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AULA 5 A ficção moderna

Unidade sobre A ficção moderna e o modernismo literário: contextualiza vanguardas, diferencia moderno, modernidade e modernismo literário, apresenta autores como Joyce, Proust, Woolf, Eliot e Kafka mais Oswald, Mário e Manuel; analisa inovações narrativas e sugere atividade.

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A ficção moderna e o modernismo 
literário
Apresentação
Entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do século XX, o mundo passava por grandes e 
importantes transformações no campo social, cultural, político e econômico, responsáveis por uma 
verdadeira revolução nas formas de se perceber o mundo e a realidade.
Essa mesma lógica transformadora fez surgir, na arte e na literatura, inúmeros movimentos de 
vanguarda, responsáveis por reconceituar a produção artístico-literária e, em certa medida, até 
mesmo refutar o passado. Noções como a velocidade, a industrialização, as inovações tecnológicas 
e a política capitalista, bem como a noção de tempo singular e o individualismo foram incorporadas 
no imaginário artístico, modificando de uma vez por todas a produção do período, que passou a ser 
chamado de modernista.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai interpretar os diferentes termos usados para se referir 
ao período modernista, bem como conhecer os principais autores e as obras mais famosas dessa 
fase. Além disso, também será apresentado às inovações e à estética de uma narrativa modernista.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Diferenciar “moderno” e “modernidade” do que se constituiu como “modernismo literário”.•
Definir autores modernistas de destaque e as principais características de suas obras.•
Identificar as inovações de uma narrativa modernista.•
Desafio
Sabe-se que o Modernismo foi um período significativo e impactante para os rumos da literatura e 
da arte. Essa estética singular, que foi se disseminando por muitos cantos do mundo, adquiriu 
caráter individual e local, mesmo que tenha se baseado em princípios e vanguardas comuns e 
universais.
Acompanhe o estudo de uma turma do Ensino Médio sobre o Modernismo no Brasil.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/7c103d6d-7a61-4e72-b688-ba2be1ed938e/f60741ff-bc39-4080-979f-0c67c4bbb457.png
Como professor da turma, que tipo de atividade você poderia propor para mostrar que moderno, 
modernismo e modernidade não são sinônimos, fugindo de uma simples explicação expositiva e de 
modo que os alunos compreendam a diferença entre os termos?
Infográfico
Muitos foram os autores que se basearam nas vanguardas europeias para produzir suas obras. Na 
literatura estrangeira e também na brasileira, grandes nomes foram responsáveis por obras 
marcantes e ainda estudadas e lidas atualmente devido à sua complexidade e inovação para a 
época.
É o caso de nomes famosos como os de James Joyce, Marcel Proust, Virginia Woolf, T. S. Eliot, 
Franz Kafka e Vladimir Maiakovski, fora do Brasil, e dos nativos Oswald de Andrade, Mário de 
Andrade e Manuel Bandeira, que produziram tanto em prosa quanto em poesia e construíram 
textos memoráveis e esteticamente revolucionários.
Confira, no Infográfico, algumas das principais correntes brasileiras criadas por meio dos 
Manifestos, que se inspiraram nas vanguardas europeias e reconfiguraram a literatura nacional, 
servindo de base estética para muitas produções nacionais na época.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/03304af3-2acf-47aa-9107-73065b512254/35e3aa2b-b934-4cb2-9708-e197fdc49c1a.png
Conteúdo do livro
Sem dúvida, o Modernismo transformou o cenário literário e artístico no mundo inteiro ao propor 
novas configurações para as estéticas existentes e a criação de outras que, até então, eram 
inimagináveis na sociedade conservadora anterior à virada do século.
As vanguardas eurpoeias, movimentos transformadores que deram origem ao Modernismo e que, 
em seguida, se espalharam por todo o mundo, foram a semente que fez brotar a utopia de uma arte 
mais livre, mais popular e mais ideológica e individualizada. Foram essas mesmas vanguardas que 
promoveram o boom modernista, inspirando grandes nomes da literatura nas mais diversas formas 
(principalmente na prosa, na poesia e na prosa poética).
No capítulo A ficção moderna e o modernismo literário, da obra Estudos de Literatura - Análise da 
narrativa em suas diversas manifestações, você vai conhecer a diferença entre modernidade, 
modernismo e moderno, bem como os principais escritores e poetas do Modernismo expoentes no 
século XX e analisar narrativas de caráter modernista para entender suas singularidades e 
propostas estéticas.
Boa leitura.
ESTUDOS DE 
LITERATURA - 
ANÁLISE DA 
NARRATIVA EM SUAS 
DIVERSAS 
MANIFESTAÇÕES
Geisson Homrich
A ficção moderna e o 
modernismo literário
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Diferenciar “moderno” e “modernidade” do que se constituiu como
“modernismo literário”.
 Definir autores modernistas de destaque e as principais características
de suas obras.
 Identificar as inovações de uma narrativa modernista.
Introdução
As profundas e transformadoras mudanças ocorridas no mundo no início 
do século XX colocaram em questão uma infinidade de inovações — 
sociais, econômicas, políticas, culturais — que modificaram para sempre 
as formas de vida no mundo, com a produção industrial e tecnocientífica 
tomando cada vez mais força e centralidade. 
A arte e a literatura, sempre atentas a essas mudanças, também aca-
baram passando por uma importante reconceituação. A era moderna 
imprimia na sociedade um ritmo acelerado, um tempo singular, uma 
cultura pautada no individualismo e no questionamento dos padrões 
sociais, e tudo isso acabou por influenciar e incorporar na produção 
artística e literária diversas inovações.
Neste capítulo, você vai aprender a distinguir o moderno e a moder-
nidade no campo da arte e da literatura, além de identificar quais foram 
os autores modernistas de maior destaque no início do século XX. Por 
fim, também aprenderá a identificar as inovações modernistas trazidas 
à literatura e, principalmente, ao texto narrativo da época.
1 Modernismo, moderno, modernidade: 
concepções e encontros na literatura
Com as profundas transformações econômicas, sociais e políticas ocorridas 
na virada do século XX, a euforia tomou conta da Europa e instaurou-se 
uma ideia generalizada de que o advento tecnológico fosse reconfi gurar e 
transformar profundamente as relações sociais e de trabalho. Inovações como 
a luz elétrica, as fábricas e os automóveis começaram a se popularizar nas 
grandes cidades, resultando na criação de invenções cada vez mais curiosas 
e inovadoras, que marcaram a humanidade e inauguraram uma nova fase em 
sua história artístico-literária: o modernismo. 
