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RESPONSABILIDADE CIVIL NA SAÚDE E O CÓDIGO DE 
DEFESA DO CONSUMIDOR 
 
 
 
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Sumário 
 
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 
INTRODUÇÃO ......................................................................................... 3 
RESPONSABILIDADE CIVIL NA SAÚDE ............................................... 6 
CONCEITO DE RESPONSABILIDADE ................................................. 15 
TIPOS RESPONSABILIDADES ............................................................ 16 
OBRIGAÇÕES DE MEIO E DE RESULTADO ...................................... 20 
NATUREZA DA OBRIGAÇÃO MÉDICA ................................................ 22 
DIREITO DO CONSUMIDOR ................................................................ 23 
CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................... 39 
REFERÊNCIAS ..................................................................................... 40 
 
 
 
TITULO- MODELO DE APOSTILA 
 
 
 
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. 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
 
A Constituição da República Federativa do Brasil objetivou, em seu 
artigo 1º, inciso III, a salvaguarda da dignidade da pessoa humana, elencando-a 
enquanto fundamento da própria República. “Art. 1º A República Federativa do 
Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito 
Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como 
fundamentos: [...] III - a dignidade da pessoa humana”. 
 O papel de destaque dado ao referido princípio revela o compromisso 
da Constituição e do Ordenamento Jurídico na proteção da pessoa humana, 
inclusive, em seus interesses extrapatrimoniais. 
A CRFB/88 em muitos dispositivos destaca a proteção de interesses ou 
necessidades humanas tutelados pelo direito através dos bens jurídicos 
considerados pelo constituinte como fundamentais ao ser humano, que possui 
pleno direito de utilizar de tais bens para perseguir seus interesses que 
constituam seu projeto de vida. Para a realização de seus interesses, o ser 
humano mantém suas relações, as quais de mesma sorte são juridicamente 
tuteladas pelo ordenamento jurídico. 
 Na sistemática do Ordenamento Jurídico brasileiro o Código Civil foi o 
responsável por tratar amplamente da reparação dos danos, sendo que, o 
referido Código objetivou colmatar e sistematizar a matéria da Responsabilidade 
Civil em três dispositivos. Os artigos 186, 187 e 927 do referido diploma são os 
responsáveis por delimitar as bases da matéria no Brasil, sendo aplicados de 
modo lógico-sistêmico com os artigos 20 e 21 do mesmo Código, os quais 
sistematizam os direitos da personalidade. 
 Contemporaneamente, compreende-se que todo dano deve ser 
reparado e todo o dano deve ser reparado, isto é, todos os danos devem ser 
reparados quando analisados de forma quantitativa, mas, também de forma 
qualitativa. De modo que, todo o dano deve ser reparado em toda sua extensão. 
 
 
 
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Nessa conjuntura, as alterações vivenciadas pela sociedade, sobretudo, 
se observadas em relação à multiplicação e maximização dos riscos, 
promoveram uma elevação da matéria da Responsabilidade Civil, convertendo-
a de uma matéria secundária do Direito Civil a seu principal eixo. 
 Nos últimos tempos avançamos bastante em termos de acesso ao dano 
individual pela via da abertura de compotas no campo dos pressupostos da 
responsabilidade civil. Flexibilizamos o nexo causal, convertemos a imputação 
objetiva em cláusula geral (art. 927, parágrafo único do CC) e ampliamos a 
abrangência do conceito de dano, seja pela introdução da perda de uma chance 
como indenização autônoma como pela aceitação generosa dos mais variados 
danos existenciais. 
Verifica-se que a Responsabilidade Civil se encontra uma fase de 
releitura de suas bases, promovendo a ampliação da reparação pela erosão dos 
filtros da reparação e da assimilação de novos danos. 
 A expansão do dano ressarcível, terceira tendência que pode ser 
indicada, é, a rigor, a consequência necessária das anteriores. Evidente que, 
como resultado direto da erosão dos filtros tradicionais da responsabilidade civil 
e da queda de barreiras processuais, um número maior de pretensões 
indenizatórias vem acolhido pelo Poder Judiciário. À parte essa expansão 
quantitativa, pode-se identificar, também, uma expansão qualitativa, na medida 
em que novos interesses, sobretudo de natureza existencial, passam a ser 
considerados pelas cortes como merecedores de tutela, consubstanciando-se a 
sua violação em um novo dano ressacável. 
A Responsabilidade Civil, portanto, passa a admitir e assimilar em sua 
estrutura os denominados novos danos. Figuras que outrora não eram 
reconhecidas enquanto ensejadoras de reparação, mas que, hoje, por meio de 
uma leitura do Direito Civil à luz dos ditames da Constituição da República 
Federativa do Brasil revelam-se causadoras de danos. 
A responsabilidade civil exerce uma função demarcatória, no sentido de 
estabelecer uma delimitação entre as fronteiras dos âmbitos de liberdade de 
atuação e aqueles outros em que se outorga certa dose de proteção a 
 
 
 
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determinados bens e interesses, que pela mesma razão estipulam limites à 
liberdade ou autolimitações à mesma, na medida em que determinadas atuações 
livres podem determinar um grau de responsabilidade. 
Tratar de Responsabilidade Civil, contemporaneamente, não se limita ao 
tópico da reparação dos danos. A Responsabilidade Civil, paulatinamente, 
amplia suas fronteiras, estendendo seu âmbito de atuação a diversos ramos 
jurídicos e do saber. Nessa toada, admite-se que a Responsabilidade Civil trata, 
também, do desestímulo de condutas potencialmente danosas e do estimulo de 
condutas juridicamente pretendidas. 
Em se tratando de novos danos, é fundamental que se compreenda que 
a dicotomia entre o dano material e moral há muito não se sustenta, de modo 
que, em vista da infinita possibilidade de danos possíveis, efetua-se sua 
classificação em danos patrimoniais e danos extrapatrimoniais. 
Nos últimos anos, o Direito brasileiro tem experimentado uma grande 
evolução no âmbito da responsabilidade civil com o reconhecimento de novos 
danos. Houve um amplo debate a respeito do reconhecimento da 
responsabilidade civil pelo dano moral e também pela incorporação de outras 
formas autônomas de dano, como foi o caso do dano existencial 
Compreende-se que a classificação dos danos entre patrimoniais e 
extrapatrimoniais conjuga em maior grau a ideia da multiplicidade de danos, de 
modo que, os danos patrimoniaisà venda em seu estabelecimento. 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10606184/artigo-14-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
 
 
 
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O comerciante responde solidariamente, ou será igualmente 
responsável, nas hipóteses do art. 13 do CDC, quando: 
I – quando o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não 
puderem ser identificados; 
II – quando não houver no produto identificação clara do fabricante, 
produtor, construtor ou importador; 
III – quando o comerciante não conservar adequadamente os produtos 
perecíveis. 
Tratando-se de responsabilidade solidária, aquele que pagar 
integralmente a indenização poderá propor ação de regresso contra os demais. 
Já se adianta, entretanto, que a denunciação à lide é impossível, nos 
termos do art. 88 do CDC. O comerciante poderá exercer o direito de regresso 
contra o produtor, fabricante ou importador em ação autônoma ou na mesma 
ação, desde que já tenha reparado os danos ao consumidor. 
A impossibilidade da denunciação da lide na ação de reparação de dano 
por fato do produto se justifica por dois motivos: retardaria a reparação do 
consumidor; a inclusão de nova argumentação jurídica na lide, já que entre os 
fornecedores a responsabilidade é subjetiva e deveria ser provada a culpa 
daquele que contribuiu para a causação do evento danoso. 
Excludentes da Responsabilidade por Fato do Produto (Art. 12, § 3º Do 
CDC) 
O fabricante, o produtor, o construtor e o importador só não respondem 
pelo fato do produto se provar (ônus da prova é desses fornecedores por se 
tratar de fato extintivo do direito art. 333, II do CPC). 
I – que não colocaram o produto no mercado: o produto, por exemplo, 
tem outro fabricante; 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10606393/artigo-13-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10595741/artigo-88-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28893589/artigo-333-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/174788361/lei-13105-15
 
 
 
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II – que, muito embora o produto tenha sido colocado no mercado, o 
defeito inexiste: o produto foi colocado perfeito no mercado; 
III – que ocorreu culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
O médico necessita de autonomia de ação no desempenho da atividade 
de curar o enfermo. Esta liberdade tem o seu preço ético e jurídico. Como 
decorrência desta autonomia torna-se lícito cobrar do profissional a 
competência, a diligência e a seriedade no manejo das técnicas e nos juízos de 
avaliação do paciente. 
Responsabilizar o médico que infringiu regras fundamentais de sua 
profissão é um direito da sociedade e um dever do Estado. 
Cabe aos conselhos de medicina apurar, com imparcialidade, 
independência e severidade, as eventuais infrações éticas dos seus 
profissionais. Quando essas infrações transcenderem o âmbito do estritamente 
ético e ingressarem na esfera da ilicitude jurídica, cabe ao Estado acionar seus 
mecanismos de controle e repressão a fim de que a ordem, a segurança coletiva 
e o ideal de justiça sejam mantidos e concretizados. 
Reafirma-se que a responsabilidade civil do profissional decorrente do 
erro médico apresenta condições sine qua non, pressupostos legalmente 
definidos: o exercício profissional, o dano, a culpa e o nexo de causalidade, e 
que esta responsabilidade será, no geral, contratual, subjetiva e como obrigação 
de meio. 
 Cabe ainda ressaltar que o mau resultado poderá se originar de causas 
outras, como a evolução inexorável da moléstia, as péssimas condições de 
trabalho e a exiguidade dos meios indispensáveis para o tratamento. 
 
