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1 Profª Alexsandra Câmara Aula 6 Tendências em Educação Matemática Conversa Inicial Nesta aula, iremos analisar de que forma a matemática crítica e a história da matemática podem contribuir no processo de ensino e aprendizagem da matemática Matemática crítica e história da matemática: possibilidades para o currículo Os estudos de história A história da matemática Relações entre história e educação matemática Objetivos da história da matemática no ensino e a sua abordagem em sala de aula A história da matemática Origens e significados Relação professor(a)/ aluno(a) O ambiente do processo de ensino e aprendizagem A matemática crítica A história no ensino 2 Dependem fundamentalmente do reconhecimento de fatos, de datas, de nomes e de interpretação ligados ao objeto de nosso interesse, isto é, ao corpo de conhecimentos em questão Os estudos de história Uma vez identificados os objetos do estudo, a relação de fatos, datas e nomes depende de registros que podem ser de natureza muito diversa: memórias, práticas, monumentos e artefatos, escritos e documentos. Essas são as chamadas fontes históricas A história da matemática é uma área do conhecimento matemático, um campo de investigação O que vem a ser a história da matemática? “As ideias matemáticas comparecem em toda a evolução da humanidade, definindo estratégias de ação para lidar com o ambiente, criando e desenhando instrumentos para esse fim, e buscando explicações sobre os fatos e fenômenos da natureza e para a própria existência” (D’Ambrosio, 1999, p. 97) História da educação matemática Concepções dos professores de matemática em relação à história da matemática A história da matemática na formação do matemático e do professor de matemática A utilização da história da matemática como recurso pedagógico (Baroni e Nobre, 1999) Relações entre história e educação matemática Objetivos da história da matemática no ensino 3 Situar a matemática como uma manifestação cultural de todos os povos A inclusão da história da matemática deve ter como objetivos: Mostrar que a matemática que se estuda nas escolas é uma das muitas formas de matemática desenvolvidas pela humanidade (D’Ambrósio, 2012) Destacar que a matemática escolar teve sua origem nas culturas da Antiguidade mediterrânea e se desenvolveu ao longo do tempo Saber que, desde então, a matemática escolar tornou-se indispensável como base para a ciência, a tecnologia e a economia (D’Ambrósio, 2012) A matemática como uma criação humana As razões pelas quais as pessoas fazem matemática As necessidades práticas, sociais, econômicas e físicas que servem de estímulo ao desenvolvimento das ideias matemáticas (Miguel; Miorim, 2011) Tem como objetivo fazer com que os alunos percebam: As conexões existentes entre matemática e filosofia, matemática e religião, matemática e lógica etc. A curiosidade estritamente intelectual que pode levar à generalização e extensão de ideias e teorias (Miguel; Miorim, 2011) As percepções que os matemáticos têm do próprio objeto da matemática, as quais mudam e se desenvolvem ao longo do tempo A natureza de uma estrutura, de uma axiomatização e de uma prova (Miguel; Miorim, 2011) 4 A abordagem em sala de aula A abordagem histórica dos conteúdos facilitaria a significação e a desmistificação da matemática A forma lógica e natural como a matemática é apresentada aos estudantes não reflete a forma como ela foi criada (Miguel; Miorim, 2011) A apresentação de objetos matemáticos como criação de um único indivíduo contribui para que a matemática seja discriminadora, como um conhecimento destinado a poucos escolhidos Atenção ao perigo de se fazer uma história destacando fatos isolados, anedotários, como se verifica em alguns livros escolares (Viana, 1995) É fonte de seleção e constituição de métodos para a elaboração de sequências adequadas aos diferentes tópicos de ensino da matemática escolar Há a possibilidade de buscar uma nova forma de ver e entender a matemática, tornando-a mais contextualizada, mais integrada às outras disciplinas, mais agradável, mais criativa, mais humanizada Permite que o professor tenha uma visão mais ampla e contextualizada de sua disciplina, interligando a matemática com outras disciplinas, respeitando suas especialidades Partir para um estudo crítico do seu contexto histórico, fazendo uma interpretação das implicações sociais dessa matemática. Sem dúvida, isso pode ser mais atrativo para a formação do cidadão Significado da educação matemática crítica 5 Filósofo, matemático e autor de vários livros. Idealizador da educação matemática crítica e o principal disseminador dessa concepção (Saiba mais acessando ao link indicado na seção Referências) Ole Skovsmose A ideia de educação matemática crítica surgiu no início da década de 1970 Contexto inserido na perspectiva europeia (dinamarquesa) Educação crítica de Freire estava sendo internacionalmente reconhecida Para sermos críticos, devemos analisar e buscar alternativas à solução de conflitos ou às crises com as quais nos deparamos Para desenvolvermos competência crítica, deveremos saber como e onde buscar as alternativas (Skovsmose, 2008) Deve-se fornecer aos estudantes instrumentos que os auxiliem, tanto na análise quanto na busca por alternativas de resolução Deve-se não somente ensinar o uso de modelos matemáticos, mas, antes, questionar o porquê, como, para que e quando utilizá-los Na educação matemática crítica: Os conteúdos e metodologias em uma educação de concepção crítica precisam ser desenvolvidos com os estudantes, na busca de ideias e de experiências que deem significados às suas vidas (Freire, 1970) A relação professor(a)/aluno(a) Como deve ser pensado um currículo de matemática, de forma que sejam contempladas questões de democracia, questões sociais, econômicas, culturais e políticas, abordadas na educação matemática crítica? 