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Sobrevivencialismo Táticas, técnicas e guias para tempos incertos Primeira Edição Copyright © 2019 de João Henrique Marques de Oliveira Ramos Todos os direitos reservados. Este livro ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, datada e assinada seja por meio eletrônico ou físico. Isenção de Responsabilidade Todas as opiniões desse livro são exclusivas do autor. As informações aqui disponibilizadas são para fins educacionais e não são prescrições médicas. A formação de quem escreveu esse livro não é medicina, mas sim administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas. Tudo o que é comentado nesse livro é fruto de experiência de mais de dez anos com atividades físicas e estudo das mais diversas publicações. É sempre recomendado que o leitor acompanhe com o médico de sua confiança se o programa disponibilizado é adequado para sua condição individual. Caso se trate de alguém com problemas de saúde recorrentes ou graves é aconselhado um acompanhamento com um profissional médico. Esse livro é material puramente informativo e o autor não aceita qualquer responsabilidade por danos ou problemas de saúde que puderem ocorrer com quem utilizar de forma equivocada as informações aqui fornecidas. Trata-se de um livro sobre filosofia sobrevivencialista, mas é sempre necessário ser sensato e não tomar atitudes sem pensar ou aceitar como verdadeira as prescrições médicas e curas de qualquer charlatão aleatório. Sumário Capítulo 1 – Introdução 120 Capítulo 2 – A mentalidade sobrevivencialista 405 Capítulo 3 – A história do sobrevivencialismo 524 Capítulo 4 – Despensa e estocagem de comida 704 Capítulo 5 – A água como bem primordial 873 Capítulo 6 – Conhecimento e manejo de armas de fogo 1037 Capítulo 7 – Algumas técnicas úteis 1464 Capítulo 8 – A natureza como cura universal 1765 Capítulo 9 – Primeiros socorros e remédios 2331 Capítulo 10 – Investimentos para sobrevivencialistas 2451 Capítulo 11 – A importância da hipertrofia para um sobrevivencialista 2906 Capítulo 12 – Hábitos saudáveis e questões importantes para um sobrevivencialista 3166 Capítulo 13 – Retiro – Bug Out Location 3526 Capítulo 14 – Preparação para sinistros, eventos caóticos e tragédias 3685 Capítulo 15 – TEOTWAWKI 3826 Capítulo 16 – Conclusão 4097 Glossário - 4125 Sobre o autor - 4431 Capítulo 1 Introdução “A extinção é a regra e a sobrevivência é a exceção” Carl Sagan Por que se preparar para o pior? Existem dois tipos de pessoas no mundo atual (e talvez esses dois grupos sempre existiram, mas o que mudava eram os problemas específicos do mundo na época) que são aqueles que reconhecem que está havendo uma grande mudança global em termos econômicos, políticos, sociais e naturais (e que essa mudança não é boa sob muitos aspectos) e aqueles que possuem uma mentalidade de carneiro e não questionam nada, apenas seguem. Não precisa ser um gênio para estimar qual grupo é o mais numeroso. As pessoas que pertencem a esse segundo grupo normalmente aderem sem pensar a um estilo de vida hedonista e acreditam que apenas o presente existe e que qualquer planejamento ou decisão que considere um prazo maior que o curto prazo ou que envolva qualquer sacrifício momentâneo é uma completa estupidez. Esse tipo de pensamento é primitivo e animalesco, mas infelizmente algumas engrenagens do sistema ocidental devem mudar antes que seja possível convencer um número significativo de pessoas de que existem perigos reais. Tentar evangelizar a grande massa de pessoas seria como tentar convencer o seu cachorro que se ele não comer a carne que está disponível na sua frente ele vai ganhar o alimento mais vezes por semana. Já no primeiro grupo podemos fazer uma divisão entre os otimistas e os céticos. Os otimistas são aqueles que, apesar de perceberem as mudanças, depositam uma fé extraordinária na inventividade e tecnologia e que acham que tudo ficará bem no final das contas. Os céticos são aqueles que preferem desconfiar e se preparam para situações disruptivas. O grupo dos que percebem a mudança e são céticos em relação às perspectivas humanas contem os mais diversos tipos de pessoas e que despertaram pelos mais diversos motivos. Esse motivos podem ser religiosos de alguém que observa mudanças ocorrendo a uma velocidade assustadora (e que 10 anos atrás pareceriam impossíveis) ou mesmo surgir de observações sobre o clima e outros eventos geopolíticos, como se o mundo não parecesse um lugar estável como costumava ser no passado. Há uma angústia geral: é como se faltasse alguma coisa, como se a humanidade não estivesse indo em direção ao caminho certo. O medo cresce e o ser humano com receio de perder o controle passa a se preocupar cada vez mais em se ajustar a possíveis situações adversas. É para esse grupo de pessoas despertas e que são céticas que esse livro foi escrito. Se você já começou a tomar alguma atitude e se preparar, não tenho dúvida que essa obra irá fazer com que a qualidade da sua preparação melhore e para aqueles que estão começando não tenho dúvida que o que está escrito aqui fornecerá um norte importante. Irei tratar em mais de 200 páginas os principais pontos abordados na literatura sobrevivencialista. Essa obra foi pensada para proporcionar o máximo de diretrizes sem ser abusivamente técnica. Ficar em muitos pontos pormenorizando cientificamente determinadas atividades só iria tornar o livro excessivamente longo e enfadonho para o leitor médio. Sendo assim, foi buscada (e espero que alcançada) uma harmonia saudável entre a qualidade do material, tamanho e prazer proporcionado pela leitura. Praticamente não existe nenhuma literatura sobrevivencialista no Brasil e esse livro tem como objetivo iniciar uma discussão saudável e espero honestamente que outras obras de qualidade apareçam a partir de agora. Em muitos casos os sobrevivencialistas não precisam apenas aprimorar seu conhecimento e desenvolver habilidades de sobrevivência, mas também convencer e quebrar a resistência de pessoas próximas que olham para filosofias análogas com desconfiança e preconceito. Fornecendo evidências e informações essa tarefa se torna muito mais simples. De forma pragmática, quando você passa a comprar produtos a granel você está economizando dinheiro e criando um cenário em que você irá comprar menos itens por impulso. O tempo e combustível também serão poupados e mesmo a sanidade será preservada já que situações como doenças ou eventos como perda de emprego não irão te afetar tanto como afetariam se você não tivesse adotado essa forma de consumo. A paz de espírito que a filosofia sobrevivencialista irá te proporcionar é inenarrável e com esse livro será possível também voltar a ter contato com técnicas e habilidades que eram comuns na época dos nossos avós, mas que, em um mundo de facilidades e grandes especializações, infelizmente se perderam. Não é neurose: são eventos ocorrendo na frente dos seus olhos Há inúmeros eventos ocorrendo que são manifestações geográficas, políticas, econômicas e climáticas e que não deixam dúvida de que devemos começar uma preparação adequada. Não há qualquer argumento contrário que convença um espírito racional e cético que a probabilidade de que eventos caóticos e destrutivos ocorram é cada vez maior. O terrorismo é apenas mais uma praga relacionada que afeta o Ocidente débil e enfermo. Felizmente você leitor, assim como uma infinidade de outras pessoas no Brasil e no mundo, já percebeu o que está ocorrendo e começou a se planejar e preparar para enfrentar o desconhecido. A filosofiae evite a proliferação de algas, bactérias e protozoários. Algumas matérias orgânicas presentes na água como o suor e excreções não são eliminadas, por isso não deve ser a única forma de tratamento de água utilizada. Tratamento da água É preciso entender que a água de fontes abertas sempre devem ser tratadas antes do uso. Concentrações típicas de cloro matam bactérias, mas não todos os vírus, então eu recomendo uma abordagem de três etapas para tratar a água de fontes abertas (no entanto, lembre-se que nenhum sistema de filtragem é 100% eficaz na remoção de herbicidas e pesticidas. Para conseguir isso seria necessário fazer uma destilação ou um sistema de osmose reversa (que são muito mais complexos). Pré-filtragem Serve para remover o material particulado. É como se você estivesse fazendo café e aqui seria possível usar camisetas ou mesmo toalha de banho. Ao pré-filtrar, você também estenderá a vida do seu filtro de água porque você vai estar evitando o entupimento dos poros microscópicos nos meios filtrantes. Cloração Esse é um processo mais complexo. O processo básico da cloração consiste em utilizar produtos químicos à base de cloro, com o objetivo de inativar os micro-organismos patogênicos existentes na água. Além da função básica, o cloro é um poderoso oxidante e assim reage com grande número de substâncias orgânicas e inorgânicas presentes na água, como por exemplo, na remoção de gás sulfídrico, ferro e manganês. A FUNASA tem um manual de cloração de água em pequenas comunidades que é muito interessante de ler. Para quem tem interesse o link é: http://www.funasa.gov.br/site/wp- content/files_mf/manualdecloracaodeaguaempequenascomunidades.pdf Filtragem Eu recomendo o Katadyn ou Berkefeld britânico como filtros ideais. Alguns elementos filtrantes disponíveis para os dois podem remover até o cloro. Tratamento de Água e Desinfecção com Ultravioleta O tratamento ultravioleta (UV) é uma inovação interessante que foi primeiro abraçada por criadores de peixes. A tecnologia UV é bastante promissora para qualquer pessoa com um poço raso ou nascente que tenha uma contagem inaceitável de bactérias, algo que normalmente ocorre http://www.funasa.gov.br/site/wp-content/files_mf/manualdecloracaodeaguaempequenascomunidades.pdf durante uma enchente ou sazonalmente com fortes chuvas que aumentam a água da superfície que pode entrar em um poço ou fonte. O método UV de tratamento está crescendo em popularidade nos Estados Unidos e no Canadá, porque não há necessidade de utilização de produtos químicos. Os raios de luz ultravioleta - assim como os do sol que produzem queimaduras solares só que mais mais fortes - alteram o DNA de bactérias, vírus, fungos e parasitas e isso faz com que eles não consigam mais se reproduzir. Eles não são mortos, mas são simplesmente tornados estéreis. Dessa forma, passam com segurança pelo trato digestivo, mas não conseguem se reproduzir o que evita doenças intestinais. O esterilizador UV compacto que eu recomendo para uso em campo é vendido com o nome de SteriPEN. O SteriPEN é uma solução prática às pessoas que querem certificar-se da qualidade da água que vão consumir em qualquer lugar do planeta. O produto pode ser considerado o primeiro e mais leve purificador de água por UV recarregável do mundo . Além disso, é altamente ecológico. Não só porque é capaz de purificar a água para consumo, mas também porque sua bateria é recarregável pela porta USB do computador, tomada de corrente elétrica convencional ou carregador solar compatível com o produto. Ou seja, o usuário, se assim preferir, pode dispensar o uso da energia elétrica convencional e utilizar a luz do Sol para recarregar o purificador, quando precisar. O SteriPEN é muito eficiente na hora de remover germes e bactérias da água. Ele oferece uma remoção de até 8000 microbactérias por seção de remoção, para cada 0,5 litros de água. Em 48 segundos, a luz ultravioleta do produto é capaz de destruir mais de 99,9% das bactérias, vírus e protozoários presentes no copo com água. Para um volume de um litro de água, é necessário executar o processo de tratamento por duas vezes. O aparelho é perfeito para o uso em atividades ao ar livre e turismo de aventura. O produto se destaca por ser muito portátil (pesa apenas 74 gramas) e fácil de usar. Basta remover a tampa que protege a lâmpada, mergulhar a lâmpada UV na água, e mexer a lâmpada dentro do copo, por aproximadamente 48 segundos. A luz indicadora verde vai alertar quando a água estiver pronta para o consumo . Indicadores de Pasteurização de Água e fervimento Os indicadores de pasteurização de água (WAPIs) são agora comumente usados nos países mais pobres para economizar combustível e tempo ao tratar água potável. A água que é aquecida a 100 graus por um curto tempo está livre de micróbios vivos. Ela não precisa ser "fervida por dez minutos", como a “sabedoria popular” costuma dizer. Um WAPI é um tubo simples, pequeno e de baixo custo com cera de soja especial que indica quando a água atingiu uma temperatura segura de pasteurização. Hipoclorito de cálcio Hipoclorito de cálcio é um composto químico de fórmula Ca(ClO)2. É largamente usado no tratamento de água e como agente alvejante (alvejante em pó). Este composto é considerado relativamente estável e possui mais cloro disponível do que o hipoclorito de sódio (alvejante líquido). Para purificar a água para consumo humano recomenda-se colocar 2 a 4 gotas de hipoclorito de sódio de concentração 2 a 2,5%, para cada 1 litro de água. Essa solução deve ser guardada dentro de um recipiente não transparente, como um pote de barro ou uma garrafa térmica, por exemplo. Capítulo 6 Conhecimento e manejo de armas de fogo “Eu prefiro liberdade perigosa do que escravidão pacífica” Thomas Jefferson A importância do manejo de armas de fogo Essa é uma das partes mais importantes de quem segue a filosofia sobrevivencialista e provavelmente a que vai exigir maior esforço para que você desenvolva um bom conhecimento e habilidades na área. Com o Estatuto do Desarmamento e a proibição de venda de armas de fogo para civis ficou muito difícil não apenas que o cidadão se defenda como também que ele tenha conhecimento prático de armas de fogo e técnicas que ajudariam sua sobrevivência. Para quem não lembra o governo promoveu um referendo popular no ano de 2005 para saber se a população concordaria com o artigo 35 do estatuto, que tratava sobre a proibição da venda de arma de fogo e munição em todo o território nacional. O artigo foi rejeitado com 63,94% dos votos "NÃO" contra 36,06% dos votos "SIM". Mesmo com essa derrota a esquerda militante proibiu da forma mais cínica e descarada a venda. As pessoas que conseguiam armas eram uma parcela insignificativa das que pediam o que virtualmente significava proibição. Se você está lendo esse livro então no mínimo posso supor que você já sabe muito bem disso, mas, pensando naqueles que estão lendo por curiosidade, vou esclarecer alguns pontos. O primeiro ponto é que a venda de armas para civis não aumenta a violência. Os formadores de politicas públicas de esquerda nunca seguraram uma arma na mão e nunca participaram de qualquer situação de risco. Eles não tem a menor noção de como realizar uma política pública de segurança eficiente. A questão aqui é que eles sabem disso e mesmo assim continuam a defender essas ideias. Por qual razão você diria? Eles não vão admitir publicamente, mas em toda noção distorcida e imbecil da luta de classes eles consideram – ou quem formula as diretrizes que eles seguem como massa de manobra – que a vida do indivíduo de classe média que eles tão ironicamente chamam de “cidadão de bem” vale menos que a de um criminoso que nasceu em camadas mais pobres. Quando você tenta argumentar com um esquerdista sobre as falácias do desarmamento ele normalmente vem com o discurso de que os Estados Unidos têm menos mortes porque são um país mais rico e que não dá paracomparar as realidades do Brasil com a parte rica da América do Norte. Pois bem vamos comparar então as realidades dentro do próprio país rico. Este gráfico é tão definitivo que eu nunca consegui receber uma resposta que fosse minimamente elaborada de um esquerdista. Eles no máximo começavam a gaguejar e soltar frases incoerentes ou dizer que era “fake news”. Trata-se da comparação entre a cidade “liberal” Chicago (que nos Estados Unidos quer dizer esquerdista) com a cidade conservadora de Houston: Esse gráfico é tão avassalador porque ele apresenta cidades com condições absurdamente próximas. Chicago é ainda maior e teve quase 9x o número de homicídios de Houston que é uma cidade conservadora que permite a venda de armas. Até a questão da renda é favorável a Chicago já que a renda da cidade é marginalmente superior a Houston. A parte final da imagem é a mais engraçada já que o criador ironiza as políticas públicas esquerdistas dizendo que esse tipo de gente iria concluir dizendo que foi o Aquecimento Global que diminuiu a temperatura nas cidades do norte dos EUA, o que acarretou maiores mortes. Voltando para a realidade nacional, é bem verdade que com o novo governo do Bolsonaro teremos uma maior liberação das armas e tudo tende a mudar positivamente. Agora quando eu escrevo (fevereiro de 2019) o decreto de posse de armas de fogo já ocorreu e tudo indica que esse só foi o passo inicial. De qualquer forma, vou aqui comentar baseado na nossa realidade atual o que um sobrevivencialista/prepper pode fazer para se preparar melhor nesse campo. Clubes de tiro Esse um tipo de lazer que as pessoas no Brasil não costumar ter – mesmo aqueles que já conhecem melhor a filosofia sobrevivencialista. Participar desses clubes que em muitos casos são também clubes de caça é algo muito agradável e uma ótima forma de conseguir networking com pessoas com uma ideologia próxima a sua. Em muitas situações você poderá formar grupos de amigos para caçarem (javalis que foram liberados recentemente) e o seu desempenho, tanto pela prática no clube quanto por simular uma situação de combate, irá melhorar paulatinamente. Existem as mais diversas formas de treinamento nos clubes que vão desde atirar em alvos parados até máquinas que arremessam pratos de cerâmica para que o atirador esportivo possa realizar o disparo com o alvo em movimento. As balas nesse caso tem menos chumbo (o suficiente apenas para destruir o prato). Entre as partes mais interessantes e produtivas podemos citar os campeonatos internos que permitem que você avalie seu progresso e possa saber como está se saindo nas mais diversas modalidades. Exemplos de campeonatos são campeonatos nacionais de tiros com armas longas, tiro rápido de precisão com armas curtas e tiros de precisão com armas longas de alma lisa. Para quem não sabe a diferença vai aqui uma rápida explicação. As armas mais rudimentares eram feitas com canos de metal simples, sem nenhuma estrutura interna relevante. Os arcabuzes, bacamartes e mosquetes, normalmente de antecarga, eram armas de pouco alcance e precisão, que evoluiram na medida em que as guerras exigiram. No final do século XX, os alemães desenvolveram uma tecnologia capaz de aprimorar a precisão dos disparos: estrias helicoidais na parte interna dos canos das armas, faziam com que projéteis do exato tamanho do cano girassem em torno do próprio eixo. O processo, conhecido como “rifling” ou raiamento do cano é repetido até hoje nas armas que necessitam de precisão. São armas com o cano raiado ou de “alma raiada” (rifled barrel) os rifles, as carabinas, as pistolas e os revólveres.Mesmo com o interesse no esporte, muitos ainda têm dúvidas sobre quais procedimentos devem ser tomados antes de visitar um clube, e também quanto às exigências destes estabelecimentos para a entrada de novos sócios ou visitantes. O site defesa.org esclarece alguma das dúvidas mais comuns: 1. Preciso ter porte de arma para atirar no clube? R – Não. Você não precisa ter porte de arma, você não precisa ter registro de arma, você não precisa ter arma. A maior parte dos clubes têm armas para alugar aos visitantes. 2. Preciso ter feito curso para atirar? R – Não. Os clubes têm instrutores que acompanham os visitantes e são responsáveis por ensiná-los e manter a segurança na linha de tiro. Visitantes, especialmente os mais inexperientes, não são deixados sozinhos. 3. De quanto dinheiro eu preciso para atirar? R – Isso varia bastante entre os clubes de tiro. Como regra, para os não- sócios, são cobrados os aluguéis do estande e da arma (se necessário), o preço do alvo e, obviamente, a munição gasta. O preço das munições varia de acordo com o calibre mas, normalmente, os clubes recarregam as munições para oferecer um preço mais acessível aos visitantes. Você pode consultar nossa lista de clubes e estandes, entrar em contato com o clube de sua preferência e verificar os valores exatos. É provável que, com R$100,00, você consiga acessar e queimar algumas munições em qualquer parte do país. 4. Qual é a idade mínima para frequentar o clube? R – Essa é a parte em que encontramos maiores dissonâncias entre os clubes. Sabe-se que a legislação exige 25 anos para a aquisição de armas, mas a maioridade é atingida aos 18. Assim, boa parte dos clubes limita a 18 anos a idade mínima dos praticantes. Felizmente, nem todos os clubes impôem este limite, então existem locais em que se permite a entrada de menores de idade, o que permite que tenhamos atletas de sucesso com 13, 10 ou até 7 anos de idade. Se você tem menos de 18 anos de idade ou se você quer levar seu filho ou sua filha ao clube, não desanime. Acesse nossa lista de clubes e estandes e encontre um que respeite e a sua liberdade. 5. E quanto aos cursos de tiro? Qualquer um pode fazer? R – Sim. Basta entrar em contato com a escola organizadora e fazer a sua inscrição. Como se observa, não há nenhuma razão para que você, seus amigos e sua família não frequentem um clube de tiro. Infelizmente, essa informação é proibida de ser veiculada em determinados horários e meios de comunicação (Decreto 3.665/2000, Art. 268) e, portanto, fica distante da população geral. Faça a sua parte, ajude a Campanha do Armamento e divulgue esta informação que pode salvar vidas. Cursos de tiro Existem cursos com os mais diversos preços e de níveis e tipos variados. Obviamente não existe uma uniformidade e eles variam de acordo com a escola de tiro específica. Vou descrever rapidamente os principais: Curso básico de tiro para defesa : Tem como objetivo iniciar o aluno aos princípios básicos do tiro e manuseio de arma de fogo.O módulo teórico é ministrado em sala de aula onde o aluno recebe informações relevantes ao ingresso no mundo das armas de fogo. As aulas de tiro do módulo prático são realizadas no estande, no qual há toda a supervisão de instrutores profissionais, visando melhor segurança e aproveitamento no aprendizado. Temas normalmente abordados: -Apresentação de armas curtas, com breve histórico de suas origens e evoluções -Legislação Penal e Específica -Peças/Nomenclatura -Regras de segurança -Balística -Conduta Preventiva -Fundamentos do tiro de defesa -Prática com revólver -Prática com pistola Curso de pistola básico : Ao aluno com conhecimentos básicos em armas curtas, este curso visa repassar técnicas específicas de uso da pistola. O módulo teórico é ministrado em sala de aula, com simulações de tiro, resoluções de panes e demais situações inerentes ao manuseio da pistola. Os exercícios com disparos são realizado normalmente em estandes de tiro. Durante todo o curso existe o acompanhamento de instrutores especializados. Temas normalmente abordados: -Apresentação das pistolas -Peças/Nomenclatura -Regras de segurança -Fundamentos do tiro de combate -Saque -Recarga Emergencial -Administração de Panes -Porte/Equipamentos -Prática com disparos reais Curso “Concealed Carry Combat”: Esse cursotem como objetivo o porte velado para civis e militares. O treinamento é direcionado para situações do cotidiano visando preparar, desde iniciantes aos mais experientes, para que todos saibam como enfrentar situações de risco que podem ocorrer em nosso dia a dia. Temas normalmente abordados: -Segurança -Fundamentos de Tiro -Saque Velado -Tiro de Indexação -Speed Rock -Posição Pronto -Saque e Disparo com mão ativa e reativa -Posições não ortodoxas -Tiro para trás -Tiro em movimento -Saindo do X -Retenção de armas curtas -Tiro com táticas defensivas -Cenários Curso de primeiros socorros em situações de tiro : Basicamente esse curso discorre sobre situações com armas de fogo em que existe algum ferido e o que fazer para lidar com situações adversas análogas. Temas normalmente abordados: -First Responder (Intervenção Médica de Alto Risco) -Como lidar e neutralizar ameaças -Como responder taticamente em situações com múltiplos feridos -Como eficientemente evacuar feridos durante ameaças de alto risco -Indução de stress durante cenários de alto risco -Aprendendo a lidar com situações de alto risco estressantes -Exercícios realísticos envolvendo tiros reais e simulados com armas curtas e Longas Curso de formação de instrutor de armamento e tiro : Tem como finalidade a formação de novos profissionais na área de instrução de tiro, com procedimentos atuais, utilizados pelas melhores forças policiais e militares do mundo. Temas normalmente abordados: -História das Armas de Fogo -Leis e Decretos -Regras de Segurança -Introdução ao Ensino/Conduta do Professor/Didática -Armas, acessórios e equipamentos -Conduta preventiva -Balística -Recarga de munições -Fundamentos do tiro com arma curta e longa -Resolução de panes -Tiro em Movimento -Manipulação com uma mão -Fundamentos do Tiro em Baixa Luminosidade -Fundamentos do CQB -Fundamentos do VCQB -Combat Trauma/APH de Combate -Tiro Esportivo e Tiro Prático -Montagem / Desmontagem e Manutenção Curso advanced driving : As técnicas abordadas neste curso abrangem o que é comumente chamado de “direção ofensiva”, “direção evasiva”, “direção defensiva” e “pró- atividade”. Ele tem como objetivo desenvolver técnicas através de exercícios com veículos e fornecer informações através de uma aula teórica para montar um ‘know-how’ necessário, para elevar o nível do condutor de veículo automotor e construindo, assim, um indivíduo mais apto a enfrentar situações extremas na condução urbana. Temas normalmente abordados: Teoria -Situações adversas -Equilíbrio e fatores influentes em determinadas condições -Limitadores na condução de veículos -Segurança em área urbana (prevenção a assaltos e abordagens) Prática -Controle em situações de risco -Controle em situações de perda de aderência -Fuga em casos extremos -Direção de ré e reverso Curso de recarga de munições : Curso normalmente direcionado a quaisquer pessoas que desejam ingressar na recarga de munição, mesmo que não tenha conhecimentos sobre o assunto. O curso tem conteúdo técnico, teórico e prático, abordados de maneira que os alunos consigam absorver o máximo de informação possível sobre o mundo das recargas, bem como seus processos, legislação e segurança. São abordados os calibres mais comuns utilizados (.380 – .38 – 9mm – .40 – .45). Temas normalmente abordados: -Segurança -Objetivo -Preparação de Estojos -Tipos de Pólvora, Espoleta e projéteis -Ferramentas e Etapas de Recarga -Acessórios e Ferramentas Auxiliares -Como tirar o melhor proveito do equipamento -Como reduzir panes através da recarga -Recarga prática de vários calibres Para finalizar essa parte de cursos, este que eu vou falar agora é a cereja do bolo. Eu aconselho todo sobrevivencialista fazer, mas ele deve ser feito por indivíduos que já tem experiência com armas, atividades físicas e lutas. Trata-se do curso de Táticas de Sobrevivência Urbana do CATI. Eu aconselho a vocês visitarem o site, mas vou colar aqui o programa e explicar o porquê de julgar fundamental: Curso de Táticas de Sobrevivência Urbana (extraído de http://cati.com.br/cursos/taticas-de-sobrevivencia-urbana/) O curso de Táticas de Sobrevivência Urbana visa oferecer um serviço diferenciado à sociedade, a fim de conscientizar e orientar o cidadão comum para o dia a dia muitas vezes violento que, infelizmente, está presente na vida da sociedade. Neste curso ensinamos várias técnicas de prevenção, procedimentos de minimização de riscos, sinalizamos falhas de segurança diárias comuns, ensinamos comportamentos evasivos em situações críticas e fatais, entre outras. Demonstramos as medidas necessárias para uma melhor prevenção no comportamento diário, quanto ao que se refere à prevenção pessoal (indivíduo e seus familiares), tanto no ambiente doméstico quanto profissional. Utilizando técnicas de tiro e direção oriundas do meio policial, o curso conta com simulações reais de diversas situações e cenários que desenvolvem a experiência e a familiarização com situações de risco – e com os meios de minimizar tais riscos. É um curso exclusivo do CATI, ministrado por instrutores com enorme experiência em técnicas policiais e situações de alto risco. Ao término do curso, os participantes terão usado repetidamente suas novas habilidades para avaliar o perigo, estabelecer limites e responder de forma eficaz contra agressões verbais, físicas, emboscadas contra seu veículo, ataques com diferentes tipos de armas. Objetivos Gerais: -Proporcionar ao cidadão comum conhecimentos em técnicas de defesa pessoal, tiro e direção, minimizando os riscos pessoais e institucionais -Trabalhar o estado emocional do aluno para usar técnicas de defesa eficientes e de fácil aplicação -Capacitar os condutores de veículos automotores para as adversidades do trânsito e da violência urbana, fazendo com que a condução transcorra de forma técnica e segura, utilizando o veículo como ferramenta de defesa -Introduzir conhecimentos com armas de fogo, aprimorando as técnicas de tiro, elevando o nível e a eficácia da reação através de disparos rápidos e precisos Conteúdo programático: Diagnostico da Segurança e Conscientização, Informações e Métodos para : -Prevenção em casa/família -Prevenção nos trajetos -Procedimentos em locais públicos -Prevenção no trabalho -Prevenção infantil Segurança Urbana: -Tomadas de decisão -Proteção familiar -Acionamento de emergência e contenção -Uso de coberturas e abrigos residenciais e comerciais -Procedimentos de busca em áreas residenciais e comerciais -Armas naturais -Práticas com equipe numa invasão de residência -Noções sobre baixa luminosidade -Exercício de simulação Imobilizações Avançadas: -Domínio das articulações superiores -Dinâmicas em grupo -Técnicas de desarme de armas brancas -Técnicas de desarme de armas de fogo -Desarme em situações com refém Tiro Tático: -Tiro a curta e média distância -Técnicas de tiro parado -Técnicas de tiro em movimento -Técnicas CQB Direção Defensiva, Ofensiva e Evasiva: -Estado do veículo -Estado emocional e físico do condutor -Direção defensiva -Direção ofensiva -Direção evasiva. Carga Horária:5 horas (3 dias) Materiais fornecidos: -Pasta -Bloco de Anotações -Caneta -Camisa CATI -Certificado CATI Materiais requeridos (responsabilidade do aluno): -Camisa Preta. Pré-requisitos: -Habilitação para condução de veículos (Categoria B); -Não ter antecedentes criminais; -Estar apto para atividades físicas. Documentos para apresentar antecipadamente: -Carteira Nacional de Habilitação válida (categoria B, no mínimo); -Atestado Negativo de Antecedentes Criminais, ou documento comprobatório equivalente. Documentos para apresentar consigo na realização do curso: -CNH válida (categoria B, no mínimo); -Atestado Médico para atividades físicas (o mesmo exigido para atividades em academias). Valor do Investimento: -À vista, R$ 3.700,00 (três mil e setecentos reais);-Pagamento Programado CATI (pagamento integral antecipado, parcelado, via depósito bancário) R$ 3.700,00 (três mil e setecentos reais); -A prazo: R$ 3.700,00 (três mil e setecentos reais), em até 12x, mais custo financeiro pelo PagSeguro UOL. Transporte, Hospedagem e Alimentação: -Não estão inclusos. Para quem não sabe, a CATI é uma empresa pioneira de treinamento policial que atravessou as fronteiras do Brasil. O Marcos do Val que é o fundador criou técnicas inovadoras de imobilizações táticas que são difundidas em várias unidades policiais ao redor do mundo. Para se ter uma ideia do nível de qualidade, muitos treinamentos do CATI são desenvolvidos no Brasil e ensinados para a SWAT nos Estados Unidos. Não preciso dizer mais nada sobre a qualidade, certo? O único ponto a se considerar é que não é adequado que uma pessoa que não tenha nenhum contato com armas, seja sedentária e não tenha a menor noção sobre o que é sobrevivencialismo pratique esse curso. Para que você aproveite de verdade e absorva tudo o que ele tem para oferecer, é preciso estar em um nível intermediário/avançado. Airsoft como ferramenta sobrevivencialista Para quem não sabe, Airsoft é um jogo desportivo onde os jogadores participam de simulações de operações policiais, militares ou de mera recreação com armas de pressão que atiram projéteis plásticos não letais, utilizando-se frequentemente de tácticas militares. É praticado em ambientes fechados ou ao ar livre, frequentemente em áreas de grande extensão. As armas estão em escala de 1:1 (ou às vezes mini ou '3/4'), podem ser de metal, plástico (ABS) e/ou madeira e disparam projecteis de 6 ou 8 mm que pesam entre 120-600 miligramas (conhecidas como BBs). De acordo com uma determinação do Exército Brasileiro, o calibre das armas Airsoft são limitados a 6 mm. Boa parte dos leitores já deve ter “brincado” de paintball com os amigos durante a adolescência. E aqui é importante diferenciar os dois porque ficar atirando aleatoriamente e de forma lúdica é inútil e o Airsoft é muito superior como “treino sobrevivencialista”. Por definição o Airsoft se baseia em simulações militares de combate permitido ser praticado por maiores de 18 anos, onde os objetivos variam conforme o estilo da partida. Os objetivos podem ser: eliminação de adversários, resgate de reféns ou conquista de territórios. Conforme o estilo da partida e cenário em que há disputa é necessário desenvolver táticas distintas para surpreender o adversário. Dá para ver claramente que o Airsoft simula eventos que interessam ao prepper/sobrevivencialista, não? O paintball, ao contrário, é um esporte definido praticamente como uma brincadeira, pois tanto crianças e adultos podem praticá-lo, porém, há a versão profissional do esporte com disputa em campeonatos, mas eu sugiro ignorar o paintball. Treino de situações reais através do Airsoft Antes de tudo é importante explicar as limitações do Airsoft para depois explicar o que pode ser útil. Entre elas podemos citar: -As armas do Airsoft não são tão precisas quanto uma arma de fogo real -Não tem a mesma distância da arma de fogo real -Não tem o mesmo recuo de uma arma de fogo real -Não tem o mesmo ruído que uma arma de fogo real - Se usado ao ar livre, o ambiente e o clima terão um papel fundamental na performance Já que o Airsoft te possibilita brincar de “esconde-esconde” com uma arma, suas possibilidades de treinamento são infinitas e isso é uma incrivelmente positivo em termos de aprendizado. Mesmo que você faça cursos ou pratique em clubes de tiro, será impossível simular com realismo os mais diferentes cenários como o Airsoft te possibilita fazer. Defesa doméstica, buscas prediais, atirador ativo, ataques a veículos, treinamento com pouca luz, retenção de armas, sobrevivência fora de serviço, etc. Qualquer cenário que você possa sonhar com a presença de uma arma de fogo, você pode usar o Airsoft. Aqui vão alguns treinamentos e pontos a serem observados em uma simulação de Airsoft com sua família. Treinamento de defesa doméstica Com o Airsoft você pode envolver toda a sua família. Você pode ensinar sua mulher (e mesmo filhos) a entrar e sair de casa com sua arma de fogo. Coisas que podem ser trabalhadas são: -Onde ir para obter as melhores posições defensivas da sua residência -Como chegar a essa posição defensiva -Como usar sua casa/terreno a seu favor -Como trabalhar em conjunto para chegar ao intruso/posição defensiva/rota de fuga -Como usar ângulos para te favorecer -Como manter sua arma de fogo em uma posição de tiro em todos os momentos -Simulação de situações de fogo cruzado -Como realizar as transições de uma arma (esquerda, direita, esquerda e direita) Você pode até usar um membro da família como árbitro ou técnico para gravar o evento, para que você possa criticar o que deu certo, analisar o que deu errado, ver por que algo funcionou ou por que não funcionou e como você pode melhorar das próximas vezes. Vamos analisar os principais pontos: Posições defensivas A primeira coisa a se pensar é fazer uma análise da sua casa tanto do vista de quem está invadindo quanto dos defensores. Quão fácil é entrar em sua casa? Como você pode dificultar a entrada de uma ou mais pessoas? Uma vez dentro da casa, onde ele(s) poderia(m) ir? Quais áreas te propiciariam uma posição de tiro totalmente segura e qual lugar provavelmente significaria a morte certa? Salas seguras, escadas e corredores são geralmente suas melhores escolhas para uma posição defensiva. A maioria das pessoas não pode pagar por um quarto seguro profissional, mas você pode criar o melhor plano ou para atacar os assaltantes ou mesmo para uma rota de fuga eficiente. Tudo se resume a quão preocupado você está, quem você acha que virá, quanto dinheiro e quanto tempo você tem? Escadas e corredores costumam ser boas opções para áreas de tiro, porque elas canalizam o intruso para uma área confinada. Como chegar no lugar escolhido Se a sua posição defensiva não é o quarto em que você está dormindo, você terá que praticar e treinar como se deslocar para esse local. Você vai querer ter certeza de que o caminho para a posição defensiva está livre de obstruções e você vai querer fazer o mínimo de barulho possível para chegar a esse local. Alguns especialistas acreditam que você deve anunciar que está em casa, que está armado e que já chamou a polícia. Outros acham que você não deve revelar sua posição. Qual é a resposta correta? É complicado responder porque algo que pode funcionar em um contexto pode ser um completo desastre em outro. Depende muito de pormenores que vão desde como a casa é construída até as habilidades dos moradores. A verdade é que só você pode tomar essa decisão no momento em que a situação exigir. A única coisa que você quer ter certeza é que os elementos vulneráveis de sua família não estejam acessíveis aos invasores. Vantagens de conhecer a sua própria casa Como estamos falando de sua casa, você deve ser capaz de andar por toda a estrutura do interior de olhos fechados. Toda a sua família pode praticar este exercício. Você quer chegar a um ponto em que possa literalmente caminhar em um ritmo constante com os olhos fechados. Toda casa tem rangidos. Saiba onde estão esses rangidos porque eles lhe dirão exatamente onde alguém está em um determinado momento. Saiba onde todos os interruptores de luz estão. Saiba quais luzes eles operam e onde essas luzes estão naquela sala específica. Saiba onde estão os recantos escuros em sua casa e saiba onde todos os esconderijos em potencial também estão. Saiba onde cada foto e espelho está localizado. Você pode usá-los para ver em torno de cantos cegos ou desviar a luz deles para iluminar uma sala sem entrar necessariamente nela. É possível fazer vários testes e jogos de simulação mesmo sem usar armas para entender as peculiaridades de sua residência e como usá-las ao seu benefício em uma situação de invasão. É preciso entender que nada possivelmentena sua casa vale o risco de ser morto ou gravemente ferido (com exceção da sua família). Se você não tem membros da família em casa, não há motivos para sair caçando os invasores e brincando de John Wick. Espere que eles venham até você ou fuja por uma rota pré-estabelecida. Trabalho em equipe Certifique-se que todos os seus familiares sejam treinados. Até mesmo crianças pequenas podem aprender a se esconder debaixo da cama ou no armário até que você possa chegar até elas. Trabalhe para onde ir, como chegar e, em seguida, inclua "e se" para que todos estejam pensando além das situações comuns. Lembre-se, a guerra é uma situação fluida que está mudando constantemente. Se você não improvisar, adaptar e superar você perderá. O trabalho em equipe é extremamente importante, mas cada indivíduo deve possuir seu próprio conjunto de habilidades. O contato físico é também relevante quando você está se movendo através de uma estrutura. Isso permite que você saiba exatamente onde os seus familiares estão e proporciona uma maior segurança psicológica a todos. Isso também permite que você se comunique de perto para que você não tenha que gritar e é possível fornecer uma segurança de 360 graus à medida que todos se movimentem. O outro ponto importante é que você nunca deve perder o contato visual com seu parceiro. Vocês podem se separar enquanto procuram algo na mesma sala, mas não percam de vista um ao outro. The Three Eye Principal Muitos sobrevivencialistas brasileiros não estão familiarizados com o que é conhecido pelos americanos como "The Three Eye Principal". Trata-se de uma sincronia que os seus 2 olhos e o cano da sua arma devem ter como que criando um terceiro olho. A arma nem sempre tem que estar ao nível dos olhos, mas, onde quer que você olhe, sua arma deve ser apontada naquela direção geral. Você nunca pode ter sua arma apontada para uma direção enquanto você está olhando para outra. Situações de fogo cruzado Situações de fogo cruzado podem surgir enquanto você estiver andando. Se você se separar em uma sala, deve estar constantemente ciente de onde está seu parceiro. Vocês dois são responsáveis por se manterem seguros, o que inclui um do outro de um fogo amigo. Uma técnica simples pode ser usada para prevenir situações de fogo cruzado. Essa técnica consiste em uma pessoa fazer a busca enquanto o parceiro a protege de uma posição defensiva dentro daquela sala. Se um suspeito / intruso for encontrado, eles entrarão em um ângulo de 90 graus e envolverão o suspeito. A questão da iluminação Invasões residenciais raramente acontecem durante o dia, então as chances de a sua casa estar escura são muito maiores. Isso significa que você terá que ter uma fonte de luz para identificar o suspeito. Lembre-se que você não quer machucar erroneamente um membro da família então certifique-se de ter uma lanterna para iluminar todas as pessoa no escuro. A maioria dos atiradores, em um cenário de escuridão, irá atirar na lanterna ou no sinal de luz que observarem primeiro. Por isso é importante manter a lanterna acima e longe do seu corpo no estilo que o FBI faz nos filmes. Fazendo isso se os invasores dispararem contra a luz, eles apenas acertarão a lanterna ou a sua mão e não qualquer órgão vital ou a cabeça. A maioria dos quartos tem tetos brancos. Isso é para que o teto possa dispersar a luz. Você pode usar isso a seu favor apontando a lanterna diretamente para o teto isso iluminará a sala inteira, mas também iluminará você. Você terá que se mover com sua lanterna desligada. Pare, ilumine com sua lanterna alguma parte escura onde alguém poderia estar, apague a luz e mova-se novamente. Idealmente, você quer se mover enquanto segura a lanterna, mas a maioria das pessoas nunca pratica tiro em movimento, no escuro, com apenas uma mão segurando a arma. Tiro em movimento Existem muitas escolas de pensamento sobre “quando você