Prévia do material em texto
1 BRB Escriturário 1 Lei nº 10.973/2004 ............................................................................................................ 1 2 Empreendedorismo. ........................................................................................................ 14 3 Autoconhecimento e percepção de oportunidades. 4 O processo de inovação. 5.5 Geração de ideias e o processo criativo. 6 Inovação x Invenção. 7 Tipos de inovação. ........................ 22 Ecossistemas complexos de informação. .......................................................................... 34 Olá Concurseiro, tudo bem? Sabemos que estudar para concurso público não é tarefa fácil, mas acreditamos na sua dedicação e por isso elaboramos nossa apostila com todo cuidado e nos exatos termos do edital, para que você não estude assuntos desnecessários e nem perca tempo buscando conteúdos faltantes. Somando sua dedicação aos nossos cuidados, esperamos que você tenha uma ótima experiência de estudo e que consiga a tão almejada aprovação. Pensando em auxiliar seus estudos e aprimorar nosso material, disponibilizamos o e-mail professores@maxieduca.com.br para que possa mandar suas dúvidas, sugestões ou questionamentos sobre o conteúdo da apostila. Todos e-mails que chegam até nós, passam por uma triagem e são direcionados aos tutores da matéria em questão. Para o maior aproveitamento do Sistema de Atendimento ao Concurseiro (SAC) liste os seguintes itens: 01. Apostila (concurso e cargo); 02. Disciplina (matéria); 03. Número da página onde se encontra a dúvida; e 04. Qual a dúvida. Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhar em e-mails separados, pois facilita e agiliza o processo de envio para o tutor responsável, lembrando que teremos até cinco dias úteis para respondê-lo (a). Não esqueça de mandar um feedback e nos contar quando for aprovado! Bons estudos e conte sempre conosco! 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 1 LEI Nº 10.973, DE 2 DE DEZEMBRO DE 20041 Dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1o Esta Lei estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, com vistas à capacitação tecnológica, ao alcance da autonomia tecnológica e ao desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional do País, nos termos dos arts. 23, 24, 167, 200, 213, 218, 219 e 219-A da Constituição Federal. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) Parágrafo único. As medidas às quais se refere o caput deverão observar os seguintes princípios: (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) I - promoção das atividades científicas e tecnológicas como estratégicas para o desenvolvimento econômico e social; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) II - promoção e continuidade dos processos de desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação, assegurados os recursos humanos, econômicos e financeiros para tal finalidade; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) III - redução das desigualdades regionais; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) IV - descentralização das atividades de ciência, tecnologia e inovação em cada esfera de governo, com desconcentração em cada ente federado; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) V - promoção da cooperação e interação entre os entes públicos, entre os setores público e privado e entre empresas; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) VI - estímulo à atividade de inovação nas Instituições Científica, Tecnológica e de Inovação (ICTs) e nas empresas, inclusive para a atração, a constituição e a instalação de centros de pesquisa, desenvolvimento e inovação e de parques e polos tecnológicos no País; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) VII - promoção da competitividade empresarial nos mercados nacional e internacional; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) VIII - incentivo à constituição de ambientes favoráveis à inovação e às atividades de transferência de tecnologia; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) IX - promoção e continuidade dos processos de formação e capacitação científica e tecnológica; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) X - fortalecimento das capacidades operacional, científica, tecnológica e administrativa das ICTs; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) XI - atratividade dos instrumentos de fomento e de crédito, bem como sua permanente atualização e aperfeiçoamento; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) XII - simplificação de procedimentos para gestão de projetos de ciência, tecnologia e inovação e adoção de controle por resultados em sua avaliação; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) XIII - utilização do poder de compra do Estado para fomento à inovação; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) XIV - apoio, incentivo e integração dos inventores independentes às atividades das ICTs e ao sistema produtivo. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 2o Para os efeitos desta Lei, considera-se: I - agência de fomento: órgão ou instituição de natureza pública ou privada que tenha entre os seus objetivos o financiamento de ações que visem a estimular e promover o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da inovação; 1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.973.htm - Acesso em 13.07.2022 1 Lei nº 10.973/2004 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 2 II - criação: invenção, modelo de utilidade, desenho industrial, programa de computador, topografia de circuito integrado, nova cultivar ou cultivar essencialmente derivada e qualquer outro desenvolvimento tecnológico que acarrete ou possa acarretar o surgimento de novo produto, processo ou aperfeiçoamento incremental, obtida por um ou mais criadores; III - criador: pessoa física que seja inventora, obtentora ou autora de criação; (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) III-A - incubadora de empresas: organização ou estrutura que objetiva estimular ou prestar apoio logístico, gerencial e tecnológico ao empreendedorismo inovador e intensivo em conhecimento, com o objetivo de facilitar a criação e o desenvolvimento de empresas que tenham como diferencial a realização de atividades voltadas à inovação; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) IV - inovação: introdução de novidade ou aperfeiçoamento no ambiente produtivo e social que resulte em novos produtos, serviços ou processos ou que compreenda a agregação de novas funcionalidades ou características a produto, serviço ou processo já existente que possa resultar em melhorias e em efetivo ganho de qualidade ou desempenho; (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) V - Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT): órgão ou entidade da administração pública direta ou indireta ou pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos legalmente constituída sob as leis brasileiras, com sede e foro no País, que inclua em sua missão institucional ou em seu objetivo social ou estatutário a pesquisa básica ou aplicada de caráter científico ou tecnológico ou o desenvolvimento de novos produtos, serviços ou processos; (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) VI - Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT): estrutura instituída por uma ou mais ICTs, com ou sem personalidade jurídica própria, que tenha por finalidade a gestão de política institucional de inovação e por competências mínimas as atribuições previstas nesta Lei; (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) VII - fundação de apoio: fundação criada com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão, projetos de desenvolvimento institucional, científico, tecnológico e projetos de estímulo à inovação de interesse das ICTs, registrada e credenciada no Ministérioinata a todos os seres humanos. Cabe a cada um de nós desenvolver essa capacidade. Deverá estar atento ao que se passa à sua volta: o desenvolvimento da capacidade criativa, tal como qualquer outra competência, exige concentração e atenção. Comece por ver o mundo que construiu à sua volta: a sua casa, o seu trabalho, as suas relações sociais. Compreender que a criatividade pode assumir muitas formas é um primeiro passo para desenvolver a sua capacidade de criar de forma consciente. Características das Pessoas Criativas 1. Inteligência; 2. Capacidade de adaptação; 3. Autoestima elevada; 4. Orientação para desafios; 5. Curiosidade; 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 18 6. Interesse. Técnica Usada para Desenvolver a Criatividade nas Organizações Brainstorming: esta técnica significa “tempestade de ideias” e se caracteriza por um processo que permite gerar um conjunto de ideias, associações e conceitos livres e aleatórios que vistos de fora poderão parecer sem nexo. Contudo, e por se tratar de uma técnica onde as ideias fluem sem qualquer censura, permite bons resultados em termos de criatividade. Deste processo nascem muitas vezes soluções para problemas ou produtos e serviços inovadores. Vantagens e Desvantagens do Empreendedorismo Vantagens a) Geração de enorme ganho financeiro pessoal, o que pode ser verdade se o empreendedor for, de fato, uma pessoa preparada e ciente de suas reais capacidades e limitações; b) Capacidade de geração de emprego e aumento do crescimento econômico; c) Encorajamento do processamento de materiais locais em bens acabados para consumo doméstico, bem como para exportação; d) Capacidade de estimular uma competição saudável, que gera a criação de produtos de maior qualidade; e) Estímulo ao desenvolvimento de novos mercados; f) Promoção do uso de tecnologia moderna em pequena escala; g) Fabricação para estimular o aumento de produtividade; h) Encorajamento de pesquisas e estudos, bem como o desenvolvimento de máquinas e equipamentos modernos para consumo doméstico; i) Desenvolvimento de qualidades e atitudes empreendedoras entre potenciais empreendedores, os quais podem contribuir para mudanças significativas em áreas distantes; j) Liberdade em relação à dependência do emprego oferecido por outros; k) Redução da economia informal. Desvantagens a) Requer muito trabalho, horas de dedicação e energia emocional; b) Tensão inerente ao se dirigir um negócio próprio; c) Ameaça constante de possibilidade de fracasso; d) Os empreendedores precisam assumir os riscos relacionados ao fracasso. Para complementar, veja o seguinte quadro com as vantagens de ser funcionário e de ser empreendedor. Vantagens Funcionário Empregador Não corre risco financeiro É o empreendedor da própria atividade; é o “dono da bola.” Possui salário mensal Pode ter um progresso financeiro muito maior (lucros) ou muito menor (prejuízos) Goza de relativa proteção e segurança por parte de seu empregador Não precisa seguir ordens alheias; Trabalho para si mesmo As decisões estratégicas são tomadas pelos dirigentes da empresa, não precisa “quebrar a cabeça” com problemas Toma as decisões estratégicas, é o “cabeça” do negócio Tem benefícios sociais e vantagens pagas pela empresa Constrói algo totalmente seu e satisfaz o seu espírito empreendedor Mitos sobre Empreendedorismo Para finalizar, é importante que você candidato(a) elimine os mitos sobre empreendedorismo de sua cabeça e que conheça justamente porque as bancas podem explorar tais mitos para que os candidatos errem nos concursos. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 19 De acordo com Revista Exame10, existem algumas falsas verdades (mitos) sobre os empreendedores e o empreendedorismo. Conheça-as: Mito 1: Não é possível desenvolver o empreendedorismo, você deve nascer empreendedor. É possível desenvolver sim, como já visto anteriormente. Mito 2: Todo empreendedor inventou algo na garagem de casa quando jovem e tem uma personalidade esquisita. Empreendedores são pessoas normais, como eu e você e de todas as idades. Mito 3: O objetivo de todo empreendedor é ser milionário. O que os motiva é a vontade de criar algo novo e não a pergunta: “bom, o que eu posso fazer para ficar rico?” Mito 4: Empreendedores não são muito confiáveis. Isso não faz sentido algum. Mito 5: Um empreendedor precisa tomar riscos enormes. Como investem o próprio dinheiro (e muitas vezes o de terceiros, como por meio de empréstimos em banco), empreendedores tendem a ser conservadores. Realizam investimentos baseados em uma ampla análise econômico e financeira, isto é, correm riscos calculados. Mito 6: Fazer um MBA é a melhor forma de se transformar num empreendedor. Não necessariamente. O conhecimento sobre gestão provém de diversas fontes, inclusive é possível contratar alguém com um MBA. Intraempreendedorismo Além do empreendedorismo temos também o intraempreendedorismo que de acordo com Pinchot11, se trata daquela pessoa que é empreendedora dentro da organização a que pertence. O intraempreendedorismo é uma modalidade de empreendedorismo que pode ser praticada dentro de empresas públicas e privadas e por isso é percebida pelas organizações como uma grande ferramenta para o sucesso organizacional. Este tipo de profissional possui uma capacidade diferenciada de analisar cenários, criar ideias, inovar e buscar novas oportunidades para estas empresas. São eles que ajudam a movimentar a criação de ideias dentro das organizações, mesmo que indiretamente. O intraempreendedorismo em uma empresa permite que surjam várias inovações de produtos/serviços capazes de manter sua competitividade no mercado. Esta cultura deve estar enraizada nos corações da alta gerência, como também nos de seus colaboradores, uma vez que só é possível cultivar uma cultura intraempreendedora quando todos possuem seus objetivos pessoais e profissionais alinhados com a estratégia do negócio. Espera-se que a força de trabalho exercida na linha de produção não seja apenas a de executar, mas sim de também visualizar melhorias e implantar de forma consciente e eficiente suas ideias. Este tipo de colaborador tem sido muito valorizado pelas empresas, principalmente por agregarem valor ao trabalho final executado pela organização. Eles são procurados pelas empresas de recrutamento com uma frequência cada vez maior, ocupando espaços importantes nas grandes corporações em todo o mundo. Questões 01. (Colégio Pedro II - Administração - Colégio Pedro II) O quadro a seguir representa atitudes e características a serem desenvolvidas para obtenção de um determinado perfil de profissional, que devem ser consideradas na criação e administração de programas educacionais voltados à preparação de profissionais. 10 EXAME. Falsas verdades sobre empreendedores. 2008. http://exame.abril.com.br/negocios/falsas-verdades-sobre-empreendedores-m0042859/ 11 PINCHOT, Gifford. Intrapreneuring: why you don’t have to leave the corporation to become an entrepreneur New York: Harper and Row, 1985. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 20 O perfil descrito equivale àquele observado em (A) empreendedores. (B) analistas. (C) gestores. (D) líderes. 02. (IF Farroupilha - Docente - FCM) Sobre o empreendedorismo, Dornelas (2001) afirma que: (A) Identificar e avaliar oportunidades constitui etapa inicial de um processo empreendedor. (B) O empreendedorismo é uma característica inata ao sujeito e, por isso, não é possível ser ensinado. (C) O processo empreendedor relaciona-se a fatores externos, ambientais e sociais, e independe de fatores ligados a aptidões pessoais. (D) O empreendedor é aquele que apresenta iniciativa para criar o próprio negócio, utilizando os recursos disponíveis de forma criativa, desdeque a situação não ofereça risco. (E) A globalização, a eliminação de barreiras culturais e comerciais, o encurtamento de distâncias, em decorrência das novas tecnologias, são fatores que impactam negativamente o desenvolvimento do empreendedorismo, tendo em vista o acirramento da concorrência. 03. (AL/MT - Analista de Sistemas - FGV) O termo intraempreendedor é utilizado para designar um empreendedor que (A) atua em uma organização já existente. (B) dá prioridade às relações interpessoais na organização. (C) lidera a criação de uma nova organização (D) é um dos empreendedores de um grupo que pretende criar uma nova start‐up. (E) tem experiência anterior na área de negócios em estudo. 04. (SMA/RJ - Pedagogo - Pref. do Rio de Janeiro/RJ) A capacidade de um indivíduo de mobilizar recursos, existentes ou não, para atender a uma demanda emergente, conhecida ou desconhecida, diz respeito à definição de: (A) condutivismo (B) desenvolvimento (C) empreendedorismo (D) qualidade total 05. (IFB - Professor - CESPE) No que concerne a empreendedorismo, julgue o seguinte item. O processo de empreender pode ser resumido em identificar e avaliar uma oportunidade e administrar a empresa resultante. ( ) Certo ( ) Errado 06. (UEA - Técnico em Planejamento, Orçamento e Finanças – CS-UFG) O empreendedorismo praticado dentro de uma organização já existente é conhecido como intraempreendedorismo. Com base nesse tema, a questão que envolve os fatores motivantes que influenciam as pessoas a buscarem resultados empreendedores é conhecida como: (A) autoeficácia empreendedora. (B) intenções empreendedoras. (C) predisposição percebida. (D) modelos de conduta. 07. (AL/MT - Analista de Sistemas - FGV) Com relação ao perfil de empreendedores, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 21 ( ) Empreendedores já nascem com essa característica. ( ) Tudo que os empreendedores precisam para serem bem sucedidos é dinheiro e sorte. ( ) Os empreendedores estão dispostos a correr riscos calculados. As afirmativas são, respectivamente, (A) F, F e V. (B) V, F e F. (C) F, V e V. (D) F, V e F. (E) V, V e F. 08. (HEMOMINAS - Administrador - IBFC) Ao processo evolutivo e inovador da capacidade e habilidade profissionais direcionadas à alavancagem dos resultados das organizações e à consolidação de novos projetos estrategicamente relevantes dá-se o nome de: (A) Administração virtual. (B) Empreendedorismo. (C) Planejamento estratégico. (D) Desenvolvimento organizacional 09. (IF/SP - Professor - FUNDEP) Considerando-se que a atividade empreendedora dependente de algumas características pessoais do principal articulador da nova empresa, assinale a alternativa que NÃO representa uma característica pessoal empreendedora. (A) Carlos esperou que novas linhas de crédito surgissem e escolheu uma das alternativas em sua primeira consulta a uma única instituição de crédito. (B) José, após ter sua proposta rejeitada pela instituição de crédito refez seus cálculos e buscou mais dados de mercado para consolidar ainda mais seu plano. (C) Márcia, em uma reunião com potenciais sócias, transmitiu suas ideias com equilíbrio e seriedade, a ponto de convencer e fazer acreditar na nova empresa. (D) Jaqueline saiu nessa manhã com uma lista de tarefas para sua nova ideia, ainda sem capital, ela está organizando informações preliminares que lhe serão úteis. Gabarito 01.A / 02.A / 03.A / 04.C / 05.Errado / 06.B / 07.A / 08.B / 09.A Comentários 01. Resposta: A Empreendedorismo significa empreender, resolver um problema ou situação complicada. É um termo muito usado no âmbito empresarial e muitas vezes está relacionado com a criação de empresas ou produtos novos. Empreender é também agregar valor, saber identificar oportunidades e transformá-las em um negócio lucrativo. Lembre-se que o conceito de empreendedorismo foi utilizado inicialmente pelo economista Joseph Schumpeter, em 1950. 