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2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 3 2 A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA E A HUMANIZAÇÃO NOS SERVIÇOS DE SAÚDE ................................................................................................................................... 4 3 CONTRIBUIÇÃO DA PEDAGOGIA HOSPITALAR .......................................... 31 3.1 No âmbito da socialização ............................................................................. 35 4 EDUCAÇÃO E SAÚDE: MARCOS LEGAIS ...................................................... 37 5 Educação como promoção à saúde .................................................................... 43 6 Interações entre educação e saúde na classe hospitalar ................................ 48 7 A FUNÇÃO DO PEDAGOGO HOSPITALAR .................................................... 51 8 BIBLIOGRAFIA ....................................................................................................... 56 3 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 2 A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA E A HUMANIZAÇÃO NOS SERVIÇOS DE SAÚDE Fonte: sonhoseguro.com.br Para o processo de aquisição das produções humanas, a comunicação é muito importante, pois é a aquisição da linguagem especificamente humana, sem ela fica inviável a relação social. Por meio dela, e na relação com outros homens, que o desenvolvimento do pensamento se efetiva. Mas, para que haja a humanização é necessário que se garanta a apropriação do conhecimento já produzido sobre o mundo, com base na educação, conforme LIMA L; (2010). Leontiev (1978 apud LIMA L; 2010) demonstra a importância da educação para a humanização do indivíduo. Quanto mais os progressos atingem a produção de bens materiais, mais enriquecem a cultura dos homens, ampliando seu conhecimento sobre o mundo e propiciando o desenvolvimento da ciência e da arte. Neste contexto, a educação toma proporções complexas, permitindo a ascensão da ciência pedagógica. Pressupõe-se que todos os homens têm o direito de se apropriar da cultura humana, entretanto não é isso, o que acontece. Na realidade, o conjunto de saberes produzidos acaba se concentrando nas mãos de um pequeno grupo da sociedade que os utiliza para a manutenção de seus poderes e como forma de dominação de grande parte da sociedade, ocorrendo estreita correlação entre saber e poder conforme LIMA L; (2010). 5 Conforme estes pressupostos, a educação desempenha um papel fundamental na vida dos indivíduos, já denunciada por muitos teóricos, e o conhecimento é a condição para sua humanização. É por meio dele que se garante a compreensão é uma das condições para as relações sociais. Assim, o trabalho dos professores, quando colaborativo, isto é, equipe de saúde e membros da família, torna-se extremamente importante, tanto à socialização como a um tratamento benéfico, às crianças e adolescentes internados, implicando uma atividade produtiva, aos hospitais, é a saúde dos internados, conforme LIMA L; (2010). No ambiente hospitalar, muito se tem a investigar e contribuir para as ações da pedagogia hospitalar. No entanto, para que essas ações sejam de fato eficazes, é essencial a participação de todos os envolvidos: a família, a criança ou adolescente hospitalizado, a escola de origem e o pedagogo hospitalar com a equipe de saúde. Para Nogueira-Martins, Bógus (2004 apud LIMA L; 2010) a humanização em saúde está intimamente ligada à promoção da saúde quando esta é focalizada em um processo de produção social e dependente sobretudo de políticas públicas, programas sociais e modelos de atenção à saúde. Importa retomar que, embora ocorram conquistas nas ciências e na tecnologia, a formação de profissionais nos diversos campos e especialidades da saúde ainda é deficiente à humanização no atendimento aos pacientes e a seus familiares, bem como na qualidade das relações interpessoais com os pares e profissionais de outras áreas. Para Arendt (2007 apud LIMA L; 2010), a ação é a atividade política por excelência. Esta, em consonância com o discurso, revela de fato a pluralidade humana em contraponto com o mundo do trabalho, vetores instrumentais de uma sociedade para quem as trocas materiais são fundamentais em detrimento do desenvolvimento humano, devendo passar pela esfera pública e não privada. Para a autora: Foi essa ausência de relacionamento humano e essa preocupação fundamental com mercadorias permutáveis que Marx denunciou como a desumanização e autoalienação da sociedade comercial que, de fato, exclui os homens enquanto homens e, numa surpreendente inversão da antiga relação entre público e privado, exige que eles se revelem somente no convívio familiar ou na intimidade dos amigos (ARENDT, 2007, p.31 apud LIMA L; 2010). O grande problema do mercado de trocas, é a de que os homens não entram em contato como pessoas, mas apenas são fabricantes de produtos. Marx, como bem pontua Arendt, descreveu esse estado em que, reduzido à coisa, o homem passa a gravitar em uma esfera opaca e reificada pela produção de elementos materiais. A coesão existente entre universo, diferentemente da união entre o discurso, é somatória dos poderes de troca, nada além disto. Segundo Zaher (2005 apud LIMA L; 2010), o 6 hospital é o local por excelência onde a fragilidade da saúde aparece e confronta a realidade, onde os pacientes deparam-se com um sofrimento pessoal, uma patologia, uma doença que requer a intervenção de pessoas. De acordo com LIMA L; (2010), nesse espaço, as práticas de saúde devem estar voltadas também à humanização, pois os pacientes precisam mais que um bom profissional, querem ser respeitados, bem tratados, sentir-se bem, sem precisarem submeter-se ao burocratismo, como é encontrado na área da saúde. Fortes afirma que: A partir dos anos 90, a humanização da atenção à saúde vem sendo tratada como política pública, iniciando-se no ambiente hospitalar, e, atualmente, sendo dirigida para todos os níveis de atenção de saúde. No campo da atenção em saúde, o termo humanização tem sido utilizado com diferentes significados e entendimentos, relacionando-o com os direitos dos pacientes e a ética voltada ao respeito ao outro (FORTES, 2004, p.10 apud LIMA L; 2010). Humanizar a saúde é dar qualidade à relação, é suportar as angústias do ser humano diante da fragilidade do corpo. O homem torna-se humano no contato com os outros homens, pela cultura, pela possibilidade de se questionar e fazer perguntas. O humanizar não pode ser imposto, normatizado, como também relegado “à maquiagem hospitalar de hotelaria”, de bons modos e costumes, de treinamento da comunicação entre os membros dos hospitais e seus usuários. Deve ir além, ultrapassar os muros da estéticaexistem casos de crianças internadas que não têm como se locomover a outro espaço que não seja o leito. Quando isto ocorre, o professor faz seu atendimento no próprio leito levando alguns recursos para que este aluno também tenha o direito de estudo. Neste sentido, ainda segundo o MEC: Além de um espaço próprio para a classe hospitalar, o atendimento propriamente dito poderá desenvolver-se na enfermaria, ao leito ou no quarto de isolamento, uma vez que restrições impostas ao educando por sua condição clínica ou de tratamento assim requeiram (MEC, 2002, p.16 apud LIMA L; 2010). O homem, como sujeito do processo histórico, necessita dar continuidade à construção da sua própria existência, sem interrupção. Com base nos propósitos interativos que o difere dos demais seres vivos, transforma a sua realidade natural e social, interferindo na natureza e nas relações. Sendo assim, é por meio do trabalho, ou seja, pela produção de conhecimentos e subsistência material que se garante a sobrevivência da espécie humana, conforme LIMA L; (2010). A educação, como resultado do trabalho não material, torna-se essencial na medida que extrai ideias, conceitos, atitudes, valores e habilidades produzidas historicamente pelos homens dando continuidade ao processo de humanização. A escola, representada pelo professor, cujo campo de ação pedagógica diz respeito à socialização do saber elaborado, isto é, a produção do conhecimento metódico e sistematizado na sociedade com base nas diferentes formas de produção da existência humana, conforme LIMA L; (2010). O professor pode prestar atendimento pedagógico na residência do educando, mas, para isso esta precisa ser adaptada. Os recursos de apoio didático-pedagógico e as adaptações, tais como a eliminação de barreiras físicas e arquitetônicas são questões importantes. Quanto aos aspectos pedagógicos, o atendimento será orientado pelos componentes curriculares da Educação Básica em ação integrada com os serviços de saúde, conforme LIMA L; (2010). 30 O currículo deverá ser flexibilizado para contribuir para a promoção da saúde e melhor retorno ou continuidade dos estudos dos alunos envolvidos (BRASIL, 2002 apud LIMA L; 2010). Dessa forma devemos buscar na educação uma pedagogia transformadora que contribua para a emancipação do aluno e para a promoção da saúde, pois este caminho não é só físico, está permeado por questões sociais, políticas e econômicas. As instituições educacionais devem proporcionar aos alunos condições de acesso ao conhecimento, construindo o processo livre, enriquecedor e coletivo de participação na formulação dos conceitos e dos valores; assim, a educação escolar deve proporcionar a transformação. O papel político e emancipador da educação deve ser considerado também no ambiente hospitalar. Sob tal ponto de vista, o objetivo é claro e definido, isto é, manter e potencializar os hábitos próprios da educação intelectual e da aprendizagem de que necessitam as crianças/adolescentes em idade escolar, mediante atividades desenvolvidas por pedagogos em função docente, conforme LIMA L; (2010). Freire (2003, p.33 apud LIMA L; 2010) evidencia que o desenvolvimento de uma consciência crítica que permite ao homem transformar a realidade se faz cada vez mais urgente. Conforme os homens, em sua sociedade, vão respondendo aos desafios do mundo, vão temporizando os espaços geográficos e vão fazendo história pela sua própria atividade criadora. Assim, a educação surge como mais uma possibilidade de auxílio e emancipação da criança hospitalizada. Nesta perspectiva, a atenção pedagógica, mediante a comunicação e o diálogo, é essencial para o ato educativo e propõe-se a ajudar a criança e/ou adolescente hospitalizado para que, imerso na situação negativa, que atravessa no momento, possa se desenvolver em suas dimensões possíveis de educação continuada, como uma proposta de enriquecimento pessoal, conforme LIMA L; (2010). Sendo assim, a intervenção pedagógica no ambiente hospitalar sugere ação educativa adaptada às manifestações de cada criança/adolescente, em diferentes circunstâncias, nos enfoques didáticos, metodológicos, lúdicos e pessoais. Neste sentido, apresenta, em todos os momentos, alto grau de flexibilidade e adaptabilidade às estruturas. No contexto, é oportuno o reconhecimento da comunicação, como fator essencial e fundamental para o trabalho em ação, pois parte do princípio de que o ser humano age como pensante, com capacidade de orientar-se por meio de critérios próprios, mediante a tomada de consciência de suas possibilidades, conforme LIMA L; (2010). 31 3 CONTRIBUIÇÃO DA PEDAGOGIA HOSPITALAR Fonte: anaehyandora.com O termo Pedagogia teve sua origem na Grécia e surgiu no século XVIII atribuindo caráter científico a função do pedagogo de conduzir crianças e adolescentes no processo educativo. Ao longo da história a Pedagogia passa a ser refletida no âmbito educacional vislumbrando atender as demandas das transformações da sociedade. Sendo assim, a Pedagogia passa a ser reconhecida, como um princípio fundamental para a ascensão da formação do homem como um ser social e autônomo. De acordo com Silva (2013, p. 50 apud ALEXANDRE G; 2018). Como podemos observar, muitas foram as mudanças ocorridas no seio da Pedagogia, que para muitos se originou na Grécia com o pensamento filosófico, tendo como principal autor Platão. No entanto, desde seu surgimento, no século XVII, a Pedagogia teve vários avanços com estudos de pensadores marcantes na sua história, como o monge João Comênio. Dessa forma, a Pedagogia ganhou espaço difundindo-se em diversas áreas da sociedade desde os primórdios. A fim de contribuir no processo de formação das pessoas, tornando-as seres autônomos e dessa forma favorecer condições de emancipação dos sujeitos por meio dos conhecimentos apreendidos. No Brasil, o curso de formação em Pedagogia, era conhecido como magistério de ensino normal que atribuía um caráter de técnico educador, conforme ALEXANDRE G; (2018). Esse profissional era capacitado para atuar além da sala de aula, atendendo a educação básica e também dava suporte em diversos procedimentos técnico das instituições. Com as mudanças ocorridas no sistema de ensino, o pedagogo passa a ter uma formação integrada com duração de tempo mínimo de quatro anos. Entretanto o 32 mais significativo avanço da Pedagogia se institui no ano de 1996 com a reformulação do ensino, conforme ALEXANDRE G; (2018). Art. 62 A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. (BRASIL 1996, p. 26 apud ALEXANDRE G; 2018). Nesse sentido, é importante ressaltar que o reconhecimento do curso trouxe contribuições relevantes ao contexto atual de atuação do profissional pedagogo ampliando o perfil desse profissional para atender as demandas do mercado de trabalho, sendo consideradas as capacitações inerentes a sua atuação conferindo especificidades na organização do trabalho pedagógico da sociedade moderna o qual ultrapassa a sala de aula para espaços não escolares, conforme ALEXANDRE G; (2018). A exemplo dos novos espaços de atuação do pedagogo destaca-se a Pedagogia Hospitalar. Sendo este, um seguimento da Pedagogia que tem por objetivo discutir a educação no ambiente hospitalar. Essa proposta ultrapassa limites da escola possibilitando as crianças e adolescentes hospitalizados um atendimento contextualizado e humanizada no processo de ensino aprendizagem. De acordo com Silva (2013, p.63 apud ALEXANDRE G; 2018). Podemos dizer através da Pedagogia Hospitalar que o hospital é um espaçoeducativo na medida em que oferece práticas pedagógicas de acompanhamento do escolar hospitalizado, a fim de que seu processo de ensino–aprendizagem não seja interrompido e seu direito de viver a infância seja garantindo. A partir dessa carência de ensino no ambiente hospitalar, é relevante a importância do papel do pedagogo hospitalar diante dos desafios enfrentados no sentido de unir aspectos pedagógicos para integrar a equipes da área de saúde. Tendo em vista oportunizar aos pacientes a continuação dos estudos de maneira prazerosa, lúdica e social. Atentando sempre para as condições de saúde de cada criança e adolescente, objetivando garantir as necessidades básicas de convívio e lazer desse público, enquanto permanecerem internados, conforme ALEXANDRE G; (2018). Nessa perspectiva, a Pedagogia como um campo de integração e investigação para além da docência, tem o compromisso de promover qualidade do trabalho desempenhado no âmbito da saúde, preocupando-se com a formação dos profissionais que atuarão nesse ambiente, conforme ALEXANDRE G; (2018). 33 Dessa maneira, a formação do profissional pedagogo hospitalar tem a incumbência de estar preparado para a realidade do contexto hospitalar e desenvolver um trabalho que ultrapassa as exigências didáticas da docência, mas, um trabalho humanístico de assistência tanto ao paciente quanto à família que o acompanha nesse tempo de hospitalização, que muitas vezes passa por problemas psicológicos os quais acabam interferindo na vida da criança ou adolescente hospitalizado, conforme ALEXANDRE G; (2018). Assim, o papel da Pedagogia Hospitalar é fundamental na mediação desses fatores como forma de amenizar sofrimento e obstáculos enfrentados nessa trajetória. Vejamos o que estabelece a Política Nacional de Humanização (PNH) Para a PNH, ambiência na Saúde refere-se ao tratamento dado ao espaço físico entendido como espaço social, profissional e de relações interpessoais que deve proporcionar atenção acolhedora, resolutiva e humana. Vai além da composição técnica, simples e formal dos ambientes, passando a considerar as situações que são construídas, em determinados espaços e num determinado tempo, e vivenciadas por um grupo de pessoas com seus valores culturais e relações sociais. (BRASIL 2010, p.23 apud ALEXANDRE G; 2018). A Política Nacional de Humanização que é implantada no sistema de saúde viabiliza a inclusão dos trabalhadores no processo de gerencialmente dos trabalhos que se desenvolve na área da saúde. Essa estratégia surge com o intuito de flexibilizar o trabalho dos profissionais de saúde e dessa forma proporcionar um atendimento de qualidade aos pacientes e usuário do Sistema Único de Saúde (SUS). De maneira que haja a inclusão de todos os que participam desse cenário, advindo de um olhar humanístico capaz de romper barreiras que desconecta os sujeitos desse ambiente, conforme ALEXANDRE G; (2018). Vale ressaltar, que essas ações são relevantes na construção de vínculos dos profissionais entre si e para com toda comunidade assistida, o que possibilita o conhecer as particularidades e limites de cada pessoa e respeitar as diferentes práticas e experiências para se construir um saber coletivo junto à equipe interdisciplinar, conforme ALEXANDRE G; (2018). Diante do exposto, a Pedagogia Hospitalar surge para atender as necessidades da criança ou do adolescente que se encontra internado, contribuindo no percurso das atividades pedagógicas impedindo defasagens dos conteúdos escolares, além de ponderar mecanismos de atenção ao estado emocional e social dos pacientes e acompanhantes no hospital. É importante elucidar que essa nova modalidade de ensino nos espaços não escolares originou-se das transformações ocorridas na sociedade ao longo dos anos desde os primórdios, conforme ALEXANDRE G; (2018). 