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A Convenção de Marrakech 
 
 
Manual de Instruções para Membros 
no Grau de Associado da 
Ordem Martinista 
 
 
 
 
 
Traduzido do original Inglês: 
 
 
“The Marrakech Convention” 
 
Marrocos - 1988 
 
 
 
 
 
2 
Publicação feita pela Ordem Martinista de Marrocos, após a Convenção Mundial realizada 
em Marrakech, no dia 16 de maio de 1988 - Marrocos. 
 
ADVERTÊNCIA: se profanos não autorizados fizerem leitura ou uso desse material, 
incorrerão em falta grave e, por isso, também o depositário deste documento. 
 
“O maior infortúnio do homem não é ignorar a existência da verdade, 
mas sim interpretar erroneamente a sua natureza” 
(Louis Claude de Saint-Martin, 1743-1803). 
 
Privado e Confidencial 
 
Introdução 
 
 Marrakech, Maio, 1988. 
Este manual elabora e esclarece precisamente o porquê de ser um Martinista, o que é o 
Martinismo, o propósito de uma loja Martinista e os procedimentos adequados a serem 
seguidos pelas lojas Martinistas estabelecidas em nome do SUPREMO CONSELHO 
INTERIOR. 
 
Este manual possui dois capítulos: 
 
Capítulo I - Geral, para Dirigentes das lojas e todos os membros da Ordem. 
Capítulo II - Específico, apenas para Dirigentes de Lojas. 
Preâmbulo 
Após a morte de Pasquallys, os templos dos Elus-Cohen fecharam. Louis Claude de Saint-
Martin, um Elu-Cohen e membro da Ordem dos Filósofos Desconhecidos, continuou a 
transmitir a Iniciação a pessoas que ele considerava meritórias. Estas, por sua vez, 
iniciavam outras. Tal atividade não foi conduzida sob a égide de um corpo organizado e 
sim perpetuada pela transmissão de pessoa a pessoa (ou Iniciação Livre). Papus recebeu 
a Iniciação de Henri Delaage e, mais tarde, descobriu que vários de seus amigos também 
a haviam recebido através de diferentes canais. 
 
Papus sentiu que a Iniciação era valiosa demais para que sua perpetuação fosse deixada 
a transmissões individuais; portanto fundou a Ordem Martinista, principalmente, para 
proteger e assegurar sua sobrevivência. Durante os anos que culminaram com a formação 
do primeiro Supremo Conselho em 1890, Papus fundou a revista L’Initiation, ela foi, e é o 
órgão através do qual ensinamentos e informações sobre a Ordem são disseminados. 
 
O advento da Segunda Guerra Mundial trouxe a suspensão de quase todas as atividades 
Iniciáticas na Europa, e os membros das Ordens foram espalhados como resultado do 
conflito. De fato, o Grão Mestre Constant Chevillon foi assassinado pelos nazistas. Muitas 
das Ordens esotéricas tradicionais também encontraram o seu fim. Afortunadamente a 
Ordem Martinista sobreviveu, sendo que a Ordem Martinista e Sinárquica foi o único ramo 
da Ordem que operou continuamente, estando em atividade na Suíça, durante os anos da 
guerra. Após a guerra, a atividade gradualmente recomeçou na França e em países de 
língua francesa, contudo nos países de língua inglesa o progresso foi lento, devido, em 
grande parte, à falta de material em Inglês. No começo dos anos 80, a Ordem iniciou 
operações no hemisfério ocidental sob os auspícios da Grande Loja Britânica, e um sério 
esforço de reconstrução teve início em países de língua inglesa: o Colégio Internacional 
de Estudos Martinistas fora inaugurado e encarregado de distribuir informações e 
 
 
3 
ensinamentos em Inglês, opera paralelamente com L’Initiation, que continuou seu trabalho 
na França. 
 
Uns fluxos de informações, então disponíveis, em Inglês, estimularam e reacenderam um 
grande interesse nas Obras Martinistas em países de língua inglesa e em todo o mundo. 
Este Manual de Informação e Instrução tem, portanto, sido oferecido a fim de que 
procedimentos uniformizados e padronizados possam ser organizados e mantidos em 
todas as jurisdições Martinistas. 
 
Capítulo I 
(Para Dirigentes de Lojas e Membros da Ordem) 
 
Quais as vantagens de ser um Martinista? 
 
Apesar de haver desvantagens em qualquer organização, é preciso reconhecer que os 
benefícios são maiores do que os malefícios. Sobre a Ordem Martinista podemos afirmar 
verdadeiramente que as vantagens são tantas e tão grandes que não vemos 
desvantagens. Em primeiro lugar, é umas das poucas Ordens que não exige aderência 
quanto à crença ou convicção. Qualquer que seja a crença do candidato, ele não precisa 
mudá-la ou tomar uma nova. Espera-se, contudo, que ele viva o mais alto ponto de sua 
concepção sobre sua crença. 
 
Não precisa temer que haja alguma intenção egoísta na Ordem, pois cada novo membro 
apenas aumenta o trabalho de algum delegado, que poderia muito bem prosseguir com 
seu próprio desenvolvimento, sem ninguém mais. Não há taxas e nem contribuições, e as 
instruções enviadas, de tempos em tempos, são grátis. O homem desconfiado perguntará: 
“Qual será o motivo para o aumento de membros”? 
 
Um verdadeiro Martinista não trabalha por interesse pessoal, mas para trazer o homem de 
volta aos seus poderes primitivos. Passou o tempo em que os homens podiam afirmar 
estarem realizando a obra de Deus e da humanidade, vivendo como o povo ao mesmo 
tempo em que serve a si próprio e ao resto dos humanos. Os homens deixaram de ser 
influenciados por este tipo de obra cristã, e são chegados os dias da mudança desse 
padrão, até os homens que alegam ser os Apóstolos do Cristo, devem viver as suas vidas 
e também serem capazes de provar, através de suas obras, que possuem alguns dos 
dons mencionados na segunda parte do Evangelho de Marcos. A Ordem Martinista 
mantém esta posição e a de igualdade de sexos quanto a possibilidade de desenvolver os 
mais altos e Divinos dons. 
 
 
 
4 
Seu centro está na França, onde foi organizada pela primeira vez, mas seus membros 
podem ser encontrados em todos os lugares do planeta. O fundador foi Louis-Claude de 
Saint-Martin. Seus escritos não são como outros e mudariam o mundo inteiro se fossem 
apenas traduzidos nas diferentes línguas. No Império Britânico não há senão algumas 
cópias de dois de seus livros e se encontram em grandes livrarias que os guardam tanto 
que não permitiriam que fossem retirados. Todas as outras obras deste homem iluminado 
estão em sua língua nativa e esperamos que num futuro breve possamos tê-las traduzidas 
e publicadas. Seus ensinamentos são o fundamento de tudo o que é transmitido na 
Ordem. Qualquer que seja o conhecimento adquirido em outras linhas não pode usurpar o 
lugar dos ensinamentos do nosso mestre fundador. 
 
O Martinismo não só mostra o caminho da iluminação, mas mantém conduz, tornando 
seguro o nebuloso caminho até ela. Representa os mais generosos, liberais e Cristãos 
ensinamentos que são dados em qualquer organização, sem imposições dogmáticas; 
insiste, todavia, na vivência diária em comunhão com o Logos ou VERBO. 
 
Como uma pequena levedura irá fermentar em toda a extensão de um alimento, assim esta 
Ordem deve mudar todo o mundo, até que todos aqueles que virem os doentes curados, seja 
do corpo ou da mente, digam: “eles devem pertencer à Ordem de Louis-Claude de Saint-
Martin.” 
 
Outro benefício de se pertencer a esta Ordem, é que ela oferece assistência e conselho de 
homens sábios que (tanto no corpo como fora dele) estão sempre prontos a enviar, através 
das melhores forças da natureza, o vigor ou o auxílio ao necessitado. Muitos não acreditam 
nas palavras de São Paulo: “Estamos rodeados por uma nuvem de testemunhas”, mas 
ninguém pode ser um Martinista sem provar a verdade destas palavras. 
 
I.N.R.I. abril/maio 1906 
 
Perguntas e Respostas 
 
O que é um Martinista “livre”? 
 
Ser Martinista é ser membro da Ordem Martinista. Alguém se torna Martinista ao ser 
iniciado por outro Martinista que possui as qualificações apropriadas e a autoridade para 
conferir a Iniciação. Um membro da Ordem é chamado de “Martinista” e, nesta qualidade, 
ele ou ela deve viver a Vida Martinista, ou seja, trabalhar em sua regeneração e, 
finalmente, em sua reintegração. Os Martinistas se juntam e formam grupos denominados 
 
 
5 
Lojas. Um Martinistada Luz 
perdida e finalmente conquistar a unidade com o Onipotente, da qual desfrutávamos antes 
da primeira emanação do Seio Divino. Deus colocou no mundo um Agente poderoso para 
auxiliar no evolução humana; é o Princípio Crístico, que encoraja o Homem, 
incessantemente, a se unir e sintonizar-se com o Onipotente e finalmente alcançar a 
vitória sobre o princípio do mal e suas conspirações. 
 
A vida está ligada a matéria? 
 
Toda a matéria está infundida com a vida em vários e ordenados graus de consciência. 
Todo o universo está vivo! A energia que sustenta toda matéria nada mais é do que um 
aspecto ou polaridade do Poder Criativo Divino, enquanto que o princípio da vida, com 
seus atributos da mente e consciência, é o segundo aspecto deste Poder impenetrável. 
Assim, não há aspecto ou extensão do Onipotente, e a morte é irreal e não existente para 
a Natureza Divina. A matéria fornece um teatro ou escola para a expressão da vida e seus 
atributos da mente e consciência. Por último, no final dos tempos, a matéria como 
conhecemos agora, não mais existirá e será totalmente recolhida na imensidade Divina. 
Como Martinez de Pasquallys disse “No final tudo retornará ao princípio”. 
 
A morte é um fim ou um estágio? 
 
Morte é uma designação incorreta e uma irrealidade, Na chamada “morte”, o princípio 
espiritual do homem ou alma é separada do corpo físico e se manifesta no plano superior, 
imaterial. Neste “estágio” de manifestação, ela revê suas experiências, lições e se prepara 
para experiências necessárias complementares. O Martinismo Moderno ensina que o 
princípio espiritual renasce em sucessivas existências terrestres, de acordo com as leis 
naturais da reencarnação e do Karma, como ensina as escrituras, até que seu 
desenvolvimento seja perfeito neste plano. A partir de então ela continua sua ascensão 
evolucionária em planos ou esferas superiores, contemplando o objetivo final de completa 
identificação e reintegração com sua Fonte Divina, o Onipotente e sempre terno Deus. 
 
Se você fosse ordenado a beijar seu inimigo e a abandonar seu amigo, você o faria? 
 
Esta é uma pergunta muito difícil de responder, já que depende das circunstâncias 
envolvidas no momento. Como candidatos à Iniciação Martinista, temos o objetivo de nos 
dedicar a um ideal e de sermos absolutamente verdadeiros a ele. Na medida em que 
crescemos na vida Divina, nossos amigos e possíveis inimigos adquirem uma relação com 
nossos ideais pessoais em expansão. Se nossos antigos amigos não são mais 
 
 
28 
compatíveis com nossos ideais de evolução, então devemos abandoná-los, quer seja isto 
ordenado ou não. 
 
Da mesma forma, como disse o Mestre Jesus, não iremos nutrir rancor para com nossos 
inimigos. Se for ordenado que os beijemos e os perdoemos, os mandamentos do Princípio 
Cristão nos inclinam a fazê-lo. Em circunstâncias ordinárias, o místico e verdadeiro e gentil 
com seus amigos, caridoso e clemente com seus “inimigos”. Não iremos permitir que o 
ódio habite em nossos seres, embora sejamos atentos, cautelosos e reservados quando 
necessário. 
 
Quem nos daria tal ordem, de beijar um inimigo e esquecer um amigo? Se for um mentor 
espiritual, uma pessoa muito mais evoluída que nós, então deveríamos, sem dúvida, 
seguir a sua orientação. Em nenhuma circunstância seria mais fácil, para um místico, 
beijar um inimigo do que esquecer um amigo. Se este amigo errou em seu caminho e se 
tornou um instrumento do mal, é nosso dever adverti-lo e tentar trazê-lo de volta a Luz; 
contudo, se ele persiste no erro, então deve encarar as conseqüências de sua insensatez. 
 
Qual a sua compreensão das palavras: “Ocultismo”, “Hermetismo” e “Esoterismo”? 
 
O Ocultismo consiste numa tradição secreta e num corpo de conhecimento relacionado à 
verdadeira natureza. É reservado dos profanos ou não iniciados e transmitido através de 
irmandades reconhecidas como a Ordem Martinista. 
 
Hermetismo é um corpo de ensino e técnicas ocultas tradicional e eclético, atribuído ao 
sábio egípcio Hermes. Consiste em três partes: Teosofia, ou Sabedoria de Deus; Magia, 
ou potenciais poderes espirituais do homem; Alquimia, ou os segredos ocultos da 
Natureza. Num sentido mais elevado, o Hermetismo busca transmutar os metais básicos 
da natureza humana no ouro puro da espiritualidade e consciência de Deus. 
 
O Esoterismo é similar ao Ocultismo, consiste num caminho secreto e interior para a 
verdade espiritual. Seu oposto é o exoterismo, ou o conhecimento objetivo do mundo 
profano. O Esoterismo faz com que o homem mergulhe nas profundezas de sua própria 
natureza, para que ali encontre revelado, microcosmicamente, o conhecimento secreto e a 
profunda sabedoria do Ser Macrocósmico. 
 
Você acredita na virtude mágica da palavra e da ação? 
 
Sim. Acredito no poder e eficácia do VERBO, divulgado na criação do mundo e que agora 
está “perdido” para a maioria dos homens. O desenvolvimento esotérico ajuda o homem a 
recuperar este VERBO PERDIDO da autoridade Divina e terrestre. Na medida em que 
crescemos espiritualmente, encontramos este VERBO, de forma gradual, já que pertence 
à nossa missão na vida; a aquisição do Verbo leva à ação (para o bem, para as obras 
necessárias ao benefício e elevação da humanidade e para a glória do Onipotente). A 
Iniciação leva à AÇÃO em NOME do Incognoscível Ser Divino; seus efeitos são mágicos e 
repousam sobre os maravilhosos e inatos poderes espirituais da humanidade. 
 
Qual a sua compreensão sobre a “HIERARQUIA DOS SERES”? 
 
No universo há uma grande Hierarquia ou séries ordenadas de seres, terrestres e 
celestes. Deus é o ápice e a fonte desta Hierarquia sublime; sob o seu domínio há pelo 
menos nove graus ou divisões de seres celestiais de natureza angélica. O Homem está no 
meio, entre a Hierarquia celeste e a séries de criaturas que habitam a terra e seus 
 
 
29 
elementos. Um dos propósitos da Hierarquia celeste é dar instrução espiritual e estímulo a 
humanidade; um dos objetivos da iniciação esotérica é colocar a personalidade do 
candidato em concordância e comunhão espiritual com seres elevados que estão mais 
sintonizados com a Natureza Divina. Por fim, a humanidade irá recuperar sua posição de 
direito na Hierarquia celeste, quando as lições da terra tiverem sido aprendidas e a 
reintegração do mundo material tiver sido realizada. 
 
O que pode ser dito sobre o modo de vida Martinista e da Reintegração? 
 
Esta é a questão mais importante levantada até aqui. É o ponto crucial de tudo isto. Um 
Martinista tem uma ATITUDE particular com relação à vida. Esta atitude é influenciada 
pela compreensão de sua situação e pelo que deve fazer com relação a ela. Neste 
momento, o homem se encontra num estado de degeneração, tendo caído na matéria e 
sendo subjugado por ela. 
 
Antes de alguém atingir a Reintegração (ou Salvação como é chamada em alguns 
lugares), este alguém deve primeiro se tornar Regenerado. Ser Regenerado significa 
“nascer de novo, a fim de ser dotado de uma nova vida espiritual”. 
 
O processo de Regeneração deve ocorrer em TODOS OS NÍVEIS do ser: físico, 
emocional, mental e espiritual. 
 
A nível físico começamos a trabalhar observando uma dieta leve, exercícios apropriados, 
um sono adequado e suficiente, mantendo nossa pessoa e meio ambiente 
escrupulosamente limpos... em fim, seguindo as regras de uma vida saudável, 
encontradas em muitos livros sobre o assunto, hoje em dia. Simultaneamente, o trabalho a 
nível emocional, mental e espiritual deve também ser iniciado. O trabalho mental tem 
haver com treinamento e disciplina da mente e uma série de outros exercícios especiais 
que se encontram neste manual para este fim. O trabalho emocional e espiritual tem início 
ao começarmos a viver segundo os preceitos da “Via do Coração” e pelo esforço de 
manifestar aquilo que nos foi dado em nossa Iniciação. 
 
Esta nota de atenção deve ser ouvida: o coração é a morada da Luz Crística, da natureza 
do amor e de tudo o que é bom e salutar. Contudo, é também o lugarda malícia, inveja e más 
intenções! (Como lemos em Lucas 6:45; Mateus 15:19-20. etc.). 
 
Preservamos-nos das motivações impróprias através do uso místico das ferramentas 
Martinistas. 
 
É importante que as emoções sejam equilibradas e que não nos afastemos demasiadamente 
do centro. O objetivo final da reintegração está ligado ao resultado das causas que colocamos 
em movimento. Portanto, assim que tenhamos iniciado o caminho da Regeneração e 
alcançado notável progresso em todos os níveis. 
 
ENTÃO começamos a abordar um ponto em que o progresso da REINTEGRAÇÃO começa a 
ocorrer. Em outras palavras, quando nos elevamos e purificamos a consciência, nos tornamos 
imbuídos pela Nova Vida. Ficando, automaticamente atraídos para cima. Assim como peças 
de metais são atraídas por um imã. A Reintegração é, portanto, um efeito e não uma causa. 
 
Note que: enquanto cada pessoa, como uma célula única, pode se reintegrar individualmente 
(São Paulo os chama de “O homem justo que se fez perfeito)... O Adão Primitivo não pode 
 
 
30 
ser restaurado ou remembrado até que TODAS AS SUAS CÉLULAS (todas as pessoas que 
compõem a humanidade) TAMBÉM TENHAM SIDO REINTEGRADAS. 
 
Assim, a reintegração, a total reintegração é, de fato, um trabalho COLETIVO que envolve a 
TODOS; por isso é que nós, como Martinistas, trabalhando tanto como indivíduos como nas 
Lojas, devemos encorajar e auxiliar OUTROS a trabalharem, da mesma forma, em sua 
regeneração, introduzindo-os no caminho da Iniciação. A realidade da Cadeia Iniciática é a 
mesma daqueles que nos precederam e que também foram auxiliados e que nos auxiliaram; 
assim temos o dever de auxiliar os outros! 
 
A cadeia Iniciática existe sobre a terra assim como a Ordem Martinista; ela se ESTENDE 
ao mundo astral onde habitam nossos mestres passados e irmãos que já partiram (um 
correlativo da “comunhão dos santos” da Igreja Cristã) e com quem comungamos através 
das operações de nossos vários rituais feitos privadamente em nossas Lojas. Sobre o 
Plano Espiritual, pouco pode ser dito neste momento, é como aquela fragrância 
transmitida na Iniciação e que o Iniciado deve efetivar em sua vida. 
 
Não serve para nada fingir estar na Busca Mística. Ou se está, ou não se está! A única 
pessoa que você pode enganar é a si mesmo! Você tem o seu destino supremo à sua 
frente e irá encará-lo agora. Ou em alguma vida futura. É VOCÊ quem deve determinar se 
deseja continuar com os Homens da Torrente e continuar a vivenciar as conseqüências da 
vida profana no mundo material. Ou se tornar um Homem de Desejo e com a ajuda 
daqueles da Cadeia Iniciática e Agentes da Reconciliação que nós Martinistas 
conhecemos como Ieoschuah (e os cristãos conhecem como Cristo). Faça a Obra que 
deve ser feita para tirar a ti - e por último a humanidade - da Floresta dos Erros. 
 
É a Ordem Martinista uma “ordem secreta”? 
 
No sentido que usamos a palavra, segredo é uma questão de privacidade. Assim como as 
pessoas mantém as relações íntimas de suas famílias na privacidade, nós também 
mantemos na privação a conduta de nossas relações, a natureza de nossos 
ensinamentos, símbolos e Conventículos. Nós não negamos nossa identidade ou 
existência. 
 
Após o reconhecimento apropriado pelo inquisidor ou por aqueles que têm o direito de 
saber, podemos divulgar tanto coletiva como individualmente que somos Martinistas se 
formos questionados. Em nossos estudos, servimos a causa da comunhão mais próxima 
com Deus, uma compreensão das leis da natureza e a constituição do homem. Não 
atacamos nada senão a superstição, a ignorância e aquilo que em seu efeito corresponde 
ao mal. Empenhamos lealdade à Constituição de nossa nação e procuramos ser cidadãos 
úteis e dentro da lei. Consequentemente, não temos razão para negar a nós mesmos, 
nossos ideais ou atividades. 
 
Qual é a maneira correta de amarrar o Cordão? 
 
Com um “nó direito” chamado de nó mágico pelos antigos Egípcios e no dos Hebreus no 
mundo greco-romano. É na forma da figura 8 que representa o Infinito. 
 
 
 
 
31 
 
Por que é feito o sinal do Pentagrama pelo presidente na abertura da cerimônia? 
 
O Sinal do Pentagrama (ou Pentalfa) feito começando pela ponta superior, é chamado de 
“pentagrama de convocação”. Em três níveis representa: 
 
1) uma invocação do espírito, para que venha e inspire os quatro elementos da matéria, 
ou seja, água, ar, fogo e terra. 
 
2) uma invocação do Mestre, para que venha e resida entre as quatro paredes do Templo. 
 
3) uma invocação do Schim, para que venha e torne manifesto Yod-He-Vau-He. 
 
Isto é tudo por enquanto, Irmãs e Irmãos. Nossa Ordem encoraja todos os membros a 
pensar por eles mesmos, então disciplinar seus pensamentos, a fim de estimular uma 
expansão da consciência. Conseqüentemente, nossas lições são curtas, deixando tempo 
para a discussão e a meditação a cada Conventículo. Qualquer idéia que implique numa 
longa leitura ou discussão para ser espiritualmente útil, deve ser descartada. 
 
A experiência tem mostrado que o estudo intelectual pode facilmente se tornar excessivo e 
assim turvar o Caminho. Materiais de leitura úteis como fundamento, podem ser 
recomendados de vez em quando, mas vocês não podem fazer nada melhor do que 
tirarem proveito de tudo o que possam adquirir do Colégio Internacional dos Estudos 
Martinistas. 
 
Não pode ser dito ou repetido freqüentemente que o MARTINISMO É UM ESTILO DE 
VIDA. Esta é uma afirmação muito simples ainda que seja uma técnica poderosa e efetiva. 
Vocês estão convocados a se REGENERAREM e foi dito a vocês - e certamente 
compreendido - este é um trabalho pessoal que VOCÊS devem realizar por Si mesmos. 
 
A mim só me resta estimular vocês e advertiR: uma vez iniciado, nunca volte atras nesse 
caminho. Quer desejem trabalhar sozinhos ou busquem afiliação numa Loja, onde possam 
participar em outros trabalhos e talvez encontrar companhia pela senda - é uma questão 
pessoal! 
 
Tenha em mente que ser um Martinista e estar no caminho que leva ao Paraíso Perdido; 
não exige que vocês mudem suas crenças religiosas ou se subjuguem a qualquer 
autoridade ou opiniões! 
 
VOCÊ É SEU PRÓPRIO MESTRE! SÓ VOCÊ pode saber o que é certo para você! 
 
Adote aquela ATITUDE particular que faz de você um MÍSTICO. Torne-se um Silencioso 
Desconhecido. Estude este Manual até o fim de seus dias... toda vez que o ler, encontrará 
algo novo. Você nunca irá esgotar a Luz aqui contida! 
 
Viva a Oração e a Visualização Martinista - isto irá te acompanhar ao longo do caminho! E 
agora te digo: “em tuas mãos eu confio a obra”. 
 
 
 
 
 
 
 
32 
O que é a “Via do Coração”? 
 
A cabeça é o centro do Ser Intelectual. O coração é o centro do Eu Emocional, ou da 
natureza do amor. Seguir a “Via do Coração” é viver uma vida caracterizada pela 
bondade, compaixão, caridade, humanidade, perdão, benevolência, compreensão. 
 
Uma pessoa pode ser Martinista sem ter sido introduzida por um Iniciador? 
 
