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HISTÓRIA E ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DA 
POLÍCIA CIENTÍFICA DE PERNAMBUCO 
RAFAEL LEITE FERREIRA 
RAFAEL PEREIRA DE ARRUDA 
2025 
 
 
 
 Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 
 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EDITORIAL 
 
 
Governadora de Pernambuco 
Raquel Teixeira Lyra 
 
Vice-governadora de Pernambuco 
Priscila Krause Branco 
 
Secretário de Defesa Social 
Alessandro Carvalho Liberato Mattos 
 
Chefe da Polícia Civil 
Renato Márcio Rocha Leite 
 
Gerência da Polícia Científica 
Wagner Bezerra do Nascimento 
 
Coordenação de Ensino, Pesquisa e Gestão da Qualidade da Polícia Científica 
Natália Cybelle Lima Oliveira 
 
Diretora da ACADEPOL 
Sylvana Lellis 
 
Supervisora de Ensino 
Kássia Lúcia Vieira dos Santos 
 
Conteudista 
Rafael Leite Ferreira 
Rafael Pereira de Arruda 
 
Revisor 
Felipe Fragoso Marinho de Lima 
 
 
 
 
 
ACADEPOL – ESCOLA SUPERIOR DE POLÍCIA CIVIL 
 
 Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 
 
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Prezado (a) Aluno (a), 
 
É com grande satisfação que damos as boas-vindas à disciplina História e 
Estrutura Organizacional da Polícia Científica de Pernambuco, parte essencial do 
seu percurso formativo. 
Ao longo desta disciplina, você conhecerá a trajetória institucional da Polícia 
Científica, desde suas origens até sua consolidação como órgão estratégico da 
segurança pública e da justiça no Estado de Pernambuco. Serão abordados os 
principais marcos históricos, os fundamentos legais, a evolução estrutural e os 
desafios contemporâneos enfrentados por essa importante instituição. 
A perícia oficial de natureza criminal representa um dos pilares do sistema de 
justiça. É por meio da atuação técnica da Polícia Científica que se produz a prova 
pericial – elemento decisivo para investigações, processos judiciais e decisões que 
envolvem vidas, direitos e responsabilidades. Seu trabalho vai muito além do 
laboratório ou do local de crime: é um instrumento de garantia de direitos 
fundamentais, assegurando que a justiça se fundamente em evidências objetivas, 
confiáveis e imparciais. 
Por meio de áreas especializadas como medicina legal, genética forense, 
balística, documentoscopia, informática forense, entre outras, a Polícia Científica 
contribui de forma decisiva para o esclarecimento de crimes, a proteção de 
inocentes e a responsabilização de culpados – fortalecendo, assim, a democracia e 
a cidadania. 
Mais do que uma atividade técnica, a perícia criminal é uma missão pública 
pautada pela ciência, pela ética e pelo compromisso com a verdade e com a 
dignidade humana. 
Seja bem-vindo (a) à disciplina. Que este conteúdo desperte em você o senso 
de pertencimento, responsabilidade e orgulho por integrar a Polícia Científica de 
Pernambuco. 
Com estima, 
 
Rafael Leite Ferreira 
Rafael Pereira de Arruda 
 
 Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 
 
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SUMÁRIO 
 
PREMISSAS INSTITUCIONAIS DA POLÍCIA CIENTÍFICA DE PERNAMBUCO ............................... 6 
MISSÃO ......................................................................................................................... 6 
VALORES ...................................................................................................................... 6 
VISÃO ........................................................................................................................... 6 
CONSOLIDAÇÃO DA PERÍCIA EM PERNAMBUCO (1841–1966) ............................................ 7 
A PERÍCIA SOB O REGIME MILITAR: CRIAÇÃO DO DEPOC E A LEI Nº 6.657/74 ................... 8 
A PERÍCIA OFICIAL E AS VIOLAÇÕES DA DITADURA: O PAPEL DA COMISSÃO DA VERDADE EM 
PERNAMBUCO ............................................................................................................. 12 
DEMOCRACIA, EXPANSÃO E INTERIORIZAÇÃO DA POLÍCIA CIENTÍFICA (1988–ATUALIDADE) 14 
INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA PROFESSOR ARMANDO SAMICO (ICPAS) ..... 20 
INSTITUTO DE MEDICINA LEGAL ANTÔNIO PERSIVO CUNHA (IMLAPC) ........... 23 
INSTITUTO DE GENÉTICA FORENSE EDUARDO CAMPOS (IGFEC) .................... 23 
ABRANGÊNCIA TERRITORIAL DAS URPOCS EM PERNAMBUCO ........................................ 26 
A IMPORTÂNCIA DA PERÍCIA OFICIAL DE NATUREZA CRIMINAL .......................................... 27 
CAPACIDADE OPERACIONAL E VOLUME DE TRABALHO DA PERÍCIA OFICIAL EM PERNAMBUCO
 .................................................................................................................................. 28 
CRESCIMENTO DA DEMANDA PERICIAL EM PERNAMBUCO (2020–2024) ........................... 29 
DESAFIOS ESTRUTURAIS, FUNCIONAIS E INSTITUCIONAIS DA PERÍCIA CRIMINAL EM 
PERNAMBUCO ............................................................................................................. 30 
FORÇA DE TRABALHO E A VALORIZAÇÃO DOS SERVIDORES DA POLÍCIA CIENTÍFICA ........... 30 
AVANÇOS ESTRUTURAIS E PERSPECTIVAS DE MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGICA .................. 31 
IMPLANTAÇÃO DE UMA CADEIA DE CUSTÓDIA ROBUSTA E INTEGRADA .............................. 33 
CADEIA DE CUSTÓDIA E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ ....................................................... 34 
CAMINHOS PARA A MODERNIZAÇÃO DA POLÍCIA CIENTÍFICA: PERSPECTIVAS NACIONAIS E 
INTERNACIONAIS 
OPORTUNIDADE DE TRANSFORMAÇÃO NACIONAL COM PADRÃO INTERNACIONAL ............... 37 
A PERÍCIA BRASILEIRA É PRODUÇÃO CIENTÍFICA NACIONAL ............................................ 38 
MODERNIZAR É VALORIZAR O QUE É NOSSO .................................................................. 38 
NORMAS, RECOMENDAÇÕES E LEIS RELACIONADAS À PERÍCIA OFICIAL NO BRASIL ............... 
DIRETRIZES ESTADUAIS PARA A CADEIA DE CUSTÓDIA: A PORTARIA CONJUNTA SDS Nº 
205/2024 40 
PROCEDIMENTOS PERICIAIS EM ACIDENTES DE TRÂNSITO: NORMATIZAÇÃO NA RMR ........ 40 
file:///C:/Users/rafae/OneDrive/Documentos/APOC/ACADEPOL/História%20e%20Estrutura%20Organizacional%20da%20Polícia%20Científica%20de%20Pernambuco/APOSTILA%20ACADEPOL%202024%20-%20HISTÓRIA%20E%20ESTRUTURA%20ORGANIZACIONAL%20DA%20POLÍCIA%20CIENTÍFICA%20DE%20PERNAMBUCO.docx%23_Toc197624787
 
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ENCAMINHAMENTO DE CORPOS AO IML E EMISSÃO DE DECLARAÇÃO DE ÓBITO EM 
PERNAMBUCO ............................................................................................................. 41 
A RESOLUÇÃO Nº 15/2024 DO CONSELHO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS (CNDH) ..... 41 
POSIÇÃO DA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS (CIDH) ............................ 42 
O QUE É A CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS (CIDH)? ............................. 42 
O CASO FAVELA NOVA BRASÍLIA VS. BRASIL .................................................................. 43 
DECISÕES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF) ....................................................... 43 
PROPOSTA DE EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 76/2019 – PELA CONSTITUCIONALIZAÇÃO DA 
POLÍCIA CIENTÍFICA...................................................................................................... 45 
UM CAMINHO DE COMPROMISSO COM A VERDADE TÉCNICA ............................................ 46 
CONSIDERAÇÕES FINAIS E PERSPECTIVAS PARA O FUTURO DA POLÍCIA CIENTÍFICA DE 
PERNAMBUCO ............................................................................................................. 46 
CONSTRUINDO O FUTURO DA PERÍCIA OFICIAL: AUTONOMIA, CIÊNCIA E JUSTIÇA .............. 46 
DIRETRIZES ESTRATÉGICAS PARA UM FUTURO SUSTENTÁVEL ......................................... 47 
ENCERRAMENTO .......................................................................................................... 47 
 
 
 
 
 
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PREMISSAS INSTITUCIONAIS DA POLÍCIA CIENTÍFICA DE PERNAMBUCO 
 
 
🎯 Missão 
 
Promover a justiça e a cidadania por meio da excelência na produção da prova 
material, seguindo os princípios das Ciências Forenses, no âmbito do Estado de 
Pernambuco. 
 
� Valorese funcional dos órgãos de perícia oficial de natureza 
criminal. Em seu artigo 2º, a norma define: 
“As autoridades públicas devem assegurar autonomia técnica, científica, 
administrativa e funcional dos peritos oficiais de natureza criminal”. 
Essa autonomia, conforme o §1º do mesmo artigo, exige a ausência de 
interferências políticas ou administrativas na realização dos exames periciais, na 
coleta de vestígios e na conclusão dos laudos. A resolução fundamenta-se em 
princípios constitucionais, tratados internacionais e no Código de Processo Penal 
(art. 280), garantindo qualidade, imparcialidade e disciplina judiciária na produção da 
prova. 
 
📑 Você sabia??? 
A Resolução nº 15, publicada em 2024 pelo Conselho Nacional 
de Direitos Humanos (CNDH), estabelece diretrizes para a 
autonomia técnica, científica, funcional e administrativa da 
perícia oficial de natureza criminal em todo o território nacional. 
 
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Ela é fruto de amplo debate técnico e institucional, 
envolvendo peritos criminais, médicos-legistas, operadores do 
Direito, organizações da sociedade civil e representantes do próprio 
sistema de justiça. Sua criação atende a recomendações 
internacionais, como as da Corte Interamericana de Direitos 
Humanos, e também às demandas históricas das categorias 
periciais por independência funcional. 
Por que é importante? 
🔹 Porque o CNDH é um órgão autônomo, de Estado, com 
atribuição constitucional de zelar pelos direitos humanos no 
Brasil. Suas resoluções são reconhecidas como orientações 
nacionais legítimas e éticas. 
🔹 Porque assegura que a prova técnica não seja manipulada por 
interesses externos à ciência, protegendo o direito à verdade, ao 
contraditório e à ampla defesa. 
🔹 Porque propõe parâmetros claros e democráticos para a 
organização institucional da Polícia Científica, contribuindo para 
políticas públicas mais justas, técnicas e transparentes. 
Seguir as diretrizes da Resolução nº 15/2024 é reconhecer a 
perícia como um instrumento essencial de justiça e cidadania, e 
não como mero suporte à investigação policial. 
 
4.7 Posição da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) 
No julgamento do caso Favela Nova Brasília vs. Brasil, a Corte 
Interamericana responsabilizou o Estado brasileiro pela violação de garantias 
judiciais mínimas, como a imparcialidade na investigação de crimes cometidos por 
agentes estatais. A CIDH foi categórica: 
“A investigação deve ser atribuída a um órgão independente e diferente 
da força policial envolvida no incidente [...] assistido por técnicos em 
criminalística alheios ao órgão de segurança ao qual pertencem os acusados”. 
Essa decisão reforça a urgência de desvincular os institutos periciais das 
estruturas investigativas e assegurar sua independência plena. 
 
