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universidade do norte do paraná – unopar
Sistema de Ensino A DISTÂNCIA
licenciatura em pedagogia
júlia Santana Mourão
PROJETO DE ENSINO
EM licenciatura em pedagogia
Cidade
2020
Cidade
2020
Cidade
Rancho Alegre D’Oeste – PR
2024
júlia santana mourão
PROJETO DE ENSINO
EM licenciatura em pedagogia
Projeto de Ensino apresentado à universidade do norte do Paraná como requisito parcial à conclusão do Curso de licenciatura em pedagogia.
Docente supervisor: Prof. Natalia Limeira
Rancho Alegre D’Oeste - Pr
2024
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 3
1 TEMA 4
2 JUSTIFICATIVA 5
3 PARTICIPANTES 6
4 OBJETIVOS 7
5 PROBLEMATIZAÇÃO 8
6 REFERENCIAL TEÓRICO 9
7 METODOLOGIA 10
8 CRONOGRAMA 11
9 RECURSOS 12
10 AVALIAÇÃO 13
CONSIDERAÇÕES FINAIS 14
REFERÊNCIAS 15
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INTRODUÇÃO
O projeto de ensino 'A contação de histórias no processo de ensino e aprendizagem na educação infantil' tem como objetivo avaliar essa ferramenta pedagógica em sala de aula, destacando seus benefícios, dificuldades e obstáculos. O tema será abordado de maneira a explorar tanto as vantagens quanto os desafios da aplicação da contação de histórias como estratégia educativa. Além disso, serão apresentados os resultados práticos do projeto, evidenciando os impactos positivos e a importância dessa metodologia no desenvolvimento infantil.
A contação de histórias é uma forma lúdica de transmissão de conhecimentos e um motivador para a imaginação do educando, por assessorar o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional do aprendiz e se destacar como aliada da educação infantil. A prática de contar histórias também é muito importante para que a criança vá se familiarizando com o ambiente letrado e, automaticamente, desenvolvendo o olhar crítico e participativo, em relação à temática abordada na história. (SIMÕES, 2000).
A contação de histórias tem um papel fundamental no processo de ensino e aprendizagem, especialmente na educação infantil, abrangendo diversos pontos do desenvolvimento da criança, como, A contação de histórias estimula o vocabulário, a compreensão e a habilidade de se expressar verbalmente. As crianças aprendem novas palavras, suas pronúncias e significados ao ouvir histórias ricas em linguagem e diálogo, também incentivam a imaginação das crianças, levando-as a visualizar cenários, personagens e eventos. Isso promove o desenvolvimento criativo, já que elas criam imagens mentais e podem até inventar suas próprias histórias, as crianças aprendem a organizar eventos de forma lógica, compreendendo sequência, causa e efeito, além de desenvolver habilidades de memória e atenção. A contação de histórias desperta o interesse dos pequenos pelos livros, criando uma conexão positiva com a leitura e o mundo literário. Essa familiaridade com as narrativas pode incentivar o hábito da leitura desde cedo.
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TEMA
A pesquisa aborda o tema a contação de história no processo de ensino e aprendizagem na educação infantil, com o objetivo de analisar essa ferramenta como elemento fundamental no desenvolvimento infantil. Os primeiros anos de uma criança na escola envolvem uma adaptação a um mundo novo, repleto de descobertas e novidades, e a literatura pode desempenhar um papel crucial nesse processo. As contações de histórias, um método trabalhado com crianças pequenas e bebês, permitem que elas tenham contato com novos sentimentos, estimulem a imaginação em crescimento e desenvolvam a criatividade. Além disso, proporcionam situações em que a criança precisa imaginar e refletir sobre cada contexto que está ouvindo.
Por meio da literatura, as crianças compreendem culturas, tradições e realidades sociais de forma lúdica e abrangente. Segundo Abramovich (1997), Vygotsky (1998), Ziberman (2003) e outros teóricos, a contação de histórias é um valioso instrumento que apoia a prática pedagógica dos professores, desde a educação infantil até as etapas posteriores do ensino básico.