deve atirar”, como “apenas quando o seu calcanhar toca o chão” ou “quando um dos seus pés está plantado no chão”. Você descobrirá que não precisa esperar ter um posicionamento específico de pé para atirar. A maioria das pessoas, desde que tenham sido condicionadas a atirar apenas de uma posição estática, só atirarão quando não estiverem em movimento. É preciso realmente mudar esse hábito. Capítulo 7 Algumas técnicas úteis “Excelência não é uma habilidade, mas uma atitude” Ralph Marston Combate à Inundação: Como usar sacos de areia – Traduzido do US Army Corps of Engineers O uso de sacos de areia é uma maneira simples, mas eficaz de prevenir ou reduzir os danos causados pelas inundações. Devidamente preenchidos e colocados de forma correta, os sacos de areia podem atuar como uma barreira para desviar a água em movimento ao redor, em vez de através de edifícios. A construção de sacos de areia não garante uma vedação estanque, mas é satisfatório para uso na maioria das situações. Sacos de areia também são usados com sucesso para evitar o overtopping de fluxos com diques. O galgamento, ou overtopping, pode ser definido como o fluxo de água através do topo ou coroamento de uma barragem. Em geral, tal fenômeno se deve à ocorrência de chuvas intensas que elevam o nível de água acima do topo ou do coroamento e pode gerar a ruptura da estrutura ou não de uma barragem. A ruptura de uma barragem pode ser definida como a perda da integridade estrutural, podendo ocorrer uma liberação incontrolável do conteúdo de água de um reservatório, ocasionada pelo colapso da estrutura ou parte dela. Sacos de areia soltos são recomendados para a maioria das situações. Sacos de areia amarrados devem ser usados apenas para situações especiais em que o pré-enchimento e empilhamento podem ser necessários, ou para fins específicos, como preencher furos, segurar objetos em posição, ou formar barreiras apoiadas por pranchas de apoio. Sacos de areia amarrados são geralmente mais fáceis de manusear e armazenar. As operações de enchimento de sacos de areia podem geralmente ser melhor realizadas no local em que os sacos serão utilizados ou perto dele e amarrar os sacos seria um desperdício de tempo e esforço que muitas vezes pode ser valioso. Se os sacos forem pré-carregados em um local distante, a devida consideração deve ser dada aos veículos de transporte e ao acesso ao local de colocação. Os sacos mais utilizados são os sacos de aniagem não tratados que normalmente estão disponíveis nas lojas de rações ou ferragens. Sacos vazios podem ser estocados para uso emergencial e poderão ser reparados por vários anos, desde que armazenados adequadamente. Sacos cheios de terra irão se deteriorar rapidamente. Sacos de areia de plástico comercial, feitos de polipropileno, também estão disponíveis na maioria dos fornecedores de sacolas. Esses sacos tem alta capacidade de armazenamento e alta durabilidade com cuidado mínimo, mas não são biodegradáveis. Sendo assim, eles devem ser eliminados ou irão existir por muito tempo. Não use sacos de lixo, pois eles são muito lisos para empilhar. Não use sacos de alimentação, pois eles são muito difíceis de lidar por serem muito grandes. Use sacos com cerca de 14-18 "de largura e 30-36" de profundidade. Em relação ao material interno, o solo arenoso é mais desejável para encher sacos de areia, mas qualquer material utilizável no local ou próximo do local tem vantagens específicas. Areia grossa pode vazar através da trama do saco(o termo trama na área de tecelagem refere-se ao espaçamento entre os fios que constituem o tecido: uma trama menor significa fios menos espaçados entre si; uma trama maior significa fios mais espaçados entre si). Para evitar isso, faça um duplo saco. Solos pedregosos ou rochosos são péssimas escolhas por causa da permeabilidade. As barreiras de sacos de areia podem ser facilmente construídas por duas pessoas, já que quase todo mundo tem a capacidade física de carregar ou arrastar um saco de areia pesando aproximadamente 10 quilos. Comoencher um saco de areia O enchimento de sacos de areia é uma operação para duas pessoas. Ambos devem estar usando luvas para proteger suas mãos. Um membro da equipe deve colocar a bolsa vazia entre ou ligeiramente na frente dos pés com os braços estendidos. A garganta da bolsa é dobrada para formar uma espécie de colar e segurada com as mãos em uma posição que permitirá ao outro membro da equipe esvaziar uma pá redonda cheia de material na extremidade aberta. A pessoa que segura o saco deve estar em pé com os joelhos levemente flexionados e a cabeça e o rosto o mais longe possível da pá. O escavador deve soltar cuidadosamente a pá cheia de terra na garganta do saco. Tentar ir muito rápido nessa operação pode resultar em derramamento indevido e um trabalho adicional. O uso de óculos de segurança e luvas é desejável e às vezes necessário. Os sacos devem ser preenchidos entre um terço (1/3) e a metade (1/2) da sua capacidade. Isso evita que a bolsa fique muito pesada e permite que os sacos sejam empilhados com uma boa vedação. Para operações em larga escala, o enchimento de sacos de areia pode ser acelerado usando suportes de sacos, funis de metal e equipamento de carregamento. No entanto, o equipamento especial necessário nem sempre está disponível durante uma emergência. Como colocar os sacos de areia Remova quaisquer detritos da área onde os sacos serão colocados. Dobre a extremidade aberta da parte não preenchida do saco para formar um triângulo. Se forem usadas bolsas amarradas será necessário achatar a extremidade amarrada. Coloque os sacos parcialmente cheios no sentido longitudinal e paralelos à direção do fluxo com a extremidade aberta voltada contra o fluxo de água. Coloque as abas embaixo, mantendo a parte não preenchida sob o peso do saco. Coloque os sacos subsequentes acima dos outros compensando pela metade o comprimento do saco anterior. Coloque de forma a eliminar vazios e formar uma vedação apertada. Alterne as conexões da junção quando várias camadas forem necessárias. Para camadas que não suportam 3 cursos de alta, use o método de posicionamento da pirâmide. Método de posicionamento pirâmide A colocação da pirâmide é usada para aumentar a altura da proteção do saco de areia. Coloque os sacos de areia para formar uma pirâmide alternando sacos colocados transversalmente e sacos colocados no sentido do comprimento. Coloque cada saco no lugar, sobreponha os sacos, mantenha tudo junto e escalonado e arrume quaisquer extremidades soltas. Como montar um fogão caseiro de duas bocas usando 4 blocos de cimento Essa pode ser a melhor ideia para sua próxima viagem para acampar. Basta pegar 4 blocos de concreto, algumas varas, dois galhos e aproveitar o mais prático e econômico fogão para cozinhar sem gás ou eletricidade de todos os tempos. Como tudo é autoexplicativo, vou colocar fotos do passo a passo para depois tecer um comentário final: Só que queimar lenha nem sempre é possível para quem vive na cidade. E nesse caso sugiro que usem um conceito comum em cadeias: o pinguilim. Nada mais é do que uma folha de jornal enrolada o mais apertada possível, de forma que não haja nenhum ar no meio do jornal enrolado. Depois é só cruza-lo/dobra-lo, de forma a caber no fogão, com uns dez desses se garante um jantar feito! A razão é simples, o papel comprimido em tubo sem ar no meio se comporta como um toco (graveto), na queima, fica lento por falta de oxigênio para queimar no meio do tubo de papel. Observo que o conceito do fogão “foguete” usa a guloseima por ar do fogo para gerar mais calor, pois o que alimenta o fogo é o ar(comburente), e o fogo e ar quente sempre sobem, dessa forma se gera uma zona de baixa pressão(é bem baixa mesmo, pois a coluna de ar subindo com força gera um “vácuo” na base do fogão) fazendo com que esse “vácuo” chupe o ar de forma bruta. É fundamental entender essa dinâmica pois é ela quem garante inclusive fogo forte o suficiente para cozer uma peça de barro ou fundir um metal. Assim, entendendo a arquitetura desse fenômeno físico se garante a possibilidade de construir um “alto forno” em casa, quanto mais se injeta ar sob pressão mais a temperatura estoura para cima. Entendendo que cada material tem um limite de geração de caloria, madeira, papel e a maioria dos materiais não vai passar dos 800 graus, mas se confinado é possível chegar próximo aos 1100 que são necessários para o cozimento de uma cerâmica. Mas para fundir aço faz-se necessário o carvão mineral, pois esse tem um poder calórico bem maior que orgânicos. É interessante testar esse fogão na sua casa e aprender a usar os materiais. Com o tempo você irá aprender que outros objetos podem ser usados. Esse fogão em específico, se bem feito, pode ser usado apenas com fins de economia. Só que existem variações que são mais plausíveis de serem feitas em cenários caóticos. Obviamente não seria possível carregar 4 blocos de cimento. Só que é possível fazer um fogão similar usando tijolos. Por mais que eu tente dar as diretrizes por aqui, o sobrevivencialista só irá dominar a técnica se tentar fazer por si mesmo. Gaiola de Faraday Gaiola de Faraday foi um experimento de Michael Faraday. Feito em 1836, através dele o químico Faraday provou o efeito da blindagem eletrostática, ou seja, mostrou que há “espaço neutro” num campo elétrico. Como Funciona? Uma superfície condutora isola um espaço impedindo descargas elétricas. Isso acontece porque um condutor carregado espalha cargas por todo o campo elétrico. Mas, em decorrência do efeito da repulsão das cargas, elas se distanciam entre elas e se alocam nos arredores desse campo elétrico. Assim, os efeitos que acontecem no seu interior se anulam, o que torna o campo elétrico nulo. Por questões de segurança, a blindagem eletrostática é aplicada nos aviões, nos carros e nos celulares, por exemplo. Trata-se de uma proteção contra descargas elétricas (queda de raios, relâmpagos), daí a sua enorme importância. Há quem sugira que o que protege o carro é o pneu de borracha, o que não é verdade. A verdade é que o carro tem metal em toda a sua estrutura, o que favorece o efeito da Gaiola de Faraday. Características da Gaiola de Faraday Esse famoso experimento de Faraday, químico que trouxe muitas contribuições para o estudo da eletricidade, consistia numa espécie de gaiola feita de metal. O metal é dos materiais que são os melhores condutores elétricos. A gaiola era grande o suficiente para Faraday e uma cadeira de madeira, onde ele se sentou. Após se submeter a fortes descargas elétricas, que eram “barradas” pela gaiola, Faraday saiu em segurança da estrutura inventada por ele. Como Fazer? Uma experiência que comprova o princípio da blindagem eletrostática pode ser feita em casa. Para tanto você vai precisar de um aparelho celular que esteja a funcionar normalmente e de papel de alumínio. Envolva o aparelho celular no papel de alumínio sem deixar nenhuma brecha. O telefone deve estar ligado. Após embrulhar o aparelho, utilize outro celular para ligar para o número do celular que foi embrulhado e se surpreenderá com o fato de o aparelho estar sem rede. Isso acontece porque as ondas eletromagnéticas que permitem a realização das chamadas, fica isolada ou nula, ou seja, bloqueada para qualquer tipo de comunicação.Importa referir que as ondas eletromagnéticas são o resultado da liberação das fontes de energia elétrica e magnética. Dejetos humanos e a criação do Bason Os dejetos humanos podem ser um problema sério. Nós não estamos mais acostumados a lidar com nossos próprios resíduos. Um indivíduo médio produz de dois a três litros de urina e um quilo de fezes por dia. Multiplique isso pelo número de pessoas do seu grupo por um dia, uma semana ou mais e você começará a ver o problema. Em uma situação caótica você talvez terá que improvisar um balde de cinco galões com um assento como banheiro portátil. Camadas de calcário e cinzas de madeira podem ajudar a reduzir o odor.A construção de uma latrina como a romana ou algo similar também não é uma grande obra da engenheria humana e qualquer um conseguiria fazer. Para quem quer testar algo mais elabora existe o Bason. Bason é o modelo de sanitário seco desenvolvido por Johan Van Lengen e agora aperfeiçoado pelo seu filho, Peter Van Lengen. O novo modelo tem um design mais apropriado para o clima do Brasil melhorando seu desempenho e uso, inclui um separador de urina (opcional), maior ventilação e outros recursos para ajudar a evitar cheiros e facilitar o manejo do compost o . O Bason é um sanitário seco desenhado para ser fácil de construir, higiênico, sem odores desagradáveis ou moscas, além de fácil uso e manutenção. É dimensionado para o uso familiar de 4 a 5 usuários com manejos entre 6 e 12 meses até atingir sua capacidade. Eu particularmente nunca tentei fazê-lo, mas ele em teoria é perfeito para um evento disruptivo. Aqueles que possuem maior interesse em construir coisas novas deveriam tentar já que até em termos de pessoas utilizando e tempo até atingir a capacidade total esse sanitário acaba sendo perfeito para o sobrevivencialismo. Técnicas de defesa pessoal Essa é a parte mais difícil de inserir em um livro sobrevivencialista porque ninguém vai aprender a se defender ou a lutar lendo algumas palavras e vendo algumas figuras. Da mesma forma, escrever um livro sem sequer citar alguma técnica de como se defender em um possível cenário de agressão apenas tornaria a obra incompleta. O ideal é que você e sua família pratiquem alguma arte marcial e façam, ao menos durante um tempo, algumas aulas de defesa pessoal. A maioria das técnicas são fáceis de aprender e depois que você tiver conhecimento de uma boa variedade de movimentos é possível praticar sempre com os seus familiares. Para quem nunca fez qualquer tipo de luta ou aula de defesa pessoal, algumas técnicas aqui vão parecer mirabolantes e impossíveis. Depois de um tempo e muito treinamento, contudo, qualquer um irá entender que elas foram racionalmente criadas e são muito efetivas. Não se esqueça que nada impede você e sua família de treinarem com um revolver de brinquedo ou facas de plástico. Ameaça com faca 1 Ameaça com faca 2 Na minha experiência pessoal eu percebi que o cidadão comum tende a ter muito mais efetividade em realizar esses movimentos se ele usar um golpe para atacar e não apenas tentar neutralizar o inimigo. Quando você está sob pressão é muito difícil ter a precisão adequada para segurar a mão do adversário. No estado de tensão o ser humano normalmente fica em estado de sobrevivência e só consegue fazer movimentos muito simples e curtos. E isso vale também para o agressor. Quando você coloca a mão perto da arma dele para tentar imobilizá-lo e reação instintiva e natural é retirar imediatamente para depois atacar. Só que quando você ataca e tira a arma do campo de alcance do seu corpo é como se o agressor tivesse que lidar com 2 eventos que ele não esperava ao mesmo tempo e é como se a cabeça dele embaralhasse. Um aspecto muito negligenciado ao ensinar os alunos sobre defesa pessoa é a habilidade de saber ler a situação do seu agressor apenas olhando para ele. É bem verdade que não daria para usar um exemplo real nas aulas práticas, mas vou explicar como isso funciona. Por exemplo, alguém te ameaça com uma faca, se você perceber que os braços do seu agressor estão muito tensos então é possível saber que quando você golpear a mão dele para afastá-la, seu braço não irá muito longe, apenas 10 ou 20 centímetros no máximo, então de acordo com essa análise você terá que pegar imediatamente a mão dele. Se, por exemplo, no caso oposto, você observar que seus braços estão completamente moles (se você tiver sendo atacado por alguém sob forte efeito de drogas), você saberá que que quando golpear a mão dele para afastar a ameaça, o braço do seu agressor irá muito longe e instintivamente ele virá te atacar de volta com um grande movimento de ataque e aqui novamente você terá que adaptar sua defesa a essa nova situação para parar o segundo ataque com dois antebraços no braço dele. Ameaça com revolver 1 Ameaça com revolver 2 Qualquer cenário como esse requer extremo cuidado. A primeira questão a observar é que, ao menos no momento inicial do ataque, o agressor não tem a intenção de atirar, mas sim intimidar. Se o agressor quisesse atirar você nem iria perceber e isso teria sido realizado no primeiro momento. A ameaça aqui é muito mais perigosa do que a com a faca e ela está concentrada no gatilho e não na arma em si. Aqui é preciso ter cuidado já que basta apenas um simples movimento para que o agressor quase certamente acabe com a sua vida ou de um familiar. A única recomendação que deve ser dada nesse cenário é que você só deve reagir se essa for a única solução possível (como se você tiver certeza que o agressor irá te matar depois) ou caso quem estiver segurando o revolver se distrair de forma que você tenha certeza que não irá ser atingido. Ameaça de imobilização 1 Ameaça de imobilização 2 Ser atacado por trás e imobilizado pode ser pior pesadelo para qualquer pessoa, ainda mais quando ela não sabe se defender. E o pior de tudo é que a maioria das defesas são contraintuitivas, ou seja, se você não souber o que fazer direito dificilmente irá sair com êxito. Existe uma técnica de imobilização bem eficaz, utilizada muito por seguranças de festas para conter os mais exaltados chama de Double Nelson (que é representada pelo exemplo 1 de ameaça de imobilização). Se você não souber o minimo de luta aguarrada provavelmente você vai ser imobilizado com muita facilidade. O certo quanto atacado dessa forma é não tentar compensar com a coluna porque você pode ter ou agravar uma lesão. O ideal é usar o quadril e jogar suas pernas para o lado de forma que seja possível levantar o agressor. Para quem não conseguiu entender como faz o movimento (acredite que eu tentei da melhor forma que eu pude, mas alguns movimentos são difíceis de explicar ainda mais para quem tem pouca noção) sugiro que você digite “double nelson krav maga” no YouTube e irá encontrar uma infinidade de vídeos detalhando o movimento. Técnicas de Krav Maga para mulheres Obviamente que essas técnicas são diretrizes gerais e estão longe de solucionar definitivamente um situação de conflito. Uma mulher pode se soltar de uma situação de imobilização, mas o agressor pode querer continuar a agressão. É por essas e outras razões que julgo ser necessário que toda a família faça alguma arte marcial. Essas técnicas foram colocadas aqui, mas, como já foi citado, não é possível ensinar a lutar e a se defender através de um livro. Eu poderia ficar aqui escrevendo 30 páginas, mas isso seria pouco produtivo para melhorar as habilidades de quem está lendo na medida em que para aprimorar suas habilidades de combate você terá que praticar e repetir diversas vezes. Não tem como ressaltar o quão importante é saber lutar para quem segue a filosofia sobrevivencialista e não deixe que o tamanho desse capítulo te engane. Use as informações aqui como um guia simples e busque praticar alguma atividade que te proporcione evoluir em combates físicos. Eu particularmente acho muito agradável treinar lutas e defesas com familiares e é importante que você desenvolva uma rotina em que pelo menos algumas vezes na semana você também o faça. Essas técnica de defesa pessoal exigem corpos bem preparados e repetição exaustiva dos movimentos. Fazer uma vez e dominar para depois nunca mais fazer vai trazer poucos resultados práticos. Capítulo 8 A natureza como cura universal “Que os seus alimentos sejam os seus remédios e que seus remédios sejam os seus alimentos” Hipócrates Antes de iniciar o capítulo eu gostaria de deixar claro que eu sou inteiramente a favor da ciência. O avanço científico é a busca pela verdade e jamais pode servisto como algo negativo. O que vai ser tratado aqui, contudo, é como se curar ou como melhorar algumas condições usando elementos e itens presentes na natureza propriamente dita. Eu incentivo os leitores a serem céticos e a testarem na prática as curas naturais em casos que não sejam graves. Por mais que em mochilas de sobrevivência você deva levar remédios, caso você saiba como usar elementos naturais para evitar ou diminuir complicações isso só pode ser positivo. Na minha opinião a “Naturopatia” como filosofia de vida pode ser muito benéfica e saudável e existem ótimas práticas para curar e amenizar doenças. Isso não quer dizer que eu concorde 100% com tudo relacionado a isso. Existem muitos charlatões mesmo entre a “comunidade científica oficial” e quando eu descrever como funciona e quais são os pilares dessa filosofia de vida não quer dizer que eu concorde com tudo e esteja recomendando nada. Eu não quero e não tenho pretensão de ser um médico. Esse capítulo pode vir a ser muito útil em cenários de sobrevivência extrema em que muitos medicamentos e produtos podem faltar. Muitos militares de elite sabem como sobreviver e improvisar em situações extremas nos cenários mais adversos possíveis. A cura pela natureza é um método construtivo de tratamento que visa remover a causa básica da doença através do uso racional dos elementos disponíveis gratuitamente na natureza. Não é apenas um sistema de cura, mas também um modo de vida, em sintonia com as forças vitais internas ou elementos naturais que compõem o corpo humano. É uma revolução completa na arte e na ciência da vida. Embora o termo "naturopatia" seja de origem relativamente recente, a base filosófica e vários dos métodos dos tratamentos de cura da natureza são antigos. Foi praticado no antigo Egito, na Grécia e em Roma. Hipócrates, o pai da medicina, defendeu essa filosofia fortemente. A Índia, ao que tudo indica, foi muito mais avançada, durante os tempos antigos, no sistema de cura natural do que em outros países do mundo. Há referências nos antigos livros sagrados da Índia sobre o uso extensivo de excelentes agentes de cura da natureza, como ar, terra, água e sol. Os grandes banhos da civilização do Vale do Indo, conforme descoberto em Mohenjodaro, no antigo Sind, testemunham o uso de água para fins curativos na antiga Índia. Os métodos modernos de cura pela natureza se originaram na Alemanha em 1822 quando Vincent Priessnitz estabeleceu o primeiro estabelecimento hidropático no país. Com o grande sucesso do sistema de cura pela água, a ideia de cura sem drogas se espalhou por todo o mundo civilizado e muitos médicos de todos os lugares do mundo foram para lá visando obter um maior conhecimento. Logo eles se tornaram discípulos fiéis de Priessnitz. Esses estudantes posteriormente ampliaram e desenvolveram os vários métodos de cura natural à sua maneira. Toda a massa de conhecimento foi posteriormente coletada sob o nome “Naturopatia”. O crédito pelo origem do termo vai para o médico alemão Dr. Benedict Lust e, sendo assim, ele é considerado o pai da Naturopatia embora o Vincent Priessnitz merecesse mais esse título do que o doutor Lust. A cura através natureza baseia-se na percepção de que o homem nasce saudável e forte e que ele pode permanecer assim por um longo período, vivendo de acordo com as leis da natureza. Mesmo nascendo com alguma doença ou circunstância limitadora pode se não eliminar, ao menos diminuir os efeitos, se essa pessoa se mantiver em contato com os elementos naturais de cura. O ar fresco, a luz do sol, uma dieta adequada, exercícios, relaxamento, pensamento construtivo e a atitude mental correta, juntamente com a oração e a meditação, desempenham um papel fundamental na manutenção de uma mente sadia em um corpo sadio. A cura através da natureza acredita que a doença é uma condição anormal do corpo resultante da violação das leis naturais. Toda violação desse tipo tem repercussões no sistema humano seja em forma de vitalidade diminuída, irregularidades do sangue e da linfa e acúmulo de resíduos e toxinas. Dessa forma, através de uma dieta defeituosa, não é apenas o sistema digestivo que é afetado negativamente. Quando as toxinas se acumulam, outros órgãos, como os intestinos, os rins, a pele e os pulmões, estão sobrecarregados de trabalho e não conseguem se livrar dessas substâncias nocivas tão rapidamente quanto são produzidas. Princípios fundamentais Toda a filosofia e prática da cura da natureza é construída sobre três princípios básicos. Estes princípios baseiam-se nas conclusões alcançadas em mais de um século de estudos naturopatas eficazes em tratamentos de doenças na Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido. O primeiro e mais básico princípio da cura através da natureza é que todas as formas de doença são devidas à mesma causa, a saber, as acumulações de materiais residuais no corpo do indivíduo. Esses materiais residuais dentro do indivíduo saudável são removidos do sistema através dos órgãos de eliminação. Só que na pessoa doente, eles estão constantemente se acumulando no corpo através de anos de hábitos pouco saudáveis. Entre esses hábitos podemos citar alimentação errada, cuidados inadequados com corpo e hábitos que contribuem para enervação e exaustão nervosa, como preocupação, excesso de trabalho além de excessos de todos os tipos. Segue-se desse princípio básico que a única maneira de curar doenças é empregar métodos que permitam ao sistema eliminar esses acúmulos tóxicos. Todos os tratamentos naturais são realmente direcionados para esse fim. O segundo princípio básico da cura da natureza é que todas as doenças simples, como febres, resfriados, inflamações, distúrbios digestivos e erupções cutâneas são nada mais nada menos do que esforços auto- iniciados por parte do corpo para jogar fora os resíduos acumulados. Já as doenças mais graves como doenças cardíacas, diabetes, reumatismo, asma, distúrbios renais, ocorrem como consequência da supressão contínua através de métodos nocivos, como drogas, vacinas e narcóticos. O terceiro princípio de cura através da natureza consiste na noção de que o corpo contém um mecanismo de cura muito bem elaborado que tem o poder de provocar um retorno às condições normais de saúde, desde que os métodos certos sejam usados e que fatores externos não boicotem esse mecanismo de cura. Em outras palavras, o poder de curar doenças está dentro do próprio corpo do indivíduo e não nas mãos de um médico. Não é um remédio que vai te curar, mas sim você desde que forneça os meios adequados para que seu corpo trabalhe. A “pseudociência” contra a verdade científica absoluta O sistema médico moderno trata os sintomas e suprime a doença, mas faz pouco para determinar a causa real. Drogas tóxicas que podem suprimir ou aliviar algumas doenças geralmente têm efeitos colaterais prejudiciais. Drogas geralmente impedem os esforços de auto-cura do corpo e tornam a recuperação mais difícil. De acordo com o falecido Sir William Osler, médico eminente e cirurgião, quando os remédios são usados, o paciente tem que se recuperar duas vezes - uma vez da doença e outra do remédio. Remédios não podem curar doenças; a doença continua. É apenas seu padrão que muda. Os medicamentos também podem acarretar deficiências nutricionais. Todo tratamento medicamentoso tem um custo para o organismo. Quando tomamos medicamentos, estes podem causar além do efeito desejado, efeitos que podem não nos fazer bem. Estes são chamados de efeitos colaterais ou efeitos indesejados. Muitas drogas, como os estimulantes Ritalin (metilfenidato) e Adderall, são prescritas para o transtorno do déficit de atenção. Estes podem reduzir o apetite. Isso, por sua vez, diminui a ingestão de nutrientes benéficos. Alguns antidepressivos também tendem a ter esse efeito de redução do apetite. Por outro lado, algumas drogas podem esgotar o estado nutricional, aumentando o desejo de alimentos pouco saudáveis, como carboidratos refinados. Muitosdos neurolépticos (medicamentos antipsicóticos) e alguns antidepressivos causam resistência à insulina ou síndrome metabólica, com resultados em balanço de açúcar no sangue. Os pacientes então desejam carboidratos simples, como açúcar, pão e macarrão. Os medicamentos esteroides, incluindo aqueles fornecidos por um inalador, também podem criar problemas semelhantes. Se eu for continuar a citar os efeitos nocivos teremos mais de 30 páginas sobre o assunto. Além desses efeitos, a toxicidade que os medicamentos produzem ocorre em um momento em que o seu corpo é menos capaz de lidar com isso. O poder de restaurar a saúde, portanto, não está nos remédios, mas na natureza. A abordagem “científica” do sistema moderno enfatiza um combate depois que a doença se instalou, enquanto o sistema de cura através da natureza dá maior ênfase ao método preventivo e adota medidas para alcançar e manter a saúde e prevenir a doença. O sistema médico moderno trata cada doença como uma entidade separada, exigindo medicamentos específicos para sua cura, enquanto o sistema de cura natural trata o organismo como um todo e busca restaurar a harmonia de todo o ser do paciente. Métodos de cura através da natureza O sistema de cura através da natureza visa o reajuste do sistema interno de defesa humano transformando condições anormais em normais e adota métodos de cura que estão em conformidade com os princípios construtivos da natureza. Tais métodos removem do sistema o acúmulo de matéria tóxica sem prejudicar de maneira alguma o funcionamento dos órgãos vitais do corpo humano. Eles também estimulam os órgãos de eliminação e purificação a terem um melhor funcionamento. Para curar doenças, a primeira e principal exigência é regular a sua dieta. Para se livrar das toxinas acumuladas e restaurar o equilíbrio do sistema, é desejável adotar o jejum e confinar a dieta a frutas frescas que desinfetarão o estômago e o canal alimentar. Obviamente isso só será feito por alguns dias no período inicial. Dependendo do grau de qualidade da sua alimentação, um jejum completo por alguns dias pode ser necessário para a eliminação de toxinas. Suco de fruta, no entanto, pode ser tomado durante o jejum. Uma regra simples é: não coma quando estiver doente, mantenha uma dieta leve de frutas frescas. Aguarde o retorno do apetite saudável habitual. Perda de apetite é a advertência da natureza de que nenhum fardo deve ser colocado nos órgãos digestivos. Alimentos alcalinos, como vegetais crus e cereais integrais, podem ser adicionados após algum tempo da dieta de apenas frutas. Outro fator importante na cura de doenças por métodos naturais é estimular a vitalidade do corpo. Isso pode ser conseguido usando a água de várias maneiras e a temperaturas variadas na forma de banhos. A aplicação de água fria, especialmente no abdômen, sede da maioria das doenças, e nos órgãos sexuais, através de um banho de frio (quadril) reduz imediatamente o calor corporal e estimula o sistema nervoso. A hidroterapia também oferece um método natural e simples de diminuir as febres e reduzir a dor e a inflamação, sem efeitos colaterais prejudiciais. Aplicações de água morna, por outro lado, tem efeitos relaxantes. Outros métodos naturais úteis na cura de doenças são ar e banho de sol, exercícios e massagem. O ar e os banhos de sol revitalizam a pele morta e ajudam a mantê-la em condições normais. O exercício físico, especialmente o Ioga, promove a harmonia e a saúde interior e ajuda a eliminar toda a tensão: física, mental e emocional. A massagem tonifica o sistema nervoso e acelera a circulação sanguínea e o processo metabólico. Dessa forma e analisando todos os fatores, uma dieta bem equilibrada, exercício físico regular, a observação das outras leis de bem-estar como ar fresco, muita luz solar, água potável pura, preocupação incessante com a limpeza de tudo ao seu redor, descanso adequado e atitude mental positiva podem garantir uma saúde vigorosa e prevenir doenças. Banhos terapêuticos A água tem sido usada como agente terapêutico valioso desde tempos imemoriais. Em todas as grandes civilizações antigas, o banho era considerado uma medida importante para a manutenção da saúde e prevenção de doenças. Ele também foi valorizado por suas propriedades corretivas. A literatura védica antiga na Índia contém numerosas referências à eficácia da água no tratamento de doenças. Nos tempos modernos, o valor terapêutico da água foi popularizado por Vincent Priessnitz, padre Sebastian Kneipp, Louis Kuhne e outros pioneiros europeus em hidroterapia. Essas pessoas elevaram a cura através da água a um nível muito superior e a empregaram com sucesso para o tratamento de inúmeras doenças conhecidas. Existem inúmeros spas na maioria dos países europeus onde os banhos terapêuticos são usados como um grande agente de cura. É indiscutível que a água exerce efeitos benéficos no corpo humano. Ela equilibra a circulação, aumenta o tónus muscular e ajuda na digestão e nutrição. Ela também tonifica a atividade da glândula transpiratória e, no processo, elimina as células danificadas e a matéria tóxica do sistema. E o melhor de tudo é que, não fazendo nenhuma loucura ou estupidez, a hidroterapia não trás nenhum malefício. Os principais métodos de tratamento de água que podem ser empregados na cura de várias doenças de uma maneira “faça você mesmo” são descritos abaixo. Compressa fria Esta é uma aplicação local usando um pano que foi espremido em água fria. O pano deve ser dobrado em uma tira larga e mergulhado em água fria ou água gelada. A compressa é geralmente aplicada na cabeça, pescoço, peito, abdômen e costas. A compressa fria é um meio eficaz de controlar as condições inflamatórias do fígado, baço, estômago, rins, intestinos, pulmões, cérebro, órgãos pélvicos e assim por diante. Também é vantajosa em casos de febre e doença cardíaca. A compressa fria mitiga dermatites e inflamações de partes externas do olho. Quando o globo ocular é afetado, a compressa fria deve seguir um breve fomento. Compressa quente A compressa quente é ideal para situações infecciosas, como aquelas em que há formação de pus (furúnculo, terçol etc.), e para amenizar edemas e hematomas que se formaram após um trauma não tratado em 48 horas. A água quente tem função contrária a da fria. Ao invés de contrair os vasos, ela dilata, aumentando o fluxo sanguíneo. Esse efeito acaba contendo o processo inflamatório, pois a grande quantidade de sangue correndo nos vasos acaba recolhendo e purificando os líquidos que vazaram e se acumularam em torno da região afetada após o trauma. A compressa quente também proporciona relaxamento muscular, o que a torna ideal para tratar dores como torcicolos, e pode ser usada ainda para aliviar desconfortos comuns como dor de dente e cólicas abdominais provocadas pela TPM. Banhos de quadril O banho de quadril é uma das formas mais úteis de hidroterapia. Como o próprio nome sugere esse modo de tratamento envolve apenas os quadris e a região abdominal abaixo do umbigo. Um tipo especial de banheira é usado para o propósito. A banheira é cheia de água de tal maneira que cubra os quadris e alcança o umbigo quando o paciente se senta nela. O que pode ser visto nesta foto (perdoe o modelo e entenda que podem ser feitas adaptações não sendo necessário gastar dinheiro com uma banheira específica): Geralmente, quatro a seis litros de água são necessários. Se a banheira especial não estiver disponível, uma banheira comum pode ser usada. Um suporte pode ser colocado sob uma borda para uma elevação necessária. O banho de quadril pode ser tomado em temperaturas frias, quentes, neutras ou alternadas. Banho de quadril frio A temperatura da água deve ser de 10ºC a 18ºC. A duração do banho é geralmente de 10 minutos, mas em condições específicas pode variar de um minuto a 30 minutos. O paciente deve esfregar o abdome rapidamente do umbigo para baixo e através do corpo com um pano úmido moderadamente grosso. As pernas, os pés e a parte superior do corpo devempermanecer completamente secos durante e após o banho. O paciente deve realizar um exercício moderado como ioga, após o banho de quadril frio, para aquecer o corpo. É prejudicial ignorar esse conselho portanto não tenha preguiça. Um banho de quadril frio é um tratamento de rotina para a maioria das doenças. Alivia a constipação, a indigestão, a obesidade e ajuda os órgãos eliminadores a funcionar adequadamente. Também é útil em problemas uterinos como menstruação irregular, infecções uterinas crônicas, inflamação pélvica, hemorroidas, congestão hepática, congestão crônica da próstata, fraqueza seminal, impotência, esterilidade, deslocamentos uterinos e ovarianos, dilatação do estômago e do cólon, diarreia, disenteria, hemorragia da bexiga e assim por diante. O banho de quadril frio não deve ser empregado em inflamações agudas dos órgãos pélvicos e abdominais e em contrações dolorosas da bexiga, do reto ou da vagina. Banho de quadril quente Este banho é geralmente tomado de 8 a 10 minutos a uma temperatura da água de 40°C a 45°C. O banho deve começar a 40°C. A temperatura deve ser aumentada gradualmente para 45°C. Antes de entrar na banheira, o paciente deve beber um copo de água fria. Uma compressa fria deve ser colocada na cabeça. Novamente não tenha preguiça de fazer isso. Um banho de quadril quente ajuda a aliviar menstruação dolorosa, dor nos órgãos pélvicos, dor ao urinar, proctite e hemorroidas dolorosas. Também melhora a glândula prostática aumentada e a neuralgia dos ovários e da bexiga. Um banho de chuveiro frio deve ser tomado imediatamente após o banho de quadril quente. O banho deve ser terminado se o paciente se sentir tonto ou se queixar de dor excessiva. Banho de quadril neutro A temperatura da água deve estar entre 32°C e 36°C. Este banho é geralmente tomado de 20 minutos a uma hora. O banho de quadril neutro ajuda a aliviar todas as condições inflamatórias agudas e subagudas. Também alivia a nevralgia das trompas de falópio ou testículos e espasmos dolorosos da vagina. Banho de quadril alternado A temperatura na banheira de hidromassagem (ou outra adaptação) deve ser de 40ºC a 45ºC e na câmara fria de 10ºC a 18ºC. O paciente deve sentar-se alternadamente na banheira de hidromassagem por cinco minutos e depois na banheira fria por três minutos. A duração do banho é geralmente de 10 a 20 minutos. A cabeça e o pescoço devem ser mantidos frios com uma compressa fria. O tratamento deve terminar com um pouco de água fria nos quadris. Esse banho alivia as condições inflamatórias crônicas das vísceras pélvicas, como salpingite, ovaríte, celulite e várias neuralgias dos órgãos geniturinários, ciática e lombalgia. Banho espinhal O banho espinhal é outra importante forma de tratamento hidroterápico. Esse banho fornece um efeito calmante para a coluna vertebral e, portanto, influencia o sistema nervoso central. Ele é tomado em uma cuba especialmente projetada com suas costas levantadas para prover apoio apropriado à cabeça. O banho pode ser administrado a temperaturas frias, neutras e quentes. O nível de água na cuba deve ser de 2 a 3,5 centímetros e o paciente deve permanecer nele por três a dez minutos. Algumas adaptações podem ser feitas caso não seja encontrada uma cuba adequada. O banho espinhal frio alivia a irritação, fadiga e hipertensão. É benéfico em quase todos os distúrbios nervosos, como histeria, convulsões, distúrbios mentais, perda de memória e tensão. O banho neutro da coluna vertebral é um tratamento calmante e sedativo, especialmente para o paciente altamente tenso e irritável. É o tratamento ideal para a insônia e também alivia a tensão da coluna vertebral. A duração deste banho é de 20 a 30 minutos. O banho de coluna quente, por outro lado, ajuda a estimular o sistema nervoso. Também alivia a dor vertebral na espondilite e a dor muscular nas costas. Alivia também a dor ciática e distúrbios gastrointestinais. Lençol molhado coberto Esse é um procedimento em que todo o corpo é coberto por um lençol molhado, que por sua vez é envolto em um cobertor seco para regular a evaporação. Uma toalha turca deve ser colocada abaixo do queixo para proteger o rosto e pescoço de entrar em contato com o cobertor. Os pés devem ser mantidos aquecidos durante todo o tratamento. Se os pés do paciente estiverem frios, coloque garrafas de água quente perto deles para acelerar a reação. Normalmente esse tipo de hidroterapia dura de 30 minutos a até uma hora ou até quando o paciente começar a transpirar muito. Ele pode beber água quente ou fria. Esse tratamento é útil em casos de febre, especialmente em febre tifoide e também outras febres contínuas. Há benefícios para aqueles que sofrem de insônia, epilepsia e convulsões infantis. É útil no alívio de bronquite e ajuda no tratamento de reumatismo e obesidade. Banhos quentes de pés Nesse método, o paciente deve manter suas pernas em uma cuba ou balde cheio de água quente a uma temperatura de 40°C a 45°C. Antes de tomar esse banho, um copo de água deve ser tomado e o corpo deve ser coberto com um cobertor para que nenhum calor ou vapor escape do banho para os pés. A cabeça deve ser protegida com uma compressa fria. A duração do banho é geralmente de 5 a 20 minutos. O paciente deve tomar um banho frio imediatamente após o término. O banho de pé quente alivia entorses e dores nas articulações do tornozelo, dores de cabeça causadas por congestão cerebral e resfriados. Nas mulheres, ajuda a restaurar a menstruação, se suspensa, aumentando a oferta de sangue, especialmente para o útero e os ovários. Banhos frios de pés A temperatura de 7°C a 12°C os pés devem ser colocados em uma pequena cuba ou balde. Eles devem ficar completamente imersos na água de um a cinco minutos. A fricção deve ser aplicada continuamente aos pés durante o banho, seja por um atendente ou pelo paciente, esfregando um pé contra o outro. Um banho de pés frios, tomado por um ou dois minutos, alivia a congestão cerebral e a hemorragia uterina. Ele também ajuda no tratamento de entorses, distensões e joanetes inflamados quando tomados por períodos mais longos. Não deve ser tomado em casos de condições inflamatórias do sistema urogenital, fígado e rins. Banho de vapor O banho de vapor é um dos mais importantes tratamentos de água testados e que induz a transpiração de uma forma natural. O paciente, usando uma toalha ou roupas intimas, senta-se em um banco dentro de um gabinete especialmente projetado. Antes de entrar lá, o paciente deve beber um ou dois copos de água fria e proteger a cabeça com uma toalha fria. A duração do banho de vapor é geralmente de 10 a 20 minutos ou até que a transpiração ocorra. Um banho frio deve ser tomado imediatamente após o término. Pacientes muito fracos, mulheres grávidas, pacientes cardíacos e aqueles que sofrem de pressão alta devem evitar o banho de vapor. Se o paciente se sentir tonto ou desconfortável durante o procedimento, ele ou ela deve ser imediatamente retirado e receber um copo de água fria e o rosto deve ser lavado com água também fria. O banho de vapor ajuda a eliminar a matéria mórbida da superfície da pele. Também melhora a circulação do sangue e a atividade dos tecidos. Alivia o reumatismo, gota, problemas de ácido úrico e obesidade. O banho de vapor