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Apostila
PEDAGOGIA
HOSPITALAR
Formação que
transforma!
BONS
ESTUDOS!
R. TUPINAMBÁ, 606
MUNDO NOVO  MS
79980000
/UNIFAHE
WWW.UNIFAHE.COM
Apostila 
Pedagogia Hospitalar
04Rua Tupinambá, nº 606 - Bairro Tapajós - Mundo Novo - MS www.unifahe.com.br @unifaheoficial /unifahe
PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
 
Apostila 
Pedagogia Hospitalar 
 
Introdução 
O pedagogo não mais limita seu campo de atuação somente à sala de 
aula. Visto que a Educação ocupa hoje todos os espaços, cada vez mais o 
pedagogo é solicitado em outros ambientes que não a escola. Existem, 
entretanto, muitos desafios neste campo de atuação. 
A primeira classe hospitalar brasileira foi fundada em 1987, no Hospital 
A.C. Camargo, nessa ocasião surgiram muitas metas e desafios para o 
pedagogo atuar junto a equipe multidisciplinar nos hospitais. O pedagogo 
hospitalar, deve atuar de forma a auxiliar e complementar o tratamento clínico 
de crianças e adolescentes em idade de escolarização, trabalhando com 
metodologia educacional apropriada. 
O profissional da Pedagogia Hospitalar pode atuar em diversos ambientes 
relacionados com a educação, sendo que o hospital é um deles. No ambiente 
hospitalar, o professor deve ser a ponte entre o conhecimento e o aluno do 
mesmo modo que na escola, visto que cabe a este profissional levar o 
conhecimento até onde ele é demandado. 
O ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente assegura o 
prosseguimento do currículo escolar, recreação, programas de educação e 
saúde, quando ocorre a eventual internação e/ou tratamento nos hospitais. Esta 
atribuição legal já deveria ser motivo suficiente para o incremento dos estudos e 
pesquisas relacionadas com este campo fundamental da Pedagogia. 
 
 
05Rua Tupinambá, nº 606 - Bairro Tapajós - Mundo Novo - MS www.unifahe.com.br @unifaheoficial /unifahe
PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
 
 
Os textos a seguir foram especialmente selecionados para aprofundar as 
questões concernentes ao tema: Pedagogia Hospitalar 
Leia com cuidado e atenção, obtendo assim uma visão abrangente sobre o 
assunto. 
 
PEDAGOGIA HOSPITALAR: a humanização na educação 
Disponível em: 
http://www.unifan.edu.br/files/pesquisa/PEDAGOGIA%20HOSPITALAR%20a%
20humaniza%C3%A7%C3%A3o%20na%20educa%C3%A7%C3%A3o%20-
%20ELIS%C3%82NGELA%20HENRIQUE.pdf 
Elisângela Henrique Lopes 
RESUMO: O presente artigo pretende mostrar a importância do trabalho 
pedagógico hospitalar, para crianças em situação de internamento por motivos 
de saúde que se encontram impossibilitados de frequentar a sala de aula do 
ensino escolar. Apresentou-se como este trabalho tem sido realizado baseado 
em relatos bibliográficos de autores envolvidos com a temática. Pontou-se a 
necessidade de integração da equipe de trabalho da área da saúde com o 
pedagogo e a família para realização de uma educação humanizada. Utilizou-se 
da contribuição significativa de Porto, Mattos, Megatti, Ceccim para melhor 
compreensão da atuação pedagógica no ambiente hospitalar. 
06Rua Tupinambá, nº 606 - Bairro Tapajós - Mundo Novo - MS www.unifahe.com.br @unifaheoficial /unifahe
PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
Palavras-chave: Pedagogia hospitalar. Classe hospitalar. Humanização. 
Educação. 
 
INTRODUÇÃO 
A Pedagogia Hospitalar é uma nova área da pedagogia em que pacientes, 
alunos e professores são conceituados como educandos e educadores, 
portanto, o ato pedagógico neste contexto pode proporcionar a continuidade da 
escolaridade. 
Não se pode dizer que a Pedagogia Hospitalar seja uma novidade na área 
educacional, pois já faz parte da realidade no campo de atuação do pedagogo 
na sociedade contemporânea. Libâneo (1997), em pronunciamento na 20º 
reunião anual da ANPED2, explicou que o campo de atuação da pedagogia é 
inserido nos múltiplos contextos da prática social da educação. 
Não há uma forma única, nem um modelo único de educação, a escola não é o 
único lugar em que ela acontece e talvez nem o melhor; o ensino escolar não é 
a única prática de transformação contemporânea que contribui para consolidar 
o entendimento da educação, ocorrendo em muitos lugares institucionalizado ou 
não. 
Ceccim (1999, p. 83), afirma que mesmo doentes as pessoas continuam 
aprendendo, “O trabalho do educador no hospital é importante a fim de evitar 
prejuízos maiores, possibilitando a inclusão educativa e social”. Prejuízos que, 
uma vez hospitalizados desestimula o aluno e faz com que o mesmo perca o 
interesse pelos estudos, outro fator é a desatualização em relação a conteúdos 
escolares. 
O prejuízo social refere-se ao fato da pessoa estar desintegrada do grupo social 
como os colegas e professores de sua sala de aula, amigos e familiares. Nesse 
sentido, o trabalho pedagógico hospitalar resgata este afastamento criando uma 
situação de continuidade ao trabalho escolar. A presença do professor, dos 
objetos de ensino e outros profissionais envolvidos fazem com que o paciente 
se sociabilize e encontre a oportunidade nestes momentos de ensino, de 
resgatar a linguagem escolar, ampliar a socialização com outros profissionais e 
família a fim de favorecer a continuidade da vida e o sentir-se humanamente 
vivo. 
A hipótese que se levanta é a de que o pedagogo hospitalar deve estar 
preparado para ocupar este lugar específico e para tanto, considera-se 
07Rua Tupinambá, nº 606 - Bairro Tapajós - Mundo Novo - MS www.unifahe.com.br @unifaheoficial /unifahe
PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
importante conhecer o contexto hospitalar com suas especificidades. Interagir 
com os diversos profissionais da área que estão em contato direto com o aluno 
em situação de internação, com sua família, e sua história de vida em busca de 
desenvolver um trabalho pedagógico efetivo que auxilia o aluno neste momento 
delicado viabilizando um processo de humanização do ato de educar. 
Segundo Vasconcelos (2002), resultados obtidos em pesquisas indicaram a 
melhoria do quadro sintomático da criança hospitalizada, pois a mediação da 
professora possibilitou a adaptação, a motivação, e a ocupação sadia do tempo 
ocioso através de atividades diversas de leitura garantindo assim, o direito a 
educação. 
Pesquisas revelam que o trabalho pedagógico hospitalar tem contribuído para a 
melhora no quadro de saúde de pessoas internadas em hospitais, seja por um 
curto período ou mesmo quando este tempo se estende, dependendo da 
gravidade do caso de saúde. Este trabalho de pesquisa buscou informar sobre 
o tema da pedagogia hospitalar, com leituras em diversos autores que 
atualmente encontram-se envolvidos com a temática e teve como teóricos de 
base Porto (2008), Mattos (2009), Megatti; Mattos (2008), Ceccim (1999) entre 
outros que muito contribuíram para este estudo. 
O objetivo desta pesquisa bibliográfica é demonstrar ao profissional de 
pedagogia a importância do ato pedagógico no ambiente hospitalar e como esta 
proposta se desenvolve num trabalho de parceria, responsabilidade e 
compromisso com o educando. De forma contextualizada, pretende-se 
apresentar outro espaço da educação que se estende além da sala de aula 
formal. 
Para tanto, este artigo foi organizado em três partes que não se fragmentam, 
mas se completam para o entendimento, sendo a primeira, a apresentação da 
Pedagogia Hospitalar, conceitualizando o termo e diferenciando classe 
hospitalar de atendimento pedagógico hospitalar. 
A segunda parte, refere-se às atividades que envolvem o trabalho pedagógico 
em ambiente hospitalar, incluído a brinquedoteca, artes, literatura e grupos de 
trabalho. 
A terceira parte, diz respeito à humanização educacional, a integração das 
equipes de trabalho que fazem parte do contexto hospitalar e da família. 
 
PEDAGOGIA HOSPITALAR 
08Rua Tupinambá, nº 606 - Bairro Tapajós - Mundo Novo - MS www.unifahe.com.br @unifaheoficial /unifahe
PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
A Pedagogia Hospitalar busca oferecer assessoria e atendimento emocional e 
humanístico. A atuaçãoprofissionais em hospitais na cidade de Manaus. O que encontramos foi uma 
realidade de alguns hospitais com brinquedoteca, espaço lúdico, até mesmo 
educativo, porém o profissional que encontramos lá não era o Pedagogo. 
Ainda questionamos sobre sua visão quanto à relevância de seu trabalho no 
GAAC. 
 É muito importante para os alunos/pacientes, pois dou apoio pedagógico, o que 
é fundamental para a continuidade do processo de ensino aprendizagem dos 
alunos, assim eles não perdem o conteúdo, e podem continuar seus estudos ao 
retornar para seus lares. É claro a visão que este profissional tem sobre seu 
trabalho, a importância, relevância social e principalmente educacional para as 
crianças que se encontram no GAAC. Como veremos este pensamento é 
compartilhado por demais sujeitos desta pesquisa. 
 Para finalizar este momento da pesquisa solicitamos que a profissional 
explicasse como ocorre sua práxis pedagógica no GAAC. Em sua fala esta 
respondeu que 
35Rua Tupinambá, nº 606 - Bairro Tapajós - Mundo Novo - MS www.unifahe.com.br @unifaheoficial /unifahe
PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
 Trabalho de forma diversificada, os conteúdos são programados, tenho um 
histórico de cada criança, a aula é feita em conjunto, mas respeitando a 
individualidade de cada aluno, sua série, e, sobretudo, respeitando as limitações 
de cada aluno/paciente. Cada dia é um novo desafio. 
Na fala do sujeito é perceptível a sensibilidade em sua práxis pedagógica, o 
pedagogo hospitalar necessita conhecer o quadro clínico de seus 
alunos/pacientes para melhor trabalhar e orientar os processos educativos 
desenvolvidos na instituição. Segundo o sujeito são elaborados planos de aula 
para cada série de acordo com a faixa etária do aluno paciente. As avaliações 
ocorrem no GAAC em seguida é encaminhado um relatório contendo os 
resultados das avaliações para que o aluno posteriormente continue avançando 
em seus estudos. 
 
