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Nutrição Animal Doméstico 02 1. Apresentação 4 Introdução 5 1.Diferenças entre Cães e Gatos 5 2. Aspectos Nutricionais de Cães e Gatos em Crescimento 9 2.2.Gatos em Crescimento 12 3. Comportamento Alimentar de Cães e Gatos 15 3.1.Exigência Alimentar de Cães e Gatos 16 3.2.Alimentos Funcionais 17 3.3.Probióticos e Prebióticos 18 3.4.Ácidos Graxos Polinsaturados 19 3.5.Minerais Quelatados 21 4. Tipos de Rações para Animais de Estimação 23 4.1.Alimentos Úmidos 24 4.2.Alimentos Semiúmidos 25 Materiais Complementares 25 5. Referências Bibliográficas 27 03 4 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO 1. Apresentação Fonte: www.catster.com1 rezado (a) aluno (a), Durante essa disciplina estuda- remos sobre nutrição do animal do- méstico, vamos falar sobre as dife- renças entre cães, gatos e as suas fa- ses de crescimento. No decorrer do processo de domesticação, isto é, quando a cria- ção, cuidados e nutrição advieram a ser completamente controlados por seres humanos, os cães e os gatos de- sempenharam distintas funções como fonte de alimento adjunta ao homem nômade, assim como a pro- teção contra outros animais, além da caça de pragas, companhia e hoje em dia são estimados membros efetivos da família. Tantos os cães, assim como os gatos domésticos são membros da 1 Retirado em www.catster.com ordem Carnívora, o que recomenda que as espécies se especializaram no costume alimentação em base de proteína animais e por isso propor- cionam anatomia peculiar. Entre- tanto, competem a diferentes ramos da ordem e, por conseguinte, herda- rão diversos legados de preferências alimentares e conduta de seleção de alimentos. Por outro lado, a história evolutiva do cão recomenda uma di- eta mais onívora por natureza, a his- tória do gato recomenda que esta es- pécie se alimentava uma dieta a base de carne no decorrer seu desenvolvi- mento evolutivo. Tendo alguma dú- vida, não deixe de encaminhar as suas perguntas ao setor pedagógico por meio do protocolo ou atendi- mento aos alunos. Bons estudos! P 5 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO Introdução Note que a permanência do gato com uma dieta altamente parti- cularizada resultou em ajustamen- tos metabólicos que se despontam como particularidades nas requisi- ções nutricionais. Dessa forma, os alimentos disponibilizados pelo mercado proporcionam característi- cas determinadas fundamental- mente pelas diferenças nas requisi- ções nutricionais e nos costumes ali- mentares de cada uma destas espé- cies. O entendimento das distinções interespécies é de seriedade prática, visto que determinados tutores (res- ponsáveis) podem erroneamente confiar que gatos podem ser nutri- dos como se fossem cães. O aumento nas pesquisas e estudos sobre nutri- ção nos últimos anos agenciou um maior entendimento sobre as preci- sões nutricionais destes animais, e por conseguinte, existiu uma grande evolução na nutrição dos mesmos. Os alimentos, presentemente, procuram além de nutrir, a melhoria da saúde, bem estar e longevidade. Entretanto, com a ampla quantidade de alimentos comerciais prontos para a ingestão, com composições cada vez mais complexos, fazem com que os tutores estejam predispostos a cometerem outro erro primário no manobro alimentar: a superalimen- tação. De forma simultânea, a maioria dos animais de companhia so- fre com a humanização, vi- vendo em espaços reduzidos culminados em ociosidade. Nesse caso, pode-se considerar que o grande problema nutrici- onal em animais de companhia atualmente é um consumo de energia maior do que a de- manda, o que pode ser compro- vado pelos altos índices de obe- sidade em ambas as espécies atualmente. Acredita-se que mais da metade da população pet nos Estados Unidos apre- senta sobrepeso ou obesidade (Association for Pet Obesity Prevention, 2015). 1. Diferenças entre Cães e Gatos Para compreender sobre nu- trição e alimentação dos animais do- mésticos é necessário saber essenci- almente as diferenças nutricionais entre essas classes. Ambas as espécies são da classe Mammalia e a ordem Carní- vora, mas de superfamílias dis- tintas, sendo que o cão (Canis familiaris) pertence à moderna superfamília Canoidea e o gato à superfamília Feloidea (Felis catus). Na superfamília Canoi- dea há famílias com hábitos ali- mentares diversificados, a Ursí- dae (ursos) e a Procionidae (te- xugos) são onívoras, a Alurídae (pandas) são estritamente her- bívoras e as carnívoras incluem a Canidae (cães) e a Mustelidae (doninhas) (Case et al, 2011).A superfamília Feloidea inclui fa- mílias estritamente carnívoras: 6 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO Viveridae (ginetas), Hyaenidae (hienas) e a Felidae (gatos) (OGOSHI, et al., 2015). Desse modo, um ponto em corriqueiro entre cães e gatos é que são animais como já vimos anatomi- camente carnívoros, com dentes ca- ninos bem adiantados, deficiência de amilase salivar, estômago bem desenvolvido e com pH duramente ácido competente a digerir proteínas e intestino grosso curto enfatizando baixa competência de fermentação e aproveitamento de carboidratos. Todavia, a história evolutiva do cão como já vimos aconselha uma dieta mais