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HANSENÍASE P R O F . B R U N O S O U Z A Estratégia MED Prof. Bruno Souza | HanseníaseDERMATOLOGIA 2 APRESENTAÇÃO: PROF. BRUNO SOUZA @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed @estrategiamed @profbruno.souza Fale, Estrategista, tudo bem? Vamos passar agora pelo re- sumo de um dos temas que tem mais questões em dermatologia: hanseníase. Como vamos fazer isso? Vou mostrar a você em cada tópico aquilo que as bancas já cobraram sobre assunto, mas com uma visão totalmente direcionada para a prova. Lembre-se de que isto é um resumo, então se quiser se aprofundar e garantir pontos que podem ser valiosos cheque nosso livro digital. Vamos lá? https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed https://t.me/estrategiamed https://www.tiktok.com/@estrategiamed https://www.instagram.com/profbruno.souza https://www.instagram.com/profbruno.souza/ Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 3 SUMÁRIO 1.0 HANSENÍASE 4 1.1 INTRODUÇÃO 4 1.2 IMUNOLOGIA 4 1.3 TESTE DE MITSUDA 5 1.4 TRANSMISSÃO E HISTÓRIA NATURAL 5 1.5 APRESENTAÇÃO CLÍNICA 6 1.5.1 HANSENÍASE INDETERMINADA 7 1.5.2 HANSENÍASE TUBERCULOIDE 7 1.5.3 HANSENÍASE VIRCHOWIANA 9 1.5.4 HANSENÍASE DIMORFA 9 1.6 CLASSIFICAÇÃO 10 1.7 ESTADOS REACIONAIS 11 1.7.1 REAÇÃO DO TIPO 1 12 1.7.2 REAÇÃO DO TIPO 2 12 1.7.3 FENÔMENO DE LÚCIO 14 1.8 EXAMES COMPLEMENTARES 14 1.9 DIAGNÓSTICO 15 1.10 TRATAMENTO 15 1.11 EFEITOS COLATERAIS DA POLIQUIMIOTERAPIA 16 1.12 RECIDIVA 17 1.13 AVALIAÇÃO E CONDUTA DOS CONTATOS 17 2.0 LISTA DE QUESTÕES 19 3.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 20 4.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 20 Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 4 CAPÍTULO 1.0 HANSENÍASE 1.1 INTRODUÇÃO A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica, cujo agente etiológico é o Mycobacterium leprae (M. leprae). A doença acomete principalmente o sistema nervoso periférico e a pele, mas também pode afetar outros órgãos. Você tem que conhecer o “bicho”. Além disso, as bancas costumam cobrar estes conceitos: a) O Mycobacterium leprae é um bacilo álcool-ácido resistente, fracamente gram-positivo. É parasita intracelular obrigatório predominante em macrófagos e na célula de Schwann. b) O tempo de incubação do agente é longo. c) Até hoje não foi possível realizar cultivo in vitro do M. leprae. O Brasil é o 2º país do mundo com maior número de casos da doença no mundo. Os locais com piores indicadores socioeconômicos possuem maiores taxas de detecção, no entanto há uma tendência na redução da incidência e prevalência da hanseníase no nosso país. 1.2 IMUNOLOGIA A hanseníase é uma doença espectral! Naqueles pacientes com intensa imunidade celular será chamada de hanseníase tuberculoide (TT). Por outro lado, naqueles com intensa imunidade humoral será chamada de hanseníase virchowiana (VV). Já os pacientes com uma imunidade entre um polo e outro serão os pacientes com hanseníase dimorfa (DD)! A hanseníase dimorfa ainda é dividida em pacientes que apresentam um pouco mais da imunidade celular (dimorfo-tuberculoide ou DT) e aqueles com um pouco mais de imunidade humoral (dimorfo-virchowiano ou DV). Atenção: entender este conceito é fundamental para compreensão da doença. Vamos lá? Resposta Th1 - imunidade celular – hanseníase tuberculoide. Resposta Th 2 – imunidade humoral – hanseníase virchowiana. Observe a figura ao lado que resume a importância da imunologia na forma clínica da hanseníase. Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 5 O que essa figura mostra é que o polo TT apresenta uma intensa imunidade celular, enquanto o polo VV apresenta uma intensa imunidade humoral. No meio do espectro, estão os pacientes dimorfos (DT, DD e DV). Como a imunidade humoral não é capaz de conter o M. leprae, há uma grande quantidade de bacilos nos tecidos dos pacientes em que há predomínio desse tipo de imunidade! 1.3 TESTE DE MITSUDA O que cai sobre esse teste? Você deve saber o que fazer com ele. Spoiler: um teste de Mitsuda positivo não confirma o diagnóstico de hanseníase e um teste negativo não afasta o diagnóstico! O teste consiste na avaliação da imunidade celular contra o M. leprae. A técnica consiste na aplicação intradérmica de 0,1 ml do antígeno de Mitsuda (antígenos do M. leprae) na pele sã da face anterior do antebraço direito. Após 28 a 30 dias, o local da injeção do antígeno é examinado. Os pacientes com reação de Mitsuda positiva possuem uma boa imunidade celular contra o M. leprae! Repetindo: um teste de Mitsuda positivo não confirma o diagnóstico de hanseníase, assim como um teste negativo não afasta o diagnóstico! 1.4 TRANSMISSÃO E HISTÓRIA NATURAL Apenas os pacientes com grande carga bacilar (chamados de bacilíferos) são transmissores. A principal via de eliminação e de contágio do bacilo é a via aérea superior! Principal via de transmissão: via aérea superior! Raramente áreas da pele e/ou mucosas erosadas podem ser vias de eliminação do bacilo. Quando um indivíduo é infectado pelo bacilo de Hansen, na maior parte das vezes, apresenta cura espontânea. Um menor número de casos, então, manifestará a forma inicial da doença, que é chamada de hanseníase indeterminada (MHI). A maioria dos pacientes com MHI (70%) ainda assim apresentará cura espontânea. Apenas os 30% restantes evoluirão com a moléstia e seguirão para algum dos polos da doença (TT, VV ou as formas dimorfas). Algumas palavrinhas são queridas pelas bancas, vamos decorá-las? A hanseníase tem alta infectividade, baixa patogenicidade e baixa mortalidade, certo? Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 6 Figura 1: Nesse esquema, mostramos a história natural da hanseníase. TTp = tuberculoide polar; TTs = tuberculoide subpolar; DT = dimorfo-tuberculoide; DD = dimorfodimorfo; DV = dimorfo-virchowiano; VVs = virchowiano subpolar; VVp = virchowiano polar. 1.5 APRESENTAÇÃO CLÍNICA Quando você estiver em uma questão de prova e o examinador descrever um paciente com uma lesão de pele que apresenta alteração de sensibilidade, o diagnóstico é de hanseníase! Há uma ordem bem estabelecida de perda de sensibilidade na hanseníase. A primeira sensibilidade a ser perdida é a térmica (paciente não sabe diferenciar quente do frio), posteriormente, há perda da sensibilidade dolorosa e, por último, há comprometimento da sensibilidade tátil. Para facilitar sua memorização, aprenda em ordem alfabética! C D T ALOR OR ATO Ordem da perda de sensibilidade em uma lesão de hanseníase: Primeiro, o paciente não sente o Calor (sensibilidade térmica), depois não sente mais Dor (sensibilidade dolorosa) e, por fim, não sente mais o Tato (sensibilidade tátil). Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 7 Podemos melhorar a sensibilidade do nosso exame dermatoneurológico utilizando o teste da histamina e da pilocarpina. Atenção! Vamos passar, agora, pelas formas clínicas da doença! Isso cai em toda prova... 