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COMO ESTUDAR PARA PROVAS, CONCURSOS E VESTIBULARES Aprenda a Estudar de Forma Eficiente Utilizando um Método de Estudo Autodirigido com Estratégias Simples e Eficazes © ISMAR SOUZA Todos os Direitos Reservados São Paulo - Brasil - 2019 AVISO LEGAL Como Estudar para Provas, Concursos e Vestibulares Copyright © Ismar Souza. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610/98 do Brasil, bem como demais leis sobre direitos autorais dos países em que esta obra for adquirida. Nenhuma parte do conteúdo deste livro poderá ser utilizada ou reproduzida em qualquer meio ou forma, seja ele impresso, digital, áudio ou visual sem a expressa autorização por escrito do autor. A não observância destas condições pode incorrer em penas criminais e ações civis. Para solicitar permissões de reprodução, escreva para ebooks@academiaideia.com Aproveite e adquira a versão em CURSO ONLINE COMPLETO Curso online com 30 aulas e mais de 3 horas de aulas em vídeo. 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Bom, e para começar, eu quero que você responda a uma pergunta: Qual foi o seu interesse ao adquirir esse curso? Pode ser que daqui há pouco tempo você vá enfrentar uma série de provas e testes para os quais você precisa se preparar bem? Ou então, você tem pensado em prestar Concurso Público e agora surgiu a oportunidade de realizar esse desejo? Ou ainda, você está próximo de prestar o Vestibular e gostaria de aprender melhor as matérias, otimizar os estudos e fazer render os seus esforços? Bem, geralmente quem começa a se preparar para provas, sejam elas de Concurso Público, Vestibulares ou testes profissionais, enfrenta um ou mais desses problemas: Pouco tempo para estudar - Você trabalha ou tem tarefas que comprometem sua disponibilidade e o seu tempo é muito pequeno para se dedicar aos estudos como deveria? - Tudo bem, você vai descobrir como aproveitar melhor seu tempo de estudo. Desorientação - Você não sabe por onde começar ou sequer sabe o que é importante estudar? Não sabe como organizar seu projeto de estudo? Aliás, você nem fazia ideia de que para ter sucesso na sua preparação era necessário ter e seguir um planejamento? - Não se preocupe, nós vamos te ajudar a criar um plano claro e objetivo de estudos. Desmotivação - Você se assustou com a quantidade de conteúdos que precisa estudar para a prova? Acha que não vai dar conta? Pensou em desistir, antes mesmo de começar? - Nós sabemos como é se sentir assim, por isso preparamos alguns capítulos para te ajudar com a questão da motivação para enfrentar um projeto de estudo. Falta de concentração - Você se distrai facilmente durante os estudos? Qualquer coisa tira a sua atenção e foco? Você até começa bem no estudo, mas em poucos minutos já nem sabe mais o que estava estudando ou lendo? - Esse é um dos problemas mais comuns, e por isso preparamos dezenas de dicas que você pode aplicar rapidamente para aumentar sua atenção e concentração nos estudos. Baixo rendimento - Você já começou a estudar, mas tem a sensação de que aprende pouco? Tem a impressão de que todas as outras pessoas aprendem mais e mais rápido do que você? - Pode ficar tranquilo, pois você vai descobrir algumas das melhores técnicas de estudo desenvolvidas e aprimoradas por psicólogos e cientistas da educação. Bem, o nosso objetivo é mostrar a você que é possível estudar para Concursos Públicos, Vestibulares ou outras provas, com qualquer quantidade de tempo disponível; usando as suas capacidades mentais ao máximo; fazendo as escolhas certas de conteúdo; com foco e atenção; usando as técnicas certas de estudo e de memorização; e aprendendo mais rápido e preparando-se de forma competitiva. Mas aqui vai um aviso: Não espere ver truques mágicos e mirabolantes por aqui. Isso não existe. O objetivo desse curso é ajudar você a mudar sua forma de pensar sobre os estudos para preparar sua mente da maneira certa. Acredite, preparar sua mente para estudar é de longe muito mais importante do que aprender um monte de técnicas engraçadinhas para decorar fórmulas e regras. É claro que as técnicas têm o seu valor, mas se você não estiver preparado para tirar o maior proveito delas, vai acabar perdendo muito em seus resultados. Nós vamos mostrar a você como usar a sua inteligência do jeito certo. O seu cérebro, assim como o seu corpo, tem configurações e funcionamento próprios. É importante que você conheça e desenvolva a sua inteligência da forma correta, para só a partir daí, conseguir extrair o máximo proveito dela. Outro ponto importante que vamos abordar aqui é sobre como se tornar autodidata. Então, você vai aprender a se preparar e a estudar de verdade, de forma produtiva, com o apoio de várias técnicas e estratégias desenvolvidas e propostas pelos maiores especialistas na área de preparação para provas, concursos e vestibulares. Você vai aprender a criar AUTONOMIA para se preparar e chegar onde planejou. Bom, estamos ansiosos para começar. Se você estiver pronto, nos vemos no próximo capítulo! SUMÁRIO Como estudar para provas e concursos Mudanças necessárias e o gosto pela leitura Escolhendo o local e organizando os materiais Rede de Apoio de amigos e familiares Organizando e administrando seu tempo Planejando os Estudos Como aumentar seu tempo de estudo Definindo o seu objetivo e aumentando a motivação Alimentação e bebidas estimulantes Cuidados com o sono Exercícios físicos e cuidados com o corpo O cérebro e os sistemas de aprendizagem Atenção e concentração Memória e memorização Técnicas de memorização Estratégias para iniciar os estudos Técnicas de estudo A Prática espaçada Leitura eficiente Algumas orientações importantes Redação para provas e concursos A semana e os dias de prova Qual vai ser o tema da redação? Após os resultados Conclusão Sobre o Autor Outros livros do autor COMO ESTUDAR PARA PROVAS E CONCURSOS Neste livro você vai conhecer algumas teorias e vai colocar em prática uma série de técnicas para criar hábitos de estudo e uma rotina que vai levar você aos resultados que determinou para o seu futuro. Este livro é o resultado de uma minuciosa pesquisa, onde analisamos o que os melhores e mais reconhecidos autores já apresentaram e estão apresentando atualmente sobre preparação para concursos e vestibulares. Neste capítulo, vou apresentar a você o Professor Pierluigi Piazzi, que escreveu o clássico Inteligência em Concursos: Manual de instruções do cérebro para concurseiros e vestibulandos �� . Nesse livro, o Professor Pier apresenta um conceito da Neurociência que muda tudo o que sabíamos a respeito da inteligência humana. Segundo ele “A INTELIGÊNCIA É UMA QUALIDADE APRENDIDA”. Como assim? Sempre acreditamos que a inteligência se tratava de um fator genético, como a cor da pele ou dos olhos. Porém, inúmeros testes têm sido feitos e provaram que a inteligência pode ser desenvolvida mediante exercícios para o cérebro. Então grave isso, pois esse vai ser o nosso ponto de partida neste curso: a inteligência é uma qualidade aprendida . Isso significa que você pode se tornar mais inteligente usandodeles mais à frente. A pessoa auditiva responde melhor aos estímulos sonoros. Para aprender melhor pode, por exemplo, repetir a matéria em voz alta, ouvir podcasts, gravar trechos do livro ou das aulas. Para os estudantes predominantemente sinestésicos não basta apenas ler ou ouvir explicações. Os sinestésicos geralmente conseguem apreender os conteúdos na prática, através de alguma ação que envolva todos os sentidos. Aprendem mais através de experimentos do que de leituras. Precisa de exemplos práticos para entender conteúdos teóricos. O termo digital se refere às pessoas mais analíticas, que naturalmente buscam a lógica interna e o sentido de cada assunto estudado. Essa pessoa realiza um diálogo interno, organizando mentalmente as informações. Costuma ser um bom teórico. É importante que você conheça qual é a forma predominante no seu aprendizado. Isso ajudará a escolher a sua melhor técnica de estudo. Mas aqui cabe uma observação muito importante. Apesar de cada pessoa possuir uma preferência pessoal por um canal específico de aprendizagem, isso não significa que essa pessoa só consiga aprender por esse canal. Aliás, é extremamente recomendado que, independentemente do canal preferencial, que cada pessoa trabalhe sua aprendizagem de forma mista. Ou seja, utilizando todos os sistemas representacionais. Como veremos mais adiante, quanto mais sentidos são envolvidos na aquisição de uma informação, maior é a probabilidade dessa informação ser gravada na memória permanente e dela ser facilmente recuperada posteriormente. Isso significa que, se ao estudar um determinado assunto, você praticar a leitura, testes, ouvir gravações, realizar atividades relacionadas e trabalhar ativamente com esse tema, sua compreensão será muito maior do que apenas lendo sobre o assunto, mesmo que você tenha uma preferência pessoal pelo canal visual. Então, mesmo que você perceba a predominância ou preferência de uma forma de aprendizagem, é interessante também desenvolver as outras, pois há conteúdos mais ligados a cada uma delas. É diferente estudar Matemática e estudar fatos históricos ou leis, por exemplo. Cada assunto pode ser mais ligado a um sistema representacional do que outro. Seja qual for o seu sistema representacional, uma estratégia que funciona para a maioria das pessoas é dar aula sobre o conteúdo estudado. Essa técnica usa praticamente todas as formas de aprendizagem, pois você utiliza não só o próprio sistema, mas também se esforça para ensinar outra pessoa e acaba percebendo a forma do outro aprender. Essa é sem sombra de dúvida uma das mais práticas e eficientes formas de reforçar sua aprendizagem e aumentar sua retenção de qualquer assunto. Mas fique tranquilo, veremos com detalhes essa e outras técnicas de aprendizagem mais adiante. ATENÇÃO E CONCENTRAÇÃO No capítulo anterior, vimos sobre a capacidade espantosa que o nosso cérebro tem para armazenar e programar as informações que recebemos durante toda a nossa vida. Mostrei como o nosso cérebro registra milhões de informações, além daquelas que temos consciência de estar recebendo. Bem, se o nosso cérebro registra tudo o que estudamos, vemos, ouvimos e sentimos, por que é que nem sempre conseguimos recuperar as informações importantes, nos momentos em que mais precisamos, como uma prova, por exemplo? Para poder entender isso e, principalmente, para que você possa desenvolver melhor a sua capacidade de reter os conteúdos importantes, precisamos entender um pouco mais sobre como nosso cérebro funciona. O cérebro humano é constituído por várias partes e cada uma tem uma função específica. Não vou falar sobre cada uma delas. Porém, algumas informações são importantes para podermos seguir em frente. Primeiramente, vou falar brevemente sobre o córtex cerebral, que é a região externa do nosso cérebro. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, o cérebro não é constituído por aquela massa cinzenta que parecem gomos e que vemos em fotos e ilustrações. Na verdade, essa camada externa do cérebro é apenas uma casca. A propósito, a palavra córtex vem do latim e significa “casca”. Ele é justamente como uma casca cinzenta em várias camadas, que recobre todo cérebro. O córtex cerebral abriga cerca de 20 bilhões de neurônios e é o responsável por toda a nossa vida racional. Sem ele, não haveria conhecimento, percepção das coisas, linguagem, emoção ou memória. Outra parte importante do cérebro é o hipocampo que é uma estrutura cerebral de apenas 4cm que tem a forma curva que lembra um cavalo marinho Aliás, essa sua forma é que deu origem ao seu nome: “ hipo ” em grego é cavalo e “ kampos ” é mar. Bem, o hipocampo é o principal local de armazenamento temporário da memória, é ele que armazena as lembranças de curto prazo e, durante o sono, transmite as informações a serem gravadas na memória de longo prazo no córtex cerebral. Agora tudo o que falamos anteriormente sobre relaxamento e dormir o suficiente começa a se encaixar e fazer sentido, não é mesmo? Bem, conforme nós “enchemos” o hipocampo de informações, a nossa mente e o nosso corpo vão se sentindo cansados. Por isso, sentimos sono depois de um dia cheio de trabalho ou de estudo. O sono é o responsável por “esvaziar” o cérebro das memórias de curto prazo desnecessárias. Saber sobre essas partes do cérebro nos ajuda a entender dois pilares da aprendizagem: a atenção e a concentração. Primeiramente, vamos diferenciar esses dois termos. Concentração é a capacidade de manter o foco naquilo que você está fazendo, sem se deixar distrair por estímulos externos. Atenção é perceber os detalhes e nuances que acontecem enquanto você está concentrado em algo. Vou te dar um exemplo: você pode estar estudando um item de uma disciplina e totalmente concentrado nesse conteúdo. Pode ser que uma palavra esteja escrita de forma errada no texto que você está lendo. Provavelmente, você nem vai reparar, pois esse não é o foco da sua atenção, nesse caso sua atenção está em entender a ideia geral que o texto está apresentando. Algumas pessoas estão desabituadas de estudar. Há muitos anos, não se sentam e se concentram em conteúdos escolares ou nunca tiveram esse hábito, mesmo quando estava numa escola ou faculdade. Quando se veem diante do desafio de terem que estudar para um concurso ou um vestibular podem ficar preocupadas ou até mesmo desmotivadas. Outras dizem serem muito distraídas. Qualquer coisa lhes tira a atenção do que consideram importante: um som, um cheiro, a sensação de fome, sede, frio, calor, vontade de ir ao banheiro etc. A primeira boa notícia é que o seu cérebro pode ser treinado para aumentar a concentração e a sua capacidade de aprender. A segunda boa notícia é que ninguém é totalmente desatento, salvo nos casos diagnosticados de Transtorno de Déficit de Atenção (TDA). O que acontece é que a atenção pode se voltar para outro objeto. Por exemplo, se você está estudando e acontece um acidente perto de você, é natural que você desvie o seu foco. Da mesma forma, é normal perder a atenção de uma matéria que você está lendo quando soa o aviso de uma nova mensagem no celular, por exemplo. Ninguém nasce com maior ou menor capacidade de concentração. Por vezes, o temperamento e a estrutura social e familiar da pessoa podem colaborar para adquirir hábitos que facilitam a concentração. Algumas atitudes podem ajudar na sua concentração e atenção. Algumas das orientações que vamos ver agora eu até já falei para você, mas sempre é bom lembrar e reforçar, pois elas realmente podem fazer uma grande diferença nos resultados. Respeite o seu planejamento de horários e a sua rotina de estudo diária. Não interrompa uma tarefa apenas porque está se distraindo muito. Estabeleça um limite de tempo e afirme a si mesmo que poderá dar atenção ao assunto que tira a sua atenção depois de terminar o estudo. Alimente-se bem e tenha uma garrafinha de água ao seu lado para que nem fome nem sede distraiam você. O mesmo vale para o calor ou frio. Agasalhe-se bem no frio ou escolha um local arejado e frescopara estudar, no verão. Ir ao banheiro antes de começar a estudar pode ser uma simples e eficaz forma de não ter de parar os estudos. Caso você tenha assuntos a serem resolvidos, faça uma lista e agende os horários em que irá resolvê-los. Assim, a preocupação com eles não vai tomar conta da sua mente. Deixe o celular longe de você e, se estiver no computador, feche as abas de redes sociais e de e-mails. A cada 1 hora e meia de estudos, relaxe o seu cérebro, fazendo pequenos intervalos de 10 a 15 minutos. Tome água, coma uma fruta, ande um pouco, olhe uma revista, contemple uma paisagem... Divida o assunto a ser estudado em tópicos e estude um tópico de cada vez, como um pequeno objetivo a ser alcançado. Sublinhe as partes mais importantes. Vá fazendo anotações a partir do que você sublinhou, para fazer revisões. Essas anotações se transformarão nas suas fichas de estudo. Se possível, faça exercícios sobre o assunto que acabou de estudar. Pratique alguns exercícios de concentração durante o dia, como por exemplo: contar os seus passos para chegar a um determinado lugar, pegar um relógio (não digital) e acompanhe o ponteiro de segundos por pelo menos um minuto, montar quebra-cabeças, fazer palavras cruzadas, Sudoku ou caça-palavras. Essas atividades, quando realizadas periodicamente, podem ajudar no desenvolvimento, tanto da sua concentração, quando da sua atenção. Mais uma vez, não é o que você faz apenas uma ou outra vez que vai transformar a sua capacidade intelectual, mas sim, o que você faz periodicamente com e para a sua mente. Pense nisso. MEMÓRIA E MEMORIZAÇÃO Nesse capítulo você vai descobrir que a memória não é tão simples como costumamos ver por aí. A realidade é que existem vários tipos de memória. A que você usa para se lembrar de datas, nomes e lugares é diferente, por exemplo, daquela que exige comparações e análises, que é ainda diferente daquela que se usa para andar de bicicleta ou dirigir um automóvel. A Neurociência classifica os tipos de memória a partir da duração da informação em nosso cérebro. Memória operacional ou Memória Ultrarrápida Neste caso, a retenção dura apenas alguns segundos ou minutos. Por exemplo, para guardar um número de telefone, a fim de discar imediatamente, ou lembrar qual é a porta do banheiro que outra pessoa te indicou. É um tipo de informação que será rapidamente esquecido porque não será mais utilizada. Memória de curta duração É o tipo de memória que utilizamos para resolver problemas imediatos, sejam eles operacionais ou comportamentais. É a memória que usamos para lembrar onde estacionamos o carro, por exemplo, ou para estudar para uma prova que será feita logo na sequência. Esses dados serão geralmente esquecidos em algumas horas após o seu uso. Memória de longa duração Essa é a memória responsável por armazenar todo o nosso conhecimento. Os dados dessa memória podem ser lembrados por dias, semanas ou até mesmo muitos anos, dependendo do grau de consolidação das informações na memória. É esse terceiro tipo de memória que nos interessa quando estamos estudando para um concurso ou um vestibular. Aliás, é esse tipo de memorização que buscamos quando desenvolvemos qualquer projeto de estudo. Não sei se você já ouviu esse termo, mas o processo de aprendizagem é CIRCADIANO. Circadiano é aquilo que é relativo à duração de um dia ou cerca de 24 horas. Em outras palavras, todo o processo de memorização ocorre em um arco temporal de 24 horas. O ciclo de aprendizagem vai de sono a sono. Isso significa que você estuda durante o dia e, durante o sono, as redes neurais realizam as reconfigurações neurais que resultam na fixação de conteúdos na memória, enviando ou não as informações para a memória de longa duração. O que você pode estar se perguntando agora é: Essa fixação é permanente? Será que vou fixar aquilo que eu estudei até a época das provas? Vou conseguir acessar essas informações na hora certa? Bem, preciso explicar uma coisa. Quando você estuda algo pra valer você prepara novos caminhos neurais que, durante o sono, criam novas redes neurais no seu cérebro. Essas novas redes formam os seus novos conhecimentos. Então entenda bem isso: Quando você estuda, você apenas rascunha as ligações no seu cérebro, e apenas depois de dormir essas ligações realmente são criadas. Acontece que, se esses conhecimentos não forem mais acessados por muito tempo, novas informações substituirão as anteriores. A Neurociência explica esse fenômeno da seguinte forma: se uma rede neural nova tenta se formar durante o sono e percebe na vizinhança outra rede inativa, ela tende a tomar o seu lugar. Então a nova rede “toma” o lugar da rede inativa. Esse comportamento está de acordo com a programação do cérebro de não desperdiçar energia. Se uma rede neural que está se formando percebe que existe uma possibilidade dela se desenvolver usando menos energia, é justamente isso que ela faz. Por isso é fundamental consolidar o conhecimento adquirido, fazendo revisões, repetindo partes do estudo já feito ou complementando o estudo com novas informações a fim de reforçar a aprendizagem e garantir que a rede neural relativa a esse conhecimento