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AÇÕES TRABALHISTAS a) ações individuais (reclamação trabalhista) - para a tutela de interesses individuais e concretos: - DE CONHECIMENTO - condenatórias: conferem o poder de pedir a execução judicial. Podem ser, por exemplo: de indenização / de aviso prévio / de saldo de salário / de horas extras etc. - cominatórias: impõem obrigação de fazer ou de não fazer, sob pena de pagamento de multa. O juiz pode, de ofício, aplicar multa por descumprimento dessas obrigações em outras ações (CPC, art. 644). Exemplo: ação civil pública para adoção de medidas de segurança no ambiente de trabalho. - constitutivas: criam, modificam ou extinguem um direito ou uma relação jurídica, com eficácia ex nunc. A própria sentença já produz todos os efeitos suficientes para a ordem jurídica. Exemplos: inquérito judicial para apuração de falta grave / ação de anulação de transferência ilícita. - declaratórias: afirmam a existência (ação declaratória positiva) ou a inexistência (ação declaratória negativa) de uma relação jurídica. Tem eficácia ex tunc. A situação jurídica permanece imutável, pois somente é posto em evidência o que já havia no mundo jurídico. Exemplos: relação de emprego; de tempo de serviço - executórias - visam à realização coativa de um direito legalmente certo - títulos executivos - judiciais: sentença de conhecimento; 2. - extrajudiciais: acordos trabalhistas na SRTE ou em CCP, termos de ajuste de conduta firmados perante o MPT (CLT, art. 876) e laudos arbitrai - ações de cumprimento de acordo ou sentença coletiva (é semelhante ao processo de conhecimento, mas com âmbito de discussão mais restrito - cautelares – visam assegurar os resultados da ação principal (supõe a existência do fumus boni juris e do periculum in mora B) AÇÕES COLETIVAS (DISSÍDIOS COLETIVOS) - para a tutela de interesses gerais e abstratos: de natureza econômica (constitutivas) - Criam ou alteram normas e condições de trabalho (exemplo: ação coletiva de revisão). Subdivide-se em: - Originário: quando inexiste norma coletiva anterior (artigo 867, parágrafo único, “a”, da CLT) - Revisional: pretende a revisão da norma coletiva anterior (artigos 873 a 875 da CLT) - de extensão: visa a extensão a toda a categoria das normas acordadas ou impostas apenas a parte dela (artigos 868 a 871 da CLT) - de natureza jurídica (declaratórias) - Interpretam as normas estabelecidas em dissídio anterior Oportuno mencionar sobre o Poder Normativo da Justiça do Trabalho, que permite a esta Especializada criar normas de Direito do Trabalho nos dissídios coletivos, no branco da lei. O pressuposto é de que haja frustração da negociação coletiva e da arbitragem – art. 114, § 2º, Constituição Federal Ação monitória trabalhista Art. 700 CPC/15 Pode ser proposta por aquele que afirmar, com base em prova escrita sem eficácia de título executivo, ter direito de exigir do devedor: I - o pagamento de quantia em dinheiro II - a entrega de coisa fungível ou infungível ou de bem móvel ou imóvel III - o adimplemento de obrigação de fazer ou de não fazer Ação monitória trabalhista Cabimento: art. 769 da CLT e art. 15 do CPC Exemplos: Saldo de pequena empreitada com previsão em documento Termo de rescisão com indicação de valores devidos e não pagos Cheque sem fundos usado para pagamento de salários Ação monitória trabalhista Sendo evidente o direito do autor, o juiz deferirá a expedição de mandado de pagamento, de entrega de coisa ou para execução de obrigação de fazer ou de não fazer, concedendo ao réu prazo de 15 dias para o cumprimento e o pagamento de honorários advocatícios de 5% do valor atribuído à causa O réu poderá opor embargos nos próprios autos Ações cautelares trabalhistas Cabimento: art. 769 da CLT e art. 15 do CPC Medidas cautelares nominadas ou inominadas (art. 301 do CPC): tutela de urgência de natureza cautelar pode ser efetivada mediante arresto, sequestro, arrolamento de bens, registro de protesto contra alienação de bem e qualquer outra medida idônea para asseguração do direito TST e ações cautelares trabalhistas OJ 63 SDI-2. MANDADO DE SEGURANÇA. REINTEGRAÇÃO. AÇÃO CAUTELAR. Comporta a impetração de mandado de segurança o deferimento de reintegração no emprego em ação cautelar OJ 64 SDI-2. MANDADO DE SEGURANÇA. REINTEGRAÇÃO LIMINARMENTE CONCEDIDA. Não fere direito líquido e certo a concessão de tutela antecipada para reintegração de empregado protegido por estabilidade provisória decorrente de lei ou norma coletiva RITOS DO PROCESSO DO TRABALHO O que são ritos trabalhistas? O rito processual é o caminho a ser percorrido desde o início até o fim do processo, passando-o por várias etapas (fases processuais) até chegar ao seu desfecho final. Durante o percurso são praticados vários atos processuais pelo autor, pelo réu, pelos servidores, pelos auxiliares da justiça e pelo juiz; até que o processo esteja pronto para o julgamento final, ou seja, para ter a sua sentença. No Direito do Trabalho temos três tipos de ritos de acordo com a nossa legislação: rito sumário; rito sumaríssimo; rito ordinário. Cada um dos ritos tem aspectos próprios, mas o que determina preponderantemente o rito é o valor da causa. Rito Sumário Também conhecido como Rito de Alçada, o Rito Sumário está previsto no art. 2º, §§ 3º e 4º da Lei nº 5.584/70 Se aplica à causa com valor de até 2 (dois) salários mínimos vigente na data do ajuizamento. Esse rito é o menos utilizado e há quem diga que ele foi revogado, mas mesmo assim cabe falar dele para conhecimento já que seu objetivo é acelerar o processo. É dispensável o resumo dos depoimentos em ata de audiência, tornando-a mais simplificada e não sendo cabível recursos nas suas decisões. Ou seja, são causas de uma única instância. Não há como recorrer de uma decisão proferida neste rito com exceção dos casos que versarem sobre matéria constitucional e, neste contexto, o entendimento da corrente majoritária é de que o recurso cabível seria o Recurso Extraordinário. Com relação ao número de testemunhas, neste rito não há um número predeterminado. Por analogia, entende-se que são três testemunhas cabíveis para cada parte. Rito Sumaríssimo O Rito Sumaríssimo está previsto no art. 852-A a 852-I da CLT e se aplica à causa cujo valor supere dois e não ultrapasse 40 salários mínimos vigente na data do ajuizamento. Este rito processual foi criado pela Lei nº 9.957/2000 com o objetivo de simplificar o trâmite processual para as ações cujo valor da causa não ultrapasse os 40 (quarenta) salários mínimos. Este rito está fundamentado no princípio da celeridade, da efetividade do processo, da simplificação do procedimento, da diminuição da dilação probatória e menos formalidades. Deve-se observar as particularidades que estão nos arts. 852-A a 852-I da CLT, pois se aplica aos “dissídios individuais cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da reclamação”, estando excluídas do procedimento sumaríssimo as demandas em que é parte a Administração Pública Direta (União, Estados e Municípios), fundações e autarquias, conforme estabelece o art. 852-A da CLT. Cabe ressaltar que o Rito Sumaríssimo é permitido para as Sociedades de Economia Mista e Empresas Públicas. Além disso, para que ele possa ser corretamente enquadrado, devemos nos atentar para alguns aspectos: Pedido certo ou determinado e líquido O que significa que este pedido certo ou determinado deve ter um valor monetário que será o valor da causa. Neste momento, deve-se lembrar dos requisitos tradicionais de uma petição inicial já tão conhecidos, que são: Endereçamento; Breve exposição dos fatos que aponte o conflito entre as partes; Pedido, data e assinatura do Reclamante ou de seu procurador; Qualificação das partes (Reclamante e Reclamado) com o endereço completo. Citação no rito sumaríssimo Não há citação por Edital uma vez que a citação no Rito Sumaríssimo ocorre por carta com Aviso de Recebimento (AR), daí vem a necessidade de ser tererros, lacunas ou narração ilógica, quando faltar causa de pedir ou quando o pedido for indeterminado, incompatível ou inexistente, ressalvadas as hipóteses legais em que se permita o pedido genérico (§ 1º do art. 330 do CPC). c) Perempção A perempção é a perda do direito de pleitear direitos perante o judiciário, em decorrência da inércia da parte. d) Litispendência: A litispendência ocorre quando se repete ação que está em curso, ou seja, com as mesmas partes, com a mesma causa de pedir e com o mesmo pedido (§ 3º do art. 337 do CPC). e) Coisa Julgada: Coisa julgada, basicamente, é a matéria já apreciada pela Justiça do Trabalho, em processo que não caiba mais recurso, alegação prevista no art. 337, VII, do CPC. f) Conexão Ocorre conexão quando 02 (duas) ou mais ações possuírem em comum o pedido ou a causa de pedir (art. 55 do CPC), bastando à coincidência de um só dos elementos da ação (causa de pedir ou pedido). g) Incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização Em regra, quando há incapacidade de parte, defeito de representação da parte ou falta de autorização, o juiz pode conceder prazo para a parte sanear o processo, sob pena de extinção do processo sem resolução do mérito, na forma do inciso IV do art. 485 do CPC. i) Ausência de legitimidade ou de interesse processual A legitimidade ou legitimação é a aptidão que o sujeito tem para figurar no polo ativo ou passivo da demanda trabalhista, ou seja, um atributo jurídico conferido a algum sujeito a discutir/defender determinada situação jurídica. j) Falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar A lei pode determinar, em algumas situações específicas, que o autor tome algumas medidas para que a relação processual seja regularmente firmada, pode ser o pagamento de determinadas custas e despesas especiais, constituição de garantias, dentre outros casos. Exceções A exceção é uma defesa processual ou indireta contra defeitos, irregularidades ou vícios do processo, que impedem seu desenvolvimento normal, sem discutir o mérito da questão. Podem alegar exceções quaisquer das partes e não apenas o réu. a) Exceções de suspeição As exceções são institutos disponíveis às partes que pretendem apontar circunstâncias objetivas e subjetivas, que denotam a ausência de “isenção de ânimo” do Magistrado, que vai analisar e julgar a sua demanda, ou seja, o juiz da causa não pode ter interesse na lide. b) Exceção de incompetência A incompetência do juízo pode ser absoluta, quando se tratar da matéria e da hierarquia ou relativa, relacionada ao território e valor da causa, sendo que ambas devem ser alegadas como questão de preliminar de contestação (art. 64 CPC). Defesa de mérito Depois de arguidas as preliminares, passa-se a defesa de mérito, que pode ser subdividida em defesa de mérito indireta ou prejudicial de mérito e defesa direta de mérito direta ou propriamente dita. a) Defesa de mérito indireta ou prejudicial de mérito: Defesa de mérito indireta ou prejudicial de mérito são as situações