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SCAsSST 1 🫀 SCAsSST Morgana R. Duarte- TXI Patogênese da aterosclerose O processo de crescimento e de desenvolvimento da doença aterosclerótica se dá de maneira silenciosa e ao longo de décadas → se inicia com a formação da estria gordurosa em crianças e adolescentes → progride para placas complexas na idade adulta. 💡 A depender do tamanho e do grau de instabilidade das placas, pode ocorrer um quadro sintomático, como angina pectoris, IAM, AVC ou claudicação intermitente. SCAsSST 2 A inflamação modula algumas ações na aterogênese: Células vasculares Há 2 tipos de células predominantes em uma artéria normal: � Células endoteliais CE → predominantes na camada íntima do vaso, em contato direto com o sangue e permitem que este flua adequadamente pelos vasos. a� Possui propriedades endócrinas, como secreção. � Células musculares lisas CML → predominantes na camada média do vaso com propriedade de contração e relaxamento, capazes de regular o fluxo de sangue e ainda sintetizam MEC (pp colágeno). Camadas de uma artéria normal � Túnica íntima: em contato com a luz vascular, com monocamada de CE apoiadas na lâmina elástica interna. � Túnica média: constituída pelas CML, com camadas concêntricas de disposição helicoidal, permeadas por MEC composta de colágeno fibrilar e glicoproteínas. Em contato com a lâmina elástica externa, que a separa da t. adventícia. � Túnica adventícia: mais externa, formada por colágeno tipo I e fibras elásticas; possui continuidade com o tecido conjuntivo do órgão onde o vaso está localizado. SCAsSST 3 Vasa vasorum: diminutos vasos sanguíneos responsáveis pela nutrição das camadas mais distantes do lúmen, pp em artérias de médio e grande calibre, as quais não seriam suficientemente nutridas pela embebição do sangue da luz vascular. 💡 Na presença da aterosclerose, a reação inflamatória local pode estimular a síntese de fatores como VEGF, que promove a formação de neovasos para irrigar as células componentes da placa. Fases do desenvolvimento da aterosclerose � Fase inicial da aterogênese � Fase de desenvolvimento da estria gordurosa � Fase de progressão para placa complexa � Fase de rotura da placa Fase inicial da aterogênese Fase de desenvolvimento da estria gordurosa Fase de progressão para placa complexa Fase de rotura da placa CEs permitem a adesão de leucócitos à Os monócitos recrutados se maturam em macrófagos. Deposição de tecido fibroso na lesão aterosclerótica. A rotura da placa com sua trombose é a complicação mais SCAsSST 4 parede arterial VCAM1. temida da aterosclerose. Acúmulo extracelular de lipídeos na íntima (ligação de LDL na MEC. Os macrófagos fagocitam a LDL oxidada (pela ausência de antioxidantes) → células espumosas. As CMLs sintetizam MEC e migram da túnica média para a íntima pelo PDGF. Rotura da capa fibrosa ou erosão superficial da íntima (descontinuidade no revestimento endotelial + apoptose das CEs). Células inflamatórias se aderem ao endotélio: monócitos. Proliferação dos macrófagos e liberação de fatores de crescimento e citocinas. Mineralização (calcificação) da placa e neovascularização com produção de trombina. 💡 A inflamação participa da aterosclerose em todas as suas fases. O mais importante para a instabilidade da placa é seu nível de atividade inflamatória, mais até que seu grau de estenose. Nova classificação das síndromes coronarianas agudas (SCA) SCAsSST 5 Introdução SCA: termo utilizado para suspeita de isquemia miocárdica aguda ou infarto do miocárdio IM SCAs são divididas em 3 apresentações: � Angina instável AI � IM sem supradesnivelamento do segmento ST IMsST � IM com supradesnivelamento do segmento ST IMcST Discernimento entre IM e AI Comparação das curvas de marcadores de necrose miocárdica → pp troponinas ultrassensíveis. Lesão miocárdica: elevação acima do percentil 99 do limite superior da referência LSR. Pode ser aguda ou crônica Aguda: Crônica: Pré-requisito