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A Convenção de Marrakech Manual de Instruções para Membros no Grau de Associado da Ordem Martinista Traduzido do original Inglês: “The Marrakech Convention” Marrocos - 1988 2 Publicação feita pela Ordem Martinista de Marrocos, após a Convenção Mundial realizada em Marrakech, no dia 16 de maio de 1988 - Marrocos. ADVERTÊNCIA: se profanos não autorizados fizerem leitura ou uso desse material, incorrerão em falta grave e, por isso, também o depositário deste documento. “O maior infortúnio do homem não é ignorar a existência da verdade, mas sim interpretar erroneamente a sua natureza” (Louis Claude de Saint-Martin, 1743-1803). Privado e Confidencial Introdução Marrakech, Maio, 1988. Este manual elabora e esclarece precisamente o porquê de ser um Martinista, o que é o Martinismo, o propósito de uma loja Martinista e os procedimentos adequados a serem seguidos pelas lojas Martinistas estabelecidas em nome do SUPREMO CONSELHO INTERIOR. Este manual possui dois capítulos: Capítulo I - Geral, para Dirigentes das lojas e todos os membros da Ordem. Capítulo II - Específico, apenas para Dirigentes de Lojas. Preâmbulo Após a morte de Pasquallys, os templos dos Elus-Cohen fecharam. Louis Claude de Saint- Martin, um Elu-Cohen e membro da Ordem dos Filósofos Desconhecidos, continuou a transmitir a Iniciação a pessoas que ele considerava meritórias. Estas, por sua vez, iniciavam outras. Tal atividade não foi conduzida sob a égide de um corpo organizado e sim perpetuada pela transmissão de pessoa a pessoa (ou Iniciação Livre). Papus recebeu a Iniciação de Henri Delaage e, mais tarde, descobriu que vários de seus amigos também a haviam recebido através de diferentes canais. Papus sentiu que a Iniciação era valiosa demais para que sua perpetuação fosse deixada a transmissões individuais; portanto fundou a Ordem Martinista, principalmente, para proteger e assegurar sua sobrevivência. Durante os anos que culminaram com a formação do primeiro Supremo Conselho em 1890, Papus fundou a revista L’Initiation, ela foi, e é o órgão através do qual ensinamentos e informações sobre a Ordem são disseminados. O advento da Segunda Guerra Mundial trouxe a suspensão de quase todas as atividades Iniciáticas na Europa, e os membros das Ordens foram espalhados como resultado do conflito. De fato, o Grão Mestre Constant Chevillon foi assassinado pelos nazistas. Muitas das Ordens esotéricas tradicionais também encontraram o seu fim. Afortunadamente a Ordem Martinista sobreviveu, sendo que a Ordem Martinista e Sinárquica foi o único ramo da Ordem que operou continuamente, estando em atividade na Suíça, durante os anos da guerra. Após a guerra, a atividade gradualmente recomeçou na França e em países de língua francesa, contudo nos países de língua inglesa o progresso foi lento, devido, em grande parte, à falta de material em Inglês. No começo dos anos 80, a Ordem iniciou operações no hemisfério ocidental sob os auspícios da Grande Loja Britânica, e um sério esforço de reconstrução teve início em países de língua inglesa: o Colégio Internacional de Estudos Martinistas fora inaugurado e encarregado de distribuir informações e 3 ensinamentos em Inglês, opera paralelamente com L’Initiation, que continuou seu trabalho na França. Uns fluxos de informações, então disponíveis, em Inglês, estimularam e reacenderam um grande interesse nas Obras Martinistas em países de língua inglesa e em todo o mundo. Este Manual de Informação e Instrução tem, portanto, sido oferecido a fim de que procedimentos uniformizados e padronizados possam ser organizados e mantidos em todas as jurisdições Martinistas. Capítulo I (Para Dirigentes de Lojas e Membros da Ordem) Quais as vantagens de ser um Martinista? Apesar de haver desvantagens em qualquer organização, é preciso reconhecer que os benefícios são maiores do que os malefícios. Sobre a Ordem Martinista podemos afirmar verdadeiramente que as vantagens são tantas e tão grandes que não vemos desvantagens. Em primeiro lugar, é umas das poucas Ordens que não exige aderência quanto à crença ou convicção. Qualquer que seja a crença do candidato, ele não precisa mudá-la ou tomar uma nova. Espera-se, contudo, que ele viva o mais alto ponto de sua concepção sobre sua crença. Não precisa temer que haja alguma intenção egoísta na Ordem, pois cada novo membro apenas aumenta o trabalho de algum delegado, que poderia muito bem prosseguir com seu próprio desenvolvimento, sem ninguém mais. Não há taxas e nem contribuições, e as instruções enviadas, de tempos em tempos, são grátis. O homem desconfiado perguntará: “Qual será o motivo para o aumento de membros”? Um verdadeiro Martinista não trabalha por interesse pessoal, mas para trazer o homem de volta aos seus poderes primitivos. Passou o tempo em que os homens podiam afirmar estarem realizando a obra de Deus e da humanidade, vivendo como o povo ao mesmo tempo em que serve a si próprio e ao resto dos humanos. Os homens deixaram de ser influenciados por este tipo de obra cristã, e são chegados os dias da mudança desse padrão, até os homens que alegam ser os Apóstolos do Cristo, devem viver as suas vidas e também serem capazes de provar, através de suas obras, que possuem alguns dos dons mencionados na segunda parte do Evangelho de Marcos. A Ordem Martinista mantém esta posição e a de igualdade de sexos quanto a possibilidade de desenvolver os mais altos e Divinos dons. 4 Seu centro está na França, onde foi organizada pela primeira vez, mas seus membros podem ser encontrados em todos os lugares do planeta. O fundador foi Louis-Claude de Saint-Martin. Seus escritos não são como outros e mudariam o mundo inteiro se fossem apenas traduzidos nas diferentes línguas. No Império Britânico não há senão algumas cópias de dois de seus livros e se encontram em grandes livrarias que os guardam tanto que não permitiriam que fossem retirados. Todas as outras obras deste homem iluminado estão em sua língua nativa e esperamos que num futuro breve possamos tê-las traduzidas e publicadas. Seus ensinamentos são o fundamento de tudo o que é transmitido na Ordem. Qualquer que seja o conhecimento adquirido em outras linhas não pode usurpar o lugar dos ensinamentos do nosso mestre fundador. O Martinismo não só mostra o caminho da iluminação, mas mantém conduz, tornando seguro o nebuloso caminho até ela. Representa os mais generosos, liberais e Cristãos ensinamentos que são dados em qualquer organização, sem imposições dogmáticas; insiste, todavia, na vivência diária em comunhão com o Logos ou VERBO. Como uma pequena levedura irá fermentar em toda a extensão de um alimento, assim esta Ordem deve mudar todo o mundo, até que todos aqueles que virem os doentes curados, seja do corpo ou da mente, digam: “eles devem pertencer à Ordem de Louis-Claude de Saint- Martin.” Outro benefício de se pertencer a esta Ordem, é que ela oferece assistência e conselho de homens sábios que (tanto no corpo como fora dele) estão sempre prontos a enviar, através das melhores forças da natureza, o vigor ou o auxílio ao necessitado. Muitos não acreditam nas palavras de São Paulo: “Estamos rodeados por uma nuvem de testemunhas”, mas ninguém pode ser um Martinista sem provar a verdade destas palavras. I.N.R.I. abril/maio 1906 Perguntas e Respostas O que é um Martinista “livre”? Ser Martinista é ser membro da Ordem Martinista. Alguém se torna Martinista ao ser iniciado por outro Martinista que possui as qualificações apropriadas e a autoridade para conferir a Iniciação. Um membro da Ordem é chamado de “Martinista” e, nesta qualidade, ele ou ela deve viver a Vida Martinista, ou seja, trabalhar em sua regeneração e, finalmente, em sua reintegração. Os Martinistas se juntam e formam grupos denominados 5 Lojas. Um Martinistada Luz perdida e finalmente conquistar a unidade com o Onipotente, da qual desfrutávamos antes da primeira emanação do Seio Divino. Deus colocou no mundo um Agente poderoso para auxiliar no evolução humana; é o Princípio Crístico, que encoraja o Homem, incessantemente, a se unir e sintonizar-se com o Onipotente e finalmente alcançar a vitória sobre o princípio do mal e suas conspirações. A vida está ligada a matéria? Toda a matéria está infundida com a vida em vários e ordenados graus de consciência. Todo o universo está vivo! A energia que sustenta toda matéria nada mais é do que um aspecto ou polaridade do Poder Criativo Divino, enquanto que o princípio da vida, com seus atributos da mente e consciência, é o segundo aspecto deste Poder impenetrável. Assim, não há aspecto ou extensão do Onipotente, e a morte é irreal e não existente para a Natureza Divina. A matéria fornece um teatro ou escola para a expressão da vida e seus atributos da mente e consciência. Por último, no final dos tempos, a matéria como conhecemos agora, não mais existirá e será totalmente recolhida na imensidade Divina. Como Martinez de Pasquallys disse “No final tudo retornará ao princípio”. A morte é um fim ou um estágio? Morte é uma designação incorreta e uma irrealidade, Na chamada “morte”, o princípio espiritual do homem ou alma é separada do corpo físico e se manifesta no plano superior, imaterial. Neste “estágio” de manifestação, ela revê suas experiências, lições e se prepara para experiências necessárias complementares. O Martinismo Moderno ensina que o princípio espiritual renasce em sucessivas existências terrestres, de acordo com as leis naturais da reencarnação e do Karma, como ensina as escrituras, até que seu desenvolvimento seja perfeito neste plano. A partir de então ela continua sua ascensão evolucionária em planos ou esferas superiores, contemplando o objetivo final de completa identificação e reintegração com sua Fonte Divina, o Onipotente e sempre terno Deus. Se você fosse ordenado a beijar seu inimigo e a abandonar seu amigo, você o faria? Esta é uma pergunta muito difícil de responder, já que depende das circunstâncias envolvidas no momento. Como candidatos à Iniciação Martinista, temos o objetivo de nos dedicar a um ideal e de sermos absolutamente verdadeiros a ele. Na medida em que crescemos na vida Divina, nossos amigos e possíveis inimigos adquirem uma relação com nossos ideais pessoais em expansão. Se nossos antigos amigos não são mais 28 compatíveis com nossos ideais de evolução, então devemos abandoná-los, quer seja isto ordenado ou não. Da mesma forma, como disse o Mestre Jesus, não iremos nutrir rancor para com nossos inimigos. Se for ordenado que os beijemos e os perdoemos, os mandamentos do Princípio Cristão nos inclinam a fazê-lo. Em circunstâncias ordinárias, o místico e verdadeiro e gentil com seus amigos, caridoso e clemente com seus “inimigos”. Não iremos permitir que o ódio habite em nossos seres, embora sejamos atentos, cautelosos e reservados quando necessário. Quem nos daria tal ordem, de beijar um inimigo e esquecer um amigo? Se for um mentor espiritual, uma pessoa muito mais evoluída que nós, então deveríamos, sem dúvida, seguir a sua orientação. Em nenhuma circunstância seria mais fácil, para um místico, beijar um inimigo do que esquecer um amigo. Se este amigo errou em seu caminho e se tornou um instrumento do mal, é nosso dever adverti-lo e tentar trazê-lo de volta a Luz; contudo, se ele persiste no erro, então deve encarar as conseqüências de sua insensatez. Qual a sua compreensão das palavras: “Ocultismo”, “Hermetismo” e “Esoterismo”? O Ocultismo consiste numa tradição secreta e num corpo de conhecimento relacionado à verdadeira natureza. É reservado dos profanos ou não iniciados e transmitido através de irmandades reconhecidas como a Ordem Martinista. Hermetismo é um corpo de ensino e técnicas ocultas tradicional e eclético, atribuído ao sábio egípcio Hermes. Consiste em três partes: Teosofia, ou Sabedoria de Deus; Magia, ou potenciais poderes espirituais do homem; Alquimia, ou os segredos ocultos da Natureza. Num sentido mais elevado, o Hermetismo busca transmutar os metais básicos da natureza humana no ouro puro da espiritualidade e consciência de Deus. O Esoterismo é similar ao Ocultismo, consiste num caminho secreto e interior para a verdade espiritual. Seu oposto é o exoterismo, ou o conhecimento objetivo do mundo profano. O Esoterismo faz com que o homem mergulhe nas profundezas de sua própria natureza, para que ali encontre revelado, microcosmicamente, o conhecimento secreto e a profunda sabedoria do Ser Macrocósmico. Você acredita na virtude mágica da palavra e da ação? Sim. Acredito no poder e eficácia do VERBO, divulgado na criação do mundo e que agora está “perdido” para a maioria dos homens. O desenvolvimento esotérico ajuda o homem a recuperar este VERBO PERDIDO da autoridade Divina e terrestre. Na medida em que crescemos espiritualmente, encontramos este VERBO, de forma gradual, já que pertence à nossa missão na vida; a aquisição do Verbo leva à ação (para o bem, para as obras necessárias ao benefício e elevação da humanidade e para a glória do Onipotente). A Iniciação leva à AÇÃO em NOME do Incognoscível Ser Divino; seus efeitos são mágicos e repousam sobre os maravilhosos e inatos poderes espirituais da humanidade. Qual a sua compreensão sobre a “HIERARQUIA DOS SERES”? No universo há uma grande Hierarquia ou séries ordenadas de seres, terrestres e celestes. Deus é o ápice e a fonte desta Hierarquia sublime; sob o seu domínio há pelo menos nove graus ou divisões de seres celestiais de natureza angélica. O Homem está no meio, entre a Hierarquia celeste e a séries de criaturas que habitam a terra e seus 29 elementos. Um dos propósitos da Hierarquia celeste é dar instrução espiritual e estímulo a humanidade; um dos objetivos da iniciação esotérica é colocar a personalidade do candidato em concordância e comunhão espiritual com seres elevados que estão mais sintonizados com a Natureza Divina. Por fim, a humanidade irá recuperar sua posição de direito na Hierarquia celeste, quando as lições da terra tiverem sido aprendidas e a reintegração do mundo material tiver sido realizada. O que pode ser dito sobre o modo de vida Martinista e da Reintegração? Esta é a questão mais importante levantada até aqui. É o ponto crucial de tudo isto. Um Martinista tem uma ATITUDE particular com relação à vida. Esta atitude é influenciada pela compreensão de sua situação e pelo que deve fazer com relação a ela. Neste momento, o homem se encontra num estado de degeneração, tendo caído na matéria e sendo subjugado por ela. Antes de alguém atingir a Reintegração (ou Salvação como é chamada em alguns lugares), este alguém deve primeiro se tornar Regenerado. Ser Regenerado significa “nascer de novo, a fim de ser dotado de uma nova vida espiritual”. O processo de Regeneração deve ocorrer em TODOS OS NÍVEIS do ser: físico, emocional, mental e espiritual. A nível físico começamos a trabalhar observando uma dieta leve, exercícios apropriados, um sono adequado e suficiente, mantendo nossa pessoa e meio ambiente escrupulosamente limpos... em fim, seguindo as regras de uma vida saudável, encontradas em muitos livros sobre o assunto, hoje em dia. Simultaneamente, o trabalho a nível emocional, mental e espiritual deve também ser iniciado. O trabalho mental tem haver com treinamento e disciplina da mente e uma série de outros exercícios especiais que se encontram neste manual para este fim. O trabalho emocional e espiritual tem início ao começarmos a viver segundo os preceitos da “Via do Coração” e pelo esforço de manifestar aquilo que nos foi dado em nossa Iniciação. Esta nota de atenção deve ser ouvida: o coração é a morada da Luz Crística, da natureza do amor e de tudo o que é bom e salutar. Contudo, é também o lugarda malícia, inveja e más intenções! (Como lemos em Lucas 6:45; Mateus 15:19-20. etc.). Preservamos-nos das motivações impróprias através do uso místico das ferramentas Martinistas. É importante que as emoções sejam equilibradas e que não nos afastemos demasiadamente do centro. O objetivo final da reintegração está ligado ao resultado das causas que colocamos em movimento. Portanto, assim que tenhamos iniciado o caminho da Regeneração e alcançado notável progresso em todos os níveis. ENTÃO começamos a abordar um ponto em que o progresso da REINTEGRAÇÃO começa a ocorrer. Em outras palavras, quando nos elevamos e purificamos a consciência, nos tornamos imbuídos pela Nova Vida. Ficando, automaticamente atraídos para cima. Assim como peças de metais são atraídas por um imã. A Reintegração é, portanto, um efeito e não uma causa. Note que: enquanto cada pessoa, como uma célula única, pode se reintegrar individualmente (São Paulo os chama de “O homem justo que se fez perfeito)... O Adão Primitivo não pode 30 ser restaurado ou remembrado até que TODAS AS SUAS CÉLULAS (todas as pessoas que compõem a humanidade) TAMBÉM TENHAM SIDO REINTEGRADAS. Assim, a reintegração, a total reintegração é, de fato, um trabalho COLETIVO que envolve a TODOS; por isso é que nós, como Martinistas, trabalhando tanto como indivíduos como nas Lojas, devemos encorajar e auxiliar OUTROS a trabalharem, da mesma forma, em sua regeneração, introduzindo-os no caminho da Iniciação. A realidade da Cadeia Iniciática é a mesma daqueles que nos precederam e que também foram auxiliados e que nos auxiliaram; assim temos o dever de auxiliar os outros! A cadeia Iniciática existe sobre a terra assim como a Ordem Martinista; ela se ESTENDE ao mundo astral onde habitam nossos mestres passados e irmãos que já partiram (um correlativo da “comunhão dos santos” da Igreja Cristã) e com quem comungamos através das operações de nossos vários rituais feitos privadamente em nossas Lojas. Sobre o Plano Espiritual, pouco pode ser dito neste momento, é como aquela fragrância transmitida na Iniciação e que o Iniciado deve efetivar em sua vida. Não serve para nada fingir estar na Busca Mística. Ou se está, ou não se está! A única pessoa que você pode enganar é a si mesmo! Você tem o seu destino supremo à sua frente e irá encará-lo agora. Ou em alguma vida futura. É VOCÊ quem deve determinar se deseja continuar com os Homens da Torrente e continuar a vivenciar as conseqüências da vida profana no mundo material. Ou se tornar um Homem de Desejo e com a ajuda daqueles da Cadeia Iniciática e Agentes da Reconciliação que nós Martinistas conhecemos como Ieoschuah (e os cristãos conhecem como Cristo). Faça a Obra que deve ser feita para tirar a ti - e por último a humanidade - da Floresta dos Erros. É a Ordem Martinista uma “ordem secreta”? No sentido que usamos a palavra, segredo é uma questão de privacidade. Assim como as pessoas mantém as relações íntimas de suas famílias na privacidade, nós também mantemos na privação a conduta de nossas relações, a natureza de nossos ensinamentos, símbolos e Conventículos. Nós não negamos nossa identidade ou existência. Após o reconhecimento apropriado pelo inquisidor ou por aqueles que têm o direito de saber, podemos divulgar tanto coletiva como individualmente que somos Martinistas se formos questionados. Em nossos estudos, servimos a causa da comunhão mais próxima com Deus, uma compreensão das leis da natureza e a constituição do homem. Não atacamos nada senão a superstição, a ignorância e aquilo que em seu efeito corresponde ao mal. Empenhamos lealdade à Constituição de nossa nação e procuramos ser cidadãos úteis e dentro da lei. Consequentemente, não temos razão para negar a nós mesmos, nossos ideais ou atividades. Qual é a maneira correta de amarrar o Cordão? Com um “nó direito” chamado de nó mágico pelos antigos Egípcios e no dos Hebreus no mundo greco-romano. É na forma da figura 8 que representa o Infinito. 31 Por que é feito o sinal do Pentagrama pelo presidente na abertura da cerimônia? O Sinal do Pentagrama (ou Pentalfa) feito começando pela ponta superior, é chamado de “pentagrama de convocação”. Em três níveis representa: 1) uma invocação do espírito, para que venha e inspire os quatro elementos da matéria, ou seja, água, ar, fogo e terra. 2) uma invocação do Mestre, para que venha e resida entre as quatro paredes do Templo. 3) uma invocação do Schim, para que venha e torne manifesto Yod-He-Vau-He. Isto é tudo por enquanto, Irmãs e Irmãos. Nossa Ordem encoraja todos os membros a pensar por eles mesmos, então disciplinar seus pensamentos, a fim de estimular uma expansão da consciência. Conseqüentemente, nossas lições são curtas, deixando tempo para a discussão e a meditação a cada Conventículo. Qualquer idéia que implique numa longa leitura ou discussão para ser espiritualmente útil, deve ser descartada. A experiência tem mostrado que o estudo intelectual pode facilmente se tornar excessivo e assim turvar o Caminho. Materiais de leitura úteis como fundamento, podem ser recomendados de vez em quando, mas vocês não podem fazer nada melhor do que tirarem proveito de tudo o que possam adquirir do Colégio Internacional dos Estudos Martinistas. Não pode ser dito ou repetido freqüentemente que o MARTINISMO É UM ESTILO DE VIDA. Esta é uma afirmação muito simples ainda que seja uma técnica poderosa e efetiva. Vocês estão convocados a se REGENERAREM e foi dito a vocês - e certamente compreendido - este é um trabalho pessoal que VOCÊS devem realizar por Si mesmos. A mim só me resta estimular vocês e advertiR: uma vez iniciado, nunca volte atras nesse caminho. Quer desejem trabalhar sozinhos ou busquem afiliação numa Loja, onde possam participar em outros trabalhos e talvez encontrar companhia pela senda - é uma questão pessoal! Tenha em mente que ser um Martinista e estar no caminho que leva ao Paraíso Perdido; não exige que vocês mudem suas crenças religiosas ou se subjuguem a qualquer autoridade ou opiniões! VOCÊ É SEU PRÓPRIO MESTRE! SÓ VOCÊ pode saber o que é certo para você! Adote aquela ATITUDE particular que faz de você um MÍSTICO. Torne-se um Silencioso Desconhecido. Estude este Manual até o fim de seus dias... toda vez que o ler, encontrará algo novo. Você nunca irá esgotar a Luz aqui contida! Viva a Oração e a Visualização Martinista - isto irá te acompanhar ao longo do caminho! E agora te digo: “em tuas mãos eu confio a obra”. 