📑 Você sabia??? 
O que é a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)? 
A CIDH é um tribunal internacional com sede na Costa Rica, 
criado no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA). 
Sua principal missão é julgar Estados que tenham violado os direitos 
humanos reconhecidos na Convenção Americana sobre Direitos 
Humanos, também conhecida como Pacto de San José da Costa 
Rica, da qual o Brasil é signatário desde 1992. 
 
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A Corte só atua quando: 
 O Estado em questão é formalmente denunciado por violações 
sistemáticas ou não solucionadas internamente; 
 Há esgotamento dos recursos judiciais disponíveis no país; 
 O caso foi previamente analisado pela Comissão 
Interamericana de Direitos Humanos, que recomenda o envio à 
Corte. 
As decisões da CIDH têm caráter vinculante e reconhecimento 
jurídico internacional, servindo de base para reformas legais e 
políticas públicas nos países condenados. 
 
O caso Favela Nova Brasília vs. Brasil 
Em 2017, a CIDH condenou o Estado brasileiro por violações 
cometidas durante operações policiais realizadas no Complexo do 
Alemão, no Rio de Janeiro, nos anos de 1994 e 1995. As ações 
resultaram na morte de 26 pessoas e em denúncias de violência 
sexual contra jovens durante incursões policiais. 
A Corte concluiu que o Brasil: 
 Não garantiu uma investigação independente, imparcial e 
eficaz dos crimes cometidos por agentes do Estado; 
 Falhou em proteger os direitos das vítimas e de seus familiares; 
 Demonstrou que a investigação não pode estar sob controle da 
mesma estrutura policial envolvida nos fatos. 
Um dos pontos centrais do julgamento foi a seguinte afirmação: 
“A investigação deve ser atribuída a um órgão independente e 
diferente da força policial envolvida no incidente [...] assistido por 
técnicos em criminalística alheios ao órgão de segurança ao qual 
pertencem os acusados.” 
Essa decisão reforça a importância de que os institutos de 
perícia oficial sejam desvinculados administrativamente das 
estruturas de polícia investigativa, garantindo imparcialidade, 
proteção à prova e respeito aos direitos humanos. 
 
4.8 Decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) 
O STF tem consolidado entendimentos favoráveis à autonomia técnica dos 
peritos criminais, embora sem reconhecer, por ora, a autonomia plena administrativa 
e orçamentária dos órgãos periciais. Destacam-se: 
📑 ADI 4354 – A Constituição da Autonomia Técnica da Perícia 
Contexto: Após a promulgação da Lei Federal nº 12.030/2009, que reconhece a 
função do perito oficial de natureza criminal e sua autonomia técnico-científica, 
 
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associações questionaram se essa lei conferiria, também, autonomia administrativa 
e financeira aos institutos periciais, tornando-a lei inconstitucional. 
O que foi decidido: O STF entendeu que a lei é constitucional, mas esclareceu que 
sua abrangência se limita à autonomia técnico-científica dos peritos. A Corte 
reforçou que a estrutura administrativa da perícia ainda depende de regulamentação 
pelos entes federativos. 
Por que é importante para a perícia: Essa decisão afirma o direito à 
independência técnica do perito, um marco jurídico fundamental para o exercício 
isento da função. Ao mesmo tempo, abre caminho para que os Estados 
regulamentem a autonomia institucional completa da perícia, via legislação 
local. 
📑 ARE 1.454.560 – O STF Reconhece a Viabilidade de Estruturas Periciais 
Próprias 
Contexto: Diversos Estados brasileiros têm buscado criar estruturas mais 
autônomas para a Polícia Científica, com rubricas orçamentárias e gestões 
separadas das polícias civis. No entanto, surgiram dúvidas sobre a legalidade 
dessas medidas. 
O que foi decidido: O Supremo, nesse recurso extraordinário com repercussão 
geral, reconheceu que os Estados possuem competência para criar estruturas 
próprias para os institutos de perícia, incluindo orçamento próprio e gestão 
administrativa autônoma, desde que preservada a autonomia técnica. 
Por que é importante para a perícia: Essa decisão legitima a criação de Polícias 
Científicas independentes, reforçando a viabilidade jurídica de uma estrutura 
desvinculada das polícias investigativas, em linha com as recomendações do CNDH 
e dos tratados internacionais. 
📑 ADIs 2.943, 3.309 e 3.318 – O MP Pode Investigar, Mas a Perícia Deve Ser 
Imparcial 
Contexto: As ações discutiam se o Ministério Público pode realizar investigações 
criminais diretamente, algo que antes era prerrogativa das polícias. Havia receio de 
que isso comprometesse garantias constitucionais, como a imparcialidade e a ampla 
defesa. 
O que foi decidido: O STF reconheceu a constitucionalidade das investigações 
criminais pelo MP, desde que observados os direitos fundamentais. A Corte foi 
clara ao afirmar que, nessas investigações, os peritos oficiais devem atuar com 
independência técnica, seja sob a requisição da polícia ou do Ministério Público. 
Por que é importante para a perícia: Essas decisões reforçam a posição da 
perícia como um órgão técnico de Estado, nãosubordinado à autoridade que 
requisita o exame. A imparcialidade da prova pericial foi expressamente valorizada 
pelo Supremo como um pilar do processo penal justo. 
📑 ADI 7627 – Porte de Arma Funcional é Direito do Perito Criminal 
 
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Contexto: Uma lei estadual vedava o porte de arma funcional para peritos criminais, 
contrariando o Estatuto do Desarmamento, que inclui esses profissionais entre os 
autorizados ao porte. 
O que foi decidido: O STF declarou a lei estadual inconstitucional, por afrontar a 
competência privativa da União para legislar sobre normas gerais de segurança 
pública e desconsiderar a natureza da atividade exercida pelo perito. 
Por que é importante para a perícia: A decisão reconhece que os peritos 
exercem função de segurança pública, muitas vezes em ambientes de risco, e 
devem ter garantias mínimas de proteção pessoal previstas na legislação federal. 
 
4.5. Proposta de Emenda Constitucional nº 76/2019 – Pela Constitucionalização 
da Polícia Científica 
A PEC 76/2019 propõe incluir expressamente a Polícia Científica no artigo 
144 da Constituição Federal, reconhecendo-a como órgão permanente, essencial à 
segurança pública e com identidade própria em relação às polícias civis. Seu 
objetivo central é garantir segurança jurídica, autonomia institucional e 
valorização funcional da perícia oficial em todo o território nacional. 
A proposta prevê que os institutos de perícia sejam: 
 Organizados de forma autônoma, com orçamento próprio e gestão 
independente; 
 Regulamentados por lei estadual, respeitando as competências federativas. 
📌 Situação atual (maio de 2025): 
 Aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) em 
abril de 2024; 
 Pronta para votação no Plenário do Senado, aguardando deliberação para 
seguir à Câmara dos Deputados. 
A aprovação da PEC permitirá: 
 Fortalecimento institucional da perícia criminal como função típica de Estado; 
 Proteção contra interferências hierárquicas indevidas; 
 Alinhamento com recomendações da Corte Interamericana de Direitos 
Humanos e do CNDH; 
 Reconhecimento nacional da autonomia plena da perícia oficial, técnica, 
administrativa e financeira. 
📑 Você sabia??? 
O Artigo 144 da Constituição Federal estabelece os órgãos 
responsáveis pela segurança pública no Brasil: polícias federal, civis, 
militares, rodoviária e ferroviária, além das polícias penais. No entanto, a 
Polícia Científica ainda não está incluída nesse artigo, apesar de exercer 
função essencial à justiça e à preservação de direitos. 
 A PEC 76/2019 busca corrigir essa omissão histórica e consolidar a 
 
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perícia oficial como estrutura autônoma dentro do Sistema de Segurança 
Pública brasileiro. 
 
Figura 26 – Dispositivos legais sobre a Perícia Criminal no Brasil. 
 
4.6 Um Caminho de Compromisso com a Verdade Técnica 
A constitucionalização da Polícia Científica é mais do que uma demanda 
corporativa — trata-se de um imperativo jurídico, social e ético. Ao garantir 
autonomia plena aos órgãos periciais, o Estado brasileiro fortalece o direito à 
verdade, à justiça e ao devido processo legal. 
 
5. Considerações Finais e Perspectivas para o Futuro da Polícia Científica de 
Pernambuco 
A consolidação de uma perícia oficial sólida, técnica e imparcial é elemento 
essencial para o aprimoramento do sistema de justiça e para a promoção dos 
direitos fundamentais. Ao longo de sua trajetória, a Polícia Científica de Pernambuco 
vem demonstrando compromisso com a verdade dos fatos, com a ciência forense e 
com a prestação de um serviço público qualificado à sociedade. 
A análise dos dados, estruturas e normas apresentados nesta apostila 
permite identificar avanços importantes na atuação pericial, ao mesmo tempo em 
que aponta áreas sensíveis que merecem atenção e investimento contínuo. 
Entre os pontos que se destacam estão a necessidade de fortalecimento do quadro 
de servidores, a ampliação da infraestrutura física e tecnológica, o aprimoramento 
da cadeia de custódia e a consolidação de um modelo institucional com maior 
autonomia funcional e organizacional. 
5.1. Construindo o Futuro da Perícia Oficial: Autonomia, Ciência e Justiça 
A Polícia Científica desempenha papel central no sistema de justiça, 
produzindo provas técnicas com precisão, imparcialidade e fundamentação 
científica. Para garantir a plena eficácia dessa atuação, é essencial fortalecer sua 
autonomia institucional e valorizar os profissionais que a integram — peritos 
criminais, médicos-legistas, agentes de perícia criminal e de medicina legal. 
 
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Diversos marcos legais, como a Lei nº 12.030/2009, a Resolução nº 15/2024 
do CNDH e decisões do Supremo Tribunal Federal, reforçam a importância da 
independência técnico-científica da perícia oficial. Nesse contexto, a Proposta de 
Emenda Constitucional nº 76/2019 surge como uma iniciativa legítima para 
consolidar a Polícia Científica como órgão permanente da segurança pública, com 
estrutura autônoma e garantias funcionais. 
Avançar na consolidação da perícia como instituição de Estado é assegurar 
justiça com base em evidências, prevenir erros judiciais e reforçar o compromisso 
público com os direitos fundamentais. Investir na estrutura, formação e valorização 
dos quadros periciais é uma estratégia que fortalece não apenas a segurança 
pública, mas também a confiança da sociedade nas instituições democráticas. 
 
5.2. Diretrizes Estratégicas para um Futuro Sustentável 
Como síntese, são apontadas as seguintes diretrizes estruturantes, alinhadas 
a boas práticas nacionais e internacionais: 
Eixo Medida Proposta Finalidade 
Gestão 
Institucional 
Criação formal da Polícia 
Científica com autonomia 
administrativa 
Garantir independência 
administrativa/funcional 
Recursos 
Humanos 
Realização de concursos, PCCR 
atualizado e capacitação 
permanente 
Valorizar o capital humano 
Infraestrutura 
Ampliação de laboratórios 
regionais e informatização pericial 
Modernizar e descentralizar 
Cadeia de 
Custódia 
Implantação de sistema integrado 
e controle automatizado 
Preservar a integridade da 
prova 
Participação 
Estratégica 
Inclusão da perícia nos fóruns de 
planejamento da segurança 
pública 
Fortalecer a governança 
integrada 
6 Encerramento 
Ao final deste material, espera-se que o leitor — gestor público, servidor da 
segurança, estudante, legislador ou cidadão — compreenda que a perícia criminal 
representa muito mais do que um conjunto de procedimentos técnicos. Ela é uma 
ferramenta essencial para a promoção da justiça, da verdade dos fatos e da 
paz social. 
O fortalecimento da Polícia Científica de Pernambuco é um processo que se 
constrói com planejamento, recursos adequados e ações institucionais coordenadas. 
Com base na ciência, na ética e no compromisso público, é plenamente possível 
 
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48 
 
avançar na construção de uma perícia oficial moderna, qualificada e cada vez 
mais reconhecida como referência nacional de excelência. 
 
