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Controle de Constitucionalidade O que é o Controle de Constitucionalidade? Para entender esse instituto, fiz um resumo fácil de entender de todos os conceitos que estudamos nas aulas iniciais. O controle de constitucionalidade possui dois pressupostos: o primeiro deles é o da hierarquia ou supremacia da constituição. Nenhuma lei pode contrariar a constituição. O segundo pressuposto é o chamado princípio da rigidez constitucional, que significa que a lei não altera a constituição. A nossa Constituição é rígida. Efeitos da declaração de inconstitucionalidade: se uma lei for declarada inconstitucional, a consequência é que ela é considerada nula, o que significa que ela não tem validade. Em regra, a declaração de inconstitucionalidade produz efeitos retroativos (efeito ex-tunc). A exceção é a modulação dos efeitos: se for necessário resguardar a segurança jurídica e o interesse social, o Supremo Tribunal Federal (STF) pode fazer a modulação temporal dos efeitos, para dar efeitos não retroativos (ex-nunc). Na classificação quanto aos tipos de inconstitucionalidade, temos a inconstitucionalidade por AÇÃO, que é quando houve a edição de um ato normativo inconstitucional, e também a inconstitucionalidade por OMISSÃO, que é a ausência de lei regulamentadora de uma norma constitucional de eficácia limitada. Nos casos de inconstitucionalidade por omissão, existem basicamente duas ações possíveis, chamadas mandado de injunção e ação direta de inconstitucionalidade por omissão. Na classificação quanto ao vício, temos inconstitucionalidade material, que é quando o conteúdo do ato normativo é contrário à constituição, e a inconstitucionalidade formal, que é quando o ato normativo não obedece às regras do processo legislativo. A inconstitucionalidade material não fica caracterizada apenas se fazendo um contraste entre a lei e o texto constitucional. Também haverá inconstitucionalidade material em virtude da aferição do excesso do poder legislativo. O excesso de poder legislativo ocorre quando a lei não é compatível com os fins constitucionalmente previstos (desvio de poder) ou quando há violação ao princípio da proporcionalidade, em suas duas vertentes: proibição de excesso e proibição de proteção deficiente. A inconstitucionalidade formal poderá ser de três tipos: i) orgânica; ii) formal propriamente dita ou; iii) formal por violação a pressupostos objetivos do ato. 1) Inconstitucionalidade formal orgânica: decorre da inobservância da competência legislativa para a elaboração do ato. Ex: lei municipal que trata de direito penal será inconstitucional, por ser essa matéria de competência privativa da União (art. 22, I, CF/88). 2) Inconstitucionalidade formal propriamente dita: decorre da inobservância do processo legislativo, seja na fase de iniciativa ou nas demais. 3) Inconstitucionalidade formal por violação a pressupostos objetivos do ato normativo: decorre da inobservância de pressupostos essenciais para a edição de atos legislativos. Por exemplo, as medidas provisórias, para serem editadas, deverão atender aos requisitos de urgência e relevância (art. 62, caput, CF). Caso esses requisitos não sejam atendidos, haverá inconstitucionalidade formal por violação a pressupostos objetivos do ato normativo. Outro exemplo que podemos apontar diz respeito à criação de municípios por lei estadual. Há alguns requisitos para isso (art. 18, § 4o), dentre os quais a realização de um plebiscito com as populações envolvidas. Caso a lei estadual crie um Município sem a realização prévia de um plebiscito, estaremos novamente diante de uma inconstitucionalidade formal por violação a pressupostos objetivos do ato normativo. O Prof. Pedro Lenza defende, ainda, a tese da inconstitucionalidade de uma norma em razão de vício de decoro parlamentar. Não se trata de uma inconstitucionalidade formal ou material, mas sim de uma inconstitucionalidade por vício na formação da vontade do parlamentar, que votou em determinado sentido em troca do recebimento de propina. Essa tese foi desenvolvida em razão do esquema de compra de votos apurado pelo STF na Ação Penal no 470 (que tratou do “Mensalão”) e tem fundamento no art. 55, § 1o, CF/88, que dispõe que “é incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no regimento interno, o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas”. c) Inconstitucionalidade Total e Parcial: A inconstitucionalidade total fica caracterizada quando o ato normativo for considerado, em sua totalidade, incompatível com a Constituição. O controle preventivo de constitucionalidade é o que analisa o projeto do ato normativo. Esse controle preventivo pode ser realizado pelos três poderes: executivo, legislativo e judiciário. O poder executivo realiza o controle preventivo através do veto em projetos de lei do chefe do poder executivo. O poder legislativo pode exercer controle preventivo através de parecer da comissão de constituição e justiça e também através da própria votação do projeto de lei. O poder judiciário pode efetuar o controle preventivo mediante mandado de segurança que seja impetrado por um parlamentar que participa do processo legislativo e queira arquivar esse projeto por ter uma inconstitucionalidade. Controle repressivo de constitucionalidade: é realizado após a promulgação do ato normativo, e ele é realizado unicamente pelo Poder Judiciário, podendo ser de dois modos: controle difuso ou concreto ou controle abstrato ou concentrado. O controle difuso ou concreto pode ser realizado de forma difusa, ou seja, por qualquer juiz ou tribunal (até o juiz da primeira instância), e ele é realizado a partir de casos concretos. No controle difuso, os efeitos da sentença de inconstitucionalidade são interpartes: fazem efeito apenas entre as partes daquele caso concreto. No controle abstrato ou concentrado, o ato normativo é analisado em tese ou abstratamente e esse controle é concentrado porque é realizado apenas por dois tribunais: STF, quando o paradigma for a constituição federal, e TJ se o paradigma for a constituição estadual. Tanto no controle difuso quanto no controle concentrado é necessário observar a cláusula de reserva de plenário, que exige que a declaração de inconstitucionalidade seja feita por maioria absoluta dos membros do plenário ou do órgão especial (e não por turma ou por câmara). Dentre as ações do controle de constitucionalidade abstrato ou concentrado, a mais famosa delas é a Ação Direta de Inconstitucionalidade. As emendas constitucionais podem ser declaradas inconstitucionais quando o conteúdo da emenda for tendente a abolir cláusula pétrea ou se a emenda não obedecer às regras do processo legislativo(artigo 60 da constituição). ATENÇÃO c) Como a eficácia da norma constitucional programática ainda não foi integrada pela legislação infraconstitucional, ela não pode ser utilizada como paradigma de confronto em uma ação direta de inconstitucionalidade; ERRADO. Mesmo que uma norma constitucional programática ainda não tenha sido integrada por legislação infraconstitucional, ela pode ser utilizada como paradigma de confronto em uma ação direta de inconstitucionalidade. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que normas programáticas podem ser parâmetro para o controle de constitucionalidade OBS: Normas programáticas, mesmo que ainda não tenham sido regulamentadas por legislação infraconstitucional, podem ser utilizadas como parâmetro em ações diretas de inconstitucionalidade, conforme o entendimento do Supremo Tribunal Federal. O STF já reconheceu que a simples existência de uma norma constitucional, mesmo programática, é suficiente para servir de parâmetro de controle de constitucionalidade. Referência Legal: Art. 103 da Constituição Federal: Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: I - o Presidente da República; II - a Mesa do Senado Federal;III - a Mesa da Câmara dos Deputados; IV - a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI - o Procurador-Geral da República; VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. Jurisprudência: STF, ADI 1480-DF: Normas programáticas da Constituição podem ser utilizadas como parâmetro para controle de constitucionalidade.