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TEORIA GERAL DO
TURISMO
CAPÍTULO 4 – QUAIS OS TEMAS E
TENDÊNCIAS DE MERCADO PARA O
TURISMO CONTEMPORÂNEO?
Felipe Decol
INICIAR
Introdução
A idade Contemporânea tem seu início na Revolução Francesa, no século
XVIII, e segue até os dias atuais. Desde então, as revoluções tecnológicas
que já ocorreram, principalmente dos transportes e das comunicações,
tiveram grande influência no desenvolvimento do Turismo – que até o
começo do século XX era privilégio das elites. As duas grandes guerras
mundiais frearam o avanço da atividade, que voltou a se movimentar a
partir de 1945, após o fim da II Guerra Mundial. Nesse período, fatores como
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o surgimento de uma classe média na Europa e nos Estados Unidos, maior
produção de veículos particulares de transporte, estabilidade econômica
mundial e avanços nas leis trabalhistas permitiram que mais pessoas
pudessem viajar.
Com fortalecimento do mercado do Turismo são criados muitos postos de
trabalhos e, até mesmo novas profissões, como a de turismólogo. Como
vimos, são vários os avanços. No entanto, quais conceitos éticos incorreram
nesse processo de popularização da atividade? E quais são as
responsabilidades dos turismólogos perante temas sociais e ambientais?
As rápidas inovações tecnológicas e o crescimento das economias dos
países influenciaram e continuam modificando os processos da cadeia
produtiva do Turismo. Quais são e como ocorreram essas mudanças?
Como você pode observar, sãos muitos os pontos a serem trabalhados.
Portanto, neste capítulo, iremos estudar as transformações que ocorreram
no campo do Turismo, quais suas principais causas e também a postura
ética do turismólogo. 
4.1 Ética e atuação profissional em
Turismo
Os avanços tecnológicos, as facilidades de comunicação e transportes, o
estreitamento das relações econômicas e sociais no mundo todo
contribuíram para a expansão do Turismo. No final do século XX e início do
século XXI, principalmente, ocorre uma especialização nesse mercado, com
a formação de cadeias de empresas de produtos e serviços que, unidos,
passam a oferecer produtos cada vez mais especializados.
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Antes dessa revolução tecnológica e das comunicações, o profissional do
Turismo detinha um papel distinto na organização e venda das viagens.
Hoje, o agente de viagens é considerado muito mais um consultor que um
vendedor de pacotes, já que as facilidades de acesso à informação
permitiram ao público geral maiores facilidades no comércio de serviços de
transporte e hotelaria. Se antes o profissional de Turismo fornecia
informações para os clientes, nos dias de hoje, com a quantidade
exagerada de informações recebidas constantemente, esse profissional
atua mais como alguém que pode auxiliar na decisão pelo melhor produto
para cada turista (OLIVEIRA, 2003). No entanto, as facilidades para produzir
e consumir Turismo trazem consigo maior concorrência, o que exige dos
profissionais maior cuidado com questões éticas, sociais e ambientais.
4.1.1 Códigos de ética e conduta
Qualquer profissional deve ser conduzido por princípios éticos e morais
bem definidos para a garantia de um mercado justo e honesto. Podemos
definir ética como o conjunto de valores que podem se apresentar na forma
de ações de conduta humana, qualificadas sob uma ótica dialética como
boas ou ruins (FERREIRA, 1986; CASTROGIOVANNI, 2003).
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No ano de 1999, a Organização Mundial do Turismo (OMT) apresentou o
Código Mundial de Ética do Turismo, elaborado sob princípios de
desenvolvimento sustentável e luta contra as desigualdades sociais. Em
seu artigo 6, trata das” Obrigações dos Agentes do Desenvolvimento
Turístico”, no qual discorre sobre fatores como segurança, saúde e direito
dos turistas, e responsabilidade dos profissionais. No artigo 9, são
apresentados os “Direitos dos Trabalhadores e dos Empresários do Setor
Turístico”, que são incentivados a promoverem um intercâmbio de
experiências profissionais. Já as grandes empresas deverão evitar a
Figura 1 - O turismólogo precisa estar ciente de sua responsabilidade como promotor de uma
atividade que afeta diretamente outros profissionais, populações locais e o meio ambiente.
Fonte: Krzysztof Bargiel, Shutterstock, 2018.
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interferência e a replicação de culturas e costumes locais e
comprometerem-se com o desenvolvimento das localidades receptoras
(OMT, 1999).
O produto do Turismo é constituído por elementos objetivos e subjetivos,
sendo que a subjetividade está muito baseada em símbolos e no
imaginário dos turistas. Esse valor intangível do Turismo depende muito da
responsabilidade ética do profissional da área (NASSAR, 2001). A profissão
de agente de viagens é baseada em confiança. Um produto turístico é
normalmente comercializado de maneira adiantada e à distância – vagas
em hotéis, pacotes de viagens, passagens, passeios. Do mesmo modo, o
agente trata com os fornecedores que oferecem seus serviços às agências
sem a mínima garantia de vendas, como geralmente ocorre em uma
transação normal de um produto tangível, como, por exemplo, a compra de
carros de uma montadora por uma concessionária para posterior revenda.
