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Núcleo de Educação a Distância
GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO
Diagramação: Rhanya Vitória M. R. Cupertino
Revisão Ortográfica: Águyda Beatriz Teles
PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira.
O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para 
a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho.
O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por 
fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem.
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Prezado(a) Pós-Graduando(a),
Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional!
Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança 
em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se 
decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as 
suas expectativas.
A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma 
nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra-
dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a 
ascensão social e econômica da população de um país.
Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida-
de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos. 
Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas 
pessoais e profissionais.
Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são 
outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi-
ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver 
um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atu-
ação no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo 
importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe-
rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de 
ensino.
E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a) 
nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial. 
Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos 
conhecimentos.
Um abraço,
Grupo Prominas - Educação e Tecnologia
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Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas!
É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha 
é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo-
sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é 
você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve-
rança, disciplina e organização. 
Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como 
as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua 
preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo 
foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de 
qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho.
Estude bastante e um grande abraço!
Professoras: Ellen Thaynná
Mara Delgado Brandão
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O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao 
longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc-
nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela 
conhecimento.
Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes 
importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in-
formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao 
seu sucesso profisisional.
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A presente unidade possui a finalidade de estudar os contor-
nos que envolvem a avaliação da cena de local de crime. Para tanto, 
se analisará a criminalística, enquanto disciplina que promove os es-
tudos acerca da elucidação de potenciais infrações penais, através do 
exame do lugar em que estas foram praticadas, especialmente no que 
se refere à análise de vestígios. Partindo da premissa de que a apura-
ção das pistas no cenário do delito é essencial para a resolução dos 
casos, mostra-se a relevância de estudo da matéria. Em vista disso, 
pretende-se apresentar a classificação e tipos de local de crime, assim 
como os motivos pelos quais é necessário preservar o cenário onde 
ocorreu o delito. Além disso, serão demonstradas as técnicas de co-
leta de evidências e de descrição da cena da infração penal. Por fim, 
será estudada a análise da dinâmica de um crime contra a pessoa, os 
tipos de lesões e as noções de balística externa. Desse modo, o aluno 
irá desenvolver capacidades importantes para a prática, bem como 
para a interpretação da perícia criminal, dada a relevância do exame 
da cena de crime. 
Criminalística. Local de Crime. Vestígios.
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 CAPÍTULO 01
LOCAL DE CRIME
Apresentação do Módulo ______________________________________ 11
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Definição ______________________________________________________
Técnicas de Coleta de Evidências _______________________________
Preservação do Local do Crime _________________________________
 CAPÍTULO 02
A CENA DA INFRAÇÃO PENAL E SEUS VESTÍGIOS
Vestígios, Evidências e Indícios _________________________________ 32
28Recapitulando ________________________________________________
17Classificação dos Locais de Crime ______________________________
Recapitulando _________________________________________________ 47
 CAPÍTULO 03
EXAMES DA CENA DE CRIME
Análise da Dinâmica de Crimes contra a Pessoa ________________ 51
Tipos de Lesões ________________________________________________
Noções de Balística Externa ___________________________________
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62
21Tipos de Local de Crime _______________________________________
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Recapitulando __________________________________________________ 65
Fechando a Unidade ____________________________________________ 68
Referências _____________________________________________________ 71
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A criminalística é a disciplina responsável por regular a investi-
gação e apuração do cometimento de crimes, quanto à identificação do 
autor, dinâmica dos fatos, particularidades do caso e possíveis motiva-
ções, por meio de exames técnicos, pautados na ciência. 
Com efeito, trata-se do conjunto de áreas científicas, como psi-
cologia, medicina, antropologia, psiquiatria, entre outras, que atuam em 
prol da elucidação dos casos que envolvam a prática de infrações penais.
Ao longo dos anos foi constatado que os criminosos acabavam 
por deixar vestígios na cena de crime, e que estes poderiam levar as 
autoridades a resolver os casos e, assim, promover a justiça.
Frente a esse cenário, o legislador ordinário, por meio do Código 
de Processo Penal, trouxe algumas regras a respeito do trabalho dos peri-
tos, especialmente no que se refere à atuação na cena de local de crime.
Desse modo, a criminalística ganhou força e reconhecimento, 
de sorte que o estudo da avaliação do cenário em que fora praticado 
o delito e seus contornos são extremamente relevantes para a área da 
perícia criminal.
Assim, com o objetivoSegundo Frank (2020), podemos elencar as etapas da seguin-
te forma:
• Verificar a existência da ocorrência;
• Preservação da cena de crime;
• Solicitar perícia criminal;
• Realização da perícia;
• Feitura de relatório.
O responsável por averiguar se houve o crime noticiado é o 
policial ou agente público que chegar primeiro ao local. Sucessivamen-
te, os demais policiais ou agentes irão isolar a área para preservação 
do espaço. Após, a autoridade policial irá solicitar a perícia, que será 
realizada pelos peritos, cuja conclusão se dará com a elaboração de 
documento sobre os exames feitos.
Mas essas não são as únicas funções da autoridade policial no 
local de ocorrência da infração penal, sendo ainda dever desta promover 
“ações que possibilitem a segurança dos peritos e sua equipe, viabilizan-
do deste modo a conclusão do trabalho pericial” (FRANK, 2020, p. 31).
Desta feita, após a chegada da equipe de perícia criminal é 
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dever da polícia salvaguardar a segurança de todos os profissionais 
presentes, bem como dos vestígios encontrados.
Ora, é fácil imaginar que pessoas relacionadas à prática do fato 
ilícito podem tentar burlar a cena de crime, através do roubo de vestígios 
ou outra atitude, como a inclusão de rastros, com o simples objetivo de 
prejudicar as conclusões dos exames periciais. Desse modo, é impres-
cindível a presença policial no local até o término do trabalho dos peritos.
Ressalte-se que “os peritos lavrarão um documento no qual 
constarão todas as informações circunstanciais ao evento, bem como, 
se possível, as conclusões a que chegaram” (FRANK, 2020, p. 32).
O referido documento, que muitas vezes vem na figura de Lau-
do, é extremamente importante para o deslinde da investigação, eis que 
conterá informações valiosas a respeito do crime, cujo conteúdo será 
utilizado para promover justiça.
Nesse ponto, cabe destacar que “o levantamento descritivo 
consiste em um relatório escrito, abrangendo o maior número de deta-
lhes observados no local de crime pelo perito, policial ou médico”, sendo 
por vezes o único documento comprobatório de uma investigação. (MA-
CHADO, 2018, p. 46).
Mas quais são os meios pelos quais os peritos poderão des-
crever os cenários das infrações? São várias as possibilidades, tendo 
o profissional a liberdade de escolher a melhor forma para retratar com 
maior riqueza de detalhes o lugar em que foi praticado o delito.
Em relação às técnicas de descrição de local de crime, pode-
-se citar a fotografia, o desenho e a filmagem. A primeira é a mais co-
mum, ante a facilidade de registrar o espaço em que ocorreu a prática 
criminosa de uma maneira verdadeira.
Quanto a esta, temos a seguinte classificação apresentada por 
Machado (2018):
• Geral;
• Panorâmica;
• De detalhe;
• Métrica;
• Rebatimento fotográfico;
• Estereoscopia.
Assim, uma foto geral é aquela que apresenta todo o local de 
crime e seus vestígios, enquanto a panorâmica é feita através de vários 
registros.
Por sua vez, a foto de detalhe “busca registrar as individualida-
des de um vestígio específico. Reproduz as particularidades apresenta-
das no instrumento do crime [...]” (MACHADO, 2018, P. 51).
A Figura 5 traz uma fotografia de detalhe referente a um vestí-
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gio apenas.
Figura 5 - Foto de detalhe
Fonte: Pixabay, 2021.
Já a métrica diz respeito a uma foto em que se usa alguma 
escala como outro objeto ao lado do vestígio para que seja possível 
precisar o tamanho real dele. Por seu turno, o rebatimento fotográfico 
refere-se à medição de distâncias. Por fim, a estereoscopia significa ti-
rar fotos de ângulos e posições diferentes para ter uma maior dimensão 
do espaço (MACHADO, 2018).
Sobre as fotos internas é importante que seja utilizado “o tipo 
grande-angular, necessário para mostrar a posição relativa entre as evi-
dências”, além de fotografar em distâncias diferentes e registrar cada 
evidência, com sua devida numeração (MACHADO, 2018, p. 53).
Nas fotos de cadáveres é necessário focar em todas as lesões, 
antes e após limpeza, e em uma distância mínima da câmera para que 
seja possível registrar os detalhes. Ademais, as fotos devem “ser tiradas 
pelo menos duas em ângulos opostos, de modo que o ilustrem na posi-
ção exata em que foi encontrado” (MACHADO, 2018, p. 54).
Veja que a necessidade é realmente trazer um registro fiel da 
realidade, de sorte que seja possível examinar a cena de crime com 
riqueza de detalhes. Ora, se o registro não for fidedigno, as conclusões 
dele também não serão.
A fotogrametria é uma técnica de captação de informações 
sobre objetos e meio ambiente, através de medições geométricas 
de imagens, filmagem e leitura de imagens. Atualmente, se utiliza 
um veículo aéreo não tripulado, como drone (MACHADO, 2018).
De outro lado, é relevante destacar que o desenho deve ser 
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uma cópia fiel da realidade, sem margens para nenhum tipo de distor-
ção da verdadeira cena da infração penal. No que se refere aos dese-
nhos, eles podem ser classificados da seguinte maneira:
• Artísticos;
• Técnicos.
Os artísticos correspondem “às representações de objetos, 
pessoas ou acontecimentos, de forma livre, com o intuito de permitir sua 
identificação (retrato falado) ou tornar compreensível uma característica 
técnica [...], fato ou versão”, enquanto que os técnicos devem ser feitos 
de modo a retratar de forma mais fiel o local, os objetos e todos os ele-
mentos constantes no mundo real (MACHADO, 2018, p. 48).
Em outras palavras, os desenhos artísticos são mais livres, eis 
que não precisam ser cópia fiel da realidade, bastando que cumpram sua 
finalidade de identificação ou de explicação de um fato, versão ou técnica.
Logo, resta evidente que os desenhos técnicos, de modo di-
verso dos artísticos, devem representar o local da prática do delito, tra-
zendo todos os seus detalhes, com o fito de reforçar o exame pericial.
Nessa linha, pode-se mencionar alguns desenhos técnicos 
como o croqui, em que não há escala; o linear, que é composto por 
gráficos e organogramas; o levantamento topográfico, em que existe 
escala e proporção; e por fim o rebatimento topográfico, que consiste na 
“ilustração rebatida do piso, do teto e das quatro paredes com o intuito 
de fixar e localizar os vestígios. Tal metodologia é empregada para re-
presentar ambientes internos em geral” (MACHADO, 2018, p. 49).
Por fim, o perito pode apresentar a descrição do cenário do 
crime, por meio de vídeo, porém não é uma forma tão utilizada, devido 
ao alto custo dos equipamentos necessários.
A descrição pode ser realizada através de dois critérios, quais 
sejam: centrípeto ou centrífugo. O primeiro diz respeito aos casos em 
que o registro de inicia pelo elemento menos importante e finaliza 
com o mais relevante, ao passo que o segundo ocorre quando se re-
aliza o registro começando pelo vestígio principal (MACHADO, 2018).
Considerando a relevância do trabalho pericial, Machado 
(2018, p. 19) atesta que “diante de inúmeras ações que compõem a 
rotina do perito, algumas regras básicas se destacam”. Observe:
• Deslocamento rápido até o local de crime;
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• Registrar todas as informações;
• Sigilo;
• Atenção;
• Meticulosidade;
• Liberdade;
• Confiar nas evidências.
O primeiro diz respeito a necessidade do perito chegar ao espa-
ço de ocorrência do crime em um curto espaço de tempo, a fim de dimi-
nuir as chances de violação desse cenário e até perda de algum vestígio.
No que concerne ao registro, é de grande valia destacar que 
o profissional deve se atentar para que não deixe de anotar nenhum 
ponto encontrado, poisa cena da infração penal costuma ser bem com-
plexa e repleta de objetos e informações, de modo que a falta de do-
cumentação de algo pode levar ao esquecimento sobre algo relevante 
para a resolução do caso.
O sigilo se relaciona ao fato dos peritos criminais evitarem a 
comunicação com indivíduos alheios aos profissionais competentes da 
área, com o fito de evitar vazamento de informações.
Por sua vez, a atenção, a meticulosidade e a liberdade são 
características essenciais para o trabalho pericial, eis que o perito deve 
estar focado nos detalhes e realizar o exame de acordo com sua cons-
ciência profissional, fazendo por vezes mais do que foi solicitado.
Desse modo, dizer que o profissional deve confiar nas evidên-
cias significa que, apesar de haver testemunhas contando uma mesma 
narrativa, é preciso acreditar que as respostas das perguntas acerca do 
crime só poderão ser obtidas através da perícia.
A respeito dos deveres quando do conhecimento da prática de 
um crime, o Código de Processo Penal, em seu art. 6º, dispõe:
Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autorida-
de policial deverá:
I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e 
conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais;
II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos 
peritos criminais; 
III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas 
circunstâncias;
IV - ouvir o ofendido;
V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no 
Capítulo III do Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assina-
do por duas testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura;
VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações;
VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a 
quaisquer outras perícias;
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VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se 
possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes;
IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, 
familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo 
antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que 
contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter.
X - colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se 
possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável 
pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa (BRASIL, 1941).
Ao que se vê, o referido dispositivo reafirma a função da autori-
dade policial de preservar a cena de crime, ao passo em que apresenta 
a obrigação desta coletar provas e ouvir as pessoas envolvidas no caso. 
Outrossim, de acordo com o caso concreto a autoridade solici-
tará a perícia criminal, quando houver vestígios, e realizará investigação 
acerca da vida do suspeito.
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QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO 1
Prova: INSTITUTO AOCP - 2023 - PC-GO - Escrivão de Polícia da 3ª 
Classe
Em uma festa, Joana é estuprada, sendo levada a um hospital e 
ficando lá internada por 02 (dois) dias. Ao sair do hospital, a vítima 
comparece ao Instituto Médico Legal para realizar o exame de cor-
po de delito. Nesse caso hipotético, é correto afirmar que 
a) o exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer dia e a qual-
quer hora.
b) o exame de corpo de delito será feito por dois peritos oficiais que 
prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo.
c) o laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 10 dias, podendo 
esse prazo ser prorrogado, em casos excepcionais, a requerimento do 
Ministério Público.
d) os peritos elaborarão o laudo pericial, no qual descreverão minucio-
samente o que examinarem, sendo-lhes facultado responder aos que-
sitos formulados.
e) serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente de acusação, 
ao ofendido, ao querelante e ao acusado a formulação de quesitos e a 
indicação do perito.