32 O que é a “Via do Coração”? A cabeça é o centro do Ser Intelectual. O coração é o centro do Eu Emocional, ou da natureza do amor. Seguir a “Via do Coração” é viver uma vida caracterizada pela bondade, compaixão, caridade, humanidade, perdão, benevolência, compreensão. Uma pessoa pode ser Martinista sem ter sido introduzida por um Iniciador? Não! Fico feliz por terem perguntado, porque há algumas pessoas que tem enviado instruções do tipo “faça você mesmo” através de uma certa escola por correspondência onde são orientados a proferirem algumas palavras e a baterem em suas cabeças com alguns objetos, como paus por exemplo. Após fazerem isto enviam um “relatório” a escola e em troca recebem uma “carteirinha de membro”! Estas pessoas desafortunadas são mal encaminhadas na crença de que são Martinistas. Se vocês alguma vez encontrarem alguém que tenha sido mal orientado como resultado de práticas fraudulentas, por favor, dirija com amor estes inocentes enganados à verdadeira Luz. Desenvolvimento de Martinistas (Estes exercícios foram anunciados, formalmente, na Loja após os irmãos terem recebido uma certa série de instruções verbais. Tal informação é agora parte do currículo de I.C.O.M.S.; contudo, eles não foram entregues naquele momento. Estes exercícios especiais de desenvolvimento serão transmitidos apenas neste Manual, disponível estritamente a Martinistas. NaLoja, são passados num período que abrange várias semanas, após os irmãos terem dominado cada passo. Vocês que irão agora recebê-los devem fazer uso da prudência e segui-los de maneira ordenada, na medida em que cada passo for dominado e como indicam as instruções.) Agora que vocês já passaram uma fase de preparação na qual foram “passivos” - exemplo, vocês foram principalmente ouvidos - chegou a hora de entrarem numa fase “ativa” de nossa obra. Para aqueles membros que estão dispostos a fazerem os esforços necessários, nossa Ordem apresenta agora um sistema de treinamento prático através de exercícios bem direcionados que irão permitir ao indivíduo adquirir uma base sólida para trabalhos superiores e desenvolvimento regenerativo. Antes de entrarmos nos detalhes deste sistema é bom que se compreendam os seguintes pontos: A Verdadeira Iniciação, como a Martinista, prefere ver este sistema como um procedimento pelo qual o ser humano COMPLETO é elevado a um plano superior de existência. Isto significa que as três partes da pessoa devem ser igualmente desenvolvidas, e devem trabalhar juntas, harmoniosamente, em direção àquele plano superior. Vocês estudaram a divisão em três partes do ser humano: A Parte Mental, o Ego ou Parte Emocional e a Parte Física, o corpo humano. Num desenvolvimento prático, nenhuma destas três partes pode ser negligenciada ou deixada para trás. Quando quer que isto ocorra, o desenvolvimento se interrompe e surgem as dificuldades. 33 Usando outras palavras: A verdadeira Iniciação é mais do que a agudez das faculdades mentais e da aquisição de conhecimento. É algo mais do que a purificação de nosso Ego e do que uma elevação em direção aos reinos superiores, através de nossos sentimentos. É também mais do que a aquisição de qualidades magnéticas e poderes para agir. A verdadeira Iniciação é aquela que combina todas estas qualidades interrelacionando-as de forma harmoniosa. Contudo, o Martinismo considera as qualidades inerentes da Via do Coração como o ponto principal que ativa os outros, observando também, atentamente, o desenvolvimento dos aspectos físico e mental de nosso ser. O primeiro grande obstáculo para nós que vivemos neste mundo moderno, está relacionado ao modo que nossa mente opera, portanto o primeiro exercício é designado a controlar nossos pensamentos errantes e independentes. Vamos primeiro tentar entender PORQUE e PARA QUE isto deve ocorrer. Através do desenvolvimento dos últimos séculos, nossa mente tem se tornado um instrumento maravilhosamente eficiente e hoje é muito diferente da mente de povos que viveram há muito tempo - e diferentemente da mente de povos que vivem hoje em dia em alguns lugares remotos, sem o desenvolvimento técnico. Adquirimos o hábito de mudar rapidamente de um pensamento para outro e outro. Sem esta velocidade e flexibilidade de pensamento, não seríamos capazes de sobreviver neste mundo moderno. Esta habilidade deve ser mantida em todos os tempos. Contudo, um efeito colateral desta situação é que nossos pensamentos superficiais são constantes e até contrários à nossa vontade. Eles nos interrompem se tentamos nos concentrar em algo de natureza mais profunda. Se quisermos dominar esta condição devemos fazê-lo de modo inteligente, sem forçar. Há alguns exercícios simples que irão nos capacitar a atingir este objetivo, mas antes de começar, vamos fazer uma pausa e compreender os pontos colocados até então. Discussão / Questões Durante a discussão explique o seguinte: Certos sistemas de ioga foram desenvolvidos há muitos séculos, sob certas condições, num certo período da história. Por estarmos vivendo agora numa época e num meio social totalmente diferente, alguns exercícios de ioga podem ser prejudiciais e levar nossas mentes a um estágio de evolução anterior, tornando mais difícil viver no mundo atual. Para a mente moderna é necessário um método de treinamento moderno e inteligente. O seguinte livro é altamente recomendado: O Filósofo Desconhecido por A. E. Waite Publicado por Rudolph Steiner Publications 151 North Moison Read Blauvelt, New York 10913 USA 34 A seguinte mensagem, gentilmente traduzida, foi enviada pelo Grão Mestre da O.M. Francesa, por ocasião da cerimônia anual em memória a Papus. A INICIAÇÃO MARTINISTA Iniciação. Uma Iniciação. “Minha” Iniciação... Você já passou ou irá passar por isto. Antigos Martinistas, novos Martinistas ou visitantes recebidos com toda confiança, porque serão futuros Martinistas. Vocês conhecem os quatro tipos de homens a que se refere L.C. de Saint-Martin: o Homem da Torrente, o Homem de Desejo, O Homem Regenerado e o Homem Espírito. Aqui, nosso Venerável Mestre não está falando sobre quatro homens diferentes, mas de quatro estágios pelos quais passamos. A passagem de um estágio para outro é necessariamente marcado por uma transformação e embora a Iniciação auxilie para que esta passagem ocorra, ela não se constitui na passagem, propriamente dita e nem é a única característica desta transformação. A Iniciação Martinista é virtual. Por que virtual? Porque ela pode ou não ser realizada. Aquele que a recebe e não está preparado, apenas a mantêm como um potencial que permanece latente e adormecida aguardando seu eventual despertar. Quando a Iniciação está ocorrendo, o candidato VIVE o ritual - é como passar por uma peça teatral, a qual o receptor deve aceitar com mente aberta, a fim de que seja efetiva. A cerimônia do ritual deve ser o auge da preparação que é longa e necessária - aquele que recebe a iniciação se integra à preparação. Aquele que se prepara para a iniciação, a realiza, pois o instante em que ele recebe a iniciação torna-se um momento propício. Tem sido freqüentemente observado, após passar por iniciações sérias, que este alguém começa a questionar é a passar por certas provas, tanto de natureza física ou moral, que torna o iniciado consciente da diferença entre aparência e realidade. Dois tipos de trabalhos levarão à completa ligação na cadeia iniciática que acompanha a Ordem Martinista: a) o trabalho individual; b) o trabalho em grupo (ex. um círculo, capítulo ou Loja). Vamos examinar ambos. 1. O trabalho Martinista é individual. Por quê? Se a própria Ordem Martinista não dá diretrizes explicitas sobre os assuntos que discutimos, é porque todos as dicas e direções necessárias são encontradas nos livros de Papus, nosso fundador, e naqueles escritos por outros Martinistas eminentes. Seus conselhos estão baseados num vasto conhecimento da natureza humana e do fenômeno que a acompanha. A Ordem não favorece nenhuma técnica de estudo. O esforço que o novo iniciado faz, deve ser manifestado nos três planos: físico, psíquico e intelectual. A parte mental do homem, como uma borboleta, voa de uma flor a outra, quando não é disciplinada. Sem tempo para realmente brecar está vacilação, a fim de orientá-la em uma linha específica, e sem o silêncio interior, necessário para disciplinar o intelecto, nenhum real progresso pode ser feito. 35 Toda disciplina seja intelectual ou não, que ajuda a brecar esta vacilação mental é válida, pois este é o primeiro passo dentro da obra. Além disso, é preciso aprender a amar esta disciplina e a fazê-la corretamente como se fosse a produção de uma grande obra de arte. Esta grande obra será coroada pela oração, após a qual virá a ocasião solene da religação do homem com a Divindade. A oração não requer nenhuma autodisciplina por si porque consiste apenas em ligar, nossa consciência com o nosso subconsciente. O inconsciente é formado por coisas que temos refutado, nossas falhas que não reconhecemos e todas as coisas que não queremos ouvir. O resto que ainda não está organizado constitui a consciência. Por analogia com a Alquimia, que requer um trabalho lento de digestão e combustão, entre outras coisas, antes de se atingir a transmutaçãosimbolizada pelo ouro, o acesso à perfeição requer que o indivíduo se consagre totalmente ao objetivo final. Requer dele a atitude correta. Deus não faz a obra por nós, mas Ele pode nos ajudar a realizá-la. 2.- Quando o Martinista trabalha numa Loja estabelecida, como membro da Loja, os três planos estão envolvidos: a) O plano material está envolvido: - pela obrigação de estar presente as várias reuniões da Loja. - pelo esforço necessário de permanecer, apesar do cansativo trabalho envolvido - transporte, contrariedades familiares ou sociais, etc. - pela rotina diária que, como a chuva sobre o asfalto, modifica as boas intenções do indivíduo. - pelo esforço de manter a palavra, uma vez dada, de se cumprir as obrigações. Tudo isto forma o caráter físico do homem, constituindo seu programa de trabalho. O plano físico é desta forma, preparado e colocado em ordem. b) Além disto, através da participação sincera do indivíduo em sua loja e pela tolerância que terá que demonstrar com relação aos outros membros, o que inclui o perdão ou um pouco mais além, para dizer como Jesus: “Pai perdoe estes homens, pois eles não sabem o que fazem”. Sendo tolerante com as diferenças existentes entre os membros da Loja (aceitar a ser “pior” ou “melhor” sem perder o equilíbrio, sem deixar que isto suba à cabeça). Aceitando o bom humor de alguém, a interrupção sincera, saber ouvir, aceitar quando a personalidade freqüentemente fica em segundo lugar. Com tudo isto o ser emocional é trabalhado. c) Finalmente, - Fazendo pesquisas e outros trabalhos intelectuais juntos. - Prestando atenção no que está acontecendo na Loja. - Pela completa realização da posição como ser humano no mundo das artes e ciências. - Pela educação humanística (no amplo sentido da palavra), que cultiva o aspecto intelectual do ser. Vamos recapitular os três estágios (que podem ser trabalhados 36 simultaneamente seja como um membro da Ordem ou não, já que a Reintegração só pode ser atingida após o Homem se tornar “justo e perfeito” usando a expressão inciática tradicional): - Usando disciplina livremente aceita e observada. - Tolerância e não interferência nos esforços e preocupações de outros membros (que é a regra também em outras fraternidades). - Um trabalho intelectual cujo objetivo é enriquecer tanto a si próprio como aos outros e que deve abranger os três aspectos do seR: físico, emocional e intelectual. A obra espiritual, em si, abrange tudo. A soma total destas atividades dentro da Loja resulta na elevação espiritual do indivíduo ou de sua consciência. O Iniciado Martinista, neste caso deve se tornar um Pilar da Loja, ou seja, deve ajudar a Loja que o ajudou. Trabalhando sob os auspícios do Filósofo Desconhecido, em comunhão com os Mestres Passados, e de acordo com a Egrégora da Ordem Martinista, os membros da Loja atingem um estado mental comum. Quando muitos possuem a mesma motivação interior o Invisível sempre facilita acesso ao mundo das idéias e símbolos que individualmente, seria mais difícil de penetrar. A iniciação não é “dada” e sim transmitida. É claro que alguém não pode dar o que não possui. Além do mais, é preciso considerar se determinado iniciado tinha a liberdade de transmiti-la ou não. Compare a transição de uma iniciação ao ato de conferir (do Latim, “confere”, carregar, reunir) com uma herança, com um saco cheio de bolinhas de gude que cada um, após ter passar a outro - como numa corrida de revezamento onde cada corredor passa o bastão a outro. Mas aqui não há recordes a serem vencidos. Nenhum primeiro lugar a ser conquistado: há apenas um posto a assegurar, o falo simbólico. É preciso guardar este centro do assalto de forças destrutivas, a fim de que aquele que venha depois de nós o encontre em boas condições. Isto em si é uma realização. O homem tem sido encarregado nesta vida, de fazer do ser atual um homem exemplar entre os outros homens, humilde e correto, a ter bom coração (ex., expressar amor) assim como a inteligência. Para tanto, basta subjugar a sombra no ser. Quando isto é realizado uma incandescência interior se manifesta e como uma testemunha temos Deus e nossa consciência. Iniciação, sim. Iniciação Martinista? Também. Não basta receber um certificado de iniciação, uma carta ou uma designação esotérica que comprove sua posição na Ordem; estas formalidades são apenas parte dos procedimentos administrados que constitui o CORPO da Ordem Martinista. A Iniciação Martinista, aqui e agora, possui tanto um aspecto ritualístico como administrativo. Não vamos confundir uma carteirinha de membro e o pagamento de taxas com o ritual iniciático que é a ALMA da Ordem Martinista. Ambos são necessários. Se dermos prioridade ao aspecto que consideramos mais fácil de se lidar, não vamos esquecer que isto será uma espécie de cegueira voluntária ou lesão provocada em nós mesmos, na Senda Inciática. (Acentuar um lado e desacentuar o outro). O ESPÍRITO da Ordem Martinista precisa de um corpo e de uma alma a fim de se manifestar. O corpo e o espírito devem estar perfeitamente alinhado, ou então não iremos cumprir a primeira frase da tábua de Esmeralda que vocês conhecem bem: “O que está 37 embaixo é como o que está em cima; e o que está em cima é como o que está embaixo; para maior glória do Criador.”) Se uma árvore é conhecida pelos seus frutos, como o espírito é manifestado? Colocando as mesmas qualidades que a Loja tem manifestado em cada um de seus membros a serviço destes mesmos membros que a constitui. Como um homem de serviço o iniciado da Via do Coração irá manifestar um verdadeiro ardor, uma instituição clara e qualidades altruísticas de dar e dividir - dons que são exemplares do amor puro. O ser humano passa de um POTENCIAL iniciado a um iniciado REAL. Este iniciado, logo irá alternar entre “coração - intelecto”, amor - compreensão”. Os opostos terão sido equilibrados, e ele logo terá o desejo de superar as oposições, pois terá ido além delas, onde terá encontrado o terceiro ponto (equilibrante). A via intelectual não foi colocada de lado, ao contrário, ela deu acesso à via do coração, que é formada tanto pela sabedoria com pela compaixão. A Iniciação Martinista oferece a oportunidade de harmonizar os diferentes planos em nós mesmos e suas interpenetrações. Cabe a nós aproveitarmos ocasião, pois ela não se apresenta a cada momento da iniciação ou do tempo particular, só porque desejamos que ocorra. Da mesma forma que a morte, nosso nascimento para uma vida de outra qualidade se apresenta quando menos esperamos. Convido vocês caros Irmãos e Irmãs, companheiros na Senda, a agarrarem esta ocasião a embarcarem nela e a realizarem a viagem do Homem de Desejo ao Homem Regenerado. Quando este último estiver pronto, o próximo passo, aquele do Homem Espírito, se apresentará, porque todo esforço voluntário para atingir este passo terá terminado. Após uma cuidadosa preparação... como que de repente... Assim como as boas coisas da vida acontecem, inesperadamente... o noivo de que se fala no Evangelho irá chegar. Sobre Ser Um Martinista. Respeitados Irmãos da M R+C Embora sempre expressando em grande extensão a própria humanidade, tomando parte em todos os tipos de atividades e vivendo a vida em sua plenitude - na qualidade de Martinistas - expectativas e responsabilidades adicionais caem sobre vocês. O Martinista não é mais um ser humano “comum”; ele é, em primeiro lugar, Martinista e como tal pertence a uma classe particular da elite espiritual. Nunca se esqueçam disso. O que os tornam diferentes do seu vizinho é a iniciação Martinista. Para compreender a importância desta afirmação, vamos olhar a iniciação Martinista na sua fonte. Em seu “Tratado da Reintegração dos Seres”, Martinez de Pasquallys tratou da cosmogonia da raça humana, da relação do homem com Deus e da hierarquia celeste. Este livro, como se sabe, foi dirigido aos discípulos dePasquallys como cadernos de instruções ou cadernos dos graus. Foi nesta obra que as razões para prática de todos os exercícios físicos e espirituais, assim como as operações dos Elus-Cohen foram explicadas; desta forma, encontramos neste livro um resumo sobre a Queda do homem e sobre o Caminho de sua Reintegração. Pasquallys ensinou que a posteridade do Adão caído foi composta de duas classes de seres: a dos descendentes de Caim e a dos descendentes de Seth. Os primeiros são aqueles banidos, que vieram à existência quando o primeiro homem abusou, numa paixão física frenética. Devido a este excesso, a Divindade se recusou a cooperar com sua operação e abençoou o fruto de sua união. O resultado foi Caim, cuja posteridade não 38 teve nenhuma orientação Divina; de fato, eles foram fortemente influenciados pelos obscuros poderes dos espíritos caídos. A segunda classe, aqueles da posteridade de Seth, foram engendrados através de uma breve união marital e tiveram as bênçãos da Divindade. Esta posteridade aprendeu de Seth a praticar o culto* espiritual que agradou à Deus. Mas os favoritos do Senhor eram fracos e apesar da interdição Divina, se uniram aos filhos de Caim e logo eles e seus filhos estando corrompidos esqueceram como operar o culto Divino. Neste estado de exílio o “Homem de Desejo” ainda, apesar de tudo, tem conservado lembranças de seu Estado Primitivo. Deus, da imensidade de seu amor, vendo a situação de seus favoritos, tem enviado para perto deles, através dos tempos, “redentores” ou menores “eleitos” que receberam “o nascimento e a vida temporal apenas pela vontade e inspiração Divina... muito embora a forma destes seres tenham sido emanadas da posteridade de Adão”. Estes “menores Eleitos” vivem na periferia, de nossa sociedade e não são atingidos por ela. “O Senhor os retira do meio dos profanos e dos impuros da terra e os protegem de toda comunicação intelectual com menores comuns”, (ex. Deus faz com que vivam aparte do povo comum). Eles entram em contato com a humanidade para nos ensinar e nos lembrar do culto Divino esquecido e permanecem entre nós o quanto for necessário. São chamados de volta à Deus por uma passagem desconhecida. Já que é presença destes menores eleitos e suas obras logo se dissipam, assim que eles se vão, até quando é chegada a hora de enviar o próximo. O papel do Menor Eleito é de vital importância para a reconciliação do “Homem de Desejo”. “O auxílio que este “redentor” traz é duplo: ele transmite (ao homem de Desejo) as instruções recebidas diretamente do Criador, sobre o culto que deve ser prestado à Divindade através de “operações espirituais”; transmitem também, aos “Homens de Desejo” que estão próximos, os dons que receberam, marcando-os com um “caráter” ou “selo” místico, sem o qual nenhum menor (“menor” é um termo usado por Pasquallys para designar um ser humano) pode ser reconciliado. Acontece que poucos receberam esta ordenação misteriosa e assim ele permanece, não importa quais sejam seus méritos pessoais, um menor em privação (não tem comunicação com Deus, por exemplo). Esta é a fonte e a essência da Iniciação Martinista! Quando teu iniciador fez de você um Martinista, a força mística que nossos primeiros mestres chamavam de “La Chose” (a coisa) tocou tua aura e tua alma, te transfigurando assim para sempre. Isto não quer dizer que com apenas a iniciação - sem a obra e o esforço pessoal - você se reconciliará. Antes disso, a iniciação é como uma semente que foi plantada, e que necessitará de água (nutrientes), calor e luz para crescer e se tornar uma árvore. Você precisa nutrir a semente iniciática que foi plantada no seu interior. Esta nutrição é feita pela sua meditação matinal. Se necessário acorde 15 ou 20 minutos mais cedo para permitir certa sintonia e dedicar o dia à glória de Deus. O mais importante: use sua paramenta simbolicamente durante o dia. Estamos continuamente nos confrontando com oportunidades de usar estas poderosas ferramentas, seja no trabalho ou no ambiente familiar e social. Use a máscara para se lembrar de que é desconhecido e não deve esperar ajuda, tratamento especial, reconhecimento ou aprovação de outros. Visualizando a máscara em si, você se torna um estranho entre estranhos, um desconhecido entre desconhecidos. Envolva-se na capa mística e use mentalmente o balandrau para se lembrar da “vestimenta interna de glória”. Este é o santo dos santos, o ponto no centro do círculo no qual podemos nos refugiar e encontrar forças, calor e apoio. O balandrau representa a veste com forma de glória que o Adão Primitivo vestia em seu Primeiro Estágio. Use a capa como um escudo ou “capa de 39 proteção” que irá te proteger contra os ataques da ignorância. Enquanto envolvido nesta capa protetora nada pode atingir ou afetar sua verdadeira personalidade - o ser que você está aspirando conquistar. Use o cordão para lembrar-se de sua ligação com teu iniciador (através da “coisa”) e a dele com a Luz. Medite sobre você, na cadeia com seus irmãos e irmãs e mestres passados. Este é um símbolo da transformação mágica que ocorre durante a sua iniciação. A iniciação Martinista é um privilégio raro e especial e não deve ser trivializado por nenhum membro ao reprimir a completa expressão deste dom precioso. É preciso estar sempre alerta de que ser um Martinista implica em carregar muito mais responsabilidades do que uma pessoa comum está disposta a carregar. Consequentemente, o Martinismo não é para todos. Nem todo homem é um “Homem de Desejo”. Esta característica só pode ser adquirida através do nascimento em uma linhagem particular, pelo esforço e méritos pessoais. Parte de sua promessa antes da iniciação é trazer ao menos uma pessoa para a Ordem. Seja seletivo e pratique o bom julgamento. Se você puder responder pelo caráter de apenas uma pessoa nesta vida, então sua promessa será cumprida com clara consciência. Qualidade é a palavra operacional, não quantidade. Lembrem-se irmãos e irmãs; vocês agora pertencem a uma elite de sacerdotes desconhecidos com todas as responsabilidades, privilégios e tarefas que esta família espiritual pode guardar ; Espero que vocês vivam estes ideais e nunca abandonem o caminho que tomaram. Irmão Kuveg *A palavra “culto” significa “rito”, referindo-se a uma prática ou ritual espiritual específico. *Os menores Eleitos identificados por Pasquallys são: Abel, Enoch, Noé, Melchisedek, José, Moisés, Davi, Salomão, Zorobabel e Jesus. FRATERNITAS ROSAE CRUCIS Irmãos da R+C M Minha intenção esta noite é (1) corrigir alguns dos conceitos errôneos comumente sustentados com relação à importante verdade da Regeneração e (2) mostrar, da forma mais clara possível, exatamente o que É a Regeneração. Vamos observar primeiramente que tanto a interpretação filosófica como a espiritual, concordam em todas as essências fundamentais conectadas ao assunto: A Regeneração é definida, filosoficamente, como o processo ou ato de regenerar de outra forma, reproduzindo ou modificando; renovar espiritualmente pelo poder do Espírito Santo; melhorar consideravelmente e se reformar a nível de caráter e moral. É a mudança radical e permanente dos conceitos, morais na natureza espiritual do Homem, pelo Espírito Santo, através do conhecimento e participação na plenitude dos poderes espirituais; consequentemente, é um trabalho baseado no reconhecimento do erro pessoal, sincera insistência neste propósito, forte e persistente intenção de reformar e fazer restituição no efeitos provocados por eventuais erros cometidos a inocentes associados. 