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MATERIAL DE GESTÃO TRIBUTÁRIA
UNIDADE 4 – REGIMES TRIBUTÁRIOS
PARTE 2 – SIMPLES NACIONAL
1 - O que é o Simples Nacional
O Simples Nacional é o nome abreviado do “Regime Especial Unificado de Arrecadação de
Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte
(EPP)”.
Trata-se de um regime tributário diferenciado e favorecido previsto pela Lei
Complementar nº 123 de 2006.
Por contemplar tributos federais, estaduais e municipais, a regulamentação do Simples
Nacional compete ao Comitê Gestor do Simples Nacional - CGSN, órgão vinculado ao
Ministério da Fazenda e composto por representantes dos governos das três esferas
(federal, estadual e municipal).
Atualmente a regulamentação geral do Simples Nacional está na Resolução CGSN nº 140
de 2018.
2 - Classificação do porte das Micro e Pequenas Empresas com base na Receita Bruta
anual
Microempresa: Receita bruta anual igual ou inferior a R$ 360 mil por ano
Empresa de Pequeno Porte: acima de R$ 360 mil e inferior a R$ 4,8 milhões por ano.
Os limites de Receita Bruta anual para definição de ME e EPP no ano de início das
atividades serão, respectivamente, de R$ 30 mil e de R$ 400 mil multiplicado pelo número
de meses compreendido entre o início das atividade e o final do ano, considerado as
frações de meses como um mês inteiro.
Ex.: Uma empresa planeja iniciar suas atividades no dia 20 de outubro de determinado ano.
Para ser considerado uma ME, deverá ter uma Receita Bruta no ano de, no máximo, R$ 90
mil (3 meses x R$ 30 mil). Caso a Receita Bruta seja superior a R$ 90 mil, poderá ser
considerada uma EPP, desde que a Receita Bruta anual não seja superior a R$ 1,2 milhões
(3 meses x R$ 400 mil).
3 – Tributos abrangidos pelo Simples Nacional
O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de
arrecadação (guia única), dos seguintes tributos:
Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN);
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS);
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);
Imposto sobre a Renda das Pessoas jurídicas (IRPJ);
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS);
Contribuição para o PIS;
Contribuição Previdenciária patronal (CPP).
Os percentuais de cada tributo incluído no Simples Nacional dependem do tipo de
atividade e do valor da Receita Brutal anual da empresa.
O recolhimento na forma do Simples Nacional não exclui a incidência de outros tributos
não listados, tais como o IOF, imposto que incide sobre operações financeiras, os
impostos sobre importações e exportações e o imposto sobre a propriedade de imóveis
urbanos (IPTU) ou rural (ITR).
Mesmo para os tributos relacionados acima, há situações em que o recolhimento dar-se-
á à parte do Simples Nacional, como por exemplo a Contribuição para o PIS incidente na
importação.
4 – Opção pelo Simples Nacional
A opção deverá ser feita pelo Portal do Simples Nacional na internet durante o mês de
janeiro, para empresas já em atividades.
Para empresa em início de atividade, o prazo de solicitação de opção é de 30 dias contados
do deferimento de sua inscrição no município ou no estado.
A opção pelo Simples Nacional é irretratável para todo o ano. A solicitação de exclusão do
Regime durante o ano só terá validade a partir do ano subsequente.
4.1 Limite da Receita Bruta anual para fins de opção pelo Simples Nacional
Para fins de opção e permanência no Simples Nacional, a Receita Bruta anual da empresa
deverá ser inferior a R$ 4,8 milhões.
Para empresa em início de atividade, o limite da Receita Bruta anual será proporcional ao
número de meses compreendidos entre sua abertura e o final do respectivo ano.
Para empresas em atividade, deverá ser utilizada a Receita Bruta do ano anterior como
parâmetro de enquadramento.
4.2 Quem está impedido de optar pelo Simples Nacional
Os principais impedimentos são:
Empresas
Que tenha auferido, no ano imediatamente anterior, Receita Bruta superior a R$ 4,8
milhões;
Que tenha auferido, no ano de início de suas atividades, Receita Bruta superior ao
limite proporcional de R$ 400 mil multiplicados pelo número de meses em
funcionamento no período;
De cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja
sócia de outra empresa optante pelo Simples Nacional, desde que a receita bruta
global ultrapasse o limite de R$ 4,8 milhões;
Cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empesa não
optante pelo Simples Nacional, desde que a Receita Bruta global ultrapasse a R$
4,8 milhões;
De cujo capital participe outra pessoa jurídica;
Que seja filial de pessoa jurídica em sede no exterior;
Seja constituída sob a forma de sociedade por ações;
Possua débito tributário cuja exigibilidade não esteja suspensa.
Para conhecimento da lista completa dos impedimentos, consultar o artigo 3º, II,
parágrafos 2º e 4º a art. 17º da Lei Complementar 123 de 2006.
4.3 Conceito de Receita Bruta
Considera-se Receita Bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta
própria, excluídas as vendas canceladas ou devolvidas e os descontos incondicionais
concedidos.
Não integram a Receita Bruta e, portanto, não são tributadas pelo Simples Nacional, as
receitas financeiras e a receita decorrente da venda de bens do ativo imobilizado.
5 - Sublimites da Receita Bruta anual para o recolhimento do ISSQN e do ICMS no
Simples Nacional.
Para o recolhimento do ISSQN e do ICMS dentro do Simples Nacional, as EPP deverão
observar o teto máximo da Receita Bruta, dependendo da participação do Estado onde ela
tiver instalada no Produto Interno Bruto (PIB)
R$ 1,8 milhões de Receita Bruta para os Estados cuja participação no PIB seja de
até 1%;
R$ 3,6 milhões de Receita Bruta para os Estados cuja participação no PIB seja
superior a 1%.
Em 2023, a participação de Minas Gerais no PIB foi de 9,5%, colocando o Estado em 3º
lugar, atrás somente dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Assim, uma empresa com sede em qualquer cidade do Minas Gerais que obteve no ano de
2023 uma Receita Bruta anual superior a R$ 3,6 milhões e inferior a R$ 4,8 milhões
permanecerá no regime do Simples Nacional em 2024, mas o recolhimento do ICMS e/ou
do ISSQN, será(ão) efetuado(s) em regime específico, fora do Simples Nacional.
6 – Cálculo do Simples Nacional
O cálculo do Simples Nacional tem como base a Receita Bruta dos 12 meses anteriores da
empresa e o valor a pagar varia de acordo com essa receita, aumentando
proporcionalmente de acordo com o aumento da Receita Bruta.
Para conhecer a alíquota a ser aplicada sobre a Receita Bruta no mês de apuração, é
necessário verificar a Tabela de incidência, de acordo com a atividade exercida pela
empresa:
Tabela 1: atividade de revenda de mercadorias (comércio)
Tabela 2: atividade de venda de produtos industrializados (indústria)
Tabela 3, 4 e 5: atividade de prestação de serviços
As Tabelas são compostas de seis faixas progressivas da Receita Bruta e cada uma dessas
faixas possui uma alíquota específica que também vai aumentando gradativamente, de
acordo com o aumento da Receita Bruta.
As Tabelas podem ser conhecidas nos Anexos da Lei Complementar 123/2006 e suas
atualizações.
Segue abaixo a Tabela 1 que é aplicada nas atividades comerciais:
A Distribuição dos tributos em relação à Tabela 1 é a seguinte:
6.1 Passo a passo para calcular o valor devido ao Simples Nacional
1º passo: calcular a Receita Bruta da empresa nos últimos 12 meses anteriores à
apuração (RBT12):
2º passo: Identificar a alíquota e a parcela a ser deduzida na Tabela, de acordo com
a atividade da empresa;
3º passo: calcular a alíquota efetiva através da seguinte fórmula:
{[(RBT12 x ALIQUOTA) – PD] / RBT 12]} x 100
4º passo: calcular o valor devido através da multiplicaçãoda alíquota efetiva pelo
valor da Receita Bruta de mês de apuração.
A Lei Complementar 123 de 2006 determina que se disponibilize sistema eletrônico para
realização do cálculo do valor mensal do Simples Nacional. Atualmente esse sistema
encontra-se no Portal do Simples Nacional na internet e é denominado PGDAS-D
(Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional – Declaratório).
6.3 Exemplo de cálculo do Simples Nacional
Determinada empresa, optante pelo Simples Nacional, obteve Receita Bruta decorrente
da revenda de mercadorias sendo:
Período de apuração (PA): Julho de 2024
Receita no período de apuração (RPA): R$ 25.000,00
Receita Bruta acumulada nos últimos 12 meses anteriores ao período de apuração
(RBT12): R$ 220.000,00 (de julho/2023 a junho/2024)
1º passo: calcular a Receita Bruta da empresa nos últimos 12 meses anteriores à apuração
(RBT12): R$ 220.000,00
2º passo: Identificar a alíquota e a parcela a ser deduzida na Tabela, de acordo com a
atividade da empresa
3º passo: calcular a alíquota efetiva através da seguinte fórmula:
{[(RBT12 x ALIQUOTA) – PD] / RBT 12} * 100
{[(220.000,00 x 7,3%) – 5.940,00] / 220.000,00} *100
= {[16.060,00 – 5.940,00] / 220.000,00} * 100
= [10.120,00 / 220.000,00] * 100
= 0,046 * 100
= 4,6% -> alíquota efetiva
4º passo: calcular o valor devido através da multiplicação da alíquota efetiva pelo valor da
Receita Bruta de mês de apuração.
25.000,00 x 4,6% = 1.150,00
A distribuição dos tributos em relação ao valor arrecadado será de:
IRPJ: 1.150,00 x 5,5% = R$ 63,25
CSLL: 1.150,00 x 3,5% = R$ 40,25
COFINS: 1.150,00 x 12,74% = R$ 146,51
PIS: 1.150,00 x 2,76% = R$ 31,74
CPP: 1.150,00 x 41,5% = R$ 477,25
ICMS: 1.150,00 x 34% = R$ 391,00
TOTAL: R$ 1.150,00