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Dermatite Atópica Dermatose inflamatória crônica, às vezes recorrente, pruriginosa, frequentemente associada a outras desordens atópicas, como asma e rinite. →Depois dos 3 meses; diferente da dermatite seborreica que é a partir do primeiro mês. →História familiar. Extrínseca Intrínseca ➢ DA extrínseca ou dermatite atópica verdadeira: níveis de IgE aumentados, 40-90% dos casos níveis de IgE-específicos e prick-test positivo para antígenos ambientais e alimentares. ➢ DA intrínseca ou dermatite não atópica: níveis de IgE normais, ausência de IgE específico, sem associação com atopia respiratória e prick-test negativo. • Epidemiologia ➢ A DA é de ocorrência mundial; ➢ Prevalência da DA é maior nos países desenvolvidos e ocidentalizados do que nos subdesenvolvidos e não ocidentalizados; ➢ Sugere-se fatores ambientais importantes: aumento da prevalência associado à urbanização em países em desenvolvimento. • Etiopatogenia ➢ Envolve fatores genéticos, ambientais, imunológicos e psicológicos, alterações vasculares, alteração do prurido e disfunção da barreira cutânea; ➢ Alteração da barreira imune e das funções da epiderme; ➢ A insuficiência da filagrina predispõe a disfunção de barreira; ➢ Citocinas TH2 (IL4 e IL3) diminuem a expressão da filagrina, indicando interação complexa entre o sistema imune e o epitélio – epiderme. ➢ Alterações próprias da pele: 1. Composição lipídica; 2. Xerose/ictiose; 3. Alterações da flora bacteriana; 4. Prurido. **não pode ureia. • Função de barreira alterada ➢ Redução na quantidade de ceramidas no estrato córneo que são importantes para retenção de água e função de barreira; ➢ Diminuição de ureia; ➢ Diminuição do fator de hidratação natural; ➢ Ativação de ceratinócitos; ➢ Alteração do microbioma. • Genética da dermatite atópica ➢ Doença alérgica resulta de padrão poligênico; ➢ HDA; ✓ 60% de adultos com DA tem crianças com DA; ✓ 81% de crianças têm DA se ambos os pais têm ou tiveram DA; ✓ Mais forte correlação entre gêmeos do que entre gêmeos e pais. • Alterações imunológicas ➢ Aumento de IgE; ➢ Aumento de IgG 4, eosinofilia** ➢ Aumento da liberação espontânea de histamina de basófilos; ➢ Diminuição de número e função CD8 supressora/citotóxica; ➢ Aumento da expressão de receptores CD23 em células mononucleares (FcE RI e II), células de Langerhans e CEDI; ➢ Ativação crônica de macrófagos com secreção aumentada de GM-CSF, PGE2 e IL-10; ➢ Expansão de células TH2 secretando IL-4 e IL-5,Th2 alérgeno-especifica são fundamentais na patogenia da DA; ➢ Número diminuído de células TH1 secretando -IFN; ➢ Aumento de receptores para IL-2. • Desencadeadores imunológicos ➢ Alimentos; ➢ Aeroalérgenos; ➢ Microrganismos: ✓ S. aureus; ✓ Pityrosporum; ➢ Autoalérgenos; ➢ Microbiota cutânea influencia no desequilíbrio imune da pele. • Alterações microbiológicas ➢ Inversão da flora bacteriana da pele; ➢ S. aureus – superantígeno; ➢ IgE anti-superantígeno X gravidade; ➢ Diminuição da fagocitose e quimiotaxia; ➢ Diminuição da imunidade celular • Staphylococcus aureus ➢ >90% dos pacientes com DA têm S. aureus e é o principal agente causal de infecção cutânea e de piora e cronicidade ➢ >50% de S. aureus isolados da pele são toxigênicos: ✓ Enterotoxinas A, B e C estafilocócicas (superantígenos). • Quadro clínico ➢ Crônico com períodos de crise; ➢ Pouca diferença entre gêneros, podendo ser discretamente maior no sexo feminino; *Fases de piora – mudança do sistema imune. ➢ Maioria surge antes dos 2 anos de idade, mas pode iniciar em qualquer idade; ➢ Prurido sempre presente e intenso; ➢ Prurido agravado pelo calor, sudorese, banhos, exercícios físicos, stress emocional e roupas de lã. ➢ Características clínicas: ✓ Xerose, prurido, máculas eritematosas, pápulas ou pápulo-vesículas, áreas eczematosas com crostas, liquenificação, escoriações e infecção secundária. • Quadro clínico ➢ DA infantil; ➢ DA pré-puberal; ➢ DA do adulto; ➢ DA das mãos. DA infantil e pré-puberal Fase adulta *Face, pescoço, região de fralda → crianças mais novas. • Quadros associados ➢ Catarata, ceratocone, ceratoconjuntivite, dermatite de pálpebras, dermatite de contato, eczema perioral, infecções bacterianas, infecções virais; ➢ Rinite alérgica e asma, queratose pilar (braços, coxas e face), ictiose vulgar de MMII, pitiríase alba, urticária, língua geográfica, vitiligo, hiperlinearidade palmoplantar. • Diagnóstico ➢ Clínica e critérios diagnósticos (maiores e menores); ➢ Laboratorial: dosagem de IgE total e sérica, IgE específica (Immunocap); ➢ Histopatológico; ➢ Prick-test e às vezes teste de contato quando suspeita de dermatite de contato associada. • Múltiplos fatores desencadeiam o prurido ➢ Todos