é útil em todas as formas de toxemias crônicas. Também alivia nevralgias, nefrite crônica, infecções, tétano e enxaqueca. Banhos de imersão Também é conhecido como banho completo. É administrado em uma banheira que deve ser adequadamente equipada com conexões de água quente e fria. O banho pode ser tomado a temperaturas frias, neutras, quentes, graduadas e alternadas. Banho de imersão frio Isso pode ser tomado por quatro segundos a 20 minutos a uma temperatura que varia de 10°C a 24°C. Antes de entrar no banho, a água fria deve ser derramada na cabeça, no peito e no pescoço do paciente e a cabeça deve ser protegida com uma toalha úmida e fria. Durante o banho, o paciente deve esfregar vigorosamente seu corpo. Após osobrevivencialista é exatamente isso: ela parte da premissa que os eventos, por mais graves que possam ser, podem ser enfrentados de forma mais tranquila e adequada quando temos alguma dose de controle sobre a situação. A maioria de nós já presenciou, ao vivo ou pela televisão, uma infinidade de catástrofes e eventos caóticos, mas na medida em que esses ventos começam a ocorrer com frequência e não nos afetam particularmente, a nossa mente passa a inconscientemente a aceitar como normal a presença desses episódios, como se fosse uma situação cotidiana como chover. Normalmente quando ocorre um evento como o de Brumadinho com a Vale as pessoas se revoltam e pedem a cabeça dos responsáveis para algumas semanas depois esquecerem o que ocorreu e voltarem a se preocupar com questões mais importantes como assistir Big Brother por exemplo. Vamos agora analisar um gráfico: Deixe-me explicar o contexto e o que esse gráfico evidencia. Trata-se de um gráfico que contabiliza as grandes catástrofes (representadas pelas colunas) e desastres naturais (representadas pelas linhas) da década de 50 até 2012. É possível observar empiricamente e pelo gráfico que as catástrofes naturais tem crescido exponencialmente ao longo dos anos. Não apenas esses eventos se tornaram mais frequentes como as perdas econômicas decorrentes se tornaram cada vez maiores. Pegando os Estados Unidos como exemplo, nos últimos 40 anos o país teve mais de 140 desastres climáticos que custaram mais de 1 bilhão cada. Todos somados chegaram a causar uma despesa de aproximadamente 1 trilhão de dólares. Um relatório de 2004 intitulado “International Strategy for Disaster Reduction” citou um dado de que 254 milhões de pessoas foram direta ou indiretamente afetadas por desastres naturais em 2003. Segundo o mesmo relatório esse número representava 3 vezes o número de pessoas afetadas em 1990. Desastres que vão desde tempestades, terremotos e incêndios florestais mataram 83.000 pessoas em 2003 se comparadas com a morte de 53.000 treze anos antes, de acordo com o mesmo relatório. Não apenas tem aumentando o número de desastres como as pessoas em geral estão ficando mais vulneráveis a seus efeitos. A tendência é que esses números só cresçam. O aspecto mais assustador e que a maioria das pessoas parece não entender é que conforme o tempo passa a tendência é que os governos e as empresas de seguro passem a cobrir cada vez menos alguns desses eventos. O que você vai fazer quando o Estado não te ajudar (ou auxiliar de forma insuficiente) algum evento que te afetar? E em relação a empresas de seguro que passem a cobrar cada vez mais ou mesmo decidam que não vão cobrir algumas áreas porque esses lugares são mais suscetíveis que outros a sofrerem influência de algum evento catastrófico? Será que isso é neurose e devaneio oriundo de filme de ficção ou a realidade diante dos seus próprios olhos. O que vocês leitores me dizem sobre isto: “Renovar o seguro automobilístico na cidade do Rio de Janeiro pode ser uma experiência não muito agradável para os cariocas. Isso porque um levantamento da ComparaOnline, marketplace de comparação de seguros e produtos financeiros, revelou um crescimento significativo nos valores de seguros para 2018. De acordo com a empresa, cidades cariocas tiveram um aumento médio de 11% no preço do seguro de automóveis em relação ao ano anterior.” Não tem necessariamente ligação com desastres naturais, mas é algo que pode ocorrer em tudo. Quem não tem ideia do valor absurdo desse aumento deveria fazer as contas para chegar a conclusão de que o valor irá dobrar em menos de 7 anos. A transformação evidente O grupo hedonista e que não se preocupa com qualquer tipo de preparação poderia usar como argumento a proporção de pessoas afetadas por desastres naturais em comparação com a população mundial. Uma proporção não tão alta e que isso poderia servir como evidência de que há uma alta probabilidade de que as pessoas irão se preparar para algo que nunca irá afetá-las. A questão é que esses eventos afetam a humanidade direta e indiretamente. Lugares que não precisam de chuva recebem água em abundância e lugares que precisam de fato não recebem nada. Inundações e secas provocam mais de 80% de perdas nas plantações e rebanhos brasileiros. E isso enquanto os alimentos ficam cada vez mais caros e inacessíveis para as camadas mais baixas. Os animais em geral são bons indicadores do que está ocorrendo na Terra. Golfinhos e baleias tem encalhado com mais frequência, colônias de abelhas estão morrendo em números recordes, doenças antes erradicadas voltam a ressurgir e enquanto algumas são tratáveis, outras são resistentes a antibióticos. O gelo polar está diminuindo e o seu derretimento irá causar imensas inundações costeiras. Várias ilhas já estão desaparecendo. E isso que estamos falando apenas do cenário global. No Brasil, principalmente devido a cultura da impunidade oriunda da noção marxista de que o criminoso é uma vítima da sociedade, foi atingido um número superior a 60.000 mortes por ano. Isso significa que o país (em vermelho) tem o mesmo número de mortes violentas que todos os países azuis do mapa somados: E o que falar do crescimento da dívida pública, desemprego e achatamento do salário? Será que realmente não há nenhum sentido em se preparar e começar a pensar no futuro? Será que só pessoas excêntricas e neuróticas estão fazendo isso? Você leitor já que está lendo essa obra indubitavelmente percebe e vai ter essa noção mais solidificada após ler todas as páginas que os seres problemáticos são os outros e que você apenas não está cego. Nós, e isso vale mesmo para um indivíduo de classe média no Brasil (que nem de longe é um país rico no sentido de país desenvolvido) fomos acostumados a viver tendo fácil acesso a serviços e itens de consumo. Tem sido comum que geração após geração no Brasil tenham maiores facilidades de consumo do que a geração anterior. Como o acesso a esses itens vem de forma fácil – e aqui não excluo nem as pessoas consideradas pobres porque se comparadas com os pobres de outrora elas estão bem melhores – a população se tornou em boa parte incapaz e com uma mentalidade de rebanho. Para que esse modo de vida existisse foi necessário o surgimento de um mundo complexo em que a superespecialização é uma necessidade e realidade. No mundo desenvolvido menos de 2% das pessoas trabalham na agricultura o que quer dizer que menos de 2% da população está trabalhando para alimentar todo o restante. Você já parou para pensar como funciona a logística que faz com que um alimento chegue a sua casa? Boa parte do que você consome é fabricado a centenas de quilômetros de distância. Nosso aquecimento e iluminação são também fornecidos por fontes que estão distantes. Na maioria dos casos até a água de torneira viaja por um longo percurso até chegar nas residências. A produção de carros no Brasil e no mundo é feita com peças que são fabricadas nos mais diversos continentes. Ao invés de pararmos estupefatos para admirar essa grande máquina moderna (que proporciona um padrão de vida sem precedentes na história humana através da tecnologia) você leitor já parou para pensar nas vulnerabilidades de um sistema como esse? Pense agora nessa situação hipotética. Uma pandemia mais poderosa que o Ebola e que é disseminada por contato surge em um determinado país e ela é tão poderosa que mata 80% das pessoas infectadas. Imagine também que com a globalização ela chegou aos mais diversos continentes em menos de um mês. Embora a ameaça fosse real, vamos imaginar que ela não tivesse prestes a acabar com a população mundial, mas que a mídia de diversos países aumentasse a situação em busca de audiência e mostrasse situações caóticas e exageradas. Com receio de infecção imagine que milhões de pessoas deixassem de ir trabalhar e que classes econômicas que não estavam completamente satisfeitas comecem a entrar em greve (você leitor já percebeu otérmino, o corpo deve ser rapidamente secado e embrulhado em um cobertor. Se o clima for favorável, deve-se fazer exercícios moderados. Esse banho ajuda a reduzir a febre. Também melhora a pele quando tomado durante cinco a 15 segundos após um banho quente prolongado, estimulando a circulação e o sistema nervoso. Banho graduado O paciente deve entrar no banho a uma temperatura de 31ºC. A temperatura da água deve ser reduzida gradualmente a uma taxa de 1°C por minuto até atingir 25°C. O banho deve continuar até que o paciente comece a tremer. O banho graduado destina-se a evitar o choque nervoso pelo mergulho repentino na água fria. Esse banho é muitas vezes administrado a cada três horas em casos de febre. Ele efetivamente reduz a temperatura, exceto na febre da malária. Além disso, também produz um efeito tônico geral, aumenta as resistências vitais e energiza o coração. Banho de imersão neutro Esse banho pode ser dado de 15 a 60 minutos a uma temperatura variando de 26ºC a 28ºC. Pode ser administrado por longa duração, sem quaisquer efeitos nocivos, pois a temperatura da água é semelhante à temperatura do corpo. O banho neutro diminui a pulsação sem modificar a respiração. Esse tratamento é o melhor sedativo. Como o banho neutro estimula a atividade da pele e dos rins, é recomendado em casos relacionados a esses órgãos. Também é benéfico para casos de doenças orgânicas do cérebro e da medula espinhal, incluindo condições inflamatórias crônicas, como meningite, reumatismo e artrite. Um banho de imersão neutro tomado por 30 a 60 minutos é altamente benéfico em hidropisia geral, devido a doenças cardíacas ou renais. Também ajuda aqueles que sofrem de neurites múltiplas, alcoolismo e outros hábitos narcóticos, diarreia crônica, peritonite e afecções crônicas do abdômen. Em tais casos, o banho pode ser administrado diariamente por 15 a 30 minutos. Esse banho também é útil nas condições toxêmicas causadas por dispepsia e prurido. O banho neutro não deve ser prescrito em certos casos de eczema e outras formas de doenças de pele onde a água agrava os sintomas, nem em casos de fraqueza cardíaca extrema. Banho de imersão quente Esse banho pode ser tomado de 2 a 15 minutos a uma temperatura de 36ºC a 40ºC. Geralmente é iniciado em 37ºC e a temperatura é então gradualmente aumentada para o nível exigido ao adicionar água quente. Antes de entrar no banho, o paciente deve beber água fria e também molhar a cabeça, pescoço e ombros com água fria. Uma compressa fria deve ser aplicada em todo o tratamento. Esse tratamento alivia a bronquite capilar e a pneumonia brônquica em crianças. Alivia o congestionamento dos pulmões e ativa os vasos sanguíneos da pele. Após o banho, um óleo deve ser aplicado na pele, se necessário. O banho quente é um tratamento valioso no reumatismo crônico e na obesidade. Dá alívio imediato quando há dor devido a pedras na vesícula biliar e nos rins. O banho quente não deve ser tomado em casos de doenças orgânicas do cérebro ou da medula espinhal, nem em casos de fraqueza e hipertrofia cardíaca. Precauções Certas precauções são necessárias ao tomar esses banhos terapêuticos. Banhos completos devem ser evitados dentro de três horas após uma refeição e uma hora antes. Os banhos locais, como o banho de quadril e o banho de pés, podem, no entanto, ser tomados duas horas depois de uma refeição. Água limpa e pura deve ser usada para banhos e a água, uma vez usada não deve ser usada novamente. Ao tomar banhos, a temperatura e a duração devem ser rigorosamente observadas para que os efeitos desejados sejam obtidos. Um termômetro deve sempre ser usado para medir a temperatura do corpo. As mulheres não devem tomar nenhum dos banhos durante a menstruação. Eles podem tomar apenas banhos de quadril durante a gravidez até a conclusão do terceiro mês. A cura através de elementos da terra A terra foi usada extensivamente para fins de medicação nos tempos antigos, assim como na Idade Média. Nos tempos modernos, voltou a ter destaque como um valioso agente terapêutico no século passado através dos incansáveis esforços de Emanuel Felke, um pastor luterano nascido na Alemanha que foi apelidado de "pastor da argila". Felke descobriu que as forças da terra têm efeitos notáveis sobre o corpo humano, especialmente durante a noite. Estes efeitos são descritos como refrescantes, revigorantes e vitalizantes. Adolf Just foi um dos pioneiros da naturopatia moderna e ele acreditava que todas as doenças e também os sérios problemas nervosos de nossa época seriam curados ou em muito amenizados se apenas dormir ou deitar na terra à noite se tornasse um hábito na cura de doenças. Esses autores da “geoterapia” eu considero menos científicos que os citados na cura através da água. Muitos defendem ideias estranhas como “andar descalço faz com que você absorva o poder vital da mãe Terra” e coisas do tipo. De qualquer forma, existem benefícios importantes do contato com elementos da terra. Temos como exemplos: Beneficios do banho de argila -Favorece a reprodução celular integral, afinando e clareando a pele. -Promove a esfoliação da pele e do couro cabeludo. -Absorve toxinas e impurezas. -Promove a reconstituição dos tecidos. -Faz desintoxicação metabólica capilar, facial e corporal. -Estimula o crescimento dos fios, pois atua na circulação. -Elimina a oleosidade da pele e cabelo. -Elimina bactérias e tem efeito calmante. -Suaviza e amacia a pele. Banho de lama O banho de lama serve para aliviar o estresse da vida diária, o barro vai ajudar a sua pele a ficar limpa e hidratada, além de ser um esfoliante eficaz, um potente purificador, cicatrizante e calmante. Assim como o barro, a argila é um dos materiais naturais para ajudar a combater a acne, devido à sua grande ação remineralizante, e também ajuda a remover as células mortas da pele. Também é aconselhável para pacientes com psoríase ou celulite, já que atuam como hidratante da pele, reequilibrando seu pH e devolvendo o seu tônus natural. Graças às suas propriedades calmantes, o banho de lama poderá ajudar no alívio das dores nos ossos, músculos e articulações. Revigora o seu corpo no inchaço, choque e inflamações. O barro tem grande poder antiinflamatório e desinfetante. Para se beneficiar ao máximo dos efeitos da lama, o certo é esperar secar. A espera vai valer a pena. Plantas medicinais É importante saber o efeito das principais plantas medicinais. Eu não sugiro que elas substitutam os remédios e nem que você decore os fins medicinais de todas. Só que pode ocorrer que por alguma razão você ter na sua casa ou em um local próximo contato com alguma dessas plantas e elas podem ser úteis em um cenário de escassez. Deixe anotado em algum lugar o que cada uma faz e decore e se familiarize apenas com as que são facilmente acessíveis. Principais plantas medicinais: Agrião : Fins medicinais : Diurético, anti-inflamatório, pode ser usado para tratar aftas, gengivites, acne e eczemas, ajuda melhorar a digestão e tratar a tosse. Como usar: A simples digestão do agrião libera substâncias expectorantes que ajudam a limpar as vias respiratórias. Pode ser consumido em saladas, batido em sucos ou tomado em chás ( 1 colher de sopa de folhas secas para uma xícara de chá de água fervente, três vezes ao dia) Atenção! Por ser abortiva, a infusão de agrião não deve ser consumida por grávidas. Além disso, o excesso costuma irritar a mucosa do estômago e as vias urinárias. Não deve ser ingerido por quem tem úlceras e doenças renais inflamatórias Alfazema : Fins medicinais : Suas folhas são usadas em remédios contra conjuntivite e as flores funcionam contra tosse, bronquite, queimaduras e enxaqueca. Como usar: Misture 100 mililitros de óleo de amêndoa com 40 gotas de essência de alfazema. Use esse óleo para massagear o corpo - uma boa ideia é aplicá-lo antes de dormir. Atenção! Em excesso, o chá de alfazema irrita bastante o estômago. E há pessoas com alergia ao seu óleo essencial. Mais: a plantanão deve ser confundida com a alfazema-do-brasil ou erva-santa. Alcaçus : Fins medicinais : É usado contra problemas pulmonares, como tosses, por ser anti-séptico e anti-inflamatório. Para completar, pesquisas sugerem sua aplicação nos casos de reações alérgicas, bronquite e artrite. Como usar: Use 3 gramas (1 ½ colher de sopa) da raiz seca do alcaçuz, cortada em pedaços pequenos. Esquente água para 1 xícara de chá. Desligue o fogo antes de atingir a fervura. Deixe a raiz na água durante 15 minutos. Faça essa decocção 2 vezes ao dia e beba antes das refeições. Atenção! A dose máxima de alcaçuz é de 6 g ao dia - ou corre-se o risco de a pressão sanguínea subir. A espécie é proibida para quem tem problemas cardíacos, é hipertenso ou gestante. Alecrim : Fins medicinais : Há indícios de que seus princípios ativos combateriam enxaquecas, para lapsos de memória e baixa de imunidade, diminui dores reumáticas e articulares. Como usar: Dilua 1 colher de café de óleo essencial de alecrim em 1 xícara de azeite de oliva. Esfregue, então, o óleo na região dolorida com massagens suaves. Atenção! Em pessoas sensíveis, pode irritar a pele quando usado topicamente. Seu óleo jamais deve ser engolido e, em altas dosagens, é abortivo. Quem é epilético não pode usar a erva, principalmente no difusor. Alho : Fins medicinais : Pesquisas recentes sugerem um pontencial anticancerígeno, desde que consumido sempre cru. Como usar: Para controlar o colesterol e ajudar na expectoração, faça uma maceração com 1 colher de café (0,5 g) de alho em 30 ml de água. Tome 1 cálice desse preparado duas vezes ao dia, antes das refeições. Atenção! Há pessoas que podem ser alérgicas ao alho. Ele também não deve ser usado por quem sofre de gastrite, úlcera, pressão baixa ou hipoglicemia. Se for fazer uma cirurgia, não use nos dez dias anteriores porque isso favoreceria hemorragias indesejáveis. Pelo mesmo motivo, não serve para quem já faz uso de anticoagulantes. Arnica : Fins medicinais : Também é usada em para tratar problemas de pele como acne e furunculose. E ajuda a aliviar dores reumáticas, gota e tendinites. Como usar: Para tratar contusões, faça a seguinte tintura, que pode durar até um ano, se for armazenada corretamente: respeite a proporção de 1 parte de arnica fresca, 5 partes de álcool de cereais (encontrado em farmácias) e 5 partes de água. Pique a planta e misture-a com os outros ingredientes. Deixe descansar por pelo menos 15 dias antes de usar. Deve ser diluída a 10% para uso em compressas. Atenção! A planta tem compostos tóxicos e, por isso, sua tintura não deve ser ingerida de jeito nenhum, nem se fazem chás com suas folhas e flores. Também não pode ser aplicada sobre feridas abertas. Seus efeitos colaterais incluem vômitos, aumento da pressão arterial e aborto. Grávidas e mulheres que amamentam não podem usá-la. Além disso, a arnica potencializa sangramentos, especialmente se a pessoa toma remédios anticoagulantes. Nunca a use com outras ervas: a mistura pode alterar a função das plaquetas. Babosa : Fins medicinais : A babosa também tem sido usada no combate à caspa, aos piolhos e às lêndeas. Há testes sobre seus efeitos no tratamento de inflamações e queimaduras. Como usar: Esfregue folhas de babosa cozidas no couro cabeludo. Deixe agir durante 15 minutos e enxágue. Outra opção é cortar as folhas pela base deixando escoar o sumo gosmento. Passe-o então nos fios. E saiba: ele dura apenas 2 dias na geladeira Atenção! A babosa nunca deve ser ingerida. Ela tem resinas que irritam o estômago e o intestino, podendo causar cólicas, hemorragias e nefrites. Além disso, parece ser tóxica ao fígado. Boldo-do-chile : Fins medicinais : O boldo-do-chile também age como anti-inflamatório inibindo a síntese de prostaglandinas, substâncias envolvidas no processo de uma inflamação. Como usar: Para prevenir pedras na vesícula coloque em 1 xícara de água fervente, ponha 1 colher de sobremesa de folhas picadas. Abafe por 10 minutos e beba sem perder tempo. Atenção! Nada de usar o boldo-do-chile a torto e a direito. Tome somente em casos isolados de mal-estar porque o excesso, em vez de fazer bem, causa intoxicação hepática. A planta também está vetada a grávidas e pessoas com asma, distúrbios renais e problemas do fígado. Calêndula : Fins medicinais : É usada para tratar fungos, acne e escaras, ajuda a prevenir assaduras em crianças e pode aliviar queimaduras leves, inclusive as de sol. Como usar: Para cólicas menstruais, coloque em 1 xícara de chá de água fervente, coloque 1 colher de sobremesa das flores de calêndula. Abafe por 10 minutos e coe. Tome 2 xícaras do preparado diariamente nos oito dias anteriores à menstruação. Camomila : Fins medicinais : É usada com tônico digestivo, facilita a eliminação de gases e estimula o apetite. A infusão concentrada pode ser usada em bochechos para tratar inflamação das gengivas. Também alivia dores musculares, na coluna e ciáticas. Como usar: Para aliviar irritações de pele use 6 colheres de sopa de flores frescas de camomila para preparar uma infusão com 1 litro de água. Aplique o líquido em compressas sobre a área afetada. Atenção! Algumas pessoas têm alergia à erva. E o excesso sempre pode causar mal-estar, enjoo e vômitos. Deve ser evitada por grávidas e por quem estiver tomando remédios anticoagulantes Canela: Fins medicinais : Contra gases e má digestão. Como usar: Faça uma decocção com a casca desidratada usando 1 colher de café para cada xícara de água. Atenção! Em indivíduos sensíveis, a canela pode despertar reações alérgicas. Capim-limão : Fins medicinais : O chá de capim-limão também é indicado para ajudar no trabalho estomacal, para expulsar gases, além de ser ligeiramente analgésico e anti-reumático. Como usar: Para diminuir a ansiedade, coloque em 1 xícara de chá de água fervente, coloque 1 colher de sopa de folhas frescas picadas. Se quiser, acrescente gotas de limão e adoce com mel. Atenção! Em geral é seguro, mas não deve ser usado na gravidez nem para dores abdominais de causa desconhecida. Carqueja : Fins medicinais : A carqueja reduz as taxas de açúcar no sangue e tem propriedades anti-úlcera e anti-inflamatórias, o que ajuda no tratamento de artrites. Como usar: Para auxiliar na digestão, prepare um chá com 1 colher de sopa da erva para cada xícara de água e tome até 3 vezes ao dia. Atenção! Estudos não apontam toxicidade renal ou hepática, mas há risco de queda na pressão arterial. Por isso não deve ser usada por quem tem problemas de pressão baixa ou toma remédios contra a hipertensão. Também é contraindicada em casos de diarreia crônica. Por falta de estudos conclusivos, grávidas devem evitá-la, principalmente no primeiro trimestre. Erva cidreira : Fins medicinais : Também é analgésico e antiespasmódico, além de funcionar topicamente (em extrato) contra herpes labial. Como usar: Para tratar dores de cabeça e cólicas intestinais, coloque m 1 xícara de chá, coloque 1 colher de sobremesa de folhas e ramos frescos. Adicione água fervente. Abafe, espere amornar e coe. Tome uma xícara de manhã e outra à noite. Eucalipto : Fins medicinais : O chá é usado para abaixar a febre e combater dores de ciática e gota. Também alivia dores do reumatismo e estimula as defesas. A planta serve como antisséptico e repelente de insetos. Como usar: Para sinusite (inalação), jogue 1 litro de água fervente sobre 6 ou 8 folhas de eucalipto. Aspire o vapor 2 vezes ao dia. Atenção! Nos casos de asma seca, pode ter efeito contrário, irritando mais e piorando o quadro alérgico. Em excesso, pode causar sonolência, vômitos, transtornos respiratórios e até perda de consciência. Grávidas, quem tem doenças inflamatórias ou hepáticas graves não podem usar. Crianças não devem fazer inalação nem usar o óleo essencial. A planta também interage com vários remédios, como antidiabéticos e drogas metabolizadas pelo fígado.Guaraná : Fins medicinais : Atenua perturbações gastrointestinais e cólicas e é ainda usado contra perda de memória e como analgésico. Como usar: Para aumentar a disposição coloque 1 colher de chá de pó de guaraná em 1 copo de água filtrada e acrescente 1 colher de sopa de mel. Misture bem. Tome logo de manhã, em jejum. Atenção! Deve ser evitado por crianças, portadores de distúrbios cardíacos e psíquicos como síndrome do pânico ou hiperatividade. Nunca consuma junto com outras bebidas ricas em cafeína. Pimenta : Fins medicinais : É usada para acelerar o metabolismo e ajuda emagrecer Como usar : Para melhorar a digestão consuma com freqüência e em doses bem moderadas (até 5 gramas diárias), ela estimula as funções do estômago. Atenção ! Vale o bom senso: tem gente que é muito sensível ao ardido da pimenta. Quem sofre de úlcera e gastrite, portanto, precisa evitá-la. Há quem diga que o uso excessivo provocaria hemorroidas. Capítulo 9 Primeiros socorros e remédios “Nós só sobrevivemos pelo que recebemos, mas só vivemos de verdade pelo que entregamos às pessoas próximas de nós” Churchill Ter uma visão ampla sobre primeiros socorros é algo de suma importância. Os primeiros socorros são uma reação contra possíveis eventos e entre os mais importantes temos diarreia, feridas, infecções respiratórias, dor e febre, gripe, emergências dentárias, etc. Diarreia Diarreia pode ser causada por bactérias, vírus, medicamentos, parasitas, intolerância à frutose e muitos outros distúrbios digestivos. Geralmente não levamos a sério a ameaça da diarreia, mas em situações caóticas ela pode ser um problema grave. Aqui estão algumas coisas que podem prevenir e ajudar a aliviar a diarreia, para que ela não se torne uma ameaça à vida: Suplementos enzimáticos para a saúde digestiva. Depois de comer um certo alimento, se você sente desconforto, gases, diarreia, dor de cabeça, inchaço abdominal ou dificuldade para respirar pode ser que seu corpo não tenha a capacidade de digeri-lo corretamente. Isso caracteriza uma intolerância alimentar, ou seja, seu corpo não tem ou produz pouco a enzima necessária para digerir aquela substância. É como se a enzima fosse a chave e o alimento, um carro. Para tirá-lo do caminho, é necessário que a chave se encaixe perfeitamente. A suplementação enzimática já é amplamente utilizada na intolerância contra a lactose. Essas enzimas garantem que as proteínas ou substâncias que gerariam o desconforto sejam devidamente digeridas e eliminadas, como se não houvesse intolerância nenhuma. Complexo de Artemísia e nozes pretas verdes. As cascas da noz preta têm sido consideradas por muito tempo um remédio poderoso para expelir parasitas e vermes do corpo. Elas contêm iodo e taninos orgânicos, que contêm propriedades fortes antissépticas. Também têm demonstrado ter capacidades de oxigenação, que podem ajudar a queimar toxinas excedentes e matérias gordas e limpar o sangue. São indicadas em uma série de problemas cutâneos. A ação amarga desta erva estimula o sistema digestivo, ajudando na indigestão, especialmente quando causada por problemas do suco gástrico. Também é uma das melhores ervas disponíveis para tratar de infestações de vermes e parasitas. Devido à ação geral do tônico, a artemísia pode beneficiar muitas condições, pois beneficia o corpo em geral. Antidiarreico Imodium. Os comprimidos de Imodium são usados no tratamento da diarreia. Estes podem fornecer quase imediatamente o alívio sintomático por diminuírem os movimentos intestinais. Este facto dá ao corpo mais tempo para absorver a água e os nutrientes dos alimentos presentes no seu sistema, prevenindo, assim, a desidratação. O Imodium contém loperamida, que atua nos receptores das paredes musculares dos intestinos. Estes receptores estimulam as contrações musculares, mas após a ação da loperamida, estas são diminuídas, permitindo que os alimentos sejam digeridos mais devagar. Isto não só ajuda a prevenir a desidratação, mas pode também reduzir o desconforto causado por uma condição como a diarreia. Tabletes de Carvão Ativado. A principal função do carvão ativado é remover as impurezas do organismo, por esse motivo o produto é muito utilizado em casos de intoxicação por alimentos, drogas, medicamentos ou produtos químicos. Além de auxiliar na desintoxicação do organismo, o carvão ativado é usado para tratar disfunções, branquear dentes e em cosméticos. Em hospitais, pode ser usado para desintoxicação por medicamentos, venenos ou agentes químicos. Antiácido Tums. Medicamento indicado para o alívio da azia e indigestão gástrica. A diarreia é geralmente acompanhada de transtorno digestivo, também para ajudar a prevenir infecções fúngicas, indigestão ácida e problemas estomacais. Pedialyte. É destinado à prevenção da desidratação e manutenção da hidratação, após a fase de reidratação, como em quadros de doença diarreica aguda, de qualquer origem, por exemplo. O medicamento substitui rapidamente os fluidos e eletrólitos perdidos durante a diarreia e vômito ajudando a prevenir a desidratação. Este medicamento foi desenvolvido para promover a absorção de fluidos mais efetivamente do que as soluções caseiras comuns. O início da ação é imediato. Tratamento de feridas Perfurações, arranhões, cortes, queimaduras, mordidas, bolhas, picadas e queimaduras de radiação podem causar complicações graves dependendo do cenário. A pele é uma barreira que serve como proteção contra infecções e radiação. Os itens que devem ser adquiridos são vários. Podemos citar o sabão para limpar feridas, peróxido de hidrogênio para prevenir infecções, Neosporina (uma pomada antibiótica para feridas), ataduras, band-aid, compressas de gaze estéreis, Nebacetin (para queimaduras), hidrocortisona(um creme anti-coceira para erupções cutâneas), curativo hemostático (uma maneira de evitar que as feridas sangrem profusamente), Ibuprofeno (para aliviar a dor e prevenir o inchaço), pinças (para retirar lascas e outros objetos indesejados em feridas) e protetor solar. Infecções Respiratórias São mais comuns no outono e no inverno, e podem incluir corrimento nasal, tosse ou dor de garganta. Entre os principais itens a serem adquiridos temos: Anti-histamínicos. Também conhecidos como antialérgicos, são remédios utilizados para tratar reações alérgicas, como urticária, rinite alérgica ou conjuntivite, por exemplo, reduzindo os sintomas de coceira, inchaço, vermelhidão ou corrimento nasal. Lanternas. Para verificar a garganta em busca de feridas. Pastilha Benalet. Trata-se de uma pastilha indicada no tratamento contra tosse e irritação da garganta que tem ação antialérgica e expectorante. Pode ser comprada em farmácias e drogarias, nos sabores mel-limão, framboesa ou menta. O Benalet é indicado com o tratamento auxiliar nos quadros de inflamações das vias aéreas superiores como tosse seca, irritação da garganta e faringite que normalmente acompanha gripes e resfriados ou que está associada à inalação de fumaça, por exemplo. Água oxigenada. Pode ajudar a eliminar a fleuma e outras secreções associadas a uma boca inflamada. Dor e febre Causas de febre podem incluir um vírus, infecção bacteriana, queimaduras solares extremas e exaustão pelo calor. Para aliviar a febre durante uma situação de emergência, armazene alguns destes itens: -Termômetro analógico (é melhor um termômetro que funcione sem baterias); -Ibuprofeno (para reduzir a febre e prevenir o inchaço); -Compressas quentes e frias (para reduzir a temperatura corporal; -Amoxicilina (esse medicamento é um antibiótico de amplo espectro indicado para o tratamento de infecções bacterianas). Gripe Se você estiver em uma situação na qual não pode procurar ajuda médica para a gripe, você pode querer algumas destas coisas: -Luvas (luvas de exame para que você possa conduzir exames em familiares com segurança); -Kit antigripal (Resfenol, Previgrip e Aspirina C); -Kit de proteção contra Infecção (kit que possui equipamentopara proteção dos olhos, mãos e rosto). Emergências Dentárias A maioria das pessoas sequer cogitaria citar uma emergência dentária como um perigo em uma situação de sobrevivência, mas e se você tiver uma emergência odontológica durante uma cenário caótico? Um dente ruim pode acabar custando sua vida. Tenha alguns destes em mãos no caso de uma emergência odontológica: -Peróxido de Hidrogênio (agente de desbridamento oral); -Gel anestésico para dentes (aliviar a dor); -Kit Dental (para infecções, obturações perdidas ou dentes fraturados, adquira um kit com fio dental, algodão, anestésicos orais e misturas temporárias de preenchimento de cavidades). Emergências pessoais Possivelmente haverá uma emergência específica para um dos membros da sua família como diabetes ou tratamento oftalmológico. Aqueles que têm diabetes podem precisar de insulina. Se esse for o caso, deve-se ter aveia em mãos para aqueles que são diabéticos para ajudar a controlar seus picos de insulina. É preciso ter cuidado com os olhos. O cloridrato de tetraidrozolina é essencial. Nos olhos, ele dilata as pupilas, aumenta o escoamento do humor aquoso e promove vasoconstrução. Outras dicas Mantenha um manual básico de primeiros socorros sempre por perto. A maioria dos livros trata bem mais de uma centena de tipos diferentes de condições e ferimentos e deixará claro como tratar alguém se não houver equipes médicas de emergência por perto para ajudar. Fazer cursos na Cruz Vermelha Brasileira também é uma boa pedida. Normalmente são cursos baratos e que inclusive fornecem certificado de conclusão. Nas aulas básicas de primeiros socorros, você aprenderá como reconhecer e cuidar de uma variedade de situações como cortes, queimaduras, arranhões, doenças súbitas, lesões no pescoço, na cabeça e nas costas. É importante saber como usar tudo em seus kits. Reações alérgicas, envenenamentos e picadas de cobra e ataques de asma exigem ação imediata. Descubra como você pode lidar com essas situações antes que elas ocorram. Se você mora em uma área onde há cobras venenosas, você deve saber como usar um kit de mordida de cobra. Se alguém da família é alérgico a abelhas, saiba como usar um kit de picada de abelha. Deve-se conhecer também os diferentes tratamentos para queimaduras. Elas são a segunda principal causa de morte em crianças pequenas. Nunca se deve usar gelo ou manteiga. O melhor procedimento é esfriar a queimadura sob água corrente morna ou fria por quinze minutos. O torniquete pode ser também algo perigoso. Em caso de mau uso um torniquete pode fazer com que alguém perca um membro, então é interessante saber como usá-lo. Capítulo 10 Investimentos e negócios para um sobrevivencialista “O mundo precisa do que os bancos fazem, mas não necessariamente deles” Bill Gates Investimentos e negócios Para quem me conhece pessoalmente algumas das passagens aqui escritas parecerão hipócritas. Eu não apenas sou formado em administração de empresas pela FGV como invisto no mercado financeiro já faz algumas décadas. Eu também escrevi um livro sobre Fundos de Investimento Imobiliário que o leitor pode checar na parte final “sobre o autor”. De qualquer forma, para quem tem mentalidade sobrevivencialista não faz sentido depositar todas as fichas no mercado de capitais. Se estamos tratando da possibilidade de eventos catastróficos acontecerem (e como se preparar para eles) não faz sentido desenvolver esse capítulo dando ênfase no mercado de capitais. A verdade é que estamos entrando em tempos econômicos perigosos. Depois da debacle econômica dos dois governos petistas, o Brasil estancou a sangria elegendo Jair Bolsonaro. Só que não há mágica para ser feita no curto prazo. Por mais que o Paulo Guedes seja uma pessoa extremamente capacitada para ser Ministro da Fazenda, não há dúvida que entraremos em tempos de escassez e privações. A Reforma da Previdência vai ser aprovada e a tendência é que o povo brasileiro trabalhe cada vez mais e conte cada vez menos com o Estado. No Brasil atual não se pode nem contar com os concursos públicos como ocorria no passado. É provável que a estabilidade irá desaparecer ou, no mínimo, vai ser relativizada. Vários benefícios e excessos serão diminuídos e/ou cortados. As vagas recordes que as escolas preparatórias para concursos preveem não passam de fantasias para buscar novos alunos já que estamos em um cenário de controle dos gastos públicos com um exército cada vez maior de gente abandonando a iniciativa privada. Você pode ser um excelente trabalhador, em uma indústria presumivelmente “segura”, mas em uma depressão você ainda assim pode perder seu emprego. Esse capítulo apresentará estratégias para garantir sua segurança financeira. Fornecerei conselhos sobre investimentos inteligentes para fazer agora visando proteger seu dinheiro, sugestões de fontes de receita e técnicas de barganha eficazes que você pode usar para o WTSHTF. Obviamente que não estou aconselhando todos os leitores a abandonarem seus empregos e a cidade grande e irem se refugiar no campo. O que vai ser tratado nessa parte do livro é como se tornar mais independente e seguro e ir aos poucos deixando de ser um escravo do sistema. Esse capítulo vai ser útil mesmo se o leitor morrer sem que nada catastrófico tenha acontecido. O problema da inflação Por mais que o Brasil tenha esquecido como a inflação pode ser nociva, esse é um assunto que poderá voltar a ser caótico no futuro. Quem tem menos de 30 anos provavelmente não viveu o caos econômico que ocorria no Brasil antes do Plano Real estabilizar as coisas. Se o governo de Jair Bolsonaro não atacar a questão fiscal, o país pode voltar a entrar em um abismo inflacionário, como está ocorrendo com a Argentina, Pelas contas de economistas renomados o Brasil precisará fazer um ajuste de R$ 300 bilhões, ou seja, o equivalente a 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB), para que as contas públicas se reequilibrem e voltem a registrar superávit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública). Isso é tudo muito bonito na teoria, mas ninguém sabe como as coisas vão se desenvolver. Não dá para prever como o poder legislativo vai se comportar e o presidente Bolsonaro, por mais bem intencionado que seja, não tem uma grande compreensão de economia. Pode ser que algumas reformas econômicas não passem e que ele seja aconselhado a tomar medidas que, por mais que no longo prazo possam ser boas para o Brasil, possam afetar severamente a classe média. E outra, qual a garantia que temos que um outro governo irresponsável com as contas públicas como os últimos governos petistas não possa voltar ao poder? Geralmente a população brasileira é péssima para entender quem é responsável por determinado problema econômico. Caso o Bolsonaro não possa concorrer e não surja uma figura igualmente carismática (ou mesmo ocorra uma crise econômica) é bem possível pensar um cenário em que alguém de uma “esquerda reformista e limpa” ganhe força e isso pode ameaçar o futuro econômico do país. Para quem é jovem e não entende ainda por não ter vivenciado o problema vou usar um exemplo de dois casos típicos de países com problemas de inflação para que através do cotejo numérico seja possível uma maior compreensão. A comparação da inflação será feita considerando dois países: Brasil e Alemanha. Em um passado recente e lendo um artigo de um economista respeitado em 2012 eu percebi que esse exemplo era o mais didático possível para mostrar o perigo da inflação brasileira. Nos últimos cinquenta anos, a inflação na Alemanha foi de 309,4%, ou 2,86% ao ano em média. No mesmo período, a brasileira atingiu estonteantes 36 552 126 060 062 700% (trinta e seis quatrilhões, quinhentos e cinquenta e dois trilhões, cento e vinte e seis bilhões, sessenta milhões, sessenta e dois mil e setecentos por cento), com média anual de 95,55%. Lá, a rejeição tem origem no terror da hiperinflação dos anos 1920, na República de Weimar. A maioria dos alemãestem profundo pavor de qualquer aumento inflacionário e isso engloba jovens, adultos e idosos. O ambiente inflacionário teve papel relevante na ascensão do nazismo ao poder. Hitler foi “o filho adotivo da inflação”. Aqui no Brasil, contudo, quem tem menos de 30 anos sequer considera a inflação como um problema grave em potencial. Inflação, para a maioria das pessoas, é só um assunto de economia que quase não tem nenhum efeito no mundo real. Será que isso é verdade e será que a intensidade dos efeitos atuais vai ser a mesma em uma possível crise futura? Vejam esse gráfico do valor do preço do combustível na bomba dos últimos 20 anos: Como a inflação é tão implacável como pode ser visto no gráfico, recomendo investir em bens tangíveis - como terras agrícolas produtivas, ouro, prata, armas e munições de calibre comum. O real certamente continuará a cair vertiginosamente e não adianta colocá-lo em um banco ou em um colchão, mas a maior parte dos bens tangíveis manterá seu valor não importa o cenário inflacionário. É preciso também entender algumas dinâmicas econômicas. No nosso atual sistema monetário e bancário, quando uma pessoa ou empresa pega empréstimo, os bancos criam dinheiro do nada — na verdade, meros dígitos eletrônicos — e simplesmente acrescentam esses dígitos na conta do tomador do empréstimo. Portando, todo o processo de expansão de crédito nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de dinheiro na economia. Não cabe aqui desenvolver profundamente sobre economia, mas o principal de entender é que os períodos de boom e crescimento recentes eram falsos e não tinham como durar. O Brasil está com um problema de dívida pública que poderá ficar muito grave caso algumas reformas não passem. Eu lembro quando era adolescente o político Enéas Carneiro falando sobre juros da dívida e como o Brasil iria ser estrangulado se alguma coisa não fosse feita. Por incrível que pareça o que o político que era considerado louco naquela época faz muito sentido agora. É preciso entender que o carrossel da dívida não pode durar para sempre. Quando o consumidor médio fica sem crédito, quando o próprio tesouro brasileiro não é mais considerado digno de crédito, e quando o real passar a ser reconhecido pelo que de fato é (papel higiênico bem impresso), as coisas vão ficar muito feias. Se você parar de fazer os pagamentos do seu carro, os bancos enviam um representante para tirá-lo de você. E quando nações inteiras entram em default, geralmente eventos caóticos podem surgir. Esteja preparado. Inflação e impostos sobre imóveis O aumento de impostos sobre bens imóveis é uma das razões pelas quais agora as propriedades parecem