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gente criando o futuro
ALFABETIZAÇÃO E 
LETRAMENTO
Organizadora Iria Helena Duarte
ALFABETIZAÇÃO E
LETRAMENTO
Organizadora Iria Helena Duarte
Alfabetização e Letram
ento
 GRUPO SER EDUCACIONAL 
C
M
Y
CM
MY
CY
CMY
K
Alfabetização e 
Letramento
eBook Completo para Impressao - Alfabetizacao e Letramento - Aberto.indd 1 20/11/2019 16:40:59
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Bibliotecário responsável: Nelson Oliveira da Silva – CRB 10/854)
D812a Duarte, Iria Helena.
Alfabetização e letramento [recurso eletrônico]/ Iria Helena 
Duarte. – Recife: Telesapiens, 2019. 
148 p. : pdf
ISBN: 978-85-54921-06-4
1.Educação 2. Alfabetização II. Título. 
CDU 372.4 
© by Editora Telesapiens
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá 
ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro 
meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer 
outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, 
sem prévia autorização, por escrito, da Editora Telesapiens.
eBook Completo para Impressao - Alfabetizacao e Letramento - Aberto.indd 2 20/11/2019 16:40:59
Presidente do Conselho de Administração: 
Janguiê Diniz
Diretor-presidente: 
Jânio Diniz
Diretoria Executiva de Ensino:
Adriano Azevedo
Diretoria Executiva de Serviços Corporativos:
Joaldo Diniz
Diretoria de Ensino a Distância:
Enzo Moreira
Créditos Institucionais
Todos os direitos reservados
2019 by Telesapiens
Alfabetização e 
Letramento
eBook Completo para Impressao - Alfabetizacao e Letramento - Aberto.indd 3 20/11/2019 16:40:59
Olá, meu nome é Iria Helena Duarte. Sou formada em 
Pedagogia, Especialista em Metodologia do Ensino da Língua 
Portuguesa e Estrangeira, com uma experiência técnico-
profissional na área de ensino híbrido há mais de 10 anos. 
Concluinte em Psicopedagogia com especialização em Língua 
Espanhola. Iniciei minha carreira como docente atuando em 
diversas escolas do Estado de São Paulo, Estado do Paraná 
e de Santa Catarina na área da Educação Infantil e Ensino 
Fundamental I. Em 2008, fui convidada por uma empresa em 
expansão em EAD para participar do departamento Pedagógico 
como Coordenadora Pedagógica em Ensino a Distância, depois, 
como professora conteudista na área da Pedagogia e ensino de 
Línguas. Também trabalhei para algumas faculdades, atuando 
na elaboração de trabalhos e materiais didáticos e preparatórios, 
como o ENADE. Atualmente, sou sócia de uma escola EAD de 
ensino de cursos técnicos, profissionalizantes e idiomas, também 
atuo como mediadora do curso de Pedagogia e tutora virtual da 
Universidade Virtual do Estado de São Paulo. 
Amo a minha profissão e sou apaixonada pelo meu 
trabalho. Estou sempre em busca de novos conhecimentos porque 
acredito no poder da educação e da reciclagem. Adoro poder 
transmitir minha experiência para todos que estão iniciando em 
suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens 
a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz 
em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte 
sempre comigo!
A AUTORA
IRIA HELENA DUARTE
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ICONOGRÁFICOS
Esses ícones que irão aparecer em sua trilha de aprendizagem 
significam:
RESUMINDO
Breve descrição 
do objetivo de 
aprendizagem;
Uma nota explicativa 
sobre o que acaba de 
ser dito;
Uma síntese das 
últimas abordagens;
Parte retirada de um 
texto;
Sugestão de práticas ou 
exercícios para fixação 
do conteúdo;
O conteúdo em destaque 
precisa ser priorizado;
Um atalho para resolver 
algo que foi introduzido 
no conteúdo;
Um jeito diferente e mais 
simples de explicar o que 
acaba de ser explicado;
Explicação do conteúdo 
ou conceito partindo de 
um caso prático;
Uma opinião pessoal e 
particular do autor da 
obra;
Indicação de curiosidades 
e fatos para reflexão sobre 
o tema em estudo;
O texto destacado 
deve ser alvo de 
reflexão.
Informações adicionais 
sobre o conteúdo e 
temas afins;
Resolução passo a 
passo de um problema 
ou exercício;
Links úteis para 
fixação do conteúdo;
Definição de um 
conceito;
CITAÇÃO
TESTANDO
IMPORTANTE
DICA
EXPLICANDO 
DIFERENTE
EXEMPLO
PALAVRA DO 
AUTOR
CURIOSIDADE
REFLITA
SAIBA MAIS
SOLUÇÃO
ACESSE
DEFINIÇÃO
+
OBJETIVO OBSERVAÇÃO
+++
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SUMÁRIO
UNIDADE 01
Conceitos e definições sobre Alfabetização e Letramento . 15
A Alfabetização ................................................................. 15
 A Língua Falada e a Língua Escrita ........................... 18
O Letramento .................................................................... 21
 Definição de Letramento ........................................... 23
 Alfabetizado Letrado ................................................. 25
 Analfabetismo Funcional .......................................... 25
Histórico e evolução das práticas de alfabetização ........ 26
A Cartilha de Comenius ................................................... 27
Emília Ferreiro .................................................................. 29
 A sala de aula como ambiente de alfabetização ......... 31
 O papel do professor ................................................. 32
Ana Teberosky .................................................................. 34
 A Psicogênese da Língua escrita................................ 34
 O analfabetismo .................................................. 35
A prática alfabetizadora e os processos de apropriação da 
língua escrita ................................................................... 37
A prática pedagógica do ensino da língua escrita .............. 38
 Lev Semyonovich Vygotsky ...................................... 39
O papel do professor e do ambiente familiar na aquisição da 
língua escrita ..................................................................... 41
eBook Completo para Impressao - Alfabetizacao e Letramento - Aberto.indd 6 20/11/2019 16:40:59
Alfabetização e Letramento 7
O letramento na aquisição da escrita ................................. 42
 Práticas para o letramento da língua escrita............... 44
Estratégias da leitura- Parte I ........................................ 45
A leitura como instrumentação cultural ............................. 46
 Aprendizagem cooperativa ........................................ 47
 Monitorar a compreensão .......................................... 48
 Estrutura do enredo ................................................... 48
 Organizadores semânticos e gráfi cos ......................... 48
 Responder Perguntas ................................................. 49
 Resumo ..................................................................... 49
UNIDADE 02
A aquisição da língua escrita .......................................... 54
Língua, fala e cultura ........................................................ 54
 A infl uência cultural para a língua escrita .................. 58
Processos de apropriação da língua escrita ................... 63
 As diferentes perspectivas ......................................... 63
 A Psicogenética de Ferreiro e Teberosky ................... 66
Métodos de Alfabetização: Global e fonético ................. 68
Os métodos de alfabetização ............................................. 72
O método Fonético ou método sintético ............................ 73
Método Global ou método analítico .................................. 74
Os métodos e os desafi os ................................................... 75
Estratégias da Leitura- Parte II ..................................... 77
eBook Completo para Impressao - Alfabetizacao16:41:09
Alfabetização e Letramento56
Nesse pressuposto, é correto afi rmar que o ambiente 
em que a criança vive é facilitador desse processo. Voltamos, 
novamente, até as crianças 1 e 2 do nosso exemplo. 
Perceba que, muitas vezes, não depende da capacidade 
cognitiva das crianças na construção do conhecimento, 
mas sim, diversos fatores que infl uenciam a aquisição. 
Quando falamos em classe social, isso pode ter um impacto 
muito grande, ou seja, uma criança menos favorecida 
fi nanceiramente não tem acesso as mesmas informações que 
uma criança mais favorecida. Isso não signifi ca que a criança 
menos favorecida fi nanceiramente não irá aprender, porém, 
ambas estão inseridas em realidades muito diferentes.
Na mesma década, Kenneth Goodman propôs uma teoria 
bem parecida com a de Frank Smith. Ele ainda enfatiza os 
“porquês” da fi nalidade da linguagem escrita e afi rma que o 
indivíduo faz a apropriação porque precisa dela em seu meio 
social. Segue a explicação de (GOODMAN, 1986, p.24):
Figura 1: Alfabetização em contexto social.
Fonte: Pixabay
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ARS80
Realce
CONCLUSÃO
Alfabetização e Letramento 57
Concluem, então, que o ato de ler e escrever é um 
processo natural pois a criança aprende, bem como ocorre na 
aquisição da fala. São compreendidos como dois processos 
diferentes, mas que ocorrem naturalmente. O que deve ser 
feito é proporcionar um ambiente que seja favorável para a 
criança. 
Outra proposta pedagógica muito signifi cativa foi a do 
Whole language, especifi camente em países que falam a língua 
inglesa, uma visão muito parecida com isso, no Brasil, seria 
o método construtivista. Embora existam distinções entre as 
duas visões, ambas acreditam que a aprendizagem se dá por 
um processo natural. Segundo SOARES, 2014, p.41: “...em 
um contexto em inserção da criança em situações em que haja 
razão e objetivo para compreender e ser compreendido por 
meio da escrita”.
Para Emilia Ferreiro, com base em sua obra, diz que 
língua oral e língua escrita são “atividades sociais frente 
às duas aprendizagens” (1992, p.29). Ferreiro ainda reitera 
que “não se aprende um fonema nem uma sílaba e nem uma 
Por que as pessoas criam e aprendem a língua escrita? Porque 
precisam dela! Como aprendem a língua escrita? Da mesma 
forma que aprendem a língua oral, usando-a em eventos de 
letramento autênticos que respondem a suas necessidades. 
Frequentemente as crianças enfrentam difi culdades na 
aprendizagem da língua escrita na escola. Isso acontece não é 
porque é mais difícil aprender a escrita que aprender a língua 
oral, ou porque são aprendizagens diferentes. Acontece 
porque nós tornamos a aprendizagem da língua escrita difícil, 
tentando torná-la fácil.
CITAÇÃO
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Alfabetização e Letramento58
palavra por vez, também a aprendizagem da língua escrita 
não é um processo cumulativo simples, unidade por unidade, 
mas organização, desestruturação e reestruturação contínua” 
(1992, p.31).
O processo ocorre naturalmente dentro de um contexto 
cultural em que o indivíduo está envolvido, porém, é certo 
lembrar que cada um tem a sua especifi cidade porque nasceu 
em um ambiente diferente. Então, duas crianças de classes 
sociais e culturas diferentes podem, sim, aprender de maneiras 
diferentes.
A infl uência cultural para a língua escrita
Vimos que nossa cultura faz parte de quem somos 
e vice e versa. É através dela que nos espelhamos como 
cidadãos, pois cada povo tem a sua maneira de expressar seus 
sentimentos. Quando falamos de “povo” não estamos falando 
apenas de diferenças entre países, mas de comunidades, de 
famílias. Cada um tem a sua cultura, o seu modo de expressão 
e de interpretação. Devemos à cultura todo conhecimento 
com o social, é o meio pelo qual você está inserido. Seus 
gostos, suas crenças, tudo vem do que você aprendeu, do que 
seus pais te ensinaram e assim por diante. 
Pense no Brasil e em todo o seu povo. Perceba que cada 
região tem a sua característica diferente. 
REFLITA
Pense sobre nossa língua materna. Todos os 200 mil habitantes 
da nossa nação falam a língua portuguesa porque fomos 
colonizados pelos portugueses e acabamos por herdar essa 
língua tão rica. Porém, todos falam da mesma maneira? 
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Alfabetização e Letramento 59
Figura 2: Nossa língua materna com suas diferenças culturais.
Fonte: Unsplash
É claro que existem diferenças na nossa língua. O 
Paulista não fala como o Carioca, assim como o Nordestino 
não fala como o Paranaense. Cada povo fala de uma maneira 
diferente e não é só de estado para estado, de cidade para 
cidade também podem ocorrer muitas modifi cações na 
língua. Essas mudanças chamamos de regionalismo. Além 
disso, existem os dialetos e sotaques brasileiros, pois, em 
cada região se fala de maneira diferente, tanto os sons das 
palavras quanto a entonação mudam. Outra característica da 
língua oral são as expressões. Pense na seguinte situação: 
REFLITA (CONTINUAÇÃO)
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Alfabetização e Letramento60
Uma criança Paulista, recém-chegada à Bahia, diz que 
está muito “bolado” com a professora. Para os Paulistas, 
“bolado” quer dizer preocupado. É claro que a criança baiana 
não irá entender, considerando que essa é uma expressão 
tipicamente paulistana. Podemos citar inúmeros exemplos 
de expressões e regionalismos de nossa língua, porém a 
intenção é que você se atente à importância desses processos 
no desenvolvimento do indivíduo.
No processo de alfabetização o caso não é diferente. 
Muitos pesquisadores acreditam que um dos fatores do 
fracasso da alfabetização é justamente não conhecer essas 
facetas, pois alfabetização não se restringe apenas ao nível 
cognitivo, mas também psicológico e sociológico. 
Outro fator importante é o nível socioeconômico. 
Como dito anteriormente, crianças de diferentes níveis 
socioeconômicos não aprendem da mesma maneira porque 
também não vivenciam a mesma experiência. Podemos 
refl etir melhor com a posição de SOARES, 2017:
Assim, tanto no Brasil quanto em outros países, os estudos 
linguísticos sobre a alfabetização, partindo do pressuposto 
de que há relação entre língua e estratifi cação social, vêm 
tentando descrever os dialetos de comunidade de fala, 
correlacionando-os com variáveis sociais, particularmente 
com a variável nível socioeconômico, e contrastando-os com 
a língua escrita, para encontrar, nesse contraste, explicações 
das difi culdades que falantes pertencentes a determinados 
grupos sociais enfrentam, no processo de aquisição de língua 
escrita. ((SOARES, 2017, p. 92)
CITAÇÃO
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ARS80
Realce
CONCLUSÃO
Alfabetização e Letramento 61
A mesma pesquisadora afi rma, ainda, que há uma grande 
importância entre os aspectos funcionais e que esses têm a 
mesma relevância que os aspectos estruturais, além disso, 
fala sobre a designação da “função social da língua escrita” 
em sua estrutura social e o desempenho que essa função tem 
em sua sociedade. Portanto, não podemos apenas olhar a 
aquisição da escrita por meios mecânicos e estruturais, mas 
também através do seu processo social. Magda Soares reitera 
que deva existir uma certa urgência para essa perspectiva 
social da língua escrita: “(...) é necessário conhecer o valor e 
a função atribuídos à língua escrita pelas camadas populares, 
para que se possa compreender o signifi cado que tem, para 
as crianças pertencentes as essas camadas, a aquisição da 
língua escrita- esse signifi cado interfere, certamente, em sua 
alfabetização” (SOARES, 2017, p.4).
Infelizmente, ainda nos dias de hoje, são poucas 
as pesquisassobre as funções da língua escrita em sua 
diferenciação social por todo o país. A atribuição do uso da 
língua é diferente entre as classes sociais diferentes.
A pesquisadora Magda Soares, em sua obra 
“Alfabetização e Letramento”, apontou alguns exemplos 
de produção de textos de crianças de classes econômicas 
diferentes. São textos de um mesmo grupo de alunos 
destinados a mesma turma, tendo a mesma professora, 
Comecemos pela hipótese de que essas classes sociais 
diferentes atribuem funções diferentes ao uso da língua. (...) 
Ou seja, há uma diferença de classe na relação entre uso da 
língua e as expectativas prévias do falante, a respeito do 
interlocutor e do contexto. (SOARES, 2017, p.96)
CITAÇÃO
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Realce
CONCLUSÃO
Alfabetização e Letramento62
EXEMPLO
EXEMPLO
Referente a uma menina de nível socioeconômico médio-alto 
do 3º ano do ensino fundamental I.
“Se eu fosse professora iria dar aula de matemática, 
comunicação, integração, ciências, treino e muitos outras 
coisas. Se precisar chamar atenção do aluno é só chamar. 
Eu iria contar estórias para os alunos e fazer jogos de 
matemática e, também, dar matérias novas para eles. Eu 
gostaria muito de ser professora, ensinar os meninos as 
matérias e isto é para o próprio bem deles”.
Referente a uma menina de nível socioeconômico baixo do 3º 
ano do ensino fundamental I.
“Se eu fosse professora eu mandaria os alunos 
calarem a boca, fazerem os exercícios completos, não 
olhar um do outro porque se não eles não aprenderiam 
nada. Eu não quer ser uma professora brava, eu quer 
ser uma professora que não gritasse com os alunos, 
mas queria que os alunos coperasem comigo, porque se 
os alunos não coperasem comigo eu também não podia 
coperar com eles. Vocês entenderam que professora eu 
queria ser?”
porém suas produções são diferentes. Seguem dois exemplos 
(SOARES, 2017, p.99):
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Alfabetização e Letramento 63
Processos de apropriação da língua 
escrita
Vimos que a aquisição da língua escrita, para acontecer, 
dependerá de muitos fatores, tanto internos como externos. 
Neste capítulo, estudaremos os processos de apropriação da 
língua e como esse método se desencadeia.
Pensamos, então, no desenvolvimento e aprendizagem 
como parte intrínseca, pois pode ser originado em fases tanto 
por causas internas como externas. Por exemplo, quando 
citamos as causas externas, podemos relatar os processos 
linguísticos do indivíduo, nas causas internas podemos citar 
o contexto sociocultural.
Toda fundamentação teórica tem os seus prós e contras, 
mais uma vez reiteramos que a intenção não é propor as 
melhores perspectivas, e sim relacionar as fundamentações 
que mais evidenciam nesse processo. Várias são as teorias 
que identifi cam a fase de desenvolvimento da criança. 
Citaremos, então, as teorias mais vivenciadas nesse 
desencadeamento.
As diferentes perspectivas
Curiosamente, Vygotksky considerou como pré-história 
da linguagem escrita os desenhos, os rabiscos, os jogos de faz 
de conta, no qual seriam momentos iniciais da aquisição da 
escrita. Para ele, a criança constrói sistemas de representação. 
É o que podemos notar em VYGOTSY:
O brinquedo de faz de conta, o desenho e a escrita 
devem ser vistos como momentos diferentes de um processo 
Perceba a distinção entre os dois textos. Ambas as 
meninas falam de um mesmo assunto, só que com perspectivas 
diferentes. Não estamos nos atendo somente aos erros de 
concordância, gramaticais e de ortografi a.
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Alfabetização e Letramento64
essencialmente unifi cado de desenvolvimento da linguagem 
escrita. (VYGOTSY,1984, p .131)
A perspectiva para Vygotsky, fundamentalmente 
semiótica, continuou presente após 6 décadas. Para essa 
perspectiva, é proposto que estágios de desenvolvimento que 
antecedem formas de representação da fala e da forma gráfi ca 
também. 
(...) Essa analise busca a pré-história da aprendizagem da 
escrita, para usar a expressão de Vygotsky, identifi cando 
os princípios que regem a construção de signifi cados pelas 
crianças, quando lançam mão de uma multiplicidade de 
formas de representação, por meio de diferentes tipos de 
interação com o mundo – não só por meio da visão, como na 
fala, mas também por meio do tato, do olfato, do paladar, dos 
sentimentos. (SOARES,2014, p. 58)
Figura 3: Crianças no processo criativo.
Fonte: Pixabay
CITAÇÃO
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Alfabetização e Letramento 65
Uma segunda perspectiva acontece com Alexander Luria, 
psicólogo e especialista em psicologia do desenvolvimento. 
Luria fundamentou sua teoria bem próxima a de Vygotsky, 
segundo Luria, quando uma criança entra na escola, ela já tem 
bagagens sufi cientes para possuir habilidades que a auxiliará 
a escrever em um tempo particularmente curso.
Iniciou uma experimentação com crianças de 3 a 5 anos 
que não haviam aprendido a escrever. As crianças deveriam 
relembrar alguns números de palavras ou frases que lhes eram 
passadas. Dentro dessas observações pôde notar: 
(...) em que extensão o pedaço de papel, o lápis e os rabiscos 
que (a criança) fazia no papel deixavam de ser simples objetos 
que a interessavam, brinquedos, por assim dizer, e tornavam-
se um instrumento, um meio para atingir algum fi m: recordar 
um certo número de ideias que lhe foram apresentadas. 
(LURIA, 1998, p.147-48)
Luria apresentou nessa pesquisa, três estágios:
1) No primeiro estágio, identifi cou-se que as crianças 
“anotavam” as frases por meio de rabiscos. Esse estágio é 
denominado pré-escrita.
2) No segundo estágio foram inscritos marcos não 
direcionados nas páginas, nesse caso, as crianças lembravam 
uma ou outra frase, pois esse era exatamente o propósito.
3) No terceiro estágio, refere-se à diferenciação dos 
signos primários. As crianças utilizavam os rabiscos curtos 
para o registro de palavras e os longos para o registro de frases. 
O desenho era utilizado somente para que elas recordassem 
de algo e não como uma forma de reprodução.
CITAÇÃO
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Alfabetização e Letramento66
A Psicogenética de Ferreiro e Teberosky
Vamos relembrar sobre essas teorias fantásticas e 
que nos trouxeram fundamentos riquíssimos para nosso 
desenvolvimento como docentes?
Como já vimos, a obra de Emília Ferreiro e Ana 
Teberosky teve um impacto muito grande em nossa história. 
Elas não somente contribuíram, bem como revolucionaram os 
processos de alfabetização que, até então, estavam esquecidos 
no sistema tradicional da Cartilha.
Houve uma diferenciação entre as pesquisas de Luria e 
de Ferreiro. O primeiro teve o foco na pesquisa entre crianças 
de 3 a 5 anos, já Ferreiro e Teberosky fi zeram experimentação 
com crianças de 4 a 6 anos. Eles diferenciam entre si o objeto 
do conhecimento:
(...) diferenciam-se em relação ao objeto do conhecimento 
privilegiado: na pesquisa de Luria o foco é posto nos 
grafi smos utilizados pela criança para apoio à memória, ou 
seja, o objeto de conhecimento é o uso da escrita pela criança 
como instrumento; na pesquisa de Ferreiro e Teberosky, 
o foco é posto nos processos cognitivos da criança em sua 
progressiva aproximação ao princípio alfabético da escrita, 
ou seja, o objeto de conhecimento é a escrita como um 
sistema de representação, que as pesquisadoras analisam sob 
a perspectiva da psicogênese no quadro da teoria piagetiana 
(SOARES, 2014, p. 62). 
CITAÇÃO
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Alfabetização e Letramento 67
As fases iniciais da psicogênese da língua escrita dão-
se: pelo desenvolvimentoda leitura pela evolução da escrita. 
Nessa perspectiva construtivista, a evolução da escrita é 
considerada um ato complexo e rico em oportunidades. 
Os níveis de evolução da leitura são reconhecidos 
mais facilmente do que os níveis da leitura. Para Ferreiro e 
Teberosky, destacam-se alguns níveis:
1) Nível pré-silábico: Nessa fase a criança produz 
alguns desenhos.
2) Nível pré-silábico II: A criança já reconhece algumas 
letras do alfabeto e tem capacidade de diferenciar gravuras de 
letras e números.
3) Nível silábico: Pode ser dividido entre silábico 
sonoro, silábico sem valor sonoro e alfabético.
4) Nível silábico sem valor sonoro: Nesse estágio, a 
criança não leva em conta aos sons das letras e faz a assimilação 
do alfabeto para escrever, mas não a forma padrão da grafi a 
tradicional.
5) Nível silábico com valor sonoro: São utilizado 
alguns símbolos gráfi cos de maneira aleatória, utilizando 
muitas vezes consoantes ou somente vogais.
6) Nível silábico alfabético: Possui uma oscilação 
tanto silabicamente como alfabeticamente.
7) Nível alfabético: A criança agora compreende que a 
escrita implica a necessidade da analise fonética das palavras.
Vale lembrar que essas ideias são de cunho 
construtivista, outros teóricos fundamentaram suas teorias 
baseados em outras experiências. Muitas são as perspectivas 
e, com certeza, teríamos um e-book totalmente dedicado para 
a análise dessas perspectivas, por isso sugerimos que você 
faça algumas pesquisas sobre as perspectivas de Gentry, Frith 
e Erhi. Este último, tem uma semelhança muito grande com a 
de Emília Ferreiro.