em que não se aprecia o mérito da lide, contudo, as causas, tais como prescrição e decadência-, geram a extinção do processo com resolução do mérito, na forma do art. 487 do CPC. No direito do trabalho, a prescrição poderá ser total, quando o ajuizamento da ação ocorrer depois de 02 anos da extinção do contrato de trabalho, ou parcial, quando se tratar da possibilidade de discutir apenas os últimos 05 anos do contrato, nos termos do art. 7º, XXIX, da CR/88. b) Defesa de mérito propriamente dita: A defesa de mérito direta é aquela em que a parte rechaça as pretensões do reclamante, pedido a pedido, tais como, aviso prévio, horas extras, adicional noturno, 13º salário etc. Especificamente, deve-se apontar uma norma jurídica - um dispositivo da CLT ou do CPC, uma Súmula, uma Orientação Jurisprudencial etc., que possa fundamentar a impugnação do pedido realizado pelo reclamante na petição inicial. Quando o magistrado julgar a demanda acolhendo ou rejeitando o pedido do autor, a lide será extinta com resolução do mérito, nos termos do art. 487 do CPC. • Provas no Processo do Trabalho Cognição judicial •= atividade predominantemente intelectiva, por meio da qual o juiz analisa alegações de fatos, colhe e valora provas e profere decisões. Predominância no chamado “processo de conhecimento” A diferença entre prova e verdade no direito pode ser explicada da seguinte forma: Prova É o elemento que serve para mostrar a existência e a veracidade de um fato. O objetivo da prova é influenciar o convencimento do julgador. • Verdade Um enunciado é considerado verdadeiro quando dispõe de elementos de prova suficientes que confirmem sua veracidade. • No entanto, é possível que uma hipótese fática seja provada, mesmo que seja falsa. Isso acontece porque a verdade formal é aquela espelhada no processo, que pode ou não corresponder aos fatos que aconteceram no mundo externo. Embasamento Geral Prova é um elemento processual que visa formar o entendimento do magistrado sobre a existência ou não de fatos decisivos para o julgamento do mérito da ação em questão. A doutrina defende que provar é demonstrar a verdade de uma tese, sendo que a prova judicial seria o confronto das versões da tese de cada uma das partes. O juiz utiliza dos elementos probatórios que lhe são concedidos para formar sua convicção e elaborar sua sentença. Princípios PRINCIPIO DA NECESSIDADE DA PROVA Este principio informa que os fatos devem ser demonstrados em juízo, não sendo suficiente a simples alegação, posto que o elemento probatório deve ser a base para a formulação da sentença. PRINCIPIO DA LEALDADE DA PROVA Tal princípio parte da premissa de que existe um interesse geral em que o elemento probatório seja fiel à realidade. As partes devem possuir atitudes colaborativas para que a formulação da prova seja desprovida de vícios e de má-fé. PRINCIPIO DO CONTRADITÓRIO As partes devem ter a possibilidade de arguir contra as provas que são produzidas a seu desfavor; de conhecer, discutir e impugnar os elementos probatórios presentes no decorrer do processo. PRINCIPIO DA OBRIGATORIEDADE DA PROVA Como a prova é de interesse das partes e do Estado, ou seja, de interesse público, as partes podem ser compelidas pelo magistrado a produzir determinadas provas. O não cumprimento de tal ordem judicial pode acarretar prejuízos e ônus. Ônus da Prova O ônus da prova existe quando é necessário um comportamento da parte para a produção de prova de um fato alegado. É a responsabilidade da parte para que produza determinada prova, a qual, se não produzida de forma efetiva e satisfatória, trará como consequência imediata o não conhecimento do fato alegado pelo órgão jurisdicional. O ônus da prova é atribuído a quem alega a existência de um fato, posto a tese expressa pelo art. 818 da CLT: Na teoria geral do processo, o ônus da prova presume igualdade entre as partes intervenientes na causa. Todavia, no processo trabalhista esta lógica é quebrada. No direito do trabalho há a presunção de que o empregado será hipossuficiente perante o empregador; há, portanto, desigualdade processual. Assim, em muitos casos, o ônus da prova será direcionado ao empregador. Fatos Desprovidos de Necessidade de Provas Nem todos os fatos alegados precisam ser provados, como os confessados. Os fatos legalmente presumíveis também não necessitam de provas, pois são tidos como existentes; por outro lado, é necessário provar caso alegados como não ocorrido, por exemplo, a ausência da boa-fé contratual. Também não precisam ser provados os fatos públicos e notórios, de conhecimento generalizado, como os acontecimentos políticos. Normas que Precisam de Prova Nesses casos temos a imprescindibilidade da produção de elementos probatórios; o exemplo mais importante são as convenções coletivas. Mesmo que o seu caráter seja de norma jurídica, a normativa trabalhista exige produção de prova. Os regulamentos de empresas e os tratados internacionaistambém devem ser provados. Provas Ilícitas no Processo Trabalhista A Constituição de 1988 deixa claro a proibição quanto ao uso de provas obtidas ilicitamente no processo, conforme o art. 5º, LVI. As provas ilícitas são produzidas de forma clandestina e ilegítima, infringindo as normativas de direito material. Isso significa que, mesmo que a prova diga respeito a uma informação verídica, o modo pelo qual essa prova foi obtida desrespeita o direito material; como exemplo, as interceptações telefônicas obtidas sem conhecimento do interlocutor, bem como desprovida de autorização judicial, o que diverge da garantia exposta no art. 5º, XII da Constituição Federal Dentro da esfera trabalhista, a legislação não aborda de forma sistemática as espécies de provas (in)admitidas , haja vista o disposto no art. 769 da Consolidação das Leis do Trabalhistas, que autoriza a aplicação subsidiária de outros diplomas processuais quando for constatada omissão por parte da CLT. No caso das provas ilícitas, o Código de Processo Civil pode ser utilizado como fonte subsidiária. Todavia, há casos em que provas obtidas por meios clandestinos e ilegítimos foram admitidas no processo trabalhista, levando-se em consideração o principio da proporcionalidade. O magistrado, utilizando critérios axiológicos e considerando as peculiaridades, faz um sopesamento para identificar quais pontos do direito material são mais ou menos relevantes para a solução efetiva do caso. Nos casos das gravações clandestinas, o art. 5º, XII da Constituição Federal esclarece a necessidade de sigilo de dados e das comunicações telefônicas, sendo que a única exceção neste sentido ocorre mediante autorização judicial, na forma da lei e unicamente para fins de investigação criminal ou instrução processual, em nada se relacionando, portanto, com a esfera trabalhista. A Lei nº 9.296/96 regula este dispositivo constitucional. Em seu art. 2º, II, proíbe a admissão da interceptação telefônica quando a prova puder ser feita por outro meio. Não obstante, seu art. 10 estabelece que incorre na prática de crime aquele que se utilizar de interceptação telefônica sem autorização judicial. Meios de Prova Trata-se da atividade do juiz ou das partes para a produção do elemento probatório e também dos instrumentos utilizados pelo magistrado no processo para formar seu entendimento e convencimento sobre as teses apresentadas. Não há uma enumeração na legislação trabalhista que identifique todos os meios de prova possíveis, sendo por isso, admissíveis todos os meios de provas existentes tanto em esfera trabalhista como civil, de forma DEPOIMENTO PESSOAL O depoimento pessoal consiste em uma declaração feita pelo reclamante ou pelo reclamado a respeito dos fatos do processo. Do depoimento pessoal deriva-se a confissão. TESTEMUNHAS É o meio que consiste na declaração de um terceiro a respeito dos fatos do processo. Há nele certo risco, pois não é possível mensurar a imparcialidade da testemunha. Do depoimento testemunhal pode decorrer o procedimento de inquirição, que é quando as testemunhas respondem perguntas feitas pelo próprio magistrado e, depois, pelo advogado da parte contrária. Também deriva-se a contradita, quando a testemunha é impedida por suspeição até antes do início do depoimento na audiência. Cabe ressaltar que uma vez negada a contradita, haverá ônus de se provar que a testemunha não possui nenhum impedimento. JUNTADA DE DOCUMENTOS Possui como finalidade provar a existência de atos jurídicos. Vale ressaltar que o documento usado como prova deve ser juntado com a petição inicial ou com a contestação. PERÍCIA Atividade processual desenvolvida por um terceiro sem interesses no processo e qualificado por conhecimentos técnicos e científicos capazes de produzir pareceres sobre determinada condição, situação ou veracidade de fatos alegados. As pericias mais comuns no processo trabalhista são sobre condições de insalubridade, periculosidade, diferenças salariais e horas extra. O perito e seus assistentes podem se utilizar de todos os meios necessários para produção das provas, desde que lícitos. O laudo não é vinculante para o magistrado, que pode aceitar ou rejeitar. As partes podem contestar e impugnar o laudo pericial a qualquer momento. INSPEÇÃO JUDICIAL É uma diligencia processual visando obter provas, mediante verificação direta do magistrado. O juiz, de oficio ou mediante requerimento das partes, pode inspecionar pessoas ou coisas, objetivando esclarecimentos que colaborem para a formação de seu convencimento e formulação da sentença. Coisa julgada Matriz constitucional CF, Art., 5º XXXVI – “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada” Segurança jurídica + celeridade x Justiça das decisões Tipologia das decisões judiciais Decisões definitivas – resolução do mérito (art. 487, CPC) Decisões terminativas – exclusão da resolução de mérito (art. 485, CPC) Decisões meramente interlocutórias – solução de questões incidentes, viabilizando o desenvolvimento do processo: Questões preliminares Prova Tutela provisória etc. Decisões definitivas Coisa julgada material (art. 502, CPC) Res in iudicium deducta => res iudicata Resolução do mérito = pedidos Surge quando esgotados os recursos contra decisão de mérito Impede a rediscussão dos pedidos em caráter endoprocessual e extraprocessual (impede que a decisão de mérito seja revista no próprio processo ou em processo futuro). Decisões terminativas Coisa julgada formal (art.6º, §3º, LINDB) Também surge quando esgotados os recursos contra decisão terminativa Em regra, fenômeno apenas endoprocessual (impede que a decisão terminativa seja revista no mesmo processo, mas não impede a repropositura da mesma demanda). Condições para repropositura (art.486, CPC): Pagamento das custas do 1º processo Em alguns casos, correção do vício que levou à extinção (art.486, §1º, CPC) Decisões meramente interlocutórias Preclusão (art.507, CPC) Fenômeno apenas endoprocessual (impede que a decisão meramente interlocutória seja revista no mesmo processo, mas não impede a repropositura da mesma questão em outro processo). Perda do prazo para recurso de uma decisão em princípio impede que as partes a rediscutam e, consequentemente, o juiz de revê-la, salvo: “matérias de ordem pública” tutela provisória etc. Teorias sobre a coisa julgada Criação de verdade / ficção de verdade Criação de nova situação jurídica Efeito próprio da sentença Imutabilidade dos efeitos da sentença (Liebman) Há efeitos sem imutabilidade Regime dos efeitos ≠ regime da imutabilidade Meios de ataque à coisa julgada Coisa julgada opera um “efeito sanatório geral” de invalidades processuais. Algumas invalidades sobrevivem: Rescindibilidades – ação rescisória (arts. 966-975, CPC) Vícios “transrescisórios” – falta de citação – alegação como defesa na execução (arts.525, §1º, I e 535, I, CPC) ou por meio de demanda de procedimento comum (querela nullitatis) Relativização da coisa julgada Tese 1 – “Injustiça manifesta” Dinamarco, “Relativizar a coisa julgada”, 2003 Caso 1 – desapropriações fraudulentas Caso 2 – investigação de paternidade (DNA) – evolução jurisprudencial: Relativização da coisa julgada Prestígio da coisa julgada Solução intermediária: possibilidade de (re)investigar a paternidade, mas sem efeitos patrimoniais Relativização da coisa julgada Tese 2 – “Sentença inconstitucional” Art.475-L, §1º, e 741, par.