 
 
 
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
ASSOCIAÇÃO DE POLÍCIA CIENTÍFICA DE PERNAMBUCO – APOC-PE. Relatório 
Técnico: Diagnóstico e Propostas da Perícia Criminal de Pernambuco ao Plano 
Estadual de Segurança Pública. Recife, 2024. 
BRASIL. Código de Processo Penal. Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941. 
Diário Oficial da União, Rio de Janeiro, RJ, 13 out. 1941. Disponível em: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm. Acesso em: 5 maio 
2025. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da 
União, Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível em: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 5 
maio 2025. 
BRASIL. Lei nº 12.030, de 17 de setembro de 2009. Dispõe sobre as perícias oficiaisde natureza criminal. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 18 set. 2009. Disponível 
em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12030.htm. 
Acesso em: 5 maio 2025. 
BRASIL. Lei nº 13.964, de 24 de dezembro de 2019. Altera o Decreto-Lei nº 3.689, 
de 3 de outubro de 1941 – Código de Processo Penal, e outras normas. Diário 
Oficial da União, Brasília, DF, 24 dez. 2019. Disponível em: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/L13964.htm. Acesso 
em: 5 maio 2025. 
COMISSÃO ESTADUAL DA MEMÓRIA E VERDADE DOM HELDER CÂMARA. 
Relatório Final – Volume I. Recife: CEPE, 2017. 405 p. ISBN 978-85-7858-481-8. 
Disponível em: https://www.comissaodaverdade.pe.gov.br/. Acesso em: 5 maio 
2025. 
CONSELHO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS – CNDH. Resolução nº 15, de 
20 de fevereiro de 2024. Estabelece diretrizes para a autonomia da perícia oficial de 
natureza criminal. Brasília, DF, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-
br/cndh. Acesso em: 5 maio 2025. 
CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS – CIDH. Caso Favela Nova 
Brasília vs. Brasil. Sentença de 16 de fevereiro de 2017. Disponível em: 
https://www.corteidh.or.cr/docs/casos/articulos/seriec_333_por.pdf. Acesso em: 5 
maio 2025. 
COSTA, Veloso. Medicina, Pernambuco e tempo. Recife: Editora Universitária da 
UFPE, 1978. 
https://www.comissaodaverdade.pe.gov.br/
 
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49 
 
FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO. A Polícia Científica na linha de montagem da 
defesa social sob focos de lentes: relatório de pesquisa / Ronidalva de Andrade 
Melo; coordenação geral; Renato Pereira Feitosa. Recife: Fundaj, Editora 
Massangana, 2013. 342 p. il. Disponível em: https://portal.fundaj.gov.br/. Acesso em: 
5 maio 2025. 
MAIO, Marcos C. A medicina de Nina Rodrigues: análise de uma trajetória científica. 
Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 11, n. 2, jun. 1995. Disponível em: 
https://www.scielo.br/j/csp/a/WtM3G7QqRczC4RnMPczrChS/. Acesso em: 5 maio 
2025. 
PERNAMBUCO. Portaria Conjunta SDS/SES nº 001, de 24 de março de 2020. 
Dispõe sobre o uso de pulseiras de identificação para vítimas fatais com suspeita de 
COVID-19. Diário Oficial do Estado, Recife, PE, 2020. 
PERNAMBUCO. Portaria SDS nº 2486, de 27 de maio de 2021. Disciplina a atuação 
pericial em acidentes de trânsito. Diário Oficial do Estado, Recife, PE, 2021. 
PERNAMBUCO. Provimento Correicional – Papiloscopistas. Define procedimentos 
de controle e organização de atividades de perícia papiloscópica. Recife, PE, [data 
desconhecida]. 
SANTOS NETO, Pedro Miguel dos. O processo da profissionalização médica em 
Pernambuco – um estudo sobre a categoria médica pernambucana, sua 
organização, seus interesses. Dissertação (Mestrado) – Fundação Oswaldo Cruz, 
Rio de Janeiro, 1993. 
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL DE PERNAMBUCO – SDS. Portaria n.º 
6416/2024 Estabelece diretrizes para a cadeia de custódia no âmbito das forças 
operativas do Estado. Recife, 2023. 
SENADO FEDERAL. Proposta de Emenda à Constituição nº 76, de 2019. Altera o 
art. 144 da Constituição Federal para incluir a polícia científica como órgão 
permanente da segurança pública. Brasília, DF, 2019. Disponível em: 
https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/136804. Acesso em: 5 
maio 2025. 
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – STF. ADI 4354/DF, ARE 1454560/SP, ADI 
7627/RO e ADIs 2943, 3309 e 3318. Jurisprudência do STF. Disponível em: 
https://jurisprudencia.stf.jus.br. Acesso em: 5 maio 2025.Compromisso com a Verdade, 
Imparcialidade, Qualidade, 
Confiabilidade, Ética, 
Transparência e Respeito à 
dignidade da pessoa humana. 
 
🌟 Visão 
 
 
Tornar a Polícia Científica referência nacional pela excelência na realização de 
Perícias Oficiais de Natureza Criminal. 
 
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7 
 
Figura 1 - cópia do Código de 
Processo Penal de 1832. 
 
Capítulo I 
História da Polícia Científica de Pernambuco 
 
1. As Origens da Perícia Oficial no Brasil 
A trajetória da perícia oficial brasileira remonta aos primórdios do século 
XIX. Em 1814, o médico Antônio Gonçalves Gomide já contestava exames sem rigor 
técnico, evidenciando um dos primeiros desafios enfrentados pela perícia: a 
ausência de formação especializada entre os clínicos. A oficialização da perícia no 
processo penal ocorreu com o Código de Processo Penal de 1832, que instituiu o 
auto de corpo de delito, mesmo que ainda de forma rudimentar. 
Com a elevação das primeiras escolas de medicina do Brasil à categoria de 
faculdades em 1832, especialmente no Rio de Janeiro e em Salvador, o ensino da 
Medicina Legal passou a ser estruturado com base em modelos científicos 
europeus. A atuação de figuras como Hércules Muzzi e Nina Rodrigues foi essencial 
para consolidar a perícia médico-legal como campo científico. 
A institucionalização dos serviços periciais ocorreu de maneira progressiva, 
a partir do Decreto Imperial nº 1.746, de 1856, que previu médicos oficiais para 
exames técnicos. Ainda assim, a profissionalização enfrentava obstáculos, como a 
carência de padronização e a influência de teorias raciais e deterministas no final do 
século XIX, o que marcava a produção forense da época com viés ideológico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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8 
 
Figura 2 - Foto da fachada do IML - RECIFE. 
2. Consolidação da Perícia em Pernambuco (1841-1966) 
Em Pernambuco, os primeiros registros da perícia oficial datam de 1841, com 
a criação da Sociedade de Medicina 1 e, posteriormente, do Conselho Geral de 
Salubridade 2. No final do século XIX, já se notava a necessidade de um Gabinete 
Antropométrico, como propunha o relatório do (1898), e de um necrotério público 
estruturado. 
O início do século XX trouxe avanços com a criação do Gabinete de 
Identificação e Estatística Criminal (1909), que adotou o sistema datiloscópico de 
Vucetich. Em 1919, o Serviço Médico-Legal de Pernambuco foi regulamentado e, 
em 1924, transformado oficialmente no Instituto de Medicina Legal (IML), com 
amplas atribuições, como exames de lesões, sanidade, toxicologia e necropsias. 
Nas décadas seguintes, o IML ganhou notoriedade nacional, figurando entre 
os principais do país. Em paralelo, o Gabinete de Identificação foi regulamentado em 
1947, e a estrutura pericial pernambucana passou a ser reconhecida pela sua 
complexidade e qualidade técnica. Contudo, apenas em 1966 foi criado o Instituto de 
Polícia Técnica, dedicado à criminalística, marcando o início da perícia moderna em 
Pernambuco. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. A Perícia sob o Regime Militar: Criação do DEPOC e a Lei nº 6.657/74 
O marco institucional mais importante da Polícia Científica de Pernambuco se 
deu em 1974, com a promulgação da Lei nº 6.657, que organizou a Secretaria de 
Segurança Pública e criou o Departamento de Polícia Científica (DEPOC). A nova 
estrutura previa institutos especializados e cargos periciais com exigência de nível 
superior, reforçando a profissionalização. 
 
1
 Sociedade de Medicina de Pernambuco, já contava com uma comissão permanente de higiene, polícia médica, 
medicina legal e história da medicina, 
2
 O Conselho Geral de Salubridade, criado pela Assembleia Provincial de Pernambuco, através da Lei nº 143 de 
15 de maio de 1945, era composto por três doutores em Medicina, versados no estudo da higiene pública e da 
medicina legal, e por dois farmacêuticos experimentados em análise química e práticas toxicológicas. 
 
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9 
 
Esse período também foi marcado pela utilização da perícia como instrumento 
de controle político. Em meio ao regime militar, o DEPOC passou a integrar 
estratégias repressivas, sendo acionado pelo DOPS em investigações políticas. 
Apesar disso, a criação do DEPOC permitiu a sistematização das perícias criminais, 
toxicológicas, médico-legais e papiloscópicas, além da ampliação dos laboratórios e 
da capacitação técnica dos profissionais. 
A nova sede do IML foi inaugurada em 1974, com espaço para reuniões 
científicas e integração com a universidade. Embora esses avanços estruturais 
tenham consolidado a Polícia Científica, relatos de omissão ou manipulação em 
laudos sobre torturas durante a ditadura militar mostram como a perícia pode ser 
vulnerável à instrumentalização política. 
 