 
 
 
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40 
 
REFERÊNCIAS 
 
ALMEIDA, João Batista. A proteção jurídica do consumidor. São Paulo: 
Saraiva,2002. 
AMARAL JUNIOR, Alberto do. A boa-fé e o Controle das Cláusulas 
Contratuais abusivas nas relações de consumo. Revista de Direito do 
Consumidor, n. 06, abril/junho-1993. p.27 
ANDRADE, Ronaldo Alves de. Curso de Direito do Consumidor. Barueri: 
Manole, 2006, p. 194-195. 
BRASIL, Superior Tribunal de Justiça. REsp 744.602, Rel. Min. Luiz 
Fux. Diário da Justiça, Brasília, 15 mar.2007). 
FIUZA, César. Por uma redefinição de contratualidade. In: Galuppo, 
Marcelo Campos (Coord). O Brasil que queremos : reflexões sobre o Estado 
Democrático de direito. Belo Horizonte: Puc Minas, 2006. 
GOMES, Marcelo Kokke. Responsabilidade Civil : dano e defesa do 
consumidor. Belo Horizonte: Del Rey, 2001. 
LUCCA, Newton de. Direito do consumidor. São Paulo: Quartier Latin, 
2008, p. 41 -426. 
MARQUES, Claudia Lima. Comentários ao Código de defesa do 
Consumidor. São Paulo: Revista dos tribunais, 2004. 
MARQUES, Cláudia Lima. Manual do Direito do Consumidor. São Paulo: 
Editora Revista dos Tribunais, 2 ed revista, atualizada e ampliada, 2009. 
MARQUES, Cláudia Lima, “Planos privados de assistência à saúde. 
Desnecessidade de opção do consumidor pelo novo sistema. Opção a depender 
da conveniência do consumidor. Abusividade da cláusula contratual que permite 
a resolução do contrato coletivo por escolha do fornecedor”. Revista de Direito 
do Consumidor, n. 31, jul./set./99, p. 145. 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
 
 
 
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41 
MARTINS, Guilherme Magalhâes. A Defesa do Consumidor como 
Direito Fundamental na Ordem Constitucional. In Temas de Direito do 
Consumidor. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010, p. 01-16. 
MARTINS-COSTA, Judith. A boa-fé no direito privado: sistema e tópica 
no processo obrigacional. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000. 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do 
Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. 
BRASIL. Lei n. 10.406, 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário 
Oficial da União, Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em: . Acesso em: 30 fev. 
2021. 
BRASIL. Lei nº. 8.078, de 11 de setembro de 1990. Código de Defesa do 
Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8078.htmsão aqueles que atingem o patrimônio da 
vítima, seja por lucros cessantes ou por danos emergentes. Lado outro, os danos 
extrapatrimoniais seriam aqueles que atingem os direitos de personalidade. 
Tratado o termo "dano moral" em conceito estrito, o mesmo não alcança 
os demais danos que podem relacionar-se à pessoa e sua personalidade, razão 
pela qual nossa preferência está no termo "dano extrapatrimonial" ou "dano à 
pessoa" quando nossa abordagem relacionar-se aos danos à personalidade 
(incluindo, portanto, dano moral, dano existencial, dano estético e demais danos 
à pessoa). 
 
 
 
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 O processo de ampliação da Responsabilidade Civil mediante a 
incorporação dos novos danos decorre de uma releitura do instituto à luz dos 
preceitos da Constituição da República. Nessa toada, a dignidade da pessoa 
humana e os direitos da personalidade são amplamente tutelados por meio de 
instrumentos diversos. 
É importante perceber que, nesta transição, a responsabilidade civil se 
direcionou, essencialmente, à prevenção e à reparação das lesões à pessoa, 
portanto, a sua proteção contra qualquer tipo de dano. Razão pela qual defende-
se, no presente artigo, a necessidade da inclusão do dano existencial, como uma 
espécie de dano não patrimonial, nosso ordenamento jurídico, pois o modelo 
vanguardista que estabelece o dualismo entre o dano material e moral é 
insuficiente a servir como mecanismo de reparação civil, apto a contemplar o 
ressarcimento da vítima. 
 O dano experenciado pela vítima se converte no principal objeto da 
Responsabilidade Civil, de modo que, a culpa e, para alguns, mesmo o nexo 
causal, perde gradualmente sua importância. 
 A necessidade em se prestar a efetiva reparação, seja por meios 
patrimoniais ou meios extrapatrimoniais, garantindo assim a dignidade da 
pessoa humana da vítima se torna tarefa primordial de um Direito protetivo e 
principiológico. 
 
RESPONSABILIDADE CIVIL NA SAÚDE 
 
No sentido comum, responsabilidade civil traz a ideia de um dano e sua 
reparação, ou indenização das vítimas. Diniz conceitua responsabilidade civil 
como: 
a aplicação de medidas que obriguem alguém a reparar dano moral ou 
patrimonial causado a terceiros em razão de ato do próprio imputado, 
de pessoa por quem ele responde, ou de fato, de coisa ou animal sob 
sua guarda, ou, ainda, de simples imposição legal. 
 
 
 
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Ou seja, haverá obrigação de reparação, pelo responsável, do dano 
causado a terceiros por um fato seu ou pelo fato de pessoas, de coisas ou de 
animais dependentes dele. A responsabilidade civil deve ser distinguida do 
seguro e, especialmente, do seguro de danos, que visa, igualmente, a 
indenização de vítimas e representa uma alternativa à responsabilidade civil. 
Evolução histórica 
Em sua origem, a responsabilidade civil não tem existência distinta. A 
responsabilidade era inteiramente penal ou essencialmente religiosa. As 
sanções, que consistiam de sacrifícios e penitências, pareciam desprovidas de 
qualquer pretensão indenizatória. Não se procurava punir senão os agravos 
contra o ser social ou ao deus que o simbolizava. 
A vingança, geralmente cruel, pela qual o clã ou a família se reparava 
das ofensas que sofria, tinha característica eminentemente repressiva. Da 
vingança coletiva contra o agressor de um dos seus membros, para a reparação 
do dano, evoluiu-se para a vingança privada que retribuía o mal pelo mal, “o olho 
por olho, dente por dente”, princípio vigente na lei de talião que veio a representar 
uma primeira atenuação, pela reciprocidade do castigo. 
Mais tarde, e a despeito do quadro violento da vingança privada e 
familiar, vieram a surgir, por meio de composições pecuniárias e penas privadas, 
as primeiras manifestações de reparação civil. 
Elas reparavam os danos privados ao mesmo tempo em que puniam o 
responsável, dando origem às formas de responsabilidades mistas. 
Posteriormente, adveio a ideia da reparação pecuniária do prejuízo, quer 
voluntariamente, quer como obrigação compulsória e, às vezes, tarifada como 
vigente no Código de Manu e na Lei das XII Tábuas, metaforizada na Lex Aquilia, 
que é o marco da responsabilidade civil, punindo com pagamento em dinheiro o 
agente causador do dano, independente de relação obrigacional, originando a 
obrigação extracontratual, também chamada de responsabilidade aquiliana. 
Ressaltava-se, aí, a ideia de culpa no seu sentido lato, e a de que o patrimônio 
do agressor responderia pelo dano causado à vítima. 
 