QUESTÃO 2
Prova: IADES - 2019 - PC-DF - Perito Criminal - Verificação de 
Aprendizagem - 2ª Prova
A respeito dos vestígios em locais de crime, é correto afirmar que
a) as impressões de aceleração produzidas com os pneumáticos em pro-
cesso giratório em forte aceleração não reproduzem os desenhos das 
bandas de rodagem e, portanto, não devem ser consideradas vestígios.
b) geralmente as marcas deixadas pelo uso de ferramentas em locais 
de crime são latentes.
c) o processo de transporte de uma pegada positiva latente sobre uma 
folha de revista é diferente do transporte de uma impressão digital.
d) o processo de transporte de uma pegada negativa pode ser feito por 
meio de modelagem.
e) as impressões latentes apresentam dificuldade para a respectiva 
análise digital.
QUESTÃO 3
Provas: INSTITUTO AOCP - 2021 - ITEP - RN - Assistente Técnico 
Forense - Administração 
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Assinale a alternativa que apresenta o conceito de vestígio forjado.
a) Todo elemento encontrado no local do crime cujo autor teve a inten-
ção de produzi-lo com o objetivo de modificar o conjunto de elementos 
originais produzidos pelos autores da infração.
b) Todo elemento encontrado no local do crime que não esteja relacio-
nado às ações dos atores da infração e cuja produção não tenha ocor-
rido de maneira intencional.
c) Aquele que, após depuração da equipe pericial, conclui-se ter relação 
com os fatos em investigação por ser resultado da ação ou omissão do 
autor.
d) Aqueles vestígios que são encontrados em uma cena de crime e pa-
recem relacionados ao fato investigado.
e) Todo elemento material produzido diretamente pelos atores da in-
fração e, ainda, que seja produto direto das ações do cometimento do 
delito em si.
QUESTÃO 4
Prova: IADES - 2019 - PC-DF - Perito Criminal - Verificação de 
Aprendizagem - 2ª Prova
Quanto à produção de vestígios de pegadas em locais de crime, 
assinale a alternativa correta.
a) As marcas positivas são figuras formadas por compressão ou depres-
são sobre o suporte que recebe o objeto que as produz, como terra ou 
qualquer outro suporte macio.
b) Apenas as marcas de pegadas no local mediato devem ser avaliadas.
c) Apenas as marcas de pegadas no local imediato devem ser avaliadas.
d) As marcas latentes de pegadas não podem ser avaliadas.
e) As marcas negativas podem ser transportadas por meio da modelagem.
QUESTÃO 5
Prova: CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil
Acerca dos vestígios, indícios e de outros elementos encontrados 
nos locais de crime, julgue os itens seguintes.
I. A nulidade por falta do exame de corpo de delito nos crimes que 
deixam vestígios é absoluta.
II. No caso de haver o crime deixado vestígio, a queixa ou a denún-
cia não será recebida se não for instruída com o exame pericial dos 
objetos que constituam o corpo de delito.
III. Os cadáveres, as lesões externas e os vestígios deixados no lo-
cal do crime serão sempre fotografados na posição em que forem 
encontrados.
Assinale a opção correta.
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a) Apenas o item I está certo. 
b) Apenas o item II está certo. 
c) Apenas os itens I e III estão certos. 
d) Apenas os itens II e III estão certos. 
e) Todos os itens estão certos.
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE
A cadeia de custódia é o “conjunto de todos os procedimentos utilizados 
para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado 
em locais ou em vítimas de crimes [...]”, de acordo com o art. 158-A do 
CPP (BRASIL, 1941). Em vista disso, enumere as etapas de rastrea-
mento de vestígios e explique cada uma delas.
TREINO INÉDITO
Acerca dos desenhos, assinalea alternativa que não represente 
um desenho técnico.
a) Croqui.
b) Levantamento topográfico.
c) Retrato falado.
d) Rebatimento topográfico.
e) Linear.
NA MÍDIA
COMO POLÍCIA COLETA DNA PARA IDENTIFICAR ENVOLVIDOS 
EM MEGA-ASSALTOS
Os materiais genéticos foram encontrados em objetos e veículos usa-
dos nas ações pelos criminosos. Ao menos quatro lideranças nesses 
ataques foram presas em dois anos. Dois deles são suspeitos de par-
ticipação no roubo de Araçatuba (SP) no ano passado. Os criminosos 
atuam em ações de "domínio de cidades", um avanço em relação ao 
"novo cangaço". Com o DNA, foi possível identificar a participação dos 
criminosos. O material é recolhido em locais usados pelos suspeitos e 
inserido no banco de dados, permitindo identificar até a participação em 
crimes que ocorreram após a coleta do material". 
Fonte: Uol
Data de publicação: 26/12/2022
Leia a notícia na íntegra: https://www.bol.uol.com.br/noticias/2022/12/26/
policia-dna-identifica-envolvidos-mega-assaltos.htm
NA PRÁTICA
As técnicas de coleta de evidências são essenciais para que se consiga 
conservar as características e natureza dos elementos, a fim de possi-
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bilitar a feitura do exame pericial.
Isso porque a retirada errada dos vestígios pode frustrar a realização 
das análises periciais ou dificultá-las, assim, a utilização das técnicas 
corretas é imprescindível.
Por seu turno, as técnicas de descrição de local de crime revelam sua 
importância no fato de promoverem uma fiel representação do espaço 
em que ocorreu o fato, o que, por si só, aumenta as chances de se obter 
conclusões idôneas a respeito do caso, através da perícia criminal.
Desse modo, os peritos criminais devem ser detentores desses conhe-
cimentos, haja vista a grande relevância que apresentam para a inves-
tigação criminal e a resolução dos crimes.
PARA SABER MAIS
Título: Fotografia forense
Data de Publicação: 13/08/2020
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=Dyvy9BQUhy4
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ANÁLISE DA DINÂMICA DE CRIMES CONTRA A PESSOA
A análise da dinâmica de um crime contra a pessoa terá início 
com a observação dos tipos de vestígios encontrados no local, eis que, 
como já visto, existem evidências peculiares de delitos que atentem 
contra a vida dos seres humanos.
Nesse ponto, pode-se citar algumas pistas características das 
referidas infrações, como armas, sangue, documentos, pegadas, cabe-
los, etc. Isto é, tudo aquilo que se costuma achar em cenas de crimes 
de assassinatos, abortos, latrocínios, suicídios, entre outros crimes pra-
ticados contra os indivíduos (MACHADO, 2018).
Mas não é só. Após a identificação dos vestígios, os peritos 
irão proceder com o exame destes, a fim de que seja alcançada a con-
EXAMES DA CENA DE CRIME
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clusão acerca da forma e da dinâmica do crime praticado. Ressalte-se 
que cada elemento encontrado tem uma grande chance de trazer uma 
resposta sobre o delito cometido.
Agora imagine que você, como perito, chega ao local do crime 
e se depara com um cômodo todo bagunçado com roupas e alimentos 
no chão, a qual conclusão chegaria? Houve resistência da vítima? Luta 
corporal?
Quanto a esse ponto, vale salientar que a análise do espaço 
em que ocorreu o crime é extremamente importante para se concluir 
pela ocorrência ou não de luta. No entanto, deve-se atentar para o fato 
de que nem toda desorganização se refere à resistência da vítima, sen-
do necessário “estabelecer um modelo de organização básica do lo-
cal e de seus usuários para identificar vestígios de luta ou resistência” 
(FRANK, 2020, p. 272). 
Em outras palavras, é preciso ter um padrão médio de organi-
zação a ser observado. Além do mais, deve-se buscar por informações 
sobre a organização pessoal da vítima, para que se possa chegar a um 
consenso acerca do grau de desordem encontrado em detrimento do 
arranjo normal do usuário. Assim, um copo derramado em uma super-
fície, por exemplo, pode consistir na manifestação de alguma ação da 
vítima, como susto, correria, briga e violência.
Ainda, cabe registrar que “igualmente, marcas de lodo nos joelhos 
de uma calça [...] ou nos cotovelos e nas mangas de uma camisa podem 
indicar a ocorrência de algum episódio de luta, esboço de resistência ou 
similar antes da morte da vítima” (FRANK, 2020, p. 279). Logo, é possível 
que a vítima tenha se sujado ao cair durante o combate ou até mesmo se 
apoiado em alguma superfície, o que gerou a mancha no local específico.
Cumpre registrar que é preciso diferenciar as marcas de uma 
briga com as de arraste, em que a vítima é arrastada e mudada de po-
sição ou local. Comumente, as segundas “são bem caracterizadas pela 
impregnação de sujidade do solo no corpo em áreas dependentes como 
a região glútea ou o dorso” e se configuram também com arranhões no 
corpo da vítima (FRANK, 2020, p. 272).
Note que é a partir do exame de cada elemento que o perito 
criminal poderá atestar as particularidades do crime em questão, o que 
se reforça pelo fato de uma mancha de sujeira ser capaz de significar 
dois casos diversos, quais sejam: arraste ou luta.
Por outro lado, alguns elementos podem expressar o cometimen-
to de um suicídio, seja pela localização de uma carta de despedida ou o 
fato de a pessoa ser encontrada em local fechado, sem marcas de ar-
rombamento. Frise-se que, quanto às cartas impressas, deve-se analisar 
possíveis impressões digitais para confirmação da autoria (BITTAR, 2018).
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Dessa forma, é incontestável a importância da análise da cena 
em que ocorreu a infração para a resolução dos casos, uma vez que o 
próprio espaço pode revelar informações valiosas acerca do delito.
Calha pinçar que um dos vestígios comuns e importantes nas 
cenas de crimes contra a vida é a pegada. Sobre o tema, Frank (2020) 
explana:
Em um local de crime por arma de fogo é bem possível que sobrem pegadas 
de pés descalços no local. Tal fato se dá tanto pelo não uso de calçados como 
pela sua perda em momentos de correria ou luta. O pé é uma região anatômica 
que apresenta um grau de individualidade bastante grande, além de a pegada 
humana ser distinta da de qualquer outro animal (FRANK, 2020, p. 279/280).
Ao que se depreende, as pegadas sem sapatos, ou seja, a 
marca do pé “nu” pode servir para a identificação do acusado, sendo, 
portanto, relevante para a investigação criminal.
Com efeito, existem algumas técnicas utilizadas no exame das 
pegadas sem calçado encontradas no local de crime, quais sejam:
• Método de Gunn;
• Método do centro óptico;
• Método de Robbins;
• Método de Rossi;
• Método da sobreposição.
O primeiro método foi desenvolvido por Norman Gunn, e leva 
em conta as medidas do final do calcanhar até a ponta dos dedos, além 
de “uma linha unindo as duas extremidades laterais do pé, os dez seg-
mentos longitudinais de reta produzidos pela intersecção destas linhas e 
os ângulos entre estes cinco segmentos de reta” (FRANK, 2020, p. 280).
Já o método do centro óptico é uma evolução do método de 
Gunn e foi desenvolvido pela Real Polícia Montada Canadense. Nesse 
procedimento, o centro “é um ponto central de uma figura anatômica [...] 
as mensurações são sempre feitas entre os centros ópticos das marcas 
dos dedos, da base do primeiro pododáctilo e da base do calcanhar” 
(FRANK, 2020, p. 281).
Noutros termos, haverá a mensuração do centro do calcanhar 
até o centro de cada dedo, logo, se diferencia do método de Gunn, haja 
vista não começar a aferir a distância do fim do calcanhar ao final dos 
dedos,mas sim considerando o centro destes, sendo comum a utiliza-
ção de softwares.
A Figura 6 demonstra a forma de medição do método do centro 
óptico.
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Figura 6 – Método do centro óptico
Fonte: FRANK, 2020, p. 281
Por sua vez, o método de Robbins se diferencia dos primeiros 
explanados, eis que usa medidas de ângulo reto, em virtude da facilida-
de de obtenção destes (FRANK, 2020).
Desse modo, a figura 7 demonstra a forma como se utiliza o 
método de Robbins.
Figura 7 – Método de Robbins
Fonte: FRANK, 2020, p. 281
No que se refere ao método de Rossi, este foi criado por William 
Rossi e “é baseado em um sistema triangular de linhas traçadas no sen-
tido longitudinal e transversal à pegada” (FRANK, 2020, p. 282).
É dizer, o perito criminal irá traçar linhas retas na forma de 
um triângulo na lateral da pegada e da mesma forma desenhar linhas 
formando uma figura triangular no sentido do calcanhar até os dedos. 
Após, será observado os pontos comuns entre os traços, necessários 
para a identificação da pegada.
Nesse ínterim, a figura 8 apresenta a demonstração do método 
de Rossi.
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Figura 8 – Método de Rossi
Fonte: FRANK, 2020, p. 282.
Por fim, tem-se técnica da sobreposição, desenvolvida pelo Fo-
rensic Science Service no Reino Unido, em que “um esboço de uma pega-
da conhecida é colocado sobre uma folha de acetato clara e essa imagem 
é colocada sobre uma impressão investigada”. Atualmente, é comum utili-
zar-se fotos, desde que não seja em ângulo de 90º (FRANK, 2020, p. 283).
Logo, resta claro que essa metodologia não irá levar em consi-
deração os ângulos e a distância entre pontos, mas sim o contorno das 
pegadas, ou seja, a morfologia destas.
Mas qual dos métodos é o mais eficaz ou o melhor? A resposta 
é: depende. Isso porque cada técnica explanada tem seus pontos posi-
tivos e negativos e, em vista disso, a escolha do melhor procedimento 
dependerá do caso concreto.
Caso se precise de uma medida quantitativa a única que não 
apresenta essa característica é a de sobreposição; mas também é a 
única que faz comparação de detalhes. Por outro lado, se o perito bus-
car facilidade poderá optar por todas as formas, menos o centro óptico 
e sobreposição. Se precisa de um procedimento capaz de ser feito com 
pegadas parciais, utilizará a sobreposição que, por seu turno, não con-
sidera a pegada como um todo (FRANK, 2020).
Por seu turno, a pegada com calçado em cena de crime pode 
apresentar algum tipo de particularidade, como marca, tipo e tamanho. 
No entanto, este tipo de marca pode apresentar alterações em relação 
ao tamanho por alguns fatores como “distorção do calçado no caminhar; 
distorção da superfície onde a pegada é produzida; superfície não pla-
na; a circulação subsequente ou alterações ambientais no solo onde a 
pegada foi feita; parede externa do solado” (FRANK, 2020, p. 285). 
Do mesmo modo, pode haver algumas condições da pegada 
que sugiram desgaste ocasionado por alguma deficiência física ou mar-
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cas de tempo de uso, que podem ser importantes para a análise da 
dinâmica do delito.
Sobre as particularidades das pegadas com calçado, Frank 
(2020) expõe:
Ao contrário das impressões digitais, as pegadas produzidas com calçado 
não têm um veículo próprio (gordura, suor) para produzir a impressão. É ne-
cessário, então, que a sola do calçado seja impregnada com alguma sujidade 
(sangue, por exemplo) ou o piso esteja previamente sujo (pó, poeira) ou o 
solo seja plástico (areia, argila, lodo) (FRANK, 2020, p. 286).