onívora por natureza, por outro lado, a história do gato reco- menda que esta classe consumia uma dieta a base de carne por meio de seu desenvolvimento evolutivo. Atentar para as diferenciações nutricionais que ocorrem nas diversas fases da vida de um cão ou gato é uma importante ferra- menta para garantir, entre ou- tros pontos, a longevidade do animal em questão. De modo grosseiro, as variações nutricio- nais são muito mais gritantes entre etapas fisiológicas distin- tas que entre necessidades nu- tricionais entre espécies dife- rentes, em uma mesma etapa fi- siológica. O crescimento é um dos Períodos mais críticos em termos nutricionais, sendo ne- cessário cobrir todos os requisi- tos dos animais para um bom desempenho e, ao mesmo tempo, evitar um supercon- sumo. Um subconsumo leva a quadros genéricos de perda de peso, problemas dermatológi- cos, etc., enquanto que uma di- eta desbalanceada pode levar a problemas específicos. Uma ali- mentação caseira cuja base seja a carne bovina poderá conduzir a uma deficiência de cálcio com um quadro de osteodistrofia, maus aprumos, menor cresci- mento e agravamento de dis- plasia (em raças predispostas) (OGOSHI, et al., 2015). Por outro lado, o supercon- sumo pode acarretar ainda a proble- mas graves, especialmente nas raças grandes ou ainda gigantes. Ao con- trário, na etapa adulta é importante advertir as condições nutricionais adaptando-se os mesmos conforme as mudanças no grau de atividade, raça, de temperatura local, entre ou- tros fatores. Ao contrário dos países euro- peus onde grande parte das ra- ças criada é de caça (atividade média a pesada), no Brasil os cães normalmente são criados como animais de companhia (pouca atividade) ou guarda territorial (atividade leve a mé- dia). A nutrição adequada nesta fase, a mais longa de todas as etapas fisiológicas, será deter- minante em garantir saúde e longevidade ao animal. Na fase adulta o maior erro nutricional encontrado é o superconsumo de alimentos. Pesquisas sobre a população de cães e gatos leva- dos às universidades ou clínicas veterinárias mostram que de 25 a 33% dos cães e 25% dos gatos 7 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO são obesos e 40% dos cães adul- tos apresentam sobrepeso, con- dição definida pelo excesso de peso entre 10 a 20 % do peso ideal. Esta porcentagem pode chegar até 75% em cães idosos (OGOSHI, et al., 2015). Logo, a obesidade também é um problema nutricional mais en- contrado nas clínicas de pequenos animais e exibe uma firme tendência a um acrescenteprogressivo relacio- nado a ampliação da população de animais domésticos em todo o mundo. Logo, os animais domésti- cos de grandes centros urbanos es- tão cada vez mais limitados em pe- quenos espaços (apartamentos) e com isso levando uma vida sedentá- ria, e a conjunção de três fatores; castração, a sua disposição grande quantidade de alimentos e manejo impróprio do proprietário, majora, em muito, o aparecimento da enfer- midade. Nas fases de gestação e lactação as mudanças fisiológicas são imensas e rápidas, exigindo um manejo nutricional criterioso. Considerando a elevada produ- ção de leite de uma cadela, em função do tamanho da ninhada, além do alto valor energético do leite, as necessidades energéti- cas durante o período de lacta- ção são bastante altas. Quando a cadela alcança o máximo de produção leiteira (entre a ter- ceira e quarta semana de lacta- ção), as necessidades energéti- cas totais são da ordem de três a quatro vezes a necessidade de manutenção, dependendo do tamanho da ninhada. Já as ga- tas acumulam reservas corpo- rais durante a gestação; sendo mobilizadas durante a posterior lactação, entretanto é necessá- rio um manejo nutricional ade- quado para manutenção do crescimento adequado dos lac- tentes e para evitar demasia perda corporal da lactante (OGOSHI, et al., 2015). Na caduquice a alimentação necessita tentar contornar ou dar apoio a sinais, tanto físicos bem como metabólico intrínsecos à idade, atenuar ou extinguir os sinais clínicos de enfermidades e nutrir um peso corporal adequado. Animais velhos exibem tendências à obesi- dade, danos gustativos e problemas dentários, insuficiência renal crô- nica, dificuldades hepáticas e cardí- acos. Tomando-se como referência à vida média de um cão como 12 anos e a de um gato como 14 anos, a maioria dos cães e gatos é considerada geriátrica aos sete anos de idade, entretanto cães de raças gigantes podem ser considerados geriátricos aos cinco anos de idade, por apre- sentarem uma vida média mais curta (em torno de 9 a 10 anos). Entretanto, a idade pela qual o paciente e considerado geriá- trico sofre influências de fatores ambientais, sanitários e nutrici- onais. O presente trabalho elu- cida alguns aspectos nutricio- nais relacionados às diferentes fases fisiológicas de cães e gatos (OGOSHI, et al., 2015). 9 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO 2. Aspectos Nutricionais de Cães e Gatos em Cresci- mento Fonte: anda.jor.br2 e acordo com o NRC (2006) fi- lhotes recém nascidos necessi- tam de cerca de 25 Kcal/100g de PV. Sendo que os cães em crescimento precisam cerca de duas vezes mais força por unidade de peso corpóreo se comparados com os cães adultos da mesma raça. Todavia, uma redução para cerca de 1,6 vezes a energia de man- tença é indicada quando o animal chega aos 50% do peso adulto e para 1,2% este quando chega aos 80%. 