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Prévia do material em texto

WALTER LEOPOLDO RODRIGUES FILHO 
RODOLFO CARVALHO PEREIRA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRIANÇA E ADOLESECENTE ATOS INFRACIONAIS E AS 
MEDIDAS SÓCIOEDUCATIVAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GOIATUBA-GO 
2024-1 
WALTER LEOPOLDO RODRIGUES FILHO 
 RODOLFO CARVALHO PEREIRA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRIANÇA E ADOLESCENTE ATOS INFRACIONAIS E AS MEDIDAS 
SÓCIOEDUCATIVAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Projeto de Artigo apresentado ao curso de Direito do 
Centro Universitário de Goiatuba - UNICERRADO, 
Goiás, como requisito parcial para obtenção do título 
de Bacharel em Direito orientado pelo professor Luís 
Thomazelli. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GOIATUBA-GO 
2024-1 
OBEJETIVO DA PESQUISA 
Este trabalho tem por fundamento pesquisar, analisar e descrever a evolução 
jurídica do direito da criança e do adolescente no Brasil, bem como demonstrar a 
eficácia da aplicabilidade das medidas socioeducativas. O estudo visa apresentar um 
apanhado geral do conceito e da natureza jurídica do ato infracional medidas 
socioeducativas e medidas de proteção. Irá identificar e conceituar as espécies de 
medidas socioeducativas, e esclarecerá a eficácia da aplicabilidade das medidas 
socioeducativas. 
 
 
PROBLEMA DE PESQUISA 
O ato infracional cometido por crianças e adolescentes é punido com a aplicação 
das medidas socioeducativas? O que a torna tema de grande relevância para o Direito, 
haja vista o crescimento de menores infratores, e assim, com estas medidas temos a 
possibilidade de que estes infratores menores de dezoito anos possam responder pela 
prática do crime ou contravenção penal cometida? 
 
 
REFERENCIAL TEÓRICO 
Nas palavras de Joao Paulo Roberti Junior: 
 
As crianças e os adolescentes desde os tempos mais remotos, nos 
egípcios e mesopotâmios, passando pelos romanos e gregos, até 
os povos medievais e europeus, não eram considerados como 
merecedores de proteção especial (ROBERTI JUNIOR, 2012, p. 
3). 
 
Foi em meados da Idade Contemporânea, que foi possível destacar uma 
alavancada na firmação das políticas e práticas de proteção social para criança e para o 
adolescente. Com isso, o Brasil como no alicerce internacional, bem como outros países, 
dão um pulo alto na proporção dos direitos das crianças e dos adolescentes (ROBERTI 
JUNIOR, 2012, p. 4). 
 
Em resumo a esta evolução histórica dos direitos infanto-juvenis, cita-se as palavras de 
José de Farias Tavares que dispõe a seguinte síntese: 
 
• 1919 - Manifestação sobre os direitos da criança, em Londres, 
“SavetheChildrenFund”: A Sociedade das Nações cria o Comitê de Proteção da Infância 
que faz com que os Estados não sejam os únicos soberanos em matéria dos direitos da 
criança - (Londres); 
 
• 1920 - União Internacional de Auxílio à Criança - (Genebra). 
 
• 1923: EglantyneJebb (1876-1928), fundadora da SavetheChildren, formula junto com a 
União Internacional de Auxílio à Criança a Declaração de Genebra sobre os Direitos da 
Criança, conhecida por Declaração de Genebra. 
 
• 1924 - A Sociedade das Nações adota a Declaração dos Direitos da Criança de 
Genebra, que determinava sobre a necessidade de proporcionar à criança uma proteção 
especial. Pela primeira vez, uma entidade internacional tomou posição definida ao 
recomendar aos Estados filiados cuidados legislativos próprios, destinados a beneficiar 
especialmente a população infanto-juvenil, e outros exemplos. 
 
Várias foram as tentativas de busca a proteção dos direitos das crianças e dos 
adolescentes, e detalhá-los se tornaria algo muito extenso, e por isso, será feito apenas 
algumas abordagens de relevância durante essa transgressão de tempo. 
 
Em meio a tantos acontecimentos ao longo dos anos, destaca-se a manifestação 
inicial de proteção especial para o aglomerado de crianças e adolescente, teve sua 
aparição formal em 1924, com a Declaração dos Direitos da Criança, de Genebra, que 
afirmava entre outros fatores essenciais, a relevância de se elucidar e fornecer uma 
proteção especial à criança e ao adolescente, entretanto sendo a Convenção taxada como 
problemática, sem forças principiológicas, e sem obrigações destinadas ao estado, foi 
esta Declaração excluída (ALVES, 2009, p.10). 
 
Em seguida, pulando mais alguns anos, evidencia-se o Serviço de Assistência aos 
Menores (SAM), criado em 1942 com o objetivo de atender os jovens em situação de 
abandono ou em conflito com a lei. Mas aqueles que incidiam em atos infracionais, o 
sistema um meio corretivo e de muita repressão (ALVES, 2009, p.10). 
 
Ainda segundo os dizeres de Danielle Barboza Alves: 
 
Em 1948 foi aprovada em Paris, pela Assembleia das Nações Unidas a 
Declaração dos Direitos Humanos que fez referência aos direitos infanto-juvenis, na 
medida em que tinha por objetivo garantir a todo homem, bem como à criança e ao 
adolescente, o direito à vida e à liberdade e o direito a um padrão de vida condigno que 
veio a se incorporar na Constituição de 1988 como o princípio da dignidade humana 
(ALVES, 2009, p.12). 
 
Tempos depois, outro marco de destaque foi a Declaração Universal dos direitos 
das Crianças, com aprovação concedida pela ONU em 1959, e trouxe em seus artigos, 
uma forma rígida de reprimir qualquer requinte de violência contra criança ou 
adolescente. 
 
Já em 1964, surgiu a Fundação Nacional do Menor, cuja finalidade é manter a 
ordem através do autoritarismo. Anos após, com também grande destaque veio a 
Convenção de Direitos Humanos, que evidenciou um tópico de proteção a crianças e 
adolescentes, continuando a receber durante anos novas redações que buscavam a 
proteção das crianças, onde acabou se fixando com amplitude, através da Constituição 
Federal Brasileira de 1988 que concretizou os direitos da criança e do adolescente. 
 
Tudo isso, foi definitivamente afirmado em 1989, com a criação e aprovação da 
Convenção Internacional dos direitos das Crianças pela Assembleia das Nações Unidas 
que se aprimorou durante algum tempo até se firmar por completo. 
 
O Estatuto da Criança e do Adolescente foi promulgado no dia 13 de julho de 
1990 pela Lei n° 8.069 e publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 16 de julho do 
corrente ano. Seu período de vacatio legis foi de 90 (noventa) dias. 
 
Cristiane Dupret assevera que: 
 
O Direito da Criança e do Adolescente vem se tornando um ramo autônomo, 
formado por uma rede de proteção com variados diplomas legais e normativos em geral. 
O Estatuto da Criança e do Adolescente é um dos diplomas mais expressivos desse 
Direito, formado ainda pela Constituição Federal, pela Convenção Internacional dos 
Direitos da Criança, pela Declaração dos Direitos da Criança e por várias Portaria e 
Resoluções que dispõe sobre variados assuntos que visam à proteção do menor de 18 
(dezoito) anos (DUPRET, 2010, p. 21). 
 
Para substituir o Código de Menores que estava em vigor desde 10 de outubro de 
1979, foi criado o Estatuto da Criança e do Adolescente em 1990. O Estatuto é avaliado 
como uma das leis mais evoluídas no âmbito da menoridade e apresenta diferenças 
significativas em relação ao Código de Menores. 
 
Nos dizeres de CASSANDRE, o Estatuto é visto assim: 
 
Houve uma grande transformação no Direito da Criança e do Adolescente com a 
Lei 8.069/90, trazendo a teoria da proteção integral. Esse novo aspecto é baseado nos 
direitos essenciais das crianças e adolescentes, posto que estão em condição de pessoas 
especiais, ou seja, em desenvolvimento, sendo necessário uma proteção diferente e 
integral (CASSANDRE,2008, p.10). 
 
Já segundo os conceitos de Fonseca: 
 
O Estatuto é destinado a todas as pessoas com menos de 18 anos de idade e não 
somente destinado a menores de (dezoito) anos em situações especiais, como era no 
Código. Está pautado nos princípios da Constituição Brasileira de 1988, expressos 
especialmente nos artigos 227 e 228 (FONSECA,socioeducativas sejam aplicadas de correta, usando seu caráter 
pedagógico, pois só assim, a criminalidade infantil será solucionada e a reinserção destes 
infratores será por completa. 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ALVES, Danielle Barboza. Uma Análise do Modelo de Responsabilização do 
Adolescente em Conflito com a lei. Disponível em: 
 
ALVES, Franciele Caroline. Eficácia das medidas socioeducativas segundo a 
doutrina brasileira. Itajaí, 2006; 
 
DUPRET, Cristiane. Curso de direito da criança e do adolescente. Belo 
Horizonte: Ius, 2010; 
 
FONSECA, Mayara Yamada Dias. A Questão da Maioridade Penal. 
Disponível em; 
 
CASSADRE, Andressa Cristina Chiroza. A Eficácia Das Medidas 
Socioeducativas Aplicadas Ao Adolescente Infrator; 
 
TAVARES, José de Farias. Direito da infância e da Juventude. Belo Horizonte: 
Del Rey, 2001; 
 
ROBERTI. JR, João Paulo. Evolução Jurídica Do Direito Da Criança E Do 
Adolescente No Brasil. Disponível em.2008, p. 43). 
 
