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1 TÍTULO DO ARTIGO: A RELAÇÃO ENTRE A FAMÍLIA E ESCOLA NO DESENVOLVIMENTO NA ALFABETIZAÇÃO DA CRIANÇA: Uma revisão de literatura Autor1- Flayra Viana Dos Santos Silva - Rede de Ensino Doctum Autor² - Iêda Barra de Moura Galvão - Rede de Ensino Doctum RESUMO O presente estudo tem como objetivo falar sobre a importância da família e da escola no desenvolvimento da alfabetização de uma criança. No meu pouco tempo de experiência como professora, após ter trabalhado em algumas escolas da minha cidade, percebi o quanto a família é importante no processo de alfabetização de uma criança. Ao realizar esse estudo embasado em algumas pesquisas e através das minhas percepções sobre esse assunto percebemos que, as famílias sabem da importância da sua união com a escola durante esse processo de alfabetização das crianças. Palavras-chave: Alfabetização. Desenvolvimento. Família. Ensino aprendizagem. 1 - formação acadêmica – e-mail: autor1@gmail.com mailto:autor1@gmail.com 2 1 INTRODUÇÃO A alfabetização é fundamental no desenvolvimento de uma criança. Sabemos que é dever da família inserir e acompanhar a criança na sua rotina escolar, auxiliar nas atividades de casa e ser mais participativa nas atividades escolares em que os familiares são chamados a participar, pois o interesse e estímulo da criança vem a partir de casa. É de indispensável relevância que se gere mais união entre escola e família, para que juntos sejam capazes de conceber pessoas mais vinculadas com o bem comum e permaneçam aprontados para viver em sociedade. É primordial que a família estabeleça contato com a escola demonstrando interesse na vida escolar da criança, buscando estar sempre presente e disponível, pois é interessante que a criança veja o interesse e a preocupação dos pais com seus estudos. Os primeiros conceitos de educação são adquiridos no meio familiar, como diz Vigotsky " A criança nasce inserida em um meio social, que é a família e é nela que estabelece as primeiras relações com a linguagem na interação com os outros". (Vigotsky, 1994.) 2 DESENVOLVIMENTO O desenvolvimento das crianças está diretamente ligado na relação entre a família e a escola, pois ambas têm um papel importante na alfabetização da criança. Na família as crianças começam a se socializar, aprender sobre si mesmas, começam a desenvolver seus princípios e valores, o que auxilia a criança em todos os campos da sua vida. Na escola a criança desenvolve seus aspectos sociais, físico, motor, emocional, começam a aprimorar a sua comunicação. A família e a escola devem trabalhar em conjunto e se apoiarem mutuamente, más atualmente vemos que as crianças não têm tanto o apoio dos seus familiares em casa, não são auxiliadas nas atividades de casa, não tem um incentivo para a leitura e não tem seus pais presentes nas atividades escolares na qual são convidados a participarem. Trabalhei durante um período em algumas escolas da minha cidade como auxiliar de alfabetização e pude perceber a diferença em crianças que tem o auxílio dos pais e crianças que não tem nenhum auxílio em casa, crianças com o apoio dos pais vemos que tem um desenvolvimento bom, prestam mais atenção nas aulas, tem um interesse maior em aprender, e tem um bom desenvolvimento na leitura, já as crianças sem apoio em casa, são crianças que 3 não têm um comportamento muito bom, elas estão sempre tentando chamar atenção e dispersando a turma, tem mais dificuldade em focar, não tem interesse pelas aulas, geralmente chegam com as atividades de "Para casa" sem fazer, pois dizem que os pais não tiveram tempo de ajudá-los, ou que ninguém quis ajudá-lo a realizar a atividade, entre muitas outras coisas que eles relatavam. Então percebi que pelo mínimo como a ajuda dos pais em um "Para Casa", o incentivo na leitura e na escrita, ou a participação dos pais nas atividades escolares os alunos já se sentiam bem motivados e ficavam mais interessados pelas atividades na escola. 2.1 Fundamentação Teórica Literatura infantil no processo de formação do leitor A realidade com a qual nos deparamos nas escolas ou mesmo em nosso dia a dia é a falta de leitura, sendo ela constatada por meio da escrita ou da fala. As redes sociais vêm sendo uma vitrine repleta de erros, que muitas vezes são gerados pela falta de atenção ou mesmo pelo fato das pessoas realmente não saberem como seria a maneira formal de escrita. Mesmo o Português sendo uma disciplina de peso (junto com a matemática) dentro das escolas ainda assim observamos diversos indivíduos que terminam o Ensino Médio e são considerados analfabetos funcionais, ou seja, conseguem decifras os símbolos (letras), mas não interpretam de fato o que estão lendo. O sujeito que não consegue interpretar com êxito aquilo que lê apresentará dificuldade em outras áreas de conhecimento seja geografia, história, matemática e ainda se não for um bom leitor também não será um bom escritor. Futuramente este sujeito terá dificuldade de passar em um vestibular e de arrumar um bom emprego, estando preso a ocupar cargos pouco remunerados. “A leitura e a escrita são muito importantes para que as pessoas exerçam seus direitos, possam trabalhar e participar da sociedade com cidadania, se informar e aprender coisas novas ao longo de toda a vida”. (BRASIL, 2006, p. 05). A leitura é importante em todos os níveis educacionais constitui-se numa forma de interação das pessoas de qualquer área do conhecimento. Permite ao homem possibilidade de ter diferentes pontos de vista e alargamento de experiências. A capacidade de ler e escrever não deve ser vista como um dom, onde uns a possuem, pois apresentam uma inteligência superior e outros simplesmente não a detêm. Esta capacidade é obtida por meio de escalas, ou seja, ninguém nasce com ela, mas a constrói nos diversos níveis de aprendizado. Nestes níveis estão incluídos desde os estímulos que as 4 crianças recebem em casa com a família até a continuidade dada pela escola. Bock (1999), baseado na