 
 
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Esta composição permaneceu no Direito romano com o caráter de pena 
privada e como reparação, visto que não havia, ainda, nítida distinção entre 
responsabilidade civil e penal. Quando a autoridade central foi forte o suficiente 
para se sobrepor aos chefes das clãs ou tribos, vimos aparecer os delitos 
públicos, punidos com penas públicas e laicas, substituindo os delitos e penas 
privadas. A punição não seria dada pela vítima, mas sim função exclusiva do 
Estado. Com esta publicização da responsabilidade penal, a pena privada acaba 
e a responsabilidade mista se desdobra. 
No momento em que uma responsabilidade, exclusivamente, penal, 
pública e laica se afirmar, a noção de dano individual se separa do prejuízo 
social. A responsabilidade civil ganha a sua autonomia. A responsabilidade civil 
é, pois, originária da responsabilidade penal, que por muito tempo a absorveu. 
Ela não se separou senão, pouco a pouco e tardiamente, com o progresso do 
individualismo. 
No século XVII, o grande jurisconsulto francês Domat teve o mérito de 
formular, em termos gerais, os princípios da responsabilidade civil. Àquela 
época, o Direito canônico tinha importância e influência decisivas. A culpa era 
colocada em primeiro plano e a responsabilidade civil tornou-se instrumento de 
moralização da conduta humana, mais do que instituição para indenizar as 
vítimas. Com Domat, a culpa aparece como verdadeira condição da existência 
da responsabilidade civil. Com a evolução, dois fenômenos predominaram: a 
objetivação e a coletivização. 
Foram frutos da transformação radical da sociedade, com a Revolução 
Industrial trazendo a multiplicação e o agravamento dos riscos, e da valorização 
da pessoa humana, com o cidadão a exigir, sempre mais, do Estado-previdência. 
De uma responsabilidade total e caracteristicamente subjetiva, fundada na culpa, 
a responsabilidade civil ganha traços de responsabilidade civil objetiva, fundada 
no risco. 
Antes de adentrar nos casos mais específicos, é preciso dar uma visão 
panorâmica da responsabilidade civil do médico na legislação atual. 
 
 
 
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Então, para entender a responsabilidade civil do médico, primeiro é 
preciso firmar algumas premissas básicas (são conceitos eminentemente 
jurídicos, mas essenciais para a compreensão do tema) inerentes à relação 
jurídica entre médico e paciente: 
a) A relação jurídica entre médico e paciente é, em regra, uma relação 
de natureza contratual - é regida por um contrato, que confere a cada uma das 
partes direitos e deveres; 
b) A violação desses deveres contratuais pode gerar danos de 3 (três) 
naturezas: 
b.1) Danos materiais; 
b.2) Danos morais; 
b.3) Danos estéticos. 
c) A obrigação do profissional de saúde, como regra, é de meio e não de 
fim ; 
d) Regra geral, a responsabilidade civil do médico é de natureza 
subjetiva, fazendo com que a culpa desse profissional precise ser provada por 
aquele que alega ter sofrido o dano. 
A responsabilidade civil, em regra, é regida por dois sistemas distintos, 
mas que dialogam constantemente, quais sejam: a) o sistema do Código de 
Defesa do Consumidor - lei 8.078/90 -; b) o sistema do Código Civil - lei 
10.406/02. Esse é o quadro geral, que tem fundamento na legislação em vigor. 
Nesse sentido,o Código Civil, no art. 951, e o Código de Defesa do Consumidor, 
no art. 14, § 4º, dispõem que a responsabilidade civil do profissional liberal é de 
natureza subjetiva, já que exige a prova do elemento subjetivo "culpa". 
Essas são as balizas mestras da responsabilidade civil no tocante à 
atividade médica. Mas, para compreender as novas tendências, é preciso um 
aprofundamento ainda maior acerca do tema. 
https://www.migalhas.com.br/
https://www.migalhas.com.br/
https://www.migalhas.com.br/
 
 
 
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Note que as duas leis (Código Civil e Código de Defesa do Consumidor) 
já estão em vigor há bastante tempo e, ainda assim, essa matéria continua 
sofrendo constantes modificações. Uma das razões dessa mutação decorre da 
interpretação feita pelo Poder Judiciário da norma positivada. Isso porque, para 
se aplicar uma norma jurídica em um caso concreto, o aplicador do direito deve 
interpretá-la, a fim de buscar o seu sentido e alcance. 
Essa mutação acerca do tema tem uma causa determinante, que é o fato 
da relação jurídica entre médico e paciente ser regida, eminentemente, pelo 
sistema do consumidor, isto é, pela lei 8.078/90. 
Por seu turno, a doutrina e a jurisprudência pacificaram o entendimento 
no sentido de que essa relação jurídica possui, em regra, natureza consumerista. 
A razão de ser desse posicionamento está no objeto dessa relação jurídica, que 
vem a ser uma prestação de um serviço especializado por um profissional liberal 
(médico) ao tomador do serviço (paciente). Esses elementos amoldam-se aos 
conceitos legais de consumidor e fornecedor expressos nos arts. 2º e 3º do 
Código de Defesa do Consumidor. 
Logo, fica claro que o médico, ao prestar o serviço aos pacientes, o faz 
na figura de fornecedor de serviços. Essa mudança relativa ao sistema normativo 
regente da matéria, em razão da migração da sua disciplina do Código Civil para 
o Código de Defesa do Consumidor, originou diversas transformações 4. Mas, a 
mais relevante deu-se no campo hermenêutico (interpretativo). 
Isso decorre do fato de que o Código de Defesa do Consumidor parte de 
uma premissa básica, no sentido de que o consumidor é a parte vulnerável no 
mercado de consumo. Isto encontra-se expresso no art. 4º, I, da lei 8.078/90. 
Com efeito, ante essa vulnerabilidade, a legislação apresenta normas de 
cunho protetivo ao consumidor, tendo como base axiológica a cláusula geral da 
boa-fé objetiva, que cria para o fornecedor do serviço, ao lado da obrigação de 
adimplir com a prestação do serviço contratado, uma série de deveres jurídicos 
anexos ou laterais. 
 
 
 
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De acordo com a literatura jurídica, o princípio da boa-fé objetiva, no 
caso de responsabilidade civil médica, é particularizado como um "dever de 
tutela do melhor interesse do paciente". Esse dever significa, em última análise, 
a interpretação da relação jurídica médico-paciente visando a proteção da parte 
vulnerável, que é o paciente. 
Como consequência dessa premissa interpretativa, a lei impõe aos 
médicos um dever de conduta. 
É com base nesse valor que a doutrina e a jurisprudência vêm 
ressaltando que um dos principais deveres do médico é o dever de transmitir a 
informação de forma precisa e clara ao paciente acerca da patologia, caso 
existente, bem como dos tratamentos existentes, de qual tratamento o 
especialista acredita ser o mais recomendado para aquele caso, além de quais 
riscos isso acarretará (dever de informação). 
A partir dessa informação, caberá ao paciente a escolha pelo tratamento, 
dando o seu consentimento para qualquer intervenção, porventura, necessária. 
Essa é a regra geral, pois é certo que em situações de urgência, quando há risco 
de morte, o profissional de saúde não pode aguardar o consentimento por parte 
do paciente, tendo o dever profissional de atuar. 
A prova de que todas as informações foram devidamente prestadas ao 
paciente e que este consentiu com o tratamento proposto recai sobre o médico. 
Por isso, muitos médicos têm optado, ou ao menos deveriam fazê-lo, em 
entregar aos seus pacientes um documento escrito contendo essas informações, 
bem como formalizar seu consentimento para os procedimentos a serem 
adotados. 
A isso se dá o nome de "termo de consentimento informado". A maioria 
já deve ter conhecimento desses termos. Mas o mais impressionante é a 
resistência do médico em utilizá-lo no dia a dia do consultório. 
O médico tem que ter em mente que essa é uma medida preventiva 
extremamente importante, que pode, em muitos casos, afastar o dever de 
 
 
 
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reparar um dano. Basta pensar no paciente que ajuíza uma ação reparatória, 
sob o fundamento de que, em decorrência do procedimento cirúrgico realizado 
pelo médico, surgiu determinada sequela. 
No entanto, ao ser citado no processo, o médico apresenta defesa, 
trazendo aos autos o termo de consentimento informado, contendo em uma de 
suas cláusulas a possibilidade da ocorrência daquela implicação a sua saúde, 
ou seja, fica comprovado que o paciente tinha total conhecimento da 
probabilidade daquele evento secundário vir a ocorrer e, ainda assim, fazendo 
uma ponderação, entendeu pela realização do procedimento. 
Neste exemplo, se o médico observou o dever de informação, bem como 
atuou em conformidade com os protocolos e melhor técnica, não há razão para 
se falar em dever de indenizar o paciente. 
Mas, é perceptível que aquelas balizas acima dispostas vêm sendo, aos 
poucos, desfiguradas, com o claro objetivo de colocar o paciente como parte 
vulnerável da relação jurídica, criando uma série de presunções não prescritas 
na legislação. 
Por conseguinte, o que transparece é a tendência, ao menos da 
jurisprudência, em mitigar certas formalidades exigidas pela lei, tal como a 
necessidade de prova da culpa pelo paciente, a fim da responsabilização civil do 
médico, sob o fundamento de proteção da parte mais fraca da relação. 
Isso fica bastante evidente nos julgados pesquisados acerca da matéria, 
nos mais diversos Tribunais do Brasil, para a elaboração deste trabalho. Há um 
movimento que aspira tornar a inversão do ônus da prova como uma regra nas 
demandas que tem por objeto danos decorrentes da prestação de serviços 
médicos. 
Segunda o artigo 951 do Código Civil, Médicos, Cirurgiões, Farmacêuticos 
e Dentistas são responsáveis e têm o dever de indenizar quando, no exercício 
da atividade profissional, obrarem com negligência, imperícia ou imprudência, 
causando a morte do paciente, agravar-lhe o mal, causar-lhe lesão ou inabilitá-
lo para o trabalho. 
 
