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Visão sustentável da logística: tecnologias, princípios de desenvolvimento logístico e tripé da sustentabilidade Nas últimas décadas, a preocupação com questões ambientais passou a ser parte da rotina das empresas e da sociedade. Aspectos relacionados à sustentabilidade tornaram-se critérios para as tomadas de decisão mais importantes. A escassez dos recursos naturais é um dos principais fatores para a adoção de práticas mais sustentáveis no contexto corporativo, impactando todas as áreas de negócio. Toda decisão logística produz impacto ambiental, tendo em vista que o processo logístico gera diversos tipos de resíduos. Quando falamos em logística sustentável, os principais erros cometidos pelas organizações, independentemente de seu porte, são: · Ausência de investimentos em novas tecnologias · Baixa padronização dos processos · Falta de manutenção correta nos veículos da frota · Inexistência de programas de conscientização dos colaboradores em relação à sustentabilidade Tripé da sustentabilidade No passado, a gestão da cadeia de suprimentos focava-se apenas na eficiência e na agilidade dos sistemas de produção e distribuição. Agora, porém, questões ambientais e sociais vêm ganhando mais importância. Por conta disso, o debate sobre como as empresas podem responder aos desafios relacionados à sustentabilidade está mais acirrado do que nunca. De acordo com os conceitos estabelecidos pelo New Zealand Business Council for Sustainable Development (Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável da Nova Zelândia), a cadeia de suprimentos sustentável se preocupa com a gestão de matérias-primas e serviços, desde os fornecedores até o cliente final, considerando explicitamente a melhoria dos impactos sociais e ambientais. O tripé da sustentabilidade (ou triple bottom line) é uma ferramenta cuja finalidade é apoiar a integração dos objetivos da sustentabilidade na agenda de negócios, buscando equilibrar objetivos econômicos tradicionais com preocupações sociais e ambientais. Ele viabiliza a criação de uma nova dimensão de desempenho para a empresa, agora baseada na ideia de um futuro mais sustentável. Figura 1 – Tripé da sustentabilidade Fonte: Adaptado de: . Agora que já entendemos o conceito e a importância do tripé da sustentabilidade, que tal conhecermos um pouco sobre cada um de seus pilares? O primeiro deles se refere ao aspecto ambiental do desenvolvimento sustentável. Os aspectos sociais representam o segundo pilar; e os aspectos econômicos (lucro), o terceiro. Depois de aprendermos um pouco sobre a importância da sustentabilidade para os negócios, podemos afirmar que a prioridade de um modelo de gestão voltado para a sustentabilidade é medir, comunicar e reduzir os impactos negativos nas esferas social e ambiental, assim como contribuir para a transformação sustentável e a evolução da sociedade. Ao considerar os fatores relacionados a cada um dos pilares do tripé da sustentabilidade, uma empresa pode buscar meios de minimizar os impactos da sua operação logística. Fazendo isso, ela automaticamente reforça seus laços com a natureza e com a sociedade, agregando valor para a marca. Princípios de desenvolvimento logístico e tecnologias aplicadas A adoção de determinados princípios e ações pode tornar uma empresa mais sustentável, com processos logísticos mais conectados à sustentabilidade. Não podemos esquecer que a missão da logística é, segundo Coyle, Bardi e Langley Junior (1992), “garantir a disponibilidade do produto certo, na quantidade certa, nas condições certas, no local certo, no tempo certo, para o cliente certo, e a um custo certo”. Nesse sentido, inúmeras tecnologias podem ser aplicadas aos processos logísticos para reduzir desperdícios e minimizar os impactos causados ao meio ambiente ao longo das operações. Clique para visualizar o conteúdo. Exemplo A Natura, uma das poucas empresas brasileiras no ranking das mais sustentáveis do mundo, mostra um caminho interessante para incorporar a sustentabilidade ao modelo de gestão empresarial. A pesquisa que origina esse ranking é realizada pela Corporate Knights, empresa de informações financeiras que publica uma revista cujo foco é o modo como os negócios e os benefícios sociais e ecológicos podem andar de mãos dadas. Ela avalia aspectos como consumo de energia, emissão de carbono, produção de lixo, gastos com inovação, impostos pagos, diversidade da liderança, salários dos altos cargos, fornecedores com quem as empresas trabalham, fundos de pensão e saúde, taxas de segurança, rotatividade de funcionários e vínculo entre as metas de sustentabilidade e a remuneração dos executivos. A Natura, que ocupa o 14.º lugar nesse ranking, tem o uso sustentável da biodiversidade amazônica como um dos seus principais vetores de inovação. Mais de 80% de seus ingredientes são de origem vegetal. Todos os processos da empresa foram desenhados com base na sustentabilidade. Depois de fabricados, os seus produtos vão diretamente para um centro logístico em Itupeva, no interior paulista. A sua localização estratégica permite uma rápida conexão rodoviária. No centro de distribuição, as caixas e as paletes são armazenadas. O controle do estoque é feito por meio de um software personalizado, que viabiliza o gerenciamento do espaço, do tempo e das emissões de gás carbônico no transporte até o centro de distribuição. Figura 2 – Visão de sustentabilidade da empresa Natura Disponível em: . Bom, agora que nós já vimos princípios, práticas e tecnologias que podem ajudar uma organização a ser mais sustentável ao mesmo tempo em que se mantém competitiva em seu mercado de atuação, agregando valor à marca e fortalecendo seu relacionamento com clientes e sociedade, é muito importante entendermos que, além da simples implementação de estratégias e ações, é fundamental o desenvolvimento de uma cultura de sustentabilidade que permita que todas as decisões levem em consideração as dimensões do tripé da sustentabilidade. Ou seja, não basta que algumas áreas de uma empresa ajam de forma sustentável: todas as suas operações devem ser sustentáveis.