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FUNDAMENTOS	FILOSÓFICOS	E
SOCIOLÓGICOS	DA	EDUCAÇÃO
CAPI�TULO 2 - PRINCIPAIS PERCURSOS DA
FILOSOFIA DA EDUCAÇA� O
Cristiane Nobre Nunes
Introdução
Vamos iniciar esta unidade re�letindo sobre o sentido e valor da educação para a sociedade. A educação nasce da
necessidade de garantir a transmissão de conhecimentos, crenças, hábitos e costumes desenvolvidos pelos
diversos grupos sociais, a partir do repertório de suas experiências de vida. Assim, a educação é fundamental
para e evolução dos seres humanos, tendo por signi�icado e �inalidade a adaptação do indivı́duo à sociedade.
Nesse sentido, a sociedade se caracteriza pela construção de fatores, como os comportamentais, que são de
criação, transformados e desenvolvidos pelo indivı́duo. A educação é o centro do desenvolvimento social. A
escola, nesse contexto, também é responsável pela educação do ser humano, representando a consolidação de
elementos fundamentais de uma sociedade. Assim, a escola, enquanto instituição, pode ser reprodutora das
desigualdades sociais?
Busca-se, atualmente, uma escola que assegure o caminho da diversidade e da multiplicidade; uma escola com
princı́pios de gestão democrática perpassada por todos que a compõem — funcionários, professores, alunos e
pais. Dessa maneira, algumas questões se fazem presentes: qual é o papel que a escola assume enquanto
transformadora da sociedade? De que maneira as demandas das sociedades devem ser trabalhadas pelos
professores nas salas de aula? Os pro�issionais de educação estão preparados para as mudanças sociais e
situações como violência e alterações das relações familiares presentes em nossa sociedade nos dias atuais?
Propomos uma aproximação da educação com a Filoso�ia e a Sociologia no que se refere às transformações que
estão acontecendo ao longo do tempo, e os impactos no funcionamento da vida e das relações estabelecidas
pelas pessoas. Aı́, surge a pergunta: a escola, o ensino e a aprendizagem estão, de fato, acompanhando essa
demanda?
A trajetória da Filoso�ia e da Sociologia propõe uma discussão sobre o fazer e o refazer das relações humanas de
forma mais justa e participativa, preocupada com a diversidade e a pluralidade individual e social.
Vamos lá? Acompanhe esta unidade com atenção!
2.1 Educação e sociedade moderna
Vivemos em uma sociedade que está em constante modi�icação. Trata-se de mudanças nos cenários
econômicos, polı́tico e social, que exigem que as pessoas se reinventem cada vez mais e se adequem a novos
modelos de sociedade. Isto é, adaptem-se a novas demandas, como a pauta sobre diversidade humana e as
práticas de vivências culturais, econômicas de produção e polı́ticas.
Nesse contexto, a escola vem sendo questionada acerca de seu papel na sociedade. A�inal, quais são as
contribuições da educação para sociedade? De que forma as transformações que acontecem no mundo
impactam nas relações escolares? Um bom exemplo é a utilização de novas tecnologias nas salas de aula.
Propomos, então, a partir de agora, uma re�lexão mais estrita entre as práticas pedagógicas vigentes nas
instituições de ensino e os desa�ios enfrentados pela educação para uma transformação dos atores na forma
como o ensino é concebido, tendo como ponto central a formação do indivı́duo.
2.1.1 Sentidos da educação para e na sociedade moderna
Ao longo da trajetória da educação, muitos autores conceituaram a palavra no sentido de lhe atribuir signi�icado.
Segundo Durkheim (1955, p. 32), “[…] designa o conjunto de in�luências que, sobre nossa inteligência ou sobre a
nossa vontade, exercem os outros homens, ou, em seu conjunto, realiza a natureza”. Ainda segundo o autor,
A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram ainda
preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar e desenvolver, na criança, certo número de
estados fı́sicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade polı́tica no seu conjunto e pelo
meio especial a que a criança, particularmente, se destine. (DURKHEIM, 1955, p. 32)
A educação se caracteriza, portanto, em origem, objetivo e funções como um fenômeno social. Assim, relaciona-
se com fatores econômicos, polı́ticos e culturais de determinada sociedade, estando vinculada ao ser humano
em consonância com as ideias viventes em cada sociedade.