Não! Fico feliz por terem perguntado, porque há algumas pessoas que tem enviado 
instruções do tipo “faça você mesmo” através de uma certa escola por correspondência 
onde são orientados a proferirem algumas palavras e a baterem em suas cabeças com 
alguns objetos, como paus por exemplo. Após fazerem isto enviam um “relatório” a escola 
e em troca recebem uma “carteirinha de membro”! Estas pessoas desafortunadas são mal 
encaminhadas na crença de que são Martinistas. Se vocês alguma vez encontrarem 
alguém que tenha sido mal orientado como resultado de práticas fraudulentas, por favor, 
dirija com amor estes inocentes enganados à verdadeira Luz. 
 
Desenvolvimento de Martinistas 
 
(Estes exercícios foram anunciados, formalmente, na Loja após os irmãos terem recebido 
uma certa série de instruções verbais. Tal informação é agora parte do currículo de 
I.C.O.M.S.; contudo, eles não foram entregues naquele momento. Estes exercícios 
especiais de desenvolvimento serão transmitidos apenas neste Manual, disponível 
estritamente a Martinistas. NaLoja, são passados num período que abrange várias 
semanas, após os irmãos terem dominado cada passo. Vocês que irão agora recebê-los 
devem fazer uso da prudência e segui-los de maneira ordenada, na medida em que cada 
passo for dominado e como indicam as instruções.) 
 
Agora que vocês já passaram uma fase de preparação na qual foram “passivos” - 
exemplo, vocês foram principalmente ouvidos - chegou a hora de entrarem numa fase 
“ativa” de nossa obra. 
 
Para aqueles membros que estão dispostos a fazerem os esforços necessários, nossa 
Ordem apresenta agora um sistema de treinamento prático através de exercícios bem 
direcionados que irão permitir ao indivíduo adquirir uma base sólida para trabalhos 
superiores e desenvolvimento regenerativo. 
 
Antes de entrarmos nos detalhes deste sistema é bom que se compreendam os seguintes 
pontos: 
 
A Verdadeira Iniciação, como a Martinista, prefere ver este sistema como um 
procedimento pelo qual o ser humano COMPLETO é elevado a um plano superior de 
existência. Isto significa que as três partes da pessoa devem ser igualmente 
desenvolvidas, e devem trabalhar juntas, harmoniosamente, em direção àquele plano 
superior. 
 
Vocês estudaram a divisão em três partes do ser humano: A Parte Mental, o Ego ou Parte 
Emocional e a Parte Física, o corpo humano. Num desenvolvimento prático, nenhuma 
destas três partes pode ser negligenciada ou deixada para trás. Quando quer que isto 
ocorra, o desenvolvimento se interrompe e surgem as dificuldades. 
 
 
 
33 
Usando outras palavras: A verdadeira Iniciação é mais do que a agudez das faculdades 
mentais e da aquisição de conhecimento. 
 
É algo mais do que a purificação de nosso Ego e do que uma elevação em direção aos 
reinos superiores, através de nossos sentimentos. 
 
É também mais do que a aquisição de qualidades magnéticas e poderes para agir. A 
verdadeira Iniciação é aquela que combina todas estas qualidades interrelacionando-as de 
forma harmoniosa. Contudo, o Martinismo considera as qualidades inerentes da Via do 
Coração como o ponto principal que ativa os outros, observando também, atentamente, o 
desenvolvimento dos aspectos físico e mental de nosso ser. 
 
O primeiro grande obstáculo para nós que vivemos neste mundo moderno, está 
relacionado ao modo que nossa mente opera, portanto o primeiro exercício é designado a 
controlar nossos pensamentos errantes e independentes. 
 
 
Vamos primeiro tentar entender PORQUE e PARA QUE isto deve ocorrer. 
 
Através do desenvolvimento dos últimos séculos, nossa mente tem se tornado um 
instrumento maravilhosamente eficiente e hoje é muito diferente da mente de povos que 
viveram há muito tempo - e diferentemente da mente de povos que vivem hoje em dia em 
alguns lugares remotos, sem o desenvolvimento técnico. Adquirimos o hábito de mudar 
rapidamente de um pensamento para outro e outro. Sem esta velocidade e flexibilidade de 
pensamento, não seríamos capazes de sobreviver neste mundo moderno. Esta habilidade 
deve ser mantida em todos os tempos. 
 
Contudo, um efeito colateral desta situação é que nossos pensamentos superficiais são 
constantes e até contrários à nossa vontade. Eles nos interrompem se tentamos nos 
concentrar em algo de natureza mais profunda. Se quisermos dominar esta condição 
devemos fazê-lo de modo inteligente, sem forçar. Há alguns exercícios simples que irão 
nos capacitar a atingir este objetivo, mas antes de começar, vamos fazer uma pausa e 
compreender os pontos colocados até então. 
 
 
Discussão / Questões 
 
Durante a discussão explique o seguinte: Certos sistemas de ioga foram desenvolvidos há 
muitos séculos, sob certas condições, num certo período da história. Por estarmos 
vivendo agora numa época e num meio social totalmente diferente, alguns exercícios de 
ioga podem ser prejudiciais e levar nossas mentes a um estágio de evolução anterior, 
tornando mais difícil viver no mundo atual. Para a mente moderna é necessário um 
método de treinamento moderno e inteligente. 
 
O seguinte livro é altamente recomendado: 
 
O Filósofo Desconhecido por A. E. Waite 
Publicado por Rudolph Steiner Publications 
151 North Moison Read 
Blauvelt, New York 10913 
USA 
 
 
 
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A seguinte mensagem, gentilmente traduzida, foi enviada pelo Grão Mestre da O.M. 
Francesa, por ocasião da cerimônia anual em memória a Papus. 
 
A INICIAÇÃO MARTINISTA 
 
Iniciação. Uma Iniciação. “Minha” Iniciação... Você já passou ou irá passar por isto. 
Antigos Martinistas, novos Martinistas ou visitantes recebidos com toda confiança, porque 
serão futuros Martinistas. Vocês conhecem os quatro tipos de homens a que se refere 
L.C. de Saint-Martin: o Homem da Torrente, o Homem de Desejo, O Homem Regenerado 
e o Homem Espírito. 
 
Aqui, nosso Venerável Mestre não está falando sobre quatro homens diferentes, mas de 
quatro estágios pelos quais passamos. A passagem de um estágio para outro é 
necessariamente marcado por uma transformação e embora a Iniciação auxilie para que 
esta passagem ocorra, ela não se constitui na passagem, propriamente dita e nem é a 
única característica desta transformação. 
 
A Iniciação Martinista é virtual. Por que virtual? Porque ela pode ou não ser realizada. 
Aquele que a recebe e não está preparado, apenas a mantêm como um potencial que 
permanece latente e adormecida aguardando seu eventual despertar. Quando a Iniciação 
está ocorrendo, o candidato VIVE o ritual - é como passar por uma peça teatral, a qual o 
receptor deve aceitar com mente aberta, a fim de que seja efetiva. A cerimônia do ritual 
deve ser o auge da preparação que é longa e necessária - aquele que recebe a iniciação 
se integra à preparação. 
 
Aquele que se prepara para a iniciação, a realiza, pois o instante em que ele recebe a 
iniciação torna-se um momento propício. Tem sido freqüentemente observado, após 
passar por iniciações sérias, que este alguém começa a questionar é a passar por certas 
provas, tanto de natureza física ou moral, que torna o iniciado consciente da diferença 
entre aparência e realidade. 
 
Dois tipos de trabalhos levarão à completa ligação na cadeia iniciática que acompanha a 
Ordem Martinista: 
 
a) o trabalho individual; 
b) o trabalho em grupo (ex. um círculo, capítulo ou Loja). Vamos examinar ambos. 
 
1. O trabalho Martinista é individual. 
 
Por quê? Se a própria Ordem Martinista não dá diretrizes explicitas sobre os assuntos que 
discutimos, é porque todos as dicas e direções necessárias são encontradas nos livros de 
Papus, nosso fundador, e naqueles escritos por outros Martinistas eminentes. Seus 
conselhos estão baseados num vasto conhecimento da natureza humana e do fenômeno 
que a acompanha. A Ordem não favorece nenhuma técnica de estudo. O esforço que o 
novo iniciado faz, deve ser manifestado nos três planos: físico, psíquico e intelectual. 
 
A parte mental do homem, como uma borboleta, voa de uma flor a outra, quando não é 
disciplinada. Sem tempo para realmente brecar está vacilação, a fim de orientá-la em uma 
linha específica, e sem o silêncio interior, necessário para disciplinar o intelecto, nenhum 
real progresso pode ser feito. 
 
 
 
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Toda disciplina seja intelectual ou não, que ajuda a brecar esta vacilação mental é válida, 
pois este é o primeiro passo dentro da obra. Além disso, é preciso aprender a amar esta 
disciplina e a fazê-la corretamente como se fosse a produção de uma grande obra de arte. 
Esta grande obra será coroada pela oração, após a qual virá a ocasião solene da 
religação do homem com a Divindade. A oração não requer nenhuma autodisciplina por si 
porque consiste apenas em ligar, nossa consciência com o nosso subconsciente. 
 
O inconsciente é formado por coisas que temos refutado, nossas falhas que não 
reconhecemos e todas as coisas que não queremos ouvir. O resto que ainda não está 
organizado constitui a consciência. Por analogia com a Alquimia, que requer um trabalho 
lento de digestão e combustão, entre outras coisas, antes de se atingir a transmutaçãosimbolizada pelo ouro, o acesso à perfeição requer que o indivíduo se consagre totalmente 
ao objetivo final. Requer dele a atitude correta. Deus não faz a obra por nós, mas Ele pode 
nos ajudar a realizá-la. 
 
2.- Quando o Martinista trabalha numa Loja estabelecida, como membro da Loja, os três 
planos estão envolvidos: 
 
a) O plano material está envolvido: 
 
- pela obrigação de estar presente as várias reuniões da Loja. 
 
- pelo esforço necessário de permanecer, apesar do cansativo trabalho envolvido - 
transporte, contrariedades familiares ou sociais, etc. 
 
- pela rotina diária que, como a chuva sobre o asfalto, modifica as boas intenções do 
indivíduo. 
 
- pelo esforço de manter a palavra, uma vez dada, de se cumprir as obrigações. 
 
Tudo isto forma o caráter físico do homem, constituindo seu programa de trabalho. O 
plano físico é desta forma, preparado e colocado em ordem. 
 
b) Além disto, através da participação sincera do indivíduo em sua loja e pela tolerância 
que terá que demonstrar com relação aos outros membros, o que inclui o perdão ou um 
pouco mais além, para dizer como Jesus: 
 
“Pai perdoe estes homens, pois eles não sabem o que fazem”. 
Sendo tolerante com as diferenças existentes entre os membros da Loja (aceitar a ser 
“pior” ou “melhor” sem perder o equilíbrio, sem deixar que isto suba à cabeça). 
 
Aceitando o bom humor de alguém, a interrupção sincera, saber ouvir, aceitar quando a 
personalidade freqüentemente fica em segundo lugar. Com tudo isto o ser emocional é 
trabalhado. 
 
c) Finalmente, 
 
- Fazendo pesquisas e outros trabalhos intelectuais juntos. 
- Prestando atenção no que está acontecendo na Loja. 
- Pela completa realização da posição como ser humano no mundo das artes e ciências. 
- Pela educação humanística (no amplo sentido da palavra), que cultiva o aspecto 
intelectual do ser. Vamos recapitular os três estágios (que podem ser trabalhados 
 
 
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simultaneamente seja como um membro da Ordem ou não, já que a Reintegração só pode 
ser atingida após o Homem se tornar “justo e perfeito” usando a expressão inciática 
tradicional): 
 
- Usando disciplina livremente aceita e observada. 
 
- Tolerância e não interferência nos esforços e preocupações de outros membros (que é a 
regra também em outras fraternidades). 
 
- Um trabalho intelectual cujo objetivo é enriquecer tanto a si próprio como aos outros e 
que deve abranger os três aspectos do seR: físico, emocional e intelectual. A obra 
espiritual, em si, abrange tudo. 
 
A soma total destas atividades dentro da Loja resulta na elevação espiritual do indivíduo 
ou de sua consciência. O Iniciado Martinista, neste caso deve se tornar um Pilar da Loja, 
ou seja, deve ajudar a Loja que o ajudou. Trabalhando sob os auspícios do Filósofo 
Desconhecido, em comunhão com os Mestres Passados, e de acordo com a Egrégora da 
Ordem Martinista, os membros da Loja atingem um estado mental comum. Quando muitos 
possuem a mesma motivação interior o Invisível sempre facilita acesso ao mundo das 
idéias e símbolos que individualmente, seria mais difícil de penetrar. 
 
A iniciação não é “dada” e sim transmitida. É claro que alguém não pode dar o que não 
possui. Além do mais, é preciso considerar se determinado iniciado tinha a liberdade de 
transmiti-la ou não. Compare a transição de uma iniciação ao ato de conferir (do Latim, 
“confere”, carregar, reunir) com uma herança, com um saco cheio de bolinhas de gude que 
cada um, após ter passar a outro - como numa corrida de revezamento onde cada 
corredor passa o bastão a outro. 
 
Mas aqui não há recordes a serem vencidos. Nenhum primeiro lugar a ser conquistado: há 
apenas um posto a assegurar, o falo simbólico. É preciso guardar este centro do assalto 
de forças destrutivas, a fim de que aquele que venha depois de nós o encontre em boas 
condições. Isto em si é uma realização. O homem tem sido encarregado nesta vida, de 
fazer do ser atual um homem exemplar entre os outros homens, humilde e correto, a ter 
bom coração (ex., expressar amor) assim como a inteligência. Para tanto, basta subjugar 
a sombra no ser. Quando isto é realizado uma incandescência interior se manifesta e 
como uma testemunha temos Deus e nossa consciência. 
 
Iniciação, sim. Iniciação Martinista? Também. Não basta receber um certificado de 
iniciação, uma carta ou uma designação esotérica que comprove sua posição na Ordem; 
estas formalidades são apenas parte dos procedimentos administrados que constitui o 
CORPO da Ordem Martinista. 
 
A Iniciação Martinista, aqui e agora, possui tanto um aspecto ritualístico como 
administrativo. Não vamos confundir uma carteirinha de membro e o pagamento de taxas 
com o ritual iniciático que é a ALMA da Ordem Martinista. Ambos são necessários. Se 
dermos prioridade ao aspecto que consideramos mais fácil de se lidar, não vamos 
esquecer que isto será uma espécie de cegueira voluntária ou lesão provocada em nós 
mesmos, na Senda Inciática. (Acentuar um lado e desacentuar o outro). 
 
O ESPÍRITO da Ordem Martinista precisa de um corpo e de uma alma a fim de se 
manifestar. O corpo e o espírito devem estar perfeitamente alinhado, ou então não iremos 
cumprir a primeira frase da tábua de Esmeralda que vocês conhecem bem: “O que está 
 
 
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embaixo é como o que está em cima; e o que está em cima é como o que está embaixo; 
para maior glória do Criador.”) 
 
Se uma árvore é conhecida pelos seus frutos, como o espírito é manifestado? Colocando 
as mesmas qualidades que a Loja tem manifestado em cada um de seus membros a 
serviço destes mesmos membros que a constitui. Como um homem de serviço o iniciado 
da Via do Coração irá manifestar um verdadeiro ardor, uma instituição clara e qualidades 
altruísticas de dar e dividir - dons que são exemplares do amor puro. 
 
O ser humano passa de um POTENCIAL iniciado a um iniciado REAL. Este iniciado, logo 
irá alternar entre “coração - intelecto”, amor - compreensão”. Os opostos terão sido 
equilibrados, e ele logo terá o desejo de superar as oposições, pois terá ido além delas, 
onde terá encontrado o terceiro ponto (equilibrante). A via intelectual não foi colocada de 
lado, ao contrário, ela deu acesso à via do coração, que é formada tanto pela sabedoria 
com pela compaixão. 
 
A Iniciação Martinista oferece a oportunidade de harmonizar os diferentes planos em nós 
mesmos e suas interpenetrações. Cabe a nós aproveitarmos ocasião, pois ela não se 
apresenta a cada momento da iniciação ou do tempo particular, só porque desejamos que 
ocorra. Da mesma forma que a morte, nosso nascimento para uma vida de outra 
qualidade se apresenta quando menos esperamos. 
 
Convido vocês caros Irmãos e Irmãs, companheiros na Senda, a agarrarem esta ocasião a 
embarcarem nela e a realizarem a viagem do Homem de Desejo ao Homem Regenerado. 
Quando este último estiver pronto, o próximo passo, aquele do Homem Espírito, se 
apresentará, porque todo esforço voluntário para atingir este passo terá terminado. Após 
uma cuidadosa preparação... como que de repente... Assim como as boas coisas da vida 
acontecem, inesperadamente... o noivo de que se fala no Evangelho irá chegar. 
 
Sobre Ser Um Martinista. Respeitados Irmãos da M R+C 
 
Embora sempre expressando em grande extensão a própria humanidade, tomando parte 
em todos os tipos de atividades e vivendo a vida em sua plenitude - na qualidade de 
Martinistas - expectativas e responsabilidades adicionais caem sobre vocês. O Martinista 
não é mais um ser humano “comum”; ele é, em primeiro lugar, Martinista e como tal 
pertence a uma classe particular da elite espiritual. Nunca se esqueçam disso. O que os 
tornam diferentes do seu vizinho é a iniciação Martinista. Para compreender a importância 
desta afirmação, vamos olhar a iniciação Martinista na sua fonte. 
 
Em seu “Tratado da Reintegração dos Seres”, Martinez de Pasquallys tratou da 
cosmogonia da raça humana, da relação do homem com Deus e da hierarquia celeste. 
Este livro, como se sabe, foi dirigido aos discípulos dePasquallys como cadernos de 
instruções ou cadernos dos graus. Foi nesta obra que as razões para prática de todos os 
exercícios físicos e espirituais, assim como as operações dos Elus-Cohen foram 
explicadas; desta forma, encontramos neste livro um resumo sobre a Queda do homem e 
sobre o Caminho de sua Reintegração. 
 
Pasquallys ensinou que a posteridade do Adão caído foi composta de duas classes de 
seres: a dos descendentes de Caim e a dos descendentes de Seth. Os primeiros são 
aqueles banidos, que vieram à existência quando o primeiro homem abusou, numa paixão 
física frenética. Devido a este excesso, a Divindade se recusou a cooperar com sua 
operação e abençoou o fruto de sua união. O resultado foi Caim, cuja posteridade não 
 
 
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teve nenhuma orientação Divina; de fato, eles foram fortemente influenciados pelos 
obscuros poderes dos espíritos caídos. A segunda classe, aqueles da posteridade de 
Seth, foram engendrados através de uma breve união marital e tiveram as bênçãos da 
Divindade. Esta posteridade aprendeu de Seth a praticar o culto* espiritual que agradou à 
Deus. Mas os favoritos do Senhor eram fracos e apesar da interdição Divina, se uniram 
aos filhos de Caim e logo eles e seus filhos estando corrompidos esqueceram como 
operar o culto Divino. Neste estado de exílio o “Homem de Desejo” ainda, apesar de tudo, 
tem conservado lembranças de seu Estado Primitivo. 
 
Deus, da imensidade de seu amor, vendo a situação de seus favoritos, tem enviado para 
perto deles, através dos tempos, “redentores” ou menores “eleitos” que receberam “o 
nascimento e a vida temporal apenas pela vontade e inspiração Divina... muito embora a 
forma destes seres tenham sido emanadas da posteridade de Adão”. Estes “menores 
Eleitos” vivem na periferia, de nossa sociedade e não são atingidos por ela. “O Senhor os 
retira do meio dos profanos e dos impuros da terra e os protegem de toda comunicação 
intelectual com menores comuns”, (ex. Deus faz com que vivam aparte do povo comum). 
Eles entram em contato com a humanidade para nos ensinar e nos lembrar do culto Divino 
esquecido e permanecem entre nós o quanto for necessário. São chamados de volta à 
Deus por uma passagem desconhecida. Já que é presença destes menores eleitos e suas 
obras logo se dissipam, assim que eles se vão, até quando é chegada a hora de enviar o 
próximo. 
 
O papel do Menor Eleito é de vital importância para a reconciliação do “Homem de 
Desejo”. “O auxílio que este “redentor” traz é duplo: ele transmite (ao homem de Desejo) 
as instruções recebidas diretamente do Criador, sobre o culto que deve ser prestado à 
Divindade através de “operações espirituais”; transmitem também, aos “Homens de 
Desejo” que estão próximos, os dons que receberam, marcando-os com um “caráter” ou 
“selo” místico, sem o qual nenhum menor (“menor” é um termo usado por Pasquallys para 
designar um ser humano) pode ser reconciliado. Acontece que poucos receberam esta 
ordenação misteriosa e assim ele permanece, não importa quais sejam seus méritos 
pessoais, um menor em privação (não tem comunicação com Deus, por exemplo). 
 
Esta é a fonte e a essência da Iniciação Martinista! Quando teu iniciador fez de você um 
Martinista, a força mística que nossos primeiros mestres chamavam de “La Chose” (a 
coisa) tocou tua aura e tua alma, te transfigurando assim para sempre. Isto não quer dizer 
que com apenas a iniciação - sem a obra e o esforço pessoal - você se reconciliará. Antes 
disso, a iniciação é como uma semente que foi plantada, e que necessitará de água 
(nutrientes), calor e luz para crescer e se tornar uma árvore. Você precisa nutrir a semente 
iniciática que foi plantada no seu interior. Esta nutrição é feita pela sua meditação matinal. 
Se necessário acorde 15 ou 20 minutos mais cedo para permitir certa sintonia e dedicar o 
dia à glória de Deus. 
 
O mais importante: use sua paramenta simbolicamente durante o dia. Estamos 
continuamente nos confrontando com oportunidades de usar estas poderosas 
ferramentas, seja no trabalho ou no ambiente familiar e social. Use a máscara para se 
lembrar de que é desconhecido e não deve esperar ajuda, tratamento especial, 
reconhecimento ou aprovação de outros. Visualizando a máscara em si, você se torna um 
estranho entre estranhos, um desconhecido entre desconhecidos. Envolva-se na capa 
mística e use mentalmente o balandrau para se lembrar da “vestimenta interna de glória”. 
Este é o santo dos santos, o ponto no centro do círculo no qual podemos nos refugiar e 
encontrar forças, calor e apoio. O balandrau representa a veste com forma de glória que o 
Adão Primitivo vestia em seu Primeiro Estágio. Use a capa como um escudo ou “capa de 
 
 
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proteção” que irá te proteger contra os ataques da ignorância. Enquanto envolvido nesta 
capa protetora nada pode atingir ou afetar sua verdadeira personalidade - o ser que você 
está aspirando conquistar. Use o cordão para lembrar-se de sua ligação com teu iniciador 
(através da “coisa”) e a dele com a Luz. 
 
Medite sobre você, na cadeia com seus irmãos e irmãs e mestres passados. Este é um 
símbolo da transformação mágica que ocorre durante a sua iniciação. 
 
A iniciação Martinista é um privilégio raro e especial e não deve ser trivializado por 
nenhum membro ao reprimir a completa expressão deste dom precioso. É preciso estar 
sempre alerta de que ser um Martinista implica em carregar muito mais responsabilidades 
do que uma pessoa comum está disposta a carregar. Consequentemente, o Martinismo 
não é para todos. Nem todo homem é um “Homem de Desejo”. Esta característica só pode 
ser adquirida através do nascimento em uma linhagem particular, pelo esforço e méritos 
pessoais. Parte de sua promessa antes da iniciação é trazer ao menos uma pessoa para a 
Ordem. Seja seletivo e pratique o bom julgamento. Se você puder responder pelo caráter 
de apenas uma pessoa nesta vida, então sua promessa será cumprida com clara 
consciência. Qualidade é a palavra operacional, não quantidade. 
 
Lembrem-se irmãos e irmãs; vocês agora pertencem a uma elite de sacerdotes 
desconhecidos com todas as responsabilidades, privilégios e tarefas que esta família 
espiritual pode guardar ; Espero que vocês vivam estes ideais e nunca abandonem o 
caminho que tomaram. 
 
Irmão Kuveg 
 
 
 
*A palavra “culto” significa “rito”, referindo-se a uma prática ou ritual espiritual específico. 
 
*Os menores Eleitos identificados por Pasquallys são: Abel, Enoch, Noé, Melchisedek, 
José, Moisés, Davi, Salomão, Zorobabel e Jesus. 
 