se torne mais forte e resistente. No século XIX, um psicólogo alemão chamado Hermann Ebbinghaus -que viveu entre 1850 e 1909, fez estudos sobre o esquecimento. Suas pesquisas mostraram que existe uma tendência natural do cérebro de diminuir a retenção das informações com o passar do tempo. Ele descobriu que 12 horas após o estudo, se não tivermos mais nenhum contato com o material estudado, o cérebro só consegue lembrar de 50% do que estudamos. Um dia depois, esse número cai ainda mais, e somos capazes de lembrar apenas 30% do conteúdo que estudamos. Preste atenção nesse ponto, isso significa que na média, uma pessoa normal só lembra de cerca de 1/3 do conteúdo apenas 24 horas depois de tê-lo estudado. Dois dias depois, esse número cai para 20%, e três dias após o estudo, conseguimos nos lembrar, na média, de apenas 15%. Depois do 4º dia esse valor acaba se mantendo por volta de 10%. Ou seja, uma vez que estudamos um assunto, nosso percentual de retenção final de um assunto é de apenas 10%. Ebbinghaus criou um gráfico com os resultados da pesquisa e batizou esse gráfico de Curva do Esquecimento, demonstrando como o cérebro esquece rapidamente das informações. Há variações entre as pessoas. Por isso, esse percentual de diminuição pode ser diferente para cada cérebro. A curva do esquecimento pode ser mais ou menos acentuada de pessoa para pessoa. O que é certo é que há uma perda natural na retenção de conteúdos que acontece em todos os cérebros. É totalmente natural esquecermos das coisas. Nosso cérebro é programado para apagar informações com o intuito de economizar energia e de abrir espaço para memórias importantes. Bem, a questão que nos interessa nesse ponto é: Como manter os percentuais altos de retenção na memória? A estratégia é não deixar que as redes neurais sejam simplesmente substituídas por novos assuntos estudados ou informações adquiridas posteriormente. Isso é possível, fazendo REVISÕES. Voltando a Ebbinghaus, ao continuar com seus estudos ele descobriu algo muito interessante, quando era feita uma revisão do material estudado no dia seguinte, o percentual de retenção subia novamente, e a pessoa conseguia lembrar de praticamente tudo o que havia estudado. E um dia após essa revisão, o cérebro ainda conseguia reter cerca de 55% do conteúdo (ou seja, no terceiro dia sem a revisão o percentual de retenção era de apenas 20%, e com a revisão subia para 55%). Mas se nesse mesmo dia, fosse feita outra revisão, novamente o valor subia, voltando para 100%, e assim, o cérebro levava cada vez mais tempo para esquecer do conteúdo. Isso acontece porque, ao fazer uma revisão, a mensagem que enviamos ao cérebro é que a informação que estamos revisando é importante e precisa ser armazenada por um período maior. E a cada vez que revisamos um mesmo conteúdo reforçamos essa mensagem, ao ponto de o cérebro guardá-lapermanentemente. Mais adiante, no capítulo sobre a técnica da Prática espaçada, vamos entender como essa característica de esquecimento do cérebro pode ser utilizada ao nosso favor. As frequentes revisões das matérias estudadas vão transformar os conteúdos em redes neurais permanentes ou de longa duração. Você deve estudar para aprender para sempre. Para isso, revise cada vez mais rápida e menos frequentemente os conteúdos, para não ter de estudar novamente. No próximo capítulo, vamos ver algumas técnicas de memorização. Mas antes, quero fazer algumas considerações. Por mais que eu lhe ensine novas técnicas, os melhores exercícios continuam sendo sempre a LEITURA e a REDAÇÃO. Quanto mais lemos e escrevemos, mais aumentamos a nossa capacidade de memorizar e acessar as informações. Por isso, determine como sua principal estratégia de estudo: ler sempre mais e escrever o máximo possível. Entretanto, algumas outras atividades também podem ajudar na capacidade de memorização, como por exemplo assistir filmes que exijam o uso da inteligência, jogar xadrez, jogar jogos clássicos de mesa (dama, Banco Imobiliário, War etc.). Jogar videogame ou RPG pode ajudar na atenção e concentração, porém geralmente exigem pouco da memória, salvo quando usam dados históricos, geográficos ou exigem algum cálculo ou uma grande quantidade de regras e detalhes. Existem pessoas com excelente memória para alguns assuntos e práticas. Outras se consideram péssimas para memorizar justamente o que julgam mais precisar. A boa notícia é que, assim como a concentração e a atenção, a memória pode ser treinada para tratar de qualquer assunto. Você vai perceber, com a prática, quais são as melhores condições para a sua memorização. A melhor hora, o que escrever ou desenhar, a forma de resumir e esquematizar, o momento de fazer os exercícios etc. Por mais que todos nós compartilhemos de uma mesma estrutura cerebral, o funcionamento de cada cérebro pode ser completamente diferente um do outro. Por esse motivo, o mais importante quando falamos sobre memória e memorização, é testar diferentes técnicas, com diferentes variantes e analisar quais métodos oferecem os melhores resultados para o que necessitamos. TÉCNICAS DE MEMORIZAÇÃO Algumas pessoas se assustam com a quantidade de conceitos, dados e datas que precisa estudar para um concurso ou vestibular. Então, vamos descobrir como é possível treinar a sua memória! Primeiramente, saiba que não existe pessoa com memória ruim. Isso é um mito gerado a partir das lamúrias de pessoas descontentes com a sua capacidade de recuperar informações de forma clara. O que existe na realidade são pessoas com memórias destreinadas, que não entendem como sua memória funciona, portanto, não conseguem extrair o melhor que suas mentes podem oferecer. Mas vamos lá. Para começar precisamos entender que memorizar é diferente de decorar. Quando você decora algo, você repete sem entender, como fazem algumas aves, por exemplo. A memorização passa pelo entendimento. Por isso, antes de memorizar algo, você deve procurar entender o conteúdo estudado. Esse é um ponto fundamental. Sem entendimento e compreensão não existe boa memorização. Porém, há dados e informações que por conta da sua natureza abstrata, precisam ser simplesmente decorados. São datas, nomes, números, locais etc. Então, vamos ver 3 técnicas de memorização simples, mas muito práticas e uteis que podem nos ajudar. Lembrando que toda e qualquer técnica na verdade é apenas um artifício para gravar uma informação de forma mais rápida. E como já conversamos, nem sempre essa é a melhor opção. O objetivo de estudar deve sempre ser aprender para sempre. O melhor mesmo é sempre trabalhar a informação com a maior quantidade de detalhes e incluindo todos os sistemas representacionais. ACRÓSTICOS O acróstico é uma frase formada pelas primeiras letras ou sílabas das palavras a serem memorizadas. São muito utilizadas por professores de cursinho pré-vestibular, por exemplo. Essa técnica funciona com base na facilidade que o cérebro tem de fazer associações com informações familiares. Ou seja, é mais fácil o cérebro se lembrar de algo novo, se usarmos ganchos que já conhecemos. Além disso, ao utilizar frases que tenham um sentido mais concreto, o cérebro consegue processar as informações mais claramente do que se apenas listarmos termos abstratos. Em Biologia, por exemplo, há um acróstico clássico, usado para memorizar as fases da Mitose, que é o processo de divisão celular. São 4 fases: Prófase, Metáfase, Anáfase e Telófase. Para memorizar esses nomes complicados, usamos a frase ProMeto Ana Telefonar. Em Geografia e Astronomia, podemos usar um acróstico meio obsceno, mas bem engraçado para memorizar a sequência dos oito planetas do sistema solar em relação à sua proximidade do Sol. Minha Vó Tem Muitas Joias e Só Usa Nua. Com essa frase gravamos a sequência dos planetas: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Para não confundir Mercúrio e Marte, que começam com a mesma letra, você pode pensar que Marte é o planeta mais próximo da Terra, ou então que há um marciano no quarto da sua avó (quarto planeta). Você pode criar acrósticos para memorizar listas de nomes mais complexos e até sequências de leis e documentos. Um detalhe importante para que essa técnica funcione corretamente, é que a frase criada seja relevante e faça sentido para você. Melhor ainda se você puder criar uma cena engraçada ou interessante com a frase. O PALÁCIO DA MEMÓRIA Também conhecida como método de loci (do latim, lugar), essa é uma das técnicas mais antigas de memorização de que se tem notícia. Essa técnica consiste em criar um palácio imaginário e visualizar o seu interior, associando nomes a cada um dos cômodos do palácio ou dos elementos presentes em cada cômodo. Vamos supor que você precise decorar uma lista qualquer com 10 itens. Então vamos relacionar 10 itens aleatórios totalmente fora de contexto para usar no nosso exemplo: 1. Agulha 2. Teclado 3. Maçã 4. Telhado 5. Microfone 6. Aranha 7. Buraco 8. Régua 9. Sorvete 10. Alemão O primeiro passo para criar seu palácio da memória é escolher um local que você conheça bem, e então estabelecer um número de pontos igual à quantidade de itens que você precisa gravar. Vamos usar a imagem de uma sala como exemplo. Você deve utilizar o cômodo que for mais familiar para você. Pode ser a sala, o quarto ou a cozinha da sua casa ou apartamento. Você também pode usar sua oficina, escritório, ou qualquer outro ambiente. O importante é que seja um local com o qual você esteja acostumado e que conheça bem. O próximo passo é percorrer o local e estabelecer os pontos do seu palácio. Um ponto pode ser um pequeno espaço dentro do seu ambiente como uma porta, janela, escada ou um objeto. Ao utilizar objetos é importante que eles sejam permanentes nesse ambiente. Não use por exemplo as flores que foram colocadas em um vazo recentemente. No entanto, se essas flores são frequentemente trocadas, elas podem ser utilizadas como pontos do seu palácio. Na nossa sala de exemplo os pontos são: 1. A porta de entrada 2. Os quadros da parede 3. O sofá 4. A mesinha de apoio 5. As poltronas 6. A mesa de centro 7. O carpete 8. Os vasos 9. A TV 10. O armário Agora você precisa percorrer algumas vezes o caminho do seu palácio sempre seguindo a mesma ordem até memorizar a posição e a sequência dos pontos. Por esse motivo que a sugestão é de usar um local que seja familiar, pois assim essa etapa de memorização dos pontos se torna muito mais fácil, uma vez que você já está acostumado com o seu ambiente. Agora vem a parte divertida, que é fazer a associação dos itens que você precisa lembrar com os pontos do seu palácio. É importante que o seu palácio tenha uma quantidade de pontos igual ou maior a de itens que você precisa memorizar. Isso porque o indicado é que você associe apenas um item por ponto. Então vamos lá: Imagine que você está chegando na sua casa e você abre a porta da entrada com uma AGULHA, eassim que você entra em casa, percebe que alguém trocou os quadros da parede e pendurou um TECLADO no lugar. No sofá você percebe que tem uma MAÇà enorme e bem vermelha, nesse momento você ouve um estrondo e percebe que parte do TELHADO cai em cima da mesinha de apoio que fica do lado do sofá. Com o impacto você acaba caindo para trás e se senta em um MICROFONE que estava escondido em uma das poltronas. Você olha para a mesinha de centro e ela começa a se mexer, então sai uma ARANHA enorme debaixo dela. Você não pensa duas vezes e chuta a aranha, que acaba caindo em um BURACO no carpete. Você se levanta, e ao olhar para os vasos da sala percebe que as flores se transformaram em RÉGUAS enormes que quase tocam o teto. Você olha para a TV e vê que está escorrendo SORVETE pela tela, nesse momento sai um cara enorme do armário gritando alguma coisa em ALEMÃO que você não consegue entender. Para essa técnica funcionar bem, é preciso que você tenha uma imagem muito clara do ambiente que você escolheu para usar como seu palácio. Além disso, quanto mais engraçadas, exageradas ou absurdas forem as associações que você fizer entre os itens e os pontos, mais fácil será memorizar tudo. CARTÕES DE PERGUNTAS A técnica consiste em escrever num cartão colorido uma pergunta e, no outro lado do cartão, a sua resposta. Os cartões são colocados em duas caixas diferentes. Na primeira, ficarão os cartões cujas respostas você já memorizou e na outra ficarão os cartões cujas respostas você ainda não tem segurança para responder. Além de uma técnica de memorização é também uma ajuda na Revisão dos conteúdos, pois utiliza a repetição de forma sistematizada, consolidando os conhecimentos em seu cérebro. Você pode aproveitar os momentos ociosos para revisar os cartões. Essas são algumas técnicas de apoio. E por mais que pareçam simples, saiba que elas podem ser extremamente poderosas se forem corretamente aplicadas e treinadas. Só para você ter uma ideia, o bicampeão mundial de memorização, Boris Nikolai Konrad, detém dois títulos mundiais do Livro Guinness dos Recordes. Ele memorizou 201 nomes e rostos em apenas 15 minutos, e 21 nomes e datas de nascimento em dois minutos. E acredite se quiser, uma das principais técnicas que Konrad utiliza é a do Palácio da memória. Exatamente uma das técnicas que acabamos de aprender. Fonte . Em uma investigação liderada pelo Professor Doutor Martin Dresler, do Centro Médico da Universidade de Radboud, na Holanda, foram https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-36563964 escaneados os cérebros de 23 vencedores do Campeonato Mundial de Memória, realizado anualmente desde 1991. Fonte. Eles descobriram que fisicamente os cérebros das pessoas que ganharam os prêmios de memorização não apresentavam diferenças relevantes quando comparados com os cérebros de pessoas que alegaram não ter uma boa memória, ou seja, pessoas comuns como você e eu. Então os cientistas convidaram alguns desses campeões de memória para treinar parte dos participantes da pesquisa. E qual não foi a surpresa quando, com 30 minutos de treinamento diário e seis semanas depois, as pessoas com baixo nível de memorização apresentaram um aumento médio de 30% no nível de desempenho nos testes de memória! A conclusão a qual os cientistas chegaram foi que ter uma boa memória é algo que se pode aprender e para o qual se pode treinar. É perfeitamente possível que uma pessoa aumente sua memória desde que treine seu cérebro para isso. E é exatamente isso que estamos propondo a você com essas técnicas. Depende apenas da usa disposição em treinar e aplicar o que aprendeu para treinar sua memória e começar a obter bons resultados. https://www.bbc.com/portuguese/internacional-39230178 ESTRATÉGIAS PARA INICIAR OS ESTUDOS Muitas pessoas que vão passar pelo processo de preparação para concursos e para vestibulares consideram as Técnicas de Estudo como o aspecto mais importante. Porém, antes de mostrar a você algumas técnicas consagradas de estudo, quero lhe dizer três coisas importantes e que você precisa guardar consigo: 1. Conhecimento não é a mera aquisição e acúmulo de informações. 2. Conhecer pode ser extremamente prazeroso. É uma forma divertida usar a sua memória, raciocínio e criatividade. 3. Ter prazer ao estudar e adquirir conhecimento muitas vezes depende de saber usar a estratégia, o método e a técnica certa para estudar. Estratégia é o conjunto de ações que você adota para atingir o seu objetivo. É importante ter um plano estratégico de estudos, a fim de otimizar o seu tempo e organizar a sua preparação. A sua estratégia deve ser personalizada. Você vai descobrir a melhor forma de estudar para você. Determinadas técnicas, métodos e horários são recomendados para a maioria das pessoas, mas cada uma aplica essas recomendações à sua maneira. O mais importante é o seu modo de aprender e o seu resultado. Por isso, aconselho você a monitorar seu processo de aprendizagem. Preste atenção no que funciona para você e vá se aperfeiçoando com a prática. As técnicas são procedimentos já experimentados para realizar algumas ações. Ao conhecer e experimentar essas técnicas, você perceberá quais são as que melhor se ajustam ao seu jeito de aprender. Com isso, você criará o seu método, isto é, o seu caminho para chegar onde quer. Vou lhe passar três estratégias que devem vir antes de qualquer projeto de estudo. A primeira estratégia: PERGUNTAR. A curiosidade é a mãe de todo aprendizado. Fazer perguntas e procurar respostas é o que distingue o estudante do aluno passivo. O hábito de perguntar cria o espírito de pesquisador e o prazer de aprender. Por isso, pergunte! Pergunte aos livros, pergunte aos colegas, pergunte aos professores. Os cursos que talvez você esteja fazendo foram criados para que você aprenda. A dúvida e o erro fazem parte desse processo. Eu sei que, em alguns ambientes, pode existir uma pressão para não fazer “perguntas bobas”, mas elas são importantes se você estiver com dúvidas. É seu direito perguntar. Saiba que a melhor forma de aprender é mantendo uma atitude de curiosidade perante as coisas. A segunda estratégia: Encarar o conteúdo como um Quebra- Cabeça É muito difícil estudar alguns conteúdos que parecem não ter ligação com nada do que estamos estudando. Dá a impressão de que os conhecimentos estão em caixinhas diferentes umas das outras e sem relação entre si. Uma forma que facilita o estudo é encará-lo como um quebra- cabeça, onde cada nova peça juntada acelera o resultado pretendido. Se você não sabe qual é a figura que deve montar, é muito mais difícil juntar as peças. Por isso, olhamos a figura já montada, antes de identificar cada parte. Em outras palavras, sempre que você for estudar alguma coisa, analise primeiro o todo para só então ir para as partes! E como isso é possível? Os sumários ou índices dos livros e apostilas, os títulos e subtítulos, os desenhos e fotos que acompanham os capítulos, permitem que nos situemos e vejamos por alto o assunto de que trata o material. Ao começar a estudá-lo você vai saber ao menos qual é o seu tema principal e se tem relação com outras matérias que você já estudou. Agindo dessa maneira, você sempre vai enxergar o todo e depois estudar as partes. Ao estudar a parte, da melhor maneira possível, você vai entender como aquele pedaço vai otimizar o aprendizado do resto da matéria. Pode acontecer de você sentir uma espécie de confusão ao iniciar os seus estudos, uma sensação de que não sabe nada ou de que é impossível encarar a quantidade de coisas ou matéria que tem pela frente. Isso é natural. Não se preocupe. O mais importante a saber é que essa fase passa. Confusão, dúvidas, alguma ansiedade diante do desconhecido, tudo isso faz parte do estudo. O segredo para lidar com isso está em “encaixar” os conhecimentos uns nos outros. Você vai perceber que os primeiros encaixes são mais difíceis. Porém, quando eles começam, passam a desenvolver-se em progressão geométrica. Encaixar uma informação na outra e montar um panorama geral do tema que estiverestudando vai ficando cada vez mais fácil. Quanto mais se aprende, mais fácil fica aprender novas coisas. Se você prossegue nos estudos, consolidará seus conhecimentos e chegará a um grau de excelência onde fará as coisas com muito mais tranquilidade. A terceira estratégia: Ver as provas com os olhos do examinador. A maioria dos candidatos está acostumada a pensar numa prova apenas como alunos. É preciso aprender a ver a prova não apenas como quem quer acertar (nesse caso, o aluno), mas como quem quer ver se está certo (ou seja, o examinador). Uma técnica que pode ajudar é fazer as correções de provas e exercícios em duplas ou grupos. Cada um deve corrigir como se fosse o próprio examinador, com bastante atenção e sendo o mais exigente possível. Fazendo isso você vai praticar uma ótima técnica de reforço, além de perceber detalhes que muitas vezes passam desapercebidos quando estamos na pressão de entregar uma prova. TÉCNICAS DE ESTUDO Como vimos anteriormente, técnica é o procedimento usado para realizar uma determinada tarefa. Se você tem que estudar textos, por exemplo, pode fazer isso de várias maneiras. Pode apenas ler o texto uma vez, pode sublinhar enquanto lê, fazer resumo após a leitura, criar esquemas, mapas mentais... E cada um desses procedimentos pode ser considerada como técnicas diferentes de estudar um texto. As técnicas básicas de estudo