pro IM, mas é uma entidade por si só. Se ausência de indícios que suportem a hipótese de IM, o diagnóstico é de lesão miocárdica. Patologia da isquemia e IM SCAsSST 6 IM: morte celular de miócitos devido a isquemia prolongada. Alterações nos primeiros 1015 min: redução de glicogênio celular, relaxamento das miofibrilas e disfunção do sarcolema A necrose progride do subendocárdio para o subepicárdio ao longo de horas. A terapia de reperfusão imediata, quando apropriada, reduz a lesão isquêmica miocárdica. Biomarcadores de lesão miocárdica e IM Troponinas Troponina cardíaca I e T são do aparelho contrátil expressas quase exclusivamente no coração. Troponina I não estão relacionados a lesões em outros órgãos. Marcadores preferenciais para lesão miocárdica Pode ser secundário ao aumento da pré-carga ou estresses fisiológicos. Outros motivos para liberação de proteínas estruturais do miocárdio: troca anormal de miócitos, liberação celular de produtos da degradação de troponina, apoptose, aumento da permeabilidade da parede celular, formação e liberação de bolhas na MC e necrose miocítica. 💡 Independente do mecanismo, se há uma curva com ascensão e queda da troponina acima do percentil 99 do LSN é IM. SCAsSST 7 Apresentações clínicas 1° passo para desenvolver IM: início de isquemia miocárdica resultada de um desbalanço entre oferta e demanda de oxigênio no miocárdio. Identificada por anamnese e alterações no ECG Sinais e sintomas: desconforto torácico difuso sem ser afetado pela movimentação da região, de extremidades superiores, mandibular, epigástrico ou dispneia ou astenia. Sintomas não específicos IM pode ocorrer com sintomas atípicos: palpitação, PCR ou sem sintomas. SCAsSST 8 💡 Se isquemia miocárdica presente clinicamente ou por mudanças no ECG lesão miocárdica (curva de marcadores de necrose miocárdica) → diagnóstico de IM fechado. Pacientes com suspeita de SCA afastados do diagnóstico de IM por valores de MNM que o percentil 99 podem ter AI ou diagnóstico alternativo. Classificação clínica do IM IM tipo 1 Causado por DAC aterotrombótica e usualmente precipitada pela rotura ou erosão da placa aterosclerótica Pode ser complicada por trombose intraluminal ou hemorragia Classificado em IAMcSST ou IAMsSST Critério diagnóstico: detecção de um aumento e queda de troponina com pelo menos um valor acima do percentil 99 do LSN e pelo menos um dos seguintes: SCAsSST 9 IM tipo 2 Desbalanço entre fluxo sanguíneo insuficiente e demanda de oxigênio para cobrir a demanda de O2 do estressor. Estressores: sangramento gastrointestinal, taquiarritmia sustentada, embolismo coronário, bradicardia grave, insuficiência respiratória, anemia grave, hipotensão ou choque, etc. Mais comum em mulheres Maiores taxas de mortalidade Critério diagnóstico: detecção de um aumento e/ou queda de troponina com pelo menos um acima do percentil 99 do limite superior da normalidade, e evidência de um desbalanço entre suprimento de oxigênio miocárdico e demanda não relacionada a aterotrombose coronária + algum dos itens abaixo: IM tipo 3 Critério diagnóstico: pacientes que sofrem morte cardíaca, com sintomas sugestivos de isquemia miocárdica, acompanhando de novas mudanças isquêmicas presumidas nos ECG ou fibrilação ventricular, porém vão à óbito antes que biomarcadores possam ser coletados ou antes que aumento nos biomarcadores possa ser identificado, ou que IM seja identificado em um exame de autópsia. SCAsSST 10 Diagnóstico obtido por meio da necrópsia. IM tipo 4 💡 Lesão miocárdica relacionada a procedimentos coronários: eja angioplastia transluminal percutânea ATC coronária ou revascularização cirúrgica RVM, pode estar temporalmente relacionada ao próprio procedimento, refletindo complicações periprocedimento, ou pode ocorrem mais tarde, refletindo complicações de um dispositivo, como trombose precoce ou tardia de stent ou reestenose intra-stent para angioplastia, ou fechamento/estenosede enxertos para a revascularização cirúrgica. 