O objetivo da pesquisa é analisar essa ferramenta de ensino, apresentando seus benefícios e sua importância, com a intenção de integrá-la na rotina escolar como um método eficaz de ensino e aprendizagem.
JUSTIFICATIVA
Durante o estágio em Educação Infantil, tive a oportunidade de acompanhar a rotina dos berçários e maternais. Diante de todas as atividades aplicadas, percebi uma significativa ausência de livros. Ao conversar com as professoras, notei que muitas delas associam o lúdico apenas aos brinquedos, limitando-se a essa abordagem. A contação de histórias, por exemplo, é um método pouco utilizado na rotina delas. Ao questioná-las sobre isso, ouvi a justificativa de que as crianças são muito pequenas e que sua atenção e interesse em ouvir uma história são limitados, resultando em dispersão rápida na sala.
Esse ponto de vista me levou a refletir sobre quando e como devemos começar a apresentar a literatura a essas crianças, e como trabalhar a literatura infantil com pequenos que se dispersam com facilidade. A literatura infantil é intrinsecamente lúdica; assim como ao brincar, ao ouvir uma história ou ao ter contato com as ilustrações de um livro, as crianças desenvolvem criatividade e imaginação. O contato com a literatura desde cedo é fundamental para o desenvolvimento da aprendizagem, pois nessa fase elas estão descobrindo o mundo ao seu redor. Por exemplo, durante o período sensório-motor, as crianças conhecem diversas sensações e movimentos. Uma história contada com livros que têm texturas permite que elas toquem e sintam as diferentes superfícies, auxiliando no desenvolvimento sensorial e na coordenação ao manusear o livro. Para crianças de 1 a 2 anos, a imaginação é crucial, pois elas assimilam personagens através das sensações.
Ler para uma criança não se resume a fazer com que ela escute e compreenda o contexto; trata-se de estimular ideias e pensamentos, apresentando a realidade de maneira divertida e alimentando sua imaginação. A literatura é uma ferramenta poderosa que oferece experiências ricas, repletas de benefícios para a vida escolar e pessoal das crianças.
O hábito da leitura deve ser incentivado desde cedo. O professor da Educação Infantil deve sempre ler para suas crianças, criando um ambiente prazeroso, com músicas e variações na entonação de voz. Dessa forma, as crianças podem aceitar a leitura como um hábito prazeroso, e não como uma obrigação.
PARTICIPANTES
A elaboração deste projeto de ensino foi voltada principalmente para crianças em seus primeiros anos, com o intuito de incorporar o hábito da leitura em sua rotina, promovendo assim um maior desenvolvimento. O projeto também visa conscientizar os professores sobre a importância e a necessidade do uso da literatura em sala de aula, destacando seus benefícios e apresentando métodos que podem ser integrados no dia a dia escolar.
OBJETIVOS
O tema escolhido surgiu a partir da observação das salas de aula e de suas rotinas, onde percebi uma deficiência no uso da literatura, especialmente com as crianças pequenas. Essa constatação me inspirou a criar um projeto que introduzisse o livro como parte fundamental do ambiente escolar.
Este projeto tem como objetivo apresentar a importância e a necessidade da literatura como ferramenta de ensino e aprendizagem, com foco em crianças pequenas. A contação de histórias se encaixa perfeitamente nas necessidades dessa faixa etária, pois estimula a imaginação, promove o desenvolvimento da linguagem e enriquece a experiência de aprendizagem.
PROBLEMATIZAÇÃO
Na atualidade, o uso de telas é onipresente no cotidiano de adultos, jovens e crianças, reduzindo o tempo dedicado a atividades que não envolvem assistir a vídeos ou navegar nas redes sociais. Esse fenômeno também afeta bebês e crianças menores, que ficam fascinados pela música, cores vibrantes e movimentos dos desenhos animados, permanecendo atentos e entretidos por longos períodos. Embora essa imersão nas telas facilite o cuidado, permitindo que as crianças fiquem sentadas e em silêncio,o grande problema é que todo o seu tempo livre é consumido por essa atividade, em detrimento de momentos de leitura e interação com histórias.
