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Urinálise – Coleta e exames (Sumário, Urina 24 horas, Urocultura) DISCIPLINA: BIOFÍSICA INSTRUTORA: DAYANNE LOPES Urina * A urina é um líquido biológico produzido pelos rins como resultado do processo de filtração do sangue. * Sua principal função é a excreção de resíduos metabólicos e a regulação do equilíbrio de líquidos, eletrólitos e ácido-base no corpo. * A análise da urina é uma prática comum em diagnósticos médicos, pois pode revelar uma série de informações sobre a saúde geral do paciente, a função renal e a presença de doenças. Composição da Urina A urina é composta principalmente de água (cerca de 95%), mas também contém: • Ureia: Produto do metabolismo das proteínas. • Creatinina: Produto do metabolismo da creatina muscular. • Ácido úrico: Produto do metabolismo das purinas. • Sais minerais: Incluindo sódio, potássio, cloreto, cálcio e magnésio. • Amônia: Derivado do metabolismo das proteínas. • Hormônios e vitaminas: Em pequenas quantidades. • Substâncias estranhas: Como medicamentos ou toxinas, que são excretadas pelo organismo. Importância Clínica da Análise da Urina A análise da urina é fundamental para o diagnóstico de várias condições médicas, como: •Infecções do Trato Urinário (ITU) •Doenças Renais •Diabetes •Distúrbios Metabólicos •Problemas Hepáticos •Desidratação Urina Exames de Urina Comuns • EAS (Exame de Urina Tipo I): Avalia aspectos físicos (cor, odor, pH), químicos (glicose, proteínas, cetonas) e microscópicos (presença de células, bactérias, cristais). • Urocultura: Identifica e quantifica bactérias presentes na urina, útil para diagnosticar infecções urinárias. • Teste de Gravidez: Detecta a presença do hormônio hCG na urina, indicando gravidez. • Teste de Drogas: Detecta a presença de substâncias psicoativas ou seus metabólitos. Urina Fatores que Afetam a Composição da Urina • Dieta: A ingestão de certos alimentos pode alterar a cor e o odor da urina. • Hidratação: A concentração de solutos na urina varia com o nível de hidratação. • Medicações: Certos medicamentos podem ser excretados na urina, alterando sua composição. • Doenças: Condições médicas podem afetar a produção e a composição da urina. Urina Existem diferentes métodos de coleta de urina, cada um indicado para tipos específicos de exames. Aqui estão os principais métodos: 1. Coleta de Urina de Jato Médio • Indicação: É o método mais comum, utilizado para exames de urina de rotina, como o EAS (Exame de Urina Tipo I) e culturas de urina. •Procedimento: • Higienização: Antes da coleta, o paciente deve lavar bem a região genital com água e sabão. • Coleta: O paciente deve desprezar o primeiro jato de urina e coletar a porção intermediária em um recipiente estéril, descartando o restante. • Armazenamento: O frasco deve ser bem fechado e enviado ao laboratório o mais rápido possível. Urina 2. Coleta de Urina 24 Horas • Indicação: Utilizada para medir a quantidade de determinadas substâncias na urina, como creatinina, proteínas, e cálcio, ao longo de um período de 24 horas. • Procedimento: • Início: Desprezar a primeira urina da manhã e anotar o horário. • Coleta: Coletar toda a urina durante as próximas 24 horas, armazenando-a em um recipiente grande e estéril, mantido em local fresco ou refrigerado. • Término: No dia seguinte, coletar a primeira urina do mesmo horário em que foi iniciado o processo. • Envio: Enviar todo o volume coletado ao laboratório para análise. Urina 3. Coleta de Urina para Exame de Drogas • Indicação: Testes de triagem de drogas, como substâncias psicoativas. • Procedimento: • Coleta: Pode ser realizada de forma supervisionada ou não, dependendo do protocolo, coletando toda a urina em um recipiente estéril. • Transporte: O frasco deve ser bem fechado e enviado para análise o mais rápido possível. 4. Coleta de Urina Infantil • Indicação: Realizada em bebês e crianças pequenas que ainda usam fraldas. • Procedimento: • Material: Usa-se um coletor de urina adesivo, próprio para crianças, que é fixado na região genital. • Coleta: Após a micção, o coletor é retirado cuidadosamente e a urina é transferida para um recipiente estéril. • Transporte: O frasco deve ser enviado ao laboratório imediatamente. Urina 5. Coleta de Urina Cateterizada • Indicação: Utilizada em pacientes hospitalizados ou com dificuldades para urinar espontaneamente. • Procedimento: • Cateterização: Um cateter é inserido na uretra até a bexiga para a coleta da urina diretamente. • Armazenamento: A urina é coletada em um recipiente estéril. Cuidados Gerais: •Recipiente: Sempre utilizar frascos estéreis para evitar contaminação. •Envio Rápido: Enviar a amostra ao laboratório o mais rápido possível, preferencialmente em até duas horas após a coleta. •Refrigeração: Se não for possível enviar a amostra imediatamente, armazená-la em uma geladeira, mas nunca congelar. Urina Sumário de Urina - EAS (Exame de Urina Tipo I) É um teste laboratorial que avalia as características físicas, químicas e microscópicas da urina. Esse exame é amplamente utilizado na prática clínica para auxiliar no diagnóstico de diversas condições de saúde, como infecções urinárias, doenças renais, distúrbios metabólicos e outros. Componentes do Sumário de Urina: 1. Análise Física 2. Análise Química 3. Análise Microscópica 1. Análise Física • Cor: Normalmente varia de amarelo claro a âmbar. • Alterações na cor podem indicar presença de sangue (vermelho), bilirrubina (amarelo escuro/marrom), ou medicamentos e alimentos. Aspecto: Pode ser claro, turvo ou opalescente. Turbidez pode indicar presença de células, cristais, bactérias ou proteínas em excesso. · Odor: Geralmente leve, mas pode se alterar em casos de infecção (odor fétido) ou após o consumo de certos alimentos (ex.: aspargos). · Densidade: Mede a concentração de solutos na urina. Valores normais variam entre 1,005 e 1,030. Valores abaixo de 1,005 g/L podem indicar diluição da urina, enquanto valores acima de 1,030 g/L podem indicar concentração excessiva de solutos na urina. Por exemplo, urina com densidade próxima de 1005 está bem diluída e pode ser sinal de disfunções renais crônicas. Já urina com densidade próxima de 1035 está muito concentrada, indicando desidratação. 2. Análise Química pH: A urina é naturalmente ácida, com um pH entre normalmente entre 4,5 e 8. pH ácido pode indicar acidose, dieta rica em proteínas, ou diabetes; pH alcalino pode estar associado a infecções urinárias ou dieta vegetariana. · Proteínas: Normalmente ausentes ou presentes em quantidades mínimas. Presença significativa de proteínas (proteinúria) pode indicar problemas renais. · Glicose: Normalmente ausente. Glicosúria pode ser indicativa de diabetes mellitus. · Cetonas: Normalmente ausentes. A presença de cetonas pode indicar diabetes descompensada, jejum prolongado ou dieta cetogênica. · Bilirrubina: Normalmente ausente. A presença pode sugerir problemas hepáticos ou obstrução biliar. · Urobilinogênio: Pequenas quantidades são normais. Níveis elevados podem indicar doenças hepáticas ou hemólise. · Hemoglobina: Normalmente ausente. A presença pode indicar hemólise intravascular ou dano renal. · Nitritos: Normalmente ausentes. A presença de nitritos pode indicar infecção urinária por bactérias que reduzem nitrato a nitrito. · Leucócitos (Esterase leucocitária): Normalmente ausentes ou em baixa quantidade. A presença pode indicar infecção urinária ou inflamação. 3. Análise Microscópica Células Epiteliais: Pequenas quantidades são normais, especialmente células escamosas. Quantidades elevadas podem indicar contaminação da amostra. Hemácias: Normalmente ausentes ou em baixas quantidades (até 3/campo). Hematúria pode indicar infecção, cálculos renais, ou neoplasias. Leucócitos: Normalmente ausentes ou em baixas quantidades (até 5/campo). Leucocitúria pode indicar infecção ou inflamação do trato urinário.Cilindros: Formas cilíndricas de células ou proteínas que se formam nos túbulos renais. Cilindros hialinos podem ser normais; cilindros celulares (hemáticos, leucocitários) podem indicar doença renal. Cristais: Podem ser normais ou indicativos de cálculos renais, dependendo do tipo de cristal (ex.: oxalato de cálcio, ácido úrico). Bactérias: Normalmente ausentes. A presença em grande quantidade pode indicar infecção urinária. Leveduras: Normalmente ausentes. A presença pode indicar infecção fúngica, como candidíase. Protozoário: pode indicar contaminação por secreções genitais e é uma causa frequente de vaginites e uretrites. O protozoário Trichomonas vaginalis pode causar infecções genitais, uretrais ou anais, incluindo a tricomoníase, uma infecção sexualmente transmissível (IST). Urocultura A urocultura é um exame laboratorial utilizado para detectar a presença de microrganismos, como bactérias ou fungos, na urina, que podem estar causando uma infecção no trato urinário (ITU). Este exame é considerado o padrão-ouro para o diagnóstico de infecções urinárias, pois não apenas identifica a presença de microrganismos, mas também quantifica o crescimento bacteriano e determina quais antibióticos são mais eficazes no tratamento (antibiograma). Indicações