EDUCAÇÃO HOSPITALAR E PRÁTICA PEDAGÓGICA NA VISÃO DA 
COORDENADORA 
Dando prosseguimento aos resultados desta pesquisa direcionamos os 
trabalhos agora a coordenação do GACC. 
Inicialmente consideramos pertinente indagarmos sobre O que é o GAAC e qual 
sua missão? 
 Temos a consciência de que o mesmo é um grupo de apoio sem fins 
econômicos, administrado por uma equipe de voluntários e funcionários para 
combater o câncer Infanto juvenil possuindo já 13 anos de luta. A missão do 
GACC é garantir a criança e ao adolescente dentro do mais avançado padrão 
científico o direito de alcançar as chances de cura com qualidade de vida, nisto 
incluso o apoio educacional, respeitando-se o direito que a criança e o 
adolescente têm no que tange a educação. 
 É clara a missão do GACC, segundo a coordenadora, este visa o atendimento 
com qualidade de vida a criança hospitalizada, buscando trabalhar todos os 
aspectos necessários ao desenvolvimento, inclusive o aspecto cognitivo do 
aluno/paciente. 
 De acordo com Fontes (2004, p.7), 
[...] a abordagem pedagógica pode ser entendida como instrumento de 
suavização dos efeitos traumáticos da internação hospitalar e do impacto 
causado pelo distanciamento da criança de sua rotina, principalmente no que se 
refere ao afastamento escolar. O período de hospitalização é transformado, 
36Rua Tupinambá, nº 606 - Bairro Tapajós - Mundo Novo - MS www.unifahe.com.br @unifaheoficial /unifahe
PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
então, num tempo de aprendizagem, de construção de conhecimento e 
aquisição de novos significados, não sendo preenchido apenas pelo sofrimento 
e o vazio do não desenvolvimento afetivo, psíquico e social. 
 Ficou claro que o GACC acredita que o tratamento de câncer Infanto juvenil 
pode ser minimizado desde que o hospital possa oferecer além do medicamento, 
carinho, humildade, solidariedade e apoio extra-hospitalar. 
 Quanto ao atendimento perguntamos: 
- Qual o público atendido pelo GAAC e de que maneira é feita a seleção 
das crianças e adolescentes atendidas? 
 O público alvo atendido pelo GACC são as crianças vindas do interior com 
câncer e seus familiares, mais as crianças com câncer da capital bem como seus 
familiares. Atualmente o grupo atende 346 pacientes. A seleção de crianças e 
adolescentes atendidos pelo grupo é realizada através de oncologistas e 
pediatras que encaminham a assistente social que verifica a necessidade de 
acompanhamento por parte da criança e direciona para o GACC. O grupo atende 
crianças oriundas do Amazonas, Pará, Roraima e também dos países: Guina 
Inglesa e Venezuela. 
Como vimos na fala do sujeito a FCECON ao diagnosticar crianças com câncer 
direciona estas ao Grupo – através de avaliação feita por um assistente social e 
psicólogo do GAAC - e este por sua vez realiza triagem a fim de identificar as 
crianças que necessitarão habitar no lar e as demais que receberão atendimento. 
- Quais os serviços de apoio que a instituição oferece e quais profissionais 
envolvidos na prática? 
 O grupo é formado por duas psicólogos sendo que uma atua junto ao FCECON- 
e a outra junto ao GACC elaborando projetos e duas assistentes sociais, onde 
uma trabalha com as visitas domiciliares e projetos sociais e a outra com a parte 
burocrática e visitas ao hospital. Também contamos com uma nutricionista e 
acompanha também nas visitas domiciliares. 
 É de suma importância esta equipe de trabalho, pois busca atender a criança e 
o adolescente em todas as suas necessidades, minimizando assim seu período 
de permanência hospitalar. A doença e a dor são os fatores condicionantes do 
stress mais universais para as crianças, pois todas elas passam por inúmeras 
situações dessa natureza. “A hospitalização pode ter efeitos diferenciados 
dependendo da idade, da causa da hospitalização, da eficiência dos 
37Rua Tupinambá, nº 606 - Bairro Tapajós - Mundo Novo - MS www.unifahe.com.br @unifaheoficial /unifahe
PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
profissionais envolvidos e também da maneira com que os pais a gerenciam” 
(2000, p.22). 
 A criança/paciente está em fase de desenvolvimento, e deve manter uma rotina 
o mais normal possível para que suas reações psicológicas sejam minimamente 
afetadas. 
 No decorrer da entrevista nos foi informado sobre existência de alguns projetos 
e a necessidade de criação de novos para atender as necessidades dos 
pacientes e da família. Neste contexto perguntamos: Qual a relevância social 
do GAAC para a comunidade local? 
 Existe a necessidade de criação de projetos para atender as necessidades dos 
pacientes e da família, projetos esses que educam e melhoram a qualidade de 
vida. O GACC ainda divulga os trabalhos de artesanato realizados pelos 
pacientes e familiares através de feiras promovidas o qual promove a geração 
de renda. 
 Na fala da coordenadora percebemos que a relevância social do grupo está em 
contribuir com a qualidade de vida da criança e família, para isto trabalha a 
criação de projetos. Neste contexto os pais precisam também de apoio, pois se 
vêem perdidos com relação à doença ou muitas vezes não tem condições de 
cuidarem e manterem as crianças enfermas devido às dificuldades de 
informações e financeiras. 
- Como você vê a atuação do Pedagogo em Ambiente hospitalar, 
considera necessário? 
 É de suma importância o trabalho pedagógico junto às crianças e adolescentes 
do GACC, pois as auxiliam em seu desenvolvimento cognitivo, intelectual e 
motor das crianças, ajudando assim a minimizar o tratamento. Quando a criança 
desvia o foco da doença ela se sente melhor e estimulada. 
Percebe-se claramente que a criança/paciente age normalmente, não são 
diferentes no desenvolvimento cognitivo pelo fato de estarem enfermas. Na 
realidade o acompanhamento pedagógico se desenvolve permitindo uma 
situação normalizadora no cotidiano do aluno/paciente. 
 Segundo Fonseca, 
Também vemos a peculiaridade da educação no ambiente hospitalar como 
sendo a de assegurar a manutençãodos vínculos escolares, de devolver a 
criança para a sua escola de origem com a certeza de que poderá reintegrar-se 
ao currículo e aos colegas sem prejuízos pelo afastamento temporário ou, ainda, 
38Rua Tupinambá, nº 606 - Bairro Tapajós - Mundo Novo - MS www.unifahe.com.br @unifaheoficial /unifahe
PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
de demonstrar, na prática, que o lugar da criança (mesmo com uma doença 
crônica, ou sobre tratamento de saúde, ou em uso de suporte terapêutico) é na 
escola, aprendendo e compondo experiências educacionais mediadas pelo 
mesmo professor que as demais crianças (2003, p. 08). 
 Assim percebe-se claramente a importância da permanência do pedagogo em 
ambiente hospitalar, com isto o aluno/paciente não se sente excluído da 
sociedade, mas participante. 
 Questionada sobre o apoio que o governo tem dado à inserção do pedagogo 
em ambientes hospitalar? 
 Existe o apoio que a SEDUC – Secretaria de educação e Cultura está 
fornecendo, a mesma está apoiando com o auxílio de uma professora. O 
problema é não vê a importância do professor dentro do hospital, ainda faz falta, 
pois é por um período de tratamento depois volta para o convívio social 
normalmente então precisa de acompanhamento. O governo deveria apoiar, 
mas não apenas fornecendo os profissionais mais nas outras necessidades 
como material pedagógico, caderno, livros, computadores, para montar uma tele 
sala para os alunos do ensino médio, pois facilitaria construindo um Polo para a 
aprendizagem. Hoje já vamos com projetos prontos atrás de profissionais, pois 
não gostam de investir por acharem que não vale a pena investir nas crianças 
com câncer. A preocupação deve ser independente do tempo de vida, o que 
importa é a qualidade de vida para a criança/paciente. 
A compreensão da importância do acompanhamento pedagógico no período da 
internação é compartilhada por este, pois a criança/paciente ao retornar em seu 
convívio social não se sente prejudicado no aspecto escolar. Segundo Amaral 
e Silva (2008, p.01), 
A despeito da justiça social dessa iniciativa, verificamos que, em nosso país, a 
escolarização de crianças e adolescentes hospitalizados não tem merecido 
atenção suficiente, por parte do poder público, seja em nível municipal, estadual 
ou federal. Na verdade, a ampliação dessa modalidade de educação ainda é 
incipiente em nosso país. 
 Compreende-se que o governo deve direcionar ações ao aluno/paciente, visto 
que isso só contribuirá para diminuir a permanência do mesmo no hospital, 
diminuindo assim com o índice de evasão escolar. 
 
EDUCAÇÃO HOSPITALAR E PRÁTICA PEDAGÓGICA NA VISÃO DOS PAIS 
39Rua Tupinambá, nº 606 - Bairro Tapajós - Mundo Novo - MS www.unifahe.com.br @unifaheoficial /unifahe
PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
Neste segundo momento, damos continuidade a nossa pesquisa, agora 
direcionando o foco aos pais. Em conversa com a mãe, a partir da pergunta: De 
que maneira ouve a inserção de filho no GACC? A mesma nos informa que: 
 Por não ser do Estado do Amazonas e sim do Pará, vim fazer o tratamento de 
minha filha que está com câncer - de sarcoma de Huine -, na Fundação CECON. 
Lá conheci o GACC. Minha filha queria muito estudar, sempre me pediu para 
que eu a colocasse em uma escola, por este motivo eu fui ao GACC, pois sabia 
que nele ela poderia continuar seus estudos e não ficaria atrasada no seu ano 
letivo. 
É importante salientar que a criança hospitalizada deve ser auxiliada em todos 
os aspectos quer sejam emocionais, afetivo e principalmente familiar. Em seus 
estudos, Mugiatti, “Tratando-se dos familiares, as relações se referem ao 
incentivo, a participação, ao dispêndio dos melhores cuidados à criança e ao 
adolescente hospitalizado”. (2009, p.124). 
 Continuando com os trabalhos perguntamos sobre seus afazeres no 
cotidiano do GACC. Respondeu-nos: 
 Eu não fico parada, ajudamos nas tarefas do dia a dia, e eu irei fazer o curso de 
corte e costura, aqui no GACC, nós não ficamos apenas cuidando de nossas 
crianças, ele oferece cursos para podermos ganhar uma renda a mais. 
É interessante a importância que o GACC trabalha em prol da família da 
criança/paciente, seja emocional, afetivo e financeiro é transformar a situação 
familiar em todos os aspectos. Outra pergunta que não poderia deixar de ser 
mencionada: Você acha que seu filho se sente melhor, se relaciona melhor 
com os outros a partir deste trabalho realizado no GAAC? Por quê? 
Respondeu-nos: 
 Sim, minha filha gosta muito de ficar aqui, o GACC nos trata muito bem, aqui 
minha filha fica com outras crianças, brinca, estuda, ela melhorou muito quando 
viemos para cá, até com sua alimentação, pois quando ela fica com as crianças 
a alimentação é mais divertida. 
 Segundo estudos de Vygostky (1998, p.177): 
[...] embora as crianças dependam de cuidado prolongado, elas participam 
ativamente do próprio aprendizado nos contextos da família e da comunidade. 
Vygotsky em seus estudos nos mostra que as crianças dependem de cuidado 
prolongado quer sejam sadias ou não. Elas participam do próprio aprendizado, 
40Rua Tupinambá, nº 606 - Bairro Tapajós - Mundo Novo - MS www.unifahe.com.br @unifaheoficial /unifahe
PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
que ocorre entre família e comunidade. Com isto se faz necessário salientar que 
a socialização e interação da criança/paciente é primordial, pois trabalhar a 
mesma neste ponto de vista favorece para o seu desenvolvimento e por 
consequência o processo de ensino aprendizagem. 
 