4a IM associado com ATC Critério diagnóstico IM relacionado a intervenção coronária é arbitrariamente definido como uma elevação de troponina acima do percentil 99 do LSN em pacientes com valores normais basais. Em pacientes com troponina elevada pré- procedimento nos quais os níveis de troponina estão estáveis 20% de variação) ou em queda, o aumento pós-procedimento deve ser 20%. No entanto, o valor absoluto pós-procedimento ainda deve ser 5 vezes o percentil 99 do LSN. Adicionalmente, um dos seguintes elementos é requerido: 4b: trombose de stent SCAsSST 11 4c: reestenose pós-ATC Critério diagnóstico: ocasionalmente, quando acontece a IM, a única explicação angiográfica é a reestenose de stent ou reestenose após ATC pós-balão no território de IM, já que nenhuma outra lesão culpada ou trombo podem ser identificados IM tipo 5 Critério diagnóstico IM relacionado a RVM é arbitrariamente definido como elevação de troponina 10 vezes o percentil 99 do LSN em pacientes com valores de troponinna basais normais. Em pacientes com troponina elevada pré- procedimento, nos quais os níveis de troponina estão estáveis 2 0% de variação) ou em queda, o aumento pós procedimento deve ser 20%. No entanto, o valor absoluto pós procedimento ainda deve ser 5 vezes o percentil 99 do LSN. Adicionalmente, um dos seguintes elementos é requerido: IM sem coronárias obstruídas (IMsCO) Uma quantidade significativa de IM acontece sem obstrução detectável de coronárias à cineangiocoronariografia 114%. SCAsSST 12 Resumo da classificação clínica do IM Diagnóstico e tratamento das SCAsSST IAM: evidência de necrose miocárdica com elevação de marcadores de necrose miocárdica (preferencialmente troponina) acima do percentual 99 do limite máximo de referência e, pelo menos, um dos seguintes parâmetros: sintomas SCAsSST 13 sugestivos de isquemia; desenvolvimento de novas ondas Q no ECG; alterações novas ou presumivelmente novas e significativas do segmento ST, da onda T ou presença de BRE novo; evidência, em exame de imagem, de perda de miocárdio viável ou de nova alteração segmentar de contratilidade ventricular; identificação de trombo intracoronariano por angiografia ou necropsia. Diagnóstico Tabela de Braunwald: classificação baseada nas circunstâncias clínicas do episódio isquêmico agudo e na intensidade dos sintomas. SCAsSST 14 História clínica e EF Caracterização da dor torácica para avaliar e definir os DDs. Característica da dor: mais comumente retroesternal ou precordial, podendo ser epigástrica, em opressão, peso ou queimação, que normalmente ocorre em repouso ou com o mínimo esforço; pode ter irradiação para um ou ambos os braços, pescoço, mandíbula ou mesmo ocorrer apenas em uma área isoladamente. Retroesternal ou precordial, em repouso ou aos mínimos esforços e pode haver irradiação. Frequentemente, há sintomas concomitantes: sudorese, dispneia, náuseas ou síncope. Mulheres, idosos e diabéticos: att a apresentações clínicas mais atípicas → indigestão, dor pleurítica e dispneia. SCAsSST 15 ECG O ECG de 12 variações deve ser realizado e interpretado dentro de 10 min após a admissão do paciente. Alterações: depressão do segmento ST, elevação transitória do segmento ST ou nova inversão da onda T. AI e IAMsSST são geralmente indistinguíveis pelo ECG repetir ECG mais frequentemente. Se permanecer inconclusivo → adicionar mais derivações. Maior acurácia se ECG prévio para comparação. SCAsSST 16 Marcadores bioquímicos Células miocárdicas são irreversivelmente danificadas → membranas celulares perdem integridade → macromoléculas se difundem no interstício e vão para os linfáticos e capilares. Os marcadores devem ter resultado em até 60min a partir da coleta. Níveis anormais de marcadores bioquímicos, incluindo das Tn-US, não traduzem obrigatoriamente diagnóstico de IAM. Rotina diagnóstica na sala de emergência Triagem inicial: anamnese rápida e direcionada, EF, ECG de 12 derivações e