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APG 28 | Feliphe Mascarenhas 
 
1 – Compreender a epidemiologia, etiologia, mecanismos de transmissão, fatores de risco, manifestações clínicas, 
complicações, diagnóstico, tratamento e prevenção das IST´s que causam lesões vaginais. 
➢ Herpes Genital 
➢ Sífilis 
➢ Cancro Mole 
➢ Linfogranuloma 
➢ Donovanose 
 
A herpes genital é uma infecção viral comum e altamente contagiosa causada pelo vírus herpes simples (HSV), 
principalmente o tipo 2 (HSV-2), embora o HSV tipo 1 (HSV-1) também possa causar infecções genitais, 
especialmente com o aumento da prática do sexo oral. A epidemiologia da herpes genital varia em função de fatores 
como região geográfica, comportamento sexual e acesso a serviços de saúde. 
1. Prevalência Global e Regional 
• Mundial: A herpes genital é uma das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais prevalentes 
globalmente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 400 milhões de pessoas entre 15 e 
49 anos vivem com infecção por HSV-2. 
• Américas: Nos Estados Unidos, aproximadamente 11-16% dos adultos apresentam sorologia positiva para 
HSV-2, enquanto na América Latina a prevalência é elevada, em torno de 20-30% em algumas populações. 
• Brasil: Dados específicos variam conforme a região, mas estudos indicam uma prevalência significativa, 
especialmente entre populações com alto risco de exposição (como indivíduos com múltiplos parceiros 
sexuais e pessoas que vivem com HIV). 
2. Distribuição por Idade e Sexo 
• Idade: A prevalência aumenta com a idade, especialmente entre adultos jovens e pessoas em idade 
reprodutiva. A faixa etária mais afetada é de 20 a 49 anos, refletindo a maior exposição sexual. 
• Sexo: A prevalência é geralmente maior em mulheres do que em homens. Fatores como maior exposição à 
transmissão durante o sexo heterossexual e a biologia da mucosa vaginal, que é mais suscetível a lesões e 
infecção, contribuem para essa diferença. 
 
• A herpes genital é causada pelo vírus herpes simples (HSV), um vírus DNA da família Herpesviridae. Existem 
dois tipos principais: 
o HSV-2: Principal agente causador da herpes genital. 
o HSV-1: Tradicionalmente associado a infecções orais, mas cada vez mais relacionado a infecções 
genitais, especialmente devido ao sexo oral. 
• O HSV é caracterizado pela capacidade de permanecer em estado latente em gânglios nervosos após a 
infecção primária, com potencial para reativações recorrentes ao longo da vida do indivíduo. 
 
APG 28 | Feliphe Mascarenhas 
 
• Contato Direto com Lesões ou Secreções: O principal modo de transmissão é o contato direto com lesões 
herpéticas ou com secreções infectadas de uma pessoa portadora do vírus. 
• Transmissão Assintomática: O vírus pode ser transmitido mesmo na ausência de sintomas visíveis, o que 
ocorre devido à excreção viral intermitente em pessoas infectadas. 
• Transmissão Vertical (Mãe para Filho): Pode ocorrer durante o parto se a mãe tiver uma infecção ativa. O 
risco é maior em infecções primárias durante a gestação ou próximas ao momento do parto, sendo 
importante monitoramento obstétrico e possíveis medidas profiláticas para evitar transmissão. 
 
• Atividade Sexual: 
o Múltiplos parceiros sexuais aumentam a exposição ao vírus. 
o Prática de sexo oral sem proteção aumenta o risco de infecção genital por HSV-1. 
• História de Outras ISTs: Pessoas com histórico de outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis e 
HIV, têm maior vulnerabilidade devido à mucosa genital sensibilizada. 
• Idade e Sexo: Herpes genital é mais comum entre jovens adultos (20-49 anos) e em mulheres, devido a 
diferenças anatômicas e maior vulnerabilidade da mucosa vaginal. 
• Status Imunológico: Indivíduos imunossuprimidos, como pessoas com HIV ou em tratamento com 
imunossupressores, apresentam maior suscetibilidade à infecção e maior risco de reativação viral frequente. 
• Nível Socioeconômico: Em regiões ou populações com menor acesso a informações sobre prevenção de ISTs 
e a serviços de saúde, a prevalência tende a ser mais alta. 
 
As manifestações clínicas da herpes genital podem variar bastante entre os indivíduos, desde casos assintomáticos 
até lesões dolorosas e recorrentes. A seguir, detalho as principais manifestações clínicas e complicações da herpes 
genital, explicando os mecanismos por trás dessas apresentações. 
Manifestações Clínicas 
1. Infecção Primária 
o A infecção inicial tende a ser mais intensa, especialmente em indivíduos sem exposição prévia ao 
HSV. 
o Sintomas Sistêmicos: Febre, mal-estar, cefaleia, e mialgia são comuns na infecção primária, devido à 
resposta imunológica intensa à infecção inicial. 
o Lesões Genitais: Pequenas vesículas dolorosas que evoluem para úlceras superficiais, geralmente em 
áreas da pele e mucosa que tiveram contato direto com o vírus. 
o Linfadenopatia Inguinal Dolorosa: Ocorre por inflamação dos linfonodos locais, onde as células de 
defesa combatem o vírus. 
Essas manifestações acontecem devido à resposta imunológica e à replicação viral ativa, que leva a uma forte reação 
inflamatória local e sistêmica. 
2. Infecção Recorrente 
o Após a infecção primária, o vírus se estabelece em estado latente nos gânglios nervosos locais 
(geralmente o gânglio sacral). 
APG 28 | Feliphe Mascarenhas 
 
o Reativações: Podem ocorrer periodicamente, muitas vezes desencadeadas por estresse, 
imunossupressão, febre ou exposição ao sol. 
o Sintomas: Os episódios recorrentes são menos intensos que a infecção primária, com vesículas 
menos numerosas e menos dor. Frequentemente, o paciente relata sintomas prodrômicos, como 
formigamento e prurido na região genital. 
 
A recorrência acontece porque o vírus pode sair do estado latente nos nervos e migrar para a pele e mucosas, onde 
causa lesões novamente. 
3. Sintomas Assintomáticos ou Pouco Visíveis 
o Muitas pessoas infectadas podem não apresentar lesões visíveis ou sintomas, ou os sintomas podem 
ser leves e não serem reconhecidos. 
o A excreção viral pode ocorrer mesmo sem sintomas, o que contribui para a disseminação silenciosa 
do vírus. 
Complicações 
1. Complicações Locais 
o Uretrite e Cistite: A infecção pode se estender para o trato urinário, causando inflamação e sintomas 
de dor ou ardência ao urinar. 
o Proctite: A infecção anal é comum em pessoas que praticam sexo anal e pode causar dor, secreção e 
sangramento anal. 
o Essas complicações ocorrem devido à extensão da infecção para tecidos adjacentes, com inflamação 
local que gera dor e desconforto. 
2. Complicações Sistêmicas 
o Meningite Asséptica: Em casos raros, o HSV-2 pode se disseminar para o sistema nervoso central, 
causando meningite, com sintomas como febre, dor de cabeça intensa e rigidez de nuca. 
o Hepatite por HSV: Também raro, pode ocorrer em imunossuprimidos, causando inflamação hepática 
e disfunção hepática. 
o Essas complicações ocorrem devido à capacidade do vírus de migrar para o sistema nervoso central 
ou outros órgãos em pessoas imunocomprometidas. 
3. Complicações na Gravidez e Recém-nascido 
o Herpes Neonatal: Ocorre quando o bebê é exposto ao vírus durante o parto vaginal em mães com 
infecção ativa. A infecção neonatal pode causar lesões cutâneas, encefalite e alta mortalidade se não 
tratada. 
APG 28 | Feliphe Mascarenhas 
 
o Essa complicação é especialmente grave, pois o sistema imunológico do recém-nascido é imaturo, 
tornando-o vulnerável à disseminação sistêmica do vírus. 
4. Psicossociais 
o Estigma e Impacto Psicológico: A herpes genital é uma IST estigmatizada, o que pode causar impacto 
emocional, afetando relacionamentos e a qualidade de vida. 
 
1. Diagnóstico Clínico 
• Observação das Lesões: A presença de vesículas dolorosas agrupadas, que evoluem para úlceras superficiais 
na região genital, pode ser altamente sugestiva de herpes genital. 
• Sintomas Prodrômicos: Formigamento, prurido ou dor antes da aparição das lesões pode ser um indício de 
reativação do HSV. 
• Limitações: Embora útil, o diagnóstico clínicocarcinoma 
espinocelular, devem ser excluídas, uma vez que essas condições podem apresentar úlceras 
semelhantes. 
2. Diagnóstico Laboratorial 
Exames Citológicos 
• Exame Direto com Coloração de Wright ou Giemsa: 
o A coloração de Wright ou Giemsa em amostras de tecido das bordas das úlceras pode revelar os 
chamados Corpos de Donovan. 
o Método: Coleta-se uma amostra raspando a borda da lesão ou fazendo uma biópsia, que é então 
corada e examinada ao microscópio. 
o Interpretação: Os Corpos de Donovan são visualizados como inclusões intracelulares em macrófagos, 
de coloração azul-escura com uma cápsula clara ao redor. A presença desses corpos é altamente 
indicativa de donovanose. 
o Vantagens e Limitações: Este exame é rápido e eficaz, mas depende da habilidade do laboratório em 
processar e identificar as estruturas características. Em locais onde a experiência com a doença é 
limitada, pode ser difícil a identificação correta. 
Exames de Cultura 
• Cultura Bacteriana: 
o A cultura de Klebsiella granulomatis é tecnicamente desafiadora e rara na prática clínica, pois a 
bactéria é de difícil crescimento em meio de cultura padrão. 
o Devido a essa dificuldade, a cultura raramente é usada como método diagnóstico e está geralmente 
restrita a laboratórios especializados em pesquisa. 
Testes Moleculares 
• PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): 
APG 28 | Feliphe Mascarenhas 
 
o A PCR para detectar o DNA de Klebsiella granulomatis pode ser usada em amostras das lesões e 
oferece alta sensibilidade e especificidade. 
o Método: As amostras da úlcera ou da borda da lesão são submetidas ao teste de PCR para 
amplificação e detecção do DNA específico da bactéria. 
o Vantagens e Limitações: A PCR é uma ferramenta poderosa e precisa para confirmação diagnóstica, 
mas pode não estar amplamente disponível em regiões endêmicas ou em laboratórios de rotina 
devido ao seu custo e infraestrutura necessária. 
Exame Histopatológico 
• Biópsia e Exame Histopatológico: 
o Em casos de lesões atípicas ou quando o diagnóstico é inconclusivo, uma biópsia com exame 
histopatológico pode ser realizada. 
o Interpretação: O exame histológico revela infiltração inflamatória com presença de granulomas, 
macrófagos preenchidos com Corpos de Donovan e tecido de granulação. 
o Utilidade: Este método é útil para confirmar o diagnóstico em casos crônicos ou complicados, 
especialmente se houver suspeita de transformação maligna para carcinoma espinocelular. 
3. Testagem para Outras ISTs 
• Coinfecções Comuns: 
o Em áreas endêmicas, a donovanose frequentemente ocorre junto com outras ISTs, como HIV, sífilis e 
gonorreia. Recomenda-se a testagem para outras ISTs devido ao risco elevado de coinfecção e pelo 
fato de que as úlceras aumentam a vulnerabilidade para transmissão de HIV. 
 
