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A literatura contemporânea brasileira
A literatura contemporânea brasileira
Descrição
Você vai estudar a literatura brasileira contemporânea por meio de seus
temas, questões e alguns autores.
Propósito
Ao analisar algumas das principais linhas de força da produção literária
contemporânea e identificar tendências e processos, considerando os
aspectos estéticos, históricos e culturais, você vai ampliar sua
competência literária.
Objetivos
Módulo 1
Poesia Concreta
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Identificar os principais aspectos da Poesia Concreta e seus autores.
Módulo 2
Prosa urbana
Identificar as relações entre a cidade e a narrativa contemporânea.
Módulo 3
As escritas de si
Identificar os principais aspectos das chamadas escritas de si.
Módulo 4
Literatura e outras artes
Identificar as relações entre a literatura contemporânea e outras
artes.
Introdução
Quem tem medo da literatura brasileira contemporânea? Não é
incomum encontrar pessoas que costumam resistir à leitura de
obras atuais, pois associam a ideia de contemporâneo nas artes
com algo fechado, hermético, voltado apenas para pessoas

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cultas ou cults. Nada contra a preferência por clássicos! Muitos
deles, aliás, são referências também das autoras e autores da
atualidade. E diante de um tempo cada vez mais veloz e inquieto,
parece missão impossível conseguir acompanhar tudo o que as
pessoas andam escrevendo no Brasil.
Isso nos faz pensar em Jorge Luis Borges, que havia imaginado
uma biblioteca infinita, com uma quantidade monstruosa de
livros. Acalme-se! De fato, é assustador, mas não precisa se
desesperar. Se, por um lado, a produção contemporânea soa
como a Biblioteca de Babel do escritor argentino, por outra, é
possível mapear suas principais tendências a partir de algumas
linhas de força, ou seja, agrupar elementos que ajudem a tomar
direções e, assim, obter uma visão panorâmica do que vem
acontecendo no cenário literário contemporâneo.
Neste conteúdo, partiremos de um dos movimentos mais
criativos da produção literária brasileira do pós-guerra, a Poesia
Concreta, identificando suas principais características e autores.
Em seguida, passearemos pela cidade e suas camadas mais
baixas através das narrativas urbanas, com suas violências e
seus desejos. Sem pedir licença, entraremos na intimidade das
autoras e autores que se dedicam às escritas de si, desde os que
encontram na literatura espaço de construção de identidade até
aqueles que fazem dela um espaço de releitura crítica da história
do país. Por fim, nós nos envolveremos com palavras, imagens e
gestos, a fim de participar da interminável conversa da literatura
com as outras artes.
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1 - Poesia Concreta
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os principais aspectos da Poesia
Concreta e seus autores.
Tradição e vanguarda
Quando você escuta ou lê a palavra “tradição”, o que vem a sua cabeça?
Em geral, associamos a algo antigo e que possua uma história, não é?
Um hábito ou costume tradicional é aquele que não apenas tenha
começado em um determinado momento do passado, mas que
permaneça no presente. Tradicional, portanto, não é simplesmente o
que ficou datado, mas o que, de alguma maneira, sobreviveu ao tempo.
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E a palavra “vanguarda”? O que lhe ocorre? Assim como “tradição”,
“vanguarda” também se aplica geralmente ao tempo, mas de maneira
bem distinta. Vejamos a diferença.
Tradição
Está ligada à
continuidade.
Vanguarda
Se aplica quando
queremos apontar uma
ruptura.
Se dizemos que uma pessoa está “na vanguarda”, queremos destacar
seu pioneirismo, sua ousadia e sua inovação. Portanto, a relação entre
tradição e vanguarda não é simplesmente entre o velho e o novo, mas,
sim, entre continuidade e descontinuidade, permanência e ruptura.
O Modernismo surgiu no século XX como uma proposta de ruptura com
o passado, ou seja, contra a continuidade de uma determinada maneira
de expressar o mundo. Por isso, ele foi um movimento de vanguarda.
Não por acaso, ele sofreu grande influência das chamadas vanguardas
artísticas europeias, como o cubismo, o futurismo, o dadaísmo, o
surrealismo e o expressionismo. A literatura e as artes plásticas foram
as que ficaram mais marcadas por essas tendências.
Veja a seguir exemplos de expressões artísticas.
Guernica, Pablo Picasso, 1937.
Cubismo

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A cidade se levanta, Umberto Boccioni, 1910.
Futurismo
Indian dancer, Hannah Höch, 1930.
Dadaísmo
A persistência da memória, Salvador Dalí, 1931.
Surrealismo
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O grito, Edvard Munch, 1893.
Expressionismo
No caso brasileiro, essas transformações acompanhavam uma
necessidade de se pensar um novo retrato para o país, isto é, uma
identidade nacional, estando relacionadas ao contexto social e político
dos anos 1920.
Com a morte de Mário de Andrade, em 1945, o Modernismo como
movimento artístico e escola literária teve o seu fim. Nesse mesmo
período, surgiram poetas interessados em resgatar as formas clássicas
da tradição. Portanto, uma das vertentes da poesia era de feição
neoparnasiana, ou seja, novos aspectos da produção poética inspirados
no Parnasianismo. Era a chamada Geração de 1945, tendo como
representantes Ledo Ivo, Gilberto Mendonça Teles, Geraldo Vidigal,
Bueno Rivera, entre outros. Mas também tivemos autores interessados
em aprofundar as experimentações formais levadas a cabo pelos
modernistas de primeira hora. São os casos de Guimarães Rosa, Clarice
Lispector e João Cabral de Melo Neto. Por essa razão, alguns
estudiosos chamam essa etapa de terceira fase do Modernismo.
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Guimarães Rosa.
Clarice Lispector.
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João Cabral de Melo Neto.
Não podemos esquecer que estávamos vivendo um período, no cenário
político nacional e internacional, de saída de uma grande guerra e de fim
de vários regimes ditatoriais, como o Terceiro Reich, de Adolf Hitler, e o
Estado Novo, de Getúlio Vargas. Mas também entrávamos em um
momento de muita tensão por conta da chamada Guerra Fria, uma
corrida armamentista e polarização entre EUA e URSS. Ou seja, o clima
não estava nada fácil e as esperanças minguavam dia a dia.
Dessa maneira, a literatura e as outras artes buscavam também na
forma outras maneiras de lidar com esses impasses nos âmbitos social,
político e econômico. Ao mesmo tempo que se voltavam para a
compreensão do presente, não se furtavam a lançar um olhar atento
para o passado, como se buscassem iluminar outras projeções para o
futuro.
Nesse sentido, as vanguardas voltaram a ter um papel de destaque.