Infere-se, portanto, que salvo nos casos em que o sapato te-
nha alguma substância característica, como mancha de sangue ou 
areia, a análise das pegadas com calçado não irá ser suficiente para 
a identificação do sujeito ou de algum aspecto do crime. Mas também 
não significa que as pegadas com sapatos não podem colaborar com a 
elucidação da infração cometida, pois às vezes pode se reconhecer um 
tipo de calçado específico de uma profissão, por exemplo, e com isso, 
delimitar a linha de investigação.
Frise-se que “a biqueira é a porção mais importante do calçado 
para fins de pesquisa de evidência, pois é ali que se alojam os dedos”. 
Isso porque o desenho da biqueira pode apresentar uma variedade de 
formas, que faça com que os dedos tenham que se encaixar (FRANK, 
2020, p. 287).
Note que dependendo da anatomia do calçado é possível que 
haja uma modificação na estrutura do pé da pessoa, como é o caso de 
sapatos de bico mais fino em que os dedos acabam ficando “espremi-
dos” e, portanto, diferentes de uma pegada descalça. 
A figura 9 apresenta uma das diferenças entre pegadas com 
calçado e descalço.
Figura 9 – Diferença entre as pegadas com calçado e sem calçado
Fonte: FRANK, 2020, p. 286
Ademais, é importante atentar para os casos de o sujeito estar 
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utilizando sapatos maiores que o seu tamanho correto ou até menores. 
No último caso, é comum “encontrar desgastes adicionais na zona da 
biqueira, especialmente na porção mais distal da sola. Com os dedos 
fletidos, a articulação interfalângica irá, também, desgastar a superfície 
interna do calçado” (FRANK, 2020, p. 289).
Esses aspectos são essenciais, eis que a identificação errada 
do tamanho real do pé do indivíduo pode acarretar conclusões erradas 
acerca das características do suspeito.
Por fim, cumpre registrar que para a coleta das pegadas po-
dem ser utilizados moldes, gelatinas, filme eletrostático e caso se sus-
peite de existência de impressões digitais, poderá ser usado pó.
Outra evidência importante é a mancha de sangue, visto que 
além da possibilidade de identificação do sujeito, através do exame de 
DNA, a forma na qual ela é encontrada revelará as circunstâncias e o 
tempo em que foi praticado o crime.
Com efeito, o exame dos vestígios de sangue pode indicar a 
arma utilizada, o arraste do corpo da vítima, o número das agressões, 
o veículo utilizado para remover o cadáver, entre tantos outros aspectos 
da dinâmica da infração penal. Vale salientar que a perícia criminal, na 
análise da cena do delito se preocupará com as questões atinentes as ca-
racterísticas externas do sangue, ao passo que o exame relacionado ao 
DNA e tipo sanguíneo será realizado no laboratório (MACHADO, 2018).
Nesse contexto, a figura 10 demonstra as manchas de sangue 
no solo em uma cena de infração penal, em que também se encontra o 
corpo e a arma com a qual o crime foi praticado.
Figura 10 – Manchas de sangue em cena de crime
Fonte: Pixabay, 2021.
Cumpre destacar que mesmo nas hipóteses em que a arma 
do crime não é encontrada no local, a análise das manchas de sangue 
pode levar a conclusão do tipo de arma utilizado. 
De outra banda, frise-se que os peritos criminais devem pro-
curar os restos de sangue em todos os locais possíveis, como assoa-
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lho, maçanetas, objetos presentes no espaço, dentre outros. Outrossim, 
quando se existe um suspeito, a perícia realiza a busca em suas rou-
pas, incluindo bolsos e punhos, acessórios, unhas etc. 
No que se refere a análise do tempo daquela marca, cabe pin-
çar que esta é feita “de forma bastante empírica. Em algumas situações, 
é praticamente impossível essa previsão e, em outros casos, tal aferi-
ção é realizada de forma bastante cautelosa” (MACHADO, 2018, p. 70).
Outro ponto importante no exame do sangue no local de crime 
está relacionado aos tipos de manchas de sangue, elencados por Ma-
chado (2018), que são: por contato; por impregnação; por limpeza ou 
remoção; porprojeção; por derramamento; escorrimento e queda livre. 
A primeira se refere às impressões feitas pelas mãos ou pés sujos de 
sangue, ao passo que a segunda são as marcas localizadas em mate-
riais absorventes como tapetes.
Nesse ponto, a figura 11 se refere a uma mancha de sangue 
por contato, uma vez que é notória a mão do indivíduo.
Figura 11 – Mancha de sangue por contato
Fonte: Pixabay, 2021.
Por seu turno, as manchas por limpeza “são produzidas decor-
rentes da tentativa de sua remoção de objetos, superfícies ou materiais 
absorventes que tenham sido atingidos com o intuito de esconder um 
delito” (MACHADO, 2018, p. 70).
Já as manchas por queda livre podem ocorrer de forma hori-
zontal ou inclinada. Em relação ao plano horizontal, pode-se conhecer 
a altura da queda a partir do formato da marca, da seguinte maneira 
(MACHADO, 2018):
• Circular – queda de 5 a 10 metros;
• Estrelada simples – queda de 10 a 40 metros;
• Estrelada com gotas – queda de 40 a 125 metros;
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• Gotículas – queda maior de 125 metros.
Vale mencionar que a forma circular, como é notório, será um cír-
culo de sangue, ao passo que a estrelada simples, apesar de possuir um 
molde circular, apresenta irregularidades em todo o contorno; já a estrelada 
com gotas, além das irregularidades, irá expor gotas ao final. As gotículas, 
por sua vez, representam várias gotas e respingos por toda a superfície.
De modo diverso, nos casos da queda livre ocorrer de maneira 
inclinada, “as manchas inicialmente se expandem e caem pela ação 
da gravidade produzindo uma forma alongada na fase final”, podendo 
chegar a forma estrelada, mas nunca deixando de apresentar as ca-
racterísticas particularidades que são o alongamento e deslocamento 
(MACHADO, 2018, p. 69).
O sangue por derramamento consiste em depósitos da subs-
tância, enquanto que por escorrimentos significa que em um primeiro 
momento a pessoa imprimiu o sangue em uma superfície, o qual escor-
reu pela força da gravidade. Nesse último, pode significar alteração do 
corpo e dos objetos pelo suspeito. 
Por fim, tem-se as manchas por projeção, que possuem uma 
força horizontal que faz com que elas se apresentem de forma alonga-
da, e quanto mais agudo o ângulo em detrimento do chão mais rápido o 
deslocamento. Ressalte-se que “manchas desse tipo podem indicar se 
pessoa foi ferida em movimento, se sangue foi projetado de artéria le-
sionada ou ainda se houve movimento de ferramenta impregnado com 
considerável quantidade de sangue” (MACHADO, 2018, p. 69).
Assim, após entender um pouco acerca da dinâmica da cena 
de local de crime contra a pessoa, é primordial conhecer os tipos de le-
sões e o que esses ferimentos podem revelar acerca do delito cometido.
TIPOS DE LESÕES
As lesões apresentam características próprias, ou seja, a partir 
da observação dessas particularidades o perito poderá obter conclu-
sões a respeito do tipo da ferida e das circunstâncias em que foi prati-
cada a infração penal.
Segundo Machado (2018) os tipos de lesões são:
• Contusos;
• Punctórios;
• Incisos;
• Mistos;
• Decapitação, degola e esgorjamento;
• Queimadura;
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• Arma de fogo.
A primeira lesão é denominada de contusa por serem provo-
cadas por objetos não cortantes. O referido tipo de ferimento ocorre 
“por compressão, apresentam bordas irregulares, alterações de borda 
e geralmente deixam cicatrizes largas e irregulares, como no caso de 
esmagaduras e agressões sexuais” (MACHADO, 2018, p. 83).
Por seu turno, os ferimentos punctórios são gerados a partir da 
utilização de materiais perfurantes, como agulhas. Cabe destacar que as 
lesões apresentam um furo de entrada e, por vezes, de saída. Outrossim, 
“apresentam-se sob a forma de ponto com abertura estreita, pouco san-
gramento, provocam pequenas manchas na pele, geralmente de menor 
diâmetro que a do instrumento causador” (MACHADO, 2018, p. 83).
De modo diverso, os ferimentos incisos são feitos com objetos 
cortantes, mas ganham essa nomenclatura por adentrarem na pele hu-
mana no sentido perpendicular, conforme bem explana Machado (2018):
Quando o instrumento deixa pendente um retalho do corpo, são considerados 
com retalho e, finalmente, mutilantes quando o instrumento atravessa os teci-
dos de lado a lado destacando partes salientes do corpo (orelhas, dedos, na-
riz etc.). Os ferimentos apresentam grandes comprimentos, afastamento das 
bordas devido à elasticidade e tonicidade dos tecidos, apresentam maiores 
profundidades no centro do que nas extremidades (MACHADO, 2018, p. 84).
Como se vê, essas lesões se diferenciam pela perfuração do 
tecido humano, feita com objetos como facas e por esse motivo apre-
sentam uma profundidade maior no centro. 
Por sua vez, os ferimentos mistos, como o próprio nome reve-
la, são aqueles que possuem duas características marcantes, dividindo-
-se em corto-contundentes e perfuro-cortantes.
O primeiro se refere às lesões que, apesar de serem feitas com 
objetos capazes de cortar, empregam força. Já o segundo consistem 
em ferimentos causados por armas pontiagudas, ou seja, com capaci-
dade de perfuração. 
No que concerne às lesões do pescoço, pode-se ter o esgor-
jamento, que se trata de um ferimento entre a mandíbula e a laringe; a 
degola, cuja lesão é feita na nuca por objeto cortante; e a decapitação é 
a separação da cabeça do corpo da vítima (MACHADO, 2018).
Já as queimaduras podem ocorrer através do contato com al-
tas temperaturas, mas também de substâncias químicas e corrente elé-
trica. Cumpre frisar que “quando os vasos sanguíneos são danificados 
por queimaduras, o organismo pode entrar em um estado de choque, 
provocando queda da pressão arterial, o que prejudica a oxigenação do 
cérebro e outros órgãos vitais” (MACHADO, 2018, p. 85).
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Com efeito, os ferimentos ocasionados por queimaduras po-
dem ser classificados em primeiro, segundo e terceiro grau, a depender 
da gravidade da lesão.
Ao que se depreende, as feridas de primeiro grau são averme-
lhadas e sem bolhas, enquanto que as de segundo apresentam bolhas, 
ambas com presença de dor, e as de terceiro grau podem ser brancas ou 
escuras e não doem, em virtude do prejuízo de terminações nervosas.
Por fim, tem-se as lesões ocasionadas por arma de fogo, as 
quais são perfuro-contusas, ou seja, ao mesmo tempo em que perfura, 
apresenta a contusão. Nesse ponto, cumpre frisar a importância do exa-
me dos ferimentos de entrada, saída e trajeto do projétil. 
Especificamente, as lesões de entrada são classificadas em 
efeitos primários e secundários. Os primários “são produzidos pela bar-
reira mecânica do projétil provocada pelo impacto do mesmo contra os 
tecidos do corpo e ocorrem independentemente da distância do dispa-
ro”, ao passo que os secundários se referem aos ferimentos provocados 
pelos estilhaços da bala (MACHADO, 2018, p. 86).
Cabe registrar que o exame da lesão é essencial para se co-
nhecer a distância do disparo efetuado. Nesse cenário, as lesões de 
entrada realizadas com arma de fogo em longa distância apresentam 
as seguintes características, segundo Ferreira (2020):
• Borda menor do que o projétil;
• Formato arredondado ou elíptica;
• Orla de escoriação (anel de Fisch, contusão, desepitelizada, 
erosiva, zona inflamatória, enxugo (alimpadura, Chavigny, Canuto e 
Tovo) e equimose (aréola equimótica);
• Bordas viradas para dentro.
Cabe explanar que a orla de enxugo está relacionada as sujida-
des encontradas na pele da vítima, sendo relevantes para a conclusão 
acerca da direção do projétil. Já a orla de escoriação nada mais é do que 
uma lesão de escoriação e a orla de equimose é uma lesão contusa.
Com efeito, a partir dos efeitos secundários, pode-se chegar àconclusão sobre a distância do disparo da arma de fogo, que, quando 
realizado em curta distância, se dividem em três zonas, quais sejam:
• Zona de chama;
• Zona de esfumaçamento;
• Zona de tatuagem.
 zona de chama “se caracteriza por queimadura da pele, em 
geral disposta ao redor do orifício de entrada, cuja formação é decorren-
te da ação direta da chama e dos gases aquecidos. Produzem queima-
dura da pele e de pelos da região atingida” (MACHADO, 2018, p. 86).
Impende destacar que as queimaduras costumam aparecer 
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em disparos de arma de fogo a queima-roupa, isto é, a uma distância 
mínima da vítima.
Já a zona do esfumaçamento ganha esse nome pela presença de 
fuligem, “proveniente da combustão da pólvora e detonação da espoleta ao 
redor do orifício de entrada. [...] está presente em disparos efetuados em 
curta distância apresentando cor variável conforme tipo de pólvora, idade 
do cartucho [...]. Por sua vez, a zona de tatuagem expõe grãos de pólvora 
pela lesão de entrada, e diferente da fuligem encontrada na zona de esfu-
maçamento, não sai com lavagem (MACHADO, 2018, p. 86).
O trajeto é o caminho que a bala percorre desde a entrada 
no corpo da vítima até a saída ou fixação dentro do organismo, ou 
seja, é o caminho que o projétil faz dentro do corpo, independente 
de sair ou não deste. Já a trajetória se refere à distância da saída 
da bala da arma de fogo até o corpo ou outro objeto, como parede. 
Noutros termos, trata-se do caminho externo do projétil.
Quanto ao trajeto do projétil, este pode ser único ou múltiplo, 
caso venha a se fragmentar. A trajetória, por seu turno, nem sempre 
será reta, dada a possibilidade de bater em obstáculos, como ossos. 
Por fim, os ferimentos de saída são maiores que os de entrada e irregu-
lares (MACHADO, 2018).
Visto isso, é preciso atentar para a análise da trajetória do pro-
jétil, a qual é estudada pela disciplina da balística externa, cuja impor-
tância se revela.
NOÇÕES DE BALÍSTICA EXTERNA
Como visto, a balística externa estuda a trajetória do projétil. 
Noutros termos “é o ramo da Balística que trata do movimento do projétil 
no ar, sofrendo a ação da força da gravidade, ou seja, da boca do cano 
até o anteparo” (FRANK, 2020, p. 150).
Frise que além da força da gravidade, existe outra forma capaz 
de modificar a trajetória, que é a força do arrasto, responsável por alte-
rar a estabilidade do projétil. Cabe destacar que essas particularidades 
devem ser consideradas para melhor compreensão da dinâmica dos 
fatos, especialmente no que concerne à forma como se deu o disparo.
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Por seu turno, a trajetória de um projétil pode apresentar os 
seguintes movimentos:
• Rotação;
• Translação;
• Nutação;
• Precessão.