Esse pensamento “moderno” se dava de forma universal, marcada pelo 
início da urbanização, pelo progresso industrial e pela estabilidade econômica 
que, juntos, serviram de cenário para uma nova estrutura sociocultural (primei-
ramente europeia, mas que foi irradiando para todos os outros espaços). Essa 
nova geração de invenções passou a questionar substancialmente a persistência 
dos valores clássicos conservadores que pareciam não se encaixar nessa nova 
sociedade moderna, pois de certa forma limitavam as relações sociais. Nas 
artes, essa modernidade generalizada fez surgir contestações e manifestos 
(publicações) incitando o desprezo aos padrões estéticos da cultura tradicional 
e buscando uma estética cultural renovada e livre. 
Foi nesse contexto que surgiram inúmeros manifestos modernistas, ou 
seja, manifestações públicas (geralmente ligadas à imprensa e à arte) que 
incitavam movimentos de vanguarda, termo originado do francês avant-
-garde — expressão originalmente militar, usada como nomenclatura para 
o pelotão de frente, uma metáfora da dimensão combativa e audaciosa dos 
artistas modernistas que buscavam romper com a estética realista e parnasiana 
dominante (que, então, passou a ser vista como conservadora e limitante). 
Essesmovimentos vanguardistas traziam à cena artística novos jeitos de se 
pensar, fazer e contemplar a arte e a literatura. 
Cabe analisar, então, que modernidade, moderno e modernismo são 
conceitos correlacionados, mas que possuem significados diferentes, que 
podem abranger, em maior ou menor grau, uma visão mais universal ou mais 
situada (Figura 1).
A ficção moderna e o modernismo literário2
Figura 1. Diferenças de significado entre os termos modernidade, moderno e modernista.
De forma geral, percebe-se que a modernidade engloba o moderno (pois este 
é transitório, representando as inovações momentâneas que são situadas em 
determinada época) e que este último, por sua vez, deu origem ao movimento 
modernista (que, dentro do que se considerava “moderno” no início do século 
XX, propôs uma nova concepção artística). 
As vanguardas europeias que surgiram nesse contexto eram difundidas 
principalmente por meio de manifestos, panfletos e exposições. Cada qual 
com suas particularidades, buscavam combater a tradição clássica realista e 
tentavam propor uma expressão mais livre e subjetiva para as artes, a música 
e a literatura. Geraram inúmeras polêmicas entre a crítica e, desse modo, 
captaram a atenção do público da época. Embora haja registros de mais de 
20 diferentes vanguardas, as mais difundidas e conhecidas — que acabaram 
influenciando o pensamento literário além dos limites da Europa — foram o 
futurismo, o cubismo, o expressionismo, o dadaísmo e o surrealismo.
  Futurismo: primeiro movimento de vanguarda, liderado pelo italiano 
Filippo Tommaso Marinetti, com o objetivo de chocar o público e 
incitar outros artistas a romper com a tradição oitocentista. Enfatizava 
a radicalidade e a destruição do passado, a negação de todo o saber 
3A ficção moderna e o modernismo literário
constituído. O grupo de artistas futuristas entendia que a arte modernista 
deveria ser baseada pelo ferro e pelo aço, símbolos do futuro (clara 
alusão à industrialização acelerada), pela velocidade e pela invenção, 
pela coloquialidade e pelo verso livre. A poesia futurista destacou o 
uso de onomatopeias e frases soltas e fragmentadas. Por sua linguagem 
bélica e nacionalista, o futurismo foi incorporado, mais tarde, aos ideais 
fascistas e nazistas, e, por isso, perdeu força e representação.
  Cubismo: iniciado a partir do quadro Les Demoiselles d’Avignon, de 
Pablo Picasso, o cubismo fazia uso de formas geométricas e disformes 
nas suas obras e a quebra da linearidade. A fragmentação e a sobre-
posição desconexa de temas era algo marcante, além de uma técnica 
de montagem e desmontagem que produzia diferentes perspectivas 
sobre um mesmo objeto. Destacava a instabilidade como característica 
intrínseca do tempo moderno. A poesia cubista trabalhava com sobre-
posição de temas e frases que pareciam sem conexão, privilegiando o 
exercício mental de quebra da progressão linear do discurso linguístico 
e os neologismos.
  Expressionismo: com seu maior símbolo marcado pela obra O grito, 
do norueguês Edvard Munch, o expressionismo transmitia o sentimento 
de desencanto e perplexidade que marcou o mundo após a Grande 
Depressão. O desespero como técnica de representação artística foi 
recuperado pelos expressionistas, que tinham como proposta modernista 
a deformação da realidade moderna da época, salientando seus aspectos 
mais obscuros e chocantes. Na literatura, o expressionismo foi marcado 
por temas sombrios ou trágico-patéticos, com o emprego de adjetivação 
e metaforização em abundância, bem como representações do abstrato 
e do subjetivo na linguagem.
  Dadaísmo: sob a liderança do poeta romeno e radicado na França 
Tristan Tzara, os dadaístas propuseram o mais radical dos movimentos 
de vanguarda, negando de forma extremamente radical todos os valores 
artísticos e culturais, de forma extravagante e ilógica, com o intuito 
claro de chocar e causar a perplexidade do público. Para o movimento 
dadaísta, olhar para o passado ou para o futuro era irrelevante: essa 
vanguarda estava atrelada ao aqui e ao agora, um presente vazio sob 
o qual tentava emitir novos significados (que chamava de “antiarte”). 
  Surrealismo: última vanguarda a surgir na Europa, já nos anos 1920, 
o surrealismo foi resultante de uma ruptura do poeta francês André 
Breton com o movimento dadaísta, e se baseava na ligação da arte com 
a psicanálise e o (in/sub)consciente. Negava com veemência a lógica 
A ficção moderna e o modernismo literário4
e a realidade, bem como a racionalidade. Baseados pelos preceitos de 
Freud, os surrealistas trabalhavam com temáticas da psique, como os 
desejos e as memórias, os sonhos e fantasias, explorando os limites 
do real e de como a mente humana projeta a realidade. Defendiam o 
desregramento, a naturalização da loucura e da sexualidade, a anulação 
das fronteiras entre o objetivo e o subjetivo. Exploraram a hipnose e o 
esoterismo, sistematizando aspectos ideológicos e estéticos do surreal.
