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AEゃansaO dO seror de sepicο s,α “SOCiedade de Consumo"
e c Rcalizacao da Mais‐ Valiα
()mOdO de producaO capitalista, enquanto producao generalizada de merca‐
dorias,implica um desenvolvimento constante da divisao sOcial do tabalho.l Quan‐
to a isso,o fenOmeno hist6rico relevante foi a separacaO prOgressiva entte a agricuト
tura c a producao artesanat entre O campo e a cidade,que levou finalrnente a con_
trapos195o entre os bens de consumo (Departamento II)e Os meios de prOducao
(IDepartamento I). MaS, nO final, o prOgresso ininterrupto da divis5o de trabalho
tambOm dissolve gradualrnente essa separacao estrita entte os dois setores basicOs
da econOnlia, pois assirn como a producao capitalista de mercadorias destruiu defi―
nitivamente a unidade entre agncultura e producao artesanal,tarnbё m dissolveu tO―
da uma sёrie de outros vFnculos entre diversos setores de produ95o das sociedades
prO―capitalistas, c penctrou incessantemente nos bolsOes de producaO sirnples de
mercadorias e de producao pura de valor de uso das sociedades pFC― Capitalistas
que sobreviveram na sociedade burguesa.
Se essa divis5o progressiva de trabalho fol uma caracterttica peculiar da pr6‐
pria indistria no perrodO da livre concorrencia capitalsta,a partir da segunda revo‐
lucaO tecn01691ca, comecou a inluenciar diretamente na agricultura. Desde o surgi‐
mento da demanda mac19a de maに rias―primas agrrcOlas nas indastrias e de came
e scus derivadOs nas cidades, houve uma especializa95o crescente nos emprecndi―
mentos agricolas.2 Ao lado dessa espedalizacao vem OcOrrendo― ―particulalillente
depois da grande crise agrFcola das dOcadas de 1880 e 1890,na Europa central e
na Europa ocidental,decorrente do aumento da competicaO pe10s produtos agrico―
1``Como a producao c a circulacaO de mercadonas sao os prё _requisitos gerais do modo de produc5。 capitalista,a dl―
宙saO de trabalho na indisma requer que a divis6o de trabalho na sociedade em geralia tenha atlngdO certO grau de
desenvolvlmento Ao mesmo tempo,com a dlferenclacao dos instmmentos de trabalho,as indistnas que produzem
esses instmmentos dferenciam― se cada vez mals Se um slstema manufatureiro se apodera de uma indistna quc antes
era operada em cOnlunto com outras,sela como indistna phndpal,sela como indistna subordinada,e por um s6 pro―
dutor,essas indisttas desligam‐ se imedhtamente e se tomam independentes Sc o slstema manufamrelrO apodera― se
de um esttglo pa‖ bcular da producaO de uma mercadoia,os ou廿 os esttglos de producao transfomlam se em outras
tantas indisLas independentes¨ Este na。 0。 lugar adequado para mostrar como a di宙sao de trabalhO se apodera,
n5o apenas da esfera econ6mica, mas de todas as esferas da sociedade e lanca por toda parte os fundamentOs daque―
le sisterna a゛ mbarcador de especiallzacao e separacao dos hOmens, daquele desenvolvimento de uma inica laculda‐
de humana,as expensas de todas as outlas ''MARX Capltal v l,P 353‐ 3542 KAUTSKY,Kan Die Agrarrage Refenm。 _nos aqui a ed95。 francesa,Lα Qυ
“"on Agraitt Pans,19oo,p 42 etseq
265
266 A EXPANSAo DO SETOR DE SERVIcOS,A“ SOCIEDADE DE CONSUMO''
las baratos, importados do exterior― ―uma separacao generahzada entte O cultivo
do s010 c a criacao de gadO,c uma especializacao na pr6p五 a criacao de gadO
Mas, no cOniuntO, todo esse processo de especializacao e di宙 saO de trabalho
desenvOlveu―se com uma velocidade menOr na agricultura que na indistria aに as
vOsperas da Segunda Guerra Mundial. A mecanizacaO da agricultura e o aumento
da prOdutividade dO trabalhO agrrcOla ficararn muito attas dOs prOgressos da indus_
tria,porquc, entrc outros motivos,a renda da terra consumia uma parte substan―
cial do capital necessariO a cssa mecanizacao.Mas cOmo pre宙 ra Marx um soculo
antes,3 a fOrga total das maquinas e dOs produtos qurmicOs aungiu a agncultura tar―
diamente,cm particular sob O impacto da Grande Depress5o de 1929/32(que co―
mecou um pouco antes na attcultura).4 A rase do capitalismo rardiO,ao menos
em sua primeira “onda longa com tonalidadc expanslonista'', tem se caracte月 レado
por um crescimenιo da produtiυ idade dO trabalho malor na agricultura quc na in―
d口sttta.
Na Alemanha Ocidental,nO perfodo que val de 1950 a 1970,a produtividadc
bruta do ttabalho agricola(produto bruto por unidade de trabalho),a produti宙 da―
de lfquida do trabalho(prOduto lrquidO por unidade de trabalhO)ea``produtivida―
de efetiva do trabalho" (criacaO de va10r por unidade dc trabalhO)quadruphca―
ram.5 Essa taxa de crescimento foi muitO malor quc a da indisma.Nos Estados
Unidos hOuve urn crescirnento anual de 3,8%do produto por unidade de ttabalho
na agncultura,no perfodO de 1937/48(comparaivamente a l,9%do restante da
cconomia);um crescimentO de 5,7%(comparattvamente a 2,6%do restante da
cconomia)ente 1949/57; e de 6,0% ente 1955/70 Com as relacOes de prOdu―
9aO capitalistas, a escalada da produtividade do trabalho na agricultura assume a
follna de uma cOnversao cada vez mais pronunciada dos empreendirnentOs agrrcO_
las em empreendirnentOs capitalistas― ―em outras palavras, uma reducao radical
das areas de produ950 sirnples de mercadorias ou de pequenOs empreendirnentos
individuais de camponescs produzindO valor de uso.A conquista macica da agncul_
tura por parte do grande capital acelerou por sua vez a di宙 saO sOcial do trabalho
agricola,quc agora alcanca um esセ igio qualitativamente superior a do perrOdO da li―
vre concorrencia capitalista ou do irnperialismo classicO. TOdos os ttacos desse
complexo processo de transfoI11lacao na agncultura contemporanea__a crescente
produtividade do tabalho; a penetracao dO grande capital; os empreendirnentos
de larga cscala;a di1/1sao acelerada do trabalho― ―podern ser sintetizados sOb a ru―
brica de industttα lレaca~o crescente da agricultura.
Esse fenOmeno tem duplo sentido.Em pnmeirO lugar, o uso crescente de ma―
quinas e produtos qurrnicOs na agncultura significa a conversao dO prOcesso de pro―
ducaO agrrcOla num prOcesso andlogo ao da prOducao industrial,6。 nde O esfOrco
3``Mais tarde,a produjudade avanca em ambas(indistna c agncukura),embora com itmos diferentes Mas quando
a ind`stla ainge certo nivel,a desprOporcao deve dirninuir ou,em outas palavras,a produt、 ldade da agncultura de―
ve aumentar relatvamente com uma velocidade malor quc a da indistna"MARX Theo"“ げSuplus volue v 2,p
曜まi圭■1況鰍:黛 LttLttnuncladam“ ∞da de 2Q e&Ⅲ sde Fgedrn∝ an∝ de 19202z驚。m―
peu novamette com br,a redobrada Sob“ esse tфたq猛 ,entre outo,VARGA,Eu"nD● Kおe tt Kttiぬお
叩轟鮨麟 鮮 路ゝ:慧鳳摺'£」[:"滅蹴田htteHRUBESCЦ P憲:#:蹴i■♂践柵|Output lndex zur Messung der PrOduktvltatsentucklung in
lnI Bercん た Jber Landω irお chqし 1967,v 45,caderno 3-4,e informacaO dO Ministё ●o Federal de Relac5es“ Interger‐
manicas''para o periodo 1965/70
6 1sso se expressa de maneira notavel pe10 fato de que, desde 1948, a despesa anual da agncultura norte‐ amencana
剛需零itta:F,ぶ品顆 ふfi謂甜稔鳳 dd° ma∝ qぃ t耐∝de ca,d hndd五♂にJttadO
椰齢響4誠鞠恵電轟i:堵則職鳥鮮)[椰樹i掲憮蝋群
dwlJじchaft in Wachstumsprozess de amedkanischen Wirts―
A EXPANSAO DO SETOR DE SERⅥcOS,A“SOCIEDADE DE CONSUMO'' 267
constante de reduzir os custos de producaO sOb a press5o da cOncorrencia se manl―
festa na dispensa do trabalho vivo c ern sua substitu19ao por maquinas,e no aper―
fe19oamento da organizacao dO trabalho e das maquinas e produtos qurmicos que
constitucm os p"―requisitos da producao.7 Assim a agricultura C,ogada nO rede―
moinho da inovacaO tecno16gica acelerada8 e dO menor tempo de girO do capital fi―
xo despendido na maquinaria agricola, Por exemplo: o lnstituto」 aponos de Maqul_
nas Agrrcolas produziu recentemente uma “capinadcira― colhedeira" quc “executa
todas as tarefas do plantio de arroz: planta as mudas, elinlina as ervas daninhas,
pulveriza pesticida,colhe e debulha.Esse trabalho,quc normalrnente e対 ge 300 ho―
mern―horas por hectare,pode ser feito ern 16 horas por essa maquina".9 Essas ino‐
vag6es geranl, por sua vez, novas contrad195es entre o ciclo do componente fixo
(e CirCulante)do capital, por um lado, c o ciclo do componente gasto na compra
da terra,por outro,queё organizada co―
mo atividade capitalista c executada por trabalho assalanadO.Aに mesmo em Tco‐
"as da Mais―
Valia Marx distinguc, na indastria do transporte, entre o transito de
pessoas――que cnvolve a troca improdutiva de um seA/ico pessoal por rendirnen―
tos――eoけansitO de mercadorias, quc aumenta seu valor de troca c ё, portanto,
produtivo.59 se mesmo o ttansitO de pessoas,organizado de fo`llla Capitalista,O irn
produtivo,en6o O de se supor quc as lavandenas,Os cOncertos,os cirCOS e a assis―
tencia mё dica c iurrdica, Organizados de foHlla capitalista, saarn mais improdutivos
alnda.