Construção Histórica da Institucionalidade da Perícia 
 
Sob a égide do regime militar que marcava o Brasil no início da década de 
1970, o governo de Eraldo Gueiros em Pernambuco (1971-1975) promoveu uma 
reforma administrativa significativa na segurança pública, formalizada pela Lei nº 
6.657, de 7 de janeiro de 1974. Esse marco legal não só reestruturou a Secretaria de 
Segurança Pública estadual, mas também ecoou o ambiente político da época, 
marcado pelo controle estatal fortalecido e pela prioridade da manutenção da ordem 
pública. 
Nesse contexto, a demanda do governo militar por medidas que assegurassem 
o controle social e a repressão aos movimentos de oposição encontrou resposta na 
criação dessa lei, que visava organizar as forças de segurança de maneira mais 
eficiente e alinhada aos objetivos do regime autoritário. 
Antes da promulgação da Lei nº 6.657/74, a Secretaria de Segurança Pública 
de Pernambuco (SSP/PE) apresentava uma arquitetura fragmentada e tradicional, 
marcada pela limitada integração entre seus principais componentes: a Polícia Militar, 
encarregada do policiamento ostensivo, e a Polícia Civil, responsável pelas 
investigações criminais e pela polícia judiciária. A ausência de coordenação entre 
essas corporações comprometia a eficácia das ações conjuntas, tanto no combate à 
criminalidade comum quanto no enfrentamento das ameaças políticas. 
Ademais, a gestão da SSP/PE apoiava-se em um conjunto de normas e 
decretos esparsos que, embora oferecessem algum suporte administrativo, careciam 
de uma base legal sólida e atualizada. Não havia estruturas especializadas em 
inteligência, planejamento estratégico ou controle interno, o que dificultava a 
operacionalização de ações coordenadas e efetivas. O Departamento de Ordem 
Política e Social (DOPS), responsável pela repressão política, atuava isoladamente, 
sem plena articulação com as demais divisões da segurança pública. 
Até então, o foco da segurança pública em Pernambuco estava concentrado 
no combate ao crime comum e na preservação da ordem. Entretanto, com a 
promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em 1968, o escopo da segurança pública 
expandiu-se dramaticamente, passando a priorizar a repressão política. A partir desse 
momento, o regime militar passou a considerar movimentos opositores e dissidentes 
como ameaças diretas à estabilidade do Estado, justificando a adoção de medidas 
autoritárias e a ampliação do controle social. 
Nesse novo cenário, a repressão não mais se limitava à criminalidade comum, 
mas abrangia também o cerceamento das liberdades individuais e a perseguição 
sistemática de grupos considerados subversivos. Assim, a estrutura de segurança 
pública precisou se adaptar rapidamente: não apenas os crimes ordinários, mas 
 
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10 
 
também os denominados “crimes subversivos” passaram a ser alvo de intensa 
repressão. 
As autoridades militares perceberam, portanto, a urgência de modernizar as 
forças de segurança e reestruturar suas estratégias, criandoum aparato policial mais 
eficiente, apto a combater tanto a criminalidade organizada quanto as ações de 
oposição política, consolidando o controle do regime sobre a sociedade. 
Foi nesse contexto que diversos estados, incluindo Pernambuco, implantaram 
reformas administrativas voltadas à reorganização e à modernização das forças de 
segurança. A criação da Polícia de Carreira em Pernambuco, instituída pela Lei nº 
6.657/74, representou uma dessas inovações. Essa medida visava à 
profissionalização das forças, superando antigas práticas de nomeações políticas e 
estabelecendo uma estrutura mais técnica e eficiente para o desempenho das 
funções policiais. 
Outro marco relevante da Lei nº 6.657/74 foi a criação do Departamento de 
Polícia Científica (DEPOC), com a missão crucial de reorganizar o campo da perícia 
oficial no estado de Pernambuco. Em contraste com o cenário anterior à sua 
instituição, a realização de perícias e exames técnicos era caracterizada por uma 
notável falta de profissionalismo e pela ausência de métodos padronizados. A 
atividade pericial dependia da colaboração eventual de profissionais como médicos-
legistas, químicos e farmacêuticos, cuja atuação se dava de maneira fragmentada e 
sem uma integração efetiva com a estrutura de segurança pública. 
Além disso, a precariedade desse cenário não se restringia à carência de 
padronização, recursos e técnicas; a formação técnica dos peritos criminais também 
era extremamente limitada. Muitos profissionais não possuíam treinamento específico 
em práticas forenses modernas, resultando em laudos inconsistentes e 
frequentemente questionáveis. A ausência de concursos públicos para o ingresso nas 
funções periciais favorecia indicações políticas e, por conseguinte, o amadorismo na 
execução das atividades periciais. 
Com a intensificação da repressão política a partir da segunda metade dos 
anos 1960, a perícia passou a ser empregada com maior frequência em 
investigações de natureza política, notadamente pelo Departamento de Ordem 
Política e Social (DOPS). Contudo, essa utilização era, por vezes, instrumentalizada, 
servindo mais como um mecanismo de legitimação das ações repressivas do regime 
do que como um instrumento para garantir processos criminais técnicos e imparciais. 
Nesse panorama, a Polícia Civil, órgão responsável pela investigação criminal, 
não dispunha de uma estrutura organizada que integrasse as diversas funções 
investigativas de maneira eficiente e fundamentada em uma abordagem científica e 
técnica. A ausência de uma estrutura que incorporasse métodos científicos de análise 
criminal prejudicava a identificação precisa de criminosos, a coleta e preservação de 
provas e, consequentemente, o sucesso das investigações. Essa situação limitava a 
capacidade do sistema de justiça em responder de forma efetiva e célere aos crimes, 
especialmente aqueles de maior complexidade, como os relacionados ao crime 
organizado e aos movimentos de oposição política. 
Em resposta a essas deficiências, a criação do DEPOC representou um 
avanço significativo, promovendo o aprofundamento técnico das investigações e da 
coleta de provas mediante a adoção de métodos científicos para subsidiar o trabalho 
das autoridades policiais. Com a instituição do Departamento, buscou-se ativamente 
corrigir as carências estruturais preexistentes e modernizar a atividade pericial em 
Pernambuco. O novo órgão foi incumbido de organizar e supervisionar todos os 
serviços de perícia técnica, laboratoriais e de identificação civil e criminal no estado. 
A fim de concretizar essa reestruturação e modernização da perícia em 
Pernambuco, foram implantadas medidas cruciais, como a exigência de formação 
 
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11 
 
específica e a realização de concursos públicos para o ingresso de peritos criminais, 
promovendo a profissionalização do quadro de servidores e elevando a qualidade dos 
serviços prestados. Adicionalmente, houve investimentos significativos em 
infraestrutura, com a aquisição de novos equipamentos científicos e a construção de 
laboratórios especializados. Áreas cruciais como a perícia criminal, a medicina legal, 
a papiloscópica, a balística, a documentoscopia e outras foram estruturadas de 
maneira técnica e integrada, fortalecendo a capacidade do Estado de produzir provas 
materiais robustas para as investigações policiais e para os processos judiciais. 
As principais ações estratégicas impulsionadas pela criação do DEPOC podem 
ser sintetizadas da seguinte maneira: 
a) Profissionalização e Modernização da Investigação Criminal: a criação do 
DEPOC representou um marco crucial para a modernização das investigações em 
Pernambuco. A adoção de métodos científicos elevou a precisão das investigações e 
fortaleceu a capacidade de identificar e capturar criminosos de maneira mais 
eficiente. Esse avanço foi fundamental para enfrentar os crimes cada vez mais 
complexos, especialmente os de natureza organizada; 
b) Aprimoramento da Coleta e Preservação de Provas: a implantação do 
DEPOC introduziu a padronização e sistematização dos procedimentos para a coleta 
e preservação de provas. Em um contexto de repressão política, no qual a 
criminalização de opositores ao regime se intensificava, a aplicação de métodos 
científicos mostrou-se essencial para assegurar a precisão das provas e evitar 
manipulações; 
c) Apoio ao Controle e Repressão Política: no contexto do regime, o regime 
não se restringia ao combate à criminalidade comum, mas também almejava suprimir 
qualquer forma de dissidência política. O DEPOC emergiu como uma ferramenta 
essencial para a repressão e o controle de opositores, facilitando a criminalização de 
dissidentes e fornecendo uma base jurídica para as ações de repressão; 
d) Integração com Outras Unidades de Segurança: além de introduzir inovação 
técnica, o DEPOC também representou um esforço para integrar as diversas áreas 
da polícia e da segurança pública, fortalecendo a resposta do estado às ameaças à 
ordem pública; 
e) Fortalecimento do Enfrentamento à Criminalidade Organizada: a 
estruturação do DEPOC foi particularmente relevante no combate a crimes 
complexos, como tráfico de drogas e roubo de veículos. As técnicas de perícia 
desenvolvidas permitiram uma investigação mais robusta, capaz de desmantelar 
esquemas criminosos; 
f) Valorização do Trabalho Técnico-Policial: a criação do DEPOC conferiu 
reconhecimento e valorização aos profissionais especializados em polícia científica, 
como peritos, papiloscopistas e toxicologistas, que se tornaram peças-chave para o 
sucesso das investigações; 
g) Impacto nas Políticas de Repressão e Controle Social: a criação do DEPOC 
estava alinhada aos interesses do regime militar, que buscava um controle rigoroso 
sobre qualquer forma de oposição. A aplicação de perícias técnicas e de uma polícia 
científica robusta contribuiu para conferir respaldo jurídico às ações repressivas e ao 
controle social. 
 
 
 
 
 
 
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12 
 
Figura 3 - Capa do Relatório Final da Comissão 
da Memória e Verdade de Pernambuco 
Figura 5 -fotografia da presa política e 
morta no regime militar, Anatália Melo 
Alves. 
Figura 4 – Jornal destacando o 
Massacre da Granja de São Bento. 
 
4. A Perícia Oficial e as Violações da Ditadura: O Papel da Comissão da 
Verdade em Pernambuco 
 
O que foi a Comissão da Verdade e Justiça de Pernambuco? 
Instalada em 2012, a Comissão 
Estadual da Memória e Verdade Dom Helder 
Câmara (CEMVDHC) teve como objetivo 
investigar graves violações de direitos 
humanos ocorridas em Pernambuco entre 
1946 e 1988, especialmente no período da 
Ditadura Militar. Sua atuação revelou 
omissões, fraudes e conivência institucional 
em diversos órgãos do Estado – incluindo a 
perícia criminal oficial. 
 
Casos analisados e a atuação da perícia 
A comissão identificou que, em múltiplas 
situações, laudos periciais foram utilizados para 
legitimar versõesforjadas de suicídios ou 
resistências armadas, quando na realidade 
tratavam-se de mortes sob tortura. Um dos casos 
mais simbólicos foi o de Anatália Melo Alves, 
militante política, que teve sua morte registrada 
como suicídio por enforcamento. Três laudos 
oficiais — incluindo o Tanatoscópico — omitiram 
evidências de queimaduras nos órgãos genitais e 
não questionaram o tamanho incompatível da alça 
utilizada para o suposto enforcamento. O médico-
legista responsável, em depoimentos posteriores, 
reconheceu ter cometido erros no documento oficial, como 
a inconsistência do horário de realização do exame. 
Outro episódio abordado foi o do Massacre da 
Granja de São Bento, em que também houve 
participação do mesmo legista. A perícia foi novamente 
questionada por sua atuação passiva diante de mortes 
com indícios de execução sumária. 
 
Exemplos midiáticos e consequências 
Além dos casos oficialmente investigados, a 
imprensa pernambucana da época contribuiu para reforçar 
 
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13 
 
as versões oficiais dos órgãos de repressão, como ao noticiar a morte de Anatália 
com manchetes como “Subversiva se enforca no banheiro”, sem qualquer checagem 
ou contraditório. 
 
Figura 6 - Jornal da época da ditadura militar retratando a morte de Anatália. 
 
Recomendações da Comissão 
Como forma de enfrentamento à memória institucional da repressão, a 
CEMVDHC recomendou expressamente a necessidade de: 
“reconhecer o papel técnico da perícia oficial, mas assegurar sua autonomia 
científica e funcional, evitando sua submissão às forças de segurança pública ou 
ao arbítrio político”. 
 
Figura 7 - Recomendação do Governo Estadual de Pernambuco. 
Além disso, propôs a criação de centros de memória, revisão de laudos 
duvidosos e inclusão do tema da repressão nos currículos das instituições de 
segurança e justiça. A autonomia da perícia, defendida também pelo Conselho 
 
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14 
 
Figura 8 - Prédio da Secretaria de Defesa Social, onde 
funciona a Gerência Geral de Polícia Científica. 
Figura 9 - Fachada do Instituto de Criminalística 
Armando Samico. 
Figura 10 - Inauguração de Unidade Regional de Polícia 
Científica de Arcoverde. 
Nacional de Direitos Humanos (Resolução CNDH nº 15/2024), foi apontada como 
pilar essencial para impedir novas manipulações da verdade e garantir a justiça nas 
futuras gerações. 
 
