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CENTRO UNIVERSITÁRIO FEI 
NATAN ABDALA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DOS RESULTADOS DA METODOLOGIA LEAN NA EFICIÊNCIA 
OPERACIONAL DE EMERGÊNCIAS HOSPITALARES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SÃO BERNARDO DO CAMPO - SP 
2024 
 
 
NATAN ABDALA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DOS RESULTADOS DA METODOLOGIA LEAN NA EFICIÊNCIA 
OPERACIONAL DE EMERGÊNCIAS HOSPITALARES 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado ao Centro Universitário FEI, 
como parte dos requisitos necessários 
para obtenção do título de Bacharel em 
Engenharia da Produção. Orientado pelo 
Prof. Henrricco Pujol. 
 
 
 
 
 
 
 
SÃO BERNARDO DO CAMPO - SP 
2024 
 
 
NATAN ABDALA 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DOS RESULTADOS DA METODOLOGIA LEAN NA EFICIÊNCIA 
OPERACIONAL DE EMERGÊNCIAS HOSPITALARES 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado ao Centro Universitário FEI, 
como parte dos requisitos necessários 
para obtenção do título de Bacharel em 
Engenharia da Produção. Orientado pelo 
Prof. Henrricco Pujol. 
 
Comissão julgadora 
 
 
________________________________________ 
Orientador e presidente 
 
 
_______________________________________ 
Examinador (1) 
 
 
_______________________________________ 
Examinador (2) 
 
 
 
SÃO BERNARDO DO CAMPO - SP 
2024 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico este trabalho, primeiramente, a 
Deus, por me conceder força, sabedoria e 
inspiração ao longo desta jornada 
acadêmica. Sua presença constante guiou 
meus passos, iluminando meu caminho e 
me dando coragem nos momentos de 
dificuldade. Sem a sua graça e 
benevolência, este sonho não teria se 
tornado realidade. A Ele, toda a honra e 
glória. 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço profundamente à minha família pelo apoio incondicional ao longo desta 
jornada. Aos meus pais, por seu amor, paciência e incentivo constantes, e aos meus 
irmãos, pelo companheirismo e palavras de encorajamento. Vocês foram fundamentais 
para a realização deste trabalho, e sou eternamente grato por estarem ao meu lado em 
cada etapa. Este sucesso é nosso. 
Expresso minha gratidão ao Centro Universitário FEI, especialmente ao corpo 
discente e docente do curso de Engenharia de Produção, por proporcionar um ensino de 
qualidade e preparar-nos como profissionais capacitados para o mercado de trabalho. 
Ao Prof. Henrricco Nieves Pujol Tucci e à Profa. Denise Luciana Rieg Scramim, 
meus sinceros agradecimentos pelo auxílio prestado. Sou profundamente grato pela 
orientação excepcional durante a elaboração desta pesquisa. Os conhecimentos 
compartilhados e o apoio foram fundamentais para me guiar diante dos desafios 
enfrentados ao longo do processo. 
A todos, meu mais sincero obrigado! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
"Não é a força, mas a perseverança dos 
altos sentimentos que faz as grandes 
obras." —Friedrich Nietzsche. 
 
 
RESUMO 
 
Este trabalho tem como objetivo avaliar a eficiência hospitalar através da análise de 
indicadores de desempenho e da aplicação das metodologias Lean e Six Sigma em 
processos hospitalares. A pesquisa utiliza indicadores como taxa de ocupação de leitos, 
dias de permanência e taxa de mortalidade para mensurar a eficiência e a qualidade dos 
serviços prestados em uma instituição hospitalar. Com base na literatura e nos dados 
analisados, a aplicação dos conceitos Lean e Six Sigma demonstrou-se eficaz na 
identificação e eliminação de desperdícios, promovendo a melhoria contínua e a 
otimização do fluxo de pacientes. O uso de testes estatísticos, como Shapiro-Wilk, 
garantiu a precisão dos dados, permitindo uma análise detalhada das relações entre os 
indicadores estudados. Os resultados indicam que a aplicação de metodologias de 
eficiência em ambientes hospitalares pode aumentar a capacidade de resposta e a 
qualidade do atendimento, proporcionando uma gestão mais racional dos recursos 
disponíveis. Conclui-se que a análise contínua de indicadores e a adoção de práticas 
baseadas em evidências são essenciais para a promoção de um atendimento hospitalar de 
qualidade e sustentável. Recomenda-se que futuras pesquisas expandam o uso de 
tecnologias de monitoramento e análise em tempo real, visando aprimorar a eficiência e 
o desempenho hospitalar. 
 
Palavras-chave: Eficiência hospitalar. Indicadores de desempenho. Lean Six Sigma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
This study aims to evaluate hospital efficiency through the analysis of performance 
indicators and the application of Lean and Six Sigma methodologies in hospital processes. 
The research utilizes indicators such as bed occupancy rate, length of stay, and mortality 
rate to measure the efficiency and quality of services provided in a hospital institution. 
Based on the literature and analyzed data, the application of Lean and Six Sigma concepts 
proved effective in identifying and eliminating waste, promoting continuous 
improvement, and optimizing patient flow. The use of statistical tests, such as Shapiro-
Wilk, ensured data accuracy, allowing for a detailed analysis of relationships between the 
studied indicators. The results indicate that the application of efficiency methodologies 
in hospital settings can enhance responsiveness and service quality, providing a more 
rational management of available resources. It is concluded that continuous analysis of 
indicators and the adoption of evidence-based practices are essential for promoting high-
quality and sustainable hospital care. Future research is recommended to expand the use 
of real-time monitoring and analysis technologies to further improve hospital efficiency 
and performance. 
 
Keywords: Hospital efficiency. Performance indicators. Lean Six Sigma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE ILUSTRAÇÕES 
 
Figuras 
Figura 1: Etapas do Ciclo DMAIC .............................................................................. 15 
Figura 2: Ferramentas utilizadas Lean nas Emergências ..............................................26 
 
Tabelas 
Tabela 1: Hipóteses 29 
Tabela 2: Tabela de análise 30 
Tabela 3: Tabela com indicadores descritivos e categorizados 38 
Tabela 4: Tabela de indicadores analisados 39 
Tabela 5: Tabela com validação dos dados hospitalares originais com a quantidade de 
internações e média de permanência por ano 40 
Tabela 6: Resultados do teste de Shapiro-Wilk para normalidade (dados do DATASUS)
 42 
Tabela 7: Resultados da correlação de Spearman entre variáveis (dados do DATASUS)
 43 
Tabela 8: Resultados do teste de Mann-Whitney entre duas categorias de internação 
(dados do DATASUS) 44 
Tabela 9: Resultados do teste de Kruskal-Wallis para média de permanência hospitalar 
entre os anos analisados (dados do DATASUS) 44 
Tabela 10: Turnover de leitos 45 
Tabela 11: Resultados do teste de turnover de leitos (dados do DATASUS) 46 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO......................................................................................................... 11 
1.1 PERGUNTA PROBLEMA................................................................................... 12 
1.2 OBJETIVO GERAL............................................................................................. 13 
1.2.1 Objetivos específicos ........................................................................................ 13 
1.3 JUSTIFICATIVA.................................................................................................. 13 
1.4 METODOLOGIA ................................................................................................ 16 
1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO.........................................................................DA INTERNAÇÃO 
TOTAL 
GERAL 
ELETIVO 
QT INTERNACAO 
47.287 
QT DIAS PERMANENCIA 
137968 
MEDIA DE PERMENCIA 2,92 
QT OBITOS 533 
TAXA DE MORTALIDADE 1,13% 
URGENCIA/EMERGENCIA 
QT INTERNACAO 62.610 
QT DIAS PERMANENCIA 520464 
MEDIA DE PERMENCIA 8,31 
QT OBITOS 8.597 
TAXA DE MORTALIDADE 13,73% 
Total QT INTERNACAO 109.897 
Total QT DIAS 
PERMANENCIA 
658432 
Total MEDIA DE PERMENCIA 5,99 
Total QT OBITOS 9.130 
Total TAXA DE 
MORTALIDADE 
8,31% 
 
Outro indicador relevante é a média de permanência que mede o tempo médio em 
dias que os pacientes permanecem internados no hospital. Esse dado é calculado 
dividindo-se o total de dias de permanência pelo número total de internações. Trata-se de 
um indicador crucial para avaliar a eficiência operacional, pois períodos de permanência 
mais curtos geralmente refletem maior agilidade nos processos hospitalares, permitindo 
a liberação de leitos de forma mais rápida para novos pacientes. 
Além disso, a média de permanência também pode indicar a complexidade dos 
casos atendidos já que permanências mais longas tendem a estar associadas a quadros 
mais graves ou que demandam cuidados intensivos. Cabe destacar que períodos 
prolongados de internação estão diretamente ligados a custos mais elevados, o que 
impacta tanto o orçamento hospitalar quanto os pacientes e suas famílias. 
A análise dos dados organizados anualmente, no período de 2017 a 2022, 
possibilita uma avaliação temporal essencial para medir o impacto de intervenções 
realizadas nesse intervalo como a adoção do projeto Lean ou outras estratégias de gestão. 
 
1 Tabela dos indicadores usados no período de maio de 2017 a maio de 2022 onde é demonstrado o total 
geral devido à restrição dos dados analisados. 
40 
 
Essa abordagem permite identificar tendências e avanços como a redução gradual 
na média de permanência ou o aumento na quantidade de internações que podem indicar 
um crescimento na capacidade de atendimento do hospital ou uma maior demanda da 
população. A segmentação dos dados por tipo de internação como eletivas e urgências 
oferece uma visão detalhada sobre a dinâmica de cada tipo de atendimento. Internações 
de urgência, por exemplo, geralmente, requerem recursos imediatos e tendem a apresentar 
tempos de permanência mais elevados quando comparadas às internações eletivas que 
são programadas e possuem fluxos mais previsíveis. 
Esses indicadores são indispensáveis para o hospital, pois proporcionam uma 
visão abrangente das operações e permitem a identificação de áreas que demandam 
melhorias. Eles contribuem para assegurar eficiência operacional, mantendo a qualidade 
do atendimento e equilibrando custos e receitas. Além disso, a análise desses dados 
possibilita aos gestores hospitalares tomarem decisões fundamentadas, promovendo uma 
gestão mais eficiente e sustentável em um cenário caracterizado por recursos limitados e 
pela crescente demanda por serviços de saúde de qualidade. Assim, esses indicadores 
constituem uma base sólida para uma gestão hospitalar eficaz, orientada por resultados e 
alinhada às necessidades dos pacientes e da instituição. 
A Tabela 2 apresenta os dados validados sobre a quantidade de internações e a 
média de permanência de pacientes ao longo dos anos. Esses dados foram analisados para 
garantir a consistência e fornecer uma base confiável para as análises estatísticas 
subsequentes. Após a validação inicial os dados foram submetidos a um entendimento 
estatístico que incluiu os testes de correlação e normalidade para avaliar as associações 
entre quantidade de internações e taxa de mortalidade, e entre dias de permanência e 
óbitos. 
 