No volume 2 de O Capital,Marx usa a seguinte f6rmula para dctelHlinar a li―
nha divis6ria,rnuitas vezes sutil,entre o capital produtivo e o capital de circulacao:
53 fbid,p 172-173,185
“
fbid,p 157,185-186,200
55 fbid, p 410: ``Pode―se dlzer, entao, que uma das caracterttlcas dos frα bal力 adο´
“
produtiυ os, istoこ , trabalhadores
que produzem capital,ё que seu tabalho se reallza em mercado"as,em nqueza matenal'' ver ds passagens contras―
tantes das p 406,411
56 fbid,p 218‐219
57 MARX Cαpital v 2,p 127
58 fbid,p 131 Como contraste,ver as pOssagens sobre a prOducao capitalista nao materlal em R“ ultate dの unmi"el
bα ren PFOduk'onsprozd“ , p 144-146 E evidente que antes de escrever o v 2 do Capitα ′Marx hesitOu em sua de‐
marca∝ o de fronteiras entre trabalho assalanadO prOduivo e improdutlvo executado por capitalistas
59 MARX Theo"“ or SupllJs Valυe v l,p412-413
284 A EXPANSAO DO SETOR DE SERVicOS,A“ SOCIEDADE DE CONSUMO''
``Os custOs de circulacao,que se Onginam da simples mudanca de fOrma dO valor,
na circulacao,ldealrnente considerados,nao entram no valor das rnercadonas''60
``Embora no caso apresentado os custos de formacao da Oferta(que aqui sao invO_
lunね riOs)decorram apenas de um atraso na mudan9a de forlna e de sua necessidade,
osses custos diferem ainda daqueles menclonados em l, pelo fato de que seu obletivo
naO o uma mudanga na forma do valor, mas sirn a preservacao do valor e対 stente na
mercadoria enquanto produto, uilidade, c quc naο pode ser prese″αdo de nenhuma
ουtra Jorrnα α′Om da preseruα gaο do produtο ,do p"pガο υa10r de uso Aqul o va10r de
usO naO aumenta; ao con廿6no, dirninui Mas sua redu9ao o lirnitada c ele e preserva―
do O valor pago,conido na mercadona,tambё m n5o aumenta nesse caso;mas um
novo trabalho,rnatenalizado e vivo,C acrescentado"61
E finalrnente:
“A quantidade do produto nao aunlenta com o ttansporte Uma possrvel alteracao
de suas qualidades naturais, efeivada pelo transporte, tarnbOm nao O, feitas algumas
excecOes, um efeito intencional ntil; o,ao conttdno,um malinevitavel Mas O υalor dc
uso das cο isas s6 se marerialレ α em seu consumo, c seu cο nsumo pοde requerer uma
mudanca de local″ aca~o desas coisas,pοr isso pode c颯 gir um processo αdiciο nal de
producaο, na ind口 stria do transpοたc O capital produtivo invesido nessa indis饉 a
transfere valor para os produtos transpOrtados, em parte acrescentando valor por meio
do trabalho realizado no transporte"62
A fronteira entre o capital produtivo c o capital de circulacao passa, portanto,
cntre o trabalho assalariado,quc aumenta, muda ou preserva urn valor de uso,ou
O indispensavel para sua rcalizacaO,c O trabalho assalariado que nao represcnta na―
da para o valor de uso,お to O,para a rOrrnaメ むiCa de uma mercadona,mas que sur―
ge apenas em decorrencia das necessidades especfficas envolvidas,Ou seia,alteran‐
dO(em Oposicao a c"α rldo)a forrna de um valor de trOca.63 Ampliando essa deini‐
caO dc Marx, podemos concluir quc o verdadeirO capital de servicOs__a medida
que naO seia CrOneamente confundido com O capital quc produz mercadorias__
naO ё mais produtivo quc o capital dc circula95o.64
Seguc― se uma conclusao importantc. Do ponto de vista dos interesses globais
da classe capitalista, a cxpansao dO setOr de servicos no capitalismo tardio o, na
melhor das hip6teses, um malrnenor. E preferivel a cxistoncia de capitais exceden―
tes oclosos, mas continua scndo urn mal a medida que naO tem nenhuma relacao
direta com O aumento da massa total de mais― valia e que indiretarnente s6 contri―
bui rnuitO modestamente para csse aumento,ao reduzir o tempo de rotacaO dO ca_
∞MARX Capitα i v 2,p 139 VertambOm p 152 Por``mudanca na fonna do valor'',Marx entende a metamorfose
da mercadona em dlnheiro e do dlnheiro em mercadona,fora dO prOcesso de producao
61 fbid,p 141
62 fbid,p153(Os gnfOS SaO nOssos E M)
“
Em M●
"dst Economic The。
,ν, de nossa autona, escrevemos: ``Em geral pode‐ se dlzer que todo tabalho que cha,
modiflca ou conserva valores de uso ou queを たcnicα mente indispensdυel para a real12ac5o do valor de us。
`trabalhoprodutvo,isto ё,aumenta seu valor de troca't(p 191)ISS。 §gniicava tracar um lirnite entre o trabalho produtvo e。
trabalho realレado na esfera da circulaca。 , sempre com referOncia a produξ 50 c a clrculacaO de mercadonas Essa dei‐
nicao cOrresponde plenamente ao llmite tracado pelo pr6pno Marx nO v 2 do Capital, conforrne se pode venicar pe_
las passagens acima citadas(com excec5o de que“ aumenta seu valor de・ Ioca" devena ser substturdo por``acrescen‐
ta valor de troca''ou,melhor ainda, ``acrescenta valor')Altvater es● errado,ponantO,ao declarar “O conceitO de
tabalho produtlvo, da fonna deinida por Mandel, nao corresponde de modo algum ao conceito de Marx'' e “repre―
senta um retrocesso inclusive em relacao as cOmple対 dades do conceito em Adam Smith''(ALTVATER e HUISKEN
Op cF,p 249)Parece que ele nao entendeu a natureza da perganta que tenttvamos responder com referOncia a
Marx: a da linha d卜 υl,6na exata entre a esfera produtlva, por um lado, e a esfera da circulacao e dos sewigos,por ou_
to
64 AtC agora,a dlscussao mals abrangente desse problema encontra‐ se em NAGELS,」 acques Traυ ●ll Collectlr er Tra_
υα〃Produalr dans L[υ olu,ο n del● Pansι c Ma,おた Bruxelas,1974 Para o capit●llsmο indlυ iduaら todo trabalho as‐
salanadO_mesmo nos setores de circulacao e seNicos― ё obuamente produ[vo,uma vez que lhe possibinta apr。
pnar_se dc uma parte da mais‐vaha social global
A EXPANSAO DO SETOR DE SERVIcOS,A“ SOCIEDADE DE CONSUMO'' 285
pital.Po7ね ntO,a bgica dO capiね′おmo rardiO cOnsおた em conυettet nec“ sattamen―
te,o capital ociosO cm capital de scnり icOs e ao mesmo tempo substituir O capi″ ar dc
sen函9os por capital produriυο Ou,cm outras palaυras,subs“ tuir senり igos por merca―
doガasl sc口′190S de transporte por autom6veis particulares;servlcos de teatrO e cine―
ma por aparelhOs privados dc tele宙s5o; amanha, prOgramas de televisao e instru―
懇1翻夢ぶh胤籍憾 襦ぶ硝er漑:d出慮響臓 胞器
∬:鱗∫驀猟甍鰹1ぼ橋rttr脂躙棚∫峨朧llturais no capitalismO tardiO, possiblitada
謬灘:鋼liW勲聯 翻 1弊∬寧
li訴鮮i割盤鶴∫辮l鮒概鍮Fttl∬胤露
脚 聯蠍皇欄Л霊槻藷儡 掘質
lぎ引素掛横囃肺驀ifttj職搬宅ittl盤懲
獅F郷ど聾JIIぷ1:襲ギ鐸暇1磯『肝鮮露裏鴇iご
lll警髄辮瑠litti掟i鱗馬鶏i榊曙灘ミ
que fossem inteiramente produzidos por processos automaticos ia naO fossem ven―
didos,mas dismburdos gratuitamente,enEo O difrcilimaginar um mouvo quc levas―
蚤∫λ晃:Sお1服1詣
Sユぽ理
'鶴
麗sT蝸詠:乱盤:ξ詰∬盪]認:y
nariO naO teria rnais nada a ver cOm o capitalismo.
鮮SL.∴』蹄:∬霊蹴lS:耀:lξЪttt潔圭譜滉lttCttLi蠅 ]諾雛鶴継a:ヽt腫 盟ittr号■
maお‐valia de Marx
“
Nagels(op clt, p 256)inclui a manutenc5o de bens de consumo duraveis, 0=蓼 nlZada em bases capitallstas,isto ё,
譜辮臨蹴霧::e懺1乱品∫需s田:甘:」:結肥磯a■:塩出庶滉選ξ:鸞FS de teMぽ °una fase do capitalismo tardio estti stteitO as leis especricas
da cspeculacao com a terra.
Em segundo lugar, a crescente industrializac5o da agricultura significa tambOm
uma separacao crescente de setores inteiros da prOducao da agricultura propria―
mente dita c sua conversao em setOres industriais ``puros", na indttma alirnentr―
cia.10 Embora a criacao de galinhas organizada segundo o mOdelo industrial ainda
possa ser considerada uma foHila de transicao,as fabricas que processam e conser―
vam leite c came, frutas e legumes e que produzem ahmentos congeladOs Ou secos
correspondem exatarnente aos empreendirnentos de larga escala que produzem
melas ou movels.
Essa separacao de setOres inteiros da producao da agncultura propriamente di―
ta explica por que a percentagem da populacao ativa trabalhando na agricultura
calu muito mais quc a percentagem da ahmentacao relaivamente ao consumo em
geral. Enquanto esta nitima ainda nutua entte 20% e 30% nos pates industriais
mais avangados,a proporcao de pessoas ocupadas com a agncultura calu para me―
nos de 10%da populacao ativa na maioria dos casos, c em alguns parses, cOmo a
lnglaterra ou os Estados Unidos,chegou a 5ツ3 e as vezes rnenos ainda.Mas,sc in―
cluissemos as pessoas empregadas na industria alirnentFcia(que ё uma das indus―
chaft'' In: Be,chた Jber Londwirお chart 1963, nova sё ne, v 41/3-4, p 576-577)Enquanto cm 1950 as prOpneda_
des agrた。las norte‐ amencanas cOnsumiram 12,7 bilh6es de d61ares de capital constante drculante c 2,5 bilh6es de capl―
tal constante ixo (depreCiac5o), totallzando 15,2 blh5es de ddares comparados a sua renda liquida de 16,9 bilh6es
de d61ares,em 1970 consumiram respecivamente 24,6b」 h∝se6,5 bllh&s de capital constante circulante e ixo,
comparados a uma renda Fqdda de 22,5 blh5es de d61ares SIcascα ′Abstractげ the Un″ ed Sta烙,1971,p5817 KRIELLAARS,F W 」 Landbο ul●ploblematieた bヴ economた cha groei Leiden, 1965,p 21 Entre 1950 e 1970, o
valor da maquinana e dOs equipamentos agFcolas(incluindo os autom6veis partculares dos agncultOres)subiu de 12
para 34 blhё es de d61ares Ao mesmo ternpo, a populacao do campo dechnou de 23 para 9,6 mllhoes,c as pessoas
atlvas na agncultura,de 9,6 para 2,3 mlh6es(em 1970,40%da chamada populacao rural atva cstava empregada fo‐
ra da agncultura)8c∝hrane esdma que 80%do aumento da producao agricola nos Estados Unidos no periodo 1940/58 deve ser atn_
buido ao progresso tecnolα ic。 (。utros autores ettmam essa percentagem em tomo de 30%)Ele exphca depol,“ A
chuva de novos conhecimentos por sobre a terra, a revolucao tecnOlα Jca eStendendo― seさ agncultura nao C uma cOl_