Essencialmente, ressalta-se que o Estatuto da criança e do adolescente, surgiu 
com o apelo e súplica populacional por um sistema mais firme e justo de proteção aos 
direitos desses indivíduos. 
 
Nesse sentido dispõe Joao Paulo Roberti Junior a seguinte descrição: 
 
Perante essas normativas e visando evitar a construção social que separa os 
“menores” das crianças e dirige às crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, o 
ECA trouxe grandes mudanças na política de atendimento às crianças e adolescentes por 
meio da criação de instrumentos jurídicos que viabilizam, ou pretende viabilizar além do 
atendimento, a garantia dos direitos que são assegurados às crianças e aos adolescentes 
(ROBERTI JUNIOR, 2012, p.12). 
 
São três os princípios básicos que conduzem o Estatuto, são eles: princípio da 
proteção integral, em que a criança e o adolescente têm direito à proteção na totalidade 
das esferas de sua vida (art. 1º); garantia de absoluta prioridade, que confere o direito da 
criança e do adolescente serem protegidos e atendidos com prioridade em suas 
necessidades, no recebimento de socorro, na utilização de serviços públicos e na 
destinação de verbas e políticas sociais públicas (art. 4º); e, por fim, a condição de 
pessoa em desenvolvimento, no qual a criança e o adolescente são indivíduos que 
necessitam de cuidados especiais em cada fase da vida, para que possam ter um 
desenvolvimento sadio e harmonioso (art. 6º). 
 
Desse modo, com a promulgação do Estatuto, a criança e o adolescente passaram 
a serem sujeitos de Direito. 
 
Para o Estatuto, a criança e o adolescente são pessoas que carecem de assistência 
especial, pois ainda não alcançaram sua maturidade total. De acordo com TAVARES: 
 
O Estatuto da Criança e do Adolescente inovou ao abranger toda criança e 
adolescente em qualquer situação jurídica, rompendo definitivamente com a doutrina da 
situação irregular, assegurando que cada brasileiro que nasce possa ter assegurado seu 
pleno desenvolvimento, mesmo que cometa um ato ilícito (TAVARES, 2011, p. 7). 
O Estatuto da Criança e do Adolescente, constituiu-se reproduzido no espírito da 
Constituição Federal a teoria da proteção incondicional, que garante ás crianças e aos 
adolescentes a guarda da família, da sociedade e do Estado. Assim explicita o artigo 227 
da Constituição Federal: 
 
Art. 227, caput: É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança 
e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à 
educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e 
à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de 
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão (BRASIL. 
Constituição Federal de 1988). 
 
Um dos elementos essenciais do Estatuto é a participação popular na fiscalização 
e cobrança política. A lei deixa claro que o Estado deve atuar sobre a infância em 
conjunto com a sociedade organizada, tendo como instrumento para isso os Conselhos 
de Direito. 
 
No antigo Código de Menores, quem solucionava, investigava e julgava era o 
juiz, que tinha quase um poder absoluto, sem limites e não havia participação da 
sociedade. 
 
No momento presente, o Estatuto, o juiz e a promotoria da infância são forçados 
a compartilhar poder com os Conselhos Tutelares, integrado por pessoas escolhidas pela 
sociedade, que participam e zelam pelo direito da criança. 
Segundo Saraiva, o ECA se estrutura a partir de três grandes sistemas de 
garantia, harmônicos entre si, que são: 
a) o Sistema Primário, que dá conta das Políticas Públicas de Atendimento a 
crianças e adolescentes (especialmente os arts. 4° e 85/87); 
 
b) o Sistema Secundário que trata das Medidas de Proteção dirigidas a crianças e 
adolescentes em situação de risco pessoal ou social, não autores de atos infracionais, de 
natureza preventiva, ou seja, crianças e adolescentes enquanto vítimas, enquanto 
violados em seus direitos fundamentais (especialmente os arts. 98 e 101); 
c) o Sistema Terciário, que trata das medidas socioeducativas, aplicáveis a 
adolescentes em conflito com a Lei, autores de atos infracionais, ou seja, quando passam 
à condição de vitimizadores (especialmente os arts. 103 e 112). 
 
Portanto, quando a criança ou o adolescente desviar do sistema primário de 
prevenção, será acionado o sistema secundário, cujo agente operador é o Conselho 
Tutelar e, se for atribuído ao adolescente a prática de algum ato infracional, será ajuizado 
o terceiro sistema de prevenção, operador das medidas socioeducativas. 
 
Assim, o Estatuto é o alicerce base que se une a Constituição no suporte e 
controle dos direitos e também deveres de uma conduta correta das crianças e dos 
adolescentes. 
 
PRINCIPIOS DE PROTEÇÃO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 
Com a promulgação da Constituição de 1988 juntamente com a criação do Estatuto da 
Criança e do Adolescente que proporcionou um novo modelo jurídico de responsabilização dos 
jovens infratores, similar à legislação penal aplicada aos adultos, surgiram princípios comuns e 
princípios específicos relacionados à matéria. 
Esses princípios se fizeram necessários para que as normas protetivas fossem 
asseguradas e diferenciadas em relação à incriminação penal aplicadas aos adultos e aplicadas aos 
adolescentes. Pois, como prevê o artigo 228 da constituição federal, são inimputáveis penalmente 
os menores de dezoito anos, sendo concedido à criança e ao adolescente direitos preferenciais em 
relação aos maiores de dezoito anos. Como bem diz Shecaira, “Quis o constituinte separar os 
direitos e garantias das crianças e adolescentes do conjunto da cidadania com objetivo de melhor 
garantir sua defesa. 
 
PRINCIPIO DA PROTEÇÃO INTEGRAL 
Tal princípio está previsto no art. 1º do referido diploma e diz: “esta lei dispõe sobre a 
proteção integral à criança e ao adolescente”. 
 
Assim, conceitua Munir Cury, como: 
[...] a síntese do pensamento do legislador constituinte, expresso na consagração do 
preceito de que “os direitos de todas as crianças e adolescentes devem ser universalmente 
reconhecidos. São direitos especiais e específicos, pela condição de pessoas em desenvolvimento. 
Assim, as leis internas e o direito de cada sistema nacional devem garantir a satisfação de todas as 
necessidades das pessoas de até 18 anos, não incluindo apenas o aspecto penal do ato praticado 
pela ou contra a criança, mas o seu direito à vida, saúde, educação, convivência, lazer, 
profissionalização, liberdade e outros”. 
 
Percebe-se que os direitos das crianças e adolescentes não podem ser exclusivos de uma 
ou outra categoria e sim que sejam englobadas todas elas, infratores ou não, sendo aplicadas a 
todas indistintamente. 
 
Segundo Cury, o mesmo relata que o Estatuto tem como objetivo a proteção integral da 
criança e do adolescente, e cada brasileiro que nasce possa ser assegurado seu pleno 
desenvolvimento, desde as físicas até a moral e religiosa. 
 
Portanto, o princípio visa proteger a todos e todas formas possíveis, sendo-lhes 
resguardados seus direitos e garantias, proporcionando pleno desenvolvimento e desta forma 
concretizando o principio da dignidade da pessoa humana. 
 
Princípio da condição peculiar da pessoa em desenvolvimento 
Este princípio está intimamente ligado aos demais princípios, vem descrito no art. 6º: 
“Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que a ela se dirige, as 
exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da 
criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento”. 
 
O artigo 6º é o ponto principal para a leitura e interpretação do ECA, pois para sua 
adequada compreensão devem ser considerados vários aspectos, como, por exemplo, a finalidade 
social, as condições do bem comum, os direitos e deveres individuaise coletivos e a condição 
particular da pessoa em desenvolvimento. 
Tal princípio é entendido como base para a nova legislação somando-se à condição 
jurídica de sujeito de direito e à condição política de absoluta prioridade. Ademais, tem-se que a 
criança e o adolescente não conhecem totalmente, nem possuem condições de defender e de fazer 
valer plenamente seus direitos, e não tem ainda capacidades plenas de suprir suas necessidades 
básicas. 
 
Entretanto, a referida condição particular de desenvolvimento, não pode ser estabelecida 
apenas com base no que a criança não saiba, tenha condições ou não seja capaz. Deve ser 
analisada cada fase de forma particular, sendo cada etapa um período de totalidade devendo ser 
compreendida pela família, pela sociedade e pelo Estado. 
 