têm relação com a programação do seu cérebro e com os recursos mentais que você tem disponíveis. Justamente por esse motivo é que você precisa ter claro em mente que não existe uma técnica única que vá funcionar 100% para todas as pessoas. O ponto principal quando falamos de técnicas de estudo e aprendizagem, é que você precisa testar e descobrir qual a melhor técnica para você. Dessa maneira, a melhor técnica vai ser aquela com a qual você consiga atingir seu objetivo. Portanto, não seja tão simplório ao ponto de criticar as técnicas que vai ver aqui ou de acreditar que elas são definitivas e vão funcionar perfeitamente em todos os casos, sem antes as testar, avaliar os resultados e determinar quais dessas técnicas, conjunto de técnicas ou variação delas atende melhor suas necessidades e expectativas. Isso é fundamental: Teste as técnicas, avalie os resultados, adapte o que for necessário para que você consiga obter o melhor resultado possível. Não existe um padrão único nem uma técnica melhor que as outras. A melhor maneira de estudar é aquela em que você APRENDE . Tendo isso claro na sua mente, podemos continuar. Bom, você já deve ter percebido que alguns estudantes conseguem aprender muito mais rápido do que outros. Algumas pessoas parecem ter uma habilidade secreta para estudar que as permite entender tudo com muita facilidade. Enquanto isso outras pessoas lutam para conseguir concluir a leitura de um livro retendo uma porcentagem miserável do que leu. Apesar de sabermos que existe sim uma predisposição genética para a facilidade de aprendizagem, essa vantagem genética não é definitiva. Alguns estudos apontam que a herança genética é responsável em média por cerca de 20 a 40% da capacidade intelectual de uma pessoa, seja de forma positiva ou não. No entanto, se existe um consenso entre os cientistas e pesquisadores é que **a inteligência é fortemente influenciada pelo ambiente**. Fatores como a criação, a nutrição, a educação e a disponibilidade de recursos de aprendizado e as técnicas utilizadas formam e constroem nosso potencial intelectual. E essa é uma ótima notícia, pois significa que apesar da herança genética, podemos moldar nossas habilidades intelectuais através da prática e do esforço. Se você cresceu sendo estimulado a pesquisar, teve sua curiosidade incentivada e contou com apoio para desenvolver suas habilidades de reflexão e estudos, com certeza possui uma facilidade em estudar e aprender. Isso porque os círculos sociais e a maneira como nos acostumamos a estudar, nos modelam e dão as condições para que possamos alcançar ou não todo o nosso potencial cognitivo. Dessa forma, apesar das condições pouco favoráveis que algumas pessoas podem ter vivido, é totalmente possível desenvolver a capacidade de estudar e aprender utilizando as técnicas certas. A partir do próximo capítulo vamos ver algumas técnicas que foram apontadas como as mais eficazes de acordo com a avaliação de cientistas psicológicos de universidades como a Universidade Estadual de Kent, a Universidade Duke, Universidade de Wisconsin-Madison e Universidade da Virgínia nos Estados Unidos. Na pesquisa publicada na revista “Psychological Science in the Public Interest” ( fonte ), foram avaliadas 10 técnicas de estudo, no entanto vamos nos ater apenas àquelas que apresentaram os melhores resultados e foram apontadas como as mais eficazes. Como já foi dito antes, é muito importante adotar uma postura receptiva e receber todas as informações de mente aberta. Portanto, mesmo que você já conheça ou tenha praticado algumas dessas técnicas antes, ouça com atenção o que temos a dizer sobre elas. https://journals.sagepub.com/stoken/rbtfl/Z10jaVH/60XQM/full A PRÁTICA ESPAÇADA No papel de alunos, já ouvimos várias vezes que deveríamos estudar para um teste ou uma prova. Ouvimos isso no ensino fundamental, no ensino médio, no ensino superior, em casa, na faculdade e no cursinho. Mas algo que raramente ouvimos é como devemos de fato estudar. A impressão que dá é que todos querem e precisam estudar, mas poucos sabem de verdade como fazer isso. Talvez isso aconteça porque as pessoas, de um modo geral, pensem que estudar é uma atividade simples, onde apenas ficamos quietos num canto lendo e fazendo anotações, e que todas as pessoas devem saber como fazer isso. A verdade é que o estudo realmente eficaz não é passivo. Ou seja, não é apenas ler, ou ouvir alguém falar sobre um assunto. O verdadeiro estudo, aquele que transforma nossas ligações cerebrais e que nos desenvolve como pessoas e profissionais melhores, precisa ser ativo. Por estudo ativo devemos entender a atividade de reflexão, análise, comparação e criação. Esse conjunto de ações é que gera o conhecimento de verdade. Como vimos antes, existem algumas condições que podem interferir positiva ou negativamente na capacidade de aprendizagem de uma pessoa. No entanto, vimos também que qualquer pessoa pode aumentar sua capacidade de estudo se utilizar as técnicas corretas, e manter uma postura de estudo crítica e ativa. Estudar de forma eficaz é algo que pode ser aprendido. E é aí que entram as técnicas de estudo. A Prática espaçada A prática espaçada funciona de acordo com os princípios que já vimos quando falamos da curva de esquecimento de Ebbinghaus, no capítulo sobre memória e memorização. Depois de alguns anos de estudo, Ebbinghaus conseguiu reconhecer os padrões, e estabeleceu algumas regras para se conseguir tirar o máximo proveito das revisões. Esses padrões descobertos por Ebbinghaus deram a base para a técnica da Prática espaçada. A Prática espaçada é uma técnica de estudo em que os períodos de estudo são distribuídos durante um longo período. Isso dá tempo às suas mentes para formar conexões entre as ideias e conceitos para que o conhecimento possa ser construído e facilmente lembrado mais tarde Toda vez que você deixa um pouco de espaço entre um período e outro de estudo, você esquece um pouco da informação. Até aí OK, já vimos isso quando estudamos sobre a curva do esquecimento de Ebbinghaus. O interessante é que para o cérebro, reaprender ou relembrar algo, é muito mais trabalhoso do que aprender. E isso é muito bom. O esquecimento nos ajuda a fortalecer a memória. Pode parecer contra intuitivo, mas é perfeitamente natural esquecer um pouco para depois aprender e lembrar de novo. Esse processo reforça as ligações cerebrais, tornando o conhecimento mais firme no cérebro. A Prática espaçada é exatamente o oposto do abarrotamento, que é a prática de estudar intensamente para absorver grandes volumes de informações em curtos períodos, geralmente com a intenção de realizar uma provaem curto prazo. O grande problema da técnica do abarrotamento, é que toda a informação entulhada no cérebro vai ser guardada na memória de curto prazo. E já vimos anteriormente como esse tipo de memória funciona. No entanto, quando você divide o seu aprendizado utilizando a prática espaçada, você utiliza a mesma quantidade de tempo de estudo e o espalha por um período muito mais longo de tempo. E dessa forma, parte do que você aprende é esquecido, como já sabemos, mas outra parte é armazenada na memória de longa duração, o permanente. Assim, a mesma quantidade de tempo de estudo vai produzir um aprendizado mais duradouro. Por exemplo, cinco horas distribuídas em duas semanas é muito mais eficaz do ponto de vista da aprendizagem, do que estudar como louco durante cinco horas, um dia antes da prova. COMO USAR A TÉCNICA DA PRÁTICA ESPAÇADA Para que a técnica da prática espaçada funcione bem, é necessário que você crie um cronograma de revisão. Nós já vimos como criar um cronograma de estudo. Você pode criar um cronograma adicional para fazer suas revisões. Além disso, é importante que você programe suas sessões de estudo para que sejam curtas e frequentes. Isso dá ao seu cérebro uma chance de lembrar o que ele aprendeu e fazer novas conexões, em vez de tentar estudar tudo de uma vez. Divida o material em tópicos e em períodos como vimos no cronograma de estudo, então estude cada um dos tópicos ao longo de algumas semanas. Após o primeiro período de estudo de um novo tema, você deve iniciar o cronograma de repetição espaçado. Funciona assim: No 1º dia você estuda o material e cria seus resumos, anotações, gravações, mapas mentais, fichas de estudo etc.; No 2º dia você vai fazer a primeira revisão. Mas atenção, essa revisão deve ser feita com base no seu próprio resumo, ou seja, apenas usando o material que você criou sobre o assunto. Faça essa primeira revisão em 20 minutos; No 4º dia é feita a segunda revisão. Nessa revisão o tempo de 10 minutos é suficiente; No 6º dia você faz a terceira revisão. A partir dessa terceira revisão, o tempo utilizado pode variar entre 3 a 5 minutos, e o intervalo entre as revisões pode ser de 15 ou 20 dias. De acordo com a curva do esquecimento, depois da terceira revisão, o cérebro demora cada vez mais para esquecer das coisas. Para não se tornar mais uma vítima da curva do esquecimento, faça a primeira e a segunda revisão em um espaço de tempo mais curto e daí passe a aumentar o intervalo progressivamente. Dessa forma você vai conseguir reter uma maior quantidade de informações gastando menos tempo. Adicionalmente, para aumentar a eficácia da prática espaçada você deve se ater a alguns pontos: Primeiro, é importante que você sempre revise o material antigo antes de estudar novos assuntos. À medida que você for seguindo seu cronograma de estudo principal, intercale com as revisões. Para tornar esse método realmente efetivo, o seu cérebro precisa quase esquecer o que aprender, para aí ser desafiado a lembrar das informações. Mas para isso, é necessário sempre rever o que já foi estudado. Lembre-se, reaprender ou relembrar algo, é muito mais trabalhoso para o cérebro do que aprender. E isso é muito bom. É justamente isso que torna a prática espaçada eficaz. Segundo, sempre que fizer as revisões procure relacionar as informações antigas com as novas. Isso vai te permitir perceber a ligação das coisas, como tudo está interligado, e isso vai reforçar ainda mais seu aprendizado, pois possibilita ao cérebro criar ainda mais ligações. As ligações do cérebro é o segredo de toda a inteligência. Terceiro, procure fazer novos resumos ou anotações durante as revisões. Cada vez que você estudar um assunto pela primeira vez você já sabe que precisa criar seus resumos e anotações, certo? Mas esses resumos e anotações também devem ser feitos durante as revisões quando você estiver usando as revisões antigas. Isso é necessário porque, ao estudar novos assuntos e relacioná-los com os antigos, você vai perceber coisas que não havia percebido antes. E para armazenar essas novas ideias de forma eficaz, todas as notas devem entrar no processo de revisão. Talvez você ainda tenha alguma dúvida sobre essa técnica. Isso é normal. Aprender alguma coisa é sempre mais complicado do que lembrar, não é mesmo? Portanto, leia esse capítulo novamente, faça suas anotações, agende uma revisão e então faça novas anotações das ideias que surgirem. Você vai perceber como tudo vai parecer mais simples de entender e muito mais difícil de esquecer. LEITURA EFICIENTE Continuando o tema das técnicas de estudo, vamos falar agora sobre a LEITURA EFICIENTE. Mas atenção. Não confunda leitura eficiente com técnicas de Leitura Dinâmica ou leitura acelerada. Estas geralmente são técnicas de leitura rápida, que aumentam a velocidade, mas não necessariamente desenvolvem a compreensão do conteúdo lido. O objetivo aqui não é aumentar só a sua velocidade de leitura, mas principalmente a sua captação e fixação das informações. Existem diferentes tipos de leitura, conforme os nossos interesses. Eu falo detalhadamente sobre os tipos de leitura no meu curso “Estratégias de leitura: Como Ler e Compreender Melhor”, você pode dar uma olhada no meu perfil de instrutor se quiser saber mais sobre o curso. Além dos tipos, existem também três ritmos de leitura: o ritmo de uma leitura informativa, o de leitura de lazer e o ritmo de leitura de estudo. Esta última exige maior nível de compreensão. Eliminando-se vícios e adotando-se alguns cuidados, a qualidade da sua leitura irá aumentar . E como consequência natural, quanto mais você ler e treinar, maior será a sua captação, fixação e velocidade de estudo. Esse é um processo natural de desenvolvimento. Muitas pessoas dizem não gostar de ler, mas por trás dessa falta de gosto pela leitura, muitas vezes existe uma verdade que é um pouco inconveniente: o fato é que a maioria das pessoas NÃO SABEM LER da maneira correta, ou sentem grande dificuldade em compreender de fato o que estão lendo. Aí se torna muito mais fácil simplesmente dizer que não gostam de ler. A falta de leitura é a maior responsável pela falta de conteúdo consistente e criativo e pela pobreza de vocabulário das pessoas. Para se ter uma ideia, a nota de corte das redações dos Vestibulares tem abaixado, nos últimos anos, porque os candidatos estão escrevendo cada vez pior. Trata-se de um círculo vicioso. Se as pessoas não têm o hábito de ler, obviamente terão uma leitura mais lenta, desconcentrada e com baixo rendimento. E terão cada vez menos prazer e desejo de ler. Certo, então vamos ver alguns fatores vão te ajudar a fazer uma leitura eficiente e adquirir maior interesse e prazer no ato de ler. O vocabulário O primeiro grande obstáculo a uma leitura eficiente é a pobreza de vocabulário, em geral. Quando se é pobre de vocabulário, ocorre frequentemente um “travamento” na leitura, quando a pessoa lê uma palavra diferente ou de significado ainda desconhecido. Essa trava é natural, pois a sua mente estranha o novo conceito. A regra é simples! Quanto maior o seu vocabulário, menor será o número de vezes em que você vai ter essas paradas . Como consequência, você lerá mais rápido e melhor. Parece simples, não é? É simples mesmo. Mas simples não é o mesmo que fácil. Você ainda precisa ler, e se esforçar. A boa notícia é que você pode começar a fazer isso agora mesmo. É importante ter um dicionário sempre acessível. Porém, não é necessário recorrer a ele sempre que encontrar um termo desconhecido. Faça o seguinte: Na primeira leitura, não se preocupe com as palavras desconhecidas. Tente entender o contexto da leitura. Só recorra ao dicionário se o texto ficar ininteligível. Ou seja, só pare a leitura para recorrer ao dicionário se a frase não fizer sentido nenhum para você por depender diretamente da palavra que você ainda não conhece. Caso contrário, prossiga com a leitura. Também não é preciso voltar ao início de cada frase ou parágrafo que você não entendeu totalmente. Na leitura seguinte,aí sim, mesmo que tenha entendido o sentido e o contexto, destaque de alguma forma essas palavras (usando marca texto ou uma observação lateral) e use o dicionário para acrescentar as novas palavras ao seu vocabulário. É interessante perceber que uma mesma palavra pode ter vários sentidos dependendo do contexto. Então se atente a isso e faça uma nota sobre o significado específico daquela palavra no texto que estiver lendo. Depois parta para sua técnica de estudo preferida: resumo, esquema, mapa mental, gráfico, quadro sinótico etc. A pressa Ler com pressa é um excelente caminho para não gostar de ler. Na verdade, ler com pressa é, quase sempre, o mesmo que não ler. Se você tem pouco tempo para leitura bem-feita, é melhor fazer uma leitura boa, dentro do possível, de um texto menor, do que uma má leitura de um grande texto. Lembre-se sempre, quando falamos de estudo, qualidade é sempre melhor do que quantidade. Quando você está com pressa, ela passa a ser a principal ocupação do seu cérebro, causando ansiedade e deixando menor espaço para o processamento mental das informações que você precisa receber. Por isso, é preciso organizar o seu horário para ler sem ansiedade. Se um texto precisa ser lido, então vale a pena ser BEM lido . Você pode até fazer uma pré-leitura rápida, o que chamamos de leitura inspecional. Onde você vai ler os destaques do texto como introduções, títulos e subtítulos, trechos em negrito ou itálico, quadros, tabelas, imagens e legendas. Em seguida, vem a leitura com maior profundidade, o que chamamos de Leitura Analítica, onde você deve analisar o que o autor disse, quais foram seus principais argumentos e o que você pôde extrair da leitura. Com o tempo e o hábito, você vai fazer leituras eficientes mais rápidas, pois aumentará o seu nível de concentração e apreensão dos conteúdos, desde a primeira leitura. Nós já conversamos sobre alguns cuidados que você deve nessa etapa dos estudos, mas nunca é demais reforçar esses pontos. Então vamos relembrar e acrescentar alguns outros pontos importantes para a leitura. Escolha o ambiente de estudos: ele deve ser silencioso, iluminado e agradável. Cuide de sua saúde através de uma alimentação correta. Faça exercícios físicos e alongue-se durante os períodos de estudo. Prepare o seu estado mental para estudar. Procure respirar e relaxar antes de começar. Tente eliminar toda pressa e ansiedade, além de afastar da mente todos os assuntos que podem te distrair. Após a primeira leitura, destaque as ideias principais do texto. Use canetas coloridas e marcadores para sublinhar e identificar as palavras e frases que você precisará estudar melhor. A simples atividade de escolher o que marcar exige uma elaboração mental importante para o seu estudo. Mas lembre-se: não saia destacando tudo o que você ler. Quando destacamos tudo, no final, não destacamos nada. Antes de fazer um destaque ou anotação se pergunte: qual a importância desse trecho ou anotação para o meu objetivo de estudo? Crie símbolos e desenhos para alguns assuntos e procedimentos. Anote sempre, seja na lateral do texto ou no seu rascunho. Organize os seus resumos, esquemas ou mapas mentais em fichas ou cadernos de estudo. É importante facilitar o retorno a esses materiais sempre que for preciso, sem perder muito tempo procurando. A revisão é parte fundamental da aprendizagem. Faça perguntas ao texto. Sempre que surgirem dúvidas decorrentes da leitura, anote-as e tente buscar as respostas com professores, com a leitura mais aprofundada do próprio texto ou em outra pesquisa. Isso é de fato estudar e pesquisar. Depois de um estudo bem feito, sempre é bom voltar ao texto original (e não só aos resumos e esquemas) para verificar se de fato você conseguiu captar todas as principais ideias do autor do texto. ALGUMAS ORIENTAÇÕES IMPORTANTES Nesse capítulo vamos ver algumas orientações importantes para o seu processo de preparação. Mesmo que você á tenha iniciado os seus estudos, ainda pode alterar o seu procedimento. Por onde começar? Se você vai participar de um Concurso Público, obviamente deve começar o seu estudo pelo Edital do Concurso. Parece óbvio, mas muitos fracassam porque cometem o erro primário de deixar de estudar o Edital do concurso. É através do Edital que você começa a entender a cabeça dos integrantes da banca examinadora do concurso, tendo uma base do que eles querem de você. Se você for prestar Vestibular, conheça as matérias, os pesos de cada uma para a área que você escolheu e o seu conteúdo programático. Dedique mais tempo ao que você considera difícil Você consegue identificar logo de início as matérias que você menos domina. Assuntos que você considera mais difíceis requerem um tempo maior e mais foco. Nunca deixe as matérias que você considera mais difíceis para estudar só nas vésperas das provas! Vá alternando os conteúdos Num mesmo dia, estude sempre uma ou duas matérias mais exigentes, juntamente com outra mais fácil para você. Tire as matérias de ordem. Você não precisa estudar as matérias na sequência em que aparecem nos livros, videoaulas e apostilas. Alternando assim os conteúdos, você perceberá quais são as habilidades exigidas para estudar cada um deles. Você verá que para alguns temas, você precisará de maior tempo do que para outros. Obedeça ao seu roteiro de estudos Faça uma lista detalhada dos conteúdos a serem estudados, a fim de poder dividir o seu tempo de estudo. Faça uma agenda de cada conteúdo para não constatar depois que não calculou um tempo suficiente para ele. O tempo de cada conteúdo depende do tipo de matéria. Há disciplinas que exigem maior