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APG 28 | Feliphe Mascarenhas
1 – Compreender a epidemiologia, etiologia, mecanismos de transmissão, fatores de risco, manifestações clínicas,
complicações, diagnóstico, tratamento e prevenção das IST´s que causam lesões vaginais.
➢ Herpes Genital
➢ Sífilis
➢ Cancro Mole
➢ Linfogranuloma
➢ Donovanose
A herpes genital é uma infecção viral comum e altamente contagiosa causada pelo vírus herpes simples (HSV),
principalmente o tipo 2 (HSV-2), embora o HSV tipo 1 (HSV-1) também possa causar infecções genitais,
especialmente com o aumento da prática do sexo oral. A epidemiologia da herpes genital varia em função de fatores
como região geográfica, comportamento sexual e acesso a serviços de saúde.
1. Prevalência Global e Regional
• Mundial: A herpes genital é uma das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais prevalentes
globalmente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 400 milhões de pessoas entre 15 e
49 anos vivem com infecção por HSV-2.
• Américas: Nos Estados Unidos, aproximadamente 11-16% dos adultos apresentam sorologia positiva para
HSV-2, enquanto na América Latina a prevalência é elevada, em torno de 20-30% em algumas populações.
• Brasil: Dados específicos variam conforme a região, mas estudos indicam uma prevalência significativa,
especialmente entre populações com alto risco de exposição (como indivíduos com múltiplos parceiros
sexuais e pessoas que vivem com HIV).
2. Distribuição por Idade e Sexo
• Idade: A prevalência aumenta com a idade, especialmente entre adultos jovens e pessoas em idade
reprodutiva. A faixa etária mais afetada é de 20 a 49 anos, refletindo a maior exposição sexual.
• Sexo: A prevalência é geralmente maior em mulheres do que em homens. Fatores como maior exposição à
transmissão durante o sexo heterossexual e a biologia da mucosa vaginal, que é mais suscetível a lesões e
infecção, contribuem para essa diferença.
• A herpes genital é causada pelo vírus herpes simples (HSV), um vírus DNA da família Herpesviridae. Existem
dois tipos principais:
o HSV-2: Principal agente causador da herpes genital.
o HSV-1: Tradicionalmente associado a infecções orais, mas cada vez mais relacionado a infecções
genitais, especialmente devido ao sexo oral.
• O HSV é caracterizado pela capacidade de permanecer em estado latente em gânglios nervosos após a
infecção primária, com potencial para reativações recorrentes ao longo da vida do indivíduo.
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• Contato Direto com Lesões ou Secreções: O principal modo de transmissão é o contato direto com lesões
herpéticas ou com secreções infectadas de uma pessoa portadora do vírus.
• Transmissão Assintomática: O vírus pode ser transmitido mesmo na ausência de sintomas visíveis, o que
ocorre devido à excreção viral intermitente em pessoas infectadas.
• Transmissão Vertical (Mãe para Filho): Pode ocorrer durante o parto se a mãe tiver uma infecção ativa. O
risco é maior em infecções primárias durante a gestação ou próximas ao momento do parto, sendo
importante monitoramento obstétrico e possíveis medidas profiláticas para evitar transmissão.
• Atividade Sexual:
o Múltiplos parceiros sexuais aumentam a exposição ao vírus.
o Prática de sexo oral sem proteção aumenta o risco de infecção genital por HSV-1.
• História de Outras ISTs: Pessoas com histórico de outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis e
HIV, têm maior vulnerabilidade devido à mucosa genital sensibilizada.
• Idade e Sexo: Herpes genital é mais comum entre jovens adultos (20-49 anos) e em mulheres, devido a
diferenças anatômicas e maior vulnerabilidade da mucosa vaginal.
• Status Imunológico: Indivíduos imunossuprimidos, como pessoas com HIV ou em tratamento com
imunossupressores, apresentam maior suscetibilidade à infecção e maior risco de reativação viral frequente.
• Nível Socioeconômico: Em regiões ou populações com menor acesso a informações sobre prevenção de ISTs
e a serviços de saúde, a prevalência tende a ser mais alta.
As manifestações clínicas da herpes genital podem variar bastante entre os indivíduos, desde casos assintomáticos
até lesões dolorosas e recorrentes. A seguir, detalho as principais manifestações clínicas e complicações da herpes
genital, explicando os mecanismos por trás dessas apresentações.
Manifestações Clínicas
1. Infecção Primária
o A infecção inicial tende a ser mais intensa, especialmente em indivíduos sem exposição prévia ao
HSV.
o Sintomas Sistêmicos: Febre, mal-estar, cefaleia, e mialgia são comuns na infecção primária, devido à
resposta imunológica intensa à infecção inicial.
o Lesões Genitais: Pequenas vesículas dolorosas que evoluem para úlceras superficiais, geralmente em
áreas da pele e mucosa que tiveram contato direto com o vírus.
o Linfadenopatia Inguinal Dolorosa: Ocorre por inflamação dos linfonodos locais, onde as células de
defesa combatem o vírus.
Essas manifestações acontecem devido à resposta imunológica e à replicação viral ativa, que leva a uma forte reação
inflamatória local e sistêmica.
2. Infecção Recorrente
o Após a infecção primária, o vírus se estabelece em estado latente nos gânglios nervosos locais
(geralmente o gânglio sacral).
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o Reativações: Podem ocorrer periodicamente, muitas vezes desencadeadas por estresse,
imunossupressão, febre ou exposição ao sol.
o Sintomas: Os episódios recorrentes são menos intensos que a infecção primária, com vesículas
menos numerosas e menos dor. Frequentemente, o paciente relata sintomas prodrômicos, como
formigamento e prurido na região genital.
A recorrência acontece porque o vírus pode sair do estado latente nos nervos e migrar para a pele e mucosas, onde
causa lesões novamente.
3. Sintomas Assintomáticos ou Pouco Visíveis
o Muitas pessoas infectadas podem não apresentar lesões visíveis ou sintomas, ou os sintomas podem
ser leves e não serem reconhecidos.
o A excreção viral pode ocorrer mesmo sem sintomas, o que contribui para a disseminação silenciosa
do vírus.
Complicações
1. Complicações Locais
o Uretrite e Cistite: A infecção pode se estender para o trato urinário, causando inflamação e sintomas
de dor ou ardência ao urinar.
o Proctite: A infecção anal é comum em pessoas que praticam sexo anal e pode causar dor, secreção e
sangramento anal.
o Essas complicações ocorrem devido à extensão da infecção para tecidos adjacentes, com inflamação
local que gera dor e desconforto.
2. Complicações Sistêmicas
o Meningite Asséptica: Em casos raros, o HSV-2 pode se disseminar para o sistema nervoso central,
causando meningite, com sintomas como febre, dor de cabeça intensa e rigidez de nuca.
o Hepatite por HSV: Também raro, pode ocorrer em imunossuprimidos, causando inflamação hepática
e disfunção hepática.
o Essas complicações ocorrem devido à capacidade do vírus de migrar para o sistema nervoso central
ou outros órgãos em pessoas imunocomprometidas.
3. Complicações na Gravidez e Recém-nascido
o Herpes Neonatal: Ocorre quando o bebê é exposto ao vírus durante o parto vaginal em mães com
infecção ativa. A infecção neonatal pode causar lesões cutâneas, encefalite e alta mortalidade se não
tratada.
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o Essa complicação é especialmente grave, pois o sistema imunológico do recém-nascido é imaturo,
tornando-o vulnerável à disseminação sistêmica do vírus.
4. Psicossociais
o Estigma e Impacto Psicológico: A herpes genital é uma IST estigmatizada, o que pode causar impacto
emocional, afetando relacionamentos e a qualidade de vida.
1. Diagnóstico Clínico
• Observação das Lesões: A presença de vesículas dolorosas agrupadas, que evoluem para úlceras superficiais
na região genital, pode ser altamente sugestiva de herpes genital.
• Sintomas Prodrômicos: Formigamento, prurido ou dor antes da aparição das lesões pode ser um indício de
reativação do HSV.
• Limitações: Embora útil, o diagnóstico clínicocarcinoma
espinocelular, devem ser excluídas, uma vez que essas condições podem apresentar úlceras
semelhantes.
2. Diagnóstico Laboratorial
Exames Citológicos
• Exame Direto com Coloração de Wright ou Giemsa:
o A coloração de Wright ou Giemsa em amostras de tecido das bordas das úlceras pode revelar os
chamados Corpos de Donovan.
o Método: Coleta-se uma amostra raspando a borda da lesão ou fazendo uma biópsia, que é então
corada e examinada ao microscópio.
o Interpretação: Os Corpos de Donovan são visualizados como inclusões intracelulares em macrófagos,
de coloração azul-escura com uma cápsula clara ao redor. A presença desses corpos é altamente
indicativa de donovanose.
o Vantagens e Limitações: Este exame é rápido e eficaz, mas depende da habilidade do laboratório em
processar e identificar as estruturas características. Em locais onde a experiência com a doença é
limitada, pode ser difícil a identificação correta.
Exames de Cultura
• Cultura Bacteriana:
o A cultura de Klebsiella granulomatis é tecnicamente desafiadora e rara na prática clínica, pois a
bactéria é de difícil crescimento em meio de cultura padrão.
o Devido a essa dificuldade, a cultura raramente é usada como método diagnóstico e está geralmente
restrita a laboratórios especializados em pesquisa.
Testes Moleculares
• PCR (Reação em Cadeia da Polimerase):
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o A PCR para detectar o DNA de Klebsiella granulomatis pode ser usada em amostras das lesões e
oferece alta sensibilidade e especificidade.
o Método: As amostras da úlcera ou da borda da lesão são submetidas ao teste de PCR para
amplificação e detecção do DNA específico da bactéria.
o Vantagens e Limitações: A PCR é uma ferramenta poderosa e precisa para confirmação diagnóstica,
mas pode não estar amplamente disponível em regiões endêmicas ou em laboratórios de rotina
devido ao seu custo e infraestrutura necessária.
