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Área de Ciências Humanas 
e Sociais Aplicadas
ENSINO MÉDIO
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MANUAL DO 
PROFESSOR
Área de Ciências Humanas 
e Sociais Aplicadas
ENSINO MÉDIO
Cláudio Vicentino
Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP)
Professor de História no Ensino Médio e em cursos pré-vestibulares. Autor 
de obras didáticas e paradidáticas para Ensino Fundamental e Ensino Médio
Eduardo Campos
Bacharel e licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP)
Mestre em Educação pela Universidade de São Paulo (USP)
Coordenador educacional e pedagógico do Ensino Fundamental (anos finais) 
e do Ensino Médio. Professor na Educação Básica e no Ensino Superior
Eustáquio de Sene
Bacharel e licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP)
Mestre e doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP)
Professor de Geografia do Ensino Médio na rede pública e em escolas parti-
culares. Professor de Metodologia do Ensino de Geografia na Faculdade de 
Educação da Universidade de São Paulo por 5 anos
1a edição, São Paulo, 2020
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Presidência: Paulo Serino
Direção editorial: Lauri Cericato
Gestão de projeto editorial: Heloisa Pimentel 
Gestão de área: Brunna Paulussi
Coordenação de área: Carlos Eduardo de Almeida Ogawa
Edição: Izabel Perez, Tami Buzaite e Wellington Santos 
Planejamento e controle de produção: Vilma Rossi e Camila Cunha
Revisão: Rosângela Muricy (coord.), Alexandra Costa da Fonseca, 
Ana Paula C. Malfa, Ana Maria Herrera, Carlos Eduardo Sigrist, 
Flavia S. Vênezio, Heloísa Schiavo, Hires Heglan, Kátia S. Lopes Godoi, 
Luciana B. Azevedo, Luís M. Boa Nova, Luiz Gustavo Bazana, 
Patricia Cordeiro, Patrícia Travanca, Paula T. de Jesus, 
Sandra Fernandez e Sueli Bossi
Arte: Claudio Faustino (ger.), Erika Tiemi Yamauchi (coord.), 
Keila Grandis (edição de arte), Arte Ação (diagramação)
Iconografia e tratamento de imagens: Roberto Silva (coord.), 
Evelyn Torrecilla (pesquisa iconográfica), Cesar Wolf (tratamento de imagens)
Licenciamento de conteúdos de terceiros: Fernanda Carvalho (coord.), 
Erika Ramires e Márcio Henrique (analistas adm.)
Ilustrações: Cassiano Röda e Fórmula Produções
Cartografia: Mouses Sagiorato e Portal de Mapas
Design: Luis Vassallo (proj. gráfico, capa e Manual do Professor) 
Foto de capa: moodboard/Getty Images
Todos os direitos reservados por Editora Ática S.A.
Avenida Paulista, 901, 4o andar
Jardins – São Paulo – SP – CEP 01310-200
Tel.: 4003-3061
www.edocente.com.br
atendimento@aticascipione.com.br
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
Angélica Ilacqua - CRB-8/7057
2020
Código da obra CL 720008
CAE 729791 (AL) / 729792 (PR)
1a edição
1a impressão
De acordo com a BNCC.
Envidamos nossos melhores esforços para localizar e indicar adequadamente os créditos dos textos e imagens 
presentes nesta obra didática. Colocamo-nos à disposição para avaliação de eventuais irregularidades ou omissões 
de créditos e consequente correção nas próximas edições. As imagens e os textos constantes nesta obra que, 
eventualmente, reproduzam algum tipo de material de publicidade ou propaganda, ou a ele façam alusão, 
são aplicados para fins didáticos e não representam recomendação ou incentivo ao consumo.
Impressão e acabamento
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Aprese
ntação
Caro(a) estudante,
Neste volume foram mobilizados fatos, conceitos e procedimentos 
para ajudá-lo a compreender os processos de construção e de conquista 
da cidadania e da democracia ao longo da história.
Nesse levantamento, enfatizou-se a imposição de poderes sobre 
populações locais durante os processos de colonização e de indepen-
dência em diversos países da América Latina. Uma construção que im-
pactou o conjunto latino-americano, especialmente o Brasil, ao longo dos 
séculos XIX e XX.
Você também vai estudar as ditaduras, tanto antes da Guerra Fria 
como durante esse período, e como esses regimes deixaram cicatrizes na 
difícil conquista da democracia durante as últimas décadas. 
O volume também discute a questão dos Direitos Humanos, resga-
tando sua gênese histórica, sobretudo na Declaração Universal dos Direi-
tos Humanos de 1948, e buscando sua efetivação nas relações sociais lo-
cais, nacionais e internacionais. Isso, claro, por meio da ação dos Estados 
e de organizações não governamentais (ONGs).
Ao longo do volume são propiciadas diversas oportunidades para que 
você coloque em prática os conhecimentos adquiridos ao longo do estudo 
da realidade local, nacional e mundial, exercendo assim seu protagonismo 
de jovem cidadão e, ao mesmo tempo, tornando a aprendizagem contextua-
lizada e significativa.
Bom estudo!
Os autores.
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Conheça 
 seu livro
Caminhos 
da cidadania2
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Estouro
Bem-vindo ao século XXI
[...]
A ordem liberal ocidental que tem governado desde o fim da II Guerra Mundial baseou-se na hegemonia 
dos EUA. Como potência verdadeiramente global, foi dominante não apenas no campo do poder militar 
(além do econômico e financeiro), mas em quase todas as dimensões do soft power (cultura, língua, meios de 
comunicação, tecnologia e moda).
A Pax Americana que garantiu um alto grau de estabilidade global começou a falhar (especialmente no 
Oriente Médio e na Península da Coreia). Embora os Estados Unidos continuem a ser a primeira potência 
planetária, já não têm a capacidade ou vontade de ser a polícia do mundo ou fazer os sacrifícios necessários 
para garantir a ordem. Por sua própria natureza, um mundo globalizado evita a imposição da ordem do 
século XXI.
E mesmo que o surgimento de uma nova ordem mundial seja algo inevitável, seus fundamentos ainda 
não podem ser distinguidos. Parece improvável que seja liderada pela China; o país continuará voltado para 
si mesmo e concentrado na estabilidade interna e no desenvolvimento, e é provável que suas ambições 
sejam limitadas ao controle de sua vizinhança imediata e mares que o rodeiam. Além disso, não possui (em 
quase nada) o soft power necessário para tentar se tornar uma força de ordem mundial.
[...]
FISCHER, Joschka. Bem-vindo ao século XXI. El País, 7 fev. 2016. Disponível em: https://brasil.elpais.com/
brasil/2016/02/07/opinion/1454864647_294190.html. Acesso em: 6 jun. 2020.
Contexto
ESSE TEMA SERÁ 
RETOMADO NA 
SEÇÃO PRÁTICA
94
A participação da sociedade nos assuntos públi-
cos ocorre por meio do exercício dos direitos políti-
cos. De todos esses direitos, o voto é o mais conhe-
cido e o mais exercido e é por ele que cada indivíduo 
expressa sua vontade na escolha de representantes 
políticos.
O artigo 14 (Capítulo IV - Dos direitos políticos) da 
Constituição Brasileira vigente, desde 1988, estabelece 
o sufrágio universal, ou seja, o exercício do voto direto e
secreto de modo obrigatório para indivíduosuniversal, ou seja, o exercício do voto direto e 
secreto de modo obrigatório para indivíduos com mais 
de 18 anos, e facultativo para os maiores de 16 e meno-
res de 18 e também para aqueles com mais de 70 anos.
Porém, para que o sufrágio universal fosse estabeleci-
do no Brasil, foi necessário um longo período de conflitos 
e de reivindicação de direitos por diversos grupos sociais. 
Nos últimos anos, muitas pessoas têm se manifes-
tado contra a obrigatoriedade do voto. No segundo turno 
das eleições para presidente em 2018, a soma de votos 
nulos, brancos e abstenções representou cerca de um 
terço do total de eleitores.
Considerando essas informações, reflita sobre as ques-
tões a seguir e converse com os colegas e o professor.
1. O voto é um direito político pelo qual muitos brasilei-
ros lutaram no passado, mas atualmente boa parte 
deles prefere não exercê-lo. Quais fatores podem ex-
plicar essa mudança de atitude de uma parcela da 
população?
2. Além do voto, há outras formas de participação po-
lítica e de exercício da cidadania? Em caso positivo, 
quais seriam elas? 
Veja as respostas no Manual do Professor.
Contexto
Democracia e 
ditadura no Brasil e 
na América Latina1
OBJETIVOS
• Compreeder os conceitos de democracia e ditadura 
tendo em vista sua origem na Antiguidade clássica e 
seu uso em contextos políticos contemporâneos.
• Conhecer os contextos de surgimento e 
desenvolvimento de diferentes regimes políticos na 
América Latina nos séculos XIX e XX.
• Relacionar as políticas populistas e 
desenvolvimentistas do Brasil a contextos históricos 
específicos.
• Identificar as motivações de elites econômicas e 
sociais e interesses estrangeiros no surgimento e 
desenvolvimento de regimes ditatoriais no Brasil.
JUSTIFICATIVA
Conceitos relativos a regimes e práticas políticas, tais 
como democracia, ditadura, populismo, paternalismo, 
desenvolvimentismo, entre outros, são importantes 
para a compreensão de situações históricas específicas. 
Ao mesmo tempo, essas situações exemplificam e 
esclarecem melhor a própria compreensão desses 
conceitos. Tendo foco em contextos políticos da América 
Latina nos séculos XIX e XX, o capítulo contribui para 
estimular a reflexão dos estudantes quanto à história 
política latino-americana contemporânea.
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DA BNCC
• Competências gerais da Educação Básica: 
CG1, CG2, CG3, CG4, CG5, CG6, CG7, CG9 e CG10.
• Competências e habilidades específicas de Ciências 
Humanas e Sociais Aplicadas: 
Competência 1: EM13CHS103. 
Competência 5: EM13CHS503 e EM13CHS504. 
Competência 6: EM13CHS602 e EM13CHS603.
• Competências e habilidades específicas de Linguagens 
e suas Tecnologias: 
Competência 6: EM13LGG604.
TEMAS CONTEMPORÂNEOS TRANSVERSAIS
Cidadania e civismo
• Educação em direitos humanos
Multiculturalismo
• Educação para a valorização do multiculturalismo nas 
matrizes históricas e culturais brasileiras
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NÃO ESCREVA NO LIVRO
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Democracia e ditadura como 
conceitos opostos
Nós, seres humanos, vivemos em culturas diferentes, e os modos de or-
ganização política variam muito de uma sociedade para outra. De maneira 
geral, podemos identificar sociedades nas quais a organização é estabeleci-
da de forma autoritária, sob um governo centralizado. Em outras, as decisões 
são tomadas de forma coletiva e dialogada. Essas formas de organização 
são, quase sempre, associadas, respectivamente, à ditadura e à democracia.
A palavra ditadura tem origem na Antiguidade, na Roma republicana. De-
pois de se libertarem do domínio etrusco, em 509 a.C., e antes de constituí-
rem um império, a partir de 27 a.C., os romanos consideravam o Senado o 
principal órgão político. Não se tratava de uma democracia, mas de uma Re-
pública aristocrática, pois os senadores eram representantes da elite, uma 
minoria da população. Mas suas decisões eram tomadas a partir do diálogo 
sobre a rex-publica, o respeito à coisa pública, ao publicus, coisa do povo, na 
busca de entendimentos em relação ao que seria melhor para a cidade. Po-
rém, em épocas de crise, como em uma guerra, as decisões tinham de ser 
tomadas rapidamente e, por isso, se instituía um ditador, do latim ditactor, o 
que ditava os decretos, com amplos poderes por um período máximo de seis 
meses. Em outras palavras, a ditadura era um tipo de governo provisório, ex-
traordinário, acionado em situações excepcio-
nais, com a finalidade de cuidar da administra-
ção da cidade até que a situação de crise fosse 
resolvida.
Assim, essa ditadura antiga não carregava 
um caráter pejorativo de ilegalidade. Situação 
diferente de ditadura na modernidade em que 
se tornou um sinônimo de governo autoritário, 
perdendo o aspecto de transitoriedade que ti-
nha na Roma antiga. Nesse sentido, se tivés-
semos de buscar na Antiguidade um governo 
com algumas similaridades com as ditaduras 
contemporâneas, perceberíamos que elas se 
assemelham mais ao despotismo ou à tirania. 
E, nesse quadro, são exemplares as do mundo 
grego e mesmo de outros povos antigos que, 
em meio às tensões e conflitos internos, cer-
tas personagens assumiam o poder e se ga-
rantiam nele sobretudo pela força, reprimindo 
descontentamentos e impondo suas decisões.
Cartaz da exposição Mais democracia, sim! Ditadura 
nunca mais! promovida pela prefeitura de Sobral, CE, 
em 2014, como forma de lembrar às novas gerações 
os horrores ocorridos durante a ditadura no Brasil.
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As ditaduras contemporâneas geralmente são estabelecidas com base 
em um golpe de Estado, ou seja, na derrubada de uma ordem constitucional 
legítima. A partir de sua implementação a ditadura se firma como um gover-
no regido por um líder ou por um grupo de líderes, e se caracteriza por sua 
intolerância ao pluralismo político e à participação popular. Em uma ditadura 
não existe um partido de oposição de direito e de fato e, caso exista, quase 
sempre é apenas como formalidade política.
As ditaduras podem ser de vários tipos. Há ditaduras militares, nas quais 
o governo é exercido por membros de alta patente das Forças Armadas, repre-
sentados por um desses membros que exerça o papel de líder, ou por juntas 
militares. Frequentemente as ditaduras militares integram representantes 
civis das elites. Há também as ditaduras de partido único, nas quais o parti-
do no poder tem a prerrogativa de escolher todos os cargos, controlando as-
sim a política de modo completo. Há ainda as ditaduras pessoais, nas quais 
o poder repousa nas mãos de um único indivíduo. Também há as ditaduras 
monárquicas, em que o poder é conferido a um rei em caráter hereditário. 
Atualmente, as monarquias são bem menos comuns do que no passado e, 
geralmente, se integram a uma ordem democrática, na qual o poder do rei é 
simbólico ou partilhado com representantes do povo. Mas há situações em 
que o monarca destitui esses representantes, passando a governar de forma 
autoritária, ditatorial.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
O presidente Xi Jinping no 
19o Congresso do Partido 
Comunista Chinês, em 2017. 
Na China, a ditadura de partido 
único vigora desde que o 
Partido Comunista tomou o 
poder, em 1949, no contexto da 
Revolução Chinesa.
Na foto, a família real no 
Palácio de Buckingham 
durante comemoração oficial, 
em 2015, em Londres. A 
monarquia no Reino Unido 
é integrada a um regime 
parlamentarista democrático.
• Os ditadores e os 
governos ditatoriais 
não se caracterizam 
por uma pessoa ou 
um restrito grupo de 
pessoas governando 
contra a vontade de 
todos. Quase sempre 
eles contam com 
apoio de uma parcela 
da população. Por 
que isso acontece? 
Argumentem 
apresentandoexemplos atuais ou 
passados.
Ver respostas e orientações 
no Manual do Professor.
Conversa
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A palavra democracia também tem origem na 
Antiguidade, mas na Grécia clássica. Demos eram 
subdivisões territoriais da cidade de Atenas com 
base nas quais eram elaboradas listas de pessoas 
com direito à cidadania. Unida à palavra kratia, que 
significa poder ou governo, o termo democracia fa-
zia referência a um regime político no qual as deci-
sões eram tomadas não por um indivíduo apenas 
ou por um pequeno grupo, mas pelo conjunto dos 
cidadãos via assembleias. Além disso, os cargos 
eram rotativos, de modo que todo cidadão de uma 
democracia grega, em algum momento da vida, po-
deria ocupar uma posição política de destaque.
No mundo contemporâneo a participação dos 
cidadãos nas decisões do Estado passou a ocorrer 
por meio da democracia representativa, na qual 
os cidadãos elegem seus representantes políticos, 
que, por sua vez, cuidam da administração públi-
ca. O sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) 
explica essa mudança argumentando que o Estado 
nacional moderno, diferentemente da pólis grega 
antiga, apresenta uma burocracia demasiadamen-
te complexa para permitir a participação direta dos 
cidadãos nas decisões do Estado.
O economista austríaco Joseph Schumpeter 
(1883-1950), por sua vez, associa o modelo mo-
derno de democracia ao comportamento do con-
sumidor em uma sociedade capitalista. Assim 
como o consumidor tem a liberdade de escolher 
o produto que vai comprar, podendo optar por 
diferentes marcas e modelos, também na demo-
cracia representativa, os eleitores optam por uma 
proposta de governo entre as várias que lhe são 
apresentadas. Assim como as empresas avaliam 
o potencial de um produto por meio de pesquisas 
de marketing, os partidos políticos também po-
dem avaliar as chances de um candidato por meio 
de pesquisas eleitorais.
Um dos maiores riscos de uma democracia mo-
derna é o que o pensador político francês Alexis 
de Tocqueville (1805-1859) chamava de “tirania 
da maioria”. Imagine a promulgação de uma lei 
que tenha impacto negativo para uma minoria da 
população. Se a questão for colocada em votação, 
essa minoria sempre teria seus interesses e ne-
cessidades submetidos pelos votos da maioria. 
Por isso é que as democracias representativas do 
mundo contemporâneo também são democra-
cias constitucionais. O Estado tem dispositivos 
legais que protegem as minorias contra possíveis 
injustiças sociais.
A democracia, seja a antiga, sejam as contem-
porâneas, envolve o poder e os embates sociopolí-
ticos quanto a liberdade e direitos. Foi longa e nada 
simples a trajetória histórica, como veremos a 
seguir, das pressões e lutas por mudanças e con-
quistas. A democracia expõe potencialidades para 
enfrentar e vencer barreiras à melhor vivência so-
cial, heranças que continuam na dependência de 
cada um de nós.
Veja abaixo o sentido de utopia, apontado pelo jornalista e escritor uruguaio Eduardo 
Galeano (1940-2015), citado no livro Política: para não ser idiota.
“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. 
Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, 
jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe 
de caminhar”.
CORTELLA, Mário Sergio; RIBEIRO, Renato Janine. Política: para não ser idiota. Campinas, SP: 
Papirus: 7 Mares, 2010. p. 21.
1. Tomando o sentido de utopia de Eduardo Galeano, como você o associa com 
a afirmação mais acima, no parágrafo que começa com: A democracia, seja a 
antiga [...]
2. Considerando sua resposta à pergunta acima, a democracia se mostra como 
algo pronto, fechado, permanente e acabado? Por quê?
Ver respostas e orientações no Manual do Professor.
Interpretar
NÃO ESCREVA NO LIVRO WEBER, Max. Economia e 
sociedade. 4. ed. Brasília: 
Editora UnB, 2015. v. 2.
SCHUMPETER, Joseph. 
Capitalismo, socialismo 
e democracia. São Paulo: 
Editora Unesp, 2017.
TOCQUEVILLE, Alexis de. 
A democracia na América. 
São Paulo: Edipro, 2019.
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Do século XIX ao XX: América 
hispano-portuguesa nos limites 
da independência
Os limites da independência
Desde 2010, têm ocorrido eventos comemorativos do bicentenário da in-
dependência nas regiões americanas colonizadas pelos espanhóis e portu-
gueses. As comemorações favorecem embates em torno da memória e da 
história, além de possibilitar reavaliações nas experiências latino-america-
nas. A independência política de toda a América Latina manteve fortes laços 
de subordinação nas relações internacionais, em especial com a Inglaterra, a 
maior potência mundial no período em que ocorreram as independências dos 
países latino-americanos. Porém, quando voltamos o olhar para o interior de 
cada um dos novos países independentes, é possível identificar diferentes 
limites ao efetivo exercício da cidadania pela maior parte da população.
Assim, as novas nações que se formavam na América Latina no século XIX 
carregavam enormes limitações: tanto no plano das relações externas dos no-
vos Estados, até mesmo com diversas intervenções de países externos à região 
(Inglaterra, França, Estados Unidos), como também nas relações internas. Em 
outras palavras, talvez devêssemos sempre usar aspas ao falarmos em “inde-
pendência”, seja a do Brasil, seja a dos demais países da América Latina.
Cenários da América hispânica: da 
independência ao século XXI
No início do século XIX, estima-se que a população total da América espa-
nhola era de aproximadamente 22 milhões de habitantes. Destes, mais de 12 
milhões eram indígenas; 6 milhões, mestiços (descendentes de espanhóis 
e populações locais); 800 mil, negros escravos; e 3 milhões, criollos.
Os criollos, membros das elites hispano-americanas, desejavam romper 
com as metrópoles monopolistas que lhes dificultavam as transações mer-
cantis, sobretudo com a Inglaterra. Para os colonos, a Coroa espanhola res-
tringia os setores produtivos, além de limitar o acesso aos cargos administra-
Observe que as datas das rebeliões são muito próximas, sugerindo que pairavam 
no continente ideais libertários. Entretanto, na época não havia meios de 
comunicação instantâneos como temos hoje.
1. Então, como esse “espírito revolucionário” e o desejo de mudanças se espalhavam?
2. Quais eram os segmentos sociais responsáveis por isso?
3. Os segmentos sociais regionais eram unidos num só projeto para realizar as 
mudanças ou a independência ou havia diferenças?
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Ver respostas e orientações no Manual do Professor.
Interpretar
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tivos e políticos. Para a Inglaterra, contudo, interessava a independência das 
colônias, uma vez que isso eliminaria as barreiras monopolistas comerciais e 
ativaria novos mercados, indispensáveis ao seu progresso industrial. Criollos
e ingleses tinham interesses convergentes na independência das colônias 
espanholas na América.
Fonte: elaborado com base em 
BLACK. Jeremy (Ed.). World 
History Atlas. Londres: Dorling 
Kindersley, 2004. p. 126 e 148. 
Rebeliões latino-americanas – século XVIII
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Conjuração
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Conjuração
Mineira
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Movimento
Comunero
(1781)
Impulso
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(1791)
Rebelião de
Tupac Amaru
(1780)OCEANO
PACÍFICO
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Equador
Trópico de Capricórnio
Trópico de Câncer
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VICE-REINADO
DO RIO DA PRATA
VICE-REINADODO PERU
VICE-REINADO
DE NOVA
GRANADA
VICE-REINADO
DA NOVA
ESPANHA
BRASIL
Rebeliões
Mineração
Cana-de-açúcar
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Os chapetones, grupo minoritário da América espanhola (cerca de 300 
mil indivíduos), composto de espanhóis nascidos na metrópole, ocupavam 
os altos cargos da administração colonial, vivendo em permanente confron-
to com a elite local – e desejavam a manutenção das relações metrópole-
-colônia. Os criollos, guiados pelos ideais iluministas liberais e pelo exemplo 
da independência dos Estados Unidos, eram partidários do livre-comércio e 
da luta pela emancipação política, embora não cogitassem mudanças na es-
trutura socioeconômica.
As rebeliões locais, de um lado, como manifestações isoladas, sinaliza-
vam o esgotamento do sistema colonial; de outro, expressavam diversos 
projetos de independência. Diversas rebeliões eclodiram na América his-
pânica contra os espanhóis e seu domínio, organizadas tanto por criollos
quanto por indígenas.
Entre estas últimas, destacou-se a rebelião em 1780, de Tupac Amaru II 
(1738-1781), no Vice-Reinado do Peru. Essas rebeliões e outras manifestações 
do século XVIII traziam à tona outros “projetos” de independência, diferentes 
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daqueles que acabaram sendo realizados pelas eli-
tes coloniais, seja com os criollos na região hispâni-
ca, seja com os membros da aristocracia na Améri-
ca portuguesa.
O processo de independência da América es-
panhola foi impulsionado pelo enfraquecimento 
da metrópole espanhola – com a invasão de Na-
poleão Bonaparte (1769-1821), que destituiu o 
rei Carlos IV (1788-1808), da dinastia Bourbon, e 
coroou José Bonaparte (1768-1844), seu irmão –, 
que estimulou o movimento autonomista liderado 
pelos criollos. A revolução que libertou a maioria dos países latino-americanos 
ocorreu entre 1817 e 1825, tendo como líderes Simón Bolívar (1783-1830) e 
José de San Martín (1778-1850), que percorreram quase toda a América do 
Sul hispânica, com o apoio efetivo da Inglaterra e dos Estados Unidos.
Embora tivessem conseguido acabar com o domínio metropolitano e ob-
tido a liberdade política, os novos Estados latino-americanos continuaram 
atrelados à dependência econômica externa. Atendendo aos interesses do 
desenvolvimento capitalista, a América Latina, governada pela aristocracia 
criolla, assumiu a função de fornecer matérias-primas e consumir produtos 
industrializados ingleses.
No Congresso do Panamá (1826), quando quase toda a América Lati-
na já estava independente, Bolívar tentou concretizar seu ideal de unidade 
política, defendendo alianças entre os Estados hispano-americanos, a cria-
ção de uma força militar comum e a abolição da 
escravidão, entre outras medidas. Seus esforços 
de solidariedade continental – ideal de pan-ameri-
canismo bolivarista –, no entanto, encontraram a 
oposição dos ingleses, dos estadunidenses e das 
próprias oligarquias locais e seus dirigentes, como 
a monarquia brasileira de dom Pedro I, recém-ins-
talada, comprometida com as elites escravistas.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Para discutir em grupos, faça uma pesquisa sobre Simón Bolívar e seu ideal de pan-americanismo, considerando os 
seguintes aspectos:
• Em que medida o ideal de Bolívar esbarrava nos interesses estadunidenses e ingleses?
• E quanto aos interesses do Brasil independente: havia coincidência ou oposição? Em quais aspectos?
• Desde o século XIX, nossa história e a dos demais países latino-americanos correm em paralelo: vivemos quase 
sempre voltados à maior aproximação ou ao distanciamento deles? Por quê?
Ver respostas e orientações no Manual do Professor.
Conversa
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Monumento representando 
Tupac Amaru II, sua esposa 
e seus filhos. Praça de 
Armas em Cuzco, Peru, em 
fotografia de 2017.
Simón Bolívar saudando a bandeira após a batalha de Carabobo, 
obra do pintor venezuelano Arturo Michelena. Simón Bolívar foi 
um dos principais líderes na América Latina após as guerras de 
independência.
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No aspecto político, chefes locais, em geral líderes oriundos das forças mi-
litares mobilizadas pelos criollos nas guerras de independência, passaram a 
disputar o poder de suas respectivas regiões. Na fragmentação da América his-
pânica em vários novos Estados, os comandantes carismáticos, autoritários, 
personalistas, chefes que irradiavam magnetismo pessoal na condução de 
seus comandados, foram denominados caudilhos.
México: projetos de independência em confronto
Em 1810, ocorreu a primeira ten-
tativa de emancipação política no 
México (na época, Vice-Reinado de 
Nova Espanha), que se distinguiu dos 
demais movimentos da América espa-
nhola por ter sido uma iniciativa das 
massas populares e por seu caráter 
predominantemente rural. Encabe-
çando a insurreição, sucederam-se 
Miguel Hidalgo (1753-1811), padre 
Morelos (1765-1815) e Vicente Guer-
rero (1782-1831), que deram ênfase 
às reformas sociais populares, pro-
pondo o fim da escravidão e a igualda-
de de direitos e opondo-se à aristocra-
cia fundiária e aos altos funcionários.
Os ideais populares divergiam dos propósitos das elites criollas mexica-
nas, que quase sempre estiveram mais atreladas aos chapetones e contro-
lavam a maior parte das áreas rurais, sendo metade das terras mexicanas 
pertencentes ao clero.
Para os mestiços e indígenas que formavam cerca de 80% dos 6 milhões 
de habitantes da região, a luta pela independência do México deveria incluir 
propostas para resolver a situação fundiária a favor dos camponeses diante 
do então controle da aristocracia.
Enviado pelo vice-rei para lutar contra os insurretos mexicanos, Agustín 
Itúrbide (1783-1824), de forma oportunista, aliou-se a Guerrero em 1821 
formulando o Plano de Iguala, que proclamava a independência do Méxi-
co, a igualdade de direitos entre criollos e espanhóis, a supremacia da re-
ligião católica, o respeito à propriedade e um governo monárquico. Era a 
confirmação de um projeto de independência que atendia aos interesses 
das mesmas elites (criollos, chapetones laicos e o clero) que dominavam 
o México na fase colonial. Em 1822, Itúrbide proclamou-se imperador, com 
o título de Agustín I.
Itúrbide acabou deposto e fuzilado num levante republicano em 1824, e 
o México confirmava efetivamente sua independência da Espanha e elegia 
seu primeiro presidente, o general Guadalupe Vitória. A estrutura agrária e 
social que mantinha a maioria da população submetida ao controle das elites 
mexicanas permaneceu basicamente a mesma.
Agustín Itúrbide, 
pintura anônima, feita, 
aproximadamente, em 1821.
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O general em seu 
labirinto. Gabriel 
García Márquez. Rio de 
Janeiro: Record, 2003.
O autor reconstrói o 
passado da América 
Latina, segundo a 
lógica de um de seus 
libertadores, Simón 
Bolívar.
Saber
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CONEXÕES
ARTE
A política na obra de arte
Simbologias históricas – uma obra de Diego Rivera
Neste mural, Rivera retrata alguns personagens da Guerra de Indepen-
dência [do México], iniciada em 1810, por meio da representação pictó-
rica dos líderes de maior vulto desse fato histórico: Hidalgo e Morelos, 
de um lado, ocupam o centro desta cena,enquanto no canto esquerdo, 
o Imperador Itúrbide aparece com um peso negativo, aliás o único a ser 
representado com esta conotação. Deste grupo central, o padre Hidalgo 
é o personagem principal que carrega na sua mão direita uma corrente 
quebrada, simbolizando a liberdade, a ruptura, o fim do domínio colonial, 
enquanto em sua mão esquerda sustenta um estandarte com a imagem 
da Virgem de Guadalupe. Ao lado de Hidalgo está o padre José María Mo-
relos, o principal general e ideólogo da Guerra. Morelos aponta seu bra-
ço para a direita, em direção ao futuro, gesto este acompanhado por um 
estranho personagem situado mais abaixo que se encontra vestido com 
uma armadura e uma planta de milho a seus pés como símbolo da terra 
e que está carregando uma espada em sua mão direita e uma espingarda 
na esquerda. Da mesma forma que Morelos, este personagem indica, com 
sua espada, a direção do futuro para um grupo de camponeses armados 
com rifles e sabres. Seus interlocutores são os camponeses mas também 
o espectador dos murais.
É importante notar neste detalhe as duas intenções de Rivera como 
artista engajado politicamente. O primeiro aspecto a ser destacado é a 
relação e o sentido eminentemente social que o autor empresta às lutas 
pela independência, expressa na questão da demanda por terras pelos 
camponeses. Esse aspecto estabelece uma relação entre passado e pre-
sente, pois na guerra pela independência está em questão o “pensamento 
social mexicano”, ou uma “revolução agrária” […].
A representação da águia ocupa uma posição central, um pouco mais 
abaixo da representação do padre Miguel Hidalgo. Esta imagem está ba-
seada num monumento de pedra pertencente à cultura mexicana, en-
contrado em 1926 na ala sul do Palácio Nacional, outrora o local onde 
se situava o Palácio de Montezuma. O ponto principal do monumento é 
a águia que sustenta em seu bico uma serpente apoiada sobre um pé de 
nopales, que simboliza a fundação de Tenochtitlán. Desta maneira, Rivera 
se apoia na arqueologia para reforçar o mito que funda a identidade cul-
tural mexicana e serve de vínculo tangível entre o México moderno e seu 
passado remoto.
Deste modo, reforça-se sobre este achado um capital ideológico. É a 
imagem do centralismo político, como reflexo de um Estado forte, con-
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NÃO ESCREVA NO LIVRO
dição que, desde o século passado, se pensava como indispensável para 
integrar uma nação. O discurso que este símbolo traz refere-se ao mito de 
origem e a sede do poder político contemporâneo.
Este inclusive é o símbolo da atual bandeira mexicana. […] Visualmen-
te se estabelece então uma poderosa fonte de legitimidade política.
VASCONCELLOS, Camilo de Mello. As representações das lutas de independência 
no México na ótica do muralismo. Diego Rivera e Juan O’Gorman. Revista de História, n. 153, 
dez. 2005. p. 283-304.
O mural A Guerra de Independência 
do México (1810), do pintor 
mexicano Diego Rivera (1886-1957), 
foi produzido entre 1929 e 1935. 
Em seus diversos murais pintados 
no Palácio Nacional, no México, 
Rivera procurou abarcar a história 
mexicana desde seus mitos de 
origem até projeções do futuro.
1. Observe a reprodução do mural A Guerra de Independência do México, de 
Diego Rivera. O artista organizou as figuras da composição numa sequên-
cia cronológica. Que segmento da pintura representa a história colonial 
mexicana? Que segmento representa a história mais recente?
2. Na composição, vários elementos interagem para que a história mexica-
na seja mostrada como uma história de lutas. Identifique pelo menos três 
desses elementos. Veja as respostas no Manual do Professor.
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Destaques da América Latina 
depois da Independência
México
Após a instalação da República, em 1824, o México passou a viver um 
perío do de instabilidade política sob a forma de ditaduras e de dependência 
econômica. As condições sociais se deterioraram com a perda de quase me-
tade de seu território, após a guerra travada contra os Estados Unidos, em 
1848, e as intervenções estrangeiras sucessivas, como a dos franceses, en-
tre 1861 e 1867, que tentaram instalar na região o governo Habsburgo de Ma-
ximiliano, um prolongamento do Segundo Império napoleônico na América.
Essas condições propiciaram a instalação da ditadura de Porfirio Díaz (ele 
governou em dois períodos: 1877-1880, 1884-1911), sob a qual se deu inten-
sa concentração fundiária e entrada de elevadas somas de capital estran-
geiro, voltadas para a exploração e o controle dos 
recursos minerais e da produção de artigos de 
exportação. Dessa forma, para a população local, 
em sua grande maioria concentrada nas áreas ru-
rais, aumentaram a miséria e a dependência em 
relação aos grandes senhores.
No início do século XX, esse quadro levou ao 
crescimento da insatisfação da população, o que 
provocou greves operárias nas cidades e revoltas 
na zona rural. Dessas lutas surgiram líderes popu-
lares, como Emiliano Zapata (1879-1919) e Pan-
cho Villa (1878-1923), que comandaram milhares 
de camponeses nas exigências por distribuição 
de terras por meio de reforma agrária, opondo-se 
aos latifundiários, aos quais se juntaram a Igreja 
e as elites constituídas. Parte da elite, no entanto, 
sob o comando de Francisco Madero (1873-1913), 
insurgia-se contra Porfirio Díaz. Essas forças uni-
ram os exércitos revolucionários e depuseram 
Porfirio Díaz em maio de 1911.
As camadas populares permaneceram insatis-
feitas com as tímidas medidas sociais tomadas 
por Madero, que foi assassinado em 1913. O gene-
ral Victoriano Huerta (1850-1916) reinstalou a di-
tadura, ligada aos interesses dos Estados Unidos.
Na foto, de 1915, os líderes populares Pancho Villa (no centro) 
e Emiliano Zapata (à direita) no palácio presidencial da Cidade 
do México.
Populares mexicanos seguindo Zapata. 
Pintura de Orozco, 1931.
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Pancho Villa voltou a lutar contra as forças federais, enquanto Zapata li-
derava no sul a revolução camponesa pela reforma agrária. As pressões le-
varam Huerta a renunciar em 1914 em favor de um governo constitucional 
liderado por Venustiano Carranza (1859-1920).
Em 1917, foi promulgada a nova Constituição liberal do país e Carranza 
foi eleito presidente. Insatisfeitos com o não atendimento de suas reivindi-
cações, sobretudo a redivisão fundiária, os movimentos populares continua-
ram em luta. Entretanto, perderam força, principalmente com o assassinato 
de Zapata, em 1919, e o afastamento de Villa, em 1920, seguido de seu assas-
sinato, em 1923. Assim, institucionalizou-se o projeto liberal.
Na década de 1930, a reforma agrária, motivo da revolução de 1910, ain-
da não havia sido realizada: mais de 80% das terras mexicanas estavam em 
mãos de pouco mais de 10 mil grandes proprietários. As manifestações na-
cionalistas e as reivindicações sociais encontraram no presidente Lázaro 
Cárdenas (1895-1970), governante no período 1934-1940, um representan-
te que expropriou terras e companhias estrangeiras, nacionalizou o petróleo 
e estimulou a formação de sindicatoscamponeses e operários.
O partido do governo passou a chamar-se Partido da Revolução Mexicana, 
transformado em 1948 no Partido Revolucionário Institucional (PRI), que 
permaneceu hegemônico no poder, vencendo todas as eleições presiden-
ciais, até ser derrotado em 2000.
Nas últimas décadas do século XX, entretanto, o latifúndio voltou a domi-
nar a estrutura agrária do país e houve intensa subordinação aos capitais 
internacionais, levando a economia a sucessivas crises. Diante da imensa 
dívida externa e do grave quadro inflacionário, em 1990 o presidente Carlos 
Salinas de Gortari (1948-) buscou acordos internacionais que atraíssem in-
vestimentos estrangeiros, em especial dos Estados Unidos.
A íntima vinculação ao bloco econômico norte-americano, unindo-se à 
economia de dois dos gigantes do capitalismo, Estados Unidos e Canadá, 
possibilitou a integração ao Nafta (Acordo Norte-Americano de Livre-Comér-
cio), oficializada em 1o de janeiro de 1994 e 
comemorada como uma passagem para o 
mundo desenvolvido.
Esse episódio, entretanto, foi ofuscado 
pelo levante do Exército Zapatista de Liber-
tação Nacional (EZLN), que tomou várias 
cidades no estado de Chiapas, uma região 
empobrecida no sudeste do país.
Os zapatistas, como ficaram conhecidos, 
proclamavam a exigência de “pão, saúde, 
educação, autonomia e paz” para os campo-
neses da região. Liderados por um homem 
mascarado, autodenominado “subcomandan-
te Marcos”, sublevavam-se contra o governo 
e denunciavam o Nafta como danoso ao povo 
mexicano.
Na foto, membros do Congresso Nacional Indígena, do México, 
prestam solidariedade ao EZLN, durante manifestações que lembram 
os 100 anos de morte do líder Emiliano Zapata, na cidade de San 
Cristóbal de las Casas, México. O levante dos zapatistas em 1994 
representou um sério revés à economia de mercado da integração 
neoliberal mexicana, além de derrotar o exército mexicano e tomar a 
capital do estado de Chiapas, San Cristóbal de las Casas. Foto de 2019.
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A economia mexicana mergulhou na instabilidade em meio a acusações 
de envolvimento do governo nos assassinatos, especialmente o irmão do 
presidente, Raúl Salinas (1946-), e escândalos de corrupção. As eleições de-
ram vitória ao novo candidato do PRI, Ernesto Zedillo (1951-), que assumiu o 
cargo em dezembro de 1994.
Nas eleições presidenciais de 2000, tiveram fim 71 anos seguidos de go-
verno PRI, quando Vicente Fox (1942-) venceu a eleição para a Presidência 
pelo Partido de Ação Nacional (PAN).
Nas eleições de 2006, Felipe Calderón (1962-), do mesmo partido, elegeu-
-se presidente com apoio de Fox, derrotando por pouca margem de votos An-
drés Manuel López Obrador (1953-), do Partido da Revolução Democrática 
(PRD), num clima de acusações de fraudes e contestações. Depois de uma 
breve ausência, o PRI retornou ao poder presidencial com a vitória do seu 
candidato Peña Nieto (1966-), empossado em dezembro de 2012. Em 2018 
foi sucedido por Andrés Manuel López Obrador, contrário ao neoliberalismo e 
defendendo políticas mais à esquerda. Suas medidas de mudanças esbarra-
ram em forte oposição e seguidas crises, essas aprofundadas em 2020 com 
os efeitos da pandemia do novo coronavírus.
América Central e Caribe
Inicialmente unida ao México, a América Central proclamou sua indepen-
dência em 1823, formando as Províncias Unidas da América Central. Essa união 
pouco durou em virtude de pressões inglesas e estadunidenses, fragmen-
tando-se em repúblicas autônomas a partir de 1838.
As pressões, principalmente dos Estados Unidos, desdobraram-se em 
intervenções e apoio à formação de ditaduras, a exemplo da Guatemala em 
1871, em prol da separação do Panamá da Colômbia em 1903 e nas décadas 
seguintes em Honduras, Nicarágua, Cuba, entre outras. As lutas locais e as 
guerrilhas estabelecidas diante do intervencionismo e os governos autoritá-
rios conturbaram a região no século XX.
Caso bastante singular foi o de Cuba. A independência cubana em relação 
à Espanha só aconteceu em 1898, sob a liderança de José Martí. Em 1901, os 
Estados Unidos oficializaram o seu domínio sobre a ilha, impondo à Consti-
tuição cubana a chamada Emenda Platt, que lhe dava o direito de intervir no 
país sempre que seus interesses estivessem ameaçados, além de obrigá-lo 
a ceder a baía de Guantânamo. Seguiram governos ditatoriais apoiados pelos 
Estados Unidos e, em meio à Guerra Fria, em 1959, o movimento guerrilhei-
ro liderado por Fidel Castro e Che Guevara depôs o ditador Fulgêncio Batista, 
assumindo o governo do país e implantando um regime de partido único: o 
Partido Comunista Cubano. Diante das medidas do novo governo, cresceram 
as tensões com os Estados Unidos, desdobrando-se na aproximação de Cuba 
com a então União Soviética e no aprofundamento do programa socialista, o 
que redundou em tentativas de intervenções por parte dos Estados Unidos 
e num isolamento político que persiste até hoje, mesmo após o fim da União 
Soviética e do bloco socialista.
Discuta em grupo a 
Revolução Mexicana 
de 1910 e o movimento 
zapatista dos anos 1990, 
contando com dados 
obtidos em pesquisas 
(internet, livros, etc.) que 
considerem as seguintes 
questões:
• Quais aspectos 
demonstram ligações 
entre os dois 
acontecimentos?
• As permanências ou 
mudanças continuam 
no México atual?
Ver respostas e orientações 
no Manual do Professor.
Conversa
NÃO ESCREVA NO LIVRO
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* São consideradas pobres as 
pessoas que sobrevivem com 
renda inferior a 3,20 dólares/dia 
e extremamente pobres as com 
renda inferior a 1,90 dólares/dia.
Esse duradouro estado de lutas e guerras na América Central reforçou o 
quadro de empobrecimento e miséria, bastante comum em toda a América 
Latina, ativando por décadas a ebulição político-ideológica e o permanente 
desejo de mudanças. No início do século XXI, apesar de certo avanço eco-
nômico, sobretudo no setor de turismo, os países da América Central ainda 
apresentam índices de pobreza e de pobreza extrema superiores à média da 
América Latina (observe o mapa a seguir).
Juntando-se a esse quadro geral, o avanço nas lutas por direitos na Amé-
rica Latina sofreu uma forte reversão a partir de meados do século XX. Nessa 
época, grupos poderosos das elites nacionais latino-americanas, apoiados 
pelos Estados Unidos, respaldaram intervenções militares sob o pretexto de 
conter a expansão internacional do comunismo tomando até mesmo como 
justificativa os desdobramentos do governo cubano em alinhamento com a 
União Soviética. Assim, seguiu-se a montagem dos diversos regimes ditato-
riais que predominaram na América Latina durante o contexto da Guerra Fria 
(1947-1991). A transição para a democracia nas décadas finais do século 
XX, por sua vez, reforçou inúmeros desafios que precisavam ser enfrentados. 
Para citar apenas um dos mais graves: ainda são muito altos os índices de 
pobreza na região. Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e 
o Caribe (Cepal), em 2018 a pobreza atingia 30% da população latino-ame-
ricana, o que corresponde a 191 milhões de pessoas, e a pobreza extrema, 
10,7%, ou seja, 68 milhões de pessoas ainda vivem na miséria. Observe no 
mapa abaixo os índices de pobreza por países.
CEPAL. Anuario Estadístico 
de América Latina y el 
Caribe 2019. Santiago, 
2020. p. 24.
Depois de observar o 
mapa, responda:
1. Que país apresenta 
o maior percentual 
da população 
vivendo na pobreza 
e na pobreza 
extrema? E qual 
apresenta o menor 
percentual? Em 
que região eles se 
localizam?
2. Qual é a situação 
do Brasil?
3. Dados mais 
recentes apontam 
reversão ou 
aprofundamento 
dessas 
desigualdades?
Ver respostas e orientações 
no Manual do Professor.
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Pobreza e pobreza extrema* 
na América Latina – 2018
MÉXICO
41,5/10,6
HONDURAS
55,7/19,4
NICARÁGUA
46,3/18,3
REP. DOMINICANA
22,0/5,0
PANAMÁ
14,5/6,2
VENEZUELA
28,3/12,0
BRASIL
19,4/5,4
PARAGUAI
19,5/6,5
URUGUAI
2,9/0,1
ARGENTINA
24,4/3,6
CHILE
10,7/1,4
BOLÍVIA
33,2/14,7
PERU
16,8/3,7
EQUADOR
24,2/6,5
COLÔMBIA
29,9/10,8
COSTA RICA
16,1/4,0
EL SALVADOR
34,5/7,6
GUATEMALA
50,5/15,4
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ATLÂNTICO
Equador
Trópico de Capricórnio
Trópico de Câncer
90º O
0º
População em situação de pobreza
População em situação de pobreza extrema
0 1 490 2 980
km
Fonte: elaborado com base em CEPAL. Anuario Estadístico de 
América Latina y el Caribe 2019. Santiago, 2020. p. 26.
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Tomemos, como exemplo de turbulência 
política da América Latina, o caso do Peru e o 
da Argentina. Os governos militares no Peru 
terminaram com o general Morales Bermúdez, 
que governou até 1980. Porém, a democra-
tização acabou tendo baixas momentâneas, 
como aconteceu na última década do século 
XX, em 1992. Ali, o presidente Alberto Fujimori 
(1938-) fechou o Congresso e tomou em suas 
mãos todos os poderes nacionais, ignorando a 
Constituição, anulando direitos e reelegendo-
-se sucessivamente por três vezes. Durante 
seu longo governo, o ato mais bem-sucedido de 
Fujimori foi o de ter diminuído o poder de ação do grupo terrorista Sendero Lu-
minoso, sem, contudo, ter reduzido os problemas sociais do país. O prolonga-
mento de seu mandato e as medidas intransigentes por ele impostas à socie-
dade peruana não impediram que um escândalo de compra de parlamentares 
viesse a público.
Não tendo condições políticas nem apoio militar para se manter no poder, 
Fujimori pediu asilo político ao Japão em novembro de 2000. Em agosto de 
2001, o Congresso do Peru aprovou, por unanimidade, uma “acusação cons-
titucional” contra o ex-presidente, por homicídio, corrupção e sequestros du-
rante os anos de seu governo. De 2001 a 2018, os presidentes sucessores 
também foram acusados de corrupção com desfechos de prisão. Em 2020 o 
governo de Martín Vizcarra, iniciado em 2018, juntava as dificuldades políti-
cas de atritos com o Parlamento com os efeitos da pandemia do coronavírus.