O primeiro diz respeito ao giro em torno do próprio objeto, ao 
passo que a translação concerne ao movimento de um lugar a outro. 
Por sua vez, a nutação diz respeito aos “pequenos círculos que a ponta 
faz” e a precessão é a “sucessão de círculos menores que formam a 
nutação” (FERREIRA, 2020, p. 194).
Cabe destacar que o projétil, enquanto objeto lançado, possui 
dois centros relacionados ao seu mecanismo de funcionamento, que são:
• Centro de massa;
• Centro de pressão.
O centro de massa consiste no ponto em que se encontra o equi-
líbrio do objeto, ao passo que o centro de pressão é o ponto de força do 
projétil de arma de fogo, o que possibilita a propulsão. (FERREIRA, 2020).
Ressalte-se que se os referidos centros não estiverem alinha-
dos a trajetória não será reta, podendo ser elevada ou mais baixa, ou 
seja, o projétil não será estável. Do mesmo modo, a estabilidade da 
bala será maior caso o seu movimento de rotação seja grande, sendo 
de grande valia mencionar que quanto maior a rotação, menor será o 
movimento de nutação e de precessão (FERREIRA, 2020).
Sobre o disparo de uma arma de fogo, precisas são as lições 
de Ferreira (2020):
A partir do momento em que o projétil é disparado de uma arma de fogo, o 
início do seu deslocamento é marcado por um período com muita turbulên-
cia, o que certamente dificulta sua capacidade de penetração. Após alguns 
metros, por ação das forças que atuam sobre o projétil, principalmente a de 
rotação, o P.A.F. fica mais estabilizado e a capacidade de penetração pode 
aumentar, mesmo que a velocidade seja menor (já que esta vai diminuindo a 
partir do momento em que a força resultante dos gases oriundos da queima 
da pólvora deixa de atuar sobre aquele) (FERREIRA, 2020, p. 195).
Ao que se depreende, as forças que interferem no projétil po-
dem gerar a estabilidade necessária para a entrada deste no corpo hu-
mano, mesmo que com o tempo a velocidade diminua.
Na balística externa se observará a distância em que ocorreu 
o disparo. Por exemplo, “o tiroteio de interesse policial, normalmente, é 
efetuado à distância inferior a dez metros. Nesta distância, é possível 
desprezar a resistência do ar e a ação da gravidade sobre o projétil” 
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(FRANK, 2020, p. 150).
No caso de disparo para o alto, o projétil terá em sua descida a 
ajuda da força da gravidade, o que consequentemente aumenta sua veloci-
dade, ao mesmo tempo em que tem a resistência do ar. Todavia, “a veloci-
dade inicial do projétil é a sua velocidade máxima” (BITTAR, 2018, p. 238).
Desta feita, resta evidente a importância da balística forense ex-
terna para se conhecer a velocidade, distância e outras particularidades da 
trajetória de um projétil de arma de fogo, haja vista que a grande parte dos 
crimes praticados contra a vida dos seres humanos apresenta esta arma.
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UESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO 1
Prova: FGV - 2022 - TJ-TO - Técnico Judiciário - Apoio Judiciário e 
Administrativo
A respeito da compatibilidade do delito de lesão corporal e a lei de 
crimes hediondos, é correto afirmar que:
a) não há delito de lesão corporal acometido pela hediondez;
b) a lesão grave pode ser acometida pela hediondez, dependendo da 
vítima;
c) a lesão gravíssima pode ser acometida pela hediondez, dependendo 
da vítima;
d) não há infração penal preterdolosa passível de ser acometida pela 
hediondez;
e) a lesão corporal seguida de morte será hedionda, independentemen-
te da vítima.
QUESTÃO 2
Prova: CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Perito Oficial Médico-
-Legal - Área: Geral
São considerados instrumentos cortocontundentes
a) projetil de arma de fogo, vergalhões de construção civil.
b) furador de gelo, prego. 
c) punhal, faca peixeira.
d) foice, facão.
e) faca de cozinha, canivete. 
QUESTÃO 3
Prova: CESPE / CEBRASPE - 2022 - DPE-TO - Defensor Público 
Substituto
Um faxineiro de um hospital público, ao manusear o lixo da unida-
de cirúrgica, sofreu uma lesão que foi descrita no prontuário médi-
co como incisa.
Com base nessas informações, é correto afirmar que, na situação 
hipotética apresentada, a lesão foi causada por instrumento
a) cortocontundente.
b) perfurante.
c) perfurocontundente.
d) contundente.
e) cortante.
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QUESTÃO 4
Prova: FADESP - 2019 - CPC-RENATO CHAVES - Perito Criminal - 
Engenharia Civil
Ao examinar um cadáver, o perito descobre que a lesão que oca-
sionou a morte foi provocada por golpe de machado, atingindo a 
coluna cervical, com fratura em toda extensão de corpo. Ao elabo-
rar seu relatório, o perito deverá informar que a ação ocorrida no 
cadáver foi de natureza
a) corto-contundente.
b) cortante.
c) perfuro-contundente.
d) perfuro-cortante.
e) perfurante.
QUESTÃO 5
Prova: INSTITUTO AOCP - 2019 - PC-ES - Médico Legista
Em uma avaliaçãode lesão corporal em uma mãe e em seu filho, 
no IML, o médico-legista notou equimose e escoriação na face da 
mãe e uma marca de mordida no pescoço do filho. As ações/meios 
que causaram as lesões na mãe e no filho são, respectivamente:
a) perfurante e contundente.
b) contusa e cortocontusa.
c) contundente e contusa.
d) contundente e cortocontundente.
e) contundente e cortante.
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE
Nas lesões ocasionadas por arma de fogo em curta distância existem 
os efeitos secundários que se dividem em três zonas. Nesse contexto, 
identifique as três zonas e explique cada uma delas.
TREINO INÉDITO
É uma lesão realizada com objeto cortante e sua característica 
principal é o fato de adentrar de forma perpendicular na pele. Assi-
nale a alternativa que contém o tipo de ferimento descrito.
a) Degola.
b) Punctório.
c) Mista.
d) Contuso.
e) Inciso.
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NA MÍDIA
EXAME DE DNA RESOLVE CASO DE ASSASSINATO MAIS DE 50 
ANOS DEPOIS
Genealogia Genética Forense: Exame de DNA Resolve Caso
Em 2004, um perfil de DNA foi desenvolvido, mas nenhuma correspon-
dência foi encontrada em um banco de dados nacional, e o caso persis-
tiu sem uma resolução.
Em 2019, com os exames de DNA em estágio mais avançado, a ge-
nealogia genética forense, mesma tecnologia utilizada para encontrar 
o Assassino do Estado Dourado nos Estados Unidos, foi utilizada para 
tentar realizar o perfil genético do assassinado de Nancy.
Três anos depois a polícia finalmente encontrou um suspeito para o caso.
A polícia encontrou como suspeito Richard John Davis, falecido no Con-
dado de Sacramento na Califórnia em 1997.
Fonte: Ciências criminais
Data de publicação: 08/2022
Leia a notícia na íntegra: https://canalcienciascriminais.com.br/exame-
-dna-assassinato-50-anos-depois/
NA PRÁTICA
A análise da dinâmica de um crime praticado contra a pessoa é de gran-
de valia para chegar-se à conclusão correta acerca da forma, tempo e 
espaço em que ocorreu o delito.
Desse modo, o conhecimento das técnicas de exame de manchas de 
sangue e pegadas são relevantes, eis que podem trazer informações 
primordiais para a identificação do sujeito, da arma, entre outros aspec-
tos da infração penal.
Por sua vez, os tipos de lesões e suas características são imprescindí-
veis para descobrir a arma do crime, como foi executado o golpe, entre 
outros aspectos dos ferimentos, que podem ser determinantes para a 
elucidação do delito.
Especificamente em relação aos crimes praticados com arma de fogo, viu-se 
a disciplina que estuda a trajetória do projétil, que é a balística externa, que 
é capaz de desvendar o tipo de arma, a distância e velocidade do disparo.
Diante do exposto, resta evidente que todos esses conhecimentos são 
fundamentais para a realização de uma boa análise do local de crime e 
de bons exames periciais.
PARA SABER MAIS
Título: Balística: Noções de balística 
Data de Publicação: 16/01/2021
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=YD2lIzBJDS0
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GABARITOS
CAPÍTULO 01
QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO 
DE RESPOSTA
O aluno deverá demonstrar que tem conhecimento sobre o tema, 
apresentando as classificações da cena do crime. Segundo Machado 
(2018), quanto à região, o local poderá ser imediato, quando apresente 
um maior número de vestígios, ou local mediato, que é aquele que está 
ao lado da área imediata. Frank (2020) ainda traz a figura do local rela-
cionado, que consiste no espaço em que se encontra um vestígio, mas 
não se refere ao lugar em que ocorreu a infração. 
No que concerne à preservação, o cenário pode ser violado ou não 
violado (MACHADO, 2018). Ainda, para Bittar (2018), o local pode ser 
referido, quando dois cenários são associados.
Quanto à natureza da área, esta pode ser interna, quando existe cober-
tura; externa, quando inexiste cobertura ou virtual, conforme defende 
Machado (2018).
Por fim, em razão da natureza do crime, o local irá variar de acordo com 
a tipificação penal, ou seja, teremos o espaço em que ocorreu homicí-
dio, furto, roubo, estupro, etc. (MACHADO, 2018).
TREINO INÉDITO
Gabarito: B
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CAPÍTULO 02
QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO 
DE RESPOSTA
O aluno deverá demonstrar que tem conhecimento sobre o tema, apre-
sentando as etapas de rastreamento de vestígios, quais sejam: reco-
nhecimento, que consiste na fase em que o perito verifica quais são os 
vestígios importantes para a elucidação do crime; isolamento, que é a 
etapa de preservação da cena da infração penal; fixação que consiste 
no registro de todo o espaço do delito; coleta, que é a parte em que 
os peritos irão colher as evidências; acondicionamento, momento de 
embalar os vestígios; transporte, etapa de locomoção dos elementos; 
recebimento pela central de custódia; processamento, que é a feitura 
do exame pericial propriamente dito; armazenamento, que é o ato de 
guardar as evidências; e o descarte, que é a eliminação dos elementos.
TREINO INÉDITO
Gabarito: C
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CAPÍTULO 03
QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO 
DE RESPOSTA
O aluno deverá demonstrar que tem conhecimento sobre o tema, apre-
sentando as zonas das lesões de arma de fogo, que são: zona de cha-
ma, zona do esfumaçamento e zona de tatuagem. A zona da chama se 
configura através da presença de queimadura na pele, na maioria dos 
casos encontrada ao redor do orifício de entrada (MACHADO, 2018). 
Por sua vez, a zona do esfumaçamento se caracteriza pela fuligem “pro-
veniente da combustão da pólvora e detonação da espoleta ao redor do 
orifício de entrada”, saindo facilmente com a lavagem. Por fim, a zona 
de tatuagem expõe grãos de pólvora pela lesão de entrada e não sai 
com lavagem (MACHADO, 2018, p. 86).
TREINO INÉDITO
Gabarito: C
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BITTAR, Neusa. Medicina legal e noções de criminalística. 7. ed. Salva-
dor: JusPodivm, 2018;
BRASIL. Decreto-Lei Nº 3.689, de 3 de outubro de 1941. Código de 
Processo Penal. Rio de Janeiro, RJ, 13 out. 1941. Disponível em: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689compilado.htm Aces-
so em 09 fev. 2021;
BRASIL. Lei Nº 9.503 de 23 de setembro de 1997. Institui o Código de 
Trânsito Brasileiro. Brasília, DF, 24 set. 1997. Disponível em http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm Acesso em 09 fev. 2021;
BRASIL. Lei nº 5.970 de 11 de dezembro de 1973. Exclui da aplicação 
do disposto nos artigos 6º, inciso I, 64 e 169, do Código de Proces-
so Penal, os casos de acidente de trânsito, e, dá outras providências. 
Brasília, DF, 12 dez. 1973. Disponível em http://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/LEIS/1970-1979/L5970.htm Acesso em 09 fev. 2021;
FERREIRA, Wilson Luiz Palermo. Medicina legal. 5. ed. Salvador: Jus-
Podivm, 2020;
FRANK, Paulo. Uma introdução à criminalística: guia para a perícia cri-
minal. 2. ed. Santa Cruz do Sul: Ruta, 2020;
MACHADO, Fernanda Sales Figueiró. Perícia forense – criminalística. 
1. ed. Rio de Janeiro: Seses, 2018;
PIXABAY. Cadáver na posição decúbito dorsal. Disponível em https://
pixabay.com/pt/illustrations/homem-mortos-morte-masculino-2480068/ 
Acesso em 11 fev. 2021;
PIXABAY. Foto de detalhe. Disponível em https://pixabay.com/pt/photos/
um-banho-de-sangue%2C-banho-crime-891262/ Acesso em 12 fev. 2021;
PIXABAY. Isolamento da cena de crime. Disponível em https://pixabay.
com/pt/photos/cantonal-de-zurique-pol%C3%ADcia-3227506/ Acesso 
em 11 fev. 2021;
PIXABAY. Mancha de sangueem cena de crime. Disponível em https://
pixabay.com/pt/photos/assassinato-capa-livro-forense-5380314/ Aces-
so em 20 fev. 2021;
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PIXABAY. Mancha de sangue por contato. Disponível em https://pi-
xabay.com/pt/photos/sangue-crime-horror-morte-mancha-18983/ Aces-
so em 21 fev. 2021;
PIXABAY. Numeração de evidência. Disponível em https://pixabay.com/
pt/photos/cena-do-crime-crime-faca-3243661/ Acesso em 11 fev. 2021; 
PIXABAY. Vidro quebrado. Disponível em https://pixabay.com/pt/photos/
quebrado-vidro-escola-danificados-1391025/ Acesso em 11 fev. 2021.
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Sde percorrer todos os contornos da ava-
liação da cena de local de crime, o presente módulo será dividido em três 
capítulos. Inicialmente, será estudada a definição, a classificação, os tipos 
e a preservação do local do crime, a fim de melhor compreender a impor-
tância do cenário em que ocorreu a infração penal para a elucidação desta.
Sucessivamente, será feita a diferenciação entre vestígios, in-
dícios e evidências, abordando-se as técnicas de coleta de evidências e 
de descrição do local de crime, com o fito de que seja exposta às regras 
atinentes ao exame da cena do delito.
Por fim, será realizado estudo acerca da análise da dinâmica 
de um crime contra a pessoa, os tipos de lesões e as noções de balís-
tica externa, com o afã de compreender a necessidade desses exames 
para a resolução dos delitos.
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DEFINIÇÃO
Inicialmente, é de grande valia destacar que a criminalística é a 
disciplina que aborda a avaliação da cena de local de crime através de 
uma metodologia própria e técnicas específicas, com o auxílio de outras 
áreas da ciência, como a química, a medicina legal, a antropologia, psi-
cologia, entre outras (MACHADO, 2018).