Exame Histopatológico
• Biópsia e Exame Histopatológico:
o Em casos de lesões atípicas ou quando o diagnóstico é inconclusivo, uma biópsia com exame
histopatológico pode ser realizada.
o Interpretação: O exame histológico revela infiltração inflamatória com presença de granulomas,
macrófagos preenchidos com Corpos de Donovan e tecido de granulação.
o Utilidade: Este método é útil para confirmar o diagnóstico em casos crônicos ou complicados,
especialmente se houver suspeita de transformação maligna para carcinoma espinocelular.
3. Testagem para Outras ISTs
• Coinfecções Comuns:
o Em áreas endêmicas, a donovanose frequentemente ocorre junto com outras ISTs, como HIV, sífilis e
gonorreia. Recomenda-se a testagem para outras ISTs devido ao risco elevado de coinfecção e pelo
fato de que as úlceras aumentam a vulnerabilidade para transmissão de HIV.
Tratamento da Donovanose
1. Antibióticos
o Azitromicina: É o tratamento de escolha, frequentemente administrado em dose única semanal por
um período prolongado até a cura completa das lesões. A azitromicina atua inibindo a síntese
proteica da bactéria, eliminando o Klebsiella granulomatis.
o Alternativas à Azitromicina:
▪ Doxiciclina: É uma opção eficaz, utilizada diariamente durante várias semanas até a
resolução das lesões.
▪ Ciprofloxacina: Outro antibiótico alternativo, administrado diariamente até a cura das
úlceras.
▪ Eritromicina: Usada em casos onde a azitromicina ou doxiciclina não são indicadas,
especialmente em grávidas, com dose múltipla diária.
o Duração do Tratamento:
▪ A duração do tratamento depende da extensão e gravidade das lesões. Geralmente, o
tratamento continua até a resolução completa das lesões, o que pode levar várias semanas.
O monitoramento frequente é necessário para garantir a eficácia do tratamento e prevenir a
recorrência.
2. Terapias Complementares
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o Em casos avançados ou com lesões grandes e complexas, a combinação de antibióticos pode ser
necessária para aumentar a eficácia e acelerar a cura.
o Nos casos de cicatrizes e deformidades graves, tratamentos cirúrgicos reparadores podem ser
necessários após o controle da infecção para restaurar a função e melhorar a aparência.
3. Monitoramento e Seguimento
o Avaliação Periódica das Lesões: Os pacientes devem ser acompanhados regularmente para garantir
que as lesões estejam regredindo com o tratamento.
o Testagem para Outras ISTs: Devido à alta taxa de coinfecção com outras ISTs, recomenda-se a
triagem para HIV, sífilis, gonorreia e clamídia.
Prevenção da Donovanose
1. Práticas Sexuais Seguras
o Uso de Preservativos: O uso regular de preservativos reduz o risco de transmissão da donovanose,
embora não elimine completamente o risco, já que as lesões podem estar em áreas fora da proteção
do preservativo.
o Evitar Relações Durante Sintomas Ativos: Evitar o contato sexual enquanto houver lesões visíveis ou
sintomas ativos reduz a transmissão para parceiros.
2. Educação e Conscientização
o Informação sobre ISTs: Campanhas educativas são importantes para aumentar o conhecimento
sobre a donovanose e outras ISTs, promovendo práticas seguras.
o Programas de Saúde em Áreas Endêmicas: A conscientização sobre a doença e a disponibilização de
testes e tratamento em centros de saúde pública são essenciais em áreas endêmicas.
3. Triagem e Tratamento de Parceiros Sexuais
o Notificação de Parceiros: Parceiros sexuais de pessoas diagnosticadas com donovanose devem ser
informados para avaliação e possível tratamento preventivo, mesmo que estejam assintomáticos.
o Aconselhamento e Triagem para Outras ISTs: A testagem para outras ISTs é recomendada, pois a
coinfecção com outras ISTs é comum e pode complicar o quadro clínico.
4. Acesso a Serviços de Saúde e Redução do Estigma
o Facilidade de Acesso a Testes e Tratamentos: Melhorar o acesso aos serviços de saúde em regiões
endêmicas é crucial para identificar e tratar a donovanose precocemente, prevenindo complicações.
o Redução do Estigma: O estigma relacionado às ISTs pode impedir que os indivíduos busquem ajuda
médica. Campanhas de conscientização que promovam um ambiente de acolhimento e apoio são
essenciais para garantir que mais pessoas procurem tratamento sem medo de discriminação.pode ser falho em casos de lesões atípicas, formas subclínicas
ou assintomáticas.
2. Diagnóstico Laboratorial
Padrão Ouro
• PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): O PCR é o padrão-ouro para o diagnóstico de herpes genital, pela
sua elevada sensibilidade e especificidade.
o Método: Uma amostra é coletada da lesão (como líquido de uma vesícula ou material das bordas da
úlcera) e testada para a presença de DNA do HSV.
o Interpretação: Um resultado positivo para HSV confirma a infecção e permite a diferenciação entre
HSV-1 e HSV-2, o que é importante para prever o comportamento da infecção (HSV-2 é mais
associado a recidivas genitais).
Outros Métodos Diagnósticos
• Cultura Viral
o Método: O conteúdo da lesão é coletado e colocado em um meio de cultura para replicação do vírus.
o Interpretação: Um crescimento positivo confirma a infecção. No entanto, a cultura tem sensibilidade
menor que o PCR e depende da fase da lesão (melhor na fase vesicular). A cultura pode falhar em
lesões mais antigas ou em pacientes com infecção subclínica.
o Limitação: É mais demorada e menos sensível que o PCR, especialmente em infecções recorrentes.
• Sorologia (Testes Sorológicos para Anticorpos IgG e IgM)
o Método: Testes sorológicos detectam anticorpos contra HSV-1 e HSV-2 no sangue. São úteis para
determinar exposição prévia ao HSV e em pacientes assintomáticos.
o Interpretação:
▪ IgM Positivo: Sugerido na infecção recente, mas pode não ser específico, pois há reativação
em algumas infecções crônicas.
▪ IgG Positivo: Indica infecção prévia e estabelece a presença de imunidade parcial contra
reativação. Diferencia HSV-1 de HSV-2, o que é útil para aconselhamento do paciente.
o Limitações: A sorologia não é útil para confirmar infecção ativa ou primária, uma vez que anticorpos
podem estar presentes devido a infecções anteriores.
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• Teste de Tzanck
o Método: Um esfregaço da base da lesão é preparado e examinado sob microscopia após coloração.
o Interpretação: A presença de células multinucleadas gigantes sugere infecção por HSV. No entanto, o
teste não diferencia entre HSV-1 e HSV-2 e tem baixa sensibilidade.
o Limitações: Devido à sua baixa sensibilidade e falta de especificidade, é raramente usado hoje em
dia.
3. Interpretação dos Resultados
• Resultado Positivo no PCR ou Cultura Viral: Confirma infecção ativa por HSV. A identificação do tipo (HSV-1
ou HSV-2) ajuda a prever a evolução clínica e recorrência.
• Sorologia IgG Positiva: Sugere infecção prévia, mas não confirma infecção ativa. Pode ser usada em casos
onde há histórico de exposição, especialmente em casais discordantes para HSV.
• Sorologia IgM Positiva: Pode sugerir infecção recente, mas sua utilidade é limitada por possíveis falsos
positivos em reativações.
O tratamento da herpes genital tem como objetivo controlar a infecção, reduzir sintomas, encurtar a duração dos
surtos e diminuir a frequência das recorrências. Embora não exista cura para o HSV, os antivirais são eficazes no
manejo da infecção.
Antivirais Orais
Os antivirais orais são a base do tratamento, e os principais medicamentos incluem aciclovir, valaciclovir e famciclovir.
Esses antivirais atuam inibindo a replicação do HSV e, embora não eliminem o vírus latente, ajudam a prevenir a
propagação e reduzir os sintomas.
1. Aciclovir
o Mecanismo de Ação: O aciclovir é um análogo de nucleosídeo, que se assemelha a uma molécula de
DNA natural e atua inibindo a replicação viral. Nas células infectadas pelo HSV, ele é ativado pela
enzima viral timidina quinase e inibe a DNA polimerase viral, uma enzima essencial para a duplicação
do DNA do vírus. Com isso, impede-se a produção de novas partículas virais e, consequentemente, a
disseminação para outras células.
o Uso Clínico: É usado tanto para a infecção primária (primeiro episódio) quanto para as recorrências.
Em casos de surtos frequentes, pode ser prescrito como terapia supressiva de longo prazo.
2. Valaciclovir
o Mecanismo de Ação: Valaciclovir é um pró-fármaco que, após ser ingerido, é metabolizado no fígado
em aciclovir, e atua com o mesmo mecanismo. O valaciclovir, entretanto, apresenta melhor absorção
gastrointestinal, alcançando níveis plasmáticos mais elevados e permitindo dosagens menos
frequentes.
o Uso Clínico: Indicado tanto para o tratamento dos surtos quanto para a terapia supressiva em
indivíduos com recorrências frequentes, facilitando a adesão por causa da menor frequência de
administração.
3. Famciclovir
o Mecanismo de Ação: O famciclovir é convertido em penciclovir após a ingestão. O penciclovir age
como o aciclovir, inibindo a DNA polimerase viral e bloqueando a replicação do vírus. Ele também
depende da timidina quinase para ativação e age especificamente nas células infectadas.
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o Uso Clínico: Indicado para tratamento de surtos e como terapia supressiva, podendo ser
especialmente útil em pacientes com intolerância ao aciclovir ou ao valaciclovir.
Tipos de Terapia Antiviral
1. Tratamento Episódico: Iniciado nos primeiros sinais de reativação (como formigamento ou prurido), o
tratamento episódico reduz a duração e a gravidade dos sintomas durante um surto.
