melhoria. A análise busca relacionar os dados obtidos com a eficiência operacional da instituição, considerando os aspectos discutidos anteriormente sobre a importância dos indicadores e das metodologias de gestão para otimizar o atendimento hospitalar (DONABEDIAN, 2005; BRASIL, 2019). Conforme discutido no referencial teórico, os indicadores de desempenho são essenciais para avaliar a eficiência e a qualidade dos serviços prestados. Indicadores como taxa de ocupação de leitos, dias de permanência e taxa de mortalidade fornecem uma visão abrangente sobre o uso de recursos e o atendimento ao paciente. Segundo Donabedian (2005), uma taxa de ocupação equilibrada é crucial para a qualidade do atendimento, pois garante que a capacidade de leitos esteja disponível conforme a demanda, sem sobrecarregar o sistema. Além disso, a análise de indicadores como a média de permanência permite avaliar a eficiência no fluxo de pacientes, destacando possíveis gargalos e justificando a revisão de processos. Oliveira e Santos (2020) apontam que períodos prolongados de 42 permanência podem indicar processos ineficazes e sobrecarga de recursos, comprometendo a eficiência do atendimento. Os testes de normalidade tiveram como objetivo determinar se os dados seguem uma distribuição normal, aspecto essencial para a seleção dos testes estatísticos apropriados. Usando a fórmula do teste de Shapiro-Wilk para normalidade, foi possível obter os resultados apresentados na Tabela 3. Chegando a conclusão de que os dados não são paramétricos, justificando, assim, o uso de métodos como a correlação de Spearman e testes t não pareados. Tabela 6: Resultados do teste de Shapiro-Wilk para normalidade (dados do DATASUS) Fonte: Elaborado pelo autor com base em dados do DATASUS (2024) 4.3 Análise dos Padrões de Correlação entre Indicadores Hospitalares A partir dos cálculos realizados com o coeficiente de correlação de Spearman, foi possível identificar padrões de associação entre variáveis-chave do ambiente hospitalar, o que contribui para uma compreensão mais detalhada dos fenômenos estudados. Primeiramente, a correlação entre o número de internações e a taxa de mortalidade apresentou um valor de -0,04, indicando uma correlação muito fraca. Esseresultado sugere que o aumento no número de internações não está diretamente associado a um aumento na mortalidade, o que pode indicar que o volume de pacientes internados não interfere significativamente na taxa de óbitos. Já, nos cálculos realizados com a correlação entre o número de dias de permanência e a taxa de mortalidade foi quase inexistente, com um valor de -0,02. Esse dado implica que o tempo de permanência dos pacientes no hospital não apresenta uma relação linear forte com a mortalidade, reforçando a hipótese de que outros fatores podem ser mais determinantes na variação da taxa de óbitos. Por conseguinte, ao analisar a correlação entre o número de internações de urgência e o número de óbitos, foi possível observar uma correlação extremamente forte de 0,998. Esse valor evidencia uma relação direta significativa, sugerindo que o aumento 43 nas internações de urgência está fortemente associado a um aumento no número de óbitos. Esse resultado aponta para a importância de uma atenção especial nas internações de urgência, uma vez que elas estão fortemente correlacionadas com o desfecho de mortalidade, possivelmente devido à gravidade das condições dos pacientes internados nessas circunstâncias. No teste de Spearman há grande sensibilidade a padrões consistentes, por isso se os dados mostram uma relação crescente (mais internações = mais óbitos), o coeficiente pode ser alto mesmo sem uma relação 100% linear. Nesse contexto, foi possível observar que os testes de correlação se mostraram eficazes para avaliar a intensidade e a direção das relações entre variáveis numéricas, essencial para a análise hospitalar. Tabela 7: Resultados da correlação de Spearman entre variáveis (dados do DATASUS) Variáveis Comparadas Coeficiente (rs) Interpretação QT DIAS PERMANENCIA vs TAXA DE MORTALIDADE -0,02 Correlação muito baixa QT INTERNACAO vs TAXA MORTALIDADE -0,04 Correlação fraca e negativa QT INTERNACAO URGENCIA vs QT ÓBITOS 0,99 Correlação muito alta Fonte: Elaborado pelo autor com base em dados do DATASUS (2024) 4.4 Comparação entre Internações Eletivas e de Urgência Para avaliar a média de permanência entre internações eletivas e de urgência, foi aplicado o teste de Mann-Whitney. A estatística U foi de 0,0, com um valor de p de 7,80e- 22, visto na tabela 5, indicando uma diferença altamente significativa entre as duas categorias de internação. Esses resultados ressaltam que o tipo de internação impacta significativamente o tempo médio de permanência, sugerindo que pacientes em internações de urgência tendem a permanecer mais tempo no hospital em comparação com os de internação eletiva. Essa diferença pode ser explicada pela gravidade dos casos de urgência, que demandam maior tempo de tratamento e recuperação. 44 Tabela 8: Resultados do teste de Mann-Whitney entre duas categorias de internação (dados do DATASUS) Comparação Estatística U Valor p Conclusão Eletiva vs Urgência 0,0 7,80 x 10^22 Altamente significativo (p 0.05), aceita-se a hipótese nula, indicando que não há evidências suficientes para afirmar variações na eficiência ao longo do tempo. 46 Tabela 11: Resultados do teste de turnover de leitos (dados do DATASUS) Comparação Estatística t Valor p Conclusão 2017 vs 2018 -1,97 0.064 Não significativo (p > 0.05) 2017 vs 2019 -6,99 3.28 x 10^-5 Significativo (pfoi diretamente impactada por iniciativas como o 5S, que otimizou a organização de materiais e equipamentos, e o PDCA, que permitiu implementar melhorias contínuas baseadas em dados. Por exemplo, atrasos na alta médica foram minimizados ao redefinir fluxos de trabalho e eliminar etapas redundantes, ações suportadas pelos estudos de Rother e Shook (1998) e Hirano (1995). A prática do Daily Huddle, fundamentada em Liker (2004), teve papel crucial ao integrar equipes em reuniões diárias para monitorar métricas como taxa de ocupação e tempo de permanência. Essa abordagem proativa permitiu ajustes rápidos e eficazes nas operações, sustentando a eficiência do turnover de leitos, especialmente nos anos de maior crescimento (2019 e 2022). 47 Essas intervenções evidenciam que o Projeto Lean teve impacto significativo na melhoria dos indicadores hospitalares, demonstrando uma gestão mais eficiente e orientada por dados. Embora as taxas de mortalidade não tenham apresentado alterações relevantes, os ganhos na média de permanência e no turnover de leitos mostram avanços concretos na capacidade operacional. O aumento do turnover, por exemplo, destaca como a otimização dos fluxos e a gestão de recursos impactaram diretamente a eficiência, com valores superiores em 2019 e sustentados nos anos seguintes. A análise estatística validou esses achados e reforça a relevância das ferramentas aplicadas. Os resultados demonstram que a adoção de metodologias Lean e Six Sigma é essencial para promover mudanças estruturais e sustentáveis em ambientes hospitalares, alinhando-se aos objetivos do projeto e elevando a qualidade e a eficiência do atendimento. 48 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho teve como objetivo avaliar a eficiência hospitalar por meio da aplicação das metodologias Lean e Six Sigma, utilizando indicadores de desempenho para medir o impacto nos processos assistenciais. Com base nos dados analisados, foi possível observar que o uso de indicadores como a taxa de ocupação de leitos, dias de permanência e taxa de mortalidade fornece uma visão ampla e clara do desempenho operacional, auxiliando os gestores a identificar gargalos e áreas que requerem melhorias. A pesquisa contribuiu para uma compreensão acerca do método Leans ao evidenciar que é eficiente à longo prazo, sendo duradouro. Destacou, portanto, importantes avanços na eficiência hospitalar ao analisar o turnover de leitos que aumentou significativamente ao longo dos anos, refletindo uma melhor gestão operacional. A alta correlação (rs = 0.99 ) entre internações de urgência e óbitos revelou como a gravidade dos casos impacta diretamente os resultados clínicos, indicando a necessidade de estratégias específicas para pacientes críticos. Além disso, os testes estatísticos, como correlação de Spearman, ANOVA e t de Student, garantiram a validade das análises, oferecendo insights confiáveis para decisões gerenciais. Os resultados sugerem que o projeto Lean implementado contribuiu para melhorias operacionais importantes, como maior eficiência no uso dos leitos e redução do tempo de permanência. Este estudo também serve como base para futuras pesquisas, como análise econômica do impacto Lean e ajustes clínicos baseados na gravidade dos pacientes, reforçando sua relevância para gestores hospitalares e pesquisadores da área da saúde. A revisão da literatura destacou a relevância dos indicadores de desempenho como ferramentas fundamentais para a gestão hospitalar eficiente. Autores como Donabedian (2005) enfatizam a importância de uma taxa de ocupação equilibrada e de práticas que assegurem a qualidade no atendimento, aspectos confirmados pelos resultados obtidos. A análise dos indicadores mostrou que, quando