 
FRATERNITAS ROSAE CRUCIS 
 
Irmãos da R+C M 
 
Minha intenção esta noite é (1) corrigir alguns dos conceitos errôneos comumente 
sustentados com relação à importante verdade da Regeneração e (2) mostrar, da forma 
mais clara possível, exatamente o que É a Regeneração. Vamos observar primeiramente 
que tanto a interpretação filosófica como a espiritual, concordam em todas as essências 
fundamentais conectadas ao assunto: 
 
A Regeneração é definida, filosoficamente, como o processo ou ato de regenerar de outra 
forma, reproduzindo ou modificando; renovar espiritualmente pelo poder do Espírito Santo; 
melhorar consideravelmente e se reformar a nível de caráter e moral. É a mudança radical 
e permanente dos conceitos, morais na natureza espiritual do Homem, pelo Espírito Santo, 
através do conhecimento e participação na plenitude dos poderes espirituais; 
consequentemente, é um trabalho baseado no reconhecimento do erro pessoal, sincera 
insistência neste propósito, forte e persistente intenção de reformar e fazer restituição no 
efeitos provocados por eventuais erros cometidos a inocentes associados. 
 
 
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Acima de tudo é a Divina e graciosa participação da força espiritual e da nova vida. 
Doutrinalmente, a Regeneração é tida nas Igrejas Romanas, Gregas, Ocidentais e 
Anglicanas como o início de uma nova vida espiritual chamada de Sacramento do 
Batismo. Por outras organizações religiosas, a regeneração se refere a umamudança nos 
propósitos que governam a vida de uma pessoa, ou à reforma dos hábitos de alguém; ou, 
mais uma vez, a criação e continuação pelo Espírito Santo ou Spiritus Sancti, de uma 
nova série de atos santos. 
 
Biologicamente, é a regeneração ou reprodução das células, tecidos, etc., num processo 
vital ordinário; processo no qual, através de vários mecanismos, o CALOR É MANTIDO E 
REUTILIZADO. 
 
Regeneração facultativa é a reprodução de um organismo inteiro, a partir de uma porção 
de um indivíduo completo, ou poligeneses. 
 
Na Alquimia Hermética REGENERATIO, é o ato de Renascer no Espírito. É a penetração 
do CALOR Divino, do amor na alma e no corpo; é a Luz da inteligência emanando do 
FOGO Divino no coração do Homem. É O DESPERTAR E O DESENVOLVIMENTO DA 
AUTOCONSCIÊNCIA E AUTO-CONHECIMENTO. 
 
Recapitulando, toda a moral da Regeneração se resolve sinteticamente em cinco pontos: 
Reconhecimento, Arrependimento, Reorganização, Restituição e Regeneração. Estes 
cinco pontos constituem o processo e a conclusão de toda a verdade sobre a 
Regeneração. 
 
Bem, isto é o bastante para definições! 
 
Vamos ver agora como que a Luz maior na Ciência Oculta confirma estas definições: 
 
“Jesus respondeu dizendo: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer do alto não 
pode ver o Reino de Deus.” João 3:3. 
 
“De resto, nem a circuncisão é alguma coisa, nem a incircuncisão, MAS A NOVA 
CRIATURA”. GAL 6:15. 
 
“Pois que pela obediência à verdade purificastes a vossa alma para alcançardes um amor 
fraternal sem hipocrisia, amai-vos uns aos outros ardorosamente e com coração puro” 1ª 
Pedro 1:22. 
 
“Fostes regenerados, não de uma semente corruptível, mas incorruptível, mediante a 
Palavra viva de Deus, a qual permanece para sempre”(23) 
 
“Todo aquele que nasceu de Deus não comete pecado, porque, sua semente permanece 
nele; ele não pode pecar porque nasceu de Deus”. 1ª João 3:9. 
 
“Pois todo o que NASCEU DE DEUS vence o mundo; E esta é a vitória que venceu o 
mundo: A NOSSA FÉ”. 1º João 5:4. 
 
“Mas os que forem julgados dignos de ter parte no outro século e na ressurreição dos 
mortos, nem eles se casam, nem elas se dão em casamento” Lucas 20:25 (Casamento ou 
união com o materialismo ou assuntos mundanos). 
 
 
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“O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é espírito” João 3:6...etc.. 
 
Todas estas citações das Escrituras servem para comprovar e substancializar as 
definições dadas exotericamente (há muitas outras) e um estudo cuidadoso sobre elas irá 
revelar as razões para tantas interpretações intencionais e concepções errôneas 
relacionadas à Regeneração. 
 
Notemos especialmente, a citação em João 1ª 3:9 “Todo aquele que nasceu de Deus não 
comete pecado”; porque sua semente permanece nele; ele não pode pecar porque nasceu 
de Deus”. E, mais uma vez em Lucas 20:35 “Mas os que forem julgados dignos de ter 
parte no outro século e na ressurreição dos mortos, nem eles se casam, nem elas se dão 
casamento”. 
 
A interpretação errônea não intencional cometidas por uns e a concepção errônea 
intencional e deliberada inseridas nestas citações por outros, onde várias formas de sexo 
mania tornam-se características principais, muito tem contribuído para criar uma 
compreensão inteiramente errada da verdade sobre a Regeneração como ela realmente é. 
 
A literatura do ocultismo está repleta de tratados sobre a Regeneração, e muitos 
processos recomendam praticas sexuais não naturais ou observações para sua eficácia 
(se esta for a palavra correta a ser usada); mesmo os tratados mais moderados se 
ocupam com longas discussões sobre supostas “correntes sexuais em desuso,” etc. (é 
notável o fato destas longas discussões serem normalmente a real característica do livro!). 
 
Esta é, inegavelmente, a era do sexo, cuja energia está atrelada aos costumes, 
convenções, códigos étnicos; vários estágios de envolvimento como modéstia, ignorância 
fisiológica, inibição social e eclesiástica estão sendo rapidamente superadas. Podemos 
certamente esperar que por muitos anos que se seguem, estas forças irrestritas e 
perigosas se tornarão rapidamente desenfreada na comunidade e na vida nacional dando 
ampla evidência do poder das forças destrutivas e aos elementos na natureza. Contudo, 
no devido tempo, estas forças irão dar lugar a um status equilibrado e são. 
 
A Irmandade R+C nunca foi e nem é agora, um veículo para a exploração de assuntos 
sexuais e é por isto que esta minha leitura toca neste ponto: esclarecer qualquer dúvida 
que possa haver a este respeito. 
 
As perversões sexuais e assuntos de sexo como tópico geral com propósitos purientes, 
sempre foram resultado de eras materialmente distintas. Não há perversão na natureza. A 
natureza equilibra e contrapõe suas forças perfeitamente; O homem que está em 
harmonia com a natureza não irá precisar de discussões, prescrições ou compromisso de 
uma sociedade secreta ou não para regularizar tais atividades. 
 
É exatamente aqui que a verdadeira compreensão sobre a real Regeneração começa a ter 
um grande valor para o estudante. Regeneração é um processo puramente espiritual. 
Não tem nada haver com conservação ou regularização sexual ou qualquer prática 
proibitiva. 
 
O motivo para esta vigorosa afirmação baseia-se na verdade, de que, a regeneração, uma 
vez realizada, irá automaticamente ajustar todas estas questões sem a necessidade de 
delinear faculdades conscientes para isso, ou mesmo forçar excessiva atenção sobre elas. 
 
 
 
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Não vou indicar como as citações foram legitimamente mal interpretadas, a ponto de 
levantar idéias baseadas primariamente em matérias sexuais. 
 
Como é do conhecimento do R+C que atingiu ou Graus Herméticos, nem todos os 
veículos do homem surgiram num mesmo tempo. Cada corpo seja Físico, Etérico ou 
Astral, tem seu próprio tempo definido de nascimento e maturidade. 
 
Isto também é verdadeiro para o revestimento mental e faculdades e portanto, verdadeiro 
para a alma e reais poderes espirituais. 
 
A alma, como se sabe, é uma essência extraída como sustento, do corpo Ternário pelo 
Espírito Ternário. Esta extração não pode ser feita até que as faculdades mentais estejam 
maturadas. Portanto, a alma - nascida do ESPÍRITO - ou seja gerada, transmitida ou 
trazida à existência pelo Espírito Ternário, NÃO nasceu no mundo coincidente com o 
nascimento do Corpo Físico e portanto, podemos afirmar que “é NECESSÁRIO nascer de 
novo” - “a menos que o homem nasça da Água e do Espírito ele não pode ver o Reino de 
Deus”. 
 
Aquilo que é carne (o Corpo Físico), é carne (Corpo Físico); nenhum organismo físico 
pode adentrar os Mundos Espirituais ou o Reino de Deus. Aquilo que nasce do Espírito É 
Espírito, (a Alma Ternária, nascida do Espírito Ternário e do Corpo Ternário). Esta Alma 
PODE entrar no Reino do Céu, Se - despertar ativamente para as funções que lhe são 
próprias. Ela não pode ser destruída, mas pode precisar mais de uma encarnação para 
alcançar o nível necessário para o despertar. 
 
O nascimento da alma é o segundo nascimento ou o nascimento do Espírito. A Alma 
PODE entrar no Reino de Deus quando quer que desperte para a Autoconsciência e Auto-
conhecimento já descrito anteriormente. A Alma em si é Ternária, como as outras divisões 
do Homem. Ela é Consciente, Emocional e Intelectual. O dois últimos estágios podem ser 
despertados e ativados, ainda que não possam propiciar a entrada da alma Ternária no 
verdadeiro Reino. 
 
O céu, como se sabe, existe em vários níveis. O primeiro ocupa as três sub-regiões mais 
elevadas do Mundo Astral. O segundo céu, ocupa as quatro sub-regiões do Mundo Mental 
ou a Divisão do Pensamento Concreto. O terceiro céu ocupa as três sub-regiões mais 
elevadas do mundo mental, ou a Divisão do Pensamento Abstrato. Este é o céu superior 
ou o Reino de Deus, ao qual a presente onda da humanidade se atém e ao qual a grande 
parte dela passa de forma inconsciente. 
 
O ASPECTO CONSCIENTE da Alma Ternária deve ser despertado e funcionar 
completamente antesque a Alma com o Ego possa passar por este Céu 
Conscientemente; eis o porque se faz tão necessário para o Homem “nascer de novo”, 
“renascer” ou “se regenerar” - recriar, reproduzir, para que possa ser completamente 
“Auto-Consciente e conhecedor de si mesmo; então ele irá experimentar a felicidade de 
entrar e passar conscientemente pelo terceiro céu. 
 
Este é o verdadeiro nascimento espiritual. Nascimento da água, pois Hermeticamente a 
água é o grande menstruum universal e o nascimento da alma do corpo físico é efetivado 
pelo mesmo grande fluído universal ou menstruum; A ÁGUA DO ESPÍRITO UNIVERSAL 
ou MERCÚRIO, o mediador cósmico sutil cuja virtude traz todas as coisas à existência e 
do qual a forma invisível da Água nada mais é do que a manifestação cristalizada em que 
seu elemento se forma. 
 
 
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Quando a alma nasce verdadeiramente para sua função ativa e autoconsciência, 
OCORRE A REGENERAÇÃO resultando na mudança visível exterior; ela é visível em 
caráter e moral. 
 
A alma cuja função é ativa, assume o controle, como o operador de uma máquina das 
faculdades do homem; isto ocorre de tal forma que todas as suas energias ficam 
disponíveis aos mais equilibrados esforços e usos; todas as questões relacionadas as 
condições sexuais ficam sob seu domínio. 
 
O verdadeiro homem ou mulher espiritual cuja alma possui, o controle ativo das funções 
veiculares, não pode mais se tornar um sexo maníaco ou um excêntrico, muito menos um 
bêbado ou um jogador. Ele não precisa determinações proibitivas especiais para 
convencê-lo. 
 
A regeneração pertence unicamente ao processo Espiritual; após despertar e coordenar o 
processo físico a um nível igual de regeneração, os abusos físicos são automaticamente 
corrigidos. 
 
O nascimento da alma é o real NASCIMENTO DO CRISTO interno. “O Cristo interno” não 
significa a incorporação de uma personalidade espiritual, mas o despertar para a vida e a 
Luz de uma Consciência Espiritual. É o elemento Divino em toda humanidade que, se 
manifestado ativamente no indivíduo, torna-se o Cristo interior pessoal deste indivíduo. 
“Cristo” significa portanto um poder ou princípio interno, espiritual, vivo e consciente, 
idêntico em sua natureza com o Logos (ou Verbo de Deus que se fez carne) com o qual os 
mais elevados atributos espirituais de cada pessoa se tornam unidos a final, se esta 
pessoa tem desenvolvido algum destes atributos Cristãos. “Este princípio é Ternário em 
sua natureza”, mas como diz Hartmann, “é inútil especular sobre seus atributos, já que só 
serão compreensíveis para aquele que realizar sua presença em si próprio”. 
 
A psicologia nos ensina que o processo e a sensação do pensamento nos centros neurais 
é acompanhada pela libertação de CALOR. É claro também para todos que diálogos, 
discussões, argumentos calorosos, sempre trazem uma rápida série de pensamentos, 
quase se aproximando da inspiração. O CALOR portanto, vem a ser o mais ativo agente a 
estabelecer correspondência e comunicação entre o interior e o exterior, o físico e o 
espiritual entre os mundos e reinos visíveis e invisíveis. 
 
A questão do CALOR é mais do que um interesse passageiro para o estudante da ciência 
sagrada. O fato de uma conversação calorosa desenvolver rapidamente o pensamento, 
indica que as atividades dos atos e processos espirituais, também são acompanhados 
pela liberação de calor, pois o fenômeno do pensamento se relaciona diretamente aos 
mundos espirituais e os veículos espirituais de sua transmissão ao Ego. A presença do 
calor é portanto extremamente significante, já que indica uma boa aproximação da real 
percepção do maior e mais central de todos os ensinamentos R+C, o FOGO Espiritual. 
 
O Verdadeiro Fogo é tão invisível quanto o verdadeiro vapor. A chama é simplesmente o 
corpo físico ou envelope do Fogo. O FOGO é hermeticamente definido como “uma 
atividade interna cuja manifestação externa é a luz e o calor”. Esta atividade difere em 
caráter de acordo com o plano em que se manifesta. O FOGO - NO PLANO ESPIRITUAL 
- representa Amor ou Ódio; no plano Astral representa Desejo ou Paixão; no Plano Físico 
representa Combustão. É O ELEMENTO PURIFICADOR, E DE CERTA FORMA É 
IDÊNTICO A VIDA. (Hartmann, Sec. Symb. p.4). 
 
 
44 
 
No plano mundano, o fogo é a polaridade oposta à água entre os elementos. Contudo, 
espiritualmente o Verdadeiro Fogo é encontrado ativamente potente na Água pois é o 
princípio vivificante em todas as coisas. Assim como há substância visível e invisível, há 
também uma água física tangível e uma água espiritual intangível. As potências 
purificadoras do Fogo Oculto na Água Espiritual torna possível a limpeza e a purificação 
da pessoa que segue verdadeiramente aqueles “Cinco Passos” ou “Pontos” para obter a 
Regeneração completa e genuína. 
 
Mais uma vez, a Água, definida hermeticamente, referindo-se ao reino do Espírito e 
particularmente à ALMA, é o ponto de ligação entre o Espírito e a Matéria. REPRESENTA 
TAMBÉM O PENSAMENTO. Portanto quando a ALMA nasce da Matéria (O corpo físico) 
vemos que a Regeneração é mais distintamente um VERDADEIRO PROCESSO 
MENTAL; de fato, é o empenho pessoal do princípio R+C do “PENSAR 
CORRETAMENTE” na própria experiência pessoal. 
 
O estudante irá notar também, que o processo da Regeneração é o nascimento espiritual 
resultante do casamento ou união dos corpos físico e Espiritual, ternários em suas 
naturezas. 
 
A regeneração, provoca reações tanto no veículo físico como no veículo espiritual, no 
despertar e na renovação dos poderes da Alma. Assim, estimular o CORRETO FALAR, 
CORRETO AGIR e CORRETO PENSAR, é RENOVAR AS CÉLULAS E TECIDOS DO 
CORPO FÍSICO, ELEVANDO-OS AOS PLANOS E ESTADOS DE VIBRAÇÕES 
SUPERIORES auxiliando-os na coordenação de suas funções, de forma mais 
concordante com os veículos espirituais. 
 
A Regeneração realmente reproduz, renova e regenera um organismo inteiramente 
NOVO, a partir de uma porção de um indivíduo completo; consideremos que é o processo 
de renovação, recriação e reprodução dos poderes latentes da alma, para uma nova vida, 
atividade e função, de uma parte do indivíduo completo (o corpo físico) pela ação de outra 
parte (os veículos espirituais ou princípios no Homem). 
 
O Homem completo é o Corpo, a Mente e o Espírito. 
 
A Regeneração reproduz de uma porção de cada, através da mente, o despertar, a ALMA 
AUTO-CONSCIENTE. A Regeneração é o renascimento NO ESPÍRITO, ex. da Essência 
Espiritual ou Alma no Mundo Espiritual, não no mundo exotérico exterior, pois a Alma só 
atua internamente, nunca externamente. O processo da Regeneração inclui a penetração 
de toda a estrutura do Homem, espiritual e física, pelo Divino Calor do Amor e pela Luz da 
Inteligência. Não se pode atingir a Regeneração em sua plenitude sem o toque, vivificante 
e a ação do Verdadeiro Amor, pois o Amor é criativo no indivíduo, assim como no Divino. 
O Amor nasce da nova consciência da participação nos atributos e Natureza Divina, que 
propõe o afastamento do “Velho Adão” e o assumir do “Novo Homem” que é o Homem 
Auto-consciente. Como o Amor é criativo e recreativo em sua ação, assim a Luz da 
Inteligência é o MERCÚRIO que ilumina o NOVO HOMEM ou o Homem Renascido, 
Recriado. 
 
Esta e a “Nova Criação” referida em GAL 6:15. 
 
As palavras - “porque sua semente permanecer nele” de 1ª João 3:9, se refere à 
minúscula semente do Corpo da Alma. A Semente é um dos grandes princípios da R+C e 
 
 
45 
dos Alquimistas. Falando alquimicamente, a Semente é denominada de “gérmen, 
elemento ou poder do qual o ser pode crescer. Há gérmens ou sementes dos Elementais, 
Minerais, Plantas, Animais e Humanos. A semente minúscula dos corpos Físico, Etérico e 
Astral do Homem já são familiares a todos os estudantes da Ciência Sagrada; contudo, eu 
ainda não mencionei sobre a semente minúscula do Corpo da Alma. Embora a Alma seja 
uma essência extraída do Físico ou corpo ternário pelo espírito ternário, a semente da 
alma deve ser previamente implantada no corpo ternáriopelo Ego quando encarna. 
 
Observe, o Corpo Físico resulta da semente enviada de um Corpo Físico. Tal semente 
não permanece no Homem. Mas o novo nascimento, o nascimento da Alma despertada ou 
autoconsciência vêm da Semente que permanece No homem - a semente da Alma ou 
Semente Minúscula da Alma. A Regeneração é o renascimento espiritual que vem da 
semente que permanece em cada ser humano; a Semente do PENSAMENTO 
CORRETO, ATOS CORRETOS E SENTIMENTO CORRETO; Isto NÃO é semente Física, 
mas Semente Espiritual, o nascimento de um casamento real entre o Espírito Ternário e o 
Corpo Ternário; não se trata da simples associação dos dois princípios ternários. 
 
O nascimento é feminino como o Corpo, Mente e Espírito, casam seus veículos exotéricos 
ou externos pela íntima associação aos veículos superiores, mas a alma regenerada o 
puro nascimento espiritual resultante do casamento entre Corpo e Espírito, tornando-se 
um único indivíduo, só existe espiritualmente e portanto não necessita se associar aos 
veículos inferiores; não necessita casar ou se dar em casamento. 
 
A ignorância com relação à natureza espiritual do processo de Regeneração tem sido 
amplamente responsável pela perversão de sua interpretação correta. Ela só se relaciona 
ao físico na medida em que os resultados da Regeneração reagem sobre o mesmo, 
tendendo a elevar suas vibrações a um plano mais elevado. 
 
A Regeneração não é portanto nenhuma prática, princípio ou teoria sexual, seja anormal 
ou subnormal, mas em todos os momentos um puro processo espiritual. 
 
Alquimicamente o processo da Regeneração é alcançado através do processo da 
sublimação; o material mais inferior e denso ou matéria da alma adormecida é conhecida 
pelos R+C como Tártaro - resíduo, substância depositada por um fluído (a Água ou 
Mercúrio da Regeneração) ou cristalizado a partir deste último. Os elementos grosseiros 
da alma. 
 
Todas as coisas só trabalham em seu ambiente ou mundo próprio. O Ar é um perfeito 
elemento natural para os pássaros, mas não para os peixes. Assim os reinos espirituais 
são perfeitamente naturais aos seres espirituais e para a natureza espiritual do homem, 
mas não para o homem físico. Portanto, a Regeneração deve acompanhar a busca pelo 
At-One-Ment. Nenhuma alma grosseira pode entrar no At-One-Ment com o Divino. A 
Regeneração ou renascimento espiritual deve ser alcançada como pré-requisito ou 
concomitante com o desejo pelo At-One-Ment. Assim, o aspirante entrará no Reino e 
entrando obterá o seu descanso. Todos os Martinistas espero, já conhecem bem estes 
princípios. 
 
Deve ficar claro a todos os irmãos que a Regeneração é um passo primário e essencial, 
eis o porque ela é tão falada aqui. 
 
 
 
46 
A primeira obra de um Martinista é se tornar Regenerado. A primeira obra de uma Loja 
Martinista é encorajar o Homem da Torrente a se tornar um Homem de Desejo, iniciando-
o no caminho. 
 
O que é o homem? 
 
“O Homem é essencialmente um ser espiritual, sua mente e seu corpo são apenas meios 
temporários de auto-expressão e auto-desenvolvimento. Quando esta verdadeira 
PERSONALIDADE é descoberta e se transforma no poder diretor, ocorre a paz 
permanente, tanto para o indivíduo como para a raça. Sem esta descoberta a paz é 
impossível. A busca e a descoberta do EU é portanto de importância Suprema”. 
 
“A evolução do Ser Espiritual à perfeição através de sucessivas vidas na terra é o 
verdadeiro propósito da existência humana”. 
 
“As experiências do homem são decididas pelas operações da lei de causa e efeito. A 
crueldade traz a guerra às nações além de dores e doenças aos indivíduos. Não há como 
escapar desta seqüência”. 
“Ao contrário, a gentileza traz felicidade e saúde. Enquanto esta lei não for reconhecida e 
aceita como uma regra da vida, as guerras e doenças continuarão existindo”. 
 
“O espírito que há dentro dos homens é senão um só espírito. Cada homem pertence a 
um gênero espiritual que não possui nenhum tipo de divisão. 
 
“A experiência desta unidade e suas aplicações à vida humana, constitui os únicos meios 
possíveis para se estabelecer a paz final sobre a terra e assegurar a saúde e a felicidade 
a cada ser humano”. 
 
“Tais são, em parte, os ensinamentos da Sabedoria através dos tempos. Tal é o caminho 
à saúde, felicidade, perfeição e paz eterna”. 
 
O despertar da Sabedoria 
 
Os relacionamentos humanos estão em crise em todo o mundo e o que se faz mais 
necessário e urgente é uma completa mudança de coração no homem, porque a crise está 
apenas na falta de consciência. Somente através de uma transformação individual é que 
teremos uma nova sociedade. Na medida em que o homem não está satisfeito com ele 
mesmo, cria muitos problemas psicológicos. A aceitação de sua própria responsabilidade 
é o primeiro passo que o homem dá rumo a libertação. Se ele compreende que a causa de 
todo caos é o mundo de mentiras que há em si, ele está pronto a examinar a estrutura e a 
motivação de sua mente, com a possibilidade de compreendê-la e conseqüentemente se 
libertar dela. 
 
O homem não é apenas carne e osso ou um aglomerado de condições psicológicas; ele 
possui um profundo potencial que precisa ser desenvolvido; isto só pode ser feito através 
da meditação, onde há perfeito repouso e a intuição funciona num estado totalmente 
ciente. 
 
Tanto a escravidão como a salvação estão dentro de cada indivíduo. A liberdade não pode 
ser obtida de canais externos. Como cada pessoa é única, sua libertação só pode surgir 
de sua própria compreensão, consciência e meditação. 
 
 
 
47 
O objetivo da vida espiritual não é apenas compreender o subconsciente e os níveis 
inconscientes de nossa mente, mas também obter experiência superconsciente via 
meditação. É impossível ir além de nossa mente consciente enquanto permanecemos 
impressionados pelo impacto de nossos anseios inconscientes. Há dois grandes 
obstáculos em nossa vida espiritual: um é a presença de grandes áreas do inconsciente 
na mente que não exploramos e o outro é a presença de experiências passadas na mente 
consciente. 
 
Como resultado desta condição psicológica, a tão chamada consciência é apenas uma 
identificação com as falsas imagens projetadas pelos impulsos e instintos inconscientes. 
Há dois tipos de memórias: a memória psicológica, que é uma combinação de velhas 
impressões, gostos, desgostos e preconceitos; e a memória técnica que é o Know-how 
das coisas, conhecimento científico. Esta memória técnica não é um impedimento, mas a 
memória psicológica é um obstáculo para um buscador compreender a realidade. 
 