Particularmente, esse capítulo aborda a temática da cena da 
infração, trazendo à tona sua importância para a criminalística, espe-
cialmente no que se refere á elucidação de crimes. 
Assim, o local de crime deve ser compreendido como aquele 
em que ocorreu ou há indícios de que foi praticada uma infração penal. 
Impende mencionar que pode-se tratar de quaisquer crimes “[...] incluindo 
os fatos que, não sendo configurados como crime, cheguem ao conhe-
LOCAL DE CRIME
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cimento da polícia para serem esclarecidos” (MACHADO, 2018, p. 13).
Note que se inclui neste conceito a probabilidade de ter havido 
um crime, visto que em alguns casos, poderá estar-se diante de um 
cenário de uma prática não criminosa, como um acidente, por exemplo.
Mas por que então considerar algo que não é uma infração como 
local de crime? Ora, antes de uma análise prévia dos peritos, é quase impro-
vável que se possa confirmar a existência ou não da prática delituosa. Dessa 
forma, é importante que o cenário seja considerado como local de crime para 
que a apuração do ocorrido se dê da forma mais correta possível.
Além disso, é comum que a população chame a polícia quando 
tiver conhecimento sobre a suspeita de ocorrência de infração penal, com o 
afã de haver a elucidação do ocorrido, de modo que as autoridades sempre 
deverão apurar os fatos e apresentar a verdade para a sociedade.
Partindo dessa perspectiva, deverá ser “esclarecido se houve 
crime, suicídio ou acidente”. Desse modo, é necessário que os peritos 
realizem o exame da cena de crime, através da análise de vestígios e 
demais características observadas, para maiores esclarecimentos so-
bre a verdade dos fatos (BITTAR, 2018, p. 89).
Ressalte-se que em alguns casos o acusado pode tentar burlar 
esse lugar, com o objetivo de fazer parecer que houve um suicídio ou 
acidente e não homicídio, por exemplo, tornando-se evidente a essen-
cialidade do exame do local do crime para essa confirmação.
Vale destacar que vestígio “é todo objeto ou material bruto, vi-
sível ou latente, constatado ou recolhido, que se relaciona à infração 
penal”, conforme preceitua o §3º do art. 158-A do Código de Processo 
Penal (BRASIL, 1941). 
A perícia no local de crime, portanto, se mostra essencial para 
averiguação da prática de ato ilícito, no tocante à identificação do autor, 
a forma como ocorreu e todos os aspectos importantes sobre o crime, 
sendo, portanto, necessária para a atuação policial de investigação cri-
minal, assim como para o exercício do Poder Judiciário, no que concer-
ne à punição do acusado.
Noutros termos, “trata-se do local da ocorrência dos fatos de 
interesse policial e judiciário”, uma vez que estes são responsáveis por 
salvaguardar a sociedade do cometimento de atos ilícitos, bem como de 
investigar sua ocorrência e, em caso positivo, aplicar as sanções legais 
cabíveis (BITTAR, 2018, p. 89).
PRESERVAÇÃO DO LOCAL DO CRIME
Como visto, o exame no local de crime é essencial para a apu-
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ração do ocorrido, mas é importante evidenciar que para que a perícia 
seja idônea, ou seja, revele a verdade dos fatos, deve haver a preser-
vação desse cenário.
Em outras palavras, é preciso que a cena do crime seja mantida 
para impedir que aspectos externos ou até mesmo as pessoas possam 
vir a modificá-la, o que, indiscutivelmente, poderia acarretar conclusões 
equivocadas por parte dos peritos. 
Acerca do tema, o Código de Processo Penal estabeleceu a 
responsabilidade da preservação do local de crime, em seu artigo 169. 
Observe-se a dicção do artigo:
Art. 169. Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infra-
ção, a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o es-
tado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos 
com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos. 
Parágrafo único. Os peritos registrarão, no laudo, as alterações do estado 
das coisas e discutirão, no relatório, as consequências dessas alterações na 
dinâmica dos fatos (BRASIL, 1941).
Como se vê, a primeira providência a ser tomada pela autorida-
de é promover a preservação da cena e, caso já tenha havido alguma 
alteração, os peritos deverão constar em seu laudo o que foi modificado 
e as implicações disso para a conclusão pericial.
A Lei nº 5.970/1973 trouxe a exceção relacionada à preser-
vação do local do crime, uma vez que “exclui da aplicação do dis-
posto nos artigos 6º, inciso I, 64 e 169 do Código de Processo Penal, 
os casos de acidente de trânsito”, cabendo à autoridade autorizar a 
remoção dos veículos e lavrar boletim de ocorrência com as infor-
mações necessárias para a apuração do ocorrido (BRASIL, 1973). 
Ademais, o Código de Trânsito Brasileiro, dispõe, em seu art. 178, 
que quando não houver vítimas, não há necessidade de autorização 
de autoridade para remoção dos veículos (BRASIL, 1997).
Ademais, partindo-se da premissa que a análise feita pelos pro-
fissionais no local do crime considera características do cenário como 
posição dos corpos, distância entre vestígios, impressões digitais, entre 
outras, não resta dúvida de que a alteração, mínima que seja, de tais 
aspectos pode influenciar diretamente na apuração do crime.
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É comum, inclusive, que em uma cena de infração penal surjam 
pessoas curiosas para saber o que aconteceu, podendo haver adição 
de impressões digitais de sujeitos alheios ao delito ou até mesmo, com 
intenção (dolo), retirar vestígios necessários para a elucidação do caso.
De mais a mais, a preservação do local de crime é imprescindí-
vel para que haja uma fiel análise técnica do local e, portanto, se obtenha 
um melhor resultado do exame, essencial para a investigação e posterior 
convencimento de um júri ou juiz, a depender do caso concreto.
Assim, a primeira etapa para se preservar o cenário da prática 
criminosa é a demarcação da área, com o fito de isolar e limitar a sua uti-
lização aos profissionais competentes, como médicos legistas e peritos.
Quanto à esse ponto, tem-se as delimitações física e espacial, 
em que a primeira corresponde a maior parte da área de ocorrência do 
crime e a segunda consiste no “raio de um espaço físico onde houver 
qualquer vestígio relacionado ao crime que são objetos de perícia” (MA-
CHADO, 2018, p. 16).
Desse modo, deve-se buscaruma maior área possível a ser 
preservada, levando em consideração a distância entre os vestígios en-
contrados, de modo a refletir, da forma mais aproximada possível, o 
espaço em que ocorreu o crime.
A Figura 1 demonstra o isolamento da região em que foi prati-
cado o delito, através de faixas que delimitam o local para a atuação dos 
profissionais competentes, como os peritos criminais.
Figura 1 - Isolamento da cena de crime
Fonte: Pixabay, 2021.
Ora, a modificação da cena do crime pode acarretar teses in-
corretas sobre o caso. Portanto, a preservação desta é essencial “para 
que as informações lá contidas não sejam perdidas, modificadas ou for-
jadas levando a conclusões errôneas” (MACHADO, 2018, p. 16).
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O Grupo Especial de Local de Crime (GELC) é parte inte-
grante da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, cuja função é re-
alizar as primeiras atividades nos casos de ocorrências de crimes. O 
referido grupo é composto por delegado de polícia, perito criminal, 
médico legista, policiais civis e papiloscopista (FERREIRA, 2020).
Vale destacar que foi trazida pelo Código de Processo Penal 
a cadeia de custódia, com o afã de assegurar a idoneidade da perícia. 
Dessa forma, “o início da cadeia de custódia dá-se com a preservação 
do local de crime ou com procedimentos policiais, ou periciais nos quais 
seja detectada a existência de vestígio”, de acordo com o §1º do art. 
158-A do referido Código (BRASIL, 1941).
Cumpre registrar que as medidas adotadas para manutenção 
do local de crime vão variar de acordo com as particularidades de cada 
caso concreto. Note que a forma de isolamento de uma área externa 
será diferente de uma área interna, ao passo que se houver cadáver 
não há necessidade de modificar a posição do corpo, já que não há 
mais nenhuma ação emergencial a ser feita para salvar àquela vida.
Assim, vê-se que a preservação será assegurada sempre que 
possível, no entanto, poderá existir casos em que seja necessário mo-
ver a vítima para prestar os primeiros socorros, e dessa forma, a agilida-
de das autoridades é de suma importância, devendo-se tentar registrar 
a posição em que foi encontrada, podendo, para tanto, tirar fotografias 
antes de alterar o local de crime.
É dizer, o isolamento e manutenção da cena do crime não é 
regra absoluta, uma vez que se deve considerar no caso concreto ou-
tros valores mais importantes do que a justiça e aplicação da lei penal, 
à exemplo do valor da vida.
Nessa perspectiva, observe com atenção algumas práticas que 
ensejam a violação do local de crime, mas que são justificáveis diante 
de outros valores essenciais da sociedade, elencadas por Frank (2020).
• Arrombamento de portas e janelas;
• Verificar se vítima está viva;
• Busca de corpos;
• Prisão em flagrante;
• Combate à incêndio e desconectar bombas;
• Prestar os primeiros socorros;
• Solicitar ajuda de populares;
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• Passagem de ambulâncias, carros de bombeiro, etc.;
• Remoção de veículos em casos de acidentes de trânsito sem 
vítimas.
Ao que se vê, de acordo com cada caso concreto as autori-
dades e os peritos decidirão como agir, de acordo com os valores em 
questão, como a importância de se salvar vidas, mas buscando sempre 
assegurar ao máximo a preservação do cenário da infração penal.
A respeito do modo de agir das autoridades, Frank (2020) dispõe:
O deslocamento no local imediato/mediato até o corpo de delito deve ser 
feita pelo ponto acessível mais próximo a este, de tal forma que a trajetória 
até ele seja uma reta. Constatado o delito, o policial deverá retornar para a 
periferia do local do crime, percorrendo a mesma trajetória que o levou até o 
corpo de delito no sentido inverso. O percurso deverá ser memorizado pelo 
policial, visto que posteriormente deverá ser comunicado aos peritos. Toda a 
movimentação dos policiais para averiguar o ocorrido deve ser meticulosa e 
absolutamente nada deve ser removido das posições que ocupavam quando 
da configuração final do crime (FRANK, 2020, p. 32/33/34).
Resta evidente, portanto, que deve haver isolamento e cautela em 
cada passo dado na cena de crime, de modo a promover a conservação do 
local, ao mesmo tempo em que se descreve as modificações realizadas.
Outrossim, cabe mencionar “que o isolamento do local, mesmo 
após a perícia, poderá ser mantido, a pedido do perito, caso ele julgue 
necessários exames complementares [...] ou ainda, por razões como 
falta de luminosidade, difícil acesso, et cetera” (FRANK, 2020, p. 35).
Nessa perspectiva, se revela a importância da classificação 
dos locais de crime, que passaremos a estudar a seguir, uma vez que 
as medidas a serem adotadas irão depender dos aspectos particulares 
de cada caso concreto.
CLASSIFICAÇÃO DOS LOCAIS DE CRIME
A classificação dos locais de crime encontra relevância na or-
ganização dos tipos de cenários, eis que estes serão objeto de exame 
por parte dos peritos e, de acordo com cada particularidade encontrada, 
deverá ser aplicada uma forma de atuação específica. 
Nesse sentido, Machado (2018) classificou o local de crime da 
seguinte maneira:
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• Quanto à região de ocorrência 
- Imediato;
- Mediato.
• Quanto à preservação
- Idôneo, preservado ou não violado;
- Inidôneo, não preservado ou violado.
• Quanto à natureza da área 
- Interno;
- Externo;
- Virtual.
• Quanto à natureza do crime
- Crimes contra patrimônio;
- Crimes de trânsito;
- Morte violenta.
No que se refere à região, esta será considerada imediata 
quando apresentar uma maior quantidade de vestígios, ao passo que 
será mediata aquela que “compreende a área adjacente ao local ime-
diato, espacialmente ligada a ele sendo possível de serem encontrados 
vestígios associados ao fato investigado” (MACHADO, 2018, p. 20).
Dessa forma, quando se fala em área imediata deve-se ter em 
mente o local em que provavelmente foi praticado o crime, uma vez que re-
presenta o espaço onde se tem mais vestígios. Por sua vez, a mediata será 
a região que está ao lado da cena propriamente dita e que, embora não 
apresente um grande número de pistas, deve ser examinada com atenção.
Além do mais, Frank (2020) traz em sua classificação a figura 
do local relacionado, que consiste em “qualquer lugar sem ligação geo-
gráfica direta com o local do crime e que possa conter algum vestígio ou 
informação que propicie ser relacionado ou venha a auxiliar no contexto 
do exame pericial” (FRANK, 2020, p. 26).
Em outras palavras, trata-se de lugares em que não houve a 
prática efetiva do crime, no entanto, apresentam vestígios importantes 
para a resolução dos casos, como a arma do crime que foi descartada 
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em local de difícil acesso, por exemplo.
No que se refere à classificação quanto à região, a doutri-
na inglesa utiliza as denominações de local primário para aqueles 
imediatos e mediatos, e local secundário para o que no Brasil se 
chama de local relacionado (FRANK, 2020).
Por seu turno, a classificação relacionada à preservação do 
local do crime se divide basicamente entre o lugar que foi preservado, 
ou seja, não houve alteração ou violação da cena do crime, e o local em 
que houve modificação.
Cumpre registrar que “tal alteração pode ocorrer na forma de 
adição, subtração ou substituição. Um exemplo prático da adição con-
siste na introdução de impressões digitais em objetos do local do crime” 
(MACHADO, 2018, p. 20).
Quanto à esse ponto, cabe destacar a relevância dessa classi-
ficação para a correta avaliação do lugar em que foi praticada a infração 
penal, uma vez que caso os peritos estejam diante de uma cena alterada, 
devem tercautela e procurar identificar o que efetivamente é um vestígio 
do delito e o que pode ter sido adulterado ou adicionado ao local. 
No que concerne à natureza do local, pode-se estar diante de 
um local com cobertura e, portanto, externo, ou um lugar que não seja 
coberto, que é considerado como interno. Além disso, pode-se tratar de 
um espaço virtual para cometimento do delito.
A Internet é o maior exemplo de uma cena de crime virtual. 
Frise-se que se refere à um espaço de prática de atos ilíticos, como 
ataques racistas, importunação sexual, vazamentos de dados pessoais, 
entre tantas outras infrações.
Por fim, o local de crime pode ser classificado de acordo com 
a natureza da infração penal. Noutros termos, a partir da avaliação da 
cena do delito será possível identificar qual foi o tipo de crime cometido 
naquele determinado lugar, ou seja, pode-se concluir que houve um 
homicídio, um furto, arrombamento, entre outros.
Vale salientar que a divisão das características dos locais de 
crime serão importantes para a adoção de técnicas de preservação des-
se cenário, eis que, como já dito anteriormente, a depender de cada 
caso, a autoridade utilizará meios diferentes para o isolamento da área, 
de manutenção da cena, etc.