Você pode consultar algumas produções cinematográficas que abordam de forma 
direta a temática das vanguardas europeias, ou elementos que contribuíram para 
seu imaginário:
  Os amores de Picasso, filme norte-americano de 1996, dirigido por James Ivory. A 
história é contada do ponto de vista de Francoise Gilot, amante de Picasso por 10 
anos e com quem o artista plástico teve dois filhos.
  Freud além da alma, produção norte-americana de 1962, dirigido por John Houston, 
relata fatos importantes da vida profissional do psicanalista, quando a maioria dos 
colegas de Freud recusava-se a curar pacientes histéricos, por acreditar que os 
sintomas eram apenas encenações.
  Quando Nietzsche chorou, filme norte-americano de 2007, dirigido por Pinchas 
Perry, conta a história de um encontro fictício entre o filósofo Friedrich Nietzsche 
e o médico Josef Breuer, professor de Sigmund Freud. Baseado no livro homônimo 
de Irvin Yalom, publicado em 1992.
Como é possível perceber, o principal intuito dos movimentos artísticos de 
vanguarda era a ressignificação da arte e da literatura, em suas bases, refu-
tando, transformando ou reconfigurando valores e estéticas. Essas vanguardas, 
dentre muitas outras, foram responsáveis por inúmeras influências na pintura, 
na escultura, na fotografia, em performances, na música, em instalações, na 
poesia e também na narrativa literária ao longo das três primeiras décadas 
do século XX. O modernismo foi responsável, de modo muito particular, por 
uma verdadeira renovação estética na literatura dessa época, com reflexos e 
desdobramentos não apenas no momento de sua produção, mas que perduraram 
por muitos anos e chegam até a literatura contemporânea.
As vanguardas europeias foram essenciais para a disseminação do mo-
dernismo pelo mundo todo. Além disso, num contexto mais local, pode-se 
atribuir a essas mesmas vanguardas a inspiração para a criação da Semana de 
5A ficção moderna e o modernismo literário
Arte Moderna de 1922, evento realizado entre 11 e 18 de fevereiro de 1922, no 
Theatro Municipal de São Paulo, que marcou o início do modernismo literário 
no Brasil, organizado por grandes nomes da arte e da literatura brasileira, tais 
como Graça Aranha, Manuel Bandeira, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Victor 
Brecheret, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti del Picchia, Heitor 
Villa-Lobos e Tarsila do Amaral.
Além disso, várias revistas e correntes literárias foram inspiradas nas 
vanguardas, publicadas após a Semana de Arte Moderna, tais como Klaxon 
(São Paulo, 1922), Estética (Rio de Janeiro, 1924), A Revista (Minas Gerais, 
1925), Terra Roxa e Outras Terras (São Paulo, 1926) e Verde (Minas Gerais, 
1927). Essas revistas literárias foram responsáveis por reunir e disseminar os 
escritos e obras modernistas pelo país. 
Foram também construtos baseados nas vanguardas as correntes lite-
rárias Pau-Brasil (que flertava com o anarquismo e com o comunismo), 
Verde-Amarelismo (que criticava a estética Pau-Brasil e defendia uma arte 
genuinamentenacional, ufanista e indigenista) e Antropofagia (que reafir-
mava os valores do Pau-Brasil, propondo o uso de uma língua literária “não 
catequizada”), todas elas propostas por grandes nomes da literatura e das 
artes brasileiras.
2 Autores modernistas e a renovação 
da estética literária
Muitos foram os escritores/poetas infl uenciados pelas vanguardas modernis-
tas, de modo que o início do século XX assistiu a uma verdadeira torrente 
de novas estéticas e modos de se fazer literatura. Você vai conhecer agora 
alguns dos expoentes mais signifi cativos, tanto na literatura universal quanto 
na literatura brasileira.
O primeiro nome de destaque é o do escritor irlandês James Joyce 
(1882–1941), um dos maiores nomes da literatura modernista europeia. Seu 
romance Ulisses (1922) é considerado um divisor de águas na literatura, 
pois utiliza preceitos vanguardistas em sua construção narrativa e explora 
o fluxo de consciência. Na narrativa, os personagens enfrentam situações 
correspondentes à Odisseia de Homero, um clássico da literatura tradicional 
que é parodiado por Joyce. A ação da narrativa se desenrola em um único dia, 
como nas tragédias clássicas, mas em uma Dublin moderna e cosmopolita. 
O livro foi banido no Reino Unido e nos Estados Unidos, considerando que 
apresentava expressões de comportamentos sexuais baseados nos preceitos 
A ficção moderna e o modernismo literário6
freudianos. Outras obras do escritor irlandês incluem a coletânea de contos 
Dublinenses (1914) e o romance Retrato do artista quando jovem (1916). 
Outro nome importante que caracteriza o modernismo literário é o de Mar-
cel Proust (1871–1922), escritor francês que, com a publicação de Em busca 
do tempo perdido (1913–1927) explorou também características modernistas/
vanguardistas, sendo elevado a um dos maiores cânones da literatura moderna 
do século XX. Sua obra explora os efeitos da Primeira Guerra Mundial na 
cidade de Paris, refletindo o bombardeio e a destruição do território como uma 
metáfora para a expressão dos pesadelos, angústias e anseios da juventude 
moderna. A memória tem papel principal na obra, pois o personagem principal 
passa por situações em que essa característica humana é testada (com a morte 
de sua avó, por exemplo, o personagem entra em profunda agonia, enquanto 
as memórias que têm dela vão lentamente se desfazendo, até sumirem por 
completo). O romance faz uso, inclusive, do recurso da analepse (o recuo 
no tempo de suas memórias), explorando não apenas isso, como também 
os sentidos (principalmente o olfato, a audição e até mesmo o tato) como 
constituintes de sua narrativa. 
Mais um nome de destaque é o de Virginia Woolf (1882–1941), britânica, 
uma das maiores figuras proeminentes da estética do modernismo. Seus 
trabalhos mais famosos são Mrs. Dalloway (1925), Ao farol (1927) e Orlando: 
uma biografia (1928), marcados por sua singular aproximação com as tramas 
emocionais e a psicologia íntima. Explorou também o fluxo de consciência e 
as temáticas voltadas ao feminismo. Suas narrativas são trabalhadas ou até 
mesmo dissolvidas em uma trama que mostra a consciência receptiva dos 
personagens, um intenso lirismo e abundantes expressões emocionalmente 
sensíveis. Em Ao farol, por exemplo, há destaque para uma personagem que é 
pintora, e tenta resgatar seu processo criativo em meio a dramas familiares e 
pressões alheias que acabam assombrando-a e impactando sua obra. A narrativa 
ainda marca a fragilidade das relações familiares em um contexto de guerra, 
explorando também a passagem do tempo e a destruição das relações sociais.