Tabela 5: Tabela com validação dos dados hospitalares originais com a quantidade de 
internações e média de permanência por ano 
CARATER DA 
INTERNAÇÃO 2017 2018 2019 2020 2021 2022 
Total 
Geral 
01 
QT INTERNACAO 9.988 12.555 15.569 12.656 13.466 11.390 75.624 
MEDIA DE 
PERMENCIA 5,77 5,89 4,92 5,44 4,76 4,72 5,22 
03 
QT INTERNACAO 5.885 7.686 7.876 7.799 8.886 6.768 44.900 
MEDIA DE 
PERMENCIA 6,52 7,06 6,94 7,71 7,64 6,81 7,16 
41 
 
Fonte: Dados fornecidos pela instituição hospitalar via DATASUS (Sistema de Informações Hospitalares 
do SUS - SIH/SUS). 
 
A tabela indica a evolução dos indicadores onde o projeto Lean fora aplicado. O 
CNEs da Santa Casa possui várias habilitações de leitos. O projeto foi aplicado em 
pacientes adultos com perfil nos leitos 01 clínicos e 03 cirúrgicos. Foi aplicado 
especificamente nas origens de urgência e emergência com impacto direto nos eletivos, 
reduzindo a permanência dos pacientes e garantindo o sistema “puxado” da internação 
até a alta. Dessa maneira é possível aumentar a disponibilidade de leitos para internar 
eletivo com variados impactos positivos, como o giro nas UTIs. 
Com base nesses dados validados e analisados, é possível identificar padrões de 
eficiência no uso dos leitos hospitalares e na rotatividade dos pacientes. A análise dos 
indicadores hospitalares, incluindo taxa de ocupação de leitos, taxa de mortalidade e dias 
de permanência, revelou informações importantes sobre a eficiência operacional e áreas 
em que o fluxo de pacientes poderia ser melhorado. 
A análise dos dados coletados e a interpretação dos resultados obtidos a partir da 
aplicação de indicadores de desempenho hospitalar e metodologias de eficiência. Nesse 
contexto, a utilização de ferramentas do conjunto Lean e Six Sigma, aliadas a métodos 
estatísticos, permite examinar o funcionamento dos processos hospitalares e identificar 
áreas de melhoria. A análise busca relacionar os dados obtidos com a eficiência 
operacional da instituição, considerando os aspectos discutidos anteriormente sobre a 
importância dos indicadores e das metodologias de gestão para otimizar o atendimento 
hospitalar (DONABEDIAN, 2005; BRASIL, 2019). 
Conforme discutido no referencial teórico, os indicadores de desempenho são 
essenciais para avaliar a eficiência e a qualidade dos serviços prestados. Indicadores como 
taxa de ocupação de leitos, dias de permanência e taxa de mortalidade fornecem uma 
visão abrangente sobre o uso de recursos e o atendimento ao paciente. Segundo 
Donabedian (2005), uma taxa de ocupação equilibrada é crucial para a qualidade do 
atendimento, pois garante que a capacidade de leitos esteja disponível conforme a 
demanda, sem sobrecarregar o sistema. 
Além disso, a análise de indicadores como a média de permanência permite 
avaliar a eficiência no fluxo de pacientes, destacando possíveis gargalos e justificando a 
revisão de processos. Oliveira e Santos (2020) apontam que períodos prolongados de 
42 
 
permanência podem indicar processos ineficazes e sobrecarga de recursos, 
comprometendo a eficiência do atendimento. 
Os testes de normalidade tiveram como objetivo determinar se os dados seguem 
uma distribuição normal, aspecto essencial para a seleção dos testes estatísticos 
apropriados. Usando a fórmula do teste de Shapiro-Wilk para normalidade, foi possível 
obter os resultados apresentados na Tabela 3. Chegando a conclusão de que os dados não 
são paramétricos, justificando, assim, o uso de métodos como a correlação de Spearman 
e testes t não pareados. 
 
Tabela 6: Resultados do teste de Shapiro-Wilk para normalidade (dados do 
DATASUS) 
 
Fonte: Elaborado pelo autor com base em dados do DATASUS (2024) 
 
4.3 Análise dos Padrões de Correlação entre Indicadores Hospitalares 
 
A partir dos cálculos realizados com o coeficiente de correlação de Spearman, foi 
possível identificar padrões de associação entre variáveis-chave do ambiente hospitalar, 
o que contribui para uma compreensão mais detalhada dos fenômenos estudados. 
Primeiramente, a correlação entre o número de internações e a taxa de mortalidade 
apresentou um valor de -0,04, indicando uma correlação muito fraca. Esseresultado 
sugere que o aumento no número de internações não está diretamente associado a um 
aumento na mortalidade, o que pode indicar que o volume de pacientes internados não 
interfere significativamente na taxa de óbitos. 
Já, nos cálculos realizados com a correlação entre o número de dias de 
permanência e a taxa de mortalidade foi quase inexistente, com um valor de -0,02. Esse 
dado implica que o tempo de permanência dos pacientes no hospital não apresenta uma 
relação linear forte com a mortalidade, reforçando a hipótese de que outros fatores podem 
ser mais determinantes na variação da taxa de óbitos. 
Por conseguinte, ao analisar a correlação entre o número de internações de 
urgência e o número de óbitos, foi possível observar uma correlação extremamente forte 
de 0,998. Esse valor evidencia uma relação direta significativa, sugerindo que o aumento 
43 
 
nas internações de urgência está fortemente associado a um aumento no número de óbitos. 
Esse resultado aponta para a importância de uma atenção especial nas internações de 
urgência, uma vez que elas estão fortemente correlacionadas com o desfecho de 
mortalidade, possivelmente devido à gravidade das condições dos pacientes internados 
nessas circunstâncias. 
No teste de Spearman há grande sensibilidade a padrões consistentes, por isso se 
os dados mostram uma relação crescente (mais internações = mais óbitos), o coeficiente 
pode ser alto mesmo sem uma relação 100% linear. 
Nesse contexto, foi possível observar que os testes de correlação se mostraram 
eficazes para avaliar a intensidade e a direção das relações entre variáveis numéricas, 
essencial para a análise hospitalar. 
 
Tabela 7: Resultados da correlação de Spearman entre variáveis (dados do 
DATASUS) 
Variáveis Comparadas Coeficiente (rs) Interpretação 
QT DIAS PERMANENCIA vs TAXA DE 
MORTALIDADE -0,02 Correlação muito baixa 
QT INTERNACAO vs TAXA 
MORTALIDADE -0,04 
Correlação fraca e 
negativa 
QT INTERNACAO URGENCIA vs QT 
ÓBITOS 0,99 Correlação muito alta 
Fonte: Elaborado pelo autor com base em dados do DATASUS (2024) 
 
4.4 Comparação entre Internações Eletivas e de Urgência 
 
Para avaliar a média de permanência entre internações eletivas e de urgência, foi 
aplicado o teste de Mann-Whitney. A estatística U foi de 0,0, com um valor de p de 7,80e-
22, visto na tabela 5, indicando uma diferença altamente significativa entre as duas 
categorias de internação. Esses resultados ressaltam que o tipo de internação impacta 
significativamente o tempo médio de permanência, sugerindo que pacientes em 
internações de urgência tendem a permanecer mais tempo no hospital em comparação 
com os de internação eletiva. Essa diferença pode ser explicada pela gravidade dos casos 
de urgência, que demandam maior tempo de tratamento e recuperação. 
 
 
 
44 
 
Tabela 8: Resultados do teste de Mann-Whitney entre duas categorias de internação 
(dados do DATASUS) 
Comparação Estatística U Valor p Conclusão 
Eletiva vs 
Urgência 0,0 7,80 x 10^22 Altamente significativo (p 0.05), aceita-se a hipótese nula, indicando que não há evidências suficientes 
para afirmar variações na eficiência ao longo do tempo. 
 
46 
 
Tabela 11: Resultados do teste de turnover de leitos (dados do DATASUS) 
Comparação Estatística t Valor p Conclusão 
2017 vs 2018 -1,97 0.064 Não significativo (p > 0.05) 
2017 vs 2019 -6,99 3.28 x 10^-5 Significativo (pfoi diretamente impactada por 
iniciativas como o 5S, que otimizou a organização de materiais e equipamentos, e o 
PDCA, que permitiu implementar melhorias contínuas baseadas em dados. Por exemplo, 
atrasos na alta médica foram minimizados ao redefinir fluxos de trabalho e eliminar etapas 
redundantes, ações suportadas pelos estudos de Rother e Shook (1998) e Hirano (1995). 
A prática do Daily Huddle, fundamentada em Liker (2004), teve papel crucial ao 
integrar equipes em reuniões diárias para monitorar métricas como taxa de ocupação e 
tempo de permanência. Essa abordagem proativa permitiu ajustes rápidos e eficazes nas 
operações, sustentando a eficiência do turnover de leitos, especialmente nos anos de 
maior crescimento (2019 e 2022). 
47 
 
Essas intervenções evidenciam que o Projeto Lean teve impacto significativo na 
melhoria dos indicadores hospitalares, demonstrando uma gestão mais eficiente e 
orientada por dados. Embora as taxas de mortalidade não tenham apresentado alterações 
relevantes, os ganhos na média de permanência e no turnover de leitos mostram avanços 
concretos na capacidade operacional. O aumento do turnover, por exemplo, destaca como 
a otimização dos fluxos e a gestão de recursos impactaram diretamente a eficiência, com 
valores superiores em 2019 e sustentados nos anos seguintes. 
A análise estatística validou esses achados e reforça a relevância das ferramentas 
aplicadas. Os resultados demonstram que a adoção de metodologias Lean e Six Sigma é 
essencial para promover mudanças estruturais e sustentáveis em ambientes hospitalares, 
alinhando-se aos objetivos do projeto e elevando a qualidade e a eficiência do 
atendimento. 
 
 
48 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Este trabalho teve como objetivo avaliar a eficiência hospitalar por meio da 
aplicação das metodologias Lean e Six Sigma, utilizando indicadores de desempenho para 
medir o impacto nos processos assistenciais. Com base nos dados analisados, foi possível 
observar que o uso de indicadores como a taxa de ocupação de leitos, dias de permanência 
e taxa de mortalidade fornece uma visão ampla e clara do desempenho operacional, 
auxiliando os gestores a identificar gargalos e áreas que requerem melhorias. 
A pesquisa contribuiu para uma compreensão acerca do método Leans ao 
evidenciar que é eficiente à longo prazo, sendo duradouro. Destacou, portanto, 
importantes avanços na eficiência hospitalar ao analisar o turnover de leitos que 
aumentou significativamente ao longo dos anos, refletindo uma melhor gestão 
operacional. A alta correlação (rs = 0.99 ) entre internações de urgência e óbitos revelou 
como a gravidade dos casos impacta diretamente os resultados clínicos, indicando a 
necessidade de estratégias específicas para pacientes críticos. Além disso, os testes 
estatísticos, como correlação de Spearman, ANOVA e t de Student, garantiram a validade 
das análises, oferecendo insights confiáveis para decisões gerenciais. 
Os resultados sugerem que o projeto Lean implementado contribuiu para 
melhorias operacionais importantes, como maior eficiência no uso dos leitos e redução 
do tempo de permanência. Este estudo também serve como base para futuras pesquisas, 
como análise econômica do impacto Lean e ajustes clínicos baseados na gravidade dos 
pacientes, reforçando sua relevância para gestores hospitalares e pesquisadores da área 
da saúde. 
A revisão da literatura destacou a relevância dos indicadores de desempenho como 
ferramentas fundamentais para a gestão hospitalar eficiente. Autores como Donabedian 
(2005) enfatizam a importância de uma taxa de ocupação equilibrada e de práticas que 
assegurem a qualidade no atendimento, aspectos confirmados pelos resultados obtidos. A 
análise dos indicadores mostrou que, quando monitorados de forma sistemática, esses 
parâmetros permitem uma visão estratégica do uso dos recursos, otimizando o fluxo de 
pacientes e reduzindo o tempo de permanência, o que resulta em uma melhoria na 
qualidade do atendimento. 
As metodologias Lean e Six Sigma, aplicadas à análise dos dados, mostraram-se 
eficazes na redução de desperdícios e na implementação de práticas de melhoria contínua 
no ambiente hospitalar. Conforme discutido por Womack e Jones (2003) e George et al. 
49 
 
