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TEORIA GERAL DO TURISMO CAPÍTULO 4 – QUAIS OS TEMAS E TENDÊNCIAS DE MERCADO PARA O TURISMO CONTEMPORÂNEO? Felipe Decol INICIAR Introdução A idade Contemporânea tem seu início na Revolução Francesa, no século XVIII, e segue até os dias atuais. Desde então, as revoluções tecnológicas que já ocorreram, principalmente dos transportes e das comunicações, tiveram grande influência no desenvolvimento do Turismo – que até o começo do século XX era privilégio das elites. As duas grandes guerras mundiais frearam o avanço da atividade, que voltou a se movimentar a partir de 1945, após o fim da II Guerra Mundial. Nesse período, fatores como https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 1 of 28 o surgimento de uma classe média na Europa e nos Estados Unidos, maior produção de veículos particulares de transporte, estabilidade econômica mundial e avanços nas leis trabalhistas permitiram que mais pessoas pudessem viajar. Com fortalecimento do mercado do Turismo são criados muitos postos de trabalhos e, até mesmo novas profissões, como a de turismólogo. Como vimos, são vários os avanços. No entanto, quais conceitos éticos incorreram nesse processo de popularização da atividade? E quais são as responsabilidades dos turismólogos perante temas sociais e ambientais? As rápidas inovações tecnológicas e o crescimento das economias dos países influenciaram e continuam modificando os processos da cadeia produtiva do Turismo. Quais são e como ocorreram essas mudanças? Como você pode observar, sãos muitos os pontos a serem trabalhados. Portanto, neste capítulo, iremos estudar as transformações que ocorreram no campo do Turismo, quais suas principais causas e também a postura ética do turismólogo. 4.1 Ética e atuação profissional em Turismo Os avanços tecnológicos, as facilidades de comunicação e transportes, o estreitamento das relações econômicas e sociais no mundo todo contribuíram para a expansão do Turismo. No final do século XX e início do século XXI, principalmente, ocorre uma especialização nesse mercado, com a formação de cadeias de empresas de produtos e serviços que, unidos, passam a oferecer produtos cada vez mais especializados. https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 2 of 28 Antes dessa revolução tecnológica e das comunicações, o profissional do Turismo detinha um papel distinto na organização e venda das viagens. Hoje, o agente de viagens é considerado muito mais um consultor que um vendedor de pacotes, já que as facilidades de acesso à informação permitiram ao público geral maiores facilidades no comércio de serviços de transporte e hotelaria. Se antes o profissional de Turismo fornecia informações para os clientes, nos dias de hoje, com a quantidade exagerada de informações recebidas constantemente, esse profissional atua mais como alguém que pode auxiliar na decisão pelo melhor produto para cada turista (OLIVEIRA, 2003). No entanto, as facilidades para produzir e consumir Turismo trazem consigo maior concorrência, o que exige dos profissionais maior cuidado com questões éticas, sociais e ambientais. 4.1.1 Códigos de ética e conduta Qualquer profissional deve ser conduzido por princípios éticos e morais bem definidos para a garantia de um mercado justo e honesto. Podemos definir ética como o conjunto de valores que podem se apresentar na forma de ações de conduta humana, qualificadas sob uma ótica dialética como boas ou ruins (FERREIRA, 1986; CASTROGIOVANNI, 2003). https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 3 of 28 No ano de 1999, a Organização Mundial do Turismo (OMT) apresentou o Código Mundial de Ética do Turismo, elaborado sob princípios de desenvolvimento sustentável e luta contra as desigualdades sociais. Em seu artigo 6, trata das” Obrigações dos Agentes do Desenvolvimento Turístico”, no qual discorre sobre fatores como segurança, saúde e direito dos turistas, e responsabilidade dos profissionais. No artigo 9, são apresentados os “Direitos dos Trabalhadores e dos Empresários do Setor Turístico”, que são incentivados a promoverem um intercâmbio de experiências profissionais. Já as grandes empresas deverão evitar a Figura 1 - O turismólogo precisa estar ciente de sua responsabilidade como promotor de uma atividade que afeta diretamente outros profissionais, populações locais e o meio ambiente. Fonte: Krzysztof Bargiel, Shutterstock, 2018. https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 4 of 28 interferência e a replicação de culturas e costumes locais e comprometerem-se com o desenvolvimento das localidades receptoras (OMT, 1999). O produto do Turismo é constituído por elementos objetivos e subjetivos, sendo que a subjetividade está muito baseada em símbolos e no imaginário dos turistas. Esse valor intangível do Turismo depende muito da responsabilidade ética do profissional da área (NASSAR, 2001). A profissão de agente de viagens é baseada em confiança. Um produto turístico é normalmente comercializado de maneira adiantada e à