34 De acordo com ALEXANDRE G; (2018), passa a ser legalmente reconhecido a Pedagogia no espaço hospitalar a partir de bases legais. As Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, em seu Artigo 13, estabelece: Os sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de saúde, devem organizar o atendimento educacional especializado a alunos impossibilitados de frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde que implique internação hospitalar, atendimento ambulatorial ou permanênc ia prolongada em domicílio. 1° As classes hospitalares e o atendimento em ambiente domiciliar devem dar continuidade ao processo de desenvolvimento e ao processo de aprendizagem de alunos matriculados em escolas da Educação Básica, contribuindo para seu retorno e reintegração ao grupo escolar, e desenvolver currículo flexibilizado com crianças, jovens e adultos não matriculados no sistema educacional local, facilitando seu posterior acesso à escola regular. (BRASIL, 2001, p.4 apud ALEXANDRE G; 2018). Em face dessa realidade, fica instituído que o público citado acima, é assegurado por lei para usufruir o direito ao atendimento educacional em qualquer circunstância de saúde que impossibilite a frequentar a escola regular. Nessa circunstância a Pedagogia Hospitalar instaura- se como um suporte de aprendizagens socioeducativas que consolida e descentraliza o saber, através da troca de experiências entre pacientes, família, equipes profissionais e instituição, conforme ALEXANDRE G; (2018). Para tanto, é pertinente expressar que o conhecimento se torna dessa forma, chave primordial a ampliação de capacitação dos profissionais, bem como provocação para a transformação da estrutura de organização do trabalho pedagógico no âmbito hospitalar. Diante do que foi mencionado, fica claro que educação e saúde são áreas distintas do conhecimento, porém indissociáveis no sentido de construir práticas coletivas, contextualizadas com a realidade de cada paciente a fim de propor um cuidado específico a cada sujeito hospitalizado, conforme ALEXANDRE G; (2018). Dessa forma, a educação transcende barreiras por um objetivo único que é de proporcionar em parceria o bem-estar social e terapêutico do ser humano. Segundo Silva (2013, p. 44 apud ALEXANDRE G; 2018), compreendendo o diálogo entre Educação e Saúde, é possível garantir na prática o direito assegurado a toda a criança, principalmente quando encontra -se hospitalizada. É preciso que passemos a visualizar a Educação no âmbito da Saúde, pois ela nos acompanha desde o nascimento até a morte, e por ser dessa forma, Educação é vida, e vida é Saúde, portanto Educação e Saúde estão intimamente associadas e ligadas às nossas aprendizagens enquanto sujeitos vivos. 35 Entretanto, não se pode confundir a intervenção pedagógica hospitalar para com a criança interna, com a assistência ao seu quadro clínico. É evidente que atuação do pedagogo no ambiente hospitalar pretende contribuir para o bem-estar da criança enferma de acordo com as práticas lúdicas e prazerosas desenvolvidas com a criança nesse espaço. Para tanto, deve haver o cuidado dessas atividades, tomar conhecimento sobre quais atividades cada criança está disponível a realizar, para que não haja interferência no estado terapêutico do paciente. Entretanto tal mediação educativa precisa ser adaptada e programada relativamente de acordo com o tempo de exposição e materiais utilizados. Para que assim possa se adaptar às capacidades de cada criança hospitalizada, conforme ALEXANDRE G; (2018). Assim sendo, a atuação do pedagogo hospitalar é relevante em todas as etapas de desenvolvimento da criança enquanto encontra-se afastada da escola. No sentido de dar continuidade ao processo educativo e preparar a criança para voltar a escola com sucesso, sem que haja prejuízo da aprendizagem, além de favorecer maior estímulo a socialização na escola depois de sua ausência enquanto esteve internada, conforme ALEXANDRE G; (2018). Contudo, a formação desse profissional requeruma qualificação coerente com os métodos de ensino para atuar junto à equipe interdisciplinar, para que aconteça um atendimento personalizado e compromissado com a realidade hospitalar, conforme ALEXANDRE G; (2018). 3.1 No âmbito da socialização A busca constante por conhecimentos eficientes que correspondam às demandas da sociedade atual, elucida a essencialidade de se pensar na atuação do pedagogo em espaços não escolares, inclusive no contexto hospitalar, ressaltando a infinidade de possibilidades das ações socioeducativas as quais auxiliam para o desenvolvimento integral da criança e do adolescente em permanência hospitalar. Feitosa, Bidô e Martins, (2017, p.196 apud ALEXANDRE G; 2018) assinalam que, a Pedagogia deve atuar a favor do pleno desenvolvimento do ser humano, preocupando-se com a formação integral do ser, englobando tanto o intelectual quanto emocional, devido a isso seu campo de atuação tem se ampliado cada vez mais para atender as constantes transformações de uma sociedade cada vez mais complexa. 36 Assim, a finalidade é de frisar a contribuição da atuação do profissional pedagogo no ambiente hospitalar. Sobretudo de maneira que se ampliem os conhecimentos e práticas pedagógicas desenvolvidas com os pacientes durante a hospitalização, contribuindo como forma para a expansão do conhecimento, especialmente a Pedagogia Hospitalar, por ser esta uma área de atuação ainda pouco explorada no contexto atual, conforme ALEXANDRE G; (2018). Embora, este seja um trabalho fundamental para a evolução das crianças e adolescentes hospitalizados, uma vez que, a atuação é direcionada por meio de atividades didático pedagógicas, tais como: brincadeiras, leitura, escrita e dinâmicas afetivas, além da técnica de escutas pedagógicas, que consiste em compreender o que a criança transmite nesse momento traumático de internação, através dos sentimentos, linguagem, pensamentos, gestos, emoções e necessidades intelectuais. Assim, Fontes (2005, p.123 apud ALEXANDRE G; 2018) a conceitua nos seguintes termos, a escuta pedagógica diferencia-se das demais escutas realizadas pelo serviço social ou pela psicologia no hospital, ao trazer a marca da construção do conhecimento sobre aquele espaço, aquela rotina, as informações médicas ou aquela doença, de forma lúdica e, ao mesmo tempo, didática. Na realidade, não é uma escuta sem eco. É uma escuta da qual brota o diálogo, que é a base de toda a educação. Durante o tempo de hospitalização, o volume de informações a que as crianças e seus acompanhantes estão submetidos precisa ser trabalhado de modo pedagógico num contexto de atividades de socialização das crianças e de seus conhecimentos, sejam eles escolares, informais ou hospitalares (no caso das crianças reincidentes ou com maior tempo de internação), conforme ALEXANDRE G; (2018). Apesar de ser um profissional com perfil diferenciado, pois o pedagogo para atuar em espaços não escolares no caso do ambiente hospitalar, precisa estar ciente de suas atribuições e desenvolvê-las com muita cautela, atentando para saber do estado de saúde de cada criança e adolescente, e assim desenvolver sua prática de maneira a não interferir no quadro clínico dos pacientes, e passar a colaborar efetivamente no processo de adaptação dos sujeitos participantes desse processo de hospitalização com o meio, de maneira prazerosa e motivacional capaz de oportunizar as crianças e adolescentes restrito ao hospital, uma interação no processo educativo e também uma melhor qualidade de vida nessa fase difícil da vida pela qual estão passando. Segundo, Matos (2014, p.73 apud ALEXANDRE G; 2018). 37 O homem, como agente de sua cultura, não se adapta, mas faz com que o meio se adapte às suas necessidades. Daí a quebra do paradigma ‘escola só é em sala de aula e hospital apenas para tratamento médico’ faz parte da evolução. Nesse contexto, o pedagogo é o agente de mudança, pois entende-se que o escolar hospitalizado não é um escolar qualquer, ele se diferencia por estar acometido de moléstia ou algum dano ao seu corpo, razão pela qual precisou de cuidados médicos, bem como necessidade ainda de ajuda para vencer as consequências de sua própria hospitalização, conforme ALEXANDRE G; (2018). Portanto, as crianças e adolescentes impossibilitados de frequentarem a escola, por motivos de saúde e que se encontram em retenção ao hospital, tem direito de desfrutar de atendimento especializado. Atendimento este, que perpassa as habilidades e competências adquiridas ao longo do processo de seu desenvolvimento, e, constitui - se em um trabalho de humanização que enaltece o modelo biopsicossocial do ser em sua totalidade, conforme ALEXANDRE G; (2018). Sendo assim, a Pedagogia Hospitalar contempla um trabalho promissor para o campo do conhecimento, diferenciando-se das demais áreas por conceber o ser humano em sua plenitude. Contribuindo dessa forma, para a formação social, cognitiva e dentre as demais competências idôneas do ser humano em formação, conforme ALEXANDRE G; (2018). 4 EDUCAÇÃO E SAÚDE: MARCOS LEGAIS Fonte: dahw.org.br 38 O desenvolvimento intelectual das crianças e adolescentes internados nos dias atuais é visto com um novo olhar pelo Ministério da Educação e da Saúde em relação a décadas atrás, pois tem sido “verificada a necessidade de umas práxis e uma técnica pedagógica nos hospitais [...] saber voltado à criança/adolescente num contexto hospitalar[...]”. (MATOS; MUGIATTI, 2009, p.85 apud OLIVEIRA M; 2019). Esse saber tem um aspecto muito significativo de aprendizagem à luz da Pedagogia Hospitalar, pois se estrutura numa “ação docente que provoque o encontro entre a educação e a saúde. ” (MATOS; MUGIATTI, 2009, p. 116 apud OLIVEIRA M; 2019). Infere-se que o atendimento pedagógico nos ambientes hospitalares é um grande ponto de aprendizagem. Em decorrência desse fato, há uma legislação brasileira que reconhece esse direito ao atendimento pedagógico aos escolares em tratamento de saúde, como enfatiza Mutti (2016 apud OLIVEIRA M; 2019). Sobre esse direito ao acesso ao conhecimento, bem como o papel e a função da Pedagogia Hospitalar, destaca-se que, [...] o papel da educação no hospital e, com ela, o do professor, é propiciar à criança o conhecimento e a compreensão daquele espaço, ressignificando não somente a ele, como a própria criança, sua doença e suas relações nessa nova situação de vida. A escuta pedagógica, surge assim, como uma metodologia educativa própria do que chamamos pedagogia hospitalar. Seu objetivo é acolher a ansiedade e as dúvidas da criança hospitalizada, criar conhecimentos que contribuam para uma nova compreensão de sua existência, possibilitando a melhora do seu quadro clínico. (FREITAS, 2005, p.135 apud CASTRO 2009, p.47 apud OLIVEIRA M; 2019). Segundo Esteves (2008 apud OLIVEIRA M; 2019), a Segunda Guerra Mundial é marco decisório das escolas em hospitais, em face do grande número de crianças e adolescentes atingidos, mutilados e impossibilitados de ir à escola. Nesse período, na cidade de Suresnes, na França, Henri Sellier, o senador que atuava na época, preocupou-se com o estado das crianças que eram deixadas nos hospitais para tratamentos devido a conflitos causados pela Guerra. Em razão disso, fundou a primeira Classe Hospitalar, com o objetivo de dar continuidade às atividades escolares com ludicidade para essas crianças, projeto que foi conquistando espaço na sociedade e se espalhando por vários países como a Alemanha e os Estados Unidos, por exemplo, que implantaram a Classe Hospitalar beneficiando crianças tuberculosas que eram impossibilitadas de frequentar a escola, conforme OLIVEIRA M; (2019). Ademais, no cenário brasileiro, segundo enfatiza Fonseca (1999 apud OLIVEIRA M; 2019), as classes hospitalares com mais longo tempo de atuação estão situadas na região sudeste:a primeira aberta em 1950, e a segunda em 1953. O advento da primeira 39 classe hospitalar no Brasil começou a funcionar em Vila Isabel, em 1950, no Hospital Municipal Jesus, no município do Rio de Janeiro, com o intuito de proporcionar atendimento educacional que facilitaria o retorno das crianças às suas escolas regulares. De acordo com OLIVEIRA M; (2019), em 1969, surgiram sob forma de documento e legislação as primeiras indagações da pedagogia hospitalar através do Decreto-Lei nº 1.044 – de 21 de outubro de 1969 – DOU de 21/10/69. As orientações referidas sob forma de lei consideram: Que a Constituição assegura a todos o direito à educação; CONSIDERANDO que as condições de saúde nem sempre permitem frequência do educando à escola, na proporção mínima exigida em lei, embora se encontrando o aluno em condições de aprendizagem; CONSIDERANDO que a legislação admite, de um lado, o regime excepcional de classes especiais, de outro, o da equivalência de cursos e estudos, bem como o da educação peculiar dos excepcionais; DECRETAM: Art 1º São considerados merecedores de tratamento excepcional os alunos de qualquer nível de ensino, portadores de afecções congênitas ou adquiridas, infecções, traumatismo ou outras condições mórbidas, determinando distúrbios agudos ou agudizados [...] (BRASIL, 1969 apud OLIVEIRA M; 2019). Destaca-se, porém, que a “doença não pode ser vista como fator de descontinuidade no processo de educação formal” do educando em tratamento de saúde em idade de escolarização, “devem ser respeitadas as singularidades de cada caso específico[...]”, “ainda que provisoriamente” (MATOS; MUGIATTI, 2009, p.30 - 31 apud OLIVEIRA M; 2019). No cenário dessa nova prática pedagógica, a Resolução 02 CNE/MEC/Secretaria de Estado da Educação Departamento de Educação Especial, em 11/09/2001, determina expressamente a implantação de Hospitalização Escolarizada, com finalidade de atendimento pedagógico aos alunos com necessidades especiais transitórias, com a organização de cursos acadêmicos destinados a atender a essa nova demanda, conforme OLIVEIRA M; (2019). Por outro lado, o direito à saúde é assegurado na Constituição Federal (Art.196), garantido mediante políticas econômicas e sociais que visem ao acesso universal e igualitário às ações e serviços, tanto para a sua promoção quanto para à sua proteção e recuperação. Assim, a qualidade do cuidado em saúde está referida diretamente a uma concepção ampliada em que o atendimento às necessidades de moradia, trabalho e educação, entre outras, assume relevância para compor a atenção integral. A integralidade é, inc lusive, uma das diretrizes de organização do Sistema Único de Saúde, definido por lei. (Art. 197) (MEC, mai. /2002 apud OLIVEIRA M; 2019). Nesse contexto, elencamos como um breve recorte a proposta das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para o Curso de Pedagogia, sob o processo 23001000188/2005-02, aprovado pelo parecer do CNE/CP 5/2005, de 13/12/05, que 40 destaca inclusão da formação nos espaços não escolares, bem como uma preparação e prática em ambiente hospitalar para atendimento sob aspectos pedagógicos. Matos e Mugiatti (2009, p. 32 apud OLIVEIRA M; 2019) destacam: [...] conforme OLIVEIRA M; (2019), os pareceres CNE/CES 776/1997, 583/2001 e 67/2003, que tratam da elaboração de diretrizes curriculares, isto é, de orientações normativas destinadas a apresentar princípios e procedimentos a serem observados na organização institucional e curricular. Visam estabelecer bases comuns para que os sistemas e as instituições de ensino possam planejar e avaliar a formação acadêmica e profissional oferecida, assim como acompanhar a trajetória de seus egressos, em padrão de qualidade reconhecido no país. [...]Tais práticas compreendem tanto o exercício da docência como o de diferentes funções do trabalho pedagógico em escolas[...], a avaliação de práticas educativas em espaços não escolares, a realização de pesquisas que põem essas práticas. [...]