6 O ambiente na educação matemática crítica Um cenário de investigação é um ambiente que pode dar suporte a esse trabalho A aceitação do convite à investigação depende de alguns fatores O cenário A. Educação matemática tradicional: prática dos exercícios B. Educação matemática crítica: abordagem de investigação Paradigmas para as práticas da sala de aula Os alunos usam, basicamente, papel e lápis na resolução de exercícios Os exercícios são formulados por autoridade exterior à da sala de aula A premissa central é de que existe apenas uma resposta certa Prática de exercícios Os alunos: São convidados pelo professor a formularem questões e a procurarem justificativas São corresponsáveis pelo processo de aprendizagem Cenários para investigação Usam materiais manipuláveis e novas tecnologias nas atividades de aprendizagem Envolvem-se em projetos que poderão servir de base a investigações 7 Skovsmose (2008) distingue seis modelos que são obtidos por meio da combinação das referências: matemática pura; semirrealidade; realidade, cada uma dessas referências combinadas com os paradigmas das práticas das salas de aula: exercícios ou cenários de investigação Cenários de investigação e ambientes de aprendizagem Exercícios Cenários de investigação Referências Matemática pura Exercícios da matemática pura Investigações numéricas ou geométricas com papel e lápis ou computador. Semirrealidade Situação artificial Problema artificial, mas que permite explorações e justificativas. Realidade Baseados na vida real, sem investigação Relacionados ao cotidiano dos alunos e podem ser propostos como projetos. Paradigmas de práticas da sala de aula Na Prática = (desconhecida) altura da pirâmide altura da vara (conhecida) (conhecida) sombra da pirâmide sombra da vara (conhecida) altura da pirâmide sombra da pirâmide + metade do lado da base da pirâmide Inclinação dos raios solares vara sombra da varaA B A’ B’ O cálculoda altura da pirâmide Os egípcios já utilizavam equipamentos rudimentares para fazer alinhamentos em topografia, a groma Teodolito caseiro – didático 8 Em 1720, Jonathan Sisson construiu o primeiro teodolito contendo quatro parafusos niveladores. Taquímetro de porro (1835). Acervo MAST. Teodolito digital H ac K Le R / S h u tt er st o ck Finalizando “Eu estou interessado no possível papel da educação matemática como um porteiro responsável pela entrada de pessoas, e em como ela estratifica as pessoas. Eu estou preocupado com todo discurso que possa tentar eliminar os aspectos sociopolíticos da educação matemática e definir obstáculos de aprendizagem, politicamente determinados, como falhas pessoais [...] Eu estou (...) Nas palavras de Skovsmose (...) preocupado a respeito de como o racismo, o sexismo, o elitismo poderiam operar na educação matemática. Eu estou preocupado com a relação entre a educação matemática e a democracia” (Skovsmose, 2007, p. 176) Referências BARONI, R. L. S. e NOBRE, S. A pesquisa em história da matemática e suas relações com a educação matemática. In: BICUDO, M. A.(org.). Pesquisa em educação matemática: concepções e perspectivas. São Paulo: Unesp, 1999, p. 129- 136. D’AMBRÓSIO, U. A história da matemática: questões historiográficas e políticas e reflexos na educação matemática. In: BICUDO, M. A. V. (org.). Pesquisa em educação matemática: concepções e perspectivas. São Paulo: Unesp, 1999, p. 97-115. 9 D’AMBRÓSIO, U. Educação matemática: da teoria à prática. 23. ed. Campinas: Papirus, 2012. FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1970. MIGUEL, A; MIORIM, M. A. História na educação matemática: propostas e desafios. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2011. PROFESSOR Ole Skovsmose fará a Conferência de Abertura do I EMAPEM. Sociedade Brasileira de Educação Matemática Regional – Mato Grosso. Disponível em: . Acesso em: 8 set. 2018. SKOVSMOSE, O. Educação crítica: incerteza, matemática, responsabilidade. São Paulo: Cortez, 2007. SKOVSMOSE, O. Desafios da educação matemática crítica. São Paulo: Papirus, 2008. VIANNA, C. R. Matemática e História: algumas relações e implicações pedagógicas. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade de São Paulo, São Paulo, 1995. ZILKHA, E. Utilização do geogebra na construção de instrumentos: teodolito. 65 f. Dissertação (Mestrado em Matemática). Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada, Rio de Janeiro, 2014.