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FARMACO
FARMACOLOGIA DOS SISTEMAS 
“Farmacologia pode ser definida como o estudo de substâncias que interagem com os sistemas 
vivos por meio de processos químicos, principalmente por ligação a moléculas reguladoras e 
ativação ou inibição de processos corporais normais” .
Aspectos básicos, porém muito importantes: Dose; Via de administração; Condições fisiológicas; 
Margem de segurança (dose terapêutica e dose tóxica); Reação adversa.
Terminologias:
Droga: substância química dotada de atividade biológica (benéfica ou não) que se encontra em seu 
estado puro, podendo ser um provável medicamento. (Substância ou matéria da qual se extraí ou 
com a qual se prepara deter minado medicamento). 
Fármaco ou Princípio Ativo: substância de composição química definida que tem efeito biológico 
desejável quando em doses terapêuticas, ou tóxico quando em doses ou aplicações impróprias.
Medicamento: produto tecnicamente elaborado contendo um ou mais fármacos. 
Remédio: qualquer tratamento que faça bem a saúde do paciente. 
SISTEMA NERVOSO AUTONOMO
SISTEMA NERVOSO: O sistema nervoso periférico consiste em todos os neurônios aferentes 
(sensoriais) que transportam impulsos nervosos para o SNC provenientes dos órgãos finais 
sensoriais nos tecidos periféricos, e de todos os neurônios eferentes (motores), que transportam 
impulsos nervosos do SNC para as células efetoras nos tecidos periféricos O sistema nervoso 
periférico eferente ainda se subdivide em Sistema Nervoso Autônomo e Somático.
• Os neurônios pré-ganglionares do SN simpático têm seus corpos celulares nas regiões torácica e 
lombar da medula espinhal, denominada divisão toracolombar 
• Os neurônios pré-ganglionares da divisão parassimpática têm seus corpos celulares no tronco 
cerebral e região sacra da medula espinhal, denominada divisão craniosacral 
• A parte cranial do SN parassimpático inerva estruturas da cabeça, pescoço, tórax e abdome 
(estômago, intestinos, pâncreas). 
• As fibras parassimpáticas cranianas deixam o SNC nos nervos oculomotor, facial, glossofaríngeo e
vago. A divisão sacral do SN parassimpático inerva o restante dos intestinos e as vísceras pélvicas.
SISTEMAS AUTONÔMO SIMPÁTICO versus PARASSIMPÁTICO 
SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 
• Enerva a maioria dos tecidos. 
• Mantém o equilíbrio interno do corpo. 
• Estimula a musculatura lisa, cardíaca e glândulas. 
• Involuntário 
Fármacos que afetam a transmissão colinérgica:
Ação direta:
• Colinérgicos diretos muscarínicos 
• Ésteres da colina 
• Alcalóides 
• Colinérgicos diretos nicotínicos 
Ação indireta:
• Reversíveis 
• Irreversíveis 
Fármacos que afetam a transmissão colinérgica:
1 Substâncias que afetam os receptores muscarínicos: 
- Antagonistas muscarínicos (atropina, hioscina e ipratrópio)
- Agonistas muscarínicos (betanecol e pilocarpina)
2 Substâncias que intensificam a transmissão colinérgica: 
- Anticolinesterásicos (fisostigmina, edrofônio e pirostigmina)
3 Substâncias que bloqueiam a transmissão neuromuscular: 
- Bloqueadores não-despolarizantes (pancurônio, atracúrio e vecurônio)
- Bloqueadores despolarizantes (suxametônio)
Colinomiméticos: agonistas muscarínicos:
- São também chamados de parassimpaticomiméticos, porque seus efeitos se assemelham à 
estimulação parassimpática.
- São agonistas dos receptores muscarínicos. Atuam nos receptores muscarínicos, ativando-os e 
promovendo os mesmos efeitos provocados pela acetilcolina.
- Ex: metacolina, carbacol e betanecol (derivados de Ach), pilocarpina e acetilcolina.
