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R ep ro du çã o pr oi bi da .A rt .1 84 do C ód ig o P en al e Le i9 .6 10 de 19 de fe ve re iro de 19 98 . 142 121 (UFMT) As entalpias padrão de formação do CO2 e H2O são #394 kJ " mol#1 e #286 kJ " mol#1, respectivamente. Sabendo-se que a reação de combustão completa de 0,46 g de etanol libera 13.700 J de calor, nas condições padrão, julgue as proposições. 0 A combustão do etanol pode ser representada pela equação termoquímica: C2H5OH (l) " 3 O2 (g) 2 CO2 (g) " 3 H2O (l) ∆H0 f % #1.370 kcal " mol#1 " A entalpia padrão de formação do etanol é #276 kJ " mol#1. # O poder calorífico ou energético do etanol é #29,8 kJ " g#1 ou #7,1 kcal " g#1. $ 200 mL de uma “batidinha” contendo 230 g de etanol/dm3 liberarão 1.370 kJ de energia quando a quantidade de etanol for queimada nos tecidos da pessoa que a ingerir. 122 (UFMS) Uma das propriedades desejáveis em um combustível é apresentar alto poder calorífico. O poder calorífico, kcal/kg, do hidrogênio, H2 (g), é 28.900; o da gasolina (sem etanol) é 11.220; o da gasolina com 20% de etanol é 9.700 e o do etanol (álcool etílico) é 7.090. Observe as reações abaixo e o respectivo calor liberado, a 25 °C e 1 atm. Sabendo-se que 1 cal % 4,184 J, é correto afirmar que: (01) a variação da entalpia de combustão do etanol, a 25 °C e 1 atm, é #1.359,8 kJ/mol, de acordo com a reação: C2H6O (l) " 3 O2 (g) 2 CO2 (g) " 3 H2O (l) (02) a variação da entalpia de vaporização da H2O (l), a 25 °C e 1 atm, é "46,9 kJ/mol. (04) não há dados suficientes para calcular o calor de combustão do etanol. (08) baseado no poder calorífico dos combustíveis apresentados, o hidrogênio, H2 (g), é o pior combustível, enquanto o etanol é o melhor. (16) a combustão de um quilograma de gasolina sem álcool libera uma quantidade de calor 15,7% maior do que a liberada na combustão de um quilograma de gasolina com 20% de etanol. (32) o calor de combustão é sempre exotérmico. 123 (ITA-SP) A figura ao lado mostra como a entalpia dos reagentes e dos produtos de uma reação química do tipo A (g) " B (g) C (g) varia com a temperatura. Levando em consideração as informações fornecidas nessa figura e sabendo que a variação de entalpia (∆H) é igual ao calor trocado pelo sistema à pressão constante, é errado afirmar que: a) na temperatura T1, a reação ocorre com liberação de calor. b) na temperatura T1, a capacidade calorífica dos reagentes é maior que a dos pro- dutos. c) no intervalo de temperatura compreendido entre T1 e T2, a reação ocorre com absorção de calor (∆H ( zero). d) o ∆H, em módulo, da reação aumenta com o aumento de temperatura. e) tanto a capacidade calorífica dos reagentes como a dos produtos aumentam com o aumento da temperatura. 124 (Uespi) A primeira energia de ionização de um átomo X é 567 kJ/mol. 1 mol de átomos X reage com 1 mol de átomos Y para formar 1 mol de X"Y#, absorvendo 380 kJ de calor no processo. A afinidade eletrônica de Y, sabendo que reagentes e produtos são partículas gasosas, é: a) 940 kJ/mol b) 192 kJ/mol c) 760 kJ/mol d) 187 kJ/mol e) nda Reação Calor liberado I C (s) " O2 (g) CO2 (g) 96 kcal II H2 (g) " 1 2 O2 (g) H2O (l) 69 kcal III 2 C (s) " 3 H2 (g) " 1 2 O2 (g) C2H6O (l) 74 kcal IV H2 (g) " 1 2 O2 (g) H2O (g) 57,8 kcal Temperatura A (g) " B (g) C (g) Entalpia T1 T2 Capitulo 03C-QF2-PNLEM 4/6/05, 16:24142 CINÉTICA QUÍMICA4C ap ít ul o Apresentação do capítulo Numa geladeira, a velocidade de deterioração dos alimentos é reduzida. Tópicos do capítulo 1 Velocidade das reações químicas 2 Como as reações ocorrem? 3 O efeito das várias formas de energia sobre a velocidade das reações químicas 4 O efeito da concentração dos reagentes na velocidade das reações químicas 5 O efeito dos catalisadores na velocidade das reações químicas Leitura: Catalisadores automotivos Algumas vezes precisamos acelerar uma reação química para que possamos obter o produto desejado e conseguir maior rentabilidade (rendimento) do processo. Outras vezes, precisamos desacelerar uma reação para retardar um processo químico. Neste último caso, podemos, por exemplo, retardar a deterioração dos alimentos, conservando-os numa geladeira ou num freezer. Neste capítulo, estudaremos a velocidade (ou rapidez) das reações químicas e os fatores e leis que influem na velocidade dessas reações. Vamos analisar também o mecanismo das reações, ou seja, a maneira íntima (microscópica) de as moléculas reagirem. JA V IE R JA IM E / C ID Capitulo 04A-QF2-PNLEM 4/6/05, 16:29143 R ep ro du çã o pr oi bi da .A rt .1 84 do C ód ig o P en al e Le i 9 .6 10 de 19 de fe ve re iro de 19 98 . 