Já que a mente humana é como um macaco pulando de um assunto a outro, se ela não 
for trazida ao repouso, se torna um obstáculo problemático para a realização da 
Realidade. A ignorância é a causa fundamental da escravidão e da miséria. Enquanto 
houver a agitação da mente como um processo repetitivo ninguém poderá estabelecer a 
paz interior ou a harmonia. Onde houver apego, medo, ciúme, culpa e ódio não poderá 
haver amor e liberdade. Estar despertado espiritualmente significa estar consciente, a 
cada instante, de seu pensamento. Se formos atentos, observadores alertas, então nossa 
mente não é mais pega pelo medo e pela frustração, haverá então, uma possibilidade de 
atingir o estado do doce silêncio; com base neste doce silêncio o homem poderá descobrir 
a Divindade incognoscível ao ego. 
 
É preciso compreender que a mente é bastante enganosa e inquieta; ela pode produzir um 
céu de inferno e um inferno de céu. Só aquele que se libertou de cada traço do 
condicionamento psicológico e da decepção mental está preparado a empreender uma 
jornada rumo a libertação espiritual e merece ser chamado de um real buscador. Cada 
buscador tem que experiência uma morte iniciática na senda espiritual, o que significa a 
anulação do eu inferior - ego, mas isto não envolve a morte do corpo e sim o portão da 
iluminação. 
 
O Homem deve nascer de novo, do espírito e só aquele que desistir de sua vida irá 
encontrá-la. Como o homem esqueceu-sede redescobrir seu espírito eterno, encontramos 
várias complicações em nossa civilização moderna. Até que e a menos que aspiremos 
alcançar nosso estado original de Divindade, não poderemos desfrutar a beleza e a 
plenitude do amor. A Verdade permanece abstrata, remota e totalmente irrelevante para a 
vida de alguém até que este alguém a realize por si mesmo. A Verdade se torna um fator 
de liberação somente quando A descobrimos pessoalmente via meditação. 
 
A meditação é um método direto de encontrar a Verdade e apenas ao perder o egoísmo é 
que se pode despertar a sabedoria intuitiva. Enquanto o homem, não compreender que é 
essencialmente Divino, não obterá a libertação e a redenção espiritual. Na meditação 
tanto o subjetivo quanto o objetivo estão juntos e neste estado de consciência meditativa, 
em que a mente se encontra absolutamente em silêncio, é possível ver todas as coisas de 
maneira compreensível. A meditação é a arte Divina de observar a mente sem nenhuma 
interferência do pensamento. Em toda esta observação há somente o vazio de qualquer 
imagem colocada pelo pensamento, mas compreendemos também que não há dualidade 
do tipo meditador e meditação. Em outras palavras não há divisão entre observador e o 
observado. 
 
 
48 
 
Quando o ego está inoperante, embora processe resultados, então experimentamos o 
êxtase do silêncio. Realmente, na meditação a atividade mental é colocada de lado o que 
nos ajuda a derrubar as complicações psicológicas e naquele momento o vagar da mente 
cessa, ocorrendo a tranqüilidade. Isto aponta para um estado de consciência sem 
escolhas, onde a dualidade é não existente. A meditação é o caminho de ouro pelo qual a 
mente condicionada se torna não condicionada. Isto nos ajuda a libertar o domínio do ego. 
Proporciona a oportunidade de penetrar e observar nossos pensamentos sem 
envolvimento emocional. 
 
O objetivo da meditação é transcender o ego e se voltar para o homem consciente que é 
eterno. Oferece um recompensador exercício espiritual de negação do ego, quando é 
possível despertar a Sabedoria Divina que irá nos guiar para sermos um com a Realidade 
Absoluta que existe por si só. 
 
A atitude de um aspirante deveria ser a de exaltação espiritual da humanidade e para isso, 
deve dedicar toda sua existência à busca da Verdade, seguindo uma vida de pureza, 
humildade e serenidade. Como fez Saint-Martin, cada um deve seguir a vida espiritual, 
não no isolamento, mas no meio da sociedade, podendo colocar outros em direção à 
Divindade e assim atrair a transmutação e a elevação Divina. 
 
A aplicação da sabedoria mística é a única solução para o homem moderno que se 
confronta com várias pressões psicológicas e vários problemas. A utilidade do 
conhecimento místico irá abrir o caminho para alcançar a perfeição e a bem-aventurança. 
Não é necessário dizer que, a prática da meditação é a chave mestra para abrir a porta 
dentro de nós. A vida espiritual não é uma questão de um mero subjetivismo negando toda 
a realidade das condições ou circunstancias objetivas, mas, ao contrário, o mundo em que 
vivemos é um lugar ideal para o buscador praticar a meditação e desenvolver as 
faculdades Divinas. 
 
Um dos maiores desafios da vida espiritual é manter o interesse e o entusiasmo em meio 
às dificuldades intermináveis e trilhas severas. Nossa civilização está num terrível estado 
de pressa, embora não se saiba para que tanta pressa. 
 
Uma vida superficial necessita constantemente de estímulo. Há uma ânsia por mais e mais 
sensações e diversões. Uma mente que funciona a nível superficial, não pode 
compreender a beleza do êxtase, do amor e da meditação. A felicidade que procuramos 
não é uma felicidade superficial determinada pelas circunstâncias, atrações, repulsos e 
vários outros fatores condicionantes. A felicidade real é algo que nos dá completa 
satisfação e liberdade interior a qual nos permite viver e agir sem nenhum tipo de ânsia 
por excitações e estímulos. 
 
Esta excitante liberação confere uma clareza de visão e uma consciência através das 
quais é possível perceber o Momento Eterno. Além interior aprofunda nossa compreensão 
na descoberta de nossa Realidade que se revela gradativamente, neste processo de 
exploração eterna. 
 
O Corpo Físico, os sentimentos, as emoções e acima de tudo nossa mente, devem se 
tornar cada vez mais pura se pretendemos atingir algum progresso espiritual. A menos 
que toda a nossa consciência se acalme, não poderá refletir a verdade e a beleza da paz 
perfeita. A busca da verdade é uma peregrinação interna; algumas vezes é chamada de 
“Caminho Interior”, é uma visão Divina que deve ser despertada pela elevação, que se 
 
 
49 
sobrepõe à ilusão do egoísmo. A pureza é o que esclarece a ignorância. Ela leva à 
harmonia, ao ritmo, à tranqüilidade viva e a compaixão por toda vida. É em tal estado de 
pureza que experimentamos a beleza do silêncio insondável. 
 
No momento pensamento científico o espírito e a matéria não são mais categorias 
separadas, mas diferentes aspectos do mesmo processo universal. No recente 
desenvolvimento da psicologia transpessoal, os estágios de consciência transcendentes e 
místicos são cada vez mais estudados. Há uma tentativa de criar uma ponte entre a 
psicologia e a espiritualidade. 
 
Há muitos níveis de consciência na mente dos quais, normalmente, a humanidade não se 
apercebe. A mente humana individual é parte da Realidade Absoluta. Por traz de cada ser 
humano há uma infinita dimensão espiritual, porque a vida é algo não fragmentável; a vida 
é uma indivisível santidade. A ignorância do homem com relação à natureza essencial de 
sua Divindade é uma causa básica da presente crise mundial. Este problema não pode ser 
resolvido por nenhuma racionalização, mas apenas através da sabedoria intuitiva. 
 
A meditação é a consciência da paz perfeita, um processo de eliminação do falso ego. Ela 
estabelece uma ligação viva e ininterrupta com a Realidade Absoluta. Psicologicamente, a 
meditação atrai uma integração e uma consciência holística unitária, um estado de 
repouso e harmonia em nosso relacionamento. Realmente, na meditação as energias 
circulam internamente e por isso ocorre o silêncio inquebrantável. Na meditação 
experimentamos não só a doçura do êxtase, mas também desenvolvemos a capacidade 
de resolver problemas de forma completamente diferente, o que nos leva à liberdade. 
 
A consciência é um estado de autoconhecimento - uma silenciosa observação de coisas e 
eventos tais como são sem decepção mental. É de se observar que cada experiência 
deixa uma marca na mente, sua força varia de acordo com a intensidade da dor e do 
prazer envolvido. Esta marca ou resíduo do passado torna-se a semente em torno da qual 
cada pensamento no presente se cristaliza e cresce. Isto significa que todas as coisas são 
imediatamente traduzidas pela mente em termos de dor ou prazer. 
 
A mente não sabe como ser neutra. Com a repetição há a formação do hábito e finalmente 
a escravidão. Assim, vemos que a mente necessita de atribuições e se ela deixa um 
hábito logo pega outro. Com o modelo da dualidade não há como se desligar do hábito - o 
rompimento de um hábito só ocorre quando nos colocamos acima e além do conflito da 
dualidade. 
 
Só através da compreensão de todo o mecanismo da formação de hábito e da visão deste 
mecanismo numa operação real - o que requer máxima atenção e paciência - é que o 
pensamento poderá se libertar do hábito. 
 
A mente de consciência superficial está ocupada com vários problemas. É preciso ter a 
capacidade de observar o que acontece sem nenhuma distorção ou ressentimento. A fim 
de compreender ou esconder motivos, reações de pensamentos e sentimentos, deve 
haver imparcialidade mental e tranqüilidade; desta forma, as profundas camadas da mente 
subconsciente são projetadas no nível consciente, sendo transcendida. Enquanto se está 
preocupado com condicionamentos e preconceitos, não se pode perceber a beleza da 
Verdade. Cada emoção ou frustração temuma conseqüência fisiológica direta assim como 
psicológica. Quando as emoções são, sistematicamente, não expressas e os conflitos 
permanecem não resolvidos, há então a possibilidade da pessoa desenvolver sintomas 
neuróticos, stress crônicos e distúrbios mentais. 
 
 
50 
 
A meditação nos dá a capacidade de expressar e resolver vários conflitos emocionais e 
mentais e assim, restaurar o poder natural inerente da auto-cura e a auto-direção. O 
propósito da meditação é auxiliar os indivíduos a recuperar a capacidade perdida de auto-
desenvolvimento e alcançar o estado de serenidade e segurança mental. Se tornar puro 
psíquica e mentalmente é o primeiro passo em direção à vida espiritual. É fundamental 
manter a regularidade e a disciplina interna, para que o buscador entre nas vastas e 
profundas perspectivas da dimensão espiritual. Se alguém pode realizar seu dever com 
desapego, sem pensar nos resultados, então esta própria ação irá purificar sua mente. Isto 
é simples para o Martinista que usa simbolicamente a máscara. A devoção é realmente a 
arte de se render ao poder interno que restaura o equilíbrio mental e provê energia 
renovada para enfrentar as responsabilidades mundanas. 
 
O prazer espontâneo que alguém experiência na meditação não é mental, mas uma 
permanência na pura consciência da Divindade. Esta harmonia flui da graça Divina, e o 
silêncio criativo resultante opera quanto todo o campo da mente se encontra livre das 
ervas daninhas do pensamento. Este método único e universal da meditação está de 
acordo com os ensinamentos eternos dos grandes sábios da humanidade, porque não 
exige nenhuma forma particular de crença religiosa; não tem nada haver com qualquer 
culto sectário. 
 
Todos os caminhos místicos proclamam que algo maravilhoso ocorre quando o homem 
consegue tranqüilizar os órgãos dos sentidos e a mente, pois isto coloca cara a cara com 
o mistério de seu próprio ser verdadeiro, com a iluminação total e o estado de liberação 
espiritual. A morte física não é o término da energia vital, mas, ao contrário, a continuação 
da vida. A morte proporciona à alma, a oportunidade de experimentar uma dimensão de 
consciência diferente, sua marcha progressiva para o objetivo final da perfeição e da 
liberação. 
 
A vida é um movimento constante e aquela vivida momento a momento, sem carregar 
nenhum peso do passado psicológico está sempre livre. Portanto, está sempre aliviada. 
Este estado de viver no eterno agora é possível eliminando-se o eu egoísta, fonte de toda 
miséria. 
 
Enquanto persistir o sentido do ego, não haverá fim para a ignorância e a escravidão. Não 
seremos livres enquanto não deixarmos de ser egoístas, quando isto ocorre, temos a 
consciência de nossa alma - um princípio transcendente da Consciência Suprema. A alma 
não tem limites e é sempre pura. Contudo, de alguma forma, através da ignorância a alma 
tem sido associada ao corpo físico e a mente; esta associação errônea e a falsa 
identificação só podem acabar através da sabedoria espiritual. 
 
A vida é um processo pelo qual devemos experienciar as realidades vivas da energia da 
alma. Se somos capazes de experienciar a doçura da serenidade em nossa vida diária 
então há a possibilidade de contatar o magnetismo espiritual que irá transformar definitiva 
e profundamente nossa visão e atitude com relação a vida. Esta consciência meditativa 
nos fornece sempre energia Divina renovada e revigorada. Transformação espiritual 
implica em total e incondicional mudança da mente humana. Permite que o ser humano 
emerja de tal forma que todos os hábitos e tendências animalescas são completamente 
aniquilados. Assim, o homem fica numa posição muito melhor para operar numa nova 
dimensão de consciência onde uma percepção direta da realidade é possível. 
 
 
 
51 
As coisas materiais não nos oferece uma satisfação completa; é a alegria da energia da 
alma que se permeia através de nossos sentidos e mente o que no sustem com força, 
estabilidade e felicidade. Quando nos afirmamos em nosso ser Divino e agimos com 
espírito de desapego e dedicação, então todas as nossas atividades levam a um 
relaxamento mental. Ter sucesso verdadeiro é manter paz na mente e liberdade interna 
através da meditação, pois o homem é um espírito dotado de mente e corpo físico. A 
superioridade do homem está na compreensão e transformação da mente. Na verdade, o 
único instrumento que o homem tem para resolver qualquer problema, á a sua mente. 
 
Consideramos a meditação como uma disciplina da mente e seu objetivo é a iluminação e 
a libertação. Como somos essencialmente o Infinito e nunca o finito, nada menos do que 
alcançar o Absoluto poderá nos satisfazer e nos liberar. Se pudermos olhar todas as 
coisas sem a imagem fabricada do ego, então será possível viver uma vida 
completamente livre de conflitos psicológicos e confusões. Poderemos imaginar a unidade 
essencial da existência, quando assimilarmos as qualidades Divinas da compaixão, 
contemplação, discernimento e intuição. 
 
A eterna vigilância é necessária o tempo todo para se descobrir a Divindade. Quando o 
homem atinge o mais alto estágio da meditação ele transcende os conflitos mentais e a 
confusão. A consciência meditativa é o caminho correto para se obter o estado da 
perfeição absoluta. Apenas quando nossa consciência estiver em total repouso 
desfrutaremos o perfume do êxtase - deste estado é que poderemos ser elevados ao 
ponto culminante da bem-aventurança consciência e sabedoria. 
 
 
A Via do Coração 
 
por 
 
Papus 
 
Conheço um homem simples que nunca leu um livro e, no entanto, pode resolver os mais 
intrigantes problemas da ciência melhor do que famosos cientistas. Há pessoas humildes 
sem qualificação acadêmica e experiência médica a quem o céu é tão acessível que os 
doentes são curados a seu pedido e os fracos sentem seus corações enternecerem na 
amabilidade de sua presença. Joana D’arc nunca havia lido um tratado sobre estratégia e 
nem visto um campo de batalha, contudo ela venceu, em sua primeira tentativa, as 
grandes táticas de seu tempo! COMO ISTO PODE OCORRER? ! É muito simples: ela se 
rendeu completamente à Vontade Divina e não questionou o Invisível, como teria feito um 
adepto do Plano Intelectual. 
 
Pode-se imaginar então, no emaranhado caminho, em que os críticos observam estas 
criaturas, quais são animadas pela “Luz Vivificante do Pai” e geralmente conhecidas como 
quietistas ou místicas? Eles (os adeptos do Plano Intelectual) não podem compreendê-
los, pois tentam medir as faculdades universais com as limitadas capacidades de seus 
cérebros. Por não poder compreendê-los, os críticos insultam e menosprezam os místicos; 
enquanto isso o místico ora por aquele que o atormenta e prossegue com seu trabalho de 
amor. 
 
O caminho do Desenvolvimento Espiritual é simples e direto: “Viver sempre para outros e 
nunca para si”; “Nunca pensar ou falar mal daquele que está ausente”; “Fazer o que é 
 
 
52 
difícil antes de fazer o que se gosta”; estas são algumas fórmulas da Via Mística que leva 
à humildade e à oração. 
 
Há uma forma de purificação física muito apreciada pelo adepto do Plano Intelectual: é o 
vegetarianismo, que diminui a atração do físico. Contudo, esta purificação não significa 
nada. Quando purgamos o corpo da influência animal não purgamos o corpo astral do 
egoísmo e o espírito da influência da vaidade, coisas muito mais graves do que os 
impulsos que possam ser gerados pelo fato de se comer carne. 
 
Quando um homem pensa que sabe alguma coisa e quer se igualar aos deuses, 
trabalhando para alcançar sua salvação pessoal, se recolhendo numa torre de marfim para 
se purificar, por que algo deveria ser dado a ele? Ele pensa ter o que precisa e se 
considera uma pessoa pura que conhece todas as coisas. Mas quando um homem é 
simples, consciente de sua fraqueza e sabe que sua vontade é de pouca importância se 
não estiver de acordo com as ações do Pai Celestial; quando ele não se preocupa com a 
purificação pessoal,não tem que se tornar um membro de uma Loja, mas certamente 
pode fazê-lo, se desejar participar das atividades da Loja. Um Martinista que não é 
membro de uma Loja é chamado de Martinista “Livre”. Ele pode visitar uma Loja a convite 
de um Mestre da Loja, contudo se desejar participar regularmente seria apropriado se 
tornar um membro da Loja em particular. Viver a Vida Martinista e se empenhar na 
regeneração e reintegração é uma obra individual, seja para aquele que escolhe se tornar 
membro de uma Loja ou para o que prefere se mantiver “livre”. 
 
Quais são os princípios da Doutrina Martinista? 
 
Sucintamente: 
 
a) O Homem Original (também conhecido como Adão Primitivo ou Homem Arquetípico) 
era um Ser Espiritual complexo, emanado por Deus para cumprir uma missão particular. 
Ele habitava um plano espiritual elevado, onde desfrutava de muitos privilégios. 
 
b) Através do mau uso de sua vontade livre, ele “pecou”. Seu erro ocasionou a queda de 
sua posição primitiva para o mundo físico. Ele era originalmente um Ser unificado, mas em 
sua queda se tornou fragmentado e disperso, as células que o compunham originalmente 
formam agora as almas dos homens e mulheres que povoam o mundo físico 
(Humanidade). 
 
c) Seu lugar foi tomado por outro Ser, eleito para fazer o seu trabalho e mostrar-lhe o 
caminho de volta ao seu Primeiro Estado. Este Ser é conhecido pelos Martinistas como 
Ieschouah (viavh) 
 
d) O objetivo da humanidade, tanto individual como coletivo, é se reintegrar no Arquétipo 
novamente, a fim de que aquele Adão Primitivo possa ser restaurado. Enquanto isto não 
acontecer, iremos continuar sofrendo as conseqüências inerentes ao mundo físico 
(chamado de “A floresta dos Erros” por Saint-Martin). 
 
CONFERÊNCIA N 1 
 
É preciso saber desde o início que Martinismo é outro termo para Misticismo Cristão. 
 
Busca colocar o Homem mais uma vez no caminho da Regeneração e Reintegração. 
 
Não tem outro propósito, nenhum outro objetivo. Nossa Ordem e suas atividades serão de 
interesse exclusivo daqueles que são capazes de nutrirem idéias místicas e os mais 
sublimes princípios. Muitos são chamados a sua mesa de alimentos, mas só serão 
convidados a permanecer, aqueles que tiverem avançado suficientemente para serem 
aceitos no banquete espiritual. Deixem-me dizer, primeiramente, algo a respeito de como 
surgiu o Martinismo. Seus fundamentos são aqueles promulgados por Martinez de 
Pasquallys em meados do século XVIII, mas seu nome homenageia seu discípulo: Louis-
Claude de Saint-Martin. 
 
A base dos ensinamentos de Pasquallys fora transmitida oralmente a grupos organizados 
e ordenados por ele. Estes grupos eram formados principalmente por francos maçons. A 
Maçonaria estava num estado de transição e a experiência foi um tanto confusa. Havia um 
conflito entre as tradições antigas do esoterismo e as novas idéias do fraternalismo liberal; 
Pasquallys, Cagliostro e o Conde de Saint Germain apoiavam o lado do misticismo 
 
 
6 
genuíno da tradição antiga. Se os ensinamentos de Pasquallys tivessem sido 
complemente aceitos e desenvolvidos, todo o caráter da França poderia ter sido diferente. 
Pasquallys, como se sabe, foi afastado de sua obra antecipadamente, e não havia 
ninguém, entre seus sucessores, capaz de completar a transmutação. 
 
Jean Baptiste Willermoz e Saint-Martin continuaram a perpetuar a obra que Pasquallys 
havia iniciado, mas cada um tinha uma visão diferente sobre o que o seu mestre buscava 
realizar; portanto começaram a trabalhar em direções diferentes. Willermoz trabalhou para 
condensar as idéias de Pasquallys no modelo da Franco-Maçonaria e limitar suas 
atividades inteiramente aos homens. 
 
Saint-Martin, por outro lado, se desinteressou pelas práticas teúrgicas e se dedicou mais à 
via mística ou Caminho Interior, ensinando tanto ao homem como a mulher cuja 
disposição espiritual fosse aparente. 
 
Em 1890, o espírito agente entre os Martinistas era o Dr. Gerard Encausse, mais conhecido 
pelo nome de Papus. A ele muito se deve por ter moldado a Ordem como a conhecemos 
hoje. Portanto, nossa Ordem, nos dias de hoje, se deve tanto a Papus quanto a Pasquallys ou 
Saint-Martin. Uma história completa de nossa Ordem está disponível e todos os irmãos 
deveriam estudá-la. 
 
Reunimo-nos como Martinistas não só para desfrutar de nossa associação mútua, não só 
para expressar meros agradecimentos por tais oportunidades, como as que a vida pode 
nos ofertar durante este curto intervalo terrestre de nossa existência; mas também para 
nos tornarmos artífices, a fim de que possamos participar do que pode ser corretamente 
chamado de um projeto gigante de construção. 
 
Que fique claro a todos que o Grande Arquiteto do Universo concebeu e executou um 
plano magnificente. Como seres humanos, somos segmentos deste plano. 
 
Encaixamos-nos nele de alguma forma; muito de nós não estão certos disto; sabemos, no 
entanto, que não podemos nos separar completamente dele. Este plano exige que 
sejamos agentes do Supremo Arquiteto e, como Seus agentes, que trabalhemos 
ativamente aqui na Terra. Como Martinistas, então, estamos associados uns aos outros 
pelo propósito de descobrir aquelas verdades fundamentais do plano Divino e construir 
uma ponte na lacuna existente entre a ciência e a religião. 
 
Na antiguidade, ciência e religião não eram nada além do que aspectos separados de um 
mesmo estudo. Hoje, encontramos a ciência e a religião completamente afastadas, parecendo 
não só serem independentes uma da outra, mas também hostis em alguns aspectos. São 
como duas grandes engenharias preocupadas com a mesma tarefa de construir uma ponte 
através de um rio. 
 
Ambas possuem pessoal e equipamentos de construção nas margens opostas, mas não 
chegam a um acordo quanto aos princípios de construção e o método de execução. Ocupam-
se futilmente e sem propósitos com argumentos, deixando o rio sem ponte e sem 
possibilidade de tráfego através dele. 
 
A Ciência tem feito apenas tentativas em comparação com o que deveria ter feito a fim de 
restaurar o homem ao seu lugar correto na natureza. Relativamente, ela apenas começou 
a reduzir uma porção do grande plano do Arquiteto àquela forma que o homem pode 
entender e usar na vida diária. Preocupa-se unicamente com certos aspectos do plano do 
 
 
7 
Grande Arquiteto. Os aspectos imateriais, aquelas qualidades normalmente citadas como 
“espirituais” e “psíquicas” são dificilmente tratadas ou quase nunca. 
 
As causas primeiras ou o que é geralmente conhecido como proposições metafísicas, tais 
como “Porque estamos aqui?” e “Quais as finalidades que o homem deveria ter na vida?” 
são tidas como fora da sua alçada. 
 
A religião, por outro lado, em suas declarações, dogmas, ritos e práticas tem 
freqüentemente sustentado não ser digna de suas tradições, questionando as causas 
Divinas. Ela deixa o homem numa posição em que é obrigado a ter uma fé cega em 
muitos assuntos, ou aceitar apenas aquelas verdades, que inclinadas materialmente, a 
ciência é capaz de demonstrar. É evidente, portanto, que nosso dever é nos tornarmos os 
construtores intermediários. 
 
