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FACULDADE ANCHIETA DE ENSINO SUPERIOR DO PARANÁ – FAESP 
CURSO PEDAGOGIA - LICENCIATURA 
 
 
 
 
ANTONIA SUELI MALTEMPI 
ARIANE VANESSA PAULIN 
 
 
 
 
 
O ATENDIMENTO PEDAGÓGICO NO ESPAÇO HOSPITALAR: 
O CASO DO HOSPITAL DO TRABALHADOR DE CURITIBA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURITIBA 
DEZEMBRO/2010 
ANTONIA SUELI MALTEMPI 
ARIANE VANESSA PAULIN 
 
 
 
 
 
 
O ATENDIMENTO PEDAGÓGICO NO ESPAÇO HOSPITALAR: 
O CASO DO HOSPITAL DO TRABALHADOR DE CURITIBA 
 
 
 
Monografia apresentada como requisito 
parcial de conclusão de curso de 
Pedagogia, Licenciatura, da Faculdade 
Anchieta de Ensino Superior do Paraná – 
FAESP. 
 
Orientadora: Profª. Ms. Ivana Cristina 
Lima de Almeida 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURITIBA 
DEZEMBRO/2010 
TERMO DE APROVAÇÃO 
 
ANTONIA SUELI MALTEMPI 
ARIANE VANESSA PAULIN 
 
CURSO PEDAGOGIA LICENCIATURA 
BANCA EXAMINADORA 
 
 
Professora Ivana Cristina Lima de Almeida 
Faculdade Anchieta de Ensino Superior do Paraná – FAESP - Orientadora 
 
 
Professor Francisco Mauricio Bieniacheski 
Faculdade Anchieta de Ensino Superior do Paraná – FAESP - Examinador 
 
 
Professor Ademir Pinhelli Mendes 
Faculdade Anchieta de Ensino Superior do Paraná – FAESP – Examinador 
 
CURITIBA 
DEZEMBRO / 2010 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedicamos este trabalho a todas as 
pessoas que nos ajudaram e nos 
incentivaram, sobretudo aos nossos 
familiares, amigos e professores que 
sempre estiveram ao nosso lado nos 
momentos em que precisamos. 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Primeiramente, agradeço a “DEUS”, por ter me concedido a vida e poder fazer parte 
desse Seu Universo, e pela luz que ilumina os meus atos. 
A minha filha Michelli e ao meu neto Eduardo, pela compreensão de minhas ausências 
e pelo amor incondicional. 
Aos meus pais que, com toda sua simplicidade, sempre acreditaram na Educação, 
sempre incentivando com palavras, assim: “É só estudando que se consegue ser 
alguém na vida”. 
Aos meus familiares pela compreensão, incentivo e apoio. 
A minha querida amiga Ariane, a minha companheira de caminhada, pois, durante o 
desenvolvimento deste trabalho, nos apoiamos uma na outra, sempre nos encorajando 
para prosseguirmos em frente. 
Aos meus colegas de turma pelos momentos inesquecíveis e pelo aprendizado 
compartilhado. 
A todos os professores que fizeram parte da minha vida acadêmica desde os primeiros 
anos. 
Em especial agradeço a minha professora e orientadora Ivana Cristina Lima de 
Almeida, que nos orientou e abraçou conosco este sonho, encorajou-nos a prosseguir, 
acreditou em nosso potencial e fez com que nós acreditássemos também. 
Obrigada por fazer parte da nossa conquista! 
 
Antonia Sueli Maltempi 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço primeiramente a DEUS, que tem me abençoado neste caminho todos os dias, 
dando-me coragem para que possa vencer os desafios impostos e para buscar novos 
horizontes. 
Aos meus pais pela educação, pelo incentivo e por me lançarem neste anseio 
incessante de crescer, de querer ser mais gente. 
Aos meus familiares pela compreensão, incentivo e apoio. 
A minha querida amiga e companheira de trabalho Antonia, que durante todo o 
processo esteve comigo me apoiando e incentivando para que eu não desanimasse. 
Aos meus colegas de turma, pelos momentos inesquecíveis e pelo aprendizado 
compartilhado. 
A todos os professores, os quais, cada um ao seu modo, puderam contribuir de forma 
decisiva para a minha formação. 
Em especial, agradeço a minha orientadora e professora Ivana Cristina Lima de 
Almeida, por compartilhar seus conhecimentos, pelo empenho e dedicação que 
demonstrou durante a orientação deste trabalho, contribuindo para meu crescimento 
pessoal, acadêmico e profissional. 
Obrigada por fazer parte da nossa conquista! 
 
Ariane Vanessa Paulin 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 De nada adianta toda ciência, toda tecnologia ou todo conhecimento se o ser humano 
não atinge o seu intento. A realização humana só se faz nessa busca incansável. O 
amor e a fraternidade entre pessoas têm levado cada vez mais a humanidade para o 
caminho vertical da evolução do ideal feliz. 
 
Matos & Mugiatti 
 
RESUMO 
 
 
A presente pesquisa tem como objetivo analisar o processo pedagógico em instituições 
hospitalares, em particular no Hospital do Trabalhador de Curitiba (HT). A intenção 
foi acompanhar como ocorre o processo de escolarização com os alunos que não 
podem se deslocar até uma sala de aula, mas que, de acordo com o Estatuto da Criança 
e do Adolescente Hospitalizado, necessitam receber atendimento educacional nas 
unidades de saúde. A Pedagogia Hospitalar vem se expandido no atendimento à 
criança hospitalizada dentro de uma visão humanística, em que vários hospitais do país 
têm procurado enfatizar na sua prática. Nesta perspectiva, além do estado clínico que 
deve ser olhado, também se torna necessário atender à criança e ao adolescente 
integralmente em suas necessidades físicas, psíquicas, afetivas e sociais. Por isso, esse 
estudo de caso baseou-se em pesquisa bibliográfica e de campo, abrangendo análise 
documental, observação e realização de entrevistas com a pedagoga e a professora 
responsáveis pelo trabalho pedagógico dentro do Hospital do Trabalhador – HT – de 
Curitiba. As análises apontam que, ao promover atividades de brincar, pensar, criar e 
trocar ideias, o pedagogo pode estar desenvolvendo uma relação de ensino-
aprendizagem com novos significados para as crianças. 
 
Palavras-chave: Pedagogia Hospitalar. Escolarização Hospitalar. Serviço de 
Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar. Hospital do Trabalhador. Curitiba. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE QUADROS 
 
 
QUADRO 1 - HISTÓRICO DO DESENVOLVIMENTO DA PEDAGOGIA 
 HOSPITALAR NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA ..............................9 
QUADRO 2 - INSTITUIÇÕES CONVENIADAS AO SAREH NO PARANÁ .......27 
QUADRO 3 - PROFISSIONAIS SELECIONADOS PARA ATUAR NAS 
 INSTITUIÇÕES CONVENIADAS ......................................................28 
QUADRO 4 - PLANILHA QUANTITATIVA GERAL SAREH 1º SEMESTRE 
 2008........................................................................................................30 
QUADRO 5 - NÚMERO DE LEITOS ATIVOS .........................................................39 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
FIGURA 1 - ATENDIMENTO ANUAL HT (1998 – 2008) .......................................40 
FIGURA 2 - PALHACINHO PERALTA.....................................................................52 
FIGURA 3 – DESAFIO................................................................................................53 
FIGURA 4 - ATIVIDADE COM DESENHO..............................................................54 
FIGURA 5 – AUTODITADO.......................................................................................55 
FIGURA 6 - PREVENÇÃO DE ACIDENTES DA INFÂNCIA.................................56 
FIGURA 7 - ONDE VIVE MINHA FAMÍLIA............................................................57 
FIGURA 8 - EQUILIBRE A BALANÇA.....................................................................58 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE FOTOGRAFIAS 
 
FOTOGRAFIA 1 – SALA DO SAREH NO HT .........................................................43 
FOTOGRAFIA 2 - ESPAÇO DE PLANEJAMENTO DAS PROFESSORAS...........45 
FOTOGRAFIA 3 - BRINQUEDOTECA DO SETOR DE PEDIATRIA/HT.............51 
FOTOGRAFIA 4 - CRIANÇAS EM ATIVIDADE NA BRINQUEDOTECA..........51 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE SIGLAS 
 
 
AACC - Associação dos Amigosfoi previsto na intenção da 
proposta o acompanhamento aos professores, por meio de reuniões periódicas, para 
discussão do exercício da prática docente em ambiente hospitalar, para que se 
instaurasse um processo de avaliação da implantação do SAREH. 
Além do planejamento de ações de formação continuada, a equipe de 
professores conta com a aquisição de materiais pedagógicos, acervo bibliográfico e 
equipamentos de informática para contribuir na melhoria de suas práticas pedagógicas. 
Assim, busca-se coletivamente valorizar a capacidade intelectual dos professores da 
Rede Pública de Educação Básica do Paraná na produção do conhecimento. 
No intuito de divulgar e socializar as informações relacionadas ao SAREH, a 
SEED/PR tem procurado lançar mão dos recursos das Novas Tecnologias de 
Informação e Comunicação e, por meio do Portal Educacional do Estado do Paraná, 
apresenta um grande número de informações relacionadas a esse serviço, tais como a 
legislação vigente que ampara/normatiza a educação Hospitalar no Brasil; professores 
responsáveis nos 32 Núcleos Regionais de Educação; documento norteador do 
 30 
programa, apontando estratégias e cronograma das ações desencadeadas e previstas, 
além de diagnóstico nacional e levantamento das demandas pelo programa nos NRE; 
além dos projetos desenvolvidos pelas equipes de professores/pedagogos nos hospitais. 
Com o início das atividades do SAREH, em seu primeiro ano de 
funcionamento, dados da Secretaria de Estado da Educação do Paraná revelaram o 
número de crianças e adolescentes atendidos nas unidades conveniadas (conforme 
quadro 4). De acordo com esses registros, percebe-se que a abordagem feita pela 
equipe pedagógica do SAREH fez com que aproximadamente 2.066 crianças e 
adolescentes retornassem aos bancos escolares, embora os dados não apresentem 
informações sobre as especificidades desse atendimento. 
Além do atendimento hospitalar pelo SAREH, procurou-se providenciar aos 
escolares hospitalizados o acesso a salas especiais para participação em provas e 
exames promovidos em instituições governamentais, tais como o Exame Nacional do 
Ensino Médio – ENEM, exames de equivalência, provas de concursos públicos e 
avaliações, Provões da Educação de Jovens e Adultos – EJA, entre outros. 
 
 
QUADRO 4 - PLANILHA QUANTITATIVA GERAL SAREH 1º SEMESTRE 2008 
FONTE: MENEZES, 2008, p.19 
 31 
Os relatos das equipes do SAREH indicaram que, durante os atendimentos 
pedagógicos com esses educandos internados, pais e/ou responsáveis solicitaram 
orientações de como proceder para dar prosseguimento aos seus estudos, que foram 
interrompidos, mobilizados pelos esforços de seus filhos ou parentes. Alguns, ainda se 
declararam analfabetos e demonstraram interesse em iniciar um processo de 
alfabetização. 
Essa constatação possibilitou, em agosto de 2007, formar 12 turmas do 
Programa de Alfabetização da Secretaria de Estado da Educação do Paraná 
denominado Paraná Alfabetizado, promovendo ações no sentido de reduzir a taxa de 
analfabetismo encontrada entre os familiares dos alunos internados e/ou em tratamento 
nas unidades conveniadas. Devido à demanda, reativou-se o Centro Estadual de 
Educação Básica para Jovens e Adultos – CEEBJA – para atender funcionários do 
Hospital do Trabalhador, que se encontravam fora do sistema de ensino. 
Segundo Menezes (2009), o SAREH se configura como fruto do 
reconhecimento oficial de que, independentemente do período de hospitalização, os 
educandos em situação de internamento têm garantido o direito à educação. Esse 
serviço vem ao encontro dos princípios estabelecidos na política educacional para o 
Estado do Paraná, garantindo a estes que uma enfermidade eventual não seja 
considerada apenas como uma fase dolorosa em suas vidas, mas, também, como um 
período em que eles possam usufruir dos seus direitos como cidadãos. 
 
3.1 O DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO DO SAREH: AÇÕES E 
ESTRATÉGIAS 
 
O SAREH tem como objetivo implantar o atendimento educacional aos 
educandos que se encontram impossibilitados de frequentar a escola em virtude de 
situações de internamento hospitalar ou sob outras formas de tratamento de saúde, 
permitindo-lhes a continuidade do processo de escolarização, bem como a reinserção 
em seu ambiente escolar. 
 32 
De acordo com o documento base do SAREH (s/d, p.6), dispor de atendimento 
educacional no hospital, mesmo que por um tempo mínimo, tem caráter fundamental 
para a criança hospitalizada, uma vez que este tipo de atendimento possibilita ao aluno 
sentir-se parte de um sistema estruturado com igualdade de condições para o acesso ao 
conhecimento, mantendo seu vínculo com sua realidade fora do hospital e assegurando 
o seu desenvolvimento intelectual. Por outro lado, este processo de escolarização 
auxilia na recuperação, diminuindo o estresse causado pela situação da doença, 
ocupando o tempo ocioso e possibilitando, inclusive, a redução do período de 
internação. 
Compreendendo que o cotidiano pedagógico na diversidade humana não se dá 
apenas no espaço escolar, mas também em diferentes espaços e tempos escolares, 
enfatiza-se a importância do atendimento educacional hospitalar que regulamenta, 
segundo Fonseca (1999, p. 3), 
 
uma política voltada para as necessidades pedagógico-educacionais e os 
direitos à educação e a saúde desta clientela que se encontra em particular 
estágio de vida, tanto em relação ao crescimento e desenvolvimento, quanto 
em relação à construção de estratégias sócio-interativas para o viver 
individual e em coletividade. 
 
 
A autora enfatiza, portanto, a importância do estabelecimento de políticas que 
garantam os direitos e as necessidades dos alunos. 
Quanto à organização do trabalho pedagógico, no ambiente hospitalar do 
SAREH esta tarefa é de responsabilidade do pedagogo. É ele quem coordena, 
acompanha e avalia todo o trabalho. Sua atuação nessa organização é muito ampla, 
envolvendo não só o trabalho com o aluno e o professor, mas também com a família, 
com a instituição conveniada, com a escola de origem, com o Núcleo Regional de 
Educação (NRE) e a Secretaria Estadual de Educação do Paraná (SEED/PR). 
O professor que trabalha no SAREH atua ministrando aulas das disciplinas 
pertinentes a uma determinada área de conhecimento: o de Ciências Humanas ministra 
aulas das disciplinas de História, Geografia, Sociologia, Filosofia e Ensino Religioso; 
o de Linguagens, aulas de Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna – Inglês, 
 33 
Educação Física e Arte; e o de Ciências Exatas trabalha as disciplinas de Matemática, 
Ciências, Física, Química e Biologia. 
O documento norteador do SAREH é a Normativa nº 006/2008 – 
SUED/SEED (anexo 2), que estabelece os seguintes procedimentos para a implantação 
e atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar: 
 
1. O Serviço de Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar visa o atendimento 
educacional público, aos educandos matriculados ou não na Educação Básica, nos 
seus níveis e modalidades, impossibilitados de freqüentar a escola por motivos de 
enfermidade, em virtude de situação de internamento hospitalar ou de outras formas 
de tratamento de saúde, oportunizando a continuidade no processo de escolarização, 
a inserção ou a reinserção em seu ambiente escolar. 
2. O Serviço de Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar será ofertado nas 
instituições que mantiverem Termo de Cooperação Técnica com a Secretaria de 
Estado da Educação. 
3. O Serviço de Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar será desenvolvido 
por professores e pedagogos do Quadro Próprio do Magistério, previamente 
selecionados, conforme Edital publicado pela Secretaria de Estado da Educação. 
(SUED/SEED-PR, 2008, p. 1). 
 