A Argentina é outro exemplo latino-americano de instabilidade política 
e social, mudanças e crescentes dificuldades econômicas e políticas nas 
últimas décadas. Foi em meio a acirradas disputas políticas que em 1943 
chegou ao poder Juan Domingo Perón (1895-1974), que logo obteve apoio 
popular com suas reformas trabalhistas, bem como prestígio com a atua-
ção de sua esposa, Eva Perón (1919-1952). Após a morte de Eva em 1952, 
as crescentes dificuldades econômicas e 
pressões políticas desembocaram num gol-
pe que derrubou Perón em 1955, seguindo-se 
eleições, golpes de Estado e o retorno de Pe-
rón. Eleito presidente em 1973, faleceu no ano 
seguinte, sendo sucedido por Isabel (1931-), 
sua então esposa e vice-presidente. Um novo 
golpe militar depôs Isabel em 1976, dando iní-
cio a uma violenta ditadura militar repressiva, 
marcada por sequestros de opositores, rapto 
de filhos de jovens ativistas políticos tortura-
dos e mortos. Estima-se em cerca de 30 mil o 
número de desaparecidos políticos.
Vista do palácio do governo em Lima (Peru). Foto de 2019.
Na foto, Juan Domingo Perón ao lado de sua mulher, Eva, em 
Buenos Aires, em 1950.
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Somente com o fracasso na Guerra das Malvinas, em 1982, contra a In-
glaterra, que detinha a posse desse território reivindicado pela Argentina no 
Atlântico Sul e chamada pelos ingleses de Falklands, é que a ditadura militar 
ruiu, devolvendo o governo aos civis. A redemocratização do país foi realizada 
com a eleição de Raúl Alfonsín (1927-2009), da União Cívica Radical (UCR), 
cujo governo não conseguiu conter a crescente crise financeira e inflacioná-
ria. O cenário de crises seguidas, com descontrole administrativo e financei-
ro, ampliou as manifestações de protestos nos governos seguintes no início 
deste nosso século: em 2003 venceu as eleições o peronista Nestor Kirchner 
(1950-2010), sucedido em 2007 por sua esposa Cristina Kirchner (1953-), 
reeleita em 2011, ambos pelo Partido Justicialista (também conhecido como 
Partido Peronista). Em 2015 foi eleito o empresário Mauricio Macri (Proposta 
Republicana) e, em 2019, Alberto Fernández (Partido Justicialista).
Vale descatar que, em julho de 2012, as “Mães e Avós da Praça de Maio” 
obtiveram êxito na Justiça ao conseguirem a condenação de várias autorida-
des argentinas a penas que variaram de 5 a 50 anos de prisão por atuações 
criminosas durante a ditadura militar.
Como primeiro passo, em grupos de três a quatro colegas, façam uma pesquisa (na 
internet, em livros, revistas, etc.) sobre as “Mães e Avós da Praça de Maio” e registrem 
no caderno os dados sobre o histórico desse movimento, suas atuações e seus 
resultados. Em seguida, cada grupo deve apresentar aos demais os dados coletados. 
Por fim, discutam:
• Quem são as mães e avós que criaram esse movimento?
• Tomem os casos pesquisados sobre o que aconteceu com seus filhos e netos 
durante a ditadura militar: quais os desfechos dos casos tratados?
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Ver respostas e orientações no Manual do Professor.
Conversa
As “Mães e Avós da Praça de Maio” em Buenos Aires, em 2011. Na Plaza de Mayo, em seguidas 
manifestações, mães e avós exigiam explicações oficiais sobre os desaparecidos durante a 
ditadura Argentina, movimento que obteve grande repercussão nacional e internacional.
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DIÁLOGOS
NÃO ESCREVA NO LIVRO
1. Com suas palavras, explique a seguinte afirmação da historiadora Maria Ligia Prado:
A independência política e a formação dos Estados nacionais na América Latina se fizeram 
a partir do rompimento do sistema colonial, dirigidas por setores dominantes da colônia, des-
contentes com a impossibilidade de usufruir as “novas vantagens” que o capitalismo do novo 
século lhes oferecia. […] Além disso, aqui havia, antes da colonização espanhola e portuguesa, 
culturas autóctones que se rebelaram e lutaram para sobreviver depois do impacto da chegada 
dos europeus.
Junto a elas estavam os negros africanos que também foram incorporados a este continente.
PRADO, Maria Ligia. A formação das nações latino-americanas. São Paulo: Atual, 1985. p. 2.
2. Quando nos dedicamos a estudar ou pesquisar determinado assunto, percebemos que sempre há 
algo novo a ser descoberto. Leia o trecho a seguir e responda às questões propostas.
Em época de Copa do Mundo, ressurge o estereótipo do argentino, [que] usa qualquer artima-
nha para vencer, pior adversário do Brasil. Contudo, essa rivalidade tem fundamento histórico ou 
é um mito midiático restrito ao folclore do futebol? Segundo historiadores, a suposta e encarni-
çada rivalidade entre brasileiros e argentinos pode não ser apenas um folclore, mas também não 
é tão grande como propagam alguns locutores e comentaristas esportivos.
A rivalidade entre brasileiros e “hermanos” é, inclusive, maior para nós do que para eles, acre-
dita a historiadora Lívia Magalhães [...]. “Na verdade, o grande rival argentino, pelo menos no 
futebol, ainda é a Inglaterra, no imaginário social deles [...]”, diz. “Acho que o Brasil compra mais 
isso, de que no futebol o grande inimigo é a Argentina, mas eles não nos consideram o primeiro 
rival.”
[...] há muito tempo, nada nas relações político-econômicas[entre Brasil e Argentina] respalda 
qualquer motivo para uma rivalidade séria. [...] [Porém], do lado brasileiro, incentivo midiático à 
rivalidade e até hostilidade por parte dos brasileiros é o que não falta [...].
MARETTI, Eduardo. Rivalidade de argentinos é maior com ingleses e uruguaios do que com brasileiros. 
Rede Brasil Atual, São Paulo, 13 jun. 2014. Disponível em: https://www.redebrasilatual.com.br/politica/ 
2014/06/rivalidade-de-argentinos-e-maior-com-ingleses-e-uruguaios-do-que-com-brasileiros-2740/. 
Acesso em: 3 set. 2020.
a) O termo “estereótipo” tem origem grega: é formado pelos vocábulos stereos, “sólido”, e typos, “im-
pressão” ou “molde”, significando “impressão sólida”. O estereótipo consiste em uma ideia, concei-
to ou modelo atribuído a pessoas ou a grupos sociais, quase sempre sem nenhuma fundamentação 
teórica. Esse trecho de reportagem pretende desconstruir um estereótipo. Reflita sobre o trecho e 
responda: o desconhecimento sobre algo (ou alguém) pode fortalecer estereótipos? Por quê?
b) Em um exercício de desconstrução do estereótipo do “argentino”, o autor do texto nos informa 
sobre quem colabora para “alimentar” esse estereótipo e cita elementos que o enfraquecem, ou 
seja, que são capazes de negá-lo. Releia a reportagem e explique de que maneira o autor do texto 
faz isso.
c) Neste capítulo, em sua opinião, houve algum caso de desconstrução de estereótipos? Em caso 
positivo, explique qual era o estereótipo e como ele foi desconstruído.
Veja as respostas das atividades 
desta seção no Manual do Professor.
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Brasil: da independência ao 
século XXI
Coube a dom Pedro I (1798-1834), junto com a aristocracia, empreender 
o processo de independência, cuja participação popular apenas ocorreu nos 
enfrentamentos com as tropas portuguesas.
Essa independência do Brasil trouxe o fim da subordinação a Portugal, 
mas não modificou a estrutura produtiva ou a ordenação da sociedade brasi-
leira. Significava a libertação de amarras coloniais, mas a dependência eco-
nômica permaneceu enquanto se mantiveram os privilégios ingleses.
Diferentemente do que ocorreu em 
outras ex-colônias americanas, que 
após longas lutas por sua independên-
cia adotaram o regime republicano, no 
Brasil foi instituído o regime monár-
quico. De imediato, a ordem socioe-
conômica não sofreu alteração, nem 
mesmo em suas estruturas predomi-
nantemente coloniais, como o escra-
vismo, o latifúndio e o domínio político 
da aristocracia. Mas é preciso destacar 
que o processo de emancipação políti-
ca e de construção do Estado Imperial 
não foi pacífico e não envolveu apenas 
um único projeto político.
Na estruturação do novo Estado independente, em meio às disputas políticas 
prevaleceu o poder do imperador, que outorgou a primeira Constituição do Brasil. 
Essa Constituição de 1824,segundo a historiadora Keila Grinberg, não apresentava
[...] critério racial que diferenciasse os descendentes de africanos de 
qualquer outro cidadão brasileiro. Enquanto os libertos (alforriados que 
tinham obtido a liberdade) propriamente ditos não podiam ser eleitores, 
seus filhos e netos poderiam exercer os direitos de cidadania brasileira 
em toda sua plenitude, caso tivessem a renda e a propriedade exigidas.
GRINBERG, Keila. Cidadania. In: Dicionário do Brasil Imperial (1822-1889). Direção Ronaldo Vainfas. 
Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. p. 139.
Assim, com tais barreiras, a Constituição restringia ou impedia a partici-
pação política dos grupos sociais menos favorecidos e mantinha a essência 
elitista. Contava também com o Poder Moderador, cujo exercício era atribui-
ção exclusiva do imperador.
Ao longo do período em que vigorou a Constituição de 1824, a despeito da 
afirmação da igualdade de direitos civis para todos os cidadãos, o exercício 
cotidiano da cidadania quase nunca foi o mesmo entre brancos e negros, en-
tre ricos e pobres, entre senhores poderosos e demais indivíduos, em virtude 
das influências, fraudes, pressões e outros recursos de favorecimento.
Coroação de dom Pedro I como primeiro imperador do Brasil, em 1822, 
representada em pintura de Jean-Baptiste Debret, de 1828.
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Um exemplo contrário ao projeto vitorioso da 
independência realizada por dom Pedro I foi a 
Confederação do Equador, trazendo à tona “outro 
projeto de país”. A imposição da Constituição de 
1824 provocou protestos em várias províncias, 
principalmente no nordeste. Além disso, crises 
como a do açúcar e do algodão, relacionadas à 
concorrência estrangeira, e os crescentes impos-
tos determinados pelo governo central geraram 
descontentamento na população.
Em Pernambuco, a população rebelou-se quan-
do dom Pedro I nomeou um novo presidente para a 
província. Sob o comando do governador deposto, 
Manuel de Carvalho Paes de Andrade (1774-1855), 
o movimento de caráter separatista, republicano e 
basicamente urbano e popular, espalhou-se pelo 
nordeste, obtendo a adesão do Rio Grande do Nor-
te, do Ceará, da Paraíba e depois de Alagoas e Ser-
gipe. Em outras províncias vizinhas, como Piauí e 
Pará, também ocorreram manifestações de apoio.
As províncias rebeldes formaram a Confedera-
ção do Equador, cujo nome faz referência à sua 
localização geográfica, próximas à linha do equa-
dor. Os revoltosos decidiram extinguir o tráfico 
negreiro e convocar o recrutamento geral para 
enfrentar as tropas monárquicas.
Além de Paes de Andrade, os principais líde-
res do movimento foram Joaquim do Amor Divino 
Rebelo (1779-1825), que ficou conhecido como 
frei Caneca, divulgador dos ideais republicanos 
em seu jornal, e Cipriano Barata (1762-1838), 
veterano das insurreições anteriores na Bahia, 
e em Pernambuco, dirigente de vários jornais do 
nordeste. Um dos participantes, o major Emilia-
no Mundurucu, redigiu um manifesto por uma re-
volução de caráter radical, como a haitiana, ate-
morizando aliados e inimigos da Confederação.
Para dominar os rebelados, dom Pedro I contou 
com empréstimos feitos pela Inglaterra. Os revol-
tosos foram brutalmente reprimidos, sofrendo 
ataques por terra e por mar.
Os revoltosos foram julgados por um tribunal 
presidido por Lima e Silva, que condenou à execu-
ção dezesseis participantes. Até a pena de enfor-
camento de frei Caneca teve de ser trocada para 
a de fuzilamento, pois os responsáveis pela exe-
cução da sentença, mesmo sob ameaças, recusa-
ram-se a enforcar o padre carmelita.
O governo de dom Pedro I durou até a abdica-
ção, em 1831, embarcando para Portugal e entre-
gando o trono ao seu filho dom Pedro de Alcântara 
(1825-1891), então com 5 anos de idade. Como 
era menor de idade, decidiu-se que, obedecendo 
à Constituição de 1824, o governo seria exercido 
por uma regência. Era o início do período regen-
cial, que durou de 1831 a 1840, considerado por 
alguns historiadores um dos mais agitados da 
história brasileira.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
A agitação do período regencial pode ser mais bem compreendida considerando-se as diversas rebeliões. Em grupos 
de seis colegas, cada um de vocês deve pesquisar uma das seguintes rebeliões regenciais, anotando os aspectos mais 
importantes para apresentar aos demais membros do grupo: Cabanagem (Grão-Pará – 1835-1840), Sabinada (Bahia – 
1837-1838), Balaiada (Maranhão – 1838-1841), Farropilha (Rio Grande do Sul – 1835-1845), Revolta de Carrancas (Minas 
Gerais – 1833) e Revolta dos Malês (Bahia – 1835). Após a apresentação de cada grupo, discutam as seguintes questões:
1. Há aspectos comuns entre as rebeliões? Em que são distintas e diferentes entre si?
2. Segundo as pesquisas, como são rememoradas recentemente essas rebeliões nas regiões em que aconteceram?Ver respostas e orientações no Manual do Professor.
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Abdicação de dom Pedro I, pintura de Aurélio Figueiredo, do 
século XIX. Vê-se, sentado ao lado da mãe, o menino dom 
Pedro de Alcântara. O futuro imperador ficaria sob os cuidados 
de José Bonifácio até alcançar a maioridade.
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Os excluídos nessa história do Brasil: 
negros e indígenas
Em muitos aspectos, a vida no Império não se distinguia muito da que pre-
dominara no período colonial. A grande mudança política representada pela 
independência não implicou significativas mudanças sociais e econômicas. 
Os setores da sociedade que eram subjugados não viram alterações expres-
sivas em sua condição de vida, exceto pela participação de alguns batalhões 
formados por negros nas guerras de independência. Muitos escravizados 
conseguiram a liberdade por terem participado daqueles conflitos.
O olhar dos indígenas
O Brasil é uma invenção! E a invenção do Brasil ela nasce exatamente da 
invasão. Inicialmente feita pelos portugueses e depois continuada pelos ho-
landeses, depois continuada pelos franceses, em um modo sem parar, onde 
as invasões nunca se deram um fim. Nós estamos sendo invadidos agora! 
[...] Quando os brancos chegaram, eles foram admitidos como mais um na 
diferença. E se os brancos tivessem educação, eles poderiam ter vivido no 
meio daqueles povos e vivido outro tipo de experiência. Mas eles chegaram 
aqui com a má intenção de assaltar essa terra e escravizar o povo que vivia 
aqui. E foi o que deu errado. [...] A descoberta do Brasil, aquela missa lá é 
um mito de origem. Nós somos adultos, a gente não precisa ficar embalado 
com essas histórias. A gente pode buscar entender a nossa história com as 
diferentes matizes que ela têm, e ser capaz de entender que não teve um 
evento fundador do Brasil. [...] Os nossos mundos estão todos em guerra. 
[...]. Não tem paz em lugar nenhum [...] A guerra continua até hoje [...].
Transcrição de depoimento de Ailton Krenak. Guerras do Brasil – Episódio 1. Nossa história viva. 
Disponível em: www.youtube.com/watch?v=VeMlSgnVDZ4&list=PLb-f5dAjBAFbOI_w8JRJI3PyfF5S
yafsK&index=10&t=0s. Acesso em: 6 jun. 2020.
Os povos originários estavam fora de toda a movimentação política no Rio 
de Janeiro e nas capitais das províncias. Desde o período da colônia, os indí-
genas eram considerados um obstáculo para o projeto 
de país almejado pelas elites, um grupo visto como “in-
ferior” que atrapalhava as atividades econômicas e que, 
muitas vezes, não interessava nem como escravizado. 
A atitude desses povos discriminados, contudo, não era 
de passividade.
Além das fronteiras da sociedade dominante, onde 
acabava o alcance do Estado ou dos proprietários, co-
meçavam terras distantes e relativamente livres para 
negros, indígenas e mestiços.
Esses grupos promoviam saques, atacavam povoa-
ções e faziam emboscadas contra as expedições gover-
namentais. Os “brancos” viviam, assim, em constante 
alerta diante da ameaça de que essa contínua guerra 
sociorracial pudesse espalhar-se e destruir a ordem es-
tabelecida.
1. O que Krenak 
quer dizer com 
“o Brasil nasce 
como invenção e 
invasão”?
2. Por que ele 
aponta, em seu 
depoimento, que 
não houve um 
evento fundador 
do Brasil?
3. Você concorda com 
o autor de que a 
guerra continua? 
Por quê?
Ver respostas e orientações 
no Manual do Professor.
Interpretar
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Interior de uma oca de índios bororos, aquarela 
de Adrien Taunay (1803-1828), 1827. Após a 
independência, os grupos indígenas continuavam alvo 
de discriminação por parte da sociedade dominante, 
com a participação ou conivência dos órgãos estatais.
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Brasil: do século XIX à 
República da Era Vargas
O período regencial do Império terminou com 
a antecipação da maioridade de dom Pedro II, 
em 1840. O Segundo Reinado (1840-1889) pode 
ser considerado o apogeu da Monarquia brasilei-
ra, evidente representante dos interesses das 
elites. A centralização política e administrativa 
permaneceu, ao passo que as revoltas herdadas 
do período anterior, além de outros movimentos 
sociais que colocavam em risco a ordem monár-
quica, foram “pacificados”. No vértice do poder, 
os partidos Conservador e Liberal, às vezes sozi-
nhos, às vezes juntos, como no período da “con-
ciliação” entre 1853 e 1858, integraram o gover-
no de dom Pedro II.
As elites escravistas-exportadoras, em espe-
cial a açucareira e a cafeeira, assim como seus 
representantes na organização imperial, marca-
ram a feição do país durante o Segundo Reinado, 
mantendo a ordem socioeconômica construída ao 
longo da colonização.
A questão escravista, a abolição, a expansão 
do cultivo de café e os conflitos externos foram al-
gumas das marcas do Segundo Reinado no Brasil.
Entretanto, apesar de certa continuidade, novas 
forças sociais emergiram na segunda metade do 
século XIX, principalmente a partir do advento de 
indústrias e do processo de urbanização. A mão de 
obra escravizada foi gradualmente substituída pela 
assalariada, constituída basicamente de imigrantes.
Ao mesmo tempo que o caráter elitista perma-
necia na esfera política, a economia tornava-se 
mais racional e produtiva. O sudeste tornou-se o 
novo polo econômico do país, com grande cres-
cimento populacional e mudanças na estrutura 
étnico-social.
No Brasil, periferia dos centros de desenvolvi-
mento econômico mundiais do período, ansiava-se 
por mudanças e assistia-se ao colapso da monar-
quia após os anos seguintes à Guerra do Paraguai 
(1864-1870) e a questão das lutas abolicionistas.
Em 15 de novembro de 1889, um golpe lide-
rado pelos militares pôs fim ao poder de dom 
Pedro II e instaurou a república, forma de governo 
cujos ideais estiveram presentes no Brasil em vá-
rios movimentos políticos desde a época colonial.
A Constituição de 1891, oficializando em direi-
tos o novo regime republicano, estabelecia, por 
exemplo, que o voto tornava-se um direito de todos 
os homens maiores de 21 anos, exceto mendigos, 
padres, soldados e analfabetos. Até então, as pes-
soas tinham de ter uma renda mínima para poder 
votar. Houve ainda a divisão de poderes e maior au-
tonomia das províncias, que se tornavam estados 
de uma federação. A Constituição de 1891 também 
trazia importantes garantias individuais, como o di-
reito de ir e vir, o direito de associação, a liberdade 
de imprensa e o direito de exercício profissional.
Venda de escravos 
no Rio de Janeiro, 
RJ, ilustração de 
François Biard.
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Apesar desses méritos, as primeiras décadas após a proclamação da repú-
blica foram marcadas por fraudes eleitorais, o coronelismo via voto de cabresto, 
a política do café com leite e o domínio de oligarquias rurais. Em outras pala-
vras, na prática, tratava-se de uma sociedade oligárquica e não democrática.
Café com leite
Os paulistas, responsáveis pela maior parte da produção de café, e os mineiros, 
responsáveis pela criação de gado leiteiro, controlavam as sucessões políticas 
presidenciais; quase sempre um presidente paulista era seguido de um mineiro, e 
vice-versa.
Coronelismo
Pessoas influentes em uma região, que chefiavam milícias formadas por civis, recebiam do 
governo imperial o título de coronel. A origem do título reporta à Guarda Nacional, criada em 
1831 como auxiliar das Forças Armadas e do Corpo Permanente (a polícia) nocombate às 
agitações políticas do período regencial. Mesmo após a extinção da Guarda Nacional, em 
1918, os proprietários de terra continuaram gozando do prestígio e da patente de coronéis, 
impondo à população local a sua vontade e obrigando-a a votar em seus candidatos.
Voto de cabresto
Designa o voto que é feito para atender aos interesses dos poderosos locais; "cabresto" 
é o arreio de corda ou couro que serve para prender e controlar o animal.
Conceitos
Tenentismo
Jovens oficiais de baixa patente, principalmente tenentes e capitães oriundos da 
classe média, que lideraram vários levantes militares nos anos 1920. Acreditavam que 
cabia ao Exército a tarefa de moralizar a política e derrubar a República Oligárquica.
Conceitos
O final da década de 1920 foi marcado por uma crise ao mesmo tempo eco-
nômica e política. Do ponto de vista econômico, a quebra da Bolsa de Valores de 
Nova York, em 1929, afetou profundamente o Brasil, já que os Estados Unidos 
eram o principal comprador do café brasileiro. No âmbito político, as divergên-
cias entre Minas Gerais e São Paulo, sobre a sucessão presidencial, levaram ao 
colapso da política do café com leite. Esses fatores contribuíram para que acon-
tecesse um levante revolucionário em 1930, a partir do qual o político gaúcho 
Getúlio Vargas (1882-1954) assumiu a Presidência da República.
Tratava-se de uma solução provisória, até que se elaborasse uma nova 
Constituição, mas Getúlio dominaria o cenário político, exercendo a Presidên-
cia entre 1930 e 1945, e, logo depois, novamente, entre 1951 e 1954. Como 
o movimento que o havia levado ao poder em 1930 era composto de grupos 
diversos – a oligarquia mineira, lideranças políticas do nordeste, o tenentis-
mo, as camadas médias urbanas, entre outros –, não demorariam a surgir di-
vergências. Logo no início de seu governo, Getúlio tomou medidas de caráter 
autoritário, como a dissolução do Congresso e a nomeação de interventores 
nos estados, que desempenhariam o papel de governadores.
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O maior foco de desconten-
tamento era São Paulo, que 
havia perdido a predominância 
na cena política. Partindo do 
pressuposto de que a promul-
gação de uma nova Constitui-
ção colocaria limites ao auto-
ritarismo de Vargas, os paulis-
tas reivindicavam a imediata 
convocação de uma assem-
bleia constituinte. As tensões 
levaram ao início da Revolução 
Constitucionalista de 1932. Um 
dos principais acontecimentos 
da época foi a assassinato de 
quatro estudantes que partici-
pavam de uma manifestação. 
Das iniciais do nome desses estudantes (Martins, Miragaia, Dráusio e Ca-
margo) surgiu o nome do movimento revolucionário: MMDC. Apesar do signi-
ficativo apoio da população do estado de São Paulo, os revolucionários foram 
derrotados pelas forças legalistas de Getúlio em pouco mais de dois meses.
De qualquer modo, Getúlio não pôde mais conter as pressões sociais e no 
ano seguinte tomou posse uma Assembleia Constituinte. Em 16 de julho de 
1934 foi promulgada uma nova Constituição, que limitava o poder do presi-
dente, como a garantia de habeas corpus e o mandado de segurança, além 
de incluir importantes leis trabalhistas, como a instituição da Justiça do Tra-
balho, jornada de trabalho de oito horas semanais, salário mínimo, repouso 
semanal remunerado, indenização por demissão sem justa causa, entre ou-
tras. O Código Eleitoral, por sua vez, instituía o voto secreto e o direito de voto 
a homens e mulheres maiores de 18 anos. Antes só os homens com mais de 
21 anos é que podiam votar.
Com a nova Constituição em vigor foram convocadas eleições nas quais 
Getúlio saiu vitorioso. No plano econômico o governo brasileiro teve de lidar 
com os efeitos da crise de 1929, que derrubou a exportação do café, principal 
produto brasileiro para o mercado externo. A partir de então a agricultura de 
exportação se tornou mais diversificada, estimulando a produção de frutas, 
por exemplo. Ao mesmo tempo, a indústria brasileira encontrou um clima fa-
vorável para se desenvolver, pois, com a desvalorização da moeda, os produ-
tos estrangeiros se tornavam mais caros.
Em 1935 ocorreu a Intentona Comunista, um levante que se iniciou no Rio 
Grande do Norte e teve desdobramentos em outros estados. Os revoltosos, 
agrupados em torno da Aliança Nacional Libertadora (ANL), liderada por Luís 
Carlos Prestes (1898-1990), pretendiam derrubar Getúlio Vargas e implantar 
um governo comunista no Brasil. O movimento, que havia sido mal calculado, 
fracassou e ocasionou uma violenta repressão não só aos comunistas, mas 
a todos os opositores do governo.
Passeata no centro da 
cidade de São Paulo (SP) 
durante a Revolução 
Constitucionalista, em 1932.
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O autoritarismo de Vargas contava com o apoio 
de setores do Exército e de grupos dominantes da 
sociedade civil. Nesse contexto, em 1937, Vargas 
deu um golpe de Estado antes que se encerrasse 
seu mandato constitucional. Usando como pretex-
to a ameaça comunista, decretou estado de guer-
ra, condição que lhe permitia prender qualquer 
pessoa sem ordem judicial. A ação foi baseada 
na divulgação de um suposto plano comunista – 
chamado Plano Cohen –, que mais tarde desco-
briu-se ter sido elaborado pela própria equipe de 
Getúlio Vargas como forma de justificar o golpe.
Em 10 de novembro de 1937 Vargas apresen-
tou uma nova Constituição, que estabelecia uma 
ditadura, que ficou conhecida por “Estado Novo”. 
Nesse período, que se estenderia até 1945, o pre-
sidente tinha poderes para dissolver o Congresso. 
Além disso, extinguiam-se os partidos políticos, 
abolia-se a liberdade de imprensa e os estados 
passaram a ser governados por interventores. Para 
censurar a imprensa e manipular a opinião pública 
o governo criou o Departamento de Imprensa e Pro-
paganda (DIP). Em muitos aspectos o Estado Novo 
se assemelhava aos regimes ditatoriais na Europa, 
como o nazismo alemão ou o fascismo italiano.
O nazismo alemão também encontrava eco na 
Ação Integralista Brasileira (AIB), um movimento 
de extrema direita fundado pelo jornalista Plínio 
Sampaio. Mas, em função de desentendimentos 
e tentativa de golpe contra Getúlio Vargas, os 
integralistas foram perseguidos e presos ou exi-
lados ainda em 1938.
Na economia, prevaleceu o controle estatal, es-
timulando a industrialização. O início da Segunda 
Guerra Mundial, em 1939, dificultou as importa-
ções de produtos industrializados, exigindo sua 
produção no Brasil, o que levou o governo a esti-
mular a implantação de novas fábricas e a amplia-
ção das já existentes. Vargas também criou gran-
des empresas estatais de indústria de base, indis-
pensáveis ao desenvolvimento dos demais seto-
res industriais, surgindo, assim, a Companhia Si-
derúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda (RJ), 
e a Companhia Vale do Rio Doce, em Itabira (MG), 
para a extração e processamento de minérios.
Em 1938, o governo criou o Conselho Nacional 
do Petróleo para controlar a exploração e o forne-
cimento do petróleo e seus derivados. O primeiro 
poço petrolífero foi perfurado em 1939, em Loba-
to, no Recôncavo Baiano.
Com o desenvolvimento da Segunda Guerra 
Mundial o Brasil alinhou-se aos países aliados 
contra a Alemanha e a Itália. Isso gerou um para-
doxo, pois o Brasil combatia no exterior os países 
cujos regimes mais se assemelhavam ao que 
existia na política interna. Isso abriu espaço para 
movimentos de contestação ao regime, de modo 
que, em 1945, no mesmo ano em que terminava 
a guerra na Europa, o Estado Novo também che-
gava ao fim.
Comício da Aliança Nacional 
Libertadora (ANL) na 
Cinelândia, Rio de Janeiro (RJ). 
Foto de 1935.
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Populismo e paternalismo 
na Era Vargas
A Era Vargas foi marcada por uma política populis-
ta e paternalista. Segundo o sociólogo estunidense 
Allan Johnson (1946-), o populismo “é uma ideolo-
gia ou movimento social que deposita fé na sabedo-
ria do homem comum e por isso mesmo desconfia 
das elites, tais como a política, a intelectual, a em-
presarial, etc.”. Na maioria das vezes, o populismo 
se identifica com as lideranças carismáticas, que se 
apresentam como porta-vozes da vontade do povo 
e conseguem subjugar as demais forças políticas 
graças ao apoio popular que recebem. O paterna-
lismo, por sua vez, pode ser definido como um con-
junto de relações sociais ou um sistema de trabalho 
estabelecido com um caráter de proteção. De modo 
análogo à autoridade do pai de família em uma es-
trutura patriarcal, o político paternalista se coloca 
como protetor dos cidadãos e, ao mesmo tempo, 
como autoridade que não admite questionamento. 
De um ponto de vista filosófico, segundo o filósofo 
Gerald Dworkin (1937-), o paternalismo se constitui 
na “interferência de um Estado ou de um indivíduo 
sobre outra pessoa, contra a vontade desta, sob a 
alegação de que essa interferência a beneficia ou 
a protege”. Nesse sentido, uma política paternalis-
ta é aquela em que o líder político trata os cidadãos 
como crianças a serem 
educadas ou incapazes 
de serem autonômas 
e que, por isso, devem 
obedecer às determina-
ções do líder do Estado 
porque supostamente 
não sabem o que é me-
lhor para si mesmos.
Nos regimes populistas da América Latina, a po-
lítica era baseada em uma ampla mobilização so-
cial, que tem como preceito a integração das clas-
ses populares, rejeitando assim a noção de luta de 
classes. Esses governos populistas estimulavam 
a industrialização por meio da intervenção do Es-
tado, sob o manto de uma ideologia nacionalista 
associada à personificação de um grande líder. De 
acordo com essa ideologia, a soberania popular 
JOHNSON, Allan G. 
Dicionário de Sociologia. 
Rio de Janeiro: Zahar, 1997. 
p. 179.
DWORKIN, Gerald. 
Paternalism. Stanford 
Encyclopedia of Philosophy. 
Disponível em: https://
plato.stanford.edu/entries/
paternalism/#Intr. Acesso 
em: 3 ago. 2020.
Trabalhadores homenageiam Getúlio Vargas em 1940 no Rio 
de Janeiro (RJ).
encontraria sua voz nos discursos do líder caris-
mático. No populismo, a crise era frequentemente 
representada como uma divisão entre os setores 
modernos e tradicionais de uma sociedade, e essa 
crise só poderia ser superada por meio da subordi-
nação das massas ao líder carismático.
Esse é exatamente o caso do populismo na Era 
Vargas. Administrando um governo que teve ori-
gem na confluência de forças divergentes com o 
fim específico de suplantar a hegemonia paulista 
em âmbito federal, Getúlio Vargas adotou políticas 
de caráter autoritário para manter-se no poder, 
uma vez que era impossível atender aos interes-
ses de grupos diversos. Um exemplo disso foi o 
modo como a instituição de uma legislação traba-
lhista, primeiramente na Constituição de 1934, e 
depois na promulgação da Consolidação das Leis 
do trabalho, em 1943, foi utilizada para alçar Var-
gas à imagem de “pai dos pobres”. Ao mesmo tem-
po que garantia direitos trabalhistas, e com isso 
angariava apoio popular, o presidente transforma-
va os sindicatos em “colaboradores do Estado”, 
proibindo que eles desenvolvessem atividades 
políticas ou se filiassem a organizações sindicais 
internacionais. Nesse sentido, a política de Vargas 
era não só populista, mas também paternalista, 
na medida em que colocava os trabalhadores sob 
seus cuidados e orientação.
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Movimentos e lutas sociais 
na Era Vargas
Contudo, o autoritarismo de Estado enfrenta-
va a resistência de movimentos sociais que se 
faziam presentes em frentes diversas e não raro 
eram bem diferentes entre si, tanto do ponto de 
vista ideológico como de organização social.
Um movimento que remontava ao século XIX, 
mas que ainda era atuante na Era Vargas, era o 
cangaço. Mais do que grupos armados de mar-
ginais que saqueavam cidades e vilas no sertão 
nordestino, os cangaceiros também representa-
vam uma espécie de banditismo social, algo que 
muitos historiadores consideram uma forma pri-
mitiva de protesto social organizado. O banditis-
mo social, como fenômeno sociológico, pode ser 
encontrado em diversos locais e épocas, tendo na 
imagem lendária de Robin Hood um de seus prin-
cipais modelos. Sem deixar de ser um criminoso, 
Robin Hood, personagem da Inglaterra medieval, 
era também um herói, que supostamente repar-
tia com os pobres o que roubava dos ricos. Sem 
negar que os cangaceiros agissem na maioria das 
vezes também como criminosos, na imaginação 
popular eles eram frequentemente vistos como 
“vingadores” ou “justiceiros”.
A relação do governo de Vargas com o cangaço 
era ambígua. Ao mesmo tempo que o presidente 
havia concedido um indulto a Antônio Silvino, um 
conhecido cangaceiro, em 1944, o cangaço não 
deixava de ser um problema para as elites, em es-
pecial os latifundiários. O mais famoso dos canga-
ceiros foi Virgulino Ferreira da Silva (1898-1938), 
conhecido pelo apelido de Lampião. Após um con-
flito entre oligarquias rurais, em 1919, no qual seu 
pai foi morto pela polícia, Lampião chefiou um ban-
do de cangaceiros até 1938, quando foi morto em 
uma emboscada armada por uma tropa policial.
O grupo de Virgínio Fortunato da Silva (ao centro), conhecido 
como "Moderno". Moderno era cunhado de Lampião. A foto foi 
feita por Benjamim Abrahão entre 1936 e 1937. 
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NÃO ESCREVA NO LIVRO
1. Como o governo Vargas se integra nessa visão populista e paternalista?
2. Como vocês analisam essa tutela sobre os cidadãos?
3. Vocês conhecem exemplos recentes de populismo e paternalismo?
Conversa
Outro importante movimento na Era Vargas 
foi o comunismo, representado principalmente 
pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), no qual 
o nome de Luís Carlos Prestes (1898-1990) des-
pontava como uma de suas principais lideranças. 
Nos anos 1930 o PCB uniu-se à ANL, uma ampla 
frente de movimentos de esquerda, que em 1935 
articulou a Intentona Comunista, um plano frus-
trado de rebelião, com o objetivo de implantar o 
comunismo no Brasil. A repressão do governo 
Vargas ao comunismo foi intensa e Prestes fica-
ria preso até 1945, quando Vargas anistiou os 
prisioneiros políticos. Ironicamente o PCB acabou 
apoiando a permanência de Vargas no poder nos 
anos finais da Segunda Guerra Mundial, já que 
o Brasil lutava ao lado dos Aliados, que tinham 
não só países capitalistas, como Estados Unidos, 
França e Inglaterra, mas também a União Sovié-
tica como um de seus integrantes. A vitória dos 
Aliados trouxe prestígio à União Soviética, e isso 
se refletiu no fortalecimento do PCB no final do 
governo Vargas.
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O término do governo Vargas no Estado Novo 
foi marcado por pressões de grupos que defen-
diam uma reforma constitucional e o fim da dita-
dura. Dessa forma surgiram novos partidos, doze 
ao todo, sendo quatro deles os mais importantes: 
Partido Social Democrata (PSD), de políticos ali-
nhados à ditadura de Vargas; Partido Trabalhista 
Brasileiro (PTB), que congregava os sindicalistas 
associados ao presidente; a União Democrática 
Nacional (UDN), formada por representantes de 
banqueiros e empresários; e o Partido Comunista 
Brasileiro (PCB), que havia se rearticulado após 
um período de repressão. Ao finalcom mais
de 18 anos, e facultativo para os maiores de 16 e meno-
res de 18 e também para aqueles com mais de 70 anos.
Porém, para que o sufrágio universal fosse estabeleci-
do no Brasil, foi necessário um longo período de conflitos 
e de reivindicação de direitos por diversos grupos sociais. 
Nos últimos anos, muitas pessoas têm se manifes-
tado contra a obrigatoriedade do voto. No segundo turno 
das eleições para presidente em 2018, a soma de votos 
nulos, brancos e abstenções representou cerca de um 
terço do total de eleitores.
Considerando essas informações, reflita sobre as ques-
tões a seguir e converse com os colegas e o professor.
�� O voto é um direito político pelo qual muitos brasilei-
ros lutaram no passado, mas atualmente boa parte�
deles prefere não exercê-lo. Quais fatores podem ex-
plicar essa mudança de atitude de uma parcela da�
população?
�� Além do voto, há outras formas de participação po-
lítica e de exercício da cidadania? Em caso positivo,�
quais seriam elas?
Contexto
Democracia e
ditadura no Brasil e
na América Latina
1
OBJETIVOS
• Compreeder os conceitos de democracia e ditadura 
tendo em vista sua origem na Antiguidade clássica e 
seu uso em contextos políticos contemporâneos.
• Conhecer os contextos de surgimento e 
desenvolvimento de diferentes regimes políticos na 
América Latina nos séculos XIX e XX.
• Relacionar as políticas populistas e 
desenvolvimentistas do Brasil a contextos históricos 
específicos.
• Identificar as motivações de elites econômicas e 
sociais e interesses estrangeiros no surgimento e 
desenvolvimento de regimes ditatoriais no Brasil.
JUSTIFICATIVA
Conceitos relativos a regimes e práticas políticas, tais 
como democracia, ditadura, populismo, paternalismo, 
desenvolvimentismo, entre outros, são importantes 
para a compreensão de situações históricas específicas. 
Ao mesmo tempo, essas situações exemplificam e 
esclarecem melhor a própria compreensão desses 
conceitos. Tendo foco em contextos políticos da América 
Latina nos séculos XIX e XX, o capítulo contribui para 
estimular a reflexão dos estudantes quanto à história 
política latino-americana contemporânea.
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DA BNCC
• Competências gerais da Educação Básica: 
CG1, CG2, CG3, CG4, CG7, CG9 e CG10.
• Competências e habilidades específicas de Ciências 
Humanas e Sociais Aplicadas: 
Competência 1: EM13CHS103. 
Competência 5: EM13CHS503 e EM13CHS504. 
Competência 6: EM13CHS602 e EM13CHS603.
• Competências e habilidades específicas de Linguagens 
e suas Tecnologias: 
Competência 6: EM13LGG604.
TEMAS CONTEMPORÂNEOS TRANSVERSAIS
Cidadania e civismo
• Educação em direitos humanos
Multiculturalismo
• Educação para a valorização do multiculturalismo nas 
matrizes históricas e culturais brasileiras
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NÃO ESCREVA NO LIVRO
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CONEXÕES
CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Geração e tempo geracional
Para as Ciências da natureza, “geração”, entre 
outros significados, se refere à reprodução ou à 
transição entre pais e filhos. Mas “geração” pode 
se referir ainda ao conjunto de pessoas contem-
porâneas – uma definição muito utilizada em con-
textos sociais.
O período médio entre duas gerações consecu-
tivas é chamado “tempo de geração” e ele é variá-
vel entre diferentes espécies. Entre os humanos, 
por exemplo, o tempo de geração é longo, de, em 
média, 30 anos. Já entre vírus e bactérias, assim 
como outros organismos patogênicos, o tempo 
de geração é muito mais curto, sendo, às vezes, 
de poucos minutos. E são esses organismos com 
tempo de geração muito curto que são utilizados 
para os estudos de Genética, uma vez que as infor-
mações genéticas são transmitidas de geração em 
geração e podem ser observadas mais facilmente.
Foi observando um organismo com o tempo 
geracional curto (ervilhas) que Gregor Mendel 
rea lizou seus experimentos e estabeleceu as ba-
ses para o estudo da hereditariedade
Outro organismo comumente utilizado em estu-
dos genéticos são as moscas-da-fruta (Drosophila 
melanogaster). Isso porque elas possuem um 
tempo de geração de cerca de 10 dias.
Mas não é somente nas Ciências da Natureza 
que o conceito de geração tem seus impactos. Nas 
Ciências Humanas e Sociais Aplicadas ele também 
tem sua importância. Veja o texto a seguir.
No pensamento social contemporâneo, a 
noção de geração foi desenvolvida em três mo-
mentos históricos, que correspondem a três 
quadros sociopolíticos particulares: durante os 
anos 1920, no período entreguerras, as bases 
filosóficas são formuladas em torno da noção 
de "revezamento geracional" (sucessão e coexis-
tência de gerações), existindo um consenso ge-
ral sobre este aspecto [..]. Durante os anos 1960, 
na época do protesto, uma teoria em torno da 
noção de "problema geracional" (e conflito gera-
cional) é fundamentada sobre a teoria do con-
flito [...]. A partir de meados dos anos 1990, com 
a emergência do sociedade em rede, surge uma 
nova teoria em torno da noção de "sobreposição 
geracional". Isto corresponde à situação em que 
os jovens são mais habilidosos do que as gera-
ções anteriores em um centro de inovação para 
a sociedade: a tecnologia digital [...].
FEIXA, Carles; LECCARDI, Carmem. O conceito de geração nas 
teorias sobre juventude. Soc. estado, Brasília, v. 25, n. 2, p. 
185-204, Aug. 2010. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S010269922010000200003&lng=en
&nrm=iso. Acesso em: 7 set. 2020.
Considere um adulto com idade aproximada de 25 anos que viva na sua 
comunidade, e responda: 
• Você considera que você e esse adulto façam parte da mesma geração?
• De acordo com o pensamento social contemporâneo, qual sua relação
com esse indivíduo? Você acredita que haja um “revezamento geracio-
nal”, um “problema geracional” ou uma “sobreposição geracional”?
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Mísseis balísticos intercontinentais com capacidade de transportar bombas nucleares, em parada 
militar na Praça Vermelha, Moscou (União Soviética), em 1969.
Após ler o texto e com base em seus conhecimentos da realidade e em pesquisa na internet, reflita sobre 
as questões propostas:
�� Por que ainda não se pode distinguir os fundamentos de uma nova ordem internacional?
�� O que você entende por soft power? Qual é a diferença entre soft power e hard power? Dê exemplos.
�� Você acha que é importante ter soft power para liderar uma ordem internacional? Por quê? O Brasil 
tem hard power e soft power?�
95
Democracia e ditadura como 
conceitos opostos
Nós, seres humanos, vivemos em culturas diferentes, e os modos de or-
ganização política variam muito de uma sociedade para outra. De maneira 
geral, podemos identificar sociedades nas quais a organização é estabeleci-
da de forma autoritária, sob um governo centralizado. Em outras, as decisões 
são tomadas de forma coletiva e dialogada. Essas formas de organização 
são, quase sempre, associadas, respectivamente, à ditadura e à democracia.
A palavra ditadura tem origem na Antiguidade, na Roma republicana. De-
pois de se libertarem do domínio etrusco, em 509 a.C., e antes de constituí-
rem um império, a partir de 27 a.C., os romanos consideravam o Senado o 
principal órgão político. Não se tratava de uma democracia, mas de uma Re-
pública aristocrática, pois os senadores eram representantes da elite, uma 
minoria da população. Mas suas decisões eram tomadas a partir do diálogo 
sobre a rex-publica, o respeito à coisa pública, ao publicus, coisa do povo, na 
busca de entendimentos em relação ao que seria melhor para a cidade. Po-
rém, em épocas de crise, como em uma guerra, as decisões tinham de ser 
tomadas rapidamente e, por isso, se instituía um ditador, do latim ditactor, o 
que ditava os decretos, com amplos poderes por um período máximo de seis 
meses. Em outras palavras, a ditadura era um tipo de governo provisório, ex-
traordinário, acionado em situações excepcio-
nais, com a finalidade de cuidar dade seu governo, 
Getúlio Vargas conseguiu apoio de parte da socie-
dade que defendia a instauração de uma assem-
bleia constituinte com Getúlio, um movimento que 
ficou conhecido como queremismo por causa da 
palavra de ordem “Queremos Getúlio!”. Contudo, 
ainda assim o governo não resistiu a uma inter-
venção militar, apoiada pelos setores contrários à 
permanência de Vargas na Presidência.
Pela nova Carta [a constituição de 1937], o 
Presidente dispunha de plenos poderes, legis-
lativos e executivos; era-lhe permitido também 
demitir e transferir funcionários, reformar e 
afastar militares que representassem ameaça 
aos “interesses nacionais”. Pelo artigo 186, era 
declarado estado de emergência em todo o ter-
ritório nacional, o que tornava possível ordenar 
prisões, exílio, invasão de domicílio; instituía-se 
a prisão preventiva; tornava-se legal a censura 
de todas as comunicações. [...]
Tornado constitucional o estado de emer-
gência, foram institucionalizados os instru-
mentos necessários para sua consecução: o De-
partamento de Propaganda [DIP], encarregado 
também da censura [...]; o Código de Imprensa, 
publicado em dezembro de 1937, tornava ilegal 
qualquer referência desrespeitosa às autorida-
des públicas. Foi instituída a “Hora do Brasil”, 
emissão radiofônica diária e obrigatória, através 
da qual eram divulgados os programas governa-
mentais e as palavras do presidente.
Uma das medidas de efeitos políticos ime-
diatos, o decreto de 3 de dezembro, determina-
va a dissolução de todos os partidos e proibia 
quaisquer símbolos, gestos e uniformes identi-
ficadores.
SOLA, Lourdes. O golpe de 37 e o Estado Novo. In: MOTA, Carlos 
Guilherme (org.). Brasil em perspectiva. 16. ed. Rio de Janeiro: 
Bertrand Brasil, 1987. p. 266-267.
1. Quais os principais pilares estabelecidos por 
Vargas na implantação da ditadura?
2. Como foram tratados os grupos e partidos 
oposicionistas?
3. Em que medida um programa radiofônico, como 
a “Hora do Brasil”, deu sustentação a um governo 
ditatorial? E como a censura à imprensa contribui 
para tal resultado?