ún., CPC/1973 – Possibilidade de alegar, em sede de defesa à execução, que a sentença se fundou em ato normativo declarado, posteriormente, inconstitucional pelo STF. Exclusão dessa possibilidade pelo CPC/2015 – cabimento da ação rescisória (art.525, §15 e 535, §8º). image1.png image2.jpg image3.png image4.png image5.png image6.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image7.png image25.png image26.png image27.png image28.png image29.pngimage30.png image31.png image32.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image41.png image42.png image43.png image44.png image45.png image46.png image47.png image48.png image49.png image50.png image33.png image51.png image52.png image53.png image34.png image35.png image36.png image37.png image38.png image39.png image40.png image54.png image55.png image56.png image65.png image66.png image67.png image68.png image69.png image70.png image71.png image72.png image73.png image74.png image57.png image58.png image59.png image60.png image61.png image62.png image63.png image64.png image75.png image76.png image77.png image78.png image79.jpg image80.jpgo nome e o endereço completo da parte contrária para que a citação possa ser realizada corretamente. Pode-se dizer que a citação por edital somente poderá ocorrer em caso extremo e se comprovada a dificuldade na citação por AR. Importante destacar que não sendo obedecidos os critérios iniciais (citação e pedido certo), o processo será arquivado e o Autor arcará com as custas processuais e, neste caso, haverá a extinção do processo sem resolução de mérito. Reclamação trabalhista Será apreciada pelo Juiz no prazo máximo de 15 dias do seu ajuizamento, nos termos do art. 852- B, III da CLT, sendo que a causa pode ainda ser levada para pauta especial de acordo com o movimento da Vara do Trabalho. Cabe ressaltar que este prazo pode ser alterado desde que seja justificado pelo Juiz. Art. 852-B. Nas reclamações enquadradas no procedimento sumaríssimo: I – o pedido deverá ser certo ou determinado e indicará o valor correspondente; – não se fará citação por edital, incumbindo ao autor a correta indicação do nome e endereço do reclamado; – a apreciação da reclamação deverá ocorrer no prazo máximo de quinze dias do seu ajuizamento, podendo constar de pauta especial, se necessário, de acordo com o movimento judiciário da Junta de Conciliação e Julgamento.” Citação no rito sumaríssimo Não há citação por Edital uma vez que a citação no Rito Sumaríssimo ocorre por carta com Aviso de Recebimento (AR), daí vem a necessidade de ser ter o nome e o endereço completo da parte contrária para que a citação possa ser realizada corretamente. Pode-se dizer que a citação por edital somente poderá ocorrer em caso extremo e se comprovada a dificuldade na citação por AR. Importante destacar que não sendo obedecidos os critérios iniciais (citação e pedido certo), o processo será arquivado e o Autor arcará com as custas processuais e, neste caso, haverá a extinção do processo sem resolução de mérito. Rito Ordinário O Rito Ordinário está previsto no art. 840 da CLT e é utilizado quando o valor da causa estiver acima de 40 salários mínimos vigente na data do ajuizamento. É o rito o mais utilizado, pois nos permite um maior conhecimento do caso e é utilizado para situações de maior complexidade. Diferente do que acontece no Rito Sumaríssimo, a administração pública direta (União, Estados e Municípios), fundações e autarquias podem ser demandas no Rito Ordinário. Neste Rito, devemos nos atentar a alguns aspectos para o correto enquadramento: A citação poderá ocorrer por edital; O relatório da sentença é obrigatório no Rito Ordinário e não há um prazo para que o Juiz sentencie; Não sendo obedecidos os critérios iniciais, o processo poderá ser emendado, o que não ocorre nos outros casos; A sentença pode ter recurso para a Instância superior, e o Recurso de Revista neste rito será cabível nas hipóteses do art. 896 da CLT. Principais diferenças entre os ritos trabalhistas Os ritos processuais divergem nitidamente entre si. principais diferenças entre os ritos trabalhistas sumaríssimo e ordinário: Audiência No rito sumaríssimo a audiência é Una, ou seja, única – uma vez que nesta audiência o processo será instruído e julgado sendo que os incidentes e exceções devem ser resolvidos na própria audiência e a réplica deverá ser apresentad a também na audiência. Já a audiência no Rito Ordinário poderá ser dada como: Una, inicial ou de instrução. E a réplica poderá ser apresentada em audiência ou não, ficando a critério do Juiz determinar. Testemunhas Em relação às testemunhas, no rito ordinário entendemos que: O número de testemunhas para a audiência será de três para cada parte; A prova do convite para a testemunha ausente não é necessária, salvo nos casos de ter constado expressamente esta obrigatoriedade. Enquanto no rito sumaríssimo: É permitido que cada parte possa levar no máximo duas testemunhas para a audiência; A prova do convite a testemunha ausente deve ser apresentada para que o Juiz possa intimá-la a comparecer à audiência; Testemunhas No rito sumaríssimo, há limitação máxima de 2 testemunhas para cada parte, que deverão comparecer à audiência independente de intimação, na forma do artigo 852-H, §2º da CLT. Quanto às ausentes, somente será deferida intimação se restar comprovado que foi convidada e não compareceu. Caso insista no não comparecimento, poderá ser determinada sua imediata condução coercitiva. Difere-se do rito ordinário, pois nesta cada parte poderá indicar até 3 testemunhas, salvo em casos de apuração de falta grave, quando o limite será aumentado para 6 – vide artigo 821 da CLT. As testemunhas também deverão comparecer independentemente de notificação ou intimação. Contudo, neste rito, a intimação para comparecimento das ausentes poderá ser realizada de ofício, ou seja, pelo magistrado. Como não há previsão específica referente à limitação do número de testemunhas do rito sumário, doutrinariamente, e por analogia ao rito ordinário, indicam que o limite será de 3. IMPORTANTE há muitas diferenças entre os Ritos Trabalhistas e um enquadramento inadequado poderá trazer prejuízos ao Reclamante, e mesmo a inobservância do rito poderá prejudicar o processo. Deve se atentar ao rito correto com o fim de dar mais celeridade ao processo e garantir o melhor resultado ao seu cliente. Em relação a intimação da sentença que se dará na própria audiência em que for prolatada, entretanto caso seja agendada a data de prolação da sentença é importante ressaltar que não haverá publicação da mesma. Portanto, devem as partes acessarem o processo na data designada a fim de não perderem o prazo para os embargos de declaração ou recurso ordinário, se for o caso. 1. Introdução aos Atos Processuais Trabalhistas Os atos processuais são as ações ou manifestações das partes, do juiz, dos auxiliares da justiça e de outros envolvidos, no desenvolvimento do processo. No âmbito do Direito do Trabalho, esses atos seguem regras específicas, estabelecidas principalmente na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e no Código de Processo Civil (CPC), aplicado de forma subsidiária. Prazos Prazo processual é o período de tempo em que o ato processual deve ser praticado Pode ser legal (Ex. prazo para recurso), judicial (determinado pelo juiz) ou convencional (negociado pelas partes) Pode ser peremptório (fatal e improrrogável, como o de 8 dias para recurso) ou prorrogável (a critério do juiz, como o da apresentação do laudo pericial) 2. Prazos nos Atos Processuais Trabalhistas 2.1 Definição de Prazo Processual O prazo processual é o intervalo de tempo definido em lei ou pelo juiz dentro do qual um ato processual deve ser praticado. No Direito do Trabalho, os prazos são essencialmente peremptórios, ou seja, não podem ser prorrogados, salvo em situações excepcionais. 2.2 Características dos Prazos Natureza Peremptória: Em regra, os prazos no processo trabalhista são improrrogáveis, conforme o art. 775 da CLT. A única exceção permitida é em caso de força maior, desde que justificado pelo interessado. Contagem em Dias Úteis: Com a reforma trabalhista (Lei n.º 13.467/2017), os prazos passaram a ser contados em dias úteis (art. 775, § 1º da CLT). Início e Fim dos Prazos: Os prazos começam a contar a partir do primeiro dia útil seguinte ao da notificação, intimação ou citação. Não correm prazos processuais em domingos, feriados e durante o recesso forense. Prazos Específicos: Alguns prazos trabalhistas merecem destaque, como: Prazo para interposição de Recurso Ordinário: 8 dias. Prazo para contestação: ATE A AUDIENCIA. Prazo para embargos à execução: 5 dias. 3. Forma dos Atos Processuais Trabalhistas 3.1 Definição de Forma Processual A forma dos atos processuais refere-se ao modo como esses atos devem ser realizados. No processo trabalhista, a forma é fundamental para garantir a validade do ato. 3.2 Características da Forma Formalidade: Alguns atos processuais exigem uma forma específica (escrita ou oral), sob pena de nulidade. Exemplo: a petição inicial deve ser redigida de forma escrita e conteros requisitos do art. 840 da CLT. Adequação: A forma deve ser adequada ao ato que se pretende praticar. O juiz pode exigir que determinado ato seja praticado de maneira específica para garantir a eficácia processual. Ato Ordinatório x Ato Decisório: Atos ordinatórios, como a juntada de documentos, podem ser realizados de forma simplificada, enquanto atos decisórios, como uma sentença, exigem formalidade rigorosa. 