Entre as décadas de 1950 e 1960, os paulistas Décio Pignatari e os
irmãos Augusto e Haroldo de Campos lideraram a criação de um dos
principais movimentos vanguardistas da literatura brasileira do século
XX depois do Modernismo: a PoesiaConcreta.
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Também chamada por alguns de Concretismo, a Poesia Concreta
representou o aprofundamento de rupturas propostas pelo movimento
modernista em sua primeira fase, mas também se voltou para a tradição
clássica, resgatando autores esquecidos ou invisibilizados não apenas
da literatura brasileira, como Gregório de Matos, Pedro Kilkerry e
Sousândrade, mas também da internacional, como o provençal Arnaut
Daniel.
Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Augusto de Campos.
Por meio dessa volta ao passado, os poetas concretos se engajaram em
um novo futuro para a produção poética nacional. O verso costuma ser
lembrado como o principal aspecto formal da poesia, não é verdade? Os
concretos, então, quebram a sua centralidade e passam a valorizar
outras dimensões da linguagem a partir do referente linguístico, ou seja,
a partir da forma concreta da palavra escrita no papel. Assim, eles
extraem outros significados dos vários aspectos que compõem a
palavra, como o visual, o verbal e o fonético. Não basta a acepção do
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dicionário. Nesse diálogo entre presente, passado e futuro, os poetas
concretos ampliam as relações entre a palavra e o mundo ao redor,
ressaltando a sua força criativa e criadora.
Tradição e vanguarda
Confira neste vídeo o contexto de surgimento do Concretismo no Brasil,
com destaque para a tensão entre tradição e vanguarda na cultura e nas
artes.
Noigandres
Como vimos, os poetas concretos desenvolveram uma arte literária que
desse conta dos três principais aspectos que constituem uma palavra.
São eles:

Visual ou grá�co

Verbal ou semântico

Fonético ou sonoro

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Há um termo que eles encontraram para se referir a essa relação:
verbivocovisual. Verbi refere-se a verbal; voco, a fonético; e visual, isso
mesmo, visual. Se eles criaram essa palavra? Não! Os poetas concretos
encontraram esse termo em um dos romances emblemáticos da
literatura modernista internacional: Finnegans Wake, de James Joyce. O
escritor irlandês adota a expressão em sua obra para se referir à
potência da composição literária. Nada mais apropriado para se referir
aos poetas da Poesia Concreta.
A revista Noigandres foi a principal publicação do grupo, lançando as
bases de seu movimento e influenciando diversos intelectuais.
"Noigandres" é uma expressão que pode provocar estranheza, não
apenas para falantes de língua portuguesa, mas também para falantes
de outros idiomas.
Essa enigmática expressão foi lançada por Arnaut Daniel, um trovador
provençal do século XIII, em um verso de sua Canção XIII. Daniel era
conhecido por sua inventividade e hermetismo poético; por isso, era
admirado por figuras como Dante Alighieri, Francesco Petrarca, T. S.
Eliot e Ezra Pound. Foi por meio de Pound que Décio Pignatari e os
irmãos Campos se depararam com essa palavra intrigante. Então
decidiram nomear a sua publicação com ela.
Arnaut Daniel.
A palavra "Noigandres" tem gerado curiosidade sobre seu significado.
Etimologicamente, a interpretação mais aceita é "proteção contra o
tédio", de acordo com um provençalista alemão chamado Emil Lévy. No
entanto, os poetas concretos, ao adotarem essa palavra, não a
escolheram com base em seu significado exato. Para eles, "Noigandres"
simbolizava poesia em progresso, experimentação e pesquisa poética
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em equipe, mais do que um conceito definido (Campos; Pignatari;
Campos, 2006, p. 193).
O uso da palavra “Noigandres” estava alinhado com o
projeto estético-político do movimento concreto, que
buscava a quebra de paradigmas. Eles não estavam
interessados em desvendar o enigma por trás da
palavra, mas, sim, em valorizar a dimensão ilimitada
que ela representava.
Como muitos movimentos desse tipo, o grupo necessitava de uma
publicação que refletisse seu espírito e servisse como plataforma para
divulgar suas ideias e debater seus princípios. Nesse contexto, as
revistas desempenham um papel crucial, tornando-se quase uma
extensão da produção do grupo que representam. No caso dos poetas
concretos, Noigandres era essa revista essencial, assim como Invenção.
Noigandres foi fundada em 1952, mesmo ano da Exposição e do
Manifesto do Grupo Ruptura, em São Paulo, e da criação do chamado
Grupo Frente, no Rio de Janeiro, dois grupos que, mais tarde, formariam
o chamado movimento concretista. Nesse período, Décio Pignatari e os
irmãos Campos estavam envolvidos em uma poesia tradicional, embora
já esboçassem uma ruptura em relação aos poetas da época. O único
poeta a quem eles permaneceram esteticamente ligados foi João Cabral
de Melo Neto, embora ele nunca tenha se filiado à Poesia Concreta.
Mesmo assim, é possível identificar diálogos entre sua produção e as
propostas do movimento.
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Capa da revista Noigandres.
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Manifesto do Grupo Ruptura.
No que diz respeito ao nome do movimento, em artigo publicado em
outubro de 1955, na revista Forum, do Centro Acadêmico 22 de Agosto,
da Faculdade Paulista de Direito, lançado depois também na edição
Noigandres 2, naquele mesmo ano, Augusto de Campos afirma: “Em
sincronização com a terminologia adotada pelas artes visuais e, até
certo ponto, pela música de vanguarda (concretismo, música concreta),
diria eu que há uma poesia concreta” (Campos, 2015, p. 87).
Portanto, havia uma relação interdisciplinar e intertextual na origem do
próprio grupo. Na prática, o que vem a ser Poesia Concreta e qual é a
proposta desse movimento? Uma obra que pode nos oferecer algumas
pistas é o poema Cidade, City, Cité, de Augusto de Campos.
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O poema aborda a cidade, com cada palavra representando a palavra
"cidade" em um idioma diferente: português, inglês e francês. O
português é a língua dos poetas concretos, o inglês simboliza a
globalização e modernização das cidades, enquanto o francês
representa a tradição clássica. A cidade é vista como símbolo de
desenvolvimento social, econômico e cultural na sociedade moderna. A
velocidade e a superposição das palavras que resultam em “cidade”
traduzem a aceleração do cotidiano naquele período.
Dica
Cidade, City, Cité é apresentado visualmente no perfil Instrumental Sesc
Brasil, no YouTube. Faça uma busca e assista ao vídeo em que o poema
é apresentado.
A Poesia Concreta também exerceu grande influência em outras artes,
como a música e o teatro. Caetano Veloso, por exemplo, trata dessa
relação em seu livro Verdade tropical.
Caetano Veloso.