4. E, atualmente, como se posiciona o programa 
“A Voz do Brasil”? Combinem um dia para todos 
ouvirem uma transmissão. Anotem os temas 
abordados e como eles foram descritos, se de 
forma favorável, crítica ou imparcial ao governo. 
Em sala de aula compartilhem suas interpretações.
Interpretar NÃO ESCREVA NO LIVRO
Comício queremista no Largo da Carioca no Rio de Janeiro (RJ), 
em 1945.
As medidas tomadas para a 
implantação do regime ditatorial do 
Estado Novo
Os cinco primeiros anos do regime corres-
pondem à progressiva, mas definitiva consoli-
dação do poder de Estado. [...] Os últimos grupos 
oposicionistas ativos seriam definitivamente 
isolados, pela violência, no ano de 1938.
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Veja as respostas no Manual do Professor.
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Atuações governamentais no Brasil 
democrático pós-Estado Novo
Com o fim do Estado Novo e a saída de Getúlio 
Vargas do poder, José Linhares, o presidente do 
Supremo Tribunal Federal, assumiu a Presidên-
cia da República até que se elaborasse uma nova 
Constituição e se realizassem novas eleições.
A Assembleia Constituinte foi eleita em dezem-
bro de 1945 e finalizou seus trabalhos em setembro 
do ano seguinte. A nova Carta Constitucional resta-
belecia a república federativa, com vinte estados e 
cinco territórios, e definia as atribuições específi-
cas da federação, dos estados e dos municípios. 
As eleições se fariam por meio do voto direto para 
todos os níveis, e o presidente governaria por um 
período de cinco anos. Apesar de excluir o voto dos 
analfabetos, a nova lei estendia a obrigatoriedade 
do voto feminino a todas as mulheres maiores de 
18 anos, diferentemente da Constituição de 1934, 
que restringia a participação política somente às 
mulheres que exerciam atividade pública remu-
nerada. A legislação trabalhista manteve-se em 
grande parte a mesma que havia sido definida na 
Constituição de 1934. A organização sindical se 
configurava como órgão colaborador do Estado e o 
direito de greve, apesar de reconhecido, ficava de-
pendente de regulamentação posterior.
Nas eleições presidenciais de 1945, o general 
Eurico Gaspar Dutra (1883-1974) venceu o pleito, 
cujo início do governo foi marcado pelo alinha-
mento aos Estados Unidos e por uma política eco-
nômica liberal, favorecida pelo fato de que o Brasil 
havia saído da Segunda Guerra com um lastro po-
sitivo de exportações.
Quando o presidente Dutra estava em via de ter-
minar o mandato, Getúlio Vargas surgia novamente 
na cena política e conseguindo a vitória em 1950.
Getúlio daria continuidade ao populismo, que 
confirmava o que ficou conhecido como Era Var-
gas. Seu governo, contudo, encontrava dificuldade 
em conter a inflação crescente, que exigia a to-
mada de medidas impopulares. Por outro lado, ele 
não poderia desconsiderar as reivindicações dos 
trabalhadores, seu principal eleitorado. Enfrentan-
do uma série de greves, em 1953 o governo cedeu, 
atendendo a muitas reivindicações dos grevistas. 
Outra medida de impacto foi o aumento de 100% 
dado ao salário mínimo, tendo à frente o Ministro 
do Trabalho João Goulart (1919-1976). Essas me-
didas acirraram os ânimos da oposição, composta 
principalmente por integrantes da UDN e militares 
anticomunistas.
Um atentado contra Carlos Lacerda (1914- 
-1977), deputado pela UDN e ferrenho porta-voz 
da oposição, complicou ainda mais a situação 
de Vargas. Descobriu-se que o autor do atentado, 
que feriu levemente Lacerda e matou Rubens Vaz 
(1922-1954), major da Aeronáutica que o acom-
panhava, era um guarda-costas de Vargas. Com 
as especulações sobre a ligação de Vargas com o 
atentado, o presidente era pressionado a renun-
ciar. Na manhã de 1954 Vargas se suicidou com 
um tiro no peito, deixando uma carta na qual acu-
sava a aliança de seus opositores com grupos in-
ternacionais contra o regime de garantia do traba-
lho. O suicídio de Vargas trouxe grande comoção 
nacional e, ao mesmo tempo, impediu que a UDN 
e os militares anticomunistas tomassem o poder 
por meio de um golpe de Estado.
Carlota Pereira de Queiroz, a primeira deputada brasileira, 
durante seu primeiro discurso em 1933. A Constituição de 
1934 trouxe inovações, como a representação classista.
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DIÁLOGOS
NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Em duplas, leiam atentamente o texto abaixo, que reproduz trechos da 
carta-testamento de Getúlio Vargas, e respondam às questões propostas.
Ao ódio respondo com o perdão. E aos que 
pensam que me derrotaram, respondo com a 
minha vitória. Era escravo do povo e hoje me li-
berto para a vida eterna. Mas esse povo de quem 
fui escravo não mais será escravo de ninguém. 
Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma 
e meu sangue será o preço do seu resgate.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei con-
tra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito 
aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não aba-
teram o meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. 
Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Se-
renamente dou o primeiro passo no caminho da 
eternidade e saio da vida para entrar na história.
Citado em DEL PRIORE, Mary et al. Documentos de história do 
Brasil: de Cabral aos anos 90. São Paulo: Scipione, 1997. p. 98-99.
a) Que interesses Getúlio Vargas acusa desar-
mar ao cometer o suicídio? Justifique sua 
resposta com passagens do texto.
b) Relendo o capítulo, a quem Getúlio Vargas 
se refere no trecho “Não querem que o tra-
balhador seja livre. Não querem que o povo 
seja independente”?
Veja as respostas dasatividades 
desta seção no Manual do Professor.
Trechos da carta-testamento de 
Getúlio Vargas, agosto de 1954
Mais uma vez, as forças e os interesses con-
tra o povo condenaram-me novamente e se de-
sencadeiam sobre mim.
Não me acusam, insultam; não me comba-
tem, caluniam e não me dão o direito de defesa. 
Precisam sufocar a minha voz e impedir a mi-
nha ação para que eu não continue a defender, 
como sempre defendi, o povo e principalmente 
os humildes. Sigo o destino que me é imposto. 
Depois de decênios de domínio e espoliação dos 
grupos econômicos e financeiros internacionais, 
fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o 
trabalho de libertação e instaurei o regime de 
liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao go-
verno nos braços do povo. A campanha subter-
rânea dos grupos internacionais aliou-se à dos 
grupos nacionais revoltados contra o regime de 
garantia do trabalho. A lei de lucros extraordi-
nários foi detida no Congresso. Contra a justiça 
da revisão do salário mínimo se desencadea-
ram os ódios. Quis criar a liberdade nacional na 
potencialização de nossas riquezas através da 
Petrobras; mal começa esta a funcionar, a onda 
de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obsta-
culada até o desespero. Não querem que o tra-
balhador seja livre. Não querem que o povo seja 
independente […].
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a 
hora, resistindo a uma pressão constante, in-
cessante, tudo suportando em silêncio, tudo 
esquecendo, renunciando a mim mesmo, para 
defender o povo que agora se queda desampa-
rado. Nada mais vos posso dar, a não ser o meu 
sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de 
alguém, querem continuar sugando o povo bra-
sileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. 
Escolho este meio de estar sempre convosco […].
Cartaz produzido 
pelo Departamento 
de Imprensa e 
Propaganda (DIP), 
do governo Getúlio 
Vargas – Estado 
Novo, convocando 
para manifestação 
trabalhista de 
1o de maio.
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Após o suicídio de Vargas, o vice-presidente, 
João Fernandes Campos Café Filho (1899-1970), 
assumiu a Presidência da República. Em 1955, 
realizou-se a eleição do novo presidente, na qual 
saiu vitorioso Juscelino Kubitschek (1902-1976), 
também conhecido como JK, candidato do PSD e 
do PDT. Antes da posse de JK, Café Filho foi hospi-
talizado e substituído pelo presidente da Câmara, 
Carlos Luz (1894-1961). Nesse contexto a UDN e 
setores da Marinha e da Aeronáutica tentaram to-
mar o poder, mas foram impedidos por um “golpe 
preventivo” dado pelo ministro da Guerra, o general 
Teixeira Lott (1894-1984), que mobilizou as tropas 
do exército no Rio de Janeiro para garantir que Jus-
celino Kubitschek assumisse a Presidência.
O governo de Juscelino Kubitschek foram anos 
de relativa estabilidade política e econômica. Em 
certo sentido dava continuidade em muitos as-
pectos à política getulista, porém evitando exces-
sos. Mesmo porque PSD e PTB, os dois partidos 
que serviam de base de sustentação de Getúlio, 
tinham divergências. Assim, JK evitava o conser-
vadorismo do PSD, mas ao mesmo tempo evitava 
avançar em demasia nas reivindicações do opera-
riado para não ser identificado com “propostas co-
munistas”. Mesmo assim, apesar de manter boas 
relações com os militares, dois levantes de seto-
res da Aeronáutica, um em Jacareacanga (PA), 
em 1956, outro em Aragarças (GO), em 1959, fo-
ram isolados e facilmente sufocados.
O que mais marcou o governo de Juscelino Ku-
bitschek foi sua política econômica, definida em 
seu plano de metas, que abrangia cinco grandes 
áreas – energia, transportes, educação, alimen-
tação, indústrias de base – além da proposta de 
transferência do distrito federal para o interior do 
Brasil com a construção de Brasília. A promessa 
de JK era a de desenvolver o Brasil “50 anos em 5”. 
Sob seu governo ocorreu uma acelerada expansão 
da indústria automobilística, das usinas hidrelétri-
cas, de rodovias, da produção de aço e da constru-
ção naval. Tratava-se de uma política nacional-de-
senvolvimentista na qual o país se abria ao capital 
estrangeiro, mas o Estado mantinha o controle da 
indústria de base e da produção de energia.
Juscelino (à esquerda) no dia da posse, em 1956, acompanhado 
de Nereu Ramos e do vice-presidente João Goulart (à direita).
Congresso Nacional em construção. Brasília, DF, em 1960.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
A ideia de interiorização da capital remonta à época 
do Império. Era defendida por razões estratégicas e 
econômicas. Em 1946, a nova Constituição determinou 
estudos e, em 1956, Juscelino comprometeu-se a 
efetivar a transferência da capital. A primeira etapa de 
sua construção foi concluída em quase quatro anos. 
Temas para a discussão:
1. O plano da nova capital previa grandes construções 
e amplas vias voltadas para os automóveis, sem 
o mesmo planejamento para abrigar a imensa 
população de migrantes que chegou à região. Como 
foi feito o assentamento da maioria dos migrantes?
2. Considerando o aspecto geográfico, a instalação 
inicial da nova capital do país aproximava ou 
afastava o poder central de alguns dos principais 
núcleos de pressão social da época, como Rio de 
Janeiro e São Paulo?
Conversa
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Embora o desenvolvimento econômico no governo de JK tenha alcança-
do muitos resultados positivos, isso se fez à custa do deficit do orçamento 
federal. Para resolver esse problema foi proposto um plano de estabilização, 
tendo à frente o engenheiro Lucas Lopes (1911-1994) como Ministro da Fa-
zenda e Roberto Campos (1917-2001) como presidente do Banco Nacional 
de Desenvolvimento Econômico (BNDE). Contudo, o plano acabou não se re-
alizando, uma vez que previa acordos com o Fundo Monetário Internacional 
(FMI), organização internacional ligada à Organização das Nações Unidas 
(ONU). Muitos setores da sociedade brasileira viam esses acordos como con-
trários aos princípios nacionalistas do governo. Outro problema dos anos JK 
foi a desigualdade regional na qual o desenvolvimento econômico ocorreu, 
privilegiando a região Sudeste. A criação da Superintendência do Desenvolvi-
mento do Nordeste (Sudene) não foi suficiente para resolvê-lo.
Na campanha de sucessão presidencial despontou 
Jânio Quadros (1917-1992), candidato lançado por um 
partido pequeno, o Partido Trabalhista Nacional (PTN), 
mas que teve o apoio da UDN. Com um discurso de crítica 
à corrupção e à desordem financeira, Jânio venceu com 
facilidade seus adversários, o General Lott, apoiado pelo 
PSD e pelo PTB, e Adhemar de Barros (1901-1969), pelo 
PSP. Mas, como vice-presidente saiu vitorioso João Gou-
lart, apelidado de Jango, da chapa do general Lott. Isso era 
possível porque nas eleições de 1960 era permitido votar 
em candidatos a presidente e vice de partidos diferentes.
No campo da política externa o governo de Jânio pro-
curava marcar sua independência diante da polarização 
que havia na época da Guerra Fria entre Estados Unidos 
e União Soviética, não aderindo a nenhum dos blocos de 
forma explícita. No tocante à economia, o maior problema 
era o deficit orçamentário, que foi combatido por meio da 
desvalorização cambial, redução de gastos públicos e de 
subsídios para importação de trigo e petróleo. Embora 
isso implicasse um aumento no custo de vida para a po-
pulação, por outro lado teve repercussão positiva junto 
aos credores internacionais, o que facilitou a renegocia-
ção das dívidas.
Em 25 de agosto de 1961, pouco antes de completar sete meses de gover-
no, Jânio Quadrosrenunciou à Presidência, em circunstâncias que, até hoje, 
não são muito bem explicadas. Na época, Jânio indicava a renúncia devido 
à ação de “forças terríveis”, porém sem explicitar do que se tratava. Muitos 
historiadores acreditam que Jânio Quadros pretendia fazer com que seus ad-
versários se mobilizassem para evitar seu afastamento da Presidência, uma 
vez que o vice, João Goulart, era conhecido por sua aproximação com os par-
tidos mais à esquerda. Mas o fato é que essa mobilização foi relativamente 
pequena e a renúncia, de modo geral, foi bem aceita tanto pelo Congresso 
quanto pelos militares e pela população.
Jânio Quadros durante 
comício na campanha 
eleitoral de 1960, na cidade 
de Igarapava, SP. Jânio 
tinha como uma das suas 
principais promessas 
de campanha "varrer a 
corrupção" para longe do 
Brasil. Assim, era comum 
que em sua campanha as 
pessoas comparecessem 
empunhando vassouras.
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Quando Jânio Quadros renunciou à Presidên-
cia, seu vice, João Goulart, estava em uma visita 
à China, e o governo foi exercido interinamente 
nesse momento de crise pelo deputado Ranie-
ri Mazzilli (1910-1975), presidente da Câmara 
na época. Enquanto grupos de militares exigiam 
o afastamento de João Goulart, defensores da 
legalidade, como o governador Leonel Brizola 
(1922-2004), do Rio Grande do Sul, reagiam com 
a possibilidade de uma guerra civil. Como solução 
conciliatória, os grupos conservadores aceitaram 
a posse de João Goulart, mas com a adoção do 
regime parlamentarista, no qual o presidente tem 
seus poderes reduzidos.
Em 1963 foi realizado um plebiscito, no qual a 
maioria dos votantes se manifestou contra o regi-
me parlamentarista. Com a volta do presidencialis-
mo e tendo seus poderes aumentados, João Gou-
lart pretendia dar início a uma série de reformas 
de base, isto é, mudanças que permitissem a su-
peração das desigualdades sociais. As reformas de 
base incluíam uma reforma agrária, para a demo-
cratização do uso da terra; uma reforma educacio-
nal, de combate ao analfabetismo e valorização do 
magistério; uma reforma fiscal, que visava aumen-
tar a arrecadação e conter as remessas de lucros 
ao exterior; uma reforma eleitoral, com a proposta 
do direito de voto para analfabetos e militares de 
baixa patente; uma reforma urbana, permitindo a 
locatários a possibilidade de comprar os imóveis 
em que viviam; e uma reforma bancária, visando 
aumentar as linhas de crédito aos produtores.
Como as reformas de base desagradavam em 
muitos aspectos certos grupos poderosos, João 
Goulart percebeu que não conseguiria viabilizá-
-las por meio de acordos com o Congresso e de-
cidiu implementá-las por decreto. Em um impor-
tante comício, em 13 de março de 1964, no Rio de 
Janeiro, em frente à estação Central do Brasil, o 
presidente anunciava os projetos que nacionali-
zavam refinarias de petróleo e desapropriavam as 
propriedades com mais de 100 hectares ao longo 
de rodovias e ferrovias federais.
As reformas propostas por João Goulart tinham 
o apoio do movimento estudantil, de movimentos 
rurais, como as Ligas Camponesas, de setores 
progressistas da Igreja católica e de entidades tra-
balhistas, como o Comando Geral dos Trabalhado-
res (CGT). Contudo, também era forte a oposição 
da parte de setores conservadores, representados 
por grupos, como a Frente Patriótica Civil-Militar, o 
Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), 
a Sociedade Brasileira para a Defesa da Tradição, 
Família e Propriedade (TFP), o Instituto Brasileiro 
de Ação Democrática (Ibad). Em 19 de março de 
1964 ocorreu uma grande manifestação em São 
Paulo, com o nome de Marcha da Família com Deus 
pela Liberdade, reunindo cerca de 500 mil pesso-
as e outra no Rio de Janeiro. O evento mostrava a 
força do conservadorismo e contribuiu para a arti-
culação de um movimento que levaria à deposição 
de João Goulart da Presidência.
Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em 1964, no Rio 
de Janeiro, RJ.
Em 31 de março, tropas de Minas Gerais deslo-
caram-se rumo ao Rio de Janeiro. Ao mesmo tem-
po, importantes autoridades políticas, como Ma-
galhães Pinto (1909-1996), governador de Minas 
Gerais, Adhemar de Barros, de São Paulo, e Carlos 
Lacerda, da Guanabara (hoje Rio de Janeiro) de-
ram apoio à intervenção militar. Pretendendo evi-
tar o derramamento de sangue, João Goulart via-
jou para o Rio Grande do Sul e posteriormente se 
exilou no Uruguai. O governador do Rio Grande do 
Sul, Leonel Brizola, pretendia organizar uma resis-
tência ao golpe de Estado que estava em curso, 
mas não obteve a adesão esperada. O governo 
passou a ser exercido por uma junta militar, dando 
origem a um período de ditadura, que se estende-
ria por mais de vinte anos.
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Mobilizações sociais e atuações 
nos governos ditatoriais do Brasil
O regime implantado no Brasil em 1964 foi uma ditadura em razão de seu 
caráter autoritário e da concentração de poderes nas mãos dos chefes mili-
tares, embora com muita participação civil no governo. Havia, desde o início, 
uma divergência bastante clara entre um grupo ligado à Escola Superior de 
Guerra (ESG), que defendia o diálogo com grupos políticos conservadores 
tradicionais, notadamente da UDN e de parcela do PSD, e outro, conhecido 
como linha dura, mais radical e mais avesso à participação da sociedade civil 
no governo. Mesmo assim, de modo geral havia o consenso de combater o 
comunismo e garantir a ordem, seja por meio da repressão às manifestações 
de oposição ao regime, seja por meio de intensa propaganda institucional. 
Além disso, o país rompia com o posicionamento de autonomia em relação à 
política externa, assumindo de modo mais explícito o alinhamento na Guerra 
Fria ao bloco capitalista, liderado pelos Estados Unidos.
Do ponto de vista econômico, o regime adotava uma política com alguns 
aspectos neoliberais, na qual o desenvolvimento e diversificação da econo-
mia se fazia a partir de empréstimos no exterior e da abertura da economia 
brasileira ao capital internacional. Os empréstimos garantiam a construção 
de obras de infraestrutura, como estradas, hidrelétricas, refinarias de petró-
leo, entre outras. Ao mesmo tempo o regime estimulava a vinda de empresas 
estrangeiras, que se beneficiavam de incentivos fiscais, mão de obra barata 
e abundância de recursos naturais.
Com a saída de João Goulart, o governo passou a ser exercido por 
uma junta militar que, em 9 de abril de 1964, decretou o Ato Institucional 
número 1 (AI-1), uma lei que fortalecia o Poder Executivo, permitindo-o go-
vernar por meio de decretos, cassar mandatos políticos em qualquer nível, 
suspender direitos políticos de adversários do regime e expurgar servido-
res públicos. O Ato instituiu ainda os Inquéritos Policiais Militares que, do-
tados de poderes excepcionais, podiam prender os opositores do regime. A 
prática de tortura, quando investigada, era arquivada por “insuficiência de 
provas”. Depois desse ato institucional, foram promulgados vários outros, 
sempre com o objetivo de fortalecer o poder do núcleo militar e reprimir 
qualquer forma de oposição.
O primeiro presidente do Brasil sob o regime militar foi o general Hum-
berto de Alencar Castelo Branco (1897-1967), eleito pelo Congresso em 11 
de abril de 1964. Em seu governo foram revogados os decretos de João 
Goulart, que estabeleciam a nacionalização das refinarias de petróleo e a 
desapropriação de terras para reforma agrária. A União Nacional dos Es-
tudantes (UNE) e as Ligas Camponesas foram colocadas na ilegalidade. 
Centenas de pessoas tiveram seusdireitos políticos cassados, entre elas 
os ex-presidentes Juscelino, Jânio e Jango, e milhares de funcionários pú-
blicos foram demitidos.
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No campo econômico foi colocado em prática o Programa de Ação Econô-
mica do Governo (Paeg), sob a responsabilidade do ministro do Planejamento, 
Roberto Campos, e do ministro da Fazenda, Otávio Bulhões (1906-1990). Com 
o objetivo de restabelecer as finanças públicas, o programa previa o achata-
mento dos salários, o fim dos subsídios ao trigo e ao petróleo e o aumento 
da arrecadação de impostos. O Paeg conseguiu atingir o objetivo de reduzir o 
deficit público, mas isso com o sacrifício dos trabalhadores, que passaram a 
ganhar menos e ainda sofriam com o aumento dos preços.
Em 1965 foi decretado o Ato Institucional número 2 (AI-2), que ampliava 
os poderes do presidente, regulamentava a eleição indireta para presidente 
da República e extinguia os partidos políticos existentes, implementando o 
sistema bipartidário. A partir de então haveria somente dois partidos, a Alian-
ça Renovadora Nacional (Arena), que representava os partidários do gover-
no, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), no qual se agrupavam os 
movimentos de oposição. Outro Ato Institucional, o AI-3, estabelecia eleições 
indiretas para governadores dos estados. Em janeiro de 1967 foi aprovada 
uma nova Constituição, que ampliava os poderes do Executivo.
Plenário da Câmara Federal na instalação do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em 1966.
Posse de Humberto de Alencar Castelo Branco. Castelo Branco tornou-se presidente em 1964 e 
prometeu eleições para o ano seguinte, mas permaneceu no poder até 1967.
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Em outubro de 1966, o Congresso elegeu como presidente o general Artur 
da Costa e Silva (1899-1969), tendo um civil, Pedro Aleixo (1901-1975), como 
vice, que tomaram posse em março do ano seguinte. Costa e Silva era repre-
sentante da linha dura do regime e iniciava seu governo com uma nova carta 
constitucional que permitia ao Poder Executivo exercer a censura prévia à im-
prensa e incluía a Lei de Segurança Nacional, pela qual se tipificavam crimes 
políticos. Na prática, a manifestação de opiniões contrárias ao regime podia 
ser passível de prisão com amparo da lei.
No governo Costa e Silva a oposição ao regime se tornou mais articulada 
e, ao mesmo tempo, mais diversificada. Políticos conservadores tradicionais, 
como Carlos Lacerda, sentindo-se à margem do cenário político, uniram-se a 
outros mais progressistas, como Jango e Juscelino, formando um bloco de 
oposição chamado Frente Ampla. Em junho de 1968, cerca de 100 mil ma-
nifestantes compareceram ao funeral do adolescente Edson Luís de Lima 
(1950-1968), assassinado pela polícia durante um protesto contra as más 
condições sanitárias de um restaurante para alunos secundaristas no Rio 
de Janeiro. O próprio Congresso Nacional dava mostras de maior autonomia, 
negando-se a suspender as imunidades parlamentares que permitiriam o 
cerceamento da liberdade de expressão dos deputados.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Repressão policial na missa 
de sétimo dia do estudante 
Edson Luís, na cidade do Rio de 
Janeiro, RJ, em 1968.
O uso da violência foi uma constante durante o regime militar e os opositores eram 
considerados inimigos. Os protestos e manifestações eram vistos como ameaça à 
segurança nacional. Na foto de 1966, polícia dispersa passeata com gás lacrimogênio 
nas ruas de Belo Horizonte (MG). Tema para a discussão:
• Os protestos e manifestações populares podem ser considerados ameaça à 
segurança nacional? Por quê?
• Citem exemplos de manifestações populares recentes, preferencialmente ocorridas 
no município ou estado onde vocês moram, e expliquem o que estava sendo 
reivindicado e, se houve, como se deu a repressão.
Ver respostas e orientações no Manual do Professor.
Conversa
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Paralelamente a essas movimentações, surgiram grupos que optaram por 
estratégias de luta armada, como a Aliança de Libertação Nacional (ALN), o 
Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), a Vanguarda Popular Revolu-
cionária (VPR) e a Vanguarda Armada Revolucionária (VAR-Palmares), entre 
outros. O objetivo desses grupos era formar um movimento guerrilheiro e, 
com isso, derrubar o regime militar.
Como resposta à rearticulação da oposição, o regime militar agiu com me-
didas mais duras, entre elas a promulgação do Ato Institucional número 5 
(AI-5). Por meio dele, o presidente tinha o direito de fechar o Congresso, no-
mear interventores para os estados e municípios, cassar mandatos, suspen-
der direitos políticos e demitir servidores públicos. Acusados de crimes con-
tra a segurança nacional perdiam o direito de habeas corpus.
No plano econômico, o governo Costa e Silva marcou o início do que mais 
tarde seria chamado “milagre econômico” brasileiro, um crescimento signifi-
cativo do PIB brasileiro, que se estenderia até 1973. Tendo à frente o econo-
mista Delfim Netto (1928-) como ministro da Fazenda, o Brasil obteve em-
préstimos no exterior, o que permitiu o fortalecimento de empresas estatais, 
como a Petrobras, Vale do Rio Doce, Eletrobrás, Companhia Siderúrgica Nacio-
nal, entre outras. Até o final dos anos 1960 produtos industrializados passa-
ram a fazer parte da pauta de exportação, e aumentou também a diversidade 
de produtos agrícolas e matérias-primas para o mercado externo. Essa situ-
ação econômica favorável permaneceria até 1973, quando ocorreu uma alta 
nos preços do petróleo, como consequência da Guerra do Yom Kippur, entre 
árabes e israelenses. O “milagre” econômico desmoronou também por causa 
da alta dos juros dos empréstimos internacionais.
Em agosto de 1969 o presidente Costa e Silva sofreu um derrame cerebral 
e não pôde continuar no cargo. Seu vice, Pedro Aleixo, que havia manifesta-
do a intenção de afrouxar o regime, foi impedido pelos militares de assumir 
a Presidência. Passados dois meses, o Alto Comando das Forças Armadas 
indicou o general Emílio Garrastazu Médici (1905-1985), chefe do Serviço 
Nacional de Informações (SNI), uma espécie de serviço de espionagem do 
governo federal à época.
Durante o governo Médici a luta armada, como forma de oposição, continuou 
com sequestros de diplomatas estrangeiros para trocá-los por prisioneiros po-
líticos, e operações de guerrilha, como a do Vale do Ribeira ou do Araguaia. A 
luta armada, porém, não teve sucesso em mobilizar a sociedade contra a dita-
dura, e como cada grupo lutava sem articulação com os demais, os órgãos de 
repressão com o tempo conseguiram desmantelar os focos de revolta e assas-
sinar muitos de seus principais líderes, denominados terroristas pelo governo.
O governo Médici estendeu-se até março de 1974, quando então tomou 
posse o general Ernesto Geisel (1907-1996), com o desafio de retomar o 
crescimento econômico e restabelecer a democracia. Tratava-se de uma 
abertura política “lenta, segura e gradual”, nas palavras do próprio Geisel. Ou 
seja, a distensão do regime não poderia escapar do controle dos grupos mi-
litares então no poder.
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Em outubro de 1975 o jornalista Vladimir Herzog (1937-1975) foi morto 
em uma sessão de tortura nas dependências do II Exército em São Paulo. 
As prisões, torturas e mortes eram frequentes duranteo regime militar, mas 
esse fato em particular gerou grande comoção popular. Alguns meses depois 
o mesmo ocorreu com o operário Manuel Fiel Filho (1927-1976), fato que mo-
tivou o presidente a demitir o comandante do II Exército, um sinal importante 
de que a linha dura tinha ido longe demais.
Apesar de alguns avanços, como maior liberdade de imprensa e impor-
tantes vitórias do MDB nas eleições para deputados e senadores de 1974, 
o governo Geisel também apresentou retrocessos. Um deles foi o chamado 
“pacote de abril”, um decreto de 1976 pelo qual se fechava o Congresso, se 
estendia o mandato presidencial para seis anos e se estabeleciam eleições 
indiretas para um terço dos senadores.
Diante da pressão popular e de instituições civis, como a Ordem dos Advo-
gados do Brasil (OAB), mais tarde o Congresso foi reaberto e o AI-5 foi revo-
gado. Outro importante foco de resistência eram os sindicatos de metalúrgi-
cos do ABC paulista, no qual despontava a liderança de um sindicalista, Luís 
Inácio da Silva, também conhecido como Lula, que se elegeria presidente da 
República décadas mais tarde, em 2003.
Repressão policial à greve 
dos metalúrgicos do ABC, 
em São Bernardo do Campo, SP, 
em 1980.
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Em 1979, Geisel passou a faixa presidencial para o general João Batista Fi-
gueiredo (1918-1999), eleito de forma indireta. Sob o governo de Figueiredo o 
processo de abertura política teve continuidade com a Lei da Anistia, que per-
mitiu a volta de exilados políticos da oposição. Ainda em 1979 o governo deu 
início a uma reforma partidária que extinguiu os antigos partidos – Arena e 
MDB – e fazendo retornar o pluripartidarismo. Na prática a Arena simplesmen-
te mudou de nome, passando a se chamar Partido Democrático Social (PDS), 
enquanto o MDB se fragmentou, dando origem ao Partido do Movimento De-
mocrático Brasileiro (PMDB). Outros partidos surgiram, o Partido Trabalhista 
Brasileiro (PTB), o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido dos Tra-
balhadores (PT). Em 1982, ocorreram eleições diretas para governador, mas 
as eleições diretas para presidente só ocorreriam no final daquela década.
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O processo de abertura encontrou resistência de setores da linha dura do 
Exército, que passaram a executar atos de terrorismo. Um dos casos mais am-
plamente divulgados foi o atentado no Riocentro, em 1981. Dois militares pla-
nejaram colocar bombas no local onde ocorria um show de música para depois 
responsabilizar grupos de oposição pelo episódio. Uma das bombas, porém, 
explodiu no carro em que estavam, matando um e ferindo o outro gravemente. 
Outra reação contrária à abertura efetivou-se em atentados a bancas de jornais 
que vendiam publicações de oposição e a entidades civis que defendiam o fim 
da ditadura, como a OAB.
As greves na região industrial do ABC, em São Paulo, seguidas de outras 
manifestações violentamente reprimidas, aumentaram o desgaste do poder 
autoritário do governo e, no final de 1983, os partidos de oposição encampa-
ram a campanha pela eleição direta para presidente da República.
O movimento, conhecido como Diretas Já, mobilizou o país de norte a sul 
em manifestações que envolviam centenas de milhares de pessoas. O obje-
tivo era pressionar o Congresso a aprovar uma emenda constitucional que 
reinstituísse as eleições diretas para presidente. A emenda, porém, foi derro-
tada por apenas 22 votos numa sessão a que vários parlamentares deixaram 
de comparecer.
O novo presidente foi, mais uma vez, eleito indiretamente. Dois civis con-
correram à sucessão presidencial: Tancredo Neves (1910-1985), da Frente 
Liberal, que reunia tanto opositores como colaboradores da ditadura, e Paulo 
Maluf (1931-), do Partido Democrático Social (PDS, antigo Arena). A vitória 
coube a Tancredo Neves, que tinha como vice na chapa presidencial José 
Sarney (1930-).
Na ocasião de tomar posse, contudo, Tancredo ficou gravemente doente, 
vindo a falecer, e Sarney foi quem assumiu a Presidência da República em 
1985. Ironicamente a ditadura militar tinha fim com o início do governo de um 
político que, no passado, era um dos apoiadores daquele regime.
Manifestação pelas eleições 
diretas presidenciais na 
Praça da Sé, em São Paulo, 
SP, em janeiro de 1984.
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Atuações sociais para a democracia: 
as heranças paternalistas e autoritárias no século XXI
A democracia, com todas as inúmeras limi-
tações que encontra no Brasil, assim como no 
restante da América Latina, não é resultado de 
uma concessão feita pelo Estado ou por grupos 
poderosos ligados ao Estado e atuantes sobre a 
sociedade. Ela foi conquistada duramente pela 
luta dos movimentos populares contra as forças 
autoritárias que dominaram a vida política desde 
o Brasil colônia. A consolidação da democracia, 
estendendo-a e integrando a ela a justiça social, 
também não decorrerá de uma concessão: terá 
que ser buscada e conquistada.
Essa busca é árdua, mas tem que continuar, 
sob pena de o Brasil ser sempre uma potência de 
relativa grandeza, mas na qual a imensa maioria 
continuará excluída dos direitos básicos da cida-
dania, sem condições dignas de vida, vegetando à 
margem da riqueza de uns poucos.
Seriam necessários muitos livros para estu-
dar os inúmeros e graves problemas que afligem 
a população brasileira de hoje: altos índices de 
analfabetismo e evasão escolar; grande mortali-
dade infantil, causada pela subnutrição e falta de 
saneamento; deficiência dos serviços públicos 
de educação e de saúde prestados à população; 
deterioração dos salários, entre os mais baixos 
do mundo; permanência de trabalho escravo em 
vários pontos do país; imensa taxa de desempre-
go; favelização crescente na periferia das cidades; 
grande número de mendigos e crianças aban-
donadas nas ruas; elevados índices de violência 
urbana e no campo, diretamente relacionada ao 
crescimento da miséria; as chacinas nas prisões, 
no campo e nas periferias das grandes cidades, 
pela polícia ou grupos armados; a questão do 
meio ambiente, entre outros.
A independência do Brasil já completa dois sé-
culos e ainda apresenta muitas contradições. Por 
um lado, é uma sociedade que se informatiza e se 
moderniza em muitos setores, podendo ser com-
parada às dos países mais desenvolvidos e ricos 
do chamado mundo desenvolvido. Por outro, é um 
país ainda com altos índices de pobreza e miséria.
Fazer com que esses dois “Brasis” se encon-
trem, diminuindo as desigualdades sociais e as 
injustiças, será o principal desafio das novas 
gerações. Esse desafio só será vitorioso com o 
fortalecimento dos movimentos sociais compro-
metidos com avanços progressistas e populares. 
Essa luta tem muitas frentes: as organizações 
sindicais, estudantis, de bairros; o movimento 
dos sem-terra, dos sem-teto; os movimentos eco-
lógicos, que lutam contra a degradação do meio 
ambiente; os movimentos de todos aqueles consi-
derados “minorias políticas”: os índios, os negros, 
as mulheres, as pessoas LGBTQI+.
Só assim se conseguirá consolidar a demo-
cracia política e transformá-la numa democracia 
completa, onde todos na sociedade tenham direi-
to a condições dignas de vida.
Passeata pelas Diretas 
Já, movimento pelo 
restabelecimento da eleição 
direta, em São Paulo, SP, 1984.
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O texto a seguir satiriza o ambiente político do Brasil nos últimos anos da 
ditadura militar. Era uma época em que o povo havia perdido a confiança no 
governo e principalmentenos políticos.
A velhinha de Taubaté
Não se sabe, exatamente, o seu endereço, mas tudo indica que seja em 
Taubaté. Outros detalhes – nome, estado civil, CIC – são desconhecidos. 
Sabe-se apenas que é uma velhinha que mora em Taubaté e que passa 
boa parte de seu tempo numa cadeira de balanço assistindo ao Brasil 
pela televisão.
A velhinha de Taubaté é o último bastião da credulidade nacional. 
Ninguém acredita mais em nada nem em ninguém no país, mas a ve-
lhinha de Taubaté acredita. Se não fosse pela velhinha de Taubaté o país 
já teria caído, não no abismo, mas na gandaia final, sem disfarces. Tudo 
que acontece de aparentemente sério no país é, na verdade, uma grande 
encenação para a velhinha de Taubaté. [...]
Há alguns anos existiam milhares de brasileiros que acreditavam como 
a velhinha de Taubaté. Com o tempo este número foi diminuindo até que 
em 1981 só havia dezessete. Por coincidência, todas velhinhas. Algumas 
morreram, outras foram se desencantando aos poucos. A penúltima ve-
lhinha ficou muito traumatizada com o episódio da apuração dos votos 
no Rio de Janeiro e decidiu que, se não podia confiar nem na Globo, não 
confiaria em mais nada. Sobrou a velhinha de Taubaté.[...]
Só a existência da velhinha explica o ar circunspecto com que os mi-
nistros anunciam as novas medidas econômicas, exatamente as que eles 
tinham desmentido na semana passada. Na verdade eles estão torcendo 
para não rir. Mas precisam pensar na velhinha de Taubaté.
– Te controla.
– Não posso. Eu vou ter um troço.
– Olha a velhinha, olha a velhinha!
De vez em quando acontece alguma coisa que faz a velhinha de Tau-
baté ficar tesa na sua cadeira de balanço e dizer: “Epa”. Outro atentado 
da direita, por exemplo. Mas logo uma autoridade anuncia que haverá 
um “rigoroso inquérito” e a velhinha de Taubaté descansa. Tudo se escla-
recerá. A velhinha de Taubaté pensa que “rigoroso inquérito” quer dizer 
inquérito rigoroso, e não o contrário.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. A velhinha de Taubaté. Porto Alegre: L&PM, 1983. p. 10-12.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Bastião: fachada.
Circunspecto: sério.
Gandaia: vadiagem, farra.
1. Atualmente, existe mais confiança no governo por parte da população?
2. Você poderia citar exemplos de desonestidade na política hoje em dia?
3. O que você acha do estereótipo do político como sendo um homem desonesto? 
A desconfiança do povo com relação ao governo serve para melhorar ou piorar 
o país? Veja as respostas no Manual do Professor.
Conversa
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NÃO ESCREVA NO LIVRO
DIÁLOGOS
1. Leia o trecho a seguir e realize as atividades.
[...] nem os intelectuais hispano-americanos e brasileiros, nem os governos 
hispano-americanos e brasileiros consideravam o Brasil parte da “América 
Latina” — expressão que se referia somente à América Espanhola — pelo 
menos até a segunda metade do século XX, quando os Estados Unidos e o 
resto do mundo exterior começaram a pensar o Brasil como parte integran-
te de uma região chamada “Latin America”. Mesmo agora, os governos bra-
sileiros e os intelectuais brasileiros, exceto talvez da esquerda, continuam 
sem convicção profunda de que o Brasil é parte da América Latina.
BETHELL, Leslie. O Brasil e a ideia de “América Latina” em perspectiva histórica. Estudos 
Históricos, Rio de Janeiro, 2009. Disponível em: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid
=S0103-21862009000200001. Acesso em: 4 ago. 2020.
a) Considerando o que você aprendeu neste capítulo, aponte uma diferen-
ça marcante entre o processo de independência da América portugue-
sa e o processo de independência das colônias da América espanhola. 
Depois, explique como se desenvolveu essa diferença.
b) Você concorda com a opinião de Leslie Bethell, que diz que “Mesmo 
agora, os governos brasileiros e os intelectuais brasileiros [...] conti-
nuam sem convicção profunda de que o Brasil é parte da América La-
tina”? Por quê? Procure identificar em seu cotidiano alguns elementos 
que servem para justificar sua resposta.
2. Leia o texto abaixo, do historiador brasileiro Paulo Vizentini, e responda às 
questões.
Três meses após a derrubada de Vargas, o general Eurico Gaspar Du-
tra tomava posse como presidente eleito. O condestável do Estado Novo e 
simpatizante do Eixo era agora um fiel aliado de Washington. Essa seria a 
marca de seu governo. Uma mudança dessa magnitude resultava tanto de 
uma nova relação de forças internas como, sobretudo, externas. Prenuncia-
vam-se os anos da Guerra Fria e uma nova ordem mundial, o que alterava 
profundamente as possibilidades de inserção internacional do Brasil. […]
A diplomacia brasileira não apenas alinhava-se automaticamente com 
as posições americanas nas organizações internacionais, como às vezes 
chegava a exceder-se em seu apoio. Em outubro de 1947 o Brasil rompeu 
relações diplomáticas com a União Soviética a partir de um incidente sem 
maior importância. Na verdade, essa ruptura fazia parte de uma política 
mais ampla, e fora longamente preparada pelo governo.
VIZENTINI, Paulo. Do nacional-desenvolvimentismo à PEI. In: FERREIRA, J. et al. (org.). O Brasil 
republicano. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. p. 198-200.
a) De acordo com o texto, que mudanças o governo de Dutra impôs à polí-
tica externa brasileira quando comparado ao governo do Estado Novo?
Veja as respostas das atividades desta 
seção no Manual do Professor.
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b) Que fatores do cenário internacional, implementados após a Segunda 
Guerra, foram responsáveis por essa mudança? Explique.
c) Para o autor, que reais motivos levaram o Brasil a romper relações di-
plomáticas com a União Soviética em 1947?
3. A figura ao lado é a reprodução de um cartaz do Movimento Feminino pela 
Anistia no Brasil, divulgado em 1975.
a) Preste atenção à imagem. Que mudanças 
você nota nos desenhos das persona-
gens femininas da primeira fileira supe-
rior até a fileira inferior do cartaz?
b) O que acontecia no cenário político nacio-
nal em 1975, quando o cartaz foi divulga-
do?
c) Por que o cartaz convoca o leitor para 
“sair da sombra”?
d) Em sua opinião, a divulgação de movi-
mentos como o que vemos no cartaz foi 
importante para mudar o cenário político 
brasileiro? Explique.
4. Leia o texto abaixo do historiador brasileiro 
Marcos Napolitano. Em seguida, responda 
às questões.
A partir dos eventos ocorridos no “ciclo 
grevista” de 1978/1980, os sujeitos coletivos 
puderam definir suas identidades e articular 
suas reivindicações frente ao Estado. Neste 
processo, a “questão democrática” foi ree-
laborada historicamente, deixando de ser 
apenas um tema que inspirava a resistência 
contra a ditadura, para nortear diversos projetos de sociedade.
A “questão operária” consolidou, no espaço público, uma outra formu-
lação da “questão democrática”, que se exercitava desde o início dos anos 
70: não mais se tratava de criar a produção do consenso mas, sobretudo, 
aprimorar a equação do conflito.
NAPOLITANO, Marcos. As greves do ABC: a questão social encontra a questão democrática. 
In: NAPOLITANO, Marcos.Cultura e poder no Brasil republicano. Curitiba: Juruá, 2002. p. 104.
a) Releia o texto didático e identifique quem eram os participantes do que 
o autor chama “ciclo grevista” e por que eles estavam insatisfeitos.
b) De acordo com o autor, por que as greves dos metalúrgicos redefiniram 
o movimento pela volta da democracia e introduziram novas questões 
entre os opositores da ditadura militar? Justifique.
Cartaz do Movimento Feminino pela Anistia no Brasil, de 1975.
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1. (2016)
A Operação Condor está diretamente vincu-
lada às experiências históricas das ditaduras 
civil-militares que se disseminaram pelo Cone 
Sul entre as décadas de 1960 e 1980. Depois do 
Brasil (e do Paraguai de Stroessner), foi a vez 
da Argentina (1966), Bolívia (1966 e 1971), Uru-
guai e Chile (1973) e Argentina (novamente, em 
1976). Em todos os casos se instalaram ditadu-
ras civil-militares (em menor ou maior medi-
da) com base na Doutrina de Segurança Nacio-
nal e tendo como principais características um 
anticomunismo militante, a identificação do 
inimigo interno, a imposição do papel político 
das Forças Armadas e a definição de fronteiras 
ideológicas.
PADRÓS, E. et al. Ditadura de Segurança Nacional no 
Rio Grande do Sul (1964-1985): história e memória. 
Porto Alegre: Corag, 2000 (adaptado).
Levando-se em conta o contexto em que foi 
criada, a referida operação tinha como objetivo
a) coordenar a modificação de limites territoriais.
b) sobrevivência de oficiais exilados.
c) interferência de potências mundiais.
d) repressão de ativistas oposicionistas.
e) implantação de governos nacionalistas.
2. (2014)
Texto I
O presidente do jornal de maior circulação 
do país destacava também os avanços econô-
micos obtidos naqueles vinte anos, mas, ao 
justificar sua adesão aos militares em 1964, 
deixava clara sua crença de que a intervenção 
fora imprescindível para a manutenção da de-
mocracia.
Disponivel em: http://oglobo.globo.com. 
Acesso em: 1 set. 2013 (adaptado).
Texto II
Nada pode ser colocado em compensação 
à perda das liberdades individuais. Não exis-
te nada de bom quando se aceita uma solução 
autoritária.
FICO, C. A educação e o golpe de 1964. Disponível em: www.
brasilrecente.com. Acesso em: 4 abr. 2014 (adaptado).
Embora enfatizem a defesa da democracia, as 
visões do movimento político-militar de 1964 
divergem ao focarem, respectivamente:
a) Razões de Estado – Soberania popular.
b) Ordenação da Nação – Prerrogativas reli-
giosas.
c) Imposição das Forças Armadas – Deveres 
sociais.
d) Normatização do Poder Judiciário – Regras 
morais.
e) Contestação do sistema de governo – Tradi-
ções culturais.
3. (2010)
Ato Institucional nº 5
Art. 10 – Fica suspensa a garantia de habeas 
corpus, nos casos de crimes políticos, contra a 
segurança nacional, a ordem econômica e so-
cial e a economia popular.
Art. 11 – Excluem-se de qualquer apreciação 
judicial todos os atos praticados de acordo com 
este Ato Institucional e seus Atos Complemen-
tares, bem como os respectivos efeitos.
Disponível em: http://www.senado.gov.br. 
Acesso em: 29 jul. 2010.
Nos artigos do AI-5 selecionados, o governo 
militar procurou limitar a atuação do Poder 
Judiciário, porque isso significava
a) a substituição da Constituição de 1967.
b) o início do processo de distensão política.
c) a garantia legal para o autoritarismo dos juízes.
d) a ampliação dos poderes nas mãos do Exe-
cutivo.
e) a revogação dos instrumentos jurídicos im-
plantados durante o regime militar de 1964.
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X
X
Ver respostas e orientações 
no Manual do Professor.
60
QUESTÕES DO ENEM NÃO ESCREVA NO LIVRO
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• Com base em todo o conteúdo trabalhado ao longo do capítulo, retome as perguntas da situa-
ção-problema inicial e reveja suas respostas:
a) Você mudaria sua resposta em relação aos fatores que podem explicar o voto de uma parce-
la da população (nulos, brancos e abstenções)? Se sim, em que mudaria?
b) E sobre as outras formas de participação política, você manteria, mudaria ou complementa-
ria a resposta que foi dada? Veja as respostas no Manual do Professor
Retome o contexto
Esquema elaborado pelos autores.