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Alfabetização e Letramento68
REFLITA
Baseado em toda argumentação teórica, você acredita que a 
fundamentação da escrita pode ser iniciada com desenhos e 
gravuras? Como você, professor, trabalharia com o seu aluno 
essa perspectiva de Vygotsky?
Métodos de Alfabetização: Global e 
fonético
Entende-se por métodos de alfabetização um conjunto 
de valores, procedimentos que são baseados em teorias e 
princípios com a intenção de orientar a aprendizagem que é 
iniciada pela leitura e escrita. Procuramos entender que não 
existe um único método no processo de alfabetização, pois se 
tratando de um assunto tão complexo, seria enganoso dizer 
que exista apenas um único método realmente efi caz. 
(...) à questão dos métodos mencionada neste livro não 
é qual método ou quais são os melhores ou os mais 
adequados; a resposta que se pode inferir reverte os termos 
da expressão métodos de alfabetização para alfabetizar com 
método: orientar a criança por meio de procedimento que, 
fundamentados em teorias e princípios, estimulem e orientem 
as operações cognitivas e linguísticas que progressivamente 
a conduzam a uma aprendizagem bem sucedida da leitura e 
uma ortografi a alfabética. (SOARES,2014, p.331)
CITAÇÃO
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Alfabetização e Letramento 69
Sabemos que a aprendizagem da língua possui muitas 
etapas, Magda Soares chama essas etapas de “facetas”. 
Segundo SOARES,2014, a reunião dessas “facetas” 
difi cilmente pode constituir um método:
Em outras palavras, o que propõe é que uma alfabetização bem-
sucedida não depende de um método, ou, genericamente, de 
métodos ou processos cognitivos e linguísticos do processo de 
alfabetização, e com base neles desenvolvem atividades que 
estimulem e orientem a aprendizagem da criança, identifi cam 
e interpretam difi culdades em que terão condições de intervir 
de forma adequada- aqueles/aquelas que alfabetizam com um 
método. (p.333),
Em meados do século XX, pode-se notar que a linguagem 
escrita tornou-se objeto de pesquisa no campo das ciências 
linguísticas e muito tem se observado novos debates sobres os 
métodos no processo de alfabetização vindo da necessidade 
sob o fracasso do sistema de alfabetização no Brasil. Muitos 
estudiosos acreditam que os métodos tradicionais não são mais 
efi cientes, isso porque acabam minando o desenvolvimento da 
criança, muito embora essa prática ainda seja predominante 
nos dias atuais. 
CITAÇÃO
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Alfabetização e Letramento70
REFLITA
Você pode imaginar por quê os métodos tradicionais ainda 
prevalecem no ambiente escolar? Qual foi o método de 
alfabetização que a sua professora usou como você? 
É muito provável que para os que tenham nascido a 
partir dos anos de 1980 até os dias atuais, o método era o 
mesmo, o da Cartilha de Comenius. Um conceito bastante 
relevante é o pressuposto que os métodos tradicionais acabam 
por não priorizar uma refl exão de leitura e escrita, dando 
ênfase à memorização. No método tradicional é utilizado 
um sistema de codifi cação e decodifi cação, sem mencionar 
em suas atividades em fragmentos e de modo artifi cial, 
além da aplicação de ditados. É o que propõe BRITO; 
ALBUQUERQUE; CABRAL, TAVARES,2007:
(as) práticas de alfabetização e os livros didáticos a elas 
vinculados, passaram a ser amplamente criticados, uma vez 
que continham textos forjados (os pseudotextos) e atividades 
que, de certa forma, destruíram a língua, reduzindo, 
equivocadamente, a iniciação da criança no mundo da 
escrita às tarefas de codifi car e decodifi car palavras tolas ou 
estranhas, sem qualquer propósito comunicativo (p.01).
Perceba que os autores citam que esse método 
tradicional destrói a língua, porque não inserem a criança 
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Nota
Crítica ao Modelo Tradicional
Alfabetização e Letramento 71
no processo real educativo e como anteriormente já vimos, o 
processo é complexo e exige do educador muito mais do que 
simplesmente ser o transmissor desse conhecimento. 
Figura 4: Cartilha
Fonte: Wikipédia
Na tentativa de trazer novos horizontes para nossa 
realidade, Emilia Ferreiro entra em cena com a sua obra 
Psicogênese da língua escrita e coloca em dúvida todo 
o trabalho realizado até o momento. Calcada em ideais 
construtivistas, propõe uma codifi cação para representação 
da linguagem, assim como mostra que existe uma grande 
complexidade na linguagem escrita. Ferreiro vai contra o 
método tradicional, especialmente contra a prática de cópias, 
ditados e leitura de textos, para ela esses artefatos não 
permitem o professor identifi car o nível de alfabetização em 
que as crianças se encontram.
Mediante ao desencadeamento dessas vertentes, surge 
a ideia de Letramento. A alfabetização divide-se na ideologia 
que o indivíduo deve não somente saber ler e escrever, 
mas fazer uso real dessa prática, através de interpretação e 
domínio de sua linguagem. A pesquisadora Magda Soares 
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Alfabetização e Letramento72
acentuou ainda mais essa visão em suas obras e nos deu 
um direcionamento sobre os inúmeros questionamentos da 
defi nição de Letramento.
Outro teórico bastante signifi cativo foi Arthur Gomes 
Morais, que fundamentou o papel da consciência fonológica 
de alfabetização e enfatiza que os métodos tradicionais não 
seriam totalmente efi cientes pois promovem o aprendizado da 
língua de uma maneira bastante artifi cial e muitas vezes, sem 
nenhum sentido para as crianças. Segundo Arthur, muitos 
educadores ainda recorrem aos métodos tradicionais porque 
tem difi culdade em transpor os métodos atuais em sala de 
aula.
Os métodos de alfabetização
Até o fi nal do Império o sistema de alfabetização não 
era sistematizado, somente com a proclamação da República 
o ensino passou, de fato, a ser institucionalizado. É o que diz 
MORTATTI, 2006:
A leitura e a escrita – que até então eram práticas culturais 
cuja aprendizagem se encontrava restrita a poucos eocorria 
por meio de transmissão assistemática de seus rudimentos no 
âmbito privado do lar, ou de maneira menos informal, mas 
ainda precária, nas poucas ‘escolas’ do Império (‘aulas régias’) 
– tornaram-se fundamentos da escola obrigatória, leiga e 
gratuita e objeto de ensino e aprendizagem escolarizados 
(p.2).
Através de contextos históricos, é possível notar a 
grande mudanças e avanços nos conceitos econômicos, social 
e cultura da nossa nação. Ao longo desse tempo, os métodos 
foram divididos em dois grupos:
CITAÇÃO
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Alfabetização e Letramento 73
1) Método sintético ou método Fonético
Os métodos sintéticos subdividem-se em:
 a. Método alfabético ou método de soletração
 b. Método fônico
 c. Método silábico
2) Método analítico ou método Global
Os métodos analíticos subdividem-se em:
 a. Método da palavração
 b. Método da sentenciação
 O método Fonético ou método sintético
Esse método foi proposto pelo linguista americano 
Bloomfi elfd, no qual reforça que a criança é estimulada 
a repetir os sons que absorve do seu meio, como se fosse 
um processo mecânico. Vale dizer que todas as funções da 
linguagem são totalmente descartadas nesse método.
Para a linguagem escrita, a criança deve internalizar 
padrões regulares de correspondência no que se diz respeito 
de som e soletração através de leitura das palavras, ou seja, a 
escrita serviria apenas para representar em formas de gráfi cos 
a fala. 
Outro fator muito importante, neste método, é a postura 
do professor, pois eles podem decidir como e quando as 
crianças devem aprender através de padrões regulares (mais 
fáceis) e padrões irregulares (mais difíceis).
Por essa razão, o método fonético é subdividido em 
três partes: método alfabético ou de soletração, que tem 
como função principal a letra; o método fônico, que conduz 
aos fonemas; e o método silábico, que tem como unidade 
principal as sílabas. Você lembra da Cartilha? É exatamente 
isso o que acontece nela. 
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Alfabetização e Letramento74
Figura 5: Cartilha de alfabetização
Fonte: Pixabay
Que tal nos aprofundar um pouco mais? Faça a leitura 
de duas reportagens que separamos para você para que você 
tenha um pouquinho mais de compreensão sobre esse método. 
Um deles é referente a uma entrevista com Magda Soares e 
sua percepção sobre o assunto.
ACESSE
https://bit.ly/2UrACnn
https://bit.ly/2GQjO4f
Método Global ou método analítico
Esse método tem por seu precursor Nicolas Adam no 
qual incita uma metáfora sobre a aprendizagem da criança. 
Ele afi rma que o aprendizado da linguagem escrita é a mesma 
coisa quando se apresenta um casaco para a criança, ou seja, 
o casaco é apresentado como um todo e não é subdividido em 
gola, bolsos, botões etc. Assim, deve ser a mesma maneira com 
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Alfabetização e Letramento 75
Por quê o uso da Cartilha ainda se faz presente nas escolas, 
mesmo sabendo que hoje existem outros métodos mais 
completos e efi cazes?
Os métodos e os desafi os
o desenvolvimento da aquisição da língua escrita. Segundo 
ele, é exatamente isso que se faz com o método sintético, a 
aprendizagem é desmembrada. 
Outro fator bastante importante que Nicolas enfatiza é a 
importância da leitura, ele afi rma que quando a criança faz a 
leitura, muitas vezes não faz a compreensão exata, pois para 
que exista essa decifragem, a criança deve ter contato com o 
signifi cado afetivo das palavras.
O método Global é composto por:
1) Método de palavração: referente aos estudos das 
palavras sem que exista nenhuma decomposição das mesmas, 
é por esse motivo que são propostos pequenos textos para as 
crianças para que, assim, elas possam ter o conhecimento das 
palavras.
2) Método de Sentenciação: nesse método a proposta é 
formar orações de acordo com os interesses comuns. Depois 
que essa oração for exposta, ela será desmembrada em 
palavras e depois em sílabas. Outra proposta é o conto, pois a 
ideia é fazer que a criança que realizando a leitura, ela pode 
descobrir o que está escrito.
Portanto, para o método global, o educador apresenta a 
forma global das palavras e depois fazer a decomposição das 
palavras e em seguida as sílabas.
REFLITA
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Alfabetização e Letramento76
Já vimos que a cartilha ainda é usada por muitos 
professores e em muitas instituições. Ainda há uma 
grande necessidade de fazer uma autoavaliação sobre os 
questionamentos das necessidades de nossas crianças de 
hoje. Sabemos que não existe nenhum método perfeito, 
milagroso e que tenha a sua perfeita função para todas as 
pessoas, porém existem sim métodos que propõem um melhor 
desenvolvimento cognitivo, sem esquecer que o processo de 
educação é complexo e demanda também a necessidade do 
desenvolvimento por completo, respeitando sempre o meio 
em que a criança está inserida.
A principal questão é o descobrimento de novas 
estratégias e metodologias do ensino que possa possibilitar 
um avanço signifi cativo nas práticas docentes sempre em 
consideração no conhecimento prévio do indivíduo.
Apesar da evolução dos métodos e também da 
descoberta da Psicogênese da língua escrita, de Ferreiro 
e Teberosky, ainda há uma grande preocupação porque os 
professores ainda enfrentam desafi os dentro de sala de aula, 
sem mencionar que muitos ainda deparam com difi culdades 
em alcançar os objetivos na difícil tarefa de ensinar a criança 
a ler e escrever.
O ponto de partida é compreender que não é somente ler 
e escrever, e sim fazer uma leitura do mundo e infelizmente 
as cartilhas não proporcionam essa ideologia, pois limitam 
o aluno na sua aquisição por um todo. O que as crianças 
necessitam, na verdade, é que elas possam fazer a interação 
com textos de seus cotidianos e ser inseridas dentro do seu 
ambiente educacional. O ensino não pode ser desmembrado, 
o professor deve ter autonomia sufi ciente na construção das 
atividades em sala de aula pois só ele tem o conhecimento das 
necessidades de seus alunos, da particularidade de cada um.
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Alfabetização e Letramento 77
É notório que muitos professores têm muita difi culdade 
em colocar em prática a abordagem construtivista por falta 
de formação e informação, por esse motivo ainda muitos 
utilizam os métodos tradicionais e, consequentemente, o uso 
da cartilha. Esses métodos, infelizmente, não consideram 
o processo de aquisição da língua escrita na perspectiva da 
criança, pois ela não é o sujeito ativo nesse processo, muito 
pelo contrário.
Estratégias da Leitura- Parte II
No capítulo anterior, estudamos as estratégias que são 
mais utilizadas na sala de aula. Neste momento abordaremos 
algumas estratégias que você pode utilizar como docente com 
seus alunos e até mesmo com você. O hábito da leitura pode se 
fazer muitas vezes monótono, porém essa percepção somente 
desaparece com a prática da leitura por si só e também da 
utilização de algumas estratégias na hora da leitura. Faça uma 
experimentação consigo mesma(a)!
Antes da leitura
Primeiramente, deve ser defi nido um objetivo sobre 
a leitura para que possamos antecipar alguns pontos. Faça 
alguns questionamentos como:
POR QUE LER?
O QUE VAI LER?
● Pense, discuta e compartilhe ideias que estão 
relacionadas com o texto que vai ler. 
● Faça uma previsão sobre o conteúdo que irá ler 
baseados em seus próprios conhecimentos
● Por exemplo: suponha que seu texto seja sobre 
“Abordagem sociointeracionista”. Pergunte para si mesmo: 
“O que é essa abordagem?”, “Quais suas principais 
características?”
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Alfabetização e Letramento78
 Figura 6: Leitura
Fonte: Pixabay
Durante a leitura
Novamente iniciaremos a sua análise prévia sobre o 
texto. Visualize as imagens, fotos, mapas, legendas, ou títulos 
e procure formar uma ideia central do tópico e intenção de um 
texto escrito.
Faça uma leitura do texto rapidamente para que possa 
captar sua ideia geral. Uma maneira ótima para se fazer isso, é 
ler a primeira e a última frase do parágrafo. Devemos sempre 
ter em mente:
1) Qual a ideia principal do texto?
2) Após a leitura rápida do artigo, decida qual título se 
adequa.
Vamos praticar? Faça a leitura rápida do texto abaixo, 
leia a primeira e a última frase:
“Shannon Grimm é uma professora de uma escola 
primária do Texas, nos Estados Unidos, que adora o seus 
alunos. Recentemente, ela até fez uma mudança no visual 
para ajudar uma de suas alunas que estava sendo importunada 
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Alfabetização e Letramento 79
pelos colegas de classe por causa do cabelo. A boa ação da 
professora rendeu até um prêmio da Meador Elementary 
School, em Willis, cidade do Texas.
A americana já havia notado que Priscilla Perez, de 5 
anos, estava um pouco mais fechada depois de ter cortado o 
cabelo, e depois das férias de dezembro, Shannon fez uma 
surpresa a seus alunos: apareceu com um visual igual ao de 
Priscilla.
Os alunos fi caram encantados com o cabelo da 
professora e ela aproveitou o momento para dar uma lição 
de vida nas crianças. “Eu tinha que mostrar que garotos têm 
cabelo comprido como garotas e garotas têm cabelo curto 
como garotos”, comentou Shannon em conversa ao TODAY 
Style.
Ela ainda revelou que a decisão de cortar o cabelo não 
foi fácil, mas que ela viu na ocasião a oportunidade perfeita 
para fazer uma afi rmação. “Eu sabia em meu coração que era 
o que eu tinha que fazer”, contou.”
Fonte: https://bit.ly/2GRaUDQ
Responda:
1) Após fazer a leitura rápida do texto, qual a principal 
ideia do texto que vem em mente?
2) Depois de fazer a leitura por completo, você acredita 
que baseado em seus conhecimentos prévios ajudou na 
compreensão? Por quê?
Outra estratégia bastante signifi cativa é encontrar 
palavras, sons e exemplos, ou seja, tudo que possa ajudar o 
leitor na compreensão do texto. Perceba que no texto acima 
mencionado, não conseguimos ter uma visão ampla fazendo a 
leitura da primeira e ultima frase, porém já podemos deduzir 
que se trata da história de uma professora que é apaixonada 
pelo seu trabalho. Não fi zemos a compreensão de todo o 
texto, mas a prática dessa técnica nos ajuda a ter noções sobre 
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Alfabetização e Letramento80
o que se trata o texto e se de fato, queremos prosseguir com 
a leitura.
Para fazer uma compreensão no que se refere à 
organização e coerência do texto, você deve identifi car o 
número de seções ou das partes do texto e verifi car como as 
ideias se relacionam com a ideia principal.
Exemplo:
1) Dividir o texto em três partes lógicas.
2) Ler alguns excertos e sublinhas.
Para a compreensão da coesão do texto, devemos compreender 
as relações entre as diferentes partes, através de referência e 
seus conectores.
1) Para que possamos fazer a identifi cação de palavras chaves 
ou pistas contextuais, podemos propor que você destaque as 
palavras chaves desconhecidas para determinar o signifi cado 
através de algumas pistas no texto.
A leitura das entrelinhas é um fator muito importante na 
leitura de um texto. São palavras que subentendem um outro 
signifi cado, ou seja, o signifi cado de palavras que não estão 
explícitas no texto. Muitas piadas ou até mesmo fábulas 
podem conter muito esse tipo de recurso textual.
Veja alguns exemplos de entrelinhas:
EXEMPLO
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Alfabetização e Letramento 81
[...] Frequentemente surgiam brigas, e seus 
estremecimentos repercutiam longe, derrubavam 
paredes distantes e causavam novas brigas, até que os 
empurrões, chifradas, ancadas forçassem uma arrumação 
temporária. O boi que perdesse o equilíbrio e ajoelhasse 
nesses embates não conseguia mais se levantar, os outros 
o pisavam até matar, um de menos que fosse já folgava um 
pouco o aperto – mas só enquanto os empurrões vindos de 
longe não restabelecessem a angústia. [...]
(Trecho extraído do livro “A hora dos ruminantes”, de José J. Veiga) 
A obra de de J.J.Veiga é um marco em nossa literatura, pois, 
nesse livro ele implica que os animais são os seres humanos, 
época em que as pessoas sofriam de uma pressão da ditadura. 
Perceba que ele não se refere aos animais e sim às pessoas. 
A censura punia todas as pessoas que fossem contra toda a 
ideologia política daquela época e muita gente foi exilada, 
punida e até mesmo morta por conta disso. 
O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
EXEMPLO (continuação)
EXEMPLO
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Alfabetização e Letramento82
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem. 
( MANUEL BANDEIRA)
Mais uma vez uma oposição à política em que o poeta fez a 
seu desabafo. Somente no fi nal do texto é que percebemos 
que se trata da raça humana e não de animais.
EXEMPLO (continuação)
Depois da Leitura
A primeira etapa é fazer uma avaliação geral do texto. 
Podemos:
1) Fazer juízos após a leitura e avaliar de forma crítica 
ou imparcial.
2) Procurar distinguir se existe compatibilidade entre as 
suas ideias e a do autor do texto.
Por exemplo:
“As pessoas que possuem mais de uma língua não estão 
somente aptas à uma nova demanda de profi ssões no mercado 
como também estão preparadas para novas conquistas. 
Pessoas bilíngues ganham mais de 50% comparado as que 
possuem somente uma língua”
Você concorda com esse texto? 
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Alfabetização e Letramento 83
Considerações fi nais
Entendemos que a aquisição da língua envolve uma gama 
de possibilidades, questionamentos e também habilidades 
tanto do corpo docente como do discente. A língua é por si 
só um emaranhado de saberes dentro de uma determinada 
cultura e desmembrar todo um conteúdo demanda muito 
esforço e tempo.
Dá-se, então, a importância entre a distinção entre 
língua oral e língua escrita. Enquanto que a língua falada é 
dinâmica e vive em constantes modifi cações, a língua escrita 
é mais regrada, porém tem sim infl uências da língua oral. 
Somos o que falamos, com quem nos relacionamos e somente 
conseguimos fazer um registro da nossa identidade quando 
nossa sociedade compreender que ambas são completamente 
diferentes uma da outra, mas que se “comunicam” entre si.
Nesse pressuposto, quando falamos na aquisição da 
língua escrita, temos que nos ater a muitos fatores internos 
e externos. Nunca se esqueça que o seu aluno é um ser em 
formação, porém ele já vem com a sua própria bagagem 
cultural. Não estamos mencionando aqui que devemos 
incentivar alguns problemas relacionados entre língua oral 
e escrita, como por exemplo: vícios de linguagem, uso do 
pleonasmo etc. Nosso intuito é que você, futuro professor, 
possa compreender a dimensão desse processo e também o 
seu aluno, pois ele é um ser único e cada um aprende da sua 
forma, de acordo com as experiências que possuem.
Um outro exemplo é o uso do resumo. Através dele, 
você pode organizar as ideias principais e ignorar as partes 
que não requerem tanta atenção assim.
Por exemplo:
Leia o texto e faça um resumo de, exatamente, 50 
palavras.
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Alfabetização e Letramento84
Como vimos anteriormente, uma criança que vive em 
um ambiente menos favorecido não conseguirá ter a mesma 
aquisição da língua escrita do que àquela que se encontra 
em um lar mais favorecido. Não estamos citando apenas a 
condição fi nanceira da criança, mas também a sua experiência 
cultural. Muitas vezes, uma criança da periferia fala de modo 
diferente do que uma criança da burguesia. Ambas possuem 
expressões distintas uma da outra e isso interfere no processo 
de desenvolvimento da aquisição da língua escrita.
Cabe, então, ao professor conhecer seus alunos para 
que, baseado em suas experiências culturais, possa encontrar 
alguns caminhos alternativos para alfabetizar essas crianças.
Muitos pesquisadores verifi caram que a aquisição da 
língua escrita se dá por um processo tão natural quanto ao 
ato de falar, por exemplo. O professor deve estimular esse 
conhecimento e proporcionar um ambiente educacional 
motivador.
O tradicional X O construtivista
Você já deve ter percebido que muito falamos sobre essas 
abordagens e que elas estão o tempo todo em confl ito. Depois 
da Psicogênese da língua escrita de Ferreiro e Teberosky, o 
país praticamente se dividiu. Enquanto uns ainda continuam 
nos métodos tradicionais, outros são categóricos em dizer 
que o método construtivista é o mais adequado para nossas 
crianças.
E você? O que pensa sobre isso?
Há muito para se discutir e ser planejado, porém não 
podemos ignorar alguns fatos que acontecem em nossas 
escolas. Apesar de muitas crianças serem alfabetizadas pela 
cartilha (talvez eu e você), ainda sim é um método muito 
aquém para o desenvolvimento cognitivo da criança.
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Alfabetização e Letramento 85
A Cartilha possui, é claro, de algumas características 
interessantes, mas infelizmente não permite que a criança 
seja o sujeito ativo no processo do seu conhecimento. Já a 
abordagem construtivista, apenas de ser bastante utilizada 
em muitas instituições, ainda é o “bicho papão” de muitos 
professores, coordenadores e escolas. Existe uma grande 
necessidade de formação para os docentes sobre esse 
assunto, pois muitos profi ssionais não tendo o domínio total 
da abordagem, acabam por optando a utilizar os métodos 
tradicionais por acreditarem ser mais fáceis.
Nessa reconstrução de valores, nossas crianças ainda 
sofrem as consequências. O fracasso da alfabetização no 
Brasil aumenta a cada ano, para que vocês tenham uma ideia, 
há mais de 40 anos o país vem sofrendo com a diminuição 
de crianças alfabetizadas. Perceba que não estamos falando 
de crianças letradas, e sim alfabetizadas. Até os anos 80 a 1ª 
série do ensino fundamental I era utilizada para o processo 
de alfabetização e somente conquistaria a 2ª série se fosse 
aprovada. Hoje em dia com a formação continuada, não existe 
a obrigatoriedade de reprovação e por isso, muitas crianças 
seguem para o 2º ano sem saber ler e escrever. Magda Soares 
afi rma que nós somos um país que reincide no fracasso de 
alfabetização.