1.5.1 HANSENÍASE INDETERMINADA A hanseníase indeterminada (MHI) é a forma inicial da doença. O paciente apresenta-se com máculas ou áreas circunscritas, hipocrômicas, com distúrbio de sensibilidade, sudorese (hipohidrose) e vasomotor. Geralmente, apresenta bordas mal delimitadas e imprecisas. Pode haver alopecia (perdas dos pelos) na mancha. Nessa forma, não há espessamento neural! Em geral, apresenta baciloscopia e teste de Mitsuda negativos. Duas fotografias de crianças com hanseníase indeterminada apresentando-se com máculas hipocrômicas localizadas na face. Figura retirada do Guia prático sobre a hanseníase, do Ministério da Saúde. 1.5.2 HANSENÍASE TUBERCULOIDE Esses pacientes se apresentam com placas eritematosas ou acastanhadas,bem delimitadas, com contornos regulares ou irregulares, formando lesões anulares, circulares ou geográficas. As lesões podem apresentar um crescimento centrífugo cujo centro se torna mais claro. São únicas ou em pequenas quantidades e distribuem-se de forma assimétrica. Em alguns casos, pequenos nervos espessados podem emergir das placas (lesão tuberculoide “em raquete”). A alteração de sensibilidade nas lesões é bastante acentuada! Placa bem delimitada, anular, com borda eritematosa e regressão na parte central. Muito característica de hanseníase tuberculoide. Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 8 A alteração de sensibilidade nas lesões de hanseníase é secundária à agressão do sistema imunológico do paciente ao nervo! Portanto, pacientes com melhor imunidade celular apresentarão maiores alterações de sensibilidade! Esses pacientes apresentam lesão nos troncos neurais, o que determina alterações neurológicas. O acometimento dos troncos nervosos é precoce, agressivo e assimétrico! Devemos realizar a avaliação dos troncos nervosos em busca de espessamento neural, de possíveis sequelas neurológicas e de algum grau de incapacidade. Isso vale para todos os pacientes com hanseníase! Essas são as três lesões neurais com maior chance de serem cobradas em provas de Residência Médica! Atenção maior a essas lesões. Apresentam teste de Mitsuda positivo e baciloscopia negativa! Na biópsia da pele, visualizamos a formação de granulomas envolvendo os filetes nervosos e também não encontramos bacilos! Com tudo isso, podemos dizer que esses pacientes também são paucibacilares. ATENÇAO! EXISTE HANSENÍASE COM BACILOSCOPIA NEGATIVA. Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 9 1.5.3 HANSENÍASE VIRCHOWIANA Caracterizada pela presença de pápulas, placas, nódulos agrupados e/ou confluentes, distribuídos de forma simétrica por toda a pele. A pele vai tornando-se toda espessada e infiltrada lentamente. Geralmente, há pouca perda de sensibilidade nas lesões. Caracteristicamente, apresentam a “fáscies leonina”, que é a infiltração da face e do pavilhão auricular, associada à madarose e conservação dos cabelos. O comprometimento dos troncos nervosos é difuso e simétrico e os pacientes podem cursar com polineuropatia. Duas fotografias de pacientes com hanseníase virchowiana. Eles apresentam pele espessada e infiltrada. Observe os nódulos eritematosas na fotografia da esquerda. Ambos os pacientes apresentam madarose. Figura retirada do Guia prático sobre a hanseníase, do Ministério da Saúde. Pode haver infiltração dos bacilos em órgãos internos. Apresentam teste de Mitsuda negativo e baciloscopia positiva! O histopatológico é marcado por uma grande infiltração de bacilos álcool-ácido resistentes (M. leprae) e não há a formação de granulomas. Há grande produção de anticorpo anti-PGL1. Eles são multibacilares e são os principais transmissores da doença! 