Ditadura Democracia
Caudilhismo na 
América Latina
Período democrático 
após o Estado Novo
Estado Novo
Movimentos sociais 
na América Latina
Ditaduras militares 
na segunda metade 
do século XX
Redemocratização 
após o fim da 
ditadura
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VOCÊ PRECISA SABER
NÃO ESCREVA NO LIVRO
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OBJETIVOS
• Reconhecer a renda média do trabalho como indicador 
de inserção social e dado que revela a desigualdade 
social.
• Compreender a particularidade dos desafios da mulher 
na inserção e valorização no mercado de trabalho.
• Reconhecer o papel do preconceito e do racismo 
como mecanismos que dificultam a ascensão social e 
econômica de grupos minoritários.
• Refletir sobre as diferentes formas de exclusão e 
opressão às quais estão submetidos as mulheres, os 
afrodescendentes, os indígenas, os idosos e os jovens.
JUSTIFICATIVA
A cidadania é desigualmente exercida pela população 
brasileira em variados contextos, tanto espacial quanto 
etário, de sexo ou gênero e ainda de cor, raça ou etnia. 
Apesar das grandes conquistas e dos avanços em nosso 
sistema legal para a promoção do reconhecimento das 
diferenças e necessidades dos variados segmentos 
sociais no país, a vida cotidiana das denominadas 
minorias sociais (categoria sociológica), que não 
correspondem necessariamente às minorias numéricas, 
ainda está muito distante dos segmentos privilegiados, 
como grupos de brancos, sobretudo homens adultos. 
E isso se manifesta de forma explícita em como essas 
minorias são vistas e (des)valorizadas socialmente e 
materializadas em diferentes indicadores sociais, como 
trabalho, renda e violência.
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DA BNCC
• Competências gerais da Educação Básica: 
CG1, CG2, CG3, CG4, CG5, CG6, CG7, CG8, CG9 e CG10.
• Competências e habilidades específicas de Ciências 
Humanas e Sociais Aplicadas: 
Competência 1: EM13CHS101 e EM13CHS102. 
Competência 4: EM13CHS402 e EM13CHS403. 
Competência 5: EM13CHS502 e EM13CHS503. 
Competência 6: EM13CHS601 e EM13CHS606.
TEMAS CONTEMPORÂNEOS TRANSVERSAIS
Economia
• Trabalho
Cidadania e Civismo
• Processo de envelhecimento, respeito e valorização 
do idoso
Multiculturalismo
• Diversidade cultural
Saúde
• Saúde
É bastante comum naturalizarmos comportamen-
tos e valores construídos historicamente e deixarmos 
de identificar alguns traços, características e mesmo 
contradições de hábitos em nosso cotidiano e em nos-
sa cultura. Isso pode ser percebido no encontro com 
pessoas de outras culturas, no olhar estrangeiro sobre 
nós, que nos ajudam a enxergar aquilo que muitas ve-
zes está diante de nossos olhos, mas que não nos cha-
ma atenção.
O jornal Folha de S.Paulo realizou um projeto de di-
vulgação de entrevistas escritas e gravadas com imi-
grantes que vivem em São Paulo (SP) e contam suas 
impressões sobre a cidade e o povo brasileiro.
Leia a seguir recortes das entrevistas de alguns de-
les, concedidas em 2019 e 2020. Em seguida, faça o 
que é pedido.
“A Noruega precisa de um pouco do jeitinho bra-
sileiro” Guru Amundsen Nygaard, Noruega (sexo fe-
minino).
“Por que vocês não se tratam tão bem quanto tra-
tam os estrangeiros?” Carles Cansino, Espanha (sexo 
masculino).
“No meu país mulheres negras ocupam cargos 
bons” Renéé Rossa Londja, Guiana (sexo feminino).
“A vida aqui é mais fácil para as mulheres” Ayesha 
Saeed, Paquistão (sexo feminino).
“Casei com uma brasileira. Ela é evangélica; eu 
muçulmano. Não dá problema nenhum” Mour Seck, 
Senegal (sexo masculino).
Contexto
Desafios para 
construção da justiça 
social no Brasil
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NÃO ESCREVA NO LIVRO
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“No meu segundo dia no Brasil, entrei num bloco de Carnaval sem sa-
ber o que era. Dei meu primeiro beijo” Hajam Elyoussef, Síria (sexo mas-
culino).
“O Brasil é bom para velhos. Tem muita coisa grátis pro idoso. No Japão 
não é igual aqui” Sumio Takai, Japão (sexo masculino).“Vim pro Brasil, sozinha, com 15 anos. Trabalhei o primeiro ano inteiro 
sem receber” Jenny, Pamela e Abigail Llanque, Bolívia (sexo feminino).
MANTOVANI, Flávia; SANTOS, Bruno; ALMEIDA, Thiago. Imigrantes de sp. 
Folha de S.Paulo. São Paulo, 2019-2020. Disponível em: https://arte.folha.uol.com.br/ 
mundo/2019/imigrantes-sp/. Acesso em: 30 jul. 2020. 
1. Em grupo, comentem a fala dos imigrantes, considerando:
a) Quais relatos são experiências positivas e quais são negativas?
b) Quais experiências podem ter sido individualmente positivas, mas que 
não são necessariamente positivas para os brasileiros?
c) Os depoimentos reforçam imagens estereotipadas do país ou são real-
mente representativas do que acontece por aqui?
d) O país de origem e o sexo de cada autor do relato podem interferir na 
avaliação da experiência que tiveram no Brasil? Expliquem.
2. Elabore um registro pessoal sobre suas impressões e revelações a res-
peito das características da sociedade brasileira, especialmente aquilo 
que distingue o tratamento e as oportunidades dadas às minorias sociais 
(mulheres, afrodescendentes, indígenas, idosos e jovens).
Veja as respostas no Manual do Professor.
Em razão do processo de formação do povo brasileiro, no país, convivem pessoas com traços físicos e até hábitos culturais 
diferentes. Mas as oportunidades de vida não são as mesmas para todos.
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Diversidade, particularidades e 
igualdade
A efetivação da cidadania deve se manifestar na vida cotidiana das pesso-
as. A inserção desse valor no conjunto de leis e normas que regem as mais 
variadas instituições é um dos passos essenciais para que todos tenham seus 
direitos garantidos. Princípios que devem ser incorporados pela nossa cultura 
e a partir dos quais conduzimos todas as nossas ações no mundo público.
O desafio que vivemos atualmente é fazer valer na prática os direitos con-
quistados e que estão registrados em nossas leis, como na Constituição Fe-
deral de 1988, chamada Constituição Cidadã. Ao lançarmos um olhar mais 
atento aos vários segmentos sociais, que historicamente nunca desfrutaram 
de reconhecimento, oportunidades e direitos em sua totalidade, percebemos 
o quanto, na prática, a cidadania plena ainda está distante para muitos e que 
novas conquistas e mudanças de comportamento são necessárias.
Uma boa forma para avaliar o quanto a cidadania é vivida plenamente pe-
las pessoas é examinar os lugares sociais que os diferentes segmentos da 
sociedade ocupam. Nesse aspecto, destaca-se a inserção no mundo do tra-
balho em razão de sua importância simbólica, o status que aufere e também 
a condição material que ele proporciona por meio do salário, da renda.
Os tipos de profissão, emprego, jornada e remuneração são muito variados. 
A reunião de dados estatísticos nos possibilita afirmar que essas diferenças 
não se dão apenas em razão do mérito e da competência de cada indivíduo. 
Eles revelam padrões que diferenciam homens, mulheres, brancos, negros, in-
dígenas, jovens e idosos, entre outros, e, portanto, têm razões históricas.
Fonte: elaborado 
com base em 
IBGE. Pnad, 2017.
Brasil: médias salariais – 2017
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Mulheres Homens Brancos Pretos Pardos
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1. Qual é o percentual da diferença de média salarial entre o grupo social de 
média mais elevada e o grupo social de média mais baixa?
2. Que inferência pode ser feita sobre a média salarial ao se associar dois indicadores 
de distinção social, a cor e o sexo? Ou seja, qual grupo provavelmente tem maior 
e menor média salarial ao considerar homens brancos, homens pretos, homens 
pardos, mulheres brancas, mulheres pretas, mulheres pardas?
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Veja as respostas no 
Manual do Professor.
Interpretar
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Emancipação das mulheres
As mulheres e os homens, historicamente, possuem funções diferentes 
na realização do trabalho. Isso é o que chamamos de divisão sexual do tra-
balho. Nos primórdios da história, essa divisão não era hierárquica (ou seja, 
uma função não era considerada mais importante do que outra), e sim, com-
plementar. Se pensarmos, por exemplo, nas sociedades em que os homens 
eram responsáveis por caçar animais selvagens e as mulheres, pela colhei-
ta, ambos os trabalhos eram considerados igualmente importantes para a 
sobrevivência da comunidade. Assim, a divisão sexual do trabalho não foi 
desde sempre (nem é em nenhuma sociedade, mesmo nos dias de hoje...) 
indício de desigualdade.
Atualmente, é grande o número de mulheres que também trabalham fora 
de casa em busca do sustento de sua família ou para complementar a renda 
familiar. O aumento do trabalho assalariado feminino representa, sem dúvi-
da, um aspecto fundamental no processo de emancipação da mulher em so-
ciedades ocidentais capitalistas. Mas será que isso a coloca em posição de 
igualdade em relação ao homem na nossa sociedade? Diversos estudiosos 
afirmam que sobre a força de trabalho feminina existe, em maior intensida-
de, precarização e exploração. Vamos tentar entender, agora, o que isso quer 
dizer, como e por que isso acontece.
Em maio de 1955, a revista 
Housekeeping Monthly publicou 
o artigo “O guia da boa esposa”, 
no qual ditava o que a mulher 
deveria fazer para ser prestativa 
com seu marido e filhos.
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Trabalho não é a mesma coisa que em-
prego. Há diversas formas de trabalho que 
não são necessariamente remuneradas. 
O trabalho doméstico, por exemplo, é uma 
delas. Não estamos falando do trabalho 
realizado por diaristas ou empregadas do-
mésticas, mas aquele que as pessoas rea-
lizam em sua própria casa.
Você já reparou que as pessoas que 
têm um trabalho que gera riqueza são con-
sideradas bem-sucedidas e aquelas que 
recebem pouco (ou nada) pelo trabalho 
que produzem são vistas de forma inferio-
rizada pela sociedade? Quando perguntamos a uma criança “o que você quer 
ser quando crescer?”, referimo-nos à qual profissão ela vai escolher para 
exercer no futuro. Em outras palavras, seria quase a mesma coisa que per-
guntar: “qual profissão você quer ter para ganhar dinheiro quando crescer?”. 
Você percebe que comumente partimos do pressuposto de que a criança 
deve ter ambições, que essas ambições devem estar relacionadas a quanto 
prestígio social ela vai ter e que esse prestígio está diretamente relacionado 
a quanto dinheiro vai ganhar?
Recentemente os meios 
de comunicação de 
massa passaram a 
veicular mais imagens 
de homens e mulheres 
dividindo os afazeres 
domésticos. Entretanto, 
não é incomum essa 
atividade ser considerada de 
responsabilidade da mulher, 
atribuindo ao homem o 
papel de ajudante.
Para muitas mulheres, trabalhar fora de casa representa uma busca por liber-
dade, pois, só assim, elas não dependerão economicamente do marido nem de 
familiares e vão alcançar, de fato, sua autonomia. O problema é que nem todas 
as mulheres conseguem alcançar o mercado de trabalho e grande parte delas, 
quando consegue, recebe salários menores do que os recebidos pelos homens 
e, até mesmo, em alguns casos, exercendo a mesma função. Além disso, traba-
lhar fora de casa não garante, necessariamente, a autossuficiência econômica.
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Grupamentos 
ocupacionais
Rendimento médio 
habitual do trabalho 
principal (R$)
Participação 
de mulheres 
na população 
ocupada (%)
Percentual de horas 
trabalhadas na semana 
de referência pelas 
mulheres em relação ao 
de homens (%)
Razão do rendimento 
médio habitual* de 
mulheres em relação 
ao de homens (%)Homem Mulher
Total 2 491 1 978 45,6 88,4 79,4
Diretores e gerentes 6 216 4 435 41,8 95,5 71,3
Profissionais das ciências e 
intelectuais
5 890 3 819 63,0 90,3 64,8
Técnicos e profissionais de 
nível médio
3 320 2 386 45,2 95,4 71,9
Trabalhadores de apoio 
administrativo
2 071 1 785 64,5 97,2 86,2
Trabalhadores dos serviços, 
vendedores dos comércios e 
mercados
1 958 1 295 59,0 88,0 66,2
Trabalhadores qualificados 
da agropecuária, florestais, 
da caça e da pesca
1 397 999 21,1 82,6 71,5
Trabalhadores qualificados, 
operários e artesãos da 
construção, das artes 
mecânicas e outros ofícios
1 752 1 150 16,2 83,0 65,7
Operadores de instalações 
de máquinas e montadores
1 895 1 303 13,8 92,3 68,8
Ocupações elementares 1 060 951 55,3 86,1 89,8
Membros das Forças 
Armadas, policiais e 
bombeiros civil-militares
5 301 5 338 13,2 89,8 100,7
* Rendimento médio habitual do trabalho principal da população de 25 a 49 anos de idade ocupada na semana de referência, por sexo, segundo os 
grupamentos ocupacionais, participação de mulheres na ocupação e razão (%) do rendimento de mulheres em relação ao de homens – Brasil – 
4º trimestre – 2018.
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. 
Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/ 
23923-em-2018-mulher-recebia-79-5-do-rendimento-do-homem. Acesso em: 30 jul. 2020.
1. As maiores desigualdades de remuneração entre homens e mulheres são observadas em que tipos de 
ocupação? Que hipóteses podem explicar esse fato?
2. Dos grupos ocupacionais listados na tabela, em quais a participação das mulheres é inferior? O que poderia 
explicar isso?
3. É possível relacionar gênero e formação escolar? Explique dando exemplos da tabela. Ver respostas e orientações 
no Manual do Professor.
Interpretar
Apesar da crescente participação da mulher no mercado de trabalho, 
seu percentual de remuneração é bem menor do que o auferido pelo tra-
balho masculino, assim como seus direitos e suas condições laborais. Ao 
trabalho feminino, no geral, têm sido reservadas áreas de trabalho intensi-
vo. As áreas de maior desenvolvimento tecnológico ainda são destinadas 
majoritariamente ao trabalhador masculino. Assim, a expansão do trabalho 
feminino tem se verificado, especialmente, em atividades mais precariza-
das ou informais e, ainda, com jornadas mais prolongadas.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
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A mulher trabalhadora, em geral, pos-
sui dupla ou tripla jornada porque, além de 
trabalhar fora, “deve” também cuidar das 
tarefas da casa e dos filhos. Mesmo em fa-
mílias que buscam dividir igualitariamente 
as funções domésticas, é comum ouvirmos: 
“ele é um ótimo marido, ajuda a esposa em 
suas tarefas”. O trabalho doméstico ainda é 
visto como função exclusiva da mulher. Por 
mais emancipadas que as mulheres de hoje 
sejam em relação às mulheres de gerações 
mais antigas, essa emancipação é apenas 
parcial, porque o seu trabalho ainda não é 
valorizado igualitariamente ao dos homens 
ou, ainda, muitas vezes, nem é percebido 
como trabalho quando é do tipo doméstico.
Há ainda outro problema: não raras vezes, o trabalho feminino está mais di-
retamente ligado à autopreservação do que à autorrealização, principalmen-
te em se tratando de mulheres de classes de baixa renda. Com dupla ou tripla 
jornada de trabalho, sem tempo para o lazer, sem independência econômica e, 
geralmente, empregada em um trabalho alienante, será possível a mulher se 
sentir realizada? Vivemos em uma sociedade de consumo e, portanto, acre-
ditamos que o trabalho só é importante se der conta de nossas necessidades 
materiais, daí a desvalorização do trabalho feminino quando enquadrado na 
condição de trabalho doméstico. Receber um salário pequeno ou não receber 
nenhum salário é sinônimo de fracasso pessoal, de insucesso.
E se considerássemos o trabalho como uma forma de contribuir para a so-
ciedade, como um exercício de criatividade? E se pudéssemos experimentar a 
satisfação de desempenhar tarefas que nos beneficiam e aos demais, será que 
encararíamos o trabalho como 
algo estressante, depressivo ou 
degradante? Os trabalhadores do 
lar são inferiorizados em relação 
aos outros, como se fosse um 
trabalho menor, e acabam, por 
isso, se sentindo menos impor-
tantes. Se, em vez de valorizar-
mos apenas a riqueza material, 
pudéssemos valorizar a impor-
tância que o trabalho tem para a 
comunidade como um todo, se o 
trabalho que exercemos pudesse 
funcionar como forma de afirma-
ção (e não de negação) da nossa 
identidade, será que sofreríamos 
da mesma forma?
O trabalho doméstico no Brasil 
é historicamente exercido pelas 
mulheres negras. Faxineiras e 
diaristas são majoritariamente 
mulheres negras. Apenas 
em 2015 foi promulgada a lei 
garantindo direitos trabalhistas 
às pessoas que exercem essa 
profissão. Desde o período 
colonial, mulheres negras são 
responsáveis pelas atividades 
mais fundamentais, desde 
a organização da casa até a 
amamentação das crianças, 
mesmo que não fossem seus 
filhos. Na imagem Mãe preta do 
pintor Lucílio de Albuquerque 
(1877-1939).
Apesar de vivermos em uma sociedade declaradamente competitiva, 
nem sempre os termos dessa competição são justos com as pessoas 
envolvidas, como ocorre na competição entre homens e mulheres no 
mercado de trabalho.
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Leia a seguir a opinião de duas ativistas pela conquista de direitos civis 
sobre a remuneração do trabalho doméstico:
Texto I
O Movimento pela Remuneração das Tarefas Domésticas desencora-
java as mulheres de procurar empregos fora de casa, argumentando que 
“a escravidão a uma linha de montagem não é libertação da escravidão 
de uma pia de cozinha”. Entretanto, as porta-vozes da campanha insis-
tem que não defendem o aprisionamento contínuo das mulheres no am-
biente isolado da sua casa. Elas alegam que, embora se recusem a tra-
balhar no mercado capitalista em si, não desejam atribuir às mulheres 
a responsabilidade permanente pelas tarefas domésticas. [...] Assim que 
as mulheres conquistarem o direito de serem pagas por seu trabalho, 
elas poderão levantar reivindicações por salários mais altos, obrigando, 
assim, os capitalistas a promover a industrialização das tarefas domés-
ticas. Seria essa uma estratégia concreta para a libertação feminina ou 
um sonho irrealizável? 
DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.
Texto II
Muitas mulheres realizam atividades de serviço no mercado de tra-
balho, sendo mal remuneradas ou não tendo nenhum tipo de remu-
neração (como no trabalho doméstico). O trabalho doméstico e outros 
tipos de atividade de serviço são especialmente desvalorizados no capi-
talismo patriarcal. As ativistas feministas que defendem o pagamento 
de salário às donas de casa viram nisso uma forma de dar à mulher 
algum poder econômico e de atribuir valor ao seu trabalho. Mas parece 
improvável que remunerar o trabalho doméstico possa levar a socieda-
de a atribuir valor a esse tipo de tarefa, uma vez que, em geral, as ati-vidades de serviço não são valorizadas, independentemente de serem 
remuneradas ou não. E quando há remuneração, as pessoas que fazem 
esse tipo de trabalho continuam sendo exploradas psicologicamente. 
Assim como o trabalho doméstico, as atividades que desempenham são 
estigmatizadas como degradantes. [...] Se as mulheres recebessem salá-
rios pelo trabalho doméstico, é improvável que um dia ele deixasse de 
ser designado como “trabalho de mulher” e passasse a ser reconhecido 
como uma atividade importante.
HOOKS, Bell. Teoria feminista: da margem ao centro. São Paulo: Perspectiva, 2019.
1. Por que algumas 
ativistas 
feministas viram 
na remuneração do 
trabalho doméstico 
uma forma de 
emancipação 
feminina? Quais 
argumentos são 
defendidos por 
elas?
2. Por que a autora 
do texto II acredita 
ser “improvável 
que remunerar 
o trabalho 
doméstico possa 
levar a sociedade 
a atribuir valor 
a esse tipo de 
tarefa”? Que 
argumentos ela 
defende?
3. Em sua opinião, a 
remuneração do 
trabalho doméstico 
pode ser uma 
alternativa para a 
desigualdade de 
gênero? Explique?
Veja as respostas no 
Manual do Professor.
Interpretar
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Vida Maria. Direção: Márcio Ramos. Brasil, 2007.
O curta-metragem de animação conta a história de uma menina 
de 5 anos de idade que se diverte aprendendo a escrever o próprio 
nome. Como as mulheres das gerações mais antigas de sua família, 
Maria se vê obrigada a abandonar os estudos para cuidar dos 
afazeres domésticos e trabalhar na roça.
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A inclusão de negros e indígenas
Negros
Assim como as mulheres em relação aos homens, a população negra bra-
sileira também tem menos acesso ao mercado de trabalho do que a popula-
ção branca. Negros vivem, estudam e ganham menos do que os brancos. O 
Brasil possui, segundo dados do IBGE (Pnad 2019), mais da metade da sua 
população formada por pretos (9,4%) e pardos (46,8%), na terminologia des-
te órgão para a autodeclaração dos entrevistados.
Como vimos no início deste capítulo, os negros são ainda o segmento 
social mais inferiorizado considerando a média de remuneração, segundo o 
critério raça ou cor. Em 2017, segundo dados do IBGE (Pnad 2017), o registro 
da renda média do trabalho apontava grande desigualdade: R$ 1.570,00 para 
pretos, R$ 1.606,00 para pardos e R$ 2.814,00 para brancos. Ainda nesse 
mesmo período, pesquisas apontavam que, dos 13 milhões de desemprega-
dos no Brasil, 64% eram negros. No terceiro trimestre de 2018, o número de 
desemprego era mais alto entre os pardos (13,8%) e pretos (14,6%) do que 
entre os brancos (11,9%). Veja no gráfico a seguir como essa desigualdade 
varia de acordo com a escolaridade.
1. Qual é o percentual 
de diferença de 
renda média, 
aferido por hora, 
entre brancos e 
pretos e pardos?
2. Em qual nível 
de escolaridade 
a diferença de 
rendimento é 
maior? Qual é 
a sua hipótese 
para explicar essa 
situação?
Veja as respostas no 
Manual do Professor.
Interpretar
NÃO ESCREVA NO LIVRO
IBGE. Conheça o Brasil 
– População e raça. 
Disponível em: https://
educa.ibge.gov.br/
jovens/conheca-o-brasil/
populacao/18319-cor-ou-
raca.html. Acesso em: 
4 set. 2020.
Políticas foram implementadas no Brasil, nas últimas décadas, para dimi-
nuir essa diferença gritante, como as cotas “raciais” para o ingresso em uni-
versidades públicas. Ainda assim, apesar da relevância desse tipo de medida 
para aumentar a participação do negro nesses espaços de aprendizagem, 
ele não consegue romper por si só, de fato, os obstáculos e desafios profis-
sionais enfrentados pelos afrodescendentes.
Brasil: rendimento por hora – média real do trabalho principal – 2019
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Total
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Sem instrução
ou fundamental
completo
Fundamental
completo ou
médio
incompleto
Médio
completo
ou superior
incompleto
superior
completo
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Por raça ou cor
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Preta ou parda
Fonte: elaborado com base em Desigualdades sociais por cor ou raça no Brasil: Pretos ou pardos recebem menos do que 
os brancos independentemente do nível de instrução. EcoDebate, 14 nov. 2019. Disponível em: www.ecodebate.com.br/ 
2019/11/14/desigualdades-sociais-por-cor-ou-raca-no-brasil-pretos-ou-pardos-recebem-menos-do-que-os-brancos-
independentemente-do-nivel-de-instrucao/. Acesso em: 30 jul. 2020.
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Mesmo quando conseguem ingressar 
na faculdade, os negros têm mais difi-
culdade de acesso à formação comple-
mentar e de encontrar estágios voltados 
à área de sua formação acadêmica. E, 
quando conseguem concluir o curso, di-
versas barreiras dificultam o ingresso no 
mercado de trabalho. No setor bancário, 
apenas 20% dos trabalhadores são ne-
gros e raramente participam de cargos 
de diretoria, exercendo quase sempre 
funções de produção.
Essa desigualdade, mesmo após 
mais de 130 anos da abolição da escravi-
dão, é resultado do racismo estrutural da 
sociedade brasileira. Veja o que diz sobre 
isso o filósofo e advogado negro Silvio Al-
meida (1976-):
Em resumo: o racismo é uma de-
corrência da própria estrutura social, 
ou seja, do modo “normal” com que se 
constituem as relações políticas, eco-
nômicas, jurídicas e até familiares, não 
sendo uma patologia social e nem um 
desarranjo institucional. [...]
O que queremos enfatizar do ponto 
de vista teórico é que o racismo, como 
processo histórico e político, cria as con-
dições sociais para que, direta ou indire-
tamente, grupos racialmente identificados sejam discriminados de forma 
sistemática. Ainda que os indivíduos que cometam atos racistas sejam res-
ponsabilizados, o olhar estrutural sobre as relações sociais nos leva a con-
cluir que a responsabilização jurídica não é suficiente para que a sociedade 
deixe de ser uma máquina produtora de desigualdade racial.
ALMEIDA, Silvio. O que é racismo estrutural? Belo Horizonte: Letramento, 2018. p. 38-39.
Além de todas essas dificuldades, os pretos e pardos ainda precisam 
enfrentar outra: a violência. Dados do Mapa da Violência de 2018, estudo 
realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum 
Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) evidenciam o nosso racismo estru-
tural: em 2017, 75,5% das vítimas de homicídios eram indivíduos negros. 
Em dez anos (2007 a 2017), a taxa de mortes de negros cresceu 33,1% 
comparada à de não negros, que cresceu 3,3%.
Em decorrência do racismo estrutural e institucional que existe em nosso 
país, a cor da pele, muitas vezes, é fator de exclusão para o ingresso no mer-
cado de trabalho.
1. Defina, com suas 
palavras, o que é 
racismo estrutural.
2. Dê exemplos 
do cotidiano 
(pelos olhares, 
gestos, palavras e 
comportamentos) 
que estão 
associados ao 
racismo estrutural.
Veja as respostas no 
Manual do Professor.
Interpretar
NÃO ESCREVA NO LIVRO
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Alunos da Universidade de São Paulo (USP) em 2017, ano anterior à adoção 
do sistema de cotas sociais e raciais.
Preparativos para assembleia de alunos da Faculdade de Direito da USP, 
em 2015, em apoio à adoção de cotas sociais e raciais pela universidade.
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O ingresso no mercado de trabalho para a mulher negra é ainda mais di-
fícil. Diferentemente das brancas, as mulheres negras sabiam, pela própria 
experiência, que o trabalho não necessariamente as libertava ou era indício 
de realização pessoal porque, na maioria dos casos, elas foram, ao longo de 
séculos, exploradas ou desumanizadas. Além disso, o crescenteadministra-
ção da cidade até que a situação de crise fosse 
resolvida.
Assim, essa ditadura antiga não carregava 
um caráter pejorativo de ilegalidade. Situação 
diferente de ditadura na modernidade em que 
se tornou um sinônimo de governo autoritário, 
perdendo o aspecto de transitoriedade que ti-
nha na Roma antiga. Nesse sentido, se tivés-
semos de buscar na Antiguidade um governo 
com algumas similaridades com as ditaduras 
contemporâneas, perceberíamos que elas se 
assemelham mais ao despotismo ou à tirania. 
E, nesse quadro, são exemplares as do mundo 
grego e mesmo de outros povos antigos que, 
em meio às tensões e conflitos internos, cer-
tas personagens assumiam o poder e se ga-
rantiam nele sobretudo pela força, reprimindo 
descontentamentos e impondo suas decisões.
Cartaz da exposição Mais democracia, sim! Ditadura 
nunca mais! promovida pela prefeitura de Sobral, CE, 
em 2014, como forma de lembrar às novas gerações 
os horrores ocorridos durante a ditadura no Brasil.
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Retome o contexto
Bill of Rights
Diferenças e 
desigualdades
Filósofos antigos
Contratualistas dos 
séculos XVII e XVIII
Primeira geração: Direitos 
Civis e Políticos
Segunda geração: Direitos 
Econômicos, Sociais e 
Culturais
Terceira geração: Direitos 
Universais – fraternidade e 
igualdade
A Declaração 
Universal dos Direitos 
Humanos – 1948
Constituição de 1787
Declaração dos 
Direitos do Homem e 
do Cidadão – 1789
Estados – Constituições 
– Acordos Internacionais – 
Sociedade Civil – ONGs
Anti-Slavery
Human Rights Watch
Anistia Internacional
Médicos Sem Fronteiras
Oxfam
Repórteres Sem Fronteiras
Inúmeras ONGs
O que pode ser feito?
Precursores – 
destaques
Revolução 
Gloriosa – 1689
Independência dos 
Estados Unidos – 1776
Revolução 
Francesa – 1789
Crescem os desafios aos 
Direitos Humanos
Prática dos Direitos 
Humanos
Distinção
Gerações
Consolidação
Principais
• Em relação às respostas que você apresentou no início do capítulo, o que você mudaria ou�
complementaria? O que precisa ser feito para diminuir a distância entre as leis e a realidade?
HISTÓRIA DOS DIREITOS 
HUMANOS
Mapa conceitual organizado pelos autores.
151
VOCÊ PRECISA SABER
NÃO ESCREVA NO LIVRO
151
Seu livro está organizado em duas unidades, divididas em dois capítulos, que 
tratam de temas atuais e relevantes para a sua formação durante o Ensino Médio.
Ao longo dos capítulos e unidades, você encontrará diferentes estruturas 
que utilizam diversos recursos pensados para auxiliá-lo no processo de 
aprendizagem.
As aberturas de unidades apresentam textos e imagens 
que sintetizam o tema principal e vão mobilizar os seus 
conhecimentos sobre o assunto. Nessas aberturas, a 
seção Contexto traz situações concretas cuja análise 
exige conteúdos, conceitos e procedimentos de diferentes 
disciplinas das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. 
Essas situações serão retomadas ao longo dos capítulos 
e estão relacionadas com a seção Prática, que traz 
uma proposta de trabalho para que você aplique os 
conhecimentos que são produzidos em sala de aula na 
comunidade escolar e em seu entorno.
As aberturas dos capítulos trazem recursos diversos 
(fotografias, mapas, gráficos, entrevistas, charges) que 
sintetizam o conteúdo que será trabalhado, além de propor 
questionamentos, por meio de uma nova ocorrência da 
seção Contexto, que vão ajudá-lo a realizar o projeto 
proposto na seção Prática. Na abertura de cada capítulo, 
você também encontrará um boxe com os objetivos, a 
justificativa para o trabalho com os conteúdos propostos 
e as competências, habilidades e temas contemporâneos 
transversais mobilizados no capítulo.
Em todos os capítulos, você encontrará uma 
ocorrência da seção Conexões, que trabalha a 
interdisciplinaridade com componentes curriculares 
de outras áreas do conhecimento, especialmente 
as Ciências da Natureza e suas Tecnologias e as 
Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, bem como 
com disciplinas que não estão presentes no 
currículo escolar.
Seção que finaliza o trabalho do capítulo e traz 
propostas de retomada das questões apresentadas 
na seção Contexto, na abertura do capítulo.
Momento que serve de recurso para resumo 
e sistematização de alguns dos conteúdos 
trabalhados ao longo dos capítulos. Pode surgir 
na forma de mapas conceituais, esquemas, 
fluxogramas ou lista de palavras e pode apresentar 
atividades que estabeleçam relação dos conteúdos 
trabalhados com os seus lugares de vivência e as 
suas experiências pessoais.
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5
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES 
DA BNCC
• Competências gerais da Educação 
Básica: CG1, CG4, CG5, CG7 e CG9.
• Competências e habilidades 
específicas de Ciências Humanas 
e Sociais Aplicadas: Competência 
1: EM13CHS101, EM13CHS103 e 
EM13CHS104. Competência 2: 
EM13CHS205. Competência 5: 
EM13CHS502 e EM13CHS503. 
Competência 6: EM13CHS605.
• Competência e habilidade 
específicas de Linguagem e suas 
Tecnologias: Competência 7: 
EM13LGG703.
TEMAS CONTEMPORÂNEOS 
TRANSVERSAIS
Cidadania e civismo
• Vida Familiar e Social
• Educação em Direitos Humanos
O que acontece na praça?PRÁTICA
Para começar
Os séculos XX e XXI apresentam incontáveis transformações no 
estilo de vida das pessoas. Entre elas, está o acelerado processo de 
urbanização em todo o mundo. A Revolução Industrial, o desenvolvi-
mento tecnológico e o estabelecimento do capitalismo como modo de 
produção levaram ao crescimento das cidades, à especialização do 
trabalho e a uma moderna rede de comunicações que possibilita maior 
eficiência na distribuição e no acesso a bens e serviços. Mas será que 
serviços como saúde, educação, lazer, saneamento básico e pavimen-
tação de ruas são ofertados igualmente em todo o território nacional? 
A falta de serviços e estruturas básicas para boa parte da população 
brasileira mostra violações aos Direitos Humanos.
Trata-se de uma situação complexa e real. Por isso é importante 
que, como brasileiros e estudantes, vocês se dediquem a observar, 
registrar e analisar essa realidade na cidade onde vocês vivem hoje. 
Muitas vezes passamos, sem nos darmos conta, por locais em que vá-
rias violações são cometidas. Não porque essas violências sejam es-
condidas, mas porque passamos a enxergá-las como “naturais”. A na-
turalização de fenômenos sociais nada mais é do que enxergar como 
“natural” algo que na realidade é fruto de processos históricos. Muitas 
vezes, esses processos são atravessados por relações desiguais de 
poder e violência. Por isso é importante desnaturalizar o olhar para as 
situações cotidianas, em especial aquelas relacionadas à violação dos 
Direitos Humanos.
O cenário da desigualdade é visível nas 
diversas paisagens das cidades, sejam gran-
des, sejam médias, sejam pequenas. Essa 
desigualdade se apresenta em diferentes es-
paços, como é o caso das praças centrais das 
cidades, em que é possível ver a circulação de 
vários tipos de pessoas, de diferentes origens 
e classes sociais. Nesses lugares se mistu-
ram gerações (crianças, adultos e idosos), 
homens, mulheres, pessoas LGBTQI+, pessoas 
que apenas “passam” por ali, outras que traba-
lham, conversam, passam o tempo, dormem 
ou vivem ali, por falta de um local adequado de moradia.
Essa diversidade, comum em praças, faz delas um ambiente inte-
ressante para se compreender um pouco da lógica local e analisar de 
que forma os diferentes grupos acessam e utilizam esses espaços pú-
blicos da cidade.
Praça Dante Aligheri em 
Caxias do Sul, RS. Fotografia 
de 2019.
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2. (2017) Muitos países se caracterizam por te-
rem populações multiétnicas. Com frequên-
cia, evoluíram desse modo ao longo de sé-
culos. Outras sociedades se tornaram mul-
tiétnicas mais rapidamente, como resultado
de políticas incentivando a migração,ingresso 
das mulheres na força de trabalho nunca significou, de fato, que as mulheres 
como um todo estavam adquirindo poder econômico. Se, na nossa socieda-
de, como vimos, há desvantagem em ser mulher e há desvantagem em ser 
negro, a mulher negra encontra-se numa posição duplamente vulnerável.
Indígenas
Ao falarmos das populações indígenas, paira no imaginário social uma 
ideia generalizante, como se elas fossem um único povo. Os equívocos mais 
frequentes sobre os povos originários são:
• apenas uma representação de índio, genérico, desconsiderando a diversi-
dade de povos, culturas e línguas dos indígenas que vivem no Brasil;
• a ideia de que possuem “culturas atrasadas”, que estão em “estágio civili-
zatório” inferior ou anterior ao da cultura branca ocidental;
• a concepção de que têm “culturas congeladas”, ou seja, que vivem e pen-
sam hoje como viviam e pensavam há 500 anos;
• que os índios pertencem apenas ao passado e hoje não protagonizam 
ações constituintes da sociedade brasileira em toda sua complexidade, até 
mesmo produtiva (mundo intelectual e mundo do trabalho, por exemplo);
• que os índios não são brasileiros e que a população brasileira não é resul-
tado da contribuição dos variados povos originários.
Segundo dados do IBGE, a partir dos censos realizados entre 1991 e 
2010, há 305 etnias e 274 línguas indígenas reconhecidas no Brasil. As 
diversas tradições e estruturas sociais contribuem para a diversidade e a 
riqueza cultural do país.
Garis em greve na cidade do 
Rio de Janeiro, em 2014, onde 
cerca de metade da população 
é composta de negros. Porém, 
observe que na foto quase 
não há brancos fazendo esse 
tipo de trabalho, de grande 
relevância pública, mas pouco 
valorizado socialmente.
Estrelas além do 
tempo. Direção: 
Theodore Melfi. 
Estados Unidos, 2016.
História do 
protagonismo e 
relevância de três 
cientistas negras da 
Nasa durante a Guerra 
Fria para o êxito dos 
Estados Unidos no 
embate com a então 
União Soviética.
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Além disso, há muitos povos originários brasileiros inseridos em ambien-
tes urbanos, como evidencia o gráfico a seguir.
Fonte: elaborado com base em NASCIMENTO, Adir Casaro; VIEIRA, Carlos Magno Naglis. O índio e o espaço urbano: breves 
considerações sobre o contexto indígena na cidade. Cordis. História: Cidade, Esporte e Lazer, São Paulo, n. 14, 
p. 118-136, jan./jun. 2015. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/cordis/article/viewFile/26141/18771. 
Acesso em: 30 jul. 2020.
* Pessoas que declararam ser de cor 
ou raça indígena. ** Havia no estado do 
Amazonas 168 680 indígenas.
Fonte: elaborado com base em IBGE 
Educa. Conheça o Brasil. População – 
Indígenas. Disponível em: https://educa.
ibge.gov.br/jovens/conheca-o-brasil/
populacao/20506-indigenas.html. 
Acesso em: 30 jul. 2020.
1. Segundo o mapa, 
quais estados 
brasileiros 
apresentam 
maior número de 
indígenas? O que 
poderia explicar 
isso?
2. Descreva a 
evolução da 
distribuição 
espacial do 
indígena entre a 
área urbana e a 
rural de acordo 
com o gráfico. 
Levante hipóteses 
para explicar a 
grande diferença 
de números entre 
os dados de 1991 e 
de 2010.
3. Segundo o mapa, 
qual é a quantidade 
de indígenas que 
vivem no estado 
onde você vive? 
Comparando 
com a população 
do Brasil, esse 
número é alto 
ou baixo? E 
comparando com o 
total da população 
do estado em que 
você mora?
Veja as respostas e orientações 
no Manual do Professor.
Interpretar
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Brasil: distribuição da população 
indígena* — 2010
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São Gabriel
da Cachoeira
29017
São Paulo
de Olivença
14947
Tabatinga
14855
PA
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MG
RJ
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SP
MA
PI
CE RN
PB
AL
SE
BA
ES
MT
MS
PR
RS
SC
AM
RO
AC
AP
RR
55° O
0°
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
Trópico de
Equador
Capricórnio
0°
De 2000 a 9999
Quantidade de indígenas por 
unidade da federação
De 10000 a 19999
De 20000 a 39999
De 40000 a 79999
Mais de 79999*
* Havia no estado do Amazonas
 168680 indígenas.
Municípios com a maior
quantidade de indígenas
0 625 1250
km
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Brasil: população indígena — 1991-2010
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200 000
Terra indígena
300 000
500 000
400 000
600 000
1991 2000 2010
Área urbana
A inserção das populações indígenas urbanas no mercado de trabalho, ape-
sar das políticas afirmativas que ao longo do tempo foram sendo implemen-
tadas (como cotas para populações indígenas em algumas universidades e 
cargos públicos), ainda é precária. Os estereótipos em torno da representa-
ção dos povos originários brasileiros não são condizentes com a realidade 
– corpo nu, pintado, com cocar e adereços, muitas vezes idêntico à de nativos 
estadunidenses dos filmes de Hollywood, ou mesmo a ideia, que gerações 
mais antigas de brasileiros aprenderam na escola, do “índio” como preguiço-
so, infantilizado ou incapaz – e em nada contribuem para a sua inclusão.
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A desigualdade em relação às populações não indígenas, quando o assun-
to é a inserção no mercado de trabalho, é evidente. Para conseguir emprego, 
muitos chegam a camuflar as suas origens e conseguem apenas vagas mal 
remuneradas.
• Segundo o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro (1922-1997), autor do livro O povo 
brasileiro, para que haja a democracia racial é necessário, antes de tudo, que haja 
uma democracia social. A partir do estudo que fizemos até agora sobre a inclusão 
das mulheres, dos negros e das populações indígenas no Brasil, podemos afirmar 
que somos bem-sucedidos como sociedade? Conseguimos alcançar, de fato, uma 
democracia social? Veja a resposta no Manual do Professor.
Conversa
Há uma considerável demanda por parte de indígenas pela integração no mercado de trabalho. 
Isso é também consequência das condições precarizadas de vida (e de trabalho) em que 
muitas pessoas dessas populações se encontram. Na primeira foto, radialista indígena da 
etnia terena apresentando programa de rádio na Aldeia Córrego do Meio, em Sidrolândia, 2015. 
Na segunda, indígena trabalhando em seu atelier. em Garopaba, SC, 2020.
Em Barra do Garças (MT), por exemplo, os Xavante não estão inseridos 
em organizações, comércio, indústria; a predominância da população econo-
micamente ativa indígena está em serviços públicos, como Funai e Funasa, 
e nas próprias aldeias. Simão Tsesó ódi Tsórópsé, em entrevista à Revista 
Panorâmica On-Line, de 2017, afirma:
[...] deixamos currículos nas empresas de Barra das Garças, e percebe-
mos que mesmo que nossos conhecimentos sejam de igual formação e 
experiência, sempre são escolhidos os currículos do homem branco, não 
conseguimos entender por que a sociedade e o mercado de trabalho faz 
essa distinção com o índio.
MEDINA, Alessandro; FERREIRA, Camila Rodrigues Viana. O índio urbano: a perspectiva 
do índio xavante junto ao mercado de trabalho em Barra do Garças/MT. 
Revista Panorâmica On-Line. Barra do Garças, MT, v. 23, p. 245-254, jul./dez. 2017.
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Os idosos
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera idosa a pessoa com 
60 anos ou mais. Ter um elevado número de pessoas nessa faixa etária é 
hoje, para o Brasil, um grande desafio, que tende a aumentar ao longo das 
próximas décadas, porque está ocorrendo, segundo o IBGE, uma elevação 
no índice de envelhecimento da população. Segundoa pesquisa Projeção da 
População, atualizada pelo IBGE em 2018, em 2043 um quarto da população 
brasileira será de idosos. Atualmente, os idosos contabilizam cerca de 28 mi-
lhões de pessoas, 13% do total da população brasileira.
Brasil: número de jovens e de idosos e 
índice de envelhecimento (IE) – 2010-2060
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Números de jovens (0-14 anos) e de idosos
(60 anos e mais) e Índice de Envelhecimento (IE)
Brasil: 2010-2060
60 anos e mais
Fonte: IBGE, Projeções de população 
(revisão 2018). In: ALVES, José 
Eustáquio Diniz. O envelhecimento 
populacional segundo as novas 
projeções do IBGE. EcoDebate, 31 ago. 
2018. Disponível em: www.ecodebate.
com.br/2018/08/31/o-envelhecimento-
populacional-segundo-as-novas-
projecoes-do-ibge-artigo-de-jose-
eustaquio-diniz-alves/. 
Acesso em: 13 ago. 2020.
Em 2019, 7,9% das vagas do mercado de trabalho eram ocupadas por ido-
sos. Com a elevação no índice de envelhecimento e de novas regras para 
aposentadoria, espera-se, majoritariamente, a permanência desse trabalha-
dor na atividade laboral. Assim, uma adequação, tanto dos idosos quanto das 
organizações contratantes, faz-se necessária para evitar a exclusão social 
dessa parcela da população.
O problema das relações de trabalho envolvendo 
trabalhadores idosos deve ser amplamente 
discutido, com o intuito de evitar a discriminação, 
a vulnerabilidade e a exclusão social às quais tais 
indivíduos estão expostos, bem como de facilitar sua 
permanência ou reinserção no mercado. Na imagem 
um mecânico trabalhando em sua oficina.
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Se encararmos o trabalho como for-
ma de integração com o mundo, como 
possibilidade de adquirir conhecimento, 
como parte constituinte da nossa iden-
tidade e, também, como possibilidade 
de se ter maior autonomia no sentido 
socioeconômico (no caso do trabalho 
remunerado), é fácil entender por que 
tantos idosos relutam em se aposentar. 
É importante que o indivíduo que está 
prestes a se aposentar crie condições 
de fortalecer antigos vínculos ou de es-
tabelecer novos vínculos sociais, mes-
mo que a partir de atividades que não 
lhe tragam, necessariamente, vínculos 
empregatícios. Estimular as pessoas 
mais velhas a terem diversas formas de 
participação efetiva na sociedade, seja 
trabalhando, seja investindo na área social, dedicando-se a trabalhos volun-
tários ou a atividades prazerosas (sendo elas religiosas, culturais ou voltadas 
para a própria família) é uma possibilidade de enfrentarmos essa questão.
Com maior experiência de vida, os idosos têm muito a acrescentar à 
sociedade como um todo e ao mercado de trabalho, no qual as trocas de 
experiência são enriquecedoras tanto para as empresas quanto para os 
trabalhadores. Assim, o desenvolvimento de políticas públicas voltadas 
para essa faixa etária é necessário para possibilitar que os idosos sejam 
encarados como cidadãos ativos, com direitos protegidos por lei. Talvez, 
com isso, essa fase da vida possa ser vivenciada de forma digna, humana 
e gratificante.
Os jovens
A partir do século XX, sobretudo no mundo ocidental, a juventude foi sen-
do constituída como uma fase da vida bastante particular. Em um primeiro 
momento, o reconhecimento de sua existência se limitou ao entendimento 
dessa fase da vida como uma transição entre a infância e a maturidade; e, de-
pendendo do contexto sociocultural, também como um período preparatório, 
de educação e aquisição de habilidades profissionais, anterior à entrada do 
indivíduo no mercado de trabalho ou à constituição de uma família.
A partir do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), mas, sobretudo, 
durante a década de 1960, os jovens começaram a assumir cada vez mais 
o protagonismo nas sociedades ocidentais, identificando-se como um grupo 
social específico. Além de questionarem valores vigentes do “mundo adulto”, 
passaram a adotar atitudes que os diferenciavam de seus pais e avós, des-
de posição política a corte de cabelo, visando exteriorizar suas ideias e seus 
projetos de vida para o mundo.