Assim, afirma Shecaria, que o principio da condição peculiar da pessoa em 
desenvolvimento traz o reconhecimento da desigualdade do adolescente em relação ao adulto, que 
em razão desta não pode ter o mesmo tratamento. 
 
Principio da Intervenção mínima 
Está previsto no art. 37, b, na Convenção sobre os Direitos da Criança que dispõe: 
“nenhuma criança seja privada de sua liberdade de forma ilegal ou arbitrária. A detenção, a 
reclusão ou a prisão de uma criança, serão efetuadas conforme em conformidade com a lei e 
apenas com último recurso, e durante o mais breve período de tempo que for apropriado”. 
O referido princípio busca orientar a intervenção mínima nas punições, devendo apenas 
ser castigadas as infrações mais prejudiciais à sociedade e de relevância social mais significativa, 
devendo ser imposto um castigo proporcional à gravidade do delito. Com isso, a norma penal 
juvenil somente será utilizada para defender bens jurídicos essenciais de agressões mais gravosas, 
ou ainda, ser usada de maneira secundaria em condutas que não possam ser tratadas por outros 
meios de controle social. 
 
A Constituição Federal de 1988 também consagra em seu art. 227, §3º, V que o direito a 
proteção especial abrangerá “a obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e 
respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, quando da aplicação de qualquer 
medida privativa da liberdade”. Desta forma, fica claro que a aplicação de medidas punitivas 
aplicáveis aos jovens deve ser utilizada em último caso pelo sistema de justiça da infância e 
juventude. Dispositivo que é reafirmado no art. 112 do ECA ao dizer que a autoridade “poderá” 
aplicar ao adolescente as medidas nele previstas. 
 
Portanto, quanto maior for a possibilidade de desjudicialização melhor será, atendendo 
ao princípio da intervenção mínima. 
 
Principio da proporcionalidade 
O princípio da proporcionalidade não está disposto expressamente nos dispositivos 
legais, porém é possível encontra-lo em alguns artigos dispostos no texto constitucional, quais 
são: art.1º, III; art.3º, I; art.5º, caput, etc. Ademais, pode-se encontrar no capítulo que trata da 
criança e do adolescente na Constituição em seu art. 227, §3º, IV. 
Ainda, a intervenção punitiva no âmbito formal tanto em matéria de pena, quanto na 
aplicação de medida socioeducativa, deve ser sujeitada ao princípio da proporcionalidade, quando 
for cominada a pena, judicialmente quando aplicar a pena no caso concreto executando as 
medidas coercitivas. Assim, cabe ao juiz, no momento da aplicação, analisar se a medida cabível 
devera se mais rigorosa ou mais branda. 
 
DO ATO INFRACIONAL, DAS MEDIDAS DE PROTEÇÃO E 
DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS 
 
ATO INFRACIONAL 
A conduta da criança e do adolescente, quando coberta de ilicitude, reflete 
obrigatoriamente no contexto social em que vive. E, a despeito de sua maior incidência nos dias 
atuais, tal fato não constitui ocorrência apenas deste século, mas é nesta quadra da história da 
Humanidade que o mesmo assume proporções alarmantes, principalmente nos grandes centros 
urbanos, não só pelas dificuldades de sobrevivência como, também, pela ausência do Estado nas 
áreas da educação, da saúde, da habitação e, ainda, da assistência social. 
 
Por outra parte, a falta de uma política séria em termos de ocupação racional dos espaços 
geográficos, a ensejar migração desordenada, produtora de favelas periféricas nas capitais dos 
Estados, ou até mesmo nas médias cidades, está permitindo e vai permitir, mais ainda, pela 
precariedade de vida de seus habitantes, o aumento, também, da delinquência infanto-juvenil. 
O Ato infracional é “ação condenável, de desrespeito às leis, à ordem pública, aos 
direitos dos cidadãos ou ao patrimônio, cometido por crianças ou adolescentes”. Somente haverá 
o ato infracional se a conduta for correspondente a uma hipótese prevista em lei que determine 
sanções ao seu autor. 
 
O Estatuto da Criança e do Adolescente conceitua em seu art. 103 o ato infracional: “Art. 
103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal”. Desta 
forma, considera-se ato infracional todo fato típico, descrito como crime ou contravenção penal. 
 
Tal definição decorre do principio constitucional da legalidade. É preciso por tanto para 
a caracterização do ato infracional que este seja típico antijurídico e culpável garantindo ao 
adolescente por um lado, um sistema compatível com o seu grau de responsabilização e por outro 
a coerência com os requisitos normativos provenientes da seara criminal. Assim, João Batista 
Costa Saraiva esclarece: “Não pode o adolescente ser punido onde não o seria o adulto”. 
Ainda, João Batista Costa Saraiva explica: 
 
O garantismo penal impregna a normativa relativa ao adolescente infrator como forma 
de proteção desta em face de ação do Estado. A ação do Estado autorizando-se a sancionar o 
adolescente e infligir-lhe uma medida socioeducativa fica condicionada a apuração dentro do 
devido processo legal que este agir típico se faz antijurídico e reprovável - daí culpável. 
 
O Estatuto ao definir o ato infracional, adotou um conteúdo certo e determinado, 
abandonando as expressões como ato antissocial, desvio de conduta e outros, de significado 
jurídico impreciso, afastando-se qualquer subjetivismo do intérprete quando da analise da ação ou 
omissão. 
 
Crianças e adolescentes podem praticar ações ilícitas ao preceito legal e são nomeados 
atos infracionais, desta forma, recebem tratamento distintos, como o disposto no art. 105 do ECA, 
estes somente obedecerão às medidas exclusivas previstas no art. 101 do mesmo diploma. Toda 
criança e adolescente recebem tratamento individualizado e especial, mesmo quando praticam 
condutas que sejam tipificadas no Código Penal. 
 
Para RAMIDOFF: 
 
A prática de ato infracional não se constitui numa conduta delituosa, precisamente por 
inexistir nas ações/omissões infracionais um dos elementos constitutivos e estruturantes do fato 
punível, isto é, a culpabilidade – a qual, por sua vez, não se encontra regularmente composta, 
precisamente por lhe faltar a imputabilidade, isto é, um elemento seu constitutivo e que representa 
a capacidade psíquica para regular a válida prática da conduta dita delituosa, enquanto 
decorrência mesmo da opção política do Constituinte de 1987/1988. Esta consignou a idade de 
maioridade penal em 18 (dezoito) anos, alinhando-se, assim, à diretriz internacional dos Direitos 
Humanos, como alternativa válida e legítima que reflete a soberania popular e a autodeterminação 
do povo brasileiro. 
 
 
NATUREZA JURÍDICA DO ATO INFRACIONAL 
No ordenamento jurídico brasileiro, os crimes e as contravenções penais só podem ser 
atribuídas, para efeitos da respectiva pena, às pessoas imputáveis, que via de regra, são as com 
mais de 18 anos de idade. Se a conduta ilícita partir de uma criança e adolescente, não será crime 
ou contravenção e sim um ato infracional em fase da ausência de culpabilidade e consequente 
punibilidade. 
 
Segundo o Desembargador Napoleão X. do Amarante: 
Significa dizer que o fato atribuídoà criança ou ao adolescente, embora enquadrável 
como crime ou contravenção, só pela circunstância de sua idade, não constitui crime ou 
contravenção, mas, na linguagem do legislador, simples ato infracional. O desajuste existe, mas, 
na acepção técnico-jurídica, a conduta do seu agente não configura uma ou outra daquelas 
modalidades de infração, por se tratar simplesmente de uma realidade diversa. Não se cuida de 
uma ficção, mas de uma entidade jurídica a encerrar a ideia de que também o tratamento a ser 
deferido ao seu agente é próprio e específico. 
 
Assim, quando a ação ou omissão venha a ter o perfil de um daqueles ilícitos, atribuível, 
entretanto, à criança ou ao adolescente (v. art. 2°), são estes autores de ato infracional com 
conseqüências para a sociedade, igual ao crime e à contravenção, mas, mesmo assim, com 
contornos diversos, diante do aspecto da inimputabilidade e das medidas a lhes serem aplicadas, 
por não se assemelharem estas com as várias espécies de reprimendas. 
No mesmo contexto Vater Kenji Ishilda: 
 
Pela definição finalista, crime é o fato típico e antijurídico. A criança e o adolescente 
podem vir a cometer crime, mas não preenchem o requisito da culpabilidade, pressuposto da 
aplicação da pena. Isso porque a imputabilidade penal inicia-se somente aos 18 (dezoito) anos, 
ficando de medida socioeducativa por meio de incidência. Dessa forma, a conduta delituosa da 
criança e do adolescente é denominada de ato infracional, abrangendo tanto o crime como a 
contravenção. 
 
Para Paulo Lucio Nogueira: “O estatuto considera o ato infracional a conduta descrita 
como crime ou contravenção penal. Assim não há diferença entre crime e ato infracional, pois 
ambos constituem condutas contrarias ao direito positivo, já que se situa na categoria ilícito 
penal”. 
 