T. S. Eliot (1888–1965), outro escritor marcante do período modernista, foi 
um grande poeta norte-americano, responsável pela criação de muitos textos 
poéticos que o levaram a receber o prêmio Nobel de Literatura em 1948. Dentre 
suas obras, as que mais se destacam são os poemas “A terra desolada” (1922) 
e “Os homens ocos” (1925), ambos marcados por uma subjetividade singular 
e obscura, com conteúdo metafórico e de difícil interpretação. Seus poemas 
são uma alegoria à desilusão da geração marcada pelo pós-guerra, com sátiras 
e profecias em sua composição, mudanças repentinas de espaço e tempo, que 
se configuravam como renovações estéticas modernistas, levando sua obra 
7A ficção moderna e o modernismo literário
a alcançar grande reconhecimento, inclusive comparando-o a James Joyce e 
seu Ulisses em termos estéticos. 
Nascido no então Império Austro-Húngaro, atual República Tcheca, Franz 
Kafka (1883–1924) também figura como um importante nome do período 
modernista na literatura universal. Considerado pela crítica como um dos 
mais influentes escritores do século XX, Kafka foi o criador de obras muito 
conhecidas até hoje, como A metamorfose (1915) e O processo (1925). Este 
último traz ao leitor uma atmosfera claustrofóbica e densa, na qual seu per-
sonagem principal está inserido. A ambiguidade onírica recorrente nas obras 
de Kafka e o absurdo existencial de suas narrativas são muito explorados, 
visto que o personagem encontra-se em uma sequência quase infindável de 
situações surreais que se mostram em sua vida (sonhos e pesadelos, que se 
misturam a sua vida cotidiana e o fazem angustiar aos poucos), bem como o 
fato de nunca ficar sabendo o motivo pelo qual está sofrendo “o processo” e 
sua condenação. Em A metamorfose, por sua vez, essa mesma sensação está 
presente, quando Kafka nos apresenta Gregor Samsa, personagem que um dia 
acorda transformado em um inseto “monstruoso”. Na obra, o escritor explora 
metáforas profundas à depressão e aos transtornos psicológicos, bem como a 
exploração capitalista (pois o fato de não poder produzir torna o personagem 
sem-valia perante sua família), além de referentes como a alienação, as brutali-
dades física e psicológica, elementos que tornam sua narrativa uma experiência 
de imersão e contemplação das condições humanas mais perturbadoras. 
Por fim, figurando também como um dos importantes nomes da poesia 
modernista estrangeira, a obra de Vladimir Maiakovski (1893–1930), expo-
ente da literatura russa, merece reconhecimento. Citado como o maior poeta 
do futurismo, ao lado de T. S. Eliot, Maiakovski teve sua obra fortemente 
influenciada pelo movimento revolucionário russo e seus textos eram car-
regados pela ideologia socialista, entrando em conflito frequentemente com 
os burocratas da poesia e com aqueles que queriam reduzi-la a estruturas 
simplistas. Maiakovski escreveu textos em estilo cubista e futurista, sempre 
exaltando em sua produção a imagística urbana e o progresso social. Sua poesia 
recorria a rimas não convencionais, ao uso da fala cotidiana e também a um 
tom crítico-satírico e hiperbólico. Seu poema “E então, que quereis...?” é um 
dos mais conhecidos e mais reproduzidos de toda sua obra, dada a dimensão 
política que possui, e é frequentemente citado no Brasil por artistas da MPB 
e também resgatado no discurso de despedida da presidente Dilma Rousseff, 
em 2016, momentos antes de deixar o cargo do qual foi deposta.
A ficção moderna e o modernismo literário8
Um dos grandes apreciadores da obra de Vladimir Maiakovski, o cantor brasileiro de 
MPB João Bosco, tornou o poema “E então, que quereis...?” o prelúdio de uma de 
suas canções. 
Com relação à produção literária modernista no Brasil, cabe lembrar que 
após a Semana de Arte Moderna de 1922, ocorreu uma verdadeira revolução 
nas artes brasileiras, revelando novas linguagens e abordagens que provoca-
vam reações contrárias pelo ineditismo e ousadia. Esse período vivido pela 
chamada geração de 1922 foi caracterizado por intenso experimentalismo 
estético e temático. Outra marca foi uma intenção de mão dupla: incorporar 
os pressupostos vanguardistas e, ao mesmo tempo, criar uma literatura de 
“identidade nacional”, ou seja, com características próprias — tendência que 
se tornou um marco na literatura brasileira por propor um “modernismo à 
brasileira”, destacado do resto do mundo. 
Nesse primeiro momento modernista,que vai até 1930, desenvolveram-
-se no país a prosa, a poesia e a prosa poética, com inovações radicais e uma 
nova maneira de conceber o texto literário presente em todas essas frentes. 
Nesse cenário, podemos destacar alguns nomes muito significativos pela 
contribuição e complexidade de suas produções, alinhadas aos preceitos 
modernistas/vanguardistas. 
O primeiro nome de destaque é o de Oswald de Andrade (1890–1945), 
responsável por obras como Os condenados (1922), Memórias sentimentais de 
João Miramar (1924), pelo Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924) e Manifesto 
Antropófago (1928), estes dois últimos responsáveis por grandes inspirações 
e críticas, ao proporem uma reconfiguração da arte brasileira como um todo. 
Oswald estreou como romancista em 1922, com o primeiro volume da trilogia 
Os condenados. Essa obra focava em temas como a prostituição, a paixão e o 
suicídio, trazendo inovações em sua linguagem, que era muito mais dinâmica 
e sintética do que as obras de seu tempo. Outra característica de sua narrativa 
é a descontinuidade do espaço e do tempo, além da simultaneidade de ideias. 
Seu segundo romance, Memórias sentimentais de João Miramar, mostrou seu 
amadurecimento técnico e propôs uma divisão em flashes cinematográficos 
(163 flashes, no total), mesclando a prosa com a poesia, com piadas, cartas, 
9A ficção moderna e o modernismo literário
diários, trechos de crônicas jornalísticas e discursos numa plasticidade única. 
A obra é provavelmente de tom autobiográfico, embora fosse uma mescla de 
realidade e ficção. Miramar era um pseudônimo antigo usado por Oswald 
para assinar seus diários. 