Sua contribuição evidencia fenômenos de evolução e modernização da sociedade, na medida em que a própria
sociedade “educada” tem buscado viver de maneira coerente com aquilo que a cerca. A busca pela qualidade
perpassa pela modernização dos setores sociais, principalmente se contarmos com as melhorias tecnológicas e
transformações econômicas e culturais.
Diante disso, está a escola, com muitos desa�ios educacionais e sociais, na medida em que acolhe os alunos
para instruı́-los e prepará-los para um modelo de sociedade que, muitas vezes, atende aos interesses de uma
minoria, lutando para não reproduzir esse modelo dentro da escola, por meio de seus projetos pedagógicos.
Sendo assim, torna-se um agente de transformação para uma sociedade mais justa e igualitária.
O professor também desempenha papel fundamental nesse processo de mudança de paradigma proposto pela
educação, no sentido de acompanhar as constantes transformações da sociedade. Ele é o responsável direto pelo
processo de ensino e aprendizagem, por isso, deve adequar sua metodologia de ensino oportunizando
participação e desa�ios, bem como estimulando o pensamento crı́tico dos alunos. O processo re�lexivo dos
estudantes corrobora com sua integração na sociedade.
Não podemos esquecer que, apesar do seu importante papel na inserção do aluno em uma sociedade mais
igualitária, o professor ainda precisa lutar pelo reconhecimento e pela valorização de sua pro�issão na sociedade
moderna. De acordo com Vasconcelos (2012), o aprendizado deve ser um processo espontâneo, prazerosos, em
última análise, que contribua para a integração do indivı́duo em seu meio natural e social.
Figura 1 - Desa�ios de uma sociedade em constante transformação
Fonte: Giii, iStock, 2020.
Nessa perspectiva, a escola deve romper com suas concepções histórias para fazer frente aos novos desa�ios,
permitindo uma nova forma de interação com a participação efetiva das famı́lias, a presença das novas
tecnologias (TIC), transformando as formas de comunicação e interpelação dos conhecimentos.
2.1.2 Tendência educativa e cenário escolar atual
Diversas tendências teóricas, correntes ou concepções pedagógicas propriamente ditas pretenderam dar conta
da compreensão e orientação da prática educacional em distintos momentos e circunstâncias da história
humana. As tendências educacionais representaram, nas últimas décadas, um axioma pedagógico de�inido, ou
seja, uma educação mais conservadora ou progressista; incluı́ram perspectivas de crı́tica às práticas educativas
e ao papel que desempenhava a escola, sugerindo contraposições aos modos tradicionais de ensino;
evidenciaram uma visão global da educação, desde as práticas, os objetivos, os métodos, os conteúdos e o papel
do professor; assim como buscaram uma educação transformadora, incorporando ao ensino novas tecnologias e
nova perspectiva sobre a escola.
Desse modo, a educação caminha interpretando os fatores socioculturais, polı́tico-econômicos e sociais que dão
conta de compreender os movimentos na era da sociedade do conhecimento e da informação. Nesse sentido,
busca representar e traduzir os tempos atuais.
Na realidade educativa cada vez mais complexa, evidenciamos discursos pedagógicos super�iciais que
permitem sinalizar para que sentido caminha a educação. Não é fácil encontrar na atualidade movimentos
educativos ou pedagógicos que nos levem a a�irmar que estamos no caminho certo, que nos orientem para
encontrar estratégias concretas para problemas da realidade educativa.
Os modelos de ensino atualmente utilizados reforçam as situações de con�litos existentesna sociedade, como a
adoção de classes homogêneas em algumas instituições para solucionar problemas relativos à aprendizagem
que reforçam a iniquidade; as ações de pouca ou nenhuma representatividade que torne a escola mais
interessante e motivadora diante do problema da evasão ou do abandono. Outro ponto é a necessidade de que os
parâmetros e critérios de avaliação sejam claros e compartilhados. Esses são apenas alguns exemplos de
problemas enfrentados pelas instituições de ensino.