sa resmta lgada a maquinana c equipamento ё algo amplo que envolve melhores t`cnicas de trabalho e administra
950,nOVa demarca゛ o,reCombinacao e especlal麟
"o por area das empresas que prOduzem mercadonas,e adapta‐cao da agncultra a novas ttcnicas" C∝ HRANE,W W “FarFn TeChnolo9,Foragn surplus Dsposal and Domestc
Supply Control''in:」 οurnαlorFar7n Economics De2mbro de 1959,p887
9 The Japan■ 7n‐ 13 de agosto de 1974ЮA"“enねgem“ vabr tぬl dos"na∝ ahmettos“舷:盤麟濯TTT鳴19:ar隅1戦訛las em seu processamento industial pode ser supenor a 51
much is belng spentin the U S thls ycar for food?" In:Ag"culural Sittσ
“
on Setembro de 1963,p ll ctseq)。 bSe,
va que no periodo 1950/62, os processadores e dlstnbtudores de generOs allmenticios receberam um cOnstante de
12%da renda disponivel do Orcamento domlstlco mё do dos Estados Unidos,enquanto a percentagem dos agncult。 _
res calu de 8%para 5%dessa renda Em 1970,os agnculores norte‐ amencanOs ttceberam o equ市 alente a apenas
19%dos gastos dos consumidores∞ m fainha de mgo e massas,25%dos gastos com lrutas e legumes,e39%dos
gastos totat com produtos agrК olas
268 A EXPANSAO DO SETOR DE SERⅥcOS,A“SOCIEDADE DE CONSUMO"
trias mais importantes em todos os Estados industriais)entre aquelas que se ocu―
pam com``agicultura'',cssa percentagem sena mais que duplicada.11
%dc TrabalhadOres Agricolas Rclatiυ amenた a Todas as Ocupac6es Ciυ is
195θ 196θ I"θ
Estados Unidos
」apa。
Relno Unldo
Alemanha Ocidental
Francal
13,5%
46,7%
5,6%
24,7%
36,0%2
8,3%
30,2%
4,1%
14,0%
22,4%
4,4%
17,4%
2,9%
9,0%
14,0%
l Para a Franca em 1946,ver Commisslon pour l'Europe des Natons Unies,rtude sur,α Situαtion Econo
鍔%FerEulopeen19“ Geneb●,1955p207
o rapidO aumentO da produtividade do ttabalho na agricultura, combinadO a
um crescimento muito mais lcnto do consumo de"nerOs ahmentrc10s e a uma ne対 ―
bilidade negativa da demanda de certas matOrias― pnmas, lcvou a rapida queda dOs
pre9os relativos dos prOdutos agrfcolas, o que provocou uma reviravolta completa
na estrutura classica de valor e preco dessas rnercadorias nos parses imperialistas.Se
a concorrencia intemaclonal fosse mantida,a renda absoluta da terra,assirn como a
diferencial, desapareceriam de grande parte da Europa ocidental, comO aconteceu
numa parte nada desprezivel de terras cultivaveis da AmOrica do Norte.12
A persistencia de lutuacOes de preco muitas vezes de vultO no mercado mun―
dial relete a Osclacao entre rescttas e insuficiencias de mercadonas― chave que po‐
dem ocorrer de repente. Enl temos de valor, essas lutuac6es definern se os pre―
9os de producao de grandes areas de terra menos fё rtil da AmOnca do Norte, da
Australia Ou da Argentina detellllinar5o ou n5o o pre9o de mercado. ComO a prO_
ducaO naO pode acOmOdar― se de irnediato a essas lumacoes repentinas, c cOmo
os agricultores宙vem corn medo de uma superproducao cronica, ao mesmotempo
quc a intervencao estatal nos pates impenalistas premia a lirnitacao da prOducao
corn mais frequencia dO quc a sua ampliacaO,na verdade a prOducao naO sc esten_
de a essas areas menos ttrteis com muita rapidez,e solos que produzem mais(saa
por causa da fertilidade natural ou de malores investimentos de capital, seia por
uma combinagao de ambOs)s6excepclonalmente dao a scus pЮ pne通nOs uma
verdadeira renda da terra.13 E por isso quc a restricao aO cultivO direto em grande
escala capitalista acaba predominandO em paises como os Estados Unidos,pois na
agricultura capitalista contemporanea la naO ha superlucros superiores ao lucro mё ―
diO(que,abm disso,ё tambOm o lucrO mё dio dos setores nao monOpolizados14),c
l10ECD Eco● omic Su″ eノ or Austra″ o Dezembro de 1972,p ll Para o」 apao em 1950,NAMIKI,Masayoshi The
Fα r7n Populαtion in」。pan,1872-1965 p 40
12 0 ntmero de estabelecimentos agricolas nos Estados Unidos, que nutuava em tomo dos 6 milh6es entre 1920 e
1945, calu para 2,9 milh6es por volta de 1970 Desses 2,9 milh5es, 1,8 milhaO sao estabelecimentos com aghcultura
de subsistOncia c em rejme de parcenal em Outras palavras, apenas l,l milhao de estabelecimentos agricolas produz
para o mercado 870 mil estabelecimentOs agricolas responderam por 84,4% do total das vendas agricolas de 1964,
com um moν imento m`dlo de 34 mil d61ares por estabelecimento agricola(os outrOs nunca chegam sequer a aingr
essa mOdla)2 mlh5es de estabelecimentos agricolas iveram vendas de 4 mn d61ares ou menos Apenas 142 ml con‐
seguiram um movlmento supenor a 40 mil d61ares N5oこ nenhum exagero airmar que a renda da terra pratcamente
desapareceu em 90%dos estabelecimentos agricolas norte― amencanos
13 Aumentos vultosos e repentnos de preco de matこ ias‐ pimas s5o´ acompanhados por aumentos,19ualmente repeni―
nos das rendas dlferenciais lssoこ vllido para as mtnas de ouro da AMca do Sul,por exemp10,depois da enorrne alta
no preco do ouro no mercado livre,ou dos campos petroliferos do Onente M`dio Em meados de 1974,。 invesimen―
to necesttnO para produzir um baml de pe廿61eo por dia vaiava entre 100 1ibras no Ohente Mё dio, 1200a 13001i
bras no mar do Norte e 3 mil a 4 millibras em areias betuminosas ou em camadas de対 sto betuminoso dos Estados
Unidos N5o ha necessidade de enfattar a consequente extens5o das rendas do pe嘘 もleo no Onente Mё di。
14 ver Khenaars(Op Cr,p28-31)relatvamente a poslcao esbは turalmente mais fraca dos agncuHores em face das em‐
presas monopolistas Entre 1950 e 1960, a producao de m`quinas agrlcolas nos EstadOs Unidos numou entreindices
de 60 e 100:seu preco subiu cerca de 30% A producao de ac。 lutuou entre indices de 90 a 120;os precos subiram
A EXPANSAO DO SETOR DE SERⅥcOS,A“SOCIEDADE DE CONSUMO" 269
軸∫聰撫Y駆鮮ぶ癬l鯉酬F雛品馘
屹a do capital C a mesma,ou apro対 mada
電ilffllliI「:hil[:|:1lSぎ]11:111き識
bこrn explica a tendencia de desaparecer a
lotar que essa tendencia naO se faz acOm―
panhar necessariamente por uma queda nos precos da terra (excetO em casO de
晋 賓 馨曇 轟 器 揮 諄 :酎 i犠 饗 官
品 麗 雷 霊 翼 躍 塁 薯 豚
reco correspondente――tanto quc a renda
naO desaparece inteiramente;em scgundo lugar, os pre9os da terra sobem a medi_
da que areas de cultivO sao transf0111ladas em areas residenciais ou em estradas, c
dessa f0111la indireta sao jogadas na especulacao imObliaria, que por sua vez ё tan―
to consequOncia quanto motOr da inlacao permanente.
Mas a queda dOs precos agrrcolas relativos nao leva automaticamente ao desa―
parecirnento do pequeno agncultor.Mesmo no capitalismo tardio,uma``vOlta a ter―
ra" ainda C temporariamente possfvel em perfOdo de muito desemprego Ou insufi―
ciencia de alimentOs. Por outro lado, sc uma rapida queda dos rendirnentOs relati―
vos dos agricultores coincide cOm uma demanda crescente de forca de trabalho
nas cidades e uma diferenca cada vez malor entre os precos agricolas e os indus―
triais, c entre os rendirnentos dos camponeses e dos trabα ′hadores assalariadOs15
da industria, O deslocamento do campO para a cidade assumira propO、 δes de
uma verdadeira avalancha, comO aconteceu tanto na EurOpa ocidental quantO na
Arnёrica do Norte na “onda longa cOm tonalidade expanslonista'' de 1945/48 atё
1965.
Sob crescente socializacao obletiVa dO trabalho, rnesmo com a producaO gene_
ralizada de mercadonas, uma divisaO cada vez malor de trabalho s6 pode ser efeti―
vada se as tendencias a centralizacao predOrninarern sobre as tendOncias a atorniza―
cao. No capitahsmo, csse prOCesso de centralizacao tem carater duplo: ё "cnico e
O econOmico. TccnicamenFe, uma divis5o crescente do trabalho s6 pode combinar―
se corn uma socializacaO crescente e obictiVa do trabalho por melo de uma amplia―
caO das funcσ
“
inたff′ :edidttasf dar a cxpansaO sem precedentes dos setores de co―
mOrclo,transporte c serv19oS em geral.16 Economicamente,o processo de centraliza―
cao s6 pode manifestar― se por rnelo de uma centahzacaO crescente de capital, en―
tre outras, sob a fol:1la de uma integracaO vertical de grandes empresas, firmas
mulunaciOnais c conglomerados.
A separacao entte ati宙 dades prOdutivas anteriorrnente unificadas tOma indis―
pensavel a ampliacao das func6es intellliedianas. se a prOducao artesanal se sepa―
ra da agricultura, こ preciso garantir aos camponeses a mediacao dOs instrumentos
de trabalho e de bens de consumo quc antes eles rnesmos faziam a mao,c aOs ar―
謂 ∴ 庶 器 ;曽l脇 :機椒 鐙
f機
譜 l£I漑 蹴 sttl∬:電器 :Ⅷ
8淵:1楓撃1:躙胞Sfttaλ∬Tλ盤」器iCP駆鴛電:ぜLttLttl
cerca de 50% Na agncultura,a produca0 1utuou entre indices de 100 o 125;os precos pagos aos agicultores,ao con―
tra五。,calram cerca de 20%15 NOs EstadOs Unidos, a renda por hora de tabalho na agncultura, que ainda era equivalente a 75%da hora mё
dia
畿 :制
'3tt讐
指
had°r hdu輛dem D侶 ,cau paaふ enos de 30%dese J6● o emり57■MBERttKE WE‐
16 Analisamos mais abaixo as grandes vanac∞ s da estruぬ ra cconOmica do chamado setor de servlcos A funcaO dOs in‐
termedianos,que se expande no curso da divisao crescente do trabalhO e que pode ser atnbuida,no capitalism。 ,a cm―
鷲藍F蹴∫』T礎鸞輔驚誓I卜織轟懸群囃胤聴驀鮮
270 A EXPANSAo DO SETOR DE SERVicOS,A``SOCIEDADE DE CONSUMO"
divisao de trabalho,tanto mais essas funcOes interlnediarias precisam ser sistemati―
zadas e raclonalizadas, a fim de assegurar producao e venda continuas. A tenden_
cia a reducaO dO tempo de giro do capital,inerente ao modo de producao capitalis―
ta,s6pode tornar― se realidade sc o capital(comercial e financeiro)se apossar cada
vez rnais dessas func6es intermediarias.
