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PROJETOS 
INTERDISCIPLINARES ENTRE 
HISTÓRIA E GEOGRAFIA 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Alexandre Olsemann 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Para refletir os conceitos de interdisciplinaridade entre Geografia e 
História, precisamos entender sobre as duas disciplinas. Na última aula, 
conversamos sobre a Geografia, mas ainda falta compreendermos melhor os 
conceitos da História. 
Primeiramente, vamos apresentar uma introdução aos estudos históricos, 
não somente da disciplina, mas como a disciplina de História se desenvolveu ao 
longo dos anos, seguindo com os conceitos de tempo e espaço em uma 
perspectiva histórica. Outros pontos que serão abordados durante a aula serão 
as escalas de observação histórica e as relações históricas, também definidas 
como relações sociais. 
Depois, estudaremos a Base Nacional Comum Curricular com o enfoque 
da disciplina de História, entendendo melhor os conceitos essenciais, conforme 
a BNCC, para oferecer ao aluno um ensino integral. 
TEMA 1 – INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS HISTÓRICOS 
A palavra história tem sua origem no grego antigo, e seu significado é 
definido da seguinte forma: “conhecimento por investigação”. Podemos dizer que 
a história é, então, o conhecimento obtido a partir da investigação do estudo. 
A história é uma ciência que estuda o ser humano e sua atividade em 
variados tempos e espaços. O objetivo principal da história é resgatar o 
conhecimento analisando os fatos e o contexto de cada época. Esse resgate de 
conhecimento é feito com base em fontes históricas. Tais fontes são documentos 
que permitem que o historiador, de alguma forma, possa reconstruir e recontar 
a história. Podem ser consideradas fontes históricas: 
• mapas; 
• textos publicados em diferentes formatos, desde pergaminhos a livros 
digitais; 
• jornais; 
• fotos; 
• relatos; 
• documentos; 
• diários. 
 
 
3 
Um importante marco da história como disciplina é a divisão cronológica 
entre Pré-História e História. A Pré-História tem seu início no surgimento do 
homem e seu fim com a invenção da escrita. Já a História é caracterizada pelo 
registro dos acontecimentos. 
Ao longo do tempo, a história foi organizada em eventos e períodos. Essa 
periodização seguia uma organização cronológica que determinava o começo e 
o fim de um período. Os períodos são: Pré-História, Idade Antiga, Idade Média, 
Idade Moderna e Idade Contemporânea. 
Esse método em que a história se encontra dividida é considerado 
ineficiente para uma profunda análise histórica, por não abranger a totalidade 
das construções históricas da humanidade. Ainda assim, cabe muito bem para 
o ensino da disciplina de História nos bancos escolares, principalmente para o 
ensino fundamental, pois apresenta os grandes fatos históricos de uma forma 
mais simples, facilitando ao estudante a compreensão do tempo cronológico. 
TEMA 2 – CONCEITOS TEMPORAIS E ESPACIAIS 
Agora, vamos nos familiarizar com conceitos importantes da disciplina de 
história, pois é preciso uma boa base de conhecimento para o desenvolvimento 
de qualquer trabalho pedagógico. O professor tem que conhecer um pouco de 
cada disciplina da grade escolar atual. 
A história é a ciência responsável por estudar os fatos do passado a partir 
de fontes históricas. Aqui, cabe a pergunta: como definir o tempo? O tempo 
histórico é diferente do tempo cronológico; enquanto o tempo cronológico é uma 
medida exata, como os dias de um mês, o tempo histórico define as relações do 
ser humano com o espaço ao longo do tempo. 
O tempo histórico retrata os movimentos e os processos de mudanças 
sofridos pela sociedade humana ao longo da história. A temporalidade estuda a 
percepção humana do tempo e a sua organização social de tempo, que pode ser 
linear ou cíclico. Ao utilizarmos a temporalidade, podemos compreender de uma 
forma mais clara a passagem do homem ao longo do tempo. Nessa investigação, 
é possível perceber traços antigos, mudanças de costumes e outras inferências 
permitidas por essa fonte histórica. 
 