 
 
 
 
BIBLIOGRAFIA 
 
AMARAL, Daniela Patti; SILVA, Maria Teresinha Pereira. Formação e Prática 
Pedagógica em Classes Hospitalares: Respeitando a cidadania de crianças e 
jovens enfermos. Disponível emda Pedagogia Hospitalar acontece por meio de variadas 
atividades lúdicas e recreativas como a arte de contar histórias, brincadeiras, 
jogos, dramatização e a continuação dos estudos no hospital. A sistemática do 
trabalho de Pedagogia hospitalar dependerá da instituição, ou seja, da 
disponibilidade do espaço físico oferecido pelo hospital. 
Para Matos e Mugiatti (2008), a educação é mediadora de transformações 
sociais, em busca de uma sociedade mais justa e com as demandas da formação 
continuada surgem alterações no espaço educacional, como é o caso da 
Pedagogia Hospitalar que visa atender um público alvo de crianças, jovens, 
adultos, adolescentes em tratamento longo hospitalar para responder e valorizar 
seus direitos a educação e a saúde. 
A atuação do pedagogo é reforçar e dar continuidade aos estudos dos alunos, 
ou seja, um trabalho multidisciplinar no contexto hospitalar. A Pedagogia 
Hospitalar veio para atuar num trabalho integrado e de sentido complementar 
incentivando o aluno a não desistir dos estudos e futuramente dar continuidade 
fora dali ao retorno do ensino formal, portanto, “Inovar, abrir novos caminhos, 
nunca foi tarefa das mais fáceis” (MATOS, 2002, p. 23). 
De acordo com Libâneo (1997), o curso de pedagogia é uma das ciências que 
estuda a educação como uma prática complexa, o autor retoma a reflexão sobre 
o curso de pedagogia e o profissional pedagogo, em face de reformulação 
orientada por novos Parâmetros Curriculares Nacionais. E, certamente suas 
análises contribuirão para a formulação de um novo desenho curricular para o 
Curso de Pedagogia. A Pedagogia Hospitalar abre o leque para um novo 
conceito de educação não formal. “A pedagogia, ciência que tem a prática social 
da educação com objetivo de investigação e de exercício profissional no qual se 
conclui a docência, embora nele se concluam outras atividades de educar”. 
(LIBÂNEO, 2007) 
A figura da Pedagogia Hospitalar surge no Brasil, com raízes em solo 
paranaense em que um novo olhar surge ao ver o Pedagogo, não apenas com 
o educador escolar, mas também como facilitador dos processos educacionais. 
Diversas são as áreas de atuação em que esse profissional inserido no mercado 
de trabalho, o trabalho hospitalar apresenta como mais uma função do pedagogo 
que é a atuação na instituição hospitalar. 
Matos e Mugiatti (2008), ressalvam que o esforço das instituições hospitalares 
ao abrirem espaço para esta nova realidade do ensino, contribui com a proposta 
de auxílio escolar à criança hospitalizada em idade escolar. Trata-se de estimular 
09Rua Tupinambá, nº 606 - Bairro Tapajós - Mundo Novo - MS www.unifahe.com.br @unifaheoficial /unifahe
PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
e dar continuidade aos estudos para que a criança ou o adolescente não venha 
interromper o ritmo de aprendizagem. 
A Pedagogia Hospitalar teve seu primeiro projeto executado na rede hospitalar 
no Estado do Paraná, a partir de parceria com a Secretaria de Educação e 
Saúde. Segundo Matos (2002), hoje além de haver classes hospitalares, há em 
atendimento escolar ao doente em casas de apoios, e em entidades que prestam 
atendimento ao doente em fase escolar. O atendimento pode também se 
estender ao domicílio do aluno que, por motivos de saúde não possa frequentar 
a escola. 
Podemos citar que a Pedagogia Hospitalar é um processo alternativo de 
educação continuada que ultrapassa o contexto formal da escola. A atuação do 
pedagogo nos hospitais consiste também na formação da classe hospitalar com 
finalidade de recuperar a socialização da criança num processo de inclusão, 
dando continuidade à sua aprendizagem. O ambiente da classe hospitalar 
necessita ser diferenciado, acolhedor, com estimulações visuais, brinquedos, 
jogos, ambiente alegre e aconchegante. 
No hospital, junto aos pacientes que estão perdendo aula, deixando de aprender 
por motivo de doença, os pedagogos estarão lá para entender as dificuldades 
dos pacientes e proporcionar a eles a realização do processo educativo, levando 
atividades diversificadas de escrita, leitura, matemática e jogos para garantir o 
desenvolvimento intelectual e acompanhamento escolar. 
A Pedagogia Hospitalar é um ramo da educação que proporciona à criança e ao 
adolescente hospitalizado uma recuperação mais aliviada, através de atividades 
lúdicas, pedagógicas e recreativas. Além disso, previne o fracasso escolar, que 
nesses casos, é gerado pelo afastamento da rotina escolar. Pretende-se, 
portanto, integrar o doente no seu novo modo de vida tão rápido quanto possível 
dentro de um ambiente acolhedor e humanizado, mantendo contatos com o meio 
exterior privilegiando às suas relações sociais e reforçando os laços familiares. 
 A Pedagogia Hospitalar é capaz de promover um elo entre a criança ou do 
adolescente hospitalizado com o mundo que ficou fora do hospital. Para Fonseca 
(2002, p.58), “a sala de aula do hospital é a janela por onde a criança se conecta 
com o mundo.” Um ambiente que poderia ser frio e desconfortante, acaba sendo 
transformado com a vinda da pedagogia hospitalar. 
 