Fonte: elaborado com base em PINTO, Ana Estela de Sousa. Para mais de 90%, existe 
preconceito contra os idosos no Brasil. Folha de S.Paulo. 26 nov. 2017. Disponível em: 
www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/11/1938235-para-mais-de-90-existe-preconceito- 
contra-os-idosos-no-brasil.shtml. Acesso em: 30 jul. 2020.
Quem são os idosos no nosso tempo
56%
são mulheres
44%
são homens
Mulheres são a maioria
Mas renda média do homem idoso é maior (em R$)
26% dos idosos é ativo economicamente
Individual1.846,29 2.703,09
Familia 4.271,222.804,83
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Entretanto, como bem explicitou o sociólogo Karl Mannheim (1893-1947), 
as gerações devem ser analisadas como problema sociológico, encaradas 
como um fenômeno sócio-histórico. Logo, sob essa ótica, todo comporta-
mento juvenil deve ser analisado de modo a evitar naturalizações que asso-
ciam o comportamento contestatório a uma fase da vida.
Na história recente, por exemplo, é possível encontrar jovens alinhados a 
ideais mais conservadores, como é o caso dos yuppies. Essa expressão, que 
data dos anos de 1980, designa o jovem profissional urbano, que incorpora 
os valores competitivos da sociedade e busca se destacar profissionalmente 
para alcançar o sucesso financeiro. Hoje em dia, tais valores podem ser vin-
culados ao empreendedorismo, que consiste no processo associado à cria-
ção de algo inovador que pode resultar na criação de novos produtos e em 
novas oportunidades de negócios.
Leia a seguir um trecho que problematiza as políticas públicas direciona-
das aos jovens brasileiros:
No que diz respeito às políticas públicas, percebe-se como os jovens há 
muito têm constado como seu alvo privilegiado. Isso se deve em grande 
medida à ideia de pensá-los, principalmente se pobres, como um problema. 
O equívoco maior de muitas políticas públicas de trabalho e formação pro-
fissional para a juventude é justamente pautar-se por, ou tomar como pres-
suposto, um caminho apenas utilitário de garantir ou oferecer subsídios 
para a inserção no mercado de trabalho, seja ela qual e como for. Quando 
se preparam os jovens apenas segundo essa concepção, sem considerar a 
importância de uma ampliação de repertório que lhes possibilite a constru-
ção de um projeto por si e para si, a formação é reduzida a uma dimensão 
meramente instrumental, que pode inclusive gerar culpas individuais e so-
frimentos por eventuais fracassos, não garantindo a necessária autonomia.
PEREIRA, Alexandre Barbosa. Jovens, qual será o futuro? Le Monde Diplomatique Brasil (ed. 99), 
1o out. 2015. Disponível em: https://diplomatique.org.br/jovens-qual-sera-o-futuro/. 
Acesso em: 31 mar. 2020.
Jovens participam do festival 
de Woodstock em 1969, nos 
Estados Unidos.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
MANNHEIM, Karl. O 
problema sociológico das 
gerações. In: FORACCHI, 
Marialice M. (org.) Karl 
Mannheim: Sociologia. São 
Paulo: Ática, 1982. p. 67-95. 
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Leia o texto ao lado e 
debata com os colegas os 
seguintes aspectos:
1. Qual éa crítica central 
presente no texto?
2. Vocês concordam 
com a tese do autor 
do texto? Justifiquem 
a posição de vocês, 
preferencialmente, 
com exemplos 
concretos.
3. Que políticas públicas 
voltadas aos jovens 
são de conhecimento 
de vocês? O que é 
preciso fazer para 
se beneficiar delas? 
Elas atendem bem 
às necessidades dos 
jovens? Por quê?
Veja as respostas no 
Manual do Professor.
Conversa
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DIÁLOGOS
NÃO ESCREVA NO LIVRO
1. Leia os trechos abaixo e realize as atividades.
Mesmo enfrentando um enorme preconcei-
to, alguns trabalhadores negros conseguiram se 
incluir no competitivo mercado de trabalho das 
principais cidades brasileiras, em fábricas ou em 
empregos informais. Alguns deles conseguiram 
se destacar, o que possibilitou a formação de al-
gumas poucas famílias de classe média. Para dis-
cutir a discriminação e pensar alternativas para 
melhorar as condições de vida dos afro-brasilei-
ros, trabalhadores e intelectuais negros criaram 
associações, grêmios, clubes e jornais. Em 1931, a 
Frente Negra Brasileira foi criada com o objetivo 
de integrar a população negra em pé de igualda-
de com o restante da sociedade. Rapidamente, a 
ela se associaram cerca de cem mil integrantes 
pelo País. Foi assim até 1938, quando a Frente 
Negra e todas as publicações da imprensa negra 
foram fechadas durante a ditadura Vargas.
HOMERO, Vilma. O avesso da história: da África ao Brasil 
afrodescendente. Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo 
à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Disponível 
em: www.faperj.br/?id=3557.2.0. Acesso em: 4 ago. 2020.
Ainda hoje sabemos muito pouco sobre os cri-
mes cometidos pela ditadura contra as popula-
ções indígenas. O mais importante documento de 
denúncia sobre esses crimes – o “Relatório Figuei-
redo” [...] fez um trabalho de apuração impres-
sionante: incluiu relatos de dezenas de testemu-
nhas, apresentou documentos e identificou cada 
uma das violações que encontrou – assassinatos 
de índios, prostituição de índias, sevícias, traba-
lho escravo, apropriação e desvio de recursos do 
patrimônio indígena. Ele também apurou as de-
núncias sobre a existência de caçadas humanas 
de indígenas feitas com metralhadoras e dinami-
te atiradas de aviões, as inoculações propositais 
de varíola em populações indígenas isoladas e as 
doações de açúcar misturado a estricnina.
STARLING, Heloisa. Ditadura militar e populações indígenas. 
Brasil. Doc. Projeto República – Universidade Federal de 
Minas Gerais. Disponível em: www.ufmg.br/brasildoc/ 
temas/5-ditadura-militar-e-populacoes-indigenas/. 
Acesso em: 4 ago. 2020.
a) Descreva as violações de direitos de popu-
lações afrodescendentes e indígenas nos 
textos apresentados.
b) Organizem um grupo de no máximo seis 
pessoas e façam uma pesquisa em institui-
ções que trabalham com causas indígenas 
ou afrodescendentes. Escolham um projeto 
ou causa com que o grupo se identifique e 
façam contato com a instituição para que 
ela responda a um questionário.
c) Preparem um questionário com no máximo 
quatro perguntas. A ideia é que vocês conhe-
çam um pouco mais o trabalho das pessoas 
que lutam em favor das minorias étnicas. 
Pensem no que gostariam de saber sobre 
motivações, angústias, dificuldades e recom-
pensas do trabalho que elas desenvolvem.
d) Com base nas informações levantadas no 
questionário, o grupo deve pensar em inter-
venções a serem feitas na própria escola. 
Elas podem ser: colagens, desenhos, pintu-
ras, poemas, letras de música, maquetes, 
bonecos ou qualquer outro tipo de interven-
ção artística que possa ser exposto.
2. Leia os textos a seguir, observe as imagens e 
realize as atividades.
Texto I
Entrevista dada pela professora Ynaê
A efervescência dos anos 1960 trouxe à tona 
os diferentes movimentos libertários, entre eles 
o Black Power americano, o reggae jamaicano e 
as lutas anticolonialistas na África. Os reflexos 
no Brasil se fizeram sentir nas décadas seguin-
tes, com o surgimento de várias organizações 
de Movimento Negro pelo País, ao longo dos 
anos 1970 e 1980. “Embora seja inegável que 
inúmeras conquistas tenham sido alcançadas, 
como a configuração do racismo como crime 
inafiançável ou a lei de cotas para o ingresso de 
Veja as respostas das atividades 
desta seção no Manual do Professor.
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negros na universidade – também alvo de enor-
me polêmica –, essa luta ainda está longe de 
acabar”, conclui.
HOMERO, Vilma. O avesso da história: da África ao Brasil 
afrodescendente. Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo 
à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Disponível 
em: www.faperj.br/?id=3557.2.0. Acesso em: 4 ago. 2020.
Texto II
Fala do Cacique Raoni
Você tem que, desde a juventude, entender 
que a política é construída na ocupação de es-
paços. Temos que ter indígenas na esquerda, na 
direita, no centro. Temos que ocupar e levar as 
nossas pautas. A juventude, que hoje vai para 
a universidade e tem uma formação melhor do 
que a geração de 40 anos atrás, tem que ocupar 
e aceitar essa responsabilidade [...] Antes, a es-
cola veio para ensinar os indígenas a ler e a es-
crever, a se “civilizar”, era a tal da civilização. Eu 
abordo a importância da formação dos profes-
sores indígenas. Agora é a hora em que nós, po-
vos indígenas, podemos escrever nossa história, 
podemos colocar em pauta dentro da universi-
dade os nossos saberes, os nossos conhecimen-
tos para serem, não só divulgados, mas também 
ser respeitado o nosso conhecimento.
ALMEIDA, Tamíris. Povos indígenas: Nós vamos ocupar 
espaços e vamos continuar lutando porque nós resistimos 
há 520 anos e não é agora que vamos desistir. Futura. [s.l.] 
Disponível em: https://www.futura.org.br/direitos-povos-
indigenas-2020/. Acesso em: 4 ago. 2020.
Mulher negra com criança branca 
presa às costas. Fotógrafo não 
identificado, Bahia, cerca de 1870.
Representação de Padre Antonio Vieira, em obra anônima do 
século XVIII.
Faça uma relação entre as imagens e os tex-
tos considerando que as imagens são repre-
sentações de situações vividas por indígenas 
e africanos no século XVI e os textos são de 
2018 e de 2020.
a) O que eles estão representando enquanto 
estrutura social e visão de mundo? Aponte 
de que forma cada grupo (afrodescendentes 
e indígenas) relaciona organização coletiva, 
estudo (formal ou não formal) e visibilidade 
política em busca de respeito e condições de 
igualdade na sociedade atual.
b) A partir da relação entre as imagens histó-
ricas e as falas reproduzidas nos textos, fa-
çam uma discussão sobre o termo “vitimiza-
ção” utilizado por aqueles que acham que as 
lutas e pautas dos grupos minoritários são 
“exageradas” ou que não condizem com a 
realidade dos dias atuais.
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Inadequação juvenil?
São variadas as interpretações sobre os jovens e as juventudes. Atual-
mente há uma classificação do comportamento juvenil, mais especificamen-
te dos anos iniciais da juventude, o que se convencionou chamar de adoles-
cência, que é ambivalente. Há todo um conjunto de associações negativas e 
positivas a esse momento da vida, que, assim como a juventude, é histórico 
e definido pela dimensão biológica, psicológica e cultural.
A percepção negativa da adolescência se expressa, sobretudo, nas pre-
ocupações dos adultos quanto aos riscos a que os mais jovens estão sub-
metidos e a que se submetem. E também nos 
sentimentos vividospelos próprios adolescentes, 
quase todos envoltos na dificuldade de se autorre-
conhecerem dotados de um novo corpo e com ca-
pacidades cognitivas mais complexas e ainda na 
percepção da interdição que recebem do mundo 
adulto para usufruir daquilo a que sentem já esta-
rem preparados para tal.
As necessidades e interesses dos jovens en-
tram em choque com os valores sistematizados na 
sociedade da qual fazem parte. Potencialmente ap-
tos a atuar no mundo, encontram regras, normas 
e interdições impostas pelas gerações anteriores, 
que não os autorizam a viver a vida como poderiam ou gostariam. Sentem um 
desconforto com algumas regras e proibições por não entenderem o sentido 
delas e não encontrarem muitos marcos concretos de quando, enfim, con-
quistarão o reconhecimento e respeito dos adultos quanto à sua individuali-
dade e autonomia. Ou ainda por discordarem de alguns deles: ter 18 anos, ga-
nhar dinheiro, ser famoso, morar sozinho, constituir família, fazer faculdade.
A adolescência é identificada com a imaturidade, a impetuosidade, a ne-
cessidade de pertencimento e, consequentemente, mais sujeita à influência 
do grupo, o que potencialmente aumenta o comportamento de risco de quem 
está vivendo essa condição. Isso se traduziria em experimentações das mais 
variadas, como a iniciação sexual sem os devidos cuidados para preservação 
física e emocional, ficando mais sujeitos a doenças sexualmente transmissí-
veis, gravidez indesejada, abortos clandestinos e risco de vida; uso precoce 
e abusivo de cigarro, álcool, drogas lícitas e ilícitas; flerte com pequenos e 
grandes delitos que podem levar à delinquência crônica.
O filme Kids, lançado em 
1995, chocou muitos 
telespectadores por 
representar nas telas 
dos cinemas um grupo 
de adolescentes de Nova 
York de ambos os sexos, 
alienados e apáticos, 
distante dos olhares dos 
pais, numa época 
pré-popularização da 
internet e ainda distante 
dos smartphones, que 
passava a maior parte do 
tempo consumindo álcool 
e drogas, cometendo 
pequenos delitos, praticando 
sexo de forma não segura e 
assumindo comportamentos 
suicidas, caracterizando 
uma “geração perdida”.
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Um aspecto demográfico da população bra-
sileira que se torna cada vez mais preocupante 
é o aumento das mortes de adolescentes e adul-
tos jovens do sexo masculino por causas violen-
tas, como assassinatos e acidentes automobi-
lísticos, decorrentes de excesso de velocidade, 
de imprudência ou uso de álcool ou drogas. Isso 
provoca impactos na distribuição etária da po-
pulação e na proporção entre os sexos, além de 
trazer implicações socioeconômicas, com a di-
minuição da qualidade de vida da população em 
geral (em decorrência da insegurança generali-
zada) e o aumento de gastos com prevenção e 
coibição da violência, vigilância à venda de drogas, entre outros. Além, é claro, 
das perdas para as famílias e amigos e seus desdobramentos emocionais.
Entretanto, sabe-se que esses comportamentos não acometem todos 
os jovens e tampouco são despertados por mudanças hormonais e não são 
características genéticas, impressas no DNA. Eles têm explicações multifa-
toriais. Uma delas é o limbo no qual a sociedade colocou as pessoas dessa 
faixa etária ao consolidar a adolescência e ampliar o período de transição 
entre a infância e o mundo adulto, instituindo uma moratória maior para a 
conquista da autonomia. Não saber ao certo o que fazer e como se comportar, 
a quem recorrer, onde e como buscar apoio e ajuda gera muita insegurança. 
E se abandonados à própria sorte, buscam apenas acolhida em seus pares, 
pelos quais são mais facilmente reconhecidos como iguais.
Muitos pesquisadores do comportamento humano, como sociólogos, 
antropólogos, psicólogos e psicanalistas, apontam que a ausência de mar-
cos simbólicos e ritos de passagem mais claros e definitivos na sociedade 
Apesar de alguns números 
sobre comportamento de risco 
juvenil serem elevados, como 
indicam pesquisas realizadas 
pelo IBGE, os percentuais são 
bem menores do que aqueles 
que povoam o imaginário 
popular, até mesmo dos 
próprios adolescentes, muitos 
com a percepção de que “todo 
mundo” está fazendo ou já fez 
algo, exceto ele.
Alunos do 9O ano de escolas públicas e privadas — 2015
10% 20% 30% 40% 50% 60%0%
já experimentaram ao menos
uma vez na vida bebida alcóolica
já experimentaram ao menos
uma vez na vida cigarro (tabaco)
já experimentaram ao menos
uma vez na vida algum tipo de droga ilícita
já haviam iniciado vida sexual,
sendo que 39% deles não haviam utilizado
preservativo na primeira relação sexual
Fonte: elaborado com base em IBGE-MEC. Pesquisa Nacional de Saúde Escolar: 2015. Disponível em: 
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv97870.pdf. Acesso em: 14 jul. 2020.
Crianças de comunidade 
quilombola jogam capoeira 
durante Festa de Cultura 
Afro em homenagem ao Dia 
da Consciência Negra em 
Araruama, RJ, em 2015.
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moderna ocidental é a causa do desconforto e da inadequação sentida pelos 
adolescentes e que se desdobra nos variados comportamentos com os quais 
convivemos hoje.
O trecho a seguir foi retirado de um artigo da antropóloga Lucia Helena 
Rangel. Nele, ela discute os rituais de passagem entre a infância e o mun-
do adulto em diferentes sociedades, destacando e comparando o comporta-
mento da sociedade ocidental com o dos povos indígenas brasileiros.
[...] Cada sociedade elege o modo e o momento de transformar uma 
criança em um ser adulto. Em nossa sociedade construímos um padrão 
de sociabilidade que passou a incluir, em tempos recentes, uma fase in-
termediária chamada adolescência. Essa etapa da vida não corresponde, 
necessariamente, a uma fase biológica definida; criamos, na verdade, 
uma fase psicológica cuja finalidade é adiar a transformação da criança 
em adulto. Os avós das pessoas adultas de hoje casavam-se com idade 
entre 13 e 18 anos; muito comum era o casamento entre uma moça de 15 
e um rapaz de 18 anos. 
A adolescência tem sido cada vez mais ampliada para certas camadas 
sociais, em nossa sociedade. O retardamento do início das funções produ-
tivas é um dos fatores mais importantes que explicam o fenômeno; quer 
seja pela falta de empregos, quer pelas exigências de formação profis-
sional cada vez mais especializada, as camadas mais altas da hierarquia 
social dependem da instituição escolar para alongar a adolescência de 
seus filhos, deixando-os no limbo da indefinição juvenil, às vezes por mais 
de dez anos. Por outro lado, nas camadas sociais mais baixas o fenômeno 
inverte-se, exigindo de crianças de 7, 10 ou 12 anos que abandonem a 
escola para trabalhar, porque precisam contribuir para o orçamento fa-
miliar, mesmo que seja em troca de salários irrisórios. [...]
Nas sociedades indígenas, a adolescência não é uma fase nem social 
nem psicológica, porque não é necessária. O corpo dos jovens está apto 
para a procriação e em seu processo educativo já treinou a aquisição das 
habilidades práticas pertinentes ao seu gênero sexual; portanto, cabe à 
sociedade promover sua transformação em adulto. Neste sentido, para 
completar sua socialização, essa passagem é realizada através de um ri-
tual de iniciação que é um dos mais importantes no ciclo cerimonial. As 
marcas corporais femininas, a primeira menstruação especialmente, são 
o indicativo do momento que o ritualdeve acontecer. Os rapazes, cujas 
marcas corporais são menos nítidas, mas que regulam em idade com as 
meninas que nasceram em período próximo a eles, são identificados por 
sua estatura, produção de esperma e, muitas vezes, entram em processo 
ritual muito cedo a partir de nove ou 10 anos. Os rituais de iniciação dos 
jovens podem durar de um a cinco anos, dependendo de como cada socie-
dade elabora o processo. [...]
RANGEL, Lucia Helena. Da infância ao amadurecimento: uma reflexão sobre rituais de 
iniciação. Interface, Botucatu, SP, v. 3, n. 5, ago. 1999. Disponível em: www.scielo.br/ 
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32831999000200019. 
Acesso em: 28 mar. 2020.
1. Segundo a autora, 
o que tem levado 
à ampliação 
do período da 
adolescência para 
as sociedades 
ocidentais? E esse 
fenômeno se aplica 
amplamente na 
sociedade?
2. Por que a 
adolescência 
não é uma fase 
necessária entre 
as sociedades 
indígenas, ainda 
segundo a autora?
3. Você avalia que 
se tornará adulto 
quando? Que 
conquistas precisa 
realizar para ter 
esse novo status? 
E você quer ser 
reconhecido como 
adulto?
Veja as respostas no 
Manual do Professor.
Interpretar
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Os incompreendidos. 
Direção de François 
Truffaut. França, 1959. 
Narra a história de um 
garoto francês cercado 
por adultos que não se 
ocupam efetivamente 
de sua educação. Na 
busca de identificação 
com seus colegas 
ele passa a cometer 
pequenos delitos, até 
ser pego.
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CONEXÕES
CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Geração e tempo geracional
Veja as respostas das 
atividades desta seção no 
Manual do Professor. 
Para as Ciências da natureza, “geração”, entre 
outros significados, se refere à reprodução ou à 
transição entre pais e filhos. Mas “geração” pode 
se referir ainda ao conjunto de pessoas contem-
porâneas – uma definição muito utilizada em con-
textos sociais.
O período médio entre duas gerações consecu-
tivas é chamado “tempo de geração” e ele é variá-
vel entre diferentes espécies. Entre os humanos, 
por exemplo, o tempo de geração é longo, de, em 
média, 30 anos. Já entre vírus e bactérias, assim 
como outros organismos patogênicos, o tempo 
de geração é muito mais curto, sendo, às vezes, 
de poucos minutos. E são esses organismos com 
tempo de geração muito curto que são utilizados 
para os estudos de Genética, uma vez que as infor-
mações genéticas são transmitidas de geração em 
geração e podem ser observadas mais facilmente.
Foi observando um organismo com o tempo 
geracional curto (ervilhas) que Gregor Mendel 
rea lizou seus experimentos e estabeleceu as ba-
ses para o estudo da hereditariedade
Outro organismo comumente utilizado em estu-
dos genéticos são as moscas-da-fruta (Drosophila 
melanogaster). Isso porque elas possuem um 
tempo de geração de cerca de 10 dias.
Mas não é somente nas Ciências da Natureza 
que o conceito de geração tem seus impactos. Nas 
Ciências Humanas e Sociais Aplicadas ele também 
tem sua importância. Veja o texto a seguir.
No pensamento social contemporâneo, a 
noção de geração foi desenvolvida em três mo-
mentos históricos, que correspondem a três 
quadros sociopolíticos particulares: durante os 
anos 1920, no período entreguerras, as bases 
filosóficas são formuladas em torno da noção 
de "revezamento geracional" (sucessão e coexis-
tência de gerações), existindo um consenso ge-
ral sobre este aspecto [..]. Durante os anos 1960, 
na época do protesto, uma teoria em torno da 
noção de "problema geracional" (e conflito gera-
cional) é fundamentada sobre a teoria do con-
flito [...]. A partir de meados dos anos 1990, com 
a emergência do sociedade em rede, surge uma 
nova teoria em torno da noção de "sobreposição 
geracional". Isto corresponde à situação em que 
os jovens são mais habilidosos do que as gera-
ções anteriores em um centro de inovação para 
a sociedade: a tecnologia digital [...].
FEIXA, Carles; LECCARDI, Carmem. O conceito de geração nas 
teorias sobre juventude. Soc. estado, Brasília, v. 25, n. 2, p. 
185-204, Aug. 2010. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S010269922010000200003&lng=en
&nrm=iso. Acesso em: 7 set. 2020.
Considere um adulto com idade aproximada de 25 anos que viva na sua 
comunidade, e responda: 
• Você considera que você e esse adulto façam parte da mesma geração?
• De acordo com o pensamento social contemporâneo, qual sua relação 
com esse indivíduo? Você acredita que haja um “revezamento geracio-
nal”, um “problema geracional” ou uma “sobreposição geracional”?
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DIÁLOGOS
NÃO ESCREVA NO LIVRO
1. Leia o texto a seguir e depois responda às questões.
O sociólogo brasileiro Ricardo Antunes afirma que “uma vida cheia de 
sentido fora do trabalho supõe uma vida dotada de sentido dentro do 
trabalho” e ainda que “uma vida desprovida de sentido no trabalho é in-
compatível com uma vida cheia de sentido fora do trabalho. [...] Uma vida 
cheia de sentido somente poderá efetivar-se por meio da demolição das 
barreiras existentes entre tempo de trabalho e tempo de não trabalho, 
de modo que, a partir de uma atividade vital cheia de sentido, autodeter-
minada, para além da divisão hierárquica que subordina o trabalho ao 
capital hoje vigente e, portanto, sob as bases inteiramente novas, possa se 
desenvolver uma nova sociabilidade [...] na qual liberdade e necessidade 
se realizam mutuamente.”
ANTUNES, Ricardo. Socialismo, lutas sociais e novo modo de vida na América Latina. 
Revista Direito e Práxis, Rio de Janeiro, v. 8, n. 3, jul./set. 2017. Disponível em: https:// 
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2179-89662017000302212. 
Acesso em: 13 ago. 2020.
• Dividam-se em grupos de quatro estudantes para debater as seguintes 
questões:
a) Na opinião de vocês, por que o autor 
afirma que para que a vida tenha senti-
do fora do trabalho ela deve ter sentido 
dentro do trabalho?
b) Na vida cotidiana, que trabalhos vocês 
exercem? Vocês gostam de exercer es-
sas funções ou as consideram exausti-
vas e/ou entediantes?
c) Nas suas famílias, quais trabalhos 
são exercidos pelos seus familiares? 
Vocês consideram que todos os mem-
bros da sua família trabalham o mes-
mo tempo ou alguns trabalham mais 
do que outros? Por que isso acontece?
d) Vocês consideram vital para a sua saúde mental uma conciliação 
entre o tempo de trabalho e o tempo de não trabalho? O que vocês 
gostam de fazer quando não estão trabalhando?
e) O que o autor quer dizer com “divisão hierárquica que subordina o tra-
balho ao capital hoje vigente”? Na opinião do grupo, existem trabalhos 
mais valorizados do que outros? Se sim, o que faz com que isso ocorra?
• Reflitam sobre as respostas do grupo e busquem encontrar pontos em 
comum entre vocês. Em quais aspectos os hábitos da sua família e 
Veja as respostas das atividades 
desta seção no Manual do Professor.
Por questões culturais, muitas vezes, algumas profissões são 
consideradas mais “importantes” do que outras.
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suas ambições pessoais se aproximam e em quais se distanciam da 
família de seus colegas? Listem, no caderno, as semelhanças e as di-
vergências.
a) Utilizando como base o que há em comum entre você e os colegas de 
grupo, reflitam sobre o que é padrão na maioria das famílias.
b) Ao final da atividade, cada grupo deve, oralmente, socializar com a 
turma as conclusões às quaischegaram.
2. Leia o texto a seguir e responda às questões.
Seguramente você se reconhece 
como uma pessoa jovem. Estando cur-
sando o Ensino Médio, não importa o 
ano nem se você foi retido em anos an-
teriores, você deve mesmo se reconhe-
cer como um jovem. Talvez alguns estu-
dantes do Ensino Médio na modalidade 
EJA (Educação para Jovens e Adultos) 
não tenham essa mesma segurança 
para se autodeterminar jovem. Não nos 
referimos àqueles com 50 ou 60 anos 
de idade. Mas àqueles com menos de 
40 anos. Ou ainda, quem sabe, àqueles 
com 33 anos, ou 29 anos. E será que 
mesmo quem tem mais de 40 ou 50 
anos não pode se sentir jovem e assim 
ser visto pela sociedade? Ser jovem tem 
relação com o sentimento singular de 
cada um, com suas atitudes e também 
com o modo como os outros nos enxer-
gam? Quando então alguém deixa de ser jovem? E quando começa a 
ser? Você se lembra do dia em que deixou de ser criança e se tornou um 
jovem? E o adolescente: é uma criança ou um jovem?
Reflita sobre as perguntas propostas a seguir, anote, no caderno, suas res-
postas ou algumas palavras-chave que encontrou para respondê-las para, 
então, dialogar com os colegas de sala, com a mediação do professor.
a) Em sua opinião, à qual faixa etária pertence o jovem?
b) Em que momento da vida você avalia que se tornou jovem?
c) Quais gostos e hábitos que mantinha quando criança você abandonou? 
E quais novos valores e comportamentos você passou a adotar?
d) E os outros, sobretudo os adultos, como eles olhavam para você quan-
do era criança e como o enxergam agora?
e) Quais são seus projetos depois que finalizar o Ensino Médio? As possi-
bilidades de vida futura do jovem são as mesmas para todos?
É comum que as pessoas alterem hábitos e comportamentos de 
acordo com uma nova etapa da vida.
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2. (2017) Muitos países se caracterizam por te-
rem populações multiétnicas. Com frequên-
cia, evoluíram desse modo ao longo de sé-
culos. Outras sociedades se tornaram mul-
tiétnicas mais rapidamente, como resultado 
de políticas incentivando a migração, ou por 
conta de legados coloniais e imperiais.
GIDDENS. A. Sociologia. Porto Alegre: Penso, 2012 (adaptado).
Do ponto de vista do funcionamento das demo-
cracias contemporâneas, o modelo de socieda-
de descrito demanda, simultaneamente,
a) defesa do patriotismo e rejeição ao hibridismo.
b) universalização de direitos e respeito à di-
versidade.
c) segregação do território e estímulo ao auto-
governo.
d) políticas de compensação e homogeneiza-
ção do idioma.
e) padronização da cultura e repressão aos 
particularismos. 
3. (2017) A participação da mulher no processo 
de decisão política ainda é extremamente li-
mitada em praticamente todos os países, inde-
pendentemente do regime econômico e social e 
da estrutura institucional vigente em cada um 
deles. É fato público e notório, além de empiri-
camente comprovado, que as mulheres estão 
em geral sub-representadas nos órgãos do po-
der, pois a proporção não corresponde jamais 
ao peso relativo dessa parte da população.
TABAK, F. Mulheres públicas: participação política e poder. 
Rio de Janeiro: Letra Capital, 2002.
No âmbito do Poder Legislativo brasileiro, a 
tentativa de reverter esse quadro de sub-re-
presentação tem envolvido a implementação, 
pelo Estado, de
a) leis de combate à violência doméstica.
b) cotas de gênero nas candidaturas partidárias.
c) programas de mobilização política nas escolas.
d) propagandas de incentivo ao voto consciente.
e) apoio financeiro às lideranças femininas.
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X
1. (2016)
Texto I
Texto II
Metade da nova equipe da NASA é 
composta por mulheres
Até hoje, cerca de 350 astronautas america-
nos já estiveram no espaço, enquanto as mulhe-
res não chegam a ser um terço desse número. 
Após o anúncio da turma composta 50% por 
mulheres, alguns internautas escreveram co-
mentários machistas e desrespeitosos sobre a 
escolha nas redes sociais.
Disponível em: https://catracalivre.com.br. 
Acesso em: 10 mar. 2016.
A comparação entre o anúncio publicitário de 
1968 e a repercussão da notícia de 2016 mos-
tra a
a) elitização da carreira científica.
b) qualificação da atividade doméstica.
c) ambição de indústrias patrocinadoras.
d) manutenção de estereótipos de gênero.
e) equiparação de papéis nas relações familiares.
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Veja as respostas das atividades 
desta seção no Manual do Professor.
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QUESTÕES DO ENEM NÃO ESCREVA NO LIVRO
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1. Na seção Contexto no início deste capítulo, você refletiu sobre as falas de alguns imigrantes 
acerca do que lhes chamou atenção quando chegaram ao Brasil. Agora, depois de estudar as 
especificidades de alguns segmentos sociais no país, como das mulheres, afrodescendentes, 
indígenas, idosos e jovens, alteraria as respostas que deu naquela ocasião?
2. O que é necessário fazer para reduzir a desigualdade social em nosso país e também os varia-
dos preconceitos e racismos?
3. E você, tem vontade de morar em outro país? Já pensou em estudar “fora”? Isso poderia fazer 
parte do seu projeto de vida? Essa pode ser uma experiência enriquecedora. Apesar de não 
ser uma opção fácil para todos, em razão dos desafios econômicos, esse problema pode ser 
driblado com a obtenção de uma bolsa de estudo. Há algumas instituições nacionais e inter-
nacionais que oferecem auxílio aos estudantes brasileiros para arcar com transporte, moradia, 
alimentação e estudo. E muitas faculdades e universidades dispõem de convênios com insti-
tuições de ensino de outros países, o que pode ser um caminho para você, caso seja do seu 
interesse. Faça uma pesquisa sobre formas para obter bolsas para estudar no exterior, liste as 
exigências solicitadas e avalie se essa pode ser uma opção para você.
Veja as respostas no Manual do Professor. 
Retome o contexto
A seguir estão listados conceitos, temas e expressões que foram centrais na abordagem dos conteúdos 
neste capítulo. Elabore uma representação gráfica, do tipo esquema ou mapa conceitual, para sistematizar 
as suas principais aprendizagens. Se necessário, acrescente outros termos na sua representação.
trabalho remuneradotrabalho não remunerado idosos cultural
desigualdadeMinorias sociais renda discriminação cor/raça
idadegênero/sexo juventudes jovem adolescência
modelo ocidentaldireitos mulheres indígenasracismo estrutural
exclusãooportunidades dupla ou tripla jornada de trabalho
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VOCÊ PRECISA SABER
NÃO ESCREVA NO LIVRO
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COMPETÊNCIAS E HABILIDADES 
DA BNCC
• Competências gerais da 
Educação Básica: 
CG1, CG2, CG4, CG5, CG7 e 
CG10. 
• Competências e habilidades 
específicas de Ciências 
Humanas e Sociais Aplicadas: 
Competência 1: 
EM13CHS106. 
Competência 6: 
EM13CHS602, EM13CHS605 
e EM13CHS606.
• Competências específicas de 
Linguagem e suas Tecnologias: 
Competência 1: 
EM13LGG105. 
Competência 2: 
EM13LGG204. 
Competência 3: 
EM13LGG303.
TEMAS CONTEMPORÂNEOS 
TRANSVERSAIS
Cidadania e Civismo
• Vida Social e Familiar
• Educação em Direitos Humanos
Entrevista semiestruturada PRÁTICA
Relembrar é preciso: como foi a ditadura 
militar-civil no Brasil?
Para começar
Nesta unidade, conhecemos o conceito de democracia, que, do gre-
go demokratia, significa poder do povo. Vimos que os brasileiros, assim 
como muitos cidadãos de países latino-americanos, nem sempre vive-
ram em um Estado Democrático de Direito.
Em três momentos de sua história, o Brasil viveu sob ditadura, isto 
é, sob uma forma de governo autoritária na qual não há espaço para a 
expressãolivre da vontade popular: com o fim da Monarquia e a instau-
ração da República, na chamada República da Espada, que se deu entre 
1889 e 1894; entre 1937 e 1945, no período conhecido como Estado 
Novo; e durante a ditadura militar-civil, entre 1964 e 1985.
Ocorrido no contexto da Guerra Fria, o golpe de 1964, que destituiu 
da Presidência João Goulart, foi o mais longo período de ditadura no 
Brasil, que contou com o apoio da elite e de parte da classe média brasi-
leira, que, temendo a ocorrência de reformas sociais que significassem 
a perda de seus privilégios, aliaram-se aos militares sob a justificativa 
de livrar o Brasil da ameaça comunista.
Entretanto, diferentemente do que certos políticos acreditavam, a 
instauração da ditadura não significou sua ascensão ao poder. Dessa 
forma, muitos daqueles que apoiavam o golpe voltaram-se contra o re-
gime militar, passando, assim, a lutar contra ele. Entre os políticos mais 
Veja as orientações de como trabalhar 
esta seção no Manual do Professor.
Apesar dos riscos de 
serem presas e torturadas, 
muitas pessoas, entre as 
quais jovens estudantes, 
não se calaram perante 
a ditadura, que vigorou 
por mais de vinte anos 
no Brasil. Na imagem, 
jovem picha a fachada do 
Teatro Municipal do Rio de 
Janeiro, em junho de 1968.A
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conhecidos, encontra-se Carlos Lacerda, da antiga 
União Democrática Nacional (UDN), que acabou 
se aliando aos seus antigos opositores, Jusceli-
no Kubitschek e João Goulart, na organização da 
Frente Ampla, que buscava, entre outros objeti-
vos, o restabelecimento de eleições livres.
Com o recrudescimento do regime militar, o 
sonho de muitos daqueles que haviam lutado e 
morrido pela restauração de seus direitos políti-
cos, isto é, de participar das eleições, fosse como 
candidatos, fosse como eleitores, apenas seria 
concretizado no final da década de 1980, com a 
Constituição de 1988, que estendeu o direito ao 
voto direto e secreto aos analfabetos – os quais, 
nas constituições anteriores, estavam excluídos 
da vida política –, e com o retorno das eleições di-
retas para presidente, ocorridas no ano seguinte 
à promulgação da chamada Constituição Cidadã.
Entrevistar para investigar
Você já participou de alguma entrevista, como a 
de emprego? Se não, você provavelmente já deve ter 
assistido pela televisão ou acompanhado por rádio 
uma entrevista, certo? Assim, já percebeu que en-
trevista – do francês entrevue – envolve pelo menos 
dois sujeitos e pode ter vários objetivos, que variam 
conforme a finalidade para a qual ela é realizada.
Entre os objetivos de uma entrevista, podemos 
indicar a necessidade de conhecer uma pessoa e 
suas experiências ou de saber a opinião dela acer-
ca de determinado assunto. Para isso, as entre-
vistas baseiam-se em diálogos alimentados por 
uma sequência de perguntas e respostas, sendo 
o “entrevistador” quem faz as perguntas e o “en-
trevistado” quem as responde.
Durante as eleições, por exemplo, alguns ins-
titutos promovem entrevistas com o eleitorado 
de diversas regiões do Brasil para conhecer a 
opinião deles sobre os representantes elegíveis 
e, assim, verificar quais candidatos têm maiores 
chances de vencer nas urnas. Além disso, nesse 
mesmo período, canais de televisão buscam en-
trevistar os candidatos aos cargos de prefeito das 
grandes cidades brasileiras, de governadores e de 
presidente, a fim de apresentar aos espectadores 
seus projetos políticos.
O movimento Diretas Já ocorreu entre 1983 e 1984 e envolveu 
diversos segmentos da sociedade. Seu objetivo era, por meio 
de grandes comícios, lutar pelo retorno do direito popular ao 
voto para presidente da República. Na foto, comício realizado 
na praça da Sé, em São Paulo (SP), em 1984.
Em boa parte dos programas de televisão e de 
rádio, há entrevistas que ora são baseadas em 
questionários preestabelecidos, ora o entrevista-
dor conduz a conversa de forma mais espontâ-
nea. Há, ainda, aquelas entrevistas em que o en-
trevistador, embora tenha um questionário como 
base, também elabora suas questões de acordo 
com a resposta do entrevistado. A esse tipo deno-
minamos entrevista semiestruturada.
Na disciplina de História, há um campo chama-
do História Oral, em que os historiadores realizam 
entrevistas com pessoas que presenciaram cer-
tos acontecimentos ou viveram em determinadas 
conjunturas, recolhendo, além das informações 
pessoais ou gerais sobre o período, também o 
ponto de vista e as emoções das pessoas entre-
vistadas. No entanto, o uso das entrevistas na His-
tória Oral não diminui o papel das fontes escritas 
para a investigação do passado. Na realidade, es-
ses dois tipos de fonte são complementares, cada 
qual com sua importância e especificidade.
O desenvolvimento da tecnologia teve um pa-
pel importante para a História Oral, uma vez que 
as entrevistas podem ser tanto gravadas quanto 
filmadas, sendo que os arquivos produzidos são, 
normalmente, armazenados em arquivos vir tuais, 
ocupando, assim, pouco espaço físico.
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Atualmente, diversas universidades públicas 
possuem laboratórios ou centros de estudos nos 
quais equipes de pesquisadores desenvolvem 
pesquisas no âmbito da História Oral. Na Universi-
dade de São Paulo (USP), o Laboratório de Estudos 
sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação (LEER-
-USP) dedica-se, entre outras atividades, a colher 
depoimentos de sobreviventes e de filhos de so-
breviventes do Holocausto que vivem no Brasil.
No caso desse laboratório, após o depoimento 
dessas pessoas, que geralmente são gravados e/
ou filmados, é feito um trabalho de transcrição lite-
ral das entrevistas, isto é, a passagem para texto 
escrito da entrevista gravada em áudio. A transcri-
ção da entrevista nada mais é do que a produção 
de um texto biográfico com base no conteúdo apre-
sentado no depoimento. Por fim, no caso dos depoi-
mentos de sobreviventes e filhos de sobreviventes 
do Holocausto, houve a publicação de volumes 
com as histórias 
coletadas denomi-
nados Vozes do 
Holocausto.
Volumes de Vozes do 
Holocausto, publicados 
em 2018, obras com 
os depoimentos de 
sobreviventes e de filhos 
de sobreviventes do 
Holocausto.
Para fazer
Agora é a vez de vocês realizarem uma entrevis-
ta semiestruturada, isto é, que conta com um ques-
tionário preestabelecido, mas que permanece livre 
para fazer perguntas com base nas respostas dos 
entrevistados e no desenrolar da entrevista.
O objetivo desta proposta é que vocês exerci-
tem tanto a capacidade de ouvir e aprender com 
a experiência de outras pessoas quanto de argu-
mentar e formular questões com base em deter-
minado assunto.
A entrevista terá como objetivo colher o depoi-
mento de pessoas que assistiram ao processo 
de redemocratização no Brasil, em meados da 
década de 1980. Portanto, é necessário escolher 
pessoas acima de 50 anos de idade e que tenham 
lembranças sobre a ditadura e sobre o processo 
democrático dos anos 1980. Para isso, sigam as 
orientações.
1. Dividam-se em grupos de até cinco integrantes.
2. Tenham domínio tanto sobre o tema da dita-
dura no Brasil quanto em relação aos aconte-
cimentos que culminaram em seu fim e que 
marcaram o processo de redemocratização. 
Dessa forma, façam a leitura do conteúdo do 
livro e, se necessário, complementem a leitura 
com pesquisas em sites confiáveis e livros da 
biblioteca da escola.
3. Cada grupo deverá 
produzir três entre-
vistas e realizar, 
como atividade final, 
um podcast, que será 
arma zenado em um 
site de hospedagem 
de arquivo de áudio 
e ficará disponível 
publicamente.
Etapa 1 – Levantamento de 
informações sobre o tema
1. Releiam os capítulos do livroreferentes à dita-
dura e ao fim da ditadura militar-civil no Brasil.
2. Pesquisem em livros, artigos de revista e sites 
acadêmicos e/ou institucionais mais informa-
ções sobre o fim da ditadura no Brasil se jul-
garem necessário. É importante compreender 
bem o movimento Diretas Já, isto é, quando 
ocorreu esse movimento, como foi organizado, 
quem foram os participantes, etc.
3. Façam fichamentos dos textos lidos, procu-
rando destacar os principais acontecimentos 
que marcaram o período da ditadura no Bra-
sil e o movimento Diretas Já. Em seguida, fa-
çam cópias (manuscritas ou xerocadas) dos 
fichamentos produzidos, de modo que cada 
Computador com 
acesso à internet; 
programa de 
processamento 
de texto; papel e 
impressora; gravador; 
programa de edição 
de áudio.
Materiais necessários
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integrante tenha em mãos o fichamento de 
cada texto selecionado pelo grupo.
4. Marquem reunião com todos os integrantes 
do grupo para um bate-papo sobre a ditadu-
ra no Brasil. Todos deverão ter compreendido 
bem o que foi esse regime político e como ele 
foi derrubado pela sociedade brasileira.
Etapa 2 – Escolha dos entrevistados 
e elaboração do questionário
1. Escolham três pessoas conhecidas do grupo 
(como parentes e familiares) que tenham entre 
50 e 70 anos para serem entrevistadas. As pes-
soas escolhidas não necessariamente devem 
ter participado diretamente do movimento Dire-
tas Já, mas é importante que tenham lembran-
ça sobre o período que marcou o fim da ditadura 
e sobre o processo de redemocratização brasi-
leiro. Se possível, escolham pessoas com perfis 
distintos em relação a idade, sexo, profissão, 
escolaridade, entre outros.
2. Marquem com os entrevistados o dia, o horário 
e o local para a realização das entrevistas. Não 
é necessário que todos os membros do grupo 
estejam presentes, mas sim que haja pelo me-
nos um entrevistador e um integrante do grupo 
para fazer a gravação e auxiliar na entrevista.
3. Elaborem um questionário a ser aplicado a 
cada um dos entrevistados. Façam perguntas 
pessoais e sobre os anos que marcaram o fim 
da ditadura no Brasil e o movimento Diretas Já. 
O questionário servirá para dar início à conver-
sa e nortear o tema da entrevista. Entretanto, a 
entrevista não deve ser resumida à aplicação 
do questionário. Dessa forma, fiquem aten-
tos às respostas dos entrevistados para, com 
base nelas, realizar perguntas que considera-
rem relevantes.
4. Elaborem questões tendo em vista o tempo 
da entrevista, que deverá ser de três minutos 
para cada entrevistado. Veja, a seguir, um mo-
delo de questionário.
Entrevistado
1. Nome completo:
2. Idade:
3. Sexo:
4. Escolaridade:
5. Estado civil:
Informações sobre a ditadura
1. Quantos anos você tinha quando foi instaurada a ditadura no Brasil, em 1964?
2. Na sua opinião, o que foi a ditadura no Brasil?
3. Do que você se lembra sobre esse período?
4. Qual é a sua opinião sobre esse período? 
5. Você assistiu a algum movimento de contestação da ditadura? Onde você assistiu? Qual era o 
movimento? Onde ele ocorreu? Quem eram os participantes?
6. Você participou do movimento Diretas Já? Se sim, como foi?
7. Se não participou do movimento Diretas Já, acompanhou esse movimento por jornais impressos, 
rádios ou televisão?
Entrevista sobre o fim da ditadura militar-civil no Brasil
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Informações sobre a ditadura civil-militar (continuação)
 8. Qual era sua opinião sobre o movimento Diretas Já na época em que ele ocorreu? 
 9. Qual é a sua opinião hoje sobre o movimento Diretas Já?
 10. Acha que ele foi importante para o fim da ditadura? Se sim, por quê?
 11. Qual foi o principal fator que, na sua opinião, trouxe o fim da ditadura no Brasil?
 12. Esse período afetou sua vida pessoal? De que forma?
Etapa 3 – Aplicação da entrevista
1. Escolham um local tranquilo e silencioso para gravar a entrevista e veri-
fiquem, antes de dar início à atividade, se o som do gravador está funcio-
nando corretamente.
2. Façam previamente termos de autorização para a gravação da entrevista 
em áudio e peçam aos entrevistados que assinem os termos. Expliquem 
a eles que o conteúdo da entrevista será utilizado unicamente para fins 
escolares, assim, não haverá comercialização dos áudios produzidos. No 
entanto, trechos das entrevistas poderão entrar nos podcasts, que ficarão 
armazenados em programas que hospedam arquivos em áudio. Caso os 
entrevistados não se sintam confortáveis em apresentar seu nome com-
pleto, utilizem somente o primeiro nome ou pseudônimos, tanto durante 
as entrevistas quanto posteriormente, na gravação dos podcasts.
3. Conversem com os entrevistados sobre assuntos corriqueiros antes de 
dar início às entrevistas. Dessa forma, eles poderão ficar mais à vontade 
para responder às questões.
4. Fiquem atentos às respostas dos entrevista-
dos para cada questão. O questionário pode ser 
aplicado, mas é importante que sejam feitas 
questões baseadas nas informações que os 
entrevistados fornecerem.
5. Observem se os entrevistados desviam a aten-
ção para outros assuntos. Caso isso aconteça, 
procurem redirecionar a entrevista para o as-
sunto proposto.
6. Procurem não ultrapassar o tempo da entrevis-
ta, mas não a encerrem de forma brusca. Lem-
brem-se de agradecer aos entrevistados pela 
participação.