Tratamento da Donovanose 
1. Antibióticos 
o Azitromicina: É o tratamento de escolha, frequentemente administrado em dose única semanal por 
um período prolongado até a cura completa das lesões. A azitromicina atua inibindo a síntese 
proteica da bactéria, eliminando o Klebsiella granulomatis. 
o Alternativas à Azitromicina: 
▪ Doxiciclina: É uma opção eficaz, utilizada diariamente durante várias semanas até a 
resolução das lesões. 
▪ Ciprofloxacina: Outro antibiótico alternativo, administrado diariamente até a cura das 
úlceras. 
▪ Eritromicina: Usada em casos onde a azitromicina ou doxiciclina não são indicadas, 
especialmente em grávidas, com dose múltipla diária. 
o Duração do Tratamento: 
▪ A duração do tratamento depende da extensão e gravidade das lesões. Geralmente, o 
tratamento continua até a resolução completa das lesões, o que pode levar várias semanas. 
O monitoramento frequente é necessário para garantir a eficácia do tratamento e prevenir a 
recorrência. 
2. Terapias Complementares 
APG 28 | Feliphe Mascarenhas 
 
o Em casos avançados ou com lesões grandes e complexas, a combinação de antibióticos pode ser 
necessária para aumentar a eficácia e acelerar a cura. 
o Nos casos de cicatrizes e deformidades graves, tratamentos cirúrgicos reparadores podem ser 
necessários após o controle da infecção para restaurar a função e melhorar a aparência. 
3. Monitoramento e Seguimento 
o Avaliação Periódica das Lesões: Os pacientes devem ser acompanhados regularmente para garantir 
que as lesões estejam regredindo com o tratamento. 
o Testagem para Outras ISTs: Devido à alta taxa de coinfecção com outras ISTs, recomenda-se a 
triagem para HIV, sífilis, gonorreia e clamídia. 
Prevenção da Donovanose 
1. Práticas Sexuais Seguras 
o Uso de Preservativos: O uso regular de preservativos reduz o risco de transmissão da donovanose, 
embora não elimine completamente o risco, já que as lesões podem estar em áreas fora da proteção 
do preservativo. 
o Evitar Relações Durante Sintomas Ativos: Evitar o contato sexual enquanto houver lesões visíveis ou 
sintomas ativos reduz a transmissão para parceiros. 
2. Educação e Conscientização 
o Informação sobre ISTs: Campanhas educativas são importantes para aumentar o conhecimento 
sobre a donovanose e outras ISTs, promovendo práticas seguras. 
o Programas de Saúde em Áreas Endêmicas: A conscientização sobre a doença e a disponibilização de 
testes e tratamento em centros de saúde pública são essenciais em áreas endêmicas. 
3. Triagem e Tratamento de Parceiros Sexuais 
o Notificação de Parceiros: Parceiros sexuais de pessoas diagnosticadas com donovanose devem ser 
informados para avaliação e possível tratamento preventivo, mesmo que estejam assintomáticos. 
o Aconselhamento e Triagem para Outras ISTs: A testagem para outras ISTs é recomendada, pois a 
coinfecção com outras ISTs é comum e pode complicar o quadro clínico. 
4. Acesso a Serviços de Saúde e Redução do Estigma 
o Facilidade de Acesso a Testes e Tratamentos: Melhorar o acesso aos serviços de saúde em regiões 
endêmicas é crucial para identificar e tratar a donovanose precocemente, prevenindo complicações. 
o Redução do Estigma: O estigma relacionado às ISTs pode impedir que os indivíduos busquem ajuda 
médica. Campanhas de conscientização que promovam um ambiente de acolhimento e apoio são 
essenciais para garantir que mais pessoas procurem tratamento sem medo de discriminação.pode ser falho em casos de lesões atípicas, formas subclínicas 
ou assintomáticas. 
2. Diagnóstico Laboratorial 
Padrão Ouro 
• PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): O PCR é o padrão-ouro para o diagnóstico de herpes genital, pela 
sua elevada sensibilidade e especificidade. 
o Método: Uma amostra é coletada da lesão (como líquido de uma vesícula ou material das bordas da 
úlcera) e testada para a presença de DNA do HSV. 
o Interpretação: Um resultado positivo para HSV confirma a infecção e permite a diferenciação entre 
HSV-1 e HSV-2, o que é importante para prever o comportamento da infecção (HSV-2 é mais 
associado a recidivas genitais). 
Outros Métodos Diagnósticos 
• Cultura Viral 
o Método: O conteúdo da lesão é coletado e colocado em um meio de cultura para replicação do vírus. 
o Interpretação: Um crescimento positivo confirma a infecção. No entanto, a cultura tem sensibilidade 
menor que o PCR e depende da fase da lesão (melhor na fase vesicular). A cultura pode falhar em 
lesões mais antigas ou em pacientes com infecção subclínica. 
o Limitação: É mais demorada e menos sensível que o PCR, especialmente em infecções recorrentes. 
• Sorologia (Testes Sorológicos para Anticorpos IgG e IgM) 
o Método: Testes sorológicos detectam anticorpos contra HSV-1 e HSV-2 no sangue. São úteis para 
determinar exposição prévia ao HSV e em pacientes assintomáticos. 
o Interpretação: 
▪ IgM Positivo: Sugerido na infecção recente, mas pode não ser específico, pois há reativação 
em algumas infecções crônicas. 
▪ IgG Positivo: Indica infecção prévia e estabelece a presença de imunidade parcial contra 
reativação. Diferencia HSV-1 de HSV-2, o que é útil para aconselhamento do paciente. 
o Limitações: A sorologia não é útil para confirmar infecção ativa ou primária, uma vez que anticorpos 
podem estar presentes devido a infecções anteriores. 
APG 28 | Feliphe Mascarenhas 
 
• Teste de Tzanck 
o Método: Um esfregaço da base da lesão é preparado e examinado sob microscopia após coloração. 
o Interpretação: A presença de células multinucleadas gigantes sugere infecção por HSV. No entanto, o 
teste não diferencia entre HSV-1 e HSV-2 e tem baixa sensibilidade. 
o Limitações: Devido à sua baixa sensibilidade e falta de especificidade, é raramente usado hoje em 
dia. 
3. Interpretação dos Resultados 
• Resultado Positivo no PCR ou Cultura Viral: Confirma infecção ativa por HSV. A identificação do tipo (HSV-1 
ou HSV-2) ajuda a prever a evolução clínica e recorrência. 
• Sorologia IgG Positiva: Sugere infecção prévia, mas não confirma infecção ativa. Pode ser usada em casos 
onde há histórico de exposição, especialmente em casais discordantes para HSV. 
• Sorologia IgM Positiva: Pode sugerir infecção recente, mas sua utilidade é limitada por possíveis falsos 
positivos em reativações. 
 
O tratamento da herpes genital tem como objetivo controlar a infecção, reduzir sintomas, encurtar a duração dos 
surtos e diminuir a frequência das recorrências. Embora não exista cura para o HSV, os antivirais são eficazes no 
manejo da infecção. 
Antivirais Orais 
Os antivirais orais são a base do tratamento, e os principais medicamentos incluem aciclovir, valaciclovir e famciclovir. 
Esses antivirais atuam inibindo a replicação do HSV e, embora não eliminem o vírus latente, ajudam a prevenir a 
propagação e reduzir os sintomas. 
1. Aciclovir 
o Mecanismo de Ação: O aciclovir é um análogo de nucleosídeo, que se assemelha a uma molécula de 
DNA natural e atua inibindo a replicação viral. Nas células infectadas pelo HSV, ele é ativado pela 
enzima viral timidina quinase e inibe a DNA polimerase viral, uma enzima essencial para a duplicação 
do DNA do vírus. Com isso, impede-se a produção de novas partículas virais e, consequentemente, a 
disseminação para outras células. 
o Uso Clínico: É usado tanto para a infecção primária (primeiro episódio) quanto para as recorrências. 
Em casos de surtos frequentes, pode ser prescrito como terapia supressiva de longo prazo. 
2. Valaciclovir 
o Mecanismo de Ação: Valaciclovir é um pró-fármaco que, após ser ingerido, é metabolizado no fígado 
em aciclovir, e atua com o mesmo mecanismo. O valaciclovir, entretanto, apresenta melhor absorção 
gastrointestinal, alcançando níveis plasmáticos mais elevados e permitindo dosagens menos 
frequentes. 
o Uso Clínico: Indicado tanto para o tratamento dos surtos quanto para a terapia supressiva em 
indivíduos com recorrências frequentes, facilitando a adesão por causa da menor frequência de 
administração. 
3. Famciclovir 
o Mecanismo de Ação: O famciclovir é convertido em penciclovir após a ingestão. O penciclovir age 
como o aciclovir, inibindo a DNA polimerase viral e bloqueando a replicação do vírus. Ele também 
depende da timidina quinase para ativação e age especificamente nas células infectadas. 
APG 28 | Feliphe Mascarenhas 
 