tão caras para o indivíduo comum. Mesmo que você possua sua casa própria, os impostos sobre a propriedade são inescapáveis. E os impostos e a forma como os governos democráticos têm se comportado fazem com que os gastos com moradia só aumentem. Isso não é neurose de prepper, mas a pura realidade ratificada por fatos empíricos como estes: “De acordo com Simões, o ITBI, sofreu reajuste de 1%. Antes a alíquota era de 2% com a nova lei sobe para 3%. Já o IPTU passa a ter uma cobrança de 40% a 50% a mais para imóveis das classes baixa e média e 15% para as unidades mais caras, aumentando ainda mais a carga tributária para os contribuintes.” Ou este aqui: “A prefeitura de São Paulo reajustou a tabela do ITBI (Imposto sobre a transmissão de bens imóveis) em até 173%. Essa é a tabela de valor dos imóveis como referência para pagamento de impostos em transações imobiliárias e deve fazer com que proprietários paguem mais imposto na hora de transferir um imóvel de nome.” Sendo assim, mesmo no modo autossuficiente, embora você possa se alimentar, você ainda precisa de um emprego remunerado, apenas para pagar os impostos da sua residência que tendem a crescer cada vez mais. Até que esse sistema monetário de dívida - que é a raiz da inflação - seja substituído por um sistema de moeda sólida que seja resgatável em espécie é prudente pensar em criar fontes de renda adicionais por mais autossuficiente que você acredite ser. Empregos imunes a depressões Nos tempos econômicos atuais, que são marcados por crescentes demissões corporativas, é importante estudar quais empregos são à prova de recessão. Se você é demitido e não consegue encontrar trabalho em seu campo escolhido, então você deve pensar em aceitar um salário menor para iniciar um trabalho muito menos glamoroso. No Japão, esses trabalhos são chamados de trabalhos “Três K”: kitsui (“hard”), kitanai (“sujo”) e kiken (“perigoso”). Se você está disposto a assumir qualquer um dos Três Ks e você realiza o seu trabalho com afinco e dedicação então é provável que você irá mantê-lo mesmo em situações econômicas catastróficas. Obviamente o salário recebido nesses empregos é na maioria das vezes insuficiente. A questão principal aqui é que a maioria dos brasileiros tem a visão tola e infantil de que o salário é a única fonte de renda disponível. Existe uma infinidade de formas de economizar e ganhar dinheiro e isso vai desde criar uma plantação na sua casa a descobrir como ter renda extra na internet. A maioria desses empregos são considerados de baixo nível. Trabalhadores de saneamento, agentes de controle de animais, técnicos de esgoto e trabalhadores de manutenção de rodovias são uma parte vital de qualquer sociedade. Não há vergonha nenhuma nisso. O principal erro que muitas pessoas cometem ao simplesmente evitar alguns empregos é considerar as condições atuais de uma determinada sociedade como imutáveis e ficar fantasiando que algumas profissões e determinados segmentos que vivem bem vão continuar assim infinitamente. Acredite, caro leitor, é muito provável que pessoas que tem bons recursos hoje em dia vão passar por dificuldades muito maiores nos tempos porvindouros do que uma pessoa com menos recursos que se preparar antecipadamente para o que está por vir. Recentemente surgiu uma notícia nos portais financeiros que William Preston King, um antigo investidor que era amigo do Jordan Belfort (o verdadeiro “Lobo de Wall Street”) e que, em um passado não muito distante, tinha muitos cavalos e andava de BMW estava morando nas ruas de Nova York. Por mais que seja triste e revoltante ver alguém com tanto potencial (William falava cinco línguas e era considerado muito inteligente por todos os seus pares) acabar em uma situação como essa, podemos dizer que a sua situação atual é reflexo de falta de preparo (aqui no sentido de planejar para longo prazo em ser um prepper e não viver para o presente apenas). Ele achou que iria continuar vivendo de forma luxuosa para sempre. Quem entende para onde o mundo está caminhando, mesmo que tenha infinitamente menos recursos, não irá deixar sua família passar fome ou acabar sem lar. E acredite esses casos vão ser cada vez mais comuns e simplesmente não vão existir mais lugares desenvolvidos para fugir. Entenda que não há vergonha em aceitar o trabalho duro. Se você aceitar um emprego que traga apenas metade de sua renda antiga, considere que, na verdade, você sairá na frente de seus contemporâneos, que serão demitidos por mais da metade de cada ano. Além disso, você terá benefícios ininterruptos, como seguro de saúde. Não se acomode com seu emprego e pense constantemente em como criar novas rendas, pergunte a si mesmo se os gastos que você faz não podem ser evitados e como criar ativos tangíveis que trabalhem para o seu bem estar no longo prazo. A necessidade de um negócio doméstico que te gere renda A maioria dos preppers que vivem em cidades grandes ou médias gostariam de viver em tempo integral em um retiro em uma área rural. Essa é uma discussão que ocorre frequentemente não apenas no Brasil como também nos Estados Unidos. O motivo desse anseio é quase sempre o mesmo: a preocupação com a falta de autonomia. Como é difícil encontrar trabalho no campo e a maioria dos trabalhos da cidade não permitem o teletrabalho, boa parte desses indivíduosse sente presa. Ao longo dos anos, vi muitas pessoas desse meio abandonarem tudo e irem para uma cidade pequena (bem pequena mesmo) com a esperança de encontrar um trabalho lá e conseguir maior autonomia. Isso geralmente não funciona. Os empregos mais rurais geralmente pagam pouco mais do que o salário mínimo e muitas vezes são informalmente reservados para pessoas que nasceram e cresceram no lugar. Os recém- chegados da cidade grande certamente não irão ter prioridade de contratação. Meu conselho para quem tem uma mentalidade sobrevivencialista é desenvolver, mesmo que você more na cidade grande momentaneamente, um negócio que você possa movimentar da sua casa. Depois que esse negócio prosperar, inicie outro e assim sucessivamente. Qual negócio especificamente não dá para generalizar porque as pessoas possuem a mais diversa gama de habilidades. Não posso citar um determinado empreendimento se um indivíduo pode não ter talento algum para levá-lo adiante. O ideal é pensar porém em um negócio que possa se manter saudável mesmo em condições adversas como em crises ou eventos catastróficos. Se a sua mulher é, a medida de exemplo, muito boa em fazer doces essa é uma atividade que seria terrivelmente afetada em um cenário adverso. Não necessariamente que seja algo que se deva evitar se ela estiver desempregada, mas se tiver uma outra perspectiva de uma atividade mais resiliente é mais adequado dar prioridade à segunda atividade. Existem inúmeras vantagens para essa abordagem, a saber: -Você pode viver no seu retiro em tempo integral. Isso contribuirá para sua autossuficiência, desde que você esteja lá para cuidar do seu jardim, árvores frutíferas e animais. -Se um de seus negócios domésticos falhar, você poderá se dedicar ao outro. -Você geralmente pode construir os negócios gradualmente, de modo que você não precisa sair da sua ocupação atual imediatamente. -Ao trabalhar em casa, você terá tempo para educar suas crianças e elas vão aprender sobre como operar um negócio. Esse último aspecto é interessante. Hoje em dia ensinar uma criança sobre negócios e botá-la para trabalhar parcialmente para que ela aprenda como as coisas funcionam na realidade é mal visto e pode inclusive acarretar problemas para o pai. Em um passado não muito distante em São Paulo (e provavelmente no Brasil inteiro) era comum ver famílias comerciantes de árabes, portugueses e judeus com crianças no estabelecimento para que os filhos aprendessem como funciona um negócio e desenvolvessem na prática conceitos importantes relacionados a matemática, psicologia do consumidor, marketing, etc. Hoje em dia, contudo, ensinar educação sexual e lixo ideológico parece ser uma forma muito mais produtiva de educar os jovens brasileiros. Para quem não sabe o Warren Buffet começou sua vida vendendo limonada e não tenho dúvida que esses anos iniciais foram de suma importância na formação do homem que ele iria se tornar. Pergunte-se a si mesmo “em que eu sou bom?”. Que conhecimento ou habilidades que você tem que você pode utilizar? Em seguida, considere quais são as empresas e empreendimentos que florescerão durante os tempos difíceis. Negócios bem-sucedidos em domicílio geralmente se concentram em necessidades não atendidas. Se você mora em uma área rural, pergunte aos seus vizinhos: há algo que você compra ou aluga, ou um serviço que você contrata regularmente que atualmente requer uma viagem de vários quilômetros até a cidade? Esses são seus nichos potenciais. Um negócio domiciliar à prova de recessão bem-sucedido será aquele em que a demanda por seus bens e serviços seja consistente - mesmo em uma economia fraca. Existem infinidades de oportunidades para aqueles que pensam segundo esses critérios. Por exemplo, caso você seja um prepper habilidoso e experiente você pode oferecer serviços de especialista em energia alternativa, reparador, vendedor de roupas de segunda mão para classes mais baixas, etc. Em tempos econômicos difíceis, as pessoas tentam se contentar com o que eles têm. Então, as empresas de reparo vão sempre existir. Talvez haja algum pequeno aparelho que você possa reparar e que possa ser enviado de e para o cliente. Isso pode incluir reparo de algum eletrônico (existem muitos cursos do Senai para reparadores: mesmo que você não entre nessa área, que mal vai fazer aprender?) Outra categoria é lojas de segunda mão. Pessoas com orçamentos apertados estarão ativamente procurando por bens de segunda mão em vez de comprar novos itens. Uma loja de segunda mão em uma cidade de tamanho pequeno pode funcionar bem em uma depressão. Outra abordagem para aqueles com aptidão mecânica que não se importam com o trabalho extenuante ao ar livre é possuir uma ou mais peças de máquinas bastante caras que muitas pessoas precisam alugar (ou contratar os serviços) semestralmente, mas que são caras o suficiente para não justificar a compra de uma. Exemplos incluem as valetadeiras, serrarias portáteis, talhas de caçamba, Tratores Bobcat, pequenas escavadeiras de esteiras e assim por diante (o que mais tem é equipamento que preenche esses requisitos). Depois de identificar uma necessidade clara e não preenchida na sua comunidade, e depois de confirmar que mais ninguém na sua área já tem uma máquina que ele atualmente aluga, comece a procurar uma. Idealmente, você desejará uma que tenha alguns anos (já que o maquinário novo em geral é muito caro), em condições confiáveis de funcionamento e a preços razoáveis. Se necessário, pegue um trailer para transporte. Pratique com ele em sua propriedade, para que você seja competente e tenha confiança de que você pode fazer um bom trabalho. Pratique carregar, transportar e descarregar seu maquinário algumas vezes, para que você não pareça um idiota ao fazer isso. Certifique-se antes de tudo de ter um seguro de responsabilidade civil antes começar qualquer atividade. A partir daí, é hora de pensar no marketing. A abordagem pode variar muito de acordo com a sede do seu negócio. A propaganda boca a boca, pode ser eficiente, as novas tecnologias também, assim como parcerias com outros estabelecimentos da cidade. Você pode "dimensionar" o tamanho da sua segunda empresa de acordo com os preços cobrados. Se você tem disponibilidade de horas e acha que faz sentido cobrar um valor menor, então preço baixo. Se você está ficando com muito trabalho, então comece a aumentar o preço cobrado para desacelerar seus negócios. Se e quando você perder seu fluxo de renda primário, você pode reduzir substancialmente o preço cobrado em seu negócio secundário, para que ele possa absorver a sua renda perdida. Alguns bons exemplos de negócios domésticos podem ser: -Reparo e reforma em geral -Venda por correspondência ou pela internet -Escrita freelancer -Criação de blogs com publicidade -Instalação de alarmes contra roubos -Fabricação de vassouras e cestos -Tecelagem e fiação -Fabricação de velas e sabonetes Metais preciosos como hedge e não como investimento Os metais preciosos, em geral, não são um investimento em si. Em vez disso, eles são mais uma forma de proteção contra a destruição do mercado financeiro global. As pessoas podem esperar comprar metais preciosos sem esperança firme de retorno. Existem duas formas de comprar ouro: através da B3 ou no mercado de balcão. Na bolsa, o investidor precisa ter uma conta em uma corretora de valores e os contratos são negociados em lotes-padrão de 250 gramas de ouro. No mercado balcão, por outro lado, o cliente pode investir em barras de 1g até 1kg. Em vez de pensarmos em especulação, pode-se esperar que o ouro acompanhe a taxa de inflação. Recomendo que todas as famílias tenham uma participação essencial (não especulativa) de 5% a 10% de seu patrimônio líquido em metais preciosos. É óbvio que é possível perder dinheiro com ouro e depois da crise de 2008/2009 o ouro se valorizou para alcançar quase U$2.000 e agora está próximo de U$1.300. E é por essa razão que eu aconselho terapenas uma pequena proporção em metais preciosos. Por mais complicado que seja falar em termos de proporção e mesmo usar a bolsa de valores para um prepper, creio que comprar metais preciosos seja algo racional. Como não temos certeza de que tipo de crise poderá ocorrer, só nos resta criar um portfólio bem balanceado de metais preciosos. Por exemplo, o ouro disparou US$869,75 a onça durante a crise financeira de 2008. O preço de uma onça de ouro bateu um recorde histórico de US$1.895 em 5 de setembro de 2011, em resposta às preocupações de que os Estados Unidos ficariam inadimplentes em sua dívida. Um sobrevivencialista/prepper nesse contexto que tinha investimentos em ouro obviamente se sentiu mais seguro e confiante do que alguém que não tinha nada. De qualquer forma, eu costumo ver que a maioria das pessoas desse meio normalmente prefere adquirir barras de ouro ao invés de utilizar o mercado de capitais. Isso pode fazer sentido ou não de acordo com o que vier a acontecer. Para quem é dessa opinião, aconselho que procure uma corretora autorizada pelo Banco Central e pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a vender ouro. Entre as empresas mais conhecidas estão Ourominas, Parmetal e Carol DTVM. Evite comprar em lojas indicadas nas ruas. As barras vendidas nas distribuidoras autorizadas são lacradas. Mantenha o lacre, senão é preciso pagar para lacrar de novo. Em um grande desastre que gerar um colapso econômico, os metais preciosos terão sua maior utilidade como um item de valor reconhecido para facilitar o escambo nas últimas etapas de uma economia pós-colapso, à medida que o comércio regular começa ocorrer novamente. Antes disso, você pode esperar que apenas alimentos enlatados e armas sejam aceitos como permuta. O mercado livre determinará seu valor, como sempre ocorre. Se o Real (assim como as outras moedas) for completamente eliminado (temporária ou definitivamente), os Reais antigos provavelmente serão declarados sem valor e uma nova unidade monetária será estabelecida (provavelmente atrelada ao ouro). No curto prazo, os mercados de metais – principalmente a prata - são de fato bastante voláteis. Mas é importante ter uma visão de longo prazo e entender que você está gastando um valor que representa uma proporção baixa do seu patrimônio como seguro. De nada adiantaria comprar metais e ficar acompanhando diariamente o que está ocorrendo no mercado global para decidir se você irá vender. Isso é especulação como qualquer outra. Eu recomendo comprar moedas de prata em vez de moedas de ouro. Se você quiser, em um cenário catastrófico, comprar água, chocolate ou mesmo um pão será extremamente estranho utilizar ouro para esse tipo de aquisição. Como alguém iria dar um troco para algo que vale infinitamente menos do que está recebendo? É por essas e outras que eu recomendo uma diversificação que envolve inclusive contratos futuros na B3. Estratégias de troca, pechincha e sobrevivência Como há efetivamente apenas uma moeda no Brasil, só podemos usá-la para fazer negócios. Pode ser difícil, mas você precisa superar sua mentalidade tradicional sobre o valor da moeda e perceber que estamos descendo uma escada rolante. Um ambiente inflacionário sustenta a lógica tradicional, uma vez que a poupança se perde, e investir é quase como jogar moedas em uma lagoa se a taxa de retorno de qualquer investimento for menor do que a taxa de inflação do mundo real. A única exceção digna de nota, como já discutido, é investir em tangíveis. Aqui estão algumas sugestões para se proteger da inflação e dominar a arte da barganha: Compre em abundância sempre que as condições permitirem Compre a maioria de seus alimentos básicos em lugares que proporcionem descontos. O que mais existe no Brasil é “superatacado” e se você for inteligente não apenas vai estar economizando como vai estar iniciando sua estocagem de produtos necessários. Estoque itens não perecíveis sempre que estiverem à venda: itens como lâmpadas, produtos de papel, sabão em barra, produtos de limpeza, sabão em pó, lubrificantes e assim por diante. Desde que você proteja esses suprimentos contra roubo, umidade e deterioração, eles são, de acordo com uma ótica sobrevivencialista, melhores do que dinheiro no banco. São tangíveis comprados a preços de hoje, que você pode usar ainda por muitos anos. Aprenda a realizar trocas A troca, por sua própria natureza, protegerá você e sua família da inflação. Eu defendo fortemente a estocagem de itens extras para troca. Obviamente isso deve ser feito com a condição de você não iniciar a compra de bens que serão usados para a troca antes de ter estocado os principais itens prementes para a sobrevivência familiar. Essas características devem ser levadas em consideração antes da aquisição de itens para troca sob pena de você fracassar nos seus objetivos: -Utilidade para a maioria dos cidadãos. Quase todas as famílias no Brasil usam sabão, mas apenas algumas irão precisar de agulhas de costura. -Reconhecimento imediato. Marcas conhecidas não precisam de introdução. Marcas suspeitas podem ser problemáticas em uma situação de troca. -Longevidade. Se você não pode trocar tudo antes que os itens estraguem, então você está comprando demais. -Fácil divisibilidade. Caixa de fósforo é o exemplo mais perfeito que existe. Se você planeja dividir uma mercadoria em transações de permuta, certifique-se de ter onde armazenar as partes divididas. -Compactação relativa e transporte a um custo razoável. O papel higiênico terá um grande apelo em um cenário WSHTF, mas apenas quinhentos reais quase encheria minha garagem. Aprenda e desenvolva técnicas de negociação Como discutido anteriormente, toda família deve ter pelo menos um negócio caseiro que ela pode recorrer em caso de uma recessão econômica ou grande depressão. Concentre-se em desenvolver habilidades ao invés de ter apenas mercadorias para a troca. A beleza de ter habilidades únicas para barganhar é que a maioria delas não exige muita matéria-prima, então ao contrário dos bens de troca, você sempre vai ter algo para oferecer. Uma profissão ou habilidade que também requeira um conjunto de ferramentas especializadas pode ser útil; no entanto, se a habilidade desenvolvida também exigir a entrega de um dispositivo de fábrica para concluir cada transação, você deveria considerar fazer outra coisa. Por exemplo, instalar alarmes contra roubo pode ser lucrativo contanto que você tenha uma fonte de reabastecimento e desde que as redes de energia e telefonia estejam funcionando, mas em um cenário TEOTWAWKI, por quanto tempo será que você poderia continuar executando tal negócio? Evite também desenvolver uma habilidade que atraia apenas os clientes ricos para gastos esporádicos. Esses são os gastos que serão adiados ou ignorados em uma depressão econômica. Trocando itens Estar pronto para realizar trocas não é apenas uma questão de ter uma pilha de itens estocados. Embora a logística de trocas seja importante, o que é ainda mais importante é o que está entre os seus ouvidos. Barganhar requer prática: é uma habilidade adquirida. Eu sugiro que você comece a ir em feiras ou outros eventos similares e passe a não apenas ouvir como também tentar realizar negócios mais vantajosos. É irrelevante, no começo, se você vai conseguir ou não. Por mais ridículo que você se sinta, você não irá ter progresso se não der o primeiro passo e acredite quando eu digo que você não irá aprender sozinho. Comece praticando trocas em questões cotidianas mesmo com itens de baixo valor. Se um amigo ou companheiro do trabalho quiser alguma coisa barata que você tenha, tente de forma amistosa receber algo em troca. Esses pequenos eventos irão desenvolver sua habilidade de pechinchar de forma que você aprenda perfeitamente o valor das coisas e passe a enxergar formas de conseguir itens mesmo que você não julgue que eles são importantes no presente. A transação ocasional em que você acaba “sendo passado para trás”não deve ser motivo de preocupação. A única coisa que você deve ter em mente é que você está desenvolvendo suas habilidades de como barganhar. Os atributos que o colocarão em uma posição de barganha superior incluem conhecimento específico sobre o que está sendo negociado, conhecimento sobre quem está sentado do outro lado da mesa e bom senso empírico e esses atributos só são adquiridos após uma infinidade de transações feitas. O que fazer para negociar melhor Quanto mais você souber sobre as mercadorias que estão sendo trocadas, melhor você poderá barganhar. Com esse conhecimento você poderá falar de maneira honesta, mas persuasiva, sobre as virtudes de seus próprios produtos, enquanto fala educadamente sobre os defeitos dos produtos de seu parceiro comercial. Dessa forma, quanto maior for o seu conhecimento técnico de bens, melhor. Aproveite o seu tempo extra para estudar e desenvolver o olhar de um avaliador profissional em relação à condição de mercadorias usadas, o valor relativo dos produtos de um fabricante em relação ao outro e como está o seu conhecimento em relação ao mercado em geral. Com esse conhecimento você pode avaliar de forma mais perspicaz a escassez de qualquer item específico em seu estoque de permuta. Depois de tudo, como em qualquer outra transação de livre mercado, o principal fator na determinação do valor é a relação entre oferta e demanda. Se você está negociando um item para colecionador, então saber o quão escasso esse item é te proporcionará uma tremenda vantagem comparativa na negociação. Você precisa saber com autoridade qual fabricante, modelo, ano de produção e todos os demais pormenores de determinado produto. Táticas para pechinchar Por mais que alguém absorva conteúdo teórico sobre negociação, é muito difícil quantificar o quão habilidosa é uma pessoa na arte de pechinchar. Essa é uma habilidade que também pode demorar anos para ser desenvolvida. O Donald Trump nos seus ótimos livros fornece várias dicas importantes. É bem verdade que em conversas e entrevistas ele costuma dizer que sua capacidade para negociação é inata e nem todos podem chegar a esse nível. Eu particularmente acredito que existe um forte componente inato no fato de alguém ser ou não um bom negociador. Só que obviamente também é possível desenvolver em maior ou menor grau essa capacidade. Parte desse desenvolvimento é aprender a ler o rosto e a linguagem corporal de quem está do outro lado da mesa. Quão ansioso ele está para te vender um produto ou mesmo comprar o seu? A rapidez que alguém aceita uma oferta é um indicador-chave. E se há um negociante experiente avaliando você, será necessário desenvolver uma expressão facial de jogador de pôquer. Tome o tempo que for necessário para examinar cuidadosamente qualquer item oferecido a você. Isso lhe dará a oportunidade de detectar quaisquer falhas, defeitos ou sinais de deterioração no item que está sendo oferecido. Se você gastar mais tempo examinando um item isso pode levar o vendedor a duvidar do valor do que ele está oferecendo. Caso você faça uma oferta por um item e ela for prontamente rejeitada, ou a contraproposta feita for absurdamente alta, então a melhor coisa a se fazer é desistir da negociação ou ao menos deixar claro atiladamente que não há perspectiva nenhuma de ter algum negócio sob essas condições. Isso te distancia psicologicamente do item e, mais uma vez, faz com que o vendedor comece a duvidar de seu valor. No processo de pechinchar, uma das frases mais valiosas que você pode usar é "e o melhor que você pode oferecer?" Se o vendedor não se mexer e você estiver próximo a um preço aceitável, a melhor coisa a fazer é oferecer alguma coisa que você possua para facilitar o negócio. Se você ainda não conseguiu chegar a um acordo e quer concluir o negócio, provavelmente irá prejudicar a operação fazer com que sutilmente seja reduzido o valor do que está sendo oferecido a você ou aumentado o que você está oferecendo. Procure algum defeito ou algum pormenor que possa ser conveniente e sutilmente de uma cutucada do tipo “realmente é um bom produto e se não fosse já um pouco usado o preço que você está pedindo poderia ser justo”. A próxima coisa mais valiosa que você pode aprender é como não dizer nada. Depois de fazer uma oferta e receber uma contraproposta, silenciosamente comece a contar até vinte. Há alguma coisa relacionada a uma longa pausa que faz com que todos, menos o negociante mais robusto, desejem preencher esse silêncio. E nove vezes em dez, ele preencherá esse silêncio com outra oferta, geralmente uma que seja melhor. Como último recurso, agradeça ao vendedor e comece a se afastar. Esse será sua prova final de quão ansioso o vendedor está em vender ou não sua mercadoria. Se você ouvir “Espere, volte aqui...", então você sabe que o vendedor ainda tem espaço para negociar o preço ou a quantidade a ser vendida. Tenha em mente, no entanto, que essa é uma tática arriscada. Uma vez que você se afaste sem que o vendedor expresse objeção, se você voltar mais tarde, você será refém do último preço oferecido ou até mais se o vendedor for um velhaco experiente. Se você voltar mais tarde, o vendedor saberá que você está ansioso para comprar e não encontrou uma oferta melhor para um item comparável em outro lugar, então ele estará com todas as cartas na mão. Ao vender, tenha em mente que você pode negociar, mas não para um valor acima. Sempre faça seu preço inicial um pouco mais alto do que você realmente quer para o produto. Algumas pessoas não concordarão nem mesmo com um bom negócio, a menos que possam extrair pelo menos uma concessão do preço inicial. Sendo assim, é inteligente definir um preço mais alto e a partir daí negociá-lo. A imagem importa e muito Quando você estiver indo negociar alguma coisa é importante não exagerar na vestimenta. Se você estiver muito bem vestido e com um relógio muito caro, a pessoa com quem você irá negociar pode achar que você é um ricaço e isso irá te prejudicar no negócio. Dessa forma, é importante se vestir de forma limpa e ordenada, mas sem excessos. Se você tem um relógio caro, a melhor coisa a se fazer é deixa-lo em casa. É preciso também aprender a ser observador e entender até os mínimos pormenores sobre com quem você está negociando e qual é a situação dessa pessoa. Ele é um colecionador que por acaso está vendendo um item por não ter mais interesse ou ele é um vendedor cujo sustento depende desse negócio? Ele está vendendo mercadoria em nome de um amigo ou parente? O principal a saber é o quão ansioso ele está em concluir o negócio porque isso irá te dar uma grande vantagem. Abordagem adequada Ao abordar um vendedor pela primeira vez, é importante primeiro esperar até que ele tenha terminado de lidar com qualquer cliente. Não interrompa um homem quando ele está fazendo um acordo. Sorria e faça contato visual e, se for apropriado, apresente-se e aperte as mãos do seu interlocutor. Dê a entender que você irá comprar muito de um produto porque isso pode fazer uma grande diferença quando for negociar o preço. Mesmo que o local de venda possua poucos produtos interessantes, elogie o estabelecimento e faça algum comentário positivo mesmo sobre itens que você não pretenda comprar. Apesar de não ser proibido apontar um defeito em um item específico durante a negociação, não seja muito radical criticando tudo o que você estiver interessado. Isso pode prejudicar todo o processo de negociação. Não tenha vergonha também de apontar defeitos em sua própria mercadoria. De uma maneira sutil, isso permite que seu cliente saiba que você é respeitável. Se encontrar um vendedor que tenha o tipo de mercadoria que você acha que será interessante adquirir no futuro, então pegue o contato dele assim você pode entrar em contato mais tarde. Tome notas sobre todas as particularidades dos itens. O mesmo pode ser aplicado quando se deparar com um vendedor que tenha um estoque raro de itens, especialmente peças sobressalentes.É sempre interessante manter um networking com essas pessoas. Considerações finais sobre a arte de negociar Se o que você está oferecendo em uma negociação for um item compacto, valioso, durável e tangível que está em falta ou altamente valorizado, não cometa o erro de trocá-lo por itens menos duráveis ou desejáveis. Caso contrário, no final do dia o seu homólogo estará indo para casa com os melhores produtos. A única exceção a essa regra é se a outra parte estiver disposta a negociar uma quantidade muito maior de seus itens e você sabe que tem um mercado já esperando por eles. Use essas habilidades com sabedoria e sempre entenda que as mercadorias para troca devem ser estocadas sempre que você já tiver garantido o mínimo suficiente para sua família. Não espere dominar a arte de barganhar em um mês. Você provavelmente irá ter que fracassar algumas vezes para depois evoluir. Muitos preppers americanos acreditam de forma equivocada (em termos de probabilidade porque nunca sabemos com certeza o que acontecerá no futuro) que existe uma grande chance de um ataque nuclear global que fará com que o mundo inteiro fique inabitável. O cenário mais provável, contudo, principalmente no Brasil que é o que nos interessa, é que a economia irá entrar em colapso, o Estado irá ficar cada vez menor e que milhões de pessoas que antes sonhavam que iriam ter auxílio estatal eterno para resolver seus problemas ficarão agressivas e com comportamento antissocial (para usar um eufemismo politicamente correto e não dizer que elas serão potencialmente criminosas). A violência já está em níveis de guerra e o desemprego é muito alto. É perfeitamente possível imaginar um cenário em que um número elevado de pessoas irá cometer crimes e a polícia simplesmente não vai ser capaz de lidar com todos. Isso já ocorre é verdade, mas estou retratando um possível cenário totalmente fora de controle e piorado. É bem verdade que o governo Bolsonaro tomou importantes medidas para fornecer armas para a população se defender e começou em 2019 a adotar uma abordagem mais inteligente sobre a forma como a polícia deveria lidar com os criminosos. Só que no Brasil não dá para ter segurança de nada e é razoável sempre esperar pelo pior. É esse cenário que é mais provável e que devemos ter em mente. Isso significa planejar e se preparar de forma inteligente. Como seria uma preparação adequada? Tendo saída de emergência na sua casa, ferrolhos que dificultam o arrombamento de portas, e áreas secretas onde estão estocadas armas e alimentos necessários. Todos os membros familiares devem estar preparados e treinados para o que deve ser feito em situações de emergência. Isso independe se estamos falando de uma invasão, incêndio ou alagamento. No pior dos casos deve existir um retiro ou “bug out location” para ir quando sua própria casa não puder mais ser considerada um lugar seguro. Capítulo 11 A importância da hipertrofia para um sobrevivencialista “A fraqueza vai embora, a orgulho aumenta e o sucesso passa a fazer parte da sua vida” Greg Plitt Era preciso criar um capítulo específico sobre musculação. É bem verdade que a maioria dos fisiculturistas ou aqueles fanáticos de academia que fazem exercícios 7x por semana e tomam shake de proteína e outros suplementos diariamente não aguentariam ficar 2 dias em uma selva tendo que caçar e se proteger ao relento. Por mais que isso seja verdade, eu ainda assim acho que a musculação e hipertrofia são essenciais para um sobrevivencialista. A questão da força física é provavelmente subvalorizada nesse meio e é comum ver preppers apregoando apenas exercícios que proporcionam maior resistência. Obviamente que aguentar andar e correr por mais tempo é importante. Só que ter uma força física relevante é no mínimo, se não for mais, tão importante em questões de sobrevivência. Eu escrevi um livro sobre hipertrofia (não é propaganda e vou demonstrar logo em seguida o porquê dele ser importante para um maior preparo) que é de suma importância para aqueles que querem evoluir na arte sobrevivencialista. O livro é este: https://www.amazon.com.br/Hipertrofia-Total-avan%C3%A7ado-m%C3%BAsculos-corporal- ebook/dp/B07MVXWRQD Mas por qual razão o livro é relevante na “arte sobrevivencialista”? É porque ele aborda a hipertrofia sob dois aspectos que são muito importantes para o propósito do presente livro. Primeiro ele defende e demonstra cientificamente que o jejum intermitente não apenas é mais saudável como é o modo de vida natural do ser humano que evoluiu fazendo jejum antes da https://www.amazon.com.br/Hipertrofia-Total-avan%C3%A7ado-m%C3%BAsculos-corporal-ebook/dp/B07MVXWRQD caça e coleta diária. Segundo e mais importante é que esse livro aborda o método de treinamento HIT. Basicamente essa técnica foi popularizada por Dorian Yates e é um tipo de treino em que o praticante de atividades físicas frequenta a academia 3 vezes por semana e adota um estilo de treino com menores repetições e com maior carga. Eu não vou dar mais detalhes porque esse livro não é sobre musculação, mas basicamente esse tipo de treino potencializa os ganhos musculares e o aumento da força física através do menor esforço possível (ao menos em termos aeróbicos e de frequência na academia). Basicamente seguindo essa metodologia você ficará com um físico poderoso e perfeito para a arte de sobreviver em eventos caóticos. O físico esperado e mais capaz deve ser algo próxim o de: Mas ao contrário o que se vê são pessoas ou obesas ou magricelas como estes: Obviamente não vou gastar muitas páginas dando dicas de musculação até porque não é o propósito desse livro. Vou, contudo, citar algumas passagens dos exercícios mais relevantes para potencializar o seu preparo físico pela simples razão de que isso vai te tornar um indivíduo muito mais capaz na arte da sobrevivência do que se você for uma pessoa fora de forma como os indivíduos acima. Esses exercícios foram selecionados porque são completos, fáceis de fazer mesmo fora da academia e por proporcionarem resultados incríveis tanto no aspecto da força como em termos de hipertrofia. Barra fixa com pesos amarrados Sem exagerar é possível dizer que esse é provavelmente o exercício mais importante para o homem que existe entre todos. Não apenas é excelente em termos estéticos para criar o shape em forma de V como também aumenta sua força e desempenho em vários outros. Ele é tão importante e completo que até o bíceps que nem é o músculo principal do exercício acaba se transformando consideravelmente. Para fazer o exercício o ideal é segurar a barra com as mãos a uma distância equivalente à largura dos ombros e pendurar-se a barra com os pés cruzados. Logo após, aperte as escápulas dos ombros para baixo e para atrás, dobre os cotovelos e puxe a parte de cima do peito em direção à barra. Após uma pausa, deve-se retornar à posição original. Esse exercício atinge os grandes músculos das costas que ficam em volta do tronco. Esses músculos são responsáveis por oferecer um formato amplo e alargado ao tronco (estão vendo o shape V???) e podem dar a impressão que a pessoa está mais magra e saudável mesmo quando ela não emagreceu. A maioria dos homens procura ter uma dorsal mais forte e esculpida, com ombros largos e braços poderosos. É por isso que recomendo esse exercício. Ele consegue promover as três coisas de forma incrivelmente efetiva. Claro desde que você adicione pesos e progrida pouco a pouco. Uma das questões a serem tratadas (mesmo esse ponto já tendo sido tratado na parte específica do treino com pirâmide inversa) é que fazer muitas repetições pensando em ganhar massa acaba sendo pouco produtivo. Evidentemente em termos de resistência muscular e "stamina" é interessante ver alguém fazendo 30 repetições diretas de barra fixa sem peso. Isso para determinados esportes pode fazer muito sentido, mas para hipertrofia não faz muita diferença de alguém que faz 12. É totalmente possível enão é incomum ver indivíduos muito magros e com algum treinamento fazer esse tipo de exercício com muitas repetições. É incrível, contudo, como muitas pessoas que querem hipertrofiar pensam que fazer dezenas de repetições deve ser o modelo a ser seguido. Com isso muitos conseguem fazer 20 ou 30, mas o resultado estético continua a mesma coisa. O que deve ser feito, ao contrário, é fazer esse exercício com pesos. Praticamente não há nada mais impressionante na academia do que ver alguém pendurado na barra fixa com 50 quilos amarrados na cintura fazendo várias repetições. Isso é força de verdade. Você nunca irá ver um gordo fazendo isso e muito menos um magrelo. Todos que começam a adotar esse exercício com o passar do tempo passam a ter um físico muito masculino e simétrico. É impressionante: é como se o corpo automaticamente encontrasse um equilíbrio natural quando você pratica movimentos de suspensão em treinamentos que envolvem a gravidade. É provável que o leitor já tenha entendido que esse exercício é “O” exercício. Caso se trate de um leitor desconfiado, esquivo e teimoso, ainda vou dar uma ajuda apontando vários benefícios únicos que a barra fixa com pesos amarrados proporciona. Não tem como pensar em deixar de fora esse exercício para quem quer ter desempenho de alto nível. Um dos benefícios mais ignorados quando costumam discorrer sobre esse exercício é o benefício do aumento da força de preensão. A força de aderência é muitas vezes negligenciada como um benefício, mas ela acaba por ser de grande valor e um diferencial importante. Ao fazer esse exercício você irá estar aumentando automaticamente a força em várias áreas musculares como antebraços, costas, bíceps, etc. Com o passar do tempo você vai conseguir fazer exercícios de forma mais fácil só com o aumento da força de preensão geral. O alinhamento postural é outro benefício e esse é mais evidente e autoexplicativo. Isso é especialmente verdadeiro quando as pernas são mantidas retas, alinhadas com a parte superior do corpo. Tal posição dos membros ajuda a criar uma postura adequada de alinhamento da coluna vertebral. Quando a parte inferior do corpo está um pouco esticada, o arco e a coluna naturais do corpo são reforçados, proporcionando uma postura adequada ao longo do tempo. Caso a postura seja um problema para você, esse é mais um benefício a ser obtido. Em geral, quanto mais horizontal for um exercício em termos de puxar e/ou empurrar, mais curta será sua amplitude de movimento. Por outro lado, exercícios verticais como esse permitem uma maior amplitude de movimento. De fato, fazer barra fixa com pesos amarrados não apenas proporciona o desenvolvimento de uma grande força como discutido anteriormente, mas também pode melhorar a mobilidade geral do ombro, o que pode ser muito importante se você for alguém que pratica qualquer tipo de esporte que exija muito dessa parte do corpo. Uma desvantagem de fazer flexões regulares é a falta de tensão na escala de todo o seu corpo. Ao usar pesos, especialmente a seus pés, você essencialmente produz uma tensão de corpo inteiro ao se exercitar. A ativação necessária para manter os pesos em seus pés ou entre suas pernas geralmente promove mais concentração e ativação. Isso significa que você está essencialmente ativando partes do corpo que normalmente ficam inativas. Pense nas suas mãos, pés, rosto e pescoço, por exemplo. Tudo isso, por sua vez, ativa mais o seu controle motor e aumenta sua capacidade de produzir força, o que é uma grande ajuda ao fazer outros exercícios avançados mais tarde. Depois de tantas vantagens acho que não tem mais ninguém que duvide da importância desse exercício. O único cuidado que se deve ter é que esse é um exercício mais avançado. Quem é intermediário e não aguenta sequer fazer umas 10 repetições de barra fixa sem peso não devem sequer cogitar a fazer esse exercício. O ideal é conseguir fazer facilmente pelo menos 3 séries de 10 sem peso para só depois começar a adicionar pesos. Mergulho com peso nas paralelas Esse é um ótimo exercício ignorado pelo praticante médio de atividade física (embora não o seja por bodybuilders tops que fazem com correntes pesadas). É muito mais comum ver gente fazendo exercício com polias ou extensões do que mergulho com peso nas paralelas. Esse exercício pode beneficiar tanto os powerlifters quanto os bodybuilders, até atletas de diversos outros esportes e modalidade. A ignorância é o que faz com que esse exercício não seja popularizado porque ele é confundido com um exercício meramente funcional. A modalidade com peso, contudo, proporciona inúmeros benefícios e uma excelente hipertrofia fazendo desse um exercício indispensável. O mergulho com peso nas paralelas é um exercício composto que irá trabalhar o tríceps, peito e ombro e irá aumentar consideravelmente a força dos membros superiores, antebraços e poder de preensão. O leitor já deve ter reparado que muito dos exercícios aqui inseridos trabalham várias partes do corpo. Se você pode desenvolver vários músculos ao mesmo tempo qual razão para preferir um que só irá trabalhar um músculo e não irá trazer benefícios adicionais? Esse exercício melhora o desempenho no supino porque os dois exercícios trabalham basicamente os mesmos músculos (tríceps, peito, ombro) e o que muda é basicamente a ênfase que vai ser dada a cada um. É possível ainda mudar o mergulho para que ele foque mais no peitoral. Isso é possível se você inclinar o tronco para frente (45 graus) e mantiver os cotovelos para fora como o Arnold aqui: Como há a necessidade de estabilizar o core e as costas, o mergulho com pesos irá trabalhar marginalmente outras partes do corpo além dos membros superiores. Quando digo marginalmente é evidente que irá desenvolver menos que o tríceps, peitoral e ombro, mas sem dúvida é muito mais que um exercício com polia por exemplo. Chega a ser interessante observar como a flexão não sofre do mesmo preconceito que o mergulho mesmo