Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1 
 
TÍTULO DO ARTIGO: A RELAÇÃO ENTRE A FAMÍLIA E ESCOLA NO 
DESENVOLVIMENTO NA ALFABETIZAÇÃO DA CRIANÇA: Uma revisão de 
literatura 
 
Autor1- Flayra Viana Dos Santos Silva - Rede de Ensino Doctum 
Autor² - Iêda Barra de Moura Galvão - Rede de Ensino Doctum 
RESUMO 
O presente estudo tem como objetivo falar sobre a importância da família e da escola no 
desenvolvimento da alfabetização de uma criança. No meu pouco tempo de experiência como 
professora, após ter trabalhado em algumas escolas da minha cidade, percebi o quanto a 
família é importante no processo de alfabetização de uma criança. Ao realizar esse estudo 
embasado em algumas pesquisas e através das minhas percepções sobre esse assunto 
percebemos que, as famílias sabem da importância da sua união com a escola durante esse 
processo de alfabetização das crianças. 
Palavras-chave: Alfabetização. Desenvolvimento. Família. Ensino aprendizagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1
 - formação acadêmica – e-mail: autor1@gmail.com 
mailto:autor1@gmail.com
 
2 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A alfabetização é fundamental no desenvolvimento de uma criança. Sabemos que é 
dever da família inserir e acompanhar a criança na sua rotina escolar, auxiliar nas atividades 
de casa e ser mais participativa nas atividades escolares em que os familiares são chamados a 
participar, pois o interesse e estímulo da criança vem a partir de casa. 
É de indispensável relevância que se gere mais união entre escola e família, para que 
juntos sejam capazes de conceber pessoas mais vinculadas com o bem comum e permaneçam 
aprontados para viver em sociedade. 
É primordial que a família estabeleça contato com a escola demonstrando interesse na 
vida escolar da criança, buscando estar sempre presente e disponível, pois é interessante que a 
criança veja o interesse e a preocupação dos pais com seus estudos. 
Os primeiros conceitos de educação são adquiridos no meio familiar, como diz 
Vigotsky " A criança nasce inserida em um meio social, que é a família e é nela que estabelece 
as primeiras relações com a linguagem na interação com os outros". (Vigotsky, 1994.) 
 
2 DESENVOLVIMENTO 
 
O desenvolvimento das crianças está diretamente ligado na relação entre a família e a 
escola, pois ambas têm um papel importante na alfabetização da criança. Na família as 
crianças começam a se socializar, aprender sobre si mesmas, começam a desenvolver seus 
princípios e valores, o que auxilia a criança em todos os campos da sua vida. Na escola a 
criança desenvolve seus aspectos sociais, físico, motor, emocional, começam a aprimorar a 
sua comunicação. 
A família e a escola devem trabalhar em conjunto e se apoiarem mutuamente, más 
atualmente vemos que as crianças não têm tanto o apoio dos seus familiares em casa, não são 
auxiliadas nas atividades de casa, não tem um incentivo para a leitura e não tem seus pais 
presentes nas atividades escolares na qual são convidados a participarem. 
Trabalhei durante um período em algumas escolas da minha cidade como auxiliar de 
alfabetização e pude perceber a diferença em crianças que tem o auxílio dos pais e crianças 
que não tem nenhum auxílio em casa, crianças com o apoio dos pais vemos que tem um 
desenvolvimento bom, prestam mais atenção nas aulas, tem um interesse maior em aprender, 
e tem um bom desenvolvimento na leitura, já as crianças sem apoio em casa, são crianças que 
 
3 
 
não têm um comportamento muito bom, elas estão sempre tentando chamar atenção e 
dispersando a turma, tem mais dificuldade em focar, não tem interesse pelas aulas, geralmente 
chegam com as atividades de "Para casa" sem fazer, pois dizem que os pais não tiveram 
tempo de ajudá-los, ou que ninguém quis ajudá-lo a realizar a atividade, entre muitas outras 
coisas que eles relatavam. 
Então percebi que pelo mínimo como a ajuda dos pais em um "Para Casa", o incentivo 
na leitura e na escrita, ou a participação dos pais nas atividades escolares os alunos já se 
sentiam bem motivados e ficavam mais interessados pelas atividades na escola. 
 
2.1 Fundamentação Teórica 
Literatura infantil no processo de formação do leitor 
A realidade com a qual nos deparamos nas escolas ou mesmo em nosso dia a dia é a 
falta de leitura, sendo ela constatada por meio da escrita ou da fala. As redes sociais vêm 
sendo uma vitrine repleta de erros, que muitas vezes são gerados pela falta de atenção ou 
mesmo pelo fato das pessoas realmente não saberem como seria a maneira formal de escrita. 
Mesmo o Português sendo uma disciplina de peso (junto com a matemática) dentro das 
escolas ainda assim observamos diversos indivíduos que terminam o Ensino Médio e são 
considerados analfabetos funcionais, ou seja, conseguem decifras os símbolos (letras), mas 
não interpretam de fato o que estão lendo. 
O sujeito que não consegue interpretar com êxito aquilo que lê apresentará dificuldade 
em outras áreas de conhecimento seja geografia, história, matemática e ainda se não for um 
bom leitor também não será um bom escritor. Futuramente este sujeito terá dificuldade de 
passar em um vestibular e de arrumar um bom emprego, estando preso a ocupar cargos pouco 
remunerados. “A leitura e a escrita são muito importantes para que as pessoas exerçam seus 
direitos, possam trabalhar e participar da sociedade com cidadania, se informar e aprender 
coisas novas ao longo de toda a vida”. (BRASIL, 2006, p. 05). A leitura é importante em 
todos os níveis educacionais constitui-se numa forma de interação das pessoas de qualquer 
área do conhecimento. Permite ao homem possibilidade de ter diferentes pontos de vista e 
alargamento de experiências. 
A capacidade de ler e escrever não deve ser vista como um dom, onde uns a possuem, 
pois apresentam uma inteligência superior e outros simplesmente não a detêm. Esta 
capacidade é obtida por meio de escalas, ou seja, ninguém nasce com ela, mas a constrói nos 
diversos níveis de aprendizado. Nestes níveis estão incluídos desde os estímulos que as 
 