. Consequentemente, dependendo das necessidades e interesses locais e regionais, neste curso[...], aprofundadas questões que devem estar presentes na formação de todos os educadores, relativas, entre outras, [...]; educação hospitalar; [...]. O aprofundamento em uma dessas áreas ou modalidade de ensino específico será comprovado, para os devidos fins, pelo histórico escolar do egresso, não configurando de forma alguma uma habilitação [...]. A Pedagogia Hospitalar, modalidade de ensino que se destina à continuidade do escolar em tratamento de saúde, só começou a ser divulgada por meio da publicação da PNEE, na perspectiva de Educação Inclusiva (MEC, 2002 apud OLIVEIRA M; 2019), pois “tanto a escola comum como a escola especial tem resistido às mudanças exigidas por uma abertura incondicional às diferenças” (DALLARI, 2011, p. 7 apud OLIVEIRA M; 2019). No entanto, infere-se que nos anos 1990, com as políticas de inclusão no Brasil, a Pedagogia Hospitalar ganhou notoriedade, e as classes hospitalares passam a ser criadas segundo determina o artigo 13º: Art. 13º Os sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de saúde, devem organizar o atendimento educacional especializado a alunos impossibilitados de frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde eu implique internação hospitalar, atendimento ambulatorial ou permanênc ia prolongada em domicílio. § 1º As classes hospitalares e o atendimento em ambiente domiciliar devem dar continuidade ao processo de desenvolvimento e ao processo de aprendizagem de alunos matriculados em escolas da Educação Básica, contribuindo para seu retorno e reintegração ao grupo escolar, desenvolver currículo flexibilizado com crianças, jovens e adultos não matriculados no sistema educacional local, facilitando seu posterior acesso à escola regular (BRASIL, 2001, p.4 apud OLIVEIRA M; 2019). Aduz-se que as classes hospitalares também estão previstas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDBEN (9394/96), capítulo V, onde refere-se à educação especial em seu artigo 28 e é coordenada pela SEESP do MEC. Segundo Oliveira (2018 apud OLIVEIRA M; 2019), são indicadas principalmente para as crianças que permaneceram longos períodos internados, em que se destacam os pacientes de cânceres (Leucemias, Linfomas, Tumores do Sistema Nervoso, Tumores ósseos, 41 Tumores do Cérebro, Tumores oculares, etc.). De acordo com a legislação, deve-se promover o desenvolvimento psíquico e cognitivo e a manutenção da aprendizagem escolar. Art. 2º § 1º denomina-se classe hospitalar o atendimento pedagógico educacional que ocorre em ambientes de tratamento de saúde, seja na circunstância de internação, como tradicionalmente conhecida, seja na circunstância do atendimento em hospital-dia ou hospital-semana ou em serviços de atenção integral à saúde mental. (BRASIL, 2010 apud OLIVEIRA M; 2019). Diante do exposto, foram surgindo, segundo Oliveira (2018 apud OLIVEIRA M; 2019), outras diretrizes garantidas na Constituição Brasileira de 1988, no seu art. 205, que dispõem uma visão ampliada do direito à educação, como se destaca: A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1988, p.205 apud OLIVEIRA M; 2019). De acordo com OLIVEIRA M; (2019), o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, Lei 8. 069/90, vem corroborar com o direito ao atendimento pedagógico à luz da pedagogia que reconhece esse direito aos escolares em tratamento de saúde em seu Art. 3º, onde dispõe: A criança e o adolescente gozam de todos os direitos inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta lei, assegurando- lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades,a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. (BRASIL, 1990, p.01 apud OLIVEIRA M; 2019). Em se tratando da PNEE há um “ambiente hospitalar que possibilita o atendimento educacional de crianças e jovens internados que necessitam de educação especial e que estejam em tratamento hospitalar”, (MATOS; MUGIATTI 2009, p.38 apud OLIVEIRA M; 2019). Ademais, segundo o documento elaborado pelo Ministério da Educação, através da Secretaria da Educação Especial (2002 apud OLIVEIRA M; 2019), que busca atender esse público-alvo com necessidades atuais, contemplando estratégias e orientações em atender o escolar hospitalizado, exige dos gestores hospitalares juntamente com as Secretarias de Educação, novas atribuições para o atendimento pedagógico a esses escolares que se encontram internados e que, Na impossibilidade de frequência à escola, durante o período sob tratamento de saúde ou de assistência psicossocial, necessitam de formas alternativas de organização e oferta de ensino de modo a cumprir com os direitos à educação e à saúde, tal como definidos na Lei e demandados pelo direito à vida em sociedade. (BRASIL, 2002. p.11 apud OLIVEIRA M; 2019). 42 O atendimento pedagógico hospitalar, segundo o documento do MEC/SEESP (2002 apud OLIVEIRA M; 2019), elenca várias moléstias em que o atendimento se faz necessário, como se destaca: Dificuldades de locomoção: imobilização total ou parcial; a imposição de horários para a administração de medicamentos; os efeitos colaterais de determinados fármacos; as restrições alimentares; os procedimentos invasivos; o efeito de dores localizados ou generalizados e a indisposição geral decorrente de determinado quadro de adoecimento; repouso relativo ou absoluto; a necessidade de estar acamado ou requerer a utilização constante de equipamentos de suporte à vida. (BRASIL, 2002 apud RODRIGUEZ 2018, p.64 apud OLIVEIRA M; 2019). Nesse contexto, destaca-se ainda que essa modalidade de ensino, a Pedagogia Hospitalar, nas suas classes hospitalares, necessita de recursos materiais, humanos e funcionais. Nas classes hospitalares, sempre que possível, devem estar disponibilizados recursos audiovisuais, como computador em rede, televisão, videocassete, máquina fotográfica, videokê, antena parabólica digital e aparelho de som com CD e K7, bem como telefone, com chamada a ramal e linha externa. (BRASIL, 2002, p.17 apud OLIVEIRA M; 2019). Em se tratando da constituição dos recursos humanos nas classes hospitalares, há uma subdivisão em professor coordenador, professor e professor de apoio, cada um possui funções e respectivas atribuições. Cabe ao professor coordenador a função de coordenar a proposta pedagógica, além de conhecer a dinâmica e o funcionamento peculiar dessas modalidades, conhecer as técnicas e terapêuticas que dela fazem parte ou as rotinas da enfermaria ou dos serviços ambulatoriais e das estruturas sociais, bem como o dever de articular-se com a equipe de saúde do hospital juntamente com a Secretaria de Educação e com a escola de origem do educando. Outra atribuição deste professor é orientar os outros professores, assim como definir demandas de aquisição de bens de consumo e de manutenção e renovação de bens permanentes, conforme OLIVEIRA M; (2019). O professor deverá estar capacitado para trabalhar com a diversidade humana e diferentes vivências culturais, como também identificar as necessidades especiais dos educandos, para assim definir e implantar estratégias de flexibilização e adaptação curriculares. Além de propor os procedimentos didático-pedagógicos e as práticas alternativas, esse profissional deverá ter disponibilidade para o trabalho em equipe e o assessoramento às escolas quanto à inclusão dos educandos, conforme OLIVEIRA M; (2019). 43 O professor de apoio é aquele que pode pertencer ao quadro de pessoal do serviço de saúde ou do sistema de educação, sendo também participante de bolsas de pesquisa, bolsas de trabalho, bolsas de extensão universitária ou convênios privados, municipais ou estaduais e ainda auxiliar o professor na organização do espaço e controle de frequência dos educandos [...] (BRASIL, 2002, p. 22-24 apud OLIVEIRA M; 2019). Salienta-se, a partir da colaboração de Kurashima e Shimoda (2010, p. 93 apud OLIVEIRA M; 2019), que “foi possível perceber um importante movimento da sociedade em prol da assistência prestada às crianças hospitalizadas, assegurando que seu crescimento e desenvolvimento sejam preservados”. Logo, “é preciso conhecer para compreender[...], inspirada intencionalmente, altera nossos sentidos e significados [...] e nos permite enfrentar os desafios quando transitamos por um mundo virtual cheio de prospecções que atinge todos os segmentos sociais” (MUTTI, 2016, p. 51-52 apud OLIVEIRA M; 2019). 5 Educação como promoção à saúde Ao analisar o contexto social e cultural de quem atravessa longo período hospitalizado é possível observar uma lacuna evidente no desenvolvimento e na socialização desse sujeito. A realidade de quem vive ou permanece mais tempo no hospital que em outros ambientes sociais se distancia qualitativamente de quem pode se interagir e relacionar com o mundo sem restrições de acessibilidade, conforme ALTOÉ H; (2009). O ambiente hospitalar enfraquece a capacidade que dispomos para processarmos o mundo com suas vicissitudes e transformações. Quando o sujeito hospitalizado fica isolado da produção cultural cessa a inter-relação com o mundo real, com a vida, restando um contexto impessoal e traumático que pode interferir na sua recuperação, conforme ALTOÉ H; (2009). Somos sujeitos sociais e a educação é um processo que diz respeito a nossa vida, para Matta (1983 apud ALTOÉ H; 2009) a sociedade e a cultura são duas dimensões inerentes à condição humana. Um arranjo de idealizações que nos permite enxergar o mundo transformado: Daí também a distinção entre sociedade e cultura como dois segmentos importantes da realidade humana: o primeiro indicando conjuntos e ações padronizadas, o segundo expressando valores e ideologias que fazem parte da outra ponta da realidade social (a cultura). Uma se reflete na outra, uma é o espelho da outra, mas nunca uma pode reproduzir integralmente a outra (MATTA, 1983, p.51 apud ALTOÉ H; 2009). 44 Nesse contexto a educação pode propiciar a mudança no comportamento, onde a consciência é marcadamente a zona de diálogo capaz de ressignificar o mundo e de vivenciar as regras sociais. A cultura e os valores sociais assimilados desde cedo permitem ao homem fazer-se a si próprio e poder ver-se a si mesmo em tudo um encontro que só é possível com o reconhecimento do outro. Destarte, vale ressaltar que a ampliação das capacidades inatas no homem, segundo Geertz (1966, p. 41 apud ALTOÉ H; 2009) depende dos “padrões orientadores da cultura humana”. Para o autor a nossa cognição também está sujeita à existência de modelos simbólicos externos da realidade. Vygotsky (1996 apud ALTOÉ H; 2009) concebe o homem como um ser inserido em sua cultura e em suas relações sociais. É através de mediações sociais e da relação com um outro, via linguagem, que vai se constituindo a subjetividade humana. É nesse aspecto que Molon (2003, p. 118 apud ALTOÉ H; 2009), apresenta sua tese afirmando que o sujeito se constitui e é constituído pelas relações sociais, sendo esse social “constituído e constituinte de sujeitos historicamente determinados em condições de vida determinadas historicamente. Um social que é também subjetividade e intersubjetividade, cuja dinâmica se constitui na teia de relações entre sujeitos diferentes e semelhantes. ” A subjetividade para a autora manifesta-se e objetiva-se no sujeito: “ela é processo que não se cristaliza, não se torna condição nem estado estático e nem existe como algo emsi, abstrato, imutável. É permanentemente constituinte e constituída. Está na interface do psicológico e das relações sociais. ” (MOLON, 2003, p. 119 apud ALTOÉ H; 2009). Vygotsky (1987 apud ALTOÉ H; 2009) citado por Molon (2003 apud ALTOÉ H; 2009) onde a análise do sujeito não se limita à ordem do biológico e nem se localiza na ordem do abstrato, mas sim ao sujeito que é constituído e é constituinte de relações sociais, o homem sintetiza o conjunto das relações sociais e as constrói. Neste sentido, o sujeito não é um mero signo, ele exige o reconhecimento do outro para se constituir enquanto sujeito em um processo de relação dialética. Ele é um ser significante, é um ser que tem o que dizer, fazer, pensar, sentir, tem consciência do que está acontecendo, reflete todos os eventos da vida humana. Em termos amplos pode-se considerar o mundo como o lugar de constituição da subjetividade, uma vez que “a subjetividade significa uma permanente constituição do sujeito pelo reconhecimento do outro e do eu. ” (MOLON, 2003 p. 120 apud ALTOÉ H; 2009). Nesse contexto, a linguagem constitui o sistema de mediação simbólica que funciona como instrumento de comunicação. É justamente pela sua função comunicativa 45 que o indivíduo se apropria do mundo externo, pois é pela comunicação, estabelecida na interação, que ocorrem, reinterpretações das informações, dos conceitos e significados. Visto como Vygotsky (1993 apud ALTOÉ H; 2009), a linguagem materializa e constitui as significações construídas no processo social e histórico. Quando os indivíduos a interiorizam, passam a ter acesso a estas significações que, por sua vez, servirão de base para que possam significar suas experiências, e serão estas significações resultantes que constituirão suas consciências, mediando, desse modo, suas formas de sentir, pensar e agir. Vygotsky (1994 apud ALTOÉ H; 2009) ao ser mencionado por Reis (2000 apud ALTOÉ H; 2009) atribui relevância ao papel da educação na transformação do homem, reflete em uma real utopia que se consolida na constituição de um novo homem. Novo homem que é sonho e permanência de sonho daqueles, cuja maior esperança é a de teimar a sublime teimosia de que o mundo pode ser melhor. De que o homem pode ser mais solidário. O sonho de que vida pode ser menos desigual na distribuição da riqueza entre os homens, se não puder ser igual para todos. Sonho de que a educação pode contribuir com a constituição desse mundo, homem e vida melhores para todos: nunca mais excluídos! Sonho de que o melhor começo é o começar. E ao começar as visões vão se clarean do sob ponto de vista prático- teórico e teórico- pratico. Clarear de visões, em que os sujeitos podem se constituir, constituindo e sendo constituídos, em concepção e exercitação do poder, saber e amor. Sujeitos políticos: descobrindo, participando e exercendo poder. Sujeitos epistemológicos: falando/ pensando/produzindo saber. Sujeitos amorosos: acolhidos/escutados pelo e acolhendo/ escutando o outro (REIS, 2000, p.72 apud ALTOÉ H; 2009). Essa é a verdadeira interação com o outro, pois nas relações dialéticas e em sociedade, todos vão se constituindo, rumo à transformação e à libertação. Freire (1980 apud ALTOÉ H; 2009) ao falar da educação dialógica e do diálogo, diz que não há diálogo sem um profundo amor ao mundo e aos homens, sem humildade, sem uma intensa fé dos homens no seu poder de criar e recriar, sem esperança que os leva à eterna busca, e que não há diálogo verdadeiro sem um pensar verdadeiro. O autor nos fornece as razões que justificam a necessidade do diálogo como ponto de referência central de seu pensamento. Considera o processo de aprender um ato de comunicação, pertencente à natureza do ser humano e que embora tenha uma dimensão individual, o ato de aprender depende do outro, pois é dialético. Deste modo acredita que através da dialética é possível seres humanos se transformarem, no sentido de rupturas, podendo atuar para transformar a realidade, conforme ALTOÉ H; (2009). 