teoria de Vigostski, diz que a aprendizagem sempre inclui relações entre as pessoas. A relação do indivíduo com o mundo está sempre mediada pelo outro, aquele que nos fornece os significados, que nos permite pensar o mundo em nossa volta. Também baseado em Fonseca (2012), a leitura é um processo iniciado em um momento diferente da vida para cada pessoa e que não termina nunca, ele depende do conhecimento que o sujeito possui, da motivação, da parceria daquele que o ensinou. De acordo com Parolin (2010) os responsáveis por transmitir valores e atitudes às crianças é a família em parceria com a escola. Hoje, as crianças vão cada vez mais cedo para as escolas de Educação Infantil, originando uma nova adaptação para os professores e para a escola. Sendo assim, o desenvolvimento da aprendizagem da criança ocorre dependendo dos movimentos desta parceria. A família contribui para que ela possa se descobrir, se aceitar e sentir-se confiante em sua realidade, encarando as complexidades para adquirir novas aprendizagens. A escola possui atribuições de oportunizar a socialização entre os alunos, permitir que construam novos conhecimentos e dividam experiências pessoais, para que possam ampliar suas concepções, respeitando as crenças e a cultura dos outros. Segundo Dinorah (1995) “formar o leitor é algo sutil e democrático”. E isto é um processo que deveria começar no lar, onde a criança, tivesse a chance de conviver com livros adequados a esta fase. Em dias que muito se fala na participação da família no contexto educacional da criança, pouco se discute em como a família pode influenciar no hábitode leitura da criança. Diante disso Klein (1992) afirma que antes da entrada da criança para a escola, a família se coloca como a principal mediadora das aprendizagens infantis e facilitando o trabalho futuro de professores. Como os pais podem contribuir para esta mediação? A melhor maneira dos pais incentivarem os filhos a terem gosto pela leitura é participando deste momento com seus filhos. Por meio de histórias deixando este momento especial. Freire (1987), afirma que: “Ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém educa a si mesmo, os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo. ” A leitura é algo muito amplo, produz sentido, ou seja, surge da vivência de cada um, é posta como prática na compreensão do mundo no qual o sujeito está inserido. A leitura deixa a criança capaz de se comunicar com seu mundo com certa facilidade. Freire (2008) sinaliza que antes mesmo de realizar a leitura da palavra escrita é necessário que este realize a leitura de mundo: A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se 5 prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. (FREIRE, 2008, p.11). É necessário que a criança perceba que o texto sempre tem algo diferente a ensinar ou, informar; e, ainda, que o texto tem uma função social, que é a de levar às pessoas informações, conhecimentos e diversão. Dentro desta experiência, os pais agem com mediadores da leitura-criança-mundo. Para Abramovich (1997) ouvir histórias pode estimular o desenhar, o musicar, o sair, o ficar, o pensar, o teatrar, o imaginar, o brincar, o ver o livro, o escrever, o querer ouvir de novo. Segundo Cruvinel & Alves (apud. VYGOTSKI, 2001), a escrita é uma representação de segunda ordem. Ela se constitui por um sistema de signos, palavras escritas que representam os sons e palavras da linguagem oral, que tem relação com o mundo real. A família é a primeira instituição social em que a criança se desenvolve, onde a criança inicia a sua socialização. Os familiares se preocupam com a saúde, a aprendizagem dos primeiros passos e a aprendizagem. Abramovich (1997) argumenta que para os pais cabe a primeira estratégia para despertar o gosto da criança pela leitura. Uma boa estratégia abarca em dar livros adequados ao nível cognitivo das crianças, a partir da idade de seis meses. Como a criança não tem capacidade de ler sozinha, os familiares precisarão assumir o papel de contadores de histórias. Vygotsky afirma: O estímulo à leitura deve ocorrer não somente na sala de aula, como também no contexto familiar, uma vez que a família é a base para a formação do ser humano. A criança aprende e se desenvolve com o meio em que está inserido, caso não haja interesse pelos pais, os filhos também terão dificuldades em despertar interesse pelos livros (VYGOTSKY. 2000, p. 58). Para Richard Bamberger (1987) a resistência à leitura advém do fato de que muitas vezes não se sabe ler. Para ele, ninguém pode adquirir um hábito cujo exercício constitua-se em atividade penosa, porque todo hábito entra na vida como jogo que, por mobilizar emoções e inspirar prazer, exige repetição contínua e renovada. E se faz necessário que este hábito seja construído e reconstruído desde os primeiros meses de vida do sujeito e ao longo da sua trajetória escolar. Adquirir o habito da leitura ou contato com livros na primeira faze da vida antes da escolarização pode constituir um fundamento de grande importância para formação de um leitor, mas as instituições de ensino juntamente com seus profissionais possuem a tarefa de dar continuidade e este trabalho iniciado pelos pais. A partir da inclusão da criança na escola os professores assume, juntamente com os pais, o papel de mediadores da leitura com o leitor. 6 Esta parceria pais e professores, quando bem efetivada, trarão ao sujeito-aluno excelentes condições de se tornar um leitor efetivo e ativo. 