1.5.4 HANSENÍASE DIMORFA Estrategista, você já entendeu que o paciente pode migrar do polo virchowiano para tuberculoide e ficar no meio do caminho. Esse é o caso da hanseníase dimorfa! O que cai na prova sobre esse assunto? A lesão dermatológica clássica em queijo-suíço. Geralmente, apresentam baciloscopia positiva e teste de Mitsuda negativo! Essa forma da doença é instável e o paciente que se encontra nela, em algum momento, pode migrar para o polo tuberculoide ou para o polo virchowiano. Há um grupo de pacientes que possui uma maior proximidade com a forma tuberculoide (dimorfo-tuberculoide ou DT), outros com uma maior proximidade com a forma virchowiana (dirmorfa-virchowiana ou DV) e há aqueles que estão exatamente no meio do espectro (dimorfodimorfo). Como esses pacientes apresentam uma forma instável, são os principais causadores de reação hansênica (ver a seguir). Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 10 Paciente com hanseníase dimorfadimorfa. Esse paciente apresenta a típica lesão em “queijo-suíço”. A parte interna da lesão é bem nítida, porém a borda externa é mal delimitada! 1.6 CLASSIFICAÇÃO Existem três classificações para os pacientes com hanseníase: a de Ridley e Jopling, a de Madrid e a operacional. A classificação mais complexa é a de Ridley e Jopling e já foi apresentada. Observe a figura abaixo, com certeza você já está familiarizado. CLASSIFICAÇÃO DE RIDLEY E JOPLING Legenda: TTP = tuberculoide polar; TTS = tuberculoide subpolar; DT = dimorfo-tuberculoide; DD = dimorfodimorfo; DV = dimorfo-virchowiano; VVs = virchowiano subpolar; VVp = virchowiano. Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 11 Na classificação de Ridley e Jopling, há as formas estáveis e as formas instáveis. As estáveis já sabemos que são os polos tuberculoide (TTp) e virchowiano (VVp). Já as formas instáveis são todas as demais formas (TTs, DT, DD, DV, VVS e VV)!!! A classificação de Madrid é mais simples. Ela considera os dois polos (tuberculoide e vichorwiano), bem como a forma indeterminada (inicial) e dimorfa como formas instáveis! Mas, a classificação que você realmente precisa saber para gabaritar as questões das provas é a operacional! Essa classificação só leva em conta o número de lesões cutâneas, independentemente da morfologia. Ela divide os pacientes em paucibacilares e multibacilares. Os pacientes paucibacilares são aqueles com até cinco lesões cutâneas. Já os multibacilares são aqueles com seis ou mais lesões de pele. Há uma ressalva que devemos ter em mente: caso o paciente tenha dois ou mais troncos neurais espessados ou baciloscopia positiva, será considerado multibacilar, independentemente do número de lesões cutâneas. Observe a figura ao lado e decore-a! Operacional (OMS e MS) Madrid (1953) Ridley e Jopling (1966) Paucibacilar (PB) – até cinco lesões cutâneas com baciloscopia negativa e no máximo um tronco nervoso espessado Indeterminada Indeterminada Tuberculoide Tuberculoide (TTp, TTs) e dimorfa- tuberculoide (DT) Multibacilar (MB) – mais de cinco lesões cutâneas Dimorfa Dimorfa-dimorfa (DD) e dimorfa- virchowiana (DV) Virchowiana Virchowiana (VVp, VVs) 1.7 ESTADOS REACIONAIS Ah, Estrategista, chegamos às reações hansênicas e, aqui, você deve aprender a diferenciar a tipo 1 do tipo 2, saber como tratar, bem como reconhecer algumas peculiaridades sobre o tratamento. As reações hansênicas (ou estados reacionais) são decorrentes de uma exacerbação aguda da imunidade celular (reação do tipo I) ou de acentuada formação de imunocomplexos (reação do tipo II). Os pacientes dimorfos são os que mais fazem estados reacionais! Sempre que você ver uma questão de prova em que um paciente com hanseníase apresenta uma piora súbita, pense em reação hansênica! Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 12 Os estados reacionais podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento da hanseníase. Outra informação importante é que o tratamento da hanseníase deve ser mantido, mesmo em vigência de um estado reacional. Guarde essas informações, pois são cobradas com frequência nas provas. 1.7.1 REAÇÃO DO TIPO 1 A reação do tipo 1 (também chamada de reação reversa) está associada à imunidade celular. A característica clínica da reação do tipo 1 é que as lesões preexistentes de hanseníase se tornam mais inflamadas. Também há o surgimento de pequenas novas lesões semelhantes às preexistentes. Alguns pacientes cursam com edema dos pés e das mãos. Sintomas sistêmicos estão AUSENTES! A principal complicação da reação do tipo 1 é a neurite! Ela tende a ser grave e acentuada, ocasionando paralisia súbita e perda de função. Os nervos tornam-se intumescidos, com dor à palpação do trajeto neural, e há exacerbação da sensibilidade no local inervado por eles. O tratamento da reação do tipo 1 é realizada com prednisona 1mg/kg/dia. Tipo 1 – inflamação de lesões preexistentes e surgimento de algumas novas lesões. Neurite intensa associada. Tratamento feito com prednisona. 1.7.2 REAÇÃO DO TIPO 2 Também chamadas de eritema nodoso hansênico, essa reação é decorrente de depósitos de imunocomplexos. Ocorre em pacientes DV e VV e geralmente ao redor do sexto mês de tratamento. É uma reação sistêmica e o paciente cursa com queda do estado geral, febre e dores no corpo. Ao exame físico, pode apresentar hepatoesplenomegalia, neurite, orquite, artrite, irite e iridociclite. Há o surgimento de múltiplas pápulas, placas e/ou nódulos eritematosos que são dolorosos ao toque e se distribuem por todo o tegumento. Pode haver leucocitose com neutrofilia, aumento de provas inflamatórias (PCR e VHS), autoanticorpos (FAN), aumento de bilirrubinas e transaminases, além de hematúria e proteinúria. A talidomida é a droga de escolha. Devemos associar prednisona 1 mg/kg/dia quando há comprometimento neural, de outros órgãos internos (orquite, artrite, irite) ou quando houver ulcerações cutâneas extensas. Como a talidomida é teratogênica, não deve ser utilizada em mulheres em idade fértil que não estejam em uso de método contraceptivo seguro. Nesses casos, está indicado tratamento com prednisona ou pentoxifilina. Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 13 Nódulos eritematosos dolorosos distribuídos pelo membro inferior de uma paciente com eritema nodoso hansênico. Reação do tipo 2 – eritema nodoso + sintomas sistêmicos. Talidomida é a droga de escolha. Cuidado com mulheres em idade fértil. REAÇÃO TIPO I (REAÇÃO REVERSA) REAÇÃO TIPO II (ERITEMA NODOSO HANSÊNICO) Imunidade celular Imunidade humoral Paucibacilares e tipos “instáveis” (DT, DD e DV) Multibacilares (DV e VV) Reagudização de lesões antigas e surgimento de algumas novas lesões. Piora dos sinais neurológicos. Edema de mãos e pés. Surgimento de nódulos eritematosos, dolorosos, difusamente pelo corpo. Tais nódulos podem ulcerar. Edema de mãos e pés. Espessamento neural, calor e neurite dolorosa Acometimento neural possível, porém menos frequente. Ausência de sintomas sistêmicos Sintomas sistêmicos presentes (febre, astenia, artralgia). Leucocitose presente. Ausência de acometimento de outros órgãos Envolvimento de outros órgãos como olhos, rins, fígado e testículos Prednisona é a droga de escolha Talidomida é a droga de escolha Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 14 1.7.3 FENÔMENO DE LÚCIO O fenômeno de Lúcio ocorre especialmente em pacientes com hanseníase