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Júlia Brasileiro - ENF XVII 
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 Farmacocinética- ABSORÇÃO 
 INTRODUÇÃO 
 Existe uma diferença importante entre fármaco e 
 medicamento . O fármaco corresponde à substância 
 ativa responsável pelo efeito farmacológico. Já o 
 medicamento é composto pelo fármaco associado aos 
 excipientes e recipientes utilizados em sua formulação e 
 apresentação. Outro conceito relevante é a distinção 
 entre bioequivalência e biodisponibilidade . A 
 biodisponibilidade refere-se ao tempo e à quantidade 
 com que um fármaco chega à circulação sistêmica e 
 inicia sua ação no organismo. Essa característica pode 
 variar conforme a via de administração utilizada. Um 
 mesmo fármaco administrado por vias diferentes pode 
 apresentar biodisponibilidades distintas. Por exemplo, 
 quando administrado por via intramuscular, o início de 
 ação pode ocorrer mais rapidamente em comparação 
 com outras vias, devido às diferenças no trajeto que o 
 medicamento percorre até atingir a circulação 
 sanguínea. A bioequivalência refere-se à comparação 
 entre duas formas farmacêuticas ou entre 
 medicamentos que contêm o mesmo fármaco. Mesmo 
 possuindo o mesmo princípio ativo, esses 
 medicamentos podem apresentar diferenças 
 relacionadas à concentração, à biodisponibilidade, ao 
 local de ação e ao tempo necessário para produzir 
 efeito. Essa relação é especialmente observada na 
 comparação entre medicamentos de referência e 
 medicamentos genéricos. 
 No estudo da farmacologia, um dos primeiros processos 
 abordados é a absorção . A absorção pode ser definida 
 como a transferência do fármaco ou medicamento 
 do local de administração para o compartimento 
 central do organismo , que corresponde à circulação 
 sanguínea. Além da transferência, considera-se também 
 a amplitude e a velocidade com que esse processo 
 ocorre. O objetivo da administração de um medicamento 
 é que ele alcance o compartimento central, permitindo 
 que seja distribuído pelo organismo e atinja o local onde 
 exercerá seu efeito terapêutico. A velocidade com que a 
 absorção ocorre depende diretamente da 
 biodisponibilidade do fármaco . Para que um 
 medicamento seja absorvido, ele precisa ultrapassar 
 diversas barreiras biológicas . A quantidade e o tipo de 
 barreiras variam de acordo com a via de administração. 
 Na via oral , o medicamento precisa atravessar diversas 
 barreiras antes de atingir a circulação sanguínea. 
 Inicialmente, entra em contato com a saliva. Em 
 seguida, sofre ação do suco gástrico presente no 
 estômago. Também pode interagir com bactérias 
 presentes no trato gastrointestinal. Somente após esses 
 processos ocorre sua absorção. Por esse motivo, não 
 se pode afirmar imediatamente que um medicamento 
 administrado foi absorvido, pois o processo depende da 
 via utilizada. A única via em que o medicamento chega 
 diretamente ao sangue é a via endovenosa , assim 
 como ocorre na via intra-arterial . Nessas vias, o 
 fármaco é introduzido diretamente na circulação 
 sanguínea por meio de uma agulha, não havendo etapa 
 de absorção. Dessa forma, pode-se considerar que o 
 medicamento já se encontra no sangue imediatamente 
 após sua administração. Já na via oral , o fármaco 
 precisa passar por diversas etapas antes de alcançar o 
 sangue, o que torna esse processo mais lento em 
 comparação com a via endovenosa. As vias 
 parenterais , de modo geral, apresentam ação mais 
 rápida. Entretanto, também podem provocar efeitos 
 adversos com maior intensidade. A via oral, por sua vez, 
 tende a apresentar ação mais lenta, mas geralmente 
 com menor intensidade de efeitos adversos. Na via 
 intramuscular , o medicamento é aplicado no tecido 
 muscular. Inicialmente, o fármaco permanece no 
 músculo e, posteriormente, migra para o sangue por 
 transporte passivo , deslocando-se de uma região de 
 maior concentração para uma região de menor 
 concentração. A via subcutânea segue um processo 
 semelhante. O medicamento é administrado no tecido 
 subcutâneo e, posteriormente, migra para o músculo e 
 para a circulação sanguínea. Existem dois principais 
 tipos de transporte envolvidos nesse processo: 
 Transporte passivo: ocorre do meio mais concentrado 
 para o meio menos concentrado e Transporte ativo: 
 ocorre do meio menos concentrado para o meio mais 
 concentrado, exigindo gasto de energia celular. 
 No caso da absorção por via oral , o medicamento 
 administrado em forma de comprimido percorre o 
 esôfago até chegar ao estômago. No estômago, sofre 
 ação do suco gástrico e inicia o processo de 
 dissolução. Os movimentos do estômago misturam o 
 conteúdo alimentar e as secreções gástricas, formando 
 uma substância denominada quimo , composta pela 
 mistura do alimento com ácido clorídrico (HCl) e outros 
 líquidos digestivos. A formação e o deslocamento do 
 quimo estão relacionados ao tempo de esvaziamento 
 gástrico , que pode variar entre indivíduos. Em pessoas 
 com diabetes , por exemplo, o esvaziamento gástrico 
 pode ocorrer de forma mais lenta. Já em indivíduos com 
 hipertireoidismo , o movimento gástrico tende a ser 
 mais acelerado. Todos esses fatores influenciam 
 diretamente o processo de absorção dos medicamentos 
 administrados por via oral, justificando sua absorção 
 mais lenta quando comparada a outras vias. Uma 
 característica fundamental dos medicamentos é que 
 eles são produzidos para entrar no organismo e 
 posteriormente serem eliminados . Nenhum 
 medicamento é desenvolvido para permanecer 
 indefinidamente no corpo; ele deve exercer seu efeito 
 terapêutico e depois ser eliminado. 