Assim, tem-se duas correntes, uma qual a conduta praticada pela criança ou adolescente 
esteja revestida dos elementos que caracterização crime ou contravenção, e outra que não 
vislumbra a diferença entre ato infracional crime e contravenção. 
 
 
Ato infracional praticado por criança e/ou adolescente 
Com relação às crianças, pessoas de até doze anos de idade incompletos e, adolescentes 
de até dezoito anos de idade, que cometem infrações penais, o ECA excluiu da aplicação de 
medidas socioeducativas, e deu a aplicação de medidas de proteção, podendo elas serem aplicadas 
de forma isolada ou cumulativa. 
 
O Estatuto da Criança e do Adolescente não especificou o procedimento na apuração do 
ato infracional, somente esclareceu que caberá ao Conselho Tutelar e não ao Juízo da Vara da 
Infância e Juventude a aplicação das medidas de proteção dispostas no art. 136, I do referido 
diploma. 
 
 
APURAÇÃO DO ATO INFRACIONAL 
Por serem as crianças e adolescentes dotados de condição especial de desenvolvimento, e 
as soluções dos problemas devem ser rápidas, pois a demora no atendimento podem produzir 
danos irreparáveis. Eles possuem ritmo de vida mais acelerado e a sensação de impunidade pode 
acarretar uma sequencia de atos infracionais que resultarão em sua interação. 
 
Assim, de acordo com art. 106 do Eca, o adolescente poderá ser apreendido em flagrante 
delito, no sentido que “nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em flagrante de 
ato infracional ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente”. 
Desta forma, no art. 107 do mesmo diploma que a apreensão do adolescente feita em 
flagrante deve ser imediatamente comunicada a autoridade judiciária competente, aos pais ou 
responsáveis ou quem ele indicar. 
 
A autoridade policial deverá desde logo verificar a possibilidade da liberação do 
adolescente isto, sob pena de responsabilização. O adolescente assina um termo de compromisso 
onde os pais se comprometerão em apresentar o adolescente ao representante do Ministério 
Público em dia determinado. 
 
Poderá também o Ministério Público de acordo com o art. 180 do ECA, a promoção do 
arquivamento dos autos, a concessão de remissão ou ainda a representação à autoridade judiciária 
para a aplicação das medidas socioeducativas. 
 
De acordo com o Estatuto, quanto ao arquivamento dos autos, deve ser pedido 
fundamentado na inexistência do ato infracional, inexistência da prova de participação do 
adolescente no ato, deve estar presente a excludente de antijuridicidade ou culpabilidade e 
inexistência de prova suficiente para a condenação. 
O art. 184 do referido diploma, assim como o art. 41 do Código de Processo Penal, a 
representação é oferecida por petição, observando o principio do contraditório e ampla defesa, 
assim que recebida pelo juiz, o processo será iniciado. 
 
Assim, o juiz poderá solicitar a apresentação do adolescente, fazendo por citação, bem 
como de seus pais ou responsáveis para que compareçam em juízo acompanhado de advogado. Se 
caso o adolescente não for encontrado, o juiz expedira mandado de busca e apreensão e o 
processo ficará suspenso até que seja o adolescente apresentado. 
 
Assim que o adolescente se apresentar em juízo, será marcada audiência, onde será feito 
o interrogatório. Após serão ouvidos os pais ou responsáveis quando apreciará a aplicação da 
remissão. Caso não haja remissão o processo terá continuidade com a apresentação de defesa 
previa e rol de testemunhas, podendo o juiz determinar diligencias, neste caso será designada 
nova audiência. 
 
Concluída a oitiva das testemunhas, é dada a palavra ao Ministério Púbico e em seguida 
ao defensor. Poderá os debates ser substituída por acusação e defesa escrita, desde que na forma 
de memoriais, nos preceitos legais. Logo após, será proferida a decisão do juiz, que poderá 
determinar a aplicação de uma das medidas socioeducativas, relacionados no art. 112 do ECA. 
 
 
DAS MEDIDAS DE PROTEÇÃO 
 
De acordo com De Plácido Silva, conceitua proteção como: 
Do latim protectio, de protegere (cobrir, amparar, abrigar), entende-se toda espécie de 
assistência ou de auxílio, prestado às coisas ou às pessoas, a fim de que se resguardem contra os 
males que lhes possam advir. Em certas circunstâncias, a prostituição revela-se o favor ou o 
benefício, tomando, assim, o caráter de privilégio ou de regalia. Desta acepção é que se deriva o 
conceito de protecionismo, na linguagem econômica e tributária. 
 
Com base no conceito retro, pode-se dizer que as medidas de proteção que estão 
previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente são aplicadas pela autoridade competente, 
sejam juízes, promotores, conselheiros tutelares, às crianças e adolescentes que tiveram seus 
direitos fundamentais ameaçados ou violados. 
O art. 98 do ECA estabelece que: 
 
Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente serão aplicáveis sempre que 
os direitos reconhecidos, nesta Lei forem ameaçados ou violados: 
 
I –por ação ou omissão da sociedade ou Estado; 
 
II – por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsáveis; 
III – em razão de sua conduta (BRASIL. Lei n. 8.069/90). 
 
Na aplicação das medidas de proteção será levado em conta de acordo com o art. 100 do 
ECA, as necessidades pedagógicas, preferindo as que visam o fortalecimento dos vínculos 
familiares e sociais. 
As medidas de proteção a serem aplicadas estão dispostas no art. 101 do referido 
Estatuto: 
 
Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade competente 
poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas: 
 
I – encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade; 
 
II – orientação, apoio e acompanhamento temporários; 
 
III – matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino 
fundamental; 
 
IV – inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao 
adolescente; 
 
V – requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar 
ou ambulatorial; 
 
VI – inclusão em programa oficialou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a 
alcoólatras e toxicômanos; 
 
VII – acolhimento institucional; 
 
VIII – inclusão em programa de acolhimento familiar (BRASIL. Lei n. 8.069/90). 
 
Observa-se que no disposto artigo, o legislador teve a preocupação em tocar tanto na 
criança quando na família, pois quando uma criança/adolescente comete ato infracional, entende- 
se que a base familiar não está bem, não conseguindo sustentar a criança dentro da sociedade. 
DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS 
O Estatuto da Criança e do Adolescente elenca as medidas socioeducativas no artigo 112 
e seguintes, como consequências da prática de ato infracional praticado por adolescente, são elas: 
 
Art. 112. Verificada a pratica de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar 
ao adolescente as seguintes medidas: 
 
I – advertência; 
 
II – obrigação de reparar o dano; 
 
III – prestação de serviços a comunidade; 
 
IV – liberdade assistida; 
 
V – inserção em regime de semiliberdade; 
 
VI – internação em estabelecimento educacional; 
 
VII – qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI. 
§1º. A medida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade de cumpri-la, as 
circunstâncias e a gravidade da infração. 
 
§2º. Em hipótese alguma e sob pretexto algum, será admitida a prestação de trabalho 
forçado. 
 
§3º. Os adolescentes portadores de doença ou deficiência mental receberão tratamento 
individual e especializado, em local adequado às suas condições (BRASIL. Lei n. 8.069/90). 
 
É necessário distinguir medidas socioeducativas de medidas de proteção, para DUPRET: 
 
Faz-se necessário distinguir as medidas protetivas das medidas socioeducativas. As 
medidas protetivas podem ser plicadas tanto a criança quanto ao adolescente que se encontre em 
situação de risco. Já as medidas socioeducativas se restringem a situação de risco prevista no 
artigo 98, III, quando é o adolescente que se coloca nessa condição em razão de sua própria 
conduta, pela prática de ato infracional. 
 
De forma diferente da criança, o adolescente infrator é sujeito a tratamento mais severo, 
sendo o rol de medidas expresso na legislação taxativo e sua limitação deriva do princípio da 
legalidade, sendo proibida a imposição de medidas diferentes das enunciadas na legislação. 
 
Entretanto, o ECA, ao mencionar sobre o enfrentamento da delinquência infanto-juvenil, 
não se resume apenas nas medidas citadas. Ao ser empregada a doutrina do princípio da proteção 
integral, o legislador admitiu que a forma mais eficaz de prevenção da criminalidade está no 
objetivo de derrotar a situação de marginalidade experimentada pela maioria das crianças e 
adolescentes. 
 
É sabido que a principal finalidade das medidas socioeducativas é buscar a reeducação e 
ressocialização do menor infrator, possuindo um elemento de punição, tendo como finalidade 
impedir futuras condutas ilícitas. Não se pode negar o caráter não punitivo, entretanto, as medidas 
possuem semelhança com as penas previstas no Código Penal, tendo um caráter penal especial, 
como forma de retribuição ou punição imposta ao menor infrator. 
 
DAS ESPÉCIES DE MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS 
No artigo 112 do Estatuto da Criança e do Adolescente estão elencadas as medidas de 
caráter socioeducativo aplicáveis aos adolescentes autores de atos infracionais. 
 