46 Neste ponto, construído o caminho que nos permite concluir com uma aproximação da ideia de autonomia de Paulo Freire (1996 apud ALTOÉ H; 2009), diria que autonomia consiste na capacidade de reflexão e conscientização da dimensão de mundo socialmente e politicamente adquirida pela nossa experiência como sujeitos em socialização e, também, na capacidade de transformação a partir de projetos coletivos criados em diferentes espaços, capazes de estimular e oportunizar diferentes fazeres, articulados em torno de objetivos comuns, construídos eticamente com o outro a favor da liberdade. Sendo assim, a prática de uma política de autonomia segundo Castoriadis (1982 apud ALTOÉ H; 2009 apud ALTOÉ H; 2009) pode ajudar a coletividade a criar as instituições aqui inferindo o hospital cuja interiorização não limita, mas amplia sua capacidade de autonomia. Dessa forma o trabalho de investigação e reflexão sobre a concepção desse novo ambiente educativo, o hospital, possibilita uma dimensão coletiva de ações fundadas na reciprocidade social, cujas pessoas envolvidas (pessoa hospitalizada, equipe de saúde, familiares, amigos, voluntários, educadores) umas com as outras possam construir iniciativas capazes de cooperar para a afirmação de valores de solidariedade, proximidade e partilha, instituindo no ambiente hospitalar relações diferenciadas e diferenciadoras para um processo em comunhão de permanente busca da liberdade do ser humano, conforme ALTOÉ H; (2009). Para Angelim (2006 apud ALTOÉ H; 2009), isso implica na valorização das diferenças como constitutivo do próprio coletivo, bem como a valorização da perspectiva de processo, onde nada está pronto e acabado. Ou seja, o real é o mundo material e as relações que o ser humano estabelece na vida social, consigo mesmo, com a natureza, com os outros seres e com o transcendente. Há, certamente, várias perspectivas a partir das quais é possível analisar as questões saúde/doença, mas o que se considera nesse estudo é aquela que se situa na dimensão histórica. Marx e Engels (2007 apud ALTOÉ H; 2009) reconhecem na ciência social da história, condições de abranger tanto a natureza quanto o mundo dos homens com condições de levar em conta, de forma concreta e material, as relações da vida humana. “É somente na comunidade [com outros] que cada indivíduo possui os meios de desenvolver suas faculdades em todos os sentidos; é somente na comunidade que a liberdade pessoal é possível. ” (MARX; ENGELS, 2007, p. 92 apud ALTOÉ H; 2009). Temos que levantar a questão da saúde na sua dimensão de totalidade, que envolve o conjunto das relações sociais vivenciadas nas áreas de produção e trabalho. Lembrando que a capacidade criadora do homem segundo Marx (1961 apud ALTOÉ H; 47 2009) se manifesta no trabalho, condição especificamente humana de transformar a natureza em coisas úteis, segundo os seus interesses, desse modo, a manutenção da vida humana. Habilidades que não podem ser esquecidas simplesmente porque a pessoa está hospitalizada, pois essa dimensão do ser humano produtor, criador e histórico é a própria essência humana, que é prática e se manifesta socialmente. Portanto cabe ressaltar a relevância de as pessoas mudarem o seu comportamento social e as suas atitudes, pois conforme a própria essência da teoria do materialismo histórico aborda, toda a história não é mais do que a transformação sucessiva da natureza humana e que embora os homens sejam produto da situação e da educação, ela pode ser mudada e, portanto, os homens transformados serão o produto de outras circunstâncias e de outra educação, conforme ALTOÉ H; (2009). Nesse aspecto é importante contemplar a educação como parte do tratamento para que o atendimento à necessidade de todo ser humano em desenvolver-se integralmente não seja esquecido. E, refletindo dentro desseenfoque, não se poderá dizer que saúde é uma circunstância de possível harmonia entre a pessoa e a sua totalidade, a realidade e o mundo que a cerca? Conforme ALTOÉ H; (2009). Contudo, a Constituição da Organização Mundial de Saúde (OMS) define a saúde como: “o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não meramente a ausência de doenças”. A definição adotada pela (OMS) tem sido alvo de inúmeras críticas desde então. Definir a saúde como um estado de “completo” bem-estar faz com que a saúde seja algo ideal, inatingível. Entretanto podemos considerar que saúde é uma sensação capaz de gerar harmonia na vida da pessoa independente da sua condição orgânica, conforme ALTOÉ H; (2009). Além disso o conceito de saúde como um estado de bem-estar capaz de proporcionar um equilíbrio emocional e físico, gerando conforto e estabilização da própria condição, é complementado por um novo conceito, o conceito saúde entendido até então, é substituído por outro, novo e ampliado em seus diversos fatores determinantes e condicionantes das condições de vida da população, com a intenção de alterar a situação de desigualdade na assistência à saúde. A saúde é definida como elemento de Seguridade Social (BRASIL, 1988, p.103 apud ALTOÉ H; 2009), “a qual compreende um conjunto integrado de ações e iniciativas dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social”, com os objetivos de universalidade, uniformidade, equidade, descentralização, entre outros (BERTANI; SARRETA; LOURENÇO, 2008, p.92 apud ALTOÉ H; 2009). Nessa ótica a doença deve ser analisada segundo Ceccim (1997, p. 29 apud ALTOÉ H; 2009) como um “um fenômeno vital tal qual a saúde”. Isso significa dizer que o cuidado e a prevenção deve ser uma proteção e uma responsabilidade com a vida, porque o estado de doença é um sinal de que o corpo necessita defender-se e que a situação requer um esforço de superação para a cura. Todo esse processo abre 48 possibilidades para a recuperação da saúde na medida em que a doença é vista com outro olhar capaz de proporcionar um processo de reflexão. Mas, para que isso ocorra, é importante lembrar que o foco deve ser a vida, a pessoa hospitalizada nesse processo precisa ser orientada por uma equipe que visualize o sujeito integral, preocupando-se com todos os que estão participando da construção desse espaço. Cujo trabalho seja estimular e oportunizar diferentes fazeres, articulado em torno de objetivos comuns. Um espaço onde a construção coletiva se apresenta como ideia-força capaz de articular as singularidades, num esforço propiciador da potencialização das pessoas, elevando-se ao autêntico processo de sua humanização e libertação criadoras (FREIRE, 1980 apud ALTOÉ H; 2009). O legado freireano pressupõe que é na pluralidade de relações que as pessoas constroem sua consciência crítica, que eles vão reconstruindo e redirecionando a capacidade de organizar as melhores respostas para responder às variedades dos desafios, conforme ALTOÉ H; (2009). A intenção de constituir uma prática pedagógica, aliada ao atendimento pedagógico em ambiente hospitalar, de modo que a integração entre as diferentes áreas do conhecimento relacionadas à Saúde e à Educação possam colaborar na cura e restabelecimento da saúde da pessoa hospitalizada, resulta da importância desta interação teórica e prática entre os integrantes da equipe hospitalar e pedagógica, que se consolida na busca de uma parceria construída no viés da interdisciplinaridade e que se apoia segundo Matos e Mugiatti (2008, p.30 apud ALTOÉ H; 2009), “na integração e na inter-relação de profissionais inseridos em contexto hospitalar”. A parceria, numa proposta transdisciplinar, também surge de uma necessidade de troca e possibilita o diálogo com outras formas de conhecimento às quais tentamos nos habituar, e nessa tentativa a possibilidade de interpretação delas. A parceria seria, por assim dizer, a possibilidade de relação com diferentes perspectivas teóricas se complementando entre si. Ascendendo a esperança de que um pensar venha a se complementar no outro e os paradigmas se transformem, conforme ALTOÉ H; (2009). 6 Interações entre educação e saúde na classe hospitalar Para a atuação do professor na classe hospitalar, é necessário que esteja habilitado a trabalhar com diversidade humana e diferentes experiências culturais, ter formação pedagógica, estando apto a elaborar projetos que integrem a aprendizagens especificas a crianças hospitalizadas adaptando-as aos padrões que diferem da 49 educação formal, resgatando e integrando ao contexto educacional com flexibilidade, visando atender primeiramente o quadro clínico de cada educando/paciente, conforme SOUZA W; (2017). O atendimento pedagógico deverá ser orientado pelo processo de desenvolvimento e construção de conhecimentos correspondentes à educação básica, exercido numa ação integrada com o serviço de saúde através da elaboração de documentos de referência e contrarreferência entre a classe hospitalar e a escola de origem do educando de forma que contribua com melhor integração entre as partes, a promoção de saúde do enfermo e ao melhor retorno e/ou continuidade dos estudos pelos educandos envolvidos, conforme SOUZA W; (2017). De acordo com SOUZA W; (2017), saúde e educação são direitos de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas, visando a redução da doença, bem como a igualdade de condições para o acesso, permanência e sucesso na escola. Conforme está garantido na própria Constituição Federal: A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1988 apud SOUZA W; 2017). O trabalho pedagógico hospitalar favorece o desenvolvimento e aprendizagem do aluno hospitalizado garantindo o direito e a continuidade aos estudos. Podemos dizer que a intermediação entre Classe Hospitalar e Escola, quando da necessidade de uma criança ou jovem enfermo, ocorre de forma amigável, através de documentos e em conformidade com a equipe de nutrição, psicologia e assistência social, conforme SOUZA W; (2017). As intercorrências que venham ocorrer na classe hospitalar, são resolvidas de acordo com cada caso. Na maioria dos casos as crianças e jovens permanecem no hospital por volta de dez dias, ou seja, não há uma perda educacional tão grande aos enfermos já que, segundo informações colhidas, geralmente eles voltam a sala de aula formal logo após a alta hospitalar, conforme SOUZA W; (2017). As atividades desenvolvidas na Classe Hospitalar são pautadas de acordo com o nível da criança ou jovem. Como se trata de classe multisseriada, são desenvolvidas atividades de pintura, leitura, contação de histórias, exercícios de escrita, jogos de cruzadas e orientações pedagógicas de acordo com cada nível educacional. Durante o atendimento na classe hospitalar, os pais ou responsável pode acompanhar a criança ou jovem, conforme SOUZA W; (2017). 50 No processo educativo a classe hospitalar desenvolve a oportunidade de ligação com padrões da vida cotidiana, garante um vínculo entre a criança e o ambiente escolar. É necessário que as atividades realizadas com essas crianças e adolescentes tenham começo, meio e fim e que o professor precisa estar ciente que cada dia se constrói com planejamento estruturado e flexível, conforme SOUZA W; (2017). Para Oliveira, Filho e Gonçalves (2008 apud SOUZA W; 2017), O ambiente da classe hospitalar necessita ser diferenciado, tem que ser acolhedor, com estimulações visuais, brinquedos, jogos, sendo assim um ambiente alegre e aconchegante. É através do brincar que as crianças e adolescentes internadosencontram maneiras de viver a situação de doença, de forma criativa e positiva. Portanto, o trabalho em classe hospitalar faz com que há diminuição do risco de comprometimento mental, emocional e físico dos enfermos, aumentando assim sua autoestima, confiança e esperança. No entanto às atividades são coordenadas de forma a dar um suporte e continuidade ao trabalho escolar das crianças/adolescentes atendidos na classe hospitalar. Assim, o planejamento de tais atividades torna-se imprescindível com o objetivo de reintegrar as crianças/adolescentes à sua escola de origem, assim que obtenham alta do hospital, conforme SOUZA W; (2017). Faz com que haja diminuição do risco de comprometimento mental, emocional e físico dos enfermos. No entanto às atividades são coordenadas de forma a dar um suporte e continuidade ao trabalho escolar das crianças/adolescentes atendidos na classe hospitalar. Assim, o planejamento de tais atividades torna-se imprescindível com o objetivo de reintegrar as crianças/adolescentes à sua escola de origem, assim que obtenham alta do hospital. Nas interações entre educação e saúde o questionário mostra que Educação e saúde são políticas sociais fundamentais para o desenvolvimento de um país, conforme SOUZA W; (2017). A escola é considerada, então, um cenário para a promoção da saúde, por ser um importante equipamento social do território e agregar uma parcela significativa de crianças, adolescentes e jovens da comunidade, conforme SOUZA W; (2017). 51 7 A FUNÇÃO DO PEDAGOGO HOSPITALAR Fonte: domboscoead.com O papel do pedagogo hospitalar é de extrema importância para auxiliar alunos que por questões de saúde não conseguem participar das aulas regularmente. Assim, é necessário que esse profissional se capacite para atender com excelência seus alunos e busque sempre novos conhecimentos, conforme CARNEIRO M; (2019). Ao se encontrar em um ambiente de internação, a criança ou adolescente já está frágil, com medo e longe da sua rotina. E isso pode prejudicar sua infância ou até mesmo piorar o seu estado de saúde, dificultando assim sua recuperação. Portanto a Pedagogia Hospitalar é classificada como modalidade de atendimento especial, pela Secretaria de Educação Especial do MEC. Segundo Silva, (2012 p. 5 apud CARNEIRO M; 2019) o trabalho do pedagogo hospitalar também intervém como uma terapia para o aluno: O trabalho do pedagogo hospitalar também tem como proposta a intervenção terapêutica procurando resgatar seu espaço sadio, provocando a criatividade, as manifestações de alegria, os laços sociais e a diminuição de barreiras e preconceitos da doença e da hospitalização, a metodologia deve ser variada mudando a rotina da criança no qual permanece no hospital. (SILVA, 2012, p. 5 apud CARNEIRO M; 2019). De acordo com CARNEIRO M; (2019), a Pedagogia Hospitalar é uma técnica inovadora, uma nova alternativa de ensino, e pode ser vista também como uma nova forma de inclusão, pois vem como uma proposta diferenciada de aprendizagem, onde se utiliza o lúdico e diversas metodologias para que haja a aprendizagem. Tamm descreve sobre as classes hospitalares: 52 Em alguns hospitais públicos existem as chamadas classes hospitalares. As escolas públicas municipais que, na verdade, utilizam espaços que deviam estar ocupados por mais leitos pediátricos, laboratórios e consultórios e não estão, por descaso das autoridades com a saúde pública. Essas classes sofrem um problema de identidade: sendo anexos de uma escola da rede municipal, não fazem, de fato, parte de escola alguma; por outro lado, embora funcionem dentro do hospital, não fazem parte dele. (...) O que precisamos mesmo é olhar a enfermaria pediátrica de modo novo, um modo de olhar que talvez possa ser apreendido na pedagogia clínica, quando a pedagogia clínica existir. (TAAM, 1997, apud FONTES p.7 apud CARNEIRO M; 2019). Baseando na importância da formação docente, Farfus comenta: “O processo de formação do pedagogo e de profissionais que atuam em educação requer, atualmente, o desenvolvimento de novos conhecimentos, habilidades e atitudes, para sua atuação seja efetiva” (FARFUS, 2012 apud DIAS; RODRIGUES, 2017, p. 21257 apud CARNEIRO M; 2019). Conforme é citado, é possível observar a necessidade que pedagogos e profissionais da educação estejam sempre em busca de novos conhecimentos. Um pedagogo jamais deve deixar de estudar. A busca por novas aprendizagens deve ser constante. Cabe ao pedagogo hospitalar a função de estimular a aprendizagem do aluno em um ambiente que nada remete a uma sala de aula. É necessário que o mesmo esteja disposto a apoiar e orientar tanto o paciente quanto a sua família, pois assim os mesmos se sentirão seguros e será mais fácil compreender esse momento de dificuldade pelo qual estão passando. Libaneo (2007 apud CARNEIRO M; 2019) diz. É quase unânime entre os estudiosos, hoje, o entendimento de que as práticas educativas se estendem às mais variadas instâncias da vida social não se restringindo, portanto, à escola e muito menos à docência, embora estas devam ser a referência da formação do pedagogo escolar. Sendo assim o campo de atuação do profissional formado em Pedagogia é tão vasto quanto são as práticas educativas na sociedade. Em todo lugar onde houver uma prática educativa com caráter de intencionalidade, há aí uma pedagogia. (LIBANEO, 2007 apud MENEZES, 2015, p. 16738 apud CARNEIRO M; 2019). A Pedagogia é um grande leque, são diversas as formas de atuação de um pedagogo, não somente a sala de aula. Há o pedagogo hospitalar, o pedagogo empresarial, o gestor escolar, educador especial, dentre outros, não ficando somente restrito a sala de aula. (LIBÂNEO, 2001, p 20 apud CARNEIRO M; 2019). Um ponto essencial a ser destacado do profissional da Pedagogia Hospitalar é que com sua presença a criança não se sentirá tão sozinha, e ao realizar as atividades propostas isso fará com que ela não sinta tanta falta do ambiente escolar e até sua autoestima será elevada. Através desse processo o pedagogo deve entrar em contato com a escola do aluno para saber informações do tipo qual série ele frequenta, o que o 53 professor estava trabalhando em sala de aula, deverá trabalhar em conjunto: pedagogo+hospital+família, conforme CARNEIRO M; (2019). De acordo com CARNEIRO M; (2019), é necessário que anote todas as atividades propostas e realizadas pelo aluno em seu prontuário. E quando o paciente tiver alta, é de extrema importância que esse documento o acompanhe e seja entregue a escola, para que o professor tenha acesso a todas as informações. Como diria Silva e Farago: Partindo-se da hipótese de que a presença e atuação de um pedagogo no ambiente hospitalar são de extrema importância às crianças e adolescentes em fase escolarização, como forma de dar continuidade ao seu aprendizado, garantindo-lhes seu direito a educação e possibilitando instantes lúdicos, de descontração, bem estar, interatividade e de compartilhamento e aquisição de novos conhecimentos, de modo a preencher seu tempo ocioso de forma sadia, através de atividades variadas, fazendo com que se „desliguem‟ temporariamente, do momento tão difícil que estão atravessando. (SILVA; FRAGO, 2014, p. 167 apud CARNEIRO M; 2019). Estar em um ambiente hospitalar, em processo de internação faz com que o aluno esteja fragilizado, com dúvidas, incertezas, medos. Quando há a atuação do pedagogo, o aluno muda o foco que era somente o ambiente hospitalar, e acaba aprendendo a preencher seu tempo com atividades que lhe trarão um conforto, que de certa forma amenizará a falta que ele sente da escola e da rotina em que vivia quando estava em casa. De acordo com Ceccim e Carvalho, conforme CARNEIRO M; (2019). […] para atuar em classes hospitalares, o profissional deve estar habilitado para trabalhar com a diversidade humana e com diferentes hábitos culturais,de modo que possa identificar as necessidades educacionais especiais dos educandos impedidos, em um determinado momento da vida, de frequentar a escola. (ORTIZ, 2003 apud OLIVEIRA; RUBIO, 2012, p. 9 apud CARNEIRO M; 2019). De acordo com CARNEIRO M; (2019), é importante que o pedagogo esteja disposto a estimular a aprendizagem do aluno, mas também aprender com ele. É necessário que ele saiba respeitar a cultura do mesmo, e que compreenda que cada aluno tem sua necessidade especial. Um método que tenha dado certo com o aluno A, pode não ter sucesso com o aluno B, portanto, cabe ao pedagogo ter várias metodologias de ensino para que a aprendizagem de todos os alunos seja satisfatória. Segundo Silva: O trabalho do pedagogo hospitalar também tem como proposta a intervenção terapêutica procurando resgatar seu espaço sadio, provocando a criatividade, as manifestações de alegria, os laços sociais e a diminuição de barreiras e preconceitos da doença e da hospitalização, a metodologia deve ser variada mudando a rotina da criança no qual permanece no hospital. (SILVA, 2012, p.5 apud CARNEIRO M; 2019). 