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EXMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO CIVIL DE AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA Requer os benefícios da Justiça Gratuita por ser pobre na forma da lei, não podendo, portanto, arcar com a custa e demais despesas processuais sem prejuízo do próprio sustento e de sua família, com fulcro no artigo 98 e 99 do CPC/2015, consoante com o artigo 5º, LXXIV, da Constituição Federal/88. DA REALIZAÇÃO DE AUDIÊNCIA PRÉVIA DE CONCILIAÇÃO Conforme o artigo 319, VII, do Código de Processo Civil, é requerida a realização da audiência de mediação, a fim de obter uma solução pacífica entre as partes, bem como, atender o princípio da celeridade processual. DOS FATOS No mês de Julho mais precisamente no dia 18/07/2022, o Reclamante ao tentar obter crédito no Banco do Brasil, teve a surpresa ao ser informado que havia negativação em seu nome, razão pela qual o crédito não pode ser concedido, vale salientar que o autor trabalha como marchante (negociante de gado para açougue), e estava naquele momento em busca de crédito para investimento seu negócio o que não foi possível pelo fato de haver restrição em seu nome sem nunca ter contratado com o Réu. Ao tomar conhecimento desse fato também prestou um Boletim de Ocorrência (B.O) o qual está anexado. Estarrecido com a situação, ou seja, sem saber como seu bem mais inestimável o seu nome foi parar no SPC (cujo extrato em anexo), e assim verificou existência de 01 (uma) pendência junto à empresa, , no valor de R$ 281, 12, (Duzentos e oitenta e um reais e doze centavos), tendo como referência o suposto contrato Ocorre excelência, que o Reclamante insiste em deixar evidente que jamais teve qualquer vínculo jurídico com o Requerido, razão pela qual desconhece a restrição indevida, uma vez que jamais restou inadimplente. O Reclamante como um cidadão honesto que cumpre com suas obrigações necessita do seu nome limpo, vez que está impossibilitado de realizar qualquer negócio jurídico que necessite do seu nome limpo. Doutor Magistrado sabe o quão importante é ter um nome sem restrição, até mesmo para poder custear o seu sustento, a situação atual de um brasileiro é a mercê de um credito parcelado, e como o Reclamante, obterá esse crédito se o mesmo consta os seus dados como inadimplente, de uma divida o qual não contraiu e desconhece a mesma. Insta frisar-se que o Requerente nunca recebeu qualquer tipo de cobrança a respeito do suposto débito, nem ter sido notificada previamente quanto à inclusão de seus dados no cadastro restritivo ao crédito, vindo a ferir o art. 43, § 2º do CDC, caso contrário naquela ocasião poderia tentar de forma administrativa a resolução do caso. Em virtude do ocorrido, o autor experimentou situação constrangedora, angustiante, tendo sua moral abalada, face à indevida inscrição de seu nome no cadastro de inadimplentes com seus reflexos prejudiciais, sendo suficiente a ensejar danos morais. DA INCIDÊNCIA DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR Incontroverso que na hipótese trata-se de relação de consumo, haja vista que o banco é considerado fornecedor consoante o art. 3º, § 2º, da Lei nº 8.078/90, portanto aplicáveis os dispositivos da lei consumerista, mormente os inerentes à proteção contratual e às cláusulas abusivas. Esse entendimento é tranquilo na doutrina e na jurisprudência, tendo sido confirmado pela Súmula nº 297 do STJ, nos seguintes termos: Súmula nº 297 do STJ. O Código de defesa do consumidor é aplicável às instituições financeiras. Com efeito, os princípios fundamentais das relações de consumo, como da boa-fé, da confiança e da equidade contratual não permitem que, exatamente a parte mais poderosa da relação, a detentora do poder econômico, obtenha lucro desmedido e sem causa com o prejuízo da parte frágil e vulnerável da relação: o consumidor. DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Inicialmente, cabe destacar que Código Consumerista confere ao postulante a presunção de veracidade de suas alegações, cabendo a pólo mais forte "derrubar" as afirmações, tudo aliado aos indícios processuais. Diante da hipossuficiência do Requerente, a inversão do ônus da prova ante as verossímeis alegações apresentadas, juntamente com as provas documentais acostada aos autos, é medida que se impõe, conforme previsto no artigo 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor: Art. 6º São direitos básicos