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Ciência Política e do 
Estado
Aula 2
Prof. Vagner PATINI 
Professor: Vagner PATINI Martins
Mestre em Ciência Sociais (política) - PUC/SP
Pós-graduado em Direito Sindical – ESA/SP
Pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho – ESA/SP 
Graduado pela FMU
Diretor da Comissão de Direito Sindical da OAB – Jabaquara 
Membro da Comissão de Direito Sindical da – Seccional SP
 Advogado atuante na área Trabalhista e Sindical
Agenda do encontro:
• ROTEIRO DE ESTUDOS
ü EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO PENSAMENTO 
POLÍTICO OCIDENTAL.
• DÚVIDAS.
Evolução Histórica
do Pensamento
Histórica do 
Pensamento
Político Ocidental
A Evolução Histórica do Pensamento Político Ocidental
A história do pensamento político ocidental é marcada por uma série de ideias e 
conceitos que moldaram as sociedades ao longo dos séculos. Desde a Antiguidade 
Clássica até os dias atuais, filósofos, teóricos e pensadores têm contribuído com 
suas visões e teorias para o entendimento e a organização do poder político.
Antiguidade Clássica (Grécia e Roma):
Na Grécia Antiga, o pensamento político desenvolver-se com os trabalhos de Platão e 
Aristóteles, dois dos filósofos mais influentes da história. Platão, que era discípulo de 
Sócrates, escreveu extensivamente sobre política em obras como "A República" e "As 
Leis". Em "A República", Platão apresenta sua visão de uma sociedade ideal e justa, 
governada por filósofos-reis, que são os mais capazes de conhecer a verdade e o bem. 
Ele acredita que a sociedade ideal deve ser estruturada em classes, com os 
governantes, os guerreiros e os produtores, cada um desempenhando seu papel de 
acordo com sua natureza.
Aristóteles, por sua vez, era mais pragmático em sua 
abordagem política. 
Em sua obra "Política", descreveu a polis (cidade-Estado) 
como a forma mais elevada de comunidade política, na qual 
os cidadãos podem alcançar a virtude e a felicidade. 
Aristóteles defendia a existência de diferentes formas de 
governo, incluindo a monarquia, a aristocracia e a 
democracia, mas alertava para os perigos da tirania e da 
demagogia. Enfatizava a importância da educação e da 
virtude cívica na manutenção de uma sociedade justa e 
harmoniosa.
A cidade-Estado, ou polis, era a unidade política básica na Grécia Antiga, 
composta por uma cidade e seu território circundante, incluindo vilas e áreas 
agrícolas. Aristóteles considerava a polis como a forma mais elevada de comunidade 
política, na qual os cidadãos poderiam viver de forma autossuficiente e alcançar a 
virtude e a felicidade.
Para Aristóteles, a polis era um organismo político completo, onde os cidadãos 
compartilhavam valores e objetivos comuns. Ele acreditava que a polis deveria ser 
governada de acordo com as leis da razão, com o objetivo de promover o bem comum 
e a virtude entre os cidadãos. Aristóteles também enfatizava a importância da 
participação política dos cidadãos, argumentando que a vida política era essencial 
para a realização plena da natureza humana.
Assim, para Aristóteles, a polis era mais 
do que apenas uma unidade política; era 
também uma comunidade moral e 
cultural, onde os cidadãos poderiam 
desenvolver seu potencial humano e 
buscar a felicidade. Suas ideias sobre a 
polis influenciaram profundamente o 
pensamento político ocidental, 
contribuindo para a concepção de 
democracia e da vida política como uma 
parte essencial da existência humana.
Em Roma, o pensamento político foi influenciado pela 
República, um sistema de governo no qual os 
cidadãos elegiam representantes para governar em 
seu nome. Este sistema foi posteriormente 
substituído pelo Império Romano, no qual o poder 
estava centralizado no imperador. O pensamento 
político romano foi influenciado por filósofos como 
Cícero, que defendia a ideia de que o governante 
deve buscar o bem comum e a justiça, e Sêneca, que 
argumentava que o governante deve governar com 
sabedoria e virtude.
Cícero foi um importante político, filósofo e orador romano do período da 
República Romana. Ele viveu entre 106 a.C. e 43 a.C. e é conhecido por 
suas obras filosóficas e políticas que abordam temas como a ética, a moral, 
a política e o direito.
Uma das ideias centrais de Cícero era a importância da virtude na vida 
política. Ele acreditava que os governantes deveriam buscar o bem comum 
e a justiça em suas ações, em vez de buscar apenas o benefício pessoal ou 
o poder. Para Cícero, a verdadeira autoridade política vinha da virtude e da 
sabedoria, e não apenas do poder militar ou da riqueza.