2. Terapia Supressiva: Em casos de reativação frequente (ex.: seis ou mais episódios por ano), a terapia diária
contínua com antivirais reduz a frequência e a intensidade dos surtos. Ela também diminui a excreção viral e
o risco de transmissão para parceiros.
Prevenção da Herpes Genital
A prevenção da herpes genital foca na redução da transmissão, particularmente para parceiros que não possuem
HSV, e na minimização de surtos.
1. Uso de Preservativos
o O uso de preservativos de látex reduz significativamente, embora não elimine completamente, o
risco de transmissão, pois o HSV pode ser transmitido por contato com áreas da pele que não estão
cobertas pelo preservativo.
2. Evitar Contato Durante Surtos Ativos
o Evitar relações sexuais durante períodos de surto, quando as lesões estão presentes, ajuda a reduzir
o risco de transmissão, já que a quantidade de vírus liberada pela pele é maior nessas fases.
3. Terapia Supressiva em Casais Sorodiscordantes
o Em casais onde um parceiro tem herpes genital e o outro não, a terapia antiviral supressiva diária no
parceiro infectado reduz a transmissão do HSV.
4. Educação Sexual e Testagem
o A educação sobre o HSV, suas formas de transmissão e métodos de prevenção é essencial para
minimizar a propagação. Testes sorológicos para HSV-1 e HSV-2 podem ser realizados para identificar
status de infecção, especialmente em casais sorodiscordantes.
5. Evitar Exposição a Fatores Desencadeantes
o Alguns fatores, como estresse, imunossupressão, exposição ao sol e lesões na pele, podem
desencadear surtos em indivíduos com HSV. Reduzir esses fatores pode ajudar a diminuir a
frequência das reativações.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. A epidemiologia
da sífilis tem características particulares e variações regionais, e sua incidência tem aumentado globalmente nas
últimas décadas, o que é motivo de preocupação em saúde pública.
1. Prevalência Global e Regional
• Globalmente: A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima milhões de novos casos de sífilis anualmente.
Em 2016, havia cerca de 6 milhões de novos casos no mundo, e a sífilis é considerada uma das ISTs mais
comuns e de rápido crescimento.
• Américas: Na América Latina, a sífilis é um problema significativo, com altas taxas em populações vulneráveis
e de maior risco. Em países como o Brasil, houve um aumento expressivo de casos nas últimas décadas,
especialmente entre jovens e homens que fazem sexo com homens (HSH).
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• Brasil: A sífilis no Brasil aumentou nas últimas décadas, incluindo sífilis adquirida (em adultos), sífilis em
gestantes e sífilis congênita. Entre 2010 e 2020,o número de casos de sífilis adquirida e sífilis congênita
cresceu, impulsionado por fatores como falta de tratamento adequado e dificuldade de acesso a serviços de
saúde.
2. Distribuição por Idade e Sexo
• Idade: A sífilis é mais comum entre adultos jovens, especialmente na faixa etária de 20 a 39 anos. Esta é a
faixa de maior atividade sexual, o que aumenta a exposição ao Treponema pallidum.
• Sexo: Embora afete ambos os sexos, a sífilis tem sido mais reportada entre homens, especialmente em
homens que fazem sexo com homens (HSH). Em muitos países, essa população é desproporcionalmente
afetada, com taxas mais altas de transmissão e reinfecção.
• A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum, uma espiroqueta (bactéria de formato espiralado)
extremamente sensível ao meio ambiente.
• Características do Treponema pallidum:
o A bactéria é móvel, graças a seus filamentos axiais (flagelos periplasmáticos), o que facilita a
disseminação pelo corpo após a infecção inicial.
o O T. pallidum é incapaz de sobreviver por muito tempo fora do corpo humano, sendo necessário o
contato direto para sua transmissão.
o A bactéria é caracterizada por seu crescimento lento, o que contribui para a progressão insidiosa da
doença.
• Transmissão Sexual:
o A principal forma de transmissão da sífilis é pelo contato sexual direto, incluindo relações vaginais,
anais e orais, com uma pessoa infectada que apresenta lesões ativas. A transmissão ocorre por meio
do contato com úlceras ou lesões mucocutâneas (cancro duro ou placas mucosas) presentes nas
fases primária e secundária.
o Durante essas fases, a concentração bacteriana nas lesões é alta, facilitando a entrada do T. pallidum
através de pequenas lesões na pele ou mucosa do parceiro sexual.
• Transmissão Vertical (Congênita):
o O T. pallidum pode ser transmitido da mãe para o feto através da placenta, em qualquer fase da
gravidez, sendo mais comum e grave nos estágios primário e secundário da infecção.
o A infecção congênita pode resultar em aborto, natimorto, morte neonatal precoce ou manifestações
clínicas variadas no recém-nascido, como deformidades ósseas, surdez, hepatomegalia e lesões
cutâneas.
• Transmissão por Transfusão Sanguínea:
o Embora seja rara atualmente, a sífilis pode ser transmitida por transfusões de sangue contaminado.
No entanto, isso é incomum em razão das triagens rigorosas realizadas nos bancos de sangue.
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• Práticas Sexuais Desprotegidas: A ausência do uso de preservativos durante as relações sexuais (vaginais,
anais ou orais) aumenta significativamente o risco de infecção pela sífilis.
• Múltiplos Parceiros Sexuais: Ter vários parceiros sexuais aumenta as chances de exposição ao T. pallidum e,
consequentemente, o risco de adquirir sífilis.
• Co-infecção com Outras ISTs: A presença de outras infecções sexualmente transmissíveis, especialmente
aquelas que causam ulcerações genitais, como herpes genital, facilita a entrada do T. pallidum no organismo
e aumenta a vulnerabilidade à infecção.
• HIV/AIDS: Indivíduos com HIV têm maior risco de adquirir sífilis, e a infecção pelo T. pallidum pode ser mais
grave nesses pacientes, pois a imunossupressão prejudica a resposta imunológica contra a bactéria.
• Uso de Drogas Recreativas: O uso de drogas, especialmente injetáveis, está associado a comportamentos
sexuais de risco, como relações sexuais sem proteção e múltiplos parceiros. Além disso, o uso de drogas pode
ser um fator indireto de risco, ao criar situações de maior vulnerabilidade social.
• Baixo Nível Socioeconômico e Estigma Social: A falta de acesso a serviços de saúde, incluindo testagem e
tratamento adequados, aumenta o risco de infecção e de complicações decorrentes da sífilis não tratada.
As manifestações clínicas da sífilis variam conforme o estágio da doença e podem ser complexas devido à sua
natureza multissistêmica e à evolução em fases. A sífilis é dividida em quatro estágios principais: sífilis primária,
secundária, latente e terciária. Cada um desses estágios apresenta características clínicas específicas, e as
complicações mais graves geralmente ocorrem na fase terciária ou em casos de transmissão congênita.
1. Sífilis Primária
• Manifestações Clínicas:
o Cancro Duro: A primeira manifestação é o cancro duro, uma úlcera indolor de bordas endurecidas e
base limpa, geralmente localizada nos genitais, mas que também pode aparecer na boca, ânus ou
outras áreas expostas durante o contato sexual. O cancro surge aproximadamente 3 semanas após a
exposição.
o Linfadenopatia Regional: A presença de linfonodos aumentados e indolores na região próxima à
lesão também é comum.
• Complicações: A sífilis primária é geralmente autolimitada, e o cancro desaparece espontaneamente após
algumas semanas. No entanto, sem tratamento, a infecção progride para o estágio secundário.
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2. Sífilis Secundária
• Manifestações Clínicas:
o A sífilis secundária ocorre semanas a meses após a infecção primária, quando a bactéria dissemina-
se pelo sangue, resultando em manifestações sistêmicas.
o Exantema Cutâneo: Lesões avermelhadas ou rosadas (geralmente não pruriginosas) aparecem em
várias áreas do corpo, especialmente nas palmas das mãos e plantas dos pés. Essas lesões são
altamente infecciosas.
o Lesões Mucocutâneas: Podem surgir lesões nas mucosas orais e genitais, incluindo placas mucosas e
condilomas planos (lesões úmidas e elevadas na região anogenital).
o Sintomas Sistêmicos: Febre, fadiga, dor de cabeça, mialgia, perda de apetite e linfadenopatia
generalizada.
• Complicações: Sem tratamento, as lesões secundárias desaparecem espontaneamente, mas a infecção entra
no estágio latente, podendo evoluir para formas mais graves.
3. Sífilis Latente
• Manifestações Clínicas:
o A fase latente é assintomática e dividida em latente recente (menos de um ano após a infecção
secundária) e latente tardia (mais de um ano). Nesse estágio, o paciente não apresenta sintomas,
mas a infecção ainda está presente no corpo.
• Complicações: A principal preocupação na fase latente é o risco de progressão para sífilis terciária, além de
poder transmitir a infecção no caso de reativação ou transmissão vertical em gestantes.
4. Sífilis Terciária
• Manifestações Clínicas:
o A sífilis terciária pode ocorrer anos ou décadas após a infecção inicial e afeta múltiplos órgãos, sendo
as manifestações divididas em três principais formas:
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▪ Sífilis Gomatosa: Formação de gomas, que são lesões granulomatosas destrutivas que
podem surgir na pele, ossos e outros órgãos. As gomas são lesões indolores, mas causam
destruição dos tecidos afetados.
▪ Sífilis Cardiovascular: Envolve grandes vasos sanguíneos, especialmente a aorta, levando a
aneurismas e insuficiência aórtica. Pode causar complicações cardiovasculares graves, como
ruptura do aneurisma.
▪ Neurosífilis: A infecção do sistema nervoso central (SNC) pode se manifestar de várias
formas, incluindo meningite, tabes dorsalis (destruição das raízes nervosas dorsais), e
paralisia geral progressiva, que afeta o cérebro e pode levar a alterações cognitivas, psicose e
demência.
• Complicações: A sífilis terciária é extremamente grave e pode causar danos permanentes a diversos
sistemas, como o cardiovascular e o neurológico, resultando em incapacidade e até morte se não tratada.