2 Retirado em anda.jor.br Esta diminuição é compensada pelo decaimento na energia imprescindí- vel na idade adulta. Especialmente em cães de raças grandes e gigantes, o cresci- mento ótimo (e não o máximo) é um importante fator para ga- rantir o bom desenvolvimento ósseo. Recomendações para o desenvolvimento de raças gran- des e gigantes estão na tabela 1. Os filhotes de raças grandes e gigantes devem ser alimenta- dos conforme essas recomen- dações. Modelos fatoriais são D 10 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO usados para calcular as exigên- cias energéticas a partir de da- dos do crescimento de filhotes e da composição corporal nos di- versos estágios de crescimento e diferentes pesos corpóreos quando adulto (BORGE, 2009). O NRC 2006 coloca as estima- tivas do peso em adultos, junto ao logaritmo neperiano (mais con- forme os modelos não lineares de desenvolvimento animal – Brody, Richard, Logístico etc.). Fonte: (BORGE, 2009). Os mais novos em sua maioria nas espécies crescem ligeiramente e, respectivamente, tem um desenvol- vimento igualmente rápido de seu esqueleto. Note que as doenças esquelé- ticas são mais corriqueiramente que se manifestas no mais novo e a maior parte delas são osteodistrofias [dys=mal+trophe=nutrição], visto que o acelerado acrescente da massa óssea requer a ingestão de quantida- des apropriadas de proteína, ener- gia, cálcio e fósforo, afora as vitami- nas, tais como A e D, e componentes traço, como o cobre, para o desen- volvimento e mineralização do osso. Fonte: (BORGE, 2009). Ao nascer, o esqueleto apendi- cular da espécie canina, i.e., junto ao arcabouço esquelético da diáfise está aproximadamente modelado em sua totalidade por tecido ósseo. Nas ex- tremidades dos ossos alongados, nas epífises, a cartilagem também recu- pera a face articular e a metáfise. 11 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO Fonte: www.docsity.com É importante ainda considerar que o crescimento - tanto em comprimento como em peso ser completamente diferente em cães - adultos que variam de 13cm de altura com 1Kg nas ra- ças miniatura até cerca de 79 cm de altura e mais de 90 kg nas raças gigantes.(Stockard 1941; Kirk 1966, citados por Richard, 1996). O crescimento em com- primento (ou altura do cão) tem de ser bem diferenciado do crescimento em peso corporal. Em muitos casos ambos se mis- turam sem que se perceba, o que leva a uma certa confusão. A supernutrição (excesso de as- similação de energia) em cães em crescimento pode ocasionar um excesso de peso relativo. Isto irá demonstrar um au- mento na taxa de crescimento quando o peso corporal for o parâmetro utilizado para ava- liar o crescimento (BORGE, 2009). Contudo, se o desenvolvi- mento longitudinal for estimado, não será notado acrescente na velo- cidade de desenvolvimento depois a supernutrição. Ao contrário, a res- trição de consumo de alimento em 75% do nível aprovisionado ad libi- tum irá diminuir o crescimento em analogia ao peso corporal, entre- tanto não dissimulará a velocidade de desenvolvimento longitudinal (altura). Afora, os cães nutridos desta forma possuirão a mesma al- tura dos cães nutridos ad libitum. Para asseverar a saúde destes cães de raça gigante é uma boa forma manter certa advertência (compa- rando-se com valores ad libitum) de maneira que venha prevenir proble- mas de desenvolvimento ósseo. Muito embora as mais impor- tantes doenças do sistema oste- oarticular clinicamente aborda- das pelos médicos veterinários atualmente sejam de origem hereditária, o perfil de como es- tas doenças evoluem podem ser modificadas de modo dramá- tico. Uma maneira de influen- ciar a manifestação fenotípica é através da nutrição. A supernu- trição resultando em excesso de peso resulta em sobrecarga da imatura e não completamente formada cartilagem da articula- ção coxofemoral e deste modo influencia o encaixe e a con- gruência desta articulação. A supernutrição e o excesso de 12 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO peso deveriam, deste modo, ser evitados em cães de raças gran- des ou gigantes em cresci- mento. Uma vez que as necessi- dades de energia estão relacio- nadas com o peso metabólico e as necessidades de Ca estão re- lacionados com o peso real em quilogramas, ainda existe um aumento da relação destas ne- cessidades durante o cresci- mento (BORGE, 2009). Por esse motivo, é importante que os veterinários avaliem não so- mente a quantidade de Ca que está coevo na dieta, entretanto ainda cor- relacioná-la com a densidade ener- gética. Isto acontece se o rótulo de uma porção de ração para cães em desenvolvimento mostrar um nível de Ca menor do que encontrado no alimento de cães adultos. Filhotes não conseguem recu- sar o Ca que é desnecessário e o Ca é um importante fator de risco na dieta relacionado a do- enças do sistema osteo articulardurante o desenvolvimento de cães das raças grandes ou gi- gantes. Os níveis de Ca devem ser e monitorados para não ex- ceder a quantidade recomen- dada