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SUMÁRIO
Pós-escrito
Leia mais em Brasil: Uma biografia
Sobre as autoras
PÓS-ESCRITO
Países, como pessoas, por vezes sofrem com mudanças abruptas — e
aquilo que ontem parecia tranquilo, hoje se convulsiona. O texto de Brasil:
Uma biografia foi finalizado e datado, para o público de língua portuguesa,
em janeiro de 2015. O livro se encerrava sem nenhuma previsão
categórica acerca do futuro, mas trazia, em compensação, uma boa dose
de expectativa e muita esperança na maneira como o país iria usar os
novos ativos políticos criados neste que é, ainda, o mais longo período
democrático da sua história republicana (iniciado em 1988, com a
promulgação da Constituição hoje em vigor). Na conclusão do livro
registrávamos alguns dados positivos: reduzia-se a distância entre as
políticas públicas e a realidade da população; a desigualdade diminuía;
verificava-se uma melhoria nas condições de vida dos mais pobres; os
direitos expandiam-se de forma geral, e a Democracia, consolidada,
caminhava para a frente, a partir das escolhas feitas pelos brasileiros e
geradas ao longo do período de transição da ditadura militar ao regime
democrático e da vigência da Constituição de 1988. Também julgávamos
que o sistema parecia estável, com os três poderes — Legislativo,
Executivo e Judiciário — funcionando regularmente e vigiando uns aos
outros. Instituições fortes são sinal de uma Democracia saudável, e era
esse panorama que vislumbrávamos naquele contexto.
De fato, no início de 2015 os ganhos eram consideráveis, embora o saldo
não fosse apenas positivo. Sustentávamos ainda que, se a Democracia
dava sinais de funcionar dentro da normalidade, já a República brasileira
entrara no século XXI como um regime constitucional, mas continuava
alheia ao envolvimento do cidadão nos assuntos comuns do país. Ela
seguia desprovida de ferramentas adequadas à administração pública — e,
por esse motivo, encontrava dificuldades de se afirmar como uma forma
de governo capaz de executar satisfatoriamente os serviços públicos e de
se comprometer com a boa gestão da coisa pública.
Naquele momento, e hoje também, a República no Brasil falha na
disposição de garantir direitos, em especial direitos civis, com
manifestações de racismo, diversos gestos de homofobia, feminicídios,
falta de políticas dirigidas às pessoas com deficiências de toda ordem,
ataques aos povos indígenas e a seus direitos à terra, assim como àqueles
destinados aos quilombolas.
O certo é que três anos atrás, possivelmente, acertamos em nossas
considerações ao indicar que, no Brasil, a República ainda lembrava um
esboço que não alcançou forma. Mas nos enganamos na expectativa, um
tanto eufórica, de prever que o país havia enfim assentado o rumo de sua
experiência democrática.
É bem verdade que, pelo menos até 2014, qualquer indicador de curto
prazo usado para medir a qualidade e a salubridade da Democracia em
um país — procedimental, comparativo ou histórico — confirmava que
escolhas sensatas haviam sido feitas, e o Brasil parecia ter se aberto para o
século XXI com um sistema político democrático recente, mas fortalecido.
Afinal, durante os últimos vinte anos, os dois principais partidos políticos
nacionais — PSDB e PT — se revezaram no governo; firmou-se o
entendimento de que a autorização popular por meio do voto é o único
caminho legítimo de acesso ao poder político; as instituições funcionaram
normalmente, as eleições ocorreram de maneira regular e não existiram
problemas nem na transmissão do poder, nem na aceitação do resultado
eleitoral — aliás, aconteceram mais transmissões de poder entre 1985 e
2015 do que em qualquer outro período da história republicana brasileira
—; as políticas públicas adotadas pelos governantes passaram pelo crivo
eleitoral, inclusive as que levaram à redução da desigualdade e da
pobreza; o catálogo de direitos, sobretudo civis, foi consideravelmente
ampliado; a Democracia gerou efeitos importantes para a definição de
uma política econômica que permitiu ao país estancar a hiperinflação,
reorganizar as finanças públicas e garantir a estabilidade da moeda. 1 Tudo
isso aconteceu no curto prazo de trinta anos, e os brasileiros passaram a
encarar o futuro com otimismo.
Mas alguma coisa deixou de funcionar entre 2015 e 2017. É certo que, já
em meados de 2014, a corrupção que atingia a máquina do Estado fazia
parte constante das matérias da imprensa e entrava em cheio na agenda
do Judiciário. No entanto, e até então, a sensação era de controle, e a
bonança parecia maior do que o furacão. O diagnóstico estava, porém,
errado; uma mudança vertiginosa sucedeu, a qualidade da nossa
Democracia foi posta em dúvida, os procedimentos democráticos
entraram em crise, e os fatos deixaram de parecer tão alvissareiros como
até então se apresentavam. Isso ao mesmo tempo que a economia interna
do país declinava a olhos vistos.
Historiadores têm por hábito serem cautelosos; e, resignados, costumam
avisar que uma história só é previsível depois que ficou no passado.
Aprenderam também que o tempo não é retilíneo, tampouco evolutivo:
na visão do presente embaçada pelo desenrolar dos acontecimentos pouco
se enxerga no horizonte, além dos desdobramentos do que já
conhecemos. O certo é que o passado recente ainda repercute no livro que
escrevemos, e procuraremos apenas apontar nestas poucas páginas finais
processos que não podíamos divisar na ocasião em que escrevemos o
original.
Na verdade, numa visada retrospectiva, é possível dizer que alguma
coisa já não andava bem no país — e, a partir de 2012, esses sinais
começaram a piscar intensamente sobretudo na economia. 2 A situação,
até então, era de pleno emprego, o mercado de trabalho continuava a
viver dias positivos, mas não faltavam aqueles que indicavam uma piora
do quadro geral das finanças públicas, com alta do déficit fiscal. O
governo, porém, tinha criado sua própria agenda econômica e estava
determinado a não se afastar dela: em abril de 2012, a presidente da
República, Dilma Rousseff, foi à televisão anunciar a redução dos juros
reais e a elevação de limites de linhas de crédito para consumidores nos
bancos públicos; em maio, decidiu que reduziria no bolso do consumidor
a conta de energia elétrica; em agosto, divulgou um pacote de concessões
de rodovias, ferrovias e aeroportos com o objetivo de aumentar
investimentos, gerar empregos e melhorar as condições de infraestrutura
e de logística no país.
O programa colocado em prática durante o primeiro mandato de Dilma
Rousseff combinava ativismo estatal com a aposta na retomada industrial
do país. Incluía o uso intensivo do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social ( BNDES ) para investimento em empresas selecionadas
pelo governo e investia pesado na desoneração de tributos aos
empresários, no controle sobre a entrada de capitais estrangeiros e na
proteção ao produto nacional. Foi batizado como Nova Matriz Econômica.