monitorados de forma sistemática, esses parâmetros permitem uma visão estratégica do uso dos recursos, otimizando o fluxo de pacientes e reduzindo o tempo de permanência, o que resulta em uma melhoria na qualidade do atendimento. As metodologias Lean e Six Sigma, aplicadas à análise dos dados, mostraram-se eficazes na redução de desperdícios e na implementação de práticas de melhoria contínua no ambiente hospitalar. Conforme discutido por Womack e Jones (2003) e George et al. 49 (2005), essas metodologias ajudam hospitais a identificar e eliminar etapas que não agregam valor, promovendo um atendimento mais ágil e com menor variabilidade nos processos. A aplicação prática dessas metodologias reforça a importância de uma gestão hospitalar orientada para a eficiência, com foco na segurança do paciente e na alocação racional de recursos. A utilização de técnicas estatísticas, como os testes de normalidade e correlação, reforçou a credibilidade dos resultados, permitindo uma interpretação detalhada das variáveis estudadas. A aplicação de testes como o Shapiro-Wilk garantiu que as análises estivessem fundamentadas em dados confiáveis e precisos, conferindo rigor científico à avaliação da eficiência hospitalar. Embora a pesquisa apresente uma análise robusta e detalhada sobre o tema da eficiência hospitalar utilizando as metodologias Lean e Six Sigma existem algumas limitações que podem ser utilizadas para contextualizar os resultados e apontar possíveis direções ao trabalho. Nesse sentido entende-se que houve um escopo limitado dos indicadores utilizado, o que significa dizer que o estudo focou em indicadores, como taxa de ocupação de leitos, dias de permanência e taxa de mortalidade. Embora sejam estes indicadores de grande importância existem outros fatores impactantes na eficiência hospitalar, como: satisfação do paciente, qualidade do atendimento, eficiência da equipe médica e da enfermagem e alocação de recursos financeiros. A inclusão de uma gama maior de informações, portanto, permitiria uma visão mais holística. A falta de consideração para as variáveis externas demonstra que o trabalho se concentrou em variáveis estritamente internas ao hospital. A ausência desse fator pode ser considerada uma limitação, pois esses fatores ausentes podem afetar, diretamente, a eficiência hospitalar, mesmo com a implementação de metodologias de melhoria. Não obstante a generalização dos resultados demonstra que a pesquisa teve como base um único hospital ou um número restrito de hospitais, tendo como resultados números que podem ser generalizáveis. Isso significa dizer que cada hospital possui características únicas, como o perfil dos pacientes, recursos financeiros específicos e práticas organizacionais que podem afetar a implementação e os resultados das metodologias utilizadas. Assim, estudar uma amostra maior de hospitais ou sistemas de saúde proporcionaria uma visão mais ampla. Em conclusão, o estudo evidencia a importância de uma gestão hospitalar baseada em evidências e na adoção de metodologias de eficiência para enfrentar os desafios operacionais do sistema de saúde. A aplicação contínua de indicadores e práticas como 50 Lean e Six Sigma oferece uma base sólida para a otimização dos processos e para a melhoria da qualidade dos serviços hospitalares. Para estudos futuros, sugere-se a ampliação da análise para incluir outros indicadores e métodos de avaliação, bem como a integração de tecnologias de monitoramento que possam aprimorar o acompanhamento dos processos hospitalares em tempo real. Como recomendações futuras entende-se que deve haver a expansão e aprofundamento sobre o entendimento da eficiência hospitalar, bem como o impacto das metodologias estudadas, porém levando em consideração, também, a existência de outras práticas inovadoras. Nesse sentido pode-se compreender a importância de ampliar o conjunto de indicadores de desempenho para abranger mais a visão sobre o tema; construir estudos longitudinais para avaliação da sustentabilidade das melhorias; incorporação de fatores externos no modelo avaliado; integração detecnologias emergentes, estudos de caso multicêntrico, análise sobre o impacto da cultura organizacional nos hospitais, entendimento sobre os custos e benefícios, entre outros. 51 REFERÊNCIAS ANTHONY, J.; BANUELAS, R. Six Sigma in the UK service organizations: results from a pilot survey. Managerial Auditing Journal, v. 17, n. 2, p. 23-31, 2002. ANTONY, J.; DOUKIDIS, G. Six Sigma in Healthcare: A Case Study Analysis. 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Análise dos indicadores..................................................................................... 34 4.3 Análise dos Padrões de Correlação entre Indicadores Hospitalares................... 38 4.4 Comparação entre Internações Eletivas e de Urgência ......................................39 4.5 Análise Longitudinal de Eficiência Hospitalar ao Longo dos Anos ................. 40 4.6 Discussão dos Resultados com Base no Referencial Teórico ........................... 42 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................ 43 REFERÊNCIAS..................................................................................................... 45 11 1 INTRODUÇÃO O setor de saúde no Brasil apresenta uma série de desafios que impactam diretamente a qualidade do atendimento e a eficiência operacional. O Sistema Único de Saúde (SUS) atende a maior parte da população (BRASIL, 2019). No entanto, o SUS enfrenta desafios estruturais que incluem limitações de infraestrutura, escassez de recursos e uma sobrecarga de pacientes, fatores estes que contribuem para longos tempos de espera e menor eficiência nos atendimentos, especialmente nas emergências hospitalares. Esse cenário é agravado pela distribuição irregular de leitos e recursos hospitalares, além do subfinanciamento crônico que dificulta a ampliação e melhoria dos serviços (CAMPOS; CANABRAVA, 2020). Essa realidade gera uma pressão constante para melhorar a gestão hospitalar, buscando soluções que possam garantir maior eficiência sem comprometer a qualidade do serviço. Nesse contexto, a metodologia Lean, desenvolvida, inicialmente, no setor automotivo, tem se destacado como uma ferramenta eficaz para otimizar os processos hospitalares. A implementação desse conjunto de ferramentas, adaptadas para o setor de saúde, visa eliminar desperdícios e maximizar o valor entregue ao paciente, o que é essencial em ambientes de emergência onde o tempo e a agilidade no atendimento são críticos (WOMACK; JONES, 2018, p. 45). Ao reduzir etapas desnecessárias e focar na melhoria contínua, o Lean pode diminuir, significativamente, o tempo de espera nas emergências hospitalares além de aumentar a capacidade de atendimento sem a necessidade de expansão de recursos (RÉGIS; GOHR; SANTOS, 2018, p. 32). Assim, os impactos da implementação da metodologia nas emergências hospitalares têm se mostrado expressivos. Estudos realizados em hospitais brasileiros demonstram que a adoção da metodologia Lean contribuiu para a redução do tempo de espera dos pacientes e o aumento da rotatividade dos leitos, fatores essenciais para melhorar a eficiência operacional das unidades de emergência. Além disso houve uma otimização no fluxo de pacientes, o que permitiu aos hospitais oferecerem um atendimento mais rápido e com maior qualidade, reduzindo as taxas de superlotação e melhorando a satisfação dos pacientes (BRASIL, 2024). A aplicação do Lean também tem impactos diretos na gestão de recursos. Com a eliminação de processos que não agregam valor esse conjunto de ferramentas permite uma melhor alocação de profissionais e equipamentos, contribuindo para a redução de custos operacionais e o aumento da produtividade (ANTONY; DOUKIDIS, 2019, p. 58). 12 A implementação da metodologia em hospitais tem demonstrado resultados significativos na redução de desperdícios como o uso excessivo de materiais e o tempo improdutivo dos profissionais sem comprometer a qualidade do atendimento (PORTAL HOSPITAIS BRASIL, 2023). Tem, também, o potencial de transformar a forma como os hospitais operam, proporcionando um atendimento mais ágil e eficiente e, ao mesmo tempo, otimizar os recursos disponíveis. Esse conjunto de ferramentas não apenas melhora a eficiência operacional, mas também eleva a segurança e a qualidade do atendimento ao paciente (HALLAM; CONTRERAS, 2021, p. 74). A escolha desse tema é decorrência da crescente necessidade de melhorar a eficiência operacional dos hospitais brasileiros, em especial no atendimento de emergências onde os desafios relacionados à superlotação e à otimização de recursos são mais críticos. Portanto, o Lean oferece uma solução viável e com potencial de beneficiar tanto a gestão hospitalar quanto os pacientes ao criar fluxos de trabalho mais eficientes e menos onerosos para as instituições de saúde (RÉGIS; GOHR; SANTOS, 2018, p. 39). A pesquisa, portanto, se baseia em dados hospitalares fornecidos por uma instituição de saúde, incluindo informações detalhadas sobre internações, dias de permanência e taxas de mortalidade. 1.1 PERGUNTA PROBLEMA A pergunta problema que norteia o presente trabalho é: “A aplicação do Lean, iniciado em 2017, trouxe resultados que são percebidos atualmente?”