Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

AULA 3 
PERÍCIA E AUDITORIA 
AMBIENTAL
Prof. Marcelo Schmid 
 
 
2 
TEMA 1 – PLANEJAMENTO DA AUDITORIA 
De acordo com a NBR ISO 14011 (ABNT,1996b), existem quatro etapas no 
processo de auditoria do sistema de gestão ambiental, quais sejam: etapa 1 (início 
da auditoria); etapa 2 (preparação da auditoria); etapa 3 (execução da auditoria); 
e etapa 4 (elaboração do relatório de auditoria). 
Neste tema, avaliaremos as atividades listadas pela norma para o 
planejamento da auditoria que, nos termos da norma, engloba o início (etapa 1) e 
a preparação da auditoria (etapa 2). 
A auditoria tem início com as seguintes atividades. 
 Definição do escopo da auditoria: quando a equipe responsável deverá 
fazer a descrição da localização física e das atividades da organização, 
consultando o auditado sempre que necessário. 
 Análise crítica preliminar da documentação: quando o auditor-líder avaliará 
toda a documentação base para a auditoria, requisitando, sempre que 
necessário, documentos suplementares. 
A preparação da auditoria, por sua vez, se divide em três etapas: 
elaboração do plano de auditoria, atribuição de funções aos membros da equipe 
da auditoria e preparação dos documentos da auditoria. 
1.1 Elaboração do plano de auditoria 
Segundo a norma NBR ISO 14011 (ABNT,1996b), o plano de auditoria 
deve ser elaborado pelo auditor-líder; avaliado pelo cliente e deve ser flexível para 
poder sofrer eventuais alterações. O plano deve incluir: 
 Objetivos e escopo da auditoria; 
 Critérios de auditoria; 
 Identificação das unidades auditadas; 
 Identificação dos funcionários da unidade que tenham responsabilidade 
direta com de auditoria o SGA; 
 Identificação dos elementos do SGA prioritários; 
 Procedimentos de auditoria; 
 
 
3 
 Identificação de idiomas, dos documentos de referência, da época e da 
duração previstas, das datas e dos locais e dos membros da equipe de 
auditoria; 
 Programa de reuniões; 
 Requisitos de confiabilidade; 
 Conteúdo e formato do relatório de auditoria e data prevista de sua 
emissão; 
 Requisitos de retenção de documentos. 
1.2 Atribuição de funções aos membros da equipe da auditoria 
A norma determina que o auditor-líder, em entendimento com os membros 
da equipe, deverá atribuir as funções e atividades a serem realizadas pelos 
membros da equipe de auditoria, sendo que o auditor-líder deve fornecer 
instruções sobre o procedimento da auditoria. 
1.3 Preparação dos documentos da auditoria 
Os documentos de trabalho da auditoria podem consistir em formulários 
para documentar evidências e constatações da auditoria, listas de verificação para 
avaliar os elementos do SGA e atas de reuniões. 
Todos os documentos de auditoria devem ser arquivados até o 
encerramento da auditoria e os documentos com informações confidenciais ou 
privativas devem ser adequadamente resguardados pela equipe de auditoria, 
evitando assim que aspectos confidenciais do auditado possam ser divulgados. 
TEMA 2 – EXECUÇÃO DA AUDITORIA 
A execução da auditoria é terceira etapa do processo de auditoria, listada 
pela NBR ISO 14011 (ABNT,1996b), a qual se divide nas quatro etapas descritas 
a seguir. 
2.1 Reunião de abertura 
Na reunião de abertura, as seguintes atividades serão realizadas. 
 Apresentação dos membros da equipe; 
 
 
4 
 Revisão do escopo, dos objetivos e do plano de auditoria e ratificação do 
calendário de auditoria; 
 Apresentação do método de trabalho e dos procedimentos a serem 
utilizados; 
 Estabelecimentos de canais formais de comunicação; 
 Confirmação da existência de condições para realização da auditoria; 
 Confirmação da data e do horário da reunião de encerramento; 
 Promoção da participação efetiva do auditado; 
 Revisão dos procedimentos de emergência e segurança para a equipe de 
auditoria. 
2.2 Coleta de evidências 
É a auditoria propriamente dita, ou seja, o momento em que a equipe de 
auditoria vai realizar as atividades necessárias à coleta de evidências, como 
entrevistas, exame de documentos e observação de atividades e situações, em 
quantidade suficiente para se determinar a conformidade do SGA do auditado em 
relação aos critérios de auditoria. As não conformidades devem ser registradas e 
as informações obtidas por meio de entrevistas devem ser verificadas, 
executando-se observações, registros e medições, sendo as declarações não 
verificáveis identificadas como tal. 
2.3 Análise de evidências 
Segundo a norma, as evidências devem ser analisadas criticamente em 
comparação aos critérios. O gerente responsável do auditado deve analisar as 
constatações de não conformidade, de forma a tornar a auditoria mais 
transparente possível. 
2.4 Reunião de encerramento 
A reunião de encerramento deve acontecer antes da elaboração do 
relatório de auditoria. Nela devem participar auditores, administração do auditado 
e responsáveis pelas funções auditadas. 
As constatações devem ser apresentadas e eventuais divergências devem 
ser resolvidas, sendo as decisões finais de responsabilidade do auditor-líder. É 
 