distância – vagas em hotéis, pacotes de viagens, passagens, passeios. Do mesmo modo, o agente trata com os fornecedores que oferecem seus serviços às agências sem a mínima garantia de vendas, como geralmente ocorre em uma transação normal de um produto tangível, como, por exemplo, a compra de carros de uma montadora por uma concessionária para posterior revenda. Outro profissional de Turismo que requer muito cuidado em seu comportamento é o guia. Quando leva os turistas a lugares ou utiliza serviços específicos porque recebe desses locais uma comissão, seu ato pode ser considerado ético? O turista contratou os serviços do guia por acreditar na capacidade desse profissional de proporcionar um passeio de qualidade (CANANI, 1999). Ao guia cabe, portanto, devolver essa confiança com um bom trabalho, ou seja, proporcionar a melhor experiência por meio de seus conhecimentos sobre o atrativo. Ao aproveitar-se de sua posição para indicar locais, exclusivamente por conta de comissionamentos, o profissional acaba por ultrapassar os limites éticos de seu ofício. A questão aqui não é o ato do recebimento da comissão, mas a desonestidade do guia ao oferecer deliberadamente aos turistas um produto ruim. Se o profissional é consciente de que está proporcionando o melhor serviço possível a seus clientes, a relação perde a má-fé, e o comissionamento é considerado ético (NASSAR, 2001). https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 5 of 28 As discussões éticas também recaem sobre empresas que fazem parte do setor, como redes de hotéis, agências de viagens, locadoras de veículos e empresas de transportes, como as companhias aéreas. A prática do overbooking (ato de vender mais passagens que assentos no avião para garantir a ocupação) é um bom exemplo para reflexão. A questão da ética nas empresas diz respeito às suas relações com outras empresas e com os clientes. Na condição de gestor ou promotor do Turismo, cabe ao turismólogo uma responsabilidade ainda maior. Ele participa diretamente das relações com empresas, fornecedores, gestores, políticos, turistas e é atuante nos processos de planejamento e gestão dos empreendimentos turísticos, ou seja, a questão ética torna-se imperativa em sua atuação profissional. O Código de Ética do Bacharel em Turismo, em diversos artigos, aborda questões referentes a lucros e vantagens indevidas, responsabilidades do profissional com o meio ambiente e com os clientes. No site da Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais do Turismo (ABBTUR) você poderá conhecer um pouco melhor a atuação dessa categoria no país. Nele, há um link para baixar o código de ética, entre outros documentos, além de várias informações sobreTurismo e seus profissionais. Acesse em: . A ética na promoção de um destino turístico deve ser estabelecida em todo o processo, desde o planejamento e execução, até as relações entre os profissionais e clientes. A ética também é parte importante na relação do profissional com o meio ambiente. Aos profissionais de Turismo torna-se cada vez mais importante o conhecimento e a implementação de processos VOCÊ QUER LER? https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 6 of 28 de desenvolvimento sustentável em seus projetos. Sua formação e atuação deve estar centrada conforme uma nova ética, focada no conceito de sustentabilidade (KÖCHE et al, 2008). 4.1.2 Responsabilidade social e ambiental Sustentabilidade é um conceito que permeia praticamente todos os setores da sociedade atual. A OMT aponta o Turismo como uma atividade que pode aumentar receitas, trazer benefícios às populações locais e desenvolver economias internacionais de países mais pobres, porém, reitera a necessidade de observação e eliminação dos impactos sociais e ambientais causados pela atividade (KÖCHE et al, 2008). É importante ter em mente que o Turismo é uma atividade cujo sucesso ou fracasso é influenciado pelas condições do espaço, ao mesmo tempo que influencia diretamente na qualidade desse. A responsabilidade das pessoas que trabalham com Turismo está no planejamento adequado para que as populações e o meio ambiente sejam beneficiados pela implementação de empreendimentos turísticos ou, pelo menos, que não sofram malefícios. Assim, as responsabilidades sociais e ambientais dos profissionais do Turismo recaem, novamente, sobre as questões éticas. O campo de atuação de um turismólogo abrange, portanto, todas as fases do Turismo como atividade econômica e social. Desde pesquisa e identificação de demandas e mercados, passando por planejamento, implementação, execução e administração. Além disso, é fato conhecido como o Turismo sem planejamento e cuidados adequados pode prejudicar populações e o meio ambiente. Dessa forma, o turismólogo, como agente de Turismo que permeia todas as fases de implementação turística e transita entre todas as camadas de sujeitos envolvidos com a atividade, deve ter a sensibilidade de identificar as situações de risco. Um fator interessante sobre a questão da responsabilidade socioambiental