Primeiro, devemos nos preparar aqui em nossa Loja para a grande obra que iremos 
empreender. Precisamos ser treinados antes de realmente fixar um objetivo real. 
Precisamos nos familiarizar com as ferramentas que serão usadas. Precisamos nos 
tornar habilidosos artífices. Não podemos cometer nenhuma estupidez. O “sistema de 
tentativas e erros” é um que não podemos aceitar. 
 
Antes de iniciarmos qualquer procedimento, ele precisa ter uma probabilidade de 
realização. Deve parecer plausível por certas regras de compreensão testadas. Além do 
mais, não iremos descartar nenhum fato, idéia ou objeto de conhecimento que sejam úteis, 
simplesmente por não terem se originado conosco. O que quer que seja aplicável à 
situação e que tenhamos em mãos deve ser usado. 
 
CONFERÊNCIA N 2 
 
Aquele que busca a admissão em nossa ordem é conhecido como “Suplicante”com suas necessidades, mas sim com o sofrimento dos outros, então 
o céu o reconhece como uma de suas “crianças pequeninas” e o Cristo pede para que 
seja levado até Ele. 
 
Uma mãe que dedicou uma vida para criar não só suas próprias crianças, mas também 
aquelas de pessoas mais pobres, é maior perante o Eterno do que qualquer teólogo 
pedante e do que os tão chamados “adeptos”, orgulhosos de sua “pureza”. Esta é uma 
verdade instintiva que atinge as pessoas sem nenhuma necessidade de demonstrações 
pois é uma Verdade que se aplica em todos os níveis. 
 
Portanto, que o objetivo do estudante seja antes a simplicidade e não o pedantismo e que 
tenha cuidado com os homens que o consideram perfeito pois “A queda é maior para 
aquele que cai de grandes alturas”! 
 
A VIA MÍSTICA - o caminho do coração - requer auxílio ininterrupto em todos os estágios 
de evolução e percepção. No Plano Físico, auxílio de amigos e mestres que ensinam pelo 
exemplo. No Plano Astral, auxílio de pensamentos de devoção e caridade iluminando a 
senda e habilitando o homem a suportar as provas através da paz do coração. Finalmente, 
no Plano Espiritual, auxílio dos Espíritos Guardiões, fortalecido pelos sentimentos de 
piedade por todos os pecadores e pelos sentimentos de indulgência por toda fraqueza 
humana e também orando por toda vontade cega e por todos os inimigos. 
 
Tudo isto para que as trevas terrestres desapareçam lentamente, a fim de que o Véu se 
erga por um momento e o sentimento Divino de conhecer a oração de alguém seja claro, 
enchendo os corações de amor e coragem. 
 
Atingido este ponto, o místico não pode compreender a necessidade das chamadas 
sociedades elitizadas, nem mesmo aquelas devotadas ao ocultismo, ou a numerosos 
livros, necessários para explicar coisas tão simples. O homem se torna prudente com 
relação a sociedades e livros extraindo muito mais conhecimento quando em comunhão 
com os abandonados e flagelados. Ele ATUA e não mais lê. Ele ora, perdoa e não tem 
tempo para julgar ou criticar. 
 
O intelectual, observando tal homem, indaga em primeiro lugar através de que livro teria 
atingido este estágio; também, a que tradição pertenceria; por fim, em que categoria 
deveria colocá-lo para melhor julgá-lo! Ele busca a “palavra mágica” que o místico usa à 
sua vontade, para curar a doença mais maligna; pretende usá-la na forma de hipnose que 
 
 
53 
o permite influenciar a mente dos outros, fortemente, até mesmo a longa distância, sempre 
com propósito egoísta que está por traz de tudo isto. Como o intelectual não encontra em 
livros a resposta para estas questões e como necessita de uma explicação para obter a 
paz em sua mente, diz seriamente a si mesmo ou ao círculo de seus admiradores: 
“Possessão”! ou “Uma Mística”! ou “Simples Sugestão” e tudo está dito. Assim, o 
intelectual se torna um pouco mais vaidoso e o místico um pouco mais humilde. 
 
Enquanto que para o progresso no Plano Intelectual é necessário estudo, leitura e tempo, 
nada disso é necessário para progredir na Via Mística. Ela pode ser quase que totalmente 
abordada e em uma hora do tempo terrestre como ocorreu com Swedemborg, no primeiro 
dia de sua visão, e à Jacob Boehme; também pode demorar 19 anos antes que sua 
entrada seja descoberta, como foi o caso de Willermoz e de muitos ocultistas. Isto ocorre 
porque a porta para este caminho não é aberta pelo buscador, mas por seus guias 
invisíveis e pela pressão de seu ser espiritual. 
 
Portanto, não há nada mais fácil ou mais difícil do que seguir esta via. Ela está aberta a 
todos os homens de “boa vontade” e nenhum outro homem é digno dela. A porta de 
entrada é tão pequena que só as criancinhas podem entrar. Como aqueles que chegam 
até a porta geralmente são homens altos e orgulhosos, que pensam estar abaixo de sua 
dignidade se tornar pequenos, a entrada permanece invisível a eles por longo tempo. 
 
Qual é o propósito de uma loja Martinista? 
 
Uma loja Martinista é composta de pessoas que são Martinistas e que se reúnem com 
propósitos Martinistas. Papus organizou a Ordem Martinista para assegurar e ter a certeza 
da perpetuação da Iniciação, este continua sendo o primeiro trabalho da Loja. 
 
Nossa Ordem existe para restaurar o Homem a seus poderes primitivos. Para que esta 
obra seja realizada a Loja deve ser extremamente ativa - os membros devem buscar 
diligentemente, candidatos adequados em todos os sentidos sejam no cumprimento, na 
largura, no peso e na profundidade da sociedade e levá-los até à loja onde, se forem 
determinados como dignos, poderão ser conduzidos a serem “livres Martinistas”, obtendo 
os ensinamentos básicos que irão iniciá-los no caminho da Regeneração e da 
Reintegração. 
 
Todos os Martinistas devem se tornar membros de uma Loja? 
 
Se espera que todos os Martinistas vivam a vida Martinista - nem todos estão 
interessados no trabalho de uma Loja. Os Martinistas livres podem visitar uma Loja a 
convite do Mestre desta Loja; se ele se identificar com o trabalho realizado ali poderá se 
inscrever como membro. Esta é uma questão individual. 
 
 
A Regeneração 
 
Uma minuciosa compreensão do princípio da Regeneração deve ser adquirida por cada 
Martinista, pois esta é exatamente o cubo sob o qual a vida espiritual se movimenta. Ao 
apresentar esta leitura espero, muito mais, uma ampla discussão e desenvolvimento de 
idéias, do que esgotar os pensamentos sobre o assunto. 
 
Muitos buscadores da Via Mística se perdem na neblina do intelectualismo. A 
Espiritualidade é uma obtenção não um conceito. Como quando se remove a sujeira e a 
 
 
54 
poeira da lente de uma lanterna para que a luz possa brilhar, o homem deve remover a 
sujeira de si, para que a luz interior se manifeste. Isto tem haver com o desenvolvimento 
do ser. É uma coisa prática. Os ensinamentos místicos, por si, não podem realizá-la. 
 
A Regeneração é definida como “o ato de reformar completamente, se fazer novo, 
espiritualmente”. É o processo pelo qual alguém muda o curso de sua vida. Simboliza a 
nova produção, através de um processo de transmutação e evolução das qualidades 
purificadas e aperfeiçoadas do novo ser, que assim surge para um novo nascimento nos 
planos mais elevados da consciência. 
 
A palavra “regeneração” é mencionada na Bíblia apenas duas vezes, embora a idéia 
esteja implícita em muitas das palavras de Jesus. Lemos em Titãs 3:5, “E não por causa 
de obras de justiça que tivéssemos praticado, mas unicamente em virtude de sua 
misericórdia, Ele nos salvou mediante o batismo da regeneração e renovação, pelo 
Espírito Santo”. * 
 
Não é por causa dos mais altos impulsos da natureza inferior que um resultado espiritual 
ou uma elevação de consciência é alcançado; mas unicamente de acordo com uma livre 
graça do Espírito Santo é que a alma pode se fazer imortal. As qualidades espirituais são 
concedidas na proporção em que a natureza humana é purificada e se eleva através das 
transmutações efetuadas pelo Espírito Santo. O ensinamento é que a natureza inferior não 
tem a possibilidade de elevar sua condição, pois ela não possui e nem controla os 
elementos superiores. Estes elementos superiores são dados à alma lutadora QUANDO 
ESTA SE ENCONTRA SUFICIENTEMENTE EVOLUÍDA E PREPARADA PARA 
RECEBÊ-LOS e escolhe aceitá-los. 
 
Eis aqui dois extratos sobre o assunto que irão trazer esclarecimentos. 
 
“Não há ascensão dos desejos humanos sobre sua fonte. Quando quer que em um 
coração surja um pensamento, um desejo, uma oração, uma convicção celestial, é porque 
veio primeiramente do céu e se elevou novamente, a fim de buscar o seu plano. Tudo o 
que é Divino no homem vem de Deus. Tudo o que se dirige a Deus no homem, é a voz de 
Deus no coração humano; se não fosse pela posse e operação, estimulante e santificante, 
de um Espírito Divino vivo, concedido a nós, nossas almas se reduziriam ao pó e à 
morada terrestre, nunca se elevando à Deus e nunca vivendo na luz de Sua presença”. A. 
MACLOREN, Sermons, 1 st Series, p.62. 
 
“A verdadeira edefinidamente direcionada vida mística provoca o mais real e estupendo, 
apesar de indescritível, fenômeno: o despertar da consciência do profundo ser espiritual 
do homem, o que os escritores místicos e devotos de todos os tempos concordaram em 
chamar de Regeneração ou Renascimento. Aqui, o lado mais profundo ou místico do 
homem é mostrado, seu caráter Divino é revelado. Através de um processo que pode ser 
igualmente, descrito como o nascimento de algo novo, ou o despertar de algo que estava 
adormecido (estas duas frases não são mais do que metáforas de algo mais secreto) o 
olho é aberto na Eternidade; o ser, abruptamente tornado consciente da realidade, sai da 
caverna da ilusão, como uma criança do ventre, começando a viver sobre o plano 
supersensorial. A criança então, sente em sua parte mais íntima uma nova presença, uma 
nova consciência - para não dizer uma nova Pessoa - fraca, necessitando nutrição, 
claramente destinada a passar por muitas fases de desenvolvimento antes de atingir sua 
maturidade; ainda que esteja numa natureza tão diferente de seu ambiente, deve 
considerá-la igualmente Divino”. E. UNDERHILL, Mysticism, p.147. 
 
 
 
55 
*G. A. Gaskill escreve sobre o Espírito Santo: “Este símbolo significa propriamente o 
aspecto feminino da Trindade Divina, e tem o mesmo significado que as grandes Deusas 
de outras religiões que não a Cristã. Representa as atividades e funcionamento do plano 
de existência acima dos planos mentais superiores, ex. plano Búdico. O Espírito Santo 
procede do Pai - a fonte infinita de todas as coisas. É a respiração de Átma, - infinito poder 
de Deus. Não está separado, mas opera através do Cristo - o Ser Superior. Sem o Cristo 
não haveria Espírito Santo. Com o Cristo deve haver um Espírito Santo, que, contudo, 
pode ser visto e conhecido quando se deixa de enxergar ou se transcende e a verdade e a 
Vida se realizam. Contudo, a mente inferior não pode distinguir entre o Cristo e o Espírito”. 
 
“Em hebraico a palavra “espírito” (mach) é do gênero feminino. Como conseqüência disto, 
o Espírito Santo era visto pelos Nazarenos e primeiros Cristãos como a “mãe” de Jesus”. 
A. DREWS, the Christ Myth, p. 118”. 
 
Bem, penso, Irmãos, que temos aqui o suficiente para uma noite toda de discussão, 
vamos então nos reunir e considerar o que acabamos de ouvir. 
 
 “O Caminho” 
 
Há muitos caminhos - alguns são intrigantes - como quando alguém está explorando 
algum território novo e não pode dizer para onde o caminho o levará. Alguns tocam o 
coração, como o caminho que leva ao lar quando se esteve longe. Alguns levam a 
emaranhados de cactos e silvas que o tornam quase intranspassável. Alguns, 
desafortunadamente, levam a areias movediças, enquanto que outros não têm saída, 
levam à lugar algum. 
 
O caminho mais importante de todos é aquele que leva à Reintegração. O sonho e o ideal 
de todo Martinista é ascender à Via Perigosa, a fim de conquistar o intrépido Castelo e 
obter o Santo Gral, o cálice que contém o néctar precioso que buscamos. 
 
Este caminho é de fato perigoso. Muitos começam cheios de grandes esperanças, 
pensando que ao lerem tudo o que encontrarem sobre o assunto, irão completar a 
escalada. Não é bem assim, não é lendo livros de música que alguém irá se tornar um 
músico. 
 
O músico precisa entrar num conservatório, onde irá adquirir tanto a prática como a teoria, 
no campo que escolher. O Martinista faz seus estudos e suas práticas em seu Oratório - e 
o faz consistentemente. Os dois “Livros” que lê são “O livro da Natureza” e “O livro do 
Homem”. 
 
Estes dois “livros” nos capacitam, através de um estudo intenso e cuidadoso, a distinguir o 
constante trabalho do Onipotente em nosso mundo. A Natureza e o Homem são os dois 
campos de investigação mais importantes. São os mais fáceis. Estando em nossa órbita, 
nos oferece um conhecimento prático e inestimável. 
 
Contudo, o estudo não é o objetivo em si. O estudo deve se tornar os princípios pelos 
quais vivemos; pois devemos nos tornar como o Sol, irradiando Luz e Verdade neste 
mundo de trevas. 
 
Os Mestres dependem de nós e de todos que estudam os Mistérios, para serem a 
levedura que auxilia na elevação da Humanidade. Todos devem se libertar da ilusão da 
 
 
56 
personalidade e da escravidão dos sentidos externos. Aquilo que se tornou complexidade 
deve retornar à simplicidade do Onipotente - o Único. 
 
É preciso compreender o que disse o poeta Robert Browning: 
 
“Há um centro interno em todos nós, onde a verdade habita em sua plenitude; à sua volta 
ergue-se muralha sobre muralha, a espessa carne represa esta concepção clara e perfeita 
que é a verdade. A frustrante é pervertida malha carnal a retém e faz dela todo um erro; 
para conhecê-la é preciso antes de tudo, abrir um caminho por onde o esplendor 
aprisionado possa fluir, e não forçar a entrada para uma luz que se supõe estar fora”. 
 
Edouard Shuré, um Martinista, em seu “Os Grandes Iniciados” fala dos feitos realizados 
pelos iniciados de Orfeu: 
 
“A Centelha Divina que nos guia na terra está dentro de nós; ela se torna uma chama no 
templo, uma estrela no céu. Assim cresce a luz da verdade! Ouça as vibrações da lira de 
sete cordas, a lira de Deus. Ela movimenta os mundos. Deixe seu som fluir em sua alma e 
os céus serão abertos a ti”. 
 
Em nossos estudos aprendemos que, como Espíritos, somos forçados a deixar nosso 
verdadeiro lar devido ao mal uso de nossa vontade livre. Voando para este mundo 
material, esta Floresta dos Erros, viemos como obstinados e desobedientes. E aqui 
permanecemos, perturbando e interferindo no plano Cósmico. 
 
Os belos e luminosos corpos espirituais que foram nossos uma vez, se tornaram cada vez 
mais espessos e materializados, ao se adaptarem a este obscuro mundo de desilusão e 
nós nos tornamos aprisionados. 
 
Agora estamos estabelecidos, tendo experienciado de tudo - e começamos a imaginar 
quem realmente somos, onde estamos e como viemos parar aqui. Pois somos estranhos 
nesta terra. 
 
Como coloca Wordsworth: “Nosso nascimento é senão um sono e um esquecimento; a 
alma que nasce conosco, já teve morada em outro lugar e vem de longe - não no completo 
esquecimento e não na completa nudez, mas trazendo em seu rastro nuvens de glória, de 
fato, viemos de Deus, que é a nossa morada”. 
 
Como o Filho Pródigo, estamos cansados de estar fora de casa e determinados a 
encontrar o caminho de volta a qualquer preço. 
 
Esta, porém, não é uma tarefa tão fácil, pois exige várias encarnações de muitos esforços 
para ficar fora do alcance deste mar de ilusões que está sempre puxando nossos 
calcanhares enquanto subimos, tentando nos engolir novamente - e não é com facilidade 
que libera sua presa. 
 
Devemos confundir o dragão da negação e rejeitar as falsas reivindicações do corpo e do 
ego, ambos lutando para serem conhecidos com o Ser. As armas dos iniciados são 
valiosas; a impenetrável armadura do silêncio, a vontade e cada vitória, tornam cada vez 
mais forte o desejo de vencer. Suas faculdades devem estar empenhadas em rasgar o 
véu que impede os raios do Sol espiritual de atingi-lo sem refração. Antes que isto seja 
alcançado com sucesso, a única comunicação entre Deus e o homem se dá por 
 
 
57 
SÍMBOLOS e SINAIS - e pelas ferramentas mentais de correspondência, analogia e 
sínteses. 
 
Os sábios ancestrais diziam: 
 
“A fim de obter a mestria, o homem necessita de uma total remodulação de seu ser físico, 
moral e espiritual. Isto só é possível através do exercício da vontade, da intuição e da 
razão. Através da completa cooperação destes três seres, o homem pode desenvolver 
suas faculdades a nível incalculável. A alma possui sentidos que se encontram 
adormecidos; a iniciação desperta estes sentidos. Pelo profundo estudo e aplicação 
constante, o homem pode se colocar em contato consciente com as forças ocultas no 
universo.” 
 
“Através de um grande esforço, o homem pode adquirir uma percepção espiritual direta, 
pode abrir à sua visão caminhos da vida apósa morte, pode se tornar capaz de progredir 
durante estes caminhos”. 
 
“Só então poderá dizer ter conquistado seu destino e adquirido aqui na terra, a sua 
liberdade Divina. Só então o iniciado se torna um iniciador, um profeta e um teurgo. Só 
aquele que controla a si próprio pode controlar os outros; só quem é livre pode libertar”. 
 
Às vezes quando o caminho parece íngreme, sentimos que enfraquecemos, mas 
lembramos de que todos os mestres trilharam estes caminhos e não tinham dúvidas de 
que ficaram exaustos, da mesma forma; conseqüentemente, eles estão sempre conosco, 
auxiliando e encorajando, o que nos dá sustentação. 
 
Agradecemos as indicações que nos foram deixadas, elas nos orientam pelo caminho e 
pelo fato de sabermos que não estamos sós, mas protegidos por eles; o caminho nos é 
iluminado pelos mestres, assim como esperamos iluminá-lo para outros. 
 
Há uma conexão entre a Igreja Gnóstica Universal e a Ordem Martinista? 
 
Os Grão-Mestres Papus, Bricaud, Blanchard e outros eminentes Martinistas foram Bispos 
da Igreja Gnóstica Universal, apontada como a igreja oficial da Ordem Martinista desde os 
primeiros dias. As duas organizações são soberanas e independentes; existe uma relação 
amigável entre elas. 
 
Informações para as Lojas 
 
A fim de que uma loja Martinista opere corretamente e com sucesso, há quatro áreas 
importantes que devem ser claramente compreendidas. Se isto não ocorrer a Loja não irá 
operar como se pretende. Uma vez que estes pontos sejam compreendidos, a Loja irá 
operar com sucesso. As quatro áreas de maior preocupação são: A Iniciação, o 
Martinismo, o Conventículo e a propósito de uma Loja Martinista. 
 
1) A Iniciação 
 
Uma Semente ou Gérmen espiritual é transmitida ao candidato na ocasião de sua 
Iniciação. Este legado não subjuga o candidato, transformando-o automaticamente num 
santo ela o INICIA no caminho. Louis-Claude de Saint-Martin disse as seguintes palavras 
sobre a Iniciação: 
 
 
 
58 
“Iniciação! Poder extraordinário de influência Divina que irradia das mãos, criando pastores 
ou adeptos, comunicando a compreensão e potencial posse das ciências! Mas aquele que 
desenvolve a plenitude de seu poder apenas na mente, apresse-se em nutri-la!” 
 
A iniciação sempre tem sido e sempre deve ser transmitida por um Iniciador autorizado, a 
um candidato estando em presença física. 
 
A SEGURANÇA E A PERPETUAÇÃO DESTA INICIAÇÃO É A “RAISON D’ETRE” DA 
ORDEM MARTINISTA. 
 
2) Martinismo 
 
O que é “Martinismo”? Há mais de uma resposta a esta questão, mas a PRIMEIRA e a 
que mais nos preocupa é: Eis o objetivo do Martinismo: Reintegração. Este é o nosso 
único e inabalável objetivo, nos empenhamos a conquistá-lo nos tornando primeiramente 
REGENERADOS. O Martinismo é um Estilo de Vida, uma atitude particular da mente, 
formulada em resposta a uma certa concepção da criação e do porquê estamos nela. Este 
Estilo de Vida é a Via do Coração, cursada com o auxílio de ferramentas místicas, dos 
princípios que estudamos, dos exercícios e meditações que fazemos com o propósito de 
nos regenerar e desenvolver nossa natureza espiritual... tudo isto nos leva ao encontro de 
nosso destino final: Reintegração no Adão Primitivo ou, usando o termo Cristão: Salvação. 
 
3) O Conventículo 
 
A finalidade do Conventículo é a Comunhão Espiritual, que auxiliada pelo ritual e insígnias, 
assistida pela oração, meditação e pensamentos puros, os Exércitos Espirituais são 
invocados a fim de que aqueles presentes possam se beneficiar de sua presença. 
 
4) A Loja 
 
Uma loja Martinista é o lugar onde os Martinistas se reúnem com propósitos Martinistas. 
Isto será explorado mais adiante, mas por enquanto, daremos ênfase no que a Loja não 
deve ser, pois esta é uma questão em que ocorre erro de concepção: Uma Loja Martinista 
não é uma “escola” onde princípios esotéricos básicos são ensinados! Já que as lojas só 
se reúnem poucas vezes ao mês e por poucas horas por vez, seria praticamente 
impossível ensinar os princípios básicos nas reuniões, de forma efetiva. E mesmo que 
fosse possível, deveriam ser ensinados muitas e muitas vezes na medida em que entrasse 
um novo membro, isto se tornaria CANSATIVO para a maioria dos membros. O 
Aborrecimento é a causa número um de desinteresse e retiradas de membros de todas as 
organizações... e nossas reuniões devem ser resguardadas deste mal. 
 
O Martinismo - A Iniciação - O Conventículo - e a Loja 
 
Tendo estes tópicos sido brevemente apresentados, deve ficar claro agora o que é 
Martinismo, Iniciação, Conventículo e a Loja, realmente SÃO - e o que NÃO SÃO. 
 
Vamos ir mais além e indagar: Já que a maioria dos Martinistas POSSUEM interesse no 
arcano esotérico tradicional, há espaço numa Loja Martinista para estas considerações e 
discussões? 
 
A resposta é SIM, mas antes de vermos como estas questões são abordadas outra 
questão deve ser levantada e sua resposta claramente compreendida: 
 
 
59 
 
Já que as Lojas não podem oferecer, efetivamente, um curso de ensinamento elementar, 
de onde o Martinista adquire sua educação esotérica? 
 
Como já se observou no tempo de PAPUS e nos países de língua francesa, os Martinistas 
Franceses adquirem seus conhecimentos esotéricos, até os dias de hoje, principalmente 
lendo L’Initiation e estudando as obras de eminentes Martinistas como: Pasquallys, Saint-
Martin, Guaita, Sedir, Bertholet, Papus, etc.. Da mesma forma, os Martinistas de língua 
inglesa que possam ler e compreender o Francês podem ler e estudar os materiais 
franceses. 
 
Aqueles que não lêem o Francês DEVEM se afiliar ao I.C.O.M.S. seus libers e os volumes 
da Tradição Martinista, lá encontrarão todos os ensinamentos importantes sobre 
Martinismo, história da Ordem, Arcanos Esotéricos, etc., ilustrados detalhadamente. A 
I.C.O.M.S. foi fundada com o propósito de detalhar em Inglês, informações importantes e 
essenciais a todos os Martinistas. 
 
Seguiremos com perguntas e respostas: 
 
Nomeie e explique as várias reuniões mantidas por uma Loja. 
 
Conventículos, fóruns, Reuniões Administrativas, Capítulo R+C. 
 
Uma reunião realizada para a Comunhão Espiritual (com propósito devocional) é chamada 
de CONVENTÍCULO. Este é um ritual realizado no templo e fora as Iniciações, é o 
PRIMEIRO TRABALHO da Loja. 
 