 
Além disso, a Normativa estabelece as atribuições a cada Departamento 
envolvido, são eles: Secretaria do Estado da Educação, Núcleo Regional de Educação - 
NRE, Pedagogos e Professores, Estabelecimentosde ensino de origem e Instituições 
Conveniadas. 
O Programa segue as Diretrizes Curriculares Estaduais e, para atender e 
responder efetivamente às necessidades educacionais especiais dos alunos que 
participam desse serviço, faz-se necessário modificar os procedimentos de ensino, 
tanto introduzindo atividades alternativas às previstas como introduzindo atividades 
complementares de forma a favorecê-los durante o período necessário. 
Dessa forma, são realizadas Adaptações Curriculares de pequeno porte que 
podem ser implementadas em várias áreas e momentos da atuação do professor. Com 
relação ao conteúdo ensinado, a adaptação pode “ser a priorização de tipos de 
conteúdos, a priorização de áreas ou unidades de conteúdos, a reformulação da 
sequência de conteúdos, ou ainda, a eliminação de conteúdos secundários, 
acompanhando as adaptações propostas para os objetivos educacionais” (BRASIL, 
 34 
2000, p. 24). O ajuste dessas ações pedagógicas deve estar atrelado ao processo de 
aprendizagem do aluno. 
Os alunos atendidos pelo SAREH podem estar matriculados ou não na 
Educação Básica, podem estar em escolas Públicas ou privadas, de 5ª à 8ª série do 
Ensino Fundamental, do 1º ao 3º ano do Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos, 
Educação Especial e de 1ª à 4ª série do Ensino Fundamental quando a Instituição não 
tem parceria com a Rede Municipal de Educação. 
Ao iniciar o trabalho com o aluno, o professor faz uma abordagem para 
verificar se naquele momento ele está em condições físicas e emocionais para receber 
atendimento, além de aplicar as noções de “técnicas de assepsia” que fazem parte da 
rotina do hospital. Em seguida, o professor realiza uma nova sondagem para verificar 
os conteúdos que poderão ser trabalhados, levando em consideração a série, a idade e a 
compreensão do mesmo sobre o conteúdo, a disciplina que o internado mais gosta, ou 
que menos gosta, o que quer aprender ou ainda o que tem dificuldade, esse 
levantamento é feito por meio de uma ficha de Diagnóstico Pedagógico (anexo 3). 
Partindo da identificação do interesse e dificuldades do aluno, o professor 
seleciona, de acordo com a série em que está matriculado cada aluno, uma atividade 
que contemple um dos conteúdos essenciais listados a partir do rol de conteúdos 
estruturantes apontados pelas Diretrizes Curriculares da Educação Básica do Paraná. 
 Após isso, inicia-se o trabalho pedagógico de forma lúdica, levando em conta 
o bem estar do mesmo, sem deixar de “exercitar a premissa de que cada dia de 
trabalho na escola se constrói com atividades que têm começo, meio e fim quando 
desenvolvidas” (FONSECA, 2001, p. 40). A avaliação é um processo contínuo e cada 
aula pressupõe um “observar” se houve avanço/progresso em relação ao domínio do 
conteúdo e em que medida isso ocorreu. 
A vida escolar do educando hospitalizado está registrada pelas informações 
advindas da escola de origem, durante a hospitalização, e nos dados apontados na 
Ficha Individual de Atendimento Pedagógico Hospitalar (anexo 4). Também são 
feitos, pelos professores, pareceres das disciplinas que deverão ser anexados à Ficha 
Individual do internado, feita pelo pedagogo do SAREH (anexo 5). 
 35 
Em seguida, o hospital entra em contato com a escola por meio de um Informe 
Pedagógico (anexo 6) e solicita ao aluno em processo de tratamento de saúde um 
acompanhamento pedagógico diferenciado no período em que permanecer ausente da 
escola, em virtude de atestado médico. Nesse informe, o hospital salienta que deve ser 
respeitado o ritmo de reinserção do aluno no ambiente da escola e de aprendizagem, 
para que não venha sofrer interrupções em seu processo de escolarização. 
A escola de origem é orientada para reintegrar o educando, percebendo suas 
limitações e cuidados exigidos, pois, muitas vezes, é necessário o acompanhamento 
domiciliar, já que o educando teve alta hospitalar e não médica. Nestes casos, é 
realizado um trabalho do responsável pelo SAREH no NRE, a escola e a família, 
registrando a informação em ata para amparar formalmente esse educando e elaborar 
relatório circunstanciado para o controle do acompanhamento domiciliar. A escola 
solicita, então, que um responsável busque semanalmente as atividades domiciliares 
para serem desenvolvidas no período de tratamento em sua residência. Esta solicitação 
é feita formalmente pela ficha de Tarefa Domiciliar (anexo 7). 
Por fim, a escola deve emitir uma Planilha Informativa e Situacional (anexo 8) 
que, após ser preenchida, é enviada ao NRE com anexos do atestado ou laudo médico 
e ata da escola. Uma cópia desta planilha deve ficar na pasta individual do aluno. 
De posse da Planilha Informativa e Situacional, o responsável pelo SAREH, 
no NRE, poderá entrar em contato com a equipe pedagógica da escola reforçando os 
seguintes procedimentos: solicitação, junto aos familiares, do atestado médico e de 
laudo (quando for o caso), cujo teor deverá estabelecer os limites da ação pedagógica; 
reunião entre pedagogo(a), professores do aluno e direção, com registro em ata, para 
elaborar um Plano de Ação ao Atendimento Pedagógico e/ou Domiciliar; agendamento 
de reunião com o responsável pelo aluno, com registro em ata, em que deverá ser 
definido quem da família será o responsável pela busca e entrega, na escola, das 
atividades do aluno; e elaboração das atividades propostas e dos resultados atribuídos 
a sua conclusão, no que diz respeito à promoção ou não deste aluno, são de autonomia 
da escola. 
Neste período em que o aluno permanece afastado da escola por motivo de 
tratamento de saúde, a escola precisa dar continuidade ao seu processo de 
 36 
escolarização. Por isso, são dadas, a cada departamento dentro da escola, atribuições 
que assegurem ao escolar hospitalizado o direito a sua socialização e reintegração às 
atividades escolares. 
Nesse sentido, cabe à direção da Escola, segundo o documento do SAREH, 
2000): assegurar as condições da execução da proposta; acompanhar todo o processo e 
se fazer representar em todas as reuniões, de preferência participar pessoalmente; 
assumir a responsabilidade compartilhada pela decisão final do processo de 
atendimento pedagógico; ser mediadora, dentro dos limites da sua autonomia e 
autoridade para os casos em que houver divergências nas ações e que possa causar 
algum prejuízo ou transtorno no processo de aprendizagem do aluno; responder, em 
última instância, pelas convocações do NRE para esclarecimentos sobre situações que 
envolvam alunos atendidos; e assegurar que todas as informações, sobre a situação de 
saúde e pedagógica do aluno, sejam utilizadas somente para nortear o processo ensino-
aprendizagem, e jamais permitir que possibilite constrangimento e/ou humilhação ao 
educando, à sua família, bem como a todos os envolvidos no processo. 
O mesmo documento atribui à equipe pedagógica: coordenar e orientar os 
professores quanto à forma de elaboração do material didático a ser disponibilizado 
para o aluno; analisar a qualidade deste material no aspecto ensino e aprendizagem; 
acompanhar o processo e sua avaliação, assegurando ao aluno o respeito de seus 
direitos e ao professor sua autonomia quanto à decisão do resultado obtido; e 
disponibilizar ao professor todos os meios e recursos para que ele (professor) elabore o 
material didático para este aluno. 
À Secretaria de Educação cabe ser porta-voz da equipe pedagógica nos 
contatos com os familiares do aluno, com a equipe pedagógica dos hospitais 
conveniados (quando houver), ou com o coordenador responsável pelo SAREH no 
Núcleo Regional da Educação, do município da sua escola; manter responsável pelo 
SAREH, no Núcleo Regional da Educação de seu município, informado sobre as ações 
da equipe pedagógica e solicitar orientações em casos que extrapolam a autonomia da 
escola; orientar os professores quanto à forma de lançamento e registros das ações em 
seus livros de chamada;acompanhar, junto à secretaria da escola, toda a 
movimentação da pasta do aluno e seus anexos, auxiliando a secretaria na orientação 
 37 
aos professores quanto a prazos e formas de lançamentos dos dados; acompanhar o 
retorno do aluno à escola e viabilizar a sua socialização e reintegração às atividades 
escolares; e manter um acompanhamento quanto a sua evolução na aprendizagem após 
o retorno, comunicando ao coordenador responsável pelo SAREH, no NRE, pelo 
Relatório Final o resultado da avaliação ao fim de cada período letivo (semestre). 
São atribuições dos professores: elaborar material didático diferenciado, 
respeitando as condições de saúde do aluno, de forma que este não perca a qualidade 
em conteúdo e que lhe permita melhor aproveitamento na aprendizagem; submeter-se 
ao acompanhamento da pedagoga da escola (o documento impede expressamente que 
o professor envie diretamente o material ao aluno); manter informados a equipe 
pedagógica e direção sobre sua proposta de ação; avaliar todas as atividades propostas 
e devidamente cumpridas pelo aluno, considerando sempre a condição diferenciada do 
processo, isto é, o aluno está ausente da sala de aula e enfermo; adequar a quantidade 
de envio do material didático ao aluno; e retornar todas as avaliações, devidamente 
corrigidas, e orientar sobre quais os procedimentos que deverão ser tomados nas 
questões em que o aluno não alcançou êxito. Sempre com o conhecimento da 
pedagoga responsável. 
Ressalta-se que as informações fornecidas pelas escolas e pela equipe do 
SAREH sobre os motivos do afastamento do educando permitem realizar um 
levantamento das principais causas de internamento, como neoplasia, traumas, 
queimaduras, transplantes e até mesmo a identificação de situações de enfrentamento 
aos desafios educacionais contemporâneos, tais como: violência doméstica e urbana 
(gangues, acidentes de trânsito), drogatização, gravidez precoce, trabalho infantil, 
entre outros. 
Diante das atribuições formalmente elencadas pelo documento, torna-se 
importante, agora, verificar como tais exigências e ações são colocadas em prática na 
realidade do atendimento dos hospitais. No caso particular desta pesquisa, no lócus do 
Hospital do Trabalhador de Curitiba, um dos maiores hospitais do município e 
referência estadual no atendimento de traumas. 
 
 
 38 
3.2 CARACTERIZAÇÃO DO HOSPITAL DO TRABALHADOR DE CURITIBA 
(HT) 
 
 O Hospital do Trabalhador (HT) tem como missão, segundo o seu regimento 
interno (2008, p. 7), “contribuir para a qualidade de vida do cidadão e da comunidade, 
desenvolvendo, em nível de excelência, ações de saúde voltadas à prevenção, 
assistência e reabilitação, ensino e pesquisa, nas áreas de trauma e emergência, saúde 
do trabalhador, materno infantil e infectologia”. 
O Hospital do Trabalhador foi inaugurado no ano de 1947, como Sanatório 
Médico Cirúrgico do Portão, em um prédio inicialmente construído para abrigar uma 
escola agrícola. Na década de 1960, foi criado um plano para a criação do Instituto do 
Coração do Paraná que não foi concretizado. 
Vinte anos depois, foram retomadas as obras de implantação e reforma do 
Hospital Geral do Portão, que se tornou referência ao tratamento de HIV (Síndrome de 
Imunodeficiência Adquirida) e foi renomeado como Hospital Geral Mauro Senna 
Goulart, em homenagem ao Técnico de laboratório especializado no diagnóstico de 
Tuberculose que trabalhou no hospital. 
Na década de 1990, passa a trabalhar no Atendimento de Trauma, Saúde do 
Trabalhador, Infectologia e Materno-Infantil, realizando Convênios com a Secretaria 
Estadual de Saúde (SESA), Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Universidade 
Federal do Paraná (UFPR) e Fundação da Universidade Federal do Paraná para o 
Desenvolvimento da Ciência, da Tecnologia e da Cultura (FUNPAR), organizações 
mantenedoras do Hospital, e passa a ter o nome fantasia de Hospital do Trabalhador. 
Em março de 2000 recebeu o título de “Hospital Amigo da Criança” e cinco 
anos depois foi reconhecido pelo Ministério da Saúde e Educação como “Hospital de 
Ensino” (Portaria Interministerial nº 862 de 07 de Junho de 2005). Em 2008, foi 
assinado um novo Convênio (010/2008) entre SESA/SMS/UFPR/FUNPAR com 
duração de 60 meses, com vigência até 2013. 
O HT possui, em 2010, um espaço físico de aproximadamente 14.543 m² de 
área construída e conta com 1.462 colaboradores, dentre eles, 297 médicos, 409 no 
setor de enfermagem, 189 no setor administrativo, 10 professores e 557 em outros 
 39 
setores, incluindo os estagiários. Dentre suas especialidades estão as áreas de: 
Anestesiologia, Cardiologia, Cirurgia Geral, Cirurgia Pediátrica, Cirurgia Plástica, 
Cirurgia Torácica, Cirurgia Vascular, Clínica Médica, Ginecologia e Obstetrícia, 
Infectologia, Medicina Intensiva, Nefrologia, Neurologia, Odontologia, Ortopedia e 
Traumatologia, Otorrinolaringologia, Patologia, Patologia Clínica/Medicina 
Laboratorial, Pediatria, Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 
O hospital possui um total de 190 leitos ativos entre as diversas 
especialidades, como mostra o quadro a seguir: 
 
Trauma 64 
Maternidade 35 
Pediatria 30 
Infectologia 16 
UCIN* 10 
UTI Adulto** 10 
UTI NEO** 08 
UTI Pediátrica** 02 
Hospital Dia 15 
Total 190 
 
 *Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais 
 ** Unidade de Terapia Intensiva 
 
 QUADRO 5 – NÚMERO DE LEITOS ATIVOS 
 Fonte: Relatórios de Atividades do HT, 2008, p.14. 
 
 
 40 
Como podemos observar no quadro anterior, o maior número de leitos ativos 
são de pacientes com Traumas, Maternidade e Pediatria. Destacamos, em especial, a 
Pediatria onde se atende a Pedagogia Hospitalar, lócus de estudo desta pesquisa. 
A Pediatria está localizada no primeiro andar, possuindo quatro divisões e 
dispondo de um total de 30 leitos e uma sala de isolamento. Os leitos encontram-se nas 
salas 401, 402, 403 e 404, onde são atendidas crianças/adolescentes na idade de 0 à 17 
anos. Também na Pediatria está inserida a Brinquedoteca, local de realização das 
atividades lúdicas com as crianças internadas. 
Em relação ao número de atendimentos, o HT vem apresentando um grande 
crescimento desde o ano de 1998, como podemos ver na figura a seguir: 
 
 
 
 
 
 Fonte: Relatórios de Atividades HT, 2008, p.14. 
FIGURA 1 - ATENDIMENTO ANUAL HT (1998 – 2008) 
 
 41 
Analisando a figura anterior, pode-se perceber que o hospital apresentou um 
elevado crescimento entre os anos de 1998 a 2008, tendo apenas um declínio no ano de 
2003, e retomando a expansão, embora de forma mais lenta, nos anos de 2005-2008. 
O HT, desde 2001, desenvolve uma Política Nacional de Humanização 
conforme preconiza o Ministério da Saúde. O Encontro de Humanização já alguns 
anos é desenvolvido em duas etapas: a primeira, mais temática, com palestras 
motivacionais, buscando trazer o colaborador a uma reflexão do seu cotidiano. Na 
segunda etapa, batizada de “Cuidado de quem Cuida”, as atividades são direcionadas 
para oficinas como: ginástica laboral, aplicação de reiki e estética, procurando 
despertar o valor de cada indivíduo. Ainda nessa etapa, existe o programa “Caça 
Talentos”, em que o colaborador pode expor trabalhos de artesanato (criatividade) para 
o público interno divulgando suas habilidades pessoais. 
Dentre os projetos realizados pelo HT está o Programa de Orientação de 
Gestantes (POG) que, desde 1996, recebe gestantes das Unidades de Saúde de 
Curitiba. Este projeto está vinculado ao Programa “Mãe Curitibana”, e procura realizar 
palestras explicativas para gestantes e seus acompanhantes sobre as normas de 
internação, parto e estadia na maternidade. Após a palestra, são desenvolvidas visitas 
às enfermarias do Alojamento Conjunto, onde as gestantes e seus acompanhantes se 
ambientam com as instalações e visitam os bebês recém-nascidos. 
Desde o início do programa, segundoo Relatório de Atividades do Hospital 
(2008), foram realizadas 832 visitas à Maternidade do HT, participaram 66 Unidades 
de Saúde, 421 profissionais de saúde acompanharam os grupos e totalizaram o 
atendimento de 8.003 gestantes até dezembro de 2008. Durante a internação das 
gestantes, são dadas instruções especiais sobre o aleitamento materno. 
Outro programa realizado no HT é o “Voluntariado Social”, que, desde 1999, 
conta com a participação dos voluntários da comunidade que dedicam parte do seu 
tempo para dar atenção e executar diversas tarefas que contribuem com a humanização 
de atendimento aos pacientes e familiares. No período de 2005 a 2008, foram 
contabilizadas 39.612 horas de trabalho voluntário (Relatório de Atividades HT, 
2008). 
 42 
Desde 2007, o HT conta com o Serviço de Atendimento à Rede de 
Escolarização Hospitalar – SAREH, que dá suporte à Educação Básica (5ª à 8ª série do 
Ensino Fundamental e Médio). Como Política Pública de Inclusão Educacional, a 
Secretaria de Estado da Saúde e Secretaria de Estado da Educação em parceria 
disponibilizam pedagoga e professores, promovendo assistência educacional hospitalar 
aos internados e educação permanente aos colaboradores. Assim, de acordo com o 
documento, o “HT reafirma seu compromisso de Hospital Amigo da Criança, abrindo 
espaço para garantia da continuidade da escolarização formal minimizando os 
prejuízos das hospitalizações” (Relatório de Atividades do HT, 2008, p. 34). 
As crianças internadas possuem um local com microcomputadores ligados em 
rede à internet, junto à brinquedoteca da pediatria, onde utilizam jogos educativos e 
realizam atividades pedagógicas, dentro do programa de inclusão digital. Também são 
feitos chat’s com crianças internadas em outros hospitais do Estado. No caso de 
restrição de mobilidade, são disponibilizados notebooks nos próprios leitos, desde que 
permitidos por prescrição médica. Estas atividades são coordenadas por uma pedagoga 
hospitalar, que atua tanto nas atividades junto aos computadores como nas atividades 
ligadas a brinquedoteca. Desde o início da implantação desse laboratório da 
informática, em agosto de 2004, já foram atendidas 1.451 crianças (Relatório de 
Atividades, 2008). 
E como este atendimento pedagógico é realizado às crianças e adolescentes 
internados? No tópico seguinte, serão abordadas as questões que envolvem o 
atendimento escolar do Hospital, como o tempo e o espaço, as áreas destinadas, os 
tipos de atividades desenvolvidas, a partir da observação e da análise das entrevistas 
realizadas com as responsáveis pelo SAREH no Hospital do Trabalhador. 
 