. Adicionalmente: “Como é realizada a implementação de uma metodologia originalmente industrial para um ambiente de saúde e quais adaptações são necessárias para que o Lean seja eficaz em contextos de emergência hospitalar”? Essa pergunta busca não apenas explorar os benefícios do Lean, mas os ajustes que tornam sua aplicação viável e relevante no setor hospitalar. Para isso é necessário entender como os princípios do Lean, adaptados ao ambiente hospitalar, podem impactar, diretamente, a eficiência dos processos, a redução de desperdícios e a qualidade do atendimento prestado aos pacientes. O estudo também examina como essas mudanças impactam a segurança do paciente e agilizam o tempo de resposta em situações críticas nas emergências. 13 1.2 OBJETIVO GERAL O objetivo geral deste estudo é examinar, de maneira quantitativa, os resultados funcionais e as melhorias proporcionadas pela metodologia Lean nas emergências hospitalares, enfatizando seu potencial como uma estratégia eficaz para obter maior eficiência operacional no contexto hospitalar. Por meio da adaptação das práticas Lean ao ambiente hospitalar, considerando suas particularidades, como a superlotação e a necessidade de um atendimento rápido e eficiente. Além disso, busca-se validar o impacto da metodologia na rotatividade dos leitos e no tempo de resposta, oferecendo diretrizes práticas para replicação em outras instituições de saúde. 1.2.1 Objetivos específicos • Avaliar os índices de desempenho hospitalar antes e depois da implementação das metodologias Lean e Six Sigma; • comprovar a relevância de metodologias, ferramentas e técnicas oriundas da engenhariapara aprimorar a eficiência em setores variados, incluindo o da saúde; • confirmar os resultados através de testes estatísticos, como a correlação de Spearman e a ANOVA. • atestar a importância de ferramentas e metodologias originárias da indústria para a melhoria da eficiência em outros segmentos, como o hospitalar; • avaliar os resultados por meio de testes estatísticos, como correlação de Spearman e ANOVA. 1.3 JUSTIFICATIVA O setor de saúde no Brasil, especialmente as emergências hospitalares, enfrenta grandes desafios como superlotação, longos tempos de espera e uma gestão, muitas vezes, ineficiente dos recursos disponíveis. Esses problemas são particularmente relevantes no contexto do hospital estudado, localizado na região do Grande ABC, em São Paulo, uma área metropolitana densamente povoada que abriga bairros diversos e possui uma 14 população extensa. Essa localização estratégica torna o hospital um centro crucial para o atendimento tanto local quanto regional, oferecendo serviços médicos de alta complexidade e emergenciais que ajudam a aliviar a demanda de outros centros de saúde na área. Com uma trajetória consolidada ao longo de décadas o hospital tem se destacado pela qualidade do atendimento e pelo papel essencial que desempenha no atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade. Sua natureza filantrópica permite que os serviços sejam acessíveis a todos, independentemente de sua capacidade financeira, ampliando, assim, a cobertura de saúde para pacientes do SUS e para aqueles que optam por atendimento particular. A parceria com o SUS fortalece o compromisso da instituição com a qualidade e segurança dos serviços além de ampliar o alcance do atendimento médico na região. A integração do hospital à rede de saúde local é outro fator relevante. Colaborando com outras unidades hospitalares a instituição consegue otimizar o uso de recursos, especialmente em situações de alta complexidade e emergência, reforçando a eficiência e capacidade de resposta do sistema de saúde como um todo. Esse tipo de cooperação é fundamental para garantir que os recursos hospitalares sejam utilizados de maneira eficaz, reduzindo o tempo de espera e aumentando a capacidade de atendimento em situações críticas. Nesse contexto, a implementação da metodologia Lean tem ganhado destaque como uma solução viável para enfrentar tais desafios. Originalmente desenvolvida na indústria automotiva, essa metodologia se provou eficaz para otimizar processos em diversos setores, incluindo a área da saúde. Estudos indicam que o Lean pode contribuir, significativamente, para eliminar desperdícios, melhorar a qualidade dos serviços e otimizar o fluxo de trabalho, promovendo uma gestão mais sustentável e eficiente. Segundo Womack e Jones (2018), a utilização do Lean no ambiente hospitalar permite uma organização dos fluxos de trabalho que elimina etapas desnecessárias com impacto direto na qualidade e rapidez do atendimento. Assim, uma das ferramentas centrais dessa metodologia é o ciclo DMAIC (Definir, Medir, Analisar, Implementar e Controlar) que proporciona uma estrutura para a melhoria contínua dos processos. Segundo Werkema (2012), o DMAIC organiza o processo de resolução de problemas de forma sistemática e estruturada, permitindo que as etapas de identificação de problemas, análise e implementação de melhorias sejam realizadas com precisão e eficiência. Essa abordagem tem demonstrado eficácia na área 15 da saúde onde a necessidade de otimizar recursos e aumentar a capacidade de atendimento é constante. O Projeto Lean nas emergências, desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, obteve resultados significativos como a redução de 36% na superlotação das emergências e uma diminuição de 40% no tempo de atendimento de pacientes não internados, demonstrando a eficácia dessa metodologia em cenários críticos. Além disso, o elevado custo operacional do setor hospitalar privado no Brasil, associado a uma gestão muitas vezes ineficiente, acarreta prejuízos recorrentes que podem resultar em dívidas elevadas e, em casos extremos, falência. A implementação do Lean representa uma alternativa estratégica para mitigar esses problemas ao promover a redução de desperdícios e a otimização dos recursos disponíveis. Prado-Prado et al. (2020) enfatizam que o processo de profissionalização da gestão hospitalar no Brasil ainda é recente e carece de ferramentas amplamente adotadas que possam enfrentar os desafios do setor, sendo o Ciclo DMAIC uma das ferramentas centrais dessa metodologia. Figura 1: Etapas do Ciclo DMAIC Fonte: Werkema (2012, p. 18). Nesse cenário, o Ciclo DMAIC é uma chave de sucesso em empresas que aplicam o conjunto de ferramentas com intuito de melhora em produto ou processos, sendo fundamento para desenvolver projetos de melhoria, seguindo as fases respectivas de Definir, Medir, Analisar, Melhorar e Controlar e proporcionando uma visão clara e sistemática do processo de otimização dos fluxos de trabalho desde a identificação de problemas até o controle das implementações realizadas (WERKEMA, 2012). Por conseguinte, no contexto hospitalar, o Projeto Lean nas Emergências mostrou resultados impressionantes. Em hospitais públicos e filantrópicos brasileiros a 16 implementação contribuiu para a redução de 36% na superlotação das emergências e uma diminuição de 40% no tempo de atendimento de pacientes sem necessidade de internação (BRASIL, 2018). Esses resultados destacam a relevância do Lean como ferramenta para enfrentar a superlotação e melhorar a eficiência operacional, um problema crônico em emergências hospitalares. Além disso, os elevados custos operacionais do setor hospitalar privado agravam os desafios da gestão. A falta de ferramentas adequadas para a gestão eficiente desses recursos resulta, frequentemente, em desperdícios, prejuízos financeiros e, em casos extremos, falência. A adoção de metodologias como o Lean é uma resposta eficaz para reverter esse cenário ao fornecer uma abordagem prática para a redução de desperdícios e otimização de processos. Estudos demonstram que, ao aplicar o Lean, as instituições hospitalares podem reduzir custos, melhorar o fluxo de pacientes e garantir um atendimento de qualidade (SANTOS; RÉGIS; GOHR, 2018). O processo de profissionalização da gestão hospitalar é relativamente recente no Brasil e poucas ferramentas foram produzidas ou amplamente adotadas para enfrentar os desafios específicos desse setor (PRADO-PRADO et al., 2020). A implementação do Lean Healthcare surge como uma resposta necessária para melhorar a eficiência operacional dos hospitais, contribuir para a redução de custos e proporcionar uma gestão mais robusta e eficaz. Portanto, este trabalho se justifica pela necessidade de otimizar a gestão de emergências hospitalares no Brasil. Ao investigar os impactos da metodologia Lean espera-se fornecer contribuições para a literatura e práticas hospitalares, promovendo uma gestão eficiente com reflexos diretos na qualidade e viabilidade financeira das instituições. 