Mas os resultados dessas políticas foram graves. Se é certo que o Brasil
teve de encarar os efeitos da segunda fase da crise financeira
internacional, dessa vez com epicentro na Europa, além do início do
processo de desaceleração na China, o principal impacto negativo veio
mesmo das escolhas econômicas feitas pelo governo. Ao forçar os juros
para baixo, Dilma Rousseff bateu de frente com o setor financeiro, que
viu ampliado o risco de crédito e reduzida a expectativa de lucro. Já as
isenções tributárias consumiram recursos públicos sem trazer benefícios
para a retomada do crescimento.
E os problemas que já se avolumavam no período anterior de sua gestão
chegaram nesse momento em forma de cachoeira, transbordando. Por
exemplo, o Tesouro Nacional teve de entrar com dinheiro para garantir o
corte de tarifas elétricas prometido pelo governo, a Petrobras arcou com
um prejuízo assustador — cerca de 50 bilhões de dólares até o final de
2014 — por conta de uma política artificial de contenção do preço dos
combustíveis controlada diretamente pela presidência da República, a
deterioração das contas públicas piorou as expectativas dosinvestidores
sobre o futuro da economia brasileira e a inflação subiu. Em 2015, a
economia estava em queda livre: o país entrou em recessão, a inflação
persistiu, o ciclo da alta dos juros foi reiniciado — a taxa batia em 14,25%
ao ano —, os investimentos desabaram, a contração da economia passou a
ameaçar o mercado de trabalho. Os sinais de alerta chegavam também de
fora do país, com as agências internacionais de risco e instituições de
controle econômico como o Fundo Monetário Internacional ( FMI ) e o
Banco Mundial anunciando a crise.
Uma coisa é a economia; outra, muito distinta, mas à sua maneira em
diálogo com ela, foram os sinais de alerta que começaram a cintilar nas
principais avenidas do país em manifestações que transbordavam
insatisfação social e uma espécie de clamor cívico. No dia 7 de junho de
2013, o Movimento Passe Livre ( MPL ), formado por militantes de diversos
partidos políticos, posicionados no campo das esquerdas, saiu às ruas, na
capital paulista, exigindo a revogação do aumento nas tarifas de
transporte. Surpreendentemente, porém, o que parecia ser apenas uma
reivindicação municipal produziu uma onda gigantesca que arrastou
consigo muita gente, projetos e esperança. Em junho de 2013, os
protestos ganharam novas avenidas, reunindo milhares de pessoas que
pareciam brotar de lugar nenhum e, ao mesmo tempo, de todos os
lugares. Eles varreram doze capitais e as grandes cidades brasileiras em
470 manifestações que revelavam um sentimento de insatisfação e de
frustração, além de defender uma agenda meio caótica de mudanças, que
questionava desde o alto salário dos jogadores de futebol até a baixa
remuneração dos professores; não perdoava os políticos e a corrupção;
criticava os gastos do governo com políticas que não investiam na
infraestrutura do país; e exigia reformas educacionais. Só não valia,
mesmo, usar os partidos tradicionais como forma de participação. 3 No
pacote, os manifestantes incluíam também os megaeventos que iriam
ocorrer no país nos próximos anos — a Copa das Confederações, em 2013,
a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. Conforme
anunciou assombrado o jornal Folha de S.Paulo , de 18 de junho de 2013:
“Milhares vão às ruas contra tudo”.
No calor da hora, a impressão que se tinha era essa mesma; que a
garrafa havia destampado e ninguém sabia como fechá-la. O estopim foi a
violenta polícia paulista, do governo de Geraldo Alckmin, do PSDB ,
responsável por reprimir uma mobilização, na noite de 13 de junho, na
avenida Paulista, e ferir 128 manifestantes. A brutalidade da repressão
policial virou a opinião pública, ganhou repercussão nacional e mudou a
escala das manifestações — no dia 13 de junho, cerca de 6500 pessoas
tinham ido à Paulista; no dia 17 de junho, eram 65 mil.
Se o sinal de alerta estava forte, difícil mesmo era decifrá-lo. “Em duas
semanas o Brasil que diziam que havia dado certo — que derrubou a
inflação, incluiu os excluídos, está acabando com a pobreza extrema e é
um exemplo internacional — foi substituído por outro país, em que o
transporte popular, a educação e a saúde públicas são um desastre e cuja
classe política é uma vergonha, sem falar na corrupção. Qual das duas
versões estará certa?”, indagou o crítico literário e ensaísta Roberto
Schwarz. 4 Não era só ele que andava perplexo — o governo demorou
quase um mês para apresentar alguma resposta. Apenas no final de
junho, com a popularidade despencando, Dilma Rousseff foi para a
televisão expor uma pauta bastante abstrata e de realização complexa em
contraposição às demandas da rua. A presidente falou de responsabilidade
fiscal, controle da inflação, realização de um plebiscito para a formação
de uma constituinte sobre reforma política, e novos investimentos nas
áreas de transporte, saúde e educação — mas não levou quase nada disso
adiante.
Também foi difícil observar que existia algo novo embutido nos
protestos. Na verdade, eles eram radicalmente diferentes de tudo o que
havia sido visto até então e iam muito além de uma sociedade que se
impacientava com a letargia administrativa e a insensibilidade do
governo. Vistas na sua generalidade, e no seu início, essas eram
manifestações críticas ao governo, animadas por uma aragem libertária,
um estilo de ativismo autonomista e um imaginário de retrocesso
político. A novidade era essa. Ideários antagônicos circulavam no mesmo
ambiente, suscitavam pautas e estilos de mobilização que funcionavam
como fator de repulsa e de atração em relação uns aos outros e não havia
debate.
Parte da novidade estava na forma que as manifestações assumiram a
partir de 2015. Aqueles protestos monumentais foram construídos por
movimentos, grupos e indivíduos que se organizavam de maneira
autônoma, abrigavam diversos estilos de ativismo, não usavam palanque
ou comandos estruturados, e sua convocação acontecia principalmente
pelas redes sociais. Mas, como toda moeda tem duas faces, a outra logo se
mostrou: os black blocs . Mascarados, com uma pose bastante marcial,
vestidos com cores escuras, defendiam uma postura libertária, mas
guardavam uma atitude padronizada, violenta e agressiva, buscando
imitar os grupos de autodefesa das passeatas em Seattle ou Berlim. Eles
entraram na cena pública nacional espatifando fachadas de
concessionárias, bancos e prédios do governo, e atacando com pedaços de
pau e com pedras as tropas policiais encarregadas de dissolver as
manifestações. 5 E existia ainda uma terceira parte dessa história, menos
evidente e mais complicada de visualizar, ao menos naquele momento:
montavam-se blocos mais homogêneos, com a participação social dos
manifestantes mais delimitada, a depender da pauta da passeata.
Nas bordas das manifestações de 2013 já se anunciava, porém, um
ativismo de pendor individualista, uma postura intransigente e pautada
no ódio, e cada vez menos afeita ao diálogo. 6 A convivência entre
diferenças políticas, que fazia parte integral das manifestações e que deu
ensejo a outras formas de fazer e de imaginar política — os coletivos, os
movimentos feministas, os movimentos LGBT s, os grupos antirracistas, os
movimentos de estudantes, e assim por diante —, pareceu sair do seu
lugar ou perder o antigo monopólio. Inesperadamente, o perfil político
dos protestos começou a se definir e os manifestantes começaram a se
dividir, a escala na participação social foi alterada, a dinâmica do
movimento se partiu e o Movimento do Passe Livre perdeu de vez o
controle das manifestações ou a definição de sua agenda.