Em sua obra "Dos Deveres" (De Officiis), Cícero discute os deveres morais e éticos que um 
governante deve seguir para governar com justiça e equidade. Ele argumenta que o governante 
deve agir de acordo com a lei natural e a lei divina, buscando sempre o bem comum e evitando a 
tirania e a corrupção.
Cícero também defendia a ideia de que a lei deveria ser baseada na razão e na justiça, e não 
apenas na vontade do governante. Ele acreditava que a lei deveria proteger os direitos e as 
liberdades dos cidadãos, garantindo a igualdade perante a lei e a justiça para todos.
Assim, Cícero foi um defensor da ideia de que o governante deve buscar o bem comum e a 
justiça em suas ações, inspirando-se nos princípios da virtude e da ética para orientar sua 
conduta política. Suas ideias tiveram uma influência duradoura no pensamento político ocidental, 
contribuindo para a concepção de um governo baseado na justiça e na moralidade.
Sêneca filósofo romano viveu entre 4 a.C. e 65 d.C., sendo um dos mais 
importantes pensadores de seu tempo e suas obras influenciaram o pensamento político 
e ético ocidental, defendia a ideia de que o governante deve governar com sabedoria e 
virtude, seguindo os princípios da filosofia estoica.
Para Sêneca, a sabedoria era a chave para um governo eficaz e justo. Ele acreditava que 
o governante deveria buscar a sabedoria não 
apenas no conhecimento intelectual, mas 
também na virtude moral. Para Sêneca, a 
virtude era a base de um governo justo e 
ético, e o governante deveria ser um 
exemplo de virtude para seus súditos.
Sêneca também enfatizava a importância da moderação e da temperança no governo. 
Ele argumentava que o governante deveria governar com equilíbrio e evitar os excessos, 
tanto na busca do poder quanto no exercício do mesmo. Para Sêneca, a virtude estava 
em encontrar o meio-termo entre os extremos, evitando tanto a tirania quanto a 
indulgência excessiva.
Em suas obras, Sêneca discutia os deveres e as responsabilidades do governante, 
destacando a importância de governar com justiça e empatia. Ele também abordava 
questões éticas e morais relacionadas ao governo, como a relação entre o poder e a 
responsabilidade, e a importância de respeitar os direitos e as liberdades dos cidadãos.
Tanto na Grécia quanto em Roma, o pensamento 
político estava intimamente ligado à ética e à 
moralidade, e os filósofos buscavam encontrar o 
melhor sistema de governo para garantir a felicidade e 
a justiça para todos os cidadãos. As ideias de Platão, 
Aristóteles e outros pensadores da época continuam a 
influenciar o pensamento político ocidental até os dias 
atuais, destacando a importância duradoura da 
Antiguidade Clássica no desenvolvimento do 
pensamento político ocidental.
Idade Média
Durante a Idade Média, o pensamento político foi 
profundamente influenciado pelo pensamento cristão, 
especialmente pelas obras de Santo Agostinho e São Tomás de 
Aquino. Santo Agostinho, em sua obra "A Cidade de Deus", 
aborda a questão da autoridade política à luz da doutrina 
cristã. Ele argumenta que o governo terreno é necessário para 
manter a ordem e a justiça, mas que a verdadeira cidade dos 
fiéis está no reino celestial, onde Deus é o verdadeiro 
soberano. Agostinho defende a separação entre a cidade 
terrena e a cidade de Deus, destacando a primazia da 
autoridade divina sobre a autoridade temporal.Santo Agostinho, também conhecido como Agostinho de Hipona, foi um dos mais 
influentes teólogos e filósofos cristãos da Antiguidade tardia. Em sua obra "A Cidade 
de Deus" (De Civitate Dei), Agostinho aborda a relação entre a cidade terrena, que 
representa a sociedade humana temporal, e a cidade de Deus, que representa a 
comunidade espiritual dos fiéis.
Agostinho argumenta que a cidade terrena é caracterizada pela busca pelo poder, 
pela riqueza e pelos prazeres mundanos, enquanto a cidade de Deus é caracterizada 
pela busca da verdade, da justiça e da virtude. Ele defende que essas duas cidades 
existem simultaneamente na história, mas têm naturezas e destinos diferentes.