1.4 METODOLOGIA Neste estudo os dados foram fornecidos por uma instituição hospitalar filantrópica que utiliza informações extraídas do DATASUS, visando um diagnóstico preciso sobre a eficiência e a qualidade do atendimento. Para manter a confidencialidade a fonte dos dados é referenciada como "fonte: a empresa”, seguindo a tipologia de pesquisa descrita por Miguel e Sousa (2012). Segundo esses autores, a pesquisa quantitativa é indicada para estudos que analisam dados numéricos e empregam métodos estatísticos para identificar relações e padrões entre variáveis. O caráter exploratório do estudo se justifica pelo 17 objetivo de investigar a aplicação da metodologia Lean em um ambiente hospitalar, enquanto o enfoquedescritivo visa documentar, detalhadamente, os dados e indicadores de eficiência operacional. Os dados foram fornecidos por uma instituição hospitalar que utiliza informações extraídas do DATASUS a fim de chegar a um diagnóstico preciso sobre a eficiência e a qualidade do atendimento. Os dados extraídos do DATASUS englobam informações relevantes como número de internações, dias de permanência e taxas de mortalidade, possibilitando uma análise profunda dos indicadores hospitalares. A escolha pela metodologia Lean como foco do estudo deve-se ao seu potencial de otimizar processos e reduzir desperdícios, aspectos essenciais para melhorar a gestão hospitalar. Esse trabalho somente foi possível através de análise documental com base em relatórios obtidos por meio de entrevistas de um profissional que participou do desenvolvimento do projeto dentro da instituição beneficiada, tanto na execução quanto na curadoria dos dados validados em conjunto com um especialista com mais de dez anos de mercado, além de possuir certificações nacionais e internacionais relevantes para a aplicação da metodologia, sendo responsável, também, por atuar em consultoria no projeto Lean nas Emergências e atuando na área de projetos em hospitais pelo Brasil. A partir das informações coletadas foi aplicado o coeficiente de correlação de Spearman para verificar a intensidade das relações entre variáveis como o número de internações, dias de permanência e taxas de mortalidade. Essa análise estatística permitiu identificar padrões que servem como base para interpretações sobre a eficiência operacional da instituição. Esta pesquisa, portanto, pretende contribuir para o entendimento dos impactos da metodologia Lean em um ambiente de saúde, propondo intervenções que visem à melhoria contínua dos processos hospitalares. 1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO Este trabalho está dividido em cinco capítulos, além das considerações finais e dos elementos complementares. 1.5.1 Capítulo 1 - Introdução Apresenta o contexto e a justificativa do estudo, o problema de pesquisa, os objetivos gerais e específicos e a metodologia empregada. Esse capítulo define o escopo do trabalho e a importância do tema para o setor hospitalar. 18 1.5.2 Capítulo 2 - Referencial teórico O segundo capítulo aborda os principais conceitos relacionados à eficiência hospitalar, indicadores de desempenho e as metodologias Lean e Six Sigma. Esta fundamentação teórica proporciona o embasamento necessário para a análise dos dados. 1.5.3 Capítulo 3 - Metodologia O terceiro capítulo detalha os procedimentos adotados para a coleta e análise dos dados. São, portanto, apresentados os critérios para a seleção de indicadores, as ferramentas estatísticas utilizadas e os métodos de validação aplicados, seguindo as diretrizes discutidas no referencial teórico. 1.5.4 Capítulo 4 – Análise e resultados da pesquisa Este capítulo traz a análise dos dados coletados e a interpretação dos resultados com base nas metodologias e nos indicadores discutidos, avalia a eficiência hospitalar e sugere possíveis melhorias com base nos conceitos de Lean e Six Sigma. 1.5.5 Capítulo 5 – Conclusão O quinto capítulo reúne as considerações finais sobre os resultados encontrados, ressaltando a importância da gestão eficiente para o desempenho hospitalar. São apresentadas as limitações do estudo e as sugestões para pesquisas futuras. 19 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Eficiência hospitalar e gestão O sistema de saúde, em especial no contexto hospitalar, enfrenta desafios significativos para assegurar a eficiência e a qualidade no atendimento aos pacientes. Com o aumento da demanda por serviços de saúde e a crescente limitação de recursos, gestores e profissionais da área precisam lidar com a complexa tarefa de balancear qualidade e eficiência. Conforme destaca Donabedian (2005), a eficiência em serviços de saúde se relaciona, intimamente, com a capacidade das instituições de otimizar o uso de seus recursos sem comprometer a qualidade do atendimento prestado à população (DONABEDIAN, 2005). Esse equilíbrio se torna especialmente desafiador quando as necessidades de saúde pública se intensificam, como ocorre em sistemas de saúde universalizados a exemplo do SUS no Brasil. Para que a eficiência seja alcançada os hospitais dependem de uma gestão estratégica que incorpore ferramentas de medição de desempenho. A avaliação contínua de indicadores como a taxa de ocupação de leitos, dias de permanência e índices de mortalidade fornece aos gestores uma visão abrangente do desempenho hospitalar. Esses indicadores se tornam cruciais para identificar áreas de melhoria e para otimizar o processo de atendimento de forma a reduzir o tempo de espera e aprimorar a utilização dos recursos (ARAÚJO; FREITAS, 2017). Nesse sentido, a implementação de sistemas de controle e monitoramento, como o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), constitui uma ferramenta valiosa para a gestão hospitalar no Brasil. Esse sistema, além de auxiliar no monitoramento de indicadores, permite a coleta e análise de dados que fundamentam a tomada de decisões e a alocação de recursos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2019). Além disso, as práticas de gestão e a metodologia de avaliação hospitalar evoluíram com o advento de modelos de gestão baseados em eficiência como as metodologias Lean e Six Sigma que foram inicialmente desenvolvidas para a indústria, mas que passaram a ser aplicadas em ambientes hospitalares. A adoção dessas metodologias no setor de saúde tem se mostrado eficaz para minimizar desperdícios e aumentar a produtividade sem sacrificar a qualidade do atendimento ao paciente (WOMACK; JONES, 2003). 20 Estudos de caso revelam que, ao aplicar práticas como Lean e Six Sigma, hospitais conseguem otimizar processos, reduzir o tempo de espera e melhorar a eficiência do uso dos leitos hospitalares (GEORGE et al., 2005). No entanto, a implementação dessas metodologias requer um comprometimento significativo com a formação e adaptação de equipes multidisciplinares, bem como o estabelecimento de uma cultura organizacional voltada para a melhoria contínua. Outro aspecto relevante é a dependência dos hospitais em relação ao financiamento público e à necessidade de prestação de contas perante órgãos reguladores. No Brasil, por exemplo, o financiamento de hospitais públicos e filantrópicos pelo SUS é uma das principais fontes de receita para essas instituições. No entanto, conforme observa Mendes (2018), a alocação de recursos nem sempre é proporcional às necessidades das unidades hospitalares, o que exige que gestores busquem eficiência máxima para atender a demanda sem comprometer a qualidade dos serviços. Essa realidade torna a gestão hospitalar uma área desafiadora em que a eficiência precisa ser equilibrada com os princípios de universalidade e equidade que regem o sistema de saúde brasileiro (MENDES, 2018). Nesse contexto, práticas administrativas eficazes e o uso adequado de indicadores de desempenho surgem como ferramentas essenciais para garantir que o atendimento seja acessível e de qualidade, atendendo à demanda sem comprometer a sustentabilidade dos serviços. Dessa forma, o aprimoramento contínuo dos processos internos e a utilização de metodologias de avaliação se tornam fundamentais para uma gestão hospitalar que seja eficiente e humanizada, promovendo assistência de saúde alinhada aos princípios fundamentais do SUS. 2.2 Eficiência hospitalar e indicadores de desempenho A eficiência hospitalar representa um dos principais objetivos das instituições de saúde, especialmente em contextos em que os recursos são limitados e a demanda por atendimento é elevada. Segundo Donabedian (2005), a eficiência em serviços de saúde é definida como a capacidade das instituições de utilizar seus recursos deforma ótima e sem desperdícios, proporcionando qualidade no atendimento ao paciente e atendendo às demandas da população de maneira adequada. No Brasil, a busca por eficiência é especialmente relevante no SUS que enfrenta desafios financeiros e estruturais, exigindo 21 dos gestores uma utilização racional dos recursos e um foco na melhoria contínua dos processos assistenciais. Donabedian (2005) destaca que: A qualidade da assistência médica pode ser definida como a provisão de serviços de saúde que aumentam a probabilidade de resultados de saúde desejados e são consistentes com o conhecimento profissional atual (DONABEDIAN, 2005, p. 79). Nesse contexto, a aplicação de indicadores de desempenho se torna fundamental para avaliar a eficiência e a qualidade dos serviços prestados em hospitais. Esses indicadores, como a taxa de ocupação de leitos, dias de permanência e índices de mortalidade oferecem uma visão objetiva do desempenho institucional e são utilizados para identificar gargalos operacionais e oportunidades de melhoria (ARAÚJO; FREITAS, 2017). Para que os indicadores sejam efetivos na avaliação de desempenho eles precisam ser aplicados de maneira sistemática e acompanhados regularmente, permitindo um monitoramento constante dos principais parâmetros de eficiência e produtividade hospitalar. Araújo