Outro profissional de Turismo que requer muito cuidado em seu
comportamento é o guia. Quando leva os turistas a lugares ou utiliza
serviços específicos porque recebe desses locais uma comissão, seu ato
pode ser considerado ético? O turista contratou os serviços do guia por
acreditar na capacidade desse profissional de proporcionar um passeio de
qualidade (CANANI, 1999). Ao guia cabe, portanto, devolver essa confiança
com um bom trabalho, ou seja, proporcionar a melhor experiência por
meio de seus conhecimentos sobre o atrativo. Ao aproveitar-se de sua
posição para indicar locais, exclusivamente por conta de
comissionamentos, o profissional acaba por ultrapassar os limites éticos de
seu ofício. A questão aqui não é o ato do recebimento da comissão, mas a
desonestidade do guia ao oferecer deliberadamente aos turistas um
produto ruim. Se o profissional é consciente de que está proporcionando o
melhor serviço possível a seus clientes, a relação perde a má-fé, e o
comissionamento é considerado ético (NASSAR, 2001).
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As discussões éticas também recaem sobre empresas que fazem parte do
setor, como redes de hotéis, agências de viagens, locadoras de veículos e
empresas de transportes, como as companhias aéreas. A prática do
overbooking (ato de vender mais passagens que assentos no avião para
garantir a ocupação) é um bom exemplo para reflexão. A questão da ética
nas empresas diz respeito às suas relações com outras empresas e com os
clientes.
Na condição de gestor ou promotor do Turismo, cabe ao turismólogo uma
responsabilidade ainda maior. Ele participa diretamente das relações com
empresas, fornecedores, gestores, políticos, turistas e é atuante nos
processos de planejamento e gestão dos empreendimentos turísticos, ou
seja, a questão ética torna-se imperativa em sua atuação profissional. O
Código de Ética do Bacharel em Turismo, em diversos artigos, aborda
questões referentes a lucros e vantagens indevidas, responsabilidades do
profissional com o meio ambiente e com os clientes.
No site da Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais do Turismo (ABBTUR) você
poderá conhecer um pouco melhor a atuação dessa categoria no país. Nele, há um link para
baixar o código de ética, entre outros documentos, além de várias informações sobreTurismo
e seus profissionais. Acesse em: .
A ética na promoção de um destino turístico deve ser estabelecida em todo
o processo, desde o planejamento e execução, até as relações entre os
profissionais e clientes. A ética também é parte importante na relação do
profissional com o meio ambiente. Aos profissionais de Turismo torna-se
cada vez mais importante o conhecimento e a implementação de processos
VOCÊ QUER LER?
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de desenvolvimento sustentável em seus projetos. Sua formação e atuação
deve estar centrada conforme uma nova ética, focada no conceito de
sustentabilidade (KÖCHE et al, 2008).
4.1.2 Responsabilidade social e ambiental
Sustentabilidade é um conceito que permeia praticamente todos os setores
da sociedade atual. A OMT aponta o Turismo como uma atividade que pode
aumentar receitas, trazer benefícios às populações locais e desenvolver
economias internacionais de países mais pobres, porém, reitera a
necessidade de observação e eliminação dos impactos sociais e ambientais
causados pela atividade (KÖCHE et al, 2008).
É importante ter em mente que o Turismo é uma atividade cujo sucesso ou
fracasso é influenciado pelas condições do espaço, ao mesmo tempo que
influencia diretamente na qualidade desse. A responsabilidade das pessoas
que trabalham com Turismo está no planejamento adequado para que as
populações e o meio ambiente sejam beneficiados pela implementação de
empreendimentos turísticos ou, pelo menos, que não sofram malefícios.
Assim, as responsabilidades sociais e ambientais dos profissionais do
Turismo recaem, novamente, sobre as questões éticas.
O campo de atuação de um turismólogo abrange, portanto, todas as fases
do Turismo como atividade econômica e social. Desde pesquisa e
identificação de demandas e mercados, passando por planejamento,
implementação, execução e administração. Além disso, é fato conhecido
como o Turismo sem planejamento e cuidados adequados pode prejudicar
populações e o meio ambiente. Dessa forma, o turismólogo, como agente
de Turismo que permeia todas as fases de implementação turística e
transita entre todas as camadas de sujeitos envolvidos com a atividade,
deve ter a sensibilidade de identificar as situações de risco.
