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SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 3 
2 A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA E A HUMANIZAÇÃO NOS SERVIÇOS 
DE SAÚDE ................................................................................................................................... 4 
3 CONTRIBUIÇÃO DA PEDAGOGIA HOSPITALAR .......................................... 31 
3.1 No âmbito da socialização ............................................................................. 35 
4 EDUCAÇÃO E SAÚDE: MARCOS LEGAIS ...................................................... 37 
5 Educação como promoção à saúde .................................................................... 43 
6 Interações entre educação e saúde na classe hospitalar ................................ 48 
7 A FUNÇÃO DO PEDAGOGO HOSPITALAR .................................................... 51 
8 BIBLIOGRAFIA ....................................................................................................... 56 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1 INTRODUÇÃO 
Prezado aluno! 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao 
da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno 
se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para 
que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça 
a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, 
é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao 
protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe 
convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida 
e prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
2 A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA E A HUMANIZAÇÃO NOS SERVIÇOS DE 
SAÚDE 
 
Fonte: sonhoseguro.com.br 
Para o processo de aquisição das produções humanas, a comunicação é muito 
importante, pois é a aquisição da linguagem especificamente humana, sem ela fica 
inviável a relação social. Por meio dela, e na relação com outros homens, que o 
desenvolvimento do pensamento se efetiva. Mas, para que haja a humanização é 
necessário que se garanta a apropriação do conhecimento já produzido sobre o mundo, 
com base na educação, conforme LIMA L; (2010). 
Leontiev (1978 apud LIMA L; 2010) demonstra a importância da educação para a 
humanização do indivíduo. Quanto mais os progressos atingem a produção de bens 
materiais, mais enriquecem a cultura dos homens, ampliando seu conhecimento sobre 
o mundo e propiciando o desenvolvimento da ciência e da arte. Neste contexto, a 
educação toma proporções complexas, permitindo a ascensão da ciência pedagógica. 
Pressupõe-se que todos os homens têm o direito de se apropriar da cultura 
humana, entretanto não é isso, o que acontece. Na realidade, o conjunto de saberes 
produzidos acaba se concentrando nas mãos de um pequeno grupo da sociedade que 
os utiliza para a manutenção de seus poderes e como forma de dominação de grande 
parte da sociedade, ocorrendo estreita correlação entre saber e poder conforme LIMA 
L; (2010). 
 
5 
 
Conforme estes pressupostos, a educação desempenha um papel fundamental 
na vida dos indivíduos, já denunciada por muitos teóricos, e o conhecimento é a 
condição para sua humanização. É por meio dele que se garante a compreensão é uma 
das condições para as relações sociais. Assim, o trabalho dos professores, quando 
colaborativo, isto é, equipe de saúde e membros da família, torna-se extremamente 
importante, tanto à socialização como a um tratamento benéfico, às crianças e 
adolescentes internados, implicando uma atividade produtiva, aos hospitais, é a saúde 
dos internados, conforme LIMA L; (2010). 
No ambiente hospitalar, muito se tem a investigar e contribuir para as ações da 
pedagogia hospitalar. No entanto, para que essas ações sejam de fato eficazes, é 
essencial a participação de todos os envolvidos: a família, a criança ou adolescente 
hospitalizado, a escola de origem e o pedagogo hospitalar com a equipe de saúde. Para 
Nogueira-Martins, Bógus (2004 apud LIMA L; 2010) a humanização em saúde está 
intimamente ligada à promoção da saúde quando esta é focalizada em um processo de 
produção social e dependente sobretudo de políticas públicas, programas sociais e 
modelos de atenção à saúde. 
Importa retomar que, embora ocorram conquistas nas ciências e na tecnologia, a 
formação de profissionais nos diversos campos e especialidades da saúde ainda é 
deficiente à humanização no atendimento aos pacientes e a seus familiares, bem como 
na qualidade das relações interpessoais com os pares e profissionais de outras áreas. 
Para Arendt (2007 apud LIMA L; 2010), a ação é a atividade política por excelência. 
Esta, em consonância com o discurso, revela de fato a pluralidade humana em 
contraponto com o mundo do trabalho, vetores instrumentais de uma sociedade para 
quem as trocas materiais são fundamentais em detrimento do desenvolvimento humano, 
devendo passar pela esfera pública e não privada. Para a autora: 
Foi essa ausência de relacionamento humano e essa preocupação fundamental 
com mercadorias permutáveis que Marx denunciou como a desumanização e 
autoalienação da sociedade comercial que, de fato, exclui os homens enquanto 
homens e, numa surpreendente inversão da antiga relação entre público e 
privado, exige que eles se revelem somente no convívio familiar ou na 
intimidade dos amigos (ARENDT, 2007, p.31 apud LIMA L; 2010). 
O grande problema do mercado de trocas, é a de que os homens não entram em 
contato como pessoas, mas apenas são fabricantes de produtos. Marx, como bem 
pontua Arendt, descreveu esse estado em que, reduzido à coisa, o homem passa a 
gravitar em uma esfera opaca e reificada pela produção de elementos materiais. A 
coesão existente entre universo, diferentemente da união entre o discurso, é somatória 
dos poderes de troca, nada além disto. Segundo Zaher (2005 apud LIMA L; 2010), o 
 
6 
 
hospital é o local por excelência onde a fragilidade da saúde aparece e confronta a 
realidade, onde os pacientes deparam-se com um sofrimento pessoal, uma patologia, 
uma doença que requer a intervenção de pessoas. 
De acordo com LIMA L; (2010), nesse espaço, as práticas de saúde devem estar 
voltadas também à humanização, pois os pacientes precisam mais que um bom 
profissional, querem ser respeitados, bem tratados, sentir-se bem, sem precisarem 
submeter-se ao burocratismo, como é encontrado na área da saúde. Fortes afirma que: 
A partir dos anos 90, a humanização da atenção à saúde vem sendo tratada 
como política pública, iniciando-se no ambiente hospitalar, e, atualmente, sendo 
dirigida para todos os níveis de atenção de saúde. No campo da atenção em 
saúde, o termo humanização tem sido utilizado com diferentes significados e 
entendimentos, relacionando-o com os direitos dos pacientes e a ética voltada 
ao respeito ao outro (FORTES, 2004, p.10 apud LIMA L; 2010). 
Humanizar a saúde é dar qualidade à relação, é suportar as angústias do ser 
humano diante da fragilidade do corpo. O homem torna-se humano no contato com os 
outros homens, pela cultura, pela possibilidade de se questionar e fazer perguntas. O 
humanizar não pode ser imposto, normatizado, como também relegado “à maquiagem 
hospitalar de hotelaria”, de bons modos e costumes, de treinamento da comunicação 
entre os membros dos hospitais e seus usuários. Deve ir além, ultrapassar os muros da 
estéticaexistem casos de crianças internadas que não têm 
como se locomover a outro espaço que não seja o leito. Quando isto ocorre, o professor 
faz seu atendimento no próprio leito levando alguns recursos para que este aluno 
também tenha o direito de estudo. Neste sentido, ainda segundo o MEC: 
Além de um espaço próprio para a classe hospitalar, o atendimento propriamente 
dito poderá desenvolver-se na enfermaria, ao leito ou no quarto de isolamento, uma vez 
que restrições impostas ao educando por sua condição clínica ou de tratamento assim 
requeiram (MEC, 2002, p.16 apud LIMA L; 2010). 
O homem, como sujeito do processo histórico, necessita dar continuidade à 
construção da sua própria existência, sem interrupção. Com base nos propósitos 
interativos que o difere dos demais seres vivos, transforma a sua realidade natural e 
social, interferindo na natureza e nas relações. Sendo assim, é por meio do trabalho, ou 
seja, pela produção de conhecimentos e subsistência material que se garante a 
sobrevivência da espécie humana, conforme LIMA L; (2010). 
A educação, como resultado do trabalho não material, torna-se essencial na 
medida que extrai ideias, conceitos, atitudes, valores e habilidades produzidas 
historicamente pelos homens dando continuidade ao processo de humanização. A 
escola, representada pelo professor, cujo campo de ação pedagógica diz respeito à 
socialização do saber elaborado, isto é, a produção do conhecimento metódico e 
sistematizado na sociedade com base nas diferentes formas de produção da existência 
humana, conforme LIMA L; (2010). 
O professor pode prestar atendimento pedagógico na residência do educando, 
mas, para isso esta precisa ser adaptada. Os recursos de apoio didático-pedagógico e 
as adaptações, tais como a eliminação de barreiras físicas e arquitetônicas são questões 
importantes. Quanto aos aspectos pedagógicos, o atendimento será orientado pelos 
componentes curriculares da Educação Básica em ação integrada com os serviços de 
saúde, conforme LIMA L; (2010). 
 
30 
 
O currículo deverá ser flexibilizado para contribuir para a promoção da saúde e 
melhor retorno ou continuidade dos estudos dos alunos envolvidos (BRASIL, 2002 apud 
LIMA L; 2010). Dessa forma devemos buscar na educação uma pedagogia 
transformadora que contribua para a emancipação do aluno e para a promoção da 
saúde, pois este caminho não é só físico, está permeado por questões sociais, políticas 
e econômicas. 
As instituições educacionais devem proporcionar aos alunos condições de acesso 
ao conhecimento, construindo o processo livre, enriquecedor e coletivo de participação 
na formulação dos conceitos e dos valores; assim, a educação escolar deve 
proporcionar a transformação. O papel político e emancipador da educação deve ser 
considerado também no ambiente hospitalar. Sob tal ponto de vista, o objetivo é claro e 
definido, isto é, manter e potencializar os hábitos próprios da educação intelectual e da 
aprendizagem de que necessitam as crianças/adolescentes em idade escolar, mediante 
atividades desenvolvidas por pedagogos em função docente, conforme LIMA L; (2010). 
Freire (2003, p.33 apud LIMA L; 2010) evidencia que o desenvolvimento de uma 
consciência crítica que permite ao homem transformar a realidade se faz cada vez mais 
urgente. Conforme os homens, em sua sociedade, vão respondendo aos desafios do 
mundo, vão temporizando os espaços geográficos e vão fazendo história pela sua 
própria atividade criadora. Assim, a educação surge como mais uma possibilidade de 
auxílio e emancipação da criança hospitalizada. 
Nesta perspectiva, a atenção pedagógica, mediante a comunicação e o diálogo, 
é essencial para o ato educativo e propõe-se a ajudar a criança e/ou adolescente 
hospitalizado para que, imerso na situação negativa, que atravessa no momento, possa 
se desenvolver em suas dimensões possíveis de educação continuada, como uma 
proposta de enriquecimento pessoal, conforme LIMA L; (2010). 
Sendo assim, a intervenção pedagógica no ambiente hospitalar sugere ação 
educativa adaptada às manifestações de cada criança/adolescente, em diferentes 
circunstâncias, nos enfoques didáticos, metodológicos, lúdicos e pessoais. Neste 
sentido, apresenta, em todos os momentos, alto grau de flexibilidade e adaptabilidade 
às estruturas. No contexto, é oportuno o reconhecimento da comunicação, como fator 
essencial e fundamental para o trabalho em ação, pois parte do princípio de que o ser 
humano age como pensante, com capacidade de orientar-se por meio de critérios 
próprios, mediante a tomada de consciência de suas possibilidades, conforme LIMA L; 
(2010). 
 
31 
 
3 CONTRIBUIÇÃO DA PEDAGOGIA HOSPITALAR 
 
Fonte: anaehyandora.com 
O termo Pedagogia teve sua origem na Grécia e surgiu no século XVIII atribuindo 
caráter científico a função do pedagogo de conduzir crianças e adolescentes no 
processo educativo. Ao longo da história a Pedagogia passa a ser refletida no âmbito 
educacional vislumbrando atender as demandas das transformações da sociedade. 
Sendo assim, a Pedagogia passa a ser reconhecida, como um princípio fundamental 
para a ascensão da formação do homem como um ser social e autônomo. De acordo 
com Silva (2013, p. 50 apud ALEXANDRE G; 2018). Como podemos observar, muitas 
foram as mudanças ocorridas no seio da Pedagogia, que para muitos se originou na 
Grécia com o pensamento filosófico, tendo como principal autor Platão. No entanto, 
desde seu surgimento, no século XVII, a Pedagogia teve vários avanços com estudos 
de pensadores marcantes na sua história, como o monge João Comênio. 
Dessa forma, a Pedagogia ganhou espaço difundindo-se em diversas áreas da 
sociedade desde os primórdios. A fim de contribuir no processo de formação das 
pessoas, tornando-as seres autônomos e dessa forma favorecer condições de 
emancipação dos sujeitos por meio dos conhecimentos apreendidos. No Brasil, o curso 
de formação em Pedagogia, era conhecido como magistério de ensino normal que 
atribuía um caráter de técnico educador, conforme ALEXANDRE G; (2018). 
 Esse profissional era capacitado para atuar além da sala de aula, atendendo a 
educação básica e também dava suporte em diversos procedimentos técnico das 
instituições. Com as mudanças ocorridas no sistema de ensino, o pedagogo passa a ter 
uma formação integrada com duração de tempo mínimo de quatro anos. Entretanto o 
 
32 
 
mais significativo avanço da Pedagogia se institui no ano de 1996 com a reformulação 
do ensino, conforme ALEXANDRE G; (2018). 
Art. 62 A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível 
superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e 
institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o 
exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do 
ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. 
(BRASIL 1996, p. 26 apud ALEXANDRE G; 2018). 
Nesse sentido, é importante ressaltar que o reconhecimento do curso trouxe 
contribuições relevantes ao contexto atual de atuação do profissional pedagogo 
ampliando o perfil desse profissional para atender as demandas do mercado de trabalho, 
sendo consideradas as capacitações inerentes a sua atuação conferindo 
especificidades na organização do trabalho pedagógico da sociedade moderna o qual 
ultrapassa a sala de aula para espaços não escolares, conforme ALEXANDRE G; 
(2018). 
A exemplo dos novos espaços de atuação do pedagogo destaca-se a Pedagogia 
Hospitalar. Sendo este, um seguimento da Pedagogia que tem por objetivo discutir a 
educação no ambiente hospitalar. Essa proposta ultrapassa limites da escola 
possibilitando as crianças e adolescentes hospitalizados um atendimento 
contextualizado e humanizada no processo de ensino aprendizagem. De acordo com 
Silva (2013, p.63 apud ALEXANDRE G; 2018). 
Podemos dizer através da Pedagogia Hospitalar que o hospital é um espaçoeducativo na medida em que oferece práticas pedagógicas de acompanhamento do 
escolar hospitalizado, a fim de que seu processo de ensino–aprendizagem não seja 
interrompido e seu direito de viver a infância seja garantindo. A partir dessa carência de 
ensino no ambiente hospitalar, é relevante a importância do papel do pedagogo 
hospitalar diante dos desafios enfrentados no sentido de unir aspectos pedagógicos 
para integrar a equipes da área de saúde. Tendo em vista oportunizar aos pacientes a 
continuação dos estudos de maneira prazerosa, lúdica e social. Atentando sempre para 
as condições de saúde de cada criança e adolescente, objetivando garantir as 
necessidades básicas de convívio e lazer desse público, enquanto permanecerem 
internados, conforme ALEXANDRE G; (2018). 
Nessa perspectiva, a Pedagogia como um campo de integração e investigação 
para além da docência, tem o compromisso de promover qualidade do trabalho 
desempenhado no âmbito da saúde, preocupando-se com a formação dos profissionais 
que atuarão nesse ambiente, conforme ALEXANDRE G; (2018). 
 
33 
 
 Dessa maneira, a formação do profissional pedagogo hospitalar tem a 
incumbência de estar preparado para a realidade do contexto hospitalar e desenvolver 
um trabalho que ultrapassa as exigências didáticas da docência, mas, um trabalho 
humanístico de assistência tanto ao paciente quanto à família que o acompanha nesse 
tempo de hospitalização, que muitas vezes passa por problemas psicológicos os quais 
acabam interferindo na vida da criança ou adolescente hospitalizado, conforme 
ALEXANDRE G; (2018). 
Assim, o papel da Pedagogia Hospitalar é fundamental na mediação desses 
fatores como forma de amenizar sofrimento e obstáculos enfrentados nessa 
trajetória. Vejamos o que estabelece a Política Nacional de Humanização (PNH) 
Para a PNH, ambiência na Saúde refere-se ao tratamento dado ao espaço físico 
entendido como espaço social, profissional e de relações interpessoais que 
deve proporcionar atenção acolhedora, resolutiva e humana. Vai além da 
composição técnica, simples e formal dos ambientes, passando a considerar as 
situações que são construídas, em determinados espaços e num determinado 
tempo, e vivenciadas por um grupo de pessoas com seus valores culturais e 
relações sociais. (BRASIL 2010, p.23 apud ALEXANDRE G; 2018). 
A Política Nacional de Humanização que é implantada no sistema de saúde 
viabiliza a inclusão dos trabalhadores no processo de gerencialmente dos trabalhos que 
se desenvolve na área da saúde. Essa estratégia surge com o intuito de flexibilizar o 
trabalho dos profissionais de saúde e dessa forma proporcionar um atendimento de 
qualidade aos pacientes e usuário do Sistema Único de Saúde (SUS). De maneira que 
haja a inclusão de todos os que participam desse cenário, advindo de um olhar 
humanístico capaz de romper barreiras que desconecta os sujeitos desse ambiente, 
conforme ALEXANDRE G; (2018). 
Vale ressaltar, que essas ações são relevantes na construção de vínculos dos 
profissionais entre si e para com toda comunidade assistida, o que possibilita o conhecer 
as particularidades e limites de cada pessoa e respeitar as diferentes práticas e 
experiências para se construir um saber coletivo junto à equipe interdisciplinar, conforme 
ALEXANDRE G; (2018). 
Diante do exposto, a Pedagogia Hospitalar surge para atender as necessidades 
da criança ou do adolescente que se encontra internado, contribuindo no percurso das 
atividades pedagógicas impedindo defasagens dos conteúdos escolares, além de 
ponderar mecanismos de atenção ao estado emocional e social dos pacientes e 
acompanhantes no hospital. É importante elucidar que essa nova modalidade de ensino 
nos espaços não escolares originou-se das transformações ocorridas na sociedade ao 
longo dos anos desde os primórdios, conforme ALEXANDRE G; (2018). 
 