do turismólogo está em uma característica única e paradoxal do Turismo: sob a ótica de atividade econômica, o setor também é prejudicado pelos https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 7 of 28 problemas que ele mesmo gera (BOULLÓN, 2003). Por exemplo, os clássicos casos de praias nas quais o Turismo de Massa, sem planejamento, incentivou a especulação imobiliária, incorrendo em perdas paisagísticas e ambientais. As belezas naturais não representavam o grande recurso turístico desses locais? Se elas foram trocadas por grandes empreendimentos imobiliários, o Turismo nessas áreas não perde o sentido? Isso implica a perda de turistas e prejuízos à economia local. Já no campo sociocultural, são exemplos de impactos culturais: a padronização (perda de autenticidade e espontaneidade em função de criar uma atmosfera familiar ao turista); a autenticidade encenada (onde são criados falsos “shows típicos” em função do Turismo); e a mercantilização (quando o Turismo leva a alterações ou destruição de festas e eventos típicos) (COOPER, 2008). Tal situação dificilmente será replicada em outros setores da economia, nos quais, normalmente, o impacto negativo se dá sobre os demais: as populações e o meio ambiente (JOAQUIM, 1997). Logo, as questões de responsabilidade social e ambiental para os profissionais de Turismo não representam somente a proteção dos recursos naturais e das populações nativas. Trata-se de garantir a continuidade da atividade econômica do Turismo e, consequentemente, o destino dos seus profissionais. Figura 2 - O Turismo sem planejamento pode acarretar em perdas paisagísticas e ambientais, esgotando os recursos turísticos e prejudicando suas comunidades. Fonte: wk1003mike, Shutterstock, 2018. https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 8 of 28 4.2 Temas complexos necessários à atuação do turismólogo O sociedade passa por um processo rápido e intenso de mudanças comportamentais, filosóficas e sociais. Os avanços tecnológicos permitiram a democratização do acesso às informações, assim como descomplicaram e amplificaram as discussões a respeito de todo e qualquer assunto. As barreiras culturais e sociais estão mais transparentes e existe uma enorme facilidade em saber o que ocorre em qualquer parte do mundo. A grande quantidade de informações em forma de notícias, opiniões, artigos, músicas, vídeos, influencia diretamente na vida cotidiana das pessoas, e é refletida nas mudanças de comportamento de toda a sociedade. Questões pertinentes às chamadas “minorias” ganham amplitude e destaque. Esse comportamento mais volátil e reflexivo da população interfere nos setores produtivos da sociedade e influencia o comportamento do mercado, inclusive, no mercado turístico. Black Mirror é uma série televisiva inglesa produzida por Charlie Brooker, cujos episódios são ensaios de como poderiam (ou poderão) ser as relações das pessoas com a tecnologia e com as outras pessoas. Ela promove discussões sobre diversos assuntos pertinentes à nossa sociedade atual. Pode ser visto em DVD ou em serviços de streaming. VOCÊ QUER VER? https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 9 of 28 Por ser uma atividade com ampla interdisciplinaridade – em que cultura, sociedade, meio ambiente e economia se misturam em uma atividade que é econômica, mas também social e de consumo –, o Turismo é extremamente sensível às mudanças de comportamento da sociedade, assim como precisa ser sensível o profissional que atua no setor. 4.2.1 Educação das relações étnico-raciais A palavra italiana “razza” vem do termo “ratio”, sorte ou espécie em latim. O sentido de classificação para o termo raça foi utilizada primeiramente pela botânica para plantas e animais, no século XVI. Na Idade Média, era usada para designar pessoas a partir de uma descendência ou linhagem e, a partir do século XVII, na França, passa definitivamente a ser empregada para diferenciar grupos de pessoas, no caso os Francos, de linhagem germânica, dos Gauleses, identificados com a plebe (MUNANGA, 2004). Os conceitos de classificação, inicialmente, serviam como forma de organização, todavia, no caso dos seres humanos, a tentativa de classificação por raças acabou passando por uma hierarquização, o que conduziu ao racialismo. O racismo, surgido como conceito no século XX, basicamente hierarquiza as raças em superiores e inferiores, sendo a raça branca a superior. Além disso, o racismo define raça como um conjunto sociológico, não somente biológico, e contabiliza, além da cor da pele, formato de crânio e nariz, aspectos culturais, morais e individuais, como honestidade e inteligência (MUNANGA, 2004). CASO Na Serra da Barriga, próximo a Maceió, Alagoas, o Parque Memorial Quilombo dos Palmares é um exemplo de Turismo Étnico. O Parque reconstitui o cenário do Quilombo dos Palmares, um dos maiores símbolos de resistência à escravidão do mundo. Recebe https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 10 of 28 turistas, turmas de estudantes e professores, que têm a