 
 
 
 
 
 43 
3.3 O ATENDIMENTO PEDAGÓGICO NO HOSPITAL DO TRABALHADOR DE 
CURITIBA 
 
O Hospital do Trabalhador possui dois tipos de atendimento pedagógico 
ligados ao setor de Pediatria: a Escolarização Hospitalar, coordenada pelo SAREH; e a 
pedagogia hospitalar lúdica, sob a responsabilidade da pedagoga contratada pelo 
próprio hospital. 
A Escolarização é feita pelo Serviço de Atendimento à Rede de Escolarização 
Hospitalar – SAREH – em sala própria, conforme FOTOGRAFIA 1, e o atendimento é 
feito a partir do momento em que a criança/adolescente entra no hospital. São 
atendidas pelo SAREH crianças/adolescentes de 7 a 17 anos, já que a Prefeitura não 
desenvolve nenhum trabalho de escolarização no HT. 
 
 
FOTOGRAFIA 1 – SALA DO SAREH NO HT 
FONTE: As autoras (2010) 
 
Ao dar entrada no hospital, depois do atendimento médico, a 
criança/adolescente recebe a visita da Pedagoga do SAREH, que faz uma Sondagem 
por meio de escuta pedagógica para verificar se, naquele momento, a 
criança/adolescente está em condições físicas e emocionais para receber atendimento. 
 44 
De acordo com Ceccin (1997, p.76), a escuta pedagógica traz para a criança 
uma nova forma de pensar em relação à sua saúde e à experiência com a 
hospitalização, pois continua a desenvolver o seu cognitivo, levando-a ao desejo de 
viver: 
O termo escuta provém da psicanálise e diferencia-se da audição, enquanto a 
audição se refere à apreensão/compreensão de vozes e sons audíveis, a 
escuta se refere à apreensão/compreensão de expectativas e gestos, as 
lacunas do que é dito e os silêncios, ouvindo expressões e gestos, consultas e 
postura. (CECCIN, 1997, p.31). 
 
Em seguida é feito um Diagnóstico Pedagógico (Anexo 3), que corresponde a 
um levantamento sobre a série em que o internado se encontra e quais disciplinas ele 
tem mais dificuldade para que possam ser escolhidas e aplicadas as atividades. Todas 
as informações colhidas sobre o escolar internado provêm da escola de origem e são 
registradas em uma Ficha Individual de Atendimento Pedagógico Hospitalar (Anexo 
4). Depois de aplicadas as atividades, as professoras fazem pareceres das disciplinas, 
os quais deverão ser anexados à Ficha Individual do Internado, feita pela pedagoga 
(Anexo 5). 
Após o atendimento, a Pedagoga entra em contato com a escola por meio de 
um documento denominado Informe Pedagógico (Anexo 6), solicitando ao aluno em 
processo de tratamento de saúde um acompanhamento pedagógico diferenciado no 
período em que permanecer ausente da escola, em virtude de atestado médico. Quando 
a criança/adolescente tem alta, as atividades realizadas no hospital são enviadas a sua 
escola de origem. A partir daí, é de responsabilidade da escola e dos responsáveis 
darem andamento ao processo de aprendizagem deste aluno. 
O SAREH do HT possui uma equipe pedagógica formada por 01 Pedagoga da 
Rede Estadual de Ensino do Paraná, aqui identificada como R. (47 anos), que trabalha 
no horário das 8h às 18h. Esta pedagogia é responsável pela sondagem e escuta das 
crianças/adolescentes internados, pelo planejamento das atividades aplicadas e por 
entrar em contato com a escola de origem do escolar hospitalizado. 
A equipe pedagógica também é formada por 03 professoras, da mesma Rede 
de Ensino, que trabalham no horário das 13h às 17h, sendo que cada uma trabalha com 
 45 
disciplinas diferenciadas. Sendo uma professora, aqui identificada por J. (30 anos), 
responsável pelas disciplinas de Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Educação 
Física e Arte; uma segunda professora identificada por C. (idade não revelada), 
responsável pelas disciplinas de Matemática, Ciências, Biologia, Química e Física; e 
uma terceira professora, identificada por A. (idade não revelada), responsável pelas 
disciplinas de História, Geografia, Ensino religioso, Sociologia e Filosofia. 
O atendimento do SAREH é feito durante o ano letivo, de segunda à sexta-
feira, já que as professoras e pedagoga são funcionárias da Rede Estadual de Ensino. 
No período de férias, todas as crianças/adolescentes são atendidos pela Pedagoga da 
Pediatria contratada do Hospital. 
 
 
 FOTOGRAFIA 2 - ESPAÇO DE PLANEJAMENTO DAS PROFESSORAS 
 FONTE: As autoras (2010) 
 
Na sequência, apresentamos o relato das duas entrevistas realizadas buscando 
sistematizar as informações a respeito do trabalho realizado pelo SAREH no HT. 
 
 
 
 
 46 
3.3.1 O SAREH e a escolarização hospitalar no HT: a visão da equipe pedagógica 
 
O atendimento pedagógico realizado pelo SAREH no Hospital do Trabalhador 
foi relatado pela pedagoga responsável e por uma das professoras da rede pública 
estadual que ali atua. 
A Pedagoga R. (47 anos) contou que trabalha no SAREH há dois anos e que é 
formada em Pedagogia. Passou a trabalhar com a Educação Hospitalar, por considerar 
o SAREH um projeto interessante e uma nova oportunidade para o seu crescimento 
profissional: “Sempre trabalhei em escola e nunca tive problemas com hospitais, 
então, quando abriu o concurso interno que acontece dentro da Rede Estadual com 
professores concursados do magistério, resolvi participar”. No processo de seleção 
desse concurso, foram analisados histórico e currículo, além da realização de 
entrevistas. 
A pedagoga relatou que,no começo, foi um pouco difícil a adaptação ao 
“cheiro diferente” do hospital e às situações dolorosas que ali existem. Mas, com o 
tempo, ela foi se acostumando e hoje já consegue agir com mais naturalidade. 
Questionada sobre a rotina pedagógica com a criança/adolescente 
hospitalizada, a pedagoga mencionou que, no período da manhã, faz um levantamento, 
entra em contato com a escola de origem da criança/adolescente e solicita o envio das 
atividades; e no período da tarde, os professores desenvolvem as atividades 
pedagógicas. Normalmente, nos primeiros dias, as atividades não foram ainda 
enviadas, o professor define as atividades de acordo com a faixa etária e também pelos 
questionamentos realizados com a criança/adolescente e com os responsáveis. 
Os professores se informam sobre o que a criança/adolescente está estudando 
naquele período e dá continuidade da proposta curricular. Desse modo, as escolas 
enviam o material, por meio dos pais ou responsáveis, via fax e outros meios. 
Ressaltou que, às vezes, a escola é resistente, sendo necessária a interferência do 
Núcleo Regional; e outras vezes as atividades são impróprias à criança/adolescente, 
pois, naquele momento, ela não possui condição de realizá-la, como trabalhos 
manuscritos muito extensos. 
 47 
Os professores hospitalares fazem um parecer e o enviam juntamente com as 
atividades realizadas, sugerindo a nota, mas cabe à escola de origem aceitar essa nota 
ou não. Ela também relatou que o número de crianças/adolescentes atendidos por dia 
no HT varia muito, já que eles passam pouco tempo internados, pois é uma 
característica do hospital atender casos de traumas e estes casos não necessitam de 
muito tempo de internação. As crianças/adolescentes atendidas pelo SAREH são de 07 
a 17 anos. 
Em seguida, questionamos quais os objetivos do atendimento pedagógico no 
HT e a pedagoga ressaltou que o projeto tem o objetivo de dar continuidade ao 
processo de escolarização da criança/adolescente internada para que esta não seja 
prejudicada em sua vida escolar, devido à internação. 
Em função das condições da criança/adolescente, o planejamento das 
atividades é flexível, levando-se em conta também a série, faixa etária e as Diretrizes 
Curriculares. A equipe privilegia as atividades enviadas pela escola de origem, desde 
que estejam apropriadas às condições do escolar internado. 
Em relação às famílias, a pedagoga comentou que, na maioria das vezes, elas 
participam entrando em contato com as escolas e enviando as atividades, mas existem 
aquelas que não aceitam o atendimento devido ao estado clínico da 
criança/adolescente internada e por acharem que não estão em condições de aprender. 
A pedagoga relatou que o nível de satisfação das crianças/adolescentes em 
relação ao atendimento prestado pelas professoras do hospital é muito grande, eles 
ficam muito felizes com a presença delas nos leitos, pois se distraem com as atividades 
desenvolvidas, o que minimiza sua situação de sofrimento no hospital. 
Em seguida, questionamos sobre as condições da criança/adolescente 
hospitalizada de reintegrar-se ao ensino regular após o período de internação. Ela 
acredita que a reintegração do escolar depende muito do seu estado psicológico, pois, 
mesmo ele tendo condições biológicas de voltar à escola, às vezes o seu estado 
psicológico não está preparado e ele leva um pouco mais de tempo para se reintegrar. 
 Ao ser questionada sobre a diferença do trabalho realizado pelo SAREH e 
pela pediatria do hospital, ela nos explicou que, apesar do atendimento do SAREH ser 
realizado também na pediatria e na brinquedoteca, ambas realizam trabalhos 
 48 
diferenciados, pois o SAREH trabalha com a escolarização vinculada com a escola 
regular, e a pediatria realiza apenas um trabalho lúdico sem vínculo nenhum com a 
escola. Mas, mesmo assim, considerado por ela, como “muito importante, por ajudar a 
recuperação das crianças/adolescentes, que se encontram hospitalizadas”. 
Por fim, perguntamos em que pontos a Pedagogia Hospitalar se aproxima e se 
distancia da Pedagogia Escolar e a pedagoga R. nos respondeu que elas se aproximam 
em relação aos conteúdos trabalhados, que são os mesmos da escola regular, mas que 
se distancia na questão de que, na escola, os profissionais não estão preparados para 
lidar com situações de crianças com algum tipo de limitação ou doença, e que no 
hospital os profissionais sabem lidar com isso, já que trabalham nessa situação todos 
os dias. 
A professora do SAREH no HT, que concedeu entrevista para esta pesquisa, é 
formada em Biologia e Educação Física há seis anos e trabalha no SAREH há um ano 
e meio. Perguntada sobre o que a levou a trabalhar com educação hospitalar, ela nos 
disse que já trabalhava na Rede Estadual e ficou sabendo das vagas na Rede 
Hospitalar. Como já conhecia o projeto, resolveu se inscrever no processo seletivo que 
inclui análise do currículo e entrevistas. Passou nos testes e passou a trabalhar no HT 
no período da tarde. Pela manhã, ainda trabalha em uma escola. 
A professora relatou como é a rotina da criança/adolescente hospitalizado. 
Pela manhã, a criança/adolescente hospitalizada passa pelo atendimento médico, 
exames e entrevista com a pedagoga do SAREH, a qual verifica seu estado clínico 
para saber se pode ou não fazer as atividades. À tarde, as crianças/adolescentes são 
atendidas pelas professoras, exceto quando são levadas para atendimento 
médico/exames. O número de crianças atendidas varia muito, às vezes tendo até 10 ou 
mais crianças e outras vezes nenhuma, já que ficam internadas pouco tempo. 
Os materiais utilizados são diferenciados pelo fato de as crianças serem 
atendidas, na maioria das vezes, no leito. Quando podem se locomover, são atendidas 
na brinquedoteca porque possui recursos como jogos, livros, tv e brinquedos. E, em 
algumas ocasiões, quando atendidas na sala de isolamento, os materiais são 
descartáveis. 
 49 
As aulas são planejadas com base nas Diretrizes Curriculares, as atividades já 
estão previamente preparadas e divididas em pastas, de acordo com a série, bimestre e 
conteúdos. Quando o escolar dá entrada no hospital, a pedagoga faz uma sondagem e 
seleciona as atividades apropriadas para aquela criança/adolescente. Quando o SAREH 
não possui o que o escolar está estudando, as professoras planejam no dia as atividades 
que irão aplicar, pois possuem um grande acervo de livros e computadores para 
pesquisa. 
A professora acredita que os resultados obtidos com os alunos são muito 
válidos, pois, “na maioria das vezes eles estão apenas limitados para se locomover e 
não para aprender”. Em relação às famílias, a professora J. disse que é uma situação 
bem delicada, pois algumas participam e ajudam nesse processo e outras não permitem 
que o atendimento seja feito: “Existem casos em que as crianças ficam sozinhas no 
hospital durante a internação, pois as famílias deixam a desejar não comparecendo ao 
hospital” 
Questionada a respeito de as crianças gostarem ou não do atendimento 
prestado, ela respondeu que a maioria demonstra gostar já que fica apenas no leito, 
sendo uma distração, principalmente para aquelas que chegam a ficar 60 dias ou mais 
no hospital. A professora também relatou que não tem dificuldades no atendimento 
pedagógico, já que atende apenas às crianças/adolescentes que estão em condições de 
aprender. 
Ao ser questionada em relação às condições de reintegração do escolar doente 
ao ensino regular, ela diz que sempre há dificuldades, pois “todos nós funcionamos 
biologicamente, cognitivamente e emocionalmente, e, às vezes, quando um desses 
fatores não funciona corretamente acaba afetando o outro, assim algumas crianças 
podem ter dificuldades ou levar mais tempo para se reintegrar”. 
Por fim, perguntada sobre a relação entre o professor-aluno hospitalizado, ela 
respondeu que é bem profissional, pois procura não se envolver emocionalmentepara 
que o seu trabalho não afete sua vida pessoal. Ela relatou como é o seu dia-a-dia, e 
como faz para separar tudo o que vivencia no hospital da sua vida pessoal, por 
considerar importante para que possa dar continuidade ao seu trabalho, sem 
envolvimento emocional. 
 50 
Mas, como o Hospital do Trabalhador também possui um serviço de 
atendimento pedagógico próprio, tornou-se necessário para os interesses desse estudo 
e, em particular, dos pressupostos teóricos apresentados, entrevistar também a 
pedagoga responsável por tal atendimento, no sentido de verificar como os dois 
atendimentos se aproximam e se distanciam. Ou seja, se há, como levantado 
anteriormente, a complementaridade entre ambos. 
 
3.3.2 O atendimento da Pediatria do HT: a visão da pedagoga 
 
O Hospital do Trabalhador também possui uma Pedagoga contratada, aqui 
identificada como P. (24 anos), que trabalha no horário das 8h às 17h de segunda a 
sexta, sendo responsável por atender crianças de 0 a 6 anos no setor de Pediatria. Essa 
pedagoga desenvolve atividades lúdicas com as crianças, incluindo jogos, leitura, 
contação de histórias, teatros com fantoches, pinturas, desenhos, colagens e recortes. 
As atividades são realizadas no espaço da brinquedoteca (FOTOGRAFIA 3), 
que possui mesinhas com cadeiras, tv, computadores, cantinho do brinquedo, cantinho 
da leitura e jogos. O atendimento é feito na brinquedoteca quando há condições de a 
criança se locomover, caso contrário a pedagoga atende a criança no leito. Essas 
atividades também se estendem às crianças/adolescentes de 07 a 17 anos 
(FOTOGRAFIA 4). 
De acordo com Matos e Mugiatti (2007, p.150), a implantação de 
brinquedotecas em hospitais infantis é prevista na Lei Federal 11.104, de 21/03/05, 
que passou a vigorar 180 dias após sua publicação, o que torna obrigatória a instalação 
de brinquedotecas em hospitais que oferecem internação pediátrica. A lei prevê penas 
de advertência, interdição, cancelamento da licença ou multa para os hospitais que não 
se adaptarem à nova norma. 
 
 
 
 
 51 
 
 FOTOGRAFIA 3 - BRINQUEDOTECA DO SETOR DE PEDIATRIA/HT 
 FONTE: As autoras (2010) 
 
 
 
 FOTOGRAFIA 4 - CRIANÇAS EM ATIVIDADE NA BRINQUEDOTECA 
 FONTE: As autoras (2010) 
 
A pedagoga P. também realiza atividades escolares de forma fragmentada, ou 
seja, atividades escolhidas de acordo com a idade da criança e o com que ela mais 
gosta de fazer. Apesar de serem atividades escolares, não possuem nenhum vínculo 
com a escola, têm apenas o objetivo de distrair e estimular a criança. 
 52 
 A seguir, apresentaremos alguns exemplos de atividades realizadas com 
diferentes crianças na Pediatria do HT: 
 
 
FIGURA 2 - PALHACINHO PERALTA 
FONTE: HT/ Pedagogia Hospitalar – outubro/2010 
 
A atividade do “Palhacinho Peralta”, segundo a pedagoga do HT, tem como 
objetivo desenvolver a coordenação motora da criança por meio de pintura e recorte. 
 
 
 
 53 
 
 FIGURA 3 – DESAFIO 
 FONTE: HT / Pedagogia Hospitalar – outubro/2010 
 
 De acordo com a pedagoga do Setor Pediátrico do HT, esse tipo de atividade 
tem como objetivo auxiliar a alfabetização, estimulando a formação de palavras. 
 
 
 54 
 
 
 FIGURA 4 - ATIVIDADE COM DESENHO 
 FONTE: HT / Pedagogia Hospitalar – outubro /2010 
 
Atividade com desenho tem sido utilizada pela pedagoga do HT com o objetivo 
de estimular a interpretação. 
 
 55 
 
FIGURA 5 - AUTODITADO 
 FONTE: HT/ Pedagogia Hospitalar – outubro/2010 
 
A pedagoga ressalta que tal atividade tem como objetivo estimular a 
interpretação dos desenhos e a escrita. 
 56 
 
FIGURA 6 - PREVENÇÃO DE ACIDENTES DA INFÂNCIA 
FONTE: HT/ Pedagogia Hospitalar – outubro/2010 
 
 Essa atividade tem como objetivo, segundo a pedagoga, conscientizar as 
crianças dos perigos existentes em suas próprias casas. 
 