Para Agostinho, a autoridade divina é superior à autoridade temporal, pois a cidade 
de Deus está acima da cidade terrena. Ele argumenta que os governantes temporais 
devem buscar orientação na lei divina e na moralidade cristã ao exercerem o poder, 
pois só assim poderão governar de forma justa e legítima.
Essa ideia de separação entre a autoridade divina e a autoridade temporal reflete a 
visão de Agostinho sobre a relação entre a Igreja e o Estado. Ele defendia que a Igreja 
deveria ter autonomia em relação ao Estado, pois sua autoridade derivava 
diretamente de Deus. Ao mesmo tempo, Agostinho reconhecia a importância da 
autoridade temporal para manter a ordem e a justiça na sociedade terrena.
São Tomás de Aquino, seguindo os passos de Agostinho, 
procurou conciliar a razão com a fé em sua obra "Suma 
Teológica". Aquino defendia a existência de uma lei 
natural, derivada da razão divina, que servia como 
fundamento para a lei humana. Ele também elaborou a 
teoria da lei positiva, que é a lei promulgada pelos 
governantes humanos e que deve estar em conformidade 
com a lei natural. Aquino argumentava que o governo 
deve buscar o bem comum e a justiça, e que os 
governantes são responsáveis perante Deus pela forma 
como exercem o poder.
São Tomás de Aquino desenvolveu a ideia de que existe uma lei natural, derivada da 
razão divina, que serve como base para a lei humana. Em sua obra "Suma Teológica", 
Aquino argumenta que a lei natural é uma expressão da vontade de Deus, que pode ser 
conhecida pela razão humana. Essa lei natural é universal e imutável, e serve como um 
padrão pelo qual as leis humanas devem ser avaliadas.
Aquino defende que a lei humana deve estar em conformidade com a lei natural para ser 
justa e legítima. Ele argumenta que a autoridade política é uma extensão da autoridade 
divina e, portanto, deve ser exercida de acordo com os princípios da lei natural. Aquino 
também enfatiza a importância da virtude e da ética na governança, defendendo que os 
governantes devem buscar o bem comum e a justiça em suas ações.
Renascimento e Iluminismo:
Durante o Renascimento e o Iluminismo, surgiram 
importantes pensadores que influenciaram profundamente o 
pensamento político ocidental. Entre eles, destacam-se 
Nicolau Maquiavel, Charles de Montesquieu, Jean-Jacques 
Rousseau e John Locke.
Nicolau Maquiavel, em sua obra "O Príncipe", analisa de 
forma realista e objetiva a política, destacando que o 
governante deve agir de acordo com as circunstâncias, muitas 
vezes recorrendo a medidas moralmente questionáveis para 
manter o poder. Maquiavel argumenta que o governante 
deve ser temido, mas não odiado, e que o objetivo final do 
governo é a estabilidade e a segurança do Estado.
Charles de Montesquieu, em "O Espírito das Leis", propõe a 
teoria da separação dos poderes, defendendo que o poder 
deve ser dividido entre o legislativo, o executivo e o judiciário, 
para evitar o abuso de poder e garantir a liberdade dos 
cidadãos. Montesquieu também discute os diferentes tipos de 
governo e as condições para a sua manutenção.
Jean-Jacques Rousseau, em "O Contrato Social", desenvolve a 
teoria do contrato social, argumentando que o governo deve 
ser baseado no consentimento dos governados e que o objetivo 
do governo é garantir a liberdade e a igualdade dos cidadãos. 
Rousseau defende a ideia de uma democracia direta, na qual os 
cidadãos participam ativamente das decisões políticas.
John Locke, em "Segundo Tratado 
sobre o Governo Civil", argumenta que 
o governo deve ser baseado no 
consentimento dos governados e que 
o poder político deve ser limitado para 
proteger os direitos naturais dos 
cidadãos, como a vida, a liberdade e a 
propriedade. Locke também defende o 
direito à revolução, caso o governo 
não cumpra seu papel de proteger os 
direitos dos cidadãos.
Séculos XIX e XX:
Durante os séculos XIX e XX, surgiram 
importantes pensadores que influenciaram 
significativamente o pensamento político 
ocidental, cada um com visões distintas sobre 
o papel do governo e da sociedade. Entre 
esses pensadores, destacam-se Karl Marx, 
Friedrich Engels, John Stuart Mill e John Rawls.
Karl Marx e Friedrich Engels são conhecidos 
por sua crítica ao capitalismo e sua defesa do 
socialismo científico. Em "O Manifesto 
Comunista", Marx e Engels argumentam que a 
história da sociedade é a história da luta de 
classes, e que o capitalismo inevitavelmente 
levará à sua própria destruição. Eles defendem 
a revolução proletária como meio de abolir o 
sistema capitalista e estabelecer uma 
sociedade sem classes, na qual os meios de 
produção são de propriedade coletiva.