3.3 Documentos Eletrônicos Com a implementação do Processo Judicial Eletrônico (PJe), a forma de apresentação dos atos processuais passou a ser, em grande parte, digital. Documentos devem ser apresentados em formato eletrônico, respeitando-se os requisitos de autenticidade e integridade. 4. Tempo dos Atos Processuais Trabalhistas 4.1 Definição de Tempo Processual O tempo dos atos processuais está relacionado ao período do dia em que esses atos podem ser realizados. 4.2 Características do Tempo Dias Úteis: Como mencionado anteriormente, os atos processuais devem ocorrer em dias úteis, respeitando feriados e recessos forenses. Horário: A CLT estabelece que, em regra, os atos processuais devem ser realizados durante o horário de expediente forense, salvo em casos de urgência (art. 770 da CLT). CUIDADO PJE Dilação de Prazos em Situações Especiais: O juiz pode, em casos excepcionais, autorizar a prática de atos processuais fora do horário normal, como em situações de risco à parte ou ao processo. 5. Lugar dos Atos Processuais Trabalhistas 5.1 Definição de Lugar Processual O lugar dos atos processuais refere-se ao local onde esses atos devem ser praticados. No processo trabalhista, o lugar é definido pelas normas de competência. 5.2 Características do Lugar Competência Territorial: A regra geral no processo trabalhista é que a ação deve ser proposta no local onde o empregado prestou seus serviços ou onde a empresa está sediada (art. 651 da CLT). Deslocamento do Juiz: Em situações específicas, o juiz pode se deslocar para realizar atos processuais fora do fórum, como em uma inspeção judicial no local de trabalho. Audiências e Sessões Virtuais: Com a pandemia da COVID-19, muitos atos processuais passaram a ser realizados virtualmente, respeitando-se as regras de segurança e autenticidade. Prazos CPC, art. 218 Os atos processuais serão realizados nos prazos prescritos em lei § 1º - Quando a lei for omissa, o juiz determinará os prazos em consideração à complexidade do ato § 2º - Quando a lei ou o juiz não determinar prazo, as intimações somente obrigarão a comparecimento após decorridas 48 horas § 3º - Inexistindo preceito legal ou prazo determinado pelo juiz, será de 5 dias o prazo para a prática de ato processual a cargo da parte § 4º - Será considerado tempestivo o ato praticado antes do termo inicial do prazo Contagem dos prazos CLT, art. 774 Salvo disposição em contrário, os prazos previstos contam-se, conforme o caso, a partir da data em que for feita pessoalmente, ou recebida a notificação, daquela em que for publicado o edital no jornal oficial ou no que publicar o expediente da Justiça do Trabalho ou, ainda, daquela em que for afixado o edital na sede da Junta, Juízo ou Tribunal - CUIDADO PJE parágrafo único Tratando-se de notificação postal, no caso de não ser encontrado o destinatário ou no de recusa de recebimento, o Correio ficará obrigado, sob pena de responsabilidade do servidor, a devolvê-la, no prazo de 48 horas, ao Tribunal de origem Contagem dos prazos CLT, art. 775 (redação dada pela Lei nº 13.467/17 – reforma trabalhista) Os prazos estabelecidos neste Título serão contados em dias úteis, com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento Contagem dos prazos I§ 1º - Os prazos podem ser prorrogados, pelo tempo estritamente necessário, nas seguintes hipóteses: I - quando o juízo entender necessário I - em virtude de força maior, devidamente comprovada § 2º - Ao juízo incumbe dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos meios de prova, adequando-os às necessidades do conflito de modo a conferir maior efetividade à tutela do direito Contagem dos prazos CPC, art. 224 Salvo disposição em contrário, os prazos serão contados excluindo o dia do começo e incluindo o dia do vencimento § 1º - Os dias do começo e do vencimento do prazo serão protraídos para o primeiro dia útil seguinte, se coincidirem com dia em que o expediente forense for encerrado antes ou iniciado depois da hora normal ou houver indisponibilidade da comunicação eletrônica § 2º - Considera-se como data de publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico § 3º - A contagem do prazo terá início no primeiro dia útil que seguir ao da publicação . Contagem dos prazos CPC, art. 229 - Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia distintos, terão prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em qualquer juízo ou tribunal, independentemente de requerimento § 1º - Cessa a contagem do prazo em dobro se, havendo apenas 2 réus, é oferecida defesa por apenas um deles § 2º - Não se aplica o disposto no caput aos processos em autos eletrônicos Contagem dos prazos CPC, art. 230 O prazo para a parte, o procurador, a Advocacia Pública, a Defensoria Pública e o Ministério Público será contado da citação, da intimação ou da notificação Vencimento dos prazos CLT, art. 776 O vencimento dos prazos será certificado nos processos pelos escrivães ou secretários CPC, art. 223 Decorrido o prazo, extingue-se o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte provar que não o realizou por justa causa Vencimento dos prazos CPC, art. 223 § 1º - Considera-se justa causa o evento alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário § 2º - Verificada a justa causa, o juiz permitirá à parte a prática do ato no prazo que lhe assinar Prazos do juiz CPC, art. 226 - O juiz proferirá: I - os despachos no prazo de 5 dias II - as decisões interlocutórias no prazo de 10 dias III - as sentenças no prazo de 30 dias CPC, art. 227 - Em qualquer grau de jurisdição, havendo motivo justificado, pode o juiz exceder, por igual tempo, os prazos a que está submetido. Formas de Comunicação dos Atos Processuais Trabalhistas Citação é o ato pelo qual se chama a juízo o réu ou o interessado a fim de se defender (art. 238, do CPC). Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém (especialmente às partes) dos atos e termos do processo (art. 269, do CPC). O legislador trabalhista, utilizou na Consolidação das Leis do Trabalho, de forma indiscriminada, o termo notificação, como o meio adequado para comunicação de todo e qualquer ato processual realizado no âmbito da justiça laboral (seja citação ou intimação). Assim, no Processo do Trabalho a regra é Notificação. No processo de execução, o art. 880 da CLT previu expressamente, a citação do executado pelo oficial de justiça para que cumpra o julgado, ou, tratando se de pagamento em dinheiro, para que pague no prazo de 48 horas ou garanta a execução sob pena de penhora. A notificação postal, é ato do serventuário da justiça, que dentro de 48 horas do recebimento da ação remeterá cópia da Reclamação ao Reclamado, para o comparecimento na audiência de julgamento, que será a primeira desimpedida, depois de 5 dias, na forma do art. 841 da CLT, ocasião em que o réu (reclamado) apresentará a sua defesa. Analise do artigo 841 da CLT O artigo 841 celetista tem o seguinte teor: “Recebida e protocolada a reclamação, o escrivão ou secretário, dentro de 48 (quarenta e oito) horas, remeterá a segunda via da petição, ou do termo, ao reclamado, notificando-o ao mesmo tempo, para comparecer à audiência do julgamento, que será a primeira desimpedida, depois de 5 (cinco) dias. §1º - Anotificação será feita em registro postal com franquia. Se o reclamado criar embaraços ao seu recebimento ou não for encontrado, far-se-á a notificação por edital, inserto no jornal oficial ou no que publicar o expediente forense, ou, na falta, afixado na sede da Junta ou Juízo. §2º - O reclamante será notificado no ato da apresentação da reclamação ou na forma do parágrafo anterior.” §3º - Oferecida a contestação, ainda que eletronicamente, o reclamante não poderá sem o consentimento do reclamado desistir da ação. A regra do presente artigo aponta a existência da Notificação Postal Automática do Reclamado. É postal porque realizada pelo Correio e automática porque é um ato de Secretaria da Vara. O Juiz do Trabalho apenas tem contato coma inicial em audiência. No caso de endereço incorreto do reclamado ou recusa em receber a notificação postal, fica o servidor do Correio obrigado a devolver a notificação ao juízo ou tribunal de origem, sob pena responsabilidade do servidor, art. 774, parágrafo único, da CLT. Forma dos atos processuais 1) Quanto à publicidade • regra: público • Exceção: segredo de justiça para preservar interesse social (CLT, art. 770) 2) Quanto ao tempo regra: das 6h às 20h, em dias úteis exceção penhora: domingos e feriados desde que devidamente autorizado. (art. 770 da CLT) audiência: 8h às 18h (máximo 5 horas seguidas), salvo atos urgentes (art. 813 da CLT) expediente forense: norma interna do TRT • Meio eletrônico: até às 24 horas - NCPC, art. 213, parágrafo único: considerado o horário vigente no juízo perante o qual o ato deve ser praticado Ocorre que com a chamada Reforma Trabalhista, (Lei 13.467), este dispositivo legal terá que ser revisto,. Isso porque o processo judicial eletrônico tem como característica o acesso remoto e atividade célere, permitindo que os atos sejam praticados até às 24h do dia do vencimento do prazo. É o que preveem os termos do art. 3º, § único da Lei nº 11.419/2006 Parte da doutrina e da jurisprudência entende pela aplicação subsidiária do Art. 212 do CPC. Os atos processuais serão realizados em dias úteis, das 6 (seis) às 20 (vinte) horas. § 1º Serão concluídos após as 20 (vinte) horas os atos iniciados antes, quando o adiamento prejudicar a diligência ou causar grave dano. § 2º Independentemente de autorização judicial, as citações, intimações e penhoras poderão realizar-se no período de férias forenses, onde as houver, e nos feriados ou dias úteis fora do horário estabelecido neste artigo, observado o disposto no art. 5º, inciso XI, da Constituição Federal. § 3º Quando o ato tiver de ser praticado por meio de petição em autos não eletrônicos, essa deverá ser protocolada no horário de funcionamento do fórum ou tribunal, conforme o disposto na lei de organização judiciária local. FORMA Art. 771 da CLT, in verbis: Os atos e termos processuais poderão ser escritos a tinta, datilografados ou a carimbo. Art. 193 do CPC Os atos processuais podem ser total ou parcialmente digitais, de forma a permitir que sejam produzidos, comunicados, armazenados e validados por meio eletrônico, na forma da lei. Parágrafo único. O disposto nesta Seção aplica-se, no que for cabível, à prática de atos notariais e de registro Da Prática Eletrônica de Atos Processuais Art. 193. Os atos processuais podem ser total ou parcialmente digitais, de forma a permitir que sejam produzidos, comunicados, armazenados e validados por meio eletrônico, na forma da lei. Parágrafo único. O disposto nesta Seção aplica-se, no que for cabível, à prática de atos notariais e de registro. Art. 194. Os sistemas de automação processual respeitarão a publicidade dos atos, o acesso e a participação das partes e de seus procuradores, inclusive nas audiências e sessões de julgamento, observadas as garantias da disponibilidade, independência da plataforma