Um fator interessante sobre a questão da responsabilidade socioambiental
do turismólogo está em uma característica única e paradoxal do Turismo:
sob a ótica de atividade econômica, o setor também é prejudicado pelos
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problemas que ele mesmo gera (BOULLÓN, 2003). Por exemplo, os clássicos
casos de praias nas quais o Turismo de Massa, sem planejamento,
incentivou a especulação imobiliária, incorrendo em perdas paisagísticas e
ambientais. As belezas naturais não representavam o grande recurso
turístico desses locais? Se elas foram trocadas por grandes
empreendimentos imobiliários, o Turismo nessas áreas não perde o
sentido? Isso implica a perda de turistas e prejuízos à economia local.
Já no campo sociocultural, são exemplos de impactos culturais: a
padronização (perda de autenticidade e espontaneidade em função de
criar uma atmosfera familiar ao turista); a autenticidade encenada (onde
são criados falsos “shows típicos” em função do Turismo); e a
mercantilização (quando o Turismo leva a alterações ou destruição de
festas e eventos típicos) (COOPER, 2008). Tal situação dificilmente será
replicada em outros setores da economia, nos quais, normalmente, o
impacto negativo se dá sobre os demais: as populações e o meio ambiente
(JOAQUIM, 1997).
Logo, as questões de responsabilidade social e ambiental para os
profissionais de Turismo não representam somente a proteção dos
recursos naturais e das populações nativas. Trata-se de garantir a
continuidade da atividade econômica do Turismo e, consequentemente, o
destino dos seus profissionais.
 Figura 2 - O Turismo sem planejamento pode acarretar em perdas paisagísticas e ambientais,
esgotando os recursos turísticos e prejudicando suas comunidades. Fonte: wk1003mike,
Shutterstock, 2018.
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4.2 Temas complexos necessários à
atuação do turismólogo
O sociedade passa por um processo rápido e intenso de mudanças
comportamentais, filosóficas e sociais. Os avanços tecnológicos permitiram
a democratização do acesso às informações, assim como descomplicaram e
amplificaram as discussões a respeito de todo e qualquer assunto. As
barreiras culturais e sociais estão mais transparentes e existe uma enorme
facilidade em saber o que ocorre em qualquer parte do mundo.
A grande quantidade de informações em forma de notícias, opiniões,
artigos, músicas, vídeos, influencia diretamente na vida cotidiana das
pessoas, e é refletida nas mudanças de comportamento de toda a
sociedade. Questões pertinentes às chamadas “minorias” ganham
amplitude e destaque. Esse comportamento mais volátil e reflexivo da
população interfere nos setores produtivos da sociedade e influencia o
comportamento do mercado, inclusive, no mercado turístico.
Black Mirror é uma série televisiva inglesa produzida por Charlie Brooker, cujos episódios são
ensaios de como poderiam (ou poderão) ser as relações das pessoas com a tecnologia e com
as outras pessoas. Ela promove discussões sobre diversos assuntos pertinentes à nossa
sociedade atual. Pode ser visto em DVD ou em serviços de streaming.
VOCÊ QUER VER?
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Por ser uma atividade com ampla interdisciplinaridade – em que cultura,
sociedade, meio ambiente e economia se misturam em uma atividade que
é econômica, mas também social e de consumo –, o Turismo é
extremamente sensível às mudanças de comportamento da sociedade,
assim como precisa ser sensível o profissional que atua no setor.
4.2.1 Educação das relações étnico-raciais
A palavra italiana “razza” vem do termo “ratio”, sorte ou espécie em latim. O
sentido de classificação para o termo raça foi utilizada primeiramente pela
botânica para plantas e animais, no século XVI. Na Idade Média, era usada
para designar pessoas a partir de uma descendência ou linhagem e, a partir
do século XVII, na França, passa definitivamente a ser empregada para
diferenciar grupos de pessoas, no caso os Francos, de linhagem germânica,
dos Gauleses, identificados com a plebe (MUNANGA, 2004).
Os conceitos de classificação, inicialmente, serviam como forma de
organização, todavia, no caso dos seres humanos, a tentativa de
classificação por raças acabou passando por uma hierarquização, o que
conduziu ao racialismo. O racismo, surgido como conceito no século XX,
basicamente hierarquiza as raças em superiores e inferiores, sendo a raça
branca a superior. Além disso, o racismo define raça como um conjunto
sociológico, não somente biológico, e contabiliza, além da cor da pele,
formato de crânio e nariz, aspectos culturais, morais e individuais, como
honestidade e inteligência (MUNANGA, 2004).
CASO
Na Serra da Barriga, próximo a Maceió, Alagoas, o Parque Memorial Quilombo dos
Palmares é um exemplo de Turismo Étnico. O Parque reconstitui o cenário do Quilombo
dos Palmares, um dos maiores símbolos de resistência à escravidão do mundo. Recebe
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turistas, turmas de estudantes e professores, que têm a oportunidade de imergirem na
cultura negra, além de poderem experimentar pratos típicos. Você pode encontrar mais
informações no site .