5. Sífilis Congênita
• Manifestações Clínicas:
o A sífilis congênita ocorre quando a infecção é transmitida da mãe para o feto, resultando em uma
ampla gama de manifestações clínicas.
o Sífilis Congênita Precoce (primeiros dois anos de vida): Inclui lesões cutâneas (pênfigo palmar e
plantar), hepatomegalia, esplenomegalia, icterícia, anemia, rinite sifilítica ("coriza sifilítica") e
deformidades ósseas (como osteocondrite).
o S��filis Congênita Tardia (após os 2 anos de idade): Pode levar a sequelasgraves, como dentes de
Hutchinson (dentes malformados), surdez neurossensorial, alterações ósseas (como a tíbia em
"sabre") e ceratite intersticial.
• Complicações: As complicações incluem mortalidade perinatal, deformidades permanentes e problemas de
desenvolvimento. A sífilis congênita é evitável com tratamento adequado durante o pré-natal.
Resumo das Complicações
• Sífilis Primária e Secundária: Complicações leves, pois lesões geralmente desaparecem espontaneamente,
mas o risco está na progressão da doença se não tratada.
• Sífilis Latente: Fase assintomática com potencial de progressão para sífilis terciária, especialmente em
pacientes que não recebem tratamento.
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• Sífilis Terciária: Complicações graves e irreversíveis, com risco de lesões destrutivas, complicações
cardiovasculares e neurossífilis.
• Sífilis Congênita: Complicações severas, incluindo deformidades, problemas de desenvolvimento e alta
mortalidade neonatal.
1. Diagnóstico Clínico
• Anamnese e Exame Físico: Avaliação dos sintomas e lesões características (ex.: cancro duro na fase primária,
exantema na fase secundária), histórico sexual e fatores de risco. Embora útil, o diagnóstico clínico isolado é
limitado e deve ser confirmado laboratorialmente.
2. Diagnóstico Laboratorial
Testes Sorológicos
A abordagem diagnóstica principal baseia-se em testes sorológicos, divididos em testes não-treponêmicos e
treponêmicos.
• Testes Não-Treponêmicos
o Principais Exames: VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) e RPR (Rapid Plasma Reagin).
o Mecanismo: Esses testes detectam anticorpos reagínicos, que são produzidos em resposta ao dano
tecidual causado pelo Treponema pallidum. Esses anticorpos não são específicos para o treponema,
mas aumentam com a atividade da infecção.
o Interpretação:
▪ Um resultado positivo sugere infecção ativa, mas também pode aparecer em outras
condições (ex.: doenças autoimunes, gravidez).
▪ Títulos: A quantidade de anticorpos (título) pode ajudar a monitorar a resposta ao
tratamento e detectar recidivas. A diminuição dos títulos após o tratamento indica resposta
terapêutica.
▪ Limitações: Possibilidade de resultados falso-positivos em outras doenças e menor
sensibilidade na fase latente ou terciária.
• Testes Treponêmicos
o Principais Exames: FTA-ABS (Fluorescent Treponemal Antibody Absorption), TPHA (Treponema
Pallidum Hemagglutination Assay) e testes rápidos treponêmicos (ex.: imunocromatografia).
o Mecanismo: Detectam anticorpos específicos contra antígenos do Treponema pallidum, confirmando
a presença da infecção, mesmo em estágios tardios.
o Interpretação:
▪ Um resultado positivo indica exposição prévia ou infecção ativa pelo treponema.
▪ Em geral, esses anticorpos permanecem positivos pela vida toda, mesmo após o tratamento,
portanto, esses testes não são úteis para avaliar resposta ao tratamento.
▪ Confirmação: Um teste treponêmico positivo após um não-treponêmico sugere infecção
confirmada.
Testes Diretos
• Microscopia em Campo Escuro
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o Método: Utilizado para visualizar o Treponema pallidum diretamente em amostras de lesões, como o
exsudato de uma úlcera genital (cancro duro).
o Interpretação: A presença da espiroqueta é diagnóstica de sífilis. Este método é especialmente útil
na fase primária, onde o Treponema é abundante nas lesões.
o Limitações: Exige condições específicas, como lesões úmidas e o equipamento de microscopia em
campo escuro, e não está amplamente disponível.
• Imunofluorescência Direta
o Método: Um anticorpo marcado com fluorescência é aplicado na amostra da lesão, possibilitando a
visualização direta do treponema.
o Interpretação: Um resultado positivo confirma infecção ativa, especialmente em casos de sífilis
primária, mas esse método é menos disponível.
• PCR (Reação em Cadeia da Polimerase)
o Método: Detecta o DNA do Treponema pallidum em amostras clínicas.
o Interpretação: A PCR oferece alta sensibilidade e especificidade, útil em casos complexos, como
neurossífilis. Entretanto, não é amplamente utilizada na prática clínica para diagnóstico rotineiro
devido ao custo e disponibilidade.
Diagnóstico de Neurossífilis
• Para pacientes com suspeita de neurossífilis (ex.: sintomas neurológicos, HIV), é indicada a análise do líquido
cefalorraquidiano (LCR):
o Análise do LCR: Inclui VDRL no LCR (considerado o teste padrão para neurossífilis) e a contagem de
células e proteínas.
o Interpretação:
▪ VDRL positivo no LCR confirma neurossífilis.
▪ Em casos negativos, mas com alta suspeita clínica, outros métodos, como FTA-ABS no LCR,
podem auxiliar.
3. Interpretação Geral dos Resultados
• Testes Não-Treponêmicos (VDRL/RPR): Úteis para rastreio inicial e monitoramento do tratamento, com
títulos indicativos de atividade da doença.
• Testes Treponêmicos (FTA-ABS, TPHA): Confirmam o diagnóstico de sífilis, permanecendo positivos mesmo
após a cura, indicando exposição prévia.
• Métodos Diretos (Microscopia em Campo Escuro, PCR): Diagnóstico específico de sífilis primária e em lesões
ativas, especialmente úteis onde sorologia não é conclusiva.
Tratamento
1. Sífilis Primária, Secundária e Latente Precoce
o Medicamento de Escolha: Penicilina benzatina, administrada em dose única intramuscular. Esse
tratamento é altamente eficaz e indicado tanto para a sífilis primária quanto para a secundária e a
latente precoce (menos de 1 ano de infecção).
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o Alternativas para Alérgicos: Em pacientes com alergia à penicilina, a dessensibilização é
recomendada. Em casos onde isso não é possível, alternativas incluem doxiciclina e azitromicina,
embora sejam menos efetivas e precisem de monitoramento rigoroso.
2. Sífilis Latente Tardia e Sífilis de Duração Indeterminada
o Penicilina Benzatina: A penicilina benzatina é administrada de forma intramuscular em doses
semanais por três semanas.
o Objetivo: Evitar a progressão para sífilis terciária e neurossífilis, uma vez que a infecção está na fase
de latência tardia e pode reativar-se ou causar lesões graves em órgãos.
3. Neurosífilis
o Penicilina Cristalina: Administrada por via intravenosa durante 10 a 14 dias, devido à necessidade de
atingir o sistema nervoso central (SNC).
o Alternativas: Ceftriaxona pode ser usada em alguns casos, mas é preferível a dessensibilização para o
uso da penicilina em alérgicos, devido à sua maior eficácia.
o Objetivo: Reduzir os danos neurológicos progressivos e evitar sequelas permanentes.
4. Sífilis Congênita e Tratamento em Gestantes
o Gestantes: A penicilina benzatina é indicada em doses específicas dependendo do estágio da sífilis
na mãe, pois atravessa a placenta e trata tanto a mãe quanto o feto.
o Recém-Nascidos: Se o bebê é diagnosticado com sífilis congênita, ele deve receber penicilina
cristalina por via intravenosa durante 10 a 14 dias. O tratamento imediato ajuda a prevenir ou
minimizar as deformidades e complicações associadas à sífilis congênita.
5. Monitoramento Pós-Tratamento
o Avaliação com Testes Não-Treponêmicos: Testes como o VDRL ou RPR são realizados a cada 3 a 6
meses para monitorar a resposta ao tratamento. A queda dos títulos indica sucesso terapêutico,
enquanto o aumento ou a manutenção pode sugerir re-infecção ou falha do tratamento.
o Avaliação Clínica: Os pacientes devem ser acompanhados para detectar eventuais sintomas de
neurossífilis ou complicações tardias.
Prevenção
1. Uso de Preservativos
o O uso regular e correto de preservativos reduz o risco de transmissão da sífilis durante relações
sexuais, embora não elimine completamente o risco, pois o Treponema pallidum pode estar presente
em lesões fora da área coberta pelo preservativo.
2. Triagem e Diagnóstico Precoce
o Triagem em Populações de Risco: Pessoas com múltiplos parceiros sexuais, homens que fazem sexo
com homens (HSH) e pessoas com outras ISTs devem ser testadasregularmente para sífilis.
o Triagem no Pré-Natal: Testagem de todas as gestantes em diferentes fases da gravidez (primeiro
trimestre, início do terceiro trimestre e no parto) para prevenir sífilis congênita. O tratamento
precoce da gestante previne a transmissão vertical.
3. Educação Sexual e Consciência sobre a Doença
o Informações sobre os sintomas da sífilis e as formas de transmissão ajudam a aumentar a
conscientização e a adesão ao uso de preservativos e à testagem regular. Campanhas educativas
sobre ISTs são essenciais para reduzir a incidência de sífilis e promover o diagnóstico precoce.
4. Tratamento de Parceiros
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o O tratamento de parceiros sexuais de pacientes com sífilis é fundamental para evitar a reinfecção e a
propagação da infecção. Todos os parceiros dos últimos 90 dias devem ser testados e tratados,
independentemente de apresentarem sintomas.
5. Acompanhamento de Pacientes Tratados
o Monitorar a queda nos títulos de testes não-treponêmicos em pacientes tratados e reavaliá-los para
evitar complicações tardias e controlar possíveis reinfecções.