por unidade de energia. O NRC (2006)0 cita que a exigên- cia de proteína bruta para cres- cimento de cães e gatos filhotes têm sido determinada primari- amente usando ganho de peso e o balanço de nitrogênio como variável dependente. Fontes de proteínas mistas são utilizadas em dietas na prática e proteínas purificadas ou livres de amino- ácidos são utilizadas em dietas purificadas. Muitos experimen- tos foram realizados antes que as exigências de aminoácidos essenciais estivessem determi- nadas para ambas as espécies (BORGE, 2009). Não parece existir nenhuma decorrência mais grave de dietas um pouco abaixo das requisições de ni- trogênio (afora uma pequena redu- ção da taxa de crescimento), con- tudo que apresentem todos os ami- noácidos eficazes para desempenhar todas as colocações como cresci- mento do tecido muscular e além de outras proteínas estruturais do or- ganismo (a título de exemplo, argi- nina satisfatório para o excelente funcionamento do ciclo da ureia, histidina satisfatório para acautelar catarata). Sob estas condições, se a restri- ção energética ocorre junto à restrição proteica pode haver um aumento na longevidade em algumas raças de cães por auxiliar na prevenção de doen- ças crônicas (por exemplo, ar- trites e resistência à insulina) (Keally et al.,2002). 2.2. Gatos em Crescimento Ainda de acordo com o NRC (2006) as publicações existentes para ingestão energética de gatos em desenvolvimento foram reavaliadas. Além do mais, um cálculo fatorial das requisições para desenvolvi- mento foi realizado empregando os 13 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO dados de Stratmann (1988). Sendo que para os gatos recém nascidos, é considerada uma requisição de energia entre 20 e 25 Kcal por 100g de peso corporal. Para o cálculo de requisições depois do desmame, as informações foram acopladas e uma equação foi trabalhada para estimar a requisição de energia para o desen- volvimento do peso corpóreo coevo e expectativa de peso maduro. Os dados usados para os cálcu- los incluem um número de er- ros. Por exemplo, publicações mais antigas utilizaram o fator de Atwater e consequente- mente superestimaram a inges- tão de energia metabolizável. Quando a ingestão de leite pe- los filhotes foi determinada pela pesagem antes e após a mamada ou quando as dietas fornecidas foram pouco palatá- veis, houve uma subestimação. Um desvio sistemático na mai- oria dos dados para super ou subestimação é incomum. Por outro lado, a equação foi che- cada contra dados de cresci- mento e ingestão de energia (semana 10 a 19; Edtstadtler- Pietsch, 2003) e a concordância foi satisfatória. Os filhotes pe- sam 100-120 g ao nascimento e se desmamam com quase 2 me- ses de idade pesando cerca de 500 g. Após o desmame os fi- lhotes seguem crescendo até al- cançar o peso adulto aos 8-12 meses. Os filhotes têm necessi- dades específicas de cresci- mento até que alcançam o peso adulto e essas necessidades se estimam mediante o método fa- torial (4,8 kcal EM e 0.40 g PB por g de ganho). O nível de energia requerido pelos gati- nhos é de 3,0-4,0 vezes as ne- cessidades de adulto (70 kcal/kg de peso) após o des- mame, 1,75-2,0 aos 5 meses, e 1,25-1,5 aos 7-8 meses (em que atingem o 80% do peso adulto). A relação ótima proteína/ener- gia durante o crescimento dos filhotes é de cerca 75 g PB por 1000 kcal EM (BORGE, 2009). Fonte: (BORGE, 2009). 15 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO 3. Comportamento Alimentar de Cães e Gatos Fonte: akc.org3 base da ingestão alimentar é genética, onde os animais, de fato atribuem conceitos de consumo dos alimentos com apoio em seus antepassados e o momento de do- mesticação. Em tempos longínquos os animais tragavam alimentos de um modo incerto, uma vez que a quantidade além disso era irregular, diferente nos dias de hoje manejos e formas alimentares. Ogoshi et al (2015) considera que: 3 Retirado em akc.org cães e gatos são animais anato- micamente carnívoros, pois apresentam caninos bem de- senvolvidos, ausência de ami- lase salivar, estomago bastante desenvolvido e extremamente ácido. Apesar disso, ressaltam que mesmo assim, pela própria história evolutiva do cão, a sua dieta tem característica mais onívora enquanto que a do gato indica uma dieta mais carní- vora. Cães e gatos apresentam- se como carnívoros, porém com hábitos e formas alimentares muitas vezes classificadas como de uma espécie onívora. Há um A 16 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO senso comum em dizer que os cães são classificados como car- nívoros não restritos e os gatos como carnívoros restritos. 