Prévia do material em texto
AULA 06 2. CRESCIMENTO MICROBIANO 2.3 PATOGENICIDADE BACTERIANA ARA0023- MICROBIOLOGIA E IMUNOLOGIA Bactérias extracelulares como Clostridium tetani e Vibrio cholerae apresentam capacidade de se multiplicar fora das células do hospedeiro. Como bactérias extracelulares podem causar doenças? MECANISMOS DE PATOGENICIDADE BACTERIANA PATOGENICIDADE: trata-se da capacidade de um agente infeccioso produzir sintomas em maior ou menor proporção. MECANISMOS DE PATOGENICIDADE BACTERIANO VIRULÊNCIA: é o grau de patogenicidade dentro de um determinado gênero ou espécie. Não está atribuída a um único fator, mas pode depender de vários fatores relacionados ao microrganismo, ao hospedeiro e a interação dos dois. • A virulência envolve duas características de um microrganismo patogênico: infecciosidade (capacidade de poder iniciar uma infecção) e a gravidade de condição da infecção. MECANISMOS DE PATOGENICIDADE BACTERIANA MECANISMOS DE PATOGENICIDADE BACTERIANO NÚMERO DE MICRORGANISMOS INVASORES: Se apenas alguns microrganismos penetrarem o corpo, eles provavelmente serão eliminados pelas defesas do hospedeiro. Entretanto, se um grande número de microrganismos obtiver acesso ao organismo, o cenário está pronto para o desenvolvimento da doença. MECANISMOS DE VIRULÊNCIA BACTERIANA ADESÃO: capacidade das bactérias de se fixar nas células e tecidos do organismo. • Adesinas - As adesinas bacterianas incluem fímbrias, componentes da cápsula, ácidos lipoteicoicos das bactérias Gram-positivas ou outro antígeno de superfície celular. - Formação de biofilme, exs.: placa dentária, as algas nas paredes de piscinas. MECANISMOS DE VIRULÊNCIA BACTERIANA PENETRAÇÃO/EVASÃO DAS DEFESAS DO HOSPEDEIRO • A cápsula resiste às defesas do hospedeiro por impedir a fagocitose, o processo utilizado por certas células do organismo para englobar e destruir microrganismos. Ex.: Streptococcus pneumoniae. • A parede celular de certas bactérias contém substâncias químicas que contribuem para a virulência. - Streptococcus pyogenes produz uma proteína resistente ao calor e à acidez, chamada de proteína M. É encontrada tanto na superfície celular quanto nas fímbrias e faz o intermédio da aderência da bactéria às células epiteliais do hospedeiro e auxilia na resistência da bactéria à fagocitose pelos leucócitos. MECANISMOS DE VIRULÊNCIA BACTERIANA • Presença de enzimas hidrolíticas capazes de degradarem componentes da matriz extracelular, desorganizando toda a estrutura dos tecidos. - Hialuronidases - Colagenases - Proteases MECANISMOS DE VIRULÊNCIA BACTERIANA INVASÃO: capacidade das bactérias de invadir diferentes células do nosso organismo para causar infecção. • Invasinas - Algumas bactérias são intracelulares obrigatórias - Sua localização intracelular permite que sejam protegidas de anticorpos, da fagocitose e de alguns antimicrobianos. MECANISMOS DE VIRULÊNCIA BACTERIANA SIDERÓFOROS: são compostos de baixo peso molecular que têm grande afinidade por ferro e formam complexos importantes para as células. • A maior parte do ferro no organismos humano encontra-se pouco disponível para a bactérias. Ex: ferro heme ligado à molécula de hemoglobina. • A produção de sideróforos por algumas bactérias possibilitam a internalização de ferro pela célula bacteriana, tornando-a mais virulenta. MECANISMOS DE VIRULÊNCIA BACTERIANA TOXINAS: qualquer substância de origem bacteriana capaz de causar danos no organismo animal. São classificadas em exotoxinas e endotoxinas. MECANISMOS DE VIRULÊNCIA BACTERIANA EXOTOXINAS • Os genes que codificam a maioria (e talvez todas) das exotoxinas são carreados em plasmídeos bacterianos ou fagos. • Como as exotoxinas são solúveis em fluidos corporais, elas podem difundir-se facilmente no sangue, sendo rapidamente transportadas por todo o corpo. • As exotoxinas agem destruindo determinadas partes das células do hospedeiro ou inibindo certas funções metabólicas. MECANISMOS DE VIRULÊNCIA BACTERIANA EXOTOXINAS Grupo I: superantígenos e superantígenos termoestáveis. Os superantígenos são antígenos que provocam uma resposta