REFLITA
Você acredita que exista um método revolucionário, capaz 
de ser assertivo com todas as crianças, sejam elas da mesma 
classe social ou diferente? Qual o melhor método para você?
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Alfabetização e Letramento86
Vimos, que não existem métodos perfeitos e que possam 
ter o pleno funcionamento com todas as pessoas. Cada método 
de alfabetização tem a sua particularidade. Embora as técnicas 
sejam muito importantes, não podemos deixar de levar em 
conta outros fatores que também fazem parte integrante no 
processo de alfabetização. Podemos sim, trabalhar com um 
método específi co, mas fazer pequenas adequações quando 
se achar necessário, pois no processo de alfabetização, nada 
é estático.
Esperamos que você tenha usufruído desse material e 
que ele te sirva para que novos horizontes de conhecimentos 
possam expandir. Como você pode notar, o caminho a 
percorrer é longo, mas muito prazeroso.
Como educador, fi que atento em seus alunos, faça 
parte do mundo deles. Eles te darão muitas vezes, a resposta 
como lidar com eles. Olhe nos olhos, saiba o nome de cada 
aluno seu, perceba quando ele está bem ou não está. Tenha 
a percepção de encarar seus alunos como pessoas como 
você e que são diferentes. Estude! Faça reciclagem dos seus 
conhecimentos! O mundo da leitura pode ser tão importante 
na vida de uma criança quanto na sua! Viva a sua profi ssão e 
procure entender que você é essencial em todo esse processo!
E que a jornada continue!
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Alfabetização e Letramento 87
AS PRINCIPAIS CONCEPÇÕES DAS ABORDAGENS 
PEDAGÓGICAS E AS NOVAS PERSPECTIVAS DE LETRAMENTO
UNIDADE
 03
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Alfabetização e Letramento88
Olá, alunos(as)!
Iniciamos agora mais uma unidade! Nela faremos uma 
análise da importância da defi nição de letramento na sociedade 
e o impacto dela no âmbito educacional. Nesse capítulo, 
faremos muitas refl exões acerca disso, porque todo educador 
precisa se apropriar desse mundo chamado “letramento” de 
maneira que não se tenha nenhuma dúvida tanto a respeito da 
defi nição, quanto da prática dele.
Entenderemos que esse tema tão complexo deveria 
ser praticado em todas as escolas, mas infelizmente não é 
isso que acontece atualmente. Precisamos então, fazer uma 
análise da situação real e entender como o letramento pode 
ajudar no processo de ensino-aprendizagem.
Sabemos que o letramento não é uma tarefa fácil, 
pois além de demandar muitas habilidades, ainda existem 
questionamentos inerentes à defi nição dele que não podemos 
descartar. Já vimos como ocorre o processo de aquisição de 
leitura e de escrita, agora estudaremos como tais processos 
podem fazer toda a diferença para as crianças.
Nas unidades anteriores, estudamos acerca de algumas 
abordagens, porém nesta, dissertaremos a respeito das 
concepções empiristas e das sociointeracionistas sempre 
baseadas em fundamentos teóricos que continuam fazendo 
parte do cotidiano educacional das escolas.
E por fi m, estudaremos a terceira parte das estratégias 
de leitura. Neste capítulo, você aprenderá algumas dessas 
estratégias de leitura com crianças que estão no processo de 
alfabetização. 
Há muito ainda para ser estudado, pensado e discutido! 
Seja parte integrante desse processo! Bons estudos!
INTRODUÇÃO
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Alfabetização e Letramento 89
1
2
3
4
Olá. Seja muito bem-vindo(a) à Unidade 3. O objetivo 
dela é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes 
competências profi ssionais durante esta etapa de estudos:
OBJETIVOS
Conhecer tópicos importantes acerca das intenções 
de alfabetizar o indivíduo na sua totalidade;
Compreender os novos pontos de vista no processo 
de ensino-aprendizagem e na aquisição de leitura e 
de escrita;
Interpretar as concepções empiristas e as 
sociointeracionistas e compreender os impactos 
delas no ambiente educacional;
Reconhecer as principais estratégias de leitura com 
as crianças no processo de alfabetização.
Preparado(a) para uma viagem rumo ao conhecimento? 
Ao trabalho!
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Alfabetização e Letramento90
 Perspectivas de alfabetizar letrando
Qual é a defi nição de letramento para você? Não quero 
que você olhe no dicionário ou no material que estudou até 
agora, mas que você refl ita acerca do que é letramento. Qual 
a importância desse tema para as crianças e o que a falta de 
letramento pode ocasionar?
O que deve permanecerno processo de ensino-
aprendizagem e o que precisa ser modifi cado? Quero que 
você responda a essas perguntas em seu caderno de estudos 
antes que iniciemos esse primeiro tópico. Compartilhe as suas 
ideias com os seus colegas, deixe-os compartilhar as deles 
com você. Faça essa interação!
Sua defi nição pode conter muitas ou poucas palavras, 
não importa. O que vale é que você se aproprie desse universo 
tão rico e desafi ador.
Então, mãos à obra!
 Letramento e os seus processos 
Podemos dizer que o processo de alfabetização passou 
por quatro impactantes momentos, que são:
1. Método de soletração ou método alfabético: teve 
início na antiguidade e durou até a idade média;
2. Os métodos sintéticos e analíticos: iniciou no século 
XVI e durou até a década de 1960;
3. A psicogênese da língua escrita, defendida por Emília 
Ferreiro e por Ana Teberosky: iniciou na década de 1960 e 
durou até meados da década de 1980;
4. Conceito de alfabetização e letramento: dede 1980 
até atualmente.
Segundo Soares (2008, p. 20):
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Alfabetização e Letramento 91
Só recentemente passamos a enfrentar a essa nova 
realidade social em que não basta sabe ler e escrever, é preciso 
também fazer o uso do ler e do escrever, saber responder 
às exigências da leitura e de escrita que a sociedade faz 
continuamente – daí o surgimento do termo letramento.
O termo letramento surgiu do inglês literacy, que 
signifi ca alfabetização. No entanto, a defi nição dele é um 
pouco mais ampla e não nos remete apenas à defi nição de 
alfabetização mas também a outros conceitos específi cos 
que habilitam o usuário da língua a se apropriar inteiramente 
desse conhecimento.
E qual a história do letramento? Você tem ideia?
O letramento tem uma história, podemos dizer que é 
breve, de problemas crônicos da educação em detrimento ao 
fracasso escolar e à exclusão social.
Na década de 1980, muitos fatores contribuíram para 
infl uenciar o desenvolvimento das práticas de alfabetização 
relacionadas ao emprego da escrita e das situações complexas 
delas. O que mais marcou essa época, foram as práticas 
naturais com grande infl uência de Paulo Freire, no sentido da 
escrita como forma de expressão.
Depois disso, a ideia de que a prática da leitura ocorria 
depois da alfabetização acabou mudando porque acreditava-
se que ela poderia também ocorrer antes da alfabetização. 
Nesse pressuposto, muitos alunos poderiam ser capazes de 
fazer o reconhecimento do sentido da escrita antes mesmo de 
estarem na escola, pela própria experiência pessoal. Outros 
poderiam não ter a experiência da escrita no seu cotidiano. 
Então, houve a necessidade de se pensar que a alfabetização 
precisava passar por uma evolução; que ela deveria se tornar 
um processo de descoberta, de uma cultura em que a escrita 
de fato faria sentido.
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Realce
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Nota
CONCEITO ETIMOLÓGICO DE LETRAMENTO
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Alfabetização e Letramento92
Desse questionamento, tomado pela conscientização 
escolar quanto à necessidade de uma combinação entre as 
práticas da escrita e os processos de integração com a cultura 
escrita, surge a defi nição de letramento.
SAIBA MAIS
Sabemos que os métodos naturais, também denominados de 
“estudos culturais”, ainda ocupam um espaço importante nas 
práticas de alfabetização. Sugerimos que você faça a leitura do 
texto “Histórias infantis e aquisição da escrita”, de Vera Simões, 
disponível no endereço eletrônico: https://bit.ly/2HJRoJF.
 A psicogênese – Parte I
Desde o início deste curso você tem se deparado com o 
assunto da psicogênese e com os teóricos da área. Essa teoria 
foi o marco de um processo mental da língua escrita porque 
antes disso, o processo de aquisição da linguagem era mais 
mecânico e metódico.
Acredita-se que essa teoria foi um divisor de águas 
porque ela consiste em fazer formulações para explicar o 
processo mental por meio do qual a criança faz a construção 
da própria escrita.
Mas, o que seria a construção da escrita, afi nal? Segundo 
Godoy e Senna (2013, p. 211):
Construir a escrita signifi ca desenvolver certo 
conhecimento que proporcione ao indivíduo:
a. Discriminar os grafemas;
b. Empregá-los na produção e na leitura de textos 
escritos que atendam aos princípios de uso variáveis conforme 
cada um dos tipos de gêneros empregados em dada sociedade.
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Alfabetização e Letramento 93
A noção de gênero textual implica uma gama de fatores que em 
muito transcendem os limites da alfabetização em seu sentido 
tradicional, relacionado à construção do código escrito.
(...) Assim, a noção de alfabetizar passa a ser compreendida como 
promover a integração do indivíduo às diversas práticas 
sociais de escrita.
(...) Então, não bastava mais a um trabalhador saber assinar o 
nome, simplesmente. Não bastava mais uma educação que 
resumisse a adestrar pessoas para trabalharem em linhas de 
produção.
Os autores ainda afi rmam que devemos atentar também 
para o uso dos gêneros textuais, que é o uso de um sistema 
gramatical, como poesia, narrativa, drama etc. Isto é, o 
indivíduo deve ter domínio de todos os conceitos de gêneros 
textuais para que ele possa ser considerado como um indivíduo 
letrado.
Não podemos deixar de citar também, que na atualidade 
existem outras formas de comunicação escrita, como os blogs, 
os e-mails etc. Os gêneros textuais também se encontram 
nos quadrinhos, nos jornais, nos diários, nos bilhetes e nos 
contos. É o que podemos identifi car na concepção de Godoy 
e Senna (2013, p. 212-213):
CITAÇÃO
A Psicogênese ganhou então, olhares de pesquisadores 
de diversos países visando que a educação seja algo comum 
a todos e que ela não se limite aos conhecimentos prévios do 
indivíduo, mas que o indivíduo seja capaz de deter uma gama 
de conhecimentos e que ele possa desenvolvê-los de forma 
prática e adequada.
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Alfabetização e Letramento94
SAIBA MAIS
Na obra de Emília Ferreiro e de Ana Teberosky foram apresentadas 
críticas severas quanto ao caráter mecanicista do emprego da 
cartilha no processo de alfabetização. Além disso, argumentou-
se que o uso dela implicava em uma intenção ideológica que é 
apresentado no texto “Aprender a ler entre cartilhas: civilidade, 
civilização e civismo pelas lentes do livro didático”, de Cartola 
Boto, disponível em: https://bit.ly/2VHkpL5.
Na sua opinião, quais foram as contribuições dos métodos 
naturais nas práticas de alfabetização?
Posteriormente, faremos um aprofundamento acerca 
das etapas da construção da língua escrita sob o foco da 
psicogênese . Inicialmente queremos que você compreenda 
os “porquês” e os acontecimentos que culminaram nessa 
mudança tão signifi cativa no processo de alfabetização.
 A psicogênese - Parte II
Vamos agora estudar a segunda parte da psicogênese 
da língua escrita. Podemos dizer que essa teoria de cunho 
construtivista, é dividida em quatro etapas:
1. Etapa Pré-Silábica: é empregado o uso de grafi smos 
que não estão associados aos grafemas do sistema alfabético. 
Ela é dividida em duas fases. A primeira fase são os traços 
REFLITA
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Alfabetização e Letramento 95
Figura 1: Grafi smo Infantil.
Fonte: Pixabay
metonímicos (quando há um desenho com similaridade com o 
que é representado); e a segunda fase, a relação entre a forma 
gráfi ca e o que ela representa;
2. Etapa Silábica: ocorre com o descobrimento da 
forma dos sinais do sistema alfabético, porém utilizados 
por grafemas em que uma letra representa um conjunto de 
grafemas:
Exemplo: A letra “p” por pé.
3. Etapa Silábico-Alfabética: nesseponto, a escrita tem 
uma signifi cativa evolução, porém podem ocorrer algumas 
presenças das marcas da fala na escrita:
Exemplo: “tanbein” por também;
 “prasco” como plástico.
4. Etapa Alfabética: a escrita passa a ser a representação 
da fala e a forma dela passa a ser regrada pela ortografi a.
A construção do trabalho da psicogênese, considerando 
as etapas citadas, foi de grande importância para os estudos da 
área e mudou o modo de pensar a alfabetização com o ingresso 
da criança na escola. A partir desse trabalho, variadas práticas 
de cunho construtivistas foram desenvolvidas e auxiliam até 
atualmente o trabalho docente.
Agora que as conhecemos, fi ca fácil entender que “a 
verdadeira escrita (...) seria a escrita espontânea: aquela que 
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Alfabetização e Letramento96
proporcionaria à criança pensar sobre as regras que constituem 
o sistema de escrita” (PICOLLI; CAMINI, 2013, p. 18), não 
é verdade?
 Novas perspectivas no processo de 
aquisição da língua escrita 
Um dos motivos que impulsionou uma nova concepção 
de alfabetização foi a evidência do fracasso escolar que 
vem sendo revelado por avaliações estaduais, nacionais e 
internacionais no nível da linguagem escrita pelos alunos 
brasileiros do ensino básico. Outro fator importante foi 
decorrente das mudanças teóricas e de conceitos sob um novo 
olhar das ciências psicológicas e linguísticas.
A pesquisadora Magda Soares defende que essas 
divergências nos remetem a alguns questionamentos, com por 
exemplo, o que funciona na alfabetização. Sugere ainda que, 
em torno dessa crise educacional, também existem algumas 
discordâncias que deveriam ser estudadas. Em primeiro lugar, 
a ideia de o que se ensina; e a segunda referente ao método 
que é utilizado, porque devemos além de saber o que ensinar, 
também saber como ensinar.
Existe uma separação distinta no que se refere à plena 
inserção da língua escrita que pode ser dividida em algumas 
dimensões, que sugere Soares (2003, p. 133):
A plena inserção no mundo da escrita, pelo exercício competente 
da leitura e da escrita, envolve pelo menos três complexas 
dimensões que se articulam e se complementam: uma dimensão 
linguística,- a conversão da oralidade em escrita; uma dimensão 
cognitiva-, as atividades da mente em interação tanto com o 
CITAÇÃO
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Alfabetização e Letramento 97
CITAÇÃO
sistema de escrita, no processo de aquisição do código, quanto 
com o texto em sua integridade, no processo de produção de 
signifi cado e sentido; e uma dimensão sociocultural- a adequação 
das atividades de leitura e escrita aos diferentes eventos e práticas 
em que essas atividades são exercidas.
(CONTINUAÇÃO)
Compreendemos então, que esse processo é subdividido 
em três partes, as dimensões:
1. Linguística;
2. Cognitiva;
3. Sociocultural.
Na complexidade de cada dimensão, é importante 
entender que cada uma complementa a outra e que não se 
pode ter uma totalidade de resultados sem que as três estejam 
inteiramente desenvolvidas.
 O que e como se ensina? (Para que se 
ensina?)
Faremos uma nova refl exão acerca da sua própria 
experiência no processo de alfabetização. Você se lembra 
quais foram os métodos utilizados pela sua professora para 
te alfabetizar?
O que funciona na alfabetização?
Por um lado, podemos dizer que o que ocorre é o ensino 
sistemático da língua escrita; por outro lado, o que funciona 
na alfabetização é o desenvolvimento da compreensão de 
textos que a criança adquire progressivamente. Existe ainda a 
terceira questão que é a junção desses processos.
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Alfabetização e Letramento98
Soares (2003, p. 133-134) assim explica:
[...], sustentam que a aprendizagem da língua escrita deve 
envolver, de forma simultânea e integrada, a apropriação da 
tecnologia da escrita- essencialmente, do sistema de relações 
fonema-grafema -, a leitura compreensiva e a produção de textos 
de diferentes gêneros, e os usos da escrita em experiências reais 
de leitura e de escrita. [...] Nessa perspectiva, o que funciona 
na alfabetização seria o ensino integrado das múltiplas 
dimensões da aprendizagem da língua escrita.
CITAÇÃO
Figura 2: Aprendizagem da escrita.
Fonte: Pixabay
Portanto, o questionamento acerca do que funciona 
na alfabetização deve ser repensado baseado nas seguintes 
indagações:
O que funciona? = para quê?
1. Para que o indivíduo seja capaz de fazer a codifi cação 
e a decodifi cação da linguagem escrita.
2. Para que a escrita tenha sentido para a criança e que 
as habilidades dela nesse processo possam se desenvolver.
3. Para que a criança possa estar inserida no mundo da 
escrita em todos os aspectos culturais dele.
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Alfabetização e Letramento 99
Dito isso, vamos falar a respeito do alfabetismo.
 O alfabetismo
O conceito de alfabetismo pode até causar estranheza, 
pois é muito comum ouvirmos o contrário dessa palavra, que 
é o “analfabetismo”. Então, qual o signifi cado dessa palavra?
Em seu conceito literal, no dicionário a defi nição de 
alfabetismo é o ”Estado ou condição das pessoas que foram 
alfabetizadas, que receberam instrução formal ou sabem ler e 
escrever” (DICIO, 2019).
Seguindo essa defi nição, o analfabeto então, é aquele 
que não sabe ler nem escrever e o alfabetizado é aquele que 
aprendeu a ler e a escrever. 
Vivemos em uma época em que não basta apenas saber 
ler e escrever, mas é preciso ter o domínio da língua e saber 
fazer o uso adequado de tais habilidades. Segundo Soares 
(2003), podemos agrupar o desenvolvimento do alfabetismo 
em dois grandes grupos que ela chamou de dimensões:
Dimensão Individual: o alfabetismo é visto como 
uma atribuição individual e pessoal;
Dimensão Social: o alfabetismo é visto como algo 
cultural que se refere a um “conjunto de atividades sociais” 
que pode envolver a linguagem escrita.
A ideia é que a leitura e a escrita são habilidades 
totalmente distintas, embora elas façam parte de um mesmo 
processo. É o que podemos ver na refl exão de Soares (2003, 
p. 152):
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Alfabetização e Letramento100
[...] a leitura e as habilidades e os conhecimentos que constituem 
a escrita são radicalmente diferentes, como também são 
consideravelmente diferentes os processos de aprendizagem da 
leitura e os processos de aprendizagem da escrita.
[...] – pode saber ler sem saber escrever. Pode ser um leitor 
fl uente e um mau escritor.
A necessidade de habilidade de alfabetismo na vida cotidiana 
é óbvia; no trabalho, dirigindo na cidade, comprando em 
supermercados, todos nós encontramos situações que demandam 
leitura ou produção de símbolos escritos. Não é preciso justifi car 
a insistência na obrigação que têm as escolas de desenvolver 
nas crianças habilidades de alfabetismo que as tornem capazes 
de responder a essas demandas em situações da vida cotidiana. 
CITAÇÃO
CITAÇÃO
A autora afi rma que as habilidades de leitura e de escrita 
ocorrem de formas diferentes e devem ser utilizadas de 
maneiras diferentes. Portanto, o alfabetismo em sua dimensão 
individual deve ser visto como um conjunto de práticas sociais 
com associação à leitura e à escrita e que devem ser exercidas 
efetivamente em um contexto social.
Scribner (1984, p. 9) defi ne o alfabetismo funcional 
como algo de muita importância para a sobrevivência humana:
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Alfabetização e Letramento 101
CITAÇÃO (CONTINUAÇÃO)
Programas de educação básica têm a mesma obrigação de 
desenvolver em adultos as habilidades que precisamter para 
obter trabalho progredir nele, para receber o treinamento e os 
benefícios a que têm direito e assumir suas responsabilidades 
cívicas e políticas.
 O alfabetismo e as suas perspectivas
Há grandes perspectivas metodológicas e teóricas no 
que se diz respeito a esse fenômeno e, por se tratar de um 
assunto multifacetado, Soares (2003) subdividiu-as, sem se 
esquecer da dimensão individual e social:
1. Histórica: faz investigação da história do sistema da 
escrita, entre outros temas;
2. Antropológica: estudo dos processos de aquisição 
da escrita em diferentes culturas e tradições;
3. Sociológica: tem a leitura e a escrita como uma 
prática social;
4. Psicológica e Psicolinguística: investiga as 
diferentes estruturações do pensamento, os processos 
cognitivos e a neuropsicologia da leitura e da escrita;
5. Sociolinguística: as relações entre a leitura e a 
escrita nos seus diversos contextos culturais e linguísticos;
6. Linguística: envolve o sistema fonológico da língua 
e o seu sistema ortográfi co, as diferenças morfossintáticas e 
lexicais da língua;
7. Discursiva: tem como objetivo a teoria do discurso;
8. Textual: estuda as diferenças entre o texto escrito e 
o texto oral, a coesão e a coerência;
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Alfabetização e Letramento102
1. Literária: características orais em diversos tipos de 
textos das literaturas; 
2. Educacional ou Pedagógica: implica na construção 
e na investigação de condições institucionais dos processos 
metodológicos e didáticos; 
3. Política: faz uma análise a respeito dos programas 
que visam a promoção do alfabetismo em sua totalidade.
Baseados nas palavras de Gnerre (1985, p. 28) podemos 
concluir os estudos do alfabetismo sob diferentes perspectivas 
teóricas e metodológicas:
Podemos dizer que o campo de estudos da escrita, como foi 
constituído nas últimas décadas, é um cruzamento estimulante 
das principais áreas de categorização das atividades intelectuais 
tradicionais do pensamento ocidental, tais como a História, 
a Linguística, a Sociologia, a Educação, a Antropologia e a 
Psicologia. Por essa razão, alcançar uma boa compreensão da 
série de fatos e de ideias que são relevantes para o campo de 
estudos da escrita é uma façanha complexa.
Há um texto da British Broadcasting Corporation (BBC) que 
remete à problematização a respeito do analfabetismo funcional 
e como é a infl uência dele em relação às redes sociais em nosso 
país. Vale a pena você fazer essa leitura: https://bbc.in/2RQgOJ8.
CITAÇÃO
SAIBA MAIS
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Alfabetização e Letramento 103
 Concepções empiristas e 
socioconstrutivistas
Trataremos agora de duas abordagens signifi cativas 
que ainda infl uenciam o ambiente educacional. É certo que 
existem outras abordagens que foram também impactantes 
no desenvolvimento educativo, porém as concepções que 
citaremos tiveram um impacto maior.
 O empirismo
O termo foi introduzido pelo fi lósofo britânico John 
Locke (1632-1704) e signifi ca “experiência” em português. 
A teoria empirista afi rma que todo o conhecimento se origina 
de uma experiência. Embora todas as pessoas nasçam 
com capacidades para o aprendizado, elas precisam das 
experiências de vida para que possam se desenvolver. Para 
os empiristas, o indivíduo percebe as informações do ponto 
de vista das próprias experiências e a aprendizagem ocorre 
quando esse novo conhecimento passa a ser um hábito na 
vida da pessoa.
Figura 3: Acumulação de Informações.
Fonte: Pixabay
A ideia empirista é como se todo o conhecimento fosse 
absorvido como uma esponja que retém líquido no qual as 
informações são fi xadas e acumuladas. Pela primeira vez, a 
mente humana passa a ser descrita como uma “tábula rasa” 
que pode ser dirigida de acordo com as experiências vividas 
e “absorvidas”.
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Alfabetização e Letramento104
Outros fi lósofos em meados dos séculos XVI e XVII 
também foram adeptos do Empirismo, entre eles Francis 
Bacon (1561- 1626) e Thomas Hobbes (1588-1679). Do 
ponto de vista empirista, a escola era responsável por formar 
o indivíduo para que ele fosse capaz de julgar, conhecer e agir 
entre o certo e o errado.
Ainda hoje existem muitas concepções empiristas nas 
escolas, com a ideia que o aluno deve simplesmente receber 
as informações sem fazer interação com o objeto de estudo. O 
conhecimento é um recurso somente do professor, como forma 
de produto, ou seja, só o professor possui esse conhecimento 
e o aluno deve apenas recebê-lo.