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Nesse ponto, quanto à natureza da área dos locais de crime, 
se abertos ou fechados, por exemplo, haverá aplicação de medidas de 
preservação da cena diversas, uma vez que “os locais fechados são ca-
racterizados por serem ambientes cobertos e de fácil isolamento, quan-
do comparado a locais abertos” (MACHADO, 2018, p. 20).
Sobre as particularidades dos locais de crime fechados e aber-
tos, precisas são as lições de Machado (2018):
Em locais de crimes fechados, é possível que os peritos se deparem com a 
existência de riscos químicos dispersos nestes ambientes, como é o caso da 
presença de gases tóxicos, venenos, poeiras e produtos químicos em geral. 
Uma outra possibilidade é a existência de riscos biológicos em decorrência da 
presença de vírus, bactérias, parasitas ou ainda outros agentes transmissores 
de doenças de difícil detecção prévia e classificação pelo profissional no local. 
Em locais fechados, ainda é possível se deparar com inúmeros agentes de 
riscos mecânicos, os quais são decorrentes da presença de um arranjo físico 
inadequado devido às condições estruturais do imóvel em questão, que po-
dem acarretar em desabamento ou quedas de materiais, principalmente em 
edificações antigas, mal iluminadas ou ainda incendiadas.
Nos locais abertos, também passíveis da atuação dos peritos, são caracteriza-
dos por não terem barreiras físicas que dificultam a presença e o assédio de 
diferentes tipos de pessoas com diversas intenções (MACHADO, 2018, p. 20).
Logo, resta evidente que cada local apresentará suas singula-
ridades, que devem ser consideradas pelas autoridades no momento 
de demarcação, isolamento da área e preservação da cena do crime. 
Note que cada cenário tem seus pontos negativos e positivos, 
pois enquanto um lugar aberto será mais difícil de isolar dos “curiosos”, 
haverá riscos externos como animais, eventos da natureza, atropela-
mento, entre outros.
Ainda sobre a classificação da cena de local de crime, cabe tra-
zer a divisão explanada por Bittar (2018) acerca dos indícios. Observe-se:
• Quanto aos indícios:
- Local preservado;
- Local contaminado;
- Local referido.
Quanto ao local preservado e contaminado, o primeiro se refe-
re ao lugar que não foi violado e o segundo o que foi, ou seja, que não 
foi preservado. Por sua vez, local referido é configurado “quando duas 
áreas se associam ou se completam na configuração do delito” (BIT-
TAR, 2018, p. 90).
Após compreender a classificação de local de crime, passa-se 
a analisar os tipos de cena da infração penal, de acordo com a natureza 
destas.
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TIPOS DE LOCAL DE CRIME 
O local de crime, como visto, traz uma série de vestígios, a 
partir dos quais se conseguirá ter conhecimento do tipo penal praticado 
naquele cenário. Em outras palavras, as pistas encontradas irão revelar 
a infração penal cometida.
Nos casos de crimes contra a pessoa, que consistem em todo 
delito penal cometido que atente contra a vida dos seres humanos, os 
vestígios mais comuns a serem encontrados na cena de crime, segundo 
Machado (2018) são: 
• Marcas de luta;
• Manchas de sangue e saliva;
• Esperma;
• Facas, revólveres, marcas de bala, cartuchos;
• Impressões digitais;
• Medicamentos ou venenos;
• Bilhetes;
• Documentos; 
• Cabelos/pelos;
• Fibras de tecido;
• Drogas;
• Sinais de violência;
• Tipos de ferimento.
Resta evidente, portanto, que o exame do local do crime é es-
sencial para se descobrir a natureza da infração penal, eis que os ves-
tígios encontrados são reflexo do que aconteceu na realidade. Logo, ao 
encontrar uma mancha de sangue, conclui-se que houve, no mínimo, 
algum tipo de lesão corporal grave ou tentativa de homicídio.
É de grande valia destacar que “poderão ser consideradas as 
ocorrências envolvendo homicídios, suicídios, latrocínio, infanticídio, 
abortos e outras causas não naturais, bem como as tentativas de con-
sumação de homicídios [...]” (MACHADO, 2018, p. 26). 
Por sua vez, os vestígios podem revelar o cometimento de cri-
me contra o patrimônio das pessoas, seja por meio de furto, roubo, ar-
rombamento, dano à bens móveis ou imóveis, bem como a apropriação 
de bens e também de valores.
Algumas pistas relacionadas a esse tipo de crime, conforme 
atesta Machado (2018), são:
• Marcas em portas e janelas;
• Local bagunçado;
• Vidros quebrados;
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• Objetos furtados;
• Reconhecimento facial através de câmera de segurança;
• Impressão digital;
• Objetos abandonados;
• Ferramentas;
• Marcas de escaladas;
• Marcas de pneus.
Impende ressaltar que de conforme o exame dos vestígios po-
derá se diferenciar o arrombamento, caso em que não houve subtração 
de bens com um furto, por exemplo.
De acordo com a Figura 2, tem-se um local em que o vidro da 
porta foi quebrado. Frise-se que a depender do exame do perito cri-
minal, se saberá se houve arrombamento, furto ou o vestígio não tem 
ligação com o caso.
Figura 2 – Vidro quebrado
Fonte: Pixabay, 2021.
Quanto aos locais de crime de trânsito, teremos vestígios es-
pecíficos como “presença ou ausência de marcas de aceleração, der-
rapagem e frenagem; posição de impacto; marcas de fricção; marcas 
de sulcagem; desfragmentação; condições inadequadas de veículos; 
inaquedação ou falta de sinalização [...]” (MACHADO, 2018, p. 28). 
Além do mais, a prática de crimes sexuais, relacionados ao 
estupro, estupro de vulnerável, importunação sexual, exploração sexual 
de menor, tráfico de pessoas, assédio sexual, atentado ao pudor, entre 
outras infrações penais que ofendem a dignidade sexual das pessoas, 
também apresentam alguns vestígios característicos.
Para Machado (2018), os vestígios peculiares dos crimes se-
xuais são os elencados a seguir:
• Manchas de sangue;
• Esperma;
• Saliva;
• Conteúdos pornográficos;
• Local de prostituição;
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• Roupas.
Por seu turno, há os locais de morte violenta, assim conside-
rados em razão dos vestígios encontrados no referido cenário, que re-
velam homicídios críticos. Nesses casos específicos é realizada pelos 
peritos a perinecroscopia.
Sobre a questão, elucidativos os dizeres de Ferreira (2020):
A perinecroscopia (exame de local de morte violenta ou suspeita) tem início 
com a chegada ao local onde foi encontrado o cadáver, ocasião na qual o 
perito criminal irá seguir os preceitos preconizados pelo CPP. No local, es-
pecificadamente emrelação ao cadáver, deverá ser observado o estado de 
rigidez ou flacidez, se há ou não putrefação, bem como deve ser analisada a 
posição em que foi encontrado. (FERREIRA, 2020, p. 461).
Ao que se depreende, através da perinecroscopia irá ser ana-
lisado não só o cadáver encontrado, como também a cena do lugar do 
crime, de modo que seja possível identificar as particularidades da infra-
ção penal praticada. Logo, será verificado por meio do referido exame a 
hora da morte, estados das vestes, posição, etc. 
Também é comum que os peritos façam uma busca pelas ba-
las, a fim de auxiliá-los a “traçar a dinâmica do evento e pode servir 
como vetor para a identificação da arma que efetuou os disparos e até 
mesmo da autoria do fato” (FERREIRA, 2020, p. 464).
Outrossim, cabe aos peritos criminais observar alguns pontos 
relevantes como sinais de arrombamento, lugares quebrados, sinais de 
luta, marcas de defesa na vítima, etc. 
Por outro lado, a busca por vestígios no próprio cadáver se mos-
tra essencial nos casos em que estes são encontrados em locais distan-
tes daquele em que foi efetivamente praticado o crime, eis que através 
das pistas pode-se identificar o lugar em que ocorreu a infração penal.
Para Machado (2018), a perinecroscopia apresenta as seguin-
tes etapas:
• Análise da posição do cadáver
• Verificação do estado das roupas
• Análise de armas e a posição destas para com o corpo
• Constatação de manchas
• Verificação de marcas próprias de determinada profissão
• Coleta de material das mãos da vítima
• Coleta de documentos e demais pertences da vítima
• Busca de vestígios no cadáver
• Retirada e exame das roupas
• Análise externa do corpo
Com efeito, o encontro de cadáveres no local de crime possui 
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grande importância, visto que, conforme demonstrado, costuma apre-
sentar vestígios essenciais para a resolução do crime.
Em vista disso, o Código de Processo Penal, determina que “os 
cadáveres serão sempre fotografados na posição em que forem encon-
trados, bem como, na medida do possível, todas as lesões externas e 
vestígios deixados no local do crime”, em seu art. 164 (BRASIL, 1941).
Assim, no referido exame há necessidade de olhar a posição 
do cadáver em relação aos demais vestígios encontrados na cena do 
crime, a fim de se compreender como se deu a dinâmica dos fatos. 
Frise-se que a posição do corpo da vítima pode revelar a tipi-
ficação do crime cometido. Isso porque caso seja encontrado sentado, 
pode-se imaginar um acidente de trânsito, caso esteja suspenso, con-
clui-se pelo enforcamento.
Nesse ponto, cumpre registrar que existem dois tipos de suspen-
são, quais sejam a suspensão completa e a incompleta. A primeira (sus-
pensão completa) se concretiza quando “nenhuma área do corpo toca o 
solo ou outro apoio” e a segunda (suspensão incompleta), ocorre quando 
“pelo menos uma parte do corpo toca o solo” (FRANK, 2020, p. 269).
Vale salientar, nesse ponto, que a posição mais comum da ví-
tima é a denominada jacente, ou seja, o cadáver é encontrado deitado. 
Quanto ao posicionamento, Frank (2020) enumera os seguintes tipos:
• Decúbito dorsal ou supino;
• Decúbito ventral ou prona;
• Decúbito lateral (esquerdo ou direito);
• Posição de Sims.
 O primeiro se refere ao corpo com o ventre para cima, en-
quanto o segundo refere-se à vítima de bruços, ou seja, com a barriga 
encostada no solo. Por sua vez, o decúbito lateral consiste na posição 
em que o cadáver está deitado de lado. Por fim, a posição de Sims é 
“similar a posição lateral, mas o peso do paciente é colocado no ilíaco 
anterior (úmero e clavícula)” (FRANK, 2020, p. 270).
A Figura 3 destaca a posição do cadáver com a barriga para 
cima, ou seja, decúbito dorsal ou supino. 
Figura 3 – Cadáver na posição decúbito dorsal.
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Fonte: Pixabay, 2021.
Do mesmo modo, as roupas podem apresentar marcas, rasgos, 
substâncias ou qualquer outra característica que seja relevante para so-
lucionar o caso. Por sua vez, a análise das armas e sua posição são 
essenciais para saber a possibilidade de estar-se diante de um suicídio.
Já as marcas próprias da profissão servem, muitas vezes, para 
identificar a vítima, ao passo que a coleta de material das mãos do ca-
dáver é essencial para saber se há vestígio de alguma substância.
Por seu turno, o perito criminal irá recolher os pertences da 
vítima, após a análise preliminar do cadáver e procurar os vestígios 
debaixo do corpo com cautela para não alterar nenhuma pista que por-
ventura estiver ali.
Assim, será retirada as roupas do cadáver e será feito o exame 
externo deste como análise de lesões visíveis, temperatura, livores, etc. 
Frisa-se que a depender da natureza do crime, é necessário se atentar 
para as partes íntimas e possíveis substâncias presentes na parte inter-
na das vestes, como em casos de estupro.
Sobre o exame de lesões, o Código de Processo Penal, em 
seu art. 165, estabelece que “para representar as lesões encontradas 
no cadáver, os peritos, quando possível, juntarão ao laudo do exame 
provas fotográficas, esquemas ou desenhos, devidamente rubricados” 
(BRASIL, 1941).
É dizer, os peritos terão a possibilidade de escolher a melhor 
forma de demonstrar as características das lesões externas encontra-
das no corpo da vítima, de modo a facilitar a compreensão dos demais 
profissionais que atuam diretamente na investigação criminal.
Os acessórios também merecem atenção especial por parte 
dos peritos, uma vez que podem revelar estado civil da vítima (aliança) 
ou até mesmo a profissão (anel de formatura). Isso, somado à obser-
vação do estado e tipo de roupa, “fornecem indicações imprescindíveis 
sobre a identidade da vítima, dinâmica do evento ocorrido, motivações, 
autoria, dentre outros aspectos relevantes” (MACHADO, 2018, p. 82).
De mais a mais, o exame de perinecroscopia também levará em 
consideração a cena do local de crime, que pode apresentar particularida-
des importantes para a perícia. Acerca do tema, explana Ferreira (2020):
Caso o corpo seja encontrado em ambientes externos, a pesquisa por ele-
mentos pode vir a ficar prejudicada, o que não significa ser inviável. Nes-
te sentido, outros fatores entram em cena, como a pesquisa de marcas de 
pneus, rastros e pegadas, etc. Cada local de crime tem sua peculiaridade, 
que deve ser exaustivamente explorada, em busca dos vestígios necessários 
para que sirvam na investigação criminal (FERREIRA, 2020, p. 465).
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Note que fenômenos da natureza podem influenciar na análise 
dos vestígios, sendo importante considerar todos os aspectos encontra-
dos. Além disso, é preciso observar a existência de marcas de arraste 
no corpo da vítima ou de pneus, pois esses são fortes indícios de que o 
corpo foi removido do local em que efetivamente o crime foi praticado.
Ora, já foi destacado que na hipótese de remoção do cadáver, 
deve-se atentar para os vestígios no corpo da vítima que revelem a ver-
dadeira cena de local de crime.
Ademais, a presença de tatuagens ou outras modificações do cor-
po devem ser verificadas, além da existência de vestígios em casos da víti-
ma estiver em solo de barro, eis que nesses casos o corpo tende a ter mo-
vimentos involuntários, o que levaria a presença de pistas nesse sentido, 
diferente da hipótese do cadáver ter sido colocado no local após o crime.
Hipóstase é “um fenômeno cadavérico muito importante 
caracterizado pela presença de manchas decorrentes do depósito 
de sangue pela ação da gravidade nas partes mais baixas do corpo 
de acordo com a posição do cadáver”, podendo estar relacionado 
à hemorragia, enforcamento, desnutrição e anemia (MACHADO, 
2018, p. 77).
Impende ressaltar que o exame do corpo, denominado necrop-
sia,é de competência do médico legista, todavia é o perito criminal que 
examina o cadáver no local do crime no que concerne à sua posição, si-
tuação das roupas, manchas, livores e ferimentos nítidos, ou seja, uma 
análise externa (MACHADO, 2018).
Com efeito, o médico legista é “o médico que ingressa no servi-
ço público para realizar uma série de exames de natureza médico-legal, 
nos Institutos de Medicina Legal” (MACHADO, 2018, p. 75).