VOCÊ QUER VER?
Um dos maiores clássicos do cinema para Sociologia é o �ilme “Tempos Modernos”, de
1936, dirigido por Charles Chaplin. Ele resume em uma só obra as mais diversas
contradições sociais da vida urbana moderna: alienação dos processos produtivos,
exploração do trabalhador, engajamento polıt́ico, problemas penitenciários,
consumismo, entre tantos outros temas sociológicos. Vale a pena assistir!
A modernidade nos trouxe muitos benefı́cios e, com eles, transformações sociais que acarretam um enorme
desa�io para a escola, a exemplo de problemas de ordem �inanceira, cultural e social que requerem o
estabelecimento de periodicidades para a re�lexão coletiva sobre a prática pedagógica na escola.
VOCÊ SABIA?
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) está vinculada ao Plano Nacional de
Educação (PNE), construıd́a em um processo coletivo, aprovada no Conselho
Nacional de Educação. Ela se con�igura como um documento que representa as
diferentes regiões do Brasil, de forma obrigatória, servindo de referência para que
todas as escolas trabalhem de maneira comum. Ela traz 10 competências que
servem como base para a formação dos alunos ao longo da escolaridade básica.
Entre as competências, podemos citar o uso de tecnologias na sala de aula,
estimulando a linguagem, a re�lexão e a ética.
2.2 Filosofia e Sociologia no cotidiano escolar
O modelo de instrução focado na educação moderna demorou muito tempo para ser instituı́do, pois a educação
formal foi direcionada durante séculos àqueles que dispunham de tempo e poder aquisitivo. As transformações
na educação foram signi�icativas nos tempos pré-modernos, in�luenciadas pelo processo de industrialização e
pela expansão das cidades. Em uma sociedade moderna, as pessoas precisavam ter conhecimento geral sobre os
ambientes social, fı́sico e econômico e adquirir habilidades básicas, como ler, escrever e calcular.
Assim, aqueles inseridos no sistema educacional buscavam conhecimentos especı́�icos ou abstratos, como
Matemática, Ciências e Literatura. A educação, nesse momento, impulsionou as oportunidades de empregos e
carreira, ocasionando uma divergência entre as prioridades do sistema educacional. Com o crescimento da
economia, a mão de obra especializada era cada vez mais necessária. No entanto, como as escolas estavam
preparadas apara atender a essa demanda?
Atualmente, vivemos em constantes mudanças que exigem maior compreensão sobre os processos de ensino e
aprendizagem. Nesse aspecto, quais são as formas pelas quais a educação está sendo transformada no que se
refere às iniciativas na área tecnológica e das novas demandas de conhecimentos global, polı́tico e econômico?
Propomos uma re�lexão sobre essas questões ao longo deste tópico!
2.2.1 Uma abordagem filosófica do fenômeno educacional
A Filoso�ia faz parte de nossas vidas. Ela é responsável por coordenar descobertas e considerações das diversas
ciências. A Filoso�ia educacional as interpreta na medida em que se relacionam com a educação.
De acordo Kneller (1966, p. 37-38), seja “[…] qual for o método que siga, permanece o fato de que a educação
suscita uma serie de problemas que nem ela, nem a ciência podem resolver sozinhas, pois são exemplos de
questões pertencentes a �iloso�ia”. Dessa forma, a Filoso�ia é importante para se entender a educação e suas
complexidades. As relações existentes, portanto, entre Filoso�ia e educação, sugerem meios para o alcance
daquilo que se almeja, analisando a coerência das ideias empregadas, na medida em que a tarefa de ensinar a
pensar e raciocinar se mostra como um grande desa�io.
A Filoso�ia da educação é a atividade pela qual há a legitimação da pedagogia e alguma indicação para a escolha
da didática, de maneira que a educação ocorra de bom modo (GHIRALDELLI, 2006).