Os empiristas sustentam que o conhecimento é um 
fator exteriorizado e o professor o detém. O principal método 
empirista é por meio da cópia e da memorização.
Sob essa abordagem, procure lembrar os métodos empiristas que 
muitos professores utilizaram (e ainda utilizam) em sala de aula. 
Você nunca teve um professor que te fez copiar muitos textos 
durante a aula? Esse professor fez alguma interação com você? 
SAIBA MAIS
É muito provável, que você já tenha passado por 
situações empiristas. Lembre-se de que não estamos julgando 
qualquer método utilizado, apenas fi zemos uma comparação 
entre a teoria e a realidade. Quando o professor passa um 
texto e pede para que o aluno faça uma cópia dele, a intenção 
não é que o aluno seja um sujeito ativo nesse processo, ao 
invés disso, ele se torna um sujeito passivo porque apenas faz 
a cópia e as atividades propostas pelo docente. É um método 
mecanizado.
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Alfabetização e Letramento 105
O fi lósofo Aristóteles (384-322 a.C) também já tinha 
preconizado essa teoria e fez críticas severas contra o 
inatismo, porque acreditava que o ser humano adquiria os 
seus conhecimentos na prática, e que isso poderia se tornar 
um hábito. Causou sem dúvida, uma revolução na ciência, 
pois foi a partir dele que surgiu a metodologia científi ca.
 O Socio Construtivismo
A teoria socioconstrutivista foi calcada por Lev 
Semionovitch Vygotsky, também conhecida como psicologia 
de aprendizagem. Essa teoria defi ne que o conhecimento 
é fruto de uma construção social entre a interação entre 
os indivíduos, ou seja, para que exista um conhecimento, 
também deve existir uma interação com o meio em que eles 
estão inseridos.
A teoria de Vygotsky afi rma que o desenvolvimento 
da criança, desde o nascimento é acompanhado por hábitos, 
gestos, linguagens e tradições. Para os socioconstrutivistas, a 
linguagem é fundamental e é considerada como um poderoso 
artefato cultural, capaz de modifi car todo o desenvolvimento.
O indivíduo então, aprende pela interação com o meio, 
ouvindo e observando o que as pessoas fazem e não somente 
pela exploração do ambiente. 
Vygotsky sugere que existem algumas linguagens 
simbólicas, como a linguagem matemática, que é signifi cativa 
nessa teoria. Ele enfoca a importância da cultura no 
desenvolvimento da criança e na aquisição da linguagem, 
porque é por meio dela que o indivíduo faz a apropriação da 
informação e ele só faz isso por meio da interação.
O modelo socioconstrutivista é mais amplo do que o 
modelo construtivista no qual o seu precursor é Jean Piaget. 
Porém, tanto os construtivistas quanto os sociointeracionistas, 
afi rmam que a criança deve ter o papel ativo, e falam da 
importância de os alunos trabalharem e discutirem juntos 
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Alfabetização e Letramento106
por meio de debates e de discussões em grupo em que cada 
participante possa expressar as próprias ideias e opiniões. 
Essa prática ajuda os alunos a refl etirem acerca das opiniões 
alheias e a compreender as atividades que lhe são propostas. 
Nessa teoria, a criança é coautora do processodo seu 
conhecimento.
Figura 4: Interação Social.
Fonte: Pixabay
JEAN PIAGET LEV VYGOTSKY
Período 1896-1980 1896-1934
Palavras-
chave
Construção do 
conhecimento Interação social
Principais 
conceitos
Aprendizagem 
por assimilação/
acomodação/esquema/
equilibração e estágios 
do desenvolvimento
Aprendizagem pela 
interação social. Mediação 
simbólica por meio de 
instrumentos, de signos e da 
Zona de Desenvolvimento 
Proximal (ZDP)
Relação da 
criança com 
o mundo
É feito por 
conhecimentos 
prévios / por 
adaptação
É feito como um processo de 
socialização na relação dela 
com o mundo
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Alfabetização e Letramento 107
Papel do 
professor e 
da escola
O papel de ambos 
é fazer com que os 
conhecimentos prévios 
sejam desequilibrados 
pelo professor
Fazer a intervenção na ZPD, 
ajuda o aluno na distância 
entre o que ele sabe e o que 
tem conhecimento
O aluno e o 
perfi l dele
O aluno é participativo, coautor dos próprios 
conhecimentos e se torna também questionador.
É importante ressaltar que tanto Piaget quanto Vygotsky 
concebem a criança como um ser ativo, curioso e pronto a 
aprender. Ainda assim, como pudemos observar no quadro, há 
diferenças na forma como cada um deles concebe o processo 
de desenvolvimento infantil.
 Estratégias de leitura – Parte III
Aprendemos anteriormente que a leitura deve ser um 
hábito diário para a criança e que ela deve estar familiarizada 
com essa prática antes de ingressar no ambiente escolar. A 
leitura é, portanto, uma prática cultural que deveria passar 
de pais para fi lhos. Quanto maior o contato com os objetos 
de leitura, sejam livros ou periódicos, maior será também o 
processo motivador.
Como você pôde notar, não se pode esperar que 
aconteçam milagres em sala de aula com crianças que não 
têm (ou nunca tiveram) acesso à leitura. O professor pode 
estimular e aguçar a curiosidade para a prática da leitura, 
porém ele deve ter em mente que nem sempre a criança se 
sentirá estimulada logo nas primeiras tentativas.
Como podemos então, promover um ambiente favorável 
em que as crianças se sintam motivadas a iniciar a prática da 
leitura? O que você utilizaria para promover essa interação 
entre o seu aluno e o livro?
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Alfabetização e Letramento108
Vamos então, pensar em algumas estratégias que podem 
estimular o gosto pela leitura em seus alunos. Seguem algumas 
estratégias que foram pensadas e desenvolvidas justamente 
em situações como essa, porque encontrar crianças que são 
estimuladas antes da alfabetização para a leitura, infelizmente 
em nosso país não é muito comum.
 Ofereça um ambiente motivador
Você se lembra que vários teóricos disseram que a 
criança deve estar exposta a um ambiente educacional que 
seja estimulante para o desenvolvimento cognitivo dela? É 
exatamente essa a ideia, fazer com que a criança adentre em 
um mundo diferente daquele que ela está acostumada.
Podemos estimular a leitura antes de iniciarmos o 
processo de alfabetização da criança por meio de diversos 
recursos:
a. Decoração da sala de aula: faça uma decoração 
simples na sala de aula com os personagens que você quer 
apresentar para as crianças. Seja criativo(a), tenha em mente 
que a criança nessa fase é muito curiosa e as fi guras e as cores 
promoverão uma interação maior.
b. Conte pequenos contos: uma forma muito rica 
de estimular a prática da leitura é a contação de histórias. 
Procure escolher histórias curtas porque nessa idade, as 
crianças se dispersam com muita facilidade. O objetivo é que 
elas prestem atenção à história para que depois, você possa 
trabalhar o assunto tratado.
Você pode utilizar marionetes ou se vestir 
apropriadamente para a contação da história, porque é uma 
forma de chamar a atenção dos pequenos.
c. Não deixe que o conto fi que esquecido: utilize a 
história para realizar atividades com as crianças. Quanto 
maior for o contato com a história, maior será o estímulo.
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Alfabetização e Letramento 109
d. Utilize contos novos: uma dica importante é a ideia 
de contar novas histórias para os pequenos, algo que eles 
ainda não conheçam. É claro que você pode utilizar contos 
conhecidos, porém a ideia é que você também apresente uma 
diversidade de temas.
e. Faça da leitura uma aula de educação: existem 
muitas histórias que promovem o exercício da cidadania, 
do respeito ao próximo e à diversidade. Lembre-se que as 
crianças estão em uma fase de descobertas e quanto mais elas 
aprenderem o exercício do respeito, dos bons costumes e do 
amor, maiores serão as chances de que elas se tornem crianças 
mais sociáveis e com senso de cidadania.
Figura 5: Contação de Histórias.
Fonte: Pixabay
 A leitura em grupo
Lembre-se que o processo de leitura deve se iniciar 
antes da alfabetização e que a leitura em grupo é uma 
ferramenta riquíssima para o professor, seja com turmas não 
alfabetizadas, no processo de alfabetização ou com alunos 
totalmente alfabetizados.
O objetivo é que a história seja apresentada e que as 
crianças possam interagir com ela, indagando, fazendo 
questionamentos. Mas como fazer uma leitura em grupo com 
crianças que ainda não são alfabetizadas?
Caro(a) professor(a), o céu é o limite. Você pode utilizar 
diversos recursos nesse processo, sem se esquecer que o 
objetivo é que todas as crianças tenham acesso à história e se 
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Alfabetização e Letramento110
apropriem dela.
Vou te contar uma experiência pessoal. Participei de 
uma contação de história muito interessante. Fui convidada 
para assistir a aula de uma professora no 1º ano do ensino 
fundamental. Muitas crianças ainda não eram alfabetizadas, 
porém a professora utilizou algumas práticas que fi zeram 
toda a diferença. A mestra tinha dois exemplares do livro que 
estava sendo trabalhado, assim um exemplar fi cava com ela 
e o outro com as crianças. Ela colocou os alunos em círculo, 
todos sentados no chão. Enquanto ela contava a história, 
o livro de leitura passava de aluno para aluno e de vez em 
quando ela parava a leitura para socializar com os pequenos. 
Eles interagiam com a história e contavam à professora 
experiências semelhantes que viviam no cotidiano delas. Ao 
fi nal, todos estavam motivados e fi zeram diversas atividades. 
A história durou 10 minutos.
Já com crianças no processo de alfabetização, o processo 
pode ser um pouco mais simples, pois cada aluno pode ler 
uma frase do texto proposto.
Sabemos que existem muitas maneiras de fazer leitura 
em grupo com os alunos, nesse processo é muito importante 
que eles possam fazer a interação com a história.
 Gêneros para a leitura
Os gêneros devem estabelecer uma relação com a 
leitura de acordo com a idade e a formação de cada criança. 
Destacaremos os principais que você pode utilizar em sala de 
aula:
a. Abecedários: logo no início do processo de 
alfabetização, a criança é estimulada a reconhecer as letras 
e os sons. Os abecedários são muito signifi cativos nesse 
processo porque além de explorar a sonoridade das letras, 
também facilitam o reconhecimento das palavras, podendo 
tornar a leitura prazerosa;
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Alfabetização e Letramento 111
b. Conto de Fadas: essas histórias tão antigas acabam 
fazendo parte da cultura ocidental e passam de pais para 
fi lhos. Qual a criança que não conhece a história da “Branca 
de Neve e os sete anões”, por exemplo? Elas podem estimular 
o gosto pela leitura além de estimular o mundo simbólico nas 
crianças;
c. Contos de Acumulação: muito usadas em leitura 
em voz alta, nesse tipo de história o enredo sempre se repetee Letramento - Aberto.indd 7 20/11/2019 16:40:59
Alfabetização e Letramento8
Antes da leitura ................................................................. 77
Durante a leitura ............................................................... 78
Depois da Leitura .............................................................. 82
Considerações fi nais ........................................................ 83
O tradicional X O construtivista ........................................ 84
UNIDADE 03
Perspectivas de alfabetizar letrando .............................. 90
Letramento e os seus processos ........................................ 90
A psicogênese – Parte I ..................................................... 92
A psicogênese - Parte II .................................................... 94
Novas perspectivas no processo de aquisição da língua 
escrita............................................................................... 96
O que e como se ensina? (Para que se ensina?) ................. 97
O alfabetismo .................................................................... 99
 O alfabetismo e as suas perspectivas ....................... 101
Concepções empiristas e socioconstrutivistas .............. 103
O empirismo ................................................................... 103
O Socio Construtivismo .................................................. 105
Estratégias de leitura – Parte III .................................. 107
Ofereça um ambiente motivador ..................................... 108
A leitura em grupo .......................................................... 109
Gêneros para a leitura ..................................................... 110
Considerações fi nais ...................................................... 114
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Alfabetização e Letramento 9
UNIDADE 04
A linguagem lúdica da criança em relação a seu contexto 
social .............................................................................. 121
O lúdico em seu contexto político e social ...................... 123
O auxílio da tecnologia no processo de alfabetização e 
letramento...................................................................... 127
As TIC no processo educativo ......................................... 128
Tendências das técnicas de alfabetização e letramento ... 132
Tendências de técnicas de alfabetização nos dias atuais .. 133
Estratégias de Leitura - Parte IV ................................. 136
A literatura infantil .......................................................... 137
As estratégias de leitura .................................................. 138
A alfabetização e letramento ........................................... 142
 A importância do Letramento ................................. 143
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Alfabetização e Letramento10
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Alfabetização e Letramento 11
UNIDADE
 01
INTRODUÇÃO A ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
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Alfabetização e Letramento12
Ainda nos dias de hoje, quando falamos em 
Alfabetização, muitos tem a ideia de um processo repleto 
de regras e práticas, o conceito real é muito mais amplo e 
deve ser discutido com muito cuidado. Procure lembrar da 
sua professora na primeira série do Ensino Fundamental. 
Você lembra das práticas que ela utilizou para alfabetizá-lo 
(a)? Quais foram os recursos que utilizou? Talvez ela tenha 
utilizado a famosa “Cartilha” na qual você sempre associava 
uma imagem com uma letra, até a formação das palavras? Ou 
usufruiu de outros recursos no seu processo de alfabetização? 
Eu me recordo na minha formação, que a minha professora 
sempre utilizava o lúdico dentro da sala de aula e era sempre 
muito divertido quando estávamos aprendendo a formar as 
palavras porque ela utilizava muitos recursos visuais.
No processo de alfabetização é tudo muito mágico 
para a criança, porque elas percebem que as letras se tornam 
palavras, cada palavra é um encontro, um encantamento e, 
quando conseguem ir além, o descobrimento se torna real 
e, também, uma parte integrante do mesmo. Porém, cabe 
ao professor alfabetizador instigar a criança ao novo, ser o 
facilitador, o mediador de uma etapa única na vida de cada 
um. 
Sempre fui muito grata aos teóricos e estudiosos da 
área porque se não fossem por eles e suas experiências de 
vida, não teríamos todo o conhecimento que temos hoje. O 
que é ser alfabetizado para você? O que é ser letrado para 
você? Esses questionamentos, gostaria que você os fi zesse 
antes de iniciarmos essa nova jornada. Anote em um papel o 
que você entende por Alfabetização e Letramento e depois no 
término deste e-book, te convido a fazer uma releitura do que 
escreveu e refl etir sobre tudo o que aprendeu.
INTRODUÇÃO
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Alfabetização e Letramento 13
Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste 
universo de conhecimentos. Abordaremos a defi nição sobre o 
que é de fato Alfabetização e Letramento. Te convido a retornar 
ao passado um pouquinho para que possa compreender todos os 
processos e os “porquês” de todos os questionamentos atuais. 
Você estudará a importância das práticas da Alfabetização e 
também a introdução de estratégias de leitura. Bons estudos!
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Alfabetização e Letramento14
1
2
3
4
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo é 
auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências 
profi ssionais até o término desta etapa de estudos:
OBJETIVOS
Apresentar a defi nição da infância no curso do 
desenvolvimento;
Estudar a história da criança e seus principais 
marcos;
Conhecer as concepções da infância ao longo da 
história;
Estudar as infl uências da história da educação para 
crianças de 0 a 5 anos.
Então? Está preparado para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho!
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Alfabetização e Letramento 15
Conceitos e defi nições sobre Alfabetização 
e Letramento
Qual a defi nição de fato sobre Alfabetização e 
Letramento? Existe alguma diferença entre os dois? 
Qual a importância nos dias de hoje quando falamos em 
alfabetização e letramento? Ao longo desta aula iremos 
discorrer sobre todos esses questionamentos, as defi nições 
baseadas nas teorias dos maiores teóricos do assunto. Caso 
tenha dúvidas, não se preocupe. Recorra ao fórum de dúvidas 
e discussões para socializar o seu conhecimento e esclarecer 
todas as suas dúvidas. Depois, desenvolva as atividades e 
questões sugeridas. Nós estamos a sua disposição em caso de 
difi culdades!
A Alfabetização
A alfabetização em sua principal defi nição é o processo 
de aquisição da leitura e escrita através do sistema alfabético 
e ortográfi co. Entendemos que esse processo não é simples, 
pois inclui muitos fatores internos e externos. Felizmente, 
podemos afi rmar que nos dias atuais, esse processo vem 
sendo altamente discutido por profi ssionais da educação, 
pois há muito tempo professores enfrentam diariamente 
problemas relacionados à alfabetização como as difi culdades 
de aprendizagem, alto índice de reprovação nas séries iniciais 
e também a evasão escolar. 
O termo é amplo e não pode ser visto unicamente como 
um único processo, estamos falando de etapas multifacetadas, 
de uma grande diversidade de fatores e não podemos nos 
limitar somente em uma única defi nição. É o que sugere 
Soares, 2003, p.16:
eBook Completo para Impressao - Alfabetizacaocom novos personagens e que tem sempre uma disposição 
de resolver problemas. Essa é uma prática muito útil para 
a memorização e por ser de fácil assimilação, as crianças 
percebem os elementos que se repetem e acabam por fazer 
uma antecipação a respeito o que vai acontecer, interagindo 
com a história. Exemplo: A casa sonolenta, de Audrey Wood;
d. Contos de Repetição: o tipo de história em que 
predomina a repetição das palavras e algumas expressões, 
além de serem fáceis de memorizar. Exemplo: Tanto, tanto, 
de Trish Cooke;
e. Cantigas e Parlendas: esses textos têm muita 
sonoridade e ritmos e chamam a atenção das crianças para a 
musicalidade das palavras. As cantigas e as parlendas fazem 
parte da cultura brasileira e pode aproximar pais e fi lhos; 
ajuda a relembrar e a compartilhar ideias e brincadeiras que 
se realizaram no passado.
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Alfabetização e Letramento112
EXEMPLO
Exemplo de uma cantiga:
Atirei o pau no gato, tô
Mas o gato, tô
Não morreu, reu , reu
Dona Chica, cá, cá
Admirou-se, se
Do berro, do berro, que o gato deu: Miau!
Figura 6: Parlenda.
Figura 7: Cantiga.
Fonte: Pixabay
Fonte: Pixabay
EXEMPLO
Exemplo de uma parlenda:
Hoje é domingo, pede cachimbo.
O cachimbo é de ouro, bate no touro.
O touro é valente, bate na gente.
A gente é fraco, cai no buraco.
O buraco é fundo, acabou-se o mundo!
f. Poemas: quando as crianças descobrem o jogo 
de palavras e começam a pensar a respeito dos sons e dos 
signifi cados, descobrem um mundo novo e nada é mais 
instigante do que os poemas em que elas podem ler e recitar.
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Alfabetização e Letramento 113
Figura 6: Parlenda. Figura 8: Poema.
Figura 7: Cantiga.
Fonte: Pixabay
Fonte: Unsplash
Fonte: Pixabay
EXEMPLO
“Ou isto ou aquilo”, de Cecília Meireles
Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fi ca no chão,
quem fi ca no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o 
doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fi co tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
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Alfabetização e Letramento114
 Considerações fi nais
Finalizamos mais uma etapa do nosso curso!
Fizemos grandes refl exões a respeito do cotidiano em 
sala de aula e as perspectivas que nos trazem acerca da questão 
do letramento na atualidade. É fato que essa necessidade de 
fazer com que o indivíduo seja não somente capaz de ler e 
escrever, mas de dominar todos os aspectos de leitura e da 
escrita no seu meio social veio de diversos questionamentos 
e do fracasso educacional.
Em nossa realidade ainda persistem esses problemas, 
pois é muito comum as crianças avançarem para o próximo 
ano escolar sem ter adquirido as habilidades de leitura e de 
escrita. E por que esse fracasso ainda persiste? O que precisa 
ser mudado? Há muito o que ser repensado acerca do sistema 
educacional atual, disso não há contestação!
Os métodos existem para nos guiar para um caminho, 
porém não se podem fazer milagres. Acreditamos que existam 
muitos métodos que são signifi cativos e outros nem tanto. Os 
tempos mudaram, estamos na era da globalização e do acesso 
rápido à comunicação. Precisamos sempre nos reciclar e nos 
atualizar!
A psicogênese da língua escrita foi introduzida em nosso 
ambiente educativo para mudar os parâmetros tradicionais 
e proporcionar uma oportunidade nova para o indivíduo na 
fase de conhecimento dele (seja externo ou interno). Embora 
existam ainda muitos questionamentos a respeito dessa 
prática que precisam continuar a ser estudada, analisada e 
adaptada às escolas. Já vimos que muitos docentes acabam 
por optar pelos métodos tradicionais porque desconhecem e 
não possuem domínio de outras práticas! É hora de mudar e 
temos urgência nisso!
O conceito de letramento nos trouxe uma ideia muito 
mais ampla a respeito das etapas de alfabetização, ele faz 
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Alfabetização e Letramento 115
parte desse processo e é tão importante quanto o ato de saber 
ler e escrever.
Sob as novas perspectivas no processo de aquisição da 
leitura e da escrita, devemos ter em mente que é importante 
entender a respeito de o que ensinar e para que ensinar.
Essa aquisição não ocorre por causa de um único fator, 
mas pelos fatores linguístico, cognitivo e sociocultural. Não 
podemos dissociá-los, porque eles fazem parte de um mesmo 
processo.
E o alfabetismo? Qual a importância desse conceito? 
Como vimos, o alfabetismo é quando as pessoas foram 
alfabetizadas, ou seja, elas aprenderam a ler e a escrever. Isso 
é o primeiro passo para o letramento, certo?
Estudamos as ideias empiristas acerca de como o 
conhecimento é adquirido pela experiência e que a criança 
nasce desprovida de conhecimento prévio, ela é uma “tábula 
rasa” que, com ao passar dos anos, vai absorvendo todo o 
conhecimento que é imposto a ela. Diferentemente disso é o 
que pensava Vygotsky em sua abordagem socioconstrutivista, 
na qual ele admite que as crianças fazem a aquisição da 
linguagem pela interação com o meio social na qual se 
inserem.
E por fi m, concluímos que as estratégias de leitura 
fazem muita diferença na prática dos educadores, as quais 
podem ser aplicadas dentro e fora da sala de aula, seja com os 
próprios fi lhos ou com os alunos.
Em meio a tanta riqueza de informações, te convido a 
aprofundar mais acerca desse tema. Faça pesquisas a respeito 
do assunto, leia livros e artigos científi cos! Faça interações 
com os seus colegas, crie grupos de estudos. 
Precisamos de profi ssionais que estejam dispostos em 
ser e a fazer a diferença!
E então, aceita o desafi o?
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Alfabetização e Letramento116
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Alfabetização e Letramento 117
UNIDADE
 04
O LÚDICO, A TECNOLOGIA E AS TÉCNICAS NO 
PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
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Alfabetização e Letramento118
Prezados(as) alunos(as)!
Chegamos à etapa fi nal do nosso curso!
Nesta unidade, precisamos compreender a importância 
do lúdico no processo de alfabetização e letramento e quais as 
diferenças entre a criança em seu contexto social. Falaremos 
um pouco mais sobre a inserção da criança em sua cultura e 
as infl uências diretas na aquisição da leitura e escrita. Vale 
lembrar que cada criança é única e possui bagagens culturais 
diferentes, portanto, é importante conhecer nossas crianças 
para que possamos trabalhar com elas até mesmo de maneiras 
diferentes.
Estudaremos também o uso das tecnologias no processo 
de ensino aprendizagem e como essas tecnologias podem 
auxiliar o nosso caminho. Temos que ter em mente que hoje 
vivemos em um mundo totalmente informatizado e podemos, 
sim, utilizar algumas ferramentas tecnológicas, para que 
elas possam nos auxiliar e até mesmo motivar nossos alunos 
em seus estudos. Há muito, os alunos de hoje, perderam 
os costumes educacionais do passado, como, por exemplo, 
a utilização da biblioteca para estudos e pesquisas. Hoje, 
as pessoas têm a informação de uma forma absurdamente 
acelerada e uma simples pesquisa escolar é uma tarefa tão 
corriqueira quanto o acesso às redes sociais.