3.1. Exigência Alimentar de Cães e Gatos Do mesmo modo que em uma dieta humana, a saúde dos cães de- pende de uma nutrição correta e ba- lanceada que contenha um largo conjunto de nutrientes para prover todas as precisões diárias, são eles: proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas, minerais e água. Além disso, é importante fri- sas que a adição de ingredientes fun- cionais como probióticos, fibras es- peciais, que ajudam na saúde articu- lar, entre outros, que agenceiam a saúde, bem-estar e cooperam para uma maior longevidade. Outro fator que se deve levar em conta na dieta dos cães é a idade e o estilo de vida, com o objetivo de promover um equi- líbrio nutricional nas diferentes fases. Segundo o NRC (2006), os cães atletas ou muito agita- dos geralmente necessitam de alimentos ricos em nutrientes com alto valor energético, já os castrados e sedentários preci- sam ter a dieta adaptada ao es- tilo de vida. O nível reduzido de atividade física precisa ser equi- librado com uma alimentação de baixo teor calórico e de nu- trientes especiais para apoiar esta condição (YABIKU, 2003). A falta ou excesso de nutrientes pode desequilibrar o sistema fi- siológico do animal e predispor o organismo ao mau desenvol- vimento corporal e constituição óssea, obesidade, alterações re- produtivas, dentre outros (CARCIOFI, 2005). Uma ali- mentação adequada ao cão fi- lhote, por exemplo, propicia boas condições para sua saúde e consequentemente para seu de- sempenho futuro (NETO, et al. 2017). Entretanto, os gatos possuem predicados peculiares em relação ao modo e dieta, significando de ex- trema importância uma atenção es- pecífica quanto o nutrimento para afiançar uma melhor saúde e bem- estar. Por causa do metabolismo pe- culiar, estes animais contêm preci- sões nutricionais díspares dos cães, como: maior requisição proteica; bem como do aminoácido arginina, da vitamina B6 e da niacina (conco- mitantemente cerca de duas, três e quatro vezes maiores se comparado aos cães), bem como a ingestão de vitamina. Logo, pré-formada na di- eta e complexidade em digerir car- boidratos. Apesar dos gatos serem consi- derados fisiologicamente carní- voros por necessitarem de nu- trientes específicos, os quais só são encontrados na carne; com o advento do avanço nas tecno- logias de processamento dos alimentos, como a extrusão, é permissível o uso de ração na 17 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO alimentação dos felinos con- tendo uma grande fração de carboidrato, porém respeitando o equilíbrio dos nutrientes (SILVA JÚNIOR et al., 2006). Vale ressaltar que os gatos não conseguem sintetizar o ácido araquidônico (um ácido graxo da família ômega 6) e o amino- ácido taurina, sendo funda- mental que estejam presentes na dieta. A alimentação quando filhote é de suma importância, pois é o período em que acon- tece o desenvolvimento de to- dos os tecidos e órgãos. Na fase adulta é necessário oferecer um alimento que contenha todos os nutrientesnecessários para o bom desenvolvimento e manu- tenção do animal (NETO, et al. 2017). 3.2. Alimentos Funcionais Note que os alimentos funcio- nais englobam tanto alimentos bem como os ingredientes que desempe- nham as funções nutricionais bási- cas ao serem consumidos, e vão além, produzindo resultados meta- bólicos e/ou fisiológicos e/ou resul- tados beneficentes à saúde. Estes alimentos evidenciam ser adequados para controlar fun- ções corporais no sentido de ajudar no sistema imunológico, dando maior proteção contra doenças como câncer, osteoporose, patolo- gias coronárias, entre outras. Logo, nutrição de cães e gatos, hoje em dia tem-se equiparado à alimentação dos humanos, com a acrescimento de ingredientes funcionais aos ali- mentos. Esses alimentos são formulados ou modificados pela inclusão de fibras, prebióticos, probióticos, ácidos graxos polinsaturados e os minerais Fibras Em um pas- sado não muito remoto, a im- portância da fibra na alimenta- ção de animais monogástricos era questionada, pois acredi- tava-se que possuía função ape- nas na formação do bolo fecal e na manutenção do trânsito in- testinal, com efeitos sobre a di- luição da energia e redução na digestibilidade dos demais nu- trientes. Portanto, era conside- rada apenas uma substância inerte nas rações de carnívoros e onívoros e a sua quantificação nos alimentos tinha o objetivo de estabelecer o limite máximo de inclusão de ingredientes (ROQUE et al., 2006). A fibra dietética apresenta dois concei- tos um fisiológico e outro quí- mico. O conceito fisiológico descreve a fibra dietética como indisponível para fonte energé- tica, por ser um componente dos alimentos que não sofre hi- drólise pelas enzimas digestivas dos mamíferos (NETO, et al. 2017). Note que o conceito químico determina a fibra dietética como um polissacarídeo não amiláceo junto a lignina. Quanto às características fí- sico-químicas, a fibra alimentar é desmembrada em insolúvel e solúvel em água. Sendo que as fibras insolú- veis sofrem fermentação na flora in- testinal de modo muito diminuído e 18 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO são responsáveis por acrescer e aju- dar a formar a massa fecal, além de aumentar o peristaltismo intestinal. Fonte: aditivosingredientes.com.br Por outro lado, as solúveis en- quadram como substrato para a fer- mentação no cólon, eleva a viscosi- dade do bolo alimentar e do mesmo modo diminuem o esvaziamento gástrico. Os principais ácidos graxos vo- láteis (AGV) produzidos du- rante a fermentação das fibras são o acetato, propionato e o butirato. O principal efeito di- reto da produção de AGV rela- ciona-se com a acidificação do cólon que contribui para evitar a proliferação em demasia de bactérias indesejadas. Animais que recebem fibras moderada- mente fermentáveis