144 1 VELOCIDADE DAS REAÇÕES QUÍMICAS 1.1. Introdução Verificamos em nosso dia-a-dia que há reações químicas mais lentas e outras mais rápidas. Veja: Às vezes nos interessa acelerar uma reação. Isso pode ser conseguido, usando-se, por exemplo: • panela de pressão, que acelera o cozimento dos alimentos; • gesso ortopédico, cuja secagem é rápida; • airbag, que infla por meio de uma reação química praticamente instantânea. Outras vezes, nos interessa desacelerar uma reação. Para que isso possa ocorrer, pode-se, por exemplo: • usar a geladeira e/ou o freezer para retardar a decomposição dos alimentos; • retardar a ferrugem utilizando-se produtos químicos e tintas especiais; • combater uma febre alta (que envolve aceleração do metabolismo orgânico) por meio de me- dicamentos específicos. Freqüentemente precisamos obter uma velocidade de reação que não seja nem muito rápida nem muito lenta. Por exemplo: • não queremos que a gasolina pegue fogo sozinha (pois seria um desastre), mas queremos uma queima “vigorosa” no motor do automóvel, para melhorar seu desempenho; • nas fábricas de vinho, é interessante que a fermentação do suco de uva seja lenta, produzindo um vinho de melhor paladar; no entanto não deve ser lenta demais para não atrasar a produção e causar prejuízos ao fabricante. Enfim, um dos objetivos da Química é o de controlar a velocidade das reações químicas, de modo que sejam rápidas o suficiente para proporcionar o melhor aproveitamento do ponto de vista prático e econômico, mas não tão rápidas a ponto de oferecer risco de acidentes. Em resumo, o ideal é ter reações com velocidades controladas. 1.2. Conceito de velocidade média de uma reação química Em Física o estudo da velocidade diz respeito ao des- locamento de um corpo na unidade de tempo. Se um automóvel percorre 160 km em duas horas, dizemos que sua velocidade média é 80 km/h. Em Química o conceito é semelhante. Medir a velocidade de uma reação significa medir a quanti- dade de reagente que desaparece ou a quantidade de produto que se forma, por unidade de tempo. Por exemplo, seja a equação: N2 " 3 H2 2 NH3 À proporção que a reação caminha, os reagentes N2 e H2 vão sumindo (isto é, vão sendo consumi- dos) e o produto NH3 vai aparecendo (isto é, vai sendo produzido). A ferrugem leva anos para corroer um objeto de ferro. A explosão da dinamite ocorre numa fração de segundo. A queima de uma vela demora algumas horas. 160 km t % 2 h vm t % 0 C ID C ID C R A IG A U R N E S S /C O R B IS -S TO C K P H O TO S Capitulo 04A-QF2-PNLEM 12/7/05, 11:00144 R ep ro du çã o pr oi bi da .A rt .1 84 do C ód ig o P en al e Le i 9 .6 10 de 19 de fe ve re iro de 19 98 . 145Capítulo 4 • CINÉTICA QUÍMICA Se a reação for completa e em quantidades estequiométricas, a representação gráfica do andamento dessa reação será a que mostra- mos ao lado. Após certo tempo t, os reagentes N2 e H2 acabam e a reação pára. Teremos então a quantidade máxima possível de NH3. Lembrando que, em Química, a melhor maneira de medir a quan- tidade de uma substância é usando a unidade mol, diremos que, no estudo da cinética química, é interessante o emprego da quantidade de mols da substância por litro de mistura reagente. Essa grandeza é cha- mada molaridade. Assim, define-se: Velocidade média de uma reação química é o quociente da variação da molaridade de um dos reagentes(ou produtos) da reação pelo intervalo de tempo em que essa variação ocorre. Voltando à reação N2 " 3 H2 2 NH3, podemos dizer que a velocidade média dessa reação, em relação ao NH3, é: (Velocidade média) (Variação da molaridade do NH em mol/L) (Intervalo de tempo) 3% No estudo da cinética química, é comum indicarmos molaridades usando colchetes; assim, [NH3] indica a molaridade do NH3. Considerando que, na