54 O Pedagogo deve observar se trabalhando o lúdico está sendo eficaz. Ele jamais deve ser autoritário e deve estar sempre disposto a ouvir o paciente e sua família. Pois muitas das vezes eles se sentem excluídos da sociedade. A maioria nem sabe do Direito de ter um Pedagogo Hospitalar acompanhando a criança ou adolescente que se encontram em ambiente de internação. Ao ser acompanhada por um Pedagogo a criança volta a se sentir parte da sociedade, tem sua autoestima elevada e esquece um pouco do ambiente hospitalar e de toda dor e desconforto que o período de internação traz. Conforme Pereira (2014 apud CARNEIRO M; 2019): O ambiente hospitalar onde é feito o atendimento as crianças e adolescentes deve ser diferenciado, acolhedor, com brinquedos e jogos, com estimulações visuais, um ambiente alegre e aconchegante. Assim, através de brincadeiras , as crianças e os adolescentes internados encontraram uma maneira mais positiva e criativa para viver a situação de doença, diminuindo o comprometimento mental, emocional e físico dos enfermos. No entanto, é imprescindível que haja um planejamento juntamente com a escola de origem dessas crianças para que seja dada a continuidade do trabalho escolar e as crianças possam ser reintegradas à escola assim que obtenham alta do hospital. (2014, p. 6 apud CARNEIRO M; 2019). Se possível, é importante que o ambiente onde são realizadas o atendimento do Pedagogo Hospitalar, seja um ambiente colorido, agradável, uma dica é que o Pedagogo use roupas coloridas, que transmitam alegria. De acordo com Rocha (212, p.17 apud CARNEIRO M; 2019), trabalhar junto a crianças e adolescentes hospitalizados é um desafio que implica em descobrir estratégias diferenciadas e adaptáveis à realidade e necessidade de cada um, por exemplo, como abordar e provocar neles interesse em aprender, diante de uma doença grave. Cabe ao pedagogo verificar se a aprendizagem está sendo eficaz com a metodologia que está sendo utilizada. Conforme Pereira (2014, p. 6 apud CARNEIRO M; 2019) O ambiente hospitalar onde é feito o atendimento as crianças e adolescentes deve ser diferenciado, acolhedor, com brinquedos e jogos, com estimulações visuais, um ambiente alegre e aconchegante. Assim, através de brincadeiras, as crianças e os adolescentes internados encontraram uma maneira mais positiva e criativa para viver a situação de doença, diminuindo o comprometimento mental, emocional e físico dos enfermos. No entanto, é imprescindível que haja um planejamento juntamente com a escola de origem dessas crianças para que seja dada a continuidade do trabalho escolar e as crianças possam ser reintegradas à escola assim que obtenham alta do hospital, conforme CARNEIRO M; (2019). 55 Um acontecimento que deixam os pacientes internados bem contentes é quando eles recebem a visita dos Doutores da Alegria, pois são divertidos, se vestem com roupas coloridas e chamativas e transmitem alegria por onde passam. Sales comenta que, “em seu livro Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire diz que sempre se preocupou em desenvolver sua prática educativa em um clima alegre. ” (SALES et al, 2014 apud FREIRE, 2016 apud CARNEIRO M; 2019). É muito importante que o Pedagogo Hospitalar esteja sempre alegre durante o atendimento de seus alunos. Vestir roupas coloridas, se possível, transformar o ambiente onde o atendimento será realizado em um ambiente colorido, com objetos que remetam a felicidade, conforme CARNEIRO M; (2019). 8 BIBLIOGRAFIA ALVES ALTÓE, Heloísa. Pedagogia e saúde: uma perspectiva para educação de jovens e adultos em ambiente hospitalar. Unb, [S. l.], p. 1-255, 2009. AMORIM GOMES SILVA, MARIA JOSÉ; GERLANIO DE DEUS NASCIMENTO, PAULO. Pedagogia hospitalar relato de experiência a partir do estágio supervisionado em instituição não escolar. Fcgba, [S. l.], p. 1-21, 2019. BALLEN, SUÉLEN. Pedagogia hospitalar. Uffs, [S. l.], p. 1-70, 2019. CONCEIÇÃO LOUREIRO, MAYARA. Pedagogia hospitalar e as práticas educativas para crianças com câncer. Doctum, [S. l.], p. 1-22, 2019. CONCEIÇÃO DOS SANTOS, RITA. Pedagogia hospitalar: organização do trabalho pedagógico na brinquedoteca do hospital público do estado da bahia. 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Mudanças como essas constituem-se por processos complexos que, muitas vezes, geram resistência e não ocorrem a curto prazo, pois só poderão ocorrer na medida que houver transformação no modelo formador da educação e saúde. Relacionado a isso, o Programa Nacional de Humanização no Ambiente Hospitalar (PNHAH) propõe um conjunto de ações integradas que visam mudar substancialmente o padrão de assistência ao usuário nos hospitais públicos do Brasil, melhorando a qualidade e a eficácia dos serviços prestados por meio de processos de formação profissional, pode-se “enraizar valores e atitudes em respeito à vida humana” (CALEGARI, 2003, p.31 apud LIMA L; 2010). O PNHAH busca desenvolver ações que não se restrinjam somente à busca de melhorias na instituição hospitalar, mas também estender-se à formação educacional dos profissionais de saúde, atualmente bastante deficiente no que se refere à questão da humanização do atendimento. É no processo de formação que se podem enraizar valores e atitudes de respeito à vida humana, indispensáveis à consolidação e à sustentação de uma nova cultura de atendimento à saúde, conforme LIMA L; (2010). 7 Em saúde, os processos formativos podem ser dimensionados em três perspectivas com especialidades e complexidades próprias. Assim, em uma primeira dimensão, situa-se nos espaços escolares de formação, incorporando toda a complexidade do ensino em seus distintos níveis: do ensino técnico em saúde, passando pela graduação e pós-graduação. Na segunda dimensão, abrange o desenvolvimento de profissionais já envolvidos com a prática na atuação em saúde e envolve dinâmicas educativas presentes no contexto do processo de trabalho, conforme LIMA L; (2010). Assim, a educação permanente em saúde aparece como pilar essencial das políticas de saúde, em especial, no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS). No contexto da saúde, a educação é um assunto de extrema importância, pois é uma valiosa ferramenta a conduzir o homem para ser capaz na busca constante de sua realização. Possibilita que ele seja capaz compreender a realidade que está a sua volta e transformá-la, além de exercer um caráter permanente em sua vida (FREIRE, 2004 apud LIMA L; 2010). Já na terceira dimensão, verifica-se nas propostas educativas desenvolvidas com os indivíduos e/ou com a comunidade. Nesta dimensão, a educação em saúde compromete-se com a promoção-prevenção e com a melhoria da qualidade de vida da população. Os cursos superiores em saúde encontram-se em um momento de busca por caminhos para implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais que ampliem as competências para a graduação, envolvendo a atenção à saúde, o desenvolvimento da liderança e de capacidade de comunicação, a fim de melhor prepararem os futuros profissionais para a administração e gerenciamento de suas práticas, para a tomada de decisão para a educação permanente (BATISTA; BATISTA, 2007 apud LIMA L; 2010). Conforme os autores citados acima, o preparo do profissional para a atenção à saúde nos remete ao compromisso com a integralidade do cuidado à população. Inicialmente, a conceituação de saúde estava ligada à religião e à filosofia, depois esteve atrelada à teoria de que a doença era decorrente das alterações ambientais, em seguida, com o avanço das ciências fisiológicas e biológicas, veio a descoberta do agente etiológico e, posteriormente, da multicausalidade como determinante das doenças, conforme LIMA L; (2010). Dentro de uma concepção ampliada de saúde e assegurada pela Constituição Federal de 1988 no Título II, “Dos Direitos e Garantias Fundamentais, e Capítulo II, dos Direitos Sociais, o Artigo 6º reza que “São direitos sociais a educação, saúde, o trabalho, o lazer, [...]” (BRASIL, 1988 apud LIMA L; 2010). Assim, saúde é um estado de harmonia entre o ser humano e o meio físico e social, e a doença é a desarmonia das relações entre sujeito e ambiente externo e interno. 8 Recorremos ainda à concepção adotada pela Organização Mundial da Saúde que define saúde como o completo bem-estar físico, mental e social, ocorrendo conjuntamente, e não apenas na ausência da doença ou enfermidade. Desse modo, observa-se que a educação deve estimular e desenvolver no homem uma consciência crítica que lhe permita compreender e transformar sua realidade, conforme LIMA L; (2010). O processo educativo gera alterações dos costumes, maior conscientização da sociedade, promovendo mudanças. Nesse sentido, um desafio importante no ensino é a ruptura como os modelos disciplinares rígidos e a busca por um projeto de formação em saúde que contextualize a integração de distintos conhecimentos e saberes profissionais, conforme LIMA L; (2010). Fazenda (2003, p.36 apud LIMA L; 2010) amplia o sentido da integração, afirmando que a interdisciplinaridade pressupõe uma nova atitude frente ao conhecimento e à pesquisa, mais do que integrar, “a ênfase disciplinar apresenta a possibilidade de re (construir) os processos tradicionais de desenvolvimento de conceitos científicos, habilidades e atitudes”, investindo-se em práticas que priorizem o significado das aprendizagens para os alunos e o compromisso destes com os contextos profissionais e sociais em quem estão inseridos. O hospital permanece com essas características até o começo do século XVIII e o Hospital geral, lugar de internamento, onde se justapõem e misturam-se doentes, loucos, devassos, prostitutas, etc., é ainda, em meados do século XVII, uma espécie de instrumento misto de exclusão, assistência e transformação espiritual, em que a função médica não aparece (Foucault, 1979, p.102 apud LIMA L; 2010). Integrar também significa pensar em novas interações no trabalho em equipe multiprofissional como um conjunto de possibilidades, não está ligado apenas a uma espécie de reforma disciplinar, mas a uma mudança de enfoque epistemológico, configurando trocas de experiências e saberes numa postura de respeito à diversidade e cooperação com vistas a experienciar práticas humanizadoras. Apesar das relevantes conquistas nas ciências e nas tecnologias, a formação dos profissionais nos diversos campos de atuação, especificamente, na área da saúde, ainda é deficiente no que se refere à humanização do atendimento aos pacientes e a seus familiares, bem como na qualidade das relações interpessoais com seus pares e os profissionais de outras áreas, conforme LIMA L; (2010). 9 Há necessidade de mudanças na situação de descompromisso com a qualidade das relações humanas e no comportamento conservador dos profissionais da saúde. Assis (2009 apud LIMA L; 2010), afirma que essas mudanças são complexas, causam resistências e não ocorrem a curto prazo, é difícil provocar e adotar mudanças, pois estas requerem muito investimento e adesão dos profissionais e só poderão acontecer se houver a transformação do modelo formador. As aptidões e caracteres humanos não são transmitidos pelo processo biológico, como afirma Leontiev, (1978, p.262-263 apud LIMA L; 2010), mas são adquiridos e desenvolvem-se no decorrer da vida pelas práxis. O homem é um ser social e, em sociedade, insere-se e se determina como participante de uma comunidade. Desligar- se dessa realidade por motivo de doença implica sair de seu mundo. Assim, a tônica desloca-se da simplificação para a complexidade. A síntese dá lugar ao fragmento (CERUTI, 1985, p.19 apud LIMA L; 2010). Conforme aponta Assis (2009, p.81 apud LIMA L; 2010), tratar do atendimento pedagógico educacional em instituições hospitalares é considerar a inter-relação de duas áreas importantes, educação e saúde, que devem atuar com a finalidade de promover o desenvolvimento integral dapessoa que está sob tratamento de saúde, visando a seus direitos e qualidade de vida. Ou seja, faz-se necessário que o trabalho conjunto de educação e saúde promova ações que resgatem a importância dos aspectos humanos para além dos cuidados e saberes técnicos científicos, um trabalho mais humanizado. Segundo Morin (2003 apud LIMA L; 2010) afirma que a política do humano teria como missão mais urgente a solidariedade do planeta. O desenvolvimento ignora que um verdadeiro progresso humano não pode a partir do hoje, nem prescindir de uma volta às potencialidades humanas genéricas, isto é, de uma regeneração. Assim como um indivíduo é portador no seu organismo, de células-tronco pluripotentes que podem regenerá-lo, também a humanidade traz em si os mesmos princípios de sua própria regeneração, embora adormecidos, fechados nas especializações e nas escleroses sociais (MORIN, 2003, p.150 apud LIMA L; 2010). Desse modo, humanizar na atenção à saúde é entender cada pessoa em sua singularidade, tendo necessidades específicas, e, assim, criando condições para que tenha maiores possibilidades para exercer sua vontade de forma autônoma (FORTES, 2004 apud LIMA L; 2010). Nesse sentido, entendemos que todos os esforços de humanização contribuem para a promoção da saúde junto à criança hospitalizada proporcionando um ambiente saudável e seguro. Segundo Vasconcelos (2000 apud LIMA L; 2010), no ambiente hospitalar, a presença da morte é inelutável. 