34 
 
De acordo com ALEXANDRE G; (2018), passa a ser legalmente reconhecido a 
Pedagogia no espaço hospitalar a partir de bases legais. As Diretrizes Nacionais para a 
Educação Especial na Educação Básica, em seu Artigo 13, estabelece: 
Os sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de saúde, 
devem organizar o atendimento educacional especializado a alunos 
impossibilitados de frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde que 
implique internação hospitalar, atendimento ambulatorial ou permanênc ia 
prolongada em domicílio. 1° As classes hospitalares e o atendimento em 
ambiente domiciliar devem dar continuidade ao processo de desenvolvimento e 
ao processo de aprendizagem de alunos matriculados em escolas da Educação 
Básica, contribuindo para seu retorno e reintegração ao grupo escolar, e 
desenvolver currículo flexibilizado com crianças, jovens e adultos não 
matriculados no sistema educacional local, facilitando seu posterior acesso à 
escola regular. (BRASIL, 2001, p.4 apud ALEXANDRE G; 2018). 
Em face dessa realidade, fica instituído que o público citado acima, é assegurado 
por lei para usufruir o direito ao atendimento educacional em qualquer circunstância de 
saúde que impossibilite a frequentar a escola regular. Nessa circunstância a Pedagogia 
Hospitalar instaura- se como um suporte de aprendizagens socioeducativas que 
consolida e descentraliza o saber, através da troca de experiências entre pacientes, 
família, equipes profissionais e instituição, conforme ALEXANDRE G; (2018). 
Para tanto, é pertinente expressar que o conhecimento se torna dessa forma, 
chave primordial a ampliação de capacitação dos profissionais, bem como provocação 
para a transformação da estrutura de organização do trabalho pedagógico no âmbito 
hospitalar. Diante do que foi mencionado, fica claro que educação e saúde são áreas 
distintas do conhecimento, porém indissociáveis no sentido de construir práticas 
coletivas, contextualizadas com a realidade de cada paciente a fim de propor um cuidado 
específico a cada sujeito hospitalizado, conforme ALEXANDRE G; (2018). 
Dessa forma, a educação transcende barreiras por um objetivo único que é de 
proporcionar em parceria o bem-estar social e terapêutico do ser humano. Segundo 
Silva (2013, p. 44 apud ALEXANDRE G; 2018), compreendendo o diálogo entre 
Educação e Saúde, é possível garantir na prática o direito assegurado a toda a criança, 
principalmente quando encontra -se hospitalizada. É preciso que passemos a visualizar 
a Educação no âmbito da Saúde, pois ela nos acompanha desde o nascimento até a 
morte, e por ser dessa forma, Educação é vida, e vida é Saúde, portanto Educação e 
Saúde estão intimamente associadas e ligadas às nossas aprendizagens enquanto 
sujeitos vivos. 
 
 
 
35 
 
Entretanto, não se pode confundir a intervenção pedagógica hospitalar para com 
a criança interna, com a assistência ao seu quadro clínico. É evidente que atuação do 
pedagogo no ambiente hospitalar pretende contribuir para o bem-estar da criança 
enferma de acordo com as práticas lúdicas e prazerosas desenvolvidas com a criança 
nesse espaço. Para tanto, deve haver o cuidado dessas atividades, tomar conhecimento 
sobre quais atividades cada criança está disponível a realizar, para que não haja 
interferência no estado terapêutico do paciente. Entretanto tal mediação educativa 
precisa ser adaptada e programada relativamente de acordo com o tempo de exposição 
e materiais utilizados. Para que assim possa se adaptar às capacidades de cada criança 
hospitalizada, conforme ALEXANDRE G; (2018). 
Assim sendo, a atuação do pedagogo hospitalar é relevante em todas as etapas 
de desenvolvimento da criança enquanto encontra-se afastada da escola. No sentido de 
dar continuidade ao processo educativo e preparar a criança para voltar a escola com 
sucesso, sem que haja prejuízo da aprendizagem, além de favorecer maior estímulo a 
socialização na escola depois de sua ausência enquanto esteve internada, conforme 
ALEXANDRE G; (2018). 
Contudo, a formação desse profissional requeruma qualificação coerente com os 
métodos de ensino para atuar junto à equipe interdisciplinar, para que aconteça um 
atendimento personalizado e compromissado com a realidade hospitalar, conforme 
ALEXANDRE G; (2018). 
3.1 No âmbito da socialização 
A busca constante por conhecimentos eficientes que correspondam às demandas 
da sociedade atual, elucida a essencialidade de se pensar na atuação do pedagogo em 
espaços não escolares, inclusive no contexto hospitalar, ressaltando a infinidade de 
possibilidades das ações socioeducativas as quais auxiliam para o desenvolvimento 
integral da criança e do adolescente em permanência hospitalar. Feitosa, Bidô e Martins, 
(2017, p.196 apud ALEXANDRE G; 2018) assinalam que, a Pedagogia deve atuar a 
favor do pleno desenvolvimento do ser humano, preocupando-se com a formação 
integral do ser, englobando tanto o intelectual quanto emocional, devido a isso seu 
campo de atuação tem se ampliado cada vez mais para atender as constantes 
transformações de uma sociedade cada vez mais complexa. 
 
 
 
36 
 
Assim, a finalidade é de frisar a contribuição da atuação do profissional pedagogo 
no ambiente hospitalar. Sobretudo de maneira que se ampliem os conhecimentos e 
práticas pedagógicas desenvolvidas com os pacientes durante a hospitalização, 
contribuindo como forma para a expansão do conhecimento, especialmente a 
Pedagogia Hospitalar, por ser esta uma área de atuação ainda pouco explorada no 
contexto atual, conforme ALEXANDRE G; (2018). 
Embora, este seja um trabalho fundamental para a evolução das crianças e 
adolescentes hospitalizados, uma vez que, a atuação é direcionada por meio de 
atividades didático pedagógicas, tais como: brincadeiras, leitura, escrita e dinâmicas 
afetivas, além da técnica de escutas pedagógicas, que consiste em compreender o que 
a criança transmite nesse momento traumático de internação, através dos sentimentos, 
linguagem, pensamentos, gestos, emoções e necessidades intelectuais. Assim, Fontes 
(2005, p.123 apud ALEXANDRE G; 2018) a conceitua nos seguintes termos, a escuta 
pedagógica diferencia-se das demais escutas realizadas pelo serviço social ou pela 
psicologia no hospital, ao trazer a marca da construção do conhecimento sobre aquele 
espaço, aquela rotina, as informações médicas ou aquela doença, de forma lúdica e, ao 
mesmo tempo, didática. 
Na realidade, não é uma escuta sem eco. É uma escuta da qual brota o diálogo, 
que é a base de toda a educação. Durante o tempo de hospitalização, o volume de 
informações a que as crianças e seus acompanhantes estão submetidos precisa ser 
trabalhado de modo pedagógico num contexto de atividades de socialização das 
crianças e de seus conhecimentos, sejam eles escolares, informais ou hospitalares (no 
caso das crianças reincidentes ou com maior tempo de internação), conforme 
ALEXANDRE G; (2018). 
Apesar de ser um profissional com perfil diferenciado, pois o pedagogo para atuar 
em espaços não escolares no caso do ambiente hospitalar, precisa estar ciente de suas 
atribuições e desenvolvê-las com muita cautela, atentando para saber do estado de 
saúde de cada criança e adolescente, e assim desenvolver sua prática de maneira a 
não interferir no quadro clínico dos pacientes, e passar a colaborar efetivamente no 
processo de adaptação dos sujeitos participantes desse processo de hospitalização com 
o meio, de maneira prazerosa e motivacional capaz de oportunizar as crianças e 
adolescentes restrito ao hospital, uma interação no processo educativo e também uma 
melhor qualidade de vida nessa fase difícil da vida pela qual estão passando. Segundo, 
Matos (2014, p.73 apud ALEXANDRE G; 2018). 
 
 
37 
 
O homem, como agente de sua cultura, não se adapta, mas faz com que o meio 
se adapte às suas necessidades. Daí a quebra do paradigma ‘escola só é em sala de 
aula e hospital apenas para tratamento médico’ faz parte da evolução. Nesse contexto, 
o pedagogo é o agente de mudança, pois entende-se que o escolar hospitalizado não é 
um escolar qualquer, ele se diferencia por estar acometido de moléstia ou algum dano 
ao seu corpo, razão pela qual precisou de cuidados médicos, bem como necessidade 
ainda de ajuda para vencer as consequências de sua própria hospitalização, conforme 
ALEXANDRE G; (2018). 
Portanto, as crianças e adolescentes impossibilitados de frequentarem a escola, 
por motivos de saúde e que se encontram em retenção ao hospital, tem direito de 
desfrutar de atendimento especializado. Atendimento este, que perpassa as habilidades 
e competências adquiridas ao longo do processo de seu desenvolvimento, e, constitui -
se em um trabalho de humanização que enaltece o modelo biopsicossocial do ser em 
sua totalidade, conforme ALEXANDRE G; (2018). 
Sendo assim, a Pedagogia Hospitalar contempla um trabalho promissor para o 
campo do conhecimento, diferenciando-se das demais áreas por conceber o ser 
humano em sua plenitude. Contribuindo dessa forma, para a formação social, cognitiva 
e dentre as demais competências idôneas do ser humano em formação, conforme 
ALEXANDRE G; (2018). 
4 EDUCAÇÃO E SAÚDE: MARCOS LEGAIS 
 
Fonte: dahw.org.br 
 
38 
 
O desenvolvimento intelectual das crianças e adolescentes internados nos dias 
atuais é visto com um novo olhar pelo Ministério da Educação e da Saúde em relação a 
décadas atrás, pois tem sido “verificada a necessidade de umas práxis e uma técnica 
pedagógica nos hospitais [...] saber voltado à criança/adolescente num contexto 
hospitalar[...]”. (MATOS; MUGIATTI, 2009, p.85 apud OLIVEIRA M; 2019). Esse saber 
tem um aspecto muito significativo de aprendizagem à luz da Pedagogia Hospitalar, pois 
se estrutura numa “ação docente que provoque o encontro entre a educação e a saúde. 
” (MATOS; MUGIATTI, 2009, p. 116 apud OLIVEIRA M; 2019). 
Infere-se que o atendimento pedagógico nos ambientes hospitalares é um grande 
ponto de aprendizagem. Em decorrência desse fato, há uma legislação brasileira que 
reconhece esse direito ao atendimento pedagógico aos escolares em tratamento de 
saúde, como enfatiza Mutti (2016 apud OLIVEIRA M; 2019). Sobre esse direito ao 
acesso ao conhecimento, bem como o papel e a função da Pedagogia Hospitalar, 
destaca-se que, 
[...] o papel da educação no hospital e, com ela, o do professor, é propiciar à 
criança o conhecimento e a compreensão daquele espaço, ressignificando não 
somente a ele, como a própria criança, sua doença e suas relações nessa nova 
situação de vida. A escuta pedagógica, surge assim, como uma metodologia 
educativa própria do que chamamos pedagogia hospitalar. Seu objetivo é 
acolher a ansiedade e as dúvidas da criança hospitalizada, criar conhecimentos 
que contribuam para uma nova compreensão de sua existência, possibilitando 
a melhora do seu quadro clínico. (FREITAS, 2005, p.135 apud CASTRO 2009, 
p.47 apud OLIVEIRA M; 2019). 
Segundo Esteves (2008 apud OLIVEIRA M; 2019), a Segunda Guerra Mundial é 
marco decisório das escolas em hospitais, em face do grande número de crianças e 
adolescentes atingidos, mutilados e impossibilitados de ir à escola. Nesse período, na 
cidade de Suresnes, na França, Henri Sellier, o senador que atuava na época, 
preocupou-se com o estado das crianças que eram deixadas nos hospitais para 
tratamentos devido a conflitos causados pela Guerra. 
 Em razão disso, fundou a primeira Classe Hospitalar, com o objetivo de dar 
continuidade às atividades escolares com ludicidade para essas crianças, projeto que 
foi conquistando espaço na sociedade e se espalhando por vários países como a 
Alemanha e os Estados Unidos, por exemplo, que implantaram a Classe Hospitalar 
beneficiando crianças tuberculosas que eram impossibilitadas de frequentar a escola, 
conforme OLIVEIRA M; (2019). 
Ademais, no cenário brasileiro, segundo enfatiza Fonseca (1999 apud OLIVEIRA 
M; 2019), as classes hospitalares com mais longo tempo de atuação estão situadas na 
região sudeste:a primeira aberta em 1950, e a segunda em 1953. O advento da primeira 
 
39 
 
classe hospitalar no Brasil começou a funcionar em Vila Isabel, em 1950, no Hospital 
Municipal Jesus, no município do Rio de Janeiro, com o intuito de proporcionar 
atendimento educacional que facilitaria o retorno das crianças às suas escolas 
regulares. 
De acordo com OLIVEIRA M; (2019), em 1969, surgiram sob forma de documento 
e legislação as primeiras indagações da pedagogia hospitalar através do Decreto-Lei nº 
1.044 – de 21 de outubro de 1969 – DOU de 21/10/69. As orientações referidas sob 
forma de lei consideram: 
Que a Constituição assegura a todos o direito à educação; CONSIDERANDO 
que as condições de saúde nem sempre permitem frequência do educando à 
escola, na proporção mínima exigida em lei, embora se encontrando o aluno em 
condições de aprendizagem; CONSIDERANDO que a legislação admite, de um 
lado, o regime excepcional de classes especiais, de outro, o da equivalência de 
cursos e estudos, bem como o da educação peculiar dos excepcionais; 
DECRETAM: Art 1º São considerados merecedores de tratamento excepcional 
os alunos de qualquer nível de ensino, portadores de afecções congênitas ou 
adquiridas, infecções, traumatismo ou outras condições mórbidas, 
determinando distúrbios agudos ou agudizados [...] (BRASIL, 1969 apud 
OLIVEIRA M; 2019). 
Destaca-se, porém, que a “doença não pode ser vista como fator de 
descontinuidade no processo de educação formal” do educando em tratamento de 
saúde em idade de escolarização, “devem ser respeitadas as singularidades de cada 
caso específico[...]”, “ainda que provisoriamente” (MATOS; MUGIATTI, 2009, p.30 - 31 
apud OLIVEIRA M; 2019). 
No cenário dessa nova prática pedagógica, a Resolução 02 CNE/MEC/Secretaria 
de Estado da Educação Departamento de Educação Especial, em 11/09/2001, 
determina expressamente a implantação de Hospitalização Escolarizada, com finalidade 
de atendimento pedagógico aos alunos com necessidades especiais transitórias, com a 
organização de cursos acadêmicos destinados a atender a essa nova demanda, 
conforme OLIVEIRA M; (2019). 
Por outro lado, o direito à saúde é assegurado na Constituição Federal (Art.196), 
garantido mediante políticas econômicas e sociais que visem ao acesso 
universal e igualitário às ações e serviços, tanto para a sua promoção quanto 
para à sua proteção e recuperação. Assim, a qualidade do cuidado em saúde 
está referida diretamente a uma concepção ampliada em que o atendimento às 
necessidades de moradia, trabalho e educação, entre outras, assume 
relevância para compor a atenção integral. A integralidade é, inc lusive, uma das 
diretrizes de organização do Sistema Único de Saúde, definido por lei. (Art. 197) 
(MEC, mai. /2002 apud OLIVEIRA M; 2019). 
Nesse contexto, elencamos como um breve recorte a proposta das Diretrizes 
Curriculares Nacionais (DCN) para o Curso de Pedagogia, sob o processo 
23001000188/2005-02, aprovado pelo parecer do CNE/CP 5/2005, de 13/12/05, que 
 