 
 
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Tal dever tem sido considerado resultante de uma responsabilidade 
contratual. No ensinamento de Gustavo Tepedino a relação jurídica formada 
entre o médico e seu paciente é “considerada uma locação de serviços sui 
generis, agregando à prestação remunerada dos serviços médicos um núcleo de 
deveres extrapatrimoniais, essencial a natureza da avença”. 
Atendendo ao disposto no artigo 14, §4º da lei 8.078/90, a 
responsabilidade dos profissionais liberais é averiguada através da constatação 
de culpa, sendo, por tanto, subjetiva, encontrando sua definição legal no artigo 
951 do Código Civil. 
Contudo, existe moderno segmento jurisprudencial que autoriza a 
inversão do ônus da prova nestes casos de responsabilidade subjetiva. 
Assim, a distinção entre responsabilidade contratual e extracontratual 
perde um pouco de sentido, pois nesta, a vítima tem a incumbência de indigitar 
o comportamento culposo por parte do profissional causador do dano. 
 Por outro lado, na responsabilidade contratual, o simples 
descumprimento da obrigação avençada dá ensejo à presunção relativa de 
responsabilidade do profissional que é elidida pela ausência de culpa pelo seu 
inadimplemento. 
Ocorre que no exercício da atividademédica prevalecem as obrigações 
de meio e não de resultado. Nesta o médico se responsabiliza em proceder de 
forma a trazer um benefício em favor do paciente. 
Dessa maneira, demonstrando a existência de um contrato e a 
inocorrência do resultado pretendido, resta ao médico à demonstração da 
inexistência de culpa no seu agir para ficar isento de qualquer responsabilidade 
ou dever de indenizar. 
 
 
 
 
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CONCEITO DE RESPONSABILIDADE 
 
O termo responsabilidade origina-se do latim respondere, que significa 
responder. A par disso, conforme nos traz o artigo 186, do Código Civil: “Aquele 
que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e 
causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. O 
agente fica, então, obrigado a reparar o dano que causou por ação ou omissão 
a outro, ou ainda que não tenha ligação direta com o fato, mas de fato ou coisas 
que têm ligação direta com o agente. 
Nesse sentido, Silvio de Salvo Venosa, em referência a Noronha, traz: 
“A responsabilidade civil é sempre uma obrigação de reparar danos: 
danos causados à pessoa ou ao patrimônio de outrem, ou danos 
causados a interesses coletivos, ou transindividuais, sejam estes 
difusos, sejam coletivos strictu sensu” (2007, p. 05). 
Portanto, ainda que não haja culpa por parte do agente, é necessário 
que se faça presente o dano a fim de que seja reparado. Caso contrário, não 
havia o porquê da restauração do status quo ante. 
Busca-se através da responsabilidade a sensação de punição e 
pacificação da sociedade, tendo em vista a restauração patrimonial lesada, 
levando em consideração não só o cunho monetário, mas também a ofensa à 
honra e à imagem. 
Com base no texto extraído acima, pode-se concluir que a ofensa aos 
bens jurídicos tutelados gera responsabilização em dois graus. A primeira, no 
âmbito criminal, quando visa à repreensão. A segunda, quando se busca uma 
reparação dos prejuízos causados pelo autor do fato, no caso, a 
responsabilidade civil. 
Analisando o que é atinente à responsabilidade civil, é possível encontrar 
três funções que lhe são pertinentes: 
a) Compensatória do dano moral e material à vítima; 
b) Punitiva ao ofensor; 
 
 
 
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c) Desmotivação social da conduta lesiva. 
Na primeira, como já dito anteriormente, visa-se a reparação civil, em 
busca da restauração do status quo ante. Há a presença de certa quantia em 
dinheiro a fim de se obter como recompensa a indenização necessária. 
Não é só o caráter pecuniário que tem relevância no instituto 
responsabilidade, mas também o caráter de repressão do agente causador do 
dano, portanto, necessário se faz a função punitiva ao ofensor, a qual visa a 
persuasão a este para não mais lesionar, conforme propõe a doutrina: 
“essa persuasão não se limita à figura do ofensor, acabando por incidir 
numa terceira função, de cunho socioeducativo, que é a de tornar 
público que condutas semelhantes são serão toleradas. Assim, 
alcança-se, por via indireta, a própria sociedade” (GAGLIANO; 
PAMPLONA FILHO, 2006, p. 21). 
Com isso, é possível alcançar a terceira função da responsabilidade civil, 
que é a de gerar efeitos na sociedade. A punição deve servir de exemplo para 
que outras pessoas não cometam o mesmo ato lesivo. 
Alcança-se também a segurança jurídica e a aplicação desejada do 
direito com a efetivação das leis. Assim, é perfeitamente possível admitir que 
haja ligação direta entre a segunda e terceira função da reparação civil. 
 
TIPOS RESPONSABILIDADES 
 
Responsabilidade contratual e extracontratual 
A distinção entre as duas ordens de responsabilidades traz uma série de 
dificuldades, uma das quais é traçar suas fronteiras precisas. Contudo, apesar 
da existência de adeptos da teoria unitária ou monista, o Direito brasileiro 
mantém sua dualidade. 
Para configurar a responsabilidade contratual faz-se necessário existir 
um contrato válido, que o prejuízo resulte da inexecução de uma obrigação 
originária do contrato e, finalmente, que o contrato relacione o responsável com 
 
 
 
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a vítima. Caberá ao credor, apenas, demonstrar que a obrigação não foi 
cumprida. 
A responsabilidade extracontratual ou aquiliana deriva do dever genérico 
de não lesar, de não causar dano a ninguém, observados os arts. 186 e 927 do 
Código Civil. No caso, o credor será obrigado a provar todos os pressupostos da 
responsabilidade civil. 
Responsabilidade subjetiva e objetiva 
A responsabilidade civil subjetiva origina-se de dano decorrente de ato 
doloso ou culposo (culpa lato sensu), dependendo do comportamento do agente. 
A culpa, na teoria clássica, também chamada teoria da culpa ou subjetiva, é 
pressuposto necessário e indispensável do dano indenizável. 
Na responsabilidade civil, para a obrigação de reparar o dano não há 
necessidade de ser caracterizada a culpa, quer por determinação legal, quer 
quando a atividade desenvolvida pelo autor do dano implique risco para outrem, 
diz-se que a responsabilidade é legal ou objetiva. 
Prescinde, pois, de culpa, exigindo apenas o dano e o nexo de 
causalidade. É também chamada de teoria do risco e envolve o dever de reparar 
o dano, ainda que a conduta seja isenta de culpa, isto é, independa do “ânimo” 
do agente 
No estudo da responsabilidade civil, a fim de que um dano seja reparado, 
a presença ou não da culpa é o que vai determinar a obrigação de reparar o 
prejuízo causado. 
Nesta seara, em situações pontuadas pela lei, não se faz necessário a 
comprovação da culpa para que esteja presente o dever de indenizar. Nessas 
situações, tal imputação é chamada pela doutrina de responsabilidade legal ou 
objetiva. 
Diz ser “objetiva” a responsabilidade quando sua prova não exige a 
presença do elemento culpa. A ação ou a omissão trazida pelo agente por si só 
origina o dever de reparar o dano gerado. 
 