Integrante do chamado Tropicalismo, o cantor e compositor construiu
muitas de suas canções a partir dos pressupostos da Poesia Concreta.
Um exemplo disso é a música Circuladô de Fulô, baseada em um
fragmento do livro Galáxias, de Haroldo de Campos, em que o diálogo
com a cultura popular é mais evidente.
Coloque Circuladô de Fulô no seu streaming de música favorito e escute!

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Noigandres
Assista a esta conversa sobre a Poesia Concreta, em que são
abordadas as característicasestéticas e sua relação com a revista
Noigandres, destacando o poema Cidade, City, Cité, de Augusto de
Campos.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O poeta Arnaut Daniel inspirou, de alguma forma, os poetas
concretos brasileiros ao ter uma expressão de sua obra usada por
esses poetas para nomear sua revista. Assinale a alternativa que
apresenta tal expressão.
A Concretismo
B Poesia Concreta
C Verbivocovisual
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Parabéns! A alternativa D está correta.
A expressão “Noigandres” foi retirada de um poema do trovador
provençal do século XIII Arnaut Daniel. A palavra, para os poetas
concretos, passou a significar experimentação e poesia em
progresso. Embora verbivocovisual tenha relação também com a
Poesia Concreta, tal expressão foi retirada de Finnegans Wake, de
James Joyce.
Questão 2
Os poetas concretos, em seu diálogo com a tradição, resgataram
alguns nomes que estiveram esquecidos ou invisibilizados pela
historiografia literária. Marque a alterativa que indique um desses
autores.
D Noigandres
E Vanguarda
A Pedro Kilkerry
B Machado de Assis
C Clarice Lispector
D James Joyce
E Cecília Meireles
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Parabéns! A alternativa A está correta.
O poeta Pedro Kilkerry foi um dos autores brasileiros do século XIX
resgatado pelos poetas concretos, valorizando não apenas a obra e
a vida do escritor, mas inserindo-o também no diálogo desses
autores vanguardistas com a tradição.
2 - Prosa urbana
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as relações entre a cidade e a narrativa
contemporânea.
O retorno do realismo
O que você busca em um bom livro: realidade ou fantasia? As respostas
certamente devem variar bastante, a depender de quem está
acompanhando este texto agora. É comum, aliás, aplicarmos essa
categorização em outros gêneros artísticos que consumimos, como
filmes. Há quem prefira documentários, já outros gostam de uma boa
ficção científica, outros ainda vão de suspenses ou dramas baseados
em fatos reais.
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No caso da literatura, essas categorias vão de romances policiais,
passando por clássicos, biografias, e chegando, em alguns casos, aos
livros de reportagem, alguns com notável combinação entre jornalismo
e literatura. Independentemente da sua escolha, é importante ressaltar
que, mesmo o mais “realista” dos livros, é dotado de estratégias
narrativas e recursos ficcionais para que a história convença o leitor. Ou
seja, toda literatura é construção.
Portanto, quando falamos em “realismo”, estamos nos referindo a uma
determinada categoria estética, ou seja, um modo de construção de
uma história, de maneira que ela se aproxime daquilo que nós
entendemos como “realidade”, mas também estamos tratando da
escola literária da segunda metade do século XIX, cujos principais
expoentes no Brasil são Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Adolfo
Caminha e Júlia Lopes de Almeida.
Machado de Assis.
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Aluísio Azevedo.
Adolfo Caminha.
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Júlia Lopes de Almeida.
As principais características do Realismo são:

Objetividade

Crítica da sociedade

Descrições psicológicas das personagens
A tendência do naturalismo, uma das vertentes estéticas do Realismo,
vai adicionar ainda a investigação dos aspectos sociais e biológicos das
camadas populares.
É o que vemos em romances como O cortiço, de Aluísio Azevedo, O bom
crioulo, de Adolfo Caminha, ou no conto Os porcos, de Júlia Lopes de
Almeida. Os problemas relativos à vida precária da população mais
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pobre e seus comportamentos, sem as mediações de códigos de
conduta da sociedade burguesa, expõem os contrastes dessa camada
social. Em um país como o nosso, marcado até os dias de hoje por
profundas desigualdades e injustiças no que se refere aos
desprestigiados, o interesse por uma literatura que explore esses
aspectos parece algo sempre atual. Embora não estejamos mais em
uma sociedade escravista, por exemplo, sabemos o quanto o Brasil
contemporâneo se estrutura pelas ressonâncias da escravidão, como o
racismo.
Capa do livro O cortiço.
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Capa do livro Bom crioulo.
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Capa do livro Os porcos.
A crítica literária Flora Süssekind (1983), ao examinar o naturalismo
brasileiro como ideologia estética, percebe suas voltas em outros
momentos da história da literatura brasileira, como na geração do
romance de 1930 e no romance-reportagem dos anos 1970. Alguns
autores costumam classificar a literatura de Graciliano Ramos, por
exemplo, como “neonaturalista”, por causa desse resgate dos aspectos
que fizeram parte do realismo/naturalismo. Nos anos 1960 e 1970,
diante de um cenário de intensa repressão no Brasil e de
desenvolvimento urbano, a relação entre o escritor e a cidade se
intensifica, expondo as transformações de hábitos e costumes, bem
como suas desigualdades e mazelas sociais.
Ao falarmos sobre a volta do realismo na literatura brasileira para nos
referirmos ao cenário de consolidação da prosa urbana contemporânea,
não queremos dizer, claro, que as mesmas questões do século XIX
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voltaram a nortear a produção dessas autoras e autores, tanto no que se
refere aos aspectos formais quanto socioeconômicos. Podemos
estabelecer algumas relações de aproximação, mas o contexto e as
motivações são bem distintos.
Karl Erik Schøllhamer (2009, p. 54) observa que “o novo realismo se
expressa pela vontade de relacionar a literatura e a arte com a
realidade social e cultural da qual emerge, incorporando essa
realidade esteticamente dentro da obra e situando a própria
produção artística como força transformadora”. E essa realidade é
transposta para a literatura, em geral, pela perspectiva dos
marginalizados e periféricos, seja apenas como personagens ou
também como autores.
Mais do que retratar a realidade, notamos um esforço de interpretar e
até mesmo interferir na percepção da realidade. Dos anos 2000 para cá,
presenciamos ainda o surgimento de mais autoras e autores nascidos
em regiões periféricas do país, cujos pais não tiveram acesso à
educação formal. Alguns sequer conseguiram ser alfabetizados. Estão
entre as classes baixas e os chamados remediados sociais.
As mudanças nas políticas públicas voltadas para a educação no país
depois do retorno à democracia também exerceram um papel na
constituição dos novos narradores das cidades. Eles deixaram de ser
meros personagens e se tornaram autores de suas próprias histórias,
apresentando camadas da realidade social somente vistas por aqueles
que sempre estiveram no olho do furacão.