40 
 
destaca inclusão da formação nos espaços não escolares, bem como uma preparação 
e prática em ambiente hospitalar para atendimento sob aspectos pedagógicos. Matos e 
Mugiatti (2009, p. 32 apud OLIVEIRA M; 2019) destacam: 
[...] conforme OLIVEIRA M; (2019), os pareceres CNE/CES 776/1997, 583/2001 
e 67/2003, que tratam da elaboração de diretrizes curriculares, isto é, de 
orientações normativas destinadas a apresentar princípios e procedimentos a 
serem observados na organização institucional e curricular. Visam estabelecer 
bases comuns para que os sistemas e as instituições de ensino possam planejar 
e avaliar a formação acadêmica e profissional oferecida, assim como 
acompanhar a trajetória de seus egressos, em padrão de qualidade reconhecido 
no país. [...]Tais práticas compreendem tanto o exercício da docência como o 
de diferentes funções do trabalho pedagógico em escolas[...], a avaliação de 
práticas educativas em espaços não escolares, a realização de pesquisas que 
põem essas práticas. [...]. Consequentemente, dependendo das necessidades 
e interesses locais e regionais, neste curso[...], aprofundadas questões que 
devem estar presentes na formação de todos os educadores, relativas, entre 
outras, [...]; educação hospitalar; [...]. O aprofundamento em uma dessas áreas 
ou modalidade de ensino específico será comprovado, para os devidos fins, pelo 
histórico escolar do egresso, não configurando de forma alguma uma habilitação 
[...]. 
A Pedagogia Hospitalar, modalidade de ensino que se destina à continuidade do 
escolar em tratamento de saúde, só começou a ser divulgada por meio da publicação 
da PNEE, na perspectiva de Educação Inclusiva (MEC, 2002 apud OLIVEIRA M; 2019), 
pois “tanto a escola comum como a escola especial tem resistido às mudanças exigidas 
por uma abertura incondicional às diferenças” (DALLARI, 2011, p. 7 apud OLIVEIRA M; 
2019). No entanto, infere-se que nos anos 1990, com as políticas de inclusão no Brasil, 
a Pedagogia Hospitalar ganhou notoriedade, e as classes hospitalares passam a ser 
criadas segundo determina o artigo 13º: 
Art. 13º Os sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de 
saúde, devem organizar o atendimento educacional especializado a alunos 
impossibilitados de frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde eu 
implique internação hospitalar, atendimento ambulatorial ou permanênc ia 
prolongada em domicílio. 
§ 1º As classes hospitalares e o atendimento em ambiente domiciliar devem dar 
continuidade ao processo de desenvolvimento e ao processo de aprendizagem 
de alunos matriculados em escolas da Educação Básica, contribuindo para seu 
retorno e reintegração ao grupo escolar, desenvolver currículo flexibilizado com 
crianças, jovens e adultos não matriculados no sistema educacional local, 
facilitando seu posterior acesso à escola regular (BRASIL, 2001, p.4 apud 
OLIVEIRA M; 2019). 
Aduz-se que as classes hospitalares também estão previstas na Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação – LDBEN (9394/96), capítulo V, onde refere-se à educação 
especial em seu artigo 28 e é coordenada pela SEESP do MEC. Segundo Oliveira (2018 
apud OLIVEIRA M; 2019), são indicadas principalmente para as crianças que 
permaneceram longos períodos internados, em que se destacam os pacientes de 
cânceres (Leucemias, Linfomas, Tumores do Sistema Nervoso, Tumores ósseos, 
 
41 
 
Tumores do Cérebro, Tumores oculares, etc.). De acordo com a legislação, deve-se 
promover o desenvolvimento psíquico e cognitivo e a manutenção da aprendizagem 
escolar. 
Art. 2º § 1º denomina-se classe hospitalar o atendimento pedagógico 
educacional que ocorre em ambientes de tratamento de saúde, seja na 
circunstância de internação, como tradicionalmente conhecida, seja na 
circunstância do atendimento em hospital-dia ou hospital-semana ou em 
serviços de atenção integral à saúde mental. (BRASIL, 2010 apud OLIVEIRA M; 
2019). 
Diante do exposto, foram surgindo, segundo Oliveira (2018 apud OLIVEIRA M; 
2019), outras diretrizes garantidas na Constituição Brasileira de 1988, no seu art. 205, 
que dispõem uma visão ampliada do direito à educação, como se destaca: 
A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e 
incentivada com a colaboração da sociedade, visando pleno desenvolvimento 
da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o 
trabalho. (BRASIL, 1988, p.205 apud OLIVEIRA M; 2019). 
De acordo com OLIVEIRA M; (2019), o Estatuto da Criança e do Adolescente – 
ECA, Lei 8. 069/90, vem corroborar com o direito ao atendimento pedagógico à luz da 
pedagogia que reconhece esse direito aos escolares em tratamento de saúde em seu 
Art. 3º, onde dispõe: 
A criança e o adolescente gozam de todos os direitos inerentes à pessoa 
humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta lei, assegurando-
lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades,a fim de 
lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em 
condições de liberdade e de dignidade. (BRASIL, 1990, p.01 apud OLIVEIRA M; 
2019). 
Em se tratando da PNEE há um “ambiente hospitalar que possibilita o 
atendimento educacional de crianças e jovens internados que necessitam de educação 
especial e que estejam em tratamento hospitalar”, (MATOS; MUGIATTI 2009, p.38 apud 
OLIVEIRA M; 2019). Ademais, segundo o documento elaborado pelo Ministério da 
Educação, através da Secretaria da Educação Especial (2002 apud OLIVEIRA M; 2019), 
que busca atender esse público-alvo com necessidades atuais, contemplando 
estratégias e orientações em atender o escolar hospitalizado, exige dos gestores 
hospitalares juntamente com as Secretarias de Educação, novas atribuições para o 
atendimento pedagógico a esses escolares que se encontram internados e que, 
Na impossibilidade de frequência à escola, durante o período sob tratamento de 
saúde ou de assistência psicossocial, necessitam de formas alternativas de 
organização e oferta de ensino de modo a cumprir com os direitos à educação 
e à saúde, tal como definidos na Lei e demandados pelo direito à vida em 
sociedade. (BRASIL, 2002. p.11 apud OLIVEIRA M; 2019). 
 
42 
 
O atendimento pedagógico hospitalar, segundo o documento do MEC/SEESP 
(2002 apud OLIVEIRA M; 2019), elenca várias moléstias em que o atendimento se faz 
necessário, como se destaca: 
Dificuldades de locomoção: imobilização total ou parcial; a imposição de 
horários para a administração de medicamentos; os efeitos colaterais de 
determinados fármacos; as restrições alimentares; os procedimentos invasivos; 
o efeito de dores localizados ou generalizados e a indisposição geral decorrente 
de determinado quadro de adoecimento; repouso relativo ou absoluto; a 
necessidade de estar acamado ou requerer a utilização constante de 
equipamentos de suporte à vida. (BRASIL, 2002 apud RODRIGUEZ 2018, p.64 
apud OLIVEIRA M; 2019). 
Nesse contexto, destaca-se ainda que essa modalidade de ensino, a Pedagogia 
Hospitalar, nas suas classes hospitalares, necessita de recursos materiais, humanos e 
funcionais. Nas classes hospitalares, sempre que possível, devem estar disponibilizados 
recursos audiovisuais, como computador em rede, televisão, videocassete, máquina 
fotográfica, videokê, antena parabólica digital e aparelho de som com CD e K7, bem 
como telefone, com chamada a ramal e linha externa. (BRASIL, 2002, p.17 apud 
OLIVEIRA M; 2019). 
Em se tratando da constituição dos recursos humanos nas classes hospitalares, 
há uma subdivisão em professor coordenador, professor e professor de apoio, cada um 
possui funções e respectivas atribuições. Cabe ao professor coordenador a função de 
coordenar a proposta pedagógica, além de conhecer a dinâmica e o funcionamento 
peculiar dessas modalidades, conhecer as técnicas e terapêuticas que dela fazem parte 
ou as rotinas da enfermaria ou dos serviços ambulatoriais e das estruturas sociais, bem 
como o dever de articular-se com a equipe de saúde do hospital juntamente com a 
Secretaria de Educação e com a escola de origem do educando. Outra atribuição deste 
professor é orientar os outros professores, assim como definir demandas de aquisição 
de bens de consumo e de manutenção e renovação de bens permanentes, conforme 
OLIVEIRA M; (2019). 
O professor deverá estar capacitado para trabalhar com a diversidade humana e 
diferentes vivências culturais, como também identificar as necessidades especiais dos 
educandos, para assim definir e implantar estratégias de flexibilização e adaptação 
curriculares. Além de propor os procedimentos didático-pedagógicos e as práticas 
alternativas, esse profissional deverá ter disponibilidade para o trabalho em equipe e o 
assessoramento às escolas quanto à inclusão dos educandos, conforme OLIVEIRA M; 
(2019). 
 
 
43 
 
O professor de apoio é aquele que pode pertencer ao quadro de pessoal do 
serviço de saúde ou do sistema de educação, sendo também participante de bolsas de 
pesquisa, bolsas de trabalho, bolsas de extensão universitária ou convênios privados, 
municipais ou estaduais e ainda auxiliar o professor na organização do espaço e controle 
de frequência dos educandos [...] (BRASIL, 2002, p. 22-24 apud OLIVEIRA M; 2019). 
Salienta-se, a partir da colaboração de Kurashima e Shimoda (2010, p. 93 apud 
OLIVEIRA M; 2019), que “foi possível perceber um importante movimento da sociedade 
em prol da assistência prestada às crianças hospitalizadas, assegurando que seu 
crescimento e desenvolvimento sejam preservados”. Logo, “é preciso conhecer para 
compreender[...], inspirada intencionalmente, altera nossos sentidos e significados [...] 
e nos permite enfrentar os desafios quando transitamos por um mundo virtual cheio de 
prospecções que atinge todos os segmentos sociais” (MUTTI, 2016, p. 51-52 apud 
OLIVEIRA M; 2019). 
5 Educação como promoção à saúde 
Ao analisar o contexto social e cultural de quem atravessa longo período 
hospitalizado é possível observar uma lacuna evidente no desenvolvimento e na 
socialização desse sujeito. A realidade de quem vive ou permanece mais tempo no 
hospital que em outros ambientes sociais se distancia qualitativamente de quem pode 
se interagir e relacionar com o mundo sem restrições de acessibilidade, conforme 
ALTOÉ H; (2009). 
O ambiente hospitalar enfraquece a capacidade que dispomos para 
processarmos o mundo com suas vicissitudes e transformações. Quando o sujeito 
hospitalizado fica isolado da produção cultural cessa a inter-relação com o mundo real, 
com a vida, restando um contexto impessoal e traumático que pode interferir na sua 
recuperação, conforme ALTOÉ H; (2009). 
Somos sujeitos sociais e a educação é um processo que diz respeito a nossa 
vida, para Matta (1983 apud ALTOÉ H; 2009) a sociedade e a cultura são duas 
dimensões inerentes à condição humana. Um arranjo de idealizações que nos permite 
enxergar o mundo transformado: 
Daí também a distinção entre sociedade e cultura como dois segmentos 
importantes da realidade humana: o primeiro indicando conjuntos e ações 
padronizadas, o segundo expressando valores e ideologias que fazem parte da 
outra ponta da realidade social (a cultura). Uma se reflete na outra, uma é o 
espelho da outra, mas nunca uma pode reproduzir integralmente a outra 
(MATTA, 1983, p.51 apud ALTOÉ H; 2009). 
 
44 
 
Nesse contexto a educação pode propiciar a mudança no comportamento, onde 
a consciência é marcadamente a zona de diálogo capaz de ressignificar o mundo e de 
vivenciar as regras sociais. A cultura e os valores sociais assimilados desde cedo 
permitem ao homem fazer-se a si próprio e poder ver-se a si mesmo em tudo um 
encontro que só é possível com o reconhecimento do outro. Destarte, vale ressaltar que 
a ampliação das capacidades inatas no homem, segundo Geertz (1966, p. 41 apud 
ALTOÉ H; 2009) depende dos “padrões orientadores da cultura humana”. Para o autor 
a nossa cognição também está sujeita à existência de modelos simbólicos externos da 
realidade. 
Vygotsky (1996 apud ALTOÉ H; 2009) concebe o homem como um ser inserido 
em sua cultura e em suas relações sociais. É através de mediações sociais e da relação 
com um outro, via linguagem, que vai se constituindo a subjetividade humana. É nesse 
aspecto que Molon (2003, p. 118 apud ALTOÉ H; 2009), apresenta sua tese afirmando 
que o sujeito se constitui e é constituído pelas relações sociais, sendo esse social 
“constituído e constituinte de sujeitos historicamente determinados em condições de 
vida determinadas historicamente. Um social que é também subjetividade e 
intersubjetividade, cuja dinâmica se constitui na teia de relações entre sujeitos diferentes 
e semelhantes. ” 
A subjetividade para a autora manifesta-se e objetiva-se no sujeito: “ela é 
processo que não se cristaliza, não se torna condição nem estado estático e nem existe 
como algo emsi, abstrato, imutável. É permanentemente constituinte e constituída. Está 
na interface do psicológico e das relações sociais. ” (MOLON, 2003, p. 119 apud ALTOÉ 
H; 2009). 
Vygotsky (1987 apud ALTOÉ H; 2009) citado por Molon (2003 apud ALTOÉ H; 
2009) onde a análise do sujeito não se limita à ordem do biológico e nem se localiza na 
ordem do abstrato, mas sim ao sujeito que é constituído e é constituinte de relações 
sociais, o homem sintetiza o conjunto das relações sociais e as constrói. Neste sentido, 
o sujeito não é um mero signo, ele exige o reconhecimento do outro para se constituir 
enquanto sujeito em um processo de relação dialética. Ele é um ser significante, é um 
ser que tem o que dizer, fazer, pensar, sentir, tem consciência do que está acontecendo, 
reflete todos os eventos da vida humana. 
Em termos amplos pode-se considerar o mundo como o lugar de constituição da 
subjetividade, uma vez que “a subjetividade significa uma permanente constituição do 
sujeito pelo reconhecimento do outro e do eu. ” (MOLON, 2003 p. 120 apud ALTOÉ H; 
2009). Nesse contexto, a linguagem constitui o sistema de mediação simbólica que 
funciona como instrumento de comunicação. É justamente pela sua função comunicativa 
 
45 
 
que o indivíduo se apropria do mundo externo, pois é pela comunicação, estabelecida 
na interação, que ocorrem, reinterpretações das informações, dos conceitos e 
significados. 
Visto como Vygotsky (1993 apud ALTOÉ H; 2009), a linguagem materializa e 
constitui as significações construídas no processo social e histórico. Quando os 
indivíduos a interiorizam, passam a ter acesso a estas significações que, por sua vez, 
servirão de base para que possam significar suas experiências, e serão estas 
significações resultantes que constituirão suas consciências, mediando, desse modo, 
suas formas de sentir, pensar e agir. 
Vygotsky (1994 apud ALTOÉ H; 2009) ao ser mencionado por Reis (2000 apud 
ALTOÉ H; 2009) atribui relevância ao papel da educação na transformação do homem, 
reflete em uma real utopia que se consolida na constituição de um novo homem. 
Novo homem que é sonho e permanência de sonho daqueles, cuja maior 
esperança é a de teimar a sublime teimosia de que o mundo pode ser melhor. 
De que o homem pode ser mais solidário. O sonho de que vida pode ser menos 
desigual na distribuição da riqueza entre os homens, se não puder ser igual para 
todos. Sonho de que a educação pode contribuir com a constituição desse 
mundo, homem e vida melhores para todos: nunca mais excluídos! Sonho de 
que o melhor começo é o começar. E ao começar as visões vão se clarean do 
sob ponto de vista prático- teórico e teórico- pratico. Clarear de visões, em que 
os sujeitos podem se constituir, constituindo e sendo constituídos, em 
concepção e exercitação do poder, saber e amor. Sujeitos políticos: 
descobrindo, participando e exercendo poder. Sujeitos epistemológicos: 
falando/ pensando/produzindo saber. Sujeitos amorosos: acolhidos/escutados 
pelo e acolhendo/ escutando o outro (REIS, 2000, p.72 apud ALTOÉ H; 2009). 
Essa é a verdadeira interação com o outro, pois nas relações dialéticas e em 
sociedade, todos vão se constituindo, rumo à transformação e à libertação. Freire (1980 
apud ALTOÉ H; 2009) ao falar da educação dialógica e do diálogo, diz que não há 
diálogo sem um profundo amor ao mundo e aos homens, sem humildade, sem uma 
intensa fé dos homens no seu poder de criar e recriar, sem esperança que os leva à 
eterna busca, e que não há diálogo verdadeiro sem um pensar verdadeiro. 
O autor nos fornece as razões que justificam a necessidade do diálogo como 
ponto de referência central de seu pensamento. Considera o processo de aprender um 
ato de comunicação, pertencente à natureza do ser humano e que embora tenha uma 
dimensão individual, o ato de aprender depende do outro, pois é dialético. Deste modo 
acredita que através da dialética é possível seres humanos se transformarem, no sentido 
de rupturas, podendo atuar para transformar a realidade, conforme ALTOÉ H; (2009). 
 