 
 57 
 
 
 FIGURA 7 - ONDE VIVE MINHA FAMÍLIA 
 FONTE: HT/ Pedagogia Hospitalar – outubro/2010 
 
Atividade utilizada pela pedagoga para trabalhar a noção de espaço e lugar 
com crianças acima dos 08 anos de idade. 
 
 58 
 
FIGURA 8 - EQUILIBRE A BALANÇA 
 FONTE: HT/ Pedagogia Hospitalar – outubro/2010 
 
Essa atividade, segundo a pedagoga, tem como objetivo estimular o raciocínio 
lógico-matemático de crianças com mais de 08 anos de idade. 
 
 
 59 
Além de atividades escolares, a Pedagoga P. desenvolve projetos lúdicos e de 
leitura para distrair e animar as crianças, “isso faz com que o tempo de espera seja 
amenizado”. Um dos projetos realizados no HT com as crianças da pediatria é o 
“Projeto Fique Esperto”, que tem como objetivo orientar a criança com relação ao 
atendimento prestado pelo médico, por meio de informações e atividades lúdicas 
(Anexo 9). 
Para desenvolver esses projetos, a pedagoga do Hospital do Trabalhador conta 
com a ajuda de instituições conveniadas que disponibilizam estagiários para a 
realização de trabalhos lúdicos e diferenciados dentro do hospital. Além dos 
estagiários, o hospital conta com o auxílio de voluntários que disponibilizam seu 
tempo para ajudar no trabalho com as crianças/adolescentes hospitalizadas. 
Diferentemente do trabalho do SAREH, que acontece durante o período letivo 
de aula, o trabalho realizado pela pediatria acontece durante todo o ano. Quando as 
professoras e pedagoga do SAREH entram em férias, é a pedagoga P. que assume o 
trabalho com todas as crianças e adolescentes de 0 a17 anos, desenvolvendo apenas 
trabalhos lúdicos, atividades fragmentadas e projetos que ajudam a amenizar o 
sofrimento daqueles que se encontram hospitalizados. 
Pelo que foi exposto, pode-se perceber que o trabalho pedagógico realizado 
dentro do HT agrega as duas linhas de pensamento da Pedagogia Hospitalar: a 
escolarização hospitalar realizada pelo SAREH, em que é desenvolvido um trabalho 
vinculado à escola de origem da criança/adolescente internado para que o mesmo não 
perca seu ano letivo, conforme prega a própria legislação que regula o atendimento 
pedagógico hospitalar no país e no Estado do Paraná; mas desenvolve, de forma 
concomitante, o trabalho pedagógico lúdico no setor pediátrico, onde são realizados 
projetos e atividades com estimulações visuais, brinquedos e jogos, para criar um 
ambiente alegre e aconchegante para a criança/adolescente hospitalizada. 
Tais linhas de pensamento, apesar de distintas, se complementam em um 
único objetivo: a recuperação da saúde das crianças/adolescentes hospitalizadas. 
Esse trabalho desenvolvido no Hospital do Trabalhador de Curitiba concretiza o 
pensamento de complementariedade entre as duas modalidades da pedagogia 
 60 
hospitalar, defendido pela autora Regina Taam (2000) e exposto no primeiro capítulo 
deste trabalho. 
A autora acredita que tais correntes de pensamento, embora com 
especificidades próprias, tendem a se integrar na prática pedagógica hospitalar, o que 
foi evidenciado no trabalho realizado pedagogicamente pela equipe do SAREH/PR e 
pela pedagoga da pediatria no Hospital do Trabalhador de Curitiba. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 61 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Nessa pesquisa, procurou-se analisar o processo pedagógico para a criança e o 
adolescente hospitalizado. A questão principal era saber se as crianças que estavam 
hospitalizadas recebiam algum atendimento pedagógico, enquanto permaneciam em 
tratamento, de que natureza e sob a responsabilidade de quais agentes. 
Com o intuito de estudar estes procedimentos, a intenção foi apresentar no 
primeiro capítulo a trajetória histórica e legislativa da Pedagogia Hospitalar, 
destacando as duas linhas de pensamento da pedagogia hospitalar: a escolarizaçãohospitalar e a pedagogia lúdica, enfatizando a importância do trabalho pedagógico que 
cada uma realiza dentro do contexto hospitalar. 
Em seguida, o segundo capítulo buscou conhecer e analisar o trabalho 
pedagógico dentro do Hospital do Trabalhador de Curitiba, um dos maiores do Estado 
e que possui um atendimento materno-infantil de grande abrangência no município de 
Curitiba. Nesse sentido, foram realizadas observações e entrevistas com os 
profissionais envolvidos neste trabalho. 
A educação é um direito de toda a criança, estando ela hospitalizada ou não. 
Portanto, é de responsabilidade dos hospitais desenvolver um trabalho pedagógico 
para que os alunos internados não sejam prejudicados em sua vida escolar. Os 
resultados mostram que as crianças atendidas no Hospital do Trabalhador de Curitiba 
têm acompanhamento pedagógico realizado pelo Serviço de Atendimento à Rede de 
Escolarização Hospitalar, em convênio com a Secretaria de Estadual de Educação do 
Paraná (SAREH), de acordo com os conteúdos recomendados pelas Diretrizes 
Curriculares. 
Embora a Pedagogia Hospitalar seja ainda uma visão recente acerca da 
escolarização aos alunos hospitalizados, que não podem se deslocar à escola, a oferta 
de atividades lúdicas/recreativas no ambiente hospitalar, como desenvolve o HT em 
seu Setor Pediátrico, é também uma fonte potencial para que as crianças possam 
amenizar o medo e a dor que estejam passando naquele momento. 
 62 
Mas também é preciso enfatizar que as atividades lúdicas e recreativas não 
substituem a necessidade de atenção pedagógico-educacional, pois a escolarização tem 
um potencial de intervenção mais específico, para que as crianças e adolescentes 
internados não percam seu ano letivo. 
Os Direitos da Criança e do Adolescente hospitalizado, em seu item número 
nove, assim como a legislação brasileira, reconhece o direito de crianças e 
adolescentes hospitalizados ao atendimento pedagógico-educacional. Direito a 
desfrutar de alguma forma de recreação, programa de educação para a saúde e 
acompanhamento do currículo escolar, durante sua permanência hospitalar. 
Sendo assim, a partir do que foi observado e analisado no atendimento 
pedagógico hospitalar do HT, confirmou-se o pressuposto teórico da pesquisa, ou seja, 
de que, neste espaço estudado, a Pedagogia Hospitalar desenvolve um trabalho 
complementar entre a escolarização hospitalar e a pedagogia lúdica, envolvendo 
pedagogos, professores, voluntários, equipe médica e família, permitindo a 
criança/adolescente internada integrar-se por meio de ações lúdicas, recreativas e 
pedagógicas, dando continuidade a sua vida escolar mesmo estando em um hospital. 
O trabalho de escolarização hospitalar, realizado pelo SAREH, desenvolve um 
trabalho pedagógico dentro do hospital vinculado à escola de origem da 
criança/adolescente internada para que o mesmo não perca seu ano letivo. Este 
trabalho é realizado no Hospital do Trabalhador de Curitiba desde o ano de 2007 e 
conta com o apoio de uma equipe pedagógica formada por três professoras e uma 
pedagoga, ambas docentes da Rede Estadual de Ensino do Paraná. 
Além da escolarização hospitalar, o Hospital do Trabalhador desenvolve um 
trabalho específico e próprio conduzido por uma pedagoga de forma lúdica e 
recreativa com as crianças internadas. Neste caso, incluindo as duas linhas de 
pensamento da Pedagogia Hospitalar, ou seja, escolarização e ludicidade. Dessa 
maneira, o trabalho realizado no HT concretiza a ideia de complementaridade entre as 
duas modalidades da Pedagogia Hospitalar, visão defendida pela autora Regina Taam 
(1997, p. 4): “[...] tais correntes de pensamento, embora com especificidades próprias, 
tendem a se integrar na prática pedagógica hospitalar. A educação em hospitais 
 63 
oferece um amplo leque de possibilidades e de um acontecer múltiplo e diversificado 
que não deve ficar aprisionado a classificações ou enquadramentos”. 
Sendo assim, o trabalho pedagógico realizado no Hospital do Trabalhador 
recupera a socialização da criança por um processo de inclusão, oferecendo 
continuidade à sua escolarização e valorizando sua nova aprendizagem. A inclusão 
social será o resultado do processo educativo e reeducativo, em que a escola é, pois, 
um fator externo na patologia. Logo, a inserção da escola no hospital é um vínculo que 
a criança mantém com o seu mundo exterior. 
Da mesma maneira que a educação hospitalar é um processo de inclusão, ela 
também está inserida no contexto da educação especial. Portanto, as escolas inclusivas 
são escolas para todos, implicando um sistema educacional que reconheça e atenda às 
diferenças individuais, respeitando as necessidades de qualquer aluno. 
O aluno da educação especial é aquele educando que, durante o processo 
educacional, demonstra dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no 
processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das atividades 
curriculares, podendo ser aquelas não vinculadas a uma causa orgânica específica e 
aquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações ou deficiências. 
O professor especial designado para a pedagogia hospitalar, além de atender às 
crianças que estão permanentemente internadas, trabalha também com as que se 
encontram hospitalizadas por pouco tempo. Para evitar que a escolaridade dessas 
crianças seja sistematicamente interrompida e prejudicada em seus estudos, por 
estarem internadas, é que o Ministério da Educação - por intermédio da Secretaria 
Nacional de Educação Especial - previu, através da Política Nacional de Educação 
Especial (1994), o atendimento educacional em classes hospitalares incluindo a 
escolarização: “Classes Hospitalares são ambientes próprios que possibilitam o 
acompanhamento educacional de crianças e jovens que necessitam de atendimento 
escolar diferenciado por se encontrarem em tratamento hospitalar” (BRASIL, PNEE, 
1994, p. 20). 
Portanto, se a escola deve ser promotora da saúde, o hospital pode ser o 
mantenedor da escolarização ao indicar à criança e ao adolescente hospitalizado, 
dentro de condições apropriadas a sua enfermidade, hábitos e respeito à rotina 
 64 
educacional como fatores que estimulam a auto-estima e o seu desenvolvimento 
cognitivo e emocional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 65 
REFERÊNCIAS 
 
AMARAL, Daniela P. do; SILVA, Maria Teresinha Pereira e. Formação e prática 
pedagógica em classes hospitalares: Respeitando a cidadania de crianças e jovens 
enfermos . Disponível em www.malhatlantica.pt/. Acesso em Agosto de 2010. 
CECCIM, Ricardo B.; FONSECA, Eneida. A Criança Hospitalizada: Atenção 
Integral como escuta à vida, Porto Alegre: Editora da Universidade, UFRGS,1999. 
Disponível em: http://www.scielo.br/pd. Acesso em Agosto de 2010. 
_______. A Classe Hospitalar e a inclusão da criança enferma na sala de aula regular. 
Relato de pesquisa. Revista Brasileira de Educação Especial, V.8,n.1, 2002, p.45 -
54. Disponível em: www.abpee.net . Acesso em Agosto de 2010. 
Classe Hospitalar realiza hoje evento no hospital regional. Disponível em: 
www.portalms.com.br. Acesso em Outubro de 2010. 
CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA CRIANCA E DO ADOLESCENTE. 
Resolução nº 41, de 13 de outubro de 1995. Direitos da criança e do adolescente 
hospitalizados. Brasília: Imprensa Oficial, 1995. In: www.unioeste.br/huop/. Acesso em 
Julho de 2010. 
Encontro discute atendimento escolar em hospitais catarinenses. Disponível em: 
www. sed.sc.gov.br. Acesso em Outubro de 2010. 
FONSECA, Eneida S. Atendimento escolar no ambiente hospitalar. São Paulo: 
Memnon, 2003. 
INSTRUÇÃO Nº 006/2008. Secretaria de Estado da Educação. Governo do Paraná. 
Disponível em: www.diaadiaeducacao.com.br. Acesso em Outubro de 2010. 
LEI ESTADUAL N. 13.843/2006. Ministério Público de Santa Catarina. 
Disponível em www.mp.sc.gov.br. Acesso em Setembro de 2010. 
MATOS, Elizete L. M.; MUGIATTI,Margarida M. T. F. Pedagogia Hospitalar: A 
humanização integrando educação e saúde. Rio de Janeiro: Vozes, 2007. 
 
MATOS, Elizete L. M. Escolarização Hospitalar: Educação e saúde de mãos dadas 
para humanizar. Rio de Janeiro: Vozes, 2009. 
 
http://www.malhatlantica.pt/
http://www.scielo.br/pd
http://www.portalms.com.br/
http://www.unioeste.br/huop/
http://www.diaadiaeducacao.com.br/
http://www.mp.sc.gov.br/
 66 
MENEZES, Cynthya V. A. SAREH - Serviço a Rede de Escolarização Hospitalar: a 
construção de uma política pública para a promoção da educação de qualidade no 
Estado do Paraná. Curitiba, 2008. Disponível em: www.fiepr.com.br. Acesso em 
Setembro de 2010. 
 
Na hora difícil do hospital a escolinha faz esquecer a dor. Disponível em: 
www.educação.sp.gov.br/boa-noticia/2005. Acesso em Outubro de 2010. 
 
NOWISKI, Evely de Moraes et al. IX Congresso Nacional de Educação –
EDUCERE III Encontro Sul Brasileiro de Psicopedagogia. 26 a 29 de outubro de 
2009 – PUCPR. Disponível em: www.pucpr.com.br. Acesso em Agosto de 2010. 
OLIVEIRA, Linda de M. de; SOUZA FILHO, Vanessa C. de; GONÇALVES, Adriana 
G. Classe Hospitalar e a prática da Pedagogia. Revista científica eletrônica de 
pedagogia – ISSN: 1678 – 300x. Ano VI – número 11 – janeiro de 2008 – semestral. 
Disponível em www. smec.salvador..ba.gov.br. Acesso em Outubro de 2010. 
 
PARANÁ. Conselho Estadual de Educação. Deliberação n. 02/03 de 02 de junho de 
2003. Disponível em: www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/. Acesso em Junho de 2010. 
Relatório de Atividades do Hospital do Trabalhador de Curitiba, 2008. 
 
RESOLUÇÃO Nº 2527/2007. Secretaria de Estado da Educação. Governo do 
Paraná. Disponível em www.diaadiaeducacao.com.br. Acesso em Setembro de 2010. 
 
TAAM, Regina. Assistência pedagógica à criança hospitalizada. (Tese de 
Doutoramento). Faculdade de Educação, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 
2000. 216.p. Disponível em : www.scielo.br/pdf. Acesso em Agosto de 2010. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.fiepr.com.br/
http://www.educação.sp.gov.br/boa-noticia/2005
http://www.pucpr.com.br/
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/
http://www.diaadiaeducacao.com.br/
http://www.scielo.br/pdf
 67 
 
ANEXO 1 
Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizados 
 
Brasil 
Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente 
Resolução 41/95 
 
1. Direito a proteção, a vida e a saúde com absoluta prioridade e sem qualquer forma de 
discriminação. 
2. Direito a ser hospitalizado quando for necessário ao seu tratamento, sem distinção de 
classe social, condição econômica, raça ou crença religiosa. 
3. Direito de não ser ou permanecer hospitalizado desnecessariamente por qualquer razão 
alheia ao melhor tratamento da sua enfermidade. 
4. Direito a ser acompanhado por sua mãe, pai ou responsável, durante todo o período de 
sua hospitalização, bem como receber visitas. 
5. Direito de não ser separada de sua mãe ao nascer. 
6. Direito de receber aleitamento materno sem restrições. 
7. Direito de não sentir dor, quando existam meios para evitá-la. 
8. Direito de ter conhecimento adequado de sua enfermidade, dos cuidados terapêuticos e 
diagnósticos, respeitando sua fase cognitiva, além de receber amparo psicológico quando 
se fizer necessário. 
9. Direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a 
saúde, acompanhamento do curriculum escolar durante sua permanência hospitalar. 
10. Direito a que seus pais ou responsáveis participem ativamente do seu diagnóstico, 
tratamento e prognóstico, recebendo informações sobre os procedimentos a que será 
submetida. 
11. Direito a receber apoio espiritual/religioso, conforme a prática de sua família. 
12. Direito de não ser objeto de ensaio clínico, provas diagnósticas e terapêuticas, sem o 
consentimento informado de seus pais ou responsáveis e o seu próprio, quando tiver 
discernimento para tal. 
13. Direito a receber todos os recursos terapêuticos disponíveis para a sua cura, reabilitação 
e/ou prevenção secundária e terciária. 
14. Direito a proteção contra qualquer forma de discriminação, negligência ou maus tratos. 
15. Direito ao respeito à sua integridade física, psíquica e moral. 
16. Direito a preservação de sua imagem, identidade, autonomia de valores, dos espaços e 
objetos pessoais. 
17. Direito a não ser utilizado pelos meios de comunicação de massa, sem a expressa vontade 
de seus pais ou responsáveis ou a sua própria vontade, resguardando-se a ética. 
18. Direito a confidência dos seus dados clínicos, bem como direito de tomar conhecimento 
dos mesmos, arquivados na instituição pelo prazo estipulado em lei. 
19. Direito a ter seus direitos constitucionais e os contidos no Estatuto da Criança e do 
Adolescente respeitados pelos hospitais integralmente. 
20. Direito a ter uma morte digna, junto a seus familiares, quando esgotados todos os 
recursos terapêuticos disponíveis. 
Brasil. Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Resolução n° 41 de Outubro 
de 1995 (DOU 17/19/95). 
 68 
 
ANEXO 2 
INSTRUÇÃO NORMATIVA 
 69 
 
 70 
 
 71 
 
 72 
 
 73 
 74 
ANEXO3 
 
 75 
ANEXO 4 
 
 76 
ANEXO 5 
 
 
 77 
ANEXO 6 
 
 78 
ANEXO 7 
SUGESTÃO DE COMUNICADO / REGISTRO / SOLICITAÇÃO 
DE TAREFA DOMICILIAR 
 
 
Escola Estadual ___________
COMUNICADO AOS PROFESSORES
TAREFA DOMICILIAR
Comunicamos que o aluno____________________________, nº ____, matriculado na (o) 
____ série/ano do Ensino____________ desta Instituição, encontra-se impossibilitado de 
freqüentar a escola devido ao seu estado de saúde, conforme laudo/atestado médico, devendo 
permanecer em sua residência durante_____________. Para tanto, solicitamos a todos os 
professores que providenciem atividades equivalentes em número e conteúdo da semana de 
cada disciplina até o dia _________, para que sejam encaminhadas ao aluno através de um 
familiar que virá busca-las todas as ___________ para que estas sejam desenvolvidas em sua 
residência, evitando assim, que seu processo escolar seja prejudicado. Lembramos ainda, que 
tais atividades deverão ser validadas para efeito de desempenho e notas desse aluno (a).
_________________ _______________ _______________ ______________ ___________
Equipe Pedagógica Professores
Curitiba, ____/____/___.
Escola Estadual ___________
COMUNICADO AOS PROFESSORES
TAREFA DOMICILIAR
Comunicamos que o aluno____________________________, nº ____, matriculado na (o) 
____ série/ano do Ensino____________ desta Instituição, encontra-se impossibilitado de 
freqüentar a escola devido ao seu estado de saúde, conforme laudo/atestado médico, devendo 
permanecer em sua residência durante_____________. Para tanto, solicitamos a todos os 
professores que providenciem atividades equivalentes em número e conteúdo da semana de 
cada disciplina até o dia _________, para que sejam encaminhadas ao aluno através de um 
familiar que virá busca-las todas as ___________ para que estas sejam desenvolvidas em sua 
residência, evitando assim, que seu processo escolar seja prejudicado. Lembramos ainda, que 
tais atividades deverão ser validadas para efeito de desempenho e notas desse aluno (a).
_________________ _______________ _______________ ______________ ___________
Equipe Pedagógica Professores
Curitiba, ____/____/___.
 