imune muito intensa. Eles são proteínas bacterianas. Ex.: toxinas estafilocócicas, que causam a intoxicação alimentar e a síndrome do choque tóxico. As toxinas ST (toxinas termoestáveis) são produzidas principalmente pela Escherichia coli (ETEC), atacando as células do epitélio intestinal, causando principalmente diarreia. Grupo II: lesam a membrana citoplasmática formando poros. Ex.: a exotoxina lítica do Staphylococcus aureus. Grupo III: mais importante, apresenta subunidades A e B (A = porção enzimática e B = porção que liga ao receptor celular). Ex.: toxina diftérica, toxina colérica, toxina tetânica... MECANISMOS DE VIRULÊNCIA BACTERIANA As endotoxinas exercem seu efeito pelo estímulo de macrófagos, que liberam citocinas em concentrações bastante elevadas. Todas as endotoxinas produzem os mesmos sinais e sintomas, independentemente da espécie de microrganismo, embora nem sempre na mesma intensidade. Esses sintomas incluem calafrios, febre, fraqueza, dores generalizadas e, em alguns casos, choque e até mesmo morte. Exs.: Salmonella typhi (febre tifoide), Proteus spp. (infecções urinárias) e Neisseria meningitidis (meningite) Bactérias extracelulares como Clostridium tetani e Vibrio cholerae apresentam capacidade de se multiplicar fora das células do hospedeiro. Como bactérias extracelulares podem causar doenças? Quais regiões do nosso corpo são normalmente colonizadas por microrganismos? • Todo ser humano nasce sem microrganismos. A aquisição da microbiota bacteriana envolve uma transmissão horizontal, ou seja, pela colonização por microrganismos. • Imediatamente antes de a mulher dar à luz, os lactobacilos em sua vagina multiplicam- se rapidamente. O primeiro contato entre o recém-nascido e os microrganismos, em geral, ocorre através dos lactobacilos, que se tornam os microrganismos predominantes no intestino do bebê. Com a respiração e o início da alimentação, mais microrganismos são introduzidos no corpo do recém-nascido a partir do meio ambiente. • Estima-se que o corpo humano que contém cerca de 10 trilhões de células seja rotineiramente portador de aproximadamente 100 trilhões de bactérias. A MICROBIOTA HUMANA Os microrganismos que estabelecem residência mais ou menos permanente (colonizam), mas não produzem doença em condições normais, são membros da microbiota normal ou flora normal. Não é removida totalmente pelos procedimentos de limpeza nem facilmente eliminada pelos procedimentos de antissepsia. A MICROBIOTA HUMANA Microbiota transiente/transitória: podem estar presentes por vários dias, semanas, ou meses, e depois desaparecerem. Os microrganismos não se encontram em todo o corpo humano, mas se localizam em certas regiões. Facilmente removida pelos procedimentos de limpeza e eliminada pelos procedimentos de antissepsia. A MICROBIOTA HUMANA Mucosa “com microbiota”: conjuntiva, do trato respiratório superior (cavidade nasal, nasofaringe, orofaringe, laringe), oral, do intestino grosso, da vagina, uretra distal... Mucosa estéril: brônquica, alveolar, uterina, da bexiga... A MICROBIOTA HUMANA Microbiota Composição/ Função “normais” Composição/ Função “Anormais” Saúde Disbiose Comprometimento de Funções Metabólicas e Imunes • As diversas partes do corpo humano apresentam condições ambientais diversas que oferecem certas vantagens e desvantagens para a vida microbiana. • Os fatores que controlam a composição da microbiota em uma dada região do corpo estão relacionados com a natureza do ambiente local, tais como temperatura, pH, água, oxigenação,nutrientes e fatores mais complexos como a ação de componentes do sistema imunológico. A MICROBIOTA HUMANA Certas regiões do corpo estão sujeitas a forças mecânicas que podem afetar a colonização pela microbiota normal. - Ac ̧ão de mastigação dos dentes e a movimentac ̧ão da língua; - No trato gastrintestinal, o fluxo de saliva e as secreções digestórias e os vários movimentos musculares da garganta, do esôfago, do estômago e dos intestinos podem remover microrganismos que não estão aderidos; - A ação de descarga da urina também pode remover microrganismos não