10 O paradoxo se impregna dada a visão de hospital como ambiente de busca de saúde. Sendo um ambiente tão dual, o trabalho humanístico a ser realizado deve direcionar-se ao encontro desse mundo de doença-cura com a retomada, o reencontro da socialização, conforme LIMA L; (2010). Para tanto, a prática da humanização requer uma atuação profissional voltada à multiplicidade humana, assumindo uma postura ética dirigida ao acolhimento e solidariedade. A humanização é um processo de construção gradual que se verifica pelo compartilhamento de conhecimentos e sentimentos; “sentimento e estudo são como as asas dos pássaros, dos anjos, se auxiliam no equilíbrio para o voo a uma maior valorização da vida” (BARAÚNA, 2003, p.304 apud LIMA L; 2010). As ações de humanização envolvem muitas variadas práticas profissionais introduzidas no tratamento dos indivíduos hospitalizados, como a arte do palhaço, as artes plásticas, a hora das histórias, a terapia ocupacional dentre outras. Assim para Baraúna (2003, p.305 apud LIMA L; 2010), “amar é responder pela relação, é estar atento às necessidades do outro, respeitá-las”. Desse modo, amar é prestar atenção em nosso jeito de tratar o outro. Para tanto faz-se necessário não apenas a “humanização”, mas, o ato humanizador, aquele que procura resgatar o respeito à vida humana, pois envolve o vínculo subjetivo entre quem cuida e quem é cuidado. O nascimento do sentimento de infância na França correspondeu a uma etapa do sentimento moralista criado a partir do século XVII e solidificando-se nos séculos seguintes, sob o cenário da burguesia, destacando o papel da escola, da família e da igreja como normatizadoras de condutas (ARIÈS, 1981, p.277 apud LIMA L; 2010). A escola é o primeiro e o principal meio de socialização da criança. Distante da escola, essa criança hospitalizada encontra-se em um momento de vulnerabilidade emocional, e está distante de seus objetos pessoais, amigos e familiares. O medo e a insegurança são constantes e ocorrem por motivos variados e a criança tem sua rotina alterada, sendo forçada a uma adaptação a um ambiente hostil e impessoal. Todas estas questões tornam a problemática da hospitalização uma experiência estressante, não só à criança como também a seus pais que se sentem ansiosos e inseguros quando a criança que se encontra hospitalizada, conforme LIMA L; (2010). Muitas vezes, esses pais sentem-se culpados pela enfermidade de seus filhos e buscam satisfazer as vontades da criança doente de maneira exagerada, contribuindo para um prolongamento da doença (a criança insiste em atitudes regressivas) e não para sua recuperação. A criança hospitalizada é ativa em suas observações e reflexões, observa seu corpo e as transformações que este apresenta, sabe de seu estado de 11 saúde e tem inúmeros questionamentos, mas só mostra suas dificuldades e dúvidas para aqueles que a escutam e acolhem, conforme LIMA L; (2010). Nesse sentido, educação e saúde, uma cuidando do paciente e a outra cuidando do aluno em regime colaborativo de trabalho, podem compartilhar responsabilidades, processos, projetos, expectativas. Segundo Ceccim (1999a, p.41-44 apud LIMA L; 2010), “o principal efeito do encontro educação e saúde para a criança hospitalizada é a proteção de seu desenvolvimento e a proteção dos processos cognitivos e afetivos de construção dos aprendizados”. Conforme a Constituição Federal de 1988, todo cidadão tem direito à saúde e à educação, como consta do Estatuto da Criança e do Adolescente. Para que isso se concretize, segundo o paradigma da inclusão e nas alternativas oficiais, o professor tem como alternativa trabalhar dentro dos hospitais, implicando mais um campo de trabalho para aplicação da ação pedagógica (BRASIL, 1988 apud LIMA L; 2010). Embora o hospital tenha condições que dificultam a educação da criança ou jovem, se faz necessária a presença do professor, para que haja o acompanhamento pedagógico, e o aluno não perca os conteúdos e, até mesmo o ano letivo. Tudo isso vai depender do tempo em que o aluno ficar no hospital. Além dos conteúdos programáticos, que as crianças fazem em seus quartos ou nos diferentes locais, alguns hospitais oferecem sala de aula, laboratório com computadores, brinquedoteca e sala de jogos. É um novo cenário marcando presença, uma presença de fundamental importância para a recuperação da saúde e do bem-estar, conforme LIMA L; (2010). De acordo com LIMA L; (2010), o trabalho pedagógico em hospitais apresenta diversas interfaces de atuação e está na mira de diferentes olhares que tentam compreendê-lo, explicá-lo e construir um modelo em que possam enquadrá-lo. No entanto, é preciso deixar claro que a educação não é elemento exclusivo da escola como a saúde não é exclusividade do hospital. O hospital é, segundo definição do Ministério da Saúde, um centro de educação: Hospital é a parte integrante de uma organização médica e social, cuja função básica consiste em proporcionar à população assistência médica integral, curativa e preventiva, sob quaisquer regimes de atendimento, inclusive o domiciliar, constituindo-se também em centro de educação, capacitação de recursos humanos e de pesquisas em saúde, bem como de encaminhamento de pacientes, cabendo-lhe supervisionar e orientar os estabelecimentos de saúde a ele vinculados tecnicamente (BRASIL, 1977 apud LIMA L; 2010). 12 A sociedade atual passa por constantes transformações, exigindo do educador (pedagogo) novas práticas que sejam coerentes com essa demanda crescente. De igual importância, à própria efetivação dos direitos de todos os grupos sociais, independente de gênero, etnia, entre outros, exige desse profissional uma formação que lhe possibilite dialogar com os setores sociais. O discurso coletivo em análise também demonstra a importância da educação para o desenvolvimento da criança e revela que a situação de hospitalização, em casos de crianças acometidas por uma patologia durante tempo prolongado, era considerada como motivo de abandono dos estudos ou, ainda, de reprovação escolar, conforme LIMA L; (2010). A finalidade da pedagogia hospitalar é integrar educadores, equipe médica e família em um trabalho conjunto que inclua ações lúdicas, recreativas e pedagógicas, novas maneiras de dar continuidade à vida escolar da criança e, com isso, beneficiar sua saúde física, mental e emocional, conformeLIMA L; (2010). É importante compreender que esse tipo de atendimento não só traz benefícios à criança integralmente, como também assegura a manutenção dos vínculos escolares, acompanhamento curricular, possibilitando a reintegração com a escola e com os colegas. Dessa maneira, o professor desenvolve a prática pedagógica e vivencial na instituição de saúde, atividades que favoreçam o desenvolvimento da criança, que não deve ser interrompido em função da hospitalização, conforme LIMA L; (2010). A função lúdica e a educativa, estão presentes nos jogos e brincadeiras, sejam eles espontâneos ou dirigidos; mesmo nas atividades lúdicas espontâneas a função educativa está presente tendo em vista o desenvolvimento integral: (física, intelectual e moral), na constituição da individualidade. (LIMA, 2010 apud LIMA L; 2010). Programa Gravado na Rede Vida de Televisão em 28 de abril de 2010. O hospital é um ambiente diferenciado onde ocorrem situações de aprendizagens com crianças e adolescentes que se encontram afastados da sala de aula. Em razão das situações de enfermidade, tal atendimento deve ser realizado sob abordagem inovadora. Nesse contexto, é essencial a atuação integrada dos diversos profissionais da área de saúde, educação e demais profissionais que se proponham ao desempenho cada vez mais qualificado desta nobre tarefa, conforme LIMA L; (2010). Cabe destacar que a doença não pode ser vista, como fator de descontinuidade no processo de educação formal da criança e do adolescente em idade de escolarização, respeitadas as singularidades de cada caso específico no contexto essencial em que está inserida ainda que provisoriamente. A pedagogia hospitalar é um processo alternativo de educação continuada que ultrapassa o contexto formal da escola, pois levanta parâmetros para o atendimento de necessidades especiais 13 transitórias do educando em ambiente hospitalar e/ou domiciliar. Trata-se de nova realidade multi/inter/transdisciplinar com características educativas (MATOS; MUGIATTI, 2006, p.37 apud LIMA L; 2010). De acordo com a legislação brasileira, as crianças e jovens hospitalizados têm o direito de dar continuidade ao seu processo de escolarização (CONANDA, 1995 apud LIMA L; 2010). Essa modalidade de atendimento denomina-se “classe hospitalar” e tem como objetivo atender pedagógico-educacionalmente às necessidades do desenvolvimento psíquico e cognitivo de crianças e jovens que se encontram impossibilitadas de participar de experiências sócio intelectivas. É importante ressaltar que o fato de estar internada não impede a criança/adolescente de adquirir novos conhecimentos e informações. Ao manter-se informada e atualizada a criança e adolescente sentem-se inseridos na sociedade; tal fato contribui para seu desenvolvimento escolar, para que possa compreender sua doença, além de ajudar na recuperação de sua saúde, conforme LIMA L; (2010) Uma vez que a criança ou adolescente, mesmo hospitalizado, tem a oportunidade de dar continuidade à escolarização, o fato torna-se importante na visão que possa ter de si mesmo, de sua doença, de seu desempenho acadêmico e de seu papel social, pois o desenvolvimento do pensamento necessita ser estimulado para produzir o pensamento lógico e todos os sistemas conceituais que o compõem. Podemos entender que, para tanto, estes processos só evoluem pela ação (práxis) com outros homens, conforme LIMA L; (2010). A educação está presente em todos os momentos de nossas vidas, até mesmo naqueles mais tensos e difíceis, como afirma Ceccim, é possível aprender dentro do hospital; embora as crianças estejam doentes, continuam crescendo. Acreditamos ser, também nossa, a tarefa de afirmar a vida, e sua melhor qualidade, junto com essas crianças, ajudando-as a reagir, interagindo para que o mundo de fora continue dentro do hospital e as acolha com um projeto de saúde (CECCIM, 1997, p.80 apud LIMA L; 2010). Observamos que a continuidade dos estudos, paralelamente ao internamento, traz maior vigor às forças vitais da criança e adolescente hospitalizado, como estímulo motivacional, contribuindo para que se tornem mais participativos para a efetiva recuperação. Assim, o fato, além de gerar uma integração e participação ativa que entusiasmem o escolar hospitalizado pelo efeito da continuidade da realidade externa, contribui, ainda que de forma subconsciente, para o desencadeamento da vontade premente de necessidade de cura, ou seja, nasce uma predisposição que facilita sua cura e abrevia o seu retorno ao meio a que estava integrado (MATOS; MUGIATTI, 2006 apud LIMA L; 2010). 14 O contato escolar aproxima a criança internada de seu cotidiano dando-lhe uma sensação de cura e esperança de sair logo do hospital, contribuindo para a redução do período de internação. Sem dúvida, brincar e estudar são formas de humanizar o tratamento, é preciso que a equipe de saúde considere a relação interprofissional como promotora da saúde integral, a ser alcançada, conforme LIMA L; (2010). De acordo com Fonseca (2003 apud LIMA L; 2010), independente da política e diretrizes seguidas, o atendimento pedagógico-educacional oferecido pelas classes hospitalares prioriza em seus objetivos a continuidade ao ensino dos conteúdos da escola e/ou próprios da faixa etária dos alunos internados, levando-os a sanar dificuldades de aprendizagem e oferecendo oportunidade para a aquisição de novos conteúdos, além de experiência pedagógico-educacional não propriamente relacionada à realidade da escola regular da criança. Isto não desconsidera aspectos emocionais, pelo contrário, contribui para a saúde mental da criança ou jovem hospitalizado. De acordo com LIMA L; (2010), quanto à pedagogia hospitalar, as modalidades de sua ação e intervenção devem ser muito bem programadas e adaptadas frente às capacidades e disponibilidades da pessoa hospitalizada. Não é tarefa das mais fáceis tal adequação, pois, se na atual realidade do País ainda há grande retração da educação formal, o que pensar, então, da educação isolada dos ambientes escolares, incluídos em realidades diferenciadas? Assim, uma educação que pretenda utilizar-se dos novos recursos pedagógicos para promover autonomia, criatividade e criticidade discente só conseguirá atingir isso se atentar para a necessidade de uma capacitação docente reflexiva e criativa, para além do aspecto técnico-operacional, conforme LIMA L; (2010). Stainback e Stainback (1999 apud LIMA L; 2010) citam que se vem dando atenção a uma perspectiva mais construtivista, na qual o aluno é reconhecido, como o centro da aprendizagem. Sob esta perspectiva, o reconhecimento que o currículo deve levar em conta a realidade do aluno, assumindo o professor a posição de seu mediador e, na interação dos dois com o processo da aprendizagem de informações, a ênfase é dada em atividades e projetos que estejam ligados à realidade dos alunos para se tornarem significativos. Vejamos na citação a seguir: Em uma turma desse tipo, o professor (a) usa o currículo para desafiar cada um a conseguir o máximo possível. Sob uma perspectiva holística, construtivista, todas as crianças estão envolvidas no processo de aprender o máximo que puderem de uma determinada matéria; a quantidade e exatamente o que elas aprendem dependem de suas origens, interesses e habilidades. A partir dessa perspectiva, todos os alunos podem tirar proveito das oportunidades de aprendizagem oferecidas na sala de aula, e o propósito do currículo não é definir alguns alunos como bem-sucedidos e outros como fracassados (STAINBACK; STAINBACK, 1999, p.238 apud LIMA L; 2010). 15 Nessa perspectiva, todas as crianças estão envolvidas no processo de aprender, e não apenas algumas, ou as que estiverem aparentemente “bem” de saúde. Partindo desse pressuposto, estes autores ainda falam das estratégias para adaptação do currículo escolarabordando três pontos: o uso de objetivos de ensino flexíveis, a adaptação das atividades e as múltiplas adaptações. Sobre o uso de objetivos de ensino flexíveis, Stainback e Stainback (1999 apud LIMA L; 2010) dirão que o objetivo básico em uma aula pode ser apropriado para todos os alunos, mas os objetivos específicos que satisfaçam os objetivos gerais podem não ser os mesmos. Assim, Stainback; Stainback (1999 apud LIMA L; 2010) já falam da necessidade de adaptarmos algumas atividades aos alunos que necessitarem dessas mudanças para que consigam participar e atingir os objetivos. Os autores dão um exemplo a esse respeito, que é a adaptação da maneira como trabalhamos com as habilidades desenvolvidas pelos alunos, não deixando de estimulá - los para o desenvolvimento daquelas que ainda não dominam. Por exemplo, um professor pediu que os alunos fizessem pesquisas sobre os principais personagens da guerra por meio de leituras para posterior discussão em aula. Para um aluno que não conseguia ler e escrever e tinha habilidades artísticas, o professor solicitou que ele desenhasse as figuras dos personagens e depois as usou para expor na hora da discussão sobre o tema. Assim, segundo Stainback e Stainback (1999 apud LIMA L; 2010), este aluno também teve oportunidades de desenvolver e aprimorar diversas habilidades e, ainda, alcançar o objetivo da aula. Assim, cabe ao professor da classe hospitalar mediar as relações pedagógicas, assegurando que as rotinas de internação contemplem também atenção e carinho. Para Assis (2009 apud LIMA L; 2010), tais ações podem prevenir traumas, amenizar sentimento de insegurança e de angústia. Nessa perspectiva, faz-se necessário citar Noffs e Rachman: Faz-se necessário esclarecer que tal oferta de ensino no ambiente hospitalar deve ser pensada com cautela, pois não pode ser reduzida à mera transferênc ia de práticas do ensino regular ao ensino hospitalar, considerando as diferentes demandas dos diversos alunos-pacientes (NOFFS; RACHMAN, 2007, p.162 apud LIMA L; 2010). No Estatuto da Criança e do Adolescente, reitera-se que o direito à educação é dever não só da escola, mas da sociedade, na qual devem buscar alternativas que amenizem as dificuldades encontradas em muitas situações (CONANDA, 2002 apud LIMA L; 2010). Nesse sentido, a Pedagogia Hospitalar tem como objetivo possibilitar à população alvo, a continuidade de suas atividades educativas, que envolvem o lúdico e 16 o pedagógico no seu contexto geral. O vínculo entre escola e hospital visa proporcionar a continuidade do processo educacional mesmo na condição de hospitalização. Na existência e funcionamento das classes hospitalares, o professor deverá considerar, portanto, as condições objetivas e subjetivas da criança hospitalizada. Salas adequadas com infraestrutura pedagógica, equipamentos, acervo, materiais didáticos, jogos, brinquedos, são, em certa medida, vitais para que se efetive o processo ensino e aprendizagem em um espaço não formal, conforme LIMA L; (2010). De similar importância, são os procedimentos objetivos: plano de ensino, metodologia, projetos pedagógicos e didáticos, sem os quais não podemos aplicar o termo “classe hospitalar”. Não obstante, para uma intervenção pedagógica de sucesso, o professor deve estar em contato com a família e a equipe médica responsável pelo tratamento, tendo em vista os procedimentos e práticas pedagógicas adequadas, tendo em vista, o desenvolvimento integral da criança, seja qual for o período de internação, conforme LIMA L; (2010). Para Ortiz e Freitas (2005, p.34 apud LIMA L; 2010), “o processo de internação precisa ser bem conduzido para evitar [...] disfunções no desenvolvimento”. A complexidade do qual se reveste o ato educativo provocado pelas profundas transformações sociais que ocorrem no mundo contemporâneo sinaliza a urgência de novos imperativos educacionais que respondam às demandas emergenciais estabelecidas. No âmbito hospitalar, a modalidade educacional é recente e como se constatou, os processos de desenvolvimento de pesquisas não acontecem de um dia para o outro, isso talvez justifique a escassez de literatura especializada. Segundo Vasconcelos (2006, p.22 apud LIMA L; 2010) “a iniciativa de intervenção educacional em hospitais, muito antes de chamar classe hospitalar”, iniciou-se em 1935, quando Henri Sellier inaugura a primeira escola para crianças inadaptadas, nos corredores de Paris. A primeira experiência chegou a atender cerca de 80 crianças hospitalizadas, exemplo que foi seguido pela Alemanha, em toda França, na Europa e nos Estados Unidos da América, objetivando suprir as necessidades escolares de crianças tuberculosas, moléstia fatal à época e contagiosa. E prossegue, em 1939 é criado o Centro Nacional de Estudos e de Formação para a Infância Inadaptada de Suresnes (C.N.E.F.E.I), cidade periférica de Paris, tendo como objetivo a formação de professores para o trabalho em institutos especiais