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EMERGÊNCIAS HIPERGLICÊMICAS ALUNOS: Bárbara Matos, Laiza Alves, Vinicius França DEFINIÇÕES Emergências Hiperglicêmicas correspondem a basicamente 2 patologias: 1. Cetoacidose Diabética (CAD) 1. Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHH) EPIDEMIOLOGIA ★ Representam de 4 a 9% das internações hospitalares em pacientes com DM, com o EHH representando 600 mg/dL. 1. pH arterial > 7,3. 1. Osmolaridade > 320 mosm/kg DEFINIÇÕES ❖ Os pacientes podem apresentar concomitantemente CAD e EHH. ❖ Os extremos de idade apresentam maior risco de evolução desfavorável. ❖ Outras situações com maior risco de uma má evolução incluem presença de hipotensão ou choque e os fatores relacionados aos fatores precipitantes. DEFINIÇÕES DEFINIÇÕES ● O paciente com DM devido a diminuição da própria insulina ou resistência a sua ação tem dificuldade de transportar a glicose para o meio intracelular, apresentando assim uma glicopenia intracelular. O equilíbrio dos meios acaba acontecendo, mas com um nível de glicemia muito elevado do que o considerado normal, estabelecendo-se assim uma nova homeostase glicêmica. ● A CAD é precipitada por uma ausência absoluta ou relativa da insulina. Assim, espera-se em pacientes com DM tipo 1, porém, tem sido cada vez mais frequente em pacientes com DM 2. ETIOPATOgenia ●A CAD pode ser precipitada por infecção ou outros fatores estressores. ➔ Ocorre uma resistência à ação insulínica causada pelos hormônios contrarreguladores (hormônio do crescimento, cortisol e catecolaminas), que levam ao aumento de glucagon e lipólise. ➔ A indisponibilidade da glicose para servir de substrato para produção de energia intracelular e alteração da relação insulina/glucagon levam a um aumento de gliconeogênese e glicogenólise. ➔ Dessa forma, o paciente apresenta-se com glicemias em níveis maiores, ocorrendo assim, o processo de diurese osmótica levando a desidratação e aumento da osmolaridade. ETIOPATOgenia ➔ A acidose se soma ao quadro quando há alteração dos lipídios. Isso ocorre quando a ausência relativa de insulina for absoluta ou quase absoluta, pois mesmo pequenas quantidades de insulina são capazes de suprimir toda a produção de glucagon por efeito parácrino nas ilhotas pancreáticas. ➔ Com isso, ocorre aumento da produção de glucagon. ➔ O aumento de glucagon diminui a produção da enzima malonil coenzima A, que tem a função de inibir a produção da carnitina-palmitil-transferase. ➔ Após isso, há produção de energia usando como substrato os lípides, fazendo com que ocorra produção de ácido aceto-acético, ácido beta- hidroxibutírico* e acetona (halitose), estabelecendo o quadro de cetoacidose. ETIOPATOgenia ● Outras alterações encontradas incluem: 1- Aumento da atividade da lipase hormônio-sensível. 2- Aumento da produção de prostaglandinas vasodilatadoras e vasoconstritoras pelo tecido adiposo causando hipotensão, náuseas e vômitos. 3- Glicemias acima de 180mg/dl ultrapassam a capacidade de reabsorção de glicose renal e ocorre glicosúria, com desidratação e perda de eletrólitos, com aumento da osmolaridade e lesão renal aguda por desidratação. 4- Aumento de citocinas e fatores pró-coagulantes como o inibidor do plasminogênio tecidual, aumentando o risco de tromboembolismo. ETIOPATOgenia No EHH, ao contrário da CAD, a deficiência de insulina é apenas relativa, de forma que não ocorre uma elevação tão importante do glucagon, e assim a alteração do metabolismo lipídico não ocorre com produção de cetoácidos. Entretanto, esses pacientes se apresentam com desidratação muito maior. A diurese osmótica pela hiperglicemia leva à perda importante de eletrólitos e perda ainda maior de água livre, de forma que a osmolaridade aumenta significativamente. ETIOPATOgenia FATORES PRECIPITANTES FATORES PRECIPITANTES ACHADOS CLÍNICOS Os sinais e sintomas da acidose podem aparecer com taquipneia, surgindo o ritmo respiratório de Kussmaul quando o pH do paciente se encontra entre 7,0 7,2, sendo a cetona bastante volátil e, portanto, eliminada