 
 
 
 
 
 
 79 
ANEXO 8 
 
 
 
 
GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ 
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO 
SUPERINTENDÊNCIA DA EDUCAÇÃO 
SERVIÇO DE ATENDIMENTO À REDE DE ESCOLARIZAÇÃO HOSPITALAR - SAREH 
 
 
1
 
PLANILHA INFORMATIVA E SITUACIONAL 
 
Estabelecimento de Ensino: _____________________________________________Fone: ____________________________ Setor :________________________ 
Data : ____/____/_____ Município: ______________________________________________________________________NOME DO ALUNO(A) FONE IDADE SÉRIE Hospital 
(se não houve inter. 
escrever “em 
domicílio”) 
SITUAÇÃO* PERÍODO 
(dia/mês/ 
ano) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Responsável pela informação : 
 
 
Retorno do NRE: 
 
 
 
* internado (local e data); em domicilio (desde); ação da escola (tipo de acompanhamento); data alta hospitalar(dd/mm/aa). Anexar cópia do atestado ou laudo 
médico e da ata da escola. 
 
 
 
 
 
 80 
ANEXO 9 
PROPOSTA DE TRABALHO LÚDICO PEDAGÓGICO NO AMBULATÓRIO 
DO HOSPITAL DO TRABALHADOR 
PROJETO FIQUE ESPERTO 
 
JUSTIFICATIVA 
Tendo em vista que um trabalho educativo pode se fazer presente em qualquer 
espaço e com qualquer público, como também, considerando que no setor ambulatorial 
existem os dias que são exclusivamente destinados ao atendimento pediátrico. A 
equipe pedagógica do Hospital do Trabalhador percebeu a importância de se fazer 
presente também no setor referido acima. 
Como nestes dias de ambulatório pediátrico o volume de crianças é bastante 
grande, e, considerando que o tempo de espera dessas crianças para serem atendidas é 
também bastante grande, portanto, diante do referido anteriormente e preocupando-se 
com a saúde psicológica e emocional da criança, a pedagogia hospitalar sugere uma 
proposta de trabalho no setor ambulatorial, com o objetivo de distrair e entreter essa 
criança, como também, com uma finalidade de orientar e informar essas crianças com 
relação ao que irá ocorrer a partir do momento que ela entrar no consultório para ser 
atendida. 
OBJETIVO GERAL 
Oferecer um melhor atendimento ambulatorial pediátrico com vistas para a 
humanização. 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
- Orientar de uma melhor maneira a criança com relação ao atendimento prestado pelo 
médico; 
- Informar à criança sobre o que irá ocorrer em sua consulta; 
- Distrair a criança com atividades lúdicas, dessa forma, fazendo com que o tempo de 
espera seja amenizado. 
 81 
APÊNDICE 1 
ROTEIRO PARA ENTREVISTA COM A PEDAGOGA DO HT DE CURITIBA 
Dia:......./........./.......... 
Horário: Início..................... Término............... 
I – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO: 
1)Nome: 
2) Idade: 
3) Formação superior: 
4) Tempo de formação: 
5) Cargo que ocupa na instituição: 
6) Tempo de trabalho na instituição: 
II – QUESTÕES SOBRE AÇÕES PEDAGÓGICAS NO HT: 
7) O que a levou a trabalhar com a Educação Hospitalar? 
8) Como foi a sua adaptação no Hospital? 
9) Como é a rotina pedagógica com a criança/adolescente hospitalizado? 
10) Com quantas crianças você trabalha em média e qual a faixa etária? 
11) Quais os objetivos do atendimento pedagógico no HT? 
12) Como se realiza o planejamento das atividades pedagógicas no hospital? 
13) Que tipos de atividades são privilegiadas pela equipe? Por quê? 
14) Como é o processo de comunicação com a escola de origem? Quem entra em 
contato com a escola? 
15) Como é realizada a avaliação? 
16) Qual a interferência da família neste processo do hospital? 
 82 
17) As famílias se sentem satisfeitas com o atendimento? 
18) Como a escola acompanha o processo de atendimento escolar no hospital? 
19) Qual o nível de satisfação das crianças com as atividades pedagógicas 
desenvolvidas no Hospital? 
20) Você considera que a criança/adolescente hospitalizado possui condições de 
reintegrar-se ao ensino regular após o período de internação? 
21) Em que pontos você considera que a Pedagogia Hospitalar se aproxima e se 
distancia da Pedagogia Escolar? 
22) O trabalho do SAREH é vinculado ao da Pediatria? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 83 
APÊNDICE 2 
ROTEIRO PARA ENTREVISTA COM A PROFESSORA DO SAREH DO HT 
DE CURITIBA 
Dia:......./........./.......... 
Horário: Início..................... Término............... 
I – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO ENTREVISTADO: 
1)Nome: 
2) Idade: 
3) Formação superior: 
4) Tempo de formação: 
5) Cargo que ocupa na instituição: 
6) Tempo de trabalho na instituição: 
II – QUESTÕES SOBRE AÇÕES PEDAGÓGICAS NO HT: 
7) O que a levou a trabalhar com a Educação Hospitalar? 
8) Como é a rotina pedagógica com a criança hospitalizada? 
9) Com quantas crianças você trabalha em média e qual a faixa etária? 
10) Os materiais utilizados na escolarização hospitalar são diferenciados da escola 
regular? Como? 
11) Que estratégias de ensino-aprendizagem são utilizadas com os alunos 
hospitalizados? 
12) Quais as dificuldades encontradas no atendimento pedagógico? 
13) Como você planeja suas aulas? 
14) Como as famílias participam deste processo? 
 84 
15) Como é a relação professor-aluno hospitalizado? 
16) Como você avalia os resultados obtidos com o aluno hospitalizado? 
17) As famílias se sentem satisfeitas com o atendimento? Como se manifestam? 
18) E as crianças? Qual o nível de satisfação delas com as atividades pedagógicas 
desenvolvidas no Hospital? 
19) Você acredita que o escolar hospitalizado possui condições de integrar-se ao 
ensino regular sem dificuldades?das Crianças com Câncer 
CAIS - Centro de Atenção Integral à Saúde 
CAPE - Centro de Apoio Pedagógico Especializado 
CBE - Coordenação de Educação Básica 
CEEBJA - Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos 
CEE - Conselho Estadual de Educação 
CNE - Conselho Nacional de Educação 
CNEFEI - Centro Nacional de Estados e de Formação para Infância Inadaptada 
CONANDA - Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente 
ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente 
EE - Educação Especial 
EJA - Educação de Jovens e Adultos 
ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio 
HIV - Síndrome de Imunodeficiência Adquirida 
HT - Hospital do Trabalhador 
LDB - Lei de Diretrizes e Bases 
MEC - Ministério da Educação 
NRE - Núcleo Regional da Educação 
PNHAH - Projeto Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar 
POG - Programa de Orientação de Gestantes 
PUCPR - Pontifícia Universidade Católica do Paraná 
SAREH - Serviço de Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar 
SBP - Sociedade Brasileira de Pediatria 
SEED - Secretaria de Estado da Educação do Paraná 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 1 
2 A PEDAGOGIA HOSPITALAR NO CONTEXTO BRASILEIRO: ASPECTOS 
HISTÓRICOS, LEGAIS E TEÓRICOS ................................................................... 4 
2.1 ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGISLATIVOS .................................................... 4 
2.2 PEDAGOGIA HOSPITALAR: DUAS LINHAS DE PENSAMENTO 
DISTINTAS E COMPLEMENTARES ...................................................................... 11 
2.2.1 Projetos de Pedagogia Hospitalar ........................................................................20 
3 O SERVIÇO DE ATENDIMENTO À REDE DE ESCOLARIZAÇÃO 
HOSPITALAR (SAREH) NO PARANÁ: O CASO DO HOSPITAL DO 
TRABALHADOR DE CURITIBA............................................................................25 
3.1 O DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO DO SAREH: AÇÕES E 
ESTRATÉGIAS .......................................................................................................... 31 
3.2 CARACTERIZAÇÃO DO HOSPITAL DO TRABALHADOR DE CURITIBA –
HT ................................................................................................... ............................. 38 
3.3 O ATENDIMENTO PEDAGÓGICO NO HOSPITAL DO TRABALHADOR DE 
CURITIBA....................................................................................................................43 
3.3.1 O SAREH e a escolarização hospitalar no HT: a visão da equipe pedagógica....46 
3.3.2 O atendimento da Pediatria do HT: a visão da pedagoga.....................................50 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................61 
REFERÊNCIAS .........................................................................................................65 
ANEXOS .....................................................................................................................67 
APÊNDICES ...............................................................................................................80 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A presente pesquisa tem como objetivo geral analisar o processo pedagógico 
realizado com crianças e adolescentes hospitalizados no contexto do Hospital do 
Trabalhador (HT) de Curitiba, um dos maiores hospitais da rede pública do Estado e 
referência no atendimento de traumas e materno-infantil. 
A criança ou adolescente internado passa por uma situação de privação de 
saúde e liberdade, que causa um desequilíbrio emocional e a sensação de abandono no 
ambiente hospitalar. O afastamento do internado de sua família, da escola e dos 
amigos acaba alterando sua auto-estima, criando ansiedade, medo, desânimo, 
depressão e tornando lenta a sua recuperação. 
A hospitalização da criança/adolescente faz com que o mesmo deixe de 
frequentar a escola. Daí, surgem os grandes desafios para a Educação Hospitalar, em 
geral, que precisa dar continuidade à vida escolar da criança internada e reduzir os 
impactos causados pela internação. Diante de tal situação, como, por exemplo, o 
Hospital do Trabalhador do município de Curitiba – uma das maiores unidades de 
atendimento do Estado do Paraná – passa a desenvolver um trabalho pedagógico para 
que os alunos internados não sejam prejudicados em sua vida escolar. 
De acordo com os Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizado, 
expressos na Lei 8.069/90 e na Resolução 41/95, de 13 de outubro de 1999, o paciente 
internando tem o direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de 
educação para a saúde e acompanhamento de currículo escolar durante a sua 
permanência hospitalar. 
Sendo assim, faz-se necessária a criação de classes escolares em hospitais para 
garantir o atendimento das necessidades educacionais e os direitos de cidadania, entre 
os quais se inclui a escolarização. Segundo a política do Ministério da Educação 
(MEC), a classe hospitalar é um ambiente que possibilita o atendimento educacional 
de crianças e jovens internados que necessitam de educação especial e que estejam em 
tratamento hospitalar. 
 2 
No Estado do Paraná, a Pedagogia Hospitalar desenvolve duas linhas de 
pensamento acerca da educação hospitalar, uma delas é a de Classes Hospitalares e a 
outra de Escolarização Hospitalar. 
A Classe Hospitalar caracteriza-se pela diversificação de atividades lúdicas e 
recreativas, trabalha com crianças e adolescentes internados em enfermarias 
pediátricas ou em ambulatórios de especialidades. Já a Escolarização Hospitalar 
consiste em um atendimento personalizado ao escolar doente, trabalha de acordo com 
as Diretrizes Curriculares e tem como objetivo dar continuidade ao processo 
educacional do aluno internado para que o mesmo não perca seu ano letivo. 
Apesar da existência dessas modalidades de atendimento parte-se, aqui, do 
pressuposto de que na prática pedagógica hospitalar, a distinção entre as duas 
abordagens teóricas se dilui e ambas se complementam, desenvolvendo um trabalho 
multidisciplinar entre educadores, equipe médica e família, que permite à criança 
internada – em função das diferentes situações apresentadas – integrar-se por meio de 
ações lúdicas, recreativas e pedagógicas, dando continuidade a sua vida escolar mesmo 
estando em um hospital. 
No sentido de verificar este pressuposto nas ações pedagógicas realizadas pelo 
Hospital do Trabalhador de Curitiba (HT), optou-se metodologicamente por 
caracterizar esta pesquisa como um estudo de caso, ou seja, uma investigação da 
história, do estado atual e das interações ambientais desta instituição com a finalidade 
de descrever o que a instituição, conveniada ao SAREH, tem feito no âmbito da 
pedagogia hospitalar. 
Para isso, partiu-se de uma pesquisa de cunho bibliográfico no tema, por meio 
de leitura das obras de Elizete Matos (2006; 2009), Margarida Mugiatti (2007), Regina 
Taam (2000), Eneida Fonseca (1999; 2001), Ricardo Ceccim (1999), Daniela Amaral e 
Maria Teresinha Pereira e Silva (2010), entre outros autores. 
Também foi realizada uma análise documental baseada nos Direitos da 
Criança e do Adolescente Hospitalizado, em documentos que norteiam o Serviço de 
Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar – SAREH -; na Lei de Diretrizes e 
Bases da Educação Nacional, Lei n. 9.394/96; instruções normativas, resoluções e 
 3 
relatórios relativos às ações e estratégias pedagógicas adotadas pelo Hospital do 
Trabalhador do município de Curitiba, no Estado do Paraná. 
O desenvolvimento da pesquisa decampo no Hospital do Trabalhador de 
Curitiba ocorreu entre os meses de setembro, outubro e novembro de 2010, adotando-
se como instrumentos de coleta de dados a observação sistemática e realização de 
entrevistas com pedagoga e professora responsáveis pelo Serviço de Atendimento à 
Rede de Escolarização Hospitalar (SAREH) no HT, e com a pedagoga do próprio 
hospital pesquisado, totalizando 40 horas dentro do hospital. 
Nesse sentido, o trabalho foi estruturado em dois capítulos. No primeiro, 
foram apresentados os principais aspectos históricos e legislativos da Pedagogia 
Hospitalar, os quais asseguram os direitos da criança/adolescente hospitalizado, 
destacando-se a trajetória da Pedagogia Hospitalar no mundo, no Brasil e, em especial 
no Estado do Paraná, foco principal desta pesquisa. 
 Já no segundo capítulo apresentamos o trabalho pedagógico realizado pelo 
Serviço de Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar – SAREH – no Hospital 
do Trabalhador de Curitiba, bem como as ações desenvolvidas pela pedagoga do 
próprio HT, a partir dos relatos dos profissionais, entrevistas e observações, 
procurando analisar o trabalho pedagógico dentro do contexto do hospital. 
Propomos, portanto, realizar uma pesquisa que possa trazer contribuições para 
a atuação de professores e pedagogos dentro dos hospitais. E foi em busca desse 
objetivo que encaminhamos este trabalho de conclusão de curso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 4 
2 A PEDAGOGIA HOSPITALAR NO CONTEXTO BRASILEIRO: 
ASPECTOS HISTÓRICOS, LEGAIS E TEÓRICOS 
 
A Pedagogia Hospitalar é uma nova área do conhecimento dentro da 
Pedagogia que necessita de novos estudos e que, recentemente, vem crescendo a partir 
de produções que evidenciam esta necessidade de aprofundamento com relação ao 
tema. Esta área volta-se para o atendimento das necessidades educacionais das 
crianças internadas em hospitais e que não podem frequentar a escola regular. 
Nesse sentido, o intuito é que a criança continue seu desenvolvimento integral 
que a hospitalização acaba por minimizar. Esta concepção educacional também precisa 
contribuir para que a criança, ao ser reinserida no contexto escolar, tenha condições de 
dar continuidade ao seu processo educacional dentro dos muros escolares. Mas, como 
surgiu histórica e legalmente esta preocupação educacional com as crianças e jovens 
hospitalizados? 
 
2.1 ASPECTOS HISTÓRICOS E LEGISLATIVOS 
 
O campo da Pedagogia Hospitalar surgiu da 
necessidade que as pessoas, por motivos 
ligados a enfermidades, afastam-se do 
momento de escolarização e com isso tornam-
se excluídos de instituições de ensino e da 
própria comunidade a que pertencem. 
(MATOS, 2006, p.16). 
 