Se o racismo fundamenta-se numa lógica de divisão pela raça biológica, o
conceito deetnia está baseado na divisão sociocultural. Descobertas
científicas século XX afirmaram que características sanguíneas e genéticas
definiam uma divisão humana por raças, em que, por exemplo, um
senegalês poderia ser mais genericamente parecido com um norueguês
que com um congolês. A comprovação científica da inexistência de raças
divididas por questões como a cor da pele, porém, não impediu o
desenvolvimento do racismo como tentativa de legitimação da
superioridade de uma raça (SCHWARCZ; QUEIROZ, 1996).
O racismo do final do século XX e início do século XXI está baseado em
questões identitárias e culturais, não mais biológicas. Além disso, mais uma
vez, a revolução tecnológica pela qual estamos passando dá mostras do
quão presente está a questão do racismo. Felizmente, da mesma maneira
que aumentam os crimes, crescem as denúncias, a indignação e as
discussões acerca do tema. A educação étnico-racial passa a estar presente
nas escolas, principalmente da rede pública, oferecendo às crianças
disciplinas relacionadas com a cultura negra, indígena, oriental. Além disso,
há os cursos para formação e especialização dos professores.
As transformações sociais incentivadas pelos avanços tecnológicos
trouxeram destaque a assuntos e questões que sempre existiram, porém,
eram pouco discutidos. No que tange ao Turismo, as questões étnico-
raciais, de alguma forma (talvez não a mais adequada), invariavelmente
 Figura 3 - Um país de extrema miscigenação, que recebeu imigrantes durante toda a sua história,
começa, agora, um processo lento de reconhecimento de sua história. Fonte: Shutterstock, 2018 .
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foram abordadas. As diferenças culturais sempre fascinaram os seres
humanos e o Turismo explora esse interesse ao reconhecer aspectos
culturais, sociais e folclóricos como atrativos. Claro que, por muitas vezes, a
necessidade de um “show” requisitado pelo Turismo provoca deformações
e simplificações em nome de uma maior aceitação por parte do público.
Por esse motivo, podemos afirmar que a utilização de aspectos e nuances
culturais e sociais de populações consideradas exóticas pelo setor nem
sempre mostra a realidade e conserva o devido respeito com as pessoas
que fazem parte daquela etnia ou sociedade.
4.2.2 Turismo e relações LGBT
As siglas que denominam os movimentos pelos direitos dos homossexuais
já passaram por diversas modificações ao longo do tempo, sempre
acompanhando as demandas desse grupo. A primeira a ser utilizada, nos
anos 1970, foi GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes), mas, por deixar de lado
outras formas de sexualidade e identidade de gênero, os movimentos
passaram a usar LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais E Transexuais). Nos
últimos anos, foram incluídas novas categorias e a sigla foi modificada,
novamente, para LGBT*, em que o asterisco funciona como um sinal que
indica o significado múltiplo do T (Transexuais, Travestis e Transgêneros). É
possível encontrarmos outros termos, mas a maneira mais atual é o
LGBTQ+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e
Queers), no qual o T continua com um significado múltiplo e a letra Q
remete ao termo Queer, que amplia o espectro e abarca as outras formas de
gênero. A expressão LGBT ainda é a mais utilizada pelo movimento social
brasileiro e por entidades governamentais nos três âmbitos da federação.
Por isso, quando falarmos desse grupo no capítulo, seguiremos com essa
nomenclatura.
Considerar ou ser considerado um homossexual é fruto do século XIX. No
mundo greco-romano havia a compreensão de que, durante sua vida,
qualquer pessoa poderia ter impulsos sexuais homo ou heterossexuais, por
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isso, não existia um termo em seus vocabulários para definir tal condição. O
posicionamento das religiões perante a homossexualidade, considerando-a
uma forma de pecado, somado a uma sociedade moralista gerou muito
preconceito e prejudicou a aceitação da homossexualidade. Ainda hoje,
apesar de todos os avanços, há países que condenam atos sexuais
consentidos entre pessoas do mesmo sexo com pena de morte, como é o
caso de Arábia Saudita e do Irã. Somente no século XX, por meio de estudos
científicos que desmistificaram a ideia de doença e da conquista de
espaços na mídia, nas artes e na cultura em geral, a homossexualidade
passou a se tornar aceitável na maioria das sociedades,
concomitantemente, os homossexuais também conquistaram poder
econômico e político (TRIGO, 2009).
VOCÊ SABIA?
Pink money: significa dinheiro rosa, em inglês. É um termo utilizado para designar os
serviços e produtos oferecidos ao mercado LGBT. Pesquisas comprovam que os turistas
gays costumam gastar mais que os heterossexuais e o fato de a maioria não ter filhos faz
com que revertam sua renda para viagens e lazer. O termo é utilizado nacional e
internacionalmente.