concentração nos conceitos teóricos. Eles são importantes para interpretar corretamente e resolver as questões. Outras são mais práticas e exigem treinamento através de exercícios. Tente cumprir o tempo diário que você reservou a cada tema ou matéria. Estabeleça um tempo de 45 a 60 minutos. Conforme avança o seu treinamento, pode ampliar até 1h30 min. Depois disso, faça uma pausa, levante-se, se espreguice, faça um pequeno alongamento, ande, tome água e retome, com outro conteúdo... e assim por diante. No fim do dia, confira se sua meta foi atingida. Isso lhe dará mais motivação e permitirá ir corrigindo a forma de estudar, se for o caso. Você até mesmo poderá alterar o seu roteiro, com o tempo. Porém, antes disso, experimente cumpri-lo. Não desista facilmente do seu propósito. Lembre-se de que isso é um treinamento em direção aos seus maiores objetivos. Faça exercícios e repetições É preciso investir parte do seu tempo com exercícios e repetições. Aproveite bem as questões já preparadas em apostilas e livros. Fazer exercícios de fixação e resolver questões é um excelente treinamento. A repetição de conteúdos e de exercícios, pode parecer chata, mas aqui está um dos motivos de alguns falharem em sua preparação. A repetição é fundamental para fixar o seu aprendizado. São justamente essas repetições que darão maior agilidade e rapidez ao seu estudo. Estude aos poucos Não adianta começar querendo apreender uma grande quantidade de conteúdo. Comece devagar, procurando aprender uma pequena parte e vá ampliando esse aprendizado, de forma segura. Aos poucos, você perceberá que tem fôlego para ir aumentando a quantidade e a dificuldade das questões, a cada sessão de estudos. Da mesma forma, o tempo para realizar as baterias de questões será cada vez mais curto. Resolva provas anteriores Essa é uma estratégia que você não deve negligenciar. E de fato é uma das formas mais certeiras de estudar. Resolver as provas dos últimos anos do mesmo tipo de Concurso ou Vestibular é uma forma eficaz de estudar e de colocar em prática o conteúdo que você está estudando, além de aferir o seu estágio de desenvolvimento, corrigir as falhas e buscar cobrir as lacunas do estudo. Isso servirá também para que você conheça o estilo de prova a que você vai se submeter e haverá menor risco de ser surpreendido. Realize Simulados Se você estiver matriculado em algum curso preparatório,passará por alguns exames simulados. Caso você estude por conta própria, você pode também programar-se e simular as provas, durante o seu próprio período de estudos. Como fazer isso? Escolha uma prova anterior do concurso, que você ainda não tenha resolvido. Prepare-se do mesmo jeito que faria, se fosse o dia da prova: vá ao banheiro antes de começar, respire, tranquilize-se, coma alimentos leves no dia, reserve os seus materiais. Estabeleça um horário e comece sem atraso. Marque um tempo semelhante ao da prova e se imponha condições como as que você terá naquele dia: o mesmo número de horas, sentado no mesmo local, garrafa de água ao seu lado, barra de cereais ou castanhas, canetas de reserva etc. Essa simulação ajudará a monitorar o seu rendimento, o seu tempo e a sua autodisciplina. Faça isso algumas vezes antes do concurso. REDAÇÃO PARA PROVAS E CONCURSOS Nós vimos que atualmente os candidatos estão escrevendo num nível cada vez mais baixo. Entre professores e preparadores para provas e concursos essa é uma reclamação constante. Todos os concursos exigem, em maior ou menor nível, a capacidade de redação dos concursados. Por isso, se você se preparar em para a Prova de Redação, esse poderá ser o seu diferencial. Quem já escreve ou fala razoavelmente sai na frente em sua preparação. Porém, como eu disse desde o início deste curso, tudo é uma questão de dedicação e aprendizagem. Nosso objetivo aqui é mencionar alguns cuidados para que você treine e melhore a sua capacidade de criar e estruturar os seus próprios textos. Para algumas pessoas, escrever é um ato muito difícil. O que ocorre é que, como as pessoas falam muito, adquiriram a capacidade de se comunicar, mesmo com vocabulário pobre, com erros crassos e ausência quase total das regras de linguagem mais culta. Por isso, sentem dificuldade de escrever, pois as regras de comunicação de quem fala e ouve são diferentes da escrita e leitura. Escrever é um trabalho que exige treino e tem que ser feito todos os dias. Para escrever bem são necessários três procedimentos: 1. Ler muito e sempre. 2. Divertir-se lendo: ter vontade de voltar a um livro como se tem de ver o próximo episódio de uma série ou novela. 3. Treinar a própria redação todos os dias: escrever sempre, seja cartas, poesias, contos, comentários etc. Só se aprende a escrever escrevendo! Escrever é transportar as ideias de seu intelecto para o papel. Para quem não tem esse hábito ou usa isso apenas através das redes sociais, o início pode ser mais difícil, como qualquer aprendizado. Porém, com dedicação, treino e tempo, isso se aperfeiçoará e se transformará em uma das maiores aquisições da sua vida. Vejamos alguns cuidados que precedem a redação. Alguns parecerão óbvios, porém já vi reprovações acontecerem por puro descuido. Letra legível Como eu já disse antes, por mais que você esteja acostumado(a) a escrever apenas no computador ou celular, é importante treinar escrevendo à mão, em papel. Lembre-se de que se o examinador não conseguir entender a sua letra, não terá como corrigir a sua resposta ou avaliar a sua redação. Caligrafia não é uma bobagem. Uma letra muito feia e ininteligível é, no mínimo, falta de consideração. O examinador não é obrigado a “decifrar” a sua letra. Mesmo com boa vontade, ele pode simplesmente não entender o que você quis dizer. Por isso, caso sua letra seja “um horror!”, pense em ter um caderno de caligrafia para treinar ou até mesmo escreva seus textos em letra maiúscula (caixa alta). Correção do português Usar a língua corretamente é indispensável. Acostume-se a corrigir seus erros. Não aceite a afirmação de que “o importante é que o outro entenda”. Isso vale (mas nem sempre) na comunicação verbal do dia a dia, mas não numa prova. Se você tiver dúvida sobre como se escreve uma palavra, use um sinônimo ou modifique a construção da frase. Lembre-se de que o erro se destaca, mesmo numa construção bonita e elegante de frase. A ortografia, embora não seja o elemento mais importante da sua redação, valorizará e dará um diferencial ao seu texto. Preocupe-se com o uso da pontuação. Não há nada pior do que falta ou excesso de pontuações que modificam irreversivelmente o sentido do texto. Uma pergunta sem sinal de interrogação torna-se uma afirmação. Uma vírgula mal colocada (ou a falta dela) pode mudar completamente o sentido de uma ideia. O mesmo ocorre com a acentuação. O que será considerado é o que você escreveu de fato e não o que você quis escrever. Escrita limpa e organizada Ao escrever rascunhos, você pode usar rabiscos, riscar palavras, borrar e sujar o texto à vontade. Afinal, esse é um material seu e que será aperfeiçoado. Porém, na realização de uma prova, não se pode fazer rabiscos, garranchos, borrões, sujeira, rasgos, nem alterar a ordem das respostas ao seu bel prazer. Lembre-se de que a cara da prova é a sua cara! Por isso, treine fazer provas para acostumar-se a não fazer muitas alterações. Muitas vezes, as provas ficam cheias de correções porque o candidato mudou de ideia e quis alterar o seu texto. Pensando nessa situação, habitue-se a escrever rascunhos a lápis, revisando-os e corrigindo- os antes de passar para a redação definitiva. Algumas escolas e professores orientam seus alunos a fazerem suas provas a lápis e só depois sobrescreverem à tinta. É uma forma de fazer rascunho na própria prova. Não aconselho isso na Prova de redação, pois a borracha deixará a escrita bem feia. Se há tempo disponível, use o bom e velho rascunho à parte, antes de reproduzi-lo na prova. Escrever com fundamentação É muito comum encontrar, especialmente nas redes sociais, argumentos “rasos”, isto é SEM FUNDAMENTAÇÃO. Principalmente quando se trata de questões polêmicas, as pessoas reproduzem afirmações de outras, sem aprofundar a sua origem e a sua adequação ao seu argumento. Uma boa redação, especialmente se for dissertativa, é antes de tudo uma boa argumentação com fundamentação. Por isso, é importante, antes de defender uma ideia (tese), apresentar uma lista de motivos, razões, vantagens e desvantagens de uma posição. Sem fazer isso, a sua redação pode ser apenas uma sucessão de preconceitos e lugares comuns (clichês), mesmo que você use frases de efeito para tentar convencer os interlocutores. Numa conversa, isso pode passar despercebido, mas não para um avaliador. Narração, Descrição ou Dissertação Essas são as três formas mais solicitadas em concursos e provas. A Narração consiste em contar uma história. Trata-se de uma sequência de ações que se desenrolam na linha do tempo, umas após outras, através de alguns personagens reais ou fictícios. O narrador costuma ser outra pessoa, mas pode também ser um dos personagens da trama. A Descrição é um retrato de uma realidade. Pode ser um ambiente, uma pessoa ou um objeto. Não há necessariamente uma sequência de ações no tempo, mas um presente permanente. É como “a foto de um instante”. Já a Dissertação é basicamente a defesa de uma ideia. O redator, neste caso, deve argumentar, apresentando os fundamentos que o levaram à sua tese. Há bons livros que ensinam Redação. Porém, seguindo esses cuidados e orientações, você com certeza vai conseguir se preparar bem para os seus exames. A SEMANA E OS DIAS DE PROVA Imagine que estão se aproximando os dias da semana que antecedem as provas do seu Concurso ou Vestibular. Se você fez o que deveria fazer durante todo o período anterior, você está mais do que preparado. Porém, é normal certa ansiedade nessa época. A uma semana das provas, todo o conteúdo já foi lido, estudado e revisado algumas vezes. Não é mais hora de estudar matérias novas. O que resta a fazer? Faça as últimas revisões de forma tranquila. Pode até mesmo diminuir o seu horário e ritmo de estudo e se permitir descansar mais. Aconselho você a revisar principalmente aquelas unidades que exigiram maior trabalho de memorização. Principalmente para quem presta Concurso Público, a “letra fria da Lei” é muito cobrada. Resolva novamente algumas daquelas questões maisdifíceis ou que lhe deram mais trabalho, nas vezes anteriores, apenas para reforçar e demonstrar a si mesmo que você está preparado. Mas, acima de tudo, descanse e durma bem. Nem pense em varar a noite assistindo TV ou jogando videogames. Como em todo o processo, alimente-se bem, não ingerindo alimentos estranhos que podem causar surpresas desagradáveis. Se for fazer os seus exames em uma cidade ou estado diferente, deixe para experimentar a comida típica do lugar depois da prova. Não é ainda momento de ir às baladas e festas. Um cineminha, namoro, caminhada, passeio ou uma visita a uma exposição podem ajudar. Nada de praticar esportes ou fazer exercícios pesados, que possam levar a uma contusão ou dor posterior. Você também deverá estar descansado emocionalmente. Por isso, não há nada pior, na semana de provas, do que entrar em discussão com as pessoas, “discutir a relação” de namoro ou brigar no trânsito. Tente permanecer tranquilo. Por segurança, faça o checklist do que você precisa levar nos dias de prova. Veja o Edital ou a orientação da faculdade e apronte tudo com antecedência. Em linhas gerais, você não deverá esquecer: Documento de inscrição, Documento pessoal com foto, Duas (nunca uma só) canetas azuis ou pretas, do tipo BIC (transparentes), Três lápis e apontador ou uma lapiseira e vários grafites, Borracha, Caneta marca-texto (se você tiver o hábito de usar), Garrafa de água, Barras de cereal, castanhas, balas, Remédio para dor de cabeça ou nas costas, diarreia e alergia, Lenços de papel, Absorventes, pente ou escova, se for o caso, Prendedor de cabelo, para quem tem cabelo comprido, Relógio (Informe-se: celulares não são permitidos e, em alguns casos, nem o relógio.) Nos dias de prova, é importante se alimentar bem, mas de forma leve. Em hipótese alguma, fique em jejum! Cuidado com a autossabogatem Há alguns cuidados óbvios que, em momentos de tensão, insegurança ou medo, passam despercebidos e reforçam ainda mais as sensações negativas. Por isso, há casos de pessoas que, na véspera da primeira prova, simplesmente não ligaram o alarme do despertador, esqueceram as canetas ou comeram uma feijoada com pimenta. Da mesma forma, há quem, no dia da prova, saiu de casa faltando uma hora, mesmo sabendo que demoraria, no mínimo, 1h30min para chegar ao local da prova e de que haveria muito trânsito no local, ou então se dirigiu a um local errado e não conseguiu realizar a prova. Essas pessoas estavam desinformadas? Provavelmente não. Elas foram vítimas de autossabogatem. Não vou apresentar as causas e fatores que geram esse fenômeno. Há muita literatura a esse respeito. O que eu quero é lhe dar algumas dicas práticas para não ser pego por esse monstro. Na véspera de uma prova, programe o alarme do seu celular verificando se está com alto e bom som. Se possível, programe dois celulares, principalmente se tiver mais alguém em casa que está tão envolvido quanto você. Deixe o celular longe da cama para evitar voltar a dormir. Se estiver em um hotel, use o serviço do atendente ou da companhia telefônica, mas também programe o seu celular. Confira o seu checklist na véspera. No dia da prova, saia com tempo de sobra. (Não se esqueça de saber muito bem como chegar ao local.) Informe-se sobre o dia da prova, pois poderá haver eventos (corridas, festas, etc.) que dificultem o trânsito e atrasem você. Ir de transporte público, taxi ou carona é mais interessante do que ir com o próprio carro. O estacionamento em locais de prova nem sempre são fáceis. Conheça com antecedência o local e a sala do exame. Se possível, vá até lá, antes do dia da prova. Se as provas forem realizadas em outra cidade ou estado, veja a possibilidade de chegar com um ou dois dias de antecedência. Mesmo se for numa cidade próxima, será melhor dormir na cidade, evitando ter que acordar muito cedo para viajar. Evite conversar com outros candidatos que falam demais. Fique tranquilo, no seu espaço, concentrado e relembre o seu objetivo. Se não houver lugar marcado na sala da prova, escolha um lugar onde não bata o sol diretamente e longe de movimentos, ar condicionado, ruídos e passagem de pessoas. Um detalhe importante: se você for canhoto(a), entre logo na sala e procure uma cadeira adequada, porque são poucas. Nos dias de prova, use roupas confortáveis. Pode ser uma roupa bem leve e fresca, caso esteja calor, ou um bom agasalho, caso esteja frio. Não vista roupas e calçados apertados. Use roupas neutras. Nada de camisa de time, religião, partido político, cursinho, piadas bobas ou indecentes. “Alimente” o seu cérebro antes e durante a prova: coma uma barra de cereais ou castanhas e tome goles de água. Vá ao banheiro antes da prova começar. Se houver mais de uma prova no mesmo dia, em horários diferentes, não estude nos intervalos. Use esse tempo para descansar e relaxar. Se for almoçar no local, prefira levar um lanche reforçado de casa. Leia com atenção as instruções da prova que geralmente estão na capa. Não comece a prova sem lê-las. Se você atentar para esses cuidados, estará menos propenso a se autossabotar ou a não aproveitar bem todo o processo de preparação que você fez. COMO RESPONDER QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA Ao fazer testes de múltipla escolha, você deve ter em mente o básico da realização de testes: leia as instruções primeiro e com cuidado, leia cuidadosamente cada pergunta e tenha uma abordagem sistemática de todo o exame. Existem também algumas estratégias muito específicas para abordar questões de múltipla escolha. 1. Leia atentamente o enunciado Por mais que essa possa ser uma dica óbvia, ela é extremamente importante. É relativamente comum que o candidato comece a ler a pergunta e antes de terminar a leitura já parta para as alternativas, por acreditar que sabe a resposta. O problema disso é que muitas vezes o candidato pode ser vítima de uma questão que na verdade é uma pegadinha. Além disso, muitas respostas podem apresentar alternativas muito parecidas ou ambíguas. Portanto, mesmo que esteja certo da resposta, leia a questão na íntegra e leia todas as alternativas. 2. Se atente aos qualificadores Qualificadores são palavras que alteram uma declaração. Palavras como sempre, mais, igual, bom e ruim. Em um teste de múltipla escolha, os qualificadores podem alterar uma alternativa de resposta aparentemente correta em incorreta, e vice-versa. Por exemplo, as duas opções a seguir são praticamente idênticas: a. Geralmente chove em São Paulo. b. Chove sempre em São Paulo. A primeira alternativa é verdadeira, enquanto a palavra 'sempre' na segunda afirmação a torna incorreta (já que não é verdade que em São Paulo chova sempre). Mantenha um controle cuidadoso dos qualificadores circulando os que você encontrar dentro das alternativas de respostas. As famílias de qualificadores mais comuns são: Todos, mais, alguns, nenhum Sempre, geralmente, às vezes, nunca Igual, semelhante, diferente, aproximado (aproximadamente) Mais, menos, muito, pouco Bom, mau É, não é Dica: Quando encontrar um qualificador na opção de resposta, substitua-o por cada um dos outros da mesma família. Então identifique qual dos qualificadores se encaixa melhor na alternativa. Se o melhor qualificador for aquele que já está na opção de resposta, provavelmente a opção será correta, se o melhor qualificador for outro da família, a opção de resposta provavelmente será incorreta. 3. Observe os negativos Negativos podem ser palavras como não, nenhum e nunca, ou podem ser palavras iniciadas por prefixos como i-, como em 'ilógico', des-, como em desinteressado, im- como em impaciente. Observe os negativos porque eles podem inverter o significado de uma sentença. Por exemplo, nessa opção de resposta, o prefixo in- (de indistinguível) faz com que a declaração se torne incorreta: Por ser um líquido à temperatura ambiente, o mercúrio é indistinguível de outros metais. Cada negativo inverte o significado de uma sentença. Com dois negativos, o significado da pergunta deve ser o mesmo de antes. Por exemplo, a primeira instruçãoabaixo não tem negativos. É obviamente verdade. A segunda declaração tem dois negativos - 'ilógico' e 'não'. Como cada negativo inverte o significado da sentença, também é correta, mas é mais difícil identificá-la como verdadeira. É lógico supor que a fama de Thomas Edison se deveu às suas muitas invenções práticas. É ilógico supor que a fama de Thomas Edison não se deveu às suas muitas invenções práticas. Os prefixos negativos mais comuns são: in-, im-, i-, des-, dis-, á-, an-. Dica: Quando você encontrar negativos em uma pergunta, circule- os. Tente identificar o significado da pergunta ou declaração sem o negativo. Isso ajudará você a determinar se a opção de resposta é verdadeira ou falsa. 4. Responda as "coisas certas" primeiro, "passe 3 vezes" depois Primeiro faça o teste e responda todas as perguntas cujas respostas você saiba. Para as questões que parecem mais difíceis, marque os qualificadores e negativos e elimine o máximo de opções possíveis. Isso vai te ajudar a aumentar as chances de acerto. Na segunda passagem, use um tempo extra para identificar as “melhores” alternativas de resposta dentre as que sobraram, buscando eliminar alternativas até restarem duas. Na terceira passagem, dê um palpite (chute) sobre aqueles que ainda são ilusórios, porque qualquer resposta é melhor do que nenhuma resposta. 