o Uso Clínico: Indicado para tratamento de surtos e como terapia supressiva, podendo ser 
especialmente útil em pacientes com intolerância ao aciclovir ou ao valaciclovir. 
Tipos de Terapia Antiviral 
1. Tratamento Episódico: Iniciado nos primeiros sinais de reativação (como formigamento ou prurido), o 
tratamento episódico reduz a duração e a gravidade dos sintomas durante um surto. 
2. Terapia Supressiva: Em casos de reativação frequente (ex.: seis ou mais episódios por ano), a terapia diária 
contínua com antivirais reduz a frequência e a intensidade dos surtos. Ela também diminui a excreção viral e 
o risco de transmissão para parceiros. 
Prevenção da Herpes Genital 
A prevenção da herpes genital foca na redução da transmissão, particularmente para parceiros que não possuem 
HSV, e na minimização de surtos. 
1. Uso de Preservativos 
o O uso de preservativos de látex reduz significativamente, embora não elimine completamente, o 
risco de transmissão, pois o HSV pode ser transmitido por contato com áreas da pele que não estão 
cobertas pelo preservativo. 
2. Evitar Contato Durante Surtos Ativos 
o Evitar relações sexuais durante períodos de surto, quando as lesões estão presentes, ajuda a reduzir 
o risco de transmissão, já que a quantidade de vírus liberada pela pele é maior nessas fases. 
3. Terapia Supressiva em Casais Sorodiscordantes 
o Em casais onde um parceiro tem herpes genital e o outro não, a terapia antiviral supressiva diária no 
parceiro infectado reduz a transmissão do HSV. 
4. Educação Sexual e Testagem 
o A educação sobre o HSV, suas formas de transmissão e métodos de prevenção é essencial para 
minimizar a propagação. Testes sorológicos para HSV-1 e HSV-2 podem ser realizados para identificar 
status de infecção, especialmente em casais sorodiscordantes. 
5. Evitar Exposição a Fatores Desencadeantes 
o Alguns fatores, como estresse, imunossupressão, exposição ao sol e lesões na pele, podem 
desencadear surtos em indivíduos com HSV. Reduzir esses fatores pode ajudar a diminuir a 
frequência das reativações. 
 
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. A epidemiologia 
da sífilis tem características particulares e variações regionais, e sua incidência tem aumentado globalmente nas 
últimas décadas, o que é motivo de preocupação em saúde pública. 
1. Prevalência Global e Regional 
• Globalmente: A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima milhões de novos casos de sífilis anualmente. 
Em 2016, havia cerca de 6 milhões de novos casos no mundo, e a sífilis é considerada uma das ISTs mais 
comuns e de rápido crescimento. 
• Américas: Na América Latina, a sífilis é um problema significativo, com altas taxas em populações vulneráveis 
e de maior risco. Em países como o Brasil, houve um aumento expressivo de casos nas últimas décadas, 
especialmente entre jovens e homens que fazem sexo com homens (HSH). 
APG 28 | Feliphe Mascarenhas 
 
• Brasil: A sífilis no Brasil aumentou nas últimas décadas, incluindo sífilis adquirida (em adultos), sífilis em 
gestantes e sífilis congênita. Entre 2010 e 2020,o número de casos de sífilis adquirida e sífilis congênita 
cresceu, impulsionado por fatores como falta de tratamento adequado e dificuldade de acesso a serviços de 
saúde. 
2. Distribuição por Idade e Sexo 
• Idade: A sífilis é mais comum entre adultos jovens, especialmente na faixa etária de 20 a 39 anos. Esta é a 
faixa de maior atividade sexual, o que aumenta a exposição ao Treponema pallidum. 
• Sexo: Embora afete ambos os sexos, a sífilis tem sido mais reportada entre homens, especialmente em 
homens que fazem sexo com homens (HSH). Em muitos países, essa população é desproporcionalmente 
afetada, com taxas mais altas de transmissão e reinfecção. 
 
• A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum, uma espiroqueta (bactéria de formato espiralado) 
extremamente sensível ao meio ambiente. 
• Características do Treponema pallidum: 
o A bactéria é móvel, graças a seus filamentos axiais (flagelos periplasmáticos), o que facilita a 
disseminação pelo corpo após a infecção inicial. 
o O T. pallidum é incapaz de sobreviver por muito tempo fora do corpo humano, sendo necessário o 
contato direto para sua transmissão. 
o A bactéria é caracterizada por seu crescimento lento, o que contribui para a progressão insidiosa da 
doença. 
 
• Transmissão Sexual: 
o A principal forma de transmissão da sífilis é pelo contato sexual direto, incluindo relações vaginais, 
anais e orais, com uma pessoa infectada que apresenta lesões ativas. A transmissão ocorre por meio 
do contato com úlceras ou lesões mucocutâneas (cancro duro ou placas mucosas) presentes nas 
fases primária e secundária. 
o Durante essas fases, a concentração bacteriana nas lesões é alta, facilitando a entrada do T. pallidum 
através de pequenas lesões na pele ou mucosa do parceiro sexual. 
• Transmissão Vertical (Congênita): 
o O T. pallidum pode ser transmitido da mãe para o feto através da placenta, em qualquer fase da 
gravidez, sendo mais comum e grave nos estágios primário e secundário da infecção. 
o A infecção congênita pode resultar em aborto, natimorto, morte neonatal precoce ou manifestações 
clínicas variadas no recém-nascido, como deformidades ósseas, surdez, hepatomegalia e lesões 
cutâneas. 
• Transmissão por Transfusão Sanguínea: 
o Embora seja rara atualmente, a sífilis pode ser transmitida por transfusões de sangue contaminado. 
No entanto, isso é incomum em razão das triagens rigorosas realizadas nos bancos de sangue. 
 
 
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• Práticas Sexuais Desprotegidas: A ausência do uso de preservativos durante as relações sexuais (vaginais, 
anais ou orais) aumenta significativamente o risco de infecção pela sífilis. 
• Múltiplos Parceiros Sexuais: Ter vários parceiros sexuais aumenta as chances de exposição ao T. pallidum e, 
consequentemente, o risco de adquirir sífilis. 
• Co-infecção com Outras ISTs: A presença de outras infecções sexualmente transmissíveis, especialmente 
aquelas que causam ulcerações genitais, como herpes genital, facilita a entrada do T. pallidum no organismo 
e aumenta a vulnerabilidade à infecção. 
• HIV/AIDS: Indivíduos com HIV têm maior risco de adquirir sífilis, e a infecção pelo T. pallidum pode ser mais 
grave nesses pacientes, pois a imunossupressão prejudica a resposta imunológica contra a bactéria. 
• Uso de Drogas Recreativas: O uso de drogas, especialmente injetáveis, está associado a comportamentos 
sexuais de risco, como relações sexuais sem proteção e múltiplos parceiros. Além disso, o uso de drogas pode 
ser um fator indireto de risco, ao criar situações de maior vulnerabilidade social. 
• Baixo Nível Socioeconômico e Estigma Social: A falta de acesso a serviços de saúde, incluindo testagem e 
tratamento adequados, aumenta o risco de infecção e de complicações decorrentes da sífilis não tratada. 
 
As manifestações clínicas da sífilis variam conforme o estágio da doença e podem ser complexas devido à sua 
natureza multissistêmica e à evolução em fases. A sífilis é dividida em quatro estágios principais: sífilis primária, 
secundária, latente e terciária. Cada um desses estágios apresenta características clínicas específicas, e as 
complicações mais graves geralmente ocorrem na fase terciária ou em casos de transmissão congênita. 
1. Sífilis Primária 
• Manifestações Clínicas: 
o Cancro Duro: A primeira manifestação é o cancro duro, uma úlcera indolor de bordas endurecidas e 
base limpa, geralmente localizada nos genitais, mas que também pode aparecer na boca, ânus ou 
outras áreas expostas durante o contato sexual. O cancro surge aproximadamente 3 semanas após a 
exposição. 
 
o Linfadenopatia Regional: A presença de linfonodos aumentados e indolores na região próxima à 
lesão também é comum. 
• Complicações: A sífilis primária é geralmente autolimitada, e o cancro desaparece espontaneamente após 
algumas semanas. No entanto, sem tratamento, a infecção progride para o estágio secundário. 
APG 28 | Feliphe Mascarenhas 
 
2. Sífilis Secundária 
• Manifestações Clínicas: 
o A sífilis secundária ocorre semanas a meses após a infecção primária, quando a bactéria dissemina-
se pelo sangue, resultando em manifestações sistêmicas. 
o Exantema Cutâneo: Lesões avermelhadas ou rosadas (geralmente não pruriginosas) aparecem em 
várias áreas do corpo, especialmente nas palmas das mãos e plantas dos pés. Essas lesões são 
altamente infecciosas. 
 
o Lesões Mucocutâneas: Podem surgir lesões nas mucosas orais e genitais, incluindo placas mucosas e 
condilomas planos (lesões úmidas e elevadas na região anogenital). 
o Sintomas Sistêmicos: Febre, fadiga, dor de cabeça, mialgia, perda de apetite e linfadenopatia 
generalizada. 
• Complicações: Sem tratamento, as lesões secundárias desaparecem espontaneamente, mas a infecção entra 
no estágio latente, podendo evoluir para formas mais graves. 
 
3. Sífilis Latente 
• Manifestações Clínicas: 
o A fase latente é assintomática e dividida em latente recente (menos de um ano após a infecção 
secundária) e latente tardia (mais de um ano). Nesse estágio, o paciente não apresenta sintomas, 
mas a infecção ainda está presente no corpo. 
• Complicações: A principal preocupação na fase latente é o risco de progressão para sífilis terciária, além de 
poder transmitir a infecção no caso de reativação ou transmissão vertical em gestantes. 
4. Sífilis Terciária 
• Manifestações Clínicas: 
o A sífilis terciária pode ocorrer anos ou décadas após a infecção inicial e afeta múltiplos órgãos, sendo 
as manifestações divididas em três principais formas: 
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▪ Sífilis Gomatosa: Formação de gomas, que são lesões granulomatosas destrutivas que 
podem surgir na pele, ossos e outros órgãos. As gomas são lesões indolores, mas causam 
destruição dos tecidos afetados. 
▪ Sífilis Cardiovascular: Envolve grandes vasos sanguíneos, especialmente a aorta, levando a 
aneurismas e insuficiência aórtica. Pode causar complicações cardiovasculares graves, como 
ruptura do aneurisma. 
▪ Neurosífilis: A infecção do sistema nervoso central (SNC) pode se manifestar de várias 
formas, incluindo meningite, tabes dorsalis (destruição das raízes nervosas dorsais), e 
paralisia geral progressiva, que afeta o cérebro e pode levar a alterações cognitivas, psicose e 
demência. 
• Complicações: A sífilis terciária é extremamente grave e pode causar danos permanentes a diversos 
sistemas, como o cardiovascular e o neurológico, resultando em incapacidade e até morte se não tratada. 
 