análise de biomarcadores. Visa identificar precocemente o paciente de maior risco que necessita de internação hospitalar ou urgente transferência para serviço de hemodinâmica Escore HEART Um dos mais utilizados. Avalia o risco de um evento cardíaco maior em 6 semanas após a apresentação inicial de pacientes com dor torácica. SCAsSST 17 Escore TIMI Escore de risco para coronariopatia sem supradesnível do segmento ST. Baixo risco: escore de 0 a 2 Médio risco: escore de 3 ou 4 Alto risco: escore de 5 a 7 Escore GRACE Utilização mais complexa → maior poder discriminatório. Baixo risco: soma dos pontos é 108. Risco intermediário: soma entre 109 e 140. Alto risco: soma 140. SCAsSST 18 Escore de risco para sangramento: CRUSADE SCAsSST 19 Tratamento Pacientes de baixo risco Baixo risco + sem dor, sem alteração do ECG e com marcadores bioquímicos de lesão miocárdica normais → encaminhados para teste de esforço após 9h em regime ambulatorial ou na emergência. Se não der para fazer o exame → estratificar paciente com teste provocativo de isquemia com imagem. OU realização da angiografia por tomografia computadorizada das artérias coronárias Pacientes de médio e alto risco Devem ser internados em unidade coronária de terapia intensiva UCO Risco/Estratificação Invasiva Não invasiva Baixo risco - - Risco intermediário Pode ser invasiva ou não invasiva. Pacientes estáveis clinicamente e com risco muito elevado para estudo SCAsSST 20 Risco/Estratificação Invasiva Não invasiva hemodinâmico. Se alto risco para estudo hemodinâmico: realizar cintilografia de perfusão miocárdica, ecocardiograma ou ressonância magnética (com estresse farmacológico). Alto risco e muito alto risco Estratégia invasiva imediata (visando tempo 2 horas) nos pacientes de “muito alto risco .ˮ - 💡 Cuidado especial em idosos 75 anos) e/ou diabéticos e/ou com pacientes com disfunção renal → preparo 1224h antes do procedimento com hidratação venosa contínua. Oxigenoterapia A presença de hipoxemia pode agravar o quadro de isquemia miocárdica, aumentando a sua extensão. Utilizar O2 inalatório somente em situações em que haja cianose, sinais clínicos de desconforto respiratório ou na presença de saturação arterial de O2 90%. Analgesia O uso de analgésicos em pacientes com dor isquêmica intensa, refratários à terapêutica antianginosa, poderá ser indicado → sulfato de morfina. Medicações � Nitrato → uso universalmente aceito mas sem estudos que tenham testado os efeitos dos nitratos → efeito venodilatador, diminuindo o retorno venoso ao coração e o volume diastólico final do VE, reduz o consumo de oxigênio pelo miocárdio. SCAsSST 21 � BB → inibem competitivamente os efeitos das catecolaminas circulantes, ação nos receptores beta-1, diminuindo a frequência cardíaca FC, a pressão arterial e a contratilidade miocárdica, e levando deste modo à redução no consumo de oxigênio pelo miocárdio. � ACC → derivados di-hidropiridínicos (nifedipina e anlodipino), fenilalquilaminas (verapamil) e benzodiazepínicos (diltiazem). a� Diminuição no consumo miocárdico de oxigênio por diminuição na pós- carga, na contratilidade e na FC (exceção dos derivados di- hidropiridínicos) e a um aumento na oferta de oxigênio ao miocárdio, por vasodilatação coronária direta � iSRAA → utilizar IECA nos pacientes de risco intermediário e alto com disfunção ventricular esquerda, hipertensão arterial, diabete melito, ou doença renal � AAS → bloqueia a ciclo-oxigenase, o que leva a um bloqueio na produção de tromboxane, potente vasoconstitor e indutor da agregabilidade plaquetária. � Clopidogrel, Prasugrel Ticagrelor Terapia antitrombótica Heparinas: inativação da trombina e diversos fatores da coagulação e explica os aumentos nos tempos de protrombina, de tromboplastina parcial ativado TTPa) e de trombina Redução significativa no risco de IAM ou morte nos pacientes que receberam terapiacombinada de AAS e HNF, em relação àqueles que receberam AAS isoladamente SCAsSST 22