4 
 
crianças recebem em casa com a família até a continuidade dada pela escola. Bock (1999), 
baseado na teoria de Vigostski, diz que a aprendizagem sempre inclui relações entre as 
pessoas. A relação do indivíduo com o mundo está sempre mediada pelo outro, aquele que nos 
fornece os significados, que nos permite pensar o mundo em nossa volta. Também baseado 
em Fonseca (2012), a leitura é um processo iniciado em um momento diferente da vida para 
cada pessoa e que não termina nunca, ele depende do conhecimento que o sujeito possui, da 
motivação, da parceria daquele que o ensinou. 
De acordo com Parolin (2010) os responsáveis por transmitir valores e atitudes às 
crianças é a família em parceria com a escola. Hoje, as crianças vão cada vez mais cedo para 
as escolas de Educação Infantil, originando uma nova adaptação para os professores e para a 
escola. Sendo assim, o desenvolvimento da aprendizagem da criança ocorre dependendo dos 
movimentos desta parceria. A família contribui para que ela possa se descobrir, se aceitar e 
sentir-se confiante em sua realidade, encarando as complexidades para adquirir novas 
aprendizagens. A escola possui atribuições de oportunizar a socialização entre os alunos, 
permitir que construam novos conhecimentos e dividam experiências pessoais, para que 
possam ampliar suas concepções, respeitando as crenças e a cultura dos outros. 
Segundo Dinorah (1995) “formar o leitor é algo sutil e democrático”. E isto é um 
processo que deveria começar no lar, onde a criança, tivesse a chance de conviver com livros 
adequados a esta fase. Em dias que muito se fala na participação da família no contexto 
educacional da criança, pouco se discute em como a família pode influenciar no hábitode 
leitura da criança. Diante disso Klein (1992) afirma que antes da entrada da criança para a 
escola, a família se coloca como a principal mediadora das aprendizagens infantis e 
facilitando o trabalho futuro de professores. 
Como os pais podem contribuir para esta mediação? A melhor maneira dos pais 
incentivarem os filhos a terem gosto pela leitura é participando deste momento com seus 
filhos. Por meio de histórias deixando este momento especial. Freire (1987), afirma que: 
“Ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém educa a si mesmo, os homens se educam 
em comunhão, mediatizados pelo mundo. ” A leitura é algo muito amplo, produz sentido, ou 
seja, surge da vivência de cada um, é posta como prática na compreensão do mundo no qual o 
sujeito está inserido. A leitura deixa a criança capaz de se comunicar com seu mundo com 
certa facilidade. Freire (2008) sinaliza que antes mesmo de realizar a leitura da palavra escrita 
é necessário que este realize a leitura de mundo: 
A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não 
possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se 
 
5 
 
prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura 
crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. (FREIRE, 2008, 
p.11). 
 
É necessário que a criança perceba que o texto sempre tem algo diferente a ensinar ou, 
informar; e, ainda, que o texto tem uma função social, que é a de levar às pessoas 
informações, conhecimentos e diversão. Dentro desta experiência, os pais agem com 
mediadores da leitura-criança-mundo. Para Abramovich (1997) ouvir histórias pode estimular 
o desenhar, o musicar, o sair, o ficar, o pensar, o teatrar, o imaginar, o brincar, o ver o livro, o 
escrever, o querer ouvir de novo. Segundo Cruvinel & Alves (apud. VYGOTSKI, 2001), a 
escrita é uma representação de segunda ordem. Ela se constitui por um sistema de signos, 
palavras escritas que representam os sons e palavras da linguagem oral, que tem relação com 
o mundo real. 
A família é a primeira instituição social em que a criança se desenvolve, onde a 
criança inicia a sua socialização. Os familiares se preocupam com a saúde, a aprendizagem 
dos primeiros passos e a aprendizagem. Abramovich (1997) argumenta que para os pais cabe 
a primeira estratégia para despertar o gosto da criança pela leitura. Uma boa estratégia abarca 
em dar livros adequados ao nível cognitivo das crianças, a partir da idade de seis meses. 
Como a criança não tem capacidade de ler sozinha, os familiares precisarão assumir o papel 
de contadores de histórias. Vygotsky afirma: 
O estímulo à leitura deve ocorrer não somente na sala de aula, como também no 
contexto familiar, uma vez que a família é a base para a formação do ser humano. A 
criança aprende e se desenvolve com o meio em que está inserido, caso não haja 
interesse pelos pais, os filhos também terão dificuldades em despertar interesse pelos 
livros (VYGOTSKY. 2000, p. 58). 
 
Para Richard Bamberger (1987) a resistência à leitura advém do fato de que muitas 
vezes não se sabe ler. Para ele, ninguém pode adquirir um hábito cujo exercício constitua-se 
em atividade penosa, porque todo hábito entra na vida como jogo que, por mobilizar emoções 
e inspirar prazer, exige repetição contínua e renovada. E se faz necessário que este hábito seja 
construído e reconstruído desde os primeiros meses de vida do sujeito e ao longo da sua 
trajetória escolar. 
Adquirir o habito da leitura ou contato com livros na primeira faze da vida antes da 
escolarização pode constituir um fundamento de grande importância para formação de um 
leitor, mas as instituições de ensino juntamente com seus profissionais possuem a tarefa de 
dar continuidade e este trabalho iniciado pelos pais. A partir da inclusão da criança na escola 
os professores assume, juntamente com os pais, o papel de mediadores da leitura com o leitor. 
 
6 
 
Esta parceria pais e professores, quando bem efetivada, trarão ao sujeito-aluno excelentes 
condições de se tornar um leitor efetivo e ativo. 
 
2.2 Procedimentos Metodológicos 
 
A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica do tipo narrativa por 
meio de livros, artigos e revistas científicas, buscando citações relevantes, 
objetivando a reunião de informações e dados que serviram de base para a 
elaboração da investigação proposta a partir do tema escolhido. A seleção de 
autores do campo da educação que desenvolvem conceitos de família, escola e 
alfabetização ocorreu de forma arbitrária. Quanto aos critérios, amparam-se pontos 
de vista e matrizes teóricas complementares. Destaca-se como referenciais teóricos 
alguns autores, como Piaget, Vygotsky, Emilia Ferreiro, Magda Soares, dentre 
outros, além de pesquisas em livros, revistas e artigos científicos, com tema 
semelhante e documentos oficiais que se relacionam com a Educação. 
Este artigo está organizado por esta introdução, onde se apresenta o tema, a 
metodologia e os autores fundamentais do estudo desenvolvido. Na sequência, há 
mais duas seções que abordam os desafios da relação família-escola e a 
importância da família no processo da alfabetização, respectivamente. Por fim, são 
apresentadas as conclusões do estudo e listadas as referências. 
 
2.3 Resultados e Discussão 
Desafios da relação família-escola 
 
A família é a primeira instituição em que a criança encontra um ambiente de 
referência, proteção e socialização propícios para o seu desenvolvimento, sendo os pais 
os primeiros educadores. Cabe ressaltar que a família tem se modificado a cada período 
histórico, acompanhando o desenvolvimento social, e que tais mudanças na sociedade 
têm afetado diretamente a estrutura, a função, a concepção, os modos de conceber 
aprendizagens, os costumes e os valores da família. 
Osório (1996, p. 14) diz que, 
[…] a família não é uma expressão passível de conceituação, mas tão somente 
de descrições; ou seja; é possível descrever as várias estruturas ou modalidades 
 
7 
 
assumidas pela família através dos tempos, mas não defini-la ou encontrar 
algum elemento comum a todas as formas com que se apresenta este 
agrupamento humano. 
 