 
5. Democracia, Expansão e Interiorização da Polícia Científica (1988-
atualidade) 
Com a redemocratização do país e a 
promulgação da Constituição de 1988, a Polícia 
Científica pernambucana passou por nova 
reestruturação. 
A partir dos anos 2000, a Polícia 
Científica passou a operar com mais autonomia 
técnica, ampliando sua atuação por meio de 
concursos públicos, modernização tecnológica 
e intercâmbio com instituições nacionais e 
internacionais. O Instituto de Criminalística 
passou por reformas estruturais, funcionando 
atualmente no bairro de Campo Grande. 
A criação das Unidades Regionais de 
Polícia Científica (URPOCs), com a 
promulgação da Lei nº 16.278/2017, foi um 
marco na interiorização dos serviços periciais. 
A instituição do Instituto de Genética Forense 
Eduardo Campos (IGFEC) representou outro 
passo importante na modernização científica 
da perícia. 
O modelo atual, com gerências 
regionais e especializadas, reforça o papel da 
Polícia Científica como eixo técnico-científico 
independente, fundamental para a justiça 
criminal. Ainda assim, desafios persistem: 
valorização profissional, fortalecimento 
institucional, aprimoramento da gestão e 
garantia de autonomia plena são caminhos a 
serem trilhados para consolidar a perícia 
pernambucana como referência nacional. 
 
 
 
 
 
 
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15 
 
Construção Histórica da Institucionalidade Pericial 
 
Durante a transição para o período democrático, a estrutura da Polícia Científica 
de Pernambuco passou por significativas reconfigurações institucionais. O Decreto nº 
13.908, de 3 de outubro de 1989, editado pelo então governador Miguel Arraes, alterou 
a denominação do Departamento de Polícia Científica (DEPOC) para Diretoria de 
Polícia Científica (DIPOC), subordinando-a à recém-criada Diretoria Geral de Polícia 
Civil (DIPOC). Posteriormente, em 21 de novembro de 1990, o governador Carlos 
Wilson editou o Decreto nº 14.672, elevando sua designação para Diretoria Geral de 
Polícia Científica. No entanto, essa nomenclatura foi revertida em 30 de dezembro de 
1991, com a edição do Decreto nº 16.407 pelo governador Joaquim Francisco, 
restaurando a denominação original de Diretoria de Polícia Científica (DIPOC). Essas 
mudanças, embora pontuais, revelam a constante adaptação da estrutura pericial às 
circunstâncias político-administrativas do período. 
A década de 1990 foi marcada por profundas transformações na segurança 
pública nacional. Em Pernambuco, esse processo ganhou novo fôlego com a posse do 
governador Jarbas Vasconcelos, em janeiro de 1999. Em resposta à crise de segurança 
pública então vigente – evidenciada pelo crescimento da violência urbana, dos 
homicídios, do tráfico de drogas e da atuação de facções criminosas – o governo 
estadual promoveu uma ampla reestruturação institucional. 
Nesse contexto, a criação da Secretaria de Defesa Social (SDS), por meio da Lei 
nº 11.629, de 28 de janeiro de 1999, representou um divisor de águas na administração 
da segurança pública estadual. A SDS substituiu a antiga Secretaria de Segurança 
Pública (SSP), com a missão de integrar, coordenar e modernizar as ações das forças 
de segurança, com destaque para o fortalecimento da atuação técnico-científica. 
A nova configuração garantiu à Polícia Científica autonomia institucional, 
incumbindo-a da execução das atividades de polícia técnica e científica – inclusive as 
de natureza médico-legal – conforme disposto no art. 3º, inciso d, da Lei nº 
11.629/1999. Essa autonomia reforçou a imparcialidade das perícias oficiais em relação 
à polícia judiciária e impulsionou a qualificação dos serviços periciais. 
Em 22 de maio de 2003, o Decreto nº 25.484, que regulamentou a SDS, 
transformou a DIPOC em Gerência Geral de Polícia Científica (GGPOC), mantendo-a 
como órgão integrante da estrutura da Secretaria. O regulamento detalhou suas 
competências, atribuições e estrutura hierárquica interna, conferindo maior segurança 
jurídica e eficiência à gestão pericial. 
Posteriormente, o Decreto nº 30.290, de 21 de março de 2007, editado pelo 
governador Eduardo Campos, atualizou o Regulamento da SDS e manteve a estrutura 
e competências da Polícia Científica, em consonância com os avanços promovidos na 
década anterior. 
A consolidação dessa trajetória ocorreu com o Decreto nº 34.479, de 29 de 
dezembro de 2009, que publicou o atual Regulamento da SDS. Esse normativo ampliou 
significativamente as atribuições da GGPOC, atribuindo-lhe a gestão, o planejamento, a 
coordenação e a supervisão das atividades periciais, incluindo os exames de corpo de 
delito e a identificação papiloscópica. Esse decreto também formalizou a vinculação dos 
Institutos de Criminalística (IC), de Medicina Legal (IML) e de Identificação (IITB) à 
Gerência Geral de Polícia Científica. 
No entanto, essa vinculação foi parcialmente modificada pelo Decreto nº 47.092, 
de 4 de fevereiro de 2019, que desvinculou o Instituto de Identificação Tavares Buril 
(IITB) da GGPOC, subordinando-o diretamente à Chefia de Polícia Civil. 
 
 
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16 
 
Outro marco relevante no processo de modernização e interiorização da perícia 
oficial foi a Lei nº 16.278, de 27 de dezembro de 2017, sancionada pelo governador 
Paulo Câmara. Essa legislação instituiu as Unidades Regionais de Polícia Científica 
(URPOCs) em municípios estratégicos — como Palmares, Nazaré da Mata, Caruaru e 
Garanhuns (abrangidos pela Gerência GINTER 1); e Arcoverde, Salgueiro,Afogados da 
Ingazeira, Ouricuri e Petrolina (abrangidos pela Gerência GINTER 2). Essa 
descentralização democratizou o acesso aos serviços periciais e reduziu a dependência 
da capital, fortalecendo a capacidade de resposta do Estado. 
A mesma lei também criou a Diretoria Integrada de Polícia Científica (DIPOC), 
as gerências GINTER 1 e GINTER 2, além do Instituto de Genética Forense Eduardo 
Campos (IGFEC), voltado ao uso da análise genética nas investigações criminais. A 
implementação do IGFEC representou um salto qualitativo na atuação da perícia oficial, 
com a incorporação de tecnologias modernas e metodologias avançadas, alinhadas aos 
padrões internacionais. 
Devido às diferenças de porte, demanda e infraestrutura local, as URPOCs não 
possuem estrutura uniforme, apresentando variações quanto à realização dos exames 
periciais. Para normatizar a atuação territorial, foi editada a Portaria SDS nº 1.976, de 
10 de abril de 2019, que estabeleceu oficialmente a abrangência territorial das unidades 
da Polícia Científica com base nas Áreas Integradas de Segurança (AIS). Essa 
organização permitiu maior racionalização dos recursos humanos e materiais, 
otimizando a distribuição das equipes de perícia criminal e medicina legal no interior do 
Estado. 
 
 
6. ANEXOS do CAPÍTULO I 
 
Figura 11 - Organograma da Secretaria de Segurança Pública, 1974. Destaque para Diretoria de 
Polícia Científica (antecessora da GGPOC). 
 
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Figura 12 - Departamento de Polícia Científica de Pernambuco, tal como estabelecida a partir da Lei 
nº 6.657/1974 e regulamentada pelo Decreto Estadual nº 3.167, de 5 de julho de 1974 
 
 Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 
 
18 
 
 
Figura 13 - Mudança dos cargos com a implantação da Polícia de Carreira em 1974. Criação da 
DEPOC. 
 
 
 
 
 
 
 Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 
 
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Figura 14 - Linha do tempo da Institucionalização da Polícia Científica de Pernambuco. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 
 
20 
 
 
Capítulo II 
Estrutura Especializada da Polícia Científica de Pernambuco 
 
Figura 15 - Organograma funcional da Polícia Científica de Pernambuco. 
 
1. INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA PROFESSOR ARMANDO SAMICO 
(ICPAS) 
O ICPAS é o centro responsável pela 
execução das perícias criminais de natureza 
técnico-científica em vestígios materiais 
relacionados à cena do crime. Sua origem remonta 
à criação do Instituto de Polícia Técnica em 1966 e 
foi consolidada com a estruturação do 
Departamento de Polícia Científica em 1974. 
Nomeado em homenagem ao perito criminal 
Armando Samico, o ICPAS integra setores como 
balística, engenharia legal, informática forense, 
documentoscopia e local de crime, sendo 
referência nacional pela sua capacidade técnica e 
pela qualificação de seus quadros funcionais. 
📍 Perícias Laboratoriais de Maior Complexidade – Realizadas exclusivamente 
na capital 
SDS 
SECRETARIA DE 
DEFESA SOCIAL DE 
PERNAMBUCO 
INSTITUTO DE 
CRIMINALÍSTICA 
(ICPAS) 
INSTITUTO DE 
MEDICINA LEGAL 
(IMLAPC) 
INSTITUTO DE 
GENÉTICA FORENSE 
(IGFEC) 
GINTER 1 GINTER 2 CADEIA DE 
CUSTÓDIA 
DIRETORIA 
INTEGRADA DE 
POLÍCIA 
CIENTÍFICA 
(DIPOC) 
SECRETARIA 
EXECUTIVA DE 
DEFESA SOCIAL 
GERÊNCIA GERAL 
DE POLÍCIA 
CIENTÍFICA 
(GGPOC) 
 
 Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 
 
21 
 
Figura 15 - Estrutura atual da Polícia Científica de Pernambuco. 
O ICPAS concentra os exames periciais de maior sofisticação tecnológica, 
que exigem laboratórios equipados e profissionais especializados. São eles: 
 Informática Forense: análise de dispositivos digitais, redes e vestígios 
eletrônicos; 
 Toxicologia Forense: detecção de substâncias tóxicas em fluidos e tecidos; 
 Engenharia Forense: análise estrutural de colapsos e acidentes em 
edificações e veículos; 
 Documentoscopia: análise de autenticidade e falsificações em documentos; 
 Balística Forense: estudo comparativo de projéteis, armas de fogo e 
elementos balísticos; 
 Química Forense: identificação de substâncias ilícitas e materiais suspeitos; 
 Identificação Veicular: perícias em chassis, motores e documentos de 
veículos. (Núcleo de Identificação Veicular). 
 
📍 Perícias em Local de Crime – Região Metropolitana do Recife 
Além dos exames laboratoriais, o ICPAS também é responsável pelas 
perícias externas realizadas nas cenas de crime, por meio de grupos especializados: 
 GEPH (Grupo Especializado em Perícias de Homicídios): atua em locais 
de morte violenta, identificando vestígios relacionados à dinâmica e autoria 
dos crimes. 
 DEPP (Divisão Especializada em Perícias Patrimoniais): realiza exames 
técnicos em crimes contra o patrimônio, como arrombamentos, furtos, roubos 
e incêndios. 
 UNICOPLAN (Unidade de Coordenação de Planejamento Pericial): 
responde por ocorrências como suicídios, acidentes de trânsito, quedas e 
outros eventos não classificados. 
 
 
 
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22 
 
 
Figura 16 - Grupos especializados de perícia que atuam na RMR. 
 
 
Figura 17 - Perícias realizadas pelo ICPAS. 
 