A reunião convocada para discutir e elucidar sobre uma questão metafísica e chamada de 
FÓRUM. Também é um ritual realizado no Templo. A reunião realizada para discutir 
assuntos e atividades da Loja é chamada de Reunião Administrativa. Esta não é um ritual 
e é realizada na ante-sala. 
 
O Capítulo R+C é realizado por Martinistas experientes que possuem trabalhos originais 
baseados em suas próprias observações, experiências e pesquisa. É conduzida 
ritualisticamente. 
 
Antes de descrever estas reuniões em detalhes, há um ponto muito importante a ser 
enfatizado mais uma vez: SE ESPERA QUE O MARTINISTA CUIDE DE SUA PRÓPRIA 
EDUCAÇÃO! Por que este ponto tem sido tão reforçado, vocês perguntam? Porque 
durante os Fóruns, as Lojas Mestre irá selecionar e apresentar seções dos Libers ICOMS, 
dos volumes de A tradição Martinista, dos escritos de eminentes Martinistas ou de alguma 
outra fonte tradicional tais como: A Cabala, o Tarô, a Alquimia, Hermetismo, etc., etc., e 
então convidar os irmãos para dar a sua compreensão, entendimento e quanto mais 
possível, tentar desenvolver, expandir um tópico particular; a MENOS QUE OS IRMÃOS 
TENHAM CUIDADO DE SUA PRÓPRIA EDUCAÇÃO ESOTÉRICA SERÃO INCAPAZES 
DE CONTRIBUÍREM SIGNIFICATIVAMENTE Conseqüentemente O FÓRUM SERÁ UM 
FRACASSO! 
 
Continuando nesta linha vocês poderiam perguntar: Um membro deve ser admitido como 
um R+C se for, claramente, incapaz de contribuir? Esta é uma Eterna Pergunta e cabe a 
cada Loja resolver esta questão para si. Não se pode estabelecer aqui uma resposta 
exceto dizendo talvez que, há uma diferença entre uma pessoa que tenha pouco ou 
 
 
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nenhum interesse sobre os assuntos relacionados à R+C - e uma pessoa que realmentetem um interesse, mas que possa não ter uma escolaridade ou habilidade literária para 
pesquisar obras preparar um trabalho. A situação na R+C se torna crítica se a maioria dos 
membros cair na categoria dos que “tomam” - não havendo os que “dão”! Tal situação 
deve ser evitada ou a própria R+C será um fracasso. 
 
Qual é então o critério para a escolha de membros? 
 
Muita atenção deve ser prestada ao se relacionar membros para a Loja. Um completo 
procedimento deve ser seguido desta forma: A primeira obra da Loja é conferir a Iniciação 
e iniciar os homens da torrente no Caminho da Regeneração. A Iniciação faz de uma 
pessoa um membro da Ordem. 
 
Todas as pessoas de boa vontade e de boa reputação, de idade madura, que acreditam 
em Deus ou num Ser Supremo, são elegíveis como membros da Ordem. A Loja deve se 
concentrar primeiramente em fazer membros suplicantes da Ordem, fornecendo-lhes os 
ensinamentos básicos, por exemplo, uma cópia deste Manual de Instruções dando-lhes 
tempo suficiente para se ajustarem à nova vida. A seguir o Mestre da Loja pode convidar o 
Martinista livre para VISITAR a Loja então ele ou ela poderá experimentar o trabalho da 
Loja. 
 
Se o visitante Martinista desejar se filiar, um requerimento deve ser apresentado à Loja e o 
requerente deverá ser entrevistado. Se ele for aprovado, é então recomendado como 
membro e se realiza uma votação. Se ele passar na votação é aceito como membro da 
LOJA. Este é um meio sensível de como receber membros para a Loja. Enquanto que 
todos aqueles de integridade deveriam ser membros da ORDEM, nem todos estão 
interessados, necessariamente, no trabalho da Loja. Está é uma simples verdade que não 
deve ser desprezada! 
 
Só traga membros para as Lojas Martinistas depois que tenham freqüentado no máximo 
dois Conventículos como convidados do Mestre da Loja. Deixe que se apresentem como 
eventuais membros por sua própria iniciativa após terem visitado a Loja e terem se 
encontrado com os membros. Estas são as diretrizes básicas para a aceitação de 
membros; espero que tanto a intenção como espírito deste escrito estejam claros. 
 
Descrevendo um Conventículo 
 
Após a abertura do ritual há orações, hinos e meditação. O indicador faz algum 
pronunciamento. O Mestre da Loja apresenta um discurso curto ou uma homilia que 
(fazendo uma comparação) é parecido com o sermão dado na igreja. Após a homilia há 
uma breve meditação e então o Mestre da Loja pode perguntar se alguém quer fazer 
algum comentário. Se ninguém se apresentar, o Mestre deve prosseguir sem forçar 
nenhum comentário. 
 
Se alguém se apresentar, o comentário deve ser breve na apreciação e na expressão de 
sentimentos complementares. Não há “argumentos”! Não há “discussões”! Não há 
“debate” num Conventículo! 
 
O PROPÓSITO de um Conventículo a COMUNHÃO ESPIRITUAL e a atmosfera mística 
não devem ser degenerados, transformando-se numa sala de aula circunjacente; isto 
certamente ocorrerá se a discussão for permitida. Mantenha em mente a RAZÃO do 
Conventículo e nada dará errado! 
 
 
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LEMBRE OS IRMÃOS DE SEU OBJETIVO COMO MARTINISTAS REGULARMENTE! 
 
O Martinismo, por ser algo basicamente simples tende a ser negligenciado - ainda que 
aquelas coisas que parecem ser “fáceis” é que são mais difíceis! “Qual é o seu progresso 
quanto à sua regeneração?” Esta é uma boa pergunta a ser feita de vez em quando. Um 
pouco antes do encerramento o Mestre da Loja irá perguntar aos seus oficiais (certamente 
ao seu oficial superior) se desejam dizer alguma coisa; então sem mais nenhuma 
meditação, oração ou cantos a Loja é fechada. 
 
Descrevendo um Fórum 
 
Um Fórum é, de fato, um Conventículo, os procedimentos de abertura e encerramento são 
os membros, mas a ênfase está no assunto proposto pelo Mestre da Loja ou por um Irmão 
que tenha sido solicitado - isto substitui a homilia num Conventículo regular. A tentativa de 
elucidar e aprofundar o assunto estimula a discussão, o debate, comentários e perguntas. 
 
Tenha em mente o que já foi dito “O Martinismo não é dogmático”. Isto significa que os 
irmãos devem dar suas opiniões livremente, sem temer risos ou que alguém possa dizer 
que estão errados em pensar desta ou daquela maneira, etc.. A discussão deve ser 
mantida em alto nível e o bom gosto deve ser sempre observado. 
 
O Mestre da Loja deve ser firme se necessário. “quando um homem vem a ser regenerado 
em seu pensamento, logo será regenerado em sua fala que é a carne e o sangue de seu 
pensamento, mas quando ele está regenerado em sua fala, logo estará regenerado em 
sua operação que é a carne e o sangue da fala”. Louis-Claude de Saint-Martin “O Novo 
Homem” p.21. 
 
Qual é o número ideal de pessoas numa Loja? 
 
Esta é outra questão que cabe a cada Loja estabelecer para si. Uma Loja Martinista deve 
ser composta por pessoas que compreendam o que consiste as atividades Martinistas e 
que desejem verdadeiramente ser uma parte delas. Os membros de uma Loja Martinista 
devem formar uma verdadeira família espiritual, um grupo próximo e unido, onde há um 
sincero sentimento de amor entre pessoas que aceitam umas as outras, que estão 
tentando ser bons Martinistas e que caminham na mesma Senda. Tal coesão não pode 
ser mantida se o número de membros for muito grande. O sucesso de uma Loja não deve 
ser julgado pela extensão da lista de membros! Há muitas Lojas de sucesso, compostas 
por poucos membros que se reúnem na casa de um dos irmãos! 
 
É permitida alguma música adequada durante um Conventículo? 
 
Certamente! Na verdade as Lojas podem apontar um “músico” cuja tarefa principal é 
preparar e tocar música na entrada e saída dos Oficiais e membros como também durante 
a meditação. 
 
De quando em quando a Loja deve se reunir? 
 
A experiência mostra que quanto mais a Loja se reúne, mais entusiasmo existe, mas a 
freqüência das reuniões é uma questão que cabe inteiramente aos Oficiais, e irmãos de 
cada Loja determinar. Algumas Lojas se reúnem uma ou duas vezes ao mês, algumas 
três, outras quatro ou mais. O sistema é flexível. O ponto principal a se ter em mente é a 
 
 
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“Lei do Equilíbrio”: deve haver um bom equilíbrio entre fóruns e Conventículos. A R+C 
geralmente se reúne com menos freqüência. As atividades da Loja devem atingir todas as 
três partes do indivíduo: Intelectual/Mental (Fóruns primários e a R+C); Emocional 
Espiritual (Conventículos primários); Físico (parte social/festividades). 
 
(Assim que a Loja alcance certa maturidade poderá abrir seu Capítulo R+C) 
 
O calendário não deve ser o mesmo todo o mês! 
 
Qual o critério para o avanço de um membro? 
 
A Iniciação Associada inicia o membro no seu caminho. “O Segundo Grau estabelece uma 
importante ligação, mas é também um “obstáculo” ou “teste”, uma câmara de espera” onde 
o candidato deve parar e mostrar ser digno de avançar. 
 
Se o candidato mostrar interesse, o passo de Associado para Místico pode ser dado, 
razoavelmente rápido - mais ou menos após o membro ter participado de cerca de 10 
reuniões. 
 
O S.I. (3º Grau) é a Iniciação maior e não deve ser conferida indiscriminadamente. O 
Mestre da Loja deve ser cauteloso e não conferi-la sem as devidas considerações. Duas 
coisas devem ser observadas: O membro está tentando ser um bom Martinista? 
 
Ele ou Ela frequentam a Loja regularmente, mostrando interesse e dando apoio em todos 
os sentidos? Além disso, há uma avaliação aplicada pelo Oficial do Grão Mestre. 
 
O Mestre da Loja dá ao candidato a folha de avaliação que deve ser completada e 
retornada ao Oficial do GM que é então avaliada e devolvida ao Mestre da Loja a qual 
pertence o membro sem a necessidade de qualquer comentário. 
 
Dê, por favor, informações adicionais sobre o Martinismo e o propósito de uma Loja 
Martinista. 
 
Poderia também dizer algo mais sobre a Regeneração e sobre o que é a Ordem 
Martinista? 
 
“O propósito de uma Loja Martinista é: (a) perpetuar a tradição Iniciática Martinista e por 
conseqüência conduzir seus membros à umavida espiritual mais elevada; (b) discutir 
penetrar e desenvolver os ensinamentos de Pasquallys e Saint-Martin e os arcanos 
tradicionais”. 
 
“A Ordem Martinista é uma Ordem de Cavaleiros Cristãos”, uma organização fechada que 
preserva junto com um pequeno corpo de iniciados algo que tem herdado de Adeptos 
distantes, uma ligação com alguns seres iluminados e um despretensioso estilo de vida 
para pessoas deste mundo e que vivem neste mundo. 
 
“O Martinismo é, antes de tudo, uma atitude mental que determina um Estilo de Vida, 
baseado em certos princípios doutrinais”. Estes princípios doutrinais, essencialmente 
Cristãos em perspectiva e tradição, têm a ver com uma concepção que se preocupa com a 
origem do Homem, seu lugar no esquema da criação e seu destino final. 
 
 
 
63 
O Homem é visto como aquele que caiu de seu Estado Elevado primário, de fácil sintonia 
com o Ser Supremo - Deus -. Portanto, o trabalho da Ordem, é auxiliar o Homem a 
transcender seu atual meio e influências limitadas, a fim de que comunique novamente 
com Deus em si próprio recuperando o Paraíso Perdido. Quando o homem adquire a 
habilidade de se comunicar com a Inteligência Infinita quando quiser e, 
conseqüentemente, é iluminado pelos influxos da Sabedoria Divina, ele recebe, está 
pronto a aplicar esta sabedoria para a cura terrestre onde ele existe como um 
comissionário de Deus”. O objetivo final do Martinismo é levar o Homem à, Reintegração; 
isto passa pelo portão da Regeneração. 
 
“Pode-se dizer que o Martinismo Puro é os ensinamentos dados por Martines de 
Pasquallys e Louis-Claude de Saint-Martin e as idéias misticamente conservadas no 
simbolismo de nossas insígnias e acessórios d templo”. 
 
“O agente de nossa regeneração é o Verbo Divino ou o Grande Nome - IEOSCHUAH - 
isto significa que o nosso regenerador é o Cristo. Ao nos imergirmos continuamente em 
suas águas vivas, ao abordarmos o calor de seu fogo; ao direcionarmos nosso próprio 
verbo sempre em direção àquele Verbo interno e central, nossa língua será mais livre, pois 
só aquele Verbo interior pode engendrar um discurso verdadeiro em nós Louis-Claude de 
Saint-Martin, De l’Espirit des choses, 11.10. (Em outras palavras, devemos ir ao mais 
profundo de nosso ser onde habita a Verdade, ouvir o verbo interior, - e falar - como 
exemplo, viver de acordo com este guia interno). Meditem profundamente nestas três 
afirmações de Saint-Martin: 
 
“A única iniciação que eu prego e sigo com todo ardor de minha alma é aquela através da 
qual podemos entrar no coração de Deus e fazer com que o coração de Deus entre em 
nós, a fim de formar um casamento indissolúvel, que nos tornará o amigo o irmão e o 
companheiro de nosso Divino Redentor. Não há nenhum outro mistério nesta santa 
iniciação do que se aprofundar cada vez mais nas profundezas de nosso ser e não 
abandoná-lo até seremos capazes de trazer a raiz viva e vivificante, porque então todos os 
frutos que necessitamos, de acordo com a nossa espécie, serão produzidos dentro e fora 
de nós naturalmente.” 
 
Theosophic Correspondence Letter CX. 
 
“É precisamente por causa disto que o mundo não evolui; seu verbo é externo, nunca 
levado ao interior, onde pode se unir com o Verbo vivo. De forma forçada e dolorosa 
devemos ser arados, por assim dizer, pelo Verbo do Senhor, a fim de arrancar todos os 
espinhos e sarças que cobrem o nosso campo”. “O Espírito das Coisas” p.70. 
 
“Quando um homem vem a ser regenerado em seu pensamento, logo assim será em sua 
fala, que é a carne e o sangue do pensamento; mas quando ele estiver regenerado em 
sua fala, logo assim será em sua operação que é a carne e o sangue da fala”. “O Novo 
Homem” p. 21. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
64 
SUMÁRIO 
 
1. Papus fundou a Ordem Martinista principalmente para preservar e assegurar a 
perpetuação da Iniciação. 
 
2. A primeira tarefa das Lojas é conferir esta Iniciação a candidatos dignos e iniciá-los em 
seus caminhos rumo à Regeneração e à Reintegração. 
 
3. Os Martinistas se juntam em grupos chamados Lojas que se reúnem com propósitos 
Martinistas livres podem se afiliar à Loja de sua escolha, se sentirem em harmonia com 
seus trabalhos. 
 
4. Os símbolos são ferramentas de trabalho do místico. Símbolos poderosos atraem 
energias beneficentes para o estímulo e o crescimento. Os símbolos são lembretes 
silenciosos de profundas leis. 
 
5. Uma Loja Martinista não é uma escola. O Martinista busca a sua própria educação 
mística. 
 
6. Cada Loja organiza seu próprio programa de atividades e reuniões. O sistema é flexível. 
 
7. O sucesso ou fracasso da Loja repousa sobre os ombros do Mestre da Loja e de seus 
oficiais. Reuniões entediadas são a principal causa para o não comparecimento dos 
membros. A fórmula para o sucesso é: verificar se as reuniões são estimulantes, 
interessantes e valiosas! 
 
 
FIMe, como 
tal, é trazido por um irmão ou irmã responsável, a fim de passar por um interrogatório feito 
por um representante ou comitê da Ordem. Quando indagado com questões baseadas em 
exigências tradicionais, devemos imaginar qual o real objetivo desta interrogação. Após o 
suplicante se tornar um membro da Ordem, ele deve requerer à loja sua associação; o 
comitê deve buscar sinais de um propósito dedicado, antes do Mestre da Loja colocar seu 
nome diante dos membros para votação. Para este tipo de assembléia, seria bom que 
todos revisassem aquelas questões preliminares antes de buscarem o teste do Segundo 
Grau. 
 
Cada iniciado precisa aprender a encontrar em si próprio a confirmação da legitimidade 
das Verdades Espirituais, e não deve crer cegamente que os escritos exotéricos de 
qualquer pessoa são um guia infalível rumo à verdade. Isto vale até para os escritos 
daqueles que honramos como Veneráveis Mestres de nossa Ordem. Aquilo que 
escreveram para os olhos públicos não é tudo e nem o melhor do Martinismo. 
 
O verdadeiro Martinismo precisa ser encontrado em nossas Lojas, ritual e cerimônias. As 
Ordens Esotéricas possuidoras das Chaves da Iniciação fazem muito uso de símbolos. 
Muito conhecimento útil e profundo é expresso na forma de símbolos. Já que os símbolos 
irão ser nossas ferramentas de trabalho, é melhor iniciar nosso treinamento estudando 
alguns deles. 
 
 
 
8 
Antes de mais nada, o que é um símbolo? Um símbolo é um sinal pelo qual algo é 
conhecido. Em geral encontramos dois tipos de símbolos, o Natural e o Artificial. Os 
símbolos naturais dão evidência de coisas que existem na natureza, ou seja, não estão 
apenas na mente, existem como um conceito ou idéia. Exemplo: a fumaça pode ser dita 
como um símbolo ou sinal de fogo, uma vez que sempre existe onde há ou houve fogo. A 
constante associação entre os dois fez de um o símbolo do outro. Símbolos artificiais são 
criados pelo homem por convenção social, ou seja, por um grupo de pessoas que 
concordam com o significado proposto. 
 
Os sinais artificiais podem ser tanto escritos ou inscritos. Enquanto que os sinais naturais 
só podem existir sob as condições que os produzem; os sinais artificiais, por outro lado, 
podem ser usados quando forem necessários. Exemplos de símbolos artificiais são os 
idiomas, semáforos, símbolos usados em diagramas esquemáticos da eletrônica, etc. Há 
ainda um terceiro tipo de símbolo: Símbolos Místicos, que pode ser uma combinação dos 
outros dois. Como se efetua esta combinação? 
 
As mentes inquiridoras analisam a natureza, estudam e observam. Estas mentes curiosas 
aprendem que, quando certas coisas acontecem de tempos em tempos, as mesmas 
condições predominam em cada acontecimento. Estas condições uniformes de ação e 
manifestação tem sido chamadas pelo homem de Leis. As leis, portanto, são verdades 
irrevogáveis. No que diz respeito à consciência do homem elas são imutáveis. Vamos 
examinar alguns símbolos místicos que os primeiros homens já conheciam e que até hoje 
possuem o mesmo significado. 
 
Um símbolo muito antigo é aquele que é composto de um simples ponto. Um ponto em si 
pode ser amorfo, ou seja, sem forma. É vago e não tem forma definida. Qualquer objeto 
que seja olhado à distância se torna um ponto indistinto. Pode ser um navio no mar ou um 
camelo no deserto, aos olhos é vago e sem forma. Assim, para os antigos, o ponto sugeria 
potencialidade, a condição sem forma de algo que poderia ser. Em outras palavras, aquilo 
do qual as coisas poderiam tomar forma. Assim, o ponto é um símbolo místico que 
significa Início. O círculo é também outro símbolo significativo. Basta apenas tentar 
visualizar algo sem início e sem fim para descobrir que o círculo é o único caminho perfeito 
pata representá-lo. Misticamente, portanto, um círculo pode servir como símbolo do que 
não tem início ou fim. Estes são alguns exemplos de símbolos místicos, eles são 
múltiplos e a mística sempre faz uso deles. Às vezes eles são tão complexos que seu 
significado é obscuro. 
 
Nestes casos, é necessário olhar primeiro os fundamentos simples dos quais o símbolo é 
feito, e então, compreendendo os elementos simples, passe para aqueles mais 
complexos. As Cartas do Tarô são exemplos de simbologia complexa. É importante 
lembrar que além da conexão existente entre símbolo e significado místico, existe a lei 
natural que cria em nossa mente seu próprio símbolo. O significado que percebemos na 
própria lei é o símbolo. Quando percebemos que estamos discernindo uma lei, a forma 
que este significado toma em nossa consciência como uma forma mental, torna-se o 
próprio símbolo. 
 
Este símbolo estará mais próximo de descrever a verdade de que somos conscientes, do 
que qualquer outro símbolo que poderíamos, mais tarde, delinear ou designar para esta 
finalidade. Por exemplo: admita a lei da dualidade. Mas que figura mental você tem desta 
lei? É seguro dizer que pode pensar em duas coisas ou condições iguais e relativas, 
embora não precisem ser, necessariamente, da mesma forma ou natureza. Dia e Noite 
compõem uma dualidade; ainda assim são opostos. Conseqüentemente, num amplo 
 
 
9 
sentido, o dois se torna um sinal ou símbolo lógico para a dualidade, - - duas linhas retas 
ou duas quaisquer outras coisas relacionadas em sua natureza serviriam a esse propósito. 
Não há, porém, substitutos para verdadeiros símbolos místicos. 
 
São formas de pensamento da lei universal. É importante lembrar que símbolos místicos 
são reflexões na consciência, das descobertas realizadas no plano astral, e que não se 
pode discernir nenhuma verdade destas sem que, ao mesmo tempo, a retratemos na 
forma de um símbolo. Como foi dito, então, não pode haver substituto para um símbolo 
místico, porque qualquer sinal que não surja espontaneamente em nossa mente, através 
da verdade discernida, - -, não é um símbolo místico e não importa que nome damos a 
ele. O simbolismo será mais facilmente compreensível quando você mesmo se tornar um 
cuidadoso observador da natureza e de seus métodos de operação. 
 
Na medida em que se aprende a ler o Livro da Natureza o próprio indivíduo experimenta a 
descoberta das leis, que se torna simbolizada por sua própria observação e reflexão. A 
partir de então, o homem percebe que começa adquirir as ferramentas necessárias com 
as quais passará a se relacionar compreensivamente com toda esta questão e com a vida. 
Comece então, logo no princípio, a se tornar mais observador e preste atenção em todos 
os sinais que estão a sua volta. 
 
Trabalho recomendado: procure alguns símbolos místicos de seu agrado e tente 
interpretá-los. 
 
Reconhecimento do Associado. 
 
Nota ao Associado: Esta Avaliação resume a informação básica que cada Associado deve 
saber. Ao memorizá-la deve estudá-la e meditar sobre ela. 
 
P: És um Martinista? 
R: Eu sou. Conheço a Máscara e conheço a Capa. 
 
P: Porque o Iniciado se envolve na Capa? 
R: Para proteger sua própria personalidade das irradiações do mundo Profano. 
 
P: Porque ele desejaria fazer isto? 
R: A fim de que possa receber mais facilmente as irradiações daqueles Mundos que 
considera mais valiosos. 
 
P: Conheces alguma Capa ilustre? 
R: Lembro-me de duas. Aquela do profeta Elias e aquela do Mago Apolônio de Tiana. 
Ambas forneciam o isolamento necessário para atingir os mais altos planos do Desejo. 
 
Obs.: A Bíblia descreve a grandeza de Elias como um profeta e relata sobre sua capa que 
delegou a Eliseu, seu discípulo. Veja o Livro dos Reis I, 17, 18, 19, 21 e o Livro dos Reis 
II, 1 e 2. 
 
Apolônio de Tiana foi quase que universalmente honrado no mundo antigo. Era 
considerado por alguns, um operador milagroso, mas era modesto ao se referir as suas 
habilidades. Era contemporâneo de Jesus Cristo e fundou uma escola para promover os 
ensinamentos de Pitágoras. 
 
 
 
10 
P: Porque Elias legou sua Capa a Eliseu? 
R: Para lembrá-lo que sua própria personalidade deve ser preservada a fim de ser útil a 
seusirmãos. 
 
P: O que é a Máscara? 
R: É algo para ocultar a personalidade e aumentar ao máximo a distância entre o 
iniciado e o mundo profano. É também um auxílio na criação da personalidade ideal. 
 
P: Então, o Iniciado deve se ocultar? 
R: Somente do Mundo Profano. A seus irmãos deve apresentar seu semblante aberto e 
completo. 
 
P: O que a Máscara ensina? 
R: Que o verdadeiro conhecimento é impessoal e conhecido apenas através de suas 
manifestações. O conhecimento não pode ser personificado como uma individualidade. 
 