40 Acima de tudo é a Divina e graciosa participação da força espiritual e da nova vida. Doutrinalmente, a Regeneração é tida nas Igrejas Romanas, Gregas, Ocidentais e Anglicanas como o início de uma nova vida espiritual chamada de Sacramento do Batismo. Por outras organizações religiosas, a regeneração se refere a umamudança nos propósitos que governam a vida de uma pessoa, ou à reforma dos hábitos de alguém; ou, mais uma vez, a criação e continuação pelo Espírito Santo ou Spiritus Sancti, de uma nova série de atos santos. Biologicamente, é a regeneração ou reprodução das células, tecidos, etc., num processo vital ordinário; processo no qual, através de vários mecanismos, o CALOR É MANTIDO E REUTILIZADO. Regeneração facultativa é a reprodução de um organismo inteiro, a partir de uma porção de um indivíduo completo, ou poligeneses. Na Alquimia Hermética REGENERATIO, é o ato de Renascer no Espírito. É a penetração do CALOR Divino, do amor na alma e no corpo; é a Luz da inteligência emanando do FOGO Divino no coração do Homem. É O DESPERTAR E O DESENVOLVIMENTO DA AUTOCONSCIÊNCIA E AUTO-CONHECIMENTO. Recapitulando, toda a moral da Regeneração se resolve sinteticamente em cinco pontos: Reconhecimento, Arrependimento, Reorganização, Restituição e Regeneração. Estes cinco pontos constituem o processo e a conclusão de toda a verdade sobre a Regeneração. Bem, isto é o bastante para definições! Vamos ver agora como que a Luz maior na Ciência Oculta confirma estas definições: “Jesus respondeu dizendo: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer do alto não pode ver o Reino de Deus.” João 3:3. “De resto, nem a circuncisão é alguma coisa, nem a incircuncisão, MAS A NOVA CRIATURA”. GAL 6:15. “Pois que pela obediência à verdade purificastes a vossa alma para alcançardes um amor fraternal sem hipocrisia, amai-vos uns aos outros ardorosamente e com coração puro” 1ª Pedro 1:22. “Fostes regenerados, não de uma semente corruptível, mas incorruptível, mediante a Palavra viva de Deus, a qual permanece para sempre”(23) “Todo aquele que nasceu de Deus não comete pecado, porque, sua semente permanece nele; ele não pode pecar porque nasceu de Deus”. 1ª João 3:9. “Pois todo o que NASCEU DE DEUS vence o mundo; E esta é a vitória que venceu o mundo: A NOSSA FÉ”. 1º João 5:4. “Mas os que forem julgados dignos de ter parte no outro século e na ressurreição dos mortos, nem eles se casam, nem elas se dão em casamento” Lucas 20:25 (Casamento ou união com o materialismo ou assuntos mundanos). 41 “O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é espírito” João 3:6...etc.. Todas estas citações das Escrituras servem para comprovar e substancializar as definições dadas exotericamente (há muitas outras) e um estudo cuidadoso sobre elas irá revelar as razões para tantas interpretações intencionais e concepções errôneas relacionadas à Regeneração. Notemos especialmente, a citação em João 1ª 3:9 “Todo aquele que nasceu de Deus não comete pecado”; porque sua semente permanece nele; ele não pode pecar porque nasceu de Deus”. E, mais uma vez em Lucas 20:35 “Mas os que forem julgados dignos de ter parte no outro século e na ressurreição dos mortos, nem eles se casam, nem elas se dão casamento”. A interpretação errônea não intencional cometidas por uns e a concepção errônea intencional e deliberada inseridas nestas citações por outros, onde várias formas de sexo mania tornam-se características principais, muito tem contribuído para criar uma compreensão inteiramente errada da verdade sobre a Regeneração como ela realmente é. A literatura do ocultismo está repleta de tratados sobre a Regeneração, e muitos processos recomendam praticas sexuais não naturais ou observações para sua eficácia (se esta for a palavra correta a ser usada); mesmo os tratados mais moderados se ocupam com longas discussões sobre supostas “correntes sexuais em desuso,” etc. (é notável o fato destas longas discussões serem normalmente a real característica do livro!). Esta é, inegavelmente, a era do sexo, cuja energia está atrelada aos costumes, convenções, códigos étnicos; vários estágios de envolvimento como modéstia, ignorância fisiológica, inibição social e eclesiástica estão sendo rapidamente superadas. Podemos certamente esperar que por muitos anos que se seguem, estas forças irrestritas e perigosas se tornarão rapidamente desenfreada na comunidade e na vida nacional dando ampla evidência do poder das forças destrutivas e aos elementos na natureza. Contudo, no devido tempo, estas forças irão dar lugar a um status equilibrado e são. A Irmandade R+C nunca foi e nem é agora, um veículo para a exploração de assuntos sexuais e é por isto que esta minha leitura toca neste ponto: esclarecer qualquer dúvida que possa haver a este respeito. As perversões sexuais e assuntos de sexo como tópico geral com propósitos purientes, sempre foram resultado de eras materialmente distintas. Não há perversão na natureza. A natureza equilibra e contrapõe suas forças perfeitamente; O homem que está em harmonia com a natureza não irá precisar de discussões, prescrições ou compromisso de uma sociedade secreta ou não para regularizar tais atividades. É exatamente aqui que a verdadeira compreensão sobre a real Regeneração começa a ter um grande valor para o estudante. Regeneração é um processo puramente espiritual. Não tem nada haver com conservação ou regularização sexual ou qualquer prática proibitiva. O motivo para esta vigorosa afirmação baseia-se na verdade, de que, a regeneração, uma vez realizada, irá automaticamente ajustar todas estas questões sem a necessidade de delinear faculdades conscientes para isso, ou mesmo forçar excessiva atenção sobre elas. 42 Não vou indicar como as citações foram legitimamente mal interpretadas, a ponto de levantar idéias baseadas primariamente em matérias sexuais. Como é do conhecimento do R+C que atingiu ou Graus Herméticos, nem todos os veículos do homem surgiram num mesmo tempo. Cada corpo seja Físico, Etérico ou Astral, tem seu próprio tempo definido de nascimento e maturidade. Isto também é verdadeiro para o revestimento mental e faculdades e portanto, verdadeiro para a alma e reais poderes espirituais. A alma, como se sabe, é uma essência extraída como sustento, do corpo Ternário pelo Espírito Ternário. Esta extração não pode ser feita até que as faculdades mentais estejam maturadas. Portanto, a alma - nascida do ESPÍRITO - ou seja gerada, transmitida ou trazida à existência pelo Espírito Ternário, NÃO nasceu no mundo coincidente com o nascimento do Corpo Físico e portanto, podemos afirmar que “é NECESSÁRIO nascer de novo” - “a menos que o homem nasça da Água e do Espírito ele não pode ver o Reino de Deus”. Aquilo que é carne (o Corpo Físico), é carne (Corpo Físico); nenhum organismo físico pode adentrar os Mundos Espirituais ou o Reino de Deus. Aquilo que nasce do Espírito É Espírito, (a Alma Ternária, nascida do Espírito Ternário e do Corpo Ternário). Esta Alma PODE entrar no Reino do Céu, Se - despertar ativamente para as funções que lhe são próprias. Ela não pode ser destruída, mas pode precisar mais de uma encarnação para alcançar o nível necessário para o despertar. O nascimento da alma é o segundo nascimento ou o nascimento do Espírito. A Alma PODE entrar no Reino de Deus quando quer que desperte para a Autoconsciência e Auto- conhecimento já descrito anteriormente. A Alma em si é Ternária, como as outras divisões do Homem. Ela é Consciente, Emocional e Intelectual. O dois últimos estágios podem ser despertados e ativados, ainda que não possam propiciar a entrada da alma Ternária no verdadeiro Reino. O céu, como se sabe, existe em vários níveis. O primeiro ocupa as três sub-regiões mais elevadas do Mundo Astral. O segundo céu, ocupa as quatro sub-regiões do Mundo Mental ou a Divisão do Pensamento Concreto. O terceiro céu ocupa as três sub-regiões mais elevadas do mundo mental, ou a Divisão do Pensamento Abstrato. Este é o céu superior ou o Reino de Deus, ao qual a presente onda da humanidade se atém e ao qual a grande parte dela passa de forma inconsciente. O ASPECTO CONSCIENTE da Alma Ternária deve ser despertado e funcionar completamente antesque a Alma com o Ego possa passar por este Céu Conscientemente; eis o porque se faz tão necessário para o Homem “nascer de novo”, “renascer” ou “se regenerar” - recriar, reproduzir, para que possa ser completamente “Auto-Consciente e conhecedor de si mesmo; então ele irá experimentar a felicidade de entrar e passar conscientemente pelo terceiro céu. Este é o verdadeiro nascimento espiritual. Nascimento da água, pois Hermeticamente a água é o grande menstruum universal e o nascimento da alma do corpo físico é efetivado pelo mesmo grande fluído universal ou menstruum; A ÁGUA DO ESPÍRITO UNIVERSAL ou MERCÚRIO, o mediador cósmico sutil cuja virtude traz todas as coisas à existência e do qual a forma invisível da Água nada mais é do que a manifestação cristalizada em que seu elemento se forma. 43 Quando a alma nasce verdadeiramente para sua função ativa e autoconsciência, OCORRE A REGENERAÇÃO resultando na mudança visível exterior; ela é visível em caráter e moral. A alma cuja função é ativa, assume o controle, como o operador de uma máquina das faculdades do homem; isto ocorre de tal forma que todas as suas energias ficam disponíveis aos mais equilibrados esforços e usos; todas as questões relacionadas as condições sexuais ficam sob seu domínio. O verdadeiro homem ou mulher espiritual cuja alma possui, o controle ativo das funções veiculares, não pode mais se tornar um sexo maníaco ou um excêntrico, muito menos um bêbado ou um jogador. Ele não precisa determinações proibitivas especiais para convencê-lo. A regeneração pertence unicamente ao processo Espiritual; após despertar e coordenar o processo físico a um nível igual de regeneração, os abusos físicos são automaticamente corrigidos. O nascimento da alma é o real NASCIMENTO DO CRISTO interno. “O Cristo interno” não significa a incorporação de uma personalidade espiritual, mas o despertar para a vida e a Luz de uma Consciência Espiritual. É o elemento Divino em toda humanidade que, se manifestado ativamente no indivíduo, torna-se o Cristo interior pessoal deste indivíduo. “Cristo” significa portanto um poder ou princípio interno, espiritual, vivo e consciente, idêntico em sua natureza com o Logos (ou Verbo de Deus que se fez carne) com o qual os mais elevados atributos espirituais de cada pessoa se tornam unidos a final, se esta pessoa tem desenvolvido algum destes atributos Cristãos. “Este princípio é Ternário em sua natureza”, mas como diz Hartmann, “é inútil especular sobre seus atributos, já que só serão compreensíveis para aquele que realizar sua presença em si próprio”. A psicologia nos ensina que o processo e a sensação do pensamento nos centros neurais é acompanhada pela libertação de CALOR. É claro também para todos que diálogos, discussões, argumentos calorosos, sempre trazem uma rápida série de pensamentos, quase se aproximando da inspiração. O CALOR portanto, vem a ser o mais ativo agente a estabelecer correspondência e comunicação entre o interior e o exterior, o físico e o espiritual entre os mundos e reinos visíveis e invisíveis. A questão do CALOR é mais do que um interesse passageiro para o estudante da ciência sagrada. O fato de uma conversação calorosa desenvolver rapidamente o pensamento, indica que as atividades dos atos e processos espirituais, também são acompanhados pela liberação de calor, pois o fenômeno do pensamento se relaciona diretamente aos mundos espirituais e os veículos espirituais de sua transmissão ao Ego. A presença do calor é portanto extremamente significante, já que indica uma boa aproximação da real percepção do maior e mais central de todos os ensinamentos R+C, o FOGO Espiritual. O Verdadeiro Fogo é tão invisível quanto o verdadeiro vapor. A chama é simplesmente o corpo físico ou envelope do Fogo. O FOGO é hermeticamente definido como “uma atividade interna cuja manifestação externa é a luz e o calor”. Esta atividade difere em caráter de acordo com o plano em que se manifesta. O FOGO - NO PLANO ESPIRITUAL - representa Amor ou Ódio; no plano Astral representa Desejo ou Paixão; no Plano Físico representa Combustão. É O ELEMENTO PURIFICADOR, E DE CERTA FORMA É IDÊNTICO A VIDA. (Hartmann, Sec. Symb. p.4). 44 No plano mundano, o fogo é a polaridade oposta à água entre os elementos. Contudo, espiritualmente o Verdadeiro Fogo é encontrado ativamente potente na Água pois é o princípio vivificante em todas as coisas. Assim como há substância visível e invisível, há também uma água física tangível e uma água espiritual intangível. As potências purificadoras do Fogo Oculto na Água Espiritual torna possível a limpeza e a purificação da pessoa que segue verdadeiramente aqueles “Cinco Passos” ou “Pontos” para obter a Regeneração completa e genuína. Mais uma vez, a Água, definida hermeticamente, referindo-se ao reino do Espírito e particularmente à ALMA, é o ponto de ligação entre o Espírito e a Matéria. REPRESENTA TAMBÉM O PENSAMENTO. Portanto quando a ALMA nasce da Matéria (O corpo físico) vemos que a Regeneração é mais distintamente um VERDADEIRO PROCESSO MENTAL; de fato, é o empenho pessoal do princípio R+C do “PENSAR CORRETAMENTE” na própria experiência pessoal. O estudante irá notar também, que o processo da Regeneração é o nascimento espiritual resultante do casamento ou união dos corpos físico e Espiritual, ternários em suas naturezas. A regeneração, provoca reações tanto no veículo físico como no veículo espiritual, no despertar e na renovação dos poderes da Alma. Assim, estimular o CORRETO FALAR, CORRETO AGIR e CORRETO PENSAR, é RENOVAR AS CÉLULAS E TECIDOS DO CORPO FÍSICO, ELEVANDO-OS AOS PLANOS E ESTADOS DE VIBRAÇÕES SUPERIORES auxiliando-os na coordenação de suas funções, de forma mais concordante com os veículos espirituais. A Regeneração realmente reproduz, renova e regenera um organismo inteiramente NOVO, a partir de uma porção de um indivíduo completo; consideremos que é o processo de renovação, recriação e reprodução dos poderes latentes da alma, para uma nova vida, atividade e função, de uma parte do indivíduo completo (o corpo físico) pela ação de outra parte (os veículos espirituais ou princípios no Homem). O Homem completo é o Corpo, a Mente e o Espírito. A Regeneração reproduz de uma porção de cada, através da mente, o despertar, a ALMA AUTO-CONSCIENTE. A Regeneração é o renascimento NO ESPÍRITO, ex. da Essência Espiritual ou Alma no Mundo Espiritual, não no mundo exotérico exterior, pois a Alma só atua internamente, nunca externamente. O processo da Regeneração inclui a penetração de toda a estrutura do Homem, espiritual e física, pelo Divino Calor do Amor e pela Luz da Inteligência. Não se pode atingir a Regeneração em sua plenitude sem o toque, vivificante e a ação do Verdadeiro Amor, pois o Amor é criativo no indivíduo, assim como no Divino. O Amor nasce da nova consciência da participação nos atributos e Natureza Divina, que propõe o afastamento do “Velho Adão” e o assumir do “Novo Homem” que é o Homem Auto-consciente. Como o Amor é criativo e recreativo em sua ação, assim a Luz da Inteligência é o MERCÚRIO que ilumina o NOVO HOMEM ou o Homem Renascido, Recriado. Esta e a “Nova Criação” referida em GAL 6:15. As palavras - “porque sua semente permanecer nele” de 1ª João 3:9, se refere à minúscula semente do Corpo da Alma. A Semente é um dos grandes princípios da R+C e 45 dos Alquimistas. Falando alquimicamente, a Semente é denominada de “gérmen, elemento ou poder do qual o ser pode crescer. Há gérmens ou sementes dos Elementais, Minerais, Plantas, Animais e Humanos. A semente minúscula dos corpos Físico, Etérico e Astral do Homem já são familiares a todos os estudantes da Ciência Sagrada; contudo, eu ainda não mencionei sobre a semente minúscula do Corpo da Alma. Embora a Alma seja uma essência extraída do Físico ou corpo ternário pelo espírito ternário, a semente da alma deve ser previamente implantada no corpo ternáriopelo Ego quando encarna. Observe, o Corpo Físico resulta da semente enviada de um Corpo Físico. Tal semente não permanece no Homem. Mas o novo nascimento, o nascimento da Alma despertada ou autoconsciência vêm da Semente que permanece No homem - a semente da Alma ou Semente Minúscula da Alma. A Regeneração é o renascimento espiritual que vem da semente que permanece em cada ser humano; a Semente do PENSAMENTO CORRETO, ATOS CORRETOS E SENTIMENTO CORRETO; Isto NÃO é semente Física, mas Semente Espiritual, o nascimento de um casamento real entre o Espírito Ternário e o Corpo Ternário; não se trata da simples associação dos dois princípios ternários. O nascimento é feminino como o Corpo, Mente e Espírito, casam seus veículos exotéricos ou externos pela íntima associação aos veículos superiores, mas a alma regenerada o puro nascimento espiritual resultante do casamento entre Corpo e Espírito, tornando-se um único indivíduo, só existe espiritualmente e portanto não necessita se associar aos veículos inferiores; não necessita casar ou se dar em casamento. A ignorância com relação à natureza espiritual do processo de Regeneração tem sido amplamente responsável pela perversão de sua interpretação correta. Ela só se relaciona ao físico na medida em que os resultados da Regeneração reagem sobre o mesmo, tendendo a elevar suas vibrações a um plano mais elevado. A Regeneração não é portanto nenhuma prática, princípio ou teoria sexual, seja anormal ou subnormal, mas em todos os momentos um puro processo espiritual. Alquimicamente o processo da Regeneração é alcançado através do processo da sublimação; o material mais inferior e denso ou matéria da alma adormecida é conhecida pelos R+C como Tártaro - resíduo, substância depositada por um fluído (a Água ou Mercúrio da Regeneração) ou cristalizado a partir deste último. Os elementos grosseiros da alma. Todas as coisas só trabalham em seu ambiente ou mundo próprio. O Ar é um perfeito elemento natural para os pássaros, mas não para os peixes. Assim os reinos espirituais são perfeitamente naturais aos seres espirituais e para a natureza espiritual do homem, mas não para o homem físico. Portanto, a Regeneração deve acompanhar a busca pelo At-One-Ment. Nenhuma alma grosseira pode entrar no At-One-Ment com o Divino. A Regeneração ou renascimento espiritual deve ser alcançada como pré-requisito ou concomitante com o desejo pelo At-One-Ment. Assim, o aspirante entrará no Reino e entrando obterá o seu descanso. Todos os Martinistas espero, já conhecem bem estes princípios. Deve ficar claro a todos os irmãos que a Regeneração é um passo primário e essencial, eis o porque ela é tão falada aqui. 46 A primeira obra de um Martinista é se tornar Regenerado. A primeira obra de uma Loja Martinista é encorajar o Homem da Torrente a se tornar um Homem de Desejo, iniciando- o no caminho. O que é o homem? “O Homem é essencialmente um ser espiritual, sua mente e seu corpo são apenas meios temporários de auto-expressão e auto-desenvolvimento. Quando esta verdadeira PERSONALIDADE é descoberta e se transforma no poder diretor, ocorre a paz permanente, tanto para o indivíduo como para a raça. Sem esta descoberta a paz é impossível. A busca e a descoberta do EU é portanto de importância Suprema”. “A evolução do Ser Espiritual à perfeição através de sucessivas vidas na terra é o verdadeiro propósito da existência humana”. “As experiências do homem são decididas pelas operações da lei de causa e efeito. A crueldade traz a guerra às nações além de dores e doenças aos indivíduos. Não há como escapar desta seqüência”. “Ao contrário, a gentileza traz felicidade e saúde. Enquanto esta lei não for reconhecida e aceita como uma regra da vida, as guerras e doenças continuarão existindo”. “O espírito que há dentro dos homens é senão um só espírito. Cada homem pertence a um gênero espiritual que não possui nenhum tipo de divisão. “A experiência desta unidade e suas aplicações à vida humana, constitui os únicos meios possíveis para se estabelecer a paz final sobre a terra e assegurar a saúde e a felicidade a cada ser humano”. “Tais são, em parte, os ensinamentos da Sabedoria através dos tempos. Tal é o caminho à saúde, felicidade, perfeição e paz eterna”. O despertar da Sabedoria Os relacionamentos humanos estão em crise em todo o mundo e o que se faz mais necessário e urgente é uma completa mudança de coração no homem, porque a crise está apenas na falta de consciência. Somente através de uma transformação individual é que teremos uma nova sociedade. Na medida em que o homem não está satisfeito com ele mesmo, cria muitos problemas psicológicos. A aceitação de sua própria responsabilidade é o primeiro passo que o homem dá rumo a libertação. Se ele compreende que a causa de todo caos é o mundo de mentiras que há em si, ele está pronto a examinar a estrutura e a motivação de sua mente, com a possibilidade de compreendê-la e conseqüentemente se libertar dela. O homem não é apenas carne e osso ou um aglomerado de condições psicológicas; ele possui um profundo potencial que precisa ser desenvolvido; isto só pode ser feito através da meditação, onde há perfeito repouso e a intuição funciona num estado totalmente ciente. Tanto a escravidão como a salvação estão dentro de cada indivíduo. A liberdade não pode ser obtida de canais externos. Como cada pessoa é única, sua libertação só pode surgir de sua própria compreensão, consciência e meditação. 