5. Sífilis Congênita 
• Manifestações Clínicas: 
o A sífilis congênita ocorre quando a infecção é transmitida da mãe para o feto, resultando em uma 
ampla gama de manifestações clínicas. 
o Sífilis Congênita Precoce (primeiros dois anos de vida): Inclui lesões cutâneas (pênfigo palmar e 
plantar), hepatomegalia, esplenomegalia, icterícia, anemia, rinite sifilítica ("coriza sifilítica") e 
deformidades ósseas (como osteocondrite). 
o S��filis Congênita Tardia (após os 2 anos de idade): Pode levar a sequelasgraves, como dentes de 
Hutchinson (dentes malformados), surdez neurossensorial, alterações ósseas (como a tíbia em 
"sabre") e ceratite intersticial. 
• Complicações: As complicações incluem mortalidade perinatal, deformidades permanentes e problemas de 
desenvolvimento. A sífilis congênita é evitável com tratamento adequado durante o pré-natal. 
Resumo das Complicações 
• Sífilis Primária e Secundária: Complicações leves, pois lesões geralmente desaparecem espontaneamente, 
mas o risco está na progressão da doença se não tratada. 
• Sífilis Latente: Fase assintomática com potencial de progressão para sífilis terciária, especialmente em 
pacientes que não recebem tratamento. 
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• Sífilis Terciária: Complicações graves e irreversíveis, com risco de lesões destrutivas, complicações 
cardiovasculares e neurossífilis. 
• Sífilis Congênita: Complicações severas, incluindo deformidades, problemas de desenvolvimento e alta 
mortalidade neonatal. 
 
1. Diagnóstico Clínico 
• Anamnese e Exame Físico: Avaliação dos sintomas e lesões características (ex.: cancro duro na fase primária, 
exantema na fase secundária), histórico sexual e fatores de risco. Embora útil, o diagnóstico clínico isolado é 
limitado e deve ser confirmado laboratorialmente. 
2. Diagnóstico Laboratorial 
Testes Sorológicos 
A abordagem diagnóstica principal baseia-se em testes sorológicos, divididos em testes não-treponêmicos e 
treponêmicos. 
• Testes Não-Treponêmicos 
o Principais Exames: VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) e RPR (Rapid Plasma Reagin). 
o Mecanismo: Esses testes detectam anticorpos reagínicos, que são produzidos em resposta ao dano 
tecidual causado pelo Treponema pallidum. Esses anticorpos não são específicos para o treponema, 
mas aumentam com a atividade da infecção. 
o Interpretação: 
▪ Um resultado positivo sugere infecção ativa, mas também pode aparecer em outras 
condições (ex.: doenças autoimunes, gravidez). 
▪ Títulos: A quantidade de anticorpos (título) pode ajudar a monitorar a resposta ao 
tratamento e detectar recidivas. A diminuição dos títulos após o tratamento indica resposta 
terapêutica. 
▪ Limitações: Possibilidade de resultados falso-positivos em outras doenças e menor 
sensibilidade na fase latente ou terciária. 
• Testes Treponêmicos 
o Principais Exames: FTA-ABS (Fluorescent Treponemal Antibody Absorption), TPHA (Treponema 
Pallidum Hemagglutination Assay) e testes rápidos treponêmicos (ex.: imunocromatografia). 
o Mecanismo: Detectam anticorpos específicos contra antígenos do Treponema pallidum, confirmando 
a presença da infecção, mesmo em estágios tardios. 
o Interpretação: 
▪ Um resultado positivo indica exposição prévia ou infecção ativa pelo treponema. 
▪ Em geral, esses anticorpos permanecem positivos pela vida toda, mesmo após o tratamento, 
portanto, esses testes não são úteis para avaliar resposta ao tratamento. 
▪ Confirmação: Um teste treponêmico positivo após um não-treponêmico sugere infecção 
confirmada. 
Testes Diretos 
• Microscopia em Campo Escuro 
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o Método: Utilizado para visualizar o Treponema pallidum diretamente em amostras de lesões, como o 
exsudato de uma úlcera genital (cancro duro). 
o Interpretação: A presença da espiroqueta é diagnóstica de sífilis. Este método é especialmente útil 
na fase primária, onde o Treponema é abundante nas lesões. 
o Limitações: Exige condições específicas, como lesões úmidas e o equipamento de microscopia em 
campo escuro, e não está amplamente disponível. 
• Imunofluorescência Direta 
o Método: Um anticorpo marcado com fluorescência é aplicado na amostra da lesão, possibilitando a 
visualização direta do treponema. 
o Interpretação: Um resultado positivo confirma infecção ativa, especialmente em casos de sífilis 
primária, mas esse método é menos disponível. 
• PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) 
o Método: Detecta o DNA do Treponema pallidum em amostras clínicas. 
o Interpretação: A PCR oferece alta sensibilidade e especificidade, útil em casos complexos, como 
neurossífilis. Entretanto, não é amplamente utilizada na prática clínica para diagnóstico rotineiro 
devido ao custo e disponibilidade. 
Diagnóstico de Neurossífilis 
• Para pacientes com suspeita de neurossífilis (ex.: sintomas neurológicos, HIV), é indicada a análise do líquido 
cefalorraquidiano (LCR): 
o Análise do LCR: Inclui VDRL no LCR (considerado o teste padrão para neurossífilis) e a contagem de 
células e proteínas. 
o Interpretação: 
▪ VDRL positivo no LCR confirma neurossífilis. 
▪ Em casos negativos, mas com alta suspeita clínica, outros métodos, como FTA-ABS no LCR, 
podem auxiliar. 
3. Interpretação Geral dos Resultados 
• Testes Não-Treponêmicos (VDRL/RPR): Úteis para rastreio inicial e monitoramento do tratamento, com 
títulos indicativos de atividade da doença. 
• Testes Treponêmicos (FTA-ABS, TPHA): Confirmam o diagnóstico de sífilis, permanecendo positivos mesmo 
após a cura, indicando exposição prévia. 
• Métodos Diretos (Microscopia em Campo Escuro, PCR): Diagnóstico específico de sífilis primária e em lesões 
ativas, especialmente úteis onde sorologia não é conclusiva. 
 
Tratamento 
1. Sífilis Primária, Secundária e Latente Precoce 
o Medicamento de Escolha: Penicilina benzatina, administrada em dose única intramuscular. Esse 
tratamento é altamente eficaz e indicado tanto para a sífilis primária quanto para a secundária e a 
latente precoce (menos de 1 ano de infecção). 
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o Alternativas para Alérgicos: Em pacientes com alergia à penicilina, a dessensibilização é 
recomendada. Em casos onde isso não é possível, alternativas incluem doxiciclina e azitromicina, 
embora sejam menos efetivas e precisem de monitoramento rigoroso. 
2. Sífilis Latente Tardia e Sífilis de Duração Indeterminada 
o Penicilina Benzatina: A penicilina benzatina é administrada de forma intramuscular em doses 
semanais por três semanas. 
o Objetivo: Evitar a progressão para sífilis terciária e neurossífilis, uma vez que a infecção está na fase 
de latência tardia e pode reativar-se ou causar lesões graves em órgãos. 
3. Neurosífilis 
o Penicilina Cristalina: Administrada por via intravenosa durante 10 a 14 dias, devido à necessidade de 
atingir o sistema nervoso central (SNC). 
o Alternativas: Ceftriaxona pode ser usada em alguns casos, mas é preferível a dessensibilização para o 
uso da penicilina em alérgicos, devido à sua maior eficácia. 
o Objetivo: Reduzir os danos neurológicos progressivos e evitar sequelas permanentes. 
4. Sífilis Congênita e Tratamento em Gestantes 
o Gestantes: A penicilina benzatina é indicada em doses específicas dependendo do estágio da sífilis 
na mãe, pois atravessa a placenta e trata tanto a mãe quanto o feto. 
o Recém-Nascidos: Se o bebê é diagnosticado com sífilis congênita, ele deve receber penicilina 
cristalina por via intravenosa durante 10 a 14 dias. O tratamento imediato ajuda a prevenir ou 
minimizar as deformidades e complicações associadas à sífilis congênita. 
5. Monitoramento Pós-Tratamento 
o Avaliação com Testes Não-Treponêmicos: Testes como o VDRL ou RPR são realizados a cada 3 a 6 
meses para monitorar a resposta ao tratamento. A queda dos títulos indica sucesso terapêutico, 
enquanto o aumento ou a manutenção pode sugerir re-infecção ou falha do tratamento. 
o Avaliação Clínica: Os pacientes devem ser acompanhados para detectar eventuais sintomas de 
neurossífilis ou complicações tardias. 
Prevenção 
1. Uso de Preservativos 
o O uso regular e correto de preservativos reduz o risco de transmissão da sífilis durante relações 
sexuais, embora não elimine completamente o risco, pois o Treponema pallidum pode estar presente 
em lesões fora da área coberta pelo preservativo. 
2. Triagem e Diagnóstico Precoce 
o Triagem em Populações de Risco: Pessoas com múltiplos parceiros sexuais, homens que fazem sexo 
com homens (HSH) e pessoas com outras ISTs devem ser testadasregularmente para sífilis. 
o Triagem no Pré-Natal: Testagem de todas as gestantes em diferentes fases da gravidez (primeiro 
trimestre, início do terceiro trimestre e no parto) para prevenir sífilis congênita. O tratamento 
precoce da gestante previne a transmissão vertical. 
3. Educação Sexual e Consciência sobre a Doença 
o Informações sobre os sintomas da sífilis e as formas de transmissão ajudam a aumentar a 
conscientização e a adesão ao uso de preservativos e à testagem regular. Campanhas educativas 
sobre ISTs são essenciais para reduzir a incidência de sífilis e promover o diagnóstico precoce. 
4. Tratamento de Parceiros 
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o O tratamento de parceiros sexuais de pacientes com sífilis é fundamental para evitar a reinfecção e a 
propagação da infecção. Todos os parceiros dos últimos 90 dias devem ser testados e tratados, 
independentemente de apresentarem sintomas. 
5. Acompanhamento de Pacientes Tratados 
o Monitorar a queda nos títulos de testes não-treponêmicos em pacientes tratados e reavaliá-los para 
evitar complicações tardias e controlar possíveis reinfecções. 
 