 
 
46 
 
Neste ponto, construído o caminho que nos permite concluir com uma 
aproximação da ideia de autonomia de Paulo Freire (1996 apud ALTOÉ H; 2009), diria 
que autonomia consiste na capacidade de reflexão e conscientização da dimensão de 
mundo socialmente e politicamente adquirida pela nossa experiência como sujeitos em 
socialização e, também, na capacidade de transformação a partir de projetos coletivos 
criados em diferentes espaços, capazes de estimular e oportunizar diferentes fazeres, 
articulados em torno de objetivos comuns, construídos eticamente com o outro a favor 
da liberdade. 
Sendo assim, a prática de uma política de autonomia segundo Castoriadis (1982 
apud ALTOÉ H; 2009 apud ALTOÉ H; 2009) pode ajudar a coletividade a criar as 
instituições aqui inferindo o hospital cuja interiorização não limita, mas amplia sua 
capacidade de autonomia. 
 Dessa forma o trabalho de investigação e reflexão sobre a concepção desse 
novo ambiente educativo, o hospital, possibilita uma dimensão coletiva de ações 
fundadas na reciprocidade social, cujas pessoas envolvidas (pessoa hospitalizada, 
equipe de saúde, familiares, amigos, voluntários, educadores) umas com as outras 
possam construir iniciativas capazes de cooperar para a afirmação de valores de 
solidariedade, proximidade e partilha, instituindo no ambiente hospitalar relações 
diferenciadas e diferenciadoras para um processo em comunhão de permanente busca 
da liberdade do ser humano, conforme ALTOÉ H; (2009). 
Para Angelim (2006 apud ALTOÉ H; 2009), isso implica na valorização das 
diferenças como constitutivo do próprio coletivo, bem como a valorização da perspectiva 
de processo, onde nada está pronto e acabado. Ou seja, o real é o mundo material e as 
relações que o ser humano estabelece na vida social, consigo mesmo, com a natureza, 
com os outros seres e com o transcendente. 
Há, certamente, várias perspectivas a partir das quais é possível analisar as 
questões saúde/doença, mas o que se considera nesse estudo é aquela que se situa na 
dimensão histórica. Marx e Engels (2007 apud ALTOÉ H; 2009) reconhecem na ciência 
social da história, condições de abranger tanto a natureza quanto o mundo dos homens 
com condições de levar em conta, de forma concreta e material, as relações da vida 
humana. “É somente na comunidade [com outros] que cada indivíduo possui os meios 
de desenvolver suas faculdades em todos os sentidos; é somente na comunidade que 
a liberdade pessoal é possível. ” (MARX; ENGELS, 2007, p. 92 apud ALTOÉ H; 2009). 
Temos que levantar a questão da saúde na sua dimensão de totalidade, que 
envolve o conjunto das relações sociais vivenciadas nas áreas de produção e trabalho. 
Lembrando que a capacidade criadora do homem segundo Marx (1961 apud ALTOÉ H; 
 
47 
 
2009) se manifesta no trabalho, condição especificamente humana de transformar a 
natureza em coisas úteis, segundo os seus interesses, desse modo, a manutenção da 
vida humana. Habilidades que não podem ser esquecidas simplesmente porque a 
pessoa está hospitalizada, pois essa dimensão do ser humano produtor, criador e 
histórico é a própria essência humana, que é prática e se manifesta socialmente. 
Portanto cabe ressaltar a relevância de as pessoas mudarem o seu 
comportamento social e as suas atitudes, pois conforme a própria essência da teoria do 
materialismo histórico aborda, toda a história não é mais do que a transformação 
sucessiva da natureza humana e que embora os homens sejam produto da situação e 
da educação, ela pode ser mudada e, portanto, os homens transformados serão o 
produto de outras circunstâncias e de outra educação, conforme ALTOÉ H; (2009). 
Nesse aspecto é importante contemplar a educação como parte do tratamento 
para que o atendimento à necessidade de todo ser humano em desenvolver-se 
integralmente não seja esquecido. E, refletindo dentro desseenfoque, não se poderá 
dizer que saúde é uma circunstância de possível harmonia entre a pessoa e a sua 
totalidade, a realidade e o mundo que a cerca? Conforme ALTOÉ H; (2009). 
Contudo, a Constituição da Organização Mundial de Saúde (OMS) define a saúde 
como: “o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não meramente a 
ausência de doenças”. A definição adotada pela (OMS) tem sido alvo de inúmeras 
críticas desde então. Definir a saúde como um estado de “completo” bem-estar faz com 
que a saúde seja algo ideal, inatingível. Entretanto podemos considerar que saúde é 
uma sensação capaz de gerar harmonia na vida da pessoa independente da sua 
condição orgânica, conforme ALTOÉ H; (2009). 
Além disso o conceito de saúde como um estado de bem-estar capaz de 
proporcionar um equilíbrio emocional e físico, gerando conforto e estabilização 
da própria condição, é complementado por um novo conceito, o conceito saúde 
entendido até então, é substituído por outro, novo e ampliado em seus diversos 
fatores determinantes e condicionantes das condições de vida da população, 
com a intenção de alterar a situação de desigualdade na assistência à saúde. A 
saúde é definida como elemento de Seguridade Social (BRASIL, 1988, p.103 
apud ALTOÉ H; 2009), “a qual compreende um conjunto integrado de ações e 
iniciativas dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os 
direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social”, com os objetivos 
de universalidade, uniformidade, equidade, descentralização, entre outros 
(BERTANI; SARRETA; LOURENÇO, 2008, p.92 apud ALTOÉ H; 2009). 
Nessa ótica a doença deve ser analisada segundo Ceccim (1997, p. 29 apud 
ALTOÉ H; 2009) como um “um fenômeno vital tal qual a saúde”. Isso significa dizer que 
o cuidado e a prevenção deve ser uma proteção e uma responsabilidade com a vida, 
porque o estado de doença é um sinal de que o corpo necessita defender-se e que a 
situação requer um esforço de superação para a cura. Todo esse processo abre 
 
48 
 
possibilidades para a recuperação da saúde na medida em que a doença é vista com 
outro olhar capaz de proporcionar um processo de reflexão. 
 Mas, para que isso ocorra, é importante lembrar que o foco deve ser a vida, a 
pessoa hospitalizada nesse processo precisa ser orientada por uma equipe que 
visualize o sujeito integral, preocupando-se com todos os que estão participando da 
construção desse espaço. Cujo trabalho seja estimular e oportunizar diferentes fazeres, 
articulado em torno de objetivos comuns. Um espaço onde a construção coletiva se 
apresenta como ideia-força capaz de articular as singularidades, num esforço 
propiciador da potencialização das pessoas, elevando-se ao autêntico processo de sua 
humanização e libertação criadoras (FREIRE, 1980 apud ALTOÉ H; 2009). 
O legado freireano pressupõe que é na pluralidade de relações que as pessoas 
constroem sua consciência crítica, que eles vão reconstruindo e redirecionando a 
capacidade de organizar as melhores respostas para responder às variedades dos 
desafios, conforme ALTOÉ H; (2009). 
A intenção de constituir uma prática pedagógica, aliada ao atendimento 
pedagógico em ambiente hospitalar, de modo que a integração entre as diferentes áreas 
do conhecimento relacionadas à Saúde e à Educação possam colaborar na cura e 
restabelecimento da saúde da pessoa hospitalizada, resulta da importância desta 
interação teórica e prática entre os integrantes da equipe hospitalar e pedagógica, que 
se consolida na busca de uma parceria construída no viés da interdisciplinaridade e que 
se apoia segundo Matos e Mugiatti (2008, p.30 apud ALTOÉ H; 2009), “na integração e 
na inter-relação de profissionais inseridos em contexto hospitalar”. 
A parceria, numa proposta transdisciplinar, também surge de uma necessidade 
de troca e possibilita o diálogo com outras formas de conhecimento às quais tentamos 
nos habituar, e nessa tentativa a possibilidade de interpretação delas. A parceria seria, 
por assim dizer, a possibilidade de relação com diferentes perspectivas teóricas se 
complementando entre si. Ascendendo a esperança de que um pensar venha a se 
complementar no outro e os paradigmas se transformem, conforme ALTOÉ H; (2009). 
6 Interações entre educação e saúde na classe hospitalar 
Para a atuação do professor na classe hospitalar, é necessário que esteja 
habilitado a trabalhar com diversidade humana e diferentes experiências culturais, ter 
formação pedagógica, estando apto a elaborar projetos que integrem a aprendizagens 
especificas a crianças hospitalizadas adaptando-as aos padrões que diferem da 
 
49 
 
educação formal, resgatando e integrando ao contexto educacional com flexibilidade, 
visando atender primeiramente o quadro clínico de cada educando/paciente, conforme 
SOUZA W; (2017). 
O atendimento pedagógico deverá ser orientado pelo processo de 
desenvolvimento e construção de conhecimentos correspondentes à educação básica, 
exercido numa ação integrada com o serviço de saúde através da elaboração de 
documentos de referência e contrarreferência entre a classe hospitalar e a escola de 
origem do educando de forma que contribua com melhor integração entre as partes, a 
promoção de saúde do enfermo e ao melhor retorno e/ou continuidade dos estudos 
pelos educandos envolvidos, conforme SOUZA W; (2017). 
De acordo com SOUZA W; (2017), saúde e educação são direitos de todos e 
dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas, visando a redução 
da doença, bem como a igualdade de condições para o acesso, permanência e sucesso 
na escola. Conforme está garantido na própria Constituição Federal: 
A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e 
incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua 
qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1988 apud SOUZA W; 2017). 
O trabalho pedagógico hospitalar favorece o desenvolvimento e aprendizagem 
do aluno hospitalizado garantindo o direito e a continuidade aos estudos. Podemos dizer 
que a intermediação entre Classe Hospitalar e Escola, quando da necessidade de uma 
criança ou jovem enfermo, ocorre de forma amigável, através de documentos e em 
conformidade com a equipe de nutrição, psicologia e assistência social, conforme 
SOUZA W; (2017). 
As intercorrências que venham ocorrer na classe hospitalar, são resolvidas de 
acordo com cada caso. Na maioria dos casos as crianças e jovens permanecem no 
hospital por volta de dez dias, ou seja, não há uma perda educacional tão grande aos 
enfermos já que, segundo informações colhidas, geralmente eles voltam a sala de aula 
formal logo após a alta hospitalar, conforme SOUZA W; (2017). 
As atividades desenvolvidas na Classe Hospitalar são pautadas de acordo com o 
nível da criança ou jovem. Como se trata de classe multisseriada, são desenvolvidas 
atividades de pintura, leitura, contação de histórias, exercícios de escrita, jogos de 
cruzadas e orientações pedagógicas de acordo com cada nível educacional. Durante o 
atendimento na classe hospitalar, os pais ou responsável pode acompanhar a criança 
ou jovem, conforme SOUZA W; (2017). 
 
50 
 
No processo educativo a classe hospitalar desenvolve a oportunidade de ligação 
com padrões da vida cotidiana, garante um vínculo entre a criança e o ambiente escolar. 
É necessário que as atividades realizadas com essas crianças e adolescentes tenham 
começo, meio e fim e que o professor precisa estar ciente que cada dia se constrói com 
planejamento estruturado e flexível, conforme SOUZA W; (2017). 
Para Oliveira, Filho e Gonçalves (2008 apud SOUZA W; 2017), O ambiente da 
classe hospitalar necessita ser diferenciado, tem que ser acolhedor, com estimulações 
visuais, brinquedos, jogos, sendo assim um ambiente alegre e aconchegante. É através 
do brincar que as crianças e adolescentes internadosencontram maneiras de viver a 
situação de doença, de forma criativa e positiva. 
Portanto, o trabalho em classe hospitalar faz com que há diminuição do risco de 
comprometimento mental, emocional e físico dos enfermos, aumentando assim sua 
autoestima, confiança e esperança. No entanto às atividades são coordenadas de forma 
a dar um suporte e continuidade ao trabalho escolar das crianças/adolescentes 
atendidos na classe hospitalar. Assim, o planejamento de tais atividades torna-se 
imprescindível com o objetivo de reintegrar as crianças/adolescentes à sua escola de 
origem, assim que obtenham alta do hospital, conforme SOUZA W; (2017). 
 Faz com que haja diminuição do risco de comprometimento mental, emocional e 
físico dos enfermos. No entanto às atividades são coordenadas de forma a dar um 
suporte e continuidade ao trabalho escolar das crianças/adolescentes atendidos na 
classe hospitalar. Assim, o planejamento de tais atividades torna-se imprescindível com 
o objetivo de reintegrar as crianças/adolescentes à sua escola de origem, assim que 
obtenham alta do hospital. Nas interações entre educação e saúde o questionário mostra 
que Educação e saúde são políticas sociais fundamentais para o desenvolvimento de 
um país, conforme SOUZA W; (2017). 
A escola é considerada, então, um cenário para a promoção da saúde, por ser 
um importante equipamento social do território e agregar uma parcela significativa de 
crianças, adolescentes e jovens da comunidade, conforme SOUZA W; (2017). 
 
51 
 
7 A FUNÇÃO DO PEDAGOGO HOSPITALAR 
 
Fonte: domboscoead.com 
O papel do pedagogo hospitalar é de extrema importância para auxiliar alunos 
que por questões de saúde não conseguem participar das aulas regularmente. Assim, é 
necessário que esse profissional se capacite para atender com excelência seus alunos 
e busque sempre novos conhecimentos, conforme CARNEIRO M; (2019). 
Ao se encontrar em um ambiente de internação, a criança ou adolescente já está 
frágil, com medo e longe da sua rotina. E isso pode prejudicar sua infância ou até mesmo 
piorar o seu estado de saúde, dificultando assim sua recuperação. Portanto a Pedagogia 
Hospitalar é classificada como modalidade de atendimento especial, pela Secretaria de 
Educação Especial do MEC. Segundo Silva, (2012 p. 5 apud CARNEIRO M; 2019) o 
trabalho do pedagogo hospitalar também intervém como uma terapia para o aluno: 
O trabalho do pedagogo hospitalar também tem como proposta a intervenção 
terapêutica procurando resgatar seu espaço sadio, provocando a criatividade, 
as manifestações de alegria, os laços sociais e a diminuição de barreiras e 
preconceitos da doença e da hospitalização, a metodologia deve ser variada 
mudando a rotina da criança no qual permanece no hospital. (SILVA, 2012, p. 5 
apud CARNEIRO M; 2019). 
De acordo com CARNEIRO M; (2019), a Pedagogia Hospitalar é uma técnica 
inovadora, uma nova alternativa de ensino, e pode ser vista também como uma nova 
forma de inclusão, pois vem como uma proposta diferenciada de aprendizagem, onde 
se utiliza o lúdico e diversas metodologias para que haja a aprendizagem. Tamm 
descreve sobre as classes hospitalares: 
 
52 
 
Em alguns hospitais públicos existem as chamadas classes hospitalares. As 
escolas públicas municipais que, na verdade, utilizam espaços que deviam estar 
ocupados por mais leitos pediátricos, laboratórios e consultórios e não estão, 
por descaso das autoridades com a saúde pública. Essas classes sofrem um 
problema de identidade: sendo anexos de uma escola da rede municipal, não 
fazem, de fato, parte de escola alguma; por outro lado, embora funcionem dentro 
do hospital, não fazem parte dele. (...) O que precisamos mesmo é olhar a 
enfermaria pediátrica de modo novo, um modo de olhar que talvez possa ser 
apreendido na pedagogia clínica, quando a pedagogia clínica existir. (TAAM, 
1997, apud FONTES p.7 apud CARNEIRO M; 2019). 
Baseando na importância da formação docente, Farfus comenta: “O processo de 
formação do pedagogo e de profissionais que atuam em educação requer, atualmente, 
o desenvolvimento de novos conhecimentos, habilidades e atitudes, para sua atuação 
seja efetiva” (FARFUS, 2012 apud DIAS; RODRIGUES, 2017, p. 21257 apud 
CARNEIRO M; 2019). Conforme é citado, é possível observar a necessidade que 
pedagogos e profissionais da educação estejam sempre em busca de novos 
conhecimentos. Um pedagogo jamais deve deixar de estudar. A busca por novas 
aprendizagens deve ser constante. 
Cabe ao pedagogo hospitalar a função de estimular a aprendizagem do aluno em 
um ambiente que nada remete a uma sala de aula. É necessário que o mesmo esteja 
disposto a apoiar e orientar tanto o paciente quanto a sua família, pois assim os mesmos 
se sentirão seguros e será mais fácil compreender esse momento de dificuldade pelo 
qual estão passando. Libaneo (2007 apud CARNEIRO M; 2019) diz. 
É quase unânime entre os estudiosos, hoje, o entendimento de que as práticas 
educativas se estendem às mais variadas instâncias da vida social não se 
restringindo, portanto, à escola e muito menos à docência, embora estas devam 
ser a referência da formação do pedagogo escolar. Sendo assim o campo de 
atuação do profissional formado em Pedagogia é tão vasto quanto são as 
práticas educativas na sociedade. Em todo lugar onde houver uma prática 
educativa com caráter de intencionalidade, há aí uma pedagogia. (LIBANEO, 
2007 apud MENEZES, 2015, p. 16738 apud CARNEIRO M; 2019). 
A Pedagogia é um grande leque, são diversas as formas de atuação de um 
pedagogo, não somente a sala de aula. Há o pedagogo hospitalar, o pedagogo 
empresarial, o gestor escolar, educador especial, dentre outros, não ficando somente 
restrito a sala de aula. (LIBÂNEO, 2001, p 20 apud CARNEIRO M; 2019). 
Um ponto essencial a ser destacado do profissional da Pedagogia Hospitalar é 
que com sua presença a criança não se sentirá tão sozinha, e ao realizar as atividades 
propostas isso fará com que ela não sinta tanta falta do ambiente escolar e até sua 
autoestima será elevada. Através desse processo o pedagogo deve entrar em contato 
com a escola do aluno para saber informações do tipo qual série ele frequenta, o que o 
 
53 
 
professor estava trabalhando em sala de aula, deverá trabalhar em conjunto: 
pedagogo+hospital+família, conforme CARNEIRO M; (2019). 
De acordo com CARNEIRO M; (2019), é necessário que anote todas as 
atividades propostas e realizadas pelo aluno em seu prontuário. E quando o paciente 
tiver alta, é de extrema importância que esse documento o acompanhe e seja entregue 
a escola, para que o professor tenha acesso a todas as informações. Como diria Silva e 
Farago: 
Partindo-se da hipótese de que a presença e atuação de um pedagogo no 
ambiente hospitalar são de extrema importância às crianças e adolescentes em 
fase escolarização, como forma de dar continuidade ao seu aprendizado, 
garantindo-lhes seu direito a educação e possibilitando instantes lúdicos, de 
descontração, bem estar, interatividade e de compartilhamento e aquisição de 
novos conhecimentos, de modo a preencher seu tempo ocioso de forma sadia, 
através de atividades variadas, fazendo com que se „desliguem‟ 
temporariamente, do momento tão difícil que estão atravessando. (SILVA; 
FRAGO, 2014, p. 167 apud CARNEIRO M; 2019). 
Estar em um ambiente hospitalar, em processo de internação faz com que o aluno 
esteja fragilizado, com dúvidas, incertezas, medos. Quando há a atuação do pedagogo, 
o aluno muda o foco que era somente o ambiente hospitalar, e acaba aprendendo a 
preencher seu tempo com atividades que lhe trarão um conforto, que de certa forma 
amenizará a falta que ele sente da escola e da rotina em que vivia quando estava em 
casa. De acordo com Ceccim e Carvalho, conforme CARNEIRO M; (2019). 
[…] para atuar em classes hospitalares, o profissional deve estar habilitado para 
trabalhar com a diversidade humana e com diferentes hábitos culturais,de modo que 
possa identificar as necessidades educacionais especiais dos educandos impedidos, 
em um determinado momento da vida, de frequentar a escola. (ORTIZ, 2003 apud 
OLIVEIRA; RUBIO, 2012, p. 9 apud CARNEIRO M; 2019). 
De acordo com CARNEIRO M; (2019), é importante que o pedagogo esteja 
disposto a estimular a aprendizagem do aluno, mas também aprender com ele. É 
necessário que ele saiba respeitar a cultura do mesmo, e que compreenda que cada 
aluno tem sua necessidade especial. Um método que tenha dado certo com o aluno A, 
pode não ter sucesso com o aluno B, portanto, cabe ao pedagogo ter várias 
metodologias de ensino para que a aprendizagem de todos os alunos seja satisfatória. 
Segundo Silva: 
O trabalho do pedagogo hospitalar também tem como proposta a intervenção 
terapêutica procurando resgatar seu espaço sadio, provocando a criatividade, 
as manifestações de alegria, os laços sociais e a diminuição de barreiras e 
preconceitos da doença e da hospitalização, a metodologia deve ser variada 
mudando a rotina da criança no qual permanece no hospital. (SILVA, 2012, p.5 
apud CARNEIRO M; 2019). 
 