O retorno do realismo
Veja neste vídeo em que contexto se produz a prosa urbana no Brasil a
partir da relação com aspectos do movimento realista na literatura.

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Narrativas periféricas
A prosa urbana brasileira contemporânea possui uma galeria de autoras
e autores que souberam expressar, como poucos, as condições sociais
e econômicas da vida nas cidades. Mudamos? Mudamos, e muito. E não
apenas nas dinâmicas urbanas, mas também nas relações entre as
pessoas que vivem nesses espaços.
O geógrafo David Harvey (1980, p. 174) afirma que a cidade é “o lugar
das contradições acumuladas”, ou seja, ela é resultado não apenas do
desenvolvimento dos modos de circulação e habitação, mas também
dos contrastes resultantes desse processo. A modernização é uma faca
de dois gumes, e seu corte atinge justamente aqueles que ficam à
margem de suas promessas.
Um dos autores que se destaca nos anos 1960 e 1970 dessa literatura é
o paulista João Antônio, infelizmente esquecido nos círculos
acadêmicos. Em sua obra, somos apresentados a uma galeria de tipos
sociais que habitam os bares, os prostíbulos, as fábricas, as ruas das
periferias, favelas e das partes consideradas baixas da cidade.
Desempregados, criminosos, operários, policiais, mendigos,
estelionatários, apostadores e outras figuras ganham vida em sua
narrativa ágil e crua, incorporando não apenas a descrição dessas
personagens e de seus ambientes, mas também a linguagem por eles
empregada.
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João Antônio.
O livro de estreia de João Antônio é Malagueta, Peru e Bacanaço (1963),
longo conto dividido em seis partes, cada uma representando o nome de
um lugar em São Paulo. A ação se passa numa noite em um bar, onde
três pessoas se encontram numa mesa de sinuca. Somos convidados a
jogar uma partida com eles de tão impactante e envolvente que é a
narrativa.
Outro autor da mesma época, e que faleceu bem recentemente, é
Rubem Fonseca. Diferentemente de João Antônio, compôs uma obra
volumosa e bem diversificada em termos formais. Rubem Fonseca
também apresenta o submundo dos bairros da cidade, com um estilo
bruto e cortante, mas em suas histórias o autor explora mais
profundamente as marcas da violência e do sexo nas dinâmicas sociais
urbanas, como podemos notar em seus livros de contos, como Os
prisioneiros (1963), A coleira do cão (1965), Feliz ano novo (1975) e
Secreções, excreções e desatinos (2001).
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Rubem Fonseca.
Rubem Fonseca também vai dialogar com a história e literatura, como
no romance Agosto (1990), sobre os eventos que resultaram no suicídio
de Getúlio Vargas.
A escritora Patrícia Melo, mais atual, costuma ser comparada com
Rubem Fonseca, devido aos temas e à influência exercida por ele em
sua literatura que ela já havia admitido em algumas ocasiões.
Entretanto, a autora possui um estilo próprio de abordar as brutalidades
da vida cotidiana nas cidades.
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Patrícia Melo.
Em um de seus romances mais emblemáticos, Inferno, publicado em
2000, somos conduzidos a acompanhar a história de Reizinho, que de
olheiro do tráfico, aos 11 anos de idade, se tornou o bandido mais
procurado da cidade do Rio de Janeiro. É um romance ágil, mas
doloroso, pois acompanhamos a saga do personagem em um ambiente
hostil e precarizado, que influencia nas decisões controversas que o
levam ao mundo do crime. No entanto, acompanhamos também os
conflitos psicológicos do menino que cresceu sem pai e que, pouco a
pouco, tem a sua infância esvanecida como a fumaça do cano do
revólver após o tiro.
Ainda sobre o tema, temos de citar uma das obras mais marcantes já
produzidas em nossas letras. Mas não estamos falando de uma
narrativa convencional, em termos de suporte material e circulação. O
álbum Sobrevivendo no inferno (1997), dos Racionais MC’s, abalou as
estruturas não apenas do cenário musical brasileiro, mas também o
literário. Afinal, é literatura também, e literatura de qualidade e de grande
impacto como jamais foi visto.
Talvez pudéssemos mencionar como exemplo comparativo, dentro da
categoria convencional de literatura, o romance Cidade de Deus, de
Paulo Lins. Isso mesmo! O do filme! Aliás, grande filme.
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Apesar de o livro de Lins poder ser aqui tratado como exemplar de uma
narrativa periférica, optamos por trazer a você o álbum dos Racionais
por representar tanto os aspectos em torno da prosa urbana
mencionados neste conteúdo quanto as camadas marginalizadas
retratadas por esse tipo de narrativa.
Racionais MC’s na Virada Cultural em São Paulo.
Em 2018, a editora Companhia das Letras lançou as letras do álbum
como livro, poucos meses depois de a Unicamp incluí-lo na lista de
leituras obrigatórias para o vestibular. Portanto, assim como os demais
autores que vimos, os Racionais também expõem, por meio de
narrativas musicais e literárias, os contrastes e conflitos sociais de uma
cidade que se desenvolve às custas da exclusão das camadas mais
periféricas.
Narrativas periféricas
Acompanhe neste vídeo uma conversa sobre a prosa urbana focada nas
narrativas periféricas. Vamos destacar alguns autores e suas obras,
como João Antônio, Rubem Fonseca, Patrícia Melo, Racionais MC’s e
Paulo Lins.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Há movimentos artísticos e literários que retomam, em alguma
medida, aspectos de correntes e movimentos passados. Marque a
alternativa que aponte um aspecto em comum entre o Realismo do
século XIX e o realismo na literatura brasileira contemporânea.
Parabéns! A alternativa E está correta.
Apesar das diferenças do contexto histórico, as narrativas realistas
do século XIX e da atualidade têm em comum a presença de uma
A Princípio de verossimilhança
B Idealização dos nativos
C Objetividade da narrativa
D Temática abolicionista
E Crítica social
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crítica social, abordando a hipocrisia das classes dominantes e as
mazelas socioeconômicas das classes mais baixas.
Questão 2
Na prosa urbana brasileira, podemos destacar as narrativas
periféricas. Qual das obras abaixo pode ser considerada uma
narrativa periférica, embora não esteja na categoria convencional de
literatura?
Parabéns! A alternativa A está correta.
O álbum Sobrevivendo no inferno, dos Racionais MC’s, lançado em
1997, é uma obra musical e literária, pois constrói por meio de suas
letras narrativas em torno das vidas das pessoas marginalizadas
nas periferias das cidades. Essa obra foi reconhecida pelas
instituições de ensino como literatura, a exemplo da Unicamp, que a
incluiu em sua lista para o vestibular.