Foi uma reviravolta e tanto. O país, que já vinha mostrando sinais de
divisão, literalmente rachou no decorrer das manifestações de 2015 e
2016. 7 O governo Dilma Rousseff se tornou, então, o principal alvo dos
protestos; o tema da corrupção firmou-se no centro da pauta. Grupos até
então inexpressivos, mas com discurso conservador e regressivo, como
aqueles que pediam a volta dos militares ao poder, e o recuo na pauta de
direitos civis e sociais avançaram sobre o veio principal das manifestações
e passaram a controlar parte importante dos atos. As consequências
foram ficando escancaradas: as esquerdas perderam o monopólio das
ruas; o centro, mais moderado, refluiu ou se alinhou à direita; o
concentrado de ódio contra os políticos em geral veio à tona e explodiu.
Os protestos continuaram a acontecer e a reunir milhares de pessoas,
mas as mudanças eram agora cristalinas. As manifestações estavam
apartadas; as pautas, contrastantes: o sujeito se mobilizava a favor ou
contra o governo. E ponto. Era a polarização experimentada mundo afora,
que ganhava agora sua versão tropical e brasileira. Manifestações a favor
aconteciam sempre durante a semana, em geral começavam depois das
dezoito horas, enchiam as ruas de roupas, bandeiras e faixas vermelhas, e
os manifestantes se dispunham a defender o PT a qualquer custo. Protestos
contra o governo federal ocorriam preferencialmente pela manhã, aos
domingos, e boa parte dos manifestantes vestia o uniforme verde e
amarelo da seleção brasileira. Exigiam o impeachment de Dilma Rousseffe denunciavam a associação de Lula e do PT com a corrupção. Traziam
também bonecos de plástico infláveis, com imagens de Lula e Dilma em
trajes de presidiários. 8
Os sinais de que alguma coisa andava muito mal no Brasil não chegaram
a tocar, porém, o poder público: não ainda. Mas continuaram a piscar. Em
março de 2014, a Polícia Federal quebrara o sigilo de um posto de
gasolina, em Brasília, que servia de biombo para doleiros envolvidos com
lavagem de dinheiro. A descoberta de que existia um posto de gasolina
propenso à lavagem de carros e de dinheiro acabou inspirando o nome da
operação da PF integrada com o Ministério Público Federal — “Lava Jato”. 9
O caminho do dinheiro acabava em Brasília, mas começava em uma
empresa de Londrina, no Paraná, e a operação ficou sob responsabilidade
da 2 a Vara da Justiça Federal, em Curitiba, comandada pelo juiz Sérgio
Moro — uma das diversas varas especializadas no crime de lavagem de
dinheiro espalhadas pelo país, desde 2003, por iniciativa do Conselho
Federal de Justiça. Não se tratava de coisa pequena, e logo os brasileiros
perceberiam o tamanho do buraco e a conta alta que vinha embutida na
operação. A investigação detonou um bilionário esquema de corrupção na
Petrobras que envolvia um punhado de altos funcionários da estatal, as
dezesseis maiores empreiteiras do país organizadas em cartel e os
principais partidos políticos brasileiros — PMDB , PP , PSD , PSDB , PT . Tudo
interligado: obras, contratos, suborno para políticos, partidos e
funcionários públicos. As empreiteiras se reuniam periodicamente para
acordar como iriam fraudar as licitações da Petrobras: combinavam
preços, faziam a partilha dos contratos e acertavam o percentual que seria
desviado para o pagamento de propinas aos funcionários e políticos
envolvidos e ao caixa dos partidos.
A investigação revelou as muitas pontas de um grande esquema de
corrupção — funcionários públicos, doleiros, empresários e políticos — e
demonstrou que a corrupção se viabilizou no Brasil, nos últimos trinta
anos, como uma forma de governar que encontrou condições de se
concretizar em todos os níveis da gestão pública — federal, estadual,
municipal. 10 Nunca tantos altos executivos e grandes empresários foram
presos no país. A lista incluiu os presidentes da Andrade Gutierrez, da
Camargo Corrêa, da OAS , da Queiroz Galvão e da UTC Engenharia, além dos
vice-presidentes da Engevix e da Mendes Júnior. Como se não bastasse,
em junho de 2015, a PF levou para a cadeia o engenheiro Marcelo
Odebrecht, presidente da maior empreiteira do país e do segundo maior
grupo privado brasileiro.
Ao lado das empreiteiras, e ainda em 2014, a investigação sediada em
Curitiba começou a revelar o grau de maturação e de entrosamento a que
chegou o relacionamento entre empresários e o sistema político
brasileiro. Sai governo, entra governo, empresas isoladamente ou em
cartel compram benefícios às empresas estatais e agências de poder; em
troca de tolerância e acesso ao Estado, dão dinheiro para políticos
individualmente e financiam o sistema partidário. A ponta do fio que
puxou o rolo da investigação veio do depoimento dos doleiros presos pela
PF , no Paraná — Alberto Youssef, Carlos Habib Chater, Nelma Kodama —,
e de Paulo Roberto da Costa, ex-diretor da Petrobras, também preso.
Segundo vários deles, a Petrobras havia sido dividida com a colaboração
dos diretores da empresa: cada diretoria cabia a um determinado partido
político, e vários operadores estavam encarregados da lavagem e da
distribuição do dinheiro.
A campanha eleitoral para a presidência da República teve início no
segundo semestre de 2014. Foi uma disputa difícil, que revelou um
eleitorado claramente dividido e facultou uma vitória apertada. No
segundo turno, restaram no páreo Dilma Rousseff, do PT , e Aécio Neves, do
PSDB , e os dois partidos cantaram vitória antes da apuração das urnas.
Mas, em 26 de outubro de 2014, Dilma Rousseff conquistou a reeleição:
54501118 votos (51,64%) contra 51041155 (48,36%) votos obtidos por Aécio
Neves. 11 O Brasil tinha rachado, pra valer, no voto.
Quatro dias após o anúncio da reeleição, Aécio Neves e o PSDB solicitaram
ao Tribunal Superior Eleitoral uma auditoria formada por técnicos
indicados pelos partidos políticos da coligação derrotada, para a
fiscalização de todo o processo eleitoral — alegavam que havia dúvida
sobre a lisura do resultado. Pretendia-se colocar sob suspeição a
legitimidade do mandato de Dilma Rousseff e assim anular sua eleição.
Era a primeira vez desde o fim da ditadura militar que um candidato
derrotado contestava o resultado eleitoral e tentava vetar a maioria
gerada nas urnas. O país se radicalizou, e ainda mais. A dicotomia foi
alavancada por grupos sociais distintos e fez com que o diálogo, que já era
difícil, fosse ficando impraticável. No espaço público, nos lugares mais
privados, a política virava motivo de contenda, e feia.