Veremos também as principaistendências no que se 
refere às técnicas de alfabetização no contexto escolar - das 
quais serão abordadas as que mais são utilizadas no contexto 
educacional. e Por fi m, a última parte sobre as estratégias 
de leitura, dando ênfase neste capítulo sobre a motivação da 
leitura para a educação infantil.
INTRODUÇÃO
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Alfabetização e Letramento 119
Participe ativamente do seu curso! Não se esqueça 
de participar dos fóruns, fazer leituras extracurriculares e 
debater sua opinião com seus colegas! Faça acontecer!
Bons estudos!
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Alfabetização e Letramento120
1
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4
Olá! Seja muito bem-vindo a nossa Unidade 4, nosso 
objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes 
competências profi ssionais até o término desta etapa de 
estudos:
OBJETIVOS
Identifi car o funcionamento da linguagem lúdica da 
criança dentro do seu contexto social;
Compreender como o uso das tecnologias podem 
benefi ciar o processo de alfabetização e letramento;
Conhecer as principais tendências referentes ao 
tecnicismo na alfabetização e letramento;
Apresentar estratégias de leitura para a educação 
infantil.
Então? Está preparado para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho!
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Alfabetização e Letramento 121
 A linguagem lúdica da criança em relação 
a seu contexto social
A atividade lúdica tem sido inserida no contexto há muito 
tempo. Idealizada pelos fi lósofos gregos que acreditavam que 
o indivíduo tinha maior motivação quando estava exposto a 
um ambiente facilitador de aprendizagem, então, nada melhor 
do que o lúdico para fazer isso, não é mesmo?
Entendemos por lúdico tudo aquilo que é relativo a 
jogos e brinquedos, mas engana-se quem pensa que o lúdico 
não serve para educação, muito pelo contrário, as atividades 
lúdicas devem fazer parte desse processo e são ferramentas 
que são utilizadas dentro e fora da sala de aula, pois sabemos 
que a criança aprende brincando.
Uma clara defi nição disso, podemos encontrar na 
Wikipédia:
Atividade lúdica é todo e qualquer movimento que tem 
como objetivo produzir prazer quanto a sua execução, ou 
seja, divertir o praticante. As atividades lúdicas abrangem os 
jogos infantis, a recreação, as competições, as representações 
litúrgicas e teatrais, e os jogos de azar.
Sumariamente teríamos as seguintes características 
sobre elas:
 São brinquedos ou brincadeiras menos consistentes e 
mais livres de regras ou normas;
 São atividades que não visam a competição como 
objetivo principal, mas a realização de uma tarefa de forma 
prazerosa;
Existe sempre a presença de motivação para atingir 
os objetivos;
 Pressupõe desafi o e surpresa.
(https://bit.ly/2Zqi0Xj. Acesso: 11/03/2019)
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Alfabetização e Letramento122
Podemos ponderar que o lúdico não é somente o 
manuseio de jogos ou aplicações de atividades, mas a forma 
mais prazerosa de aprendizagem. A criança nem percebe que 
está aprendendo porque, além de estar focada com a atividade, 
ela faz a interação com o método e isso facilita e muito a sua 
aprendizagem.
Segundo a Lei Federal nº11.274 (altera alguns artigos 
da Lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996 no que se refere às 
Diretrizes e bases da educação nacional), a atividade lúdica 
é bastante ressaltada como podemos verifi car nos trechos a 
seguir:
[...] o brincar como o modo de ser e estar no mundo; o 
brincar como uma das prioridades de estudo nos espaços de 
debates pedagógicos, nos programas de formação continuada, 
nos tempos de planejamento; o brincar como uma expressão 
legitima e única da infância; o lúdico como um dos princípios 
para a prática pedagógica; a brincadeira nos tempos e espaços 
da escola e das salas de aula; a brincadeira como possibilidade 
para conhecer mais as crianças e as infâncias que constituem 
os anos/séries iniciais do ensino fundamental de nove anos 
(BRASIL, 2006, p.11-12)
Além disso, com relação ainda ao lúdico:
Com base em pesquisas e experiências práticas, 
constitui-se uma representação envolvendo algumas das 
características das crianças de seis anos que as distinguem 
de outras faixas etárias, sobretudo pela imaginação, a 
curiosidade, o movimento e o desejo de aprender aliados à 
sua forma privilegiada de conhecer o mundo por meio de 
brincar (BRASIL, 2004, p.19).
Não podemos esquecer que um ambiente favorável a 
alternativas curriculares também auxilia no desenvolvimento 
afetivo, motor, cognitivo, sócio e cultural da criança. A 
brincadeira tem o objetivo de direcionar a aprendizagem de 
uma maneira mais descontraída, dentre outros aspectos. 
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Alfabetização e Letramento 123
 O lúdico em seu contexto político e social
A construção histórica do lúdico em sala de aula deu 
se por muitos movimentos e legislações que aconteceram 
através dos anos. A ideia de “escola” é consideravelmente 
nova em nossa sociedade em vista de todo um panorama 
histórico. Lembramos que na Idade Média as crianças 
eram vistas como um adulto em miniatura e frequentavam 
os mesmos ambientes que os adultos sem problema algum. 
As meninas eram educadas para serem donas de casa e os 
meninos aprendiam a ler e escrever em uma formação rígida 
e de regime integral.
Somente no fi nal do século XV e início do século XVI 
que a sociedade passou a enxergar a criança com um outro 
olhar, passando a ter mais cuidados para os pequenos porque, 
até então, muitas morriam por conta de falta de higiene e até 
mesmo maus tratos. Em meados do século seguinte, a criança 
passa a ter um valor mais reconhecido e uma afetividade 
maior por conta da sociedade. Como você pode perceber, não 
foi de um dia para o outro que o conceito de criança - que 
temos hoje - foi construído, porque, até então, elas não eram 
vistas como indivíduos que precisavam de cuidados, atenção 
e afetividades. Conceitos como respeito e educação eram 
completamente descartados.
No Brasil, a educação passou a ser vista com prioridades 
a partir de alguns movimentos e legislações. Grandes 
contribuições aconteceram, porém, na Constituição de 1988, 
a educação teve o seu papel fundamentado na legislação e 
passou a ser vista como um direito do Estado. Em 1996, com 
a implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Brasileira, foi reconhecida a importância da qualifi cação 
dos profi ssionais da área de educação e que priorizam a 
formação em seus aspectos físico, psicológico e social. Nesse 
mesmo ano, temos também o ECA e o Referencial Curricular 
Nacional para Educação Infantil (RCNEI) que dá prioridades 
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Alfabetização e Letramento124
às propostas pedagógicas lúdicas.
Como você pode perceber, existiram diversas vertentes 
que culminaram no cenário que temos hoje sobre o lúdico 
na sala de aula. As atividades de alfabetização e letramento 
podem ser de diversas formas, como:
 Jogos para alfabetização;
 Produção de textos;
Atividades de cópia;
Atividades de leitura;
Contação de histórias;
Os ditados;
Atividades de artes e música;
Visitas à biblioteca.
Infelizmente, ainda em algumas escolas, não são 
gerados esses processos motivadores e as crianças passam 
muitas horas sentadas nas carteiras sem nenhuma recreação, 
devendo realizar atividades de cópia descontextualizadas com 
acesso somente ao lápis, caderno e giz. O termo “ludicidade” 
é algo muito mais amplo do que podemos imaginar, é o que 
sugere Azevedo:
“Ludicidade” [...] signifi ca o processo dinâmico e 
a propriedade comum às situações onde o “lúdico” está 
presente. [...]Portanto, o termo “lúdico” é muito mais do que 
uma atividade em si, mas uma experiência signifi cativa que se 
dá através da articulação de diversos conteúdos culturais. [...] 
o “lúdico” é também um “clima” e uma atitude dos sujeitos 
envolvidos, que podem estar presentes na aula de matemática 
ou leitura, embora mais facilmente percebido nos jogos e 
brincadeiras, na medida em que a ludicidade é característica 
marcante da cultura infantil. (AZEVEDO, 2012, p.198)
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Alfabetização e Letramento 125
Perceba que o termo “lúdico” é tudo aquilo que gera 
satisfação e alegria no processo educativo. Podemos até 
mesmo dizer que essas atividades lúdicas na aquisição da 
leitura e escrita podem favorecer um ambiente escolar muito 
mais interessante e leve. Um exemplo disso é a afi rmação que 
Vygotsky faz para o sentido das brincadeiras:
Sabemos que a defi nição de brincadeira, levando-se em 
conta como critério a satisfação que ela propicia à criança, 
não é correta por dois motivos. Primeiramente, porque há 
uma série de atividades que podem proporcionar à criança 
vivências de satisfação bem mais intensas do que a brincadeira.
[...]
Por outro lado, conhecemos brincadeiras em que o 
próprio processo de atividade também não proporciona 
satisfação. São aquelas que prevalecem no fi nal da idade pré-
escolar e no início da idade escolar e que trazem satisfação 
somente quando seu resultado revela-se interessante para a 
criança; é o caso, por exemplo, dos jogos esportivos [...]. 
Muito frequentemente, eles são tingidos de um sentimento 
agudo de insatisfação quando o seu término é desfavorável 
para a criança.
Dessa forma, a defi nição da brincadeira pelo princípio 
de satisfação, é claro, não pode ser considerada correta. 
(VYGOTSKY, 2008, p.23)
Lembramos que o lúdico pode ser utilizado como 
uma metodologia alternativa através de jogos, atividades e 
brincadeiras que visem aguçar a motivação, a curiosidade e 
o comprometimento da criança em sua realização. Podemos 
compreender que a criança tenha oportunidades iguais para o 
aprendizado, conforme sugere Kishimoto:
Ao brincar, a criança experimenta o poder de explorar 
o mundo dos objetos, das pessoas, da natureza e da cultura, 
para compreendê-lo e expressá-lo por meio de variadas 
linguagens. 
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Alfabetização e Letramento126
Mas é no plano da imaginação que o brincar se destaca 
pela mobilização dos signifi cados. Enfi m, sua importância se 
relaciona com a cultura da infância, que coloca a brincadeira 
como ferramenta para a criança se expressar, aprender e se 
desenvolver. (KISHIMOTO, 2010, p.01)
Diante desse pressuposto, o lúdico na sala de aula - como 
processo educativo - não somente instiga a curiosidade como 
também insere a criança dentro desse mundo de descobertas. 
É claro que existem muitas outras ferramentas que podemos (e 
devemos) utilizar na formação de alfabetização e letramento, 
porém a ênfase no lúdico possibilita novos descobrimentos e 
também novas aprendizagens.
REFLITA
Vamos imaginar o seguinte cenário:
Em uma sala de aula do primeiro ano do ensino fundamental I, a 
professora tem uma rotina bastante regular. Das 7 às 9 horas, as 
crianças fi cam sentadas em suas carteiras realizando atividades 
de escrita, seja em uma apostila ou caderno de caligrafi a. 
Depois vão para o intervalo, onde podem brincar normalmente e 
retornam à sala de aula para a realização de mais atividades até 
o fi nal da aula.
Na mesma escola, uma outra professora também tem uma rotina 
com seus alunos, porém, todas as quartas e quintas, ela utiliza 
alguns jogos de alfabetização e, às sextas, uma contação de 
histórias. Os jogos que a professora mais utiliza são Top Letras 
e Cilada, entãoa educadora agrupa as carteiras de seus alunos 
- muitas vezes aleatoriamente - para a realização da atividade 
lúdica.
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Alfabetização e Letramento 127
Qual das práticas utilizadas pelas professoras, na sua 
opinião, se apresenta como uma maneira mais prazerosa 
em seu desenvolvimento? A primeira professora não utiliza 
nenhum recurso lúdico dentro de sala de aula, as crianças 
somente têm contato com as brincadeiras na hora do intervalo. 
Já a segunda professora também tem uma rotina, porém além 
disso, usa outras metodologias a favor do desenvolvimento 
dos seus alunos.
Você acredita que isso seja válido? Por quê?
Faça pesquisas na internet sobre alguns jogos ou 
brincadeiras no processo de alfabetização. Tenho certeza que 
você fi cará maravilhado(a) com tantas variedades de recursos. 
Você mesmo pode adaptar alguns jogos e brincadeiras, basta 
conhecer seus alunos.
 O auxílio da tecnologia no processo de 
alfabetização e letramento
Todos sabemos que falar sobre tecnologia nos dias atuais 
é um assunto completamente corriqueiro, porque a tecnologia 
está enraizada em nossa sociedade. As tecnologias sempre 
existiram e marcaram cada época em suas especifi cidades. 
As novas tecnologias estão em todo o lugar, em diversos 
segmentos e, é claro, infl uenciam diretamente no processo 
de ensino-aprendizagem. Essas ferramentas podem auxiliar 
no trabalho pedagógico, porém é válido dizer também que 
nem todos os profi ssionais aceitam as novas tecnologias 
e que muitas crianças ainda desconhecem as ferramentas 
tecnológicas, que para muitos pode ser algo tão simples.
Conforme nos aponta Daniel (2003, APUD 
ZANELA,2007, p01), “Tecnologia é a aplicação do 
conhecimento científi co, e de outras formas de conhecimento 
organizado, a tarefa prática por organizações compostas de 
pessoal e máquinas”.
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Alfabetização e Letramento128
Quando falamos em recursos tecnológicos, logo 
pensamos em recursos simples como a televisão, o telefone 
celular ou o computador, pois esses são os mais usuais. 
Porém, se tratando de educação, podemos dizer que esses 
recursos tecnológicos são quaisquer meios de comunicação 
que o professor utilize em sala de aula.
O quadro negro e o giz são umas das ferramentas 
tecnológicas mais antigas utilizadas em sala de aula!
Outra tecnologia muito utilizada é a internet. Através 
dela podemos “conhecer e conquistar” o mundo. Foi- se a época 
em que os alunos iam para a biblioteca fazer suas pesquisas, 
hoje eles podem fazer dentro de suas casas num espaço curto 
de tempo. Além das pesquisas, podemos ter acesso a diversos 
conteúdos de livros, revistas e nos comunicar com pessoas 
em toda a parte do mundo em tempo real.
Entendemos que o homem é um ser totalmente 
comunicativo e utilizamos vários meios para manter nossa 
comunicação ou até melhorá-la. Por consequência disso, a 
evolução da linguagem sofre alterações nos signos linguísticos 
no que se refere a comunicação oral e também na escrita. Essa 
nova comunicação nos trouxe uma quantidade de informação 
que até então não existia, as pessoas recebem as informações 
em curtíssimo tempo de uma forma muito acelerada.
 As TIC no processo educativo
A informática dominou o mundo de tal maneira que 
passou a dominar também as novas tecnologias, como por 
exemplo, a tecnologia educacional denominada por TIC: 
Tecnologias da Informação e da Comunicação. É o que diz 
Zanela::
É o conjunto de tecnologias microeletrônicas, 
informáticas e de telecomunicações, que produzem, 
processam, armazenam e transmitem dados em forma de 
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Alfabetização e Letramento 129
imagens, vídeos ou áudios. ZANELA (2007, p.25)
Afi nal, para que servem as TIC? Seu principal objetivo 
é ser facilitador da pesquisa e a troca rápida da informação. 
Podemos utiliza-las em empresas, escolas ou até mesmo em 
trabalhosindividuais. São bastante úteis no desempenho de 
diferentes atividades em nosso cotidiano.
Seguem alguns exemplos de TIC:
Rádio;
Máquina fotográfi ca;
Telefone celular;
Telemóvel;
Televisão;
Câmera de fi lmar;
Computador;
GPS;
Correio eletrônico (e-mail);
 Internet;
 Podcasts;
Tecnologias de acesso remoto: WI-FI, Bluetooth, 
RFID e EPVC.
Essas tecnologias têm nos dado uma visão diferenciada 
do mundo e acabam promovendo uma revolução cultural. 
Essas ferramentas tecnológicas acabam mudando os hábitos 
das pessoas e, com isso, há a alteração da forma com que as 
pessoas pensam, se relacionam e aprendem.
É importante lembrar que nem todos os brasileiros 
possuem acesso a essas tecnologias. Segundo o IBGE, em 
2018 (Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística), o Brasil 
teve 116 milhões de pessoas conectadas à internet, o que seria 
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Alfabetização e Letramento130
o equivalente a 64,5% da população. Perceba que 35,5% da 
população brasileira ainda não tem acesso à internet e, por 
consequência, a algumas tecnologias também.
Outro dado bastante importante é o do PISA (Programa 
Internacional de Avaliação de Alunos), que avaliam as 
competências dos jovens em 30 países em provas de leitura, 
matemática e ciências, ou seja, avaliam o aproveitamento 
dos alunos em seu letramento. Em 2018, 61% dos estudantes 
brasileiros não conseguiram terminar a avaliação, isso se 
dá não somente por conta das questões, mas pela piora no 
desempenho até o término da prova.
Vemos, então, que mesmo com as novas tecnologias e 
o uso das TIC ainda existem muitos problemas que parecem 
persistir no cenário das escolas brasileiras. O uso das 
tecnologias é de grande valia quando conseguimos atender 
a um maior número de alunos. Muitas crianças não tem a 
oportunidade de estudar com recursos tão sofi sticados, 
muitos docentes ainda não são preparados para o uso dessas 
tecnologias, o que pode acarretar alguns desconfortos.
Imagine você entrar na sala de aula e um aluno em 
específi co não sabe usar o aparelho celular. O que para você 
pode ser um procedimento que faz parte do seu cotidiano, 
para o outro pode ser um bicho de sete cabeças. Por isso a 
importância de conhecer seus alunos e o meio em que cada 
um vive, pois o que parece ser simples para uns, para outros 
pode ser algo inovador.
Prensky (2001) denomina como “nativo digital” os 
jovens que nasceram em um mundo rodeado das tecnologias 
e que faz uso delas de forma natural. Já os “imigrantes 
digitais” são aqueles que são inseridos nessa tecnologia, mas 
não possuem domínio sobre ela. Como todo imigrante, ele 
possui uma bagagem cultural que pode interferir no processo 
de aprendizagem. Um bom exemplo dessas duas vertentes são 
as crianças de hoje e os idosos. É muito comum vivenciarmos 
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ARS80
Realce
CRÍTICA AO USO DE TICS
Alfabetização e Letramento 131
crianças em idade tenra já dominando o uso do celular, ao 
contrário de nossos avós, que não possuem total domínio 
porque estão acostumados a se comunicar de uma maneira 
diferente.
Portanto, podemos concluir que o uso das tecnologias no 
processo de alfabetização e letramento pode ser muito rico e 
proveitoso pelo docente, não esquecendo que também existem 
outras ferramentas educativas que podem ser utilizadas em 
sala de aula. A ideia é que ocorra uma mescla de tecnologias e 
metodologias no processo ensino aprendizagem, mas devemos 
saber “dosar” na medida certa o uso dessas tecnologias.
ACESSE
Faça a leitura do artigo sobre os estudantes brasileiros e o 
PISA em 2018, que você pode encontrar no link: https://bit.
ly/2O1fbXS.
Faça uma lista de “nativos digitais” e “imigrantes digitais” com 
nomes de pessoas do seu círculo social.
REFLITA
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Alfabetização e Letramento132
 Tendências das técnicas de alfabetização 
e letramento
Já estudamos que muitos foram os percursos históricos 
no cenário brasileiro, cada um deles fez com que houvesse 
uma mudança até chegarmos nos dias de hoje. Em um mundo 
totalmente globalizado como o nosso, as tendências acabam 
indo e vindo e é preciso que os professores refl itam sobre 
sua pratica dentro da sala de aula para que todo o processo 
educativo tenha signifi cado. Sobre o ensinar, Gadotti expõe 
que: 
“(...) para ensinar é preciso gostar de aprender, de 
ensinar e de amar o aprendente (a criança, o adolescente, o 
adulto, o idoso). Tornar a profi ssão um encantamento e, ao 
mesmo tempo, ser um encantador dela.” GADOTTI (2003, 
p.58)
O que é técnica para você? Quais as técnicas de 
alfabetização que você utilizaria dentro da sala de aula?
Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa, a 
defi nição de técnica é:
Conjunto de métodos e processos próprios de uma 
arte, ciência ou profi ssão; 
Maneira de agir, método particular de fazer alguma 
coisa; 
Habilidade, destreza na feitura ou realização de algo.
A sua técnica é o seu “método particular” de realizar o 
seu trabalho em sala de aula. Lembre-se que todas técnicas 
também têm que ter o seu embasamento teórico, ou seja, 
colocaremos em pratica tudo aquilo que aprendemos, porém, 
não esquecendo que a pratica também deve ser colocada 
em questão. Teoria, prática e técnica estão intrinsicamente 
conectas no processo ensino aprendizagem. 
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Alfabetização e Letramento 133
 Tendências de técnicas de alfabetização 
nos dias atuais
Lembra das TIC? Pois bem, vamos usar essas ferramentas 
a nosso favor no processo de alfabetização e letramento. 
Com o avanço dos tablets e smartphones, inclusive nas 
séries básicas, os números de jogos, softwares e aplicativos 
vêm crescendo muito. Muitos programas e aplicativos, que 
propõem a interação e a aproximação da criança com as letras 
e palavras, tem aberto espaço para o uso de outras tecnologias. 
Nos jogos, os pequenos interagem de uma forma mais rápida 
e podem até promover o desenvolvimento das habilidades de 
leitura e escrita.
Uma revista norte-americana especializada em 
educação, denominada Edweek, reuniu quatro tendências que 
tem sido utilizada nos dias de hoje dentro da sala de aula. 
Apresentamos mais detalhadamente essas tendências a seguir:
1. Interação com materiais digitais:
No Brasil, sabemos que essa tendência ainda está 
iniciando dentro de nossas escolas, muitas delas não possuem 
ainda esse tipo de recurso, porém o mercado vem crescendo a 
cada ano e há uma estimativa positiva sobre o manuseio dos 
materiais digitais dentro da sala de aula.
A partir de jogos e opções de multimídias digitais, como 
por exemplo o e-book, essas ferramentas propiciam a interação 
da criança com a leitura. Alguns livros digitais possuem 
áudio de narração, o que facilita no processo de assimilação. 
Foi feita uma pesquisa em diversos países e constatou que as 
editoras têm feito grandes avanços na incorporação desses 
recursos. Além dos recursos de leitura, esses e-books ou 
mídias digitais tem jogos e diversas atividades interativas.
2. Ambientes virtuais:
Não estamos nos referindo ao ambiente dentro da escola 
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Alfabetização e Letramento134
e sim ao virtual. Jogos, aplicativos e softwares que examinam 
as habilidades dos alunos estão se tornando cada vez mais 
utilizados. Infelizmente, esse recurso ainda não é utilizado em 
nossas salas de aula por diversos motivos, porém acreditamos 
que em um futuro muito próximo nossas crianças possam 
usufruir das novas tecnologias.
A Secretaria Municipal do Rio de Janeiro desenvolveu 
um projeto específi co para a alfabetização, uma plataforma 
chamada Pé de Vento. Nesse ambiente deaprendizagem, os 
pequenos iniciam o processo de letramento em um tipo de 
jogo de aventura. Cada fase do jogo é composta de uma tarefa, 
no qual o aluno deve fazer para avançar para a próxima fase. 
Outro jogo bastante utilizado pelas crianças é o jogo Ludo 
Primeiros Passos, que é baseado na interação para estimular 
o desenvolvimento cognitivo das crianças. O jogo é on-line 
e totalmente gratuito, ele ensina as crianças a associar os 
sons e as imagens, assim, eles precisam reconhecer sílabas e 
palavras para que possam avançar o jogo que vai difi cultando 
a cada etapa.
1. Criação de histórias:
A criação de história origina-se muito antes do que 
possamos imaginar e está presente em praticamente todas as 
etapas da vida da criança. Antigamente, era muito comum 
as professoras contarem histórias aos seus alunos e depois 
realizavam juntos uma atividade pedagógica. Até mesmo 
na aquisição da leitura e escrita, podemos encontrar muitas 
criações de histórias que envolvam as crianças por completo.