A Classe Hospitalar 
10Rua Tupinambá, nº 606 - Bairro Tapajós - Mundo Novo - MS www.unifahe.com.br @unifaheoficial /unifahe
PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
A Classe Hospitalar visa atender pessoas que se encontram hospitalizada em 
recuperação e que não podem por este motivo frequentar a escola. Devido ao 
tempo destinado a internação para tratamento médico. 
Consta em Esteves (2008, p.2), que a Classe Hospitalar tem seu início em 1935, 
quando Henri Sellier inaugurou em Paris a primeira escola para crianças 
inadaptadas. “Seu exemplo foi seguido na Alemanha, em toda a França, na 
Europa e nos Estados Unidos, com o objetivo de suprir as dificuldades escolares 
de crianças tuberculosas.” 
Esteves (2008) afirma ser possível considerar como marco decisório das escolas 
em hospital a Segunda Guerra Mundial, mediante o grande número de crianças 
e adolescentes atingidos, mutilados e impossibilitados de ir à escola. Esta triste 
realidade acabou por propiciar um novo atendimento ao ambiente hospitalar 
abrindo a porta para a educação entrar e poder de forma pedagógica contribuir 
para melhora no tratamento das crianças e jovens enfermos. 
Dados do autor revelam que em 1939 foi criado na França o C.N.E.F.E.I. - Centro 
Nacional de Estudos e de Formação para a Infância Inadaptadas de Suresnes – 
com o objetivo de formar professores para o trabalho em institutos especiais e 
em hospitais, também foi criado em 1939 o Cargo de Professor Hospitalar junto 
ao Ministério da Educação do país. 
De acordo com Esteves (2008, p.3), em 2002 o Ministério da Educação no Brasil, 
por meio de sua Secretaria de Educação Especial elaborou um documento de 
estratégias e orientações para o atendimento nas classes hospitalares, 
assegurando o acesso à educação básica. Em Santa Catarina, a SED baixou 
Portaria que “Dispõe sobre a implantação de atendimento educacional na Classe 
Hospitalar para crianças e adolescentes matriculados na Pré-Escola e no Ensino 
Fundamental, internados em hospitais” (Portaria nº. 30, SER, de 05/ 03/2001). 
Esta portaria estabelece que todo o aluno que frequenta a Classe Hospitalar 
possua um cadastro com os dados pessoais, de hospitalização e da escola de 
origem, sendo que ao final de cada aula o professor deverá fazer registros nesta 
ficha com os conteúdos que foram trabalhados as informações que forem 
necessárias. 
No caso de alunos que frequentam a classe por três dias ou mais é realizado 
contato telefônico com a escola, comunicando a participação na Classe 
Hospitalar e adquirindo informações a respeito dos conteúdos que estão sendo 
trabalhados, no momento, em sua turma. Após alta hospitalar é enviado relatório 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
descritivo das atividades realizadas, e do seudesempenho, assim como 
posturas adotadas e as dificuldades apresentadas. 
Segundo Ortiz e Freitas (2001), a Classe Hospitalar assume identidade 
educacional, ao utilizar os conteúdos escolares, com metodologias lúdicas, 
oferecendo ao educando hospitalar uma oportunidade de vida intelectiva e socio-
interativa, o paciente-aluno necessita de horários especiais para estar na classe 
hospitalar, deve ser observado pelo educador a rotina do hospital, em momento 
algum o profissional da educação deve intervir nos serviços de enfermagem, 
médicos e outros. 
O horário da classe hospitalar deve funcionar de forma que não prejudique o 
atendimento hospitalar do paciente e o objetivo da classe hospitalar deve ser o 
de promover uma assistência preventiva para combater o fracasso escolar, a 
reprovação e evasão. 
De acordo com Wolf (2007) a Classe Hospitalar dependerá da instituição, ou 
seja, da disponibilidade do hospital em termos de espaço físico. Cabe ressaltar, 
que a classe não deixará de existir por falta de espaço, pois pode ser adaptado 
de acordo com a observação do pedagogo e este fará as adequações 
necessárias para que a criança se sinta bem. Se necessário pode acontecer até 
mesmo no próprio leito. 
O trabalho da Classe Hospitalar faz com que haja diminuição do risco de 
comprometimento mental, emocional e físico dos enfermos. No entanto, as 
atividades são coordenadas de forma a dar um suporte e continuidade ao 
trabalho escolar das crianças. 
Matos (2008), faz um alerta de que é preciso que o professor conheça a 
realidade do aluno, observe o seu desempenho e proponha atividades coerentes 
com o seu conhecimento e estimuladoras de novas aprendizagens. 
De acordo com Neto (2009), o trabalho de Classe Hospitalar, abre-se para a 
necessidade de formular propostas e aprofundar conhecimentos metodológicos, 
visando atingir o objetivo de dar continuidade aos processos de desenvolvimento 
psíquico e cognitivo das crianças e jovens hospitalizados. 
De acordo com Oliveira, Souza Filho e Garcia (2008) a Classe Hospitalar atende 
criança e adolescentes internados com a finalidade de recuperar, realizando a 
socialização da criança e dando continuidade a sua aprendizagem. 
Ao passo que, a escola proporciona hábitos de rotina e de socialização 
necessários para o desenvolvimento da criança, a classe hospitalar por sua vez 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
aproxima a criança da perca causada pelo período de internação favorecendo a 
auto-estima. 
De acordo com as autoras a Classe Hospitalar deve ser acolhedora, com 
estimulações visuais, brinquedos e jogos. As atividades devem ser coordenadas 
de forma a oferecer para este paciente, continuidade ao trabalho escolar 
proporcionando que o mesmo retorne ao ambiente escolar sem maiores 
prejuízos. 
A Classe Hospitalar possibilita a compensação de faltas e devolve um pouco de 
normalidade à maneira de viver da criança integrando a criança doente num novo 
modo de vida dentro do contexto acolhedor e humanizado, mantendo contato 
com o mundo exterior, privilegiando suas relações sociais e familiares. 
Nesse sentido, de acordo com Esteves (2008) a Classe Hospitalar constitui-se 
numa necessidade para o hospital, crianças, adolescentes, famílias e para a 
equipe de profissionais ligados a educação e a saúde. Trata-se de uma questão 
social que deve ser vista com seriedade e responsabilidade para promover uma 
melhor qualidade de vida ao educando em situação de internamento. De acordo 
com Esteves: 
A classe hospitalar se dirige às crianças, mas deve se estender às famílias, (...) 
buscando recuperar a socialização da criança por um processo de inclusão, 
dando continuidade a sua aprendizagem. Esta inclusão social será o resultado 
do processo educativo e re-educativo. Embora a escola seja um fator externo à 
patologia, a criança irá mantém um vínculo com seu mundo exterior através das 
atividades da classe hospitalar. Se a escola deve ser promotora da saúde, o 
hospital pode ser mantenedor da escolarização. (ESTEVES, 2008, p.5). 
A autora alerta para que o atendimento pedagógico hospitalar seja realizado por 
um profissional capacitado, em desenvolver e aplicar conceitos educacionais, e 
estimular as crianças na aquisição de novas competências e habilidades, além 
de ressaltar a importância de um ambiente adequado com recursos próprios 
dentro do hospital apropriado para desenvolver um trabalho de interação e 
intervenção entre a criança e a aprendizagem. Neste contexto: 
A intervenção faz com que a criança mantenha rastros que a ajudem a recuperar 
seu caminho e garantir o reconhecimento de sua identidade. O contato com sua 
escolarização faz do hospital uma agência educacional para a criança 
hospitalizada desenvolver atividades que a ajudem a construir um percurso 
cognitivo, emocional e social para manter uma ligação com a vida familiar e a 
realidade no hospital. (ESTEVES, 2008, p.5-6). 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
Ainda sobre a formação do professor hospitalar, a autora discorre que este 
deverá ter formação pedagógica, de preferência em Educação Especial ou em 
curso de Pedagogia e terá direito ao adicional de insalubridade1. Ele deverá ter 
sensibilidade, compreensão, criatividade e força de vontade para realizar tal 
atuação elaborando projetos que integrem a aprendizagem, de maneira 
específica para crianças hospitalizadas adaptando-as aos padrões que fogem 
da educação formal, resgatando e integrando-as ao contexto educacional. 
Considera-se, portanto fundamental a classe hospitalar e a qualificação do 
professor neste ambiente reconhecendo a importância deste momento na vida 
da pessoa em situação de internamento. 
 
A PRÁTICA PEDAGÓGICA EM AMBIENTE HOSPITALAR: brinquedoteca, 
artes, literatura e grupos de trabalho 
O trabalho pedagógico engloba diversas atividades que vão desde a Classe 
Hospitalar passando pela brinquedoteca e a utilização de artes e literaturas a 
serem trabalhadas fora ou dentro destes ambientes, mesmo que seja no leito do 
aluno-paciente. 
O objetivo da Pedagogia Hospitalar também é oferecer atendimento ao paciente 
criança ou jovem em horários flexíveis para não intervir no atendimento médico 
ou nos cuidados de enfermagem. 
Realiza-se estratégias e metodologias usadas na classe hospitalar com a 
finalidade de ajudar na adaptação, motivação e por outro lado ocupar o tempo 
ocioso. “A prática do pedagogo se dará através das variadas lúdicas e 
recreativas como a arte de contar histórias, brincadeiras, jogos, dramatização, 
desenhos e pinturas, a continuação dos estudos no hospital’’. (WOLF, 2007, p.2). 
A prática pedagógica ao atender uma criança ou adolescente hospitalizado 
difere do cotidiano escolar sendo assim, necessita de uma visão mais ampla do 
profissional. “A construção de prática pedagógica, para atuação em ambiente 
hospitalar, não pode esbarrar nas fronteiras, tradicionais” (MATOS; MUGIATTI, 
2008 p. 115). 
 
1 Insalubridade refere-se a trabalho de risco sendo favorecido com aditivo salarial. Segundo 
a Constituição Federal, Art. 7º, inciso XXII, todo trabalhador que desenvolve atividades 
consideradas penosas, insalubres ou perigosas na forma da lei tem direito de receber 
adicional de insalubridade em seus vencimentos. 
 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
O educador deve estar de posse de habilidades e ser capaz de refletir sobre 
suas ações pedagógicas. Exercer suas atividades de acordo com as relações 
multi / inter / transdisciplinares. O pedagogo nesse contexto promove a 
humanização, pois o educador é o que proporciona e o que se ocupada 
educação. 
O educador na classe hospitalar, além de interagir com o ambiente hospitalar ele 
realiza seu trabalho de forma interdisciplinar, aberto para mudanças de acordo 
com a realidade, porém, mesmo se tratado de um ensino não formal, é preciso 
a elaboração de projetos e posteriormente a execução de sua prática. “(...) as 
evoluções das ações do projeto têm mostrado a necessidade de flexibilidade 
frente às situações que se apresentam: cada caso é um caso, cada dia é 
diferente do outro.” (MATOS; MUGIATTI, 2008, p. 128). 
De acordo com Matos e Mugiatti (2008), é preciso observar os limites em relação 
á doença e a causa da hospitalização e necessário conhecerem o estado clínico 
de cada criança ou adolescente, e é o médico quem traz estas informações. 
Os projetos podem acontecer de acordo com a necessidade de cada educando 
de forma lúdica, utilizando-se projetos de leituras, projetos culturais e projetos de 
inclusão digital, mural interativo, podem ser trabalhados em salas de esperas e 
realizar projetos de prevenção, entre outras possibilidades que a realidade de 
cada contexto possa apresentar. 
De acordo com Wolf (2007), a prática do pedagogo na Pedagogia Hospitalar 
poderá ocorrer em ações inseridas nos projetos e programas nas seguintes 
modalidades de cunho pedagógico e formativo: nas unidades de internação; na 
ala de recreação do hospital; para as crianças que necessitarem de estimulação 
essencial; com classe hospitalar de escolarização para continuidade dos estudos 
e também no atendimento ambulatorial. 
 Para Wolf (2007), a Pedagogia Hospitalar busca modificar situações e atitudes 
junto ao enfermo, as quais não podem ser confundidas com o atendimento à sua 
enfermidade. Isso exige cuidado especial no desenvolvimento das atividades. 
Cabe também ao pedagogo adaptar e trabalhar afetivamente em envolvimento 
com o doente e a modificação do ambiente em que a pessoa está envolvida. 
Pimenta (apud WOLF, 2007, p. 05), define o trabalho do pedagogo hospitalar 
atribuíndo-o a diversos papéis, “(...) atue como gestor/ pesquisador/ coordenador 
de diversos projetos educativos, dentro e fora da escola (...)”. 
 Wolf (2007), afirma que a pedagogia trata a educação como um campo 
educativo e vasto, pois a educação ocorre em muitos âmbitos. O curso de 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
Pedagogia em âmbito nacional passa por um momento de reformulação e 
elaboração de suas Diretrizes Curriculares, mostrando que o campo da 
pedagogia não se restringe somente no campo ou espaço escolar. A pedagogia 
hospitalar proporciona a criança ou adolescente a dar continuidade aos estudos 
mesmo fora da sala de aula formal. Neste contexto Wolf (2007), descreve como 
é realizado o trabalho pedagógico hospitalar possibilitando o entendimento a 
cerca desta prática. 
Na nossa realidade a rotatividade é maior, são poucos os casos de crianças que 
chegam a ficar por mais de três semanas internadas. Quando ultrapassa 10 dias 
de internamento e os pais informam que o tratamento exigirá mais dias de 
estadia no hospital, estabelecemos contato com a escola para preparar as 
atividades de escolarização. Como isso não ocorre na maioria dos casos, 
trabalhamos com essa criança em idade escolar através de atividades diversas. 
O trabalho com leitura no âmbito da classe hospitalar é uma atividade agradável 
que, não só preenche o tempo ocioso, mas também propicia e dinamiza a 
compreensão e atribuição de sentido sobre o conteúdo a ser desenvolvido. 
(WOLF, 2007, p.6). 
De acordo com a autora, a leitura na prática pedagógica hospitalar favorece 
muito ao enfermo, principalmente com relação a literatura infantil e infanto-
juvenil, promove a capacidade de despertar e estimular a fantasia, a imaginação 
e a criatividade, envolve emocionalmente a criança hospitalizada ao ponto de 
amenizar o estado de ansiedade em que muitas se encontram. 
Para Oliveira (2008), a percepção de que mesmo doente à criança pode brincar, 
pode aprender, criar e principalmente continuar interagindo, socialmente, muitas 
vezes ajuda na recuperação, assim, a criança terá uma atitude mais ativa diante 
da sensação de si sentir vítima mediante a situação. 
A prática pedagógica utilizando diversos recursos tem como objetivo único 
favorecer a estadia da criança/adolescentes/paciente integrando-a com 
situações de aprendizagens, não só dando contunuidade ao trabalho escolar, 
mas também, oportunizando momentos de descontração e prazer, podendo 
contribuir de forma efetiva para melhora da qualidade de vida da pessoa em 
situação de internação. 
 