Colinomiméticos: agonistas muscarínicos:
 Musculatura lisa: Promove contração.
 Trato respiratório: Produzem broncoconstrição e aumento da produção de muco no trato 
respiratório (devem ser usados com precaução em indivíduos com asma ou outra doença que 
obstrua os pulmões).
 Trato gastrintestinal: Aumentam o peristaltismo (podendo causar dor e cólicas) e as secreções. 
Bexiga: Contração da bexiga e relaxam o esfíncter interno da bexiga, promovendo a mictúria.
 Glândulas: Promove estimulação das glândulas exócrinas, podendo aumentar a salivação.
 Efeitos oculares: Aumentam a secreção da glândula lacrimal; Contração do músculo constritor 
da pupila (miose). regulação da pressão intra-ocular. Contração do músculo ciliar - acomodação do 
olho para visão de perto.
Uso fármaco:
Acetilcolina: Rapidamente hidrolizada pela aceticolinesterase e, portanto apresenta uma ação 
extremamente curta; Devido a sua limitada absorção, curta duração da ação e falta de especificidade
aos receptores colinérgicos, apresenta uma limitada aplicação clínica; Pode ser utilizada em cirurgia
de catarata, onde irá produzir miose. 
Fármacos que agem no SNA Parassimpático:
Antagonistas muscarínicos – Parassimpatolíticos: São também chamados de parassimpaticolíticos,
porque bloqueiam seletivamente os efeitos da estimulação parassimpática; São antagonistas dos 
receptores muscarínicos. Ligam-se aos receptores muscarínicos (tem afinidade), mas não os ativam,
impedindo assim, a ação da acetilcolina; Alguns são alcalóides obtidos de plantas (atropina e 
hioscina) e outros são sintéticos (ipratrópio e piperazina); 
Efeitos Fisiológicos:
- Efeitos cardiovasculares: Provocam taquicardia, devido ao bloqueio dos receptores muscarínicos 
cardíacos (M2), assim inibe o tônus parassimpático existente.
- Inibição das secreções: As glândulas salivares, lacrimais, brônquicas e sudoríparas são inibidas 
por doses muito baixas de atropina. A secreção gástrica sofre ligeira redução; A depuração 
mucociliar nos brônquios é inibida.
- Efeitos oculares: A pupila é dilatada (midríase) e passa a não responder à luz. O relaxamento do 
músculo ciliar provoca paralisia da acomodação, e assim a visão de perto fica prejudicada.
- Trato gastrintestinal: A motilidade gastrintestinal é inibida.
- Músculo liso: Relaxam a musculatura lisa das vias brônquicas, biliares e urinárias.
Antagonistas muscarínicos: usos clínicos:
 Atropina – antagonista não-seletivo: Utilizada como adjuvante em anestesia (redução das 
secreções e broncodilatação); No tratamento da bradicardia sinusal (após infarto do miocárdio); 
utilizada para induzir o cronotropismo positivo em reanimação cardiopulmonar e como 
antiespamódico; Efeitos adversos: ressecamento da boca, retenção urinária e visão embaçada. 
 Hioscina ou Escopolamina (Buscopan®)-antagonista não- seletivo: Utilizado para tratamento de 
cinetose (tonturas, náuseas e vômitos) e como antiespamódico; Efeitos adversos: ressecamento da 
boca, retenção urinária e visão embaçada. 
 Propantelina; oxibutinina (Incontinol®, Retemic®, diciclomina (Bentyl ®) etolterodina 
(Detrusitol ®)- antagonistas não- seletivos: são drogas de escolha para a incontinência urinária; 
Utilizados para tratamento de incontinência urinária, síndrome da bexiga desinibida, espasmo 
vesical, enurese e incontinência de urgência; A tolterodina tolterodina (Detrusitol ®), é não-seletiva 
mas apresenta uma preferência funcional para bloqueio dos receptores muscarínicos da bexiga, com
menos efeitos colaterais que os demais. 
