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Assistência de 
enfermagem a 
pacientes 
portadores de 
doenças renais Disciplina: PPCSA
Prof.ª Ms. Camila M. L. Marinho
ANATOMIA DOS RINS
localizados na cavidade 
retroperitoneal, na região 
lombar, em ambos os lados da 
coluna vertebral.
situam-se entre a 12ª vértebra 
torácica (T12) e a 3ª vértebra 
lombar (L3), sendo que o rim 
direito está ligeiramente mais 
baixo que o esquerdo, devido à 
presença do fígado.
Cada rim é composto 
por:
Néfrons - unidade 
funcional e estrutural 
básica do rim.
 Cada rim contém 
cerca de 1 a 1,5 
milhão de néfrons. 
Ele é responsável por 
filtrar o sangue e 
formar a urina
O Néfron é composto por várias subestruturas: 
•Corpúsculo renal (ou corpúsculo de Malpighi), que inclui:
•Glomérulo: uma rede de capilares onde ocorre a filtração do sangue. Ele é 
envolvido pela cápsula de Bowman, que coleta o líquido filtrado, chamado 
de filtrado glomerular.
•Túbulo renal: subdividido em três regiões principais:
•Túbulo contorcido proximal: onde ocorre a maior parte da reabsorção 
de água, sódio, cloreto, potássio e outras substâncias essenciais do 
filtrado de volta ao sangue.
•Alça de Henle: composta por uma porção descendente e uma porção 
ascendente, a alça de Henle concentra o filtrado e desempenha um 
papel crucial na regulação do equilíbrio de água e sal.
•Túbulo contorcido distal: ajustam o volume final e a composição da 
urina, sob influência de hormônios como a aldosterona e o hormônio 
antidiurético (ADH).
Funções dos Rins
1. Filtração: Diariamente, os rins filtram cerca de 180 litros de sangue, dos quais apenas 1,5 a 2 
litros são excretados na forma de urina; ocorre no glomérulo, onde o plasma sanguíneo é forçado 
através da membrana glomerular. 
2. Excreção de Resíduos Metabólicos: Eliminação de resíduos metabólicos, como ureia, 
creatinina e ácido úrico, que são subprodutos do metabolismo proteico e muscular. 
3. Regulação Hidroeletrolítica: controlam o equilíbrio de água e eletrólitos no organismo, 
garantindo a estabilidade do volume sanguíneo e da osmolaridade plasmática. 
Sódio: sua reabsorção é regulada pela aldosterona, sendo fundamental para a manutenção da 
pressão arterial e do volume extracelular.
Potássio: reabsorvido e secretado de acordo com as necessidades, ajudando a regular o potencial 
de membrana das células, crucial para a função muscular e cardíaca. 
4. Regulação do Equilíbrio Acidobásico: essenciais para manter o pH sanguíneo dentro de um 
intervalo estreito (7,35-7,45). Eles fazem isso reabsorvendo bicarbonato (HCO3-) e secretando 
íons hidrogênio (H+) nos túbulos, conforme necessário, para neutralizar ácidos produzidos pelo 
metabolismo celular.
Funções dos Rins
• Função Endócrina
Além de suas funções excretoras, os rins atuam como glândulas 
endócrinas, liberando hormônios que regulam processos 
importantes:
• Eritropoetina: estimulada pela hipóxia (baixo oxigênio no sangue), a 
eritropoetina é liberada pelos rins e atua na medula óssea, 
promovendo a produção de glóbulos vermelhos.
• Renina: regula a pressão arterial através do sistema renina-
angiotensina-aldosterona, aumentando a reabsorção de sódio e a 
retenção de água.
• Calcitriol: forma ativa da vitamina D, é sintetizada pelos rins e regula 
o metabolismo do cálcio e fósforo, essencial para a saúde óssea.
A produção de urina nos rins é 
controla por um hormônio 
denominado ADH (hormônio anti-
diurético) produzido no hipotálamo, 
estrutura localizada no encefálo e 
armazenado na glândula hipófise.
Outro hormônio participante do 
equilíbrio hidro-iônico do organismo: 
a aldosterona, produzida nas 
glândulas supra-renais.
Ela aumenta a reabsorção ativa de 
sódio nos rins, possibilitando maior 
retenção de água no organismo.
Controle da pressão arterial 
sanguínea também é uma 
função dos rins: controlam 
as concentrações de sódio 
e a quantidade de líquido 
no corpo.