oportunidade de imergirem na cultura negra, além de poderem experimentar pratos típicos. Você pode encontrar mais informações no site . Se o racismo fundamenta-se numa lógica de divisão pela raça biológica, o conceito deetnia está baseado na divisão sociocultural. Descobertas científicas século XX afirmaram que características sanguíneas e genéticas definiam uma divisão humana por raças, em que, por exemplo, um senegalês poderia ser mais genericamente parecido com um norueguês que com um congolês. A comprovação científica da inexistência de raças divididas por questões como a cor da pele, porém, não impediu o desenvolvimento do racismo como tentativa de legitimação da superioridade de uma raça (SCHWARCZ; QUEIROZ, 1996). O racismo do final do século XX e início do século XXI está baseado em questões identitárias e culturais, não mais biológicas. Além disso, mais uma vez, a revolução tecnológica pela qual estamos passando dá mostras do quão presente está a questão do racismo. Felizmente, da mesma maneira que aumentam os crimes, crescem as denúncias, a indignação e as discussões acerca do tema. A educação étnico-racial passa a estar presente nas escolas, principalmente da rede pública, oferecendo às crianças disciplinas relacionadas com a cultura negra, indígena, oriental. Além disso, há os cursos para formação e especialização dos professores. As transformações sociais incentivadas pelos avanços tecnológicos trouxeram destaque a assuntos e questões que sempre existiram, porém, eram pouco discutidos. No que tange ao Turismo, as questões étnico- raciais, de alguma forma (talvez não a mais adequada), invariavelmente Figura 3 - Um país de extrema miscigenação, que recebeu imigrantes durante toda a sua história, começa, agora, um processo lento de reconhecimento de sua história. Fonte: Shutterstock, 2018 . https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 11 of 28 foram abordadas. As diferenças culturais sempre fascinaram os seres humanos e o Turismo explora esse interesse ao reconhecer aspectos culturais, sociais e folclóricos como atrativos. Claro que, por muitas vezes, a necessidade de um “show” requisitado pelo Turismo provoca deformações e simplificações em nome de uma maior aceitação por parte do público. Por esse motivo, podemos afirmar que a utilização de aspectos e nuances culturais e sociais de populações consideradas exóticas pelo setor nem sempre mostra a realidade e conserva o devido respeito com as pessoas que fazem parte daquela etnia ou sociedade. 4.2.2 Turismo e relações LGBT As siglas que denominam os movimentos pelos direitos dos homossexuais já passaram por diversas modificações ao longo do tempo, sempre acompanhando as demandas desse grupo. A primeira a ser utilizada, nos anos 1970, foi GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes), mas, por deixar de lado outras formas de sexualidade e identidade de gênero, os movimentos passaram a usar LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais E Transexuais). Nos últimos anos, foram incluídas novas categorias e a sigla foi modificada, novamente, para LGBT*, em que o asterisco funciona como um sinal que indica o significado múltiplo do T (Transexuais, Travestis e Transgêneros). É possível encontrarmos outros termos, mas a maneira mais atual é o LGBTQ+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e Queers), no qual o T continua com um significado múltiplo e a letra Q remete ao termo Queer, que amplia o espectro e abarca as outras formas de gênero. A expressão LGBT ainda é a mais utilizada pelo movimento social brasileiro e por entidades governamentais nos três âmbitos da federação. Por isso, quando falarmos desse grupo no capítulo, seguiremos com essa nomenclatura. Considerar ou ser considerado um homossexual é fruto do século XIX. No mundo greco-romano havia a compreensão de que, durante sua vida, qualquer pessoa poderia ter impulsos sexuais homo ou heterossexuais, por https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 12 of 28 isso, não existia um termo em seus vocabulários para definir tal condição. O posicionamento das religiões perante a homossexualidade, considerando-a uma forma de pecado, somado a uma sociedade moralista gerou muito preconceito e prejudicou a aceitação da homossexualidade. Ainda hoje, apesar de todos os avanços, há países que condenam atos sexuais consentidos entre pessoas do mesmo sexo com pena de morte, como é o caso de Arábia Saudita e do Irã. Somente no século XX, por meio de estudos científicos que desmistificaram a ideia de doença e da conquista de espaços na mídia, nas artes e na cultura em geral, a homossexualidade passou a se tornar aceitável na maioria das sociedades, concomitantemente, os homossexuais também conquistaram poder econômico e político (TRIGO, 2009). VOCÊ SABIA? Pink money: significa dinheiro rosa, em inglês. É um termo utilizado para designar os serviços e produtos oferecidos ao mercado LGBT. Pesquisas comprovam que os turistas gays costumam gastar mais que os heterossexuais e o fato de a maioria