A Sobrevivendo no inferno
B Dom Casmurro
C O cortiço
D Cidade de Deus
E Agosto
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3 - As escritas de si
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os principais aspectos das chamadas
escritas de si.
Ficção e auto�cção
Quando falamos em ficção, costumamos pensar em algo oposto à
verdade, não é? Ora, se estamos tratando de “escritas de si”, ou “escritas
do eu”, o conceito de ficção, em um primeiro momento, pode parecer
inadequado, considerando uma definição mais convencional. Afinal de
contas, ficçãocostuma ser associada à invenção, à mentira.
Não por acaso, há pessoas que preferem a leitura de livros biográficos
ou autobiográficos, pois dizem preferir “a vida real”. Mas a ficção
também pode ser uma maneira de tratar do que chamamos de vida real.
No entanto, as estratégias discursivas são diferentes, dependem do
gênero do discurso. Segundo o filósofo francês Jacques Rancière (2009,
p. 58), “o real precisa ser ficcionado para ser pensado”.
A �cção é uma forma de compreender o mundo e a si
mesmo. Só que existem várias possibilidades para realizar
isso.
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O termo ficção vem do verbo em latim fingere, que significa fingir. O
fingimento não tem a ver apenas com o que é falso, mas com o que
costumamos chamar “fazer de conta”, ou seja, o ato de fazer está no
cerne do conceito da ficção, que, por sua vez, nos leva a pensar em
construção. Assim, a ficção se refere às estratégias construtivas
utilizadas para contar alguma coisa para alguém.
Exemplo
Ao escrever Dom Casmurro, Machado de Assis não estava preocupado
em retratar personagens que existem na vida real. Bento Santiago, até
onde sabemos, nunca existiu. Mas não se trata disso. A criação de
Bentinho e de Capitu atendem a outro expediente da narrativa
machadiana, que é, entre outras coisas, revelar as contradições da
sociedade brasileira do século XIX, em especial das classes
dominantes. Embora Bentinho, como pessoa, não exista como
referência factual, ele e seu discurso podem ser identificados com uma
maneira de se agir e pensar no Brasil.
Na literatura contemporânea, há uma tendência dominante que
combina, em princípio, a ideia de ficção com autobiografia, chamada de
autoficção.
Esse gênero literário surgiu há pouco tempo, na França, e foi nomeado
pelo escritor Serge Doubrovsky, na quarta capa de seu romance Fils,
publicado em 1977. Desde então, o termo vem sendo disputado
conceitualmente por diversos escritores e intelectuais dos estudos
literários, dentre eles, podemos destacar Philippe Lejeune, Philippe
Gasparini e Vincent Colonna. Sim, todos franceses.
Serge Doubrovsky.
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No Brasil, o conceito vem sendo bastante debatido, especialmente pelas
pesquisadoras Eurídice Figueiredo, Anna Faedrich e Jovita Noronha.
Antes de continuarmos, entenda alguns conceitos!
Ficção
Criação de outras realidades, pelo fingimento.
Autobiogra�a
Reconstituição da vida de um “eu”.
Auto�cção
Ficcionalização do eu, em que o autor da obra se torna
personagem de seu livro, misturando fatos de sua vida com
invenção, de maneira que não se torne clara a fronteira entre a
realidade e a ficção.
Na literatura brasileira contemporânea, temos vários exemplos de
autoficção.
Um caso representativo é o do escritor Ricardo Lísias, por meio de seus
livros O céu dos suicidas (2012) e Divórcio (2013). Nas duas obras, o
autor que assina a capa é também personagem envolvido na história. A
primeira trata da forma como o personagem lida, ao longo da narrativa,
com a perda de um amigo que se matou; já a segunda, como já sugere o
título, se volta para os bastidores de uma difícil separação conjugal.
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Ricardo Lísias.
Um dos conflitos presentes na literatura autoficcional é com a
identidade, seja a da personagem e do autor do livro, no plano de
construção do próprio discurso, seja a dos laços desse
autor/personagem com o seu passado, isto é, suas heranças culturais,
seus ancestrais e sua filiação.
O romance A chave de casa (2007), de Tatiana Salem Levy, é exemplar
nesse sentido, pois explora, em sua busca por construção de si mesma,
não apenas se libertar do relacionamento abusivo que atravessa, mas
também se conectar com suas memórias familiares.
Tatiana Salem Levy.
Em uma perspectiva semelhante, um romance autoficcional que vale a
pena ser mencionado é O diário da queda (2011), de Michel Laub,
história dolorosa e impactante que também se desenrola a partir de um
trabalho da memória e da busca por uma identidade. O diário do título é
uma referência aos escritos deixados pelo avô do personagem, de
família de judeus.
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Embora tenha sofrido com as atrocidades de Auschwitz, durante a
ocupação nazista, ele não descreve essa terrível experiência nas
páginas que deixou. O silêncio, às vezes, acaba se tornando ainda mais
potente e revelador. Assim, o personagem vai em busca desses vazios
deixados nas frestas do seu passado e de seu presente, reinventando-se
ao longo da narrativa.
Ficção e auto�cção
Confira neste vídeo uma análise da relação entre ficção e autoficção na
prosa contemporânea brasileira, e veja alguns exemplos de romance
autoficcional.
Perspectivas indígenas e
afrodiaspóricas
A linguagem é um dispositivo de poder. Intelectuais como Roland
Barthes e Michel Foucault apontam, em suas obras, para essa natureza
dos mecanismos de produção e circulação dos textos, seja por meio da
oralidade ou pela escrita.
Quem detém o enunciado, a capacidade de formular um discurso,
também detém o controle sobre a história que é contada.
A Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, em 2019, levou para
a Marquês de Sapucaí o enredo História para ninar gente grande, com a
proposta de apresentar um “país que não está no retrato”. A ideia era dar
o devido espaço a personagens e episódios esquecidos e invisibilizados,
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para que possamos entender a formação do nosso país não mais a
partir da versão dos dominantes, mas pela voz daqueles que foram
silenciados.
Desfile da Mangueira em 2019.
Desde o período colonial até os dias atuais, a história do país sempre foi
marcada por esses silenciamentos, que nunca foram arbitrários. Ao
contrário, eles constituem um projeto que não contempla todo mundo.
Como sabemos, a escravidão foi um dos capítulos mais perversos da
nossa história, servindo de combustível para o desenvolvimento social e
econômico de uma determinada classe e a manutenção de seu poder.
Pessoas negras e indígenas foram exploradas, torturadas, violentadas e
mortas, para que o projeto colonialista de dominação e controle de seus
corpos, afetos e conhecimentos pudesse alcançar êxito. Por isso,
tivemos (e, infelizmente, ainda temos) ao longo do tempo no Brasil não
apenas um genocídio, mas também um epistemicídio.