Nos perfodos da livre concorrencia capitalista e do impenalismO classicO, essa
penetracao dO capital nos setores interrnediariOs Ocorria principalrnente no proces―
so de circulac5o: o capital comercial, financeiro e de transporte mediava c acelera―
va a troca entre os Departamentos l c II(remeSSa de matOrias― primas e maquinas
para a industria de bens de consumO c agncultura),cntre diferentes empresas e ra―
mos da industria no Departamento I(mituO fOmecimento de maに nas_pnmas e
maquinas para a indistria que fabncava os rnelos de producaO)e entte O Departa―
mento II c o coniuntO dOS consurnidores(venda de gOneros alimenticlos, bens de
consumo industrializados e artigos dc luxo para assalariados c capitahstas).17 Quan―
to mais avancam a di宙 sao intemacional do trabalho e a socializaca0 0biciVa inter―
naclonal do trabalho,tanto malor a importancia dO sistema de transporte e das fun―
96es intellllediarias nO dOrnin10 do comOrclo internacional e do sistema intemacio―
nal de cたdito. Nessas duas fases do capitalismo,a penetracao dO sistema de cた di―
to na esfera do consumo privado efetivo llrnitava―se aos casos de extrema peniria
(penhor, aglotagern); somente na dOcada de 20 deste sOculo O quc estendeu― se se―
riamente pela drea de financiamento para a compra de bens de consumo duraveis
nos Estados Unidos(na Europa e no」 apao essa nOva ampliacao dO sisterna de crё ―
dito relativamente ao consumo privado naO se generalizou antes do adventO dO ca―
pitalおmo tardio).18
Na ёpoca do capitalismo tardio, o processo de capitalizac50, c, conSequente_
mente, da di宙 sao de trabalho, adquire nova dirnensao tambom nessa esfera de
mediacao.Aquitambё m,mais tarde ainda quc na agricultura,a mecanizacao triun_
fa, promovida sobretudo pela cletrOnica c pela cibemё tica. Os computadores c as
maquinas de calcular eletЮ nicas substituem enome quantidade de auxiliares de es―
crita, escriturariOs e contadores de bancos e companhias de seguro. As loiaS Onde
as pessoas mesmas se servem e as maquinas automaticas que fomecem cha, cafo,
balas etc., com a introducao de moedas, tomam o lugar de vendedores e balcOnis―
tas. C)rnodico profisslonal libera1 0 substiturdo pOr uma policifnica cOm especialistas
afiliados ou por mё dicos empregados pelas grandes companhias;o advogadO inde―
pendente d6 1ugar ao grande escrit6● o de advocacia ou aos conselheiros legais de
bancos,cmpresas e administracao pibhca.A relacao priυ ada entre aqucle que ven―
de forOa dc trabalho com quahficac6es especificas e aquele que gasta rendirnentos
privados, quc ainda predominava nO sOculo XIX e fol analisada em detalhe por
Marx,19 cOnverte‐ se cada vcz mais ern um seⅣ 19o capitarista,ao mesmo tempo quc
se torna obiCiVamente socializado.O alfalate particular O subsiturdO pela indistria
de roupa feita;o sapateiro,pela divisao de cOnsertos das grandes loiaS de departa―
mento, das fabricas e 10ias de Ca19ados; o cozinheiro,pela producao enl massa de
refe196es prё ―cozidas, consumidas em restaurantes com auto― servi9o ou pelo sctor
industrial especializado; a cmpregada domostica ou arrumadeira, pela mecanizacao
de suas func6es sob a folllla de aspirador de p6,maquina de lavar roupa,de lavar
pratos etc.
Essa socialzacao obeiva dOS Servicos ё particulallllente evldente onde a in―
fra―estrutura c対ge o mais alto grau de raclonalizacaO em funcao dOs altos custos fi―
17 MARX Cap“α′v2,cap VI
18 sobre a impo■ 6ncia do crOdito ao consunlldor como solucao temporana das dlflculdades de reahcao e comO uma
das pincipais fontes de innac5。 ,vero cap 1319 MARX Theo″es orsuっlus V● lu`vl,p157161
A EXPANSAO DO SETOR DE SERⅥcOS,A“SOCIEDADE DE CONSUMO" 271
xos e das despesas de constucaO No sOculo XIX,o transporte de curta distancia,
o aquccirnento domOstico, a luminacao, a agua c o fomecirnento de energla em
geral ainda cram puramente privados. Nas areas c。 loniais tecnicamente atrasadas,
esses serv19os chegavam a proporc10nar as principais fontes para a subordinacao
desp6tica dos naivos, quc eram obrigados a executar serυ 19os privados para Os se―
nhOres c010niais, que dispunham dos ``cortadOres de lenha e dOs carregadores de
agua''de fOI11la muitosemelhante a dos senhOres de escravos de Roma.A pene―
tacaO dO capital nessa csfera, sobretudo atravOs da eletrificacaO, signllcou enor―
mes gastOs em capital fixO c uma queda correspondente na lucratividade dOs em―
preendirnentOs privados; essa mudanca levou progressivamente aos trens de passa―
geirO e as estadas de ferro suburbanas, as usinas ebtricas c a agua e gas encana_
dos,quc hoe SaO regra geral na rnaloria dos paises imperialistas.O escravo domos―
tico,宙vo e pessoal,foi substiturdO pe10 escravo rnecanicO,inerte e socializado.
Mas essa cvolucao n50 deve, naturallnente, ser exagerada. Uma sociedadc
produtora de mercadorias, chela de impulsos aquisitivos, cria constantemente sua
pr6pria negacaO cOmO uma corrente secundaria.(Ds nlilhares de pequenOs em―
preendirnentos ttabalhandO cOm carvao e madeira sao substiturdOs por um peque―
nO namerO de empresas multinac10nais de pe廿 61eo c gas natural. Mas para consc―
guir atingir centenas de nlllhares de cOnsumidores, essas corpora96es sao obnga_
das, pOr sua vez, a incentivar o estabelecirnento de indmeros postos de gasolina c
garagens. Os servi9os de agua, lllz e gas, centralizados e reorganizados em instala―
c6es piblicas, scrvem diretarnente a rnilh6es de consunlldores. Mas, para realizar
suas func6es, os inconttveis aparatos que fazem a mediacao entre cssas fontes de
energia c o cOnsumidor final demandam, por sua vez, pessoas que facam conser―
tos, encanadores, eletricistas e vendedores. Quanto mais barata a mercadoria, isto
O, quanto menor o ternpo de trabalho despendidO ern sua producao, tantO malo―
res serao os custos de supervisao e reparOs comparativamente aos custos de prOdu―
caO,e tanto mais cara,cm te111los relativos,a forca de trabalhO qualificada necess6-
ria para a realizacao dessa funcaO.20 MaS essa negacao deve peI11lanecer em cara―
ter secundariO, pois assirn que uma brecha considerttel no processO de centraliza―
caO parece ter― se tomado “lucrativa", irnediatarnente atrai capital, quc al tentard
conseguir ao menos o lucro mOdio e pode elinlinar gradualrnente os pequenos ern―
preendirnentos privados. Grandes empresas de reparos tendem a substituir o enca―
nador individual,assim como as grandes loas de departamento acabaram cOm o
pequeno lojista c os grandes bancOs com os cambistas privados Os elos e agentes
intellllediarios do processo de centralizaca0 0bjetiva sao por sua vez centrahzados.
Longe de representar uma ``sociedade p6s― indusmal'', O capitalismo tardio
constitui uma industガα′滋acaO generalレ ada uniυ cβal pela primeira vez na hisbria.
A mecanizacaO, a padronizacao, a super― especializacao c a fragmenta95o do traba―
lho,que no passado detellllinararn apenas o reino da producao de mercadorias na
indistria propriamente dita, penetam agora todos os sctores da宙 da social.2ユ uma
das caracterisicas do capitalismo tardlo O que a agricultura csta se tomandO gra―
dualrnente tto industrializada quanto a pめ pria indusma,22 a eSfera da circulacao
驚智T織1諸憾К&ξttΨ撫:Ъ溜出£l葡覧盤響擁舗盤響驚l∬等
露霊眠∬臨鮒 躍1£聟 :警
甜鵬鮮
ores壺 o:o elettcista ё substltuido pOr especiahstas em con―
n conserto do sistema de aquecimento central etc etc Mas
てi鳥肥sT機歯“umbrmぴ 'comQ po exempち
im6rdios da indusmallzacaO da agncultura em Lα Ques'ο n
272 A EXPANSAo DO SETOR DE SERヽ lcOS,A“ SOCIEDADE DE CONSUMO"
tanto quanto a esfera de producao, o lazer tanto quanto a organizacao do traba_
lho. A industrializacaO da esfera de reproducaO cOnstitui o dpice desse prOcesso.
Os computadores calculam o pacote de acOes ``idear' para O aclonista particular e
a localizacao ``ideal'' para a nova fabrica da grande empresa.A tele宙 s5o mecaniza
a escola,lsto O,a reproducao da mercadoria forca de trabalho.23 Flmes e documen―
ねrios de tele宙sao tOmam o lugar dos livros e dos jomais.A``lucratvidade''das
universidades, academias de musica e museus comeca a ser calculada da mesma
forrna que a das fabricas de l巧 010S Ou de parafusos.24
Em iltima insttncia,todas essas tendencias cOrrespondem a caracteristica basi―
ca do capitalismo tardio: o fenOmeno da supercapitalizacaO, Ou capitais excedentes
naO investidos,aclonados pela queda secular da taxa de lucros c acelerando a tran―
sicaO para O capitalismo monopollsta. Enquanto o ``capitar' cra relativamente es‐
casso, concentrava―se nol11lalrnente na producao direta de mais― valia nos dornf―
nlos tadicionais da producao de mercadorias. Mas se o capital gradualrnente se
acumula em quantidades cada vez malores, c uma parcela consideravel dO capital
social ia naO cOnsegue nenhuma valonzacaO, as novas massas de capital penetta―
raO cada vez mais em areas naO prOdutivas,no sentido de que n5o crianl mais―va‐
lia, onde tomarao o lugar do trabalho privado e da pequena cmpresa de maneira
taO inexOravel quanto na producao industrial de 100 ou 200 anOs antes.
Essa enolllle penettacaO de capital nas esferas da circulacao, dos serv19os e
da reproducao pode,por sua vez,levar a um aumento da rnassa de mais― valia:
1)aSSurnindo parcialrnente as fungOes produtivas do capital industrial propria―
mente dito,como ё o caso no setor dos transportes,por excmplo;25
2)acelerando o tempo de rotacaO dO capital produtivo circulante, como O o
caso do comOrclo e do serv19o de crOdito;
3)reduZindO os custos indiretos da producao,comO se da na infra_estrutura;26
4)ampliandO os lirnites da producao de mercadorias― ―em outras palavras,
substituindo a 廿oca de seM9os individuais por rendirnentos privados pela venda
de mercadorias contendo mais― valia.
A fa対neira, a cozinheira c o alfalate particulares nao prOduzem mais― valia;
mas a producao de aspiradores de p6,sistemas dc aquccirnento centtal,cletricida‐
癬 T聰 蹴 識 麗 T鰍 庶
f鵬 欄 難outro tipo de producao industrial capita
職雷L詣 |∬λ戯継Lttl朧蹴 de cattd no chamado∞br de w面 9oヽ
uza a taxa mOdia de lucros, porquc uma
massa malor de mais― vaha deve somar―sc a massa de capital social investido, quc
aumentou ainda mais do quc a quantidade de mais― valia. Alё m disso, a acumula―
23 com O Suromento do video‐caswte,a repenetracaO da producao capitalista de mercadonas nO setOr educacional tor―
nou― se possivel em grande escala
豫£:i:tel:田麟 :淵:ぷ畷 麗翌1遇鍵露 出 Л 期 眠
S bbe価Cas e"ao a“ u面ndO a dlrecao de edbras e co―
ta Xerox,da Bell,da 3M e Belle da Howen A a宙 ac5o nor‐
te‐amencana (sic)esほ enV。lΨida na prOduc5o de dgua poね vel pura A General Electnc es6 paぬ cipando da crlacao
de uma empresa chamada Ceneral Leaming,preparando‐ se para a produφ o de“ mercadonas educactonais'' Leas‐
F驚∫Ⅷ:∬警』亀譜鮒朧霞漁器蹴:fl暁空£鳳里n艘帆l謂讐譜器肝富
'Lxem
房l品:鰭盤Fi:唱留』「1~attr c“ dおchψ“che PЮdu畑
on und Obnο mおche Ro,onallttt Fankfu軋 196ヵ saa
朧 き選l尾濯殺ll雀よ隠
“
熙犠iぷ:F鯉鴬縫鵞da C°厳こm"威os de panda`セL paa umaセ oha
A EXPANSAO DO SETOR DE SERⅥcOS,A``SOCIEDADE DE CONSUMO" 273
95o de uma massa de capital ocloso que cresce constantemente ameaca as empre―
sas gigantes com a perspectiva de que, a longo prazo, esse capital talvez nao se
contente com os iurOS modios e possa tentar penetrar a fOKa nos setores monopoll‐
zados, reativando assirn a concottncia c ameacando os superlucrOs dOs monop6-
hos. O desvio do excesso de capital para o setor de scnЛ 9os aiuda a prevenir essa
mudanca.