(2005), essas metodologias ajudam hospitais a identificar e eliminar etapas que não 
agregam valor, promovendo um atendimento mais ágil e com menor variabilidade nos 
processos. A aplicação prática dessas metodologias reforça a importância de uma gestão 
hospitalar orientada para a eficiência, com foco na segurança do paciente e na alocação 
racional de recursos. 
A utilização de técnicas estatísticas, como os testes de normalidade e correlação, 
reforçou a credibilidade dos resultados, permitindo uma interpretação detalhada das 
variáveis estudadas. A aplicação de testes como o Shapiro-Wilk garantiu que as análises 
estivessem fundamentadas em dados confiáveis e precisos, conferindo rigor científico à 
avaliação da eficiência hospitalar. 
Embora a pesquisa apresente uma análise robusta e detalhada sobre o tema da 
eficiência hospitalar utilizando as metodologias Lean e Six Sigma existem algumas 
limitações que podem ser utilizadas para contextualizar os resultados e apontar possíveis 
direções ao trabalho. Nesse sentido entende-se que houve um escopo limitado dos 
indicadores utilizado, o que significa dizer que o estudo focou em indicadores, como taxa 
de ocupação de leitos, dias de permanência e taxa de mortalidade. Embora sejam estes 
indicadores de grande importância existem outros fatores impactantes na eficiência 
hospitalar, como: satisfação do paciente, qualidade do atendimento, eficiência da equipe 
médica e da enfermagem e alocação de recursos financeiros. A inclusão de uma gama 
maior de informações, portanto, permitiria uma visão mais holística. 
A falta de consideração para as variáveis externas demonstra que o trabalho se 
concentrou em variáveis estritamente internas ao hospital. A ausência desse fator pode 
ser considerada uma limitação, pois esses fatores ausentes podem afetar, diretamente, a 
eficiência hospitalar, mesmo com a implementação de metodologias de melhoria. 
Não obstante a generalização dos resultados demonstra que a pesquisa teve como 
base um único hospital ou um número restrito de hospitais, tendo como resultados 
números que podem ser generalizáveis. Isso significa dizer que cada hospital possui 
características únicas, como o perfil dos pacientes, recursos financeiros específicos e 
práticas organizacionais que podem afetar a implementação e os resultados das 
metodologias utilizadas. Assim, estudar uma amostra maior de hospitais ou sistemas de 
saúde proporcionaria uma visão mais ampla. 
Em conclusão, o estudo evidencia a importância de uma gestão hospitalar baseada 
em evidências e na adoção de metodologias de eficiência para enfrentar os desafios 
operacionais do sistema de saúde. A aplicação contínua de indicadores e práticas como 
50 
 
Lean e Six Sigma oferece uma base sólida para a otimização dos processos e para a 
melhoria da qualidade dos serviços hospitalares. Para estudos futuros, sugere-se a 
ampliação da análise para incluir outros indicadores e métodos de avaliação, bem como 
a integração de tecnologias de monitoramento que possam aprimorar o acompanhamento 
dos processos hospitalares em tempo real. 
Como recomendações futuras entende-se que deve haver a expansão e 
aprofundamento sobre o entendimento da eficiência hospitalar, bem como o impacto das 
metodologias estudadas, porém levando em consideração, também, a existência de outras 
práticas inovadoras. Nesse sentido pode-se compreender a importância de ampliar o 
conjunto de indicadores de desempenho para abranger mais a visão sobre o tema; 
construir estudos longitudinais para avaliação da sustentabilidade das melhorias; 
incorporação de fatores externos no modelo avaliado; integração detecnologias 
emergentes, estudos de caso multicêntrico, análise sobre o impacto da cultura 
organizacional nos hospitais, entendimento sobre os custos e benefícios, entre outros. 
 
 
51 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
ANTHONY, J.; BANUELAS, R. Six Sigma in the UK service organizations: results 
from a pilot survey. Managerial Auditing Journal, v. 17, n. 2, p. 23-31, 2002. 
 
ANTONY, J.; DOUKIDIS, G. Six Sigma in Healthcare: A Case Study Analysis. 
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1.5.1 Capítulo 1 introdução........................................................................................ 18 
1.5.2 Capítulo 2 referencial teórico ........................................................................... 18 
1.5.3 Capítulo 3 metodologia .................................................................................... 18 
1.5.4 Capítulo 4 – análise e resultados da pesquisa .................................................. 18 
1.5.5 Capítulo 5 – conclusão...................................................................................... 18 
2 REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................... 18 
2.1 Eficiência hospitalar e indicadores de desempenho............................................ 20 
2.1.1 Avaliação de indicadores na eficiência hospitalar ........................................... 22 
2.1.1.1 Importância dos indicadores para a gestão hospitalar ...................................24 
2.1.2 Metodologias para análise de indicadores na saúde......................................... 25 
2.2.3 Análise estatística na gestão da eficiência hospitalar ...................................... 28 
3 METODOLOGIA .................................................................................................31 
4 RESULTADOS .................................................................................................... 33 
4.1. Análise dos indicadores..................................................................................... 34 
4.3 Análise dos Padrões de Correlação entre Indicadores Hospitalares................... 38 
4.4 Comparação entre Internações Eletivas e de Urgência ......................................39 
4.5 Análise Longitudinal de Eficiência Hospitalar ao Longo dos Anos ................. 40 
4.6 Discussão dos Resultados com Base no Referencial Teórico ........................... 42 
 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................ 43 
REFERÊNCIAS..................................................................................................... 45
11 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
O setor de saúde no Brasil apresenta uma série de desafios que impactam 
diretamente a qualidade do atendimento e a eficiência operacional. O Sistema Único de 
Saúde (SUS) atende a maior parte da população (BRASIL, 2019). No entanto, o SUS 
enfrenta desafios estruturais que incluem limitações de infraestrutura, escassez de 
recursos e uma sobrecarga de pacientes, fatores estes que contribuem para longos tempos 
de espera e menor eficiência nos atendimentos, especialmente nas emergências 
hospitalares. Esse cenário é agravado pela distribuição irregular de leitos e recursos 
hospitalares, além do subfinanciamento crônico que dificulta a ampliação e melhoria dos 
serviços (CAMPOS; CANABRAVA, 2020). Essa realidade gera uma pressão constante 
para melhorar a gestão hospitalar, buscando soluções que possam garantir maior 
eficiência sem comprometer a qualidade do serviço. 
Nesse contexto, a metodologia Lean, desenvolvida, inicialmente, no setor 
automotivo, tem se destacado como uma ferramenta eficaz para otimizar os processos 
hospitalares. A implementação desse conjunto de ferramentas, adaptadas para o setor de 
saúde, visa eliminar desperdícios e maximizar o valor entregue ao paciente, o que é 
essencial em ambientes de emergência onde o tempo e a agilidade no atendimento são 
críticos (WOMACK; JONES, 2018, p. 45). Ao reduzir etapas desnecessárias e focar na 
melhoria contínua, o Lean pode diminuir, significativamente, o tempo de espera nas 
emergências hospitalares além de aumentar a capacidade de atendimento sem a 
necessidade de expansão de recursos (RÉGIS; GOHR; SANTOS, 2018, p. 32). 
Assim, os impactos da implementação da metodologia nas emergências 
hospitalares têm se mostrado expressivos. Estudos realizados em hospitais brasileiros 
demonstram que a adoção da metodologia Lean contribuiu para a redução do tempo de 
espera dos pacientes e o aumento da rotatividade dos leitos, fatores essenciais para 
melhorar a eficiência operacional das unidades de emergência. Além disso houve uma 
otimização no fluxo de pacientes, o que permitiu aos hospitais oferecerem um 
atendimento mais rápido e com maior qualidade, reduzindo as taxas de superlotação e 
melhorando a satisfação dos pacientes (BRASIL, 2024). 
A aplicação do Lean também tem impactos diretos na gestão de recursos. Com a 
eliminação de processos que não agregam valor esse conjunto de ferramentas permite 
uma melhor alocação de profissionais e equipamentos, contribuindo para a redução de 
custos operacionais e o aumento da produtividade (ANTONY; DOUKIDIS, 2019, p. 58). 
12 
 
A implementação da metodologia em hospitais tem demonstrado resultados 
significativos na redução de desperdícios como o uso excessivo de materiais e o tempo 
improdutivo dos profissionais sem comprometer a qualidade do atendimento (PORTAL 
HOSPITAIS BRASIL, 2023). 
Tem, também, o potencial de transformar a forma como os hospitais operam, 
proporcionando um atendimento mais ágil e eficiente e, ao mesmo tempo, otimizar os 
recursos disponíveis. Esse conjunto de ferramentas não apenas melhora a eficiência 
operacional, mas também eleva a segurança e a qualidade do atendimento ao paciente 
(HALLAM; CONTRERAS, 2021, p. 74). 
A escolha desse tema é decorrência da crescente necessidade de melhorar a 
eficiência operacional dos hospitais brasileiros, em especial no atendimento de 
emergências onde os desafios relacionados à superlotação e à otimização de recursos são 
mais críticos. Portanto, o Lean oferece uma solução viável e com potencial de beneficiar 
tanto a gestão hospitalar quanto os pacientes ao criar fluxos de trabalho mais eficientes e 
menos onerosos para as instituições de saúde (RÉGIS; GOHR; SANTOS, 2018, p. 39). 
A pesquisa, portanto, se baseia em dados hospitalares fornecidos por uma instituição de 
saúde, incluindo informações detalhadas sobre internações, dias de permanência e taxas 
de mortalidade. 
 
1.1 PERGUNTA PROBLEMA 
 
 A pergunta problema que norteia o presente trabalho é: “A aplicação do Lean, 
iniciado em 2017, trouxe resultados que são percebidos atualmente?”. 
Adicionalmente: “Como é realizada a implementação de uma metodologia 
originalmente industrial para um ambiente de saúde e quais adaptações são necessárias 
para que o Lean seja eficaz em contextos de emergência hospitalar”? Essa pergunta busca 
não apenas explorar os benefícios do Lean, mas os ajustes que tornam sua aplicação viável 
e relevante no setor hospitalar. 
Para isso é necessário entender como os princípios do Lean, adaptados ao 
ambiente hospitalar, podem impactar, diretamente, a eficiência dos processos, a redução 
de desperdícios e a qualidade do atendimento prestado aos pacientes. O estudo também 
examina como essas mudanças impactam a segurança do paciente e agilizam o tempo de 
resposta em situações críticas nas emergências. 
 