Hoje, o livro foi, em muitos casos, substituído pela tela. Diante disso, o projeto apresentado visa promover uma mudança nesse hábito, incorporando leituras prazerosas à rotina das crianças. A ideia é contar histórias de maneira lúdica e envolvente, utilizando as telas como aliadas no processo de leitura. Acredito que, quando bem utilizadas, as telas podem proporcionar conforto e servir como ferramentas de repetição no ensino. No entanto, elas não estimulam a criatividade e a imaginação como uma boa história contada ou a construção de um senso crítico.
A comodidade e a facilidade que algumas dessas ferramentas oferecem podem se tornar um obstáculo, já que muitas vezes a tela é vista como uma opção mais prática do que a contação de histórias. Como educadores, precisamos cultivar o hábito da leitura para que possamos incentivar nossos alunos. Jorge Luis Borges disse certa vez: "Se não fosse por aqueles que amam a literatura infantil, a infância seria um deserto." Essa citação destaca a importância da literatura na formação e no desenvolvimento das crianças, mostrando como ela enriquece a experiência da infância.
Como educadores, temos a responsabilidade de reintroduzir o hábito da leitura nas rotinas escolares, não com a intenção de obrigar, mas sim de ensinar e mostrar o quão prazeroso esse hábito pode ser.
REFERENCIAL TEÓRICO
A literatura infantil surgiu no século XVII, com as primeiras obras lançadas na metade desse período. O objetivo principal era educar moralmente as crianças. Naquela época, a literatura desempenhava o papel de transmitir ideias, conhecimentos e repassar a herança cultural para as gerações mais jovens. Inicialmente, as histórias eram contadas oralmente, sem registros escritos.
Uma das primeiras obras a serem publicadas foi Orbis Sensualium Pictus Quadrilinguis ("O Mundo Visível em Imagens"). Charles Perrault, um autor francês, é considerado o pai da literatura infantil por ter dado as bases para os contos de fadas e iniciado esse gênero. Perrault coletava aspectos da realidade e os adaptava para o público infantil, como em Cinderela, publicado em 1697, história que mais tarde se tornaria um filme popular até os dias atuais.
No Brasil, a literatura infantil teve início com as poesias infantis de Olavo Bilac em 1904, cujo objetivo era educar. Bilac defendia uma literatura voltada para questões nacionais e educativas. Contudo, o verdadeiro marco da literatura infantil brasileira ocorreu em 1920, com a publicação de A Menina do Narizinho Arrebitado, de Monteiro Lobato, hoje considerado o pai da literatura infantil no Brasil. Lobato foi um dos primeiros a desenvolver um estilo simples que misturava imaginação com realidade. Com várias obras publicadas ao longo de sua carreira, Lobato conquistou grande sucesso, especialmente com O Sítio do Picapau Amarelo, que se tornou uma série de TV baseada nas aventuras de personagens como Emília.
Após Monteiro Lobato, surgiram outros autores importantes, como Cecília Meireles e Ziraldo, que estabeleceram as bases para a literatura infantil que conhecemos hoje.
A inserção da literatura infantil no cotidiano das crianças tornou-se uma prática cada vez mais comum. Com a crescente fama de obras literárias, a curiosidade e o interesse pela leitura mantiveram-se por muitos anos. No entanto, com a chegada da tecnologia e o fácil acesso a dispositivos digitais, o hábito da leitura tem perdido espaço, tornando-se um desafio para os educadores, principalmente na educação infantil, onde o uso excessivo de telas tem sido uma prática comum para acalmar e distrair as crianças.
Entretanto, é fundamental usar todas as estratégias possíveis para reinserir o hábito da leitura na rotina das crianças. Esta pesquisa busca discutir e avaliar a importância da contação de histórias na educação infantil. Entre todas as estratégias, a contação de histórias se destaca como eficaz e necessária, pois seu impacto no desenvolvimento infantil é visível e real. Ao ouvir histórias, as crianças estimulam sua imaginação, são educadas e instruídas, desenvolvem habilidades cognitivas e dinâmicas que facilitam o processo de leitura e escrita. Além disso, essa prática interativa potencializa o desenvolvimento da linguagem infantil, proporcionando prazer, encantamento e diversão — momentos em que diversos aprendizados acontecem
1.1 A importância da literatura infantil
A introdução da literatura desde a primeira infância, por meio de livros com ou sem textos, pode ser um grande início para a aquisição da leitura, indo além da simples decodificação do código linguístico. Como afirma Bamberger (1895), “a leitura é um dos meios mais eficazes de desenvolvimento sistemático da linguagem e da personalidade. Trabalhar com a linguagem é trabalhar com o homem.”