Nesse sentido, podemos estabelecer como pontos de re�lexão acerca da Filoso�ia: a educação, quando existe
oportunidade de re�lexão e criticidade por parte da escola para com seus alunos; a promoção de práticas
educativas que considerem a visão do mundo, as experiências de vida individuais e na sociedade; os
conhecimentos estabelecidos em uma relação direta com a vida ao redor; e a possibilidade de uma investigação
dos problemas que necessitam atenção.
Caracterı́sticas como as citadas vão ao encontro da busca pela melhoria da qualidade da educação e os avanços
tecnológicos presentes em uma sociedade dinâmica na qual vivemos.
VOCÊ O CONHECE?
Monteiro Lobato (1882-1948) foi um dos representantes brasileiros do pré-
modernismo no Brasil. Foi escritor e editor. O seriado "O Sıt́io do Pica-pau Amarelo" é
sua obra de maior destaque na literatura infantil.
Assim, pensar nas questões �ilosó�icas que permeiam as instituições de ensino envolve toda a comunidade
escolar, regida por in�luencias do meio no qual os indivı́duos estão inseridos.
2.2.2 Uma abordagem sociológica do fenômeno educacional
De maneira geral, a Sociologia pode ter uma relação mais estreita com a educação, na medida em que estuda as
relações sociais, as regras, os valores e os comportamentos que são construı́dos coletivamente dentro da vida
em sociedade. Isso porque a educação é, ao mesmo tempo, a base de uma ordem preestabelecida e,
potencialmente, um espaço de transformações. Assim, compreender esses processos é abrir a possibilidade de
transformação e melhoria da educação e da escola.
A Sociologia é uma disciplina em que colocamos de lado os nossos próprios modos de ver o mundo para
observarmos cuidadosamente as in�luências que dão forma às nossas vidas e a vida dos outros (GIDDENS,
2001). A trajetória dos estudos sociológicos da educação ao longo da história nos aproximou de estudos
epistemológicos da Sociologia da educação, que dão conta de teorias voltadas para a ação do ser humano a partir
de percepções sobre a representação social e preposições que preponderam as relações entre a estrutura social,
as interações que formam o indivı́duo e o coletivo, bem como as desigualdades existentes no sistema
educacional a partir do sistema societário em que vivemos.
A Sociologia, dessa forma, corrobora para a análise da sociedade a partir da re�lexão sobre o lugar da educação e
das relações estabelecidas com os sujeitos que compõem a escola, a comunidade escolar e o seu entorno. Isso
signi�ica clari�icar os rumos das teorias pedagógicas vigentes, das práticas educacionais e das relações com a
sociedade histórica e moderna.
Dessa forma, entendemos que a educação se dá no contexto da sociedade, e não apenas na sala de aula,
caracterizando as vias relacionais e de intervenção entre os indivı́duos e o processo constante de transformação.
VOCÊ QUER LER?
A matéria “Educação pode (mesmo) aplacar a violência; veja como”, de Valéria Bretas,
indica que a probabilidade de um indivıd́uo com até sete anos de estudo ser
assassinado no Brasil é 15,9 vezes maior se comparado a outro indivıd́uo que tenha
ingressado na universidade. Vale a pena entender melhor sobre isso lendo a matéria
na ıńtegra, em: http://exame.abril.com.br/brasil/educacao-pode-mesmo-aplacar-a-
violencia-veja-como (http://exame.abril.com.br/brasil/educacao-pode-mesmo-
aplacar-a-violencia-veja-como).
http://exame.abril.com.br/brasil/educacao-pode-mesmo-aplacar-a-violencia-veja-como
As linhas, teorias ou metodologias pedagógicas são re�lexos das práticas sociais presentes na sociedade.
Conhecer essas práticas e a sociedade atual pode nosdar instrumentos para transformar a escola e a sociedade,
a �im de tornar o paı́s um lugar melhor pra todos.
VOCÊ QUER LER?