 
5 
importante destacar que o resultado total da auditoria (todas as não 
conformidades) deverá ser integralmente apresentado nessa reunião, sendo 
defeso à equipe de auditoria incluir novas não conformidades após a reunião de 
encerramento. 
TEMA 3 – NÃO CONFORMIDADES DE AUDITORIA 
3.1 Conceito 
A norma ABNT NBR 14001:2015 define, em seu item 3.2.8, o termo 
“requisito” como sendo a necessidade ou expectativa que é declarada, geralmente 
implícita ou obrigatória (sendo que “implícita” significa que é costume ou prática 
comum para a organização e que a necessidade ou expectativa sob consideração 
esteja implícita). 
A mesma norma, mais adiante, em seu item 3.4.3, define o termo “não 
conformidade” como o não atendimento a um requisito. Conjugando ambas as 
definições, pode-se determinar que não conformidade é, portanto, “o não 
atendimento de uma necessidade ou expectativa declarada (proveniente de 
norma), implícita ou obrigatória”. Em nota referente a esse mesmo item a norma 
esclarece que a “não conformidade refere-se aos requisitos da norma e de 
requisitos adicionais do sistema de gestão ambiental que a organização 
estabelece para si mesma”. 
3.2 Ações a serem tomadas diante de uma não conformidade de auditoria 
No item 10.2, a norma esclarece quais ações devem ser tomadas diante da 
constatação (em auditoria, seja ela interna ou externa) de uma não conformidade. 
a. Reagir à não conformidade e, como aplicável: 
 Tomar ação para controlá-la e corrigi-la; 
 Lidar com as consequências, incluindo mitigar impactos ambientais 
adversos. 
b. Avaliar a necessidade de uma ação para eliminar as causas da não 
conformidade, a fim de que ela não se repita ou ocorra em outro lugar: 
 Analisando criticamente a não conformidade; 
 Determinando as causas da não conformidade; 
 
 
6 
  Determinando se não conformidades similares existem ou se poderiam 
potencialmente ocorrer. 
c. Implementar qualquer ação necessária; 
d. Analisar criticamente a eficácia de qualquer ação corretiva tomada; 
e. Realizar mudanças no sistema de gestão ambiental, se necessário. 
TEMA 4 – EVIDÊNCIAS DE AUDITORIA 
4.1 Conceito 
Segundo a ABNT NBR 19011:2012 (Diretrizes para Auditoria de Sistemas 
de Gestão), evidências de auditoria consistem em registros, declarações de fato 
ou outras informações pertinentes aos critérios de auditoria e verificáveis. 
Em uma auditoria ambiental, a evidência é de grande importância, pois ela 
é a “prova” da constatação do auditor, sem a qual não é possível comprovar a 
existência de não conformidade a requisito da norma. A evidência de auditoria, 
portanto, é a base que sustenta o relatório e as conclusões da equipe de auditoria 
em relação à organização avaliada. 
Diversos autores classificam as evidências de auditoria em três tipos. 
 Física: são as comprovações obtidas pormeio da inspeção in loco realizada 
pelo auditor e expressam a existência tangível, representada por anotações 
do auditor, cópias de documentos ou mesmo fotografias. Comumente as 
evidências físicas comprovam, ou não, a consecução de atitudes. 
 Analítica: obtida por meio do exame de documentos, comparações ou 
cálculos. 
 Testemunhal: consiste nas provas obtidas pelo auditor por meio das 
respostas e declarações tanto de natureza oral quanto escrita. 
Aos tipos listados anteriormente, poderia se acrescentar a evidência 
documentacional que, embora seja evidência física, merece destaque por sua 
importância dentro de qualquer processo de auditoria. A evidência 
documentacional comprova, ou não, a existência de atos da organização 
identificando o tipo de conduta: se ativa ou omissiva. 
 