A tolterodina tolterodina (Detrusitol ®), é não-seletiva mas apresenta uma preferência funcional 
para bloqueio dos receptores muscarínicos da bexiga, com menos efeitos colaterais que os demais. 
 Ipratrópio (Atrovent®) – antagonista não-seletivo: Utilizado no tratamento da asma e bronquite 
(inalação) promovem brocodilatação ao inibirem os receptores muscarínicos M3, que são ativados 
pela acetilcolina; Inibe o aumento da produção de muco; Não exerce nenhum efeito sobre a fase 
inflamatória tardia da asma, utilizado em crises agudas 
Ipratrópio e tiotrópio:
São derivados quaternários da atropina. Esses fármacos estão aprovados como broncodilatadores 
para o tratamento de manutenção do broncoespasmo associado com a doença pulmonar obstrutiva 
crônica (DPOC). O ipratrópio também é usado no tratamento agudo do broncoespasmo na asma. 
Ambos são administrados por inalação. Devido às suas cargas positivas, esses fármacos não entram 
na circulação sistêmica e nem noSNC, isolando seus efeitos no sistema pulmonar. O tiotrópio é 
administrado uma vez ao dia − sua principal vantagem sobre o ipratrópio, que requer dosagens de 
até quatro vezes ao dia. 
AGONISTAS COLINÉRGICOS DE AÇÃO INDIRETA: ANTICOLINESTERÁS ICOS 
(REVERSÍVEIS):
A Acetilcolinesterase (AChE) é uma enzima que especificamente hidrolisa a ACh a acetato e colina 
e, dessa forma, termina com sua ação. Localizase no terminal nervoso, onde está ligada à membrana
pré e pós-sináptica. Os inibidores da AChE (fármacos anticolinesterásicos, ou inibidores da 
colinesterase) promovem ações colinérgicas indiretamente, prevenindo a degradação da ACh. Isso 
resulta em acúmulo de ACh na fenda sináptica.
Fisostigmina:
Usos terapêuticos: A fisostigmina aumenta a motilidade do intestino e da bexiga, servindo no 
tratamento de atonia nos dois órgãos; É utilizada também no tratamento de doses excessivas de 
fármacos com ações anticolinérgicas, como a atropina; 
Efeitos adversos: No SNC, a fisostigmina pode causar convulsões quando são usadas dosagens 
elevadas. Bradicardia e queda da pressão arterial também podem ocorrer. A inibição da AChE nas 
JNMs causa acúmulo de ACh e, no final, resulta em paralisia dos músculos esqueléticos. Contudo, 
esses efeitos raramente são observados com doses terapêuticas; Sua duração de ação é de cerca de 
30 minutos a 2 horas, sendo considerada um fármaco de ação intermediária. 
Ações da fisostigmina: contração do músculo liso visceral, miose, hipotensão, bradicardia.
Tacrina, donepezila, rivastigmina e galantamina:
 Pacientes com a doença de Alzheimer têm deficiência de neurônios colinérgicos no SNC. Essa 
observação levou ao desenvolvimento de anticolinesterásicos como possíveis remédios para a perda
da função cognitiva; A tacrina foi o primeiro disponível, mas foi substituída por outros devido à sua 
hepatotoxicidade. Apesar de donepezila, rivastigmina e galantamina retardarem o avanço da doença,
nenhum evitou sua progressão; O efeito adverso primário desses fármacos é o distúrbio 
gastrintestinal (GI).
ANALGÉSICOS OPIÓIDES
Analgésico: Substância que alivia ou previne a dor.
Dor: experiência sensorial e emocional desagradável associada a uma lesão tecidual real ou 
potencial. 
Nocicepção: mecanismo pelo qual os estímulos periféricos nocivos são transmitidos ao sistema 
nervoso central. Ativação das fibras nervosas sensoriais (nociceptores).
Definição de conceitos:
OPIÁCEOS = substâncias naturais contidas no ópio. Ex: Morfina, Codeína, Papaverina e Tebaína.