 
 
 
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23 
 
2. INSTITUTO DE MEDICINA LEGAL ANTÔNIO PERSIVO CUNHA (IMLAPC) 
 
Com uma longa trajetória institucional, o IMLAPC é 
responsável pelos exames tanatológicos, traumatológicos, 
sexológicos e demais perícias médico-legais. 
Institucionalizado como Instituto em 1924, o IML ocupa 
posição central na interface entre saúde, direito e 
segurança pública. A sede atual foi inaugurada em 1974, 
com a proposta de integrar o conhecimento acadêmico à 
prática forense. Nomeado em homenagem a um de seus 
mais notórios diretores, o IMLAPC também cumpre 
função social essencial, oferecendo suporte técnico-
científico à persecução penal e à garantia de direitos 
fundamentais. 
O que o IMLAPC realiza? 
 
O instituto atua em sete grandes áreas da medicina legal, com profissionais 
especializados e estrutura própria: 
 Perícias Traumatológicas – Avaliação de lesões corporais em vítimas de 
agressão ou acidente. 
 Perícias Necroscópicas – Determinação da causa da morte por meio de 
exames cadavéricos. 
 Perícias Sexológicas – Exames relacionados à suspeita de violência sexual. 
 Perícias Histopatológicas – Análises microscópicas de tecidos para auxiliar 
na elucidação de causas de morte ou doenças. 
 Perícias em Psiquiatria Forense – Avaliação de sanidade mental de 
indivíduos envolvidos em processos judiciais. 
 Perícias Antropológicas – Identificação de ossadas humanas e análise de 
restos mortais. 
 Exumação de Cadáveres – Retirada de restos mortais para exames 
adicionais após sepultamento. 
 
3. INSTITUTO DE GENÉTICA FORENSE EDUARDO CAMPOS (IGFEC) 
 
O Instituto de Genética Forense Eduardo Campos (IGFEC), sediado em 
Recife, é o órgão da Polícia Científica de Pernambuco especializado em exames de 
DNA aplicados à investigação criminal e à identificação humana. Criado para 
modernizar a perícia biológica no estado, o IGFEC atua de forma estratégica na 
elucidação de crimes e na consolidação de bancos genéticos de condenados. 
� Quais serviços o IGFEC oferece? 
 
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24 
 
Figura 19 - Divisão do IGFEC. Figura 18 - Divisão do IGFEC. 
 Perícias em Biologia Forense – Análise de fluidos 
corporais (sangue, saliva, sêmen, entre outros) para 
investigação criminal. 
 Perícias em Genética Forense – 
Processamento e comparação de perfis de DNA. 
 Identificação Humana pelo DNA – 
Reconhecimento de cadáveres, ossadas ou 
vítimas de desastres, por meio de perfil genético. 
 Coleta e Inserção de Perfis Genéticos no 
BPGPE – O IGFEC é responsável por coletar DNA 
de condenados e inseri-los no Banco de Perfis 
Genéticos de Pernambuco (BPGPE), conforme a Lei nº 12.654/2012. 
 Análise de CoincidênciasGenéticas (BPGPE) – Verificação de 
compatibilidade entre vestígios genéticos e perfis armazenados no banco 
estadual. 
🔬 Relevância estratégica 
O IGFEC representa um 
avanço no uso da ciência 
aplicada à justiça, 
contribuindo para a 
elucidação de crimes, 
reconhecimento de vítimas e 
responsabilização de autores 
com base em evidências 
técnicas inquestionáveis. 
📍Destaque nacional 
Com equipamentos de ponta 
e equipe altamente 
capacitada, o IGFEC é 
referência no Nordeste em 
perícias genéticas e na 
integração ao Banco Nacional 
de Perfis Genéticos, 
colaborando com investigações em todo o território brasileiro. 
 
4. UNIDADES REGIONAIS DE POLÍCIA CIENTÍFICA NO INTERIOR DO 
ESTADO (URPOCs) 
 As Unidades Regionais da Polícia Científica (URPOCs) foram 
instituídas com o objetivo de descentralizar os serviços periciais e democratizar o 
acesso à prova técnica em todo o território pernambucano. Implantadas por meio 
da Lei nº 16.278/2017 e organizadas por meio da Portaria nº 1.976/2019, as 
URPOCs estão distribuídas entre as gerências GINTER 1 e GINTER 2, cobrindo 
todas as Áreas Integradas de Segurança (AIS) do Estado. Apesar das variações 
estruturais entre as unidades, as URPOCs cumprem papel essencial na 
 
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25 
 
interiorização das perícias criminais e médico-legais, promovendo mais agilidade, 
cobertura e equidade nos serviços forenses. 
🔎 Serviços Periciais Ativos nas URPOCs 
 As unidades do interior oferecem importantes serviços técnico-periciais, 
incluindo: 
 Perícia de Entorpecentes – identificação de substâncias suspeitas e 
classificação toxicológica; 
 Identificação e Adulteração Veicular – exames de chassi, motor e 
documentos de veículos; 
 Identificação e Eficiência Balística – avaliação preliminar de armas de fogo 
e munições; 
 Perícia em Ocorrências de Trânsito – análise de colisões, frenagens, 
dinâmicas de impacto e condições da via; 
 Perícias em Local de Morte – atuação em locais de crime contra a vida, com 
emissão de laudos preliminares e coleta de vestígios. 
⚠️ Serviços com Necessidade de Implementação 
 Comparação Balística e Sistema Nacional de Perfis Balísticos (SINAB) – 
ainda centralizados na capital; 
 Perícias em Informática – exigem infraestrutura digital e capacitação 
específica; 
 Engenharia Forense – necessária para casos de desabamentos, falhas 
construtivas e acidentes complexos; 
 Psiquiatria Forense – avaliação da imputabilidade penal em crimes 
cometidos no interior. 
💡 Desafio e Oportunidade 
Ampliar a atuação das URPOCs não é apenas um imperativo técnico, mas 
uma ação estratégica que promove o acesso à justiça, fortalece a segurança pública 
e assegura a isonomia entre cidadãos do litoral e do sertão. A expansão da estrutura 
pericial no interior representa um dos pilares para uma Polícia Científica mais 
moderna, descentralizada e resolutiva. 
 
 
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26 
 
 
 
 
 
 
 
Abrangência Territorial das URPOCs em Pernambuco 
Fonte: Lei nº 16.278/2017 e Portaria nº 1.976/2019 – SDS/PE 
URPOC – Unidade 
Regional de Polícia 
Científica 
Município-
Sede 
Região 
Administrativa 
(GINTER) 
Observações 
URPOC Nazaré da Mata 
Nazaré da 
Mata 
GINTER 1 
Atende AIS 11 
e 16 
URPOC Palmares Palmares GINTER 1 
Atende AIS 12 
e 13 
URPOC Caruaru Caruaru GINTER 1 
Atende AIS 14 
e 17 
URPOC Garanhuns Garanhuns GINTER 1 Atende AIS 18 
URPOC Afogados da 
Ingazeira 
Afogados da 
Ingazeira 
GINTER 2 
Atende AIS 20 
e 21 
URPOC Arcoverde Arcoverde GINTER 2 
Atende AIS 15 
e 19 
URPOC Ouricuri Ouricuri GINTER 2 Atende AIS 24 
URPOC Salgueiro Salgueiro GINTER 2 
Atende AIS 22 
e 23 
URPOC Petrolina Petrolina GINTER 2 
Atende AIS 25 
e 26 
 
 
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27 
 
Capítulo III 
 
Avanços Tecnológicos na Perícia Criminal e Caminhos para o Fortalecimento 
da Polícia Científica 
 
1. Diagnóstico Atual da Perícia Criminal de Pernambuco 
 
a. A importância da Perícia Oficial de Natureza Criminal 
A perícia oficial constitui um dos eixos mais sensíveis e indispensáveis à 
persecução penal. Trata-se da atividade técnico-científica exercida por 
servidores de carreira — peritos criminais, médicos-legistas, agentes de 
perícia criminal e agentes de medicina legal — incumbida da produção da 
prova material nos casos em que o crime deixa vestígios, conforme preceitua o 
artigo 158 do Código de Processo Penal. 
 
🔹 Art. 158 do Código de Processo Penal (CPP) 
Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo 
de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado. 
Este artigo estabelece que, sempre que houver vestígios materiais de um 
crime, a realização do exame pericial é obrigatória, mesmo que o autor confesse o 
delito — reforçando a centralidade da perícia como prova objetiva. 
 
🔹 Art. 158-A a 158-F – Cadeia de Custódia (Lei nº 13.964/2019 – Pacote Anticrime) 
Com a reforma introduzida pela Lei nº 13.964/2019, o CPP passou a prever a 
cadeia de custódia, estabelecendo regras formais para garantir a autenticidade dos 
vestígios coletados. 
Art. 158-A. Para os efeitos da persecução penal, considera-se cadeia de custódia 
o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a 
história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para 
rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte. 
Art. 158-B. O vestígio deverá ser reconhecido, documentado, coletado e 
armazenado, de forma que seja possível demonstrar sua integridade e histórico 
de manipulação. 
Art. 158-C. A cadeia de custódia deverá ser observada desde o reconhecimento do 
vestígio até a sua inutilização. 
Art. 158-D. O responsável pela preservação do local de crime deverá providenciar o 
isolamento e acionar a perícia oficial. 
Art. 158-E. Cada transferência de posse ou alteração de estado do vestígio deverá 
ser registrada em formulário próprio. 
 
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28 
 
Art. 158-F. O Instituto de Criminalística ou o órgão pericial equivalente deverá adotar 
procedimentos padronizados para o controle da cadeia de custódia. 
 
🔹 Art. 159 do CPP – Designação e atuação dos peritos 
Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito 
oficial, portador de diploma de curso superior, devidamente nomeado ou 
designado. 
§1º Na falta de perito oficial, o exame será realizado por duas pessoas 
idôneas, portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área 
específica, que prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenhar o 
encargo. 
§5º Os peritos oficiais elaborarão laudo pericial, contendo descrição 
minuciosa do que examinarem e as suas conclusões, sendo-lhes facultado ilustrá-lo 
com fotografias, desenhos ou esquemas. 
§7º Tratando-se de perito oficial, este poderá ser contratado de órgão 
técnico ou científico devidamente credenciado, nos casos e condições 
estabelecidos em lei. 
 
🔹 Art. 160 do CPP – Assistência técnica 
Art. 160. Os peritos, ainda que oficiais, poderão ser assistidos por técnicos 
indicados pelas partes, que poderão apresentar pareceres que serão anexados aos 
autos do processo. 
 
Esses dispositivos estabelecem o fundamento legal da perícia oficial, a 
exigência de formação técnica, a responsabilidade pela cadeia de custódia, e o 
reconhecimento da autonomia funcional dos peritos — ainda que em moldes que 
demandam consolidação institucional mais robusta. 
A Polícia Científica, por meio de seus institutos e laboratórios, representa a 
materialização da ciência em favor da justiça, sendo responsável por análises e 
exames que vão desde a constatação de elementos balísticos até a identificação 
genética, passando por exames toxicológicos, papiloscópicos, documentoscópicos, 
digitais, laboratoriais e necroscópicos. Dessa forma, a prova pericial é instrumentode verdade e garantia de direitos fundamentais, contribuindo decisivamente para a 
resolução de crimes e a proteção da sociedade. 
 
1.2. Capacidade Operacional e Volume de Trabalho da Perícia Oficial em 
Pernambuco 
A Perícia Oficial de Natureza Criminal tem desempenhado um papel 
estratégico no fortalecimento da segurança pública e na qualificação da justiça penal 
em Pernambuco. Dados recentes demonstram uma evolução significativa da 
demanda e da atuação técnico-científica da Polícia Científica no Estado. 
 