54 
 
O Pedagogo deve observar se trabalhando o lúdico está sendo eficaz. Ele jamais 
deve ser autoritário e deve estar sempre disposto a ouvir o paciente e sua família. Pois 
muitas das vezes eles se sentem excluídos da sociedade. A maioria nem sabe do Direito 
de ter um Pedagogo Hospitalar acompanhando a criança ou adolescente que se 
encontram em ambiente de internação. Ao ser acompanhada por um Pedagogo a 
criança volta a se sentir parte da sociedade, tem sua autoestima elevada e esquece um 
pouco do ambiente hospitalar e de toda dor e desconforto que o período de internação 
traz. Conforme Pereira (2014 apud CARNEIRO M; 2019): 
O ambiente hospitalar onde é feito o atendimento as crianças e adolescentes 
deve ser diferenciado, acolhedor, com brinquedos e jogos, com estimulações 
visuais, um ambiente alegre e aconchegante. Assim, através de brincadeiras , 
as crianças e os adolescentes internados encontraram uma maneira mais 
positiva e criativa para viver a situação de doença, diminuindo o 
comprometimento mental, emocional e físico dos enfermos. No entanto, é 
imprescindível que haja um planejamento juntamente com a escola de origem 
dessas crianças para que seja dada a continuidade do trabalho escolar e as 
crianças possam ser reintegradas à escola assim que obtenham alta do hospital. 
(2014, p. 6 apud CARNEIRO M; 2019). 
Se possível, é importante que o ambiente onde são realizadas o atendimento do 
Pedagogo Hospitalar, seja um ambiente colorido, agradável, uma dica é que o Pedagogo 
use roupas coloridas, que transmitam alegria. De acordo com Rocha (212, p.17 apud 
CARNEIRO M; 2019), trabalhar junto a crianças e adolescentes hospitalizados é um 
desafio que implica em descobrir estratégias diferenciadas e adaptáveis à realidade e 
necessidade de cada um, por exemplo, como abordar e provocar neles interesse em 
aprender, diante de uma doença grave. 
Cabe ao pedagogo verificar se a aprendizagem está sendo eficaz com a 
metodologia que está sendo utilizada. Conforme Pereira (2014, p. 6 apud CARNEIRO 
M; 2019) O ambiente hospitalar onde é feito o atendimento as crianças e adolescentes 
deve ser diferenciado, acolhedor, com brinquedos e jogos, com estimulações visuais, 
um ambiente alegre e aconchegante. 
Assim, através de brincadeiras, as crianças e os adolescentes internados 
encontraram uma maneira mais positiva e criativa para viver a situação de doença, 
diminuindo o comprometimento mental, emocional e físico dos enfermos. No entanto, é 
imprescindível que haja um planejamento juntamente com a escola de origem dessas 
crianças para que seja dada a continuidade do trabalho escolar e as crianças possam 
ser reintegradas à escola assim que obtenham alta do hospital, conforme CARNEIRO 
M; (2019). 
 
 
55 
 
Um acontecimento que deixam os pacientes internados bem contentes é quando 
eles recebem a visita dos Doutores da Alegria, pois são divertidos, se vestem com 
roupas coloridas e chamativas e transmitem alegria por onde passam. Sales comenta 
que, “em seu livro Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire diz que sempre se preocupou 
em desenvolver sua prática educativa em um clima alegre. ” (SALES et al, 2014 apud 
FREIRE, 2016 apud CARNEIRO M; 2019). 
É muito importante que o Pedagogo Hospitalar esteja sempre alegre durante o 
atendimento de seus alunos. Vestir roupas coloridas, se possível, transformar o 
ambiente onde o atendimento será realizado em um ambiente colorido, com objetos que 
remetam a felicidade, conforme CARNEIRO M; (2019).
 
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hospitalizado. Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba, [S. l.], p. 1-22, 2018.e aprofundar-se nos meandros de cada um, nos movimentos internos de cada 
profissional, na compreensão ética, no respeito ao outro, e a seu sofrimento (ZAHER, 
2005, p.12 apud LIMA L; 2010). 
Mudanças como essas constituem-se por processos complexos que, muitas 
vezes, geram resistência e não ocorrem a curto prazo, pois só poderão ocorrer na 
medida que houver transformação no modelo formador da educação e saúde. 
Relacionado a isso, o Programa Nacional de Humanização no Ambiente Hospitalar 
(PNHAH) propõe um conjunto de ações integradas que visam mudar substancialmente 
o padrão de assistência ao usuário nos hospitais públicos do Brasil, melhorando a 
qualidade e a eficácia dos serviços prestados por meio de processos de formação 
profissional, pode-se “enraizar valores e atitudes em respeito à vida humana” 
(CALEGARI, 2003, p.31 apud LIMA L; 2010). 
O PNHAH busca desenvolver ações que não se restrinjam somente à busca de 
melhorias na instituição hospitalar, mas também estender-se à formação educacional 
dos profissionais de saúde, atualmente bastante deficiente no que se refere à questão 
da humanização do atendimento. É no processo de formação que se podem enraizar 
valores e atitudes de respeito à vida humana, indispensáveis à consolidação e à 
sustentação de uma nova cultura de atendimento à saúde, conforme LIMA L; (2010). 
 
7 
 
Em saúde, os processos formativos podem ser dimensionados em três 
perspectivas com especialidades e complexidades próprias. Assim, em uma primeira 
dimensão, situa-se nos espaços escolares de formação, incorporando toda a 
complexidade do ensino em seus distintos níveis: do ensino técnico em saúde, passando 
pela graduação e pós-graduação. Na segunda dimensão, abrange o desenvolvimento 
de profissionais já envolvidos com a prática na atuação em saúde e envolve dinâmicas 
educativas presentes no contexto do processo de trabalho, conforme LIMA L; (2010). 
Assim, a educação permanente em saúde aparece como pilar essencial das 
políticas de saúde, em especial, no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS). No 
contexto da saúde, a educação é um assunto de extrema importância, pois é uma 
valiosa ferramenta a conduzir o homem para ser capaz na busca constante de sua 
realização. Possibilita que ele seja capaz compreender a realidade que está a sua volta 
e transformá-la, além de exercer um caráter permanente em sua vida (FREIRE, 2004 
apud LIMA L; 2010). 
Já na terceira dimensão, verifica-se nas propostas educativas desenvolvidas com 
os indivíduos e/ou com a comunidade. Nesta dimensão, a educação em saúde 
compromete-se com a promoção-prevenção e com a melhoria da qualidade de vida da 
população. Os cursos superiores em saúde encontram-se em um momento de busca 
por caminhos para implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais que ampliem 
as competências para a graduação, envolvendo a atenção à saúde, o desenvolvimento 
da liderança e de capacidade de comunicação, a fim de melhor prepararem os futuros 
profissionais para a administração e gerenciamento de suas práticas, para a tomada de 
decisão para a educação permanente (BATISTA; BATISTA, 2007 apud LIMA L; 2010). 
Conforme os autores citados acima, o preparo do profissional para a atenção à 
saúde nos remete ao compromisso com a integralidade do cuidado à população. 
Inicialmente, a conceituação de saúde estava ligada à religião e à filosofia, depois esteve 
atrelada à teoria de que a doença era decorrente das alterações ambientais, em seguida, 
com o avanço das ciências fisiológicas e biológicas, veio a descoberta do agente 
etiológico e, posteriormente, da multicausalidade como determinante das doenças, 
conforme LIMA L; (2010). 
Dentro de uma concepção ampliada de saúde e assegurada pela Constituição 
Federal de 1988 no Título II, “Dos Direitos e Garantias Fundamentais, e Capítulo II, dos 
Direitos Sociais, o Artigo 6º reza que “São direitos sociais a educação, saúde, o trabalho, 
o lazer, [...]” (BRASIL, 1988 apud LIMA L; 2010). Assim, saúde é um estado de harmonia 
entre o ser humano e o meio físico e social, e a doença é a desarmonia das relações 
entre sujeito e ambiente externo e interno. 
 
8 
 
Recorremos ainda à concepção adotada pela Organização Mundial da Saúde que 
define saúde como o completo bem-estar físico, mental e social, ocorrendo 
conjuntamente, e não apenas na ausência da doença ou enfermidade. Desse modo, 
observa-se que a educação deve estimular e desenvolver no homem uma consciência 
crítica que lhe permita compreender e transformar sua realidade, conforme LIMA L; 
(2010). 
O processo educativo gera alterações dos costumes, maior conscientização da 
sociedade, promovendo mudanças. Nesse sentido, um desafio importante no ensino é 
a ruptura como os modelos disciplinares rígidos e a busca por um projeto de formação 
em saúde que contextualize a integração de distintos conhecimentos e saberes 
profissionais, conforme LIMA L; (2010). 
Fazenda (2003, p.36 apud LIMA L; 2010) amplia o sentido da integração, 
afirmando que a interdisciplinaridade pressupõe uma nova atitude frente ao 
conhecimento e à pesquisa, mais do que integrar, “a ênfase disciplinar apresenta a 
possibilidade de re (construir) os processos tradicionais de desenvolvimento de 
conceitos científicos, habilidades e atitudes”, investindo-se em práticas que priorizem o 
significado das aprendizagens para os alunos e o compromisso destes com os contextos 
profissionais e sociais em quem estão inseridos. 
O hospital permanece com essas características até o começo do século XVIII 
e o Hospital geral, lugar de internamento, onde se justapõem e misturam-se 
doentes, loucos, devassos, prostitutas, etc., é ainda, em meados do século XVII, 
uma espécie de instrumento misto de exclusão, assistência e transformação 
espiritual, em que a função médica não aparece (Foucault, 1979, p.102 apud 
LIMA L; 2010). 
Integrar também significa pensar em novas interações no trabalho em equipe 
multiprofissional como um conjunto de possibilidades, não está ligado apenas a uma 
espécie de reforma disciplinar, mas a uma mudança de enfoque epistemológico, 
configurando trocas de experiências e saberes numa postura de respeito à diversidade 
e cooperação com vistas a experienciar práticas humanizadoras. Apesar das relevantes 
conquistas nas ciências e nas tecnologias, a formação dos profissionais nos diversos 
campos de atuação, especificamente, na área da saúde, ainda é deficiente no que se 
refere à humanização do atendimento aos pacientes e a seus familiares, bem como na 
qualidade das relações interpessoais com seus pares e os profissionais de outras áreas, 
conforme LIMA L; (2010). 
 
 
 
9 
 
Há necessidade de mudanças na situação de descompromisso com a qualidade 
das relações humanas e no comportamento conservador dos profissionais da saúde. 
Assis (2009 apud LIMA L; 2010), afirma que essas mudanças são complexas, causam 
resistências e não ocorrem a curto prazo, é difícil provocar e adotar mudanças, pois 
estas requerem muito investimento e adesão dos profissionais e só poderão acontecer 
se houver a transformação do modelo formador. 
As aptidões e caracteres humanos não são transmitidos pelo processo biológico, 
como afirma Leontiev, (1978, p.262-263 apud LIMA L; 2010), mas são adquiridos e 
desenvolvem-se no decorrer da vida pelas práxis. O homem é um ser social e, em 
sociedade, insere-se e se determina como participante de uma comunidade. Desligar-
se dessa realidade por motivo de doença implica sair de seu mundo. Assim, a tônica 
desloca-se da simplificação para a complexidade. A síntese dá lugar ao fragmento 
(CERUTI, 1985, p.19 apud LIMA L; 2010). 
Conforme aponta Assis (2009, p.81 apud LIMA L; 2010), tratar do atendimento 
pedagógico educacional em instituições hospitalares é considerar a inter-relação de 
duas áreas importantes, educação e saúde, que devem atuar com a finalidade de 
promover o desenvolvimento integral dapessoa que está sob tratamento de saúde, 
visando a seus direitos e qualidade de vida. 
Ou seja, faz-se necessário que o trabalho conjunto de educação e saúde promova 
ações que resgatem a importância dos aspectos humanos para além dos cuidados e 
saberes técnicos científicos, um trabalho mais humanizado. Segundo Morin (2003 apud 
LIMA L; 2010) afirma que a política do humano teria como missão mais urgente a 
solidariedade do planeta. 
O desenvolvimento ignora que um verdadeiro progresso humano não pode a 
partir do hoje, nem prescindir de uma volta às potencialidades humanas genéricas, isto 
é, de uma regeneração. Assim como um indivíduo é portador no seu organismo, de 
células-tronco pluripotentes que podem regenerá-lo, também a humanidade traz em si 
os mesmos princípios de sua própria regeneração, embora adormecidos, fechados nas 
especializações e nas escleroses sociais (MORIN, 2003, p.150 apud LIMA L; 2010). 
Desse modo, humanizar na atenção à saúde é entender cada pessoa em sua 
singularidade, tendo necessidades específicas, e, assim, criando condições para que 
tenha maiores possibilidades para exercer sua vontade de forma autônoma (FORTES, 
2004 apud LIMA L; 2010). Nesse sentido, entendemos que todos os esforços de 
humanização contribuem para a promoção da saúde junto à criança hospitalizada 
proporcionando um ambiente saudável e seguro. Segundo Vasconcelos (2000 apud 
LIMA L; 2010), no ambiente hospitalar, a presença da morte é inelutável. 
 
