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REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO Regulam entos de Tráfego Aéreo Avançado Larissa Wako Martins GRUPO SER EDUCACIONAL gente criando o futuro Pro� ssionais competentes se destacam por seus conhecimentos e sua constante bus- ca por aprimorá-los. A área de aviação civil demanda constante aprendizado; com isso, o estudo nesta matéria se faz importante para a formação de pilotos e demais pro� s- sionais do ramo aeronáutico. A matéria de Regulamentos de Tráfego Aéreo Avança- do descreve a parte teórica do planejamento e da operação aérea, sendo observados regras e procedimentos que buscam organização, padronização e segurança aérea. O objetivo é situá-lo para a futura experiência em voo ou em solo, pois também são apresentados procedimentos em aeródromos e serviços de tráfego aéreo. Aqui con- tinua a trajetória dentro da aviação civil brasileira: este conhecimento é necessário para a execução de uma boa experiência na operação aérea. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO Larissa Wako Martins CAPA_Regulamento_Trafego_Aereo.indd 1,3 22/04/20 10:14 © Ser Educacional 2020 Rua Treze de Maio, nº 254, Santo Amaro Recife-PE – CEP 50100-160 *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Imagens de ícones/capa: © Shutterstock Presidente do Conselho de Administração Diretor-presidente Diretoria Executiva de Ensino Diretoria Executiva de Serviços Corporativos Diretoria de Ensino a Distância Autoria Projeto Gráfico e Capa Janguiê Diniz Jânyo Diniz Adriano Azevedo Joaldo Diniz Enzo Moreira Larissa Wako Martins DP Content DADOS DO FORNECEDOR Análise de Qualidade, Edição de Texto, Design Instrucional, Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão. Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 2 27/04/20 10:14 Boxes ASSISTA Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações comple- mentares ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado. CITANDO Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa relevante para o estudo do conteúdo abordado. CONTEXTUALIZANDO Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato; demonstra-se a situação histórica do assunto. CURIOSIDADE Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto tratado. DICA Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado. EXEMPLIFICANDO Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto. EXPLICANDO Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da área de conhecimento trabalhada. Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 3 27/04/20 10:14 Unidade 1 - Regras do ar Objetivos da unidade ........................................................................................................... 12 Regras do ar........................................................................................................................... 13 Regras gerais ................................................................................................................... 15 Regras de voo IFR ................................................................................................................. 19 Leitura de IAC, SID e STAR ................................................................................................ 23 Sintetizando ........................................................................................................................... 34 Referências bibliográficas ................................................................................................. 35 Sumário Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 4 27/04/20 10:14 Sumário Unidade 2 - Plano de voo Objetivos da unidade ........................................................................................................... 37 Plano de voo .......................................................................................................................... 38 Plano de voo completo (PVC) ........................................................................................ 39 Plano de voo simplificado (PVS) ................................................................................... 43 Plano de voo repetitivo (RPL) ........................................................................................ 44 Mudanças no plano de voo em vigor ........................................................................... 44 Encerramento do plano de voo ..................................................................................... 45 Serviços de tráfego aéreo................................................................................................... 46 Falha de comunicação ................................................................................................... 51 Espera ................................................................................................................................ 53 Serviço de controle de aeródromo (TWR) ....................................................................... 57 Decolagem IFR em condições meteorológicas adversas ........................................ 58 Sintetizando ........................................................................................................................... 60 Referências bibliográficas ................................................................................................. 61 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 5 27/04/20 10:14 Sumário Unidade 3 - Serviços ATC Objetivos da unidade ........................................................................................................... 63 Serviço de centro de controle de área – ACC ................................................................. 64 Níveis mínimos IFR fora de aerovia .............................................................................. 65 Mínimos de separação baseados em DME e/ou GNSS ........................................... 69 Técnica do número Mach baseado em tempo ........................................................... 71 Técnica do número Mach baseado na utilização da distância RNAV ................... 72 Autorização para voar mantendo sua própria separação durante condições meteorológicas visuais ................................................................................................... 76 Serviço de controle de aproximação – APP ................................................................... 77 NDB e VOR ............................................................................................................................. 85 Sintetizando ........................................................................................................................... 87 Referências bibliográficas ................................................................................................. 88 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 6 27/04/20 10:14 Sumário Unidade 4 - Serviços ATS Objetivos da unidade ........................................................................................................... 90 Serviço de vigilância ATS................................................................................................... 91 Serviço de informação aeronáutica ................................................................................. 97 Serviço de informação de voo .................................................................................... 100 Serviço automático de informação terminal (ATIS) ................................................ 103 Serviço de informação de voo em aeródromoou superior ao valor especifi cado; • Manter uma razão de subida igual ou inferior a um valor especifi cado. Uma aeronave efetuando descida pode ser instruída a: • Manter uma razão específi ca de descida; • Manter uma razão de descida igual ou superior a um valor especifi cado; • Manter uma razão de subida igual ou inferior a um valor especifi cado. Quando o ajuste de velocidade vertical for aplicado, o controlador deve ter certe- za de qual nível, ou níveis, a aeronave poderá se manter em uma razão especifi cada de subida. No caso da descida, deverá certifi car-se da razão especifi cada de descida a ser mantida, tendo a certeza de que ela poderá ser aplicada. Caso seja necessário, deverá ser aplicado um método alternativo para a manutenção da separação. Ajustes de velocidade horizontal e vertical simultâneos em um mesmo voo deverão ser evitados, por conta das características e limitações de desempenhos de aeronaves diversas. Falha de comunicação Caso uma aeronave esteja numa situação em que não seja possível estabelecer comunicação com o órgão ATC, o piloto deverá executar procedimentos específi cos. Primeiramente, deverá tentar comunicação com outros meios disponíveis e, caso esteja no tráfego de aeródromo, deverá manter-se aten- to às instruções emitidas por sinais visuais. Quando uma aero- nave identifi car a falha de comunicação, deverá acionar em seu transponder o código 7600, que é o código de identifi cação para a falha de comunicação. Assim, o órgão ATC pertinente poderá identifi car a falha na aeronave. Uma aeronave seguindo voo IFR ou em condições meteorológicas de voo por instrumentos, que esteja com falha de comunicações e que não considere conveniente terminar o voo, deverá: • Manter seu nível, velocidade e sua rota de acordo com o plano de voo em vigor. Caso não esteja no aeródromo previsto de destino, deverá continuar o voo de maneira que siga o plano de voo apresentado, sem infringir nenhuma altitude mínima de voo apropriada; REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 51 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 51 27/04/20 10:58 • Prosseguir seu voo até o auxílio à navegação ou fixo pertinente designado do aeródromo de destino. Se necessário, deverá aguardar sobre este auxílio/ fixo para iniciar a descida; • Se estiver sob vetoração radar ou seguindo instruções dadas pelo ATC para efetuar desvio lateral utilizando RNAV sem um limite específico, a aeronave deverá retornar a sua rota para a do plano de voo em vigor antes de chegar a outro ponto significativo. Também deverá atentar à altitude mínima de voo; • Ao iniciar a descida do auxílio à navegação ou fixo na última hora estimada de aproximação recebida e cotejada ou, o mais próximo dessa hora, caso nenhum horário de aproximação tenha sido recebido ou cotejado, deverá ser utilizada a hora estimada de chegada ou a mais próxima de acordo com plano de voo em vigor, caso o limite de autorização não seja o aeródromo de destino; • Finalizar procedimento de aproximação por instrumentos previsto para o auxí- lio à navegação ou fixo; • Se possível, pousar dentro de 30 minutos subsequentes à hora estimada de chegada, ou da última hora estimada de aproximação, a que for mais tarde. Em casos em que a aeronave esteja em falha na recepção de comunicações, de- verá continuar transmitindo as manobras pretendidas ao órgão ATC, dando espaço para que o órgão ATC possa atender as solicitações das manobras. Quando houver circunstâncias que impeçam um controlador de tráfego aé- reo de estabelecer comunicação com uma aeronave sob seu controle, poderá ser devido a falhas de equipamentos rádio de solo, falha do equipamento de bordo ou, ainda, interferência ou bloqueio da frequência do controle, talvez pela transmissão de outra aeronave ou de outra estação. Se a duração da falha de comunicação em questão durar períodos prolongados, o ATC, após identifi- car o motivo da falha, deverá tomar medidas pertinentes para que a segurança do voo e da aeronave não seja afetada. Em caso de falha do equipamento rádio de solo, o controlador: • Deverá iniciar a tentativa de contato com frequências secundárias do órgão ou setor de controle; • Deverá tentar estabelecer comunicação via rádio na frequência de emer- gência; • Deverá informar, sem demora, a falha de comunicação para os demais contro- les ou órgãos ATC pertinentes; REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 52 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 52 27/04/20 10:58 • Deverá informar aos órgãos a situação de tráfego atual; • Quando possível, deverá pedir ajuda aos órgãos, devido as aeronaves que es- tejam tentando estabelecer comunicação, a fi m de estabelecer separação e manter o controle delas; • Deverá dar instruções de controle adjacentes ou órgãos ATC, para que perma- neçam em espera ou tenham a rota de todos os voos controlados modifi cadas até o momento que os serviços retornem ao normal. Em caso de frequência bloqueada por outra aeronave: • Identifi cação da aeronave relativa; • Caso a aeronave seja identifi cada, o órgão ATC deverá tentar estabelecer comu- nicação com essa aeronave, através da frequência de emergência por SELCAL, pela frequência da empresa do operador, se aplicável, ou em qualquer frequência VHF, ou ainda, por outro meio de comunicação. Se a aeronave estiver em solo, poderá ser feito o contato direto; • Caso a comunicação seja estabelecida, a tripulação deve ser instruída rapida- mente para que tome providências imediatas para interromper transmissões inad- vertidas nessas frequências afetadas. Em caso de uso sem autorização da frequência ATC: • O órgão ATC, quando identifi car transmissões falsas ou enganosas, deverá cor- rigir quaisquer dessas instruções ou autorizações; • Informar as aeronaves através das frequências afetadas, de que existem trans- missões de instruções ou autorizações falsas ou enganosas; • E assim, instruir e informar as aeronaves, para que as instruções e autorizações sejam verifi cadas antes de serem cumpridas; • Se for praticável, instruir as aeronaves para de que troquem de frequência; • Ainda, se for possível, informas as aeronaves afetadas quando as instruções ou autorizações falsas não estiverem mais ocorrendo. Espera A entrada e o procedimento de espera são realizados através de orien- tações das publicações do DECEA. Caso não haja procedimentos de entrada e de espera publicados, ou caso o piloto os desconheça, poderão ser solici- tados ao órgão ATC. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 53 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 53 27/04/20 10:58 Figura 6. Procedimento de espera. As aeronaves permanecerão no ponto de espera, então serão providas as separações mínimas de forma adequada às aeronaves, em concordância com o método utilizado no ponto de espera. As separações mínimas provi- das serão a vertical, lateral ou longitudinal. Quando for necessária a realização de espera em voo, as separações verti- cais mínimas continuarão sendo proporcionadas entre elas e as aeronaves em rota. Enquanto as aeronaves em rota deverão estar a, pelo menos, cinco minu- tos de voo da área de espera, a menos que exista a separação lateral. A atribuição do ponto de espera é realizada de acordo com a facilidade em autorizar a aproximação da aeronave por sua ordem de precedência. Geralmente, a primeira aeronave que alcançar um ponto deverá ocupar o nível mais baixo disponível, e as aeronaves que chegarem depois deverão ocupar os níveis mais altos. Quando for notificado pelo piloto que não poderá seguir tais procedimen- tos de espera ou de comunicações, o órgão responsável deverá autorizar o procedimento de alternativa que foi solicitado pelo piloto, caso as condições do tráfego aéreo do momento permitam. O procedimento de espera, comumente falando, é uma maneira de atrasar as aeronaves em voo, devido ao grande fluxo de aeronaves em voo, ou em situações de falha no radar.Então, o contro- lador de voo tem tempo hábil para remanejar e organizar as aeronaves confor- me o tráfego aéreo. Pode ocorrer do próprio piloto em comando solicitar um procedimento de espera, devido a condições meteorológicas ou outras razões. Fixo de espera 1 2 3 4 REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 54 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 54 27/04/20 10:58 O procedimento de espera possui quatro etapas: • A etapa 1 é denominada de curva de afastamento, que consiste em uma curva padrão realizada após o bloqueio do auxílio rádio. A curva é realizada em 180º, tem duração de 1 minuto e levará a aeronave até a próxima etapa; • A etapa 2 é denominada de perna de afastamento, que se inicia após a curva e afastamento, estabilizando-se na proa da perna de afastamento, cru- zando o través do fixo de espera. Terá duração de 1 minuto, e então irá para a próxima etapa; • A etapa 3 é denominada de curva de aproximação, na qual o piloto deve- rá realizar uma curva padrão para se preparar para entrar na perna de aproxi- mação. Esta curva também terá duração de 1 minuto; • A etapa 4 é denominada de perna de aproximação, na qual o piloto deve- rá estabilizar-se no rumo da perna de aproximação, a fim de bloquear o auxílio- -rádio e completar a espera. Esta etapa terá a duração de 1 minuto. O procedimento de espera se inicia e termina quando a aeronave passa pelo fixo. Este fixo pode ser uma intersecção, um auxílio-rádio, distância DME de auxílio-rádio. O tempo total do procedimento de espera será de 4 minutos. 1 minuto para cada curva e 1 minuto em cada perna. Porém, acima do FL140 (14.000 pés), o pro- cedimento de espera deverá ter 5 minutos, sendo 1 minuto em cada curva e, 1 mi- nuto e 30 segundos em cada perna. Em cada curva, o piloto em comando deverá executá-la mantendo a razão constante de 3 graus/segundo ou 25º de inclinação. Os tempos devem começar a ser medidos a partir do través (90º do fixo) na perna de afastamento. Caso o piloto não consiga identificar o través, poderá cro- nometrar o tempo a partir do fim da curva para a perna de afastamento. Quanto ao vento, o piloto deve estar atento e realizar as devidas correções, tanto do rumo como do tempo para compensar os efeitos do vento. A entrada no circuito de espera seguirá o rumo de acordo com os três se- tores de entrada, com uma zona de flexibilidade de 5 graus por lado dos limites do setor. Quando o procedimento de espera for com interseções VOR ou em pontos de referências VOR/DME, as entradas ocorrem pelas radiais ou arcos DME que constituírem o ponto. As aeronaves que entrarão nos circuitos de espera devem seguir as veloci- dades indicadas, ou inferiores. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 55 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 55 27/04/20 10:58 Níveis Condições normais Condições de turbulencia Até 14.000 pés, inclusive. 425 km/h (230 kt) 315 km/h (170 kt) (a) 520 km/h (280 kt) 315 km/h (170 kt) (a) Acima de 14.000 pés até 20.000 pés, inclusive. 445 km/h (240 kt) 520 km/h (280 kt) ou 0.8 MACH, o que for menorAcima de 20.000 pés até 34.000 pés, inclusive. 490 km/h (265 kt) Acima de 34.000 pés. 0.83 MACH 0.83 MACH TABELA 1. VELOCIDADES INDICADAS NO CIRCUITO DE ESPERA Fonte: DECEA, 2018, p. 81. Figura 7. Procedimentos de entrada em espera. A entrada pelo setor 1, também chamada de entrada paralela, será reali- zada da seguinte forma: • Quando a aeronave bloquear o auxílio-rádio, o piloto deve curvar-se para a esquerda, se afastando em um rumo paralelo a perna de aproximação por, mais ou menos, 1 minuto; • Depois, deverá curvar à esquerda para retornar ao auxílio-rádio; • Quando a aeronave bloquear novamente o auxílio-rádio, deverá curvar-se para a direta e executar a espera. 2 1 3 70O 70O 4 REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 56 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 56 27/04/20 10:58 Serviço de controle de aeródromo (TWR) O serviço de controle de aeródromo (TWR) é responsável por transmitir informações e autorizações para as aeronaves sob seu controle, a fi m de ga- rantir segurança, ordenação e fl uidez no tráfego de aeródromo e em suas proximidades. Possui o objetivo de evitar o abalroamento entre aeronaves. O serviço da TWR em voo IFR é fornecido da mesma forma que em voo VFR. Há somente algumas peculiaridades referentes a alguns tópicos. Os mínimos meteorológicos de aeródromo específi cos para operações IFR são encontradas na AIP MAP, que é um manual que faz parte do AIP-Brasil, pos- suindo as cartas aeronáuticas pertinentes aos aeródromos com diversos procedi- mentos de aproximação por instrumentos, divididos pelas categorias da aeronave. Durante a aplicação dos mínimos meteorológicos de aeródromo, a TWR é o órgão credenciado e responsável por avaliar as condições climáticas dentro dos setores de aproximação e decolagem, portanto, ela irá considerar as con- dições meteorológicas predominantes nestas localidades e informar ao APP para a melhor coordenação do tráfego aéreo. A entrada pelo setor 2, também chamada de entrada deslocada, será rea- lizada da seguinte forma: • Quando a aeronave bloquear o auxílio-rádio, deverá se manter numa proa de aproximadamente 30º em relação a perna de aproximação; • Depois, a aeronave deverá se manter nessa proa por cerca de 1 minuto; • Quando a aeronave completar o tempo de 1 minuto, deverá curvar-se a direta a fi m de interceptar o rumo da perna de aproximação, e assim, bloquear o auxílio-rádio e executar a espera. A entrada pelo setor 3, também chamada de entrada direta, será realiza- da da seguinte forma: • Quando a aeronave bloquear o auxílio rádio, deverá curvar-se para a direi- ta e executar a espera. Durante o circuito de espera, possíveis mudanças de nível de voo ou altitu- de devem ser realizadas com a razão de subida ou descida entre 100 e 1.000 pés por minuto. Razões menores ou maiores podem ser utilizadas, desde que o órgão ATC autorize ou solicite. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 57 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 57 27/04/20 10:58 Aproximação IFR durante condições meteorológicas adversas Caso o órgão ATS informe ao piloto que os mínimos meteorológicos de visibi- lidade estão abaixo dos estabelecidos na carta de aproximação por instrumentos (IAC), o piloto deverá avaliar a situação e, assim, notifi car o órgão de sua decisão. Pois, neste caso, a execução do procedimento de aproximação por instrumentos estará proibida, podendo ser realizado somente o procedimento de aproximação para pouso direto. Porém, a descida no procedimento para pouso direto fi cará li- mitada pela altitude da MDA ou DA, portanto, o piloto só poderá pou- sar caso consiga ter contato visual com a pista ou com as luzes de aproximação (ALS) dispostas no aeródromo. Caso isso não ocor- ra, o piloto deve iniciar o procedimento de aproximação perdida. Decolagem IFR em condições meteorológicas adversas Quando ocorrer de as condições meteorológicas atingirem um número abaixo dos mínimos prescritos para operações de decolagem IFR, estas ope- rações deverão ser canceladas por iniciativa da TWR ou do APP. Quando as operações de decolagem IFR forem canceladas, a TWR deverá seguir os seguintes procedimentos: • Suspender as decolagens, com exceção de aeronaves em operação militar; • Informar o ACC e o APP sobre o ocorrido; • Informar a sala AIS, a administração do aeroporto e os exploradores das aeronaves. Quando ocorrerem procedimentos para baixa visibilidades em aplicação no aeródromo, o controle de pessoas e veículos terão que seguir tais critérios: • Pessoas e veículos em operação na área de manobras do aeródromo devem ser limitados ao mínimo. A atenção especial deverá ser fornecida aos requisitos relacionados à proteção de áreas sensíveis do ILS, enquanto estiverem sendo efetuadas operações de precisão por instrumentos da Categoria II ou III; • A separação mínima entre veículose aeronaves em taxi deve ser defi - nida de acordo com o modelo operacional da TWR, salvo para veículos de emergência que estejam preparados para prestar assistência para as aero- naves em situação de socorro; REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 58 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 58 27/04/20 10:58 • Quando efetuadas operações de precisão mistas, como de ILS categoria II ou III na mesma pista, as áreas críticas deverão ser protegidas. O período de duração da aplicação de procedimentos para baixa visibili- dade no aeródromo é determinado por instruções providas da TWR. As aeronaves que apresentarem um plano de voo IFR terão autorização para decolar somente após a autorização do órgão ATC, emitida pelo APP ou ACC. Durante o período diurno, as aeronaves que precisam decolar antes da autorização do órgão ATC terão permissão, porém, deverão manter-se em VMC até que recebam a devida autorização. De modo geral, não é permitido que aeronaves em aproximação final para pouso cruzem o início da pista: antes que uma outra aeronave esteja pronta para decolar; antes que a aeronave precedente a esta tenha cruzado o final da pista em uso; se uma aeronave tiver iniciado uma curva; antes do momento em que todas as aeronaves tenham pousado e outras que este- jam prestes a decolar já estejam fora da pista em uso. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 59 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 59 27/04/20 10:58 Sintetizando O início dessa unidade abordou temas referentes ao plano de voo, docu- mento de grande importância para garantir a segurança e organização referen- tes a um determinado voo. Além desses benefícios, o plano de voo é necessário para que os órgãos de controle possam identificar informações da aeronave e do voo sem ter que ficar perguntando ao piloto. Há três modalidades do plano de voo, sendo eles o completo, simplificado e repetitivo. Pudemos identificar cada um deles, sa- bendo que os mais utilizados na aviação executiva e de pequeno porte será o completo ou o simplificado, sendo o repetitivo destinado, geralmente, para as companhias aéreas. Ainda, aprendemos sobre encerramento do plano de voo, ou possíveis mudanças necessárias durante o voo que afetem o planejamento de voo apresentado. Depois, passamos para o serviço de tráfego aéreo, no qual o foco passa para os serviços de tráfego aéreo, e, de modo geral, para os voos seguindo regras de voo por instrumentos (IFR). Tratou-se também sobre eventos, como a esteira de turbulência e procedimentos que o piloto deverá adotar de acordo com a categoria de sua aeronave, além de procedimentos como o ajuste de altímetro e separação entre aeronaves. Também foram apresentados proce- dimentos a serem realizados em caso de falha de comunicação. Ainda, foram apresentados os procedimentos de espera de uma aeronave em voo e a manei- ra como efetuar a entrada nestes procedimentos. Para finalizar, a unidade abordou as peculiaridades e diferenças no serviço de controle de aeródromo (TWR) para aeronaves seguindo as regras IFR. Abor- damos temas como a aproximação e pouso em aeródromos sob condições meteorológicas, e também identificamos a TWR como o órgão responsável e credenciado para avaliar as condições climáticas e meteorológicas neste setor e arredores. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 60 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 60 27/04/20 10:58 Referências bibliográficas BIANCHINI, D. Regulamentos de Tráfego Aéreo VFR e IFR 2019. 8. ed. São Paulo: Bianch, 2019. DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AÉREO. Preenchimento dos for- mulários de plano de voo, MCA 100-11. Rio de Janeiro: DECEA, 2017. DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AÉREO. Regras do ar, ICA 100-12. Rio de Janeiro: DECEA, 2016. DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AÉREO. Serviços de tráfego aé- reo, ICA 100-37. Rio de Janeiro: DECEA, 2019. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 61 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 61 27/04/20 10:58 SERVIÇOS ATC 3 UNIDADE Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 62 27/04/20 10:18 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Relembrar as áreas de jurisdição do ACC, assim como sua finalidade; Apresentar as diferenças do serviço prestado pelo ACC para voos IFR; Relembrar as áreas de jurisdição do APP, assim como sua finalidade; Apresentar as diferenças dos serviços prestados pelo APP para voos IFR; Identificar os conceitos de VOR e NDB utilizados como auxílio à navegação; Explicar a utilização e o funcionamento do VOR e NDB na aviação. Serviço de centro de controle de área – ACC Níveis mínimos IFR fora de aerovia Mínimos de separação basea- dos em DME e/ou GNSS Técnica do número Mach base- ado em tempo Técnica do número Mach ba- seado na utilização da distância RNAV Autorização para voar mantendo sua própria separação durante condições meteorológicas visuais Serviço de controle de aproxima- ção – APP NDB e VOR REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 63 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 63 27/04/20 10:18 Serviço de centro de controle de área – ACC O serviço de controle de área (ACC), comumente chamado de centro durante as comunicações radiotelefônicas, é um tipo de serviço prestado pelo controle de tráfego aéreo para voos controlados em aerovias e outras áreas determinadas. Seu objetivo é prevenir a colisão entre aeronaves, além de manter o fl uxo de tráfego aéreo rápido, ordenado e seguro. Um serviço de controle de área possui jurisdição em uma FIR, em CTA e outras áreas/rotas de assessoramento dentro dessa FIR. O Brasil dispõe de quatro serviços de controle de área em operação: centro Curitiba, centro Brasília, centro Recife e centro Amazônico. CURIOSIDADE O serviço de controle de aproximação (APP) e o serviço de controle de aeródromo (TWR) são subordinados, operacionalmente, ao serviço de controle de área. Seguem algumas defi nições importantes para o melhor entendimento sobre os serviços prestados no ACC: • Altitude mínima em rota (MEA): é a altitude de voo estabelecida e indicada em trechos de aerovias. É a menor altitude publicada entre fi xos que balizam a aerovia, além de reunir requisitos para voar acima dos obs- táculos. Sua aplicação é válida por toda a largura da aerovia e é possível consultá-la em cartas ENRC; • Altitude mínima para livrar obstáculos (MOCA): é a menor altitude na qual uma aeronave poderá voar em uma aerovia e sob condições de voo IFR, de maneira que se mantenha livre de obstáculos; • Altitude mínima fora da aerovia (MORA): é uma altitude segura para livrar obstáculos dentro de uma limitação por cruzamentos de paralelos e meridianos em cartas de rota ENRC. Além da ordenação do tráfego aéreo, o ACC deverá prover e aplicar separações verticais ou hori- zontais às aeronaves que estiverem sob sua jurisdição. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 64 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 64 27/04/20 10:18 Níveis mínimos IFR fora de aerovia O piloto deverá calcular o nível mínimo para o voo IFR realizado fora de uma aerovia. Esse é um procedimento de responsabilidade dele, que deverá seguir as orientações: • Procurar a altitude do ponto mais alto dentro de uma faixa de 30 km (16 nm) para cada lado do eixo da rota; • Somar a maior correção QNE da rota; • Somar 300 m (1.000 pés). Em casos de regiões montanhosas deverá ser adicionado 600 m (2.000 pés); • Se o valor da soma não for correspondente a um nível de voo, arredondar para o nível de voo IFR acima. A separação horizontal entre as aeronaves tem o objetivo de espaçá-las entre si horizontalmente, por meio de uma separação lateral ou longitudinal. Em voos IFR, a separação lateral é aplicada de forma que a distância en- tre as aeronaves nunca seja menor que distâncias estabelecidas conforme inexatidões de meios de navegação e área de proteção de segurança. Isto se aplica em trechos de rota ondeé previsto que as aeronaves estejam se- paradas lateralmente. Esse mínimo de segurança é determinado e previsto pelo DECEA. A separação lateral é realizada exigindo-se que esta operação seja feita em rotas ou locais geográfi cos diferentes. Ela é feita através do uso de auxílios à navegação ou equipamentos de navegação aérea. Se o órgão ATC receber qualquer informação indicando falha ou degrada- ção em desempenho dos equipamentos de navegação, deverá ser aplicado o uso de outro tipo de equipamento ou outro mínimo de separação. A separação vertical em rota é realizada fazendo com que as aeronaves ajustem seus altímetros para 1.013,2 hPa, além de realizem seus voos nos níveis que foram destinados. A separação vertical mínima será de: • 300 m (1.000 pés): se abaixo do FL 290; • 600 m (2.000 pés): se realizado entre o FL 290 e o FL 410, exceto RVSM; • 300 m (1.000 pés): em espaço aéreo onde há RVSM, entre FL 290 e FL 410; • 600 m (2.000 pés): acima do FL 410. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 65 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 65 27/04/20 10:18 Em casos de aeronaves supersônicas, a separação lateral mínima deve- rá ser de 60 nm (112 km) caso estejam operando no FL450 ou acima. Um dos métodos para aplicação de separação lateral ocorre diante de reportes de posição que indicam que a aeronave está sobrevoando lo- cais geográficos diferentes, onde a determinação é visual ou por referên- cia a um auxílio à navegação. É possível, também, utilizar-se do mesmo auxílio ou método de navegação para aplicar a separação lateral, de maneira que é exigido que as aeronaves voem em rotas específicas separadas. A separação lateral entre duas aerona- ves é existente: • Através do VOR: quando as aeronaves estão estabelecidas através de radiais, divergindo-se em 15 graus, pelo menos, e uma aeronave está a uma distância de 15 nm (28 km) ou mais do auxílio; • Através do NDB: quando as aeronaves estão estabelecidas em rotas, em direção ou a partir do NDB; divergem-se em 30 graus, pelo menos; e uma das aeronaves está a uma distância de 15 nm (28 km) ou mais do auxílio; • Através de estimado: quando as aeronaves estão estabelecidas em rotas que divergem em 45 graus, pelo menos, e uma aeronave está a uma distância de 15 nm (28 km), ou mais, do ponto de intersecção das rotas. Este local será determinado visualmente ou através de referência a algum auxílio à navegação, além de ambas as aeronaves estarem na direção de afastamento da interseção. Os casos acima referem-se a aeronaves utilizando as mesmas rotas. Em casos de aeronaves em rotas opostas ou que se cruzam, deverá haver uma separação vertical antes que estas aeronaves estejam a 15 nm de distância do auxílio ou do ponto de interseção das rotas utilizadas. Nos casos em que haja uma transição para um espaço aéreo que tenha um mínimo de separação lateral maior, haverá separação lateral quando as aeronaves estiverem em rotas específicas, nas quais: • Estejam separadas por um mínimo apropriado; • Divirjam em 15 graus, pelo menos, até que o mínimo de separação lateral aplicável seja estabelecido. Desde que seja possível, e conforme determinação do DECEA, a aeronave deve ser capaz de cumprir esta navegação necessária para a orientação precisa da rota. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 66 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 66 27/04/20 10:18 Os métodos para separação longitudinal devem ser aplicados de maneira que a distância entre as posições estimadas das aeronaves não seja menor do que o mínimo prescrito. Essa separação longitudinal para aeronaves que seguem a mesma rota ou rotas que divergem poderá ser mantida através da aplicação do controle de velocidade ou da técnica do número Mach. Quando forem aplicados o mínimo de separação baseado por tempo ou a distância para aeronaves que estejam na mesma rota, deve-se ter cautela a fim de certificar-se que o mínimo de separação não será infringido sempre que a aeronave que segue estiver em uma velocidade aerodinâmica maior que a aeronave que a precede. A separação longitudinal é reali- zada através da exigência de que as aeronaves saiam em horários deter- minados, ou que cheguem no destino em um horário específico, ou, ainda, que permaneçam em espera em um local, até que haja um horário determinado. Para fins de aplicação da separação longitudinal, os seguintes termos ga- nham os seguintes significados: • Mesma rota: são rotas de mesma direção, rotas que se cruzam, ou várias rotas. A diferença angular entre as rotas deverá ser menor do que 45 graus ou maior que 315 graus; • Rotas opostas: são rotas opostas, rotas que se cruzam ou várias rotas quando a diferença angular entre elas é maior que 135 graus, porém menor que 225 graus; • Rotas que se cruzam: são rotas que se cruzam ou várias rotas, sendo diferentes daquelas especificadas nos itens anteriores. Os mínimos para separação longitudinal baseado em intervalo de tem- po para aeronaves que seguem o mesmo nível de cruzeiro e mesma rota serão de 15 ou 10 minutos, em casos em que os auxílios à navegação per- mitam determinar as posições e velocidades de forma contínua. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 67 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 67 27/04/20 10:20 Esses mínimos serão de cinco minutos, quando a aeronave que a precede mantiver velocidade verdadeira excedente a 20 kt em comparação com a velo- cidade da aeronave que a segue, isso em casos: • Entre aeronaves que decolaram do mesmo aeródromo; • Entre aeronaves em rota que reportaram o mesmo ponto de notificação; • Entre uma aeronave partindo e outra que já esteja em rota, depois que a aeronave em rota tenha reportado um ponto de notificação e mantenha distância de 5 minutos do ponto em que a aeronave que parte for interceptar a rota. O mínimo serão de três minutos, quando os casos enumerados ante- riormente possuírem uma aeronave precedente que tenha uma velocidade verdadeira que exceda em 40 kt a velocidade da aeronave que segue. Os mínimos para separação longitudinal, baseado em intervalo de tempo, de aeronaves que seguem rotas que se cruzam será de 15 minutos no ponto de in- terseção das rotas. Ele pode ser de dez minutos, em casos em que os auxílios à navegação permitam determinar as posições e velocidades de forma contínua. Para aeronaves subindo ou descendo na mesma rota, que cruzam o ní- vel uma da outra, haverá uma separação longitudinal mínima de 15 minutos, quando não houver uma separação vertical. A separação mínima será de dez minutos nos casos em que os auxílios à navegação permitam a determinação da posição e da velocidade de forma contínua. A separação será de cinco minutos quando a mudança de nível tiver início dentro de dez minutos do horário em que a segunda aeronave tenha reportado estar sob um ponto exato de notificação. DICA A fim de facilitar e assegurar a separação mínima no cruzamento de nível, é possível que quando a mudança de nível for considerável haja a autorização de uma aeronave para subir ou descer para um nível adjacente ao da outra. Para aeronaves subindo ou descendo em rotas que se cruzam, exis- tirá uma separação de 15 minutos na ausência de separação vertical, e de dez minutos quando não houver separação vertical e se os auxílios à navegação permitirem a determinação de posição e velocidade de forma contínua. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 68 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 68 27/04/20 10:20 Para aeronaves que seguem rotas opostas, quando não houver separa- ção lateral, deverá haver, obrigatoriamente, uma separação vertical de, pelo menos, dez minutos antes e até dez minutos depois do horário estimado do cruzamento das aeronaves. Quando for determinado, de forma positiva, que as aeronaves tenham se cruzado, não será obrigatória e nem necessária a aplicação dos mínimos. A determinação positiva do cruzamentoé considerada a partir de carac- terísticas do funcionamento dos auxílios à navegação e dos métodos de navegação utilizados. Mínimos de separação baseados em DME e/ou GNSS A separação deve ser estabelecida levando em consideração a distância especi- fi cada entre as posições das aeronaves, como indicado por referência ao DME, jun- tamente com outros auxílios à navegação que sejam pertinentes. Essa separação é realizada entre duas aeronaves que estejam: ambas utilizando DME, ambas utilizan- do GNSS ou uma usando DME e a outra GNSS. É necessária a realização de comunicação VHF oral entre o piloto em comando e o controlador, enquanto haja essa separação. Quando o termo em rota é utilizando durante as aplicações dos mínimos de separação longitudinal que utilizam DME e/ou GNSS, signifi ca que a aeronave em questão está voando de maneira direta, se afastando ou se aproximando da esta- ção/waypoint. Quando as aplicações forem baseadas no GNSS, a distância deriva- da do sistema de navegação integrado, que compreende as informações de dados GNSS, é equivalente à distância GNSS. Durante a aplicação dos mínimos de separação entre aeronaves que contenham capacidade de navegação aérea, o controlador deve pedir, especifi camente, a dis- tância derivada do GNSS. Isso porque as aeronaves no mesmo nível de cruzeiro, que seguem a mesma rota, devem ser separadas por 20 nm (37 km), no mínimo, dado que cada aeronave: • Esteja utilizando a mesma estação DME em rota, quando ambas as aeronaves estiverem utilizando o DME; • Esteja utilizando uma estação DME em rota e um waypoint localizado junto a este auxílio, enquanto uma aeronave utiliza o DME e a outra utiliza o GNSS; REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 69 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 69 27/04/20 10:20 • Esteja utilizando o mesmo waypoint, quando as aeronaves estiverem usando o GNSS, e a separação for verificada através de leituras DME e/ou GNSS simulta- neamente em intervalos frequentes, necessários para assegurar que a separação mínima seja estabelecida e não será infringida. Para aeronaves em mesmo nível de cruzeiro em rotas que se cruzam, a separação longitudinal deve ser aplicada conforme o reporte, feito pela aero- nave, que informa a distância da estação DME e/ou waypoint localizada junto a este auxílio. Isso também ocorre em casos em que o mesmo waypoint esteja localizado no ponto de cruzamento das rotas e que o ângulo relativo entre as rotas seja menor que 90 graus. Para aeronaves subindo ou descendo em mesma rota a separação entre elas deverá ser de 10 nm (19 km), enquanto não houver separação vertical, e desde que a aeronave: • Esteja utilizando a mesma estação DME em rota, enquanto as aeronaves estiverem utilizando o DME; • Esteja utilizando estação DME em rota, e waypoint que esteja junto a este auxílio, quando uma aeronave estiver utilizando DME e a outra estiver utilizando GNSS; • Esteja utilizando o mesmo waypoint, enquanto as aeronaves estiverem utilizando o GNSS; • Esteja mantendo um nível, desde que não haja separação vertical. Esta- belecendo, assim, a separação através de leituras DME e/ou GNSS, de forma simultânea, pelas aeronaves. Caso seja indicado, é possível que, com o objetivo de realizar estes pro- cedimentos, o controlador autorize uma aeronave a subir ou descer para um nível adjacente ao de outra aeronave para, assim, obter a separação mínima no cruzamento do nível. Para aeronaves em rotas opostas, ocorrerá o seguinte: • Para aeronaves que utilizem o DME em rota e/ou waypoint que esteja junto a este auxílio, ou ainda, para aeronaves que utilizem o mesmo waypoint, haverá autorização para que elas subam ou desçam até níveis ocupados por outras aeronaves que estejam nas mesmas condições que elas. Isso ocorrerá desde que esteja estabelecido positivamente que as aeronaves já tenham se cruzado nesse novo nível e que estejam separadas por pelo menos 10 nm. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 70 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 70 27/04/20 10:20 Técnica do número Mach baseado em tempo As aeronaves com motores turborreatores devem manter o número Mach de acordo com o que foi aprovado pelo órgão ATC e devem realizar uma solici- tação de aprovação antes de realizarem qualquer tipo de mudança. Caso, por uma eventualidade, a aeronave não possa manter o número Mach aprovado durante subidas ou descidas em rota, o piloto em comando da aeronave deve notifi car o ATC no momento da solicitação de subida ou descida. A técnica de separação longitudinal através do número Mach é utilizada em espaços aéreos designados pelo DECEA. Ela deve atender aos requisitos: • As aeronaves devem notifi car um ponto comum e seguir a mesma rota (ou rotas) continuamente divergentes até que seja provida outra forma de separação; • Nos casos em que as aeronaves não tenham reportado um mesmo ponto de notifi cação, mas seja possível assegurar que há um intervalo de tempo no ponto comum entre elas (através de radar, ADS-B ou outros meios), essas ae- ronaves deverão seguir a mesma rota (ou rotas) continuamente divergentes. Cumpridos os requisitos, a separação longitudinal mínima entre essas ae- ronaves na mesma rota, durante um voo nivelado em que estejam subindo ou descendo, deverá ser de: • Dez minutos; • Entre cinco e nove minutos, desde que a aeronave precedente mantenha um número Mach maior que o da aeronave seguinte, de acordo com a Tabela 1. Levando em consideração que a velocidade da aeronave precedente seja superior à da aeronave que seguinte. TEMPO VELOCIDADE DA AERONAVE PRECEDENTE 9 minutos 0.02 Mach 8 minutos 0.03 Mach 7 minutos 0.04 Mach 6 minutos 0.05 Mach 5 minutos 0.04 Mach TABELA 1. VELOCIDADE SUPERIOR EM QUE A AERONAVE PRECEDENTE DEVE ESTAR EM RELAÇÃO À AERONAVE SEGUINTE, E A SEPARAÇÃO QUE DEVE SER APLICADA ENTRE ELAS REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 71 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 71 27/04/20 10:20 Quando a separação mínima longitudinal de 10 minutos for aplicada, a aeronave precedente deverá manter um número Mach igual ou superior ao da aeronave seguinte. Técnica do número Mach baseado na utilização da distância RNAV As aeronaves com motores turborreatores devem se atentar ao núme- ro Mach, além de obter aprovação do ATC antes de qualquer eventual mu- dança. Caso seja necessária uma mudança imediata, porém temporária, do número Mach devido a turbulências no trecho, o ATC deve ser notifi- cado de forma imediata a partir do momento da mudança realizada pela tripulação. Caso a aeronave não possa manter o número Mach fornecido durante as subidas ou descidas em rotas, o piloto em comando deverá notificar ao ATC. O mínimo de separação longitudinal baseado em distância RNAV não será aplicado caso o piloto informe ao ATC sobre a degradação ou a falha completa do equipamento de navegação. Quando as aeronaves notifi cam suas posições com referência ao equipa- mento RNAV, a separação deve ser realizada mantendo a distância mínima prevista entre aeronaves. Assim, é necessário que haja comunicação direta entre o controlador e o piloto enquanto esta modalidade de separação está sendo utilizada. Com a fi nalidade de auxiliar o piloto a notifi car a informação de distância RNAV necessária, as notifi cações de posição deverão referenciar um waypoint comum que esteja à frente das aeronaves. Então, esta separação baseada em distância RNAV será aplicada para as aeronaves que estejam equipadas com RNAV enquanto estiverem em operação sob rotas RNAV designadas ou em ro- tas ATS designadas por VOR. Poderá ser aplicada uma separação de 80 nm (150 km) utilizando esta técnica, desde que as aeronaves estejam em trajetórias do mesmo sentido, ao invés do mínimo de separação longitudinal de 10 minutos, desde que: • Cada aeronave notifi que sua distância para, ou de, um mesmo ponto em comum na rota; REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREOAVANÇADO 72 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 72 27/04/20 10:20 • Tenha sido feita uma verificação da separação entre aeronaves no mes- mo nível, através das leituras simultâneas da distância RNAV destas aerona- ves em intervalos frequentes, a fim de se ter certeza de que o mínimo não esteja sendo infringido; • Seja estabelecida a separação entre aeronaves subindo ou descendo através de leituras simultâneas da RNAV; • Em situações em que aeronaves sobem ou descem, uma delas mante- nha o nível enquanto não houver separação vertical. Para a aplicação da separação longitudinal mínima de 80 nm (150 km), a aeronave precedente deve manter um número Mach igual ou maior que aquele mantido pela aeronave seguinte. As aeronaves utilizando RNAV poderão ser autorizadas a subir ou descer para níveis ocupados por outras aeronaves que utilizam RNAV. Em alguns casos, poderão ser autorizadas a cruzar estes níveis, desde que tenham sido estabelecidos positivamente através de leituras de distâncias RNAV simultâ- neas até, ou a partir, do mesmo ponto comum em rota onde as aeronaves se cruzaram e estejam separadas por 80 nm (15 km), no mínimo. As autorizações concedidas às ae- ronaves têm o objetivo de acelerar e separar o tráfego aéreo, porém, não poderá ser concedido o direito de ultrapassar ou infringir nenhum dispositivo legal relativo à segurança de voo. As autorizações são emitidas por órgãos ATC pertinentes, e são baseadas em informações de trá- fego obtidas por eles. Caso alguma autorização não seja apropriada ou conveniente para o piloto, ele poderá solicitar outra autorização que deve ser conseguida o mais breve possível. As autorizações abrangerão somente o espaço aéreo controlado sob ju- risdição brasileira até o limite desta área para as aeronaves que saem e, a partir deste limite, para as aeronaves que chegam. A partir destes limites, a responsabilidade será de jurisdição estrangeira. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 73 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 73 27/04/20 10:21 Os voos IFR poderão ser iniciados somente após o ACC tomar conhe- cimento deles. Por isso, as autorizações do plano de voo são importan- tes para assegurar as separações adequadas entre aeronaves voando em áreas de controle. Entretanto, não se aplicam responsabilidades quanto à verificação de condições operacionais, ao funcionamento de auxílios à navegação e a luminosos dos aeródromos envolvidos. Isso porque essas responsabilidades são atribuídas ao piloto em comando da aeronave. O pi- loto que apresentar plano IFR durante o voo ou que necessite partir antes da autorização do plano deve se manter sob condições VMC até receber a autorização do órgão pertinente. Para aeronaves decolando, o ACC enviará autorização para a TWR, para o APP ou para as estações de telecomunicação aeronáutica no mínimo 15 mi- nutos antes de EOBT. Caso ocorra alguma situação imprevisível que impeça o envio da autorização, o ACC fará esse envio tão logo seja possível, ou após o recebimento de solicitação efetuada por esses órgãos. Assim, a aeronave partindo poderá receber autorização através de um dos seguintes órgãos: • Autorização de tráfego; • Controle de solo; • Torre de controle de aeródromo; • Controle de aproximação; • Estação de telecomunicações aeronáuticas. Para aeronaves em rota ocorrerá o seguinte: • As autorizações deverão ser expedidas com antecedência suficiente, com o objetivo de que sejam enviadas para a aeronave em tempo de serem cumpridas; • Aeronaves com plano de voo onde há informações de que a primeira parte do voo será realizada em espaço aéreo não controlado e a parte se- guinte em espaço aéreo controlado, deverão ser instruídas a estabelecer contato com o ACC que possua jurisdição sobre o espaço aéreo controla- do, a fim de obterem autorização de tráfego (no caso de ainda não tê-la recebido); • Aeronaves com planos de voo em que há informações de que a primeira parte do voo será sujeita a controle e a parte seguinte não, obterão autori- zação até o ponto em que terminará o voo controlado; REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 74 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 74 27/04/20 10:21 • Depois que a autorização da aeronave for expedida no ponto de par- tida, caso necessário, o ACC se torna o responsável pela expedição de uma autorização complementar, bem como outras informações. Deverão constar as seguintes informações sobre o conteúdo das autoriza- ções de controle de tráfego aéreo, na ordem: • Identificação da aeronave; • Limite da autorização; • Rota de voo; • Nível (ou níveis) de voo para toda a rota ou parte dela, além de mudanças de níveis caso necessárias; • Instruções ou informações necessárias, como operação do transponder, manobras de aproximação ou saída, comunicações e hora limite da autorização. Quando a autorização para os níveis da rota envolver somente parte dela, é importante que o órgão ATC especifique um ponto até onde a autorização des- ses níveis se aplique. Entretanto, a hora limite da autorização indica o horário que ela será cancelada automaticamente, em caso de o voo não ter iniciado. O limite da autorização de controle de tráfego aéreo deve ser o aeró- dromo de destino do voo, caso este aeródromo esteja: • Numa FIR de jurisdição do ACC que emitirá a CLR; • Fora da FIR de jurisdição do ACC que emitirá a CLR, quando houver con- dições de serem realizadas as coordenações prévias necessárias com o órgão subsequente. Esse limite de autorização deve ser um ponto no limite da CTA/UTA, caso o aeródromo de destino esteja situado fora do espaço aéreo contro- lado. O limite da autorização será um ponto intermediário pertinente, caso não haja condições de serem realiza- das as coordenações prévias com o órgão subsequente. Se isso ocorrer, deverá ser expedido, o mais breve possível, uma instrução complementar até o aeródromo de destino do voo ou limite da CTA/UTA, antes que a aero- nave atinja o ponto limite de autorização. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 75 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 75 27/04/20 10:23 Para a rota de voo haverá detalhamento durante a autorização. Ela deve incluir os pontos onde ocorrerão a mudança de rota. Geralmente, o nível de voo na autorização é aquele solicitado no plano de voo, embora haja casos em que a solicitação não poderá ser atendida. Também poderá haver uma autorização para níveis iniciais diferente da dos níveis de cruzeiro, sendo feito uma nova autorização depois. Para os níveis, as instruções que deverão constar nas autorizações serão: • Nível (ou níveis) de cruzeiro. Em caso de subida em cruzeiro, uma série de níveis e, quando necessário, o ponto até onde a autorização irá valer; • Quando necessário, haverá instruções sobre os níveis a atingir em de- terminados pontos; • O horário ou lugar para dar início a subida ou descida. Apenas quando for necessário; • Instruções de saída ou aos níveis de aproximação. Apenas quando for necessário. Em caso de mudanças no plano de voo em vigor, a nova autorização expe- dida deve conter a natureza da modifi cação. Se estas modifi cações envolverem mudança de nível e o plano de voo contiver muitos níveis, estes devem ser incluídos na nova autorização. Caso não seja permitida a modifi cação, devido as condições de tráfego, o controle deverá notifi car o piloto em comando. Se os motivos forem justifi cáveis, poderão ser sugeridas outras opções que, se aceitas, resultarão na emissão de uma autorização completa. Autorização para voar mantendo sua própria separa- ção durante condições meteorológicas visuais O piloto poderá solicitar manter sua própria separação em relação a outra aeronave, desde que as condições meteorológicas permaneçam vi- suais. Para isso ocorrer é necessário que a outra aeronave concorde e que o órgão ATC autorize um voo controlado em espaço aéreo classe D e E,inclusive durante pouso ou decolagem. Caso autorizado, deverão ser apli- cados os itens: • A autorização específi ca deve valer para uma parte do voo de 3.050 m (10.000 pés) ou abaixo, durante a subida ou descida; REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 76 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 76 27/04/20 10:23 • Caso haja a possibilidade de o voo não ser realizado em condições me- teorológicas visuais ou caso o piloto entenda que as condições VMC não po- derão ser mantidas durante esta autorização, uma instrução alternativa deve ser enviada e cumprida; • Quando o piloto perceber que a operação não poderá ser realizada em con- dições meteorológicas visuais, ele deverá notifi car o ATC antes de entrar em IMC, e assim, prosseguir de acordo com as instruções alternativas fornecidas. Separações não serão aplicadas por um órgão ATC quando as aeronaves estiverem autorizadas a voar em VMC e mantendo sua própria separação. Em casos assim, o piloto em comando deve ter ciência de manter a separação adequada para que não haja perigo de colisão. O objetivo do serviço de controle de tráfego aéreo não in- clui a prevenção de colisão com o solo, portanto, o piloto em comando é o responsável por assegurar que as autoriza- ções emitidas por órgão ATC são seguras neste quesito, com exceção de casos quando o voo IFR estiver sob vetoração. Serviço de controle de aproximação – APP O serviço de controle de aproxima- ção, comumente chamado apenas de controle durante as comunicações via rádio, tem o objetivo de realizar auto- rizações de tráfego para as aeronaves que estiverem voando dentro de TMA ou CTR. Além disso, ele tem a fi nalidade de manter separações mínimas entre estas aeronaves, ordenar e acelerar o fl uxo de tráfego aéreo e, também, de orientar e dar instrução necessária às aeronaves du- rante procedimento de espera, chegada ou saída. O APP é subordinado ao ACC responsável dentro da FIR na qual estão situados. Porém, o APP tem jurisdição dentro de uma TMA e/ou CTR e, em alguns casos devi- dos à delegação, em CTA e/ou UTA, também. Os limites laterais e verticais da TMA e da CTR são defi nidos pelo DECEA, e podem ser encontrados em publicações de cartas e manuais pertinentes. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 77 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 77 27/04/20 10:24 Figura 1. Áreas de responsabilidade do APP. Fonte: Marinho, 2017. Áreas de responsabilidade do APP TMA CTR Os pilotos deverão seguir alguns procedimentos para voar IFR dentro de TMA ou CTR. São eles: • Efetuar chamada inicial ao APP; • Manter frequência oficial em escuta; • Cumprir autorizações de tráfego aéreo emitidas por APP. Também deverão informar ao APP, independentemente de solicitação, quando: • Deixarem um nível de voo; • Alcançarem um nível de voo; • Abandonarem um fixo de espera; • Atingirem um fixo de espera; • Derem início às fases do procedimento de aproximação por instrumentos; • Encontrarem-se em nova fase do procedimento de saída; • Encontrarem-se VMC. O piloto em comando que estiver com plano de voo IFR em vigor não poderá adentrar uma TMA ou CTR sem que haja a autorização do APP responsável. O APP deve proporcionar a separação vertical ou horizontal dentro dos espaços aéreos de sua jurisdição. Estas separações deverão ser: REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 78 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 78 27/04/20 10:24 • Entre todos os voos em espaços aéreos classe A e B; • Entre os voos IFR em espaços aéreos classe C, D e E; • Entre os voos IFR e VFR em espaços aéreos classe C, D e E; • Entre os voos IFR e VFR em espaço aéreo classe C; • Entre os voos IFR e voos VFR especiais; •Entre os voos VFR especiais. Nessas situações, a separação vertical mínima aplicada por um APP será de 300 metros (1.000 pés). A separação vertical mínima entre as aeronaves IFR e os obstáculos no solo será assegurada pela execução de procedimentos de aproximação ou de saída, confor- me descritos em publicações do DECEA. A Figura 2 mostra uma pequena parte de uma carta de aproximação da pista 15 do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro (SBGL). Nela, observamos que existem restrições acerca da altitude durante o pro- cedimento, a fim de prover a separação com relevo. Figura 2. Parte de uma carta de aproximação da pista 15 em SBGL. Fonte: AIS WEB. Acesso em: 02/04/2020. Pode acontecer de uma aeronave ter autorização para um nível previamen- te ocupado por outra, porém, isso só é possível havendo ciência de que a última aeronave já abandonou o nível. No caso de forte turbulência, a autorização será suspensa até que a aeronave que está deixando o nível informe que se encontra em outro nível com a separação mínima adequada. A separação mínima entre aeronaves que saem deverá ser aplicada ime- diatamente depois da decolagem, e deverá ser de um minuto para aeronaves que estejam voando em rotas divergentes em ângulo por, pelo menos, 45 graus. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 79 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 79 27/04/20 10:25 Para decolagens, a separação de dois minutos é exigida quando a aeronave precedente estiver voando a uma velocidade que exceda em 60 nós em com- paração com a velocidade da aeronave que a segue, quando ambas estiverem seguindo a mesma rota. Quando não houver separação vertical, será exigida uma separação de cinco minutos se uma aeronave que parte cruzar o nível de outra que tenha saído antes, quando ambas seguirem a mesma rota; deverão ser tomadas me- didas para assegurar que a separação de cinco minutos seja mantida, ou au- mentada. Para separação entre aeronaves que saem, será levado em consideração a autorização de decolagem baseada na posição de alguma aeronave que está chegando. Quando a aeronave que chega estiver realizando uma aproximação por instrumentos completa, a aeronave que parte poderá: • Decolar em qualquer direção até que a aeronave que está chegando tenha iniciado uma curva base ou curva de procedimento que a levará para a apro- ximação final; • Decolar em uma direção diferente por, pelo menos, 45 graus da direção oposta à de aproximação, depois que a aeronave que chega tenha iniciado a curva base ou a curva de procedimento que a conduza para a aproximação final. Isso ocorrerá sempre que a decolagem se faça em, pelo menos, três mi- nutos antes da hora prevista para a aeronave que chega se encontrar sobre a cabeceira da pista. Quando a aeronave que está chegando executa uma aproximação direta, a aeronave que parte poderá: • Decolar em qualquer direção, até cinco minutos an- tes do horário previsto, para a aeronave que chega se encontrar sobre a cabeceira da pista; • Se em até três minutos antes do horário previsto de chegada da aeronave sobre a cabeceira da pista, ou antes que a aeronave que está chegando cruze um ponto de posição designado da trajetória de apro- ximação, poderá decolar em uma direção diferen- te por, pelo menos, 45 graus da direção oposta à de aproximação da aeronave que chega. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 80 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 80 27/04/20 10:25 Figura 3. Procedimento para aeronave que chega em uma aproximação direta. Fonte: BIANCHINI, 2019, p. 276. (Adaptado). Os procedimentos para aeronaves que saem estão sujeitos à autorização do controle de tráfego aéreo, portanto, deverão especificar: • Direção a ser mantida pelas aeronaves após a decolagem, além de suas curvas subsequentes; • Trajetória que as aeronaves deverão seguir antes de irem para o rumo desejado; • Nível de voo ou altitude que devem manter antes de continuar a subida para o nível de cruzeiro autorizado; • Horário, ponto e/ou velocidade onde será realizado a mudança de nível de voo; • Outra manobra requerida para a operação segura das aeronaves. Quando o movimento ordenado do tráfego aéreo não for afetado, o APP de- verá permitir que as aeronavespartindo tomem seus rumos, de maneira que realizem o menor número possível de curvas ou outros tipos de manobras, a fim de realizarem a subida sem restrições para o nível de cruzeiro. Poderá ser sugerido que as aeronaves decolem numa direção que não seja oposta ao vento, a fim de facilitar a partida das aeronaves. Porém, fica a crité- rio do piloto em comando decidir se realizará a decolagem a favor do vento ou se irá aguardar condições mais favoráveis. O APP deve informar para os exploradores 45º 45º A - Uma aproximação direta B - Inicie curva do procedimento Nesta área, não serão efetuadas decolagens após iniciada curva regulamentar nem durante os cinco minutos últimos de uma aproximação direta. Nesta área, não é permitida a decolagem até três minutos antes da hora prevista de chegada das aeronaves A ou B, ou no caso de A, até que cruze um ponto de referência na trajetória de aproximação. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 81 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 81 27/04/20 10:25 de aeronaves ou para seus representantes credenciados quando tiver a previsão de que haverá demoras devido a condições de tráfego e/ou quando a previsão de espera excederá em 30 minutos. ASSISTA Para entender melhor o serviço de controle de aproxima- ção através da percepção de um controlador de tráfego aéreo, assista ao vídeo Muito avião no mesmo lugar. E o controle não é feito pela torre do canal Aero Por Trás da Aviação. Quando o APP obtiver comunicação com as aeronaves que partem, deverá informá-las sobre qualquer mudança nas condições meteorológicas na área de decolagem ou na subida inicial. Estas mudanças significativas são referentes à velocidade ou direção do vento na superfície, visibilidade, alcance visual da pista, temperatura do ar, possíveis tormentas ou turbulências (moderadas ou fortes), gradientes de vento ou granizo. As informações referentes às variações do estado operacional dos auxílios visuais ou não visuais, que são essenciais para a decolagem e subida, deverão ser transmitidas de forma imediata para as aeronaves que partem. Deverão ser fornecidas as informações referentes ao tráfego essencial local, de forma imediata, quando for de conhecimento do APP. Para as aeronaves que chegam, existem procedimentos a serem reali- zados. Quando ficar claro as aeronaves que chegam sofrerão uma espera prolongada, o APP deve informar ao explorador da aeronave e mantê-lo in- formado de alterações nas mudanças previstas, com o objetivo de se obter a maior agilidade possível para planejar a mudança de destino da aeronave. O APP poderá solicitar às aeronaves que se aproximam que informem quando atingirem um ponto de notificação e quando iniciarem a curva de pro- cedimento, ou, ainda, que seja transmitida outra informação a fim de facilitar a saída de outras aeronaves. O APP poderá autorizar a aeronave que chega para que seja realizada a descida, de modo que ela cuide de sua própria separação durante condições meteorológicas de voo visual. Isso apenas no caso de o órgão ter conhecimento dessa possibilidade, não apresentando nenhum risco ou prejuízo para o tráfego aéreo na TMA ou CTR. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 82 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 82 27/04/20 10:25 Quando as comunicações entre as aeronaves que chegam e o APP forem estabelecidas, serão transmitidas informações a elas, conforme a ordem: • Nível ou altitude autorizada, de acordo com a altitude mínima do setor; • Proa ou auxílio para o qual a aeronave deve se dirigir; • Ajuste de altímetro e nível de transição; • Pista em uso; • Procedimento de aproximação por instrumentos a ser realizado; • Informações meteorológicas essenciais atualizadas; • Estado da pista quando houver resíduos de precipitação ou outros pos- síveis perigos temporários; • Variações do estado operacional dos auxílios visuais e não visuais essen- ciais para aproximação e pouso. Para o início da aproximação final, o APP deve notificar as aeronaves so- bre as seguintes informações: • Possíveis mudanças na direção e velocidade do vento médio na superfície; • Informação recente sobre gradiente de vento e/ou turbulência em área de aproximação final; • Visibilidade existente na direção e sentido de aproximação e pouso, ou valor atual do alcance visual da pista. Durante a aproximação final, o APP deve notificar as seguintes informa- ções, de maneira ágil: • Possível ocorrência de perigo, como tráfego não autorizado na pista; • Variações de vento na superfície expressa em valores máximo e mínimo; • Mudanças significativas do estado da superfície da pista; • Mudanças em valor do RVR (alcance visual da pista), de acordo com a conformidade da escala em vigor, ou mudanças na visibilidade em relação a direção e sentido da aproximação e pouso. O APP poderá autorizar aeronaves em voo IFR a realizarem aproximações visuais, quando o piloto notificar que conseguirá manter referência visual com o solo, e: • O teto notificado não for inferior à altitude de início do procedimento de aproximação por instrumentos; • Se o piloto notificar que as condições meteorológicas permitem comple- tar a aproximação visual e pousar, quando estiver descendo para a altitude REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 83 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 83 27/04/20 10:25 de início do procedimento, ou em qualquer outro momento durante o proce- dimento de aproximação por instrumentos. Uma separação entre a aeronave autorizada a efetuar aproximação visual e ou- tras que chegam ou partem deverá ser proporcionada. Essa autorização para apro- ximação visual não implica no cancelamento do voo IFR. Se o piloto em comando notificar ou ficar evidente para o órgão responsá- vel que ele não está familiarizado com o procedimento de aproximação por instrumento, o APP poderá descrever todas as fases deste procedimento. Além disso, quando for necessário, o procedimento de aproximação perdida será informado. A partir do momento em que a referência visual com o solo for estabelecida, antes do cumprimento do procedimento de aproximação, a aeronave deverá realizar todo o procedimento, com exceção de quando for solicitado a autorização à aproximação de modo visual. O APP deverá determinar o horário estimado de aproximação de uma aeronave que está chegando e que será sujeita à espera. O horário estimado é informado à aeronave o mais rápido possível, geralmente antes do início da descida do nível de cruzeiro. Para aeronaves que possuem alto consumo de combustível em níveis bai- xos, o APP deverá transmitir o horário estimado de aproximação à aeronave de forma antecipada em relação à hora estimada de descida. Isso permite que o piloto escolha o melhor método para minimizar o atraso e, assim, solicitar uma modificação do plano de voo, caso o método influencie na redução da velocidade em rota. Então, deve ser transmitido à aeronave o horário estima- do da aproximação corrigido sempre que houver uma diferença de cinco minutos ou mais entre o horário transmitido. Quando o APP prever que a aeronave terá uma espe- ra de 30 minutos ou mais, deverá transmitir a hora es- timada de aproximação. O ponto de espera relacio- nado à hora estimada de aproximação também deve ser informado, juntamente com o horário estimado de aproximação, sempre que o controla- dor julgar que o piloto não o saiba, ou que este não seja evidente. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 84 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 84 27/04/20 10:25 NDB e VOR NDB é a sigla para non directional beacon (em português, radiofarol não di- recional) . Trata-se de uma tecnologia dos anos 1930, em que uma estação fi xa transmite ondas de rádio nas frequências UHF. Dentro dessa faixa de frequência também operam as estações de rádio AM, que não por mera coincidência tam- bém foram utilizadas como uma referência nas cidades ausentes de fi xos NDB.Cada NDB possui três letras como seu designativo. Essas letras são transmiti- das em código Morse para a atmosfera. A estação NDB consiste em uma antena transmissora, que sozinha não transmite informação de localização e orientação. Portanto, é função do instrumento ADF (automatic direction fi nder) apontar a direção de onde está sendo transmitido o sinal quando o piloto seleciona no aparelho a frequência de um NDB. Ela já foi muito comum e utilizada, mas essa tecnologia não possui muita preci- são, principalmente se comparada a outros auxílios mais modernos como o VOR e GNSS. Por essa razão, chamamos os procedimentos por instrumentos, que se ba- seiam em orientação por NDB de procedimentos de não precisão. Em contrapartida de sua imprecisão, os NDBs possuem custo bem inferior se comparados ao preço do VOR, e seu sinal consegue percorrer maiores distâncias. Figura 4. Símbolo de um NDB utilizado em cartas aeronáuticas. Fonte: DECEA, 2017, p. 19. Um VOR (very high frequency omnidirectional range) é um dispositivo eletrô- nico amplamente utilizado na aviação geral. É uma tecnologia conhecida desde 1946, quando foi implantado. Entretanto, seu desenvolvimento foi realizado no fi nal da década de 1930, nos Estados Unidos. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 85 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 85 27/04/20 10:29 Figura 5. Simbologia utilizada em cartas aeronáuticas demonstrando um VOR com DME. Fonte: DECEA, 2017, p. 19. Figura 6. Simbologia utilizada em cartas aeronáuticas demonstrando um VOR. Fonte: DECEA, 2017, p. 19. CONTEXTUALIZANDO NDB e VOR são tecnologias consideradas antigas. Devido a isso, e prin- cipalmente pelo aumento da utilização de equipamentos de navegação por satélite, existe um movimento na aviação mundial para redução do uso e futura extinção dessas tecnologias. Essa modernização é notória, principalmente nos EUA, onde a FAA, de tempos em tempos, extingue os funcionamentos de algumas estações VOR. Em 2011, a FAA publicou a AC 90-108 (advisory circular), em que orienta as aeronaves que possuam equipamento com capacidade de procedimentos RNAV que os utilizem como prioridade, em relação a utilização dos equipamentos NDB e VOR. A realidade no Brasil é diferente, pois o uso dessas tecnologias é contínuo. Entretanto, o crescente aumento de procedimentos IFR baseados em GNSS já é visível, e com aumento esperado. O VOR é um sistema padrão utilizado na navegação aérea que emite sinais de rádio em diversas direções. Eles são comumente – e não obrigatoriamente – acompanhados de um DME, que consiste em um equipamento capaz de trans- mitir informações que mostram ao piloto a distância da aeronave em relação à estação de transmissão. Diferente do NBD, o VOR transmite posições relativas à sua localização, cha- madas de radiais. Essa característica é a principal vantagem do equipamento. Essas radiais podem ser medidas pelo piloto usando o indicador do VOR no painel da aeronave. VOR / DME VOR REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 86 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 86 27/04/20 10:29 Sintetizando No primeiro tópico, o tema abordado foi o centro de controle de área, o ACC. Ali, relembramos sua área de jurisdição e seu principal objetivo, já que sendo um serviço prestado na aviação, abrange voos VFR e IFR. Assim, segui- mos neste tema abordando as diferenças entre o serviço prestado para voos VFR e IFR. O voo IFR, como um todo, é mais complexo, necessita de mais aten- ção e há mais procedimentos a serem cumpridos, como foi possível observar pelo trabalho realizado pelo ACC nos métodos para as separações horizontais, laterais e longitudinais. O segundo tópico abordou o serviço de controle de aproximação, conheci- do como APP, no qual também foi possível relembrar a área de jurisdição e ser- viços prestados pelo APP. Vimos as separações durante decolagens e pousos de aeronaves, horário estimado, autorizações e informações que o APP forne- cerá para o piloto em comando, além de procedimentos para aproximação por instrumentos e aproximação perdida. Para fechar a unidade, falamos sobre dois procedimentos de auxílio à nave- gação: o VOR e o NDB. Eles foram citados algumas vezes durante a unidade, e são bem conhecidos e utilizados na aviação brasileira. A apresentação desses auxílios ocorreu de forma mais superficial, com o objetivo de contextualizar o aluno sobre seu funcionamento e de como são utilizados no Brasil e no exterior. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 87 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 87 27/04/20 10:29 Referências bibliográficas AIS WEB. Carta de aproximação do aeroporto do Galeão (SBGL) no Rio de Janeiro. Disponível em: . Acesso em: 02 abr. 2020. BIANCHINI, D. Regulamentos de tráfego aéreo VFR e IFR 2019. 8. ed. São Paulo: Bianch, 2019. DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AÉREO. Informação aeronáutica: manual de confecção de cartas aeronáuticas – MACAR cartas IFR. Rio de Janei- ro: DECEA, 2017. Disponível em: . Acesso em: 02 abr. 2020. DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AÉREO. Regras do ar, ICA 100-12. Rio de Janeiro: DECEA, 2016. DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AÉREO. Serviços de tráfego aé- reo, ICA 100-37. Rio de Janeiro: DECEA, 2019. FAA. Section 1. Navigation Aids. Disponível em: . Acesso em: 25 mar. 2020. MARINHO, D. Tudo sobre os controles de aproximação (APP – approach control) brasileiros. DECEA, Rio de Janeiro, 01 ago. 2017. Disponível em: . Acesso em: 02 abr. 2020. MUITO AVIÃO no Mesmo Lugar. E o Controle NÃO é Feito Pela Torre. Posta- do por Aero Por Trás da Aviação. (13min. 15s.). son. color. port. Disponível em: . Acesso em: 02 abr. 2020. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 88 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_3.indd 88 27/04/20 10:29 SERVIÇOS ATS 4 UNIDADE SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 89 27/04/20 10:17 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Relembrar o funcionamento e o objetivo do serviço de vigilância ATS; Atribuir o serviço de informação aeronáutica em voos IFR; Relembrar o funcionamento e o objetivo do serviço de informação de voo; Indicar as informações providas pelo serviço automático de informação terminal; Indicar as informações e os procedimentos contidos no serviço de informação de voo em aeródromo; Apresentar a correção QNE e sua funcionalidade para a aviação. Serviço de vigilância ATS Serviço de informação aeronáutica Serviço de informação de voo Serviço automático de informação terminal (ATIS) Serviço de informação de voo em aeródromo (AFIS) Correção QNE REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 90 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 90 27/04/20 10:17 Serviço de vigilância ATS O início da prestação do serviço de vigilân- cia ATS é descrito pela transmissão do órgão ATC para o piloto em comando da aeronave identificada e, quando previsto, através da informação de posição em que a aeronave é apresentada na tela de vigilância. Portanto, é proporcionada a monitoração da trajetória de voo, quando se der início à provisão do ser- viço de vigilância ATS. Todas as informações fornecidas pelo sis- tema de vigilância ATS, como alertas e avisos re- lacionados à segurança de voo, deverão ser utilizadas com o objetivo de melhorar a segurança e a eficiência dos serviços de tráfego aéreo. A vetoração é caracterizada como uma situação em que o controlador de tráfego aéreo orienta a aeronave em sua navegação, de acordo com da- dos e informações disponíveis através de radar. Dessa forma, quando uma aeronave estiver sob vetoração, é realizado o serviço de controle de tráfe- go aéreo, e o controlador é o responsável portransmitir as orientações de proa e mudanças de nível, quando forem necessárias. Em um voo IFR, o controlador deve realizar autorizações a fim separar obstáculos, se existirem, até o momento em que o piloto em comando reassumirá a navegação da aeronave. O início da vetoração ocorre quando o controlador informa que a aeronave se encontra sob vetoração. Os objetivos da vetoração, tanto para aeronaves voando VFR quanto voando IFR, serão realizados quando for necessário: • Realizar separações adequadas; • Orientar os pilotos em comando na execução de procedimentos especiais; • Proporcionar vantagens operacionais para o controlador ou aeronave; • Realizar o desvio da aeronave em formações meteorológicas pesadas ou em casos de esteira de turbulência; • Corrigir possíveis desvios de rota; • Atender a uma solicitação do piloto, quando for possível. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 91 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 91 27/04/20 10:17 Para proporcionar a vetoração, o mé- todo empregado será um dos seguintes: • Através da determinação do sen- tido de curva e a proa magnética em que deve ser interrompida a curva; • Quando uma aeronave informar que seus instrumentos de orien- tação não oferecem confiabilida- de, devendo ser instruído que ela realize a curva em um determinado sentido e deixe de fazê-lo ao atingir a proa desejada pelo controlador; • Determinando o sentido de curva e o número de graus a serem percorri- dos, quando o controlador não souber a proa exata em que se encontra a aeronave e não houver tempo para obtê-la; • Através da determinação da proa magnética a ser voada pela aeronave; • Através da determinação de que a aeronave mantenha a proa magnética em que está voando; • Através da determinação da proa magnética para o abandono de um auxí- lio a navegação, no qual a aeronave esteja. Quando uma aeronave for vetorada para fora de uma rota que era pre-estabelecida, o piloto deve ser informado a respeito de qual vetoração será cumprida, o motivo e o limite da vetoração. Quando for possível, é necessário que a aeronave seja vetorada ao longo de trajetórias em que o piloto acompanhe a posição dela através de referências aos auxílios à navegação, pois isso minimizará a ajuda navegacional. Uma aeronave não deve ser vetorada de modo que fique próxima por me- nos de 2,5 NM do limite do espaço aéreo, com exceção de quando a transfe- rência de controle será efetuada, ou quando a separação mínima permitida for superior a 5 NM. Nesses casos, a distância de aproximação máxima é calculada de acordo com o equivalente à metade da separação mínima permitida, exceto quando houver acordos para garantir que a separação existirá entre aeronaves que operem em áreas adjacentes. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 92 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 92 27/04/20 10:18 A aeronave sob vetoração não deve ingressar em espaço aéreo não contro- lado, salvo em casos de emergência onde seja necessário desviar de condições meteorológicas adversas. Nesses casos o piloto deve ser informado. Enquanto uma aeronave estiver sob vetoração, o controlador deve cumprir os seguintes procedimentos: • Determinar uma altitude que a aeronave deva manter, observando todas as restrições de altitudes e oferecendo instrução em qualquer mudança; • Conduzir a aeronave para um espaço aéreo controlado e que seja compa- tível com o destino da aeronave; • Proporcionar orientação à aeronave em uma proa que intercepte a radial ou curso desejado, dentro de uma distância que proporcione a certeza de que a posição será atingida; • Informar ao piloto, com antecedência, sobre o ponto em que ele deve as- sumir a navegação, em caso de ele ter que conduzi-la para fora da área de cobertura radar; • Informar a aeronave de sua posição. Sempre que ocorrerem incidentes que envolvam ativações de sistemas de advertência de proximidade das aeronaves com o solo, os controladores devem informar este tipo de ocorrência, a fim de que os locais possam ser identificados e, então, a altitude, rota e/ou os procedimentos operacionais das aeronaves possam ser alterados para prevenir repetições. Ao fim de uma vetoração, o controlador deve instruir o piloto a reassumir a navegação. Caso ocorra o desvio significativo de rota, ou circuito de espera, a aeronave identificada deve ser notificada, e então o controlador deve iniciar procedimentos indicados, caso este desvio comece a afetar o serviço que está sendo prestado. O piloto de uma aeronave que solicite assistência para navegação deve in- formar a razão do pedido, além de informar ao controle de tráfego aéreo o máximo de informações possíveis sobre o voo. O término ou interrupção do serviço de vigilân- cia ATS ocorrerá quando o piloto for informado que a identificação foi perdida ou que este serviço não poderá ser continuado. A aeronave deverá ser infor- mada imediatamente. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 93 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 93 27/04/20 10:18 No momento em que a aeronave for transferida para outro setor, ou órgão, que irá proporcioná-la separação convencional, o controlador deve ter certeza de que será aplicada a separação apropriada entre aquela aeronave e qualquer outra aeronave controlada antes da transferência ser efetuada. Para a aeronave em aproximação não é necessário informar o término do serviço de vigilância ATS, quando as seguintes situações ocorrerem: • Aeronave efetuar aproximação visual; • Aeronave for vetorada para o rumo de aproximação final. EXPLICANDO No caso da transição de uma aeronave através de áreas adjacentes de cobertura de radar, e/ou ADS-B e/ou sistema MLAT não haverá uma inter- rupção ou término do serviço de vigilância ATS. Quando há a informação de que uma aeronave está sujeita a adentrar uma área com condições meteorológicas adversas, esta informação deve- rá ser emitida para o piloto a tempo suficiente para que ele possa decidir sobre as medidas apropriadas, podendo, inclusive, solicitar uma orienta- ção sobre a melhor maneira de evitar a área em questão. Poderá ocorrer, dependendo da capacidade do sistema de vigilância ATS, que essa área em condições meteorológicas adversas não seja visua- lizada de forma adequada na tela de vigilância. Nesses casos, o radar me- teorológico da aeronave proverá melhor detecção e definição das condi- ções meteorológicas adversas de maneira real, as apresentando de forma superior à dos sensores do radar em uso pelo ATS. Durante a vetoração de uma aeronave, a fim de evitar áreas em condi- ções meteorológicas adversas, o controlador deve ter certeza de que a aero- nave poderá retornar ao seu percurso de voo, dentro da cobertura do siste- ma de vigilância ATS. Caso o controlador tenha ciência de que isso não será possível, deverá informar ao piloto imediatamente sob as circunstâncias. Não é exigido que um controlador mantenha vigilância especial a fim de detectar precipitações severas, porém as informações acerca da posi- ção, intensidade, extensão e movimentos de fenômenos meteorológicos importantes como chuvas pesadas, que forem observadas na tela de vigi- REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 94 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 94 27/04/20 10:18 lância, deverão ser informadas ao órgão meteorológico pertinente, quan- do forem praticáveis. O emprego do sistema de vigilância ATS no serviço de controle de aproxima- ção será utilizada a partir das indicações de posição apresentadas na tela de vi- gilância, e poderão ser utilizadas para as seguintes funções, durante a provisão do serviço de controle de aproximação: • Prover vetoração ao tráfego de chegada até os auxílios da aproximação final; • Prover vetoração ao tráfego de chegada até um ponto para o qual pode ser completada uma aproximação visual; • Prover vetoração ao tráfego de chegada até um ponto para o qual pode ser efetuada uma aproximação radar de precisão ou de vigilância; • Prover monitoração da trajetória(AFIS) ............................................. 107 Correção QNE ...................................................................................................................... 111 Sintetizando ......................................................................................................................... 112 Referências bibliográficas ............................................................................................... 113 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 7 27/04/20 10:14 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 8 27/04/20 10:14 Profi ssionais competentes se destacam por seus conhecimentos e sua constante busca por aprimorá-los. A área de aviação civil demanda constante aprendizado; com isso, o estudo nesta matéria se faz importante para a forma- ção de pilotos e demais profi ssionais do ramo aeronáutico. A matéria de Regu- lamentos de Tráfego Aéreo Avançado descreve a parte teórica do planejamento e da operação aérea, sendo observados regras e procedimentos que buscam organização, padronização e segurança aérea. O objetivo é situá-lo para a fu- tura experiência em voo ou em solo, pois também são apresentados procedi- mentos em aeródromos e serviços de tráfego aéreo. Aqui continua a trajetória dentro da aviação civil brasileira: este conhecimento é necessário para a execu- ção de uma boa experiência na operação aérea. Bons estudos e bons voos! REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 9 Apresentação Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 9 27/04/20 10:14 Dedico este conteúdo a todos os futuros pilotos e profi ssionais da aviação que, unidos pela paixão por voar, querem fazer a diferença, primando pela segurança operacional, cordialidade e respeito pelo mundo aeronáutico. A professora Larissa Wako Martins é bacharel em Ciências Aeronáuticas pela Instituição Toledo de Ensino em Bauru-SP desde 2015. Atua no setor ad- ministrativo de uma empresa de servi- ço aéreo especializado. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4512045829281979 REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 10 A autora Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 10 27/04/20 10:17 REGRAS DO AR 1 UNIDADE Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 11 27/04/20 10:20 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Relembrar importantes normas das regras do ar; Abordar as regras gerais; Apresentar as regras de voo por IFR; Identificar os modelos de cartas aeronáuticas; Exemplificar e analisar IAC, SID, STAR e ENRC. Regras do ar Regras gerais Regras de voo IFR Leitura de IAC, SID e STAR REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 12 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 12 27/04/20 10:20 Regras do ar As regras do ar são um conjunto de normas e processos específi cos para a aviação brasileira de caráter mandatório para a execução de operações aéreas em território nacional e baseadas em práticas elaboradas pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), uma agência especializada da ONU (Or- ganização das Nações Unidas), cujo propósito é padronizar e desenvolver a aviação civil em âmbito mundial. Como o Brasil, os países signatários seguem tais práticas e normas. As regras do ar são aplicáveis a todas as aeronaves sob jurisdição nacional, incluindo águas territoriais, bem como às que possuem matrícula brasileira. Desde o início da operação aérea, incluindo a área de movimento, elas obede- cem às regras do ar e às regras de voo visual ou por instrumento, quando em voo, dependendo do que o piloto em comando realiza. Na prática, a observân- cia ao cumprimento às regras do ar cabe ao piloto em comando, a autoridade máxima e decisória a bordo. A aplicabilidade das regras ao ar é constante, salvo quando o não cumprimento for necessário por motivos de segurança. Ao iniciar um voo, o piloto em comando reúne conhecimentos pertinen- tes ao planejamento do voo, recolhendo detalhes sobre a rota. Embora o pi- loto tenha amparo de órgãos de controle de tráfego aéreo, ele tem ciência das condições meteorológicas, como seus informes e previsões, calculando o consumo estimado de combustível e o planejamento de rota alternativa, ponderando a hipótese de não ser possível completar o trajeto até o destino estipulado, consultando cartas aeronáuticas e outras instruções a respeito do aeródromo de partida, de destino e de alternativa, como eventuais restri- ções relacionadas ao funcionamento da assistência à navegação da rota ou à infraestrutura aeroportuária. Em contrapartida, o órgão ATS responsável verifi ca o plano de voo, a fi m de averiguar se ele atende às exigências estipuladas pela regulamentação em vigor. Na falta de algum detalhe no plano de voo ou caso exista alguma coisa que não atenda a regulamentação, o plano de voo é rejeitado e o piloto é co- municado que deve refazê-lo, de modo que não haja lacunas ou desacertos. As regras do ar especifi cam sobre o uso problemático de substâncias psi- coativas na atividade aérea. A recomendação baseia-se em que nenhuma pes- REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 13 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 13 27/04/20 10:20 soa que tenha função crítica a respeito da segurança da aviação deve assumir seu posto de serviço sob a influência de qualquer substância psicoativa. Nes- sas ocasiões, as pessoas se abstêm de tais elementos enquanto existir a inten- ção de atuar como tripulante em uma aeronave civil. Em até oito horas após o consumo de álcool ou até que a quantidade de álcool no sangue seja igual ou superior a 0,04% (em peso), o colaborador está vetado de atuar como tripulante em um voo. À exceção de emergências, ne- nhum piloto permite que entre em sua aeronave uma pessoa que, pelo seu comportamento, aparente estar embriagada – apenas com exceção a pacien- tes que estejam acompanhados por um médico. Uma aeronave em emergência é aquela em situação de socorro ou ur- gência e que, de acordo com a situa- ção, realiza contato via radiotelefonia a fim de transmitir uma mensagem correspondente. Um exemplo de si- tuação de socorro se dá quando há incêndio na cabine ou uma falha no motor, obrigando a um pouso forçado; em uma urgência, o motivo é alguma emergência médica com passageiro ou tripulante, ou uma pequena falha de equipamento aeronáutico. A aeronave em situação de socorro é aquela ameaçada por algum peri- go iminente, o que requer uma assistência imediata, ou ainda quando um acidente aeronáutico é inevitável ou até mesmo já foi consumado. Logo, a transmissão de sua mensagem é antecedida da frase “MAYDAY, MAYDAY, MAYDAY”, ao que o órgão identifica imediatamente que ela passa por uma situação de emergência. Por outro lado, uma urgência, caracterizada por alguma si- tuação que envolve a segurança da aeronave ou de algum passa- geiro, não demanda assistência imediata. Assim, a transmissão da mensagem de urgência é precedida pela frase “PAN PAN, PAN PAN, PAN PAN”. A partir da transmissão da mensagem e conforme cada circunstância, os órgãos ATS se incumbem dos procedimentos a serem executados. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 14 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 14 27/04/20 10:21 Regras gerais Uma operação aérea seguindo as regras de voo visual (VFR) é conduzi- da dentro da visibilidade e distância de nuvens regidas pela regulamenta- ção, mas só é efetivada quando puder, de forma contínua, adotar certos requisitos: • Manter referência constante com o solo e a água, de maneira que forma- ções meteorológicas abaixo do seu nível de voo não tampem mais da metade da área de visão do piloto; • Voar abaixo do nível de voo 150 (FL 150). Os voos que seguem as regras de voo visual não pousam, adentram ou decolam no circuito de tráfego aéreo de um aeródromo se o teto for inferior a 450 m (1.500 pés) ou a visibilidade no solo for inferior a 5 km, exceto quando o não cumprimento dos requisitos for autorizado pelo órgãode voo para outros tipos de aproximação realizadas. E em acordo com os procedimentos apresentados, poderão ser conduzidas: • Aproximações com radar de vigilância; • Aproximações com radar de precisão. Além de promover separação entre: • As aeronaves que partem sucessivamente; • As aeronaves que chegam sucessivamente; • Uma aeronave que parte e outra que chega sucessivamente. Quando for autorizado pelo DECEA, o sistema de vigilância ATS poderá ser usado na provisão do serviço de controle de aeródromo, para que sejam de- sempenhadas as seguintes funções: • Monitoramento da trajetória de voo das aeronaves na aproximação final; • Monitoramento da trajetória de voo de outras aeronaves nas vizinhanças do aeródromo; • Estabelecimento da separação especificada nos mínimos de separação constante na página seguinte, entre aeronaves sucessivas na partida; • Provisão de assistência à navegação para os voos VFR. As aeronaves que estiverem voando sob as regras de VFR especiais não de- vem ser vetoradas, salvo em casos especiais como emergências. Quando for proporcionado vetoração para voos VFR, as precauções e os cuidados devem ocorrer a fim de evitar que as aeronaves não adentrem, inadvertidamente, em condições meteorológicas de voo por instrumentos. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 95 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 95 27/04/20 10:18 O controle de tráfego de aeródromo se baseia em obser- vações visuais da área de manobras e da vizinhança do ae- ródromo, por parte do controlador da TWR. Logo, a utilização do sistema de vigilância ATS em provisão de serviço de con- trole de aeródromo, sua disponibilidade e o uso de informa- ções de radar não devem causar prejuízo para as observa- ções visuais do tráfego do aeródromo. A utilização do sistema de vigilância ATS no serviço de informação de voo não retira a responsabilidade do piloto em comando, inclusive em sua decisão final a respeito de qualquer alteração sugerida no plano de voo. As informações forne- cidas na tela de vigilância poderão ser utilizadas para proporcionar às aeronaves: • Informações referentes a qualquer aeronave vista em trajetória conflitan- te com as aeronaves identificadas, e sugestões ou orientações referentes a ações evasivas; • Informações sobre a posição de possíveis fenômenos meteorológicos e, quando possível, orientações às aeronaves sobre a melhor maneira de evi- tar essas áreas; • Informações para ajudar aeronave em sua navegação. O órgão ATC definirá, através de modelo operacional, o valor mínimo utili- zado para a separação no espaço aéreo pertinente, levando em consideração: • Limitações técnicas e operacionais do sistema de vigilância; • Benefícios operacionais resultantes. A separação horizontal mínima entre as aeronaves não deverá ser menor que 5 NM, salvo em casos: • Quando as especificações técnicas e operacionais permitam, pelo DECEA, que a separação radar horizontal mínima poderá ser reduzida para até 3 NM; • Quando a separação mínima horizontal entre uma aeronave que decola e outra em aproximação final nunca poderá ser inferior a 3 NM, de acordo com o estabelecido entre APP e TWR. Nesse caso, considera-se que a aero- nave que decola terá ultrapassado o final da pista. Entretanto, a separação horizontal mínima entre aeronaves será de 10 NM quando somente o radar de rota estiver operando em TMA ou CTR. Também deverão ser aplicados os mínimos de separação de acordo com as esteiras de turbulência, caso excedam os mínimos previstos. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 96 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 96 27/04/20 10:18 Serviço de informação aeronáutica De maneira geral, o serviço de informação aeronáutica (AIS) é aquele em que a finalidade principal é coletar, gerar, processar e divulgar infor- mações necessárias para o voo, a fim de garantir segurança, regularidade e eficiência da navegação aérea. A obtenção de informações é responsabilidade do piloto em comando da aeronave, e as informações deverão estar à sua disposição na sala AIS, ou através do site AIS Web. A sala AIS é um órgão que possui o objetivo de coletar, selecionar e fornecer aos pilotos diversas informações aeronáuticas para a realização segura de um voo, além de receber e processar mensagens ATS. Além do mais, é a responsável por receber o plano de voo e, geralmente, fica si- tuada em um local de fácil acesso. Sua identificação se dá através de um painel com a letra C, em preto, em um fundo amarelo. Figura 1. Símbolo da sala AIS. Fonte: BIANCHINI, 2019, p. 185. O NOTAM funciona como um aviso em que há informações relativas ao estabelecimento, condição ou modifi cação de instalações, serviços, proce- dimentos ou perigos aeronáuticos. O conhecimento dessas informações é indispensável para a pessoa que desempenha operações aeronáuticas. As informações deverão ser divulgadas de forma imediata sempre que forem de caráter temporário e quando forem de caráter permanente, mas não haja tempo sufi ciente para divulgá-la através de publicações de infor- mações aeronáuticas. C REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 97 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 97 27/04/20 10:18 Quando houver uma informação importante para as operações aéreas e de interesse imediato, o NOTAM deve ser elaborado e emitido. As situações possíveis são: • Quando for de curta duração; • Quando for permanente, mas não haja tempo suficiente para divulgar di- retamente na AIP; • Quando for de longa duração, mas não haja prazo para publicação no Su- plemento AIP. O Manual auxiliar de rotas aéreas, mais conhecido como ROTAER, serve para o planejamento e na realização do voo, que deve ser utilizado para a con- sulta de diversas informações relacionadas ao aeródromo, como por exemplo: • Indicador de localidade; • Coordenadas geográficas; • Horário de operação; • Dimensões e pavimento da pista; • Iluminação da pista; • Fuso horário do aeródromo; • Telefones úteis; • Tipos de combustível para o abastecimento; • Frequências de auxílio-rádio; • Frequências de comunicação. Figura 2. Exemplo de NOTAM expedido em SBCT. Fonte: Ais Web. Acesso em: 17/04/2020. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 98 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 98 27/04/20 10:21 O boletim de informação prévia ao voo (PIB) é um documento, impresso dos NOTAM, que está em vigor em uma determinada área de abrangência; em que há um período especificado, preparado pela sala AIS ou emitido através do Banco de NOTAM; e onde o objetivo é atender às necessidades do planejamen- to de voo por parte dos pilotos em comando. AIP é a publicação de informação aeronáutica. Ela contém diversas informa- ções que são de caráter permanente e essenciais para a navegação aérea. Seu objetivo é a troca internacional de informações aeronáuticas. Dessa maneira, os exploradores e pilotos de aeronave poderão ter acesso a informações relaciona- das aos procedimentos, serviços e instalações relativas à navegação aérea que poderão ser utilizadas. A AIP é apresentada de forma impressa e com separação através de capítulos, que são generalidades (GEN), rotas (ENR) e aeródromos (AD). Figura 3. Conteúdos presentes na AIP. Fonte: BIANCHINI, 2019, p. 187. O suplemento AIP contém informações sobre modificações de caráter temporário, que são informações da AIP divulgadas em páginas especiais. A diferença das publicações são: • Publicações temporárias de duração igual ou superior a três meses; • Publicações temporárias de duração inferior a três meses, desde que o leitor as receba antes de entrarem em vigor; • Publicações que contenham gráficos ou procedimentos ATS. Generalidades (GEN) GEN 0 Prefácio AD 0 Prefácio ENR 0 Prefácio GEN 1 Regulamentos e requisitos nacionais AD 1 Introdução aos aeródromos/heliportos ENR 1 Regras e procedimentos gerais ENR 2 Espaço áereo ATS ENR 3 Rotas ATS GEN 2 Tabelas e códigos AD 2 Aeródromos GEN 3 Serviços AD 3 Heliportos GEN 4 Direitos pelo uso de aeródromos/ heliportose serviços de navegação aérea ENR 4 Auxílios rádio e sistemas para navegação ENR 5 Alertas pela navegação ENR 6 Cartas de navegação em rota Rotas (ENR) Aeródromos (AD) REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 99 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 99 27/04/20 10:21 Figura 4. Exemplo de suplemento AIP em SBSP. Fonte: Ais Web. Acesso em: 17/04/2020. O circular de informação aeronáutica (AIC) é uma publicação em que não é requerida a expedição de um NOTAM ou a inclusão na AIP, mas seu conteúdo é relacionado à segurança de voo, navegação aérea ou a outros assuntos de caráter técnico, administrativo ou legislativo. Serviço de informação de voo O serviço de informação de voo é oferecido a todas as aeronaves no espaço aéreo brasileiro, desde que mantenham comunicação bilateral com REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 100 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 100 27/04/20 10:22 algum órgão ATS, ou quando for solicitado pelo pi- loto. O serviço prestado não isenta o piloto de suas responsabilidades. Quando o órgão ATS prestar de forma simultâ- nea o serviço de informação de voo e o serviço de controle de tráfego aéreo, a prestação do contro- le de tráfego aéreo terá prioridade sobre o de informação de voo. As informações atribuídas às aeronaves serão relacionadas a: • SIGMET e AIRMET (avisos em rota); • Possíveis atividades de nuvens de cinza vulcânica; • Lançamento de materiais radioativos ou substâncias químicas tóxi- cas, na atmosfera; • Mudanças na condição operacional de auxílios à navegação; • Mudanças nas condições de aeródromos ou serviços, incluindo infor- mações sobre condições de áreas de movimento do aeródromo se afe- tadas por neve, gelo ou quantidade significativas de água; • Movimentações de balões livres não tripulados; • Previsão de informação referente a condições meteorológicas repor- tadas ou previstas em aeródromos de partidas, destino e alternativa; • Possível risco de colisão para aeronaves operando em espaços aéreos de Classe C, D, E, F e G; • Outras informações pertinentes à segurança da navegação aérea. Sempre que possível, o órgão ATS deverá transmitir aeronotificações espe- ciais (AIREP especial) para outras aeronaves envolvidas, para os órgãos meteo- rológicos relacionados e para outros órgãos ATS envolvidos. Para voos não con- trolados, as informações relativas à progressão efetiva dos voos deverão ser: • Registradas por órgão ATS responsável pela região de informação de voo na qual a aeronave está voando. Dessa forma, deverá permitir in- formações de tráfego e apoio em ações de busca e salvamento; • Transmitidas de um órgão ATS para o órgão ATS seguinte que esteja envolvido. A responsabilidade da prestação do serviço de informação de voo será transferida do órgão ATS responsável por uma região de informação de voo REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 101 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 101 27/04/20 10:22 ao órgão ATS responsável pela região de informação de voo no ponto de cru- zamento do limite comum das regiões. A informação deve ser transmitida às aeronaves por um ou mais dos seguintes meios: • Método preferido de transmissão direta à aeronave através da ini- ciativa do órgão ATS, em que se deverá ter certeza do recebimento da mensagem; • Uma chamada a todas as aeronaves interessadas, em que não há in- formação do recebimento; • Radiodifusão. EXPLICANDO Em algumas fases do voo como, por exemplo, na última fase de aproxima- ção, pode ser complicado acusar o recebimento das transmissões diretas. No entanto, a utilização de chamadas gerais deve se limitar para casos em que haja grande necessidade imediata e a informação seja essencial para diversas aeronaves. Um exemplo é uma situação de perigo de pista em uso ou inoperância de algum auxílio para aproximação e pouso. As transmissões de informação SIGMET, ou Significant Meteorological In- formation, deverão cobrir uma parte da rota de, aproximadamente, até uma hora de voo à frente da posição a aeronave. A SIGMET é uma mensagem em lin- guagem abreviada expedida por um centro meteorológico de vigilância acerca de fenômenos previstos ou visualizados em rota que poderão afetar as aerona- ves voando acima do FL 100. Já os informes especiais e correções em previsão de aeródromo deverão ser transmitidos por: • Transmissão direta; • Chamada geral em frequências apropriadas para as aeronaves inte- ressadas, em que não há confirmação de recebimento; • Através de radiodifusões contínuas, ou frequentes, de informações e previsões vigentes em áreas determinadas, quando a densidade de tráfego aéreo exigir. CURIOSIDADE A SIGMET, em casos de voos supersônicos ou transônicos, é denominada de SIGMET SST. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 102 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 102 27/04/20 10:22 O serviço de assessoramento de tráfego aéreo possui o objetivo de tor- nar a informação sobre perigos de colisão mais efi cientes do que somente uma prestação do serviço de informação de voo. Além do mais, será realizado para todas as aeronaves em voo IFR em espaços aéreos de assoreamento, ou em rotas de assessoramento, no caso, os espaços aéreos de classe F. Estes espaços ou rotas são especifi cados em cartas aeronáuticas publicados pelo DECEA. Entretanto, o serviço de assessoramento de tráfego aéreo não disponibiliza o mesmo grau de segurança e não poderá assumir as mesmas responsabilidades do serviço de controle de tráfego aéreo, no sentido de prevenção de colisões, pois as informações relativas ao tráfego nessa área poderão ser incompletas. Durante o serviço de assessoramento de tráfego aéreo, as aeronaves sob regras de voo IFR devem cumprir os mesmos procedimentos aplicados em voos IFR controlados, apenas com as seguintes exceções: • Plano de voo e mudanças do mesmo não estando sujeitos a autorizações; • O piloto em comando pode decidir seguir, ou não, as sugestões, e deverá comunicar suas decisões ao órgão que presta o serviço de as- sessoramento de tráfego aéreo. Para os órgãos ATS que prestam o serviço de assessoramento de tráfego aéreo, competem: • Sugerir às aeronaves que decolem em horário especificado e que voem em níveis de cruzeiro indicados no plano de voo, caso não se te- nha previsão de conflito com outro tráfego conhecido; • Sugerir às aeronaves sobre as medidas preventivas para evitar possí- veis riscos, oferecendo prioridades a uma aeronave que já estiver voan- do em rota de assessoramento, sobre outras que desejam adentrar em tal espaço aéreo; • Transmitir às aeronaves informações e avisos relacionados ao tráfego, e como evitá-lo. Serviço automático de informação terminal (ATIS) O ATIS, ou serviço automático de informação terminal, é uma transmis- são automática contínua de informações. Atua como uma provisão auto- mática. Sempre que se for prestado um ATIS, deverá ser observado: REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 103 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 103 27/04/20 10:22 • Cada transmissão deve se referir a somente um aeródromo; • A radiodifusão deve ser contínua e reiterada; • A mensagem é transmitida no menor espaço de tempo possível e deverá se ter o cuidado para que o perfeito entendimento não seja prejudicado pela velocidade ou transmissão de sinal de identificação do auxílio à navegação utilizado em transmissões de radiodifusão ATS, quando for este o caso; • Informações transmitidas deverão ser atualizadas imediatamente quando ocorrem variações significativas; • A mensagem ATIS é preparada pelo órgão ATS; • As informações ATIS são identificadas através de um designador represen- tado por uma letra do alfabeto. Os designadores usados em informações ATIS consecutivas deverão seguir a ordem alfabética, e a sequência é reini- ciada às 0000 UTC; • As aeronaves deverão informar o recebimento da informação ATIS trans- mitida quando forem estabelecidas as comunicações com o controle de aproximação ou com a torre de controle do aeródromo; • O órgão ATS deve informaràs aeronaves sobre o ajuste de altímetro (QNH) atualizado, ao responder mensagens ou em caso de aeronaves chegando em qualquer outra posição prevista nos procedimentos em vigor. O conteúdo das transmissões ATIS serão através de radiodifusão, para aeronaves chegando. Quando for possível, todas as radiodifusões ATIS deverão ser transmitidas pelo canal de radiodifusão de um auxílio à na- vegação em VHF e relacionado com a aproximação inicial. Caso contrário, deverão ser transmitidas em uma frequência VHF específica. Essas infor- mações são gravadas em português e em inglês. A cobertura da radiodifu- são ATIS deve ser, no mínimo, igual à proporcionada pelas comunicações VHF do órgão de controle de tráfego aéreo responsável pela TMA. Quando houver informação meteorológica em tempo real, mas os da- dos atenderem aos critérios de mudança significativa (SPECI), o conteúdo deverá ser considerado identificado, devido a finalidade de se manter o designador da mensagem ATIS. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 104 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 104 27/04/20 10:22 Se, devido a mudanças rápidas em condições meteorológicas, a trans- missão do informe meteorológico for desaconselhável pelo ATIS, as men- sagens deverão indicar que esta informação será transmitida pelo órgão ATS pertinente. Caso uma aeronave confirme o recebimento de um ATIS desatualizado, a informação corrigida deve ser transmitida imediatamente à aeronave. As mensagens ATIS enviadas simultaneamente às aeronaves que che- gam e às que saem deverão conter todas as informações abaixo, quando possível, e seguindo a ordem: 1. Nome do aeródromo, informação de chegada, tipo de contrato, se a co- municação é mediante D-ATIS, designador e hora de observação; 2. Tipos de aproximações esperadas; 3. Pistas selecionadas e em uso; 4. Informações significativas sobre as condições da pista; 5. Atrasos devido a espera, se apropriado; 6. Nível de transição; 7. Outras informações essenciais à operação, se for o caso; 8. Direção e velocidade do vento de superfície e suas variações significativas; 9. Visibilidade, incluindo as variações e o alcance visual da pista, caso esteja disponível; 10. Condições meteorológicas atuais; 11. Quantidade e altura da base das nuvens ou teto; 12. Temperatura do ar; 13. Ajuste de altímetro (QNH); 14. Outras informações meteorológicas, incluindo previsão, se houver; 15. Instruções para o piloto acusar o recebimento da mensagem ATIS. As características de informações contidas nos ATIS serão as seguintes: • Direção e velocidade do vento: a direção do vento é informada em graus magnéticos e a velocidade em nós. Deverá ser proporcionada a variação direcional, quando esta variação total for de 60 graus, ou mais, e com velo- cidade superior a 5 nós. Deverão ser indicadas as direções extremas entre as quais há variação do vento. As variações de velocidade (rajadas) serão informadas apenas quando iguais ou superiores a 10 nós e serão expressas pelos valores máximos e mínimos; REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 105 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 105 27/04/20 10:22 • Condições meteorológicas presentes: são informadas através de termos, como chuvisco, nevoeiro, granizo, chuva, CAVOK etc.; • Quantidade e altura da base de nuvens: valores e quantidades de nuvens são proporcionados em oitavos. Quanto ao tipo, somente se forem cumulo- nimbus. A altura da base será medida em pés; • Visibilidade: quando a visibilidade for de 5000 metros ou menos, será informada em metros, com intervalo de 100 metros. Porém, quando for superior a 5000 metros, mas inferior a 10 km, será informado em quilôme- tros. Quando for igual ou superior a 10 km, somente se dará a visibilidade maior do que 10 km. Além disso, quando existirem variações significativas de visibilidade, deverão ser informados valores adicionais com indicações de direção observada. Os valores do alcance visual na pista, RVR, até 800 metros deverão ser informados em intervalos de 30 a 60 metros. Os valo- res superiores a 800 metros serão informados em intervalos de 100 me- tros. Os valores do alcance visual na pista, que não se ajustem à escala de notificação utilizada, deverão ser arredondados para o valor imediata- mente inferior ao da escala; • Ajuste de altímetro: deverá ser informado em hectopascal, arredondado para o inteiro inferior mais próximo; • Temperatura: deverá ser informada em graus Celsius inteiros; • Outras informações meteorológicas significativas: deverão incluir toda e qualquer informação disponível sobre condições meteorológicas em áreas de aproximação, de aproximação perdida ou de subida inicial. Além de contar com refe- rência à localização dos cumulo- nimbos, turbulência moderada ou forte, gradiente de vento, granizo, chuva etc. Para sintonizar a frequência do ATIS, o piloto em comando deve se cer- tificar de que o aeródromo em questão dispõe desse serviço, portanto cartas relativas a este aeródromo deverão ser consultadas. É interessante que o piloto em comando sintonize a frequência do ATIS durante a prepa- Figura 5. Nuvem tipo cumulonimbus. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 17/04/2020. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 106 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 106 27/04/20 10:23 São Paulo / Congonhas (SBSP) SP - Brasil Carta de aeródromo (ADC) AD ELEV: 2631’ ARP S23 37 34 W046 39 23 D-ATIS 127.65 D-CL 120.60 GNDC 121.90 TWR 118.05 1180.35 127.15 APRON NIL Figura 6. Frequência ATIS. Fonte: Ais Web. Acesso em: 17/04/2020. Serviço de informação de voo em aeródromo (AFIS) O serviço de informação de voo em aeródromo, conhecido como AFIS, pos- sui o objetivo de proporcionar informações que assegurem a condição efi caz do tráfego aéreo em aeródromos que não possuam órgão ATC, ou que não estejam em seu horário de funcionamento. O AFIS é prestado através de uma estação aeronáutica, nomeado também de órgão AFIS, geralmente localizada no aeródromo, ou remotamente, e identifi cado como rádio. O órgão ATS presta o serviço de informação de voo e o serviço de aler- ta a todo o tráfego em operação na área de movimento do aeródromo, e para todas as aeronaves no espaço aéreo de classe G que estiverem nas imediações. O AFIS geralmente é prestado dentro de uma zona de informação de voo (FIZ), divulgada através da IAIP, e sua configuração é definida visando às características e necessidades operacionais da localidade. Na FIZ não há prestação de serviço de controle de tráfego aéreo, portanto autorizações de controle de tráfego aéreo não serão realizadas. O órgão AFIS divulgará as informações conhecidas, algumas delas reportadas pelos próprios pilo- tos que estão operando na localidade, ou nas proximidades. ração da cabine para o voo, em solo e durante o planejamento da descida. Caso o aeródromo não disponha de ATIS, o controlador da TWR fornecerá as informações meteorológicas e outras informações relativas à operação no aeródromo. No caso da Figura 6, é possível verificar o ATIS na carta de aeródromo (ADC) do aeroporto de São Paulo: REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 107 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 107 27/04/20 10:23 Se a localidade não for disponibilizada de uma FIZ publi- cada, o AFIS será prestado a todas as aeronaves em voo no espaço aéreo ATS, classe G, abaixo do FL 145 e em um raio de 27 NM (50 km) do aeródromo. Os elementos básicos de informação para aeronaves proporcio- nados pelo AFIS serão: • Direção e velocidade do vento na superfície, incluin- do variações significativas; • Ajuste de altímetro (QNH), arredondado para o hectopascal inteiro infe- rior mais próximo; • Temperatura do ar na pista; • Visibilidade do setor de decolagem e de subida inicial, ou no setor de aproximação e pouso. Se ela for menor que 10 km, ou o valor atual do RVR da pista em uso; • Condições meteorológicas significativas no setor de decolagem e de subi- da inicial, ou no setor de aproximação e pouso; • Condiçõesmeteorológicas atuais e a quantidade e altura da base da ca- mada de nuvens mais baixas. Com base para aeronaves executando uma aproximação IMC; • Outras informações para o piloto na escolha da melhor pista para utilização. Além dessas informações, deverão ser incluídos a pista e o circuito de tráfego utilizado por outras aeronaves e, quando o piloto solicitar, o com- primento da pista e/ou a distância entre uma interseção e o final da pista. Além do mais, algumas informações sobre o aeródromo, como: • Informações conhecidas de aeronaves, veículos ou pessoas na proxi- midade da área de manobras. Além de aeronaves que estejam operando nas proximidades do aeródromo e que possam apresentar algum risco; • Informações sobre as condições do aeródromo; • Informações sobre obras de construção ou manutenção em área de manobras, ou áreas adjacentes a ela; • Possíveis partes irregulares ou danificadas da superfície da pista ou na pista de táxi que estejam, ou não, sinalizadas; • Água na pista; REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 108 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 108 27/04/20 10:23 • Aeronaves estacionadas; • Perigos ocasionais, como passageiros em solo ou no ar; • Mau funcionamento ou avaria de uma parte ou de todo o sistema de iluminação do aeródromo; • Informações sobre mudanças do estado operacional de auxílios visuais e não visuais essenciais ao tráfego do aeródromo; • Informações de VHF-DF, caso o órgão dispuser do equipamento de operação; • Mensagens e autorizações provenientes de outros órgãos ATS para retransmissão à aeronave; • Outras informações pertinentes à segurança de voo. A Figura 7 representa o exemplo da frequência do AFIS em uma carta: IAC – SBKG ATIS NIL APP NIL AFIS Campina Grande 125.500 GNDC NIL W GS -8 4 CAMPINA GRANDE / PRESIDENTE JOÃO SUASSUNA PB - BRASIL NDB RWY 15 Figura 7. Frequência AFIS em SBKG. Fonte: Ais Web. Acesso em: 17/04/2020. As operações de aeronaves sem equipamento rádio, ou que estejam inope- rantes, são vedadas em aeródromos providos de AFIS, salvo nos casos em que haja prévia coordenação e em horários que não causem prejuízo, como: • Voo de traslado de aeronaves sem rádio; • Voo de aeronaves agrícolas sem rádio; • Voo de planadores e de aeronaves sem rádio, pertencentes a aero- clubes sediados nesses aeródromos. O piloto em comando possui total responsabilidade durante as operações de aproximação, pouso, movimento de superfície e de saída, portanto é de sua responsabilidade o reporte ao órgão AFIS com as seguintes informações: • Procedimento de aproximação ou de saída por instrumentos, que será executado, bem como as fases desse procedimento. Informar sobre as altitudes, ou níveis, de voo que forem atingidos; REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 109 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 109 27/04/20 10:23 • Pista selecionada, antes de entrar no circuito de tráfego do aeródro- mo ou início do táxi; • Posições críticas no táxi e no circuito de tráfego do aeródromo; • Horário de pouso e decolagem; • Situação do trem de pouso, baixado e travado, quando a aeronave se encontrar na perna base do circuito de tráfego, ou na aproximação final de algum procedimento IFR. Caso a operação seja realizada em aeródromo não controlado, have- rá procedimentos a serem cumpridos, no entanto esses não dispensam o cumprimento das regras do ar, além dos requisitos de voo relacionados à classificação do espaço aéreo ATS utilizado. Uma aeronave operando em espaço aéreo inferior, em um raio de 27 NM (50 km) do aeródromo que presta o serviço AFIS, deverá manter escuta do ór- gão por esse serviço, a fim de obter coordenação e informação de voo. A aeronave operando em aeródromo que não possua órgão ATS local, ou que tenha horário de funcionamento, deverá utilizar a frequência para coorde- nação entre aeronaves (FCA), a fim de garantir a segurança da navegação aérea nas proximidades do aeródromo em questão. Caso esteja em um aeródromo que não possua órgão ATS local, o piloto deve utilizar a FCA definida em uma AIP para o aeródromo. E, desde que não haja um procedimento específico para o aeródromo, a FCA deve ser utilizada da seguinte maneira, para uma aeronave partindo: • Manter escuta desde a partida dos moto- res até 10 NM do aeródromo; • Transmitir sua posição antes de ingressar na pista para iniciar a deco- lagem. Para uma aeronave chegando: • Manter escuta a partir do 10 NM do ae- ródromo até o corte dos motores; • Transmitir sua posição e intenção ao ingressar na perna do vento, durante a aproximação final, ao livrar a RWY e ao iniciar a arremetida, se for o caso. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 110 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 110 27/04/20 10:23 Correção QNE A correção QNE possui a fi nalidade de apresentar a utilização para o cálculo de altitude mínima de cruzeiro para voos IFR. Os padrões e procedimentos são de caráter compulsório para todas as aeronaves IFR voando em espaço aéreo brasileiro, e os elementos básicos presentes no cálculo foram apresentados pelo Brasil durante conferência da OACI (Organização de Aviação Civil Interna- cional) em sua sede em Montreal. Além do mais, as instruções foram unanime- mente aceitas. Algumas defi nições para o melhor entendimento: • QNE: corresponde à altitude fictícia de algum ponto, indicado por um altímetro ajustado para a pressão padrão (1013.2 hPa); • QFE: corresponde ao ajuste zero, ou seja, a pressão barométrica redu- zida ao nível médio da pista. É fornecida apenas com o pedido do piloto; • QFF: corresponde à pressão barométrica reduzida ao nível médio do mar de acordo com a atmosfera real existente naquele local; • QNH: corresponde ao ajuste de altímetro, ou seja, uma pressão introduzida na subescala do altímetro de uma aeronave, que fará com que haja a indicação da altitude oficial do aeródromo, quando a aero- nave se encontrar em solo. Portanto, a altitude mínima de cruzeiro é obtida da seguinte maneira: • Procura-se a altitude do ponto mais elevado dentro de uma faixa de 30 km para cada lado do eixo da rota; • Irá somar a maior correção QNE da rota; • Somam-se 300 metros (1000 pés). Caso o valor encontrado não cor- responda a um nível de voo, deverá ser arredondado para o nível de voo IFR acima. Para regiões montanhosas deverá ser adicionado 600 metros (2000 pés). As altitudes mínimas de cruzeiro que estão indicadas em cartas de rota (ENRC), as altitudes de início dos procedimentos de descida e altitudes mínimas de segurança, por setor e em cartas de aproximação por instrumentos, são calculadas de acordo com a correção QNE. Para os pilotos, é importante que ao planejarem os voos IFR, sejam aplicados o método citado, a fi m de obter a altitude mínima de cruzeiro. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 111 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 111 27/04/20 10:23 Sintetizando Durante o primeiro tópico, o tema abordado foi de serviço de vigilância ATS. Nele foram tratados assuntos como a vetoração, que é de grande importância para o piloto, onde ele navega com o auxílio do controlador de voo. Isso, me- diante a situações requeridas pelo piloto, por não saber como proceder me- diante algum procedimento, além de outros motivos. Também vimos a indica- ção de como o serviço de vetoração se encerra e suas funções. No segundo tópico falamos sobre o serviço de informação aeronáutica, e foram apresentados a sala AIS, o NOTAM e o AIP, que são de grande importân- cia para manter o piloto atualizado com informações pertinentes ao aeródro- mo de destino. Depois, iniciamos o tópico de serviço de informação de voo, no qual foram apresentados o SIGMET e o serviço de assessoramento de tráfego aéreo, que possui a finalidade de informar sobre possíveis colisões, para preve- ni-las, garantindo o aumento da eficiência na segurança de voo. Também aprendemos sobre o serviço automático de informação terminal, conhecido também como ATIS, que se trata de uma transmissão automáticapara os pilotos e que possui o objetivo de informá-lo de condições meteorológi- cas e de tráfego aéreo, além de descongestionar os controles de tráfego aéreo através da transmissão automática. Aprendemos sobre o serviço de informa- ção de voo em aeródromo, conhecido como AFIS e que é prestado dentro de uma FIZ, e que possui o objetivo de manter as aeronaves informadas quando em aeródromos em que não há serviços ATC. Para encerrar a unidade abordamos, de forma breve, sobre a correção QNE. Que é um cálculo que possui a finalidade de encontrar a altitude mínima de cruzeiro. É importante que o piloto o conheça para que seu planejamento seja eficaz e que, se for o caso, não dependa de informações externas para consulta. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 112 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 112 27/04/20 10:23 Referências bibliográficas AIS WEB. Carta de aeródromo ADC - Aeroporto de São Paulo SBSP. Disponível em: . Acesso em: 17 abr. 2020. AIS WEB. Carta de aproximação IAC - Aeroporto de Campina Grande SBKG. Dis- ponível em: . Acesso em: 17 abr. 2020. AIS WEB. Exemplo de NOTAM em SBCT - Aeroporto Afonso Pena em Curitiba/PR. Disponível em: . Acesso em: 17 abr. 2020. AIS WEB. Exemplo de suplemento AIP em SBSP - Aeroporto de Congonhas em São Paulo/SP. Disponível em: . Acesso em: 17 abr. 2020. BIANCHINI, D. Regulamentos de tráfego aéreo VFR e IFR 2019. 8. ed. São Paulo: Bianch, 2019. DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AÉREO. Correção QNE, ICA 100-12. Rio de Janeiro: DECEA, 2016. DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AÉREO. Serviços de tráfego aéreo, ICA 100-37. Rio de Janeiro: DECEA, 2019. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 113 SER_CA_RETRAA_UNID4.indd 113 27/04/20 10:23ATC. O voo VFR não é efetuado sobre cidades, povoados, lugares habitados ou sobre grupos de pessoas ao ar livre, em altura inferior a 1.000 pés (300 me- tros) acima do obstáculo mais alto existente em um raio de 600 metros em torno da aeronave, exceto em pousos e decolagens. Em outros locais, diferen- tes dos citados anteriormente, o voo não é concretizado em altura inferior a 500 pés (150 metros) acima do solo ou água. A responsabilidade em providenciar a separação da aeronave no tocante a obstáculos e outras aeronaves por meio da visão compete ao piloto em co- mando, exceto em espaço aéreo de classe B, onde a separação é promovida pelo órgão ATC. Quando estiver nas proximidades de um aeródro- mo ou durante o táxi, o piloto mantém escuta na fre- quência apropriada da TWR no mesmo momento em que acionar os motores até a parada fi nal dos mes- mos. Além disso, ele transmite, quando necessário e a qualquer momento, na frequência de escuta da TWR. É necessário ainda cumprir todas as orientações de tráfego aéreo emitidas e realizar a chamada inicial à TWR, notifi cando ao atingir as posições críticas. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 15 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 15 27/04/20 10:21 As posições críticas são aquelas em que as aeronaves recebem diferentes autorizações provenientes da TWR através de radiotelefonia ou sinais lumino- sos. O piloto em comando observa as instruções e a TWR fornece a autorização o mais rápido possível para que outras operações aéreas não sejam prejudi- cadas pela demora. Compostas por seis posições críticas, representadas no Diagrama 1, elas estão listadas a seguir: • Posição crítica 1: aeronave partindo ou dirigindo-se para outro local do aeródromo notifica o TWR para o táxi. Se for preciso, as informações da pista e autorização para táxi são dadas; • Posição crítica 2: classificado como ponto de espera. Se houver tráfego, a aeronave que deseja partir é mantida nesse ponto a 90º com a direção do pouso. Em geral, os motores são testados nessa posição; • Posição crítica 3: é dada autorização para decolagem, caso não tenha sido efetuada na posição 2; • Posição crítica 4: autorização para pouso ou número da sequência para pouso; • Posição crítica 5: são comunicados o horário de pouso e a autorização para seguir até o pátio ou hangares. O transponder é desligado; • Posição crítica 6: se necessário, são transmitidas instruções para o estacionamento. DIAGRAMA 1. CIRCUITO DE TRÁFEGO AÉREO E POSIÇÕES CRÍTICAS Fonte: Estude Aviação, 2011. (Adaptado). Pista em uso Pis ta de tá xi Estacionamento 4 3 5 2 1 6 REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 16 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 16 27/04/20 10:21 O circuito de tráfego padrão possui cinco elementos básicos: • Perna contra o vento: trajetória paralela à pista, no sentido do pouso; • Perna de través: trajetória perpendicular à pista, entre a perna contra o vento e a perna do vento; • Perna do vento: trajetória de voo paralela à pista, entre a perna do vento e a reta final; • Perna base: trajetória perpendicular ao eixo da pista, quando a aeronave está se preparando para entrar na reta final; • Reta final: trajetória de voo no sentido do pouso e no prolongamento do eixo da pista localizada entre a perna base e a cabeceira da pista. DIAGRAMA 2. ELEMENTOS BÁSICOS DO CIRCUITO DE TRÁFEGO AÉREO Fonte: Estude Aviação, 2011. (Adaptado). Quanto à prioridade para pouso e decolagem, a aeronave que estiver pou- sando ou na aproximação final para pouso tem prioridade sobre uma que esti- ver prestes a partir. As partidas são liberadas pela ordem em que as aeronaves confirmam que estão prontas para a decolagem, mas ocorrem exceções, se- guindo uma ordem diferente que possibilite mais partidas em menos tempo. Na decolagem, independente da sequência em que o táxi for iniciado ou que chegarem à posição 2, a prioridade é: • Aeronave em missão de defesa aeroespacial; • Aeronave militar em missão de guerra ou de segurança interna; Direção do pouso Reta final Perna do vento Pe rn a ba se Pista Perna contra o vento Pe rn a de tr av és REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 17 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 17 27/04/20 10:21 • Aeronave transportando ou que transportará enfermo ou paciente lesio- nado em estado grave que necessita de assistência médica urgente, ou ainda órgão vital para transplante em corpo humano; • Aeronave em operação SAR; • Aeronave transportando o Presidente da República; • Aeronave em operação militar, como manobra militar; • Outras aeronaves, em sequência estabelecida pelo órgão de controle. Já no pouso, exceto em uma emergência, a ordem é: • Planadores; • Aeronave transportando ou que transportará enfermo ou pa- ciente lesionado em estado grave que necessita de assistência médica urgente ou órgão vital para transplante em corpo humano; • Aeronave em operação SAR; • Aeronave militar em missão de guerra ou de segu- rança interna; • Aeronave conduzindo o Presidente da República; • Aeronave em operação militar, como manobra militar; • Outras aeronaves, em sequência estabelecida pelo órgão de controle. EXPLICANDO Em geral, a aeronave que esteja em aproximação final por instrumen- tos terá prioridade sobre outra aeronave que estiver em circuito de tráfego visual. Em voos simulados por instrumentos, uma aeronave não voa sem que o duplo comando esteja em pleno funcionamento ou que não esteja instalado, tornando necessário que um piloto qualificado esteja em comando para atuar como piloto de segurança para a pessoa que, de for- ma simulada, voa em instrumentos. O piloto de segu- rança deve ter condições visuais para frente e para as laterais, mas, se preciso, um observador qualificado complementa a visão do piloto de segurança, perma- necendo em comunicação com o piloto a bordo. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 18 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 18 27/04/20 10:21 Regras de voo IFR Aeronaves que estejam voando por instrumentos devem portar ferramen- tas adequadas e equipamentos de navegação apropriados à rota, regra aplicá- vel a todos os voos IFR. Exceto em pousos ou decolagens, o voo IFR respeita o nível mínimo de voo estabelecido para a rota: Nível mínimo de aerovia: corresponde ao nível de voo estabelecido e indi- cado nos trechos de aerovias constantes nas ENRC; Nível mínimo IFR fora de aerovia: o comandante calcula o nível mínimo para voo IFR para de aerovia obedecendo aos seguintes critérios: 1. O comandante procura a altitude do ponto mais elevado dentro de uma faixa de 30 km (16 NM) para cada lado do eixo da rota; 2. Então, é somada a maior correção QNE da rota; 3. Depois, somam-se 300 metros (1.000 ft). Se o valor resultante não corres- ponder a um nível de voo, o nível de voo IFR é arredondado para cima; 4. Em voo sobre regiões montanhosas, o valor a ser somado no passo 3 é de 600 metros (2.000 ft). Para mudanças de voo IFR para VFR, a aeronave atuando por instrumentos notifi ca sua intenção ao órgão ATS sobre o cancelamento do voo IFR e sobre qualquer outra mudança no plano de voo em vigor. No momento que a aerona- ve voa ou quando se encontra em condições meteorológicas VFR, o piloto em comando não cancela seu voo IFR por obrigação, apenas se tiver a previsão que o voo continuará durante um bom período de tempo sob voo visual. Em situa- ções específi cas, a critério do DECEA, o piloto mantém o voo por instrumento, mesmo em voo visual. Os voos IFR dentro do espaço aéreo controlado devem estar atentos às no- tifi cações do serviço de controle de tráfego aéreo. O piloto em comando da aeronave notifi ca o controle de tráfego aéreo caso haja algum mau funciona- mento em equipamento de navegação, de aproximação ou de comunicação. Junto com esses elementos, o piloto transmite a identifi cação da aeronave, qual equipamento foi afetado, quão prejudicadaestá a capacidade de operar IFR e o que o controle de tráfego aéreo pode fazer para prestar assistência. Os níveis de cruzeiro para voar em rotas ATS ou fora delas são considera- dos conforme o Diagrama 3, em função de seu rumo magnético, exceto: REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 19 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 19 27/04/20 10:21 • Quando autorizado em contrário pelo ACC responsável; • Para permitir a continuidade dos níveis ao longo de alguns trechos de rota que estejam previstos em Cartas de Rota (ENRC) com níveis mínimos invertidos em relação aos da tabela. Em situações assim, são selecionados os níveis conti- dos no mesmo semicírculo de rumos magnéticos do nível mínimo estabelecido para a rota no sentido de voo desejado; • Em rotas ATS que, devido a necessidades funcionais, tenham sentidos pre- determinados em ENRC, todos os níveis são aproveitados nas mesmas. DIAGRAMA 3. NÍVEIS DE CRUZEIRO PARA VOO IFR Fonte: ROTAER, 2016. (Adaptado). O voo IFR dentro de áreas específicas, ou em rotas que estão fora do espaço aéreo controlado, permanece em escuta adequada e atenta, a fim de estabelecer comunicação com o órgão ATS que proporcione serviço de informação de voo. Quando o comandante estiver voando fora de espaço aéreo controlado, ele tem o dever de comunicar sua posição, segundo as regras para voos controla- dos. Nas aeronaves em serviço de assessoramento de tráfego aéreo, se em- 35 9º 359º 179º 17 9º180º 000º 00 0º 18 0º 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240 260 280 300 320 340 360 380 400 430 470 510 etc. FL PÉS 2.000 4.000 6.000 8.000 10.000 12.000 14.000 16.000 18.000 20.000 22.000 24.000 26.000 28.000 30.000 32.000 34.000 36.000 38.000 40.000 43.000 47.000 51.000 30 50 70 90 110 130 150 170 190 210 230 250 270 290 310 330 350 370 390 410 450 490 530 etc. FL PÉS 3.000 5.000 7.000 9.000 11.000 13.000 15.000 17.000 19.000 21.000 23.000 25.000 27.000 29.000 31.000 33.000 35.000 37.000 39.000 41.000 45.000 49.000 53.000 REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 20 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 20 27/04/20 10:21 preendendo IFR dentro de rotas com estes serviços, têm que cumprir as regras previstas, mesmo que o plano de voo e suas modificações não estejam sujeitos a autorizações. As comunicações entre o comandante e o órgão pertinente são mantidas em todo o trajeto. Os requisitos para efetuar voo IFR em período diurno são: • Possuírem homologação os aeroportos de destino, de alternativa e de partida; • Caso o aeroporto de partida não tenha homologação para IFR, as condi- ções meteorológicas de decolagem são iguais ou superiores aos mínimos para VFR, com a aeronave decolando em VFR; • No aeroporto de partida, as condições meteorológicas no momento da decolagem devem ser iguais ou superiores aos mínimos para IFR; • O comandante deve se certificar que a aeronave mantém comunicação com órgão ATS. Os requisitos para voo IFR em período noturno são: • O aeroporto de partida deve ter homologação para IFR noturno, senão o voo só é realizado em período diurno; • Aeroportos de alternativa e destino devem ter homologação para IFR no- turnos. Se o horário estimado for diurno, a homologação IFR para período diur- no basta; • As condições meteorológicas no aeroporto de partida devem estar iguais ou superiores aos mínimos estabelecidos; • O comandante deve se certificar que a aeronave mantém comunicação com órgão ATS. Mínimos meteorológicos do aeródromo de decolagem Os mínimos meteorológicos para um voo IFR devem ser seguidos. Portanto, uma aeronave não decola de acordo com as regras específicas se o mínimo recomendado não for atingido. Mesmo estando no mínimo no aeró- dromo de decolagem, mas abaixo dos mínimos no aeródromo de destino, a aeronave não pode decolar, somente se optar por um aeródromo de alternativa a menos de uma hora de voo do aeródromo de decolagem. Já em aviões multimotores, a distância não pode ultra- passar uma hora de voo, levando em consideração a velocidade de cruzeiro com um motor inoperante. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 21 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 21 27/04/20 10:21 Mínimos meteorológicos do aeródromo de destino Para uma IFR, as previsões meteorológicas devem indicar que, no horário estima- do de chegada, as condições estejam no mínimo ou acima dos mínimos indicados. Mínimos meteorológicos do aeródromo de alternativa Ao indicar um aeródromo como sendo de alternativa, é necessário se certificar de que as previsões meteorológicas estejam no mínimo, ou acima desse nível, no horário estimado de chegada. Separação vertical mínima reduzida Em um espaço aéreo RVSM, ou seja, com separação vertical mínima reduzida, o operador e a aeronave precisam da aprovação da ANAC para atuar. Este espaço aéreo é de qualificação especial, onde o controlador de tráfego aéreo avisa e se- para verticalmente as aeronaves por, pelo menos, 1.000 pés entre os níveis FL 290 e FL 410 inclusive. O objetivo deste espaço aéreo é a redução vertical entre as aeronaves e permite que elas atinjam altitudes de melhor performance, resultando em economia de com- bustível e contribuindo para aumentar a capacidade de aeronaves no espaço aéreo. A tabela de níveis de cruzeiro IFR em espaço aéreo RVSM pode ser vista no Diagrama 4. DIAGRAMA 4. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO VFR E IFR Fonte: BIANCHINI, 2019, p. 255. (Adaptado). Requisitos de combustível para voos IFR Nas aeronaves turboélice ou com motores convencionais, a autonomia deve ser suficiente para chegar ao aeródromo de destino com mais 45 minutos de voo, sob 00 0° 180° 179° 359° FL PÉS 300 30.000 320 32.000 340 34.000 360 36.000 380 38.000 400 40.000 FL PÉS 290 29.000 310 31.000 330 33.000 350 35.000 370 37.000 390 39.000 410 41.000 REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 22 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 22 27/04/20 10:21 Leitura de IAC, SID e STAR As cartas aeronáuticas são meios de navegação aérea indispensáveis para o planejamento e a execução de um voo, apoiando o piloto em todas as etapas. As primeiras cartas aeronáuticas surgiram em meados da década de 1930, época em que os voos eram muito arriscados, em parte pela ausência de mapas de terreno e informes meteorológicos. O pioneiro em desenvolver manuais e cartas para que pilotos tivessem mais segurança em voo foi Elrey Borge Jeppesen, conhecido até hoje pelas Cartas Jeppesen, re- ferência na área de cartografi a aeronáutica. Na atualidade, as cartas aeronáuticas têm elementos como subsídios topográfi cos e aeronáuticos sujeitos a atualizações. Quando há mudanças, como o surgimento de obstáculos artifi ciais, criação de aerovias ou obras em aeródromos, elas são atualizadas, fazendo com que seja importante verifi car a data de efetivação para garantir se o material foi retifi cado. EXPLICANDO Subordinado ao DECEA, o Instituto de Cartografi a Aeronáutica produz e disponibiliza mapas, cartas e manuais necessários à condução dos voos, primando sempre pelo padrão internacional e representando o Comando da Aeronáutica brasileiro junto aos órgãos nacionais e internacionais li- gados à cartografi a e à aeronáutica. Há vários manuais que versam sobre assuntos ligados a aviação brasileira, consultados através de uma rápida pesquisa na internet, e orientam pilotos, profi ssionais da aviação civil e estudantes no que diz respeito às normas e padrões. consumo de combustível normal de cruzeiro, de modo a chegar em um aeródromo de alternativa mais distante. Para aeronaves com motor a reação, a autonomia deve ser sufi ciente para chegar ao aeródromo de destino e voar por um período de 10% do tempo total de voo ou chegar ao aeró- dromo de alternativa mais distante com mais 30 minutos de voo, em uma velocidade de espera a 1.500 pés de altura sobre o aeródromo de alternativa mais distante, levando em conta uma temperatura padrão no momento do voo.REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 23 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 23 27/04/20 10:21 Com as cartas aeronáuticas, o piloto tem a lista das frequências de auxílios à navegação, como VOR, NDB e ILS, alusivas a obstáculos na rota, pistas de táxi disponíveis no aeródromo selecionado, rumos e outros dados. Além de prover informação para os pilotos, as cartas aeronáuticas organizam o fluxo de tráfe- go para que o controle de tráfego aéreo não fique congestionado com tantas notificações. É sua função também instruir sobre a trajetória lateral e vertical, de modo a delimitar uma separação segura entre as aeronaves e obstáculos presentes na área coberta pela carta. Para cada fase do voo, há uma carta específica que o piloto consulta, a fim de assessorá-lo durante a navegação. A aeronave sob regras de voo IFR neces- sita de planejamento e acompanhamento mais profundo devido à navegação lateral e vertical, já que o piloto pode estar em condições meteorológicas por instrumentos (IMC), não tendo noção visual do terreno. Carta de subida (SID) A carta de saída padrão por instrumentos (SID – Standard Instrument Departure) é empregue em terminais de elevado fluxo de tráfego aéreo e em aeródromos com saída por instrumentos. Sua principal finalidade é promover a separação segura dos obstáculos presentes na fase inicial de subida até sua transição para o voo em rota. Dentre seus outros propósitos, estão: • Indicar uma trajetória lateral para a transição ao voo em rota; • Proporcionar maior fluxo de tráfego aéreo em uma área, uma vez que as aeronaves em fase de subida seguem um procedimento que as coloca em tran- sição para o voo em rota; • Simplificar autorizações de subida; • Descongestionar frequências de comunicação; • Prover abatimento de ruídos. Ao estudar uma SID pela primeira vez, é necessário observar: • Quadro RMK: contém informações sobre os mínimos para decolagem, gra- diente mínimo de subida e outros complementos; • MSA; • Altitude de transição; • Procedimentos e restrições para condução da navegação vertical, atentando-se às velocidades e altitudes recomendadas; • Procedimentos e restrições para condição da navegação horizontal, aten- REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 24 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 24 27/04/20 10:21 tando-se às radiais que o balizam desde a subida até sua fixação na aerovia. Para o exame de uma SID, aplicam-se os dados vistos da lista a seguir: 1. Cidade, localidade e país do aeródromo; 2. Código ICAO/IATA; 3. Identificação do procedimento; 4. Identificação da aerovia; 5. VOR/NDB; 6. Identificação e coordenadas geográficas do fixo; 7. Dados de auxílio rádio; 8. Rumo magnético; 9. Distância entre dois pontos (em milhas náuticas - NM); 10. Aeródromo; 11. Altitude máxima; 12. Altitude mínima; 13. Quadro RMK; 14. Escala da carta; 15. MAA (Maximum Authorized IFR Altitude): altitude máxima autorizada para voo IFR. ASSISTA IATA é a sigla para International Air Transportation Association (em português, Associação Internacional de Transportes Aéreos), que representa companhias aéreas ao redor do mundo, encarregando-se de desenvolver os códigos de aeroportos, cidades e das próprias compa- nhias. Para mais detalhes, o vídeo IATA: o que é e quais são suas principais ferramentas ajuda na compreensão das funções efetivas da IATA. O gradiente de subida equivale à razão mínima correspondente à subida, cujo propósito é evitar obstáculos ou cumprir alguma restrição de altitude re- lacionada ao tráfego aéreo. Nesse sentido, a separação de obstáculos é priori- dade sobre qualquer outra restrição. O gradiente de subida consta em todos os procedimentos de subida por instrumentos e é localizado no quadro RMK. Para calcular a razão de subida, o valor da porcentagem é transformado pelo cálculo: REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 25 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 25 27/04/20 10:21 Gradiente de subida (em porcentagem %) X velocidade da aeronave (KT) = razão de subida em pés por minuto (ft/min). Vale ressaltar que o resultado é arredondado para o múltiplo de 50 supe- rior. Por exemplo, se o resultado for 510, o valor considerado é 550. Se uma aeronave não cumprir o gradiente de subida proposto, por qualquer que seja o motivo, o piloto em comando notifica o órgão de controle para que a saída seja alterada. A MSA (Minimum Sector Altitude), ou altitude mínima de setor, é publicada em um procedimento de saída (SID) ou de aproximação (IAC) e garante a se- paração segura, 1.000 pés, entre aeronaves e eventuais obstáculos em um raio de 25 NM ao redor de um setor fixo ou de um auxílio rádio. Na Figura 1, há um exemplo na carta SID de Congonhas, o procedimento RNAV IMBID 2E – PUKRA 2E. Figura 1. Exemplo de uma carta SID. Fonte: BIANCHINI, 2019, p. 322. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 26 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 26 27/04/20 10:23 A altitude de transição é aquela em que o piloto ajusta seu altímetro para QNE (1013,3 HPa), fazendo com que a altitude seja expressa em ní- vel de voo. A altitude de transição é comunicada no quadro RMK. Na Fi- gura 2, a altitude de transição é de 6.000’, logo, a partir de 6.000 pés, o altímetro é acertado com a pressão padrão, algo importante por garan- tir que todas estejam com seus altí- metros ajustados com a pressão padrão, minimizando riscos de voo com ajustes diferentes. Desta forma, há uma separação vertical constante e segura entre as aeronaves voando em rota. Figura 2. Altitude de transição expressa em um quadro RMK em uma carta SID. Fonte: AISWEB, 2020. Carta de rota (ENRC) A carta de rota (ENRC – Enroute Chart) fornece ao piloto todas as noções para a navegação em rota, sendo utilizada após a SID. São dois tipos de ENRC, uma alusiva ao espaço aéreo inferior (do solo ao FL 245 inclusive) e a outra ao espaço aéreo superior (FL 245 exclusive ao limitado). A abran- gência de uma ENRC é muito maior, logo, não há tantos detalhes como na SID, como se vê na Figura 3. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 27 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 27 27/04/20 10:24 Figura 3. Exemplo de uma carta de rota (ENRC), na qual: 1. frequência dos auxílios rádio; 2. rumo magnético da aero- via; 3. VOR/NDB; 4. designador da aerovia e distância em NM; 5. aeródromo. Fonte: AISWEB, 2020. (Adaptado). A altitude mínima em rota, conhecida como MEA (Minimum Enroute Altitude), é a menor altitude de voo entre dois fixos, a fim de garantir uma recepção acei- tável dos sinais dos auxílios rádio que balizam a aerovia. Quanto ao sentido da aerovia, há aerovias de mão única e mão dupla. O designativo da aerovia tem o objetivo de demarcar uma das outras, então cada aerovia recebe um nome ou designativo formado por letras e números, como, por exemplo, UM548, UZ28 ou W44. Os auxílios rádio são encontrados como na Figura 3, acompanhados do nome e identificação do auxílio rádio, fre- quência do VOR, identificação em código Morse e frequência do NDB. Carta de chegada (STAR) A carta de chegada por instrumentos, ou STAR (Standard Terminal Arrival Routes), notifica o piloto sobre a rota de chegada padrão por instrumento, desde a fase em rota até a fase de aproximação. Este método é o mais comum em aeródromos ou terminais com grande fluxo de tráfego aéreo, pois ordena desde a entrada no terminal até o ingresso de aproximação. Há diversos benefícios para o bom funcionamento do tráfego aéreo com seu uso, como: • Melhor planejamento da descida; • Fluxo de tráfego aéreo ordenado, valendo-se da melhor maneira o espaço aéreo; REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 28 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 28 27/04/20 10:25 • Diminuição da comunicação entre piloto e controlador, diminuindo o con- gestionamento nos órgãos de controle; • Separação segura de obstáculos na descida e aproximação. Neste momento, é necessárioque o piloto esteja atento e ciente das restri- ções relativas à navegação vertical e condução da navegação lateral. A mesma simbologia das cartas SID e IAC vale para a STAR; nela, os controladores solici- tam ao piloto que execute um procedimento de espera, de modo a coordenar o fluxo de tráfego aéreo nas aproximações para pouso. Figura 4. Exemplo de uma carta de chegada (STAR). Fonte: AISWEB, 2020. (Adaptado). REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 29 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 29 27/04/20 10:28 Com base na Figura 4, a análise dos principais símbolos e dados de uma STAR possui: 1. Localidade e código ICAO do aeródromo; 2. Nome ou identificação do procedimento; 3. Quadro de frequências de comunicação; 4. Ponto de notificação RNAV a pedido; 5. Aeródromo; 6. Rumo magnético; 7. Procedimento de espera; 8. Altitude mínima (a barra está abaixo do número); 9. Altitude máxima (a barra está acima do número); 10. MSA; 11. Altitude de transição. Carta de aproximação (IAC) A carta de aproximação, ou IAC (Instrument Approach Chart), proporciona aos pi- lotos subsídios para: • Realizar eventuais procedimentos de espera no início da aproximação; • Executar aproximação por instrumentos; • Executar aproximação perdida. Após a STAR ou ARC, o piloto se vale da IAC do aeroporto de destino para a apro- ximação para pouso. Essa carta reúne a maior quantidade de elementos possíveis por ser relacionada a uma etapa crítica do voo, o que justifica a maior complexidade e a atenção que o piloto deve ter. A IAC contém elementos sobre altitudes e velocidades que a aeronave mantém em cada etapa para uma aproximação segura, bem como obstáculos nas proximi- dades do aeródromo, trajetória para pouso etc. Assim, o piloto é conduzido até o ponto em que a pista é avistada ou, se for o caso, iniciar a aproximação perdida. Na aproximação, o piloto faz o procedimento descrito na IAC, o que torna a operação mais precisa e segura, em especial se as condições meteorológicas estão ruins. As etapas do procedimento são descritas por ordem, facilitando o entendi- mento do piloto e minimizando a probabilidade de erros devido ao esquecimento. A IAC é dividida em quatro partes: • Informações gerais; •Perfil horizontal ou lateral; REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 30 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 30 27/04/20 10:28 • Perfil vertical; • Mínimos meteorológicos. Dependendo dos requisitos, isto é, dos instrumentos requisitados, há dife- rentes meios de pousar em uma mesma cabeceira. Há os que empregam ILS, VOR, DME, NDB, RNAV ou até uma combinação deles. Se houver mais de um processo utilizando o mesmo auxílio para a mesma cabeceira, este recebe uma letra, ou letra e número, a fim de identificá-lo, como RNAV D, NDB B, ILS H3. Em geral, quando o piloto sintoniza o ATIS, toma ciência do procedimento no aeródromo. Caso a aeronave ou a tripulação não tenham homologação para tanto, o piloto em comando solicita ao APP outro processo de aproximação. Na Figura 5, contempla-se um procedimento de descida ILS para a pista 17 do aeródromo de São Paulo (SBSP). A primeira parte da carta é composta por: • Nome da localidade do aeródromo; • Tipo de instrumento que baliza o procedimento, com identificação e a pis- ta à qual se refere; • Quadro de frequências de comunicação; • Descrição de aproximação perdida. Figura 5. Exemplo de uma carta de aproximação (IAC). Fonte: AISWEB, 2020. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 31 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 31 27/04/20 10:30 No perfil horizontal, há indicativos de navegação horizontal que ajudam a estabilização no curso do localizador ou a atuar de forma correta em uma eventual aproximação perdida. Figura 6. Exemplo de um perfil horizontal em uma IAC. Fonte: AISWEB, 2020. Por sua vez, para estabilização na rampa ideal de descida, o perfil vertical dá informações da navegação vertical. Figura 7. Exemplo de um perfil vertical em uma IAC. Fonte: AISWEB, 2020. DA (Decision Altitude ou altitude de decisão): é a altitude correspondente àquela em que, na eventualidade do piloto não ter estabelecido contato visual com a pista, a aproximação perdida é reiniciada; MDA (Minimum Descent Altitude ou altitude mínima de descida): altitude mínima na qual a aeronave pode descer, em procedimento de não precisão ou REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 32 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 32 27/04/20 10:33 em aproximação circular, até que o piloto aviste um parâmetro visual do aeró- dromo onde pretende pousar; FULL: indicação de que os componentes do ILS estão operando; GS out: caso haja essa indicação, o Glide Slope (GS) está inativo e o processo se torna de não precisão, fazendo com que valores de teto e visibilidade sofram alterações; Categoria da aeronave: toma como base a velocidade. A performance da aeronave, sendo a velocidade o mais relevante, influencia na visibilidade míni- ma e manobras na execução da aproximação: • Categoria A: velocidade menor que 91 kt; • Categoria B: velocidade de 91 a 120 kt; • Categoria C: velocidade de 121 a 140 kt; • Categoria D: velocidade de 141 a 165 kt; • Categoria E: velocidade acima de 166 kt. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 33 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 33 27/04/20 10:33 Sintetizando O início dessa unidade abordou os conceitos sobre regras do ar de forma superficial, a fim de relembrar sobre temas como responsabilidade do piloto em comando, uso e abuso de substâncias psicoativas e aeronave em emer- gência, ficando clara a responsabilidade de um comandante em realizar o voo seguindo as regras técnicas, mas também garantindo a segurança como um todo, não somente na pilotagem. Partindo para as regras gerais, discorremos sobre circuito de tráfego aéreo e relembramos as posições críticas que são elementos importantes do circuito, já que o piloto deve estar ciente de onde parar e aguardar por autorizações. Neste caso, o controle de tráfego aéreo deve estar atento para que o fluxo não seja prejudicado por demoras nas autorizações. Foram apresentadas as priori- dades para pouso e decolagem, que são de grande importância ao se deparar com um aeródromo com um fluxo grande de aeronaves. No tópico de regras de voo IFR, foram tratados temas como mudanças de voo IFR para VFR, mínimos meteorológicos e níveis de cruzeiro, que englo- bam as regras de voo por instrumentos e suas particularidades em relação ao voo VFR. No último tópico, sobre leituras de cartas aeronáuticas, o estudo acerca da navegação aérea foi abordado com a apresentação das cartas IAC, SID, STAR e ENRC. IAC é a carta de aproximação por instrumentos que contém o dese- nho e os procedimentos para realizar algum procedimento de aproximação em determinado aeródromo. A carta SID, conhecida como carta de saída, con- tém informações como a velocidade indicada, possíveis obstáculos e relevos, orientando os pilotos durante a decolagem e também no momento em que estão ao redor do aeródromo. A carta STAR, a carta de chegada, é utilizada em aeródromos com grande fluxo de aeronaves, orientando os pilotos durante a transição entre rotas e áreas próximas ao aeródromo. Por fim, as cartas ENRC são utilizadas durante o voo, pois são cartas de rota que indicam altitudes máximas e mínimas, direção, pontos e fixos, aeródromos próximos, entre outras infor- mações relativas à rota escolhida. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 34 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 34 27/04/20 10:33 Referências bibliográficas AISWEB. Aeródromos/TMA. 2020. Disponível em: . Acesso em: 16 mar. 2020. BIANCHINI, D. Regulamentos de Tráfego Aéreo VFR e IFR. 8. ed. São Paulo: Bianch, 2019. DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AÉREO. Planeja, gerencia, controla e executa as atividades relativas à Cartografia Aeronáutica. Ministérioda De- fesa, [s.l.], [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 16 mar. 2020. ESTUDE AVIAÇÃO. Circuito de tráfego aéreo e posições críticas. 2011. Dispo- nível em: . Acesso em: 16 mar. 2020. IATA: o que é e quais são suas principais ferramentas. Postado por Willian Azzolini. (5min. 6s.). son. color. port. Disponível em: . Acesso em: 16 mar. 2020. ROTAER. Departamento de controle do espaço aéreo. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: . Acesso em: 16 mar. 2020. THE NATIONAL AVIATION HALL OF FAME. Jeppesen, Elrey Borge. Disponí- vel em: . Acesso em: 16 mar. 2020. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 35 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado1.indd 35 27/04/20 10:33 PLANO DE VOO 2 UNIDADE Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 36 27/04/20 10:57 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Plano de voo Plano de voo completo (PVC) Plano de voo simplificado (PVS) Plano de voo repetitivo (RPL) Mudanças no plano de voo em vigor Encerramento do plano de voo Serviços de tráfego aéreo Falha de comunicação Espera Serviço de controle de aeródro- mo (TWR) Decolagem IFR em condições meteorológicas adversas Descrever o documento denominado plano de voo; Apresentar as variedades do plano de voo; Apresentar o procedimento de espera de aeronaves; Identificar a entrada para o procedimento de espera de aeronaves; Descrever procedimentos em caso de esteira de turbulência; Exemplificar diferenças e peculiaridades no SCA para aeronaves IFR REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 37 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 37 27/04/20 10:57 Plano de voo Plano de voo é o documento em que constam as informações relacionadas ao planejamento de um voo, para que estas informações sejam apresentadas ao órgão ATS. Existem três tipos diferentes de plano de voo, cada um com sua especifi cação. São eles: o plano de voo completo (PVC), plano de voo simplifi ca- do (PVS) e plano de voo repetitivo (RPL). Basicamente, a premissa do plano de voo é garantir a organização de infor- mações. O documento preza pela segurança de voo, informando o cálculo de combustível e garantindo a concordância entre as informações fornecidas no plano e as do controle de tráfego aéreo. Tudo visando a minimizar a possibili- dade de acidentes ou incidentes em voo. A obrigatoriedade de sua apresentação é para voos, ou para realização de parte deles, em: • Seguindo as regras IFR (Regras de Voo por Instrumentos); • Seguindo as regras VFR (Regras de Voo Visual), quando sujeito ao Serviço de Controle de Tráfego Aéreo; • Quando realizado em aeródromo provido de órgão ATS; • Quando realizado em aeródromo ou espaço aéreo onde for requerida a apresentação de plano de voo de acordo com publicações; • Quando realizado em Zona de Identifi cação de Defesa Aérea (ZIDA). O plano de voo reúne informações, como aeródromo de partida e de destino; aeródromos de alternativa para pouso (para situações emergenciais, como fa- lha no funcionamento do aeródromo, condições meteorológicas adversas, falta de combustível, etc); diversos detalhes da rota a seguir, como aerovias, velocidade, nível de voo, etc; regra do voo (VFR ou IFR); tempo estimado em rota; número de pessoas a bordo e informações relacionadas ao piloto em comando. Uma aeronave será dispensada da apresentação do plano do voo caso esteja em missão SAR, porém, o pilo- to deverá informar via radiotelefonia ao órgão ATS per- tinente sobre os dados de matricula da aeronave, desti- no, rota, altitude de voo/nível, aeródromo de alternativa, autonomia e se há passageiros a bordo. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 38 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 38 27/04/20 10:57 O plano de voo é um documento que requer a atenção do piloto no momento de seu preenchimento, pois, caso haja informações erradas, o plano não será aceito, fazendo com que o piloto tenha que refazê-lo, o que pode acarretar em um atraso para a decolagem. A apresentação do plano de voo é feita diretamente na sala AIS, onde são disponibilizadas informações pertinentes e atualizadas sobre rotas e aeródromo. Porém, atualmente o plano de voo pode ser realizado via tele- fone ou internet. Ele deve ser apresentado pelo menos 45 minutos antes da EOBT. A EOBT (Hora estimada de Calços Fora) é o horário estimado que a aeronave iniciará o deslocamento com objetivo de decolar. Portanto, se a EOBT é para 13:00Z, então o plano de voo deverá ser apresentado até às 12:15Z. Existe uma validade para o plano de voo apresentado, e ela é de 45 mi- nutos após a EOBT. Caso ocorra suspensão das operações no aeródromo de partida, por interdições, condições meteorológicas ou outro motivo, o prazo deverá ser considerado a partir da hora do restabelecimento das operações. Em casos de modificações, cancelamentos ou atrasos para um plano de voo apresentando deverão ser notificados em até 35 minutos além da EOBT. CURIOSIDADE O preenchimento do plano de voo só poderá ser feito por pilotos ou despa- chantes operacionais de voo, exceto em plano de voo RPL, que poderá ser preenchido e assinado por alguém credenciado pelo explorador. Antes do preenchimento, o responsável deverá ter ciência e reunir as informações aeronáuticas e meteorológicas pertinentes para o voo. Caso o piloto não tenha certeza da informação prestada sobre autonomia ou número de pessoas a bordo, ele poderá apresentar esta informação até o momento da partida via radiotelefonia para o órgão ATS. Plano de voo completo (PVC) Quando apresentado pessoalmente, o formulário de plano de voo de- verá ter duas vias. Uma via será do órgão de tráfego aéreo e a outra via do piloto ou explorador da aeronave. Sobre o preenchimento, o piloto deverá atentar-se aos seguintes procedimentos: REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 39 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 39 27/04/20 10:57 • O horário utilizado será UTC; • As durações previstas do voo deverão ser preenchidas com quatro algarismos (horas e minutos); • Caso sejam preenchidos manualmente, deverão ser feitos com caneta azul ou preta e sem rasuras. Figura 1. Plano de voo completo. Fonte: DECEA, 2017, p. 44. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 40 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 40 27/04/20 10:57 Preste atenção a alguns itens importantes indicados na Figura 1: • O item 7 trata da identificação da aeronave, que poderá ser a matrí- cula da aeronave, o designador da empresa e número de voo ou qualquer outro designador oficial da matrícula; • No item 8 a regra de voo deverá ser inserida, sendo I (IFR); V (VFR); Y (IFR e depois VFR); Z (VFR depois IFR), assim como o tipo de voo, onde as letras seguintes indicarão a natureza da operação: • S – Transporte aéreo regular; • N – Transporte aéreo não regular; • G – Aviação Geral; • M – Militar; • X – Distintos. • O item 10 é reservado para as informações de equipamentos de ra- diocomunicações, de auxílio à navegação e de aproximação existentes na aeronave; • O item 13 trata do aeródromo de partida, onde deverá ser preenchido o indicador de localidade ou ZZZZ, caso não haja, e indicar o nome do ae- ródromo no item 18 precedido de DEP/. O horário também será preenchido nesse item, que deverá ser a EOBT se o plano de voo for apresentado antes da partida, ou o horário real de decolagem, para o caso de AFIL; • O item 15 requer muita atenção, pois refere-se aos dados da rota e navegação aérea. Nele deverão constar informações acerca da velocidade de cruzeiro; nível de cruzeiro; rota e mudanças das regras de voo, se for o caso; • Caso esteja em voo,qualquer modificação do plano de voo em vigor deve ser solicitada ao órgão ATC pertinente, e só poderá ser realizada caso o órgão emita autorização. Salvo em casos de emergências que necessi- tem de alterações imediatas, porém, a comunicação ao órgão pertinente deverá ocorrer, informando os motivos das alterações; • O item 16 trata do aeródromo de destino, da duração total prevista do voo (EET) e do aeródromo de alternativa; • Outras informações adicionais deverão ser descritas no item 18; • O item 19 trata de informações suplementares. Nele, são requeridas as informações sobre autonomia e pessoas a bordo, além de equipamento REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 41 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 41 27/04/20 10:57 de emergência e sobrevivência a bordo da aeronave, cor e marca da aero- nave, informações do piloto em comando e outras observações. Figura 2. Exemplo de plano de voo completo preenchido. Fonte: DECEA, 2017, p. 48. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 42 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 42 27/04/20 10:58 Plano de voo simplificado (PVS) O plano de voo simplificado possui seu preenchimento bem similar ao preenchimento do plano de voo completo. Antigamente, era denominado de “notificação de voo”, e suas peculiaridades são relativas ao horário de apresentação e antecedência, cancelamento, modificações ou atrasos. A sua aplicabilidade é para voos VFR que são realizados inteiramente em uma ATZ, CTR ou TMA. Caso não haja disponibilidade desses espaços aéreos, a aplicabilidade é definida por um raio de 50 km do aeródromo de partida. Sua apresentação é feita das seguintes formas: • Pessoalmente, em uma sala AIS ou órgão ATS local; • Via telefonema à sala AIS credenciada; • Via radiotelefonia ao órgão ATS do local de partida, caso não haja proi- bição para este aeródromo. Não se exige nenhuma antecedência no caso de apresentação do plano de voo simplificado ser feita por via de radiotelefonema ao órgão ATS. Po- rém, caso seja apresentada pessoalmente na sala AIS, a antecedência será de 10 minutos antes da EOBT. Quaisquer cancelamentos, modificações ou atrasos do plano de voo simplificado deverão ser informados à sala AIS do aeródromo de partida até 35 minutos além da EOBT. Figura 3. Exemplo de plano de voo simplifi cado. Fonte: DECEA, 2017, p. 45. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 43 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 43 27/04/20 10:58 Plano de voo repetitivo (RPL) É aquele utilizado, geralmente, pela aviação regular, cujos voos pos- suem as mesmas características básicas. Possui o objetivo de eliminar uma apresentação diária de plano de voo, uma vez que este voo já está progra- mado e possui as mesmas características de voos anteriores. Figura 4. Exemplo de plano de voo repetitivo. Fonte: DECEA, 2017, p. 46. Mudanças no plano de voo em vigor Uma modifi cação do plano de voo deverá ser informada e solicitada ao ór- gão ATC responsável, podendo ser efetuada somente após a autorização do órgão ATC. Salvo em casos em que estas mudanças sejam consequências de emergências em voo que necessitem de alterações imediatas. Deste modo, a notifi cação ao órgão ATC poderá ocorrer após a mudança, o mais depressa possível, acompanhado de explicações. Quando os voos forem efetuados em uma rota ATS pré-estabelecida, deve- rão seguir o eixo defi nido dessa rota; quando forem efetuados em uma FIR, de- verão seguir entre os auxílios à navegação e/ou pontos que defi nam esta rota. REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 44 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 44 27/04/20 10:58 No caso do piloto, em um voo controlado, divergir do plano de voo, ele de- verá ter ciência dos casos de: • Desvios de rota: caso a aeronave se desvie da rota, o piloto deverá ter a ação de retornar à rota proposta o mais rápido possível; • Variação de velocidade verdadeira: a aeronave no nível de cruzeiro, en- tre pontos de notifi cação, que tenha a velocidade verdadeira com variação em 5% a mais ou a menos em relação a velocidade declarada no plano de voo, deverá informar ao órgão ATC sobre a mudança; • Mudanças de hora estimada: caso o próximo ponto de notifi cação sobre o limite da FIR ou do aeródromo de destino (o que estiver primeiro) sofra uma alteração em mais de dois minutos do horário anterior estimado, o novo horá- rio deve ser comunicado do órgão ATC pertinente. Em casos de mudanças internacionais causadas pelo piloto, serão observa- dos os seguintes procedimentos: • Mudanças de nível de cruzeiro: o piloto deverá notifi car o órgão ATC, juntamente com a identifi cação da aeronave, o novo nível solicitado e a velo- cidade de cruzeiro; • Mudanças de rota sem modifi cação do ponto de destino: o piloto deverá no- tifi car o órgão ATC, juntamente com a identifi cação da aeronave, regras de voo, des- crição da nova rota, hora estimada revisada e qualquer outra informação pertinente; • Mudança de rota com modifi cações do ponto de destino: o piloto deve- rá notifi car o órgão ATC, juntamente com a identifi cação da aeronave, regras de voo, descrição da nova rota, hora estimada revisada, aeródromo de alternativa e qualquer outra informação pertinente. Encerramento do plano de voo O encerramento de um plano de voo, quando não há órgão ATS, será de forma automática quando se completar o horário total da duração do voo. No caso do aeródromo que possui órgão ATS, o encerramento do plano de voo ocorre quando a aeronave pousa no aeródromo de destino, ou quando for no- tifi cado pelo piloto pessoalmente, por telefone ou radiotelefonia. No caso de um pouso que é efetuado em aeródromo distinto, não informado no plano de voo, o piloto deverá apresentar ao órgão ATS local a identifi cação da aero- REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 45 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 45 27/04/20 10:58 nave, o aeródromo de partida, aeródromo de destino e o horário do pouso (caso não haja TWR). Se o pouso ocorrer em um aeródromo que não possui órgão ATS no lo- cal, o piloto terá a responsabilidade de notifi car sua chegada por qualquer meio de comunicação disponível, como radiotelefonia ou telefone, contendo as seguintes informações: identifi cação da aeronave, aeródromo de partida, aeródromo de destino, aeródromo de chegada e o horário do pouso. A omis- são dessas informações pode acarretar no acionamento do Serviço de Busca e Salvamento, sendo o piloto responsabilizado pelo pagamento de possíveis indenizações por conta de despesas que a operação possa acarretar. Serviços de tráfego aéreo Um voo seguindo as regras de voo por instrumentos possui algumas dife- renças quando falamos sobre os serviços de tráfego aéreo. Uma aeronave em voo dentro de um espaço aéreo controlado deve- rá possuir autorização do órgão ATC pertinente para a descida até o nível mínimo do espaço aéreo controlado. Além do mais, deverá realizar um dos procedimentos descritos abaixo, a fi m de estabelecer a altitude mínima ou nível de descida até a chegada do auxílio à navegação ou fi xo balizador da MSA/TAA do procedimento: • Manter-se no nível mínimo autorizado e descer até o limite inferior da MSA ou TAA, que poderá ser encontrado numa IAC, após cruzar o limite lateral da MSA ou TAA; • Ou deverá realizar a descida, assumindo a responsabilidade, até o limite infe- rior da MSA ou TAA, se as condições estiverem VMC; depois, continuar a descida em órbita e iniciar o procedimento de aproximação por instrumentos, além de transmitir na frequência os níveis ou altitudes e demais fases do procedimento. Já quando a aeronave estiver voando fora do espaço aéreo controlado, os procedimentos também serão de escolha entre um dos procedimentos des- critos abaixo para defi nir a altitude mínima ou nível de descida até o auxílio à navegação ou fi xo da MSA ou TAA: • Manter o nível de cruzeiro, depois descer até o nível mínimo IFR da rota, quedeverá ser calculado pelo piloto e, depois descer até o limite inferior da REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 46 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 46 27/04/20 10:58 MSA ou TAA, que poderá ser consultado numa IAC, após cruzar o limite lateral da citada MSA ou TAA; • Ou deverá realizar uma descida, assumindo a responsabilidade, até o limi- te inferior da MSA ou TAA, caso esteja em condições VMA. Então, continuar a descida em órbita até iniciar o procedimento de aproximação por instrumentos na pista selecionada. É crucial também transmitir, via frequência para o órgão responsável (AFIS), os níveis ou altitudes e demais fases do procedimento. Quando houver necessidade de que mensagens de informações opera- cionais ou meteorológicas sejam transmitidas por uma aeronave em rota, em pontos ou horários específicos em que as mensagens de posição são obrigató- rias, esta mensagem será transmitida em forma de AIREP. EXPLICANDO AIREP consiste em uma aeronotificação contendo um relatório de condi- ções meteorológicas e climáticas reais encontradas por uma aeronave em determinado local do voo. Estas informações são transmitidas por radiote- lefonia para a estação terrestre mais próxima (órgão pertinente). Em casos de informações especiais, o designador ARS, que significa AIREP especial, será utilizado, e estas informações deverão ser transmitidas o mais cedo possível a partir do momento em que tenham sido observados os fenô- menos meteorológicos que podem apresentar perigos à navegação aérea. Os estabelecidos para esteira de turbulência são divididos em separa- ções mínimas, com o objetivo de minimizar possíveis perigos. Estas separações são aplicadas em uma situação, não regulamentada, quando o controlador de tráfego aéreo observar que existe perigo devido à esteira de turbulência. Por ser uma condição que não é possível enxergar, a proximidade e a presença do fenômeno não são medidas precisas. Portanto, os pilotos e controladores precisam ter ciência de situações prováveis de ocorrência da esteira de turbu- lência. Entre as principais consequências estão o balanço violento da aeronave e perda de altura ou velocidade. Deste modo, no plano de voo constará, no item 9, a categoria da aeronave, baseado em seu peso máximo certificado. São elas: • PESADA (H): todas as aeronaves com peso de decolagem máximo de 136.000 kg; REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 47 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 47 27/04/20 10:58 • MÉDIA (M): todas as aeronaves com peso de decolagem máximo inferior a 136.000 kg e superior a 7.000 kg; • LEVE (L): todas as aeronaves com peso de decolagem máximo inferior a 7.000 kg. Para aeronaves pousando, serão aplicados os seguintes mínimos: • Uma aeronave média pousando atrás de uma aeronave pesada deverá ter uma separação de 2 minutos; • Uma aeronave leve pousando atrás de uma aeronave pesada ou média deverá ter uma separação de 3 minutos. Para aeronaves decolando, serão aplicados os seguintes mínimos: • Uma aeronave leve ou média decolando atrás de uma aeronave pesada deverá ter uma separação mínima de 3 minutos; • Deve haver uma separação mínima de 2 minutos quando: uma aero- nave leve decola atrás de uma aeronave média na mesma pista; pistas pa- ralelas são separadas por menos de 760 m; as pistas se cruzam e a rota de voo da segunda aeronave cruza a rota projetada da primeira aeronave na mesma altitude ou a menos de 300 m (1.000 pés) abaixo; as pistas paralelas são separadas por 760 m ou mais, mas a rota de voo projetada da segunda aeronave cruza a rota de voo da primeira aeronave na mesma altitude ou a menos de 300 m (1.000 pés) abaixo. 2 minutos Vento Menos de 760 m REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 48 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 48 27/04/20 10:58 Figura 5. Esteira de turbulência – Aeronaves decolando. Fonte: DECEA, 2018, p. 74. 2 minutos 760 m ou mais • Uma aeronave leve ou média decolando após uma aeronave pesada ou uma aeronave leve que decola atrás de uma média utilizando uma parte inter- mediária da mesma pista ou utilizando uma parte intermediária de uma pista paralela separada por menos de 760 m. Nestes casos, a separação deverá ser de 3 minutos. As mudanças de voo IFR para VFR serão aceitas quando o órgão ATS per- tinente receber uma notificação do piloto na qual ele expressa o cancelamento do voo IFR, que deverá conter todas as modificações necessárias para o plano de voo em vigor. Esta mudança deverá partir do piloto, pois o controlador não deve instrui-lo ou sugerir que o piloto realize essa mudança. Então, o órgão ATS deverá informar a estas aeronaves, caso haja possíveis condições meteorológi- cas que necessitem de instrumentos ao longo da rota de voo. O cancelamento de qualquer plano de voo IFR deverá ser notificado, pelo órgão que recebe a notificação, para outros órgãos relacionados a trajetória do voo em questão. Quando for possível, pode haver um ajuste de velocidade horizontal. Uma aeronave poderá ser autorizada a compensar um tempo de atraso por ter operando com uma velocidade reduzida durante a última parte de seu voo. Uma aeronave que chega será instruída a manter sua velocidade máxima, ve- locidade mínima limpa, velocidade mínima ou uma velocidade especificada. Deverão ser evitadas instruções que exijam manobras não compatíveis, como REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 49 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 49 27/04/20 10:58 instruir uma aeronave a se manter em alta razão de descida e depois reduzir sua velocidade, pois a redução significativa de velocidade durante uma descida pode fazer com que a aeronave tenha que nivelar para reduzir a velocidade antes de continuar a descida. As aeronaves têm permissão para operar em configurações limpas pelo maior período possível. Abaixo do FL 150 poderão ser aplicadas reduções de velocidades para aeronaves turbojato, porém não menores que 220 kt (410 km/h) IAS. CURIOSIDADE A velocidade mínima limpa descreve a velocidade mínima que uma ae- ronave pode voar em uma configuração limpa. O termo “limpa” refere-se a não haver necessidade de utilizar qualquer dispositivo de aumento de sustentação, redutores de velocidade ou trem de pouso. Reduções de velocidades que não excedem a, em média, 20 nós (40 km/h) IAS, poderão ser utilizadas para aeronaves que se encontram em fase intermediaria e final de uma aproximação. Não deverá ser aplicada o ajuste de velocidade quando a aeronave passar por um ponto a 4 NM da cabeceira na aproximação final. O ajuste de velocidade vertical é empregado para facilitar o fluxo de trá- fego aéreo e assim, mantê-lo seguro e ordenado. Este ajuste é utilizado entre duas aeronaves que sobem ou duas aeronaves que descem, com o objetivo de manter ou criar um mínimo de separação vertical. O ajuste de velocidade vertical não deve ser aplicado para aeronaves que entram ou que estejam realizando um circuito de espera. Além disso, mudanças frequentes da razão de subida ou descida deverão ser evitadas. Só serão realizados estes ajustes quando forem realmente necessários, e caso a aeronave não possa cumprir a razão de subida ou descida especificada, a tripulação deverá notificar o órgão ATC pertinente. Então, o mais rápido pos- sível o controlador deve aplicar um método alternativo para prover o mínimo de separação apropriado entre as aeronaves. Assim, também deverá informar quando não for mais necessária qualquer razão de restrição durante a subida ou descida. A aeronave poderá ser instruída a acelerar a subida ou descida, caso seja apropriado, além de também ser instruída a reduzir sua razão de subida ou des- cida. Uma aeronave efetuando uma subida pode ser instruída a: REGULAMENTOS DE TRÁFEGO AÉREO AVANÇADO 50 Regulamentos de Tráfego Aéreo Avançado_2.indd 50 27/04/20 10:58 • Manter uma razão específi ca de subida; • Manter uma razão de subida igual