As discussões a respeito de assuntos relacionados às comunidades LGBT
remete ao que já mencionamos, sobre a ampliação e maior divulgação de
temas das denominadas “minorias”. O Turismo, em processo contínuo de
fragmentação e segmentação, já relaciona uma série de produtos
direcionados a esse público. Além disso, é corrente o pensamento de que a
comunidade LGBT tem tradição de viajar e gastar, sendo menos suscetível a
crises econômicas e, por isso, considerada uma parcela muito importante
do mercado turístico.
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Desse modo, há todo um segmento do Turismo voltado ao público LGBT,
que engloba destinos, companhias aéreas, redes de hotel e cruzeiros, entre
outros (SANCHES; MANCINI; NASCIMENTO, 2011). Existem, inclusive,
instituições financeiras especializadas em cuidar da vida financeira de
homossexuais. Nos Estados Unidos, a cidade de São Francisco, que tem na
sua história episódios de luta pelos direitos LGBT, é mundialmente
conhecida como um destino gay. No Brasil, Florianópolis também se
enquadra nessa proposta, sendo uma cidade que recebe muitos turistas
LGBT por causa da agitada vida noturna e das praias (algumas bastante
frequentadas por esse público, como Galheta e Mole).
A questão principal na relação entre Turismo e os grupos LGBT está na
capacidade que o Turismo Contemporâneo está tendo, e precisa ter, de
selecionar seu público e criar atrações que são específicas para cada grupo.
A segmentação do Turismo precisa existir, não para separar, mas para
direcionar as pessoas ao encontro de suas vontades e necessidades. Ela
serve como uma forma de autoconhecimento e conhecimento do outro. O
simples fato de existir um mercado de Turismo especialmente desenhado
para o público LGBT representa também uma função social, que ajuda a
“tornar comum” a situação e, talvez, auxilie na derrubada dos preconceitos
que foram construídos ao longo do tempo.
 Figura 4 - Hoje, a população LGBT constitui um mercado especializado, com produtos e serviços
desenvolvidos exclusivamente para esse público. Fonte: Joshua Resnick, Shutterstock, 2018.
4.3 Tópicos Emergentes
Os avanços científicos transformaram e continuam afetando, e muito, a
rotina dos componentes que formam a cadeia de Turismo. As novas
tecnologias de informação influenciaram fortemente nos processos do
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fazer turístico desde propaganda, reservas de hotéis e passagens a compra
de pacotes de passeio etc. Mas, a relação entre tecnologia e Turismo tem
uma dialética interessante: por um lado, ela facilitou as viagens, por outro,
fez com que as pessoas criassem hábitos mais caseiros, pois tudo chega até
suas casas sem grandes esforços (BARRETTO, 2014).
O turista, por conseguinte, passa por um intenso processo de mudança em
seu comportamentocomo consumidor, tanto no momento de planejar,
comprar e consumir o produto turístico quanto em suas motivações e
escolhas de viagens. Como foi colocado, a evolução tecnológica e,
principalmente, a amplitude do acesso às informações das mais variadas
naturezas são as grandes responsáveis por essas transformações no
comportamento humano e no mercado. Isso porque grande parte do
Turismo é constituído por viagens de curta distância e duração, isto é, são
viagens de final de semana ou feriados prolongados. Os meios utilizados
por esse tipo de turista para organizarem seus próprios roteiros estão
presentes no seu dia a dia: smartphones e computadores, que abrem
inúmeras possibilidades de destinos, passeios e hospedagens.
4.3.1 Canais de distribuição
São os meios que aproximam os turistas dos fornecedores de produtos e
serviços e permitem aos mesmos adquirir e pagar por esses produtos
(PEARCE; TAN; SCHOTT, 2004). No Turismo, essa aproximação sempre se
deu por meio de intermediários, as operadoras e as agências de Turismo. O
turista ia até esses locais para planejar e pagar por suas viagens.
Como dito anteriormente, as novas tecnologias de informação, em especial
a internet, encurtaram as distâncias e deram maior independência ao
consumidor final. Ele ganha mais poder, pois tem acesso a inúmeras
opções e pode comprar diretamente do fornecedor do serviço ou produto.
Nessa nova organização, os canais formados pelos intermediários
perderam força, já que seu trabalho passou a ser oferecido em outras
plataformas, muitas vezes, com mais agilidade e conforto para o cliente.
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Logo, os intermediários que não se adaptaram rapidamente, buscando
agregar à cadeia de valor do Turismo, acabaram ficando para trás (FLECHA,
2002).
Torna-se evidente que tais mudanças influenciaram diretamente na cadeia
de valor do Turismo. Hoje, o turista serve-se, primeiramente, da internet
para buscar informações, opiniões sobre hotéis e serviços. Além disso, pode
receber diariamente atualizações sobre tarifas de passagens aéreas para
qualquer lugar do mundo e só comprar quando achar conveniente, em
poucos minutos e de onde quiser. Não bastasse essas vantagens, esse tipo
de serviço, de forma geral, é oferecido gratuitamente por um aplicativo de
smartfone.