2.2 Procedimentos Metodológicos A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica do tipo narrativa por meio de livros, artigos e revistas científicas, buscando citações relevantes, objetivando a reunião de informações e dados que serviram de base para a elaboração da investigação proposta a partir do tema escolhido. A seleção de autores do campo da educação que desenvolvem conceitos de família, escola e alfabetização ocorreu de forma arbitrária. Quanto aos critérios, amparam-se pontos de vista e matrizes teóricas complementares. Destaca-se como referenciais teóricos alguns autores, como Piaget, Vygotsky, Emilia Ferreiro, Magda Soares, dentre outros, além de pesquisas em livros, revistas e artigos científicos, com tema semelhante e documentos oficiais que se relacionam com a Educação. Este artigo está organizado por esta introdução, onde se apresenta o tema, a metodologia e os autores fundamentais do estudo desenvolvido. Na sequência, há mais duas seções que abordam os desafios da relação família-escola e a importância da família no processo da alfabetização, respectivamente. Por fim, são apresentadas as conclusões do estudo e listadas as referências. 2.3 Resultados e Discussão Desafios da relação família-escola A família é a primeira instituição em que a criança encontra um ambiente de referência, proteção e socialização propícios para o seu desenvolvimento, sendo os pais os primeiros educadores. Cabe ressaltar que a família tem se modificado a cada período histórico, acompanhando o desenvolvimento social, e que tais mudanças na sociedade têm afetado diretamente a estrutura, a função, a concepção, os modos de conceber aprendizagens, os costumes e os valores da família. Osório (1996, p. 14) diz que, […] a família não é uma expressão passível de conceituação, mas tão somente de descrições; ou seja; é possível descrever as várias estruturas ou modalidades 7 assumidas pela família através dos tempos, mas não defini-la ou encontrar algum elemento comum a todas as formas com que se apresenta este agrupamento humano. O conceito “família” não é limitado em uma definição, pois pode-se apresentar em modelos variados, contando com uma diversidade no que diz respeito à multiplicidade cultural, orientação sexual e composições, tornando amplos e representativos as relações humanas que se referem à existência de uma intimidade vivenciada por seus membros nesta relação, com ou sem laços sanguíneos, como afirma Barros (2006, p. 09) “uma entidade familiar forma-se por um afeto tal – tão forte e estreito, tão nítido e persistente – que hoje independe do sexo e até das relações sexuais”. Diante a diversidade de organizações familiares, reflete que a referência às famílias se situa em configurações familiares compostas por, pelo menos, um adulto e uma criança ou adolescente, conforme descrito na Constituição Brasileira de 1988, no Art. 226, parágrafo 4: “entende-se como entidade familiar a comunidade formada por qualquer um dos pais e seus descendentes” (BRASIL, 1988). Na idade média, não existia diferenciação entre adultos e crianças, ambos eram considerados vistos de maneira igual, conforme destacado por Ariès (1981), as crianças eram vistas como um adulto pequeno e que “necessitavam de cuidados básicos só até conseguirem executar tudo sozinhas”, não havia sensação de família, ou seja, não havia laços afetivos entre eles, o único objetivo era garantir os bens e ajudar-se de forma recíproca para tentar sobreviver. O autor, ainda, aponta que: […] até por volta do século XII, a arte medieval desconhecia a infância ou não tentava representá-la.É difícil crer que essa ausência se devesse à incompetência ou à falta de habilidade. É mais provável que não houvesse lugar para a infância nesse mundo. Uma miniatura otoniana do séc. XI nos dá uma ideia impressionante da deformação que o artista impunha então aos corpos das crianças, num sentido que nos parece muito distante do nosso sentimento e da nossa visão (ARIÈS, 1981, p. 17). O autor supracitado afirma que a infância era meramente uma etapa da vida que passava rápido, e que era preciso aprender a viver entre os mais velhos para ter conhecimentos pela experiência. Nesse sentido, em todos os grupos sociais e ocorrências da época, elas ganhavam o mesmo tratamento de um adulto. A mudança deste cenário ocorreu na idade moderna, entre os séculos XVI e XVII, quando a criança passa a ser vista como alguém que necessita de cuidados e apresenta necessidades diferentes dos adultos. 8 Conforme ressalta Ariès (1981, p. 277), “Passou-se a admitir que a criança não estava madura para a vida, e que era preciso submetê-la a um regime especial, a uma espécie de quarentena antes de deixá-la unir-se aos adultos”. Nesse sentido, ao longo dos anos, surgem medidas que visam amparar as crianças, as conquistas de direitos, a vida social e familiar. De acordo com a Constituição promulgada em 1988, no seu Artigo 227, É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração e opressão (BRASIL, 1988, p. 148). A Constituição do Brasil (BRASIL, 1988), aponta o papel que a família deve desempenhar na criação e educação da criança, juntamente com a sociedade e o Estado. A família e a escola possuem papéis distintos, porém se complementam na formação cognitiva, afetiva, social e da personalidade do ser humano. A família é responsável direto e ocupa um lugar para toda a vida na vida do indivíduo, enquanto a escola é a instituição que irá fornecer, por tempo determinado, a educação formal. O envolvimento dos pais na educação das crianças tem uma justificativa pedagógica e moral, bem como legal […] Quando os pais iniciam uma parceria com a escola, o trabalho com as crianças pode ir além da sala de aula, e as aprendizagens na escola e em casa passam ase complementar mutuamente (SPODEK; SARACHO, 1998, p. 167). A relação entre a família e a escola precisa ser estreita e contínua, devendo haver uma troca mútua de informações que resultará em uma ajuda recíproca, aperfeiçoando os métodos, proporcionando uma divisão de responsabilidades (PIAGET, 2007). A necessidade de estreitar e diminuir a distância família-escola é indiscutível, porém é evidente que, muitas vezes, a família apresenta certo desinteresse em cumprir seu papel educativo na vida do filho. Diante dessa situação, é conveniente ressaltar que: Em tese a escola espera da família a participação efetiva em todos os aspectos, desde os cumprimentos das normas estabelecidas pela escola até o respeito, o amor, a cumplicidade e envolvimento com a