 
A partir da segunda metade do século XX, observou-se em países como 
Inglaterra, Estados Unidos e Canadá que orfanatos, asilos e instituições que prestavam 
assistência a crianças violavam aspectos básicos do desenvolvimento emocional das 
mesmas. Por falta de atendimento integral, concluiu-se que apresentavam risco de 
sequelas as quais, na vida adulta, poderiam evoluir para sérias condições psiquiátricas 
(FONSECA, CECCIM, 1999, p.15). 
Diante dessa situação, decorreu a iniciativa de implementar experiências 
educativas para crianças e adolescentes internados em instituições hospitalares. Mas, 
 5 
antes de tais iniciativas, em 1935, o francês Henri Selleir inaugurou nos arredores de 
Paris a primeira escola para crianças consideradas inadaptadas, dando início à Classe 
Hospitalar. Seu exemplo foi seguido na Alemanha, em toda a França, na Europa e em 
outros países como os Estados Unidos, com a finalidade de suprir as dificuldades 
escolares de crianças tuberculosas. 
Pode-se considerar, portanto, como marco decisório das escolas em hospital a 
Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando o grande número de crianças e 
adolescentes atingidos, mutilados e impossibilitados de irem à escola, fez criar um 
engajamento, sobretudo dos médicos, que se tornaram desde então defensores da 
escola em seu serviço. 
Em 1939, foi criado o Centro Nacional de Estudos e de Formação para 
Infância Inadaptada – CNEFEI –, tendo como objetivo a formação de professores para 
o trabalho em institutos especiais e em hospitais. Também no mesmo hospital foi 
criado o Cargo de Professor Hospitalar, junto ao Ministério da Educação na França. O 
CNEFEI tem como missão até hoje mostrar que a escola não é um espaço fechado, 
promovendo estágios em regime de internato dirigidos a professores e diretores de 
escolas, aos médicos de saúde escolar e a assistentes sociais. 
No Brasil, foi no ano de 1950, no Hospital Municipal Bom Jesus, no 
município do Rio de Janeiro, que surgiu a primeira Classe Hospitalar, visando o 
atendimento a crianças internadas, para que em seus retornos para as escolas regulares 
pudessem continuar os estudos normalmente. 
Até então, os alunos que passassem por enfermidades que os obrigassem ao 
afastamento escolar eram submetidos à solução de continuidade do aprendizado, 
culminando muitas vezes a reprovação, desistência do ano escolar ou, na melhor das 
hipóteses, a uma promoção de nível sem o necessário conhecimento que seria exigido 
na série seguinte. Esta iniciativa é considerada em âmbito nacional como o marco 
inicial da Pedagogia Hospitalar no Brasil. 
A avaliação do trabalho escolar em ambiente hospitalar apresentou resultados 
satisfatórios, sendo que, em 1960, o segundo hospital iniciou o mesmo serviço, o 
Hospital Barata Ribeiro no Rio de Janeiro. Ainda assim, demonstrada a validade da 
 6 
iniciativa, não havia vínculo com o Estado, contando somente com o apoio das 
direções dos hospitais. 
Foi necessário, no entanto, muitos anos para que as autoridades constituídas 
para o exercício da educação fossem compelidas a aceitar e normatizar a pedagogia 
hospitalar, tendo como fator determinante a Constituição Federal Brasileira de 1988, 
que, textualmente, diz em seu artigo 6º.: “São direitos sociais a educação, a saúde, o 
trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção, à 
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta 
Constituição”. 
Desta maneira, induzidas pela determinação constitucional, as autoridades 
administrativas da educação procuraram estabelecer que o atendimento educacional 
hospitalar fosse legal e obrigatoriamente instituído, o que aconteceu em 1990 na Lei 
Federal n. 8.089, de 1990, conhecida também como o Estatuto da Criança e do 
Adolescente: 
 
A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes 
à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que tratam esta lei, 
assegurando-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e 
facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico mental, moral, 
espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. (ECA, 1990, 
p.23). 
 
No mesmo padrão, outras instituições públicas firmaram seus propósitos, 
como foi o caso do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – 
CONANDA –, órgão ligado ao Ministério da Justiça que, em proposta da Sociedade 
Brasileira de Pediatria (SBP), listou na resolução n. 41, de outubro de 1995 (anexo 1): 
“Os Direitos das Crianças e Adolescentes Hospitalizados, pretendendo assegurar, entre 
outros direitos, o de a criança “desfrutar de alguma forma de recreação, de programas 
de educação para a saúde e de acompanhamento do currículo escolar durante sua 
permanência hospitalar”. 
O Ministério da Educação também não foi omisso, prevendo na Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394 de 1996, que: “Esta lei orienta para 
que cada hospital do país ofereça o serviço de classe hospitalar”. 
 7 
A Classe Hospitalar foi criada, então, para assegurar às crianças e aos 
adolescentes hospitalizados, a continuidade dos conteúdos regulares, possibilitando um 
retorno após a alta sem prejuízos a sua formaçãoescolar. Ela deve se estender às 
famílias, sobretudo àquelas que não acham pertinente falar sobre doenças com seus 
filhos, buscando recuperar a socialização da criança por um processo de inclusão, 
dando continuidade a sua aprendizagem. Esta inclusão social deve ser o resultado do 
processo educativo e reeducativo. 
A socialização é, entendido nesta perspectiva, como um processo 
essencialmente ativo que se desenrola durante toda a infância e adolescência por meio 
das práticas e das experiências vividas, não se limitando a um simples treinamento 
realizado pela família, escola e outras instituições especializadas. Este processo, 
extremamente complexo e dinâmico, integra a influência de todos os elementos 
presentes no meio ambiente e exige a participação ativa da criança (FONSECA; 
CECCIM, 1999). 
Os processos de socialização podem ser compreendidos como um resumo de 
interações entre seres humanos, das quais estes participam ativamente e assim tornam-
se membros de determinada sociedade e cultura. 
Por sua vez, a inclusão social é um termo amplo, utilizado em contextos 
diferentes, em referência a questões sociais variadas. De modo geral, o termo é visto 
como a inserção de pessoas com algum tipo de deficiência às escolas de ensino regular 
e ao mercado de trabalho, ou ainda a pessoas consideradas excluídas, que não têm as 
mesmas oportunidades dentro da sociedade. 
Assim, a inclusão do atendimento pedagógico na atenção hospitalar, inclusive 
no que se refere à escolarização, vem interferir nessa dimensão vivencial porque, 
segundo Fonseca e Ceccim (1999), resgata os aspectos de saúde mantidos, mesmo em 
face da doença, enquanto respeita e valoriza os processos afetivos e cognitivos de 
construção de uma inteligência de si, de uma inteligência do mundo, de uma 
inteligência do estar no mundo e inventar seus problemas e soluções. 
 A Secretaria de Educação Especial define Classe Hospitalar como o 
atendimento pedagógico-educacional que ocorre em ambientes de tratamento de saúde, 
seja na circunstância de internação, como tradicionalmente conhecida, seja na 
 8 
circunstância do atendimento em hospital-dia e hospital-semana ou em serviços de 
atenção integral à saúde mental. O hospital-dia representa uma alternativa 
intermediária entre ambulatório e internação, indicado para pacientes que não 
necessitam de pernoite. Já o hospital semana é indicado aos pacientes que necessitam 
de uma internação integral. 
Mais proximamente, o Estado do Paraná, por seu Conselho Estadual de 
Educação, vinculado à Secretaria de Estado da Educação, em sua Deliberação n. 
02/2003, previu, em seu art. 14, que: “Os serviços especializados serão assegurados 
pelo Estado, que também firmará parcerias ou convênios com suas áreas de educação, 
saúde, assistência social, trabalho, transporte, esporte, lazer e outros, incluindo apoio e 
orientação á família, à comunidade e à escola” (SEED, 2003; apud Matos, 2009, 
p.112). 
Particularizando o tema abordado, o Município de Curitiba também 
regulamentou o exercício da atividade educacional em espaço hospitalar, o que, na 
denominada “Reunião para Convênios Hospitalares”, tratou da escolarização 
hospitalar, que vem sendo executada com a alocação de recursos humanos e materiais 
no espaço hospitalar do município, adequando-se à previsão legal e proporcionando a 
continuidade dos estudos por parte dos alunos afastados da escola por necessidade de 
tratamento de saúde. 
A seguir, um quadro contendo as legislações vigentes que amparam e 
legitimam o direito à educação aos educandos hospitalizados e impossibilitados de 
frequentar a escola. Destacam-se, no quadro 1, as duas últimas legislações citadas, pois 
norteiam especificamente um tipo de atendimento educacional no Estado do Paraná 
com o diferencial de uma documentação apropriada, que regulamenta a equivalência 
de frequência e aproveitamento escolar nas instituições de saúde. 
 
 
 
 
 
 9 
ANO LEI DEFINIÇÃO 
 
1969 
 
Nº 1.044 
Art. 1º, dispõe sobre tratamento excepcional 
para alunos portadores de afecções. 
 
1975 
 
Nº 6.202 
Atribui à estudante em estado de gestação o 
regime de exercícios domiciliares. 
 
1990 
 
Nº 8.069 
 ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente. 
É um conjunto de normas do ordenamento 
jurídico brasileiro que tem como objetivo a 
proteção integral da criança e do 
adolescente. 
 
1995 
 
Resolução nº 41 
Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da 
Criança e do Adolescente Hospitalizado – 
CONANDA – é um órgão deliberativo e 
controlador das políticas de promoção, defesa 
e garantia dos direitos da criança e do 
adolescente. 
1996 Nº 9.394 Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional – LDB - define e regulariza o 
sistema de educação brasileiro com base nos 
princípios presentes na Constituição 
 
2001 
 
Resolução nº 02 
CNE – Conselho Nacional de Educação / 
CEB – Coordenação de Educação Básica / 
(Diretrizes Nacionais para Educação Especial 
na Educação Básica). 
 
2002 
 
Documento editado pelo MEC 
Classe Hospitalar e atendimento pedagógico 
domiciliar: estratégias e orientações. 
2003 Deliberação nº 02 CEE – Conselho Estadual de Educação 
(Normas para a Educação Especial). 
 
2007 
 
Resolução nº 2527 
 SAREH - Institui o Serviço de Atendimento 
à Rede de Escolarização Hospitalar 
 
2008 
 
Instrução Normativa nº 006 
Estabelece procedimentos para a implantação 
e funcionamento do SAREH 
QUADRO 1 - HISTÓRICO DO DESENVOLVIMENTO DA PEDAGOGIA 
HOSPITALAR NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA 
FONTE: As autoras (2010) 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ordenamento_jurídico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ordenamento_jurídico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Criança
http://pt.wikipedia.org/wiki/Adolescente
http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
http://pt.wikipedia.org/wiki/Constituição
 10 
Apesar de a Pedagogia Hospitalar ser um assunto aparentemente pouco 
conhecido, o levantamento realizado indicou sua existência em várias localidades do 
Brasil, a partir da década de 1950. 
No Estado do Rio de Janeiro, lugar onde surgiu a primeira classe hospitalar, 
dados do I Encontro Nacional sobre Atendimento Pedagógico-Hospitalar revelam que 
no ano de 2000 já existiam 11 classes hospitalares em atividade, com 17 professores 
atuando. Destacando-se, entre essas, a classe hospitalar mais antiga e ainda em 
funcionamento no Hospital Municipal Bom Jesus (hospital público infantil), que 
iniciou oficialmente suas atividades em 14 de agosto de 1950. 
O Estado de São Paulo mantém 33 classes hospitalares, sendo 20 na Capital e 
13 em cidades do Interior, e a Secretaria de Estado da Educação assegura o 
atendimento em sete hospitais da rede pública da capital e em mais sete no interior, 
com base na Lei Estadual n. 10.685, de 30 de novembro de 2000. 
Embora a lei seja do ano 2000, as classes hospitalares funcionam há mais 
tempo em São Paulo, desde a década de 1930, segundo dados do CAPE – Centro de 
Apoio Pedagógico Especializado, que oferece suporte ao processo de inclusão escolar 
de alunos com necessidades educacionais especiais na rede estadual de ensino. As 
classes hospitalares funcionam nos seguintes hospitais: Santa Casa de Misericórdia de 
São Paulo, Hospital Darcy Vargas, Hospital do Servidor Público Estadual, Hospital de 
Clínicas de São Paulo, Hospital AC Camargo, Hospital Cândido Fontoura. E nas 
cidades do Interior: Hospital de Clínicas de Ribeirão Preto, Hospital Amaral Carvalho, 
Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS) Clemente Ferreira, Hospital de Clínicas – 
UNESP de Botucatu, Fundação Pio XII – Hospital do Câncer de Barretos, Hospital 
Materno Infantil de Marília. 
As crianças internadas têm atividades pedagógicas de acordo com o que elas já 
vinham aprendendo, e entre os projetos colocados em prática estão o da Biblioteca 
Móvel, o de Humanização e o de Datas Comemorativas. 
Em Mato Grosso do Sul, cerca de mil crianças passam pelo atendimento epelos professores das classes hospitalares. Além de receberem o conteúdo pedagógico 
e as avaliações dos professores, as crianças que estão em tratamento de câncer, de 
 11 
fraturas, viroses, renais e outras patologias recebem atenção e afetividade das 
professoras e enfermeiras. 
As classes hospitalares contam com professores cedidos de diversas 
disciplinas: Arte, Biologia, Ciência, Português e Exatas. Atualmente, seis hospitais 
possuem classes hospitalares: Santa Casa, Hospital Regional, Hospital Universitário, 
Hospital do Câncer, Associação dos Amigos das Crianças com Câncer (AACC) e 
Hospital São Julião. 
Por fim, no Estado de Santa Catarina as classes hospitalares foram criadas em 
1999, atendendo alunos que estão internados em hospitais para que não percam o 
conteúdo curricular enquanto estão fora da escola. Atualmente, existem doze Classes 
Hospitalares, com 19 professores da rede pública estadual. Além de Florianópolis, as 
classes hospitalares funcionam em hospitais de Lages, Tubarão, Chapecó, Rio do Sul, 
Xanxerê, Curitibanos, Concórdia, Joaçaba, Ituporanga, Ibirama e Videira. 
Além disso, o Estado dispõe da Lei Estadual nº 13.843/2006 que garante o 
direito da criança e do adolescente ao atendimento pedagógico e escolar na internação 
hospitalar em Santa Catarina. 
De um modo geral, percebemos que, historicamente, a pedagogia hospitalar 
tendeu a privilegiar a concepção de classe hospitalar, embora exista também uma 
segunda linha de pensamento que defenda a escolarização hospitalar. No sentido de 
conhecermos melhor essas duas correntes teóricas, o tópico a seguir apresenta os 
fundamentos e os princípios que cada uma defende. 
 
2.2 PEDAGOGIA HOSPITALAR: DUAS LINHAS DE PENSAMENTO DISTINTAS 
E COMPLEMENTARES 
 
Com o surgimento da Pedagogia Hospitalar, manifestam-se duas linhas de 
pensamento aparentemente opostas, mas que podem ser vistas como complementares. 
A primeira delas é a Hospitalização Escolarizada, foco principal deste estudo, e a 
segunda é a Classe Hospitalar, respaldada legalmente na Política Nacional de 
Educação Especial (BRASIL, 1994) e nas Diretrizes Nacionais para Educação 
 12 
Especial na Educação Básica (BRASIL, 2001) e aplicada ao atendimento do escolar 
hospitalizado. 
A Hospitalização Escolarizada consiste no atendimento personalizado ao 
escolar doente, respeitando o seu momento de doença e considerando a situação de 
escolaridade como, também, a sua procedência. A partir de então, desenvolve-se uma 
proposta pedagógica específica para cada aluno, conforme as suas necessidades, 
entrando-se em contato com a realidade da escola de cada educando e desenvolvendo 
uma proposta didática e pedagógica de acordo com os padrões a que sua escola de 
origem atua. 
Para tanto, envolve-se a professora deste aluno por meio do serviço social do 
hospital e como ponte de apoio à família, para o recebimento e entrega de atividades 
enviadas por ela. Existe também uma atuação complementar, feita pela professora do 
hospital que atende este educando, de forma criativa, indo além dos conteúdos 
propostos, criando estratégias que favoreçam o processo de ensino e aprendizagem, 
contextualizando-o com o desenvolvimento e experiências vivenciadas pelas 
crianças/adolescentes internados e respeitando-se a situação especial e individual de 
cada aluno da escola hospitalar. 
Um fator importante é que todo escolar hospitalizado deve estar matriculado 
em uma escola, caso contrário, a família ou assistente social do hospital deverá 
matricular a criança/adolescente, para que ela possa participar do projeto de 
hospitalização escolarizada. 
 Na hospitalização escolarizada acontecem momentos integrados entre os 
escolares, mas de forma lúdica e recreativa, como também nisto insere-se sempre o 
processo pedagógico. São representantes dessa visão autores como Elizete Lúcia 
Moreira Matos e Margarida Maria Teixeira de Freitas Mugiatti (2001; 2006; 2009). 
De acordo com as autoras Matos e Mugiatti (2006, p. 37), a “Pedagogia 
Hospitalar é um processo alternativo de educação continuada que ultrapassa o contexto 
formal da escola, pois levanta parâmetros para atendimento de necessidades especiais 
transitórias do educando, em ambiente hospitalar e/ou domiciliar”. 
O atendimento das necessidades especiais do escolar hospitalizado é garantido 
pela Educação Especial (EE), uma modalidade de educação escolar entendida como 
 13 
um processo educacional definido em uma proposta pedagógica, que assegura um 
conjunto de recursos e serviços educacionais especiais, organizados para apoiar, 
complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais 
comuns, de modo a garantir a educação e promover sua inserção na sociedade. 
A legislação brasileira (LDB n
o
. 9394/96) define que a EE faz parte integrante 
da educação geral, devendo proporcionar aos alunos condições que possibilitem sua 
integração na sociedade, utilizando, para isso, metodologia especial, atendimento 
individualizado, bem como recursos humanos especializados. 
Diante dessa situação, surgem os grandes desafios enfrentados pelos 
educadores que trabalham com a Educação Hospitalar que, além de darem 
continuidade à vida escolar da criança internada, buscam reduzir os impactos causados 
com a internação. Sendo assim, faz-se necessário desenvolver um trabalho 
multidisciplinar entre educadores, equipe médica e família, permitindo à criança 
internada integrar-se por meio de ações lúdicas, recreativas e pedagógicas, dando 
continuidade a sua vida escolar mesmo estando em um hospital. 
Partindo dessa perspectiva, a Pedagogia Hospitalar, por suas peculiaridades e 
características, situa-se numa interrelação entre os profissionais da equipe de saúde e a 
educação, tanto pelos conteúdos da educação formal, da saúde e da vida, como pelo 
modo de trazer continuidade do processo a que estava inserido, mas, de forma 
diferenciada e transitória a cada enfermo (MATOS; MUGIATTI, 2006, p. 46). 
O contato com o professor e com uma "escola no hospital" funciona, de modo 
importante, como uma oportunidade de relação com os padrões da vida cotidiana 
comum das crianças, com a vida em casa e na escola. A educação no hospital 
integraliza o atendimento pediátrico pelo reconhecimento e pelo respeito às 
necessidades intelectuais e sócio-interativas que tornam peculiar o desenvolvimento da 
criança. 
Para Matos e Mugiatti (2006), o trabalho do professor/pedagogo é muito 
importante, pois requer formação continuada e o desenvolvimento de novas 
habilidades, integrando os profissionais da saúde e educadores no mesmo espaço, 
visando atender as necessidades psicológicas sociais e pedagógicas das crianças e 
adolescentes. As autoras defendem a importância da dedicação dos profissionais de 
 14 
educação, saúde e os demais para desenvolver um trabalho significativo com as 
crianças hospitalizadas: 
 