47 O objetivo da vida espiritual não é apenas compreender o subconsciente e os níveis inconscientes de nossa mente, mas também obter experiência superconsciente via meditação. É impossível ir além de nossa mente consciente enquanto permanecemos impressionados pelo impacto de nossos anseios inconscientes. Há dois grandes obstáculos em nossa vida espiritual: um é a presença de grandes áreas do inconsciente na mente que não exploramos e o outro é a presença de experiências passadas na mente consciente. Como resultado desta condição psicológica, a tão chamada consciência é apenas uma identificação com as falsas imagens projetadas pelos impulsos e instintos inconscientes. Há dois tipos de memórias: a memória psicológica, que é uma combinação de velhas impressões, gostos, desgostos e preconceitos; e a memória técnica que é o Know-how das coisas, conhecimento científico. Esta memória técnica não é um impedimento, mas a memória psicológica é um obstáculo para um buscador compreender a realidade. Já que a mente humana é como um macaco pulando de um assunto a outro, se ela não for trazida ao repouso, se torna um obstáculo problemático para a realização da Realidade. A ignorância é a causa fundamental da escravidão e da miséria. Enquanto houver a agitação da mente como um processo repetitivo ninguém poderá estabelecer a paz interior ou a harmonia. Onde houver apego, medo, ciúme, culpa e ódio não poderá haver amor e liberdade. Estar despertado espiritualmente significa estar consciente, a cada instante, de seu pensamento. Se formos atentos, observadores alertas, então nossa mente não é mais pega pelo medo e pela frustração, haverá então, uma possibilidade de atingir o estado do doce silêncio; com base neste doce silêncio o homem poderá descobrir a Divindade incognoscível ao ego. É preciso compreender que a mente é bastante enganosa e inquieta; ela pode produzir um céu de inferno e um inferno de céu. Só aquele que se libertou de cada traço do condicionamento psicológico e da decepção mental está preparado a empreender uma jornada rumo a libertação espiritual e merece ser chamado de um real buscador. Cada buscador tem que experiência uma morte iniciática na senda espiritual, o que significa a anulação do eu inferior - ego, mas isto não envolve a morte do corpo e sim o portão da iluminação. O Homem deve nascer de novo, do espírito e só aquele que desistir de sua vida irá encontrá-la. Como o homem esqueceu-sede redescobrir seu espírito eterno, encontramos várias complicações em nossa civilização moderna. Até que e a menos que aspiremos alcançar nosso estado original de Divindade, não poderemos desfrutar a beleza e a plenitude do amor. A Verdade permanece abstrata, remota e totalmente irrelevante para a vida de alguém até que este alguém a realize por si mesmo. A Verdade se torna um fator de liberação somente quando A descobrimos pessoalmente via meditação. A meditação é um método direto de encontrar a Verdade e apenas ao perder o egoísmo é que se pode despertar a sabedoria intuitiva. Enquanto o homem, não compreender que é essencialmente Divino, não obterá a libertação e a redenção espiritual. Na meditação tanto o subjetivo quanto o objetivo estão juntos e neste estado de consciência meditativa, em que a mente se encontra absolutamente em silêncio, é possível ver todas as coisas de maneira compreensível. A meditação é a arte Divina de observar a mente sem nenhuma interferência do pensamento. Em toda esta observação há somente o vazio de qualquer imagem colocada pelo pensamento, mas compreendemos também que não há dualidade do tipo meditador e meditação. Em outras palavras não há divisão entre observador e o observado. 48 Quando o ego está inoperante, embora processe resultados, então experimentamos o êxtase do silêncio. Realmente, na meditação a atividade mental é colocada de lado o que nos ajuda a derrubar as complicações psicológicas e naquele momento o vagar da mente cessa, ocorrendo a tranqüilidade. Isto aponta para um estado de consciência sem escolhas, onde a dualidade é não existente. A meditação é o caminho de ouro pelo qual a mente condicionada se torna não condicionada. Isto nos ajuda a libertar o domínio do ego. Proporciona a oportunidade de penetrar e observar nossos pensamentos sem envolvimento emocional. O objetivo da meditação é transcender o ego e se voltar para o homem consciente que é eterno. Oferece um recompensador exercício espiritual de negação do ego, quando é possível despertar a Sabedoria Divina que irá nos guiar para sermos um com a Realidade Absoluta que existe por si só. A atitude de um aspirante deveria ser a de exaltação espiritual da humanidade e para isso, deve dedicar toda sua existência à busca da Verdade, seguindo uma vida de pureza, humildade e serenidade. Como fez Saint-Martin, cada um deve seguir a vida espiritual, não no isolamento, mas no meio da sociedade, podendo colocar outros em direção à Divindade e assim atrair a transmutação e a elevação Divina. A aplicação da sabedoria mística é a única solução para o homem moderno que se confronta com várias pressões psicológicas e vários problemas. A utilidade do conhecimento místico irá abrir o caminho para alcançar a perfeição e a bem-aventurança. Não é necessário dizer que, a prática da meditação é a chave mestra para abrir a porta dentro de nós. A vida espiritual não é uma questão de um mero subjetivismo negando toda a realidade das condições ou circunstancias objetivas, mas, ao contrário, o mundo em que vivemos é um lugar ideal para o buscador praticar a meditação e desenvolver as faculdades Divinas. Um dos maiores desafios da vida espiritual é manter o interesse e o entusiasmo em meio às dificuldades intermináveis e trilhas severas. Nossa civilização está num terrível estado de pressa, embora não se saiba para que tanta pressa. Uma vida superficial necessita constantemente de estímulo. Há uma ânsia por mais e mais sensações e diversões. Uma mente que funciona a nível superficial, não pode compreender a beleza do êxtase, do amor e da meditação. A felicidade que procuramos não é uma felicidade superficial determinada pelas circunstâncias, atrações, repulsos e vários outros fatores condicionantes. A felicidade real é algo que nos dá completa satisfação e liberdade interior a qual nos permite viver e agir sem nenhum tipo de ânsia por excitações e estímulos. Esta excitante liberação confere uma clareza de visão e uma consciência através das quais é possível perceber o Momento Eterno. Além interior aprofunda nossa compreensão na descoberta de nossa Realidade que se revela gradativamente, neste processo de exploração eterna. O Corpo Físico, os sentimentos, as emoções e acima de tudo nossa mente, devem se tornar cada vez mais pura se pretendemos atingir algum progresso espiritual. A menos que toda a nossa consciência se acalme, não poderá refletir a verdade e a beleza da paz perfeita. A busca da verdade é uma peregrinação interna; algumas vezes é chamada de “Caminho Interior”, é uma visão Divina que deve ser despertada pela elevação, que se 49 sobrepõe à ilusão do egoísmo. A pureza é o que esclarece a ignorância. Ela leva à harmonia, ao ritmo, à tranqüilidade viva e a compaixão por toda vida. É em tal estado de pureza que experimentamos a beleza do silêncio insondável. No momento pensamento científico o espírito e a matéria não são mais categorias separadas, mas diferentes aspectos do mesmo processo universal. No recente desenvolvimento da psicologia transpessoal, os estágios de consciência transcendentes e místicos são cada vez mais estudados. Há uma tentativa de criar uma ponte entre a psicologia e a espiritualidade. Há muitos níveis de consciência na mente dos quais, normalmente, a humanidade não se apercebe. A mente humana individual é parte da Realidade Absoluta. Por traz de cada ser humano há uma infinita dimensão espiritual, porque a vida é algo não fragmentável; a vida é uma indivisível santidade. A ignorância do homem com relação à natureza essencial de sua Divindade é uma causa básica da presente crise mundial. Este problema não pode ser resolvido por nenhuma racionalização, mas apenas através da sabedoria intuitiva. A meditação é a consciência da paz perfeita, um processo de eliminação do falso ego. Ela estabelece uma ligação viva e ininterrupta com a Realidade Absoluta. Psicologicamente, a meditação atrai uma integração e uma consciência holística unitária, um estado de repouso e harmonia em nosso relacionamento. Realmente, na meditação as energias circulam internamente e por isso ocorre o silêncio inquebrantável. Na meditação experimentamos não só a doçura do êxtase, mas também desenvolvemos a capacidade de resolver problemas de forma completamente diferente, o que nos leva à liberdade. A consciência é um estado de autoconhecimento - uma silenciosa observação de coisas e eventos tais como são sem decepção mental. É de se observar que cada experiência deixa uma marca na mente, sua força varia de acordo com a intensidade da dor e do prazer envolvido. Esta marca ou resíduo do passado torna-se a semente em torno da qual cada pensamento no presente se cristaliza e cresce. Isto significa que todas as coisas são imediatamente traduzidas pela mente em termos de dor ou prazer. A mente não sabe como ser neutra. Com a repetição há a formação do hábito e finalmente a escravidão. Assim, vemos que a mente necessita de atribuições e se ela deixa um hábito logo pega outro. Com o modelo da dualidade não há como se desligar do hábito - o rompimento de um hábito só ocorre quando nos colocamos acima e além do conflito da dualidade. Só através da compreensão de todo o mecanismo da formação de hábito e da visão deste mecanismo numa operação real - o que requer máxima atenção e paciência - é que o pensamento poderá se libertar do hábito. A mente de consciência superficial está ocupada com vários problemas. É preciso ter a capacidade de observar o que acontece sem nenhuma distorção ou ressentimento. A fim de compreender ou esconder motivos, reações de pensamentos e sentimentos, deve haver imparcialidade mental e tranqüilidade; desta forma, as profundas camadas da mente subconsciente são projetadas no nível consciente, sendo transcendida. Enquanto se está preocupado com condicionamentos e preconceitos, não se pode perceber a beleza da Verdade. Cada emoção ou frustração temuma conseqüência fisiológica direta assim como psicológica. Quando as emoções são, sistematicamente, não expressas e os conflitos permanecem não resolvidos, há então a possibilidade da pessoa desenvolver sintomas neuróticos, stress crônicos e distúrbios mentais. 50 A meditação nos dá a capacidade de expressar e resolver vários conflitos emocionais e mentais e assim, restaurar o poder natural inerente da auto-cura e a auto-direção. O propósito da meditação é auxiliar os indivíduos a recuperar a capacidade perdida de auto- desenvolvimento e alcançar o estado de serenidade e segurança mental. Se tornar puro psíquica e mentalmente é o primeiro passo em direção à vida espiritual. É fundamental manter a regularidade e a disciplina interna, para que o buscador entre nas vastas e profundas perspectivas da dimensão espiritual. Se alguém pode realizar seu dever com desapego, sem pensar nos resultados, então esta própria ação irá purificar sua mente. Isto é simples para o Martinista que usa simbolicamente a máscara. A devoção é realmente a arte de se render ao poder interno que restaura o equilíbrio mental e provê energia renovada para enfrentar as responsabilidades mundanas. O prazer espontâneo que alguém experiência na meditação não é mental, mas uma permanência na pura consciência da Divindade. Esta harmonia flui da graça Divina, e o silêncio criativo resultante opera quanto todo o campo da mente se encontra livre das ervas daninhas do pensamento. Este método único e universal da meditação está de acordo com os ensinamentos eternos dos grandes sábios da humanidade, porque não exige nenhuma forma particular de crença religiosa; não tem nada haver com qualquer culto sectário. Todos os caminhos místicos proclamam que algo maravilhoso ocorre quando o homem consegue tranqüilizar os órgãos dos sentidos e a mente, pois isto coloca cara a cara com o mistério de seu próprio ser verdadeiro, com a iluminação total e o estado de liberação espiritual. A morte física não é o término da energia vital, mas, ao contrário, a continuação da vida. A morte proporciona à alma, a oportunidade de experimentar uma dimensão de consciência diferente, sua marcha progressiva para o objetivo final da perfeição e da liberação. A vida é um movimento constante e aquela vivida momento a momento, sem carregar nenhum peso do passado psicológico está sempre livre. Portanto, está sempre aliviada. Este estado de viver no eterno agora é possível eliminando-se o eu egoísta, fonte de toda miséria. Enquanto persistir o sentido do ego, não haverá fim para a ignorância e a escravidão. Não seremos livres enquanto não deixarmos de ser egoístas, quando isto ocorre, temos a consciência de nossa alma - um princípio transcendente da Consciência Suprema. A alma não tem limites e é sempre pura. Contudo, de alguma forma, através da ignorância a alma tem sido associada ao corpo físico e a mente; esta associação errônea e a falsa identificação só podem acabar através da sabedoria espiritual. A vida é um processo pelo qual devemos experienciar as realidades vivas da energia da alma. Se somos capazes de experienciar a doçura da serenidade em nossa vida diária então há a possibilidade de contatar o magnetismo espiritual que irá transformar definitiva e profundamente nossa visão e atitude com relação a vida. Esta consciência meditativa nos fornece sempre energia Divina renovada e revigorada. Transformação espiritual implica em total e incondicional mudança da mente humana. Permite que o ser humano emerja de tal forma que todos os hábitos e tendências animalescas são completamente aniquilados. Assim, o homem fica numa posição muito melhor para operar numa nova dimensão de consciência onde uma percepção direta da realidade é possível. 51 As coisas materiais não nos oferece uma satisfação completa; é a alegria da energia da alma que se permeia através de nossos sentidos e mente o que no sustem com força, estabilidade e felicidade. Quando nos afirmamos em nosso ser Divino e agimos com espírito de desapego e dedicação, então todas as nossas atividades levam a um relaxamento mental. Ter sucesso verdadeiro é manter paz na mente e liberdade interna através da meditação, pois o homem é um espírito dotado de mente e corpo físico. A superioridade do homem está na compreensão e transformação da mente. Na verdade, o único instrumento que o homem tem para resolver qualquer problema, á a sua mente. Consideramos a meditação como uma disciplina da mente e seu objetivo é a iluminação e a libertação. Como somos essencialmente o Infinito e nunca o finito, nada menos do que alcançar o Absoluto poderá nos satisfazer e nos liberar. Se pudermos olhar todas as coisas sem a imagem fabricada do ego, então será possível viver uma vida completamente livre de conflitos psicológicos e confusões. Poderemos imaginar a unidade essencial da existência, quando assimilarmos as qualidades Divinas da compaixão, contemplação, discernimento e intuição. A eterna vigilância é necessária o tempo todo para se descobrir a Divindade. Quando o homem atinge o mais alto estágio da meditação ele transcende os conflitos mentais e a confusão. A consciência meditativa é o caminho correto para se obter o estado da perfeição absoluta. Apenas quando nossa consciência estiver em total repouso desfrutaremos o perfume do êxtase - deste estado é que poderemos ser elevados ao ponto culminante da bem-aventurança consciência e sabedoria. A Via do Coração por Papus Conheço um homem simples que nunca leu um livro e, no entanto, pode resolver os mais intrigantes problemas da ciência melhor do que famosos cientistas. Há pessoas humildes sem qualificação acadêmica e experiência médica a quem o céu é tão acessível que os doentes são curados a seu pedido e os fracos sentem seus corações enternecerem na amabilidade de sua presença. Joana D’arc nunca havia lido um tratado sobre estratégia e nem visto um campo de batalha, contudo ela venceu, em sua primeira tentativa, as grandes táticas de seu tempo! COMO ISTO PODE OCORRER? ! É muito simples: ela se rendeu completamente à Vontade Divina e não questionou o Invisível, como teria feito um adepto do Plano Intelectual. Pode-se imaginar então, no emaranhado caminho, em que os críticos observam estas criaturas, quais são animadas pela “Luz Vivificante do Pai” e geralmente conhecidas como quietistas ou místicas? Eles (os adeptos do Plano Intelectual) não podem compreendê- los, pois tentam medir as faculdades universais com as limitadas capacidades de seus cérebros. Por não poder compreendê-los, os críticos insultam e menosprezam os místicos; enquanto isso o místico ora por aquele que o atormenta e prossegue com seu trabalho de amor. O caminho do Desenvolvimento Espiritual é simples e direto: “Viver sempre para outros e nunca para si”; “Nunca pensar ou falar mal daquele que está ausente”; “Fazer o que é 52 difícil antes de fazer o que se gosta”; estas são algumas fórmulas da Via Mística que leva à humildade e à oração. Há uma forma de purificação física muito apreciada pelo adepto do Plano Intelectual: é o vegetarianismo, que diminui a atração do físico. Contudo, esta purificação não significa nada. Quando purgamos o corpo da influência animal não purgamos o corpo astral do egoísmo e o espírito da influência da vaidade, coisas muito mais graves do que os impulsos que possam ser gerados pelo fato de se comer carne. Quando um homem pensa que sabe alguma coisa e quer se igualar aos deuses, trabalhando para alcançar sua salvação pessoal, se recolhendo numa torre de marfim para se purificar, por que algo deveria ser dado a ele? Ele pensa ter o que precisa e se considera uma pessoa pura que conhece todas as coisas. Mas quando um homem é simples, consciente de sua fraqueza e sabe que sua vontade é de pouca importância se não estiver de acordo com as ações do Pai Celestial; quando ele não se preocupa com a purificação pessoal,não tem que se tornar um membro de uma Loja, mas certamente pode fazê-lo, se desejar participar das atividades da Loja. Um Martinista que não é membro de uma Loja é chamado de Martinista “Livre”. Ele pode visitar uma Loja a convite de um Mestre da Loja, contudo se desejar participar regularmente seria apropriado se tornar um membro da Loja em particular. Viver a Vida Martinista e se empenhar na regeneração e reintegração é uma obra individual, seja para aquele que escolhe se tornar membro de uma Loja ou para o que prefere se mantiver “livre”. Quais são os princípios da Doutrina Martinista? Sucintamente: a) O Homem Original (também conhecido como Adão Primitivo ou Homem Arquetípico) era um Ser Espiritual complexo, emanado por Deus para cumprir uma missão particular. Ele habitava um plano espiritual elevado, onde desfrutava de muitos privilégios. b) Através do mau uso de sua vontade livre, ele “pecou”. Seu erro ocasionou a queda de sua posição primitiva para o mundo físico. Ele era originalmente um Ser unificado, mas em sua queda se tornou fragmentado e disperso, as células que o compunham originalmente formam agora as almas dos homens e mulheres que povoam o mundo físico (Humanidade). c) Seu lugar foi tomado por outro Ser, eleito para fazer o seu trabalho e mostrar-lhe o caminho de volta ao seu Primeiro Estado. Este Ser é conhecido pelos Martinistas como Ieschouah (viavh) d) O objetivo da humanidade, tanto individual como coletivo, é se reintegrar no Arquétipo novamente, a fim de que aquele Adão Primitivo possa ser restaurado. Enquanto isto não acontecer, iremos continuar sofrendo as conseqüências inerentes ao mundo físico (chamado de “A floresta dos Erros” por Saint-Martin). CONFERÊNCIA N 1 É preciso saber desde o início que Martinismo é outro termo para Misticismo Cristão. Busca colocar o Homem mais uma vez no caminho da Regeneração e Reintegração. Não tem outro propósito, nenhum outro objetivo. Nossa Ordem e suas atividades serão de interesse exclusivo daqueles que são capazes de nutrirem idéias místicas e os mais sublimes princípios. Muitos são chamados a sua mesa de alimentos, mas só serão convidados a permanecer, aqueles que tiverem avançado suficientemente para serem aceitos no banquete espiritual. Deixem-me dizer, primeiramente, algo a respeito de como surgiu o Martinismo. Seus fundamentos são aqueles promulgados por Martinez de Pasquallys em meados do século XVIII, mas seu nome homenageia seu discípulo: Louis- Claude de Saint-Martin. A base dos ensinamentos de Pasquallys fora transmitida oralmente a grupos organizados e ordenados por ele. Estes grupos eram formados principalmente por francos maçons. A Maçonaria estava num estado de transição e a experiência foi um tanto confusa. Havia um conflito entre as tradições antigas do esoterismo e as novas idéias do fraternalismo liberal; Pasquallys, Cagliostro e o Conde de Saint Germain apoiavam o lado do misticismo 6 genuíno da tradição antiga. Se os ensinamentos de Pasquallys tivessem sido complemente aceitos e desenvolvidos, todo o caráter da França poderia ter sido diferente. Pasquallys, como se sabe, foi afastado de sua obra antecipadamente, e não havia ninguém, entre seus sucessores, capaz de completar a transmutação. Jean Baptiste Willermoz e Saint-Martin continuaram a perpetuar a obra que Pasquallys havia iniciado, mas cada um tinha uma visão diferente sobre o que o seu mestre buscava realizar; portanto começaram a trabalhar em direções diferentes. Willermoz trabalhou para condensar as idéias de Pasquallys no modelo da Franco-Maçonaria e limitar suas atividades inteiramente aos homens. Saint-Martin, por outro lado, se desinteressou pelas práticas teúrgicas e se dedicou mais à via mística ou Caminho Interior, ensinando tanto ao homem como a mulher cuja disposição espiritual fosse aparente. Em 1890, o espírito agente entre os Martinistas era o Dr. Gerard Encausse, mais conhecido pelo nome de Papus. A ele muito se deve por ter moldado a Ordem como a conhecemos hoje. Portanto, nossa Ordem, nos dias de hoje, se deve tanto a Papus quanto a Pasquallys ou Saint-Martin. Uma história completa de nossa Ordem está disponível e todos os irmãos deveriam estudá-la. Reunimo-nos como Martinistas não só para desfrutar de nossa associação mútua, não só para expressar meros agradecimentos por tais oportunidades, como as que a vida pode nos ofertar durante este curto intervalo terrestre de nossa existência; mas também para nos tornarmos artífices, a fim de que possamos participar do que pode ser corretamente chamado de um projeto gigante de construção. Que fique claro a todos que o Grande Arquiteto do Universo concebeu e executou um plano magnificente. Como seres humanos, somos segmentos deste plano. Encaixamos-nos nele de alguma forma; muito de nós não estão certos disto; sabemos, no entanto, que não podemos nos separar completamente dele. Este plano exige que sejamos agentes do Supremo Arquiteto e, como Seus agentes, que trabalhemos ativamente aqui na Terra. Como Martinistas, então, estamos associados uns aos outros pelo propósito de descobrir aquelas verdades fundamentais do plano Divino e construir uma ponte na lacuna existente entre a ciência e a religião. Na antiguidade, ciência e religião não eram nada além do que aspectos separados de um mesmo estudo. Hoje, encontramos a ciência e a religião completamente afastadas, parecendo não só serem independentes