e em hospitais. Em 1939 é criado o Cargo de Professor Hospitalar junto ao Ministério da Educação na França. O C.N.E.F.E.I tem como missão até hoje sensibilizar a sociedade para o fato de que a escola não é um espaço fechado, estritamente em quatro paredes, mas no encontro do sujeito com um novo saber. A formação proposta aos professores interessados pelo trabalho, entretanto, é bastante rigorosa. O centro promove estágio em regime 17 de internato a professores e diretores de escolas; a médicos de saúde escolar e assistentes sociais. A Formação de Professores para o atendimento escolar hospitalar no C.N.E.F.E.I tem duração de 2 anos. Desde 1939, o C.N.E.F.E.I já formou 1.000 professores para as classes hospitalares, cerca de 30 professores a cada turma. A cada ano ingressam 15 novos professores no Centro. Hoje todos os hospitais públicos na França têm em seu quadro 4 professores: dois do ensino fundamental e dois de ensino médio (VASCONCELOS, 2006, p.28 apud LIMA L; 2010). De acordo com LIMA L; (2010), segundo dados da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo14, embora a Lei seja do ano 2000, as classes hospitalares funcionam há mais tempo em São Paulo, com uma estimativa de que existam, desde a década de 1930, conforme dados do Centro de Apoio Pedagógico Especializado (CAPE), que oferece suporte ao processo de inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais especiais na rede estadual de ensino. Matos e Mugiatti (2006 apud LIMA L; 2010) definem, Pedagogia Hospitalar como um dos programas inovadores que têm surgido com base na vontade coletiva de profissionais, sendo um processo de educação organizado de forma diferenciada das usualmente praticadas. Durante a hospitalização, o trabalho pedagógico ancora-se na construção do conhecimento sobre aquele espaço, aquela rotina, as informações médicas, as doenças, com caráter lúdico e, ao mesmo tempo didático-pedagógico. Como ilustração, podemos citar o trabalho pedagógico-terapêutico da biblioterapia, que busca contribuir para o bem-estar da criança hospitalizada, promovendo seu bem-estar físico, emocional, intelectual e social. O conto de fadas torna-se terapêutico por ressaltar na criança sua capacidade de querer crescer e por oferecer a possibilidade de vencer seus medos (MATOS; MUGIATTI, 2006 apud LIMA L; 2010). Podemos inferir que a atuação do contador de histórias é, sem dúvida, uma contribuição ao trabalho multiprofissional e interdisciplinar no contexto hospitalar com o propósito de oferecer às crianças um atendimento mais humanizado. Segundo Giordano: O contar histórias acompanha os homens desde os primórdios dos tempos, quando estes frequentavam as cavernas para registrar e contar o seu cotidiano através de desenhos que guardavam na memória. A partir desse jeito de contar histórias, pudemos ficar sabendo de passagens que nos permitem conhecer a nossa história (GIORDANO, 2005, p.36apud LIMA L; 2010). Conforme verificaram Ortiz e Freitas (2003 apud LIMA L; 2010) que, para além das vantagens pedagógicas, a presença da escola no ambiente hospitalar favorece um melhor enfrentamento da doença por parte das crianças, conforme descrevem as autoras: 18 Essas experiências demonstram que a promoção de ambientes educacionais e lúdico-terapêuticos nos hospitais contribui de forma ímpar para o enfrentamento das enfermidades por parte das crianças hospitalizadas, amenizando possíveis traumas. Essas iniciativas auxiliam, da mesma forma, o tornar o hospital um ambiente humanizador e contribuem para que o período de hospitalização se constitua num evento que pode ser compreendido pelo paciente, sendo considerado uma ocasião em que a subjetividade e os conhecimentos continuam a ser construídos, simultaneamente à recuperação (ORTIZ; FREITAS, 2003, p.186 apud LIMA L; 2010). Matos (2008 apud LIMA L; 2010) descreve que não se pode generalizar o dia a dia em um hospital; portanto, contar histórias, dramatizar, usar fantoches e outras tantas linguagens são comunicações que chamam a criança e o jovem para fora realidade hospitalar, podendo contribuir para melhorar sua qualidade de vida, pois esse diferencial, fará com que a hospitalização seja mais amena em sua vida. É também uma iniciativa de grupos voluntários15, que solidarizados com o isolamento provocado por algumas doenças crônicas e graves, integram-se aos serviços médicos com apoio pedagógico, atividades recreativas, leituras, contação de histórias e demais ações educativas. Matos e Mugiatti (2006 apud LIMA L; 2010), apontam a importância do atendimento pedagógico hospitalar, pois os aspectos biológicos não devem ser os únicos a considerar, quando tratamos da criança e do adolescente hospitalizados, devemos considerar o homem, como um ser total no qual os aspectos psicológicos e sociais estão associados. Para Leontiev (1978 apud LIMA L; 2010) a conclusão da evolução do biológico que se estabeleceu em várias etapas, o homem atual possui todas as propriedades biológicas necessárias a seu desenvolvimento sócio histórico ilimitado, mas as modificações biológicas deixam de ter uma ação preponderante sobre os homens. As mudanças físicas necessárias para a hominização se concluem, mas sua evolução prossegue pelos mecanismos do trabalho e a partir de então será regido pelas características especificamente humanas. Neste sentido, Leontiev afirma que: Cada indivíduo aprende a ser um homem. O que a natureza lhe dá quando nasce não é suficiente para viver em sociedade. É preciso adquirir o que foi alcançado no decurso do desenvolvimento histórico da sociedade humana. (LEONTIEV, 1978, p.267 apud LIMA L; 2010). Anteriormente, deve ser diferenciada do cotidiano da escola normal e formal, uma vez que essa prática é fortemente marcada pelas relações afetivas. Segundo Ortiz e Freitas (2005 apud LIMA L; 2010) são positivas, pois servem de reforço, para que o aluno não desista da luta pela saúde. Dessa forma, o professor propõe atividades pedagógicas17 e, por meio delas constrói e reinventa projetos de vida para, após a 19 hospitalização; Kronos e Kairós (Queluz, 2001 apud LIMA L; 2010), convivem no mesmo plano em diferentes espaços e tempos. Podemos concordar com Matos e Mugiatti (2006 apud LIMA L; 2010), afirmam que oferecer ao aluno hospitalizado a valorização de seus direitos à educação e saúde como também ao espaço que lhe é devido como cidadão, é um dos principais objetivos do atendimento pedagógico-hospitalar. Para tratar do avanço desse campo de atuação, Fonseca (2003 apud LIMA L; 2010) baseada na legislação brasileira, que o atendimento pedagógico-educacional hospitalar é reconhecido por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente hospitalizado, bem como outros documentos oficiais. A autora comenta a Declaração dos Direitos da Criança e do Adolescente: A Declaração dos Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizados decorreu de formulação da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, com a chancela do Ministério da Justiça em 1995. Essa modalidade de atendimento denomina-se classe hospitalar, prevista pelo Ministério da Educação e do Desporto em 1994, por meio da publicação da Política Nacional de Educação Especial (FONSECA, 1999, p.3 apud LIMA L; 2010). A Resolução 02 do MEC outorga, em 11 de setembro de 2001, que sejam implantados meios para que o aluno hospitalizado seja atendido em suas necessidades escolares. Por esse motivo, o aluno internado afastou-se da escola e tem a oportunidade de continuar seus estudos no hospital, acompanhado por um professor, levando-se em consideração, conforme Fonseca (2003 apud LIMA L; 2010): A criança hospitalizada sente dor, medo, mal-estar, desconfiança, sente-se privada da convivência com os amigos e de frequentar a escola. Esses sentimentos são minimizados quando ela tem a oportunidade de vivenciar a sala de aula no hospital, isto a faz sentir menos doente e mais ligada ao mundo que deixou (FONSECA, 2003, p.7 apud LIMA L; 2010). De acordo com LIMA L; (2010), com vistas à normatização e procedimento dos profissionais da saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria elaborou uma proposta que, tendo sido aprovada deu origem à Resolução nº 41 de outubro de 1995: Direitos da criança e do adolescente hospitalizado: 1.Direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde, acompanhamento do curriculum escolar durante sua permanência hospitalar. 2.Direito a receber todos os recursos terapêuticos disponíveis para a sua cura, reabilitação e/ou prevenção secundária e terciária. 3.Direito a ter seus direitos constitucionais e os contidos no Estatuto da Criança e do Adolescente respeitados pelos hospitais integralmente. 20 De acordo com LIMA L; (2010), em 2002, o Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Especial, elaborou um documento de Estratégias e Orientações para o atendimento nas classes hospitalares, assegurando assim, conforme a Lei de Diretrizes e Bases, básica nº 9.394/96: Art. 3º - O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; Tem direito ao atendimento escolar os alunos de ensino básico internados em hospital, em serviços ambulatoriais de atenção integral à saúde ou em domicílio; alunos que estão impossibilitados de frequentar a escola por razões de proteção à saúde ou segurança abrigados em casa de apoio, casas de passagem, casas- lar e residências terapêuticas (BRASIL, 2002 apud LIMA L; 2010). De acordo com LIMA L; (2010), reza o artigo 13 das Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica: Os sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de saúde, devem organizar o atendimento educacional especializado a alunos impossibilitados de frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde que implique internação hospitalar, atendimento ambulatorial ou permanênc ia prolongada em domicílio (BRASIL, 2002, p.75 apud LIMA L; 2010). Segundo a Política do Ministério da Educação, “classe hospitalar” é o atendimento pedagógico-educacional que ocorre em ambientes de tratamento de saúde, seja na circunstância de internação, como tradicionalmente conhecida, seja na circunstância do atendimento em hospital-dia e hospital-semana ou em serviços de atenção integral à saúde mental (BRASIL, 2002 apud LIMA L; 2010). De acordo com LIMA L; (2010), o Projeto de Lei PL 4.191/04 por meio do movimento político ocorrido em junho de 2010, Plano Municipal de Educação, espera aprovação para este ano. O documento preconiza dentre outras ações as seguintes formulações: Art. 1º - Com base na Lei n. º 7.853, de 24 de outubro de 1989, art. 2º, inciso I, alínea “d”, e na Lei n. º 9.394, de 20 dedezembro de 1996, arts. 5º, § 5º, 23 e 58, § 2º, os sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de saúde, ficam obrigados a oferecer atendimento educacional especial izado a crianças, jovens e adultos, matriculados ou não em escolas de educação básica, temporária ou permanentemente impossibilitados de frequentar as aulas em decorrência de condições e limitações específicas de saúde; Parágrafo único. As crianças, jovens e adultos que se encontram na situação descrita no caput deste artigo são considerados educandos portadores de necessidades especiais. Art. 2º - O atendimento educacional especializado de que trata o artigo anterior será prestado em classes hospitalares ou por meio de atendimento pedagógico domiciliar. § 1º Denomina-se classe hospitalar o atendimento pedagógico-educacional que ocorre em ambientes de tratamento de saúde, seja na circunstância de internação, como tradicionalmente conhecida, seja na circunstância do atendimento em hospital-dia ou hospital-semana ou em serviços de atenção integral à saúde mental. 21 Art. 3º - Cumpre às classes hospitalares e ao atendimento pedagógico domiciliar: – Assegurar continuidade ao processo de desenvolvimento e ao processo de aprendizagem de crianças, jovens e adultos, matriculados ou não em escolas de educação básica, temporária ou permanentemente impossibilitados de frequentar a escola; – Desenvolver currículo flexibilizado e/ou adaptado e manter vínculo com as escolas, de forma a favorecer o ingresso ou retorno desses alunos à escola regular e sua adequada integração ou reintegração ao grupo escolar correspondente. Art. 4º - As Secretarias Estaduais, do Distrito Federal e Municipais de Educação e de Saúde deverão celebrar convênio entre si, no qual serão fixadas as responsabilidades de cada área, a forma de integração entre ambas e divisão de atribuições para oferta de classes hospitalares e do atendimento pedagógico domiciliar. § 1º Compete à Secretaria de Educação – A contratação e capacitação de professores e demais profissionais da educação; – A provisão de recursos financeiros e materiais para os referidos atendimentos; – A coordenação pedagógica desses atendimentos, por meio de uma unidade de trabalho pedagógico na secretaria; – O acompanhamento desses atendimentos, de forma a assegurar o cumprimento da legislação e a promoção da qualidade dos serviços prestados. § 2º Compete à Secretaria de Saúde: – Disponibilizar e adequar espaços nos hospitais e demais serviços públ icos de saúde, de modo a favorecer o desenvolvimento de atividades didático - pedagógicos; – Dotar esses espaços de instalações sanitárias próprias, completas, suficientes e adaptadas às necessidades dos educandos; Art. 5º - Os professores e demais profissionais da educação, designados pelas respectivas secretarias de Educação para as classes hospitalares e o atendimento pedagógico domiciliar, deverão: ser formados em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, para atuação na educação básica, da educação infantil ao ensino médio (Grifos nossos apud LIMA L; 2010). Ao transpor tais considerações ao fenômeno aqui analisado, percebemos os desafios que os cursos de formação de professores, sobretudo os de Pedagogia enfrentam, ou seja, quando se concretizam e possibilitam que os futuros professores vivenciem situações de aprendizagem teórico-práticas interdisciplinares que permitem uma reflexão crítica na complexidade do processo educativo, em suas múltiplas dimensões ao subsidiar novas ações pedagógicas, conforme LIMA L; (2010). Schön (1997; 2000 apud LIMA L; 2010) refere que esse movimento de reflexão crítica, antes, durante e após a ação docente faz emergir as construções teóricas e metodológicas já sistematizadas e consolidadas e que, muitas vezes, precisam ser reelaboradas; promove relações e aproximações com os problemas detectados; analisa os fenômenos; estabelece comparações entre fatos e suas contradições. Enfim, ressignifica as práticas pedagógicas à luz de novos referenciais teóricos que valorizam e incentivam a interação e a mediação, fatores fundamentais para a construção de conhecimento compartilhado de educandos e educadores, sem desconsiderar a subjetividade como fator essencial na e da prática pedagógica. 22 Matos e Mugiatti (2006, p.82 apud LIMA L; 2010), referem que “no quadro de suas atividades, as crianças e os adolescentes hospitalizados têm, assim, ocasião de exteriorizar situações conflituosas por meio de múltiplas atividades pedagógicas”. Estas atividades poderão estar representadas de forma lúdica, recreativa, como o envolvimento em atividades com música, canções, dramatizações, desenhos e outras possibilidades expressivas indicadas em um planejamento flexível e articulado, voltado a atender a esses aspectos tão importantes no cotidiano da escolarização desses alunos em contexto hospitalar. Vasconcelos (2006 apud LIMA L; 2010), alerta que nem só de boa vontade vive uma prática, é essencial que se estabeleça um conjunto de regras ou normas, a fim de que a atividade escolar em hospitais não caia no conceito de diversão, de passatempo, sobretudo que esses dois termos são muitas vezes usados em conotação pejorativa. A atenção pedagógica voltada à criança e ao adolescente hospitalizado não basta por si só; é preciso também assegurar ensino escolar continuado. Nesse processo de relação interpessoal, a criança sente-se acolhida com a intervenção do professor, na medida que lhe traz um pouco de seu mundo perdido temporariamente, além do mais, o professor, sendo um dos profissionais que estará com ela todos os dias, transmitirá a segurança necessária para as intercorrências advindas da internação, conforme LIMA L; (2010). Nos grandes hospitais pediátricos ou outros que possuam crianças e adolescentes em idade de escolarização hospitalizados, é imperativo criar as necessárias condições para que a criança e o adolescente sintam segurança durante sua internação. Considerando a gestão de sala de aula, qualquer que seja o espaço (formal ou não formal) torna-se importante que os professores planejem, organizem, avaliem e controlem as atividades didático pedagógicas na perspectiva da autonomia e emancipação, conforme LIMA L; (2010). Conforme cita Arendt (2007, p.190 apud LIMA L; 2010), a condição humana pressupõe que o espaço público seja o único local em que cada ser pode e deve demonstrar sua singularidade. A privatização dos espaços faz com que o indivíduo seja destituído de coisas fundamentais para sua existência, como por exemplo, as trocas existentes entre todos, “mediante um mundo comum de coisas, e privados da possibilidade de realizar algo mais permanente que a própria vida”. A privatização de todas as esferas da vida reside na ausência de outros. O homem privado não se dá a conhecer e, portanto, é como se não existisse, conforme LIMA L; (2010). 