10 
 
O paradoxo se impregna dada a visão de hospital como ambiente de busca de 
saúde. Sendo um ambiente tão dual, o trabalho humanístico a ser realizado deve 
direcionar-se ao encontro desse mundo de doença-cura com a retomada, o reencontro 
da socialização, conforme LIMA L; (2010). 
 Para tanto, a prática da humanização requer uma atuação profissional voltada à 
multiplicidade humana, assumindo uma postura ética dirigida ao acolhimento e 
solidariedade. A humanização é um processo de construção gradual que se verifica pelo 
compartilhamento de conhecimentos e sentimentos; “sentimento e estudo são como as 
asas dos pássaros, dos anjos, se auxiliam no equilíbrio para o voo a uma maior 
valorização da vida” (BARAÚNA, 2003, p.304 apud LIMA L; 2010). 
As ações de humanização envolvem muitas variadas práticas profissionais 
introduzidas no tratamento dos indivíduos hospitalizados, como a arte do palhaço, as 
artes plásticas, a hora das histórias, a terapia ocupacional dentre outras. Assim para 
Baraúna (2003, p.305 apud LIMA L; 2010), “amar é responder pela relação, é estar 
atento às necessidades do outro, respeitá-las”. Desse modo, amar é prestar atenção em 
nosso jeito de tratar o outro. 
Para tanto faz-se necessário não apenas a “humanização”, mas, o ato 
humanizador, aquele que procura resgatar o respeito à vida humana, pois envolve o 
vínculo subjetivo entre quem cuida e quem é cuidado. O nascimento do sentimento de 
infância na França correspondeu a uma etapa do sentimento moralista criado a partir do 
século XVII e solidificando-se nos séculos seguintes, sob o cenário da burguesia, 
destacando o papel da escola, da família e da igreja como normatizadoras de condutas 
(ARIÈS, 1981, p.277 apud LIMA L; 2010). 
A escola é o primeiro e o principal meio de socialização da criança. Distante da 
escola, essa criança hospitalizada encontra-se em um momento de vulnerabilidade 
emocional, e está distante de seus objetos pessoais, amigos e familiares. O medo e a 
insegurança são constantes e ocorrem por motivos variados e a criança tem sua rotina 
alterada, sendo forçada a uma adaptação a um ambiente hostil e impessoal. Todas estas 
questões tornam a problemática da hospitalização uma experiência estressante, não só 
à criança como também a seus pais que se sentem ansiosos e inseguros quando a 
criança que se encontra hospitalizada, conforme LIMA L; (2010). 
Muitas vezes, esses pais sentem-se culpados pela enfermidade de seus filhos e 
buscam satisfazer as vontades da criança doente de maneira exagerada, contribuindo 
para um prolongamento da doença (a criança insiste em atitudes regressivas) e não 
para sua recuperação. A criança hospitalizada é ativa em suas observações e reflexões, 
observa seu corpo e as transformações que este apresenta, sabe de seu estado de 
 
11 
 
saúde e tem inúmeros questionamentos, mas só mostra suas dificuldades e dúvidas 
para aqueles que a escutam e acolhem, conforme LIMA L; (2010). 
Nesse sentido, educação e saúde, uma cuidando do paciente e a outra cuidando 
do aluno em regime colaborativo de trabalho, podem compartilhar responsabilidades, 
processos, projetos, expectativas. Segundo Ceccim (1999a, p.41-44 apud LIMA L; 
2010), “o principal efeito do encontro educação e saúde para a criança hospitalizada é 
a proteção de seu desenvolvimento e a proteção dos processos cognitivos e afetivos de 
construção dos aprendizados”. 
Conforme a Constituição Federal de 1988, todo cidadão tem direito à saúde e à 
educação, como consta do Estatuto da Criança e do Adolescente. Para que isso se 
concretize, segundo o paradigma da inclusão e nas alternativas oficiais, o professor tem 
como alternativa trabalhar dentro dos hospitais, implicando mais um campo de trabalho 
para aplicação da ação pedagógica (BRASIL, 1988 apud LIMA L; 2010). 
Embora o hospital tenha condições que dificultam a educação da criança ou 
jovem, se faz necessária a presença do professor, para que haja o acompanhamento 
pedagógico, e o aluno não perca os conteúdos e, até mesmo o ano letivo. Tudo isso vai 
depender do tempo em que o aluno ficar no hospital. Além dos conteúdos programáticos, 
que as crianças fazem em seus quartos ou nos diferentes locais, alguns hospitais 
oferecem sala de aula, laboratório com computadores, brinquedoteca e sala de jogos. É 
um novo cenário marcando presença, uma presença de fundamental importância para 
a recuperação da saúde e do bem-estar, conforme LIMA L; (2010). 
De acordo com LIMA L; (2010), o trabalho pedagógico em hospitais apresenta 
diversas interfaces de atuação e está na mira de diferentes olhares que tentam 
compreendê-lo, explicá-lo e construir um modelo em que possam enquadrá-lo. No 
entanto, é preciso deixar claro que a educação não é elemento exclusivo da escola como 
a saúde não é exclusividade do hospital. O hospital é, segundo definição do Ministério 
da Saúde, um centro de educação: 
Hospital é a parte integrante de uma organização médica e social, cuja função 
básica consiste em proporcionar à população assistência médica integral, 
curativa e preventiva, sob quaisquer regimes de atendimento, inclusive o 
domiciliar, constituindo-se também em centro de educação, capacitação de 
recursos humanos e de pesquisas em saúde, bem como de encaminhamento 
de pacientes, cabendo-lhe supervisionar e orientar os estabelecimentos de 
saúde a ele vinculados tecnicamente (BRASIL, 1977 apud LIMA L; 2010). 
 
 
 
12 
 
A sociedade atual passa por constantes transformações, exigindo do educador 
(pedagogo) novas práticas que sejam coerentes com essa demanda crescente. De igual 
importância, à própria efetivação dos direitos de todos os grupos sociais, independente 
de gênero, etnia, entre outros, exige desse profissional uma formação que lhe possibilite 
dialogar com os setores sociais. O discurso coletivo em análise também demonstra a 
importância da educação para o desenvolvimento da criança e revela que a situação de 
hospitalização, em casos de crianças acometidas por uma patologia durante tempo 
prolongado, era considerada como motivo de abandono dos estudos ou, ainda, de 
reprovação escolar, conforme LIMA L; (2010). 
A finalidade da pedagogia hospitalar é integrar educadores, equipe médica e 
família em um trabalho conjunto que inclua ações lúdicas, recreativas e pedagógicas, 
novas maneiras de dar continuidade à vida escolar da criança e, com isso, beneficiar 
sua saúde física, mental e emocional, conformeLIMA L; (2010). 
É importante compreender que esse tipo de atendimento não só traz benefícios 
à criança integralmente, como também assegura a manutenção dos vínculos escolares, 
acompanhamento curricular, possibilitando a reintegração com a escola e com os 
colegas. Dessa maneira, o professor desenvolve a prática pedagógica e vivencial na 
instituição de saúde, atividades que favoreçam o desenvolvimento da criança, que não 
deve ser interrompido em função da hospitalização, conforme LIMA L; (2010). 
A função lúdica e a educativa, estão presentes nos jogos e brincadeiras, sejam 
eles espontâneos ou dirigidos; mesmo nas atividades lúdicas espontâneas a 
função educativa está presente tendo em vista o desenvolvimento integral: 
(física, intelectual e moral), na constituição da individualidade. (LIMA, 2010 apud 
LIMA L; 2010). Programa Gravado na Rede Vida de Televisão em 28 de abril de 
2010. 
O hospital é um ambiente diferenciado onde ocorrem situações de aprendizagens 
com crianças e adolescentes que se encontram afastados da sala de aula. Em razão 
das situações de enfermidade, tal atendimento deve ser realizado sob abordagem 
inovadora. Nesse contexto, é essencial a atuação integrada dos diversos profissionais 
da área de saúde, educação e demais profissionais que se proponham ao desempenho 
cada vez mais qualificado desta nobre tarefa, conforme LIMA L; (2010). 
Cabe destacar que a doença não pode ser vista, como fator de descontinuidade 
no processo de educação formal da criança e do adolescente em idade de 
escolarização, respeitadas as singularidades de cada caso específico no contexto 
essencial em que está inserida ainda que provisoriamente. A pedagogia hospitalar é 
um processo alternativo de educação continuada que ultrapassa o contexto formal da 
escola, pois levanta parâmetros para o atendimento de necessidades especiais 
 
13 
 
transitórias do educando em ambiente hospitalar e/ou domiciliar. Trata-se de nova 
realidade multi/inter/transdisciplinar com características educativas (MATOS; 
MUGIATTI, 2006, p.37 apud LIMA L; 2010). 
 De acordo com a legislação brasileira, as crianças e jovens hospitalizados têm o 
direito de dar continuidade ao seu processo de escolarização (CONANDA, 1995 apud 
LIMA L; 2010). Essa modalidade de atendimento denomina-se “classe hospitalar” e tem 
como objetivo atender pedagógico-educacionalmente às necessidades do 
desenvolvimento psíquico e cognitivo de crianças e jovens que se encontram 
impossibilitadas de participar de experiências sócio intelectivas. 
É importante ressaltar que o fato de estar internada não impede a 
criança/adolescente de adquirir novos conhecimentos e informações. Ao manter-se 
informada e atualizada a criança e adolescente sentem-se inseridos na sociedade; tal 
fato contribui para seu desenvolvimento escolar, para que possa compreender sua 
doença, além de ajudar na recuperação de sua saúde, conforme LIMA L; (2010) 
Uma vez que a criança ou adolescente, mesmo hospitalizado, tem a oportunidade 
de dar continuidade à escolarização, o fato torna-se importante na visão que possa ter 
de si mesmo, de sua doença, de seu desempenho acadêmico e de seu papel social, 
pois o desenvolvimento do pensamento necessita ser estimulado para produzir o 
pensamento lógico e todos os sistemas conceituais que o compõem. Podemos entender 
que, para tanto, estes processos só evoluem pela ação (práxis) com outros homens, 
conforme LIMA L; (2010). 
A educação está presente em todos os momentos de nossas vidas, até mesmo 
naqueles mais tensos e difíceis, como afirma Ceccim, é possível aprender 
dentro do hospital; embora as crianças estejam doentes, continuam crescendo. 
Acreditamos ser, também nossa, a tarefa de afirmar a vida, e sua melhor 
qualidade, junto com essas crianças, ajudando-as a reagir, interagindo para que 
o mundo de fora continue dentro do hospital e as acolha com um projeto de 
saúde (CECCIM, 1997, p.80 apud LIMA L; 2010). 
Observamos que a continuidade dos estudos, paralelamente ao internamento, 
traz maior vigor às forças vitais da criança e adolescente hospitalizado, como estímulo 
motivacional, contribuindo para que se tornem mais participativos para a efetiva 
recuperação. Assim, o fato, além de gerar uma integração e participação ativa que 
entusiasmem o escolar hospitalizado pelo efeito da continuidade da realidade externa, 
contribui, ainda que de forma subconsciente, para o desencadeamento da vontade 
premente de necessidade de cura, ou seja, nasce uma predisposição que facilita sua 
cura e abrevia o seu retorno ao meio a que estava integrado (MATOS; MUGIATTI, 2006 
apud LIMA L; 2010). 
 
14 
 
O contato escolar aproxima a criança internada de seu cotidiano dando-lhe uma 
sensação de cura e esperança de sair logo do hospital, contribuindo para a redução do 
período de internação. Sem dúvida, brincar e estudar são formas de humanizar o 
tratamento, é preciso que a equipe de saúde considere a relação interprofissional como 
promotora da saúde integral, a ser alcançada, conforme LIMA L; (2010). 
De acordo com Fonseca (2003 apud LIMA L; 2010), independente da política e 
diretrizes seguidas, o atendimento pedagógico-educacional oferecido pelas classes 
hospitalares prioriza em seus objetivos a continuidade ao ensino dos conteúdos da 
escola e/ou próprios da faixa etária dos alunos internados, levando-os a sanar 
dificuldades de aprendizagem e oferecendo oportunidade para a aquisição de novos 
conteúdos, além de experiência pedagógico-educacional não propriamente relacionada 
à realidade da escola regular da criança. Isto não desconsidera aspectos emocionais, 
pelo contrário, contribui para a saúde mental da criança ou jovem hospitalizado. 
De acordo com LIMA L; (2010), quanto à pedagogia hospitalar, as modalidades 
de sua ação e intervenção devem ser muito bem programadas e adaptadas frente às 
capacidades e disponibilidades da pessoa hospitalizada. Não é tarefa das mais fáceis 
tal adequação, pois, se na atual realidade do País ainda há grande retração da educação 
formal, o que pensar, então, da educação isolada dos ambientes escolares, incluídos 
em realidades diferenciadas? 
Assim, uma educação que pretenda utilizar-se dos novos recursos pedagógicos 
para promover autonomia, criatividade e criticidade discente só conseguirá atingir isso 
se atentar para a necessidade de uma capacitação docente reflexiva e criativa, para 
além do aspecto técnico-operacional, conforme LIMA L; (2010). 
Stainback e Stainback (1999 apud LIMA L; 2010) citam que se vem dando 
atenção a uma perspectiva mais construtivista, na qual o aluno é reconhecido, como o 
centro da aprendizagem. Sob esta perspectiva, o reconhecimento que o currículo deve 
levar em conta a realidade do aluno, assumindo o professor a posição de seu mediador 
e, na interação dos dois com o processo da aprendizagem de informações, a ênfase é 
dada em atividades e projetos que estejam ligados à realidade dos alunos para se 
tornarem significativos. Vejamos na citação a seguir: 
Em uma turma desse tipo, o professor (a) usa o currículo para desafiar cada um 
a conseguir o máximo possível. Sob uma perspectiva holística, construtivista, 
todas as crianças estão envolvidas no processo de aprender o máximo que 
puderem de uma determinada matéria; a quantidade e exatamente o que elas 
aprendem dependem de suas origens, interesses e habilidades. A partir dessa 
perspectiva, todos os alunos podem tirar proveito das oportunidades de 
aprendizagem oferecidas na sala de aula, e o propósito do currículo não é definir 
alguns alunos como bem-sucedidos e outros como fracassados (STAINBACK; 
STAINBACK, 1999, p.238 apud LIMA L; 2010). 
 
15 
 
Nessa perspectiva, todas as crianças estão envolvidas no processo de aprender, 
e não apenas algumas, ou as que estiverem aparentemente “bem” de saúde. Partindo 
desse pressuposto, estes autores ainda falam das estratégias para adaptação do 
currículo escolarabordando três pontos: o uso de objetivos de ensino flexíveis, a 
adaptação das atividades e as múltiplas adaptações. Sobre o uso de objetivos de ensino 
flexíveis, Stainback e Stainback (1999 apud LIMA L; 2010) dirão que o objetivo básico 
em uma aula pode ser apropriado para todos os alunos, mas os objetivos específicos 
que satisfaçam os objetivos gerais podem não ser os mesmos. Assim, Stainback; 
Stainback (1999 apud LIMA L; 2010) já falam da necessidade de adaptarmos algumas 
atividades aos alunos que necessitarem dessas mudanças para que consigam participar 
e atingir os objetivos. 
Os autores dão um exemplo a esse respeito, que é a adaptação da maneira como 
trabalhamos com as habilidades desenvolvidas pelos alunos, não deixando de estimulá -
los para o desenvolvimento daquelas que ainda não dominam. Por exemplo, um 
professor pediu que os alunos fizessem pesquisas sobre os principais personagens da 
guerra por meio de leituras para posterior discussão em aula. Para um aluno que não 
conseguia ler e escrever e tinha habilidades artísticas, o professor solicitou que ele 
desenhasse as figuras dos personagens e depois as usou para expor na hora da 
discussão sobre o tema. Assim, segundo Stainback e Stainback (1999 apud LIMA L; 
2010), este aluno também teve oportunidades de desenvolver e aprimorar diversas 
habilidades e, ainda, alcançar o objetivo da aula. 
Assim, cabe ao professor da classe hospitalar mediar as relações pedagógicas, 
assegurando que as rotinas de internação contemplem também atenção e carinho. Para 
Assis (2009 apud LIMA L; 2010), tais ações podem prevenir traumas, amenizar 
sentimento de insegurança e de angústia. Nessa perspectiva, faz-se necessário citar 
Noffs e Rachman: 
Faz-se necessário esclarecer que tal oferta de ensino no ambiente hospitalar 
deve ser pensada com cautela, pois não pode ser reduzida à mera transferênc ia 
de práticas do ensino regular ao ensino hospitalar, considerando as diferentes 
demandas dos diversos alunos-pacientes (NOFFS; RACHMAN, 2007, p.162 
apud LIMA L; 2010). 
No Estatuto da Criança e do Adolescente, reitera-se que o direito à educação é 
dever não só da escola, mas da sociedade, na qual devem buscar alternativas que 
amenizem as dificuldades encontradas em muitas situações (CONANDA, 2002 apud 
LIMA L; 2010). Nesse sentido, a Pedagogia Hospitalar tem como objetivo possibilitar à 
população alvo, a continuidade de suas atividades educativas, que envolvem o lúdico e 
 
16 
 
o pedagógico no seu contexto geral. O vínculo entre escola e hospital visa proporcionar 
a continuidade do processo educacional mesmo na condição de hospitalização. 
Na existência e funcionamento das classes hospitalares, o professor deverá 
considerar, portanto, as condições objetivas e subjetivas da criança hospitalizada. Salas 
adequadas com infraestrutura pedagógica, equipamentos, acervo, materiais didáticos, 
jogos, brinquedos, são, em certa medida, vitais para que se efetive o processo ensino e 
aprendizagem em um espaço não formal, conforme LIMA L; (2010). 
De similar importância, são os procedimentos objetivos: plano de ensino, 
metodologia, projetos pedagógicos e didáticos, sem os quais não podemos aplicar o 
termo “classe hospitalar”. Não obstante, para uma intervenção pedagógica de sucesso, 
o professor deve estar em contato com a família e a equipe médica responsável pelo 
tratamento, tendo em vista os procedimentos e práticas pedagógicas adequadas, tendo 
em vista, o desenvolvimento integral da criança, seja qual for o período de internação, 
conforme LIMA L; (2010). 
Para Ortiz e Freitas (2005, p.34 apud LIMA L; 2010), “o processo de internação 
precisa ser bem conduzido para evitar [...] disfunções no desenvolvimento”. A 
complexidade do qual se reveste o ato educativo provocado pelas profundas 
transformações sociais que ocorrem no mundo contemporâneo sinaliza a urgência de 
novos imperativos educacionais que respondam às demandas emergenciais 
estabelecidas. 
No âmbito hospitalar, a modalidade educacional é recente e como se constatou, 
os processos de desenvolvimento de pesquisas não acontecem de um dia para o outro, 
isso talvez justifique a escassez de literatura especializada. Segundo Vasconcelos 
(2006, p.22 apud LIMA L; 2010) “a iniciativa de intervenção educacional em hospitais, 
muito antes de chamar classe hospitalar”, iniciou-se em 1935, quando Henri Sellier 
inaugura a primeira escola para crianças inadaptadas, nos corredores de Paris. A 
primeira experiência chegou a atender cerca de 80 crianças hospitalizadas, exemplo 
que foi seguido pela Alemanha, em toda França, na Europa e nos Estados Unidos da 
América, objetivando suprir as necessidades escolares de crianças tuberculosas, 
moléstia fatal à época e contagiosa. 
E prossegue, em 1939 é criado o Centro Nacional de Estudos e de Formação 
para a Infância Inadaptada de Suresnes (C.N.E.F.E.I), cidade periférica de 
Paris, tendo como objetivo a formação de professores para o trabalho em 
institutos especiais e em hospitais. Em 1939 é criado o Cargo de Professor 
Hospitalar junto ao Ministério da Educação na França. O C.N.E.F.E.I tem como 
missão até hoje sensibilizar a sociedade para o fato de que a escola não é um 
espaço fechado, estritamente em quatro paredes, mas no encontro do sujeito 
com um novo saber. A formação proposta aos professores interessados pelo 
trabalho, entretanto, é bastante rigorosa. O centro promove estágio em regime 
 