HUMANIZAÇÃO EDUCACIONAL: a integração das equipes de trabalho que 
fazem parte do contexto hospitalar 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
O trabalho realizado pelo pedagogo no ambiente hospitalar visa humanizar este 
espaço, pois, possibilita ao profissional trabalhar com maior flexibilidade e 
interação com a criança ou adolescente interno, sua família e os diversos 
profissionais envolvidos com o tratamento, fazendo adaptações quando 
necessárias. A pedagogia realiza um processo educativo com a colaboração e 
participação de todos da equipe de saúde, envolvidos com o mesmo objetivo de 
favorecer o tratamento e cura do paciente. 
De acordo com Esteves (2008), a Pedagogia Hospitalar tem se expandindo no 
atendimento às crianças hospitalizadas em muitos hospitais do Brasil priorizando 
a visão humanística, compreendendo o ser humano de forma global nas suas 
necessidades físicas, emocionais, afetivas e sociais. 
A autora considera que a inserção do ambiente escolar no período de internação 
é importante para a recuperação da saúde da criança reduzindo a ansiedade e 
o medo proeminentes da doença. 
Porto (2008), cita que a humanização já é trabalhada nos hospitais e começa 
pela entrada e se estende a todos os ambientes hospitalares, destaca-se ainda 
que a ética é o principal componente para se estabelecer a humanização. 
Esteves (2008), pontua que a filosofia da pedagogia humanística defende o 
direito de toda criança e adolescente à cidadania, e o respeito às pessoas com 
necessidades educacionais especiais e no direito de cada um ter oportunidades 
iguais. 
De acordo com Matos e Mugiatti (2008), as mudanças requerem ações e 
comprometimentos do profissional ao objetivo maior da educação que é inovar 
desafiando velhos sistemas ousando para alcançar o ato final que é o educar. 
Cabe aos profissionais da educação se sentirem parte da equipe hospitalar, pois, 
o seu trabalho de educar é social, contribui para a auto-estima do doente, o 
professor da classe hospitalar é um agente de mudanças mediante ações 
pedagógicas integradas. Por assim considerar, o papel do educador é vencer os 
desafios do ambiente hospitalar, seu êxito está nas contribuições que presta 
fazendo do ato de viver uma grande oportunidade para o ensino aprendizagem. 
É preciso destacar que o ambiente hospitalar afasta o doente por um período da 
sociedade, provocando privações. E o isolamento da escola onde o aluno estaria 
em pleno período de aprendizagem, desenvolvendo a comunicação e troca de 
experiências e estes fatores podem gerar sequelas para toda a vida. Sendo 
assim, a Pedagogia Hospitalar entra com um recurso contributivo a cura. Pois, a 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
mesma favorece o resgate da humanização e da cidadania, aproximando o aluno 
ao ambiente escolar. 
Para Matos e Elizete (2008) a interdisciplinariedade corresponde aos diversos 
saberes conferidos em ambiente hospitalar, como sensível resposta à formação 
da vida com a saúde. 
Porto (2008), ressalta que para que todo trabalho hospitalar se torneeficiente e 
eficaz, é imprescindível a organização de toda comunidade hospitalar. Antes de 
começar um trabalho em equipe é importante conhecer seus participantes, e 
para isto é necessário o ato de observar cada membro, pois a observação é o 
ponto de partida para se formar uma equipe participativa e comprometida com o 
grupo e o trabalho a ser desempenhado”. 
Para Porto (2008, p. 30), “[...] O primeiro passo é entender o que são grupos e 
equipes para fazermos uma inferência em nosso trabalho”. Ainda com o mesmo 
autor (2008, p. 32) “São necessários treinamentos e qualificações profissionais 
constantes, tanto individual quanto coletivamente”. 
As equipes são conduzidas pelos objetivos e pelas metas imediatas e que a 
motivação é fator principal para o andamento do trabalho, e a integração um dos 
participantes da equipe. 
Porto (2008), entende que é necessária a formação de projetos e a reavaliação 
de objetivos para que o trabalho seja executado de forma coesa e precisa, e se 
faz necessário um grupo com efetiva participação. 
Destaca-se que é preciso conhecer as necessidades do grupo e pô-las a lutar, 
dividindo tarefas e multiplicando resultados positivos. É necessário para um bom 
trabalho em equipe o comprometimento e o envolvimento de cada membro e que 
essa coesão é essencial para fazer-se cumprir as normas, alcançando assim, a 
proposta do trabalho cuja fidelidade é se chegar aos resultados, portanto é 
necessária a interação do grupo. 
O trabalho de equipe deve ser harmônico, e a solidariedade é fundamental para 
o andamento de um trabalho seguro e completo. Para Porto (2008), o maior 
objetivo do trabalho pedagógico é realizar apoio em relação ao aprendizado do 
paciente interno de forma a promover a humanização deste contribuindo para a 
promoção da sua saúde. 
O trabalho hospitalar oferece momentos de alegria e bem-estar, estimulando 
assim, a auto-estima. A autora destaca a importância da escuta pedagógica no 
processo de humanização da prática pedagógica hospitalar, referindo ao fato de 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
que a criança ou adulto tem a necessidade de ser observado como um todo e 
não apenas como um aluno, observando seu estado físico, levando em 
consideração que o mais importante é a sua saúde, se for necessário cancelar 
aquele momento de estudo em grupo ou individual, o professor deverá fazê-lo 
em favor do bem estar do mesmo. 
Segundo Oliveira, Souza Filho e Gonçalves (2008) a escuta pedagógica é o ato 
de enfatizar as necessidades imediatas da criança, sua necessidade de 
aprendizagem para que futuramente a mesma possa regressar à sala de aula. 
De forma que as mesmas retornem aos seus estudos sem prejuízos, contribui 
ainda para o desenvolvimento cognitivo da criança hospitalizada. 
A escuta pedagógica deve observar cada gesto e atitude da criança/paciente 
reconhecendo que no âmbito hospitalar a criança se encontra em momento 
delicado de sua vida, se faz necessário a atuação da escuta pedagogia, o afeto 
e a atenção do professor. 
Para Elias (2010), o ofício do professor dentro do hospital apresenta sua fase de 
forma a contribuir com a criança na sua formação evolucional, no sentindo de 
tornar menos traumático, pois ele enfrenta esse momento de dor podendo 
compartilhar com outra a dor por meio do diálogo e da escuta atenciosa. A escuta 
pedagógica serve para realizar conexões, atender as necessidades intelectuais, 
das emoções e do pensamento. 
De acordo com Elias (2010), a escuta pedagógica acontece diariamente, ao 
entrar e ao sair da classe hospitalar o professor não está ali para intervir no 
tratamento clínico, mas para observá-lo em seus aspectos social, afetivo, 
emocional e cognitivo. O trabalho é contínuo, enquanto for necessária a 
presença do docente no âmbito hospitalar, ou seja, enquanto durar a assistência 
hospitalar, pois a finalidade é não permitir retrocesso escolar ou danos quanto 
ao ano letivo. 
A escuta pedagógica se refere à compreensão de expectativas e sentido, 
ouvindo através das palavras do que é dito e observando os momentos de 
silêncio, ouvindo as expressões e gestos. 
A escuta não se limita ao campo da fala ou do que é falado. A escuta pedagógica 
atenta e sensível, pode-se colaborar para o resgate da auto-estima contribuindo 
para o bem-estar e a saúde da criança hospitalizada. No momento da escuta, o 
professor se torna um pesquisador, ele não julga não mede, não compara, ele 
se relaciona com o outro e o conhece em sua totalidade sem dar opiniões no que 
é dito ou feito. 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
De acordo com Porto (2008), a relação de observar o outro, escutar, analisar, 
compreender seu estado é uma relação cotidiana, dinâmica, que ocorre através 
da interação entre o professor e o aluno. Assim, o pedagogo atende o aluno 
como um ser humano e não como um objeto de trabalho. 
É preciso aderir a uma forma de trabalho humanizada em todas as áreas da 
educação e principalmente no ambiente hospitalar dados os cuidados 
necessários com a pessoa enferma. Nesse sentido, a integração dos grupos e 
equipes de trabalho, assim como a escuta e atenção especializada se torna 
urgente e essencial para o bom trabalho educacional e bem estar da 
criança/adolescente hospitalizada. 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A Pedagogia Hospitalar busca apresentar outro campo de atuação ao 
profissional da educação. Este campo já existe e já acontece em algumas 
instituições, embora não alcance a todas as realidades. Percebe-se dessa forma 
a necessidade de inserção de pedagogos na área hospitalar para garantir o 
direito à continuidade de ensino conforme a lei estabelece-a educação para 
todos. 
Cabe ressaltar, que muito ainda se tem a avançar para execução de um trabalho 
pedagógico com qualidade. Exemplo disso é a necessidade de preparo desse 
profissional em centros de graduação de ensino formando pedagogos 
especializados no trabalho hospitalar. 
O trabalho pedagógico hospitalar favorece o desenvolvimento e aprendizagem 
do aluno hospitalizado garantindo o direito e a continuidade aos estudos, já que 
sem este trabalho, a criança ficaria privada aos estudos e limitada a continuar se 
desenvolvendo e aprendendo os conteúdos escolares. 
A hipótese levantada foi confirmada no instante que evidencia a necessidade de 
uma prática hospitalar direcionada e especializada, considerando a importância 
deste profissional preparando-o a ocupar este lugar específico e auxiliar o aluno 
juntamente com a equipe de saúde neste momento delicado, realizando um 
processo de humanização do educar. 
O objetivo desta pesquisa bibliográfica também foi alcançado, pois foi possível 
demonstrar a importância do profissional de pedagogia no ambiente hospitalar e 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
que esta proposta se desenvolve num trabalho de parceria, responsabilidade e 
compromisso com o educando de forma contextualizada e integrada. 
Os autores pesquisados contribuíram com fontes de informação a respeito da 
origem da Pedagógica Hospitalar e como tem sido realizada e elaborada. Os 
dados revelam que o trabalho pedagógico exerce influência significativa na 
evolução do quadro de saúde e oportuniza a continuidade do ensino escolar 
favorecendo as relações entre a equipe de saúde, família e professor-
aluno/paciente. 
A proposta da pedagogia na instituição hospitalar visa realizar um trabalho lúdico 
a partir da formação da classe hospitalar, em que a mesma acontece com a 
observação do educando pela escuta pedagógica e planos de ações condizentes 
com a realidade de cada criança ou adolescente. 
A brinquedoteca e a Classe Hospitalar não seresumem aos únicos ambientes 
de trabalho pedagógico embora esses sejam fundamentais no processo de 
ensino-aprendizado hospitalar e devem ser planejados e estruturados para a 
realização da prática pedagógica. 
O conceito que se pretende firmar é de um trabalho educacional de humanização 
que compreenda a real função do pedagogo de estabelecer ligação da 
criança/adolescente enfermo com a equipe de saúde e dar prioridade a um 
atendimento global que considere a pessoa como um todo. Emocional, físico, 
cognitivo e social, para que a continuidade ao ensino seja efetivada sim, mas 
que acima de tudo a vida seja reestabelecida e possa contribuir para uma melhor 
qualidade de vida, oferecendo esperanças ao aluno hospitalizado. 
Considera-se que este trabalho possa contribuir para futuras pesquisas e não se 
esgote como fonte de conhecimento. Sugere-se aprofundamento da temática 
direcionada ao trabalho e atendimento pedagógico à pessoas adultas ou senis e 
pesquisar como estes têm recebido acompanhamento e propostas lúdicas em 
ambiente hospitalar, já que esta pesquisa se trata de trabalho de conclusão 
realizado no curso de licenciatura em Pedagogia e esta voltado ao público 
escolar de educação infantil e ao ensino fundamental de primeiro ao quinto ano. 
 