computacional, acessibilidade e interoperabilidade dos sistemas, serviços, dados e informações que o Poder Judiciário administre no exercício de suas funções. Art. 195. O registro de ato processual eletrônico deverá ser feito em padrões abertos, que atenderão aos requisitos de autenticidade, integridade, temporalidade, não repúdio, conservação e, nos casos que tramitem em segredo de justiça, confidencialidade, observada a infraestrutura de chaves públicas unificada nacionalmente, nos termos da lei. • Art. 196. Compete ao Conselho Nacional de Justiça e, supletivamente, aos tribunais, regulamentar a prática e a comunicação oficial de atos processuais por meio eletrônico e velar pela compatibilidade dos sistemas, disciplinando a incorporação progressiva de novos avanços tecnológicos e editando, para esse fim, os atos que forem necessários, respeitadas as normas fundamentais deste Código. Art. 197. Os tribunais divulgarão as informações constantes de seu sistema de automação em página própria na rede mundial de computadores, gozando a divulgação de presunção de veracidade e confiabilidade. Parágrafo único. Nos casos de problema técnico do sistema e de erro ou omissão do auxiliar da justiça responsável pelo registro dos andamentos, poderá ser configurada a justa causa prevista no art. 223, caput e § 1º . Art. 198. As unidades do Poder Judiciário deverão manter gratuitamente, à disposição dos interessados, equipamentos necessários à prática de atos processuais e à consulta e ao acesso ao sistema e aos documentos dele constantes. Parágrafo único. Será admitida a prática de atos por meio não eletrônico no local onde não estiverem disponibilizados os equipamentos previstos no caput . Art. 199. As unidades do Poder Judiciário assegurarão às pessoas com deficiência acessibilidade aos seus sítios na rede mundial de computadores, ao meio eletrônico de prática de atos judiciais, à comunicação eletrônica dos atos processuais e à assinatura eletrônica. Quais os tipos de Processo do Trabalho? Dependendo de como for a solução do conflito, o rito processual será diferente. Ele pode ser de jurisdição voluntária ou contenciosa e, no segundo caso, ainda ser dividido de acordo com o valor da causa ou a parte. Veja agora quais são esses procedimentos: Rito Ordinário; Rito Sumaríssimo; Conciliação. Rito sumário O Rito Sumário, instituído pela Lei nº 5584/70, é adotado às denominadas “causas de alçada”, sendo as ações cujo valor da causa não ultrapasse 2 salários-mínimos nacionais vigentes à data de ajuizamento. O também denominado “Rito de Alçada”, é o menos utilizado na justiça do trabalho, porém possui relevância vez que objetiva a celeridade no processamento e julgamento de tais ações. São causas de única instância, e por este motivo, salvo quando tratar de matéria constitucional, não será cabível recurso em face da sentença. Rito sumaríssimo O rito sumaríssimo, previsto nos artigos 852-A a 852-I da CLT, é cabível somente aos dissídios individuais cujo valor da causa seja superior à 2 e que não exceda 40 salários-mínimos nacionais vigentes à época de seu ajuizamento. Sua aplicação foi delimitada entre os valores das causas de competência dos ritos sumário e ordinário, mas foram excluídas deste as demandas em que figura como parte a Administração Pública direta, autárquica e fundacional. Também é considerado como forma de garantir a celeridade do processo, uma vez que a apreciação da demanda ocorrerá em no máximo 15 dias, e — via de regra — serão instruídas e julgadas em uma única audiência. Rito ordinário O rito ordinário tem sua previsão dispersa pela CLT, mas podemos o identificar entre os artigos 763 e 852. São a ele submetidas as ações cujo valor da causa ultrapasse 40 salários-mínimos nacionais vigentes à data do ajuizamento, ou aquelas que a Administração Pública direta, autárquica e fundacional figure como parte. Este rito é mais complexo e demorado, em razão da quantidade superior de atos processuais a serem praticados, sendo necessária: Audiência com tentativa de conciliação; Apresentação de contestação oral em audiência, ou protocolada eletronicamente até sua data; apresentação de documentos, designaçãode perícias, dentre outros requerimentos; Réplica apresentada em audiência, ou em prazo concedido; Agendamento de audiência de instrução se necessário; Instrução do processo com interrogação dos litigantes e sendo ouvidas as testemunhas; razões finais orais; nova tentativa de conciliação; Julgamento na própria audiência, ou, se necessário em data designada. Ou seja, no rito ordinário, mesmo havendo a possibilidade da realização de uma audiência unificada — de conciliação, instrução e julgamento —, o magistrado usualmente opta por dividir seu processamento em 3 audiências, sendo: de conciliação inicial, instrução e julgamento. Importante ressaltar que, após a realização da audiência de julgamento, o magistrado poderá prolatar a sentença posteriormente, sem a indicação de prazo. Nulidades processuais: Se antigamente prevalecia no direito o sistema legalista ou formalista, com o advento dos CPCs de 1939 e de 1973, o sistema de nulidades sensível alteração, prevalecendo atualmente o sistema instrumental do processo, em detrimento do rigor das formalidades dos atos e termos processuais – ou seja, a forma é apenas um instrumento para se alcançar a finalidade do processo, não sendo, em regra, essencial para a validade do ato. Entretanto, dependendo da irregularidade ou vício encontrado, o ato processual poderá ser declarado nulo, anulável ou inexistente. Nulidade é a sanção dada pela lei que impede que um ato jurídico produza seus efeitos normais em virtude do não cumprimento das formas nela prescritas para sua execução. Nulidade processual é a nulidade pelo não cumprimento dos procedimentos processuais estabelecidos em lei ou quando os atos processuais contenham vícios cometidos pelo juiz ou pelas partes. 11 Nulidade absoluta decorre do interesse público. O ato jurídico é nulo e não produz nenhum efeito; a abrangência da decisão é erga omnes; não é passível de ratificação. Exemplos: agente absolutamente incapaz; objeto ilícito; não cumprimento das normas legais. Nulidade relativa surge quando há desrespeito ao interesse da parte, presente na norma que não foi cumprida. O ato jurídico é anulável e produz efeitos até que seja anulado pelo juiz, ou, mediante prazo concedido pelo juiz, seja sanada a irregularidade; a abrangência da decisão é inter partes; poderá ser ratificado. Exemplos: agente relativamente incapaz; defeitos dos atos jurídicos, devido a erro. Anulabilidade – os atos anuláveis só serão assim considerados em decorrência de pedido da parte interessada. O juiz não pode, de ofício, anular ou mandar sanar o ato. Princípios aplicáveis às nulidades: a) Legalidade: as nulidades dependerão do que estiver previsto em lei para que sejam observadas as formas nela previstas. b) Instrumentalidade das formas ou finalidade: o ato processual deve se ater à observância das formas. Contudo, se o ato atingir sua finalidade, ele será considerado Exemplo: comparecimento espontâneo do Reclamado que não fora devidamente citado. c) Economia processual: a não observância da forma legal anula apenas os atos que não possam ser aproveitados, se não houver prejuízo à parte e) Causalidade: os atos a serem anulados devem ser interdependentes, ligados por relação de causa e efeito. Declarada a nulidade, o juiz deve explicitar quais os atos atingidos f) Convalidação: o ato nulo cuja nulidade não for argüida no tempo oportuno se convalida. Exemplo: incompetência em razão do lugar não argüida. g) Transcendência ou Prejuízo: não haverá nulidade se não houver prejuízo processual à parte h) Repressão: o juiz pode decretar a nulidade absoluta do processo se entender que as partes estão buscando fim proibido ou tentando praticar ato simulado Audiência Trabalhista Embasamento Geral É por meio da audiência, ato processual no qual há o contato direto do magistrado com as partes, que será realizada a instrução do processo. É imprescindível ter em vista que muitos dos princípios existentes no processo civil também se aplicam às audiências trabalhistas, a exemplo da boa-fé processual, da cooperação, da primazia da solução do mérito. O Processo do Trabalho, na expressão popular, é um processo de audiência, pois os atos principais da fase de conhecimento se desenvolvem neste ato. A lei determina que todos os atores principais do processo estejam presentes na audiência. O Juiz do Trabalho, como regra geral, toma contato com a inicial pela primeira vez na audiência e também com a defesa, que é apresentada em audiência (escrita ou verbal), tenta a conciliação, instrui e julga a causa. Dessa forma, a audiência no processo trabalhista é um rito fundamental e diretamente ligado à efetiva solução do litígio apresentado. Haverá contato das partes com o magistrado, a defesa oral das teses de ambas as partes e a apresentação de provas e testemunhas, fatores que serão fundamentais na elaboração da sentença pelo Juiz. Princípios aplicáveis às Audiências Trabalhistas Princípio da Oralidade Os procedimentos efetivados na audiência trabalhista são, em geral, feitos de forma verbal, sendo a oralidade elemento característico. Sua relevância é um dos fatores que trazem peculiaridade ao processo trabalhista frente aos demais, sendo que as partes levam suas teses de forma concisa perante o Juízo. O princípio da oralidade encontra-se previsto no art. 847 da CLT, que prevê a defesa do reclamado de forma oral, além dos arts.820 e 850 do mesmo texto. Contudo é preciso salientar que o processo não é feito integralmente de forma oral, posto que é necessário apresentar a defesa de forma escrita, com a finalidade de garantir a celeridade processual. Princípio da Imediatidade Tem por finalidade garantir aproximação mais efetiva entre juiz e partes, para que se possa esclarecer todas as teses, em vista da primazia da realidade e da verdade dos fatos. Princípio Inquisitivo Tem por fundamento os arts. 765 e 852-A da CLT. Expressa que o magistrado trabalhista tem total liberdade na condução do processo, zelando pela celeridade processual e com a possibilidade de determinar diligencias necessárias para o esclarecimento de qualquer ponto sublimado das teses defendidas. A direção do processo pelo Juiz se dará de forma livre, o que não se confunde com arbitrariedade, visto que todas as garantias processuais das partes devem se sobrepor, bem como todos os preceitos previstos pelo ordenamento jurídico trabalhista. Princípio da Conciliação A conciliação, por sua vez, é método de solução de conflitos em que as partes agem na composição, mas dirigidas por um terceiro, destituído do poder decisório final, que se mantém com os próprios sujeitos originais da relação jurídica contenciosa. [...] A conciliação judicial trabalhista é, portanto, ato judicial, mediante o qual as partes litigantes, sob interveniência da autoridade jurisdicional, ajustam