John Stuart Mill, por sua vez, foi um defensor do 
liberalismo clássico e da democracia representativa. 
Em sua obra "Sobre a Liberdade", Mill argumenta que 
a liberdade individual é um princípio fundamental da 
sociedade, e que o governo deve intervir apenas para 
prevenir danos a terceiros. Ele também defende a 
igualdade de oportunidades e a liberdade de 
expressão como fundamentais para o 
desenvolvimento humano e a democracia.
John Rawls, em sua obra "Uma Teoria da 
Justiça", desenvolve a teoria da justiça como 
equidade. Rawls argumenta que a justiça 
deve ser baseada em princípios de igualdade 
e justiça social, e que as desigualdades 
econômicas e sociais devem beneficiar os 
menos favorecidos da sociedade. Ele propõe 
um contrato social hipotético, no qual os 
indivíduos concordam com princípios de 
justiça que garantem direitos iguais para 
todos.
Pensamento Contemporâneo e a Nova Ciência Política:
No século XX e XXI, surgiram novas correntes de pensamento político que 
contribuíram para a evolução do pensamento político ocidental. Entre essas 
correntes, destacam-se a teoria crítica, o neoliberalismo e o pós-modernismo, que 
trouxeram novas perspectivas para a compreensão da política e da sociedade.
A teoria crítica, desenvolvida pela Escola de Frankfurt, propôs uma abordagem crítica 
à sociedade contemporânea, destacando as relações de poder e as estruturas de 
dominação presentes na sociedade capitalista. Pensadores como Theodor Adorno, 
Max Horkheimer e Herbert Marcuse criticaram o capitalismo e o totalitarismo, 
buscando uma transformação radical da sociedade por meio da emancipação 
humana.
O neoliberalismo, representado por pensadores como Friedrich 
Hayek e Milton Friedman, defende a primazia do mercado e a limitação do papel do 
Estado na economia e na sociedade. Eles argumentam que a liberdade individual e o 
livre mercado são fundamentais para o desenvolvimento humano e a eficiência 
econômica, e que o Estado deve intervir o mínimo possível na vida dos cidadãos.
A crítica ao neoliberalismo se concentra em várias questões-chave:
Desigualdade Econômica: Os críticos apontam que o neoliberalismo tende a aumentar a 
desigualdade econômica, favorecendo os mais ricos em detrimento dos mais pobres. Isso 
ocorre devido à ênfase na redução da intervenção do Estado na economia, o que pode 
levar a políticas que beneficiam as grandes corporações e os mais ricos em detrimento 
dos trabalhadores e dos menos favorecidos.
Erosão dos Serviços Públicos: A crítica ao neoliberalismo inclui preocupações com aerosão dos serviços públicos, como saúde, educação e seguridade social, devido à 
privatização e à redução do financiamento público. Isso pode levar a uma maior 
disparidade no acesso a esses serviços e a uma maior marginalização dos grupos mais 
vulneráveis da sociedade.
Impacto Ambiental: Outra crítica ao neoliberalismo está relacionada ao seu impacto 
ambiental. A busca incessante pelo crescimento econômico e pelo lucro muitas vezes 
resulta em práticas que prejudicam o meio ambiente, como a exploração excessiva dos 
recursos naturais e a poluição, sem considerar adequadamente os impactos a longo 
prazo.
Falta de Regulação: Os críticos argumentam que o neoliberalismo promove a 
desregulação do mercado, o que pode levar a crises econômicas e financeiras, como a 
crise de 2008. A falta de regulação também pode resultar em abusos por parte das 
empresas, como práticas anticompetitivas e exploração dos trabalhadores.
Impacto na Democracia: Alguns críticos argumentam que o neoliberalismo pode ter um 
impacto negativo na democracia, ao enfraquecer as instituições democráticas e 
favorecer os interesses das elites econômicas. Isso pode levar a uma maior concentração 
de poder nas mãos de poucos e a uma diminuição da participação política dos cidadãos 
comuns.
Noam Chomsky, Joseph Stiglitz, Naomi Klein e David Harvey
DÚVIDAS
Prof.: Vagner PATINI
vagner.martins@fmu.br
vagner@patini .adv.br 
https://www.instagran.com/vagnerpatini/
OBRIGADO.
mailto:vagner.martins@fmu.br
mailto:vagner@patini.adv.br

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