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Eczemas ATÓPICO DE CONTATO Eczemas Doenças inflamatórias e pruriginosas da pele Eczema agudo - Eritema, edema, vesiculação, Eczema subagudo - formação de secreção e crostas Eczema Crônico - escamas e liquenificação Eczemas atópicos Conceito Eczema atópico, Eczema constitucional, Neurodermite disseminada Doença inflamatória crônica e recorrente da pele, pruriginosa e de etiologia multifatorial · Impactos: socioeconômico e qualidade de vida do paciente e dos pais · 90% ocorre antes dos 5 anos · Fase inicial da Marcha Atópica (manifestação precoce da atopia) Epidemiologia Geral: 10 – 15% · Crianças 15-30%/ Adultos: 2-10% América Latina: 15-20% Brasil: média de 13 % 20% consultas – dermatologia pediátrica Duração variável: diminuição no início da idade escolar e adolescência – 60% Aumento da prevalência últimos 30 anos, especialmente aos países desenvolvidos Associação com outras formas de atopia · DA + alergias respiratórias (69,7%) Etiopatogenia Evidências de depressão da imunidade celular de modo bem estabelecido Grande suscetibilidade a infeções virais, bacterianas e fúngicas, S.aureus coagulus coloniza intensamente 75 a 100% dos doentes com DA e atua como superantígeno ativando diretamente células T Alterações na quimiotaxia de monócitos, macrófagos e netrófilos A dermatite atópica possui predisposição genética: · 75 a 80% dos pacientes possuem história familiar ou pessoal de atopia · Mutações de perda de função no gene da filagrina (proteínas que mantém a função de barreira da pele) · Propicia perda de água transepidérmica (que leva ao ressecamento da pele) e infecções secundárias Fatores imunológicos envolvidos: · Predominância do padrão TH2 (humoral) · Imunidade humoral — maioria dos pacientes possui IgE elevado (principalmente associado a alergias respiratórias) · Níveis de IgE tendem mas a elevar recorrelacionam-se com a gravidade da dermatite · Imunidade celular—infiltrados cutâneos com células TCD4 com poucos linfócitos supressores (CD8) — IF2 e IFNγ Fisiopatologia: Barreira Cutânea Associada principalmente à diminuição da manutenção da barreira cutânea Esse processo inflamatório, que se torna crônico, piorando ainda mais a função barreira =↓ceramidas, ácidos graxos... Importância da hidratação como base do tratamento para manter a base cutânea Fatores Agravantes Fatores ambientais · Alergias, infecções, fatores emocionais, climáticos · Exposição precoce a microorganismos => maturação do sistema imune · Induzida ou exacerbada por toxinas estafilocócicas e presença de Malassezia · Sensibilização alérgica maior no 1º filho Alérgenos Alimentares · Pioram o quadro de 30% a 40% dos pacientes com dermatite atópica moderada a grave · Leite de vaca, ovos · Amendoim, soja · Trigo, nozes · Pescados, mariscos · Porco, frango Aeroalérgenos: ácaros, baratas, pelo de cães e gatos, pólen Fatores emocionais: Siress – Aumento do eosinófilo ao sangue periférico Infecções fúngicas · Aumento de IgE específica na DA · Mais em pescoço e cabeça · Melhora da DA com terapia antifúngica · Pitirosporum ovale · Malassezia sp. · Candida sp. Vírus: IVAS, Herpes simples Manifestações Clínicas Xerose · Descamação fina · Prurido · Alteração dos queratinócitos · Libera citocinas e mediadores inflamatórios pruridogênicos Eczema · Eritema: vasodilatação, prurido · Edema · Vesiculação · Exsudação · Crostas · Descamação DA Infantil · Acomete bochechas, pregas retro e infra-articulares, couro, cabeludo, superficies extensoras, dorso, mãos e pés, tronco · Pode acompanhar Irritabilidade, insônia Pré-puberal · Continuação da fase inicial, podendo haver liquenificação e acometendo sobretudo pregas de cotovelos e joelhos · O prurido causa lesões de pele, tornando a ferida uma porta de entrada para infecções secundárias · Hipocromia pós-inflamatória (dermatite do vaso sanitário)/ dermatite de contato (sinal de dermatite atópica) Critérios Critérios Absolutos – necessário mesmo de 2 1. Prurido: manifestação constante na dermatite atópica, todas as fases 2. Morfotopografia: localizações típicas – criança (região facial com lesões eczematosas agudas e subagudas na fronte e regiões malares, poupando o maciço centro-facial) e adulto (liquenificação nas áreas flexurais, dobras antecubitais, poplíteas e região do pescoço) 3. Tendência à cronicidade e/ou recidivas frequentes 4. História Familiar e/ou pessoal de atopia Critérios Menores · Demografismo branco · Xerose (prurido); ictiose (ressecamento); hiperlinearidade palmar; eczema mamilar · Pitiríase alba (manchas hipocrômicas com descamação); queratose pilar; palidez centro-facial com escurecimento orbitário; · Prega de Dennie-Morgan (pregas infra-orbitárias), sinal de Hertogue · Tendência a dermatoses crônicas recidivantes das mãos; tendência a infecções cutâneas repetidas; · Alterações oculares (ceratocone, catarata subcapsular) · Dupla prega (olhos) · Seratose papilar (braços – falta de hidratação) · Face com manchas hipocrômicas (não é pano branco) Complicações: Infecções · Bacterianas - S.aureus · Virais -molusco contagioso , papilomavírus, herpes Simples, varicela Zoster, eczema Herpetico · Fungicas – Trichophyton rubrum, dermatófitos Tratamento: Objetivos · Melhora dos sintomas, prevenir recorrências e exacerbações · Educação do paciente e familiares Evitar: Fatores Agravantes/Irritantes · Irritantes – Sabões, roupas de lâ e sintéticos, temperaturas externas, baixa imunidade, banhos quentes, exercícios, piscinas · Infecções · Alérgenos Cuidados Gerais · Banhos – evitar água quente e máximo 3-5 min; sabonetes suaves ou neutros (usar o menos possível); evitar buchas; emolientes e corticoides logo após banho · Hidratação e lubrificação – emolientes ou lubrificantes – evitar a desidratação · Após o banho e, quando necessário, várias vezes durante o dia · Vestimenta: as roupas de algodão e folgadas; o suor desencadeia prurido · Evitar o contato com tecidos de lã e fibras · Não empregar branqueadores (cloro) nem amaciantes · Corte de unhas · Ambiente – limpos e isentos de poeira que contenham acroalergênios; temperatura sem muita oscilação · Alimentos - controverso Tratamento do Prurido/Distúrbio do sono · Antihistamínicos de 1º Gestação (sedantes) - Neurodermitite disseminada (mais central): Apenas H1 de ação central controla bem o prurido, enquanto H2 trata o prurido de forma parcial · Doxepina · Anti H1 e H2 · Antidepressivo tricíclico Corticosteróides Tópicos* · Efeito antiinflamatório, via receptor citoplasmático para glicocorticoides nas células alvo · Hidrocortisona, Desonida – baixa potência · Mometasona/ metilprednisolona (aceponato)/ fluticasona/ prednicarbato – média potência · Betametasona, Propionato de clobetasol – alta potência · Evitar nas áreas de dobras (oclusão aumenta a potência do corticoide, causando efeito deletério) · Posologia: · 2x ao dia durante 7 a 14 dias (em alguns casos, pode-se deixar por mais tempo, especialmente quando o paciente tem muita liquenificação) · Controle a longo prazo — 2x na semana para evitar recorrência · Deve ser diminuído progressivamente, não pode ser feito por muito tempo Falha no tratamento: · Exposição contínua aos fatores desencadeantes · Infecção por S.aureus: diminuição dos receptores citoplasmáticos para glicocorticoides, resistência a medicação · Potência inadequada · Quantidade insuficiente · Não aderência – corticofobia Imunomoduladores · Tacrolimus e Pimecrolimus – uso na DA atópica a grave · Apresentação: Tracolimus pomada a 0,03% (criança) e pomada 0,1% (> 16 anos) · Pimecrolimus creme 1% - criança acima de 1 ano · Posologia: 2x/dia (tópica) · Uso prolongado (2x/sem): diminui colonização de S.aureus · Efeitos Adversos: queimação e prurido Terapia Sistêmica · Corticoide oral: exceção, pois muitas vezes causa rebote · Ciclosporina · Imunoglobulina · Interferon gama · Azatioprina · Fototerapia · Mofetil Micofenolato · Anti-IgE · Antagonistas dos Leucotrienos · Probiótiicos· Óleo de Prímula · Imunobiológico: Dupilimumabe · Inibidores de JAK: Upadacitinibe (Rinvoq), Abrocinitinibe (Cibiniqo) #Complicações · Erupção Variceliforme de Kaposi, também chamado de eczema herpético. Ocorre nas regiões cutâneas de manifestação da dermatite atópica, que possuem quebra da barreira cutânea, facilitando a infecção secundária por HERPES VÍRUS TIPO 8, cursando com vesículas e pústulas. O tratamento é feito com aciclovir EV, de preferência em ambiente de UTI. Eczemas de Contato Dermatite de contato Substâncias que entram em contato com a pele de forma exógena Dermatite inflamatória Dermatite de contato por irritante primário (DCIP) Dermatite de contato alérgica (DCA) Dermatite de contato fotoalérgica Dermatite de contato fototóxica DCIP Dermatose inflamatória causada por agentes que provocam dano tecidual direto, com aumento de IL1 e TNFα Não há envolvimento de memória imunológica e não há necessidade de sensibilização prévia – teste de contato inútil Mecanismos que facilitam essa dermatite — função de barreira alterada, alteração de células epidérmicas e liberação de mediadores inflamatórios e citocina Restrita aos locais de contato Irritantes comuns · Sabões, detergentes, desinfetantes, xampus, limpadores industriais, solventes, álcalis, ácidos, óleos de corte, agentes oxidante, plantas, pesticidas, secreção de animais Pode ser causada por irritante absoluto (induz ao aparecimento imediato de lesões) ou irritante relativo (leva ao aparecimento gradual após sucessivas exposições) · Dependendo de sua concentração, uma mesma substância pode ser irritante absoluto (concentração alta) ou irritante relativo (concentração baixa) · Uma única exposição a uma substância em concentração baixa, mas de duração prolongada, pode induzir a uma irritação absoluta DCIP Absoluto · Desencadeada pela ação cáustica de substâncias em contato único com a pele · Dano tecidual intenso => ardor e queimação · Eritema local (com ou sem bolhas) · Clinicamente caracterizado como queimadura por agente químico · Contato acidental com ácidos e substâncias alcalinas · DCIP absoluto de efeito retardado: ação 12 a 24 horas após o contato com a pele (Ex: podofilina) DCIP Relativo · Forma mais frequente de DCIP, ocorrendo de forma crônica ou cumulativa · A substância desencadeante passa a agir como irritante após vários contatos com a pele · Pode surgir após dias, semanas, meses ou anos de exposição ao agente causador · Clínica: eczema crônico (predomina liquenificação sobre o eritema) · Investigação: exclusão e reexposição · Desaparecimento do quadro clínico ocorre de forma lenta e progressiva (outros agentes mantém a dermatite) · 80% das dermatites das mãos (“eczema da dona de casa”) · Na face: 20% (cosméticos) · Urina e fezes são irritantes primários relativos => dermatite das fraldas · Acromia pós-inflamatória · Alergia a cobre Dermatite de Contato alérgica Reação inflamatória mediada por linfócito T – Hipersensibilidade tardia · Teste de contato Substância de baixo peso molecular penetra na pele => sensibilização de células T e geração de células de memória Não é restrita ao local de contato, qualquer local pode manifestar as lesões · Reação alérgica nos olhos – ex: esmalte com formol Fase aferente - Células de Langerhans processam => apresenta aos linfócitos T, nos linfonodos regionais => proliferação de linfócitos sensibilizados => circulação => disseminando-se por toda a pele => 4 - 5 dias Fase de elicitação - Contato com antígeno => ativação dos linfócitos T de memória, preveniamente sensibilizados => reconhecem o antígeno => liberação de citoquinas => processo inflamatório => dermatite eczematosa · É nessa fase que outros locais vão apresentar lesões Fase de resolução => liberação das citoquinas inibidoras das reações imunológicas (IL-10) => término da reação inflamatória Pode ocorrer flare up sem nova exposição — o antígeno pode permanecer no organismo, causando a inflamação, mesmo que não haja mais exposição ao agente causador Dermatite de contato fototóxica Substância se torna irritante quando sua estrutura química é modificada pelo sol Furocoumarinas do limão Qualquer indivíduo exposto à quantidade suficiente de luz e de substância Pode surgir minutos ou horas após a exposição solar Não requer o contato prévio com o agente causador Dermatite de contato fotoalérgica Mesma etiopatogenia da dermatite de contato alérgica Substância adquire propriedades antigênicas quando modificações estruturais desencadeadas pela luz solar Reação imunológica do tipo IV: presença concomitante da radiação apropriada e do foroalergênio Ex: anti-histamínicos tópicos, perfumes, anti-inflamatórios não esterodes, antimicóticos tópicos Localza-se em áreas expostas podendo comprometer áreas não expostas por contiguidade Diagnóstico das DC História clínica: início das lesões, número de surtos apresentados, história de dermatite de contato, atividades ocupacionais e contato com químicos Clínica: lesão eczematosa em qualquer fase evolutiva · Localização da lesão – agentes suspeitos Testes de contato e histopatológico Tratamentos da DC · Afastar o agente causal · Tratar infecções secundárias · Fase aguda: soluções secativas, emolientes, cremes de corticoide · Fase crônica: pomadas de corticoide, emolientes · Casos mais graves: corticoides sistêmicos, metotrexato, imunomoduladores image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png