02. Resposta: A O autor Dornelas (2005) apresenta as fases do processo empreendedor, que consistiria em: 1º: Identificar e avaliar a oportunidade; 2º:Desenvolver o plano de negócios; 3º: Determinar e captar os recursos necessários; 4º: Gerenciar a empresa criada. 03. Resposta: A Como visto, o intraempreendedorismo é uma modalidade de empreendedorismo praticado por funcionários dentro da empresa em que trabalham. São profissionais que possuem uma capacidade diferenciada de analisar cenários, criar ideias, inovar e buscar novas oportunidades para estas empresas. 04. Resposta: C Trata-se de uma definição de empreendedorismo. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 22 05. Resposta: Errado Ficou resumido demais, faltam etapas intermediárias. Observe que Dornelas12 apresenta como fases do processo empreendedor: 1º: Identificar e avaliar a oportunidade; 2º: Desenvolver o plano de negócios; 3º: Determinar e captar os recursos necessários; 4º: Gerenciar a empresa criada. 06. Resposta: B Intenção empreendedora pode ser entendida como o nível de vontade que uma pessoa tem de abrir uma empresa. Através desta vontade pessoal, alguns pesquisadores podem prever se esta pessoa está propensa a empreender (criar uma empresa). Para Shapero e Sokol (1982) duas etapas são fundamentais: a desejabilidade e a viabilidade. Estes dois aspectos são interativos. De modo que, se um indivíduo considera que se há viabilidade para iniciar um projeto, a desejabilidade cresce proporcionalmente. Por outro lado, se um indivíduo não está motivado para iniciar um projeto, não considerará sequer a sua viabilidade. 07. Resposta: A A primeira é falsa, pois como visto, os empreendedores não nascem empreendedores, é possível desenvolver o comportamento empreendedor. Segundo esse ponto de vista, as pessoas podem apreender a agir como empreendedoras. A segunda é falsa porque o empreendedor não inicia um empreendimento contanto com a sorte, este pensamento é completamente errôneo. Para Hisrich & Peters13, empreendedorismo é o processo dinâmico que combina recursos, trabalho, materiais e outros ativos para tornar seu valor maior do que antes. De todo modo, também não é só ter dinheiro. A última assertiva está correta. 08. Resposta: B “Empreendedorismo é o processo evolutivo e inovador da capacidade e habilidade profissionais direcionadas à alavancagem dos resultados das empresas e à consolidação de novos projetos estrategicamente relevantes” (Djalma de Pinho Rebouças de Oliveira, 2009). 09. Respostas: A Sabemos que o empreendedor consegue pensar “fora do quadrado”, tem iniciativa e capacidade de angariação de recursos, entre muitas outras características comportamentais. De todas as afirmativas, percebemos que o primeiro caso não tem as características de um empreendedor, pois Carlos esperou que novas linhas de crédito surgissem e não procurou por outras alternativas, contentando-se com a primeira delas. Autoconhecimento Investir em autoconhecimento é designar esforços para entender a si mesmo em todos os âmbitos, com a compreensão profunda de quem você é possível descobrir suas qualidades, capacidades, bem como os seus pontos que devem ser melhorados. Além disso, é possível saber lidar com isso tudo e encontrar as oportunidades para desenvolver constantemente. A busca do autoconhecimento é acompanhada de uma constante autoanálise, o que nos permite aprofundar nossas questões existenciais, junto ao conhecimento de nossas possibilidades e limitações. O autoconhecimento deve resultar num melhor ajustamento, no desenvolvimento da maturidade e no controle emocional, ou seja: - Na capacidade de entender os outros e de nos fazermos entender pelos outros; - Na maior objetividade dos julgamentos, tanto pessoais quanto dos outros; - Na aceitação de si e dos outros, admitindo que ninguém é isentode falhas, mas que também encontraremos qualidades em nós e em qualquer outro ser humano, se desejarmos realmente encontrá- las; e - No conhecimento de suas habilidades e defeitos, junto à como e o que devemos melhorar. 12 DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 232 p. 13 HISRICH, Robert D.; PETERS, Michael P.; SHEPHERD, Dean A. Empreendedorismo. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. 3 Autoconhecimento e percepção de oportunidades. 4 O processo de inovação. 5.5 Geração de ideias e o processo criativo. 6 Inovação x Invenção. 7 Tipos de inovação. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 23 Percepção de Oportunidades Dificuldades de Percepção Quando queremos implantar um processo de pensamento estratégico ou qualquer outro nas organizações, um dos grandes obstáculos a enfrentar é a dificuldade de percepção. Ou seja, bloqueios de toda espécie, que impedem a visualização de riscos, de um lado, e de oportunidades, do outro. Muitas vezes, surpreendemo-nos com situações do cotidiano, quando, por exemplo, procuramos em uma prateleira do supermercado um determinado produto e não o encontramos, pois ele não está exatamente no lugar em que esperávamos que estivesse, ou não está naquela embalagem à qual estamos acostumados. São os bloqueios da percepção, que nos impedem de ver o novo, o diferente: olhamos, mas não vemos. Alguns obstáculos, porém, vão além do “olhar e não ver”: estão relacionados às dificuldades do processo de “pensar o impensável”. Temos dificuldade em visualizar o que nunca imaginamos antes, aquilo que não se ajusta aos nossos modelos mentais. De fato, os chamados modelos mentais são muito úteis para o aprendizado, a consolidação, a estruturação e a exposição de conceitos sobre determinado assunto, sistema ou fenômeno1. Entretanto, eles acabam transformando-se em barreiras mentais para a percepção de indícios, sinais ou informações que não se enquadrem nos modelos mentais preexistentes2. Um tipo frequente de dificuldade de percepção, também apresentado por Senge, é a falta de visão sistêmica: deixamos de perceber muita coisa por não conhecermos suas inter-relações sistêmicas. Vemos algo em um ponto e não notamos suas causas — ou seus efeitos — no restante da cadeia associada ao negócio ou à atividade da organização. Dificuldades de Percepção de Oportunidades Diariamente vivemos situações em que as oportunidades estão passando à nossa frente, mas não somos capazes de vê-las, pois não se vê aquilo que não se espera ver. Por exemplo: quantas vezes paramos em uma esquina esperando por um táxi livre, mas ele não vem? Entretanto, se virássemos a cabeça e os olhos em outra direção, estaríamos em condições de ver que há vários táxis livres estacionados em um ponto, ou mesmo passando pela rua transversal! As oportunidades não esperam pelas nossas percepções. Elas simplesmente passam, como o táxi livre da rua transversal. Mas o fato de nós não as percebermos não quer dizer que nossos concorrentes, eventualmente mais atentos e perspicazes que nós, não se aproveitem disso, em detrimento de nossa organização. Dificuldades de Percepção de Riscos e Ameaças Outra dificuldade frequente consiste na falta de percepção de riscos e ameaças. Todos já deparamos com situações em que a maioria das pessoas à nossa volta vê um risco iminente, o qual, para nós, nem existe! Por que isso ocorre? Talvez por não acreditarmos que aquilo seja realmente possível, por não querermos que ocorra, por nunca ter acontecido com ninguém, ou por termos uma falsa sensação de segurança. Todos temos um pouco do “complexo de avestruz”, que, segundo a lenda, enfia a cabeça na areia para não ver o perigo à sua volta. E o pior é que essa postura, se não tomarmos cuidado, acaba sendo reforçada com o avançar da idade! A dificuldade de perceber as coisas ao nosso redor pode estar relacionada ao medo do desconhecido ou à forma corriqueira de raciocinar: “Mas isso nunca vai acontecer conosco! ”. Segundo Hamel e Prahalad, nós estamos sujeitos a pelo menos cinco grandes tipos de transformações ao nosso redor, que devem ser continuamente monitoradas, a fim de identificarmos possíveis mudanças que possam impactar as organizações. Além disso, dizem eles, as verdadeiras oportunidades e ameaças tendem a ocorrer, primordialmente, nas intersecções de duas ou mais mudanças simultâneas! E aí está a dificuldade de percebê-las claramente. Inovação Atualmente, administrar uma organização corresponde a administrar as mudanças, ou seja: Motta nos afirma que é “Enfrentar alterações rápidas e complexas; confrontar-se com ambiguidades; compreender a necessidade de novos produtos e serviços; garantir um sentido de direção em meio ao caos e à vulnerabilidade; e manter a calma diante da perda significativa daquilo que se ajudou a construir. ” 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 24 Em um contexto em que praticamente tudo pode ser alterado, a mudança não consiste apenas na melhoria dos processos, mas também no rompimento das práticas em vigor. As mudanças no ambiente de negócios influenciam diretamente as empresas e a vida das pessoas. São essas mudanças que provocam a melhoria da qualidade dos produtos e serviços oferecidos ao mercado e proporcionam o incremento da produtividade, de maneira eficiente (MOTTA, 1999). A mudança corresponde à informação de que determinada tecnologia, habilidade ou prática organizacional se tornou obsoleta. Portanto, nesse caso, o processo de mudança significa a criação de um novo modelo de organização, associada à alteração das premissas estabelecidas para a realidade do ambiente externo e aceitação de que ela é condição essencial para que a organização seja bem-sucedida (MOTTA, 1999). Muitas dessas mudanças são inesperadas e ocorrem em fases de extrema dificuldade das empresas, tornando o processo decisório ainda mais difícil. Conforme surgem novas exigências do mercado, as empresas devem se adequar; o mercado muda e as empresas também devem mudar para atenderem às novas necessidades, acompanhando o dinamismo do mercado. A mudança planejada, por sua vez, corresponde a uma reação mais indicada para fazer face às pressões do meio ambiente e aos problemas e dificuldades com que se defrontam frequentemente as organizações. A opção por introduzir um processo de mudança, por si só, não torna mais eficaz a administração da organização, mas representa um passo importante para a transformação que está por vir. Assim, o processo de mudança planejada deve ser entendido como um mecanismo impulsionador da transição de uma organização, de uma situação atual qualquer, para uma situação futura desejável O primeiro passo para a implantação de um processo de mudança organizacional, consiste em analisar os aspectos que não se adaptam à nova realidade e, a seguir, estabelecer as bases sobre as quais o processo será desenvolvido. Além disso, a empresa também deve buscar a melhor maneira pela qual as atividades, as pessoas, as tecnologias e as informações devem ser estruturadas, a fim de atingir o melhor desempenho e, por conseguinte, os melhores resultados. A gestão da mudança consiste em administrar a incerteza e interagir os processos internos e externos à organização que, de alguma forma, intervém no seu desempenho. O grau de incerteza desses processos gera fortes demandas nas empresas no sentido de aprender e adaptar-se às novas exigências do mercado, construindo novas competências na tomada de decisão, em situações não bem estabelecidas ou definidas. A mudança depende, assim, de uma série de fatores, tais como a preparação do processo, o incentivo à criatividade e a motivação de seus membros, além de habilidades para identificar os problemas mais relevantes e conduzir o processo Inovação - O processo de Inovação14 A ideia é de reversibilidade. Para inovar é precisomudar e para mudar é preciso inovar. Na verdade, ambas estão dentro de uma mesma visão de renovação, na qual o comportamento é peça fundamental. A inovação se dá pela introdução de novas ideias no sistema organizacional, capazes de manter ativo o processo de atualização, de modernização permanente, sem depender, muitas vezes, das mudanças tecnológicas. Podemos dizer que a inovação se trata do grau em que novas ideias são produzidas e/ou se readaptam antigos conceitos para que se alcancem os objetivos da organização empresarial. A inovação é a capacidade de criar novas situações, melhorar a qualidade do desempenho e buscar incessantemente novas formas de ação. Não é raro constatar em determinados padrões de funcionamento nas organizações públicas, particularmente, a convivência de equipamentos tecnológicos avançados em contexto operacionais burocráticos de baixa energia sistêmica. Essa convivência não caracteriza um processo de mudança, pois o sistema institucionalizado retrata uma realidade burocrática não compatível. A inovação é também uma estratégia da ação, necessária à eficácia no desempenho de qualidade, à eficiência na execução do planejamento e à racionalização dos meios à obtenção de resultados. A visão estratégica nas organizações pressupõe a formulação de ações inovadoras que possam complementar o processo de mudança. Instalada a gestão estratégica, o processo de inovação estabelece objetivos e metas flexíveis, seguindo as tendências sequenciadas nas relações de produção e serviços. Nas realidades altamente competitivas, a sobrevivência organizacional depende da capacidade de inovação - mesmo em contextos de mudança tecnológica. 14 CASTRO, J. M.; BASQUES, P. V. Mudança E Inovação Organizacional. REVISTA DE ADMINISTRAÇÃO MACKENZIE, Volume 7, n.1, p. 71-95. Oliveira, S. A. Mudança Organizacional e Inovação Tecnológica em Processos: Estudo de Caso em uma Empresa Prestadora de Serviços do Estado do Paraná. XXV Simpósio de Gestão da Inovação Tecnológica, 2008. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 25 Considerada como o resultado perceptível de uma função específica da atividade empreendedora, a inovação, independentemente de onde ela ocorra – quer seja na iniciativa privada ou na pública -, é comumente debatida em torno do quão sistematicamente esta pode ser gerenciada, e também acerca do impacto modificador que ela carrega consigo. Percebe-se a existência dessa dualidade argumentativa na própria literatura, em que é colocado que a inovação corresponde à introdução de novas combinações produtivas economicamente viáveis (SCHUMPETER, 1984), ou que equivale ao esforço para criar significante e focalizada mudança no potencial social ou econômico de uma organização” (DRUCKER, 1998). Assim, temos que a inovação é um processo que envolve múltiplas atividades realizadas por diversos atores de uma ou várias organizações, durante a qual novas combinações de meios e/ou fins são desenvolvidos, produzidos, implementados e/ou transferidos para velhos e/ou novos mercados, oportunidades comerciais ou sistemas sociais. A busca constante pela inovação, por meio da criação e desenvolvimento de novos produtos e processos, diversificação, qualidade e absorção de tecnologias avançadas, é indispensável para assegurar elevados níveis de eficiência, produtividade e competitividade das organizações. Isso implica acumulação constante de conhecimentos e capacitação tecnológica contínua. Nesse contexto, insere- - se a aprendizagem organizacional (aprendizado contínuo e interativo), configurando-se como o processo mais importante para o desenvolvimento da inovação. O conhecimento e o aprendizado interativos são elementos que formam a base fundamental, configurando-se como a melhor forma para indivíduos, empresas, regiões e países se adaptarem às intensas mudanças no mercado, bem como intensificarem a geração de inovações. Apesar de o assunto ganhar impulso nas últimas duas décadas, o conceito de inovação está muito ligado aos trabalhos de Joseph Schumpeter, economista austríaco, considerado por muitos como o principal formulador deste conceito na década de 30. Schumpeter (1961) acreditava que longas ondas dos ciclos de desenvolvimento no capitalismo eram resultados da combinação de inovações, que criavam um setor líder na economia ou um novo paradigma, que passava a impulsionar o rápido crescimento dessa economia. A teoria de desenvolvimento econômico de Schumpeter trata de cinco tipos de atividades que envolvem o processo de inovação (SCHUMPETER, 1961): 1. Introdução de um produto novo ou uma mudança qualitativa em um produto existente; 2. Novo processo de produção na indústria (que não precisa envolver um conhecimento inédito); 3. A abertura de um mercado novo, em que uma área específica da indústria ainda não tenha penetrado, independentemente do fato do mercado existir antes ou não; 4. Desenvolvimento de novas fontes de provisão para matérias-primas ou outras contribuições, independentemente do fato da fonte existir antes ou não; 5. Mudança organizacional. As inovações, de acordo com Schumpeter, constituem o motor do processo de mudança que caracteriza o desenvolvimento capitalista e resultam da iniciativa dos agentes econômicos. Mesmo partindo de objetivos individuais, os efeitos da inovação são amplos e levam à reorganização da atividade econômica, garantindo o aspecto instável e evolutivo do sistema capitalista. Dessa forma, o desenvolvimento é definido pela realização de inovações, que se caracterizam pela introdução de novas combinações produtivas ou mudanças nas funções de produção. Geração de Ideias - Fontes de inovação Drucker (1998) contribui com o tema apontando que as inovações - enquanto produto ou processo - podem ser oriundas de fontes tanto intraorganizacionais quanto extraorganizacionais. Para as fontes intraorganizacionais, o autor salienta: - Ocorrências inesperadas: que correspondem a sucessos ou falhas inesperadas nas atividades da organização, percebidas a partir de avaliações de desempenho, análise de relatórios, etc.; - Incongruências: que equivalem a disparidades sentidas ou percebidas por intermédio do feedback informativo obtido na observação de realidades heterogêneas, a exemplo de retorno de investimentos acima ou abaixo das expectativas corporativas; - Necessidades de processo: a partir do instante em que uma organização necessite crescer e se desenvolver, seus processos precisam ser reavaliados, a fim de que se possa afirmar se esse desenvolvimento desejado é passível de ocorrer a partir dos processos já existentes na organização, abrindo-se, assim, oportunidades para que novos sejam elaborados; 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 26 - Mudanças na indústria ou no mercado: eventuais transformações no comportamento do mercado (por parte do consumidor), ou mesmo político-econômicas no setor industrial, a ponto de influenciar toda uma gama de organizações a adotarem práticas estratégicas miméticas ou reagirem em contrapartida a tais mudanças. Para as fontes extraorganizacionais, são elencadas: - Mudanças demográficas: que proporcionam chances ao desenvolvimento de inovações visando alcançar, especificamente, grupos populacionais específicos, frutos de fenômenos demográficos, a exemplo de baby booms; - Mudanças na percepção por parte do mercado consumidor: bastante atrelada às mudanças no mercado previamente destacadas, podem influenciar positiva ou negativamente a apreciação do indivíduo acerca de um produto, grupo de produtos, ou até mesmo de como ele enxerga uma organização a partir do portfólio desta, o que tende a impulsionar inovações por parte das organizações para que se sustentem em vantagem competitiva, ou para que consigam encurtar a distância perante seus concorrentes. - Novos conhecimentos: o surgimento de novos conhecimentos científicos e tecnológicos e,sobretudo, a condensação destes, formalizando-os, constituem também relevante fonte de inovação, a partir da transferência de tecnologia entre organizações, institutos de pesquisa, parcerias, sistemas nacionais de inovação, patentes, etc. Para interpretação das inovações, devem-se considerar certas dimensões, acima de tudo na perspectiva organizacional: a) O objeto da inovação: se se trata de uma inovação mais voltada para os processos da organização ou mais voltada para os outputs dela; b) O grau da inovação: acerca do quão nova ela é em termos de produto e/ou processo; c) A subjetividade da inovação: uma dimensão que tem por fim indagar para quem essa inovação é realmente uma novidade (Para um indivíduo envolvido no processo? Para a organização como um todo? Para uma indústria ou setor econômico? Para um sistema social?); d) A natureza da inovação: que questiona em que estágio essa inovação se encontra (apenas uma ideia, uma invenção, um protótipo, já uma inovação pensada na sua plenitude); e) Os papéis na inovação: que pretende entender quem participa do desenvolvimento da inovação (se ela é conduzida por quem fabrica, ou seja, pela indústria em si; se ela é conduzida ou auxiliada por quem se utiliza dela, ou seja, o consumidor; ou ainda se é uma inovação cooperativa, na qual estão envolvidos tanto a indústria quanto o consumidor); f) O sucesso da inovação: por último, cabe questionar a efetividade técnica ou comercial da inovação, levando-se em conta, também, questões morais e éticas, a fim de que se possa entender a relevância da inovação para quem quer que ela pretenda beneficiar. Outro ponto muito importante a destacar são algumas classificações consensuais na dimensão do “grau da inovação” no tocante à percepção de quem produz a inovação (o fabricante e o impacto tecnológico da inovação para este) e a de quem absorve a inovação (o consumidor e o ganho em benefícios propiciado àquele pela inovação). São assim apontadas: - A Inovação Incremental (novas combinações que advêm de algo existente e que surgem de forma a complementar o padrão vigente. Resultado de um processo de aprendizado interno e também da capacitação acumulada dentro da firma.); - A Inovação Técnica (mais pertinente aos fabricantes, em virtude da alta distinção da tecnologia que acompanha a inovação, usualmente relacionada a processos); - A Inovação Aplicativa (na qual modificações tecnológicas em produtos aumentam o ganho em benefícios dos consumidores, ao passo que estes percebem novas aplicabilidades de produtos em virtude da inovação fomentada pelo fabricante), e - A Inovação Radical (que corresponde aos casos em que as combinações se afastam, substancialmente, do padrão vigente, causando um impacto muito maior, principalmente na esfera socioeconômica, podendo, eventualmente, criar uma nova trajetória que incite a geração de inovações incrementais. Assim, há o rompimento das trajetórias existentes e inaugura uma nova rota tecnológica. Este tipo de inovação é fruto, geralmente, de atividades de P&D, possui um caráter descontínuo nos setores e também no tempo, trazendo um salto de produtividade e, a partir daí, inicia-se uma nova trajetória tecnológica incremental que perdura até o surgimento de outra.). Podem gerar: 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 27 - Mudanças No Sistema Tecnológico: nesse caso, um setor - ou vários – é transformado pela iminência de um novo campo tecnológico, sendo acompanhado de mudanças organizacionais tanto no interior da firma como na sua relação com o mercado. - Mudança No Paradigma Técnico-Econômico: envolve inovações não apenas na tecnologia mas também no tecido social e econômico em que estão inseridas. Fica evidente, também, que estas classificações funcionam de forma puramente explicativa, uma vez que, pela própria descrição delas, a dinâmica das mesmas permite com que haja interação entre elas. TIPOS DE INOVAÇÕES E INTER-RELAÇÕES Encontram-se, na Figura, ainda que parcialmente, inovações em cada uma das atividades, ou nas quatro simultaneamente, porém não é possível inferir o grau de intensidade dos relacionamentos. Geralmente é a inovação em produto a mais evidente dentro e fora de uma organização, afinal é ela que faz a ponte entre a empresa e o mercado. Porém, não menos importante, temos as inovações em processos, geralmente atreladas à produção ou operações, a de serviços (recentemente introduzida na literatura) e a de estrutura organizacional, quando novas práticas modificam a relação entre as pessoas e o ambiente. Por vezes estas inovações se confundem num só processo. Por exemplo: na indústria automobilística, a busca por materiais mais ecológicos levou à criação de tintas à base de água para a pintura dos veículos. Esta inovação de produto é radical, uma vez que as outras tintas eram à base de solventes. Tal fato está posicionado em produto, mas impactou em mudanças radicais também no processo, pois os robôs que pintam as carrocerias necessitam de ajustes para receber o novo produto. Consequentemente, essa mudança no processo levou à criação de novos serviços especializados, porque os técnicos de manutenção estão diante de novos equipamentos robotizados. Essas modificações geraram uma nova estrutura organizacional, com a introdução de um especialista em produtos à base de água no organograma do departamento de engenharia da pintura. Em relação à inovação em marketing, a empresa pode ofertar o veículo com o apelo ecológico por não causar impactos ao meio ambiente durante sua fabricação. Esta atitude pode influenciar um nicho específico de mercado e ganhar competitividade. Em um ambiente dinâmico, uma inovação, seja em produto, processo, marketing, estrutura ou serviços, causa impacto em diversos graus e formas em toda a cadeia. Inovação em processos Podem ser definidos como novos elementos introduzidos nos serviços ou nas operações das organizações (podendo ser por meio de materiais, tarefas específicas, mecanismos de fluxo da informação e equipamentos usados para produzir ou entregar um produto ou serviço). Têm como objetivo, segundo Utterback (1996) e Adner et al (2001), reduzir custos e/ou aumentar a qualidade, impactando diretamente na produtividade da organização. A inovação em processos assume um papel de destaque no sucesso das organizações. Esses autores concluem que, aliando inovações em processos com produtos, o desempenho da firma é afetado positivamente. Mas, afinal, quais são os fatores motivadores para a inovação dos processos? - Redirecionar a produção: concentrar a atenção na eficiência, flexibilidade e qualidade. Eliminar operações ou processos redundantes, melhorar o fluxo das informações, das operações, e dos processos de apoio à atividade principal (central). 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 28 - Reduzir custos: basicamente, a redução de custo abrange três componentes: materiais, mão de obra e informação. Quanto aos materiais, procura-se diminuir os custos de aquisição, armazenamento e transporte, envolvendo a cadeia de suprimento da empresa. Em relação à mão de obra, busca-se a redução de atividades redundantes ou desnecessárias. Quanto às informações, busca-se reduzir os custos de armazenamento, transmissão de voz e dados, relatórios e outros mecanismos de difusão de informações para a tomada de decisão. - Melhorar a qualidade: reduzir retrabalhos, desperdícios, perdas de tempo e de materiais, aumentar a confiabilidade operacional e de atendimento ao cliente. - Aumentar a receita: seja por meio de redução de custos e, consequentemente, maior venda e produção, ou por meio da redução do ciclo de fabricação ou do aumento da velocidade da inovação em produtos ou serviços. - Melhorar o atendimento ao cliente: saber identificar adequadamente as expectativas dos clientes e de seus grupos, como também ser capaz de fornecer produtosou serviços compatíveis com essas exigências ou expectativas a um preço final adequado ao nível de atendimento. - Aumentar a lucratividade: é uma consequência da redução de custos, do aumento da receita e da melhoria da satisfação dos usuários. Processo Criativo “Todos os seres humanos têm a capacidade de gerar novas ideias, esta é uma capacidade inata que cada pessoa desenvolve consoante as suas predisposições e os estímulos recebidos na infância.” 15 O Pensamento Criador A mente utiliza dois tipos de pensamento, o pensamento convergente, para o qual convergem as ideias do real, e o pensamento divergente, responsável pela criação de novas ideias e soluções para um problema. Enquanto o pensamento convergente é mais ligado ao intelecto, acabando por ser mais abordado e com maior ênfase na vida escolar, o pensamento divergente é aquele que, como defende Gonçalves, é responsável pelo processo da imaginação da criação de soluções para problemas, este une conceitos já conhecidos dando-lhes uma nova abordagem.16 O pensamento divergente também se distingue por não apresentar uma resposta válida, como Lowenfeld afirma, este aceita uma quantidade infinita de soluções, pois não existe o conceito “certo” ou “errado” nos problemas relacionados com o desenho.17 É através do contato com diferentes experiências que se dá o desenvolvimento da atividade criadora, abrindo horizontes que tornam o pensamento divergente mais amplo e completo possível, sujeito a variadas combinações de fatores. Rodari foca na importância da criatividade e da sua fomentação durante a toda a vida, é possível educar o processo criativo utilizando várias ferramentas pois a imaginação é como uma ferramenta de libertação dos estereótipos criados pela sociedade. A criatividade insere-se, portanto, no pensamento divergente. “Não para que todos sejam artistas, mas para que ninguém seja escravo”.18 O Que é a Criatividade, e para que a Utilizamos? Do pensamento divergente faz parte a criatividade, sendo esta a capacidade de imaginar e reunir ideias pré-concebidas dando origem a um ato criador, ou seja, face a um problema é necessário existir um pensamento inovador para encontrar a solução mais adequada. É necessário existir a criação de algo, para a condição da criatividade ser reconhecida. Gonçalves afirma que todos os indivíduos são potencialmente criativos.19 Gordon e Clero, afirmam que a criatividade é como um processo de transmissão de ideias novas, ou seja, só é criativa uma pessoa que cria um conceito novo e inexplorado, e que pode-se considerar todo e qualquer processo de invenção onde se cria algo novo.20 15 OLIVEIRA; Z. M. F. de., Fatores influentes no desenvolvimento do potencial criativo. Universidade Católica de Brasília, Brasília, DF, 2010. 16 GONÇALVES, E.; A arte descobre a criança. Amadora; Raiz Editora, 1991. 17 LOWENFELD, B. The visually handicapped child in school. London, 1974. 18 RODARI, G.; Gramática da fantasia. Lisboa, 1993. 19 GONÇALVES, E.; A arte descobre a criança. Amadora; Raiz Editora, 1991. 20 GORDON, R. & CLERO, C.; A actividade criadora na criança. Lisboa, 1974. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 29 “Considera-se a criatividade como um comportamento produtivo, construtivo, que se manifesta em ações ou realizações.”21 Contudo, o que ambas têm em comum é de só aceitarem como sendo a origem de um ato criador, ou seja, tem sempre de existir um produto final. Robinson defende que é a faculdade do pensamento que nos permite ser livres através da utilização de ideias próprias e, é através da imaginação que somos capazes de transportar para o real coisas que não estão ao alcance dos sentidos, tais como os sentimentos mais profundos.22 O pensamento criativo é obra da mente e está passa por várias etapas até chegar ao resultado final, Wallas (apud Sousa), refere quatro fases do processo, sendo estas a preparação, a incubação a iluminação e a verificação, para Wallas, sem estes processos o pensamento não é capaz de chegar ao resultado final. É então vista como o processo de interrogação interior, de procura de uma solução e finalmente de criação de algo.23 É essencial que o indivíduo seja dotado de um espírito crítico, interrogativo e curioso, para que seja capaz de alcançar o fim desejado. Existe no Homem uma predisposição para criar algo, e esta função está tão presente no desenvolvimento das capacidades como o pensar ou aprender a falar, contudo esta habilidade de criar necessita de ser estimulada. Tipos de Criatividade Taylor, no estudo de Sousa, já referido anteriormente caracterizou cinco tipos de criatividade:24 1) Criatividade Expressiva: o indivíduo expressa as suas emoções e sentimentos sem preocupação com o resultado final do ato criador - são exemplos o desenho livre, as artes dramáticas e a expressão verbal. 2) Criatividade Produtiva: o resultado final tem um enorme relevo tendo maior impacto que a própria expressão - são exemplo a investigação científica. 3) Criatividade Inventiva: como o próprio nome indica, é o aliado da criatividade com a capacidade de projetar e inventar algo novo criando um resultado inesperado e inovador - são exemplos as grandes invenções como a lâmpada, a rádio e a televisão. 4) Criatividade Inovadora: este tipo de criatividade é responsável pela inovação, pelo reinventar algo dando novas perspetivas e conceções a algo que já fora inventado anteriormente. O autor aponta Einstein como um exemplo deste tipo de criatividade. 5) Criatividade Emergente: é um tipo de criatividade intrínseca na vida de um grande artista, só é conseguida em grandes génios dotados de uma extrema facilidade criativa como é o caso de Camões, Mozart e Picasso. Criatividade no Ambiente de Trabalho As organizações têm se interessado pela criatividade mais do que qualquer outro setor da sociedade, segundo Alencar e Fleith25, uma vez que necessitam diversificar produtos, antecipar demandas, recrutar e reter bons empregados e melhorar a qualidade de produtos e serviços, até como questão de sobrevivência no mercado. O ambiente de trabalho influencia a criatividade, podendo desenvolvê-la ou inibi-la. Inovar depende do espírito imaginativo de indivíduos e equipes, da atitude criativa renovada e constante das pessoas e do incentivo dado pelas organizações em estabelecer, conscientemente, um clima criativo que possibilite a inovação. As organizações precisam ver a inovação como um processo estratégico. Também assinalam que, ao mesmo tempo em que o fluxo tecnológico permite resolver grande parte dos problemas existentes e futuros da humanidade e que se consolida um pensamento científico de gestão empresarial, a criatividade e a pró-atividade de sua direção revelam-se como chaves para transformar os fluxos de conhecimentos em soluções válidas para o mercado. 21 LOWENFELD, B. The visually handicapped child in school. London, 1974 22 ROBINSON, K.; O Elemento. Porto: Porto Editora; 2010. 23 SOUSA, A.; A arte de descobrir a criança. Amadora: Raiz Editora; 2003. 24 SOUSA, A.; A arte de descobrir a criança. Amadora: Raiz Editora; 2003. 25 ALENCAR, E. M. L. S., & FLEITH, D. S.; Criatividade - múltiplas perspectivas. Editora da Universidade de Brasília; Brasília, DF, 2003. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 30 Detectar, portanto, que perfis de gerentes são mais proativos e incentivadores da inovação, os mais entusiastas e criativos, é um fator fundamental para efetivar a inovação organizacional. As organizações que têm capacidade inovadora devem gerir os seguintes subprocessos: a gerência de novos conceitos, o desenvolvimento de novos produtos e de novos processos, a gestão do conhecimento e da tecnologia. Os mesmos autores reafirmam a importância da criatividade em todas as organizações, como uma ferramenta de sobrevivência na contemporaneidade, pois para se construiro futuro é imprescindível ser criativo no presente e ser capaz de ver aquilo que ninguém mais vê, ser um visionário e inovador. 