 
 
 
4 
Figura 1 – Análise de fotos antigas 
 
 
 
 
 
 
 
 
Com relação à temporalidade, temos alguns fatores essenciais para o 
estudo do tempo histórico. O primeiro deles é a simultaneidade, a partir do qual 
busca-se que os estudantes entendam eventos que ocorrem simultaneamente, 
ou seja, em um mesmo período de tempo, mas em diferentes espaços. Por 
exemplo, pode-se perceber esse ponto pesquisando quais foram os fatos 
importantes que ocorreram no ano de nascimento do aluno. 
É importante que o professor passe aos estudantes o conceito de que o 
tempo se configura como um movimento em que há mudanças constantes. Aqui, 
existem algumas escalas de observação da história, uma das quais é a macro-
história, que estuda a história de longa duração, analisando acontecimentos 
históricos mais longos. Além da macro, também existe a micro-história, que 
reduz as escalas temporais e espaciais, de forma a obter mais informações com 
poucas fontes históricas. 
TEMA 3 – NOÇÕES BÁSICAS PARA POSSÍVEIS ANÁLISES DE DOCUMENTOS 
HISTÓRICOS 
Como entender se um documento pode ser considerado fonte histórica? 
E de que forma garantir a sua veracidade? Quais são relevantes para as 
construções históricas? 
A história é uma ciência que estuda a ação do homem durante os eventos 
ao longo do tempo. É através de fontes históricas que a história da humanidade 
 
 
5 
vai se construindo. Essas fontes aparecem como documentos históricos, que 
representam uma memória coletiva da humanidade. 
Os documentos históricos nos ajudam a entender momentos importantes 
da nossa história. As informações podem aparecer através de escrita, mapas, 
no formato de materiais históricos, na própria oralidade, entre outras formas. 
Para avaliar esses documentos, é importante entender o contexto da 
época, pois essa memória é mutável. Logo, seu significado pode variar de acordo 
com a forma em que é apresentada naquele momento histórico e com a 
subjetividade que lhe é própria. Uma mesma situação pode ser descrita de forma 
diferente conforme o tempo passa, muitas vezes mudando de significado. Logo, 
é importante ter mais de uma fonte de um mesmo acontecimento histórico para 
buscar veracidade ao fato apresentado. 
Saiba mais 
Veja agora um relato de Teruo Makio para o Museu da Pessoa, em 1º de 
maio de 2019, sobre o período em que chegou ao Brasil, em meados do século 
XX. Nessa página da internet, você encontra relatos e depoimentos, os quais, se 
contextualizados com o conteúdo trabalhado em sala de aula, podem ser 
excelentes fontes históricas para serem exploradas em classe: 
“Meu nome é Teruo Makio, eu nasci em 13 de janeiro de 1936, registrado 
na comarca de Lins, embora eu tenha nascido na pequena vila próxima à atual 
cidade de Getulina. Sou filho de japoneses. Meu pai veio de Okayama, em 1913, 
já casado, com um filho e uma filha Era agricultor no Japão. Naquela época, uma 
propaganda que o Brasil fazia para atrair os japoneses é que aqui era tudo fácil, 
dava até dinheiro no pé de café. Com essa propaganda, meu pai resolveu vir 
para o Brasil. Minha curiosidade era a seguinte: saber o que eles comeram no 
primeiro dia que entraram no Brasil. Ninguém me explicou isso até hoje. Lá só 
tinha arroz japonês, tinha missô, tinha shoyu. Aqui não tinha nada disso. Não sei 
como eles viveram. Aqui, a casa da fazenda era de sapé batido com bambu 
cortado. E era pregado com barro misturado com palha de arroz picada. Juntava 
tudo e passava para fechar o buraco. Se você deixar junto com coqueiro, entra 
percevejo, entra tudo” (Makio, 2019). 
Quando uma memória é arquivada, ela se transforma em testemunho. Os 
historiadores analisam o testemunho; nesta análise, há informações importantes, 
 