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29 
 
Em 2024, foram registradas 115.559 solicitações de perícias oficiais, das 
quais: 
 60.972 corresponderam à perícia criminal; 
 54.587 à medicina legal. 
Esse número representa um crescimento de 78% em relação a 2020, o que 
reflete a ampliação do acesso à prova técnica, o avanço das investigações e a 
crescente valorização institucional do trabalho pericial. 
A nomeação de novos profissionais em 2018 teve impacto direto sobre os índices 
operacionais. Entre os efeitos observados, destacam-se: 
 Um aumento de 40% nas requisições periciais atendidas; 
 Uma elevação aproximada de 20% na taxa de resolução de homicídios, 
demonstrando que o reforço de recursos humanos contribui de forma direta 
para a eficiência investigativa e a efetividade da justiça criminal. 
Por outro lado, a evolução quantitativa da demanda impõe desafios contínuos no 
que diz respeito à ampliação de estruturas físicas, à modernização tecnológica e à 
distribuição regional de especialidades. Em contextos de crescimento, é natural que 
se observem: 
 Picos de laudos pendentes em algumas unidades; 
 Maior exigência sobre as equipes em atividade; 
 Necessidade de expansão das especialidades periciais para o interior do 
Estado. 
Esses pontos evidenciam que os investimentos em infraestrutura, pessoal e 
tecnologia pericial mantêm uma relação direta com a capacidade de resposta 
do sistema de justiça. À medida que a perícia oficial é fortalecida, torna-se possível 
produzir provas com mais agilidade, confiabilidade e alcance territorial, o que 
beneficia tanto a investigação quanto a prestação jurisdicional. 
Investir na prova técnica é, portanto, fortalecer a ciência a serviço da justiça 
— com resultados mensuráveis, sustentáveis e socialmente relevantes. 
Crescimento da Demanda Pericial em Pernambuco (2020–2024) 
 
Ano 
Perícias 
Criminais 
Médico-
Legais 
Total 
2016 30.332 19.505 49.837 
2017 30.880 35.585 66.465 
2018 43.452 50.184 93.636 
2019 44.992 52.979 97.971 
 
 Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 
 
30 
 
2020 42.690 43.538 86.228 
2021 45.100 42.800 87.900 
2022 55.279 49.206 104.485 
2023 62.552 53.989 116.541 
2024 60.972 54.587 115.559 
 
Fonte: Sistema ClickView / Polícia Científica de Pernambuco (2024) 
 
 
Fonte: Sistema ClickView / Polícia Científica de Pernambuco (2024) 
Esse crescimento contínuo do volume de perícias realizadas revela, além do 
fortalecimento operacional, a existência de uma demanda historicamente 
reprimida que o Estado passou a absorver com mais eficiência a partir da 
nomeação de novos servidores e da reestruturação das unidades técnicas. Os 
números indicam que, quanto maior o investimento na perícia oficial — em 
recursos humanos, estrutura e tecnologia —, maior é a capacidade de resposta 
do sistema pericial, com ampliação do acesso, aumento da resolutividade e 
redução de gargalos históricos. Isso comprova que a valorização institucional da 
prova técnico-científica se traduz diretamente em benefício para a justiça e para a 
sociedade. 
 
2. Desafios Estruturais, Funcionais e Institucionais da Perícia Criminal em 
Pernambuco 
2.1. Força de Trabalho e a Valorização dos Servidores da Polícia Científica 
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024
Total 49.83766.46593.63697.97186.22887.900104.48116.54115.55
0 
20.000 
40.000 
60.000 
80.000 
100.000 
120.000 
140.000 
Total de Perícias 
Realizadas no Estado de PE 
x anos 
Total Linear (Total)
 
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31 
 
A atuação da Polícia Científica de Pernambuco tem sido marcada por um 
crescimento significativo nos últimos anos, tanto em sua capilaridade quanto na 
complexidade das demandas recebidas. Esse avanço foi impulsionado pelo 
comprometimento técnico dos servidores que compõem a carreira pericial — peritos 
criminais, médicos-legistas, agentes de perícia criminal e agentes de medicina legal 
— profissionais que, com dedicação, vêm sustentando uma estrutura essencial ao 
funcionamento do sistema de justiça. 
Graças aos avanços conquistados nos últimos anos, a Polícia Científica de 
Pernambuco vem ampliando sua atuação em todo o território estadual. A 
interiorização das Unidades Regionais e os concursos públicos autorizados 
demonstram o compromisso do governo com a expansão e qualificação dos serviços 
periciais. Esse processo de fortalecimento abre novas possibilidades para consolidar 
a presença pericial em áreas estratégicas, garantindo maior capilaridade, 
especialização e agilidade na resposta técnico-científica à sociedade 
pernambucana. 
A entrada de novos profissionais permitirá: 
 Ampliar a presença territorial da perícia oficial, descentralizando 
atendimentos; 
 Reduzir os intervalos entre a ocorrência e o exame técnico, 
especialmente em crimes complexos; 
 Distribuir de forma mais equitativa as especialidades, garantindo que 
todas as regiões possam contar com serviços especializados; 
 Consolidar uma política de valorização das carreiras periciais, 
reconhecendo seu papel técnico, científico e de Estado. 
Nesse contexto, o fortalecimento do efetivo pericial não é apenas uma resposta 
operacional, mas uma valorização concreta da ciência forense como 
instrumento de justiça e cidadania. O Estado que investe na perícia fortalece sua 
capacidade de responder com precisão, independência e agilidade às demandas 
sociais por verdade, responsabilização e proteção dos direitos fundamentais. 
 
2.2. Avanços Estruturais e Perspectivas de Modernização Tecnológica 
A estrutura da Polícia Científica de Pernambuco tem evoluído de forma 
significativa nos últimos anos, com destaque para investimentos estratégicos que 
representam marcos importantes no fortalecimento da infraestrutura pericial. 
A entrega do novo Complexo da Polícia Científica em Caruaru, bem como 
o projeto em curso para a cidade de Salgueiro, simbolizam esse novo ciclo de 
expansão e qualificação das estruturas regionais. Esses equipamentos modernos 
representam não apenas a ampliação física dos serviços, mas a materialização de 
um novo padrão de atuação técnico-científica no interior do Estado. 
Além disso, Pernambuco conta hoje com laboratórios de referência 
nacional, como o Instituto de Genética Forense Eduardo Campos (IGFEC) e o 
UNILAB/PE, que consolidam o Estado como polo de excelência em perícias de alta 
complexidade, como DNA, toxicologia e análises laboratoriais avançadas. 
 
 Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 
 
32 
 
 
Figura 20 - Equipe da GGPOC na finalização e entrega do Complexo de Polícia Científica de 
Caruaru. 
 
 
Figura 21 - Complexo de Polícia Científica Palmares. 
 
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33 
 
 
Figura 22 - Inauguração (novo prédio) Instituto de Genética Forense Eduardo 
Campos. 
 
 
Figura 23 - Peritas criminais trabalhando na Unidade de Laboratório Forense 
(UNILAB), prédio recém- reformado..
 
 
2.3. Implantação de uma Cadeia de Custódia Robusta e Integrada 
A adequada preservação, transporte e documentação dos vestígios materiais 
é uma etapa essencial na produção da prova pericial, sendo condição indispensável 
para garantir sua validade jurídica e científica. Ciente dessa importância, o Estado 
de Pernambuco vem avançando na construção de uma cadeia de custódia moderna, 
padronizada e tecnicamente segura. 
 
 Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE34 
 
Como marco inicial desse processo, foi instituída, por meio de portaria da 
Secretaria de Defesa Social (SDS), uma normativa estadual que estabelece 
diretrizes para a cadeia de custódia, válida para todas as operativas da segurança 
pública. O objetivo é alinhar procedimentos entre Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia 
Científica e Corpo de Bombeiros, promovendo uniformidade e rastreabilidade em 
todos os fluxos de vestígios. 
Essa iniciativa será abordada em maior profundidade durante aula específica 
deste curso de formação, voltada à capacitação técnica dos servidores que 
atuarão na preservação, coleta, transporte e custódia de materiais probatórios. 
Além disso, Pernambuco vem se estruturando institucionalmente para 
consolidar essa política pública. O Estado recebe recursos do Fundo Nacional da 
Segurança Pública (via SENASP) para a implantação da Gerência da Cadeia de 
Custódia, órgão técnico que atualmente está sediado no antigo prédio do IGFEC, 
no bairro de Prazeres, funcionando como núcleo estratégico para a implementação 
progressiva de um sistema estadual de controle de vestígios. 
Essas ações representam uma oportunidade concreta de qualificação da 
prova técnica e valorização do trabalho pericial, com impactos diretos na 
credibilidade dos processos investigativos e judiciais. 
 
📑 Você sabia??? 
A cadeia de custódia é o conjunto de todos os procedimentos utilizados 
para manter e documentar a história cronológica do vestígio, desde a sua coleta 
até o descarte. 
 
 Conforme o artigo 158-B do Código de Processo Penal, ela garante a 
integridade, autenticidade e rastreabilidade da prova material, assegurando que 
os vestígios analisados em laboratório sejam os mesmos encontrados na cena 
do crime. 
Sua correta aplicação evita contaminações, perdas de material e nulidades 
processuais. 
Cadeia de Custódia e a Jurisprudência do STJ 
A cadeia de custódia, regulamentada pela Lei 13.964/2019 (Pacote Anticrime), é essencial para 
garantir a integridade e autenticidade das provas no processo penal. O STJ tem reforçado a necessidade de 
observância rigorosa desse procedimento, especialmente em relação às provas digitais. 
Em decisão de fevereiro de 2023, a Quinta Turma do STJ considerou inadmissíveis provas digitais 
obtidas sem registro documental dos procedimentos adotados pela polícia para assegurar sua integridade e 
confiabilidade. O ministro Ribeiro Dantas destacou que a ausência de documentação sobre a coleta e 
preservação dos equipamentos compromete a confiabilidade das provas, acarretando a quebra da cadeia de 
custódia e sua inadmissibilidade no processo penal. Fonte: 
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2023/23042023-A-cadeia-de-custodia-no-
processo-penal-do-Pacote-Anticrime-a-jurisprudencia-do-STJ.aspx 
 
 
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35 
 
 
2.4. Autonomia Institucional como Pilar da Justiça e dos Direitos 
Fundamentais 
A autonomia técnico-científica da perícia oficial de natureza criminal é 
condição essencial para que a atuação pericial se dê de forma isenta, 
qualificada e imparcial. Trata-se de um requisito fundamental para a efetividade da 
persecução penal, da investigação criminal e da produção da prova material em 
conformidade com os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. 
A Lei Federal nº 12.030/2009, marco normativo da perícia oficial no Brasil, 
reconhece e assegura essa autonomia, ao definir que os peritos oficiais exercem 
funções essenciais à justiça, com independência técnica em relação às demais 
estruturas de investigação. Essa norma, ao consolidar a perícia como função de 
Estado, fortalece a confiabilidade das evidências, protege direitos humanos e 
contribui para que o processo penal esteja amparado em critérios objetivos e 
científicos. 
Ainda assim, a ausência de uma estrutura jurídica e administrativa própria 
para a Polícia Científica nos Estados, com orçamento e gestão independentes, 
compromete a consolidação plena dessa autonomia. Em muitos casos, a vinculação 
hierárquica e orçamentária à estrutura da segurança pública pode interferir, mesmo 
que indiretamente, na independência da atuação técnico-científica. 
Avançar na regulamentação plena da autonomia da perícia é um passo 
estratégico para modernizar o sistema de justiça, elevar a qualidade da prova 
técnica e proteger a imparcialidade da investigação criminal. 
A autonomia plena da perícia é instrumento essencial da justiça técnica. Sem 
ela, corre-se o risco de que a ciência seja subordinada à conveniência investigativa. 
 