REFERÊNCIAS (parciais) – Literatura Complementar 
 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
CECCIM, Ricardo Burg; FONSECA, Eneida Simões. Atendimento pedagógico 
educacional hospitalar: promoção do desenvolvimento psíquico e cognitivo da 
criança. 
 
ESTEVES, Cláudia R. Pedagogia Hospitalar: Um breve histórico. Publicado em 
2008. Disponível em: www.smec.salvador.ba.gov.br. Acesso em: 09 out. 2010. 
 
MATOS, Elizete Lúcia Moreira; MUGIATTI, Margarida Maria Teixeira de Freitas. 
Pedagogia Hospitalar: a humanização integrando educação e saúde. 4. ed. Rio 
de Janeiro: vozes, 2009. p. 67-85. 
 
 
PEDAGOGIA HOSPITALAR: ACOMPANHAMENTO 
PEDAGÓGICO EM AMBIENTE NÃO ESCOLAR JUNTO AO 
GRUPO DE APOIO A CRIANÇA COM CÂNCER – GACC 
Disponível em: 
 http://www.proceedings.scielo.br/pdf/cips/n4v2/01.pdf 
 
Luciane Soraia Carmo dos Santos Freire1 
 
1 Graduanda do Curso de Pedagogia do Centro Universitário de Ensino Superior do 
Amazonas 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
Vanúbia Almeida de Miranda1 
Katiania Barbosa de Oliveira2 
Maria Rosemi Araújo do Nascimento3 
 
RESUMO 
O presente trabalho surgiu a partir de debates realizados junto à disciplina 
Pesquisa, projetos e práticas educativas em ambientes não escolares do Curso 
de Pedagogia do CIESA. Os objetivos para a realização da mesma: 
Compreender o papel do pedagogo em ambiente não escolar, especificamente 
no GACC5 em Manaus/Amazonas, Identificar as práticas pedagógicas realizadas 
por este profissional, Verificar junto aos pais sua visão acerca da importância do 
profissional pedagogo no GACC e por fim analisar as políticas públicas 
existentes em consonância a visão do gestor do grupo de apoio pesquisado. 
Com isto, este estudo justifica-se pela relevância social que o mesmo trará para 
a comunidade local junto ao grupo pesquisado e a comunidade científica. A 
Pedagogia Social e ou Pedagogia em Ambiente em Ambientes não escolares 
permaneceu por um longo período, negada, visto que este profissional 
anteriormente exercia sua prática profissional apenas em ambiente escolar 
formal. Isto se dava ora por falta de políticas públicas que efetivassem de forma 
obrigatória a presença deste profissional - nos diversos âmbitos onde a prática 
pedagógica, psicológica e social fossem requeridas -, ora por falta de abertura 
do mercado. É necessário compreender que quando se refere à Pedagogia em 
ambiente hospitalar, frisa-se o fato de que os profissionais da área da saúde 
estão preparados para cuidar das questões referentes às patologias clínicas do 
sujeito, mas em sua formação a preparação que ocorre no curso de pedagogia 
que é voltada para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social do sujeito 
inexiste e é neste momento que o pedagogo dá continuidade a formação da 
criança/paciente em suas questões pedagógicas e de aprendizagem. O paciente 
independente da gravidade do quadro clínico tem garantido os seus direitos a 
educação escolar garantida a partir do estatuto da Criança e do Adolescente 
 
1 Graduanda do Curso de Pedagogia do Centro Universitário de Ensino Superior do 
Amazonas – (CIESA). 
2 Professora Ms. em Educação e orientadora da pesquisa do Centro Universitário de 
Ensino Superior do Amazonas (CIESA). 
3 Professora Ms. em Ensino de Ciências na Amazônia e coorientadora da pesquisa do 
Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). Grupo de Apoio a 
Criança com Câncer – GACC. 
23Rua Tupinambá, nº 606 - Bairro Tapajós - Mundo Novo - MS www.unifahe.com.br @unifaheoficial /unifahe
PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
hospitalizado, através da Resolução nº. 41 de outubro e 1995. Quantos aos 
procedimentos metodológicos a pesquisa está fundamentada na abordagem 
teórico-metodológica da psicologia socio-histórica. Assim esta pesquisa 
denominada por qualitativa aqui está delineada por: observação participante, 
entrevistas semiestruturadas e análise documental. 
 
Palavras-Chave: Pedagogia Hospitalar, Políticas Públicas, Sujeito, Ensino 
Aprendizagem. 
 
 
 
 
OBJETIVO GERAL 
 Conhecer a ação do pedagogo hospitalar no Grupo de Apoio a Criança com 
Câncer (GACC) na cidade de Manaus. 
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
• Relatar as atividades realizadas pelo pedagogo hospitalar; 
• Identificar as metodologias utilizadas pelo pedagogo hospitalar; 
• Caracterizar as dificuldades encontradas pelo pedagogo em 
ambiente hospitalar; 
• Destacar a relevante presença do pedagogo em ambiente 
hospitalar no GACC. 
 
PROBLEMA 
 O pedagogo tem realmente desenvolvido seu papel como mediador do processo 
de ensino aprendizagem fora do ambiente formal junto aos hospitais? 
 
JUSTIFICATIVA 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
 É de suma importância a compreensão de que todas as crianças independentes 
de qualquer fator têm direito a educação e a cidadania, apesar da luta travada 
em relação a esses direitos, alguns avanços foram alcançados dentre eles o 
direito a educação quando o aluno se encontra afastada da escola por motivo de 
saúde. 
 A proposta deste trabalho surge com o propósito conhecer a atuação do 
pedagogo frente à pedagogia no contexto hospitalar, onde se faz necessário o 
exercício de sua profissão junto às crianças afastadas do ambiente formal da 
escola por motivos de saúde (em nosso caso, crianças e jovens afastados da 
escola formal devido ao câncer), visto que o mesmo é habilitado para promover 
um trabalho como mediador e intercessor no auxílio de atividades ludo 
pedagógica às crianças e jovens em tratamento. 
 O pedagogo sai do contexto de sala de aula – escola – e surge em outro 
ambiente que necessita de sua atuação. Entre esses ambientes existem o 
próprio hospital, casas de recuperação, casas de apoio a crianças enfermas bem 
como as residências desses alunos. Independentemente do local, sua função é 
mediar o processo de ensino e aprendizagem dessas crianças, não permitindo 
que as mesmas sejam excluídas do sistema educacional, ou discriminadas por 
algum motivo. 
 Em meios aos exames, afastamento do ambiente familiar e escolar, é 
necessário a necessidade de desenvolver elos que ajudarão esses sujeitos a 
não se sentirem excluídos da sociedade, do convívio em grupo. 
Esse elo através do acompanhamento pedagógico hospitalar ou domiciliar será 
um diferencialna vida desses sujeitos, pois possibilita a continuidade de seus 
estudos no hospital ou em casa, e seu retorno à escola sem a perda das 
atividades e estudos decorrente deste período. 
 É importante que se compreenda a função principal do pedagogo hospitalar que 
é o de assegurar a dignidade e uma melhora na qualidade de vida desses 
alunos/pacientes, proporcionando uma aprendizagem de qualidade, onde 
deverá ser respeitado o atendimento de acordo com as condições de cada 
educando no hospital, respeitando suas limitações, e buscando desenvolver 
atividades adaptadas e criativas, envolvendo o aluno/paciente no processo de 
ensino aprendizagem. 
 
INTRODUÇÃO 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
A Pedagogia como ciência social ao longo dos tempos passou por grandes 
mudanças dentro dos seus aspectos históricos quanto a sua prática diária. Tais 
mudanças acrescentaram melhorias fazendo com que a Pedagogia 
ultrapassasse os muros das escolas. 
A partir da reformulação dos cursos de Pedagogia (CNE/2006) a vida escolar e 
a educação formal, deixam de ser o único campo da prática educativa. O 
Pedagogo ganha novo espaço: tudo que concerne à educação passa a ser o seu 
novo foco, a função do pedagogo torna-se abrangente. 
Esta nova visão da pedagogia vem oportunizando aos educadores sua inserção 
na área empresarial, hospitalar, ONGs e em outros setores do mercado de 
trabalho. Dentro deste contexto é importante ressaltar o campo da Pedagogia 
Hospitalar, que busca modificar situações e atitudes junto à criança, 
adolescentes e jovens que por alguma situação estão inseridas em hospitais, as 
quais não podem ser confundidas com o atendimento do seu estado de saúde. 
Portanto, se faz necessário ver a criança hospitalizada como protagonista de sua 
saúde e aprendizagem, passando de objeto a sujeito de seu desenvolvimento. 
 