 
 
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Frente a essa situação, uma vez que a culpa é presumida, cabe ao autor 
em uma ação judicial, provar a ação ou omissão, a culpa ou não do agente (no 
caso, não há necessidade, por se tratar de responsabilidade objetiva), o dano 
causado e o nexo de causalidade existente entre o autor do fato, e aquilo visa à 
reparação. 
Uma das explicações visando a justificativa da responsabilidade objetiva 
é a teoria do risco. 
Gagliano e Pamplona Filho trazem: 
“As teorias objetivistas da responsabilidade civil procuram encará-la 
como mera questão de reparação de danos, fundada diretamente no 
risco da atividade exercida pelo agente. (…) As teorias objetivistas, por 
sua vez, não foram de todo abandonadas, havendo diversas 
disposições esparsas que se contemplam” (2006, p. 15). 
O Código Civil enumera alguns casos em que a responsabilidade se 
torna objetiva, malgrado o Brasil ter adotado como regra a teoria subjetiva. As 
mudanças basearam-se na teoria do risco, bem como em avanços que 
ocasionaram mudanças de paradigmas frente à sociedade. 
O parágrafo único do artigo 927 do Código Civil admite tal modalidade 
de responsabilidade, conforme pode-se extrair pela leitura: 
“Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a 
outrem, fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar 
o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando 
a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua 
natureza, risco para os direitos de outrem.” 
A doutrina, no que tange ao parágrafo único, pontua certos 
questionamentos, principalmente na segunda parte do texto do citado 
dispositivo. A primeira pergunta que se faz é: Quais atividades têm o caráter de 
normalidade? 
Gagliano e Pamplona Filho trazem: 
“Ao consignar o advérbio ‘normalmente’,o legislador quis referir-se a 
todos os agentes que, em troca de determinado proveito, exerçam 
com regularidade atividade potencialmente nociva ou danosa aos 
direitos de terceiros. Somente essas pessoas, pois, empreenderiam a 
 
 
 
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mencionada atividade de risco, apta a justificar a sua responsabilidade 
objetiva” (2006, p. 139). 
É possível classificar a atividade médica como normal, afinal o 
profissional assiduamente realiza atendimentos clínicos, acompanhamento de 
pacientes, intervenções cirúrgicas e demais atividades afins – registre-se aqui o 
profissional que visa a resultados específicos, como por exemplo, o cirurgião 
plástico, odontologista. 
Ligado fortemente com determinado paciente para o exercício de sua 
profissão está o médico sujeito a causar algum prejuízo e, devidamente 
comprovado a dimensão do dano, ou prejuízos, e havendo demonstração do 
nexo de causalidade, é, então, possível a reparação por meio do processo de 
conhecimento, galgando a necessária indenização. 
Por iguais razões, é presumida a culpa, motivando o dever de indenizar, 
ainda referindo-se às questões médicas, tema abordado neste estudo, quando 
se trata de entidades hospitalares. A guisa do exemplo pode-se citar: 
O caput do artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor exprime 
seguramente que é a garantia de suprimento do defeito na prestação do serviço, 
que se deseja por parte do profissional ou dos estabelecimentos hospitalares, 
uma vez que estes assumem todo e qualquer risco nos cuidados despendidos 
aos pacientes. Não se pode olvidar de maneira alguma o Brasil ter se filiado à 
teoria subjetiva, tendo-a como regra, embora haja a aplicação da teoria do risco 
para determinados fatos. 
Como mencionado acima, o Brasil filiou-se a teoria da responsabilidade 
civil subjetiva. Para a aplicação da referida modalidade, o autor, à vista de ver 
seu dano reparado, deve comprovar o dano causado pelo agente – no presente 
estudo, do médico. 
Miguel Kfouri Neto traz que “não há, pois, culpa presumida do médico, 
por estarmos diante de um contrato. Ao autor incumbe a prova de que o médico 
agiu com culpa” (2010, p. 75). 
Só é possível admitir a aplicação da responsabilidade objetiva quando a 
atividade profissional buscar resultado determinado, ou seja, atividade fim. No 
 
 
 
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Brasil, tal teoria tem sido aplicada nos casos de cirurgias estéticas, conhecidas 
como cirurgias-plásticas. 
Nos demais casos, a atividade do médico é de meio, uma vez que tal 
profissional se compromete a usar todas as regras e os métodos de sua 
profissão para recuperar a saúde do paciente que lhe é submetido a tratamento. 
 
 
OBRIGAÇÕES DE MEIO E DE RESULTADO 
 
A responsabilidade civil faz parte do Direito obrigacional, haja vista que 
o autor de um dano adquire a obrigação de repará-lo. A obrigação seria, então, 
o vínculo jurídico que confere ao credor o direito de exigir do devedor o 
cumprimento da prestação, respondendo este com o próprio patrimônio pelas 
suas obrigações. 
 
 
 
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Em relação a sua natureza, objeto ou conteúdo as obrigações 
classificam-se em de meio e de resultado. Havendo o compromisso de alcançar 
determinado resultado, estamos frente a uma obrigação de resultado. Se o 
compromisso for apenas o de envidar esforços para determinado resultado, 
porém sem a obrigação de consegui-lo, teremos a obrigação de meio. Será de 
resultado a obrigação do transportador, quer de cargas ou pessoas, do 
mecânico, do arquiteto, do construtor; e, no geral, de meio, a obrigação do 
advogado, do professor, do publicitário e do médico. 
Na obrigação de meio, o objeto ou conteúdo da obrigação é o 
comportamento do devedor, não se cogitando o resultado final, e o ônus da prova 
caberá ao credor. Na obrigação de resultado, o objeto ou conteúdo da obrigação 
é o resultado da atividade do devedor, cogitando-se o resultado final, e o ônus 
da prova caberá ao devedor. 
O paciente, vítima de erro médico, pode acionar o profissional diante de 
quatro esferas distintas e com regras procedimentais bem específicas: esferas 
civil, penal, administrativa e disciplinar. O erro médico, fundamentado no contrato 
entre o paciente e o médico, estaria adstrito à jurisdição civil, enquanto os atos 
ilícitos dolosos como a omissão de socorro, à jurisdição penal. 
A ação administrativa relaciona-se aos médicos ligados a hospitais que 
poderiam, em primeira instância, serem vítimas de processos administrativos em 
hospitais públicos e, por último, a instância disciplinar que diz respeito às 
infrações do Código de Ética Médica – de responsabilidade dos conselhos de 
medicina. 
Reconhece-se, quase unanimemente, a responsabilidade civil do 
médico como de natureza contratual. Em alguns casos poderá ser 
extracontratual, quando, por exemplo, do atendimento de um acidentado 
desfalecido, na rua. 
Será também extracontratual quando cometer um ilícito penal ou 
descumprir normas regulamentares da profissão, tais como fornecer atestado 
falso, não impedir que pessoa não habilitada exerça a profissão ou lançar mão 
 
 
 
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de tratamento cientificamente condenado ou de atitudes charlatanescas, vindo a 
causar dano ao paciente. 
 
NATUREZA DA OBRIGAÇÃO MÉDICA 
 
A obrigação médica é, em geral, de meio e não de resultado, ou seja, 
implica no dever de prudência e diligência no exercício de sua arte, utilizando os 
melhores meios disponíveis para tentar a cura do paciente sem, entretanto, 
prometer ou garantir o resultado esperado. 
Não existe a possibilidade de assegurar prévio resultado porque os 
fatores que envolvem o exercício da medicina o tornam incerto. Esses fatores de 
incerteza, como a evolução da ciência, a constituição do paciente e a evolução 
da própria moléstia, fazem com que o médico não possa efetivamente garantir o 
resultado. 
Reconhece-se, contudo, que em algumas especialidades como a 
cirurgia plástica estética, anatomopatologia, análises clínicas e radiologia a 
obrigação médica será de resultado. Para Sebastião, a diferença estará em 
“saber quem assumiu o risco em caso de frustração (não atingimento do fim) ou 
de prejuízo (dano) diante de resultado negativo. 
Se o risco foi assumido por quem contrata (paciente, no caso da 
medicina), cumpre a este provar a culpa do contratado (médico) pelo dano 
resultante será contrato de meios. Se o risco é do contratado (médico, no caso 
da medicina), cumpre a este, para se eximir da responsabilidade (uma vez que 
não atingiu o resultado desejado), provar que o insucesso decorreu de fato que 
escapou de sua esfera de ação, quer por culpa do próprio contratante, quer 
porque derivado de força maior ou de caso fortuito – será contrato de resultado”. 
 
 
 
 
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DIREITO DO CONSUMIDOR 
 
O Código de Defesa do Consumidor, instituído pela Lei nº 8.078/1990, 
de 11 de setembro de 1990, trouxe grandes inovações ao direito como um todo, 
principalmente aos considerados vulneráveis e hipossuficientes, os 
consumidores. 
Importante destacar o conceito ostentado pelo Código de Defesa do 
Consumidor. O artigo 2º do CDC traz: 
“Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza 
produto ou serviço como destinatário final. Parágrafo único. Equipara-se a 
consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja 
intervindo nas relações de consumo”. 
Nota-se, a partir de uma análise perfunctória do texto legal, que o 
legislador não se preocupou em conceituar a pessoa do consumidor. Pelo modo 
genérico que é posta tal definição, surgem problemas na interpretação, que são 
sanáveis através da doutrina e jurisprudência. 
Rizzato Nunes, diante do obscuro significado do termo “destinatário final” 
na legislação consumerista, tentaelucidar a ideia trazida pelo legislador no 
dispositivo final do caput do artigo. 
Sobre o assunto, Rizzato Nunes compara o consumidor sob a ótica 
referida no artigo 29 do mesmo código: 
“Logicamente falando, o caput do art. 2º aponta para aquele consumidor 
real que adquire concretamente um produto ou um serviço, e o art. 29 indica o 
consumidor do tipo ideal, um ente abstrato, uma espécie de conceito difuso, na 
medida em que a norma fala da potencialidade, do consumidor que 
presumivelmente exista, ainda que possa não ser determinado” (2009, p. 72). 
 