A presidente custou a se dar conta de que o motor da crise andava em
marcha acelerada. Durante toda a campanha, a candidata tinha insistido
que, com sua reeleição, o rumo da economia não seria alterado e que seu
governo jamais adotaria medidas restritivas ou recessivas — aliás, ao
contrário do que previa a agenda econômica apresentada pelo adversário.
Dilma inclusive sublinhou pontos que considerava intocáveis: de um lado,
a parcela de responsabilidade assumida pelo Estado junto à população,
para dar presença às suas demandas na forma de investimentos em
educação, saúde, moradia e assistência; do outro, a manutenção de
direitos sociais como férias, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e 13 o
salário. Depois de reeleita, Dilma Rousseff se entrincheirou, contudo, no
Palácio do Planalto, em Brasília, e, três semanas após a posse, em janeiro
de 2015, fez exatamente o contrário do que havia prometido. Começou o
governo executando um giro no roteiro econômico aprovado nas urnas
para o seu segundo mandato: descartou a agenda “desenvolvimentista”
com a qual se elegera, incluiu na mira das decisões econômicas mudanças
no seguro-desemprego, pensões por morte e abono salarial, e adotou um
projeto anti-intervencionista e ortodoxo, na prática muito próximo do
programa de seu adversário — muito semelhante ao que, segundo ela
repetira durante a campanha, traria “de volta a recessão, o desemprego, o
arrocho salarial, a política de desigualdade […]”. 12
Com sua manobra infeliz, que implicou avalizar uma política econômica
oposta àquela que prometera seguir, a presidente acabou reforçando o
argumento de que, diante do descalabro fiscal e da crise econômica em
que o país se encontrava, não existia alternativa para o desastre
econômico além de uma solução ortodoxa. As consequências do recuo
custaram caro ao governo. A presidente conseguiu desestabilizar o apoio
ao seu governo e forneceu nova munição à oposição, que queria colocar
sob suspeição a legitimidade do seu mandato.
Foi aí que provavelmente uma janela de oportunidade se abriu. Entre o
início do seu segundo mandato, em janeiro de 2015, e a votação do
impeachment no Senado, em agosto de 2016, cresceu o grupo dos que se
sentiram no direito de impor um veto à escolha democrática da
sociedade: uma questão era contestar a má administração do governo,
que ampliava a dívida do Estado a olhos vistos; outra era propor uma
mudança institucional, com manobras jurídicas bastante duvidosas, e
com o objetivo claro de tirar a presidente do poder.
Esse grupo reuniu um conjunto muito variado de interesses
politicamente hostis ao governo federal — empresários, industriais,
banqueiros, parlamentares, jornalistas, juízes, setores das classes médias
urbanas —, bastante favoráveis a adaptar a lei a seus interesses políticos
imediatos. 13 Saiu daí uma espécie de coalizão oposicionista capaz de
dispensar comando unificado, que operava de maneira autônoma, mas
com coincidência de objetivos. Além do mais, encontraram um
denominador comum — a derrubada do governo. Essa coalizão tinha
competência para mobilizar as ruas e agregar um punhado de lideranças
parlamentaresdispostas a atuar como executores de ações contrárias aos
interesses do governo dentro e fora do Congresso Nacional — entre eles,
Eduardo Cunha, o então presidente da Câmara dos Deputados; Michel
Temer, o então vice-presidente da República e presidente do PMDB ; e Aécio
Neves, o senador e então presidente do PSDB .
Em um ano e meio, desabou sobre o governo de Dilma Rousseff uma
sucessão inacreditável de crises. A lista era grande: o desemprego e a
economia andavam cada vez piores; as denúncias de corrupção chegavam
a toda hora de Curitiba, com intenso foco inicial no PT e, sobretudo, em
Lula; os protestos e a intolerância cresciam rápido nas ruas; o Congresso
Nacional boicotava sistematicamente as iniciativas do governo, na mesma
proporção em que o vice-presidente da República conspirava abertamente
pela queda da titular. Para piorar o que já vinha mal, o rompimento da
barragem de Fundão, em Mariana, no estado de Minas Gerais, provocou o
maior desastre ambiental já conhecido no país, com vítimas fatais. Junto
com ele, chegaram os surtos de zika vírus e de dengue, que ajudaram a
revelar a falta de controle do governo, além de uma política pouco
definida nessas áreas. 14 Nem a derrota do Brasil contra a Alemanha, por 7
a 1, na Copa do Mundo de 2014, abalou tanto os nervos dos brasileiros. Se
até lá o apagão parecia se concentrar no campo de futebol, agora ele
invadia o dia a dia dos brasileiros.
A coalizão oposicionista amparou-se, então, num claro pragmatismo: era
preciso avalizar o final do governo, ajuizar sobre quem deveria assumir o
comando interinamente e ter certeza acerca das alterações que seriam
indispensáveis no curto prazo. Montou-se, então, um verdadeiro roteiro
político com a explicação de que a crise estava vinculada sobretudo ao
governo e à personalidade de Dilma Rousseff. Mas existiu uma novidade
política importante na consecução desse roteiro: ele manteve intocado o
ritual democrático. Fazer uso de procedimentos rotineiros da Democracia
e obedecer formalmente à letra das leis vigentes no país em favor de
objetivos contrários aos valores democráticos preservados pelas
instituições era uma manobra política inédita na história brasileira.
Serviu de base do processo o recurso das chamadas “pedaladas fiscais”. O
termo é usado pelos técnicos da área econômica para indicar a
postergação pela União de um pagamento de um mês para o outro ou de
um ano para o outro. O expediente das pedaladas engorda o caixa do
Tesouro e permite inflar artificialmente o superávit primário, de modo a
criar a ficção de que o resultado obtido pelo governo melhorou — e esse
fora um procedimento já utilizado por gestões anteriores do governo
federal. Já a metáfora se aplica perfeitamente ao caso — afinal, se um
ciclista parar de pedalar, a bicicleta tomba. 15
O pedido de impeachment foi acolhido pelo então presidente da Câmara
dos Deputados, Eduardo Cunha, do PMDB , em dezembro de 2015. Cunha
revelou-se um líder fortíssimo, e que elevou o processo de corrupção no
Congresso a um novo patamar graças à sua estratégia de obter
financiamento ilegal para campanhas de cerca de cem candidatos a
deputado federal. Sua força política vinha da liderança que exercia sobre
um bloco coeso, e de natureza fisiológica, composto por cerca de 250
parlamentares de oito diferentes partidos políticos — o chamado
“blocão”. Além do mais, Cunha era adversário do governo desde 2014, a
quem emparedava e chantageava nas votações. O pedido de afastamento
da presidente da República foi aceito pela Câmara dos Deputados em 17
de abril de 2016, e o Senado Federal confirmou o impeachment de Dilma
Rousseff em 31 de agosto de 2016. Eduardo Cunha foi preso, por
determinação do juiz Sérgio Moro, de Curitiba, e posteriormente
condenado a quinze anos de prisão, acusado de corrupção, evasão de
divisas e lavagem de dinheiro. 16
Vai demorar algum tempo para que possamos compreender tudo o que
aconteceu no Brasil entre os anos de 2015 e 2017. Fazer uso de
procedimentos rotineiros, obedecer formalmente à letra das leis vigentes
no país, mas usá-los em favor de objetivos contrários aos valores
democráticos preservados pelas instituições, é uma manobra, que foi
apresentada e aceita por parte da população sem o devido juízo crítico e
sem a avaliação do custo dessa operação para a própria Democracia
brasileira. 17
Hoje, todo mundo ou quase todos concordam que a presidente praticou
infração administrativa grave, além de descumprir a meta fiscal vigente à
época e gastar, inclusive em ano eleitoral, uma receita que seu governo
estava longe de possuir. A outra certeza é de que se tratou de um
expediente justificado por um Congresso em que grande parte de seus
membros está acusada de corrupção. A infração era grave, porém os
agentes que usaram o impeachment como recurso tinham agenda clara:
permanecer no poder a partir dos mesmos artifícios que criticaram ou
que impediram a presidente. A pergunta inevitável é: o uso desse
expediente cria uma situação em que o afastamento excepcional de um
governante eleito se torna recomendável em nome do bem público?