O cancro mole, também conhecido como cancróide, é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela 
bactéria Haemophilus ducreyi. Esta infecção é caracterizada por úlceras genitais dolorosas e é mais prevalente em 
certas regiões do mundo, embora esteja em declínio em muitos países com forte estrutura de saúde pública e 
programas de prevenção de ISTs. 
Epidemiologia do Cancro Mole 
1. Distribuição Global e Regional 
o Prevalência em Regiões Endêmicas: O cancro mole é mais comum em países de baixa e média 
renda, principalmente na África subsaariana, Sudeste Asiático, América Latina e Caribe. Nessas áreas, 
a doença permanece uma importante causa de úlceras genitais. 
o Países Desenvolvidos: Em países desenvolvidos, a prevalência é muito baixa, graças ao acesso mais 
amplo a serviços de saúde, triagem para ISTs, e o uso de antibióticos que frequentemente tratam 
outras infecções bacterianas. Nos Estados Unidos, Europa e Canadá, o cancro mole é raro, e os casos 
reportados costumam estar associados a viagens a regiões endêmicas. 
2. Influência de Programas de Prevenção de ISTs 
o A prevalência global de cancro mole diminuiu nas últimas décadas, especialmente em países que 
implementaram programas robustos de prevenção e tratamento de ISTs, como educação em saúde, 
uso de preservativos, testagem e tratamento rápido de casos. 
o A expansão de programas de tratamento para outras ISTs, como sífilis e HIV, também teve impacto 
indireto na redução dos casos de cancro mole, devido ao diagnóstico e tratamento simultâneo de 
úlceras genitais de várias etiologias. 
3. Distribuição por Gênero e Idade 
o Gênero: Embora afete ambos os sexos, o cancro mole é mais frequentemente diagnosticado em 
homens, possivelmente por fatores anatômicos que tornam as úlceras mais visíveis, e pela maior 
frequência de sintomas. Em mulheres, a infecção pode ser assintomática ou ter lesões menos 
visíveis. 
o Idade: A maior parte dos casos ocorre em jovens adultos, especialmente entre os 20 e 35 anos, 
refletindo a faixa de maior atividade sexual e exposição a fatores de risco. 
 
• O cancro mole é causado pela bactéria Haemophilus ducreyi, um bacilo gram-negativo que provoca infecção 
cutânea e ulcerativa nos genitais e regiões próximas. 
• Características da Bactéria: H. ducreyi é altamente infeccioso e, uma vez na pele ou mucosa, causa uma 
intensa reação inflamatória. A bactéria também secreta toxinas que destroem as células e tecidos locais, 
formando as úlceras dolorosas características do cancro mole. 
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• Contato Sexual Direto: A transmissão do H. ducreyi ocorre principalmente por contato sexual direto com as 
úlceras de uma pessoa infectada, durante relações vaginais, anais ou orais. O cancro mole é, portanto, 
classificado como uma infecção sexualmente transmissível (IST). 
• Exposição de Lesões ou Pele Danificada: A bactéria entra no organismo através de pequenas lesões ou 
abrasões na pele ou mucosa genital. Como o cancro mole provoca úlceras dolorosas, essas lesões expostas 
facilitam a transmissão para o parceiro. 
• Baixa Sobrevivência Fora do Corpo: H. ducreyi não sobrevive bem fora do corpo humano, tornando a 
transmissão não sexual (como por objetos ou superfícies) muito improvável. 
 
• Práticas Sexuais Desprotegidas: Relações sexuais sem preservativo aumentam o risco de exposição ao H. 
ducreyi, especialmente em áreas com alta prevalência da infecção. 
• Múltiplos Parceiros Sexuais: Ter múltiplos parceiros aumenta a chance de contato com indivíduos infectados, 
elevando o risco de adquirir cancro mole. 
• Co-infecção com Outras ISTs: Indivíduos com outras ISTs, como sífilis e HIV, estão em maior risco para cancro 
mole devido à vulnerabilidade imunológica e aos comportamentos de risco associados. 
• Viagens a Regiões Endêmicas: Viajantes que se envolvem em práticas sexuais desprotegidas em áreas 
endêmicas (como algumas partes da África e Sudeste Asiático) apresentam maior risco de contrair a infecção. 
• Estigma e Baixo Acesso a Serviços de Saúde: Em áreas com pouco acesso a serviços de saúde e onde o 
estigma de ISTs é alto, as pessoas podem evitar procurar tratamento, favorecendo a disseminação da 
infecção. 
 
Manifestações Clínicas 
1. Período de Incubação 
o O período de incubação do cancro mole é curto, geralmente entre 4 e 7 dias após a exposição ao 
Haemophilus ducreyi. 
2. Úlceras Genitais Dolorosas 
o Descrição das Lesões: O cancro mole se manifesta com uma ou mais úlceras genitais dolorosas, de 
bordas irregulares, com fundo de coloração avermelhada e, muitas vezes, com exsudato purulento. 
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o Localização: 
▪ Em homens, as úlceras frequentemente aparecem no prepúcio, sulco balanoprepucial e 
glande. 
▪ Em mulheres, as lesões podem estar nos lábios, área perivaginal, colo do útero e também na 
área perianal, especialmente após o contato sexual anal. 
o Aspecto Doloroso: Diferente do cancro da sífilis (que é indolor), as úlceras do cancro mole são 
dolorosas e bastante desconfortáveis, o que frequentemente leva o paciente a procurar atendimento 
médico. 
3. Linfadenite Inguinal 
o Linfadenite Inguinal: Aproximadamente 50% dos casos de cancro mole apresentam linfadenite 
inguinal (aumento dos linfonodos na região inguinal) que é dolorosa, conhecida como "bubo 
inguinal". 
o Abscessos: Esses linfonodos podem evoluir para abscessos que, se não tratados, podem se romper e 
drenar espontaneamente, formando uma fístula purulenta. 
o Linfadenopatia Bilateral ou Unilateral: Os bubões geralmente são unilaterais, mas podem ser 
bilaterais, causando dor e desconforto. 
4. Sintomas Sistêmicos 
o Em casos mais graves, a infecção pode causar febre, mal-estar e sintomas de inflamação sistêmica, 
embora isso seja menos comum. 
Complicações 
1. Infecção Secundária 
o A presença de úlceras abertas aumenta o risco de infecção bacteriana secundária, que pode piorar o 
quadro inflamatório e retardar a cura das lesões. 
2. Bubão Inguinal Supurativo 
o Quando os linfonodos inguinais infectados evoluem para abscessos (bubões), eles podem se romper 
e formar uma fístula purulenta, o que complica o tratamento e prolonga o processo de cura. 
o Esse processo pode deixar cicatrizes, deformidades e danos locais, dependendo da gravidade da 
infecção e do manejo dos bubões. 
3. Cicatrizes e Deformidades Genitais 
o Se as úlceras não forem tratadas adequadamente, podem deixar cicatrizes e deformidades que 
afetam a área genital. 
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o Essas cicatrizes podem resultar em dor crônica, constrição da pele e até dificuldades durante 
relações sexuais. 
4. Facilidade de Transmissão de Outras ISTs 
o As úlceras dolorosas e as lesões abertas facilitam a entrada de outros agentes patogênicos, 
aumentando o risco de transmissão e aquisição de outras ISTs, como o HIV.o A inflamação local e a presença de lesões expostas aumentam a suscetibilidade à infecção por HIV 
durante o contato sexual. 
5. Impacto Psicológico e Qualidade de Vida 
o A dor e o desconforto causados pelas úlceras, combinados com o estigma associado às ISTs, podem 
impactar a saúde mental e a qualidade de vida dos pacientes, causando ansiedade, vergonha e 
retraimento social. 
 
1. Diagnóstico Clínico 
• Anamnese e Exame Físico: 
o Características das Lesões: O cancro mole é geralmente caracterizado por úlceras dolorosas de 
bordas irregulares e base purulenta, que são distintas das lesões indolores do cancro sifilítico. 
o Linfadenite Inguinal Dolorosa: A presença de linfonodos inguinais aumentados, dolorosos e, às 
vezes, supurativos (bubão) pode reforçar a suspeita clínica de cancro mole. 
• Limitações do Diagnóstico Clínico: Embora o exame físico seja útil, outras infecções como sífilis, herpes 
genital e linfogranuloma venéreo podem apresentar lesões semelhantes. Portanto, a confirmação 
laboratorial é ideal. 
2. Diagnóstico Laboratorial 
Exames Diretos 
• Microscopia com Coloração de Gram 
o Método: Uma amostra é coletada diretamente da base da úlcera ou de um bubão rompido. A 
coloração de Gram pode revelar bacilos gram-negativos em formato de "bastão curto", 
característicos do Haemophilus ducreyi. 
o Interpretação: A presença de bacilos gram-negativos sugere a presença do H. ducreyi, mas o método 
tem baixa sensibilidade e não é conclusivo. 
o Limitações: A microscopia tem uma sensibilidade limitada e pode ser dificultada por contaminação 
bacteriana secundária. 
• Cultura Bacteriana 
o Método: A coleta de amostras da úlcera ou do bubão é cultivada em meio de cultura específico 
(como ágar chocolate enriquecido com fatores de crescimento necessários para o H. ducreyi). 
o Interpretação: O crescimento do H. ducreyi em cultura confirma o diagnóstico. 
o Limitações: A cultura requer meios especializados e condições específicas, como alta concentração 
de dióxido de carbono (CO₂). Este método, portanto, não está amplamente disponível, especialmente 
em locais de poucos recursos. 
Testes Moleculares 
• PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) 
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o Método: A PCR permite a detecção do DNA do Haemophilus ducreyi nas amostras da úlcera ou 
linfonodo. 
o Interpretação: Um resultado positivo para DNA do H. ducreyi confirma a presença da bactéria. 
o Vantagens: Alta sensibilidade e especificidade, tornando-o um método eficaz para confirmar o 
diagnóstico, especialmente útil em casos com outras infecções concomitantes (como herpes e sífilis). 
o Limitações: A PCR pode ser cara e nem sempre está disponível em todos os locais de atendimento. 
 