OPIÓIDES = mais abrangente, inclui qualquer substância com atividade semelhante à da Morfina, 
seja endógena (endorfina), natural (morfina) e sintética (fentanila). 
Principal Tratamento da Dor Aguda (ANALGESIA):
• Tosse: Em desuso devido ao desenvolvimento de antitussígenos sintéticos que não causam 
dependência. Codeína (em desuso), dextrometorfano, levopropoxifeno.
Medicação pré-anestésica: propriedades sedativas, ansiolíticas e analgésicas podem ser usados com 
drogas anestésicas (tiopental, haloxano) (fentanil, sulfetanil, alfentanil – 80 vezes mais potente que 
a morfina. Efeito analgésico intenso, porém menos duradouro que o da morfina;
Principais Reações Adversas Fármacos Analgésicos Opióides: Comportamento agitado, tremor, 
reações disfóricas; Depressão respiratória; Hipotensão; Sedação; Náuses e vômitos; Aumento da 
pressão intracraniana; Constipação; Retenção urinária; Urticária (mais freqüente com adm 
parenteral); Potencial de abuso.
Fármacos Antagonistas Opióides:
• Protótipo = Naloxona 
- Antagonista competitivo de todos os receptores opióides
- Reverte a ação ou bloqueia a ação de agonistas
- Útil na superdosagem por opióides
- Sedação e hipotensão revertidas rapidamente
FARMACODINÂMICA
É o campo da Farmacologia que estuda os efeitos fisiológicos dos fármacos no organismo e seus 
mecanismos de ação 
Receptores: 
Tipos (Famílias) de Receptores: 
• Tipo (Família) I: Canais iônicos regulados por ligantes: Constituídos por várias subunidades 
transmembrânicas que delimitam um canal iônico específico. O influxo ou efluxo iônico altera o 
potencial de membrana, gerando efeitos biológicos. 
• Tipo (Família) II: Receptores acoplados a proteína G: Estado de repouso: Proteína G ligada ao 
GDP Heterotrímero abg está inativo.
• Tipo (Família) III: • Receptores ligados a quinase. 
• Tipo (Família) IV: • Receptores nucleares. 
Receptores “intracelulares”: 
- Ação independente de receptores de membrana;
- Ligantes são lipossolúveis e passam pela membrana plasmática formado complexos com o 
receptor;
- no interior da célula;
- Ligantes normalmente são hormônios;
- O complexo vai para o núcleo e liga-se a sequências específicas do DNA regula a transcrição 
gênica (não há disparo de via sinalizadora no citoplasma).
FARMACOLOGIA DOS SISTEMAS
A meia-vida plasmática de um fármaco refere-se ao intervalo de tempo no qual sua concentração 
plasmática é reduzida pela metade. 
Excreção:
Existem três processos básicos na excreção renal: 
- Filtração glomerular – PM inferior a 20.000 u.m.a.
- Secreção tubular – Sistema de transportadores
- Difusão através do túbulo renal – reabsorção
- As drogas são, na sua maior parte, removidas do corpo através da urina, na forma inalterada ou 
como metabólitos polares (ionizados)
- As substâncias lipofílicas (apolares) não são eliminadas suficientemente pelo rim
- As drogas lipofílicas são metabolizadas, em sua maioria, em produtos mais polares, que são, então,
excretados na urina
ANTI-INFLAMATÓRIOS ESTEROIDAIS:
Os medicamentos antiinflamatórios esteroidais (também conhecidos como corticóides, 
corticosteróides ou glicocorticóides) são drogas que agem semelhantemente ao cortisol endógeno 
(glicocorticóide), hormônio relacionado com o metabolismo da glicose e das proteínas, além de sua 
função antagonista das respostas imunológicas e inflamatórias. Estes medicamentos apresentam as 
mesmas funções que os medicamentos anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs) exercem, sendo 
adicionada a eles a ação imunossupressora.
EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE-ADRENAL:
O hipotálamo é o principal responsável por iniciar a cadeia de sinais que estimulam, por fim, o 
córtex da supra-renal a secretar os respectivos hormônios de cada zona do mesmo. O hipotálamo, 
por meio do fator liberador de corticotropina (CRF), estimula grupos específicos de células 
produtoras de hormônios da adenohipófise, lobo anterior da glândula hipófise. 
Por meio deste estímulo, a adenohipófise passa a sintetizar e secretar o hormônio 
adrenocorticotrófico (ACTH). Este hormônio, em nível do córtex da adrenal, estimula todas as 
células produtoras de hormônios das três zonas desta região. O próprio ACTH (seja ele endógeno ou
exógeno), quando em excesso, tem a capacidade de inibir a secreção de CRF pelo hipotálamo, por 
meio da alça curta de feedback negativo (ou retroalimentação negativa).
Uma vez estimulado pelo ACTH, o córtex da glândula supra-renal passa a secretar, em 
maioria, dois tipos de hormônios: 
- Os mineralocorticóides, como a aldosterona, cuja ação periférica está relacionada com a 
reabsorção de sódio em nível tubular renal.
- Os glicocorticóides, cuja ação está relacionada com o metabolismo dos carboidratos (é 
considerado um hormônio hiperglicemiante) e das proteínas, além de apresentar propriedades anti-
inflamatórias e imunossupressoras. Os glicocorticóides (sejam eles endógenos ou exógenos, como 
por exemplo, a Prednisolona) têm a capacidade de inibir a secreção de CRF pelo hipotálamo, 
agindo em nível da alça longa de feedback negativo.
AÇÃO LOCAL:
Ao limitar a exposição sistêmica ao fármaco, é possível minimizar ou até mesmo evitar a supressão 
do eixo HHSR, bem como outras manifestações da síndrome de Cushing iatrogênica. 
Entre os exemplos de fornecimento local de glicocorticóides, destacam-se: 
 os glicocorticóides inalados para a asma; ➢
 os glicocorticóides tópicos para distúrbios inflamatórios da pele; ➢
 os glicocorticóides intra-articulares para a artrite; ➢
 os glicocorticóides de “depósito” .➢A atividade nativa de um glicocorticóide é particularmente importante para fármacos de 
administração tópica, visto que a pele não possui quantidades apreciáveis de 11β-HSDI. Além disso,
sempre que possível, a forma ativa do fármaco é preferida à forma de pró-fármaco inativo para 
pacientes com disfunção hepática, pois esses indivíduos podem não ser capazes de converter o pró-
fármaco em sua forma ativa.
GLICOCORTICÓIDE 
O glicocorticóide, principal cortisol endógeno, é responsável, principalmente, pelo metabolismo da 
glicose e de proteínas. Trata-se de um hormônio hiperglicemiante, pois favorece a gliconeogênese. 
Pacientes que fazem uso prolongado de corticóides exógenos podem desenvolver diabetes por causa
da ação hiperglicemiante deste hormônio. 
O uso de corticóide por qualquer que seja o motivo ou via de administração (oral ou parenteral, 
principalmente), ao chegar ao sangue, a droga vai se ligar à albumina. Desta maneira, ou seja, 
corticóide ligado à proteína plasmática, o fármaco ainda apresenta-se na sua forma inativa (fração 
ligada do fármaco). De forma semelhante, o cortisol endógeno (produzido pela zona fasciculada do 
córtex da glândula adrenal) se liga a uma outra proteína plasmática circulante, a globulina ligante de
cortisol (α-2-globulina), sendo esta fração ligada também a sua forma inativa. Ambos os tipos de 
cortisol (tanto endógeno, quanto exógeno) devem se desassociar das proteínas plasmáticas com as 
quais circulam para só assim, adentrar na célula e ativar o seu receptor intracelular.