Na tabela a seguir podemos observar a maneira como as pessoas buscam
informações sobre serviços de hotéis no período anterior à viagem.
As mudanças causadas pelas novos meios de comércio eletrônico e pelos
recentes padrões comportamentais dos turistas exigiram a adaptação dos
canais de distribuição. Pela grande facilidade em pesquisar preços e
ofertas, os consumidores online, geralmente, acabam dando preferência ao
melhor preço. Cabe ressaltar que o diferencial pode estar nos serviços
oferecidos:  bom atendimento, presteza e honestidade ainda pesam nas
escolhas dos clientes. Ainda mais no Turismo, no qual os turistas terão
contato direto com o fornecedor, pois, como falamos anteriormente, aqui o
produto é produzido e consumido praticamente no mesmo instante. Esse
fato difere o Turismo de outros setores do mercado em que o sujeito
compra o produto de sua casa e o recebe, sem contato direto com o
fornecedor. Desse modo, no Turismo, um quarto de hotel, por exemplo,
pode se destacar perante os demais por oferecer um café da manhã
 Quadro 1 - Quadro indicando a maneira como as pessoas buscam informações pré-viagem sobre
serviços de hotéis. Fonte: CORTEZ; MONDO, 2017, p. 126.
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especial, por aceitar animais de estimação ou ter uma decoração especial.
As empresas aéreas podem oferecer comodidades, como wifi e salas de
espera especiais, detalhes que podem fazer com que o cliente clique nesse
ou naquele produto.
O argentino Roberto Sourviron é personagem importante para a popularização das vendas
online de serviços turísticos. Ele morava nos Estados Unidos e viajava muito para a Argentina,
utilizando-se desse tipo de serviços. Ao perceber que na América Latina não havia nada online
que oferecesse vários serviços e produtos, tal qual uma agência de viagens, criou um site
específico com a ajuda de alguns amigos. Depois de apenas dois meses da inauguração do
projeto no país vizinho, ele já atuava no Brasil.
Talvez a grande contribuição dos avanços tecnológicos para o Turismo não
tenha sido apenas a facilidade de pesquisar e consumir o Turismo, mas a
experiência. A resposta do mercado para se manter competitivo diante da
quantidade de informação e escolhas que o turista tem à mão é oferecer
motivos cada vez mais especiais para ser o eleito. Um complemento que
busca melhorar a experiência do cliente, cuja satisfação tem cada vez mais
peso devido às redes sociais e páginas de indicação de serviços de Turismo,
é a Trip Advisor. A partir das opiniões de pessoas comuns, ela mede a
reputação de uma variada gama de produtos e serviços turísticos no
mundo todo.  
4.3.2 Hospitalidade
A hospitalidade surge com o acolhimento de viajantes precisando de
abrigo. Ela pode ser simplesmente definida como o ato de receber bem ou
como um conjunto de leis não escritas que a vida social obriga a seguir
VOCÊ O CONHECE?
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(CAMARGO, 2004). Na Inglaterra moderna, a hospitalidade dispunha de um
alto valor político. O ato de distribuir vinho e comida aos mais pobres
auxiliava na manutenção da coesão social, além disso, os senhores feudais,
ao alimentarem os inquilinos, vizinhos e outros desfavorecidos,
estabeleciam uma relação de dívida e reciprocidade. Questões religiosas da
moral cristã também incentivaram a continuidade da hospitalidade. Cristo
poderia bater à porta vestido de mendigo pedindo abrigo e, caso lhe fosse
negada hospitalidade, a família poderia perder todas as suas posses
(LASHLEY, 2015).
Como você já deve ter percebido, a hospitalidade constitui parte
indissociável do Turismo, é praticamente uma commodity do setor. Nesse
ponto, entretanto, surgem as dúvidas e discussões a respeito dessa
hospitalidade comercializada. Ao ser reduzida a uma mercadoria, ela não
perde seu sentido? A literatura sobre hospitalidade trata com mais ênfase
do seu viés mercantil, abordando a hospitalidade altruísta apenas com
relatos da antiguidade, como fizemos anteriormente neste mesmo texto
(CAMARGO, 2015). 
“Hospitalidade”, livro de Luiz Octávio de Lima Camargo, busca demonstrar que o seu
significado não se resume a somente um produto turístico. A hospitalidade mostra-se
essencial nas relações humanas, inclusive as comerciais como o Turismo, pois é preciso que o
turista sinta-se sinceramente acolhido, apesar da relação econômica intrínseca ao negócio.
Dessa forma, o autor classifica o resgate da hospitalidade como um desafio para o
desenvolvimento do setor turístico. 
VOCÊ QUER LER?
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Atualmente, há quem diga que a comercialização da hospitalidade apenas
reforça seu valor, sua marca como forma de interação entre as pessoas.