do consumidor: VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova a seu favor, no processo civil, quando a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, seguindo as regras ordinárias de expectativas. Posto isto, requer, desde já, a aplicação da inversão do ônus da prova. DO PRINCÍPIO DA VULNERABILIDADE Na maioria das relações de consumo há uma desigualdade de fato entre os contratantes e no caso em tela não é diferente. O legislador procura proteger os mais fracos contra os mais poderosos, o leigo contra o mais informado. Nessa linha de raciocínio, tem-se que o CDC consagrou no art. 4º, I, tal princípio, reconhecendo assim o consumidor como parte mais fraca na relação de consumo, parte frágil, razão da tutela pela norma do consumidor, chegando a elencar como prática abusiva o fato de prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor (art. 39, IV, do CDC). Portanto, a priori todos os consumidores são vulneráveis, tratando-se de uma presunção e não de uma certeza, o que deve ser levado em consideração no caso em apreço. DO DANO MORAL Tendo em vista a violação dos deveres da boa-fé objetiva, o autor faz jus a ser ressarcido pelos danos de ordem moral experimentados. A ilegalidade na conduta da Ré é evidente, além do desrespeito aos direitos assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor, devendo, portanto, o autor ser ressarcido de seu prejuízo uma vez que teve seu nome inscrito nos órgãos de proteção ao crédito sem ter contraído nenhuma dívida e sem ao menos ter sido comunicado com antecedência. Estatuto Consumerista dispõe que: Art. 6º - São direitos básicos do consumidor: (…) VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos; Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. Frise-se, ainda, o caráter punitivo e educativo de tal sanção, no sentido de prevenção, para que tal conduta da Ré não se torne habitual perante seus consumidores. Segundo Caio Mário da Silva Pereira (Instituições de Direito Civil, Vol. II, Forense, 1997, p. 242), o fundamento do dano moral repousa nas seguintes noções: 1. De um lado, a ideia de punição ao infrator, que não pode ofender em vão a esfera jurídica alheia (…). 2. De outro lado proporcionar à vítima uma compensação pelo dano suportado. Ademais, destaca-se que o art. 6º do CDC em seu inciso IV, garante o direito básico do consumidor de ser protegido contra práticas abusivas por parte do fornecedor. Nesse passo, não resta dúvida de que a cobrança e inscrição em cadastro de proteção ao crédito por dívida inexistente é considerada prática abusiva, independente de qualquer prova de dano, e deve ser punida, porque nesse caso é presumida a ofensa à dignidade do cidadão. Restando plenamente configurado o atentado à esfera de direitos da personalidade do Autor, deve ser a Ré condenada a pagar valor não inferior a R$ 10.000,00, (dez mil reais), a título de danos morais. VII. DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer o autor: I. Em razão dos fatos narrados, conceda, liminarmente, a tutela antecipada, para os fins de a Requerida ser obrigada a retirar o nome do autor do cadastro do SPC e demais órgãos de proteção ao crédito até o termino da decisão e ao final seja declarado o débito nulo; II. O reconhecimento do direito à gratuidade de justiça; III. A citação da ré para, caso queira, apresentar defesa no prazo legal, sob penade aplicação dos efeitos da revelia, presumindo-se verdadeiros os fatos alegados pela autora, conforme art. 344, do CPC; IV. A inversão do ônus da prova, tendo em vista a relação de consumo existente, com a imposição de a Ré juntar o suposto contrato; V. A citação da Ré para comparecer à audiência de conciliação; Ao final, a procedência da demanda para: 1. Declarar a nulidade do suposto débito não reconhecido pelo autor, declarando a nulidade da dívida no valor de R$ 281,12 (duzentos e oitenta e um reais e doze centavos); 2. Condenar da Ré a retirar o nome do autor dos cadastros restritivos de crédito, sob pena de aplicação de multa diária; 3. Condenar a Ré ao pagamento de indenização pelos danos morais sofridos pelo autor, em patamar não inferior a R$ 10.000,00, (dez mil reais); 4. Condenar a Ré ao pagamento dos honorários advocatícios (20% sobre o valor da causa), e das custas processuais; 5. A produção de todos os meios de prova admitida em direito; Atribui-se à causa o valor de R$ 10.281,12 (Dez Mil Reais e doze Centavos). Nestes Termos, Pede Deferimento.