13 
 
1.2 OBJETIVO GERAL 
 
O objetivo geral deste estudo é examinar, de maneira quantitativa, os resultados 
funcionais e as melhorias proporcionadas pela metodologia Lean nas emergências 
hospitalares, enfatizando seu potencial como uma estratégia eficaz para obter maior 
eficiência operacional no contexto hospitalar. 
Por meio da adaptação das práticas Lean ao ambiente hospitalar, considerando 
suas particularidades, como a superlotação e a necessidade de um atendimento rápido e 
eficiente. Além disso, busca-se validar o impacto da metodologia na rotatividade dos 
leitos e no tempo de resposta, oferecendo diretrizes práticas para replicação em outras 
instituições de saúde. 
 
1.2.1 Objetivos específicos 
 
• Avaliar os índices de desempenho hospitalar antes e depois da 
implementação das metodologias Lean e Six Sigma; 
• comprovar a relevância de metodologias, ferramentas e técnicas oriundas 
da engenhariapara aprimorar a eficiência em setores variados, incluindo 
o da saúde; 
• confirmar os resultados através de testes estatísticos, como a correlação de 
Spearman e a ANOVA. 
• atestar a importância de ferramentas e metodologias originárias da 
indústria para a melhoria da eficiência em outros segmentos, como o 
hospitalar; 
• avaliar os resultados por meio de testes estatísticos, como correlação de 
Spearman e ANOVA. 
 
1.3 JUSTIFICATIVA 
 
O setor de saúde no Brasil, especialmente as emergências hospitalares, enfrenta 
grandes desafios como superlotação, longos tempos de espera e uma gestão, muitas vezes, 
ineficiente dos recursos disponíveis. Esses problemas são particularmente relevantes no 
contexto do hospital estudado, localizado na região do Grande ABC, em São Paulo, uma 
área metropolitana densamente povoada que abriga bairros diversos e possui uma 
14 
 
população extensa. Essa localização estratégica torna o hospital um centro crucial para o 
atendimento tanto local quanto regional, oferecendo serviços médicos de alta 
complexidade e emergenciais que ajudam a aliviar a demanda de outros centros de saúde 
na área. 
Com uma trajetória consolidada ao longo de décadas o hospital tem se destacado 
pela qualidade do atendimento e pelo papel essencial que desempenha no atendimento a 
pessoas em situação de vulnerabilidade. Sua natureza filantrópica permite que os serviços 
sejam acessíveis a todos, independentemente de sua capacidade financeira, ampliando, 
assim, a cobertura de saúde para pacientes do SUS e para aqueles que optam por 
atendimento particular. A parceria com o SUS fortalece o compromisso da instituição 
com a qualidade e segurança dos serviços além de ampliar o alcance do atendimento 
médico na região. 
A integração do hospital à rede de saúde local é outro fator relevante. Colaborando 
com outras unidades hospitalares a instituição consegue otimizar o uso de recursos, 
especialmente em situações de alta complexidade e emergência, reforçando a eficiência 
e capacidade de resposta do sistema de saúde como um todo. Esse tipo de cooperação é 
fundamental para garantir que os recursos hospitalares sejam utilizados de maneira eficaz, 
reduzindo o tempo de espera e aumentando a capacidade de atendimento em situações 
críticas. 
Nesse contexto, a implementação da metodologia Lean tem ganhado destaque 
como uma solução viável para enfrentar tais desafios. Originalmente desenvolvida na 
indústria automotiva, essa metodologia se provou eficaz para otimizar processos em 
diversos setores, incluindo a área da saúde. Estudos indicam que o Lean pode contribuir, 
significativamente, para eliminar desperdícios, melhorar a qualidade dos serviços e 
otimizar o fluxo de trabalho, promovendo uma gestão mais sustentável e eficiente. 
Segundo Womack e Jones (2018), a utilização do Lean no ambiente hospitalar permite 
uma organização dos fluxos de trabalho que elimina etapas desnecessárias com impacto 
direto na qualidade e rapidez do atendimento. 
 Assim, uma das ferramentas centrais dessa metodologia é o ciclo DMAIC 
(Definir, Medir, Analisar, Implementar e Controlar) que proporciona uma estrutura para 
a melhoria contínua dos processos. Segundo Werkema (2012), o DMAIC organiza o 
processo de resolução de problemas de forma sistemática e estruturada, permitindo que 
as etapas de identificação de problemas, análise e implementação de melhorias sejam 
realizadas com precisão e eficiência. Essa abordagem tem demonstrado eficácia na área 
15 
 
da saúde onde a necessidade de otimizar recursos e aumentar a capacidade de atendimento 
é constante. 
O Projeto Lean nas emergências, desenvolvido pelo Ministério da Saúde em 
parceria com o Hospital Sírio-Libanês, obteve resultados significativos como a redução 
de 36% na superlotação das emergências e uma diminuição de 40% no tempo de 
atendimento de pacientes não internados, demonstrando a eficácia dessa metodologia em 
cenários críticos. 
Além disso, o elevado custo operacional do setor hospitalar privado no Brasil, 
associado a uma gestão muitas vezes ineficiente, acarreta prejuízos recorrentes que 
podem resultar em dívidas elevadas e, em casos extremos, falência. A implementação do 
Lean representa uma alternativa estratégica para mitigar esses problemas ao promover a 
redução de desperdícios e a otimização dos recursos disponíveis. Prado-Prado et al. 
(2020) enfatizam que o processo de profissionalização da gestão hospitalar no Brasil 
ainda é recente e carece de ferramentas amplamente adotadas que possam enfrentar os 
desafios do setor, sendo o Ciclo DMAIC uma das ferramentas centrais dessa metodologia. 
Figura 1: Etapas do Ciclo DMAIC 
 
 Fonte: Werkema (2012, p. 18). 
 
Nesse cenário, o Ciclo DMAIC é uma chave de sucesso em empresas que aplicam 
o conjunto de ferramentas com intuito de melhora em produto ou processos, sendo 
fundamento para desenvolver projetos de melhoria, seguindo as fases respectivas de 
Definir, Medir, Analisar, Melhorar e Controlar e proporcionando uma visão clara e 
sistemática do processo de otimização dos fluxos de trabalho desde a identificação de 
problemas até o controle das implementações realizadas (WERKEMA, 2012). 
Por conseguinte, no contexto hospitalar, o Projeto Lean nas Emergências mostrou 
resultados impressionantes. Em hospitais públicos e filantrópicos brasileiros a 
16 
 
implementação contribuiu para a redução de 36% na superlotação das emergências e uma 
diminuição de 40% no tempo de atendimento de pacientes sem necessidade de internação 
(BRASIL, 2018). Esses resultados destacam a relevância do Lean como ferramenta para 
enfrentar a superlotação e melhorar a eficiência operacional, um problema crônico em 
emergências hospitalares. 
Além disso, os elevados custos operacionais do setor hospitalar privado agravam 
os desafios da gestão. A falta de ferramentas adequadas para a gestão eficiente desses 
recursos resulta, frequentemente, em desperdícios, prejuízos financeiros e, em casos 
extremos, falência. A adoção de metodologias como o Lean é uma resposta eficaz para 
reverter esse cenário ao fornecer uma abordagem prática para a redução de desperdícios 
e otimização de processos. Estudos demonstram que, ao aplicar o Lean, as instituições 
hospitalares podem reduzir custos, melhorar o fluxo de pacientes e garantir um 
atendimento de qualidade (SANTOS; RÉGIS; GOHR, 2018). 
O processo de profissionalização da gestão hospitalar é relativamente recente no 
Brasil e poucas ferramentas foram produzidas ou amplamente adotadas para enfrentar os 
desafios específicos desse setor (PRADO-PRADO et al., 2020). A implementação do 
Lean Healthcare surge como uma resposta necessária para melhorar a eficiência 
operacional dos hospitais, contribuir para a redução de custos e proporcionar uma gestão 
mais robusta e eficaz. 
Portanto, este trabalho se justifica pela necessidade de otimizar a gestão de 
emergências hospitalares no Brasil. Ao investigar os impactos da metodologia Lean 
espera-se fornecer contribuições para a literatura e práticas hospitalares, promovendo 
uma gestão eficiente com reflexos diretos na qualidade e viabilidade financeira das 
instituições. 
 
1.4 METODOLOGIA 
 
Neste estudo os dados foram fornecidos por uma instituição hospitalar filantrópica 
que utiliza informações extraídas do DATASUS, visando um diagnóstico preciso sobre a 
eficiência e a qualidade do atendimento. Para manter a confidencialidade a fonte dos 
dados é referenciada como "fonte: a empresa”, seguindo a tipologia de pesquisa descrita 
por Miguel e Sousa (2012). Segundo esses autores, a pesquisa quantitativa é indicada para 
estudos que analisam dados numéricos e empregam métodos estatísticos para identificar 
relações e padrões entre variáveis. O caráter exploratório do estudo se justifica pelo 
17 
 
objetivo de investigar a aplicação da metodologia Lean em um ambiente hospitalar, 
enquanto o enfoquedescritivo visa documentar, detalhadamente, os dados e indicadores 
de eficiência operacional. 
Os dados foram fornecidos por uma instituição hospitalar que utiliza informações 
extraídas do DATASUS a fim de chegar a um diagnóstico preciso sobre a eficiência e a 
qualidade do atendimento. Os dados extraídos do DATASUS englobam informações 
relevantes como número de internações, dias de permanência e taxas de mortalidade, 
possibilitando uma análise profunda dos indicadores hospitalares. A escolha pela 
metodologia Lean como foco do estudo deve-se ao seu potencial de otimizar processos e 
reduzir desperdícios, aspectos essenciais para melhorar a gestão hospitalar. 
Esse trabalho somente foi possível através de análise documental com base em 
relatórios obtidos por meio de entrevistas de um profissional que participou do 
desenvolvimento do projeto dentro da instituição beneficiada, tanto na execução quanto 
na curadoria dos dados validados em conjunto com um especialista com mais de dez anos 
de mercado, além de possuir certificações nacionais e internacionais relevantes para a 
aplicação da metodologia, sendo responsável, também, por atuar em consultoria no 
projeto Lean nas Emergências e atuando na área de projetos em hospitais pelo Brasil. 
A partir das informações coletadas foi aplicado o coeficiente de correlação de 
Spearman para verificar a intensidade das relações entre variáveis como o número de 
internações, dias de permanência e taxas de mortalidade. Essa análise estatística permitiu 
identificar padrões que servem como base para interpretações sobre a eficiência 
operacional da instituição. Esta pesquisa, portanto, pretende contribuir para o 
entendimento dos impactos da metodologia Lean em um ambiente de saúde, propondo 
intervenções que visem à melhoria contínua dos processos hospitalares. 
 
1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO 
 
Este trabalho está dividido em cinco capítulos, além das considerações finais e 
dos elementos complementares. 
 
1.5.1 Capítulo 1 - Introdução 
 Apresenta o contexto e a justificativa do estudo, o problema de pesquisa, os 
objetivos gerais e específicos e a metodologia empregada. Esse capítulo define o escopo 
do trabalho e a importância do tema para o setor hospitalar. 
18 
 
 
1.5.2 Capítulo 2 - Referencial teórico 
O segundo capítulo aborda os principais conceitos relacionados à eficiência 
hospitalar, indicadores de desempenho e as metodologias Lean e Six Sigma. Esta 
fundamentação teórica proporciona o embasamento necessário para a análise dos dados. 
 
1.5.3 Capítulo 3 - Metodologia 
O terceiro capítulo detalha os procedimentos adotados para a coleta e análise dos 
dados. São, portanto, apresentados os critérios para a seleção de indicadores, as 
ferramentas estatísticas utilizadas e os métodos de validação aplicados, seguindo as 
diretrizes discutidas no referencial teórico. 
 