Afinal, a brecha legal aberta pelos congressistas era feita com interesses
semelhantes ou ainda mais espúrios do que os de Dilma Rousseff, acusada
de governar ineptamente.
A senadora Rose de Freitas, do PMDB , líder do governo provisório de
Michel Temer, foi direta em uma entrevista que concedeu às vésperas da
votação do impeachment: as pedaladas eram um pretexto formal e Dilma
Rousseff caiu pelo “conjunto da obra”. “Por que o governo saiu? Na minha
tese, não teve esse negócio de pedalada, nada disso. O que teve foi um
país paralisado, sem direção e sem base nenhuma para administrar. A
população não queria mais e o Congresso também não dava a ela os votos
necessários para tocar nenhuma matéria.” 18 A senadora foi sincera, mas a
justificativa do ajuste econômico necessário virava prova frágil, difícil de
sustentar. Não existia também a unanimidade da opinião pública, como
ocorreu, por exemplo, em 1992, com o então presidente Fernando Collor
de Mello. A população ainda estava dividida: em 13 de março, cerca de
500 mil pessoas foram à avenida Paulista gritar “Fora, Dilma” e bater
panelas nas janelas de suas casas; cinco dias depois, com um número um
tanto menor, 100 mil ocuparam a mesma avenida em defesa do governo
— “Não vai ter golpe”, estampavam os cartazes.
Um sinal eloquente do que andava acontecendo no país foi aceso pela
decisão da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal de erguer
uma cerca metálica de dois metros de altura em toda a extensão da
Esplanada dos Ministérios, bem no dia da votação do impeachment de
Dilma Rousseff. O objetivo era claro, quase didático: separar a população
que quisesse se manifestar a favor ou contra. O muro representava de
maneira real, e não mais simbolicamente, a divisão do país, agora
instalada na capital do Brasil. Para a oposição, a saída da crise nacional
dependia do ataque duro ao governo do PT , responsável, segundo eles, pelo
absoluto desgoverno em que se encontrava o país. Acreditavam, ainda,
que o milagre viria das mãos do então vice-presidente Michel Temer, que
montaria uma nova equipe com capacidade de acabar com a crise em
curto tempo. Já os que apoiavam o governo denunciavam o que
chamavam de “golpe”; uma tentativa de obstruir um processo
democrático que vinha se consolidando no longo curso. Havia também os
que questionavam a lisura de todo o processo. “Paralisia, falta de rumo e
incapacidade administrativa podem ser motivos para se desejar a
deposição de um governo, e milhões de pessoas foram para a rua pedindo
isso, mas são insuficientes para instruir um processo de impedimento”,
anotou o jornalista Elio Gaspari em sua coluna na Folha de S.Paulo , um dia
antes da votação do impeachment. Didático, explicou a razão: não está na
Constituição. 19
O impeachment de Dilma Rousseff escancarou a profundidade da crise
que se instalava no país. E o processo se agudizou com uma descrença
bastante generalizada na política e nos políticos. Aliás, o que veiodepois
não fechou a fatura, e não foram poucos os exemplos de mau uso da
máquina do Estado: em vez de se mostrarem ainda mais vigilantes diante
dos valores democráticos e dos ganhos sociais conquistados pelos últimos
governos, muitos dos políticos que assumiram o poder voltaram a, ou
nunca haviam deixado de, praticar todo tipo de expediente —
patrimonialismos, clientelismos e práticas fisiológicas — e cada vez mais
abertamente.
A Democracia, no Brasil, corre o risco de trincar? A questão não se
resolve tão cedo e é certo que a experiência democrática fica vulnerável se
e quando a sociedade fecha um olho para a proteção de seu catálogo de
direitos. Em uma sociedade profundamente desigual, como a brasileira, o
foco da descaracterização se projeta, de imediato, sobre os direitos sociais
e sobre as garantias constitucionais desses direitos: o seu financiamento
pelo Estado. 20
Instituições não se protegem sozinhas, e utilizar as regras do jogo
democrático contra elas acaba por miná-las, de dentro para fora. Vale
insistir nesse ponto. Afinal, entre as primeiras medidas do governo Michel
Temer estavam a extinção das secretarias especiais ligadas a direitos, com
status de ministério, que tinham como objetivo igualar um país tão
desigual como o Brasil e de promover a inclusão social — as secretarias
que visavam proteger mulheres, indígenas, afrodescendentes,
quilombolas. Mas foi com a formação do seu ministério que Temer
escancarou a falta de pluralidade: só homens brancos, em boa parte da
mesma geração e condição social, figuravam na foto do novo gabinete.
No Brasil, foi se desenhando, também, um desequilíbrio nas funções e
no compartilhamento do poder. A dinâmica de forças se alterou
radicalmente entre as agências encarregadas de distribuição do poder,
sendo notável, mesmo no espaço curto de tempo, uma profunda retração
de autoridade no Executivo e no Legislativo. Não colocaram limites nem
às práticas clientelistas, nem à corrupção. Atualmente, no país, estão
fortemente prejudicadas a capacidade administrativa, a legitimidade e a
reputação do Executivo e do Congresso Nacional. Já com o Judiciário
aconteceu o contrário — ele se expandiu e segue alargando cada vez mais
suas fronteiras. Perdido o equilíbrio, o perigo é que um desses poderes se
entenda como espelho virtuoso e único da sociedade. Se é de fato
fundamental combater a corrupção que virou prática enraizada e (quase)
naturalizada em nosso Estado, é também preciso que as agências do
Estado retomem o equilíbrio de funções e o compartilhamento do poder,
de modo que cada uma delas consiga se proteger contra as intrusões das
outras enquanto exerce todo o poder que lhe cabe dentro de sua própria
esfera de atuação. E o único mecanismo capaz de impedir a tendência
abusiva do poder chama-se Constituição.