5. Não deixe questões sem resposta Depois de responder todas as questões que já tem certeza da resposta, e de ter eliminado as questões que acredita serem incorretas você não consegue descobrir a alternativa certa? Bom, não se desespere, basta apelar para as probabilidades. Mas calma, você não precisa fazer nenhum cálculo matemático complexo. Geralmente as questões de múltipla escolha possuem 4 ou 5 alternativas. Isso significa que mesmo que não saiba a resposta, se apenas chutar você tem 20 ou 25% de chances de escolher a resposta correta. Pode parecer estranho, que depois de todo o trabalho de preparação você encontre essa dica sugerindo que você responda às questões apenas no chute. Mas veja lá, essa é a última opção. Afinal de contas, se você conseguir eliminar as alternativas a apenas duas, sua chance de acerto é de 50%. E não precisamos fingir nem tentar enganar ninguém aqui OK? Todos sabemos que o chute faz parte de uma prova, e isso não é o fim do mundo. Aliás, em algumas provas são descontadas da nota final as perguntas sem resposta. Então isso significa que você tem mais a perder não respondendo uma pergunta que não sabe, do que escolhendo uma alternativa aleatoriamente se não souber a resposta correta. Mas como já dissemos, o chute deve ser sua última opção. E apenas chute depois de eliminar o máximo de alternativas possível. *** Essas são algumas sugestões que podem ser uteis a você no momento da prova. Não esqueça de revisar suas repostas no final. E além disso, muita atenção ao preencher o gabarito. Não há nada pior do que responder a pergunta corretamente, mas cometer um erro ao preencher o gabarito e acabar errando a resposta. Suas maiores chances de sucesso e aprovação dependem de você manter a calma e atenção em cada detalhe. Faça valer a pena todo o seu esforço e preparação. Adaptado de The Learning Strategies Center - Multiple Choice Tests - Cornell University http://lsc.cornell.edu/multiple-choice-tests-2/ QUAL VAI SER O TEMA DA REDAÇÃO? Por mais que tentemos, não é possível saber com certeza qual será o tema proposto da redação de concursos ou vestibulares. A única certeza é que os principais concursos e vestibulares do país buscam sempre basear suas redações em acontecimentos da atualidade. Por esse motivo, é muito importante que você esteja atento aos principais acontecimentos do país e do mundo. Atualmente, os temas mais comuns estão ligados às descobertas científicas, acontecimentos políticos, econômicos e sociais. Essas são algumas ideias genéricas sobre temas que têm grandes chances de aparecerem na redação: Endemias e epidemias no Brasil e no mundo; Eleições e compra de votos; Meio ambiente e preservação ambiental; Congestionamento nas grandes metrópoles; Igualdade de gêneros; Economia internacional; Avanços científicos; Conceito de família no século XXI; Direitos LGBTQ+; A fome e o desperdício de alimentos; Guerras e atentados terroristas motivados por religião; Limites do humor; Preconceito e racismo; Feminismo e direitos da mulher; Ideologias Conservadoras/Progressistas Só por curiosidade, aqui estão todos os temas de redação do Enem desde sua criação em 1998: 1998 - O tema de estreia foi Viver e Aprender. 1999 - Cidadania e participação social. 2000 - Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional. 2001 - Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar interesses em conflito? 2002 - O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais que o Brasil necessita? 2003 - A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo? 2004 - Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação. 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira. 2006 - O poder de transformação da leitura. 2007 - O desafio de se conviver com a diferença. 2008 - Como preservar a floresta Amazônica. 2009 - O indivíduo frente à ética nacional. Devido ao vazamento da prova, em 2009, houve dois temas de redação: o da prova cancelada e o da prova refeita. A proposta de redação da prova cancelada foi a “Valorização do idoso”. 2010 - O trabalho na construção da dignidade humana. Os problemas em 2010 foram erros na impressão. Os candidatos que se sentiram lesados refizeram a prova, que teve a proposta de redação “Ajuda humanitária”. 2011 - Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado. 2012 - O movimento imigratório para o Brasil no século XXI. 2013 - Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil. 2014 - Publicidade infantil em questão no Brasil. 2015 - A persistência da violência contra a mulher no Brasil. 2016 - Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil. Na segunda aplicação da prova, "Caminhos para combater o racismo no Brasil". 2017 - Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil. Para a segunda aplicação, "Consequências da busca por padrões de beleza idealizados". 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet. 2019 - Qual a sua sugestão de tema para a redação do Enem desse ano? *** No entanto, o que realmente importa não é adivinhar o tema da redação, mas sim, estar preparado para desenvolver sobre qualquer que seja o assunto proposto. Como vimos anteriormente, ler é extremamente importante, não apenas para escrever melhor, mas também, para se manter informado e atualizado. Leia blogs e sites de notícias, acompanhe perfis de jornais nacionais e internacionais. Tudo isso é necessário pois, atualmente os principais testes e provas são interdisciplinares, ou seja, integram vários temas e conteúdos diferentes, e o mesmo acontece com as propostas de redações ;) APÓS OS RESULTADOS Estamos chegando na reta final do nosso curso. Espero que você tenha gostado e aproveitado o que conversamos até aqui. Nesse capítulo não vamos mais falar sobre a preparação, vamos falar dos seus resultados. Depois de um período tão exaustivo de preparação e de fazer as provas do seu Concurso ou do seu Vestibular, você merece comemorar. Se você seguir o passo a passo que sugerimos aqui, com certeza vai sair das provas com o sentimento de que tudo valeu a pena. Quando, então, sair o seu nome no Diário Oficial ou na lista dos aprovados da Universidade, você vai ter motivos de sobra para se orgulhar e comemorar. É o momento de ligar para os amigos e parentes que lhe deram apoio e comemorar o objetivo cumprido. Para os que desdenharam ou torceram contra, bem..., não faça nada! Agora, é ficar atento(a) às orientações para providenciar os documentos para a posse ou para a matrícula. Para alguns cargos do Concurso Público, existemas técnicas certas para estudar, aprender e se preparar. A sua tarefa, ao longo deste curso, será aprender a se tornar cada vez mais inteligente. Essa é única maneira de garantir o seu sucesso. Um segundo ponto fundamental apresentado pelo Professor Pier é ainda mais polêmico: “ quem tem mais chance de se sair bem em um concurso nem sempre é o candidato que sabe mais, mas aquele que conseguiu se tornar mais inteligente ”. Bem, para desenvolver a sua inteligência e aplicá-la aos seus estudos, talvez precise jogar fora alguns conceitos que você já conheça e os https://amzn.to/2Jg5vsH aceite como verdadeiros. Por exemplo, de acordo com o Professor Pier, você deve deixar de ser aluno para se tornar um estudante . Mas o que isso significa, afinal de contas? De acordo com o professor Pier, aluno é sempre alguém dependente. O aluno precisa que alguém lhe explique os conteúdos, diga o que estudar e como estudar. Como pensar a respeito dos problemas e como responder às questões. Já o estudante é autônomo. Ele sabe qual é a melhor forma de estudar cada área e como pode aprender mais conteúdo em menos tempo. Portanto, se você se acostumou a estudar apenas lendo os livros ou anotando o que os professores ensinam nas aulas e relendo os apontamentos do seu caderno, vai precisar dar uma guinada na sua vida. Mas não se assuste! Você vai receber todas as orientações necessárias e vai descobrir os passos certos para se tornar um estudante autônomo e inteligente ! Você vai descobrir que estudar é muito mais que apenas ler ou rabiscar algumas anotações, e que aprender pode ser muito prazeroso. Espero que tenhamos conseguido aguçar a sua curiosidade e despertado a sua vontade de se preparar para as suas provas com inteligência e de forma autônoma, criando seus próprios processos de estudo. Afinal, a curiosidade e a determinação de responder suas próprias questões são os pontos fundamentais para ter sucesso no seu projeto de estudos. MUDANÇAS NECESSÁRIAS E O GOSTO PELA LEITURA Vamos iniciar nosso curso falando sobre dois tipos de mudança que são necessários na vida de quem se dispõe a enfrentar um Concurso Público, um Vestibular ou uma série de provas. A primeira mudança é externa e é fácil providenciar. É preciso apenas: criar um espaço e um horário de estudos que sejam adequados, ter uma agenda e um plano de estudos, e adotar as melhores estratégias de estudo. Nós vamos tratar desses pontos externos em vários momentos do curso, e também veremos várias dicas para conseguir organizar isso. Porém, a principal mudança, aquela que você realmente precisa realizar é pessoal e interna. Para isso você vai aprender como funciona a sua inteligência e como é possível treiná-la e aumentá-la para chegar ao sucesso na sua empreitada. Para isso, nós vamos discutir sobre: como adquirir gosto e prazer pela leitura e pelos estudos, quais os cuidados que você precisa ter com você mesmo, mental e fisicamente, como usar a estratégia certa para estudar, em cada fase, como ter segurança de estar fazendo a coisa certa. COMO GOSTAR DE LER Pode ser que você tenha aprendido a gostar de ler, desde a sua infância. Isso acontece com quem teve bons professores ou foi influenciado pela família no caminho da boa leitura. Há crianças e adolescentes que, desde cedo, adoram ir à biblioteca, escolhem seus livros, devoram histórias escritas e se divertem. Porém, uma grande parcela das pessoas simplesmente declara não gostar de ler e têm grande dificuldade para estudar. Para elas, o simples fato de ter que ler alguma coisa já é um sacrifício. Então, vamos ao fato número 1: Só consegue fazer seu nível de inteligência aumentar quem for um leitor E ser leitor não é apenas ser alfabetizado ou ir à escola. A maioria dos bons leitores são aqueles que gostam de ler livros que não são indicados pela escola. Ser leitor é diferente de simplesmente ser bom aluno. A diferença entre ler porque a escola exige e ler porque gosta está no prazer e na diversão. Pessoas que leem porque gostam, se divertem da forma mais útil e prazerosa. Aprendendo. Isso nos leva ao fato número 2: Na realidade, ninguém odeia ler O que acontece na verdade, é que as pessoas odeiam a obrigação de ler , ainda mais de ler livros chatos indicados pelo sistema escolar. É muito comum que crianças gostem de ler alguns dos livros indicados por professores que conseguem aliar a leitura de bons autores infanto-juvenis com a diversão da leitura. Porém, quando se toma a lista de livros para o vestibular, o que se vê é uma sequência dificílima e cansativa para quem não adquiriu o hábito da leitura. O problema é que essas pessoas não foram apresentadas aos livros divertidos que as preparariam para ler esses clássicos mais complexos. Ler é como ouvir música. Dificilmente, alguém começa a gostar de música ouvindo música dodecafônica de Schoenberg. Esse é um tipo de audição para ouvidos treinados e estudiosos da música. Da mesma forma, é difícil começar a gostar de ler a partir de um livro de José de Alencar ou de Camões, embora eles sejam autores geniais. Normalmente, esse gosto é adquirido através da leitura de algo envolvente, como uma história, que pode ser uma ficção, uma biografia ou um relato histórico. Existem centenas, senão milhares, de livros que são tão fascinantes, a ponto de prender o leitor por horas ou dias. Muitos desses livros tornaram-se filmes e é comum as pessoas dizerem: “vi o filme, mas o livro é muito melhor!”. Essa é a frase típica de bons leitores. Eu tive a sorte de iniciar meu caminho como leitor lendo por prazer, e não por obrigação. Lembro até hoje o primeiro livro que li inteirinho por pura e sincera vontade: A História sem Fim, de Michael Ende. Um livro que conta a História de Bastian, um menino solitário que começa a ler um livro e é enviado para o reino da fantasia. Esse livro mexeu com a minha imaginação e me fez querer encontrar outras histórias fantásticas. E as histórias fantásticas me fizeram perceber que através dos livros eu poderia conhecer muito do mundo mesmo sem sair da minha cadeira. As pessoas que conheceram a experiência de encontrar o fascínio de um livro precisam continuar a fazê-la, encadeando uma leitura na outra e criando a rotina da leitura. Com o tempo, ler torna-se um prazer irresistível. Repito: ler é a melhor maneira de desenvolver e aumentar a inteligência. E nós vamos entender as causas fisiológicas disso mais adiante. Pode ser que você tenha perdido o hábito de ler jornais, revistas e livros impressos. Eu sei, esse é um fenômeno da atualidade. As pessoas, quando leem, estão usando, cada vez mais, seus celulares, notebooks, tablets e computadores. Eu inclusive leio boa parte dos meus livros em formato digital. Porém, preciso informar você sobre uma coisa importante. Estudos têm mostrado que ler em uma tela que emite luz reduz em 30% a compreensão do conteúdo . A Neurociência mostra que os mecanismos neurais usados na leitura e uma tela luminosa são diferentes dos mecanismos neurais utilizados na leitura em papel. O Que causo um nível menor de engajamento na leitura em dispositivos eletrônicos. Por isso, as grandes distribuidoras estão colocando no mercado dispositivos de leitura com displays display de electronic paper (“papel eletrônico”), que simula uma folha de papel e exige claridade no ambiente para ser lido, como se fosse um livro impresso. E é justamente em dispositivos com telas de papel eletrônico, como o Kindle, que faço minhas leituras de ebooks. Portanto, sempre que possível, dê preferência por ter o livro ou o texto impresso para estudar. Isso não significa que você não pode nunca utilizar a tela. Essa recomendação é para os textos mais longos e complexos, especialmente as leis e teorias, nos quais é possível e até mesmo aconselhável, que você possa fazer marcações e anotações. ESCOLHENDO O LOCAL E ORGANIZANDO OS MATERIAIS Vamos falar agora sobre um aspecto fundamental da sua preparação para um Concurso Público, para o Vestibular ou qualquer tipo de provas às quais você pretende se submeter nodiversas exigências de certidões negativas a serem providenciadas. Faça isso o quanto antes. Mas... E se eu não passar? Caso você não seja aprovado, seja bem-vindo de volta à etapa de planejamento! Se você não passar na prova ou não for aprovado, você simplesmente vai estar ao lado de grandes gênios, professores, cientistas, promotores, juízes, médicos, engenheiros, inventores que também experimentaram a derrota em suas trajetórias. São inúmeros os casos de aprovados que foram reprovados antes e, na época, acharam que era o fim do mundo, mas que depois foram aprovados em outros concursos e agradeceram por não terem passado naquele primeiro teste. Há também os que conseguiram a aprovação depois de várias tentativas. Não passar em um concurso não é o fim do mundo! Eu sei que não adianta dizer isso para quem acabou de ser reprovado. Porém, é bom que você saiba que uma reprovação pode ser uma excelente **oportunidade** de aprender com os erros e não uma desculpa para vitimismo. Há muitos que reclamam da prova, da banca, da faculdade, do colégio, do cursinho, da mãe, do pai, do namorado, do tempo... do mundo. Isso passa! É comum, nesses momentos, algumas pessoas pensarem em desistir. Mas também há inúmeros casos de pessoas que decidem persistir para chegar onde querem, mesmo após uma derrota. E espero que você seja uma dessas pessoas. É hora de analisar as falhas da sua preparação. Se você seguiu todas as orientações de estudo, pode ser que o problema tenha sido na escolha dos livros, ou do curso que você fez, na quantidade insuficiente de exercícios, provas ou revisões etc. Não adianta sair apontando o dedo por aí culpando tudo e todos. Olhe para si mesmo e reflita sobre o que VOCÊ poderia ter feito de diferente . Se você optar por persistir nas suas metas, não adiantará fazer exatamente tudo do jeito que fez antes. Desenvolva uma autocrítica construtiva, verificando quais aspectos você deve aprofundar no seu conhecimento e na sua capacidade de realizar melhor o seu processo de preparação. É hora de retomar as dicas que vimos sobre como estabelecer os seus objetivos. Você vai ter a vantagem de já ter descoberto alguns de seus potenciais e identificado algumas técnicas que vão te ajudar. Vitória e derrota precisam ser devidamente avaliadas. Elas não são o fim; elas são meios para atingir objetivos maiores. Se você deu o melhor de si, de alguma forma você venceu, independentemente do resultado . Bem, todos nós sabemos que é possível tirar coisas boas de uma derrota. Pode não ser fácil – e eu não estou dizendo que seja. Porém, é a forma mais inteligente e eficiente de autossuperação. Então chegamos à pergunta chave: Como podemos aprender com os erros? Se você percorrer uma livraria ou simplesmente olhar as redes sociais das pessoas, terá a impressão de que somos todos felizes, somos vitoriosos porque temos muitas receitas de sucesso e estamos no topo da nossa existência. Nas nossas fotos, estamos sempre sorrindo, cercado de pessoas interessantes e felizes, comendo bem e frequentando os lugares mais agradáveis do mundo, nas livrarias vários dos livros à venda apresentam as fórmulas e os segredos para conseguir tudo o que quiser. Há uma cultura do sucesso entre nós que sobrevaloriza as imagens de quem tem dinheiro, fama e poder, e desvaloriza as derrotas e o esforço. A impressão que dá é que ser feliz é ser parecido com quem ostenta riqueza e superficialidade. Da mesma forma que tomamos consciência de que há uma minoria que ostenta, tudo é apresentado, em livros, vídeos e programas de tv, como sendo fácil e as sellfies parecem confirmar que estamos nos divertindo muito com tudo isso. É preciso que você saiba de uma coisa: a derrota não é um mal em si . Sem os erros não haveria progresso, as derrotas ensinam e geram paciência para persistir até superar os resultados anteriores. É preciso não se fixar na derrota. Lembre-se de que, muitas vezes, uma vitória completa apaga todas as derrotas anteriores. É importante retomar o fôlego do início e recalcular os próprios passos. A sua aprovação vai estar cada vez mais próxima, se você estiver dando os passos certos. Para encerrarmos, gostaria de deixar com você, a caráter de reflexão, uma frase do Professor Willliam Douglas, um dos maiores especialista em preparação para provas e concursos do Brasil. Ele diz o seguinte: “Faça o seu melhor, persista até vencer e não se iluda com a vitória ou a derrota, tratando-as como um capricho do destino ao qual você pode superar. O aprendizado e o esforço pessoal é que são as verdadeiras conquistas.” *** Espero que você tenha aproveitado esse curso. Se você não se importar, gostaria de pedir que escreva para nós contando a sua experiência com o processo de preparação. Gostaria também de saber se tem alguma sugestão que possa ajudar a melhorar a qualidade do nosso conteúdo. Estamos sempre dispostos a ouvir críticas bem fundamentadas e sugestões positivas. Um forte abraço. Nos vemos no próximo eBook! CONCLUSÃO E então, chegamos ao final. Foi muito bacana esse tempo que passamos juntos, espero que você também tenha curtido. Mas principalmente, espero que o conteúdo tenha sido útil a você, e que a partir de agora você consiga aproveitar melhor suas leituras. Gostaria de agradecer por ter me acompanhado até aqui. Desejo que você obtenha ótimos resultados aplicando as estratégias e dicas que compartilhei com você neste livro. Se você gostou do conteúdo, se ficou com alguma dúvida, ou se tem alguma sugestão a fazer, não esqueça de que você pode enviar sua mensagem diretamente para mim pelo email ebooks@academiaideia.com . A propósito, gostaria de deixar registrado que, por mais que este livro tenha passado por revisão, ele não está livre de erros. Portanto, caso encontre algum erro (seja de gramática, ortografia ou erros de digitação) por favor me avise. Você pode usar os recursos do seu aplicativo ou Leitor Kindle para indicar os erros ou entrar em contato através do meu email. Ah, mais uma coisa. Gostaria de pedir que assim que terminar a leitura deste ebook, que você deixe sua avaliação no site da Amazon. Sua opinião é extremamente importante para mim. É através dos seus comentários que eu posso saber se estou no caminho certo, se o conteúdo que desenvolvi está sendo útil