1.5.4 Capítulo 4 – Análise e resultados da pesquisa 
Este capítulo traz a análise dos dados coletados e a interpretação dos resultados 
com base nas metodologias e nos indicadores discutidos, avalia a eficiência hospitalar e 
sugere possíveis melhorias com base nos conceitos de Lean e Six Sigma. 
 
1.5.5 Capítulo 5 – Conclusão 
O quinto capítulo reúne as considerações finais sobre os resultados encontrados, 
ressaltando a importância da gestão eficiente para o desempenho hospitalar. São 
apresentadas as limitações do estudo e as sugestões para pesquisas futuras. 
 
 
19 
 
2 REFERENCIAL TEÓRICO 
 
2.1 Eficiência hospitalar e gestão 
 
O sistema de saúde, em especial no contexto hospitalar, enfrenta desafios 
significativos para assegurar a eficiência e a qualidade no atendimento aos pacientes. Com 
o aumento da demanda por serviços de saúde e a crescente limitação de recursos, gestores 
e profissionais da área precisam lidar com a complexa tarefa de balancear qualidade e 
eficiência. Conforme destaca Donabedian (2005), a eficiência em serviços de saúde se 
relaciona, intimamente, com a capacidade das instituições de otimizar o uso de seus 
recursos sem comprometer a qualidade do atendimento prestado à população 
(DONABEDIAN, 2005). Esse equilíbrio se torna especialmente desafiador quando as 
necessidades de saúde pública se intensificam, como ocorre em sistemas de saúde 
universalizados a exemplo do SUS no Brasil. 
Para que a eficiência seja alcançada os hospitais dependem de uma gestão 
estratégica que incorpore ferramentas de medição de desempenho. A avaliação contínua 
de indicadores como a taxa de ocupação de leitos, dias de permanência e índices de 
mortalidade fornece aos gestores uma visão abrangente do desempenho hospitalar. Esses 
indicadores se tornam cruciais para identificar áreas de melhoria e para otimizar o 
processo de atendimento de forma a reduzir o tempo de espera e aprimorar a utilização 
dos recursos (ARAÚJO; FREITAS, 2017). 
Nesse sentido, a implementação de sistemas de controle e monitoramento, como 
o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), constitui uma ferramenta 
valiosa para a gestão hospitalar no Brasil. Esse sistema, além de auxiliar no 
monitoramento de indicadores, permite a coleta e análise de dados que fundamentam a 
tomada de decisões e a alocação de recursos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2019). 
Além disso, as práticas de gestão e a metodologia de avaliação hospitalar 
evoluíram com o advento de modelos de gestão baseados em eficiência como as 
metodologias Lean e Six Sigma que foram inicialmente desenvolvidas para a indústria, 
mas que passaram a ser aplicadas em ambientes hospitalares. A adoção dessas 
metodologias no setor de saúde tem se mostrado eficaz para minimizar desperdícios e 
aumentar a produtividade sem sacrificar a qualidade do atendimento ao paciente 
(WOMACK; JONES, 2003). 
20 
 
Estudos de caso revelam que, ao aplicar práticas como Lean e Six Sigma, hospitais 
conseguem otimizar processos, reduzir o tempo de espera e melhorar a eficiência do uso 
dos leitos hospitalares (GEORGE et al., 2005). No entanto, a implementação dessas 
metodologias requer um comprometimento significativo com a formação e adaptação de 
equipes multidisciplinares, bem como o estabelecimento de uma cultura organizacional 
voltada para a melhoria contínua. 
Outro aspecto relevante é a dependência dos hospitais em relação ao 
financiamento público e à necessidade de prestação de contas perante órgãos reguladores. 
No Brasil, por exemplo, o financiamento de hospitais públicos e filantrópicos pelo SUS 
é uma das principais fontes de receita para essas instituições. No entanto, conforme 
observa Mendes (2018), a alocação de recursos nem sempre é proporcional às 
necessidades das unidades hospitalares, o que exige que gestores busquem eficiência 
máxima para atender a demanda sem comprometer a qualidade dos serviços. Essa 
realidade torna a gestão hospitalar uma área desafiadora em que a eficiência precisa ser 
equilibrada com os princípios de universalidade e equidade que regem o sistema de saúde 
brasileiro (MENDES, 2018). 
Nesse contexto, práticas administrativas eficazes e o uso adequado de indicadores 
de desempenho surgem como ferramentas essenciais para garantir que o atendimento seja 
acessível e de qualidade, atendendo à demanda sem comprometer a sustentabilidade dos 
serviços. Dessa forma, o aprimoramento contínuo dos processos internos e a utilização 
de metodologias de avaliação se tornam fundamentais para uma gestão hospitalar que seja 
eficiente e humanizada, promovendo assistência de saúde alinhada aos princípios 
fundamentais do SUS. 
 
2.2 Eficiência hospitalar e indicadores de desempenho 
 
A eficiência hospitalar representa um dos principais objetivos das instituições de 
saúde, especialmente em contextos em que os recursos são limitados e a demanda por 
atendimento é elevada. Segundo Donabedian (2005), a eficiência em serviços de saúde é 
definida como a capacidade das instituições de utilizar seus recursos deforma ótima e 
sem desperdícios, proporcionando qualidade no atendimento ao paciente e atendendo às 
demandas da população de maneira adequada. No Brasil, a busca por eficiência é 
especialmente relevante no SUS que enfrenta desafios financeiros e estruturais, exigindo 
21 
 
dos gestores uma utilização racional dos recursos e um foco na melhoria contínua dos 
processos assistenciais. Donabedian (2005) destaca que: 
 
A qualidade da assistência médica pode ser definida como a provisão de 
serviços de saúde que aumentam a probabilidade de resultados de saúde 
desejados e são consistentes com o conhecimento profissional atual 
(DONABEDIAN, 2005, p. 79). 
 
Nesse contexto, a aplicação de indicadores de desempenho se torna fundamental 
para avaliar a eficiência e a qualidade dos serviços prestados em hospitais. Esses 
indicadores, como a taxa de ocupação de leitos, dias de permanência e índices de 
mortalidade oferecem uma visão objetiva do desempenho institucional e são utilizados 
para identificar gargalos operacionais e oportunidades de melhoria (ARAÚJO; FREITAS, 
2017). 
Para que os indicadores sejam efetivos na avaliação de desempenho eles precisam 
ser aplicados de maneira sistemática e acompanhados regularmente, permitindo um 
monitoramento constante dos principais parâmetros de eficiência e produtividade 
hospitalar. Araújo e Freitas (2017) ressaltam que, em instituições públicas, os indicadores 
são ferramentas essenciais para justificar a alocação de recursos e as decisões 
administrativas, além de proporcionar uma base para a elaboração de políticas de saúde 
mais eficazes. 
Um dos principais sistemas utilizados no Brasil para o monitoramento de 
indicadores hospitalares é o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) que 
reúne dados sobre internações, taxas de ocupação e outros indicadores relevantes. 
Conforme destacado pelo Ministério da Saúde (2019), o SIH/SUS possibilita a 
padronização e a centralização dos dados hospitalares em nível nacional, permitindo que 
gestores e formuladores de políticas públicas tenham acesso às informações detalhadas e 
atualizadas sobre o desempenho das unidades hospitalares em diversas regiões do país 
(BRASIL, 2019). O sistema é utilizado tanto para o monitoramento do desempenho 
hospitalar quanto para o controle de gastos e a prestação de contas, sendo um recurso 
crucial para a gestão eficiente dos recursos públicos destinados à saúde. 
Assim, a importância da eficiência hospitalar vai além da redução de custos, pois 
também impacta, diretamente, na qualidade do atendimento ao paciente. A literatura 
indica que hospitais mais eficientes tendem a ter menores taxas de complicações e 
22 
 
melhores desfechos clínicos, uma vez que conseguem alocar recursos de forma mais 
adequada para suprir as necessidades dos pacientes (SILVA; MOURA, 2018). 
Estudos como o de Silva e Moura (2018) demonstram que a implementação de 
práticas de gestão baseadas em eficiência, aliadas ao uso de indicadores de desempenho, 
contribui para a criação de um ambiente hospitalar mais ágil e focado na melhoria 
contínua. Esses estudos ressaltam, ainda, a importância de se estabelecer uma cultura 
organizacional voltada para a eficiência na qual todos os profissionais da saúde estejam 
engajados em práticas de otimização dos processos e em iniciativas de redução de 
desperdícios. 
Além disso, o conceito de eficiência hospitalar abrange a capacidade das 
instituições de responder às variabilidades na demanda por serviços de saúde, como 
aquelas observadas em surtos de doenças ou em situações de emergência. Segundo 
Mendes (2018), hospitais eficientes são aqueles que conseguem adaptar, rapidamente, 
seus recursos e processos para atender a picos de demanda, mantendo a qualidade do 
atendimento e evitando a sobrecarga das equipes de saúde (MENDES, 2018). Essa 
flexibilidade operacional é essencial em um ambiente de saúde pública onde o acesso 
universal e igualitário é um princípio básico. Para alcançar essa flexibilidade os hospitais 
podem investir em tecnologias de monitoramento e na formação de equipes capacitadas 
que possam atuar de maneira eficaz em diferentes contextos. 
Portanto, os indicadores de desempenho e a busca pela eficiência hospitalar são 
aspectos centrais na gestão de instituições de saúde, pois influenciam os resultados 
clínicos e operacionais. Ao utilizar indicadores como ferramentas de avaliação contínua 
os gestores hospitalares têm condições de adotar uma abordagem proativa para identificar 
e solucionar problemas operacionais, promover a segurança do paciente e melhorar a 
qualidade do atendimento de forma sustentável. 
 