não ter filhos faz com que revertam sua renda para viagens e lazer. O termo é utilizado nacional e internacionalmente. As discussões a respeito de assuntos relacionados às comunidades LGBT remete ao que já mencionamos, sobre a ampliação e maior divulgação de temas das denominadas “minorias”. O Turismo, em processo contínuo de fragmentação e segmentação, já relaciona uma série de produtos direcionados a esse público. Além disso, é corrente o pensamento de que a comunidade LGBT tem tradição de viajar e gastar, sendo menos suscetível a crises econômicas e, por isso, considerada uma parcela muito importante do mercado turístico. https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 13 of 28 Desse modo, há todo um segmento do Turismo voltado ao público LGBT, que engloba destinos, companhias aéreas, redes de hotel e cruzeiros, entre outros (SANCHES; MANCINI; NASCIMENTO, 2011). Existem, inclusive, instituições financeiras especializadas em cuidar da vida financeira de homossexuais. Nos Estados Unidos, a cidade de São Francisco, que tem na sua história episódios de luta pelos direitos LGBT, é mundialmente conhecida como um destino gay. No Brasil, Florianópolis também se enquadra nessa proposta, sendo uma cidade que recebe muitos turistas LGBT por causa da agitada vida noturna e das praias (algumas bastante frequentadas por esse público, como Galheta e Mole). A questão principal na relação entre Turismo e os grupos LGBT está na capacidade que o Turismo Contemporâneo está tendo, e precisa ter, de selecionar seu público e criar atrações que são específicas para cada grupo. A segmentação do Turismo precisa existir, não para separar, mas para direcionar as pessoas ao encontro de suas vontades e necessidades. Ela serve como uma forma de autoconhecimento e conhecimento do outro. O simples fato de existir um mercado de Turismo especialmente desenhado para o público LGBT representa também uma função social, que ajuda a “tornar comum” a situação e, talvez, auxilie na derrubada dos preconceitos que foram construídos ao longo do tempo. Figura 4 - Hoje, a população LGBT constitui um mercado especializado, com produtos e serviços desenvolvidos exclusivamente para esse público. Fonte: Joshua Resnick, Shutterstock, 2018. 4.3 Tópicos Emergentes Os avanços científicos transformaram e continuam afetando, e muito, a rotina dos componentes que formam a cadeia de Turismo. As novas tecnologias de informação influenciaram fortemente nos processos do https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 14 of 28 fazer turístico desde propaganda, reservas de hotéis e passagens a compra de pacotes de passeio etc. Mas, a relação entre tecnologia e Turismo tem uma dialética interessante: por um lado, ela facilitou as viagens, por outro, fez com que as pessoas criassem hábitos mais caseiros, pois tudo chega até suas casas sem grandes esforços (BARRETTO, 2014). O turista, por conseguinte, passa por um intenso processo de mudança em seu comportamentocomo consumidor, tanto no momento de planejar, comprar e consumir o produto turístico quanto em suas motivações e escolhas de viagens. Como foi colocado, a evolução tecnológica e, principalmente, a amplitude do acesso às informações das mais variadas naturezas são as grandes responsáveis por essas transformações no comportamento humano e no mercado. Isso porque grande parte do Turismo é constituído por viagens de curta distância e duração, isto é, são viagens de final de semana ou feriados prolongados. Os meios utilizados por esse tipo de turista para organizarem seus próprios roteiros estão presentes no seu dia a dia: smartphones e computadores, que abrem inúmeras possibilidades de destinos, passeios e hospedagens. 4.3.1 Canais de distribuição São os meios que aproximam os turistas dos fornecedores de produtos e serviços e permitem aos mesmos adquirir e pagar por esses produtos (PEARCE; TAN; SCHOTT, 2004). No Turismo, essa aproximação sempre se deu por meio de intermediários, as operadoras e as agências de Turismo. O turista ia até esses locais para planejar e pagar por suas viagens. Como dito anteriormente, as novas tecnologias de informação, em especial a internet, encurtaram as distâncias e deram maior independência ao consumidor final. Ele ganha mais poder, pois tem acesso a inúmeras opções e pode comprar diretamente do fornecedor do serviço ou produto. Nessa nova organização, os canais formados pelos intermediários perderam força, já que seu trabalho passou a ser oferecido em outras plataformas, muitas vezes, com mais agilidade e conforto para o cliente. https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 15 of 28 Logo, os intermediários que não se adaptaram rapidamente, buscando agregar à cadeia de valor do Turismo, acabaram ficando para trás (FLECHA, 2002). Torna-se evidente que tais mudanças influenciaram diretamente na cadeia de valor do Turismo. Hoje, o turista serve-se, primeiramente, da internet para buscar informações, opiniões sobre hotéis e serviços. Além disso, pode receber diariamente atualizações