 
6 
por exemplo: onde foi escrito, quando foi escrito, quem o escreveu, qual o 
contexto histórico da época ou motivo da pessoa escrever o testemunho.Considerando todas essas informações, é possível reescrever a história de uma 
forma mais analítica. 
Além da forma escrita, os documentos também podem aparecer como 
construções, como no caso das pirâmides, ou obras de arte, pintura e outros. 
Quando algo nos ajuda a compreender melhor uma determinada época, 
podemos dizer que se trata de um documento histórico. 
TEMA 4 – RELAÇÕES HISTÓRICAS 
Quando estudamos a história da humanidade ao longo do tempo, 
precisamos entender as relações sociais e suas influências para os 
acontecimentos históricos. As principais relações sociais que precisamos 
considerar são: classes sociais, relações de gênero e relações de raça. A seguir, 
vamos entender um pouco melhor cada uma delas. 
A teoria das classes sociais, desenvolvida primeiramente por Karl Marx, 
determina as classes sociais de acordo com as relações de produção, ou seja, 
os detentores de bens e capital e os trabalhadores fornecedores de mão de obra. 
Marx determina dois grupos dentro de uma sociedade capitalista: os dominantes 
(burguesia) e os dominados (proletariado). Assim, entender a divisão de riquezas 
e as classes sociais de uma determinada época pode nos ajudar a compreender 
melhor o cenário do contexto histórico na sua totalidade. 
As relações de gênero nos apresentam as diferentes relações de poder 
entre homens e mulheres em determinadas sociedades ao longo do tempo. Essa 
relação é resultado de uma construção social do papel do homem e da mulher. 
Na maior parte do mundo, as sociedades seguem o patriarcado, que é um 
sistema social em que o homem adulto detém o poder. Os resultados desse 
sistema aparecem em lideranças políticas, prestígio social e diferenças salariais. 
As relações raciais são marcadas pela desigualdade. O conceito de raça 
surge no período da expansão colonial europeia, com o intuito de diferenciar 
povos e nações diferentes. O próprio termo está desatualizado, sendo correto 
afirmar atualmente que existem diferentes etnias, e não diferentes raças. 
Dentro das relações históricas da humanidade, temos o conceito de 
identidade, que é formado de acordo com os valores transmitidos pela cultura 
apresentada ao indivíduo. A cultura pode ser definida como tudo o que 
 
 
7 
representa um povo: os conhecimentos, a arte, as crenças, a lei, a moral, assim 
como os costumes e os hábitos. 
TEMA 5 – A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR E A DISCIPLINA DE 
GEOGRAFIA 
A Base Nacional Comum Curricular, BNCC (Brasil, 2017) determina 
competências, conhecimentos e habilidades essenciais que o aluno deve 
desenvolver, introduzindo princípios para a formação integral do estudante. 
Desta forma, o sujeito da aprendizagem aprende conceitos importantes para o 
seu desenvolvimento como cidadão. 
Na BNCC, a História faz parte, junto com a Geografia, da área das 
ciências humanas, que tem como função apresentar ao aluno as relações do ser 
humano no espaço e no tempo. 
A História tem um importante papel no desenvolvimento cultural do aluno, 
pois, através das memórias coletivas, traz diferentes posições e pontos de vista 
sobre o passado – e, consequentemente, sobre o tempo presente. 
A tecnologia pode ser um excelente instrumento de ensino durante as 
aulas. Afinal, desenvolver conteúdos através de filmes, vídeos ou documentários 
pode enriquecer o ensino, além de motivar os alunos, que normalmente ficam 
muito motivados com atividades dinâmicas e mais próximas de sua existência 
diária. 
A base estabelece algumas competências para o desenvolvimento do 
aluno na relação com a disciplina de história no ensino fundamental, quais sejam: 
• Compreender acontecimentos históricos, relações de poder, 
processos e mecanismos de transformação e manutenção das 
estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais. 
• Compreender a historicidade no tempo e no espaço, 
relacionando acontecimentos e processos de transformação e 
manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais. 
• Elaborar questionamentos, hipóteses, argumentos e 
proposições em relação a documentos, interpretações e contextos 
históricos específicos, recorrendo a diferentes linguagens e mídias. 
• Identificar interpretações que expressem visões de diferentes 
sujeitos, culturas e povos em relação a um mesmo contexto histórico. 
• Analisar e compreender o movimento de populações e 
mercadorias no tempo e no espaço e seus significados históricos. 
• Compreender e problematizar os conceitos e procedimentos 
norteadores da produção historiográfica. 
• Produzir, avaliar e utilizar tecnologias digitais de informação e 
comunicação de modo crítico, ético e responsável, compreendendo 
seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais. (Brasil, 
2017) 
 