 
7 
4.2 Requisitos da evidência 
Segundo UFMG (2013), são requisitos das evidências de auditoria: 
 Suficiência – trata-se de informações que expressam dados factuais 
completos, adequados e convincentes, conduzindo os usuários às mesmas 
conclusões, auditor ou cliente. Para ser suficiente, a evidência deve ser 
convincente para justificar os conteúdos dos relatórios de auditoria. 
Suficiência é encontrada quando ambos, auditor e receptor do relatório, 
estão satisfatoriamente convencidos de que os impactos e as conclusões 
da auditoria são apropriados. Isso normalmente requer que a quantidade 
de evidência coletada seja suficiente para também convencer o auditado, 
mas em última análise, o auditor deve estar mais preocupado em persuadir 
o usuário do relatório; 
 Pertinência – uma evidência é pertinente quando diz respeito ao objetivo 
da auditoria realizada e tem uma relação lógica com as constatações e 
conclusões do auditor; 
 Fidedignidade – a fidedignidade da evidência está diretamente relacionada 
ao seu grau de confiabilidade, integridade e procedência; significa tratar-se 
da melhor informação que se pode obter usando as técnicas apropriadas 
de auditoria. Diz-se que uma evidência é fidedigna quando objetiva e livre 
de parcialidade; 
 Relevância – diz respeito diretamente ao objeto dos exames e significa que 
a informação usada para fundamentar as descobertas e recomendações 
de auditoria atinge os objetivos estabelecidos para o trabalho. Relevância 
dos itens objeto dos exames significa o grau de relação entre as evidências 
e os objetivos do auditor. A evidência deve ser relevante para o objetivo 
específico da auditoria que ela serve e cada objetivo específico deve ser 
coberto; 
 Utilidade – significa que a informação obtida auxilia tanto o auditor a 
alcançar suas conclusões como ajuda a Unidade a atingir suas metas e 
objetivos. A Utilidade ou Validade refere-se à força ou credibilidade da 
evidência em dar suporte às conclusões concernentes à natureza da 
entidade sob exame. 
 
 
 
8 
 TEMA 5 – RELATÓRIO DE AUDITORIA 
O relatório de auditoria tem uma importância singular para todo o processo 
de auditoria, pois nele deverão estar materializadas todas as conclusões da 
equipe de auditoria. 
Segundo a norma NBR ISO 14011, essa etapa divide-se nas três fases 
detalhadas a seguir. 
5.1 Preparação do relatório de auditoria 
Os tópicos abordados no relatório devem ser os mesmos apresentados no 
plano de auditoria, sendo que qualquer alteração deve ser realizada de comum 
acordo entre auditor, auditado e cliente. 
Com referência ao conteúdo do relatório, que deve ser datado e assinado 
pelo auditor-líder, a norma recomenda que estejam registradas as constatações 
da auditoria ou um resumo delas, indicando-se as evidências que sustentam cada 
constatação. 
Os tópicos que podem constar do relatório são: 
 Identificação da organização auditada e do cliente; 
 Objetivos, escopo e plano de auditoria acordados; 
 Critérios acordados, incluindo uma lista de documentos de referência 
segundo a auditoria foi conduzida; 
 Período da auditoria e a(s) data(s) em que a auditoria foi conduzida; 
 Identificação dos representantes do auditado que participaram da auditoria; 
 Identificação dos membros da equipe da auditoria; 
 Declaração sobre a natureza confidencial do conteúdo; 
 Lista de distribuição do relatório da auditoria; 
 Sumário do processo de auditoria, incluindo quaisquer obstáculos 
encontrados; 
 Conclusões da auditoria, tais como a conformidade do SGA auditado em 
relação aos critérios de auditoria do SGA; se o SGA está implementado e 
mantido de forma adequada; e se a análise crítica realizada pela 
administração é capaz de assegurar a melhoria contínua do SGA. 
 
 
9 
5.2 Distribuição do relatório de auditoria 
O auditor-líder deve enviar o relatório ao cliente, sendo que a relação de 
interessados que receberão o relatório deve ser definida pelo cliente, essa tendo 
sido registrada anteriormente no plano de auditoria. 
O auditado deve receber uma cópia do relatório, a não ser que ele seja 
excluído pelo cliente e a distribuição para interessados externos à organização 
somente poderá ocorrer quando autorizada pelo auditado. 
É importante lembrar que o caráter confidencial do relatório, que é de 
propriedade exclusiva do cliente, deve ser respeitado por todos seus destinatários. 
5.3 Retenção ou descarte de documentos de auditoria 
Durante a auditoria, é normal o recolhimento de uma série de cópias de 
documentos da organização auditada, os quais perdem sua funcionalidade logo 
após a entrega do relatório de auditoria. Assim, a retenção (pelo auditor), o 
descarte ou a devolução (ao cliente) de documentos deve ser realizada conforme 
acordado entre cliente, auditor-líder e auditado. 
 
 
 
 
 
10 
REFERÊNCIAS 
ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 14001: 
sistema de gestão ambiental – Especificação e diretrizes para uso. Rio de Janeiro, 
1996a. 
_____. NBR ISO 14011: Diretrizes para auditoria ambiental: procedimentos de 
auditoria – Auditorias em sistemas de gestão. Rio de Janeiro, 1996b. 
UFMG – UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Manual de Auditoria 
Interna. Belo Horizonte, 2013.

Mais conteúdos dessa disciplina