O cancro mole, também conhecido como cancróide, é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela
bactéria Haemophilus ducreyi. Esta infecção é caracterizada por úlceras genitais dolorosas e é mais prevalente em
certas regiões do mundo, embora esteja em declínio em muitos países com forte estrutura de saúde pública e
programas de prevenção de ISTs.
Epidemiologia do Cancro Mole
1. Distribuição Global e Regional
o Prevalência em Regiões Endêmicas: O cancro mole é mais comum em países de baixa e média
renda, principalmente na África subsaariana, Sudeste Asiático, América Latina e Caribe. Nessas áreas,
a doença permanece uma importante causa de úlceras genitais.
o Países Desenvolvidos: Em países desenvolvidos, a prevalência é muito baixa, graças ao acesso mais
amplo a serviços de saúde, triagem para ISTs, e o uso de antibióticos que frequentemente tratam
outras infecções bacterianas. Nos Estados Unidos, Europa e Canadá, o cancro mole é raro, e os casos
reportados costumam estar associados a viagens a regiões endêmicas.
2. Influência de Programas de Prevenção de ISTs
o A prevalência global de cancro mole diminuiu nas últimas décadas, especialmente em países que
implementaram programas robustos de prevenção e tratamento de ISTs, como educação em saúde,
uso de preservativos, testagem e tratamento rápido de casos.
o A expansão de programas de tratamento para outras ISTs, como sífilis e HIV, também teve impacto
indireto na redução dos casos de cancro mole, devido ao diagnóstico e tratamento simultâneo de
úlceras genitais de várias etiologias.
3. Distribuição por Gênero e Idade
o Gênero: Embora afete ambos os sexos, o cancro mole é mais frequentemente diagnosticado em
homens, possivelmente por fatores anatômicos que tornam as úlceras mais visíveis, e pela maior
frequência de sintomas. Em mulheres, a infecção pode ser assintomática ou ter lesões menos
visíveis.
o Idade: A maior parte dos casos ocorre em jovens adultos, especialmente entre os 20 e 35 anos,
refletindo a faixa de maior atividade sexual e exposição a fatores de risco.
• O cancro mole é causado pela bactéria Haemophilus ducreyi, um bacilo gram-negativo que provoca infecção
cutânea e ulcerativa nos genitais e regiões próximas.
• Características da Bactéria: H. ducreyi é altamente infeccioso e, uma vez na pele ou mucosa, causa uma
intensa reação inflamatória. A bactéria também secreta toxinas que destroem as células e tecidos locais,
formando as úlceras dolorosas características do cancro mole.
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• Contato Sexual Direto: A transmissão do H. ducreyi ocorre principalmente por contato sexual direto com as
úlceras de uma pessoa infectada, durante relações vaginais, anais ou orais. O cancro mole é, portanto,
classificado como uma infecção sexualmente transmissível (IST).
• Exposição de Lesões ou Pele Danificada: A bactéria entra no organismo através de pequenas lesões ou
abrasões na pele ou mucosa genital. Como o cancro mole provoca úlceras dolorosas, essas lesões expostas
facilitam a transmissão para o parceiro.
• Baixa Sobrevivência Fora do Corpo: H. ducreyi não sobrevive bem fora do corpo humano, tornando a
transmissão não sexual (como por objetos ou superfícies) muito improvável.
• Práticas Sexuais Desprotegidas: Relações sexuais sem preservativo aumentam o risco de exposição ao H.
ducreyi, especialmente em áreas com alta prevalência da infecção.
• Múltiplos Parceiros Sexuais: Ter múltiplos parceiros aumenta a chance de contato com indivíduos infectados,
elevando o risco de adquirir cancro mole.
• Co-infecção com Outras ISTs: Indivíduos com outras ISTs, como sífilis e HIV, estão em maior risco para cancro
mole devido à vulnerabilidade imunológica e aos comportamentos de risco associados.
• Viagens a Regiões Endêmicas: Viajantes que se envolvem em práticas sexuais desprotegidas em áreas
endêmicas (como algumas partes da África e Sudeste Asiático) apresentam maior risco de contrair a infecção.
• Estigma e Baixo Acesso a Serviços de Saúde: Em áreas com pouco acesso a serviços de saúde e onde o
estigma de ISTs é alto, as pessoas podem evitar procurar tratamento, favorecendo a disseminação da
infecção.
Manifestações Clínicas
1. Período de Incubação
o O período de incubação do cancro mole é curto, geralmente entre 4 e 7 dias após a exposição ao
Haemophilus ducreyi.
2. Úlceras Genitais Dolorosas
o Descrição das Lesões: O cancro mole se manifesta com uma ou mais úlceras genitais dolorosas, de
bordas irregulares, com fundo de coloração avermelhada e, muitas vezes, com exsudato purulento.
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o Localização:
▪ Em homens, as úlceras frequentemente aparecem no prepúcio, sulco balanoprepucial e
glande.
▪ Em mulheres, as lesões podem estar nos lábios, área perivaginal, colo do útero e também na
área perianal, especialmente após o contato sexual anal.
o Aspecto Doloroso: Diferente do cancro da sífilis (que é indolor), as úlceras do cancro mole são
dolorosas e bastante desconfortáveis, o que frequentemente leva o paciente a procurar atendimento
médico.
3. Linfadenite Inguinal
o Linfadenite Inguinal: Aproximadamente 50% dos casos de cancro mole apresentam linfadenite
inguinal (aumento dos linfonodos na região inguinal) que é dolorosa, conhecida como "bubo
inguinal".
o Abscessos: Esses linfonodos podem evoluir para abscessos que, se não tratados, podem se romper e
drenar espontaneamente, formando uma fístula purulenta.
o Linfadenopatia Bilateral ou Unilateral: Os bubões geralmente são unilaterais, mas podem ser
bilaterais, causando dor e desconforto.
4. Sintomas Sistêmicos
o Em casos mais graves, a infecção pode causar febre, mal-estar e sintomas de inflamação sistêmica,
embora isso seja menos comum.
Complicações
1. Infecção Secundária
o A presença de úlceras abertas aumenta o risco de infecção bacteriana secundária, que pode piorar o
quadro inflamatório e retardar a cura das lesões.
2. Bubão Inguinal Supurativo
o Quando os linfonodos inguinais infectados evoluem para abscessos (bubões), eles podem se romper
e formar uma fístula purulenta, o que complica o tratamento e prolonga o processo de cura.
o Esse processo pode deixar cicatrizes, deformidades e danos locais, dependendo da gravidade da
infecção e do manejo dos bubões.
3. Cicatrizes e Deformidades Genitais
o Se as úlceras não forem tratadas adequadamente, podem deixar cicatrizes e deformidades que
afetam a área genital.
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o Essas cicatrizes podem resultar em dor crônica, constrição da pele e até dificuldades durante
relações sexuais.
4. Facilidade de Transmissão de Outras ISTs
o As úlceras dolorosas e as lesões abertas facilitam a entrada de outros agentes patogênicos,
aumentando o risco de transmissão e aquisição de outras ISTs, como o HIV.o A inflamação local e a presença de lesões expostas aumentam a suscetibilidade à infecção por HIV
durante o contato sexual.
5. Impacto Psicológico e Qualidade de Vida
o A dor e o desconforto causados pelas úlceras, combinados com o estigma associado às ISTs, podem
impactar a saúde mental e a qualidade de vida dos pacientes, causando ansiedade, vergonha e
retraimento social.
1. Diagnóstico Clínico
• Anamnese e Exame Físico:
o Características das Lesões: O cancro mole é geralmente caracterizado por úlceras dolorosas de
bordas irregulares e base purulenta, que são distintas das lesões indolores do cancro sifilítico.
o Linfadenite Inguinal Dolorosa: A presença de linfonodos inguinais aumentados, dolorosos e, às
vezes, supurativos (bubão) pode reforçar a suspeita clínica de cancro mole.
• Limitações do Diagnóstico Clínico: Embora o exame físico seja útil, outras infecções como sífilis, herpes
genital e linfogranuloma venéreo podem apresentar lesões semelhantes. Portanto, a confirmação
laboratorial é ideal.
2. Diagnóstico Laboratorial
Exames Diretos
• Microscopia com Coloração de Gram
o Método: Uma amostra é coletada diretamente da base da úlcera ou de um bubão rompido. A
coloração de Gram pode revelar bacilos gram-negativos em formato de "bastão curto",
característicos do Haemophilus ducreyi.
o Interpretação: A presença de bacilos gram-negativos sugere a presença do H. ducreyi, mas o método
tem baixa sensibilidade e não é conclusivo.
o Limitações: A microscopia tem uma sensibilidade limitada e pode ser dificultada por contaminação
bacteriana secundária.
• Cultura Bacteriana
o Método: A coleta de amostras da úlcera ou do bubão é cultivada em meio de cultura específico
(como ágar chocolate enriquecido com fatores de crescimento necessários para o H. ducreyi).
o Interpretação: O crescimento do H. ducreyi em cultura confirma o diagnóstico.
o Limitações: A cultura requer meios especializados e condições específicas, como alta concentração
de dióxido de carbono (CO₂). Este método, portanto, não está amplamente disponível, especialmente
em locais de poucos recursos.
Testes Moleculares
• PCR (Reação em Cadeia da Polimerase)
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o Método: A PCR permite a detecção do DNA do Haemophilus ducreyi nas amostras da úlcera ou
linfonodo.
o Interpretação: Um resultado positivo para DNA do H. ducreyi confirma a presença da bactéria.
o Vantagens: Alta sensibilidade e especificidade, tornando-o um método eficaz para confirmar o
diagnóstico, especialmente útil em casos com outras infecções concomitantes (como herpes e sífilis).
o Limitações: A PCR pode ser cara e nem sempre está disponível em todos os locais de atendimento.
Tratamento do Cancro Mole
1. Antibióticos
o Opções Terapêuticas: O tratamento antibiótico é a principal abordagem, e os medicamentos mais
comumente usados são:
▪ Azitromicina: Um antibiótico macrolídeo, administrado em dose única, é eficaz contra o
Haemophilus ducreyi.