sobre tarifas de passagens aéreas para qualquer lugar do mundo e só comprar quando achar conveniente, em poucos minutos e de onde quiser. Não bastasse essas vantagens, esse tipo de serviço, de forma geral, é oferecido gratuitamente por um aplicativo de smartfone. Na tabela a seguir podemos observar a maneira como as pessoas buscam informações sobre serviços de hotéis no período anterior à viagem. As mudanças causadas pelas novos meios de comércio eletrônico e pelos recentes padrões comportamentais dos turistas exigiram a adaptação dos canais de distribuição. Pela grande facilidade em pesquisar preços e ofertas, os consumidores online, geralmente, acabam dando preferência ao melhor preço. Cabe ressaltar que o diferencial pode estar nos serviços oferecidos: bom atendimento, presteza e honestidade ainda pesam nas escolhas dos clientes. Ainda mais no Turismo, no qual os turistas terão contato direto com o fornecedor, pois, como falamos anteriormente, aqui o produto é produzido e consumido praticamente no mesmo instante. Esse fato difere o Turismo de outros setores do mercado em que o sujeito compra o produto de sua casa e o recebe, sem contato direto com o fornecedor. Desse modo, no Turismo, um quarto de hotel, por exemplo, pode se destacar perante os demais por oferecer um café da manhã Quadro 1 - Quadro indicando a maneira como as pessoas buscam informações pré-viagem sobre serviços de hotéis. Fonte: CORTEZ; MONDO, 2017, p. 126. https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 16 of 28 especial, por aceitar animais de estimação ou ter uma decoração especial. As empresas aéreas podem oferecer comodidades, como wifi e salas de espera especiais, detalhes que podem fazer com que o cliente clique nesse ou naquele produto. O argentino Roberto Sourviron é personagem importante para a popularização das vendas online de serviços turísticos. Ele morava nos Estados Unidos e viajava muito para a Argentina, utilizando-se desse tipo de serviços. Ao perceber que na América Latina não havia nada online que oferecesse vários serviços e produtos, tal qual uma agência de viagens, criou um site específico com a ajuda de alguns amigos. Depois de apenas dois meses da inauguração do projeto no país vizinho, ele já atuava no Brasil. Talvez a grande contribuição dos avanços tecnológicos para o Turismo não tenha sido apenas a facilidade de pesquisar e consumir o Turismo, mas a experiência. A resposta do mercado para se manter competitivo diante da quantidade de informação e escolhas que o turista tem à mão é oferecer motivos cada vez mais especiais para ser o eleito. Um complemento que busca melhorar a experiência do cliente, cuja satisfação tem cada vez mais peso devido às redes sociais e páginas de indicação de serviços de Turismo, é a Trip Advisor. A partir das opiniões de pessoas comuns, ela mede a reputação de uma variada gama de produtos e serviços turísticos no mundo todo. 4.3.2 Hospitalidade A hospitalidade surge com o acolhimento de viajantes precisando de abrigo. Ela pode ser simplesmente definida como o ato de receber bem ou como um conjunto de leis não escritas que a vida social obriga a seguir VOCÊ O CONHECE? https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 17 of 28 (CAMARGO, 2004). Na Inglaterra moderna, a hospitalidade dispunha de um alto valor político. O ato de distribuir vinho e comida aos mais pobres auxiliava na manutenção da coesão social, além disso, os senhores feudais, ao alimentarem os inquilinos, vizinhos e outros desfavorecidos, estabeleciam uma relação de dívida e reciprocidade. Questões religiosas da moral cristã também incentivaram a continuidade da hospitalidade. Cristo poderia bater à porta vestido de mendigo pedindo abrigo e, caso lhe fosse negada hospitalidade, a família poderia perder todas as suas posses (LASHLEY, 2015). Como você já deve ter percebido, a hospitalidade constitui parte indissociável do Turismo, é praticamente uma commodity do setor. Nesse ponto, entretanto, surgem as dúvidas e discussões a respeito dessa hospitalidade comercializada. Ao ser reduzida a uma mercadoria, ela não perde seu sentido? A literatura sobre hospitalidade trata com mais ênfase do seu viés mercantil, abordando a hospitalidade altruísta apenas com relatos da antiguidade, como fizemos anteriormente neste mesmo texto (CAMARGO, 2015). “Hospitalidade”, livro de Luiz Octávio de Lima Camargo, busca demonstrar que o seu significado não se resume a somente um produto turístico. A hospitalidade mostra-se essencial nas relações humanas, inclusive as comerciais como o Turismo, pois é preciso que o turista sinta-se sinceramente acolhido, apesar da relação econômica intrínseca ao negócio. Dessa forma, o autor classifica o resgate da hospitalidade como um desafio para o desenvolvimento do setor turístico. VOCÊ QUER LER? https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 18 of 28 Atualmente, há quem diga que a comercialização da hospitalidade apenas reforça seu valor, sua marca como forma de interação entre as pessoas. Outros