26 Cornella e Flores27 acentuam que não há inovação sem pessoas criativas e, mais, que independentemente do setor, do tipo de organização ou de produto, o fator definitivo para que a inovação tenha lugar é a energia da pessoa criativa. É preciso, então, que a organização aproveite essa energia, proporcionando-lhe meios para criar, “atrever-se mais”, encontrar na profissão “um elemento de ruptura”, dar um passo adiante e utilizar o que puder do passado, sem deixar que esse passado escravize suas ideias. Atualmente, é muito importante o trabalho em equipes e, consequentemente, a criatividade grupal. Masi realça que a criatividade pode brotar não como fruto de um só indivíduo, mas de grupos e de coletividades. A criatividade grupal decorre da combinação das personalidades que compõem o grupo e daquilo que as motiva.28 Uma organização criativa precisa ter capacidade de adaptação, autonomia, flexibilidade, respeitar a dignidade e o valor das pessoas, intensificar a atividade de treinamento e aperfeiçoamento de seu pessoal, realizar uma administração orientada para o futuro, saber lidar com a diversidade, incorporar criativamente novos procedimentos, políticas e experiências e valorizar as ideias inovadoras.29 Desafios às Organizações a) Proceder às mudanças que se fazem necessárias em culturas organizacionais há muito sedimentadas, marcadas pela resistência às novas ideias e refratárias às exigências do mundo moderno; b) Conscientizar os indivíduos de sua capacidade pessoal para criar, proporcionando-lhes treinamentos estimuladores da criatividade; c) Promover mudanças em comportamentos que afetam de forma adversa as relações interpessoais e o clima no ambiente de trabalho; d) Construir um ambiente que valorize e cultive a criatividade. Nas organizações existem barreiras à criatividade, que são elas: estruturais, sociais e políticas, processuais, de recursos e individuais.30 Amabile31 acentua que é frequente ver a criatividade ser mais destruída do que estimulada: “Sufocar a criatividade é fácil. Difícil é estimulá-la”. Segundo pesquisa de Bruno-Faria e Alencar32 com 25 funcionários de diferentes organizações, foram apontados como elementos estimuladores ou inibidores à criatividade: - O ambiente físico; - O sistema de comunicação empresarial; - A existência de desafios; - A estrutura organizacional; - O estilo de trabalho e de participação; - Os recursos tecnológicos e materiais; - Os salários e benefícios; - O suporte da chefia, do grupo e da organização; e - O treinamento. Não basta que a pessoa passe por um treinamento ou receba instrução para que desenvolva e expresse o seu potencial criativo, é também necessário construir um ambiente que valorize e cultive a criatividade. Criatividade não é algo que acontece por acaso, ela pode ser deliberadamente desenvolvida, gerenciada, monitorada com vistas a alcançar as metas individuais e da organização. 26 PONTI, F., & FERRAZ, X. Pasión por innovar. Granica; Barcelona, 2006. 27 CORNELLA, A., & FLORES, A.; La alquimia de la innovación. Deusto; Barcelona, 2007. 28 Masi, D.; Criatividade e grupos criativos. Sextante, RJ, 2002. 29 ALENCAR, E. M. L. S. O estímulo à criatividade no contexto universitário. Psicologia Escolar e Educacional, 1997. 30 ALENCAR, E. M. L. S., & FLEITH, D. S.; Criatividade - múltiplas perspectivas. Editora da Universidade de Brasília; Brasília, DF, 2003. 31 AMABILE, T. M. Como não matar a criatividade. HSM Management, 1999. 32 BRUNO-FARIA, M.F. e ALENCAR, E.M.L.S.; Indicadores de clima para a criatividade: um instrumento de medida da percepção de estímulos e barreiras à criatividade no ambiente de trabalho. Revista de Administração, 1998. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 31 Rodrigues afirma que: A criatividade hoje é tida como a nova moeda de mercado, como nova força motriz e, decorrente disso, cresce o prestígio dos profissionais comprometidos com a inovação, o design, a imaginação e as ideias, uma classe que corresponde a 30% da força de trabalho nos Estados Unidos e 10,9% no Brasil.33 A criatividade no contexto do trabalho é uma necessidade organizacional de sobrevivência no mercado e de adaptabilidade ao mundo em mudança constante. Por isso, é imprescindível um clima favorável à criatividade, um ambiente que estimule os empregados a serem criativos, inovadores, participativos e parceiros na busca das metas organizacionais. Ser sensível para ser criativo A criatividade não surge e se estabelece de forma definida e completa, mas sim gradativamente, em cada um de nós. Aumenta na proporção exata da nossa sensibilidade, revela Fayga Ostrower: “como processos intuitivos, os processos de criação interligam-se intimamente com o nosso ser sensível. Mesmo no âmbito conceitual ou intelectual, a criação se articula principalmente através da sensibilidade”. Sensibilidade, nesse caso, é a nossa capacidade de se espantar ou de se maravilhar com as coisas mais simples, de perceber que também a dor ou a angústia são fontes de inspiração, de ver as coisas sem pré-julgamentos, sem pré-conceitos, mas senti-las com todo o nosso ser. Quanto mais formos capazes de envolver os sentimentos do que somos com o mundo à nossa volta e de superarmos nosso egocentrismo, mais conseguiremos olhar o mundo sob as muitas perspectivas da nossa mente. Somos seres em ebulição, em constante movimento interior. Podemos nos mover para trás, para outras variantes de vida ou, com reflexões e amadurecimentos, para frente, tirando todo o proveito possível das lições da nossa realidade. Para Fayga, nessa integração que se dá de potencialidades individuais com possibilidades culturais, a criatividade não seria outra coisa senão a própria sensibilidade. A partir das nossas percepções, a sensibilidade se estabelece em menor ou maior intensidade. E pode aumentar à medida em que tais percepções atendem às necessidades mais íntimas, proporcionando-nos novas posturas diante da realidade que nos rodeia. É preciso olhar o mundo com olhos de criança, dizia o pintor francês Henry Matisse, numa alusão ao olhar ingênuo e ávido de saber que ela mantém sobre todas as coisas. Isso porque somos nós quem fazemos nossas grandes descobertas, sabedoria preconizada por Buda: “a verdade está dentro de nós. Não surge das coisas externas, mesmo que assim o acredites”. Inovação X Invenção Inovar e inventar são verbos constituídos do mesmo princípio que é mudar ou criar novas coisas e paradigmas, mas contudo, não possuem exatamente o mesmo significado trazido pelas palavras sendo que, quem inventar algo “é o primeiro a ter tal ideia” e quem inova é quem “torna novo, aprimora algum produto, ideia ou projeto já criado”. Como invenção temos: 1. Ideia que encontra na prática a solução de um problema; 2. Descoberta de algo novo; 3. Relacionada com produtos e processos ou ser, de fato, um produto ou processo; Como inovação temos: 1. Ato de fazer algo diferente aproveitando produtos e processos já existentes (oportunidades); 2. Introdução de diferenciais / análise crítica da aplicação das invenções; 3. Relaciona-se com aplicação: utilização de ideias inventivas com aplicação em produtos e serviços; Atualmente, com quantidade incontável de tecnologias avançadas e novidades no mercado, nem sempre é uma tarefa fácil criar algo novo, ou seja, inventar, e é por isso que o mais comum é inovar, transformar alguma coisa que já existe algo mais funcional, inserindo diferenciais para tonar a ideia, o produto, ou o conceito algo mais interessante e com maior competitividade no mercado. 33 RODRIGUES, C.; Criatividade é a nova moeda. Jornal Valor Econômico, Caderno especial de fim de semana, 348, 2007. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES32 Questões 01. (Petrobras - Engenheiro(a) de Produção Júnior – CESGRANRIO) No século passado, um cientista de uma empresa conheceu uma experiência de outro cientista, um adesivo reposicionável, e passou a desenvolver tiras de papel cobertas com esse adesivo de baixo tato, culminando com a invenção de um novo conceito de bloco de recados. Esse é um caso típico de inovação (A) básica (B) arquitetural (C) incremental avançada (D) incremental intermediária (E) radical 02. (BNDES - Profissional Básico – CESGRANRIO) Henry Ford introduziu a linha de produção na sua empresa automobilística, substituindo a montagem artesanal em oficinas. Foi uma substancial inovação no processo de produção com consequências importantes sobre o modelo de negócio: a redução de custos permitiu preços menores e modificou o público-alvo, para um mercado de massa. Esse processo todo é considerado uma inovação (A) na cadeia de suprimentos (B) tecnológica (C) incremental (D) sustentada (E) radical 03. (MANAUSPREV - Técnico Previdenciário - FCC) Os autores que trabalham com inovação, desde Peter Drucker, descrevem-na como uma postura/filosofia que as empresas devem incorporar. NÃO pode ser considerada como uma postura para o verdadeiro sentido da inovação nos dias de hoje: (A) Adaptação às tecnologias atuais. (B) Ímpeto de estabelecer os novos empreendimentos à parte das organizações já existentes. (C) Vontade ou Desejo de organizar visando uma iniciativa empreendedora, criando novos negócios e não somente novos produtos. (D) Abandono sistemático do passado. (E) Procura ou Busca sistemática de oportunidades inovadoras nos pontos vulneráveis de uma tecnologia, processo ou mercado, ou ainda, em necessidades e anseios de um mercado. 04. (UNIRIO – Administrador – UNIRIO) No âmbito da Administração Empresarial, inovação é: (A) a relação entre as saídas e entradas do sistema, sendo tal relação mensurada em razões simples tais como toneladas por homem-hora ou produção por operário-dia. (B) o resultado que a organização pretende alcançar em um determinado lapso temporal e numa dada circunscrição espacial. (C) a relação com o ambiente físico e psicológico do trabalho, sendo tal relação mensurada por medidas como satisfação laborativa e índice de rotatividade funcional. (D) o grau de satisfação dos resultados em relação ao conjunto de recursos disponibilizados e aqueles que foram efetivamente utilizados. (E) o grau em que novas ideias são produzidas e ou se readaptam antigos conceitos para que se alcancem os objetivos da organização empresarial. 05. (Petrobras - Engenheiro(a) de Produção Júnior – CESGRANRIO) O trecho abaixo identifica um grupo de inovação tecnológica: [...] Quando existe melhoria no que se faz e/ou aperfeiçoamento do modo como se faz, por acrescentar novos materiais, ou desenhos ou embalagens que tornam mais práticos produtos ou processos já anteriormente existentes, ou ainda acrescentando utilidades diferenciadas ou melhoras evidentes que os tornam mais desejados pelos seus clientes/consumidores e portanto mais competitivos. Manual de Inovação – Movimento Brasil Competitivo, 2008. Trata-se de grupo de inovação tecnológica (A) incremental 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 33 (B) radical (C) semirradical (D) corrente (E) sistemática 06. (Petrobras - Engenheiro de Produção Júnior – CESGRANRIO) A separação do alumínio e do plástico da embalagem do tipo longa vida já foi o grande problema para a reciclagem desse produto. Depois de anos de pesquisa e de investimentos de milhões de reais, uma empresa desenvolveu uma tecnologia inédita no mundo para a reciclagem total desse tipo de embalagem. Esse novo processo de reciclagem da embalagem longa vida é um caso típico de inovação (A) radical (B) arquitetural (C) básica (D) incremental intermediária (E) incremental avançada 07. (TJ/CE - Analista Judiciário – CESPE) A respeito da gestão da inovação, assinale a opção correta. (A) A inovação é impulsionada pela habilidade de estabelecer relações, detectar oportunidades e extrair proveito destas. (B) A realização de mudanças na forma em que os produtos e serviços são criados e entregues ocorre na inovação por posição. (C) Inovação refere-se ao processo estratégico desvinculado do desenvolvimento de produtos, processos e serviços que a organização oferece ao mercado, de forma a obter vantagem competitiva. (D) O reposicionamento da percepção de um produto ou processo já estabelecido consiste em exemplo de inovação de paradigma. (E) A realização de mudanças no contexto em que produtos e serviços são introduzidos refere-se à inovação por produto. 08. (METRÔ/DF – Administrador – IADES) De acordo com os conceitos modernos de administração, a inovação leva as organizações e (ou) a nação a uma situação de (A) aumento de arrecadação. (B) aumento de competitividade. (C) aumento da máquina pública. (D) aumento do custo de vida. (E) diminuição de processos. Gabarito 01.E / 02.E / 03.A / 04.E / 05.A / 06.A / 07.A / 08.B Comentários 01. Resposta: E Esta se trata, sem dúvidas, de uma inovação radical, pois a partir dela que a sociedade pôde conhecer o bloco de recados, popularizado e utilizado deste então. Segundo a definição, temos que a inovação radical corresponde aos casos em que as combinações se afastam, substancialmente, do padrão vigente, causando um impacto muito maior principalmente na esfera socioeconômica, podendo, eventualmente, criar uma nova trajetória que incite a geração de inovações incrementais. 02. Resposta: E Houve uma inovação radical: substituição da montagem artesanal que ocorria nas oficinas. O enunciado da questão cita, ainda, que houve uma “substancial inovação no processo de produção com consequências importantes sobre o modelo de negócio”, o que corresponde ao impacto socioeconômico mencionado na definição deste tipo de inovação. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 34 03. Resposta: A A única assertiva que não trata de uma postura para a inovação é a letra “a”. À medida em que a organização se adapta às tecnologias atuais, ela fica estagnada, só acompanha a tecnologia, mas não inova. 04. Resposta: E A inovação trata-se do grau em que novas ideias são produzidas e/ou se readaptam antigos conceitos para que se alcancem os objetivos da organização empresarial. A inovação se dá pela introdução de novas ideias no sistema organizacional, capazes de manter ativo o processo de atualização, de modernização permanente, sem depender, muitas vezes, das mudanças tecnológicas. A inovação é a capacidade de criar novas situações, melhorar a qualidade do desempenho e buscar incessantemente novas formas de ação. 05. Resposta: A A inovação incremental trata-se de novas combinações que advêm de algo existente e que surgem de forma a complementar o padrão vigente. Esta é a correta, pois a questão traz termos como melhoria ou aperfeiçoamento do modo como já se faz e cita que se refere a processos já existentes. 06. Resposta: A Inovação radical, neste caso. Observe que o enunciado da questão menciona que “Depois de anos de pesquisa e de investimentos de milhões de reais, uma empresa desenvolveu uma tecnologia inédita no mundo para a reciclagem total desse tipo de embalagem”. Assim, vemos uma inovação radical que proporcionará, possivelmente, mudanças incrementais. 07. Resposta: A A inovação é impulsionada pela habilidade de estabelecer relações, detectar oportunidades e extrair proveito destas. Isso implica acumulação constante de conhecimentos e capacitação tecnológica contínua. Nesse contexto, insere-se a aprendizagem organizacional (aprendizado contínuo e interativo), configurando-se como o processo mais importante para o desenvolvimento da inovação, sendo que as relações desenvolvidas são essenciais, sempre atento a detecção de novas oportunidadese seu melhor aproveito. 08. Resposta: B A busca constante pela inovação, por meio da criação e desenvolvimento de novos produtos e processos, diversificação, qualidade e absorção de tecnologias avançadas, é indispensável para assegurar elevados níveis de eficiência, produtividade e competitividade das organizações. ECOSSISTEMAS DE INFORMAÇÃO O cenário atual é caracterizado pela crescente convergência entre espaços físicos e digitais, promovida pelos avanços na computação ubíqua. A manifestação atual mais concreta desse fenômeno é a chamada Internet das Coisas e seus impactos tecnológicos, sociais e econômicos. Informações estão sendo incorporadas em objetos de uso comum em toda parte. Isto muda fundamentalmente a maneira de compreender a Arquitetura da Informação, a forma de lidar com suas questões científicas e, definitivamente, a forma de praticá-la34. A computação ubíqua (em inglês: Ubiquitous Computing ou ubicomp) ou computação pervasiva, é um termo usado para descrever a onipresença da informática no cotidiano das pessoas, idealizada por Weiser (1991), é a base da Internet das Coisas e pode ser entendida como uma tentativa de quebrar o padrão de relacionamento tradicional entre usuários e serviços computacionais, estendendo as interfaces para o ambiente do usuário35. Weiser idealizou um mundo onde a computação permearia o ambiente do ser humano através de microprocessadores minúsculos e de baixo custo; onde ubíquo significa não somente ‘em todo lugar’, mas também ‘em todas as coisas’; onde a interação entre objetos e pessoas acontece naturalmente, de forma fluida, sem que estas percebam o processamento envolvido. A tecnologia deve 34 (LACERDA; LIMA-MARQUES, 2014, p.7) 35 (ABOWD; SCHILIT, 1997) Ecossistemas complexos de informação. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 35 ‘desaparecer’, ou ficar em segundo plano. A essa abordagem Weiser e Brown (1996) denominaram ‘tecnologia calma’. O impacto social dos computadores embutidos pode ser análogo a duas outras tecnologias que se tornaram onipresentes. A primeira é a escrita, que é encontrada em todos os lugares, de etiquetas de roupas a outdoors. A segunda é a eletricidade, que surge de forma invisível através das paredes de cada casa, escritório e carro. Escrita e eletricidade tornaram-se tão lugar-comum, tão banais, que nos esquecemos de seu enorme impacto sobre a vida cotidiana. Assim será com a computação ubíqua36. O futuro tecnológico será caracterizado pela computação, não por computadores, como anteviu Weiser (1991). E suas previsões se concretizam no presente: foco no acesso ubíquo a recursos computacionais pervasivos e muitas vezes imperceptíveis; um contínuo de artefatos processadores de informações em diversas escalas integrando a rede de redes, de forma totalmente incorporada ao cotidiano; sistemas adaptativos auto organizáveis, autoconfiguráveis, robustos e renováveis37. O mundo físico está se tornando um grande ecossistema de informação, fato que adquire proporções inimagináveis com o surgimento da Internet das Coisas. Os objetos tanto podem sentir o ambiente como se comunicar independentemente de intervenções humanas. Tornam-se, portanto, participantes ativos nos processos de negócio, e passam a ser reconhecidos e identificados em ambientes inteligentes, que recuperam dinamicamente informações na Internet, promovendo sua funcionalidade adaptativa e responsiva38. Ecossistemas de Inovação39 O estudo de Gomes et al (2016) indica com relação ao ecossistema de inovação os termos de empreendedorismo, inovação, colaboração, criação, desenvolvimento de produtos e tecnologia. Ecossistemas vêm sendo considerados como redes de relações em que a informação e talento fluem, por meio de sistemas de co-criação de valor sustentado40. Ecossistema de inovação refere-se aos sistemas inter organizacionais, políticos, econômicos, ambientais e tecnológicos da inovação, em que ocorre a catalisação, sustentação e apoio ao crescimento de negócios41. Um ecossistema pode ser descrito como um sistema em rede que contém um conjunto de objetos como os atores que estão ligados uns aos outros. Estes atores apresentam papéis de liderança, de acordo com suas estruturas organizacionais42. Os ecossistemas de inovação se constituem num conjunto de indivíduos, comunidades, organizações, recursos materiais, normas e políticas por meio de universidades, governo, institutos de pesquisa, laboratórios, pequenas e grandes empresas e os mercados financeiros numa determinada região. Estes atores trabalham de modo coletivo a fim de permitir os fluxos de conhecimento, amparando o desenvolvimento tecnológico e gerando inovação para o mercado43. Contexto Evolutivo Embora prestemos pouca atenção, há um caminho evolutivo para os sistemas e as transições econômicos44. Atualmente, estamos acostumados a ver os Estados Unidos na posição global dominante influenciando tecnologia, sistemas corporativos e cultura, mas é evidente que não foi sempre assim. Por volta de 1850, o economista alemão George Friedrich List argumentou que a Alemanha precisava de um “sistema nacional” para o desenvolvimento econômico, afim de recuperar o atraso com relação à Grã-Bretanha. Sem entrar em detalhes, uma das principais contribuições de Friedrich List foi construir uma base de fabricação nacional e proteger “indústrias nascentes estratégicas” da concorrência estrangeira até terem atingido um nível maduro e serem capazes de competir com sucesso internacionalmente. Sua influência entre os países em desenvolvimento tem sido considerável. O Japão seguiu o seu modelo. Também foi argumentado que as políticas pós-Mao de Deng Xiaoping foram inspiradas por List. Em 1899, o economista inglês Alfred Marshall cunhou o termo “aglomeração” e as vantagens para as empresas estarem localizadas na proximidade de outras empresas do mesmo setor. Os argumentos de 36 (WEISER; BROWN, 1996, p.2, tradução nossa) 37 (McCULLOUGH, 2004) 38 (CHUI et al., 2010; WEBER, 2013) 39 http://via.ufsc.br/caracteristicas-dos-ecossistemas-de-inovacao/ 40 (ETZKOWITZ E LEYDESDORFF, 2000). 41 Jishnu, Gilhotra e Mishra (2011) e Russell et al. (2011) 42 Basole e Karla (2011) 43 (WESSNER, 2007) 44 https://innovationmanagement.se/2014/06/20/o-que-sao-ecossistemas-de-inovacao-e-como-construir-e-usa-los/ 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 36 Marshall para a aglomeração foram baseados em inúmeras pequenas empresas e serviços relacionados localizados em torno da produção de talheres em Sheffield, no norte da Inglaterra. Em 1950, o economista sueco Eric Dahmén lançou o termo “blocos de desenvolvimento” como uma receita para o desenvolvimento econômico e a transformação industrial da Suécia. A tese de Dahmén foi muito inspirada por Joseph A. Schumpeter e noções como o papel de empreendedores, capital, destruição criativa e, por outro lado, com foco em determinadas indústrias de desenvolvimento. No final da década de 1980, Christopher Freeman e Bengt Åke Lundvall introduziram o conceito de “sistema nacional de inovação”. Este conceito abraçou não só os atores principais de empresários, empresas e capital, mas também a regulamentação nacional dos mercados de trabalho, mercados de fatores, educação e outras políticas no quadro estrutural para o desenvolvimento econômico. Entre os estudos de caso para os sistemas nacionais de inovação estão o Japão e os países nórdicos. Em 1990, a publicação de Michael Porter “A Vantagem Competitiva das Nações” introduziu o conceito de “clusters” como um veículo para o desenvolvimento econômico de indústrias, regiões e nações. O conceito de cluster de Michael Porter continha muitos dos mesmos elementos dos conceitos de desenvolvimento econômico anteriores mencionados acima, no entanto, alcançou mais reconhecimento e seguidores no mundo do que qualquer outro. Hoje, mais de 100 regiões e/ou países experimentaramou implementaram algum tipo de política de cluster baseado no quadro estrutural de Porter. Em 2010, a Universidade de Stanford lançou a rede internacional de ecossistemas de inovação em cooperação com parceiros selecionados na Finlândia, China e Japão. Ao mesmo tempo, ecossistemas de inovação denotam plataformas de Tecnologia da Informação e Comunicação como iPhone, da Apple, Android, do Google, plataformas de computação em nuvem e software dominadas por empresas como Microsoft, Amazon etc. Entendimento de Ecossistemas de Inovação Quando falamos sobre ecossistemas de inovação, 90% do conceito é uma combinação dos exemplos e conceitos históricos anteriores acima mencionados. Notavelmente, os ecossistemas de inovação são baseados em exemplos bem-sucedidos de aglomeração seja em termos geográficos, econômicos, industriais ou empresariais. Nas palavras de Schumpeter, os ecossistemas de inovação são principalmente sobre as regiões inovadoras bem- sucedidas (Silicon Valley, Bangalore), plataformas de TIC bem-sucedidas (iPhone, Android) ou novas indústrias (computação em nuvem) e empreendedores e investidores de todo o mundo saltam no movimento desses sucessos. Como tal, há relativamente pouca novidade sobre ecossistemas de inovação em comparação com os conceitos anteriores, como blocos de desenvolvimento ou clusters. No entanto, os 10% restantes que parecem ser novidade dos ecossistemas de inovação de hoje a partir de equivalentes anteriores não devem ser subestimados. As principais novidades para os ecossistemas de inovação atuais em comparação com épocas anteriores podem ser encontradas na dimensão de plataforma de sistemas Internet/mobile/TIC e web 2.0. Isto porque, hoje qualquer empreendedor com uma boa ideia pode, independentemente da localização geográfica, lançar um aplicativo de negócios para as plataformas iPhone da Apple ou Android do Google e se tornar um negócio bem-sucedido. Este não era o caso, por exemplo, no tempo de talheres em Sheffield de Alfred Marshall. Para se beneficiar da aglomeração ou ecossistema naquele tempo alguém tinha que estar fisicamente presente naquele lugar e tempo. Apesar de muitos dos ecossistemas de inovação ainda serem baseados em algum tipo de concentração geográfica de empreendedores, investidores, talentos, universidades, a Internet parece finalmente estar tão madura que esses 10% podem muito bem ser o mais estrategicamente importante para qualquer empresa, região ou nação nos próximos anos. Acrescente-se a isso que a revolução das TIC fez a antiga distinção entre bens físicos e serviços mais ou menos obsoleta ou, na melhor das hipóteses, turva. Então, como as empresas devem navegar e posicionar-se vantajosamente no cenário global dos ecossistemas de inovação do século 21? Estratégia Inicial para Posicionamento dentro de Ecossistemas de Inovação Uma forma das empresas (regiões e nações) abordarem quais dos ecossistemas de inovação globais devem trabalhar em rede e considerar importante poderia ser fazendo uma avaliação crítica inicial das dimensões estratégicas essenciais para realizar parcerias ou entrar em ecossistemas de inovação. Algumas dessas dimensões estratégicas para consideração são destacadas a seguir. Liderança e Papel de Parceiro Como o ecossistema é governado? É centralizado e fechado com um ou poucos atores principais dominantes, como por exemplo Apple, Google, Microsoft, ou é um ecossistema mais descentralizado e 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 37 aberto com a liderança dispersa como por exemplo Linux? Controlar os ecossistemas é uma nova fonte de vantagem competitiva e sua própria empresa precisa analisar cuidadosamente como você participa e quais os níveis de controle ou redução de riscos estão disponíveis. Riscos de Aprisionamento de Tecnologia Entrar em apenas um ecossistema ou plataforma pode ser similar ao risco de “apostar apenas em um número na roleta”. Isso é geralmente uma estratégia muito arriscada e poderia ser melhor usar projetos de negócios menores para atingir diferentes ecossistemas e testar seus benefícios desta forma. Riscos do Lado da Oferta Pode haver ganhos superiores de gestão e de custo de transação derivados de lidar com apenas um ou alguns ecossistemas. No entanto, essa dependência pode ser fatal como as empresas japonesas aprenderam quando foram temporariamente negadas do acesso à terra rara da China, maior produtor e ecossistema para terras raras do mundo. Ou como quando o terremoto no Japão resultou na suspensão de 25% da produção mundial de silício, o que poderia ter tido amplas implicações para a indústria global de eletrônicos. Reputação da Marca A terceirização de, por exemplo, produção de alimentos e bens de consumo para “ecossistemas de produção” em mercados emergentes deve ser considerado mais um exemplo de risco tendo em vista a qualidade e responsabilidade social dentro de toda a cadeia de fornecimento do ecossistema. Os escândalos com leite contaminado da Sanlu e Chongqing na China ou o caso de trabalho infantil da Nike são exemplos que mostram como as comunidades online como Facebook e Youtube pode danificar rápida e facilmente as marcas e reputações até mesmo das empresas líderes globais. Reputação é sem dúvida uma das dimensões mais subestimadas quando as empresas analisam com qual ecossistema se envolver. Prós e Contras de Ecossistemas Prioritários ou Secundários Quais seriam as vantagens de ir para parceiros não-óbvios fora da corrente principal do que é a norma na indústria? Por exemplo, a maioria das empresas de TIC consideram Vale do Silício ou Bangalore, mas poucas consideram entrar em Tomsk ou Novosibirsk, na Sibéria russa. No entanto, ambas as cidades russas têm alto nível de talento e instituições de ensino em matemática, física e programação, e a preços mais baixos do que, por exemplo, Bangalore. Deutsche Bank fez tal mudança de Bangalore a Tomsk alguns anos atrás. E Cingapura e Japão estabeleceram acordo de cooperação formal com Tomsk. Em mercados em rápida mudança, secundários podem rapidamente se tornar prioritário e a empresa individual tem uma posição de barganha mais forte frente aos parceiros em um ecossistema secundário do que prioritário. Em conclusão, para entender os ecossistemas de inovação de hoje, pode ser útil vê-los como aglomerações de atividade industrial de sucesso que compartilham muitas das semelhanças de tais configurações econômicas anteriores. Além disso, o fascínio de uma parceria com os ecossistemas mais bem-sucedidos e óbvios deve ser considerado cuidadosamente com, pelo menos, alguns testes robustos de opções, tais como diversificação em um número maior de ecossistemas e assim evitar armadilhas e riscos destacados sob dimensões estratégicas neste artigo. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVESda Educação e no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, nos termos da Lei no 8.958, de 20 de dezembro de 1994, e das demais legislações pertinentes nas esferas estadual, distrital e municipal; (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) VIII - pesquisador público: ocupante de cargo público efetivo, civil ou militar, ou detentor de função ou emprego público que realize, como atribuição funcional, atividade de pesquisa, desenvolvimento e inovação; (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) IX - inventor independente: pessoa física, não ocupante de cargo efetivo, cargo militar ou emprego público, que seja inventor, obtentor ou autor de criação. X - parque tecnológico: complexo planejado de desenvolvimento empresarial e tecnológico, promotor da cultura de inovação, da competitividade industrial, da capacitação empresarial e da promoção de sinergias em atividades de pesquisa científica, de desenvolvimento tecnológico e de inovação, entre empresas e uma ou mais ICTs, com ou sem vínculo entre si; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) XI - polo tecnológico: ambiente industrial e tecnológico caracterizado pela presença dominante de micro, pequenas e médias empresas com áreas correlatas de atuação em determinado espaço geográfico, com vínculos operacionais com ICT, recursos humanos, laboratórios e equipamentos organizados e com predisposição ao intercâmbio entre os entes envolvidos para consolidação, marketing e comercialização de novas tecnologias; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) XII - extensão tecnológica: atividade que auxilia no desenvolvimento, no aperfeiçoamento e na difusão de soluções tecnológicas e na sua disponibilização à sociedade e ao mercado; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) XIII - bônus tecnológico: subvenção a microempresas e a empresas de pequeno e médio porte, com base em dotações orçamentárias de órgãos e entidades da administração pública, destinada ao pagamento de compartilhamento e uso de infraestrutura de pesquisa e desenvolvimento tecnológicos, de contratação de serviços tecnológicos especializados, ou transferência de tecnologia, quando esta for meramente complementar àqueles serviços, nos termos de regulamento; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) XIV - capital intelectual: conhecimento acumulado pelo pessoal da organização, passível de aplicação em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) CAPÍTULO II DO ESTÍMULO À CONSTRUÇÃO DE AMBIENTES ESPECIALIZADOS E COOPERATIVOS DE INOVAÇÃO Art. 3o A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e as respectivas agências de fomento poderão estimular e apoiar a constituição de alianças estratégicas e o desenvolvimento de projetos de 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 3 cooperação envolvendo empresas, ICTs e entidades privadas sem fins lucrativos voltados para atividades de pesquisa e desenvolvimento, que objetivem a geração de produtos, processos e serviços inovadores e a transferência e a difusão de tecnologia. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) Parágrafo único. O apoio previsto no caput poderá contemplar as redes e os projetos internacionais de pesquisa tecnológica, as ações de empreendedorismo tecnológico e de criação de ambientes de inovação, inclusive incubadoras e parques tecnológicos, e a formação e a capacitação de recursos humanos qualificados. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 3o-A. A Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP, como secretaria executiva do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - FNDCT, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq e as Agências Financeiras Oficiais de Fomento poderão celebrar convênios e contratos, nos termos do inciso XIII do art. 24 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, por prazo determinado, com as fundações de apoio, com a finalidade de dar apoio às IFES e demais ICTs, inclusive na gestão administrativa e financeira dos projetos mencionados no caput do art. 1o da Lei no 8.958, de 20 de dezembro de 1994, com a anuência expressa das instituições apoiadas. (Redação dada pela Lei nº 12.349, de 2010) Art. 3o-B. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios, as respectivas agências de fomento e as ICTs poderão apoiar a criação, a implantação e a consolidação de ambientes promotores da inovação, incluídos parques e polos tecnológicos e incubadoras de empresas, como forma de incentivar o desenvolvimento tecnológico, o aumento da competitividade e a interação entre as empresas e as ICTs. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 1o As incubadoras de empresas, os parques e polos tecnológicos e os demais ambientes promotores da inovação estabelecerão suas regras para fomento, concepção e desenvolvimento de projetos em parceria e para seleção de empresas para ingresso nesses ambientes. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 2o Para os fins previstos no caput, a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios, as respectivas agências de fomento e as ICTs públicas poderão: (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) I - ceder o uso de imóveis para a instalação e a consolidação de ambientes promotores da inovação, diretamente às empresas e às ICTs interessadas ou por meio de entidade com ou sem fins lucrativos que tenha por missão institucional a gestão de parques e polos tecnológicos e de incubadora de empresas, mediante contrapartida obrigatória, financeira ou não financeira, na forma de regulamento; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) II - participar da criação e da governança das entidades gestoras de parques tecnológicos ou de incubadoras de empresas, desde que adotem mecanismos que assegurem a segregação das funções de financiamento e de execução. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 3o-C. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios estimularão a atração de centros de pesquisa e desenvolvimento de empresas estrangeiras, promovendo sua interação com ICTs e empresas brasileiras e oferecendo-lhes o acesso aos instrumentos de fomento, visando ao adensamento do processo de inovação no País. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 3o-D. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e as respectivas agências de fomento manterão programas específicos para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, observando-se o disposto na Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 4o A ICT pública poderá, mediante contrapartida financeira ou não financeira e por prazo determinado, nos termos de contrato ou convênio: (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) I - compartilhar seus laboratórios, equipamentos, instrumentos, materiais e demais instalações com ICT ou empresas em ações voltadas à inovação tecnológica para consecução das atividades de incubação, sem prejuízo de sua atividade finalística; (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) II - permitir a utilização de seus laboratórios, equipamentos, instrumentos, materiais e demais instalações existentes em suas próprias dependências por ICT, empresas ou pessoas físicas voltadas a atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, desde que tal permissão não interfira diretamente em sua atividade-fim nem com ela conflite; (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) III - permitir o uso de seu capital intelectual em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 4 Parágrafo único. O compartilhamento e a permissão de que tratam os incisos I e II do caput obedecerão às prioridades, aos critérios e aos requisitos aprovados e divulgados pela ICT pública, observadas as respectivas disponibilidades e assegurada a igualdade de oportunidades a empresas e demais organizações interessadas. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 5o São a União e os demaisentes federativos e suas entidades autorizados, nos termos de regulamento, a participar minoritariamente do capital social de empresas, com o propósito de desenvolver produtos ou processos inovadores que estejam de acordo com as diretrizes e prioridades definidas nas políticas de ciência, tecnologia, inovação e de desenvolvimento industrial de cada esfera de governo. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) § 1o A propriedade intelectual sobre os resultados obtidos pertencerá à empresa, na forma da legislação vigente e de seus atos constitutivos. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 2o O poder público poderá condicionar a participação societária via aporte de capital à previsão de licenciamento da propriedade intelectual para atender ao interesse público. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 3o A alienação dos ativos da participação societária referida no caput dispensa realização de licitação, conforme legislação vigente. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 4o Os recursos recebidos em decorrência da alienação da participação societária referida no caput deverão ser aplicados em pesquisa e desenvolvimento ou em novas participações societárias. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 5o Nas empresas a que se refere o caput, o estatuto ou contrato social poderá conferir às ações ou quotas detidas pela União ou por suas entidades poderes especiais, inclusive de veto às deliberações dos demais sócios nas matérias que especificar. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 6o A participação minoritária de que trata o caput dar-se-á por meio de contribuição financeira ou não financeira, desde que economicamente mensurável, e poderá ser aceita como forma de remuneração pela transferência de tecnologia e pelo licenciamento para outorga de direito de uso ou de exploração de criação de titularidade da União e de suas entidades. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) CAPÍTULO III DO ESTÍMULO À PARTICIPAÇÃO DAS ICT NO PROCESSO DE INOVAÇÃO Art. 6o É facultado à ICT pública celebrar contrato de transferência de tecnologia e de licenciamento para outorga de direito de uso ou de exploração de criação por ela desenvolvida isoladamente ou por meio de parceria. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) § 1o A contratação com cláusula de exclusividade, para os fins de que trata o caput, deve ser precedida da publicação de extrato da oferta tecnológica em sítio eletrônico oficial da ICT, na forma estabelecida em sua política de inovação. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) § 1o-A. Nos casos de desenvolvimento conjunto com empresa, essa poderá ser contratada com cláusula de exclusividade, dispensada a oferta pública, devendo ser estabelecida em convênio ou contrato a forma de remuneração. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 2o Quando não for concedida exclusividade ao receptor de tecnologia ou ao licenciado, os contratos previstos no caput deste artigo poderão ser firmados diretamente, para fins de exploração de criação que deles seja objeto, na forma do regulamento. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 3o A empresa detentora do direito exclusivo de exploração de criação protegida perderá automaticamente esse direito caso não comercialize a criação dentro do prazo e condições definidos no contrato, podendo a ICT proceder a novo licenciamento. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 4o O licenciamento para exploração de criação cujo objeto interesse à defesa nacional deve observar o disposto no § 3o do art. 75 da Lei no 9.279, de 14 de maio de 1996. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 5o A transferência de tecnologia e o licenciamento para exploração de criação reconhecida, em ato do Poder Executivo, como de relevante interesse público, somente poderão ser efetuados a título não exclusivo. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 6o Celebrado o contrato de que trata o caput, dirigentes, criadores ou quaisquer outros servidores, empregados ou prestadores de serviços são obrigados a repassar os conhecimentos e informações necessários à sua efetivação, sob pena de responsabilização administrativa, civil e penal, respeitado o disposto no art. 12. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 7o A remuneração de ICT privada pela transferência de tecnologia e pelo licenciamento para uso ou exploração de criação de que trata o § 6o do art. 5o, bem como a oriunda de pesquisa, desenvolvimento 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 5 e inovação, não representa impeditivo para sua classificação como entidade sem fins lucrativos. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 7o A ICT poderá obter o direito de uso ou de exploração de criação protegida. Art. 8o É facultado à ICT prestar a instituições públicas ou privadas serviços técnicos especializados compatíveis com os objetivos desta Lei, nas atividades voltadas à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, visando, entre outros objetivos, à maior competitividade das empresas. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) § 1o A prestação de serviços prevista no caput dependerá de aprovação pelo representante legal máximo da instituição, facultada a delegação a mais de uma autoridade, e vedada a subdelegação. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) § 2o O servidor, o militar ou o empregado público envolvido na prestação de serviço prevista no caput deste artigo poderá receber retribuição pecuniária, diretamente da ICT ou de instituição de apoio com que esta tenha firmado acordo, sempre sob a forma de adicional variável e desde que custeado exclusivamente com recursos arrecadados no âmbito da atividade contratada. § 3o O valor do adicional variável de que trata o § 2o deste artigo fica sujeito à incidência dos tributos e contribuições aplicáveis à espécie, vedada a incorporação aos vencimentos, à remuneração ou aos proventos, bem como a referência como base de cálculo para qualquer benefício, adicional ou vantagem coletiva ou pessoal. § 4o O adicional variável de que trata este artigo configura-se, para os fins do art. 28 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, ganho eventual. Art. 9o É facultado à ICT celebrar acordos de parceria com instituições públicas e privadas para realização de atividades conjuntas de pesquisa científica e tecnológica e de desenvolvimento de tecnologia, produto, serviço ou processo. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) § 1o O servidor, o militar, o empregado da ICT pública e o aluno de curso técnico, de graduação ou de pós-graduação envolvidos na execução das atividades previstas no caput poderão receber bolsa de estímulo à inovação diretamente da ICT a que estejam vinculados, de fundação de apoio ou de agência de fomento. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) § 2o As partes deverão prever, em instrumento jurídico específico, a titularidade da propriedade intelectual e a participação nos resultados da exploração das criações resultantes da parceria, assegurando aos signatários o direito à exploração, ao licenciamento e à transferência de tecnologia, observado o disposto nos §§ 4o a 7o do art. 6o. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) § 3o A propriedade intelectual e a participação nos resultados referidas no § 2o serão asseguradas às partes contratantes, nos termos do contrato, podendo a ICT ceder ao parceiro privado a totalidade dos direitos de propriedade intelectual mediante compensação financeira ou não financeira, desde que economicamente mensurável. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) § 4o A bolsa concedida nos termos deste artigo caracteriza-se como doação, não configura vínculo empregatício, não caracteriza contraprestação de serviços nem vantagem para o doador, para efeitos do disposto no art. 26 da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, aplicando-se o disposto neste parágrafo a fato pretérito, como previsto no inciso I do art. 106 da Lei no 5.172, de 25 deoutubro de 1966. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 9o-A. Os órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios são autorizados a conceder recursos para a execução de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação às ICTs ou diretamente aos pesquisadores a elas vinculados, por termo de outorga, convênio, contrato ou instrumento jurídico assemelhado. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 1o A concessão de apoio financeiro depende de aprovação de plano de trabalho. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 2o A celebração e a prestação de contas dos instrumentos aos quais se refere o caput serão feitas de forma simplificada e compatível com as características das atividades de ciência, tecnologia e inovação, nos termos de regulamento. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 3o A vigência dos instrumentos jurídicos aos quais se refere o caput deverá ser suficiente à plena realização do objeto, admitida a prorrogação, desde que justificada tecnicamente e refletida em ajuste do plano de trabalho. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 4o Do valor total aprovado e liberado para os projetos referidos no caput, poderá ocorrer transposição, remanejamento ou transferência de recursos de categoria de programação para outra, de acordo com regulamento. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 6 § 5o A transferência de recursos da União para ICT estadual, distrital ou municipal em projetos de ciência, tecnologia e inovação não poderá sofrer restrições por conta de inadimplência de quaisquer outros órgãos ou instâncias que não a própria ICT. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 10. Os acordos e contratos firmados entre as ICT, as instituições de apoio, agências de fomento e as entidades nacionais de direito privado sem fins lucrativos voltadas para atividades de pesquisa, cujo objeto seja compatível com a finalidade desta Lei, poderão prever recursos para cobertura de despesas operacionais e administrativas incorridas na execução destes acordos e contratos, observados os critérios do regulamento. Art. 11. Nos casos e condições definidos em normas da ICT e nos termos da legislação pertinente, a ICT poderá ceder seus direitos sobre a criação, mediante manifestação expressa e motivada e a título não oneroso, ao criador, para que os exerça em seu próprio nome e sob sua inteira responsabilidade, ou a terceiro, mediante remuneração. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) Parágrafo único. A manifestação prevista no caput deste artigo deverá ser proferida pelo órgão ou autoridade máxima da instituição, ouvido o núcleo de inovação tecnológica, no prazo fixado em regulamento. Art. 12. É vedado a dirigente, ao criador ou a qualquer servidor, militar, empregado ou prestador de serviços de ICT divulgar, noticiar ou publicar qualquer aspecto de criações de cujo desenvolvimento tenha participado diretamente ou tomado conhecimento por força de suas atividades, sem antes obter expressa autorização da ICT. Art. 13. É assegurada ao criador participação mínima de 5% (cinco por cento) e máxima de 1/3 (um terço) nos ganhos econômicos, auferidos pela ICT, resultantes de contratos de transferência de tecnologia e de licenciamento para outorga de direito de uso ou de exploração de criação protegida da qual tenha sido o inventor, obtentor ou autor, aplicando-se, no que couber, o disposto no parágrafo único do art. 93 da Lei no 9.279, de 1996. § 1o A participação de que trata o caput deste artigo poderá ser partilhada pela ICT entre os membros da equipe de pesquisa e desenvolvimento tecnológico que tenham contribuído para a criação. § 2o Entende-se por ganho econômico toda forma de royalty ou de remuneração ou quaisquer benefícios financeiros resultantes da exploração direta ou por terceiros da criação protegida, devendo ser deduzidos: (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) I - na exploração direta e por terceiros, as despesas, os encargos e as obrigações legais decorrentes da proteção da propriedade intelectual; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) II - na exploração direta, os custos de produção da ICT. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 3o A participação prevista no caput deste artigo obedecerá ao disposto nos §§ 3o e 4o do art. 8o. § 4o A participação referida no caput deste artigo será paga pela ICT em prazo não superior a 1 (um) ano após a realização da receita que lhe servir de base. § 4o A participação referida no caput deste artigo deverá ocorrer em prazo não superior a 1 (um) ano após a realização da receita que lhe servir de base, contado a partir da regulamentação pela autoridade interna competente. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 14. Para a execução do disposto nesta Lei, ao pesquisador público é facultado o afastamento para prestar colaboração a outra ICT, nos termos do inciso II do art. 93 da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990, observada a conveniência da ICT de origem. § 1o As atividades desenvolvidas pelo pesquisador público, na instituição de destino, devem ser compatíveis com a natureza do cargo efetivo, cargo militar ou emprego público por ele exercido na instituição de origem, na forma do regulamento. § 2o Durante o período de afastamento de que trata o caput deste artigo, são assegurados ao pesquisador público o vencimento do cargo efetivo, o soldo do cargo militar ou o salário do emprego público da instituição de origem, acrescido das vantagens pecuniárias permanentes estabelecidas em lei, bem como progressão funcional e os benefícios do plano de seguridade social ao qual estiver vinculado. § 3o As gratificações específicas do pesquisador público em regime de dedicação exclusiva, inclusive aquele enquadrado em plano de carreiras e cargos de magistério, serão garantidas, na forma do § 2o deste artigo, quando houver o completo afastamento de ICT pública para outra ICT, desde que seja de conveniência da ICT de origem. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) § 4o No caso de pesquisador público em instituição militar, seu afastamento estará condicionado à autorização do Comandante da Força à qual se subordine a instituição militar a que estiver vinculado. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 7 Art. 14-A. O pesquisador público em regime de dedicação exclusiva, inclusive aquele enquadrado em plano de carreiras e cargos de magistério, poderá exercer atividade remunerada de pesquisa, desenvolvimento e inovação em ICT ou em empresa e participar da execução de projeto aprovado ou custeado com recursos previstos nesta Lei, desde que observada a conveniência do órgão de origem e assegurada a continuidade de suas atividades de ensino ou pesquisa nesse órgão, a depender de sua respectiva natureza. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 15. A critério da administração pública, na forma do regulamento, poderá ser concedida ao pesquisador público, desde que não esteja em estágio probatório, licença sem remuneração para constituir empresa com a finalidade de desenvolver atividade empresarial relativa à inovação. § 1o A licença a que se refere o caput deste artigo dar-se-á pelo prazo de até 3 (três) anos consecutivos, renovável por igual período. § 2o Não se aplica ao pesquisador público que tenha constituído empresa na forma deste artigo, durante o período de vigência da licença, o disposto no inciso X do art. 117 da Lei no 8.112, de 1990. § 3o Caso a ausência do servidor licenciado acarrete prejuízo às atividades da ICT integrante da administração direta ou constituída na forma de autarquia ou fundação, poderá ser efetuada contratação temporária nos termos da Lei no 8.745, de 9 de dezembro de 1993, independentemente de autorização específica. Art. 15-A. A ICT de direito público deverá instituir sua política de inovação, dispondo sobre a organização e a gestão dos processos que orientam a transferênciados recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - FNDCT. § 5o Os recursos de que trata o § 4o deste artigo serão objeto de programação orçamentária em categoria específica do FNDCT, não sendo obrigatória sua aplicação na destinação setorial originária, sem prejuízo da alocação de outros recursos do FNDCT destinados à subvenção econômica. § 6o As iniciativas de que trata este artigo poderão ser estendidas a ações visando a: (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) I - apoio financeiro, econômico e fiscal direto a empresas para as atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) II - constituição de parcerias estratégicas e desenvolvimento de projetos de cooperação entre ICT e empresas e entre empresas, em atividades de pesquisa e desenvolvimento, que tenham por objetivo a geração de produtos, serviços e processos inovadores; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) III - criação, implantação e consolidação de incubadoras de empresas, de parques e polos tecnológicos e de demais ambientes promotores da inovação; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) IV - implantação de redes cooperativas para inovação tecnológica; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) V - adoção de mecanismos para atração, criação e consolidação de centros de pesquisa e desenvolvimento de empresas brasileiras e estrangeiras; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) VI - utilização do mercado de capitais e de crédito em ações de inovação; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) VII - cooperação internacional para inovação e para transferência de tecnologia; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) VIII - internacionalização de empresas brasileiras por meio de inovação tecnológica; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) IX - indução de inovação por meio de compras públicas; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) X - utilização de compensação comercial, industrial e tecnológica em contratações públicas; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) XI - previsão de cláusulas de investimento em pesquisa e desenvolvimento em concessões públicas e em regimes especiais de incentivos econômicos; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) XII - implantação de solução de inovação para apoio e incentivo a atividades tecnológicas ou de inovação em microempresas e em empresas de pequeno porte. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 7o A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão utilizar mais de um instrumento de estímulo à inovação a fim de conferir efetividade aos programas de inovação em empresas. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 8o Os recursos destinados à subvenção econômica serão aplicados no financiamento de atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação em empresas, admitida sua destinação para despesas de capital e correntes, desde que voltadas preponderantemente à atividade financiada. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 20. Os órgãos e entidades da administração pública, em matéria de interesse público, poderão contratar diretamente ICT, entidades de direito privado sem fins lucrativos ou empresas, isoladamente ou em consórcios, voltadas para atividades de pesquisa e de reconhecida capacitação tecnológica no setor, visando à realização de atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação que envolvam risco tecnológico, para solução de problema técnico específico ou obtenção de produto, serviço ou processo inovador. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 10 § 1o Considerar-se-á desenvolvida na vigência do contrato a que se refere o caput deste artigo a criação intelectual pertinente ao seu objeto cuja proteção seja requerida pela empresa contratada até 2 (dois) anos após o seu término. § 2o Findo o contrato sem alcance integral ou com alcance parcial do resultado almejado, o órgão ou entidade contratante, a seu exclusivo critério, poderá, mediante auditoria técnica e financeira, prorrogar seu prazo de duração ou elaborar relatório final dando-o por encerrado. § 3o O pagamento decorrente da contratação prevista no caput será efetuado proporcionalmente aos trabalhos executados no projeto, consoante o cronograma físico-financeiro aprovado, com a possibilidade de adoção de remunerações adicionais associadas ao alcance de metas de desempenho no projeto. (Redação pela Lei nº 13.243, de 2016) § 4o O fornecimento, em escala ou não, do produto ou processo inovador resultante das atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação encomendadas na forma do caput poderá ser contratado mediante dispensa de licitação, inclusive com o próprio desenvolvedor da encomenda, observado o disposto em regulamento específico. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 5o Para os fins do caput e do § 4o, a administração pública poderá, mediante justificativa expressa, contratar concomitantemente mais de uma ICT, entidade de direito privado sem fins lucrativos ou empresa com o objetivo de: (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) I - desenvolver alternativas para solução de problema técnico específico ou obtenção de produto ou processo inovador; ou (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) II - executar partes de um mesmo objeto. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 6o Observadas as diretrizes previstas em regulamento específico, os órgãos e as entidades da administração pública federal competentes para regulação, revisão, aprovação, autorização ou licenciamento atribuído ao poder público, inclusive para fins de vigilância sanitária, preservação ambiental, importação de bens e segurança, estabelecerão normas e procedimentos especiais, simplificados e prioritários que facilitem: (Incluído pela Lei nº 13.322, de 2016) I - a realização das atividades de pesquisa, desenvolvimento ou inovação encomendadas na forma do caput; (Incluído pela Lei nº 13.322, de 2016) II - a obtenção dos produtos para pesquisa e desenvolvimento necessários à realização das atividades descritas no inciso I deste parágrafo; e (Incluído pela Lei nº 13.322, de 2016) III - a fabricação, a produção e a contratação de produto, serviço ou processo inovador resultante das atividades descritas no inciso I deste parágrafo. (Incluído pela Lei nº 13.322, de 2016) Art. 20-A. (VETADO): (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) I - (VETADO); (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) II - (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 1o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 2o Aplicam-se ao procedimento de contratação as regras próprias do ente ou entidade da administração pública contratante. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 3o Outras hipóteses de contratação de prestação de serviços ou fornecimento de bens elaborados com aplicação sistemática de conhecimentos científicos e tecnológicos poderão ser previstas em regulamento. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) § 4o Nas contratações de que trata este artigo, deverá ser observado o disposto no inciso IV do art. 27. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 21. As agências de fomento deverão promover, por meio de programas específicos, ações de estímulo à inovação nas micro e pequenas empresas, inclusive mediante extensão tecnológica realizada pelas ICT. Art. 21-A. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios, os órgãos e as agências de fomento, as ICTs públicas e as fundações de apoio concederão bolsas de estímulo à inovação no ambiente produtivo, destinadas à formação e à capacitação de recursos humanos e à agregação de especialistas, em ICTs e em empresas, que contribuam para a execução de projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação e para as atividades de extensão tecnológica, de proteção da propriedade intelectual e de transferência de tecnologia. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) 1715895 E-book gerado especialmente paraHELEN CHILOFF GONCALVES 11 CAPÍTULO V DO ESTÍMULO AO INVENTOR INDEPENDENTE Art. 22. Ao inventor independente que comprove depósito de pedido de patente é facultado solicitar a adoção de sua criação por ICT pública, que decidirá quanto à conveniência e à oportunidade da solicitação e à elaboração de projeto voltado à avaliação da criação para futuro desenvolvimento, incubação, utilização, industrialização e inserção no mercado. (Redação dada pela Lei nº 13.243, de 2016) § 1o O núcleo de inovação tecnológica da ICT avaliará a invenção, a sua afinidade com a respectiva área de atuação e o interesse no seu desenvolvimento. § 2o O núcleo informará ao inventor independente, no prazo máximo de 6 (seis) meses, a decisão quanto à adoção a que se refere o caput deste artigo. § 3o O inventor independente, mediante instrumento jurídico específico, deverá comprometer-se a compartilhar os eventuais ganhos econômicos auferidos com a exploração da invenção protegida adotada por ICT pública. (Redação dada pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 22-A. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios, as agências de fomento e as ICTs públicas poderão apoiar o inventor independente que comprovar o depósito de patente de sua criação, entre outras formas, por meio de: (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) I - análise da viabilidade técnica e econômica do objeto de sua invenção; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) II - assistência para transformação da invenção em produto ou processo com os mecanismos financeiros e creditícios dispostos na legislação; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) III - assistência para constituição de empresa que produza o bem objeto da invenção; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) IV - orientação para transferência de tecnologia para empresas já constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) CAPÍTULO VI DOS FUNDOS DE INVESTIMENTO Art. 23. Fica autorizada a instituição de fundos mútuos de investimento em empresas cuja atividade principal seja a inovação, caracterizados pela comunhão de recursos captados por meio do sistema de distribuição de valores mobiliários, na forma da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, destinados à aplicação em carteira diversificada de valores mobiliários de emissão dessas empresas. Parágrafo único. A Comissão de Valores Mobiliários editará normas complementares sobre a constituição, o funcionamento e a administração dos fundos, no prazo de 90 (noventa) dias da data de publicação desta Lei. CAPÍTULO VII DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 24. A Lei no 8.745, de 9 de dezembro de 1993, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 2o ...................................................... ................................................................... VII - admissão de professor, pesquisador e tecnólogo substitutos para suprir a falta de professor, pesquisador ou tecnólogo ocupante de cargo efetivo, decorrente de licença para exercer atividade empresarial relativa à inovação. ..................................................................." (NR) "Art. 4o ...................................................... ................................................................... IV - 3 (três) anos, nos casos dos incisos VI, alínea 'h', e VII do art. 2o; 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 12 ................................................................... Parágrafo único. ........................................ ................................................................... V - no caso do inciso VII do art. 2o, desde que o prazo total não exceda 6 (seis) anos." (NR) Art. 25. O art. 24 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, passa a vigorar acrescido do seguinte inciso: "Art. 24. ..................................................... ................................................................... XXV - na contratação realizada por Instituição Científica e Tecnológica - ICT ou por agência de fomento para a transferência de tecnologia e para o licenciamento de direito de uso ou de exploração de criação protegida. ..................................................................." (NR) Art. 26. As ICT que contemplem o ensino entre suas atividades principais deverão associar, obrigatoriamente, a aplicação do disposto nesta Lei a ações de formação de recursos humanos sob sua responsabilidade. Art. 26-A. As medidas de incentivo previstas nesta Lei, no que for cabível, aplicam-se às ICTs públicas que também exerçam atividades de produção e oferta de bens e serviços. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 27. Na aplicação do disposto nesta Lei, serão observadas as seguintes diretrizes: I - priorizar, nas regiões menos desenvolvidas do País e na Amazônia, ações que visem a dotar a pesquisa e o sistema produtivo regional de maiores recursos humanos e capacitação tecnológica; II - atender a programas e projetos de estímulo à inovação na indústria de defesa nacional e que ampliem a exploração e o desenvolvimento da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) e da Plataforma Continental; III - assegurar tratamento diferenciado, favorecido e simplificado às microempresas e às empresas de pequeno porte; (Redação dada pela Lei nº 13.243, de 2016) IV - dar tratamento preferencial, diferenciado e favorecido, na aquisição de bens e serviços pelo poder público e pelas fundações de apoio para a execução de projetos de desenvolvimento institucional da instituição apoiada, nos termos da Lei no 8.958, de 20 de dezembro de 1994, às empresas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no País e às microempresas e empresas de pequeno porte de base tecnológica, criadas no ambiente das atividades de pesquisa das ICTs. (Redação dada pela Lei nº 12.349, de 2010) V - promover a simplificação dos procedimentos para gestão dos projetos de ciência, tecnologia e inovação e do controle por resultados em sua avaliação; (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) VI - promover o desenvolvimento e a difusão de tecnologias sociais e o fortalecimento da extensão tecnológica para a inclusão produtiva e social. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 27-A. Os procedimentos de prestação de contas dos recursos repassados com base nesta Lei deverão seguir formas simplificadas e uniformizadas e, de forma a garantir a governança e a transparência das informações, ser realizados anualmente, preferencialmente, mediante envio eletrônico de informações, nos termos de regulamento. (Incluído pela Lei nº 13.243, de 2016) Art. 28. A União fomentará a inovação na empresa mediante a concessão de incentivos fiscais com vistas na consecução dos objetivos estabelecidos nesta Lei. Parágrafo único. O Poder Executivo encaminhará ao Congresso Nacional, em até 120 (cento e vinte) dias, contados da publicação desta Lei, projeto de lei para atender o previsto no caput deste artigo. Art. 29. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 13 Brasília, 2 de dezembro de 2004; 183o da Independência e 116o da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Antônio Palocci Filho Luiz Fernando Furlan Eduardo Campos José Dirceu de Oliveira e Silva Este texto não substitui o publicado no DOU de 3.12.2004 e retificado em 16.5.2005* Questões 01. (BRB - Analista de Tecnologia da Informação - IADES). A Lei n° 10.973/2004, com redação dada pela Lei n° 13.243/2016, estabeleceu, no art. 16, que a Instituição Científica e Tecnológica (ICT) pública deverá dispor de Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) próprio ou em associação com outras ICT. Qual é a principal finalidade desses NIT? (A) Promover a colocação de egressos da pós-graduação da ICT no mercado de trabalho. (B) Promover a seleção de alunos de mestrado e doutorado para a política de inovação da ICT. (C) Comercializar os produtos resultantesde atividades de inovação das quais a ICT participe. (D) Apoiar a gestão da política de inovação da ICT pública. (E) Coordenar e acompanhar as atividades de alunos de pós-graduação da ICT em programas de cooperação internacional. 02. (BRB - Escriturário - IADES). A Lei nº 10.973/2004, com redação dada pela Lei nº 13.243/2016, estabeleceu, no art. 16, que a Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) pública deverá dispor de Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) próprio, ou em associação com outras ICT. A principal finalidade desses NIT é (A) coordenar e acompanhar as atividades de alunos de pós-graduação da ICT em programas de cooperação internacional. (B) promover a seleção de alunos de mestrado e doutorado para a política de inovação da ICT. (C) comercializar os produtos resultantes de atividades de inovação das quais a ICT participe. (D) poiar administrativamente a ICT no estabelecimento das grades das disciplinas relacionadas com as respectivas atividades de pesquisa e desenvolvimento (E) apoiar a gestão da política de inovação da ICT pública. 03. (IF/MG - Tecnólogo em Gestão Pública - IFMG). Considerando o disposto na Lei 10.973 e suas alterações, encontram-se entre as medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, com vistas à capacitação tecnológica, ao alcance da autonomia tecnológica e ao desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional do País. I - promoção das atividades científicas e tecnológicas como estratégicas para o desenvolvimento econômico e social II - redução das desigualdades regionais III - concentração das atividades de ciência, tecnologia em nível federal IV - utilização do poder de compra do Estado para fomento à inovação Diante do exposto, estão CORRETOS os itens: (A) II, III e IV (B) I, III e IV (C) I, II e IV (D) I e IV (E) Todos os itens 04. (BRB - Escriturário - IADES). A Lei nº 10.973/2004 foi modificada pela Lei nº 13.243/2016, e uma das modificações mais importantes foi a do conceito de ICT, que passou a ser Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação. Acerca do conceito de ICT, assinale a alternativa correta. (A) É considerada ICT qualquer órgão ou entidade pública ou privada, sem fins lucrativos, que inclui, na respectiva missão, a pesquisa básica ou aplicada e o desenvolvimento tecnológico de novos produtos, serviços ou processos. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 14 (B) ICT é toda e qualquer entidade pública que se dedique ao ensino e à pesquisa. (C) ICT é toda e qualquer universidade e centro de pesquisa e desenvolvimento. (D) ICT é toda e qualquer instituição, pública ou privada, que se dedique a Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I). (E) É considerada ICT, para os fins da Lei nº 10.973/2004, a universidade ou centro de pesquisa, sem fins lucrativos, que tenha acordos de cooperação firmados com empresas brasileiras, para atividades de P&D. Gabarito 01. D / 02. E / 03. C / 04. A Comentários 01. Resposta: D Conforme a lei nº 13.243/2016 que alterou a lei 10.973/2004. Art 2° VI - Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT): estrutura instituída por uma ou mais ICTs, com ou sem personalidade jurídica própria, que tenha por finalidade a gestão de política institucional de inovação e por competências mínimas as atribuições previstas nesta Lei; 02. Resposta: E Art. 16. Para apoiar a gestão de sua política de inovação, a ICT pública deverá dispor de Núcleo de Inovação Tecnológica, próprio ou em associação com outras ICTs. 03. Resposta: C Estas medidas se referem aos princípios instituídos no parágrafo único do Artigo primeiro da Lei de Inovação (cujos incisos na Lei correspondem, respectivamente, desta forma: I, III e XIII). Complementando a justificativa, a afirmativa III está errada, “não se trata de centralização, mas sim de descentralização". 