Epistemicídio
O sociólogo português Boaventura de Souza Santos definiu da seguinte
forma:
“Destruição de algumas formas de saber locais, à inferiorização de outros,
desperdiçando-se, em nome dos desígnios do colonialismo, a riqueza de
perspectivas presente na diversidade cultural e nas multifacetadas visões
do mundo por elas protagonizadas” (Santos; Meneses, 2009, p. 183).
O indianismo romântico, com os romances de José de Alencar,
funcionou como uma ideologia estética que contribuiu, de certo modo,
para esse extermínio no campo simbólico, ao idealizar a exploração do
indígena pelo colonizador europeu. Embora outros autores do período
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tenham se colocado contra essa concepção, como Gonçalves Dias e
Maria Firmina dos Reis, ela representa um amplo esforço de atenuar a
violência da colonização.
José de Alencar.
Na literatura contemporânea, temos presenciado cada vez mais autoras
e autores realizando uma releitura críticada colonização por meio da
literatura, tomando como ponto de vista as suas identidades. O conceito
clássico de literatura, sabemos, é ocidental e europeu. Portanto, ao fazer
uso desse instrumento para recontar a história de seus povos, pessoas
negras e indígenas transgridem e reinventam outras maneiras de falar
de si e de habitar o mundo.
A literatura indígena contemporânea é relativamente recente e tem
obtido cada vez mais sucesso de público e de crítica. Isso não quer
dizer que os povos indígenas não produziram literatura antes. Há
diversos registros de cantos ameríndios, do período da colonização, que
podem ser incluídos como poemas na história da literatura brasileira,
mas, em geral, são criações coletivas, sem autoria e sem alguns dos
elementos que constituem uma narrativa de ficção, como as que temos
presenciado na atualidade.
Um autor fundamental de nosso tempo representante dessa tendência
de hoje é Daniel Munduruku. Ele é um dos precursores da literatura
indígena contemporânea e ativista dos direitos dos povos originários. De
um modo geral, suas obras são voltadas para o público infantojuvenil,
como Histórias de índio (1996), seu livro de estreia.
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Daniel Munduruku.
Em Meu vô Apolinário: um mergulho no rio da (minha) memória (2001), o
autor resgata passagens da sua infância e adolescência para nos
apresentar a sua relação com seus ancestrais e como isso o ajudou a
compreender o que é ser indígena hoje. Entre outros autores de
destaque nesse cenário, temos ainda Márcia Kambeba, Eliane Potiguara,
Ailton Krenak e Graça Graúna.
A diáspora africana também tem sido resgatada por autoras e autores
contemporâneos, com novas abordagens e olhares diversos. Como se
tratou de uma imigração forçada de pessoas negras africanas, por meio
do tráfico transatlântico, a diáspora resultou em marcas profundas na
sociedade brasileira até hoje, como a violência do Estado contra a
juventude negra e periférica e as desigualdades sociais e econômicas.
Uma das autoras negras mais importantes da atualidade e que adota
uma perspectiva afrodiaspórica na revisão do nosso passado é
Conceição Evaristo, autora de obras já consagradas da nossa literatura,
como Ponciá Vicêncio (2003), Becos da memória (2006) e Olhos d’água
(2014).
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Conceição Evaristo.
Temas como ancestralidade, racismo e discriminação de gênero e de
classe atravessam sua literatura, construídas a partir do seu conceito de
“escrevivência”, ou seja, contar história pessoais a partir de vivências
que podem ser compartilhadas e identificadas coletivamente.
Além de Evaristo, temos também um conjunto cada vez mais crescente
de escritoras e escritores que adotam essas e outras perspectivas,
como Eliana Alves Cruz, Itamar Vieira Junior, Jarid Arraes e Ana Maria
Gonçalves.
A escritora Ana Maria Gonçalves, autora de Um defeito de cor (2006),
adota uma perspectiva afrodiaspórica em sua obra ao resgatar,
ficcionalmente, aspectos da história do Brasil e da formação da
sociedade brasileira a partir da diáspora africana.
Ana Maria Gonçalves.
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Perspectivas indígenas e
afrodiaspóricas
Assista a esta conversa sobre a produção literária de autores indígenas
e afrodescendentes, destacando suas obras e temáticas.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O escritor francês Serge Dubrovsky cunhou um termo que aparece
em seu romance Fils e que remete a uma característica da prosa
contemporânea. Qual é esse termo?
A Escrevivência
B Decolonialismo
C Epistemicídio
D Ficção
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Parabéns! A alternativa E está correta.
O escritor francês Serge Dubrovsky foi o autor que criou o termo
autoficção para se referir a uma narrativa que misture ficção e
relato autobiográfico. A palavra aparece na quarta capa de seu
romance Fils, publicado em 1977.
Questão 2
Autores como Daniel Munduruku resgatam no cenário literário
contemporâneo no Brasil narrativas ameaçadas pelo esquecimento
ou silenciamento, numa perspectiva indígena. Entre as obras que se
inscrevem na perspectiva indígena, podemos mencionar
Parabéns! A alternativa A está correta.
Daniel Munduruku é o autor de Meu vô Apolinário: um mergulho no
rio da (minha) memória, obra que narra sua história ou o que ele foi
E Autoficção
A
Meu vô Apolinário: um mergulho no rio da (minha)
memória
B Ponciá Vicêncio
C Becos da memória
D Olhos d’água
E Um defeito de cor
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se constituindo no processo de convivência com o avô Apolinário.
As demais obras correspondem à perspectiva afrodiaspórica.
4 - Literatura e outras artes
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as relações entre a literatura
contemporânea e outras artes.
Literatura e artes visuais
A literatura é a arte da palavra. Quando você pensa em um bom livro,
naturalmente o associa a elementos de natureza linguística, como o
significado, o som e a relação das palavras no papel. No entanto, o
diálogo entre imagem e palavra não é nada novo.
Desde o Neolítico, quando as inscrições nas cavernas começaram a ser
registradas, passando pelos templos da Antiguidade e os manuscritos
medievais, até chegar nas telas de celular, a literatura e as artes visuais
sempre mantiveram um contato bem próximo. Ora se aproximando, ora
se afastando.
Exemplo
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No Renascimento italiano, os pintores começaram a exigir o mesmo
prestígio e posição social que os poetas tinham. Entretanto, mesmo
quando as imagens parecem não estabelecer nenhuma relação com as
palavras, elas acabam mobilizando histórias que nos envolvem,
inquietam e fascinam, assim como um livro.