e Freitas (2017) ressaltam que, em instituições públicas, os indicadores são ferramentas essenciais para justificar a alocação de recursos e as decisões administrativas, além de proporcionar uma base para a elaboração de políticas de saúde mais eficazes. Um dos principais sistemas utilizados no Brasil para o monitoramento de indicadores hospitalares é o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) que reúne dados sobre internações, taxas de ocupação e outros indicadores relevantes. Conforme destacado pelo Ministério da Saúde (2019), o SIH/SUS possibilita a padronização e a centralização dos dados hospitalares em nível nacional, permitindo que gestores e formuladores de políticas públicas tenham acesso às informações detalhadas e atualizadas sobre o desempenho das unidades hospitalares em diversas regiões do país (BRASIL, 2019). O sistema é utilizado tanto para o monitoramento do desempenho hospitalar quanto para o controle de gastos e a prestação de contas, sendo um recurso crucial para a gestão eficiente dos recursos públicos destinados à saúde. Assim, a importância da eficiência hospitalar vai além da redução de custos, pois também impacta, diretamente, na qualidade do atendimento ao paciente. A literatura indica que hospitais mais eficientes tendem a ter menores taxas de complicações e 22 melhores desfechos clínicos, uma vez que conseguem alocar recursos de forma mais adequada para suprir as necessidades dos pacientes (SILVA; MOURA, 2018). Estudos como o de Silva e Moura (2018) demonstram que a implementação de práticas de gestão baseadas em eficiência, aliadas ao uso de indicadores de desempenho, contribui para a criação de um ambiente hospitalar mais ágil e focado na melhoria contínua. Esses estudos ressaltam, ainda, a importância de se estabelecer uma cultura organizacional voltada para a eficiência na qual todos os profissionais da saúde estejam engajados em práticas de otimização dos processos e em iniciativas de redução de desperdícios. Além disso, o conceito de eficiência hospitalar abrange a capacidade das instituições de responder às variabilidades na demanda por serviços de saúde, como aquelas observadas em surtos de doenças ou em situações de emergência. Segundo Mendes (2018), hospitais eficientes são aqueles que conseguem adaptar, rapidamente, seus recursos e processos para atender a picos de demanda, mantendo a qualidade do atendimento e evitando a sobrecarga das equipes de saúde (MENDES, 2018). Essa flexibilidade operacional é essencial em um ambiente de saúde pública onde o acesso universal e igualitário é um princípio básico. Para alcançar essa flexibilidade os hospitais podem investir em tecnologias de monitoramento e na formação de equipes capacitadas que possam atuar de maneira eficaz em diferentes contextos. Portanto, os indicadores de desempenho e a busca pela eficiência hospitalar são aspectos centrais na gestão de instituições de saúde, pois influenciam os resultados clínicos e operacionais. Ao utilizar indicadores como ferramentas de avaliação contínua os gestores hospitalares têm condições de adotar uma abordagem proativa para identificar e solucionar problemas operacionais, promover a segurança do paciente e melhorar a qualidade do atendimento de forma sustentável. 2.3 Avaliação de indicadores na eficiência hospitalar A avaliação de indicadores de desempenho hospitalar é essencial para entender como os recursos de uma instituição de saúde são empregados e, consequentemente, para identificar áreas de melhoria que possam contribuir para a eficiência e qualidade do atendimento. De acordo com Pereira e Oliveira (2019), o uso de indicadores é uma prática estratégica que não apenas auxilia no monitoramento das atividades hospitalares, mas também contribui para uma gestão mais efetiva dos recursos. 23 Indicadores como a taxa de ocupação de leitos, média de permanência e taxa de mortalidade são frequentemente empregados para avaliar a performance das instituições de saúde, especialmente em hospitais públicos e filantrópicos onde a eficiência é fundamental para garantir o acesso universal (PEREIRA; OLIVEIRA, 2019). No Brasil, o SIH/SUS desempenha um papel fundamental na coleta e organização de dados hospitalares, permitindo o monitoramento de indicadores em nível nacional. De acordo com o Ministério da Saúde (2020), é um dos principais sistemas de informação em saúde do país, proporcionando dados que auxiliam gestores e formuladores de políticas públicas a tomar decisões informadas e a alocar recursos com mais precisão (BRASIL, 2020). O uso do SIH/SUS como base de dados contribui para a padronização de indicadores de desempenho em hospitais de diferentes portes e regiões, facilitando comparações e identificações de padrões. Além dos autores já mencionados, Leape et al. (2007) destacam a importância de estabelecer uma cultura de segurança e eficiência dentro dos hospitais, sugerindo que o acompanhamento sistemático dos indicadores pode promover um ambiente de melhoria contínua. Segundo esses autores, o envolvimento de toda a equipe hospitalar, desde gestores até profissionais de atendimento direto, é essencial para implementar uma abordagem baseada em indicadores e garantir que as práticas de saúde estejam alinhadas com os melhores padrões de eficiência (LEAPE et al., 2007). Na prática, a análise de indicadores hospitalares permite que as instituições de saúde identifiquem gargalos operacionais, compreendam a relação entre tempo de permanência e qualidade do atendimento, além de promoverem ajustes nas práticas assistenciais e administrativas. De acordo com Araújo e Freitas (2017), hospitais que monitoram continuamente seus indicadores têm uma visão mais precisa de suas necessidades e desafios, o que permite realizar intervenções mais assertivas e voltadas para a solução de problemas específicos (ARAÚJO; FREITAS, 2017). Esse monitoramento, contudo, depende da capacitação dos gestores para interpretar, adequadamente, os dados e utilizar os resultados para orientar mudanças práticas. A adoção de metodologias de avaliação como o Balanced Scorecard (BSC) tem sido utilizada como uma ferramenta eficaz para a avaliação dos indicadores de desempenho hospitalar. O BSC, proposto por Kaplan e Norton (1992), permite que instituições hospitalares alinhem seus indicadores estratégicos com suas metas de eficiência, ajudando a monitorar a performance em múltiplas dimensões. Essa metodologia auxilia na tradução dos objetivos estratégicos da instituição emindicadores 24 de desempenho específicos que podem ser monitorados e ajustados conforme as necessidades operacionais (KAPLAN; NORTON, 1992). Portanto, a análise de indicadores de desempenho não se restringe apenas ao monitoramento de dados, mas envolve uma abordagem integrada que busca a melhoria contínua dos processos e do atendimento ao paciente. O uso de sistemas de avaliação e de metodologias como o BSC proporciona aos gestores hospitalares uma visão mais clara dos resultados institucionais, orientando as ações estratégicas e contribuindo para a eficiência e a sustentabilidade das instituições de saúde. 2.4 Importância dos indicadores para a gestão hospitalar Os indicadores de desempenho hospitalar são instrumentos fundamentais para que gestores possam tomar decisões informadas e direcionadas ao aprimoramento da eficiência e da qualidade dos serviços prestados. De acordo com Oliveira e Santos (2020), a gestão hospitalar eficiente depende de um sistema robusto de monitoramento que permita não apenas o acompanhamento das atividades operacionais, mas também o alinhamento das ações institucionais com as metas estratégicas da organização (OLIVEIRA; SANTOS, 2020). A análise de indicadores como tempo médio de permanência (é o tempo que, em média, um paciente permanece internado no hospital) representa a agilidade na gestão de altas das especialidades médicas do hospital, impactando, diretamente, na liberação de leitos para disponibilização aos pacientes que aguardam no serviço de urgência e taxa de mortalidade em até 24h (identifica o número de óbitos que ocorreram nas primeiras 24h de pacientes que entraram a partir do Serviço de Urgência, sobre a quantidade de saídas, altas, transferências externas, internações, óbitos, etc.), entre outros, são imprescindíveis para identificar gargalos operacionais e ajustar processos de forma contínua, assegurando a excelência no atendimento ao paciente. Esses indicadores servem como um termômetro para a performance hospitalar, permitindo que a instituição mantenha um acompanhamento constante de suas principais áreas de atuação e responda, rapidamente, às mudanças ou necessidades específicas. Segundo Gomes e Almeida (2018), a utilização de indicadores facilita a visualização de tendências e padrões, auxiliando na identificação de áreas críticas que necessitam de ajustes. Ao monitorar o desempenho de setores específicos como pronto-atendimento, 25 unidades de terapia intensiva e alas de internação os gestores podem alinhar recursos de acordo com a demanda e melhorar a alocação de insumos, equipe e infraestrutura. O uso de indicadores de desempenho hospitalar também está associado ao aumento da transparência e da prestação de contas, especialmente em hospitais públicos e filantrópicos. Conforme destacado por Nogueira (2019) a pressão por transparência nas instituições de saúde tem impulsionado a adoção de sistemas de monitoramento que fornecem dados detalhados sobre o uso de recursos e o alcance de metas (NOGUEIRA, 2019). Essa transparência é crucial não apenas para atender às exigências regulatórias, mas também para consolidar a confiança da sociedade e dos órgãos financiadores, demonstrando o compromisso da instituição com a gestão eficiente dos recursos públicos e o cumprimento de sua missão assistencial. A avaliação de indicadores também contribui para o desenvolvimento de um ambiente de trabalho mais organizado e eficaz, o que reflete no atendimento ao paciente. Segundo estudos de Moreira e Costa (2021), a implementação de um sistema de monitoramento de indicadores de desempenho melhora a comunicação entre as equipes, facilita a definição de prioridades e promove um ambiente de trabalho colaborativo e focado na qualidade do atendimento (MOREIRA; COSTA, 2021). Ao fortalecer a cultura de avaliação e melhoria contínua as instituições hospitalares se tornam mais resilientes e adaptáveis às mudanças do ambiente externo, garantindo a manutenção de padrões de qualidade. Além disso, o uso de indicadores possibilita que gestores hospitalares tenham uma visão ampla e sistemática das operações que é essencial para a definição de metas e para a implementação de planos de ação eficazes. Como observado por Kaplan e Norton (1992) com o modelo Balanced Scorecard, a tradução dos objetivos estratégicos em indicadores de desempenho permite um acompanhamento estruturado e multidimensional dos resultados hospitalares, abrangendo não apenas aspectos financeiros, mas a qualidade dos processos, a satisfação dos pacientes e o aprendizado organizacional (KAPLAN; NORTON, 1992. Esse tipo de abordagem integrada contribui para que as instituições hospitalares alinhem suas operações ao propósito institucional e promovam uma gestão orientada à eficiência e ao valor. Portanto, os indicadores de desempenho hospitalar são mais do que métricas; são ferramentas estratégicas que direcionam a instituição para o aprimoramento contínuo e para a qualidade sustentável dos serviços de saúde. Quando utilizados de forma integrada 26 e com uma visão estratégica os indicadores auxiliam na construção de um ambiente hospitalar orientado ao resultado onde a excelência e a eficiência caminham lado a lado. A alocação incorreta de pacientes de alta complexidade, serviços de urgência superlotados, escassez de recursos (pessoas, leitos e insumos) e processos deficientes podem gerar um aumento nos óbitos do Serviço de Urgência. 2.5 Lean Six Sigma e indicadores de saúde A análise de indicadores de desempenho hospitalar requer metodologias estruturadas que permitam mensurar, avaliar e melhorar continuamente os processos. As metodologias Lean e Six Sigma, inicialmente desenvolvidas para o setor industrial, ganharam espaço na saúde devido à sua capacidade de reduzir desperdícios, otimizar fluxos de trabalho e melhorar a eficiência sem comprometer a qualidade do atendimento ao paciente. Segundo Womack e Jones (2003), o Lean Thinking é uma abordagem voltada para a eliminação de atividades que não agregam valor, promovendo a eficiência e a produtividade ao longo da cadeia de valor (WOMACK; JONES, 2003, p. 102). Em ambientes hospitalares, isso significa identificar e eliminar etapas desnecessárias que prolongam o tempo de espera ou consomem recursos sem impacto direto no tratamento. Figura 2: Ferramentas utilizadas Lean nas Emergências Fonte: Brasil (2018). O DMAIC é utilizado por ser uma metodologia sequencial para melhorar processos, entre outros benefícios, seguindo uma estrutura organizada que garante 27 resultados padronizados. Assim, foi seguido o plano com as devidas ferramentas de melhoria contínua em cada etapa do ciclo DMAIC conforme descrito no desenvolvimento do projeto Lean nas Emergências, apresentado na figura 2, com o conjunto de ferramentas aplicadas para alcançar o gerenciamento dos indicadores (WERKEMA, 2012). O termo DMAIC é um acrônimo utilizado para descrever as cinco etapas aplicadas em projetos Lean e Lean Six Sigma que são: Define (Definir), Measure (Medir), Analyze (Analisar), Improve (Melhorar) e Control (Controlar). Especificamente no projeto Lean nas Emergências, o termo "Melhorar" foi substituído por "Executar" para facilitar a compreensão e a oralidade junto à equipe que implementa o projeto dentro do hospital. Na etapa "Definir" foram estabelecidos os indicadores a serem tratados e delimitado o escopo do projeto que é atuar em hospitais públicos com foco na melhoria dos indicadores e na redução do tempo de permanência dos pacientes. Na etapa "Medir" realiza-se a coleta das informações dos indicadores a fim de embasar o projeto e as melhorias propostas com base nos dados. Na etapa "Analisar" são feitos os desenhos de fluxo de processos que destacam as oportunidades de melhoria e os pontos críticos. O diagrama de espaguete é utilizado para mapearos deslocamentos dos funcionários do hospital, medindo as distâncias percorridas e o tempo necessário para cada movimentação. Após a elaboração e compreensão do percurso do paciente, juntamente com a identificação dos maiores tempos de deslocamento dos funcionários, realizam-se estudos para reduzir esses tempos e otimizar o fluxo. Nesse contexto, utiliza-se a ferramenta 5S que visa melhorar o ambiente por meio dos cinco sensos: seiri (senso de utilização), seiton (senso de organização), seisou (senso de limpeza), seiketsu (senso de saúde e higiene) e shitsuke (senso de autodisciplina) (BRASIL, 2018). Após aplicar o 5S os processos são padronizados, identificando-se, claramente, onde estão as oportunidades de melhoria. Em seguida é feita uma priorização de variáveis críticas do processo considerando esforço e impacto, ou seja, priorizando ações de menor esforço para a execução e maior impacto na redução do tempo de permanência do paciente, que é o indicador central analisado. Com a análise concluída o projeto avança para a etapa "Executar", onde é criado um plano de ação utilizando a ferramenta 5W2H, uma metodologia prática que estrutura as atividades por meio das sete perguntas fundamentais: O quê? Por quê? Onde? Quando? Quem? Como? Quanto custará? (SILVA; SANTOS, 2022). 28 Por fim, na etapa "Executar" realiza-se a daily huddle do projeto, bem como a aplicação de outras ferramentas auxiliares que contribuem para sua implementação. Já na etapa "Controlar" é realizada a gestão dos indicadores, analisando os resultados ao longo do projeto para verificar se houve impactos positivos e qual foi a extensão das melhorias geradas, evidenciando os avanços nos processos. O Six Sigma, por sua vez, concentra-se na redução de variações nos processos utilizando ferramentas estatísticas para alcançar níveis elevados de controle de qualidade. Estudos demonstram que a aplicação de Six Sigma em hospitais tem contribuído para a diminuição de taxas de erro, aprimorando a segurança do paciente e promovendo uma cultura de excelência operacional (GEORGE et al., 2005). Essa metodologia é especialmente eficaz na análise de indicadores de desempenho, pois permite aos gestores quantificarem os níveis de variabilidade e implementar soluções baseadas em dados. A implementação do Six Sigma também requer treinamento especializado e o envolvimento das equipes, criando uma cultura organizacional que valoriza a precisão e a eficiência (ANTHONY; BANUELAS, 2002). Por conseguinte, entre os métodos utilizados está o coeficiente de correlação de Spearman que mede a intensidade e a direção da relação monotônica entre diferentes variáveis. O coeficiente de correlação de Spearman foi aplicado neste estudo para avaliar a intensidade e a direção das relações entre variáveis hospitalares. Trata-se de uma medida estatística não-paramétrica que avalia o grau de associação entre duas variáveis numéricas independentemente de apresentarem uma relação linear. Essa característica torna o teste especialmente adequado para dados que não seguem uma distribuição normal, conforme identificado nas análises preliminares deste estudo. O valor do coeficiente de correlação varia entre -1 e 1, onde valores próximos de 1 indicam uma correlação positiva forte, onde valores próximos de -1 indicam uma correlação negativa forte, e valores próximos de 0 sugerem ausência de correlação monotônica. No contexto deste estudo, essa análise é fundamental para entender como os indicadores hospitalares se relacionam entre si. 2.6 Formulação das hipóteses Além dessas metodologias a aplicação de técnicas estatísticas na análise de indicadores hospitalares é uma prática que fortalece a tomada de decisões com base em evidências. Métodos como a análise de correlação, testes de normalidade e regressão 29 múltipla são frequentemente utilizados para avaliar a relação entre variáveis e identificar fatores que impactam, diretamente, a eficiência hospitalar. Segundo Shapiro e Wilk (1965), o teste de normalidade é uma técnica essencial para entender a distribuição dos dados e, assim, aplicar os testes estatísticos apropriados (SHAPIRO; WILK, 1965). Neste estudo as seguintes hipóteses foram desenvolvidas para orientar a análise estatística: Tabela 1: Hipóteses HIPÓTESE ANÁLISE TESTE UTILIZADO Hipótese 1 (H1) O tempo de permanência dos pacientes hospitalizados segue uma distribuição normal, o que possibilitaria o uso de testes paramétricos nas análises subsequentes. Teste de Shapiro-Wilk Hipótese 2 (H2) Não há diferença significativa na média de permanência entre internações eletivas e de urgência/emergência. Teste de Shapiro-Wilk Hipótese 3 (H3) Não há diferença significativa na média de permanência entre os diferentes anos analisados (2017 a 2022). Teste de Shapiro-Wilk Hipótese 4 (H4) O projeto Lean não resultou em mudanças significativas nos indicadores hospitalares ao longo do tempo. Teste de Shapiro-Wilk Hipótese 1 (H1): O tempo de permanência dos pacientes hospitalizados segue uma distribuição normal, o que possibilitaria o uso de testes paramétricos nas análises subsequentes. Hipótese 2 (H2): Não há diferença significativa na média de permanência entre internações eletivas e de urgência/emergência. 