Outro importante escritor do período foi Mário de Andrade (1893–1945) 
que, na prosa, produziu os livros de contos Primeiro andar (1926) e Contos 
de Belazarte (1934), o romance Amar, verbo intransitivo (1927) e a rapsódia 
Macunaíma, o herói sem nenhum caráter (1928), dentre outras obras. Seus 
escritos em prosa apresentavam forte influência das correntes freudiana e 
marxista, provocando inclusive conflitos com a formação cristã do próprio 
autor. Macunaíma mostrou ao público uma escrita modernista recheada de 
expressividade tipicamente brasileira e definida pelo próprio autor como uma 
“rapsódia”, termo que, na música, indica uma obra composta pela improvisação, 
pelos cantos populares e tradicionais, uma reunião de lendas histórias e mitos 
transmitidos pela expressão oral. Seu protagonista é um herói-cômico, um 
mito de libertação do inconsciente coletivo, que se metamorfoseia de acordo 
com as necessidades e circunstâncias, sem apresentar um caráter definido. 
Simboliza, na essência, a visão de Mário de Andrade sobre a cultura e menta-
lidade brasileiras, que são uma mescla de influências plurais. Mitos e lendas 
indígenas são elevados na narrativa, bem como expressões e rituais típicos 
do interior do Brasil. É considerado, atualmente, a principal obra literária do 
modernismo brasileiro.
Manuel Bandeira (1886–1968) destaca-se nesse cenário como o principal 
poeta modernista brasileiro. Dentre suas principais publicações encontram-se 
A cinza das horas (1917), Carnaval (1919), Poesias (1924), Libertinagem (1930) 
e Estrela da manhã (1936), ainda sob os traços modernistas. Marcadas pelo 
uso dos versos livres e brancos, essa característica tornou-se constante na sua 
produção poética. O vocabulário coloquial e formas populares também se fazem 
marcantes. O poeta evoca constantemente temas como a infância, o amor e 
a morte em suas poesias. Além disso, Bandeira também publicou materiais 
em prosa, como Crônicas da província do Brasil (1937), livro que revelou 
um cronista singular e cujos textos compõem um retrato da modernização da 
sociedade brasileira da primeira metade do século XX.
A ficção moderna e o modernismo literário10
Você também pode consultar algumas produções cinematográficas que retratam 
diferentes produções modernistas brasileiras, tais como:
  Tabu, de 1982, dirigido por Júlio Bressane. Em um passeio pela música brasileira, o 
filme apresenta um hipotético encontro entre o compositor brasileiro Lamartine 
Babo e o escritor modernista Oswald de Andrade.
  Macunaíma, produção de 1969, dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, que narra 
a história do “herói sem nenhum caráter”, baseada no livro homônimo de Mário 
de Andrade.
  Lição de amor, filme de 1975, dirigido por Eduardo Escorel, é uma adaptação do 
romance Amar, verbo intransitivo, de Mário de Andrade. 
3 A narrativa modernista: inovações e estilos
As narrativas modernistas foram marcadas por uma grande diversidade de 
estilos e estéticas, causando de uma vez por todas a ruptura com os padrões 
literários da época. Em maior ou menor grau, algumas técnicas foram incor-
poradas pelos autores no modernismo brasileiro, como o caráter transgressor, a 
refutação ao academicismo e ao cientifi cismo (que era exaltado pelo realismo, 
movimento que o modernismo buscava superar) e, principalmente, a exalta-
ção de características nacionalistas. O experimentalismo, a fragmentação e 
a liberdade formal, bem como temáticas ligadas à esfera sócio-política, são 
importantes características da narrativa do período. 
Observe, no exemplo retirado da obra Os condenados, de Oswald de An-
drade, algumas características desse estilo narrativo:
Saíra pelas ruas, obedecendo o anátema da véspera. A manhã era toda cinza 
no ar, no céu, na gente.
Chegou à estação da Luz. Teve uma vaga repulsa em pensar que podia encontrar 
a figura importuna do telegrafista. Queria estar só, com a sua tragédia estalada.
No Jardim Público aberto, a natureza, despenteada e matinal, arfava ao vento. 
Atravessou-o em reta; saiu. Encaminhou-se por esquinas populosas e pobres. 
Estava no Bom Retiro. Desceria até lá embaixo, até as várzeas finais da cida-
de. Levava, no seu bojo crescido, o filhinho que vivia, que seria seu amigo.
Bondes passavam pejados de populares, garotos brincavam em bandos mal-
trapilhos, carroças iam lentamente.
11A ficção moderna e o modernismo literário
Chegara a uma rua sem calçamento que se perdia no campo. Penetrou numa 
estrada terrosa aberta na relva pisada. Em sua frente, desenhou-se a sinuosi-
dade do terreno onde corria o Tietê. Num porto quieto, carroças recolhiam 
areia. E o rio apareceu de vidro, à flor das margens calvas.
Vacas paravam, na distância. Um cãozinho ladrou.
A cidade mudara de silhueta. Um vento ríspido agrediu-a. O grande Jesus 
da torre tutelar do Sagrado Coração dava-lhe as costas. Pensou vagamente 
em se matar, por vingança, em aparecer boiando nas águas glaciais, como 
uma Ofélia de gravura.
As carroças enchiam-se lentamente de areia peneirada. O quadro simples 
de rude trabalho atraiu-a. Teve uma vontade de viver assim, entre animais 
soltos e gente descalça.
Um cheiro malsão, vindo da embocadura dos esgotos citadinos, persistia.
Voltou. Refez o caminho andado. Não iria mais para casa. Uma mão persua-
siva afastava-a do refúgio antigo, como uma condenação, pelos ombros. Não 
tornaria mais. Alcançou as ruas populosas. Estava perto do Jardim.
E, de repente, sobre um imenso muro vermelho, desenhou-se, na palidez do 
dia, uma silhueta lépida de soldado. Trazia uma carabina a tiracolo e andava 
para cá e para lá. Logo, além, na continuidade intérmina do muro, outro 
soldado apareceu como o primeiro, caminhando também, vigilante e sólido. 
Eram os fundos da cadeia da Luz.
Aqueles dois soldados renovavam-se ali, dia e noite, para atirar, implaca-
velmente, sobre os condenados que quisessem fugir (ANDRADE, 1972, 
p. 48–49).
