Prévia do material em texto
I. Conclusão Diante do exposto, sabe-se que o idealizador da teoria do direito penal do inimigo, Gunther Jakobs, recebeu fortes críticas, mas também muitos apoiadores, tendo em vista que na atualidade a sua teoria é consolidada como discussão obrigatória na academia de direito. Dessa maneira, como foi observado, tal tese tem como pressuposto principal a divisão do Direito Penal em dois polos opostos: o Direito Penal do cidadão, aplicado aos indivíduos que delinquem, mas mantêm uma expectativa mínima de segurança, isto é, de fidelidade ao ordenamento jurídico, devendo ser conservado o seu status de pessoa e, por conseguinte, todos os seus direitos e garantias individuais. Em contrapartida, o Direito Penal do inimigo, aplicado àqueles seres humanos infratores do Direito positivado na sociedade, que não demonstram respeito nem a possibilidade de que um dia possam ser fiéis ao sistema jurídico vigente, ocasionando a estes a despersonificação, a reificação, não lhes sendo reconhecido nenhum ou quase nenhum direito fundamental. A tese do Direito Penal do inimigo tem como características principais a relativização e/ou extinção de garantias penais e processuais, o alargamento da tutela penal, mediante a punição da preparação e a tipificação de delitos de perigo abstrato e a desproporcionalidade das sanções penais. As críticas voltadas à tese Jacobiana são várias, tendo sido elencadas as reputadas mais importantes, a exemplo da odiosa distinção realizada entre cidadãos-pessoas x inimigos-não pessoas, que fere de morte os princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade, dois postulados fundantes do Estado Democrático de Direito. Nesse ínterim, é importante salientar que A Teoria do Direito Penal do Inimigo não está em consonância com o ordenamento jurídico brasileiro, segundo a Constituição de 88. Assim, os direitos e as garantias dos sujeitos não podem nem se quer ser alvo de emenda. Contudo, na prática, a sociedade brasileira adota veementemente o Direito Penal do inimigo e, além disso, reforça um estereótipo dotado de preconceito para esta imagem de “inimigo”. Nesse viés, como o autor Kant de Lima muito bem aborda, é possível observar resquícios desta teoria presente na grande maioria dos inquéritos policiais, tendo em vista as características inquisitoriais desses e o público que atinge, como por exemplo, os inquéritos policiais instaurados contra pessoas negras com nenhuma ou pouquíssima prova, nas quais esses acusados não possuem o direito do contraditório e da ampla defesa, justamente pela palavra dos policiais serem consideradas mais próximas da veracidade. Nesse sentido, com direitos já suprimidos nesse âmbito investigativo, torna-se clara a idealização de um “inimigo” da sociedade. Dito isto, conclui-se que existem duas correntes doutrinárias acerca do tema, uma majoritária desfavorável, alegando como motivo principal a falta de observâncias aos Direitos Humanos e o conflito com o art. 5º, da Constituição Federal. E outra, minoritária, com conteúdo favorável a Teoria de Jakobs, concordando que para se instaurar a ordem social, em alguns casos específicos, deve aplicar-se um tratamento diferenciado a indivíduos criminosos.