Quando ocorre uma queda 
na pressão arterial os 
capilares renais são os 
primeiros a detectar esta 
situação e secretam: Substância 
inativa no plasma 
sanguíneo
potente 
vasoconstritor
Doença Renal Crônica
 (DRC) 
 Caracterizada por uma perda rápida e 
abrupta da função renal em um curto 
período de tempo (horas ou dias);
 Incapacidade dos rins de excretar 
produtos metabólicos e regular o 
equilíbrio hidroeletrolítico e ácido-básico;
 Pode se manifestar como um aumento 
súbito nos níveis de creatinina sérica ou 
como uma diminuição da produção 
urinária (oligúria);
 É potencialmente reversível se tratada 
precocemente e suas causas corrigidas.
 Condição caracterizada pela perda progressiva 
e irreversível da função renal ao longo do 
tempo;
 Alterações na capacidade dos rins de manter a 
homeostase corporal;
 Definida pela presença de anormalidades 
estruturais ou funcionais nos rins que 
persistem por mais de três meses, levando à 
deterioração da filtração glomerular ;
 Taxa de filtração glomerular (TFG) é uma 
medida essencial para o diagnóstico da DRC, 
sua redução abaixo de 60 ml/min/1,73 m² por 
mais de três meses, mesmo sem outras 
evidências de lesão renal, é suficiente para 
caracterizar a doença.
Insuficiência Renal Aguda
 (IRA)
Doença Renal Crônica
 (DRC) 
 Desidratação severa: A hipovolemia 
diminui o fluxo sanguíneo renal, levando 
à IRA pré-renal.
 Uso de agentes nefrotóxicos: 
Medicamentos como aminoglicosídeos e 
agentes de contraste radiológico podem 
causar lesão tubular direta.
 Cirurgias maiores: Especialmente aquelas 
que envolvem grande perda de sangue 
ou tempo prolongado em circulação 
extracorpórea, podem resultar em 
isquemia renal.
 Obstruções urinárias: Cálculos renais, 
hipertrofia prostática ou tumores são 
causas comuns de IRA pós-renal.
 Hipertensão arterial: A pressão elevada pode 
danificar os pequenos vasos renais, 
prejudicando a filtração glomerular.
 Diabetes mellitus: A hiperglicemia prolongada 
causa dano nos vasos sanguíneos dos rins 
(nefropatia diabética), uma das principais 
causas de DRC.
 História familiar de doença renal: Certas 
condições hereditárias, como a doença renal 
policística, aumentam o risco de DRC.
 Uso prolongado de medicamentos 
nefrotóxicos: Anti-inflamatórios não esteroides 
(AINEs) e alguns antibióticos podem causar 
danos renais crônicos.
Insuficiência Renal Aguda
 (IRA)FATORES DE 
RISCO
Principais 
doenças 
renais
Litíase Renal (Cálculos Renais), nefrolitíase ou urolitíase
Definição
Condição caracterizada pela formação de 
cálculos (pedras) nos rins ou em outras 
partes do trato urinário. 
São formados pela cristalização de sais e 
minerais, como cálcio, oxalato, ácido 
úrico e fosfato, que se acumulam 
quando a urina está supersaturada com 
esses compostos.
FISIOPATOLOGIA
A formação dos cálculos ocorre quando há um desequilíbrio entre os 
fatores que promovem e inibem a cristalização na urina. Por 
exemplo: desidratação, o excesso de ingestão de sódio e uma dieta 
rica em proteínas animais aumentam a concentração de solutos na 
urina, predispondo à formação de cálculos. 
Litíase Renal (Cálculos Renais), nefrolitíase ou urolitíase
CUIDADOS DE ENFERMAGEM
•Controle da dor: Pacientes com cálculos renais frequentemente apresentam cólica renal, 
que é uma dor intensa e intermitente na região lombar ou abdome. É fundamental 
administrar analgésicos, como anti-inflamatórios, conforme prescrição médica.
•Hidratação: Incentivar a ingestão de líquidos para promover a passagem espontânea do 
cálculo e prevenir a formação de novos cálculos.
•Monitoramento da urina: Monitorar a diurese, observando alterações na coloração, 
presença de sangue (hematúria) ou bloqueios urinários, que podem indicar obstrução.
•Orientações dietéticas: Orientar o paciente sobre a importância de ajustar a dieta de 
acordo com o tipo de cálculo. Para cálculos de oxalato de cálcio, por exemplo, deve-se 
reduzir a ingestão de alimentos ricos em oxalato (como espinafre e chocolate).