04. Resposta: A É considerada ICT qualquer órgão ou entidade pública ou privada, sem fins lucrativos, que inclui, na respectiva missão, a pesquisa básica ou aplicada e o desenvolvimento tecnológico de novos produtos, serviços ou processos. Podemos observar na literatura que a palavra empreendedorismo é definida por vários autores de formas diferentes, pois cada um deles defendem uma definição sobre o assunto. No entanto, de forma geral, também podemos identificar que esta palavra está estritamente relacionada ao processo de inovação e a coragem de assumir riscos, conforme veremos a seguir.2 Empreendedorismo Conceito e Definição A utilização do termo “empreendedorismo” atribuída pelos autores Richard Cantillon e a Jean-Baptiste Say3, pode ser aplicada como: “pessoas que correm riscos porque investem o seu próprio dinheiro em empreendimentos.” Schumpeter4 associa o empreendedorismo à inovação ao afirmar que: “a essência do empreendedorismo está na percepção e aproveitamento das novas oportunidades no âmbito dos negócios; tem sempre que ver com a criação de uma nova forma de uso dos recursos nacionais, em que eles sejam deslocados do seu emprego tradicional e sujeitos a novas combinações”. Schumpeter descreveu ainda o empreendedor como a pessoa responsável por processos de “destruição criativa”, que resultavam na criação de novos métodos de produção, novos produtos e novos mercados. 2 RODRIGUES, Sofia. Manual Técnico do Formando: “Empreendedorismo”, 2008. 3 SAY, Jean-Baptiste. Cours complet d’economie politique pratique. Paris: Chamerot, 2009. 4 SCHUMPETER, J. A. Teoria do desenvolvimento econômico. São Paulo: Abril Cultural, 1982. 2 Empreendedorismo. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 15 Para Hisrich & Peters5, empreendedorismo se trata de um processo dinâmico que combina recursos, trabalho, materiais e outros ativos para tornar seu valor maior do que antes. Já para Djalma de Oliveira6 o “Empreendedorismo é o processo evolutivo e inovador da capacidade e habilidade profissionais direcionadas à alavancagem dos resultados das empresas e à consolidação de novos projetos estrategicamente relevantes” Sendo assim a partir daqui avaliaremos outras questões pertinentes ao assunto. Intenção Empreendedora A intenção empreendedora pode ser entendida como o nível de vontade que uma pessoa tem de abrir uma empresa. Por meio desta vontade pessoal, alguns pesquisadores podem prever se esta pessoa está propensa a empreender, ou seja, criar uma empresa. Para Shapero e Sokol7 duas etapas são fundamentais: a desejabilidade e a viabilidade. Estes dois aspectos são interativos. De modo que, se um indivíduo considera que se há viabilidade para iniciar um projeto, a desejabilidade cresce proporcionalmente. Por outro lado, se um indivíduo não está motivado para iniciar um projeto, não considerará sequer a sua viabilidade. Portanto, a desejabilidade é um pré- requisito na avaliação da viabilidade. Ser empreendedor é uma herança genética? Hoje em dia parece ser consensual que não se nasce empreendedor. Podemos, sim, herdar algumas características que certamente nos ajudarão nas nossas incursões pelo mundo dos negócios. É também certo que muitos empreendedores se revelam muito precocemente (durante a infância e juventude) destacando-se pela sua capacidade de liderança, competitividade ou “jeito” para os pequenos negócios. Contudo, está ao alcance de qualquer um tornar-se empreendedor. E o que se exige é: trabalho, força de vontade e um profundo conhecimento de si próprio para se aperfeiçoar constantemente e desenvolver as habilidades necessárias. Assim devemos compreender que o empreendedorismo é definido como um comportamento e não como uma herança genética ou traço de uma personalidade especifica. Posto isso as pessoas podem apreender a agir como empreendedoras, por meio de ferramentas baseadas no interesse em buscar mudanças, em como reagir a elas e em como explorá-las como oportunidade de negócio.O Perfil do Empreendedor Ao observar verdadeiros empreendedores, é possível identificar um conjunto de aspectos que lhes são muito próprios: 1. Os empreendedores são peritos em identificar, explorar e comercializar oportunidades. 2. São exímios na arte de criar (novos produtos, serviços ou processos). 3. Conseguem pensar “fora do quadrado”: a maioria das pessoas, por temer o insucesso e ser avessa ao risco, tem dificuldade em considerar novas formas de abordar problemas e perspectivar a realidade. Quem o consegue fazer beneficia de uma enorme vantagem na detecção de novas oportunidades. 4. Pensam de forma diferente: os empreendedores têm uma perspectiva diferente das coisas; adivinham problemas que os outros não vêm ou que ainda nem existem; descobrem soluções antes mesmo de outros sentirem as necessidades. 5. Veem o que outros não veem: o empreendedor vê oportunidades que escapam aos outros, ou a que os outros não atribuem relevância. 6. Gostam de assumir riscos: acreditam nos seus palpites e seguem-nos (riscos calculados). 7. Os empreendedores competem consigo próprios e acreditam que o sucesso ou fracasso dependem de si: na sua maioria não desistem e nunca param de lutar pelo sucesso. 8. Aceitam o insucesso: embora nenhum empreendedor goste de falhar, sabe que a possibilidade de fracassar é inerente ao risco que qualquer atividade empreendedora comporta. O insucesso é encarado como uma possibilidade de aprender e evoluir e previne futuros fracassos. 9. Observam o que os rodeia: a grande maioria das ideias e inovações bem sucedidas foram desenvolvidas a partir de uma realidade próxima ao empreendedor – no âmbito profissional, familiar, de lazer. 10. Os empreendedores nunca se reformam… 5 HISRICH, Robert D.; PETERS, Michael P.; SHEPHERD, Dean A. Empreendedorismo. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. 6 OLIVEIRA, Djalma de Pinho de Rebouças. Introdução À Administração: Teoria e Prática. Ed: Atlas, 2008. 7 SHAPERO, A. & SOKOL, L. The social dimensions of entrepreneurship. In The Encyclopedia of entrepreneurship 1982. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 16 Em vários estudos feitos com empreendedores sobre as características às quais atribuíam o seu sucesso, as que mais se destacaram foram a perseverança, o desejo e vontade de traçar o rumo da sua vida, a competitividade, a autoestima, o forte desejo de vencer, a autoconfiança e a flexibilidade. Curiosamente, a vontade de ganhar muito dinheiro, as competências de gestão ou o desejo de poder costumam ocupar os últimos lugares das listas… Características Comuns aos Empreendedores Além destas há um conjunto de outras características comuns aos empreendedores: - Curiosidade; - Capacidade de resistência (física e emocional); - Orientação para objetivos; - Independência; - Exigência; - Elevada propensão ao risco calculado; - Tolerância à ambiguidade e à incerteza; - Criatividade; - Inovação; - Visão; - Empenho; - Aptidão para resolução de problemas; - Capacidade de adaptação; - Iniciativa; - Integridade; - Capacidade de angariação de recursos; - Capacidade de persuasão; - Forte apetência pela mudança; - Empatia; - Tolerância ao fracasso; - Grande capacidade de trabalho; - Capacidade de liderança. Fases do Processo Empreendedor Dornelas8 apresenta as fases do processo empreendedor: 1) Identificar e avaliar a oportunidade; 2) Desenvolver o plano de negócios; 3) Determinar e captar os recursos necessários; 4) Gerenciar a empresa criada. Competências a Desenvolver pelo Empreendedor Competências Emocionais Em grande medida a performance do empreendedor está associada a características pessoais como a inciativa, a empatia, a capacidade de adaptação e de persuasão. Daniel Goleman9 agrupou as competências emocionais em quatro grandes grupos cabendo dentro de cada um dos grupos um conjunto de competências específicas: 1. Autoconsciência - Autoconsciência emocional: permite reconhecer e compreender os diferentes estados de espírito e a forma como afetam o desempenho social e profissional bem como as relações com os outros. - Auto avaliação rigorosa: trata-se da capacidade de avaliar de forma realista as suas forças mas também as suas fraquezas. - Autoconfiança: permite valorizar devidamente os seus pontos fortes e capacidades mais distintivas. 2. Autogestão - Autocontrole: capacidade para manter as emoções sob controle. - Inspirar confiança: a confiança conquista-se através de comportamentos que revelem integridade, honestidade, fiabilidade e autenticidade. 8 DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 9 GOLEMAN, D. Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: Editora Objetiva LTDA., 1995. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 17 - Conscienciosidade: capacidade para se autogerir de modo responsável (por exemplo, ser organizado e cuidadoso no trabalho). - Adaptabilidade: flexibilidade na resposta à mudança. - Orientação para o êxito: otimismo, necessidade de auto aperfeiçoamento e de alcance de um padrão interno de excelência e persistência. - Iniciativa: prontidão para aproveitar as oportunidades e inclinação para exceder objetivos. 3. Consciência Social - Empatia: capacidade para perceber os sentimentos e perspectivas dos outros, interesse ativo pelas suas preocupações, sensibilidade às suas especificidades. - Consciência organizacional: capacidade para ler a realidade organizacional, construir redes de decisão e ter consciência das correntes sociais e políticas da organização. - Orientação para o cliente: capacidade para antecipar, reconhecer e ir ao encontro das necessidades dos clientes 4. Competências Sociais - Liderança visionária: capacidade para inspirar e guiar os indivíduos ou grupos em torno de uma visão convincente. - Influência: capacidade para persuadir os outros através dos métodos mais adequados a cada situação. - Desenvolver os outros: capacidade para identificar necessidades/oportunidades de desenvolvimento dos outros e para agir de forma a promover o alargamento das suas competências. - Comunicação: ser bom ouvinte e ser capaz de comunicar de modo claro e convincente. - Catalisador da mudança: capacidade para promover e incentivar a mudança dentro da organização contribuindo ativamente para a eliminação das resistências por parte da equipe que lidera. - Gestão de conflitos: capacidade para gerir os conflitos emergentes na organização. - Criar laços: competência que permite a criação e desenvolvimento de redes de relações interpessoais. - Espírito de equipe e cooperação: capacidade colaborar eficazmente com os outros conseguindo criar sinergias de grupo na prossecução de objetivos comuns. Sendo certo que o desenvolvimento deste conjunto de competências é desejável em qualquer indivíduo, no caso do empreendedor será decisivo para o seu sucesso. Condição prévia ao bom desenvolvimento destas características é um profundo conhecimento de si próprio. 5. Autoconhecimento Uma das características do empreendedor de sucesso é o conhecimento que tem de si próprio. Sabe que não é rentável desperdiçar esforços em áreas e/ou atividades nas quais não tem competências. A sua base de desenvolvimento pessoal e profissional é o conhecimento dos seus pontos fortes, dos seus valores e objetivos e das formas concretas de alcançar o que pretende. 6. Criatividade De todas as características do empreendedor uma das essenciais e que mais facilmente podemos desenvolver é a criatividade. Embora todos tenhamos talentos criativos, falta-nos muitas vezes confiança na nossa própria criatividade. O termo criatividade tem um significado que vai muito além de possuir um talento artístico. É sim, a capacidade de utilizar a imaginação para criar novas ideias. A criatividade é uma característicaou implementaram algum tipo de política de cluster baseado no quadro estrutural de Porter. Em 2010, a Universidade de Stanford lançou a rede internacional de ecossistemas de inovação em cooperação com parceiros selecionados na Finlândia, China e Japão. Ao mesmo tempo, ecossistemas de inovação denotam plataformas de Tecnologia da Informação e Comunicação como iPhone, da Apple, Android, do Google, plataformas de computação em nuvem e software dominadas por empresas como Microsoft, Amazon etc. Entendimento de Ecossistemas de Inovação Quando falamos sobre ecossistemas de inovação, 90% do conceito é uma combinação dos exemplos e conceitos históricos anteriores acima mencionados. Notavelmente, os ecossistemas de inovação são baseados em exemplos bem-sucedidos de aglomeração seja em termos geográficos, econômicos, industriais ou empresariais. Nas palavras de Schumpeter, os ecossistemas de inovação são principalmente sobre as regiões inovadoras bem- sucedidas (Silicon Valley, Bangalore), plataformas de TIC bem-sucedidas (iPhone, Android) ou novas indústrias (computação em nuvem) e empreendedores e investidores de todo o mundo saltam no movimento desses sucessos. Como tal, há relativamente pouca novidade sobre ecossistemas de inovação em comparação com os conceitos anteriores, como blocos de desenvolvimento ou clusters. No entanto, os 10% restantes que parecem ser novidade dos ecossistemas de inovação de hoje a partir de equivalentes anteriores não devem ser subestimados. As principais novidades para os ecossistemas de inovação atuais em comparação com épocas anteriores podem ser encontradas na dimensão de plataforma de sistemas Internet/mobile/TIC e web 2.0. Isto porque, hoje qualquer empreendedor com uma boa ideia pode, independentemente da localização geográfica, lançar um aplicativo de negócios para as plataformas iPhone da Apple ou Android do Google e se tornar um negócio bem-sucedido. Este não era o caso, por exemplo, no tempo de talheres em Sheffield de Alfred Marshall. Para se beneficiar da aglomeração ou ecossistema naquele tempo alguém tinha que estar fisicamente presente naquele lugar e tempo. Apesar de muitos dos ecossistemas de inovação ainda serem baseados em algum tipo de concentração geográfica de empreendedores, investidores, talentos, universidades, a Internet parece finalmente estar tão madura que esses 10% podem muito bem ser o mais estrategicamente importante para qualquer empresa, região ou nação nos próximos anos. Acrescente-se a isso que a revolução das TIC fez a antiga distinção entre bens físicos e serviços mais ou menos obsoleta ou, na melhor das hipóteses, turva. Então, como as empresas devem navegar e posicionar-se vantajosamente no cenário global dos ecossistemas de inovação do século 21? Estratégia Inicial para Posicionamento dentro de Ecossistemas de Inovação Uma forma das empresas (regiões e nações) abordarem quais dos ecossistemas de inovação globais devem trabalhar em rede e considerar importante poderia ser fazendo uma avaliação crítica inicial das dimensões estratégicas essenciais para realizar parcerias ou entrar em ecossistemas de inovação. Algumas dessas dimensões estratégicas para consideração são destacadas a seguir. Liderança e Papel de Parceiro Como o ecossistema é governado? É centralizado e fechado com um ou poucos atores principais dominantes, como por exemplo Apple, Google, Microsoft, ou é um ecossistema mais descentralizado e 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES 37 aberto com a liderança dispersa como por exemplo Linux? Controlar os ecossistemas é uma nova fonte de vantagem competitiva e sua própria empresa precisa analisar cuidadosamente como você participa e quais os níveis de controle ou redução de riscos estão disponíveis. Riscos de Aprisionamento de Tecnologia Entrar em apenas um ecossistema ou plataforma pode ser similar ao risco de “apostar apenas em um número na roleta”. Isso é geralmente uma estratégia muito arriscada e poderia ser melhor usar projetos de negócios menores para atingir diferentes ecossistemas e testar seus benefícios desta forma. Riscos do Lado da Oferta Pode haver ganhos superiores de gestão e de custo de transação derivados de lidar com apenas um ou alguns ecossistemas. No entanto, essa dependência pode ser fatal como as empresas japonesas aprenderam quando foram temporariamente negadas do acesso à terra rara da China, maior produtor e ecossistema para terras raras do mundo. Ou como quando o terremoto no Japão resultou na suspensão de 25% da produção mundial de silício, o que poderia ter tido amplas implicações para a indústria global de eletrônicos. Reputação da Marca A terceirização de, por exemplo, produção de alimentos e bens de consumo para “ecossistemas de produção” em mercados emergentes deve ser considerado mais um exemplo de risco tendo em vista a qualidade e responsabilidade social dentro de toda a cadeia de fornecimento do ecossistema. Os escândalos com leite contaminado da Sanlu e Chongqing na China ou o caso de trabalho infantil da Nike são exemplos que mostram como as comunidades online como Facebook e Youtube pode danificar rápida e facilmente as marcas e reputações até mesmo das empresas líderes globais. Reputação é sem dúvida uma das dimensões mais subestimadas quando as empresas analisam com qual ecossistema se envolver. Prós e Contras de Ecossistemas Prioritários ou Secundários Quais seriam as vantagens de ir para parceiros não-óbvios fora da corrente principal do que é a norma na indústria? Por exemplo, a maioria das empresas de TIC consideram Vale do Silício ou Bangalore, mas poucas consideram entrar em Tomsk ou Novosibirsk, na Sibéria russa. No entanto, ambas as cidades russas têm alto nível de talento e instituições de ensino em matemática, física e programação, e a preços mais baixos do que, por exemplo, Bangalore. Deutsche Bank fez tal mudança de Bangalore a Tomsk alguns anos atrás. E Cingapura e Japão estabeleceram acordo de cooperação formal com Tomsk. Em mercados em rápida mudança, secundários podem rapidamente se tornar prioritário e a empresa individual tem uma posição de barganha mais forte frente aos parceiros em um ecossistema secundário do que prioritário. Em conclusão, para entender os ecossistemas de inovação de hoje, pode ser útil vê-los como aglomerações de atividade industrial de sucesso que compartilham muitas das semelhanças de tais configurações econômicas anteriores. Além disso, o fascínio de uma parceria com os ecossistemas mais bem-sucedidos e óbvios deve ser considerado cuidadosamente com, pelo menos, alguns testes robustos de opções, tais como diversificação em um número maior de ecossistemas e assim evitar armadilhas e riscos destacados sob dimensões estratégicas neste artigo. 1715895 E-book gerado especialmente para HELEN CHILOFF GONCALVES