Embora seja importante lembrar que o procedimento, a prática e as
condições de enfrentamento da corrupção tenham se alterado muito no
país nos últimos trinta anos, da mesma maneira enrijeceu-se uma visão
estritamente moral que não raro joga no ônus pessoal o que pertence,
sim, ao indivíduo, mas é também parte de uma cultura política mais
ampla, e que precisa ser combatida da mesma forma. Essa redução da
esfera do político a uma crítica moral, individual e fisiológica se
expressou também sob a forma de um ativismo barulhento de quem
parece ter se acostumado a viver numa montanha-russa, que tomou o
cotidiano dos brasileiros, que consomem notícias como assistem a um
episódio de seriado. Contudo, o que chama muito a atenção é como a
indignação do cidadão brasileiro, que foi para as ruas entre 2015 e 2016
com a convicção de que seria por meio do direito penal que a corrupção
iria acabar no país, ao que parece se extinguiu. Ou foi integralmente
consumida em agosto de 2016. Agora ninguém mais sai às ruas.
E mesmo passado um breve tempo, continua difícil entender o motivo
que fez com que as grandes manifestações de rua contra a corrupção
desaparecessem no Brasil. Também não sabemos responder por que razão
isso aconteceu precisamente num momento em que ainda crescem
denúncias de fisiologismo e desvio de dinheiro público sobre as
autoridades políticas. De um lado, o PT , um dos grandes protagonistas da
construção da Democracia brasileira, tem fracassado sistematicamente
em dois pontos importantes: retomar a tradição de um partido que não
transige nas questões de corrupção e explicar à sociedade brasileira as
acusações de corrupção que atingem o partido e vários de seus dirigentes
e líderes partidários. De outro, e do lado do governo, a situação está longe
de ser saneada. Menos de um ano após a votação do impeachment de
Dilma Rousseff, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal,
determinou a abertura de inquérito contra oito ministros do atual
governo. Além deles, a lista de inquéritos incluiu os presidentes da
Câmara e do Senado, 24 senadores, quarenta deputados federais, três
governadores e todos os ex-presidentes eleitos após 1988, com exceção de
Tancredo Neves e Itamar Franco. O candidato derrotado nas urnas por
Dilma Rousseff, Aécio Neves, encontra-se entre os indiciados. As suspeitas
são: corrupção, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, fraude e cartel.
Também estão envolvidos em acusações de desvio de recursos públicos
junto às agências de governo e de financiamento ilícito de campanhas
eleitorais os principais partidos políticos — DEM , PDT , PMDB , PP , PSDB . Já o
presidente Michel Temer fez o que pôde para se salvar da denúncia de
corrupção passiva, encaminhada pelo procurador-geral da República, e
impedir que a investigação perseverasse. Para tanto, substituiu deputados
na Comissão de Constituição e Justiça, liberou emendas no Orçamento,
negociou cargos nos ministérios, no segundo e no terceiro escalões do
governo, fez concessões a deputados de todos os partidos, inclusive
concessões na área ambiental. 21
No momento em que escrevemos este texto, a crise se agudiza. Ela
contém, porém, uma chance, talvez pequena, de levarmos a sério
perguntas que precisam ser feitas e de avaliarmos a oportunidade de
gerar uma mudança que produza sentido no espaço da palavra e da ação
— no mundo público, no campo da política.
Já escrevemos que a história do Brasil não traz uma perspectiva de
destino — ela é feita de escolhas, projetos e de suas consequências. Aliás,
essa não é a primeira vez que o país enfrenta crises de grande
envergadura e proporção. De perto, porém, tudo parece agigantado e sem
futuro ou saída possível. Mas, se a história ajuda a lembrar o passado, ela
há de revelar como em vários momentos o país foi obrigado a procurar a
si próprio e, por sinal, sempre se encontrou.
Belo Horizonte e São Paulo, agosto de 2017.
1. Para indicadores e qualidade da democracia brasileira, ver Leonardo Avritzer, Impasses da
democracia no Brasil (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016); Fabiano Santos e José Szwako,
“Impasses políticos e institucionais no cenário atual”, em André Botelho e Heloisa Murgel Starling
(Orgs.), República e democracia: Impasses no Brasil contemporâneo (Belo Horizonte: Ed. da UFMG
, 2017); Robert Dahl, Polyarchy: Participation and Opposition (New Haven: Yale University Press,
1971).
2. Para a conjuntura econômica e a definição de políticas econômicas, ver André Singer, “A (falta
de base) política para o ensaio desenvolvimentista”, em André Singer e Isabel Loureiro (Orgs.), As
contradições do lulismo: a que ponto chegamos? (São Paulo: Boitempo, 2016); André Singer,
“Cutucando onças com varas curtas: o ensaio desenvolvimentista no primeiro mandato de Dilma
Rousseff (2011-2014)”, Novos estudos (São Paulo, Cebrap, n. 102, jul. 2015); Claudia Safatle,
João Borges e Ribamar Oliveira, Anatomia de um desastre: Os bastidores da crise econômica que
mergulhou o país na pior recessão de sua história (São Paulo: Portfolio-Penguin, 2016); Brasílio
Sallum Junior, “A crise política de 2015-16: para além da conjuntura”, em André Botelho e
Heloisa Murgel Starling (Orgs.), op. cit.; Miriam Leitão, A verdade é teimosa: Diários dacrise que
adiou o futuro (Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015).
3. Para as manifestações de 2013 e as que se seguiram até agosto de 2016, ver Angela Alonso,
“Protestos em São Paulo de Dilma a Temer”, em André Botelho e Heloisa Murgel Starling (Orgs.),
op. cit.; André Singer, “Brasil, junho de 2013: classes e ideologias cruzadas”, Novos Estudos (São
Paulo, Cebrap, n. 97, nov. 2013); Marcos Nobre, Choque de democracia: Razões da revolta (São
Paulo: Companhia das Letras, 2013); Eugênio Bucci, A forma bruta dos protestos: Das
manifestações de junho de 2013 à queda de Dilma Rousseff em 2016 (São Paulo: Companhia das
Letras, 2016); João Feres Junior et al., “A mídia impressa na cobertura das manifestações de
junho” (Caxambu: Anpocs, 2014).
4. Roberto Schwarz, “Sobre Cidades rebeldes ”, em Raquel Rolnik et al., Cidades rebeldes: Passe
Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil (São Paulo: Boitempo, 2013. p. 3).
5. Para black blocs, ver Eugênio Bucci, op. cit.; Francis Dupuis-Déri, Black blocs (Trad. de
Guilherme Miranda. São Paulo: Veneta, 2014). Para uma visão diferente sobre a atuação desses
grupos, ver Luiz Eduardo Soares, Entrevista com um vândalo (peça de teatro, 2014).
6. Para o ativismo autonomista e o movimento dos repertórios antagônicos em disputa, ver Angela
Alonso, op. cit.
7. Para situar o momento da reviravolta, ver Leonardo Avritzer, op. cit. (especialmente o capítulo
3); Angela Alonso, op. cit.
8. Para as manifestações de domingo, ver Eugênio Bucci, op. cit.
9. Para a Operação Lava Jato e seus desdobramentos, ver Rodrigo de Almeida, À sombra do poder:
os bastidores da crise que derrubou Dilma Rousseff (São Paulo: Leya, 2016); Claudia Safatle,
João Borges e Ribamar Oliveira, op. cit.; Vladimir Netto, Lava Jato: O juiz Sergio Moro e os
bastidores da operação que abalou o Brasil (Rio de Janeiro: Primeira Pessoa, 2016); Paulo M.