de verdade, e se algo precisa ser melhorado. Avalie este eBook! mailto:ebooks@academiaideia.com?subject=Oi,%20li%20seu%20livro%20Como%20Criar%20Hábitos... SOBRE O AUTOR Olá, aqui é o Ismar! Sou apaixonado por desenvolvimento pessoal e grande entusiasta do ensino e aprendizado online. Um “aprendedor” que adora compartilhar o que aprende. Durante muito tempo me vi sem um propósito definido. Na verdade, era bastante frustrante não saber o que fazer da vida. Foi então que comecei a buscar nos livros algo que não sabia exatamente o que era, mas acreditava que saberia quando encontrasse. E tenho lido muito desde então. É fantástico o conhecimento que você pode encontrar entre as páginas dos livros. O interessante é que não encontrei o que estava procurando, e ainda tenho esse sentimento de que falta alguma coisa. Mas quer saber de uma coisa? Esse é o melhor sentimento que eu poderia ter. Afinal, é esse sentimento que me mantém de pé, buscando e crescendo. Eu acabei encarando isso como um fator motivador, ao invés de me deixar paralisar por ele. Todas as pessoas que se destacam em alguma área de suas vidas sabem de coisas que não aprendemos da forma convencional. O conhecimento prático, como gosto de chamar, é um tipo de conhecimento que nos leva além da mediocridade. E é justamente esse tipo de conhecimento que estou disposto a compartilhar com pessoas como você, que desejam descobrir e desenvolver suas habilidades, tornando-se pessoas e profissionais melhores. Minha filosofia de vida está baseada no conceito de Atalhos de Conhecimento. Os atalhos estão por todos os lados em nossas vidas. O que acontece é que simplesmente não os enxergamos assim na maioria das vezes. Quer exemplos? Quando você compra um livropara aprender biologia, física, matemática, desenvolvimento pessoal, produtividade ou técnicas de apresentação, quando você pesquisa dicas sobre algum assunto na internet, ou quando você se matricula em um curso online, o que você está fazendo é simplesmente tomando atalhos de conhecimento. Com esses atalhos você adquire o conhecimento acumulado por todas as pessoas que vieram antes de você e de mim, e que já descobriram, experimentaram, cometeram erros e obtiveram acertos. Então, para pular toda essa enorme etapa de aprendizado, tomamos atalhos de conhecimento. Livros, cursos, vídeos da internet, conselhos de um mentor, sessões de coaching, workshops, palestras... tudo isso são atalhos de conhecimento. A ideia é simples: Eu procuro oferecer aos outros o conhecimento que gostaria de ter adquirido antes, seja através de eBooks como este ou cursos online como os que você pode encontrar no meu Perfil de Instrutor . Um abraço, Ismar Souza. https://www.udemy.com/user/ismar-souza/ OUTROS LIVROS DO AUTOR Você é perfeitamente capaz de se tornar mais produtivo, desde que se comprometa a aplicar o que aprender. As dicas que você vai ver no eBook “Como se Tornar Mais Produtivo” estão totalmente FOCADAS EM AUMENTAR E MELHORAR seus níveis de planejamento, foco e ação. https://amzn.to/2vug0AS https://amzn.to/2vug0AS “Estratégias de Leitura para Ler e Compreender Melhor” foi inspirado na obra "Como Ler Livros" de Mortimer Adler, e a minha intenção é apresentar os conceitos básicos do livro fonte de uma forma adaptada, utilizando uma linguagem acessível e bem objetiva. https://amzn.to/2Y7MyNO https://amzn.to/2Y7MyNO O eBook “Redação Prática para ENEM, Concursos e Vestibulares” é uma excelente oportunidade para você aprender definitivamente a escrever uma redação bem estruturada, utilizar linguagem adequada, expor suas ideias e apresentar argumentos de forma lógica e coerente. https://amzn.to/2MuYbrO https://amzn.to/2MuYbrO “Leitura Eficiente- Como Ler Mais E Melhor” foi escrito com a intenção de mostrar os pontos fundamentais para uma leitura eficiente, sem apelar para técnicas mágicas ou métodos extravagantes. https://amzn.to/2KFpNJb https://amzn.to/2KFpNJb Como estudar para provas e concursos Mudanças necessárias e o gosto pela leitura Escolhendo o local e organizando os materiais Rede de Apoio de amigos e familiares Organizando e administrando seu tempo Planejando os Estudos Como aumentar seu tempo de estudo Definindo o seu objetivo e aumentando a motivação Alimentação e bebidas estimulantes Cuidados com o sono Exercícios físicos e cuidados com o corpo O cérebro e os sistemas de aprendizagem Atenção e concentração Memória e memorização Técnicas de memorização Estratégias para iniciar os estudos Técnicas de estudo A Prática espaçada Leitura eficiente Algumas orientações importantes Redação para provas e concursos A semana e os dias de prova Qual vai ser o tema da redação? Após os resultados Conclusão Sobre o Autor Outros livros do autorfuturo: o seu local de estudo. Escolher um lugar de estudo adequado é um dos passos mais importantes da sua preparação. Primeiramente, é essencial encontrar um lugar tranquilo e bem iluminado, no qual você não se distraia e possa estar totalmente focado nos estudos. Portanto, esse local deve ser o mais silencioso e sem interferências externas possível. A distração pode fazer você perder muito tempo. Vários estudos têm mostrado que, quando alguém se distrai de uma atividade, pode demorar até 20 minutos para voltar a se concentrar no que estava fazendo antes. Porém, leva apenas 11 minutos para se distrair após o começo de uma tarefa. E uma das principais causas da distração costuma ser justamente o ambiente em que a pessoa está. Por isso, escolher o ambiente para as horas de estudo é tão importante quanto o conteúdo que você vai estudar. Esse é um ponto fundamental, mas que geralmente não recebe a devida atenção. Não seja uma dessas pessoas que cometem erros básicos por desconsiderar detalhes importantes. Pode ser que você pretenda estudar em sua própria casa. Essa é a escolha da maioria das pessoas. Para quem estuda em casa, existem algumas sugestões que podem ser bastante úteis: Mantenha a TV desligada ou fique bem longe dela. Não estude deitado na cama ou no sofá, pois a tendência a ter sono é muito grande. Deixe o celular no modo silencioso, bem distante de você ou se possível em outro cômodo. Evite sentar-se voltado para uma porta ou janela, a melhor opção seria sentar-se virado para uma parede e longe da entrada. Uma biblioteca também pode ser um excelente local de estudo. Seja ela pública, do colégio, da faculdade ou em um centro cultural. As bibliotecas costumam ter uma energia que atrai ao estudo. Afinal, são locais construídos para isso. Você pode se motivar ao ver outras pessoas também se dedicando aos estudos. Nesses espaços sempre existem mesas mais reservadas que são ótimas para quem precisa se concentrar. Até mesmo uma cafeteria pode ser o seu local de estudo, se não for um ambiente muito movimentado e barulhento. Evite sentar-se próximo das portas de entrada ou saída, e se possível avise para os atendentes que você vai passar um tempinho ali e que gostaria de não ser incomodado. Há pessoas que preferem ambientes mais abertos para estudar, como uma praça, um parque, ou até mesmo a praia, embora esses lugares possam favorecer a distração. Esses locais podem ser interessantes, especialmente para fazer revisões, ler resumos ou algo mais leve. Há várias pessoas, por exemplo, que estudam também conteúdos mais exigentes e se sentem até mais inspiradas. O importante é você avaliar a sua capacidade de concentração nesses espaços. Aliás, todas as dicas que você vai ver aqui devem sempre ser encaradas como sugestões que precisam ser testadas. Nenhuma dica ou estratégia é 100% garantida. Faça testes e adaptações até conseguir os resultados que você deseja. Algumas pessoas perguntam: é possível estudar estando no ônibus ou metrô? Bom, se você gasta algumas horas do seu dia se locomovendo no transporte público, poderia aproveitar também esses momentos para estudar. Por exemplo, se você passa duas horas por dia se locomovendo e não aproveita esse tempo, somando todo esse período, no final de um ano você terá 700 horas a menos de estudo. Porém, esse não deve ser o seu principal horário de estudo, pois é muito difícil escrever ou anotar alguma coisa, estando em movimento. Você pode, por exemplo, ouvir a gravação de aulas, memorizar algumas coisas, repassar textos e exercícios já estudados e ler alguns textos mais simples. Enfim, o tempo que você passa em transportes públicos é perfeito para fazer revisões. Com relação à iluminação, sempre que possível, dê preferência à luz natural. No entanto, é importante que essa luz não incida diretamente sobre o texto. A luz indireta ou difusa é sempre melhor, pois o papel branco reflete muita luz e seus olhos se cansam mais rapidamente. Caso você sinta seus olhos ardendo ou cansados, não os esfregue diretamente. Experimente esfregar as mãos até aquecê-las bem e coloque-as sobre os olhos por uns 30 segundos. Isso vai ajudar a relaxá-los. Além do seu local de estudo, é importante escolher os melhores horários para estudar. Se for possível escolher os seus momentos de estudo, preste atenção aos horários em que você é mais produtivo. Há pessoas que tem muito gás para estudar pela manhã, outras preferem no fim da tarde, à noite ou até mesmo de madrugada. Mais adiante vamos falar sobre o ciclo circadiano e então você vai entender a importância de descobrir o seu horário de maior rendimento. Seja qual for o local escolhido, não se esqueça de que os seus materiais devem estar organizados. Perde-se muito tempo colocando em ordem os materiais antes de começar a estudar. Então: Organize seu material por disciplina. Além dos livros, os materiais impressos devem ser separados em diferentes pastas. Se possível, use pastas de diferentes cores para distinguir uma disciplina da outra. Organize tudo em subpastas. Além das pastas de cada disciplina, você pode separar as apostilas, editais, leis, exercícios, resumos, provas etc. Só tenha diante de si o que vai usar no seu estudo. Não junte vários livros nem fique com várias pastas abertas. É importante segmentar seus períodos de estudo para matérias específicas. Não deixe seu ambiente de estudos desorganizado para o dia seguinte. A desordem pode fazer você perder tempo para se concentrar e recomeçar. Termine o que começou ou marque onde deve recomeçar. Caso você esteja no meio de mais de um tópico, de diferentes disciplinas, deixe- as encadeadas para o dia seguinte. REDE DE APOIO DE AMIGOS E FAMILIARES Há pessoas que recebem muita ajuda da família e incentivo dos amigos, quando decidem enfrentar o desafio de um Concurso ou um Vestibular. E isso é ótimo! Infelizmente, em alguns casos, pode ser difícil manter uma boa relação com algumas pessoas próximas. Ocorrem muitas cobranças e algumas pessoas podem torcer contra e até tentar atrapalhar o processo. Eu sei que isso pode ser um pouco difícil de aceitar, mas nesses casos, não há muito o que fazer: se você não puder conquistar essas pessoas para o seu lado, é melhor afastar-se o quanto possível. Você está entrando em um período que pode durar meses ou alguns anos. Tudo por um objetivo que vai melhorar não só a sua vida, mas também a de seus familiares. Pensando nisso, é importante estabelecer um clima de paz e de colaboração, criando o que eu chamo de REDE DE APOIO. Algumas atitudes serão necessárias para que você se cerque de uma Rede de Apoio. 1. Comece conversando com cuidado com os seus familiares e amigos Explique a eles que você vai enfrentar uma missão difícil, e que vai precisar de todo o apoio que eles puderem dar. Há pessoas, dentro de nossa própria casa, que são negativistas e tentam nos “jogar pra baixo”. São os destruidores de sonhos alheios. Eles desdenham da sua capacidade de vencer, afirmam que você vai jogar dinheiro fora e que, para os que prestarão concurso público, que nessa área “é tudo marmelada”. Não perca o seu tempo discutindo com essas pessoas! Não gaste a sua energia! A melhor forma de confrontá-las é se empenhar no processo de estudos, dar todos os passos necessários e ir em direção ao sucesso. Utilize a crítica como desafio e combustível! 2. Prepare a família para os seus altos e baixos Em todo processo que exige esforço por muito tempo há momentos em que a pessoa fica mal-humorada, chata, triste, frustrada ou desanimada. Esperamos que não, mas existe uma grande probabilidade de você ter momentos assim e pensar em desistir. Converse com as pessoas próximas e que gostam de você para que elas sejam suas aliadas e compreendam esses momentos. Elas podem ser uma grande fonte de incentivos. Quando se sentir assim, lembre-se de não descarregar tudo em cima da família. Fique sozinho um pouco para pensar melhor, saia para dar um passeio, vá a um parque, cinema ou praia, pratique um esporte e recupere a energia para recomeçar.3. Converse com quem já passou pelo mesmo processo Uma boa ajuda para os seus estudos pode ser conversar com quem já passou por isso. É sempre bom procurar a ajuda de alguém que já aprendeu. Uma pessoa que passou pelo mesmo processo anteriormente é quase sempre um bom modelo. Você não precisa fazer as mesmas coisas, mas pode se aproveitar de algumas informações que demoraria mais tempo para descobrir sozinho. Se você puder encontrar alguém que já foi aprovado no concurso ou prova pela qual você vai passar, melhor ainda! Você poderá ter muitas dicas. Mas, atenção! Aproveite as dicas, não as anotações de estudo de outra pessoa. Anotações são pessoais. Pegue as dicas de estudo, mas não se baseie totalmente nas anotações, a não ser para comparar com as suas. 4. Se possível, tenha com quem estudar Algumas pessoas se dão muito bem trabalhando em equipes. Grupos de Estudo podem ser um complemento válido para os seus estudos. A sua aprendizagem é solitária. O aprendizado é seu. Porém, se você puder ter feedbacks de outras pessoas, isso pode ajudar imensamente nos seus estudos. Caso você esteja fazendo algum curso preparatório, aproveite muito dos professores, a fim de esclarecer as suas dúvidas. Se estiver fazendo um curso online, use sempre as áreas de perguntas e respostas, fóruns e chats. É muito importante não deixar as dúvidas se acumularem. Se puder, tenha um parceiro de estudos, que esteja no mesmo barco ou um amigo que se disponha a ajudar, repetindo questões, corrigindo suas falas, tomando as lições. Tenha amigos ou familiares para quem contar sobre o seu progresso. Uma boa torcida sincera também incentiva. Você também pode procurar por grupos de desafio e apoio na internet. Uma ótima sugestão é o site mude.vc �� , onde pessoas participam de desafios, compartilham suas experiências e ajudam outras pessoas a conseguirem atingir um objetivo específico, como ser aprovado em um concurso, passar no vestibular, ler mais, perder peso ou se tornar mais produtivo. Além disso no mude.vc, você vai encontrar uma grande quantidade de artigos e materiais de apoio cuidadosamente escritos que podem ajudar e dar várias dicas importantes para você atingir seus objetivos. Vale a pena dar uma olhada. https://mude.vc/ ORGANIZANDO E ADMINISTRANDO SEU TEMPO A administração do tempo abrange todas e cada uma das atividades do dia-a-dia. Você sabe o quanto o seu tempo é limitado. Portanto, você precisa aprender a dividi-lo harmoniosamente entre todas as suas atividades. Uma vez que você decidiu que o estudo é uma prioridade para os próximos meses ou anos, é importante harmonizar os estudos com as outras atividades que você desenvolve . Não há uma receita de horário, pois a sua vida não é a mesma de outras pessoas. Existem muitas coisas que influenciam na escolha dos seus horários. Você sabe que os horários de uma pessoa que trabalha são diferentes de uma que tem mais tempo livre para estudar. O fato de você ser casado ou solteiro determina parte do uso do seu tempo. Quem tem filhos sabe que precisa dedicar parte do seu tempo a eles. Será necessário conciliar os estudos com essa responsabilidade. Quem costuma praticar esportes ou fazer exercício físico não precisa (e nem deve) abrir mão dessa prática. Pode ser que você esteja acostumado a ir à igreja ou a fazer compras semanais, ou ainda precisa visitar com regularidade um parente. Todas essas atividades regulares devem ser levadas em consideração na organização do seu horário de estudo. Considerando tudo isso, é importante saber que o número ideal de horas para estudar é o maior número de horas que você puder, desde que você harmonize os seus horários, mantenha a sua qualidade de vida e faça render o estudo. Isso é importante para que você não vá estudar com a angústia de estar deixando de fazer algo importante. Nós vamos ver no decorrer do curso que o mais importante não é o tempo que você dedica ao estudo, mas sim a qualidade do seu estudo, o quanto você consegue aproveitar do tempo que passa estudando. Saber estudar é muito mais do que definir horas de estudo. Estudar é definir a qualidade do estudo e o equilíbrio adequado entre as atividades de estudo, lazer, descanso, trabalho... Obviamente, não é possível ter sucesso dedicando apenas poucas horas aleatórias ao seu estudo. Porém, a quantidade de horas de estudo é menos importante que a qualidade desse estudo como acabamos de ver. Quanto menos qualidade houver nas suas horas de estudo, maior será o retrabalho, isto é, as horas que você precisará repetir o estudo mal feito. É melhor estudar duas horas com qualidade do que quatro horas com distrações e preocupações. Melhor ainda é estudar quatro horas com qualidade. Existe uma fórmula, criada pelo Professor William Douglas, que é muito interessante e que é utilizada para entender como podemos obter melhores resultados com o tempo de estudo. A fórmula é a seguinte: TRE = HE x NC x QE TRE é o Tempo Real de Estudo. HE é o Horário de Estudo (Ou seja, o número de horas que você dedica aos estudos). NC é o Nível de Concentração. QE é a Qualidade do Estudo. Em resumo, o seu Tempo Real de Estudo é resultante da quantidade de tempo que você vai se dedicar, vezes o nível de concentração que você tiver e da qualidade do seu estudo. Esses são os três elementos que formam a base de todas as recomendações do nosso curso. Posto isto, vamos conversar com mais detalhes sobre o Horário de Estudo! É muito comum ouvirmos as pessoas reclamarem de falta de tempo para se dedicar aos estudos. Com exceção dos casos em que a pessoa tem tarefas imensas a realizar com trabalho exaustivo, filhos, pessoas doentes na família... a falta de tempo da grande maioria das pessoas costuma decorrer de dois fatores: FALTA DE PRIORIDADE Ou seja, o estudo ainda não é a prioridade dessa pessoa. Ela ainda não se comprometeu de verdade a criar e pôr em prática seu projeto de estudo e preparação. FALTA DE ORGANIZAÇÃO A pessoa quer estudar, mas não se organiza corretamente: não tem um horário ou não o cumpre, não buscou um local adequado ou nem tem os materiais necessários. Talvez ela até tenha um plano de estudos estruturado, mas ainda não aplicou a disciplina necessária para realizar seu projeto de estudo. Se você decidiu apostar a sua vida numa jornada séria de preparação, é preciso ter claro qual é o seu objetivo, para que os seus estudos sejam um instrumento para chegar ao sucesso. Vamos falar mais sobre isso num próximo capítulo. Para organizar a questão do horário de estudo, vamos ver duas afirmações que podem parecer contraditórias a princípio, mas não são. Na verdade, elas são complementares. 1. O seu horário de estudo deve ser sagrado Você deve ter um compromisso consigo mesmo. Ao estabelecer os seus horários de estudo, você fará um grande investimento no seu futuro. Por isso, não crie um horário que será impossível de cumprir. Tome uma decisão que vá fortalecer e não frustrar você. Porém, uma vez estabelecido, cumpra-o! Essa é a Regra Número 1. 