MARCOS REFERENCIAIS E HISTÓRICOS DA PEDAGOGIA HOSPITALAR 
Em consequência da segunda Guerra Mundial, inúmeras crianças e 
adolescentes em idade escolar, foram mutiladas e feridas, o que motivou a 
permanência delas em hospitais por longos períodos. Diante dessa realidade 
surge então, a classe hospitalar criada por Henri Sellier em 1935 em Paris no 
intuito de tentar amenizar as tristes consequências da guerra e que 
oportunizasse a essas crianças, enquanto alunos, de prosseguir em seus 
estudos ali mesmo no hospital. 
Assim com incentivo de médicos, religiosos e voluntários, a classe hospitalar foi 
conquistando um espaço na sociedade, sendo difundida para vários países. No 
ano de 1939, foi criado em Suresnes, na França, o Centro Nacional de Estudos 
e de Formação para a Infância Inadaptada - C.N.E.F.E.I com o objetivo de 
formar professores para exercer a Pedagogia hospitalar em institutos especiais 
e em hospitais, já que para atuar nessa área exigia-se uma formação 
diferenciada da pedagogia formal (ESTEVES, 2000, p. 02). 
Ainda no ano de 1939, foi criado também o cargo de Professor Hospitalar, junto 
ao Ministério de Educação da França. Na Espanha, desde a década de 80, vem 
se expandindo a educação nos hospitais como modalidade de atendimento 
educacional. Em muitos países já percebem a necessidade da atuação do 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
pedagogo em hospitais, pois uma vez que o paciente se encontra em fase de 
formação como também em idade escolar, torna-se evidente a necessidade de 
um pedagogo que o acompanhe nos demais aspectos, como educativo, social e 
afetivo. 
Já no Brasil, segundo FONSECA, (2003, p, 45) [...] a Classe Hospitalar, surgiu 
na cidade do Rio de Janeiro em agosto de 1950, no Hospital Menino Jesus, na 
qual permanece atuando com a modalidade de atendimento educacional até nos 
dias de hoje. Ainda na década de 50, surgiu a primeira classe hospitalar em São 
Paulo no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Estes primeiros atendimentos 
pedagógicos hospitalares não dispunham de uma sala ou espaço específico, por 
isso, era realizado na própria enfermaria do Hospital. Somente em 1997, o 
Serviço Social de Assistência a Pacientes Internados e o Departamento de 
Pediatria da Faculdade de Medicina entraram com um pedido na Secretaria de 
Educação para a criação do Projeto Classe Hospitalar nos moldes atuais. 
Segundo Fonseca, de 1950 até 1980 existia apenas 01 classe hospitalar no 
Brasil. Sendo que de 1981 a 1990, passou a existir 08 classes, porém de 1991 
a 1998, este número aumentou para 30 classes hospitalares, talvez em 
consequência do ECA - Estatuto da Criança e Adolescente Lei nº 8.069 
oficializado na década de 90. No ano de 2000, eram 67 classes, no entanto, 
números mais recentes, divulgados pelo Censo Escolar de 2006 do Ministério da 
Educação, em parceria, com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas 
Educacionais Anísio Teixeira INEP revelam um total de 279 classes hospitalares 
públicas no Brasil, sendo 160 destas Estaduais e 119 Municipais (1999, p.117, 
118). 
 
 
 
 
A PEDAGOGIA HOSPITALAR E SEU PAPEL DENTRO DA LEI 
No Brasil, a legislação reconheceu através do estatuto da Criança e do 
Adolescente Hospitalizado, através da Resolução nº. 41 de outubro de 1995, no 
item 9, 
[...] a criança “Direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de 
educação para a saúde, acompanhamento do currículo escolar durante sua 
permanência hospitalar”. 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
A criança/paciente quando hospitalizada encontra-se muitas das vezes 
deslocada isto pelo fato de não está com outras crianças e na escola, tornando 
o processo de cura lento e desgastante, por isso se faz necessário que a mesma 
possa ter o direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de 
educação para a saúde, no intuito que o seu desenvolvimento cognitivo não seja 
interrompido. 
A proposta da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (MEC,1996) 
para a criança hospitalizada é a de que a criança disponha de todas as 
oportunidades possíveis para que os processos de desenvolvimento e 
aprendizagem não sejam suspensos. 
Para reforçar esse direito a LDBEN nº. 9. 394/96, por meio da Resolução Nº. 
02/2001 – CNE – instituiu diretrizes nacionais para a Educação Especial na 
Educação Básica no qual em seu artigo 13 assegura dentre outras ações o 
atendimento educacional para aluno hospitalizado. 
Os sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de saúde, 
devem organizar o atendimento educacional especializado para alunos 
impossibilitados de frequentar as aulas por motivo de internação hospitalar, 
atendimento ambulatorial ou permanência prolongada em domicílio. 
Fala-se em educação mais ampla, uma nova visão globalizada, desta maneira é 
necessário que o desenvolvimento e o processo de aprendizagem de 
crianças/pacientes ocorram de fato. Neste contexto não há como as classes 
hospitalares estarem de fora, pois são parceiros fundamentais para que não haja 
a evasão escolar. 
Trabalhar a criança/ paciente é fazer com que o mesmo possa resgatar a sua 
autoestima, sua afetividade e principalmente a vontade de dar continuidade no 
querer aprender. Contudo a efetivação deste direito não ocorre, o que vemos 
são crianças que em sua maioria dependendo do caso, perdem o ano escolar ou 
ficam com grandes lacunas no processo de ensino aprendizagem. 
Um dos maiores fatores que prejudicam ainda mais é a falta de conhecimento 
das leis. Os Hospitais, Institutos de recuperação vinculados à saúde não 
compreendem a importância do trabalho que deve ser realizado pelo Pedagogo 
Hospitalar, estes por sua vez consideram desnecessário este profissional no 
hospital. Desta maneira nos questionamos, a Educaçãoé um direito de todos. 
As crianças hospitalizadas também estão incluídas ou excluídas deste direito? 
A Constituição Federal de 1988 em seu art. 206 responde este questionamento, 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
A Educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, deverá ter o 
apoio da sociedade, visando o desenvolvimento da pessoa, seu preparo para 
exercer a cidadania e sua qualificação para o trabalho. 
 Portanto, sendo a educação um direito de todos, a criança hospitalizada está 
apta a receber esse direito e o Estado deve cumprir todas as medidas para o seu 
cumprimento. 
Segundo dados do Censo Escolar de 2006 do Ministério da Educação, em 
parceria, com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio 
Teixeira INEP revelam um total de 279 classes hospitalares públicas no Brasil, 
sendo 160 destas Estaduais e 119 Municipais. 
 O que se revela a partir dos dados do MEC é que nossa realidade necessita 
que esse atendimento pedagógico seja ampliado, alcançando todas as crianças 
que estão hospitalizadas, visto que as políticas públicas relacionadas ao mesmo 
carecem ser analisadas, redirecionadas e fiscalizadas. Outro documento que 
fortalece o direito dos alunos hospitalizados é o Decreto Lei n. 1044/69 que 
estabelece, 
 
Os alunos que se encaixam na condição daqueles que necessitam de tratamento 
especial, tem direito a exercícios domiciliares, com acompanhamento da escola, 
sempre que compatíveis com seu estado de saúde e condições do 
estabelecimento. 
 Mesmo com tantas leis que estabelecem à necessidade e a importância da 
educação à criança/paciente, nota-se que é preciso maior esclarecimento desse 
direito para a comunidade, secretarias de educação e saúde. No entanto, apesar 
da não efetivação desses direitos a Educação brasileira mostra-nos que avanços 
estão sendo vivenciados. 
Cumpre às classes hospitalares e ao atendimento pedagógico domiciliar 
elaborar estratégias e orientações para possibilitar o acompanhamento 
pedagógico educacional do processo de desenvolvimento e construção do 
conhecimento de crianças, jovens e adultos matriculados ou não nos sistemas 
de ensino regular, no âmbito da educação básica e que encontram-se 
impossibilitados de frequentar escola, temporária ou permanentemente e, 
garantir a manutenção do vínculo com as escolas por meio de um currículo 
flexibilizado e/ou adaptado, favorecendo seu ingresso, retorno ou adequada 
integração ao seu grupo escolar correspondente, como parte do direito de 
atenção integral MEC, SEESP, (2002, pág.13). 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
Este documento tem como objetivo incentivar a criação do atendimento 
pedagógico em ambiente hospitalar e domiciliar. 
 Cabe à classe hospitalares e ao atendimento pedagógico domiciliar elaborar 
estratégias de ensino aprendizagem para que a criança/paciente ao retorno à 
escola não apresente grandes lacunas em seu aprendizado. 
Segundo Santo e Mugiatti, no Brasil somente na década de 90, foram criadas 
leis específicas para a “Classe Hospitalar”, por meio das quais houve um olhar 
direcionado a esta necessidade (2009, p. 67). Até então, as classes hospitalares 
eram regidas pela Constituição Federal de 1988 e pela LDB 9.394/96, apenas 
com base na ideia de que a educação é para todos. 
Dentre essas leis específicas podemos citar: o ECA, em especial, o artigo 9, que 
se trata do direito à educação: “Direito de desfrutar de alguma forma de 
recreação, programa de educação para a saúde” e a lei dos Direitos das 
Crianças e Adolescentes Hospitalizados, através da Resolução n 41 de 
13/10/1995. Essas leis visam a proteger a infância e a juventude, sendo um 
instrumento de tentar garantir uma sociedade mais justa. 
 