Em outras palavras, o perito legista é aquele que detém a com-
petência para examinar internamente o cadáver, uma vez que analisará 
do ponto de vista da medicina as causas da morte e outros aspectos 
importantes desta.
Por sua vez, os peritos criminais são responsáveis, como já 
explanado, pela perinecroscopia, uma vez que são estes profissionais 
que examinam a cena do crime e o cadáver, em conjunto.
Vale salientar que o perito criminal pode ser formado em diver-
sas áreas, desde que ingresse “em Institutos de Criminalística median-
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te concurso público específico para desempenharem a função pericial, 
em que realizam diversos exames, exceto os de natureza médico-legal” 
(MACHADO, 2018, p.75).
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QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO 1
Provas: IDECAN - 2022 - PC-BA - Perito Médico Legista de Polícia Civil 
Acerca da preservação do local do crime, analise os itens abaixo:
I. Vestígio é todo objeto ou material bruto, visível ou latente, cons-
tatado ou recolhido, que se relaciona à infração penal.
II. A preservação do local do crime é uma das formas de se dar o 
início da cadeia de custódia.
III. O agente público que reconhecer um elemento como de poten-
cial interesse para a produção da prova pericial fica responsável 
por sua preservação.
Está(ão) correto(s) o(s) item(ns): 
a) apenas I. 
b) apenas II.
c) apenas III.
d) apenas I e II. 
e) I, II e III. 
QUESTÃO 2
Prova: CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Perito Oficial Criminal 
- Área: Biologia
Com relação aos procedimentos de documentação do local de cri-
me, assinale a opção correta.
a) A descrição do local deve partir do geral para o particular, em áreas 
externas, e do detalhe para a visão de conjunto, em áreas internas.
b) Em regra, o levantamento fotográfico completo e minucioso do local 
dispensa a elaboração de croqui.
c) A fixação do vestígio conforme se encontra no local é parte indispen-
sável no laudo pericial e constitui etapa da cadeia de custódia. 
d) Os peritos devem fotografar o cadáver logo após a retirada das ves-
tes, antes de se realizar o exame perinecroscópico.
e) Os croquis são representações esquemáticas do local do crime, que 
apresentam estimativas das dimensões e localização dos vestígios no 
espaço; os registros precisos e detalhados dos vestígios, quando ne-
cessários, são apresentados em plantas auxiliares.
QUESTÃO 3
Prova: IBFC - 2022 - PC-BA - Investigador de Polícia Civil
No que diz respeito à preservação do local de crime, assinale a 
alternativa incorreta. 
a) No que concerne ao início dos trabalhos de análise do local de crime, 
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vários profissionais são exigidos, exemplificando, tem-se o caso do crime 
de homicídio, onde em sua ocorrência, trabalham em sua apuração, du-
rante a primeira fase da persecução criminal, os seguintes profissionais: 
o policial militar, que, na maioria das vezes, é quase sempre o primeiro a 
comparecer ao local, o auxiliar de necropsia, o perito criminal, o médico 
legista, o agente de polícia, o escrivão, e, completando estes profissio-
nais, em nível de coordenação dos trabalhos, tem-se o promotor de justi-
ça, que preside toda a investigação, através do inquérito policial 
b) O isolamento e a consequente preservação do local de crime é uma 
garantia que o perito terá de encontrar a cena do crime conforme fora 
deixada pelo infrator, assim, como pela vítima, tendo com isso, as con-
dições técnicas de analisar todos os vestígios
c) A preservação do local de crime e sua caracterização é um ponto de 
extrema relevância na demanda persecutória criminal, onde, o Código 
de Processo Penal dispõe que logo que tiver conhecimento da prática 
da infração penal, a autoridade policial deverá dirigir-se ao local, provi-
denciando que não se alterem o estado e conservação das coisas, até 
a chegada dos peritos criminais 
d) Local do crime é a porção do espaço compreendida num raio que, 
tendo por origem o ponto no qual é constatado o fato, se entenda de 
modo a abranger todos os lugares em que, aparente, necessária ou 
presumidamente, hajam sido praticados, pelo criminoso, ou criminosos, 
os atos materiais, preliminares ou posteriores à consumação do delito, 
e com este diretamente relacionado
e) No local do crime, a polícia deve examinar todos os vestígios deixa-
dos na cena da prática do delito, objetivando esclarecer à mecânica e 
o móvel do delito, contribuindo de forma incontroversa para o processo 
judicial, já que constituem provas não repetíveis, produzidas exclusiva-
mente na fase inquisitiva.
QUESTÃO 4
Prova: IBFC - 2022 - PC-BA - Investigador de Polícia Civil
Ainda no que se refere à preservação do local de crime, assinale a 
alternativa incorreta.
a) O policial que primeiramente chegar ao local do crime, no que con-
cerne aos procedimentos referentes aos vestígios e evidências, deverá 
isolar a área de ocorrência do evento criminoso, não permitindo a alte-
ração das coisas, assim, como do cadáver, se houver.
b) A polícia militar exerce sua missão constitucional de polícia judiciária, 
e, nesse sentido, destaca-se dentre suas atribuições, a promoção do 
devido isolamento do local de crime, assim como de sua preservação. 
c) Os vestígios constituem-se em qualquer marca, objeto ou sinal sen-
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sível que possa ter relação com o fato investigado.
d) O policial que primeiramente chegar ao local do crime, deverá evitar 
que qualquer pessoa tenha contato com os vestígios, assim como para 
com os instrumentos do crime, resguardando-os, a fim de serem opor-
tunamente analisados pelos profissionais de perícia.
e) A existência do vestígio pressupõe a existência de um agente provo-
cador e de um suporte adequado para a sua ocorrência.
QUESTÃO 5
Prova: INSTITUTO AOCP - 2022 - PC-GO - Papiloscopista Policial 
da 3ª Classe
O local de crime compreende toda a área onde ocorreu um fato 
criminoso e na qual existam vestígios para a realização do exame 
de corpo de delito, de modo a abranger todos os lugares em que 
tenham sido praticados os atos preliminares, materiais ou poste-
riores à consumação do crime e com este diretamente relacionado. 
Sobre esse tema, assinale a alternativa correta.
a) O local mediato do crime é o espaço onde ocorreu o fato e onde se 
encontra a maioria dos vestígios ligados ao evento delituoso.
b) O local relacionado é o local adjacente ao local mediato (sem interrup-
ção), onde ocorreu o fato, podendo existir vestígios relacionados ao crime.
c) O local inidôneo é aquele que não foi devidamente preservado ou que 
foi alterado/prejudicado de alguma forma para o exame pericial. 
d) Se o local for inidôneo, o exame de corpo de delito não será reali-
zado, visto que suas alterações e suas consequências prejudicarão a 
conclusão dos peritos.
e) Quanto à natureza do fato, o local do crime pode ser interno, por exem-
plo, uma garagem ou interior de residência, ou externo, como via pública.
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE
Os locais de crime possuem uma classificação própria em relação à 
região, preservação, natureza de crime e natureza da área. Nesse sen-
tido, enumere e explique as classificações da cena de uma infração 
penal e suas diferenças.
TREINO INÉDITO
Acerca dos vestígioscaracterísticos de crimes sexuais, assinale a 
alternativa que não apresenta uma pista relacionada a essas espé-
cies de infração penal.
a) Esperma.
b) Objetos furtados. 
c) Manchas de sangue.
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d) Saliva.
e) Objetos com conteúdo pornográfico.
NA MÍDIA
PERITO CRIMINAL USA VÁRIAS PROFISSÕES PARA AJUDAR A 
SOLUCIONAR CRIMES
O trabalho desenvolvido por peritos criminais do Instituto de Criminalís-
tica (IC) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) é fundamental para 
municiar complexas investigações com vestígios colhidos nas cenas de 
crime. Um fio de cabelo, um pedaço de unha ou uma gota de sangue 
podem ser determinantes para identificar o autor de um homicídio. Um 
desses profissionais mistura a formação em diferentes áreas para apli-
car na perícia criminal.
O perito Fabio Miranda Rodrigues trabalha analisando cenas de crime 
de morte violenta no DF. Com formação em engenharia elétrica, física, 
mestrado em energia, doutorado em engenharia e graduação em anda-
mento em medicina, ele conta usar todas as ferramentas científicas ao 
seu alcance para entender o que pode ter acontecido em cada local de 
crime por onde passa.
Fonte: Metrópoles
Data de publicação: 31/05/2022
Leia a notícia na íntegra: https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mi-
ra/perito-criminal-usa-varias-profissoes-para-ajudar-a-solucionar-crimes
NA PRÁTICA
Em uma rotina de investigação criminal, o conhecimento sobre a classi-
ficação das cenas de crimes é importante para a adoção de medidas de 
preservação corretas e adequadas, levando em consideração agentes 
de riscos externos/internos e fenômenos naturais.
Ademais, ao chegar ao espaço em que foi praticado o delito, o perito, 
tendo estudado sobre os tipos de locais de crime, poderá saber a natu-
reza do crime, objeto de investigação, através do conjunto de vestígios 
encontrados. Como exemplo, podemos citar a identificação de conteú-
do pornográfico e sêmen, o que é característico de um crime sexual.
Por fim, o estudo acerca do exame perinecroscópico é extremamente 
relevante para a atividade pericial, eis que traz a sequência de etapas 
a serem seguidas pelo perito, com o fito de que não haja prejuízo dos 
demais vestígios.
PARA SABER MAIS
Título: Local preservado e isolado: qual a diferença?
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=Ntv-__ps7z0
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VESTÍGIOS, EVIDÊNCIAS E INDÍCIOS
A princípio, cumpre registrar que o Código de Processo Penal li-
mitou o exame de corpo de delito à análise de corpo humano propriamen-
te dito. Ocorre que, ao longo dos anos, a perícia criminal foi defendendo 
que o referido exame deve ser considerado como todo aquele realizado 
em algo palpável que se relacione com o crime, ou seja, pode se referir 
ao estudo da vítima, como também de um vestígio (FRANK, 2020).
Partindo dessa premissa, o art. 158 do Código de Processo Pe-
nal (Decreto-Lei nº 3.689/1941) determina que “Quando a infração deixar 
vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indire-
to, não podendo supri-lo a confissão do acusado (BRASIL, 1941).
No âmbito da Criminalística é muito comum se ouvir as se-
A CENA DA INFRAÇÃO PENAL
E SEUS VESTÍGIOS
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guintes palavras: vestígio, evidência e indício. É normal, inclusive, que 
esses termos sejam utilizados como sinônimos, principalmente por pes-
soas que não são profissionais da área. 
Ocorre que estas palavras apresentam sentidos diversos no 
campo da perícia criminal, sendo de grande importância diferenciá-las, a 
fim de melhor compreender os documentos e relatórios sobre a matéria.
O conceito de vestígio está previsto no Código de Processo 
Penal, mais precisamente no artigo 158-A, §3º, que dispõe: “Vestígio é 
todo objeto ou material bruto, visível ou latente, constatado ou recolhi-
do, que se relaciona à infração penal” (BRASIL, 1941).
Logo, pode-se afirmar que o vestígio será tudo o que for encon-
trado pela perícia, como manchas, objetos, marcas, entre outros e que, 
a priori, tem relevância e ligação com o crime investigado.
Sobre a definição de vestígio, Frank (2020) apresenta os seus 
elementos constituidores. Observe o que o autor defende:
A existência do vestígio material pressupõe a existência de um agente provoca-
dor (que causou ou contribuiu para tanto) e de um suporte adequado (local em 
que o vestígio se materializou). Numa local de morte por arma de fogo, o agente 
provocador é, na prática, sempre o homem, pois é virtualmente impossível um 
animal ou uma força da natureza provocar um disparo de arma de fogo ou de 
uma munição acondicionada de forma normal (FRANK, 2020, p. 29).
Infere-se, portanto, que sempre teremos alguém responsável pelo 
ensejo do vestígio e o local em que ele será fixado. Podemos citar uma 
impressão digital deixada por um indivíduo, uma marca de pneu, uma car-
teira, um anel e uma infinidade de coisas a serem descobertas pela perícia.
Frise-se que Machado (2018) classificou os vestígios quanto à 
idoneidade e a sua natureza, conforme demonstrado a seguir:
• Quanto à idoneidade
- Verdadeiros
- Ilusórios
- Forjados
• Quanto à natureza
- Biológicos
- Não biológicos
Considera-se verdadeiros aqueles que realmente possuem re-
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lação com o crime e, portanto, foram produzidos por algum dos agentes 
envolvidos no ilícito. Já os vestígios ilusórios não estão ligados à prática 
criminosa, todavia, não houve intenção de adicioná-los na cena de local 
de crime. Por fim, os forjados são aqueles que, por dolo, foram incluídos 
no espaço em que ocorreu o crime, com o objetivo de enganar os peri-
tos criminais e prejudicar a investigação criminal.
No que se refere à natureza dos vestígios, estes podem ser 
biológicos, quando relacionados aos organismos das pessoas, como, 
por exemplo, a urina, cabelo e sangue; ao passo que os não biológicos 
não apresentam essa relação, podendo se tratar de ferramentas, vidros 
quebrados e pegadas.
Note que o vestígio possui um conceito mais amplo, visto que 
é algo encontrado pelos peritos, com perspectiva de que seja algo real-
mente relacionado à infração penal, ou seja, que tenha relevância para 
a elucidação do caso.
Partindo dessa premissa, cabe destacar que “a evidência se 
configura no vestígio, que após examinado pelos peritos se mostra dire-
tamente relacionado com o fato investigado” (MACHADO, 2018, p. 24).
Desse modo, pode-se afirmar que a evidência é um vestígio 
que comprovadamente tem relação com a infração penal cometida, ou 
seja, é um vestígio confirmado e verdadeiro.
Por seu turno, o indício tem sua definição trazida pelo artigo 
239 do Código de Processo Penal (CPP): “Considera-se indício a cir-
cunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autori-
ze, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstân-
cias” (BRASIL, 1941).
Observe que o conceito apresentado pelo CPP aparenta ser o 
mesmo de evidência, já que ambos são vestígios que tem sua ligação e 
relevância com o fato ilícito constatadas.
Apesar de apresentarem definições semelhantes, a diferença 
entre indício e evidência se dá pela fase da investigação. É dizer, quan-
do se fala em indício está se referindo a um momento após a perícia 
criminal, ligado à polícia judiciária (FRANK, 2020).
TÉCNICAS DE COLETA DE EVIDÊNCIAS
As evidências são importantes para averiguação dos casos re-
lacionados à prática de delito, haja vista que se tratam efetivamente de 
vestígios do crime. Em vista disso, é incontestável que o manuseio des-
ses objetos deve ocorrerda forma mais cautelosa possível, para evitar 
a contaminação externa e, consequentemente, a perda da evidência.
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Ora, do que adianta o perito encontrar diversos elementos ca-
pazes de ajudar na resolução do caso e por algum descuido acabar 
violando-o? 