30 Hipótese 3 (H3): Não há diferença significativa na média de permanência entre os diferentes anos analisados (2017 a 2022). Hipótese 4 (H4): O projeto Lean não resultou em mudanças significativas nos indicadores hospitalares ao longo do tempo. Tabela 2: Tabela de análise Hipótese Hipótese Nula (H₀) (H₁) Hipótese Alternativa Justificativa H1 Teste de Normalidade O tempo de permanência dos pacientes hospitalizados segue uma distribuição de caráter normal. O tempo de permanência dos pacientes hospitalizados não segue uma distribuição normal. O tempo de permanência dos pacientes hospitalizados não segue uma distribuição de caráter normal. Avalia se os dados seguem uma distribuicao normal, sendo eficiente para pequenas amostras e fundamental na utilização de testes subsequentes. H2 Eletivas x Urgências Não há diferenças na média de permanência entre internações eletivas e de urgência/emergência . Há diferença na média de permanência entre as internações eletivas e de urgência/emergência . Há diferença presente na média de permanência entre internações eletivas e de urgência/emergência . Verifica a normalidade do tempo de permanência nos dois grupos: eletivas e urgências – define, também, se as análises pamétricas poderão ser aplicadas. H3 (Anos) Não há diferença na média de Há diferença na média de Há diferença significativa na Garante a avaliação da 31 permanência entre os distintos anos estudados (2017 a 2022). permanência entre os distintos anos analisados (2017 a 2024). média de permanência entre os distintos anos analisados (2017 a 2022). normalidade do tempo de permanência por ano, como pré- requisito para determinar as análises subsequentes apropriadas. H4 (Projeto Lean) O projeto Lean não teve como resultado mudanças significativas nos indicadores hospitalares ao longo do tempo. O projeto Lean teve como resultado mudanças significativas nos indicadores hospitalares ao longo do tempo. O projeto Lean teve como resultado mudanças significativas nos indicadores hospitalares ao longo do tempo. Verifica se os dados indicadores hospitalares antes e após o projeto submetido seguem uma distribuição normal, o que tende a facilitar a escolha de métodos analíticos. O teste de normalidade foi aplicado nesse estudo. O teste de Shapiro-Wilk se mostrou eficiente e especialmenteútil para amostras pequenas durante a verificação para definir se os dados seguem uma distribuição normal. A análise de turnover de leitos hospitalares é um indicador que compreende a dinâmica do fluxo de pacientes e a eficiência operacional dos hospitais. Oliveira et al. ( 2018) afirma que o turnover refere-se à frequência com que os leitos hospitalares são desocupados e ocupados. Esse indicador, portanto, é amplamente utilizado na identificação da capacidade de resposta do hospital às demandas de internação, avaliação e desempenho das equipes de saúde, bem como otimização do uso dos recursos disponíveis. 32 A aplicação de métodos estatísticos, como o teste t de Student, aplicado aqui, é comumente empregada na análise do turnover de leitos para comparar médias de determinados períodos para avaliar a existência de diferenças estatisticamente significativas. Essa abordagem permite fundamentar as decisões administrativas, identificando possíveis variações na eficiência operacional do hospital. As hipóteses para a análise de turnover de leitos, portanto, tem como objetivo medir a eficiência operacional do hospital, conforme apresentado em tabela (OLIVEIRA et al., 2018). 2.7 Testes Estatísticos Fórmula do Teste de Shapiro-Wilk para Normalidade W = 𝛴 𝑛𝑖 = 1 𝑎𝑖 − 𝑥 (𝑖) ) ² 𝛴 𝑛𝑖 − 1 (𝑥𝑖 − 𝑥) ² Fonte: Shapiro; Wilk (1965). O teste de Shapiro-Wilk utiliza uma estatística denominada W que mede a aderência dos dados à normalidade. Nessa fórmula, W representa a estatística do teste de Shapiro-Wilk ai são coeficientes pré-calculados que dependem do tamanho da amostra, x(i) são os valores ordenados dos dados, do menor para o maior, xi representa os valores individuais dos dados na amostra, x̄ é a média dos valores da amostra, e n é o número de observações. Quando o valor de W se aproxima de 1, isso indica que os dados seguem uma distribuição próxima da normal. No entanto, valores de W significativamente menores que 1 sugerem que os dados não têm uma distribuição normal. Os cálculos foram realizados com o objetivo de avaliar a relação entre variáveis, como dias de permanência, taxa de mortalidade e número de internações. O teste aplicado foi o coeficiente de correlação de Spearman, devido à distribuição não paramétrica dos dados (verificada pelo teste de normalidade). Fórmula da correlação de Spearman 𝑟𝑠 = 1 − 6 𝛴 𝑑𝑖 2 𝑛 (𝑛2 − 1) Fonte: Adaptado de Siegel e Castellan (1988). A ausência de normalidade tornou-se um fator determinante para a escolha de testes não paramétricos nas comparações subsequentes. Assim, devido à falta de 33 normalidade, foi aplicado o teste de Mann-Whitney para comparar a média de permanência entre internações eletivas e de urgência. O teste de Mann-Whitney é uma ferramenta estatística não paramétrica utilizada para comparar duas amostras independentes, avaliando se elas provêm da mesma população ou apresentam diferenças significativas. Teste de Mann-Whitney U para comparação da média de permanência entre internações eletivas e de urgência U = 𝑛1 𝑛2 + 𝑛1 ( 𝑛1 +1) 2 ﹣𝑅1 Fonte: Mann; Whitney (1947). Em seguida, para avaliar a média de permanência entre anos diferentes, foi utilizado o teste de Kruskal-Wallis, uma alternativa não-paramétrica à ANOVA. O teste de Kruskal-Wallis será utilizado para comparar indicadores hospitalares, avaliando o grau de semelhança ou diferença entre eles para analisar se os valores são iguais é por que não resultou em mudanças. Os valores, quando diferem, demonstram que houve mudança. Esse teste é apropriado quando se deseja comparar três ou mais grupos independentes sem assumir que as distribuições são normais, permitindo identificar variações significativas na eficiência hospitalar. Foi realizada uma análise temporal dos indicadores ao longo de cinco anos, de 2017 a 2022, permitindo a identificação de tendências e variações na eficiência hospitalar. Esta análise foi essencial para observar como a implementação da metodologia Lean influenciou os indicadores de desempenho hospitalar ao longo do tempo e se houve alteração nesse determinado período. Teste de Kruskal-Wallis para comparação da média de permanência entre anos. H = 12 𝑛 (𝑛 +1 ) ∑ 𝑔 𝑖﹦1 𝑅𝑖 2 𝑛𝑖 − 3 (𝑛 + 1) Fonte: Adaptado de Kruskal e Wallis (1952). Nesse contexto, o uso de sistemas computacionais e softwares de análise estatística também tem facilitado a aplicação de metodologias complexas em ambientes hospitalares. Programas como o SPSS e o R possibilitam a análise de grandes volumes de dados e a criação de modelos preditivos que auxiliam na projeção de demandas futuras 34 e no planejamento de recursos. Conforme observa Mendes (2018), a digitalização dos processos hospitalares e o uso de softwares de análise são passos essenciais para que as instituições de saúde avancem em direção à eficiência operacional e à prestação de um serviço de qualidade (MENDES, 2018). Portanto, a utilização de metodologias como Lean, Six Sigma e Balanced Scorecard, aliada às técnicas estatísticas e ao uso de softwares, fornece uma estrutura robusta para a análise e aprimoramento dos indicadores de desempenho hospitalar. Essas práticas auxiliam gestores a tomar decisões baseadas em dados, promovendo a eficiência e a sustentabilidade das operações hospitalares em um cenário onde os recursos são limitados e a demanda por atendimento de qualidade é crescente. As hipóteses para a análise de turnover de leitos que busca medir a eficiência operacional do hospital são apresentadas a seguir: Fórmula do Turnover 𝑇𝑢𝑟𝑛𝑜𝑢𝑣𝑒𝑟: 𝑄𝑡 𝐼𝑛𝑡𝑒𝑟𝑛𝑎çã𝑜 𝑄𝑡 𝐷𝑖𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝑃𝑒𝑟𝑚𝑎𝑛ê𝑛𝑐𝑖𝑎 - Hipótese Nula (H₀): o turnover de leitos não apresenta diferença significativa entre os anos analisados, indicando que a eficiência operacional do hospital permaneceu estável ao longo do tempo. Em termos estatísticos, as médias do turnover dos anos 2017, 2018, 2019, 2020, 2021 e 2022 são iguais. - Hipótese Alternativa (Ha): O turnover de leitos apresenta diferenças significativas entre os anos analisados, sugerindo variações na eficiência operacional do hospital ao longo do tempo. Isso implica que, pelo menos um dos anos, possui uma média de turnover diferente dos outros. 