sendo um exercício "inferior". Os dois são considerados os dois melhores exercícios de cadeia cinética fechada para membros superiores. No mergulho, o praticante de exercícios consegue levantar absolutamente a totalidade do próprio peso enquanto na flexão parte dele fica apoiada no chão, o que torna um exercício "mais completo" e eficaz. Um dos aspectos mais importantes do mergulho (e que é ignorando pela grande massa) é que quando feito corretamente, ele irá diminuir consideravelmente o risco de lesão nas articulações. Ele também ajuda a desenvolver controle motor e estabilidade. Além de desenvolver vários grupos musculares ao mesmo tempo o exercício irá corroborar para que no futuro você não perca sequer um dia de treinamento e irá também melhorar o seu desempenho em vários exercícios. Como alguém pode não incorporá-lo em um treinamento sério? Desenvolvimento Militar com barra em pé Esse é sem dúvida o melhor exercício de ombro que existe. Ele foi escolhido seguindo os mesmos critérios dos outros: excelente para desenvolver um físico poderoso e estético, trabalha diversas partes musculares e proporciona inúmeros benefícios para quem faz o exercício de maneira correta. Infelizmente esse é um exercício que perdeu toda a glória que já teve no passado. Até 1972 o desenvolvimento militar com barra era um dos principais exercícios nas competições de levantamento de peso ao redor do mundo. O problema é que os atletas inclinavam tanto as costas que acabou ficando difícil, para não dizer impossível, para os juízes definirem se ocorria excesso de curvatura ou se a curvatura estava dentro do “aceitável”. Esse exercício é melhor que qualquer outro (inclusive melhor que sua versão sentada) porque, graças ao fato de o praticante estar de pé, vários músculos (como oblíquos, músculos abdominais transversais, parte inferior das costas e estabilizadores da coluna vertebral) vão “ter que trabalhar duro” para que o exercício seja feito. Do ponto de vista estético esse é um exercício que não pode sercaos que uma greve curtíssima como a dos caminhoneiros pode causar). Você já imaginou o que aconteceria se boa parte dos policiais e bombeiros não aparecessem para o trabalho tendo decidido que a sobrevivência deles e de suas famílias são mais importantes do que cumprir o dever cívico? Já pensou torres de energia sendo derrubadas por ventos e havendo grande demora para conserto devido à falta de pessoal para fazer o serviço? E se com tudo isso juntarmos uma greve como a dos caminhoneiros será que tudo isso é tão impossível assim no Brasil? Mas não vamos ser tão pessimistas e vamos considerar que uma possível crise no Brasil como essa dure só por 1 mês até tudo voltar “ao normal”. Será que a população estaria preparada para lidar com um cenário com esse? Um brasileiro típico de classe média tem, na melhor das hipóteses, comida guardada para durar uma semana sem ter que ir no supermercado novamente. Imagine o que poderia acontecer se depois de uma semana começasse a faltar alimentos em boa parte das casas. Você realmente acha que as pessoas iriam se comportar de forma racional em um cenário como esse sem uma visão clara do que irá acontecer no futuro próximo? Para quem ainda acha que tudo isso é muito surreal e impossível de acontecer no Brasil gostaria de citar um trecho de uma matéria do El País sobre nossos vizinhos argentinos: “...A bola de neve dos protestos policiais na Argentina não para de aumentar. E, com ela, o drama dos saques e as mortes. Há uma semana os agentes da província de Córdoba (região central do país) pressionaram as autoridades ao negarem-se a sair dos quartéis até que seus salários não subissem. E a cidade, a 700 quilômetros de Buenos Aires, ficou nas mãos dos saqueadores. O governador peronista de Córdoba, José Manuel de la Sota, adversário do Governo peronista da presidenta Cristina Fernández de Kirchner, subestimou o problema. O Executivo, por sua vez, cometeu o erro de não enviar reforços a seu rival político até que De la Sota não o pedisse pelos canais oficiais. Em consequência de toda essa série de erros, a cidade de 1,2 milhão de habitantes ficou durante 35 horas no meio do caos, uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas. Finalmente, De la Sota outorgou aos policiais quase tudo o que exigiram. O piso salarial passou de 6.000 pesos (cerca de 1.500 reais no câmbio extraoficial) ao dobro. Os policiais e o governador mostraram-se sorridentes depois do acordo. Mas o problema só acabava de começar para o resto do país. Em menos de dois dias os agentes de cinco províncias argentinas começaram a exigir aumentos com similares métodos de pressão. Conforme alguns governadores consentiam nas reclamações dos policiais, em outras províncias outros agentes se aquartelavam. Em menos de uma semana ocorreram dezenas de saques em províncias como Chaco (nordeste), Tucumán (noroeste), Jujuy (noroeste), Entre Ríos (norte) ou Santa Fé (centro-leste). Na segunda-feira pela manhã oito mortos já eram contados. A maioria deles era assaltante de estabelecimentos comerciais. Mas também faleceu asfixiado o proprietário chinês de um comércio em Glew (região metropolitana de Buenos Aires) e morreu baleado um subcomissário no Chaco. O estopim dos protestos tinha se estendido a 17 províncias. Em muitas delas, os governadores aumentaram os salários e os agentes depuseram sua atitude. Mas em sete ainda não se tinha chegado a nenhum acordo na segunda-feira à tarde. O grande temor do governo federal é que os saques cheguem à periferia da capital, onde se concentram os maiores bolsões de pobreza do país. Para evitar o contágio, o governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, adiantou o pagamento extra de Natal a meio milhão de funcionários públicos e decretou um aumento de salário para os policiais de quase o dobro de seus pisos. Passarão de 4.700 pesos mensais (cerca de 1.240 reais) a 9.000 (aproximadamente 2.380 reais). Os policiais de Buenos Aires ficam atrás de seus colegas de Córdoba, mas, por enquanto, parece que a maioria se conforma. Em qualquer caso, o governo decidiu reforçar com agentes nacionais a vigilância dos supermercados da periferia da capital argentina...” Para quem não sabe, a Argentina se desenvolveu muito antes do Brasil e se tornou, em algum lugar do passado, um país respeitado e considerado quase como de primeiro mundo. Sob muitos aspectos a sociedade argentina é menos desigual que o Brasil e se você acha que isso não pode acontecer aqui deveria pensar outra vez. Se ou quando essa pandemia chegar (no Brasil pode ser qualquer coisa inclusive uma grave crise econômica ou uma convulsão social generalizada) as coisas podem ficar realmente feias. Pense no que aconteceria com a ausência de algumas peças dessa grande engrenagem moderna de tecnologia. Nessa situação os indivíduos serão obrigados a prover água, comida, proteção (entre outras necessidades) para si próprios e para suas famílias. Nesse contexto de ausência de “law enforcement” vai ser cada um por si ou, na linguagem sobrevivencialista, YOYO (You’re on your own). É por essas e outras razões que esse livro irá fornecer meios que te possibilitarão pensar o mundo de forma mais sensata e vai te fazer estar preparado para garantir a segurança e sobrevivência de sua família se assim for necessário. Para quem, ainda assim, é um romântico inveterado e acredita na bondade inata do povo brasileiro em todas as situações, fica uma reflexão sobre os saques que ocorreram após o rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão em Brumadinho/MG: “A Polícia Militar (PM) está fazendo rondas no município de Brumadinho para evitar saques nas áreas afetadas pelo rompimento da barragem de Mina Córrego do Feijão, ocorrido na última sexta-feira (25). Além disso, segundo a PM, os policiais também estão patrulhando as áreas de risco para evitar acessos não autorizados. Segundo o porta-voz da PM de Minas Gerais, major Flávio Santiago, é preciso que a sociedade fique atenta a golpes, e mensagens solicitando depósitos em conta corrente para ajudar os atingidos. ‘É preciso ficar atento a casos de estelionato, que podem ser aplicados em momentos como esse. Há pessoas que se aproveitam dessas situações para se beneficiarem. Fiquem atentos a imagens circulando nas redes sociais, umas até com fotografias de entidades de renome, solicitando ajuda e dinheiro, mas geralmente com endereços falsos. Vale ressaltar que os pedidos de donativos, como água, roupas, material de limpeza, não estão sendo necessários, conforme já foi divulgado’, comentou.” Se em um cenário que famílias perderam tudo e estão arruinadas ainda assim há pessoas querendo se aproveitar da situação para obter vantagens, imagine o que aconteceria se elas dependessem do roubo para manter a própria sobrevivência em um cenário caótico global. Fica a reflexão. Preparação para o SHTF Para quem não está acostumado com a linguagem sobrevivencialista, SHTF é uma expressão americana que indica o momento atípico, disruptivo e hipotético que faz com que qualquer cidadão não possa contar com os serviços da sociedade normal e basicamente está à mercê da própria sorte tendo que sobreviver por si mesmo. Até algum tempo atrás esse conceito seria motivo de piada no Brasil. Muitos olhavam para o Sobrevivencialismo como algo criado por americanos excêntricos que assistiram muitos filmes de ficção científica. Com a escalada da violência e mais de 60 mil mortos no último ano e com movimentos grevistas como ocorreu com os caminhoneiros no final de 2018 a população começou a enxergar que um cenário de caos é uma possibilidade real e que as “forças democráticas” em muitos situações podem ser débeis a ponto de não conseguirem fornecer o básico para a população. A partir do momento que um indivíduo entende a realidade do mundo moderno ocidental e percebe o quão vulnerável ainda é o Brasil como país, um estado de constante preparação passa a fazer parte da sua vida. Preparação (os survivalists americanos falam muito de “prepping”) é vital para sobreviver.ignorado. Ombros desenvolvidos aparentam ser mais poderosos e dominantes do que alguém que tem apenas um peitoral desenvolvido, mas ombros frágeis. O aspecto de imponência que é derivado da prática de exercícios não deve ser ignorado por sobrevivencialistas/preppers. Só o fato de você parecer forte e dominante já faz com que você evite uma infinidade de conflitos porque o seu antagonista irá ter medo de confrontá-lo. Eu já falei sobre as outras partes do corpo trabalhadas, mas vamos focar nos ombros que é o que o exercício deveria supostamente entregar de resultado. O Desenvolvimento Arnold que é mais popularizado nas academias trabalha praticamente apenas o deltoide anterior. O Desenvolvimento Militar com barra em pé trabalha de forma razoavelmente igual a deltoide anterior, lateral e superior. Como pode ser visto na figura anterior é o exercício perfeito para ombro. O deltoide anterior inicia o movimento, o medial realiza e o posterior serve como estabilizador/finalizador do exercício. É impossível levantar uma barra com uma carga considerável sem ter um deltoide completamente forte e construído. Obviamente dá para concluir que ele serve para prevenir lesões. A questão das lesões é algo que merece maior desenvolvimento. Um grande número de pessoas tem preconceito com esse exercício porque ele supostamente causaria problemas lombares. O que acontece é que muitas pessoas realizam o exercício de forma equivocada ou têm problemas de postura. Como eles têm uma condição inicial deficiente, acabam por fazer automaticamente o exercício de forma equivocada e assim prejudicam a lombar. É por essa razão que um professor deve analisar o seu movimento porque mesmo alguém avançado pode estar fazendo o exercício erroneamente sem perceber. Do ponto de vista funcional poucos exercícios podem ser considerados melhores que esse. Entre os aspectos funcionais podemos citar maior explosão, aumento de capacidades de pulo (para pular você não precisa apenas da perna, acredite em mim) e mesmo aumentar consideravelmente a capacidade de realizar movimentos pesados e bruscos. A grande maioria dos atletas que participam de competições como o “World’s Strongest Man” costuma fazer esse exercício. Durante o exercício a pressão sobre a cabeça vai ser muito grande e isso fortalecerá as costas e o tronco, exigindo que o atleta resista à hiperextensão da região lombar. As consequências naturais são o fortalecimento dos eretores, dos oblíquos, dos músculos retos abdominais, da musculatura profunda do núcleo e a melhora do desempenho esportivo em vários aspectos. Pular Corda Esse é um exercício essencial para quem está obeso e quer não apenas ganhar músculos como também eliminar gordurinhas localizadas. É sempre bom começar por uma experiência pessoal para que as pessoas entendam como pular corda é disparado o melhor exercício aeróbico que existe. E eu não sou suspeito para falar porque eu sempre achei algo idiota pular corda e isso era baseado em um preconceito de infância porque na minha cabeça parecia “brincadeira de menina”. Isso começou mudar quando eu tive a minha primeira aula de boxe. O professor era um campeão mundial sul-americano e por incrível que pareça ainda lutava e dava uma surra nos alunos mais avançados mesmo tendo 65 anos. O mais impressionante, contudo, era como ele aguentava lutar e não ficava cansado. Depois de 1 minuto de luta todos os alunos mais novos estavam boquiabertos e cansados ao passo que ele lutava com 5 ou 6 pelo mesmo tempo sem cansar. Com o passar do tempo eu comecei a pular corda, mas inicialmente isso era feito com a intenção de me preparar para o boxe e inclusive melhorar a coordenação motora e o jogo de perna. Só que com o tempo eu passei a ficar muito mais disposto para treinar musculação e o cansaço que existia antes basicamente sumiu. A partir daí eu comecei a pesquisa a base científica por trás de pular corda. Eu queria saber se o grosso da minha melhora em termos de disposição estava mais ligado ao boxe ou ao fato de eu ter começado a pular corda com mais frequência. E por incrível que pareça todo material científico que eu li não apenas confirmou minha visão inicial como ainda me convenceu de que não tem sentido para qualquer pessoa que tenha como objetivo ganhar músculo ou mesmo ter um corpo atraente e estético (ignorando atletas que precisam correr ou pessoas que simplesmente gostam de correr na rua) fazer outro exercício aeróbico além de pular corda. Esse é um aspecto muito importante e é por isso que temos um capítulo específico só de “melhores exercícios”. Independentemente de quem você seja, as pessoas em geral têm problemas com o tempo e tarefas. Se você quer maximizar a chance de viver de forma saudável e ter um desempenho espetacular você obrigatoriamente tem que se preocupar em usar o tempo para fazer os melhores exercícios, ou seja, os que dão melhores resultados. Pular corda não é uma preferência ou um hábito. Esse exercício é objetivamente melhor que correr ou fazer qualquer outra atividade aeróbica. Pular corda é também o exercício que tem o maior impacto no seu físico em um curto espaço de tempo. Depois das aulas iniciais de boxe eu sabia que era um exercício muito bom, mas depois de ver alguns vídeos na internet sobre transformações é que eu percebi como esse exercício era bom de verdade. Em um vídeo específico um usuário dizia que começou a pular corda por 10 minutos diários durante 1 mês. Ele não mudou nada de sua rotina e inclusive nem fazia musculação. O resultado do antes e depois foi: Agora que já foi feita “propaganda” o suficiente do exercício, vamos passar para o que importa que são os benefícios comprovados de acordo com pesquisas sérias. Pular corda irá não apenas melhorar seu aspecto físico e sua saúde em geral como irá proporcionar benefícios funcionais inclusive fora do aspecto físico, benefícios esses que o leitor sequer imaginou que fossem possíveis. Como a questão de emagrecer e melhorar o desempenho são óbvias eu vou me focar nas que não são tão óbvias assim. O primeiro benefício que todo boxeador percebe é que pular corda melhora a coordenação. Mesmo que o praticante esteja olhando ou não para os pés, o seu cérebro sabe o que os pés estão fazendo. Isso é benéfico para inúmeras atividades diárias que vão desde a dançar até a melhorar a sua esquiva em uma luta. Depois de um tempo os pés ficam acostumados com o movimento e o praticante acaba aprendendo habilidades que nem sabia que existiam antes como por exemplo avançar rapidamente sobre um determinado objeto ou pegar algum alimento caindo. O segundo e que já apareceu em outros exercícios está relacionado com a prevenção de lesões. O leitor atento já reparou que isso apareceu em outros exercícios. Obviamente se um exercício é o mais eficiente que existe, apresenta vantagens funcionais diárias, trabalha diversos músculos ao mesmo tempo e ainda assim diminui sua chance de se machucar então obviamente nós estamos unindo o melhor do mundos em um exercício só. O ato de pular corda irá diminuir as lesões não apenas de um praticante de musculação como também daqueles que praticam outros esportes de maneira ocasional ou mesmo profissional. Muitos atletas de futebol e basquete sofrem lesões no pé e no tornozelo ao correr e, em seguida, parar rápido e virar. Pular corda não irá apenas melhorar a coordenação do pé como também irá aumentar a força nos músculos ao redor da articulação do tornozelo e do pé, diminuindo assim a chance de lesões nessas áreas. Se você gosta de jogar o seu futebol com os amigos no final de semana esse é mais um motivo para adotar esse exercício. Já pensou que desastre ficar parado 6 meses por uma lesão em uma brincadeira com os colegas? Além de prevenir lesões, o ato de pular é muito benéfico em termos de aumentar a densidade óssea. Dr. Daniel Barry, professor da Universidade do Colorado pesquisou e comparou os ossos de idosos e atletas e concluiu que o melhor exercício para melhorar a densidadeóssea é simplesmente pular corda. De acordo com o The New York Times, em estudos no Japão, os camundongos que saltavam e aterrissavam 40 vezes durante uma semana aumentaram significativamente a densidade óssea ao longo do tempo. E esse ganho era mantido se eles continuassem a pular ao menos 20 vezes por semana depois disso. Agora vem o mais impressionante. Acredite ou não, pular corda pode torná- lo mais inteligente. De acordo com o Jump Rope Institute, o salto auxilia no desenvolvimento dos hemisférios esquerdo e direito do cérebro, o que desenvolve ainda mais a consciência espacial, melhora as habilidades de leitura, aumenta a memória e deixa você mais alerta mentalmente. Pular nas bolas de seus pés requer que seu corpo e sua mente façam ajustes musculares neurais a desequilíbrios criados a partir de saltos contínuos. Como resultado, o salto melhora o equilíbrio dinâmico e a coordenação, os reflexos, a densidade óssea e a resistência muscular. Capítulo 12 Hábitos saudáveis e questões importantes para um sobrevivencialista “É mais difícil derrubar alguém que fisicamente está preparado para nunca desistir” Babe Ruth Nesse capítulo irei abordar alguns hábitos, dietas e questões que são importantes na vida de um sobrevivencialista, mas que normalmente são ignoradas na literatura ortodoxa sobre sobrevivencialismo. É preciso deixar claro que esse capítulo fornece opções de como viver de forma mais saudável em tempos normais e que em um cenário WSHTF muito do que está aqui não apenas pode como deve ser relativizado. Em uma situação extrema de sobrevivência é estupidez ficar pensando em estrogenização ou se estamos seguindo a dieta paleolítica de forma rigorosa. O jejum intermitente, contudo, é algo que deve ser inserido na sua vida e que é benéfico em qualquer contexto. Jejum Intermitente O tipo de JI que será abordado aqui é o chamado 16/8 e que foi popularizado por Martin Berkhan. Trata-se simplesmente de prolongar o tempo sem comer no período posterior ao sono. Os números 16 e 8 representam o tempo de jejum contínuo e a janela diária em que seria possível comer, respectivamente. Vamos a um exemplo prático. Suponha que alguém coma sua última refeição do dia às 20 horas, vá dormir às 22 horas e acorde no outro dia exatamente às 6 da manhã. A partir do momento que acorda já vai estar 10 horas de jejum contabilizando as 2 horas antes de dormir mais as 8 horas de sono. Daí em diante, para seguir a regra 16/8, ele iria abandonar o café da manhã e ter sua primeira refeição ao meio-dia. Antes de entrar nos tópicos das vantagens do JI, explicar o que pode e não pode ser absorvido durante esse período de abstinência e como tornar a adaptação mais fácil, gostaria de elaborar mais sobre os tipos apresentados no mercado e a razão de eu não gostar deles. Depois que esse modelo de jejum intermitente foi criado, muitos “especialistas” passaram criar variações para fins puramente comerciais e esses tipos não apenas não apresentam vantagens como tornam a experiência muito mais difícil e árdua. É bem verdade que, em um cenário extremo sobrevivencialista, o indivíduo provavelmente vá passar por situações bem mais difíceis do que simplesmente fazer tipos diferentes de jejum. Alguém treinado em ficar sem comer de formas diversas poderia ter uma vantagem relativa em um cenário WSHTF. A questão é que é preferencial adotar a técnica 16/8 porque ela é mais fácil de seguir e irá proporcionar inúmeros benefícios em termos de saúde. Só depois que essa técnica já faça parte da sua vida é que tem algum sentido para o prepper fazer variações. No tocante aos outros tipos de JI, há por exemplo o jejum em dias alternados em que o indivíduo pratica o jejum em alguns dias da semana. Por exemplo, alguém come normalmente durante dois dias e no terceiro pratica o JI. Pode ser uma técnica interessante de ser dominada para facilitar o racionamento em um cenário específico de caos. De qualquer forma, ao tirar uma refeição do dia já estamos nos preparando para o racionamento já que a janela de ingestão alimentícia passa a ser bem menor. A dieta 5:2 (outro tipo de JI) envolve comer normalmente 5 dias da semana e restringir as calorias para o total máximo de 600 nos outros dois dias. Para fins de comparação, um Big Mac tem 500 calorias só o lanche. Essa dieta foi popularizada pelo jornalista britânico e médico Michael Mosley. É conveniente, agora, explicar o porquê da escolha do modelo 16/8 e suas vantagens que são em regra vantagens do JI em geral e também o que é passível ou não de ser feito durante a janela do jejum. A razão principal para adotar o modelo mais tradicional de jejum intermitente é simples: ele é a forma mais fácil e agradável de obter todos os benefícios possíveis. Isso pode soar forçado e para uma pessoa que nunca adotou esse método em sua vida pode parecer um tormento insuportável abandonar o café-da-manhã diário e só comer pela primeira vez várias horas depois de ter acordado. Devo admitir que esse é um pensamento razoável para aqueles que nunca adotaram o JI na sua vida. Obviamente não estou falando que 100% das pessoas que tentarem vão conseguir sem qualquer sofrimento seguir tudo perfeitamente sem dor e nem esforço. Claro que varia de indivíduo para indivíduo, mas também é evidente e óbvio que depois de um tempo isso se torna natural e fácil de ser seguido. Aqui é preciso destruir algumas “verdades” que você ouviu durante toda sua vida, mas que não passam de completa estupidez. Primeiro não é necessário comer de 3 em 3 horas. No final o que importa é total de calorias consumidas menos o total de energia gasta durante o dia. O déficit ou o superávit dessa equação é que irá definir se uma pessoa irá engordar ou emagrecer. Qualquer um que fale o contrário é ignorante ou está apenas repassando algo que ouviu sem pesquisar a fundo. Outro ponto importante é destruir o mito de que “o café-da-manhã” é a refeição mais importante do dia. A verdade é que os seres humanos evoluíram em um cenário em que havia falta de comida quando acordavam e então eles deveriam caçar para só depois comer em abundância caso o objetivo fosse alcançado. Uma análise histórica do ser humano indica que os humanos já estão jejuando há milhares de anos não por escolha, mas sim por dinâmica de sobrevivência. É um fato científico comprovado que nós nos desenvolvemos para estarmos preparados para lidar com períodos prolongados de jejum e todos os tipos de processos no corpo mudam quando não comemos por um tempo, visando permitir que nosso corpo nos sustente durante um período de fome. Essa tolice do café-da-manhã sagrado como a refeição mais importante do dia foi em muito difundida como marketing de grandes empresas de cereais (e que possuem um grande poder de lobby nos Estados Unidos) o que passou a ser aceito em nossa cultura como algo auto evidente sem nos darmos conta que isso tinha sido importado da cultura americana. Os benefícios do jejum intermitente são tantos (assim como a diminuição da janela de alimentação) que depois que você se acostumar com o período matinal sem comer você nunca mais vai preocupar em se abster de comer nessas refeições. No máximo é preciso selecionar a qualidade dos alimentos durante boa parte dos dias. Mas afinal o que pode e o que não pode fazer durante o jejum intermitente? Qual é a fórmula mágica para não sofrer enquanto a janela da alimentação não é aberta? Isso vai me permitir suportar melhor um cenário WSHTF? Nenhum alimento é permitido durante o período do jejum além de água, café, chá ou outras bebidas não calóricas. Só que eu vou mostrar a forma mais inteligente de fazer com que a adaptação inicial seja a menos dolorosa possível. Açúcares nessas bebidas também não são permitidos. Dormindo oito horas e acordando no dia seguinte já vão ter sido 10 horas sem comer. Faltam 6 horas para acabar (se você ficou mais 2 sem comer depois do jantar) o que para o leitor provavelmente ainda parece um tempo infindável de sofrimento. Só que ao fazer isso você vaiestar treinando para um evento caótico e vai ser bem mais fácil suportá-lo ou mesmo racionar comida se necessário. Pois veja bem eu vou apresentar um importante aliado para superar essas 6 horas que é o café. Após tomar banho e a higiene pessoal do começo do dia que, dependendo da pessoa, pode chegar a até uma hora, aconselho a primeira bebida de café diária. A cafeína é muito mais poderosa quando ingerida no estado de jejum e ela serve para potencializar muito dos benefícios que serão vistos logo em seguida. Ela serve para estimular o metabolismo, abrandar o apetite, aumentar os níveis de energia, ajudar no processo de queima de gordura e principalmente elevar o estado de alerta mental. Você provavelmente já passou por situações em que, após comer muito, se sentiu cansado e sonolento. Isso é uma reação normal do organismo humano. Com o jejum intermitente, depois de estar acostumado, o leitor passará a ter manhãs muito mais produtivas. Esse é outro benefício oculto dessa metodologia de jejum intermitente. Já pensou aqui um JI sincronizado com cada membro da família pulando uma refeição do dia (um não come de manhã, outro na tarde e o outro na noite)? O nível de alerta e preparo da família seria incrível. Embora as reuniões familiares fossem ser prejudicadas. Dito isso, deve-se deixar claro que o ideal é consumir apenas café preto no máximo duas vezes e só durante o jejum matinal. Caso o uso de café se prolongue durante o dia, não apenas o efeito da cafeína irá diminuir como também irá prejudicar a alimentação durante as outras refeições. É por isso que é interessante estocar muito café. Em um cenário que falte comida o café pode ser usado para facilitar o racionamento. Utilizando essa abordagem vai ficar claro que a adaptação não será tão dolorosa como se pensava antes. O ideal é tomar uma vez o café após tomar banho e uma segunda vez na metade final antes da primeira refeição caso o leitor sinta fome. Depois do detalhamento da importância e da forma como deve ser feito o JI, é preciso citar os verdadeiros benefícios científicos por trás de tudo isso. Afinal por qual razão eu devo fazer jejum e por qual razão ele é considerado tão importante nesse livro? Essas questões vão ser elucidadas agora e vão deixar evidente o porquê de o JI ser uma ferramenta sobrevivencialista importante. O primeiro benefício está relacionado a uma mudança na função das células, genes e hormônios. Ao ficar muito tempo sem receber alimento, muitos eventos começam a ocorrer dentro do nosso corpo. Há o início de processos de reparo celular e alteração dos níveis hormonais para tornar a gordura corporal armazenada mais acessível. Durante o JI, os níveis de insulina decrescem e o hormônio do crescimento, ao contrário, aumenta. Com a queda do nível de insulina o processo de queima de gordura é absurdamente facilitado. Como o hormônio do crescimento aumenta, se torna mais fácil o ganho muscular com qualidade. É totalmente contra intuitivo, mas o jejum facilita a hipertrofia. Há também o início de um processo de reparo celular em que ocorre a remoção dos resíduos das células. É também consenso no meio científico que esse tipo de jejum pode reduzir o estresse oxidativo e a inflamação no corpo. Isso acarreta benefícios contra o envelhecimento e impede o desenvolvimento de inúmeras doenças. Como a inflamação é fator determinante para o desenvolvimento de outras doenças comuns, o JI acaba indiretamente evitando uma infinidade de doenças e promovendo uma maior longevidade. Ainda no tocante a doenças comuns, o jejum intermitente é benéfico para a saúde do coração. Ele tende a melhorar inúmeros fatores de risco de doenças cardíacas como pressão arterial, níveis de colesterol, triglicérides e marcadores inflamatórios. Considerando que a doença cardíaca é atualmente a que mais mata no mundo, atacar os fatores de risco vai fazer com que exista um menor risco de uma possível doença cardíaca. Além das doenças comuns e cardíacas, ele também ajuda a saúde do cérebro. Estudos realizados em animais sugerem que o jejum intermitente pode ser protetor contra doenças como o Alzheimer. Mesmo não existindo cura atual para a doença, ele normalmente retarda o aparecimento ou reduz a sua gravidade. Em relatos de casos práticos, uma intervenção no estilo de vida que incluiu jejuns diários de curto prazo foi capaz de melhorar significativamente os sintomas de Alzheimer de vários pacientes. Vou parar por aqui porque sei que o leitor já está com vergonha de ter considerado como insuportável um possível jejum e já se deu conta que os benefícios são infinitamente superiores aos possíveis contratempos. E você verá com a prática que o sofrimento é um medo infundado. Fazendo tudo o que é sugerido aqui é perfeitamente possível se adaptar suportando o mínimo de privações. E fazendo isso você vai estar mais apto para ser um verdadeiro sobrevivencialista em qualquer situação. Estrogenização e como ela pode te prejudicar como prepper Sejam bem vindos à parte mais “homofóbica” do livro. Brincadeiras à parte (e o leitor curioso deve estar se perguntando como alimentos podem ser homofóbicos) resolvi ter uma abordagem mais heterodoxa do que é comumente tratado em livros sobrevivencialistas. Para quem não sabe o estrógeno é um hormônio sexual feminino produzido pelos ovários e liberado na primeira fase do ciclo menstrual. É o estrogênio (ou estrógeno) que confere todas as características femininas das mulheres, como tamanho dos seios, textura e brilho da pele. Além de ser o responsável pelo controle da ovulação e preparo do útero para a reprodução. Não há nada de errado com as características femininas para as mulheres e todos sabemos que elas apresentam qualidades complementares que, em alguns setores, podem ser mais necessárias do que as qualidades masculinas. A questão é que um homem com alta produção de hormônio feminino vai ter um desempenho inferior em atividades físicas. Vou apresentar um gráfico das vantagens do alto testosterona para ficar mais palatável o conteúdo: Não é interesse aqui discutir os aspectos sociológicos da “estrogenização” no ocidente, mas sim apontar as suas causas e como isso pode afetar negativamente a performance atlética e mesmo a qualidade de vida masculina, assim como a estética propriamente dita. Muitas pessoas se deram conta que o modo de vida moderno na cidade grande pode trazer indeléveis prejuízos à saúde. Essa questão é discutida em diversos setores da sociedade e mesmo pessoas que não praticam atividades físicas regulares ou jamais ouviram falar de sobrevivencialismo podem evitar comer alguns alimentos industrializados que julguem ser nocivos. A questão hormonal e a consequência desses produtos nos homens é, contudo, muito pouco abordada. O que não falta é material a esse respeito, mas no Brasil provavelmente o politicamente correto impediu até agora que esse fator fosse discutido com mais profundidade. Nos Estados Unidos existe a expressão depreciativa “soyboy” ou “menino- soja” que é um termo pejorativo usado para ofender homens que tem trejeitos físicos e psicológicos menos másculos (é um termo que a direita americana usa normalmente contra esquerdistas). Um típico soyboy seria alguém magro, que tenha feições delicadas, seja fraco de caráter, tenha depressão, medo de barata, etc. O que não faltam no Brasil são exemplos, mas o propósito desse livro não é apontar pessoas ou mesmo fazer uma análise crítica do que o país precisaria ou não para ser melhor ou pior, mas simplesmente apontar como isso afeta a performance atlética e a construção de corpos imponentes e que geram confiança e uma melhor qualidade de vida para o possuidor. E realmente como será visto no decorrer do capítulo a soja faz com que ocorra a “estrogenização” naqueles que a consomem. O afastamento do estilo de vida natural (o caçador-coletor) trouxe profundos problemas para a saúde do indivíduo, mas alguns aspectos da produção de alimentos na civilização acarretaram graves transformaçõeshormonais nos homens (e nas mulheres também, mas não é o propósito desse capítulo entrar nessa questão). Longe de mim fazer qualquer crítica ao capitalismo e é inegável que foi o desenvolvimento capitalista iniciado na Revolução Industrial que possibilitou hoje que bilhões de pessoas se alimentem melhor do que muitos nobres no passado. Isso gerou uma infinidade de opções para consumo, mas o que muitas vezes é a forma mais lucrativa de ofertar um produto não é necessariamente a que é a mais saudável. Ao invés de ficar culpando o mundo e um sistema que gerou uma infinidade de opções de consumo (algo que qualquer regime socialista só sonhou em fazer) o mais inteligente é se educar e escolher os produtos que possibilitem que você tenha uma vida mais saudável e bem sucedida não tendo necessariamente que ser um amish para viver bem. O primeiro conceito que eu gostaria de abordar é o que são os xenoestrogênios. Xenoestrógenos ou xenoestrogênios se enquadram nos chamados disruptores endócrinos, ou seja, substâncias artificiais que poluem o meio ambiente pela contaminação exógena e imitam os efeitos dos estrogênios naturais, atuando como potentes mensageiros hormonais e propiciando mudanças importantes nos humanos. Esses compostos se diferem dos estrogênios naturais por serem sintéticos e serem encontrados em produtos artificiais introduzidos no mundo por empresas químicas, agrárias e industriais quase um século atrás. Atualmente a estrogenização ambiental é muito alta e a principal razão disso é a poluição. A estrogenização ocorre através do revestimento interno de latas e garrafas, dos aditivos nos alimentos processados, do ar- condicionado, de substâncias químicas derramadas na água e também da infinita gama de plástico que nos rodeia. É uma verdadeira ameaça e poucas pessoas estão cientes dessa praga. Isso é tão assustador que até tribos mais isoladas da “civilização” podem sofrer efeitos através da água e do ar. E por mais que espírito e mente sejam importantes, o que é mais importante em termos físicos é entender que os hormônios são os mensageiros biológicos mais poderosos que existem. A variação de pequenas quantidades condicionam o nosso comportamento sobremaneira. É preciso lembrar que o que diferencia inicialmente os homens das mulheres física e psicologicamente é, a priori, a predominância de andrógenos ou estrógenos. Não é possível, assim, viver em um ambiente extremamente estrogenizado sem sofrer as consequências. Vou agora citar alguns alimentos que devem ser consumidos para combater e outros que devem ser evitados porque acabam por favorecer a estrogenização. Depois de enumerar todos vou desenvolver com mais detalhes alguns itens especificamente. Entre os principais aniquiladores do estrogênio podemos citar os vegetais crucíferos (como brócolis, couve-flor, couve e repolho). O repolho vermelho é excelente e é altamente recomendável pela medicina tradicional chinesa. As frutas cítricas (como laranjas, tangerinas, limões e toranjas) são também muito efetivas. Mel puro, camomila e maracujá (presente também no chá), cebola e alho, chá verde, espinafre, azeite virgem extra (sem fritar), peixe selvagem gordo (como salmão por exemplo), nozes, amêndoas e sementes de abóbora são também excelentes produtos a serem consumidos. E muito do que foi citado aqui não é difícil de achar nem necessariamente caro. Óbvio que não é necessário comer salmão todo dia, mas adicionar esses itens com maior frequência na sua vida vai fazer com que os progressos sejam notáveis. É preciso também comer muita fibra. A fibra tende a se ligar à gordura, servir como uma esponja e “puxar” tudo que sai do trato digestivo. Isso faz com que ocorra uma eliminação do excesso de estrogênio. As fibras de produtos vegetais são recomendadas. Os outros benefícios das fibras como reduzir o colesterol, melhorar a função intestinal (entre outros) são lugares comuns e não necessitam de maior elaboração. Agora em relação aos alimentos ricos em pró-estrogênios que devem ser evitados e/ou diminuídos vamos observar vários produtos muito presentes na vida moderna. Dentre eles podemos citar o leite e outros produtos lácteos, cerveja e outras bebidas alcóolicas, água de torneira, doces e outros alimentos açucarados, soja e derivados de soja (óleo de soja, fórmulas infantis à base de soja e assim por diante). Alimentos fritos também devem ser evitados (especialmente se forem com óleo de soja), assim como a hortelã. A soja tem isoflavonas estrogências que são fortes precursores diretos do hormônio feminino. A brincadeira americana de “soyboy” é a pura realidade e aqueles que ignoram a verdade deveriam procurar artigos científicos para ver se o que estou dizendo é baseado na ciência ou não. Agora que uma visão geral dos alimentos foi citada, vamos para a parte específica de alguns. Cervejas e outras bebidas alcoólicas contém estrogênio vegetal (fitoestrógenos) que inativa a testosterona e, sendo assim, reduz a força muscular e promove o desenvolvimento das glândulas mamárias, o volume do quadril, cintura e barriga . Em um cenário de sobrevivência extrema acho todos concordam que as qualidades femininas da esposa ou filha já servem o bastante e que seria contraproducente se todos tivessem os mesmos “dons”. Mudanças estéticas em homens que bebem normalmente em grandes quantidades são notáveis e o desenvolvimento de um físico que se parece com o de uma mulher ocorre cada vez mais no público masculino. O motivo, como citado, é a perda do equilíbrio natural dos hormônios. Obviamente que não estou dizendo para todos os leitores cortem todas as bebidas alcoólicas de sua vida. Isso seria muito difícil para a maioria das pessoas não apenas por questão de “gosto” mas principalmente por pressão social. Particularmente acho que beber em festas e em eventos de finais de semana não causa tanto dano. Em termos de estocagem de alimentos para situações críticas eu mesmo costumo colocar vodca como um item que deveria ser estocado pelas mais diversas famílias já que estamos falando de uma situação extrema. No dia- a-dia, contudo, tudo muda. Beber diariamente é sem dúvida um veneno que deveria ser evitado. Muitas vezes as pessoas bebem por pressão social ou porque existem outras pessoas bebendo em situações diárias mesmo quando não estão com muita vontade. Só de saber o mal que essa ingestão faz e suas consequências já colabora para que muito do progresso seja feito. Ainda na questão do que beber e o que não beber, a água pura deve estar presente na sua vida e se tornar a bebida por excelência. Caso seja possível acessar água de poço, fontes naturais ou, preferencialmente água de riachos em altitudes altas, não hesite em colocá-la, se tiver a oportunidade, em uma pilha de recipientes de vidro e levá-la. Eu não sou utópico e sei que isso não é acessível para a grande maioria das pessoas, mas é apenas um exemplo para quem for possível. Comprar um ionizador de água é uma ótima opção, mas pode ser considerado caro por muitos. Entre os benefícios da água alcalina ionizada podemos citar que ela promove a desintoxicação (beber água alcalina diariamente faz com que a acidez seja neutralizada e ocorra uma limpeza nos resíduos ácidos das células e tecidos). A água alcalina chega também a hidratar até 6 vezes mais que a água comum além de alcalinizar o pH do seu corpo e melhorar o seu sistema imunológico. Refrigerantes são também bebidas problemáticas e embora sejam mais fáceis de serem eliminados da dieta por algumas pessoas, também podem, no final, ser difíceis de largar. O problema dessas bebidas é que elas são fruto de processos industriais onde são colocados açúcares de má qualidade, além de todos os tipos de conservantes, aromatizantes e corantes que tornam essa bebida um lixo para a sua saúde. Mesmo que quem está lendo não queira deixar de tomar refrigerantes eternamente, não creio que seria muito difícil para alguém que bebe Coca- Cola todos os dias substituir na maioria dos diaso refrigerante por um suco de laranja natural, água de coco ou mesmo água natural. Substituir 7 dias por semana de refrigerantes por apenas 2 dias já irá fazer uma diferença brutal na sua vida. Ainda na questão das bebidas é importante ressaltar a importância de evitar plásticos. Água e qualquer outra bebida devem ser armazenadas em recipientes de vidro. Mesmo que isso não evite a contaminação que já ocorreu, ao menos vai ser evitada que a contaminação se degenere ainda mais por causa da liberação gradual das substâncias nocivas do plástico. Na imensa maioria das áreas do Brasil, deve-se abster totalmente de beber água de torneira (o que já é senso comum). Drogas possuem também um efeito nocivo e devem ser totalmente evitadas. Ao contrário das bebidas alcoólicas que podem ser usadas moderadamente em algumas situações, as drogas devem ser banidas de sua vida sem exceção. O problema de drogas da forma como eu trato aqui não é que usar drogas seja pouco ético, moral ou que faça chorar o menino Jesus, mas sim que drogas destroem totalmente seu desempenho atlético e sua capacidade de sobrevivência. Todas