É um rol taxativo, e não exemplificativo, sendo vedada a estipulação de medidas 
diferentes daquelas dispostas no referido artigo. 
São previstas no artigo 112 do ECA as seguintes medidas: 
 
Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar 
ao adolescente as seguintes medidas: 
 
I - advertência; 
 
II - obrigação de reparar o dano; 
 
III - prestação de serviços à comunidade; 
IV- liberdade assistida; 
V - inserção em regime de semiliberdade; 
VI- internação em estabelecimento educacional; 
 
VII- qualquer uma das previstas no art.101, I a VI . 
 
A aplicação da medida socioeducativa tem como objetivo impedir a reincidência entre os 
menores infratores, e sua finalidade é pedagógico-educativa. 
 
De mais a mais, as medidas, tem caráter impositivo, pois não é de cunho do infrator 
escolher ou acatar a medida determinada. Possui, ainda, finalidade sancionatória, uma vez que 
descumprida a regra de convivência por meio de ação ou omissão do menor, ele responderá por 
seus atos na proporção de sua atitude, sendo-lhe aplicada a medida cabível e necessária. 
 
DA ADVERTÊNCIA 
Dispõe o art. 115 do ECA, que “A advertência consistirá na admoestação verbal, que 
será reduzida a termo e assinada”. O termo advertência significa admoestação, observação, aviso, 
ato de advertir. 
É a primeira das medidas aplicáveis ao menor que revela comportamento antissocial, 
mas de menor gravidade. O menor será entregue a seus responsáveis, mediante advertência 
verbal, reduzida a termo e assinada pela autoridade judicial. 
 
De acordo com Nogueira “a advertência deve ser a medida mais usada, uma vez que toda 
medida aplicada ao menor visa à sua integração sócio familiar”. 
 
O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê a aplicação da referida medida às 
seguintes situações: 
 
a) ao adolescente, no caso de prática de ato infracional (art. 112, I, c/c o art. 103); 
 
b) aos pais ou responsáveis, guardiões de fato ou de direito, tutores, curadores etc. (art. 
129, VII); 
 
c) às entidades governamentais ou não governamentais que atuam no planejamento e na 
execução de programas de proteção e socioeducativas destinados a crianças e adolescentes (art. 
97, I, “a”, e II, “a”). 
 
De acordo com o artigo 114, parágrafo único do Estatuto, para que seja feita a 
advertência é necessária prova da materialidade do fato e indícios suficientes de autoria. 
Nos dizeres de Mayara Yamada Dias Fonseca: 
 
Sendo a advertência a mais leve das medidas socioeducativas, sua imposição dispensa a 
sindicância ou o procedimento contraditório, já que deve ser imposta mediante o boletim de 
ocorrência elaborado pela autoridade policial ou informação do comissário. 
 
Entretanto, Cury, Silva e Mendez, entendem no seguinte sentido: 
 
[...] embora a advertência possa vir a ser aplicada no primeiro contato com o sistema de 
Justiça da Infância e da Juventude, na audiência de apresentação ao órgão do Ministério Público 
(art. 197 do ECA), nada impede que decorra do procedimento apuratório do ato infracional, 
através do respectivo procedimento contraditório. 
 
Assim, tem-se que a advertência deve ser destinada, em regra, a adolescentes que não 
possuam antecedentes infracionais e para os casos de infrações brandas. 
 
DA OBRIGAÇÃO DE REPARAR O DANO 
Preconiza o art. 116 do Estatuto que “em se tratando de ato infracional com reflexos 
patrimoniais, a autoridade poderá determinar, se for o caso, que o adolescente restitua a coisa, 
promova o ressarcimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da vítima”. 
 
Essa medida socioeducativa pode ser injetada ao adolescente autor de ato infracional e, 
consequentemente, ao seu responsável legal. 
 
Não é tranquila a ideia de que essa medida deve ser colocada em procedimento 
contraditório, pois incube ao adolescente fazer a sua defesa devidamente assistida por advogado. 
 
De acordo com o parágrafo único do artigo 116, a medida de obrigação de reparar o dano 
pode ser substituída por outra adequada, caso seja evidente a manifesta impossibilidade de sua 
aplicação. 
 
DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE 
A prestação de serviços à comunidade obriga ao adolescente autor de ato infracional, o 
cumprimento de tarefas de caráter coletivo, visando interesses e bens comuns. 
 
Essa prestação é realizada gratuitamente, com o fim de proporcionar ao adolescente a 
possibilidade de adquirir valores sociais positivos, por meio da vivência de relações de 
solidariedade. 
 
As características dessa prestação de serviços comunitários estãoexplicitadas no artigo 
117 do ECA abaixo transcrito: 
 
Art. 117 - A prestação de serviços comunitários consiste na realização de tarefas 
gratuitas de interesse geral, por período não excedente a seis meses, junto a entidades 
assistenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em programas 
comunitários ou governamentais. 
Parágrafo único - As tarefas serão atribuídas conforme as aptidões do adolescente, 
devendo ser cumpridas durante jornada máxima de oito horas semanais, aos sábados, domingos e 
feriados ou em dias úteis, de modo a não prejudicara frequência à escola ou jornada normal de 
trabalho. 
 
Segundo Cury, Silva e Mendez é uma das medidas socioeducativas que se reveste, hoje, 
de um grande e profundo significado pessoal e social para o adolescente infrator. (MENDES, 
2002, 255) 
Como dispõe o parágrafo único deste artigo que trata da prestação de serviços à 
comunidade, as tarefas serão atribuídas conforme as aptidões do adolescente, devendo ser 
cumpridas durante jornada máxima de oito horas semanais, aos sábados, domingos e feriados ou 
em dias úteis, de modo a não prejudicar a frequência à escola ou à jornada normal de trabalho. 
 
A supervisão será realizada pela autoridade judiciária, do Ministério Público, de técnicos 
sociais, informando suas atividades e comportamento por meio de relatórios, e da comunidade. 
 
 
DA LIBERDADE ASSISTIDA 
 
A aplicação da liberdade assistida está prevista no artigo 118 do ECA, qual seja: 
Art. 118 - A liberdade Assistida será adotada sempre que se afigurar a medida mais 
adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente. 
 
§ 1° - A autoridade designará pessoa capacitada para acompanhar o caso, a qual poderá 
ser recomendada por entidade ou programa de atendimento. 
 
§ 2º - A liberdade assistida será fixada pelo prazo mínimo de seis meses, podendo a 
qualquer tempo ser prorrogada, revogada ou substituída por outra medida, ouvido o orientador, o 
Ministério Público e o defensor. 
 
O menor, depois de entregue aos responsáveis ou após liberação do internato, será 
submetido à assistência, como objetivo de impedir a reincidência e obter a certeza da reeducação. 
 
Essa medida será determinada pelo prazo mínimo de 6 (seis) meses, sendo possível a 
qualquer tempo ser prorrogada, revogada ou substituída por outra sempre que preciso, ouvindo o 
orientador, o Ministério Público e o defensor. Devido a sua finalidade, não há prazo máximo para 
ser cumprido, sendo admissível enquanto o Juiz considerar necessário ao adolescente. 
 
Em regra, essa medida é aplicada a menores que são reincidentes em infrações menos 
gravosas, entretanto também pode ser aplicada aos que cometeram infrações mais graves, mas 
que, realizado o estudo social, foi verificado que a melhor opção é deixá-los com sua família, para 
que possam se reintegrar à sociedade. Também é aplicado aos que estavam em regime de 
semiliberdade ou de internação, quando é constatado que já se recuperaram parcialmente e não 
são um perigo à sociedade. 
 
No artigo 119 do Estatuto estão previstos os encargos do orientador, com apoio e 
supervisão da autoridade competente, quais sejam: orientar o adolescente, colocando-o, se 
preciso, em programas de auxílio e assistência social; supervisionar sua frequência e 
aproveitamento escolar e promover sua matrícula; diligenciar no sentido de profissionalização e 
inserção do adolescente no mercado de trabalho e, por fim, apresentar relatórios do caso . 
As condições que serão cumpridas pelo adolescente não estão especificadas no ECA, 
sendo de incumbência da autoridade judiciária, que individualizará o tratamento tutelar, aplicando 
no caso concreto as condições, que poderão abarcar as relações de trabalho, escola e familiares. 
Ademais, deve-se sempre considerar a capacidade do adolescente de cumprir essas condições, as 
circunstâncias e a gravidade da infração, de acordo com o que dispõe o artigo 112, § 2°. 
 
DO REGIME DE SEMILIBERDADE 
A medida socioeducativa da semiliberdade está contemplada no artigo 120 do Estatuto 
da Criança e do Adolescente (ECA) que assim preceitua: 
Art. 120. O regime de semiliberdade pode ser determinado desde o início, ou como 
forma de transição para o meio aberto, possibilitada a realização de atividades externas, 
independentemente de autorização judicial. 
 
§ 1º São obrigatórias a escolarização e a profissionalização, devendo, sempre que 
possível, ser utilizados os recursos existentes na comunidade. 
 