O modernismo brasileiro, com a Semana de Arte Moderna, também é
representativo desse diálogo. Ao mesmo tempo que poetas
declamavam seus poemas e discursos, havia uma exposição de pintura
ocorrendo no Theatro Municipal de São Paulo, naquele início de
fevereiro de 1922.
Capa do catálogo da exposição de arte da Semana de Arte Moderna por Di Cavalcanti, 1922.
Os poetas concretos, que vimos ainda há pouco, também possuem uma
relação muito presente entre essas expressões. Aliás, esse diálogo é
parte indissociável das produções desses autores.
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Ainda nos dias de hoje, a pintura, a escultura e o desenho estabelecem
relações com a literatura, misturando-se ou dialogando com alguns de
seus principais aspectos, por meio dos temas, das formas ou de
referências.
O entrecruzamento de expressões costuma ser lido
contemporaneamente pela chave da intermidialidade,
que é o processo de interação de mídias diferentes,
como as artes. Com o avanço de novas tecnologias,
algumas fronteiras se tornaram não apenas tênues,
mas quase inexistentes, criando novos produtos e
relações entre eles.
A ilustração de livros talvez seja um dos exemplos mais convencionais
para esse tipo de relação. No entanto, ainda pode apresentar um caráter
inovador, dependendo do projeto e da proposta desse diálogo. Os livros
infantis e infantojuvenis estão cada vez mais interativos, pois, diante do
celular e da internet, como prender a atençãodos pequenos? Apenas as
palavras são suficientes? Difícil! Por isso, o papel dos ilustradores
nessas obras é tão importante.
As narrativas contemporâneas dos povos originários vêm se
consolidando nesse segmento, com escritores e artistas atuando em
conjunto. O livro Eu sou macuxi e outras histórias, da escritora indígena
Julie Dorrico, traz imagens com ilustrações do artista visual indígena
Gustavo Caboco, em que o traço e a letra buscam estabelecer
importantes conexões para a experiência de leitura.
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Capa do livro Eu sou macuxi e outras histórias.
O escritor mineiro Evando Nascimento é um caso impressionante do
diálogo entre imagem e palavra. Professor universitário de literatura e
crítico literário, Evando é também ficcionista e artista visual. A atividade
acadêmica, de certo modo, contribui para as escolhas de algumas
referências que aparecem em suas obras, mas como artista, seja da
palavra ou da imagem, ele cria um universo próprio, independentemente
de formação intelectual.
O que queremos dizer com isso? Que você não precisa ter a bagagem
cultural do artista, pois ele não faz de seu trabalho uma exposição de
seu saber acadêmico, como talvez você encontre por aí.
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Arte visual de Evando Nascimento.
Assim como Evando, temos outros escritores-artistas/artistas-
escritores de grande relevância no cenário artístico nacional
contemporâneo, como Nuno Ramos, Leila Danziger e Carlito Azevedo.
No caso de Carlito, são notáveis suas oficinas de poesia, em que a
literatura e as artes visuais aparecem frequentemente como motivo para
criação ou desdobramento das relações com a cultura contemporânea.
Nuno Ramos e Leila Danziger são artistas com obras expostas em
galerias de arte, muitas delas trazendo essas travessias entre imagem e
palavra. Mas também são autores de livros em formato convencional.
Ou seja, não há limites para as artes da palavra e da imagem, que em
suas frentes e em seus versos são quase como se mirassem em um
espelho.
Instalação de Nuno Ramos.
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Instalação de Leila Danziger.
Literatura e artes visuais
Acompanhe neste vídeo uma análise da relação entre a literatura e as
artes plásticas no contexto da intermidialidade, com destaque para o
escritor, crítico e artista visual Evando Nascimento.
Literatura e artes cênicas
Assim como as artes visuais, as artes cênicas também sempre
mantiveram intenso diálogo com a literatura, afinal de contas, o teatro
tem a palavra como um de seus principais instrumentos de trabalho.
Mas podemos pensar também na dança, que é mais voltada para o
movimento do corpo, e no cinema, um pouco mais próximo do teatro em
termos de estrutura dramatúrgica e construção narrativa.
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É possível uma peça sem palavras, claro, como as de Samuel Beckett ou
a mímica de Jacques Lecoq, mas o silêncio também conta uma história
e, para fazer sentido como arte, precisa de uma construção, isto é, de
uma estrutura que faça com que as pessoas parem para assistir. Nesse
sentido, a literatura pode exercer um importante papel.
No século IV AEC, o teatro grego lançou as bases ocidentais para o que
compreendemos até os dias de hoje como interpretação, personagem,
música e texto teatrais. Ésquilo, Sófocles e Eurípides são reconhecidos
como precursores sobretudo em razão dos seus textos.
Não podemos esquecer que o maior escritor da literatura ocidental é um
reconhecido autor de peças de teatro. Sim, ele mesmo: William
Shakespeare!
AEC
O uso das siglas AEC (antes da Era Comum) e EC (Era Comum) tem como
objetivo uma escrita inclusiva, sem distinção de crença ou cultura. São
equivalentes aos termos antes de Cristo (a.C.) e depois de Cristo (d.C.).
No Brasil, o teatro brasileiro se consolidou como gênero no século XIX
com a participação de grandes escritores, como José de Alencar,
Machado de Assis e Artur Azevedo. O teatro moderno, segundo críticos
como Décio de Almeida Prado e Sábato Magaldi, se estabeleceu a partir
da encenação da peça de um autor reconhecido como fundamental
também da nossa literatura. Esse mesmo, Nelson Rodrigues.
Nelson Rodrigues.
Como você já deve ter notado, literatura e artes cênicas são mais do que
vizinhos: são praticamente da mesma família.
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Presenciamos, na atualidade, experimentações cada vez mais ousadas
dessas relações, não apenas em termos literários, mas também cênico-
dramatúrgicos. Com a criação do Teatro Oficina, nos anos 1960, o ator e
diretor teatral José Celso Martinez Corrêa revolucionou a linguagem
teatral e também sua relação com a literatura.
José Celso Martinez Corrêa.
A montagem de O rei da vela, em 1967, texto escrito por Oswald de
Andrade, é considerada um marco na história do teatro brasileiro,
atualizando questões trazidas pela antropofagia cultural do escritor
modernista para o cenário artístico brasileiro contemporâneo.
Dina Sfat em cena de O rei da vela no palco do Teatro Oficina, em São Paulo.
Uma de suas encenações mais impressionantes, no entanto, foi a
adaptação de Os sertões, de Euclides da Cunha, para os palcos. O
caudaloso livro sobre a campanha de Canudos ganhou uma versão
cênica dividida em seis partes, cada uma com cerca de seis horas de
duração. Não era apenas uma série de montagens teatrais, mas uma
experiência estética, ética e política como raramente se viu por aqui.