 
 
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José Geraldo Brito Filomeno, um dos autores do anteprojeto do CDC 
menciona: 
“O conceito de consumidor adotado pelo Código foi exclusivamente de 
caráter econômico, ou seja, levando-se em consideração tão-somente 
o personagem que no mercado de consumo adquire bens ou então 
contrata a prestação de serviços, como destinatário final, pressupondo-
se assim que age com vistas ao atendimento de uma necessidade 
própria” (2007, p. 28). 
Por este prisma, concluiu-se que o paciente, na relação jurídica médico-
paciente, é considerado legalmente consumidor, pois almeja interesses próprios, 
ou seja, como destinatário final. Aplica-se aqui o entendimento de que está em 
busca concretamente de um serviço, ou seja, quer efetivamente um tratamento 
à sua enfermidade, seja através da atividade de meio ou ainda da atividade de 
fim por parte do profissional da medicina. 
Cuidou ainda o legislador em conceituar a pessoa do fornecedor, que se 
encontra tipificado no artigo 3º da Lei 8.078/90: 
“Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, 
nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que 
desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, 
transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de 
produtos ou prestação de serviços. 
§ 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. 
§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, 
mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito 
e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.” 
Em primeiras linhas, nota-se que o legislador cuidou de generalizar a 
pessoa do fornecedor, seguindo os parâmetros adotados pelo CDC. Poderia 
também ter tratado da questão de maneira tipificada, como por exemplo, 
empresário, comerciante, lojista, dentre outros, mas não o fez. Assim, todas 
aquelas pessoas, físicas ou jurídicas, que praticam alguma das ações descritas 
no caput do artigo 3º do CDC deverão ser classificadas fornecedor. 
 
 
 
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José Geraldo Brito Filomeno traz: 
“Tem-se, por conseguinte, que fornecedor é qualquer pessoa física, ou 
seja, qualquer um que, a título singular, mediante desempenho de 
atividade mercantil ou civil e de forma habitual, ofereça no mercado 
produtos ou serviços, e a jurídica, da mesma forma, mas em 
associação mercantil ou civil e de forma habitual” (2007, p. 47). 
No contexto trazido neste trabalho e nas previsões legais, fica evidente a 
qualidade do médico como fornecedor de serviços, uma vez que se trata de 
pessoa física que comercializa de forma habitual e profissional seus serviços, 
almejando recursos econômicos para seu sustento. 
Importante destacar a distinção entre atividade típica e atividade atípica, 
trazida por Rizzato Nunes, onde o mesmo menciona que o fornecer típico é 
aquele que realiza suas atividades dentro das normas previstas no seu ofício. 
O fornecedor atípico é aquele que realiza alguma atividade diversa 
daquela que costumeiramente realiza. Rizzato Nunes cita o exemplo de uma loja 
de roupas que vende um computador usado para adquirir um novo. Mesmo que 
se verifique um “destinatário final”, não é a prática comercial desta loja vender 
computadores, ainda que faça parte de seu ativo (2009). 
O fato da venda desse computador, por exemplo, não é um nada jurídico; 
tal fato será regulado pela legislação comum. Mas para a aplicação o CDC, é 
preciso que a atividade seja típica. No mesmo exemplo citado, se tratasse de 
uma loja de informática poderia, sem sombra de dúvidas, tratar-se de relação 
comercial e consequentemente consumerista. 
O médico como prestador de serviços, dessa forma, é classificado como 
fornecedor, por disponibilizar seus serviços no mercado de consumo, realizando 
suas atividades dentro das normas previstas para o seu ofício. 
Sendo assim, no que tange ao Direito do Consumidor, traz Silvio de 
Salvo Venosa, que o paciente se equipara ao consumidor, conforme 
artigo 2º do CDC. O médico ou a pessoa jurídica, prestador de serviço, 
equipara-se ao fornecedor de serviços (artigo 3º do CDC) (2007, p. 
122). 
 
 
 
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Mister se faz ressaltar que os profissionais liberais também estão sujeitos 
à aplicação do CDC. É cediço que os médicos, assim como os advogados, por 
exemplo, são profissionais liberais. A diferença dos fornecedores que não são 
profissionais liberais está pautada no tipo de responsabilidade aplicada. 
Embora seja fornecedor, o profissional liberal, em regra, responde pela 
ilicitude de seus atos por meio da comprovação de culpa – regra geral adotada 
no direito civil brasileiro – tal como previsto expressamente no §4º do artigo 14 
do Código de Defesa do Consumidor. 
Inúmeros são os casos levados à tutela do Estado-Juiz narrando 
situações em que o paciente fora flagrado com tesoura, emplastos, curativos e 
outros tantos elementos “abandonados” em seus corpos após uma intervenção 
cirúrgica. Ou ainda, casos em que os familiares pleiteiam a reparação de danos 
causados por erros de diagnósticos que acabaram levando seus entes queridos 
a óbito, sem o devido socorro. 
Miguel Kfouri Neto, citando Zelmo Denari, afirmar categoricamente a 
necessidade de responsabilização do médico, vejamos: 
“Os médicos e advogados – para citarmos alguns dos mais conhecidos 
profissionais – são contratados ou constituídos com base na confiança 
que inspiram aos respectivos clientes. Assim sendo, somente serão 
responsabilizados por danos quando ficar demonstrada a ocorrência 
da culpa subjetiva, em quaisquer das modalidades: negligência, 
imprudência ou imperícia” (2010, p. 211). 
 A aplicabilidade do CDC, aliado às regras do direito brasileiro são as 
garantias encontradas pelo consumidor, no caso, pelos pacientes para verem a 
violação dos seus direitos devidamente indenizada. 
O paciente quer sanadas suas angústias causadas pelo exercício 
irresponsável e de maneira diversa da contratada, da atividade laborativa do 
médico. Assevera Miguel Kfouri Neto: 
“Essas angústias avultam quando se trata de responsabilidade médica. 
Os serviços prestados pelos médicos têm natureza especialíssima. 
Viver já envolve toda a sorte de riscos. Intervir no corpo humano 
potencializa esses riscos” (2010, p. 212). 
 
 
 
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O médico não pode tratar todos os casos de maneira igual. Existem sim, 
certos casos semelhantes, mas não se pode considerá-los idênticos, 
empregando o mesmo tratamento para todos os pacientes. Mesmo porque, é 
público e notório que cada organismo reage de maneira diversa um do outro. 
A responsabilidade civil contratual no tocante aos médicos, seja na ótica 
consumerista, seja na ótica civilista, distingue-se nas obrigações de meio e de 
resultado. 
 
Difícil tarefa é compatibilizar a proteção do consumidor como direito 
fundamental com os princípios da ordem econômica, isso porque a defesa do 
consumidor tem origem constitucional nos arts. 5º, XXXII e 170 da Constituição 
Brasileira. 
Em relação ao direito do consumidor como princípio fundamental, 
Claudia Lima Marques (2008) afirma ser um direito humano de terceira geração, 
um direito positivo de atuação do Estado na sua projeção, que atinge a todosos 
cidadãos brasileiros e estrangeiros aqui residentes. 
Direito do Consumidor como princípio fundamental: 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor; 
Atualmente, a doutrina os classifica em direitos humanos fundamentais 
em primeira, segunda, terceira e quarta dimensões cujos conteúdos ensejariam 
os princípios: liberdade, igualdade e fraternidade. 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641516/artigo-5-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10729785/inciso-xxxii-do-artigo-5-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10660995/artigo-170-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
 
 
 