Finalrnente, o capital monopolista nao tern nenhurn motivo para hostilizar o
desenvolvimento completo da industrializacaO e capitalizacao intensiva de todOs os
setores s∝iais,porquc ele pr6pno participa cesSe prOcesso一 ao menos enquanto
o “novo" capital desempenhar com sucesso o papel hisbrico dc abrir novos cam―
pos de investimento e de experimentar novos produtos,de modo que a lucrativida―
de desses novos campos saa garantida. A concentracao e centralizacaO de capital
nas areas de alimentacaO e distribuicao pOssibilitam o surgimento de grandes em―
presas a altura dOs mstes de a9o e de eletricidade(Unilever, NesuO, General
Food).As grandes companhias tomam posse das unidades de distribu195o(hoに is
dominados por fabricas de cerveia, pOStOs de gasolina dirigidos pOr trustes de pe―
tr61eo ctc.)Ou tomarn iniciativas de grande escala na esfera das loiaS de departa―
mentos ou dos sistemas de transporte(companhiasde a宙 acao,cOmpanhias de na―
vega95o maritima,lazer,た nas etc.).Os conglomerados combinam indiscnminada_
mente a producao de acO, companhias de a宙 acao, prOducao de margarina, fabri―
cacaO de maquinas elCtricas, companhias de seguro, especulacao de terras e gran―
des loias de departamento,a im de assegurar a taxa mOdia de lucros para o malor
volume possfvel de capital, de minirnizar os riscos do investimento especializadO e
mesmo de exp10rar as possiblidades crescentes da administracao rac10nalizada c
da especulacao marginal,para embolsar superlucros para o todo desse capital cOn―
glomerado.27
Se a disponibilidade de grandes quanidades de capital que naO podem valori―
zar―se rnais na indistria propriamente dita ё um p贅多―requisito para a expans5o do
chamadO setor de servi9os, uma grande diferenciacao dO cOnsumo, c especialrnen―
te do consumo dos assalariados e da classe operana, C um p資 ,_requisito comple―
mentar a essas novas fo111las e campos da acumulacao de capital. Essa tendencia
jd era perceptivel,em embnao,nO periodo da hvre concorrencia capitalista,c Marx
a descreve da seguinte follHa em Crundrissc:
“Na producao que se baseia no capital,o consumo O sempre mediado pela troca,c
o trabalho nunca tern um valor de uso imediato para aqueles que trabalham. Sua base
esb toda no trabalho enquanto valor de troca c enquanto criacao de va10r de troca O
trabalhador assalariado,ao contrario dO escravo, C ele mesmo um centro independen―
te de circula95o,alguOm quc troca,que coloca seu valor de troca e mantOm O valor de
troca por ineio da tr∝ a Em primeiro lugar: na troca entre aquela parcela do capital
descrita como salario e a capacidade宙 va de trabalho, o valor de troca dessa parcela
do capital coloca‐ se de imediato,antes que o capital sula nOVamente do processo prO‐
duivo para entrar na circulacao, ou issO pode ser entendido como sendo em si mes―
mo um ato de circulacao.Em segundo lugar para todo capitalista,a massa global de
todos os ttabalhadores,com excecaO dOs seus pr6prios, nao aparece como trabalhadO‐
res, mas como consumidores, possuidores de valores de廿 oca(salanOs), dinheiro, que
trocam por sua mercadoria.Eles constituem muitos centros de circula∞ o com OS quais
難灘灘鱗灘
靴i鮒幾撚露l榊掘苗幽たmねⅢ
274 A EXPANSAo DO SETOR DE SERⅥ cOS,A“SOCIEDADE DE CONSUMO"
comeca o ato de troca e pelos quais se mantё m o valor de troca do capital.Sao uma
parte proporclonalrnente muito grande― _embora nao●O grande quantO em geral se
supOe se considerannos o ttabalhador da industria propriamente dito― ―de todOs Os
consumidores (2uantO malor a sua quantidade― ―a quanidade de populacaO indus―
mal__e a massa de dinheiro a sua disposic50, tanto malor o ambito de troca para o
capital"28
Aqui Marx pre宙 u, por assirn dizer, a “sociedade de consumo". HistOricamen―
te a cxpansaO dO mOdo de producao capitalista significa uma cxpansao mac19a dos
salariOs monetanOs c uma expansao igualrnente ampla do chamado ``mercado in―
temo" para bens de cOnsumo industrializados, criado pela acumulacao dO pr6prio
capital. Como, ent5o, devemOs considerar essa expansao da csfera da circulacao
de mercadorias de maneira a incluir os pめ prios assalariados,crn tellHos de necessi―
dades(o padr5o de宙da)do prOletariado e dos problemas de valorizagao e realiza―
95o do capital?A diferenciacao da demanda monettria cfetiva do prOletariado dos
paises indusmalizadOs,que se desenvolveu gradualrnente a partir da metade dO sё ―
culo XIX, quando o exё rcito indusmal de reserva do Ocidente come9ou a sofrer
uma baixa secular,deriva― se das seguintes fontes principais:
1)DeclFnlo secular da proporc5o dOS incios de subsistencia ``puros'' nos sa16-
rios reais da classe operana. Isso corresponde aquela tendencia, indicada pOr
Marx, de um componente do valor da mercadoria forca de trabalho, hisbrica e so―
cialrnente dete11llinadQ,ocupar scu lugar ao lado do componente que tem uma dc―
tellllinacaO puramente fislo16gica. Quando essa tendencia acelera__cOmo aconte―
ceu cspecialrnente depois da Segunda Guerra Mundial― ―a diferenciacao crescen_
te do consumo de trabalhador faz― sc acompanhar de uma crise peI11lanente na
agricultura A demanda de produtos agricolas parece estar saturada; no casO de
certos generOs alimentrclos, chega a haver inclusive uma nexibilidade negativa de
demanda.(D aumento do cOnsumo de mercadorias por parte dos trabalhadores,
com excecao dOs alimentos, ё seguido de um r6pido decliniO no nfvel de empre―
gos agrrcolas e da rurna dO pequeno empreendirnento camponOs.29
2)Desorganizacao prOgressiva da famlia prOletana cnquanto unidade de prO―
ducaO,c sua tendOncia a se desfazer,mesmo como unidade de cOnsumo.()merca―
do crescente de refe195es prontas e de alirnentos enlatados, roupas feitas e aspira―
dores de p6, c a crescente demanda de todos os tipos de aparelhos eletrodOmosti―
COS, COrreSponde ao rapido dcclinlo da producaO de valores de uso imediatos no
selo da famlla, quc antes era de responsablidade da csposa, da mac Ou da filha
do ttabalhador:refe195es,roupas,c todos os serV19os de casa,tais como lirnpar,la―
var a roupa, cuidar do aquecirnento etc. Como a reproducao da mercadoria forca
de trabalho se realiza de modo crescente por rncio de mercadorias capitalisticamen―
te produzidas c organizadas e da prestacaO de scM9os, a base material da famnia
individual desaparece tambёm na csfera do consumo.30
Esse processo corresponde, por sua vez, a uma pressao ecOnornica, ou seia,
as atividades prOfisslonais crescentes das mulheres, de uma parte(esSa c a tenden―
28 MARX,Karl Gttndnsse p 419 Neste trabalho vertambOm p 282 287,,a citadas no cap 5 deste llvro
29E宙 dentemente ё preciso conslderar o fato de que a grande alta dos precos comerciais indl宙 duais de muitos gOneros
alimenticios de luxo,resultante dO crescimento dos custos de dlstrlbuic5o e vendas, resttng9 aぬ flCialmente o consumo
dos assalanadOs A saturac5o s6 1 absoluta no caso dos goneros de pnmeira necessldade E claro que uma dleta ldeal
nao edd de fOnna alguma garantlda na nutncao do proletanado dos pates``icos"
∞PrOva disso ё o su9mento de um mercado,ovem bem forte,o consumo crescente da juventude opeぬ ia fOra da fa―
mlla operana, a separac5o cada vez maior entre os aposentados e os adultos etc Nao ha necessidade de enfatlzar os
sёHos danos psiquicos decorrentes dessa atom12acaO(ciancas abandonadas,adultos soliね 五os,velhos decrё ,tos)
A EXPANSAO DO SETOR DE SERVIcOS,A“ SOCiEDADE DE CONSUMO" 275
cia a longo prazo no capitalismo tardlo,embora a mё dio prazo saa poss,vel discer―
nir muitas lutuag6es, que correspondenl, ente outras coisas, as Osclac6es dos ci―
clos profisslonais efetivos), c a cscOlarizacao cada vez malor da classe operaria, dc
outa parte (o prOcesso social de reproducao de qualificacoes profiss10nais). Essa
cOeKaO ecOnOrnica tem correspondencia na 16gica intema contradit6ria do desen―
volvirnento capitalista.Por um lado,o capita1 0 obrigado a reduzir O valor das rner―
cadorias individuais por causa de sua cxpans5o constante da prOducao de merca―
dorias enquanto tal, e de sua mecanizacao crescente, quc e対 ge producao cm mas_
sa c venda dessas mercadorias. Por essa raz5o procura estimular necessidades de
consumo sempre novas na populacao,inclusive na classe operaria. POr Outto lado,
a producao de mais― valia, a realizacao do lucrO e a acumulac5o de capital conti―
nuam sendo os obiciVOS Supremos de todos esses esforcos;dar a compulぬO per―
manente de lirnitar os sa16五 os e de mante-10s abalxo do nivel necessariO a satisfa_
9aO de tOdas as novas necessidades de consumo geradas pela p■5pria producao ca_
pitalista. A disparidade crescente entre as necessidades de consumo da famlla c Os
salariOs do homern trabalhador leva as mulheres casadas a procurarem emprego
com frequOncia cada vez maior e assirn garante expansao geral dO trabalho assala―
nad。 .31
Pode se infenr tambё m quc ao mesmo tempo quc o capital tem um interesse
6b宙o de integrar a famlla nuclear patharcal na sociedade burguesa, seu descnvol
virnento a longo prazo tende a desintegrar esse ipo de famlia ao incorporaras rnu―
lheres casadas na fOrca de trabalhO assalariada c ao transf01lHar as tarefas femini―
nas no lar enl servicos capitalisticamentc organizados,ou ao substituF― las por rnerca―
dorias capitalisticamente produzidas. As donas― de―casa prolebrias realizam um tra―
balho nao remunerado que durante muito tempo fol indispensavel para a reprodu―
95o da forca de trabalho dos operarios Mas esse trabalho naO remunerado nao 0
trocado por capital nem produz diretarnente mais― valia Ele assume a fonna de um
insumo in natura, compensado por uma fracao do salariO quc O operanO recebeu
pela venda de sua fo、 a de trabalho.32 Em iltimo caso se poderia dizer que se O tta―
balho nao remunerado da dona―dc― casa proletaria desaparece repentina c comple―
tarnente, a mais― vaha social provavelrnente seria menor, porquc o saldrio mrnirno
necessario a reprOducaO da fOrca de trabalho teria entao de subir. Um nimero
malor de mercadorias teria de ser cOmprado com Os sa16rios e o operano teria de
pagar por rnais servicos fora de casa. Mas quando a antiga dona― de―casa se junta a
massa de trabalhadores assalariados,ela aumenta a massa de mais― valia social pro―
duzida, c assirn expandc O campo da producao de mercadorias e da acumulacao
de capital. Se parte dessas mercadorias adicionalmente produzidas saO cOmpradas
com seu saldrio adicional,para repor o trabalho nao remunerado dOs servicos quc
ela antigamente realizava no lar, o capitalismo tira proveito de tudO isso, pois esse
processo faclita a aquisicao de lucros c a reproducao amphada.