Tratamento do Cancro Mole 
1. Antibióticos 
o Opções Terapêuticas: O tratamento antibiótico é a principal abordagem, e os medicamentos mais 
comumente usados são: 
▪ Azitromicina: Um antibiótico macrolídeo, administrado em dose única, é eficaz contra o 
Haemophilus ducreyi. 
▪ Ceftriaxona: Uma cefalosporina de terceira geração, administrada por via intramuscular, 
também é altamente eficaz e indicada como dose única. 
▪ Eritromicina: Outro macrolídeo, geralmente administrado em doses múltiplas, indicado para 
pacientes que necessitam de terapia prolongada. 
▪ Ciprofloxacina: Um antibiótico da classe das fluoroquinolonas, utilizado em doses múltiplas 
para tratamento. 
o Mecanismo de Ação: 
▪ Azitromicina e Eritromicina: Inibem a síntese proteica bacteriana, interferindo no 
crescimento e multiplicação do Haemophilus ducreyi. 
▪ Ceftriaxona: Inibe a síntese da parede celular bacteriana, levando à morte do 
microorganismo. 
▪ Ciprofloxacina: Atua inibindo a DNA girase e a topoisomerase IV da bactéria, interferindo na 
replicação do DNA bacteriano. 
o Escolha do Antibiótico: A escolha depende de fatores como a disponibilidade, custo, tolerância do 
paciente e facilidade de adesão (doses únicas são preferíveis para garantir o tratamento completo). 
2. Drenagem de Bubão Inguinal (Se Necessário) 
o Em casos onde ocorre linfadenite inguinal com formação de abscesso (bubão), pode ser necessária a 
drenagem para alívio dos sintomas. A drenagem deve ser feita com cuidado e, preferencialmente, 
por incisão e drenagem por um profissional treinado, para evitar complicações e disseminação da 
infecção. 
3. Monitoramento e Seguimento 
o Avaliação dos Sintomas: O paciente deve retornar ao médico para avaliação após alguns dias de 
tratamento, a fim de verificar a melhora das lesões. Em casos onde não há resposta ao tratamento, é 
importante investigar a presença de coinfecções e considerar a possibilidade de resistência 
bacteriana. 
o Testagem para Outras ISTs: Como o cancro mole aumenta o risco de outras ISTs, recomenda-se a 
testagem para HIV, sífilis, gonorreia e clamídia, para detecção e tratamento adequado. 
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Prevenção do Cancro Mole 
1. Práticas Sexuais Seguras 
o Uso de Preservativos: O uso consistente de preservativos em todas as relações sexuais ajuda a 
reduzir o risco de transmissão do cancro mole, embora não elimine completamente o risco, já que as 
úlceras podem aparecer em áreas não cobertas. 
o Evitar Relações Durante Atividade de Lesões: Evitar relações sexuais enquanto houver úlceras 
visíveis ou sintomas ativos reduz significativamente o risco de transmissão para parceiros. 
2. Educação e Conscientização 
o Educação sobre ISTs: Informar a população sobre os sinais e sintomas do cancro mole e de outras 
ISTs, bem como a importância do uso de preservativos, é essencial para reduzir a incidência da 
doença. 
o Informação para Populações de Risco: Populações com maior exposição a ISTs, como trabalhadores 
do sexo e homens que fazem sexo com homens (HSH), devem ser alvo de campanhas educativas 
específicas e programas de triagem frequente. 
3. Triagem e Tratamento de Parceiros 
o Notificação e Tratamento de Parceiros: É importante que os parceiros sexuais de pessoas 
diagnosticadas com cancro mole sejam notificados, testados e tratados, mesmo que estejam 
assintomáticos. Isso ajuda a prevenir reinfecções e a controlar a disseminação. 
o Orientação para Exames de ISTs: Como o cancro mole está frequentemente associado a outras ISTs, 
é recomendado que parceiros sexuais também sejam testados para sífilis, HIV e outras infecções. 
4. Acesso a Serviços de Saúde 
o Apoio em Áreas Endêmicas: Em regiões onde o cancro mole é endêmico, a disponibilidade de 
serviços de saúde, antibióticos e programas de triagem é essencial para controle da infecção. 
o Redução do Estigma: O estigma associado a ISTs pode impedir as pessoas de buscarem ajuda e 
tratamento. Campanhas que promovam um ambiente de acolhimento e apoio são essenciais para 
que mais pessoas tenham acesso a cuidados médicos. 
 
O linfogranuloma venéreo (LGV) é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada por algumas cepas 
específicas de Chlamydia trachomatis (sorotipos L1, L2 e L3). É caracterizado por lesões genitais, linfadenite inguinal 
dolorosa e, em casos mais avançados, complicações envolvendo o trato anorretal. A epidemiologia do LGV varia 
conforme a região e está associada a certos grupos de risco, especialmente em áreas urbanas e em populações 
vulneráveis. 
Epidemiologia do Linfogranuloma Venéreo (LGV) 
1. Distribuição Global e Regional 
o Regiões Endêmicas: Historicamente, o LGV foi mais prevalente em regiões tropicais e subtropicais, 
especialmente na África, Sudeste Asiático, Caribe e América Latina. Nessas áreas, ele é uma causa 
frequente de linfadenite inguinal e de úlceras genitais. 
o Países Desenvolvidos: Nos últimos anos, houve um aumento significativo de casos de LGV em países 
desenvolvidos, principalmente na Europa e América do Norte. Esse aumento está relacionado ao 
crescimento dos casos em populações urbanas e grupos de risco específicos, como homens que 
fazem sexo com homens (HSH). 
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2. Populações e Grupos de Riscoo Homens que Fazem Sexo com Homens (HSH): A maioria dos casos recentes em países desenvolvidos 
ocorre em HSH, especialmente entre aqueles que vivem com HIV. A transmissão anal é comum nesse 
grupo, levando a uma alta incidência de LGV com manifestações anorretais. 
o Pessoas com HIV: Indivíduos com HIV apresentam maior suscetibilidade ao LGV, e a coinfecção pode 
agravar o curso da doença, causando manifestações mais graves e de difícil tratamento. 
o Trabalhadores do Sexo: Em áreas endêmicas, o LGV é mais comum entre trabalhadores do sexo e 
seus clientes, especialmente em regiões com menor acesso a serviços de saúde e prevenção. 
 
• O LGV é causado pela bactéria Chlamydia trachomatis, especificamente pelos sorotipos L1, L2 e L3, que têm 
tropismo (afinidade) por tecidos linfáticos. 
• Características da Chlamydia trachomatis: 
o É uma bactéria intracelular obrigatória, o que significa que precisa invadir as células do hospedeiro 
para se replicar. 
o A bactéria causa inflamação local e disseminação para os gânglios linfáticos, especialmente na região 
inguinal, o que leva às manifestações características do LGV, como linfadenite e formação de bubões. 
 
• Transmissão Sexual Direta: 
o O LGV é transmitido por contato sexual direto com uma pessoa infectada, através de relações sexuais 
vaginais, anais ou orais. A bactéria é introduzida no organismo pelas microabrasões (pequenas 
lesões) na mucosa genital, retal ou oral. 
o Em homens que fazem sexo com homens (HSH), a transmissão ocorre frequentemente por via anal, o 
que leva a uma forma anorretal da doença. 
• Transmissão por Lesões Ativas: 
o A transmissão ocorre principalmente durante o estágio inicial, quando há lesões ativas na área 
genital ou anorretal. O exsudato dessas lesões contém a bactéria e é altamente contagioso. 
• Baixa Sobrevivência Fora do Corpo: 
o Chlamydia trachomatis é uma bactéria que sobrevive por pouco tempo fora do corpo humano, o que 
torna a transmissão não sexual (como por superfícies ou objetos contaminados) extremamente rara. 
 
• Práticas Sexuais Desprotegidas: 
o Relações sexuais sem o uso de preservativos, especialmente em relações anais, aumentam 
significativamente o risco de exposição ao LGV, especialmente em áreas onde a infecção é 
prevalente. 
• Múltiplos Parceiros Sexuais: 
o Ter múltiplos parceiros sexuais aumenta as chances de contato com indivíduos infectados, o que 
eleva o risco de adquirir LGV e outras ISTs. 
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• População de Homens que Fazem Sexo com Homens (HSH): 
o O LGV tem uma alta incidência entre HSH, principalmente em centros urbanos e entre aqueles 
coinfectados com HIV. Isso ocorre devido a comportamentos de risco associados e à prática de sexo 
anal, que facilita a transmissão do LGV na forma anorretal. 
• Coinfecção com HIV e Outras ISTs: 
o Pessoas que vivem com HIV apresentam um risco aumentado para LGV, pois a imunossupressão 
favorece o desenvolvimento da infecção e pode piorar suas manifestações. A coinfecção com outras 
ISTs também é comum e pode complicar o diagnóstico e o tratamento. 
• Viagens a Regiões Endêmicas: 
o Pessoas que viajam para regiões onde o LGV é endêmico, especialmente na África, Sudeste Asiático e 
América Latina, apresentam maior risco se não adotarem práticas sexuais seguras durante a viagem. 
• Uso de Drogas Recreativas: 
o O uso de drogas recreativas, especialmente em contextos sexuais (como festas e encontros em que 
drogas e práticas sexuais desprotegidas são comuns), está associado a comportamentos de risco 
sexual, aumentando a probabilidade de infecção. 
• Baixo Acesso a Serviços de Saúde: 
o Populações com acesso limitado a serviços de saúde, como triagem para ISTs e tratamentos, são mais 
suscetíveis ao desenvolvimento e complicações do LGV, especialmente em áreas endêmicas onde a 
doença não é tratada precocemente. 
 