educação dos filhos. Já a família 9 espera que a escola eduque seus filhos com princípios morais, respeitar o outro, a desenvolver competências e habilidades. Entretanto, observa-se que pela transformação da sociedade e pela recorrência dos novos arranjos sociais, mudou o modo de produção, as tecnologias evoluíram, o mercado de trabalho apresenta uma nova configuração e distanciamento entre a escola e a família (SILVA et al., 2006, p. 9). A escola enfrenta diariamente desafios na tentativa de restabelecer uma relação com a família e, por vezes, se sente vulnerável ao contexto social. A maioria dos conflitos parte da delegação da educação, pois muitos pais acreditam que cabe ao professor a função de educar e ensinar as crianças. Com isso, os professores são sobrecarregados de tarefas pela falta de parceria entre os pais e a escola. Dificuldades como essa tendem a atrapalhar o processo de ensino- aprendizagem e, consequentemente, o desenvolvimento escolar da criança. As reconstruções familiares acarretam obviamente mudanças significativas no campo relacional familiar, provocando a emergência de situações sem precedentes, para as quais não há experiências prévias na evolução da família que possam servir de referência para balizar o processo de assentamento sociocultural dessas novas formas de convívio social (OSÓRIO, 1996, p. 56). Por outro lado, há famílias que querem se envolver na educação escolar de seus filhos, porém a escola nem sempre promove momentos de interação ou está aberta para ouvir e orientá-los na busca de uma participação mais efetiva. A respeito disso, é possível a exemplificação da falta de diálogo entre pais e professores, ora por falta de planejamento de horários, ora por certa resistência por parte do educador que acaba criando certos empecilhos para a entrada efetiva dos pais na vida escolar (OLIVEIRA; MARINHO-ARAÚJO, 2010). A partir destas colocações, é possível observar que a relação família-escola, pautada na compreensão das responsabilidades a que cada uma compete, com respeito e empatia na formação de um diálogo, constituam um alicerce em uma educação participativa com reflexões na formação do sujeito. A importância da família no processo da alfabetização Ferreiro (1999, p. 47), afirma que “a alfabetização não é um estado ao qual se chega, mas um processo cujo início é na maioria dos casos anterior a escola é que não termina ao finalizar a escola primária”. O processo de aprendizagem do indivíduo ocorre por meio do contato com a realidade, com o meio e através da interação com outras pessoas, onde a aquisição de valores, habilidades e informações integram subsídios para o desenvolvimento. 10 O aprendizado humano pressupõe uma natureza social específica e um processo através do qual as crianças penetram na vida intelectual daqueles que as cercam (…) um aspecto crucial do aprendizado é que ele cria a zona de desenvolvimento proximal; ou seja, o aprendizado desperta processos internos de desenvolvimento, que são capazes de operar somente quando a criança interage com pessoas em seu ambiente e quando em cooperação com seus companheiros. Uma vez internalizados, esses processos tornam-se parte das aquisições do desenvolvimento independente da criança. Desse ponto de vista, (…) o aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que, de outra forma, seriam impossíveis de acontecer” (VYGOTSKY, 1989, p. 99 – 100). Ferreiro (1996, p. 24), diz que “O desenvolvimento da alfabetização ocorre, sem dúvida, em um ambiente social. Mas as práticas sociais, assim como as informações sociais, não são recebidas passivamente pelas crianças”. A alfabetização, aprendizagem inicial da língua escrita, é um momento significativo na vida de qualquer ser humano, por ser o sistema de escrita a linguagem estruturante que funciona como pré-requisito para o acesso a outras linguagens, além de sua apropriação ter caráter cultural e social. Em paralelo a alfabetização, temos o letramento, que corresponde ao uso da escrita e da leitura socialmente. Quanto a isso, Soares (2007, p. 39), faz uma observação: Ter-se apropriado da escrita é diferente de ter aprendido a ler e escrever; aprender a ler e escrever significa adquirir uma tecnologia, a de codificar a língua escrita e de decodificar a língua escrita; apropriar-se da escrita é tornar a escrita ‘própria’,ou seja, é assimilar como sua ‘propriedade’. Tendo em vista que a criança reproduz o que vivencia, a família é parte crucial na aquisição da escrita e leitura, sendo a instituição referencial ou modelo para o educando na conquista de habilidades que proporcionaram a conquista do mundo letrado. Ao criar hábitos que estimulam o incentivo à leitura e escrita no cotidiano da criança, ainda que mesmo sem saber ler ou escrever, a família contribui para a significação deste ato no dia a dia e, consequentemente, mais conhecimentos essa criança terá no processo de alfabetização. Ferreiro (1999, p. 23), ressalta que: Há crianças que chegam à escola sabendo que a escrita serve para escrever coisas inteligentes, divertidas ou importantes. Essas são as que terminam de alfabetizar-se na escola, mas começaram a alfabetizar muito antes, através da possibilidade de entrar em contato, de interagir com a língua escrita. Há outras crianças que necessitam da escola para apropriar-se da escrita. A partir do olhar sobre a alfabetização, muito tem se questionado e mudado a respeito das práticas pedagógicas para que a alfabetização seja mais eficiente. Segundo Barbosa (2008, p. 45): 11 As metodologias de alfabetização evoluíram no tempo, de acordo com novas necessidades sociais que cada nova configuração exigem um novo tipo de pessoa letrada; e, ao mesmo tempo, em função do avanço do conhecimento acumulado na área da leitura e apropriação escrita e de seus processos de aquisição. A Educação Básica Brasileira é organizada através da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, a qual institui o direito à educação e a obrigatoriedade de inscrição de crianças