Existem algumas escolas aqui no Brasil que já realizam 
as atividades através das mídias e suas tecnologias. Um 
exemplo disso são alguns aplicativos que permitem que as 
crianças contem as suas próprias histórias através de formatos 
digitais utilizando gravações de voz, animações e galerias de 
fotos e desenhos.
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Alfabetização e Letramento 135
O aplicativo chamado Play time theather permite que 
as crianças criem um show de marionetes virtuais e utilizam 
suas vozes para a narração do diálogo. O aplicativo grava o 
show para que ele possa ser reproduzido depois.
2. Envolvimento dos pais:
Já havíamos dito que o ambiente familiar pode se 
tornar tão importante quanto o envolvimento da criança com 
a escola. Algumas pesquisas têm mostrado que a interação 
dos pais com a criança na pratica da leitura é essencial, pois 
além de promover a motivação, ela também pode aumentar 
a quantidade de informação que os pequenos absorvem 
quando fazem a leitura de um livro. Muitas ferramentas 
têm aumentado essa conexão entre pais e fi lhos através de 
aplicativos como o Pocket Literacy Coach, que envia aos pais 
ideias de atividades de leitura.
Alguns aplicativos têm sido criados até mesmo para 
pais e fi lhos que estão distantes, é o caso do Story Before 
Bed, em que os pais gravam suas vozes enquanto leem um 
livro digital, ideal também para professores. Depois que eles 
gravam essas histórias, enviam o áudio para a criança, seja 
por tablet ou qualquer dispositivo móvel.
Como podemos notar, a era da tecnologia está 
dominando o espaço educacional. De fato, essa realidade 
de “mundo tecnológico” está bem distante para a vida 
de muitas crianças brasileiras, porém, isso não impede o 
docente em trabalhar com atividades criativas que estimulem 
o desenvolvimento cognitivo de nossas crianças. O uso das 
tecnologias pode ser uma ferramenta poderosa dentro da sala 
de aula na aquisição da leitura e escrita, mas não implica que 
seja a única ferramenta que possa aguçar a criança. Um bom 
planejamento pedagógico, que vise estratégias de leitura e 
escrita, pode envolver tanto o uso das tecnologias como uma 
simples atividade
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Alfabetização e Letramento136
 Estratégias de Leitura - Parte IV
A leitura sempre foi questionada e suscita algumas 
inquietações por ser um assunto muito complexo. Deveria 
ser um processo natural e cultural, porém sabemos que nossa 
sociedade muitas vezes não promove a pratica da leitura de 
maneira que todos (ou a maioria) tenham vontade de ler. 
Não podemos simplesmente ensinar que ler é bom sem antes 
conscientizar nossas crianças que essa pratica pode ser mais 
prazerosa do que um jogo de videogame.
Em muitas escolas, os problemas tendem a persistir, 
pois impõem aos alunos práticas de interpretação de textos, 
fi chas de leituras e a intenção de contar o texto lido na 
expectativa de que os alunos treinem a sua leitura e gostem 
de ler. Infelizmente não existe tal conscientização de que a 
prática da leitura não esteja baseada em interpretações de 
textos ou qualquer atividade parecida, mas sim que exista um 
mundo de descobrimentos quando a realizamos. Devemos ler 
não somente porque alguém nos impõe, mas porque é um ato 
saudável, que estimula o raciocínio e a criatividade.
Muitos educadores também tem uma visão equivocada. 
Quando se trata de leitura, as escolas acabam por burocratizar 
essa pratica tornando-a um ritual que muitas vezes se torna 
uma prática penosa e insuportável. É o que aponta Chiappini: 
[...] a cópia, o ditado, a redação como atividade isolada 
ou, quando muito, produto fi nal de um processo deslanchado 
da leitura, a própria leitura como simples verbalização oral de 
textos cuja compreensão deixa muito a desejar. (CHIAPPINI, 
1997, p.10)
Neste sentido, Cossom (2007, p.23) denomina de 
“falência do ensino da leitura”, pois essa leitura não é 
caracterizada para humanizar o indivíduo e sim para passar 
uma informação momentânea.
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Alfabetização e Letramento 137
Nos Estados Unidos, existe um embasamento para a 
literatura infantil no programa educacional chamado Based 
Reading, no qual os professores podem organizar e estruturar 
o ensino da leitura na utilização de livros infantis. No Brasil, 
existe um programa chamado PNBE (Programa Nacional 
Biblioteca da Escola) no qual é feita a distribuição de livros 
literários, porém muitos educadores não sabem sequer o que 
fazer com esses livros.
 A literatura infantil
A literatura infantil ganhou destaque no Brasil somente 
a partir de 1980 por consequência da infl uência de Emília 
Ferreiro e Ana Teberosky na conscientização da importância 
de alfabetização e letramento. As cartilhas foram substituídas 
por contos infantis e a literatura infantil passou a ganhar 
espaço nas editoras e livrarias de todo o país. 
Curioso é que mesmo que a literatura infantil tente 
ganhar espaço, ela é vista como a mesma funcionalidade da 
literatura. É o que nos mostra Coelho:
Desde as origens, a literatura parece ligada a essa 
função essencial: atuar sobre as mentes, nas quais se decidem 
as vontades ou as ações; e sobre os espíritos , nos quais se 
expandem as emoções, paixões, desejos, sentimentos de toda 
ordem... No encontro com a literatura (ou com a arte em 
geral) os homens tem a oportunidade de ampliar , transformar 
ou enriquecer sua própria experiencia de vida, em um grau 
de intensidade não igualada por nenhuma outra atividade. 
(COELHO, 2000, p.29)
Nesta mesma direção, a respeito da literatura infantil 
Zilberman disse:
Quando a literatura infantil provoca emoções, dá prazer 
ou diverte, ela é vista como arte, porém ao assumir seu caráter 
transformador e direcionador, ela torna-se necessariamente 
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Alfabetização e Letramento138
formadora. (ZILBERMAN, 1984, p.134)
Perceba que Zilberman descreveu a prática de leitura 
como algo que transforma e direciona, só assim ela poderá 
ser considerada formadora. A técnica mecanicista da leitura 
não faz com que as crianças tenham gosto pela leitura, muito 
pelo contrário, quando a leitura é sistematizada ela não gera 
especulações.
Por esse motivo que a escolha do livro infantil é 
fundamental. Um cuidado que temos de ter é nos deslumbres 
da capa e das ilustrações. Existe alguns critérios que devemos 
seguir antes de escolhermos o livro ideal:
1. Toda obra literária deve ter uma mensagem implícita;
2. A literatura não precisa estar em constante atualização, 
pois faz uso da arte. Não precisa ter uma sequência linear;
3. Existe diferenças entre literatura e os livros 
paradidáticos, devemos saber diferenciar um do outro;
4. Utilizar, sempre que possível,as obras brasileiras, 
pois elas tem contribuições importantes para a nossa literatura. 
Autores como Monteiro Lobato, Ana Maria Machado entre 
tantos outros não podem ser esquecidos jamais!
 As estratégias de leitura
Estudamos nos outros capítulos algumas estratégias de 
leitura que podem ser utilizadas fora e dentro da sala de aula. 
Nesse capítulo, falaremos mais sobre o embasamento teórico 
e suas implicações.
Colocamos por estratégia todo o processo durante a 
leitura, seja no início, no meio e no fi m. Dessa maneira o 
docente pode auxiliar seus alunos no passo a passo. Essas 
estratégias são denominadas por uma metodologia norte 
americana em que podemos destacar algumas etapas:
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Alfabetização e Letramento 139
Conhecimento prévio;
Conexões;
 Inferência;
Visualização;
 Sumarização;
 Síntese.
Podemos dizer que é o procedimento sobre o “processo 
de pensar”. É o que refl ete Solé: 
O processo de leitura deve garantir que o leitor 
compreenda o texto e que pode ir construindo uma ideia sobre 
seu conteúdo, extraindo dele o que lhe interessa, em função 
dos seus objetivos. Isso só pode ser feito mediante uma leitura 
individual, precisa, que permita o avanço e o retrocesso, que 
permita parar, pensar, recapitular, relacionar a informação 
com o conhecimento prévio, formular perguntas, decidir o 
que é importante e o que é secundário. (SOLÉ, 1998, p.32)
Faremos uma breve explicação sobre as estratégias 
citadas:
a. O conhecimento prévio:
Na verdade, essa primeira estratégia agrega as 
demais estratégias. Os norte-americanos denominam como 
“estratégia-mãe”. Permite que a criança consiga ter uma 
dimensão do texto antes mesmo de se conectar inteiramente 
com a leitura.
b. Conexões:
Com o conhecimento prévio, essa estratégia ajuda 
com que a criança tenha um elo entre o conhecimento e as 
descobertas de novos conhecimentos.
c. Inferência: 
É fundamental para que possamos compreender as 
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Alfabetização e Letramento140
entrelinhas, a criança precisa compreender o que não está 
escrito explicitamente.
a. Visualização: 
Fazemos a leitura do texto não somente visualizando 
as palavras, mas tendo alguns sentimentos e emoções no 
processo da leitura. São aquelas sensações e imagens que 
criamos quando estamos lendo.
b. Sumarização:
Nesse processo, devemos sintetizar todos os detalhes do 
texto, tudo aquilo que é muito importante garantindo as ideias 
principais. Essa estratégia está direcionada às fi nalidades e 
os objetivos da leitura. Quanto mais claro estiver o nosso 
conhecimento, mais perto dos objetivos chegaremos.
c. Síntese: 
É muito mais do que resumir, na síntese, podemos 
expressar com nitidez todas as características do texto sem 
perder o que realmente é essencial. Quando sintetizamos 
um texto não apenas absorvemos os pontos principais, mas 
podemos adicionar mais informações ao nosso conhecimento 
prévio para o alcance de uma melhor compreensão do texto.
Conclusões
Entendemos que a ludicidade no ambiente educacional 
é tão importante quanto todo o processo de aquisição de 
leitura e escrita. As crianças precisam brincar e saber porque 
estão brincando. Cada brincadeira deve ter um propósito e um 
objetivo fi nal. Brincando, elas aprendem mais fácil, prestam 
atenção no que está sendo estudado, são sociabilizadas e 
podem interagir com outras crianças.
A ludicidade em sala de aula pode abrir um mundo de 
conhecimentos e oportunidade. É através da imaginação e da 
criatividade que a criança exprime o seu mundo no mundo 
real. Faremos então muitos jogos, muita interatividade com 
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Alfabetização e Letramento 141
esses pequenos que estão sempre dispostos a esse tipo de 
interação.
A tecnologia nos deu uma nova percepção sobre o 
mundo e trouxe oportunidades que nunca pensávamos que 
tivéssemos. Não conseguimos mais viver sem ela e podemos 
usufruir de todos os seus recursos no processo de ensino 
aprendizagem. 
Vimos que as TIC fazem parte do nosso cotidiano e 
não podemos de modo algum descartar nos dias atuais o uso 
dessas ferramentas, porém elas devem sempre nos favorecer e 
não as usar apenas para situações que não nos trazem nenhum 
benefício. 
Como você poderia utilizar as TIC dentro de sala de aula 
de modo que os alunos pudessem desenvolver habilidades 
de leitura e escrita? Como podemos trabalhar com essas 
ferramentas sem que os alunos percam o foco no objeto de 
estudo?
Um bom planejamento pedagógico pode ajudá-lo a 
responder essas ou outras perguntas, porém é importante que 
tenhamos sempre em mente que o processo educativo se dá 
sempre com a interação, não nos esqueçamos que as crianças 
precisam estar sempre em contato com essa realidade e os 
métodos que iremos utilizar serão sempre norteadores desse 
processo.
As técnicas utilizadas dentro de sala de aula podem ser 
diversas, devemos ter sempre em mente que mais uma vez o 
planejamento pedagógico se faz necessário porque sem ele 
não teremos um direcionamento de como fazer, para quem 
fazer e para que fazer.
Lembramos também a importância da leitura na vida 
da criança e todas as oportunidades que ela tem quando 
lê um livro. Ela não somente descobre o mundo como “se 
descobre” enquanto faz a sua leitura. Nossas percepções como 
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Alfabetização e Letramento142
educadores deve favorecer para que nossos pequenos tenham 
vontade de ler, que a leitura faça parte do dia-a-dia de nossas 
crianças, que elas cresçam e sabedoria e conhecimento.
 A alfabetização e letramento
Voltemos agora lá no início do nosso curso. Gostaria 
que você pudesse responder as seguintes perguntas:
1. Qual a importância real de alfabetizar nossos alunos 
de modo que eles também sejam letrados?
2. Baseado em todo conteúdo que você estudou, quais 
os critérios que você adotaria caso seus alunos fossem 
alfabetizados, mas não letrados?
Paulo Freire já dizia que o processo de alfabetização vai 
muito além de um método. Podemos constatar essa afi rmação 
em Soares (2003, p.182):
Paulo Freire criou não um método, mas ume teoria da 
educação, uma pedagogia, e o que se denomina como seu 
“método de alfabetização” é, na verdade, apenas uma das 
instâncias em que essa teoria, essa pedagogia se traduzem em 
uma prática. Aliás, talvez se possa dizer que essa pedagogia, 
reconhecida internacionalmente como a Pedagogia de Paulo 
Freire ( e aqui a palavra reconhecida é usada em seu duplo 
sentido: reconhecida signifi cando identifi cada e reconhecida 
identifi cando valorizada), se constituiu pela e para a pratica da 
alfabetização que Paulo Freire experimentou, nos primeiros 
momentos de sua vida de educador, ao mesmo tempo em que 
essa pedagogia já então em gestação permitiu construir essa 
prática da alfabetização.
Nessa afi rmação, podemos constatar que o método é 
apenas uma maneira que utilizamos para que todos possam se 
adequar, porém mais importante do que qualquer método, é 
a prática. Dentro de sala de aula acontecem situações muitas 
vezes contrárias a que vimos em livros e artigos, a sala de aula 
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Alfabetização e Letramento 143
é como a língua oral, ou seja, ela é dinâmica, está sempre se 
modifi cando e temos que nos adaptar a novos recursos, novas 
situações. Sabemos que não existe uma sala de aula perfeita, 
em que os alunos chegam e todos enfi leirados, sentam em 
suas carteiras e realizam todas as atividades propostas pela 
professora com maestria. Ainda bem que isso não existe, 
porque senão não haveria a diversidade, as modifi cações e as 
indagações que são necessárias.
Conviver em um ambienteescolar é estar sempre atento 
as novas mudanças, aos nossos alunos e o que esse ambiente 
pode proporcionar para todos, seja para os alunos, para nós e 
para sociedade.
 A importância do Letramento 
Emília Ferreiro e Ana Teberosky nos trouxeram uma 
visão educacional que até então não existia. A alfabetização 
dava-se por meios mecânicos em que a criança não podia ser 
exposta no processo educativo, muito pelo contrário, ela era 
o sujeito que apenas recebe as informações.
A ideia de Letramento nos fez compreender que não 
basta apenas saber ler e escrever, o indivíduo deve ter domínio 
não somente da língua, mas de todas as suas habilidades 
funcionais. Muitas vezes aquele que lê não sabe interpretar 
e não tem habilidades sufi cientes para montar uma redação 
desejável. Um bom exemplo disso são as provas de redação 
do ENEM, dados da última redação apontam que mais de 32% 
dos participantes tiveram a nota abaixo de 400 nessas provas 
e as porcentagens de redações em branco também cresceu. 
Veja a tabela abaixo a qual demonstra as porcentagens entres 
os anos de 2017 e 2018:
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Alfabetização e Letramento144
Tabela 1: Crescimento do resultado do ENEM
Fonte: Dados extraídos do link https://bit.ly/2VXnbvS. Acesso dia 16/03/19
Motivos para nota zero 2017 2018
Fuga ao tema 5,01% 0,77%
Cópia do texto motivador 0,09% 0,36%
Texto insufi ciente 0,33% 0,18%
Não atendimento ao tipo textual 0,11% 0,12%
Parte desconectada 0,17% 0,12%
Redações em branco 0,80% 1,12%
Outros motivos 0,03% 0,12%
Total de redações com nota zero 6,54% 2,73%
Perceba como é importante que todos nós possamos ter 
domínio de todas as funcionalidades da língua, não somente 
em alguns aspectos, mas em todos. Muitos alunos não 
conseguiram nem ao menos iniciar uma redação. E por que 
isso acontece? Os problemas estão na escola e sua gestão ou 
na forma como o docente dirige a sua aula?
Inúmeros são os problemas que rodeiam o ambiente 
escolar, infelizmente nossa realidade não é das melhores. 
Todos os anos, muitos alunos simplesmente migram para 
novas séries sem ao menos estarem capacitados para tal e 
vira uma bola de neve. 
Esperamos que um dia exista uma conscientização 
maior, um valor no qual a educação espera por muito tempo, 
escolas bem estruturadas, professores capacitados e bem 
pagos e alunos que estejam aptos a todas as demandas que a 
vida pessoal e profi ssional pode oferecer.
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Alfabetização e Letramento 145
A escola deveria ser o local no qual a criança se 
forme como indivíduo em sua subjetividade. Gostaríamos 
que ela pudesse compreender e conhecer seus alunos em 
toda diversidade e que pudesse ser o segundo lar de nossos 
pequenos.
Cabe a você, futuro professor, e a todos nós, contribuir 
para um ambiente melhor para nossas crianças. Não permita 
que a mesmice faça parte do seu cotidiano como docente. 
Globalize-se, faça sua própria atualização como profi ssional 
e também como pessoa. Permita aprender com seus alunos, 
não seja altivo o sufi ciente de achar que já possui todos os 
conhecimentos e domínios, por mais anos de experiencia que 
tenha. Entenda que é no processo educativo que você também 
aprende, estamos sempre aprendendo e isso não muda nunca.
Permita-se a vivência de uma experiência única que é a 
sala de aula. Comemore cada progresso com seus alunos, por 
menor que seja. Lembre-se: o que pode funcionar para alguns 
pode não funcionar para outros. Cada criança aprende da sua 
maneira porque cada um de nós tem uma bagagem cultural 
e experiencias únicas, então como poderíamos querer que o 
processo se dê sempre da mesma maneira? 
O nosso papel é essencial! Cabe a nós a tarefa de 
mediador, sustentador nesse processo tão rico na vida de cada 
um. Sabemos que não é fácil, existem “muitas pedras no meio 
do caminho” e cada uma é muito importante, pois elas fazem 
parte. Ainda bem que existem as pedras de Drummond, sem 
elas não poderíamos questionar melhorias para que possamos 
ser melhores a cada aula. 
Invente-se, crie-se, tenha sempre em mente que você é 
essencial! Brinque, estude, aprenda com os erros...
É como Guimarães Rosa disse: “Mestre não é quem 
sempre ensina, mas quem de repente aprende”
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Alfabetização e Letramento146
REFERÊNCIAS
CAGLIARI, L.C. Alfabetização e Linguística. São 
Paulo: Scipione, 1994om.br/site/techoje/categoria/detalhe_
artigo/1004
COMENIUS, J. A. Didática Magna: tratado da arte 
universal de ensinar tudo a todos. 3.ed. Lisboa: Fundação 
Calouste Gulbekian, 1985.
DICIO, Dicionário Online de português. Alfabetismo.
2019. Disponível em: https://www.dicio.com.br/alfabetismo/. 
Acesso em: 20 maio 2019.
FERREIRO, E. Refl exões sobre Alfabetização. São 
Paulo: Cortez, 1984.
CAGLIARI, L. C. Alfabetização e Linguística. São 
Paulo: Scipione, 1994.
PICOLLI, L.; CAMINI, P. Práticas pedagógicas em 
alfabetização: espaço, tempo e corporeidade. Porto Alegre: 
Edelbra, 2013.
SOARES, M. Alfabetização e Letramento. São Paulo: 
Contexto, 2003.
VIGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São 
Paulo: Martins Fontes, 2001.
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Alfabetização e Letramento16
Figura 1: Alfabetização infantil
Fonte: Andros1234/Pixabay
Vivemos na era da globalização. Há comunicação o tempo 
todo e de diversas maneiras diferentes. As pessoas têm acesso a 
informação de uma forma muito rápida. Em contrapartida, ainda é 
muito comum vivenciarmos escolas com métodos de alfabetização 
antigos que não se adequam aos dias de hoje e também não são 
compatíveis com as necessidades reais do dia a dia. 
CITAÇÃO
Não parece apropriado nem etimológica nem pedagogicamente 
que o termo alfabetização designe tanto o processo de aquisição da 
língua quanto em seu desenvolvimento: etimologicamente o termo 
alfabetização não ultrapassa o signifi cado de “levar a aquisição 
do alfabeto” , ou seja, ensinar o código da língua escrita, ensinar 
as habilidades de ler e escrever; pedagogicamente, atribuir um 
signifi cado muito amplo ao processo de alfabetização seria negar-
lhe a especifi cidade, com refl exos indesejáveis na caracterização da 
sua natureza, na confi guração das habilidades básicas de leitura e 
escrita, na defi nição da competência em alfabetizar.
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Alfabetização e Letramento 17
Sabemos que não existe uma metodologia perfeita, cada 
qual tem a sua característica principal, porém também é certo 
afi rmar que existem sim, muitos métodos de alfabetização 
que hoje funcionam e outros nem tanto. Infelizmente algumas 
escolas ainda tratam essa questão de uma forma não muito 
articulada, com recursos empobrecidos e arcaicos. Essa 
defasagem conclui a incompetência da instituição quando ela 
empobrece as múltiplas possibilidades de acesso na aquisição 
da fala, leitura e escrita. Segundo Cagliari, 1994, p.9: 
CITAÇÃO
Por fim, a falta de visão de muitos, associada à ausência de conhecimentos 
linguísticos, tem atribuído o fracasso escolar ora ao aluno visto como um ser 
incapaz, carente cheio de deficiências, ora ao professor”. Para ampliarmos 
essa reflexão recorremos às reflexões de Soares (2003, p.15), que assim 
explica:
Sem dúvida não há como fugir, em se tratando de um processo complexo, 
como a alfabetização, de uma multiplicidade de perspectivas, resultante 
da colaboração de diferentes áreas de conhecimento, e de uma pluralidade 
de enfoques, exigida pela natureza do fenômeno, que envolve atores 
(professores e alunos) e seus contextos culturais, métodos, material e meios.
Entretanto, essa multiplicidade de perspectivas e essa pluralidade de 
enfoques não trarão colaboração realmente efetiva enquanto não se 
articularem em uma teoria coerente de alfabetização que concilie resultados 
apenas aparentemente incompatíveis, que articule análises provenientes de 
diferentes áreas do conhecimento, que integre estruturadamente estudos 
sobre cada um dos componentes do processo. Nesse sentido, é correto 
afirmar que o acesso ao processo de aquisição de leitura e escrita modificou-
se e não mais atende às necessidades do passado. A leitura do mundo é 
outra. O que precisamos compreender é que o processo de alfabetização, 
na sua complexidade, interfere significativamente na vida educacional do 
indivíduo. “A alfabetização é, sem dúvida, o momento mais importante da 
formação escolar de uma pessoa...” (CAGLIARI, 1994, p.10).
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Alfabetização e Letramento18
A Língua Falada e a Língua Escrita
Pense na sua língua mãe. Você acredita que a língua 
escrita tem as mesmas características da língua falada? Ou 
seja, você escreve exatamente como você fala? É óbvio que 
não!
É fato dizer que uma das principais etapas do processo 
de alfabetização é a representação de fonemas em grafemas 
e grafemas em fonemas, porém não podemos descartar a 
importância do código da escrita através da compreensão. 
Essa expressão de signifi cados nos dá uma ideia mais ampla 
e diretiva, pois o processo não se destina exclusivamente no 
desenvolvimento dos códigos e fonemas da leitura e escrita, 
ele rege outras etapas que não podem ser descartadas.
Segundo Magda Soares, uma das maiores pesquisadoras 
do país sobre o tema, as etapas não são tão simples como 
podemos imaginar e requerem muito cuidado. Nesse processo 
de aquisição de leitura e escrita, o indivíduo deve participar 
ativamente e não somente como um indivíduo que recebe as 
informações. 