O receptor intracelular de um hormônio esteroidal apresenta três sítios ou domínios: sítio de 
localização nuclear, sítio de ligação do DNA (ou domínio efetor), domínio de ligação do hormônio 
(sitio responsável por receber o corticóide). Em condições normais, ou seja, sem a presença dos 
corticóides, o domínio efetor do receptor de corticóide encontra-se encoberto por uma proteína de 
choque térmico chamada HSP90, subunidade proteica responsável por estabilizar e inativar o 
receptor. 
A partir do momento que o corticóide se liga ao seu domínio de ligação, ele promove uma mudança 
conformacional no receptor de forma que a HSP90 perca sua afinidade por ele, desprendendo-se do 
receptor e exibindo o domínio ligante de DNA, sensibilizando e ativando, desta maneira, o receptor 
dos corticóides.
O complexo corticóide-receptor ativo (livres da HSP90) se liga a outro complexo também ativo, 
formando um dímero capaz de entrar no núcleo da célula e exercer a sua. O dímero, ao chegar ao 
núcleo da célula com seu domínio de ligação do DNA livre, passa a ativar alguns fatores de 
transcrição e inibir outros. As alterações nucleares do dímero corticóide-receptor são: 
- Inativação dos fatores de transcrição NF- κB e AP -1 , responsáveis pela produção de citocinas 
capazes de ativar e de exercer papel quimiotático sobre células do sistema imune. 
- Ativação do fator de transcrição anexina-1, fator responsável por inibir a enzima fosfolipase A2.
Todos os glicocorticóides têm alguma atividade mineralocorticóide. Isto ocorre porque a 
aldosterona (que é um mineralocorticóide) é quimicamente semelhante ao cortisol, e eles têm 
atividade parcial nos receptores do outro. A aldosterona age no rim, promovendo a retenção de água
e sódio e excreção de potássio. Realiza ainda vasoconstrição. Assim, é importante que pacientes 
hipertensos evitem corticoides com ação mineralocorticoide (como a Cortisona) e utilizarem outros 
que apresentam minimamente este caráter (Prednisolona e Dexametasona).
AINES
Ciclo-oxigenase (COX):
A COX é uma enzima responsável pela formação de prostanóides, incluindo tromboxano e 
prostaglandinas como a prostaciclina, a partir do ácido araquidônico.
Prostanoides – substâncias que consistem em três componentes principais:
- Prostaglandinas – responsáveis por reações inflamatórias / anafiláticas; 
- Prostaciclinas – ativas na fase de resolução da infamação;
- Tromboxanos – mediadores da vasoconstrição;
A ciclo-oxigenase é encontrada em duas isoformas, denominadas ciclo-oxigenase-1 (COX-1) e 
ciclooxigenase-2 (COX-2).
As ciclooxigenases:
COX-1:
- enzima essencial constitutiva
- encontrada na maioria das células e tecidos
- produção de PGs para manutenção de funções fisiológicas
COX-2:
- formação induzida processo inflamatório e interleucinas
- prostaglandinas que mediam inflamação, dor e febre
Funções fisiológicas das prostaglandinas:
- manutenção do fluxo renal e regulação do metabolismo de Na+ e K+ (PGE1 , PGI2 )
- indução contração uterina (PGE, PGF2)
- produção de febre (PGE2)
- hiperalgesia por potencialização dos mediadores da dor
- sensibilização das terminações nociceptivas periféricas
Os 3 principais efeitos terapêuticos dos AINEs: 
- Efeito Anti-inflamatório: Diminuição da produção de prostaglandinas derivadas da COX-2, 
levando a diminuição da vasodilatação, edema e dor;
- Efeito Analgésico: Diminuição da dor (principalmente a inflamatória), diminuição de 
prostaglandinas que sensibilizam nociceptores da DOR (PGE2 e PGI2);
- Efeito antipirético: reduz a temperatura corporal patologicamente elevada, e tem como mecanismo
de ação a inibição da produção das prostaglandinas PGE2, produzida a partir de IL-1, no 
hipotálamo.
ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDES (AINES)

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