•Educação sobre o tratamento: Caso o tratamento envolva litotripsia (quebra do cálculo 
porondas de choque) ou cirurgia, é importante preparar o paciente para o procedimento e 
fornecer orientações pós-operatórias.
Síndrome Nefrótica
 condição clínica caracterizada por um aumento significativo da permeabilidade 
da membrana basal glomerular, levando à perda maciça de proteínas na urina 
(proteinúria).
 lesão nos glomérulos, que são incapazes de filtrar adequadamente as proteínas 
plasmáticas, permitindo que grandes quantidades de albumina e outras 
proteínas escapem para a urina.
 os níveis de albumina sérica caem drasticamente, levando à hipoalbuminemia e 
à queda da pressão oncótica no plasma. Isso promove a movimentação de 
fluido do espaço intravascular para o interstício, resultando em edema.
Cuidados de Enfermagem
Controle do edema: Monitorar e registrar o peso diário do paciente, bem como a 
circunferência abdominal e o grau de edema em membros inferiores. O paciente 
pode necessitar de diuréticos para controlar o acúmulo de líquidos.
Acompanhamento da diurese: Monitorar a produção urinária, observando a redução 
do volume urinário (oligúria), que pode ser um sinal de piora da condição.
Dieta adequada: Pacientes com síndrome nefrótica devem seguir uma dieta 
hipossódica (baixa em sódio) para controlar o edema e, em alguns casos, uma dieta 
rica em proteínas para compensar a proteinúria. No entanto, é necessário avaliar a 
função renal antes de recomendar o aumento da ingestão de proteínas.
Prevenção de infecções: Pacientes com síndrome nefrótica têm maior risco de 
infecções devido à perda de imunoglobulinas na urina. Manter técnicas de higiene 
adequadas e observar sinais de infecção são cuidados essenciais.
Educação sobre a medicação: Muitas vezes, os pacientes são tratados com 
corticosteroides ou imunossupressores. O enfermeiro deve orientar sobre os 
possíveis efeitos colaterais dessas medicações e a importância de aderir ao 
tratamento.
Síndrome Nefrítica
 condição caracterizada pela inflamação dos glomérulos, resultando em 
hemácias e proteínas na urina (hematúria e proteinúria), além de hipertensão 
arterial, oligúria e edema leve.
 causada por uma inflamação nos glomérulos renais, comumente associada a 
infecções, como a glomerulonefrite pós-estreptocócica, ou doenças 
autoimunes, como o lúpus eritematoso sistêmico. 
 inflamação glomerular provoca a proliferação celular e o depósito de 
imunocomplexos, o que altera a função da membrana basal glomerular, 
permitindo a passagem de hemácia
 também compromete a taxa de filtração glomerular (TFG), levando à retenção 
de líquidos e sódio, que resultam em hipertensão arterial e edema (geralmente 
nas extremidades inferiores e periorbitais).
Cuidados de Enfermagem
Controle da pressão arterial: A hipertensão é uma característica predominante da 
síndrome nefrítica, e o monitoramento frequente da pressão arterial é essencial. O 
paciente pode necessitar de anti-hipertensivos para controlar os níveis de pressão.
Monitoramento da diurese: Observar a produção urinária e a presença de hematúria 
(urina com coloração avermelhada ou escura). A oligúria é um sinal de gravidade e 
requer atenção imediata.
Restrição de sódio e líquidos: Orientar o paciente sobre a necessidade de restrição 
de sódio e, em alguns casos, de restrição hídrica, para evitar a sobrecarga de líquidos 
e o agravamento do edema e da hipertensão.
Avaliação de edema: Avaliar a extensão do edema, especialmente em áreas como 
pés, tornozelos e região periorbital, registrando qualquer agravamento.
 Orientação sobre medicações: Pacientes podem ser tratados com corticosteroides, 
imunossupressores ou diuréticos. O enfermeiro deve orientar sobre a importância de 
seguir o plano medicamentoso e os potenciais efeitos adversos.
Exames Laboratoriais na 
Abordagem Diagnóstica das 
Doenças Renais
22
Creatinina Sérica Taxa de Filtração 
Glomerular (TFG)
Ureia Sérica Eletrolíticos 
Sanguíneos
Exame de Urina Gasometria 
Arterial
Valores normais: 
0,6 a 1,2 mg/dL 
(em adultos).