uma da outra, mas também hostis em alguns aspectos. São como duas grandes engenharias preocupadas com a mesma tarefa de construir uma ponte através de um rio. Ambas possuem pessoal e equipamentos de construção nas margens opostas, mas não chegam a um acordo quanto aos princípios de construção e o método de execução. Ocupam- se futilmente e sem propósitos com argumentos, deixando o rio sem ponte e sem possibilidade de tráfego através dele. A Ciência tem feito apenas tentativas em comparação com o que deveria ter feito a fim de restaurar o homem ao seu lugar correto na natureza. Relativamente, ela apenas começou a reduzir uma porção do grande plano do Arquiteto àquela forma que o homem pode entender e usar na vida diária. Preocupa-se unicamente com certos aspectos do plano do 7 Grande Arquiteto. Os aspectos imateriais, aquelas qualidades normalmente citadas como “espirituais” e “psíquicas” são dificilmente tratadas ou quase nunca. As causas primeiras ou o que é geralmente conhecido como proposições metafísicas, tais como “Porque estamos aqui?” e “Quais as finalidades que o homem deveria ter na vida?” são tidas como fora da sua alçada. A religião, por outro lado, em suas declarações, dogmas, ritos e práticas tem freqüentemente sustentado não ser digna de suas tradições, questionando as causas Divinas. Ela deixa o homem numa posição em que é obrigado a ter uma fé cega em muitos assuntos, ou aceitar apenas aquelas verdades, que inclinadas materialmente, a ciência é capaz de demonstrar. É evidente, portanto, que nosso dever é nos tornarmos os construtores intermediários. Primeiro, devemos nos preparar aqui em nossa Loja para a grande obra que iremos empreender. Precisamos ser treinados antes de realmente fixar um objetivo real. Precisamos nos familiarizar com as ferramentas que serão usadas. Precisamos nos tornar habilidosos artífices. Não podemos cometer nenhuma estupidez. O “sistema de tentativas e erros” é um que não podemos aceitar. Antes de iniciarmos qualquer procedimento, ele precisa ter uma probabilidade de realização. Deve parecer plausível por certas regras de compreensão testadas. Além do mais, não iremos descartar nenhum fato, idéia ou objeto de conhecimento que sejam úteis, simplesmente por não terem se originado conosco. O que quer que seja aplicável à situação e que tenhamos em mãos deve ser usado. CONFERÊNCIA N 2 Aquele que busca a admissão em nossa ordem é conhecido como “Suplicante”com suas necessidades, mas sim com o sofrimento dos outros, então o céu o reconhece como uma de suas “crianças pequeninas” e o Cristo pede para que seja levado até Ele. Uma mãe que dedicou uma vida para criar não só suas próprias crianças, mas também aquelas de pessoas mais pobres, é maior perante o Eterno do que qualquer teólogo pedante e do que os tão chamados “adeptos”, orgulhosos de sua “pureza”. Esta é uma verdade instintiva que atinge as pessoas sem nenhuma necessidade de demonstrações pois é uma Verdade que se aplica em todos os níveis. Portanto, que o objetivo do estudante seja antes a simplicidade e não o pedantismo e que tenha cuidado com os homens que o consideram perfeito pois “A queda é maior para aquele que cai de grandes alturas”! A VIA MÍSTICA - o caminho do coração - requer auxílio ininterrupto em todos os estágios de evolução e percepção. No Plano Físico, auxílio de amigos e mestres que ensinam pelo exemplo. No Plano Astral, auxílio de pensamentos de devoção e caridade iluminando a senda e habilitando o homem a suportar as provas através da paz do coração. Finalmente, no Plano Espiritual, auxílio dos Espíritos Guardiões, fortalecido pelos sentimentos de piedade por todos os pecadores e pelos sentimentos de indulgência por toda fraqueza humana e também orando por toda vontade cega e por todos os inimigos. Tudo isto para que as trevas terrestres desapareçam lentamente, a fim de que o Véu se erga por um momento e o sentimento Divino de conhecer a oração de alguém seja claro, enchendo os corações de amor e coragem. Atingido este ponto, o místico não pode compreender a necessidade das chamadas sociedades elitizadas, nem mesmo aquelas devotadas ao ocultismo, ou a numerosos livros, necessários para explicar coisas tão simples. O homem se torna prudente com relação a sociedades e livros extraindo muito mais conhecimento quando em comunhão com os abandonados e flagelados. Ele ATUA e não mais lê. Ele ora, perdoa e não tem tempo para julgar ou criticar. O intelectual, observando tal homem, indaga em primeiro lugar através de que livro teria atingido este estágio; também, a que tradição pertenceria; por fim, em que categoria deveria colocá-lo para melhor julgá-lo! Ele busca a “palavra mágica” que o místico usa à sua vontade, para curar a doença mais maligna; pretende usá-la na forma de hipnose que 53 o permite influenciar a mente dos outros, fortemente, até mesmo a longa distância, sempre com propósito egoísta que está por traz de tudo isto. Como o intelectual não encontra em livros a resposta para estas questões e como necessita de uma explicação para obter a paz em sua mente, diz seriamente a si mesmo ou ao círculo de seus admiradores: “Possessão”! ou “Uma Mística”! ou “Simples Sugestão” e tudo está dito. Assim, o intelectual se torna um pouco mais vaidoso e o místico um pouco mais humilde. Enquanto que para o progresso no Plano Intelectual é necessário estudo, leitura e tempo, nada disso é necessário para progredir na Via Mística. Ela pode ser quase que totalmente abordada e em uma hora do tempo terrestre como ocorreu com Swedemborg, no primeiro dia de sua visão, e à Jacob Boehme; também pode demorar 19 anos antes que sua entrada seja descoberta, como foi o caso de Willermoz e de muitos ocultistas. Isto ocorre porque a porta para este caminho não é aberta pelo buscador, mas por seus guias invisíveis e pela pressão de seu ser espiritual. Portanto, não há nada mais fácil ou mais difícil do que seguir esta via. Ela está aberta a todos os homens de “boa vontade” e nenhum outro homem é digno dela. A porta de entrada é tão pequena que só as criancinhas podem entrar. Como aqueles que chegam até a porta geralmente são homens altos e orgulhosos, que pensam estar abaixo de sua dignidade se tornar pequenos, a entrada permanece invisível a eles por longo tempo. Qual é o propósito de uma loja Martinista? Uma loja Martinista é composta de pessoas que são Martinistas e que se reúnem com propósitos Martinistas. Papus organizou a Ordem Martinista para assegurar e ter a certeza da perpetuação da Iniciação, este continua sendo o primeiro trabalho da Loja. Nossa Ordem existe para restaurar o Homem a seus poderes primitivos. Para que esta obra seja realizada a Loja deve ser extremamente ativa - os membros devem buscar diligentemente, candidatos adequados em todos os sentidos sejam no cumprimento, na largura, no peso e na profundidade da sociedade e levá-los até à loja onde, se forem determinados como dignos, poderão ser conduzidos a serem “livres Martinistas”, obtendo os ensinamentos básicos que irão iniciá-los no caminho da Regeneração e da Reintegração. Todos os Martinistas devem se tornar membros de uma Loja? Se espera que todos os Martinistas vivam a vida Martinista - nem todos estão interessados no trabalho de uma Loja. Os Martinistas livres podem visitar uma Loja a convite do Mestre desta Loja; se ele se identificar com o trabalho realizado ali poderá se inscrever como membro. Esta é uma questão individual. A Regeneração Uma minuciosa compreensão do princípio da Regeneração deve ser adquirida por cada Martinista, pois esta é exatamente o cubo sob o qual a vida espiritual se movimenta. Ao apresentar esta leitura espero, muito mais, uma ampla discussão e desenvolvimento de idéias, do que esgotar os pensamentos sobre o assunto. Muitos buscadores da Via Mística se perdem na neblina do intelectualismo. A Espiritualidade é uma obtenção não um conceito. Como quando se remove a sujeira e a 54 poeira da lente de uma lanterna para que a luz possa brilhar, o homem deve remover a sujeira de si, para que a luz interior se manifeste. Isto tem haver com o desenvolvimento do ser. É uma coisa prática. Os ensinamentos místicos, por si, não podem realizá-la. A Regeneração é definida como “o ato de reformar completamente, se fazer novo, espiritualmente”. É o processo pelo qual alguém muda o curso de sua vida. Simboliza a nova produção, através de um processo de transmutação e evolução das qualidades purificadas e aperfeiçoadas do novo ser, que assim surge para um novo nascimento nos planos mais elevados da consciência. A palavra “regeneração” é mencionada na Bíblia apenas duas vezes, embora a idéia esteja implícita em muitas das palavras de Jesus. Lemos em Titãs 3:5, “E não por causa de obras de justiça que tivéssemos praticado, mas unicamente em virtude de sua misericórdia, Ele nos salvou mediante o batismo da regeneração e renovação, pelo Espírito Santo”. * Não é por causa dos mais altos impulsos da natureza inferior que um resultado espiritual ou uma elevação de consciência é alcançado; mas unicamente de acordo com uma livre graça do Espírito Santo é que a alma pode se fazer imortal. As qualidades espirituais são concedidas na proporção em que a natureza humana é purificada e se eleva através das transmutações efetuadas pelo Espírito Santo. O ensinamento é que a natureza inferior não tem a possibilidade de elevar sua condição, pois ela não possui e nem controla os elementos superiores. Estes elementos superiores são dados à alma lutadora QUANDO ESTA SE ENCONTRA SUFICIENTEMENTE EVOLUÍDA E PREPARADA PARA RECEBÊ-LOS e escolhe aceitá-los. Eis aqui dois extratos sobre o assunto que irão trazer esclarecimentos. “Não há ascensão dos desejos humanos sobre sua fonte. Quando quer que em um coração surja um pensamento, um desejo, uma oração, uma convicção celestial, é porque veio primeiramente do céu e se elevou novamente, a fim de buscar o seu plano. Tudo o que é Divino no homem vem de Deus. Tudo o que se dirige a Deus no homem, é a voz de Deus no coração humano; se não fosse pela posse e operação, estimulante e santificante, de um Espírito Divino vivo, concedido a nós, nossas almas se reduziriam ao pó e à morada terrestre, nunca se elevando à Deus e nunca vivendo na luz de Sua presença”. A. MACLOREN, Sermons, 1 st Series, p.62. “A verdadeira edefinidamente direcionada vida mística provoca o mais real e estupendo, apesar de indescritível, fenômeno: o despertar da consciência do profundo ser espiritual do homem, o que os escritores místicos e devotos de todos os tempos concordaram em chamar de Regeneração ou Renascimento. Aqui, o lado mais profundo ou místico do homem é mostrado, seu caráter Divino é revelado. Através de um processo que pode ser igualmente, descrito como o nascimento de algo novo, ou o despertar de algo que estava adormecido (estas duas frases não são mais do que metáforas de algo mais secreto) o olho é aberto na Eternidade; o ser, abruptamente tornado consciente da realidade, sai da caverna da ilusão, como uma criança do ventre, começando a viver sobre o plano supersensorial. A criança então, sente em sua parte mais íntima uma nova presença, uma nova consciência - para não dizer uma nova Pessoa - fraca, necessitando nutrição, claramente destinada a passar por muitas fases de desenvolvimento antes de atingir sua maturidade; ainda que esteja numa natureza tão diferente de seu ambiente, deve considerá-la igualmente Divino”. E. UNDERHILL, Mysticism, p.147. 55 *G. A. Gaskill escreve sobre o Espírito Santo: “Este símbolo significa propriamente o aspecto feminino da Trindade Divina, e tem o mesmo significado que as grandes Deusas de outras religiões que não a Cristã. Representa as atividades e funcionamento do plano de existência acima dos planos mentais superiores, ex. plano Búdico. O Espírito Santo procede do Pai - a fonte infinita de todas as coisas. É a respiração de Átma, - infinito poder de Deus. Não está separado, mas opera através do Cristo - o Ser Superior. Sem o Cristo não haveria Espírito Santo. Com o Cristo deve haver um Espírito Santo, que, contudo, pode ser visto e conhecido quando se deixa de enxergar ou se transcende e a verdade e a Vida se realizam. Contudo, a mente inferior não pode distinguir entre o Cristo e o Espírito”. “Em hebraico a palavra “espírito” (mach) é do gênero feminino. Como conseqüência disto, o Espírito Santo era visto pelos Nazarenos e primeiros Cristãos como a “mãe” de Jesus”. A. DREWS, the Christ Myth, p. 118”. Bem, penso, Irmãos, que temos aqui o suficiente para uma noite toda de discussão, vamos então nos reunir e considerar o que acabamos de ouvir. “O Caminho” Há muitos caminhos - alguns são intrigantes - como quando alguém está explorando algum território novo e não pode dizer para onde o caminho o levará. Alguns tocam o coração, como o caminho que leva ao lar quando se esteve longe. Alguns levam a emaranhados de cactos e silvas que o tornam quase intranspassável. Alguns, desafortunadamente, levam a areias movediças, enquanto que outros não têm saída, levam à lugar algum. O caminho mais importante de todos é aquele que leva à Reintegração. O sonho e o ideal de todo Martinista é ascender à Via Perigosa, a fim de conquistar o intrépido Castelo e obter o Santo Gral, o cálice que contém o néctar precioso que buscamos. Este caminho é de fato perigoso. Muitos começam cheios de grandes esperanças, pensando que ao lerem tudo o que encontrarem sobre o assunto, irão completar a escalada. Não é bem assim, não é lendo livros de música que alguém irá se tornar um músico. O músico precisa entrar num conservatório, onde irá adquirir tanto a prática como a teoria, no campo que escolher. O Martinista faz seus estudos e suas práticas em seu Oratório - e o faz consistentemente. Os dois “Livros” que lê são “O livro da Natureza” e “O livro do Homem”. Estes dois “livros” nos capacitam, através de um estudo intenso e cuidadoso, a distinguir o constante trabalho do Onipotente em nosso mundo. A Natureza e o Homem são os dois campos de investigação mais importantes. São os mais fáceis. Estando em nossa órbita, nos oferece um conhecimento prático e inestimável. Contudo, o estudo não é o objetivo em si. O estudo deve se tornar os princípios pelos quais vivemos; pois devemos nos tornar como o Sol, irradiando Luz e Verdade neste mundo de trevas. Os Mestres dependem de nós e de todos que estudam os Mistérios, para serem a levedura que auxilia na elevação da Humanidade. Todos devem se libertar da ilusão da 56 personalidade e da escravidão dos sentidos externos. Aquilo que se tornou complexidade deve retornar à simplicidade do Onipotente - o Único. É preciso compreender o que disse o poeta Robert Browning: “Há um centro interno em todos nós, onde a verdade habita em sua plenitude; à sua volta ergue-se muralha sobre muralha, a espessa carne represa esta concepção clara e perfeita que é a verdade. A frustrante é pervertida malha carnal a retém e faz dela todo um erro; para conhecê-la é preciso antes de tudo, abrir um caminho por onde o esplendor aprisionado possa fluir, e não forçar a entrada para uma luz que se supõe estar fora”. Edouard Shuré, um Martinista, em seu “Os Grandes Iniciados” fala dos feitos realizados pelos iniciados de Orfeu: “A Centelha Divina que nos guia na terra está dentro de nós; ela se torna uma chama no templo, uma estrela no céu. Assim cresce a luz da verdade! Ouça as vibrações da lira de sete cordas, a lira de Deus. Ela movimenta os mundos. Deixe seu som fluir em sua alma e os céus serão abertos a ti”. Em nossos estudos aprendemos que, como Espíritos, somos forçados a deixar nosso verdadeiro lar devido ao mal uso de nossa vontade livre. Voando para este mundo material, esta Floresta dos Erros, viemos como obstinados e desobedientes. E aqui permanecemos, perturbando e interferindo no plano Cósmico. Os belos e luminosos corpos espirituais que foram nossos uma vez, se tornaram cada vez mais espessos e materializados, ao se adaptarem a este obscuro mundo de desilusão e nós nos tornamos aprisionados. Agora estamos estabelecidos, tendo experienciado de tudo - e começamos a imaginar quem realmente somos, onde estamos e como viemos parar aqui. Pois somos estranhos nesta terra. Como coloca Wordsworth: “Nosso nascimento é senão um sono e um esquecimento; a alma que nasce conosco, já teve morada em outro lugar e vem de longe - não no completo esquecimento e não na completa nudez, mas trazendo em seu rastro nuvens de glória, de fato, viemos de Deus, que é a nossa morada”. Como o Filho Pródigo, estamos cansados de estar fora de casa e determinados a encontrar o caminho de volta a qualquer preço. Esta, porém, não é uma tarefa tão fácil, pois exige várias encarnações de muitos esforços para ficar fora do alcance deste mar de ilusões que está sempre puxando nossos calcanhares enquanto subimos, tentando nos engolir novamente - e não é com facilidade que libera sua presa. Devemos confundir o dragão da negação e rejeitar as falsas reivindicações do corpo e do ego, ambos lutando para serem conhecidos com o Ser. As armas dos iniciados são valiosas; a impenetrável armadura do silêncio, a vontade e cada vitória, tornam cada vez mais forte o desejo de vencer. Suas faculdades devem estar empenhadas em rasgar o véu que impede os raios do Sol espiritual de atingi-lo sem refração. Antes que isto seja alcançado com sucesso, a única comunicação entre Deus e o homem se dá por 57 SÍMBOLOS e SINAIS - e pelas ferramentas mentais de correspondência, analogia e sínteses. Os sábios ancestrais diziam: “A fim de obter a mestria, o homem necessita de uma total remodulação de seu ser físico, moral e espiritual. Isto só é possível através do exercício da vontade, da intuição e da razão. Através da completa cooperação destes três seres, o homem pode desenvolver suas faculdades a nível incalculável. A alma possui sentidos que se encontram adormecidos; a iniciação desperta estes sentidos. Pelo profundo estudo e aplicação constante, o homem pode se colocar em contato consciente com as forças ocultas no universo.” “Através de um grande esforço, o homem pode adquirir uma percepção espiritual direta, pode abrir à sua visão caminhos da vida apósa morte, pode se tornar capaz de progredir durante estes caminhos”. “Só então poderá dizer ter conquistado seu destino e adquirido aqui na terra, a sua liberdade Divina. Só então o iniciado se torna um iniciador, um profeta e um teurgo. Só aquele que controla a si próprio pode controlar os outros; só quem é livre pode libertar”. Às vezes quando o caminho parece íngreme, sentimos que enfraquecemos, mas lembramos de que todos os mestres trilharam estes caminhos e não tinham dúvidas de que ficaram exaustos, da mesma forma; conseqüentemente, eles estão sempre conosco, auxiliando e encorajando, o que nos dá sustentação. Agradecemos as indicações que nos foram deixadas, elas nos orientam pelo caminho e pelo fato de sabermos que não estamos sós, mas protegidos por eles; o caminho nos é iluminado pelos mestres, assim como esperamos iluminá-lo para outros. Há uma conexão entre a Igreja Gnóstica Universal e a Ordem Martinista? Os Grão-Mestres Papus, Bricaud, Blanchard e outros eminentes Martinistas foram Bispos da Igreja Gnóstica Universal, apontada como a igreja oficial da Ordem Martinista desde os primeiros dias. As duas organizações são soberanas e independentes; existe uma relação amigável entre elas. Informações para as Lojas A fim de que uma loja Martinista opere corretamente e com sucesso, há quatro áreas importantes que devem ser claramente compreendidas. Se isto não ocorrer a Loja não irá operar como se pretende. Uma vez que estes pontos sejam compreendidos, a Loja irá operar com sucesso. As quatro áreas de maior preocupação são: A Iniciação, o Martinismo, o Conventículo e a propósito de uma Loja Martinista. 1) A Iniciação Uma Semente ou Gérmen espiritual é transmitida ao candidato na ocasião de sua Iniciação. Este legado não subjuga o candidato, transformando-o automaticamente num santo ela o INICIA no caminho. Louis-Claude de Saint-Martin disse as seguintes palavras sobre a Iniciação: 58 “Iniciação! Poder extraordinário de influência Divina que irradia das mãos, criando pastores ou adeptos, comunicando a compreensão e potencial posse das ciências! Mas aquele que desenvolve a plenitude de seu poder apenas na mente, apresse-se em nutri-la!” A iniciação sempre tem sido e sempre deve ser transmitida por um Iniciador autorizado, a um candidato estando em presença física. A SEGURANÇA E A PERPETUAÇÃO DESTA INICIAÇÃO É A “RAISON D’ETRE” DA ORDEM MARTINISTA. 2) Martinismo O que é “Martinismo”? Há mais de uma resposta a esta questão, mas a PRIMEIRA e a que mais nos preocupa é: Eis o objetivo do Martinismo: Reintegração. Este é o nosso único e inabalável objetivo, nos empenhamos a conquistá-lo nos tornando primeiramente REGENERADOS. O Martinismo é um Estilo de Vida, uma atitude particular da mente, formulada em resposta a uma certa concepção da criação e do porquê estamos nela. Este Estilo de Vida é a Via do Coração, cursada com o auxílio de ferramentas místicas, dos princípios que estudamos, dos exercícios e meditações que fazemos com o propósito de nos regenerar e desenvolver nossa natureza espiritual... tudo isto nos leva ao encontro de nosso destino final: Reintegração no Adão Primitivo ou, usando o termo Cristão: Salvação. 3) O Conventículo A finalidade do Conventículo é a Comunhão Espiritual, que auxiliada pelo ritual e insígnias, assistida pela oração, meditação e pensamentos puros, os Exércitos Espirituais são invocados a fim de que aqueles presentes possam se beneficiar de sua presença. 