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Direitos de primeira dimensão ou de liberdade: direitos e as garantias 
individuais e políticos clássicos ou as chamadas liberdades públicas. Visam inibir 
a interferência indevida do Estado na vida do cidadão. 
Direitos de segunda dimensão ou de igualdade: direitos sociais, 
econômicos e culturais, surgidos no início do século XX. Eram os direitos de 
caráter social. Neste caso, a interferência do Estado era desejada para garantir 
a igualdade material dos indivíduos. 
Direitos de terceira dimensão ou de solidariedade ou 
fraternidade: direitos da coletividade, de titularidade coletiva ou difusa. Entre 
eles, encontra-se o direito à paz, ao meio ambiente equilibrado, à comunicação 
e à proteção do consumidor. 
Direitos de quarta dimensão: direitos originários do mundo globalizado: 
Bonavides (2000) cita os direitos à democracia, à informação, ao pluralismo. 
Seriam estes direitos que possibilitariam a legítima globalização política. 
Alguns autores defendem que a defesa do consumidor seria coligada à 
Cláusula Geral da Personalidade, ou seja, a Constituição, ao prever o respeito à 
dignidade humana como seu fundamento mais importante, e ainda, considerar 
como objetivo da República a erradicação da pobreza e a marginalização, para 
reduzir as desigualdades, mostram-se com a intenção de proteger os 
consumidores. 
Neste contexto, Gustavo Tepedino assevera: 
[...] o coligamento destes preceitos com os princípios fundamentais 
da Constituição, que incluem entre os fundamentos da República “a 
dignidade da pessoa humana” (art. 1º, III), e entre os objetivos da 
República “erradicar a pobreza e a marginalização, e reduzir as 
desigualdades sociais e regionais” (art. 3º, III), demonstra a clara 
intenção do legislador constituinte no sentido de romper a ótica 
produtivista e patrimonialista que muitas vezes prevalece no exame 
dos interesses dos consumidores. 
O constituinte, assim procedendo, não somente inseriu a tutela dos 
consumidores entre os direitos e garantias individuais, mas afirma que sua 
proteção deve ser feita do ponto de vista instrumental, ou seja, com a 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
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instrumentalização dos seus interesses patrimoniais à tutela de sua dignidade e 
aos valores existenciais. 
Trata-se, portanto, do ponto de vista normativo, de proteger a pessoa 
humana nas relações de consumo, não já o consumidor como categoria de per 
se considerada. 
A proteção jurídica do consumidor, nesta perspectiva, deve ser estudada 
como momento particular e essencial de uma tutela mais ampla: aquela da 
personalidade humana; seja do ponto de vista de seus interesses individuais 
indisponíveis, seja do ponto de vista dos interesses coletivos e difusos. 
(TEPEDINO, 1998, p. 249-250) 
Já a proteção do consumidor como Princípio da Ordem Econômica deve-
se analisar o artigo, 170, V, da CF/88, que visa garantir a melhoria da qualidade 
de vida dos cidadãos através da implementação de uma política de nacional de 
consumo. 
Direito do Consumidor como princípio da ordem econômica: 
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho 
humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, 
conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: 
 
I - soberania nacional; 
II - propriedade privada; 
III - função social da propriedade; 
IV - livre concorrência; 
V - defesa do consumidor; 
Dessa forma, a defesa do consumidor como princípio geral da atividade 
econômica está emparelhado e atua lado a lado, com outros princípios basilares 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10660995/artigo-170-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
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do modelo político-econômico brasileiro, como o da soberania nacional, da livre 
concorrência, dentre outros. Como princípio, tem o condão de controlar as 
normas que procuram afastar a tutela protetiva. 
Observa-se aqui, que podem ocorrer conflitos nas situações práticas de 
proteção ao consumidor e a política nacional da ordem econômica. Em nossa 
opinião, caso aconteça colisão entre os princípios que protegem o consumidor 
com os princípios gerais da ordem econômica entre si, não há outra solução 
senão resolvê-los utilizando o recurso da ponderação de interesses em matéria 
constitucional. 
O interessante é notar que para Ruy Rosado de Aguiar Jr., o princípio 
da boa-fé seria o critério auxiliar e indispensável para a viabilização dos 
princípios constitucionais sobre a ordem econômica. 
O Ministro defende que utilizando a ponderação de interesses à luz da 
boa-fé, da natureza da operação econômica envolvida e do custo social desta 
operação, a solução poderia não ser necessariamente a mais favorável ao 
consumidor. 
É a circunstância do caso que deve determinar a aplicação do princípio, 
buscando garantir iguais direitos fundamentais aos afetados. Daí, a solução de 
um caso difícil está na construção teórica feita nesta situação concreta. Não há 
contradição de princípios, mas concorrência, não há hierarquia, já que eles estão 
no mesmo plano de aplicação. 
Neste sentido, pode-se afirmar que o princípio geral da atividade 
econômica de defesa do consumidor impõe a realização de uma política pública 
com dupla eficácia: a positiva determina que os poderes públicos tenham o dever 
de desenvolver o programa constitucional, por meio de ação coordenada que 
estimule a ordem econômica brasileira; a negativa quer impedir que o legislador 
ou a Administração Pública edite normas conflitantes com o objetivo do programa 
constitucional de proteção do consumidor. 
A propósito, o STJ (BRASIL, 2007) já reconheceu que: 
 
 
 
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STJ: A intervenção do Estado na ordem econômica, fundada na livre 
iniciativa deve observar os princípios do direito do consumidor como seu 
limitador, já que este se trata de objeto de tutela constitucional especial. 
CANOTILHO (2000) chama a defesa do consumidor de “princípio 
constitucional impositivo” que apresenta duas funções: a primeira 
como instrumento para assegurar a todos existênciadigna e a 
segunda, instrumento para assegurar a conquista o objetivo particular a ser 
alcançado, justificando a reivindicação pela realização de políticas públicas. 
Vislumbra-se então que a defesa do consumidor é princípio que deve ser 
seguido pelo Estado e pela sociedade para atingir a finalidade de existência 
digna e justiça social, imbricado com o princípio da dignidade da pessoa humana. 
Isso porque, nosso país adota o modelo de economia capitalista de produção, a 
livre iniciativa como um princípio basilar da economia de mercado. No entanto, 
a Constituição Federal confere proteção ao consumidor contra os eventuais 
abusos ocorridos no mercado de consumo. 
Assim, o art. 5º, LXXII da CF determinou ao Estado a promoção da 
defesa do consumidor, no sentido de adotar uma política de consumo e um 
modelo jurídico com a tutela protetiva especial ao consumidor, o que se 
completou quando da promulgação do Código de Defesa do Consumidor, em 11 
de setembro de 1990. 
Características do CDC: 
Lei ordinária que disciplina a proteção do consumidor 
Microssistema legislativo: lei que inclui, em um único diploma, várias 
disciplinas jurídicas – civil, penal, administrativo, processo civil, entre outras. 
Norma de Ordem Pública e Interesse Social: normas cogentes e 
inafastáveis. 
Lei de função social: lei que concretiza, no plano na legislação comum, 
a vontade da CR/88. 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641516/artigo-5-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10727596/inciso-lxxii-do-artigo-5-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
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Fundamento Constitucional do CDC: 
Princípio fundamental (art. 5, XXXII, CR/88); 
Princípio da Ordem Econômica (art. 170, V, CR/88). 
Cláudia Lima Marques (2009, p.89) que, tomando por base seus estudos 
na Alemanha, importou para o Brasil a Teoria do Diálogo das Fontes, tal como 
idealizada pelo jurista germano Erik Jayme. 
Observa-se que a Teoria do Diálogo das Fontes tem sido bastante 
aplicada em situações que se sujeitam, concomitantemente, a disposições 
contidas tanto no Código Civil, quanto no Código de Defesa do Consumidor. 
Diálogo das fontes é uma tentativa de expressar a necessidade de 
aplicação coerente das leis de direito privado, co-existentes no sistema. Ou seja, 
o Código Civil e o CDC coexistem, assim, a regra geral seria que: sendo a 
relação entre sujeitos paritários (em situação de igualdade) aplica-se o Código 
Civil. Já nas relações jurídicas em que as partes são o consumidor e o fornecedor 
será regulamentado pelo CDC. 
Entretanto, quando houver antinomias, normas em conflito no Código 
Civil e no CDC, aplica-se a norma mais favorável ao consumidor, sujeito de 
direito hipossuficiente e merecedor de proteção do ordenamento jurídico. 
Cumpre registrar que o Diálogo das Fontes, no caso de relações de 
consumo, encontra previsão expressa para sua aplicação, no art. 7º, do CDC[7]. 
Assim, a Teoria do Diálogo das Fontes emerge como mais um 
instrumento a serviço da boa interpretação e aplicação do Direito, com o escopo 
de concretizar os Direitos Fundamentais, presentes na Carta Magna, bem como 
fins sociais a que ela se dirige. 
A origem da responsabilidade civil é proveniente da vida prática. Há 
indícios que civilizações anteriores à mediterrânea já revelavam preocupação 
com a questão da responsabilidade. Geralmente, a pena imposta era a mesma 
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https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641516/artigo-5-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10729785/inciso-xxxii-do-artigo-5-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
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https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10660995/artigo-170-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10660799/inciso-v-do-artigo-170-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
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https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
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https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10607233/artigo-7-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
 