Interpretação: 
Níveis elevados 
de creatinina 
indicam uma 
redução na Taxa 
de Filtração 
Glomerular (TFG), 
sugerindo 
disfunção renal. 
medida mais 
precisa da função 
renal,
estimativa de 
quantos mililitros 
de sangue são 
filtrados pelos 
glomérulos por 
minuto.
Valores normais: 
≥90 mL/min/1,73 
m²
Interpretação: A 
redução da TFG é 
indicativo de 
(DRC) 
Valores normais: 
10 a 40 
mg/dL.Interpretaç
ão: A aumento da 
ureia pode ser 
causado por 
diminuição da 
função renal, 
desidratação, 
dieta rica em 
proteínas ou 
sangramento 
gastrointestinal.
são essenciais 
para a avaliação 
da função renal.
Potássio: 
(hipercalemia) 
podem causar 
arritmias 
cardíacas.
Sódio: refletem 
distúrbios no 
equilíbrio de 
fluidos, 
Hipocalcemia e a 
hiperfosfatemia 
devido à 
incapacidade dos 
rins de excretar 
fósforo e à 
redução na 
síntese de 
vitamina D ativa.
Proteinúria:
Hematúria:
Cilindros: 
Leucocitúria:
Proteinúria de 24 
Horas
Interpretação: Em 
pacientes renais, 
a acidose 
metabólica é 
frequentemente 
observada, com 
redução no 
bicarbonato 
sérico e 
compensação 
respiratória 
(aumento da 
ventilação)
Exames de Imagem na 
Abordagem Diagnóstica das 
Doenças Renais
Ultrassonografia - USG Renal
não invasivo, amplamente disponível e 
oferece informações sobre o tamanho, 
forma e estrutura dos rins.
•Indicações: Avaliação do tamanho 
renal (rins diminuídos indicam doença 
renal crônica), detecção de 
hidronefrose (dilatação do sistema 
coletor), litíase renal (cálculos), e 
identificação de massas renais 
(tumores).
•Interpretação: A presença de rins 
atróficos sugere doença renal crônica, 
enquanto rins aumentados podem 
indicar doenças inflamatórias agudas ou 
obstrução. 
25
Tomografia Computadorizada 
(TC)
obter imagens detalhadas dos 
rins e do trato urinário
Indicações: Avaliação de 
tumores, malformações 
congênitas, cálculos renais e 
obstruções.
Interpretação: A tomografia pode 
revelar a presença de cistos 
renais, carcinomas de células 
renais e calcificações.
Tratamento 
dialítico
HEMODIÁLISE: 
procedimento que utiliza uma máquina para 
filtrar o sangue, removendo resíduos e 
excessos de fluidos através de um 
dialisador (filtro artificial). Este processo 
requer a acessibilidade vascular, que pode 
ser estabelecida por meio de uma fístula 
arteriovenosa, um enxerto ou um cateter 
venoso central.
Cada sessão durando de 3 a 5 horas, 
dependendo da condição clínica do paciente 
e da taxa de depuração desejada.
Papel da Enfermagem na Assistência ao Paciente Renal
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•Ações de enfermagem no manejo de pacientes em diálise.
•Educação em saúde: controle da ingesta de líquidos, adesão ao 
tratamento.
Prevenção e Promoção da Saúde em Doenças Renais
•Campanhas de saúde pública voltadas para prevenção de DRC.
Orientação para redução de fatores de risco modificáveis.
Diagnósticos de Enfermagem para Doenças Renais
Risco de volume de líquidos excessivo:
relacionado à diminuição da função renal, evidenciado por edema, ascite.
Intervenções: monitoramento do balanço hídrico, controle da ingesta de líquidos.
Risco de desequilíbrio eletrolítico 
relacionado à hipercalemia, evidenciado por arritmias cardíacas.
Intervenções: monitoramento de eletrocardiograma, orientação nutricional.
Fadiga 
relacionada à anemia e uremia, evidenciada por falta de energia, dispneia aos esforços.
Intervenções: conservação de energia, administração de eritropoetina.
Nutrição desequilibrada: menos do que as necessidades corporais 
relacionada à anorexia e restrição dietética, evidenciada por perda de peso.
Intervenções: monitoramento nutricional, suplementação dietética.
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https://sbn.org.br/medicos/sbn-acontece/noticias/confira-o-boletim-
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