§ 2º A medida não comporta prazo determinado aplicando-se, no que couber, as 
disposições relativas à internação. 
 
O regime de semiliberdade é a medida mais rigorosa da liberdade pessoal depois da 
internação. Entre as medidas previstas no artigo 112 para o adolescente infrator, essas são as duas 
únicas medidas que geram a institucionalização. A semiliberdade pertence às medidas 
socioeducativas que o artigo 114 solicita a existência de provas suficientes da autoria e da 
materialidade da infração. 
 
Geralmente a semiliberdade é utilizada quando o menor a que foi aplicada a medida de 
internação deixou de ser um perigo para a sociedade passando para um regime mais brando, como 
também quando o menor, mesmo que tenha cometido uma infração grave, não é considerado 
perigoso, sendo necessário apenas a semiliberdade para a sua reintegração à sociedade e à família. 
 
Compreende-se, por semiliberdade, como uma medida socioeducativa destinada a 
adolescentes infratores, que trabalham e estudam durante o dia, e à noite recolhem-se a uma 
entidade especializada. São obrigatórias a escolarização e a profissionalização. 
 
De acordo com o parágrafo 2º do art. 120 do Estatuto, a semiliberdade não possui prazo 
determinado, sendo aplicado, no que couberem, as disposições relacionadas à internação, 
inclusive quanto aos direitos do adolescente privado de sua liberdade. 
 
DA INTERNAÇÃO 
A medida de internação combina com a ideia de retirar o adolescente infrator do 
convívio com a sociedade. Em compensação, a internação, também possui a capacidade 
pedagógica, objetivando à reinserção do jovem infrator ao ambiente familiar e comunitário, bem 
como o seu aperfeiçoamento profissional e intelectual. 
O art. 121, caput, do ECA permite o entendimento sobre a medida, suas condições de 
imposição e desenvolvimento: “A internação constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos 
princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em 
desenvolvimento”. 
 
Em decorrência do princípio da brevidade, a internação deve ser mantida pelo menor 
espaço de tempo possível, sendo que, de acordo com o artigo 121 § 2º e § 3º, 3 anos é o limite 
máximo de duração da medida, de forma que a cada período de, no máximo, 6 meses, deve 
ocorrer uma reavaliação para verificar a necessidade de manter o adolescente internado. 
 
O princípio da excepcionalidade integra-se no fato de que só deve ser aplicada a medida 
de internação nos casos em que não há cabimento para nenhuma outra medida socioeducativa. 
O princípio de respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento está 
expressamente previsto no art. 277 da Constituição Federal/88. Segundo tal princípio, deve ser 
utilizado um tratamento jurídico especial à criança e adolescente posto que são indivíduos que 
ainda estão formando sua personalidade. 
 
Ao atingir o limite máximo de 3 anos, o adolescente deverá ser liberado, posto em 
regime de semiliberdade ou de liberdade assistida, sendo a liberação compulsória aos 21 anos de 
idade. Assim, após essa idade não poderá ser aplicada qualquer medida socioeducativa. 
 
As hipóteses de cabimento da internação estão previstas no artigo 122, que são: 
Art.122: A medida de internação só poderá ser aplicada quando: 
I) quando se tratar de ato infracional cometido com grave ameaça ou violência a pessoa; 
II) reiteração no cometimento de outras infraçõesgraves; 
 
III) descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta. 
 
Ao restringir as hipóteses em que a medida de internação poderá ser aplicada, o artigo 
122 em seus incisos de I a III, está regulamentando o princípio da excepcionalidade. E, ainda, 
como menciona o § 2º, ela deve ser evitada se houver antes dela outras medidas de caráter mais 
adequado. 
 
A internação somente poderá ser executada pela autoridade judiciária competente em 
decisão qualificada, devendo ser cumprida, segundo o art. 123, em entidade exclusiva para 
adolescentes, em local distinto daquele intitulado ao abrigo, sendo obedecida rigorosa separação 
por critérios de idade, compleição física e gravidade da infração, sendo obrigatório durante o seu 
período a realização de atividades pedagógicas. 
 
Os direitos do adolescente privado de sua liberdade encontram-se previstos no artigo 124 
do Estatuto, assim dispostos: 
 
Art. 124. São direitos do adolescente privado de liberdade, entre outros, os seguintes: 
I - entrevistar-se pessoalmente com o representante do Ministério Público; 
 
II - peticionar diretamente a qualquer autoridade; 
III - avistar-se reservadamente com seu defensor; 
 
IV - ser informado de sua situação processual, sempre que solicitada; 
 
V - ser tratado com respeito e dignidade; 
 
VI - permanecer internado na mesma localidade ou naquela mais próxima ao domicílio 
de seus pais ou responsável; 
 
VII - receber visitas, ao menos, semanalmente; 
VIII - corresponder-se com seus familiares e amigos; 
 
IX - ter acesso aos objetos necessários à higiene e asseio pessoal; 
 
X - habitar alojamento em condições adequadas de higiene e salubridade; 
 
XI - receber escolarização e profissionalização; 
 
XII - realizar atividades culturais, esportivas e de lazer: 
XIII - ter acesso aos meios de comunicação social; 
 
XIV - receber assistência religiosa, segundo a sua crença, e desde que assim o deseje; 
XV - manter a posse de seus objetos pessoais e dispor de local seguro para guardá-los, 
recebendo comprovante daqueles porventura depositados em poder da entidade; 
 
XVI - receber, quando de sua desinternação, os documentos pessoais indispensáveis à 
vida em sociedade. 
 
§ 1º Em nenhum caso haverá incomunicabilidade. 
 
§ 2º A autoridade judiciária poderá suspender temporariamente a visita, inclusive de pais 
ou responsável, se existirem motivos sérios e fundados de sua prejudicialidade aos interesses do 
adolescente (BRASIL. Lei n. 8.069/90). 
 
A desinternação, em qualquer hipótese, deverá sempre ser antecedida de autorização 
judicial e devendo ser ouvido o Ministério Público. 
 
O promotor Paulo Affonso Garrido de Paula, citado por Wilson Donizeti Liberati, assim 
destacava a finalidade da medida de internação ainda na vigência do Código de Menores: 
 
A internação tem finalidade educativa e curativa. É educativa quando o estabelecimento 
escolhido reúne condições de conferir ao infrator instrumentos adequados para enfrentar os 
desafios do convívio social. Tem finalidade curativa quando a internação se dá em 
estabelecimento ocupacional, psicopedagógico, hospitalar ou psiquiátrico, ante a ideia de que o 
desvio de conduta seja oriundo da presença de alguma patologia, cujo tratamento em nível 
terapêutico possa reverter o potencial criminológico do qual o menor infrator seja portador. 
 
José Farias Tavares salienta que há quem atribua caráter punitivo à medida de 
internação, apesar das disposições do ECA quanto à proteção do adolescente, e exemplifica essa 
hipótese citando um acórdão do eminente Des. Yussef Cahali: 
 
As medidas socioeducativas previstas no ECA também visam punir o delinquente, 
mostrando-lhe a censura da sociedade ao ato infracional que cometeu, e protegendo os cidadãos 
honestos da conduta criminosa daqueles que ainda não são penalmente responsáveis. 
 
REMISSÃO 
Remissão significa clemência, indulgência, perdão, renúncia. O artigo 126 do Estatuto 
prevê a remissão como maneira de exclusão, suspensão ou extinção do processo para apuração do 
ato infracional, in verbis: 
 
Art. 126. Antes de iniciado o procedimento judicial para apuração de ato infracional, o 
representante do Ministério Público poderá conceder a remissão, como forma de exclusão do 
processo, atendendo às circunstâncias e consequências do fato, ao contexto social, bem como à 
personalidade do adolescente e sua maior ou menor participação no ato infracional. 
 
Parágrafo único. Iniciado o procedimento, a concessão da remissão pela autoridade 
judiciária importará na suspensão ou extinção do processo. 
A remissão por exclusão do processo é para as seguintes hipóteses: a infração não 
possuir caráter grave, o menor não apresentar antecedentes e quando a família, a escola ou outras 
instituições já reagiram de maneira adequada e construtiva ou que venham a reagir desse modo. 
 
Segundo Chaves: 
 
Se do sistema processual penal deflui o princípio da obrigatoriedade de propositura da 
ação penal, o Estatuto da Criança e do Adolescente, ao instituir a remissão como forma de 
exclusão do processo, expressamente adotou o princípio da oportunidade, conferindo ao titular da 
ação a decisão de invocar ou não a tutela jurisdicional. A decisão nasce do confronto dos 
interesses sociais e individuais tutelados unitariamente pelas normas insertas no ECA. 
 
A exclusão da medida socioeducativa por meio da remissão explica-se quando o 
interesse de defesa social assume valor menor àquele representado pelo custo, viabilidade e 
eficácia do processo. 
 