▪ Ceftriaxona: Uma cefalosporina de terceira geração, administrada por via intramuscular,
também é altamente eficaz e indicada como dose única.
▪ Eritromicina: Outro macrolídeo, geralmente administrado em doses múltiplas, indicado para
pacientes que necessitam de terapia prolongada.
▪ Ciprofloxacina: Um antibiótico da classe das fluoroquinolonas, utilizado em doses múltiplas
para tratamento.
o Mecanismo de Ação:
▪ Azitromicina e Eritromicina: Inibem a síntese proteica bacteriana, interferindo no
crescimento e multiplicação do Haemophilus ducreyi.
▪ Ceftriaxona: Inibe a síntese da parede celular bacteriana, levando à morte do
microorganismo.
▪ Ciprofloxacina: Atua inibindo a DNA girase e a topoisomerase IV da bactéria, interferindo na
replicação do DNA bacteriano.
o Escolha do Antibiótico: A escolha depende de fatores como a disponibilidade, custo, tolerância do
paciente e facilidade de adesão (doses únicas são preferíveis para garantir o tratamento completo).
2. Drenagem de Bubão Inguinal (Se Necessário)
o Em casos onde ocorre linfadenite inguinal com formação de abscesso (bubão), pode ser necessária a
drenagem para alívio dos sintomas. A drenagem deve ser feita com cuidado e, preferencialmente,
por incisão e drenagem por um profissional treinado, para evitar complicações e disseminação da
infecção.
3. Monitoramento e Seguimento
o Avaliação dos Sintomas: O paciente deve retornar ao médico para avaliação após alguns dias de
tratamento, a fim de verificar a melhora das lesões. Em casos onde não há resposta ao tratamento, é
importante investigar a presença de coinfecções e considerar a possibilidade de resistência
bacteriana.
o Testagem para Outras ISTs: Como o cancro mole aumenta o risco de outras ISTs, recomenda-se a
testagem para HIV, sífilis, gonorreia e clamídia, para detecção e tratamento adequado.
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Prevenção do Cancro Mole
1. Práticas Sexuais Seguras
o Uso de Preservativos: O uso consistente de preservativos em todas as relações sexuais ajuda a
reduzir o risco de transmissão do cancro mole, embora não elimine completamente o risco, já que as
úlceras podem aparecer em áreas não cobertas.
o Evitar Relações Durante Atividade de Lesões: Evitar relações sexuais enquanto houver úlceras
visíveis ou sintomas ativos reduz significativamente o risco de transmissão para parceiros.
2. Educação e Conscientização
o Educação sobre ISTs: Informar a população sobre os sinais e sintomas do cancro mole e de outras
ISTs, bem como a importância do uso de preservativos, é essencial para reduzir a incidência da
doença.
o Informação para Populações de Risco: Populações com maior exposição a ISTs, como trabalhadores
do sexo e homens que fazem sexo com homens (HSH), devem ser alvo de campanhas educativas
específicas e programas de triagem frequente.
3. Triagem e Tratamento de Parceiros
o Notificação e Tratamento de Parceiros: É importante que os parceiros sexuais de pessoas
diagnosticadas com cancro mole sejam notificados, testados e tratados, mesmo que estejam
assintomáticos. Isso ajuda a prevenir reinfecções e a controlar a disseminação.
o Orientação para Exames de ISTs: Como o cancro mole está frequentemente associado a outras ISTs,
é recomendado que parceiros sexuais também sejam testados para sífilis, HIV e outras infecções.
4. Acesso a Serviços de Saúde
o Apoio em Áreas Endêmicas: Em regiões onde o cancro mole é endêmico, a disponibilidade de
serviços de saúde, antibióticos e programas de triagem é essencial para controle da infecção.
o Redução do Estigma: O estigma associado a ISTs pode impedir as pessoas de buscarem ajuda e
tratamento. Campanhas que promovam um ambiente de acolhimento e apoio são essenciais para
que mais pessoas tenham acesso a cuidados médicos.
O linfogranuloma venéreo (LGV) é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada por algumas cepas
específicas de Chlamydia trachomatis (sorotipos L1, L2 e L3). É caracterizado por lesões genitais, linfadenite inguinal
dolorosa e, em casos mais avançados, complicações envolvendo o trato anorretal. A epidemiologia do LGV varia
conforme a região e está associada a certos grupos de risco, especialmente em áreas urbanas e em populações
vulneráveis.
Epidemiologia do Linfogranuloma Venéreo (LGV)
1. Distribuição Global e Regional
o Regiões Endêmicas: Historicamente, o LGV foi mais prevalente em regiões tropicais e subtropicais,
especialmente na África, Sudeste Asiático, Caribe e América Latina. Nessas áreas, ele é uma causa
frequente de linfadenite inguinal e de úlceras genitais.
o Países Desenvolvidos: Nos últimos anos, houve um aumento significativo de casos de LGV em países
desenvolvidos, principalmente na Europa e América do Norte. Esse aumento está relacionado ao
crescimento dos casos em populações urbanas e grupos de risco específicos, como homens que
fazem sexo com homens (HSH).
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2. Populações e Grupos de Riscoo Homens que Fazem Sexo com Homens (HSH): A maioria dos casos recentes em países desenvolvidos
ocorre em HSH, especialmente entre aqueles que vivem com HIV. A transmissão anal é comum nesse
grupo, levando a uma alta incidência de LGV com manifestações anorretais.
o Pessoas com HIV: Indivíduos com HIV apresentam maior suscetibilidade ao LGV, e a coinfecção pode
agravar o curso da doença, causando manifestações mais graves e de difícil tratamento.
o Trabalhadores do Sexo: Em áreas endêmicas, o LGV é mais comum entre trabalhadores do sexo e
seus clientes, especialmente em regiões com menor acesso a serviços de saúde e prevenção.
• O LGV é causado pela bactéria Chlamydia trachomatis, especificamente pelos sorotipos L1, L2 e L3, que têm
tropismo (afinidade) por tecidos linfáticos.
• Características da Chlamydia trachomatis:
o É uma bactéria intracelular obrigatória, o que significa que precisa invadir as células do hospedeiro
para se replicar.
o A bactéria causa inflamação local e disseminação para os gânglios linfáticos, especialmente na região
inguinal, o que leva às manifestações características do LGV, como linfadenite e formação de bubões.
• Transmissão Sexual Direta:
o O LGV é transmitido por contato sexual direto com uma pessoa infectada, através de relações sexuais
vaginais, anais ou orais. A bactéria é introduzida no organismo pelas microabrasões (pequenas
lesões) na mucosa genital, retal ou oral.
o Em homens que fazem sexo com homens (HSH), a transmissão ocorre frequentemente por via anal, o
que leva a uma forma anorretal da doença.
• Transmissão por Lesões Ativas:
o A transmissão ocorre principalmente durante o estágio inicial, quando há lesões ativas na área
genital ou anorretal. O exsudato dessas lesões contém a bactéria e é altamente contagioso.
• Baixa Sobrevivência Fora do Corpo:
o Chlamydia trachomatis é uma bactéria que sobrevive por pouco tempo fora do corpo humano, o que
torna a transmissão não sexual (como por superfícies ou objetos contaminados) extremamente rara.
• Práticas Sexuais Desprotegidas:
o Relações sexuais sem o uso de preservativos, especialmente em relações anais, aumentam
significativamente o risco de exposição ao LGV, especialmente em áreas onde a infecção é
prevalente.
• Múltiplos Parceiros Sexuais:
o Ter múltiplos parceiros sexuais aumenta as chances de contato com indivíduos infectados, o que
eleva o risco de adquirir LGV e outras ISTs.
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• População de Homens que Fazem Sexo com Homens (HSH):
o O LGV tem uma alta incidência entre HSH, principalmente em centros urbanos e entre aqueles
coinfectados com HIV. Isso ocorre devido a comportamentos de risco associados e à prática de sexo
anal, que facilita a transmissão do LGV na forma anorretal.
• Coinfecção com HIV e Outras ISTs:
o Pessoas que vivem com HIV apresentam um risco aumentado para LGV, pois a imunossupressão
favorece o desenvolvimento da infecção e pode piorar suas manifestações. A coinfecção com outras
ISTs também é comum e pode complicar o diagnóstico e o tratamento.
• Viagens a Regiões Endêmicas:
o Pessoas que viajam para regiões onde o LGV é endêmico, especialmente na África, Sudeste Asiático e
América Latina, apresentam maior risco se não adotarem práticas sexuais seguras durante a viagem.
• Uso de Drogas Recreativas:
o O uso de drogas recreativas, especialmente em contextos sexuais (como festas e encontros em que
drogas e práticas sexuais desprotegidas são comuns), está associado a comportamentos de risco
sexual, aumentando a probabilidade de infecção.
• Baixo Acesso a Serviços de Saúde:
o Populações com acesso limitado a serviços de saúde, como triagem para ISTs e tratamentos, são mais
suscetíveis ao desenvolvimento e complicações do LGV, especialmente em áreas endêmicas onde a
doença não é tratada precocemente.
Manifestações Clínicas
1. Estágio Inicial (Estágio Primário)
o Lesão Primária:
▪ O estágio primário começa com uma pequena lesão ou pápula indolor no local de entrada da
bactéria, geralmente na mucosa genital ou anal. Essa lesão pode passar despercebida, pois
tende a ser assintomática ou causar poucos sintomas.
▪ A lesão inicial pode evoluir para uma úlcera pequena, superficial e indolor, que cicatriza
espontaneamente em poucos dias.
o Importância do Estágio Primário:
▪ Como os sintomas são leves, muitos pacientes não buscam atendimento, permitindo que a
infecção progrida para o próximo estágio.