17 
 
de internato a professores e diretores de escolas; a médicos de saúde escolar 
e assistentes sociais. A Formação de Professores para o atendimento escolar 
hospitalar no C.N.E.F.E.I tem duração de 2 anos. Desde 1939, o C.N.E.F.E.I já 
formou 1.000 professores para as classes hospitalares, cerca de 30 professores 
a cada turma. A cada ano ingressam 15 novos professores no Centro. Hoje 
todos os hospitais públicos na França têm em seu quadro 4 professores: dois 
do ensino fundamental e dois de ensino médio (VASCONCELOS, 2006, p.28 
apud LIMA L; 2010). 
De acordo com LIMA L; (2010), segundo dados da Secretaria da Educação do 
Estado de São Paulo14, embora a Lei seja do ano 2000, as classes hospitalares 
funcionam há mais tempo em São Paulo, com uma estimativa de que existam, desde a 
década de 1930, conforme dados do Centro de Apoio Pedagógico Especializado 
(CAPE), que oferece suporte ao processo de inclusão escolar de alunos com 
necessidades educacionais especiais na rede estadual de ensino. 
Matos e Mugiatti (2006 apud LIMA L; 2010) definem, Pedagogia Hospitalar como 
um dos programas inovadores que têm surgido com base na vontade coletiva de 
profissionais, sendo um processo de educação organizado de forma diferenciada das 
usualmente praticadas. Durante a hospitalização, o trabalho pedagógico ancora-se na 
construção do conhecimento sobre aquele espaço, aquela rotina, as informações 
médicas, as doenças, com caráter lúdico e, ao mesmo tempo didático-pedagógico. 
Como ilustração, podemos citar o trabalho pedagógico-terapêutico da 
biblioterapia, que busca contribuir para o bem-estar da criança hospitalizada, 
promovendo seu bem-estar físico, emocional, intelectual e social. O conto de fadas 
torna-se terapêutico por ressaltar na criança sua capacidade de querer crescer e por 
oferecer a possibilidade de vencer seus medos (MATOS; MUGIATTI, 2006 apud LIMA 
L; 2010). Podemos inferir que a atuação do contador de histórias é, sem dúvida, uma 
contribuição ao trabalho multiprofissional e interdisciplinar no contexto hospitalar com o 
propósito de oferecer às crianças um atendimento mais humanizado. Segundo 
Giordano: 
O contar histórias acompanha os homens desde os primórdios dos tempos, 
quando estes frequentavam as cavernas para registrar e contar o seu cotidiano 
através de desenhos que guardavam na memória. A partir desse jeito de contar 
histórias, pudemos ficar sabendo de passagens que nos permitem conhecer a 
nossa história (GIORDANO, 2005, p.36apud LIMA L; 2010). 
Conforme verificaram Ortiz e Freitas (2003 apud LIMA L; 2010) que, para além 
das vantagens pedagógicas, a presença da escola no ambiente hospitalar favorece um 
melhor enfrentamento da doença por parte das crianças, conforme descrevem as 
autoras: 
 
18 
 
Essas experiências demonstram que a promoção de ambientes educacionais e 
lúdico-terapêuticos nos hospitais contribui de forma ímpar para o enfrentamento 
das enfermidades por parte das crianças hospitalizadas, amenizando possíveis 
traumas. Essas iniciativas auxiliam, da mesma forma, o tornar o hospital um 
ambiente humanizador e contribuem para que o período de hospitalização se 
constitua num evento que pode ser compreendido pelo paciente, sendo 
considerado uma ocasião em que a subjetividade e os conhecimentos 
continuam a ser construídos, simultaneamente à recuperação (ORTIZ; 
FREITAS, 2003, p.186 apud LIMA L; 2010). 
Matos (2008 apud LIMA L; 2010) descreve que não se pode generalizar o dia a 
dia em um hospital; portanto, contar histórias, dramatizar, usar fantoches e outras tantas 
linguagens são comunicações que chamam a criança e o jovem para fora realidade 
hospitalar, podendo contribuir para melhorar sua qualidade de vida, pois esse 
diferencial, fará com que a hospitalização seja mais amena em sua vida. 
É também uma iniciativa de grupos voluntários15, que solidarizados com o 
isolamento provocado por algumas doenças crônicas e graves, integram-se aos serviços 
médicos com apoio pedagógico, atividades recreativas, leituras, contação de histórias e 
demais ações educativas. Matos e Mugiatti (2006 apud LIMA L; 2010), apontam a 
importância do atendimento pedagógico hospitalar, pois os aspectos biológicos não 
devem ser os únicos a considerar, quando tratamos da criança e do adolescente 
hospitalizados, devemos considerar o homem, como um ser total no qual os aspectos 
psicológicos e sociais estão associados. 
Para Leontiev (1978 apud LIMA L; 2010) a conclusão da evolução do biológico 
que se estabeleceu em várias etapas, o homem atual possui todas as propriedades 
biológicas necessárias a seu desenvolvimento sócio histórico ilimitado, mas as 
modificações biológicas deixam de ter uma ação preponderante sobre os homens. As 
mudanças físicas necessárias para a hominização se concluem, mas sua evolução 
prossegue pelos mecanismos do trabalho e a partir de então será regido pelas 
características especificamente humanas. Neste sentido, Leontiev afirma que: 
Cada indivíduo aprende a ser um homem. O que a natureza lhe dá quando 
nasce não é suficiente para viver em sociedade. É preciso adquirir o que foi 
alcançado no decurso do desenvolvimento histórico da sociedade humana. 
(LEONTIEV, 1978, p.267 apud LIMA L; 2010). 
Anteriormente, deve ser diferenciada do cotidiano da escola normal e formal, uma 
vez que essa prática é fortemente marcada pelas relações afetivas. Segundo Ortiz e 
Freitas (2005 apud LIMA L; 2010) são positivas, pois servem de reforço, para que o 
aluno não desista da luta pela saúde. Dessa forma, o professor propõe atividades 
pedagógicas17 e, por meio delas constrói e reinventa projetos de vida para, após a 
 
19 
 
hospitalização; Kronos e Kairós (Queluz, 2001 apud LIMA L; 2010), convivem no mesmo 
plano em diferentes espaços e tempos. 
Podemos concordar com Matos e Mugiatti (2006 apud LIMA L; 2010), afirmam 
que oferecer ao aluno hospitalizado a valorização de seus direitos à educação e saúde 
como também ao espaço que lhe é devido como cidadão, é um dos principais objetivos 
do atendimento pedagógico-hospitalar. 
Para tratar do avanço desse campo de atuação, Fonseca (2003 apud LIMA L; 
2010) baseada na legislação brasileira, que o atendimento pedagógico-educacional 
hospitalar é reconhecido por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente 
hospitalizado, bem como outros documentos oficiais. A autora comenta a Declaração 
dos Direitos da Criança e do Adolescente: 
A Declaração dos Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizados decorreu 
de formulação da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Resolução do Conselho 
Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, com a chancela do 
Ministério da Justiça em 1995. Essa modalidade de atendimento denomina-se 
classe hospitalar, prevista pelo Ministério da Educação e do Desporto em 1994, 
por meio da publicação da Política Nacional de Educação Especial (FONSECA, 
1999, p.3 apud LIMA L; 2010). 
A Resolução 02 do MEC outorga, em 11 de setembro de 2001, que sejam 
implantados meios para que o aluno hospitalizado seja atendido em suas necessidades 
escolares. Por esse motivo, o aluno internado afastou-se da escola e tem a oportunidade 
de continuar seus estudos no hospital, acompanhado por um professor, levando-se em 
consideração, conforme Fonseca (2003 apud LIMA L; 2010): 
A criança hospitalizada sente dor, medo, mal-estar, desconfiança, sente-se 
privada da convivência com os amigos e de frequentar a escola. Esses 
sentimentos são minimizados quando ela tem a oportunidade de vivenciar a sala 
de aula no hospital, isto a faz sentir menos doente e mais ligada ao mundo que 
deixou (FONSECA, 2003, p.7 apud LIMA L; 2010). 
De acordo com LIMA L; (2010), com vistas à normatização e procedimento dos 
profissionais da saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria elaborou uma proposta 
que, tendo sido aprovada deu origem à Resolução nº 41 de outubro de 1995: 
Direitos da criança e do adolescente hospitalizado: 
1.Direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação 
para a saúde, acompanhamento do curriculum escolar durante sua 
permanência hospitalar. 
2.Direito a receber todos os recursos terapêuticos disponíveis para a sua cura, 
reabilitação e/ou prevenção secundária e terciária. 
3.Direito a ter seus direitos constitucionais e os contidos no Estatuto da Criança 
e do Adolescente respeitados pelos hospitais integralmente. 
 
20 
 
De acordo com LIMA L; (2010), em 2002, o Ministério da Educação, por meio 
da Secretaria de Educação Especial, elaborou um documento de Estratégias e 
Orientações para o atendimento nas classes hospitalares, assegurando assim, 
conforme a Lei de Diretrizes e Bases, básica nº 9.394/96: 
Art. 3º - O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - 
igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
Tem direito ao atendimento escolar os alunos de ensino básico internados em 
hospital, em serviços ambulatoriais de atenção integral à saúde ou em domicílio; 
alunos que estão impossibilitados de frequentar a escola por razões de proteção 
à saúde ou segurança abrigados em casa de apoio, casas de passagem, casas-
lar e residências terapêuticas (BRASIL, 2002 apud LIMA L; 2010). 
De acordo com LIMA L; (2010), reza o artigo 13 das Diretrizes Nacionais para 
a Educação Especial na Educação Básica: 
Os sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de saúde, 
devem organizar o atendimento educacional especializado a alunos 
impossibilitados de frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde que 
implique internação hospitalar, atendimento ambulatorial ou permanênc ia 
prolongada em domicílio (BRASIL, 2002, p.75 apud LIMA L; 2010). 
Segundo a Política do Ministério da Educação, “classe hospitalar” é o 
atendimento pedagógico-educacional que ocorre em ambientes de tratamento de saúde, 
seja na circunstância de internação, como tradicionalmente conhecida, seja na 
circunstância do atendimento em hospital-dia e hospital-semana ou em serviços de 
atenção integral à saúde mental (BRASIL, 2002 apud LIMA L; 2010). 
De acordo com LIMA L; (2010), o Projeto de Lei PL 4.191/04 por meio do 
movimento político ocorrido em junho de 2010, Plano Municipal de Educação, espera 
aprovação para este ano. O documento preconiza dentre outras ações as seguintes 
formulações: 
Art. 1º - Com base na Lei n. º 7.853, de 24 de outubro de 1989, art. 2º, inciso I, 
alínea “d”, e na Lei n. º 9.394, de 20 dedezembro de 1996, arts. 5º, § 5º, 23 e 
58, § 2º, os sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de 
saúde, ficam obrigados a oferecer atendimento educacional especial izado a 
crianças, jovens e adultos, matriculados ou não em escolas de educação básica, 
temporária ou permanentemente impossibilitados de frequentar as aulas em 
decorrência de condições e limitações específicas de saúde; 
Parágrafo único. As crianças, jovens e adultos que se encontram na situação 
descrita no caput deste artigo são considerados educandos portadores de 
necessidades especiais. 
Art. 2º - O atendimento educacional especializado de que trata o artigo anterior 
será prestado em classes hospitalares ou por meio de atendimento pedagógico 
domiciliar. 
§ 1º Denomina-se classe hospitalar o atendimento pedagógico-educacional que 
ocorre em ambientes de tratamento de saúde, seja na circunstância de 
internação, como tradicionalmente conhecida, seja na circunstância do 
atendimento em hospital-dia ou hospital-semana ou em serviços de atenção 
integral à saúde mental. 
 
21 
 
Art. 3º - Cumpre às classes hospitalares e ao atendimento pedagógico 
domiciliar: 
– Assegurar continuidade ao processo de desenvolvimento e ao processo de 
aprendizagem de crianças, jovens e adultos, matriculados ou não em escolas 
de educação básica, temporária ou permanentemente impossibilitados de 
frequentar a escola; 
– Desenvolver currículo flexibilizado e/ou adaptado e manter vínculo com as 
escolas, de forma a favorecer o ingresso ou retorno desses alunos à escola 
regular e sua adequada integração ou reintegração ao grupo escolar 
correspondente. 
Art. 4º - As Secretarias Estaduais, do Distrito Federal e Municipais de Educação 
e de Saúde deverão celebrar convênio entre si, no qual serão fixadas as 
responsabilidades de cada área, a forma de integração entre ambas e divisão 
de atribuições para oferta de classes hospitalares e do atendimento pedagógico 
domiciliar. 
§ 1º Compete à Secretaria de Educação 
– A contratação e capacitação de professores e demais profissionais da 
educação; 
– A provisão de recursos financeiros e materiais para os referidos atendimentos; 
– A coordenação pedagógica desses atendimentos, por meio de uma unidade 
de trabalho pedagógico na secretaria; 
– O acompanhamento desses atendimentos, de forma a assegurar o 
cumprimento da legislação e a promoção da qualidade dos serviços prestados. 
§ 2º Compete à Secretaria de Saúde: 
– Disponibilizar e adequar espaços nos hospitais e demais serviços públ icos de 
saúde, de modo a favorecer o desenvolvimento de atividades didático - 
pedagógicos; 
– Dotar esses espaços de instalações sanitárias próprias, completas, suficientes 
e adaptadas às necessidades dos educandos; 
Art. 5º - Os professores e demais profissionais da educação, designados pelas 
respectivas secretarias de Educação para as classes hospitalares e o 
atendimento pedagógico domiciliar, deverão: ser formados em nível superior, 
em curso de licenciatura, de graduação plena, para atuação na educação 
básica, da educação infantil ao ensino médio (Grifos nossos apud LIMA L; 
2010). 
Ao transpor tais considerações ao fenômeno aqui analisado, percebemos os 
desafios que os cursos de formação de professores, sobretudo os de Pedagogia 
enfrentam, ou seja, quando se concretizam e possibilitam que os futuros professores 
vivenciem situações de aprendizagem teórico-práticas interdisciplinares que permitem 
uma reflexão crítica na complexidade do processo educativo, em suas múltiplas 
dimensões ao subsidiar novas ações pedagógicas, conforme LIMA L; (2010). 
Schön (1997; 2000 apud LIMA L; 2010) refere que esse movimento de reflexão 
crítica, antes, durante e após a ação docente faz emergir as construções teóricas e 
metodológicas já sistematizadas e consolidadas e que, muitas vezes, precisam ser 
reelaboradas; promove relações e aproximações com os problemas detectados; analisa 
os fenômenos; estabelece comparações entre fatos e suas contradições. Enfim, 
ressignifica as práticas pedagógicas à luz de novos referenciais teóricos que valorizam 
e incentivam a interação e a mediação, fatores fundamentais para a construção de 
conhecimento compartilhado de educandos e educadores, sem desconsiderar a 
subjetividade como fator essencial na e da prática pedagógica. 
 
22 
 
Matos e Mugiatti (2006, p.82 apud LIMA L; 2010), referem que “no quadro de suas 
atividades, as crianças e os adolescentes hospitalizados têm, assim, ocasião de 
exteriorizar situações conflituosas por meio de múltiplas atividades pedagógicas”. Estas 
atividades poderão estar representadas de forma lúdica, recreativa, como o 
envolvimento em atividades com música, canções, dramatizações, desenhos e outras 
possibilidades expressivas indicadas em um planejamento flexível e articulado, voltado 
a atender a esses aspectos tão importantes no cotidiano da escolarização desses alunos 
em contexto hospitalar. 
Vasconcelos (2006 apud LIMA L; 2010), alerta que nem só de boa vontade vive 
uma prática, é essencial que se estabeleça um conjunto de regras ou normas, a fim de 
que a atividade escolar em hospitais não caia no conceito de diversão, de passatempo, 
sobretudo que esses dois termos são muitas vezes usados em conotação pejorativa. A 
atenção pedagógica voltada à criança e ao adolescente hospitalizado não basta por si 
só; é preciso também assegurar ensino escolar continuado. 
Nesse processo de relação interpessoal, a criança sente-se acolhida com a 
intervenção do professor, na medida que lhe traz um pouco de seu mundo perdido 
temporariamente, além do mais, o professor, sendo um dos profissionais que estará com 
ela todos os dias, transmitirá a segurança necessária para as intercorrências advindas 
da internação, conforme LIMA L; (2010). 
Nos grandes hospitais pediátricos ou outros que possuam crianças e 
adolescentes em idade de escolarização hospitalizados, é imperativo criar as 
necessárias condições para que a criança e o adolescente sintam segurança durante 
sua internação. Considerando a gestão de sala de aula, qualquer que seja o espaço 
(formal ou não formal) torna-se importante que os professores planejem, organizem, 
avaliem e controlem as atividades didático pedagógicas na perspectiva da autonomia e 
emancipação, conforme LIMA L; (2010). 
Conforme cita Arendt (2007, p.190 apud LIMA L; 2010), a condição humana 
pressupõe que o espaço público seja o único local em que cada ser pode e deve 
demonstrar sua singularidade. A privatização dos espaços faz com que o indivíduo seja 
destituído de coisas fundamentais para sua existência, como por exemplo, as trocas 
existentes entre todos, “mediante um mundo comum de coisas, e privados da 
possibilidade de realizar algo mais permanente que a própria vida”. A privatização de 
todas as esferas da vida reside na ausência de outros. O homem privado não se dá a 
conhecer e, portanto, é como se não existisse, conforme LIMA L; (2010). 
 