O educador, o assistente social, o psicólogo e os demais profissionais afins, 
devem buscar em si próprios o verdadeiro sentido de “educar”, devem ser o 
exemplo vivo dos seus ensinamentos e converter suas profissões numa 
atividade cooperadora do engrandecimento da vida. Para isso deverão 
pesquisar, inovar e incrementar seus conhecimentos e expandir sua cultura 
geral e procurar conhecer e desenvolver novos espaços socioeducacionais 
que possam, de certa forma, evidenciar uma sociedade mais harmônica em 
suas diversidades. (MATOS; MUGIATTI, 2006, p. 26). 
 
Dispor do atendimento de escolarização hospitalar, mesmo que por um tempo 
mínimo e que talvez pareça não significar muito para uma criança que frequente a 
escola regular, tem caráter de atendimento educacional e de saúde para a criança 
hospitalizada, uma vez que esta pode atualizar suas necessidades, desvincular-se, 
mesmo que momentaneamente, das restrições que um tratamento hospitalar impõe e 
adquirir conceitos importantes tanto à sua vida escolar quanto pessoal,acolhendo um 
outro tipo de referendamento social à subjetividade e podendo sentir que continua 
aprendendo e indo à escola, portanto, renovando seu ser criança e renovando potências 
afirmativas de invenção da vida. 
Procurando favorecer toda a estratégia que auxilie o desenvolvimento dessa 
modalidade educacional e que sensibilize os agentes da educação e da saúde sobre a 
importância do atendimento educacional à criança hospitalizada, faz-se necessário 
construir um espaço para profissionais dedicados à atenção às crianças e adolescentes 
que devem permanecer hospitalizados, com o objetivo de sensibilizar para a questão, 
trocar experiências e refletir sobre pedagogia hospitalar oferecendo ferramentas para o 
desenvolvimento desta modalidade educacional e explorando sua relação com o 
sistema educacional formal. 
 Na visão de Matos (2004, p.46), a Pedagogia Hospitalar é “uma nova 
realidade interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar, porque envolve saberes 
em prol da vida”. O aspecto biológico da doença/hospitalização não ocorre de forma 
isolada, ele faz parte de um complexo sistema dentre os quais os de natureza 
 15 
psicológica e social se associam a ele num íntimo e intenso entrelaçamento. Essa 
complexidade remete ao entendimento de um “processo multidisciplinar”. 
A multidisciplinaridade corresponde, de acordo com as autoras, aos diversos 
saberes conferidos em ambiente hospitalar, como sensível resposta à promoção da vida 
com saúde, para onde convergem as diversas ciências em prol da vida com mais 
qualidade. Já a interdisciplinaridade, assenta-se na integração e na interrelação de 
profissionais inseridos em contexto hospitalar. E a transdisciplinaridade, por sua vez, 
transcende a própria ciência, busca o vislumbre além-corpo, não se concentrando tão 
somente em aspectos físicos e biológicos, mas em outros tantos olhares que vêm 
revestidos, em essência, de valores e humanização, com afeto, envolvimento, doação, 
magia, entre outros atributos essenciais a tantos que permeiam este espaço vital. 
A concepção num enfoque multi/inter/transdisciplinar envolve, neste sentido, 
uma série de atividades específicas e integradas desenvolvidas junto à 
criança/adolescente hospitalizado, com realce, neste momento, à assistência 
psicopedagógica em contexto hospitalar. Sendo assim, a assistência pedagógica na 
hospitalização sugere uma ação educativa que se adapta às manifestações de cada 
criança/adolescente, em diferentes circunstâncias, nos enfoques didáticos, 
metodológicos, lúdicos e pessoais. 
Tendo em vista o embasamento legal, contido na legislação vigente que 
ampara e legitima o direito à educação, os hospitais devem dispor às crianças e 
adolescentes um atendimento educacional de qualidade e igualdade de condições de 
desenvolvimento intelectual e pedagógico. 
Já as Classes Hospitalares desenvolvem projetos, integrando diferentes 
realidades das quais as crianças advêm. Conforme a sua nomenclatura, oferece 
atendimento conjunto de forma heterogênea, isto é, atende a diversos escolares em 
uma classe ou sala de aula no hospital, de forma integrada, não atendendo cada escolar 
especificamente. 
Segundo a política do Ministério da Educação: “A Classe Hospitalar é um 
ambiente hospitalar que possibilita o atendimento educacional de crianças e jovens 
internados que necessitam de educação especial e que estejam em tratamento 
hospitalar” (MEC, 1994, p. 20). São representantes dessa visão autoras como Eneida 
 16 
Simões da Fonseca (1999; 2001; 2002), Ricardo Burg Ceccim (1997; 1999) que têm 
publicações nessa área de conhecimento. 
De acordo com Fonseca (1999, p. 28), a classe hospitalar tem a finalidade de 
recuperar a socialização da criança por um processo de inclusão, dando continuidade a 
sua aprendizagem. A inclusão social será o resultado do processo educativo e 
reeducativo. A escola é um fator externo à patologia, logo, é um vínculo que a criança 
mantém com seu mundo exterior. Se a escola deve ser promotora da saúde, o hospital 
pode ser mantenedor da escolarização. E escolarização indica criação de hábitos, 
respeito à rotina; fatores que estimulam a auto-estima e o desenvolvimento da criança 
e do adolescente. 
Dentro desta linha de pensamento, a Pedagogia Hospitalar é uma modalidade 
que visa a atender pedagógica e educacionalmente crianças e jovens que, dadas as suas 
condições de saúde, estejam hospitalizadas para tratamento médico e, 
consequentemente, impossibilitados de participar das rotinas de sua família, sua escola 
e de sua comunidade (CECCIM; FONSECA, 1999). 
A criança ou adolescente internado passa por uma situação de privação de 
saúde e liberdade, o que causa desequilíbrio emocional e a sensação de abandono no 
ambiente hospitalar. O afastamento do internado de sua família, da escola e dos 
amigos acaba alterando sua auto-estima, criando ansiedade, medo, desânimo, 
depressão e tornando lenta a sua recuperação. A inserção do ambiente escolar no 
período de internação é importante para a recuperação da saúde da criança, já que 
reduz a ansiedade e o medo advindos do processo da doença. 
 
Com relação à pessoa hospitalizada, o tratamento de saúde não envolve 
apenas os aspectos biológicos da tradicional assistência médica à 
enfermidade. A experiência de adoecimento e hospitalização implica mudar 
rotinas; separar-se de familiares, amigos e objetos significativos; sujeitar-se 
a procedimentos invasivos e dolorosos e, ainda, sofrer com a solidão e o 
medo da morte - uma realidade constante nos hospitais. (MEC, 2002, p.10). 
 
O ambiente da classe hospitalar necessita ser diferenciado, tem que ser 
acolhedor, com estimulações visuais, brinquedos, jogos, sendo assim um ambiente 
alegre e aconchegante. É por meio do brincar que as crianças e adolescentes internados 
encontram maneiras de viver a situação de doença, de forma criativa e positiva. 
 17 
Portanto, o trabalho em classe hospitalar faz com que haja diminuição do risco de 
comprometimento mental, emocional e físico dos enfermos. 
No entanto, as atividades são coordenadas de forma a dar um suporte e 
continuidade ao trabalho escolar das crianças/adolescentes atendidos na classe 
hospitalar. Assim, o planejamento de tais atividades torna-se imprescindível com o 
objetivo de reintegrar as crianças/adolescentes à sua escola de origem, assim que 
obtenham alta do hospital. 
 O professor, para atuar em ambiente hospitalar, deve apresentar ampla 
experiência pedagógica, flexibilidade de trabalho, que irão completar seu perfil para o 
ambiente hospitalar, deparando-se com mudanças diárias nas enfermarias em que 
crianças internadas saem de alta ou entram em óbito. 
Diariamente, ao chegar às unidades de internação pediátricas, cirúrgicas, 
oncológicas, transplantes, emergências, doenças infecto-contagiosas, deverá estar 
preparado para avaliar em curto prazo e ofertar conteúdos dirigidos, de acordo com a 
idade, ambiente, condições físicas e psicológicas, contaminação e, sobretudo, o tempo 
de aprendizagem de cada indivíduo: “[...] não é a criança que é paciente, ela é 
impertinente ao hospital, nós é que temos de ser pacientes, nós é que pertencemos ao 
hospital, para torná-lo lugar de tratamento e cuidados (CECCIM; FONSECA, 1999, p. 
24). 
No atendimento pedagógico, o Pedagogo Hospitalar deve ter seus olhos 
voltados para o todo, objetivando o aperfeiçoamento humano, construindo uma nova 
consciência em que a sensação, o sentimento, a integração e a razão cultural valorizem 
o indivíduo. Ele precisa ter sensibilidade, compreensão, força de vontade, criatividade, 
persistência e muita paciência, se quiser atingir seus objetivos: 
 
O professor da escola hospitalar é, antes de tudo, um mediador das 
interações da criança e do ambiente hospitalar. Por isso não lhe deve faltar 
noções sobre as técnicas e terapêuticas... sobre as doenças que acometem 
seus alunos e os problemas até mesmoemocionais delas decorrentes para as 
crianças e também para seus familiares e para as perspectivas fora do 
hospital. (FONSECA, 2003, p. 25). 
 
 18 
É preciso que o professor conheça a realidade com o qual o aluno está apto a 
lidar, qual o desempenho que o aluno é capaz de apresentar ao realizar as atividades 
que o professor venha a propor: “[...] abre-se, com este estudo, a necessidade de 
formular propostas e aprofundar conhecimentos teóricos e metodológicos, visando 
atingir o objetivo de dar continuidade aos processos de desenvolvimento psíquico e 
cognitivo das crianças e jovens hospitalizados” (CECCIM; FONSECA, 1999, p.117). 
As Classes Hospitalares são, portanto, um tipo de educação formal, visto que 
já existem professores concursados pelo Estado e pela prefeitura trabalhando nos 
hospitais brasileiros que realizam acompanhamento da escolarização com relatórios e 
provas para os alunos. Todavia, a forma de construção dos currículos, os objetivos e as 
metodologias de ensino são específicas para o contexto hospitalar, como define a 
Deliberação 02/03, do Estado do Paraná: 
 
Classes Hospitalares - Serviço destinado a prover a educação escolar a 
alunos com necessidades educacionais especiais impossibilitados de 
freqüentar as aulas, em razão de tratamento de saúde que implique 
internação hospitalar, mediante atendimento especializado realizado por 
professor habilitado ou especializado em educação especial vinculado a um 
serviço especializado. (PARANÁ, 2003, apud EDUCERE, 2009, p. 2043). 
 
De acordo com a autora Regina Taam (1997), tais correntes de pensamento, 
embora com especificidades próprias, tendem a se integrar na prática pedagógica 
hospitalar. A educação em hospitais oferece um amplo leque de possibilidades e de um 
acontecer múltiplo e diversificado, que não deve ficar aprisionado a classificações ou 
enquadramentos. 
A autora defende a ideia de que o conhecimento pode contribuir para o bem-
estar físico, psíquico e emocional da criança enferma, mas não necessariamente o 
conhecimento curricular ensinado no espaço escolar. Segundo Taam, o conhecimento 
escolar é o “efeito colateral” de uma ação que visa, primordialmente, à recuperação da 
saúde. Neste sentido, o trabalho do professor é ensinar, mas isso será feito tendo-se em 
vista o objetivo maior: a recuperação da saúde, pela qual trabalham todos os 
profissionais de um hospital. 
 19 
Sendo assim, tais linhas de pensamento, apesar de distintas, se complementam 
em um único objetivo: oferecer ao escolar hospitalizado um ambiente diferenciado, 
que proporcione motivação para a continuidade de sua vida escolar. É possível pensar, 
também, que a educação não formal ocorre nos hospitais por meio de voluntários que, 
em parceria com instituições – como as universidades – desenvolvem projetos de 
extensão para atuação na área. 
 De acordo com Taam (1997), a contribuição das atividades pedagógicas para 
o bem-estar da criança enferma passa por duas vertentes de análise. A primeira, aciona 
o lúdico como canal de comunicação com a criança hospitalizada, procurando fazê-la 
esquecer, durante alguns instantes, o ambiente agressivo no qual se encontra, 
resgatando sensações da infância vivida anteriormente à entrada no hospital. Essa 
vertente procura distrair a criança e, muitas vezes, o que consegue é irritá-la, e 
certamente não contribui para que ela reflita sobre a própria experiência e aprenda com 
ela. 
A segunda trabalha, ainda que de forma lúdica, a hospitalização como um 
campo de conhecimento a ser explorado. Ao conhecer e desmitificar o ambiente 
hospitalar, ressignificando suas práticas e rotinas como uma das propostas de 
atendimento pedagógico em um hospital, o medo da criança, que paralisa as ações e 
cria resistência, tende a desaparecer, surgindo em seu lugar, a intimidade com o espaço 
e a confiança naqueles que ali atuam. 
Essa definição, no entanto, não exclui o conceito de classe hospitalar. Pelo 
contrário, a pedagogia hospitalar parece ser mais abrangente, pois não exclui a 
escolarização de crianças que se encontram internadas por várias semanas ou meses, 
mas o incorpora dentro de uma nova dinâmica educativa. 
Apesar de a Hospitalização Escolarizada e as Classes Hospitalares serem duas 
linhas de pensamento distintas, pode-se perceber, na perspectiva teórica de Regina 
Taam (1997), como elas podem se complementar por meio de projetos da Pedagogia 
Hospitalar desenvolvidos em hospitais. E é exatamente isto que se pretende verificar 
com a pesquisa no Hospital do Trabalhador de Curitiba, analisada no capítulo seguinte. 
Mas, antes, serão apresentados os projetos desenvolvidos pelas autoras Elizete 
Matos e Margarida Mugiatti, desde 1989. 
 20 
2.2.1 Projetos de pedagogia hospitalar 
 