PERSPECTIVAS E DESAFIOS DA PEDAGOGIA HOSPITALAR NA 
ATUALIDADE 
 A Hospitalização Escolarizada consiste no atendimento ao escolar hospitalizado 
de forma específica, considerando o seu problema de saúde e sua situação de 
escolaridade. O Atendimento Pedagógico Domiciliar é aquele no qual são 
realizados procedimentos pedagógicos na casa do paciente que não necessita 
de hospitalização, porém ainda precisa se ausentar da escola por intervenção 
médica. A Classe Hospitalar consiste no atendimento conjunto de diversos 
escolares que estão tendo acompanhamento no hospital. 
Qual o papel do pedagogo Hospitalar? 
A função do professor de Classe Hospitalar não é de apenas adquirir espaços 
lúdicos com ênfase no lazer pedagógico, para que a criança esqueça, por alguns 
momentos, que está doente ou em um hospital. O professor deve estar no 
hospital para cooperar com o processo efetivo de construção da aprendizagem 
das crianças (CECIM, 1999, p.43). 
 O pedagogo irá desenvolver seu trabalho com outros profissionais da saúde, 
por isso deverá utilizar competências e habilidades em conjunto com esses 
profissionais. Além de que é importante ressaltar a formação como fator 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
primordial neste processo, o foco deste profissional deverá está voltado para o 
aprendizado do aluno/paciente visando sua emancipação humanização do 
mesmo. 
 Quando se comenta sobre um ambiente hospitalar infantil logo se imagina a 
criança como um paciente frágil que não consegue se defender e não tem 
condições de manter seus estudos devido à enfermidade. É necessário modificar 
essa mentalidade. De acordo com Amaral e Silva (2007, p.1): 
A criação de classes escolares em hospitais é resultado do reconhecimento 
formal de que crianças hospitalizadas, independentemente do período de 
permanência na instituição ou de outro fator qualquer, têm necessidades 
educativas e direitos de cidadania, onde se inclui a escolarização. 
 Percebe-se claramente que independente do ambiente em que a criança se 
encontra, a educação tem sempre o poder de transformar e modificar e 
possibilitar o desenvolvimento do aluno. No ambiente hospitalar não é diferente. 
Assim de acordo com Fonseca, apesar de limitações que podem decorrer de sua 
situação médica, a criança internada tem interesses, desejos e necessidades 
semelhantes aos de qualquer jovem saudável. E está provado que o contato com 
os semelhantes contribui para o desenvolvimento social dos pequenos 
enfermos, que ajustam melhor à vida no hospital. Há casos em que a doença 
chega até ser esquecida, o que acelera a recuperação e a reintegração á vida 
normal (1999). 
 É de fundamental importância que o pedagogo hospitalar analise a dinâmica de 
seu trabalho para que a aprendizagem seja adquirida, considerando os 
alunos/pacientes envolvidos. 
 De acordo com MATOS E MUGIATTI (2009, p.85), é necessário que o 
pedagogo hospitalar reflita sobre a sua prática nesse ambiente, 
[...] a necessidade da existência de uma práxis e uma técnica pedagógica nos 
hospitais, confirma-se a existência de um saber voltado à criança/adolescente 
num contexto hospitalar envolvido no processo ensino-aprendizagem, 
instaurando-se a um corpo de conhecimento de apoio que justifica a Pedagogia 
Hospitalar. 
 Neste contexto é necessário que o pedagogo, os pais e a sociedade como um 
todo mudem o conceito de que crianças internadas em hospitais não têm 
condições nem deve se preocupar com o processo educativo visto que estão 
enfermas. 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
 Ao trabalhar em ambiente hospitalar o professor deve compreender a dinâmica 
que ocorre no hospital e a rotina que constitui a vida do aluno/paciente, de modo 
que possa elaborar uma abordagem adaptada aos interesses, necessidadese 
limites do aluno/paciente incluindo-o assim nos conteúdos próprios de cada série 
correspondente. Deve ainda ter conhecimento prévio sobre as doenças e 
condições de cada aluno/paciente que ficará sob sua responsabilidade 
envolvendo conhecimentos das necessidades clínicas e afetivas que envolvem 
o aluno, de modo que consiga adequar e adaptar o ambiente para o 
desenvolvimento da rotina educativa. 
 O pedagogo hospitalar deve ser capaz de trabalhar com a diversidade humana 
e com diversas experiências culturais, buscando em sua prática identificar as 
necessidades individuais de cada educando propondo assim procedimentos 
didáticos pedagógicos necessários ao processo de ensino aprendizagem dos 
alunos. 
 
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 
 Este trabalho se realizou aproximando as reflexões tomadas a partir de um 
referencial teórico já apresentado, por grandes estudiosos da área culminando 
assim em pesquisa bibliográfica como também de campo. Quantos aos 
procedimentos metodológicos a pesquisa está fundamentada na abordagem 
teórico-metodológica da psicologia sócio histórica. Assim esta, denominada por 
qualitativa utilizou em seus procedimentos: entrevistas semiestruturadas, 
questionário com questões abertas e fechadas e análise documental. 
Nossa pesquisa foi realizada no GAAC e envolveu em sua totalidade 04 sujeitos, 
dentre eles 01 (UM) Coordenador (a), 01 (UM) Diretor (a) 01 (UM) Pedagogo (a) 
e 01 (UM) Mãe. 
No primeiro momento tínhamos a pretensão de pesquisarmos a visão de 05 
(CINCO) pais, no entanto a instituição apesar de se mostrar aberta a nossa 
proposta de trabalho disponibilizou para a pesquisa apenas 01 (UMA). 
 
RESULTADOS: A PRÁXIS PEDAGÓGICA EM AMBIENTE HOSPITALAR 
 Neste momento apresentamos os resultados deste trabalho, onde 
primeiramente trazemos informação a respeito da instituição pesquisada e os 
seus respectivos sujeito envolvidos nesta. Pedagoga/Professora, Coordenadora, 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
Mãe. Esclarecemos ainda que o sujeito denominado como Diretora surge 
através de informações coletadas a partir de conversa informal. 
Durante a realização deste trabalho percebemos que a maior dificuldade 
encontrada no GACC em seus funcionários de maneira geral não diz respeito a 
dificuldades financeira, mas sim, o não saber lidar com a perda, com a dor, 
segundo relatos coletados, muitos profissionais desistem por abalo emocional, 
os voluntários não conseguem prosseguir por muito tempo, sentem-se 
emocionalmente abalados quando perdem alguma criança. 
 É importante ressaltar algumas dificuldades encontradas na realização desta 
pesquisa, dentre elas, o acesso as informações e o contato com os sujeitos 
pretendidos para realização desta pesquisa. 
 
CONHECENDO UM POUCO O GRUPO DE APOIO A CRIANÇA COM 
CÂNCER - GACC 
Foi fundado em Manaus – AM, no dia 23 de Maio de 1999, GACC, sendo uma 
sociedade civil sem fins lucrativos, administrado por uma equipe de voluntários 
e funcionários, visando o atendimento a crianças e adolescentes com câncer e 
seus familiares. O objetivo do Grupo é atender necessidade social das crianças, 
adolescentes e seus familiares, oferecendo atendimento psicológico, 
pedagógico, educacional, de lazer a todas as crianças em tratamento na 
FCECON e demais entidades afins. O Grupo de Apoio tem como finalidade 
colaborar com a FCECON e com outras instituições, através de atendimentos 
sociais, psicológicos e nutricionais às crianças e adolescentes com câncer. 
Atualmente o GACC possui pacientes cadastrados dentre as várias Faixas de 0 
a 18 anos. Hoje existem oito pacientes residindo na casa, vindos do interior de 
outros estados e até de outros países como Guiana Inglesa. O tempo de 
tratamento e de assistência pode chegar até dez anos. 
 O GACC se divide em dois locais. Um prédio com a parte administrativa e a 
outra A Casa Lar. Atualmente o GACC está construindo uma nova casa com sala 
de informática, sala de aula, brinquedoteca, sala de música e dança buscando 
dar qualidade de vida aos pacientes. 
 O GACC mantém-se basicamente de doações, onde estas recebidas são todas 
documentadas para não haver dúvidas quanto à idoneidade da instituição. 
 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
EDUCAÇÃO HOSPITALAR E PRÁTICA PEDAGÓGICA NA CONCEPÇÃO DA 
PEDAGOGA 
Neste momento o objetivo proposto era conhecer o pensamento, as ideias e 
principalmente o trabalho realizado por este profissional na instituição 
pesquisada. 
 A princípio questionou-se quanto à formação. Em sua resposta a pedagoga 
informou-nos que fez Licenciatura em Pedagogia, 
Especialização em Psicopedagogia e que atualmente está terminando curso de 
libras e braile. Tendo em vista a pouca abertura do mercado para o pedagogo 
em ambiente não escolar perguntamos: 
 
- Como ocorreu sua inserção profissional no GAAC? 
 Fiz processo seletivo junto a Secretaria Estadual de Educação e Cultura do 
Estado do Amazonas (SEDUC) e algum tempo depois fui selecionada para atuar 
no GACC apenas no período vespertino, pois pela manhã as crianças estão 
fazendo quimioterapia. 
 Como vimos de acordo com a fala da pedagoga, apenas a professora/pedagoga 
é remunerada pela SEDUC/AM. Este fato segundo sujeitos pesquisados é uma 
das ações de contrapartida realizada pelo governo do Estado Amazonas. 
 Quanto à atuação deste profissional fora do âmbito escolar, assim perguntamos: 
- De que maneira você analisa a atuação do Pedagogo Hospitalar? 
 Há uma grande diferença, tenho que trabalhar o meu emocional, olhar a criança 
sem pena, trabalhar a autoestima e a confiança da criança em si mesma, 
fazendo com que a criança não se sinta excluída da sociedade, auxiliar o aluno 
para que o mesmo não se sinta atrasado e perdido em seu regresso a escola 
formal. Incluir a questão ética profissional, o aluno me ver como referencial. 
 Aqui é demonstrado uma das principais dificuldades encontradas pelos 
profissionais do GAAC, incluindo os voluntários. Como vimos na fala da 
pedagoga é importante ser trabalhado o emocional e a preparação destes 
profissionais para enfrentar essa barreira que faz parte de sua rotina de trabalho 
como também este ser capaz de orientar o ensino e aprendizado do 
aluno/paciente ao retornar à escola. Com o propósito de identificar uma visão 
crítica acerca das políticas públicas direcionadas ao atendimento educacional 
hospitalar questionamos: 
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PEDAGOGIA HOSPITALAR
 
- Em sua visão o governo de forma geral tem apoiado a inserção do 
pedagogo em ambientes fora da escola? 
 Sim, através da SEDUC não existe só no GACC, mas também em outros 
setores, tenho um amigo que trabalha no Dagmar Feitosa, tem treinamento, 
formação continuada. A SEDUC colabora através dessa parceria, tudo que eu 
preciso a SEDUC fornece. 
Frente à resposta dada pela pedagoga, constatamos que a mesma traz em sua 
concepção uma visão ingênua quanto ao que chamamos de apoio. Em sua fala 
percebemos um sentimento de gratidão, uma visão mecanicista de formação. 
Para a pedagoga o fato da secretaria de educação local disponibilizar a 
professora (isto inclui o pagamento) é suficiente, ou muito importante. 
Matos e Mugiatti vêm contribuir com esta visão, 
 
Infelizmente, neste país, a criança e o adolescente hospitalizados, em fase 
escolar, sofrem ainda o pejo da alienação. Alienação na escola, pois “esta não 
foi feita para doentes...” Talvés até alguém conteste que o seu lugar é o hospital. 
E sua escolarização? ( 2009, p. 163). 
Na verdade, o que se vê na prática é um serviço que é ofertado, uma 
contrapartida que não é suficiente. É notória ainda a escassez desses

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