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Zé Celso em cena de Os sertões no palco do Teatro Oficina, em São Paulo.
Ainda em torno das adaptações de obras literárias grandiosas para os
palcos, não há como não mencionar a recente montagem de Grande
sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, realizada pela diretora teatral,
dramaturga e artista visual Bia Lessa, em 2017.
Bia Lessa.
Para quem teve contato com o universo de Guimarães Rosa, deve se
perguntar como foi possível transpor aquele tsunami de palavras para a
cena, para o palco. E Bia o faz com muito vigor e sensibilidade, não se
preocupando com uma transposição meramente realista do romance,
mas em mergulhar, por meio da linguagem teatral, em seu rio
inquietante de palavras e narrações, que constituem a voz do jagunço
Riobaldo.
Assim como no livro, a peça explora a potência das palavras de
Guimarães Rosa e propõe outras experiências com o espectador/leitor.
A peça é um espetáculo-instalação. Todos ocupam uma estrutura
chamada de “gaiola”, com os atores muito próximos, dizendo as falas e
reproduzindo os sons dos animais que habitam o sertão criado pelo
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escritor mineiro. Afinal, como ele mesmo diz no livro, sertão é dentro da
gente. E somente a arte, seja da palavra, da imagem ou movimento, é
capaz de recriar novos sertões e mundos.
Caio Blat e grande elenco em cena de Grande sertão: veredas no palco do CCBB, no Rio de
Janeiro.
Literatura e artes cênicas
Assista ao vídeo e acompanhe uma conversa sobre o diálogo entre
literatura e artes cênicas, destacando a montagem da obra O rei da vela,
por Zé Celso, e Grande sertão: veredas, por Bia Lessa.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1

15/09/2024,09:48 A literatura contemporânea brasileira
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A literatura pode ter interfaces ou interações com outras linguagens
e manifestações artísticas. Como se chama, contemporaneamente,
o processo de interação entre as artes, os meios de comunicação e
outros dispositivos?
Parabéns! A alternativa C está correta.
A intermidialidade é o processo contemporâneo de interação entre
mídias diferentes no qual as fronteiras se misturam, estabelecendo
novos usos e funções dos componentes envolvidos nessa relação.
Questão 2
A relação entre literatura e teatro no Brasil resultou em montagens
de grande impacto. Uma delas é considerada um marco histórico
do teatro brasileiro, sendo encenada por José Celso Martinez
Corrêa. Qual alternativa apresenta a obra literária montada pelo
Teatro Oficina?
A Diálogos de mídias
B Comunicação social
C Intermidialidade
D Socialização
E Artes de mídia
A O rei da vela, de Oswald de Andrade.
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Parabéns! A alternativa A está correta.
Com a criação do Teatro Oficina, nos anos 1960, o ator e diretor
teatral José Celso Martinez Corrêa inovou a linguagem teatral e sua
relação com a literatura. A montagem de O rei da vela, em 1967,
texto escrito por Oswald de Andrade, atualizou questões trazidas
pela antropofagia cultural do escritor modernista para o cenário
artístico brasileiro contemporâneo.
Considerações �nais
A literatura brasileira contemporânea apresenta uma diversidade de
vozes e perspectivas cada vez mais instigantes. Por meio de seus
autores e obras, é possível apreender o difícil retrato fragmentado da
formação da nossa sociedade, considerando suas contradições e
conflitos estruturais. As tensões entre a tradição e a vanguarda, dos
anos 1950 e 1960, expuseram os impasses da modernização e a
necessidade de atualização das propostas do movimento modernista
no início do século XX.
Historicamente, o Brasil é marcado também pela exclusão e
silenciamento de agentes sociais que hoje falam por si e que não
B Os sertões, de Euclides da Cunha.
C Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa.
D Macunaíma, de Mário de Andrade.
E
Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de
Assis.
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precisam mais de mediadores. Pessoas negras e indígenas vêm se
consolidando no cenário literário com suas obras, em um contexto no
qual a construção das subjetividades vai ao encontro de uma dimensão
ancestral e coletiva.
Como território em disputa, portanto, a literatura contemporânea tem se
mostrado instrumento de luta por grupos que exigem seu espaço, assim
como também tem se revelado um campo aberto e inacabado de
experimentações com outras linguagens. A arte da palavra reverbera em
e com outras artes, reinventando histórias, sentidos e perspectivas de
futuro.
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Assista à série A vida como ela é..., baseada na obra de Nelson
Rodrigues. Ela foi produzida e dirigida por Daniel Filho e é considerada
uma das melhores adaptações para a TV do universo rodrigueano. No
YouTube, você pode assistir a alguns dos episódios. 
Escute o podcast Página Cinco, produzido e apresentado por Rodrigo
Casarin. São resenhas, entrevistas, notícias, entre outros temas ligados
à produção contemporânea. 
Leia as edições do caderno Pensar, do jornal Estado de Minas, que sai
todas as sextas-feiras. É possível acompanhar o periódico pelo site na
internet. Em suas poucas páginas, os editores trazem novidades
literárias de qualidade. 
Visite o site de Evando Nascimento e vá à seção Artes visuais. Lá você
vai encontrar vídeos de exposições e algumas de suas criações. Há
desenhos-escritos, pinturas-escritas e colagens-escritas, ou seja, o
diálogo entre o verbal e o imagético estão no cerne do trabalho do
escritor e artista.
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Referências
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textos críticos e manifestos 1950-1960. São Paulo: Ateliê, 2006.
CAMPOS, A. Mallarmé. 4. ed. São Paulo: Perspectiva, 2015.
CANDIDO, A. Literatura e sociedade. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul,
2006.
FIGUEIREDO, E. Mulheres ao espelho: autobiografia, ficção, autoficção.
Rio de Janeiro: EdUERJ, 2013.
GUINSBURG, J.; COELHO NETTO, J. T.; CARDOSO, R. C. (orgs.)
Semiologia do teatro. São Paulo: Perspectiva, 1988.
HARVEY, D. A justiça social e a cidade. São Paulo: Hucitec, 1980.
NORONHA, J. M. G. (org.). Ensaios sobre a autoficção.  Belo Horizonte:
Editora UFMG, 2014.
PEDROSA, C. et al. (org.). Indicionário do contemporâneo. Belo
Horizonte: Editora UFMG, 2018.
RANCIÈRE, J. A partilha do sensível. São Paulo: Ed. 34, 2009.
SANTOS, B. de; MENESES, M. P. (orgs.). Epistemologias do sul. Coimbra:
Almedina, 2009.
SCHØLLHAMER, K. E. Ficção brasileira contemporânea. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2009.
SÜSSEKIND, F. Tal Brasil, qual romance?: uma ideologia estética: o
naturalismo. Rio de Janeiro: Achiamé, 1983.
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