 
 
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do prejuízo causado ao terceiro, era aplicada a “lei de talião” lei que imperava no 
Velho Testamento, do “olho por olho”, “dente por dente”, “mão por mão”, “pé por 
pé”. Era um sistema baseado na vingança privada. 
Com a Lei das XII tábuas, a intervenção do poder público tinha o fim de 
disciplinar a vingança privada. A vítima ao invés de submeter o agente a 
sofrimento igual ao causado era ressarcido com dinheiro ou com bens a título 
de poena (castigo). Nesta época, não havia a noção de culpa, portanto, a 
responsabilidade era objetiva. 
Na Lex Aquilia, introduzida no direito romano, a noção de culpa passa a 
ser indispensável para a reparação do dano. A outra novidade foi que ao invés 
de multas fixas criou-se a ideia de quantum proporcional ao prejuízo causado. A 
ideia do direito romano perpetuou o conceito de responsabilidade civil até a Idade 
Média e o Direito Moderno. 
Os Códigos Modernos buscaram inspiração no Código Napoleônico de 
1804, assim como o Código Civil Brasileiro de 1916, baseando a 
responsabilidade na teoria da culpa. 
A responsabilidade é de fato uma obrigação que ocorre por um dever 
contratual ou extracontratual, assim como, por uma violação de norma que 
vincula o agente a uma reparação pelo prejuízo causado. 
A partir da Lex Aquilia é que se fez necessária a culpa para caracterizar 
a responsabilidade. 
Atualmente, a responsabilidade civil pode advir tanto de atos lícitos 
quanto dos lícitos que importam riscos. A regra geral prevista no Código Civil é 
a responsabilidade subjetiva, aquela que depende da comprovação da culpa do 
agente. 
Para caracterizar a responsabilidade subjetiva são imprescindíveis 
alguns elementos: 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1035419/c%C3%B3digo-civil-lei-10406-02
 
 
 
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Conduta humana antijurídicaou conduta ilícita: ocorre quando há ofensa 
a um princípio geral de direito neminem laedere – ninguém pode lesar ninguém, 
ou seja, há necessidade de ato realizado pelo próprio agente contrário ao direito. 
Observação: A culpa está presente na conduta antijurídica. A culpa lato 
sensu (dolo e culpa) é o elemento essencial e caracterizador da responsabilidade 
subjetiva. 
A culpa é dividida em lato sensu e strito sensu. A culpa lato sensu 
representa o dolo e a culpa strito sensu. O dolo seria a intenção de provocar o 
dano, enquanto, a culpa no sentido strito seria a não intenção de causar dano, 
mas que ocorre em razão de imperícia, negligência ou imprudência. 
Dano: é a lesão a um bem jurídico ou o prejuízo sofrido pela vítima que 
pode ser patrimonial ou extrapatrimonial. 
Nexo de causualidade: é a relação de causa e efeito entre a conduta e 
o resultado ou a ligação entre a conduta do agente e o dano. 
O CDC adotou como regra geral a responsabilidade objetiva, aquela que 
independe prova de culpa do agente. 
Elementos essenciais da responsabilidade objetiva: 
a) Atividade de risco 
b) Nexo Causal 
c) Dano 
A teoria que fundamenta a responsabilidade objetiva do CDC é a Teoria 
do Risco da Atividade. 
A TEORIA DO RISCO DA ATIVIDADE 
Para o CDC, o desempenho de atividade econômica, por si só, cria o 
risco de dano ao consumidor, de forma que, se concretizado, surge o dever de 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
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repará-lo, independentemente da comprovação de dolo ou culpa do fornecedor. 
Portanto, no CDC a regra é a responsabilidade objetiva. 
A responsabilidade objetiva entende que a reparação do dano se baseia 
no dano causado e sua relação com a atividade desenvolvida pelo agente. Incide 
sobre atividades que potencialmente ofereçam risco à coletividade. A atividade 
pode ser lícita, mas sua existência faz com que provoque danos e as vítimas 
devem ser protegidas. A obrigação de reparar surge da existência de um dano e 
da relação de causalidade com determinada atividade. 
Vale ressaltar que a responsabilidade objetiva não se confunde com a 
culpa presumida. Na culpa presumida ocorre uma inversão do ônus de prova. 
Presume-se a culpa por um comportamento do causador do dano, cabendo a 
este demonstrar ausência de culpa, para se eximir de indenizar. Rui Stoco afirma 
que “Trata-se de uma espécie de solução transacional ou escala intermediária, 
em que se considera não perder a culpa a condição de suporte da 
responsabilidade civil, embora aí já se deparem indícios de sua degradação[13]”. 
Já na responsabilidade objetiva, o agente responderá mesmo se tiver 
agido sem culpa e os elementos a serem provados pela vítima em uma eventual 
ação de indenização são o dano e o nexo de causalidade. Em caso de culpa 
presumida deve-se provar a conduta antijurídica, a culpabilidade, o dano e o 
nexo de causalidade; contudo, o elemento culpa presume-se provado. Dessa 
forma, a culpa presumida é espécie de responsabilidade civil subjetiva que só 
ocorre em casos previstos em lei. 
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR: 
Regra geral: Responsabilidade Objetiva 
Exceção: Profissional Liberal – Responsabilidade Subjetiva 
RESPONSABILIDADE CIVIL POR FATO DO PRODUTO OU DO 
SERVIÇO 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
https://claudiamaraviegas.jusbrasil.com.br/artigos/761678809/apostila-de-direito-do-consumidor#footnote-13
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
 
 
 
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O fato do produto e o fato do serviço estão referidos nos 
artigos 12 e 14 do CDC, respectivamente, e também são chamados 
de ACIDENTE DE CONSUMO. Os produtos que, por seus defeitos, causarem 
danos, fazem surgir à responsabilidade civil do fornecedor, independentemente 
de culpa. O mesmo ocorre em caso acidente de consumo por fato de serviço, 
que pressupõe a existência de defeitos, verificados na prestação de um serviço, 
bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre a sua fruição e 
riscos. 
Trata-se de responsabilidade solidária, que atribui ao consumidor o 
direito de escolher de quem pleitear os danos, se do comerciante partícipe mais 
próximo, ou se do fabricante ou figura correlata mais distante. “O consumidor 
tem a faculdade de escolher qualquer um deles, separada ou conjuntamente, 
pelo total dos danos, não podendo o fornecedor acionado denunciar a lide, por 
expressa vedação do CDC”. 
Assim, aplica-se a responsabilidade objetiva e solidária, em caso de 
acidente de consumo, isto é, o fornecedor responde independentemente da 
existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por 
defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, 
manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como 
por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. 
FATO DO PRODUTO E DO SERVIÇO = ACIDENTE DE CONSUMO 
Art. 12, CDC: “O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou 
estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de 
culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos 
decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, 
manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como 
por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. 
[...] 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10606811/artigo-12-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10606184/artigo-14-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10606811/artigo-12-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/c%C3%B3digo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
 
 
 
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Art. 14, CDC: O fornecedor de serviços responde, independentemente 
da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores 
por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações 
insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos." 
Embora tanto no fato quanto no vício haja responsabilidade civil do 
fornecedor, ambos não se confundem no direito brasileiro. No fato há um dano 
ao consumidor, atingindo-o em sua integridade física ou moral (elemento 
intrínseco). Já no vício, há um descompasso entre o produto ou serviço oferecido 
e as legítimas expectativas do consumidor (elemento extrínseco). 
VÍCIO ≠ DEFEITO 
Vício: é a mera inadequação do produto ou do serviço para os fins a que 
se destina. Ex.: o consumidor comprou uma televisão que não funciona. 
Defeito: diz respeito à insegurança do produto ou do serviço. Ex.: a 
televisão comprada explode e causa danos à integridade do consumidor. 
Espécies de defeitos: de fabricação, de concepção e de 
comercialização. 
Dessa forma, o produto defeituoso é aquele que não oferece a 
segurança que dele legitimamente se espera. Observam-se a informação do 
produto, a sua apresentação, os riscos que ele pode causar, levando-se em 
consideração a época em que foi colocado em circulação. Trata-se da teoria do 
risco do desenvolvimento. 
Responsabilidade do Comerciante: 
Em regra, a responsabilidade do comerciante é subsidiária. A 
responsabilidade subsidiária advém do fato de o fabricante e o produtor serem 
os verdadeiros introdutores do risco no mercado ao inserirem produtos 
defeituosos em circulação, cabendo ao comerciante apenas avaliar a qualidade 
dos bens que coloca

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