pela respiração, → aparecimento do hálito cetônico → útil ao diagnóstico. Normalmente os pacientes apresentam pródromos com duração de dias de poliúria, polidipisia, polifagia e mal-estar indefinido. O paciente apresentará, na maioria das vezes, desidratação Cetoacidose diabética Estado hiperosmolar hiperglicêmico Idade 20-29 anos Idade usualmente > 50 anos Instalação abrupta em horas Instalação insidiosa em dias a semanas Presença de polis Presença de polis Sinais de desidratação Desidratação muito intensa Dor abdominal e vômitos Usualmente sem dor abdominal e vômitos Sinais de acidose metabólica com taquipneia e respiração de Kussmaul Sem sinais de compensação de acidose Normalmente alerta Geralmente há rebaixamento de nível de consciência (consciência tem importante correlação com osmolaridade) Cetoacidose diabética Estado hiperosmolar hiperglicêmico Déficit de água de 6 L Déficit de água de 6-9 L K pode estar aumentado (acidose) K usualmente normal ou diminuído pH 7,30 Exames complementares Gasometria Inicialmente arterial e depois venosa (repetir a cada 4 horas) Glicemia De preferência repetir de 1 em 1 hora Eletrólitos Potássio a cada 2 horas, os outros a cada 12h) Cetonemia/ cetonúria De preferencia dosar beta-hidroxibutirato Hemograma completo ECG Rastrear SCA como fator precipitante e verificar complicações da hipercalemia Urina tipo 1 RX de tórax Procurar o foco infeccioso associado Exames complementares Exames complementares Ao avaliar pacientes com suspeita de EHH → avaliar a osmolaridade atraves da fórmula: Osmolaridade efetiva = 2 × (Na+ corrigido) + + glicemia/18 (valores > 320 mosm/kg indicam hiperosmolaridade) Fórmula do sódio corrigido: Na+ corrigido = Na+ medido + 1,6 × glicemia medida – 100 Exames complementares Diagnóstico diferencial Cad EHH DD com pacientes com alteração do NC ou confusão mental → importante verificar glicemia Outras acidoses, como por exemplo cetoacidose alcoólica (não cursa com hiperglicemia) 1.Identificação e tratamento do fator precipitante -Infecções (respiratória ou urinária) -Depleção severa (hipotensão, choque, oligúria) -Hiperosmolaridade (sonolência, torpor,coma) 2.Manutenção das vias aéreas pérvias 3.Correção da desidratação 4.Redução da hiperglicemia e da osmolaridade 5.Correção dos distúrbios eletrolíticos e ácido básico tratamento Tratamento HIDRATAÇÃO: Etapa fundamental do manejo, isoladamente pode diminuir a glicemia em até 12% Alvo inicial: estabilização hemodinâmica HIDRATAÇÃO: 1ª fase: 1000 -1500 mL de solução NaCl a 0,9% na primeira hora 2ª fase: 250-500 mL (4 mL/kg) por hora Quando a glicemia chegar a 250-300 mg/dl: continuar hidratação, mas associar glicose a 5-10% com a solução salina → A diluição pode ser feita usando-se 1 litro de solução glicosada acrescido de 20 mL de solução de NaCl 20% tratamento INSULINOTERAPIA: ➔É realizada concomitantememente com a hidratação endovenosa Exceto: -Hipocalemia (KU/kg, sendo: -metade EV -metade IM ou SC Dose de manutenção: 0,1 unidade/kg/hora IM ou SC Manter taxa de queda de glicemia entre 50 e 70 mg/ dl/hora tratamento ●Bomba de infusão contínua endovenosa: - 0,1 U/kg em bolus + infusão contínua 0,1 U/kg/h OU - Infusão contínua de 0,14 U/kg/h INSULINOTERAPIA: INSULINOTERAPIA: ●Mensurar a glicemia capilar de 1/1 hora ●Espera-se uma queda de 50-70 mg/dL/hora -Se redução 70 mg/dL → reduzir a taxa de infusão pela metade tRATAMENTO INSULINOTERAPIA: → A bomba de infusão pode ser desligada quando pelo menos 2 dos três critérios estão presentes: -PH > 7,3 -Ânion gap ≤ 12 -Bicarbonato ≥ 15 → Para desligar a bomba de infusão contínua deve-se esperar pelo menos 1 hora da ação da primeira dose de insulina regular SC, e posteriormente prosseguir com insulina SC conforme glicemia capilar a cada 4/4 horas. TRATAMENTO REPOSIÇÃO DE POTÁSSIO: → K > 5 mEq/L: só devem iniciar a reposição de K quando os valores forem 3,3 mEq/L. TRATAMENTO REPOSIÇÃO DE BICARBONATO: ➔ A reposição de bicarbonato de sódio não demonstrou benefício em estudos e só é indicada em pacientes com pH