apresen- tam cólon com uma área maior e hipertrofia da mucosa, otimi- zando a digestibilidade dos nu- trientes (BORGES et al., 2011). O NRC (2006) não estabelece nenhuma recomendação com relação aos teores mínimos de fibra e nenhum limite que deve conter nos alimentos destina- dos a cães e gatos. A grande maioria dos alimentos comerci- alizados contém um teor entre 1 e 4% da matéria seca, exceto os produtos com fins terapêuticos. A inclusão de fibra na dieta de cães é hoje reconhecida como necessária para a manutenção da saúde do trato gastrointesti- nal, além da prevenção de do- enças como o câncer de cólon (NETO, et al. 2017). Logo, apesar de poucos nutri- cionistas analisarem a importância da fibra na nutrição, além de carní- voros, já têm alimentos comerciais apresentando as fibras dentro dos parâmetros estudados. 3.3. Probióticos e Prebióticos Note que as probióticos são microrganismos vivos acrescenta- dos aos alimentos, que ao serem for- necidos consecutivamente na dieta, afetam de modo benéfico o orga- nismo animal no desenvolvimento da microbiota intestinal. Assim, são empregados a fim de prevenir infecções entéricas e gastrointestinais. Dessa forma, os microrganismos empregados como probióticos são complementares não patogênicos da flora microbiana normal, tais como as bactérias ácido-lácticas, junto as leveduras. Assim, esses microrganismos operam para desajudar a propaga- ção da microbiota intestinal por mi- crorganismos patogênicos bem como a Salmonela, Escherichia coli entre outros patógenos potenciais. 19 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO Estes microrganismos também sintetizam vitaminas, enzimas e ácidos graxos voláteis, que po- dem ter efeito benéfico sobre a saúde gastrintestinal, e ajudam na absorção de nutrientes. Re- sultados positivos são encon- trados relacionados a utilização dos probióticos nas dietas de animais de produção. Feliciano et al. (2009) avaliaram os efei- tos da suplementação de dois ti- pos de probióticos para cães fi- lhotes que receberam dois tipos de dieta, de alta e de baixa qua- lidade, e verificaram que o pro- biótico contendo Bifidobacte- rium e Lactobacillus apresen- tou efeitos positivos no trato gastrointestinal, principal- mente quando administrado junto com dietas de menor qua- lidade. Contudo, em se tratando de cães e gatos os efeitos são va- riáveis e ainda não foram total- mente comprovados. Outra problemática relaciona-se com a dificuldade no processa- mento, pois os alimentos secos são extrusados e passam por al- tas temperaturas por poucos se- gundos (180°C) o que já é sufi- ciente para matar os microrga- nismos. Logo, os probióticos devem ser adicionados após a extrusão (NETO, et al. 2017). Desse modo, os prebióticos são oligossacarídeos não digeríveis no organismo animal, entretanto se- rão seletivamente fermentados pe- los microrganismos dentro do trato gastrintestinal (TGI) que podem es- tar coevos nos ingredientes da dieta ou juntados a ela por meio de fontes exógenas concentradas. Fonte: br.pinterest.com O êxito desses compostos é de- pendente da sua não hidroliza- ção pelas enzimas digestivas, o que possibilita chegarem sem danos ao intestino grosso onde são fermentados pelos micror- ganismos ali presentes. Os pre- bióticos mais empregados na alimentação animal são os ma- nanoligossacarídeos (MOS), os frutoligossacarídeos (FOS) e os glucoligossacarídeos (GOS). Se- gundo Silva e Nornberg (2003), os prebióticos são compostos biologicamente seguros à saúde humana e animal, justificando o seu uso alternativo em substi- tuição a antibióticos promoto- res de crescimento. Entretanto, seus efeitos nem sempre são comprovados devido a vários fatores, tais como, composição química dos demais ingredien- tes, dosagem usada ou estresse dos animais (NETO, et al. 2017). 3.4. Ácidos Graxos Polinsatu- rados Note que os ácidos graxos são fontes energéticas de ampla impor- 20 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO tância espécie de animais carnívo- ros, assim como os cães e os gatos. Eles ainda têm importante função estrutural nos organismos vivos, na configuração de fosfolipídios, como composto pelas membranas celula- res, são além disso cofatores enzi- máticos, transportadores de elé- trons, bem como os pigmentos fo- tossensíveis, tais como ancoras hi- drofóbicas para proteínas, afora agentes emulsificantes no trato di- gestivo, ainda hormônios e por fins mensageiros intracelulares. Os ácidos graxos podem ser classificados como ácidos gra- xos poli-insaturados, os quais são ácidos carboxílicos com ca- deias hidrocarbonadas de com- primento variado, contendo mais de uma dupla ligação, apresentando-se na forma lí- quida em temperatura ambi- ente, o que é favorável ao sis- tema circulatório. Na dieta de cães e gatos é de suma impor- tância suprir os ácidos graxos poli-insaturados denominados de Ômega 3 (Ácido alfa-linolê- nico) e os Ômega 6 (Ácido Lino- leico e Araquidônico), pois es- ses ácidos são considerados es- senciais, ou seja, oorganismo é incapaz de sintetizá-los. Além disso, os ácidos graxos linolei- cos são precursores de vários ácidos graxos, sendo essencial para manter as estruturas apro- priadas para as membranas, o