virchowiana de Lúcio ou “lepra bonita”. Ocorre quase exclusivamente antes do tratamento. É decorrente de uma intensa quantidade de bacilos íntegros no endotélio vascular, acarretando uma vasculite leucocitoclástica e necrose das arteríolas! Percebam, então, que o fenômeno é principalmente vascular e leva à isquemia da pele! Há o surgimento de áreas de necrose cutânea principalmente nas extremidades. O histopatológico mostra uma grande quantidade de bacilos íntegros, vasculite leucocitoclástica e vasos trombosados. O tratamento é feito com início precoce da terapêutica específica para hanseníase. Fenômeno de Lúcio – ocorre exclusivamente em virchowianos. Isquemia e necrose cutânea por fenômeno trombo-oclusivo. 1.8 EXAMES COMPLEMENTARES A baciloscopia é o exame complementar mais útil para o diagnóstico da hanseníase. Apresenta uma especificidade de 100%, ou seja, quando é positiva, o paciente realmente tem hanseníase! Porém, uma baciloscopia negativa não exclui o diagnóstico da doença. A baciloscopia não é obrigatória, mas deve ser realizada quando disponível! Lembra-se dessa imagem que mostramos quando conversamos cobre o M. leprae? Essa é a imagem que esperamos ver em uma baciloscopia de paciente multibacilar! Os bacilos álcool-ácido resistentes, quando corados pelo Ziehl-Neelsen, ficam lilases! Vamos relembrar que as formas indeterminadas e tuberculoides são paucibacilares e apresentam baciloscopia negativa! Os pacientes virchowianos apresentam sempre baciloscopia positiva. A maioria dos dimorfos apresenta baciloscopia positiva, porém os dimorfo- tuberculoide, geralmente, apresentam baciloscopia negativa. A dosagem de anticorpo IgM anti PGL-1 é específica para o diagnóstico de hanseníase. Porém, esse anticorpo só está presente em pacientes virchowianos!! Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 15 1.9 DIAGNÓSTICO Definição de caso de hanseníase Lesão(ões) e/ou área(s) da pele com alteração da sensibilidade térmica e/ou dolorosa e/ou tátil; ou Espessamento de nervo periférico, associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas; ou Presença de bacilos M. leprae, confirmada na baciloscopia de esfregaço intradérmico ou na biopsia de pele. De acordo com o Ministério da Saúde, o diagnóstico de hanseníase é firmado se um desses três pontos acima estiver presente. Perceba que a presença de qualquer um dos três pontos é suficiente!! Volto a insistir que a baciloscopia e a biópsia de pele não são obrigatórias para o diagnóstico de hanseníase, porém podem ser realizadas em dúvidas diagnósticas ou quando estiverem disponíveis com facilidade. 1.10 TRATAMENTO O primeiro ponto que precisamos saber é que um paciente multibacilar já deixa de ser transmissor após as primeiras doses da poliquimioterapia. Para definir qual é o tratamento do nosso paciente, utilizamos a classificação operacional da OMS comentada anteriormente. As drogas padrão para o tratamento da hanseníase são rifampicina dapsona e clofazimina Todos os pacientes (independentemente de serem paucibacilares ou multiacilares) devem ser tratados com rifampicina, dapsona e clofazimina. Uma vez por mês recebem uma dose supervisionada de rifampicina 600 mg, dapsona 100 mg e clofazimina 300 mg. Nos demais dias, o paciente toma dapsona 100 mg/dia e clofazimina 50 mg/dia. A diferença é o tempo de tratamento entre eles. No caso dos paucibacilares, o tratamento completo é de seis cartelas, podendo ser tomadas em até 9 meses. Já para os multibacilares o tratamento completo é de doze cartelas, podendo ser tomadas em até 18 meses. Os pacientes paucibacilares que concluírem as seis cartelas em até 9 meses devem ser avaliados por médico, ser submetidos a uma avaliação dermatológica, neurológica simplificada e do grau de incapacidade física e receber alta por cura. Os pacientes multibacilares que concluírem as doze cartelas em até 18 meses devem ser avaliados por médico, submetidos a uma avaliação dermatológica, neurológica simplificada e do grau de incapacidade física e, se for o caso, receberem alta por cura. Observe o esquema abaixo de como deve ser feito o tratamento da hanseníase. Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 16 1.11 EFEITOS COLATERAIS DA POLIQUIMIOTERAPIA Veja esta tabela com os principais efeitos colaterais da poliquimioterapia. Esse assunto não é cobrado frequentemente. O que eventualmente é cobrado é a meta-hemoglobinemia da dapsona e síndrome DRESS. MEDICAÇÃO EFEITO COLATERAL Dapsona Anemia hemolítica, meta-hemoglobinemia, DRESS, agranulocitose Clofazimina Coloração da pele cinza-azulada (melhora com a suspensão da droga). Pele com aspecto ictiosiforme. Dores abdominais, náuseas, vômitos, obstrução intestinal (relacionada a depósito de cristais do medicamento na parede do intestino delgado). Rifampicina Síndrome gripal (febre, coriza, dor no corpo, insuficiência respiratória e insuficiência renal). Reduz atividade de contraceptivos orais. Urina avermelhada. Rash acneiforme. No ano de 2022 o Ministério da Saúde divulgou um novo Protocolo Clínico e Diretrizes terapêuticas (PCDT) da hanseníase modificando algumas condutas. Uma delas é que foi incorporado um teste laboratorial para detecção de M. leprae resistentea antimicrobianos. Agora, sempre que você identificar um paciente multibacilar e este apresentar um índice baciloscópico maior ou igual a 2, deverá submetê-lo ao teste de resistência primária à poliquimioterapia! Se for resistente, fará tratamento com esquema alternativo na atenção especializada. Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 17 1.12 RECIDIVA Alguns pacientes, após terem feito todo o esquema terapêutico de forma correta e terem sido curados, voltam a apresentar novos sinais e sintomas clínicos de doença infecciosa ativa. Esses são os casos de recidiva! Geralmente, os casos de recidiva ocorrem após cinco anos da alta por cura. É muito importante que seja feita uma distinção correta entre recidiva e reação hansênica pós-tratamento. A reação hansênica geralmente apresenta-se até três anos após a alta por cura e caracteriza-se por quadros mais agudos. Essa definição é importante, pois os pacientes com recidiva deverão ser retratados, enquanto os pacientes com reação hansênica, não! A forma mais fácil de, em uma questão, diferenciarmos reação de recidiva é observando o início do quadro. As reações são fenômenos agudos, enquanto que as recidivas são lentas e insidiosas. 1.13 AVALIAÇÃO E CONDUTA DOS CONTATOS Lembre-se de que a hanseníase é uma doença de notificação compulsória em todo território nacional. Todas as pessoas que residem, ou tenham residido, convivam ou tenham convivido (contato domiciliar) com o paciente nos últimos cinco anos devem ser avaliados! Se algum caso for diagnosticado, deverá ser tratado normalmente. Aqueles que não possuem sinais da doença devem ser submetidos ao teste rápido imuocromatográfico para detecção de anticorpo IgM (anti-PGL1). Os pacientes que apresetarem teste rápido positivo devem ser submetidos uma vez por ano a exame dermatoneurológico completo, por 5 anos. Após esse período, recebem alta, mas com orientações sobre a possibilidade de surgirem sinais e sintomas de hanseníase no futuro. Os com