Criados a partir de 1989 com o objetivo de transformar o ambiente hospitalar 
em um ambiente mais agradável para as crianças/adolescentes hospitalizados, os 
Projetos de Pedagogia Hospitalar de Elizete Matos e Margarida Mugiatti possuem 
características das duas modalidades da Pedagogia Hospitalar, justificando a 
complementaridade entre elas. 
O primeiro foi denominado Projeto Mirim de Hospitalização Escolarizada, 
iniciado em 1989, e motivado pela equipe técnica, a partir da necessidade de 
solucionar questões como: o que fazer com a criança e o adolescente que está há muito 
tempo internada? 
O procedimento inicial foi verificar o interesse da criança e do adolescente e 
da família em participar do projeto, explicando suas razões e justificativas, seu 
objetivo e como seria realizado. Com o auxílio do serviço social, a pedagoga entrava 
em contato com a escola de origem, diretamente com a professora da criança ou do 
adolescente. Estabelecido este contato começa o processo de manutenção e 
acompanhamento dos conteúdos escolares. O processo de escolarização ocorria por 
meio do contato da pedagoga hospitalar, juntamente com a professora da criança ou do 
adolescente, com a assistente social do hospital e os pais. Os pais, segunda as autoras, 
foram as “pontes” entre o hospital e a escola, ficando responsáveis pelo 
encaminhamento das atividades e propostas didático-pedagógicas. 
Na concepção deste projeto, cada criança ou adolescente é um caso diferente, 
tendo suas limitações diversificadas; e cada dia é diferente do outro, às vezes uma 
atividade deu certo em dia pode não dar no outro. Nessa condição, é necessário que o 
pedagogo seja flexível, atento e criativo. As atividades aconteciam dependendo do 
contexto e da condição da criança, de forma individualizada ou na classe hospitalar. 
As autoras ressaltam que é importante lembrar: “[...] é de bom senso o entendimento 
de que o hospital não é uma escola. Trata-se do atendimento a uma eventualidade que 
representa prejuízo à criança ou adolescente, em estado de doença/internação 
prolongada” (MATOS; MUGIATTI, 2006, p. 129). Como a prioridade é a saúde, o 
processo pedagógico, no seu todo, deve ser flexível. 
 21 
O texto não apresenta relato a respeito do tempo de duração das atividades 
pedagógicas e nem sobre os dias da semana em que ocorrem, indica somente que as 
atividades, dependendo do contexto, podem ser conduzidas por estagiários. 
O segundo projeto, denominado Projeto Sala de Espera foi criado em 1993, 
com o objetivo de amenizar a ansiedade e o mal estar das crianças e adolescentes que 
ficavam na sala de espera, aguardando o atendimento de uma consulta médica. A sala 
de espera tradicional foi substituída por um ambiente lúdico, com mesinhas, 
cadeirinhas e um mural interativo. São realizadas atividades com fantoches, jogos, 
livros, revistas, desafios, músicas, fantasias e outras atividades envolvendo a criança e 
o adolescente enfermo, ou até mesmo a criança e o adolescente que estão a espera de 
uma consulta de rotina. Esse ambiente proporciona conforto, alegria e descontração. 
Segundo as autoras, após a instalação desse projeto foimais frequente as 
crianças e adolescentes entrarem no consultório médico mais descontraídas, alegres, 
facilitando o atendimento médico, como indicaram os depoimentos de pais e médicos. 
O projeto trouxe resultados positivos, na avaliação de Matos e Mugiatti (2006), tanto 
aos pais e responsáveis, que eram os integrantes ativos desse projeto, quanto para os 
profissionais da área da saúde que se integraram inteiramente a essa ideia. 
O projeto estava sendo desenvolvido por meio de parcerias entre hospitais e 
universidades, com orientação de docentes do curso de Pedagogia e dos cursos de 
Extensão. As autoras relatam que, naquele momento em que a pesquisa estava sendo 
realizada, estavam em processo de concretização uma Especialização em Pedagogia 
Hospitalar e acontecia um trabalho em conjunto com alunos, estagiários e voluntários, 
os quais participavam com outros profissionais da educação e de outras áreas que 
trabalham no hospital, de uma parceria que proporcionou resultados satisfatórios. 
O terceiro projeto, batizado de Projeto Literatura Infantil foi criado em 1994, 
com o intuito de diminuir os efeitos nocivos que o ambiente hospitalar causava 
(ansiedade, angústia, sofrimento), estimulando a criança e o adolescente a desenvolver 
a imaginação e a criatividade e incentivá-la ao gosto e ao hábito da leitura. 
Os livros eram levados até as crianças e adolescentes em seus leitos, em 
pequenas gôndolas, oferecidos de acordo com a faixa etária. Solicitados de acordo 
com o interesse da criança e do adolescente, a leitura não era imposta, mas era 
 22 
conduzida pela professora. Era desenvolvida a leitura em voz alta, realizada pelas 
estagiárias, voluntárias ou demais profissionais, de forma que atraíssem a atenção 
especialmente dos menores. O projeto também estava envolvendo os familiares e 
responsáveis. 
O quarto projeto, chamado de Enquanto o Sono não Vem, criado pelas autoras 
em 2000, teve origem na observação da rotina hospitalar. Depois do jantar, a TV era 
ligada e iniciava-se um processo de silêncio, momento que motivou a pergunta: “O 
que fazer enquanto o sono não vem?” 
Nesta condição, surgiu à proposta de desenvolver uma contação de história, 
despertando o imaginário e a fantasia. Segundo as autoras relatam, o projeto foi bem 
sucedido, porque trouxe resultou em um sono tranquilo e recuperador que contribuía 
no processo de cura. O projeto era desenvolvido durante a semana das 18h30min até as 
20h30min, nas enfermarias, propiciando um ambiente acolhedor e de encantamento às 
crianças e adolescentes, como também a seus familiares e à equipe de saúde ali 
presente. 
Outro projeto desenvolvido por elas, o de Inclusão Digital, aborda a 
importância da inclusão digital no processo de escolarização das crianças e 
adolescentes hospitalizados. Matos e Mugiatti (2006) relatam que a implantação em 
alguns hospitais do acesso a Internet já era realidade desde 1992, por meio de parcerias 
e doações de computadores, impressoras, softwares, Internet, notebooks, para as 
crianças e adolescentes enfermos. 
A inclusão digital no ambiente hospitalar possibilitava novos olhares e ações, 
criava espaços para troca, interação, informação e acréscimo de novos saberes, era um 
contato que a criança e o adolescente tinham com o mundo externo. 
Também descrevem sobre o Projeto Mural Interativo, criado em 2002, 
localizado na Sala de Espera. Este era um espaço onde as crianças e adolescentes 
podiam interagir, descontraindo-se, enquanto aguardavam a consulta médica. As 
autoras relatam que, do mural, as crianças e os adolescentes podiam tirar surpresas, 
como máscaras, narizes de palhaço, cata-ventos e outros brinquedos que podiam ser 
levados para casa. O mural era organizado de acordo com as datas comemorativas. 
 23 
O projeto do Mural Interativo ensejou o próximo passo: um mural virtual. 
Espaço em que as crianças, adolescentes e responsáveis podiam se comunicar e se 
informar em diversos assuntos. 
As autoras ainda criaram um Projeto de prevenção chamado Criança Segura – 
Safe Kids Brasil, que faz parte de uma rede internacional sediada nos Estados Unidos e 
que, em 1987, possuía 300 coligações em 16 países. É uma organização sem fins 
lucrativos, atuante no Brasil desde 2001, com sedes nas cidades de Curitiba, Londrina, 
São Paulo e Recife. Este projeto foi criado com o objetivo de prevenir, alertar e 
mobilizar a sociedade perante muitos acidentes ocorridos com crianças, decorrentes da 
falta de informação e de cuidados no dia-a-dia. Acidentes como: de trânsito, 
afogamento, sufocações, quedas, queimaduras, intoxicações, entre outros, os quais 
poderiam ser evitados com a prevenção e informação. 
Um outro Projeto, o Eurek@Kids, procura desenvolver um espaço virtual de 
aprendizagem para crianças e adolescentes hospitalizados. Foi criado pela autora 
Elizete Matos e iniciado em junho de 2005, embora com implantação definitiva para 
junho de 2007. Surgiu de duas experiências universitárias: o de desenvolvimento de 
um ambiente virtual de aprendizagem colaborativa, o Eureka; e a outra experiência foi 
a Pedagogia Hospitalar inserida na proposta de graduação do curso de Pedagogia. 
Com esse projeto, ficou evidente que se poderia mesclar o conhecimento 
adquirido e o aproveitamento dos recursos humanos disponíveis, numa conciliação que 
beneficiasse não só o dia-a-dia da criança e do adolescente hospitalizados, como 
também o seu vínculo com a escola. 
As autoras também desenvolveram o Projeto Campanhas Sociais e Datas 
Comemorativas, surgido em 2004, com o propósito de promover campanhas para 
arrecadar utensílios como: escovas de dente, materiais de higiene e outras ajudas para 
promover também a organização de momentos recreativos, lúdicos e festivos, e 
montagem de cenários para datas comemorativas. Segundo Matos e Mugiatti (2006, p. 
148), o projeto fazia “[...] todo um trabalho social muito bonito com enfoque cidadão”. 
E finalmente, o Projeto da Brinquedoteca Hospitalar, unidade que, de acordo 
com a Lei Federal 11.104, de 21/03/2005, tornou-se obrigatório nos hospitais que 
oferecem internação pediátrica. A lei prevê penas de advertência, interdição, 
 24 
cancelamento da licença ou multas aos hospitais que não se adequarem à lei. Tornado 
lei, devido pesquisas realizadas sobre sua eficácia, a brinquedoteca promove nas 
crianças e adolescentes processos de socialização, criatividade, decisões e descoberta 
do mundo, sendo um estímulo para os alunos enfermos que se recuperam mais rápido. 
Analisando-se os projetos realizados pelas autoras, percebe-se que eles 
representam uma efetivação do pensamento de Regina Taam (2000), unindo a 
escolarização ao lúdico em um único objetivo, de proporcionar à criança/adolescente 
hospitalizado a recuperação de sua socialização por um processo de inclusão, dando 
continuidade ao seu processo de aprendizagem e minimizando o sofrimento causado 
pela internação hospitalar. 
Pretende-se, portanto, com essa pesquisa conhecer o processo de escolarização 
hospitalar, por ser uma experiência diferente da proposta legislativa nacional, a partir 
da implantação do Serviço de Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar do 
Paraná (SAREH), ou seja, observando como ocorre na prática o que a pesquisadora 
Regina Taam afirma: a complementaridade entre os dois processos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 25 
3 O SERVIÇO DE ATENDIMENTO À REDE DE ESCOLARIZAÇÃO 
HOSPITALAR (SAREH) NO PARANÁ: O CASO DO HOSPITAL DO 
TRABALHADOR DE CURITIBA 
 
O Serviço de Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar – SAREH – é 
uma proposta da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED/PR) com o 
objetivo de implantar o atendimento educacional aos educandos, que se encontram 
impossibilitados de frequentar a escola, em virtude de situação de internamento 
hospitalar ou sob outras formas de tratamento de saúde, permitindo-lhes a 
continuidade do processo de escolarização,bem como sua inserção ou reinserção em 
seu ambiente escolar. 
A trajetória do SAREH é marcada formalmente pelo início dos seus estudos 
para atender à demanda dos educandos hospitalizados no Estado do Paraná, em julho 
de 2005, por meio de uma comissão regulamentada pela Resolução Secretarial nº 
2.090/05. Esta comissão foi presidida pela Assessoria da Superintendência da 
Educação e contou com representantes dos departamentos de ensino e das demais 
unidades da SEED. No decorrer dos trabalhos da comissão, houve a incorporação de 
representantes de outros setores da Secretaria de Estado da Educação do Paraná, o que 
levou à publicação da Resolução Secretarial nº 3.302/05. 
A comissão teve como atribuição discutir seis assuntos básicos para a 
elaboração de uma proposta fundamentada e viável: levantamento do amparo legal; 
forma adequada de seleção dos profissionais para atuar em ambiente hospitalar; 
currículo flexibilizado da educação básica; estrutura física necessária ao exercício 
docente no espaço hospitalar; materiais pedagógicos utilizados na prática pedagógica; 
proposta de formação continuada para as equipes do SAREH. 
Segundo Menezes (2008), a SEED encaminhou correspondências às 
Secretarias de Educação dos 27 estados e do Distrito Federal, solicitando informações 
sobre a condução das ações referentes ao atendimento educacional hospitalar. Apenas 
13 das Secretarias da Educação enviaram respostas e, destas, somente sete 
apresentaram alguma proposta de atendimento. 
 26 
 Além deste levantamento, foi realizada uma pesquisa nos Núcleos Regionais 
de Educação do Paraná para verificação dos encaminhamentos adotados em situações 
relacionadas ao atendimento de educandos de Educação Básica, em situação de 
afastamento por motivo de internação hospitalar. 
Em 2006, nos registros do Núcleo de Curitiba, houve indicação do 
acompanhamento de 133 alunos da Educação Básica das escolas estaduais sob a sua 
jurisdição, além de 29 casos de alunos advindos de outras cidades e estados. São dados 
que demonstram a necessidade de se delinear uma identidade para essa forma 
diferenciada de promover o processo de ensino e aprendizagem (MATOS, 2009, p. 
26). 
Após os levantamentos de dados e discussões, estabeleceram-se critérios de 
participação para celebrar convênios e outros instrumentos de cooperação técnica com 
instituições públicas, universidades e organizações não governamentais para promover 
a humanização, escolarização e atenção integral a crianças, adolescentes, jovens e 
adultos internados ou sob outras formas de tratamento de saúde. O critério inicial era 
que fossem unidades próprias do Estado, hospitais-escola das universidades estaduais 
e instituições com demanda significativa de alunos em idade escolar. 
A Humanização é uma prioridade do Ministério da Saúde criada, em 2001, 
como Projeto Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar – PNHAH, que 
propõe um conjunto de ações integradas que visam mudar substancialmente o padrão 
de assistência ao usuário nos hospitais públicos do Brasil, melhorando a qualidade e a 
eficácia dos serviços hoje prestados por estas instituições: “Tomamos a humanização 
como estratégia de interferência no processo de produção de saúde, levando-se em 
conta que sujeitos sociais, quando mobilizados, são capazes de transformar realidades, 
transformando a si próprios nesse mesmo processo” (Ministério da Saúde, 2004, p. 
08). 
Segundo Calegari (2003, p. 35), a humanização “é entendida como valor, na 
medida em que resgata o respeito à vida humana. Abrange circunstâncias sociais, 
éticas, educacionais e psíquicas presentes em todo o relacionamento humano”. 
 27 
Assim, oito instituições conveniadas, localizadas em três regiões do Estado do 
Paraná, foram indicadas para as atividades que se iniciaram em maio de 2007, 
conforme mostra o quadro a seguir: 
 
HOSPITAL CIDADE 
Associação Paranaense de Apoio à Criança com 
Neoplasia- APACN. 
Curitiba 
Hospital Universitário Evangélico. Curitiba 
Hospital de Clínicas da Universidade do Paraná. Curitiba 
Hospital do Trabalhador Curitiba 
Hospital Erasto Gaertner Curitiba 
Associação Hospitalar de Proteção à Infância 
Doutor Raul Carneiro / Hospital Pequeno 
Príncipe 
Curitiba 
Hospital Universitário Regional Maringá 
Hospital Universitário Regional do Norte do 
Paraná 
Londrina 
 
QUADRO 2 - INSTITUIÇÕES CONVENIADAS AO SAREH NO PARANÁ 
FONTE: As autoras (2010) 
 
Tendo em vista as localidades onde não existiam instituições conveniadas, 
surgiu a preocupação em constituir uma rede regional de responsáveis pelo SAREH 
nos Núcleos Regionais de Educação – NRE. Essa ideia possibilitou a contribuição dos 
32 NRE do Estado na implantação do Serviço, pois as Unidades conveniadas recebem 
alunos de diferentes cidades paranaenses, pois cada NRE faz parte da estrutura da 
SEED e tem como atribuições acompanhar, mediar, orientar e fiscalizar as ações 
pedagógicas implementadas dentro de uma política educacional estabelecida junto às 
escolas da Rede Estadual de Ensino. 
 28 
Após todo o processo de discussão sobre a implantação do SAREH, a 
SEED/PR realizou, no período de dezembro de 2006 a março de 2007, o processo de 
seleção dos professores, do Quadro Próprio do Magistério, para prestarem serviço nas 
instituições conveniadas, segundo os seguintes critérios: Graduação em Pedagogia e 
nas áreas do conhecimento; Especialização na área da educação; Experiência 
prioritária como docente em ambiente hospitalar; Análise de curriculum vitae e de 
memorial pedagógico; 
Abriram-se 32 vagas para suprir o quadro de profissionais nas oito instituições 
conveniadas (QUADRO 3). A constituição dessa equipe de trabalho contempla todas 
as disciplinas da Base Nacional comum, por meio de currículo flexibilizado, 
garantindo aos alunos da Educação Básica a continuidade do processo educacional de 
sua escola de origem. 
 
PROFISSIONAL QUANTIDADE HORAS PERÍODO ATUAÇÃO/DISCIPLINAS 
 
Pedagogo 
 
01 
 
40 
Matutino e 
Vespertino 
Organização do trabalho 
Pedagógico da Instituição 
 
Professor 
 
01 
 
20 
 
Vespertino 
Língua Portuguesa, 
Artes/Arte, Língua 
Estrangeira e Ed. Física. 
 
Professor 
 
01 
 
20 
 
Vespertino 
Matemática, Ciências, Física, 
Química e Biologia 
 
Professor 
 
01 
 
20 
 
Vespertino 
História, Geografia, 
Sociologia, Filosofia e 
Ensino Religioso. 
 
QUADRO 3 - PROFISSIONAIS SELECIONADOS PARA ATUAR NAS INSTITUIÇÕES 
 CONVENIADAS 
FONTE: As autoras (2010) 
 
O currículo flexibilizado é, na concepção desenvolvida pela SEED/PR, o 
currículo adaptado às necessidades educativas de um aluno. Ele não pode ser 
entendido como uma mera modificação ou acréscimo de atividades complementares na 
 29 
estrutura curricular, pois exige que as mudanças na estrutura do currículo e na prática 
pedagógica estejam em consonância com os princípios e com as diretrizes do Projeto 
Político Pedagógico, na perspectiva de um ensino de qualidade para todos os alunos. 
É importante ressaltar que flexibilizar/adaptar o currículo não significa 
simplificá-lo ou reduzi-lo, mas torná-lo acessível, o que é muito diferente de 
empobrecê-lo: 
O atendimento pedagógico deverá ser orientado pelo processo de 
desenvolvimento e construção do conhecimento correspondente da educação 
básica, exercido numa ação integrada com os serviços de saúde. A oferta 
curricular ou didático-pedagógica deve ser flexibilizada, de forma que 
contribua com a promoção de saúde e ao melhor retorno e/ou continuidade 
dos estudos pelos educandos envolvidos. (MEC, 2002, p.17). 
 
A partir da formação da equipe de profissionais que iriam atuar nas 
instituições conveniadas, duas ações foram indicadas como prioridades na implantação 
do SAREH: o processo de formação continuada e a produção de material pedagógico 
para apoio à prática docente. 
No desenvolvimento das atividades de capacitação

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