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Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. UNIDADE IV TÓPICOS ESPECIAIS EM ECONOMIA Profª Me. Andréia Moreira da Fonseca Boechat Profª Me. Yony Brugnolo Alves OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Nessa unidade IV, nosso principal objetivo é discutirmos alguns importantes assuntos dentro da economia. Falaremos um pouco sobre a evolução da economia brasileira, o crescimento e desenvolvimento econômico, sobre o papel do setor público e, também, sobre o mercado de capitais. Devemos esclarecer que esses assuntos são amplos e que, nessa unidade, iremos apenas apresentá-los a vocês, mas deixaremos algumas fontes de pesquisa a quem tiver mais interesse em cada um desses assuntos. Plano de Estudo Nessa unidade discutiremos os seguintes tópicos: 1. Evolução da economia brasileira; 2. Setor Público; 3. Crescimento e Desenvolvimento Econômico; 4. Mercado de Capitais. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Olá, aluno(a)! Bem-vindo(a) a nossa quarta e última unidade de Economia Aplicada aos Negócios. Já estudamos os principais aspectos no que tange a teoria econômica. Nessa unidade, faremos, então, um apanhado de alguns importantes pontos da economia. Discutiremos um pouco sobre a história do Brasil direcionada aos aspectos econômicos e os principais acontecimentos até os dias atuais. Falaremos, também, sobre as diferenças entre crescimento e desenvolvimento econômico, diferenças importantes e que devemos saber para pensarmos e discutirmos o futuro do Brasil. Trataremos do papel do setor público, o que o governo faz e como tem agido dentro da economia. Saindo um pouco dessa linha mais teórica, falaremos sobre o mercado de capitais, que é um assunto fascinante e que desperta, em muitas pessoas, o desejo de participar desse mercado. Bons Estudos! Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. 1. EVOLUÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA Tratar da evolução da economia brasileira não é tarefa fácil. Para facilitar nosso árduo trabalho, vamos primeiro fazer uma divisão de períodos e, depois, separar sobre quais períodos é mais interessante trabalharmos. Para isso vamos fazer uso da figura abaixo: Figura 26– Histórico dos regimes políticos no Brasil desde o seu descobrimento e principais “fases” da economia brasileira. Descobrimento do Brasil Ano de 1500 Brasil conquista sua independência 1822 Época do Brasil Imperial entre 1822 e 1889 República Velha entre 1889 e 1930 A chamada Era Vargas entre 1930 e 1945 Período Populista entre 1945 1964 Época do Regime Militar entre os anos de 1964 e 1985 Nova República desde 1985 até os dias atuais. A economia agroexportadora – até 1930 A industrialização por substituição de importações – 1930 até 1961 Crise dos anos 60 e as reformas institucionais do Paeg – 1962/67 O Milagre Econômico – 1968/73 O Segundo PND – 1974/79 A crise da década de 1980: ajuste externo – 1980/85 Políticas de combate à inflação da Nova República – 1986/93 O Plano Real – a partir de 1994 Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Fonte: GREMAUD, VASCONCELLOS E TONETO JÚNIOR, 2008. Analisando a figura acima, observamos, muito rapidamente, nossa história enquanto organização, enquanto país. Agora, vamos juntar a essa história alguns fatores econômicos de grande relevância e que fizeram e, ainda, fazem muita diferença na nossa atual estrutura econômica. Quando o Brasil foi “descoberto”, nossa estrutura econômica estava alicerçada na extração de recursos naturais, depois evoluiu para a agricultura. Tudo isso em meio a importantes mudanças, como a abolição da escravatura em 1888,em que a mão de obra passou a ser assalariada. Vocês já devem ter ouvido o termo “economia agrário exportadora” ou “economia primário exportadora”. Essas expressões significam que o Brasil exportava nesse período somente produtos de origem agropecuária que tem menor valor agregado. Para Gremaud, Vasconcellos e Toneto Júnior (2008), a economia brasileira teve como modelo de desenvolvimento a economia agroexportadora até 1930. A partir de 1930, com a famosa crise, que a industrialização brasileira começou a avançar. Nesse período de crise mundial, o Brasil passa a ter problemas para manter suas importações devido a sua elevação de preços e passa a produzir, internamente, o que antes era importado. Dessa forma, o mundo estava em crise e o Brasil se destacava no cenário internacional com taxas de crescimento econômico lento, porém melhores do que alguns países. No período em que o Brasil foi comandado por Getúlio Vargas, aconteceu um maior investimento na área industrial. O então presidente tentou implantar a indústria mais pesada no país, ele foi responsável por grandes investimentos estatais na indústria criando a Petrobrás e a Vale, então chamada de Vale do Rio Doce. É o que Gremaud, Vasconcellos e Toneto Júnior (2008) chamam de processo de industrialização acelerado quando a economia cresceu e se industrializou. O Regime Militar durou de 1964 até 1985, nesse período além da inexistência da democracia, o que pra muitos de nós é algo inimaginável, houve crescimento econômico, no início do período seguido de queda no crescimento causado por problemas externos (endividamento e falta de acesso a financiamentos internacionais). Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. A década de 1980 ficou conhecida como a década perdida. Houve grave problema com o crescimento da dívida externa e a falta de meios para seu pagamento, juntamente com a falta de crescimento econômico, graves problemas como as altas taxas de inflação, altas taxas de desemprego por esses motivos e outros ficou conhecida como a década perdida. A partir de 1994, houve mais uma grande e importante mudança na economia brasileira, a criação do Plano Real. A partir de sua criação e implantação, a economia brasileira passou a experimentar um longo período com baixas taxas de inflação, o que fez com que mudasse a maneira de fazer política econômica no país. xxx Fique por dentro Acesse esse link, nele constam importantes e interessantes informações a respeito da Era Vargas no formato de linha do tempo. Vale a pena conferir. Acesse: xxx 1.1. O Brasil e os planos econômicos entre 1985 e 1994 O grande objetivo da economia brasileira, de acordo com Gremaud, Vasconcellos e Toneto Júnior (2008), nesse período foi o combate à inflação. As principais tentativas de combatê-las foram: Plano Cruzado em 1986, Plano Bresser em 1987, Plano Verão em 1989, Plano Collor I em 1990, Plano Collor II em 1991 e Plano Real em 1994. Plano Cruzado: foi lançado em 28/02/1986, com a moeda Cruzado substituindo o Cruzeiro. O Plano Cruzado tinha diversos pontos importantes, entre eles podemos destacar a própria mudança de moeda, o salário foi convertido pelo poder de compra dos últimos 6 meses mais 8% e para o salário mínimo o abono foi de 16%. Os preços foram congelados, a taxa de câmbio foi fixada, aluguéis tiveram valores médios recompostos, e para os ativos financeiros foram feitas várias regras. http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/linhadotempo Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Plano Bresser: foi anunciado em 12/06/1987 eteve como principais medidas o congelamento de salários por 3 meses, congelamentos de preços por 3 meses, desvalorização cambial e não congelamento do câmbio, aluguéis foram congelados no nível do mês de junho e não foram corrigidos. Plano Verão: foi criado o Cruzado Novo, houve uma desvalorização do cruzado e o câmbio foi fixado em 1 por 1, ou seja, um cruzado novo por 1 dólar. Plano Collor I: Houve eleição do novo Presidente, Fernando Collor de Melo, e seu objetivo continuava sendo o mesmo dos presidentes anteriores: conter a inflação. Implantou uma reforma monetária reduzindo a liquidez na economia. Houve a tentativa de uma reforma fiscal e administrativa, criou o IOF extraordinário e iniciou um programa de privatizações, que foi um ponto central desse plano, além de iniciar um processo de reabertura da economia. Plano Collor II: Como com o plano Collor I a inflação ainda persistia, ocorreu mais um plano econômico batizado de Collor II. O objetivo principal era desindexar diversos preços e congelar salários e valores, mas essas medidas também não tiveram sucesso. Por fim houve o impeachment do presidente. Com a saída de Collor assumiu a presidência o Sr. Itamar Franco que teve como seu Ministro da Fazenda o Sr. Fernando Henrique Cardoso. 1.2. Plano Real Após os fracassos dos diversos planos econômicos, cujo objetivo era deter a inflação, veio então o Plano Real que conseguiu atingir esse objetivo. O Plano Real foi pensado e colocado em prática a partir de 3 fases, sendo elas ajuste fiscal, indexação completa da economia – URV e a reforma monetária – transformação da URV em Reais. 1ª fase do plano Real: nessa fase, a ação foi voltada para o ajuste fiscal em si, que determinou cortes no orçamento do governo, segundo Gremaud, Vasconcellos e Toneto Júnior (2008), esses cortes foram em torno de 7 bilhões de dólares. Além desses cortes, houve elevação da arrecadação através da criação de um novo imposto, o chamado Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira – IPMF. Esse Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Imposto trouxe facilidade ao governo, no sentido de ampla abrangência e facilidade de arrecadação, sua alíquota era de 0,25% sobre o valor de todas as operações financeiras. Ainda como ajuste fiscal, foi criado o FSE – Fundo Social de Emergência, esse fundo foi constituído por 15% de toda arrecadação de impostos, foi uma maneira do Governo Federal ter recursos para sua livre utilização, pois não necessitava dividir esses recursos com estados e municípios e os mesmos não estavam vinculados a nenhuma despesa específica. 2ª fase do plano Real: a economia foi indexada à URV – Unidade Real de Valor. A criação dessa Unidade foi uma maneira de fazer com que os agentes econômicos brasileiros perdessem a “memória inflacionária”. Quer dizer, todos os planos anteriores que objetivaram conter a inflação falharam e uma das causas diagnosticadas foi que os agentes transferiam a inflação para a nova moeda, de certa forma a nova moeda já nascia com o estigma da inflação. Com a criação da URV excluiu-se essa possibilidade. Ao invés dos agentes saírem da moeda antiga para o real, eles continuaram com a moeda antiga e a “transformavam” em URV, na verdade os preços da economia foram fixados em URV e essa Unidade tinha uma paridade de um pra um com o Dólar. Mas os cruzeiros reais ainda eram utilizados e continuavam com inflação, no entanto, a precificação de bens, serviços e salários eram feitas pela URV, cujo valor não sofria modificações. Portanto, as pessoas continuavam utilizando a moeda antiga (cruzeiro real) e ela continuava se desvalorizando (tendo inflação), mas ela estava indexada a URV que mantinha seu valor (um por um com o Dólar). Isso ajudou a fazer com que a inflação galopante do cruzeiro real não fosse transferida para o Real. 3ª fase do plano Real: na terceira fase, foi feita a reforma monetária, começou a circular a nova moeda chamada Real. No dia 1º de julho de 1994, foi lançado o Real e seu valor era igual ao da URV, como esta tinha seu valor fixo (o que oscilava era o preço do cruzeiro real), é como se os agentes econômicos não transferissem a inflação do cruzeiro real para a nova moeda. O Real passou a circular e não houve a transferência da inflação anterior. A partir dessas três etapas de implantação, o Plano real foi e continua sendo um sucesso, pois alcançou o objetivo que era o controle da inflação. Importante ressaltar que nesse plano não foi utilizado o recurso do congelamento. Podemos afirmar que, atualmente, o governo está se preocupando com a inflação e possivelmente esteja fazendo políticas fiscal e monetária a fim de manter a inflação sobre controle, principalmente, pois temos uma forte atuação de políticas sociais por Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. parte do governo. Que dizer, enfim, com o Plano real, se alcançou a estabilidade de preços que há muito tempo se almejava. 