dos quatro aos dezessete anos de idade. Com a Lei 11.274/06, o Ensino Fundamental passa por uma ampliação para nove anos. Dessa forma, a criança com 6 anos de idade precisa estar matriculada no primeiro ano do Ensino Fundamental (BRASIL, 2006). O Ensino Fundamental de nove anos tem por objetivo o desenvolvimento da criança para assegurar a formação de cidadão, mediante o desenvolvimento da aprendizagem, compreensão dos ambientes que integram a sociedade, a aquisição de conhecimentos e habilidades, os valores e atitudes para uma visão crítica de mundo, assim como o fortalecimento dos vínculos familiares, solidariedade e tolerância (BRASIL, 2010). Através das legislações que discorrem sobre a educação e família, é inegável o dever desta em formar seus filhos para a vida, levando-os a construir suas primeiras responsabilidades perante a sociedade na qual se está inserido. Nesse esteio, a Política Nacional de Alfabetização (PNA), instituída pelo Decreto nº 9.765, de 11 de abril de 2019, ressalta o trabalho coletivo entre famílias, professores, escolas, redes de ensino e poder público como sendo o caminho para elevar a qualidade da alfabetização (BRASIL, 2019). O Decreto nº 9.765, de 11 de abril de 2019, enumera os agentes envolvidos na PNA: Art. 7º São agentes envolvidos na Política Nacional de Alfabetização: I – professores da educação infantil; II – professores alfabetizadores; III – professores das diferentes modalidades especializadas de educação; IV – demais professores da educação básica; V – gestores escolares; VI – dirigentes de redes públicas de ensino; VII – instituições de ensino; VIII – famílias; e IX – organizações da sociedade civil (BRASIL, 2019). Muitos documentos têm alterado os rumos da alfabetização e, conforme a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a alfabetização das crianças passa a ocorrer até o segundo ano do Ensino Fundamental, entre os 6 e 7 anos de idade, o que antes era realizado 12 até o terceiro ano do Ensino Fundamental, ou seja, aos 8 anos de idade da criança (BRASIL, 2017). A BNCC, ao tratar do processo de alfabetização, afirma que […] é preciso que os estudantes conheçam o alfabeto e a mecânica da escrita/leitura – processos que visam a que alguém (se) torne alfabetizado, ou seja, consiga “codificar e decodificar” os sons da língua (fonemas) em material gráfico (grafemas ou letras), o que envolve o desenvolvimento de uma consciência fonológica (dos fonemas do português do Brasil e de sua organização em segmentos sonoros maiores como sílabas e palavras) e o conhecimento do alfabeto do português do Brasil em seus vários formatos (letras imprensa e cursiva, maiúsculas e minúsculas), além do estabelecimento de relações grafofônicas entre esses dois sistemas de materialização da língua (BRASIL, 2017, p. 87-88). Com as alterações no processo de alfabetização, dentre elas a redução de ano para que esta ocorra, é inegável a necessidade do alinhamento da relação entre a escola e a família para que a criança se sinta estimulada e incentivada para adquirir as habilidades necessárias de escrita e leitura, de forma que ocorra tudo como desejado em torno do processo. 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa, desenvolvida por meio de um estudo bibliográfico, abordou a participação da família na aquisição da língua escrita nos anos iniciais do Ensino Fundamental e tratou sobre a interação da família com a escola para o desenvolvimento do processo de alfabetização da criança. Abordou, também, o conceito de infância e sua relação com a sociedade no âmbito educacional. Diante do estudo realizado, conclui-se que a família é um elemento fundamental e indispensável na vida escolar da criança, sendo responsabilidade deste grupo social atuar nos cuidados com os filhos referentes à saúde, à alimentação, à higiene e, especialmente, a educação. O que um dia já foi negligenciado, no momento histórico em que a criança era vista como um “adulto em miniatura”, hoje em dia, com raras exceções, tem se dedicado, de forma muito significativa, para a contribuição do desenvolvimento integral da criança. A família carrega o atributo de referencial, por ser o primeiro grupo de socialização que a criança faz parte e que, através dessa convivência, são lhe fornecido os fundamentos primários para a vida inteira, ou seja, o que a criança pensa ou faz é baseado em suas vivências no ambiente familiar. A conscientização da família de seu papel no processo de alfabetização como parceira da escola é de suma importância para que o ensino-aprendizagem seja realizado de forma 13 significativa, visando o desenvolvimento da criança. A família e a escola trabalhando juntas em prol ao incentivo e estímulo necessário para a autoestima da criança resulta em um bom desenvolvimento, desempenho e crescimento na aprendizagem. Transformar a alfabetização em um conhecimento significativo é papel da escola e da família, sendo possível através de uma relação de cooperação e respeito. REFERÊNCIAS ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 1997. ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2ª Ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981. BARROS, Sérgio Resende de. A tutela constitucional do afeto. In: PEREIRA, Rodrigo da Cunha (Coord.). Família e dignidade humana. Belo Horizonte: IBDFAM – Anais do V Congresso Brasileiro de Direito de Família, 2006. 