Matemática, é comum o uso da letra grega delta (∆) para indicar variações, a fórmula acima pode ser abreviada para: v tm 3[NH % ∆ ∆ ] Nessa expressão, ∆[NH3] é a diferença entre a molaridade final e a molaridade inicial do NH3 no intervalo de tempo ∆t. Vamos agora considerar, por exemplo, que a reação N2 " 3 H2 2 NH3 nos forneça os se- guintes resultados, sob determinadas condições experimentais: Reagentes (N 2 e H 2) Q ua nt id ad es Produto (NH3) t (tempo)0 Utilizando os dados dessa tabela, obtemos, de acordo com a definição, as seguintes velocida- des médias: • no intervalo de 0 a 5 min: vm 0 0 % # # 20 0 5 , ⇒ vm % 4,0 mol/L " min • no intervalo de 5 a 10 min: vm 2,5 20,0 0 5 % # # 3 1 ⇒ vm % 2,5 mol/L " min • no intervalo de 10 a 15 min: vm 0,0 32,5 5 10 % # # 4 1 ⇒ vm % 1,5 mol/L " min • no intervalo de 15 a 20 min: vm 3,5 40,0 0 15 % # # 4 2 ⇒ vm % 0,7 mol/L " min Perceba que esse cálculo é muito semelhante ao cálculo de velocidade média feito em Física. De fato, se, na segunda coluna da tabela anterior, no lugar de “molaridade” tivéssemos “quilômetros roda- dos por um automóvel”, o mesmo cálculo teria nos fornecido a velocidade média do automóvel em cada um dos intervalos de tempo. Tempo de reação (min) Variação da molaridade do NH3 (mol/L) 0 0 5 20,0 10 32,5 15 40,0 20 43,5 Capitulo 04A-QF2-PNLEM 4/6/05, 16:29145 R ep ro du çã o pr oi bi da .A rt .1 84 do C ód ig o P en al e Le i9 .6 10 de 19 de fe ve re iro de 19 98 . 146 1.3. A velocidade e a estequiometria das reações Em Física costuma-se dizer que a velocidade depende do referencial. Assim, por exemplo, conside- re uma pessoa andando devagar, dentro do vagão de um trem em alta velocidade. A velocidade da pessoa em relação ao vagão é baixa, mas sua velocidade em relação ao chão é alta. Em Química ocorre algo semelhante. Para evitar confusões que costumam acontecer em certos tipos de problemas, devemos ajustar a fórmula da velocidade média das reações. Para tanto, voltemos à reação: N2 " 3 H2 2 NH3. Analisando as duas primeiras linhas da tabela da página anterior, concluímos que, nos primeiros 5 minutos, essa reação produziu 20 mol/L de NH3 — quantidade esta que, pelos cálculos já apresentados, corresponde a uma velocidade média de 4,0 mol/L de NH3 por minuto. Acontece que o NH3 é produzido a partir de N2 e de H2. Desse modo, de acordo com a estequiometria da equação, temos: Concluímos, portanto, que são necessários 10 mol/L de N2 e 30 mol/L de H2 para produzir os citados 20 mol/L de NH3. Sendo assim, naqueles 5 minutos iniciais da reação, teríamos as seguintes velocidades médias: • em relação ao N2: vm 0 5 % 1 ⇒ vm % 2,0 mol/L " min • em relação ao H2: vm 0 5 % 3 ⇒ vm % 6,0 mol/L " min • em relação ao NH3: vm 0 5 % 2 ⇒ vm % 4,0 mol/L " min Para evitar essa confusão — isto é, para obtermos um resultado único que expresse a velocidade média da reação —, convencionou-se dividir cada um desses valores pelo coeficiente estequiomé- trico da substância na equação química considerada. Com isso, os valores da velocidade média passam a ser: • em relação ao N2: vm 1 10 5 % 1 " ⇒ vm % 2,0 mol/L " min • em relação ao H2: vm 3 30 5 % 1 " ⇒ vm % 2,0 mol/L " min • em relação ao NH3: vm 2 20 5 % 1 " ⇒ vm % 2,0 mol/L " min Com esse artifício, consegue-se expressar a velocidade da reação por um único valor (no caso 2,0 mol/L " min). Outro ajuste na fórmula da velocidade média de uma reação resulta do seguinte fato: à medida que a reação (N2 " 3 H2 2 NH3) vai se processando, a molaridade do produto — NH3 — vai aumentando; conseqüentemente, ∆[NH3] será uma variação positiva, assim como a própria vm. Pelo contrário, a molaridade de cada um dos reagentes — [N2] e [H2] — diminui com o tempo; conse- qüentemente, as variações ∆[N2] e ∆[H2] serão negativas, bem como a vm relacionada ao N2 e a vm relativa ao H2. Para evitar que isso aconteça, convencionou-se trocar o sinal algébrico dos valores relativos aos reagentes. Desse modo, a velocidade média da reação N2 " 3 H2 2 NH3 é melhor definida pelas igualdades: v t t tm 2 2 3 1 [N ] 3 [H ] 1 2 [NH ] % # % # % " 1 1 " " " ∆ ∆ ∆ ∆ ∆ ∆ 1 N2 " 3 H2 2 NH3 10 mol/L 20 mol/L30 mol/L Capitulo 04A-QF2-PNLEM 4/6/05, 16:30146