2. SETOR PÚBLICO Estudar economia sobre diversos aspectos é importantíssimo, mas dentro da economia não há como não estudar o setor público. Na unidade III, vimos um pouco sobre ele e, superficialmente, passamos alguns conceitos, mas agora vamos nos aprofundar em cada um desses aspectos. É importante fazermos um adendo sobre conceitos que sempre ouvimos falar, mas nem todos nós sabemos exatamente o seu significado. Em períodos eleitorais ouvimos alguns candidatos dizendo: “essa política neoliberal precisa acabar”, sabemos o que isso significa? Vamos ver alguns conceitos bem básicos: Liberais ou Clássicos: Classificamos de políticas liberais aquelas que se aproximam do que pregavam os economistas clássicos como Adam Smith e David Ricardo. Para os clássicos, o governo não deveria intervir na economia deixando o mercado resolver todos os “problemas”, temos a famosa frase de Smith “Laissez faire laissez passer” que em português quer dizer, literalmente, “deixe fazer deixe passar”, ou seja, deixe que o mercado irá se resolver, não é preciso que ocorram intervenções do governo. Keynesianos: Esse adjetivo vem de Keynes, políticas keynesianas seriam aquelas que adotam ações sugeridas por Keynes. Já vimos na unidade III um pouco a respeito do contexto em que surgiram as idéias de Keynes, mas, para ele, basicamente, o mercado não irá se autorregular, é preciso que o governo, o setor público, intervenha na economia sempre que esta precisar. Neoliberais: É uma releitura das ideias dos antigos clássicos ou liberais. É como se, depois da tentativa de utilização do keynesianismo, ressurgissem as ideias liberais apontando as falhas ocorridas com o keynesianismo e buscando adotar novamente o liberalismo econômico. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. XXX Reflita Pense nos conceitos de liberais, keynesianos e neoliberais. Em qual desses conceitos a política econômica brasileira mais se encaixa? Conseguimos visualizar isso? Podemos elencar ações tomadas no Brasil dentro de cada um desses conceitos? XXX Dessa forma, há diversas correntes a respeito da participação do governo na economia, porém participando muito ou pouco, a economia precisa de um governo, isso também deve ficar bem claro. E por que precisamos de um governo, então? Como apontam Giambiagi e Além (2011), muitas vezes questionamos e até afirmamos que o mercado é mais eficiente que o governo e, nessa visão, não teríamos porque ter governo, mas os mesmos autores apontam o que a literatura diz a respeito disso. Na teoria do bem-estar social, é dito que em um mercado competitivo os recursos são alocados eficientemente, a ponto de que para melhorara situação de um agente econômico seria necessário piorar a de outro agente. A essa situação dá-se o nome de ótimo de Pareto. No entanto, segundo Giambiagi e Além (2011), há situações em que o ótimo de Pareto não pode ser alcançado e, para esses casos, é preciso que o governo se faça presente. Esses casos são: bens públicos, monopólios naturais, externalidades, mercados incompletos, falhas de informação e desemprego e inflação. Bens Públicos: esses bens têm como característica o fato de seu consumo por um indivíduo não prejudicar seu consumo por outros indivíduos, assim diz-se que seu consumo é “não rival”. Além disso, o consumo de bens públicos tem também como característica a “não exclusão”, ou seja, não se pode impedir alguém de utilizar aquele bem. Alguns exemplos elencados por Giambiagi e Além (2011) são a as ruas e a iluminação pública bem como a defesa nacional a segurança pública. No caso desses bens, verifica-se que o mercado não seria eficiente na sua oferta, justamente por conta do princípio da “não exclusão”, assim a oferta de bens públicos acaba sendo feita pelo governo. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Monopólios Naturais: É da nossa natureza critica e discordar dos monopólios – apenas uma empresa ofertando determinado bem ou serviço – no entanto há casos em que a existência do monopólio deve ser aceita, pois é mais vantajoso. Para determinados mercados, a existência de várias empresas faria com que os custos fossem mais elevados e o preço final também, assim o monopólio, nesse caso chamado de natural, é a melhor opção. O exemplo mais utilizado é o das empresas distribuidoras de energia elétrica, a existência de várias para uma mesma região faria com que o investimento fixo de cada empresa fosse muito elevado e isso não beneficiaria o consumidor. Assim, a existência de somente uma distribuidora de energia elétrica em determinada região faz com que o preço pelo serviço seja menor do que se houvesse concorrência. No caso do monopólio natural, o governo pode ser o ofertante do bem ou serviço ou, ainda, o governo pode apenas regular esse mercado de forma a garantir que o monopolista não cobre preços abusivos. Externalidades: As externalidades podem ser positivas ou negativas. Elas são influências, diretas ou indiretas, que a ação de um indivíduo (empresa) causa a outros. Exemplos de externalidades negativas seriam os dejetos gerados por uma empresa e despejados em um rio sem nenhum tipo de tratamento. Apesar dela gerar os resíduos, não é só ela quem sofre com os problemas trazidos por eles, as demais pessoas que dependam desse rio serão prejudicadas, seja porque percam nesse rio, porque utilizam sua água etc. Podemos dizer que são exemplos de externalidades positivas, a ação de pessoas que resolvem cuidar de seus quintais destruindo todos os focos criadores de mosquitos da dengue, ao fazer isso ele não beneficia somente a ele, mas todos a sua volta. Ou a plantação de flores em uma determinada região que vai contribuir para a geração de alimentos para abelhas que produzirão mel em uma propriedade próxima. No caso das externalidades, a presença do governo é de suma importância a fim de regulá-las. De acordo com Giambiagi e Além (2011), o governo deve intervir quando da existência de externalidades e, para isso ele pode: i) produzir o bem ou conceder subsídios para gerar externalidades positivas; ii) criar multas e impostos para repreender as negativas; iii) regulamentar. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Mercados Incompletos: Dizer que um mercado é incompleto significa que, mesmo que o custo de produção de um bem ou serviço seja menor que o preço que os potenciais consumidores estejam dispostos a pagarem, ainda assim esse bem ou serviço não é ofertado. Esse tipo de falha ocorre quando o setor privado não está disposto a correr os riscos de atuar naquele mercado. Giambiagi e Além (2011) exemplificam esse tipo de falha de mercado com a existência do BNDES no Brasil que oferece financiamentos de longo prazo devido a certa falta de interesse em oferecer esse tipo de financiamento por parte de bancos da iniciativa privada. Falhas de informação: Nesse caso o mercado, sozinho, não oferece as informações necessárias para que os agentes econômicos tomem decisões racionalmente. Então, o governo precisa intervir. O exemplo citado por Giambiagi e Além (2011) é o de que o governo obriga as empresas de capital aberto divulgar seus dados financeiros, isso ajuda os investidores a tomarem suas decisões. Ocorrência de desemprego e inflação: Quando há inflação e desemprego justifica-se a intervenção do governo na economia buscando melhorar essa situação. Nós brasileiros que já sofremos por muitos anos com elevadas taxas de inflação, aceitamos (a grande maioria) a ação do governo objetivando manter essa variável controlada. Estudando essas falhas de mercado, podemos ver a importância da existência do governo e que para o mercado poder funcionar da melhor maneira possível é necessário existir um ambiente institucional seguro. E um dos principais agentes desse ambiente institucional é o governo que cuida de regras gerais para que o mercado exista e funcione. Na unidade III, vimos as políticas macroeconômicas e dentre elas sobre a política fiscal e, por isso, já tratamos um pouco a respeito dos impostos e como eles são utilizados para executar a política fiscal. Mas ainda temos alguns conceitos importantes a serem visto acerca dos impostos. Giambiagi e Além (2011) trazem uma pergunta bastante interessante: quais são as características de um sistema tributário ideal? Sua resposta não é muito simples de ser executada, mas a resposta é: i) cada um deve pagar uma contribuição considerada justa; ii) as pessoas com maior capacidade de pagamento devem ser as mais oneradas; iii) o sistema tributário deve intervir o mínimo possível na alocação de Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. recursos na economia e iv) o sistema tributário deve ser facilmente entendido e ter custos mínimos de fiscalização. Equidade e progressividade: aqui devemos falar a respeito do princípio do benefício e do princípio da capacidade de pagamento. Conforme Giambiagi e Além (2011, p. 18) pelo princípio do benefício cada indivíduo deveria contribuir com uma quantia proporcional aos benefícios gerados pelo consumo do bem público. A aplicação desse princípio não é nada fácil. O exemplo mais claro é o do pagamento de contribuições para a Previdência Social já que a aposentadoria que o cidadão receberá no futuro deriva da sua contribuição no presente. Mas não é possível que todos os impostos sigam esse princípio. Já o princípio da capacidade de pagamento ajuda o princípio anterior, no sentido de que o princípio da capacidade de pagamento pode ser adotado como regra geral para todos os impostos. E aqui entra uma discussão e uma dúvida se é mais eficiente tributar renda ou riqueza/patrimônio, mas não vamos entrar nesse mérito da discussão. A neutralidade: significa que ele não pode prejudicar a economia no sentido de criar distorções que direcionem recursos para um setor em detrimento de outro. Os exemplos citados em Giambiagi e Além (2011) tratam do imposto de renda que, ao reduzir a renda disponível do cidadão, fará com que o mesmo reduza seu consumo de forma homogênea de todos os bens e serviços. No entanto, ao instituir um imposto mais alto para determinado bem você não está incentivando o seu consumo. Podemos afirmar, então, que há impostos neutros e outros que não respeitam esse princípio da neutralidade. A simplicidade: Esse princípio tratada maneira como o imposto será cobrado e diz que isso deve acontecer da maneira mais simples possível e sua cobrança não deve onerar demais o governo. Muitos autores, ao estudarem esse princípio, se utilizam da Curva de Lafer, vejamos na figura a seguir: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Figura 27 - Curva de Lafer Fonte: GIAMBIAGI; ALÉM, 2011. O que se ilustra com essa figura é que se o governo decidir elevar demais as alíquotas dos impostos ele não conseguirá nenhuma receita, pois ninguém pagará os impostos, assim, nos extremos se a alíquota for 0% a receita será 0 e se a alíquota for 100% a arrecadação também será 0. 2.1. E quem paga os impostos? Na unidade II aprendemos sobre o conceito de elasticidade e estudamos, também, sobre a estrutura de mercado. Pois bem, esses dois conceitos serão aplicados aqui. Para sabermos quem, de fato, paga os impostos, precisamos saber é a estrutura do mercado em questão e qual a elasticidade preço da demanda e preço da oferta do produto. Sendo assim, em alguns casos realmente é o consumidor final quem paga a maior parte dos impostos e, em outros casos, é o vendedor quem arca com a maior parcela dos impostos. Considerando primeiramente a estrutura do mercado em análise, se tivermos um mercado oligopolista (estudamos as estruturas no capítulo II), temos duas situações. Primeiro o oligopolista pode não querer repassar ao preço final do produto o valor dos impostos, já que, seus concorrentes não façam o mesmo e assim ele Alíquotas (%) Receita 100 0 Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. perderia fatia de mercado, assim ele (o vendedor) arcaria com a maior parcela dos impostos. Por outro lado, o oligopolista pode entender que seus pares irão repassar o tributo ao seu preço final. Nesse caso, ele faz dessa maneira de modo que todos elevarão o preço final do produto inserindo nele o valor do imposto e, nesse caso, é o consumidor final quem arcará com o pagamento deste. Analisando pelo lado da elasticidade, podemos dizer que quanto mais elástica for a demanda por determinado bem ou serviço, menos o consumidor final arcará com o imposto. Por quê? Se a demanda é altamente elástica, significa que uma pequena variação no seu preço fará com que haja uma grande variação na quantidade demandada, assim se o ofertante repassar o preço do produto final todo o tributo significa que seu preço subirá e como sua demanda é altamente elástica, haverá uma grande redução na demanda, desse modo a tendência é que se o produto tiver elasticidade preço da demanda alta o ofertante é que arque com o pagamento do imposto. Em relação à elasticidade preço da oferta, o raciocínio é semelhante. Nesse caso, quanto mais elástica for a oferta (mais sensível) maior será o repasse dos impostos para o preço final do produto, assim o consumidor final é que arcará com maior parte do pagamento dos impostos. 3. CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO Conforme a unidade III, estudamos o conceito de crescimento econômico, mas o desenvolvimento? Vocês podem estar se perguntando: “mas não é a mesma coisa?” E eu lhes respondo: “não”. Com certeza, pessoal, crescimento e desenvolvimento econômico estão intimamente ligados, no entanto diferem em muitos aspectos. Para atingir o desenvolvimento econômico precisamos do crescimento. Para medir o crescimento econômico utilizamos as variáveis PIB e Pib per capita, por exemplo, se um país estiver aumentando sua renda per capita podemos dizer que está ocorrendo crescimento. Já para que ocorra o desenvolvimento precisamos que outras questões sejam atendidas. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Há na teoria econômica diversos modelos que estudam e medem o tamanho do desenvolvimento econômico de determinado país, dentre esses modelos Souza (2007), cita os neoclássicos de Meade, de Solow e a teoria do crescimento endógeno. Todos eles são teóricos que se baseiam em dados de população, progresso técnico, capital humano entre outras variáveis, mas para o nosso propósito não iremos abordar esses modelos em detalhes, trataremos apenas de alguns indicadores de crescimento econômico sem entrarmos nas discussões teóricas da formação desses modelos. Falar em crescimento econômico é falar em melhora na qualidade de vida, em aumento do bem estar, em acesso a cultura, lazer entre outros. Temos algumas variáveis que tratam a esse respeito, vamos estudar um pouco cada uma delas. PIB per Capita: Esse é um indicador bastante utilizado que busca mostrar/medir o crescimento de um país. Em seu cálculo, divide-se o PIB pela população. Assim podemos, facilmente, perceber que ele é um dado numérico e que não nos dá uma dimensão de qualidade de vida, de como a renda está distribuída, enfim, ele mostra apenas uma média. Podemos dizer que esse indicador é bastante popular, é relativamente fácil calculá-lo, mas que é um indicador inicial quando vamos discutir o desenvolvimento, ele ajuda bastante a medir o crescimento, mas para falarmos de desenvolvimento precisamos de outras variáveis. Figura 28 - PIB Per Capita brasileiro (preços 2012) - US$ de 2012 (mil) Fonte: IPEADATA, 2013. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. No gráfico representado na figura acima, podemos observar a evolução do PIB per Capita do Brasil, vemos que ele tem subido nos últimos anos, o que é bom, mas somente com essa variável não é possível afirmarmos muita coisa em relação ao nosso desenvolvimento. IDH – Índice de Desenvolvimento Humano: Uma variável utilizada para se tentar captar o desenvolvimento econômico é o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, esse índice é relativamente novo, e tenta captar quão desenvolvida é uma nação, um povo. O IDH é composto por três subíndices: a) Um índice que mede a renda. Aqui se utiliza o PIB per capita; b) Um índice que mede a saúde das pessoas. Utiliza-se a expectativa de vida ao nascer; c) Um índice que mostre a educação. Nesse caso se utiliza a taxa de alfabetização de adultos e a taxa de matrícula nos ensinos fundamental, médio e superior. O IDH varia entre 0 e 1 , sendo que quanto mais próximo de 1 melhor, ou seja, quanto mais próximo de 1 mais desenvolvido é o país. Esse índice vem sendo divulgado e feito a partir da década de 1990, a ONU o divulga para cerca de 170 países que são ranqueados a partir desse índice conforme critérios a seguir: Quadro 3– Grau de desenvolvimento conforme critério do IDH IDH Grau de desenvolvimento Acima de 0,8 Alto Entre 0,5 e 0,8 Médio Abaixo de 0,5 Baixo Fonte: Elaboração própria a partir de dados de Gremaud et al. (2007) Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. De acordo com dados da PNUD, para o ano de 2012 o Brasil ficou na 85ª colocação no ranking do IDH, nesse ranking consta 186 países. O Valor do IDH brasileiro é 0,730, ou seja, nosso IDH é considerado médio. O país melhor colocado é a Noruega com um IDH de 0,955 acompanhada pela Austrália com 0,938. O último colocado é o Níger com um índice de 0,304. XXX Indicação de leitura Desenvolvimento Como Liberdade Autores: Amartya Sen Idioma: Português Editora: Cia das Letras Assunto: Economia Edição: 1ª Ano: 2000 Resumo: Amartya Sen nunca se contentou com os limites convencionais da ciência econômica. Ele construiu sua visão alternativa apoiado na convicção de que a promoção do bem-estar deve orientar-se por uma resposta adequada à perguntaética por excelência: onde está o valor próprio da vida humana? Na vida de qualquer pessoa, certas coisas são valiosas por si mesmas, como estar livre de doenças evitáveis, escapar da morte prematura, ser capaz de agir como membro de uma comunidade, ter oportunidade para desenvolver suas potencialidades. Fonte: SARAIVA, 2017. Xxx Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Índice de GINI: é um índice que mede a desigualdade ou concentração da renda, ele varia entre 0 e 1, sendo que 0 representa a completa igualdade (todos teriam a mesma renda) e 1 a completa desigualdade, assim, ao pensarmos no índice de Gini, desejamos que ele seja o menor possível. No gráfico a seguir temos os valores desse índice para o Brasil, selecionamos alguns anos dentro do período de 1976 e 2009. Figura 29 - Índice de GINI para o Brasil, anos selecionados. Fonte: IPEADATA, 2013 No gráfico