Desse modo, contravenções e infrações de menor gravidade, impostas a adolescentes 
primários, marcadas pela previsão de dificuldades na coleta da prova, cujo resultado, além de 
incerto, constituirá mera advertência, podem ser remidas plenamente pelo representante da 
sociedade. 
É medida exclusiva do representante do Ministério Público por força dos artigos 180, 
inciso II e 201, inciso I, que, em lugar de pedir a execução do procedimento, concede a remissão, 
podendo incluir a aplicação de qualquer das medidas previstas na lei, exceto a disposição em 
regime de semiliberdade e a internação, como estabelece o artigo 127. A manifestação deve ser 
fundamentada e o pedido homologado pelo juiz, que, não concordando com sua aplicação, deve 
remeter os autos ao Procurador-Geral de Justiça. 
 
A remissão pode ser posta como perdão puro e simples, sem a aplicação de qualquer 
medida, ou ainda, como uma espécie de transação, a critério do representante do Ministério 
Público ou da autoridade judiciária, como diminuição das consequências do ato infracional. 
 
Importante se faz os ensinamentos de Mirabete: 
 
A remissão pode ser concedida como perdão puro e simples, sem a aplicação de qualquer 
medida, ou, a critério do representante do Ministério Público ou da autoridade judiciária, como 
uma espécie de transação, como mitigação das consequências do ato infracional. Nesta última 
hipótese ocorre a aplicação de medida específica de proteção ou socioeducativa, excluídas as que 
implicam privação da liberdade (encaminhamento aos pais ou responsáveis, advertência etc). 
Excluem-se as medidas de semiliberdade e internação diante do princípio do devido processo 
legal, consagrado na Constituição Federal (art. 5º, LIV). Essa transação sem a instauração ou 
conclusão do procedimento tem o mérito de antecipar a execução da medida adequada, a baixo 
custo, sem maiores formalidades, diminuindo também o constrangimento decorrente do próprio 
desenvolvimento do processo. 
 
De acordo com Cury, Silva e Mendez: 
 
Quando a remissão constituir perdão puro e simples ou vier acompanhada de medida que 
se esgote em si mesma, ocorrerá a exclusão do processo, se concedida pelo representante do 
Ministério Público, ou a extinção do processo, se concedida pelo juiz. Não ocorrendo uma dessas 
hipóteses, o processo ficará suspenso até que se cumpra a medidaeventualmente aplicada pela 
remissão. As medidas aplicadas, ainda que pelo Ministério Público, serão sempre executadas pela 
autoridade judiciária. 
 
Segundo Chaves (1997, p. 566), a concessão da remissão como causa de suspensão ou 
extinção do procedimento de investigação do ato infracional compete à autoridade judiciária e, só 
serão aceitas no curso do processo, quando madura a decisão ou quando alcançado o objetivo a 
que se presta o procedimento, qual seja, a educação e a reintegração do adolescente às normas 
sociais de conduta. Já como forma de exclusão do processo, é responsabilidade do membro do 
Ministério Público podendo ser concedida quando comprovado que o início do procedimento não 
trará benefícios ao adolescente. 
O artigo 128 do Estatuto dispõe que a medida aplicada devido a remissão poderá ser 
reanalisada judicialmente, em qualquer momento, mediante pedido expresso do adolescente ou de 
seu representante legal, ou do Ministério Público. 
 
Ao decidir a revisão, a autoridade judiciária poderá: 
 
a) cancelar a medida aplicada, sendo retornada à situação processual anterior; 
b) substituí-la por outra, com exceção do regime de semiliberdade e da internação; 
 
c) convertê-la em perdão. 
 
Para que seja aplicada medida de regime de semiliberdade ou internação deverá ser 
instaurado o procedimento referente ao devido processo legal, ou então, se estava suspenso ou 
extinto, será dado continuação na forma regular. 
Quanto à constitucionalidade dos artigos 126 a 128, entendem que a aplicação da 
remissão com medidas previstas na lei não acarreta, necessariamente, reconhecimento ou 
comprovação de responsabilidade, nem predomina como antecedentes e, ainda, quando aplicada 
pelo Ministério Público se sujeita ao controle jurisdicional. 
 
Ademais, como estabelece o artigo 128, é facultado o pedido de revisão a qualquer 
tempo. Portanto, esses artigos não podem ser considerados inconstitucionais. 
 
EFICÁCIA E APLICABILIDADE DAS MEDIDAS 
SOCIOEDUCATIVAS 
Aos adolescentes infratores serão impostas medidas socioeducativas, que são designadas 
à formação do tratamento integral empreendido, com a finalidade de reestruturar o adolescente 
para alcançar a normalidade da integração social. 
 
São aplicadas medidas socioeducativas aos adolescentes quando estes estiverem 
envolvidos na pratica do ato infracional, levando em conta sua capacidade de cumpri-la, as 
circunstancias e a gravidade da infração. 
Uma medida quando bem executada, seja em meio fechado ou aberto, pode produzir 
novos cenários aos adolescentes, inclusive para as famílias destes. 
Segundo palavras de RAMIDORFFI: 
Toda e qualquer medida legal que se estabeleça aos jovens, consoante mesmo restou 
determinado normativamente tanto pela Constituição da República de 1988, quanto pela Lei 
Federal 8.069, de 13.07.1990 e, também, sobremodo, material e fundamentalmente, pela Doutrina 
da Proteção Integral, deve favorecer a maturidade pessoal (educação), a afetividade (valores 
humanos) e a própria humanidade (Direitos Humanos: respeito e solidariedade) dessas pessoas 
que se encontram na condição peculiar de pessoa em desenvolvimento de suas personalidades. 
 
Tendo por fundamento a doutrina integral, verifica-se que para atingir a finalidade da 
medida socioeducativa, é importante destacar que se estabeleça uma proposta socioeducativa, 
contando com orientação pedagógica psicológica e profissional. 
Tais medidas devem ser trabalhadas para o desenvolvimento dos menores infratores, 
visando orientá-los quanto aos seus direitos e deveres perante a sociedade. Ainda, buscando 
desenvolver a educação profissional para que possam pleitear oportunidades de emprego, assim 
ser reinseridos na sociedade de forma que possam sentir pertencentes a ela. 
 
A aplicação das medidas socioeducativas impostas ao menor infrator conforme o 
Estatuto da Criança e do Adolescente, juntamente com os valores humanos, são temáticas e 
implicam quando não permitem certa recorrência necessária precisamente nas ocasiões em que se 
afloram preconceitos vinculados apenas na dimensão comportamental socialmente fixada. 
 
Assim, faz-se necessário adotar certa instrumentalidade normativa se não novas 
categorias jurídicas, instituindo a própria natureza jurídica que se atribui à medida socioeducativa, 
para então, assegurar legalmente todas as oportunidades e facilidades ao desenvolvimento de 
capacidades, realizações pessoais, seja na área da infância ou juventude do desenvolvimento da 
própria personalidade. 
As medidas socioeducativas previstas no ECA, possui caráter educativo pedagógico e 
por isso, considera-se afirmar que tal medida não constitui sansão. A medida é a estipulação de 
uma relação conceitual normativa, estimativa e limitada, para assemelhar aquelas situações que 
permitem a intervenção do Estado. Resultando a natureza jurídica educativa-pedagógica. 
Para confirmar tal, veja o disposto no artigo 104 do referido diploma legal: “Art. 104. 
São plenamente inimputáveis os menores de 18 (dezoito) anos, sujeitos às medidas previstas nesta 
lei”, no mesmo sentido, exalta o art. 228 da Constituição da República de 1988. 
 
Assim, toda e qualquer medida legal que estabelecida aos jovens, restou determinado 
normativo tanto pela Constituição, quanto pela Lei Federal 8.069 de 1990, devendo priorizar a 
maturidade pessoal, afetividade e a própria humanidade, destes que se encontram na condição 
peculiar de desenvolvimento de suas personalidades. 
 
De acordo com Mario Luiz RAMIDOFF: 
 
A medida socioeducativa é uma mistura complexa e plurimensional que não se limita 
apenas na proposta material interventiva – intromissão e ingerência estatal – e externa, mas 
também, compõe-se de razões profundas, quais tal se origina e quais os valores fundamentais que 
traz em si. A medida socioeducativa, por si só, já se configura numa intervenção – ingerência – 
exterior sobre a pessoa do adolescente autor de um comportamento contrário à lei. A questão 
central é precisamente a da idéia de educação não apenas acerca do conteúdo ou valor que se 
pretenda oferecer “interiorizar” mas, sim, auxiliá-lo – o adolescente – nas tomadas de decisões 
talvez mais importantes de sua vida, quando não, auxiliando-o a realizar-se como pessoa humana, 
também, enquanto tarefa pessoal. Em decorrência disso, é importante dizer que a medida 
socioeducativa, não deixando de ser uma ação moram, por certo, não se limita também a ser uma 
mera seqüência de atos desconexos, nem uma pura execução mecânico-material de determinados 
atos conexos, os quais são determinados por um comportamento idealizado legalmente e tomado 
da experiência paralela do mundo adulto como modelo. O exemplo mais eloqüente é a famigerada 
proposta de uma “Lei de Diretrizes Socioeducativas”, através da qual pretende-se resolver a 
histórica crise do Direito, qual seja, a sua falta de efetividade. E mais uma vez, para isto, socorre- 
se da interposição legislativa, vale dizer, da criação de mais e mais textos legais que, para além de 
uma conformação interna e autoprodutiva do próprio Direito, também, relativiza todo um sistema 
conjugado de garantias, enfraquecendo, pois, os valores fundamentais, precisamente, pelo 
paralelismo legislativo, ou seja, pela difusão de regras e regulamentos. 
 