Essa abordagem didática tende a ser enriquecedora e motivadora, contudo, é essencial estar atento ao conteúdo das narrativas. As histórias precisam ser adequadas às faixas etárias. Por exemplo, para crianças de 1 a 2 anos, narrativas previsíveis, claras e ilustradas conforme os acontecimentos da história são mais exploradas e prazerosas. Essas características ajudam a manter o interesse e facilitam a compreensão.
Monteiro Lobato, um dos maiores nomes da literatura infantil brasileira, também enfatizou a importância dessa prática. Segundo ele, “Contar histórias para crianças é abrir portas para um mundo mágico, onde a fantasia e a realidade se entrelaçam, alimentando a curiosidade e estimulando o aprendizado” (Lobato, 1920).
1.2 A importância da estimulação através da contação de histórias
A estimulação por meio das histórias está diretamente associada à leitura e representa o primeiro passo para que a criança consiga desenvolver plenamente os períodos subsequentes de seu crescimento. A contação de histórias deve ser usada como um gatilho que desperta a satisfação e o interesse, motivando a criança a seguir em sua jornada de aprendizado.
Esse processo também promove o desenvolvimento do senso crítico e a criação de um mundo imaginário, no qual a criança pode aprender através dos sonhos e das fantasias construídas ao longo das histórias. Como destaca Gadotti (1982), a prática da contação de histórias é fundamental para o florescimento da imaginação e para o desenvolvimento cognitivo e emocional.
Coelho (2009) ressalta que, em qualquer processo de aprendizado, sempre haverá um mediador que conecta os caminhos. No caso da contação de histórias, esse mediador é o contador, que muitas vezes é o próprio professor. Esse processo deve ser levado a sério, pois é por meio dele que o interesse e a curiosidade das crianças são despertados. Quando uma história é contada utilizando fantoches, diferentes entonações de voz, fragmentos musicais durante a narrativa e outros recursos, as crianças são envolvidas, trazendo vida aos personagens em suas imaginações. Automaticamente, aspectos como emoções, criatividade, imaginação e outros elementos fundamentais para o desenvolvimento infantil são estimulados e se expandem.
[...] a literatura infantil se configura não só como instrumento de formação conceitual, mas também de emancipação da manipulação da sociedade. Se 10 a dependência infantil e a ausência de um padrão inato de comportamento são questões que se interpenetram, configurando a posição da criança na relação com o adulto, a literatura surge como um meio de superação da dependência e da carência por possibilitar a reformulação de conceitos e a
autonomia do pensamento. (CADEMARTORI, 1994, p. 23).
A fala surgiu antes da escrita, sendo por meio dela que as pessoas se comunicavam e transmitiam conhecimentos, assim como ainda acontece nos dias de hoje. Existe sempre uma necessidade de discutir ideias e de perpetuar culturas e valores. Nesse contexto, Freire (2005) afirma que “a leitura de mundo precede a da palavra”, ou seja, o aprendiz é capaz de interpretar e comentar as circunstâncias cotidianasantes mesmo de aprender a ler.
Para Coelho (2009), contar histórias requer um profundo conhecimento da mensagem que se deseja transmitir, pois só assim a narrativa se torna prazerosa para quem ouve e para quem conta, contribuindo significativamente para o desenvolvimento do aprendiz. A literatura infantil é, antes de tudo, uma forma de arte que transforma e enriquece a vida do educando, dando vida aos sonhos mais impossíveis através do imaginário, ou até mesmo trazendo-os para o mundo real. Ela tem o poder de influenciar pensamentos e ações, despertando desejos e emoções.