Outros especialistas, no entanto, afirmam que a hospitalidade turística não
passa de uma encenação (CAMARGO, 2015).
Talvez os sites de compartilhamento de residência, como o AirBnB, possam
servir como exemplo de uma associação em que a hospitalidade
comercializada possa proporcionar uma relação mais próxima entre quem
paga e quem recebe. Esse caso também diz respeito ao tema do item
anterior, que discutiu a questão da tecnologia da informação modificando
a forma de fazer Turismo.
Assim, ao inserir-se no mercado hoteleiro como mais uma opção que
permite reservas instantâneas online para qualquer lugar do mundo, a
hospedagem em residências de outras pessoasé, muitas vezes, escolhida
pelos turistas pela experiência que proporciona. Ao permitir que qualquer
pessoa abra o seu lar para um visitante, esse tipo de acolhida oferece uma
aproximação entre anfitrião e visitante que não existe em hotéis e
pousadas convencionais. O contato direto com um nativo, que abre sua
casa e apresenta os costumes e cultura do lugar, pode ser um importante
diferencial na vivência dos turistas. Estamos falando de casos distintos,
todavia, nesse tipo de relação é mais provável que a hospitalidade seja
mais interessada e menos interesseira, apesar de ainda ser uma associação
comercial.
4.4 Tendências de mercado 
Mobilidade significa a capacidade de se movimentar, de ir de um lugar para
o outro. Essa característica sempre foi essencial para a humanidade, desde
que passou a organizar-se em sociedade. Pode ser dividida em mobilidade
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física (entendida como a ação de ir e vir, fisicamente, de um lugar ao outro),
social (a mobilidade entre classes sociais) e corporativa, que é a mobilidade
provocada por razões profissionais (GOLDENBERG; KYOKO WADA, 2017).
Nesse tipo de mobilidade encontramos o Turismo de Negócios, que já foi
muito contestado devido à sua motivação, mas que hoje se constitui em um
segmento sólido, utilizado, inclusive, para movimentar a economia de
destinos com sazonalidade muito marcada por meio da promoção de
eventos.
A economia globalizada derrubou as fronteiras entre as nações, o que
impulsiona a mobilidade, já que as cadeias de produção estão cada vez
mais complexas e envolvem indivíduos espalhados nos mais diversos
lugares do planeta. Outra consequência da globalização, as inovações
tecnológicas também interferem na mobilidade, visto que eventos que
envolviam viagens e reuniões de corpo presente passaram a ser
substituídos por encontros virtuais, graças às facilidades proporcionadas
pela tecnologia.
Não podemos nos esquecer que o número de indivíduos que se deslocam
por motivos de trabalho também é influenciado pelo incremento de
indivíduos integrantes da classe média, sobretudo, nos países emergentes.
4.4.1 Mobilidade corporativa
Quando falamos em mobilidade corporativa, estamos nos referindo às
movimentações que têm como principal motivação o trabalho. A maior
parte desses deslocamentos é feita nas grandes cidades e, de forma geral,
são acompanhadas de muitos problemas (como o trânsito intenso de
veículos). Trabalhadores chegam a passar de 55 min a 85 min diários nesses
trajetos de intensa movimentação, percorridos, em grande parte, por
automóveis (PETZHOLD; LINDAU, 2017).
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Segundo os autores, a falta de planejamento urbano, meios de transporte
coletivo eficientes e o fato de a maioria das empresas terem horários de
funcionamentos muito parecidos agrava a situação (PETZHOLD; LINDAU,
2017). Contudo, se observarmos sob um viés macro, a intensificação da
mobilidade corporativa estimula o desenvolvimento do Turismo, mais
precisamente o Turismo de Negócios e Eventos, cuja principal motivação
também é relacionada ao trabalho.
A globalização da economia, que se baseia em uma ampla e diversificada
cadeia produtiva, muitas vezes espalhada por diversos países, somada ao
crescimento das economias dos países emergentes do BRICS (Brasil,
Rússia, Índia, China e África do Sul), estimula o crescimento dos
deslocamentos internos entre empresas do mesmo país. O
desenvolvimento da economia dessas nações, por sua vez, motiva os
deslocamentos externos, entre as empresas de países diferentes, ou seja, o
fortalecimento da economia gera mobilidade que, por conseguinte,
fortalece a economia e as empresas, gerando mais mobilidade.
Esse crescimento da mobilidade corporativa impulsiona o Turismo de
Negócios, que se especializa, geralmente, na organização e promoção de
eventos corporativos. No Brasil, o Turismo de Negócios já é um dos
segmentos mais importantes, juntamente com EcoTurismo e Turismo de
Sol e Praia. Em 2014, durante o período da Copa do Mundo, mais de 21%
dos turistas que chegaram ao país o fizeram por motivos profissionais
(Sebrae, 2016). Somente no ano de 2017, o Brasil sediou mais de 900
eventos (ABEOC, 2018).