O texto “A contribuição da Sociologia da educação para a compreensão da educação
escolar”, de Marilia Freitas de Campos Tozini Reis, traz uma análise geral da
contribuição da Sociologia da educação para a compreensão da educação escolar e
analisa a função da escola, sua �inalidade social e polıt́ica de contribuir para a
organização da sociedade brasileira. Leia o artigo completo em: Disponıv́el:
https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/169/3/01d09t03.pdf
(https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/169/3/01d09t03.pdf ).
2.3 Sujeitos da práxis pedagógica: escola, sala e seus sujeitos
em uma perspectiva sociológica/filosófica
Podemos determinar que a práxis	pressupõe a utilização de uma teoria ou um conhecimento de maneira prática,
ou seja, concreta. Em sua etimologia, do grego “prâksis”, práxis	signi�ica ação, fato de agir, execução, realização.
Quando falamos da questão educacional, a escola ocupa um lugar de destaque para a �inalidade do ensino como
responsável por repassar os conhecimentos adquiridos pela humanidade ao longo dos tempos, articulando
teoria e prática. A escola é o espaço próprio para a educação formal, mas qual será o papel da escola na
sociedade? Como espaço fı́sico, a escola possui ambientes que devem ser preparados para o desenvolvimento
do processo de ensino e aprendizagem, mas quem pensa na organização desses espaços?
A ação educativa é composta de vários personagens que compõem a instituição escolar, sendo eles os
responsáveis pela escolarização dos alunos e pelo desenvolvimento da sua capacidade de interagir com a
sociedade e suas demandas. Dentro desse cenário, em que medida os professores são responsáveis pelas
transformações individuais e coletivas em busca de uma sociedade mais justa e humana? Como sua formação
pode interferir nesse cenário?
Vamos responder a esses e outros questionamentos ao longo deste tópico. Acompanhe o conteúdo com atenção!
2.3.1 Espaço escolar e relações de aprendizagem
O desenvolvimento de diferentes concepções pedagógicas foi in�luenciado por vários elementos �ilosó�icos,
ampliando as possibilidades de práticas educativas na escola. De qualquer maneira, vivemos um imenso
desa�io na busca de uma educação de qualidade, que privilegie o envolvimento cada vez maior de pro�issionais
https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/169/3/01d09t03.pdf
no processo educativo. Esse esforço perpassa pelo espaço educativo planejado e bem estruturado que atenda
tanto os objetivos educacionais quanto as necessidades dos alunos, ampliando sua capacidade para resolução de
problemas e aquisição de conhecimentos signi�icativos.
A escola é um espaço relacional, onde alunos de diferentes origens sociais estabelecem, entre si, relações de
convı́vio ligadas aos processos de aprendizagem escolar. E� , também, um coletivo de uma organização complexa.
Nas relações entre professores e alunos, constroem-se os caminhos da aprendizagem, insurgindo o sentido da
escola.
Nesse sentido, a aprendizagem acontece como processo, na interação com o meio e entre indivı́duos. A
organização ou predisposição de um ambiente que propicie a aprendizagem ou a favoreça deve ser levado em
conta, pensado por toda equipe escolar.
2.3.2 Filosofia e Sociologia e formação de educadores
Se quisermos identi�icar o papel da Filoso�ia e da Sociologia na formação do professor, devemos considerar as
relações epistemológicas da educação no sentido de compreender os objetivos �ilosó�icos e sociológicos da
formação docente, ou seja, que o professor seja capaz de aferir as bases que estabelecem as exigências de
conhecimento. “[...] para a instrução correta na sala de aula, a necessidade de uma solida teoria social e ética é
facilmente aceita como fundamental para a prática educativa” (KNELLER, 1966, p. 41).
Figura 2 - Escola: um espaço de relações
Fonte: monkeybusinessimages, iStock, 2020.
Assim como o conhecimento, a lógica também está relacionada à educação. A lógica é uma parte da Filoso�ia, e
lida com raciocı́nios e argumentos, os quais fazem parte de qualquer re�lexão �ilosó�ica. E por que isso é
importante na formação do professor?
O professor tem, entre suas atribuições, o planejamento de aula e a seleção dos conteúdos a partir do plano de
ensino da escola. Sua ação pedagógica será fundamentada nas teorias de aprendizagem, que orientam a
apresentação lógica dos conteúdos disciplinares, na ordem lógica e na inteligibilidade integrada na matéria.