teste rápido negativos devem ser orientados a realizar autoexame e realizar ao serviço de Saúde se surgimento de alguma alteração suspeita. Observe o fluxograma abaixo para melhor entendimento. Confirmado Tratamento Seguimento anual por 5 anos Descartado Teste rápido Vigilência passiva - auto exame Não reagenteReagente Contato de hanseníase confirmado Avaliação dermatoneurológica Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 18 RECOMENDAÇÃO DE APLICAÇÃO DE VACINA BCG EM CONTATOS DE HANSENÍASE Cicatriz vacinal Conduta Ausência de cicatriz Uma dose Uma cicatriz de BCG Uma dose Duas cicatrizes de BCG Não prescrever Obs.: contatos de hanseníase com menos de um ano de idade, já comprovadamente vacinados, não necessitam da aplicação de outra dose de BCG. Algumas pessoas que tiveram contato com um paciente com hanseníase, independentemente da forma clínica (paucibacilar ou multibacilar), terão indicação de serem vacinadas com a BCG. A vacina BCG não é específica da hanseníase, porém oferece algum grau de proteção. Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 19 https://bit.ly/37fn07w https://bit.ly/37fn07w Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 20 CAPÍTULO 3.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da Hanseníase como problema de saúde pública : manual técnico-operacional [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – Brasília : Ministério da Saúde, 2016. 58 p. : il. Modo de acesso: World Wide Web: . ISBN 978-85-334-2348-0 2. Guia prático sobre a hanseníase [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – Brasília : Ministério da Saúde, 2017. 68 p. : il. Modo de acesso: World Wide Web: ISBN 978-85- 334-2542-2 3. Dermatologia na prática Médica / José Alexandre de Souza Sittar, mario Cezar Pires. – São Paulo: Roca, 2007. ISBN 978-85-7241-695-5 4. Tratado de dermatologia / editores Walter Belda Junior, nilton di Chiacchio, Paulo Ricardo Criado. – 2. Ed. – São Paulo: Editora Atheuneu 2014 5. Dermatologia / Jean L. Bolognia, joseph L. Jorizzo, Julie V. Schaffer ; organização Célia Luiza Petersen Vitello Kalil ; tradução Adriana de Carvalho Corrêa ..e. [et al.]. – 3. Ed. – Rio de Janeiro : Elsevier, 2015. 6. Wolff, K., Goldsmith, L., Katz, S., Gilchrest, B., Paller, AS., & Leffell, D. (2011). Fitzpatrick's Dermatology in General Medicine, 8th Edition. New York: McGraw-Hill. CAPÍTULO 4.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro Aluno, chegamos ao fim do resumo mais importante da dermatologia para as provas de Residência Médica! Esteja seguro de que está dominando os principais pontos relacionados à hanseníase, principalmente imunologia, formas clínicas, estados reacionais e tratamento! Sem dúvida, isso é o mais cobrado nas provas. Em caso de dúvidas, não hesite em nos contatar! Contatos: Fórum de dúvidas Instagram: @profbruno.souza Estratégia MED Prof. Bruno Souza| Resumo Estratégico | 2024 HanseníaseDERMATOLOGIA 21 https://med.estrategia.com/ 1.0 HANSENÍASE 1.1 Introdução 1.2 Imunologia 1.3 Teste de Mitsuda 1.4 TRANSMISSÃO E HISTÓRIA NATURAL 1.5 APRESENTAÇÃO CLÍNICA 1.5.1 HANSENÍASE INDETERMINADA 1.5.2 HANSENÍASE TUBERCULOIDE 1.5.3 HANSENÍASE VIRCHOWIANA 1.5.4 HANSENÍASE DIMORFA 1.6 CLASSIFICAÇÃO 1.7 ESTADOS REACIONAIS 1.7.1 REAÇÃO DO TIPO 1 1.7.2 REAÇÃO DO TIPO 2 1.7.3 FENÔMENO DE LÚCIO 1.8 EXAMES COMPLEMENTARES 1.9 Diagnóstico 1.10 Tratamento 1.11 Efeitos colaterais da poliquimioterapia 1.12 Recidiva 1.13 Avaliação e conduta dos contatos 2.0 LISTA DE QUESTÕES 3.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 4.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS