Prévia do material em texto
1 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S 2 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S 3 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Núcleo de Educação a Distância GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO Diagramação: Gildenor Silva Fonseca PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira. O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho. O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem. 4 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Prezado(a) Pós-Graduando(a), Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional! Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as suas expectativas. A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra- dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a ascensão social e econômica da população de um país. Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida- de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos. Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas pessoais e profissionais. Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi- ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atua- ção no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe- rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de ensino. E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a) nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial. Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos conhecimentos. Um abraço, Grupo Prominas - Educação e Tecnologia 5 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S 6 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas! É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo- sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve- rança, disciplina e organização. Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho. Estude bastante e um grande abraço! Professoras: Giselly Santos Mendes Martiele Cortes Borges 7 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc- nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela conhecimento. Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in- formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao seu sucesso profisisional. 8 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Esta unidade analisará os aspectos relativos à Sustentabili- dade e Responsabilidade Ambiental. Especificamente, foram desen- volvidos os temas: a) BIM & Sustentabilidade, b) Gestão Ambiental e Sistemas de Gestão Ambiental (SGA), e c) Sistemas de Certificação Ambiental. Trata-se de um estudo cuja base de construção está relacio- nada às premissas ambientais ante as especificidades da construção civil, no que tange à relevância das temáticas, frente às demandas por vantagem competitiva. Os estudos revelam que a construção civil en- frenta uma dualidade, pois está entre os segmentos que apresentam maior potencial de geração de impactos ambientais na condução das suas operações principais e de apoio, bem como está em processo con- tínuo de expansão ao promover o desenvolvimento econômico e social. Entretanto, as ações quanto à responsabilidade socioambiental ainda apresentam certo nível de atraso em termos de efetiva implementação. Sustentabilidade. Construção Civil. BIM. Gestão Ambiental. Certificação Ambiental. 9 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 01 BIM & SUSTENTABILIDADE Apresentação do Módulo ______________________________________ 11 13 21 22 Contextualizando o BIM e Sustentabilidade _____________________ Impactos Ambientais da Construção Civil _______________________ Aspectos Legais Relacionados à Construção Civil e seu Rebati- mento no Campo Socioambiental _____________________________ Visão Geral da Legislação Ambiental Brasileira __________________ 18 CAPÍTULO 02 GESTÃO AMBIENTAL E SISTEMAS DE GESTÃO AMBIENTAL (SGA) Construção Sustentável e Certificações _________________________ Sustentabilidade e a Construção Civil ___________________________ Análise do Ciclo de Vida – ACV _________________________________ Análise de Ciclo de Vida Energético - ACVE ______________________ 33 41 44 46 23Licenciamento Ambiental de Empreendimentos Imobiliários ___ 27Avaliação de Restrições Ambientais para Uso e Ocupação do Solo Recapitulando _________________________________________________ 48 28Recapitulando _________________________________________________ 10 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 03 SISTEMAS DE CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL Emissões de CO2 nas Atividades da Construção Civil ______________ Inovações Tecnológicas ________________________________________ Conceitos Básicos, Políticas, Estrutura Governamental de Fisca- lização ________________________________________________________ Exigências Ambientais na etapa de Projetos e Execuções de Em- preendimentos ________________________________________________ Avaliação Ambiental Pós-Obra _________________________________ Avaliação da Sustentabilidade das Construções _________________ 53 57 59 62 63 64 Recapitulando _________________________________________________ Fechando a Unidade __________________________________________ 68 71 Referências ____________________________________________________ 74 11 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S O segmento da construção civil se destaca por sua relevância em termos econômicos e sociais. Contudo, também se destaca pelos impactos ambientais advindos de suas operações. Desde as constru- ções mais antigas aos atuais modelos de empreendimentos imobiliá- rios, empregam-se os recursos naturais para sua execução. A temática ambiental constitui um dos aspectos mais recorren- tes em discussões, e ações dos maise a distribuição, a utilização, a manutenção, a reci- clagem, a reutilização e a deposição final’ (SETAC, 1993). Um dos desafios da ACV é que necessita de uma quantidade grande de dados, como os impactos ambientais referentes aos materiais usados, além de tempo. São muito utilizadas para a análise as categorias: - Consumo de recursos não renováveis; - Consumo de água; - Poluição do ar; - Potencial de aquecimento global; - Potencial de redução da camada de ozônio; - Potencial de eutrofização; - Uso de terra; - Potencial de acidificação; - Potencial de formação de smog; - Toxicidade humana; - Toxicidade ecológica; - Produção de resíduos; - Alteração de habitats. Cada categoria tem um peso diferente nos diversos países do mundo, uma vez que leva em consideração a quantidade existente em cada país. Por exemplo, em países com abundância de água, a produção de algo que demande maior quantidade de água não gera tanto impacto quanto a produção desse mesmo bem em um local com escassez de água. Conforme a Figura 5, faz parte da Avaliação do Ciclo de Vida às seguintes fases: a) Definições de Objetivo e Escopo; b) Análise de Inventário do Ciclo de Vida (ICV); c) Avaliação de Impacto do Ciclo de Vida (AICV); d) Interpretação do Ciclo de Vida. Figura 5: Fases de uma AVC Fonte: ABNT, 2009. 46 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S A Análise do Ciclo de Vida também é usada na construção civil. Essa preocupação existe porque o setor gera grande impacto no am- biente, que podem ser diminuídos se for considerado uma construção sustentável. Por se tratar de um setor em que os materiais têm um ciclo de vida diferente e que as informações são escassas, é necessário que se faça as adaptações necessárias para utilização da ferramenta. Nessa indústria há duas principais formas de aplicar a ACV: Building Material and Component Combinations (BMCC), com maior foco em materiais de construção e Whole Process of the Construction (WPC), aplicada em todo o processo. ANÁLISE DE CICLO DE VIDA ENERGÉTICO - ACVE As atividades de transporte e de transformação de matérias sempre necessitam de utilização de algum tipo de energia, por isso é necessário compreender os fluxos energéticos. Assim, é possível con- sumir de forma adequada os recursos disponíveis. Para verificar a ener- gia necessária para produzir determinado produto ou serviço é feita uma avaliação chamada análise energética. Uma forma de analisar os impactos ambientais causados pelas ações da construção civil é a Análise do Ciclo de Vida Energético das edi- ficações. Para isso, essa análise leva em consideração o inventário de da- dos de consumo energético, considerando o consumo direto e o indireto. A ACVE é mais simplificada do que ACV, mas permite a to- mada de decisão sobre a eficiência energética como a emissão de ga- ses estufa. A verificação realizada não leva em consideração múltiplas análises que a ACV utiliza, por isso acarreta menor tempo e custo para implementação (FAY, 2000). A Figura 6 apresenta o CVE de uma edificação. Figura 6: Ciclo de Vida Energético de uma Edificação Fonte: Tavares, 2006. 47 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S A Energia Total é conjunto dos requisitos energéticos utilizada do início ao fim do processo conforme apontado na norma ISO 14040. A Energia Embutida é o conjunto de insumos usados para erguer uma edificação. A Energia Operacional é aquela usada para funcionamento dos equipamentos necessários. A Energia Recorrente, também conhe- cida por Energia Embutida de Manutenção é relacionada aos insumos. Por fim, a Energia de Desconstrução é aquela aplicada ao final do ciclo, como a reciclagem, descarte ou reposição. 48 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Ano: 2018 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: Analista de Sa- neamento - Biólogo A normatização sobre política e gestão ambiental no Brasil inclui os níveis federal, estadual e municipal. São dispositivos legais vi- gentes do nível municipal: a) decretos. b) portarias. c) resoluções CONAMA. d) leis urbanísticas. QUESTÃO 2 Ano: 2018 Banca: UFSM Órgão: UFSM Prova: Engenheiro/Enge- nharia Sanitária e Ambiental A base para um sistema de gestão ambiental é fundamentada no conceito Plan-Do-Check-Act (PDCA), um processo interativo utili- zado pelas organizações para alcançar a melhoria contínua. Com relação ao ciclo PDCA, é INCORRETO afirmar: a) na etapa Plan, são definidos os objetivos ambientais que devem ser coerentes com a política ambiental, mensuráveis (se viável), monitora- dos, comunicados e atualizados, como apropriado. b) na etapa Act, poderão ser feitas melhorias como ação corretiva, me- lhoria contínua, mudança inovadora, inovação e reorganização. c) na etapa Check, os resultados são medidos em relação à política ambiental da organização, aos objetivos ambientais e a outro critério, usando indicadores. d) durante a etapa Check, são obtidas as evidências de auditoria, que consistem em registros, declarações de fato ou outra informação perti- nente aos critérios de auditoria, sendo estas verificáveis ou não. e) na etapa Plan, a organização determinará os aspectos ambientais, sendo estes elementos de atividades, produtos ou serviços que intera- gem ou podem interagir com o meio ambiente, podendo causar impac- tos ambientais. QUESTÃO 3 Ano: 2018 Banca: FADESP Órgão: IF-PA Prova: Professor - Enge- nharia Ambiental Analise os requisitos em relação a um Sistema de Gestão ambien- tal (SGA): I. potenciais consequências da inobservância de procedimento(s) 49 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S especificado(s). II. aspectos ambientais significativos e respectivos impactos reais ou potenciais associados com seu trabalho e dos benefícios am- bientais provenientes da melhoria do desempenho pessoal. III. decisões e ações relacionadas a possíveis mudanças na po- lítica ambiental, nos objetivos, metas e em outros elementos do sistema da gestão ambiental. IV. suas funções e responsabilidades em atingir a conformidade com os requisitos do sistema da gestão ambiental. A organização que deseje estabelecer, implementar, manter e apri- morar um SGA deve estabelecer, implementar e manter procedi- mento(s) para fazer com que as pessoas que trabalhem para ela ou em seu nome estejam conscientes dos requisitos expressos em a) I e II. b) I, II e III. c) II, III e IV. d) I, II e IV. e) I, II, III e IV. QUESTÃO 4 Ano: 2018 Banca: SELECON Órgão: Prefeitura de Cuiabá - MT Pro- va: Técnico Nível Superior - Engenheiro Ambiental - Sanitarista Para adequar o sistema de gestão ambiental de um campus univer- sitário ao conceito de prevenção da poluição, foram estabelecidas novas ações, entretanto, uma delas causou discussão entre os es- tudantes de Engenharia Ambiental que alegaram ser uma ação ina- dequada. De acordo com os princípios de prevenção da poluição, os estudantes apontaram como a ação INADEQUADA: a) o lançamento de campanha para redução da geração de resíduos b) a substituição de lâmpadas incandescentes por lâmpadas de LED, visando redução do consumo energético c) a implementação de rotina de manutenção preventiva de veículos e máquinas, objetivando a redução de eventuais emissões atmosféricas d) a substituição de insumos à base de água por equivalentes à base de solventes orgânicos, visando redução de custo QUESTÃO 5 Ano: 2019 Banca: FEPESE Órgão: DEINFRA - SC Prova: Engenhei- ro - Engenharia Ambiental Assinale a alternativa que indica corretamente um importante instru- mento de gestão para avaliar e monitorar a eficácia da implementação da política da qualidade ou a política ambiental de uma organização. 50 SU ST EN TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S a) Licença ambiental b) Licenciamento c) Perícia d) Auditoria e) Inspeção QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE A respeito do conceito de construções sustentáveis, quando se trata de construção de edifícios se utiliza o termo Edifício Verde (Construção Verde) ou Green Building, sendo este construído respeitando os pa- drões sustentáveis definidos. As construções verdes buscam alcançar um desempenho ambiental em relação a cinco categorias: eficiência de água e energia, local sustentável, conservação de recursos e materiais e qualidade ambiental. Disserte a respeito das categorias apresentadas e sua participação no impacto ambiental, bem como utilizar-se de forma sustentável desses recursos. TREINO INÉDITO De acordo com o Ciclo de Vida Energético de uma edificação, mar- que o tipo de energia que não é apresentada no processo: a) Energia Operacional b) Energia Total c) Energia de Desconstrução d) Energia de Manutenção e) Energia Eólica NA MÍDIA 7 MANEIRAS DE ATINGIR A SUSTENTABILIDADE NA CONSTRU- ÇÃO CIVIL A construção civil é a responsável pela geração de aproximadamente 50% dos resíduos sólidos das grandes cidades. É um setor de grande representatividade econômica e também responsável por boa parte da degradação do meio ambiente. Por esse e outros fatores, a sustenta- bilidade na construção civil é uma preocupação crescente. A sustenta- bilidade deve ser um item avaliado desde o início da obra. Pense em soluções eficientes durante a construção até o fim da vida útil da edifi- cação. Construir de maneira sustentável é priorizar o desenvolvimento sem comprometer os recursos naturais. A redução de impactos é uma preocupação com as gerações futuras. Nessa matéria, confira algumas formas de atingir a sustentabilidade na construção civil: Uso de energias renováveis, Preocupação com os materiais utilizados, Redução do des- perdício de materiais, normas regulamentadoras, certificações verdes 51 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S em edifícios, Gerenciamento de resíduos e reaproveitamento de água. Fonte: IBEC Data: 11 set. 2019. Leia a notícia na íntegra o artigo: Disponível em: . Acesso em: 24 mai. 2021. NA PRÁTICA O impacto ambiental causado pelas ações humanas tem trazido diver- sos problemas. Na indústria da Construção Civil também se percebe essa questão, então a construção sustentável aparece como alternativa para os impactos ambientais causados pela indústria tradicional. Para que um profissional possa trabalhar nessa área, é essencial que ele conheça os conceitos e consiga aplicá-los. Um exemplo de prática da sustentabilidade nas edificações é a utiliza- ção de materiais alternativos como as cinzas de queima de biomassa, bem como a utilização de energia solar em projetos de aquecimento da água e na iluminação. Isso, porém, só se torna viável quando o profis- sional conhece bem o funcionamento das fontes alternativas e conse- gue verificar que existe ganho ambiental, mas também gera economia de custos inseridos no projeto. Dessa forma, é possível aplicar os co- nhecimentos na prática diária do profissional da indústria da construção civil, basta ter o olhar analítico e o interesse em buscar formas mais sustentáveis de utilização e aplicação de materiais e energia renovável. PARA SABER MAIS Título: METODOLOGIA DE ANÁLISE DO CICLO DE VIDA ENERGÉTI- CO DE EDIFICAÇÕES RESIDENCIAIS BRASILEIRAS TAVARES, S. F. Metodologia de Análise do Ciclo de Vida Energético de Edificações Residenciais Brasileiras. Florianópolis, 2006. 52 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Com a maior preocupação em relação aos impactos das ações humanas no ambiente e visando ao desenvolvimento sustentável, di- versas ações foram tomadas ao longo dos anos. Para melhor entender este capítulo, o Quadro 7 apresenta em ordem cronológica o desenvol- vimento das discussões a respeito da Sustentabilidade no mundo. SISTEMAS DE CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S 52 53 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Quadro 7: Sequência cronológica dos acontecimentos mais significativos ao nível do Desenvolvimento Fonte: Torgal; Jalali (2010) EMISSÕES DE CO2 NAS ATIVIDADES DA CONSTRUÇÃO CIVIL As mudanças relacionadas ao desequilíbrio ambiental têm sido discutidas há anos no mudo todo. Isso porque os estudiosos acreditam que não havendo um movimento em direção à diminuição da poluição ocorre- rão mudanças ambientais significativas que acarretarão mudanças econô- micas também. Nesse sentido, um dos maiores problemas enfrentados é o aumento desenfreado da emissão de gases de efeito estufa (GEE). 54 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Gases de efeito estufa, quando gerados em quantidades ade- quadas, mantêm o planeta aquecido. Caso não houvesse esse aqueci- mento, a temperatura da Terra seria entre 15 e 20 graus abaixo de zero. O efeito estufa é essencial para que haja vida no planeta, mas a sua acentuação causa mudanças negativas como prejuízos ambientais. Isso ocorre porque alguns gases permanecem na atmosfera por longos períodos. Essa emissão de GEE adicional, causados por ações humanas, como as atividades industriais, agrícolas e de pecuária, são fortes respon- sáveis pela emissão excessiva desses gases. Esse aumento dos GEE na atmosfera é considerado responsável pelas mudanças climáticas atuais. Após diversos debates e reuniões realizadas por diversos paí- ses, foi assinado o Protocolo de Kyoto em 1997 no Japão. Esse docu- mento foi assinado por 81 países que participaram na 3ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climá- ticas. A importância desse material se deu por ser o primeiro tratado internacional de controle de GEE. Foi estabelecida a meta de redução de 5,2% das emissões até o período de 2008-2012 (AGÊNCIA SENA- DO, [s.d.]). Nesse protocolo estabeleceu-se a redução das emissões do dióxido de carbono (CO2) e do metano (CH4). Em 1988, a partir do Conselho Internacional para Iniciativas Locais (ICLEI), foi lançada na América Latina a Campanha das Cidades pela Proteção do Clima. Essa campanha definiu que deveria haver uma diminuição de 10% nas emissões de GEE sendo o ano de 2010 o pra- zo. No Brasil, o município do Rio de Janeiro foi o primeiro a assumir o compromisso de cumprir o acordado. A partir do Decreto nº 27.596/07, o Rio de Janeiro passou a realizar compensações para atingir o efeito carbono-zero dos empreendimentos e obras licenciadas pela prefeitura. O planejamento de obras é um processo importante para as atividades realizadas pela construção civil, uma vez que a avaliação dos impactos ambientais deve estar presente nessa programação. Nes- se sentido, devem-se identificar aspectos essenciais relacionados aos recursos ambientais e aos resíduos dessa atividade. Com isso, pensar em medidas mitigatórias para neutralizar os efeitos negativos gerados a partir da construção civil é de extrema relevância na busca de uma construção sustentável. A indústria da construção civil consome 75% dos recursos 55 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S naturais para colocar em prática suas atividades (AGOPYAN; JOHN, OLIVEIRA, 2008). Com matérias-primas escassas, os custos de produ- ção do setor são altos, fazendo com que as empresas tenham margensmenores e impactando diretamente no lucro. Isso faz com que essas empresas tenham que buscar alternativas que agreguem valor às cons- truções, sendo uma dessas alternativas as construções sustentáveis. Assim, por ser um setor que emite grande parte do CO2 lançado na atmosfera, principalmente pela queima de combustíveis fósseis, essa é uma das preocupações dos empreendimentos sustentáveis. Conforme apresentado na Figura 7, as emissões de CO2 a partir do cimento e a queima de combustíveis fósseis teve um crescimento importante. Figura 7: Gráfico de Emissão de CO2 Fonte: IPCC, (2014, p. 3). A produção de cimento é citada na literatura como responsável por 2-7% das emissões de CO2 no planeta, pois o concreto é o mate- rial mais usado nas obras, depois da água. Além disso, a construção civil consome recursos naturais não renováveis e gera muitos resíduos, chegando a 50% da dos resíduos sólidos urbanos (JOHN, 2005). Os materiais que são considerados os vilões do meio ambiente por emitir maior índice de CO2 na natureza são: - Cimento; - Cal; - Aço (ferro); - Areia e brita; - Cerâmica vermelha; - PVC. 56 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S No Brasil, calculou-se o valor médio mínimo de 9,2 toneladas de CO2, lançadas na atmosfera por casa, com 40 m² de área construí- da pela Companhia de Habitação do Paraná – COHAPAR. Esse valor equivale a 229 kg CO2 /m² de área construída, emitidos no processo de produção e transporte dos principais produtos utilizados na construção (STACHERA JÚNIOR, 2006). O Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) faz a análise das edificações considerando apenas a fase de operações como a iluminação, o uso de energias mais eficientes e aquecimento. Dessa forma, a parte de produção não entra nesse cálculo, é somada ao setor industrial. Como a maior parte da energia é usada na fase de utilização, é essencial que se busque a melhoria da eficiência energéti- ca das construções reduzindo as emissões de CO2. Para que isso ocorra é necessário que haja uma integração dos sistemas de construção com a arquitetura, comercialização e venda de materiais e o design. É relevante considerar que no Brasil a produção de energia elétrica é menor do que a maior parte dos países por ser hidroe- létrica. A Figura 8 apresenta um gráfico das emissões de CO2 no mundo. Figura 8: Gráfico de Emissões de CO2 no mundo Fonte: Marland; Boden; Andres, (2003). 57 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Com a necessidade de reduzir os efeitos do CO2 lançado na atmosfera, surgiu o termo armazenamento de carbono, ou seja, empre- gar medidas que busquem absorver o excesso do CO2 da atmosfera. Esse conceito foi consagrado na Conferência de Kyoto (1997). A nature- za, através da fotossíntese, realiza a remoção natural do CO2, mas não é suficiente devido ao excesso de lançamento de gases de efeito estufa. Assim, algumas medidas são aplicadas, como por exemplo: - Plantio de árvores: atividade economicamente viável para as empresas e remove o CO2 em curto prazo. - Fertilização oceânica: é a fertilização oceânica com ferro; adi- cionando-o às camadas superiores do oceano estimulam a floração de fito plâncton. - Harvested Wood Products (HWP): produtos que utilizam ma- deira de reflorestamento. INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS Materiais e Técnicas Construtivas de Menor Impacto O IPCC (2014) afirma que o setor da construção civil é um dos que tem maior potencial para desenvolvimento e uso de tecnologias que auxiliem na mitigação das emissões de gases do efeito estufa. Por isso, é necessário buscar técnicas e materiais que geram menor impacto na natureza. Algumas técnicas são usadas a partir da busca pela eficiência energética: melhora da qualidade do uso de energia elétrica nas cons- truções, trazendo benefícios ao meio ambiente e aos consumidores fi- nais que podem diminuir os custos de sua utilização. - Cobertura verde ou telhado ecológico: é usada para minimi- zar os gastos de energia com o resfriamento e aquecimento interno das construções. Ajudam no isolamento acústico, reduzem o escoamento da água, ajudam a diminuir a poluição do ar e melhora da qualidade do ar pela absorção do CO2. 58 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Figura 9: Cobertura Verde Fonte: Bigstock, 2018. - Uso eficiente de janelas e vidros: vidro duplo termoacústico que proporciona economia de energia e redução do uso de aquecedo- res e ar-condicionado, além do isolamento acústico. - Energia eólica: o vento pode ser usado nas construções para bombeamento da água, acionamento de máquinas, funcionamento de moinhos e transformando em energia elétrica. - O aquecimento de água pelo Sol: muito efetivo para reduzir os custos das construções. Para colocar o aquecimento pelo Sol em prática, é necessário que a instalação esteja adequada, com os mate- riais e equipamentos que potencializem os efeitos. - Energia fotovoltaica: painéis fotovoltaicos posicionados em locais que maximizem a exposição ao sol são capazes de gerar energia elétrica que pode até ser conectada à rede pública. Figura 10: Placa Solar Fonte: Edgar SU, 2020. 59 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Assim como as técnicas citadas acima, existem materiais que podem ser usados nas construções que são mais sustentáveis e pode diminuir os efeitos negativos gerados a natureza: - Cimento ecológico: utilizam até 70% dos resíduos das siderúrgi- cas. Além de gerar impacto menor porque emite menos CO2 na atmosfera. - Tijolo ecológico: não é gerado a partir da queima da madeira, é produzido por prensagem hidráulica. É o material de menor impacto ambiental e pode ser usado em áreas externas por serem muito resis- tentes e bons isolantes acústicos. - Torneiras automáticas: torneiras com sensores automáticos para reduzir a quantidade de água jogada fora desnecessariamente. - Piso de bambu: o bambu é um recurso natural que é renová- vel e abundante, de alta absorção de carbono. - Telhas ecológicas: telhas recicladas produzidas por embala- gens de Tetra Pack. Reflete a luz solar gerando uma situação térmica mais agradável nos ambientes internos das construções. - Lâmpadas de LED: baixo consumo de energia. - Bacia com descarga dupla: duas opções de volume de água usado na descarga. - Madeira plástica: são plásticos reciclados e resíduos vegetais de agroindústrias; podem ser usados em áreas externas, como fachadas. - Tintas de terra: são produzidas com matérias-primas naturais, compostas por terra crua, e não utilizam derivados do petróleo em sua composição. CONCEITOS BÁSICOS, POLÍTICAS, ESTRUTURA GOVERNAMEN- TAL DE FISCALIZAÇÃO A construção civil é um dos setores que mais geram resíduos. Sendo assim, é necessário que haja políticas relacionadas ao tratamento desses dejetos. Através da Resolução Nº 307 de 05/07/02-DOU, o Con- selho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) traçou diretrizes para o gerenciamento de resíduos da construção civil. Essa resolução, art. 2°, inciso I, define as especificações de resíduos da construção civil como: [...] os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, ar- gamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc., comumente chamados de entulhos, caliça ou metralha. 60 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S A Resolução CONAMA nº 307/2002 e suas atualizaçõesclassi- ficam os resíduos em quatro classes: I - Classe A - são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como: a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infraestrutura, inclusive solos prove- nientes de terraplanagem; b) de construção, demolição, reformas e repa- ros de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento, dentre outros), argamassa e concreto; c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meios-fios, dentre outros) produzidas nos canteiros de obras; II - Classe B - são os resíduos recicláveis para outras desti- nações, tais como plásticos, papel, papelão, metais, vidros, madeiras, embalagens vazias de tintas imobiliárias e gesso; III - Classe C - são os resíduos para os quais não foram desen- volvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permi- tam a sua reciclagem/recuperação; IV - Classe D - são os resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como: tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles contaminados ou prejudiciais à saúde oriundos de demolições, refor- mas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros, bem como telhas e demais objetos e materiais que contenham amianto ou outros produtos nocivos à saúde (BRASIL, 2002). Outra importante resolução do CONAMA é a Resolução nº 448 de 18 de janeiro de 2012, que faz alterações na Resolução 307/2002 colocando adequações a respeito da Lei 12.305/2010. Essa lei também é conhecida como Política Nacional de Resíduos Sólidos e prevê o ge- renciamento e responsabilização pelos resíduos de origem em obras públicas ou em atividades privadas, originadas em qualquer tamanho de geradores. Essa determinação firmou que os municípios e o Distrito Federal devem elaborar os Planos de Gestão de Resíduos de Constru- ção Civil até janeiro de 2013. Esses planos devem estar em acordo com os planos municipais. A PNRS traz a obrigatoriedade do gerenciamento dos resíduos sólidos pelos geradores e pelo poder público. Essa política tem como base alguns fundamentos: Art. 6o São princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos: I - a prevenção e a precaução; II - o poluidor-pagador e o protetor-recebedor; III - a visão sistêmica, na gestão dos resíduos sólidos, que considere as vari- áveis ambiental, social, cultural, econômica, tecnológica e de saúde pública; IV - o desenvolvimento sustentável; V - a ecoeficiência, mediante a compatibilização entre o fornecimento, a pre- 61 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S ços competitivos, de bens e serviços qualificados que satisfaçam as necessi- dades humanas e tragam qualidade de vida e a redução do impacto ambien- tal e do consumo de recursos naturais a um nível, no mínimo, equivalente à capacidade de sustentação estimada do planeta; VI - a cooperação entre as diferentes esferas do poder público, o setor em- presarial e demais segmentos da sociedade; VII - a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; VIII - o reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda e promotor de cidadania; IX - o respeito às diversidades locais e regionais; X - o direito da sociedade à informação e ao controle social; XI - a razoabilidade e a proporcionalidade (BRASIL, 2010). Além de preocupações com saúde pública e a gestão integra- da de resíduos, um dos objetivos dessa política é incentivar a adesão de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços. O descarte adequado no meio ambiente, entretanto, não é o único fim para os bens consumidos, conforme Brasil (2010) existe uma ordem que deve ser seguida na gestão dos resíduos sólidos, inclusive da construção civil: a) Não geração; b) Redução; c) Reutilização; d) Reciclagem; e) Tratamento dos resíduos sólidos; f) Disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. Os resíduos da construção civil não podem ser dispostos em ater- ros de resíduos sólidos urbanos, nem em encostas, terrenos vagos ou em áreas protegidas, isso é considerado descarte ilegal. O Quadro 8 apresen- ta os principais instrumentos normativos nacionais que apresentam dire- trizes para gestão sustentável de resíduos e abrangem a construção civil: 62 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Quadro 8: Principais Instrumentos Normativos e Legais do Brasil Fonte: Ministério do Meio Ambiente (2012). Além das formas de fiscalização comentadas nas normativas, pode-se contar com o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) para que mais empreendimentos possam realizar as devidas atividades de gerenciamento de resíduos, entre outras ações susten- táveis. Para que a fiscalização seja efetiva, é necessário contar com a parceria público-privada de todos os atores do setor. EXIGÊNCIAS AMBIENTAIS NA ETAPA DE PROJETOS E EXECU- ÇÕES DE EMPREENDIMENTOS A redução de resíduos provenientes de uma construção ou demo- lição passa por todas as etapas do projeto. Em cada etapa é possível rea- lizar alguns procedimentos que auxiliam no desenvolvimento sustentável. 63 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Fase Inicial: decisão de construir. Nessa etapa, o importante é pensar nos meios tecnológicos que serão usados e no quanto eles interferem no meio ambiente. É importante perceber que quanto maior a intervenção, maior é o impacto causado. Além disso, nessa etapa deve- -se pensar na utilização da reciclagem e de racionalização de recursos e diminuição de resíduos. Desenvolvimento (Projeto): nessa fase é que se desenvolve o projeto, por isso é importante a participação de arquitetos e pessoas que entendam da escolha dos melhores materiais e da otimização de sua utilização. Execução (Construção): nessa etapa a maior preocupação é com o gerenciamento dos resíduos, pensando em como minimizar as perdas e qual destino dar aos resíduos que não puderem ser reincorpo- rados. É importante lembrar que é de responsabilidade dos construtores e demais participantes da obra a separação adequada nos resíduos. Fase da Manutenção (Uso): nessa etapa é possível perceber a qualidade da construção, pois quanto maior a qualidade, menor a gera- ção de resíduos. Essa fase é a de reformas e modernização das cons- truções, percebe-se a vida útil dos materiais e estruturas construídas. Quanto mais flexível o projeto, melhor para integrar novas tecnologias e fazer alterações necessárias visando diminuir o uso de recursos e me- nos descarte. No Brasil, não há cultura de manutenção preventiva nos projetos, por isso a necessidade de manutenções costuma aparecer de forma inesperada, aumentando os custos. Demolição: final do ciclo de vida - nessa fase é necessário con- siderar um prolongamento da vida útil do empreendimento e dos seus componentes. Pode-se pensar em incentivos públicos e privados para priorizar a modernização de tais empreendimentos em relação à demo- lição. Além de incentivar que, se necessária a demolição, se recicle, ao máximo, os componentes das construções consideradas. AVALIAÇÃO AMBIENTAL PÓS-OBRA Tem se discutido muito a respeito das avaliações pós-utilização da construção civil uma vez que as edificações apresentam problemas de desempenho em pouco tempo de vida útil. O desempenho dessas construções é verificado a partir da ABNT NBR 15575:2013. Apesar dis- so, essa norma só avalia as construções habitacionais, não levando em conta outros tipos de estruturas. Isso faz com que novas metodologias devam surgir para avaliar o desempenho dessas outras construções. Os resultados a partir das avaliações de desempenho das 64 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O NSA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S construções podem orientar as intervenções e manutenções nas edifi- cações. Assim, deve-se levar em consideração que as modificações e reformas geram necessidade de utilização de recursos naturais e que gera muitos resíduos, aumentando o impacto ambiental causado. Os Sistemas de Gestão Ambiental (GSA) foram consolidados na década de 1980 e, conforme a Associação Brasileira de Normas Téc- nicas (ABNT), deve compreender: - Estrutura organizacional; - Responsabilidades; - Práticas; - Procedimentos; - Processos; - Recurso. Além disso, deve apresentar requisitos para medir o desempenho ambiental. A GSA é uma ferramenta que traz os elementos adequados para avaliar as medidas de mitigação dos impactos ambientais nas construções. Assim, a Avaliação de Desempenho Ambiental tem por objetivo avaliar o desempenho de uma organização de forma contínua, considerando todas as etapas de um projeto de edificação. Entretanto, o setor de construção civil está defasado em relação a demais setores como a indústria na gestão dos impactos ambientais que surgem a partir de suas atividades. A NBR ISO 14001:2004 avalia a política ambiental para assegu- rar que os SGA e os processos das empresas de construção estão se- guindo as especificações de um comportamento ambiental responsável. AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DAS CONSTRUÇÕES A avaliação da sustentabilidade nas construções é realizada através de métodos existentes em todo o mundo, entretanto nenhum dos métodos existentes foi aceito internacionalmente. Isso, porque os critérios utilizados têm alto grau de subjetividade, o que segue a mesma direção do próprio conceito de sustentabilidade. Apesar disso, os métodos de avaliação seguem sendo criados e utilizados. Assim, é necessário que se incorpore indicadores de sustentabi- lidade para que possam ser aplicados e medidos. Cada metodologia apre- senta princípios e benefícios diferentes, conforme apresenta o Quadro 9. 65 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Quadro 9: Metodologias de Avaliação da Sustentabilidade nas Construções 66 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S 67 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Fonte: FERNANDES, 2013. 68 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-PI Prova: Ana- lista Ministerial - Engenharia Civil A respeito dos sistemas de certificação ambiental de construções, julgue o item subsequente. O sistema PROCEL EDIFICA teve origem no Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), que permitia aos consumidores avaliar e aper- feiçoar o consumo de energia dos equipamentos eletrodomésticos. ( ) Certo ( ) Errado QUESTÃO 2 Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-PI Prova: Ana- lista Ministerial - Engenharia Civil A respeito dos sistemas de certificação ambiental de construções, julgue o item subsequente. As escolas são construções avaliadas pelo LEED. ( ) Certo ( ) Errado QUESTÃO 3 Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-PI Prova: Ana- lista Ministerial - Engenharia Civil A respeito dos sistemas de certificação ambiental de construções, julgue o item subsequente. Uma das críticas mais recorrentes à definição usual de construção sustentável é a ausência de preocupação em mitigar incômodos acústicos. ( ) Certo ( ) Errado QUESTÃO 4 Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-PI Prova: Ana- lista Ministerial - Engenharia Civil A respeito dos sistemas de certificação ambiental de construções, julgue o item subsequente. No sistema de certificação LEED, quatorze critérios de análise são estabelecidos e, em cada um deles, a edificação pode receber a qualificação de bom, superior ou excelente. ( ) Certo 69 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S ( ) Errado QUESTÃO 5 Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-PI Prova: Ana- lista Ministerial - Engenharia Civil A respeito dos sistemas de certificação ambiental de construções, julgue o item subsequente. O potencial de economia de consumo de energia elétrica no se- tor de edificações é expressivo apenas para os projetos atuais de novas construções. A economia de consumo de energia elétrica, mesmo com o emprego do retrofit de construções, continua a ser inexpressiva. ( ) Certo ( ) Errado QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE O Intergovernmental Panel on Climate Change (2014) afirma que o setor da construção civil é um dos que tem maior potencial para desenvolvimen- to e uso de tecnologias que auxiliem na mitigação das emissões de gases do efeito estufa. Por isso, é necessário buscar técnicas e materiais que ge- ram menor impacto à natureza. Dessa forma, comente a respeito de duas técnicas e dois materiais que podem ser usados nas construções e são mais sustentáveis, diminuindo os efeitos negativos gerados à natureza. TREINO INÉDITO Na definição dos materiais para implementação de uma obra sus- tentável, alguns critérios devem ser levados em conta, EXCETO: a) Durabilidade b) Origem da matéria-prima c) Gastos com energia para transformação d) Qualidade e) Indicadores de sustentabilidade NA MÍDIA BRASKEM ASSUME NOVO COMPROMISSO: NEUTRALIZAR SUAS EMISSÕES DE CARBONO ATÉ 2050 O plástico é um material amplamente usado na produção dos mais di- versos produtos, além do uso em embalagens, na construção civil e até mesmo na área da saúde. Esse é um material versátil, tem baixo custo para produção, além de ser seguro e propriedades que permitem a sua reciclagem. Essas características não são por acaso, o setor de produ- ção de plástico investe muito em tecnologia e, nos últimos tempos, vem 70 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S buscando se adequar à agenda sustentável. A Braskem - maior produtora de resinas termoplásticas nas Américas e a principal produtora de poli- propileno nos Estados Unidos- tem feito pesquisas e altos investimentos no sentido de dar ao material o máximo de propriedades sustentáveis, a exemplo disso eles lançaram há dez anos o plástico verde. "Há cerca de quatro meses, a Braskem se tornou parceira do Instituto Muda e passou a apoiar a instalação dos projetos de reciclagem em condomínios, em um total de 1.000 apartamentos. Parcerias como a que a Braskem tem com o Instituto Muda confirmam a estratégia da companhia em avançar com o desenvolvimento sustentável no setor químico. O movimento é desafiador. Recentemente, a empresa anunciou seu novo compromisso: neutralizar suas emissões de carbono até 2050. Fará parte dessa trilha a eliminação de resíduos plásticos e o combate aos efeitos das mudanças climáticas por meio da economia circular de carbono neutro." Fonte: Época Negócios Data: 12 jan. 2021. Leia a notícia na íntegra: Disponível em: . Acesso em: 04 jun. 2021. NA PRÁTICA A sustentabilidade entrou nas discussões de todas as áreas da econo- mia, seja por opção ou por normativas que obriguem algumas medidas que devem ser tomadas em cada situação. O profissional da área de construção civil não é diferente, principalmente por se tratar de uma área responsável pelo uso de boa parte dos recursos naturais e por gerar tamanha poluição para o meio ambiente. Nesse sentido, surge a necessidade de capacitação dos profissionais que possam trazer so- luções diferentes para o uso de recursos e mitigação das emissõesde gases de efeito estufa, por exemplo. Um profissional capacitado deve conhecer técnicas como a utilização de vidros duplos e energia solar nas construções, bem como uso de materiais como telhas ecológicas e madeira plástica. É essencial que o profissional pense e implemente projetos que visem à melhoria do uso de recursos e que sejam susten- táveis. Porém, é importante que todos os processos sejam realizados com acompanhamento de um especialista, porque usar materiais e téc- nicas diferentes sugerem novos processos e modificações dos projetos. PARA SABER MAIS Vídeo sobre o assunto: Sustentabilidade na construção civil - Pesquisa em Pauta - UFRGS TV. Disponível em: . 71 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S GABARITOS CAPÍTULO 1 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA A indústria da construção civil é uma das que mais consome recursos naturais, bem como possui como saídas elementos relacionados à po- luição e à degradação ambiental. Logo, atualmente, o ramo da constru- ção civil dedica maior atenção ao tema sustentabilidade, assim como muitos setores da sociedade. As métricas de sustentabilidade aplicadas à construção civil visam asse- gurar que antes, durante e após a execução de empreendimentos, sejam previstas e realizadas ações que viabilizem a redução de impactos am- bientais provenientes de suas operações e que tais operações ao mes- mo tempo contribuam à viabilidade e desenvolvimento econômico, bem como à promoção de qualidade de vida às atuais e futuras gerações. O olhar sustentável em construções pode abarcar estratégias como: es- colha de materiais com possível reutilização, otimização da exploração dos recursos naturais, bem como o desenvolvimento e a aplicação de formas alternativas de consumo, contribuindo, assim, com a redução do impacto da construção civil sob o meio ambiente. TREINO INÉDITO Gabarito: C 72 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 2 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA Atuar com construção sustentável pode apresentar diversas vantagens ao longo do processo. Isso se mostra presente na economia de água, de energia e de materiais utilizados. Além dessas vantagens, pode-se adicionar à lista a redução das emissões poluentes e o aumento do ciclo de vida das construções. Essas vantagens, entretanto, não são percebi- das diretamente no dia a dia das construções, apenas no médio e longo prazo é possível perceber os resultados nos custos do projeto. Nessa questão, o aluno deve tratar a respeito da sustentabilidade nas construções, além de apresentar os aspectos como: eficiência de água que pode ser fruto de reaproveitamento da chuva, por exemplo; de energia como a energia solar e de biomassa; o local sustentável; conservação de recursos e materiais; o uso de materiais reciclados; e qualidade ambiental, que pode ser medida através de algum sistema definido pelas empresas. TREINO INÉDITO Gabarito: E 73 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 3 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA Algumas técnicas são usadas a partir da busca pela eficiência energética: melhora da qualidade do uso de energia elétrica nas construções, trazen- do benefícios ao meio ambiente e aos consumidores finais que podem diminuir os custos de sua utilização. Nesse sentido, uma das técnicas muito comentadas na atualidade é o telhado ecológico ou construção verde. Essa cobertura é usada para minimizar os gastos de energia com o resfriamento e aquecimento interno das construções. Ajudam no iso- lamento acústico, reduzem o escoamento da água, ajudam a diminuir a poluição do ar e melhora da qualidade do ar pela absorção do CO2. Outra técnica usada é a energia fotovoltaica: painéis fotovoltaicos posi- cionados em locais que maximizem a exposição ao sol são capazes de gerar energia elétrica que pode até ser conectada à rede publica. Nesse sentido, o aluno pode comentar a respeito de outras técnicas. Quanto aos materiais, os alunos podem comentar a respeito de diversos tipos como cimento ecológico e o piso de bambu. TREINO INÉDITO Gabarito: E 74 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S AGENCIA SENADO, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 03 jun. 2021. AGOPYAN, V.; JOHN, V. M.; OLIVEIRA, D. P. Critérios de sustentabili- dade para a seleção de materiais e componentes – uma perspectiva de países em desenvolvimento. 2008. Disponível em: . Acesso em: 03 jun. 2008. AGUILAR, R.S; OLIVEIRA, L. C. S; ARCANJO, G. L. F. Energia Re- novável: os ganhos e os impactos sociais, ambientais e econômicos nas indústrias brasileiras. Anais ... In: XXXII Encontro Nacional de En- genharia de Produção. Bento Gonçalves. Rio Grande do Sul: UFRGS, 2012 - Atlas de energia elétrica do Brasil / Agência Nacional de Energia Elétrica. 3. ed. – Brasília: ANEEL, 2008. BARBIERI, J. C. Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos, 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. BIGSTOCK. Construções com telhado verde terão mais área disponível para construção. Gazeta do Povo. Disponível em: . Acesso em: 03 jun. 2021. BONONI, V. L. R. Controle Ambiental de Áreas Verdes. In: PHILIPPI JUNIOR, A.; ROMERO, M. A.; BRUNA, G. C. (ed.). Curso de Gestão Ambiental. São Paulo: Manole, p. 214-255, 2004. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Na- cional de Resíduos Sólidos; altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente, Conselho Nacional do Meio Am- biente. Resolução 307, de 05 de julho de 2002. Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção ci- vil. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, nº 136, 17 de julho de 2002. Seção 1, p. 95-96. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente, Conselho Nacional do Meio Am- biente - CONAMA. Resolução 348, de 16 de agosto de 2004. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Planos de Gestão de Resíduos Sólidos: 75 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Manual de Orientação. Brasília: MMA, 2012. CÂMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO. Publica- ções, Brasília, 2020. Disponível em: https://cbic.org.br/publicacoes. Acesso em: 14/05/2021. CENTRO DE GESTÃO E ESTUDOS ESTRATÉGICOS. Relatório Pros- pectivo Setorial: construção civil. Brasília, 2009. CEOTTO, L. H. Avaliação de sustentabilidade: balanço e perspectivas no Brasil. In: I Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável – SBCS 08, São Paulo, 2008. CIB – Conseil International du Bâtiment – Agenda 21 on sustainable construction. CIB Report Publication 237, Rotterdam, Holland. ISBN: 90-6363-015-8, 1999. 120p. COELHO, L. Carimbo Verde. Revista Téchne, n. 155, p. 32-39, fev. 2010. COELHO, T. R.; PRZEYBILOVICZ, E.; CUNHA, M. A. Práticas ambien- tais: um estudo nas empresas industriais do setor alimentício de Curiti- ba. In: Seminários em Administração, 13, São Paulo. Anais ... São Pau- lo: SEMEAD, 2010. DONAIRE, D. Considerações sobre a influência da variável ambiental na empresa. Revista de Administração de Empresas, 34 (2), p. 68-77, 1994. EDGAR SU. Segmento de energia solar sofre com escassez de placas - Diário doComércio. 2020. Disponível em: . Acesso em: 03 jun. 2021. FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Relatório técnico estudo de tendências tecnológicas na indústria de construção civil no segmento de edificações. Diretoria de Inovação e Meio Ambiente - Gerência de Desenvolvimento e Inovação. Rio de Ja- neiro: FIRJAN, 2013. FERNANDES, A. M. V. Métodos de avaliação da sustentabilidade das construções. Dissertação de Mestrado. Universidade do Porto. 2013. INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE - IPCC. AR5 Synthesis Report: Climate Change 2014. Disponível em: . Acesso em jun. 2021. JADOVSKI, I. Diretrizes Técnicas e Econômicas para Usinas de Reci- 76 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S clagem de Resíduos de Resíduos de Construção e Demolição. 2005. 180 f. Dissertação (Mestrado)- Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, 2005. JOHN, V. M. Construção sustentável e Reciclagem. Trabalho apresen- tado no Seminário de Construção Sustentável da FGV. São Paulo, 21 de junho de 2005. Disponível em: . Acesso em: 03 jun. 2021. KIBERT, C. J. Establishing Principles and a Model for Sustainable Cons- truction, Proceedings of the First International Conference on Sustai- nable Construction of CIB TG 16, p. 917. Center for Construction and Environment, University of Florida, Tampa, Florida, 1994. KIBERT, C.J. Sustainable Construction – Green Building Design and Delivery. John Wiley & Sons, Inc., 2. ed, New Jersey, 2008. LUNDBERG, K., BALFORS, B.; FOLKESON, L. Identification of envi- ronmental aspects in EMS context: A Methodological Framework for the Swedish National rail administration. Journal of Cleaner Production, 15 (5), p. 385-387, 2007. MARLAND, G.; BODEN, T. A.; ANDRES, R. J. Global, regional, and national fossil fuel CO2 emissions: carbon dioxide information analysis center, Oak Ridge National Laboratory. Tennessee: Oak Ridge, Depart- ment of Energy, 2003. MELLO, L. C. B. B. Modernização das pequenas e médias empresas de Construção Civil: impactos dos programas de melhoria da gestão da qualidade. 2007. Tese (Doutorado em Engenharia Civil) - Programa de Pós-graduação em Engenharia de Civil, Universidade Federal Flumi- nense. Niterói-RJ, 2007. OMETTO, A. R.; SOUZA, M. P.; GUELERE NETO, A. A gestão ambien- tal nos sistemas produtivos. Revista Pesquisa e Desenvolvimento En- genharia de Produção, n.6, p. 22-36, 2007. PIMENTA, H. C. D. Sustentabilidade empresarial: práticas em cadeias produtivas. Natal: IFRN Editora, 2010. RODRÍGUEZ, G.; ALEGRE, F. J.; MARTÍNEZ, G. Evaluation of environ- mental management resources (ISO 14001) at civil engineering cons- truction worksites: a case study of the community of Madrid. Journal of 77 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Environmental Management, 92 (7,), p. 1858-1866, 2011. SAKR, D. A., SHERIF, A.; EL-HAGGAR, S. M. Environmental mana- gement systems’ awareness: an investigation of top 50 contractors in Egypt. Journal of cleaner production, 18 (3), p. 210-218, 2010. SÁNCHEZ, L. E. Avaliação de impacto ambiental e seu papel na gestão de empreendimentos. In: VILELA, A. J.; DEMAJOROVIC, J. (ed.). Mo- delos e ferramentas da gestão ambiental: desafios e perspectivas para as organizações. São Paulo: SENAC, p. 85-114, 2006. SILVA, S. Comunicação Organizacional em Empresas de Construção Civil Sob a Ótica do Planejamento Estratégico. 157 f. Curitiba, 2002. Dissertação (Mestrado em Construção Civil) - Programa de Pós-Gradua- ção em Construção Civil, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2002. STACHERA JÚNIOR, T. Avaliação de Emissões de CO2 na Construção Civil: um estudo de caso da habitação de interesse social no Paraná. 2006. 176 f. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) - Universidade Fe- deral Tecnológica do Paraná - UFTPR, Curitiba, 2006. TEIXEIRA, L. P. Desempenho da construção brasileira. Belo Horizonte: UFMG, 2010. TOMASI, A. P. N. A modernização da construção civil e os impactos sobre a formação do engenheiro no contexto atual de mudanças. Edu- cação Tecnologia, Belo Horizonte, 10 (2), p.39-45, jul./dez. 2005. TORGAL, F. P.; JALALI, S. A Sustentabilidade dos Materiais de Constru- ção. Guimarães: Edição TecMinho, 2010. 78 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A Svariados segmentos. No que tange a construção civil, muitos são os desafios e oportunidades em termos so- ciais e ambientais, devido aos muitos impactos e problemas associados. Frente a isso, atualmente, tanto o segmento quanto as partes correlatas da construção civil atentam à degradação ambiental de seus processos, bem como à necessidade de preservação ambiental em suas atuações. A sustentabilidade aplicada à construção civil visa contribuir à mitigação dos impactos decorrentes das práticas construtivas. Observa- -se, assim, um maior empenho das partes interessadas em desenvolver alternativas tecnológicas que viabilizem a construção sustentável, isto é, ecologicamente correta, socialmente justa e economicamente viável. Dentro desta perspectiva de adequação das práticas de constru- ção às premissas de sustentabilidade, o objetivo desta unidade é propiciar a você o conhecimento acerca de alguns dos aspectos técnicos que abar- cam a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental, bem como possui como finalidade, demonstrar a aplicação dos conceitos de sustentabilidade na construção civil. Para tanto, discutiremos alguns conceitos seminais que esclarecerão estas temáticas em seus diferentes contextos de aplicação. O capítulo 1 discorre sobre BIM & Sustentabilidade, e é apre- sentado em seis subtítulos que abordam: a contextualização do BIM e sustentabilidade, uma visão geral sobre licenças ambientais, a legisla- ção ambiental brasileira e a explanação acerca dos impactos ambien- tais e sociais associados à construção civil. O Capítulo 2 ocupa-se em desenvolver a temática da gestão ambiental, bem como esclarecer as especificidades de sistemas de gestão ambiental sob o viés da construção civil. Nesse sentido, são desenvolvidos aspectos relacionados à construção sustentável e suas certificações, práticas sustentáveis, e análise do ciclo de vida. E para finalizar a nossa unidade, o Capítulo 3 desenvolverá o tema “Sistemas de Certificação Ambiental”. Em relação às nossas mé- tricas de estudo, estas abarcarão os seguintes pontos: inovações, ma- teriais e técnicas construtivas de menor impacto; conceitos, políticas, estruturas de fiscalização e avaliação relacionados a aspectos ambien- tais e à construção sustentável. Assim, através dessa produção, será possível compreender a 12 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Sustentabilidade e Responsabilidade Ambiental como processos rela- cionados à maximização do desenvolvimento do segmento da constru- ção civil. Leia cada capítulo com muita atenção, faça as questões para avaliação para, assim, compreender o funcionamento e importância da prescrição Sustentabilidade e Responsabilidade Ambiental, bem como realizar um bom proveito do estudo desta área. Desejamos bons estudos e sucesso na sua vida acadêmica! 13 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S CONTEXTUALIZANDO O BIM E SUSTENTABILIDADE Houve um tempo em que a gestão ambiental e a sustentabili- dade eram temas vistos como empecilho à competitividade. Investir em aspectos como produção limpa, destinação de resíduos e redução de emissões eram considerados como um custo ou um mal necessário. Atualmente, tais questões constituem um valor comum a muitas orga- nizações, principalmente aos grandes grupos de investimento, que já reconhecem quais são as organizações capazes de aliar estratégias de crescimento à redução de impactos ambientais. BIM & SUSTENTABILIDADE SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S 13 14 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Ainda são poucas as organizações que visualizam tal temática como um assunto estratégico e relevante frente à elaboração de planos de crescimento de longo prazo. É necessário que as organizações vi- sualizem na adoção de práticas ambientais a construção de vantagens competitivas tais como: (i) valoração do empreendimento; (ii) demons- tração do comprometimento com a questão ambiental; (iii) mapeamento de processos e impactos ambientais; (iv) construção de conhecimento ambiental; e (v) redução de custos. O processo de minimização do impacto das atividades antrópi- cas, cada vez mais, solicita um novo posicionamento frente às questões ambientais, seja pontuando-as em processos decisórios ou em novas concepções de produtos ou processos. Nesse sentido, é relevante a concepção de novos diferenciais para competir, com base na inovação e sustentabilidade. Nesse viés, o processo de inovação está relacionado a toda mudança realizada com êxito e que gere resultado positivo para a orga- nização, já a inovação frente ao meio ambiente foca em oportunidades de melhoria de desempenho ambiental (em processos, produtos ou mo- delos de gestão), bem como em redução de impactos ambientais asso- ciados ao empreendimento. Do mesmo modo, a inovação com vistas ao meio ambiente somente possui legitimidade quando há o equilíbrio entre as necessidades ambientais e os objetivos de uma organização, ou seja, o benefício ambiental (consciência e responsabilidade) deve ser coerente com o econômico (competitividade e lucratividade). Frente ao apelo de sustentabilidade, as organizações, com maior frequência, passam a orientar suas estratégias: à redução de impacto ambiental, ao apelo ambiental e à satisfação de clientes. No âmbito organizacional, os objetivos mais representativos compreen- dem a eficiência, a lucratividade e a manutenção de suas relações com stakeholders (COELHO; PRZEYBILOVICZ; CUNHA, 2010). De modo mais amplo, a questão ambiental nas organizações deve ser compreendida não apenas como um processo de redução de custos, mas, sim, como um pilar organizacional que agregue valor. Dessa forma, a adoção de padrões ambientais poderá habilitar processos de inovação, os quais sejam capazes não somente de reduzir custos, mas, também, de gerar valor. Nesse sentido, torna-se relevante o uso da tecnologia BIM (Bui- lding Information Modeling – Modelagem de Informações da Construção). 15 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S A área da construção civil compreende a produção de obras e abrange atividades como: planejamento, projeto, execução, manuten- ção e restauração. Bem como é uma área relevante ao desenvolvimen- to da nação brasileira, devido a sua extensa cadeia produtiva e a sua elevada capacidade de contratação. A construção civil possui como característica a heterogeneidade, ou seja, relaciona múltiplas atividades provenientes de diversas empresas, com o emprego de ampla e variada tecnologia e qualificação. Atente-se que se trata de um segmento de relevante intervenção em ciclos produtivos ao propiciar a geração de consumo de bens e serviços de outros setores. Assim, compreenda a heterogeneidade na construção civil como uma série de atividades com diferentes complexidades baseadas na diversificação de produtos, tecnologias e demandas, podendo neste tipo de cadeia serem observadas grandes organizações com tecnologia de ponta, até microempresas de baixo poder tecnológico. Cada vez mais, a indústria da construção civil tem se revela- do um setor flexível em termos tecnológicos, organizacionais, sociais e econômicos. É um setor em constante mudança, ante a necessidade de adaptação às múltiplas condições ambientais ou conforme a região de atuação (TOMAZI, 2005). Uma forma de atendimento a tais mudanças é o emprego do conceito BIM em projetos de construções. O BIM compreende o uso de modelos 3D que facilitam a assimilação e projeção do produto final, isto é, do empreendimento imobiliário. O BIM compreende um conceito de gerenciamento e agrega- ção de informaçõesde um projeto de uma construção. Através dessa tecnologia as partes envolvidas em um planejamento podem acessar informações sobre cada detalhe da construção. Por meio desse con- ceito a dinâmica do projeto é facilitada, pois os profissionais envolvidos podem, ao mesmo tempo, utilizar o mesmo arquivo, adicionando as in- formações que competem à sua especialidade, bem como visualizar as atualizações em tempo real. O BIM orientado à sustentabilidade visa que os projetos de forma coesa administrem informações que resultem em práticas sus- tentáveis e econômicas como: análise do uso das formas de energia empregadas (elétrica, solar, eólica, hidroelétrica), proposição de estru- 16 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S turas que racionalizem a iluminação, o desenvolvimento de sistemas de ventilação cruzada, o desenvolvimento e aplicação de materiais com perfis ecológicos, aplicação de sistemas que habilitem a redução do consumo de água (captação, reuso) etc. Observe no Quadro 1 a seguir as formas pelas quais o BIM e a sustentabilidade podem interagir: Quadro 1: Exemplos de interações - BIM e Sustentabilidade Fonte: Autoras (2021). Conforme a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Ja- neiro (FIRJAN, 2013), em seu estudo sobre as tendências tecnológicas na indústria de construção civil no segmento de edificações, o setor de empreendimentos imobiliários é um dos setores mais importantes para a economia de uma nação. Ressaltando que nos últimos anos esse segmento passou por um significativo processo de expansão, porém ainda enfrentando constantes desafios, como a necessidade de cons- tante investimento e atendimento às demandas legais e de mercado. São tendências do setor indicadas pelo estudo: a) Atuação sustentável: compreende a adoção de práticas sus- 17 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S tentáveis em projetos de forma a reduzir custos e a geração de resíduos, observando, ao mesmo tempo, os requisitos de qualidade estrutural e se- gurança do processo de implementação do empreendimento. Um exemplo desta tendência está no atendimento dos critérios da norma NBR 15.575. A norma NBR 15.575 possui como escopo o desempenho de edi- ficações habitacionais. Atua sobre os insumos empregados em uma cons- trução, alinhando-os à qualidade de uso (funcionalidade) do futuro imóvel. Tal aspecto legal prevê um padrão de qualidade aos empreendimentos. b) Automação predial: essa tendência visa a aspectos como: oti- mização das atividades, redução de erros, falha humana e custos ope- racionais. Como consequência, essa tendência visa ao incremento da segurança e economia durante a implementação de empreendimentos. Assim, para que tais resultados sejam atingidos é premente o investimen- to em tecnologias, o que respaldou o conceito de construção inteligente. Recorde que construção inteligente é aquela cujo projeto cum- pre seu fim de forma eficiente e econômica. Logo, a falta de inovação no segmento pode inviabilizar que determinados projetos sejam produ- tivos, eficientes e econômicos (TEXEIRA, 2010). c) Uso de energia renovável: implica no emprego de sistemas que gerem energia durante o desenvolvimento do empreendimento ou no uso do projeto. Por exemplo, o uso de placas solares como fonte de energia às operações da obra ao mesmo tempo em que reduz custos de projeto. Essa tendência é relevante, visto que a indústria da construção civil recebe destaque no que tange ao impacto de suas operações. As- sim, caro estudante, o viés da sustentabilidade na indústria da constru- ção civil mostra-se uma tendência irreversível. A Agenda 21 estabeleceu que uma construção sustentável deve observar todo o ciclo de vida dos processos envolvidos, ou seja, desde o desenvolvimento do projeto até a obtenção da matéria prima e insumos, a execução do empreendimento, sua demolição e o tratamen- to dos resíduos gerados. d) Realidade aumentada: na construção civil, projetos desenvol- vidos a partir de realidade aumentada podem ter a visualização facilitada da estrutura projetada em tamanho real, antes da execução e término do empreendimento. Atente-se que tal aplicação permite a identificação de possibilidades, bem como observa o alinhamento e precisão demanda- 18 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S dos à obra, além de contribuir à redução de ocorrência de risco e erros. e) Aplicação de materiais novos: essa tendência visa orientar o setor quanto a necessidade de otimização de recursos, combinando o binômio baixo custo e sustentabilidade. Logo, de forma prática, essa tendência desafia o segmento em suas operações e relações a cons- tantemente buscar, desenvolver ou investir em alternativas que promo- vam a redução do desperdício e a geração de resíduos. f) Realidade virtual e softwares de segurança: são tecnologias que objetivam auxiliar o desenvolvimento das operações de dado em- preendimento. Essas tecnologias permitem a simulação de situações típi- cas de canteiros de obras, bem como permitem a capacitação no uso de determinados equipamentos sem riscos de acidentes. Reduzindo, assim, a ocorrência futura de irregularidades, e acidentes no canteiro de obra. Em suma, ao contextualizarmos BIM e sustentabilidade é pre- mente observar que a cadeia da construção civil demanda modelos de gestão atualizados e alinhados aos elos da sua estrutura, bem como às tendências do segmento. Isto é, construir empreendimentos que visem à redução dos impactos ambientais associados. VISÃO GERAL DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL BRASILEIRA Com maior frequência, a temática ambiental passa a compor a pauta de ações de muitas organizações. Isto é, a variável ambiental re- vela-se item de relevante impacto sob decisões estratégicas, sejam es- tas motivadas pelo atendimento legal ou pelas demandas de mercado. O modo como esta variável vem sendo tratada é algo tão rele- vante que norteia significativa parcela do mercado. Em uma realidade na qual legislações, normas e acordos punem ou premiam ações, os grupos investidores passam, cada vez mais, a valorizar práticas susten- táveis que ultrapassem a esfera ecológica que sejam determinantes à continuidade de qualquer tipo de negócio. Frente a esse contexto de acirrada competitividade, muitas or- ganizações procuram desenvolver habilidades e competências que as possam diferenciar da concorrência e que também as auxiliem em seus processos de manutenção de mercado. Dentre as habilidades e com- petências de diferenciação observa-se a capacidade de inovar. De ma- neira similar à inovação, a gestão ambiental também tem se convertido em vetor de diferenciação uma vez que o controle de elementos com potencial poluidor de qualquer tipo de atividade contribui diretamente à visibilidade e aceitação das partes interessadas. Sistemas de Gestão Ambiental demandam rotinas, padrões e 19 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S procedimentos, dentre muitos aspectos necessários a uma eficaz imple- mentação. Uma adequada identificação de aspectos ambientais consta entre as métricas necessárias a qualquer organização que busque im- plantar um Sistema de Gestão Ambiental. Conforme Lundberg, Balfors e Folkeson (2007, p. 385, tradução nossa) “[...] a identificação dos as- pectos ambientais é reconhecida como um dos aspectos mais comple- xos ao estabelecimento de um Sistema de Gestão Ambiental, estando sujeito a críticas, como, por exemplo, falta de transparência”. O aspecto fundamental a ser observado frente à temática am- biental é o posicionamento consciente das organizações no que tange a relevância que esta merece. Observe a premente inversão de conceitos como o simples senso de cumprimento de normasao senso de respon- sabilidade ante as atividades, conciliando a lucratividade do empreendi- mento à proteção ao meio ambiente, seja em seus produtos ou serviços. Outro ponto de destaque é a conscientização das partes inte- ressadas frente à variável socioambiental, fato este que levou muitas organizações a repensarem suas operações, modelos de gestão e de- senvolvimento e processos decisórios, em que as organizações devem pautar suas operações de forma a não atender somente adaptações e cumprimento à legislação vigente, mas, também, estar orientadas a um patamar no qual a produtividade e o consumo sejam compatíveis com a questão ambiental e a sustentabilidade. Desta forma, a gestão ambiental deixou de ser uma função ex- clusivamente orientada à produção, tornando-se uma função estratégica a ponto de influenciar os processos de planejamento estratégico, tomada de decisão e marketing de relacionamento, bem como as atividades de inova- ção e desenvolvimento organizacional. Como consequência, percebe-se a necessidade de reavaliação das práticas existentes de modo a potencia- lizar a interação do meio ambiente aos processos e produtos existentes (DONAIRE, 1994; OMETTO; SOUZA; GUELERE NETO, 2007). Como visto, os empreendimentos e suas operações consti- tuem relevantes consumidores de recursos naturais. Observe que, as- sim como ocorre com produtos e serviços, um empreendimento tam- bém pode atestar sua conformidade no que tange à questão ambiental. Nesse viés, a certificação ambiental visa atestar que as construções sejam sustentáveis, em todas as fases de seu ciclo de vida. Atualmente, existem muitos instrumentos que medem o de- sempenho ambiental de edificações. Podem ser citadas as certifica- ções: LEED - Leadership in Energy and Environmental Design, GBC Casa, GBC Condomínio, GBC Zero Energy, Selo Procel PBE Edifica e Selo Casa Azul da Caixa. Atente-se que todos esses instrumentos visam reduzir o impacto ambiental do segmento, bem como promover o 20 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S desenvolvimento sustentável equilibrado. Atualmente, o Brasil encontra-se em quinto lugar no ranking de países com mais edificações que buscam a certificação LEED, estando atrás de países como Estados Unidos, Canadá, China e Índia. Tal certi- ficação é empregada em 143 países, isso permite a geração de dados comparativos entre os empreendimentos. Destaca-se a existência de uma plataforma online chamada Arc que facilita a comparação de de- sempenho entre os empreendimentos. O Brasil é o segundo país com maior número de projetos nesta plataforma. Disponível em: https://www. gbcbrasil.org.br/o-que-sao-as-certificacoes-ambientais-e-qual-a-sua- -importancia/?gclid=CjwKCAjwv_iEBhASEiwARoemvIbE_25DYEJFIfN- mEb1ytzqpHrRmUD_mSBConTsLV2e2UPqBcitS6BoC0sAQAvD_BwE. Acesso em: 14 mai. 2021. A legislação ambiental brasileira visa proteger o meio ambiente e reduzir o impacto das ações antrópicas. Atualmente, o ordenamento jurídico ambiental é conduzido e fiscalizado por órgãos ambientais na- cionais, estaduais ou municipais, sendo estes responsáveis por elaborar e fazer cumprir as regulamentações e atos administrativos relacionados. Quanto ao escopo de atuação da legislação ambiental brasileira, observa-se que esta, em suas múltiplas frentes de atuação, trata da pre- servação ambiental, por meio de ações preventivas que reduzam o im- pacto ambiental proveniente de atividades de elevado potencial poluidor. A visão geral da legislação ambiental brasileira consiste no conjunto de leis, decretos e resoluções ambientais vigentes. Possuin- do como objetivo estabelecer regramentos quanto ao uso, aplicação e operações de empreendimentos e cidadãos, em convergência às pre- missas da preservação ambiental. Sendo um princípio previsto na Constituição Federal em seu Ar- tigo nº 225, a proteção ambiental é reconhecida como um direito, no qual é prevista e garantida a proteção do meio ambiente de forma a mantê-lo sadio com vista ao direito à vida e existência dos seres humanos. Tal direito deve ser observado pelo Poder Público e pela coletividade, isto é, ambas as partes possuem a responsabilidade pela proteção ambiental. 21 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S IMPACTOS AMBIENTAIS DA CONSTRUÇÃO CIVIL A construção civil está entre os segmentos que apresenta maior potencial de geração de impactos ambientais na condução das suas ope- rações principais e de apoio. É importante destacar que, embora, haja a consciência acerca dos impactos ambientais associados ao segmento, se observa o baixo número de organizações que objetivam a implantação de sistemas de gestão ambiental. No entanto, Sakr, Sherif e El-Haggar (2010) destacam que as organizações que mantiverem tal postura en- frentarão, cada vez mais, aspectos limitantes às suas operações e com- petitividade em face aos requisitos da regulamentação ambiental. A baixa adesão, muitas vezes, é justificada pelos custos in- corridos em sua implantação. E, também, pela prática ser considerada apenas como uma mera formalização para o acesso a determinados contratos. Segundo Barbieri (2007), há aquelas organizações que ex- ploram o uso de ferramentas de gestão ambiental como forma de am- pliar a participação do componente ambiental em suas operações, para assim desfrutarem dos benefícios agregados à prática. Estudos de Sakr, Sherif e El-Haggar (2010) caracterizam a construção civil como um segmento estratégico ao desenvolvimento de economias, mas, também, como um segmento deflagrador de de- gradação ambiental. Trata-se de um dos setores econômicos que mais se apropria de recursos naturais, caracterizado pela ampla ocupação e transformação de paisagens. Logo, se conduzido de forma inadequada pode gerar significativos impactos ambientais decorrentes do consumo e do descarte de bens naturais ou manufaturados, bem como aqueles provenientes da degradação e da poluição geradas por suas operações. Contudo, Rodríguez, Alegre e Martínez (2011) pontuam que a construção civil, também pode incorrer em impactos positivos ao pro- porcionar o incremento da qualidade de vida da sociedade através da implantação de adequadas e sustentáveis infraestruturas. Eis que se apresenta a dualidade do segmento, na qual a cons- trução civil em processo contínuo de expansão ao promover o desen- volvimento econômico e social, também se revela uma atividade defla- gradora de impactos ambientais, cujas ações quanto à responsabilidade 22 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S socioambiental ainda apresentam certo nível de atraso em termos de efetiva implementação. A construção civil abrange atividades de produção de obras, desde o planejamento, projeto, execução, manutenção, à restauração de obras. Sua atuação pode compreender diferentes segmentos: edifí- cios, estradas, portos, aeroportos, canais de navegação, túneis, instala- ções prediais, obras de saneamento, de fundações e de terra em geral (CGEE, 2009). Observe que independentemente do segmento de atuação, a área abarcará relevante e ampla interação com o meio ambiente. Sendo que tal interação pode compreender pontos como: supressão vegetal, movimentação do solo, consumo de recursos naturais e geração de re- síduos. Logo, os aspectos ambientais associados ao segmento devem ser gerenciados com vista à minimização dos seus impactos ambientais. Logo, nunca foi tão premente relacionar as atividades do setor de construção civil aos impactos gerados, pois ao promover o desenvol- vimento aumenta a demanda por insumos naturais, o que consequente- mente implica na geração de resíduos e impactos ambientais negativos. ASPECTOS LEGAIS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SEU REBATIMENTO NO CAMPO SOCIOAMBIENTAL As organizações sendo parte integranteda sociedade devem participar não somente com a oferta de produtos ou serviços de qua- lidade, mas também com ações relacionadas aos problemas sociais e ambientais existentes. As organizações devem reconhecer no meio ambiente uma prioridade, além de um fator determinante e essencial ao desenvolvimento sustentável. A sustentabilidade empresarial trata do compromisso da organização frente ao desenvolvimento sustentá- vel, denotando a interdisciplinaridade entre aspectos: ambientais (ecoe- ficiência operacional), sociais (responsabilidade social) e econômicos (diferencial competitivo) (PIMENTA, 2010). A construção civil brasileira é muito relevante ao desenvolvi- mento econômico e social, pois abarca desde a qualidade de vida da população até a infraestrutura do país. Esse segmento, portanto, atua como elemento propulsor da atividade econômica nacional ao movi- mentar um representativo volume de recursos ao longo de sua cadeia (SILVA, 2002). Observe a relevância do segmento ante o desenvolvi- mento de uma nação, uma vez que as atividades presentes em sua cadeia geram consumo de bens e serviços de outros setores. 23 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Como observado, a construção civil é uma área de alocação de recursos, bem como contribuiu ao desenvolvimento social, uma vez que representa uma fonte geradora de postos de trabalho. Tendo, portanto, uma significativa representatividade na economia brasileira, conforme dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção – CBIC (2020), o setor iniciou 2020 vislumbrando um horizonte de crescimento de 3%, com potencial para geração de 150 mil a 200 mil postos de trabalho. Trata-se de um segmento fortemente impactado por tendên- cias e mudanças setoriais, compreendendo uma das prioridades na alo- cação de recursos de economias, com vistas ao fortalecimento social (SILVA, 2002; TEXEIRA, 2010). LICENCIAMENTO AMBIENTAL DE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁ- RIOS Observe que muitas organizações, seja pelo atendimento aos requisitos legais ou de mercado vêm integrando continuamente o as- pecto ambiental em suas atividades. Bem como demandam tal postura de seus fornecedores que também devem demonstrar em seus forneci- mentos o comprometimento com o tema. Empreendimentos imobiliários utilizam uma série de serviços, o que representa um desafio à construção civil. Pois, alguns desses prestadores, com destaque às pequenas e médias empresas, podem apresentar baixa ou nenhuma integração das métricas de gestão am- biental em suas atividades. E, assim, revelam-se fontes geradoras de impactos ambientais que não podem ser negligenciadas. A indústria da construção civil compreende uma complexa ca- deia produtiva de múltiplos setores industriais tais como: mineração, side- rurgia do aço, metalurgia do alumínio e do cobre, vidro, cerâmica, madei- ra, plásticos, equipamentos elétricos e mecânicos, fios e cabos e diversos 24 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S prestadores de serviços (MELLO, 2007). Logo, observe que se trata de uma área que possui muitas interfaces com outros setores industriais. Bem como impacta sobre os demais setores e suas cadeias produtivas. Antes de abordarmos o tema “licenciamento ambiental de em- preendimentos imobiliários” é importante compreender a mecânica do ciclo de vida de um empreendimento, bem como ocorrem suas intera- ções com o meio ambiente. Sánchez (2006), em seus estudos, definiu tal ciclo em quatro fases, a saber: planejamento e projeto, implantação e construção, operação e funcionamento e desativação e fechamento. No Quadro 2 são sumarizadas tais fases. Quadro 2: Ciclo de Vida de um empreendimento Fonte: Baseado em Sánchez (2006). Meio Antrópico compreende a parte do licenciamento ambien- tal que abarca aspectos como: economia, arrecadação, postos de tra- balho, instrumentos públicos que indiquem possíveis impactos do em- preendimento no que tange à questão social e econômica do local. 25 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Conforme Bononi (2004, p. 235) O licenciamento praticado a partir da década de 1980 trouxe novas ferramen- tas à gestão ambiental e ao controle das áreas verdes. Ele pode abranger o âmbito federal, quando se trata de biomas protegidos pela legislação federal ou empreendimentos que causam impactos em áreas interestaduais. A parte técnica é analisada pelo Ministério do Meio Ambiente e a proposta, depen- dendo da abrangência e do interesse, é apreciada pelo Conama. O que nos permite constar que o processo de licenciamento ambiental é muito relevante e necessário, uma vez que possui o poder de limitar o uso desses recursos por atividades ou empreendimentos que serão avaliados por órgãos competentes quanto à sua adequação ao meio ambiente. O Licenciamento ambiental compreende um procedimento ad- ministrativo que habilita atividades ou empreendimentos a fazerem uso, dentro de certas limitações, dos recursos ambientais. Trata-se, pois, de um relevante instrumento que alia a temática do meio ambiente ao de- senvolvimento socioeconômico ao limitar a ação de atividades de em- preendimento com potencial de poluição ou degradação ambiental. Sabemos que a construção civil contribui sobremaneira ao de- senvolvimento social e econômico de um local, mas também contribui ao desenvolvimento urbano, sendo este promovido pelo crescente in- vestimento em empreendimentos imobiliários. No que tange a esse tipo de empreendimento, sua aprovação está diretamente relacionada à ob- tenção de licenciamento ambiental. Logo, o licenciamento ambiental, em termos de empreendi- mentos imobiliários, ao acompanhar o desenvolvimento urbano, tam- bém limita e regulariza tal crescimento para que ocorra de forma orde- nada e em conformidade ao planejamento urbano vigente. O licenciamento ambiental em empreendimentos imobiliários visa garantir que as estruturas atendam aos requisitos em termos de habitação, bem-estar e segurança. Ao mesmo tempo em que regulariza a implantação de infraestruturas básicas que observem o percentual mínimo de áreas verde e a proteção de unidades de conservação. O processo de licenciamento é extremamente burocratizado, mas é necessário à liberação de empreendimentos. De forma sumariza- da, compreende três etapas: a licença prévia, a licença de instalação e a licença de operação. No Quadro 3 tais etapas são comentadas. 26 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Quadro 3: Etapas de Licenciamento Fonte: Autoras (2021). Logo, os empreendimentos imobiliários que buscam as devi- das licenças ambientais visam compatibilizar a concepção de seu pro- jeto de construção às variáveis ambientais do espaço em que ocorrerá sua implantação. Cumpre comentar que juntamente ao processo de li- cenciamento se faz necessária a elaboração de laudos específicos, pro- jetos e plantas relacionadas, bem como o estudo detalhado do impacto do empreendimento imobiliário. Um exemplo de laudo necessário a empreendimentos imobiliá- rios é o Laudo de Caracterização Vegetal, que compreende o levanta- mento da vegetação local (tipo, estágio de desenvolvimento e população) e busca identificar a existência de vegetação nativa que necessite de cor- te (supressão). O que demanda prévia autorização e ações de mitigação. O Licenciamento possui como função proteger o meio ambien- te e a coletividade, através da aplicação de regramentos e especifica- ções às empresas cujas atividades poluem ou causam degradação am- biental. Em contrapartida salvaguarda as partes quanto a situações de 27 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S risco ambiental,insalubridade, vulnerabilidade, desastres naturais etc. O Licenciamento Ambiental de Empreendimentos Imobiliários segue a Resolução n° 237 do CONAMA. Nesta são indicados os tipos de empreendimentos atuantes em na zona urbana que demandam o licenciamento ambiental. São exemplos: empreendimentos industriais que poluem ou que causam degradação ambiental; atividades agrope- cuárias, de pesca e criação de animais; segmento da mineração; em- preendimentos imobiliários (objeto de nosso estudo); entre outros tipos. AVALIAÇÃO DE RESTRIÇÕES AMBIENTAIS PARA USO E OCUPA- ÇÃO DO SOLO O solo urbano é o principal instrumento no que tange ao li- cenciamento ambiental para empreendimentos imobiliários. Na fase de licenciamento de instalação, por exemplo, são solicitadas medidas de controle ambiental. Considerando o solo urbano como principal instru- mento são exemplos de medidas de controle: escavação e movimenta- ção do solo, otimização de trânsito com entulho ou solo removido. 28 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Ano: 2018 Banca: CETREDE Órgão: EMATERCE Prova: Agente de ATER - Engenharia Florestal A resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente Nº 237 de 19 de dezembro de 1997 dispõe sobre os procedimentos e critérios utilizados no processo de licenciamento ambiental, de forma a efe- tivar a utilização do sistema de licenciamento como instrumento de gestão ambiental. Considerando essa Resolução, assinale a op- ção INCORRETA. a) A licença ambiental para empreendimentos e atividades considera- dos efetiva ou potencialmente causadoras de significativa degradação do meio ambiente dependerá de prévio estudo de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto sobre o mesmo (EIA/RIMA). b) As licenças ambientais poderão ser expedidas, isolada ou sucessi- vamente, de acordo com a natureza, as características e a fase do em- preendimento ou da atividade. c) O prazo de validade da Licença de Operação (LO) deverá considerar os planos de controle ambiental e será de, no mínimo, 6 (seis) anos e, no máximo, 12 (doze) anos. d) A renovação da Licença de Operação (LO) de uma atividade ou em- preendimento deverá ser requerida com antecedência mínima de 120 (cento e vinte) dias da expiração de seu prazo de validade, fixado na respectiva licença, ficando este automaticamente prorrogado até a ma- nifestação definitiva do órgão ambiental competente. e) Poderão ser estabelecidos procedimentos simplificados para as ativida- des e empreendimentos de pequeno potencial de impacto ambiental, que deverão ser aprovados pelos respectivos Conselhos de Meio Ambiente. QUESTÃO 2 Ano: 2019 Banca: NC-UFPR Órgão: ITAIPU BINACIONAL Prova: Profissional de Nível Universitário Jr - Engenharia Florestal A respeito de licença ambiental, identifique as afirmativas a seguir como verdadeiras (V) ou falsas (F): ( ) LP é a primeira etapa do licenciamento, em que o órgão licencia- dor avalia a localização e a concepção do empreendimento, ates- tando a sua viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos para as próximas fases. A LP funciona como um alicer- ce para a edificação de todo o empreendimento. Nesta etapa, são definidos todos os aspectos referentes ao controle ambiental da empresa. De início, o órgão licenciador determina se a área suge- 29 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S rida para a instalação da empresa é tecnicamente adequada. Esse estudo de viabilidade é baseado no Zoneamento Municipal. ( ) O prazo de validade de cada licença difere de uma atividade para outra, de acordo com a tipologia e a situação ambiental da área onde está instalada. Os prazos de validade das licenças são: LP, não superior a 5 anos; LI, não superior a 6 anos; LO, mínimo, 4 anos e, no máximo, 10 anos. ( ) Nas condutas lesivas ao meio ambiente, responsabilidade ob- jetiva é aquela na qual o poluidor e seus sucessores, bem como qualquer um que tenha contribuído para o dano, serão considera- dos responsáveis perante a lei. Nesse caso, os responsáveis res- ponderão, individual ou conjuntamente, pelo pagamento do total da indenização devida. ( ) Em caso de dano ambiental, o empresário envolvido, os agentes corresponsáveis (pessoas físicas) e a empresa (pessoa jurídica) sofrerão sanções nas esferas cível, administrativa e penal. Assinale alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. a) V – V – V – F. b) V – V – F – V. c) F – F – V – V. d) F – V – F – V. e) V – F – V – F. QUESTÃO 3 Ano: 2018 Banca: UFU-MG Órgão: UFU-MG Prova: Engenharia Flo- restal Durante a fase de planejamento ou de elaboração de projeto de empreendimento florestal, existem diversos macro e micro fatores que precisam ser levados em consideração. Em relação a esses fatores, é INCORRETO afirmar que a) na fase inicial do projeto, quando são tratadas as condições gerais de implantação, não é necessário definir um objetivo de uso para a floresta a ser implantada. b) a escolha do espaçamento é uma das decisões mais importantes a ser considerada por impactar toda a estrutura de custos e de planeja- mento do viveiro, das atividades silviculturais e, até mesmo, da colheita. c) as opções de lazer, de educação e de bem-estar na região de implan- tação do projeto devem ser consideradas, uma vez que a saúde mental dos trabalhadores é fundamental para o bom andamento do projeto. d) o tamanho e a localização do viveiro florestal vão depender da quantida- de de mudas e da tecnologia de produção das mudas a serem utilizadas. 30 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S QUESTÃO 4 Ano: 2019 Banca: AOCP Órgão: Prefeitura de Juiz de Fora - MG Prova: Analista Ambiental - Engenheiro Florestal É notória a dificuldade de fiscalização e controle de todas as ativi- dades humanas que geram alterações nos meios físicos, químicos, biológicos, sociais e econômicos. Na esfera federal, a lei comple- mentar n° 140/2011 buscou descentralizar o licenciamento ao nível local. A esse respeito, assinale a alternativa correta. a) Os empreendimentos e atividades são licenciados ou autorizados, ambientalmente, por um único ente federativo. b) As Secretarias Municipais de Meio Ambiente precisam estar cadas- tradas no SISNAMA para licenciarem empreendimentos previstos pela lei complementar federal 140/2011. c) As atividades ou empreendimentos que possam causar impacto am- biental no âmbito local deverão ser definidas pelo CONAMA. d) A ação supletiva deve ser solicitada pelo ente originariamente deten- tor da atribuição de licenciar. e) A atuação subsidiária ocorre quando o ente da Federação substitui o ente federativo originariamente detentor das atribuições. QUESTÃO 5 Ano: 2018 Banca: IBGP Órgão: Prefeitura de Santa Luzia - MG Pro- va: Engenheiro Florestal A Deliberação Normativa COPAM nº 217/2017, estabelece critérios para classificação, segundo o porte e potencial poluidor, bem como os critérios locacionais a serem utilizados para definição das moda- lidades de licenciamento ambiental de empreendimentos e ativida- des utilizadores de recursos ambientais no Estado de Minas Gerais. Assinale a alternativa que apresenta um critério locacional que NÃO é contemplado por essa legislação: a) Localização prevista em zona de amortecimento de unidade de con- servação de proteção integral, ou na faixa de 3km do seu entorno quan- do não houver zona de amortecimento estabelecida por plano de mane- jo; excluídas as áreas urbanas. b) Localização prevista em unidade de conservação de uso sustentável, exceto APA. c) Localização prevista em reserva da biosfera, incluindo as áreas urbanas. d) Supressão de vegetação nativa, exceto árvores isoladas QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE No que tange à construção civil, um tema recorrente é a sustentabili- dade em suasoperações. Trata-se de uma atividade geradora de resí- 31 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S duos e usuária de um significativo volume de recursos naturais. Logo, cada vez mais, os empreendimentos são desafiados a operacionalizar empreendimentos que visem à minimização dos impactos provenientes das atividades em construções. Nesse viés, disserte sobre o papel da sustentabilidade na construção civil. TREINO INÉDITO Tipo de licença ambiental que visa ao atendimento dos requisitos de projeto, bem como a realização de ações com vistas ao controle ambiental do empreendimento. a) Licenciamento ambiental b) Licença de operação c) Licença de instalação d) Licença prévia e) Licença preliminar NA MÍDIA 21 MATERIAIS SUSTENTÁVEIS PARA UMA OBRA ECOLOGICA- MENTE CORRETA Na página “Condomínios Verdes” no tema construções sustentáveis cor- robora-se um dos aspectos tratados ao longo do capítulo: o uso de mate- riais sustentáveis. Neste artigo reforça-se que o segmento da construção civil se encontra entre segmentos com maior potencial poluidor do meio ambiente, mas destaca que existem alternativas ecológicas disponíveis no mercado. O artigo também apresenta um estudo conduzido pela con- sultoria PwC de 2015 que visou identificar os países que possuíam maior número de consumidores orientados ao consumo de produtos e servi- ços de empresas que atuassem em conformidade ao desenvolvimento sustentável, e o Brasil foi apontado em primeiro lugar. Para reverter tal situação, é indicado no artigo que o agente da transformação precisa ser o profissional da área, apresentando alternativas ecológicas, e de forma a contribuir a tal desafio apresentam uma seleção de materiais sustentá- veis que podem ser utilizados em construções. Fonte: Condomínios Verdes Data: 28 fev. 2020. Leia a notícia na íntegra: Disponível em: . Acesso em: 14 mai. 2021. NA PRÁTICA Atualmente, o emprego assertivo de materiais na construção civil tem se revelado um desafio aos profissionais da área, pois, com maior fre- 32 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S quência, é solicitado que as escolhas estejam alinhadas ao conceito de sustentabilidade. Isso ocorre porque a concepção de construção sus- tentável atende à demanda de equilíbrio entre meio ambiente e as prá- ticas do segmento. Logo, o profissional dessa e de outras áreas devem repensar o conceito de sustentabilidade em todas as etapas de suas atividades e operações. De forma prática é muito importante o uso e a aplicação de materiais sustentáveis em empreendimentos, visto que os recursos naturais se tornam excessos. Cabe ao profissional ao desenvolver seu conceito, também projetá-lo empregando materiais sustentáveis, pois esses ma- teriais além de atenderem a demanda de aspectos psicográficos de mercado, também geram menor impacto sob o meio ambiente. São exemplos de aplicações da área: o emprego de madeira proveniente de reflorestamento, a indicação e aplicação de tijolo de adobe e estruturas de concreto com isopor e PET. PARA SABER MAIS Título: INDUSTRIALIZAÇÃO, MEIO AMBIENTE, INOVAÇÃO E COM- PETITIVIDADE LUSTOSA, M. C. J. Industrialização, Meio Ambiente, Inovação e Com- petitividade. In: MAY, P. H.; LUSTOSA, M. C.; VINHA, V. (organizado- res). Economia do Meio Ambiente – Teoria e Prática. 3. ed. Rio de Ja- neiro: Elsevier, p. 155-172, 2003. Título: GESTÃO AMBIENTAL, RESPONSABILIDADE SOCIAL E SUS- TENTABILIDADE. DIAS, R. Gestão Ambiental, Responsabilidade Social e Sustentabilida- de. São Paulo: Atlas, 2011. 33 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL E CERTIFICAÇÕES A Sustentabilidade é um tema que ganhou notoriedade no mun- do todo na década de 1990. Foi na Rio-92 que um acordo foi assinado pelos representantes de diversos países, a Agenda 21, cujo propósito era atingir algumas metas pré-definidas para sustentabilidade. Foram acordados alguns objetivos apresentados pela Agenda 21: - Criar uma estrutura de abordagem e terminologia que adicio- nasse valor às agendas nacionais ou regionais e subsetoriais; - Criar um documento fonte para a definição de atividades de investigação e desenvolvimento na construção civil; - Criar uma agenda para atividades locais realizadas pelo CIB (International Council for Research and Innovation Building and Cons- GESTÃO AMBIENTAL E SISTEMAS DE GESTÃO AMBIENTAL(SGA) SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S 33 34 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S truction) e pelas organizações internacionais, suas parceiras. Em 1994, na Flórida (EUA), a temática da construção civil foi discutida na primeira Conferência Mundial sobre Construção Sustentá- vel. Nesse contexto, a construção sustentável foi entendida como uma aplicação dos conceitos que envolvem a sustentabilidade nas atividades desenvolvidas pela construção civil. Dessa forma, é sua responsabilidade a gestão eficiente dos recursos utilizados, bem como do ambiente cons- truído. Na conferência, alguns princípios foram discutidos e sugeridos: - Minimizar o consumo de recursos; - Maximizar a reutilização dos recursos; - Utilizar recursos renováveis e recicláveis; - Proteger o ambiente natural; - Criar um ambiente saudável e não tóxico; - Fomentar a qualidade ao criar o ambiente construído (KI- BERT, 1994). Foi fruto dessa conferência o conceito de construção sustentá- vel: “criação e gestão responsável de um ambiente construído saudá- vel, tendo em consideração os princípios ecológicos (para evitar danos ambientais) e a utilização eficiente dos recursos” (KILBERT, 2008, p. 432). A construção sustentável é aquela comprometida com o desen- volvimento sustentável. A construção civil é um setor que já é considerado o consumi- dor de metade dos recursos naturais do mundo, sendo 70% da madeira, 40% de água, 45% de energia e 60% da terra cultivável. Por ser um se- tor que se utiliza muito dos recursos naturais existentes, é um dos mais importantes na discussão da sustentabilidade, já que sua participação pode causar impactos consideráveis na natureza. A construção sustentável visa conciliar a eficiência de sistemas e materiais, no que tange ao consumo de energia. Bem como, aquele tipo de construção que aumente a vida útil dos espaços. As construções sustentáveis apresentam algumas caracterís- ticas comuns: a) Proporciona saúde e bem-estar aos usuários; b) Gestão sustentável da fase de implementação da obra; c) Minimizar o consumo de água e energia tanto na obra como na vida útil da construção; 35 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S d) Promover a ecoeficiência a partir do uso de matérias-primas; e) Minimizar a geração de resíduos e contaminação; f) Integração com o meio ambiente e uso mínimo de terreno; g) Redução nos impactos negativos no entorno ou não geração; h) Adaptabilidade às gerações futuras. A construção civil atua por meio de projetos que envolvem diversos atores como projetistas, construtores e usuários. Um projeto pode ser composto por três fases, a pré-construção, a construção e a fase de pós-construção. Para isso, são necessários recursos como energia, água, materiais e há geração de resíduos. A construção sus- tentável, por sua vez, não é diferente, mas o que a diferencia é a preo- cupação em todas as fases com a forma de utilização desses recursos. Conforme apresentado na Figura 1. Figura 1 - Construção Sustentável Fonte: PINHEIRO (2003, p. 2). Atuar comconstrução sustentável pode apresentar diversas vantagens ao longo do processo. Isso se mostra presente na economia de água, de energia e de materiais utilizados. Além dessas vantagens, pode-se adicionar à lista a redução das emissões poluentes e o aumento do ciclo de vida das construções. Essas vantagens, entretanto, não são percebidas diretamente no dia a dia das construções, apenas no médio e longo prazo é possível perceber os resultados nos custos do projeto. Ademais, optar por uma construção sustentável possibilita a melhora da 36 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S qualidade habitacional e construtiva de um edifício, por exemplo. Ainda sobre o conceito de construções sustentáveis, quando se trata de construção de edifícios