solução transacionada sobre matéria objeto do processo judicial. Este é o princípio garantidor da heterocomposição processual e visa uma solução de conflitos pacífica, célere e efetiva para as partes. De acordo com os arts. 846 e 850, antes do recebimento da defesa, e após apresentação das razões finais, deve ser feita proposta de conciliação pelo Juiz Trabalhista, mesmo que haja possibilidade de acordo entre as partes em qualquer momento da fase de instrução do processo, inclusive após a sentença. Peculiaridades da Audiência Trabalhista Atraso do magistrado O art.815 da CLT trata em seu parágrafo único da possibilidade das partes e seus procuradores se retirarem da sala de audiências havendo mais de 15 minutos de atraso após a hora marcada, caso o juiz ou presidente não compareça. Art. 815. À hora marcada, o juiz ou presidente declarará aberta a audiência, sendo feita pelo secretário ou escrivão a chamada das partes, testemunhas e demais pessoas que devam comparecer. Parágrafo único - Se, até 15 (quinze) minutos após a hora marcada, o juiz ou presidente não houver comparecido, os presentes poderão retirar-se, devendo o ocorrido constar do livro de registro das audiências.Constata-se que não há previsão legal para o atraso das partes. Nesse sentido a Orientação Jurisprudencial nº 245 da SDI-I, consolida o entendimento que não há previsão legal que tolere atraso das partes. Por conseguinte, fica a critério do Magistrado estabelecer a tolerância no início da audiência. Jus Postulandi O Jus Postulandi é fundamento do processo trabalhista e encontra-se previsto no art. 791 da CLT: Art. 791. Os empregados e os empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas reclamações até o final. Dessa forma, não há obrigatoriedade para as partes de representação por advogado. Ainda assim, a Súmula 425 do TST limita o Jus Postulandi às Varas do Trabalho e Tribunais Regionais do Trabalho, pois a inadimite em casos de ação rescisória, ações cautelares, mandados de segurança e recursos direcionados ao Tribunal Superior do Trabalho. Peculiaridade prevista nos arts. 843 e 844 da CLT. Eles exigem o comparecimento pessoal de ambas as partes, podendo ser designado preposto pelo empregador. Art. 843. Na audiência de julgamento deverão estar presentes o reclamante e o reclamado, independentemente do comparecimento de seus representantes salvo, nos casos de Reclamatórias Plúrimas ou Ações de Cumprimento, quando os empregados poderão fazer-se representar pelo Sindicato de sua categoria . §1º É facultado ao empregador fazer-se substituir pelo gerente, ou qualquer outro preposto que tenha conhecimento do fato, e cujas declarações obrigarão o proponente. §2º Se por doença ou qualquer outro motivo poderoso, devidamente comprovado, não for possível ao empregado comparecer pessoalmente, poderá fazer-se representar por outro empregado que pertença à mesma profissão, ou pelo seu sindicato. §3º O preposto a que se refere o §1º deste artigo não precisa ser empregado da parte reclamada. Como o reclamado é, na maioria das vezes, o próprio empregador ou a empresa contratante, pode fazer-se substituir por um preposto que deve ter conhecimento dos fatos e cujas declarações obrigarão o preponente. O não comparecimento do reclamado gera revelia e confissão quanto a matéria de fato. Com a Reforma Trabalhista, acrescentou-se o §5º ao art. 844 da CLT. Segundo o qual, mesmo ausente o reclamado, se presente seu advogado com a defesa e documentos, poderão ser aceitos pelo Magistrado, juntamente com os elementos probatórios Art. 844 . O não-comparecimento do reclamante à audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não-comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato. §1º Ocorrendo motivo relevante, poderá o juiz suspender o julgamento, designando nova audiência. §2º Na hipótese de ausência do reclamante, este será condenado ao pagamento das custas calculadas na forma do art. 789 desta Consolidação, ainda que beneficiário da justiça gratuita, salvo se comprovar, no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu por motivo legalmente justificável. §3º O pagamento das custas a que se refere o § 2º é condição para a propositura de nova demanda. §4º A revelia não produz o efeito mencionado no caput deste artigo se: I - havendo pluralidade de reclamados, algum deles contestar a ação; II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis; III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato IV - as alegações de fato formuladas pelo reclamante forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante dos autos §5º Ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na audiência, serão aceitos a contestação e os documentos eventualmente apresentados. Por fim, se ausente o reclamante, haverá arquivamento do processo; no caso de não comparecimento à audiência por duas vezes seguidas, ele incorrerá na perda por seis meses do direito de propor reclamação trabalhista sobre os mesmos fatos. Ritos e Procedimentos da Audiência De acordo com o art. 841 da CLT, o diretor da secretaria é encarregado pelo recebimento da petição inicial, deverá designar a audiência e notificar as partes da data, que não poderá ser realizada em prazo inferior a 5 dias contados da entrega da notificação. Art. 841. Recebida e protocolada a reclamação, o escrivão ou secretário, dentro de 48 (quarenta e oito) horas, remeterá a segunda via da petição, ou do termo, ao reclamado, notificando-o ao mesmo tempo, para comparecer à audiência do julgamento, que será a primeira desimpedida, depois de 5 (cinco) dias. §1º A notificação será feita em registro postal com franquia. Se o reclamado criar embaraços ao seu recebimento ou não for encontrado, far-se-á a notificação por edital, inserto no jornal oficial ou no que publicar o expediente forense, ou, na falta, afixado na sede da Junta ou Juízo. §2º O reclamante será notificado no ato da apresentação da reclamação ou na forma do parágrafo anterior. §3º Oferecida a contestação, ainda que eletronicamente, o reclamante não poderá, sem o consentimento do reclamado, desistir da ação. Assim, o magistrado terá contato com a petição inicial e com a contestação somente na audiência. Outra regra da audiência trabalhista é que deve ser realizada entre as 8 e 18 horas, conforme previsto no art. 813 da CLT, com prazo máximo de 5 horas por sessão diária: Art. 813. As audiências dos órgãos da Justiça do Trabalho serão públicas e realizar-seão na sede do Juízo ou Tribunal em dias úteis previamente fixados, entre 8 (oito) e 18 (dezoito) horas, não podendo ultrapassar 5 (cinco) horas seguidas, salvo quando houver matéria urgente. §1º Em casos especiais, poderá ser designado outro local para a realização das audiências, mediante edital afixado na sede do Juízo ou Tribunal, com a antecedência mínima de 24 (vinte e quatro) horas. §2º Sempre que for necessário, poderão ser convocadas audiências extraordinárias, observado o prazo do parágrafo anterior. Em tese, as audiências devem ser realizadas na sede do Juízo ou do tribunal correspondente, com exceção de casos peculiares, em que as audiências poderão ser realizadas em locais diversos, desde que haja fixação do edital na sede do Juízo ou Tribunal, com, no mínimo, 24 horas de antecedência. Nesse sentido, é, também, importante frisar que como expresso pelo art.816 da CLT e art. 360 do CPC, o magistrado possui poder de polícia e deve manter a ordem no decorrer das audiências, podendo ordenar a retirada do recinto daqueles que perturbem o andamento das audiências. Art. 816, CLT. O juiz ou presidente manterá a ordem nas audiências, podendo mandar retirar do recinto os assistentes que a perturbarem. Art. 360,CPC. O juiz exerce o poder de polícia, incumbindo-lhe: I - manter a ordem e o decoro na audiência; II - ordenar que se retirem da sala de audiência os que se comportarem inconvenientemente; III - requisitar, quando necessário, força policial; IV - tratar com urbanidade as partes, os advogados, os membros do Ministério Público e da Defensoria Pública e qualquer pessoa que participe do processo; V - registrar em ata, com exatidão, todos os requerimentos apresentados em audiência. Da Conciliação, Instrução e Julgamento Conforme o art. 849 da CLT a audiência de julgamento deve ser contínua (una); contudo, se não for possível conclui-la no mesmo dia, poderá ser remarcada. Art. 849. A audiência de julgamento será contínua; mas, se não for possível, por motivo de força maior, concluí-la no mesmo dia, o juiz ou presidente marcará a sua continuação para a primeira desimpedida, independentemente de nova notificação. A audiência trabalhista sempre buscará solucionar o conflito de forma heterocompositiva, isto é, sem a necessidade de embate e custas decorrentes do desenvolvimento processual, levando as partes a uma solução pacifica, célere e efetiva. Havendo conciliação, o Juiz homologa o acordo. A decisão homologatória é tida como irrecorrível, contudo passível de ser contestada por ação rescisória se preenchidos alguns requisitos. Imperioso lembrar que o acordo pode ser feitoa qualquer momento do processo. Em um segundo momento, frustrada a tentativa de conciliação, segue-se com a instrução, na qual serão ouvidas as partes com suas teses e as testemunhas. Haverá também a elaboração de todos os instrumentos probatórios pertinentes ao processo. Ao final da audiência, conforme art. 850 da CLT, o juiz pode autorizar que as partes apresentem razões finais de forma oral. O advogado pode requerer prazo ao magistrado para a produção das razões. Art. 850. Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, em prazo não excedente de 10 (dez) minutos para cada uma. Em seguida, o juiz ou presidente renovará a proposta de conciliação, e não se realizando esta, será proferida a decisão. Parágrafo único. O Presidente da Junta, após propor a solução do dissídio, tomará os votos dos vogais e, havendo divergência entre estes, poderá desempatar ou proferir decisão que melhor atenda ao cumprimento da lei e ao justo equilíbrio entre os votos divergentes e ao interesse social. O julgamento é realizado pelo próprio juízo sem que necessariamente as partes estejam presentes. Elas terão ciência da decisão por via postal, oficial de justiça, imprensa oficial, pelos atuais sistemas eletronicos de justiça ou notificadas do dia e hora marcados para a publicação da decisão, conforme Súmula 197 do TST. Das Testemunhas As regras sobre testemunhas estão previstas nos arts. 820 a 825 da CLT: Art. 820. As partes e testemunhas serão inquiridas pelo juiz ou presidente, podendo ser reinquiridas, por seu intermédio, a requerimento dos vogais, das partes, seus representantes ou advogados. Art. 821. Cada uma das partes não poderá indicar mais de 3 (três) testemunhas, salvo quando se tratar de inquérito, caso em que esse número poderá ser elevado a 6 (seis). Art. 822. As testemunhas não poderão sofrer qualquer desconto pelas faltas ao serviço, ocasionadas pelo seu comparecimento para depor, quando devidamente arroladas ou convocadas. ] Art. 823. Se a testemunha for funcionário civil ou militar, e tiver de depor em hora de serviço, será requisitada ao chefe da repartição para comparecer à audiência marcada. Art. 824. O juiz ou presidente providenciará para que o depoimento de uma testemunha não seja ouvido pelas demais que tenham de depor no processo. Art. 825. As testemunhas comparecerão a audiência independentemente de notificação ou intimação. As testemunhas, no procedimento ordinário serão no máximo 3 para cada parte e comparecem independente de intimação oficial. Observe que no litisconsórcio passivo unitário é possível que o juiz admita mais que 3 testemunhas para cada parte, tendo em vista a natureza do feito. Já no procedimento sumaríssimo, o número máximo de testemunhas para cada parte é de 2. Neste caso, a presença também independerá de intimação, entretanto, se ausente a testemunha, mas a parte provar que houve o convite formal, ela será notificada para que se apresente na audiência em continuação. Caso não o faça, o juiz poderá determinar sua condução coercitiva. Segundo a Instrução Normativa nº 39/16, não haverá inquirição direta das testemunhas pelas partes. O art.819 da CLT informa que, em caso de necessidade de intérprete, ele será pago pelo sucumbente no processo (§2º), salvo se beneficiário da justiça gratuita. No início da fala das testemunhas, o advogado da parte oposta poderá contestá-las. Nesse momento o advogado pode mostrar ao magistrado que a testemunha não é adequada para produção de provas confiáveis ou lícitas. Isso acontece quando, por exemplo, uma das partes possui relação de amizade com a testemunha. Veja o art. 829 da CLT: Art. 829. A testemunha que for parente até o terceiro grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes, não prestará compromisso, e seu depoimento valerá como simples informação. Ademais, cabe ressaltar que, segundo o art.793-D da CLT, o juiz poderá aplicar multa para testemunha que considerar ter alterado a verdade dos fatos para beneficiar uma das partes: Art. 793-D. Aplica-se a multa prevista no art. 793-C desta Consolidação à testemunha que intencionalmente alterar a verdade dos fatos ou omitir fatos essenciais ao julgamento da causa. Parágrafo único. A execução da multa prevista neste artigo dar-se-á nos mesmos autos Procedimentos de uma audiência trabalhista Os procedimentos de uma audiência trabalhista são relativamente simples. A ordem da audiência é sempre a seguinte: 1. caso a audiência seja apregoada, advogados e as partes entram (testemunhas continuam do lado de fora); 2. após isso, o juiz solicita todos os documentos e ambos os lados devem permanecer calados, sem precipitação; 3. antes mesmo da audiência começar, o juiz tenta o acordo; 4. só aí vem a audiência inicial, marcando data e hora corretamente; 5. a oitiva das audiências é a quinta coisa durante este processo e uma das mais importantes, pois o que for falado ali pode mudar o rumo da ação; 6. protestos, caso algum fato queira ser retrucado; 7. ouvir as testemunhas e ponderar os fatos; 8. depois, acontece a análise da perícia; 9. e, por fim, uma nova tentativa de acordo. Caso não tenha uma saída, é preciso marcar a data oficial do julgamento. Petição Inicial Trabalhista Petição inicial trabalhista Peça exordial Peça vestibular Peça de ingresso Instauração do procedimento através da petição inicial. Se desenvolve por impulso oficial. Empregados e empregadores (pessoalmente ou representante) Sindicatos da classe Ministério Público Nomes: Art. 839/CLT – formulada e apresentada Petição inicial trabalhista verbal escrita *Observação: Inicial (Dissídio Coletivo (Art.856/CLT) ou Apuração (Art. 853/CLT) da Falta Grave – Escritas / Proc. Especiais: Escritas. processo citação *polo passivo - execução Verbal (reduzida a termo) – Servidor Público Art.840/CLT: Requisitos da Petição Inicial Relação Processual Petição inicial trabalhista Designação da Autoridade a quem for dirigida: “Exmo. Sr. Dr. Juiz do Trabalho da ...Vara do Trabalho de.... .” “Exmo. Sr. Dr. Desembargador Presidente do Egrégio TRT da 3ª Região” Petição inicial trabalhista Qualificação das partes Reclamante: Nome completo do autor, sua nacionalidade, estado civil, profissão e endereço completo, CTPS e CPF recomendável - pessoas físicas Reclamado: Nome ou Razão Social, o CNPJ e o endereço completo Petição inicial trabalhista Breve Exposição dos Fatos “Da mihi factum, dabo tibi jus”: Exponha o fato e darei o direito. Fundamentos fáticos e jurídicos - Causa de pedir remota (origem fática) e próxima (origem legal). Não há necessidade de indicação do “permissivo legal” (jura novit curia). Petição inicial trabalhista Exemplos: Fundamentos fáticos - Fatos que originam a lesão ao direito. Fatos: data da admissão, data da dispensa, função, salário, jornada de trabalho Exemplos: Fundamentos Jurídicos – o porque do pedido: dispensa sem justa causa, extrapolação de jornada; discriminação salarial Menor formalidade. Princípio da Simplicidade. Petição inicial trabalhista PEDIDO (res in judicium deducta = objeto trazido em juízo) – elemento nuclear do processo Mediato – bem jurídico da vida Imediato – sentença Aplicação Subsidiária (CPC) – Art. 769/CLT Regra geral – Pedidos cumulativos (Proc. Trab.) Pedido Certo: exteriorizado/explicito/inconfundível. Pedido Determinado: definido e delimitado (qualidade e quantidade) Petição inicial trabalhista Pedido Alternativo: Art. 325/CPC – quando pela natureza da obrigação, o devedor puder cumprir de mais de um modo: “A” ou “B” (um exclui o outro). Ex: liberar guias FGTS ou indenização substitutiva correspondente. Pedido Sucessivo: Art. 326/CPC – lícito formular mais de um pedido em ordem sucessiva, conhecendo o juiz do pedido posterior, acaso não acolha o anterior. “A” e “B” (Apreciação de um “e” não sendo possível apreciasse o próximo). Exemplo: Pedido da Reintegração ou Indenização. Pedido Líquido(especifica o quantum debeatun) *Observação: Proc. Sumaríssimo: Pedido líquido, certo e determinado Reforma Trabalhista – Art. 840/CLT Art. 840. A reclamação poderá ser escrita ou verbal. § 1º Sendo escrita, a reclamação deverá conter a designação do juízo, a qualificação das partes, a breve exposição dos fatos de que resulte o dissídio, o pedido, que deverá ser certo, determinado e com indicação de seu valor, a data e a assinatura do reclamante ou de seu representante. § 3º Os pedidos que não atendam ao disposto no § 1º deste artigo serão julgados extintos sem resolução do mérito. (NR) - LIMITAÇÃO DOS VALORES INFORMADOS NA INICIAL? Petição inicial trabalhista Especificação de provas – desnecessária (produção em Audiência) Citação do Réu (Ato Dispensável/Requerimento – Art. 841, § 1º (Notificação do Reclamado / Ato Ordinário do Diretor de Secretaria) – citação automática Valor da causa: obrigatório para todo rito trabalhista Petição inicial trabalhista Requisitos extrínsecos: Documentos que devem acompanhá-la (art. 320 do CPC) – Procuração – Declaração de Pobreza – Preparo (ação rescisória) Extinção do processo, sem julgamento do mérito (arts. 330 e 331 do CPC), no caso petição inicial inepta O ato do juiz que indefere a petição inicial é sentença, impugnável pelo recurso de apelação – recurso ordinário Petição inicial trabalhista Emenda e Aditamento da Petição inicial Emendar: Complementar – Art. 321/CPC Aditar: Adicionar – Art. 329/CPC CUIDADO: Procedimento Sumaríssimo: Se houver defeitos na petição inicial, como, por exemplo, ausência de liquidação, o Juiz poderá extinguir o processo sem resolução de mérito e condenar o autor ao pagamento de custas processuais sobre o valor da causa. Quais os requisitos da petição inicial trabalhista? Assim como o CPC traz os requisitos da petição inicial, a CLT também traz em seu artigo 840 os requisitos, contudo de maneira mais simples e objetiva: Designação do juízo Aqui é importante verificar para qual juízo deve ser distribuída a ação, lembrando que a regra geral é o juízo do local que ocorreu a prestação de serviço. Caso não haja uma vara de trabalho na cidade, você deve procurar no site do TRT daquela região, qual vara do trabalho fica responsável por aquela cidade. Qualificação das partes Informações básicas tanto sobre a parte reclamante, quanto a parte reclamada, como CPF, CNPJ, endereço e afins. Breve exposição dos fatos Ao contrário do processo Civil, a área trabalhista é marcada pelo princípio da simplicidade, e a CLT aqui dispensa os fundamentos jurídicos dos pedidos e a especificação de provas. Contudo, o advogado diligente não deve deixar de fundamentar tecnicamente seus pedidos, o princípio da simplicidade não pode ser fundamento para a ausência de técnica na ação trabalhista. Pedido certo, determinado e com indicação de valor Se trata do principal pedido da petição inicial trabalhista, é onde você deverá requerer o que entende por direito, um pagamento, uma obrigação de fazer, etc. Pedido certo é aquele expresso, não sendo aceito, portanto, pedidos tácitos ou implícitos, com exceção de juris, correção monetária, honorários advocatícios, contribuições previdenciárias. Por exemplo, o pedido de pagamento de horas extras com adicional de 50%, é um pedido determinado, está pedindo expressamente o pagamento das horas. Pedido com indicação de valor Umas das grandes alterações da reforma trabalhista e temida por muitos advogados também, é a necessidade de liquidar os pedidos, inclusive podendo ser inapta caso ausente a liquidação. Tal tema é controverso porque a jurisprudência se dividiu em duas, de um lado determinando que a ação fica limitada aos valores indicados na inicial, por outro, algumas decisões entendendo que são uma estimativa. Quem trabalha na área trabalhista sabe como é complicado liquidar os pedidos, simplesmente porque muitos documentos você não terá acesso à inicial. • Qual a diferença entre aditamento e emenda a inicial? A emenda a inicial prevista no artigo 321 do CPC ocorre quando o juízo verificar que a inicial não preenche algum requisito necessário, ou apresenta algum defeito ou vício sanável. O juiz, então, intima a parte autora para emendar a inicial corrigindo a rregularidade, com o processo seguindo normalmente. É caso da petição inicial que não está liquidada, o juiz invés de encerrar o processo sem resolução do mérito, pode intimar o reclamante para emendar a inicial. Já o aditamento ocorre por vontade da própria parte, que é a possibilidade de o reclamante alterar, adicional ou excluir pedido ou causa de pedir. Contudo, já que ocorre uma mudança nos pedidos da inicial, o aditamento sem autorização da parte contrária somente é possível até a apresentação da contestação da Reclamada. Após a apresentação da defesa, ainda é possível aditar, mas desde que a parte contrária concorda expressamente com o aditamento, caso contrário, não pode haver alteração. Então, sempre que o pedido de alteração vier do juízo é emenda a inicial, sempre que for realizado