2. O seu horário deve ser flexível Parece contraditório, mas a Regra Número 2 significa usar de bom senso. A disciplina é fundamental, mas o resultado é mais importante. Por isso, se acontecer de, no horário de estudar, você estiver com muito sono, o melhor a fazer é tirar alguns minutos para dormir, e voltar a estudar depois mais descansado e concentrado. É melhor fazer render duas horas de estudo do que estudar cansado e desconcentrado por três horas . Lembre-se de que um dos fatores da equação que vimos há pouco era justamente a Qualidade do Estudo. Da mesma forma, pode haver um dia em que é importante deixar de estudar para participar de alguma ocasião especial. Não há nada de mal em fazer isso. Eu já vi muitas pessoas abandonarem sua vida social durante o período de estudo. Essa pode até ser uma opção, mas não é a melhor. A pessoa que age assim não se dá conta que estar bem emocionalmente, se sentir confiante e relaxado é fundamental para o bom rendimento do estudo. Então, de acordo com a Regra Número 1, é precisorespeitar os seus horários. Eles só devem ser alterados em poucas ocasiões, e é nessa hora que devemos usar a Regra Número 2 e flexibilizar nosso horário. Esse processo de organização do horário de estudo é baseado em um princípio básico: Equilíbrio. Seu objetivo deve ser equilibrar o seu esforço em busca do aprendizado com as suas outras atividades importantes da sua vida pessoal . Enquanto estou falando, você deve ter pensado nos horários que vai usar para estudar e que se encaixem com a sua rotina atual. Então, no próximo capítulo veremos detalhadamente como organizar e aproveitar melhor seu tempo de estudo. PLANEJANDO OS ESTUDOS Falamos anteriormente sobre o Horário de Estudo, onde vimos que o seu estudo deve ter prioridade neste período de preparação. Então, chegou a hora de fazer um PLANEJAMENTO dos estudos. E por que fazer um planejamento? Simplesmente porque o planejamento faz parte do sucesso, em qualquer atividade. Para você utilizar bem o seu tempo, você precisa fazer um planejamento dos passos e etapas da sua preparação. Isso é o que chamamos de Método. Eu sugiro a você que crie um quadro e relacione todas as disciplinas e os conteúdos que você precisa estudar . Além disso, dê uma olhada na quantidade de páginas de cada tópico para ter uma ideia de quanto tempo de leitura você precisará dedicar a cada tópico e tente dividir as suas horas de forma equilibrada. Temos a tendência a ampliar o tempo das atividades mais fáceis e deixar as difíceis para depois ou dedicar a elas menos tempo, justamente por serem mais difíceis ou menos agradáveis. Isso é um tiro no pé. A divisão equilibrada do seu tempo de estudo é um dos pontos essenciais do seu sucesso . Você vai ver que esse planejamento e organização vão diminuir a tensão, o stress e aumentará imensamente a sua concentração. Você finalmente vai sentir o prazer de estar fazendo a coisa certa. É óbvio que o seu planejamento pode sofrer alterações. Pode ser que você descubra que um determinado tópico vai exigir mais tempo de estudos do que você havia planejado, ou que um determinado exercício precisa ser complementado para fixar melhor. Todas essas variações são normais e esperadas. O importante é que você adeque o seu horário às suas necessidades e mantenha o seu plano. E a melhor maneira de se conseguir isso é criando um Cronograma de Estudo. Para criar seu cronograma desenhe uma tabela com 6 dias da semana, e divida cada dia em três períodos, manhã, tarde e noite. Determine também os horários de início e fim de cada período do seu dia. Por exemplo, você pode determinar que seu período da manhã de segunda, quarta e sexta iniciam às 10:00 e terminam às 12:00, já que nesses dias você vai para a academia. Já o período da manhã dos outros dias do seu cronograma, iniciam às 8:00 e finalizam as 12:00, normalmente. Feito isso, relacione todos os temas que você precisa estudar e os distribua entre os períodos que você acabou de criar. E para que o seu cronograma funcione corretamente, existem alguns pontos que você deve levar em consideração: Neste cronograma você deve utilizar apenas os períodos em que não tiver nenhuma tarefa agendada. Se desejar, marque também as atividades pessoais que você tiver, assim, você terá todas suas atividades, tanto pessoais quanto de estudo, relacionadas em um único lugar. Isso vai facilitar a visualização do seu tempo útil disponível para o estudo. O tempo de estudo dentro desses períodos pode variar entre 2 e 4 horas, dependendo da sua disponibilidade e disposição. É claro que você não precisa (e nem deve) estudar por longos períodos de uma vez só. E sempre que estiver estudando, reserve intervalos de, pelo menos, 15 minutos para descanso a cada hora de estudo. Você pode separar um tempo maior para matérias mais complexas, se for necessário. Não estude toda a matéria de uma vez, separe o estudo em partes e os distribua entre outros dias. Isso vai te dar um tempo para fixar melhor o que estudou. Vamos ver mais detalhes sobre isso no capítulo sobre memorização. Deixe seu cronograma em um local visível, e que você possa consultar rapidamente. Pode ser na porta da geladeira o do seu guarda-roupa, ou ao lado do seu computador. Sempre que for estudar, organize seu espaço antes, e deixe todos os materiais que vai usar ao alcance das mãos. Se for possível, prefira estudar sozinho, isso ajuda a evitar distrações e conversas paralelas que tiram o foco do seu estudo. Mantenha seu cronograma atualizado, sempre que concluir um período de estudo, anote isso no cronograma. Da mesma forma, se não for possível estudar o que estava programado, ou no dia programado, atualize para um novo dia e horário. Planejando com antecedência, você terá mais liberdade e segurança para fazer as alterações necessárias. COMO AUMENTAR SEU TEMPO DE ESTUDO Você pode estar pensando “Como posso aumentar o tempo, se o dia tem apenas 24 horas para todos?” Bom, em primeiro lugar é óbvio que o objetivo não é aumentar o tempo existente no seu dia. Isso não é possível. O que queremos fazer é ajudar você a aumentar seu tempo útil disponível para o estudo. Veja, nos dias de hoje, com todas as tarefas e atividades que temos, ninguém parece ter tempo. Por isso, você precisa adaptar o seu tempo! Cada pessoa gasta o seu tempo com as coisas nas quais tem interesse e compromisso. Parece incrível, mas boa parte do seu dia é gasta com atividades menos importantes ou até mesmo inúteis . É só refletir um pouco e você vai perceber que desperdiça boa parte do seu tempo com atividades que poderiam ser totalmente eliminadas da sua rotina sem causar nenhum prejuízo. Se você sinceramente optou por dedicar o tempo necessário a se preparar para uma nova fase de sua vida, vou dar a você uma série de dicas eficientes para aumentar seu tempo útil para o estudo. Aproveite seu tempo no trânsito. Você tem ideia de quanto tempo você gasta dirigindo o seu carro ou dentro de um ônibus ou metrô, todos os dias? O que você faz nesses momentos? A maioria das pessoas, se estiver sozinha, costuma ouvir música, ver as redes sociais, ler alguma coisa aleatória ou simplesmente ficar distraídas em seus próprios pensamentos. Se estiverem acompanhadas, quase sempre vão conversar sobre os assuntos e as fofocas do dia. Mas como você já deve ter se dado conta nesse momento, esses minutos ou horas podem ser aproveitadas para o seu estudo. Obviamente, esse não é o ambiente mais propício para realizar atividades que exigem uma maior concentração, nem adequado para fazer anotações e exercícios escritos. Porém, existem várias atividades que você pode realizar e ajudarão muito na compreensão dos conteúdos a serem estudados ou que já foram estudados. Nós já falamos sobre isso quando conversamos sobre os ambientes de leitura, mas não custa nada reforçar. Se você anda de ônibus ou metrô e consegue ler em movimento sem ficar enjoado ou com dor de cabeça, você pode rever os conteúdos, especialmente os mais difíceis, retomar os resumos feitos no dia anterior ou fixar na memória (decorar) alguns números, nomes, leis e sequências de textos. Se não consegue ler em movimento, a melhor opção é ouvir conteúdo. Existem pessoas que aproveitam esse momento para ouvir podcasts com aulas ou gravações de si mesmo lendo algumas leis ou textos difíceis. Você pode começar a gravar notas de áudio no seu celular sobre os temas que estudar. Essa é uma excelente maneira de revisar suas notas e observações. Se você viaja sempre com outras pessoas que são suas amigas e se disponham a ajudar você, pode envolvê-las no seu estudo, pedindo que façam as perguntas de um questionário, por exemplo, repetindo e pedindo para que confiram os conteúdos ou até mesmo “dando aulas” a elas. Explicar aos outros é a melhor maneira de fixar o conhecimento sobre um assunto que estiver estudando. Aproveite o tempo das atividades diárias As atividades diárias também podem ser usadas para o seu estudo. Se você costuma correr, fazer caminhadas ou frequenta a academia, essas também podem ser excelentes oportunidades deouvir conteúdos gravados. Pense nas coisas que você repete diariamente: arrumar a cama, lavar a louça, colocar as roupas na máquina, molhar as plantas, levar o lixo para fora, colocar combustível no carro etc. Todos esses momentos nos quais seu cérebro está funcionando quase que no modo automático, podem ser aproveitados para memorizar e relembrar conteúdos. O mesmo vale para filas de banco, salas de espera de dentistas e médicos, intervalos entre reuniões etc. É interessante notar que você poderá associar alguns conteúdos que você memorizar com a atividade que você estiver realizando, no momento. Por exemplo: - Ah, essa é a fórmula que eu decorei quando estava colocando comida para o cachorro! - Essa é a lei que eu decorei na fila do banco. Mais adiante, vamos falar sobre técnicas de memorização e você vai ver que uma delas é justamente a de associação com lugares e situações. Outra maneira de aumentar o seu tempo é acabar com o desperdício de tempo. Você pode ganhar preciosos minutos e até mesmo algumas horas diárias de estudo se seguir algumas dessas dicas. Carregue sempre com você algum material de estudo, aproveitando todas as brechas para estudar. Não se preocupe se você tiver que repetir uma ou mais vezes a mesma página de estudos por não conseguir se concentrar nesses poucos minutos. Lembre-se de que você está aproveitando minutos que não utilizava antes, então você vai estar no lucro de uma forma ou de outra. Controle o tempo que você fica no celular ou em redes sociais, estabelecendo um horário fixo curto para fazer isso. Aproveite o horário do banho, da escolha das roupas ou da lavagem do carro para memorizar alguns conteúdos. Diminua o tempo de TV, escolha de antemão os programas que você quer assistir, ao invés de sentar-se diante da TV e deixar o tempo correr. Se você tiver reuniões de estudo com colegas, aproveite cada minuto de dessa reunião, deixando as conversas e fofocas para outro horário. Se for necessário você precisa chamar a atenção do pessoal para focar no estudo. Não se deixe levar pala empolgação do grupo, e nem se preocupe em ser o “chato” do grupo, afinal estamos falando do seu projeto de estudo que vai interferir diretamente nos seus resultados e no seu futuro. Pense sobre isso. Aproveite todo tempo ocioso do trabalho para fazer pequenos estudos (fazer um exercício ou memorizar um parágrafo de uma lei, por exemplo). Não leve os problemas de trabalho para casa e muito menos para os horários de estudo. Essas são apenas algumas dicas que individualmente podem não parecer tão significativas ou importantes. Mas o que você precisa entender é que nenhuma dica ou estratégia que você vai ver aqui ou em qualquer outro lugar vai conseguir sozinha garantir o seu sucesso. É tudo uma questão de aproveitar cada minuto, ter claro em mente que cada detalhe é importante e que é no final de todos os passos que você chega ao seu objetivo. DEFININDO O SEU OBJETIVO E AUMENTANDO A MOTIVAÇÃO Eu disse a você anteriormente que, nesse seu processo de preparação, que existem mudanças tanto internas quanto externas que são necessárias. Vimos, inclusive, alguns exemplos de mudanças externas, que podem ajudar nos seus estudos. Gostaria de fazer você refletir um pouco sobre a sua opção por fazer um concurso público, vestibular ou essas provas a que você vai se submeter. Então responda a si mesmo: Qual é o seu objetivo? Aonde você quer chegar com isso? Como os resultados dessas provas ou concursos vão impactar sua vida? Quanto a isto, é importante ter clareza, pois ela dará a você maior motivação e autodisciplina. Faça o seguinte exercício mental: imagine-se no futuro, com o objetivo alcançado, no dia da sua aprovação ou até mesmo exercendo o cargo ou fazendo a faculdade para a qual você está concorrendo. Vamos lá! Dê uma pausa na leitura e faça esse exercício de imaginação. Tente ver o seu futuro com o máximo de imagens. Pronto! Essa imagem que você projetou será um poderoso estímulo para você manter-se focado em seu objetivo. Essa imagem que você imaginou de si mesmo faz parte de um exercício de PNL chamado de visualização. Para o nosso cérebro não existe diferença entre uma imagem criada, ou uma imagem de lembrança. Para ele, ambas as imagens são reais. Dessa maneira, ao se concentrar em uma imagem que você projetou de si mesmo alcançando o objetivo que você determinou, o seu cérebro é capaz de gerar uma sensação de satisfação idêntica à sensação gerada pela lembrança de uma vivência positiva e marcante. Então, toda vez que você se sentir desmotivado, cansado ou meio deprimido, lembre-se do PORQUÊ você está se esforçando tanto. Traga à sua mente essa imagem de si mesmo atingindo seus objetivos, sendo aprovado no concurso ou no vestibular. Além da visualização, você pode usar de várias outras estratégias. Se você estuda em casa, pode colocar um tampo de vidro sobre a mesa de estudos e, embaixo dele, algumas frases que lembrem o seu objetivo. Você pode colocar postites coloridos com frases de apoio do tipo “Eu sei aonde quero chegar!”, “Minha motivação para estudar hoje é ...” Há pessoas que colocam um papel em lugar visível com o salário que pretendem alcançar. Também é válido colocar à vista fotos de lugares que você quer conhecer e viagens que você pretende realizar no futuro, depois de aprovado. Você pode deixar visível uma foto de situação que lembre o que você quer para o seu futuro: uma casa, uma faculdade, um carro, os seus filhos felizes, um profissional bem-sucedido etc. Essas pequenas estratégias darão um gás a mais nos momentos de desânimo que podem (e irão) ocorrer, durante os estudos. Outra coisa importante: nunca considere os estudos como um grande obstáculo ou, pior ainda, como um inimigo a ser vencido. Estudar será o maior investimento em você mesmo e seu maior aliado para que você realize seus objetivos de vida. Às vezes, quando bate o desânimo, nos sentimos como se estivéssemos em uma corrida de obstáculos para a qual não temos preparo suficiente. Nessas horas, a tentação de desistir é grande. Por isso, é interessante sempre pensar na reta de chegada da corrida. É lá que está o cargo que você pretende, a faculdade, a profissão, o salário e a felicidade que são os seus objetivos de vida. Quando você sabe qual é o seu destino, você consegue reunir forças e prosseguir. Todas essas estratégias são pequenos motivos para você agir e seguir em frente. É o que chamamos de MOTIVAÇÃO! Você sabe que uma pessoa motivada desempenha melhor suas funções e rende mais. A motivação é uma disposição para agir, um motivo para a ação. Mas a questão fundamental é: É possível aumentar a motivação? Eu posso responder: “Sim, é possível trabalhar-se interiormente para gerar maior motivação”. A motivação é pessoal, vem de dentro de você. Por mais que uma ordem militar ou de um personal trainer possa ser incentivadora, a motivação é algo muito mais forte e que deve partir de cada um de nós. Outras pessoas podem ajudar na motivação, mas a motivação depende de decisões pessoais. Se você não tem o cérebro comprometido por alguma doença mental, física ou emocional, é possível, sim, gerar motivação a partir de atitudes simples, como algumas dessas que acabamos de ver. E aqui voltamos novamente a um ponto que já discutimos antes, o sucesso é alcançado apenas depois de executarmos pequenas ações, de cuidarmos de pequenos detalhes . E é aí que mora o maior desafio para a maioria das pessoas. No geral elas esperam descobrir um grande segredo que vai transformá-las em super-humanos do dia para noite, e começarem a atingir todos os seus objetivos. Mas não é assim que funciona. Todo sucesso é resultado de muito tempo de trabalho. Depois de ler e estudar a biografia de vários empresários e personalidades de sucesso, você acaba se dando conta que não existe milagre. Todas as pessoas que admiramos por terem sucesso, conseguiram isso depois de trabalharem muito, se esforçarem, darem atenção e cuidarem de detalhes que a maioria das pessoas não leva a sério. Mas adiante nós vamosconversar um pouco sobre o autocuidado. Você vai ver que os cuidados com o físico, o sono, a alimentação e as relações com outras pessoas são fundamentais para gerar mais disposição, motivação para a vida e para os estudos. Agora que você entendeu que a motivação também é parte essencial do seu sucesso como estudante, quero que você se pergunte: O que me motiva a ter esse objetivo? Ou seja, por que quero conseguir isso? Parece fácil, mas responder essas perguntas exige pensar sobre si mesmo. Exige analisar seus pensamentos e motivos mais básicos. Então, de onde vem sua motivação? do desejo de dar à sua família melhores condições de vida? do amor e interesse que você tem por uma determinada profissão? do exemplo de alguma pessoa que você conheceu e que admira muito? da percepção de que é capaz de subir alguns degraus na carreira? do desejo de ganhar mais dinheiro, pura e simplesmente? do desejo de sair de casa dos seus pais ou da sua cidade? do seu desejo de fugir de uma situação opressora e de dependência de seus pais ou outra pessoa? pelo desafio de se mostrar capaz para alguém que não acredita em você? pelo desejo de enfrentar uma situação de pobreza que você já viveu e não quer mais vivenciar? Não importam quais sejam os seus motivos. Qualquer um deles é válido, se impulsionar você a conquistar o seu objetivo. Como disse Zig Ziglar: “As pessoas costumam dizer que a motivação não dura muito tempo. Bem, o efeito do banho também não, por isso recomenda-se que ambos sejam diários”. A motivação deve ser trabalhada diariamente. Todos os dias você pode e deve se lembrar dos motivos que fazem você estudar e persistir. Você pode até mesmo ter de parar ou alterar o seu ritmo. Se isso acontecer, retorne, o mais rápido possível, ao seu objetivo e estabeleça novamente as suas metas imediatas, exigindo de você o que você pode dar e conquistar. Assim, você vai recuperar a motivação e com certeza vai se sentir mais disposto a superar os obstáculos. Antes de terminar esse capítulo, quero sugerir a você um exercício. 1º Pegue uma folha de papel e escreva quais são os seus objetivos de curto, médio e longo prazos. Identifique a sua motivação: por que esses objetivos são importantes para você? 2º De zero a dez, que nota você dá, no dia de hoje ao seu compromisso, à sua autodisciplina, à sua organização para atingir esses objetivos? 