Trata-se, portanto, de uma organização para a aprendizagem.
E� fundamental que os professores conheçam sobre o impacto do seu trabalho na aprendizagem de seus alunos e
sua responsabilidade perante a sociedade. A escola deve ser um meio de criação, por meio das inquietações e
curiosidades promovidas em sala de aula; não apenas um espaço de reprodução.
A possibilidade de oportunizar ações educativas que incorporem a análise do conhecimento e sua relação com a
sociedade (relação socio-educacional) pode promover uma educação crı́tica transformadora. Nesse sentido,
entender os processos �ilosó�icos e sociológicos na formação do professor é essencial para que os agentes
educacionais compreendam qual o papel da escola na concepção e perpetuação da realidade social.
Figura 3 - Prática docente e a qualidade do ensino
Fonte: SIphotography, iStock, 2020.
2.4 Escola frente às desigualdades: como construir uma
escola justa?
Por meio da educação, a escola tem como objetivo, além de ensinar os conteúdos disciplinares, atuar para
socializar o indivı́duo. Uma das preocupações das instituições de ensino é que a educação atinja as camadas
mais populares da sociedade, garantindo uma educação de qualidade. Nesse sentido existe desigualdade dentro
da escola? Como ela se manifesta?
Vivemos em um paı́s com desigualdades que atravessam os tempos, seja de distribuição de renda entre a
população, seja no acesso a bens culturais, de entretenimento ou, até mesmo, saneamento básico, pois ainda
existem regiões no Brasil onde a população não possui rede de esgoto. Isso não é novidade, certo? No entanto,
como a escolaridade pode contribuir para a melhoria desse cenário?
2.4.1 Desigualdades sociais e educação
Uma escola mais justa é aquela que garante o aprendizado a todos os alunos, independentemente do seu nı́vel
socioeconômico. Como estimular que o aluno de baixa renda, muitas vezes desprovido de alimentação
adequada, aprenda?
A região onde esse educando reside — rural ou urbana — também incide nas oportunidades educacionais dessa
população. Nesse sentido, a desigualdade social adentra os muros da escola, inicia-se pelo acesso à educação,
reproduzindo as desigualdades sociais em desigualdades escolares, mantendo a desigualdade imposta pela
sociedade.
O caminho para compreender as questões sobre as desigualdades relacionadas à educação perpassam por
questões de acesso à escola, oportunidades de aprendizagem justa, que respeitem a igualdade dos direitos e
condições de promoção de inclusão social associada à diversidade e diferença.
Apesar das constantes discussões acerca dos processos de melhoria da escola para atender a essa demanda, as
instituições de ensino têm de lidar com desigualdades históricas e sociais, por vezes abordadas de forma
simplista na atualidade.
Temos, portanto, que compreender, também, o que é diferente e o que é desigual. Na medida em que a
desigualdade difere do conceito de diferença, a primeira está conectada ao desenvolvimento histórico, social e
cultural da humanidade. Já o que é diferente diz respeito às singularidades de ver, estar no mundo, de ser
individual.
Assim, como a escola pode se comporta perante as diferenças de cor, credo, classes, culturas, opção sexual,
entre outras; e as desigualdades sociais, econômicas e culturais presentes em nossasociedade atual,
promovendo o indivı́duo na direção do pleno desenvolvimento humano, participando ativamente das ações de
melhorias constantes de qualidade e bem-estar?
Nesse sentido, a sociedade anseia por polı́ticas e reformas educativas que destoem desse mesmı́ssimo
estagnado de representação e reprodução daquilo que já existe sobre a naturalização das desigualdades, operada
pelas instituições educativas escolares e pro�issionalizantes.
2.4.2 Políticas públicas e combate à desigualdade
O combate à desigualdade social deve passar por ações propostas pelas polı́ticas públicas brasileiras. Os
programas podem contribuir para reduzir as desigualdades no paı́s, bene�iciar a população com melhoria na
atenção à saúde, moradia e educação.