DEFINIÇÃO
O conceito de língua falada chega a ser até abstrato, pois 
existem tantas diversidades que a compõem e a cada dia, ela 
vem modifi cando. Podemos dizer que é uma língua viva, que 
modifi ca e se adequa de acordo com a sua necessidade. 
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Alfabetização e Letramento 19
Figura 2: Lingua Falada
Fonte: RyanMcGuire
A língua falada é viva e está em constante adaptação com 
o seu meio social. É o que explica com mais ênfase Bagno, 
(2001, p.09):
CITAÇÃO
Nesse pressuposto, é correto afi rmar que a língua falada 
não se enquadra nas regras da língua escrita, pois o processo de 
aquisição dessa língua, também é outro.
Nossa intenção é que você possa compreender a 
complexidade de todo o processo, portanto quando falamos 
em língua escrita, não estamos falando apenas em regras 
gramaticais pois ela não deve ser vista apenas como um registro 
de fonemas da língua oral, há também a sua importância 
sintática, semântica e morfológica. É o que explica Soares, 
“não se escreve como se fala, mesmo quando se escreve em 
conceitos informais.” (SOARES, 2003, p. 18)
Temos de fazer um grande esforço para não incorrer no erro milenar 
dos gramáticos tradicionalistas de estudar a língua como uma coisa 
morta, sem levar em consideração as pessoas vivas que a falam.
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Alfabetização e Letramento20
Figura 3: Lingua Escrita
Fonte: StartUpStockPhotos/Pixabay
Embora muitos ainda acreditam que o processo de 
alfabetização é individual, não podemos esquecer que ele 
também é social. Pensamos em duas escolas em regiões 
completamente diferentes uma da outra. Supondo que uma 
escola está situada em uma região rural e outra central, você 
acredita que os processos de alfabetização das duas escolas 
se dão da mesma maneira? Mesmo que ambas utilizem do 
mesmo método alfabetizador o desenvolvimento seria igual?
A sociedade tem um peso muito grande quando falamos 
sobre a alfabetização pois em algumas sociedades esse tema 
pode até parecer algo não muito constante. Em algumas 
regiões é muito comum as crianças serem alfabetizadas a 
partir dos 4 anos de idade, em outras a partir dos 7 anos, 
difere muito para cada região e sua cultura. 
Como você pode notar, alfabetizar uma criança vai 
muito além do que transmitir a informação à criança na 
aquisição de leitura e escrita. Depende de muitos fatores 
como por exemplo, culturais, econômicos e tecnológicos.
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Comentário do texto
CONCLUSÃO
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Alfabetização e Letramento 21
O Letramento
Você aprendeu que a alfabetização é a aquisição 
da língua (seja ela oral e escrita) através de um sistema 
alfabético, ortográfi co e também cultural. Também vimos que 
o processo de alfabetização é complexo e depende de muitos 
fatores. Não é somente ensinar a criança a formar as palavras 
e depois partir para a leitura. O processo é lento, prático e 
exige habilidades tanto da parte do professor quanto do aluno.
Você também aprendeu a importância da comunicação 
de forma rápida e prática nos dias de hoje. O uso das 
tecnologias nos proporciona acesso rápido às informações 
e consequentemente nossa comunicação caminha no mesmo 
sentido. Aquele que hoje não acompanha toda essa evolução 
tecnológica infelizmente não consegue ter o mesmo domíniode comunicação.
Figura 4: Leitura Infantil
Fonte: Victoria_Borodinova
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Alfabetização e Letramento22
Você, professor dentro da sala de aula, se depara com 
um aluno do 3º ano do Ensino Fundamental I com algumas 
difi culdades na atividade de compreensão de texto. Na 
atividade, você pede para o aluno responder as perguntas 
simples sobre o texto que ele acabou de ler. O aluno faz a 
leitura diversas vezes e mesmo assim, não compreende 
nenhuma das perguntas. Ele somente consegue responder 
aquelas óbvias como: Qual o nome do personagem principal? 
ou “Aonde se passa nossa história? Perguntas mais complexas 
ele simplesmente não consegue responder. O que você acha 
sobre isso?
Pense agora em uma outra situação:
Na sala de aula do 5º ano do Ensino Fundamental I a 
professora pede para os alunos fazerem uma redação sobre o 
descobrimento do Brasil. No fi nal da atividade, ela percebe 
em um aluno a difi culdade em fazer a atividade escrita. Ela 
então vai até esse aluno e nota que sua redação é empobrecida, 
que o aluno não segue uma lógica textual e que existem erros 
gramaticais e ortográfi cos gritantes. Por que isso acontece?
Essas duas situações são muito comuns nos dias de hoje. 
Infelizmente, conforme anteriormente dito, ainda existem 
muitos problemas no processo de aquisição da leitura e escrita 
e aqueles que não atendem à demanda da rapidez tecnológica 
e da comunicação na era da Globalização, acabam sendo 
altamente prejudicados.
Segundo Soares, 2003, p.20, 
CITAÇÃO
“só recentemente passamos a enfrentar essa nova realidade 
social em que não basta apenas ler e escrever, é preciso também 
fazer o uso do ler e escrever, saber responder às exigências de 
leitura e escrita que a sociedade faz continuamente”. 
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Alfabetização e Letramento 23
O interlocutor deve ter o domínio não somente dos 
códigos como também uma visão ampliada, que seja capaz de 
compreender todo o discurso, na interpretação de elementos 
históricos, ideológicos e científi cos. Ele deve dominar todos 
os elementos da textualidade que constituem o uso discursivo 
oral e escrito como os elementos de codifi cação (letras e 
sons).
Figura 5: Professora
Fonte: Jerrykimbrell/Pixabay
Defi nição de Letramento
Em meados do ano de 1980, a invenção de letramento 
se deu no Brasil assim como simultaneamente em outros 
países. A ideia era compreender os problemas enfrentados 
na aquisição da língua escrita e a sua defi ciência. Porque 
algumas crianças simplesmente não conseguiam fazer uma 
simples interpretação de um texto ou até mesmo escrever 
um texto comum? Nos países desenvolvidos foi constatada 
essa defi ciência de sua população, que embora alfabetizadas, 
não eram competentes o sufi ciente para fazer uma simples 
redação ou leitura.
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Alfabetização e Letramento24
Segundo Soares(2000, p. 18): “Letramento é, pois, o resultado 
da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever: o estado ou 
a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como 
consequência de ter-se apropriado da escrita”. 
DEFINIÇÃO
Para ampliar ainda mais essas ideias, citamos as 
refl exões de Klein (2000, p.11), que assim relata:
Não há dúvida que o letramento é, hoje, uma das condições para 
a formação do cidadão: ela o insere num círculo extremamente 
rico de informações, sem as quais, ele, inclusive nem poderia 
exercer livre e conscientemente sua vontade (...) o homem 
contemporâneo é afetado por outros homens, fatos e processos 
por vezes tão distantes de seu cotidiano que somente uma rede 
muito complexa de informações pode dar conta de situá-lo, 
minimamente, na teia de relações em que se encontra inserido. 
Neste universo, tá mais vasto e complexo, a escrita assume 
relevante função, registrando e colocando ao alcance das 
informações que podem esclarecê-lo melhor”
CITAÇÃO
Nesse sentido, a defi nição de letramento é vasta e está 
intrinsecamente interligada à alfabetização, apesar de ocorrer 
distinções entre os dois temas. Quando falamos de letramento, 
nos referimos às competências que o indivíduo deve possuir 
para construção do entendimento de leitura e escrita. É uma 
visão mais ampla, mais minuciosa que exige do interlocutor um 
direcionamento mais preciso. Além de possuir competências 
linguísticas, ele deve também adquirir conhecimentos 
sufi cientes para a formação de novos conhecimentos, sejam 
eles culturais, históricos, ideológicos e científi cos.
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LETRAMENTO EM STRICTO SENSU
Alfabetização e Letramento 25
Alfabetizado Letrado
Analfabetismo Funcional
IMPORTANTE
Alfabetizado letrado é aquele que conhece o sistema e as regras 
ortográfi cas e gramaticais e, ainda, se coloca como um efetivo 
usuário da língua em seu contexto social.De nada adianta saber 
apenas ler e escrever e não ter domínio sobre a leitura e escrita. 
Não saber como escrever, como fazer uma interpretação. É o 
domínio do uso da língua no seu sentido amplo, geral.
Analfabeto funcional é aquele que não consegue fazer o bom uso 
da leitura e escrita nas atividades cotidianas. Ou seja, embora 
ele saiba ler e escrever, não consegue fazer uma interpretação 
de um texto porque não compreende toda a estrutura textual e 
também tem muitas difi culdades em escrever.
DEFINIÇÃO
DEFINIÇÃO
Figura 6: Dúvida de leitura
Fonte: Victoria_Borodinova/Pixabay
De nada adianta saber apenas ler e escrever e não ter domínio sobre a 
leitura e escrita. Não saber como escrever, como fazer uma interpretação. 
É o domínio do uso da língua no seu sentido amplo, geral.
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Alfabetização e Letramento26
Faça uma refl exão prática sobre alfabetização e letramento. 
Como você, como professor, lidaria com alunos iletrados? 
Qual seria o maior desafi o para você para lidar com uma 
situação dessas?
Estudamos que as defi nições tanto de alfabetização como 
letramento são muito mais amplas, complexas e trabalhosa. 
Em síntese, podemos concluir que:
Alfabetização é o processo de aquisição da língua 
(oral e escrita) por meio do sistema alfabético, ortográfi co e 
cultural;
Letramento é o processo de desenvolvimento da 
língua (oral e escrita). O desenvolvimento de habilidades para 
uso da língua em diferentes contextos, como por exemplo no 
contexto atual que é digital (tecnológico).
Histórico e evolução das práticas de 
alfabetização
Vamos iniciar, neste capítulo, uma refl exão profunda sobre 
o desenvolvimento histórico e sua infl uência nos dias atuais. 
Faremos uma análise sobre Comenius e a sistematização da 
aprendizagem por meio da cartilha e os pensamentos de autores 
que infl uenciaram diretamente para essa evolução.
Lembramos do nosso aluno do 3º ano do Ensino 
Fundamental citado no início do tema. Ele não consegue fazer 
a interpretação do texto que apresenta complexidade. Ele lê, 
mas não compreende. No segundo exemplo, o outro aluno 
não consegue fazer a redação sobre o descobrimento do Brasil 
porque não tem domínio sobre as palavras, simplesmente não 
consegue fazer o bom uso da língua escrita.
TESTANDO
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ALFABETIZAÇÃO EM LATO SENSU
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LETRAMENTO EM LATO SENSU
Alfabetização e Letramento 27
A Cartilha de Comenius 
Tudo se iniciou por um pastor protestante, chamado por 
João Amós Comênio, mais conhecido por Comenius, no qual 
foi considerado o pai da pedagogia moderna. Em meados do 
século XVII, Comenius fundamentou a escola que conhecemos 
até hoje, foi o precursor da organização do trabalho pedagógico 
baseadoem elementos manufatureiros, presentes na sociedade 
da sua época.
Com a ideia de “ensinar tudo a todos”, Comenius deu 
ao professor a sua primeira defi nição e aderiu à ele, o material 
didático pedagógico como instrumento de trabalho. O livro 
didático por sua vez, difere dos livros científi cos. A ideia era que 
o livro didático não fosse tão aprofundado de fontes originais, 
mas que fosse um direcionador de conhecimentos.
Surge então um livro exclusivamente pedagógico que 
propõe o ensinamento de ler e escrever através de fi guras ou 
ilustrações ao lado das palavras, das sílabas e do alfabeto. É 
o que conhecemos de Cartilha, que ainda hoje é utilizada em 
muitas instituições de ensino. 
O objetivo era que as crianças pudessem fazer associação 
tanto visual quanto motora das palavras. Note que a cartilha 
que conhecemos a criança se depara com fi guras referente às 
iniciais da letra que está sendo estudada. Por exemplo: Na letra 
I, existe a fi gura de um Ipê. Há essa associação da palavra com a 
letra e depois a intenção que a criança possa internalizar através 
de expressões motoras, como contorno da letra, fazer colagem 
sobre a letra, etc.
Outro fato bastante interessante é a classe heterogênea, 
ou mais conhecida como instrução simultânea. Os alunos 
aprendiam ao mesmo tempo em graus e atividades diferenciadas. 
Isso facilitaria a aquisição do conhecimento e pouparia esforços. 
Colocaria em prática então, a ideia de ensinar “tudo a todos”.
Segundo A,2001,p.11: “Comenius está na origem da escola 
moderna. A ele, mais do que nenhum outro, coube o mérito de 
concebê-la. Nessa empreitada, foi impregnado pela clareza de 
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Alfabetização e Letramento28
Figura 7: Alfabetização
Fonte: Steveriot1/Pixabay
que o estabelecimento escolar deveria ser pensado como uma 
ofi cina de homens; foi tomado pela convicção de que a escola 
deveria fundar sua organização tendo como parâmetro as artes.”
Para Comenius a didática deveria ser foco principal de 
experimento porque acreditava que o processo estava na prática 
e o ensinamento deveria fazer parte desse pensamento. Apesar 
da sua fervorosa religiosidade ter interferido consideravelmente 
suas teorias, ele enfatizava o ensino como algo que deveria ser 
atingido por todos e que as pessoas deviam se capacitar para um 
novo conhecimento.
Foi um dos primeiros a defender a ideia da educação para 
crianças pequenas, colocá-las em um ambiente em que elas 
fossem expostas a todo o tipo de conhecimento, podemos dizer 
que surge a ideia do maternal. Ele acreditava que através do 
conhecimento, o ser humano poderia alcançar sabedorias divinas. 
Por esse motivo ele queria que todos tivessem uma educação, 
porque além dos conhecimentos terrenos, eles também podiam 
adquirir uma ascensão nos céus.
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Alfabetização e Letramento 29
Emília Ferreiro
Nenhum nome teve mais influência no que se diz 
respeito de alfabetização do que Emília Ferreiro, uma 
psicolinguista argentina, aluna e companheira de trabalho 
de Jean Piaget, revolucionou a história da alfabetização. Em 
meados de 1980 seus livros começaram a ser divulgados 
no Brasil e causou um grande impacto na concepção de 
alfabetização.
Famosa pela obra: “Psicogênese da Língua escrita”, 
o livro não apresenta nenhuma metodologia pedagógica, 
apenas processos de aprendizados nas crianças, colocando 
em questão até então, os métodos utilizados. Suas pesquisas 
revelam mecanismos relacionados à leitura e escrita e passa 
a curtir toda a sua teoria baseada em métodos construtivistas.
Para Emília, a criança tem um papel totalmente ativo 
no processo de alfabetização, pois ela constrói o próprio 
conhecimento. Calcada em teorias e práticas construtivistas, 
avalia o conhecimento através de experiências na prática. 
O aluno que é ativo no seu processo de formação é mais 
exigente e também precisa ter o seu espaço único para que 
ocorra o desenvolvimento. Por esse motivo, há uma grande 
preocupação pela escola, pois ela deixa de ser somente fonte 
de informações e passa ser cenário de um processo prático 
de formação. Quando falamos em alfabetização, para Emília 
a criança deve apropriar-se de todo o ambiente educacional, 
deve fazer parte de um todo e o professor é o facilitador 
deste processo. 
Antes de sua chegada, havia apenas uma grande 
preocupação com a aprendizagem quando a criança não 
conseguia aprender, porém Emília nos trouxe uma visão 
contrária. A preocupação deveria acontecer desde o início, 
de quais fatores levaram aquela criança aprender e como era 
esse processo. O importante era a trajetória e não o resultado 
que se esperava.
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Alfabetização e Letramento30
Piaget outrora já tinha citado que os princípios do 
processo de conhecimento deveriam ser graduais, pois 
cada conquista cognitiva depende de uma assimilação e 
acomodação desses processos e que levaria um tempo. As 
crianças não apenas repetem o que ouvem, mas internalizam 
o aprendizado baseado nas experiências sejam elas boas ou 
ruins.
Para a alfabetização isso foi processo, pois até então 
os erros eram vistos como algo a ser punido ou até mesmo 
escondido. Não havia nenhum benefício no ato de fazer algo 
de errado. Para o construtivismo, nada mais desafiador para 
a mente do que os erros, pois eles tornam em evidência a 
releitura do indivíduo com o mundo. O erro faz parte no 
processo de conhecimento e é ponte para os futuros acertos.
Nesse pressuposto, Emília sempre criticou a posição 
tradicional da alfabetização, porque não dá condições para 
a real aquisição da leitura e escrita. Na prática tradicional 
a criança é exposta a escrita por meio de avaliação de 
percepção e de motricidade. Nesse sentido, a criança acaba 
por desenhar a letra, ao invés de apropriar-se da palavra. 
Os métodos tradicionais propõem aos alunos leituras com 
palavras simples e sonoras, como por exemplo: bebê, 
papa etc. O contato da criança com a organização da 
escrita é colocado após esse processo. Segundo Ferreiro, a 
alfabetização é também uma maneira de se apropriar das 
funções sociais da escrita. De acordo com suas reflexões, 
o acesso a textos lidos e escritos desde os primeiros anos 
de vida influenciam muito mais do que simples processos 
pedagógicos repetitivos.
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Alfabetização e Letramento 31
Figura 8: Sala de aula rica em recursos visuais
Fonte: Katrina_S / Pixabay
A sala de aula como ambiente de alfabetização
Um dos marcos de Emília Ferreiro em nossas salas de 
aula foi o extermínio do uso das cartilhas. Segundo ela, a 
compreensão social da escrita deve ser instigada com o uso de 
livros e periódicos da atualidade e o uso da cartilha além de 
não desafi ar a criança para o conhecimento do novo, também 
oferecem uma instrução desinteressante e artifi cial. 
O ambiente se torna alfabetizador quando ele concede 
à criança todas as ferramentas que ela precisa para usufruir 
daquele espaço. Com o uso de livros e periódicos, a sala de 
aula passa ser ambiente real de alfabetização e estimula os 
alunos a conquistar novos conhecimentos. O processo deve 
ser utilizado por vários recursos e não somente um único 
recurso, como por exemplo, o uso da cartilha.
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Alfabetização e Letramento32
O papel do professor
Para Emília Ferreiro o papel do professor é fundamental, 
pois ele é o guia para que o aluno possa atingir seus 
conhecimentos. Ele deixa de ser ativo no processo e passa a 
ser o mediador, aquele que irá auxiliar a criança sem que a 
mesma perca a sua individualidade.Ela também enfatiza em muitas entrevistas que o 
docente deve estar sempre em processo de construção de 
conhecimentos através da reciclagem. O novo se torna parte 
do desenvolvimento do docente. Imagine que você tenha um 
professor que não está adaptado com os conhecimentos de 
hoje e ensinaria as crianças nos métodos antigos. 
Nos dias de hoje seria muito difícil lidar com docentes 
que não estão atualizados, mesmo que tenha muitos 
conhecimentos e não consiga transmiti-los de maneira que 
todos consigam compreender, nada vale tais conhecimentos.
Pense em algumas situações e baseado em todo material 
estudado até o momento faça uma análise da situação.
Sabemos que muitos são os fatores que desencadeiam os 
problemas da alfabetização e letramento, peço que você imagine 
dois cenários completamente distintos um do outro:
1- Uma sala de aula com 32 alunos da 4ª série do Ensino 
Fundamental apresenta muitos problemas, porém o que mais 
preocupa a professora é que mais da metade dos seus alunos 
são incapazes de fazer uma leitura de um texto de maneira que 
consigam compreendê-lo. Essa professora, com mais de 40 anos 
de magistério utiliza métodos antigos para instruí-los e os alunos 
para ela, devem ser receptores passivos. As atividades que ela 
TESTANDO
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Alfabetização e Letramento 33
realiza geralmente não mudam, toda a semana é sempre a mesma 
atividade. A atividade de escrita ela realiza o ditado e também 
percebe que muitos alunos não desenvolvem adequadamente. A 
gestão da sua sala de aula é caótica, não existe um padrão a ser 
seguido e utiliza do autoritarismo quando sempre acha que é 
necessário.
2- Na mesma escola, uma outra professora com a mesma 
experiência do que a primeira citada também tem problemas 
parecidos com os seus alunos, porém ela analisa caso a caso para 
que possa tentar diminuir tantos analfabetos funcionais. Ela tem 
conhecimento que os alunos possuem essa defi ciência e quando 
está realizando alguma atividade, sempre foca nos alunos que 
mais precisam de atenção. Utiliza a tecnologia em sala de aula 
sempre que pode e permite que seus alunos sejam ativos no seu 
processo de conhecimento através de debates, exercícios que 
estimulam outras habilidades. 
Você, como aluno, gostaria de ter a professora da primeira 
história ou a professora da segunda história? Por que?
O docente deve ser parte integrante na sala de aula, porém como 
papel de coadjuvante, pois o protagonista é o seu aluno. Não 
pense nele como alguém que recebe as informações apenas, e 
sim aquele que deve aprender a fazer questionamentos, que pode 
errar e encontrar no seu erro uma resposta, porque através do erro 
o aluno é direcionado ao oculto, ou seja, errar também faz parte 
do processo. Quando ele erra, ele aprende outras habilidades e 
procura todos os recursos para encontrar um acerto. Ao contrário 
do aluno passivo, para ele, o erro é algo muito ruim e ele pode 
ser punido por isso.
TESTANDO (CONTINUAÇÃO)
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Alfabetização e Letramento34
Ana Teberosky
Além de Emília Ferreiro, Ana Teberosky é uma das 
pesquisadoras mais conceituadas quando falamos em 
alfabetização. Segundo Ana, a responsabilidade do fracasso 
escolar no que diz respeito à alfabetização é o próprio sistema 
e não apenas do professor. Quando a escola acredita que o 
processo de alfabetização se dá em etapas, ou seja, primeiro 
a junção das letras e palavras para depois a concepção de 
escrita, ela mina o poder do conhecimento. Se há a separação 
entre ler e escrever, fi ca complicado fazer a ligação desses 
termos. 
A Psicogênese da Língua escrita
Na década de 70, Emília Ferreiro e Ana Teberosky 
desenvolveram através de experiência o livro “A Psicogênese 
da Língua Escrita”. O livro traz novos elementos para explicar 
o processo vivenciado pelo aluno que está aprendendo a ler 
e escrever. 
Passa a compreender a alfabetização não como um 
simples método, mas um processo complexo e multifacetado 
que ocorre quando a criança tem a apropriação do sistema 
da escrita alfabética. Não prescreve uma metodologia 
milagrosa. A criança internaliza e se apropria do seu próprio 
conhecimento, pois até então, o método tradicional impõe a 
criança técnicas e ritmos de aprendizagem. A ideia é que a 
criança internalize e tenha a sua escrita espontaneamente.
Para ambas teóricas, a criança passa por várias hipóteses 
em relação ao sistema da língua escrita antes mesmo de 
compreender de fato o sistema alfabético. Todo o processo 
tem um início, um caminho a ser seguido e que a criança 
passa a ser leitura antes mesmo de ter o domínio da leitura. 
Em seu aspecto construtivista, o indivíduo passa a ser sujeito 
da história e não objeto em sua própria aprendizagem.
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Alfabetização e Letramento 35
Outra característica muito importante é a ideia que a 
aprendizagem da escrita não tem vínculos com a fala e mesmo 
que a criança já tenha uma relação entre escrita e fala, não 
condiz a nenhuma ligação.
Figura 9: Leitura
Fonte: Sasint/Pixabay
O analfabetismo
Tanto o analfabetismo como o fracasso escolar não 
são problemas individuais e sim sociais. Enfatiza que a 
desigualdade social tem infl uência direta nesses problemas e 
que podem provocar ainda mais desigualdades educacionais.
Portanto, para as pesquisadoras, esses problemas 
podem ser melhorados através de outros métodos de ensino. 
A reprovação escolar é um exemplo desse fracasso e não 
deve ser analisada apenas em um contexto, mas em muitos. 
Existem soluções para o fracasso escolar e até mesmo a 
evasão, propõe uma nova refl exão e estudo sobre o assunto e 
mudanças de comportamentos. 