vemos que em 1976 esse índice estava acima de 6, sofreu algumas oscilações no período e chegou ao ano de 2009 próximo de 5,4, e o que esses dados significam na prática? Pois bem, significam que houve uma desconcentração de renda na população brasileira ou uma melhora na distribuição de renda. Os dados do gráfico podem ser corroborados pelos dados da Tabela 1, conforme segue: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Tabela 1– Renda Domiciliar: Participação dos 1% mais ricos, 10% mais ricos, 50% mais pobres e 20% mais pobres Ano 1% mais rico (%) 10% mais ricos - (%) 50% mais pobres - (%) 20% mais pobres - (%) 1976 17,08 51,04 11,58 2,43 1977 18,47 51,64 11,68 2,42 1978 13,64 47,71 11,96 2,05 1979 13,61 47,45 12,77 2,67 1980 1981 12,67 46,40 13,14 2,66 1982 13,02 46,91 12,70 2,53 1983 13,47 47,38 12,51 2,55 1984 13,19 47,27 12,99 2,76 1985 13,61 47,75 12,46 2,54 1986 13,77 46,95 13,02 2,67 1987 14,11 47,75 12,22 2,36 1988 14,41 49,47 11,46 2,17 1989 16,48 51,50 10,62 2,01 1990 14,20 48,78 11,45 2,14 1991 1992 13,23 45,78 13,11 2,36 1993 15,09 48,64 12,31 2,26 1994 Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. 1995 13,81 47,85 12,35 2,31 1996 13,53 47,52 12,09 2,16 1997 13,78 47,67 12,12 2,21 1998 13,86 47,79 12,34 2,31 1999 13,24 47,27 12,69 2,41 2000 2001 13,91 47,45 12,58 2,32 2002 13,43 47,03 12,97 2,52 2003 13,09 46,21 13,22 2,53 2004 12,97 45,33 13,84 2,75 2005 12,99 45,33 14,06 2,83 2006 12,77 44,76 14,46 2,92 2007 12,50 43,87 14,72 2,89 2008 12,31 43,24 15,25 3,06 2009 12,11 42,77 15,49 3,09 Fonte: IPEADATA (2013) Difícil analisar a tabela 1, mas vamos lá! Primeiro uma inquietação, alguém ai já havia parado pra pensar nesse dado? Nessa informação? Primeiro vamos verificar a tabela de um modo bem geral. Ela tem dados de 1976 até 2009 com algumas falhas no período, mas isso não irá prejudicar nossa análise. Podemos afirmar que, de modo bem genérico, houve uma melhora na distribuição de renda, vejamos a segunda coluna, que traz a participação do 1% mais rico na renda, em 1976 eles tinham cerca de 17% da renda total do Brasil e em 2009 esse valor caiu para cerca de 12%. No outro extremo, vemos a porcentagem da renda que pertence Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. aos 20% mais pobres, em 1976 era de quase 2,5% e em 2009 estava em pouco mais de 3%. Índice de Progresso Social – IPS: No dia 04 de setembro de 2013, foi lançado, no Brasil, o Índice de Progresso Social – IPS, esse índice é uma novidade e foi criada por pesquisadores da Universidade de Harvard, mais especificamente pelo Professor Michael Porter, a composição desse índice se dá através do que demonstra a figura a seguir: Figura 30 – Composição do IPS Fonte: SOCIAL PROGRESS IMPERATIVE, 2013. Esse índice, conforme demonstrado acima, leva em conta necessidades básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades. Assim como o IDH, esse novo índice busca medir algo a mais do que simplesmente a renda para poder classificar o Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. desenvolvimento de um país, nesse índice foram incorporadas questões como as emissões de CO2, liberdade de expressão, terror político e outras questões qualitativas que não fazem parte do IDH. 4. MERCADO DE CAPITAIS Quando falamos em economia, muitas pessoas, na sala de aula, dizerem ou pensarem: “Hum... Bolsa de Valores, Ações”. Então nesse tópico vamos falar um pouquinho sobre esse assunto que há muito interessa e para outros causa certo medo. No entanto, nem todos os agentes econômicos tem o mesmo perfil, ou seja, alguns agentes são mais propensos a correr riscos e outros são mais avessos aos riscos. Dessa forma, a Bolsa de Valores, comprar e vender ações, devem ser bastante estudados antes de se iniciar operações propriamente ditas. O Mercado de Capitais compõe o que chamamos de Sistema Financeiro Nacional – SFN, cuja estrutura está representada na figura a seguir: Figura 31 – Estrutura Simplificada dos mercados componentes do SFN Fonte: LAGIOIA, 2011 Mercado de Crédito Mercado Monetário Mercado de Capitais Mercado de Câmbio Sistema Financeir o Nacional SFN Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Desses quatro mercados que compõem o Sistema Financeiro Nacional, nós estamos interessados no Mercado de Capitais. Conforme Lagioia (2011), é nesse mercado que ocorrem as transferências de recursos dos agentes investidores e dos tomadores. A Comissão de Valores Mobiliários – CVM é o órgão que normatiza esse mercado, que determina as regras que devem ser obedecidas pelos seus integrantes. Nesse mercado são negociados vários tipos de ativos como debêntures, cotas de fundos de investimentos, ações, entre outros. Segundo Lagioia (2011, p. 120), o mercado de capitais é formado pelo conjunto de mercados, instituições e ativos que possibilita a transferência de recursos financeiros entre os agentes tomadores (basicamente as companhias abertas) e os agentes investidores (os aplicadores). O que é uma empresa de capital aberto? (ou companhia aberta) Uma empresa de capital aberto é aquela que vende partes do seu capital para investidores. Por que as empresas abrem seu capital? Vantagens e desvantagens Muitas vezes nos questionamos porque uma empresa abriria seu capital. Alguns enxergam facilmente as vantagens outros, mais pessimistas, veem as desvantagens, vamos tentar organizar as ideias para concluirmos quais são as vantagens e as desvantagens. Muitas empresas abrem seu capital objetivando mostrar ao mundo a sua existência, isso mesmo, elas querem se tornar mais conhecidas tanto nacionalmente quanto internacionalmente. Outras empresas fazem a abertura de capital buscando captar recursos no mercado financeiro. Elas poderiam fazer empréstimos e afins, mas decidem vender uma parte de seu capital para receber recursos. Segundo Lagioia (2011), conseguir recursos através da venda de ações pode ser muito mais barato do que buscar empréstimos em instituições bancárias, principalmente em países em desenvolvimento como é o nosso caso. Outras empresas fazem a abertura de capital buscando se modernizar, no sentido de entrarem em contato com um novo