as drogas têm um efeito estrogênico mais ou menos acentuado. Não importa se é droga recreativa ou drogas leves que supostamente possuem efeitos medicinais. Fumar maconha por exemplo faz com que o usuário tenha atitudes afeminadas e passivas. É impossível ter um ótimo desempenho físico e usar essas drogas com frequência. Isso é uma realidade e não um sermão moral. Para finalizar e considerando que fatalmente o leitor vai estar sobre influência estrogênica do ambiente em maior ou menor grau, cabe aqui citar algumas formas de diminuir os efeitos e que não estão relacionadas com os alimentos que foram citados como possíveis aliados nessa luta. Fazer exercício aeróbico é muito importante não apenas para melhorar a definição e diminuir o “bodyfat”, mas porque esse tipo de exercício colabora para limpar todas as substâncias sobressalentes acumuladas no nosso corpo como toxinas e estrógenos. Um prepper não deve nem cogitar ignorar as atividades aeróbicas. O ideal é manter o coração entre 120-140 pulsações por minutos durante essas atividades. Outra forma de ter ganhos de desempenho e combater os efeitos nocivos da estrogenização é tomar um suplemente de zinco (o famoso ZMA antes de dormir algo que não afetará o jejum intermitente das duas horas anteriores). O ZMA proporciona a melhora no desempenho de força, a recuperação e a construção de massa muscular através do suprimento potencializado de zinco, magnésio e vitamina B6. Em um estudo feito por uma universidade de Washington, atletas receberam a suplementação de ZMA ou placebo durante 8 semanas de treinamento e foi observado um aumento de até 30% dos níveis de testosterona no grupo que tomava ZMA. O aumento de força no grupo que tomava ZMA foi quase de 3x maior do que o outro grupo. E por incrível que pareça o ZMA é bem acessível economicamente e apresenta resultados incríveis. Dieta Paleolítica Particularmente não acho que seja necessário inicialmente adotá-la todos os dias e um prepper pode vivenciar uma situação em que não vai poder ficar sendo tão seletivo com comidas. Essa dieta é mais um ideal a se buscar do que uma religião que deve ser seguida a qualquer custo. Digamos que se essa dieta paleolítica for adotada 3 vezes por semana e nos outros 3 dias o leitor continuar a comer aquilo que gosta os resultados já serão extremamente positivos. O que é afinal a chamada “Dieta Paleolítica”? Ela consiste basicamente no consumo dos mesmos alimentos que o homem ingeria na Idade da Pedra (daí a origem do “paleolítica”). Quem nunca ouviu falar dessa dieta pode achar estranho já que isso iria soar muito pouco razoável e algo como “quer dizer que vamos comer como seres primitivos, mas que absurdo” iria passar por sua cabeça. Antes de tudo convém elucidar que esse tipo de dieta consiste no consumo baseado em carne, peixe, frutos e vegetais. Na época não existiam cereais, laticínios, sal e açúcar branco. Mas por que razão iriamos nos privar de todos os avanços que ocorreram desde essa época primitiva? Isso não seria uma tolice ou uma forma ignorante e preconceituosa de avaliar tudo o que é vendido hoje em dia? As razões de adotar uma dieta paleolítica estão firmadas nos princípios da medicina darwiniana que parte da premissa que os seres humanos estão geneticamente adaptados para se alimentar como os ancestrais dessa época. Essas premissas são tão verdadeiras que a Dieta Paleolítica é considerada pelos especialistas como uma das mais recomendadas já que considera como alimentos possíveis de serem ingeridos só alimentos não- industrializados (não se esqueça das nossas lições de estrogenização). A verdade pura e simples é que houve um declínio da saúde humana com o advento da agricultura. É claro que alguém pode argumentar que um dos aspectos que motivou tal declínio foi a sedentarização do homem já que ele não precisa estar sempre ativo em busca de caçar e coletar alimentos. Isso é um ponto válido, mas como será visto aqui não é a única causa da degeneração física humana. A Dieta Paleolítica é contestada com o argumento de que o ser humano evoluiu e que, assim, a alimentação também precisa necessariamente evoluir. Essa linha de raciocínio apresenta várias inconsistências já que hoje em dia existem várias doenças que na primitiva “época da pedra” não existiam. Isso sem contar a existência de alergias a alguns tipos de alimentos. Um dos argumentos mais tolos contra essa dieta decorre mais da “moda vegan” e do politicamente correto do que de uma base científica sólida. Ao consumir carne vermelha quem seguir essa dieta estaria aumentando em muito a sua chance de ter problemas cardiovasculares no futuro. O problema com essa linha de raciocínio é que as pessoas que tem esses problemas de saúde além de ingerir carne também consomem muito sal e abusam de carboidratos e açucares. Isso sem contar que em muitos casos também tem uma vida sedentária. Não é a dieta que gera os problemas cardiovasculares, mas sim um conjunto de ações aliados a uma vida pouco ativa que afetam a sua saúde. Esse tipo de análise ignorante deve ser evitada e condenada porque isso afasta pessoas bem intencionadas de desenvolverem um estilo de vida saudável e produtivo. Trata-se de consumir produtos que hoje são chamados de “raiz” como carne vermelha, frutas, vegetais e gorduras (as certas) e também legumes e leguminosas. Vamos agora dar exemplos mais diversos do que comer e do que evitar segundo essa dieta. Frango, carne vermelha, ovos e peixes estão liberados. Frutas também podem ser consumidas a vontade, principalmente as fibrosas e com menos açúcar como abacate, açaí e fruta-pão. O mesmo vale para vegetais menos doces como quiabo, berinjela, maxixe, brócolis, pimentão, jiló, abobrinha e chuchu. As folhas, como alface, são livres. É aceitável também comer raízes com moderação como inhame e aipim. Há bastante gente que não gosta de colocar a batata doce como produto aceitável. Já eu particularmente acho positiva a sua inserção e a dieta paleolítica não fica “mais contaminada” só porque todos costumam consumi-la. Outros alimentos produtivos são castanhas e nozes. O mel é produtivo e caso você ache palatável substituir o açúcar pelo mel em chás e outras bebidas poderá fazê-lo. Só tome cuidado com o excesso do mel. Vamos agora para o que deve ser evitado. Leite e derivados como o queijo devem ser abandonados. Cerais como trigo, feijão e soja estão totalmente fora da dieta. Açúcar refinado e qualquer coisa industrializada ou enlatada também está fora. Nesse campo são incluídos os sucos não naturais e óleos industriais que não estão presentes em nenhuma dieta considerada paleolítica. Biscoitos, massas, salgados, bolos e cervejas (assim como tudo que não é natural ou feito de cereais) também devem ser evitados. O leitor mais atento vai reparar que boa parte dos produtos que causam “estrogenização” masculinaestão fora desse tipo de dieta. Se obrigarmos um entrevistado leigo a comparar um prato colorido de uma dieta paleolítica e mostrarmos também uma refeição padrão aleatória, o entrevistado fatalmente irá escolher a refeição paleolítica como a mais saudável mesmo que não tenha conhecimento teórico o suficiente. Mesmo assim essa dieta ainda sofre preconceitos e podemos dizer que há um lobby muito forte para tirar sua legitimidade como estilo de vida saudável. A dieta paleo apresenta uma infinidade de benefícios para a saúde. Deve-se deixar isso bem claro. Ela elimina os carboidratos de pães, massas e arroz que são digeridos no estômago rapidamente e elevam os níveis de glicose na corrente sanguínea. É conhecido que glicose em excesso é metabolizada e transformada em gordura, levando o aumento do tecido adiposo. Há também uma melhora no tocante à tolerância à glicose. Um estudo feito com dezenas de homens com doença cardíaca e níveis elevados de açúcar no sangue ou diabetes tipo 2, mostrou resultados positivos e melhoras na tolerância à glicose, níveis de insulina, peso e circunferência da cintura. Diante de tantos benefícios a crítica principal e que já foi mencionada sempre recai sobre o consumo de carnes vermelhas que são a base da Dieta Paleolítica. As carnes não são nocivas. Na verdade são fontes de proteínas e nutrientes de extrema importância na nossa alimentação já que fazem parte da composição muscular e recuperação dos tecidos. Ajudam também na produção de hormônios, enzimas, anticorpos e outros agentes metabólicos. É justamente na carne que estão concentradas a maior quantidade de aminoácidos essenciais, aqueles que não são produzidos no nosso organismo. O segundo ponto positivo dessa dieta é que, como não havia cozinha na época e os homens ainda não sabiam como plantar trigo, milho ou arroz (e as massas não existiam), as fontes de carboidratos eram apenas as naturais como legumes, verduras e frutas. Essas fontes trazem a quantidade que precisamos desse macronutriente e uma boa quantidade de fibras. Isso tudo tendo um índice glicêmico menor que as massas, além de não causarem inflamações. É um cenário perfeito em que não há desvantagens para a saúde. Não poderia concluir esse capítulo sem dizer que é possível que exista algum tipo de reação na primeira semana com o corte de açúcar e farinha branca e os sintomas mais comuns são as tonturas e dores de cabeça. Se você é “viciado” em café tente tirar ele da sua vida por duas semanas e você vai ver se não vai ter dores de cabeça também. De qualquer forma, não se preocupe. Isso é normal e tende a passar na segunda semana. Capítulo 13 Retiro – Bug Out Location “Em nenhum lugar um homem pode encontrar um retiro mais quieto que em sua alma” Marco Aurélio Retiro (Bug Out Location) Qualquer sobrevivencialista sério seja no Brasil ou nos Estados Unidos já pensou na possibilidade de construir um retiro. No inglês Bug Out Location (BOL) é uma necessidade constantemente discutida entre preppers e sobrevivencialistas. Nesse capítulo serão abordados os principais pontos que são considerados na escolha de um retiro e como você pode começar a se preparar usando seu local oculto. Também discorrerei como você pode armazenar itens necessários e como evitar ser afetado por possíveis desastres naturais. Pontos a serem considerados Quando se trata de comprar um local para um retiro, não há dúvida que a localização é o aspecto mais importante. Algumas perguntas então devem ser feitas antes de considerar a levar o negócio adiante. Quão distante você está do seu retiro? Quer dizer caso aconteça algum evento catastrófico é fácil para você chegar a esse local em segurança? Aqui é de suma importância que o seu retiro fique a menos de um tanque cheio de combustível de distância da sua residência oficial. No Brasil nós já presenciamos recentemente a “Greve dos caminhoneiros” e ela mostrou a possibilidade real de surgir uma situação onde a falta de combustível impossibilite muitos brasileiros de realizarem suas atividades normais. Imagine se isso ocorresse somado com um evento caótico de guerra e/ou sublevação? Felizmente o Brasil é um país muito grande e com excelentes oportunidades não importa o estado onde você mora. Vamos pegar a cidade São Paulo (capital) como exemplo. De lá é possível pensar em vários lugares ideais para um retiro. Tanto Holambra quanto Brotas são lugares interessantes onde um retiro poderia ser construído. E isso vale para todos os estados brasileiros com exceção talvez do Rio de Janeiro por ser pequeno e estar em boa parte cercado pelo Oceano Atlântico. É óbvio que não é possível citar todos possíveis lugares para a construção de uma Bug Out Location na medida em que isso depende de particularidades econômicas e geográficas de cada um, mas cabe aqui citar o que é importante. É preciso também se perguntar e analisar o quão distante de grandes centros populacionais o seu retiro vai estar. De nada adianta sair de uma grande cidade se é possível chegar no seu local em menos de 30 minutos. Como regra geral quanto mais longe seu retiro estiver de grandes centros populacionais, melhor. Escolher áreas mais afastadas não é neurose ou alguma preferência hippie, mas pura racionalidade aplicada. É evidente que em algum evento caótico, as áreas de maior densidade populacional vão ser as que mais irão sofrer com crimes, epidemia e agitação social. Em situações extremas de convulsão social é possível pensar em um maior número de mortos em áreas mais populosas principalmente por ser uma situação onde a falta de recursos e o saneamento poderão ter um impacto maior. Outro ponto muito importante a se considerar é a acessibilidade a fontes de água natural. De nascentes de água doce a poços de água subterrânea, a necessidade de uma fonte de água limpa e renovável pode ser tão importante quanto a localização. Esse foi o principal motivo pelo qual eu citei Brotas/SP ou arredores como um bom local de Bug Out Location para paulistas . É preciso ter em mente algumas questões no tocante à água. A água do seu retiro é independente de suprimentos ou fontes municipais? A água é renovável e está disponível para você e sua família durante todo o ano? A propriedade que você comprou possibilita a instalação de uma cisterna? A partir do momento em que a localização é afastada e boa o suficiente e a água não é mais um fator a se considerar, surgem outras considerações. A capacidade de ocultar a propriedade pode se tornar uma necessidade durante uma situação de SHTF. Ter um local com recursos adequados para esconder os alojamentos é outro fator na escolha de uma propriedade. Mantenha algumas das seguintes considerações em mente quando você olha para propriedades. Quão fácil é para alguém entrar na propriedade durante uma situação de emergência? A topografia do lugar é favorável ou desfavorável? Você conseguiria defender o local? Autossuficiência A questão da autossuficiência é também muito importante. De nada adiantaria ter água potável, estar bem escondido e com suprimentos se o local não for autossuficiente. Pense em um cenário SHTF duradouro. Uma hora os suprimentos irão acabar e a partir daí poderemos ter um problema relevante. É preciso, assim, escolher um local onde você possa se manter por meses. Isso inclui desde ter luz solar suficiente, disponibilidade de lenha para aquecer sua casa, possibilidade de pesca e caça de animais, etc. Sendo assim, você deve se indagar sobre algumas questões. Quão fácil é cultivar comida? Existem animais silvestres suficientes para caçar? Há infraestrutura e espaço para a criação de animais? É importante entender que os padrões climáticos naturais e considerações ambientais têm de ser pesquisados antes de decidir sobre a aquisição de uma propriedade. Certifique-se de saber quais são as ameaças climáticas e ambientais que você enfrentará e como o clima afetará sua capacidade de caçar, cultivar alimentos e obter recursos. Tudo isso afeta sua autossuficiênciano médio prazo. Analise os dados históricos para fazer uma estimativa de como vai estar o local e os arredores no futuro. Leve em consideração enchentes, secas, estatísticas de crimes para um raio de 50 kms. É preciso analisar não só o presente, mas também projetar o futuro. Caso isso não seja feito a chance de errar na aquisição e não conseguir uma razoável autossuficiência é grande . Retiros em áreas isoladas ou em pequenas cidades? Mesmo depois de todas as considerações feitas nesse capítulo ainda assim pode surgir uma dúvida terrível: é melhor construir o meu retiro em uma área isolada ou em uma cidade pequena? O primeiro vai ter que ser projetado para ser completamente autossuficiente já o segundo irá depender de alguma infraestrutura local. Não existe uma resposta melhor e tudo vai depender das particularidades de cada um, mas é sempre bom conhecer os prós e contras de cada um antes de responder a pergunta do que talvez não seja o melhor universalmente falando, mas que faz mais sentido para o leitor que se perguntar. Existem os “trues” do movimento que buscam a autossuficiência total e que descartam qualquer concessão. Esse tema na verdade é fonte de grande debate entre os preppers e sobrevivencialistas americanos. A maioria é a favor de escolher um retiro totalmente isolado, mas a verdade é que nem todos estão preparados ou vão viver em um local adequado para a autossuficiência total. Isso é mais verdade ainda no Brasil. Se para os americanos que estão muito mais familiarizados com armas, estão sujeitos a uma legislação muito menos restritiva em relação a caça e possuem uma “cultura sobrevivencialista” muito mais desenvolvida, é difícil imagine para a maioria dos brasileiros. Há muitas coisas que você precisa considerar ao escolher seu retiro como a idade avançada, condições crônicas de saúde, deficiências físicas e até mesmo a falta de familiares ou amigos dignos de confiança pode prejudicar a noção de uma autossuficiência total. É por isso que, na maioria dos casos, é mais razoável procurar um refúgio discreto na cidade em vez de pensar em criar uma fortaleza autossuficiente e isolada. Se você decidir se estabelecer em uma cidade pequena, aqui estão algumas sugestões. Quando decidir construir o seu Bug Out Location, procure cidades com população pequena algo entre 1.000 e 5.000. No entanto, cidades com uma população de menos de 1.000 habitantes podem apresentar problemas de saneamento, enquanto cidades com mais de 5.000 habitantes não têm um senso coeso de comunidade. Existem aqueles que irão para uma cidade que tenha entre 2000 e 5000 residentes e que é uma escolha ideal do meu ponto de vista. Se a sua cidade tiver uma população menor que 2000 provavelmente faltará uma combinação suficiente de habilidades e mão de obra para organizar uma defesa adequada em situações de convulsões sociais. Eu também acho que qualquer cidade que tenha uma população de mais de 5.000 pessoas pode se tornar um barril de pólvora e poderia ser “cada um por si” em determinados cenários. Este é o tipo de cenário, localização e escolha de cidade que faz sentido para a construção de um retiro (em São Paulo é o ideal, mas no sul que tem estados de tamanho similar mas menos populosos existem várias cidades que atendem aos requisitos assim como em quase todo o Brasil): Águas de São Pedro: Criar um BOL nessa cidade ou nas proximidades atende a todos os critérios desejados. A cidade mais próxima está a 10 quilômetros de distância, mas é uma cidade de apenas 30 mil habitantes. Piracicaba é a cidade “média (tem 300 mil habitantes)” mais próxima e ainda assim está a 30 minutos de carro de distância. As outras cidades são bem pequenas e estão a uma distância similar. Aqui estão as vantagens de um retiro em uma cidade pequena, mas bem localizada como Águas de São Pedro: -Pronto acesso a economia de troca e comércio; -Possibilidade de ser um membro da comunidade e formar alianças; -Você pode se beneficiar dos resultados agrícolas locais e do conhecimento coletivo; -Pronto acesso a habilidades locais e instalações médicas; -Possibilidade para formar acordos de segurança locais em situações caóticas em um local com topografia perfeita para defesa; -Ter uma geração de família vivendo na mesma cidade fornecerá a força de trabalho necessária para projetos privados; -Acesso à reuniões sociais. É um lugar ideal para criar seus filhos, se você decidir torná-la uma solução permanente. Quando se trata de desvantagens (em comparação com um retiro totalmente isolado), podemos citar: -A privacidade é de alguma forma limitada e se você precisar transportar muitas coisas, você precisaria fazê-lo em horários estranhos para minimizar a observação dos vizinhos; -Caso alguém pretendesse violar a lei e estocar combustíveis, obviamente iria correr mais riscos na cidade do que em um retiro isolado; -Não é possível testar suas armas em sua propriedade; -A caça pode ser limitada em sua terra, exceto talvez referente a algumas pragas como javali; -É proibido criar aves, porcos e galinhas em perímetros urbanos; -Maior risco de doenças transmissíveis; -Maior risco de roubo caso ocorra SHTF. Entre as vantagens de um retiro isolado podemos citar: -Mais espaço para jardinagem e pastoreio; -É possível criar gado; -Os preços de terrenos para retiros isolados são bem mais baixos; -É possível estocar e trazer qualquer volume de itens sem se preocupar com olhar bisbilhoteiro de ninguém; -É possível testar armas de fogo; -Pode-se construir com arquitetura não tradicional sem se preocupar com nada; -Caçar não é um problema como nos perímetros urbanos; -É possível cortar a própria lenha, se necessário; -Menor risco de doenças transmissíveis; -A coleta de água da chuva não é um problema e podemos improvisar todos os tipos de sistemas de captação de chuva; -Opções quase infinitas de estocagem. Há também desvantagens claras: -É difícil de manter e defender por apenas uma família, especialmente se for uma família pequena; -No caso de um incêndio ou emergência médica, não podemos depender de muita ajuda dos vizinhos ou da aplicação da lei; -Isolamento do comércio ou troca diária; -Um trajeto mais longo para fazer compras; -Baixa interação social, se pretendemos torná-lo um local de vida permanente. É importante deixar claro que não existe uma resposta definitiva já que depende das particularidades e gosto de cada um. Eu mesmo posso achar que o ideal é viver em uma cidade de 2500 habitantes com uma localização parecida com a de Águas de São Pedro, mas uma outra família pode achar mais razoável e agradável um retiro mais isolado. O que interessa é ser realista e não ficar fantasiando cenários perfeitos que não podem ser colocados em prática. Muitos sobrevivencialistas e preppers brasileiros ficam sonhando com um lugar assim (e não saem do lugar): Capítulo 14 Preparação para sinistros, eventos caóticos e tragédias “Ao falhar em se preparar você vai estar se preparando para falhar” Benjamin Franklin Vamos pensar em uma situação hipotética. Você está dormindo com sua esposa e seus 3 filhos estão no quarto também dormindo. Com um barulho de vidro quebrado no andar inferior você acorda e percebe que alguém está invadindo sua casa. Será que você está preparado para lidar com isso? Mais importante ainda, seus filhos e sua mulher estão preparados para lidar com isso? Por incrível que pareça a imensa maioria das famílias (estimaria que mais de 95%) nunca sequer se prepararou para uma situação dessas. Ao contrário dos familiares despreparados, temos o invasor que sabe exatamente o que irá fazer, que se preparou para todos os cenários possíveis e que possivelmente já realizou eventos similares uma infinidade de vezes. Em uma situação como essa você acha que a “sorte” tenderá a sorrir para que lado? É preciso se preparar por etapas. E a etapa inicial é traçar um plano no papel. Criando um plano Essa etapa pode parecer uma superficialidadee até desnecessária, mas é um dos aspectos mais importantes. A verdade é que colocar no papel e fazer um brainstorming junto com seus familiares (principalmente com a mulher) são duas questões primordiais. Como os eventos e os planos que devem ser feitos variam de pessoa para pessoa por motivos de renda, localização geográfica, maior ou menor sensibilidade a desastres naturais (entre outros fatores) cada família pode ter problemas diversos. É importante ouvir outras opiniões principalmente a feminina porque isso te proporcionará uma compreensão muito mais abrangente de que tipo de preparo será necessário. Isso pode parecer forçado, mas a maioria das pessoas fazem planos e querem se preparar sem na verdade entender quais são as ameaças reais próximas e prováveis. Sendo assim, é importante anotar em um papel as possíveis ameaças que poderão afetar sua família. Pode ser necessário fazer uma pesquisa. É importante saber se algum desastre afetou a sua região no passado, saber quais são os dados estatísticos sobre crimes e as especificidades do local. Tudo deve ser anotado e aqui “tudo” quer dizer proximidade de hospitais, problemas econômicos da região, grupo de pessoas que devem requerer mais atenção e que são mais perigosos, etc. Depois da análise sobre os particularidades do local e da sua situação e de um brainstorming intenso, vários planos devem/podem ser feitos. Estes planos que serão citados são meramente exemplificativos e poderiam ser criados infinitos planos de acordo com situações próprias de cada moradia. Plano de evacuação da residência Este é um plano que é um guia passo a passo para o que você vai fazer durante uma emergência que pode tornar sua casa insegura, como inundação, invasão de domicílio ou incêndio. Entre outras questões a serem observadas podemos citar: Instruções e procedimentos a observar por todo o pessoal do recinto, relativos à articulação das operações destinadas a garantir a evacuação ordenada, total ou parcial, dos espaços considerados em risco e abranger: a) O encaminhamento rápido e seguro dos familiares para o exterior ou para uma zona segura , mediante detalhamento de vias de evacuação, zonas de refúgio e pontos de encontro; b) O auxílio a pessoas com capacidades limitadas ou em dificuldade, de forma a assegurar que ninguém fique bloqueado(é preciso avaliar antes se algum familiar pode precisar de ajuda durante uma situação análoga); c) A confirmação da evacuação total dos espaços e garantia de que ninguém a eles retorne. Fuga para o retiro Esse plano leva em consideração um desastre que pode fazer com que você não apenas tenha que sair de sua casa, mas do bairro em que vive. Uma parte importante da preparação para a sobrevivência é saber o que aconteceu historicamente. Sua área é conhecida por ter grandes inundações? Você está em uma zona de terremoto? Sua área ou cidade tem sido alvo de ataques terroristas (eu sei que isso no Brasil ainda não ocorre, mas relaxe que em breve teremos novidades)? Tudo deve ser estimado, mesmo que não seja possível prever 100% do que poderá ocorrer. A melhor prática para planejamento de fuga para um retiro é ter pelo menos 4 destinos como parte do seu plano, um para cada direção cardeal no mapa (norte, sul, leste, oeste). Esses 4 destinos podem obviamente diminuir de acordo com a geografia e a probabilidade de ocorrência de eventos específicos. Ter múltiplos destinos em seu plano, assim como várias rotas para cada um, adiciona um nível de flexibilidade interessante e que definitivamente precisa ser levada em consideração antes do tempo. Passar por este esforço de planejamento fará com que você se prepare, não importa qual situação ocorra. Ter diversos destinos em mente proporcionará um enorme impacto psicológico positivo em seu cenário de sobrevivência. Sobreviver é extremamente difícil mesmo em condições favoráveis e ter um estado de espírito positivo faz uma enorme diferença para o sucesso ou não de uma preparação. Determinados tipos de destinos, como uma segunda casa, a casa do parente ou o acampamento designado também permitem o armazenamento de suprimentos de sobrevivência no local e nas rotas para chegar até eles. Estimar o tempo da possível viagem também é essencial. Se você puder calcular sua velocidade média de viagem, saberá quantas horas ou dias levará para chegar ao seu destino. Ter essa informação faz com que você saiba a quantidade de equipamento de sobrevivência e suprimentos que você precisa carregar, armazenar ou colocar em locais estratégicos ao longo do caminho. Plano de comunicação Se houver um desastre, os canais de comunicação provavelmente falharão. Você precisa de um plano de comunicação de emergência para poder entrar em contato com seus familiares próximos. Ter um local de encontro fixo fora da sua casa onde todos devem se reunir é quase sempre essencial. Aqui especificamente quanto mais opções de comunicação possíveis, melhor. Grupo de Whatsapp para toda família, e-mail acessível a todos, definição de locais onde todos devem se reunir, definição de locais onde mensagens escritas podem ser deixadas, etc. As possibilidades são infinitas e nunca se sabe como os meios de comunicação tradicionais serão afetados então quanto mais opções, melhor. Realize exercícios de treinamento frequentemente Uma vez que os planos foram elaborados, você tem que descobrir se esses planos vão ser aplicados corretamente. Uma das melhores maneiras de fazer isso é realizar alguns exercícios de segurança periódicos. Esses exercícios devem ser baseados nas ameaças identificadas em seu processo de planejamento. Entre os possíveis treinos podemos citar: Simulação de Incêndio Esse é um tipo de teste universal já que em tese todos estão sujeitos a um possível incêndio. No primeiro momento deve haver uma preocupação mais teórica e uma grande ênfase deve ser dada a explicar para todos os membros da família o que fazer e como se portar em uma situação de incêndio. Depois que todos já aprenderam o que deve ser feito, é prudente agendar uma aula surpresa no dia seguinte antes que todos se levantem. O fator surpresa vai ajudar sobremaneira para ver em um evento empírico como cada um dos membros da família vai se comportar nessa situação de perigo. Com base no plano, todos os membros da família precisam primeiramente seguir sua rota de desastre até o ponto de encontro predeterminado, em algum lugar fora de casa. Certifique-se de que todos tenham uma rota alternativa, caso elas sejam bloqueadas pelo fogo. Se houver uma casa de dois andares ou um apartamento de nível superior, compre uma escada de emergência. Todos precisam estar cientes que caso alguém fique preso em meio à fumaça ele deve respirar pelo nariz, em rápidas inalações. Se possível é adequado também molhar um lenço e utilizá-lo como máscara improvisada. Ensine a todos que pode ser necessário rastejar para a saída, pois o ar é sempre melhor junto ao chão. Exercício para simular desastre natural Embora os planos variem com base no desastre que pode ocorrer, esses tipos de planos não são muito diferentes de um exercício de incêndio. O objetivo principal é percorrer as etapas identificadas em sua fase de planejamento de emergência e testá-las em um cenário simulado. Tente simular o que pode acontecer durante o desastre. Desligue toda a energia, desligue todos os telefones celulares e conduza-se de uma forma que pareça que você está em meio de um desastre. Pratique suas rotas. Certifique-se de que todos estejam familiarizados com o plano de evacuação e que eles possam chegar com segurança aos locais de encontro que você identificou no seu planejamento. É importante também realizar o plano de comunicação. Certifique-se de que pode contatar todos os interessados sem utilizar um celular. Pratique o que você faria se o desastre acontecesse enquanto você não estivesse em casa. Não se esqueça de deixar uma mochila de fuga com itens de primeira necessidade em um local específico da casa e incentive todosos membros da família a irem buscar ou ao menos confirmar se alguém, durante o caos, lembrou de pegá-la. Em situações como essa é comum que as pessoas esqueçam de tudo e só pensem em fugir. Sendo assim, é importante que todos sejam aconselhados a irem buscar a “Bug out Bag” sob pena de a ausência só ser notada quando a família estiver centenas de quilômetros distante. Exercício para simular ataques violentos É bem verdade que uma situação de fogo cruzado ou algo análogo com um ladrão atirando durante um roubo não é tão comum. De qualquer forma, é sempre positivo planejar todas as situações e o primeiro passo consiste em tomar conhecimento do que está acontecendo ao seu redor. Ensine os membros familiares sobre como identificar que esse evento está ocorrendo. A maioria das mulheres e crianças sequer sabem qual é o som de um tiro então esse é o primeiro ponto que deve ser abordado para que um planejamento eficiente ocorra. Ensine as crianças a diferença entre se esconder e se defender. Há uma diferença entre se esconder atrás de uma mesa e se esconder atrás de uma parede de tijolos. Quando você estiver em público, pergunte aos familiares se eles sabem apontar áreas em que possam se esconder para parar uma bala e onde eles devem procurar abrigo para esperar o momento certo de escapar. Simulação de invasão domiciliar Essa situação é tão universal e necessária como a simulação de incêndio. Aqui a primeira medida é definir um sinal que irá significar que está na hora de todos agirem. O sinal pode variar de um alarme de segurança em casa, alguém gritando uma frase, apito ou qualquer outra coisa desde que seja alto o suficiente e a mensagem possa chegar a todos. O segundo passo é ter um caminho de segurança. Todos na casa devem ter um caminho para uma sala segura em casa. Isto é importante para as casas onde os quartos estão em andares separados. Neste caso, a criança mais velha deve ser responsável por levar as crianças mais novas para o quarto seguro, sem a ajuda dos pais. As crianças devem ser ensinadas a ficarem quietas no quarto seguro e também devem ser ensinadas a ligar para o 190 depois que estiverem a salvo. Em uma situação de emergência, até mesmo os melhores planos têm a capacidade de falhar. Devido à natureza imprevisível dos eventos caóticos (e isso engloba todos os eventos relacionados a esses testes), há uma boa chance de que você tenha que fazer alterações imediatamente. A condução desses exercícios de treinamento de rotina poderá ajudá-lo a identificar problemas antes que eles se concretizem. Capítulo 15 TEOTWAWKI “Eu não sei quais armas os países irão utilizar na Terceira Guerra Mundial, mas na quarta as armas utilizadas serão paus e pedras” Albert Einstein O experimento de final de semana “TEOTWAWKI” Para quem não sabe “TEOTWAWKI” é um acrônimo em inglês para “The End of The World as We Know it” que quer dizer um cenário onde um evento catastrófico irá destruir temporária ou definitivamente as instituições e normas da sociedade. Esses termos são conceitos sobrevivencialistas essenciais e é necessário que quem se interessa por nossa literatura que não apenas entenda como também se prepare paulatinamente para esses eventos. E como se preparar melhor para uma situação de caos do que treiná-la aos poucos? Para se preparar para um cenário extremo é interessante simulá-lo em alguns dias algumas vezes durante o ano. E como seria um experimento TEOTWAWKI? Seria um fim de semana específico usado para você e sua família viver em condições primitivas, sem energia elétrica, sem fogão e mesmo sem água. Esse cenário pode parecer extremo e realmente quem nunca realizou uma atividade análoga pode “sofrer” no começo. Hoje em dia as pessoas estão tão acostumadas com as tecnologias modernas que ficar um dia sem o smartphone acaba por ser um verdadeiro suplício para muitos. O que dizer então de um cenário extremo como esse? A verdade é que se você tiver uma esposa e filhos o evento pode ser incrivelmente divertido. Isso obviamente se for feito de maneira correta e com boa vontade. Todas as facilidades tecnológicas que permitem que você viva sem esforços não vão estar mais lá para te ajudar e ao ter que realizar atividades físicas intensas e muitas vezes trabalhosas para apenas comer vai fazer com que você passe a dar valor para algumas coisas que antes não dava. Isso é um ótimo aprendizado para crianças em fase de crescimento já que a maioria das crianças de classe média para cima crescem mimadas e com tudo disponível de forma incrivelmente fácil. Acaba por ser inacreditável também como sua família se torna mais unida e confiante depois que vocês passam junto por uma situação parecida. Grande parte dos momentos mais próximos e calorosos que você pode ter na vida acontecem em situações de contato com a natureza ou em condições primitivas como a luz de velas. Esse tipo de evento é não apenas uma necessidade e um treino interessante de fazer com sua família. Repare que pode surgir uma situação extrema de sobrevivência em que ficar com todas as luzes acesas pode ser quase como um aviso para quem está lá fora como um outdoor gigantesco dizendo “venham nos saquear”. Ao se preparar para enfrentar situações assim anteriormente você e sua família podem suportar um evento de ter que ficar alguns dias sem energia e também não chamar atenção. É importante também usar essa atividade como exercício de previsão do que pode acontecer e pensar em comprar telas de blackout para janela ou mesmo cortinas opacas. A fantasia de sobreviver na selva durante o TEOTWAWKI O que pode parecer evidente para pessoas mais sensatas nem sempre é o que todos pensam. Quem não costuma acompanhar grupos de discussão sobrevivencialistas na internet pode achar que é perda de tempo discutir isso. A verdade é que tem um considerável número de pessoas no Brasil e no exterior que julga ser razoável pensar em fugir para uma floresta ou um lugar análogo em um cenário TEOTWAWKI. E aqui não estamos falando apenas de preppers posers de internet, mas também de pessoas que por terem ficado 1 um 2 dias em uma floresta já acham que são o Solid Snake no Metal Gear Solid 3. Sequer cogitar isso é jogar contra a própria sorte. Em um cenário como esse muitas coisas podem dar errado. Você estará forçando para você e sua família um cenário onde vocês não terão abrigo e não poderão carregar reservas de comida suficientes. Infelizmente esses não são todos os problemas que você pode ter. Qualquer doença ou lesão pode significar morte em questão de dias e acredite que você fica muito mais vulnerável em um local como esse do que na sua própria casa. A questão de armamentos também é importante. Em uma residência fixa você pode armazenar as mais diversas armas. Já para transportar um arsenal vai ser muito mais complicado. Caso você perca ou por alguma razão alguma arma fique inutilizável você e sua família estarão muito vulneráveis. O cenário é tão arriscado que mesmo um mergulho em um córrego no meio de um inverno poderia, em teoria, custar sua vida. Outro ponto a se pensar é a realidade de muitas pessoas no Brasil. Se nem mesmo boa parte das pessoas quem tem recursos costuma se preparar para eventos catastróficos (como os preppers costumam fazer) o que iremos dizer das pessoas mais pobres? Em um cenário de convulsão social em que viver nas cidades se torne impossível essas serão as primeiras a irem para um lugar “selvagem”. Nesse contexto, o perigo de viver na selva (ou em um lugar análogo) será absurdamente potencializado. Os recursos se esgotarão rapidamente e você terá uma competição para sobrevivência não apenas com os animais. Deve ficar claro para todos os sobrevivencialistas/preppers que esse é um cenário de último recurso. E ainda assim é preciso estar ciente dos perigos e desenvolver uma estratégia inteligente. Caso você tenha que ir para uma floresta ou um local parecido é de suma importância ter um equipamento de visão noturnae já ter frequentado o local antes para saber se existe alguma possibilidade de se esconder com sua família em uma área difícil de ser encontrada. Em um cenário TEOTWAWKI (em que se saiba que uma grande quantidade de famílias adentraram em um ambiente selvagem) a melhor estratégia de sobrevivência é se esconder em um local pouco acessível ou que possa ser escondido sem fazer muitos esforços e sair durante a noite com o equipamento de visão noturna para caçar e ter ciência do que está acontecendo ao seu redor. Na maioria dos casos as pessoas que estarão em um cenário como esse são pessoas sem preparo, experiência ou equipamento. O fato de ter um equipamento de visão noturna vai ser uma vantagem extraordinária. Só que não se engane se você nunca ficou em uma floresta durante a noite. Nas propagandas, na literatura e na mídia a natureza é sempre maravilhosa e amiga. Só que na vida real, para quem não tem experiência, ter que aguentar horas em um ambiente noturno e selvagem pode ser algo extremamente assustador. Em um cenário de escuridão os animais e insetos passam a ser até perigos secundários e a questão psicológica passa a ser o fator mais importante. Sua mente e seus olhos começam a te pregar peças e começam a surgir vultos misteriosos e flashes. Obviamente para quem pensa de forma racional é até razoável que sua cabeça te engane dessa forma na medida que instintiva e inconscientemente esse é um mecanismo de defesa. Ao reconhecer o perigo é como se seu cérebro quisesse te enganar a qualquer custo para que você se afaste de lá. Para amplificar as chances de sobrevivência nesse contexto é importante que você e sua família estejam acostumados com o jejum intermitente e com a “dieta do guerreiro”. Conhecer bem o local também é importante. Nesse aspecto é aconselhável ter estado durante o período noturno em um local próximo e que seja um possível candidato para um “retiro selvagem” de última instância. Mesmo que você deprecie essa ideia e tenha preparado um retiro fixo, não vai te fazer nenhum mal conhecer as redondezas e possíveis locais “selvagens” durante a noite. Só não aconselho levar as crianças, mas sim companheiros experientes. Água A água é tão importante que tem um capítulo exclusivo dedicado a ela nesse livro. De qualquer forma, ainda assim é importante tecer considerações sobre a água em um cenário específico. Mesmo utilizando medidas extremas de conservação, ainda assim será necessário ao menos um galão de água por dia. Esse galão fornecerá apenas água suficiente para um adulto beber e cozinhar, mas nenhuma para lavar. Caso haja falta de água você será obrigado a sair de um abrigo para busca- la e isso poderá ser um risco enorme. E mesmo que consiga ainda haverá uma boa chance de ter que trata-la com um dos itens discutidos no capítulo específico sobre a água. Sem água para descarga dos banheiros, há grandes probabilidades de que as pessoas nos apartamentos vizinhos despejem o esgoto cru pelas janelas, causando um pesadelo de saúde pública no térreo. Já que você não vai querer alertar os outros sobre sua presença abrindo sua janela, e sem dúvida o sistema séptico do prédio estará entupido em pouco tempo, você precisará fazer planos para armazenar seus resíduos em seu apartamento. Sugiro baldes de cinco galões e um grande suprimento de cal em pó para reduzir o fedor antes de cada balde ser selado. Já que pode ser necessário um racionamento e não haverá água disponível para lavar, também deve haver também um suprimento de lenços umedecidos. Odores de comida Muitas pessoas em locais de trabalho ou mesmo em casa já sentiram um odor de comida vindo do vizinho e pensaram “essa comida deve estar boa”. Agora pense o que aconteceria em um cenário de privação em que as pessoas ao seu redor estão passando fome. Em um cenário como esse apenas o fato de fritar alimentos com gordura ou mesmo cozinhar a refeição mais simples do mundo pode significar a sua sentença de morte. Sendo assim, é preciso ter um estoque diversificado de alimentos para evitar o enjoo alimentar e também não despertar a atenção de vizinhos famintos. Nesse contexto é importante ter um bom estoque de alimentos preparados com o mínimo de especiarias. Disciplina para lidar com ausência de luz e barulhos Se você fizer barulho ou tiver alguma fonte de luz em seu apartamento, isso poderá tornar sua presença conhecida. Em um apagão de energia prolongado, ficará óbvio para saqueadores