Todos os indivíduos, independente de classe ou meio 
social possuem capacidades sufi cientes para aprender, é o que 
explica em Ferreiro, 1986, p.22:
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CONCLUSÃO
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Alfabetização e Letramento36
Os fi lhos do analfabetismo são alfabetizáveis; não constituem 
uma população com uma patologia específi ca, que deve ser 
atendida por sistemas especializados de educação; eles têm 
o direito a serem respeitados, enquanto sujeitos capazes de 
aprender.
Figura 10: Alfabetização Infantil
Fonte: Lourdesnique/Pixabay
Muitos outros fatores aconteceram durante todo o 
processo educativo e é claro, as contribuições de estudiosos 
são inúmeras, porém a ideia é que você tenha em mente que 
o processo evolutivo da alfabetização se deu ao longo dos 
anos, através de muitas teorias e também de experiências 
vividas. Não estamos julgando aqui o certo ou o errado, 
apenas relatando marcos da história da alfabetização que nos 
infl uenciam até hoje.
CITAÇÃO
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Alfabetização e Letramento 37
Figura 11: Processo de escrita
Fonte: Freepik 
Cada profi ssional se adequa com um método, nisso não 
há nenhuma discussão, o que você, como futuro professor 
não pode esquecer é que, segundo palavras de Magda 
Soares, a alfabetização é “multifacetada”, isto é, não existem 
apenas um conceito e sim diversos dentro desse universo de 
conhecimentos tão rico e vasto.
A prática alfabetizadora e os processos 
de apropriação da língua escrita
Agora abordaremos práticas alfabetizadoras e os 
processos que norteiam a aquisição da língua escrita. 
Iniciaremos com o pressuposto da importância e complexidade 
da alfabetização, fatores e circunstâncias que permeiam todo 
o desenvolvimento de linguagem escrita.
Já vimos que a aquisição da língua escrita se dá por 
diversos conhecimentos, sejam eles internos ou externos. 
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Alfabetização e Letramento38
A prática pedagógica do ensino da língua 
escrita
No tema anterior estudamos sobre alguns teóricos 
da área e também algumas ressalvas que fi zeram ao longo 
de anos de estudos e de experiência. Quando falamos em 
prática, nos referimos a toda instrumentação utilizada para 
se obter um resultado fi nal. Vimos que a primeira prática 
pedagógica no processo de alfabetização foi o uso da cartilha. 
O uso da cartilha por sua vez foi considerado por muitos um 
processo limitador, pois exclui o ensino da língua escrita e 
as produções textuais, ou seja, existe uma separação entre a 
metodologia utilizada pela cartilha do ensino da língua escrita 
e consequentemente a sua produção.
Segundo estudos de Emília Ferreiro, a criança aprende 
de fato com a interação com o real e não com o subjetivo. É 
um processo de ação com a língua escrita na construção da 
fala e escrita. Em SOARES, 1999.p.52, a autora nos traz a 
seguinte refl exão:
Consideremos a interferência desses dois fatores – a infl uência 
da psicolinguística e a concepção psicogenética da aprendizagem 
da escrita- em duas faces do processo ensino e aprendizagem 
da língua escrita, aqui destacada para fi ns de melhor clareza 
da exposição, já que não representam momentos sucessivos , 
mas contemporâneos, não são processos independentes, mas 
inseparáveis: uma face é a aquisição do sistema da escrita (...); 
a outra face é a utilização do sistema de escrita para a interação 
social, isto é, o desenvolvimento de habilidades de produzir textos.
CITAÇÃO
Nesse sentido, a alfabetização é um processo estritamente 
histórico social e multidisciplinar. Não podemos menosprezar 
as ciências linguísticas da aquisição, pois também faz parte. 
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Alfabetização e Letramento 39
CITAÇÃO
 A aquisição de leitura e escrita é ampla e esse processo 
deve caminhar com ambas as especifi cidades.
Lev Semyonovich Vygotsky
Vygotsky foi um psicólogo russo, protagonista do conceito 
de que o desenvolvimento intelectual das crianças se dá pelo seu 
meio social, através das interações sociais e condições de vida.
Segundo seus estudos, as funções patológicas são bastantes 
complexas, por exemplo: a ato de respirar passa por muitos 
mecanismos e adequações dependendo de sua situação real, quem 
dirá quando falamos sobre o desenvolvimento psicológico, no 
qual seria muito mais complexo ainda em pensarmos no homem 
em seu meio sociocultural.
Quando se trata no processo da aquisição da língua escrita, 
Vygotsky afi rma que é um fator social, de caráter histórico e 
que deve envolver muita interatividade. A aprendizagem da 
escrita dá-se por um conjunto de signos que são utilizados como 
instrumentos das necessidades socioculturais. A escrita então, 
deve ser considerada um produto cultural e não somente um 
instrumento de aprendizagem escolar. 
Sabemos que em alguns casos não é bem isso que acontece. 
Algumas escolas ainda estão muito distantes dessa realidade, 
simplesmente não existe a funcionalidade da escrita. Vygotsky 
cita que:
Até agora a escrita ocupou um lugar muito estreito na prática 
escolar, em relação ao papel fundamental que ela desempenha 
no desenvolvimento cultural na criança. Ensina-se as crianças 
a desenhar letras e a construir palavras com elas, mas não se 
ensina a linguagem escrita. Enfatiza-se de tal forma a mecânica 
de ler o que está escrito que acaba-se obscurecendo a linguagem 
como tal. (1998, p139)
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Alfabetização e Letramento40
A escola, no entanto, precisa pensar o processo de 
alfabetização como um processo dinâmico. Pode-se perceber 
que o desenvolvimento da escrita na criança está relacionado 
as suas práticas do dia a dia. Oliveira nos dá uma melhor 
posição sobre o assunto: 
Por isso, é de fundamental importância que, desde o 
início, a alfabetização se dê num contexto de interação pela 
escrita. Por razões idênticas, deveria ser banido da prática 
alfabetizadora todo e qualquer discurso (texto, frase, palavra, 
“exercício”) que não esteja relacionado com a vida real ou o 
imaginário das crianças, ou em outras palavras, que não esteja 
por elas carregado de sentido. (OLIVEIRA, 1998. pp.70-71)
Segundo Vygotsky, algumas escolas não ensinam 
de fato a criança a “ linguagem escrita”, o que elas fazem 
é simplesmente ensinar as crianças a desenhar as letras 
e na construção das palavras, mas, não ensinam a sua real 
funcionalidade.
Você teve alguma experiência parecida ou conheceu 
alguma instituição que promovesse essa prática? 
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Alfabetização e Letramento 41
O papel do professor e do ambiente 
familiar na aquisição da língua escrita
Você já estudou a importância do papel do docente 
em todo o processo educacional, porém não falamos ainda 
sobre outro fator muito importante, que é a participação do 
ambiente familiar.
Há alguns anos, quando falávamos de fracasso escolar, o 
problema estava praticamente todo relacionado ao professor, 
ou seja, ela era o grande responsável pelo bom ou mau 
andamento dos seus alunos. Com o passar do tempo, vimos 
que são inúmeros os problemas que norteiam essa situação e 
não somente o despreparo ou incompetência de um professor. 
Sabemos que o docente pode ser um forte infl uenciador no 
desenvolvimento da criança, mas não é o único norteador.
O professor é a peça principal nesse processo, cabe a 
ele ser o norteador do ambiente de alfabetização, porém não 
podemos esquecer do ambiente familiar, que é tão importante 
quanto o ambiente educacional. Já foi a época em que se 
acreditava que a criança adquire conhecimentos somente 
através da escola. O ambiente familiar também tem caráter 
social e se dá também pela interação, por isso a família também 
é responsável para o melhor desenvolvimento educacional da 
criança. Dentro do contexto social e na família da criança 
podem ocorrer práticas da língua escrita de forma natural e 
espontânea.
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Alfabetização e Letramento42
Figura 12: Leitura na infância
Fonte: 2081671/Pixabay
Quando fazemos uma simples leitura de uma história 
para nossos fi lhos antes de dormir, não somente estamos 
estimulando o desenvolvimento como direcionando a criança 
ao seu aprendizado natural. Lembra quando Emília Ferreiro 
disse que a criança se torna leitora antes mesmo de ser? Isso 
mesmo, a leitura dentro do ambiente familiar impulsiona a 
criança a ser um leitor antes de ser alfabetizado.
Outro fator importante no ambiente familiar é o estímulo 
aos desenhos e suas representações ou até mesmo ensinar 
as crianças a escreverem seus próprios nomes, e também o 
conceito de numerais. Todo esse conhecimento adquirido 
dentro de casa pode ser o refl exo do que a criança irá aprender 
no ambiente escolar.
O letramento na aquisição da escrita
Se a prática da língua escrita é infl uenciada por diversos 
fatores, é fato que o letramento decorre dessa participação, 
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Alfabetização e Letramento 43
das práticas cotidianas, das vivências e situações reais 
de leitura e escrita. Atos costumeiros como ler revistas ou 
jornais, escrever um bilhete, ler um livro, contribuem para 
que as crianças possam aprender as diferentes formas do 
texto escrito. Kleiman afi rma que:
CITAÇÃO
Assim, nesse contexto, o letramento é desenvolvido mediante 
a participação da criança em eventos que pressupõem o 
conhecimento da escrita e o valor do livro como fonte fi dedigna 
de informação e transmissão de valores, aspectos esses que 
subjazem ao processo de escolarização com vistas ao letramento 
acadêmico. Note-se que para a criança cujo letramento seinicia 
no lar, no processo de socialização primária, não procede a 
preocupação sobre se ela aprenderá ou não, muito presente, 
entretanto, nos pais de grupos marginalizados. (KLEIMAN, 
1998.p 183)
Quando fazemos uma refl exão sobre o letramento na 
língua escrita, podemos mencionar alguns fatores muito 
importantes que possam contribuir para que a criança tenha o 
domínio do conteúdo e da informação. Muitos pesquisadores 
sobre o assunto são unânimes em dizer que quando se trata 
da linguagem escrita, há ainda mais um empobrecimento 
nos dias atuais. Isso devido também ao uso abusivo da 
tecnologia, muitos jovens são incapazes de redigir um texto 
porque não possuem mais bases gramaticais sufi cientes para 
tal. A linguagem escrita entre eles é escassa e muitas crianças 
não conseguem nem ao menos fazer uma simples redação. O 
problema é tão grande que muitas crianças não conseguem 
fazer a leitura de um livro, mas conseguem ler um texto 
pequeno de uma revista de fofocas.
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CONCLUSÃO
Alfabetização e Letramento44
Práticas para o letramento da língua escrita
É claro que existem muitas práticas que favorecem a boa 
utilização da língua escrita. Segundos alguns pesquisadores, 
as práticas mais estimulantes são:
1- Leitura de um livro: embora essa prática infelizmente 
não esteja enraizada em nossa cultura, essa é, sem dúvida a 
melhor maneira de aquisição de escrita, ou seja, quando lemos 
um livro, apropriamos de novas palavras, novos vocabulários 
e até mesmo de regras ortográfi cas e gramaticais;
2- Leitura de periódicos: os jornais e revistas também 
são fontes de muito conhecimento;
3- Escrever um e-mail: antigamente as pessoas passavam 
horas escrevendo cartas umas para as outras. Todo o processo 
era muito prazeroso, pois criava-se uma expectativa desde o 
início. Era muito comum as pessoas escreverem várias páginas. 
Hoje em dia, sabemos que não é bem isso que acontece e a 
comunicação para quem está distante é por e-mail. Escrever 
um e-mail pode sim, estimular o desenvolvimento da língua 
escrita;
4- Escrever um bilhete: muitos professores ainda 
praticam com seus alunos o uso do bilhete na sala de aula, 
porque além da interação que ele propõe entre os alunos, as 
crianças podem treinar técnicas e vivenciar sua língua. Os 
bilhetes geralmente são mais objetivos e por isso facilita o 
desenvolvimento da escrita
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Alfabetização e Letramento 45
CURIOSIDADE
Em Nova York é muito comum as crianças passarem suas 
férias dentro de uma biblioteca. A leitura é muito estimulada 
em países desenvolvidos, por isso é muito comum espaços 
destinados a públicos diferentes. 
No Reino Unido e em alguns países da Europa mais da 
metade da população fazem o uso da leitura e leem mais 
de um livro por mês.
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à 
seguinte fonte de consulta e aprofundamento:
Artigo: “Prática pedagógica alfabetizadora: aquisição 
da língua escrita como processo sociocultural” (BRITO, 
A.E). Acessível pelo link: https://bit.ly/2RD0xZg.(Acesso 
21/01/19)
SAIBA MAIS++
Estratégias da leitura- Parte I
Vamos dar início a algumas técnicas ou regras que 
podem ser usadas no uso da leitura dentro e fora da sala de 
aula ou até mesmo atividades sugeridas que facilitarão no 
processo de formação. Vimos que a leitura é tão importante 
para a formação do indivíduo e estimula também outros 
conhecimentos. O bom leitor dispõe de muitos recursos 
e tem domínio sobre algumas regras e normas que só a 
leitura pode proporcionar.
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Alfabetização e Letramento46
Mesmo que nossa cultura não estimule o uso da leitura, 
todos sabem quão importante é para nosso crescimento. Nesse 
pressuposto, você se considera um leitor assíduo? Refl ita 
sobre isso.
A leitura como instrumentação cultural
Sabemos que o ato de ler é um ato extremamente 
cultural. Quanto mais somos motivados a leitura, maiores são 
as chances de nos tornarmos leitores fervorosos. Infelizmente, 
a grande maioria dos brasileiros não possuem o hábito da 
leitura e os que possuem, muitas vezes não tem acesso aos 
materiais, sejam livros ou periódicos. A leitura é um processo 
ativo e dinâmico, quem faz o bom uso da leitura está sujeito 
a muitas possibilidades e tem a maior capacidade de criação. 
Quanto menos o indivíduo lê, menos ele é integrado no 
mundo letrado.
A compreensão da leitura é um processo que se inicia 
desde o nascimento, como as leituras de histórias que 
nossos pais nos contam antes de dormir. Esse processo não 
é automático e precisa ser ensinado e praticado desde cedo. 
Ao longo de muitos anos, diversos pesquisadores da área 
persistiram em dizer que a leitura era um processo individual, 
porém quando fazemos o uso da leitura em conjunto, o 
desenvolvimento pode ser ainda maior.
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Alfabetização e Letramento 47
Figura 13: Prazer de ler 
Fonte: Pezibear, Pixabay, 2019. 
Existem estratégias que podem facilitar a compreensão 
de textos nas crianças e também em alunos mais velhos. É 
válido pensar que todas as abordagens de leitura são utilizáveis 
e que podemos, como professores, fazer uma adaptação a 
cada uma delas de acordo com a nossa turma.
 Baseadas no texto da Universidade de Londres, e Roger 
Beard, faremos uma análise de algumas estratégias a seguir:
Aprendizagem cooperativa
Todos os alunos fazem uma leitura coletiva e depois 
discutem sobre a compreensão do texto. Nessa abordagem, 
os alunos participam desde o início da leitura no seu modo 
coletivo.
Trabalhei em uma escola construtivista em que era 
muito comum essa abordagem. Sentávamos todos no chão 
em círculo e cada aluna fazia a leitura de uma parte do texto. 
Após o término do capítulo, discutimos sobre a compreensão 
da história e dávamos inicio novamente a leitura. Desta 
maneira, os alunos participavam ativamente da história e 
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Alfabetização e Letramento48
não havia tempo nenhum tipo de distração. A aprendizagem 
coletiva pode ser feita .
Monitorar a compreensão
O leitor deve fazer uma compreensão do texto enquanto 
realiza a leitura, ele pode fazer uma releitura para melhorar 
a compreensão do texto. No processo de monitoramento, o 
leitor faz uma analise central do texto para depois usufruir de 
fato desse processo. 
Estrutura do enredo
Nessa estratégia o leitor é colocado em alguns 
posicionamentos nos quais deve responder ou perguntar: a 
quem; o quê; onde; quando; por quê.
Após o leitor fazer a leitura do texto, ele usufrui 
desse processo de forma mais regrada, ou seja, para a sua 
compreensão, ele deve de fato responder as perguntas que ele 
mesmo indagou.
Não é muito comum essa abordagem nos dias de hoje 
porque demanda muito tempo de compreensão.
Organizadores semânticos e gráfi cos
O professor pede ao aluno a representar o texto em 
forma de fi guras, sejam gráfi cos ou desenhos.
Todas as formas de expressão são consideradas texto, até 
mesmo fi guras ou desenhos. Nessa abordagem, o aluno deve 
criar dentro do contexto proposto o texto através da imagem 
que tiver em mente, ou seja, ele irá fazer uma representação 
do texto através de fi guras. É um texto em outra forma.
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Alfabetização e Letramento 49
Responder Perguntas
Essa é a prática mais comum utilizada nas escolas. O 
aluno deve responder as perguntas baseadas na compreensão 
do texto.
Muitas escolas ainda adotam esse único método de 
leitura. Geralmente as perguntas são de fácil compreensão 
dentro do texto ou muito óbvias.Caso você queira também utilizar esse método com 
seus alunos, faça perguntas que instiguem uma refl exão e que 
o aluno tenha que fazer uma releitura do texto. 
Muitas universidades utilizam essa forma de 
interpretação, porém a resposta está intrínseca no texto e não 
exposta.
Resumo
Muito usual também nas escolas. Após a leitura o leitor 
deve colocar no papel as principais ideias contidas no texto.
O resumo serve para que o aluno faça uma releitura e 
aponte os pontos principais do texto. Pode ser muito útil em 
muitos casos, porém não podemos esquecer que muitos alunos 
se sentem desmotivados com essa prática. Deve haver uma 
proposta diferente, uma inovação, só assim haverá estímulo.
Dentre as abordagens de leitura, qual você aplicaria mais 
vezes em sala de aula?
TESTANDO
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Alfabetização e Letramento50
O uso da metodologia se dá pela forma como o docente 
passa a informação ou atividade, portanto vale ressaltar que 
o que pode dar certo em uma sala, pode não dar certo em 
outra. Você, como professor, deverá conhecer seus alunos e 
só assim poderá fazer uma separação de abordagem. Algumas 
abordagens podem estimular alguns alunos enquanto outras 
podem simplesmente criar um pânico de leitura para eles. 
Faça uma analise da turma, converse com eles, conte 
quais são seus objetivos para tal posicionamento. Procure 
entendê-los e fazer com que eles falem a “mesma língua” 
que você. Não adianta você escolher uma abordagem muito 
criativa, se os alunos não entenderem qual o verdadeiro 
objetivo dessa abordagem. 
Lembre-se que você é aquela pessoa que irá dar o leme 
para eles remarem, você não pode remar por eles, deixe os 
fazer isso sozinhos, cada um a seu tempo e sua individualidade.
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à 
seguinte fonte de consulta e aprofundamento:
Artigo: “Como estimular a leitura na alfabetização” 
(MANSANI,MARA). Acessível pelo link: https://bit.
ly/2RqWKh5. (Acesso em 21/01/19)
SAIBA MAIS++
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Alfabetização e Letramento 51
PROCESSOS E MÉTODOS DE 
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
UNIDADE
 02
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Alfabetização e Letramento52
Prezado(a) aluno(a),
Nossa jornada ainda nem começou! Temos muito pela 
frente para que você possa compreender todos os meios que 
permeiam essa disciplina tão importante na sua formação. Na 
verdade, nossa intenção é que você não somente se aproprie 
de toda estrutura teórica, mas que possa fazer experimentação 
de todo conteúdo quando estiver vivenciando na sua prática 
pedagógica.
Nesta unidade, serão abordados temas pertinentes à 
linguagem escrita e suas implicações, faremos uma análise 
sobre a aquisição da língua escrita, a importância que essa 
prática tem em nosso meio social e para a criança, assim 
como todos os processos que são envolvidos nesta etapa. 
Falaremos, também, sobre como a criança faz a apropriação 
dessa linguagem e quais os meios que ela percorre para chegar 
no que defi ne-se como satisfatório.
Além disso, precisamos ter o conhecimento sobre os 
métodos de alfabetização no seu sentido global e fonético, 
não somente baseados em teorias, mas em vivências dentro 
de sala de aula. Por fi m, falaremos um pouco mais sobre 
as estratégias de leitura, agora mais focadas em ambientes 
específi cos.
Esperamos que você faça um bom uso desse material e 
que seus conhecimentos possam ser expandidos. Sugerimos 
que faça as atividades propostas, participe dos fóruns, 
realize leituras extraclasse, enfi m, seja parte integrante nesse 
processo!
Bons estudos!
INTRODUÇÃO
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Alfabetização e Letramento 53
1
2
3
4
Olá, seja muito bem-vindo a nossa Unidade 2! Nosso 
objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes 
competências profi ssionais até o término desta etapa de 
estudos:
Entender o conceito sobre a aquisição da 
linguagem escrita por meios fi losófi cos e teóricos.
Adquirir conhecimentos específicos através 
dos processos que permeiam a apropriação da 
língua escrita.
Compreender como são utilizados os métodos 
de alfabetização e quais suas principais 
características.
Reconhecer as estratégias da leitura como parte 
integrante no processo de formação do indivíduo.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho!
OBJETIVOS
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Alfabetização e Letramento54
A aquisição da língua escrita
Antes de iniciarmos, gostaria que você fi zesse uma 
refl exão sobre esse conceito, com base em suas vivências 
pessoais. Tente recordar qual foi o processo que sua professora 
utilizou com você para que chegasse a escrever? Houve 
alguma difi culdade ou algo que tenha te marcado?
Você verá que a aquisição da língua escrita não é tão 
simples como podemos imaginar, temos que levar em conta 
muitos fatores que envolvem a realidade da criança. Um dos 
fatores culminantes está no que diz respeito ao meio cultural 
em que a criança está inserida. Infelizmente, ainda nos atuais 
muitos profi ssionais não estão preocupados sobre esse tema, 
isso porque simplesmente acreditam que os métodos de 
alfabetização podem auxiliar nessa aquisição. Muito pelo 
contrário, quanto mais informações tivermos sobre a criança, 
maior será o processo de aquisição.
Língua, fala e cultura
Na unidade anterior você estudou as diferenças entre 
língua falada e língua escrita. Enquanto a língua falada é 
dinâmica e sofre sempre modifi cações, a língua escrita é mais 
regrada e não tem tantos dinamismos quanto a outra. 
Mas qual seria a relevância disso no processo da 
aquisição da escrita? 
Vamos imaginar duas situações:
1) Uma criança de classe média alta, sendo alfabetizada 
em uma escola particular onde ela está inserida em um projeto 
pedagógico fundamentado na visão construtivista;
2) Uma criança de classe média baixa, num processo 
de alfabetização em uma escola pública em que seu método 
pedagógico é fundamentado em meios tradicionais. A escola 
ainda utiliza a Cartilha para alfabetizar a criança.
Imaginou essas duas situações?
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ARS80
Realce
CONCLUSÃO
ARS80
Realce
Alfabetização e Letramento 55
Ótimo! Então procure responder, baseado em todo o 
material que estudou até o momento:
Você acredita que ambas as crianças, inseridas em 
um meio social e cultural completamente diferentes, terão 
as mesmas condições no que diz respeito aos métodos de 
alfabetização e aquisição da língua? 
Em 1970, Frank Smith propôs que a criança tem 
capacidade de aprender de forma tão natural quanto ao ato de 
falar. Esse processo depende também do meio social em que 
ela vive, pois isso seria muito signifi cativo e determinante. 
Ele defi ne um ambiente signifi cativo”, destinado ao seu meio 
social em que a criança está inserida, esse ambiente pode 
– até mesmo – ser motivador para que ocorra o processo 
naturalmente. É o que ele mesmo diz em (SMITH,1989, p 
237):
Tudo que as crianças precisam para dominar a linguagem 
falada, tanto para produzi-la por si mesmas quanto, mais 
fundamentalmente, para compreenderem sua utilização pelos 
outros, é ter a experiência de usar a linguagem em um ambiente 
signifi cativo. As crianças aprendem facilmente sobre a língua 
falada, quando estão envolvidas em sua utilização, quanto esta 
lhe faz sentido. E, da mesma forma, tentarão compreender a 
linguagem escrita se estiverem envolvidas em sua utilização, 
em situações onde esta lhes faz sentido e onde podem gerar e 
testar hipóteses.
CITAÇÃO
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