Figura 4 - A escola como agente transformador da sociedade
Fonte: luoman, iStock, 2020.
A educação como caminho para a redução da desigualdade e para a entrada no mundo do conhecimento, das
pesquisas cientı́�icas e do acesso às novas tecnologias, deve ser priorizada. O governo federal matem alguns
programas com esse objetivo, um deles é o Plano Nacional de Educação (PNE). Entre as 20 metas, estão a
erradicação do analfabetismo, a ampliação dos investimentos em educação para até 10% do PIB, ampliação da
jornada escolar, a chamada escola em tempo integral de sete horas por dia, oportunizando o acesso à educação
de qualidade para todos.
Assim como Plano Nacional de Educação — que prevê entre suas medidas a diminuição das desigualdades
sociais —, outras ações foram elaboradas com o objetivo de diminuir as desigualdades dentro do cenário
escolar, promovendo a qualidade para todos, entre elas a Constituição de 1988, a Declaração de Salamanca, a
Convenção sobre os Direitos das Pessoas com De�iciência.
As polı́ticas públicas anunciadas, mais do que um reconhecimento por parte dos governos preocupados em
atenuar problemas sociais, re�lete a triste necessidade da mobilização perante uma crise instaurada, em que um
contingente populacional cada vez maior padece com as desigualdades presentes.
Organizações não governamentais e de diversos programas de empresas, fundações e de outros setores da
iniciativa privada, têm assumido também essa responsabilidade, muitas vezes, de forma mais e�iciente que a
escola.
2.4.3 Escola a serviço da melhoria da educação
VOCÊ SABIA?
A Constituição Federal de 1988 menciona, em seu art. 3, inciso IV, o objetivo
fundamental de “[…] promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça,
sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (BRASIL, 2016,
online). Já o Plano Nacional de Educação (PNE) destaca que “[…] o grande avanço
que a década da educação deveria produzir seria a construção de uma escola
inclusiva que garanta o atendimento à diversidade humana” (BRASIL, 2001,
online). Temos, ainda, que em 1994, em Salamanca, na Espanha, em meio a
Conferência Mundial de Educação Especial, foi estabelecido um compromisso a
partir da Declaração de Salamanca, em que o enfoque foi a necessidade da
educação de crianças com de�iciência no sistema regular de ensino, incentivando a
inclusão de todos os tipos de alunos na educação regular. Por �im, a Convenção
sobre os Direitos das Pessoas com De�iciência, aprovada pela ONU em 2006,
trouxe um marco regulatório para entendermos quem é a pessoa com de�iciência
e sua relação com os ambientes.
No contexto da sociedade atual, a escola assume para si um papel que vai além da educação instrucional,
atuando na formação moral dos alunos e os preparando para a vida em sociedade. A demanda é imensa e os
problemas são inúmeros. Garantir a qualidade da educação perpassa pela oferta de uma escola pública onde os
alunos tenham uma formação integral cultura, higiene, educação �inanceira, bem-estar, relacionamentos,
cidadania, entre outras possibilidades fundamentais para manutenção da vida com qualidade.
Enquanto as polı́ticas públicas educacionais buscam alinhar as bases curriculares nacionais com a realidade
dos professores e da estrutura das instituições de ensino pelo paı́s, os sistemas de gestão municipais e
estaduais não dispõem de autonomia para seus gestores, di�icultando iniciativas para aumentar o aprendizado
de seus alunos. A começar pela gestão democrática na escola.
A prática de gestão democrática participativa fundamentada na participação de todos os componentes da escola
requer conhecimento, re�lexão e intencionalidade. Ações coletivas de desenvolvimento do Projeto Polı́tico
Pedagógico (PPP) da escola, atividade que envolva a comunidade local, que inclua a participação dos pais,
planejamento das atividades extracurriculares representam a prática de gestão democrática participativa
fundamentada na participação de todos os componentes da escola a partir do conhecimento, re�lexão e
intencionalidade. Em uma sociedade democrática, a escola cumpre importante papel no sentido de assegurar a
todos a igualdade de condições para a permanência bem-sucedida na instituição escolar.