dentro de algumas semanas quem tem lanternas ou grandes suprimentos de velas e/ou baterias. Eu prevejo também que, em um cenário de caos e violência, serão os apartamentos que ainda estão acesos que serão considerados aqueles que mais valem a pena roubar. Dessa forma, é importante pensar seu retiro e mesmo sua residência oficial e observar se é possível enxergar de fora se as pessoas lá dentro estão usando energia elétrica ou se o local está aceso. Caso a resposta seja afirmativa, é preciso pensar como fazer para tornar o local de habitação em um “fantasma”. Cortinas e janelas opacas devem ser usadas e você também deve pensar um sistema de ventilação adequado já que de nada adiantaria uma “casa stealth” que não demonstrasse nenhuma atividade interna se ela estiver em conflito direto com as necessidades de ventilação e aquecimento familiar da sua família. Sanidade A questão da sanidade é um dos aspectos mais importantes e ela passa a se tornar um assunto mais crítico conforme o tempo vai passando. Ficar com a sua família em situações extremas sem energia, água ou fogão pode até ser divertido em um curto período, mas e se tivermos falando de um período de vários meses? Já pensou o que é ter que ficar em silêncio ou fazer o menor ruído possível por várias semanas por alguma razão externa? Mesmo o melhor planejamento sob qualquer prisma estará incompleto se não for planejado como você e seus familiares manterão a sanidade em um evento atípico. Nesse ponto não tem o que inventar e os livros vão ser os seus melhores aliados na batalha para manter a sanidade. É importante também desenvolver uma forma de contato com seus familiares que não faça barulho (caso isso seja necessário). Um quadro negro localizado em algum lugar ou mesmo linguagem de sinais podem ser suficientes. Embarcações como BOL em um cenário TEOTWAWKI Esse é particularmente um assunto que eu considero muito instigante no mundo sobrevivencialista/prepper. Em grupos de discussão na internet eu já vi muitas discussões de qualidade e por ser um assunto pertinente resolvi escrever sobre ele. Seria morar em um barco (ou se mudar para um momentaneamente) uma estratégia razoável para um cenário WSHTF? Essa é uma pergunta importante e realmente não existe uma resposta fácil. Cabe a mim então discutir alguns cenários, vantagens e desvantagens e no final dar minha opinião sobre o que, EM REGRA, me parece ser o mais razoável. Eu particularmente já tive experiências com barcos. Não necessariamente de morar por meses, mas sim de conhecimento e de pequenas viagens. E muito de leitura também. Quando eu vi essa discussão pela primeira vez comecei a raciocinar e analisar se o barco poderia ser um retiro interessante em um cenário caótico. As vantagens iniciais me pareceram óbvias: seria possível fugir das cidades, não seria necessário disputar recursos terrestres, poderia ser um abrigo interessante caso surgisse algum surto de doença contagiosa, etc. Foi aí que eu comecei a pesar os contras e analisar não apenas para mim, mas para o cidadão médio brasileiro, os custos, habilidades necessárias, o que iria acontecer em um cenário WSHTF brasileiro, entre muitas outras coisas. Antes de começar a discutir as circunstâncias de um cenário caótico brasileiro e como uma embarcação se comportaria, as desvantagens e custos de manutenção, é primeiro discorrer se é plausível economicamente uma família adquirir um barco que sirva como retiro. Obviamente aqui vou discutir sobre veleiros especificamente.Saber o porquê e como você deve se preparar vão ser fatores essenciais para garantir a sua segurança durante situações calamitosas e inesperadas. Entender o ambiente circunvizinho e estar atento com o que está ocorrendo no seu país e no seu estado vão te ajudar a reconhecer as habilidades e suprimentos mais importantes para manter você e sua família vivos em qualquer contexto. Com há um relativo fácil acesso a uma infinidade de bens e serviços na parte ocidental do globo as pessoas perderam habilidades que eram comuns e triviais na época dos nossos avós. Nesse contexto, mesmo com situações caóticas cada vez mais comuns no Brasil, é difícil convencer a grande massa que algo muito grave pode ocorrer com eles e que o Estado que prometeu entregar tudo pode quase deixar de existir momentaneamente. Os cidadãos brasileiros, muitos desses profundamente absortos no Facebook e Instagram ignoram várias situações que aparecem de vez em quando no noticiário, mas que podem acarretar problemas graves na vida de milhões de pessoas. Os desastres naturais já deslocaram 6,4 milhões de brasileiros desde 2000. E o que antes era atenuado com a abertura imediata de um crédito extraordinário pode não acontecer no futuro quando uma situação econômica caótica impossibilitar qualquer intervenção estatal. Embora não seja razoável e nem produtivo ser sempre pessimista e achar que o fim do mundo irá ocorrer a qualquer momento, é razoável e sábio sempre estar preparado para o pior. Com o progresso desse capítulo várias noções de como se preparar para qualquer cenário vão ser desenvolvidas. O leitor irá perceber que com um planejamento inteligente algumas antecipações de despesas serão necessárias, mas, no final, com outras atitudes econômicas e inteligentes, só irá ser necessário gastar mais tempo do que dinheiro. A preparação discutida nesse capítulo visa não apenas preparar o cidadão desperto para sobreviver em situações de desastre naturais, crises sociais brasileiras como também cenários improváveis como possíveis guerras ou crises econômicas globais. Sobrevivencialistas experientes que são planejadores ou “preppers” tem a completa noção que é gasto de energia e um exercício inútil ficar tentando adivinhar o futuro, mas eles cultivam a noção saudável que estar sempre preparado para todas as situações é a forma mais inteligente de viver nos tempos atuais. A melhor preparação, na sua fase inicial, consiste em identificar quais itens são primordiais na sua vida e em um possível cenário de desastre. Ter um kit de primeiros socorros, cabos de emergência e estoque de alimentos obviamente são necessidades básicas de todas as pessoas. Um prepper avançado está em estado de alerta constante e sempre analisando no cotidiano o que realmente é importante e indispensável em qualquer situação. Para quem nunca se preparou para uma situação parelha, é possível pensar em se preparar selecionando o seu EDC (do inglês every day carry). EDC são os itens que são consistentemente carregados por uma pessoa todos os dias e seriam indispensáveis em uma situação de caos. Os itens variam muito de acordo com as preferências e habilidades de uma pessoa, mas itens padronizados poderiam ser: -Rações de comida -Água -Kit de primeiros socorros -Canivete -Lanterna -Roupas Ao pensar nos itens necessários para sua mochila EDC, é necessário abstrair tudo que poderia ser útil para sua sobrevivência caso você não conseguisse voltar para casa nas próximas 24 horas. Um bom exemplo de um EDC de um prepper avançado seria algo como: Vamos explicar os itens menos intuitivos. O scanner de rádio é mais popularizado nos EUA que basicamente é um receptor de rádio que pode sintonizar ou escanear automaticamente duas ou mais frequências discretas, parando quando encontra um sinal em uma delas e depois continua a fazer a varredura de outras frequências quando a transmissão inicial é interrompida. Há também uma lanterna, um mouse ótico sem fio, um comprimido de IMODIUM que é um fármaco indicado contra diarreias e cólicas. O prepper se preocupou inclusive em levar um “dayquil” que é um antitússico. Os antitússicos ou antitussígenos são os fármacos utilizados no tratamento sintomático da tosse. Dentre os outros itens que muitos costumam relevar pode-se citar um livro (acredite em uma situação caótica mesmo quem não gosta de ler mataria alguém para ter esse tipo de passatempo) e um monóculo para enxergar melhor a distância. Capítulo 2 A mentalidade sobrevivencialista “Não é a espécie mais forte nem a mais inteligente que sobrevive, mas a mais adaptável” Charles Darwin A mentalidade sobrevivencialista Com a urbanização da parte ocidental do globo (do qual o Brasil faz parte) e com as facilidades de serviços ocasionadas por tal processo, se em um cenário caótico a rede elétrica brasileira for gravemente afetada por mais de uma semana as cidades se tornarão rapidamente inabitáveis. Uma cadeia de eventos racional seria: Falhas de energia Falhas municipais de abastecimento de água Interrupção na distribuição de alimentos Colapso da lei e da ordem Saques e Incêndios em grande escala. Como em um cenário como esse o conforto das grandes cidades vai cair virtualmente para zero haverá um grande incentivo para a formação de grupos que se uniriam e através da violência tentariam sobreviver. Esse tipo de exercício hipotético pode parecer forçado para quem não tem conhecimento de psicologia humana, história e também está acostumado a viver em um mundo em que a imensa maioria dos conhecidos possui um padrão de vida sem paralelos na história da humanidade (mesmo para os considerados mais pobres). Em um cenário como o que estou propondo o pior do ser humano viria a tona e você não seria capaz de reconhecer mesmo amigos distantes. É por essa razão que todos devem estar preparados para o pior e entender esses principais pontos que devem estar solidificados na mente de qualquer prepper que se preze: Há força nos números O individualismo e mesmo a ambição podem ser muito úteis em vários campos e o desejo de ficar rico de muitas pessoas ambiciosas sem dúvida possibilitou a criação de inúmeros produtos e serviços que facilitaram muito a vída de milhões de pessoas. Como diria Gordon Gekko, a ganância pode ser boa. Só que aqui estamos discutindo sobre um possível cenário de sobrevivência e sem dúvida é necessário mais que um homem para defender um retiro. A defesa eficaz exige que pelo menos duas famílias forneçam segurança perimetral 24 horas por dia, 7 dias por semana. É claro que devemos levar em conta que cada indivíduo adicionado significa ter outra boca para alimentar. A menos que você tenha um orçamento ilimitado e uma despensa infinita, você precisará encontrar um equilíbrio ao decidir o tamanho de um grupo. Avalie de forma racional aqueles que são realmente importantes e coloque na balança o que essas pessoas poderiam te fornecer em um cenário caótico. Não estou falando para você cortar o contato com as outras pessoas, mas fazer um exercício mental de quem você cogitaria estar do seu lado em um cenário caótico não irá fazer você perder essas amizades se esse evento não ocorrer. Existe uma moralidade absoluta Não é propósito desse livro entrar em uma discussão filosófica sobre a moral e como nem todos os leitores são cristãos, acredito que os Dez Mandamentos são a base universal para todo o mundo ocidental. O relativismo moral e o humanismo secular são nocivos em tempos caóticos. Reconhecer e estimar como as pessoas vão se comportar em determinado evento é ser realista e não pessimista. Há, contudo, uma necessidade de seguir um código de conduta, ter fé e contar com pessoas próximas para sobreviver em tempos de crise. O indíviduo egoísta que só pensa em si irá ser um dos primeiros a morrer na anarquia generalizada. A força bruta é sempre uma opção Há tempo para a diplomacia e há também momentos em que só a força bruta pode resolver algo. É sempre melhor ter uma arma e não precisar usá- laÉ bem evidente que quem tem dinheiro para comprar um iate luxuoso pode ficar longos períodos no mar (da mesma forma que tem recursos para montar uma fortaleza em terra firme), mas não teria sentido criar um cenário rosado e de fantasia em que todos os leitores podem comprar iates e se protegerem. Partindo dessa premissa e tendo os veleiros como barcos possíveis de serem usados como retiro familiar em um evento disruptivo, a primeira pergunta que deve ser feita é se esses veleiros são viáveis economicamente de serem adquiridos? E nesse caso a resposta é sim. Com isso não quero dizer que todos os leitores atualmente tem meios para comprar ótimos veleiros, mas que se discutimos a aquisição de uma Bug Out Location em locais isolados então temos que comparar o custo de uma aquisição como essa com o de um veleiro. No Brasil, é possível achar veleiros pelo preço de um carro (e não estou falando de um BMW) só que para que essa embarcação sirva minimamente como um possível retiro e abrigue uma família de digamos 4 pessoas então será necessário gastar algumas centenas de milhares de reais. Um veleiro seminovo no Brasil que custe cerca de 250.000 reais vai ter uma aparência similar a: Sem dúvida uma família de 4 pessoas acostumada com a cidade grande não irá viver de forma luxuosa em um veleiro como esse, mas estamos aqui discutindo uma possibilidade em um evento caótico e então a questão da viabilidade econômica não é um problema maior que a aquisição de um retiro, logo é viável um retiro aquático sobre esse prisma. Vamos agora pegar essa embarcação como exemplo e calcular quais seriam os custos e despesas além do valor de R$250.000,00 hipotético. Para quem não sabe esse veleiro tem 39,5 pés de comprimento. Primeiramente é preciso estar com os documentos em ordem e tudo deve ser regularizado junto a Capitania dos Portos. Por mais que esses documentos sejam secundários em um cenário WSHTF você deve tê-los regularizados antes até para ter uma experiência com navegação. Estamos falando de 4 documentos especificamente. O dono de um barco vai ter que ter o TIE/TIEM Original que nada mais é que o Título de Inscrição de Embarcação), o Termo de Responsabilidade (documento que expressa que você está se responsabilizando para todos os fins), DPEM (Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Embarcações ou por suas Cargas) juntamente com o comprovante de pagamento e a Carteira de Habilitação de Amador (Arrais, Mestre Capitão) do condutor da embarcação. Cada uma delas tem uma validade diferente, sendo que o DPEM é o único que precisa ser renovado todo ano, o TIE/TIEM tem validade de cinco anos e a Carteira de Habilitação, de 10 anos. O valor gasto com toda a documentação varia, mas vamos ser conservadores e considerar que você irá gastar R$800,00. A esse valor é preciso acrescentar o preço dos cursos de Arrais Amador, que variam de estado para estado, mas que digamos você irá gastar mais R$ 1.200,00. Além do Seguro Obrigatório, outro gasto que você provavelmente vai ter é o seguro do barco. Aqui especificamente o gasto varia em termos de % do valor da embarcação. É possível achar seguros que cobram 1,5% então considerando nosso veleiro especificamente teremos mais R$ 3.750,00 Teremos que pensar também no local onde o veleiro ficará. O preço de uma vaga numa marina ou num iate clube depende de diversos fatores, desde a demanda/oferta de vagas na região e localização da marina até os serviços oferecidos e infraestrutura. A média brasileira é de R$ 60,00 por pé por mês. O preço varia entre R$ 40,00 a R$ 120,00 por pé por mês. Preço médio da vaga por pé por mês Centro-Oeste: R$ 40,50 (seca) / R$ 41,40 (molhada) Sudeste: R$ 45,60 (seca) / R$ 40,20 (molhada) Nordeste: R$ 35,70 (seca) / R$ 34,50 (molhada) Norte: R$ 35,90 (seca) / R$ 33,90 (molhada) Sul: R$ 35,10 (seca) / R$ 27,80 (molhada) Eu vou usar 45,60 como multiplicador, mas o leitor deve entender que isso pode variar e estamos apenas fazendo um exercício hipotético. Multiplicando pelo número de pés temos um gasto de aproximadamente R$ 1800,00. O proprietário ainda terá que gastar com a manutenção mensal do barco, fazer funcionar o motor semanalmente, limpar e verificar pequenos reparos para que quando ele quiser sair tudo esteja em ordem. Alguns marinheiros são contratados a parte para esse tipo de serviço. Uma média de valor de manutenção para embarcações de pequeno e médio porte é de R$ 800,00 contando com limpeza, peças e pequenos reparos. Calma que ainda não acabou e tem mais gastos. Mesmo para quem prefere pilotar a própria lancha, muitas vezes o salário do marinheiro entra na conta de gastos, pois é esse profissional quem mantém seu barco em ordem e até limpo. Não é possível definir um valor certo do salário base de marinheiros de esporte e recreio, pois a classe, apesar de estar lutando por isto, ainda não tem leis específicas para a própria regulamentação, mas conversando com alguns marinheiros, a contratação fica no mínimo R$ 1.500,00 podendo chegar a R$ 8.000,00 dependendo do currículo do marinheiro e do tamanho do barco. E se formos pensar ainda tem o valor do combustível. Analisando de forma objetiva e sem gostos pessoais dá para ver que a questão dos gastos de manutenção são realmente um problema para quem cogita a ideia de ter uma embarcação como possível retiro. Com o que você gastaria seria possível montar um retiro terrestre que iria te oferecer mais segurança e muito mais conforto. Obviamente que quem é rico pode ter os dois, mas se somarmos esses gastos vemos que as embarcações no Brasil não apresentam o melhor custo-benefício para um retiro. Agora que ficou claro que as despesas são um empecilho, é preciso demonstrar que existem muitas outras dificuldades. Para viver em um barco por algum tempo você precisa ser muito bom em muitas coisas. Navegação celestial, encanamento, reparo de casco, reparo de motores a diesel, reparo de trocador de calor, manutenção de vedação de eixos, reparo de velas de costura, reparo elétrico, manutenção de baterias, reparo de vasos sanitários, limpeza, provisionamento, ancoragem, fixação e ajuste de aparelhamento são apenas algumas das habilidades que você precisa ter. Para considerar uma embarcação como um bom Bug Out Location o indivíduo deveria ter vários anos de experiência no mínimo. É evidente que você gastará muito mais energia e esforço aprendendo essas coisas do que as necessidades básicas para manter um retiro em terra firme. Se formos analisar também os riscos de ataque por outras pessoas, uma embarcação é só marginalmente (isso se for mesmo) superior que um retiro em um local isolado. Por todas essas razões não vejo como possa ser inteligente gastar tempo, dinheiro e energia planejando um retiro dentro de uma embarcação. Os preppers que defendem essa ideia me parecem pessoas que já gostam de navegar pelo mar e acabam por deixar esse hobby afetar seu julgamento do que é mais sensato. Sob determinado ponto de vista (pensando em pessoas com muitos recursos financeiros) pode ser razoável pensar em uma embarcação como “retiro reserva”. Só que mesmo essa noção é passível de críticas. A questão da logística é um problema sério. Para que seja possível transportar tudo o que vai ser necessário para a sobrevivência fatalmente vai ser necessário um barco muito grande. E para aqueles que pensarem em um refúgio móvel reserva, será que os gastos compensam os benefícios? Será que sua embarcação vai estar no lugar que você deixou em um cenário WSHTF? Será que realmente tem algum sentido em gastar tanto com ela? No exemplo de veleiro eu coloquei como valor base R$250.000,00 pense o que uma família (mesmo rica) não poderia fazer com esse dinheiro em termos de itens e melhoras na construção do retiro. A compra de uma embarcação para um cenário assim só tem sentido ao meu ver para pessoas incrivelmente ricas e que possam deixar o bem em um lugar seguro. E quando eu digo absurdamente rica quero dizer que nãoapenas é indiferente a questão do dinheiro gasto com a embarcação como ela também já tomou todas as medidas humanamente possíveis para construir um retiro ideal em terra. Nesse cenário, não tem porque não ter uma segunda opção. Prós de uma embarcação usada como retiro: - Em um cenário de pulso eletromagnético (PEM) a embarcação poderá te levar de um lugar para outro; - Livrar-se do lixo sanitário e dejetos não é um problema no mar; - Infinidade de frutos do mar e peixes no oceano; - Possibilidade de se afastar de uma pandemia. Contras de uma embarcação usada como retiro: - Alto dispêndio com manutenção com recursos que poderiam ser usados em outros lugares; - É necessária uma grande especialização; - Ocorrem problemas de manutenção frequentemente em embarcações; - Uma embarcação é muito mais fácil de ser atacada por um inimigo depois que descoberta do que uma residência adaptada para a defesa. Um veleiro pode ser afundado a qualquer momento e você dificilmente irá poder adotar estratégias defensivas; - Menor espaço para estocagem de alimentos; - As condições climáticas são um problema maior do que em um retiro em terra firme; -Detritos na água e contêineres marítimos quase inteiramente submersos podem afundar o seu barco facilmente durante a noite; -Impossibilidade de fazer trocas com outras pessoas ou mesmo fazer alianças momentâneas para determinados fins. Diante do que foi exposto não tenho dúvida que não é uma boa ideia usar uma embarcação como retiro em um cenário WSHTF. Somente em situações muito específicas essa opção deve ser considerada e mesmo os amantes de atividades com barcos deveriam pensar dez vezes antes de adotarem essa estratégia. Capítulo 16 Conclusão “Nem o prazer nem a dor devem ser motivos ou empecilhos para alguém fazer o que precisa ser feito” Julius Evola Depois de aproximadamente 200 páginas e escritas e depois de revisar o material diversas vezes, estou convencido que essa obra cumpriu o seu propósito. Tudo foi pensado mais de uma vez para que o conteúdo ficasse completo e de fácil entendimento. Não tenho dúvida que essa obra como primeiro livro nacional sobre o Sobrevivencialismo irá ser um ponto de partida para que novos materiais surjam e que um conteúdo de qualidade se desenvolva no Brasil. Infelizmente ainda temos poucos materiais relacionados ao tema e isso inclui blogs, canais de Youtube ou mesmo manuais. Para o leitor iniciante sugiro ler esse livro quantas vezes for necessário. Para o intermediário ou quem já seguiu essa recomendação sugiro passar a frequentar grupos de discussão nos Estados Unidos (caso você fale inglês) e/ou passe a ler obras estrangeiras. Mais importante do que ler o conteúdo é tentar botar na prática o que foi aprendido. Nessa obra há uma infinita gama de atividades que um sobrevivencialista pode fazer para conseguir uma boa evolução e não há razão para que você não faça nada. Desejo sucesso na jornada dos leitores e que eles pensem em sempre evoluir na filosofia prepper/sobrevivencialista. Essa obra provavelmente irá ter novas versões e se você gostou da leitura ou julgou que ela foi produtiva gostaria de pedir que ela fosse indicada para amigos e/ou parentes próximos de forma que a filosofia sobrevivencialista vá se desenvolvendo no nosso país. Para quem quiser me contactar com dúvidas, sugestões ou que estiver querendo um norte sobre algo relacionado a esse livro sugiro que me contactem pelo email ou Instagram conforme será disponibilizado na parte final “Sobre o Autor”. Um forte abraço. Att, João Henrique Marques de Oliveira Ramos Glossário A Absorvedores de oxigênio - O uso de absorvedores de oxigênio na conservação de alimentos vem crescendo a cada dia. Esta técnica foi desenvolvida para diminuir o teor de oxigênio presente na atmosfera interna dos alimentos acondicionados, com o principal objetivo de inibição e, ou, redução da carga microbiológica desses alimentos. A concentração de 02 no interior da embalagem usando essa tecnologia pode alcançar níveis inferiores aos de 02 remanescente comumente encontrados em produtos a vácuo. A eficiência dos absorvedores é dependente da barreira do material da embalagem para oxigênio, do teor de umidade no interior da embalagem, da temperatura e da composição do absorvedor. B Balde para estocar comida (qualidade alimentar) - Baldes de qualidade alimentar são baldes brancos feitos especificamente para armazenamento de alimentos. Eles ajudarão a armazenar alimentos por mais de 25 anos, manter a comida hermética, segura e seca. Baldes de qualidade alimentar devem ser marcados como tal, caso contrário, eles podem conter produtos químicos que acarretam efeitos nocivos no resultado. Berkey - Sabe aquele filtro de barro bem comum no Brasil? Então, ele é quase um filtro de água Berkey, seguindo o mesmo princípio de filtragem por gravidade. A vantagem do método Berkey é que você filtra uma infinidade de coisas da água como coliformes fecais, parasitas, cloro, flúor, metais pesados e bactérias. Além disso, você ioniza a água e corrige o PH, sem remover os sais minerais que seu corpo precisa para continuar funcionando corretamente. BOB – “Bug Out Bag”: Mochila, mala ou saco que contenha no seu interior diversos bens necessários que garantam algum nível de subsistência até cerca de 72h para que seja possível avançar para um local seguro ou esperar pelo resgate. Geralmente contém comida, água, equipamento de primeiros socorros, equipamento de emergência, equipamento de comunicações, equipamento de defesa, lanterna e outros itens de necessidade (Sinônimos: BIB – “Bug In Bag”; GOOD KIT – “Get Out Of Dodge Kit”; INCH – “I’m Never Coming Home Kit”). BOL – “Bug Out Location” é uma localização segura previamente preparada e definida para tal de acordo com os nossos planos de atuação. Pode igualmente surgir definida como “retreat location”. BOV – “Bug Out Vehicle”, veículo usado para nos transportar para uma localização segura ou para nos ajudar a afastar de zonas de perigo. Buddy Burner – É apelidado de “forno para vagabundos” que na verdade é um “mini-fogão” improvisado para cozinhar comida. Geralmente é feito com cera de parafina que é derretida e despejada em uma lata de atum que é preenchida com papelão enrolado. O dispositivo é então colocado debaixo de uma lata de café ventilada, que serve como fogão para o queimador. Bug do Milênio - Problema do ano 2000, bug do milênio (ou milénio) ou Bug Y2K foi o termo usado para se referir ao problema previsto ocorrer em todos os sistemas informatizados na passagem do ano de 1999 para 2000 . Bug é um jargão internacional usado por profissionais e conhecedores de programação , para se referir a um erro de lógica na programação de um determinado software . Bug Out (verbo) – Sair de um local perigoso e ir para um retiro ou lugar seguro. Bug Out Bag – Uma mochila que contém equipamentos e itens essenciais para a sobrevivência de um prepper e que será usada em um evento caótico. Geralmente é incluído um suprimento para a sobrevivência de uma pessoa por 72 horas. C Cache – Como na computação é um local para armazenar algo. Só que aqui não estamos falando de dados e sim de suprimentos. Um cache pode ser um estoque de alimentos ou munição. Geralmente envolve enterrar algo porque estamos falando de um esconderijo secreto. Supondo que sua casa possa ser saqueada ou queimada, você terá o estoque de comida e suprimentos para chegar ao seu próximo destino. Os preppers costumam enterrar um cache na rota para o local do bugout para reabastecer os suprimentos. Chave de boca de incêndio - Uma chave de boca de incêndio pode destravar uma fonte de água escondida ou inatingível: o hidrante local. A propriedade deste dispositivo barato pode desbloquear a água como um recurso para toda a sua vizinhança. D Despensa - Despensa é o lugar da casa geralmente destinado à guarda ou armazenagem de gêneros alimentícios (entreoutros produtos). Uma despensa deve ser: tão fresca quanto possível, perto da área de preparo dos alimentos, construída para evitar a entrada de insectos e roedores e fácil de manter limpa. E EDC – “Everyday Carry” - Itens que alguém não abdica no seu dia à dia e que serão utilizados em caso de necessidade. Ejeção de massa coronal - Ejeções de massa coronal (EMC) são grandes erupções de gás ionizado a alta temperatura, provenientes da coroa solar. O gás expelido constitui parte do vento solar e, quando atinge o campo magnético terrestre, pode causar tempestades geomagnéticas, prejudicando os meios de comunicações e estações elétricas.Frequentemente estão associadas a outras formas de atividade solar, como a erupção solar, mas ainda não há uma relação estabelecida entre esses fenômenos. A maior parte das ejeções origina-se de regiões ativas da superfície solar, como grupos de manchas solares, geralmente associadas a campos magnéticosinstáveis distribuídos ao longo do Sol, principalmente no período mais ativo do ciclo solar. Em épocas de máxima atividade solar, são produzidas pelo menos três ejeções de massa coronal por dia, enquanto que em épocas de mínima atividade solar, há apenas uma ejeção a cada cinco dias, em média. EMP (PEM no Brasil) – “Electromagnetic Pulse”: Pulso abrupto de radiação eletromagnética geralmente resultante de explosões com grande libertação de energia, especialmente explosões nucleares, fortes explosões solares, etc. De um modo geral, todos os equipamentos eletrônicos dos nossos dias que estejam dentro da área de impacto ficarão inutilizados. EOTW – “End Of The World”, também chamado de TEOTWAWKI (“The End Of The World As We Know It” – O fim do mundo como conhecemos), descreve um acontecimento ou uma situação que pode causar o fim da vida ou do planeta (guerra nuclear, colisão de asteróide, etc.). Era Nuclear - A Era Atómica ou Atômica, por vezes também designada Era Nuclear, é o termo utilizado para referir-se ao período da história posterior à primeira explosão nuclear levada a cabo em 16 de julho de 1945 no deserto de Alamogordo, no Novo México, Estados Unidos. O termo foi amplamente utilizado durante a década de 1950, década imediatamente subsequente a das primeiras explosões nucleares que puseram fim à Segunda Guerra Mundial, para se referir à generalização da opinião de que, no futuro, todas as fontes de energia seriam de natureza atômico-nuclear. Foi nessa época que a fabricação e utilização de armas nucleares difundiu- se amplamente. Estima-se que, até 1998, 2053 testes nucleares tenham sido realizados ao longo do globo pelas principais potências armadas do mundo. Erupção Solar – A NASA.gov define erupções solares como tempestades no sol que enviam para fora os raios e as partículas. A NASA também explica que a erupção solar é uma explosão intensa de radiação proveniente da liberação de energia magnética associada às manchas solares. Potencialmente poderia derrubar redes de energia, perturbar satélites e trazer a economia a um impasse. Uma ejeção de massa coronal precede uma erupção solar. Estatuto do desarmamento - No Brasil, o Estatuto do Desarmamento é uma lei federal derivada do projeto de lei nº 292 (PL 1555/2003), de autoria do então senador Gerson Camata (MDB/ES), que entrou em vigor no dia seguinte à sanção do então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 23 de dezembro de 2003. Trata-se da Lei 10826 de 23 de dezembro de 2003, regulamentada pelo decreto 5123 de 1º de julho de 2004 e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte, que "dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição (...)". O governo promoveu um referendo popular no ano de 2005 para saber se a população concordaria com o artigo 35 do estatuto, que tratava sobre a proibição da venda de arma de fogo e munição em todo o território nacional. O artigo foi rejeitado com 63,94% dos votos "NÃO" contra 36,06% dos votos "SIM". Estratégia Alfa - Uma estratégia de sobrevivência que envolve acumular e armazenar mantimentos com a intenção de troca ou caridade visando se preparar para um evento caótico. F Forno Holandês - O forno holandês é uma panela pesada com tampa tradicionalmente feita de ferro, mas às vezes feita de aço. Ela faz um ótimo guisado para um acampamento, é perfeito para fazer um assado no forno, e muito mais. Forno Solar - O forno solar é um tipo de forno descrito por Nicholas de Saussure por volta de 1770 e criado por Horace de Saussure em 1767.É constituído de uma caixa com fundo preto e tampa de vidro, com abas refletoras. O fundo preto absorve a luz solar e converte-a em radiação infravermelha, que não passa pela tampa de vidro, criando o efeito estufa.Desta forma, possui a capacidade de atingir 150ºC, cozinhando qualquer alimento sem dificuldade.O cozimento dos alimentos leva, dependendo de suas características, de 2 a 6 horas neste equipamento. Apesar da utilização de energia solar desde longa data, somente na década de 1990 é que intensificaram-se os estudos e desenvolvimento de tecnologias para cozinhas solares. G Gaiola de Faraday - Gaiola de Faraday foi um experimento conduzido por Michael Faraday para demonstrar que uma superfície condutora eletrizada possui campo elétrico nulo em seu interior dado que as cargas se distribuem de forma homogênea na parte mais externa da superfície condutora (o que é fácil de provar com a Lei de Gauss), como exemplo podemos citar o Gerador de Van de Graaff. No experimento de Faraday foi utilizada uma gaiola metálica, onde foi colocado um isolante e uma cadeira de madeira cujo Faraday se sentou, foi dada uma descarga elétrica e nada aconteceu a ele, provando que um corpo dentro da gaiola poderia permanecer lá, isolado e sem levar nenhuma descarga elétrica pois os elétrons se distribuem em sua parte exterior da superfície. GHEE - Manteiga clarificada indiana, tradicionalmente é feita a partir de manteiga produzida com leite acidificado por ação bacteriana. Na indústria tem se optado por utilizado o creme de leite como base. O tempo e a temperatura variam para tostar/queimar os sólidos de leite e agregar sabor ao produto. GOOD – “Get Out Of Dodge” é um termo usado para o momento em que devemos abandonar a zona onde num determinado momento nos encontramos para procurar uma localização segura. Greve dos caminhoneiros - A greve dos caminhoneiros no Brasil em 2018, também chamada de Crise do Diesel, foi uma paralisação de caminhoneiros autônomos com extensão nacional iniciada no dia 21 de maio, no Brasil , durante o governo de Michel Temer ,e terminou oficialmente no dia 30 de maio, com a intervenção de forças do Exército Brasileiro e Polícia Rodoviária Federal para desbloquear as rodovias.Algumas tentativas de continuidade do movimento ainda ocorreram, como a liderada no Distrito Federal pelo caminhoneiro Wallace Landim, alcunhado de "Chorão", mas não tiveram adesão. Os grevistas se manifestaram contra os reajustes frequentes e sem previsibilidade mínima nos preços dos combustíveis , principalmente do óleo diesel , realizados pela estatal Petrobras com frequência diária, pelo fim da cobrança de pedágio por eixo suspenso e pelo fim do PIS / Cofins sobre o diesel. O preço dos combustíveis vinha aumentando desde 2017 e sua tributação representa 45% do preço final, sendo 16% referente ao PIS/COFINS, de competência da União.O preço ao consumidor da gasolina brasileira estava na média mundial na semana da greve, em valores absolutos, enquanto o diesel estava abaixo da média, sendo o segundo mais barato do G8+5 , apesar de ser o segundo mais caro na América Latina , ao lado de Paraguai e Argentina . Grid Down – Uma situação “Grid Down” poderia ser um simples apagão ou mesmo um PEM onde a civilização precisaria de meses ou anos para se recuperar. H I J K Krav Maga - (em hebraico: קרב מגע , "combate de contato") é um sistema de combate corpo a corpo, desenvolvido em Israel, que envolve técnicas de luta,torções, defesa contra armas, bastões, facas e golpeamentos . O Krav Maga é derivado de habilidades de briga de rua, desenvolvidas por Imi Lichtenfeld como um modo de defender o quarteirão judeu, durante o período de ativismo anti-semita em Bratislava, nos anos 1940. Após sua imigração para Israel, ele começou a fornecer treinamento para as Forças de Defesa de Israel, desenvolvendo as técnicas que se tornaram conhecidas como Krav Maga. Desde então, ele tem sido aperfeiçoado para ambas aplicações, civis e militares. L M Marina - Uma marina é um pequeno centro portuário de recreação usado primariamente por iates privados e botes recreacionais. Marinas normalmente possuem corredores primários e secundários permitindo acesso a todos os barcos atracados. Muitas vezes oferecem serviços como lavagem, venda de combustível e manutenção. Molon labe - Um termo clássico usado pelos patriotas americanos, Molon Labe, significa "Venha e pegue [minhas armas]. "Uma expressão de desafio utilizada por preppers e sobrevivencialistas para reivindicar seus direitos de possuir armas. É uma declaração de advertência para quem acha que pode confiscar as armas ou minar a liberdade alheia. (Em grego: μολὼν λαβέ molṑn labé). Monsanto - O público em geral desconhece que a Monsanto tem bilhões de dólares investidos em culturas e sementes de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs). A única maneira de se proteger contra a compra de alimentos geneticamente modificados é comprar produtos orgânicos, mas mesmo a compra de produtos orgânicos não é 100% efetiva, já que as culturas orgânicas, ao lado de uma safra de OGM, serão contaminadas. De acordo com seu site "Até 90% da soja, milho, algodão, canola e beterraba são geneticamente modificados e rotineiramente inseridos em alimentos para humanos e animais sem rótulos ou testes de segurança". MRE (Meals Ready to eat) – Acrônimo em inglês que significa refeições prontas para o consumo. Um verdadeiro MRE é uma refeição que está pronta para comer porque inclui pacote químico para aquecer instantaneamente refeições individuais permitindo o consumo de alimentos aquecidos sem o uso de fogo ou fogão. N Naturopatia - Naturopatia ou medicina natural é uma forma de medicina alternativa que recorre a uma série de práticas pseudocientíficascomercializadas como "naturais", "não invasivas" ou "regenerativas". A ideologia e os métodos da naturopatia têm por base o vitalismo e a medicina popular, e não a medicina baseada em evidências. Os naturopatas geralmente recomendam às pessoas que não recorram a práticas medicinais modernas, como exames médicos, medicamentos, vacinas ou cirurgias. Em vez disso, os estudos e práticas naturopatas assentam em noções não científicas, que levam frequentementemente a diagnósticos e tratamentos sem mérito factual. A naturopatia é considerada pelos profissionais de medicina como sendo ineficaz e potencialmente prejudicial, o que levanta questões de ética médica acerca da sua prática. Os naturopatas têm sido continuamente acusados de charlatanismo.Nos tribunais de muitos países, vários naturopatas têm sido julgados como responsáveis por vários crimes. Em alguns países, é crime os naturopatas apresentarem-se como profissionais de saúde. O Off grid – “Fora da grade” ou Off Grid é uma escolha de estilo de vida para viver sem eletricidade e para ser auto-suficiente sem qualquer ajuda. Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) - Geneticamente modificado não é o mesmo que "híbrido", que é um cruzamento entre duas espécies. Com Organismos Geneticamente Modificados, um gene de uma espécie (planta ou animal) é transferido para outro, criando algo artificial (não encontrado na natureza). OGMs são perigosos para os seres humanos. Testes de laboratório em ratos sugerem possíveis problemas de infertilidade. Ovelhas – Termo usado para identificar a maioria da população que não está preparada para um cenário catastrófico e estão dependentes do sistema. Alguns num SHTF possivelmente optarão por um comportamento agressivo atacando, agredindo e roubando os que previamente se prepararam para o pior. P Paracord - A Paracord (também conhecida como cordame de paraquedas) ganhou este nome por ter sido desenvolvida para o uso em paraquedas, como linhas de suspensão (para = paraquedas / cord = corda). De forma simples, é um cordame feito de Nylon, extremamente resistente e com bom potencial elástico. Em termos de comparação entre peso, volume e resistência, é um equipamento fantástico. É claro que com uma tecnologia tão versátil assim foi questão de tempo até o paracord começar a ser aplicado em muitas outras atividades militares, servindo para pendurar itens na mochila, amarrar cargas, montar acampamentos e tendas e outras tarefas de campo. Lentamente foi sendo aplicada em outros cenários, inclusive até mesmo em ambientes extremos como na missão STS-82 para reparar o telescópio espacial Hubble. Parafina - Um conservante químico que retarda a perda de umidade e evita a deterioração dos alimentos. Usado principalmente para conservas e que pode ser até comestível. É possível encontrar cera de parafina adicionada ao chocolate porque dá um acabamento brilhante (embora não se destine ao consumo). Use-a com cuidado, pois é inflamável quando superaquecida. É também às vezes chamada de cera de padeiro ou cera de conserva. Pote Zeer - Um pote zeer é um dispositivo simples para manter seus alimentos frios sem eletricidade. É uma geladeira simplificada que não usa energia elétrica. Para criar um Pote Zeer são necessários dois potes de barro (um aninhado dentro do outro com uma camada de areia molhada no meio), água e uma tampa. Preppers - Os preppers são pessoas que se preparam ativamente para a sobrevivência em tempos incertos, incluindo um colapso econômico, um desastre natural, um evento cósmico incomum, uma pandemia ou uma catástrofe provocada pelo homem. Os preppers tomam medidas significativas para garantir as necessidades básicas de sobrevivência antes que o impensável ocorra, o que perturbaria as condições normais de vida. Preparar é um estilo de vida que proporciona conforto e paz de espírito. Embora paixão e nível de habilidade variem seu objetivo final é o mesmo: sobrevivência. Q R Regra de três - Um termo prepper para descrever como os seres humanos podem viver apenas três minutos sem ar, três dias sem água e três semanas sem comida. A definição foi expandida para incluir abrigo (humanos podem viver apenas três horas de exposição a condições climáticas adversas sem abrigo). S Sacos de mylar - Os sacos de Mylar utilizados no armazenamento de alimentos revolucionaram a maneira como os alimentos são armazenados a longo prazo. As principais formas pelas quais os alimentos podem ser danificados no longo prazo são o calor, a luz, a umidade, o oxigênio e os roedores. Os sacos de mylar fazem com que nenhum desses fatores interfira na preservação dos alimentos embora não substituam um recipiente de armazenamento de alimentos adequado como baldes de armazenamento de qualidade alimentar. Quando usado em conjunto com absorvedores de oxigênio e baldes de armazenamento de grau alimentício os sacos de mylar fornecem inúmeros benefícios para manter sua comida segura por muitos anos. Seguro Alimentar (Food Insurance) – O seguro alimentar não é uma política real oferecida para venda, mas sim a frase de um prepper para a paz de espírito em saber que se tem garantido reservas alimentares de longo prazo. SHTF – Um dos acrónimos mais comuns que significa “Shit Hits The Fan” (alternativa: WTSHTF – “When The Shit Hits The Fan “. A tradução não poderia ser mais simples: Quando a mer** atingir o ventilador. Este termo diz respeito a um acontecimento a nível local, nacional ou global que pode mudar radicalmente as nossas vidas. Sobrevivencialismo - Uma disposição de esperança para sobreviver! É uma atitude, política ou prática baseada na primazia da sobrevivência como um valor absoluto. T TEOTWAWKI- Um evento catastrófico que destrói as instituições e normas existentes da sociedade. Do inglês, acrônimo para “The End of The World as We Know It” que basicamente é traduzido para “o fim do mundo como nós conhecemos”. Trama - O termo trama na área de tecelagem refere-se ao espaçamento entre os fios que constituem o tecido: uma trama menor significa fios menos espaçados entre si; uma trama maior significa fios mais espaçados entre si. U V Veleiro - Um veleiro é uma embarcação propelida por um velame, conjunto de velas de tecido de corte e cálculo apropriado, apoiado em um ou mais mastros e controlados por um conjunto de cabos chamado cordoalha, todo esse sistema costuma denominar-se armadoria. W WROL – Acrônimo para “WithOut Rule Of Law”. Basicamente descreve situações ou zonas que momentaneamente ou permanentemente ficam sem lei nem ordem. X Y Z Zumbis - Em suma, os zumbis são as pessoas infelizes que não planejaram ou prepararam-se para o WTSHTF. Eles são uma ameaça direta aos preppers na medida em que eles vão estar desesperados por comida, água e suprimentos. Não é figura de linguagem esperar que eles comportem como zumbis nos filmes. Ou você realmente acha que todos vão ficar sentados esperando pela própria morte? Até o aspecto de zumbis não é exagerado já que provavelmente essas pessoas vão estar famintas, cheia de feridas e infecções e desesperadas em busca da sobrevivência através de “seres saudáveis”. Os zumbis, ou “mortos-vivos” são seres reais e muito preocupantes. Sobre o autor João Henrique Marques de Oliveira Ramos é sou formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas. Desde cedo sempre teve as atividades físicas como uma das suas paixões assim como as finanças e o hábito da leitura. Com mais de 15 anos treinando e lendo os mais variados livros sobre o assunto, resolveu criar essa obra para levar o HIT e alguns conceitos específicos mais ao alcance do leitor. Tem também publicado um livro sobre Fundos de Investimento Imobiliário: https://www.amazon.com.br/Investindo-Fundos-Investimento- Imobili%C3%A1rio-realidade-ebook/dp/B079ZQFJ2G https://www.amazon.com.br/Investindo-Fundos-Investimento-Imobili%C3%A1rio-realidade-ebook/dp/B079ZQFJ2G https://www.amazon.com.br/Hipertrofia-Total-avan%C3%A7ado-m%C3%BAsculos-corporal- ebook/dp/B07MVXWRQD E-mail para contato: joaohenriquer14@gmail.com Instagram: @jhrac14 https://www.amazon.com.br/Hipertrofia-Total-avan%C3%A7ado-m%C3%BAsculos-corporal-ebook/dp/B07MVXWRQD mailto:joaohenriquer14@gmail.com Capítulo 1 Introdução Capítulo 2 A mentalidade sobrevivencialista Capítulo 3 A história do sobrevivencialismo Capítulo 4 Despensa e estocagem de comida Capítulo 5 A água como bem primordial Capítulo 6 Conhecimento e manejo de armas de fogo Capítulo 7 Algumas técnicas úteis Capítulo 8 A natureza como cura universal Capítulo 9 Primeiros socorros e remédios Capítulo 10 Investimentos e negócios para um sobrevivencialista Capítulo 11 A importância da hipertrofia para um sobrevivencialista Capítulo 12 Hábitos saudáveis e questões importantes para um sobrevivencialista Capítulo 13 Retiro – Bug Out Location Capítulo 14 Preparação para sinistros , eventos caóticos e tragédias Capítulo 15 TEOTWAWKI Capítulo 16 Conclusão Sobre o autordo que precisar de uma e não tê-la. Avalie sempre as situações de acordo com a racionalidade e sensatez e se realmente for necessário usar a força bruta, não deixe que receios e fraquezas possam te impedir de tomar a melhor opção. Mais importante do que ter é ser O que mais existe no mundo é poser que quer se inserir em alguma subcultura por motivos psicológicos. Ser um prepper não é só ler materiais ou acumular uma infinidade de itens, mas sim desenvolver habilidades. É precisso passar a ação e muito conhecimento útil e necessário só irá ser adquirido após meses ou mesmo anos de esforço individual. Qualquer um pode comprar roupas camufladas, mas será que você está mesmo desenvolvendo suas habilidades para sobreviver? Pergunte-se constantemente quais são seus pontos fortes e fracos e o que você precisa desenvolver para estar pronto para um evento caótico. E o que você está fazendo para fechar esse gap de competência é suficiente? Essas são questões que devem estar sempre presentes na sua mente. A abundância pode ser uma necessidade Você deve estar preparado para sustentar sua família durante um período prolongado de perturbação social. Isso significa armazenar uma infinidade de itens em grande quantidade. Caso o comércio seja interrompido por um desastre, então você deverá recorrer a sua própria logística. Quanto mais itens estocados, mais fácil será sua vida na medida em que você poderá usá-los inclusive para troca ou caridade. Nesse aspecto, principalmente para famílias ricas, o “esbanjamento” pode até ser positivo. Do ponto de vista de sobrevivência e logística pode ser muito inteligente ter 3 carros sendo que um movido a gasolina, outro a diesel e o outro sendo um carro elétrico (ok eu sei que financeiramente não é a melhor das escolhas por isso eu citei “famílias ricas”). Qualquer tipo de tecnologia ou invenção é importante No caso de um colapso social, tecnologias como a forja do ferreiro, a máquina de costura a pedal e o arado puxado por cavalos serão muito mais fáceis de serem aplicadas do que outros tipos mais avançados. Uma vez eu mostrei para um amigo como um pote zeer poderia ser utilizado como refrigeração de alimentos e recebi como resposta que aquilo era primitivo e saber aquilo era inútil. Ter mais opções e aprender as coisas não pode ser “inútil” em nenhuma circunstância. Escolha seus amigos com sabedoria Associe-se a pessoas que fazem e não com as que falam muito, mas não fazem nada. É preciso pensar também em indíviduos que compartilham sua visão de mundo e moralidade. Viver em confinamento com outras famílias certamente causará atrito, mas isso será minimizado se você compartilhar uma religião e normas comuns de comportamento. É humanamente impossível aprender todas as habilidades necessárias que você poderá precisar sozinho. Reúna uma equipe que inclua membros com conhecimento médico, habilidades táticas, experiência em eletrônica e habilidades práticas tradicionais. Mesmo que você tenha muitos amigos e não queira perder a amizade de nenhum, fazer um exercício mental de quem poderia ser útil em determinado momento não irá afetar suas relações sob nenhum aspecto (a menos que você diga para alguns amigos que eles são tão inúteis que não iriam ter nenhuma importância em um cenário WSHTF). Explore os Multiplicadores da Força O equipamento de visão noturna, os sensores de detecção e os equipamentos de radiocomunicação são os principais multiplicadores de força. Como esses dispositivos usam alta tecnologia, eles não serão úteis no longo prazo em um cenário de ruptura, mas a curto prazo eles podem fornecer uma grande vantagem. Algumas tecnologias simples como o arame farpado também oferecem vantagens e podem durar várias décadas. Aqui é preciso saber dosar o novo e o antigo. Aprenda a fazer você mesmo tudo que for possível Mesmo que você tenha o orçamento de um milionário, é importante aprender a fazer as coisas e estar diposto a sujar as mãos com algumas atividades sempre que necessário. Em um colapso social, a divisão do trabalho será reduzida absurdamente. As probabilidades são de que os únicos "artesãos qualificados" disponíveis para construir um galpão ou consertar um motor serão você e sua família. Fazer essas atividades ainda tem uma externalidade positiva que é te deixar em forma e te permite aprender novas habilidades úteis em qualquer situação. Tenha sempre um plano B e um plano C Independentemente do seu cenário favorito e do seu grande plano pessoal de sobrevivência, você precisa ser flexível e adaptável. Situações e circunstâncias mudam. Por menos provável que seja algo de acontecer, é sempre positivo ter vários cenários diferentes traçados para nunca ser pego de surpresa. Mesmo fazendo isso você fatalmente será pego de surpresa com algo, mas planejar os cenários faz com que isso ocorra com menor frequência e te deixa mais calmo e tranquilo na hora de lidar com o inesperado. Capítulo 3 A história do sobrevivencialismo “Aqueles que não conhecem a história estão destinados a repeti-la” Edmund Burke A história do sobrevivencialismo De uma certa forma é possível encontrar exemplos de preparo para as adversidades, que seria certo sobrevivencialismo embrionário, desde o começo da história humana. Isso é evidenciado em livros históricos e mesmo na Bíblia. Sem poder contar com as facilidades modernas que começaram a ser criadas em grande quantidade durante as revoluções industriais, era comum que as pessoas se preparassem para enfrentar eventos incertos. Durante a Idade Média, a medida de exemplo, era comum que as pessoas guardassem comida no verão para que pudessem ter o que comer no inverno. Como os gastos associados com a alimentação de animais era mais oneroso no inverno, a maioria era abatido no outono e preservada para fornecer carne durante a estação mais fria. Essa necessidade básica de se preparar para a adversidade continuou por milhares de anos. Continuou porque era algo necessário para a sobrevivência individual. Sem se preparar, a maioria das pessoas certamente teria perecido. Imagine suportar um inverno alguns séculos atrás sem madeira pré-cortada ou em conservação. A história do sobrevivencialismo está repleta de exemplos daqueles que não pensaram adiante e provaram que Darwin estava certo. Durante o começo do século 20 os governos costumavam incentivar que as populações se preparassem para as adversidades. Era uma época do “Estado Mínimo” ao contrário do que ocorre hoje em dia onde burocratas e políticos oportunistas prometem o “Estado Máximo” e usam de classes vulneráveis como massa de manobra eleitoral para continuarem no poder criando uma falsa noção de que o Estado sempre irá ajudar quem precisar. Já foi demonstrado que isso não é viável no médio prazo. A questão é que naquela época havia um interesse dos estados que as pessoas fossem de alguma forma autossustentáveis. Na maioria dos casos isso ocorria como um empenho dos cidadãos para ajudar a nação em um esforço conjunto. No interregno referente ao que compreendeu as duas grandes guerras mundiais era comum que os países beligerantes encorajassem seus cidadãos a plantarem “hortas da vitória”. Isso ocorria ao mesmo tempo em que havia uma racionamento de comida. Essas campanhas eram promovidas como esforços patrióticos que fariam com que determinado país supostamente vencesse a guerra através do sacrifício dos seus cidadãos. Veja como era a campanha de preparação e autoconfiança que foi promovida como esforço patriótico que ajudaria a vencer as guerras: Nos Estados Unidos, o esforço para motivar a população a melhorar a autossuficiência foi bem-sucedido e resultou no plantio de 20 milhões de “hortas de vitória”. Em 1944, isso fez que a população em casa produzisse mais de oito milhões de toneladas de frutas e legumes. Isso foi responsável pelo total 40% de todas as frutas e vegetais frescos consumidos nos Estados Unidos e foi igual a toda a produção comercial dos EUA na época. Com o começo da Segunda GuerraMundial, muitos temiam que os ataques com submarinos alemães não seriam a única ameaça e que bombardeios aéreos iriam sobrevoar constantemente a costa leste dos Estados Unidos. Com isso, outra ação de preparação adotada por muitos foi a construção de abrigos antiaéreos domésticos. Muitos desses abrigos antiaéreos ainda existem hoje. O advento da Guerra Fria foi um marco de suma importância. Não é por mero acaso que foi durante essa época que Kurt Saxon utilizou o termo “sobrevivencialismo” pela primeira vez. Com o fim da Segunda Guerra Mundial o mundo passou a viver em uma “Era Nuclear”. O medo de que haveriam ataques atômicos entre as superpotências era disseminado no mundo todo. Essa preocupação fez com que não apenas indivíduos, mas também governos locais e federais construíssem abrigos antiaéreos. Um dos abrigos antiaéreos mais famosos e maciços foi o Greenbrier Resort, em West Virginia. O Greenbrier começou em 1958 como "Projeto Ilha Grega". Este foi o nome de código para o que acabaria se tornando um abrigo potencial para 1.100 pessoas, incluindo todo o Congresso dos EUA. O Greenbrier permaneceu em operação até 1992, quando foi finalmente divulgado pela mídia. Se não tivesse sido exposto pelos meios de comunicação, provavelmente ainda faria parte do plano de sobrevivência do governo atualmente. Apesar de o governo dos EUA não planejar usar o Greenbrier como seu futuro lar apocalíptico, é certo que existem outros Greenbriers preparados para possíveis situações caóticas. O governo não apenas construia abrigos como o Greenbrier, mas também instituía uma forma de educação e exercícios de sobrevivencialismo forçado pelo Estado. Era comum na época assistir filmes de segurança pública, como o Atomic Alert e a realização de exercícios com bombas nucleares. Esses exercícios foram baseados em orientações semelhantes às fornecidas no Manual de Campo do Exército dos EUA, FM 3-4 NBC Protection: “Os indicadores de ataque nuclear são inconfundíveis. O clarão luminoso, a enorme explosão, os ventos fortes e a nuvem em forma de cogumelo indicam claramente um ataque nuclear. Um ataque inimigo normalmente viria sem aviso. As ações iniciais devem, portanto, ser automáticas e instintivas. A queda imediata e a cobertura da pele exposta proporcionam proteção contra efeitos de explosão e térmicos. ” Tão importante quanto Kurt Saxon foi Howard Ruff que escreveu um livro chamado “Fome e Sobrevivência nos Estados Unidos”. Muitos conceitos tratados no livro foram os precursores de várias ideias que hoje são incorporadas na filosofia sobrevivencialista. Ao mesmo tempo, o início do movimento de treinamento e competição de armas de fogo contemporâneo começou no American Pistol Institute (agora Gunsite Academy), que foi fundado em 1976 pelo tenente-coronel Jeff Cooper. Durante o fim da década de 80 e começo de 90, a mídia e uma grande parte da sociedade começaram a rotular as pessoas que realizavam ações sobrevivencialistas. A mídia tão talentosa em deturpar os acontecimentos tratava todos os “preppers” da época como um grupo específico de malfeitores. Em vez de identificar pessoas e grupos com base em seus méritos, os grandes meios de comunicação utilizavam rótulos e generalizações na tentativa de pintar todas as pessoas que seguiam a filosofia do sobrevivencialismo como loucas, racistas e excêntricas. Foi uma tática falsa, mas eficaz, que levou muitas pessoas boas, mas preocupadas, a se comprometerem com a preparação clandestina e evitarem compartilhar suas ideias com outros preppers em potencial. No final dos anos 90, quando havia um medo generalizado do “Bug do Milênio” a campanha da mídia contra os sobrevivencialistas começou a enfraquecer. O “Bug do Milênio” foi o medo de que, devido a uma falha no sistema, os computadores fossem desligados no início do novo século. Isso resultou na grande mídia publicando histórias de potenciais falhas na rede de energia e paralisação da sociedade. Felizmente, o ano de 2000 começou sem problemas, e as profecias de um fim do ano 2000 nunca se concretizaram. O que se materializou, contundo, foi uma reformulação do movimento sobrevivencialista e preparação para a adversidade que resultou em uma maior aceitação de toda a sociedade. A palavra “survivalism” foi substituída por “prepper”, que transformou “survivalists” em “preppers”. Essa aceitação, embora não completa, continuou a aumentar em várias partes do mundo ocidental. Os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 deram início a uma nova era de preocupação. Com o passar do tempo, as chamas da preocupação continuaram a se espalhar pela sociedade. É este ciclo de notícias impulsionado pela mídia, que sensibiliza tragédias como a gripe suína, a gripe aviária, o ebola, o aumento da criminalidade, os repetidos ataques terroristas, a agitação financeira, etc., com cobertura ininterrupta 24 horas por dia. Por causa do medo das notícias sensacionalistas, muito mais pessoas estão se preocupando com sua futura segurança e, consequentemente, estão se preparando para as possíveis adversidades futuras. Como resultado, o exército de “preppers” continua a aumentar como nunca em toda a história moderna. Essa crescente popularização do Sobrevivencialismo é ainda mais intensificada pela explosão da Internet. Há cada vez mais sites, blogs e podcasts relacionados a esse assunto. Isso permite que os preppers iniciantes se tornem proficientes em um curto período. Também serve para desmistificar ainda mais a preparação, promovendo a aceitação da sociedade, aumentando ainda mais o número de pessoas dispostas a se identificar como sobrevivencialistas ou preppers. Tudo isso resultou em uma definição mais ampla do que é considerado "estar preparado". Alguns preppers consideram alguns dias de alimentação e um plano de emergência familiar como uma quantidade adequada de preparação. Outros, no entanto, desejam ter um local pronto no caso de precisarem evacuar sua família devido a um evento similar a um desastre natural ou outra situação análoga. Independentemente da quantidade desejada de preparação, um fato se mantém verdadeiro hoje: qualquer prontidão é melhor do que nenhuma prontidão. Diferença entre sobrevivencialistas e "preppers" Basicamente esses dois termos vão ser tratados de forma equivalente nesse obra. Fora do Brasil, principalmente nos Estados Unidos, contudo, há quem costume diferenciar os termos. Isso se deve a uma maior popularização desse tipo de filosofia. Vários programas de temática sobrevivencialista são grandes sucessos no estrangeiro. Entre eles podemos citar Les Stroud e Bear Grylls. A verdade é que, como tudo que aumenta em termos de popularidade tende a atrair as mais diferentes pessoas, é comum a formação de subgrupos e interesses. Há também aquelas pessoas diferentes em todos os grupos que querem ser mais "true" ou "oldschool" e quer apontar o dedo para outros dentro do mesmo movimento. Não importa a qualidade das pessoas que estão adentrando, a partir do momento que o grupo deixa de ser "underground" eles automaticamente viram oposição. Particularmente não acho que isso seja muito importante no Brasil já que não dá para comparar a adesão e conhecimento de pessoas no nosso país e nos Estados Unidos. Sendo assim, os dois termos vão ser tratados de forma equivalente nesse livro. Vou, contudo, discutir quais são as possíveis diferenças para que o leitor que queira ler outras obras estrangeiras ou mesmo artigos em sites americanos possa ter uma maior compreensão dos conceitos e não fique confuso. Nos Estados Unidos, alguns usam os termos de forma equivalente, mas outros consideram que os dois grupos possuem diferentes motivações e filosofias de vida. O que os dois grupos têm em comum é que todos são considerados, de forma unânime, como pessoas que tem um intenso desejo de viver, ou melhor, sobreviver. Isso não quer dizer paranoia e medo de morrer, mas sim um desejo de tomar o controle da própria vida, viver de acordo com seus critérios e estar preparado para qualquer situação futura. É possíveldizer que os dois grupos são considerados como obstinados e tenazes e que sempre buscam avaliar todas as opções possíveis nos mais diversos cenários. Aqueles que desistem facilmente de um problema não podem usar nenhum dos dois termos para se auto designarem. Ambos sobrevivencialistas e preppers gostam de planejar e analisar possíveis eventos futuros, mas o primeiro grupo é visto de maneira geral como tendo uma visão mais “improvisada” sobre sobreviver. Um sobrevivencialista estrangeiro pode dar mais ênfase e importância na habilidade de caçar na floresta e aprender a sobreviver comendo larvas enquanto o prepper tradicional está mais focado em criar um estoque de comida duradouro na sua própria casa. Isso sem mencionar a questão de plantar as mais diversas sementes na sua morada. Além do desejo de sobreviver, tanto os sobrevivencialistas como os preppers têm uma atitude otimista em relação a noção de superar obstáculos. Ambos acreditam que com o treinamento adequado e boas qualidades mentais nenhuma situação não possa ser superada. A maioria das pessoas fora desse universo costuma ter uma visão derrotista e imediatista dos problemas. Se você for tentar “converter” um transeunte na rua e explicar a importância de se preparar para possíveis eventos futuros vai receber como resposta, na maioria das vezes, algo como “para que se preparar se no final nós todos vamos morrer mesmo?”. Esse tipo de mentalidade é tão primitiva quanto animalesca. É como se essas pessoas não tivessem superado o estado animal de só viver para o momento. O que ocorreria, e aqui não importa se você é descendente de europeus, indígenas ou africanos, se os nossos antepassados desistissem na primeira dificuldade? Eles enfrentaram a fome, doenças e a morte diariamente e criaram um país do nada sem estado de bem esta r social, carros ou qualquer smartphone. Imagine os europeus que navegavam por mares durante meses para chegar a uma terra estrangeira que mal conheciam ou os escravos africanos que corriam o risco de serem mortos a qualquer momento e sofriam com privação de alimentação constante. Os indígenas então não precisamos nem comentar. Todos esses povos obviamente tinham um desejo intenso de viver e desbravar novas coisas e eles possuíam um espírito sobrevivencialista que está desperto em todos nós. A diferença dos dois tipos também está relacionada com a formação dos cenários hipotéticos que podem ocorrer em uma situação de sobrevivência. Um sobrevivencialista se imagina sobrevivendo em uma selva com o mínimo de recursos possíveis. Os preppers, ao contrário, costumam variar os cenários caóticos de acordo com suas realidades locais. Se um prepper, a medida de exemplo, vivesse em uma área sujeita a terremotos ele iria basear todo um cenário de acordo com um evento desses ocorrendo. Normalmente é aconselhado que quem está presenciando um terremoto que vá para baixo de uma mesa, se proteja e segure o pé do objeto. Um prepper poderia no caso imaginar que mesa seria mais adequada se um terremoto maior acontecesse ou adaptar suas janelas de acordo. Um outro ponto interessante é que o prepper costuma pensar mais no coletivo e nas pessoas circunjacentes que um sobrevivencialista. Na sua visão quanto mais pessoas se adapatarem e colaborarem em um cenário que afeta todos, maior a chance de tudo dar certo. Um sobrevivencialista tem normalmente uma visão mais egoísta, como se a sobrevivência de todos não fosse algo possível. É óbvio que nos diversos grupos estrangeiros existem pessoas com os mais diversos traços físicos e comportamentais, mas essa é uma generalização correta. Para finalizar, os Preppers parecem estar procurando uma mudança de estilo de vida além de estar em um estado de constante preparo para um dia do juízo final. Comer mais alimentos orgânicos, viver vidas mais saudáveis, tornar-se mais auto-suficiente são temas comuns e isso transcende qualquer desastre natural. Trata-se de uma filosofia de vida aplicada. Isso mostra o desejo de ter uma vida melhor e é algo que eu acho que todos nós podemos usar. Capítulo 4 Despensa e estocagem de comida “Não há nenhum problema em pensar positivo desde que você esteja preparado para o pior” Stephen King Como escolher e quais itens estoca r Essa é uma parte essencial do estilo de vida sobrevivencialista ou “prepper”. De nada adianta ficar traçando os planos mais hollywoodianos sobre eventos caóticos e como se proteger se você não tem o mínimo para sobreviver a um evento caótico simples, ou seja, se você não tem alimentos estocados. Vou primeiro citar uma lista de itens alimentares essenciais que todos devem ter em sua casa ou no local onde fica seu retiro. Vou elencar itens que julgo ser de primeira importância para depois entrar em mais detalhes sobre os produtos e como armazená-los: -Água -Líquidos Enlatados -Leite em Pó -Ovos -Queijo Encerado e Em Pó -Barras de Proteínas -Carnes liofilizadas e desidratadas -Chá -Café -Caldos -Coco -Banha e Azeite -Farinha de trigo -Cereal -Farinha de batata -Milho enlatado -Aveia -Farinha de rosca -Refeições prontas para comer -Biscoitos -Batatas em conserva -Massas -Arroz -Frutas secas -Geleias e Doces -Frutas Enlatadas -Vegetais enlatados -Legumes e Feijões -Manteigas -Sementes de Nozes -Mel -Sal -Melaço e Açúcar -Ervas e especiarias -Condimentos -Vitaminas -Chocolates -Vodca -Fermento em pó -Bicarbonato de sódio Um ponto importante a destacar é que esses são alimentos gerais e que dependendo do estilo de vida da pessoa algumas mudanças podem ser feitas. Eu adicionei itens que eu nem como normalmente e aqui a qualidade e a questão de ser “saudável” ou não fica para segundo plano. Eu, a medida de exemplo, não como chocolates e nem bebo Vodca. Em um cenário SHTF esses dois itens podem ser muito importantes. Pode ser que você passe vários dias comendo itens que não são apetitosos e então ter um chocolate passa a ser um item interessante. Vodca também pode servir como elemento “motivador” do grupo. É sempre preciso entender o contexto de tudo e ser pragmático. Eu não gosto de cervejas e acredito que elas no LP prejudicam o homem e fazem com que ele fique afeminado, passivo e possibilita mesmo a aparição de mamas. Agora em um cenário de meses lutando pela sua sobrevivência esse aspecto passa ser de segunda importância. A vodca é uma melhor escolha do que a cerveja porque ela é considerada boa de se beber e possui uma “efetividade alcoólica” maior. Seria uma completa estupidez gastar boa parte do espaço para estocagem com dezenas de cerveja, já algumas vodcas podem ser úteis. Antes de entrar em especificidades de alguns alimentos e fornecer algumas dicas importantes é importante falar sobre alimentos liofilizados. Mas afinal o que são alimentos liofilizados e quais alimentos podem passar por esse processo? Os alimentos que passam pelo procedimento de liofilização são submetidos a dois processos, o primeiro é o de congelamento e o segundo é o de secagem. Através da sublimação é realizado o controle de umidade. Não se utiliza nenhum componente químico e nem conservante nesses alimentos. O congelamento desses alimentos é feito a – 30ºC e depois eles submetidos a uma pressão muito baixa a vácuo, onde toda a água do alimento é eliminada e transformada em gelo, fazendo com que o alimento passe diretamente do estado sólido para o estado gasoso. Esse processo pode ser feito em diversos tipos de alimentos como verduras, frutas, legumes, cereais, carnes em geral (frango, carne vermelha e peixe), leguminosas, ovos, café em pó, sucos em pó, ervas medicinais, leite em pó, sopas, achocolatados em pó, temperos e condimentos em pó. Antes de continuarmos cabem dois parênteses. Primeiro é que se você estava pensando em liofilizar seu próprio alimento saiba antes que a máquina para fazer isso custa 200 mil reais. O segundo é que se você tem preocupação com o sabor pode ficar despreocupado.Alguns alimentos ficam até melhor do que a versão natural. Os abacaxis e morangos liofilizados são mais gostosos (pelo menos para o meu paladar) do que as versões naturais. Veja como a aparência é chamativa: Em relação as vantagens dos alimentos liofilizados podemos citar: -Todas as propriedades dos alimentos que passaram por esse processo são preservadas; -As embalagens costumam ser individualizadas, algumas podem até conter duas porções; -Esses alimentos podem ser conservados fora da refrigeração, não estragam em temperatura ambiente; -O preparo é feito de maneira muito simples, com apenas a adição de água quente e a espera de 5 minutos é possível consumi-lo; -Fácil armazenamento e transporte por causa do seu volume e peso reduzidos; -Alimentos com disponibilidade de serem consumidos durante todo o ano; -Durabilidade do produto muito maior; -Possibilidade de se obter refeições completas liofilizadas. Quem já foi escalar uma montanha ou mesmo fazer trekking já percebeu que as comidas podem dificultar a locomoção e o que antes parecia algo leve se torna um fardo insuportável. As comidas liofilizadas ajudam muito também esse aspecto. São por todas essas razões que esse processo é fundamental para quem quer estocar comida. Obviamente esse tipo de alimento vai ser mais caro e a própria lógica capitalista explica isso muito bem. Como a máquina é cara, para ter algum lucro é preciso colocar esse preço nos produtos. Especificidades dos alimentos e dicas Água Antes de gastar dinheiro com sua sobrevivência e equipamentos, você deve ter certeza de que tem água suficiente para você e seus familiares. Não é possível viver mais de três dias sem ter água e na sua despensa a água é o item mais importante. Você vai precisar de um galão de água para ferver massas e para a limpeza. Irá precisar de água para fazer arroz ou reconstituir alimentos secos. A água é essencial. Uma família de quatro pessoas precisará de 270 galões de água para sobreviver por apenas três meses. Anotando e experimentando Antes que algo aconteça, tome nota dos alimentos de que sua família gosta quando forem colocados à venda. Certifique-se de que sejam itens enlatados, como carnes, sopas, feijões e alimentos de conveniência. Barras de proteínas, bolachas, cereais, manteigas, arroz, frutas secas e massas são boas pedidas. Deve-se experimentar alguns alimentos enlatados novos e adicioná-los à sua despensa, mas é importante lembrar a filosofia de experimentá-los antes de comprar um número excessivo. Rotação e logística Toda a comida que for comprada em excesso vai precisar ir para algum lugar. É por isso que a sua despensa vai ter que estar além dos alimentos estocados na cozinha. Vai ser preciso também armazenar alimentos em outras áreas da casa. Isso significa que você vai ter que achar espaço no armário e ter uma despensa extra para seus alimentos. Gire os alimentos deixando os mais velhos na frente e os mais novos na parte de trás. Quando a comida é adquirida, uma vai para a cozinha e a outra vai para o armário. Compre o que você come, gire e repita. Esse é o sistema de sobrevivência simples para todas as famílias. Adapte a cozinha Certifique-se de ter os itens de cozinha adequados e os fogões. No caso de falta de energia, certifique-se de ter combustível e equipamento para cozinhar. Quem armazena trigo duro e grãos em sua despensa vai precisar de um moedor de grãos. Você pode precisar cozinhar em ambientes fechados então não confie em uma churrasqueira. Alimentos liofilizados O alimento enlatado tem uma data de validade que normalmente é um ou dois anos. Se você comprar alimentos enlatados por um ano inteiro, verá seu dinheiro sendo queimado já que terá que comprar novamente daqui alguns anos. Obviamente que com uma rotação de estoques inteligente os produtos enlatados podem ser adquiridos, mas é essencial comprar uma boa proporção de alimentos liofilizados (que já foram explicados nesse capítulo). Esses alimentos podem durar mais de cinco anos e existe uma infinidade de marcas no mercado nacional. Não vou fazer propaganda aqui, mas o Brasil já tem uma boa variabilidade de itens para serem adquiridos e cabe ao leitor escolher a marca mais conveniente. Compre no atacado Quanto mais você comprar, mais você economizará. Comece com alguns alimentos populares, como feijão e arroz. Leite em pó é outro ótimo item para comprar se você tiver filhos. Por incrível que pareça e por mais óbvio que possa soar, a grande massa de pessoas tem pensamentos de curto prazo e não se planeja para comprar em grandes quantidades. Mesmo o cidadão que não é prepper ou sobrevivencialista teria boas vantagens de comprar em grandes quantidades, mas por incrível que pareça mesmo fazer um cadastro de pessoa física pode ser muito trabalhoso para ele. Leia livros que ensinam como conservar e enlatar alimentos É preciso ter uma boa noção para conservar alimentos de forma consciente. Infelizmente a grande maioria dos brasileiros tem conhecimentos nulos sobre processos químicos e fazer algo sem saber poderá ser prejudicial a sua família como um todo. Compre suas comidas preferidas para evitar “depressão alimentar” Quem já comeu pratos semelhantes várias vezes na semana por um período considerável de tempo sabe que é possível que qualquer um perca a fome. Nesse contexto é razoável pensar em comprar alimentos que são apetitosos e mesmo algumas “guloseimas” para as crianças. Considere comprar bacon, brownies, manteiga enlatada, café solúvel, óleo de coco, etc. Para quem não sabe, existem pratos como “strogonoff” que são liofilizados e podem ser preparados com água quente. Isso não é um luxo e pode ajudar na sua alimentação. Plante a própria comida Quando se trata de armazenar alimentos, às vezes você não pode armazenar tudo, mas pode plantá-los. Você pode aprender a cultivar batatas em pequenos recipientes, cultivar cogumelos em casa para evitar o envenenamento de cogumelos silvestres e cultivar feijões em casa para adicionar um pouco de sabor e nutrição às suas refeições. Tudo que for aprendido é válido. É possível também manter galinhas, cabras, coelhos e até mesmo abelhas! Encontre animais de fazenda que possam sobreviver em sua área sem antibióticos e energia, e então você terá um ecossistema inteiro em seu quintal (infelizmente no Brasil nem tudo é possível, mas no seu local de retiro tudo isso poderá ser feito). Quando a primavera chegar, plante suas sementes não transgênicas, para que você possa ter frutas e vegetais frescos. Esconda a comida É preciso esconder a comida em caixas e recipientes que não parecem de comida e coloca-la em compartimentos secretos em sua casa. Um bom exemplo é sob as escadas. Isso não é ser neurótico demais e tem uma explicação racional. Às vezes nem todos os seus familiares tem o seu espírito sobrevivencialista e muitas vezes as crianças podem querer comer algum item específico que você achou ser importante estocar. Para evitar esses contratempos é interessante tomar todas as precauções possíveis. Estocagem de gorduras e óleos Uma questão que é frequentemente negligenciada na sobrevivência a longo prazo é a necessidade de gorduras e óleos. Se você observa a lista de alimentos a serem estocados por um prepper nos manuais e livros estrangeiros vai perceber essa omissão. Gorduras e óleos são uma necessidade nutricional. Para aqueles que não caçam, não pescam, não tem espaço para criar gado, azeitonas ou girassóis em grande escala, existem poucas opções preciosas de fontes de gorduras e óleos para o longo prazo. A primeira opção é cara, mas viável: rotacionar continua e completamente seus itens. A outra coisa que você pode fazer é comprar manteiga enlatada e renovar o estoque depois de alguns anos. Seja muito seletivo sobre as gorduras e óleos que você armazena. Prefira azeite de oliva em vez de óleo de milho. Eu também prefiro armazenar manteiga enlatada em vez de banha de porco enlatada.Algumas marcas de banha ainda são embaladas em latas de metal, o que proporciona uma vida útil mais longa. Tenha em mente também que uma dieta com muita carne magra pode levar a problemas digestivos graves e até desnutrição. Caso você planeje depender muito de caça selvagem ou gado que você cria então não se esqueça de incluir fibras em sua dieta. Capítulo 5 A água como bem primordial “Milhões de pessoas vivem sem amor, mas nenhuma delas sem água” W.H.Auden Água Considerando que a água é o principal recurso de sobrevivência é necessário desenvolver páginas e páginas sobre ela. É preciso saber muito mais do que simplesmente estocar alguns galões de água e é isso que iremos tratar agora. A água é o principal recurso para o planejamento da preparação da sua família. Água doce abundante para beber, cozinhar e lavar é o recurso mais crítico para todas sociedades. Você pode improvisar muitas coisas, mas não consegue improvisar em um cenário com falta de água. Na verdade atualmente existe uma máquina muito interessante que foi criada e patenteada no Brasil pelo engenheiro paulista Pedro Ricardo Paulino. Devido ao alto preço ela irá ser inacessível para boa parte dos leitores. De qualquer forma, seria irresponsabilidade não citar essa tecnologia em um livro específico de sobrevivencialismo. A Wateair é uma máquina que condensa a umidade do ar e produz água. O preço de cada uma varia de R$ 6 mil a R$ 350 mil. Apesar de patentear a ideia em 2010, Paulino deu início às pesquisas para a produção da máquina em 1990, quando era engenheiro de uma multinacional. Na época, a empresa tinha como missão produzir água para equipamentos de hemodiálise de países africanos, mas por falta de tecnologia, o projeto foi abandonado no fim de 1996 e só retomado mais tarde. O funcionamento é fácil de explicar . A Wateair absorve o ar em altíssima quantidade. Este ar coletado é desidratado, ou seja, as moléculas de água do ar são condensadas e viram líquido. A água obtida pelo sistema é purificada por filtros e raios ultravioletas. Por fim, são acrescentados sais minerais. A água fica, então, armazenada em um reservatório da máquina, pronta para o consumo. Por segurança, a fim de não deixar muito seco o ambiente onde a máquina coleta o ar, a Wateair para de funcionar quando a umidade atinge 10%. A manutenção dela é semestral. É evidente que ter uma máquina como essa seria excepcional para todo prepper que se preze, mas é preciso ser realista e entender que nem todos vão ter os meios para comprá-la. Sendo assim irei abordar aqui as fontes de água e como tratar e filtrar tão valioso recurso para que ele seja potável. Passo inicial: Planejamento É importante que todas as famílias preparadas façam planos com antecedência para saber exatamente como lidarão com seu suprimento de água no caso de um evento caótico de longo prazo. Localize fontes primárias, secundárias e até mesmo terciárias de água em sua área. Se você vive em uma região que não tem fontes de água abertas que estão disponíveis em todos os meses do ano e a uma curta distância, então você deve considerar seriamente se mudar para uma região com água mais abundante. Esse inclusive é um ponto principal na escolha de um retiro. Caso haja espaço, os moradores de apartamentos devem armazenar água levemente clorada em garrafas plásticas usadas de dois litros. Eu recomendo usar garrafas de dois litros porque são relativamente leves, ou seja, são facilmente transportáveis e compactas (podem ser armazenadas debaixo de camas) e também são notavelmente resistentes. Uma vez que o suprimento acabe, é crucial que você tenha localizado anteriormente uma fonte de água próxima (como um lago ou reservatório) e que você possua contêineres para transportar água e equipamentos de purificação e filtragem conforme vai ser discutido mais adiante neste capítulo. Fontes de água Água da nascente A água de nascente obtida usando a gravidade como transporte (assim como tubos) é a fonte de água ideal para um retiro rural. Não há necessidade de energia, a despesa de instalação é relativamente baixa e necessita pouca manutenção. Esse tipo de captação era usado na Roma Antiga. Os aquedutos romanos moviam a água apenas com a gravidade, ao longo de uma ligeira inclinação para baixo dentro de canais de pedra, tijolo ou concreto. A maioria dos canais eram enterrados sob a terra e seguiam os contornos do terreno. Infelizmente poucas propriedades estão tão bem localizadas de forma que uma obra similar seja possível. Ter uma propriedade que te proporcione ter acesso a essa fonte de água é ter um verdadeiro tesouro. Água de poço Bombas de poço elétricas são problemáticas já que a maioria dos poços usa apenas um pequeno tanque de pressão. Sempre que há uma falha de energia, a pressão da água cai para zero em pouco tempo. A água bombeada fotovoltaicamente é uma boa solução, embora com um custo de instalação bastante alto. É preciso estudar e conhecer melhor na prática esse tipo de tecnologia porque se isso não for feito você irá se espantar com o valor do produto. Existem kits de bombeamento solar que são alimentados diretamente por painéis solares, através do CU (Unidade controladora) que acompanha a bomba, assim este sistema pode ser utilizado em áreas remotas de difícil acesso, sem a necessidade de levar até a bomba cabo para alimentar o sistema de bombeamento, tornando-se muitas vezes a melhor opção em relação a custo benefício e facilidade de instalação. Água da chuva Eu acho incrível como tantas pessoas permitem que a copiosa água da chuva caia de suas calhas do telhado para ser desperdiçada e tudo isso no meio de uma crise de água cívica. E o que dizer daquele seu vizinho que lava a calçada com água potável? Geralmente eu sou contrário a intervenção do governo na vida das pessoas e também desprezo a indústria de multas, mas devo admitir que a lei paulistana que foi publicada e que proíbe que as calçadas sejam lavadas com água potável em toda cidade de São Paulo foi uma medida genial. Segundo as diretrizes da lei, a água utilizada deve ser obrigatoriamente de reuso, poço ou de chuva. Quem descumprir a regra pode ser multado em 250 reais e em caso de reincidência a multa será dobrada. Você consegue estimar quantos dias (ou horas) um ser tão extraordinário como esse duraria em um evento disruptivo global? Eles simplesmente não têm a mentalidade de sobrevivência. No mínimo, todos deveriam estar usando água da chuva para lavar roupas, tomar banho e limpar o banheiro. Com um filtro de água, é também possível usar a água da chuva para beber e cozinhar. FAQ (Perguntas mais frequentes) sobre fontes de água A água do poço ou de uma nascente é segura para beber? R- Geralmente sim. E por não possuir flúor é mais saudável que a água fornecida para as camadas mais pobres brasileiras. Devo me preocupar com pesticidas ou contaminantes de metais pesados em poços ou nascentes? R- Sim e você deve testar a água antes de comprar um propriedade que tem um poço. Qualquer laboratório certificado testará esses contaminantes (assim como bactérias). A boa notícia é que você terá que fazer isso apenas uma vez, a menos que você saiba sobre alguma mudança drástica em condições locais da água. Preciso usar cloro para tratar água da nascente ou do poço? R- Na maioria dos casos, não. A melhor solução é usar um esterilizador UV o ano todo para que você não precise se preocupar com isso. Caso você saiba que ocorreu uma contaminação é possível adicionar uma quantidade calculada de solução de alvejante líquido hipoclorito simples, mas se houver contaminação bacteriana contínua então a melhor solução é usar um Esterilizador UV durante todo o ano. Para quem desconhece o assunto, o esterilizador UV é recomendado para complementar algum tratamento de ação oxidante como o cloro. Ele utiliza uma lâmpada especial germicida, o que gera radiação ultravioleta. Isso faz com que o esterilizador UV elimine micro-organismos com eficiência