especialistas, no entanto, afirmam que a hospitalidade turística não passa de uma encenação (CAMARGO, 2015). Talvez os sites de compartilhamento de residência, como o AirBnB, possam servir como exemplo de uma associação em que a hospitalidade comercializada possa proporcionar uma relação mais próxima entre quem paga e quem recebe. Esse caso também diz respeito ao tema do item anterior, que discutiu a questão da tecnologia da informação modificando a forma de fazer Turismo. Assim, ao inserir-se no mercado hoteleiro como mais uma opção que permite reservas instantâneas online para qualquer lugar do mundo, a hospedagem em residências de outras pessoasé, muitas vezes, escolhida pelos turistas pela experiência que proporciona. Ao permitir que qualquer pessoa abra o seu lar para um visitante, esse tipo de acolhida oferece uma aproximação entre anfitrião e visitante que não existe em hotéis e pousadas convencionais. O contato direto com um nativo, que abre sua casa e apresenta os costumes e cultura do lugar, pode ser um importante diferencial na vivência dos turistas. Estamos falando de casos distintos, todavia, nesse tipo de relação é mais provável que a hospitalidade seja mais interessada e menos interesseira, apesar de ainda ser uma associação comercial. 4.4 Tendências de mercado Mobilidade significa a capacidade de se movimentar, de ir de um lugar para o outro. Essa característica sempre foi essencial para a humanidade, desde que passou a organizar-se em sociedade. Pode ser dividida em mobilidade https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 19 of 28 física (entendida como a ação de ir e vir, fisicamente, de um lugar ao outro), social (a mobilidade entre classes sociais) e corporativa, que é a mobilidade provocada por razões profissionais (GOLDENBERG; KYOKO WADA, 2017). Nesse tipo de mobilidade encontramos o Turismo de Negócios, que já foi muito contestado devido à sua motivação, mas que hoje se constitui em um segmento sólido, utilizado, inclusive, para movimentar a economia de destinos com sazonalidade muito marcada por meio da promoção de eventos. A economia globalizada derrubou as fronteiras entre as nações, o que impulsiona a mobilidade, já que as cadeias de produção estão cada vez mais complexas e envolvem indivíduos espalhados nos mais diversos lugares do planeta. Outra consequência da globalização, as inovações tecnológicas também interferem na mobilidade, visto que eventos que envolviam viagens e reuniões de corpo presente passaram a ser substituídos por encontros virtuais, graças às facilidades proporcionadas pela tecnologia. Não podemos nos esquecer que o número de indivíduos que se deslocam por motivos de trabalho também é influenciado pelo incremento de indivíduos integrantes da classe média, sobretudo, nos países emergentes. 4.4.1 Mobilidade corporativa Quando falamos em mobilidade corporativa, estamos nos referindo às movimentações que têm como principal motivação o trabalho. A maior parte desses deslocamentos é feita nas grandes cidades e, de forma geral, são acompanhadas de muitos problemas (como o trânsito intenso de veículos). Trabalhadores chegam a passar de 55 min a 85 min diários nesses trajetos de intensa movimentação, percorridos, em grande parte, por automóveis (PETZHOLD; LINDAU, 2017). https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 20 of 28 Segundo os autores, a falta de planejamento urbano, meios de transporte coletivo eficientes e o fato de a maioria das empresas terem horários de funcionamentos muito parecidos agrava a situação (PETZHOLD; LINDAU, 2017). Contudo, se observarmos sob um viés macro, a intensificação da mobilidade corporativa estimula o desenvolvimento do Turismo, mais precisamente o Turismo de Negócios e Eventos, cuja principal motivação também é relacionada ao trabalho. A globalização da economia, que se baseia em uma ampla e diversificada cadeia produtiva, muitas vezes espalhada por diversos países, somada ao crescimento das economias dos países emergentes do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), estimula o crescimento dos deslocamentos internos entre empresas do mesmo país. O desenvolvimento da economia dessas nações, por sua vez, motiva os deslocamentos externos, entre as empresas de países diferentes, ou seja, o fortalecimento da economia gera mobilidade que, por conseguinte, fortalece a economia e as empresas, gerando mais mobilidade. Esse crescimento da mobilidade corporativa impulsiona o Turismo de Negócios, que se especializa, geralmente, na organização e promoção de eventos corporativos. No Brasil, o Turismo de Negócios já é um dos segmentos mais importantes, juntamente com EcoTurismo e Turismo de Sol e Praia. Em 2014, durante o período da Copa do Mundo, mais de 21% dos turistas que chegaram ao país o fizeram por motivos profissionais (Sebrae, 2016). Somente no ano de 2017, o Brasil sediou mais de 900 eventos (ABEOC, 2018). Figura 5 - Uma economia saudável gera mais mobilidade, enquanto que economias em estagnação apresentam mobilidade menor. Fonte: Photosani, Shutterstock, 2018. https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 21 of 28 Como já nos referimos, o crescimento das economias intensifica a mobilidade. Para além disso, gera avanços e movimentações nas classes sociais, que passam a ter acesso a melhores serviços e mais qualidade educacional, o que irá refletir em mais desenvolvimento. 