3)As realizacOes culturais do proletariado, conquistadas pela ascensao e luta
da moderna classe operana(livrOs,,omaiS, a auto― educacaO, Os esportes, a organi―
zacaO etc.)perderam aquelas caracterrsticas de ati宙 dade genuinamente voluntaria
e de autonomia com relagao ao prOcesso capitalista de producao e circulacao de
mercadorias, quc as definiam no perfodo do imperialismo classicO (especialrnente
nottvei na Alemanha, entre 1890 e 1933), c foram introdu2idaS Cada vez mais na
producao c circulacao capitalista. Os livrOs agora sao publicadOs p6r editoras co―
31 Quanto aos efeltos desse fen6menO sobre o v。 lume e nutuacaO do exCrcito indusmal de reserva,ver o cap 5 deste li
li11:撼鮪 ∬ 刊り:enttb d'SECCOMBE,Wany“
Housework under Ca口 悧おボ'h ttω Lart Reυたω n083,land‐
276 A EXPANSAo DO SETOR DE SERヽ lcOS,A“ SOCIEDADE DE CONSUMO"
merciais,ao invOs de o serem pelas cooperativas dos trabalhadores;a imprensa c a
televisao burgucsas tomam o lugar da imprensa socialista;fOnas,cxcurs6es e espor―
tes comerciahzados substitucm as atividades recreativas organizadas por associa―
96eS iuvenis de trabalhadOres ctc. A reabsorcao das necessidades culturais do pro―
letariado pelo processo capitalista de producao e circulacao de mercadorias icva a
uma extensa rep"υ α士滅2cao da ttera dO lazer da classc operana.33 1sso representa
uma quebra muito sOria da tendOncia tl)ica da ёpoca da livre concorrencia capitalis―
ね e do impenalismO c16ssicO dc uma cxpansaO cOnstante das esferas de acaO cOleti―
va e de solidanedade dO prOletanado.
4)CompulsaO ecOnomica direta para comprar certas mercadorias e servi9os
adiclonais, scm os quais se torna fisicamente impossivel vender a mercadoria fOrca
de trabalho e cOmprar os melos de sua reproducao(O que deve ser claramente di―
ferenciado de cOmpuls6es de manipulacao sOcial indireta, tais como a publicidade,
por exemplo)Assim, hoje ia naO o ecOnOnlicamente possFvel para o assalariado
mOdio ir a pO para o trabalho,nao sc envOlver cOm um plano de segurO de sadde,
usar privadamente para aquecirnc,t0 0 Carvao industrializado ao invos de briquc―
tes,petr61eo, gas Ou eletricidade E preciso fazer uma distincao entte dOis aspectos
dessa imposicao sOcial. Por um lado,o aumento substancial da intensidade dO tra―
balho torna necessario um nfvel de consumo mais elevado(entre Outras coisas, dc
alirnentos de melhOr qualidade,rnalor consumo de came ctc.,a im de quc a fOrca
de ttabalho possa reconstituir― se, Por outro lado, a cxpansao crescente das me廿 6-
poles capitalistas aumenta de tal rnod0 0 tempo de circulacao entre a casa e o tta―
balho que os bens de consumo que poupam tempo tambё rn se transfollllam em
cond19ao necessana para a reconstituicaO efetiva da forca de trabalho. IssO cOm―
preende atё mesmo o uso de autom6vel particular ondc a rede de transporte pabli―
co coletivo O inexistente ou pouco desenvolvida(como enl muitas regiOes dos Esta―
dos Unidos,pOr exemplo).
5)Diferenciacao do cOnsumo ou cxpansaO dO cOnsumo de mercadorias, co―
mo resultadO de pressao sOcial(publiCidade, cOnfOllHismo). Uma prOpo、 ao cOnsl_
deravel dessas mercadorias ё indtil(oたiおCh na sala de visitas),quando nao preiudi―
cial a saide(cigarrOs). A conversao de muitos dos anigos bens de luxO em bens
de consumo de massa geralrnente leva a uma queda sistematica na qualidade des―
ses bens.34 As dificuldades de realzacao da mais― valla csumulam a tendOncia cres―
cente dos monOp61los em alterar perpetuamente a folllla das mercadorias, muitas
vezes de maneira absurda do ponto de vista do consumo raclonal.35 Nesse contex―
to, Kay fala de uma reducao do “perfodo de consumo" das mercadorias quc, no
caso dos bens de consumo duraveis Ou serniduraveis, faz― sc acompanhar da dete―
五oracao da qualdade.36
6)Amphagao genurna das necessidades(padraO de vida)do assalanado, que
corresponde a uma clcvac5o de seu nfvel de cultura c de civiliza95o. No final, po―
∞Obras socio16ocas cOmo as de D Duma2edler(Ve● une Ciυ illsα tiο n du■ olsir2 Pais,1962)ou de」 FourasuC(L“
40 000 Heures Pans, 1965)certamente enfatレ am a inter―relacao da prOdut宙 dade mldla do trabalho com a possibili―
dade de mais tempo de lazer,mas upicamente cometem dois erros analitlcos l)cOncebem a chamada“ dinamica d。
consumo de massa"independento da estlutura social espec〔 ica do capitalismo,e conslderam mais,a phmeira que a il―
tlma como deterrninante da coniguracao quanutatlva e qualitatlva do setor recreatlvo; 2)nao compreendem que o
comportamento sociai nO per〔 odo de lazer depende decisivamente das relac6es de produ95o: a massa de condenados
ao trabalho alienado naO pode de repente desenvolver iniciatlvas ciadoras em suas horas livres
l惚 毬 y宝 穐讐
rttL謬
腎 督Ъ跳 電T鮮 尾%F織 ど1協 p258 Sob“ a ndismaねrmacouica O Rebb轟 o
Kelauver dOs Estados Unidos estlma os custos efetvos de producao em apenas 32%dos prOcos de venda por ataca―
do e em menosde 20%dOs precos a varelo The Mυ ltinα
"ο
nα I Phanη ocautlcα flndust,ッ p 293bKAY Op cit,p165166
A EXPANSAO DO SETOR DE SERVIcOS,A``SOCIEDADE DE CONSUMO" 277
demos acompanhar praticamente todo o curso desse prOcesso de conquista de um
tempo maior de lazer, tanto quantitativamente(semana de trabalho redu2ida, fins
de scmana livres, fё rias remuneradas, antecipacao da ldade para aposentadoria c
um perrodo mais longo para a educacaO)quantO qualitaivamente (a ampliacao
efetiva das necessidades culturais, a medida quc a comercializacao capitalista nao
as banalize Ou as prive de seu conteido humano). Essa ampliacao genurna das
necessidades C urn corolario da necessaria funcao civilizadora dO capital.Toda reiel―
9aO da chamada ``sociedade de consumo" que vai alё m da condenacao justificada
da comercializacao e desumanizacaO dO cOnsumo pelo capitalismo e passa a atacar
a cxpansao hist6nca das necessidades e do consumo em geral(lsto C,passa da crrti―
ca social a critica da civilizacao)v01ta os ponteiros do re16gio do socialsmo cientri_
co para o socialismo ut6pico, e do materialismo hist6rico para o idealismo Marx
compreendeu c enfatizou inteiramente a func5o civilizadora do capital,37 que ele
宙a como preparacaO necessaria da basc material de uma ``individualidade rica". A
passagem que sc seguc,tirada de Cttndttssc,dcixa esse ponto benl claro:
“A luta incessante do capital rumo a forma geral da nqueza leva o trabalho para
alem dOs lirnites de sua mesquinhez natural,e assirn cna os elementOs materiais para o
desenvolvimento de uma individualidade nca, rnulifacetada, tanto em temos de pro―
duc5o quanto de consumo,ctto trabalho,portanto,tambёm ia naO aparece como tra―
balho, mas sirn como a expressao plena da pr6pHa auvidade, na qual a necessidade
natural em sua forma direta desapareceu,porque uma necessidade histoncamente cna_
da tomou o lugar da necessidade naturar'38
Para os socialistas, a racicao da “sociedade de consumo" capitallsta nunca
pode implicar, portanto, a racicao da ampliacaO e diferenciacao das necessidades
como um todo, ou uma volta ao estado natural primitivo dessas necessidades; seu
alvo ё, necessariamente,o desenv01virnento de uma``individualidade nca"para to―
da a humanidade Nesse scntido marxista raclonat a racicao da ``sOciedade dc
consumo'' capitahsta s6 pode significar racicao de todas as follHas de cOnsumo e
de producao que cOntinuern resmngindo o desenvolvirnentO do homern, tornan―
do―O mesquinho e unlateral. Essa racicao raciOnal busca o inverso da relacao en_
廿e a producao de mercadorias e o trabalho humano,que no capitalismo O determl―
nada pela folllla da mercadoria, dc tal maneira que dar para a frente o O切 etiVO
principal da ati宙dade econOrnica n5o C a malor producao possivel de cOisas e o
malor lucro privado possivel de cada unidade individual de prOducao (fabnca ou
companhia), mas sirn o nfve1 6timo da atividade pr6pna de cada pessoa individual―
mente.39 A producao de bens deve subordinar― se a csse obictiVO, quc significa eli―
minacao de f0111laS de producao e de ttabalho que praudicarn a saidc e o ambien―
te natural do homem,mesmo que seiam``lucrauvas''quando consideradas isolada―
mente.Ao mesmo tempo ё preciso lembrar quc O homem,enquanto ser matenal
com necessidades materiais, nao podc atingir a plena cxpressao de uma “indivi―
dualidade rica" por melo do ascetismo, da autopun19aO e da autohnlita95o artifi―
Ciat mas sOmente pelo dcsenυ ο′υimento racional de seu consumo, conscicntemen―
te controlado e conscientemente(lsto O, democraticamentc)subordinado a seus in―
teresses coletivos.