mercado, antes desconhecido. Para abrir capital a empresa, você precisa se adaptar a uma nova realidade, é preciso que ocorra mudançano processo de gestão. Uma empresa de capital aberto precisa, obrigatoriamente, divulgar muito mais os seus dados e informações, para que seus Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. acionistas saibam o que está ocorrendo dentro da empresa e para que novos acionistas tenham interesse pela empresa. A transparência, sem dúvidas, é uma necessidade que precisa ser atendida ao abrir capital de uma empresa. Lagioia (2011) aponta algumas vantagens advindas da abertura de capital de uma empresa, dentre elas destaca-se a entrada de novos recursos, a reestruturação de passivos possível graças a uma grande entrada de capital. O aumento da capacidade de endividamento da empresa já que a entrada de recursos através da venda de ações faz com que “sobre” mais espaço para outros tipos de entrada de recursos, via empréstimos convencionais, por exemplo. Ainda é apontado como grande vantagem na abertura de capital à questão da imagem institucional, já que com a maior transparência a empresa será mais bem vista pela sociedade em geral, a melhora no nível de profissionalização dos funcionários, pois sem isso o processo de abertura não seria viável, a participação acionária dos funcionários o que os motivará ainda mais dentro da organização além de flexibilizar arranjos societários. XXX Fique Por Dentro Mas como abrir o capital de uma empresa? Quais são os procedimentos necessários? Para responder a essas importantes questões, sugiro a vista ao site da Bolsa. Acesse: XXX Ações e tipos de Ações: Conforme Lagioia (2011, p. 122), ações são a menor fração do capital social da sociedade anônima ou companhia aberta. Então é como se a empresa estivesse dividida em muitas partes pequenas e essas partes pudessem ser compradas por qualquer pessoa, obedecendo às regras desse mercado, é claro. As ações possuem diversas classificações e especificidades, vamos analisar algumas dessas. Inicialmente, podemos separar as ações de acordo com sua forma de emissão que pode ser nominativa ou escritural. As ações nominativas são aquelas que geram uma espécie de registro, o dono da ação tem um papel que atesta que ele é o http://www.bmfbovespa.com.br/empresas/pages/empresas_abertura_capital_como_abrir.asp Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. dono daquela ou daquelas ações. Já as ações escriturais ficam registradas em formato eletrônico e seu dono não possui um certificado. Naturalmente que hoje em dia as ações nominativas são exceções. As ações podem ser divididas em relação a sua espécie, e nesse caso há importantes diferenças para o investidor (quem vai comprar a ação) e para a empresa ou o corpo diretivo da empresa que vende as ações. Elas podem ser Ordinárias (ON) e Preferenciais (PN), vamos ver as principais diferenças entre elas. Comecemos pelas ações ON, essas ações dão direito ao voto nas assembleias da empresa, quer dizer além da participação nos resultados que é garantido as duas espécies de ações, o acionista pode, também, influenciar de maneira indireta na gestão da empresa. Já as ações PN não há o direito a voto em assembleia, é garantido o direito à participação nos resultados e principalmente a preferência ou a prioridade na distribuição desses resultados e no reembolso do capital investido, caso ocorra a liquidação da empresa. Mas as empresas ou companhias não podem emitir mais do que 50% de ações PN, ou seja, 50% de ações PN é o máximo a que pode chegar à companhia. Os detentores das ações ON serão os votantes nas Assembleias Gerais e cada ação dá direito a um voto. Não podemos nos esquecer da classificação que o mercado faz das ações, ele as classifica quanto à liquidez, e o que isso quer dizer? Quer dizer que quanto mais líquida for uma ação mais negociável ela é, ou seja, você não corre o risco de comprá- la depois tentar vendê-la e não conseguir. A classificação feita pelo mercado quanto à liquidez das ações é a seguinte: Figura 32 – Classificação das ações de acordo com o mercado Ações Blue Chips ou de 1ª linha Small caps ou de 2ª linha De 3ª linha Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Fonte: elaborado pelas autoras a partir das informações de LAGIOIA (2011). As ações Blue Chips ou de 1ª linha são aquelas que têm maior liquidez, ou seja, há grande oferta e demanda por suas ações, normalmente são de empresas grandes e muito bem conceituadas, por exemplo, as ações da Petrobrás e da Vale. Normalmente investidores que são avessos ao risco tendem a optar por essas ações. Ações Small Caps ou de 2ª linha, já são aquelas que têm uma liquidez um pouco menor que as de 1ª linha, normalmente são de empresas de porte médio e que tem grande potencial de crescimento, mas ainda não são grandes, por conta disso, são uma espécie de promessa futura e, é claro, que quem aposta nessas ações tem chances de mais ganhos que com as Blue Chips, porém com riscos maiores também. As ações de 3ª linha são de empresas menores, mas não piores, elas apenas são menores e suas ações tem menos oferta e demanda, ou seja, são menos líquidas. xxx Fique por dentro Esse é um vídeo bem sucinto, mas que consegue nos mostrar o tamanho da Bolsa e sua representatividade para a economia brasileira e sua história. Vale a pena assistir: xxx http://www.youtube.com/watch?v=4GaYEkfCFxY Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. xxx Indicação de leitura Os Axiomas De Zurique Autor: Max Gunther Idioma: Português Editora: Record Assunto: Bolsa de valores Edição: 16ª Ano: 2004 Resumo: Os banqueiros suíços ensinam como ganhar dinheiro em qualquer lugar no mundo. Você será sempre bem-sucedido no mundo dos negócios se seguir regras sobre risco, mobilidade, intuição, esperança e padrões. Logo depois da Segunda Guerra mundial um grupo de banqueiros e emprresários suíços resolveu ganhar dinheiro investindo em várias frentes, de ações a imóveis, de mercadorias a moeda. Neste livro estão as regras infalíveis que os banqueiros estabeleceram para diminuir os riscos enquanto aumentavam cada vez mais os lucros. São 12 axionas