P: Qual a origem da Máscara? 
R: No teatro antigo, o ator sempre usava uma máscara e sua boca aberta constituía uma 
corneta acústica, através da qual a voz soava. A palavra “persona” ou “pessoa” significa 
“soar por” (persona); assim o homem é chamado de pessoa porque a máscara deu a 
ele este nome. Nas tragédias (as peças de drama antigo na Grecia), se acreditava que 
as próprias Divindades falavam através da máscara do ator; assim o homem veio 
associar a máscara com a comunicação com outros mundos. A máscara se tornou 
conosco o símbolo de tal comunhão. 
 
P: Por que a Máscara do S I é vermelha? 
R: Porque vermelho é a cor do Espírito. É também a cor da batalha, tanto temporal como 
espiritual; denota, também, o sacrifício que o iniciado está pronto a fazer pelo seu ideal. 
 
P: Por que o Iniciado usa Cordão. 
R: Para celebrar a prática dos antigos Templários que através do cordão se isolavam das 
forças da matéria e se ligavam a seus iniciadores. 
 
P: O que foi dito a ti, quando o cordão foi amarrado em tua cintura? 
R: “Lembre-se, este cordão, símbolo do Círculo Mágico e da Corrente Tradicional, te une 
ao teu iniciador como ele próprio foi unido à Luz”. 
 
P: O que isto te lembra? 
R: Da tradição revelada e transmitida por aqueles que eram dignos. O cinto é a marca de 
distinção do iniciado, significando sua aceitação na sucessão da Luz Divina. 
 
P: Os ensinamentos do Martinismo são dogmáticos? 
R: A verdadeira iniciação sempre é dogmática, já que deve transmitir a Luz original na 
forma que fora transmitida no princípio. 
 
P: Como te tornarás digno deste conhecimento perfeito encerrado em nossos 
símbolos, aos quais a iniciação oferece a chave? 
R: Pelo esforço ardente e incessante na prosperidade de nossa Ordem; neste caminho, 
irei assegurar a benevolência dos Irmãos que irão trabalhar comigo, a fim de que eu 
possa desfrutar dos direitos de todo verdadeiro Martinista. 
 
 
 
11 
P: Por que fostes chamado de Associado? 
R: Porque com um coração corajoso e um espírito forte me associei com as operações 
espirituais dos Irmãos que são os Superiores Desconhecidos desta Ordem. Me juntei 
com aqueles que são os guardiões dos luminares sagrados e que perpetuaram a 
verdade através da Iniciação. 
 
P: A que hora os trabalhos do Associado são abertos? 
R: Na sétima hora, porque é então que o discípulo inicia sua educação. 
 
P: A que hora os trabalhos são encerrados? 
R: Na décima terceira hora. 
 
P: Porque isto? 
R: Ainda tenho que aprender, mas tal conhecimento me foi prometido. 
 
P: Qual é tua idade? 
R: Três anos. 
 
P: Porque três anos? 
R: É um número de significação que meu trabalho como Associado tem revelado amim 
várias formas. Este número também me lembra de três coisas a serem praticadas e três 
coisas a serem obtidas. Fui instruído a observar a Perseverança, a temperança e a 
Caridade; fui advertido a fugir da calúnia, da preguiça e de pronunciar o mal. 
 
P: Dê-me o sinal Martinista. 
R: (P. H-C. R.H.T.T.B.R.E.). 
 
P: Dê-me a batida. 
R: ··· 
 
P: Que é o que a nossa Ordem nos proporciona? 
R: Nossa Ordem proporciona aos homens de Desejo os meios de exercitar os princípios 
espirituais, as virtudes e poderes, assim como tem sido praticados, preservados e 
transmitidos por nossos dignos predecessores. 
 
Irmão Associado: 
 
Tens ainda que apreender o modo de perpetuação da verdade. Isto tem sido realizado ano 
a ano através da vontade dos Mestres presentes em com obras, que presidem 
desconhecidos e isolados entre nós em nossos conventículos. Que tu possas habitar para 
todo o sempre na Luz Eterna da Divina Sabedoria. 
 
 
12 
Alfabeto Mágico 
 
NÚMEROS DIAS MESES 
Profano Martinista Profano Martinista Profano Martinista 
1  Segunda-feira  Janeiro  
2 = Terça-feira Fevereiro  
3  Quarta-feira 
 
Março  
4  Quinta-feira Abril  
5 Sexta-feira  Maio  
6  Sábado  Junho  
7 Domingo  Julho  
8 Agosto  
9 ou Setembro  
10 Outubro  
0 C Novembro  
 Dezembro  
 
Loja Heptada 
Delegado 
Providencial 
 Inspetor 
Providencial 
 Inspetor 
Principal 
 
Delegado 
Nacional 
 Inspetor 
Nacional 
 Grande 
Inspetor 
 
 
Sempre circunde números, tanto simples como compostos, assim 
Loja Nº 1 = 
Sexta-feira, 17 Novembro, 1983 = 
 
 
 
13 
CONFERÊNCIA N 3 
 
Em seu primeiro Conventículo vocês foram introduzidos ao estudo dos símbolos. Alguém 
se lembra da definição de símbolo? Espera-se que os irmãos se detenham no assunto de 
nosso trabalho entre os capítulos, a fim de se familiarizarem com o Martinismo. Símbolos 
são as ferramentas de trabalho do místico! A proficiência no uso dos símbolos leva à 
sintonia com hierarquias onde estes símbolos místicos se originam. 
 
Nossa Ordem incentiva os membros a usarem todas as oportunidades para rever 
mentalmente e meditar sobre os estágios simbólicos da Senda da Iniciação, seja a 
caminho do trabalho diário, quando estiver sentado quieto num parque ou jardim, ou algum 
outro lugar entre plantas vivas, especialmente árvores. E claro, em nosso oratório de casa. 
 
Chegamos agora à nossa herança particular de símbolos místicos. Estes dificilmente são 
criações de uma pessoa, exceto talvez do Mestre que funda um círculo Iniciador ou uma 
Ordem Esotérica. O propósito de um símbolo místico é conservar um aspecto da Verdade 
Eterna. Iremos primeiramente examinar os emblemas conferidos a nós em nossa 
iniciação, que são estritamente da tradição Martinista; então consideraremos os sinais, 
símbolos e emblemas usados nos conventículos do Grau de Associado. 
 
 
Por fim, completaremos esta preliminar mas fundamental estudo com uma análise do 
Pantáculo Martinista usado em documentos oficiais da Ordem, tais como Cartas e 
Certificados. 
 
Lembrar-se da Obra é ocupar-se com o simbolismo místico, dividido pelas duas outras 
grandes correntes da Tradição Ocidental, os Pitagóricos e Rosacrucianos. Por favor 
lembrem-se que quando falamos de Rosacrucianos nos referimos de Rosa + Cruz e não a 
qualquer grupo que, buscam seus membros através de jornais, imprimem carteirinhas, etc. 
 
Existe um fundamento comum entre as Ordens Ocidentais de Iniciação, assim um 
Martinista pode ocasionalmente visitar outros templos esotéricos e receber iniciação 
honorífica, sob a recomendação do Grão-Mestre de nossa jurisdição. 
 
O primeiro emblema Martinista colocado sobre o suplicante é a máscara preta. A máscara 
é representada pela letra hebraica Yod. Estudiosos afirmam que Yod é a letra alicerce do 
alfabeto hebraico; da mesma forma a Máscara é o símbolo alicerce do Martinismo. Teu 
Iniciador dirigiu a ti estas significantes palavras. 
 
Desta explicação aprendemos o primeiro grande passo da Senda. A Questão do Homem é 
freqüentemente repetida no antigo adágio de Delfos: “Conhece a ti mesmo e conhecerás o 
Universo e os Deuses.” 
 
(Repita e discuta isto. O Martinismo tem haver com a aquisição do Autoconhecimento 
e conseqüentemente: Reintegração. Dê ênfase) 
 
Nosso mestre fundador, Martinez de Pasquallys, escreveu sobre a “Reintegração dos 
Seres”. O cumprimento da evolução humana consiste em expandir, diariamente, o limite 
da consciência, a fim de alcançar todos os planos ou emanações do Onipotente. Este é o 
trabalho de muitas encarnações. Embora tenhamos toda a Eternidade diante de nós, não 
há um momento a perder. Não estamos, com certeza, no Caminho até que uma dedicação 
interioraconteça. 
 
 
14 
 
Na Instrução, note a ênfase que se dá à “Coletividade”, ou seja, nos outros membros da 
raça humana. Paulo, o Iniciado Gnóstico, elevado pelo Mestre quando a caminho de 
Damasco, posteriormente ensinou: “Somos membros uns dos outros”. Nossos irmãos 
Pitagóricos dizem: “Meu Irmão é meu outro ser”. Pense sobre isto! O profundo simbolismo 
da máscara é moderar a personalidade mundana, a fim de estimular uma confiança 
interior. Longe de inibir a personalidade, o símbolo aponta uma redireção dos poderes 
pessoais para o bem da coletividade. 
 
Tantas vezes ouvimos ou lemos sobre “servir a humanidade” para depois descobrirmos 
que os “bem feitores” estão meramente preocupados em chamar atenção para si e para 
suas organizações! 
 
A lição da máscara é aquela do Esforço Silencioso - serviço silencioso - trabalho 
silencioso - que permite os Martinistas ouvirem a orientação interior. Nosso Venerável 
Mestre Louis-Claude de Saint-Martin escreveu: “Desejei fazer o bem, mas desejei fazer 
alarde, pois senti que o alarde, não faz bem, e que o bem não faz nenhum alarde”. Sair 
correndo, tocando tambores, por assim dizer, é desperdiçar a oportunidade, como não se 
preocupar em encontrar sua senda na vida. Correr é mal direcionar os poderes e tocar os 
tambores é falta de direção. Devemos nos Orientar no Caminho do meio da atenção 
equilibrada, ouvindo o Coração e usando a cabeça. 
 
Parte 2 
 
Quando alguém se mascara figurativamente, a personalidade desaparece. Este alguém se 
torna desconhecido. 
 
Nós que estamos aqui reunidos não temos favor a pedir. Não damos importância para o 
reconhecimento, fama ou distinção que o mundo poderia nos dar e pelos quais ali somos 
reconhecidos. Estas coisas pertencem a um outro tipo de personalidade. 
 
Aquele que usa a máscara está sozinho com ele mesmo. É de dentro de nós que a 
realização deve vir! Aquele que usa a máscara é governado principalmente por sua 
própria mente e seu próprio desenvolvimento espiritual. Aceita o conhecimento de outros 
com prazer e é compreensivo - mas irá digerir e assimilar este conhecimento e verá que 
se torna parte dele mesmo nunca irá meramente se aquecer no calor do intelectualismo 
dos outros, como aqueles que se expõem aos raios do sol - apenas para ser congelado 
mais tarde, quando este conhecimento sai do seu alcance. 
 
Você deve ter percebido, sem dúvida, como muitos se animam, quando estão na presença 
de brilhantes personalidades, contudo quando a luz de tais personalidades diminui ou se 
vai, estes desafortunadamente se encontram, mais uma vez, em total escuridão; é que 
não possuem nenhuma luz de compreensão em si próprios. Eles apenas refletem a luz 
daqueles que são proeminentes em seu meio. 
 
Fala-se que o Buda, num esforço sublime, ensina a doutrina do Nirvana ou autonegação. 
Esta doutrina da auto-renúncia não significa nada além do que a subjugação do lado 
carnal de nosso ser. O Homem é um composto: nele existe o angélico e o animal. O 
treinamento espiritual da vida significa nada mais do que a subjugação do animal - e a 
liberação do angélico. Irmãos e Irmãs, estes profundos pensamentos de Buda 
correspondem àqueles simbolizados pela máscara. 
 
 
 
15 
Discussões / perguntas 
 
Como o uso figurativo da máscara irá auxiliar nossa busca do Autoconhecimento e da 
Reintegração? 
 
O que significa Rosa+Cruz? 
 
Este é um vasto assunto e uma resposta completa não pode ser dada no espaço aqui 
disponível, mas como resposta ao nível que sinto ser o seu: é uma distinção, designação 
ou termo dado por Iniciados aqueles dentre eles reconhecidos como tendo conseguido um 
estado ou condição de consciência espiritual ou interior. 
 
Em que sentido a palavra “Mestre” é usada pelos Martinistas? 
 
No sentido de “professor”. 
 
CONFERÊNCIA ASSOCIADA N 4 
 
(M.L.: ler as palavras ditas ao candidato quando foi vestido com a capa). 
 
Deixe-me enfatizar estas últimas linhas: “Esta capa é talvez o mais profundo símbolo que 
os olhos do Iniciado já apreciou. Seu estudo deve, portanto, ser deixado ao teu interesse 
perseverante e a tua obra pessoal”. Pungentes no momento de colocar sobre ti o segundo 
emblema de nossa Ordem. 
 
Uma capa qualquer já foi uma peça comum do vestuário, como no caso dos dias de Louis 
Claude de Saint-Martin (1743-1803). Romancistas históricos do período se referem a ela, 
alguns deles estando evidentemente a par de seu valor simbólico. Alexandre Dumas 
menciona a capa de Saint-Martin em seu livro “The Queen’s Nec Klace”. 
 
Lorde Bulwer Lytton se refere a ela em “Zanoni”. 
 
Como associado da Ordem Martinista, estamos primeiramente interessados no conceito de 
estimulação do desenvolvimento físico da personalidade. Uma vez que nos tornamos cientes 
de estarmos no caminho da Iluminação ou na Senda da Iniciação como dizemos no Ocidente, 
buscamos todas as oportunidades de afastamento das discussões mundanas, a fim de nos 
comunicarmos com o nosso Eu e com a Natureza. 
 
O objetivo não é se tornar egoísta, mas abnegado. Com o conceito da máscara ocultamos 
nossa diligência positiva para a elevação espiritual da humanidade. Tornarmos-nos 
voluntariamente um desconhecido, o melhor para recriar nossa personalidade e servir 
nossos semelhantes mais efetivamente. Isto em si, é um grande passo em direção a 
perfeita sintonia com o invisível, pois os Altos Poderes não dão a mínima importância para 
os valores tenebrosos do mundo profano, mas total importância para as qualidades do 
amor, compaixão, caridade, benevolência, fé, verdade, militância e idealismo. 
 
Agora: aprenda a si envolver com a “capa oculta”, o armamento místico do adepto, contra 
a qual o poder do mal não tem efeito algum. Através da capa nos tornamos negativos e 
insensíveis aos outros, que estão fora de sintonia conosco, nos deixando protegidos de 
interferências baixas, a fim de “habitarmos o Templo da Alma”. Além do mais, a capa é um 
símbolo de silêncio, prudência, discrição e presença de espírito. Ela nos isola da 
curiosidade e da insolência do profano. É o símbolo da proteção física contra a 
 
 
16 
malevolência de outras pessoas e coisas. É como a cerca fortalecida em volta da tua 
casa, que mantém afastadas as outras pessoas e seus estilingues, flechas, projéteis e 
insultos. 
 
Vamos agora recordar o que foi dito sobre a veste branca ou balandrau 
(leia a sessão que fala do balandrau.). 
 
A Veste branca, chamada de Balandrau, usado debaixo da capa oculta, simboliza a “Veste 
de Glória” que foi posta de lado quando o Princípio Superior (nosso ser espiritual) deixou o 
Primeiro Estado para habitar a matéria (o corpo). A cor branca representa a mais alta 
gradação da Luz e tem sido usada por místicos de todas as épocas, a fim de denotar tal 
significado; de fato, isto originou o termo: “A Grande Irmandade Branca”. 
 
O completo significado da cor branca será discutido mais adiante, mas sem dúvida você já 
deve ter compreendido muito de seu significado. Finalmente, esta veste branca nos torna 
todos iguais, quando admitidos em nossa Ordem e quando entramos no Templo, pois 
esconde posições sociais, glórias e nos apresenta totalmente inocente. 
 
Sempre que você colocar sua veste branca se lembrará de que deve purificar sua 
personalidade - assim, ao invés de viver os seus instintos básicos que contribuem para o 
desenvolvimento de um eu ilusório - você deve, através da oração, obras de caridade, 
desenvolvimento das virtudes, auto-estudo e meditação, com o auxílio do Mestre 
Desconhecido, recuperar no tempo a real e gloriosa “Veste de Glória” e ser assim 
restaurado ao seu primitivo direito de primogênito. 
 
Continue a ditar as sessões de Avaliação do Associado. Após conduzir algum trabalho de 
devoção, com luzes reduzidas, leia alto, devagar e claramente, a seguinte parte do poema 
Gnóstico: 
 
“Coloque então tua Veste 
E teu Manto que a reveste, 
E que tu possas ser o Herdeiro em nosso Reino” 
 
(de “O hino da Veste de Glória” 
traduzido pelo G.R.S. Mead.) 
 
 
CONFERÊNCIA ASSOCIADAN 5 
 
Resumindo nosso estudo sobre simbolismo, logo iremos considerar os acessórios 
ritualísticos de nossa Heptada; nesta oportunidade, contudo, iremos aprender sobre o 
significado e uso de outro item do vestuário com o qual nos adornamos. 
 
Não importa o quão bem sucedido somos na vida, quão ilesos pelas mudanças ou quão 
inatingíveis pela adversidade; se não sabemos porque agimos de determinada maneira ou 
porque as circunstâncias e nosso ambiente são como são, estamos vivendo na ignorância. 
Ninguém pode estar contente ou feliz por muito tempo, em tal estado de trevas; 
conseqüentemente, não podemos nos permitir o envolvimento em práticas ou sermos 
rodeados por coisas, cujo propósito permanece desconhecido de nós. Esta é a razão pela 
qual damos considerável atenção as nossas vestimentas, os signos e símbolos do vestuário: 
estas são as nossas ferramentas. Isto não significa que o símbolo em si possui um poder 
mágico ou nem mesmo que possam ser usados para realmente realizar algo em nossas vidas 
 
 
17 
- mas, antes, o símbolo é uma LEMBRANÇA SILENCIOSA das leis profundas que podem ser 
usadas - leis que vocês estão sendo instruídos de como usar. 
 
O Venerável Irmão Desconhecido poderia gentilmente se levantar por um momento para 
que os Irmãos e Irmãs possam observar o cordão? Lembre os irmãos que o terceiro 
símbolo colocado sobre o indivíduo no momento da Iniciação é o cordão. Como já foi dito, 
o cordão protege contra as forças do mal durante seu trabalho. (leia a sessão relacionada 
ao cordão na parte sobre a Iniciação). 
 
Note especialmente estas palavras: “Este cordão, símbolo do Círculo Mágico e da 
Corrente Tradicional, te liga ao teu Iniciador, assim como ele próprio foi ligado à Luz, 
quando começa toda Iniciação e toda Iluminação”. Vemos, portanto, que o cordão tem um 
significado duplo. Simboliza tanto a PROTEÇÃO como a LIGAÇÃO. 
 
Vamos examinar o primeiro. Como um símbolo de proteção, o cordão enfatiza o 
significado do BALANDRAU que é amarrado seguramente por ele, envolto do corpo. Se foi 
dito que o balandrau representa a aura (aquela cobertura sutil de energia vibratória que 
envolve o corpo físico e pode formar uma barreira contra as forças demoníacas, assim 
como estender-se e contatar as auras de nossos Irmãos com os quais nos coloca em 
comunhão), pode-se dizer que o cordão representa o Universal que encerra e 
circunscreve nossa aura. 
 
O cordão é assim, similar à capa neste sentido, pois esta também constitui um círculo que 
nos protege, da mesma forma que uma cerca protege um campo de intrusos ou possíveis 
saqueadores. Este significado tem sido conhecido ha muito tempo, e você irá, sem dúvida, 
relembrá-lo em cerimônias mágicas; o celebrante normalmente traça um circulo à sua 
volta, formando assim uma barreira contra as forças demoníacas, enquanto opera. Este 
círculo é repetido em muitas cerimônias embora não seja sempre óbvio e seu significado 
sempre compreendido. 
 
Vamos discutir o cordão como símbolo de proteção. 
 
Note a forma circular de templos antigos, os círculos druidas, alianças de casamento, etc. 
Observamos anteriormente que tanto o cordão como a capa eram símbolos de proteção, 
mas há esta diferença: A capa é primeiramente, um símbolo de proteção contra a 
malevolência e a ignorância das pessoas, seus insultos e as irradiações deste mundo. 
 
O cordão, por outro lado, é um símbolo de proteção contra as forças demoníacas e da 
feitiçaria; em outras palavras, contra o mundo astral ou físico. 
 
O cordão é um símbolo muito antigo e tem um valor de significado místico. Ele tem 
comunicado luz ao homem a cada século e continua a iluminar Martinistas nos nossos 
dias. Na antiguidade, o cordão estava relacionado ao cinto ou faixa, do vestuário primitivo. 
Era importante porque a cintura favorece um meio natural de suportar a parte de baixo da 
roupa. Muitos nomes foram atribuídos ao cordão e, da mesma forma, vários propósitos. A 
princípio era meramente utilitário, um artigo de vestir. Mais tarde sua função se tornou 
mágico-religiosa; e, finalmente, se tornou um símbolo esotérico. Foi conhecido como 
cordão, corda, cinto, cinturão e nomes equivalentes entre os diferentes povos do mundo. 
 
Quanto à forma, o cordão variou de uma tira de tecido amarrada envolta do corpo, a uma 
espécie de corda usada por membros de algumas Ordens monásticas. Praticamente, era 
usado, algumas vezes, para carregar uma bolsa ou espada. Neste sentido se tornou a 
 
 
18 
peça final do vestuário cobrindo outros itens; assim como um soldado usa um cinto sobre 
a túnica de seu uniforme. 
 
 Assim como um homem moderno indica estar um pronto, para partir colocando um 
chapéu sobre sua cabeça e pegando suas luvas e bengala; assim, colocar um cordão em 
volta de uma pessoa nos tempos bíblicos era identificação de “estar pronto para a ação”. 
Este pensamento se baseia em Lucas 17:8 “cinge-te e serve-me...” Em sua forma final, 
através de séculos de transformação, o cordão se tornou uma vestimenta eclesiástica, 
usada por padres de diferentes seitas, até mesmo os da igreja Cristã. 
 
A estola, agora uma forma comum da vestimenta sacerdotal, é o sucessor da corda ou 
cordão. Consiste em uma tira de ornamento, de 4 ou 5 centímetros de largura, usado 
envolta do pescoço que termina pendurada, solta, na frente da cintura; freqüentemente 
tem na ponta uma cruz ou algum outro desenho emblemático. 
 
Vamos agora considerar o cordão como um símbolo de ligação. Mais uma vez, ele é a 
representação do Universo, no qual todas as nossas mais altas faculdades canalizadas 
através de nossas auras se unem, a fim de que possamos todos comungar em espírito. 
Na estrutura do Martinismo, o cordão simboliza a Cadeia Iniciática que une cada um de 
nós com o Mestre fundador da Ordem e através dele, por intermédio de nosso MESTRE 
DESCONHECIDO (de quem falaremos mais adiante) à Luz da Região Invisível. 
 
Como membros da Ordem Martinista, temos o direito e o dever de conhecer a cadeia 
através da qual a Luz tem sido transmitida até nós. Não iremos, neste momento, buscar 
qualquer história detalhada de nossa Ordem, por enquanto iremos seguir duas linhas de 
descendência: aquela de nossa Iniciação pessoal e aquela de sucessão da autoridade. No 
final desta lição pedirei ao caríssimo Ir. Secretário que faça circular esta informação. 
 
Voltando ao cordão, símbolo da ligação espiritual que nos une em Irmandade, Vocês irão 
conhecer também o cordão simbólico do Ritual. É ao mesmo tempo uma proteção e uma 
ligação, mantendo de fora de nossa reunião aquelas influências que diminuiriam nossa 
concentração; por outro lado, permite que a beneficência de nossos Mestres Invisíveis 
descenda entre nós, sem obstáculos. 
 
Vamos agora meditar brevemente sobre o cordão como ligação simbólica, tendo chegado 
a novas conclusões, discuta novamente seus diferentes aspectos. 
 
Meditação/discussão 
 
(Cordão umbilical, aliança de casamento, cordão de prata, a cadeia, etc.) 
 
Iremos concluir nossos estudos sobre o cordão lembrando que ele muito se assemelha ao 
círculo, como o zero ou o símbolo da Infinidade e o ciclo de 9; isto tudo será tratado 
quando estudarmos o simbolismo dos números, mais tarde. Nesta semana, medite sobre o 
Cordão de nossa Ordem, a fim de que seu mais profundo significado possa penetrar em 
seu subconsciente. Assim, quando ouvires as palavras: “Irmãos Martinistas, queiram 
formar a cadeia em torno daqueles que conduzem e daqueles que estão prestes a receber 
a luz...” poderão compreender o profundo significado da ocasião. 
 