2.3 Avaliação de indicadores na eficiência hospitalar 
 
A avaliação de indicadores de desempenho hospitalar é essencial para entender 
como os recursos de uma instituição de saúde são empregados e, consequentemente, para 
identificar áreas de melhoria que possam contribuir para a eficiência e qualidade do 
atendimento. De acordo com Pereira e Oliveira (2019), o uso de indicadores é uma prática 
estratégica que não apenas auxilia no monitoramento das atividades hospitalares, mas 
também contribui para uma gestão mais efetiva dos recursos. 
23 
 
Indicadores como a taxa de ocupação de leitos, média de permanência e taxa de 
mortalidade são frequentemente empregados para avaliar a performance das instituições 
de saúde, especialmente em hospitais públicos e filantrópicos onde a eficiência é 
fundamental para garantir o acesso universal (PEREIRA; OLIVEIRA, 2019). 
No Brasil, o SIH/SUS desempenha um papel fundamental na coleta e organização 
de dados hospitalares, permitindo o monitoramento de indicadores em nível nacional. De 
acordo com o Ministério da Saúde (2020), é um dos principais sistemas de informação 
em saúde do país, proporcionando dados que auxiliam gestores e formuladores de 
políticas públicas a tomar decisões informadas e a alocar recursos com mais precisão 
(BRASIL, 2020). O uso do SIH/SUS como base de dados contribui para a padronização 
de indicadores de desempenho em hospitais de diferentes portes e regiões, facilitando 
comparações e identificações de padrões. 
Além dos autores já mencionados, Leape et al. (2007) destacam a importância de 
estabelecer uma cultura de segurança e eficiência dentro dos hospitais, sugerindo que o 
acompanhamento sistemático dos indicadores pode promover um ambiente de melhoria 
contínua. Segundo esses autores, o envolvimento de toda a equipe hospitalar, desde 
gestores até profissionais de atendimento direto, é essencial para implementar uma 
abordagem baseada em indicadores e garantir que as práticas de saúde estejam alinhadas 
com os melhores padrões de eficiência (LEAPE et al., 2007). 
Na prática, a análise de indicadores hospitalares permite que as instituições de 
saúde identifiquem gargalos operacionais, compreendam a relação entre tempo de 
permanência e qualidade do atendimento, além de promoverem ajustes nas práticas 
assistenciais e administrativas. De acordo com Araújo e Freitas (2017), hospitais que 
monitoram continuamente seus indicadores têm uma visão mais precisa de suas 
necessidades e desafios, o que permite realizar intervenções mais assertivas e voltadas 
para a solução de problemas específicos (ARAÚJO; FREITAS, 2017). Esse 
monitoramento, contudo, depende da capacitação dos gestores para interpretar, 
adequadamente, os dados e utilizar os resultados para orientar mudanças práticas. 
A adoção de metodologias de avaliação como o Balanced Scorecard (BSC) tem 
sido utilizada como uma ferramenta eficaz para a avaliação dos indicadores de 
desempenho hospitalar. O BSC, proposto por Kaplan e Norton (1992), permite que 
instituições hospitalares alinhem seus indicadores estratégicos com suas metas de 
eficiência, ajudando a monitorar a performance em múltiplas dimensões. Essa 
metodologia auxilia na tradução dos objetivos estratégicos da instituição emindicadores 
24 
 
de desempenho específicos que podem ser monitorados e ajustados conforme as 
necessidades operacionais (KAPLAN; NORTON, 1992). 
Portanto, a análise de indicadores de desempenho não se restringe apenas ao 
monitoramento de dados, mas envolve uma abordagem integrada que busca a melhoria 
contínua dos processos e do atendimento ao paciente. O uso de sistemas de avaliação e 
de metodologias como o BSC proporciona aos gestores hospitalares uma visão mais clara 
dos resultados institucionais, orientando as ações estratégicas e contribuindo para a 
eficiência e a sustentabilidade das instituições de saúde. 
 
2.4 Importância dos indicadores para a gestão hospitalar 
 
Os indicadores de desempenho hospitalar são instrumentos fundamentais para que 
gestores possam tomar decisões informadas e direcionadas ao aprimoramento da 
eficiência e da qualidade dos serviços prestados. De acordo com Oliveira e Santos (2020), 
a gestão hospitalar eficiente depende de um sistema robusto de monitoramento que 
permita não apenas o acompanhamento das atividades operacionais, mas também o 
alinhamento das ações institucionais com as metas estratégicas da organização 
(OLIVEIRA; SANTOS, 2020). 
A análise de indicadores como tempo médio de permanência (é o tempo que, em 
média, um paciente permanece internado no hospital) representa a agilidade na gestão de 
altas das especialidades médicas do hospital, impactando, diretamente, na liberação de 
leitos para disponibilização aos pacientes que aguardam no serviço de urgência e taxa de 
mortalidade em até 24h (identifica o número de óbitos que ocorreram nas primeiras 24h 
de pacientes que entraram a partir do Serviço de Urgência, sobre a quantidade de saídas, 
altas, transferências externas, internações, óbitos, etc.), entre outros, são imprescindíveis 
para identificar gargalos operacionais e ajustar processos de forma contínua, assegurando 
a excelência no atendimento ao paciente. 
Esses indicadores servem como um termômetro para a performance hospitalar, 
permitindo que a instituição mantenha um acompanhamento constante de suas principais 
áreas de atuação e responda, rapidamente, às mudanças ou necessidades específicas. 
Segundo Gomes e Almeida (2018), a utilização de indicadores facilita a visualização de 
tendências e padrões, auxiliando na identificação de áreas críticas que necessitam de 
ajustes. Ao monitorar o desempenho de setores específicos como pronto-atendimento, 
25 
 
unidades de terapia intensiva e alas de internação os gestores podem alinhar recursos de 
acordo com a demanda e melhorar a alocação de insumos, equipe e infraestrutura. 
O uso de indicadores de desempenho hospitalar também está associado ao 
aumento da transparência e da prestação de contas, especialmente em hospitais públicos 
e filantrópicos. Conforme destacado por Nogueira (2019) a pressão por transparência nas 
instituições de saúde tem impulsionado a adoção de sistemas de monitoramento que 
fornecem dados detalhados sobre o uso de recursos e o alcance de metas (NOGUEIRA, 
2019). Essa transparência é crucial não apenas para atender às exigências regulatórias, 
mas também para consolidar a confiança da sociedade e dos órgãos financiadores, 
demonstrando o compromisso da instituição com a gestão eficiente dos recursos públicos 
e o cumprimento de sua missão assistencial. 
A avaliação de indicadores também contribui para o desenvolvimento de um 
ambiente de trabalho mais organizado e eficaz, o que reflete no atendimento ao paciente. 
Segundo estudos de Moreira e Costa (2021), a implementação de um sistema de 
monitoramento de indicadores de desempenho melhora a comunicação entre as equipes, 
facilita a definição de prioridades e promove um ambiente de trabalho colaborativo e 
focado na qualidade do atendimento (MOREIRA; COSTA, 2021). Ao fortalecer a cultura 
de avaliação e melhoria contínua as instituições hospitalares se tornam mais resilientes e 
adaptáveis às mudanças do ambiente externo, garantindo a manutenção de padrões de 
qualidade. 
Além disso, o uso de indicadores possibilita que gestores hospitalares tenham uma 
visão ampla e sistemática das operações que é essencial para a definição de metas e para 
a implementação de planos de ação eficazes. Como observado por Kaplan e Norton 
(1992) com o modelo Balanced Scorecard, a tradução dos objetivos estratégicos em 
indicadores de desempenho permite um acompanhamento estruturado e multidimensional 
dos resultados hospitalares, abrangendo não apenas aspectos financeiros, mas a qualidade 
dos processos, a satisfação dos pacientes e o aprendizado organizacional (KAPLAN; 
NORTON, 1992. Esse tipo de abordagem integrada contribui para que as instituições 
hospitalares alinhem suas operações ao propósito institucional e promovam uma gestão 
orientada à eficiência e ao valor. 
Portanto, os indicadores de desempenho hospitalar são mais do que métricas; são 
ferramentas estratégicas que direcionam a instituição para o aprimoramento contínuo e 
para a qualidade sustentável dos serviços de saúde. Quando utilizados de forma integrada 
26 
 
e com uma visão estratégica os indicadores auxiliam na construção de um ambiente 
hospitalar orientado ao resultado onde a excelência e a eficiência caminham lado a lado. 
A alocação incorreta de pacientes de alta complexidade, serviços de urgência 
superlotados, escassez de recursos (pessoas, leitos e insumos) e processos deficientes 
podem gerar um aumento nos óbitos do Serviço de Urgência. 
 
2.5 Lean Six Sigma e indicadores de saúde 
 
A análise de indicadores de desempenho hospitalar requer metodologias 
estruturadas que permitam mensurar, avaliar e melhorar continuamente os processos. As 
metodologias Lean e Six Sigma, inicialmente desenvolvidas para o setor industrial, 
ganharam espaço na saúde devido à sua capacidade de reduzir desperdícios, otimizar 
fluxos de trabalho e melhorar a eficiência sem comprometer a qualidade do atendimento 
ao paciente. Segundo Womack e Jones (2003), o Lean Thinking é uma abordagem voltada 
para a eliminação de atividades que não agregam valor, promovendo a eficiência e a 
produtividade ao longo da cadeia de valor (WOMACK; JONES, 2003, p. 102). Em 
ambientes hospitalares, isso significa identificar e eliminar etapas desnecessárias que 
prolongam o tempo de espera ou consomem recursos sem impacto direto no tratamento. 
 
Figura 2: Ferramentas utilizadas Lean nas Emergências 
 
Fonte: Brasil (2018). 
 
O DMAIC é utilizado por ser uma metodologia sequencial para melhorar 
processos, entre outros benefícios, seguindo uma estrutura organizada que garante 
27 
 
resultados padronizados. Assim, foi seguido o plano com as devidas ferramentas de 
melhoria contínua em cada etapa do ciclo DMAIC conforme descrito no desenvolvimento 
do projeto Lean nas Emergências, apresentado na figura 2, com o conjunto de ferramentas 
aplicadas para alcançar o gerenciamento dos indicadores (WERKEMA, 2012). 
O termo DMAIC é um acrônimo utilizado para descrever as cinco etapas aplicadas 
em projetos Lean e Lean Six Sigma que são: Define (Definir), Measure (Medir), Analyze 
(Analisar), Improve (Melhorar) e Control (Controlar). Especificamente no projeto Lean 
nas Emergências, o termo "Melhorar" foi substituído por "Executar" para facilitar a 
compreensão e a oralidade junto à equipe que implementa o projeto dentro do hospital. 
Na etapa "Definir" foram estabelecidos os indicadores a serem tratados e 
delimitado o escopo do projeto que é atuar em hospitais públicos com foco na melhoria 
dos indicadores e na redução do tempo de permanência dos pacientes. 
Na etapa "Medir" realiza-se a coleta das informações dos indicadores a fim de 
embasar o projeto e as melhorias propostas com base nos dados. 
Na etapa "Analisar" são feitos os desenhos de fluxo de processos que destacam as 
oportunidades de melhoria e os pontos críticos. O diagrama de espaguete é utilizado para 
mapearos deslocamentos dos funcionários do hospital, medindo as distâncias percorridas 
e o tempo necessário para cada movimentação. 
Após a elaboração e compreensão do percurso do paciente, juntamente com a 
identificação dos maiores tempos de deslocamento dos funcionários, realizam-se estudos 
para reduzir esses tempos e otimizar o fluxo. Nesse contexto, utiliza-se a ferramenta 5S 
que visa melhorar o ambiente por meio dos cinco sensos: seiri (senso de utilização), seiton 
(senso de organização), seisou (senso de limpeza), seiketsu (senso de saúde e higiene) e 
shitsuke (senso de autodisciplina) (BRASIL, 2018). 
Após aplicar o 5S os processos são padronizados, identificando-se, claramente, 
onde estão as oportunidades de melhoria. Em seguida é feita uma priorização de variáveis 
críticas do processo considerando esforço e impacto, ou seja, priorizando ações de menor 
esforço para a execução e maior impacto na redução do tempo de permanência do 
paciente, que é o indicador central analisado. 
Com a análise concluída o projeto avança para a etapa "Executar", onde é criado 
um plano de ação utilizando a ferramenta 5W2H, uma metodologia prática que estrutura 
as atividades por meio das sete perguntas fundamentais: O quê? Por quê? Onde? Quando? 
Quem? Como? Quanto custará? (SILVA; SANTOS, 2022). 
28 
 
Por fim, na etapa "Executar" realiza-se a daily huddle do projeto, bem como a 
aplicação de outras ferramentas auxiliares que contribuem para sua implementação. 
Já na etapa "Controlar" é realizada a gestão dos indicadores, analisando os 
resultados ao longo do projeto para verificar se houve impactos positivos e qual foi a 
extensão das melhorias geradas, evidenciando os avanços nos processos. 
O Six Sigma, por sua vez, concentra-se na redução de variações nos processos 
utilizando ferramentas estatísticas para alcançar níveis elevados de controle de qualidade. 
Estudos demonstram que a aplicação de Six Sigma em hospitais tem contribuído para a 
diminuição de taxas de erro, aprimorando a segurança do paciente e promovendo uma 
cultura de excelência operacional (GEORGE et al., 2005). Essa metodologia é 
especialmente eficaz na análise de indicadores de desempenho, pois permite aos gestores 
quantificarem os níveis de variabilidade e implementar soluções baseadas em dados. A 
implementação do Six Sigma também requer treinamento especializado e o envolvimento 
das equipes, criando uma cultura organizacional que valoriza a precisão e a eficiência 
(ANTHONY; BANUELAS, 2002). 
Por conseguinte, entre os métodos utilizados está o coeficiente de correlação de 
Spearman que mede a intensidade e a direção da relação monotônica entre diferentes 
variáveis. O coeficiente de correlação de Spearman foi aplicado neste estudo para avaliar 
a intensidade e a direção das relações entre variáveis hospitalares. 
Trata-se de uma medida estatística não-paramétrica que avalia o grau de 
associação entre duas variáveis numéricas independentemente de apresentarem uma 
relação linear. Essa característica torna o teste especialmente adequado para dados que 
não seguem uma distribuição normal, conforme identificado nas análises preliminares 
deste estudo. O valor do coeficiente de correlação varia entre -1 e 1, onde valores 
próximos de 1 indicam uma correlação positiva forte, onde valores próximos de -1 
indicam uma correlação negativa forte, e valores próximos de 0 sugerem ausência de 
correlação monotônica. No contexto deste estudo, essa análise é fundamental para 
entender como os indicadores hospitalares se relacionam entre si. 
 