 Figura 5 - Uma economia saudável gera mais mobilidade, enquanto que economias em
estagnação apresentam mobilidade menor. Fonte: Photosani, Shutterstock, 2018.
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Como já nos referimos, o crescimento das economias intensifica a
mobilidade. Para além disso, gera avanços e movimentações nas classes
sociais, que passam a ter acesso a melhores serviços e mais qualidade
educacional, o que irá refletir em mais desenvolvimento.
4.4.2 Nova classe média
Wilson (2013) explica que o desenvolvimento dos países ditos emergentes
contribuiu com o crescimento da classe média em todo o mundo. Isso
porque o crescimento econômico é acompanhado de uma classe de
trabalhadores mais qualificada, que passa a se apropriar de cargos que não
ocupavam anteriormente. São esses trabalhadores que vão formar a nova
classe média. Somente na Ásia, ela representa mais de 500 milhões de
pessoas, isto é, uma população maior que a da União Europeia. 
VOCÊ SABIA?
A classe média surgiu da burguesia europeia que, no período feudal, consistia em uma
categoria intermediária entre os nobres, detentores das terras, e os camponeses que
trabalhavam nela. Composta por pessoas ligadas ao artesanato e ao comércio, que se
concentravam majoritariamente nas áreas urbanas, tornou-se uma camada social muito
rica e influente sobre as outras, principalmente, após a Revolução Francesa, em 1789.
Ao retrocedermos no tempo, veremos que a Revolução Industrial provocou
um grande incremento de indivíduos na classe média, sobretudo, na
Europa e nos Estados Unidos. O período pós II Guerra Mundial também foi
fundamental para aumentar ainda mais esse grupo, não apenas nas regiões
já citadas como também no Japão.
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No Brasil, a situação é um pouco diferente: conforme Goldenberg e Kyoko
Wada (2017), as pessoas que ascenderam à classe média apresentam
comportamentos distintos dos indivíduos que já faziam parte dessa classe.
São mais ligadas a produtos como roupas, eletrônicos, eletrodomésticos e
culturas identitárias, como “funk ostentação”. Uma classe média mais
populosa, obviamente, significa maior possibilidade de consumo em uma
economia. As empresas, por sua vez, investem em produtos inovadores
destinados especialmente a essa classe e financiam bens duráveis com
mais facilidades (GOLDENBERG; KYOKO WADA, 2017).
Ainda segundo os especialistas, a melhoria em setores básicos, como a
educação, proporciona uma formação mais completa além de enviar para o
mercado de trabalho profissionais melhores capacitados que, por sua vez,
ocuparão cargos mais altos e ganharão melhores salários.
Consequentemente, terão necessidade de viajar a trabalho, ou seja,
mobilidade corporativa (GOLDENBERG; KYOKO WADA, 2017). Repare como
a relação entre desenvolvimento econômico e mobilidade em um país,
tratado no item anterior, refere-se à visão macro desse mesmo
acontecimento: a mobilidade corporativa alta impulsiona o crescimento da
classe média, que passa a ter maior mobilidade.
 Figura 6 - O surgimento de uma nova classe média foi sentido pelo mercado, que incentivou o
consumo ao facilitar os pagamentos e melhorar as condições de créditos. Fonte: Shutterstock,
2018.
Síntese
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Vimos, neste capítulo, quais temas são tendência no Turismo atual e
refletimos a respeitode questões éticas, sobretudo, as que são pertinentes
aos profissionais de Turismo (como os turismólogos). Também
acompanhamos pontos relacionados ao período de mudanças pelo qual
todos estamos passando, referentes à segmentação do Turismo aos mais
diversos públicos, em especial o LGBT. Ressaltamos o papel fundamental
do cuidado com os recursos turísticos, bases para a promoção e a
continuidade da atividade, bem como debatemos as questões étnico-
raciais, extremamente relevantes em um país de contrastes como o Brasil.
Outros tópicos discutidos foram as interferências que sofrem os canais de
distribuição por causa dos avanços tecnológicos e a relação entre a
hospitalidade e o Turismo. Por fim, abordamos as tendências de mercado
sob a ótica da expansão da nova classe média e a mobilidade corporativa.
Neste capítulo, você teve a oportunidade de:
compreender que as relações comerciais no Turismo são muito
baseadas em confiança, portanto, a ética é fundamental para o
bom funcionamento dessas relações;
ponderar sobre as consequências socioambientais que o Turismo
sem planejamento pode causar;
conhecer a complexidade socioambiental do setor e o papel do
turismólogo nessa relação;
refletir sobre as constantes mudanças a respeito das questões
raciais e de gênero e como o Turismo é afetado;
saber mais sobre a mobilidade cooperativa e suas consequências
para o Turismo;
perceber como a nova classe média influenciou mudanças
socioeconômicas e sua relação com o Turismo.
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