2. Estágio Secundário (Estágio Inguinal e Anorretal)
o Este estágio ocorre cerca de 2 a 6 semanas após a infecção inicial, quando a bactéria se dissemina
para os linfonodos próximos ao local de entrada, levando a sintomas mais evidentes.
o Forma Inguinal:
▪ Linfadenite Inguinal (Bubão): Caracterizada por linfonodos inguinais dolorosos e
aumentados, que podem se fundir e formar abscessos (bubões). Esses linfonodos inchados
podem evoluir para abscessos e se romper, drenando pus e causando fístulas.
▪ Febre e Sintomas Sistêmicos: Febre, mal-estar, mialgia e outros sintomas sistêmicos são
comuns devido à resposta imunológica à infecção.
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o Forma Anorretal:
▪ É mais comum em homens que fazem sexo com homens (HSH) e pode ocorrer após infecção
anal.
▪ Proctite e Retite: Inflamação dolorosa do reto e do ânus, acompanhada de secreção
mucopurulenta, dor retal intensa e, às vezes, sangramento.
▪ Sintomas Sistêmicos: Febre, dor abdominal baixa e sintomas sistêmicos, como cansaço e
perda de apetite, podem estar presentes em casos graves.
▪ Disseminação para Linfonodos Pélvicos: A infecção pode atingir os linfonodos pélvicos e
retroperitoneais, causando linfadenopatia profunda.
3. Estágio Terciário (Estágio Crônico)
o Este estágio ocorre meses a anos após a infecção inicial e está associado à inflamação crônica e
cicatrizes, especialmente em pacientes que não receberam tratamento adequado.
o Complicações Genitais e Anorretais:
▪ Elefantíase Genital (Estreitamento Linfático): O bloqueio dos vasos linfáticos leva ao
acúmulo de líquido, resultando em elefantíase genital, caracterizada por edema e fibrose
(endurecimento) da área genital.
▪ Estenose Retal e Anorreta: A inflamação crônica do reto e do ânus pode causar cicatrizes e
estenose (estreitamento) da área anorretal, o que gera constipação, dor crônica e dificuldade
na passagem de fezes.
o Fístulas e Abscessos Crônicos:
▪ A formação de fístulas crônicas (passagens anormais entre o reto e a superfície da pele ou
outros órgãos) e abscessos pode ocorrer em decorrência da infecção prolongada e da
resposta inflamatória intensa.
Complicações
1. Complicações Locais
o Formação de Bubões Supurativos: Os linfonodos inguinais infectados podem evoluir para abscessos
e se romper, formando fístulas. Esse processo pode deixar cicatrizes e deformidades na região.
o Elefantíase Genital: Devido à obstrução linfática, há o risco de desenvolvimento de elefantíase nos
órgãos genitais, causando desconforto, limitação e impacto na qualidade de vida.
o Estenose Anorretal: A inflamação crônica e cicatrização dos tecidos anorretais leva a estenoses
dolorosas e de difícil manejo.
2. Complicações Sistêmicas e de Longo Prazo
o Linfadenite Pélvica Crônica: Em casos graves, a infecção pode disseminar-se para os linfonodos
pélvicos, causando inflamação crônica e dificultando o tratamento.
o Dores Crônicas: A presença de fístulas e cicatrizes pode resultar em dores crônicas na região genital
e anorretal, afetando as atividades diárias e a vida sexual.
3. Impacto Psicológico e Social
o A elefantíase genital, fístulas e cicatrizes podem levar ao estigma social e afetar a autoestima,
causando ansiedade, depressão e impacto significativo na vida social e sexual do paciente.
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1. Diagnóstico Clínico
• História Clínica e Exame Físico:
o O diagnóstico começa com uma avaliação detalhada dos sintomas e histórico de práticassexuais de
risco.
o A presença de sintomas característicos, como linfadenite inguinal (bubão) ou sintomas anorretais em
homens que fazem sexo com homens (HSH), sugere o diagnóstico de LGV.
• Estágios Clínicos:
o Estágio Primário: A presença de uma lesão genital inicial indolor e passageira pode passar
despercebida, mas, se identificada, deve ser considerada no diagnóstico.
o Estágio Secundário: A presença de linfadenite inguinal dolorosa, com possível formação de bubões, é
altamente sugestiva. Na forma anorretal, os sintomas de proctite (inflamação retal) com secreção
purulenta ou sangramento retal podem sugerir LGV, especialmente em HSH.
• Diagnóstico Diferencial:
o Outras condições, como sífilis, herpes genital, linfoma, tuberculose ganglionar e linfadenite por
outras causas infecciosas, devem ser excluídas, especialmente quando há linfadenite ou úlceras
genitais.
2. Diagnóstico Laboratorial
Exames Diretos e Testes de Detecção de DNA
• PCR (Reação em Cadeia da Polimerase):
o A PCR é o método de escolha para confirmar o diagnóstico de LGV, pois permite a detecção do DNA
da Chlamydia trachomatis nos sorotipos L1, L2 e L3, específicos para o LGV.
o Amostras: Podem ser coletadas de secreções das lesões genitais, do material purulento dos bubões,
ou de amostras anorretais em casos de sintomas anorretais.
o Interpretação: A presença do DNA de Chlamydia trachomatis dos sorotipos L1, L2 ou L3 confirma o
diagnóstico de LGV.
o Vantagens: A PCR é rápida e altamente específica, sendo o método preferencial para a confirmação
do LGV.
• Culturas de Chlamydia:
o Embora possível, a cultura de Chlamydia trachomatis é tecnicamente difícil e menos sensível, sendo
pouco utilizada na prática clínica para o diagnóstico de LGV.
o A cultura pode ser realizada em laboratórios especializados, mas tem menor sensibilidade em
comparação com a PCR e outros métodos moleculares.
Testes Sorológicos
• Testes de Anticorpos Anti-Chlamydia:
o Testes sorológicos para anticorpos contra Chlamydia trachomatis podem ser úteis como
complemento diagnóstico, especialmente em áreas onde a PCR não está disponível.
o Interpretação: Um título alto de anticorpos IgM ou IgG pode sugerir infecção recente ou ativa, mas a
sorologia não é específica para os sorotipos L1, L2 e L3, portanto, é limitada em termos de
confirmação específica para LGV.
o Limitações: A sorologia não é confirmatória, pois os anticorpos contra Chlamydia também podem
estar presentes em infecções de outros sorotipos não associados ao LGV.
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Exames Complementares e Avaliação das Complicações
• Biópsia de Lesões ou Linfonodos:
o Em casos onde há lesões crônicas ou persistentes, especialmente com suspeita de complicações,
uma biópsia pode ser realizada.
o Interpretação: A biópsia revela a presença de granulomas e inflamação linfocitária, típicos do LGV.
Embora não seja específica, pode ser útil na exclusão de outras condições, como linfomas ou
tuberculose ganglionar.
• Testes para Outras ISTs:
o Devido à alta taxa de coinfecção com HIV e outras ISTs, é recomendada a testagem simultânea para
sífilis, HIV, gonorreia e outras infecções.
o Importância: Coinfecções podem complicar o quadro e influenciar o tratamento, especialmente em
pacientes imunocomprometidos.
3. Interpretação dos Resultados
• Confirmação Diagnóstica:
o A detecção de DNA específico de Chlamydia trachomatis (sorotipos L1, L2 ou L3) em lesões genitais
ou anorretais é confirmatória para LGV.
o Em locais sem acesso à PCR, uma combinação de história clínica, exame físico, sorologia e resposta
ao tratamento pode ser usada para fazer um diagnóstico presuntivo.
• Diagnóstico Diferencial Confirmatório:
o O diagnóstico diferencial com outras causas de úlceras e linfadenite, como sífilis e herpes genital,
deve ser confirmado ou excluído através de testes específicos para essas infecções.
Tratamento do Linfogranuloma Venéreo
1. Antibióticos
o Doxiciclina:
▪ É o antibiótico de escolha para o tratamento do LGV. Atua inibindo a síntese proteica da
bactéria Chlamydia trachomatis, sendo eficaz na eliminação da infecção e na prevenção de
complicações.
o Alternativas à Doxiciclina:
▪ Azitromicina: Usada em casos de intolerância ou contraindicação à doxiciclina, administrada
em uma dose única semanal por algumas semanas.
▪ Eritromicina: Outra alternativa que é administrada várias vezes ao dia por um período
prolongado. É útil para pessoas que não podem tomar doxiciclina, como mulheres grávidas.
2. Drenagem de Bubões Inguinais (Se Necessário)
o Nos casos em que os linfonodos inguinais se transformam em bubões dolorosos com formação de
abscessos, pode ser necessária a drenagem.
o Procedimento: A drenagem pode ser feita por aspiração com agulha, preferencialmente ao invés de
incisão, para evitar a formação de fístulas e cicatrizes crônicas.
3. Monitoramento e Seguimento
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o Acompanhamento dos Sintomas: O paciente deve ser reavaliado para verificar a resposta ao
tratamento e a regressão dos sintomas, especialmente nos casos de manifestações anorretais
crônicas.
o Avaliação de Coinfecções: Como o LGV é frequentemente associado a outras ISTs, recomenda-se o
teste e o acompanhamento de coinfecções, especialmente HIV, sífilis e gonorreia.
o Prevenção de Complicações: O tratamento precoce é fundamental para evitar complicações
crônicas, como fístulas, estenoses e elefantíase genital.
Prevenção do Linfogranuloma Venéreo
1. Práticas Sexuais Seguras
o Uso de Preservativos: O uso de preservativos em todas as relações sexuais, especialmente entre
populações de alto risco, reduz significativamente a transmissão do LGV e de outras ISTs. Embora não
elimine completamente o risco, é uma medida eficaz de prevenção.
o Evitar Relações Durante Sintomas Ativos: Evitar contato sexual quando sintomas ou lesões ativas
estão presentes reduz a chance de transmissão para parceiros.
2. Educação e Conscientização
o Informação sobre o LGV e Outras ISTs: Campanhas educativas são importantes para aumentar o
conhecimento sobre o LGV e práticas de prevenção, especialmente entre grupos de risco como
homens que fazem sexo com homens (HSH).
o Programas de Saúde para Populações Vulneráveis: Informar e disponibilizar testes gratuitos em
centros de saúde pública e locais de apoio é essencial para alcançar grupos de risco.