pela própria parte é aditamento a inicial. Modificações Trazidas pela Reforma Trabalhista A Lei nº 13.467/2017, conhecida como Reforma Trabalhista, trouxe algumas mudanças quanto à inicial. A principal foi a equiparação dos requisitos da inicial pelo rito ordinário aos que eram exigidos no rito sumaríssimo: exigência do pedido certo e determinado atribuição de um valor à causa. Por certo e determinado é o pedido especificado, diferentemente do denominado pedido genérico, que apenas aponta a pretensão sem abarcar exatamente seu conteúdo, como, por exemplo, quando o reclamante pede verbas rescisórias que lhe são devidas sem, contudo, especificá-las. Esse tipo de pedido seria prejudicial ao reclamado que sequer teria chance de produzir provas, ferindo o principio do contraditório e da ampla defesa. Vale ressaltar, que o §2º do art. 840 trazido pela Lei 13.467/2017 continua permitindo que a reclamação trabalhista seja feita de forma verbal e deixa evidente que todos os requisitos fundamentais da petição inicial escrita, também se aplicam quando for feita na forma verbal. Ou seja, tanto o pedido, quanto o valor da causa, devem ser especificados nas iniciais verbais ou escritas. Inépcia da Inicial Entende-se como inepta a petição quando houver a constatação de: Ausência de pedido ou causa de pedir; Pedido indeterminado; Narração dos fatos que não tenha lógica visto a conclusão; Pedidos que se contrariem. A petição inepta é aquela sem validade, nula, levando à extinção do processo ou à abertura de prazo para correção. Litispendência Há litispendência no processo trabalhista se houver repetição de ação já em curso, como previsto pelo art.337, §3º do CPC: Sob essa perspectiva, a arguição pelo reclamado da litispendência processual ocorre para impedir que duas ações idênticas sejam julgadas por Varas distintas, sendo necessário que uma das ações seja extinta. Visa-se também evitar a insegurança jurídica no processo e zelar pelo principio da economia processual. Não se deve, entretanto, confundir litispendência com conexão processual. A conexão significa a união de duas ações, enquanto na litispendência uma das ações será extinta sem resolução de mérito em função da existência de outra, idêntica. CONTESTAÇÃO E COISA JULGADA A contestação trabalhista, prevista no art. 847 da CLT, é um ato processual pelo qual o réu impugna as alegações da petição inicial. É a peça responsável por apresentar a defesa do réu e debater os argumentos apresentados pela parte autora. Apesar de a contestação trabalhista estar contida na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), muitas diretrizes da defesa trabalhista são baseadas no Novo Código de Processo Civil (Novo CPC). Isso ocorre quando um trabalhador acredita que seus direitos foram violados, podendo ingressar com uma ação na Justiça do Trabalho para buscar o reconhecimento e a reparação desses direitos. Nela, o empregador apresenta seus argumentos e provas paradefender seus interesses e refutar as acusações do empregado. A contestação pode abordar diversos temas a depender do que foi mencionado na petição inicial, como: jornada de trabalho; pagamento de salários e verbas rescisórias; horas extras, férias e 13º salário; aviso prévio; entre outros direitos trabalhistas. Além disso, o empregador pode contestar também questões formais ou processuais, como a competência da justiça do trabalho para julgar o caso, prescrição ou descumprimento de outros pressupostos processuais. Por isso, é fundamental amplo conhecimento acerca do processo trabalhista e processo civil. É importante ressaltar que a contestação trabalhista é um momento crucial no processo judicial. O que não pode faltar na contestação trabalhista? Hoje em dia observamos o advento de recursos como visual law, que têm sido recebidos de forma positiva pelos tribunais, contribuindo para uma exposição de fatos e ideias de forma mais clara e objetiva. A contestação deve ser bem elaborada e conter os elementos essenciais para defender os interesses do empregador, pois é a peça processual mais importante para o réu. Aqui estão alguns itens que não podem faltar em uma contestação trabalhista: Identificação das partes: Inclua o nome e os dados pessoais completos das partes envolvidas (empregador e empregado) e os números dos documentos, como CPF e CNPJ; Qualificação da empresa: Apresente informações sobre a empresa, como razão social, endereço completo, CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) e outras informações relevantes; Preliminares e argumentos iniciais: Nessa parte, o empregador pode apresentar argumentos preliminares, como alegações de incompetência da justiça do trabalho ou outras questões processuais relevantes; Mérito da causa: Refere-se ao cerne da disputa. Aqui, o empregador deve apresentar os argumentos que refutam as alegações feitas pelo empregado na reclamação trabalhista. Isso pode incluir contestações sobre o não cumprimento de obrigações, discordâncias sobre valores pleiteados, provas de que o empregado não teve direitos violados, entre outros; Juntada de documentos: Anexe documentos que sustentem os argumentos apresentados, como contratos de trabalho, recibos de pagamento, folhas de ponto, comunicados internos, entre outros; Testemunhas: Caso haja testemunhas que possam corroborar os fatos alegados pelo empregador, é importante listá-las e informar seus dados de contato; Pedido específico: No final da contestação, formule um pedido específico ao juiz, solicitando a improcedência total ou parcial das alegações feitas pelo empregado na reclamação trabalhista; Data e assinatura: Por fim, não se esqueça de datar e assinar a contestação. Quais os princípios que fundamentam a contestação trabalhista? A Contestação Trabalhista possui como fundamentos os ditames da CLT e do Código de Processo Civil, que é aplicável subsidiariamente ao processo do Trabalho. Um dos princípios norteadores da Contestação Trabalhista é o princípio da oralidade. Via de regra, a defesa no processo trabalhista deve ser apresentada de forma oral. Porém, o que observamos na prática é a preferência pela apresentação de defesa escrita. Aqui estão alguns princípios que norteiam a contestação trabalhista: 1- Princípio da Verdade Real A contestação deve buscar a verdade real dos fatos, ou seja, apresentar a versão mais próxima possível da realidade, evitando informações falsas ou distorcidas. 2- Princípio da Isonomia As partes têm o direito de igualdade de tratamento no processo. A contestação deve ser elaborada de forma justa e equilibrada, respeitando o direito do autor de apresentar suas reivindicações. 3- Princípio da Boa-fé Processual A contestação deve ser elaborada de forma honesta e transparente, evitando o uso de argumentações enganosas ou manipuladoras. 4- Princípio do Contraditório e Ampla Defesa A contestação é uma oportunidade para o empregador apresentar seus argumentos e contrapô-los às alegações do empregado, garantindo o equilíbrio de forças no processo. 5- Princípio da Legalidade A contestação deve se basear em fundamentos legais, citando leis, normas coletivas, jurisprudência e outros dispositivos pertinentes para sustentar a posição do empregador. 6- Princípio da Impugnação Específica A contestação deve impugnar de forma específica cada alegação do empregado, apresentando argumentos sólidos para refutar os fatos e reivindicações apresentados. 7- Princípio da Eventualidade Na contestação, o empregador deve abordar todas as alegações feitas pelo empregado, mesmo que acredite que algumas sejam pouco relevantes. Caso contrário, pode perder a oportunidade de contestar posteriormente. 8- Princípio da Simplicidade e Clareza A contestação deve ser redigida de forma clara e objetiva, evitando o uso de linguagem técnica excessivamente complexa e tornando os argumentos compreensíveis para todas as partes envolvidas. 9- Princípio da Coerência Os argumentos apresentados na contestação devem ser consistentes e coerentes entre si, de modo a fortalecer a posição do empregador e evitar contradições. 10- Princípio da Aderência à Lide A contestação deve estar estritamente relacionada às questões abordadas na reclamação trabalhista, evitando desviar-se para assuntos não pertinentes. Qual o prazo da contestação trabalhista? A contestação trabalhista normalmente é apresentada no ato da primeira audiência realizada no processo. Art. 847 – Não havendo acordo, o reclamado terá vinte minutos para aduzir sua defesa, após a leitura da reclamação, quando esta não for dispensada por ambas as partes. Parágrafo único. A parte poderá apresentar defesa escrita pelo sistema de processo judicial eletrônico até a audiência. Contudo, com a pandemia, observamos que com o objetivo de tornar o processo mais célere e garantir a efetividade do processo trabalhista, alguns juízes adotaram a prática de apresentação de defesa de forma antecipada, com a concessão de prazo para contestação após a citação. Portanto, é importante que a empresa e o advogado estejam atentos ao que está determinado no mandado de intimação acerca do prazo para apresentação da contestação no caso concreto. O que é a impugnação à contestação trabalhista? Já a impugnação à contestação trabalhista é a petição apresentada pelo Reclamante/Empregado, em contraponto às alegações dispostas na defesa. Neste momento processual, já de posse de todos os documentos sobre a questão posta à lide, a parte Autora tem a oportunidade de se manifestar mantendo as alegações iniciais ou trazendo novos argumentos e esclarecimentos acerca do direito postulado. Você sabia que a contestação pode ser divida em duas partes? 1ª parte: Defesa indireta ou preliminar 2ª parte: Defesa de mérito indireta (prejudiciais de mérito) e direta Seguindo essa linha de raciocínio, o réu ou a reclamada deverá arguir na contestação: Defesa indireta ou preliminar Preliminar, no direito processual, diz respeito às objeções, vícios ou fatos impeditivos levantados pela reclamada, os quais não se referem, diretamente, ao mérito da causa, cumprindo ao juiz solucioná-la de plano. A controvérsia pode ser relacionada a uma espécie de obstáculo utilizado pelo sucumbente, para tentar impedir que o juízo examine o mérito da ação proposta, objetivando, principalmente, pôr fim ao processo sem resolução do mérito. Vale transcrever o dispositivo, para melhor análise: a) Inexistência ou nulidade de citação A citação é ato processual necessário e essencial ao processo constitucional democrático, conforme determina o art. 239 do CPC. No processo trabalhista, a citação se dá por meio do ato de notificação postal, havendo presunção de recebimento 48h após a postagem, nos termos da Súmula nº 16 do TST. O não recebimento ou a entrega após o decurso de tal prazo constitui ônus de prova do destinatário. • b) Inépcia da Inicial: É inepta a petição inicial que contenha defeitos e irregularidades que impedem o julgamento do mérito da causa. Ocorre quando a inicial é ininteligível, em razão de