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Anos mais tarde a educação tornou-se obrigatória assegurada pela Lei LDB art. 4º Inciso I diz que o dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado mediante a quantia de: I ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiverem acesso na idade própria. Com isso pode-se afirmar que a educação ganhou espaço na vida dos menos favorecidos. A educação é o primeiro passo para uma sociedade melhor, e para o bom desenrolar da educação necessita-se de profissionais dedicados e com o passar dos anos os profissionais da educação tem buscado o melhor aprimoramento de suas profissões. Nesta perspectiva, é possível identificar que as reformas educacionais iniciadas na última década no Brasil e nos demais países da América Latina têm trazido mudanças significativas para os trabalhadores docentes. São reformas que atuam não só no nível da escola, mas em todo o sistema, repercutindo em mudanças profundas da natureza do trabalho 16 docente. No atual contexto da educação brasileira, cresce a importância do supervisor educacional, que representa uma das pessoas que procura direcionar o trabalho pedagógico na escola em que atua para que se efetive a qualidade em todo o processo educacional. Um dos assuntos mais polêmicos da atualidade e que vem sendo amplamente discutido é a educação, no seu sentido de formação humana. Educar é uma tarefa que exige comprometimento, perseverança, autenticidade e continuidade. As mudanças não se propagam em um tempo imediato, por isso, as transformações são decorrentes de ações. No entanto, as ações isoladas não surgem efeito. É preciso que o trabalho seja realizado em conjunto, onde a comunidade participe em prol de uma educação de qualidade baseada na igualdade de direitos. O desenvolvimento da sociedade moderna representa motivos de muita reflexão, principalmente pelo fato de que a área educacional possui muitos problemas e que diretamente vinculam-se as demais atividades sociais vistas que são tais profissionais que irão atuar junto ao mercado de trabalho. Trata-se de ignorar as velhas práticas educacionais e acreditar na possibilidade de construir uma sociedade onde o homem tenha consciência do seu papel e da sua importância perante o grupo. Santos e Haerter assinalam: A necessidade de empreendermos tentativas de rompimento com verdadeiros “receituários” que todos nós professores tínhamos no sentido de “educar é assim”, “conhecimento é isso”, “é preciso cumprir o programa de conteúdos”, o que não nos causa estranhamento, uma vez que somos frutos de uma maneira bastante específica de ser, pensar, sentir e agir no mundo, identificada com a concepção cartesiana de conhecimento, que orientou e ainda orienta os conceitos e práticas relacionados à gestão e ao ensino na educação. (2004:3) Acredita-se que se existem falhas no sistema educacional a melhor maneira de redimensionar o trabalho é assumir o compromisso de fazer do trabalho educacional uma meta a ser atingida por todos. Nessa busca incessante por uma nova postura de trabalho, o professor possui um papel fundamental, por isso, deve recuperar o ânimo, a sede e a vontade de educar e fazer do ensino uma ação construtiva. Deve agir como um verdadeiro aprendiz na busca pelo conhecimento e fazer desta ferramenta um compromisso social. Conforme Freire (1998), a educação libertadora passou a inspirar novos conceitos que 17 orientam uma nova sociedade baseada nos princípios de liberdade, de participação e de busca pela autonomia. Segundo o autor a educação libertadoraabriu caminhos para uma nova forma de conhecimento, pois ela trouxe a oportunidade de questionar, escolher e praticar, trazendo assim, inúmeras vantagens a todas as classes sociais. Claro que está longe do ideal, haja vista que a educação continua engatinhando e os colégios que se destaca a concorrência são assustadoras, fazendo os pais sofrerem angustia e até desequilíbrio no ato da matrícula. A escola segundo a visão de educação libertadora colabora para a emancipação humana à medida que garantem o conhecimento às camadas menos favorecidas da sociedade. No entanto, diante do exposto até aqui se conclui que a escola, como parte integrante da totalidade social, não é um produto acabado. É resultado, dos conflitos sociais que os trabalhadores vivem nas relações de produção, nas relações sociais e nas lutas de classe. É também fruto das lutas sociais pela escola como lugar para satisfazer a necessidade de conhecimentos, qualificação profissional, e de melhoria de suas condições de vida enquanto possibilita melhores empregos e o acesso a uma maior renda. Não se pode negar este direito aos trabalhadores, e, por isso, a escola pública, apesar dos pesares, é um espaço de Educação Popular. A escola para muitos tornou-se um ambiente onde coloca-se a criança por tempo integral deixando a cargo da escola o que não é apenas papel seu como diz Charim (2009, p. 60): “Todos os três Segmentos, pais escola, pais e Estado precisam entender que a escola é uma prestadora de serviço e que o ensino sistemático não é depósito de criança”. Tendo esta que conciliar o educacional com o afetivo, crianças com carência afetiva irá buscar em alguém o que mais lhe faz falta. Interpretando a autora, a família deve se conscientizar de seu papel como educadora e protetora da criança, não deixando que outros se ocupem de tarefas que a ela são destinadas. A criança deve ter seus momentos familiares como sendo os mais prazerosos, e os pais devem lembrar que são os espelhos do filho, pois se isto não acontece à criança irá buscar exemplos fora do contexto familiar. Nesta perspectiva insere-se a família como parceira inseparável da escola. Duas instituições ligadas pelo mesmo elo à educação. Ambas, educando para a vida e para a sociedade onde a escola é uma extensão da família, dando esta continuidade aos saberes já conquistados transformando-os em saber. A criança chega à escola com um conhecimento e a 18 escola com sua vasta escala de saberes irá moldar e modificar este saber. Ao lado da família, a escola permanece sendo um espaço de formação que deve, para tanto, repensar a sua ação formadora, preocupando-se em formar seus educadores para que os mesmos reúnam recursos que os permitam lidar com os conflitos inerentes ao cotidiano escolar. É, portanto, na escola, refletindo sobre o que há para ser ensinado às crianças sobre a metodologia que pode tornar mais coesa a ação do conjunto docente, que a escola poderá encontrar saídas legítimas à superação dos problemas morais e éticos que assolam o seu dia-a- dia. Os deveres têm de ser vistos como