 
8 
NA PRÁTICA 
Chegou o momento de colocar todo este conhecimento em prática. 
Vamos realizar uma atividade de exploração de fontes históricas, utilizando, para 
tanto, nosso próprio arquivo familiar, em busca de uma relação entre as fontes 
com a história em geral. Neste trabalho, vamos utilizar fotografias. 
O objetivo da tarefa é apresentar fontes históricas do nosso próprio 
arquivo familiar, reforçando nossa identidade e contextualizando-a com a história 
daquele momento. 
Você vai separar cinco fotos, duas preferencialmente analógicas, de datas 
diferentes, e descrever cada imagem utilizando aproximadamente cinco linhas. 
Vai também escrever qual o significado daquela imagem para você, 
demonstrando a memória dos fatos e também a memória emocional. 
Será necessário traçar uma relação com acontecimentos no nível 
regional, nacional e até mundial do momento histórico da foto. Se possível, 
aproxime a data (dia, mês, ano), para relacionar as fotos com o contexto histórico 
em que foram tiradas. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, aprendemos mais sobre a disciplina de História, que é o 
estudo dos grandes acontecimentos ao longo do tempo, em especial a influência 
do homem nesse processo. Ao olharmos para o passado, podemos resgatar os 
conhecimentos de outras épocas, analisando os registros históricos para 
entender melhor um determinado período. 
Também conversamos sobre a importância dos documentos históricos, 
sobre como eles podem trazer informações importantes, e sobre os cuidados 
que devemos ter ao analisá-los. Tais documentos podem aparecer de diferentes 
maneiras: na forma escrita, como testemunho, ou como uma construção, como 
é o caso das pirâmides. 
Por último, refletimos sobre a proposta da Base Nacional Comum 
Curricular para a disciplina de História, que se encaixa dentro das ciências 
humanas, junto com a Geografia. A BNCC estabelece os conhecimentos e 
habilidades essenciais que o aluno precisa desenvolver como cidadão, 
oportunizando uma formação integral. 
 
 
 
9 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. 2017. 
Disponível em: . Acesso em: 2 dez. 2019.Acesso em: 3 abr. 2019. 
CAINELLI, M.; OLIVEIRA, S. Entre o conhecimento histórico e o saber escolar: 
uma reflexão sobre o livro didático de História para as séries iniciais. In: 
OLIVEIRA, M. D.; STAMATTO, M. I. S. (Org.s). O livro didático de História: 
políticas educacionais, pesquisas e ensino. Natal: EDUFRN, 2007., p. 89-98. 
CHARTIER, R. “Textos, impressos, leituras” em A História Cultural: – entre 
práticas e representações. Lisboa: Difel, 1990. 
MAKIO, T. Japão, Brasil e poesia. Museu da Pessoa, 1 abr. 2019. Disponível 
em: . Acesso em: 2 dez. 2019. 
PINSKY, C. B. Fontes Históricas. São Paulo: Contexto, 2005. 
RIBEIRO, V.; ANASTASIA, C. M. Encontros com História. 6º ano. 3. ed. 
Positivo: Curitiba, 2012. 
SCHMIDT, M. A.; CAINELLI, M. Ensinar história. São Paulo: Scipione, 2004. 
 
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/#fundamental/a-area-de-ciencias-da-naturezahttp://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/#fundamental/a-area-de-ciencias-da-natureza

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