35 3 METODOLOGIA Este trabalho pode ser classificado quanto aos protocolos de pesquisa, como um estudo de caso único que seguiu os seguintes passos para o desenvolvimento da pesquisa: primeiramente foram definidos o problema de pesquisa e os objetivos; em seguida foi realizado o delineamento da pesquisa que possibilitou a coleta de dados e, por fim, ocorreu a etapa de análise de dados, fundamental para a apresentação dos resultados (YIN, 2015). Este estudo é classificado como quantitativo, exploratório e descritivo, conforme a tipologia proposta por Cauchick Miguel et al. (2012). A abordagem quantitativa foi escolhida para possibilitar uma análise estatística robusta dos dados hospitalares, enquanto o caráter exploratório e descritivo permite identificar padrões e variações ao longo do tempo sem formulação de hipóteses iniciais sobre os resultados. Essa classificação possibilita uma análise detalhada das práticas e indicadores hospitalares, contribuindo para uma avaliação baseada em evidências dos processos de gestão hospitalar. A coleta de dados foi realizada por meio do acesso ao Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) disponibilizado pelo DATASUS, responsável por fornecer dados públicos essenciais para o monitoramento de indicadores hospitalares como quantidade de internações, dias de permanência e taxas de mortalidade. Vale ressaltar que, como parte da etapa de coleta de dados e com o objetivode garantir a precisão e relevância das informações, também foram realizadas entrevistas com especialistas em gestão hospitalar. Esses profissionais auxiliaram na interpretação dos indicadores e na seleção das variáveis mais pertinentes ao contexto do estudo. Os dados foram organizados em planilhas segmentadas por ano e tipo de internação, abrangendo o período de 2017 a 2022. Com essa organização buscou-se avaliar a evolução temporal dos parâmetros de eficiência hospitalar e mortalidade, permitindo uma análise detalhada do impacto das práticas de gestão na qualidade do atendimento. A análise dos dados foi realizada com técnicas estatísticas avançadas para assegurar uma interpretação precisa dos indicadores hospitalares. Inicialmente foram aplicados testes de normalidade como o Shapiro-Wilk para verificar a distribuição dos dados, etapa fundamental para definir os métodos estatísticos subsequentes. 36 Devido à ausência de normalidade em algumas variáveis foram aplicados testes não-paramétricos para comparar os indicadores de diferentes grupos e períodos. O teste de Mann-Whitney foi utilizado para comparar a média de permanência entre internações eletivas e de urgência enquanto o teste de Kruskal-Wallis foi aplicado para avaliar a média de permanência entre os diferentes anos. Esses métodos permitiram identificar variações significativas na eficiência hospitalar e compreender as tendências dos indicadores ao longo do tempo. A aplicação desses métodos estatísticos em conjunto com a análise descritiva possibilitou uma interpretação detalhada dos dados, proporcionando uma base sólida para as discussões apresentadas nos resultados. Assim, a metodologia empregada assegura uma visão abrangente sobre os padrões de eficiência e a evolução dos indicadores de desempenho hospitalar no período estudado. Seguindo a tipologia de Miguel e Sousa (2012), esta pesquisa utilizou dados secundários, pois permitiu uma análise detalhada dos indicadores hospitalares enquanto a abordagem exploratória favoreceu a identificação de padrões relevantes na aplicação da metodologia Lean em ambientes hospitalares. Essa abordagem metodológica assegura que os dados analisados são tratados de maneira responsável, promovendo uma investigação equilibrada sobre os impactos da metodologia Lean na gestão hospitalar. É importante ressaltar que os dados fornecidos podem apresentar limitações devido à variabilidade na coleta e registro ao longo dos anos. Como os dados foram extraídos de um sistema público de saúde é possível que a padronização de algumas informações varie entre períodos, o que exige cautela na interpretação dos resultados. Essas considerações foram levadas em conta para garantir que as análises fossem realizadas de maneira correta e com base em dados confiáveis. Este trabalho foi viabilizado por meio de análise documental com base em relatórios obtidos através de entrevistas realizadas com um profissional que participou diretamente do desenvolvimento do projeto na instituição beneficiada, tanto na execução quanto na curadoria de dados. Esses relatórios foram validados em conjunto com um especialista com mais de dez anos de experiência no mercado, detentor de certificações nacionais e internacionais relevantes para a aplicação da metodologia. Esse especialista atuou, ativamente, como consultor no projeto Lean nas Emergências e possui ampla experiência na área de projetos em hospitais em todo o Brasil. 37 4 RESULTADOS O Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) é o setor do SUS responsável por pesquisar, desenvolver e implantar tecnologias de informática que viabilizem a manutenção, atualização ou inovação de sistemas. O conhecimento deste setor é específico da área de saúde pública, no entanto conta com interfaces de comunicação com diversos órgãos governamentais. O DATASUS também é encarregado pela centralização, armazenamento e disponibilização das informações de saúde originadas em quaisquer instituições de saúde participantes do SUS. As principais bases de dados que alimentam e compõe o sistema são: o Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES), o Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA-SUS) e o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH-SUS). A respeito do SIH-SUS, este foi originalmente desenvolvido como um sistema financeiro para gerenciar pagamentos de serviços hospitalares, no entanto, sua importância ganhou relevância, pois este sistema coleta cerca de 60% a 70% das informações sobre internações hospitalares do Brasil e dentro do Sistema Único de Saúde (VIANA et al., 2023). O hospital cujo dados foram analisados está localizado no estado de São Paulo, na região metropolitana da capital, mais especificamente na região conhecida como ABC Paulista. Esta é uma região tradicionalmente industrial e com identidade própria. Sua sigla foi originalmente cunhada devido às maiores cidades da região, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano, no entanto, a região é composta por mais quatro municípios, sendo eles: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Dentre estes municípios o hospital está localizado na maior cidade do ABC Paulista, o município de São Bernardo do Campo. Com o intuito em receber e atender os pacientes locais do ABC paulista, atende também pacientes de todo Brasil e até de outros países em múltiplas especialidades, como também atendimentos de alta complexidade tais como transplantes, neurocirurgias, entre outros. A instituição, conta com quatro unidades hospitalares de média e alta complexidade, um centro psiquiátrico e um centro de saúde escola. Hoje é considerado um dos mais importantes complexos hospitalares do país e atende pelo SUS em todas as especialidades médicas (BRASIL, 2018). 38 4.1. Análise dos indicadores Os dados brutos fornecidos pela instituição foram organizados em planilhas contendo indicadores como quantidade de internações, dias de permanência e média de permanência, categorizados por ano e tipo de internação. Para assegurar a consistência das informações foi realizada uma validação inicial conforme os padrões do SIH/SUS no DATASUS. Esse processo de validação inicial permitiu corrigir eventuais inconsistências e garantir a confiabilidade das análises subsequentes com base em critérios preestabelecidos para cada indicador. Tabela 3 – Tabela com indicadores descritivos e categorizados Indicador Descrição Categoria QT INTERNACAO Quantidade de internações realizadas Volume operacional QT DIAS PERMANENCIA Total de dias que os pacientes permaneceram internados Operacional MEDIA DE PERMANENCIA Média de permanência por paciente Indicador de Eficiência TAXA DE MORTALIDADE Proporção de óbitos em relação às internações Indicador de Resultado QT INTERNACAO URGENCIA Quantidade de internações de urgência/emergência Volume operacional Fonte: Empresa. Os indicadores apresentados na Tabela 1 são ferramentas essenciais para o monitoramento e a avaliação da eficiência operacional e da qualidade do atendimento hospitalar. A quantidade de internações representa o número total de pacientes internados no hospital categorizados por mês e tipo de internação como eletivas e urgências. Esse indicador desempenha um papel fundamental na compreensão da demanda por serviços hospitalares, oferecendo informações valiosas sobre a capacidade operacional. Com base nesses dados é possível prever a necessidade de recursos como equipes médicas, medicamentos e infraestrutura, além de facilitar o planejamento estratégico. A análise temporal da quantidade de internações também permite identificar padrões como picos sazonais ou mudanças na demanda decorrentes de eventos externos como pandemias ou surtos epidemiológicos. 39 Tabela 4: Tabela de indicadores analisados1 CARATER