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O Estado Novo de Getúlio Vargas (1937–1945) O Estado Novo foi o período mais autoritário do governo de Getúlio Vargas, instaurado após um golpe de Estado em 10 de novembro de 1937. Nesse momento, Vargas alegou a existência de uma conspiração comunista para tomar o poder — o chamado Plano Cohen, um documento falso atribuído ao movimento comunista. A ameaça foi usada como justificativa para suspender as eleições e consolidar um regime ditatorial. Com apoio dos militares, Vargas fechou o Congresso Nacional, extinguiu os partidos políticos, suspendeu as garantias constitucionais e implantou uma nova Constituição, redigida por Francisco Campos, fortemente inspirada nas cartas autoritárias da Itália fascista e da Alemanha nazista. A Constituição de 1937 concentrava amplos poderes nas mãos do presidente: ele podia decretar estado de emergência, nomear interventores estaduais, censurar a imprensa e governar por decretos-leis. Uma das marcas do Estado Novo foi o fortalecimento do papel do Estado na economia. Com uma política nacionalista e intervencionista, Vargas criou empresas estratégicas como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Vale do Rio Doce e o Conselho Nacional do Petróleo (CNP), que posteriormente daria origem à Petrobrás. Essas ações visavam tornar o Brasil menos dependente do capital estrangeiro e fomentar a industrialização, especialmente em setores de base. No campo social, o governo buscava construir uma imagem paternalista e nacionalista. O trabalhador urbano foi valorizado no discurso oficial, e houve o fortalecimento da legislação trabalhista, com destaque para a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), de 1943. A CLT unificou e ampliou direitos como férias, salário mínimo, descanso semanal e regulamentação da jornada de trabalho. No entanto, os sindicatos eram fortemente controlados pelo Estado, e qualquer oposição política era reprimida. A propaganda foi um dos pilares do Estado Novo. O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) foi criado em 1939 para controlar a comunicação e divulgar a imagem de Vargas como o “Pai dos Pobres”. O DIP censurava jornais, livros, revistas e peças de teatro, além de produzir conteúdos que enalteciam o governo. A rádio foi um dos principais instrumentos usados para atingir as massas: Vargas falava diretamente ao povo por meio do programa “A Hora do Brasil” (posteriormente chamado de “A Voz do Brasil”), reforçando a ideia de um líder próximo e benevolente. Vargas também estimulava símbolos nacionais, como a bandeira e o hino, e buscava integrar o território nacional, inclusive com políticas voltadas para a “brasilidade”, como a campanha de nacionalização nas regiões de colonização estrangeira, onde se proibiu o uso de línguas estrangeiras em escolas, igrejas e associações. Apesar da repressão política, censura e prisões de opositores — como comunistas e integralistas —, o Estado Novo promoveu avanços na infraestrutura, modernização do Estado e urbanização. No entanto, a contradição entre lutar contra o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial (ao lado dos Aliados) e manter uma ditadura interna tornou-se insustentável. Com o fim da guerra e o aumento da pressão popular e militar por redemocratização, Vargas foi deposto em outubro de 1945, pondo fim ao Estado Novo. PERGUNTAS: 1 - O que foi o Plano Cohen e como ele foi utilizado por Getúlio Vargas para instaurar o Estado Novo? 2 - Quais foram as principais medidas políticas implementadas por Vargas após o golpe de 1937? 3 - Cite pelo menos duas empresas ou instituições criadas durante o Estado Novo e explique seus objetivos. 4 - Qual foi o papel da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) no projeto de governo de Vargas? 5 - De que forma o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) e o rádio foram usados para promover a imagem de Vargas? 6 - Quais contradições internas e externas contribuíram para o fim do Estado Novo em 1945? O Estado Novo de Getúlio Vargas (1937–1945) O Estado Novo foi o período mais autoritário do governo de Getúlio Vargas, instaurado após um golpe de Estado em 10 de novembro de 1937. Nesse momento, Vargas alegou a existência de uma conspiração comunista para tomar o poder — o chamado Plano Cohen, um documento falso atribuído ao movimento comunista. A ameaça foi usada como justificativa para suspender as eleições e consolidar um regime ditatorial. Com apoio dos militares, Vargas fechou o Congresso Nacional, extinguiu os partidos políticos, suspendeu as garantias constitucionais e implantou uma nova Constituição, redigida por Francisco Campos, fortemente inspirada nas cartas autoritárias da Itália fascista e da Alemanha nazista. A Constituição de 1937 concentrava amplos poderes nas mãos do presidente: ele podia decretar estado de emergência, nomear interventores estaduais, censurar a imprensa e governar por decretos-leis. Uma das marcas do Estado Novo foi o fortalecimento do papel do Estado na economia. Com uma política nacionalista e intervencionista, Vargas criou empresas estratégicas como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Vale do Rio Doce e o Conselho Nacional do Petróleo (CNP), que posteriormente daria origem à Petrobrás. Essas ações visavam tornar o Brasil menos dependente do capital estrangeiro e fomentar a industrialização, especialmente em setores de base. No campo social, o governo buscava construir uma imagem paternalista e nacionalista. O trabalhador urbano foi valorizado no discurso oficial, e houve o fortalecimento da legislação trabalhista, com destaque para a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), de 1943. A CLT unificou e ampliou direitos como férias, salário mínimo, descanso semanal e regulamentação da jornada de trabalho. No entanto, os sindicatos eram fortemente controlados pelo Estado, e qualquer oposição política era reprimida. A propaganda foi um dos pilares do Estado Novo. O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) foi criado em 1939 para controlar a comunicação e divulgar a imagem de Vargas como o “Pai dos Pobres”. O DIP censurava jornais, livros, revistas e peças de teatro, além de produzir conteúdos que enalteciam o governo. A rádio foi um dos principais instrumentos usados para atingir as massas: Vargas falava diretamente ao povo por meio do programa “A Hora do Brasil” (posteriormente chamado de “A Voz do Brasil”), reforçando a ideia de um líder próximo e benevolente. Vargas também estimulava símbolos nacionais, como a bandeira e o hino, e buscava integrar o território nacional, inclusive com políticas voltadas para a “brasilidade”, como a campanha de nacionalização nas regiões de colonização estrangeira, onde se proibiu o uso de línguas estrangeiras em escolas, igrejas e associações. Apesar da repressão política, censura e prisões de opositores — como comunistas e integralistas —, o Estado Novo promoveu avanços na infraestrutura, modernização do Estado e urbanização. No entanto, a contradição entre lutar contra o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial (ao lado dos Aliados) e manter uma ditadura interna tornou-se insustentável. Com o fim da guerra e o aumento da pressão popular e militar por redemocratização, Vargas foi deposto em outubro de 1945, pondo fim ao Estado Novo. PERGUNTAS: 1 - O que foi o Plano Cohen e como ele foi utilizado por Getúlio Vargas para instaurar o Estado Novo? 2 - Quais foram as principais medidas políticas implementadas por Vargas após o golpe de 1937? 3 - Cite pelo menos duas empresas ou instituições criadas durante o Estado Novo e explique seus objetivos. 4 - Qual foi o papel da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) no projeto de governo de Vargas? 5 - De que forma o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) e o rádio foram usados para promover a imagem de Vargas? 6 - Quais contradições internas e externas contribuíram para o fim do Estado Novo em 1945?