 
 
 
 
 
19 
 
 
LOUIS CLAUDE DE SAINT-MARTIN 
1743 – 1803 
 
Louis Claude de Saint-Martin 
 
 
 
Abbé de lanoüe CHAPTAL 
 Compte de Chanteloup 
 
Joseph Antoine HennequinHenri de la Touche NÃO IDENTIFICADO 
 
 
Antoine Desbarolles 
Compte d’Authencourt 
 
 
Ametie de Boisse-Mortemart Henri Delaage 
 
 
Pierre Augustin Chaboseau - - - TROCA - - - Dr. Gérard Encause 
 (PAPUS) 
 
 
Charles Détré 
(Teder) 
│ 
Georges Bogé de Lagréze 
(MIKAEL) 
│ 
Auguste Reichel 
│ 
(Amertis) 
│ 
V. Churchill 
│ 
(VERNITA) 
│ 
(GULION) 
Grão MESTRE, G.L. da INGLATERRA 
│ 
(SALVITAR) 
Grão MESTRE, G.L. de Barbados 
 
 
 
20 
*Nota: Chaboseau e Encausse trocaram suas iniciações. 
 
 
CONFERÊNCIA ASSOCIADA Nº6 
 
Continuemos a desdobrar e avançar nosso conhecimento sobre assuntos que dizem 
respeito a cada Martinista. Por favor, dirija sua atenção ao centro de nosso Oratório, 
chamado de altar. (PAUSA). É uma característica notável das Lojas esotéricas, o altar 
está no CORAÇÃO (centro) do santuário e não na sua cabeça, no oriente, como é o caso 
das igrejas exotéricas. Esta característica aposta o CAMINHO DO CORAÇÃO como 
sendo a Senda Mística. O termo de Saint-Martin, “Homem de Desejo” se relaciona aqueles 
que aprenderam este fato. Voltaremos a este assunto mais adiante. 
 
O altar, para este grau, está revestido das três cores Martinistas: preta, vermelha e 
branca. O preto é realmente a falta de todas as cores ou qualquer tipo de luz, simboliza a 
ignorância. É a “Floresta dos Erros” nos escritos de Saint-Martin, onde se encontra o seu 
“Homem da torrente” - aquelas pessoas que vagueiam através das condições mundanas 
com falta de direção e do desejo de buscar a Luz. O Vermelho nos lembra de sacrifício. 
Simboliza também coragem - coragem na batalha da vida onde se faz o esforço para 
transmutar os elementos da Natureza. 
 
A superfície branca do altar se sobrepõe através das três luminárias que representam a 
Luz da Sabedoria da Força e da Beleza. O branco indica pureza, os Seres evoluídos, 
Mestres e Adeptos, “as crianças da Luz”. 
 
Nós entramos na Ordem Martinista buscando o Grande Desconhecidos, também 
envolvidos pelo preto. Associamos-nos, para aprender a nos orientar, passo a passo, a fim 
de que os poderes escondidos ou ocultos sejam desenvolvidos e para nos tornarmos 
cientes do trabalho do Onipotente através de nós. Lutamos para nos REGENERAR e 
manter firmemente em nossas mentes o objetivo da Reintegração. 
 
Ao mesmo tempo, nossos serviços para a coletividade permanecem desconhecidos. Se 
nos colocarmos em suficiente harmonia com as tradições Martinistas e uns com os outros, 
trabalhamos entusiasmadamente para obter o segundo grau, aquele do pleno Iniciado do 
Martinismo. A cor vermelha tem então um significado mais rico, pois o Fogo oculto da 
Alma está sendo inflamado numa luminosidade, através de nossas aspirações 
sustentadas. Este é o sentido grande passo ao longo da Senda. 
 
Finalmente, a Luz completa está simbolizada pelo branco do Terceiro Grau, aquele do 
INICIADOR Martinista que está capacitado a “retribuir força e vigor ao Símbolo da Ordem”. O 
branco é a impressão consciente que recebemos da combinação perfeita de todas as sete 
cores da luz solar. 
 
Vamos agora considerar as três luminárias dispostas de forma triangular encima do altar. 
(apontar para elas) As três diferentes luminárias combinam suas luzes separadas a fim de 
fornecer UMA LUZ UNIFICADA. Da mesma forma, UMA Verdade Perfeita emana de 
fontes que são diferentes e aparentemente opostas, algumas vezes. Por este símbolo, o 
Iniciado reconhece a religião como sendo SEMPRE A MESMA por traz das várias seitas e 
credor que a expressa para as massas. Não há senão UMA RELIGIÃO, como não há 
senão UMA VERDADE; nenhuma seita, seja no Oriente ou no Ocidente, pode reivindicar a 
si o monopólio da verdade, excluindo as outras. Esta era a base das Iniciações antigas. 
 
 
 
21 
Nosso Venerável Mestre Papus, primeiro Presidente do Supremo Conselho da Ordem 
Martinista do Mundo, conta que cada sacerdote de seitas antigas era um Iniciado, ou seja, 
compreendia perfeitamente que só existia uma religião e que as diferentes formas de culto 
serviam apenas para traduzir esta religião a diferentes povos, de acordo com sua 
compreensão particular, nível de consciência e temperamento. Como importante resultado 
deste fato, o sacerdote de um templo podia ser honradamente recebido em todos os 
outros templos e autorizado a celebrar. Desta forma, podemos leR: “o Sumo Sacerdote 
dos Israelitas recebeu no templo um Iniciado, Alexandre o Grande, e o conduziu ao Santo 
dos Santos, a fim de oferecer um sacrifício”. 
 
As discussões existentes, hoje em dia, entre várias seitas religiosas pela supremacia, teria 
espantado um Iniciado antigo e o teria enchido de desprezo pela nossa ignorância e falta 
de fé. O objetivo de uma grande parte das sociedades secretas é restabelecer esta união 
e tolerância entre todos os membros da família humana, através de homens de 
inteligência. 
 
Discussões/Questões 
 
Retornemos ao estudo do simbolismo: As camadas de diferentes cores sobre as quais se 
situam as Luminárias, também são emblemas dos verdadeiros princípios da Hierarquia, da 
ordem progressiva ou da série de graus ou estágios pelos quais passamos na medida em 
que nos desenvolvemos. Cada luminária representa um grau diferente da Hierarquia, um 
se excedendo ao outro, assim como o número dois segue o número um e o três segue o 
dois. 
 
Em toda organização deve existir esta hierarquia, pois é compreensível que aqueles que 
avançaram, progrediram além do que aqueles que apenas adentraram a luz. Embora cada 
luminária emita luz, esta luz não é simbolicamente a mesma. As cores preta, vermelha e 
branca representam a Hierarquia da luz. 
 
No homem, a hierarquia deve ser encontrada nas três partes que constituem o tronco 
humano. Temos o estômago, peito e cabeça. Cada um deles dá uma origem: o estômago, 
ao corpo, que renova; o peito, à vida, que preserva em si; e a cabeça ao pensamento, que 
manifesta. 
 
Iremos tratar este assunto detalhadamente mais adiante, contudo seria mais 
compreensível neste momento se for expresso de outra forma: nossa busca por um 
conhecimento do Absoluto, de Deus, da Natureza e do Homem - tem início nas trevas, 
num estado de confusão comparativa e talvez até mesmo de dúvida e temor. Isto é 
simbolizado pela toalha preta e denota que nosso grau hierárquico de ascensão ainda está 
muito na obscuridade. 
 
A toalha preta denota também o estômago, o corpo e o instinto animal, pois isto é o mais 
baixo na ordem hierárquica de nosso ser. Certamente, aquele homem cuja vida é 
governada somente pelo estômago e apetites do corpo não avançou muito dentre os 
homens e nem muito acima dos animais. 
 
A toalha vermelha representa o grau da penumbra. Na arte, a penumbra é a mistura de 
sombras na luz, é aquele ponto em que as sombras imergem na cor. Consequentemente, 
a toalha vermelha sobre a preta, no altar, simboliza o homem emergindo das trevas 
desprezíveispara o crepúsculo da compreensão. Representa também o peito e a vida. 
Simbolicamente, o coração é o centro das emoções e sentimentos do homem; além disso, 
 
 
22 
ele bombeia o sangue da vida pelo corpo. Estando localizado no peito, seus benefícios 
são mais elevados e manifestam uma influência mais refinada sobre o homem do que 
aquelas de seu estômago ou apetites. Um homem sensível aos seus sentimentos e 
emoções, está transcendendo sua natureza inferior, está emergindo das trevas para a luz; 
consequentemente, a toalha vermelha, que representa tudo isto, está acima da toalha 
preta. 
 
A toalha branca que cobre o altar representa a luz pura. Denota a manifestação da cabeça 
- pensamento. Dependemos do pensamento para a compreensão dos mistérios da tríade, 
natureza, homem e Deus, assim como o caráter do Absoluto - Onipotente. 
 
Tanto na natureza como no homem, veremos a mesma hierarquia de três graus: as três 
grandes divisões ou reinos. Quais são? Mineral, vegetal e animal. Há uma relação 
correspondente entre estes três reinos da natureza e a ordem hierárquica do homem. Para 
aquele que não é iniciado, cada um parece ser animado por um poder peculiar a si próprio. 
É obrigação do Martinista relacionar estas três manifestações hierárquicas do universo 
com a verdade. 
 
Meditemos agora, silenciosamente, sobre o altar, suas cores e luminárias. 
 
(Ditar Capítulos da Avaliação do Associado. Lembre os irmãos que devem aprender toda a 
Avaliação de memória. No próximo Conventículo irão ser questionados sobre os 
capítulos ditadas até aqui). 
 
CONFERÊNCIA ASSOCIADA Nº7 
 
Uma verdadeira Ordem Mística tem a obrigação de preservar e transmitir a verdade 
fundamental. Isto tem sido realizado através da Iniciação e do uso de símbolos. 
 
A Iniciação tem demonstrado certas leis universais e os símbolos são oferecidos para 
explicá-las. É a natureza eterna e universal destes que dá ao Martinismo sua significação. 
Seus símbolos sendo fundamental e verdadeiramente místicos contêm aplicações quase 
que sem fim. O símbolo da Hierarquia da Luz, com a qual nos tornamos familiarizados 
desde o primeiro Conventículo, ilustra muito bem a natureza tripla de todas as coisas - até 
mesmo as três grandes classificações de homens. 
 
Da mesma forma que há três gradações da luz, há três gradações de homens: Primeiro, 
há o povo comum, que habita nas sombras - cego, ignorante, vivendo na maior parte para 
a satisfação e gratificação dos apetites. Não está senão vagamente ciente de que a vida 
tem um propósito ou que a Luz preservada através dos tempos possa ter tido algum 
objetivo. Faz pouco ou nenhum esforço para atingir um nível mais elevado de vida ou de 
atuação do que aquele que parece natural e realizado com o mínimo esforço. Estas 
questões se centram sempre nos mais baixos ramos do pensamento. - e suas respostas 
representam as grandes distorções da verdade. Na Hierarquia da Luz, a luz da maioria 
dos homens é apenas trevas. 
 
Acima deste grosso nível da sociedade estão aqueles cujas aspirações tem sido 
despertadas, de quem as naturezas tem sido, de alguma forma, disciplinada e cujo desejo 
tem se espiritualizado. Não estão mais contentes com as sombras, pois a presença da Luz 
movimenta um leve efeito em suas mentes e corações. 
 
 
 
23 
Eles lutam para se abrirem mais completamente à Luz, embora, não conhecendo todo o 
seu esplendor, quase sempre falham no reconhecimento de seus mensageiros. Estes 
habitam na penumbra e são chamados de Homens de desejo; pode-se dizer que, 
simbolicamente, o iniciado tenha atingido esta classificação quando está pronto a avançar 
para o próximo grau. Na hierarquia da Luz, os Homens de Desejo estão representados 
pela dissipação das trevas para o grau da penumbra. 
 
No ápice da pirâmide dos homens estão aqueles seres verdadeiramente avançados e 
perfeitos que são os verdadeiros líderes e professores cuja companhia aspiramos 
compartilhar. São Os Superiores Desconhecidos que marcam nosso caminho no 
Martinismo e irradiam suas luzes e Amor sobre nossos Conventículo. 
 
O número destes homens é pequeno se comparado com as outras duas categorias; 
através do rito do cordão místico, todos os Homens de desejo estão ligados a eles. Na 
Hierarquia da Luz, estão representados pelo branco puro. 
 
Assim, podemos traçar o plano da evolução espiritual do homem, desde a total ignorância 
à crescente iluminação e a um estado de sabedoria e realização. 
 
Na semana passada, estudamos alguns significados das toalhas do altar, compostas de 
três cores e eu havia comentado também, um pouco dos três tipos de homens. Nossas 
luminárias nos ensinaram que a verdade é uma, mesmo quando surgem de fontes 
aparentemente opostas e variantes umas das outras. No Martinismo, buscamos descobrir 
esta unidade essencial, não importa onde possa ser encontrada ou qual o canal de onde 
venha. Ligando os pontos de vista da ciência e da religião, estabelecemos um caminho 
aceitável e concordante para ambos. 
 
Vamos agora concluir nosso estudo preliminar dos símbolos Martinistas examinando 
outros artigos de nosso Templo: Seguindo as tradições de mestres antigos, os Egípcios, 
Caldeus, Gnósticos, Platonistas e Cabalistas, o Martinismo, como já foi dito, afirma a 
natureza tripla da criação e a existência de um único princípio chamado de Absoluto, que 
governa com igual regularidade o poder criativo de Deus, o fenômeno da natureza e os 
pensamentos e ações do homem. 
 
É com a busca deste absoluto (que nossos Irmãos Hermetistas chamam de Pedra do 
Filósofo) que os Martinistas se comprometem através da meditação de seus símbolos. 
Os três candelabros únicos dispostos sobre o altar irão ser estudados com mais detalhes 
nas semanas seguintes; eles simbolizam a Lei Ternária ou a Lei do três. 
 
Para certas religiões, estas três luminárias poderiam representar a Santa Trindade. Para 
nós, representam mais particularmente os três atributos do Soberano Arquiteto do 
Universo, a saber: Sua Sabedoria, Sua Força e Sua Beleza. Note que as luminárias estão 
situadas encima da toalha branca, representando o mundo do iniciado. Isto indica o último 
passo na escala espiritual, aquele da reconciliação do Homem com seu Princípio, em 
outras palavras, a absorção do Iniciado no Absoluto: REINTEGRAÇÃO. 
 
Sobre a toalha branca encontra-se também o incenso, símbolo das aspirações, 
pensamentos e orações do Iniciado que se elevam ao Onipotente e são abarcados pelos 
três atributos do S.A.O.T.V.. 
 
É o fogo de nosso esforço espiritual que transforma nosso ser material grosseiro no mais 
sutil espírito que se eleva cada vez mais em direção a reintegração. 
 
 
24 
 
A máscara preta está ali para nos lembrar que o verdadeiro Iniciado permanece 
desconhecido. 
 
O Novo testamento indica a Luz que guia o Iniciado Cristão, mais particularmente, rumo ao 
seu objetivo. 
 
As Escrituras simbolizam a ligação entre o Iniciado Martinista e o Alto Iniciado - o Mestre 
que fundou nossa Ordem. 
 
Tendo examinado nosso altar em detalhes, iremos considerar, brevemente, os outros 
símbolos de nosso Oratório. O Pantáculo da Ordem, o estandarte do Ocidente e as duas 
Colunas, iremos estudar com detalhes em diferentes etapas de nosso trabalho e na luz do 
que aprendemos na medida em que progredimos. 
 
A Mesa do Mestre é coberta por uma toalha vermelha escura, símbolo da autoridade. 
Encima desta toalha está um candelabro de três braços, outro símbolo da Lei Ternária que 
representa mais especificamente a reflexão sobre o plano material da Trindade Altíssima. 
“Assim como é encima é embaixo” declara a tradição Hermética. O fato das três luzes 
estarem unidas num ÚNICO símbolo aponta para a UNIDADE, essencial em todas as 
coisas. 
 
A espada de dois gumes simboliza a dualidade que se encontra na aplicação da 
autoridade, da Justiça e da Ação. Ela “corta dos dois lados”, isto explica bem 
descritivamente, o significado deste símbolo; além disso, lembra ao Mestre e aos 
membros que um privilégio ou um direito criaimediatamente um dever; o abuso ou mal 
aplicação deste direito deteriora os dois lados. 
 
As três rosas, em diferentes estados de maturidade, a sabeR: o botão, a rosa meia aberta 
e a rosa desabrochada, representa os três estágios de evolução da alma humana. 
 
O martelo (malhete), outro símbolo da autoridade, simboliza a necessidade de trabalhar 
ativamente no desenvolvimento espiritual. É o emblema do ESFORÇO DIRECIONADO, 
concentrado num ÚNICO OBJETIVO, o de dar um resultado determinado. “Se teu olho for 
único, teu corpo será cheio de luz”. (Dar uma batida). 
 
A cadeira revestida de branco, é para o mestre Desconhecido, Invisível, mas sempre 
presente. A Luz no Oriente é nossa ligação com todos aqueles que nos precederam. Está 
no hábitat da alma de todos os Mestres que tem trabalhado para tirar a humanidade de 
sua condição material. É nossa ligação com o Mundo Astral. 
 
Questões / Discussão 
 
Isto encerra nosso primeiro estudo sobre nossas ferramentas. Na próxima semana 
voltaremos a qualquer ponto que necessite maiores esclarecimentos e responderemos 
questões pertinentes. Questionar os Irmãos sobre a avaliação do Associado. 
 
CONFERÊNCIA ASSOCIADA Nº8 
 
Irei conduzir agora uma verificação dirigindo algumas questões apropriadas a fim de testar 
a compreensão de vocês sobre o trabalho apresentado até aqui. 
 
 
 
25 
(AS PERGUNTAS E RESPOSTAS QUE SE SEGUEM FORAM TIRADAS DE VÁRIOS 
CAPÍTULOS DE CONVENTÍCULOS PARA SEREM APRESENTADAS AQUI): 
 
Porque saudamos o Oriente quando entramos e saímos do Templo? 
 
O Oriente, onde nasce o Sol, representa o lugar de onde vem a Verdade, a Luz e o 
Conhecimento e como nossos MESTRES PASSADOS residem na Luz, nos voltamos para 
o Oriente para saldá-los. 
 
Dizem que o preto é símbolo do mal, por que então nossa capa é preta? 
 
Primeiramente, precisa ser compreendido que a escolha de cores para simbolizar certos 
princípios é puramente arbitraria. Estes símbolos são tirados do Livro da Natureza e são 
escolhidos simplesmente pela sua facilidade de compreensão e demonstração. Toda a 
simbologia das cores está baseada na luz. A total ausência da luz é trevas. O fogo do 
desejo irá então gerar calor, que num primeiro momento irá incandescer um vermelho 
apagado. Na medida em que o calor aumenta, a cor passa por vários tons do vermelho até 
atingir finalmente uma luz branca brilhante. Há a progressão que é representada pelas três 
cores das toalhas do altar. 
 
Quando há ausência de luz na Natureza, tudo é preto. O PRETO NÃO É UM SÍMBOLO 
DO MAL. O preto simboliza quietude, passividade, repouso, inatividade; portanto, o preto 
não é um símbolo ativo. Simboliza as trevas porque as trevas é a ausência da luz. 
Simboliza a ignorância porque a ignorância é a ausência da luz do conhecimento. Por falar 
neste princípio da ausência, nosso Grão Mestre deseja enfaticamente ressaltar que se 
tratando de pele, a pele negra não é nenhum símbolo de qualquer tipo de ausência; ao 
contrário, ela denota um excesso de pigmentação e não pode de maneira alguma ser 
associada com a concepção abstrata ou simbologia da cor preta. 
 
Retornemos a questão específica da cor de nossa capa. Ela é preta porque simboliza o 
desconhecido, não contém nenhuma marca de identificação ou característica de 
reconhecimento. Assim, quando a usamos misticamente, como uma proteção contra a má 
vontade e hostilidade dos outros onde eles possam se fixar ou concentrar. 
 
Já que preto, vermelho e branco são as três cores Martinistas, por que elas não estão 
representadas em nosso emblema? 
 
Elas estão! Vejamos como: 
 
Os Associados usam preto e branco porque se encontram no primeiro ponto da entrada e 
só ali, pois estão se tornando Homens de Desejo. O “vermelho” deles, portanto, está 
interno e expresso por suas aspirações ardentes ou “vermelho vivo” ou desejo. 
 
O Iniciado ou membro do Segundo Grau usa balandrau vermelho. O cordão do Mestre (ou 
Filósofo Desconhecido) também é vermelho. 
 
Os membros do Terceiro Grau não usam vermelho, mas uma explicação para isto só será 
dada mais adiante. 
 
 
 
 
 
 
26 
Quem são os Mestres Passados da Ordem? 
 
Martinez de Pasquallys, Louis Claude de Saint-Martin, Jean Baptiste Willermoz, aqueles 
que os inspiraram... Aqueles que seguiram seus passos e agora se juntaram a eles, 
Papus, por exemplo. 
 
Quem são os Mestres Invisíveis da Ordem? 
 
São outros Seres fora daqueles geralmente designados como Mestres Passados. 
 
Quem é o Mestre Desconhecido? 
 
Do Mestre Desconhecido nada pode ser dito neste momento, além de que ele é o Mestre 
de nossa Cadeia Particular, no plano superior. 
 
Qual o significado de se formar uma cadeia durante o ritual? 
 
A cadeia é para a Loja, o que o cordão é para o membro. Atua como um círculo mágico 
que evita a entrada de influências indesejáveis e auxilia na formação de uma roda de 
poder que intensifica e multiplica a soma total do poder individual que emanam dos 
participantes no círculo. Na parte de abertura da cerimônia, a cadeia cria uma roda de 
poder onde as palavras de São João encontram um campo adequado já preparado. Em 
outras palavras, a cadeia “acelera” os impulsos emanados da concentração de cada 
membro, assim como um ciclotron acelera as partículas injetadas nele de várias fontes. 
 
O que é a Ordem Martinista? 
 
A Ordem Martinista é uma discreta fraternidade filosófica, cujo propósito é perpetuar e 
disseminar a Verdade Sagrada. Seus sublimes ensinamentos são aqueles do misticismo 
Cristão e das regras morais. Busca auxiliar cada Homem de Desejo na reunião com seu 
Princípio Espiritual, e a formar a sociedade humana através das linhas da Teocracia; um 
povo submetido as regras e direção do Onipotente. A Ordem transmite através de suas 
iniciações e ensinamentos privados, a Luz perdida da sabedoria antiga. Seus privilégios 
estão disponíveis tanto aos homens como as mulheres de qualquer raça e credo, que 
sejam sinceros, meritórios e fortemente desejosos da evolução espiritual e conhecimento 
esotérico. 
 
Você acredita que uma organização secreta possa transmitir luz? 
 
Sim. A verdadeira Luz que os homens deveriam desejar acima de todas as coisas, só é 
transmitida perfeitamente através de estruturas esotéricas secretas; entre elas, a Ordem 
Martinista ocupa uma posição bastante elevada. Infelizmente, as igrejas e instituições 
acadêmicas dos tempos modernos, transmitem apenas uma minúscula porção desta Luz; 
seus ensinamentos são superficiais, cheios de erros e meias verdades, o que é evidente 
para aqueles de discernimento espiritual. 
 
Se você fosse ordenado a crer, caso não acreditasse, ou a parar de crer, caso acreditasse, 
você o faria? 
 
Não. O aspirante místico só pode acreditar naquilo que sabe ser verdadeiro e correto, e 
este tipo de crença, repousa sujeito a ordens de nenhuma autoridade externa. A ordem de 
acreditar nada acrescenta ao conhecimento interior do místico; da mesma forma, a ordem 
 
 
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de não acreditar nada extrai dali. Portanto a resposta para esta questão é definitivamente 
negativa. Um dos primeiros objetivos da iniciação esotérica é construir uma fundação 
resistente e estável do conhecimento espiritual no ser; este conhecimento deve ser tão 
forte e seguro a ponto de não haver possibilidade de ser alterado por correntes externas 
de opiniões ou comandos de autoridades eclesiásticas ou políticas. 
 
Nós não perguntamos quem é você, porque se soubesse, não teria mais nada a aprender; 
mas nós te perguntamos: quem você PENSA que é? 
 
Cada pessoa é uma célula ou unidade no corpo da Humanidade Adâmica; a privação e a 
relativa obscuridade em que habitamos é resultado da Queda simbólica do Homem, de um 
estado de glória e unidade com o Ser Divino. Contudo, o Criador ama a humanidade e nos 
tem dado poderosos instrumentos para a espiritualização e reintegração final. Através da 
vontade redirecionada e de um desejo puro para com a graça e o conhecimento espiritual, 
é possível para todos os membros da obscura humanidade, reaproximar-se

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