uma oportunidade de aplicação dos conhecimentos adquiridos na sala de aula, mas também como possibilidade de adquirir aprendizado que por diversas razões não foram bem-sucedidas na escola. (Jaume, 2002, p. 147). A escola não é a única instância de formação da cidadania. Mas, o desenvolvimento dos indivíduos e da sociedade depende cada vez mais da qualidade e da igualdade de oportunidade educativas. Família e escola têm uma importância em comum: preparam para a sociedade seus futuros cidadãos. A escola que reconhece isso abre as portas para a comunidade, consegue dar um salto qualitativo em relação às outras. Para (DURKHEIM, 1973; 32) “A educação não é um elemento para a mudança social, e sim pelo contrário, é um elemento fundamental para a conservação e funcionamento do sistema social”. Antigamente existia uma grande diferença entre as classes sociais, por um lado as famílias de classe pobre eram excluídas, consideradas um fracasso dentro da sala de aula. Seus pais depositavam todo rendimento dos filhos à escola, não tinham noção pra colaborar na aprendizagem das crianças, pois além de não saberem ensinar, a quantidade de crianças era grande e não tinha condição para pagar reforço, ficando as crianças a mercê da vida e com isso a maioria não chegava a concluir seus estudos devidos os trabalhos precoce dificultando acompanhar os estudos. Já as famílias de classe média sempre praticam outra forma de colaboração: o apoio ao estudo em casa. Essas famílias apoiam os filhos na realização dos trabalhos de casa e no estudo recorrendo, muitas vezes, a professores particulares. Nas pré-escolas e no ensino básico, começa a ser comum a participação dos pais em atividades escolares: festas, comemorações e visitas de estudo. Algumas destas formas de colaboração têm efeitos expressivos na melhoria do aproveitamento escolar dos alunos, aumenta a motivação dos alunos no estudo, ajuda a que os pais compreendam melhor o esforço dos professores. 19 Melhora a imagem social da escola, reforça o prestígio profissional dos professores, ajuda os pais a serem melhores. Da mesma forma, estimula os professores a serem melhores profissionais. Minha linha de educação é de que sempre é tempo de preparar os filhos para um futuro que eles pertencem. Quando se deixa de educar, o crescimento se torna silvestre e não atende as necessidades do mercado e nem da qualidade de vida que pretende ter. (Tiba, 2012, p. 120). O educador não caminha na frente do aluno, mas lado a lado com ele, fazendo intervenções segundo o seu estilo de raciocínio, estimular e buscar informações em diferentes fontes. O bom professor é aquele que faz o aluno pensar, mais para isso é necessário planejamento, onde o conteúdo seja viável ao consentimento da criança. Fica notável quando as famílias são participativas, pois quando os pais frequentam a escola de vez em quando, nem que seja só para observar o comportamento do filho com certeza surtirá efeito, ainda mais porque vai crescendo sabendo que tem alguém preocupada com seu desempenho dentro e fora da escola, algo que ajudará muito na preparação da personalidade da criança logo porque ela está sujeita a desenvolver uma conduta de acordo com o ambiente a qual está inserida. Por outro lado, família que não acompanha seus filhos enquanto alunos ou mesmo no dia-a-dia no meio social poderão acarretar um desequilíbrio por não sentir esse apoio que lhe servirá de coluna de sustentação. Quantos pais não tomam providencia no tempo certo e depois ficam numa situação vergonhosa com os casos de indisciplinas praticadas pelo filho. São situações rotineiras vivenciadas em alguns colégios, sendo a maioria filho de pais que não frequentam o dia-a-dia escolar ou pessoas responsáveis que já perdeu o controle familiar em casa e com isso chega até a escola. Claro que não pode determinar o desempenho escolar, a indisciplina ou número de falta só pela ausência da família na escola, mas que contribui para esse fim, devido escola e família ser esse elo de estrutura na vida cotidiana da criança. O apoio familiar reflete na criança, pois o incentivo dos pais colabora para um crescimento harmonioso, gerando expectativa de superação para qualquer obstáculo que venha acontecer, transmitindo segurança e compromisso na aprendizagem da criança tornando um cidadão que fará a diferença na sociedade. Além disso, provoca confiança dos pais, professores que sentem mais seguro para exercer seu papel de educador por saber que pode contar com a contribuição da família, gerando uma proteção no que diz respeito ao comportamento dos trabalhos na escola e posteriormente nos deveres de casa. Em todos os efeitos, percebe-se nos depoimentos dosentrevistados a diferença de se 20 trabalhar com alunos que tem um acompanhamento em casa, pois cobra, mas também elogia quando supera algo no que diz respeito ao âmbito escolar. Pais e professores que mantém o diálogo dentro e fora do convívio escolar são de melhor compreensão e com isso facilita os laços de amizade que aproxima e faz com que a criança continue esbanjando alegria e despertando nela a vontade de conquistar algo, passando a imitar alguém na sua profissão ou função. Os benefícios da parceria família e escola: aumento do rendimento escolar; maior envolvimento familiar na escola; acompanhamento constante da criança; desenvolvimento cognitivo e social do aluno, entre outros. A família, sem dúvidas, tem papel fundamental na construção do caráter e da personalidade de um indivíduo. Afinal, é no seio dela que as crianças têm o primeiro contato com a existência do outro, o que a faz desenvolver noções de afetivo e de solidariedade. Desse contexto, ainda, ela extrai relevantes princípios e valores éticos. A escola também tem destaque no processo de aprendizagem de seus alunos, uma vez que é responsável por proporcionar conhecimentos e permitir a convivência em coletividade, estimulando, assim, o respeito ao outro. Com a evolução da tecnologia, hoje as escolas têm condições de terem um relacionamento mais próximo aos responsáveis. Usando um aplicativo escolar, por exemplo, a comunicação pode ser contínua e ter dois fluxos. Tanto a escola pode se comunicar com os pais, envolvendo diferentes colaboradores, como professores, coordenadores e gestor. Como os responsáveis também podem enviar mensagens aos diferentes setores da instituição. Como a qualidade de informação pode ser aprimorada com as facilidades trazidas pela tecnologia, fica mais fácil para os pais conversarem com seus filhos sobre conteúdos discutidos na escola. 