O modelo de gestão empregada, a gestão democrático-participativa, que alinhada com a Lei de Diretrizes e Bases
da Educação (LDB n. 9.394/1996) incentiva a participação de toda a comunidade escolar no processo de tomada
de decisão, valoriza os docentes e constrói coletivamente os objetivos para a garantia de aprendizagem,
estimulando a interação e o diálogo.
CASO
Um caso recente de sucesso na área de Gestão na própria educação brasileira é o
municıṕio de Sobral, no Ceará. Apesar de estar localizado em uma região
relativamente pobre, Sobral conseguiu melhorar consideravelmente o aprendizado de
seus alunos por meio de reformas educacionais e�icientes, que focaram,
principalmente, em mudanças na forma com as escolas estavam sendo geridas.
De acordo com Menezes Filho (2015), os dados mostram que, em 2005, os alunos da
rede pública de Sobral tinham um I�ndice de Desenvolvimento da Educação Básica
(IDEB) 4, igual à média brasileira, acima do Estado do Ceará como um todo, mas
muito abaixo das escolas privadas do Estado de São Paulo. Entre 2005 e 2013, o IDEB
de Sobral praticamente dobrou, alcançando um nıv́el educacional maior que a média
dos paıśes da OCDE, acima da rede privada do Estado de São Paulo. Para saber mais,
acesse: http://www.brasil-economia-governo.org.br/2015/11/09/como-
melhorar-a-educacao-no-brasil/ (http://www.brasil-economia-
governo.org.br/2015/11/09/como-melhorar-a-educacao-no-brasil/).
http://www.brasil-economia-governo.org.br/2015/11/09/como-melhorar-a-educacao-no-brasil/
Algumas ações que in�luenciaram na melhoria da qualidade de ensino oferecido, oportunizando o acesso e a
permanência dos alunos na escola, foram: investimento em formação continuada para os professores e
funcionários, aplicação de avalições internas e externas para os alunos, aumento da carga horária efetiva de aula
por dia, implantação de atividades recreativas e esportivas direcionadas à comunidade local, recursos
�inanceiros para a oferta de escolas com estruturas adequadas, bibliotecas, internet, recursos audiovisuais.
Equilibrar as oportunidades educacionais pode ser um passo importante para diminuir as desigualdades sociais
e praticar a equidade dentro das instituições escolares.
A educação contribui consideravelmente para construção de uma sociedade mais justa e humana, representando
um instrumento primordial para enfrentar nossas desigualdades, mas, hoje, o que observamos é que nosso
sistema educacional atua no sentido de manter e aprofundar as diferenças de oportunidades.
VOCÊ QUER VER?
O vıd́eo “Gestão e organização democrática da escola”, traz, de maneira simples e
objetiva, as principais premissas para a construção de um trabalho democrático na
escola, fundamentado na experimentação. Veja o vıd́eo completo pelo link:
www.youtube.com/watch?v=UrWRX9Qk3Y8 (http://www.youtube.com/watch?
v=UrWRX9Qk3Y8).
Conclusão
Concluı́mos esta unidade re�letindo sobre o sentido e valor da educaçãoem nossa sociedade, a partir da
importância de se entender aspectos �ilosó�icos e sociológicos que orientem o tralho pedagógico e a prática
docente nas instituições de ensino.
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
entender os processos de transformação da sociedade ao longo do
tempo;
compreender os desafios da escola na busca de uma sociedade
sem desigualdades;
•
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http://www.youtube.com/watch?v=UrWRX9Qk3Y8
compreender o percurso da educação e os modelos de ensino
representativos da sociedade atual;
observar os lugares da Filosofia e da Sociologia na construção de
uma escola transformadora;
entender as relações de aprendizagem estabelecidas no espaço
escolar, alinhadas à sociedade moderna;
identificar desigualdades e diferenças a partir das políticas
públicas educacionais brasileiras;
compreender como transformar a escola em uma instituição mais
justa, que atenda a todas as camadas da população.
•
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