3. Triagem e Tratamento de Parceiros Sexuais
o Notificação e Testagem de Parceiros: Todos os parceiros sexuais dos últimos 60 dias devem ser
notificados, testados e tratados para LGV, mesmo que estejam assintomáticos, para prevenir
reinfecções e controle de surtos.
o Aconselhamento e Testagem para Outras ISTs: É recomendada a testagem simultânea para outras
ISTs, como HIV, sífilis e gonorreia, devido à alta taxa de coinfecção com LGV.
4. Acesso a Serviços de Saúde e Redução do Estigma
o Facilidade de Acesso a Testes e Tratamentos: A disponibilidade de serviços de saúde acessíveis e
gratuitos facilita a identificação e tratamento do LGV.
o Redução do Estigma: Promover um ambiente acolhedor e livre de estigma ajuda os indivíduos a
buscar tratamento e aconselhamento, sem medo de discriminação.
A donovanose, também conhecida como granuloma inguinal, é uma infecção sexualmente transmissível (IST)
causada pela bactéria Klebsiella granulomatis (anteriormente conhecida como Calymmatobacterium granulomatis).
É uma infecção crônica, caracterizada por úlceras genitais progressivas e indolores, que afeta principalmente as
regiões tropicais e subtropicais.
Epidemiologia da Donovanose
1. Distribuição Global e Regiões Endêmicas
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o Regiões Tropicais e Subtropicais: A donovanose é endêmica em regiões específicas da África, Índia,
Sudeste Asiático, Caribe, Papua Nova Guiné e partes da América Latina. Em países como a Austrália,
é mais comum em áreas rurais e comunidades indígenas.
o IncidênciaDecrescente: A incidência da donovanose diminuiu em muitas regiões endêmicas devido
a melhorias nos serviços de saúde e ao uso de antibióticos. Contudo, ainda é prevalente em algumas
populações isoladas e com acesso limitado a cuidados de saúde.
2. Distribuição por Sexo e Idade
o Sexo: A donovanose afeta ambos os sexos, mas em algumas regiões a incidência é ligeiramente
maior em homens, possivelmente devido a fatores comportamentais e a exposição sexual.
o Idade: É mais comum em adultos jovens e de meia-idade, geralmente entre 20 e 40 anos, refletindo
o grupo com maior atividade sexual.
3. Populações de Risco e Fatores Socioeconômicos
o Baixo Nível Socioeconômico: A donovanose é mais prevalente em comunidades de baixa renda e
com pouca infraestrutura de saúde. A falta de acesso a serviços de saúde, educação em saúde sexual
e tratamentos antibióticos aumenta a vulnerabilidade à infecção e à disseminação da doença.
o Comunidades Rurais e Isoladas: Em regiões endêmicas, comunidades rurais e isoladas têm maior
incidência devido ao baixo acesso a tratamentos e à falta de campanhas de conscientização sobre
ISTs.
• A donovanose é causada pela bactéria Klebsiella granulomatis (anteriormente chamada
Calymmatobacterium granulomatis), um bacilo gram-negativo intracelular.
• Características da Bactéria:
o Klebsiella granulomatis é uma bactéria que causa inflamação crônica, caracterizada pela formação de
úlceras granulomatosas.
o Essa bactéria é encontrada dentro de macrófagos nas lesões cutâneas, formando corpos típicos
chamados de Corpos de Donovan. Estes são visualizados por colorações especiais, como Wright ou
Giemsa, sendo característicos da infecção.
• Transmissão Sexual Direta:
o A donovanose é considerada uma infecção sexualmente transmissível, sendo transmitida
principalmente pelo contato sexual com uma pessoa infectada. O contato com lesões genitais ativas
permite a transmissão da bactéria para o parceiro, especialmente em relações vaginais e anais.
• Exposição de Pele e Mucosa Lesionada:
o A transmissão ocorre principalmente através de pequenas lesões ou microabrasões na pele ou na
mucosa genital, facilitando a entrada da bactéria durante o contato com a área infectada.
• Baixa Transmissão por Objetos ou Superfícies:
o A transmissão não sexual (como por objetos ou superfícies) é extremamente rara, pois a bactéria não
sobrevive bem fora do corpo humano.
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• Práticas Sexuais Desprotegidas:
o A ausência de uso de preservativos aumenta o risco de exposição à Klebsiella granulomatis. Em
regiões endêmicas, o uso de preservativos é uma importante medida preventiva.
• Múltiplos Parceiros Sexuais:
o A presença de múltiplos parceiros sexuais aumenta as chances de exposição à bactéria e ao
desenvolvimento da donovanose.
• Baixo Nível Socioeconômico e Acesso Limitado a Saúde:
o Comunidades com baixa renda e pouco acesso a cuidados de saúde estão mais vulneráveis à
donovanose. Em regiões endêmicas, a falta de infraestrutura de saúde limita o diagnóstico e
tratamento precoce, facilitando a disseminação da doença.
• Viver em Regiões Endêmicas ou Viajar para Áreas Afetadas:
o A donovanose é mais comum em regiões endêmicas como África, Índia, Sudeste Asiático, Caribe,
Papua Nova Guiné e algumas áreas rurais da Austrália. Viajantes para essas áreas que não adotam
práticas seguras de prevenção estão em risco.
• Coinfecção com Outras ISTs:
o Indivíduos coinfectados com outras ISTs, como HIV, têm maior vulnerabilidade à donovanose devido
a práticas de risco e a uma possível imunossupressão, o que facilita o estabelecimento da infecção.
• Estigma e Baixa Conscientização:
o O estigma relacionado às ISTs pode dificultar a busca por tratamento, contribuindo para a
disseminação e progressão da doença. Além disso, a falta de campanhas de conscientização limita o
conhecimento sobre a donovanose e as medidas de prevenção.
Manifestações Clínicas
1. Período de Incubação
o O período de incubação da donovanose varia de 1 a 12 semanas após a exposição, com uma média
de 2 a 3 semanas.
2. Lesões Cutâneas Primárias
o Pápulas ou Nódulos: O primeiro sinal clínico é o aparecimento de pápulas ou nódulos subcutâneos
na área genital ou perianal, que logo evoluem para úlceras.
o Úlceras Genitais Granulomatosas: Essas úlceras são tipicamente indolores, com bordas elevadas e
base granulomatosa, de coloração vermelho-viva, muitas vezes friável e sangrando facilmente ao
contato.
o Localização: As lesões podem aparecer em áreas genitais (pênis, vulva, região inguinal), perianais ou
até em outras áreas do corpo (como boca ou face) em casos de disseminação atípica.
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3. Progressão das Lesões
o Expansão Lenta: As úlceras tendem a se expandir lentamente, formando lesões maiores e múltiplas,
que podem se fundir. Essa característica de expansão lenta, associada à ausência de dor, faz com que
a infecção avance significativamente antes que o paciente procure ajuda.
o Fístulas e Linfadenite: Embora raro, pode ocorrer envolvimento dos linfonodos regionais, o que leva
à formação de fístulas e possíveis cicatrizes.
4. Tipos de Lesões
o Lesão Ulcerovegetante: Lesões com bordas elevadas e friáveis, aspecto vermelho-intenso e base
granulomatosa. Este é o tipo mais comum.
o Lesão Cicatricial: Lesões que apresentam áreas de cicatrização irregular, onde as úlceras começaram
a se fechar, mas ainda há infecção ativa.
o Lesão Hipertófica: Lesões que apresentam crescimento tecidual anormal, semelhante a uma massa
tumoral, devido à reação inflamatória crônica.
Complicações
1. Cicatrizes e Deformidades
o As lesões crônicas e a cicatrização excessiva levam à formação de cicatrizes extensas e desfigurantes,
que podem causar deformidades genitais e perianais, impactando a qualidade de vida e a autoestima
do paciente.
2. Elefantíase Genital
o Em casos de infecção avançada, a obstrução linfática causada pelo processo inflamatório crônico
pode resultar em elefantíase genital. Isso ocorre devido ao bloqueio dos vasos linfáticos, levando a
um edema significativo e espessamento dos tecidos genitais, o que pode causar dor, desconforto e
limitação de movimento.
3. Fístulas e Disseminação
o As lesões podem se disseminar para tecidos adjacentes, formando fístulas (passagens anormais)
entre as áreas genital, perianal e até abdominal.
o A disseminação para outras áreas do corpo, como boca ou rosto, é rara, mas pode ocorrer em casos
graves, especialmente em indivíduos imunocomprometidos.
4. Superinfecção Bacteriana
o As úlceras abertas e crônicas estão sujeitas a infecções secundárias por outras bactérias, o que pode
complicar o quadro clínico com sintomas adicionais, como dor, aumento do exsudato purulento e
odor desagradável.
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5. Risco Aumentado de Transmissão de Outras ISTs
o A presença de úlceras abertas e friáveis aumenta o risco de transmissão e aquisição de outras
infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, devido à facilidade de entrada de patógenos através
das lesões.
6. Progressão para Carcinoma Espinocelular
o Em casos crônicos e não tratados, há risco de transformação maligna das lesões, levando ao
desenvolvimento de carcinoma espinocelular (câncer de pele), devido ao processo inflamatório
prolongado e à regeneração celular constante nas lesões.
1. Diagnóstico Clínico
• História Clínica e Exame Físico:
o A presença de úlceras genitais indolores e de bordas elevadas com base granulomatosa vermelho-
viva sugere donovanose, especialmente em pacientes que vivem ou viajam para áreas endêmicas.
o O exame físico pode revelar lesões friáveis que sangram facilmente ao toque, bem como outras áreas
com cicatrização ou progressão da infecção para lesões maiores e multilobuladas.
• Diagnóstico Diferencial:
o Outras ISTs ulcerativas, como sífilis, herpes genital, linfogranuloma venéreo (LGV) e