4) A Loja Uma loja Martinista é o lugar onde os Martinistas se reúnem com propósitos Martinistas. Isto será explorado mais adiante, mas por enquanto, daremos ênfase no que a Loja não deve ser, pois esta é uma questão em que ocorre erro de concepção: Uma Loja Martinista não é uma “escola” onde princípios esotéricos básicos são ensinados! Já que as lojas só se reúnem poucas vezes ao mês e por poucas horas por vez, seria praticamente impossível ensinar os princípios básicos nas reuniões, de forma efetiva. E mesmo que fosse possível, deveriam ser ensinados muitas e muitas vezes na medida em que entrasse um novo membro, isto se tornaria CANSATIVO para a maioria dos membros. O Aborrecimento é a causa número um de desinteresse e retiradas de membros de todas as organizações... e nossas reuniões devem ser resguardadas deste mal. O Martinismo - A Iniciação - O Conventículo - e a Loja Tendo estes tópicos sido brevemente apresentados, deve ficar claro agora o que é Martinismo, Iniciação, Conventículo e a Loja, realmente SÃO - e o que NÃO SÃO. Vamos ir mais além e indagar: Já que a maioria dos Martinistas POSSUEM interesse no arcano esotérico tradicional, há espaço numa Loja Martinista para estas considerações e discussões? A resposta é SIM, mas antes de vermos como estas questões são abordadas outra questão deve ser levantada e sua resposta claramente compreendida: 59 Já que as Lojas não podem oferecer, efetivamente, um curso de ensinamento elementar, de onde o Martinista adquire sua educação esotérica? Como já se observou no tempo de PAPUS e nos países de língua francesa, os Martinistas Franceses adquirem seus conhecimentos esotéricos, até os dias de hoje, principalmente lendo L’Initiation e estudando as obras de eminentes Martinistas como: Pasquallys, Saint- Martin, Guaita, Sedir, Bertholet, Papus, etc.. Da mesma forma, os Martinistas de língua inglesa que possam ler e compreender o Francês podem ler e estudar os materiais franceses. Aqueles que não lêem o Francês DEVEM se afiliar ao I.C.O.M.S. seus libers e os volumes da Tradição Martinista, lá encontrarão todos os ensinamentos importantes sobre Martinismo, história da Ordem, Arcanos Esotéricos, etc., ilustrados detalhadamente. A I.C.O.M.S. foi fundada com o propósito de detalhar em Inglês, informações importantes e essenciais a todos os Martinistas. Seguiremos com perguntas e respostas: Nomeie e explique as várias reuniões mantidas por uma Loja. Conventículos, fóruns, Reuniões Administrativas, Capítulo R+C. Uma reunião realizada para a Comunhão Espiritual (com propósito devocional) é chamada de CONVENTÍCULO. Este é um ritual realizado no templo e fora as Iniciações, é o PRIMEIRO TRABALHO da Loja. A reunião convocada para discutir e elucidar sobre uma questão metafísica e chamada de FÓRUM. Também é um ritual realizado no Templo. A reunião realizada para discutir assuntos e atividades da Loja é chamada de Reunião Administrativa. Esta não é um ritual e é realizada na ante-sala. O Capítulo R+C é realizado por Martinistas experientes que possuem trabalhos originais baseados em suas próprias observações, experiências e pesquisa. É conduzida ritualisticamente. Antes de descrever estas reuniões em detalhes, há um ponto muito importante a ser enfatizado mais uma vez: SE ESPERA QUE O MARTINISTA CUIDE DE SUA PRÓPRIA EDUCAÇÃO! Por que este ponto tem sido tão reforçado, vocês perguntam? Porque durante os Fóruns, as Lojas Mestre irá selecionar e apresentar seções dos Libers ICOMS, dos volumes de A tradição Martinista, dos escritos de eminentes Martinistas ou de alguma outra fonte tradicional tais como: A Cabala, o Tarô, a Alquimia, Hermetismo, etc., etc., e então convidar os irmãos para dar a sua compreensão, entendimento e quanto mais possível, tentar desenvolver, expandir um tópico particular; a MENOS QUE OS IRMÃOS TENHAM CUIDADO DE SUA PRÓPRIA EDUCAÇÃO ESOTÉRICA SERÃO INCAPAZES DE CONTRIBUÍREM SIGNIFICATIVAMENTE Conseqüentemente O FÓRUM SERÁ UM FRACASSO! Continuando nesta linha vocês poderiam perguntar: Um membro deve ser admitido como um R+C se for, claramente, incapaz de contribuir? Esta é uma Eterna Pergunta e cabe a cada Loja resolver esta questão para si. Não se pode estabelecer aqui uma resposta exceto dizendo talvez que, há uma diferença entre uma pessoa que tenha pouco ou 60 nenhum interesse sobre os assuntos relacionados à R+C - e uma pessoa que realmentetem um interesse, mas que possa não ter uma escolaridade ou habilidade literária para pesquisar obras preparar um trabalho. A situação na R+C se torna crítica se a maioria dos membros cair na categoria dos que “tomam” - não havendo os que “dão”! Tal situação deve ser evitada ou a própria R+C será um fracasso. Qual é então o critério para a escolha de membros? Muita atenção deve ser prestada ao se relacionar membros para a Loja. Um completo procedimento deve ser seguido desta forma: A primeira obra da Loja é conferir a Iniciação e iniciar os homens da torrente no Caminho da Regeneração. A Iniciação faz de uma pessoa um membro da Ordem. Todas as pessoas de boa vontade e de boa reputação, de idade madura, que acreditam em Deus ou num Ser Supremo, são elegíveis como membros da Ordem. A Loja deve se concentrar primeiramente em fazer membros suplicantes da Ordem, fornecendo-lhes os ensinamentos básicos, por exemplo, uma cópia deste Manual de Instruções dando-lhes tempo suficiente para se ajustarem à nova vida. A seguir o Mestre da Loja pode convidar o Martinista livre para VISITAR a Loja então ele ou ela poderá experimentar o trabalho da Loja. Se o visitante Martinista desejar se filiar, um requerimento deve ser apresentado à Loja e o requerente deverá ser entrevistado. Se ele for aprovado, é então recomendado como membro e se realiza uma votação. Se ele passar na votação é aceito como membro da LOJA. Este é um meio sensível de como receber membros para a Loja. Enquanto que todos aqueles de integridade deveriam ser membros da ORDEM, nem todos estão interessados, necessariamente, no trabalho da Loja. Está é uma simples verdade que não deve ser desprezada! Só traga membros para as Lojas Martinistas depois que tenham freqüentado no máximo dois Conventículos como convidados do Mestre da Loja. Deixe que se apresentem como eventuais membros por sua própria iniciativa após terem visitado a Loja e terem se encontrado com os membros. Estas são as diretrizes básicas para a aceitação de membros; espero que tanto a intenção como espírito deste escrito estejam claros. Descrevendo um Conventículo Após a abertura do ritual há orações, hinos e meditação. O indicador faz algum pronunciamento. O Mestre da Loja apresenta um discurso curto ou uma homilia que (fazendo uma comparação) é parecido com o sermão dado na igreja. Após a homilia há uma breve meditação e então o Mestre da Loja pode perguntar se alguém quer fazer algum comentário. Se ninguém se apresentar, o Mestre deve prosseguir sem forçar nenhum comentário. Se alguém se apresentar, o comentário deve ser breve na apreciação e na expressão de sentimentos complementares. Não há “argumentos”! Não há “discussões”! Não há “debate” num Conventículo! O PROPÓSITO de um Conventículo a COMUNHÃO ESPIRITUAL e a atmosfera mística não devem ser degenerados, transformando-se numa sala de aula circunjacente; isto certamente ocorrerá se a discussão for permitida. Mantenha em mente a RAZÃO do Conventículo e nada dará errado! 61 LEMBRE OS IRMÃOS DE SEU OBJETIVO COMO MARTINISTAS REGULARMENTE! O Martinismo, por ser algo basicamente simples tende a ser negligenciado - ainda que aquelas coisas que parecem ser “fáceis” é que são mais difíceis! “Qual é o seu progresso quanto à sua regeneração?” Esta é uma boa pergunta a ser feita de vez em quando. Um pouco antes do encerramento o Mestre da Loja irá perguntar aos seus oficiais (certamente ao seu oficial superior) se desejam dizer alguma coisa; então sem mais nenhuma meditação, oração ou cantos a Loja é fechada. Descrevendo um Fórum Um Fórum é, de fato, um Conventículo, os procedimentos de abertura e encerramento são os membros, mas a ênfase está no assunto proposto pelo Mestre da Loja ou por um Irmão que tenha sido solicitado - isto substitui a homilia num Conventículo regular. A tentativa de elucidar e aprofundar o assunto estimula a discussão, o debate, comentários e perguntas. Tenha em mente o que já foi dito “O Martinismo não é dogmático”. Isto significa que os irmãos devem dar suas opiniões livremente, sem temer risos ou que alguém possa dizer que estão errados em pensar desta ou daquela maneira, etc.. A discussão deve ser mantida em alto nível e o bom gosto deve ser sempre observado. O Mestre da Loja deve ser firme se necessário. “quando um homem vem a ser regenerado em seu pensamento, logo será regenerado em sua fala que é a carne e o sangue de seu pensamento, mas quando ele está regenerado em sua fala, logo estará regenerado em sua operação que é a carne e o sangue da fala”. Louis-Claude de Saint-Martin “O Novo Homem” p.21. Qual é o número ideal de pessoas numa Loja? Esta é outra questão que cabe a cada Loja estabelecer para si. Uma Loja Martinista deve ser composta por pessoas que compreendam o que consiste as atividades Martinistas e que desejem verdadeiramente ser uma parte delas. Os membros de uma Loja Martinista devem formar uma verdadeira família espiritual, um grupo próximo e unido, onde há um sincero sentimento de amor entre pessoas que aceitam umas as outras, que estão tentando ser bons Martinistas e que caminham na mesma Senda. Tal coesão não pode ser mantida se o número de membros for muito grande. O sucesso de uma Loja não deve ser julgado pela extensão da lista de membros! Há muitas Lojas de sucesso, compostas por poucos membros que se reúnem na casa de um dos irmãos! É permitida alguma música adequada durante um Conventículo? Certamente! Na verdade as Lojas podem apontar um “músico” cuja tarefa principal é preparar e tocar música na entrada e saída dos Oficiais e membros como também durante a meditação. De quando em quando a Loja deve se reunir? A experiência mostra que quanto mais a Loja se reúne, mais entusiasmo existe, mas a freqüência das reuniões é uma questão que cabe inteiramente aos Oficiais, e irmãos de cada Loja determinar. Algumas Lojas se reúnem uma ou duas vezes ao mês, algumas três, outras quatro ou mais. O sistema é flexível. O ponto principal a se ter em mente é a 62 “Lei do Equilíbrio”: deve haver um bom equilíbrio entre fóruns e Conventículos. A R+C geralmente se reúne com menos freqüência. As atividades da Loja devem atingir todas as três partes do indivíduo: Intelectual/Mental (Fóruns primários e a R+C); Emocional Espiritual (Conventículos primários); Físico (parte social/festividades). (Assim que a Loja alcance certa maturidade poderá abrir seu Capítulo R+C) O calendário não deve ser o mesmo todo o mês! Qual o critério para o avanço de um membro? A Iniciação Associada inicia o membro no seu caminho. “O Segundo Grau estabelece uma importante ligação, mas é também um “obstáculo” ou “teste”, uma câmara de espera” onde o candidato deve parar e mostrar ser digno de avançar. Se o candidato mostrar interesse, o passo de Associado para Místico pode ser dado, razoavelmente rápido - mais ou menos após o membro ter participado de cerca de 10 reuniões. O S.I. (3º Grau) é a Iniciação maior e não deve ser conferida indiscriminadamente. O Mestre da Loja deve ser cauteloso e não conferi-la sem as devidas considerações. Duas coisas devem ser observadas: O membro está tentando ser um bom Martinista? Ele ou Ela frequentam a Loja regularmente, mostrando interesse e dando apoio em todos os sentidos? Além disso, há uma avaliação aplicada pelo Oficial do Grão Mestre. O Mestre da Loja dá ao candidato a folha de avaliação que deve ser completada e retornada ao Oficial do GM que é então avaliada e devolvida ao Mestre da Loja a qual pertence o membro sem a necessidade de qualquer comentário. Dê, por favor, informações adicionais sobre o Martinismo e o propósito de uma Loja Martinista. Poderia também dizer algo mais sobre a Regeneração e sobre o que é a Ordem Martinista? “O propósito de uma Loja Martinista é: (a) perpetuar a tradição Iniciática Martinista e por conseqüência conduzir seus membros à umavida espiritual mais elevada; (b) discutir penetrar e desenvolver os ensinamentos de Pasquallys e Saint-Martin e os arcanos tradicionais”. “A Ordem Martinista é uma Ordem de Cavaleiros Cristãos”, uma organização fechada que preserva junto com um pequeno corpo de iniciados algo que tem herdado de Adeptos distantes, uma ligação com alguns seres iluminados e um despretensioso estilo de vida para pessoas deste mundo e que vivem neste mundo. “O Martinismo é, antes de tudo, uma atitude mental que determina um Estilo de Vida, baseado em certos princípios doutrinais”. Estes princípios doutrinais, essencialmente Cristãos em perspectiva e tradição, têm a ver com uma concepção que se preocupa com a origem do Homem, seu lugar no esquema da criação e seu destino final. 63 O Homem é visto como aquele que caiu de seu Estado Elevado primário, de fácil sintonia com o Ser Supremo - Deus -. Portanto, o trabalho da Ordem, é auxiliar o Homem a transcender seu atual meio e influências limitadas, a fim de que comunique novamente com Deus em si próprio recuperando o Paraíso Perdido. Quando o homem adquire a habilidade de se comunicar com a Inteligência Infinita quando quiser e, conseqüentemente, é iluminado pelos influxos da Sabedoria Divina, ele recebe, está pronto a aplicar esta sabedoria para a cura terrestre onde ele existe como um comissionário de Deus”. O objetivo final do Martinismo é levar o Homem à, Reintegração; isto passa pelo portão da Regeneração. “Pode-se dizer que o Martinismo Puro é os ensinamentos dados por Martines de Pasquallys e Louis-Claude de Saint-Martin e as idéias misticamente conservadas no simbolismo de nossas insígnias e acessórios d templo”. “O agente de nossa regeneração é o Verbo Divino ou o Grande Nome - IEOSCHUAH - isto significa que o nosso regenerador é o Cristo. Ao nos imergirmos continuamente em suas águas vivas, ao abordarmos o calor de seu fogo; ao direcionarmos nosso próprio verbo sempre em direção àquele Verbo interno e central, nossa língua será mais livre, pois só aquele Verbo interior pode engendrar um discurso verdadeiro em nós Louis-Claude de Saint-Martin, De l’Espirit des choses, 11.10. (Em outras palavras, devemos ir ao mais profundo de nosso ser onde habita a Verdade, ouvir o verbo interior, - e falar - como exemplo, viver de acordo com este guia interno). Meditem profundamente nestas três afirmações de Saint-Martin: “A única iniciação que eu prego e sigo com todo ardor de minha alma é aquela através da qual podemos entrar no coração de Deus e fazer com que o coração de Deus entre em nós, a fim de formar um casamento indissolúvel, que nos tornará o amigo o irmão e o companheiro de nosso Divino Redentor. Não há nenhum outro mistério nesta santa iniciação do que se aprofundar cada vez mais nas profundezas de nosso ser e não abandoná-lo até seremos capazes de trazer a raiz viva e vivificante, porque então todos os frutos que necessitamos, de acordo com a nossa espécie, serão produzidos dentro e fora de nós naturalmente.” Theosophic Correspondence Letter CX. “É precisamente por causa disto que o mundo não evolui; seu verbo é externo, nunca levado ao interior, onde pode se unir com o Verbo vivo. De forma forçada e dolorosa devemos ser arados, por assim dizer, pelo Verbo do Senhor, a fim de arrancar todos os espinhos e sarças que cobrem o nosso campo”. “O Espírito das Coisas” p.70. “Quando um homem vem a ser regenerado em seu pensamento, logo assim será em sua fala, que é a carne e o sangue do pensamento; mas quando ele estiver regenerado em sua fala, logo assim será em sua operação que é a carne e o sangue da fala”. “O Novo Homem” p. 21. 64 SUMÁRIO 1. Papus fundou a Ordem Martinista principalmente para preservar e assegurar a perpetuação da Iniciação. 2. A primeira tarefa das Lojas é conferir esta Iniciação a candidatos dignos e iniciá-los em seus caminhos rumo à Regeneração e à Reintegração. 3. Os Martinistas se juntam em grupos chamados Lojas que se reúnem com propósitos Martinistas livres podem se afiliar à Loja de sua escolha, se sentirem em harmonia com seus trabalhos. 4. Os símbolos são ferramentas de trabalho do místico. Símbolos poderosos atraem energias beneficentes para o estímulo e o crescimento. Os símbolos são lembretes silenciosos de profundas leis. 5. Uma Loja Martinista não é uma escola. O Martinista busca a sua própria educação mística. 6. Cada Loja organiza seu próprio programa de atividades e reuniões. O sistema é flexível. 7. O sucesso ou fracasso da Loja repousa sobre os ombros do Mestre da Loja e de seus oficiais. Reuniões entediadas são a principal causa para o não comparecimento dos membros. A fórmula para o sucesso é: verificar se as reuniões são estimulantes, interessantes e valiosas! FIMe, como tal, é trazido por um irmão ou irmã responsável, a fim de passar por um interrogatório feito por um representante ou comitê da Ordem. Quando indagado com questões baseadas em exigências tradicionais, devemos imaginar qual o real objetivo desta interrogação. Após o suplicante se tornar um membro da Ordem, ele deve requerer à loja sua associação; o comitê deve buscar sinais de um propósito dedicado, antes do Mestre da Loja colocar seu nome diante dos membros para votação. Para este tipo de assembléia, seria bom que todos revisassem aquelas questões preliminares antes de buscarem o teste do Segundo Grau. Cada iniciado precisa aprender a encontrar em si próprio a confirmação da legitimidade das Verdades Espirituais, e não deve crer cegamente que os escritos exotéricos de qualquer pessoa são um guia infalível rumo à verdade. Isto vale até para os escritos daqueles que honramos como Veneráveis Mestres de nossa Ordem. Aquilo que escreveram para os olhos públicos não é tudo e nem o melhor do Martinismo. O verdadeiro Martinismo precisa ser encontrado em nossas Lojas, ritual e cerimônias. As Ordens Esotéricas possuidoras das Chaves da Iniciação fazem muito uso de símbolos. Muito conhecimento útil e profundo é expresso na forma de símbolos. Já que os símbolos irão ser nossas ferramentas de trabalho, é melhor iniciar nosso treinamento estudando alguns deles. 8 Antes de mais nada, o que é um símbolo? Um símbolo é um sinal pelo qual algo é conhecido. Em geral encontramos dois tipos de símbolos, o Natural e o Artificial. Os símbolos naturais dão evidência de coisas que existem na natureza, ou seja, não estão apenas na mente, existem como um conceito ou idéia. Exemplo: a fumaça pode ser dita como um símbolo ou sinal de fogo, uma vez que sempre existe onde há ou houve fogo. A constante associação entre os dois fez de um o símbolo do outro. Símbolos artificiais são criados pelo homem por convenção social, ou seja, por um grupo de pessoas que concordam com o significado proposto. Os sinais artificiais podem ser tanto escritos ou inscritos. Enquanto que os sinais naturais só podem existir sob as condições que os produzem; os sinais artificiais, por outro lado, podem ser usados quando forem necessários. Exemplos de símbolos artificiais são os idiomas, semáforos, símbolos usados em diagramas esquemáticos da eletrônica, etc. Há ainda um terceiro tipo de símbolo: Símbolos Místicos, que pode ser uma combinação dos outros dois. Como se efetua esta combinação? As mentes inquiridoras analisam a natureza, estudam e observam. Estas mentes curiosas aprendem que, quando certas coisas acontecem de tempos em tempos, as mesmas condições predominam em cada acontecimento. Estas condições uniformes de ação e manifestação tem sido chamadas pelo homem de Leis. As leis, portanto, são verdades irrevogáveis. No que diz respeito à consciência do homem elas são imutáveis. Vamos examinar alguns símbolos místicos que os primeiros homens já conheciam e que até hoje possuem o mesmo significado. Um símbolo muito antigo é aquele que é composto de um simples ponto. Um ponto em si pode ser amorfo, ou seja, sem forma. É vago e não tem forma definida. Qualquer objeto que seja olhado à distância se torna um ponto indistinto. Pode ser um navio no mar ou um camelo no deserto, aos olhos é vago e sem forma. Assim, para os antigos, o ponto sugeria potencialidade, a condição sem forma de algo que poderia ser. Em outras palavras, aquilo do qual as coisas poderiam tomar forma. Assim, o ponto é um símbolo místico que significa Início. O círculo é também outro símbolo significativo. Basta apenas tentar visualizar algo sem início e sem fim para descobrir que o círculo é o único caminho perfeito pata representá-lo. Misticamente, portanto, um círculo pode servir como símbolo do que não tem início ou fim. Estes são alguns exemplos de símbolos místicos, eles são múltiplos e a mística sempre faz uso deles. Às vezes eles são tão complexos que seu significado é obscuro. Nestes casos, é necessário olhar primeiro os fundamentos simples dos quais o símbolo é feito, e então, compreendendo os elementos simples, passe para aqueles mais complexos. As Cartas do Tarô são exemplos de simbologia complexa. É importante lembrar que além da conexão existente entre símbolo e significado místico, existe a lei natural que cria em nossa mente seu próprio símbolo. O significado que percebemos na própria lei é o símbolo. Quando percebemos que estamos discernindo uma lei, a forma que este significado toma em nossa consciência como uma forma mental, torna-se o próprio símbolo. Este símbolo estará mais próximo de descrever a verdade de que somos conscientes, do que qualquer outro símbolo que poderíamos, mais tarde, delinear ou designar para esta finalidade. Por exemplo: admita a lei da dualidade. Mas que figura mental você tem desta lei? É seguro dizer que pode pensar em duas coisas ou condições iguais e relativas, embora não precisem ser, necessariamente, da mesma forma ou natureza. Dia e Noite compõem uma dualidade; ainda assim são opostos. Conseqüentemente, num amplo 9 sentido, o dois se torna um sinal ou símbolo lógico para a dualidade, - - duas linhas retas ou duas quaisquer outras coisas relacionadas em sua natureza serviriam a esse propósito. Não há, porém, substitutos para verdadeiros símbolos místicos. São formas de pensamento da lei universal. É importante lembrar que símbolos místicos são reflexões na consciência, das descobertas realizadas no plano astral, e que não se pode discernir nenhuma verdade destas sem que, ao mesmo tempo, a retratemos na forma de um símbolo. Como foi dito, então, não pode haver substituto para um símbolo místico, porque qualquer sinal que não surja espontaneamente em nossa mente, através da verdade discernida, - -, não é um símbolo místico e não importa que nome damos a ele. O simbolismo será mais facilmente compreensível quando você mesmo se tornar um cuidadoso observador da natureza e de seus métodos de operação. Na medida em que se aprende a ler o Livro da Natureza o próprio indivíduo experimenta a descoberta das leis, que se torna simbolizada por sua própria observação e reflexão. A partir de então, o homem percebe que começa adquirir as ferramentas necessárias com as quais passará a se relacionar compreensivamente com toda esta questão e com a vida. Comece então, logo no princípio, a se tornar mais observador e preste atenção em todos os sinais que estão a sua volta. Trabalho recomendado: procure alguns símbolos místicos de seu agrado e tente interpretá-los. Reconhecimento do Associado. Nota ao Associado: Esta Avaliação resume a informação básica que cada Associado deve saber. Ao memorizá-la deve estudá-la e meditar sobre ela. P: És um Martinista? R: Eu sou. Conheço a Máscara e conheço a Capa. P: Porque o Iniciado se envolve na Capa? R: Para proteger sua própria personalidade das irradiações do mundo Profano. P: Porque ele desejaria fazer isto? R: A fim de que possa receber mais facilmente as irradiações daqueles Mundos que considera mais valiosos. P: Conheces alguma Capa ilustre? R: Lembro-me de duas. Aquela do profeta Elias e aquela do Mago Apolônio de Tiana. Ambas forneciam o isolamento necessário para atingir os mais altos planos do Desejo. Obs.: A Bíblia descreve a grandeza de Elias como um profeta e relata sobre sua capa que delegou a Eliseu, seu discípulo. Veja o Livro dos Reis I, 17, 18, 19, 21 e o Livro dos Reis II, 1 e 2. Apolônio de Tiana foi quase que universalmente honrado no mundo antigo. Era considerado por alguns, um operador milagroso, mas era modesto ao se referir as suas habilidades. Era contemporâneo de Jesus Cristo e fundou uma escola para promover os ensinamentos de Pitágoras. 