Leite, A outra história da Lava Jato: Uma investigação necessária que se transformou numa
operação contra a democracia (São Paulo: Geração Editorial, 2015).
10. Para o fenômeno da corrupção e para sua compreensão no caso brasileiro, ver Leonardo
Avritzer, Newton Bignotto, Juarez Guimarães e Heloisa Starling (Orgs.), Corrupção: Ensaios e
críticas (Belo Horizonte: Ed. da UFMG , 2012); Céli Regina Jardim Pinto, A banalidade da
corrupção: uma forma de governar o Brasil (Belo Horizonte: Ed. da UFMG , 2011); Bruno Wanderley
Reis, “Financiando os que vão ganhar”, Folha de S.Paulo , 18. set. 2016. Ilustríssima, pp. 4-5.
11. Para as eleições de 2014 e seus desdobramentos, ver Rodrigo de Almeida, op. cit.; Claudia
Safatle, João Borges e Ribamar Oliveira, op. cit.
12. Marcos de Moura e Souza, “Dilma diz que PSDB quer ‘trazer de volta recessão e desemprego’”.
Valor Econômico , 30 maio 2014. Para a guinada na política econômica e suas consequências, ver
André Singer, “A (falta de base) política para o ensaio desenvolvimentista”, op. cit.; Brasílio
Sallum Junior, op. cit.
13. Para agentes políticos de oposição e fabricação dos seus mecanismos de intervenção, ver
Wanderley Guilherme dos Santos, A democracia impedida: O Brasil no século XXI (Rio de Janeiro:
FGV , 2017); Fábio Wanderley Reis, “Crise política: a ‘opinião pública’ contra o eleitorado”, em
Luis Felipe Miguel e Flávia Biroli (Orgs.), Encruzilhadas da democracia (Porto Alegre: Zouk,
2017).
14. Para crises do segundo governo de Dilma Rousseff, ver Rodrigo de Almeida, op. cit.
15. Para “pedaladas fiscais” e o processo de impeachment, ver Rodrigo de Almeida, op. cit.;
Claudia Safatle, João Borges e Ribamar Oliveira, op. cit.
16. Até o momento em que escrevemos este texto, o deputado ainda se encontra encarcerado.
Para Eduardo Cunha, ver Rodrigo de Almeida, op. cit.; Leonardo Avritzer, “Democracia no Brasil:
do ciclo virtuoso à crise política aberta”, em André Botelho e Heloisa Murgel Starling (Orgs.), op.
cit.
17. Para a utilização do ritual democrático e sua originalidade no Brasil, ver Wanderley Guilherme
dos Santos, op. cit.; Fabiano Santos e José Szwako, op. cit.
18. Marina Dias, “Líder do governo rejeita pedaladas e defesa de Dilma usará fala em processo”.
Folha de S.Paulo , 25 jun. 2016.
19. Elio Gaspari, “Há golpe”. Folha de S.Paulo , 29 jun. 2016. Para a cerca metálica e seu
simbolismo político, ver Angela Alonso, op. cit.
20. Para a possibilidade de minar por dentro instituições democráticas no Brasil, ver Newton
Bignotto, “O fascismo no horizonte”. Cult , n. 212, 6 maio 2016.
21. Para os inquéritos, ver “Oito ministros, comando do Congresso e 24 senadores são
investigados no STF ”. Folha de S.Paulo , 12 abr. 2017, pp. A1-A11. Os expedientes negociados
por Michel Temer no Congresso Nacional foram noticiados quase diariamente pelos jornais O
Globo e Folha de S.Paulo entre os meses de junho e agosto de 2017.
LEIA MAIS EM BRASIL: UMA BIOGRAFIA
Com linguagem fluente, acesso a documentação inédita e profundo rigor na
pesquisa, Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Murgel Starling traçam um retrato de
corpo inteiro do país, e mostram que o Brasil bem merecia uma nova história.
Aliando texto acessível e agradável, vasta documentação original e rica
iconografia, Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Starling propõem uma nova
(e pouco convencional) história do Brasil.
Nessa travessia de mais de quinhentos anos, se debruçam não somente
sobre a “grande história” mas também sobre o cotidiano, a expressão
artística e a cultura, as minorias, os ciclos econômicos e os conflitos
sociais (muitas vezes subvertendo as datas e os eventos consagrados pela
tradição). No fundo da cena, mantêm ainda diálogo constante com
aqueles autores que, antes delas, se lançaram na difícil empreitada de
tentar interpretar ou, pelo menos, entender o Brasil.
A história que surge dessas páginas é a de um longo processo de
embates e avanços sociais inconclusos, em que a construção falhada da
cidadania, a herança contraditória da mestiçagem e a violência aparecem
como traços persistentes.
“Biografar é, por essência, a tentativa de contar a trajetória de uma
determinada existência a partir da observação e do confronto entre duas
esferas específicas - a pública e a privada -, sempre na busca de um
entendimento mais claro sobre o quanto (e de que modo) ambas se
impactaram mutuamente. É isso que propõe este livro: estabelecer
conexões entre o pano de fundo da chamada grande história com
aspectos do cotidiano, da vida privada e do ambiente artístico e cultural,
nos mais diferentes períodos e momentos vividos pelo Brasil e pelos
brasileiros. As autoras, com singular competência, conseguem aliar
clareza e consistência, densidade e fluidez, rigor histórico e prazer do
texto.” - Lira Neto
“Este livro é uma biografia não autorizada de um personagem complexo
chamado Brasil. Ele combina com muita qualidade várias facetas desse
personagem que se forma e se transforma ao longo de mais de cinco
séculos, e continua se transformando até onde a vista pode alcançar.” -
Boris Fausto
“Estamos diante de uma biografia não autorizada do Brasil, livre de
esquemas rígidos de interpretação, de oficialismos, de preocupações de
exaltar ou condenar. Trata-se de relato interpretativo novo, desafiador,
vazado em linguagem transparente, alheia a jargões acadêmicos. O leitor
reconhecerá nele o país em que vive, com suas luzes e sombras, e se
sentirá encorajado a participar da aventura de o construir.” - José Murilo
de Carvalho
“Há tempos precisávamos de uma história do Brasil abrangente, sensível e
ancorada em pesquisa rigorosa. Um trabalho que ao mesmo tempo
reconhecesse os avanços extraordinários dos últimos cinco séculos mas
que também tratasse com franqueza dos muitos obstáculos para a
constituição de uma cidadania social, política e racial plena. Vem assim
muito a calhar este extraordinário tour de force de duas das maiores
historiadoras brasileiras da atualidade.” - Kenneth Maxwell
Sobre as autoras
LILIA MORITZ SCHWARCZ (1957) é professora titular do Departamento de
Antropologia da Universidade de São Paulo (USP ), pesquisadora do CNP q e
global scholar na Universidadede Princeton. É autora de O espetáculo das
raças (1993) e As barbas do imperador (1998), entre outros livros.
HELOISA MURGEL STARLING (1956) é professora titular da Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG ) e autora de Os senhores das Gerais (1986), Lembranças
do Brasil (1999) e Uma pátria paratodos (2009).