se utiliza o termo Edifício Verde (Cons- trução Verde) ou Green Building, sendo este construído respeitando os padrões sustentáveis definidos. As construções verdes buscam alcan- çar um desempenho ambiental em relação a cinco categorias: eficiência de água e energia, local sustentável, conservação de recursos e mate- riais e qualidade ambiental (Figura 2). Figura 2 - Características de um Edifício Verde Fonte: Nova Arquitetura, 2011. Um dos desafios encontrados para a implementação de Cons- truções Sustentáveis é que, em geral, as obras são realizadas por dife- rentes empreiteiros e nem sempre a comunicação flui da melhor forma para compartilhamento de informações. Assim, cada um tem sua forma de trabalhar e, muitas vezes, acabam desperdiçando muito material. Al- gumas técnicas podem ser usadas para reaproveitamento de recursos e aproveitamento de recursos renováveis como: - Utilização de luz solar; - Telhados verdes; - Uso de e grandes jardins para infiltração da água da chuva no solo; - Uso de cascalho, ao invés de asfalto nas áreas de circulação. No Brasil, algumas práticas sustentáveis nas construções são apresentadas pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA) e pelo Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS): - aproveitamento de condições naturais locais; - utilizar mínimo de terreno e integrar-se ao ambiente natural; - implantação e análise do entorno; 37 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S - não provocar ou reduzir impactos no entorno – paisagem, temperaturas e concentração de calor, sensação de bem-estar; - qualidade ambiental interna e externa; - gestão sustentável da implantação da obra; - adaptar-se às necessidades atuais e futuras dos usuários; - uso de matérias-primas que contribuam com a ecoeficiência do processo; - redução do consumo energético; - redução do consumo de água; - reduzir, reutilizar, reciclar e dispor corretamente os resíduos sólidos; - introduzir inovações tecnológicas sempre que possível e viável; - educação ambiental: conscientização dos envolvidos no processo (MOTTA; AGUILAR, 2008, p. 93). A construção civil sofreu mudança de tecnologia para que os impactos sobre o ambiente construído fossem reduzidos. As certifica- ções ambientais são usadas como ferramenta política na busca da in- serção social, socioambiental e econômica no setor da construção civil. Ambiente, economia e sociedade, essas são as três esferas propostas por John Elkington conhecidas como o triple bottom line (tripé da sus- tentabilidade), de acordo com a Figura 3: Figura 3: Tripé da Sustentabilidade aplicado às organizações Fonte: Baseado em Pedroso (2007). 38 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Certificações Ambientais na Construção Civil Na busca por alcançar um desenvolvimento sustentável, levan- do em consideração os impactos gerados pelo setor de construção civil, a Inglaterra (1990) lança o primeiro sistema para avaliar as construções no mundo: Building Research Establishment Environmental Assessment Method (BREEAM). Esse sistema lança uma forma de certificação, um selo "verde". Ainda, nesse ano, é apresentado por Norman Foster um ar- tigo que discute o papel da engenharia e arquitetura no processo de construção fazendo crítica aos impactos ambientais gerados. O artigo Architecture and Sustainability sugere que se deve pensar: - Por que ocupar novas áreas, quando podemos recuperar áreas? - Por que demolir edifícios que poderiam ser utilizados para novos usos? Por que utilizar intensa iluminação artificial onde podemos aproveitar a luz do dia? - Por que utilizar condicionamento de ar onde nós podemos simplesmente abrir uma janela? Richard Rogers apresenta, em 1997, um livro que propõe for- mas de cidades do futuro, buscando harmonia e equilíbrio entre a na- tureza e o homem. Em 1999, o CIB apresenta a Agenda 21, conforme comentado anteriormente. Além disso, é criado, nos EUA um incenti- vo financeiro e econômico para as construções verdes, o Leadership in Energy and Environmental Design (certificação LEED) pelo USGBC (U.S. Green Building Council). A certificação LEED é um sistema que consiste em um agru- pamento de normas que devem ser usadas para avaliar as construções sustentáveis, levando em consideração o ciclo de vida. Esse sistema mede e classifica as construções em termos de sustentabilidade. A cer- tificação LEED é realizada por terceiros e utiliza estratégias para melho- ria de desempenho, dentre elas destacam-se: - Eficiência energética; - consumo de água; - redução de emissões de CO2; - qualidade ambiental; - gestão dos recursos e sensibilidade aos seus impactos. Portanto, essa certificação busca avaliar edifícios que pos- suem projetos passíveis de mensuração com a intenção de eliminar os impactos ambientais causados pela atividade. Portanto, a fase de concepção do projeto é essencial para a implementação das melhorias apresentadas anteriormente. 39 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S A LEED tem níveis definidos pelo grau de proteção ambiental que o empreendimento consegue implementar. Para que essa avaliação ocorra, o empreendimento deve apresentar documentos que apresen- tem os critérios obrigatórios que serão avaliados a partir de um sistema de pontuação. Há níveis para essa certificação, depende da pontuação. A figura 4 apresenta os quatro níveis da certificação LEED. Figura 4: Níveis da Certificação LEED Fonte: GBCB, 2011. Na Figura 4 são apresentados os quatro níveis da LEED, no qual a certificação Básica é para aqueles empreendimentos que alcan- çam de 26 a 32 pontos, a Prata para 33 a 38 pontos, a Ouro é entre 39 e 51 pontos e Platina é para empreendimentos que alcançam de 52 a 69 pontos na avaliação. Acompanhando os movimentos mundiais em prol da sustenta- bilidade, em 2002, a França lançou uma certificação para construções, o HQE (Haute Qualité Environnementale. No Brasil, em 2008 foi criado o selo ambiental AQUA (Alta Qualidade Ambiental) aplicada pela Fun- dação Vanzolini, baseada na certificação francesa HQE. Essa certifica- ção busca a qualidade ambiental, tanto dos empreendimentos quanto de seus equipamentos, para a satisfação das necessidades de respon- der eficientemente aos impactos ambientais sem perder o conforto dos ambientes externos e internos das construções. A Fundação Vanzolini é uma instituição sem fins lucrativos que se responsabiliza pela implementação da AQUA no Brasil. O processo é rea- lizado a partir de consultorias independentes e é indicado para empreendi- mentos novos de construção ou reabilitação. Existem diversos benefícios na adoção de uma certificação AQUA, tanto para o empreendedor quanto para o comprador e o ambiente, conforme apresentado no Quadro 4: 40 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Quadro 4: Benefícios doProcesso AQUA Fonte: FUNDAÇÃO VANZOLINI, 2011. A AQUA é uma certificação que implementa um sistema de gestão ambiental, busca a adaptação do ambiente (interno e externo) e as informações devem ser transmitidas ao empreendedor e aos usuá- rios. Para isso, é necessário ter uma referência técnica na estruturação da certificação, portanto são dois os elementos essenciais: - Sistema de Gestão do Empreendimento (SGE) - para avaliar o sistema de gestão ambiental implementado. Esta estrutura utilizada permite que haja a organização necessária para se atingir a qualidade ambiental desejada. O SGE determina os critérios de qualidade am- biental, organizando e controlando os processos operacionais em todas as suas fases (FUNDAÇÃO VANZOLINI, 2011). - Qualidade Ambiental do Edifício (QAE) - para analisar o de- sempenho técnico e arquitetônico da construção. Os dois sistemas de certificações mais utilizados no Brasil são o LEED e o AQUA, por isso, este material focou nessas duas modalida- des de certificação por se tratar da maior prática no país. O Quadro 5 apresenta um resumo das diferenças de estruturação de cada processo: 41 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Quadro 5: Estruturação LEED x AQUA Fonte: COELHO, 2010. SUSTENTABILIDADE E A CONSTRUÇÃO CIVIL As atividades da construção civil têm impacto direto no ambien- te em que vivemos. Tanto de forma positiva quanto de forma negativa, os prédios e demais construções alteram o meio em que são inseridos. Dessa forma, ao aplicar os conceitos de sustentabilidade e edifícios ver- des, é possível verificar diversas mudanças nesses impactos. Impactos Associados A implementação de políticas e processos sustentáveis geram impacto no ambiente, mas também nos custos da empresa que imple- menta tais ações. No que tange aos edifícios, pode-se citar como im- pacto positivo ao meio ambiente: - Tratamento total do esgoto; - Uso da Energia solar para aquecimento da água; - Reciclagem da água de banho e lavatório ; - Isolação térmica de fachadas; - Uso de vidro insulado, entre outros. Conforme apresentado por Ceotto (2009), existem ferramentas 42 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S que analisam e priorizam as ações em edifícios residenciais, assim, o Quadro 6 apresenta os impactos positivos do meio ambiente classifica- dos em maior ou menor impacto tanto no ambiente como nos custos. Quadro 6: Alternativas de soluções e impacto em edifícios Fonte: CEOTTO, 2008. Uso Racional de Energia, Água e Recursos Renováveis Um dos maiores desafios para a implementação de constru- ções sustentáveis é o uso racional dos recursos naturais. As constru- ções devem encontrar a melhor forma de utilizar a energia, a água e demais recursos renováveis. Para que a utilização da água seja considerada responsável é necessário reduzir o seu consumo e aproveitar as fontes disponíveis, como a água da chuva por exemplo. Essa utilização traz benefícios am- bientais para os usuários e pode trazer uma economia gerando redução do custo associado à conta de água. A reutilização da água não é, entretanto, a única forma de pen- sar a sustentabilidade desse recurso. Após o uso, a água pode conter agentes contaminantes e causar estragos importantes nas fontes desse recurso, portanto é essencial que a água usada nas construções passe por tratamentos antes de retornarem ao meio ambiente. Outro recurso de importante discussão é a energia elétrica, uma 43 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S vez que a sua produção envolve investimentos altos e utiliza-se de grandes áreas que nem sempre são de recursos renováveis. Por isso, nas constru- ções sustentáveis busca-se a eficiência energética, usando fontes alterna- tivas a tradicionalmente usada (hidroelétrica), reduzindo a utilização. A partir da geração de energia própria com fontes renováveis como a eólica e a solar, é possível conseguir essa eficiência ecológica. Um dos produtos mais acessível a maior parte da população é o siste- ma de aquecimento solar da água. A energia solar pode ser usada tam- bém com a climatização do ambiente interno da construção, bem como da iluminação dos edifícios. O Brasil, em relação à energia solar, é considerado privilegiado, visto a imensa incidência de raios solares emitidos em seu território e pelas reservas de quartzo para a produção do silício, utilizados na fabri- cação de células solares. Ainda, em razão disso, vários são os benefícios como gases não poluentes na atmosfera comparada a outras energias, a mínima manutenção em suas centrais, a sua utilização em lugares remo- tos ou de difícil acesso e uma grande vida útil de seus sistemas implanta- dos. Entretanto, ainda causa alguns impactos ambientais como emissões de produtos tóxicos durante a produção do insumo utilizado para a produ- ção dos módulos e componentes periféricos, não podendo ser usado nos períodos de chuva e noturno (AGUILAR et al., 2012). A biomassa é uma fonte de energia renovável que é utilizada tam- bém pela construção civil. A queima de biomassa produz cinzas e uma das formas de aplicação desse resíduo é na construção civil. Apesar de a areia ser um material de custo baixo, seu transporte encarece a sua utilização. Por isso, as cinzas passam a ser uma alternativa, uma vez que reduz os custos. As cinzas são usadas principalmente na produção de materiais de cimento. Esse uso é uma forma significativa de redução dos impactos ambientais das usinas que beneficiam cana-de-açúcar. Isso ocorre porque o que seria descarte e geraria custo para descartar se torna matéria prima e passa a gerar receita com a sua venda. Dessa forma o que é descarte para um passa a ser à base da outra indústria. 44 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S Materiais de Construções e a Sustentabilidade Uma das questões discutidas a respeito dos impactos ambien- tais relacionados à construção civil está na possibilidade de esgotamen- to de recursos naturais não renováveis devido a sua utilização como matéria prima. Com isso, levanta-se uma procura por formas alternati- vas de matéria-prima e melhor utilização dos recursos. Na definição dos materiais para implementação de uma obra sustentável, alguns critérios devem ser levados em conta: - Origem da matéria-prima; - Extração; - Processamento; - Gastos com energia para transformação; - Emissão de poluentes; - Biocompatibilidade; - Durabilidade; - Qualidade; - Outros. Outro aspecto importante relacionado à escolha de materiais na utilização da construção civil é que existe uma preferência por ma- teriais que: - Não são tóxicos; - Incorporam baixa energia; - São recicláveis; - Que reaproveitam resíduos de outras indústrias; - Originados por fontes renováveis; - Baixa emissão de GEE; - Sejam duráveis; - Seja analisado o ciclo de vida. ANÁLISE DO CICLO DE VIDA – ACV A análise ou avaliação do ciclo de vida é uma ferramenta de aná- lise de alternativas muito usada na atualidade. Essa ferramenta tem como objetivo avaliar os impactos ambientais de produtos e serviços a partir de entradas (como matérias-primas) e saídas (como emissão de gases e pro- dutos) de um determinado sistema. O ciclo de vida consiste nas etapas: - Extração da matéria-prima - Transporte A utilização dessa ferramenta deve seguir padrões regulamen- tados pelas normas ISO 14040, ISO14041, ISO14042 e ISO14043. 45 SU ST E N TA B IL ID A D E E R E SP O N SA B IL ID A D E A M B IE N TA L - G R U P O P R O M IN A S A análise do ciclo de vida ‘inclui o ciclo de vida completo do produto, processo ou atividade, ou seja, a extração e o processamento de matérias-primas, a fabricação, o transporte