10 P: Porque Elias legou sua Capa a Eliseu? R: Para lembrá-lo que sua própria personalidade deve ser preservada a fim de ser útil a seusirmãos. P: O que é a Máscara? R: É algo para ocultar a personalidade e aumentar ao máximo a distância entre o iniciado e o mundo profano. É também um auxílio na criação da personalidade ideal. P: Então, o Iniciado deve se ocultar? R: Somente do Mundo Profano. A seus irmãos deve apresentar seu semblante aberto e completo. P: O que a Máscara ensina? R: Que o verdadeiro conhecimento é impessoal e conhecido apenas através de suas manifestações. O conhecimento não pode ser personificado como uma individualidade. P: Qual a origem da Máscara? R: No teatro antigo, o ator sempre usava uma máscara e sua boca aberta constituía uma corneta acústica, através da qual a voz soava. A palavra “persona” ou “pessoa” significa “soar por” (persona); assim o homem é chamado de pessoa porque a máscara deu a ele este nome. Nas tragédias (as peças de drama antigo na Grecia), se acreditava que as próprias Divindades falavam através da máscara do ator; assim o homem veio associar a máscara com a comunicação com outros mundos. A máscara se tornou conosco o símbolo de tal comunhão. P: Por que a Máscara do S I é vermelha? R: Porque vermelho é a cor do Espírito. É também a cor da batalha, tanto temporal como espiritual; denota, também, o sacrifício que o iniciado está pronto a fazer pelo seu ideal. P: Por que o Iniciado usa Cordão. R: Para celebrar a prática dos antigos Templários que através do cordão se isolavam das forças da matéria e se ligavam a seus iniciadores. P: O que foi dito a ti, quando o cordão foi amarrado em tua cintura? R: “Lembre-se, este cordão, símbolo do Círculo Mágico e da Corrente Tradicional, te une ao teu iniciador como ele próprio foi unido à Luz”. P: O que isto te lembra? R: Da tradição revelada e transmitida por aqueles que eram dignos. O cinto é a marca de distinção do iniciado, significando sua aceitação na sucessão da Luz Divina. P: Os ensinamentos do Martinismo são dogmáticos? R: A verdadeira iniciação sempre é dogmática, já que deve transmitir a Luz original na forma que fora transmitida no princípio. P: Como te tornarás digno deste conhecimento perfeito encerrado em nossos símbolos, aos quais a iniciação oferece a chave? R: Pelo esforço ardente e incessante na prosperidade de nossa Ordem; neste caminho, irei assegurar a benevolência dos Irmãos que irão trabalhar comigo, a fim de que eu possa desfrutar dos direitos de todo verdadeiro Martinista. 11 P: Por que fostes chamado de Associado? R: Porque com um coração corajoso e um espírito forte me associei com as operações espirituais dos Irmãos que são os Superiores Desconhecidos desta Ordem. Me juntei com aqueles que são os guardiões dos luminares sagrados e que perpetuaram a verdade através da Iniciação. P: A que hora os trabalhos do Associado são abertos? R: Na sétima hora, porque é então que o discípulo inicia sua educação. P: A que hora os trabalhos são encerrados? R: Na décima terceira hora. P: Porque isto? R: Ainda tenho que aprender, mas tal conhecimento me foi prometido. P: Qual é tua idade? R: Três anos. P: Porque três anos? R: É um número de significação que meu trabalho como Associado tem revelado amim várias formas. Este número também me lembra de três coisas a serem praticadas e três coisas a serem obtidas. Fui instruído a observar a Perseverança, a temperança e a Caridade; fui advertido a fugir da calúnia, da preguiça e de pronunciar o mal. P: Dê-me o sinal Martinista. R: (P. H-C. R.H.T.T.B.R.E.). P: Dê-me a batida. R: ··· P: Que é o que a nossa Ordem nos proporciona? R: Nossa Ordem proporciona aos homens de Desejo os meios de exercitar os princípios espirituais, as virtudes e poderes, assim como tem sido praticados, preservados e transmitidos por nossos dignos predecessores. Irmão Associado: Tens ainda que apreender o modo de perpetuação da verdade. Isto tem sido realizado ano a ano através da vontade dos Mestres presentes em com obras, que presidem desconhecidos e isolados entre nós em nossos conventículos. Que tu possas habitar para todo o sempre na Luz Eterna da Divina Sabedoria. 12 Alfabeto Mágico NÚMEROS DIAS MESES Profano Martinista Profano Martinista Profano Martinista 1 Segunda-feira Janeiro 2 = Terça-feira Fevereiro 3 Quarta-feira Março 4 Quinta-feira Abril 5 Sexta-feira Maio 6 Sábado Junho 7 Domingo Julho 8 Agosto 9 ou Setembro 10 Outubro 0 C Novembro Dezembro Loja Heptada Delegado Providencial Inspetor Providencial Inspetor Principal Delegado Nacional Inspetor Nacional Grande Inspetor Sempre circunde números, tanto simples como compostos, assim Loja Nº 1 = Sexta-feira, 17 Novembro, 1983 = 13 CONFERÊNCIA N 3 Em seu primeiro Conventículo vocês foram introduzidos ao estudo dos símbolos. Alguém se lembra da definição de símbolo? Espera-se que os irmãos se detenham no assunto de nosso trabalho entre os capítulos, a fim de se familiarizarem com o Martinismo. Símbolos são as ferramentas de trabalho do místico! A proficiência no uso dos símbolos leva à sintonia com hierarquias onde estes símbolos místicos se originam. Nossa Ordem incentiva os membros a usarem todas as oportunidades para rever mentalmente e meditar sobre os estágios simbólicos da Senda da Iniciação, seja a caminho do trabalho diário, quando estiver sentado quieto num parque ou jardim, ou algum outro lugar entre plantas vivas, especialmente árvores. E claro, em nosso oratório de casa. Chegamos agora à nossa herança particular de símbolos místicos. Estes dificilmente são criações de uma pessoa, exceto talvez do Mestre que funda um círculo Iniciador ou uma Ordem Esotérica. O propósito de um símbolo místico é conservar um aspecto da Verdade Eterna. Iremos primeiramente examinar os emblemas conferidos a nós em nossa iniciação, que são estritamente da tradição Martinista; então consideraremos os sinais, símbolos e emblemas usados nos conventículos do Grau de Associado. Por fim, completaremos esta preliminar mas fundamental estudo com uma análise do Pantáculo Martinista usado em documentos oficiais da Ordem, tais como Cartas e Certificados. Lembrar-se da Obra é ocupar-se com o simbolismo místico, dividido pelas duas outras grandes correntes da Tradição Ocidental, os Pitagóricos e Rosacrucianos. Por favor lembrem-se que quando falamos de Rosacrucianos nos referimos de Rosa + Cruz e não a qualquer grupo que, buscam seus membros através de jornais, imprimem carteirinhas, etc. Existe um fundamento comum entre as Ordens Ocidentais de Iniciação, assim um Martinista pode ocasionalmente visitar outros templos esotéricos e receber iniciação honorífica, sob a recomendação do Grão-Mestre de nossa jurisdição. O primeiro emblema Martinista colocado sobre o suplicante é a máscara preta. A máscara é representada pela letra hebraica Yod. Estudiosos afirmam que Yod é a letra alicerce do alfabeto hebraico; da mesma forma a Máscara é o símbolo alicerce do Martinismo. Teu Iniciador dirigiu a ti estas significantes palavras. Desta explicação aprendemos o primeiro grande passo da Senda. A Questão do Homem é freqüentemente repetida no antigo adágio de Delfos: “Conhece a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses.” (Repita e discuta isto. O Martinismo tem haver com a aquisição do Autoconhecimento e conseqüentemente: Reintegração. Dê ênfase) Nosso mestre fundador, Martinez de Pasquallys, escreveu sobre a “Reintegração dos Seres”. O cumprimento da evolução humana consiste em expandir, diariamente, o limite da consciência, a fim de alcançar todos os planos ou emanações do Onipotente. Este é o trabalho de muitas encarnações. Embora tenhamos toda a Eternidade diante de nós, não há um momento a perder. Não estamos, com certeza, no Caminho até que uma dedicação interioraconteça. 14 Na Instrução, note a ênfase que se dá à “Coletividade”, ou seja, nos outros membros da raça humana. Paulo, o Iniciado Gnóstico, elevado pelo Mestre quando a caminho de Damasco, posteriormente ensinou: “Somos membros uns dos outros”. Nossos irmãos Pitagóricos dizem: “Meu Irmão é meu outro ser”. Pense sobre isto! O profundo simbolismo da máscara é moderar a personalidade mundana, a fim de estimular uma confiança interior. Longe de inibir a personalidade, o símbolo aponta uma redireção dos poderes pessoais para o bem da coletividade. Tantas vezes ouvimos ou lemos sobre “servir a humanidade” para depois descobrirmos que os “bem feitores” estão meramente preocupados em chamar atenção para si e para suas organizações! A lição da máscara é aquela do Esforço Silencioso - serviço silencioso - trabalho silencioso - que permite os Martinistas ouvirem a orientação interior. Nosso Venerável Mestre Louis-Claude de Saint-Martin escreveu: “Desejei fazer o bem, mas desejei fazer alarde, pois senti que o alarde, não faz bem, e que o bem não faz nenhum alarde”. Sair correndo, tocando tambores, por assim dizer, é desperdiçar a oportunidade, como não se preocupar em encontrar sua senda na vida. Correr é mal direcionar os poderes e tocar os tambores é falta de direção. Devemos nos Orientar no Caminho do meio da atenção equilibrada, ouvindo o Coração e usando a cabeça. Parte 2 Quando alguém se mascara figurativamente, a personalidade desaparece. Este alguém se torna desconhecido. Nós que estamos aqui reunidos não temos favor a pedir. Não damos importância para o reconhecimento, fama ou distinção que o mundo poderia nos dar e pelos quais ali somos reconhecidos. Estas coisas pertencem a um outro tipo de personalidade. Aquele que usa a máscara está sozinho com ele mesmo. É de dentro de nós que a realização deve vir! Aquele que usa a máscara é governado principalmente por sua própria mente e seu próprio desenvolvimento espiritual. Aceita o conhecimento de outros com prazer e é compreensivo - mas irá digerir e assimilar este conhecimento e verá que se torna parte dele mesmo nunca irá meramente se aquecer no calor do intelectualismo dos outros, como aqueles que se expõem aos raios do sol - apenas para ser congelado mais tarde, quando este conhecimento sai do seu alcance. Você deve ter percebido, sem dúvida, como muitos se animam, quando estão na presença de brilhantes personalidades, contudo quando a luz de tais personalidades diminui ou se vai, estes desafortunadamente se encontram, mais uma vez, em total escuridão; é que não possuem nenhuma luz de compreensão em si próprios. Eles apenas refletem a luz daqueles que são proeminentes em seu meio. Fala-se que o Buda, num esforço sublime, ensina a doutrina do Nirvana ou autonegação. Esta doutrina da auto-renúncia não significa nada além do que a subjugação do lado carnal de nosso ser. O Homem é um composto: nele existe o angélico e o animal. O treinamento espiritual da vida significa nada mais do que a subjugação do animal - e a liberação do angélico. Irmãos e Irmãs, estes profundos pensamentos de Buda correspondem àqueles simbolizados pela máscara. 15 Discussões / perguntas Como o uso figurativo da máscara irá auxiliar nossa busca do Autoconhecimento e da Reintegração? O que significa Rosa+Cruz? Este é um vasto assunto e uma resposta completa não pode ser dada no espaço aqui disponível, mas como resposta ao nível que sinto ser o seu: é uma distinção, designação ou termo dado por Iniciados aqueles dentre eles reconhecidos como tendo conseguido um estado ou condição de consciência espiritual ou interior. Em que sentido a palavra “Mestre” é usada pelos Martinistas? No sentido de “professor”. CONFERÊNCIA ASSOCIADA N 4 (M.L.: ler as palavras ditas ao candidato quando foi vestido com a capa). Deixe-me enfatizar estas últimas linhas: “Esta capa é talvez o mais profundo símbolo que os olhos do Iniciado já apreciou. Seu estudo deve, portanto, ser deixado ao teu interesse perseverante e a tua obra pessoal”. Pungentes no momento de colocar sobre ti o segundo emblema de nossa Ordem. Uma capa qualquer já foi uma peça comum do vestuário, como no caso dos dias de Louis Claude de Saint-Martin (1743-1803). Romancistas históricos do período se referem a ela, alguns deles estando evidentemente a par de seu valor simbólico. Alexandre Dumas menciona a capa de Saint-Martin em seu livro “The Queen’s Nec Klace”. Lorde Bulwer Lytton se refere a ela em “Zanoni”. Como associado da Ordem Martinista, estamos primeiramente interessados no conceito de estimulação do desenvolvimento físico da personalidade. Uma vez que nos tornamos cientes de estarmos no caminho da Iluminação ou na Senda da Iniciação como dizemos no Ocidente, buscamos todas as oportunidades de afastamento das discussões mundanas, a fim de nos comunicarmos com o nosso Eu e com a Natureza. O objetivo não é se tornar egoísta, mas abnegado. Com o conceito da máscara ocultamos nossa diligência positiva para a elevação espiritual da humanidade. Tornarmos-nos voluntariamente um desconhecido, o melhor para recriar nossa personalidade e servir nossos semelhantes mais efetivamente. Isto em si, é um grande passo em direção a perfeita sintonia com o invisível, pois os Altos Poderes não dão a mínima importância para os valores tenebrosos do mundo profano, mas total importância para as qualidades do amor, compaixão, caridade, benevolência, fé, verdade, militância e idealismo. Agora: aprenda a si envolver com a “capa oculta”, o armamento místico do adepto, contra a qual o poder do mal não tem efeito algum. Através da capa nos tornamos negativos e insensíveis aos outros, que estão fora de sintonia conosco, nos deixando protegidos de interferências baixas, a fim de “habitarmos o Templo da Alma”. Além do mais, a capa é um símbolo de silêncio, prudência, discrição e presença de espírito. Ela nos isola da curiosidade e da insolência do profano. É o símbolo da proteção física contra a 16 malevolência de outras pessoas e coisas. É como a cerca fortalecida em volta da tua casa, que mantém afastadas as outras pessoas e seus estilingues, flechas, projéteis e insultos. Vamos agora recordar o que foi dito sobre a veste branca ou balandrau (leia a sessão que fala do balandrau.). A Veste branca, chamada de Balandrau, usado debaixo da capa oculta, simboliza a “Veste de Glória” que foi posta de lado quando o Princípio Superior (nosso ser espiritual) deixou o Primeiro Estado para habitar a matéria (o corpo). A cor branca representa a mais alta gradação da Luz e tem sido usada por místicos de todas as épocas, a fim de denotar tal significado; de fato, isto originou o termo: “A Grande Irmandade Branca”. O completo significado da cor branca será discutido mais adiante, mas sem dúvida você já deve ter compreendido muito de seu significado. Finalmente, esta veste branca nos torna todos iguais, quando admitidos em nossa Ordem e quando entramos no Templo, pois esconde posições sociais, glórias e nos apresenta totalmente inocente. Sempre que você colocar sua veste branca se lembrará de que deve purificar sua personalidade - assim, ao invés de viver os seus instintos básicos que contribuem para o desenvolvimento de um eu ilusório - você deve, através da oração, obras de caridade, desenvolvimento das virtudes, auto-estudo e meditação, com o auxílio do Mestre Desconhecido, recuperar no tempo a real e gloriosa “Veste de Glória” e ser assim restaurado ao seu primitivo direito de primogênito. Continue a ditar as sessões de Avaliação do Associado. Após conduzir algum trabalho de devoção, com luzes reduzidas, leia alto, devagar e claramente, a seguinte parte do poema Gnóstico: “Coloque então tua Veste E teu Manto que a reveste, E que tu possas ser o Herdeiro em nosso Reino” (de “O hino da Veste de Glória” traduzido pelo G.R.S. Mead.) CONFERÊNCIA ASSOCIADAN 5 Resumindo nosso estudo sobre simbolismo, logo iremos considerar os acessórios ritualísticos de nossa Heptada; nesta oportunidade, contudo, iremos aprender sobre o significado e uso de outro item do vestuário com o qual nos adornamos. Não importa o quão bem sucedido somos na vida, quão ilesos pelas mudanças ou quão inatingíveis pela adversidade; se não sabemos porque agimos de determinada maneira ou porque as circunstâncias e nosso ambiente são como são, estamos vivendo na ignorância. Ninguém pode estar contente ou feliz por muito tempo, em tal estado de trevas; conseqüentemente, não podemos nos permitir o envolvimento em práticas ou sermos rodeados por coisas, cujo propósito permanece desconhecido de nós. Esta é a razão pela qual damos considerável atenção as nossas vestimentas, os signos e símbolos do vestuário: estas são as nossas ferramentas. Isto não significa que o símbolo em si possui um poder mágico ou nem mesmo que possam ser usados para realmente realizar algo em nossas vidas 17 - mas, antes, o símbolo é uma LEMBRANÇA SILENCIOSA das leis profundas que podem ser usadas - leis que vocês estão sendo instruídos de como usar. O Venerável Irmão Desconhecido poderia gentilmente se levantar por um momento para que os Irmãos e Irmãs possam observar o cordão? Lembre os irmãos que o terceiro símbolo colocado sobre o indivíduo no momento da Iniciação é o cordão. Como já foi dito, o cordão protege contra as forças do mal durante seu trabalho. (leia a sessão relacionada ao cordão na parte sobre a Iniciação). Note especialmente estas palavras: “Este cordão, símbolo do Círculo Mágico e da Corrente Tradicional, te liga ao teu Iniciador, assim como ele próprio foi ligado à Luz, quando começa toda Iniciação e toda Iluminação”. Vemos, portanto, que o cordão tem um significado duplo. Simboliza tanto a PROTEÇÃO como a LIGAÇÃO. Vamos examinar o primeiro. Como um símbolo de proteção, o cordão enfatiza o significado do BALANDRAU que é amarrado seguramente por ele, envolto do corpo. Se foi dito que o balandrau representa a aura (aquela cobertura sutil de energia vibratória que envolve o corpo físico e pode formar uma barreira contra as forças demoníacas, assim como estender-se e contatar as auras de nossos Irmãos com os quais nos coloca em comunhão), pode-se dizer que o cordão representa o Universal que encerra e circunscreve nossa aura. O cordão é assim, similar à capa neste sentido, pois esta também constitui um círculo que nos protege, da mesma forma que uma cerca protege um campo de intrusos ou possíveis saqueadores. Este significado tem sido conhecido ha muito tempo, e você irá, sem dúvida, relembrá-lo em cerimônias mágicas; o celebrante normalmente traça um circulo à sua volta, formando assim uma barreira contra as forças demoníacas, enquanto opera. Este círculo é repetido em muitas cerimônias embora não seja sempre óbvio e seu significado sempre compreendido. Vamos discutir o cordão como símbolo de proteção. Note a forma circular de templos antigos, os círculos druidas, alianças de casamento, etc. Observamos anteriormente que tanto o cordão como a capa eram símbolos de proteção, mas há esta diferença: A capa é primeiramente, um símbolo de proteção contra a malevolência e a ignorância das pessoas, seus insultos e as irradiações deste mundo. O cordão, por outro lado, é um símbolo de proteção contra as forças demoníacas e da feitiçaria; em outras palavras, contra o mundo astral ou físico. O cordão é um símbolo muito antigo e tem um valor de significado místico. Ele tem comunicado luz ao homem a cada século e continua a iluminar Martinistas nos nossos dias. Na antiguidade, o cordão estava relacionado ao cinto ou faixa, do vestuário primitivo. Era importante porque a cintura favorece um meio natural de suportar a parte de baixo da roupa. Muitos nomes foram atribuídos ao cordão e, da mesma forma, vários propósitos. A princípio era meramente utilitário, um artigo de vestir. Mais tarde sua função se tornou mágico-religiosa; e, finalmente, se tornou um símbolo esotérico. Foi conhecido como cordão, corda, cinto, cinturão e nomes equivalentes entre os diferentes povos do mundo. Quanto à forma, o cordão variou de uma tira de tecido amarrada envolta do corpo, a uma espécie de corda usada por membros de algumas Ordens monásticas. Praticamente, era usado, algumas vezes, para carregar uma bolsa ou espada. Neste sentido se tornou a 18 peça final do vestuário cobrindo outros itens; assim como um soldado usa um cinto sobre a túnica de seu uniforme. Assim como um homem moderno indica estar um pronto, para partir colocando um chapéu sobre sua cabeça e pegando suas luvas e bengala; assim, colocar um cordão em volta de uma pessoa nos tempos bíblicos era identificação de “estar pronto para a ação”. Este pensamento se baseia em Lucas 17:8 “cinge-te e serve-me...” Em sua forma final, através de séculos de transformação, o cordão se tornou uma vestimenta eclesiástica, usada por padres de diferentes seitas, até mesmo os da igreja Cristã. A estola, agora uma forma comum da vestimenta sacerdotal, é o sucessor da corda ou cordão. Consiste em uma tira de ornamento, de 4 ou 5 centímetros de largura, usado envolta do pescoço que termina pendurada, solta, na frente da cintura; freqüentemente tem na ponta uma cruz ou algum outro desenho emblemático. Vamos agora considerar o cordão como um símbolo de ligação. Mais uma vez, ele é a representação do Universo, no qual todas as nossas mais altas faculdades canalizadas através de nossas auras se unem, a fim de que possamos todos comungar em espírito. Na estrutura do Martinismo, o cordão simboliza a Cadeia Iniciática que une cada um de nós com o Mestre fundador da Ordem e através dele, por intermédio de nosso MESTRE DESCONHECIDO (de quem falaremos mais adiante) à Luz da Região Invisível. Como membros da Ordem Martinista, temos o direito e o dever de conhecer a cadeia através da qual a Luz tem sido transmitida até nós. Não iremos, neste momento, buscar qualquer história detalhada de nossa Ordem, por enquanto iremos seguir duas linhas de descendência: aquela de nossa Iniciação pessoal e aquela de sucessão da autoridade. No final desta lição pedirei ao caríssimo Ir. Secretário que faça circular esta informação. Voltando ao cordão, símbolo da ligação espiritual que nos une em Irmandade, Vocês irão conhecer também o cordão simbólico do Ritual. É ao mesmo tempo uma proteção e uma ligação, mantendo de fora de nossa reunião aquelas influências que diminuiriam nossa concentração; por outro lado, permite que a beneficência de nossos Mestres Invisíveis descenda entre nós, sem obstáculos. Vamos agora meditar brevemente sobre o cordão como ligação simbólica, tendo chegado a novas conclusões, discuta novamente seus diferentes aspectos. Meditação/discussão (Cordão umbilical, aliança de casamento, cordão de prata, a cadeia, etc.) Iremos concluir nossos estudos sobre o cordão lembrando que ele muito se assemelha ao círculo, como o zero ou o símbolo da Infinidade e o ciclo de 9; isto tudo será tratado quando estudarmos o simbolismo dos números, mais tarde. Nesta semana, medite sobre o Cordão de nossa Ordem, a fim de que seu mais profundo significado possa penetrar em seu subconsciente. Assim, quando ouvires as palavras: “Irmãos Martinistas, queiram formar a cadeia em torno daqueles que conduzem e daqueles que estão prestes a receber a luz...” poderão compreender o profundo significado da ocasião. 