Manifestações Clínicas 
1. Estágio Inicial (Estágio Primário) 
o Lesão Primária: 
▪ O estágio primário começa com uma pequena lesão ou pápula indolor no local de entrada da 
bactéria, geralmente na mucosa genital ou anal. Essa lesão pode passar despercebida, pois 
tende a ser assintomática ou causar poucos sintomas. 
▪ A lesão inicial pode evoluir para uma úlcera pequena, superficial e indolor, que cicatriza 
espontaneamente em poucos dias. 
o Importância do Estágio Primário: 
▪ Como os sintomas são leves, muitos pacientes não buscam atendimento, permitindo que a 
infecção progrida para o próximo estágio. 
2. Estágio Secundário (Estágio Inguinal e Anorretal) 
o Este estágio ocorre cerca de 2 a 6 semanas após a infecção inicial, quando a bactéria se dissemina 
para os linfonodos próximos ao local de entrada, levando a sintomas mais evidentes. 
o Forma Inguinal: 
▪ Linfadenite Inguinal (Bubão): Caracterizada por linfonodos inguinais dolorosos e 
aumentados, que podem se fundir e formar abscessos (bubões). Esses linfonodos inchados 
podem evoluir para abscessos e se romper, drenando pus e causando fístulas. 
▪ Febre e Sintomas Sistêmicos: Febre, mal-estar, mialgia e outros sintomas sistêmicos são 
comuns devido à resposta imunológica à infecção. 
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o Forma Anorretal: 
▪ É mais comum em homens que fazem sexo com homens (HSH) e pode ocorrer após infecção 
anal. 
▪ Proctite e Retite: Inflamação dolorosa do reto e do ânus, acompanhada de secreção 
mucopurulenta, dor retal intensa e, às vezes, sangramento. 
▪ Sintomas Sistêmicos: Febre, dor abdominal baixa e sintomas sistêmicos, como cansaço e 
perda de apetite, podem estar presentes em casos graves. 
▪ Disseminação para Linfonodos Pélvicos: A infecção pode atingir os linfonodos pélvicos e 
retroperitoneais, causando linfadenopatia profunda. 
3. Estágio Terciário (Estágio Crônico) 
o Este estágio ocorre meses a anos após a infecção inicial e está associado à inflamação crônica e 
cicatrizes, especialmente em pacientes que não receberam tratamento adequado. 
o Complicações Genitais e Anorretais: 
▪ Elefantíase Genital (Estreitamento Linfático): O bloqueio dos vasos linfáticos leva ao 
acúmulo de líquido, resultando em elefantíase genital, caracterizada por edema e fibrose 
(endurecimento) da área genital. 
▪ Estenose Retal e Anorreta: A inflamação crônica do reto e do ânus pode causar cicatrizes e 
estenose (estreitamento) da área anorretal, o que gera constipação, dor crônica e dificuldade 
na passagem de fezes. 
o Fístulas e Abscessos Crônicos: 
▪ A formação de fístulas crônicas (passagens anormais entre o reto e a superfície da pele ou 
outros órgãos) e abscessos pode ocorrer em decorrência da infecção prolongada e da 
resposta inflamatória intensa. 
Complicações 
1. Complicações Locais 
o Formação de Bubões Supurativos: Os linfonodos inguinais infectados podem evoluir para abscessos 
e se romper, formando fístulas. Esse processo pode deixar cicatrizes e deformidades na região. 
o Elefantíase Genital: Devido à obstrução linfática, há o risco de desenvolvimento de elefantíase nos 
órgãos genitais, causando desconforto, limitação e impacto na qualidade de vida. 
o Estenose Anorretal: A inflamação crônica e cicatrização dos tecidos anorretais leva a estenoses 
dolorosas e de difícil manejo. 
2. Complicações Sistêmicas e de Longo Prazo 
o Linfadenite Pélvica Crônica: Em casos graves, a infecção pode disseminar-se para os linfonodos 
pélvicos, causando inflamação crônica e dificultando o tratamento. 
o Dores Crônicas: A presença de fístulas e cicatrizes pode resultar em dores crônicas na região genital 
e anorretal, afetando as atividades diárias e a vida sexual. 
3. Impacto Psicológico e Social 
o A elefantíase genital, fístulas e cicatrizes podem levar ao estigma social e afetar a autoestima, 
causando ansiedade, depressão e impacto significativo na vida social e sexual do paciente. 
 
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1. Diagnóstico Clínico 
• História Clínica e Exame Físico: 
o O diagnóstico começa com uma avaliação detalhada dos sintomas e histórico de práticassexuais de 
risco. 
o A presença de sintomas característicos, como linfadenite inguinal (bubão) ou sintomas anorretais em 
homens que fazem sexo com homens (HSH), sugere o diagnóstico de LGV. 
• Estágios Clínicos: 
o Estágio Primário: A presença de uma lesão genital inicial indolor e passageira pode passar 
despercebida, mas, se identificada, deve ser considerada no diagnóstico. 
o Estágio Secundário: A presença de linfadenite inguinal dolorosa, com possível formação de bubões, é 
altamente sugestiva. Na forma anorretal, os sintomas de proctite (inflamação retal) com secreção 
purulenta ou sangramento retal podem sugerir LGV, especialmente em HSH. 
• Diagnóstico Diferencial: 
o Outras condições, como sífilis, herpes genital, linfoma, tuberculose ganglionar e linfadenite por 
outras causas infecciosas, devem ser excluídas, especialmente quando há linfadenite ou úlceras 
genitais. 
2. Diagnóstico Laboratorial 
Exames Diretos e Testes de Detecção de DNA 
• PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): 
o A PCR é o método de escolha para confirmar o diagnóstico de LGV, pois permite a detecção do DNA 
da Chlamydia trachomatis nos sorotipos L1, L2 e L3, específicos para o LGV. 
o Amostras: Podem ser coletadas de secreções das lesões genitais, do material purulento dos bubões, 
ou de amostras anorretais em casos de sintomas anorretais. 
o Interpretação: A presença do DNA de Chlamydia trachomatis dos sorotipos L1, L2 ou L3 confirma o 
diagnóstico de LGV. 
o Vantagens: A PCR é rápida e altamente específica, sendo o método preferencial para a confirmação 
do LGV. 
• Culturas de Chlamydia: 
o Embora possível, a cultura de Chlamydia trachomatis é tecnicamente difícil e menos sensível, sendo 
pouco utilizada na prática clínica para o diagnóstico de LGV. 
o A cultura pode ser realizada em laboratórios especializados, mas tem menor sensibilidade em 
comparação com a PCR e outros métodos moleculares. 
Testes Sorológicos 
• Testes de Anticorpos Anti-Chlamydia: 
o Testes sorológicos para anticorpos contra Chlamydia trachomatis podem ser úteis como 
complemento diagnóstico, especialmente em áreas onde a PCR não está disponível. 
o Interpretação: Um título alto de anticorpos IgM ou IgG pode sugerir infecção recente ou ativa, mas a 
sorologia não é específica para os sorotipos L1, L2 e L3, portanto, é limitada em termos de 
confirmação específica para LGV. 
o Limitações: A sorologia não é confirmatória, pois os anticorpos contra Chlamydia também podem 
estar presentes em infecções de outros sorotipos não associados ao LGV. 
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Exames Complementares e Avaliação das Complicações 
• Biópsia de Lesões ou Linfonodos: 
o Em casos onde há lesões crônicas ou persistentes, especialmente com suspeita de complicações, 
uma biópsia pode ser realizada. 
o Interpretação: A biópsia revela a presença de granulomas e inflamação linfocitária, típicos do LGV. 
Embora não seja específica, pode ser útil na exclusão de outras condições, como linfomas ou 
tuberculose ganglionar. 
• Testes para Outras ISTs: 
o Devido à alta taxa de coinfecção com HIV e outras ISTs, é recomendada a testagem simultânea para 
sífilis, HIV, gonorreia e outras infecções. 
o Importância: Coinfecções podem complicar o quadro e influenciar o tratamento, especialmente em 
pacientes imunocomprometidos. 
3. Interpretação dos Resultados 
• Confirmação Diagnóstica: 
o A detecção de DNA específico de Chlamydia trachomatis (sorotipos L1, L2 ou L3) em lesões genitais 
ou anorretais é confirmatória para LGV. 
o Em locais sem acesso à PCR, uma combinação de história clínica, exame físico, sorologia e resposta 
ao tratamento pode ser usada para fazer um diagnóstico presuntivo. 
• Diagnóstico Diferencial Confirmatório: 
o O diagnóstico diferencial com outras causas de úlceras e linfadenite, como sífilis e herpes genital, 
deve ser confirmado ou excluído através de testes específicos para essas infecções. 
 
Tratamento do Linfogranuloma Venéreo 
1. Antibióticos 
o Doxiciclina: 
▪ É o antibiótico de escolha para o tratamento do LGV. Atua inibindo a síntese proteica da 
bactéria Chlamydia trachomatis, sendo eficaz na eliminação da infecção e na prevenção de 
complicações. 
o Alternativas à Doxiciclina: 
▪ Azitromicina: Usada em casos de intolerância ou contraindicação à doxiciclina, administrada 
em uma dose única semanal por algumas semanas. 
▪ Eritromicina: Outra alternativa que é administrada várias vezes ao dia por um período 
prolongado. É útil para pessoas que não podem tomar doxiciclina, como mulheres grávidas. 
2. Drenagem de Bubões Inguinais (Se Necessário) 
o Nos casos em que os linfonodos inguinais se transformam em bubões dolorosos com formação de 
abscessos, pode ser necessária a drenagem. 
o Procedimento: A drenagem pode ser feita por aspiração com agulha, preferencialmente ao invés de 
incisão, para evitar a formação de fístulas e cicatrizes crônicas. 
3. Monitoramento e Seguimento 
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o Acompanhamento dos Sintomas: O paciente deve ser reavaliado para verificar a resposta ao 
tratamento e a regressão dos sintomas, especialmente nos casos de manifestações anorretais 
crônicas. 
o Avaliação de Coinfecções: Como o LGV é frequentemente associado a outras ISTs, recomenda-se o 
teste e o acompanhamento de coinfecções, especialmente HIV, sífilis e gonorreia. 
o Prevenção de Complicações: O tratamento precoce é fundamental para evitar complicações 
crônicas, como fístulas, estenoses e elefantíase genital. 
Prevenção do Linfogranuloma Venéreo 
1. Práticas Sexuais Seguras 
o Uso de Preservativos: O uso de preservativos em todas as relações sexuais, especialmente entre 
populações de alto risco, reduz significativamente a transmissão do LGV e de outras ISTs. Embora não 
elimine completamente o risco, é uma medida eficaz de prevenção. 
o Evitar Relações Durante Sintomas Ativos: Evitar contato sexual quando sintomas ou lesões ativas 
estão presentes reduz a chance de transmissão para parceiros. 
2. Educação e Conscientização 
o Informação sobre o LGV e Outras ISTs: Campanhas educativas são importantes para aumentar o 
conhecimento sobre o LGV e práticas de prevenção, especialmente entre grupos de risco como 
homens que fazem sexo com homens (HSH). 
o Programas de Saúde para Populações Vulneráveis: Informar e disponibilizar testes gratuitos em 
centros de saúde pública e locais de apoio é essencial para alcançar grupos de risco. 
3. Triagem e Tratamento de Parceiros Sexuais 
o Notificação e Testagem de Parceiros: Todos os parceiros sexuais dos últimos 60 dias devem ser 
notificados, testados e tratados para LGV, mesmo que estejam assintomáticos, para prevenir 
reinfecções e controle de surtos. 
o Aconselhamento e Testagem para Outras ISTs: É recomendada a testagem simultânea para outras 
ISTs, como HIV, sífilis e gonorreia, devido à alta taxa de coinfecção com LGV. 
4. Acesso a Serviços de Saúde e Redução do Estigma 
o Facilidade de Acesso a Testes e Tratamentos: A disponibilidade de serviços de saúde acessíveis e 
gratuitos facilita a identificação e tratamento do LGV. 
o Redução do Estigma: Promover um ambiente acolhedor e livre de estigma ajuda os indivíduos a 
buscar tratamento e aconselhamento, sem medo de discriminação. 
 