Etapa 4 – Transcrição da entrevista
1. Façam a transcrição da entrevista. Para isso, ouçam um trecho do áudio 
e, em seguida, transcrevam, em um programa de texto, o que foi ouvido. 
Realizem esse procedimento até completar todo o tempo da entrevista.
Foto de estudante realizando trabalho de entrevista.
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2. Ouçam novamente a entrevista, fazendo, ao mesmo tempo, a leitura do 
texto transcrito. Certifiquem-se de que nenhum trecho foi suprimido.
3. Marquem o tempo em que as questões são feitas para facilitar a edição do 
arquivo em áudio.
4. Salvem as transcrições no computador e, se possível, façam a impressão 
da entrevista transcrita.
Algum dos entrevistados pode 
ter bastante conhecimento 
acerca do assunto, por isso é 
importante que ele compartilhe 
a experiência que teve.
Para compartilhar
1. Criem um podcast com o conteúdo da entrevista, isto é, um arquivo em 
áudio com conteúdo informativo. Para isso, escrevam um texto, que será 
posteriormente narrado, relatando as causas que levaram ao fim da ditadu-
ra no Brasil. Mencionem os movimentos de contestação da ditadura, entre 
os quais as Diretas Já, e selecionem trechos da fala dos entrevistados que 
julgarem importantes para compor o conteúdo do podcast.
2. Releiam o texto, corrigindo eventuais erros de gramática e de vocabulário. 
Além disso, atentem-se para que não tenha faltado nenhuma informação 
relevante.
3. Selecionem um integrante do grupo para fazer a leitura do texto. Antes de 
iniciar a gravação, ele deve treinar um pouco em voz alta para que a leitura 
seja fluida.
4. Façam a gravação do áudio e salvem o arquivo em uma pasta, com a gra-
vação dos outros grupos.
5. Pesquisem sites que hospedem podcasts gratuitamente e façam a inscri-
ção em um deles. Atentem-se para o formato do áudio exigido na gravação.
6. Façam o upload dos podcasts gravados, deixando o arquivo público para 
que outras pessoas possam acessar o conteúdo.
7. Marquem uma data para divulgar o podcast para as demais turmas da es-
cola e aproveitem para compartilhar a experiência de entrevistar diferen-
tes pessoas.
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Caminhos 
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Estouro
Bem-vindo ao século XXI
[...]
A ordem liberal ocidental que tem governado desde o fim da II Guerra Mundial baseou-se na hegemonia 
dos EUA. Como potência verdadeiramente global, foi dominante não apenas no campo do poder militar 
(além do econômico e financeiro), mas em quase todas as dimensões do soft power (cultura, língua, meios de 
comunicação, tecnologia e moda).
A Pax Americana que garantiu um alto grau de estabilidade global começou a falhar (especialmente no 
Oriente Médio e na Península da Coreia). Embora os Estados Unidos continuem a ser a primeira potência 
planetária, já não têm a capacidade ou vontade de ser a polícia do mundo ou fazer os sacrifícios necessários 
para garantir a ordem. Por sua própria natureza, um mundo globalizado evita a imposição da ordem do 
século XXI.
E mesmo que o surgimento de uma nova ordem mundial seja algo inevitável, seus fundamentos ainda 
não podem ser distinguidos. Parece improvável que seja liderada pela China; o país continuará voltado para 
si mesmo e concentrado na estabilidade interna e no desenvolvimento, e é provável que suas ambições 
sejam limitadas ao controle de sua vizinhança imediata e mares que o rodeiam. Além disso, não possui (em 
quase nada) o soft power necessário para tentar se tornar uma força de ordem mundial.
[...]
FISCHER, Joschka. Bem-vindo ao século XXI. El País, 7 fev. 2016. Disponível em: https://brasil.elpais.com/
brasil/2016/02/07/opinion/1454864647_294190.html. Acesso em: 6 jun. 2020.
Context
o
ESSE TEMA SERÁ 
RETOMADO NA 
SEÇÃO PRÁTICA
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Mísseis balísticos intercontinentais com capacidade de transportar bombas nucleares, em parada 
militar na Praça Vermelha, Moscou (União Soviética), em 1969.
Após ler o texto e com base em seus conhecimentos da realidade e em pesquisa na internet, reflita sobre 
as questões propostas:
1. Por que ainda não se pode distinguir os fundamentos de uma nova ordem internacional?
2. O que você entende por soft power? Qual é a diferença entre soft power e hard power? Dê exemplos.
3. Você acha que é importante ter soft power para liderar uma ordem internacional? Por quê? O Brasil 
tem hard power e soft power? Ver respostas e orientações no Manual do Professor.
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OBJETIVOS
• Relacionar o conceito de cidade na civitas romana e na pólis 
grega aos conceitos de cidadão e política.
• Identificar a desigualdade socioespacial urbana na vida 
cotidiana dos indivíduos segundo suas classes sociais.
• Associar a localização dos indivíduos no espaço urbano ao 
maior ou menor acesso à cidadania.
• Compreender o processo de urbanização, diferenciando suas 
especificidades nacionais e regionais.
• Aplicar os conceitos de cidade, metrópole, megalópole e 
urbanização para compreensão da vida urbana e suas 
relações socioespaciais.
• Aplicar os conceitos de hierarquia e rede urbana para 
compreensão das relações entre as cidades no território.
• Reconhecer os principais problemas urbanos, com destaque 
para a moradia, pensando em formas de atuação cidadã.
• Identificar as dificuldades de acesso à moradia no mundo e 
no Brasil e refletir sobre as possíveis soluções.
JUSTIFICATIVA
O conceito de cidade surgiu associado ao conceito de cidadão. 
Ambos têm uma origem comum tanto na Grécia quanto na 
Roma da Antiguidade. Hoje em dia, esses conceitos estão 
imbricados na prática urbana de milhões de cidadãos que têm 
protestado em diversas cidades do mundo contra o racismo 
e a injustiça e em defesa da democracia. Por isso, estudar a 
cidade e sua complexidade ajuda a compreender a relação do 
exercício da cidadania com o espaço urbano. Se por um lado o 
avanço da urbanização em todo o mundo trouxe uma série de 
conquistas, por outro gerou diversos problemas relacionados 
às desigualdades socioeconômicas, que precisam ser 
conhecidos em suas causas e consequências para serem 
adequadamente enfrentados e solucionados. É necessário que 
os cidadãos tenham consciência de seu direito à cidade.
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DA BNCC
• Competências gerais da Educação Básica: CG1, CG2, CG3, 
CG4, CG5, CG7, CG9 e CG10.
• Competências e habilidades específicas de Ciências 
Humanas e Sociais Aplicadas: 
Competência 1: EM13CHS105 e EM13CHS106. 
Competência 2: EM13CHS204 e EM13CHS206. 
Competência 6: EM13CHS605 e EM13CHS606.
TEMAS CONTEMPORÂNEOS TRANSVERSAIS
Cidadania e civismo
• Vida familiar e social
• Educação em Direitos Humanos
Meio ambiente
• Educação ambiental
O mundo está repleto de cidades de todos os 
tamanhos, desde vilas pequenas até gigantescas 
aglomerações urbanas de milhões de habitantes. 
No entanto, tornou-se predominantemente urbano 
apenas neste século.
Os países desenvolvidos completaram seu 
processo de urbanização, mas em diversos paí-
ses em desenvolvimento o crescimento urbano 
tem sido acelerado, provocando grandes trans-
formações socioeconômicas e nas paisagens das 
principais cidades. Por um lado, essa tendência 
Contexto
A cidade e 
a cidadania3
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NÃO ESCREVA NO LIVRO
Arranha-céus em Shenzhen, província de Guangdong (China), 
em foto de 2016. Até os anos 1970, a cidade era um pequeno 
vilarejo, mas, a partir de 1979, ao tornar-se uma Zona Econômica 
Especial (ZEE), sua população cresceu em média 11,9% ao ano, 
a mais alta taxa do mundo. Naquele ano, a cidade contava com 
52 mil moradores; em 2016, sua população chegou aos 10,8 
milhões de habitantes.
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oferece novas formas de acesso aos serviços 
públicos e à cidadania, com mais oportunidades 
de negócios, empregos, formação profissional e 
opções de lazer, mas, por outro, gera problemas 
urbanos, como assentamentos humanos precá-
rios e violência.
Para começarmos a estudar esse assunto, leia 
os trechos a seguir.
Segregação socioespacial e 
precariedade habitacional
Associado ao desequilíbrio no aproveitamen-
to do solo urbano e à contraposição entre es-
vaziamento do centro expandido e crescimen-
to periférico, há outro desequilíbrio importan-
te na cidade, que estabelece, grosso modo, uma 
distribuição bem definida das distintas classes 
sociais: os mais pobres vivendo predominante-
mente nas áreas periféricas e seus assentamen-
tos precários e os de maior renda, no centro ex-
pandido e seu entorno, onde existe maior oferta 
de infraestrutura e empregos. Tal distribuição 
representa, para os mais pobres, maior distân-
cia das oportunidades, maior tempo gasto no 
deslocamento casa-trabalho-casa e maior pre-
cariedade habitacional e urbana. Trata-se, por-
tanto, de uma condição estrutural que favorece 
a reprodução da pobreza ao longo das gerações 
e impede uma redução mais acelerada das desi-
gualdades de renda. [...]
SÃO PAULO (Município). Secretaria Municipal de 
Desenvolvimento Urbano. SP 2040: a cidade que queremos. 
São Paulo: SMDU, 2012. p. 32.
Território e cidadania
Morar na periferia é se condenar duas vezes 
à pobreza. À pobreza gerada pelo modelo eco-
nômico, segmentador do mercado de trabalho e 
das classes sociais, superpõe-se a pobreza gera-
da pelo modelo territorial. Este, afinal, determi-
na quem deve ser mais ou menos pobre somen-
te por morar neste ou naquele lugar. Onde os 
bens sociais existem apenas na forma mercan-
til, reduz-se o número dos que potencialmente 
lhes têm acesso, os quais se tornam ainda mais 
pobres por terem de pagar o que, em condições 
democráticas normais,teria de lhes ser entre-
gue gratuitamente pelo poder público. [...]
SANTOS, Milton. O espaço do cidadão. 3. ed. 
São Paulo: Nobel, 1996. p. 115.
O direito à cidade
Saber que tipo de cidade queremos é uma 
questão que não pode ser dissociada de saber 
que tipo de vínculos sociais, relacionamentos 
com a natureza, estilos de vida, tecnologias e 
valores estéticos nós desejamos. O direito à ci-
dade é muito mais que a liberdade individual de 
ter acesso aos recursos urbanos: é um direito de 
mudar a nós mesmos, mudando a cidade. Além 
disso, é um direito coletivo e não individual, já 
que essa transformação depende do exercício de 
um poder coletivo para remodelar os processos 
de urbanização. A liberdade de fazer e refazer as 
nossas cidades, e a nós mesmos, é, a meu ver, 
um dos nossos direitos humanos mais preciosos 
e ao mesmo tempo mais negligenciados. [...]
HARVEY, David. O direito à cidade. piauí, ed. 82, jul. 2013. 
Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/ 
materia/o-direito-a-cidade/. 
Acesso em: 15 jun. 2020.
1. O que significa dizer que “morar na periferia é 
se condenar duas vezes à pobreza” ou que isso 
é uma “condição estrutural que favorece a re-
produção da pobreza ao longo das gerações”? 
Pode-se dizer que o grau de cidadania de uma 
pessoa varia conforme sua posição no territó-
rio da cidade?
2. Como as pessoas podem contribuir para rom-
per esse círculo vicioso, transformando essa 
“condição estrutural” e modificando as condi-
ções do lugar onde vivem? Como podem exer-
cer seus direitos de cidadãs, independente-
mente de sua localização no território?
3. Com base em sua experiência e na observa-
ção da realidade, você acredita que no Brasil 
o direito à cidade, como propõe David Harvey, 
é assegurado para todos? Você conhece, em 
seu município, algum movimento organizado 
para assegurar os direitos da cidadania, entre 
os quais o direito à cidade?
Veja as respostas no Manual do Professor.
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A cidade e o cidadão
Pesquisas arqueológicas indicam que 
a origem das primeiras cidades remonta 
a aproximadamente 3000 a.C. Elas co-
meçaram a se desenvolver a partir do 
momento em que algumas sociedades 
tiveram condições de produzir alimentos 
suficientes para garantir a subsistência 
dos agricultores e abastecer os mora-
dores urbanos, que, assim, puderam se 
dedicar a outras atividades. Dessa for-
ma, ocorreu uma gradativa divisão do 
trabalho entre o campo e a cidade. Foi na 
cidade que se desenvolveram o comér-
cio e o artesanato, e, principalmente, ela 
passou a ser o centro de poder.
Ur e Babilônia, duas das primeiras ci-
dades do mundo, foram construídas na Mesopotâmia, no vale dos rios Tigre e 
Eufrates (no atual Iraque). De acordo com parâmetros atuais, seriam cidades 
pequenas, mas, para a época, eram grandes aglomerações. Outras cidades 
também foram erguidas associadas a vales fluviais: Mênfis e Tebas, no vale 
do Nilo; Pequim e Hang-chou, no vale do rio Amarelo, entre outras. Ainda na 
Antiguidade, as cidades foram se tornando cada vez maiores. Atenas, a mais 
importante cidade-Estado grega, em seu auge, por volta do século V a.C., che-
gou a ter aproximadamente 400 mil habitantes.
Portanto, desde sua origem, as cidades que mais cresceram em geral 
eram centros de poder, isto é, as capitais dos impérios na Antiguidade e, 
mais recentemente, dos Estados nacionais. Roma é um bom exemplo: a ci-
dade, hoje capital da Itália, foi também a capital do Império Romano e che-
gou a abrigar, em seu apogeu, no início da era cristã, entre 700 mil e 1 mi-
lhão de habitantes, o que, mesmo por parâmetros atuais, seria uma cidade 
grande. Aliás, a própria palavra capital é derivada do latim caput, que signi-
fica “cabeça”. Roma foi a cabeça do Império Romano e comandou um vasto 
território sob seu controle.
A palavra cidade deriva do latim civitas (“cidade, reunião de cidadãos”), ci-
dadão vem do latim civis (“moradores da cidade”), e o termo civil vem do latim 
civilis (“pertencente ao cidadão, de cidade”). A civitas romana era entendida 
Estima-se que, por volta de 
2500 a.C., Ur chegou a ter 
cerca de 50 mil habitantes e 
Babilônia, a maior cidade da 
época, 80 mil moradores.
Fon te: elaborado com base em DUBY, Georges. Atlas Histórico Mundial. 
Barcelona: Larousse, 2007. p. 16.
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Antiguidade: as primeiras cidades
Gladiador. Diretor: Ridley Scott. Estados Unidos, 2000. (2 h 51 min)
O filme conta a história de Maximus (Russell Crowe), general do Exército romano que se torna 
escravo e então gladiador. Embora o enredo não seja estritamente fiel aos eventos históricos, 
o filme mostra como o Império Romano se estendia amplamente por áreas como sudoeste da 
Espanha e norte da África, além de trazer uma bela reconstituição da capital, Roma.
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como um lugar de reunião de pessoas com objetivos comuns, submetidas à 
mesma lei, e girava em torno da participação dos cidadãos romanos na vida 
pública. No entanto, apenas homens livres nascidos em Roma eram considera-
dos cidadãos: mulheres, estrangeiros e escravos não tinham cidadania roma-
na e, portanto, não podiam votar nem se candidatar às eleições.
A etimologia da palavra cidade também pode ser encontrada no contexto 
grego da pólis, que era como os helenos chamavam suas cidades-Estados, 
dentre as quais se destacava Atenas. Segundo o filósofo político italiano 
Norberto Bobbio (1909-2004): “O significado clássico e moderno de política, 
derivado do adjetivo originado de pólis (politikós), que significa tudo o que se 
refere à cidade e, consequentemente, o que é urbano, civil, público [...]”. Ou 
seja, a pólis grega era o local de exercício da política, da cidadania. No entan-
to, era uma concepção de cidadania diferente da que temos atualmente. No 
século V a.C., época do apogeu de Atenas, cidadãos eram apenas os homens 
livres nascidos nessa pólis, filhos de pai e mãe atenienses; as mulheres, os 
estrangeiros e os escravos não eram considerados cidadãos e, portanto, não 
exerciam a cidadania, não praticavam a política.
Assim, desde sua concepção greco-romana, a cidade está associada ao 
exercício da cidadania, da política, hoje em dia estendidas a todos, sem exce-
ção, ao menos nos países onde vigora o Estado democrático de direito. Se-
gundo o Dicionário de Filosofia de Gérard Durozoi e André Roussel, em sua 
origem “do latim civitas, a cidade é uma comunidade política organizada, 
que possui um mínimo de autonomia” e “o cidadão é aquele que usufrui os 
direitos e cumpre os deveres definidos pelas leis e costumes da cidade”. 
Durozoi e Roussel ainda acrescentam: “a cidadania é, antes de mais nada, o 
resultado de uma integração social, de modo que ‘civilizar’ significa em pri-
meiro lugar ‘tornar cidadão’”.
Isso ajuda a compreender por que, quando cidadãos querem protestar 
contra alguma arbitrariedade do Estado, contra alguma violência ou injustiça, 
em geral organizam uma manifestação política na cidade (em ruas centrais, 
importantes), pois é ela o espaço do exercício da cidadania por excelência.
BOBBIO, Norberto; 
MATTEUCCI, Nicola; 
PASQUINO, Gianfrancesco. 
Dicionário de Política. 7. ed. 
Brasília: Editora UnB, v. 2, 
1995. p. 954.
DUROZOI, Gérard; ROUSSEL, 
André. Dicionário de 
Filosofia. 2. ed. Campinas:ou por
conta de legados coloniais e imperiais.
GIDDENS. A. Sociologia. Porto Alegre: Penso, 2012 (adaptado).
Do ponto de vista do funcionamento das demo-
cracias contemporâneas, o modelo de socieda-
de descrito demanda, simultaneamente,
a) defesa do patriotismo e rejeição ao hibridismo.
b) universalização de direitos e respeito à di-
versidade.
c) segregação do território e estímulo ao auto-
governo.
d) políticas de compensação e homogeneiza-
ção do idioma.
e) padronização da cultura e repressão aos
particularismos.
3. (2017) A participação da mulher no processo
de decisão política ainda é extremamente li-
mitada em praticamente todos os países, inde-
pendentemente do regime econômico e social e 
da estrutura institucional vigente em cada um
deles. É fato público e notório, além de empiri-
camente comprovado, que as mulheres estão
em geral sub-representadas nos órgãos do po-
der, pois a proporção não corresponde jamais
ao peso relativo dessa parte da população.
TABAK, F. Mulheres públicas: participação política e poder. 
Rio de Janeiro: Letra Capital, 2002.
No âmbito do Poder Legislativo brasileiro, a 
tentativa de reverter esse quadro de sub-re-
presentação tem envolvido a implementação, 
pelo Estado, de
a) leis de combate à violência doméstica.
b) cotas de gênero nas candidaturas partidárias.
c) programas de mobilização política nas escolas.
d) propagandas de incentivo ao voto consciente.
e) apoio financeiro às lideranças femininas.
1. (2016)
Texto I
Texto II
Metade da nova equipe da NASA é 
composta por mulheres
Até hoje, cerca de 350 astronautas america-
nos já estiveram no espaço, enquanto as mulhe-
res não chegam a ser um terço desse número. 
Após o anúncio da turma composta 50% por 
mulheres, alguns internautas escreveram co-
mentários machistas e desrespeitosos sobre a 
escolha nas redes sociais.
Disponível em: https://catracalivre.com.br. 
Acesso em: 10 mar. 2016.
A comparação entre o anúncio publicitário de 
1968 e a repercussão da notícia de 2016 mos-
tra a
a) elitização da carreira científica.
b) qualificação da atividade doméstica.
c) ambição de indústrias patrocinadoras.
d) manutenção de estereótipos de gênero.
e) equiparação de papéis nas relações familiares.
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QUESTÕES DO ENEM NÃO ESCREVA NO LIVRO
Todavia, a urbaniza-
ção ainda era um fenô-
meno circunscrito a es-
ses países precursores 
do processo de indus-
trialização, e até o final 
do século XX o mundo 
era predominantemente 
rural. Observe o gráfico 
da lado.
Historicamente, a 
urbanização foi condi-
cionada por dois fatores: 
os atrativos, que es-
timulam as pessoas a 
migrar para as cidades, 
e os repulsivos, que as 
impulsionam a sair do 
campo. Os fatores atra-
tivos estão associados 
às transformações pro-
vocadas na cidade pela 
industrialização, sobre-
tudo geração de empre-
gos tanto no setor indus-
trial quanto no de comércio e serviços, o que não necessariamente se reflete 
em melhoria da qualidade de vida. O crescimento desenfreado de cidades nem 
sempre foi acompanhado de crescimento de infraestrutura, e a maior parte 
dos trabalhadores que iam para a cidade em busca de emprego ganhava muito 
pouco e morava em cortiços. Além disso, eram frequentes doenças e epide-
mias, pela falta de saneamento básico e de higiene. Só com o passar do tempo 
e com a luta por direitos trabalhistas, sobretudo no século XX, a elevação da 
renda dos trabalhadores e os investimentos governamentais em infraestrutu-
ra urbana melhoraram as condições de vida nas cidades de muitos países da 
Europa, da América do Norte e da Ásia.
Os fatores repulsivos são típicos de alguns países em desenvolvimento, 
principalmente nos menos desenvolvidos. Estão associados às más condi-
ções de vida na zona rural, por causa da estrutura fundiária bastante con-
centrada, dos baixos salários, da falta de apoio aos pequenos agricultores, 
do arcaísmo das técnicas de cultivo e da falta de infraestrutura que torna a 
agricultura mais suscetível às intempéries; embora, em regiões que se mo-
dernizaram, o processo de mecanização das atividades agrícolas também 
contribua para a migração rural-urbana. O resultado é o êxodo rural, que, nas 
grandes metrópoles, provoca o agravamento dos problemas urbanos em ra-
zão do aumento abrupto da população.
Cortiço: não há uma 
conceituação oficial para 
cortiço, que pode ser 
informalmente definido como 
moradia que, embora regular, 
está localizada em zonas 
degradadas das cidades, na 
qual os membros de duas ou 
mais famílias pobres dividem 
os espaços coletivos da 
residência, como cozinha, 
banheiro e tanque de lavar 
roupa. A infraestrutura quase 
sempre é precária e há uma 
superlotação dos cômodos, 
com condições de higiene 
inadequadas.
Estrutura fundiária: número, 
tamanho e distribuição dos 
imóveis rurais.
Mundo: evolução da população urbana e rural — 1950-2050
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Rural
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Fonte: elaborado com base em UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs. Population Division. 
World Urbanization Prospects 2018. Highlights. New York, 2019. p. 5.
• Analise o gráfico e responda:
a) A partir de quando o mundo se tornou predominantemente urbano? Qual é 
a projeção para o futuro?
b) Como se dá o processo de urbanização no município onde você mora? A 
cidade está crescendo ou não?�
Interpretar
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Nas leis brasileiras não existe a figura jurídica de organização não go-
vernamental, mas de organização da sociedade civil (OSC). Assim, as 
ONGs, incluindo as internacionais, são classificadas no Brasil como OSC. 
Segundo o Mapa das Organizações da Sociedade Civil do Instituto de Pes-
quisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2019 havia 781 921 OSCs no país. 
No entanto, elas são, em sua maioria, associações locais, de atuação bas-
tante restrita, e não ONGs de atuação internacional, como algumas que se-
rão apresentadas a seguir. A grandeza do número de OSC no Brasil se deve 
também ao fato de as entidades assim classificadas serem contabilizadas 
por CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica). Por exemplo, a organiza-
ção religiosa Igreja Universal do Reino de Deus contabiliza 7 090 OSCs por-
que cada templo religioso em território brasileiro tem um CNPJ próprio e, 
consequentemente, é contabilizado separadamente. Como se vê no gráfico 
abaixo, as OSCs atuam em diversas áreas, com destaque para desenvolvi-
mento e defesa de direitos.
Brasil: distribuição das OSCs por área de atuação — 2019
Assistência social
12%
47%
20%
6%
Desenvolvimento e defesa de direitos
Religião
Associações patronais, 
pro�ssionais e de produtores rurais
Educação e pesquisa
Outras atividades associativas
Saúde
Cultura e recreação
Meio ambiente e proteção animal, 
habitação etc.
Sem informação
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Fonte: elaborado com base em IPEA. Mapa das Organizações da Sociedade Civil. Dados e Indicadores, 2020. 
Disponível em: https://mapaosc.ipea.gov.br/dados-indicadores.html. Acesso em: 7 ago. 2020.
IPEA. Mapa das 
Organizações da Sociedade 
Civil. Dados e Indicadores, 
2020. Disponível em: 
https://mapaosc.ipea.gov.
br/dados-indicadores.html. 
Acesso em: 22 jun. 2020.
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). 
Mapa das Organizações da Sociedade Civil. Disponível 
em: https://mapaosc.ipea.gov.br/resultado-consulta.
html?organizacao=human_rights&tipoBusca=0. 
Acesso em: 22 jun. 2020.
Nesse site do Ipea é possível consultar o nome das 
OSCs que atuam no Brasil e visualizá-las por município, 
estado e região.
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As ONGs têm um papel importante, ao lado dos Estados, na ordem mun-
dial contemporânea. A seguir vamos estudar algumas das mais conhecidas e 
atuantes no mundo na promoção e proteçãoPapirus, 1995. p. 79.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Embora em um contexto 
bastante diferente, 
tivemos e ainda temos 
no Brasil situações 
de exclusão social 
semelhantes às expostas 
no texto ao lado. Fomos 
o último país da América 
a acatar a abolição 
formal da escravidão 
da era moderna, o que 
ocorreu apenas em 
1888, e o direito de voto 
das mulheres só foi 
conquistado em 1932, 
com a publicação do 
primeiro Código Eleitoral 
(Decreto n. 21.076).
• Converse com 
os colegas sobre 
que impactos e 
consequências a 
falta de cidadania 
e a desigualdade 
de direitos têm no 
desenvolvimento de 
uma sociedade.
Veja a resposta no 
Manual do Professor.
Conversa
A 1a Marcha das Mulheres Indígenas, 
realizada em 2019 com o tema “Território: 
nosso corpo, nosso espírito”, levou 2 500 
representantes de 130 povos a Brasília 
não só para protestar contra projetos do 
governo Jair Bolsonaro que pretendem 
liberar a mineração em territórios 
indígenas, prejudicando o modo de vida e 
a sobrevivência das populações originais, 
bem como para pressionar o Governo 
Federal pela preservação e demarcação das 
Terras Indígenas.
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O processo de urbanização
Como vimos, ao longo da história, as cidades 
foram se constituindo como centros de poder e de 
negócios, e, em virtude da combinação de fatores 
naturais, econômicos, culturais e políticos, mui-
tas se especializaram em determinadas funções 
– político-administrativas, industriais, portuárias, 
turísticas, religiosas, etc. –, enquanto outras são 
multifuncionais.
Na Alta Idade Média europeia, durante o feuda-
lismo, as cidades perderam importância em razão 
da descentralização político-econômica carac-
terística desse sistema de produção e da conse-
quente fragmentação do poder e da redução das 
trocas comerciais. Durante a Baixa Idade Média e 
nos primórdios do capitalismo, com o aumento das atividades comerciais, as 
cidades ganharam impulso e passaram a adquirir cada vez mais importância 
porque voltaram a ser o centro dos negócios. Com a formação dos Estados 
modernos, as capitais voltaram a ganhar importância, porém foi somente a 
partir do capitalismo industrial que se iniciou um processo de urbanização 
contínuo, que se estende até os dias de hoje.
Urbanização
É um processo socioeconômico complexo que transforma o espaço geográ-
fico, convertendo áreas anteriormente rurais em assentamentos urbanos, além 
de mudar a distribuição espacial da população do campo para a cidade. Inclui 
mudanças nas ocupações dominantes, estilo de vida, cultura e comportamento e, 
portanto, altera a estrutura demográfica e social tanto das áreas urbanas quanto 
das rurais. A principal consequência da urbanização é o aumento do número e da 
área ocupada pelos assentamentos urbanos, assim como dos residentes urbanos 
em comparação com os rurais. [...]
A taxa de urbanização é expressa como a porcentagem da população residente 
em áreas urbanas, definidas de acordo com os critérios utilizados pelos governos 
nacionais para distingui-las das áreas rurais. Na prática, a urbanização se refere 
ao aumento da porcentagem da população residente em áreas urbanas e ao cres-
cimento associado ao número de moradores urbanos, ao tamanho das cidades e à 
área total ocupada por assentamentos urbanos.
UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs. Population Division. World 
Urbanization Prospects 2018. Highlights. New York, 2019. p. iii. [Tradução dos autores]
Conceitos
Entre os séculos XVIII e XIX, durante as duas primeiras Revoluções In-
dustriais, as principais cidades dos atuais países desenvolvidos europeus 
tiveram um crescimento muito rápido, decorrente do processo de industriali-
zação, que gerou vários postos de trabalho, atraindo um grande contingente de 
pessoas do campo.
As grandes metrópoles, especialmente as que são cidades 
globais e têm muitas conexões com o mundo, como Paris 
(França), são multifuncionais. Na foto, de 2015, vista 
panorâmica da capital francesa.
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Todavia, a urbaniza-
ção ainda era um fenô-
meno circunscrito a es-
ses países precursores 
do processo de indus-
trialização, e até o final 
do século XX o mundo 
era predominantemente 
rural. Observe o gráfico 
da lado.
Historicamente, a 
urbanização foi condi-
cionada por dois fatores: 
os atrativos, que es-
timulam as pessoas a 
migrar para as cidades, 
e os repulsivos, que as 
impulsionam a sair do 
campo. Os fatores atra-
tivos estão associados 
às transformações pro-
vocadas na cidade pela 
industrialização, sobre-
tudo geração de empre-
gos tanto no setor indus-
trial quanto no de comércio e serviços, o que não necessariamente se reflete 
em melhoria da qualidade de vida. O crescimento desenfreado de cidades nem 
sempre foi acompanhado de crescimento de infraestrutura, e a maior parte 
dos trabalhadores que iam para a cidade em busca de emprego ganhava muito 
pouco e morava em cortiços. Além disso, eram frequentes doenças e epide-
mias, pela falta de saneamento básico e de higiene. Só com o passar do tempo 
e com a luta por direitos trabalhistas, sobretudo no século XX, a elevação da 
renda dos trabalhadores e os investimentos governamentais em infraestrutu-
ra urbana melhoraram as condições de vida nas cidades de muitos países da 
Europa, da América do Norte e da Ásia.
Os fatores repulsivos são típicos de alguns países em desenvolvimento, 
principalmente nos menos desenvolvidos. Estão associados às más condi-
ções de vida na zona rural, por causa da estrutura fundiária bastante con-
centrada, dos baixos salários, da falta de apoio aos pequenos agricultores, 
do arcaísmo das técnicas de cultivo e da falta de infraestrutura que torna a 
agricultura mais suscetível às intempéries; embora, em regiões que se mo-
dernizaram, o processo de mecanização das atividades agrícolas também 
contribua para a migração rural-urbana. O resultado é o êxodo rural, que, nas 
grandes metrópoles, provoca o agravamento dos problemas urbanos em ra-
zão do aumento abrupto da população.
Cortiço: não há uma 
conceituação oficial para 
cortiço, que pode ser 
informalmente definido como 
moradia que, embora regular, 
está localizada em zonas 
degradadas das cidades, na 
qual os membros de duas ou 
mais famílias pobres dividem 
os espaços coletivos da 
residência, como cozinha, 
banheiro e tanque de lavar 
roupa. A infraestrutura quase 
sempre é precária e há uma 
superlotação dos cômodos, 
com condições de higiene 
inadequadas.
Estrutura fundiária: número, 
tamanho e distribuição dos 
imóveis rurais.
Mundo: evolução da população urbana e rural — 1950-2050
0
1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 2040 2050
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Rural
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Fonte: elaborado com base em UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs. Population Division. 
World Urbanization Prospects 2018. Highlights. New York, 2019. p. 5.
• Analise o gráfico e responda:
a) A partir de quando o mundo se tornou predominantemente urbano? Qual é 
a projeção para o futuro?
b) Como se dá o processo de urbanização no município onde você mora? A 
cidade está crescendo ou não? Veja as respostas no Manual do Professor.
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Após a Segunda Guerra, a urbanização se acelerou em muitos países 
em desenvolvimento que ainda eram agrícolas, mas estavam em proces-
so de industrialização, principalmente na América Latina. Em contrapar-
tida, a Ásia e sobretudo a África, apesar da aceleração recente,ainda são 
continentes pouco urbanizados. Ou seja, suas maiores cidades ainda vão 
crescer muito, com todas as vantagens e todos os problemas decorrentes 
disso. O continente africano em especial é um caso que tem chamado a 
atenção. Após um passado de colonização e de exploração humana e de re-
cursos naturais por potências imperialistas europeias, que não investiram 
em desenvolvimento urbano nem de instituições, o continente africano tem 
protagonizado, desde os anos 2000, altos índices de crescimento econô-
mico e de urbanização. Isso porque a China vem investindo muito dinheiro 
em projetos, sobretudo de infraestrutura e telecomunicações, em vários 
países africanos, em especial da África subsaariana, que, historicamente, 
sempre apresentou os menores índices de desenvolvimento. Alguns críti-
cos alegam que se trata de um neocolonialismo, outros afirmam que se 
trata de uma relação de soft power (poder brando) na qual a China busca 
estabelecer uma área de influência em um grande continente, geralmente 
negligenciado por outras potências e que, ao mesmo tempo, representa um 
potencial mercado consumidor para produtos chineses.
Taxa de urbanização por regiões (porcentagem da 
população total)
Regiões 1950 2018
América do Norte 63,9 82,2
América Latina e Caribe 41,3 80,7
Europa 51,7 74,5
Oceania 62,5 68,2
Ásia 17,5 49,9
África 14,3 42,5
Mundo 29,6 55,3
Fonte: UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs. Population Division. 
World Urbanization Prospects 2018. Highlights. New York, 2019. p. 6.
Embora as áreas urbanizadas concentrem percentual cada vez maior da 
população mundial, a proporção de pessoas que vivem nas grandes aglome-
rações urbanas continua pequena. Como mostra o gráfico na página a seguir, 
embora as aglomerações de mais de 10 milhões de habitantes, designadas 
pela Organização das Nações Unidas (ONU) de megacidades, venham cres-
cendo, metade dos moradores urbanos ainda se concentra em pequenas e 
médias cidades, situadas na faixa de menos de 500 mil habitantes. Em 2018, 
segundo a Divisão de População da ONU, a população urbana correspondia a 
55% do total mundial, e estima-se que chegue a 68% em 2050. A tendência 
no futuro é que cada vez mais pessoas se concentrem nas maiores cidades 
– acima de 500 mil habitantes.
ABC do 
desenvolvimento 
urbano. Marcelo Lopes 
de Souza. Bertrand 
Brasil, 2003.
Livro de divulgação 
científica voltado às 
pessoas leigas com o 
intuito de qualificá-las 
para o debate sobre a 
cidade e os problemas 
urbanos.
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O menino que 
descobriu o vento. 
Chiwetel Ejiofor. Reino 
Unido, Malauí, 2019. 
(1 h 53 min)
O filme conta a 
história real de William 
Kamkwamba, um 
garoto que, inspirado 
num livro de ciências, 
desenvolveu um 
moinho de vento 
elétrico e salvou a 
vila em que morava, 
no Malauí, da fome 
devastadora provocada 
pela seca. O filme 
mostra o êxodo que 
acontecia na vila em 
decorrência da falta de 
infraestrutura para lidar 
com as intempéries.
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Mundo: distribuição da população urbana, segundo 
o tamanho das cidades — 1990-2030 
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1990
Megacidades de
10 milhões ou mais
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2018 2030
2
4
5
3
Grandes cidades
de até 10 milhões
Cidades de tamanho
médio de 1 a 5 milhões
Cidades de
500.000 a 1 milhão
Assentamentos urbanos
com menos de 500.000
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Taxa de urbanização em países 
desenvolvidos e emergentes — 2018
100
80
60
40
20
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100,0
91,9 91,6
86,6 83,4 82,3 80,2 77,3
66,4
59,2
34,0
98,0
Cingapura
Bélgica
Argentin
a
Japão
Brasil
Reino Unido
Estados Unidos
México
Alemanha
Áfric
a do Sul
China
Índia
(%)
Taxa de urbanização em países em 
desenvolvimento não industrializados — 2018
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89,4
80,8 77,9
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Fonte: elaborado com base em UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs. Population Division. 
World Urbanization Prospects: the 2018 Revision. New York, 2019. p. 58.
Fonte: elaborado com base em UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs. 
Population Division. World Urbanization Prospects: the 2018 Revision, Online Edition. New York, 
2018. Disponível em: https://esa.un.org/unpd/wup/. Acesso em: 12 jun. 2020.
Fonte: elaborado com base em UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs. 
Population Division. World Urbanization Prospects: the 2018 Revision, Online Edition. New York, 
2018. Disponível em: https://esa.un.org/unpd/wup/. Acesso em: 12 jun. 2020.
• Analise os gráficos 
e responda:
a) Quais são as 
faixas de cidades 
que ganharam 
mais população 
no período 1990-
-2018? Qual é a 
projeção para o 
futuro?
b) O que você 
percebe ao 
analisar as taxas 
de urbanização 
nos dois grupos 
de países? Há 
homogeneidade?
Interpretar
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Veja as respostas no 
Manual do Professor.
Saber
Divisão de População 
das Nações Unidas. 
Disponível em:
www.un.org/en/
development/desa/
population. Acesso em: 
5 ago. 2020.
Site (em inglês) 
com informações 
sobre população 
e urbanização 
mundiais, incluindo as 
megacidades.
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Rede e hierarquia urbanas
As cidades são muito diferentes entre si. Extensão territorial, número de 
habitantes e diversidade de serviços e funções proporcionam experiências 
de vida distintas em cada uma delas. A urbanização, no entanto, transforma 
o modo de vida das pessoas. Estamos mais distantes da natureza e menos 
sujeitos aos seus ritmos na organização de nossa vida. O ritmo urbano tende 
a se sobrepor ao ritmo rural e a submetê-lo.
As cidades se relacionam com outras cidades. Assim, um aspecto impor-
tante que também deve ser considerado no estudo da Geografia urbana é a 
posição e a função que cada uma delas ocupa na rede urbana, conceito que 
indica o conjunto de cidades – de um mesmo país ou de países vizinhos – 
que se interligam umas às outras por meio dos sistemas de transporte e de 
telecomunicação, através dos quais se dão os fluxos de pessoas, mercado-
rias, serviços, informações e capitais. Essa noção foi desenvolvida a partir 
da “teoria das localidades centrais”, proposta pelo geógrafo alemão Walter 
Christaller (1893-1969) num livro lançado em 1933 e traduzido para o inglês 
em 1966. A partir daí passou-se a utilizar o conceito de rede urbana para se 
referir à crescente articulação e hierarquização entre as cidades, resultante 
da expansão do processo de industrialização-urbanização.
Em muitos países em desenvolvimento, particularmente naqueles de 
baixo índice de industrialização e urbanização, as redes são bastante de-
sarticuladas, e as cidades estão dispersas no território. Já nos países de-
senvolvidos, elas são mais densas e articuladas por causa dos altos índices 
de industrialização e de urbanização, da economia diversificada e dinâmica, 
dos mercados internos com alta capacidade de consumo e dos grandes in-
vestimentos em transportes e telecomunicações. Em geral, são regiões do 
planeta onde se desenvolveram as metrópoles e, sobretudo, as megalópo-
les, como Boswash (observe o mapa na página a seguir).
Vista aérea do complexo viário 
na proximidade de Shanghai, 
China, em 2018.
CHRISTALLER, Walter. 
Central places in Southern 
Germany. Englewood Cliffs, 
N.J.: Prentice-Hall, 1966.
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Macrometrópole Paulista: nome que a Emplasa 
usa para definir a megalópole estadual 
formada pelas regiões metropolitanas de 
São Paulo, Campinas, Sorocaba, Baixada 
Santista, Vale do Paraíba e Litoral Norte; pelas 
aglomerações urbanas de Jundiaí e Piracicaba; 
mais a unidade regional de Bragantina. Ela 
abrange 174 municípios (50% da área urbana 
do estado) e, em 2018, abrigava 33,7 milhões 
de habitantes (74,6% da população estadual) e 
gerava 82% do PIB do estado de São Paulo.
Fonte: elaborado com base em CHARLIER, Jacques 
(dir.). Atlas du 21e siècle édition 2012. Groningen: 
Wolters-Noordhoff; Paris: Éditions Nathan, 2014. 
p. 144. (Original sem data.)
A megalópole de Boswash, nos Estados Unidos
OCEANO
ATLÂNTICO
40° N
70° O
Washington
Baltimore
Filadél�a
Paterson
Newark
New Brunswick
Long Branch
Nova York
Long Island
Hartford
Providence
Boston
5 milhões ou mais
Quantidade de habitantes
1 milhão a 4,9 milhões
500 mil a 999 mil
250 mil a 499 mil
100 mil a 249 mil
Limite da megalópole
0 106 212
km
Aglomerações urbanas, metrópoles e megalópoles
Segundo a Divisão de População da ONU, aglomeração urbana “refere-se à população contida no interior de um território 
contíguo, habitado em níveis variáveis de densidade, sem levar em conta os limites administrativos das cidades”. Em 
outras palavras, é um conjunto de cidades em grande parte conurbadas, isto é, interligadas pela expansão periférica 
da malha urbana de cada uma delas ou pela integração socioeconômica historicamente comandada pelo processo de 
industrialização e atualmente, cada vez mais, pelo desenvolvimento do comércio e dos serviços.
No Brasil, as maiores aglomerações urbanas têm sido legalmente reconhecidas como regiões metropolitanas, 
que também costumam ser chamadas de metrópoles (do grego metrópolis, “cidade mãe” ou “cidade matriz”). 
Nelas, há sempre um município-núcleo, com maior capacidade polarizadora e que lhe dá nome, como São Paulo, 
Salvador, Curitiba, Belém, etc. As regiões metropolitanas foram criadas por lei para facilitar o planejamento urbano 
de seus municípios. Isso é executado por órgãos especialmente criados para esse fim, como a Empresa Paulista 
de Planejamento Metropolitano S.A. (Emplasa), encarregada de planejar as regiões metropolitanas que formam a 
Macrometrópole Paulista.
Uma megalópole é formada quando os fluxos de pessoas, capitais, informações, mercadorias e serviços entre duas 
ou mais metrópoles estão fortemente integrados por modernas redes de transporte e telecomunicação.
A primeira megalópole a se estruturar no mundo, denominada informalmente Boswash, abrange um cordão de 
cidades, no nordeste dos Estados Unidos, que se estende de Boston até Washington, tendo Nova York como a 
metrópole mais importante.
Ainda nos Estados Unidos, há San-San, que se estende de San Francisco a San Diego, passando por Los Angeles, na 
Califórnia, e Chipitts (também conhecida como megalópole dos Grandes Lagos), que vai de Chicago a Pittsburgh e se 
estende até o Canadá, por cidades como Toronto, a maior desse país.
A megalópole japonesa situa-se no sudeste da ilha de Honshu, no eixo que se estende de Tóquio até o norte da ilha de 
Kyushu, passando por Osaka e Kobe.
Na Europa, a megalópole se desenvolveu no noroeste do continente, englobando as aglomerações do Reno-Ruhr, na 
Alemanha, as áreas metropolitanas de Paris, na França, e de Londres, no Reino Unido; portanto, é transnacional.
No Brasil, a megalópole nacional em formação é composta pelas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de São 
Paulo, estendendo-se pelas outras que compõem a Macrometrópole Paulista.
Conceitos
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Dentro da rede urbana, as cidades são os nós dos sistemas de produção e 
distribuição de mercadorias e da prestação de serviços diversos, que se orga-
nizam segundo níveis hierárquicos distribuídos de forma desigual pelo terri-
tório. Por exemplo, o Centro-Sul do Brasil possui uma rede urbana com grande 
número de metrópoles, capitais regionais e centros sub-regionais bastante ar-
ticulados entre si. Já na Amazônia, as cidades são esparsas e bem menos arti-
culadas, o que leva centros menores a exercerem o mesmo nível de importân-
cia na hierarquia urbana regional que outros maiores localizados no Centro-Sul.
Outro fator importante que devemos considerar ao analisar os fluxos no inte-
rior de uma rede urbana é a condição de acesso proporcionada pelos diferentes 
níveis de renda da população. Um morador de maior renda de uma cidade peque-
na muitas vezes consegue estabelecer mais conexões econômicas e culturais 
que um morador de pouca renda de uma grande metrópole. A mobilidade das 
pessoas entre as cidades da rede urbana depende de seu nível de renda.
Segundo o IBGE, as regiões de influência das cidades brasileiras são de-
limitadas principalmente pelo fluxo de consumidores que utilizam o comér-
cio e os serviços públicos e privados no interior da rede urbana. Ao realizar 
o levantamento para a elaboração do mapa da rede urbana, investigou-se 
a organização dos meios de transporte entre os municípios e os principais 
destinos das pessoas que buscam produtos e serviços. São Paulo, a grande 
metrópole nacional, mais Rio de Janeiro e Brasília, metrópoles nacionais, es-
tendem suas influências por praticamente todo o território brasileiro. Obser-
ve o mapa da hierarquia urbana no Brasil.
Brasil: rede urbana, segundo o IBGE — 2007
Equador
50º O
0º
Trópico de Capricórnio
OCEANO
ATLÂNTICO
São Paulo
Brasília
Rio de Janeiro
Belém
Recife
Manaus
Boa
Vista
Rio Branco
Porto Velho
Macapá
Palmas
Goiânia
Salvador
Curitiba
Fortaleza
Porto Alegre
Belo
Horizonte
Natal
Maceió
Cuiabá
Aracaju
Vitória
Teresina
São Luís
João
Pessoa
Campo Grande
Florianópolis
Grande Metrópole Nacional
Hierarquia dos centros urbanos
Metrópole
Metrópole Nacional
Capital Regional A
Capital Regional B
Capital Regional C
Centro sub-regional B
Centro sub-regional A
Centro de Zona A
Centro de Zona B
São Luís
0 455 910
km
Fonte: elaborado com base em IBGE. Regiões de influência das cidades 2007. Rio de Janeiro, 2008. 
Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv40677.pdf. Acesso em: 14 jun. 2020.
• Observe o mapa e 
responda:
a) Quais são as 
cidades mais 
influentes do 
Brasil? Por quê?
b) Qual é a posição 
que a cidade 
em que vocês 
vivem ocupa 
na rede urbana 
brasileira? 
Ela aparece na 
classificação 
do IBGE?
Veja as respostas no 
Manual do Professor.