19 LOUIS CLAUDE DE SAINT-MARTIN 1743 – 1803 Louis Claude de Saint-Martin Abbé de lanoüe CHAPTAL Compte de Chanteloup Joseph Antoine HennequinHenri de la Touche NÃO IDENTIFICADO Antoine Desbarolles Compte d’Authencourt Ametie de Boisse-Mortemart Henri Delaage Pierre Augustin Chaboseau - - - TROCA - - - Dr. Gérard Encause (PAPUS) Charles Détré (Teder) │ Georges Bogé de Lagréze (MIKAEL) │ Auguste Reichel │ (Amertis) │ V. Churchill │ (VERNITA) │ (GULION) Grão MESTRE, G.L. da INGLATERRA │ (SALVITAR) Grão MESTRE, G.L. de Barbados 20 *Nota: Chaboseau e Encausse trocaram suas iniciações. CONFERÊNCIA ASSOCIADA Nº6 Continuemos a desdobrar e avançar nosso conhecimento sobre assuntos que dizem respeito a cada Martinista. Por favor, dirija sua atenção ao centro de nosso Oratório, chamado de altar. (PAUSA). É uma característica notável das Lojas esotéricas, o altar está no CORAÇÃO (centro) do santuário e não na sua cabeça, no oriente, como é o caso das igrejas exotéricas. Esta característica aposta o CAMINHO DO CORAÇÃO como sendo a Senda Mística. O termo de Saint-Martin, “Homem de Desejo” se relaciona aqueles que aprenderam este fato. Voltaremos a este assunto mais adiante. O altar, para este grau, está revestido das três cores Martinistas: preta, vermelha e branca. O preto é realmente a falta de todas as cores ou qualquer tipo de luz, simboliza a ignorância. É a “Floresta dos Erros” nos escritos de Saint-Martin, onde se encontra o seu “Homem da torrente” - aquelas pessoas que vagueiam através das condições mundanas com falta de direção e do desejo de buscar a Luz. O Vermelho nos lembra de sacrifício. Simboliza também coragem - coragem na batalha da vida onde se faz o esforço para transmutar os elementos da Natureza. A superfície branca do altar se sobrepõe através das três luminárias que representam a Luz da Sabedoria da Força e da Beleza. O branco indica pureza, os Seres evoluídos, Mestres e Adeptos, “as crianças da Luz”. Nós entramos na Ordem Martinista buscando o Grande Desconhecidos, também envolvidos pelo preto. Associamos-nos, para aprender a nos orientar, passo a passo, a fim de que os poderes escondidos ou ocultos sejam desenvolvidos e para nos tornarmos cientes do trabalho do Onipotente através de nós. Lutamos para nos REGENERAR e manter firmemente em nossas mentes o objetivo da Reintegração. Ao mesmo tempo, nossos serviços para a coletividade permanecem desconhecidos. Se nos colocarmos em suficiente harmonia com as tradições Martinistas e uns com os outros, trabalhamos entusiasmadamente para obter o segundo grau, aquele do pleno Iniciado do Martinismo. A cor vermelha tem então um significado mais rico, pois o Fogo oculto da Alma está sendo inflamado numa luminosidade, através de nossas aspirações sustentadas. Este é o sentido grande passo ao longo da Senda. Finalmente, a Luz completa está simbolizada pelo branco do Terceiro Grau, aquele do INICIADOR Martinista que está capacitado a “retribuir força e vigor ao Símbolo da Ordem”. O branco é a impressão consciente que recebemos da combinação perfeita de todas as sete cores da luz solar. Vamos agora considerar as três luminárias dispostas de forma triangular encima do altar. (apontar para elas) As três diferentes luminárias combinam suas luzes separadas a fim de fornecer UMA LUZ UNIFICADA. Da mesma forma, UMA Verdade Perfeita emana de fontes que são diferentes e aparentemente opostas, algumas vezes. Por este símbolo, o Iniciado reconhece a religião como sendo SEMPRE A MESMA por traz das várias seitas e credor que a expressa para as massas. Não há senão UMA RELIGIÃO, como não há senão UMA VERDADE; nenhuma seita, seja no Oriente ou no Ocidente, pode reivindicar a si o monopólio da verdade, excluindo as outras. Esta era a base das Iniciações antigas. 21 Nosso Venerável Mestre Papus, primeiro Presidente do Supremo Conselho da Ordem Martinista do Mundo, conta que cada sacerdote de seitas antigas era um Iniciado, ou seja, compreendia perfeitamente que só existia uma religião e que as diferentes formas de culto serviam apenas para traduzir esta religião a diferentes povos, de acordo com sua compreensão particular, nível de consciência e temperamento. Como importante resultado deste fato, o sacerdote de um templo podia ser honradamente recebido em todos os outros templos e autorizado a celebrar. Desta forma, podemos leR: “o Sumo Sacerdote dos Israelitas recebeu no templo um Iniciado, Alexandre o Grande, e o conduziu ao Santo dos Santos, a fim de oferecer um sacrifício”. As discussões existentes, hoje em dia, entre várias seitas religiosas pela supremacia, teria espantado um Iniciado antigo e o teria enchido de desprezo pela nossa ignorância e falta de fé. O objetivo de uma grande parte das sociedades secretas é restabelecer esta união e tolerância entre todos os membros da família humana, através de homens de inteligência. Discussões/Questões Retornemos ao estudo do simbolismo: As camadas de diferentes cores sobre as quais se situam as Luminárias, também são emblemas dos verdadeiros princípios da Hierarquia, da ordem progressiva ou da série de graus ou estágios pelos quais passamos na medida em que nos desenvolvemos. Cada luminária representa um grau diferente da Hierarquia, um se excedendo ao outro, assim como o número dois segue o número um e o três segue o dois. Em toda organização deve existir esta hierarquia, pois é compreensível que aqueles que avançaram, progrediram além do que aqueles que apenas adentraram a luz. Embora cada luminária emita luz, esta luz não é simbolicamente a mesma. As cores preta, vermelha e branca representam a Hierarquia da luz. No homem, a hierarquia deve ser encontrada nas três partes que constituem o tronco humano. Temos o estômago, peito e cabeça. Cada um deles dá uma origem: o estômago, ao corpo, que renova; o peito, à vida, que preserva em si; e a cabeça ao pensamento, que manifesta. Iremos tratar este assunto detalhadamente mais adiante, contudo seria mais compreensível neste momento se for expresso de outra forma: nossa busca por um conhecimento do Absoluto, de Deus, da Natureza e do Homem - tem início nas trevas, num estado de confusão comparativa e talvez até mesmo de dúvida e temor. Isto é simbolizado pela toalha preta e denota que nosso grau hierárquico de ascensão ainda está muito na obscuridade. A toalha preta denota também o estômago, o corpo e o instinto animal, pois isto é o mais baixo na ordem hierárquica de nosso ser. Certamente, aquele homem cuja vida é governada somente pelo estômago e apetites do corpo não avançou muito dentre os homens e nem muito acima dos animais. A toalha vermelha representa o grau da penumbra. Na arte, a penumbra é a mistura de sombras na luz, é aquele ponto em que as sombras imergem na cor. Consequentemente, a toalha vermelha sobre a preta, no altar, simboliza o homem emergindo das trevas desprezíveispara o crepúsculo da compreensão. Representa também o peito e a vida. Simbolicamente, o coração é o centro das emoções e sentimentos do homem; além disso, 22 ele bombeia o sangue da vida pelo corpo. Estando localizado no peito, seus benefícios são mais elevados e manifestam uma influência mais refinada sobre o homem do que aquelas de seu estômago ou apetites. Um homem sensível aos seus sentimentos e emoções, está transcendendo sua natureza inferior, está emergindo das trevas para a luz; consequentemente, a toalha vermelha, que representa tudo isto, está acima da toalha preta. A toalha branca que cobre o altar representa a luz pura. Denota a manifestação da cabeça - pensamento. Dependemos do pensamento para a compreensão dos mistérios da tríade, natureza, homem e Deus, assim como o caráter do Absoluto - Onipotente. Tanto na natureza como no homem, veremos a mesma hierarquia de três graus: as três grandes divisões ou reinos. Quais são? Mineral, vegetal e animal. Há uma relação correspondente entre estes três reinos da natureza e a ordem hierárquica do homem. Para aquele que não é iniciado, cada um parece ser animado por um poder peculiar a si próprio. É obrigação do Martinista relacionar estas três manifestações hierárquicas do universo com a verdade. Meditemos agora, silenciosamente, sobre o altar, suas cores e luminárias. (Ditar Capítulos da Avaliação do Associado. Lembre os irmãos que devem aprender toda a Avaliação de memória. No próximo Conventículo irão ser questionados sobre os capítulos ditadas até aqui). CONFERÊNCIA ASSOCIADA Nº7 Uma verdadeira Ordem Mística tem a obrigação de preservar e transmitir a verdade fundamental. Isto tem sido realizado através da Iniciação e do uso de símbolos. A Iniciação tem demonstrado certas leis universais e os símbolos são oferecidos para explicá-las. É a natureza eterna e universal destes que dá ao Martinismo sua significação. Seus símbolos sendo fundamental e verdadeiramente místicos contêm aplicações quase que sem fim. O símbolo da Hierarquia da Luz, com a qual nos tornamos familiarizados desde o primeiro Conventículo, ilustra muito bem a natureza tripla de todas as coisas - até mesmo as três grandes classificações de homens. Da mesma forma que há três gradações da luz, há três gradações de homens: Primeiro, há o povo comum, que habita nas sombras - cego, ignorante, vivendo na maior parte para a satisfação e gratificação dos apetites. Não está senão vagamente ciente de que a vida tem um propósito ou que a Luz preservada através dos tempos possa ter tido algum objetivo. Faz pouco ou nenhum esforço para atingir um nível mais elevado de vida ou de atuação do que aquele que parece natural e realizado com o mínimo esforço. Estas questões se centram sempre nos mais baixos ramos do pensamento. - e suas respostas representam as grandes distorções da verdade. Na Hierarquia da Luz, a luz da maioria dos homens é apenas trevas. Acima deste grosso nível da sociedade estão aqueles cujas aspirações tem sido despertadas, de quem as naturezas tem sido, de alguma forma, disciplinada e cujo desejo tem se espiritualizado. Não estão mais contentes com as sombras, pois a presença da Luz movimenta um leve efeito em suas mentes e corações. 23 Eles lutam para se abrirem mais completamente à Luz, embora, não conhecendo todo o seu esplendor, quase sempre falham no reconhecimento de seus mensageiros. Estes habitam na penumbra e são chamados de Homens de desejo; pode-se dizer que, simbolicamente, o iniciado tenha atingido esta classificação quando está pronto a avançar para o próximo grau. Na hierarquia da Luz, os Homens de Desejo estão representados pela dissipação das trevas para o grau da penumbra. No ápice da pirâmide dos homens estão aqueles seres verdadeiramente avançados e perfeitos que são os verdadeiros líderes e professores cuja companhia aspiramos compartilhar. São Os Superiores Desconhecidos que marcam nosso caminho no Martinismo e irradiam suas luzes e Amor sobre nossos Conventículo. O número destes homens é pequeno se comparado com as outras duas categorias; através do rito do cordão místico, todos os Homens de desejo estão ligados a eles. Na Hierarquia da Luz, estão representados pelo branco puro. Assim, podemos traçar o plano da evolução espiritual do homem, desde a total ignorância à crescente iluminação e a um estado de sabedoria e realização. Na semana passada, estudamos alguns significados das toalhas do altar, compostas de três cores e eu havia comentado também, um pouco dos três tipos de homens. Nossas luminárias nos ensinaram que a verdade é uma, mesmo quando surgem de fontes aparentemente opostas e variantes umas das outras. No Martinismo, buscamos descobrir esta unidade essencial, não importa onde possa ser encontrada ou qual o canal de onde venha. Ligando os pontos de vista da ciência e da religião, estabelecemos um caminho aceitável e concordante para ambos. Vamos agora concluir nosso estudo preliminar dos símbolos Martinistas examinando outros artigos de nosso Templo: Seguindo as tradições de mestres antigos, os Egípcios, Caldeus, Gnósticos, Platonistas e Cabalistas, o Martinismo, como já foi dito, afirma a natureza tripla da criação e a existência de um único princípio chamado de Absoluto, que governa com igual regularidade o poder criativo de Deus, o fenômeno da natureza e os pensamentos e ações do homem. É com a busca deste absoluto (que nossos Irmãos Hermetistas chamam de Pedra do Filósofo) que os Martinistas se comprometem através da meditação de seus símbolos. Os três candelabros únicos dispostos sobre o altar irão ser estudados com mais detalhes nas semanas seguintes; eles simbolizam a Lei Ternária ou a Lei do três. Para certas religiões, estas três luminárias poderiam representar a Santa Trindade. Para nós, representam mais particularmente os três atributos do Soberano Arquiteto do Universo, a saber: Sua Sabedoria, Sua Força e Sua Beleza. Note que as luminárias estão situadas encima da toalha branca, representando o mundo do iniciado. Isto indica o último passo na escala espiritual, aquele da reconciliação do Homem com seu Princípio, em outras palavras, a absorção do Iniciado no Absoluto: REINTEGRAÇÃO. Sobre a toalha branca encontra-se também o incenso, símbolo das aspirações, pensamentos e orações do Iniciado que se elevam ao Onipotente e são abarcados pelos três atributos do S.A.O.T.V.. É o fogo de nosso esforço espiritual que transforma nosso ser material grosseiro no mais sutil espírito que se eleva cada vez mais em direção a reintegração. 24 A máscara preta está ali para nos lembrar que o verdadeiro Iniciado permanece desconhecido. O Novo testamento indica a Luz que guia o Iniciado Cristão, mais particularmente, rumo ao seu objetivo. As Escrituras simbolizam a ligação entre o Iniciado Martinista e o Alto Iniciado - o Mestre que fundou nossa Ordem. Tendo examinado nosso altar em detalhes, iremos considerar, brevemente, os outros símbolos de nosso Oratório. O Pantáculo da Ordem, o estandarte do Ocidente e as duas Colunas, iremos estudar com detalhes em diferentes etapas de nosso trabalho e na luz do que aprendemos na medida em que progredimos. A Mesa do Mestre é coberta por uma toalha vermelha escura, símbolo da autoridade. Encima desta toalha está um candelabro de três braços, outro símbolo da Lei Ternária que representa mais especificamente a reflexão sobre o plano material da Trindade Altíssima. “Assim como é encima é embaixo” declara a tradição Hermética. O fato das três luzes estarem unidas num ÚNICO símbolo aponta para a UNIDADE, essencial em todas as coisas. A espada de dois gumes simboliza a dualidade que se encontra na aplicação da autoridade, da Justiça e da Ação. Ela “corta dos dois lados”, isto explica bem descritivamente, o significado deste símbolo; além disso, lembra ao Mestre e aos membros que um privilégio ou um direito criaimediatamente um dever; o abuso ou mal aplicação deste direito deteriora os dois lados. As três rosas, em diferentes estados de maturidade, a sabeR: o botão, a rosa meia aberta e a rosa desabrochada, representa os três estágios de evolução da alma humana. O martelo (malhete), outro símbolo da autoridade, simboliza a necessidade de trabalhar ativamente no desenvolvimento espiritual. É o emblema do ESFORÇO DIRECIONADO, concentrado num ÚNICO OBJETIVO, o de dar um resultado determinado. “Se teu olho for único, teu corpo será cheio de luz”. (Dar uma batida). A cadeira revestida de branco, é para o mestre Desconhecido, Invisível, mas sempre presente. A Luz no Oriente é nossa ligação com todos aqueles que nos precederam. Está no hábitat da alma de todos os Mestres que tem trabalhado para tirar a humanidade de sua condição material. É nossa ligação com o Mundo Astral. Questões / Discussão Isto encerra nosso primeiro estudo sobre nossas ferramentas. Na próxima semana voltaremos a qualquer ponto que necessite maiores esclarecimentos e responderemos questões pertinentes. Questionar os Irmãos sobre a avaliação do Associado. CONFERÊNCIA ASSOCIADA Nº8 Irei conduzir agora uma verificação dirigindo algumas questões apropriadas a fim de testar a compreensão de vocês sobre o trabalho apresentado até aqui. 25 (AS PERGUNTAS E RESPOSTAS QUE SE SEGUEM FORAM TIRADAS DE VÁRIOS CAPÍTULOS DE CONVENTÍCULOS PARA SEREM APRESENTADAS AQUI): Porque saudamos o Oriente quando entramos e saímos do Templo? O Oriente, onde nasce o Sol, representa o lugar de onde vem a Verdade, a Luz e o Conhecimento e como nossos MESTRES PASSADOS residem na Luz, nos voltamos para o Oriente para saldá-los. Dizem que o preto é símbolo do mal, por que então nossa capa é preta? Primeiramente, precisa ser compreendido que a escolha de cores para simbolizar certos princípios é puramente arbitraria. Estes símbolos são tirados do Livro da Natureza e são escolhidos simplesmente pela sua facilidade de compreensão e demonstração. Toda a simbologia das cores está baseada na luz. A total ausência da luz é trevas. O fogo do desejo irá então gerar calor, que num primeiro momento irá incandescer um vermelho apagado. Na medida em que o calor aumenta, a cor passa por vários tons do vermelho até atingir finalmente uma luz branca brilhante. Há a progressão que é representada pelas três cores das toalhas do altar. Quando há ausência de luz na Natureza, tudo é preto. O PRETO NÃO É UM SÍMBOLO DO MAL. O preto simboliza quietude, passividade, repouso, inatividade; portanto, o preto não é um símbolo ativo. Simboliza as trevas porque as trevas é a ausência da luz. Simboliza a ignorância porque a ignorância é a ausência da luz do conhecimento. Por falar neste princípio da ausência, nosso Grão Mestre deseja enfaticamente ressaltar que se tratando de pele, a pele negra não é nenhum símbolo de qualquer tipo de ausência; ao contrário, ela denota um excesso de pigmentação e não pode de maneira alguma ser associada com a concepção abstrata ou simbologia da cor preta. Retornemos a questão específica da cor de nossa capa. Ela é preta porque simboliza o desconhecido, não contém nenhuma marca de identificação ou característica de reconhecimento. Assim, quando a usamos misticamente, como uma proteção contra a má vontade e hostilidade dos outros onde eles possam se fixar ou concentrar. Já que preto, vermelho e branco são as três cores Martinistas, por que elas não estão representadas em nosso emblema? Elas estão! Vejamos como: Os Associados usam preto e branco porque se encontram no primeiro ponto da entrada e só ali, pois estão se tornando Homens de Desejo. O “vermelho” deles, portanto, está interno e expresso por suas aspirações ardentes ou “vermelho vivo” ou desejo. O Iniciado ou membro do Segundo Grau usa balandrau vermelho. O cordão do Mestre (ou Filósofo Desconhecido) também é vermelho. Os membros do Terceiro Grau não usam vermelho, mas uma explicação para isto só será dada mais adiante. 26 Quem são os Mestres Passados da Ordem? Martinez de Pasquallys, Louis Claude de Saint-Martin, Jean Baptiste Willermoz, aqueles que os inspiraram... Aqueles que seguiram seus passos e agora se juntaram a eles, Papus, por exemplo. Quem são os Mestres Invisíveis da Ordem? São outros Seres fora daqueles geralmente designados como Mestres Passados. Quem é o Mestre Desconhecido? Do Mestre Desconhecido nada pode ser dito neste momento, além de que ele é o Mestre de nossa Cadeia Particular, no plano superior. Qual o significado de se formar uma cadeia durante o ritual? A cadeia é para a Loja, o que o cordão é para o membro. Atua como um círculo mágico que evita a entrada de influências indesejáveis e auxilia na formação de uma roda de poder que intensifica e multiplica a soma total do poder individual que emanam dos participantes no círculo. Na parte de abertura da cerimônia, a cadeia cria uma roda de poder onde as palavras de São João encontram um campo adequado já preparado. Em outras palavras, a cadeia “acelera” os impulsos emanados da concentração de cada membro, assim como um ciclotron acelera as partículas injetadas nele de várias fontes. O que é a Ordem Martinista? A Ordem Martinista é uma discreta fraternidade filosófica, cujo propósito é perpetuar e disseminar a Verdade Sagrada. Seus sublimes ensinamentos são aqueles do misticismo Cristão e das regras morais. Busca auxiliar cada Homem de Desejo na reunião com seu Princípio Espiritual, e a formar a sociedade humana através das linhas da Teocracia; um povo submetido as regras e direção do Onipotente. A Ordem transmite através de suas iniciações e ensinamentos privados, a Luz perdida da sabedoria antiga. Seus privilégios estão disponíveis tanto aos homens como as mulheres de qualquer raça e credo, que sejam sinceros, meritórios e fortemente desejosos da evolução espiritual e conhecimento esotérico. Você acredita que uma organização secreta possa transmitir luz? Sim. A verdadeira Luz que os homens deveriam desejar acima de todas as coisas, só é transmitida perfeitamente através de estruturas esotéricas secretas; entre elas, a Ordem Martinista ocupa uma posição bastante elevada. Infelizmente, as igrejas e instituições acadêmicas dos tempos modernos, transmitem apenas uma minúscula porção desta Luz; seus ensinamentos são superficiais, cheios de erros e meias verdades, o que é evidente para aqueles de discernimento espiritual. Se você fosse ordenado a crer, caso não acreditasse, ou a parar de crer, caso acreditasse, você o faria? Não. O aspirante místico só pode acreditar naquilo que sabe ser verdadeiro e correto, e este tipo de crença, repousa sujeito a ordens de nenhuma autoridade externa. A ordem de acreditar nada acrescenta ao conhecimento interior do místico; da mesma forma, a ordem 27 de não acreditar nada extrai dali. Portanto a resposta para esta questão é definitivamente negativa. Um dos primeiros objetivos da iniciação esotérica é construir uma fundação resistente e estável do conhecimento espiritual no ser; este conhecimento deve ser tão forte e seguro a ponto de não haver possibilidade de ser alterado por correntes externas de opiniões ou comandos de autoridades eclesiásticas ou políticas. Nós não perguntamos quem é você, porque se soubesse, não teria mais nada a aprender; mas nós te perguntamos: quem você PENSA que é? Cada pessoa é uma célula ou unidade no corpo da Humanidade Adâmica; a privação e a relativa obscuridade em que habitamos é resultado da Queda simbólica do Homem, de um estado de glória e unidade com o Ser Divino. Contudo, o Criador ama a humanidade e nos tem dado poderosos instrumentos para a espiritualização e reintegração final. Através da vontade redirecionada e de um desejo puro para com a graça e o conhecimento espiritual, é possível para todos os membros da obscura humanidade, reaproximar-se