4.4.2 Nova classe média Wilson (2013) explica que o desenvolvimento dos países ditos emergentes contribuiu com o crescimento da classe média em todo o mundo. Isso porque o crescimento econômico é acompanhado de uma classe de trabalhadores mais qualificada, que passa a se apropriar de cargos que não ocupavam anteriormente. São esses trabalhadores que vão formar a nova classe média. Somente na Ásia, ela representa mais de 500 milhões de pessoas, isto é, uma população maior que a da União Europeia. VOCÊ SABIA? A classe média surgiu da burguesia europeia que, no período feudal, consistia em uma categoria intermediária entre os nobres, detentores das terras, e os camponeses que trabalhavam nela. Composta por pessoas ligadas ao artesanato e ao comércio, que se concentravam majoritariamente nas áreas urbanas, tornou-se uma camada social muito rica e influente sobre as outras, principalmente, após a Revolução Francesa, em 1789. Ao retrocedermos no tempo, veremos que a Revolução Industrial provocou um grande incremento de indivíduos na classe média, sobretudo, na Europa e nos Estados Unidos. O período pós II Guerra Mundial também foi fundamental para aumentar ainda mais esse grupo, não apenas nas regiões já citadas como também no Japão. https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 22 of 28 No Brasil, a situação é um pouco diferente: conforme Goldenberg e Kyoko Wada (2017), as pessoas que ascenderam à classe média apresentam comportamentos distintos dos indivíduos que já faziam parte dessa classe. São mais ligadas a produtos como roupas, eletrônicos, eletrodomésticos e culturas identitárias, como “funk ostentação”. Uma classe média mais populosa, obviamente, significa maior possibilidade de consumo em uma economia. As empresas, por sua vez, investem em produtos inovadores destinados especialmente a essa classe e financiam bens duráveis com mais facilidades (GOLDENBERG; KYOKO WADA, 2017). Ainda segundo os especialistas, a melhoria em setores básicos, como a educação, proporciona uma formação mais completa além de enviar para o mercado de trabalho profissionais melhores capacitados que, por sua vez, ocuparão cargos mais altos e ganharão melhores salários. Consequentemente, terão necessidade de viajar a trabalho, ou seja, mobilidade corporativa (GOLDENBERG; KYOKO WADA, 2017). Repare como a relação entre desenvolvimento econômico e mobilidade em um país, tratado no item anterior, refere-se à visão macro desse mesmo acontecimento: a mobilidade corporativa alta impulsiona o crescimento da classe média, que passa a ter maior mobilidade. Figura 6 - O surgimento de uma nova classe média foi sentido pelo mercado, que incentivou o consumo ao facilitar os pagamentos e melhorar as condições de créditos. Fonte: Shutterstock, 2018. Síntese https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 23 of 28 Vimos, neste capítulo, quais temas são tendência no Turismo atual e refletimos a respeitode questões éticas, sobretudo, as que são pertinentes aos profissionais de Turismo (como os turismólogos). Também acompanhamos pontos relacionados ao período de mudanças pelo qual todos estamos passando, referentes à segmentação do Turismo aos mais diversos públicos, em especial o LGBT. Ressaltamos o papel fundamental do cuidado com os recursos turísticos, bases para a promoção e a continuidade da atividade, bem como debatemos as questões étnico- raciais, extremamente relevantes em um país de contrastes como o Brasil. Outros tópicos discutidos foram as interferências que sofrem os canais de distribuição por causa dos avanços tecnológicos e a relação entre a hospitalidade e o Turismo. Por fim, abordamos as tendências de mercado sob a ótica da expansão da nova classe média e a mobilidade corporativa. Neste capítulo, você teve a oportunidade de: compreender que as relações comerciais no Turismo são muito baseadas em confiança, portanto, a ética é fundamental para o bom funcionamento dessas relações; ponderar sobre as consequências socioambientais que o Turismo sem planejamento pode causar; conhecer a complexidade socioambiental do setor e o papel do turismólogo nessa relação; refletir sobre as constantes mudanças a respeito das questões raciais e de gênero e como o Turismo é afetado; saber mais sobre a mobilidade cooperativa e suas consequências para o Turismo; perceber como a nova classe média influenciou mudanças socioeconômicas e sua relação com o Turismo. https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/HOS_TEGETU_19/unidade_4/ebook/index.html 23/09/24, 15:16 Page 24 of 28 Bibliografia ABEOC. Associação Brasileira de Empresas de Eventos. 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