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Como vimos, o conceito de hierarquia urbana surge na mesma época do 
conceito de rede urbana e indica o ordenamento das cidades nas relações 
que estabelecem no território segundo seu poder e influência. Por exemplo, 
como mostra o mapa da página anterior, a metrópole nacional é o nível má-
ximo de poder e influência econômica na rede urbana de um país, e a vila, o 
nível mais baixo, por isso sofre influência de todas as outras. Todavia, essa 
concepção tradicional de hierarquia urbana já não oferece uma boa descri-
ção das relações estabelecidas entre as cidades no interior da rede urbana. 
Com os avanços da revolução técnico-científica, a acelerada modernização 
dos sistemas de transporte e de telecomunicação, o barateamento e a maior 
facilidade de obtenção de energia, a disseminação de aviões, trens e auto-
móveis mais velozes, enfim, com a redução do tempo de deslocamento, as 
relações entre as cidades já não seguem mais essa dinâmica. No atual está-
gio informacional do capitalismo, estruturou-se uma novahierarquia urbana, 
na qual a relação da vila ou da cidade local pode se dar com o centro regional, 
com a metrópole regional ou até mesmo diretamente com a metrópole nacio-
nal. Compare os esquemas a seguir.
Fonte: elaborado com base em SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. 5. ed. São Paulo: Hucitec, 1997. p. 55.
Esquema clássico de relações entre 
as cidades em uma rede urbana
Metrópole nacional
Metrópole regional
Centro regional
Cidade local
Vila
Esquema atual de relações entre 
as cidades em uma rede urbana
Metrópole regional
Centro
regional
Cidade
local
Vila
Metrópole
nacional
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Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A. (Emplasa). Disponível em: 
www.emplasa.sp.gov.br. Acesso em: 5 ago. 2020.
O site contém dados sobre as regiões metropolitanas e aglomerações urbanas do 
estado de São Paulo (a Macrometrópole Paulista) e do Brasil.
Saber
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O capitalismo, em sua atual etapa informacional, com o avanço da globa-
lização e a consequente aceleração de fluxos no espaço geográfico planetá-
rio, criou uma rede urbana mundial cujos principais nós ou pontos de interco-
nexão são as chamadas cidades globais.
No mundo há várias hierarquizações de cidades, das quais a mais co-
nhecida é a produzida pelo grupo de pesquisa Globalization and World Cities 
(GaWC), ligado à Universidade de Loughborough, no Reino Unido, que classifi-
ca as cidades globais em alfa, beta e gama, de acordo com o grau de conexão 
com outras cidades da rede urbana mundial e com a capacidade de polari-
zação que exercem. Observe o mapa a seguir e perceba que nem sempre as 
maiores cidades são as mais conectadas. O grau de conexão não tem a ver 
apenas com o tamanho da população, mas sobretudo com a infraestrutura 
que a cidade possui e com sua capacidade de oferecer bens e serviços varia-
dos, o que gera diversos fluxos de entrada e saída.
Cidades globais alfa, segundo GaWC — 2018
OCEANO
ATLÂNTICOOCEANO
PACÍFICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ÍNDICO
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
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Trópico de Câncer
Trópico de Capricórnio
Círculo Polar Ártico
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Nova York
Londres
Dublin
Amsterdã
Bruxelas
Moscou
Varsóvia
Istambul
Viena
Frankfurt
Paris
Madri Zurique
Dubai
Nova Délhi
Riad
Lisboa
Mumbai
Kuala Lumpur
Sydney
Melbourne
Cingapura
Jacarta
Hong Kong
Taipé
Guangzhou
Shenzhen
Manila
Xangai
Tóquio
SeulPequim
Milão
Roma
Barcelona
Luxemburgo
Washington, D.C.
Chicago
Toronto Montreal 
Miami
São Francisco
Santiago
Buenos Aires
Los Angeles
Cidade do México
São Paulo Johannesburgo
Bogotá
Praga 
Budapeste
Munique 
Estocolmo
Houston 
Bangcoc
Alfa ++
Alfa +
Alfa
Alfa –
Cidades globais
0 2075 4150
km
Fonte: elaborado com base em GaWC. O mundo de acordo com GaWC 2018. 
Disponível em: https://www.lboro.ac.uk/gawc/world2018t.html. Acesso em: 8 set. 2020.
• Há dois conceitos fundamentais para compreender as cidades e suas 
relações no espaço geográfico – rede urbana e hierarquia urbana.
a) Conceitue-os, mostrando suas diferenças.
b) Explique as diferenças fundamentais entre o esquema clássico e o 
esquema atual de hierarquia urbana. Veja as respostas no Manual do Professor.
Interpretar NÃO ESCREVA NO LIVRO
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CONEXÕ
ES
CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS
NÃO ESCREVA NO LIVRO
O papel das cidades globais
A questão internacional mais ventilada nos 
últimos anos foi o ressurgimento do naciona-
lismo [...] porém, [essa] não é a principal das 
várias tendências que estão moldando nos-
so futuro. Pode muito bem ser um “momento” 
e não um movimento de longo prazo. Esta é a 
tese de um importante texto postado poucas 
semanas atrás por Ivo Daalder, presidente do 
Chicago Council on Global Affairs. Ele escreveu: 
“A tendência mais importante de nossa época 
é a urbanização. Pela primeira vez na história, 
a população é mais urbana que rural. E o ritmo 
da urbanização está aumentando a olhos vis-
tos. Só este ano as cidades ganharão 80 milhões 
de pessoas. São 200 mil por dia. A maioria de-
las está se mudando para cidades com 500 mil 
habitantes ou mais. As grandes cidades respon-
dem por três quartos da oferta mundial de bens, 
serviços e empregos. [...]”.
Obviamente, nem tudo são flores. As dificul-
dades com que as megalópoles se deparam são 
o reverso da moeda. [...]
Mudanças climáticas têm um impacto, ao 
que tudo indica, crescente na vida urbana. [...] 
Tais áreas são grandes poluidoras da água e da 
atmosfera, respondendo por setenta por cento 
das emissões de CO2. Devido à falta de dinheiro 
e de vontade política ou competência por parte 
das autoridades, a poluição dos cursos d’água 
é uma dolorosa cena que os residentes de São 
Paulo são obrigados a contemplar diariamente.
LAMOUNIER, Bolívar. O papel das cidades globais. IstoÉ, 13 jun. 
2019. Disponível em: https://istoe.com.br/o-papel-das-cidades-
globais/. Acesso em: 12 ago. 2020.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Veja as respostas das atividades 
desta seção no Manual do Professor. 
Fonte: elaborado com 
base em THE MORI 
MEMORIAL FOUNDATION. 
Institute for Urbans 
Strategies. Global Power 
City Index 2018. Tokyo, 
2018. Disponível em: 
http://mori-m-foundation.
or.jp/pdf/GPCI2018_
summary.pdf. Acesso em: 
30 mar. 2020.
• Leia o texto e em seguida compare a classificação das cidades globais alfa feita pelo grupo de estu-
dos GaWC (página anterior) com a do Instituto de Pesquisas The Mori Memorial Foundation.
Equador
Círculo Polar Ártico
Trópico de Câncer
Trópico de Capricórnio
0°
180°
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ÍNDICO
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
ATLÂNTICO
2o Nova York3o Tóquio
7o Seul
1o Londres
6o Amsterdã
8o Berlim
17o Viena4o Paris
9o Hong Kong
5o Cingapura
35o Taipé
20o Boston
14o Toronto
19o Chicago
12o Los Angeles
39o Cidade do México
40o São Paulo
38o Buenos Aires
10o Sydney
41o Jacarta
32o Kuala Lumpur
42o Johannesburgo
36o Bangcoc43o Mumbai
13o São Francisco
21o Vancouver
27o Washington, D.C.
26o Xangai
23o Pequim
11o Estocolmo
33o Moscou
18o Copenhague
25o Bruxelas
30o Genebra
31o Milão
24o Barcelona
22o Madri
34o Istambul
44o Cairo
29o Dubai
15o Frankfurt
16o Zurique
37o Fukuoka
28o Osaka
Economia
P&D
Interação cultural
Moradia
Meio ambiente
Facilidade de acesso
 
 
 
 
As 10 principais cidades globais
 
 
 1310,6
 1265,9
 1237,5
1232,2
 1204,9
 1200,7
0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1700
1692,3
1565,3
1462,0
1393,9
0 2 700 5400
km 10o
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Cidades globais, segundo The Mori Memorial Foundation — 2018
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a) Quais cidades estão entre as dez principais 
nas duas classificações?
b) Há alguma cidade brasileira nas duas clas-
sificações? Qual é a posição dela nos dois 
rankings de cidades globais? O que se pode 
concluir disso?
c) Aponte as semelhanças e as diferenças nas 
projeções cartográficas de ambos os mapas.
d) O que significa dizer que “a tendência mais 
importante de nossa época é a urbaniza-
ção”? Qual é o papel das cidades globais? 
Que problemas elas enfrentam?
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DIÁLOGOS
NÃO ESCREVA NO LIVRO
1. O professor, arquiteto e urbanista Candido Malta Campos Filho (1936-) 
propõe que as pessoas avaliem em três níveis a organização de sua vida 
em relação ao acesso ao comércio e serviços:
• apoio imediatoà moradia, utilizado diária ou semanalmente, como qui-
tanda, açougue, bar, padaria, cabeleireiro, mercadinho, etc.;
• apoio imediato à moradia, mas com menor demanda, como lojas de rou-
pas e eletrodomésticos, grandes supermercados;
Veja as respostas das atividades desta 
seção no Manual do Professor.
• apoio a outras atividades urbanas, com frequência bem menor que as 
duas anteriores, como relojoaria, loja de automóveis, equipamentos in-
dustriais, entre outros.
A diferença de demanda implica a distância a que cada estabelecimen-
to deveria estar do local de moradia para garantir boa qualidade de vida, 
determinando aquilo a que se pode ter acesso a pé ou não. Campos Filho 
diz ainda que as escolas para crianças e jovens deveriam ser acessíveis a 
pé, e o trajeto, seguro o suficiente para eles irem sozinhos, assim como a 
distância de nossa casa até o acesso ao ponto ou entrada do sistema de 
transporte coletivo. Observe o croqui da malha urbana que ele apresenta 
e elabore um similar para retratar a sua realidade espacial.
Embora a urbanização seja fenômeno global, ainda é difícil encontrar serviços básicos em todas 
as partes de uma cidade.
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2. Elabore dois croquis cartográficos do bairro em que você mora, um deles 
para representar a realidade atual, localizando e nomeando os principais 
problemas urbanos presentes, e o segundo representando como deveria 
ser organizado o espaço urbano do bairro para favorecer a justiça social e 
a qualidade ambiental. Ver respostas e orientações 
no Manual do Professor.
Fonte: elaborado com base em CAMPOS FILHO, C. M. Reinvente seu bairro. São Paulo: Editora 34, 2010. p. 18.
Ir a pé para a escola é uma 
possibilidade para poucas 
pessoas nos grandes centros 
urbanos.
Lógica da localização da moradia em relação ao comércio e serviços locais
Sua casa
Condução é exigida
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Legenda:
1 Sua casa
2 Distância confortável a pé
3 Distância que exige condução
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Os problemas sociais urbanos
Desigualdades e segregação socioespacial
O medo da violência urbana e a busca por mais segurança e 
tranquilidade vêm impulsionando a criação de condomínios fecha-
dos, sobretudo nas metrópoles. Para isso, muitas pessoas de alto 
e médio poder aquisitivo mudam-se para esse tipo de conjunto 
residencial. Esse fenômeno acentua a segregação socioespacial e 
reduz os espaços urbanos públicos, uma vez que promove o cres-
cimento de espaços privados e de circulação restrita. Além disso, 
muitos bairros, ao perderem habitantes, sofrem um processo de 
deterioração urbana, caso de algumas áreas do centro de gran-
des cidades, como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador 
(BA), Recife (PE), São Luís (MA), entre outras. Muitas prefeituras 
procuram revitalizar as áreas degradadas das cidades por meio de 
As duas fotos são da cidade do Rio de Janeiro (RJ). À esquerda, praia de Ipanema, na zona sul, com o morro Dois Irmãos ao fundo, 
em 2017. À direita, Vicente de Carvalho, bairro da zona norte, com o morro do Juramento ao fundo, em 2015. É possível que muitas 
pessoas vivam na zona sul sem conhecer bairros mais distantes do centro da cidade, do mesmo modo que muitos moradores da 
periferia pouco frequentam os bairros centrais.
Pelourinho, em Salvador (BA), em 2020, 
após o projeto de revitalização urbana.
Em qualquer grande cidade do mundo, o espa-
ço urbano é fragmentado, apresentando funções 
comerciais, financeiras, industriais, residenciais e 
de lazer. É comum que funções diferentes coexis-
tam não apenas no centro, mas também em bair-
ros que, assim, polarizam seus vizinhos. Por isso, 
essas cidades são policêntricas.
Essa fragmentação, quase sempre associa-
da a um intenso crescimento urbano, impede 
que os habitantes vivenciem a cidade como um 
todo, pois se atêm apenas aos fragmentos que 
fazem parte do seu dia a dia. O lugar de moradia, 
trabalho, estudo ou lazer é onde se estabelecem 
as relações pessoais e sociais. Entretanto, em 
uma metrópole, tais lugares tendem a não ser 
coincidentes, o que provoca deslocamentos e 
aumento de congestionamentos. Pode-se dizer, 
então, que a grande cidade não é um lugar, mas 
um conjunto de lugares, e que os cidadãos a vi-
venciam parcialmente. As desigualdades sociais 
se materializam na paisagem urbana. Quanto 
mais acentuadas as disparidades de renda en-
tre a população, maiores são as desigualdades 
de moradia, de acesso aos serviços públicos e, 
portanto, de oportunidades culturais e profissio-
nais. Consequentemente, a segregação socioes-
pacial, isto é, a separação das classes sociais em 
bairros diferentes em virtude do poder aquisitivo 
desigual, e os problemas urbanos são maiores 
também. Observe as fotos.
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incentivos fiscais para atrair comerciantes e pres-
tadores de serviços, o que acaba gerando outros 
problemas como resultado da gentrificação.
Gentrificação é um conceito criado pela soció-
loga britânica Ruth Glass (1912-1990), derivado da 
palavra inglesa gentrification (gentry, “pequena 
nobreza”), para descrever transformações obser-
vadas em alguns bairros operários da cidade de 
Londres que se tornaram bairros nobres. Em linhas 
gerais, a gentrificação é a valorização de determi-
nado espaço urbano combinada com a especula-
ção imobiliária e tem ocorrido em muitas grandes 
cidades, sobretudo em áreas centrais que antes 
eram desvalorizadas e que, por terem custo de vida 
mais baixo, abrigavam população de baixa renda.
Quando empresas do setor imobiliário adqui-
rem imóveis nessas áreas com a intenção de 
reformá-los ou derrubá-los para a construção de 
novos empreendimentos, começam a pressionar 
o poder público a fazer reformas “modernizantes”, 
como abertura de avenidas, instalação de museus 
e equipamentos culturais, comércios elitistas, até 
que se torne impossível para moradores de renda 
mais baixa continuar arcando com os custos de 
vida na região. O problema não é a revitalização 
de uma área antes degradada, mas a especulação 
imobiliária e financeira, que eleva os preços de 
aluguéis e de serviços e que, na prática, efetua a 
substituição de uma classe social de menor poder 
aquisitivo por outra com mais recursos financei-
ros, perpetuando a segregação socioespacial ao 
marginalizar pessoas mais pobres em regiões pe-
riféricas e dificultando-lhes o acesso aos serviços 
centrais da cidade.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Como quase tudo 
que diz respeito às 
ações humanas, há 
diferentes leituras e 
interpretações para 
um mesmo fato ou 
fenômeno. Converse 
com os colegas sobre 
o assunto. Há algum 
caso de gentrificação 
na cidade ou na 
região em que vocês 
moram? O que vocês 
pensam sobre isso?
Veja a resposta no 
Manual do Professor.
Conversa
Para alguns pesquisadores, as ações de revitalização urbana executadas 
no Pelourinho, em Salvador, no Recife Antigo, em Recife, no bairro da Luz, em 
São Paulo, no centro histórico de São Luís, e o projeto Porto Maravilha, no 
centro do Rio de Janeiro, entre outros exemplos, em alguma medida caracte-
rizam processos “gentrificadores”.
[...] Além dos dissensos sobre as causas e agentes responsáveis pelos 
processos de gentrificação, intelectuais e ativistas de diferentes espectros 
políticos divergem quanto aos seus efeitos, havendo quem denuncie as 
expulsões e o aumento da desigualdade e da segregação nas cidades, equem defenda o processo como sendo benéfico por atrair investimentos e 
promover melhorias em regiões tidas como degradadas. [...]
ALCÂNTARA, Maurício Fernandes de. Gentrificação. In: Enciclopédia de Antropologia. São Paulo: 
Universidade de São Paulo, Departamento de Antropologia. 2018. Disponível em: http://ea.fflch.
usp.br/conceito/gentrificação. Acesso em: 16 jun. 2020.
A gentrificação pode se dar pela chegada de novos investidores e moradores a um 
bairro degradado ou por pressão para obras de revitalização urbana e consequente 
aumento do preço dos imóveis e do custo de vida, impossibilitando que moradores 
que sempre viveram na região tenham condições de arcar com o aumento de preços.
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O problema da moradia
A cidadania também se expressa nas condições materiais de vida das pes-
soas. E morar, ter uma casa, um lar, é um direito humano fundamental para 
que todos tenham segurança física e emocional. Moradia porém é um proble-
ma crônico das grandes cidades. Uma de suas causas é o êxodo populacional, 
pois muitas cidades de países em desenvolvimento não tiveram condições 
econômicas de absorver a grande quantidade de pessoas que em pouco tem-
po migraram da zona rural e das cidades menores, aumentando o número de 
desempregados. Para sobreviver, muitas pessoas se submetem ao subempre-
go e à economia informal. Como os rendimentos, mesmo para trabalhadores 
da economia formal, em geral são baixos, muitos não têm condições de arcar 
com os altos custos de aquisição de um imóvel ou do aluguel de residências 
confortáveis e bem localizadas no território municipal, áreas que justamente 
são as mais valorizadas e, portanto, mais caras. A saída que encontram é partir 
em busca de imóveis com preços mais baixos na periferia distante, onde a rede 
comercial e de serviços públicos, como escolas, postos de saúde, equipamen-
tos de lazer e cultura, tende a ser menor ou até ausente, e menos servida pelo 
sistema de transporte, o que impacta a vida pessoal cotidiana com a perda de 
horas no ir e vir do trabalho. Ou se veem impelidos a habitar imóveis em con-
dições inadequadas, como os cortiços, ou a formar favelas ou outros tipos de 
aglomerado subnormal, porém em áreas centrais. Essa é a face mais visível 
do crescimento desordenado das cidades e da segregação socioespacial.
De acordo com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Hu-
manos (agência da ONU sediada em Nairóbi, Quênia, mais conhecida como 
UN-Habitat), uma ou mais das seguintes características definem um assen-
tamento urbano precário, que o IBGE denomina aglomerado subnormal:
• Ocupação irregular: as pessoas ocupam terrenos dos quais não possuem 
título de propriedade.
• Condições inseguras de habitação.
• Baixa qualidade estrutural das construções e moradias apertadas e su-
perlotadas.
• Acesso inadequado a saneamento básico – água potável e tratamento de 
esgoto – e a demais infraestruturas.
Aglomerado subnormal
De acordo com o IBGE, 
aglomerado subnormal 
é um tipo de ocupação 
irregular de terrenos 
públicos ou privados 
para a habitação 
em áreas urbanas. 
Geralmente, o aglomerado 
subnormal possui um 
padrão irregular, está 
localizado em áreas 
que não deveriam ser 
ocupadas e, na maioria 
das vezes, sem a oferta 
de serviços públicos 
essenciais. Esses 
aglomerados recebem 
várias nomeações, como 
favelas, invasões, grotas, 
baixadas, comunidades, 
vilas, ressacas, 
loteamentos irregulares, 
mocambos e palafitas, 
entre outras.
Conceitos
As moradias precárias foram erguidas nos interstícios da cidade 
formal, geralmente onde havia terrenos disponíveis, muitas 
vezes em áreas inadequadas para ocupação, como morros, 
sujeitos a desmoronamentos e deslizamentos, e margens 
de rios e córregos, sujeitas a alagamento, e, por isso, menos 
valorizadas. Na foto, Beco do Sururu, assentamento precário à 
beira do rio Capibaribe, em Recife (PE), em 2015.
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• Como é a questão da moradia no lugar em que vocês vivem? As moradias em geral são adequadas ou apresentam 
problemas? Caso apresentem problemas, o que vocês acham que é possível fazer para melhorar essa situação? 
O que vocês pensam da possibilidade de as pessoas, em vez de terem a propriedade da moradia, pagarem aluguel 
social, ou seja, um aluguel subvencionado 
pelo Estado? Observe a foto e pesquisem 
outros exemplos de aluguel social no 
mundo.
Conversa
Deficit habitacional atinge maior marca em 10 anos; solução pode vir da academia. 
Ed Wanderley e Lorena Barros. Último Segundo, 31 ago. 2019. Disponível em: https://
ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2019-08-31/deficit-habitacional-atinge-maior-marca-em-
10-anos-solucao-pode-vir-da-academia.html. Acesso em: 16 jun. 2020.
Infográfico animado sobre deficit habitacional e diferenciações e definições conceituais 
a respeito das diferentes categorias de habitação precária.
Parasita. Diretor: Bong Joon-ho. Coreia do Sul, 2019. (2 h 12 min)
O filme, ganhador de quatro Oscars, conta a história da família de Ki-taek, que vive em 
um cortiço e tenta ascender socialmente ao enganar uma família rica. Também mostra 
que mesmo em países ricos há pessoas vivendo em moradias precárias e como até 
mesmo coisas simples, como áreas verdes e acesso a áreas ensolaradas, são negadas 
àqueles que vivem nas periferias.
Saber
Edifícios residenciais construídos pelo Estado no 
distrito de Toa Payoh, Cingapura (os prédios mais 
baixos, em primeiro plano), em 2017. Segundo 
o Housing & Development Board (HDB), órgão 
governamental que constrói e administra os prédios, 
cerca de 80% da população vive em moradias como 
essas, os chamados HDB flats, pelos quais pagam 
aluguel social.
Os governos têm grande parcela de responsa-
bilidade nesse processo, pois não implantaram 
políticas públicas adequadas, sobretudo no setor 
habitacional, para enfrentar o problema. Nos paí-
ses em que políticas públicas foram adequadas, 
paralelamente ao aumento da oferta de empregos 
e à elevação da renda e da qualidade de vida, as 
moradias precárias foram bastante reduzidas ou 
até mesmo erradicadas.
Um dos melhores exemplos é Cingapura. De 
acordo com o Banco Mundial, em 1965, quando o 
país se tornou independente, 70% de sua popula-
ção vivia em condições muito precárias: a renda 
per capita era de 2 700 dólares ao ano, e o desem-
prego atingia 14% da População Economicamente 
Ativa (PEA). Após cinco décadas de elevados inves-
timentos públicos em habitação, em infraestrutura 
urbana e em serviços públicos de qualidade, hou-
ve crescimento econômico sustentado, elevação 
e melhor distribuição da renda, erradicação das 
submoradias e, consequentemente, melhoria da 
qualidade de vida da população. Em 2018, segun-
do o Banco Mundial, Cingapura tinha uma renda per 
capita de 58 770 dólares, e o desemprego atingia 
3,8% da PEA masculina e 4,3% da feminina.
A carência de habitações seguras e confortá-
veis é um problema mundial, mas principalmente 
nos países em desenvolvimento. Segundo a UN-
-Habitat, o percentual de pessoas que vivem em as-
sentamentos precários caiu de 46% da população 
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Veja respostas no 
Manual do Professor.
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urbana mundial em 1990 para 23% da população urbana mundial em 2014. 
Ainda é um número muito alto, uma vez que corresponde a quase 1 bilhão de 
pessoas (exatamente 996,8 milhões). O Leste da Ásia é a região com maiornúmero absoluto de submoradias. Embora a China e a Índia tenham reduzido 
significativamente a quantidade de pessoas que vivem em moradias precárias, 
ainda são os países que apresentam os maiores números absolutos. É preciso 
lembrar que, juntos, eles detêm cerca de 36% da população mundial. O Brasil é 
o quarto país com maior contingente de moradores em aglomerados subnor-
mais. O maior número relativo de moradores em assentamentos precários apa-
rece na África subsaariana. Na Nigéria, país com o maior número de habitantes 
em submoradias nessa região, o percentual de pessoas que vivem em habita-
ções precárias chega à metade da população urbana. Nesse subcontinente no 
entanto há países com percentuais bem mais altos, como a República Centro-
-Africana, onde 93% da população urbana vive em favelas.
Número de moradores em assentamentos 
urbanos precários por região — 2014
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO GLACIAL ÁRTICO
OCEANO
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69M
228M
589M
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Trópico de Capricórnio
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Fonte: elaborado com base em UNITED NATIONS Human Settlements Programme (UN-Habitat). Urban Indicators 
Database. Population (per region) living in slums and informal settlements, 2014. Disponível em: https://urban-data-
guo-un-habitat.hub.arcgis.com/pages/global-monitoring-of-slums. Acesso em: 14 jun. 2020.
* A UN-Habitat usa o termo slum (do 
inglês), no entanto, reconhece que 
essa palavra é utilizada para definir 
uma grande variedade de tipos 
de assentamento urbano precário 
espalhados por diferentes países. 
No Brasil, como vimos, o IBGE 
utiliza o termo técnico aglomerado 
subnormal para definir diversos 
tipos de moradia precária, porém a 
maioria das pessoas chama essas 
habitações precárias de favelas.
Países com maior número de moradores em assentamentos 
urbanos precários* — 2014
País Total de moradores 
(em milhões)
% do total da população 
urbana
China 191,1 25,2
Índia 98,4 24,0
Nigéria 42,1 50,2
Brasil 38,5 22,3
Paquistão 32,3 45,5
Bangladesh 29,3 55,1
Indonésia 29,2 21,8
Fonte: UNITED NATIONS Human Settlements Programme (UN-Habitat). World Cities Report. Nairóbi, 2016. 
Disponível em: http://wcr.unhabitat.org/main-report. Acesso em: 14 jun. 2020.
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Na foto, vista parcial de Orangi Town, em Karachi (Paquistão), em 2017. Nessa favela, a maior 
do mundo, vivem cerca de 2,4 milhões de pessoas. Em São Paulo (SP), cidade brasileira com o 
maior número de moradores em assentamentos precários, são cerca de 1,5 milhão de pessoas 
vivendo nessas condições, mas espalhadas por mais de 1 500 favelas.
Teto (Techo). 
Disponível em: www.
techo.org/brasil/. 
Acesso em: 14 jun. 
2020.
Essa ONG busca 
juntar voluntariado e 
comunidade para um 
trabalho em conjunto 
na busca de soluções 
para melhorar as 
condições de vida das 
pessoas excluídas e 
sem moradia. Para 
saber mais sobre sua 
atuação, acesse o site 
da organização em 
português.
Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada 
(Ipea). Disponível 
em: www.ipea.gov.
br/portal/index.
php?option=com_con
tent&view=article&id
=34784&Itemid=432. 
Acesso em: 13 jun. 
2020.
Acessando o site do 
Ipea pode-se consultar 
o Atlas de Violência 
2019, com dados para 
todos os estados 
brasileiros. Há também 
publicações sobre o 
Estado, as instituições 
e a democracia no 
Brasil.
Saber
Na tentativa de encaminhar soluções para diversos problemas urbanos, 
entre os quais os assentamentos precários, foi realizada em Istambul, na 
Turquia, em 1996, a Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos 
Humanos – Habitat II. A primeira reunião, Habitat I, aconteceu em Vancouver, 
Canadá, em 1976; e a Habitat III ocorreu em Quito, Equador, em 2016.
A Habitat II reuniu representantes dos países-membros da ONU e de diver-
sas ONGs. Nesse encontro, ficou decidido que os governos deveriam criar con-
dições para que o acesso à moradia segura, habitável, salubre e sustentável 
fosse universalizado. Diversos governos, porém, entre os quais o dos Estados 
Unidos e o do Brasil, foram contra a proposta de que a habitação fosse consi-
derada um direito universal do cidadão e, portanto, garantida pelo Estado, para 
não serem cobrados judicialmente pela não garantia desse direito.
Em diversas cidades do mundo, tanto nos países em desenvolvimento 
quanto nos desenvolvidos, pessoas sem-teto se organizam para lutar pelo di-
reito à moradia urbana adequada e por melhores condições de vida. Uma ou 
outra dessas organizações tem atuação nacional, mas a maioria delas atua lo-
calmente. Há também organizações com atuação internacional, como a TETO 
(ou TECHO, em espanhol), organização não governamental (ONG) criada em 
1997, no Chile, que atua em quase toda a América Latina, até mesmo no Brasil.
• Com base na observação das fotos ao longo do capítulo e no conhecimento da 
realidade brasileira e mundial, responda:
a) De que forma as desigualdades sociais se materializam nas paisagens 
urbanas?
b) Essa realidade é visível na paisagem do lugar em que você vive?
Veja as respostas no Manual do Professor.
Interpretar NÃO ESCREVA NO LIVRO
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DIÁLOGOS
NÃO ESCREVA NO LIVRO
1. Os trechos a seguir são recortes de entrevistas e opiniões de diferentes 
atores sociais (advogados, pesquisadores, empresários, professores uni-
versitários) sobre casos distintos, mas todos dialogando com a questão 
da moradia. Leia e em seguida faça as atividades.
Texto A
“Chegamos ao recorde da série histórica de déficit habitacional. Hoje, 
ele ocorre, sobretudo, pela inadequação da moradia – famílias que divi-
dem a mesma casa, moram em cortiços, favelas – e pelo peso excessivo 
que o aluguel passou a ter no orçamento das famílias nos últimos anos”, 
afirma Robson Gonçalves, da FGV. [...]
“É uma oportunidade para o mercado, são poucos os países do mundo 
que têm uma demanda tão expressiva”, diz Alexandre Frankel, presidente 
da Vitacon. “Vemos um novo ciclo se formando no setor e, se tudo correr 
bem na economia, os próximos dois anos podem ser de retorno a um mo-
mento melhor do mercado imobiliário.”
“Temos de olhar com otimismo para o mercado, que é saudável e tem 
uma forte demanda, não só dos consumidores de baixa renda. A demanda 
é grande entre os que dependem de financiamento com recursos da pou-
pança também”, avalia o presidente da MRV, Eduardo Fischer. Ele lembra 
que os juros básicos estão em um patamar baixo, a 6,5% ao ano, o que 
alivia na hora de contratar um financiamento imobiliário. [...]
GAVRAS, Douglas. Déficit habitacional é recorde no país. Estadão. São Paulo, 7 jan. 2019. 
Disponível em: https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2019/01/07/deficit-
habitacional-e-recorde-no-pais.htm. Acesso em: 15 jun. 2020.
Texto B
[...] “O emprego tem relação direta com a moradia. Por causa do alto 
índice de desemprego, as pessoas passam a morar em situações precárias 
porque não têm acesso ao trabalho nem condições de pagar um aluguel”, 
diz o advogado Benedito Barbosa, 59.
Barbosa trabalha com ações de despejo pelo Centro Gaspar Garcia de 
Direitos Humanos, uma ONG para inclusão social de moradores de habi-
tações precárias, desde 2006.
Estima-se que em São Paulo, com seu 1,8 milhão de desempregados, 
existam 391 mil domicílios em espaços precários (como favelas e corti-
ços), somando 2 milhões de pessoas — ou 11% da população. [...]
Para Aluízio Marino, 32, doutorando em Planejamento e Gestão do Territó-rio pela Universidade Federal do ABC, o termo “déficit habitacional” é incorreto. 
“A moradia é vista como mercadoria, não como direito. Então, não é que fal-
tam moradias. O que falta é uma política habitacional adequada”, afirma. [...]
SILVA, Eduardo. São Paulo tem déficit de 474 mil moradias, diz estudo. Folha de S.Paulo. São 
Paulo, 7 set. 2019. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/09/sao-
paulo-tem-deficit-de-474-mil-moradias-diz-estudo.shtml. Acesso: 15 jun. 2020.
Veja as respostas das atividades 
desta seção no Manual do Professor.
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Texto C
A juíza federal substituta da 3a Vara da Justiça Federal no Amazonas, 
Raffaela Cássia de Sousa, determinou, em sentença assinada no último 
dia 09 de novembro, a reintegração de posse do terreno onde está loca-
lizada desde 2014 a comunidade indígena Parque das Tribos, no bairro 
Tarumã, na zona oeste de Manaus. No local vivem cerca de mil famílias. 
Elas são originárias de 35 etnias, entre elas, Apurinã, Baré, Mura, Kokama, 
Tikuna, Wanano, Sateré-Mawé e Tukano. 
Na decisão judicial, que atendeu ação movida pelo empresário do ramo 
imobiliário Hélio Carlos de Carli, a juíza determina o uso da força policial 
para expulsar os indígenas do imóvel. [...]
“Ela [juíza] afirma que não encontrou informações sobre a consolida-
ção, mas há investimentos públicos no Parque das Tribos. As ruas estão 
asfaltadas com dinheiro público. Existe terraplanagem, eletrificação das 
ruas, energia legalizada pela Eletrobras, escola indígena com dois profes-
sores pagos pela prefeitura de Manaus. Do ponto que ela toma como pre-
cedente na decisão do STF, o Parque das Tribos está consolidado e, portan-
to, está inviável a desocupação”, disse o advogado Isael Munduruku, que 
defende a comunidade Parque das Tribos. [...]
FARIAS, Elaíze. Juíza manda expulsar indígenas do Parque das Tribos... Amazônia Real. 
Manaus, 26 nov. 2018. Disponível em: https://amazoniareal.com.br/ 
juiza-manda-expulsar-indigenas-do-parque-das-tribos-comunidade-que-recebeu-
infraestrutura-da-prefeitura-de-manaus%E2%80%AF/. Acesso em: 15 jun. 2020.
Texto D
[...] Uma política habitacional de abrangência nacional, em um país de 
dimensões continentais, não pode ter como único programa a constru-
ção e a transferência de propriedade de novas unidades habitacionais. É 
preciso associar programas de urbanização de favelas e assentamentos 
precários, melhorias habitacionais, regularização fundiária, ocupação de 
áreas vazias e subutilizadas, recuperação de imóveis em áreas centrais 
para moradia social e, ainda, um programa de locação social para as fa-
mílias de menor renda, que não têm condição de arcar com os custos 
decorrentes da propriedade individual. [...]
ROLNIK, Raquel. Programa Minha Casa Minha Vida precisa ser avaliado... Blog da Raquel Rolnik, 
10 nov. 2014. Disponível em: https://raquelrolnik.wordpress.com/2014/11/10/ 
programa-minha-casa-minha-vida-precisa-ser-avaliado-nota-publica-da-rede-cidade- 
e-moradia/. Acesso em: 15 jun. 2020.
a) Identifique as opiniões expressadas sobre o tema, agrupando-as de acordo com afinidade ou não 
de seus pontos de vista, e, em seguida, elabore um breve texto relacionando os fatos apresentados 
nesses diferentes trechos.
b) Por fim, escreva um artigo dissertativo-argumentativo sobre a causa e a solução para o problema 
da moradia no Brasil (ou na sua cidade, se preferir). Informe-se com seus professores sobre as 
características desse gênero textual ou consulte a internet: há muitos blogs, vídeos e sites que 
ensinam como escrevê-lo. Converse com eles também sobre a possibilidade de publicar seu artigo 
no site da escola, no jornal do bairro ou em algum outro meio de divulgação.
119
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1. (PPL-2012) a) aumento da geração de riquezas nas pro-
priedades agrícolas.
b) crescimento da oferta de empregos nas 
áreas cultiváveis.
c) integração dos diferentes lugares nas ca-
deias produtivas.
d) redução das desigualdades sociais nas re-
giões agrárias.
e) ocorrência de crises financeiras nos gran-
des centros.
3. (2013)
Trata-se de um gigantesco movimento de 
construção de cidades, necessário para o as-
sentamento residencial dessa população, bem 
como de suas necessidades de trabalho, abaste-
cimento, transportes, saúde, energia, água etc. 
Ainda que o rumo tomado pelo crescimento ur-
bano não tenha respondido satisfatoriamente a 
todas essas necessidades, o território foi ocupa-
do e foram construídas as condições para viver 
nesse espaço.
MARICATO, E. Brasil, cidades: alternativas para a crise 
urbana. Petrópolis: Vozes, 2001.
A dinâmica de transformação das cidades ten-
de a apresentar como consequência a expan-
são das áreas periféricas pelo(a)
a) crescimento da população urbana e aumen-
to da especulação imobiliária.
b) direcionamento maior do fluxo de pessoas, 
devido à existência de um grande número 
de serviços.
c) delimitação de áreas para uma ocupação 
organizada do espaço físico, melhorando a 
qualidade de vida.
d) implantação de políticas públicas que pro-
movem a moradia e o direito à cidade aos 
seus moradores.
e) reurbanização de moradias nas áreas cen-
trais, mantendo o trabalhador próximo ao 
seu emprego, diminuindo os deslocamentos 
para a periferia.
X
X
RIBEIRO, L. C. Q.; SANTOS, JUNIOR, O. A. Desafios da 
questão urbana. Le Monde Diplomatique Brasil. Ano 4, n. 45, 
abr. 2010. Disponível em: http://diplomatique.uol.com.br. 
Acesso em: 22 ago. 2011.
A imagem registra uma especificidade do con-
texto urbano em que a ausência ou ineficiência 
das políticas públicas resultou em
a) garantia dos direitos humanos.
b) superação do déficit habitacional.
c) controle da especulação imobiliária.
d) mediação dos conflitos entre classes.
e) aumento da segregação socioespacial.
2. (PPL-2017)
Está cada vez mais difícil delimitar o que é 
rural e o que é urbano. Pode-se dizer que o rural 
hoje só pode ser entendido como um continuum 
do urbano do ponto de vista espacial; e do ponto 
de vista da organização da atividade econômi-
ca, as cidades não podem mais ser identificadas 
apenas com a atividade industrial, nem os cam-
pos com a agricultura e a pecuária.
SILVA, J. G. O novo rural brasileiro. 
Nova Economia, n. 7, maio 1997.
As articulações espaciais tratadas no texto re-
sultam do(a)
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Ver respostas e orientações no 
Manual do Professor.
120
QUESTÕES DO ENEM NÃO ESCREVA NO LIVRO
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1. Após o estudo do capítulo, retome a atividade de abertura e reveja suas respostas. Você muda-
ria algo?
2. Elabore um texto dissertativo-argumentativo relacionando a segregação socioespacial exis-
tente no Brasil, a falta de direitos da cidadania, como o direito à cidade, em sentido mais amplo, 
e à moradia, em sentido mais restrito; a falta de oportunidades de estudo, trabalho e lazer, e as 
consequências disso tudo na vida de muitos jovens.
Veja as respostas no Manual do Professor.
Retome o contexto
Mapa conceitual organizado pelos autores.
Revoluções 
industriais
Nacional
Regional
Mundial
Cidades 
globais
Metrópoles Megalópoles
1950 
30%
1780 
3%
2018 
55%
Processo de 
Urbanização
Problemas 
urbanos 
Segregação 
socioespacial
Moradia Violência
Redes e 
hierarquias 
urbanas
acelerou 
após
em escala
taxa de 
urbanização 
mundial
deu origem 
a grandes 
aglomerações 
urbanas
muitas estão 
entre as 
principais
comandadas 
pelas
criou
principalmente 
dos países em 
desenvolvimento
tais como
acelerado 
gerou 
cresceram 
rapidamente 
como resultado
Mesopotâmia
Roma
Babilônia Ur
Civitas romanaCidade
as primeiras 
foram erguidas 
por volta de 3 mil 
anos a.C.
como conceito atual 
tem origem em
associada à ideia 
de exercício 
destaque
destaque
Cidadãos
Atenas
Pólis grega
Cidadania Política
no entanto, 
poucos eram
associada à ideia 
de exercício 
destaque
121
VOCÊ PRECISA SABER
NÃO ESCREVA NO LIVRO
121
V6_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap3_094a121.indd 121V6_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap3_094a121.indd 121 24/09/2020 10:5924/09/2020 10:59
OBJETIVOS
• Reconhecer os Direitos Humanos como uma construção social ao 
longo da história.
• Conhecer a História dos Direitos Civis e a Declaração Universal dos 
Direitos Humanos de 1948.
• Distinguir os conceitos de diferenças e desigualdades mobilizados 
na elaboração dos Direitos Humanos.
• Aplicar os conceitos de multiculturalismo, universalismo e 
relativismo para a compreensão dos Direitos Humanos.
• Relacionar o Bill of Rights (Inglaterra), a Declaração dos Direitos 
(Estados Unidos) e a Declaração dos Direitos do Homem e do 
Cidadão (França) aos princípios edificantes dos Direitos Humanos.
• Diferenciar direitos de primeira, segunda e terceira geração e 
relacioná-los a seus contextos e aos Direitos Humanos.
• Conhecer os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
• Reconhecer o papel das principais organizações não 
governamentais (ONGs) internacionais e suas áreas de atuação.
• Mobilizar os princípios estruturantes dos Direitos Humanos para 
a compreensão e o engajamento em atuações locais, nacionais e 
internacionais.
JUSTIFICATIVA
A origem dos Direitos Humanos, elencados na Declaração Universal 
de 1948, remonta ao século XVIII e teve desdobramentos em pactos 
internacionais e em leis nacionais após a Segunda Guerra Mundial. 
Trata-se de um marco civilizacional muito importante para a noção 
de pertencimento à humanidade. Nesse sentido, é interessante 
conhecer o embate entre universalismo e relativismo na questão dos 
Direitos Humanos buscando um ponto de equilíbrio que contemple o 
respeito às diferenças culturais e, ao mesmo tempo, o respeito aos 
Direitos Humanos. É fundamental que cada indivíduo conheça os 
direitos inerentes à condição humana para que possamos exercê-los 
plenamente na construção e manutenção da cidadania e para que 
possamos cobrá-los, caso estejam sendo negligenciados ou violados.
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DA BNCC
• Competências gerais da Educação Básica: CG1, CG2, CG4, CG5, 
CG6, CG7, CG8, CG9 e CG10.
• Competências e habilidades específicas das Ciências Humanas e 
Sociais Aplicadas: Competência 1: EM13CHS101; Competência 5: 
EM13CHS502 e EM13CHS503; Competência 6: EM13CHS604 e 
EM13CHS605.
TEMAS CONTEMPORÂNEOS TRANSVERSAIS
Cidadania e Civismo
• Vida Familiar e Social
• Educação em Direitos Humanos
Multiculturalismo
• Educação para a valorização do multiculturalismo nas matrizes 
históricas e culturais brasileiras
Conhecer o significado dos Direitos Huma-
nos, sua gênese, os pactos internacionais que 
os sustentam e de que forma se inserem no or-
denamento jurídico brasileiro é fundamental para 
o reconhecimento de sua relevância para a huma-
nidade e sua perpetuação, em escala local, nacio-
nal ou internacional. Para começar, responda às 
questões propostas a seguir.
1. De acordo com o que você aprendeu nos capí-
tulos anteriores, responda com suas palavras: 
O que são Direitos Humanos? Quando eles se 
tornaram universais?
2. Como você observa a compreensão e a aplica-
ção dos Direitos Humanos em seu cotidiano? 
Trata-se de um valor universal ou há críticas 
aos seus princípios? O que você pensa sobre 
isso?
3. A Organização das Nações Unidas (ONU) regis-
tra 193 países-membros e em cada um deles 
há povos com diferentes histórias, valores e 
culturas. A definição de valores universais, 
como os prescritos pela Declaração Universal 
dos Direitos Humanos, pode ameaçar práticas 
tradicionais de alguns desses países? Isso se-
ria adequado ou justificado? Explique.
Contexto
Direitos Humanos 
e prática social4
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NÃO ESCREVA NO LIVRO
Veja as respostas no 
Manual do Professor.
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Gênese dos Direitos Humanos
Os Direitos Humanos como construção política 
e social decorrem de uma longa história. São mui-
tas as divergências sobre o início dessa constru-
ção, mas nela estão as lutas, as revoluções, os mo-
vimentos sociais, bem como a história das ideias, 
além das concepções filosóficas, éticas, políticas 
e religiosas que atuaram sobre os acontecimentos 
e foram por eles influenciadas. Foi com base nas 
reflexões desses fatos, processos e experiências 
que se construíram ou se reconstruíram conceitos 
acerca da sociedade e do ser humano, assim como 
sobre os direitos fundamentais de cada indivíduo.
Formar um conjunto de regras para os seres 
humanos viverem em grupos e se constituírem 
como clãs, povos e sociedades é uma prática mui-
to antiga. Entretanto, dificilmente essas regras 
eram pautadas em princípios que assegurassem 
o respeito a todos de forma igualitária ou justa. 
A distinção entre os indivíduos, seja por meio de 
força, gênero, etnia, cor, religião, seja por qualquer 
outro marcador de diferença, foi utilizada em dife-
rentes lugares e épocas para constituir e “legiti-
mar” situações de privilégios e ameaças.
Essa distinção e as regras de organização so-
cial são muito antigas e podem ser identificadas 
em sítios arqueológicos e registros rupestres e 
também em registros escritos, como aqueles ela-
borados por Platão (428/427 a.C.-348/347 a.C.) 
e Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), pensadores 
gregos que reconhecidamente se debruçaram 
sobre as concepções filosóficas desses temas 
na Antiguidade e refletiram sobre ética e moral, 
como muitos outros pensadores depois deles até 
a atualidade. Já na Modernidade, destacaram-se 
os pensadores ingleses Thomas Hobbes (1588- 
-1679), John Locke (1632-1704) e o franco-suíço 
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778).
Foram esses últimos que desenvolveram teo-
rias de governos assentados no contratualismo. 
Locke, por exemplo, sustentava que os seres 
humanos, ao viverem em sociedade sob um po-
der político, o fariam mediante um contrato social. 
Por meio desse contrato, recebiam a garantia do 
Estado a determinados direitos inalienáveis da 
dignidade humana, como o direito à vida, à liber-
dade e à propriedade. Assim, o contrato social é 
um pacto civilizatório pelo qual os seres humanos 
se afastam de seu estado natural para preservar 
o essencial de seus direitos.
Entre os avanços civilizatórios dos últimos 
séculos, três documentos, comentados a seguir, 
sistematizaram concepções sobre os direitos 
individuais, como resultados de embates, lutas 
e conquistas de diferentes contextos históricos. 
Tais documentos tratam de questões comuns e 
foram os precursores dos Direitos Humanos que 
conhecemos atualmente:
• os direitos individuais proclamados no Bill of 
Rights (Declaração de Direitos) inglês da Re-
volução Gloriosa de 1689;
• a Declaração dos Direitos de 1791, as primei-
ras 10 emendas à Constituição dos Estados 
Unidos (redigida em 1787);
• a Declaração dos Direitos do Homem e do Cida-
dão da Revolução Francesa de 1789.
Leia partes desses documentos nas páginas 
seguintes.