O conceito “família” não é limitado em uma definição, pois pode-se apresentar em 
modelos variados, contando com uma diversidade no que diz respeito à multiplicidade 
cultural, orientação sexual e composições, tornando amplos e representativos as relações 
humanas que se referem à existência de uma intimidade vivenciada por seus membros 
nesta relação, com ou sem laços sanguíneos, como afirma Barros (2006, p. 09) “uma 
entidade familiar forma-se por um afeto tal – tão forte e estreito, tão nítido e persistente – 
que hoje independe do sexo e até das relações sexuais”. 
Diante a diversidade de organizações familiares, reflete que a referência às 
famílias se situa em configurações familiares compostas por, pelo menos, um adulto e 
uma criança ou adolescente, conforme descrito na Constituição Brasileira de 1988, no 
Art. 226, parágrafo 4: “entende-se como entidade familiar a comunidade formada por 
qualquer um dos pais e seus descendentes” (BRASIL, 1988). 
Na idade média, não existia diferenciação entre adultos e crianças, ambos eram 
considerados vistos de maneira igual, conforme destacado por Ariès (1981), as crianças 
eram vistas como um adulto pequeno e que “necessitavam de cuidados básicos só até 
conseguirem executar tudo sozinhas”, não havia sensação de família, ou seja, não havia 
laços afetivos entre eles, o único objetivo era garantir os bens e ajudar-se de forma 
recíproca para tentar sobreviver. 
O autor, ainda, aponta que: 
[…] até por volta do século XII, a arte medieval desconhecia a infância ou não 
tentava representá-la.É difícil crer que essa ausência se devesse à 
incompetência ou à falta de habilidade. É mais provável que não houvesse lugar 
para a infância nesse mundo. Uma miniatura otoniana do séc. XI nos dá uma 
ideia impressionante da deformação que o artista impunha então aos corpos das 
crianças, num sentido que nos parece muito distante do nosso sentimento e da 
nossa visão (ARIÈS, 1981, p. 17). 
 
O autor supracitado afirma que a infância era meramente uma etapa da vida que 
passava rápido, e que era preciso aprender a viver entre os mais velhos para ter 
conhecimentos pela experiência. Nesse sentido, em todos os grupos sociais e ocorrências 
da época, elas ganhavam o mesmo tratamento de um adulto. A mudança deste cenário 
ocorreu na idade moderna, entre os séculos XVI e XVII, quando a criança passa a ser 
vista como alguém que necessita de cuidados e apresenta necessidades diferentes dos 
adultos. 
 
8 
 
Conforme ressalta Ariès (1981, p. 277), “Passou-se a admitir que a criança não 
estava madura para a vida, e que era preciso submetê-la a um regime especial, a uma 
espécie de quarentena antes de deixá-la unir-se aos adultos”. Nesse sentido, ao longo dos 
anos, surgem medidas que visam amparar as crianças, as conquistas de direitos, a vida 
social e familiar. 
De acordo com a Constituição promulgada em 1988, no seu Artigo 227, 
 
É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao 
adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação à 
educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à 
liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de 
toda forma de negligência, discriminação, exploração e opressão (BRASIL, 
1988, p. 148). 
 
A Constituição do Brasil (BRASIL, 1988), aponta o papel que a família 
deve desempenhar na criação e educação da criança, juntamente com a sociedade e 
o Estado. 
A família e a escola possuem papéis distintos, porém se complementam na 
formação cognitiva, afetiva, social e da personalidade do ser humano. A família é 
responsável direto e ocupa um lugar para toda a vida na vida do indivíduo, 
enquanto a escola é a instituição que irá fornecer, por tempo determinado, a 
educação formal. 
O envolvimento dos pais na educação das crianças tem uma justificativa 
pedagógica e moral, bem como legal […] Quando os pais iniciam uma parceria 
com a escola, o trabalho com as crianças pode ir além da sala de aula, e as 
aprendizagens na escola e em casa passam ase complementar mutuamente 
(SPODEK; SARACHO, 1998, p. 167). 
 
A relação entre a família e a escola precisa ser estreita e contínua, devendo 
haver uma troca mútua de informações que resultará em uma ajuda recíproca, 
aperfeiçoando os métodos, proporcionando uma divisão de responsabilidades 
(PIAGET, 2007). 
A necessidade de estreitar e diminuir a distância família-escola é 
indiscutível, porém é evidente que, muitas vezes, a família apresenta certo 
desinteresse em cumprir seu papel educativo na vida do filho. Diante dessa 
situação, é conveniente ressaltar que: 
Em tese a escola espera da família a participação efetiva em todos os aspectos, 
desde os cumprimentos das normas estabelecidas pela escola até o respeito, o 
amor, a cumplicidade e envolvimento com a educação dos filhos. Já a família 
 
9 
 
espera que a escola eduque seus filhos com princípios morais, respeitar o outro, 
a desenvolver competências e habilidades. Entretanto, observa-se que pela 
transformação da sociedade e pela recorrência dos novos arranjos sociais, 
mudou o modo de produção, as tecnologias evoluíram, o mercado de trabalho 
apresenta uma nova configuração e distanciamento entre a escola e a família 
(SILVA et al., 2006, p. 9). 
 
A escola enfrenta diariamente desafios na tentativa de restabelecer uma 
relação com a família e, por vezes, se sente vulnerável ao contexto social. A 
maioria dos conflitos parte da delegação da educação, pois muitos pais acreditam 
que cabe ao professor a função de educar e ensinar as crianças. Com isso, os 
professores são sobrecarregados de tarefas pela falta de parceria entre os pais e a 
escola. Dificuldades como essa tendem a atrapalhar o processo de ensino-
aprendizagem e, consequentemente, o desenvolvimento escolar da criança. 
As reconstruções familiares acarretam obviamente mudanças significativas no 
campo relacional familiar, provocando a emergência de situações sem 
precedentes, para as quais não há experiências prévias na evolução da família 
que possam servir de referência para balizar o processo de assentamento 
sociocultural dessas novas formas de convívio social (OSÓRIO, 1996, p. 56). 
Por outro lado, há famílias que querem se envolver na educação escolar de seus filhos, 
porém a escola nem sempre promove momentos de interação ou está aberta para ouvir e 
orientá-los na busca de uma participação mais efetiva. A respeito disso, é possível a 
exemplificação da falta de diálogo entre pais e professores, ora por falta de planejamento de 
horários, ora por certa resistência por parte do educador que acaba criando certos empecilhos 
para a entrada efetiva dos pais na vida escolar (OLIVEIRA; MARINHO-ARAÚJO, 2010). 
A partir destas colocações, é possível observar que a relação família-escola, pautada na 
compreensão das responsabilidades a que cada uma compete, com respeito e empatia na 
formação de um diálogo, constituam um alicerce em uma educação participativa com 
reflexões na formação do sujeito. 
 
A importância da família no processo da alfabetização 
Ferreiro (1999, p. 47), afirma que “a alfabetização não é um estado ao qual se chega, 
mas um processo cujo início é na maioria dos casos anterior a escola é que não termina ao 
finalizar a escola primária”. 
O processo de aprendizagem do indivíduo ocorre por meio do contato com a realidade, 
com o meio e através da interação com outras pessoas, onde a aquisição de valores, 
habilidades e informações integram subsídios para o desenvolvimento. 
 
10 
 
 
O aprendizado humano pressupõe uma natureza social específica e um processo 
através do qual as crianças penetram na vida intelectual daqueles que as cercam (…) 
um aspecto crucial do aprendizado é que ele cria a zona de desenvolvimento 
proximal; ou seja, o aprendizado desperta processos internos de desenvolvimento, 
que são capazes de operar somente quando a criança interage com pessoas em seu 
ambiente e quando em cooperação com seus companheiros. Uma vez internalizados, 
esses processos tornam-se parte das aquisições do desenvolvimento independente da 
criança. Desse ponto de vista, (…) o aprendizado adequadamente organizado resulta 
em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de 
desenvolvimento que, de outra forma, seriam impossíveis de acontecer” 
(VYGOTSKY, 1989, p. 99 – 100). 
 
 
Ferreiro (1996, p. 24), diz que “O desenvolvimento da alfabetização ocorre, sem 
dúvida, em um ambiente social. Mas as práticas sociais, assim como as informações sociais, 
não são recebidas passivamente pelas crianças”. 
A alfabetização, aprendizagem inicial da língua escrita, é um momento significativo na 
vida de qualquer ser humano, por ser o sistema de escrita a linguagem estruturante que 
funciona como pré-requisito para o acesso a outras linguagens, além de sua apropriação ter 
caráter cultural e social. Em paralelo a alfabetização, temos o letramento, que corresponde ao 
uso da escrita e da leitura socialmente. Quanto a isso, Soares (2007, p. 39), faz uma 
observação: 
Ter-se apropriado da escrita é diferente de ter aprendido a ler e escrever; aprender a 
ler e escrever significa adquirir uma tecnologia, a de codificar a língua escrita e de 
decodificar a língua escrita; apropriar-se da escrita é tornar a escrita ‘própria’,ou 
seja, é assimilar como sua ‘propriedade’. 
 
Tendo em vista que a criança reproduz o que vivencia, a família é parte crucial na 
aquisição da escrita e leitura, sendo a instituição referencial ou modelo para o educando na 
conquista de habilidades que proporcionaram a conquista do mundo letrado. Ao criar hábitos 
que estimulam o incentivo à leitura e escrita no cotidiano da criança, ainda que mesmo sem 
saber ler ou escrever, a família contribui para a significação deste ato no dia a dia e, 
consequentemente, mais conhecimentos essa criança terá no processo de alfabetização. 
Ferreiro (1999, p. 23), ressalta que: 
Há crianças que chegam à escola sabendo que a escrita serve para escrever 
coisas inteligentes, divertidas ou importantes. Essas são as que terminam de 
alfabetizar-se na escola, mas começaram a alfabetizar muito antes, através da 
possibilidade de entrar em contato, de interagir com a língua escrita. Há outras 
crianças que necessitam da escola para apropriar-se da escrita. 
 
A partir do olhar sobre a alfabetização, muito tem se questionado e mudado a 
respeito das práticas pedagógicas para que a alfabetização seja mais eficiente. Segundo 
Barbosa (2008, p. 45): 
 
11 
 
As metodologias de alfabetização evoluíram no tempo, de acordo com novas 
necessidades sociais que cada nova configuração exigem um novo tipo de 
pessoa letrada; e, ao mesmo tempo, em função do avanço do conhecimento 
acumulado na área da leitura e apropriação escrita e de seus processos de 
aquisição. 
 
A Educação Básica Brasileira é organizada através da Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional de 1996, a qual institui o direito à educação e a obrigatoriedade de 
inscrição de crianças dos quatro aos dezessete anos de idade. Com a Lei 11.274/06, o Ensino 
Fundamental passa por uma ampliação para nove anos. Dessa forma, a criança com 6 anos de 
idade precisa estar matriculada no primeiro ano do Ensino Fundamental (BRASIL, 2006). 
O Ensino Fundamental de nove anos tem por objetivo o desenvolvimento da criança 
para assegurar a formação de cidadão, mediante o desenvolvimento da aprendizagem, 
compreensão dos ambientes que integram a sociedade, a aquisição de conhecimentos e 
habilidades, os valores e atitudes para uma visão crítica de mundo, assim como o 
fortalecimento dos vínculos familiares, solidariedade e tolerância (BRASIL, 2010). 
Através das legislações que discorrem sobre a educação e família, é inegável o dever 
desta em formar seus filhos para a vida, levando-os a construir suas primeiras 
responsabilidades perante a sociedade na qual se está inserido. Nesse esteio, a Política 
Nacional de Alfabetização (PNA), instituída pelo Decreto nº 9.765, de 11 de abril de 2019, 
ressalta o trabalho coletivo entre famílias, professores, escolas, redes de ensino e poder 
público como sendo o caminho para elevar a qualidade da alfabetização (BRASIL, 2019). 
O Decreto nº 9.765, de 11 de abril de 2019, enumera os agentes envolvidos na PNA: 
Art. 7º São agentes envolvidos na Política Nacional de Alfabetização: 
I – professores da educação infantil; 
II – professores alfabetizadores; 
III – professores das diferentes modalidades especializadas de educação; 
IV – demais professores da educação básica; 
V – gestores escolares; 
VI – dirigentes de redes públicas de ensino; 
VII – instituições de ensino; 
VIII – famílias; e 
IX – organizações da sociedade civil (BRASIL, 2019). 
Muitos documentos têm alterado os rumos da alfabetização e, conforme a Base 
Nacional Comum Curricular (BNCC), a alfabetização das crianças passa a ocorrer até o 
segundo ano do Ensino Fundamental, entre os 6 e 7 anos de idade, o que antes era realizado 
 
12 
 
até o terceiro ano do Ensino Fundamental, ou seja, aos 8 anos de idade da criança (BRASIL, 
2017). 
A BNCC, ao tratar do processo de alfabetização, afirma que 
[…] é preciso que os estudantes conheçam o alfabeto e a mecânica da 
escrita/leitura – processos que visam a que alguém (se) torne alfabetizado, ou 
seja, consiga “codificar e decodificar” os sons da língua (fonemas) em material 
gráfico (grafemas ou letras), o que envolve o desenvolvimento de uma 
consciência fonológica (dos fonemas do português do Brasil e de sua 
organização em segmentos sonoros maiores como sílabas e palavras) e o 
conhecimento do alfabeto do português do Brasil em seus vários formatos 
(letras imprensa e cursiva, maiúsculas e minúsculas), além do estabelecimento 
de relações grafofônicas entre esses dois sistemas de materialização da língua 
(BRASIL, 2017, p. 87-88). 
 
Com as alterações no processo de alfabetização, dentre elas a redução de ano para que 
esta ocorra, é inegável a necessidade do alinhamento da relação entre a escola e a família para 
que a criança se sinta estimulada e incentivada para adquirir as habilidades necessárias de 
escrita e leitura, de forma que ocorra tudo como desejado em torno do processo. 
 
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Esta pesquisa, desenvolvida por meio de um estudo bibliográfico, abordou a 
participação da família na aquisição da língua escrita nos anos iniciais do Ensino Fundamental 
e tratou sobre a interação da família com a escola para o desenvolvimento do processo de 
alfabetização da criança. Abordou, também, o conceito de infância e sua relação com a 
sociedade no âmbito educacional. 
Diante do estudo realizado, conclui-se que a família é um elemento fundamental e 
indispensável na vida escolar da criança, sendo responsabilidade deste grupo social atuar nos 
cuidados com os filhos referentes à saúde, à alimentação, à higiene e, especialmente, a 
educação. O que um dia já foi negligenciado, no momento histórico em que a criança era vista 
como um “adulto em miniatura”, hoje em dia, com raras exceções, tem se dedicado, de forma 
muito significativa, para a contribuição do desenvolvimento integral da criança. 
A família carrega o atributo de referencial, por ser o primeiro grupo de socialização 
que a criança faz parte e que, através dessa convivência, são lhe fornecido os fundamentos 
primários para a vida inteira, ou seja, o que a criança pensa ou faz é baseado em suas 
vivências no ambiente familiar. 
A conscientização da família de seu papel no processo de alfabetização como parceira 
da escola é de suma importância para que o ensino-aprendizagem seja realizado de forma 
 
13 
 
significativa, visando o desenvolvimento da criança. A família e a escola trabalhando juntas 
em prol ao incentivo e estímulo necessário para a autoestima da criança resulta em um bom 
desenvolvimento, desempenho e crescimento na aprendizagem. 
Transformar a alfabetização em um conhecimento significativo é papel da escola e da 
família, sendo possível através de uma relação de cooperação e respeito. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 
1997. 
ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2ª Ed. Rio de Janeiro: LTC, 
1981. 
BARROS, Sérgio Resende de. A tutela constitucional do afeto. In: PEREIRA, Rodrigo da 
Cunha (Coord.). Família e dignidade humana. Belo Horizonte: IBDFAM – Anais do V 
Congresso Brasileiro de Direito de Família, 2006. 
BARBOSA, José Venâncio. Alfabetização e leitura. São Paulo: Cortez, 2008. 
BRASIL. Lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006. Altera a redação dos arts. 29, 30, 32 
e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da 
educação nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o ensino 
fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade. Presidência da 
República, 2006. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2006/lei/l11274.htm. Acesso em: 22 abr. 2023. 
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Base NacionalComum Curricular. 
Secretaria de Educação Básica e Conselho Nacional de Educação. Brasília: SEE/ CNE, 
2017. 
BRASIL. Decreto nº 9.765, de 11 de abril de 2019. Institui a Política Nacional de 
Alfabetização. Presidência da República, 2019. Disponível em: 
http://www.in.gov.br/materia/-
/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/71137476/do1e-2019-04-11-decreto-n-9-
765-de-11-de-abril-de-2019-71137431. Acesso em: 02 nov. 2024. 
BRASIL. Resolução nº 7, de 14 de dezembro de 2010. Fixa Diretrizes Curriculares 
Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos. Presidência da República, 2010. 
Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb007_10.pdf. Acesso em: 02 
nov. 2024. 
BRASIL. Indicadores da qualidade na educação: dimensão ensino e aprendizagem da 
leitura e da escrita/Ação Educativa. São Paulo: Ação Educativa, 2006. 
 
14 
 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Senado 
Federal, Centro Gráfico, 1988. 
BOCK, Ana M. Bahia (org). Psicologias: uma introdução ao estudo de Psicologia. 13ª ed. 
São Paulo: Saraiva, 1999. 
CASTRO, Celso Antônio Pinheiro De. Sociologia geral. São Paulo: Atlas, 2000. 
CHRAIM, Albertina de Mattos. Família e escola: a arte de aprender para ensinar. Rio 
de Janeiro: Wak editora, 2009. 
CRUVINEL, Fabiana Rodrigues; ALVES, Gabrielle Marques. Como desenvolver a 
linguagem oral e escrita na educação infantil. Revista científica eletrônica de 
pedagogia – ISSN: 1678-300X. Ano XI – Número 21 – Janeiro de 2013 – Periódicos 
Semestral. 
DINORAH, M. O livro infantil e a formação do leitor. Petrópolis: Vozes, 1995 
FERREIRO, Emilia. Alfabetização em Processo. São Paulo: Cortez, 1996. 
FERREIRO, Emilia. Com Todas as Letras. São Paulo: Cortez, 1999. 
FONSECA, E. Interações: com olhos de ler. 1ª ed. São Paulo: Blucher. 2012 
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. 
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 49. ed., São 
Paulo, Cortez, 2008. 
Klein, P. More intelligent and sensitive child (MISC): a new look at an old question. 
International Journal of Cognitive Education and Mediated Learning, 2 (2), (1992). 
OLIVEIRA, Cynthia Bisinoto Evangelista de; MARINHO-ARAÚJO, Claisy Maria. A 
relação família-escola: intersecções e desafios. Estudos de Psicologia, Campinas, v. 27, 
n.1, p. 99-10., jan. /mar. 2010. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0103-
166X2010000100012. Acesso em: 18 nov. 2023. 
OSÓRIO, Luiz Carlos. Família hoje. Porto Alegre: Artmed, 1996. 
PAROLIN, Isabel. As dificuldades de aprendizagem e as relações 
familiares. Fortaleza: Educar Soluções, 2003. 4 DVDs. 
PAROLIN, Isabel Cristina Hierro. Professores Formadores: a relação entre a família, a 
escola e a aprendizagem. 2. ed., São José dos Campos: Pulso Editorial, 2010. 
PAULO, João II. Hora da Família - Volume nº 8 - ano 2004. 
PIAGET, J. Psicologia e Epistemologia. Rio de Janeiro: Forense, 1973. 
PIAGET, Jean. Para onde vai a educação. Rio de Janeiro: José Olímpio, 2007. 
 
15 
 
SANTO, Joana Maria DI. Família e Escola: relação de ajuda. Atualizado em 1997. 
SILVA, Nelci de Cássia Prado. et al. Interação Escola-Família. Monografia 
(Especialização) Instituto JAPI de Ensino Superior. Jundiaí, 2006. 
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 4ª Ed. Belo Horizonte: 
Autêntica, 2007. 
SPODEK, Bernard; SARACHO, Olívia N. Ensinando crianças de 3 a 8 anos. Porto 
Alegre: ArtMed, 1998. 
TIBA, Içami. Disciplina: limite na medida certa. 8ª Ed. São Paulo: Editora Gente, 1996. 
VYGOTSKY, Lev. Formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1989. 
VYGOSTKY, L.S. Pensamento e Linguagem. 3ª ed. São Paulo. Martins Fontes: 2000. 
 
GLOSSÁRIO 
 É definido pela ABNT como a relação de palavras ou expressões técnicas utilizadas no 
texto, de uso restrito ou sentido obscuro, seguido de um travessão e das respectivas 
definições. 
 
APÊNDICE 
 
As mudanças ocorridas no contexto escolar para a melhoria da sociedade 
Aos poucos a escola foi tornando-se um lugar para todos, com o surgimento das 
instituições públicas o direito à educação tornou-se mais fácil. Anos mais tarde a educação 
tornou-se obrigatória assegurada pela Lei LDB art. 4º Inciso I diz que o dever do Estado com 
a educação escolar pública será efetivado mediante a quantia de: I ensino fundamental, 
obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiverem acesso na idade própria. 
Com isso pode-se afirmar que a educação ganhou espaço na vida dos menos 
favorecidos. A educação é o primeiro passo para uma sociedade melhor, e para o bom 
desenrolar da educação necessita-se de profissionais dedicados e com o passar dos anos os 
profissionais da educação tem buscado o melhor aprimoramento de suas profissões. 
Nesta perspectiva, é possível identificar que as reformas educacionais iniciadas na 
última década no Brasil e nos demais países da América Latina têm trazido mudanças 
significativas para os trabalhadores docentes. São reformas que atuam não só no nível da 
escola, mas em todo o sistema, repercutindo em mudanças profundas da natureza do trabalho 
 
16 
 
docente. 
No atual contexto da educação brasileira, cresce a importância do supervisor 
educacional, que representa uma das pessoas que procura direcionar o trabalho pedagógico na 
escola em que atua para que se efetive a qualidade em todo o processo educacional. 
Um dos assuntos mais polêmicos da atualidade e que vem sendo amplamente discutido 
é a educação, no seu sentido de formação humana. Educar é uma tarefa que exige 
comprometimento, perseverança, autenticidade e continuidade. As mudanças não se 
propagam em um tempo imediato, por isso, as transformações são decorrentes de ações. No 
entanto, as ações isoladas não surgem efeito. É preciso que o trabalho seja realizado em 
conjunto, onde a comunidade participe em prol de uma educação de qualidade baseada na 
igualdade de direitos. 
O desenvolvimento da sociedade moderna representa motivos de muita reflexão, 
principalmente pelo fato de que a área educacional possui muitos problemas e que 
diretamente vinculam-se as demais atividades sociais vistas que são tais profissionais que irão 
atuar junto ao mercado de trabalho. 
Trata-se de ignorar as velhas práticas educacionais e acreditar na possibilidade de 
construir uma sociedade onde o homem tenha consciência do seu papel e da sua importância 
perante o grupo. 
Santos e Haerter assinalam: 
A necessidade de empreendermos tentativas de rompimento com verdadeiros 
“receituários” que todos nós professores tínhamos no sentido de “educar é assim”, 
“conhecimento é isso”, “é preciso cumprir o programa de conteúdos”, o que não nos causa 
estranhamento, uma vez que somos frutos de uma maneira bastante específica de ser, pensar, 
sentir e agir no mundo, identificada com a concepção cartesiana de conhecimento, que 
orientou e ainda orienta os conceitos e práticas relacionados à gestão e ao ensino na educação. 
(2004:3) 
Acredita-se que se existem falhas no sistema educacional a melhor maneira de 
redimensionar o trabalho é assumir o compromisso de fazer do trabalho educacional uma 
meta a ser atingida por todos. Nessa busca incessante por uma nova postura de trabalho, o 
professor possui um papel fundamental, por isso, deve recuperar o ânimo, a sede e a vontade 
de educar e fazer do ensino uma ação construtiva. Deve agir como um verdadeiro aprendiz na 
busca pelo conhecimento e fazer desta ferramenta um compromisso social. 
Conforme Freire (1998), a educação libertadora passou a inspirar novos conceitos que 
 
17 
 
orientam uma nova sociedade baseada nos princípios de liberdade, de participação e de busca 
pela autonomia. 
Segundo o autor a educação libertadoraabriu caminhos para uma nova forma de 
conhecimento, pois ela trouxe a oportunidade de questionar, escolher e praticar, trazendo 
assim, inúmeras vantagens a todas as classes sociais. Claro que está longe do ideal, haja vista 
que a educação continua engatinhando e os colégios que se destaca a concorrência são 
assustadoras, fazendo os pais sofrerem angustia e até desequilíbrio no ato da matrícula. 
A escola segundo a visão de educação libertadora colabora para a emancipação 
humana à medida que garantem o conhecimento às camadas menos favorecidas da sociedade. 
No entanto, diante do exposto até aqui se conclui que a escola, como parte integrante da 
totalidade social, não é um produto acabado. É resultado, dos conflitos sociais que os 
trabalhadores vivem nas relações de produção, nas relações sociais e nas lutas de classe. É 
também fruto das lutas sociais pela escola como lugar para satisfazer a necessidade de 
conhecimentos, qualificação profissional, e de melhoria de suas condições de vida enquanto 
possibilita melhores empregos e o acesso a uma maior renda. Não se pode negar este direito 
aos trabalhadores, e, por isso, a escola pública, apesar dos pesares, é um espaço de Educação 
Popular. 
A escola para muitos tornou-se um ambiente onde coloca-se a criança por tempo 
integral deixando a cargo da escola o que não é apenas papel seu como diz Charim (2009, p. 
60): 
“Todos os três Segmentos, pais escola, pais e Estado precisam entender que a escola é 
uma prestadora de serviço e que o ensino sistemático não é depósito de criança”. Tendo esta 
que conciliar o educacional com o afetivo, crianças com carência afetiva irá buscar em 
alguém o que mais lhe faz falta. 
Interpretando a autora, a família deve se conscientizar de seu papel como educadora e 
protetora da criança, não deixando que outros se ocupem de tarefas que a ela são destinadas. A 
criança deve ter seus momentos familiares como sendo os mais prazerosos, e os pais devem 
lembrar que são os espelhos do filho, pois se isto não acontece à criança irá buscar exemplos 
fora do contexto familiar. 
Nesta perspectiva insere-se a família como parceira inseparável da escola. Duas 
instituições ligadas pelo mesmo elo à educação. Ambas, educando para a vida e para a 
sociedade onde a escola é uma extensão da família, dando esta continuidade aos saberes já 
conquistados transformando-os em saber. A criança chega à escola com um conhecimento e a 
 