📑 Você sabia??? 
 
 A Lei Federal nº 12.030/2009 foi sancionada com o objetivo de 
regulamentar a atividade dos peritos oficiais de natureza criminal no 
Brasil. Sua criação resultou de um longo processo de mobilização das 
categorias periciais, entidades científicas e operadores do direito, que 
alertavam para a necessidade de garantir independência técnica à 
perícia criminal, distinta das estruturas de polícia investigativa. 
A motivação central foi assegurar que a prova pericial fosse tratada 
como elemento de verdade objetiva, e não de reforço acusatório, 
garantindo equilíbrio entre as partes no processo penal. A lei entrou em 
vigor em setembro de 2009 e define que os peritos oficiais são 
servidores públicos de carreira, com autonomia técnico-científica 
assegurada por lei federal, estabelecendo um novo patamar de 
proteção institucional para essa atividade essencial à justiça. 
 
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36 
 
 
Figura 24 - Autonomia da Polícia Científica no Brasil. 
 
A consolidação da Polícia Científica como instituição autônoma é uma pauta 
estratégica para o fortalecimento da justiça criminal no Brasil. Embora a atuação dos 
peritos oficiais esteja prevista em normas infraconstitucionais, ainda falta uma 
previsão explícita na Constituição Federal que garanta a autonomia plena das 
estruturas periciais estaduais. 
A independência técnico-científica da perícia é fundamental para assegurar a 
imparcialidade na produção da prova pericial, principalmente em casos que 
envolvem agentes públicos como suspeitos. A vinculação institucional da perícia a 
estruturas policiais investigativas pode comprometer a isenção exigida por 
organismos internacionais de direitos humanos. 
Em 76% das unidades da federação, os órgãos periciais estão vinculados às 
Secretarias de Segurança Pública ou diretamente ao Poder Executivo. Em apenas 
24%, a vinculação é à Polícia Civil, sem garantia efetiva de autonomia funcional ou 
orçamentária. Essa disparidade estrutural compromete a padronização dos serviços 
periciais e a uniformidade de sua atuação. 
 
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Figura 25 - Vinculação administrativa da Polícia Científica no Brasil. 
 
3. Caminhos para a Modernização da Polícia Científica: Perspectivas 
Nacionais e Internacionais 
A Polícia Científica brasileira — e, em especial, a de Pernambuco — vem se 
consolidando como um importante vetor de produção de conhecimento técnico-
científico voltado à justiça criminal. Embora, por vezes, o imaginário coletivo associe 
o trabalho pericial a modelos estrangeiros idealizados por filmes e séries de ficção, a 
realidade nacional é marcada por experiências concretas, avanços expressivos e 
grande capacidade de inovação. 
Ao contrário do estigma de “cópia de modelos americanos”, a perícia oficial 
brasileira desenvolveu metodologias próprias, adaptadas à realidade institucional, 
social e territorial do país. Várias dessas práticas, inclusive, são objeto de 
publicações científicas, reconhecimento acadêmico e cooperações técnicas com 
organismos internacionais. 
Por isso, modernizar a Polícia Científica não significa imitá-la segundo 
estereótipos midiáticos, mas sim colocá-la no mesmo patamar de exigência, 
qualificação e autonomia das melhores instituições forenses do mundo, 
respeitando as características locais.3.1. Oportunidade de Transformação Nacional com Padrão Internacional 
A partir do diagnóstico nacional, a colocação de medidas estruturantes que, 
se implementadas, poderão alinhar a atuação da Polícia Científica Nacional com 
parâmetros internacionais, como: 
 Autonomia plena, conforme defendido pela Corte Interamericana de Direitos 
Humanos (caso Nova Brasília) e pela Resolução CNDH nº 15/2024; 
 Cadeia de custódia estruturada, conforme prevê a Lei nº 13.964/2019, com 
controle documental, físico e digital dos vestígios; 
 
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38 
 
 Sistema Integrado de Gestão Pericial, com informatização total dos fluxos 
de laudos, requisições, estatísticas e cadeia de custódia; 
 Unidades laboratoriais de alta complexidade, a exemplo do IGFEC (PE), 
do Instituto de Criminalística de São Paulo e dos Laboratórios Centrais do 
Paraná e de Minas Gerais; 
 Capacitação permanente por meio de Escolas de Perícia, como ocorre em 
instituições da Espanha, Portugal e Chile. 
 
3.2. A Perícia Brasileira é Produção Científica Nacional 
O Brasil possui produção científica forense de alta qualidade, com 
contribuições relevantes nas áreas de: 
 Genética forense e bancos de perfis de DNA; 
 Engenharia legal e análises estruturais de desastres; 
 Balística comparativa (SINAB); 
 Toxicologia e química forense (criação de banco); 
 Informática e perícias em crimes cibernéticos (criação de banco). 
Instituições como a Polícia Federal, institutos de criminalística estaduais, 
universidades públicas e associações científicas da área são protagonistas na 
produção e difusão de conhecimento forense genuinamente brasileiro. 
 
3.3. Modernizar é valorizar o que é nosso 
É equivocado pensar a modernização da perícia como uma "americanização" do 
modelo. O que se busca é: 
 Melhoria contínua das estruturas físicas e tecnológicas; 
 Gestão moderna e autônoma, com planejamento estratégico e avaliação de 
desempenho; 
 Intercâmbio técnico internacional, preservando a identidade institucional 
local; 
 Condições dignas de trabalho, valorização salarial e reconhecimento 
público do papel pericial. 
Modernizar é, acima de tudo, fortalecer uma atividade científica, imparcial e 
essencial à democracia, cujo valor precisa ser compreendido pela sociedade, 
sustentado por políticas públicas e protegido por arcabouços legais sólidos. 
 
📘 Box informativo: 
O que não é a perícia oficial brasileira 
 Não é subordinada à polícia investigativa; 
 Não é “cenográfica” ou restrita a tecnologias americanas; 
 
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 Não é produto de ficção, mas de ciência aplicada com método, ética e 
responsabilidade. 
O que ela é: 
 Uma função essencial à justiça, prevista em lei; 
 Uma atividade baseada em evidências, que exige formação contínua; 
 Um instrumento de proteção aos direitos humanos e à verdade dos fatos. 
 
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4. Normas, Recomendações e Leis Relacionadas à Perícia Oficial no Brasil 
4.1 Diretrizes Estaduais para a Cadeia de Custódia: A Portaria Conjunta SDS 
nº 205/2024 
No âmbito estadual, a Portaria Conjunta SDS n.º 205/2024, republicada em 
30 de outubro de 2024, estabeleceu diretrizes integradas para o gerenciamento da 
cadeia de custódia entre todos os órgãos operativos da segurança pública de 
Pernambuco. Esta iniciativa representa um passo importante para a padronização e 
rastreabilidade da prova material, promovendo maior segurança jurídica e eficiência 
investigativa. 
4.2 Padronização das Atividades Técnicas no Local de Crime: Provimento 
Correcional nº 12/2019 – SDS/PE 
 O Provimento Correcional nº 12/2019, publicado pela Corregedoria Geral da 
Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, estabelece orientações operacionais e 
correcionais para todos os servidores das equipes técnicas que atuam em locais de 
crime. A norma reforça a importância da atuação técnica conforme os princípios da 
legalidade, preservação da cadeia de custódia, elaboração de laudos e cooperação 
entre as operativas de segurança. A medida visa fortalecer a qualidade da prova 
pericial, a integridade dos vestígios e a eficiência investigativa, por meio da 
uniformização de procedimentos e da valorização da atuação técnico-científica no 
sistema de justiça criminal. 
4.3 Procedimento Padrão de Identificação de Cadáveres: Aplicação da Pulseira 
e Boletim de Identificação 
 A Portaria SDS-SES nº 001/2010, com seus anexos operacionais, institui um 
Procedimento Operacional Padrão (POP) voltado à identificação de cadáveres em 
mortes de interesse policial, com foco na rastreabilidade, integridade e transparência 
da cadeia de custódia da vítima fatal. O processo envolve a aplicação da Pulseira de 
Identificação do Cadáver (PIC) e o preenchimento do Boletim de Identificação do 
Cadáver (BIC), documentos essenciais para o controle do fluxo de informação e o 
cruzamento de dados entre os órgãos de segurança pública. 
A medida padroniza a atuação de peritos criminais, policiais civis, policiais 
militares e servidores do IML, atribuindo responsabilidades específicas em locais de 
crime, unidades hospitalares e necrotérios. O sistema também define o 
arquivamento e uso das vias do BIC e integra as etapas periciais à produção do 
laudo tanatoscópico, fortalecendo a confiabilidade do processo. 
4.4 Procedimentos Periciais em Acidentes de Trânsito: Normatização na RMR 
A Portaria SDS nº 2486, de 27 de maio de 2021, disciplina os procedimentos 
adotados pelas equipes operativas da Secretaria de Defesa Social (SDS) nas 
ocorrências de acidentes de trânsito com vítimas ou envolvendo viaturas 
oficiais na Região Metropolitana do Recife. A norma estabelece fluxos padronizados 
para acionamento, documentação e execução da perícia criminal de trânsito, 
com ênfase na atuação do Instituto de Criminalística Professor Armando Samico 
(ICPAS). 
Entre os pontos centrais da portaria estão: a requisição formal da perícia 
por meio da Plataforma SEI, a integração entre o CIODS e a Polícia Civil para 
 
 Rua Tabira, 160 – Boa Vista – Recife – PE 
 
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registro no sistema Net DISPATCHER, o dever de isolamento da cena do acidente e 
o encaminhamento dos laudos periciais à circunscrição policial competente. A 
medida busca qualificar o atendimento investigativo, garantir a produção da prova 
técnica e oferecer segurança jurídica nos processos relacionados a delitos de 
trânsito. 
4.5 Encaminhamento de Corpos ao IML e Emissão de Declaração de Óbito em 
Pernambuco 
A Portaria Conjunta SDS/SES nº 001, de 24 de março de 2020, estabelece 
critérios para o encaminhamento de pessoas falecidas ao Instituto de Medicina Legal 
(IML) e define as diretrizes para emissão da Declaração de Óbito em Pernambuco. A 
norma distingue claramente os procedimentos a serem adotados nos casos de 
mortes por causas naturais e externas (não naturais), visando assegurar maior 
segurança jurídica, rastreabilidade das informações e integração entre as esferas de 
saúde e segurança pública. 
Nos óbitos decorrentes de causas externas — como acidentes, 
enforcamentos, intoxicações ou mortes suspeitas — o IML é o órgão responsável 
pelo exame Tanatoscópico e pela emissão da Declaração de Óbito. Já nos casos 
naturais com causa definida e assistência médica, o documento pode ser emitido 
pelo médico assistente. A medida também introduz rotinas como o uso do Boletim 
de Identificação do Cadáver (BIC) e a obrigatoriedade do fluxo via CIODS, 
padronizando o atendimento e evitando lacunas na cadeia de custódia. Essa 
normatização representa um avanço técnico, ético e administrativo para a perícia 
oficial de natureza criminal no Estado. 
4.6 A Resolução nº 15/2024 do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) 
Publicada em 7 de junho de 2023, a Resolução CNDH nº 15/2024 representa 
um marco normativo importante ao estabelecer diretrizes para a autonomia técnica, 
científica, administrativa

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