A urocultura é indicada em casos de: • Sintomas de infecção urinária, como dor ao urinar, aumento da frequência urinária, urgência miccional, dor no baixo ventre, e urina turva ou com odor forte. • Infecções urinárias recorrentes. • Pacientes com fatores de risco para infecções urinárias complicadas, como gestantes, diabéticos, e imunossuprimidos. • Monitoramento do tratamento de infecções urinárias para garantir a erradicação do patógeno. Coleta de Urina para Urocultura A coleta correta da amostra de urina é crucial para garantir a precisão do exame: 1. Higienização: O paciente deve lavar as mãos e realizar a higienização da região genital com água e sabão ou com um antisséptico específico. 2. Descarte Inicial: O primeiro jato de urina deve ser descartado (cerca de 10 a 20 ml), para evitar a contaminação da amostra com bactérias presentes na uretra. 3. Coleta: A porção intermediária da micção deve ser coletada em um frasco estéril fornecido pelo laboratório. 4. Armazenamento: A amostra deve ser entregue ao laboratório o mais rápido possível. Se não for possível levar imediatamente, a urina deve ser refrigerada a 4°C por no máximo 2 horas. ANÁLISE NO LABORATÓRIO O procedimento da urocultura no laboratório envolve uma série de etapas para garantir que o exame seja realizado de maneira precisa e que os resultados sejam confiáveis. 1. Recepção da Amostra •Identificação: Ao receber a amostra de urina, o laboratório verifica se o frasco está corretamente identificado com o nome do paciente, data e hora da coleta. •Armazenamento Temporário: Se a amostra não for processada imediatamente, ela deve ser mantida refrigerada a 4°C para evitar a multiplicação de microrganismos. 2. Preparação da Amostra •Mistura da Amostra: A amostra de urina é misturada suavemente para garantir a distribuição uniforme dos microrganismos antes da análise. •Inoculação: Utilizando uma alça calibrada (geralmente de 1 µL ou 10 µL), uma quantidade precisa da urina é coletada e inoculada em meios de cultura específicos, como ágar sangue, ágar MacConkey ou ágar CLED (Cystine-Lactose-Electrolyte-Deficient). 3. Incubação •Placas de Cultura: As placas inoculadas são incubadas em estufa a 35-37°C por 24 a 48 horas. As condições específicas de incubação podem variar dependendo do protocolo do laboratório e do tipo de microrganismo suspeito. •Atmosfera de Incubação: Algumas placas podem ser incubadas em atmosfera de CO₂ ou em condições anaeróbicas, se necessário, dependendo dos microrganismos a serem identificados. 4. Análise das Placas •Contagem de Colônias: Após o período de incubação, o número de colônias bacterianas que cresceu nas placas é contado. Isso é feito visualmente ou com o auxílio de um contador de colônias automático. •Interpretação: A quantidade de colônias é interpretada em termos de unidades formadoras de colônias por mililitro (UFC/mL). Valores superiores a 100.000 UFC/mL geralmente indicam infecção significativa. 5. Identificação Bacteriana •Testes Bioquímicos: As colônias são submetidas a testes bioquímicos específicos para identificar o gênero e a espécie da bactéria. Isso pode incluir testes como catalase, oxidase, e a utilização de sistemas automatizados (por exemplo, VITEK, MALDI-TOF). •Microscopia: Em alguns casos, uma coloração de Gram é realizada para observar a morfologia bacteriana. ANÁLISE NO LABORATÓRIO 6. Antibiograma (Teste de Sensibilidade) • Discos de Antibióticos: Se uma infecção for confirmada, discos impregnados com antibióticos são colocados sobre uma nova placa inoculada com a bactéria isolada. Essa técnica, conhecida como método de difusão em disco (método Kirby-Bauer), testa a sensibilidade da bactéria a vários antibióticos. • Leitura dos Resultados: Após a incubação, os halos de inibição ao redor dos discos são medidos para determinar a sensibilidade ou resistência da bactéria aos antibióticos testados. 7. Emissão de Resultados • Relatório Laboratorial: O laboratório gera um relatório detalhado, incluindo a contagem de colônias, a identificação do microrganismo e o resultado do antibiograma. ANÁLISE NO LABORATÓRIO Interpretação dos Resultados • Crescimento Bacteriano Significativo: A presença de ≥ 100.000 unidades formadoras de colônia ( UFC)/ml na urina geralmente indica uma infecção urinária significativa. • Crescimento Bacteriano Baixo: Crescimento entre 1.000 e 100.000 UFC/ml pode ser significativo em casos específicos, como em homens, crianças, gestantes, ou quando associado a sintomas clínicos. • Ausência de Crescimento: Nenhum crescimento bacteriano ou crescimento