18 
 
escola com sua vasta escala de saberes irá moldar e modificar este saber. 
Ao lado da família, a escola permanece sendo um espaço de formação que deve, para 
tanto, repensar a sua ação formadora, preocupando-se em formar seus educadores para que os 
mesmos reúnam recursos que os permitam lidar com os conflitos inerentes ao cotidiano 
escolar. É, portanto, na escola, refletindo sobre o que há para ser ensinado às crianças sobre a 
metodologia que pode tornar mais coesa a ação do conjunto docente, que a escola poderá 
encontrar saídas legítimas à superação dos problemas morais e éticos que assolam o seu dia-a-
dia. 
Os deveres têm de ser vistos como uma oportunidade de aplicação dos conhecimentos 
adquiridos na sala de aula, mas também como possibilidade de adquirir aprendizado que por 
diversas razões não foram bem-sucedidas na escola. (Jaume, 2002, p. 147). 
A escola não é a única instância de formação da cidadania. Mas, o desenvolvimento 
dos indivíduos e da sociedade depende cada vez mais da qualidade e da igualdade de 
oportunidade educativas. 
Família e escola têm uma importância em comum: preparam para a sociedade seus 
futuros cidadãos. A escola que reconhece isso abre as portas para a comunidade, consegue dar 
um salto qualitativo em relação às outras. Para (DURKHEIM, 1973; 32) “A educação não é 
um elemento para a mudança social, e sim pelo contrário, é um elemento fundamental para a 
conservação e funcionamento do sistema social”. 
Antigamente existia uma grande diferença entre as classes sociais, por um lado as 
famílias de classe pobre eram excluídas, consideradas um fracasso dentro da sala de aula. 
Seus pais depositavam todo rendimento dos filhos à escola, não tinham noção pra colaborar 
na aprendizagem das crianças, pois além de não saberem ensinar, a quantidade de crianças era 
grande e não tinha condição para pagar reforço, ficando as crianças a mercê da vida e com 
isso a maioria não chegava a concluir seus estudos devidos os trabalhos precoce dificultando 
acompanhar os estudos. 
Já as famílias de classe média sempre praticam outra forma de colaboração: o apoio ao 
estudo em casa. Essas famílias apoiam os filhos na realização dos trabalhos de casa e no 
estudo recorrendo, muitas vezes, a professores particulares. Nas pré-escolas e no ensino 
básico, começa a ser comum a participação dos pais em atividades escolares: festas, 
comemorações e visitas de estudo. Algumas destas formas de colaboração têm efeitos 
expressivos na melhoria do aproveitamento escolar dos alunos, aumenta a motivação dos 
alunos no estudo, ajuda a que os pais compreendam melhor o esforço dos professores. 
 
19 
 
Melhora a imagem social da escola, reforça o prestígio profissional dos professores, ajuda os 
pais a serem melhores. Da mesma forma, estimula os professores a serem melhores 
profissionais. 
Minha linha de educação é de que sempre é tempo de preparar os filhos para um futuro 
que eles pertencem. Quando se deixa de educar, o crescimento se torna silvestre e não atende 
as necessidades do mercado e nem da qualidade de vida que pretende ter. (Tiba, 2012, p. 120). 
O educador não caminha na frente do aluno, mas lado a lado com ele, fazendo 
intervenções segundo o seu estilo de raciocínio, estimular e buscar informações em diferentes 
fontes. O bom professor é aquele que faz o aluno pensar, mais para isso é necessário 
planejamento, onde o conteúdo seja viável ao consentimento da criança. 
Fica notável quando as famílias são participativas, pois quando os pais frequentam a 
escola de vez em quando, nem que seja só para observar o comportamento do filho com 
certeza surtirá efeito, ainda mais porque vai crescendo sabendo que tem alguém preocupada 
com seu desempenho dentro e fora da escola, algo que ajudará muito na preparação da 
personalidade da criança logo porque ela está sujeita a desenvolver uma conduta de acordo 
com o ambiente a qual está inserida. 
Por outro lado, família que não acompanha seus filhos enquanto alunos ou mesmo no 
dia-a-dia no meio social poderão acarretar um desequilíbrio por não sentir esse apoio que lhe 
servirá de coluna de sustentação. Quantos pais não tomam providencia no tempo certo e 
depois ficam numa situação vergonhosa com os casos de indisciplinas praticadas pelo filho. 
São situações rotineiras vivenciadas em alguns colégios, sendo a maioria filho de pais que não 
frequentam o dia-a-dia escolar ou pessoas responsáveis que já perdeu o controle familiar em 
casa e com isso chega até a escola. Claro que não pode determinar o desempenho escolar, a 
indisciplina ou número de falta só pela ausência da família na escola, mas que contribui para 
esse fim, devido escola e família ser esse elo de estrutura na vida cotidiana da criança. 
O apoio familiar reflete na criança, pois o incentivo dos pais colabora para um 
crescimento harmonioso, gerando expectativa de superação para qualquer obstáculo que 
venha acontecer, transmitindo segurança e compromisso na aprendizagem da criança tornando 
um cidadão que fará a diferença na sociedade. Além disso, provoca confiança dos pais, 
professores que sentem mais seguro para exercer seu papel de educador por saber que pode 
contar com a contribuição da família, gerando uma proteção no que diz respeito ao 
comportamento dos trabalhos na escola e posteriormente nos deveres de casa. 
Em todos os efeitos, percebe-se nos depoimentos dosentrevistados a diferença de se 
 