O pr6prio Marx salientou dchberadamente a necessidade de clabOrar urn siste‐
ma de necessidacfas, quc nao tem nenhuma relacaO cOm O nco― ascetismo quc cir―
cula em certos melos como ortodoxia marxista.Em Gtthdrissc,Marx diz o seguin―
te:
37MARX G″ ndnsse p 409‐ 410
誌燎 負だ :RGELS]ο Geman〃 ed∞り,67“
278 A EXRへNSAO DO SETOR DE SERVicOS,A“ SOCIEDADE DE CONSUMO''
``A explora9ao da terra em todas as direcOes,para descob五r novas coisas para usar,
bem comO novas uilidades das anigas, tais como novas utilizacoes delas enquanto
matcna_prima; o desenvolvirnento ma対 rnO, a pa地 r dat das ciencias naturais, 1lustrado
pela descoberta,pela criacaO e pela satisfacaO de nOvas necessidades surgldas da pr6-
p五a sociedade,o cultivo de todas as qualidades do homem social,a producao do mes_
mo como a malor riqueza possivel de necessidades, porque nca em qualidades e rela―
96eS――a producao desse ser como o produto social mais total e universal possivel
pois,para obter graifica95o de formas m■ ltiplas,ele deve ser capaz de fruir rnuitos pra―
zeres,por isso deve ter alto nfvel de cultura― ―tambёm e condicaO de prOducao basea_
da no capital. Essa cria9ao de nOvos setores de produc5o, isto ё, ac五acao de ternpo
excedente qualitativamente novo, nao C apenas di宙 saO de trabalho, mas tambOm a
criacao, separada de deterrninada producao, de trabalho com um novo valor de uso;
o desenvol宙rnento de um sistema em expansao constante e mais abrangente de dife―
rentes tipos de trabalho, diferentes ipos de producaO, aO qual corresponde um siste―
ma de necessidades mais nco e em expansao cOnstante Dessa maneira,assirn como a
producao baseada no capital cha a operosidade universal,por um lado― ―isto c,sobre―
trabalho,trabalho quc cna va10r__,assim tambё m cria,por outro lado,um sistema de
exploracao geral das capacidades naturais e humanas, um sistema de utilidade geral,
usando a p"pria ciencia tantO quanto todas as faculdades fticas e mentais, enquanto
naO parece haver nada supettor em si mω mo, nada legrimO por si rnesmo, fora desse
circulo de producao e trOca sOcial"40
Marx escreveu depols:
“0 1uxο ё o oposto do na″ uralmente necttdガ O As verdadeiras necessidades tto as
necessidades do pr6pno indivlduo reduzido a stteitO natura1 0 desenvolvirnento da in―
disma suspende essa necessidade natural,bem como esse luxo anterior― ―na socieda‐
de burguesa,O verdade,apenas de fomlα an“彪
“
ca,pois em Ы mesma apenas coloca
outro padraO sOcial como necessaHo, em Opos195o ao luxo Essas questOes relaivas ao
sistema de necessidades e aO sistema de trabalho――em que ponto l preciso tratar de―
les?一―seraO宙 stas no momento oportuno".41
Nao ha necessidadc alguma de dcmonstrar aqui quc as possiblidades de de―
senvolvimento e diferencia95o do consumo material nao podern ser ihrnitadas; quc
o conceito de ``abundancia'' 0, portanto, uma categoria genuinamente material e
hist6rica e nao um cOnceito ldealista ou ut6pico; e quc o desaparecirnento da cs―
casscz e de uma economia baseada na cscassez ё tanto possivel quanto necessa―
no,C um prO― requisito de um modo de distribu195o comunista.Hd igualmente pou―
ca necessidade de tentar aqul uma definicao marxista de padrao raciOnal de desen―
volvimento do consumo ou da distincao entrc atividade cFiatiVo― produtiva e consu―
mo passivo de bens(nao se ``cOnsome" um piano, um livro cientrficO, uma arniza―
de ou uma paisagem da mesma foma quc um sorvete ou uma camisa).42
Quanto mais saisfeito o consumo efeivo de mcrcado"as,tanto mais irraclo―
nal e indiferente ao homem se torna a sua cxpansaO quantitativa, e degenera em
pura cxttavagancia, todio c aversaO a宙 da(cOmparem a classe dirigente do lmpё ―
rio Romano entrc os sCculos l c IH com a corte aristocratica decadente do sOculo
xvHl)43 1NeSSe contexto ё necessario apreender a dupla natureza do desenvOlvi―
mento do consumo material enquanto consumo de mercadorias produzidas em
4C MARX Grund"sse p 409
41 MARX Grund71SSe p 528
42 MarX enfatzou exphcltamente essa relacaO entre consumo e atvidade chadora em seus pnmeiros eschtos Ver tam―
bこm a reloicao explicta do asceusmo em Theο
"o orS・
plus Value v 3,p260‐ 261:e tambOm p 256-257 do mes‐
mov。lume
43 Nos Ecοnornic and PhilosophicαI Manuscnpお ,Marx descreve o lazer das classes dominantes como“ slmples indivl‐
du。(S)efemeros consurnindo se frenetcamente(a si mesmOs)para nada''c enfattt quc a“ nqueza excessiva''estt li
gada ao ``desprezo pelo homem'' MARX, Karl Ecο
"ο
mic and Philosophic。 1」イanuscapお or 18“ Ed D J Struik,
Londres,1970 p 156
A EXPANSAO DO SETOR DE SERVicOS,A“ SOCIEDADE DE CONSUMO'' 279
massa. Em sua analise da producaO capitalista de mercadorias, Marx enfatiza quc,
quando o capitalismo cria a producaO cm larga escala, dete111lina sirnultaneamente
O carater unllateral e massificado do produto, “que impOc urn carater social estrel―
tarnente ligado ao contexto social, enquanto sua relacao imediata cOm o valor de
uso que supostarnente satisfaz a nccessidade do produtor parece algo conlingente,
indiferente e secundariO".44 Essa dirnens5o do consumo parece ter escapado intei
ramente a certos adnliradores da cconOmia de mercado capitalista, como Zahn,
que nada ve de prOblematicO na comerciahzacao universal de ``bens" e “serv19os"
tais como ``bens culturais" e scM9oS de “civilizacao", esquecendo― sc ingenuamen―
te(sera que saO realmente 6o ingOnuos?)de quc a producao desses bens esta su―
bordinada a rnotiυ aca~o do lucro do comOrcio capitalista.45 Esses apologistas afir―
mam, por urn lado, quc a “massa de compradores'' C agora soberana, rnas, por
outro lado, concedem quc a caracterrstica predorninante da “nova pubhcidade" ё
quc esses ``consumidores sOberanos" tOm primeiro de ser persuadidos de suas no―
vas necessldades.
Mas, apesar da cxpansao cOnsideravel dO consumo do proletanado em pates
altamente indusmalizados,o quc o modo de producao capitalista nao pode fazer 0
aumentar esse consumo a mesma taxa do aumento da produtividade do trabalho.
A obngacao de valoHzar e de acumular capital― 一em outtas palavras, a concorrOn―
cia c a propnedade privada dos rnelos de producaO__lmpossibilita tal coisa.Sc a
longo prazo,portanto, o consumo se desenvolve mais lentarnente ern termos de
valor do quc a prOdutividade― ―que se expressa sobretudo na lei do crescirnento
da composicao organica de capital(poiS,se ha um declrnlo secular na parte vari6-
vel dO capital total, a dcmanda de mercadorias do Departamento II naO pode au―
mentar a mesma taxa da demanda de bens do Departamento I)一 ―, ent5o serd ca―
da vez mais difrcil realizar a mais― vaha contida nOs bens de consumo ou ulilizar ple―
namente a capacidade social de prOduc5o de bens de consumo. O que parece bas―
tante realista aos olhos do capitalista individual――a saber,cOnsiderar todos os pro―
letariOs que nao saam Os scus pr6pnos operariOs cOmo consumidores em poten―
cial com poder de compra quc poderia crescer ilimitadamente― ―naO tern sentido
para a classe capitalista como urn todo. A16gica do modo de prOducao capitalista
irnpede a distribuicao dc uma parcela cada vez malor da renda nacional para o pro―
letanadO.como explica Marx nos Cnlndttssef
“A massa de produtos cresce numa propOrcao semelhante(a prOdutlvidade do tra―
balho)¨ da meSma forma cresce tambOm a dificuldade de realizar o tempo de traba―
lho neles contido――porque aumentam as demandas de consumO"46
Essa C a cxphcacao dO desenvolvirnento fantasticO de dois scM9os especrficos
――a pubhcidade c a pesquisa de mercado, por um lado, c o crё dito aO consurni―
dor,por outro― ―cuia funcaO o cOnhecer e cxtravasar esses lirnites.A cxpansao da
producao e da circulac5o capitalista de mercadorias na esfera do consumo no capl―
talismo tardio O acompanhada de uma expansao superiOr a mOdia desses dOis seto―
res.
O grandc aumentO dos custos da venda, distribuicao c administracao(nos Es―
tados Unidos id abSOrvem mais de 50%da renda naclonal)O uma expressaO inc_
quivoca das dificuldades crescentes de realizacao nO capitalismo tardlo. Ao mesmo
ternpo O uma prova notavel dO cardter de desperdiclo desse modo de prOducao na
“
MARX R“υ′
`oた
d“ unmittelbακn Produ畑。nsprOz‐ ‐ p 18645 zAHN,Emest Sοzialogie derPrOspe"tdt Munique,1964,p35‐ 36,64-71,85
46 NIARX,Karl Grund"“ a p 422
280 A EXPANSAo DO SETOR DE SERⅥ cOS,A“SOCIEDADE DE CONSUMO''
fase de seu declinio hist6nco.47 Embora parte desses custos possa ser socialrnente
luStifiCada― ―a saber, aqueles que facilitam o consumo efetivO de va10res de usO
proveitosos――e nao possa ser reduzida nem mesmo depois da derrocada do capl―
talisino sem perda de tempo e de energia dos produtores― consumidores(oferta irre―
gular; estoques insuficientes; pouco conhecirnento de novos produtos),podc― se
aceitar sem confus6es posteriores quc a maiora dessas despesas nao ё detel:llina―
da pelos interesses dos consurnidOres, rnas pelas condic6es e contradicё es especifi―
cas do modo de prOducao capitalista(as compuls6es para a valorizacao dO capital
e para a concorOncia,isto ё,para a propriedade privada dos rnelos de prOducaO).
O efeito exato do aumento fanttslico das despesas de venda sobre a massa de
mais―valia ou sobre a taxa de lucros s6 pode ser calculado se considera=11los toda
uma sOrie de relac6es complexas. Em primeiro lugar, o traco distintivo do capital
comercial em geral tambOrn o parcialrnente caracterttico do capital investido no se―
tor de servicosi seu obiCtiVO ё reduzir o tempo de giro do capital produtivo circulan―
te, para assirn conseguir aumentar anualrnente a massa de mais― valia prOduzida.
Sua participacao na mais― valia social total一 ―o fato de que o capital investido no
setor de servicOs Obkttrn o lucro mё dlo――equivale, portanto, ao aumento da prO‐
ducaO de mais― valia decorrente de sua entrada ar. Ern segundo lugar, as despesas
de custo do setor de seA/19os(edifrciOs, aparelhagern, autom6veis, ordenadOs e sa―
lanOs)naO saO cObertas por uma producao cOntinua de mais― valia, mas sirn pelo
capital social(lSt0 0, mais― valia acumulada no passado)Esscs cuStOS sao repOstOs
por rnelo da reconstrucao de parte do capital social agregado e naO pOr uma drena―
gem da prOducao contrnua de mais― vaha social. Somente o lucrO dO setOr de scM―
90S ё parte dessa producao contrnua de mais― valia. Mesm0 0 alto nfvel dos custos
de venda nao reduz o volume de lucros das grandes cmpresas, nem a taxa de lu―
cros,de maneiraぬ o decisiva quanto Gillmann erradamente sup6e.48 o que C para―
sitanO nesse crescirnento macico ё a diSSipacaO improdutiva de capital social, e na0
o desperdrc10 de uma parcela substancial da prOducao regular de mais― valia. O gas―
to irnprodutivo de capital excedente naturalrnente significa quc a massa social total
de mais‐valia ё menor do que seria se esse capital fosse gasto de maneira produti―
va. Mas O fato de ser gasto de maneira improdutiva nao ouer dizer que a parcela
mais importante da mais― valia efetivamente produzida saa subtrarda as grandes
empresas industriais.