A donovanose, também conhecida como granuloma inguinal, é uma infecção sexualmente transmissível (IST) 
causada pela bactéria Klebsiella granulomatis (anteriormente conhecida como Calymmatobacterium granulomatis). 
É uma infecção crônica, caracterizada por úlceras genitais progressivas e indolores, que afeta principalmente as 
regiões tropicais e subtropicais. 
Epidemiologia da Donovanose 
1. Distribuição Global e Regiões Endêmicas 
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o Regiões Tropicais e Subtropicais: A donovanose é endêmica em regiões específicas da África, Índia, 
Sudeste Asiático, Caribe, Papua Nova Guiné e partes da América Latina. Em países como a Austrália, 
é mais comum em áreas rurais e comunidades indígenas. 
o IncidênciaDecrescente: A incidência da donovanose diminuiu em muitas regiões endêmicas devido 
a melhorias nos serviços de saúde e ao uso de antibióticos. Contudo, ainda é prevalente em algumas 
populações isoladas e com acesso limitado a cuidados de saúde. 
2. Distribuição por Sexo e Idade 
o Sexo: A donovanose afeta ambos os sexos, mas em algumas regiões a incidência é ligeiramente 
maior em homens, possivelmente devido a fatores comportamentais e a exposição sexual. 
o Idade: É mais comum em adultos jovens e de meia-idade, geralmente entre 20 e 40 anos, refletindo 
o grupo com maior atividade sexual. 
3. Populações de Risco e Fatores Socioeconômicos 
o Baixo Nível Socioeconômico: A donovanose é mais prevalente em comunidades de baixa renda e 
com pouca infraestrutura de saúde. A falta de acesso a serviços de saúde, educação em saúde sexual 
e tratamentos antibióticos aumenta a vulnerabilidade à infecção e à disseminação da doença. 
o Comunidades Rurais e Isoladas: Em regiões endêmicas, comunidades rurais e isoladas têm maior 
incidência devido ao baixo acesso a tratamentos e à falta de campanhas de conscientização sobre 
ISTs. 
 
• A donovanose é causada pela bactéria Klebsiella granulomatis (anteriormente chamada 
Calymmatobacterium granulomatis), um bacilo gram-negativo intracelular. 
• Características da Bactéria: 
o Klebsiella granulomatis é uma bactéria que causa inflamação crônica, caracterizada pela formação de 
úlceras granulomatosas. 
o Essa bactéria é encontrada dentro de macrófagos nas lesões cutâneas, formando corpos típicos 
chamados de Corpos de Donovan. Estes são visualizados por colorações especiais, como Wright ou 
Giemsa, sendo característicos da infecção. 
 
• Transmissão Sexual Direta: 
o A donovanose é considerada uma infecção sexualmente transmissível, sendo transmitida 
principalmente pelo contato sexual com uma pessoa infectada. O contato com lesões genitais ativas 
permite a transmissão da bactéria para o parceiro, especialmente em relações vaginais e anais. 
• Exposição de Pele e Mucosa Lesionada: 
o A transmissão ocorre principalmente através de pequenas lesões ou microabrasões na pele ou na 
mucosa genital, facilitando a entrada da bactéria durante o contato com a área infectada. 
• Baixa Transmissão por Objetos ou Superfícies: 
o A transmissão não sexual (como por objetos ou superfícies) é extremamente rara, pois a bactéria não 
sobrevive bem fora do corpo humano. 
 
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• Práticas Sexuais Desprotegidas: 
o A ausência de uso de preservativos aumenta o risco de exposição à Klebsiella granulomatis. Em 
regiões endêmicas, o uso de preservativos é uma importante medida preventiva. 
• Múltiplos Parceiros Sexuais: 
o A presença de múltiplos parceiros sexuais aumenta as chances de exposição à bactéria e ao 
desenvolvimento da donovanose. 
• Baixo Nível Socioeconômico e Acesso Limitado a Saúde: 
o Comunidades com baixa renda e pouco acesso a cuidados de saúde estão mais vulneráveis à 
donovanose. Em regiões endêmicas, a falta de infraestrutura de saúde limita o diagnóstico e 
tratamento precoce, facilitando a disseminação da doença. 
• Viver em Regiões Endêmicas ou Viajar para Áreas Afetadas: 
o A donovanose é mais comum em regiões endêmicas como África, Índia, Sudeste Asiático, Caribe, 
Papua Nova Guiné e algumas áreas rurais da Austrália. Viajantes para essas áreas que não adotam 
práticas seguras de prevenção estão em risco. 
• Coinfecção com Outras ISTs: 
o Indivíduos coinfectados com outras ISTs, como HIV, têm maior vulnerabilidade à donovanose devido 
a práticas de risco e a uma possível imunossupressão, o que facilita o estabelecimento da infecção. 
• Estigma e Baixa Conscientização: 
o O estigma relacionado às ISTs pode dificultar a busca por tratamento, contribuindo para a 
disseminação e progressão da doença. Além disso, a falta de campanhas de conscientização limita o 
conhecimento sobre a donovanose e as medidas de prevenção. 
 
Manifestações Clínicas 
1. Período de Incubação 
o O período de incubação da donovanose varia de 1 a 12 semanas após a exposição, com uma média 
de 2 a 3 semanas. 
2. Lesões Cutâneas Primárias 
o Pápulas ou Nódulos: O primeiro sinal clínico é o aparecimento de pápulas ou nódulos subcutâneos 
na área genital ou perianal, que logo evoluem para úlceras. 
o Úlceras Genitais Granulomatosas: Essas úlceras são tipicamente indolores, com bordas elevadas e 
base granulomatosa, de coloração vermelho-viva, muitas vezes friável e sangrando facilmente ao 
contato. 
o Localização: As lesões podem aparecer em áreas genitais (pênis, vulva, região inguinal), perianais ou 
até em outras áreas do corpo (como boca ou face) em casos de disseminação atípica. 
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3. Progressão das Lesões 
o Expansão Lenta: As úlceras tendem a se expandir lentamente, formando lesões maiores e múltiplas, 
que podem se fundir. Essa característica de expansão lenta, associada à ausência de dor, faz com que 
a infecção avance significativamente antes que o paciente procure ajuda. 
o Fístulas e Linfadenite: Embora raro, pode ocorrer envolvimento dos linfonodos regionais, o que leva 
à formação de fístulas e possíveis cicatrizes. 
4. Tipos de Lesões 
o Lesão Ulcerovegetante: Lesões com bordas elevadas e friáveis, aspecto vermelho-intenso e base 
granulomatosa. Este é o tipo mais comum. 
o Lesão Cicatricial: Lesões que apresentam áreas de cicatrização irregular, onde as úlceras começaram 
a se fechar, mas ainda há infecção ativa. 
o Lesão Hipertófica: Lesões que apresentam crescimento tecidual anormal, semelhante a uma massa 
tumoral, devido à reação inflamatória crônica. 
Complicações 
1. Cicatrizes e Deformidades 
o As lesões crônicas e a cicatrização excessiva levam à formação de cicatrizes extensas e desfigurantes, 
que podem causar deformidades genitais e perianais, impactando a qualidade de vida e a autoestima 
do paciente. 
2. Elefantíase Genital 
o Em casos de infecção avançada, a obstrução linfática causada pelo processo inflamatório crônico 
pode resultar em elefantíase genital. Isso ocorre devido ao bloqueio dos vasos linfáticos, levando a 
um edema significativo e espessamento dos tecidos genitais, o que pode causar dor, desconforto e 
limitação de movimento. 
3. Fístulas e Disseminação 
o As lesões podem se disseminar para tecidos adjacentes, formando fístulas (passagens anormais) 
entre as áreas genital, perianal e até abdominal. 
o A disseminação para outras áreas do corpo, como boca ou rosto, é rara, mas pode ocorrer em casos 
graves, especialmente em indivíduos imunocomprometidos. 
4. Superinfecção Bacteriana 
o As úlceras abertas e crônicas estão sujeitas a infecções secundárias por outras bactérias, o que pode 
complicar o quadro clínico com sintomas adicionais, como dor, aumento do exsudato purulento e 
odor desagradável. 
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5. Risco Aumentado de Transmissão de Outras ISTs 
o A presença de úlceras abertas e friáveis aumenta o risco de transmissão e aquisição de outras 
infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, devido à facilidade de entrada de patógenos através 
das lesões. 
6. Progressão para Carcinoma Espinocelular 
o Em casos crônicos e não tratados, há risco de transformação maligna das lesões, levando ao 
desenvolvimento de carcinoma espinocelular (câncer de pele), devido ao processo inflamatório 
prolongado e à regeneração celular constante nas lesões. 
 
1. Diagnóstico Clínico 
• História Clínica e Exame Físico: 
o A presença de úlceras genitais indolores e de bordas elevadas com base granulomatosa vermelho-
viva sugere donovanose, especialmente em pacientes que vivem ou viajam para áreas endêmicas. 
o O exame físico pode revelar lesões friáveis que sangram facilmente ao toque, bem como outras áreas 
com cicatrização ou progressão da infecção para lesões maiores e multilobuladas. 
• Diagnóstico Diferencial: 
o Outras ISTs ulcerativas, como sífilis, herpes genital, linfogranuloma venéreo (LGV) e