No excerto, percebe-se que o narrador se materializa em terceira pessoa, 
descrevendo o que vê a personagem Alma, protagonista que se desloca pela 
cidade em transformação. Dá ao leitor, em primeira perspectiva, um panorama 
da cidade que se transforma e que está, como se pode perceber, em constante 
movimento. Essa associação com o movimento e a transformação é uma 
aproximação com o futurismo, base vanguardista na qual Oswald de Andrade 
buscou inspiração. 
Na passagemdo romance trazida para análise, contudo, também se percebe 
que o cenário urbano, apesar de moderno, apresenta elementos ligados ao 
passado rural. A presença de animais (“Vacas paravam, na distância. Um cão-
zinho ladrou.”) permite o reconhecimento desses traços de um passado rural, 
uma cidade ainda em transição entre o pacato e o moderno, pois demonstra 
elementos típicos de paisagens agrícolas em meio ao desenvolvimento urbano. 
Além disso, o narrador parece querer fazer questão de nomear cada lugar 
por onde passa a personagem em sua caminhada pela cidade. A preocupação 
em destacar esses lugares demonstra uma opção estética do narrador, que 
busca mostrar que a transformação da paisagem urbana é um elemento tão 
importante na narrativa quanto a história em si. 
A ficção moderna e o modernismo literário12
Um dos pontos mais significativos de Os condenados é o fato de ter sido 
escrito com uma linguagem considerada, para a época, inovadora, influenciada 
amplamente pelas vanguardas europeias. Essa inovação pode ser percebida no 
texto por meio de uma narrativa fragmentada, que busca mostrar o tempo todo 
a passagem do tempo de modo claro e objetivo. Esse romance foi a primeira 
tentativa de Oswald de Andrade de trazer ao cenário literário brasileiro ares 
de modernidade, o que pode ser visto em momentos como a citação a uma 
estação ferroviária (“Chegou à Estação da Luz.”), a menção a um profissional 
que desempenhava um papel moderno para sua época (“Podia encontrar a 
figura inoportuna do telegrafista.”), a menção aos bondes (“Bondes passavam 
pejados de populares.”) e a grande quantidade de pessoas nas ruas (“Alcançou 
as ruas populosas.”), características da urbanização. 
A linguagem do romance incorpora traços modernos, como a fragmentação 
e a sobreposição de planos, características pouco comuns na literatura bra-
sileira da época. O uso de frases curtas acentua a fragmentação da narrativa 
(“Voltou. Refez o caminho andado. Não iria mais para casa. [...] Não tornaria 
mais. Alcançou as ruas populosas. Estava perto do Jardim.”).
Outro importante exemplo das características modernistas na literatura 
nacional é Macunaíma, o herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade:
Uma feita em que deitara numa sombra enquanto esperava os manos pes-
cando, o Negrinho do Pastoreio pra quem Macunaíma rezava diariamente, 
se apiedou do panema e resolveu ajudá-lo. Mandou o passarinho uirapuru. 
Quando sinão quando o herói escutou um tatalar inquieto e o passarinho 
uirapuru pousou no joelho dele. Macunaíma fez um gesto de caceteação e 
enxotou o passarinho uirapuru. Nem bem minuto passado escutou de novo 
a bulha e o passarinho pousou na barriga dele. Macunaíma nem se amolou 
mais. Então o passarinho uirapuru agarrou cantando com doçura e o herói 
entendeu tudo o que ele cantava. E era que Macunaíma estava desinfeliz 
porque perdera a muiraquitã na praia do rio quando subia no bacupari. 
Porém agora, cantava o lamento do uirapuru, nunca mais que Macunaíma 
havia de ser marupiara não, porque uma tracajá engolira a muiraquitã e o 
mariscador que apanhara a tartaruga tinha vendido a pedra verde pra um 
regatão peruano se chamando Venceslau Pietro Pietra. O dono do talismã 
enriquecera e parava fazendeiro e baludo lá em São Paulo, a cidade macota 
lambida pelo igarapé Tietê (ANDRADE, 2017, p. 31).
Esse romance é peculiar e extrapola os (quase inexistentes) limites do 
modernismo pelas características da linguagem, que incorpora expressões 
da fala popular e neologismos. Além disso, mobiliza também um léxico de 
origem indígena, pelo ambiente sugerido e pela presença do uirapuru. O texto 
13A ficção moderna e o modernismo literário
de Macunaíma, embora não tenha sido associado assim por seu autor, aproxima 
a obra da linha estética do Pau-Brasil e, também, da linha Antropofágica. 
Outra importante obra de Mário de Andrade é o romance Amar, verbo 
intransitivo. Observe um trecho da obra, que revela outra importante carac-
terística modernista:
Culpa de um, culpa de outro, tornaram a vida insuportável na Alemanha. 
Mesmo antes de 14 a existência arrastava difícil lá, Fräulein se adaptou. 
Veio pro Brasil, Rio de Janeiro. Depois Curitiba onde não teve o que fazer. 
Rio de Janeiro. São Paulo. Agora tinha que viver com os Sousa Costas. Se 
adaptou. — ...der Vater... die Mutter... Wie geht es ihnen?... A pátria em ale-
mão é neutro: das Vaterland. Será! Vejo Serajevo apenas como bandeira. Nas 
pregas dela brisam... etc. 
(Aqui o leitor recomeça a ler este fim de capítulo do lugar em que a frase do etc. 
principia. E assim continuará repetindo o cânone infinito até que se convença 
do que afirmo. Se não se convencer, ao menos convenha comigo que todos esses 
europeus foram uns grandissíssimos canalhões.) (ANDRADE, 2008, p. 35).
No excerto, é possível perceber um recurso inovador para a literatura da 
época, que se configura pelo uso de duas formas de narração que se alternam. 
Enquanto uma delas se atém à descrição dos eventos, das falas e emoções das 
personagens que integram a narrativa, a outra revela opiniões, pré-concepções 
e julgamentos, bem como comentários emitidos pelo narrador, marcados 
discursivamente pelo uso dos parênteses no texto. 
A mesma inovação se mostra quando o uso de superlativos é recorrente 
para construir o mau juízo que o narrador faz do caráter dos europeus. Até 
o modernismo surgir, cabe lembrar, havia na literatura brasileira uma hiper-
valorização eurocêntrica, principalmente no romantismo e no realismo: era 
possível perceber um ideal eurocêntrico de herói romântico (mesmo que, por 
vezes, esse herói estivesse retratado como um personagem indígena nas obras), 
bem como a tentativa realista de mostrar uma realidade “brasileira” de forma 
objetiva, mas que não citava, muitas vezes, o folclore, a linguagem popular 
ou informal, a cultura brasileira e suas nuances. O modernismo veio buscar 
essa mudança como reflexo da tentativa nacionalista de exaltar o brasileiro 
(de todas as regiões) e seu caráter, cultura, modo de vida e linguagem.