 
23 
 
Do descompasso da ação e do discurso, a primeira perde seu caráter revelador, 
transformando cada ser em coisas mecânicas como uma caixa de ressonância, 
realizando coisas humanamente incompreensíveis: sem o discurso, a ação deixaria 
de ser ação, pois não haveria ator; e o ator, o agente do ato, só é possível se for ao 
mesmo tempo, o autor das palavras (ARENDT, 2007, p.191 apud LIMA L; 2010). 
Cabe ao professor da classe hospitalar estabelecer o vínculo entre a criança, o 
ambiente hospitalar, a família e a escola de origem. Não pode lhe faltar o entendimento 
de todos os aspectos que fazem parte da “rotina da enfermaria”, ou seja, sobre o estado 
clínico do paciente, tratamento e cuidados, pois, além de educador, o professor também 
cuida desse aluno, inclusive, psicologicamente. Ou seja, segundo Fonseca (2003, p.30 
apud LIMA L; 2010), “o professor entra como parceiro na relação entre a criança e o 
ambiente hospitalar, entre a criança e o familiar e nas interaçõesde ambos com o 
hospital”. 
A prática e atitude reflexivas podem ser desenvolvidas a qualquer momento da 
vida pessoal e profissional, e, em situações emergenciais, também, podem ocorrer. 
Assim, nesse contexto, o aspecto biológico da doença e hospitalização não se verifica 
de forma isolada, faz parte de um intrincado complexo de sistemas, como os de natureza 
psicológica e social que se associam em um íntimo e intenso entrelaçamento, o que 
remete ao processo multidisciplinar para a construção da interdisciplinaridade. 
Espontaneidade e flexibilidade nas discussões são elementos indispensáveis no 
desempenho de equipes, conforme LIMA L; (2010). 
Corrobora a afirmação acima (CECCIM, 1999b apud LIMA L; 2010), quando 
descreve que, além de atuar na intervenção pedagógico-educacional, a classe 
hospitalar ajuda no desenvolvimento psíquico e cognitivo da criança e adolescente. Mais 
ainda, oferece ao aluno hospitalizado a valorização de seus direitos à educação e à 
saúde, como também ao espaço que lhe é devido como cidadão, que é um dos principais 
objetivos do atendimento pedagógico-hospitalar. 
Fazenda (2003, p.56 apud LIMA L; 2010), refere-se ao assunto como “atitude 
interdisciplinar” dos profissionais, cuja postura é dialeticamente realizada em 
movimentos circulares das situações velhas para as novas, destas para velhas, 
percebendo-se que a situação velha possa se transformar e, nesta, sempre haverá algo 
de novo. 
Segundo Matos e Mugiatti (2006, p.91 apud LIMA L; 2010) transdisciplinaridade 
é algo “além do espaço e da temporalidade, é a presença da essência na 
interdisciplinaridade”. Fonseca (2003 apud LIMA L; 2010) nos ajudará a compreender 
melhor como ocorre o atendimento escolar no hospital e qual o perfil curricular das 
 
24 
 
classes hospitalares. Em geral, alguns dos itens que relata, é o guia do Ministério da 
Educação que orienta os professores que recebem alunos com problemas de saúde. 
Este trabalho é de extrema importância para a recuperação dessas crianças. A autora 
define as necessidades da classe hospitalar, tendo como a sua principal característica 
a diversidade. Assim define também a classe hospitalar com o objetivo de: 
Atender pedagógico - educacionalmente às necessidades do desenvolvimento 
psíquico e cognitivo de crianças e jovens que dadas as suas condições 
especiais de saúde, se encontram impossibilitados de partilhar as experiências 
sócio intelectivas de sua família, de sua escola e de seu grupo social 
(FONSECA, 2003, p.12 apud LIMA L; 2010). 
A autora chama a atenção referindo-se ao currículo da classe hospitalar que 
contém parte do currículo de uma sala normal regular, mas permeia-se a outros 
aspectos, como a criança, a doença, os pais, os profissionais da saúde, o ambiente 
hospitalar, o ambiente da escola hospitalar, o professor, entre outros. Sobre a atuação 
e organização das aulas, um desdobramento talvez prioritário na discussão da atuação 
do professor é a questão da rotina da escola hospitalar, já que a rotina médica não 
existe, pois, a criança nunca sabe como será seu dia, quem virá visitá-la, o que vai 
comer, como será seu tratamento, os lugares onde terá de ir. Enfim, nas salas de aula 
deve haver uma rotina organizada que respeite as limitações desses pacientes, que é 
de extrema importância para que a atuação dos profissionais da educação não seja 
comprometida, conforme LIMA L; (2010). 
Nesse sentido, concordamos com Vasconcelos (2006, p.36 apud LIMA L; 2010), 
para quem “formar professores para trabalhar junto a crianças doentes é um desafio que 
implica descobrir estratégias diferenciadas e adaptáveis à realidade, assim como 
despertar para os momentos de sua aplicação”. Sobre a observação, Fonseca (2003 
apud LIMA L; 2010) reconhece que deve ser realizada de maneira natural, sem que esta 
criança perceba, e é mais uma ferramenta quanto ao trabalho a ser desenvolvido pelos 
profissionais das classes hospitalares. A observação natural que o professor faz é parte 
central de sua coleta de dados para que possa planejar desenvolver, avaliar e registrar 
mais assertivamente o seu atendimento pedagógico-educacional hospitalar (FONSECA, 
2003, p.34 apud LIMA L; 2010). 
A avaliação deverá levar em conta a convicção de que todos têm capacidade de 
aprender, não importando o tempo nem o ambiente. Considerando o funcionamento das 
classes hospitalares, Fonseca (2003 apud LIMA L; 2010) diz que a aula ocorre no 
período da tarde, pois durante a manhã há os atendimentos médicos. Embora isso não 
seja regra, por certo, haverá rupturas no cotidiano das aulas. Contudo, o professor 
precisa encarar a situação como uma “dinâmica do dia a dia de atividades”. 
 
25 
 
Para essa realização, devemos considerar que a rotina diária de atividade precisa 
ter começo, meio e fim; o professor deve estar ciente, por meio do prontuário, da 
situação clínica do paciente e seus tratamentos e evolução; o professor deve ter um 
contato com a família primeiro, antes de estabelecer um contato direto com a criança, 
pois o professor pode intimidar a criança; deve respeitar o período de sua adaptação na 
sala hospitalar. O professor pode fazer uma visita à enfermaria para conhecer seus 
alunos, antes do contato direto com as crianças. As atividades devem atender às 
necessidades, mas também aos interesses do aluno, e o professor precisa estar 
preparado para enfrentar imprevistos e situações, conseguindo adequar as atividades 
durante o processo, conforme LIMA L; (2010). 
O professor não deve estar fechado, mas deve ter a sensibilidade suficiente para 
perceber o que acontece na sala de aula, pois o que o aluno sugere pode ser a alavanca 
para uma aprendizagem mais efetiva e significante (FONSECA, 2003, p.41 apud LIMA 
L; 2010). Em relação à adequação e adaptações do ambiente, aos materiais e 
atividades, o professor precisa adequar-se a esse ambiente hospitalar e, muitas vezes, 
o improviso é inevitável. 
Seja onde for o ambiente que o professor esteja, precisa ser antes de tudo 
organizado e preparado para receber crianças em qualquer situação, por exemplo, um 
cadeirante. Muitas vezes o professor precisará ir até o leito do paciente e adaptar uma 
mesa para realizar as atividades, ou então o atendimento poderá ocorrer na enfermaria. 
Todavia, nenhum desses motivos podem servir de impedimento para que as crianças 
se concentrem nas atividades mediadas pelo profissional, conforme LIMA L; (2010). 
O funcionamento e as características do hospital produzem mudanças históricas. 
Até o século XVIII, os hospitais tinham como tarefa a salvação e a segregação dos 
doentes. Não havia a intenção de cura: recebiam-se leprosos, pobres, loucos e o 
atendimento era feito por religiosos ou leigos de forma assistencialista. A função era 
salvar as almas doentes, conforme LIMA L; (2010). 
 O médico não ocupava o espaço do hospital. Com as grandes navegações e o 
mercantilismo em toda parte do mundo, começa o tráfico internacional de mercadorias 
e, com isso, as doenças que eram trazidas pelos marinheiros poderiam contaminar as 
pessoas das cidades. Isto gerou a preocupação com a higienização humana e o 
nascimento da Ordem Médica. Inicia-se outro objetivo, o de curar, o de estudar e o de 
classificar as doenças, conforme LIMA L; (2010). 
 
 
 
26 
 
Com o desenvolvimento mercantilista, tornava-se importante impedir o tráfico de 
mercadorias e de drogas, evitar o contágio das doenças que os marinheiros poderiam 
trazer para as cidades, e também manter saudáveis estes trabalhadores (SOUZA, 1992, 
p.23 apud LIMA L; 2010). 
O hospital torna-se um lugar asséptico, com muita atenção na limpeza, separação 
dos leitos e outros cuidados em relação ao tratamento. O ambiente hospitalar passa a 
ser o lugar que cura doenças. Nesse momento, a medicina é objetiva. Pesquisa-se o 
corpo fragmentado em um método empirista, em que cada parte do corpo é estudada 
para se chegarà doença. Procura-se, então, a objetivação do sujeito, conforme LIMA L; 
(2010). 
Cada indivíduo é um composto de características a serem bem avaliadas. 
Primado do controle, da objetividade e da individualidade. Individualidade, neste sentido, 
corresponde a um homem que pode ser objetivado (SOUZA, 1992, p.32 apud LIMA L; 
2010). 
O modo de ver o paciente mudaria a partir do século XX, quando Freud (1900 
apud LIMA L; 2010) concebe a psicanálise, a concepção de análise da pessoa passa 
pelo entendimento de sua subjetividade. O doente não é apenas o corpo, mas escuta-
se, o que ele tem a dizer sobre si mesmo, com base nos conflitos internos. A medicina 
evolui com a tecnologia e com novas ciências que auxiliam de forma mais diretiva o 
doente. 
Surgem as equipes multidisciplinares dentro da área da saúde, com profissionais 
que trabalham em conjunto no hospital em benefício do paciente. 
A multidisciplinaridade corresponde aos diversos saberes conferidos ao ambiente 
hospitalar, como sensível resposta à promoção da vida com saúde, para onde 
convergem as diversas ciências em prol da vida com mais qualidade (MATOS; 
MUGIATTI, 2006, p.30 apud LIMA L; 2010). 
Atualmente, o paciente ganha cada vez mais com esta efetividade sobre o 
tratamento da doença que o hospital possibilita. Pensando no direito de viver com 
qualidade, a figura do professor surge na equipe multidisciplinar hospitalar, para que os 
pacientes infantis tenham a oportunidade de uma vida mais próxima do normal, 
tornando-se mais uma ferramenta para o auxílio de seu tratamento. Ou seja, além do 
cuidado com a doença, fica cada vez mais patente a necessidade do cuidado com a vida 
do paciente, como um todo, conforme LIMA L; (2010). 
 
 
 
27 
 
Sabemos que no hospital as crianças estão sob cuidados médicos, tomando 
medicamentos, fazendo exames, recebendo visitas. Estes fatores tornam o processo de 
atendimento educacional mais dinâmico e adaptável. Por isso, diferentemente das 
classes na escola convencional, o professor adaptará sua aula no local e período 
disponível pelo hospital e adequado às crianças enfermas. O atendimento educacional 
hospitalar pode ocorrer em uma sala separada, há hospitais onde existem cantos ou 
corredores onde se realizam as atividades pedagógicas, conforme LIMA L; (2010). 
De acordo com LIMA L; (2010), o espaço do atendimento escolar no hospital varia 
dependendo do hospital, das necessidades de determinadas enfermarias, das 
enfermidades dos pequenos pacientes e da disponibilidade de espaço que o professor 
adquire para montar uma classe hospitalar. As classes hospitalares são ambientes 
projetados com o propósito de oferecer atendimento para o desenvolvimento e 
construção do conhecimento das crianças, jovens e adultos na educação básica, 
respeitando suas capacidades e necessidades educacionais e individuais. Existem 
hospitais públicos com salas que funcionam como classe hospitalar. Se o professor 
possuir autonomia no hospital poderá decorá-la e proporcionar um ambiente 
aconchegante ao estudo dos alunos. Eles poderão explorar de materiais como livros, 
brinquedos, jogos, computadores. Conforme Fonseca refere: 
Se o professor dispõe de sala ambiente, ela deve ser constantemente 
organizada, afim de que possa melhor suprir as demandas das crianças nela 
atendidas. Isto pode ser feito com base nas observações e registros de como 
as crianças exploram e utilizam os materiais nela existentes. O professor deve 
estar atento para a disposição do material e substituir aqueles pelos quais as 
crianças pareçam não se interessar muito, ou criar estratégias para que elas 
passem a explorar tais recursos. As próprias crianças podem auxiliar e ser 
orientadas quanto à manutenção da organização do espaço, o que não impede 
de explorá-lo nem de manipular aquilo que seja interessante (FONSECA, 2003, 
p.44 apud LIMA L; 2010). 
Para o funcionamento das classes hospitalares, é necessário um mobiliário 
adequado, uma bancada com pia, instalações sanitárias próprias e suficientemente 
adaptadas, além de espaço ao ar livre para atividades físicas e ludo-pedagógicas, 
conforme LIMA L; (2010) 
Recursos audiovisuais, computadores em rede, televisão, máquinas fotográficas, 
filmadoras, telefone com chamada de ramal e externa devem estar disponibilizados 
nas classes hospitalares. Percebe-se a importância desses recursos, tanto no que se 
refere ao planejamento, desenvolvimento e avaliação do trabalho pedagógico como no 
contato efetivo do professor que atua na classe hospitalar com a escola vinculadora, 
seja como sistema responsável para prover e garantir o acesso educacional. Pode 
ocorrer que o professor não disponha de uma sala, sobretudo no início da implantação 
 
28 
 
de uma escola no hospital. Ele poderá começar seu atendimento em brinquedotecas, 
em corredores, em salas minúsculas ou até mesmo em um canto da recepção de 
enfermarias, conforme LIMA L; (2010). 
O atendimento pedagógico poderá também ser solicitado pelo ambulatório do 
hospital, onde poderá ser organizada uma sala específica da classe hospitalar (BRASIL, 
2002, p.16 apud LIMA L; 2010). O professor consciente do bom trabalho que tem a fazer, 
não deve se constranger, temporariamente, com o espaço fornecido pelo hospital para 
sua atuação. Ele tem que conquistar um local melhor com o sucesso de suas 
realizações, mostrando que o trabalho pedagógico só vem beneficiar essas crianças 
dentro do hospital. 
O profissional da educação nutre-se com base na criatividade. Quando existir 
uma sala para o trabalho será um local especialmente ambientado para o atendimento 
pedagógico destas crianças. Se for apenas um canto para elas, o profissional trabalhará 
da mesma forma para os pacientes que talvez tenham apenas este instante que lhes 
permite a quebra da tensão sofrida na situação hospitalar. Lembrando que o professor 
oferecerá o benefício para a situação atual que o aluno se encontra em condições 
especiais e após a alta, conforme LIMA L; (2010). 
Mesmo com toda esta discussão de local adequado, o MEC faz a seguinte 
recomendação do local ideal que deveria ter no hospital para a atuação do 
professor, os ambientes serão projetados com o propósito de favorecer o 
desenvolvimento e a construção do conhecimento para crianças, jovens e 
adultos, no âmbito da educação básica, respeitando suas capacidades e 
necessidades educacionais especiais individuais. Uma sala para 
desenvolvimento das atividades pedagógicas com mobiliário adequado e uma 
bancada com pia são exigências mínimas. Instalações sanitárias próprias , 
completas, suficientes e adaptadas são altamente recomendáveis e espaço ao 
ar livre adequado para atividades físicas e ludo-pedagógicas (FONSECA, 2003, 
p.15 apud LIMA L; 2010). 
De acordo com LIMA L; (2010), recomenda, ainda, por meio de alguns 
procedimentos, quais as atividades essenciais a ser consideradas no processo de 
internação: 
 Elaboração de um plano de intervenção individual e coletivo, para o 
desenvolvimento de conteúdos curriculares específicos, baseado nas 
observações efetuadas diretamente com a criança e nos resultados das 
avaliações realizadas e dos exames clínicos, conforme LIMA L; (2010) 
 Inserção de objetivos e metas a serem alcançados, das atividades e 
estratégias a serem empregadas e meios a serem utilizados no plano de 
intervenção, além dos facilitadores ou mediadores requeridos, conforme 
LIMA L; (2010) 
 
29 
 
 Elaboração de estratégias viáveis para a realização de cursos de 
educação continuada para profissionais da educação infantil na 
perspectiva da escola inclusiva, conforme LIMA L; (2010) 
 Criação de estratégias que estabeleçam parcerias entre as áreas de 
educação, saúde e assistência social voltados para a realização de 
programas voltados para a promoção do desenvolvimento integral de 
criança com necessidades educacionais especiais, conforme LIMA L; 
(2010). 
Conforme LIMA L; (2010),

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