crescimento normal, a manu- tenção do estado da pele, como a regulação da permeabilidade da água, e o transporte de lipí- deos pelo sangue. Já o ácido araquidônico é essencial, prin- cipalmente para os gatos, na formação de eicosanóides, que afetam diretamente nas fun- ções reprodutoras (NETO, et al. 2017). Note que os cães possuem me- canismos que conseguem transfor- mar o ácido linoleico em araquidô- nico ou ainda em gama-linolênico, desse modo fornecendo ácido lino- leico em quantidades apropriadas, pode suprir as precisões de ácido araquidônico e gama-linolênico. Por outro lado, os gatos neces- sitam uma fonte de ácido araquidô- nico na dieta, porquanto carece ati- vidade da enzima deltadesaturase, que é lançada pelas células do fí- gado, do mesmo modo são incapazes de realizar conversões de ácido lino- leico em araquidônico. De acordo com Case et al., (1998) gatas gestantes que não recebem ácido araquidônico apresentam alterações das pla- quetas e trombocitopenia, po- dendo ocasionar nos gatos tam- bém ligeira mineralização dos rins, atraso no crescimento, de- terioração na cicatrização de fe- ridas, e desenvolvimento de le- sões cutâneas. Estes ácidos gra- xos são encontrados em óleos vegetais e estão presentes em níveis significativos em vísceras de animais e derivados de pei- xes, de forma que seu conteúdo usual em alimentos comerciais, feitos a partir de ingredientes vegetais, carne e subprodutos de animais, são normalmente 21 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO baixos, mas suprem as exigên- cias (NETO, et al. 2017). 3.5. Minerais Quelatados Fonte: nutrye.com.br Temos que os minerais são a parte inorgânica da dieta, sendo em- pregados pelo organismo como ele- mentos estruturais, tais como por- ções dos líquidos corpóreos e bem como eletrólitos cofatores de siste- mas enzimáticos e por fim hormo- nal. Os minerais podem ser versa- dos como quelatados, isto é, são to- dos os elementos formados por íons metálicos retirados por substâncias orgânicas, por exemplo os aminoáci- dos, peptídeos ou complexos polis- sacarídeos que liberam esses íons elevada disponibilidade biológica, elevada estabilidade e solubilidade. A maioria dos alimentos para cães e gatos fornecem os mine- rais em sua forma simples (não quelatada), sendo assim a mai- oria dos elementos minerais, para serem absorvido, devem fazer uma ligação iônica com os aminoácidos que se encontram livres no estômago e intestino, ou aqueles presentes na mem- brana das células do trato intes- tinal, assim frequentemente ocorrem competições de dife- rentes minerais para se ligarem aos mesmos aminoácidos, con- tudo impedindo que alguns mi- nerais sejam absorvidos (BOR- GES et. al., 2011). No entanto o uso de minerais quelatados nas dietas de cães e gatos diminuem os riscos da não absorção, pois entram no trato intestinal já li- gados aos ligantes, assim o mi- neral quelatado é absorvido pelo organismo e nele se man- tém intacto, ou seja, as suas li- gações com seus ligantes per- manecem inalteradas (NETO et. al., 2017). 22 23 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO 4. Tipos de Rações para Animais de Estimação Fonte: www.clivepa.com.br4 o Brasil a indústria de rações destinadas aos cães e gatos teve um crescimento satisfatório nos últimos anos. A produção do país passou de 1,15 para 1,93 milhões de toneladas somente entre os anos de 2001 e 2009, respectivamente o que representou um aumento de 68% em apenas 8 anos. Até o princípio do século XX, a alimentação dos animais de estimação se restringia aos restos da alimentação de seu proprietário (NETO et. al., 2017). 4 Retirado em www.clivepa.com.br Assim com o começo da produção de rações comerciais as alternativas nos comércios só têm se ampliado. Atualmente a maior parte dos proprietários de cães e gatos só mantêm seus animais com rações comerciais ao invés de dietas caseiras. A qualificação geral das rações comerciais para os animais de domésticos é feita conforme a fabricação, os processos de conser- vação e a quantidade de umidade. N 24 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO Note que estas categorias abrangem: os alimentos secos, os enlatados e também os semiúmidos. Alimentos Secos Os alimentos secos ou desidratados destinados aos animais de estimação apresentam entre 6 e 10% de umidade e 90% ou mais de matéria seca. Estes alimentos são vendidos sob a forma de biscoitos, farinhas, pedaços triturados e pellets expandidos e extrusados. Os alimentos comumente empregados incluem cereais em grãos, produtos de carne, aves ou peixes, alguns produtos lácteos e suplementos vitamínicos e minerais (CASE et al., 1998; WORTINGER, 2009). Os carboidratos nestas dietas correspondem a mais de 50% da formulação, sendo responsáveis por 30 a 60% da energia metabolizável (EM). A grande maioria das dietas produzidas no Brasil são extrusadas. Essas dietas apre- sentam como maior vanta-gem sua facilidade de conservação, manuseio e custo (FORTES, 2005). Ainda de acordo com Fortes (2005), o processo de conservação das dietas secas está relacionado à baixa umidade em conjunto aos antioxidantes, antifúngicos e acidificantes. Outro aspecto importante é o uso de embalagens