A consciência modernista de uma sociedade brasileira plural, multiétnica 
e diversa foi um dos grandes pontos tematizados pelos escritores do período. 
Na verdade, essa diversidade havia sido tratada em outros períodos literários, 
mas foi somente no modernismo que isso se aprofundou e as questões relativas 
a uma efetiva formação da identidade nacional vieram à tona. 
A ficção moderna e o modernismo literário14
As propostas radicais no campo artístico marcaram uma ruptura com as 
fórmulas acabadas e importadas da Europa, a exemplo do antropofagismo e sua 
proposta. No modernismo, o Brasil mostra suas diversas raízes, resultantes de uma 
colonização agressiva, que vão marcar profundamente sua identidade nacional. 
A arte modernista, tanto na prosa quanto na poesia, foi responsável por 
transformar significativamente a visão artístico-literária que se tinha sobre o 
Brasil, rompendo com a imposição de uma falsa imagem da nação brasileira, 
que até então buscava promover um branqueamento estético e social. 
ANDRADE, M. de. Amar, verbo intransitivo. Rio de Janeiro: Agir, 2008.
ANDRADE, M. de. Macunaíma: o herói sem nenhum caráter. Brasília, DF: Câmara dos 
Deputados — Edições Câmara, 2017.
ANDRADE, O. de. Obras completas de Oswald de Andrade: Os condenados. Rio de Janeiro: 
Civilização Brasileira, 1972.
Leituras recomendadas
ARRUDA, M. A. do N. Modernismo e regionalismo no Brasil: entre inovação e tradição. 
Tempo Social, v. 23, n. 2, p. 191–212, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/ts/
v23n2/v23n2a08.pdf. Acesso em: 11 jul. 2020.
DURÃO, F. A. Sobre a literatura da destruição e o Ulisses, de James Joyce. Aletria: Re-
vista de Estudos de Literatura, v. 23, n. 3, p. 211–222, 2013. Disponível em: http://www.
periodicos.letras.ufmg.br/index.php/aletria/article/view/4952. Acesso em: 11 jul. 2020.
JOBIM, J. L. O movimento modernista como memórias de Mário de Andrade. Revista do 
Instituto de Estudos Brasileiros, n. 55, p.13–26, 2012. Disponível em: https://www.scielo.
br/pdf/rieb/n55/a02n55.pdf. Acesso em: 11 jul. 2020.
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15A ficção moderna e o modernismo literário
Dica do professor
O Modernismo no Brasil teve seu pontapé inicial na Semana de Arte Moderna de 1922, evento em 
que inúmeros artistas chamavam a atenção do público para as inovações artísticas e a quebra dos 
paradigmas literários que estavam acontecendo na Europa.
Dentre os principais nomes do cenário modernista brasileiro, um ganhava destaque pela 
genialidade e audácia de sua obra: Mário de Andrade, autor de Macunaíma, o herói sem nenhum 
caráter, publicado pela primeira vez em 1928. Nesta narrativa, concebida pelo autor como uma 
"rapsódia", Mário de Andrade ia além da inovação literária para adentrar um território ainda 
desconhecido: desmistificar a identidade do brasileiro.
Nesta Dica do Professor, você vai conhecer um pouco mais sobre a vida e a obra do autor de 
Macunaíma e sobre a tentativa de traçar um perfil moderno da nossa cultura e origens.
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Exercícios
1) Em muitos contextos, os termos moderno, modernista e modernidade podem ser confundidos, 
tendo em vista que seu radical é o mesmo. Contudo, sabe-se que existem acepções e 
propostas diferentes ao uso de cada um deles.
Com base nisso, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta:
I. O termo modernidade diz respeito a um período específico da História, sendo usado, 
portanto, com mais frequência no contexto da historiografia e das ciências humanas.
II. Para ser considerado “moderno”, algo deve estar à frente de seu tempo, baseando-se na 
razão e no cientificismo. O termo moderno, portanto, está ligado a uma condição de inovação 
tecnológica.
III. O “Modernismo” caracterizou-se como um momento histórico, no qual a produção 
artístico-literária buscava desestabilizar os sistemas estéticos da arte tradicional.
A) I e II estão corretas.
B) I e III estão corretas.
C) II e III estão corretas.
D) I, II e III estão corretas.
E) III está correta.
As vanguardas europeias surgiram no contexto da virada do século e foram difundidas por 
meio de manifestos, panfletos e exposições. Cada uma, com suas particularidades, buscou 
combater a tradição clássica e tradicional e tentou propor uma expressão mais livre e 
subjetiva para as obras artísticas.
Com base nisso, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta:
I. Existiram, na Europa, cinco vanguardas, que foram amplamente divulgadas e levadas a 
todo o mundo, de modo que influenciaram o movimento modernista muito além de suas 
propostas locais.
II. O principal intuito dos movimentos artísticos de vanguarda era a ressignificação das artes 
(incluindo a literatura) em suas bases, refutando, transformando ou reconfigurando valores e 
2) 
estéticas tradicionalmente conservadoras.
III. As vanguardas do Futurismo e do Cubismo foram as duas grandes referências para a 
concepção da Semana de Arte Moderna de 1922, na qual muitos quadros e obras foram 
expostos já considerando as propostas estéticas vanguardistas.
A) I e II estão corretas.
B) I e III estão corretas.
C) II e III estão corretas.
D) I está correta.
E) II está correta.
3) Foram inúmeros os escritores modernistas que adotaram um ou mais recursos propostos 
pelas vanguardas europeias, de modo que o início do século XX assistiu a uma verdadeira 
torrente de novas estéticas e “modos” de se fazer literatura. Com base nisso, analise as 
afirmativas a seguir, julgando V para as verdadeiras e F para as falsas:
( ) A característica mais marcante da obra dos modernistas James Joyce e Virginia Woolf era 
o uso do fluxo de consciência, experimentação literária posteriormente usada por muitos 
outros escritores e ainda muito valorizada até hoje na literatura contemporânea.
( ) A complexidade e a inovação da poesia de T. S. Eliot foram tão bem recebidas que levaram 
seu autor a conquistar o Prêmio Nobel de Literatura, em 1948, ratificando a importância e a 
dimensão que as inovações modernistas geraram para a literatura universal.