2.6 Formulação das hipóteses 
 
Além dessas metodologias a aplicação de técnicas estatísticas na análise de 
indicadores hospitalares é uma prática que fortalece a tomada de decisões com base em 
evidências. Métodos como a análise de correlação, testes de normalidade e regressão 
29 
 
múltipla são frequentemente utilizados para avaliar a relação entre variáveis e identificar 
fatores que impactam, diretamente, a eficiência hospitalar. Segundo Shapiro e Wilk 
(1965), o teste de normalidade é uma técnica essencial para entender a distribuição dos 
dados e, assim, aplicar os testes estatísticos apropriados (SHAPIRO; WILK, 1965). 
Neste estudo as seguintes hipóteses foram desenvolvidas para orientar a análise 
estatística: 
Tabela 1: Hipóteses 
HIPÓTESE ANÁLISE TESTE UTILIZADO 
Hipótese 1 (H1) O tempo de permanência dos 
pacientes hospitalizados 
segue uma distribuição 
normal, o que possibilitaria o 
uso de testes paramétricos nas 
análises subsequentes. 
 
Teste de Shapiro-Wilk 
Hipótese 2 (H2) 
 
Não há diferença significativa 
na média de permanência 
entre internações eletivas e de 
urgência/emergência. 
Teste de Shapiro-Wilk 
Hipótese 3 (H3) 
 
Não há diferença significativa 
na média de permanência 
entre os diferentes anos 
analisados (2017 a 2022). 
Teste de Shapiro-Wilk 
Hipótese 4 (H4) O projeto Lean não 
resultou em mudanças 
significativas nos indicadores 
hospitalares ao longo do 
tempo. 
 
Teste de Shapiro-Wilk 
 
Hipótese 1 (H1): O tempo de permanência dos pacientes hospitalizados segue uma 
distribuição normal, o que possibilitaria o uso de testes paramétricos nas análises 
subsequentes. 
Hipótese 2 (H2): Não há diferença significativa na média de permanência entre 
internações eletivas e de urgência/emergência. 
30 
 
Hipótese 3 (H3): Não há diferença significativa na média de permanência entre os 
diferentes anos analisados (2017 a 2022). 
Hipótese 4 (H4): O projeto Lean não resultou em mudanças significativas nos 
indicadores hospitalares ao longo do tempo. 
Tabela 2: Tabela de análise 
Hipótese Hipótese Nula (H₀) (H₁) Hipótese 
Alternativa 
Justificativa 
H1 
Teste de 
Normalidade 
O tempo de 
permanência dos 
pacientes 
hospitalizados segue 
uma distribuição de 
caráter normal. 
O tempo de 
permanência dos 
pacientes 
hospitalizados não 
segue uma 
distribuição normal. 
O tempo de 
permanência dos 
pacientes 
hospitalizados não 
segue uma 
distribuição de 
caráter normal. 
Avalia se os 
dados 
seguem uma 
distribuicao 
normal, 
sendo 
eficiente para 
pequenas 
amostras e 
fundamental 
na utilização 
de testes 
subsequentes. 
H2 
Eletivas x 
Urgências 
Não há diferenças na 
média de 
permanência entre 
internações eletivas e 
de 
urgência/emergência
. 
Há diferença na 
média de 
permanência entre as 
internações eletivas e 
de 
urgência/emergência
. 
Há diferença 
presente na média de 
permanência entre 
internações eletivas e 
de 
urgência/emergência
. 
Verifica a 
normalidade 
do tempo de 
permanência 
nos dois 
grupos: 
eletivas e 
urgências – 
define, 
também, se as 
análises 
pamétricas 
poderão ser 
aplicadas. 
H3 
(Anos) 
Não há diferença na 
média de 
Há diferença na 
média de 
Há diferença 
significativa na 
Garante a 
avaliação da 
31 
 
permanência entre os 
distintos anos 
estudados (2017 a 
2022). 
permanência entre os 
distintos anos 
analisados (2017 a 
2024). 
média de 
permanência entre os 
distintos anos 
analisados (2017 a 
2022). 
normalidade 
do tempo de 
permanência 
por ano, 
como pré-
requisito para 
determinar as 
análises 
subsequentes 
apropriadas. 
H4 
(Projeto 
Lean) 
O projeto Lean não 
teve como resultado 
mudanças 
significativas nos 
indicadores 
hospitalares ao longo 
do tempo. 
O projeto Lean teve 
como resultado 
mudanças 
significativas nos 
indicadores 
hospitalares ao longo 
do tempo. 
O projeto Lean teve 
como resultado 
mudanças 
significativas nos 
indicadores 
hospitalares ao longo 
do tempo. 
Verifica se os 
dados 
indicadores 
hospitalares 
antes e após o 
projeto 
submetido 
seguem uma 
distribuição 
normal, o que 
tende a 
facilitar a 
escolha de 
métodos 
analíticos. 
 
O teste de normalidade foi aplicado nesse estudo. O teste de Shapiro-Wilk se 
mostrou eficiente e especialmenteútil para amostras pequenas durante a verificação para 
definir se os dados seguem uma distribuição normal. 
A análise de turnover de leitos hospitalares é um indicador que compreende a 
dinâmica do fluxo de pacientes e a eficiência operacional dos hospitais. Oliveira et al. ( 
2018) afirma que o turnover refere-se à frequência com que os leitos hospitalares são 
desocupados e ocupados. Esse indicador, portanto, é amplamente utilizado na 
identificação da capacidade de resposta do hospital às demandas de internação, avaliação 
e desempenho das equipes de saúde, bem como otimização do uso dos recursos 
disponíveis. 
32 
 
A aplicação de métodos estatísticos, como o teste t de Student, aplicado aqui, é 
comumente empregada na análise do turnover de leitos para comparar médias de 
determinados períodos para avaliar a existência de diferenças estatisticamente 
significativas. Essa abordagem permite fundamentar as decisões administrativas, 
identificando possíveis variações na eficiência operacional do hospital. As hipóteses para 
a análise de turnover de leitos, portanto, tem como objetivo medir a eficiência operacional 
do hospital, conforme apresentado em tabela (OLIVEIRA et al., 2018). 
 
2.7 Testes Estatísticos 
 
 Fórmula do Teste de Shapiro-Wilk para Normalidade 
 W = 
𝛴 𝑛𝑖 = 1 𝑎𝑖 − 𝑥 (𝑖) ) ²
 𝛴 𝑛𝑖 − 1 (𝑥𝑖 − 𝑥) ²
 
 
Fonte: Shapiro; Wilk (1965). 
 
O teste de Shapiro-Wilk utiliza uma estatística denominada W que mede a 
aderência dos dados à normalidade. Nessa fórmula, W representa a estatística do teste de 
Shapiro-Wilk ai são coeficientes pré-calculados que dependem do tamanho da amostra, 
x(i) são os valores ordenados dos dados, do menor para o maior, xi representa os valores 
individuais dos dados na amostra, x̄ é a média dos valores da amostra, e n é o número de 
observações. Quando o valor de W se aproxima de 1, isso indica que os dados seguem 
uma distribuição próxima da normal. No entanto, valores de W significativamente 
menores que 1 sugerem que os dados não têm uma distribuição normal. 
Os cálculos foram realizados com o objetivo de avaliar a relação entre variáveis, 
como dias de permanência, taxa de mortalidade e número de internações. O teste aplicado 
foi o coeficiente de correlação de Spearman, devido à distribuição não paramétrica dos 
dados (verificada pelo teste de normalidade). 
 Fórmula da correlação de Spearman 
𝑟𝑠 = 1 −
6 𝛴 𝑑𝑖
2
𝑛 (𝑛2 − 1)
 
 
Fonte: Adaptado de Siegel e Castellan (1988). 
 
A ausência de normalidade tornou-se um fator determinante para a escolha de 
testes não paramétricos nas comparações subsequentes. Assim, devido à falta de 
33 
 
normalidade, foi aplicado o teste de Mann-Whitney para comparar a média de 
permanência entre internações eletivas e de urgência. O teste de Mann-Whitney é uma 
ferramenta estatística não paramétrica utilizada para comparar duas amostras 
independentes, avaliando se elas provêm da mesma população ou apresentam diferenças 
significativas. 
 
Teste de Mann-Whitney U para comparação da média de permanência entre internações 
eletivas e de urgência 
 U = 𝑛1 𝑛2 + 
𝑛1 ( 𝑛1 +1)
2
 ﹣𝑅1 
 
Fonte: Mann; Whitney (1947). 
 
Em seguida, para avaliar a média de permanência entre anos diferentes, foi 
utilizado o teste de Kruskal-Wallis, uma alternativa não-paramétrica à ANOVA. O teste 
de Kruskal-Wallis será utilizado para comparar indicadores hospitalares, avaliando o grau 
de semelhança ou diferença entre eles para analisar se os valores são iguais é por que não 
resultou em mudanças. Os valores, quando diferem, demonstram que houve mudança. 
Esse teste é apropriado quando se deseja comparar três ou mais grupos independentes 
sem assumir que as distribuições são normais, permitindo identificar variações 
significativas na eficiência hospitalar. Foi realizada uma análise temporal dos indicadores 
ao longo de cinco anos, de 2017 a 2022, permitindo a identificação de tendências e 
variações na eficiência hospitalar. 
Esta análise foi essencial para observar como a implementação da metodologia 
Lean influenciou os indicadores de desempenho hospitalar ao longo do tempo e se houve 
alteração nesse determinado período. 
 
Teste de Kruskal-Wallis para comparação da média de permanência entre anos. 
H =
12
𝑛 (𝑛 +1 )
 ∑
𝑔
𝑖﹦1 
𝑅𝑖
2
𝑛𝑖
 − 3 (𝑛 + 1) 
 
Fonte: Adaptado de Kruskal e Wallis (1952). 
 