principais e 16 secundários que se aplicam a qualquer tipo de investimento. Neles o leitor encontrará a chave para investir com sucesso à moda suíça. Fonte: SARAIVA, 2017. Xxx Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. xxx Indicação de filme Margin Call – O Dia Antes Do Fim Lançamento: 2011 Dirigido por: J.C. Chandor Com: Kevin Spacey, Paul Bettany, Jeremy Irons Gênero: Drama, Suspense Nacionalidade: EUA Sinopse: Peter Sullivan (Zachary Quinto), Seth Bregman (Penn Badgley) e Will Emerson (Paul Bettany) trabalham no setor de riscos em uma corretora, que está realizando uma série de demissões. Cerca de 80% do setor em que trabalham foi demitido, entre eles o chefe do trio, Eric Dale (Stanley Tucci). Ao pegar o elevador Eric entrega a Peter um pen drive, que contém algo em que estava trabalhando no momento. O alerta para que tomasse cuidado com o conteúdo chama a atenção de Peter, que fica após o horário de trabalho para dar uma olhada no arquivo. Logo ele descobre que trata-se de uma análise da volatilidade da empresa, que indica que há duas semanas ela ultrapassou e muito o limite de risco o qual pode correr. Desta forma a empresa está prestes a falir, o que provocauma reunião de emergência com diversos setores da empresa, entre eles seu dono, o acionista John Tuld (Jeremy Irons). Fonte: ADORO CINEMA, 2017. Xxx Para fazer os investimentos na Bolsa é preciso entender as várias análises que são feitas do mercado financeiro. Devemos destacar as análises Fundamentalista e Técnica, entendendo os seus significados você compreenderá o que é anunciado na mídia sobre as ações, bem como escolher que tipo de análise utilizará na toma de decisões sobre qual e quando ação comprar e/ou vender. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Análise Fundamentalista: é baseada em dados, informações da própria empresa, da saúde financeira dela, da maneira como ela está sendo gerida, dos seus indicadores financeiros. Segundo Lagioia (2011), a análise fundamentalista é baseada em quatro grupos de indicadores que são: Indicadores de mercado; Indicadores de liquidez; Indicadores de endividamento e Indicadores de rentabilidade. Você pode estar nos questionando: são aqueles indicadores que aprendemos em contabilidade? Sim, é isso mesmo, são aqueles indicadores que construímos a partir dos dados da empresa, e, normalmente, fazemos isso através da contabilidade. Análise Técnica: Já a análise técnica não se fundamenta nessas informações da saúde da empresa e sim em informações, dados, do mercado sobre o comportamento das ações da empresa. A principal ferramenta utilizada nessa técnica são os gráficos. Segundo Lagioia (2011, p. 227), precisamos entender os três princípios adotados pela análise técnica: 1) Tudo se reflete nos preços do mercado; 2) Os preços movem-se em tendências; e 3) Os movimentos do mercado são repetitivos. Partindo desses três princípios, precisamos acompanhar as cotações das ações e sempre olharmos para o que já aconteceu no passado, pois a tendência é que se repita no futuro. Como começar a operar na Bolsa? 1º- é preciso procurar uma corretora que seja da Bovespa e preencher um cadastro, assim você estará contratando a corretora; 2º- você escolhe qual ação quer comprar, a corretora pode lhe auxiliar nisso, você dá a ordem de comprar a corretora que efetuará a compra; 3º- a corretora compra a ação na Bovespa; 4ª- você efetua o pagamento para a corretora; 5º- A corretora credita as ações na sua conta (a que você abriu especialmente para essas operações). Esses são os passos básicos de uma operação na Bolsa, quer dizer, você precisa de uma corretora para efetuar as negociações, mas a decisão de quais ações comprar e vender partem de você, a corretora pode lhe dar algumas dicas, mas a responsabilidade é sempre sua. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Xxx Fique por dentro Se você achou interessante a ação e pensa em estudar um pouco mais a respeito e até operar nesse mercado, pode começar “brincando” de investidor em um simulador. Tenho certeza que aprenderá, e bastante, sobre esse tipo de investimento. Acese: http://folhainvest.folha.com.br/ xxx http://folhainvest.folha.com.br/ Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. CONCLUSÃO Nessa unidade, discutimos alguns conceitos e assuntos dentro da Economia. Vimos um pouco da história do Brasil buscando levantar fatos econômicos importantes. Conhecemos o Plano real, como foi implantado e sua importância para nossa economia atual. Estudamos o setor público e seu papel na economia, observando que ele pode estar mais ou menos presente na estrutura econômica e que isso depende da linha teórica adotada. Aprendemos que não são só os dados quantitativos que importam para a economia, os dados qualitativos a respeito de como vivem as pessoas, também, são importantes e diferenciamos o crescimento do desenvolvimento econômico. Por fim, debatemos alguns pontos do mercado de capitais, um assunto que fascina a muitos e realmente é encantador. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. REFERÊNCIAS GIAMBIAGI F.; ALÉM, A. C. Finanças Públicas: Teoria e Prática no Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 2011. GONTIJO, C. Os mecanismos de transmissão da política monetária: uma abordagem teórica. Texto para Discussão nº321. Belo Horizonte: UFMG/Cedeplar, 2007. GREMAUD, A. P.; DIAZ; M. D. M.; AZEVEDO, P. F.; TONETO JÚNIOR, R. Introdução à Economia. São Paulo: Atlas, 2007. GREMAUD, A. P.; VASCONCELLOS, M. A. S.; TONETO JÚNIOR, R. Economia Brasileira Contemporânea. 7. Ed. São Paulo: Atlas, 2008. LAGIOIA, U. C. T. Fundamentos do Mercado de Capitais. 3ª edição. São Paulo: Atlas, 2011. NASCIMENTO, E. R. Princípios de finanças públicas: teoria e questões. Rio de Janeiro: Ferreira, 2010. PIRES, M. C. C. Política Fiscal e Dívida Pública. 1. Ed. XIII Prêmio do Tesouro Nacional, 2008. SICSÚ, J. (Organizador). Arrecadação (de onde vem?) e gastos públicos (para onde vão?). São Paulo: Boitempo, 2007. SOUZA, N. J. Economia Básica. São Paulo: Atlas, 2007. VASCONCELLOS, M. A. S.; GARCIA, M. E. Fundamentos de Economia. 3.ed. São Paulo: Saraiva, 2008.