( ) Oswald de Andrade foi responsável por grandes obras de caráter modernista no Brasil, 
como o Manifesto da Poesia Pau-Brasil e seu mais célebre romance Macunaíma, uma 
exaltação à cultura plural brasileira.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas: 
A) F – F – F.
B) F – F – V.
C) V – F – V.
D) V – V – F.
E) V – V – V.
4) As narrativas modernistas foram marcadas por uma grande diversidade de estilos e 
estéticas, sendo que algumas técnicas foram incorporadas pelos autores no Modernismo 
brasileiro, como o caráter transgressor, a refutação ao academicismo e ao cientificismo e a 
exaltação de características nacionalistas.
Com isso, analise as proposições a seguir, sinalizando-as como verdadeiras ou falsas:
( ) Oswald de Andrade aplicava em suas narrativas recursos como a representação dos 
contrastes urbano X rural, a representação da transição entre o pacato e o moderno e a 
fragmentação e a sobreposição de planos como recurso para marcar a brevidade do tempo 
na narrativa.
( ) A presença de elementos modernos (para a época) nas narrativas modernistas brasileiras 
era recorrente, de modo que as obras tentavam imprimir ares de modernidade, 
representando as primeiras metrópoles do País.
( ) A obra de Mário de Andrade buscava exaltar a cultura nacional, bem como a sua 
multiplicidade e diversidade natural, muitas vezes contrastando-a com o modo de vida 
europeu ou até mesmo apresentando e criticando os vícios incorporados pela colonização.
Assinale a alternativa que preenche as lacunas de forma correta: 
A) V - V - V .
B) V - V - F.
C) V - F - F.
D) F - F - F.
E) F - F - V.
5) O Modernismo, no Brasil, foi iniciado por meio de dois importantes instrumentos: a Semana 
de Arte Moderna de 1922 e a publicação dos Manifestos e das Revistas Literárias no mesmo 
período. Grandes nomes da nossa literatura e arte foram responsáveis por esses dois 
marcos, que ressignificaram a arte e a cultura nacional a partir do início do século XX.
Com base nisso, é correto afirmar que:
A) a Semana de Arte Moderna foi duramente criticada pelos artistas e escritores mais 
conservadores e não surtiu o efeito que buscava promover.
B) na Semana de Arte Moderna de 1922, muitas estéticas baseadas nas vanguardas europeias 
foram apresentadas, levando nossa arte e literatura cada vez mais para uma identidade 
eurocêntrica e internacionalizada.
C) o uso da linguagem cotidiana, a proposição de uma arte/literatura livre de padrões estéticos e 
a refutação do formalismo foram as principais conquistas do Movimento Modernista e de 
seus manifestos.
D) os Manifestos eram documentos oficiais publicados em jornais que buscavam instruir jovens 
artistas sobre como produzir suas obras, bem como mostrar a eles novos padrões estéticos e 
formais.
E) muitos Manifestos foram publicados, todos exaltando as vanguardas europeias e buscando 
incorporar, na arte e na literatura nacional, as propostas modernistas mais disseminadas no 
mundo.
Na prática
O que torna uma narrativa "modernista"? Que características um texto precisava apresentar para 
ser considerado inovador e/ou revolucionário no início do século XX? O que tornou alguns autores 
tão singulares a ponto de serem alçados ao roll dos grandes nomes da literatura universal?
Certamente, as obras literárias escritas sob os preceitos modernistas tinhamsingularidades e 
especificidades que variavam de autor para autor e de contexto para contexto, mas algumas 
características eram comuns ou acabaram atraindo mais adeptos e dominando obras diferentes.
Neste Na Prática, você vai conhecer um professor que construiu um esquema informativo para 
apresentar o Modernismo Brasileiro e suas principais obras aos alunos como um recurso visual para 
o estudo desse período literário.
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Modernismo e regionalismo no Brasil: entre inovação e tradição
Neste artigo, a autora trata da difusão do Modernismo literário, ocorrida a partir da década de 
1930, em três regiões periféricas ao impulso inovador do País, mas que eram detentoras de culturas 
consolidadas (Nordeste, Minas Gerais e Rio Grande do Sul), as quais produziram, nos anos 
subsequentes, a nossa literatura mais vigorosa. Confira.
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O Movimento Modernista como memórias de Mário de 
Andrade
Confira este artigo, o qual apresenta o Movimento Modernista como memórias de Mário de 
Andrade, levando em consideração tanto a narrativa de experiências pessoais desse autor como 
gênero discursivo quanto as questões levantadas sobre sua obra por suas memórias.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Modernismo revisitado
Neste link, revisite o Modernismo, que foi um movimento artístico que procurou romper com 
características estéticas então consideradas tradicionais. Na literatura brasileira, a abolição de 
versificações utilizadas pelos poetas parnasianos e a produção de textos sobre a identidade 
nacional, em uma linguagem popular, foram algumas de suas diretrizes mais significativas. 
Atualmente, pesquisadores repensam o lugar do movimento vanguardista paulistano na cena 
cultural brasileira.
https://www.scielo.br/pdf/ts/v23n2/v23n2a08.pdf
https://www.scielo.br/pdf/rieb/n55/a02n55.pdf
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Semana de Arte Moderna de 1922
A Semana de Arte Moderna de 1922 foi um importante marco na história do Modernismo no Brasil. 
Neste vídeo, acompanhe outros detalhes e curiosidades a respeito do evento, que gerou muitas 
críticas e mobilização na época de sua criação.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Semana de Arte Moderna de 1922
Você sabia que o início do Movimento Modernista no Brasil foi marcado por um grande evento que 
reuniu nomes muito famosos da música, da literatura, da pintura e da escultura, que se juntaram 
para promover as estéticas vanguardistas aplicadas à arte nacional? Esse evento, ocorrido no 
Theatro Municipal de São Paulo em 1922, ficou conhecido como Semana de Arte Moderna, um 
marco que ampliou os horizontes artístico-literários do País. Foi nesse mesmo evento, por exemplo, 
que as estéticas importadas da Europa foram ressignificadas e aplicadas às produções nacionais, 
momento de grande crítica para seus criadores. Conheça, no vídeo a seguir, os eventos que levaram 
à produção da Semana de Arte Moderna, bem como o que ocorreu durante os 7 dias de evento.
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https://revistapesquisa.fapesp.br/modernismo-revisitado/
https://www.youtube.com/embed/yPoyWzHjsFA
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