23 Do descompasso da ação e do discurso, a primeira perde seu caráter revelador, transformando cada ser em coisas mecânicas como uma caixa de ressonância, realizando coisas humanamente incompreensíveis: sem o discurso, a ação deixaria de ser ação, pois não haveria ator; e o ator, o agente do ato, só é possível se for ao mesmo tempo, o autor das palavras (ARENDT, 2007, p.191 apud LIMA L; 2010). Cabe ao professor da classe hospitalar estabelecer o vínculo entre a criança, o ambiente hospitalar, a família e a escola de origem. Não pode lhe faltar o entendimento de todos os aspectos que fazem parte da “rotina da enfermaria”, ou seja, sobre o estado clínico do paciente, tratamento e cuidados, pois, além de educador, o professor também cuida desse aluno, inclusive, psicologicamente. Ou seja, segundo Fonseca (2003, p.30 apud LIMA L; 2010), “o professor entra como parceiro na relação entre a criança e o ambiente hospitalar, entre a criança e o familiar e nas interaçõesde ambos com o hospital”. A prática e atitude reflexivas podem ser desenvolvidas a qualquer momento da vida pessoal e profissional, e, em situações emergenciais, também, podem ocorrer. Assim, nesse contexto, o aspecto biológico da doença e hospitalização não se verifica de forma isolada, faz parte de um intrincado complexo de sistemas, como os de natureza psicológica e social que se associam em um íntimo e intenso entrelaçamento, o que remete ao processo multidisciplinar para a construção da interdisciplinaridade. Espontaneidade e flexibilidade nas discussões são elementos indispensáveis no desempenho de equipes, conforme LIMA L; (2010). Corrobora a afirmação acima (CECCIM, 1999b apud LIMA L; 2010), quando descreve que, além de atuar na intervenção pedagógico-educacional, a classe hospitalar ajuda no desenvolvimento psíquico e cognitivo da criança e adolescente. Mais ainda, oferece ao aluno hospitalizado a valorização de seus direitos à educação e à saúde, como também ao espaço que lhe é devido como cidadão, que é um dos principais objetivos do atendimento pedagógico-hospitalar. Fazenda (2003, p.56 apud LIMA L; 2010), refere-se ao assunto como “atitude interdisciplinar” dos profissionais, cuja postura é dialeticamente realizada em movimentos circulares das situações velhas para as novas, destas para velhas, percebendo-se que a situação velha possa se transformar e, nesta, sempre haverá algo de novo. Segundo Matos e Mugiatti (2006, p.91 apud LIMA L; 2010) transdisciplinaridade é algo “além do espaço e da temporalidade, é a presença da essência na interdisciplinaridade”. Fonseca (2003 apud LIMA L; 2010) nos ajudará a compreender melhor como ocorre o atendimento escolar no hospital e qual o perfil curricular das 24 classes hospitalares. Em geral, alguns dos itens que relata, é o guia do Ministério da Educação que orienta os professores que recebem alunos com problemas de saúde. Este trabalho é de extrema importância para a recuperação dessas crianças. A autora define as necessidades da classe hospitalar, tendo como a sua principal característica a diversidade. Assim define também a classe hospitalar com o objetivo de: Atender pedagógico - educacionalmente às necessidades do desenvolvimento psíquico e cognitivo de crianças e jovens que dadas as suas condições especiais de saúde, se encontram impossibilitados de partilhar as experiências sócio intelectivas de sua família, de sua escola e de seu grupo social (FONSECA, 2003, p.12 apud LIMA L; 2010). A autora chama a atenção referindo-se ao currículo da classe hospitalar que contém parte do currículo de uma sala normal regular, mas permeia-se a outros aspectos, como a criança, a doença, os pais, os profissionais da saúde, o ambiente hospitalar, o ambiente da escola hospitalar, o professor, entre outros. Sobre a atuação e organização das aulas, um desdobramento talvez prioritário na discussão da atuação do professor é a questão da rotina da escola hospitalar, já que a rotina médica não existe, pois, a criança nunca sabe como será seu dia, quem virá visitá-la, o que vai comer, como será seu tratamento, os lugares onde terá de ir. Enfim, nas salas de aula deve haver uma rotina organizada que respeite as limitações desses pacientes, que é de extrema importância para que a atuação dos profissionais da educação não seja comprometida, conforme LIMA L; (2010). Nesse sentido, concordamos com Vasconcelos (2006, p.36 apud LIMA L; 2010), para quem “formar professores para trabalhar junto a crianças doentes é um desafio que implica descobrir estratégias diferenciadas e adaptáveis à realidade, assim como despertar para os momentos de sua aplicação”. Sobre a observação, Fonseca (2003 apud LIMA L; 2010) reconhece que deve ser realizada de maneira natural, sem que esta criança perceba, e é mais uma ferramenta quanto ao trabalho a ser desenvolvido pelos profissionais das classes hospitalares. A observação natural que o professor faz é parte central de sua coleta de dados para que possa planejar desenvolver, avaliar e registrar mais assertivamente o seu atendimento pedagógico-educacional hospitalar (FONSECA, 2003, p.34 apud LIMA L; 2010). A avaliação deverá levar em conta a convicção de que todos têm capacidade de aprender, não importando o tempo nem o ambiente. Considerando o funcionamento das classes hospitalares, Fonseca (2003 apud LIMA L; 2010) diz que a aula ocorre no período da tarde, pois durante a manhã há os atendimentos médicos. Embora isso não seja regra, por certo, haverá rupturas no cotidiano das aulas. Contudo, o professor precisa encarar a situação como uma “dinâmica do dia a dia de atividades”. 25 Para essa realização, devemos considerar que a rotina diária de atividade precisa ter começo, meio e fim; o professor deve estar ciente, por meio do prontuário, da situação clínica do paciente e seus tratamentos e evolução; o professor deve ter um contato com a família primeiro, antes de estabelecer um contato direto com a criança, pois o professor pode intimidar a criança; deve respeitar o período de sua adaptação na sala hospitalar. O professor pode fazer uma visita à enfermaria para conhecer seus alunos, antes do contato direto com as crianças. As atividades devem atender às necessidades, mas também aos interesses do aluno, e o professor precisa estar preparado para enfrentar imprevistos e situações, conseguindo adequar as atividades durante o processo, conforme LIMA L; (2010). O professor não deve estar fechado, mas deve ter a sensibilidade suficiente para perceber o que acontece na sala de aula, pois o que o aluno sugere pode ser a alavanca para uma aprendizagem mais efetiva e significante (FONSECA, 2003, p.41 apud LIMA L; 2010). Em relação à adequação e adaptações do ambiente, aos materiais e atividades, o professor precisa adequar-se a esse ambiente hospitalar e, muitas vezes, o improviso é inevitável. Seja onde for o ambiente que o professor esteja, precisa ser antes de tudo organizado e preparado para receber crianças em qualquer situação, por exemplo, um cadeirante. Muitas vezes o professor precisará ir até o leito do paciente e adaptar uma mesa para realizar as atividades, ou então o atendimento poderá ocorrer na enfermaria. Todavia, nenhum desses motivos podem servir de impedimento para que as crianças se concentrem nas atividades mediadas pelo profissional, conforme LIMA L; (2010). O funcionamento e as características do hospital produzem mudanças históricas. Até o século XVIII, os hospitais tinham como tarefa a salvação e a segregação dos doentes. Não havia a intenção de cura: recebiam-se leprosos, pobres, loucos e o atendimento era feito por religiosos ou leigos de forma assistencialista. A função era salvar as almas doentes, conforme LIMA L; (2010). O médico não ocupava o espaço do hospital. Com as grandes navegações e o mercantilismo em toda parte do mundo, começa o tráfico internacional de mercadorias e, com isso, as doenças que eram trazidas pelos marinheiros poderiam contaminar as pessoas das cidades. Isto gerou a preocupação com a higienização humana e o nascimento da Ordem Médica. Inicia-se outro objetivo, o de curar, o de estudar e o de classificar as doenças, conforme LIMA L; (2010). 26 Com o desenvolvimento mercantilista, tornava-se importante impedir o tráfico de mercadorias e de drogas, evitar o contágio das doenças que os marinheiros poderiam trazer para as cidades, e também manter saudáveis estes trabalhadores (SOUZA, 1992, p.23 apud LIMA L; 2010). O hospital torna-se um lugar asséptico, com muita atenção na limpeza, separação dos leitos e outros cuidados em relação ao tratamento. O ambiente hospitalar passa a ser o lugar que cura doenças. Nesse momento, a medicina é objetiva. Pesquisa-se o corpo fragmentado em um método empirista, em que cada parte do corpo é estudada para se chegarà doença. Procura-se, então, a objetivação do sujeito, conforme LIMA L; (2010). Cada indivíduo é um composto de características a serem bem avaliadas. Primado do controle, da objetividade e da individualidade. Individualidade, neste sentido, corresponde a um homem que pode ser objetivado (SOUZA, 1992, p.32 apud LIMA L; 2010). O modo de ver o paciente mudaria a partir do século XX, quando Freud (1900 apud LIMA L; 2010) concebe a psicanálise, a concepção de análise da pessoa passa pelo entendimento de sua subjetividade. O doente não é apenas o corpo, mas escuta- se, o que ele tem a dizer sobre si mesmo, com base nos conflitos internos. A medicina evolui com a tecnologia e com novas ciências que auxiliam de forma mais diretiva o doente. Surgem as equipes multidisciplinares dentro da área da saúde, com profissionais que trabalham em conjunto no hospital em benefício do paciente. A multidisciplinaridade corresponde aos diversos saberes conferidos ao ambiente hospitalar, como sensível resposta à promoção da vida com saúde, para onde convergem as diversas ciências em prol da vida com mais qualidade (MATOS; MUGIATTI, 2006, p.30 apud LIMA L; 2010). Atualmente, o paciente ganha cada vez mais com esta efetividade sobre o tratamento da doença que o hospital possibilita. Pensando no direito de viver com qualidade, a figura do professor surge na equipe multidisciplinar hospitalar, para que os pacientes infantis tenham a oportunidade de uma vida mais próxima do normal, tornando-se mais uma ferramenta para o auxílio de seu tratamento. Ou seja, além do cuidado com a doença, fica cada vez mais patente a necessidade do cuidado com a vida do paciente, como um todo, conforme LIMA L; (2010). 27 Sabemos que no hospital as crianças estão sob cuidados médicos, tomando medicamentos, fazendo exames, recebendo visitas. Estes fatores tornam o processo de atendimento educacional mais dinâmico e adaptável. Por isso, diferentemente das classes na escola convencional, o professor adaptará sua aula no local e período disponível pelo hospital e adequado às crianças enfermas. O atendimento educacional hospitalar pode ocorrer em uma sala separada, há hospitais onde existem cantos ou corredores onde se realizam as atividades pedagógicas, conforme LIMA L; (2010). De acordo com LIMA L; (2010), o espaço do atendimento escolar no hospital varia dependendo do hospital, das necessidades de determinadas enfermarias, das enfermidades dos pequenos pacientes e da disponibilidade de espaço que o professor adquire para montar uma classe hospitalar. As classes hospitalares são ambientes projetados com o propósito de oferecer atendimento para o desenvolvimento e construção do conhecimento das crianças, jovens e adultos na educação básica, respeitando suas capacidades e necessidades educacionais e individuais. Existem hospitais públicos com salas que funcionam como classe hospitalar. Se o professor possuir autonomia no hospital poderá decorá-la e proporcionar um ambiente aconchegante ao estudo dos alunos. Eles poderão explorar de materiais como livros, brinquedos, jogos, computadores. Conforme Fonseca refere: Se o professor dispõe de sala ambiente, ela deve ser constantemente organizada, afim de que possa melhor suprir as demandas das crianças nela atendidas. Isto pode ser feito com base nas observações e registros de como as crianças exploram e utilizam os materiais nela existentes. O professor deve estar atento para a disposição do material e substituir aqueles pelos quais as crianças pareçam não se interessar muito, ou criar estratégias para que elas passem a explorar tais recursos. As próprias crianças podem auxiliar e ser orientadas quanto à manutenção da organização do espaço, o que não impede de explorá-lo nem de manipular aquilo que seja interessante (FONSECA, 2003, p.44 apud LIMA L; 2010). Para o funcionamento das classes hospitalares, é necessário um mobiliário adequado, uma bancada com pia, instalações sanitárias próprias e suficientemente adaptadas, além de espaço ao ar livre para atividades físicas e ludo-pedagógicas, conforme LIMA L; (2010) Recursos audiovisuais, computadores em rede, televisão, máquinas fotográficas, filmadoras, telefone com chamada de ramal e externa devem estar disponibilizados nas classes hospitalares. Percebe-se a importância desses recursos, tanto no que se refere ao planejamento, desenvolvimento e avaliação do trabalho pedagógico como no contato efetivo do professor que atua na classe hospitalar com a escola vinculadora, seja como sistema responsável para prover e garantir o acesso educacional. Pode ocorrer que o professor não disponha de uma sala, sobretudo no início da implantação 28 de uma escola no hospital. Ele poderá começar seu atendimento em brinquedotecas, em corredores, em salas minúsculas ou até mesmo em um canto da recepção de enfermarias, conforme LIMA L; (2010). O atendimento pedagógico poderá também ser solicitado pelo ambulatório do hospital, onde poderá ser organizada uma sala específica da classe hospitalar (BRASIL, 2002, p.16 apud LIMA L; 2010). O professor consciente do bom trabalho que tem a fazer, não deve se constranger, temporariamente, com o espaço fornecido pelo hospital para sua atuação. Ele tem que conquistar um local melhor com o sucesso de suas realizações, mostrando que o trabalho pedagógico só vem beneficiar essas crianças dentro do hospital. O profissional da educação nutre-se com base na criatividade. Quando existir uma sala para o trabalho será um local especialmente ambientado para o atendimento pedagógico destas crianças. Se for apenas um canto para elas, o profissional trabalhará da mesma forma para os pacientes que talvez tenham apenas este instante que lhes permite a quebra da tensão sofrida na situação hospitalar. Lembrando que o professor oferecerá o benefício para a situação atual que o aluno se encontra em condições especiais e após a alta, conforme LIMA L; (2010). Mesmo com toda esta discussão de local adequado, o MEC faz a seguinte recomendação do local ideal que deveria ter no hospital para a atuação do professor, os ambientes serão projetados com o propósito de favorecer o desenvolvimento e a construção do conhecimento para crianças, jovens e adultos, no âmbito da educação básica, respeitando suas capacidades e necessidades educacionais especiais individuais. Uma sala para desenvolvimento das atividades pedagógicas com mobiliário adequado e uma bancada com pia são exigências mínimas. Instalações sanitárias próprias , completas, suficientes e adaptadas são altamente recomendáveis e espaço ao ar livre adequado para atividades físicas e ludo-pedagógicas (FONSECA, 2003, p.15 apud LIMA L; 2010). De acordo com LIMA L; (2010), recomenda, ainda, por meio de alguns procedimentos, quais as atividades essenciais a ser consideradas no processo de internação: Elaboração de um plano de intervenção individual e coletivo, para o desenvolvimento de conteúdos curriculares específicos, baseado nas observações efetuadas diretamente com a criança e nos resultados das avaliações realizadas e dos exames clínicos, conforme LIMA L; (2010) Inserção de objetivos e metas a serem alcançados, das atividades e estratégias a serem empregadas e meios a serem utilizados no plano de intervenção, além dos facilitadores ou mediadores requeridos, conforme LIMA L; (2010) 29 Elaboração de estratégias viáveis para a realização de cursos de educação continuada para profissionais da educação infantil na perspectiva da escola inclusiva, conforme LIMA L; (2010) Criação de estratégias que estabeleçam parcerias entre as áreas de educação, saúde e assistência social voltados para a realização de programas voltados para a promoção do desenvolvimento integral de criança com necessidades educacionais especiais, conforme LIMA L; (2010). Conforme LIMA L; (2010),