Ferreira (2007) defende que toda criança gosta de ouvir histórias, pois através delas, ela associa a realidade à fantasia e acaba se identificando com algum personagem. Isso mostra que a contação de histórias permite que a criança se conheça melhor, explore seus gostos, enfrente seus medos e, de forma inconsciente, construa seu próprio "eu" para o futuro. Esse processo facilita seu convívio em sociedade, ajudando-a a desenvolver um olhar crítico e participativo, fundamentado em argumentos próprios.
Abramovich (2001) também destaca a contação de histórias como uma ferramenta essencial para o desenvolvimento de um bom leitor, contribuindo para a compreensão do mundo real e do imaginário. Como uma atividade lúdica, prazerosa e pedagógica, a contação de histórias torna-se um valioso recurso para o educador, possibilitando o conhecimento de novos lugares, seres, tempos, modos de agir e de ser.
1.3 As contribuições na contação de história na educação infantil
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), na Seção II, art. 29:
A Educação Infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança [...], em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e comunidade [...], a Educação Infantil é oferecida em creches e pré-escolas em entidades públicas, privadas, para crianças de 0 a 3 anos em creches e de quatro a cinco anos em pré-escolas (BRASIL, 1996, p. 10).
De acordo com o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (RCNEI), o educando que ainda não sabe ler pode "ler" através da escuta da leitura do professor, pois, mesmo que não compreenda todas as palavras, a escuta também é uma forma de leitura (Brasil, 1998). A contação de histórias se integra à ludicidade e à transmissão de conhecimento, funcionando como um motivador para a imaginação e estimulando o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo da criança, tornando-se uma forte aliada na educação infantil.
Quando a criança escuta uma história, sua imaginação ultrapassa as fronteiras do mundo real, levando-a ao encantamento de seu universo infantil, presente apenas em sua mente. As histórias têm o poder de auxiliar o educando em desafios, traumas e dificuldades. Por essa razão, é fundamental que ele tenha contato com o mundo imaginário das narrativas (Santos, 2014).
A contação de histórias oferece diversas contribuições para a criança, como o contato com o universo da leitura, a estimulação da criatividade e da formação da personalidade. Ela amplia o vocabulário e o mundo das ideias enquanto atrai a atenção do educando. Essa atividade lúdica, pedagógica e interdisciplinar instrui, motiva, estimula o desenvolvimento cognitivo, educa a atenção, enriquece os sonhos e amplia as possibilidades de autoconhecimento e construção de identidade de forma espontânea e livre de repressão (Costa et al., 2021).
Abramovich (2001) afirma que a contação de histórias, muitas vezes vista como distração ou diversão, contribui significativamente para o desenvolvimento da aprendizagem. Ele destaca que contar histórias é uma prática milenar, e que, apesar de seu uso como entretenimento, o ato permite um desenvolvimento cognitivo notável, estimulando a imaginação, a criatividade e despertando emoções no ouvinte. Contar histórias significa imergir em uma realidade mágica, onde problemas são resolvidos de maneira extraordinária, permitindo-se afastar da realidade.
Nas escolas, a contação de histórias deve ser praticada desde as primeiras idades, pois o hábito de ouvir histórias contribui para a formação e desenvolvimento da identidade. Durante a contação, uma relação de troca entre o contador e os ouvintes é estabelecida, trazendo à tona a bagagem cultural e afetiva das crianças e promovendo uma construção pessoal e coletiva (Busatto, 2003).
Para Faria et al. (2017), a contação de histórias atua na formação do aprendiz em múltiplas áreas do conhecimento, especialmente no desenvolvimento intelectual. Ela estimula o imaginário, a fantasia e desperta a criatividade. Cada criança desenvolve essas habilidades de forma única, sem regras fixas para o aprendizado, criando e recriando mentalmente personagens, locais e desfechos para as histórias, o que a ajuda a compreender o mundo ao seu redor. O ato de ouvir histórias permite trabalhar emoções, lembranças e até saudades.