aderidos no trato urinário; - No sistema respiratório, o muco prende os micróbios, que são propelidos rumo à garganta pelo movimento ciliar das células. A MICROBIOTA HUMANA As condições existentes em determinado sítio do corpo humano variam de pessoa para pessoa. Entre os fatores que também afetam a microbiota normal estão idade, estado nutricional, dieta, estado de saúde, presença de deficiências, hospitalizac ̧ão, estresse, clima, localização geográfica, condições de higiene pessoal, condições socioeconômicas, ocupação e estilo de vida. A MICROBIOTA HUMANA • Mecanismos de controle da microbiota - Mecanismos físicos: integridade do epitélio, válvulas e esfíncteres do trato digestório, muco. - Mecanismos químicos: Lisozima, ácidos graxos da pele, ácidos e sais biliares, ácido clorídrico do estômago, pH da urina. - Ações fisiológicas: fluxos unidirecionais, peristalse, movimento ciliar. - Mecanismos biológicos: IgA secretória, macrófagos alveolares. A MICROBIOTA HUMANA A MICROBIOTA HUMANA A MICROBIOTA HUMANA Pele: principal barreira ao meio externo e é o órgão mais exposto ao meio ambiente. A MICROBIOTA HUMANA Microbiota intestinal: variedade de microrganismos vivos principalmente bactérias anaeróbias, que colonizam o intestino logo após o nascimento. É constituído por microbiota nativa e de transição temporária, sendo considerado como um dos ecossistemas mais complexos, com cerca de 1.000 bactérias distintas. Estômago e no intestino delgado: microrganismos encontram-se em menores quantidades devido ao contato e ação bactericida do suco gástrico. São em sua maioria anaeróbicas, destacando-se os gêneros bacteroides, Bifi dobacterium, Eubacterium, Clostridium, Peptococcus, Peptostreptococcus, Ruminococcus e Fusobacterium. A MICROBIOTA HUMANA A microbiota intestinal tem várias funções: proteção anti-infecciosa que fornecem resistência à colonização por microrganismos exógenos; a imuno-modulação, que possibilita uma ativação das defesas imunológicas; a contribuição nutricional resultante das interações locais e dos metabólitos produzidos oferecendo fontes energéticas e de vitaminas. Substratos que não foram digeridos e chegam ao lúmen do cólon, especialmente os carboidratos, são fermentados pela microbiota intestinal e formam ácidos absorvidos pela mucosa. Esse mecanismo é denominado salvamento energético e forma os ácidos graxos de cadeia curta. Além disso sintetizam vitamina K e vitaminas do complexo B. A MICROBIOTA HUMANA No período neonatal, a instalação da microbiota está associado com o tecido linfoide intestinal. O estabelecimento desse sistema imunológico local com ação conjunta ao estímulo da microbiota ativa o sistema imune. O tecido linfoide reconhece as espécies e antígenos que são benéficas ao hospedeiro, procedendo, assim, uma resposta de tolerância imunológica. A MICROBIOTA HUMANA A MICROBIOTA HUMANA A assimetria da microbiota pode induzir o desenvolvimento da enterocolite necrosante. A longo período a alteração da composição da microbiota causada tanto pela redução das bactérias benéficas como das potencialmente patogênicas pode estar associada com a doença inflamatória do intestino e atopia. O Transplante de Microbiota Fecal é definido como o método pelo qual bactérias comensais, pertencentes ao TGI de pessoas saudáveis, são inseridas em pacientes com infecções bacterianas no intestino, por intermédio de tubos nasogástricos ou colonoscopia. Com o objetivo de restaurar a microbiota natural, essa terapia é mais indicada em infecções persistentes, em especial as causadas por Clostridium difficile. A seleção do doador é feita preferencialmente pelo cônjuge ou parentesco próximo, caso não encontre compatibilidade, faz a escolha por um doador não-aparentado. Apesar de todos os benefícios do TMF, ainda existe uma grande preocupação quanto aos resultados e consequências desse procedimento. A MICROBIOTA HUMANA Relação entre microbiota e obesidade: https://youtu.be/UqiA5vNYMqs A MICROBIOTA HUMANA As medidas sanitárias que foram tomadas por causa da COVID-19 podem trazer alguma consequência para a nossa microbiota?