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WATTERSON, B. Calvin 
e Haroldo. O Progresso 
Científico deu "Tilt". São 
Paulo: Best News, 1991.
123
V6_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap4_122a157.indd 123V6_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap4_122a157.indd 123 24/09/2020 11:0124/09/2020 11:01
Documentos
A Declaração Inglesa de Direitos – 1689
E portanto os ditos lordes espirituais e tempo-
rais, e os comuns, respeitando suas respectivas car-
tas e eleições, estando agora reunidos como plenos 
e livres representantes desta nação, consideran-do mui seriamente os melhores meios de atingir 
os fins acima ditos, declaram, em primeiro lugar 
(como seus antepassados fizeram comumente em 
caso semelhante), para reivindicar e garantir seus 
antigos direitos e liberdades:
1. Que é ilegal o pretendido poder de suspender 
leis, ou a execução de leis, pela autoridade real, 
sem o consentimento do Parlamento.
2. Que é ilegal o pretendido poder de revogar leis, 
ou a execução de leis, por autoridade real, como foi 
assumido e praticado em tempos passados.
[...]
8. Que devem ser livres as eleições dos mem-
bros do Parlamento.
9. Que a liberdade de expressão, e debates ou 
procedimentos no Parlamento, não devem ser im-
pedidos ou questionados por qualquer tribunal ou 
local fora do Parlamento.
[...]
13. E que os Parlamentos devem reunir-se com 
frequência para reparar todos os agravos, e para 
corrigir, reforçar e preservar as leis.
E reclamam, pedem e insistem que todas es-
sas premissas constituem seus direitos e liberda-
des inquestionáveis; e que nenhumas declarações, 
julgamentos, atos ou procedimentos, para prejuí-
zo do povo em alguma das ditas premissas, devem 
ser, de alguma maneira, tomadas no futuro como 
precedente ou exemplo.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Biblioteca Virtual 
de Direitos Humanos. Disponível em: http://www.
direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-
%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-
Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/a-declaracao-inglesa-
de-direitos-1689.html. Acesso em: 26 jun. 2020.
A Declaração Americana dos Direitos – 1791
Porque muitos cidadãos temiam que o novo go-
verno central estabelecido pela Constituição dos Es-
tados Unidos se tornasse demasiado poderoso foram 
propostas emendas para proteger a liberdade de ex-
pressão, de imprensa, de religião e de outros direitos 
básicos. Foram aprovadas dez que hoje são conheci-
das como a Declaração dos Direitos.
Emenda I (Ratificada em 15 de Dezembro de 
1791)
O Congresso não legislará no sentido de esta-
belecer uma religião, nem proibir o livre exercício 
de uma; nem cerceando a liberdade de expressão, 
ou de imprensa; ou o direito de o povo se reunir 
pacificamente e dirigir petições ao Governo para 
reparação de injustiças.
Emenda III (Ratificada em 15 de Dezembro de 
1791) 
Nenhum soldado deve, em tempo de paz, ficar 
alojado em qualquer casa sem o consentimento 
do proprietário, nem em tempo de guerra, a não 
ser da forma prescrita pela lei.
Emenda IV (Ratificada em 15 de Dezembro de 
1791)
O direito do povo à inviolabilidade de pessoas, ca-
sas, documentos e propriedade pessoal contra bus-
cas e apreensões não razoáveis não deve ser violado, 
e não devem ser emitidos mandatos a não ser com 
causa provável apoiada por juramento ou declara-
ção e descrevendo especificamente o local da busca 
e as pessoas ou coisas a serem apreendidas.
Emenda V (Ratificada em 15 de Dezembro de 
1791)
Nenhuma pessoa será detida para responder 
por um crime capital, ou outro crime infame, sal-
vo por denúncia ou acusação perante um Grande 
Júri [...]; nem pode qualquer pessoa ser julgada 
duas vezes pelo mesmo crime cuja condenação 
possa levar à pena capital ou ao encarceramen-
to; nem ser obrigada a servir de testemunha em 
qualquer processo criminal contra si mesma, 
nem ser privada de vida, liberdade ou bens sem o 
devido processo legal; nem a propriedade privada 
poderá ser expropriada para uso público sem jus-
ta indenização.
Emenda VI (Ratificada em 15 de Dezembro de 
1791)
Em todos os processos penais o acusado terá 
direito a um julgamento rápido e público por um 
júri imparcial do Estado e distrito onde o crime te-
124
V6_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap4_122a157.indd 124V6_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap4_122a157.indd 124 24/09/2020 11:0124/09/2020 11:01
nha sido cometido, distrito esse que será previa-
mente estabelecido por lei, e a ser informado da 
natureza e causa da acusação; a ser confrontado 
com as testemunhas de acusação; a ter um pro-
cesso obrigatório para obtenção de testemunhas 
a seu favor e a ter a assistência de um advogado 
para sua defesa.
[...]
Emenda IX (Ratificada em 15 de Dezembro de 
1791)
A enumeração de certos direitos na Constitui-
ção não deverá ser interpretada como negação ou 
coibição de outros direitos inerentes ao povo.
Emenda X (Ratificada em 15 de Dezembro de 
1791)
Os poderes não delegados aos Estados Unidos 
pela Constituição, nem por ela negados aos Esta-
dos, são reservados aos Estados ou ao povo, res-
pectivamente.
EMBAIXADA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. 
A Declaração dos Direitos. Disponível em: https://photos.
state.gov/libraries/adana/30145/publications-other-lang/
PORTUGUESE-CONTINENTAL.pdf. Acesso em: 26 jun. 2020.
A Declaração de Direitos do Homem e 
do Cidadão – 1789
Os representantes do povo francês, reunidos 
em Assembleia Nacional, tendo em vista que a 
ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos di-
reitos do homem são as únicas causas dos males 
públicos e da corrupção dos Governos, resolve-
ram declarar solenemente os direitos naturais, 
inalienáveis e sagrados do homem, a fim de que 
esta declaração, sempre presente em todos os 
membros do corpo social, lhes lembre perma-
nentemente seus direitos e seus deveres [...].
Em razão disto, a Assembleia Nacional reco-
nhece e declara, na presença e sob a égide do 
Ser Supremo, os seguintes direitos do homem e 
do cidadão:
Art.1o  Os homens nascem e são livres e 
iguais em direitos. As distinções sociais só po-
dem fundamentar-se na utilidade comum.
Art. 2o  A finalidade de toda associação po-
lítica é a conservação dos direitos naturais e 
imprescritíveis do homem. Esses direitos são a 
liberdade, a propriedade a segurança e a resis-
tência à opressão.
[...]
Art. 4o A liberdade consiste em poder fazer 
tudo que não prejudique o próximo. Assim, o 
exercício dos direitos naturais de cada homem 
não tem por limites senão aqueles que assegu-
ram aos outros membros da sociedade o gozo 
dos mesmos direitos. Estes limites apenas po-
dem ser determinados pela lei.
[...]
Art. 6o A lei é a expressão da vontade geral. [...] 
Ela deve ser a mesma para todos, seja para prote-
ger, seja para punir. Todos os cidadãos são iguais 
a seus olhos e igualmente admissíveis a todas as 
dignidades, lugares e empregos públicos, segun-
do a sua capacidade e sem outra distinção que 
não seja a das suas virtudes e dos seus talentos.
[...]
Art. 9o Todo acusado é considerado inocen-
te até ser declarado culpado e, se julgar indis-
pensável prendê-lo, todo o rigor desnecessário 
à guarda da sua pessoa deverá ser severamente 
reprimido pela lei.
Art. 10o  Ninguém pode ser molestado por 
suas opiniões, incluindo opiniões religiosas, 
desde que sua manifestação não perturbe a or-
dem pública estabelecida pela lei.
[...]
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Biblioteca Virtual de Direitos 
Humanos. Disponível em: www.direitoshumanos.usp.br/index.
php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-
da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/
declaracao-de-direitos-do-homem-e-do-cidadao-1789.html. 
Acesso em: 26 jun. 2020.
1. Comparem os documentos acima e discutam as semelhanças e as diferenças que vocês identificaram entre eles. 
2. Considerando a realidade de vocês, elaborem conjuntamente, com a ajuda de ferramentas que permitam editar 
documentos on-line, um texto em formato semelhante aos que acabaram de ler relacionando os direitos e deveres 
dos estudantes da escola em que vocês estudam. 
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Veja as respostas e orientações no Manual do Professor.
Conversa
125
V6_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap4_122a157.indd 125V6_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap4_122a157.indd 125 24/09/2020 11:0124/09/2020 11:01
Os desdobramentos das revoluções burguesas 
dos séculos XVII ao XVIII, destacadamente a da 
Inglaterra de 1689 e a da França de 1789, impul-
sionaram a adoção de leis de direitos por muitos 
países no século XIX. Eram as ideias e os aconte-
cimentos contra o Antigo Regime,aos Direitos Humanos e alguns 
acontecimentos ligados à atuação de cada uma delas.
137
DIÁLOGOS
NÃO ESCREVA NO LIVRO
1. Leia o texto a seguir e depois responda às questões.
O sociólogo brasileiro Ricardo Antunes afirma que “uma vida cheia de
sentido fora do trabalho supõe uma vida dotada de sentido dentro do 
trabalho” e ainda que “uma vida desprovida de sentido no trabalho é in-
compatível com uma vida cheia de sentido fora do trabalho. [...] Uma vida 
cheia de sentido somente poderá efetivar-se por meio da demolição das 
barreiras existentes entre tempo de trabalho e tempo de não trabalho, 
de modo que, a partir de uma atividade vital cheia de sentido, autodeter-
minada, para além da divisão hierárquica que subordina o trabalho ao 
capital hoje vigente e, portanto, sob as bases inteiramente novas, possa se 
desenvolver uma nova sociabilidade [...] na qual liberdade e necessidade 
se realizam mutuamente.”
ANTUNES, Ricardo. Socialismo, lutas sociais e novo modo de vida na América Latina. 
Revista Direito e Práxis, Rio de Janeiro, v. 8, n. 3, jul./set. 2017. Disponível em: https:// 
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2179-89662017000302212. 
Acesso em: 13 ago. 2020.
• Dividam-se em grupos de quatro estudantes para debater as seguintes
questões:
a) Na opinião de vocês, por que o autor
afirma que para que a vida tenha senti-
do fora do trabalho ela deve ter sentido 
dentro do trabalho?
b) Na vida cotidiana, que trabalhos vocês
exercem? Vocês gostam de exercer es-
sas funções ou as consideram exausti-
vas e/ou entediantes?
c) Nas suas famílias, quais trabalhos
são exercidos pelos seus familiares?
Vocês consideram que todos os mem-
bros da sua família trabalham o mes-
mo tempo ou alguns trabalham mais
do que outros? Por que isso acontece?
d) Vocês consideram vital para a sua saúde mental uma conciliação
entre o tempo de trabalho e o tempo de não trabalho? O que vocês
gostam de fazer quando não estão trabalhando?
e) O que o autor quer dizer com “divisão hierárquica que subordina o tra-
balho ao capital hoje vigente”? Na opinião do grupo, existem trabalhos
mais valorizados do que outros? Se sim, o que faz com que isso ocorra?
• Reflitam sobre as respostas do grupo e busquem encontrar pontos em
comum entre vocês. Em quais aspectos os hábitos da sua família e
Por questões culturais, muitas vezes, algumas profissões são 
consideradas mais “importantes” do que outras.
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Seção que apresenta atividades em diversos 
formatos pensadas para auxiliar no trabalho 
com diferentes competências específicas e 
habilidades estabelecidas pela BNCC, como 
identificar, analisar e comparar fontes e 
narrativas, elaborar hipóteses, selecionar 
evidências e compor argumentos, que 
possibilitem o compartilhamento de pontos 
de vistas, o diálogo e a reflexão.
Uma página com atividades de edições 
recentes de avaliações oficiais para 
que você possa verificar como os temas 
trabalhados em sala de aula aparecem 
nessas provas, em especial no Enem.
Apresenta uma proposta de projeto 
que aborda um tema relacionado 
aos capítulos da unidade por meio 
das metodologias de pesquisa 
(como revisão bibliográfica, análise 
documental, construção e uso 
de amostragens ou observação 
participante). Os projetos propostos 
permitem a valorização dos 
conhecimentos, da ciência e da 
argumentação com base em fatos, 
além de articular os conhecimentos 
construídos em sala de aula com a 
realidade vivida.
Atividades que propõem o aprofundamento dos 
recursos que aparecem ao longo do capítulo, 
como textos em seus mais diversos gêneros, 
fotografias, obras de arte, mapas, gráficos, 
explorando suas regras de composição, 
significado e sentido.
Traz a indicação dos autores e obras que 
apresentam conceitos importantes para o 
trabalho com os temas propostos nos capítulos.
Apresenta os significados de palavras 
destacadas no texto.
Recursos de linguagens variados 
(livros, filmes, podcasts, músicas, 
sites, obras de arte, etc.) para 
aprofundar temas abordados no 
capítulo e complementar seu repertório 
cultural e científico.
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6
Competências e habilidades da BNCC
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento oficial que define o con-
junto de aprendizagens que os estudantes precisam desenvolver ao longo da Educação 
Básica, desde o início da Educação Infantil até o final do Ensino Médio. Dessa forma, a 
BNCC é norteadora para a formulação dos currículos escolares no Brasil.
Esse conjunto de aprendizagens essenciais definido na BNCC corresponde a conhe-
cimentos, competências e habilidades.
Algumas dessas competências devem ser desenvolvidas durante todas as etapas 
da Educação Básica; outras especificamente em cada uma das etapas. No Ensino Mé-
dio, essas competências e habilidades estão distribuídas por áreas de conhecimento.
Nas aberturas dos capítulos do seu livro, você encontrará indicações de quais com-
petências e habilidades estão sendo preferencialmente mobilizadas.
Nas páginas a seguir, você conhecerá as dez competências gerais da Educação Bá-
sica e todas as competências e habilidades específicas das áreas de Ciências Humanas 
e Sociais Aplicadas e as competências e habilidades de Linguagens e suas Tecnologias, 
Matemática e suas Tecnologias e Ciências da Natureza e suas Tecnologias que serão 
trabalhadas neste livro.
De acordo com a BNCC, competências são conhecimentos (conceitos e procedimentos) 
mobilizados para resolver demandas da vida cotidiana, do exercício da cidadania e do mun-
do do trabalho. Já as habilidades são capacidades práticas, cognitivas e socioemocionais.
Ao compreender o que é esperado desenvolver com os projetos desta obra, você terá 
a chance de se apropriar melhor de seus estudos, reconhecendo um sentido em tudo 
aquilo que é proposto e, consequentemente, percebendo a aplicação que isso pode ter 
em seu cotidiano.
Dessa forma, o seu protagonismo se manifestará também em relação à sua apren-
dizagem.
Se você tiver interesse, consulte o texto completo da BNCC no site: http://basenacional 
comum.mec.gov.br/. Acesso em: 27 jan. 2020.
Composição dos códigos das habilidades
CADERN
O
BNCC
O primeiro número indica 
a competência da área e 
os dois últimos indicam a 
habilidade relativa a essa 
competência.
EM 13 CHS 101
Indica a etapa de Ensino Médio.
Indica que a habilidade 
pode ser desenvolvida 
em qualquer série do 
Ensino Médio.
Indica a área à qual a 
habilidade pertence.
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7
Competências gerais da Educação Básica
1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mun-
do físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar 
aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática 
e inclusiva.
2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, in-
cluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, 
para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas 
e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das dife-
rentes áreas.
3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às 
mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-
-cultural.
4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escri-
ta), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens 
artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, ex-
periências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que 
levem ao entendimento mútuo.
5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informaçãouma sociedade 
baseada na posse de determinados privilégios 
e poderes, fomentando a luta por direitos funda-
mentais das liberdades individuais, como os di-
reitos civis e políticos. Esses direitos são também 
conhecidos como direitos de primeira geração, 
segundo denominação criada em 1979 pelo jurista 
tcheco-francês Karel Vasak (1929-2015). Vasak 
tomou como referência os lemas da Revolução 
Francesa liberté, égalité et fraternité (liberdade, 
igualdade e fraternidade), formando três gerações 
de direitos. Como veremos, a Declaração Universal 
de 1948 tornou esses direitos indivisíveis.
Os direitos da primeira geração firmaram os 
marcos jurídicos básicos que garantiriam aos go-
vernados as defesas contra o absolutismo, o que 
exigiria novas atuações para superar a ordem so-
cial fundada na perspectiva de sujeitos que pas-
sariam de súditos a cidadãos, com base na ideia 
de liberdade.
Os desdobramentos da Revolução Industrial e 
as lutas trabalhistas por melhores condições de 
vida resultaram no reconhecimento de direitos 
econômicos, sociais e culturais conhecidos como 
direitos de segunda geração. Predominante no 
contexto histórico dos séculos XIX e XX, a noção 
sobre esses direitos estava atrelada aos ideais 
de igualdade, visando superar o âmbito nacional 
para alcançar o mundial. Buscando condições 
dignas para todas as pessoas, tais direitos econô-
micos e sociais foram incluídos nas Constituições 
de vários países e nas convenções internacionais, 
como a Carta das Nações Unidas de 1945 e subse-
quentes, em que os países-membros da ONU, que 
na ocasião eram apenas cinquenta, assumiam o 
compromisso de respeitar as liberdades funda-
mentais e os direitos socioeconômicos.
Nas últimas décadas do século XX, ganha-
ram impulso os direitos coletivos de diferentes 
povos e comunidades. São direitos centrados na 
fraternidade e na igualdade universais, suprana-
cionais, tidos como direitos de terceira geração, 
como o direito de ter acesso a bens culturais, o 
direito de grupos sociais vulneráveis contarem 
com a proteção dos órgãos públicos, ou, no caso 
dos povos originários, o direito de desfrutar de 
um meio ambiente saudável. Os direitos de mi-
grantes, refugiados e povos originários, assim 
como o direito à democracia, à informação e ao 
pluralismo, são considerados por muitos como 
direitos de quarta geração, misturando-se com 
a geração anterior.
Como vimos, a construção dos Direitos Huma-
nos foi produto de uma longa história ocorrida 
predominantemente nos países da Europa e em 
outros países ocidentais. Após a formação da ONU 
e a publicação da Declaração Universal dos Direi-
tos Humanos, em 1948, a proposta era a de que 
Na organização das guardas nacionais em luta contra os 
invasores absolutistas contrários à Revolução, em 1790, 
Robespierre defendia em seus discursos, entre tantas outras, 
as palavras “liberdade, igualdade, fraternidade”. Como outros 
lemas revolucionários, esse também acabou caindo em 
desuso nos anos seguintes à Revolução Francesa. Contudo, 
ressurgiu nas jornadas revolucionárias no final dos anos 1840 
e foi inscrito na Constituição francesa como fundamento da 
República criada na Revolução de 1848.
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os direitos universais atingissem todas as pessoas em todo o mundo, como 
pressupõe o próprio título do documento.
A internacionalização dos Direitos Humanos ganhou reforço após a apro-
vação do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que contempla 
os direitos de primeira geração, e do Pacto Internacional sobre Direitos Eco-
nômicos, Sociais e Culturais, que contempla os direitos de segunda geração. 
Ambos foram aprovados pela Assembleia Geral da ONU, em 1966. Diversa-
mente da Declaração de 1948, que era uma declaração de princípios e va-
lores, esses documentos obrigam os países signatários a incorporar esses 
direitos em seus respectivos ordenamentos jurídicos, ou seja, os dois pactos 
têm força de lei.
No Brasil, esses pactos foram incorporados às leis por meio do Decreto 
n. 591, de 6 de julho de 1992, que em seu artigo 1o decreta: “O Pacto Inter-
nacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, apenso por cópia ao 
presente decreto, será executado e cumprido tão inteiramente como nele se 
contém.”; e do Decreto n. 592, de 6 de julho de 1992, que em seu artigo 1o 
decreta: “O Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, apenso por có-
pia ao presente decreto, será executado e cumprido tão inteiramente como 
nele se contém”.
Manifestação estudantil contra a repressão do governo sobre setores da sociedade que lutavam 
pela democracia em 1977, em São Paulo, SP.
 
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BRASIL. Decreto n. 591, 
de 6 de julho de 1992. 
Atos Internacionais. Pacto 
Internacional sobre Direitos 
Econômicos, Sociais e 
Culturais. Promulgação. 
Brasília, DF: Presidência 
da República. Casa Civil. 
Subchefia para Assuntos 
Jurídicos. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/decreto/1990-1994/
d0591.htm. Acesso em: 6 
ago. 2020.
BRASIL. Decreto n. 592, 
de 6 de julho de 1992. 
Atos Internacionais. 
Pacto Internacional sobre 
Direitos Civis e Políticos. 
Promulgação. Brasília, DF: 
Presidência da República. 
Casa Civil. Subchefia 
para Assuntos Jurídicos. 
Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/
decreto/1990-1994/D0592.
htm. Acesso em: 6 ago. 2020.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
Leia a seguir os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Declaração Universal dos Direitos Humanos
Artigo 1.
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. 
São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros 
com espírito de fraternidade.
Artigo 2.
Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades es-
tabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, 
cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacio-
nal ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
[...]
Quinze anos antes dos 
decretos acima (591 e 
592), vivíamos os tempos 
sombrios da ditadura. 
Em grupos, pesquisem 
dados sobre esses dois 
contextos distintos, a 
ditadura e a incorporação 
dos decretos, e pautem 
a discussão a partir dos 
Pactos por Direitos com 
base nos tópicos a seguir.
1. Como se realizou a 
transição que pôs fim 
à ditadura.
2. A Constituição 
de 1988 e os 
Direitos Políticos e 
Econômicos.
Veja as respostas no 
Manual do Professor.
Conversa
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Artigo 3.
Todo ser humano tem direito à vida, à liberda-
de e à segurança pessoal.
Artigo 4.
Ninguém será mantido em escravidão ou ser-
vidão; a  escravidão  e o tráfico de escravos serão 
proibidos em todas as suas formas.
Artigo 5.
Ninguém será submetido à tortura nem a trata-
mento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
Artigo 6.
Todo ser humano tem o direito de ser, em todos 
os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.
Artigo 7.
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem 
qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos 
têm direito a igual proteção contra qualquer dis-
criminação que viole a presente Declaração e con-
tra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo 8.
Todo ser humano tem direito a receber dos tri-
bunais nacionais competentes remédio efetivo para 
os atos que violem os direitos fundamentais que lhe 
sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.
Artigo 9.
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou 
exilado.
Artigo 10.
Todo ser humano tem direito, em plena igual-
dade, a uma audiência justa e pública por parte de 
um tribunal independente e imparcial, para decidir 
sobree comunicação de 
forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluin-
do as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir 
conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pes-
soal e coletiva.
6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conheci-
mentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mun-
do do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto 
de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, 
negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e 
promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo res-
ponsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação 
ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 
8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreenden-
do-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com 
autocrítica e capacidade para lidar com elas.
9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazen-
do-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com 
acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus 
saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer 
natureza.
10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, 
resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, 
democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
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8
Competências específicas e habilidades de 
Ciências Humanas e Sociais Aplicadas
Competência específica 1
Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais nos 
âmbitos local, regional, nacional e mundial em diferentes tempos, a partir da plurali-
dade de procedimentos epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a com-
preender e posicionar-se criticamente em relação a eles, considerando diferentes 
pontos de vista e tomando decisões baseadas em argumentos e fontes de natureza 
científica.
Habilidades
EM13CHS101 – Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, 
com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econô-
micos, sociais, ambientais e culturais.
EM13CHS102 – Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, so-
ciais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperati-
vismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que 
contemplem outros agentes e discursos.
EM13CHS103 – Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, eco-
nômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de 
diversas naturezas (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos e geográficos, 
gráficos, mapas, tabelas, tradições orais, entre outros).
EM13CHS104 – Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, 
valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas 
no tempo e no espaço.
EM13CHS105 – Identificar, contextualizar e criticar tipologias evolutivas (populações nômades e sedentárias, entre 
outras) e oposições dicotômicas (cidade/campo, cultura/natureza, civilizados/bárbaros, razão/emoção, material/
virtual etc.), explicitando suas ambiguidades.
EM13CHS106 – Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica, diferentes gêneros textuais e tecnologias 
digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais, 
incluindo as escolares, para se comunicar, acessar e difundir informações, produzir conhecimentos, resolver proble-
mas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
Competência específica 2
Analisar a formação de territórios e fronteiras em diferentes tempos e espaços, 
mediante a compreensão das relações de poder que determinam as territorialida-
des e o papel geopolítico dos Estados-nações.
Habilidades
EM13CHS201 – Analisar e caracterizar as dinâmicas das populações, das mercadorias e do capital nos diversos con-
tinentes, com destaque para a mobilidade e a fixação de pessoas, grupos humanos e povos, em função de eventos 
naturais, políticos, econômicos, sociais, religiosos e culturais, de modo a compreender e posicionar-se criticamente 
em relação a esses processos e às possíveis relações entre eles.
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BNCC
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9
EM13CHS202 – Analisar e avaliar os impactos das tecnologias na estruturação e nas dinâmicas de grupos, povos e 
sociedades contemporâneos (fluxos populacionais, financeiros, de mercadorias, de informações, de valores éticos 
e culturais etc.), bem como suas interferências nas decisões políticas, sociais, ambientais, econômicas e culturais.
EM13CHS203 – Comparar os significados de território, fronteiras e vazio (espacial, temporal e cultural) em diferen-
tes sociedades, contextualizando e relativizando visões dualistas (civilização/barbárie, nomadismo/sedentarismo, 
esclarecimento/obscurantismo, cidade/campo, entre outras).
EM13CHS204 – Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de territórios, territorialida-
des e fronteiras, identificando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Na-
cionais e organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos e externos), a diversidade 
étnico-cultural e as características socioeconômicas, políticas e tecnológicas.
EM13CHS205 – Analisar a produção de diferentes territorialidades em suas dimensões culturais, econômicas, am-
bientais, políticas e sociais, no Brasil e no mundo contemporâneo, com destaque para as culturas juvenis.
EM13CHS206 – Analisar a ocupação humana e a produção do espaço em diferentes tempos, aplicando os princípios 
de localização, distribuição, ordem, extensão, conexão, arranjos, casualidade, entre outros que contribuem para o 
raciocínio geográfico.
Competência específica 3
Analisar e avaliar criticamente as relações de diferentes grupos, povos e socieda-
des com a natureza (produção, distribuição e consumo) e seus impactos econômi-
cos e socioambientais, com vistas à proposição de alternativas que respeitem e pro-
movam a consciência, a ética socioambiental e o consumo responsável em âmbito 
local, regional, nacional e global.
Habilidades
EM13CHS301 – Problematizar hábitos e práticas individuais e coletivos de produção, reaproveitamento e descarte 
de resíduos em metrópoles, áreas urbanas e rurais, e comunidades com diferentes características socioeconômi-
cas, e elaborar e/ou selecionar propostas de ação que promovam a sustentabilidade socioambiental, o combate à 
poluição sistêmica e o consumo responsável.
EM13CHS302 – Analisar e avaliar criticamente os impactos econômicos e socioambientais de cadeias produtivas 
ligadas à exploração de recursos naturais e às atividades agropecuárias em diferentes ambientes e escalas de aná-
lise, considerando o modo de vida das populações locais – entre elas as indígenas, quilombolas e demais comunida-
des tradicionais –, suas práticas agroextrativistas e o compromisso com a sustentabilidade.
EM13CHS303 – Debater e avaliar o papel da indústria cultural edas culturas de massa no estímulo ao consumismo, 
seus impactos econômicos e socioambientais, com vistas à percepção crítica das necessidades criadas pelo consu-
mo e à adoção de hábitos sustentáveis.
EM13CHS304 – Analisar os impactos socioambientais decorrentes de práticas de instituições governamentais, de 
empresas e de indivíduos, discutindo as origens dessas práticas, selecionando, incorporando e promovendo aquelas 
que favoreçam a consciência e a ética socioambiental e o consumo responsável.
EM13CHS305 – Analisar e discutir o papel e as competências legais dos organismos nacionais e internacionais de 
regulação, controle e fiscalização ambiental e dos acordos internacionais para a promoção e a garantia de práticas 
ambientais sustentáveis.
EM13CHS306 – Contextualizar, comparar e avaliar os impactos de diferentes modelos socioeconômicos no uso dos 
recursos naturais e na promoção da sustentabilidade econômica e socioambiental do planeta (como a adoção dos 
sistemas da agrobiodiversidade e agroflorestal por diferentes comunidades, entre outros)
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10
Competência específica 4
Analisar as relações de produção, capital e trabalho em diferentes territórios, con-
textos e culturas, discutindo o papel dessas relações na construção, consolidação e 
transformação das sociedades.
Habilidades
EM13CHS401 – Identificar e analisar as relações entre sujeitos, grupos, classes sociais e sociedades com culturas 
distintas diante das transformações técnicas, tecnológicas e informacionais e das novas formas de trabalho ao 
longo do tempo, em diferentes espaços (urbanos e rurais) e contextos.
EM13CHS402 – Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e 
tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.
EM13CHS403 – Caracterizar e analisar os impactos das transformações tecnológicas nas relações sociais e de 
trabalho próprias da contemporaneidade, promovendo ações voltadas à superação das desigualdades sociais, da 
opressão e da violação dos Direitos Humanos.
EM13CHS404 – Identificar e discutir os múltiplos aspectos do trabalho em diferentes circunstâncias e contextos 
históricos e/ou geográficos e seus efeitos sobre as gerações, em especial, os jovens, levando em consideração, na 
atualidade, as transformações técnicas, tecnológicas e informacionais.
Competência específica 5
Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito e violência, 
adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos e solidários, e respeitando os 
Direitos Humanos.
Habilidades
EM13CHS501 – Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando proces-
sos que contribuem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o 
empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade.
EM13CHS502 – Analisar situações da vida cotidiana, estilos de vida, valores, condutas etc., desnaturalizando e pro-
blematizando formas de desigualdade, preconceito, intolerância e discriminação, e identificar ações que promovam 
os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às liberdades individuais.
EM13CHS503 – Identificar diversas formas de violência (física, simbólica, psicológica etc.), suas principais vítimas, 
suas causas sociais, psicológicas e afetivas, seus significados e usos políticos, sociais e culturais, discutindo e ava-
liando mecanismos para combatê-las, com base em argumentos éticos.
EM13CHS504 – Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações culturais, sociais, 
históricas, científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores 
de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas.
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11
Competência específica 6
Participar do debate público de forma crítica, respeitando diferentes posições e fa-
zendo escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liber-
dade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
Habilidades
EM13CHS601 – Identificar e analisar as demandas e os protagonismos políticos, sociais e culturais dos povos in-
dígenas e das populações afrodescendentes (incluindo as quilombolas) no Brasil contemporâneo considerando a 
história das Américas e o contexto de exclusão e inclusão precária desses grupos na ordem social e econômica 
atual, promovendo ações para a redução das desigualdades étnico-raciais no país.
EM13CHS602 – Identificar e caracterizar a presença do paternalismo, do autoritarismo e do populismo na política, 
na sociedade e nas culturas brasileira e latino-americana, em períodos ditatoriais e democráticos, relacionando-os 
com as formas de organização e de articulação das sociedades em defesa da autonomia, da liberdade, do diálogo e 
da promoção da democracia, da cidadania e dos direitos humanos na sociedade atual.
EM13CHS603 – Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de suas experiências políticas e de 
exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e regimes de governo, 
soberania etc.).
EM13CHS604 – Discutir o papel dos organismos internacionais no contexto mundial, com vistas à elaboração de 
uma visão crítica sobre seus limites e suas formas de atuação nos países, considerando os aspectos positivos e 
negativos dessa atuação para as populações locais.
EM13CHS605 – Analisar os princípios da declaração dos Direitos Humanos, recorrendo às noções de justiça, igual-
dade e fraternidade, identificar os progressos e entraves à concretização desses direitos nas diversas sociedades 
contemporâneas e promover ações concretas diante da desigualdade e das violações desses direitos em diferentes 
espaços de vivência, respeitando a identidade de cada grupo e de cada indivíduo.
EM13CHS606 – Analisar as características socioeconômicas da sociedade brasileira – com base na análise de do-
cumentos (dados, tabelas, mapas etc.) de diferentes fontes – e propor medidas para enfrentar os problemas identi-
ficados e construir uma sociedade mais próspera, justa e inclusiva, que valorize o protagonismo de seus cidadãos e 
promova o autoconhecimento, a autoestima, a autoconfiança e a empatia.
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Competências específicas e habilidades de 
Linguagens e suas Tecnologias para o Ensino Médio
COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 1
Compreender o funcionamento das diferentes 
linguagens e práticas (artísticas, corporais e 
verbais) e mobilizar esses conhecimentos na 
recepção e produção de discursos nos diferen-
tes campos de atuação social e nas diversas 
mídias, para ampliar as formas de participação 
social, o entendimento e as possibilidades de 
explicação e interpretação crítica da realidade 
e para continuar aprendendo.
HABILIDADES
EM13LGG101 Compreender e analisar processos de produ-
ção e circulação de discursos, nas diferentes linguagens, 
para fazer escolhas fundamentadas em função de interes-
ses pessoais e coletivos.
EM13LGG102 Analisar visões de mundo, conflitos de inte-
resse, preconceitos e ideologias presentes nos discursos 
veiculados nas diferentes mídias, ampliando suas possibi-
lidades de explicação, interpretação e intervenção crítica 
da/na realidade.
EM13LGG104 Utilizar as diferentes linguagens, levando em 
conta seus funcionamentos, para a compreensão e produ-
ção de textos e discursos em diversos campos de atuação 
social.
COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 2
Compreender os processos identitários, con-
flitos e relações de poder que permeiam as 
práticas sociais de linguagem, respeitar as di-
versidades,a pluralidade de ideias e posições 
e atuar socialmente com base em princípios e 
valores assentados na democracia, na igual-
dade e nos Direitos Humanos, exercitando a 
empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e 
a cooperação, e combatendo preconceitos de 
qualquer natureza.
HABILIDADES
EM13LGG201 Utilizar adequadamente as diversas lingua-
gens (artísticas, corporais e verbais) em diferentes contex-
tos, valorizando-as como fenômeno social, cultural, históri-
co, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso.
EM13LGG202 Analisar interesses, relações de poder e pers-
pectivas de mundo nos discursos das diversas práticas de 
linguagem (artísticas, corporais e verbais), para compreen-
der o modo como circulam, constituem-se e (re)produzem 
significação e ideologias.
COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 3
Utilizar diferentes linguagens (artísticas, cor-
porais e verbais) para exercer, com autonomia 
e colaboração, protagonismo e autoria na vida 
pessoal e coletiva, de forma crítica, criativa, 
ética e solidária, defendendo pontos de vista 
que respeitem o outro e promovam os Direitos 
Humanos, a consciência socioambiental e o 
consumo responsável, em âmbito local, regio-
nal e global.
HABILIDADES
EM13LGG301 Participar de processos de produção individual 
e colaborativa em diferentes linguagens (artísticas, corpo-
rais e verbais), levando em conta seus funcionamentos, 
para produzir sentidos em diferentes contextos.
EM13LGG302 Posicionar-se criticamente diante de diversas 
visões de mundo presentes nos discursos em diferentes 
linguagens, levando em conta seus contextos de produção 
e de circulação.
EM13LGG303 Debater questões polêmicas de relevância 
social, analisando diferentes argumentos e opiniões, para 
formular, negociar e sustentar posições, frente à análise de 
perspectivas distintas.
EM13LGG305 Mapear e criar, por meio de práticas de lingua-
gem, possibilidades de atuação social, política, artística e 
cultural para enfrentar desafios contemporâneos, discutin-
do princípios e objetivos dessa atuação de maneira crítica, 
criativa, solidária e ética.
COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 5
Compreender os processos de produção e ne-
gociação de sentidos nas práticas corporais, 
reconhecendo-as e vivenciando-as como for-
mas de expressão de valores e identidades, 
em uma perspectiva democrática e de respeito 
à diversidade.
HABILIDADES
EM13LGG502 Analisar criticamente preconceitos, estereóti-
pos e relações de poder subjacentes presentes nas práticas 
corporais, adotando posicionamento contrário a qualquer 
manifestação de injustiça e desrespeito a direitos humanos 
e valores democráticos.
CADERN
O
BNCC
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COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 6
Apreciar esteticamente as mais diversas pro-
duções artísticas e culturais, considerando 
suas características locais, regionais e glo-
bais, e mobilizar seus conhecimentos sobre 
as linguagens artísticas para dar significado e 
(re)construir produções autorais individuais e 
coletivas, exercendo protagonismo de maneira 
crítica e criativa, com respeito à diversidade de 
saberes, identidades e culturas.
HABILIDADES
EM13LGG601 Apropriar-se do patrimônio artístico de diferentes 
tempos e lugares, compreendendo a sua diversidade, bem como 
os processos de legitimação das manifestações artísticas na 
sociedade, desenvolvendo visão crítica e histórica.
EM13LGG603 Expressar-se e atuar em processos de criação au-
torais individuais e coletivos nas diferentes linguagens artísticas 
(artes visuais, audiovisual, dança, música e teatro) e nas inter-
secções entre elas, recorrendo a referências estéticas e culturais, 
conhecimentos de naturezas diversas (artísticos, históricos, so-
ciais e políticos) e experiências individuais e coletivas.
EM13LGG604 Relacionar as práticas artísticas às diferentes di-
mensões da vida social, cultural, política, histórica e econômica 
e identificar o processo de construção histórica dessas práticas.
COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 7
Mobilizar práticas de linguagem no universo di-
gital, considerando as dimensões técnicas, crí-
ticas, criativas, éticas e estéticas, para expandir 
as formas de produzir sentidos, de engajar-se 
em práticas autorais e coletivas, e de aprender a 
aprender nos campos da ciência, cultura, traba-
lho, informação e vida pessoal e coletiva.
HABILIDADES
EM13LGG702 Avaliar o impacto das tecnologias digitais da informa-
ção e comunicação (TDIC) na formação do sujeito e em suas prá-
ticas sociais, para fazer uso crítico dessa mídia em práticas de se-
leção, compreensão e produção de discursos em ambiente digital.
EM13LGG703 Utilizar diferentes linguagens, mídias e ferramen-
tas digitais em processos de produção coletiva, colaborativa e 
projetos autorais em ambientes digitais.
Competências específicas e habilidades de 
Matemática e suas Tecnologias para o Ensino Médio
COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 1
Utilizar estratégias, conceitos e procedi-
mentos matemáticos para interpretar situa-
ções em diversos contextos, sejam ativida-
des cotidianas, sejam fatos das Ciências da 
Natureza e Humanas, das questões socioe-
conômicas ou tecnológicas, divulgados por 
diferentes meios, de modo a contribuir para 
uma formação geral.
HABILIDADES
EM13MAT101 Interpretar criticamente situações econômicas, 
sociais e fatos relativos às Ciências da Natureza que envolvam 
a variação de grandezas, pela análise dos gráficos das funções 
representadas e das taxas de variação, com ou sem apoio de tec-
nologias digitais.
EM13MAT102 Analisar tabelas, gráficos e amostras de pesqui-
sas estatísticas apresentadas em relatórios divulgados por dife-
rentes meios de comunicação, identificando, quando for o caso, 
inadequações que possam induzir a erros de interpretação, 
como escalas e amostras não apropriadas.
Competências específicas e habilidades de Ciências 
da Natureza e suas Tecnologias para o Ensino Médio
COMPETÊNCIA ESPECÍFICA 3
Investigar situações-problema e avaliar apli-
cações do conhecimento científico e tecnoló-
gico e suas implicações no mundo, utilizando 
procedimentos e linguagens próprios das 
Ciências da Natureza, para propor soluções 
que considerem demandas locais, regionais 
e/ou globais, e comunicar suas descobertas e 
conclusões a públicos variados, em diversos 
contextos e por meio de diferentes mídias e 
tecnologias digitais de informação e comuni-
cação (TDIC).
HABILIDADES
EM13CNT301 Construir questões, elaborar hipóteses, previsões 
e estimativas, empregar instrumentos de medição e representar 
e interpretar modelos explicativos, dados e/ou resultados experi-
mentais para construir, avaliar e justificar conclusões no enfren-
tamento de situações-problema sob uma perspectiva científica.
EM13CNT302 Comunicar, para públicos variados, em diversos 
contextos, resultados de análises, pesquisas e/ou experimen-
tos, elaborando e/ou interpretando gráficos, tabelas, símbolos, 
códigos, sistemas de classificação e equações, por meio de dife-
rentes linguagens, mídias, tecnologias digitais de informação e 
comunicação (TDIC), de modo a participar e/ou promover deba-
tes em torno de temas científicos e/ou tecnológicos de relevân-
cia sociocultural e ambiental.
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SUMÁRIO
Caderno BNCC 6
Capítulo 1 
Democracia e ditadura no Brasil e 
na América Latina ................................... 18
Democracia e ditadura como conceitos opostos .............. 19
Do século XIX ao XX: América hispano-portuguesa 
nos limites da independência ................................................ 22
Os limites da independência ................................................................ 22
Cenários da América hispânica: da independência ao século XXI ... 22
Destaques da América Latina depois da Independência 28
México .....................................................................................................28
América Central e Caribe ....................................................................... 30
Brasil: da independência ao século XXI ............................... 35
Os excluídos nessa história do Brasil: negros e indígenas ............... 37
Brasil: do século XIX à República da Era Vargas ................................. 38
Atuações governamentais no Brasil 
democrático pós-Estado Novo................................................ 45
Mobilizações sociais e atuações nos governos 
ditatoriais do Brasil .................................................................... 50
Atuações sociais para a democracia: as heranças 
paternalistas e autoritárias no século XXI .......................................... 56
Capítulo 2 
Desafios para construção da 
justiça social no Brasil ............................ 62
Diversidade, particularidades e igualdade ......................... 64
Emancipação das mulheres ................................................................. 65
A inclusão de negros e indígenas ....................................................... 70
Os idosos ................................................................................................ 75
Os jovens ................................................................................................. 76
• Prática
Relembrar é preciso: como foi a ditadura militar-civil no Brasil? .. 88
Dimensões 
da 
cidadania
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Capítulo 3 
A cidade e a cidadania ........................... 96
A cidade e o cidadão .................................................................. 98
O processo de urbanização ..................................................... 100
Rede e hierarquia urbanas ...................................................... 104
Os problemas sociais urbanos ............................................... 112
Desigualdades e segregação socioespacial ....................................... 112
O problema da moradia .......................................................................... 114
Capítulo 4 
Direitos Humanos e prática social ........... 122
Gênese dos Direitos Humanos ............................................... 123
Documentos ................................................................................ 124
Re!exões sobre os Direitos Humanos ................................. 130
Os Direitos Humanos e a atuação das ONGs ...................... 136
Principais ONGs de atuação nacional e internacional ..... 138
Anti-Slavery International ..................................................................... 138
Human Rights Watch ............................................................................. 138
Anistia Internacional .............................................................................. 140
Médicos Sem Fronteiras ........................................................................ 141
Oxfam ...................................................................................................... 142
Repórteres Sem Fronteiras ................................................................... 142
Observatório da Imprensa .................................................................... 144
Os Direitos Humanos no mundo e 
os desa"os em crescimento .................................................. 144
• Prática
O que acontece na praça? .................................................... 152
Caminhos 
da 
cidadania
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Referências bibliográficas comentadas 158
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Dimensões 
da cidadania1
UNIDA
D
E
O texto abaixo, elaborado pela cientista política Mônica Sodré, pelo professor da USP e cientista 
político José Álvaro Moisés e pelo sociólogo Floriano Pesaro, aponta que a democracia está sob 
risco em vários países, incluindo o Brasil. Ao final responda às questões propostas.
Nem só de eleições vivem as democracias
Pela primeira vez neste século, a maior parte do mundo não é uma democracia. Isso não se 
explica apenas pelas suas dificuldades em locais nos quais já estava consolidada — como nos 
EUA e na Europa ocidental —, mas também pelo surgimento de regimes híbridos, que mantêm os 
aspectos eleitorais enquanto suprimem liberdades de imprensa e de expressão, caso de Hungria e 
Filipinas.
Sua retração global é sentida em disputas eleitorais enviesadas, vulnerabilidade a rupturas, 
manifestações populares, desrespeito à oposição, censura à imprensa, esvaziamento dos partidos e 
dos Parlamentos e perseguições.
Regimes democráticos não se realizam somente com a garantia de eleições livres, regulares 
e justas. Sua realização envolve o entendimento cotidiano de seus valores, incorporados em suas 
normas e comportamentos, e a existência de condições, inclusive materiais, que assegurem aos 
cidadãos a capacidade de interferir nos rumos do país e da política.
Sua superioridade frente a outras formas de organização da vida coletiva se justifica por três 
aspectos: é a única na qual os direitos de existência, expressão e participação das minorias são 
respeitados e preservados, as decisões são consideradas vinculativas por excelência e, por fim, na 
qual se pressupõe aceitação às regras do jogo.
No Brasil, nosso período democrático mais longevo completou 30 anos e nossa democracia 
liberal encontra-se sob risco permanente e com gradativa morte de seu vigor.
Morre todos os dias, quando há estímulo da violência por parte de quem ocupa postos de 
poder. Quando os que ocupam tais posições reivindicam para si a representação exclusiva do 
povo e seus interesses. Quando os limites entre público e privado ficam quase invisíveis. Quando 
há esforço para refundar o passado e brigar com a ciência. Quando a desinformação vira arma e 
as instituições passam a ser orientadas por uma visão que tem como finalidade esvaziá-las 
de capacidade. Quando a inserção internacional e, portanto, a capacidade de cooperação e 
relacionamento externos são comprometidas. Quando não há mais imagem externa a zelar.
SODRÉ, Mônica; MOISÉS, José Álvaro; PESARO, Floriano. Nem só de eleições vivem as democracias. 
Folha de S.Paulo, 9 ago. 2020. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/opiniao/2020/08/
nem-so-de-eleicoes-vivem-as-democracias.shtml. Acesso em: 10 ago. 2020.
Context
o
ESSE TEMA SERÁ 
RETOMADO NA 
SEÇÃO PRÁTICA
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Jovem votando nas eleições de 2014 na cidade do Rio de Janeiro, RJ.
1. Quais são os entraves e ameaças à democracia apontados no artigo?
2. Em que a democracia é o regime político superior, segundo os autores?
3. Se a democraia é um sistema no qual prevalece a vontade da maioria, por que os autores afirmam 
que nesse regime os direitos das minorias são respeitados e valorizados?
4. Como podemos revigorar a atual democracia brasileira?
Ver respostas e orientações no Manual do Professor.
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NÃO ESCREVA NO LIVRO
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A participação da sociedade nos assuntos públi-
cos ocorre por meio do exercício dos direitos políti-
cos. De todos esses direitos, o voto é o mais conhe-
cido e o mais exercido e é por ele que cada indivíduo 
expressa sua vontade na escolha de representantes 
políticos.
O artigo 14 (Capítulo IV - Dos direitos políticos) da 
Constituição Brasileira vigente, desde 1988, estabelece 
o sufrágio