Costa et al. (2021) mencionam que as contribuições da contação de histórias incluem um papel importante na formação do leitor, compreensão e assimilação dos significados, além de incentivar as práticas de leitura. A criança que escuta histórias adquire uma postura reflexiva, através dos comentários e questionamentos, que favorece o desenvolvimento do senso crítico. Esse processo influencia a formação da identidade da criança, preparando-a para lidar com diferentes emoções e conflitos desde cedo (Abramovich, 2001).
METODOLOGIA
A contação de histórias é uma das ferramentas pedagógicas mais eficazes, pois permite trabalhar de forma abrangente o desenvolvimento infantil. Os Campos de Experiência da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) orientam o planejamento escolar e as práticas em sala de aula, incluindo o campo de experiência "Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação", que se alinha perfeitamente à prática da contação de histórias. Ao contar histórias para as crianças, é possível estimular a escuta, a fala, o pensamento e a imaginação. Além disso, ao escutar uma narrativa e imaginar o que ocorre com os personagens, seja em uma peça teatral ou na contação com fantoches, a criança também vivencia diferentes traços, sons, cores e formas. As variações de voz, os movimentos e as ilustrações enriquecem esses estímulos, proporcionando uma experiência sensorial completa.
Este projeto de ensino propõe a inclusão da contação de histórias nos berçários e turmas de maternal, com aplicação em uma turma de maternal 1 no CMEI Bom Jesus, para crianças de 2 a 3 anos. As contações de histórias foram planejadas para ocorrer uma vez por semana, sempre às sextas-feiras no período da tarde, a fim de não interferir no planejamento da professora regente. No lugar de assistirem a desenhos, as crianças participaram de contações de histórias usando materiais variados disponibilizados pelo CMEI, como fantoches, fantasias, livros com texturas, bonecos e dedoches. Após cada contação, foram feitas perguntas sobre o tema da história, com o intuito de observar e avaliar o que as crianças compreenderam e absorveram das situações apresentadas.
As histórias foram planejadas para abordar temas variados. Em algumas semanas, as histórias foram criadas com foco em comportamentos observados na turma, como morder, bater ou empurrar, para que as crianças refletissem sobre esses comportamentos sem o uso de repreensões, como o "cantinho do pensamento". Em outras semanas, utilizamos livros e histórias disponíveis no CMEI.
A dinâmica do projeto envolvia reunir as crianças após o lanche na sala. Com o apoio das auxiliares, preparávamos o ambiente para a contação, que durava de 30 a 50 minutos, com variações de vozes conforme os personagens e interação com as crianças, convidando-as a participar e responder perguntas sobre a história. Utilizamos uma caixa de som para criar efeitos especiais, enriquecendo ainda mais a experiência sensorial.
O objetivo do projeto foi inserir o hábito de leitura na rotina dos alunos, familiarizando-os com a prática através dacontação de histórias. Após um mês dessa rotina, realizamos uma avaliação e observamos um desenvolvimento significativo. Durante as brincadeiras livres, as crianças demonstraram maior criatividade, utilizando peças de lego, por exemplo, para criar objetos e cenários diversos. Também percebemos uma evolução na fala, com a redução de dificuldades em dizer palavras simples. Além disso, as crianças passaram a aguardar animadas pela sexta-feira, ansiosas por uma nova história.
CRONOGRAMA
Etapas do projeto
Período
O planejamento do projeto iniciou-se com uma visita ao CMEI Bom Jesus, onde foi apresentada a proposta de desenvolver um projeto de contação de histórias na turma de maternal 1, com crianças de 2 a 3 anos de idade. Nessa visita, alinhamos as expectativas e organizamos os detalhes necessários para implementar o projeto. Com o apoio da equipe pedagógica, definimos a estrutura das sessões e os recursos que seriam utilizados, preparando o ambiente e as atividades para o início das contações de histórias
26/08/2024 a 04/09/2024
Nas primeiras semanas do projeto de contação de histórias no CMEI, foram abordados temas variados usando materiais e recursos diversificados para estimular o desenvolvimento infantil. No primeiro dia, a história sobre frutas utilizou materiais visuais; no segundo, Chapeuzinho Vermelho foi encenada com fantoches. No terceiro, uma história original abordou temas de comportamento, como morder e dividir. O quarto dia explorou texturas de animais através de um livro tátil, e, no quinto, dedoches foram usados para tornar a narrativa mais interativa.