21 22 ANEXOS Família e escola são alvos de encosto e sustento ao ser compassivo; é também marcos de identificar entre ambos. Mais positivo e expressivo serão as decorrências na formação do sujeito. A contribuição dos pais na educação formal dos filhos deve ser inabalável e consciente. Vida familiar e vida escolar são simultâneas e complementares. É importante que pais e professores, alunos compartilhem conhecimentos, alcancem e trabalhem os assuntos envolvidos no seu dia-a-dia sem cair no ajuizamento culpado ou inocente, uma vez que tudo o que se relaciona aos alunos tem a ver com a escola e vice-versa. “Cabe aos pais e a escola preciosa tarefa de transformar a criança inexperiente em cidadão maduro, participativo, atuante, consciente de seus deveres e direitos, possibilidades e atribuições”. (SANTO, 2008:14). A família precisa estar constantemente buscando algo melhor entorno da sociedade, para que despertem no indivíduo os valores necessários para crescer junto aos demais. O que dificulta o desenvolvimento da criança é o fato de estar acostumada com os pais e querer atrair a atenção para si e suas vontades serem sempre realizadas. Isso implicará a partir que os pais não educam as crianças de forma a conviver socialmente, dando-lhes um mundo mais aberto que aprenda compartilhar suas vontades e necessidades com outras pessoas. Toda família deveria ser uma escola onde se aprende a grande arte de amar, de respeitar, onde se brinca, se joga, se chora, se reza e se pratica os relacionamentos pessoais e sociais. Toda escola deveria ser uma família, onde os laços de amor se ampliam, cresce o respeito pelo diferente, adquire-se cultura e sabedoria para viver os princípios da cidadania e da solidariedade fraterna. João Paulo II, Hora da Família. (2004, p. 43). Um dos pilares importante para engrenar na educação escolar, é antes de tudo a educação familiar. Saber repreender ou elogiar na hora certa são princípios essenciais para uma postura correta com poder de autoridade adquirida através do diálogo. A família é uma das instituições responsáveis pelo processo de socialização das crianças, pois tem em suas mãos o papel de instruir e educar através de valores, ainda que seja um conhecimento dito comum, mas ainda é considerada a base na formação do ser humano. Como primeiro grupo social no qual a criança interage, a família traz consigo um grande valor perante a sociedade, pois é nela que os laços afetivos são construídos, os primeiros laços de convivência humana em que a criança encontra-se aprendendo a viver com normas impostas pela a família dentro de suas limitações no meio à vivencia com indivíduo nas estruturas 23 sociais. Sobre o assunto Oliveira (2003, p. 66) diz: “A família é a primeira agência de controle social da qual a criança participa, ocorrendo uma socialização baseada em contatos primários, mas afetivo, diretos e emocionais”. Os valores adquiridos na família são insubstituíveis, tornando-a assim, responsável legal da criança no processo de educar e transmitir valores éticos e moral. A família sempre foi e continua sendo muito desejada por todos, pois ela representa a segurança, o equilíbrio emocional do ser humano, embora já tenha sofrido muitas modificações a família dita como tradicional, aos poucos foi sendo esquecida, e sua composição impostos pela sociedade também, porque sua estrutura hoje vai além dos laços sanguíneos. Não é preciso uma criança necessariamente ser de laços sanguíneos para poder ser amada pela sua família, acima de tudo os pais devem estar atentos como conversas deixando impor suas opiniões e vontade dentro de certa limitação instigando a aprender a conviver com suas diferenças respeitando etnias, cores e raças dentro do espaço na sociedade. AGRADECIMENTOS Como tudo na vida depende do acreditar, acreditei que este momento chegaria. O caminho, por muitas vezes, se tornou difícil, mas posso dizer, sem sombra de dúvidas, que foi uma experiência incrível e inesquecível. Fiz amigos e conheci grandes mestres. Sei que estou realizando mais um sonho da minha vida. Também sei que esta vitória representa bem menos da metade das lutas e conquistas que virão depois, pois esse é o início de uma longa caminhada, onde futuras realizações estão por vir, por isso peço a Deus sabedoria e determinação para desempenhar com eficiência essa nova missão. Quero compartilhar esse momento de sublime realização com meus pais, que me ensinaram a dar passos seguros e que jamais mediram esforços para me ajudar, e com aqueles que acreditaram no meu potencial, que incentivam a continuar, que torceram pelo meu sucesso. Valeu a pena! 24 ORIENTAÇÕES GERAIS Além da NBR 6022:2018, ao preparar um artigo científico deve-se consultar as normas relacionadas no Quadro 1. Quadro1- Normas usadas na elaboração de um artigo científico AUTOR TÍTULO DATA ABNT NBR 6023: Elaboração de referências 2018 ABNT NBR 6024: Numeração progressiva das seções de um documento 2012 ABNT NBR 6028: Resumos 2003 ABNT NBR 10520: Citação em documento 2002 IBGE Normas de apresentação tabular. 3. ed. 1993 Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2018, p. 1). Essas normas citadas no Quadro 1 tem como objetivo complementar a apresentação dos artigos científicos. A NBR 6022:2018 é estruturada em elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais, conforme especificados na Figura 1. Figura 1 – Estrutura de um artigo Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2018, p. 4).