20 
 
trabalhar com alunos que tem um acompanhamento em casa, pois cobra, mas também elogia 
quando supera algo no que diz respeito ao âmbito escolar. Pais e professores que mantém o 
diálogo dentro e fora do convívio escolar são de melhor compreensão e com isso facilita os 
laços de amizade que aproxima e faz com que a criança continue esbanjando alegria e 
despertando nela a vontade de conquistar algo, passando a imitar alguém na sua profissão ou 
função. 
Os benefícios da parceria família e escola: aumento do rendimento escolar; maior 
envolvimento familiar na escola; acompanhamento constante da criança; desenvolvimento 
cognitivo e social do aluno, entre outros. 
A família, sem dúvidas, tem papel fundamental na construção do caráter e da 
personalidade de um indivíduo. Afinal, é no seio dela que as crianças têm o primeiro contato 
com a existência do outro, o que a faz desenvolver noções de afetivo e de solidariedade. 
Desse contexto, ainda, ela extrai relevantes princípios e valores éticos. 
A escola também tem destaque no processo de aprendizagem de seus alunos, uma vez 
que é responsável por proporcionar conhecimentos e permitir a convivência em coletividade, 
estimulando, assim, o respeito ao outro. 
Com a evolução da tecnologia, hoje as escolas têm condições de terem um 
relacionamento mais próximo aos responsáveis. Usando um aplicativo escolar, por exemplo, a 
comunicação pode ser contínua e ter dois fluxos. 
Tanto a escola pode se comunicar com os pais, envolvendo diferentes colaboradores, 
como professores, coordenadores e gestor. Como os responsáveis também podem enviar 
mensagens aos diferentes setores da instituição. 
Como a qualidade de informação pode ser aprimorada com as facilidades trazidas pela 
tecnologia, fica mais fácil para os pais conversarem com seus filhos sobre conteúdos 
discutidos na escola. 
 
 
21 
 
 
 
 
 
22 
 
 
ANEXOS 
Família e escola são alvos de encosto e sustento ao ser compassivo; é também marcos 
de identificar entre ambos. Mais positivo e expressivo serão as decorrências na formação do 
sujeito. A contribuição dos pais na educação formal dos filhos deve ser inabalável e 
consciente. Vida familiar e vida escolar são simultâneas e complementares. É importante que 
pais e professores, alunos compartilhem conhecimentos, alcancem e trabalhem os assuntos 
envolvidos no seu dia-a-dia sem cair no ajuizamento culpado ou inocente, uma vez que tudo o 
que se relaciona aos alunos tem a ver com a escola e vice-versa. “Cabe aos pais e a escola 
preciosa tarefa de transformar a criança inexperiente em cidadão maduro, participativo, 
atuante, consciente de seus deveres e direitos, possibilidades e atribuições”. (SANTO, 
2008:14). 
A família precisa estar constantemente buscando algo melhor entorno da sociedade, 
para que despertem no indivíduo os valores necessários para crescer junto aos demais. O que 
dificulta o desenvolvimento da criança é o fato de estar acostumada com os pais e querer 
atrair a atenção para si e suas vontades serem sempre realizadas. Isso implicará a partir que os 
pais não educam as crianças de forma a conviver socialmente, dando-lhes um mundo mais 
aberto que aprenda compartilhar suas vontades e necessidades com outras pessoas. 
Toda família deveria ser uma escola onde se aprende a grande arte de amar, de 
respeitar, onde se brinca, se joga, se chora, se reza e se pratica os relacionamentos pessoais e 
sociais. Toda escola deveria ser uma família, onde os laços de amor se ampliam, cresce o 
respeito pelo diferente, adquire-se cultura e sabedoria para viver os princípios da cidadania e 
da solidariedade fraterna. João Paulo II, Hora da Família. (2004, p. 43). 
Um dos pilares importante para engrenar na educação escolar, é antes de tudo a 
educação familiar. Saber repreender ou elogiar na hora certa são princípios essenciais para 
uma postura correta com poder de autoridade adquirida através do diálogo. 
A família é uma das instituições responsáveis pelo processo de socialização das 
crianças, pois tem em suas mãos o papel de instruir e educar através de valores, ainda que seja 
um conhecimento dito comum, mas ainda é considerada a base na formação do ser humano. 
Como primeiro grupo social no qual a criança interage, a família traz consigo um grande valor 
perante a sociedade, pois é nela que os laços afetivos são construídos, os primeiros laços de 
convivência humana em que a criança encontra-se aprendendo a viver com normas impostas 
pela a família dentro de suas limitações no meio à vivencia com indivíduo nas estruturas 
 
23 
 
sociais. 
Sobre o assunto Oliveira (2003, p. 66) diz: “A família é a primeira agência de controle 
social da qual a criança participa, ocorrendo uma socialização baseada em contatos primários, 
mas afetivo, diretos e emocionais”. Os valores adquiridos na família são insubstituíveis, 
tornando-a assim, responsável legal da criança no processo de educar e transmitir valores 
éticos e moral. 
A família sempre foi e continua sendo muito desejada por todos, pois ela representa a 
segurança, o equilíbrio emocional do ser humano, embora já tenha sofrido muitas 
modificações a família dita como tradicional, aos poucos foi sendo esquecida, e sua 
composição impostos pela sociedade também, porque sua estrutura hoje vai além dos laços 
sanguíneos. 
Não é preciso uma criança necessariamente ser de laços sanguíneos para poder ser 
amada pela sua família, acima de tudo os pais devem estar atentos como conversas deixando 
impor suas opiniões e vontade dentro de certa limitação instigando a aprender a conviver com 
suas diferenças respeitando etnias, cores e raças dentro do espaço na sociedade. 
 
AGRADECIMENTOS 
 Como tudo na vida depende do acreditar, acreditei que este momento chegaria. O 
caminho, por muitas vezes, se tornou difícil, mas posso dizer, sem sombra de dúvidas, que foi 
uma experiência incrível e inesquecível. Fiz amigos e conheci grandes mestres. Sei que estou 
realizando mais um sonho da minha vida. Também sei que esta vitória representa bem menos 
da metade das lutas e conquistas que virão depois, pois esse é o início de uma longa 
caminhada, onde futuras realizações estão por vir, por isso peço a Deus sabedoria e 
determinação para desempenhar com eficiência essa nova missão. Quero compartilhar esse 
momento de sublime realização com meus pais, que me ensinaram a dar passos seguros e que 
jamais mediram esforços para me ajudar, e com aqueles que acreditaram no meu potencial, 
que incentivam a continuar, que torceram pelo meu sucesso. Valeu a pena! 
 
 
24 
 
ORIENTAÇÕES GERAIS 
 Além da NBR 6022:2018, ao preparar um artigo científico deve-se consultar as 
normas relacionadas no Quadro 1. 
 
Quadro1- Normas usadas na elaboração de um artigo científico 
AUTOR TÍTULO DATA 
ABNT NBR 6023: Elaboração de referências 2018 
ABNT NBR 6024: Numeração progressiva das seções de um documento 2012 
ABNT NBR 6028: Resumos 2003 
ABNT NBR 10520: Citação em documento 2002 
IBGE Normas de apresentação tabular. 3. ed. 1993 
Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2018, p. 1). 
 
 
 Essas normas citadas no Quadro 1 tem como objetivo complementar a apresentação 
dos artigos científicos. A NBR 6022:2018 é estruturada em elementos pré-textuais, textuais e 
pós-textuais, conforme especificados na Figura 1. 
 
 
Figura 1 – Estrutura de um artigo 
 
Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2018, p. 4).

Mais conteúdos dessa disciplina