Nesse contexto, o uso de sistemas computacionais e softwares de análise 
estatística também tem facilitado a aplicação de metodologias complexas em ambientes 
hospitalares. Programas como o SPSS e o R possibilitam a análise de grandes volumes 
de dados e a criação de modelos preditivos que auxiliam na projeção de demandas futuras 
34 
 
e no planejamento de recursos. Conforme observa Mendes (2018), a digitalização dos 
processos hospitalares e o uso de softwares de análise são passos essenciais para que as 
instituições de saúde avancem em direção à eficiência operacional e à prestação de um 
serviço de qualidade (MENDES, 2018). 
Portanto, a utilização de metodologias como Lean, Six Sigma e Balanced 
Scorecard, aliada às técnicas estatísticas e ao uso de softwares, fornece uma estrutura 
robusta para a análise e aprimoramento dos indicadores de desempenho hospitalar. Essas 
práticas auxiliam gestores a tomar decisões baseadas em dados, promovendo a eficiência 
e a sustentabilidade das operações hospitalares em um cenário onde os recursos são 
limitados e a demanda por atendimento de qualidade é crescente. 
As hipóteses para a análise de turnover de leitos que busca medir a eficiência 
operacional do hospital são apresentadas a seguir: 
 
Fórmula do Turnover 
𝑇𝑢𝑟𝑛𝑜𝑢𝑣𝑒𝑟: 
𝑄𝑡 𝐼𝑛𝑡𝑒𝑟𝑛𝑎çã𝑜
𝑄𝑡 𝐷𝑖𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝑃𝑒𝑟𝑚𝑎𝑛ê𝑛𝑐𝑖𝑎
 
 
- Hipótese Nula (H₀): o turnover de leitos não apresenta diferença significativa 
entre os anos analisados, indicando que a eficiência operacional do hospital permaneceu 
estável ao longo do tempo. Em termos estatísticos, as médias do turnover dos anos 2017, 
2018, 2019, 2020, 2021 e 2022 são iguais. 
- Hipótese Alternativa (Ha): O turnover de leitos apresenta diferenças 
significativas entre os anos analisados, sugerindo variações na eficiência operacional do 
hospital ao longo do tempo. Isso implica que, pelo menos um dos anos, possui uma média 
de turnover diferente dos outros. 
 
 
35 
 
3 METODOLOGIA 
 
Este trabalho pode ser classificado quanto aos protocolos de pesquisa, como um 
estudo de caso único que seguiu os seguintes passos para o desenvolvimento da pesquisa: 
primeiramente foram definidos o problema de pesquisa e os objetivos; em seguida foi 
realizado o delineamento da pesquisa que possibilitou a coleta de dados e, por fim, 
ocorreu a etapa de análise de dados, fundamental para a apresentação dos resultados (YIN, 
2015). 
Este estudo é classificado como quantitativo, exploratório e descritivo, conforme 
a tipologia proposta por Cauchick Miguel et al. (2012). A abordagem quantitativa foi 
escolhida para possibilitar uma análise estatística robusta dos dados hospitalares, 
enquanto o caráter exploratório e descritivo permite identificar padrões e variações ao 
longo do tempo sem formulação de hipóteses iniciais sobre os resultados. Essa 
classificação possibilita uma análise detalhada das práticas e indicadores hospitalares, 
contribuindo para uma avaliação baseada em evidências dos processos de gestão 
hospitalar. 
A coleta de dados foi realizada por meio do acesso ao Sistema de Informações 
Hospitalares do SUS (SIH/SUS) disponibilizado pelo DATASUS, responsável por 
fornecer dados públicos essenciais para o monitoramento de indicadores hospitalares 
como quantidade de internações, dias de permanência e taxas de mortalidade. 
Vale ressaltar que, como parte da etapa de coleta de dados e com o objetivode 
garantir a precisão e relevância das informações, também foram realizadas entrevistas 
com especialistas em gestão hospitalar. Esses profissionais auxiliaram na interpretação 
dos indicadores e na seleção das variáveis mais pertinentes ao contexto do estudo. 
Os dados foram organizados em planilhas segmentadas por ano e tipo de 
internação, abrangendo o período de 2017 a 2022. Com essa organização buscou-se 
avaliar a evolução temporal dos parâmetros de eficiência hospitalar e mortalidade, 
permitindo uma análise detalhada do impacto das práticas de gestão na qualidade do 
atendimento. 
A análise dos dados foi realizada com técnicas estatísticas avançadas para 
assegurar uma interpretação precisa dos indicadores hospitalares. Inicialmente foram 
aplicados testes de normalidade como o Shapiro-Wilk para verificar a distribuição dos 
dados, etapa fundamental para definir os métodos estatísticos subsequentes. 
36 
 
Devido à ausência de normalidade em algumas variáveis foram aplicados testes 
não-paramétricos para comparar os indicadores de diferentes grupos e períodos. O teste 
de Mann-Whitney foi utilizado para comparar a média de permanência entre internações 
eletivas e de urgência enquanto o teste de Kruskal-Wallis foi aplicado para avaliar a média 
de permanência entre os diferentes anos. Esses métodos permitiram identificar variações 
significativas na eficiência hospitalar e compreender as tendências dos indicadores ao 
longo do tempo. 
A aplicação desses métodos estatísticos em conjunto com a análise descritiva 
possibilitou uma interpretação detalhada dos dados, proporcionando uma base sólida para 
as discussões apresentadas nos resultados. Assim, a metodologia empregada assegura 
uma visão abrangente sobre os padrões de eficiência e a evolução dos indicadores de 
desempenho hospitalar no período estudado. 
Seguindo a tipologia de Miguel e Sousa (2012), esta pesquisa utilizou dados 
secundários, pois permitiu uma análise detalhada dos indicadores hospitalares enquanto 
a abordagem exploratória favoreceu a identificação de padrões relevantes na aplicação da 
metodologia Lean em ambientes hospitalares. Essa abordagem metodológica assegura 
que os dados analisados são tratados de maneira responsável, promovendo uma 
investigação equilibrada sobre os impactos da metodologia Lean na gestão hospitalar. 
É importante ressaltar que os dados fornecidos podem apresentar limitações 
devido à variabilidade na coleta e registro ao longo dos anos. Como os dados foram 
extraídos de um sistema público de saúde é possível que a padronização de algumas 
informações varie entre períodos, o que exige cautela na interpretação dos resultados. 
Essas considerações foram levadas em conta para garantir que as análises fossem 
realizadas de maneira correta e com base em dados confiáveis. 
Este trabalho foi viabilizado por meio de análise documental com base em 
relatórios obtidos através de entrevistas realizadas com um profissional que participou 
diretamente do desenvolvimento do projeto na instituição beneficiada, tanto na execução 
quanto na curadoria de dados. Esses relatórios foram validados em conjunto com um 
especialista com mais de dez anos de experiência no mercado, detentor de certificações 
nacionais e internacionais relevantes para a aplicação da metodologia. Esse especialista 
atuou, ativamente, como consultor no projeto Lean nas Emergências e possui ampla 
experiência na área de projetos em hospitais em todo o Brasil. 
 
37 
 
4 RESULTADOS 
 
O Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) é o setor 
do SUS responsável por pesquisar, desenvolver e implantar tecnologias de informática 
que viabilizem a manutenção, atualização ou inovação de sistemas. O conhecimento deste 
setor é específico da área de saúde pública, no entanto conta com interfaces de 
comunicação com diversos órgãos governamentais. 
O DATASUS também é encarregado pela centralização, armazenamento e 
disponibilização das informações de saúde originadas em quaisquer instituições de saúde 
participantes do SUS. As principais bases de dados que alimentam e compõe o sistema 
são: o Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES), o Sistema de 
Informações Ambulatoriais do SUS (SIA-SUS) e o Sistema de Informações Hospitalares 
do SUS (SIH-SUS). A respeito do SIH-SUS, este foi originalmente desenvolvido como 
um sistema financeiro para gerenciar pagamentos de serviços hospitalares, no entanto, 
sua importância ganhou relevância, pois este sistema coleta cerca de 60% a 70% das 
informações sobre internações hospitalares do Brasil e dentro do Sistema Único de Saúde 
(VIANA et al., 2023). 
O hospital cujo dados foram analisados está localizado no estado de São Paulo, na 
região metropolitana da capital, mais especificamente na região conhecida como ABC 
Paulista. Esta é uma região tradicionalmente industrial e com identidade própria. Sua sigla 
foi originalmente cunhada devido às maiores cidades da região, Santo André, São 
Bernardo do Campo e São Caetano, no entanto, a região é composta por mais quatro 
municípios, sendo eles: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Dentre 
estes municípios o hospital está localizado na maior cidade do ABC Paulista, o município 
de São Bernardo do Campo. 
Com o intuito em receber e atender os pacientes locais do ABC paulista, atende 
também pacientes de todo Brasil e até de outros países em múltiplas especialidades, como 
também atendimentos de alta complexidade tais como transplantes, neurocirurgias, entre 
outros. 
A instituição, conta com quatro unidades hospitalares de média e alta 
complexidade, um centro psiquiátrico e um centro de saúde escola. Hoje é considerado 
um dos mais importantes complexos hospitalares do país e atende pelo SUS em todas as 
especialidades médicas (BRASIL, 2018). 
 
38 
 
4.1. Análise dos indicadores 
 
Os dados brutos fornecidos pela instituição foram organizados em planilhas 
contendo indicadores como quantidade de internações, dias de permanência e média de 
permanência, categorizados por ano e tipo de internação. Para assegurar a consistência 
das informações foi realizada uma validação inicial conforme os padrões do SIH/SUS no 
DATASUS. Esse processo de validação inicial permitiu corrigir eventuais inconsistências 
e garantir a confiabilidade das análises subsequentes com base em critérios 
preestabelecidos para cada indicador. 
 
Tabela 3 – Tabela com indicadores descritivos e categorizados 
Indicador Descrição Categoria 
QT INTERNACAO Quantidade de internações realizadas 
Volume 
operacional 
QT DIAS 
PERMANENCIA 
Total de dias que os pacientes 
permaneceram internados Operacional 
MEDIA DE 
PERMANENCIA Média de permanência por paciente 
Indicador de 
Eficiência 
TAXA DE 
MORTALIDADE 
Proporção de óbitos em relação às 
internações 
Indicador de 
Resultado 
QT INTERNACAO 
URGENCIA 
Quantidade de internações de 
urgência/emergência 
Volume 
operacional 
Fonte: Empresa. 
 
Os indicadores apresentados na Tabela 1 são ferramentas essenciais para o 
monitoramento e a avaliação da eficiência operacional e da qualidade do atendimento 
hospitalar. A quantidade de internações representa o número total de pacientes internados 
no hospital categorizados por mês e tipo de internação como eletivas e urgências. Esse 
indicador desempenha um papel fundamental na compreensão da demanda por serviços 
hospitalares, oferecendo informações valiosas sobre a capacidade operacional. 
Com base nesses dados é possível prever a necessidade de recursos como equipes 
médicas, medicamentos e infraestrutura, além de facilitar o planejamento estratégico. A 
análise temporal da quantidade de internações também permite identificar padrões como 
picos sazonais ou mudanças na demanda decorrentes de eventos externos como 
pandemias ou surtos epidemiológicos. 
 
 
 
39 
 
Tabela 4: Tabela de indicadores analisados1 
CARATER

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