adequadas, que impedem a entrada de água, oxigênio e luz no produto, prologando sua vida de prateleira (NETO et. al., 2017). Note que as rações secas possuem maior quantidade de nutrientes e energia por unidade de peso se comparadas com as que possuem maior conteúdo de umidade. Já a relação densidade calórica os alimentos secos proporcionam entre 3.000 e 4.500 Kcal de EM/kg. Em questão de quantidade os alimentos produzidos para os gatos, têm uma densidade energética pouco maior se comparado com os cães. Uma das desvantagens dos alimentos secos relaciona-se com sua menor palatabilidade, especialmente os produtos com baixo percentual de gorduras ou com ingredientes de escassa digestibilidade. Mas nos últimos anos a indústria alimentícia de pets tem se preocupado, na busca por ingredientes de alta qualidade, com muito sabor e digestibilidade (CASE, et al., 1998). 4.1. Alimentos Úmidos As rações úmidas estão disponíveis no mercado de forma enlatada, em sachês e bandejas de plástico. O teor de umidade nestes alimentos varia entre 72 e 85%. Estas rações podem fornecer desde uma alimentação completa e equilibrada, servir como alimento suplementar ou petisco saboroso. Os alimentos úmidos de alta qualidade devem atender as exigências nutricionais do NRC (NATIONAL RESEARCH COUNCIL) e do WALTHAM 25 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO (CENTRE FOR PET NUTRI- TION) (NETO, et al. 2017). Os alimentos mais usados na produção de rações úmidas contêm: carnes, carne automaticamente separada, como vísceras de frango, peixes, farinha de soja, amido de milho, pectinas, além de gomas entre outros. Os alimentos úmidos apresen- tam entre 60 e 130 Kcal/100g enquanto que os alimentos secos por volta de 350- Kcal/100g. Algumas das vantagens dos alimentos úmidos são: Contribui para a manuten- ção do balanço hídrico ótimo do organismo animal; Textura ideal, é mais facilmente mastigado e engolido, principalmente por filhotes e animais idosos; e Níveis próximos dos ótimos para a concentração de macronutrientes tanto para cães quanto para gatos (NETO et. al., 2017). 4.2. Alimentos Semiúmidos Os alimentos semiúmidos proporcionam entre 15 e 30% de água, e os ingredientes habitual- mente empregados são tecidos animais congelados ou frescos,cere- ais, gorduras e açúcares sim-ples. Para conservação destas rações são usados umectantes como açúcares, sais e glicerol e outros conservantes. Por conterem elevada percen- tagem de açúcares simples têm maior sabor e digestibilidade. Conquanto alimentos com teores de açúcares simples mais altos sejam mais atrativos para cães do que para os gatos. O conteúdo de EM dos ali- mentos semiúmidos varia entre 3.000 e 4.000Kcal/Kg de matéria seca. E com relação ao teor proteico estas rações apre- sentam entre 20 e 28% e entre 8 e 14% de gorduras, tomando como base a matéria seca (WORTINGER, 2009). O pro- cesso de conservação destes produtos ocorre através de umectantes, antioxidantes, bai- xo pH, antifúngicos e baixa umidade. Por causa destes quesitos as embalagens das rações semiúmidas são rela- tivamente mais caras quando comparadas as das rações secas, pois as mesmas devem evitar a perda de água que prejudicaria a plasticidade e palatabilidade do produto (NETO et. al., 2017). Materiais Complementares Links “gratuitos” a serem consultados para um acrescenta- mento no estudo do aluno de assuntos que não poderão ser abordados na apostila em questão: Veterinária e zootecnia Programa nutricional para cães e gatos Manual_pet_food_ed10 https://vet.ufmg.br/ARQUIVOS/FCK/file/editora/caderno%20tecnico%2071%20dermatologia%20caes%20e%20gatos.pdf https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/zootecnia/lucianohauschild/nutricao-caes-e-gatos.pdf https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/zootecnia/lucianohauschild/nutricao-caes-e-gatos.pdf http://abinpet.org.br/wp-content/uploads/2020/05/manual_pet_food_ed10_completo_digital.pdf 26 26 27 NUTRIÇÃO ANIMAL DOMÉSTICO 27 5. Referências Bibliográficas ASSOCIATION FOR PET OBESITY PRE- VENTION (APOP). 2014 National Pet Obesity Awareness Day Survey: Cats and Dogs. Disponível em: http://www.petobe- sityprevention.org/pet-obesity-fact-risks/ BORGE, Flávia Maria de Oliveira. ASPEC- TOS NUTRICIONAIS DE CÃES E GATOS EM VÁRIAS FASES FISIOLÒGICAS Ani- mais em Crescimento X Mantença X Ges- tante X Idoso. I Curso de Nutrição de Cães e Gatos FMVZ- USP01 a 03 maio 2009. CASE, L.P.; CAREY, D.P.; HIRAKAWA, D.A. Nutrição canina e felina – Manual para profissionais. Madri: Harcourt Brace de España, 1998. 424p KEALLY, R.D.,LAWLER, D.F., BALLAM, J.M., LUST, G. Evaluation of the effect of limited food consumption on radiographic evidence of osteoarthritis in dogs. J. Am. Vet. Med. Assoc., v.217, n.11, p.1678-1680, 2000. NATIONAL RESEARCH COUNCIL - NRC. Nutrient requirements of dogs and cats. Washington, D.C: National Academy Press, 2006. NETO, Ronaildo Fabino. et al. Nutrição de cães e gatos em suas diferentes fases de vida. Colloquium Agrariae, vol. 13, n. Es- pecial, Jan–Jun, 2017, p. 348-363. OGOSHI, Rosana Claudio Silva, et al. Con- ceitos básicos sobre nutrição e alimenta- ção de cães e gatos. Ciência Animal, 25(1); 64-75, 2015 – Edição Especial. 02 8