irritantes – sabões, detergentes, desinfetantes, ocupacionais, sumo de frutas etc. ➢ Aeroalérgenos e contactantes – ácaros (contato > aero), pelos de animais (gato > cachorro), pólen, fungos, caspa humana. • Banho e hidratação ➢ Banhos mornos a frios, rápidos, pouco sabonete, de preferência Syndet (menos de 10% de sabonete e pH entre 5,5 a 7); ➢ Evitar esfregar a toalha; ➢ Aplicar o hidratante ainda com a pele levemente úmida; ➢ Repetir a hidratação 2x/dia nas crises. • Controle do prurido ➢ Fatores emocionais relacionados ao prurido: ✓ Infância – sensação de toque, distúrbios do sono, crescimento, rendimento escolar. ✓ Adulto – envolvimento familiar, rendimento no trabalho, aspecto sexual. ➢ Educar o paciente quanto aos fatores desencadeantes; ➢ Medidas tópicas não específicas; ➢ Medidas tópicas específicas; ➢ Medicações orais – anti-histamínicos, antidepressivos, antibióticos, ansiolíticos, anti- opioides (?). • Corticosteroides ➢ Sistêmicos – possibilidade de rebote e dependência, usados em curto espaço de tempo ou em doses semanais nos casos recalcitrantes; ➢ Tópicos – potência adequada, frequência, hidratação, veículo e quantidade adequada. • Outros agentes ➢ Inibidores da calcineurina: ✓ Tacrolimus – uso tópico (0,1 e 0,03%); ✓ Pimecrolimus – a partir de crianças de 6 meses – 0,1% - uso tópico; ➢ Azatioprina; ➢ Ciclosporina; ➢ Imunobiológicos – anti IL-13 ou seus receptores: Dupulimumabe, Tralokimumabe, lebrikizumabe; ➢ Inibidores da Janus-Kinase (JAK): sistêmicos – Baricitinibe (> 18 anos), Upadactinibe, Abrocitinibe (>12 anos); ➢ Tópicos: Ruxolitinib 1,5%, Delgocitinib 0,5%; ➢ Tapinarof 1%: tópico. • Tacrolimus/Pimecrolimus ➢ vantagens e desvantagens: ✓ sem toxicidade sistêmica; ✓ não há relatos de sensibilização; ✓ baixos níveis séricos; ✓ ausência de atrofia cutânea; ✓ irritação; ✓ relatos de infecção cutânea; ✓ custo elevado. • Fototerapia ➢ Efeitos imunomoduladores; ➢ UVB modula expressão de ICAM-1; ➢ UVA1 (340-400) altera liberação de citocinas. Dermatite de contato • Conceito ➢ Dermatite eczematosa causada por agentes contactantes com a pele, gerando reações agudas, subagudas e crônicas. • Classificação ➢ Dermatite de contato por irritante primário; ➢ Dermatite de contato alérgica. Highlight • Epidemiologia ➢ DCI – dermatite de contato por irritante: predomina no sexo feminino, menor incidência em pele negra, frequente o caráter ocupacional (80% das DCs ocupacionais são DCI), tende a diminuir com o avanço da idade (maior risco em menores de 20 anos); ➢ DCA – dermatite de contato alérgica: prevalência geral não depende de idade, raça ou origem geográfica. Alérgenos mais prevalentes – níquel, tiomersal e fragrância Mix. 1/3 das alergias por cosméticos são por fragrâncias. 4-7% de todas as consultas dermatológicas. Mais de 20% das mulheres sofrerão de DC das mãos em algum estágio da vida. • Dermatite de contato por irritante primário ➢ Substâncias alcalinasfortes ou ácidas; ➢ Irritação cutânea; ➢ Sem envolvimento do sistema imunológico; ➢ 1ª exposição; ➢ Restrito ao local de contato; ➢ Frequentemente de caráter ocupacional. • Dermatite de contato alérgica ➢ Hipersensibilidade tipo IV Gell e Coombs; ➢ Exposições repetidas; ➢ Podem ocorrer distante do local de contato; ➢ Principais grupos: ✓ Metais → níquel, cromo, cobalto; ✓ Borracha e derivados → mercaptobenzotiazóis; ✓ Grupo paraamino do radical benzênico → sulfas, procaína; ✓ Cosméticos → hidroquinona, resorcina, fenol; ✓ Antibióticos → neomicina, cloranfenicol; ✓ Etilenodiamina; ➢ Sensibilização cruzada. • Fotoalergia X Fototoxicidade *Farmacodermia. • Manifestações clínicas →Dermatite atópica não causa lesão no pescoço do adulto. • Diagnóstico ➢ Clínico; ➢ Teste de contato: Patch test – baterias padrões* ✓ *Obs.: sua positividade não indica existência de uma dermatite de contato alérgica; correlacionar sempre com os dados clínicos. • Histopatologia ➢ Fase aguda → macro/microvesículas espogióticas; ➢ Fase crônica → acantose + paraceratose; ➢ Fase subaguda → aguda + crônica. • Tratamento e prevenção ➢ Prevenção: uso de EPI (proteção individual) no trabalho – como luvas, sapatos, macacões etc. ➢ Afastar o agente causal; ➢ Tratar as infecções secundárias associadas. • Tratamento ➢ Fase aguda ➢ Fase subaguda ➢ Fase crônica • Fase aguda e subaguda ➢ Hidratantes com ação anti-inflamatória e corticoides tópicos em creme; ➢ Sabonetes Syndet. • Fase crônica ➢ Corticoide em pomadas, fita oclusiva e infiltração intralesional; ➢ Hidratantes umectantes e oclusivos. • Tratamento sistêmico ➢ Casos generalizados ou de eritrodermia – corticoide sistêmico – prednisona 0,5mg/kg de peso; ➢ Anti-histamínicos de primeira e segunda geração; ➢ Outros tópicos: Tacrolimus e Pimecrolimus.