3º O que você precisa e pode mudar ou melhorar? É isso aí. Espero que essas perguntas ajudem você a ter uma visão mais clara dos verdadeiros motivos que o faz seguir em frente. ALIMENTAÇÃO E BEBIDAS ESTIMULANTES Você já deve ter ouvido falar de histórias de pessoas que, para se prepararem para um concurso ou vestibular, passaram a estudar de forma obsessiva. Às vezes, vemos casos de pessoas que abriram mão de toda a sua vida social: não iam mais a festas, não saiam com amigos, comiam fora de hora e deixaram de praticar esportes, além de estudarem muitas horas por dia e tomarem muito energético, café e Coca-Cola numa tentativa de se manterem mais “ligados”. Bem, o que eu posso dizer a você é que a maioria dessas pessoas não teve sucesso. Não há nada pior do que o desequilíbrio, mesmo que seja em favor dos estudos. Se você escolheu priorizar os seus estudos porque pretende enfrentar um grande desafio, a melhor forma de fazer isso é cuidando bem de si mesmo, dando atenção ao seu corpo e seu cérebro. O bom funcionamento do nosso cérebro é o segredo do sucesso em qualquer projeto de estudos . O cérebro humano pesa entre um quilo e cinquenta (1,050 kg) e um quilo e duzentos gramas (1,2 kg). Isso corresponde a menos de 2% da nossa massa corporal. Porém, esse pequeno órgão consome de 20 a 25% das calorias diárias que ingerimos; 1/3 do oxigênio que respiramos; 120g de glicose diária e cerca de 750 ml de sangue circulando por ele, por minuto. Em outros vídeos, vou mostrar a você exercícios e técnicas que desenvolvem o seu cérebro e sua inteligência. Mas o que eu quero agora é salientar a necessidade do AUTOCUIDADO. Podemos dizer que Autocuidado é uma espécie de “carinho consigo mesmo”. Você se cuida porque se gosta e para que o seu corpo e a sua mente correspondam aos seus objetivos de vida. Vou lhe passar uma pequena lista de cuidados que aparentemente são óbvios, mas que, muitas vezes, deixamos de lado. São eles: Beber bastante água, Fazer exercícios físicos, Dormir bem, Alimentar-se corretamente, Manter-se limpo e arrumado, Manter o seu ambiente organizado, Planejar o dia, Meditar, orar, descansar a mente ou ouvir música, durante alguns minutos diários. Esses são hábitos que nos fazem bem e ajudam muito a manter o corpo e o cérebro saudáveis. Neste capítulo vamos falar de maneira especial sobre a alimentação. Sempre é bom lembrar que é importante tomar um bom café da manhã e fazer refeições leves, ao longo do dia, evitando permanecer longos períodos sem se alimentar ou comer demais e ficar com sono. Ingerindo os alimentos corretos, você vai aumentar a sua capacidade de raciocínio, aprendizado e memória. O seu organismo (e o seu cérebro em especial) precisam de nutrientes em quantidade e qualidade adequadas. Então, que alimentos são os mais indicados para melhorar a disposição mental? Bem, existe uma infinidade deles, e cada alimento possui uma função diferente para o bom funcionamento do seu cérebro. Essas são algumas sugestões campeãs: cereais integrais, legumes e verduras, em geral, ovo, frango, banana, maçã e frutas vermelhas, castanha-do-pará, nozes e amêndoas, azeite de oliva, cacau, alimentos que possuem Ômega Três (salmão, atum, sardinha e óleo de linhaça), Outros alimentos podem ser ingeridos, mas existem aqueles que você deve evitar: Açúcar em excesso (doces, refrigerantes e sucos de caixinha), Sal em excesso (especialmente salgadinhos), Álcool, Frituras, Carnes vermelhas gordas. Algumas pessoas pensam, erradamente, que o açúcar ajuda nos estudos e na hora das provas. É verdade que a ingestão de açúcar faz subir rapidamente o nível de glicose no sangue. Porém, o seu efeito é de curta duração e, em curto espaço de tempo (cerca de 20 minutos), piora o estado mental da pessoa. O açúcar dá um pico de glicose, mas em contrapartida também dá um pico de queda quando é processado pelo organismo. É mais interessante ter ao lado alimentos ricos em amido e fibras (como pães e biscoitos integrais), castanhas, nozes, frutas ressecadas e até mesmo pequenas porções de legumes. Esses alimentos promovem o aumento moderado, e com maior duração de glicose. Agora quero falar com você sobre o consumo das bebidas mais comum entre os candidatos a concursos e provas. Trata-se do café, do chá preto e dos energéticos. Essas bebidas são muito usadas por serem estimulantes, graças à presença de cafeína na sua composição. O café é uma das bebidas mais consumida do mundo. Para se ter uma ideia, o efeito de uma pequena xícara de café é sentido por volta de 15 minutos após seu consumo. Seu efeito dura aproximadamente 45 minutos. A ingestão de uma quantidade maior de café pode estender o efeito da cafeína por até algumas horas. No chá preto, o efeito da cafeína no cérebro é mais lento, porém, mais duradouro. O uso moderado de café e de chá preto pode ajudar na concentração e na vitalidade cerebral. Sim, isso é verdade. Porém, em grandes quantidades, pode produzir irritação, ansiedade e desconcentração, além de irritação do estômago. Como já vimos antes, na alimentação também, tudo é uma questão de equilíbrio. Para os que não gostam de café ou de chá, as chamadas bebidas energéticas podem ser uma opção. Deve-se, no entanto, tomar cuidado com a quantidade, pois a concentração de cafeína nesses produtos é muito maior. Refrigerantes do tipo Coca-Cola devem ser evitados, pois possuem grande quantidade de açúcar e sódio, além de serem gaseificados, o que prejudica a digestão e a própria concentração. Uma ótima opção é o guaraná em pó, que contém cerca de cinco vezes mais cafeína que o café. Ele pode ser encontrado in natura e misturado a outras bebidas ou consumido em cápsulas.Porém, o seu uso prolongado pode trazer efeitos colaterais, como dor de cabeça, insônia, taquicardia e ânsia de vômito. Como bem disse Paracelso, médico e físico que viveu no século XVI “a diferença entre o remédio e o veneno está na quantidade ingerida”. Portanto, procure ingerir doses saudáveis de qualquer alimento ou bebida. Não é o que você come, mas o quanto você come que é o verdadeiro problema. Ah, e não esqueça que nenhuma dessas bebidas estimulantes deve ser ingerida à noite, pois com certeza vão atrapalhar o seu sono, que é tão importante quanto sua alimentação. E é justamente sobre a importância do sono que vamos conversar no próximo capítulo. CUIDADOS COM O SONO No capítulo anterior, começamos a discutir sobre a importância do Autocuidado e especialmente da sua alimentação, nesse período em que você se prepara para enfrentar testes que podem definir seu futuro. Agora vamos falar de um aspecto que muitos candidatos e concurseiros às vezes esquecem: DORMIR BEM. Todos sabemos que uma noite mal dormida não favorece a concentração e o desempenho no dia seguinte. Quando dormimos menos do que o necessário ou temos uma noite agitada, ficamos mais propensos a erros, com menor capacidade de concentração, mais frágeis emocionalmente e até mesmo mais vulneráveis a acidentes, doenças e infecções. Dormir um sono de qualidade e com um mínimo de horas é fundamental para que você tenha condições de atuar no seu dia a dia. Isso vale para os seus estudos, o seu trabalho ou qualquer outra atividade que você deva desempenhar. Algumas pessoas já experimentaram passar a noite em claro, à base de café e estimulantes, ou dormir muito pouco, a fim de estudar para realizar uma prova pela manhã. Isso pode até funcionar em alguns casos que exijam memória de curto prazo, conteúdos que são fixados e serão descartados depois. Porém isso não é aconselhável, muito menos é saudável, para se preparar para um ciclo mais longo de estudos. Pesquisas mostram que o sono é responsável por alguns aspectos da consolidação dos conteúdos na nossa memória. Por isso, todo nosso esforço de estudar ao longo do dia deve ser coroado com uma boa dose de sono. Se você estudar muitas horas, mas não dormir adequadamente, grande parte do conteúdo estudado será descartada pelo seu cérebro. Os neurocientistas costumam dizer que temos cinco ciclos de sono ao longo de uma noite. Cada um desses ciclos dura cerca de 90 minutos. Daí o tempo recomendado de sono ser de 7 a 8 horas diárias, pois esse período compreende 5 ciclos de 90 minutos. O percentual de memorização de quem dorme cerca de quatro horas é de 25% a 30%, enquanto sobe para 60% a 65% para quem dorme de sete a oito horas. Por isso, posso dizer com tranquilidade: É preferível estudar oito horas e dormir outras oito do que estudar doze horas e dormir só quatro horas à base de estimulantes. O sono tem uma dupla função: Dar suporte para que o cérebro possa armazenar as informações estudadas, na memória de longo prazo. Preparar o cérebro para receber novas informações no dia seguinte. Penso sobre o sono como se fosse a hora da faxina no cérebro. Quando tudo é organizado, limpo e colocado no seu devido lugar. Além do sono regular, outra maneira interessante de aumentar a retenção dos estudos e melhorar sua disposição física e mental são os cochilos. Alguns estudos demonstraram que, para boa parte das pessoas, pode ser estimulante para a memória tirar um cochilo de menos de uma hora, após o almoço. Pode também acontecer de, mesmo tendo dormido o tempo adequado, bater um sono no meio dos estudos. Nesse caso, não tenha medo de dar um pequeno cochilo de quinze minutos! Essas pequenas paradas ajudam a diminuir o cansaço e melhoram o desempenho cognitivo. Você deve experimentar como funciona em você, pois há pessoas que, ao pararem para um cochilo, se sentem mais cansadas e demoram mais tempo para engrenar nos estudos. Faça o teste por uma semana e avalie os resultados. Caso precise alterar um pouco a sua rotina, veja a que melhor gera rendimento. Apenas não deixe de dormir de sete a horas diárias! Pode ser também que você tenha algum distúrbio do sono. Nesse caso, seria interessante procurar ajuda especializada. O Instituto do Sono da Unifesp fez uma pesquisa que demonstrou que mais de 70% dos moradores da cidade de São Paulo possuem algum problema relacionado ao sono, sendo que 15% sofrem de insônia crônica e tomam remédio para dormir. É um problema cada vez mais comum, especialmente nas grandes cidades. Enfim, para conseguir desfrutar de uma noite de sono que seja realmente revigorante, considere aplicar os 10 Mandamentos do Bom Sono. 1. Criar uma rotina diária de sono e um ambiente adequado. 2. Não ir dormir com fome. 3. Fazer refeições leves à noite, evitando alimentos pesados e gordurosos muito próximos da hora de dormir. 4. Desligar a TV, o som, o computador e o celular uma hora antes de dormir. 5. Não assistir a filmes de ação ou violentos à noite. 6. Não ingerir café, chocolate, refrigerantes ou energéticos à noite. 7. Ouvir apenas música leve. 8. Não fazer exercícios físicos intensos antes de dormir. 9. Não comer e/ou trabalhar na cama. 10. Fazer um pequeno relaxamento, oração ou meditação antes de dormir. Quero fazer apenas uma última observação sobre o horário de dormir. Existem no mercado alguns cursos que prometem aprendizado durante esse horário. Bastaria, segundo eles, escutar alguns podcasts e aulas gravadas para que o conteúdo seja memorizado, durante o sono. Não acredite nisso! Já existem estudos suficientes para garantir que, além de não fazer nenhum efeito, essa prática pode perturbar e embaralhar as etapas do sono, prejudicando o aprendizado do que você estudou ao longo do dia. Então o melhor a se fazer é se preparar para dormir desacelerando suas atividades e sua mente. O período de sono deve ser um momento de relaxamento para sua mente e seu corpo. Aproveite o seu período de sono para realmente relaxar e permitir que seu cérebro coloque todas as informações em ordem. EXERCÍCIOS FÍSICOS E CUIDADOS COM O CORPO Vimos anteriormente sobre os cuidados que você deve ter com a alimentação e com o sono. Com esse capítulo sobre exercícios físicos, completamos a sequência sobre o Autocuidado em Preparação para Provas e Concursos. Pode ser que você tenha o hábito de fazer exercícios, praticar esportes, frequentar a academia ou o clube. Se já estiver habituado, não precisa fazer grandes alterações, a não ser que essa atividade ocupe mais de uma hora diária. Nessa época em que você entra em um longo período de preparação para provas, essa área da sua vida não deve ser subestimada. Se você não tem nenhum hábito de prática física, talvez seja interessante pensar no que conversar aqui. Várias pesquisas acadêmicas já demonstraram que a prática de exercícios físicos ao menos três vezes por semana, durante 30 minutos a uma hora, aumenta a capacidade de concentração e de aprendizado, melhora a memória e ativa o hipocampo cerebral, sobre o qual eu vou falar num próximo capítulo. A atividade aeróbica (especialmente as caminhadas, corridas, pedaladas e natação) é importante para a oxigenação do cérebro. Como eu já disse antes, o nosso cérebro consome um terço do oxigênio do corpo. Daí a importância da oxigenação cerebral. Porém, se você não curte fazer exercícios aeróbicos desse tipo, há outras maneiras de fazer isso. Por exemplo, você pode dançar, pular corda (minha opção favorita), praticar Artes Marciais, yoga etc. Praticar exercícios ajuda não só na oxigenação, mas também na melhora da química dos neurônios. Os exercícios aumentam a produção de uma proteína chamada BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro). Essa proteína é responsável por manter os neurônios saudáveis, ajudando no processo de transmissão e estimulando o nascimento de novas células cerebrais (chamado de neurogênese). A prática de exercícios também fortalece os músculos das costas. E isto é especialmente importante nessa época em que você passará muito tempo sentado. Uma pessoaque pratica exercícios físicos regularmente tem mais disposição porque tem maior aptidão cardiorrespiratória e muscular. Consequentemente, é alguém que prepara melhor o corpo para qualquer outra atividade. Além disso, a pessoa ainda correrá menor risco de doenças que possam atrapalhar o processo de estudo e aprendizagem. Não esqueça de que também é importante alongar-se de tempos em tempos, enquanto estiver estudando. Isso ajuda não só a evitar dores, mas também na circulação do sangue e no combate ao stress. Você pode por exemplo rotacionar o pescoço e a cabeça, encolhendo e soltando os ombros para distensionar, fazendo caretas, abaixando até tocar o chão com os dedos da mão etc. Bastam alguns poucos minutos de alongamento e ele pode ser feito várias vezes ao dia. Se você quiser implementar uma prática mais completa de alongamento em sua rotina, eu sugiro que você dê uma olhada no site liangongbrasil.com.br . O Lian Gong (pronuncia-se Lian Kum) é uma prática corporal de exercícios preventivos e curativos, que foi criada na década de 70 pelo Dr. Zhuang Yuan Ming, médico ortopedista da Medicina Tradicional Chinesa. O objetivo principal do Lian Gong é a de tratar e prevenir dores no corpo, inúmeros problemas osteomusculares e nas articulações. Também ajuda na circulação do sangue, dissolve aderências e inflamações dos tendões, e restaura a movimentação natural, melhorando a resistência e a vitalidade do organismo. Eu pratico o Lian Gong diariamente há cerca de dois anos, e posso garantir que é uma atividade simples, mas altamente benéfica. E o mais interessante é que com apenas 15 minutos diários você pode conseguir ótimos resultados e se sentir muito mais disposto durante o dia. Além do ganho em disposição, existe outro ganho importante da prática de exercícios físicos. Há inúmeras pesquisas que mostram a relação deles com a melhora na AUTOESTIMA. http://liangongbrasil.com.br/ A autoestima se refere à percepção e juízo que você tem de si mesmo. Fazer exercícios pode, então, despertar um olhar mais positivo para o seu próprio ser. Um corpo saudável contribui fortemente para a crença nas próprias capacidades de superação e de autocontrole. Já se sabe que a atividade física, além de melhorar a condição física geral, também melhora o humor, a imagem e a aceitação corporal, o senso de autonomia e controle pessoal sobre o corpo, sua aparência e a vida em geral. Já são clássicos os estudos que demonstram o aumento dos níveis de serotonina no organismo, graças à prática de exercícios físicos. A serotonina é o neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar e prazer. Seu aumento favorece a vontade de enfrentar desafios. Por isso, as atividades físicas são um recurso importante para manter o equilíbrio emocional, aliviar o stress, diminuir a insegurança e a ansiedade, aumentar a sensação de bem-estar, aumentar a capacidade de lidar com a insônia. Como em tudo o mais, também nessa área é importante o equilíbrio. Os exercícios físicos não são a sua prioridade nesse momento da sua vida. Eles são poderosos aliados para que você atinja o seu objetivo, mas não são o seu objetivo em si. Por isso, não se culpe se tiver dificuldade em praticá-los com regularidade. Você não deve se tornar escravo e dependente da sua prática física. Ela deve ser um elemento de estímulo aos seus estudos e à sua preparação para as provas que virão. Se a sua rotina e inclinação pessoal não permitirem a inclusão de exercícios regulares, tente praticá-los esporadicamente. Apenas não deixe que a falta de tônus muscular, o cansaço físico e a falta de energia atrapalhem o seu sucesso. O CÉREBRO E OS SISTEMAS DE APRENDIZAGEM Você já deve ter ouvido algum exemplo no qual é feita uma comparação entre o cérebro humano e um computador. Essa é uma boa metáfora, pois o seu cérebro funciona mediante programação e reprogramação, assim como um computador. Aliás, existe um ramo da ciência chamado Neurocomputação, que tenta simular equipamentos de modo semelhante ao funcionamento do nosso cérebro. É a partir dessas pesquisas que tem avançado os estudos sobre Inteligência Artificial, por exemplo. Todas essas pesquisas visam conseguir que os computadores cheguem a realizar operações que só o cérebro humano é capaz de fazer. Entre essas operações estão aprender, fazer comparações, transformar os arquivos armazenados em novos conhecimentos, relacionar, criar e testar novas alternativas, adaptar e não apenas armazenar e reproduzir. Não dá para simplesmente compararmos o cérebro com o computador, pois a “arquitetura” do nosso órgão é muito mais complexa do que a de uma CPU. Para ter uma ideia, basta dizer que para alcançar a capacidade de processamento do cérebro, precisaríamos de ao menos 1000 computadores de última geração. Além disso, a lógica do cérebro não é hermética como a lógica matemática ou mecânica. A nossa capacidade cerebral não é infinita, porém, apesar de o nosso cérebro possuir, provavelmente, um limite de armazenamento, ele é grande o suficiente para não termos que nos preocupar com isso. O nosso cérebro armazena não apenas arquivos conscientes. Não aprendemos apenas o que queremos aprender. Ele tem a capacidade de captar uma quantidade assombrosa de sensações e informações que serão depositadas no nosso inconsciente. Nossos sentidos recebem milhares de informações ao mesmo tempo. Algumas informações são armazenadas, mesmo que não tenhamos interesse nelas. Enquanto você olha, ouve ou sente alguma coisa, milhares de outras coisas são vistas, ouvidas e sentidas, sem que você perceba. Para o nosso tema, que é a preparação para estudar melhor, é preciso estabelecer a relação entre o funcionamento do cérebro é a nossa concentração. Por isso, as técnicas de estudo e desenvolvimento da capacidade de concentração se relacionam com o funcionamento cerebral. Sabemos que, se realizamos uma quantidade muito grande de atividades, nos concentramos um pouco em cada uma delas. Nosso cérebro possui a capacidade de multiprocessamento, isto é, de se fixar em mais de uma coisa ao mesmo tempo. Porém, essas informações podem competir entre si pela concentração, e quanto maior o número de processos em andamento em nosso cérebro, menor é a capacidade de se concentrar e obter bons resultados em cada um deles. Por exemplo, é difícil concentrar-se no estudo se estivermos com dor nas costas. Por isso é que falei anteriormente da importância da atividade física. Ela fortalece direta e indiretamente a atividade cerebral. Você também já deve ter ouvido ou estudado que o nosso cérebro é formado por dois hemisférios: direito e esquerdo. Segundo os neurocientistas, o lado esquerdo do cérebro estaria ligado à fala, à lógica, às análises sequenciais, às operações matemáticas e ao cálculo. O lado direito seria o responsável pelas atividades ligadas à imaginação, à poesia, à música e à harmonia. Cada um desses hemisférios foi mais ou menos estimulado em você, desde a infância. Costuma-se dizer que o lado esquerdo é mais “racional” e o lado direito mais “artístico”. Na verdade, há momentos em que um dos lados é mais exigido do que o outro. Porém, ambos são importantes. Por isso, é importante aprender a desenvolver cada um deles. Nem sempre percebemos a atividade cerebral com clareza, pois ela funciona no “piloto automático”. Porém, a partir do momento em que você decidiu estabelecer novos objetivos para a sua vida, ser produtivo nos estudos passou a ser uma necessidade. É importante saber que a forma de aprender varia de pessoa para pessoa. Isso acontece porque, segundo a Neuropedagogia, existem quatro formas diferentes de captar as informações: Visual Auditiva Sinestésica Digital Essas formas de aprendizagem são também chamadas de Sistemas Representacionais. A pessoa predominantemente visual precisa ver para compreender. Essa pessoa costuma, por exemplo, mentalizar a lousa escrita, a página do livro, as cores que usa para destacar um enunciado. Os mapas mentais são muito interessantes para quem é predominantemente visual. Falaremos