Frente a essa problemática, foram elaboradas as técnicas de 
coleta de evidências, que serão aplicadas depois do isolamento da área 
e preservação do espaço em que ocorreu o crime.
Assim, deve-se atentar para “a quantidade de amostra a ser 
coletada, com o objetivo de evitar a insuficiência, e ainda a manutenção 
da integridade individual do vestígio, cuidando de seu acondicionamen-
to [...]” (MACHADO, 2018, p. 29).
Desse modo, coletar a quantidade correta de evidência e guar-
dá-la na forma e no local correto são medidas aplicadas com o fito de 
assegurar a feitura de um exame pericial eficiente.
Acerca do armazenamento do vestígio, o art. 158-D do Código 
de Processo Penal (Decreto-Lei nº 3.689/1941) estabelece as regras 
referentes aos recipientes nos quais serão guardados os vestígios. Ob-
serve-se a redação do artigo:
Art. 158-D. O recipiente para acondicionamento do vestígio será determinado 
pela natureza do material.
§ 1º Todos os recipientes deverão ser selados com lacres, com numeração 
individualizada, de forma a garantir a inviolabilidade e a idoneidade do vestí-
gio durante o transporte.
§ 2º O recipiente deverá individualizar o vestígio, preservar suas característi-
cas, impedir contaminação e vazamento, ter grau de resistência adequado e 
espaço para registro de informações sobre seu conteúdo.
§ 3º O recipiente só poderá ser aberto pelo perito que vai proceder à análise 
e, motivadamente, por pessoa autorizada.
§ 4º Após cada rompimento de lacre, deve se fazer constar na ficha de acom-
panhamento de vestígio o nome e a matrícula do responsável, a data, o local, 
a finalidade, bem como as informações referentes ao novo lacre utilizado.
§ 5º O lacre rompido deverá ser acondicionado no interior do novo recipiente 
(BRASIL, 1941). 
Como se vê, a escolha do recipiente irá variar de acordo com 
a natureza das evidências. Isso porque a depender do material e das 
singularidades deste deverá se utilizar um tipo diferente de embalagem.
Além disso, é obrigação do perito numerar e fechar bem todos 
os vasilhames, para que não haja nenhuma violação durante a locomoção 
das evidências. Outrossim, cabe à perícia escolher recipientes resistentes 
e do tamanho correto, para melhor conservação do vestígio verdadeiro.
A Figura 4 traz uma cena de crime em que os vestígios foram 
corretamente numerados para posterior coleta, em que também haverá 
a numeração individual de cada evidência. 
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Figura 4 - Numeração de evidência
Fonte: Pixabay, 2021.
Vale salientar que numerar as evidências consiste em uma eta-
pa necessária e importante para a manutenção da idoneidade destas, 
especialmente quanto à real posição. Além disso, a marcação possibili-
ta uma futura reconstrução da infração penal e é comumente realizada 
através de etiquetas ou de alguma forma que não toque no vestígio 
(MACHADO, 2018).
Frise-se, ainda, que a embalagem só deverá ser aberta pelo 
perito responsável pelo exame, ou por pessoa autorizada, desde que 
no momento da abertura, se registre o nome e matrícula de quem abriu, 
bem como o motivo pelo qual foi aberto. Por fim, cumpre destacar que 
o lacre violado deve ser guardado no novo recipiente.
Ademais, o perito deverá utilizar recipientes esterilizados e fe-
chá-los corretamente, sendo relevante mencionar que é essencial iden-
tificar e separar as amostras, bem como mantê-las em local seco e fres-
co para maior conversação.
Quanto à técnica de coleta propriamente dita, esta dependerá 
do tipo de evidência com o qual se está trabalhando, em virtude da na-
tureza e de outros aspectos que devem ser considerados.
Em outras palavras, o modo de atuação do perito criminal, no 
que diz respeito à coleta e armazenamento das evidências, resultará da 
análise dos vestígios confirmados. Ora, caso se esteja diante de uma 
substância líquida não poderá ser utilizado um recipiente como o papel, 
eis que este irá absorver aquilo e será destruído.
Desse modo, levando em consideração essa variação do mo-
dus operandi, cabe demonstrar algumas técnicas aplicadas aos dife-
rentes tipos de evidência. No caso dos cabelos, fibras e pelos, em que 
a coleta deve ser “realizada com pinças e o acondicionamento é feito, 
individualmente, em envelopes de papel escuro acondicionado sob re-
frigeração (4º C)” (MACHADO, 2018, p. 30).
Quando se trata de fragmentos de pintura de veículos o perito 
deve colhê-los com espátulas especiais e guardar em plásticos ou en-
velopes, já nos casos de roupas, a perícia as espera secarem natural-
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mente, para então serem “recolhidas individualmente e de preferência 
evitando o excesso de dobras. O acondicionamento deve ser realizado 
em envelopes de papel escuro ou caixas de papelão apropriados”, sob 
refrigeração (MACHADO, 2018, p. 30).
Por sua vez, caso sejam encontrados projéteis é preciso cau-
tela para que não haja contato destes com objetos de metal, sendo re-
levante mencionar que na hipótese de estarem presos em alguma área, 
deve ser retirado todo o quadrante.
Nas manchas de sangue, que costumam aparecer de forma seca, 
os peritos irão raspar para retirar o conteúdo ou diluir com soro fisiológico. 
De modo diverso, quando se tratar de sangue em estado líquido, será co-
letado com seringas e incluir soro ou alguma substância anticoagulante. 
Ainda, se o sangue for encontrado em roupas, seguirá a mesma recomen-
dação de esperar a secagem natural, para depois coletar o elemento e 
conservá-los em temperatura que varia entre 0º e 4º C (MACHADO, 2018).
No que concerne às armas de fogo, cumpre registrar que a pe-
rícia deve preservar as “impressões papilares e ainda ao que se refere 
à proteção da alma dos canos, evita-se a introdução, no interior destes, 
de objetos sólidos como arames, pregos, hastes metálicas etc.” (MA-
CHADO, 2018, p. 30).
Por seu turno, as impressões digitais são colhidas com “o au-
xílio de pinças” quando presentes em papel. Já no caso se estarem 
presentes em objetos ou armas, “é dada atenção à preservação das 
impressões papilares evitando o manuseio pelas bordas ou regiões de 
possíveis contatos” (MACHADO, 2018, p. 30).
Já o sêmen deve ser coletado após secagem do local em em-
balagem de papel ou celofane, sendo importante frisar que não deve ser 
dobrado o local em que se encontra o referido vestígio.
Na hipótese de a evidência ser terra a coleta é feita com mate-
riais esterilizados e armazenadas de forma individual. 
Além das técnicas de coleta singulares para cada tipo de evi-
dência, existem boas práticas a serem observadas pelos peritos quando 
do manuseio dos vestígios, a fim de impedir a contaminação, vazamen-
to, violação e assegurar a idoneidade destes. São elas:
• Uso de utensílios esterilizados;
• Utilização de jalecos;
• Emprego de máscaras e luvas;
• Trocar as luvas após manuseio de substâncias biológicas;
• Evitar conversar próximo aos vestígios;
• Armazenar as evidências de forma individual.
Esses cuidados são necessários para diminuir os riscos de per-
der uma evidência importante para a investigação criminal, em virtude de 
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contaminações, alterações de substâncias por falta ou má conservação.
Cadeia de Custódia 
O Código de Processo Penal trouxe a figura da cadeia de cus-
tódia, que consiste nas etapas que asseguram a inviolabilidade das evi-
dências, desde a coleta até seu descarte. Para que nãohaja dúvida, 
observe a dicção do art. 158-A:
Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os proce-
dimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do ves-
tígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e 
manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte.
§ 1º O início da cadeia de custódia dá-se com a preservação do local de 
crime ou com procedimentos policiais ou periciais nos quais seja detectada 
a existência de vestígio. 
§ 2º O agente público que reconhecer um elemento como de potencial inte-
resse para a produção da prova pericial fica responsável por sua preserva-
ção (BRASIL, 1941). 
Resta evidente, portanto, que a cadeia de custódia busca a 
promoção da conservação dos vestígios, dada a sua importância para 
a elucidação dos crimes. Dessa forma, impõe a obrigação do agente 
público de preservar a evidência encontrada.
De mais a mais, a cadeia de custódia apresenta as seguintes 
etapas de rastreamento dos vestígios elencadas pelo art. 158-B do Có-
digo de Processo Penal (BRASIL, 1941):
1) Reconhecimento;
2) Isolamento;
3) Fixação;
4) Coleta;
5) Acondicionamento;
6) Transporte;
7) Recebimento;
8) Processamento;
9) Armazenamento;
10) Descarte.
Antes de adentrar nas explicações das fases de rastreamento, 
cabe evidenciar que a desobediência de alguma das etapas da cadeia 
de custódia é causa de nulidade da prova produzida.
De início, temos o reconhecimento, que se refere a etapa em 
que a perícia verificará se há indicativos de que o material encontrado é 
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importante para a elucidação do caso, de acordo com o inciso I, do art. 
158-B (BRASIL, 1941).
Noutros termos, é nesse momento que o perito irá analisar a 
relevância do que foi encontrado para a investigação criminal, ou seja, 
distinguirá o que é evidência e o que é vestígio ilusório e forjado.
Já na fase do isolamento, haverá a isolação da área imediata, 
mediata e relacionada da cena de crime, a fim de preservar a natureza 
dos vestígios, dada a sua importância para a resolução dos casos. 
Por sua vez, na etapa de fixação ocorrerá a “descrição deta-
lhada do vestígio conforme se encontra no local de crime ou no corpo 
de delito, e a sua posição na área de exames, podendo ser ilustrada 
por fotografias, filmagens ou croqui”, devendo constar no laudo pericial, 
conforme dispõe o inciso III do art. 158-B do CPP (BRASIL, 1941).
Em outras palavras, é o tempo reservado para a perícia crimi-
nal registrar a cena de local de crime exatamente como foi encontrada. 
Frise-se que é uma regra necessária tanto para a melhor compreensão 
dos demais profissionais que terão acesso ao laudo pericial, como dele-
gados e promotoria, quanto para garantir a possibilidade de reconstru-
ção posterior da infração penal, caso necessário.
Sucessivamente, será realizada a coleta, que é o ato de colher 
os vestígios encontrados. Após, procederá com o acondicionamento, 
que se trata da etapa em que “cada vestígio coletado é embalado de 
forma individualizada, de acordo com suas características físicas, quí-
micas e biológicas, para posterior análise, com anotação de data, hora 
e nome de quem realizou a coleta e o acondicionamento”, conforme 
inciso V, do art. 158-B do CPP (BRASIL, 1941).
Como se vê, procurou-se estabelecer as técnicas não só de 
coleta de evidências, mas também de embalagem destas, com o fito de 
minimizar o risco de contaminação ou violação desses elementos.
Por conseguinte, será efetuado o transporte, que consiste na 
locomoção das evidências até o local em que ele será recebido, sendo 
de grande valia ressaltar que no ato de recebimento deve registrar, no 
mínimo, as seguintes informações, conforme o inciso VII, do art. 158-B 
do Código de Processo Penal (BRASIL, 1941):
• Número do procedimento;
• Unidade da polícia judiciária;
• Origem do vestígio;
• Tipo da evidência;
• Natureza do exame pericial;
• Identidade do responsável pelo transporte;
• Protocolo;
• Código de rastreamento;
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• Assinatura e identidade de quem recebeu.
Por seu turno, na fase de processamento será realizado o exa-
me pericial propriamente dito, enquanto no armazenamento o vestígio 
será guardado, garantindo sua conservação para o caso de necessida-
des futuras de reexame. O descarte, por fim, é a etapa da liberação da 
evidência, que, em certos casos, exige autorização judicial.
No que se refere à competência da coleta de vestígios, o art. 
158-C do CPP é claro em determinar que esta atividade “deverá ser rea-
lizada preferencialmente por perito oficial, que dará o encaminhamento 
necessário para a central de custódia, mesmo quando for necessária a 
realização de exames complementares” (BRASIL, 1941).
“É proibida a entrada em locais isolados bem como a re-
moção de quaisquer vestígios de locais de crime antes da libera-
ção por parte do perito responsável, sendo tipificada como fraude 
processual a sua realização”, de acordo com a previsão constante 
no §2º do art. 158-C do Código de Processo Penal (BRASIL, 1941).
Levando em consideração a imprescindibilidade de preserva-
ção da natureza do vestígio e de sua guarda, o Código de Processo 
Penal se preocupou em fixar regras de controle dessas evidências, limi-
tando seu acesso e registrando tudo que acontecer em relação a essas.
Assim, “todos os Institutos de Criminalística deverão ter uma 
central de custódia destinada à guarda e controle dos vestígios, e sua 
gestão deve ser vinculada diretamente ao órgão central de perícia ofi-
cial de natureza criminal”, nos termos do art. 158-E do Código de Pro-
cesso Penal (BRASIL, 1941). 
Outrossim, a central de custódia deverá disponibilizar o serviço de 
protocolo, imprescindível para o registro da entrada e saída de evidências, 
bem como de suas características e de todos aqueles que tiverem acesso 
a elas, conforme §§ 1º, 2º, 3º e 4º do art. 158-E do CPP (BRASIL, 1941).
É dizer, tudo que se refere aos vestígios armazenados deve 
ser documentado, a fim de evitar a subtração e alteração destes, ou, 
para caso venha a ser violado, que se tenha conhecimento das pesso-
as que tiveram acesso aos elementos. Logo, se tratam de medidas que 
visam assegurar a idoneidade das evidências.
Por sua vez, o art. 158-F do Código de Processo Penal prevê a 
devolução dos vestígios a central de custódia, senão, veja-se:
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Art. 158-F. Após a realização da perícia, o material deverá ser devolvido à 
central de custódia, devendo nela permanecer.
Parágrafo único. Caso a central de custódia não possua espaço ou condi-
ções de armazenar determinado material, deverá a autoridade policial ou 
judiciária determinar as condições de depósito do referido material em local 
diverso, mediante requerimento do diretor do órgão central de perícia oficial 
de natureza criminal (BRASIL, 1941).
Ao que se depreende, na hipótese de não ser possível armaze-
nar os vestígios na central de custódia, deverá a autoridade buscar outro 
local, por meio de requerimento do diretor do órgão de perícia criminal.
Técnicas de Descrição de Local do Crime
Como visto, as técnicas de coleta de evidência são essenciais 
para a conservação da natureza dos vestígios. Ocorre que, da mesma for-
ma que é importante observar as regras referente ao colhimento de ele-
mentos, é preciso obedecer às técnicas de descrição de local do crime.
Antes de adentrar no mérito da questão, cabe mencionar que 
nos casos em que “a infração deixar vestígios, será indispensável o 
exame de corpo de delito, direito ou indireto, não podendo supri-lo a 
confissão do acusado”, nos moldes do art. 158 do CPP (BRASIL, 1941).
Mas quais são os procedimentos iniciais a serem tomados e 
quem são os responsáveis por eles?

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