Ainda se tem divergências quanto a natureza jurídica das medidas socioeducativas, pois 
alguns doutrinadores entendem que elas têm o caráter de reeducar, ressocializar e outros 
acreditam que ao estabelecer o art. 112 do Estatuto, medida privativa e restritiva de liberdade, 
impôs-se natureza sancionatória. 
As medidas estão postas no Estatuto e foram descritas de forma correta, pois a finalidade 
não é punir e sim ressocializar o adolescente para que este possa viver em sociedade. Na pratica, 
observa-se que tais medidas não possuem eficácia, uma vez que aplicados de forma incorreta, 
como prevê o ECA. 
 
Pode-se visualizarque as medidas impostas aos menores infratores estão distantes de 
atingir o objetivo para que foram criadas, já que no dia-a-dia observa-se que as crianças e 
adolescentes recebem essas medidas e logo cometem novamente o ato infracional, não se 
conscientizando o ato que praticou. 
 
Em nosso país existem programas sociais para reeducar e ressocializar o menor infrator, 
porém muitas vezes esses projetos se tornam ineficazes, pois família que nesta fase é de extrema 
importância, não participa dos trabalhos realizados pelos profissionais o que dificulta a inserção 
dos jovens infratores. Ainda, em alguns projetos como a Fundação Casa, onde os adolescentes na 
verdade ficam presos, tal maneira não permite a evolução e a capacidade de reinserção na 
sociedade, valendo ressaltar que na maioria dos casos esses adolescentes ao saírem voltam a 
cometer atos infracionais. 
É interessante ressaltar o papel da autoridade judiciária, que para que as medidas 
socioeducativas tenham efeito, é necessário que o Juiz a aplique de forma inteligente, sendo 
analisado cada caso concreto. 
 
A eficácia das medidas está diretamente ligada a um atendimento completo que promova 
além de escolarização, profissionalização, projetos que visem a reinserção do jovem infrator na 
sociedade ainda e atendimento médico especializado, uma mobilização de todo o Estado e 
sociedade no auxílio e monitoramento dos adolescentes em cumprimento de medidas 
socioeducativas. 
 
As medidas de prestação de serviços e a liberdade assistida possibilitam uma melhora no 
comportamento do menor infrator, pois proporciona a ele oportunidades de ressocialização, pois 
estão em contato com a sociedade e ainda permite que o adolescente reflita sobre seus atos. 
 
Com relação a medida de privação de liberdade, está é a maneira menos eficaz e mais 
cruel de aplicação das medidas socioeducativas, pois além de excluir o menor infrator do 
convívio familiar, também é retirado da sociedade, contando apenas com as regras da instituição e 
com outros infratores que talvez sejam delinquentes irrecuperáveis, pois muitas das vezes o 
adolescente que não é de alta periculosidade ou não cometeu infração usando de violência ou 
grave ameaça, passa a conviver com jovens que podem e vão ensinar sua maneira de agir, 
marginalizando todos os outros conviventes. Desta forma o regime que poderia ser positivo, 
acaba por influências os outros internos. 
 
Percebe-se que a intenção do Estatuto da Criança e do Adolescente, é a de conferir às 
medidas socioeducativas um caráter pedagógico-protetivo, entretanto, aqui no Brasil, isto não 
vingou, pois não há estrutura para tal. Assim mesmo possuindo uma legislação voltada a proteção 
da classe infanto-juvenil, o país não consegue conferir-lhe a aplicabilidade. A falha não advém da 
normatização do sistema, mais sim do despreparo das instituições para execução das medidas 
socioeducativas. 
Assim, o Estatuto da Criança e do Adolescente não determinou a aplicação de sanções 
aos atos infracionais, mas sim, apresentou meios para que o menor infrator seja reinserido na 
sociedade. Porem, para que isso ocorra em sua eficácia plena, é necessário que o Estado seja 
utilizado corretamente, sendo observada a realidade adolescente infrator. 
 
CONCLUSÃO 
O Estatuto da Criança e do Adolescente juntamente com Constituição Federal de 1988, 
em seu texto, visa que os direitos sejam resguardados e garantidos as crianças e adolescentes, 
mais também impõe deveres e estes também devem ser respeitados. 
Por muitos anos, as crianças e adolescentes não tinha a devida proteção, seus direitos e 
garantias deixava a desejar justamente na fase de desenvolvimento, onde a criança necessita de 
mais atenção e cuidado. Com a promulgação do texto constitucional de 1988, deu-se mais ênfase 
à infância e juventude, dando a eles proteção integral, ou seja, que as crianças e adolescentes 
sejam sujeitos de direito, com garantias e prioridade absoluta. 
 
A adolescência é uma fase de grandes transformações, na qual o individuo esta se 
preparando para entrar no mundo adulto que lhe dará muitas responsabilidades. E é nesta fase que 
o apoio da família e da escola é de extrema importância, pois é onde se busca atividades que vão 
desenvolver o aprendizado profissional, e também serão estabelecidos os valores de uma 
sociedade. O Estado tem o dever de dar incentivo oferecendo uma educação de qualidade, 
profissionalização, acompanhamento médico e psicológico à estes jovens incluindo seus 
familiares, isso é feito pelo desenvolvimento das políticas públicas. 
A criança/adolescente que comete um ato infracional está infringindo a lei, e para isso o 
Estatuto criou algumas regras para que este menor infrator responda pelo ato infracional. O ECA 
dá ao adolescente uma condição especial para que este possa buscar o desenvolvimento, 
reeducando o menor para que ele reflita as conseqüências do ato infracional que cometeu, 
tentando desta forma fazer com que ele não cometa mais nenhum ato infracional. 
 
Assim que o adolescente comete o ato, será responsabilizado e estará sujeito a cumpri a 
medida socioeducativa para a reparação do dano que cometeu. A aplicação desta medida oferece 
ao autor do ato a oportunidade de reparação e ainda o desenvolvimento pessoal e social. Está 
aplicação não visa pura e simplesmente em punir o infrator, mais orientá-lo sobre seus atos. 
 
Embora o Estatuto estabeleça direitos e garantia a esses menores infratores, nem sempre 
há uma recuperação destes menores, aos quais possamos considerá-los ressocializados por 
completo, pois alguns ainda insistem em cometer novos atos infracionais. 
 
Partindo deste pressuposto, objetivo do Estatuto da Criança e do Adolescente é que todas 
as suas medidas socioeducativas ressaltem a natureza pedagógica, e reeducação, ressocialização, 
fazendo que desperte nos adolescentes os valores sociais para sua formação. 
 
O adolescente infrator possui varias peculiaridades sejam na falta de estrutura familiar e 
como na falta de oportunidades. Assim, essa perda da adolescência causa danos, pois ele deixa de 
vivenciar as experiências e aprendizados necessários a sua formação o que poderá levá-lo a 
cometer atos infracionais. 
 
O que se percebe é que nos dias atuais tais medidas não cumprem o caráter 
ressocialização, mais apresentam um caráter punitivo pelo ato infracional, e desta forma, as 
medidas aplicadas aos menores infratores não atingem por completo sua eficácia. 
 
Vale salientar que a culpa não é apenas o Estado da precariedade da infância e 
adolescência no nosso país, a família e a sociedade também deve se preocupar com esses 
adolescentes infratores, devendo acompanhar e orientar. 
As medidas socioeducativas têm objetivo de ressocializar e reinserir o infrator no seio da 
sociedade e não deve ser confundida como sanção. Entretanto, as medidas privativas de liberdade, 
assemelha-se as sanções dadas pelo Direito Penal Brasileiro, pois com o descaso das entidades de 
internação desses menores infratores, não irão proporcionar o atendimento e a aprendizagem 
necessária para o desenvolvimento deste menor na sociedade. 
 
Conclui-se que, as medidas socioeducativas aplicadas em regime aberto têm maior 
eficácia, pois atinge mais o objetivo proposto pelo ECA, promovendo ao menor infrator as 
oportunidades de aprender e desenvolver responsabilidades, permanecendo no ceio familiar e 
social, e desta forma dando o cumprimento da medida socioeducativa. 
Portanto, vale destacar que a maioria dos atos infracionais ocorrem por causa do meio 
em que se encontram os menores infratores, não oferecendo ao adolescente infrator condições de 
aprender, de refletir sobre o ato infracional cometido. 
 
Para que haja uma mudança, é necessário que haja mais investimento na política social, 
dando aos adolescentes infratores mais oportunidades pra formarem um futuro melhor. É 
necessário ainda que as medidas

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