13/09/2024 a 11/10/2024
O projeto foi bem aceito, especialmente pelas crianças. Ao longo das semanas, o feedback das professoras sobre os alunos reforçou os benefícios da contação de histórias, confirmando o impacto positivo dessa prática.
14/10/2024 a 24/10/2024
RECURSOS
O projeto de contação de histórias foi amplamente colaborativo, envolvendo toda a equipe pedagógica do CMEI. Professores da sala onde o projeto foi desenvolvido, a pedagoga, a diretora, além de auxiliares e estagiários, trabalharam em conjunto para garantir o sucesso das atividades. A participação ativa dos estagiários foi fundamental, especialmente na manipulação dos fantoches, enquanto as auxiliares ajudaram na preparação e organização de cada sessão de contação de histórias.
O CMEI se comprometeu a disponibilizar uma variedade de recursos essenciais para a realização do projeto. Foram utilizados fantoches e dedoches, que trouxeram uma dimensão lúdica às narrativas. Um painel ilustrativo com o desenho de uma casa foi montado para servir como cenário durante as apresentações. Para criar um ambiente envolvente, também foram utilizados uma caixa de som e um microfone, que permitiram a inclusão de músicas e efeitos sonoros, intensificando a experiência da contação. Além disso, livros com texturas e sons foram incorporados às histórias, enriquecendo a interação sensorial e cativando a atenção das crianças.
Essa colaboração e o uso criativo dos recursos disponíveis foram cruciais para o sucesso do projeto, tornando as sessões de contação de histórias dinâmicas e memoráveis para os alunos.
AVALIAÇÃO
O objetivo do projeto foi avaliar a contação de histórias como uma ferramenta pedagógica crucial para o desenvolvimento das crianças, especialmente na educação infantil. A proposta visou integrar a contação de histórias na rotina da turma, estabelecendo-a como um hábito a ser adotado. Após várias sessões, foram observados os efeitos desse ato nos alunos. Durante as narrativas, conversas e perguntas dirigidas permitiram avaliar a interação e o engajamento de cada criança.
As mudanças observadas no desenvolvimento dos alunos foram sutis, mas significativas. As crianças demonstraram interesse e animação todas as sextas-feiras, aguardando ansiosamente as histórias. Durante as brincadeiras livres e conversas com os colegas ao longo da semana, ficou evidente sua criatividade e curiosidade despertadas pelas narrativas. Além disso, a fala das crianças apresentou melhorias, refletindo um avanço no desenvolvimento da linguagem. O projeto conseguiu iniciar o processo de formação do hábito e do prazer pela leitura, embora seja essencial que essa prática continue para que se alcancem conquistas ainda maiores.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que é fundamental que tanto professores quanto familiares cultivem o interesse e o hábito de ler e contar histórias, transformando essa prática em um ritual cotidiano. Essa rotina promove inúmeras contribuições para o desenvolvimento das crianças, favorecendo a interação entre educadores e alunos, assim como entre famílias e aprendizes. Além de despertar o gosto pela leitura, a contação de histórias ensina as crianças a lidarem com seus anseios e sentimentos, aprimorando o processo de aprendizagem e tornando o ambiente escolar e familiar mais acolhedor.
A prática de contar histórias não apenas estimula a socialização, mas também melhora os relacionamentos e o desenvolvimento geral das crianças. Uma história bem contada motiva os aprendizes a buscarem mais conhecimento, estabelecendo um vínculo direto com o hábito da leitura. As histórias desempenham um papel vital na educação, pois promovem o desenvolvimento da motricidade, do raciocínio lógico e do fortalecimento da autoestima, além de desempenharem uma função lúdica essencial.
Assim, a arte da contação de histórias, tanto na sala de aula quanto em casa, é imprescindível para o pleno desenvolvimento das crianças na educação infantil, consolidando-se como uma ferramenta pedagógica valiosa e enriquecedora.
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