O setor de serЛ cos privados do sOculo XIX consistia basicamente na troca en―
廿e vendedores pnvados dc uma forca de trabalho especializada e rendirnentos ca―
pitalistas; isso nao fazia diferenca na detellllinacao da massa total de mais― valia,
uma vez quc tudo quant0 0corria nessas cond195es era uma redistribu19aO de valo―
res ia criados No capitalismo do sCculo XX,o setor de servlcos na csfera da circula―
caO cOnsiste basicamente na troca entte o possuidor de detellllinada parcela do ca―
pital social agregado, quc ё gasto dc maneira improdutiva, c o possuidor de rendi―
mentos(tantO Capitalistas quanto assalariados). Essa troca naO participa diretamen―
te da determinacaO da massa total de mais―valia,mas mesmo assim exerce sobre
ela inluencia indireta importante, pois auda a aumentar a massa de mais― valia re―
duzindo o tempo de giro do capital circulante. O efeito disso sObre a acumulacao
de capital ё a liberacao de parte do capital ocloso para participar na dismbu1950 da
mais― valia social agregada. Mas, enn ■ltima instancia, essa participacao s6 pode
ocorrer por duas vias: ou se da as expensas daqucla parcela de mais― valia distribur―
da entre os possuidores de capital produtivo(reduzindo assim a taxa mё dia de lu―
猛逼1:誌鶴:搬::FR譜7:]i鮨 R:穆v譜「VS°b“ e“ea“ unb em ttnの ¨ C■d
A EXPANSAO DO SETOR DE SEttЛ cOS,A``SOCIEDADE DE CONSUMO" 281
cro,ao aumentar o capitaltotal do qual seぬ dedu2ida a mais― valia total),49。 u aS ex_
pensas dos salariOs__em outras palavras,aumentando a taxa de mais― vaha(ente
outras fOrrnas, por melo de uma contracao relativa dos salariOs reais, decorrente
dos aumentos de preco dos bens de consumO).
A grande expansao dO crodito aO consumidor na fase dO capitalismo tardio
proporclona cvidencias semelhantes das dificuldades crescentes na realzacao da
mais― valia. O enorrne volume do endi宙 damentO privado nos Estados Unidos nao
constitui apenas a base econOmica da expans5o mac19a, desde a Segunda Guerra
Mundial,do setor de constru95o civil;ё tambёm a base principal da innacao perma_
nente.()fenOmeno dessa divida prova quc,apesar da acelerada inovacaO tecno16-
gica, dos investimentos malores e do a111lamento pe111lanente, o capitalismo tardlo
naO o mais capaz do quc o capitalismo juvenil ou o capitalismo monopolista classi
co de resolver uma das contradic6es fundamentais do modo de producaO capitalis―
ta一―a contrad略5o entre a tendencia aO desenvolvirnento llimitado das forcas pro―
dutivas e a tendencia a lirnitacao da demanda e do consumo dos``conSunlidores fi―
nais" (cada vez mais constiturdos pOr trabalhadores assalariados). Essa contradicao
corresponde,こ claro,as lcis de valorizacao do pr6prio capital.
A nocao de uma cxpansao aparentemente homogenca dO sctOr de serv19os,tr―
pica do capitalismo tardio,deve ser,portanto,reduzida a seus elementos constituti―
VOS COntradit6rios Essa expansaO env01vel
l)a tendencia a uma cxpansao geral das func6es intel11lediarias, cm cOnsc―
quencia da contraposicaO entre uma divisao crescente do trabalho c uma crescente
socializacao obletiva do trabalho. Parte dessa cxpansao ё tecnicamente detellllina―
da e pOr issO sobre宙 verd ao pr6prio modo de producao capitalista(expansao dos
transportes e da rede de distribuicao, de facilidades de manutencaoe reparO de
maquinas a dispOSicao dO cOnsumidor etc.);
2)a tendencia a uma vasta cxpansao tantO dOs custos de venda(publicidade,
markcting e, cm certa medida, embalagens caras e outtas despesas improdutivas)
quanto do crё dito ao consumidor.A malor parte dessa expansao do setOr de servl―
9os ё determinada socialrnente e naO tecnicamente; decorre das dificuldades cres―
centes de realizacao, e desaparecera com O modO de producao capitalista ou com
a producao generalizada de rnercadorias;
3)as possibilidades de crescirnento das nccessidades culturais e civilizadoras
da populacaO trabalhadora (educacao, sa`de, lazer), COmO algO distinto do merO
consumo de mercadorias, criadas pela prOdutividade crescente do trabalho e pela
correspondente lirnitacao dO tempo neccssariO de trabalho (com uma diferencia―
950 Crescente do consumo). Os servicos correspondentes a cssas necessidades nao
saO exclusivamente dependentes da foma especfica da prOducao e da trOca capl―
talsta;na verdade,nao pOdeぬo desenV01Ver―se plenamente antes da desttuicao
do modo de producaO capitalista. E cvidente que tanto a natureza comercial des―
ses servi9os,realizados corn a finaldade de produzir lucro privado,quanto seu con―
tendO,passarao por uma mudanca radicali ao invOs de manipular e alienar necessi―
dades humanas reais, serao subordinados a elas. De acordo com essa tendencia, a
49 0 eSfor9o dos monop51los no sentldo de assegurar superlucros e a correspondente forrnacao de duas taxas m● dias
de lucro――uma do setor rnonopollzado c outra do nao monOpollzado――correspondem,entre outtas coisas,a necessl‐
dade de o grand, capital desembaracar‐ se da porda de lucro devida ao aumento do capital imprOdutlvo nos setores
n5o monopolレ ados
282 A EXPANSAo DO SETOR DE SERVicOS,A`` SOCIEDADE DE CONSUMO''
realizacao independente desses “scM9os'' S6 desaparecera da s〕 3iedade sOcialista a
medida quc todos os homons e mulheres sc capacitem gradualrnente a executa―
los. As formas de especializacao individual perrnaneceraO, mas a sociedade nao es―
tara mais dividida entre cxccutantes ``produtivos'' c consumidores passivos dos ser―
v19os culturais e civilizadores;
4)a expans50 da producao de mercadoガ as que nao ё absOlutarnente parte
do chamado``sctor de seぃ′icoS'', mas O resultado da centralizac5o crescente de cer―
tas formas de producao quc antes eram basicamente privadas. Eletricidade, 96s,
agua, refOic6es prOntas industrializadas c aparelhos eletrodomOsticos saO bens ma―
teriais e sua producao O prOducao de mercadonas nO seu verdadeiro sentido c
naO,de fOrma alguma,venda de servicos;50
5)o creSCirnento do numerO de trabalhadores assalariados cmpregados de fOr―
ma improdutiva, uma vez quc a penetracao mac19a de capital na esfera da circula―
caO e dOs servicos proporciona aos capitais que nao podern rnais ser investidos prO―
dutivamentc a oportunidade de receber ao menOs o lucro mOdio dos setores nao
monopolizados,ao invos dc obter apenas os juros rnOdios Esse crescirnento ё,por―
tanto,resultado da tendOncia a supercapitalizacao dO capitalismo tardlo.51
A expansao do setOr de servicos Capitalistas que caractenza O capitalismo tar―
dio resume, portanto,,a sua pr6pria maneira, todas as p五 ncipais contradic6cs dO
modo de prOducao capitalsta. Renete a enorrne cxpansaO das fOrcas produtivas so―
cio― tOcnicas c cientrficas e o crescirncnto correspondente das necessidades culturais
e civilizadoras dos prOdutores, cxatamente como renete a foIIHa antagOnica em
quc essa cxpansao se realiza sob o capitalismo:pois ela se faz acompanhar de uma
supercapitalizacao crescente (difiCuldades de valorizacao do capital), de dinculda_
des crescentes dc realizacao, de desperdrclo crescente de valores materiais e de
ahenacao c defOrmacao crescentes dos trabalhadores ern sua atividade prOdutiva c
ern scu ambitO de consumo
O capital investido no setor de servlcos O Ou nao prOduivo?(D trabalhO exccu―
tado pelos trabalhadores assalariados nesse setor O produtivo ou improdutivO?En―
quanto o investimento dc capital ern serv19os tinha carater rnarginal,52 a reSposta a
essas quest6es tinha irnportancia apenas secundana na analise dO mOvirnento do
modo de lrodu950 Capitalista como um todo Entretanto,como o setor de servicOs
do capitalsmo tardio sc expande tanto quc absorve uma parte consideravel do ca―
pital social agregado, uma definicao corrcta dos llrnites exatos do capital produtivO
assume a malor importancia A f6rrnula“ no capitalismo,trabalho produtivO o tra―
balhO que cria mais― valia" O inadequada para essa defin19aO. Embora em si mes―
ma saa correta,ainda assirn ё uma tautologia.Nao respOndc a ques● O dOs lirnites
do trabalho produivo, apenas a apresenta dc outra forma Essa dificuldade e対 sセ
nos escritos do pr6prio Marx, nos quais h6 certa discrepancia entre as Tcorias da
Mais―Valia c o volume 2 de O Capital
Em Teο
"as da Mais―
Valia, na qual Marx enfatiza o papel positivo de Adam
Srnith no desenvolvirnento da teona dO valor― trabalho e da nossa compreensao
5('A producao de ilrnes, de progamas de teleν isao. assim como de melos de comunicacao, ё prOducao matenal de
mercadonas nO capitalismo Se ё executada por trabalhadores assalanadOs, を produtlva no sentldo capitalista, isto こ
,
cia mais― valia A ``distnbuicao"de prOttamas de televis5o a milh6es de espectadores naO ё prOducao de mercadOnas,
e sim um se■ 10o socializado Porisso nao prOduz mais― valia adicional
51 Pierre Naνille fol o prlmoiro a apontar a tendOncia basica de universalizacao do trabalho assalarlado, que esta na ra12
da expansao dO setor de se~ icos do capitahsmo tardio
52 ver NIARX Theο
"o oF Suplus t7alua v l,p 160-161,410
A EXPANSAO DO SETOR DE SERVicOS,A“ SOCIEDADE DE CONSUMO" 283
das relacOes do capital, Marx oscila ainda entre a hip6tese de quc apenas o traba―
lho que participa diretamente da producaO de rnercadonas― _e, portanto, da pro―
ducaO dO valor e da mais― valia― -O produtivo,63 c a hip6tese de que qualquer tra―
balho comprado corrl capital pode ser considerado produtivo(trabalho trOcado pOr
capital,crn contaste com trabalho trocado por rendimentos).54 No caprtu10 sobre o
``Conceito de Trabalho PrOdutivo'', que Kautsky pubhcou como apendice dO vOlu―
me l de Tcorias da Mais‐ Vαlia, cssas duas definicOcs ainda cs●o mescladas.550
grau em que uma indeter,“ inacao real persiste enl sua concepc5o de trabalho pro―
dutivo esね evidente na passagem dessa obra na qual Marx, exatarnente ao con廿 6-
rio do quc afirma em O Capital,inclui na categoria de trabalhadores produtivos,os
inteェ 11lediarios cOmerciais quando executam trabalho assalariado.56
No volume 2 de O Capital, Marx define o trabalhador produtivo como aqucle
que participa da producao de bens materiais c, assirn, da producaO dO va10r e da
mais―valia. Esclarece agora que nem todo trabalho trOcado por capital ё necessaria―
mente produtivo―― a comecar pelo trabalho assalariado empregado na esfera da
circulacao(capital comercial e bancano)57 A po10rnica dc Marx quanto a folllla pe―
la qual Adam Snlith confundia as esferas da producao e da circulacao aO cOnsidc―
rar a criacaO dO valor e da mais― valia vai muito alCm das criticas que fez a Smith
em TcoHas da Mais― Valia.Em O Capital,Marx apresenta uma formulacaO cOeren―
te com a lei geral que detellllina as fronteiras do trabalho produtivo no capitalis―
mo:
“Se,por uma di宙 saO dO ttabalho,uma funcaO,em si mesma improduiva,embora
saa elemento necessano a reprOducaO,passa de ocupac5o ocaslonal de muitOs a ocu―
pacaO exclusiva de poucos, passando a ser aividade especffica destes ilimos, nem
porisso a natureza dessa fung5o se transforma"58
Por conseguinte, se a funcao dO trabalho assalariado continua irnprodutiva,
mesmo constituindo um elemento necessariO a reprodu95o, cntao essa regra apli―
ca‐sc a」o"iO月,presumivelmente,a ipos de trabalho que nao desempenham se
quer um papel direto na reproducao Nao ha nenhuma razaO plausfvel para quc a
troca de servicos pessoais por rendirnentos, a medida que n5o leva a producao de
mercadorias, deva tomar― se subitamente produtiva apenas porquc