Copyright © 2018 by Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Murgel Starling
Grafia atualizada segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, que entrou em
vigor no Brasil em 2009.
Capa Sarah Bonet sobre projeto de Victor Burton
Projeto gráfico Victor Burton e Luisa Primo
Preparação Ana Maria Alvares
ISBN 978-85-5451-076-3
Todos os direitos desta edição reservados à
EDITORA SCHWARCZ S.A.
Rua Bandeira Paulista, 702, cj. 32
04532-002 — São Paulo — SP 
Telefone (11) 3707-3500
Fax (11) 3707-3501
www.companhiadasletras.com.br
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Lima Barreto - Triste visionário
Schwarcz, Lilia Moritz
9788543809892
704 páginas
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Prêmio APCA 2017 de melhor biografiaEm monumental biografia de Lima
Barreto, Lilia Moritz Schwarcz investiga as origens, a trajetória e o destino
do escritor carioca sob a ótica racial no Rio de Janeiro da Primeira
República.Durante mais de dez anos, Lilia Moritz Schwarcz mergulhou na
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obra de Afonso Henriques de Lima Barreto, com seu afiado olhar de
antropóloga e historiadora, para realizar um perfil biográfico que
abrangesse o corpo, a alma e os livros do escritor de Todos os Santos.
Esta, que é a mais completa biografia de Lima Barreto desde o trabalho
pioneiro de Francisco de Assis Barbosa, lançado em 1952, resulta da
apaixonada intimidade de Schwarcz com o criador de Policarpo Quaresma
— e de um olhar aguçado que busca compreender a trajetória do
biografado a partir da questão racial, ainda pouco discutida nos trabalhos
sobre sua vida. Abarcando a íntegra dos livros e publicações na imprensa,
além dos diários e de outros papéis pessoais de Lima Barreto, muitos deles
inéditos, a autora equilibra o rigor interpretativo demonstrado em Brasil:
Uma biografia e As barbas do imperador com uma rara sensibilidade para
as sutilezas que temperam as relações entre contexto biográfico e criação
literária. Escritor militante, como ele mesmo se definia, Lima Barreto
professou ideias políticas e sociais à frente de seu tempo, com críticas
contundentes ao racismo (que sentiu na própria pele) e outras mazelas
crônicas da sociedade brasileira. Generosamente ilustrado com fotografias,
manuscritos e outros documentos originais, Lima Barreto: Triste visionário
presta um tributo essencial a um dos maiores prosadores da língua
portuguesa de todos os tempos, ainda moderno quase um século depois de
seu triste fim na pobreza, na doença e no esquecimento.
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Uma história do samba: As origens
Neto, Lira
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Um dos maiores biógrafos do Brasil conta a história de nosso gênero
musical por excelência: o samba.Depois da aclamada trilogia biográfica de
Getúlio Vargas, Lira Neto se lançou ao desafio de contar a história do
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samba urbano. Em sua nova empreitada (de fôlego!), o escritor cearense
pretende retraçar, com sua verve narrativa singular, o percurso completo
desse ritmo sincopado que é um dos sinônimos da brasilidade. Em virtude
da riqueza e da amplitude do material compilado, recheado de documentos
inéditos e registros fotográficos, o projeto será desdobrado em três volumes
- neste primeiro, Lira leva o leitor das origens do samba até o desfile inicial
das escolas de samba no Rio. O samba carioca nasceu no início do século
XX a partir da gradativa adaptação do samba rural do Recôncavo baiano ao
ambiente urbano da então capital federal. Descendente das batidas afro-
brasileiras, mas igualmente devedor da polca dançante, o gênero encontrou
terreno fértil nos festejos do Carnaval de rua. Nas décadas de 1920 e 1930,
com o aprimoramento do mercado fonográfico e da radiodifusão,
consolidou seu duradouro sucesso popular, simbolizado pelo surgimento
das primeiras estrelas do gênero e pela fundação das escolas de samba.
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Folha de lótus, escorregador de mosquito
Reinach, Fernando
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332 páginas
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Nesta segunda coletânea de crônicas do biólogo Fernando Reinach,
reencontramos sua fórmula única de humor, boa prosa, inventividade e
rigor científico.A curiosidade apaixonada do biólogo Fernando Reinach o
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faz percorrer semanalmente as principais revistas científicas do mundo,
procurando casos singulares e inspiradores que ele compartilha com os
leitores de sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo. São descrições
divertidas e ricamente ilustradas de diversos comportamentos que nossa
espécie observou nos seres vivos, em si própria e até mesmo em sua
mente. Publicadas entre 2010 e 2017, as crônicas reunidas neste volume
são tão informativas quanto cheias de graça. Reinach discorre sobre a
visão 3-D das aranhas, o sexto sentido das baratas, a sexualidade das
várias espécies, o comportamento de macacos diante do espelho,
experimentos de neurociência com pastilhas M&M's ou a sociedade de
cupins em que os idosos explodem para defender o ninho. Folha de lótus,
escorregador de mosquito é um passeio inesquecível pelas lentes de
microscópios dos principais cientistas do mundo, em que conhecemos
também um pouco mais sobre nós mesmos.
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A descoberta da escrita
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No quinto volume da série Minha luta, Knausgård expõe com maestria e
riqueza de detalhes seus anos de formação como escritor.Aqueles que
acreditam que o talento literário se resume a uma vocação inata não podem
deixar de ler A descoberta da escrita, quinto volume da série que
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ultrapassou as fronteiras da Noruega para ganhar o restante do mundo,
consagrando-se como um dos maiores sucessos literários dos últimos
tempos. Neste romance autobiográfico, o autor percorre seus anos de
estudante de escrita criativa na cidade universitária de Bergen. Com a
honestidade que lhe é característica, explicita as dificuldades e frustrações
que permeiam o caminho de todo aspirante a romancista: "eu sabia pouco,
queria muito e não conseguia nada", confessa o narrador. Às intempéries
da formação de escritor somam-se os conflitos e inseguranças da
juventude, permeados por episódios de bebedeira, brigas, insucessos
românticos e toda sorte de golpes ao narcisismo pueril daquele que viria a
se tornar o maior escritor vivo da Noruega.
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A cidade dorme
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Em vinte narrativas, uma reflexão sobre o Brasil, as relações familiares e a
memória.Luiz Ruffato adentra o labirinto das formas breves neste A cidade
dorme. O volume reúne vinte narrativas escritas nos últimos quinze anos
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pelo autor. Juntas, compõem um painel poderoso sobre a passagem do
tempo e as dinâmicas da família e da memória.A partir de um ponto de
vista pouco presente na literatura brasileira, o do trabalhador urbano,
Ruffato tece uma reflexão contundente sobre o Brasil dos grandes centros
e periferias. O percurso é claro: da infância à idade adulta, da margem ao
miolo nervoso das metrópoles e da linguagem. A meninice nos anos 1960;
histórias sobre futebol ea ditadura; questões ligadas à violência urbana; o
universo das drogas, tudo vai se mesclando neste livro, que confirma o
lugar único de Luiz Ruffato na literatura contemporânea brasileira.
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