 Características para um fármaco ser absorvido: 
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 1. Ser lipossolúvel 
 2. Ser apolar , ou seja, não apresentar polaridade 
 3. Ser não ionizado 
 Essas propriedades facilitam a passagem do fármaco 
 pelas membranas celulares. Os medicamentos que 
 atuam no sistema nervoso central precisam 
 apresentar ainda maior lipossolubilidade, pois devem 
 atravessar a barreira hematoencefálica para alcançar 
 o cérebro. Por esse motivo, muitos medicamentos 
 utilizados na psiquiatria são desenvolvidos com maior 
 capacidade de dissolução em lipídios em comparação 
 com medicamentos destinados a outras classes 
 terapêuticas. Caso uma substância não possua essas 
 três características — lipossolubilidade, apolaridade e 
 ausência de ionização — sua absorção será dificultada, 
 podendo não produzir efeitos farmacológicos relevantes 
 no organismo 
 Fatores que Afetam a Absorção dos Fármacos 
 Diversos fatores podem influenciar o processo de 
 absorção dos fármacos no organismo. Entre os 
 principais, destacam-se a solubilidade , a posologia e 
 as vias de administração . Um dos fatores mais 
 importantes é a solubilidade do fármaco . Conforme 
 discutido anteriormente, os fármacos devem apresentar 
 alta lipossolubilidade , pois essa característica facilita a 
 passagem pelas membranas biológicas e favorece o 
 processo de absorção. Dessa forma, a solubilidade 
 constitui um requisito fundamental para que o 
 medicamento seja absorvido de maneira eficiente. A 
 administração de medicamentos frequentemente ocorre 
 junto com alimentos . Apenas uma pequena 
 quantidadede medicamentos deve ser ingerida em 
 jejum. Como exemplo, destacam-se omeprazol e 
 pantoprazol , medicamentos utilizados para proteção da 
 mucosa gástrica, que normalmente devem ser 
 administrados antes das refeições. 
 A maioria dos medicamentos, no entanto, deve ser 
 administrada juntamente com alimentos, pois o meio 
 gastrointestinal torna-se mais favorável à absorção. 
 Nessa condição, o ambiente tende a apresentar 
 características que favorecem a lipossolubilidade, 
 aumentando assim a absorção do fármaco. 
 Outro fator relevante é a posologia , que corresponde à 
 relação entre dose e resposta terapêutica . Existe uma 
 relação direta entre o aumento da dose administrada e o 
 aumento da resposta farmacológica, porém essa 
 relação é válida apenas até determinado limite. Quando 
 a dose ultrapassa esse limite, ocorre risco de 
 toxicidade . Por esse motivo, a prescrição médica é 
 estabelecida com base na chamada janela terapêutica , 
 que corresponde à faixa de concentração do 
 medicamento capaz de produzir efeito terapêutico sem 
 causar efeitos tóxicos significativos. Assim, o aumento 
 da dose tende a aumentar a resposta até certo ponto; 
 além disso, pode levar à intoxicação medicamentosa. 
 As vias de administração também exercem influência 
 significativa sobre a absorção. Após a administração por 
 praticamente todas as vias — com exceção da via 
 endovenosa e da via intra-arterial — a absorção da 
 maioria dos fármacos segue a cinética de primeira 
 ordem . Na cinética de primeira ordem , ocorre a 
 absorção de uma fração constante do fármaco ao 
 longo do tempo . Esse comportamento é observado 
 principalmente nas administrações por via oral ou por 
 vias parenterais que não introduzem o medicamento 
 diretamente na circulação sanguínea. Quando um 
 medicamento é administrado em intervalos regulares — 
 por exemplo, a cada seis horas, oito horas ou doze 
 horas — a concentração do fármaco no organismo 
 tende inicialmente a aumentar. Com o tempo, atinge um 
 nível de concentração estável , no qual a quantidade 
 de medicamento absorvida e eliminada se equilibra. 
 Nesse momento, não há necessidade de aumentar a 
 dose prescrita, pois a concentração já atingiu uma 
 fração constante. O aumento da dose só é considerado 
 quando o paciente volta a apresentar sintomas, como 
 dor ou retorno da condição clínica tratada. Nesses 
 casos, o profissional de enfermagem pode comunicar o 
 médico responsável, que realizará nova avaliação e 
 decidirá se haverá ajuste na prescrição. 
 Quando a dose é aumentada, ocorre novamente um 
 aumento da concentração plasmática do medicamento, 
 até que se atinja novamente um novo ponto de 
 equilíbrio. Em contraste, após a administração por via 
 endovenosa , o comportamento segue a cinética de 
 ordem zero . Nesse caso, ocorre a entrada de uma 
 quantidade constante de fármaco na circulação 
 sistêmica . Embora muitos livros descrevam a 
 biodisponibilidade da via endovenosa como sendo 
 100% , na prática pequenas perdas podem ocorrer 
 durante o processo de preparo e administração. Por 
 exemplo, ao aspirar o medicamento para a seringa, 
 pequenas quantidades podem permanecer na ampola 
 ou frasco-ampola. Durante o ajuste do volume na 
 seringa também podem ocorrer pequenas perdas, assim 
 como uma pequena quantidade pode permanecer no 
 interior da seringa após a injeção. Por esse motivo, 
 considera-se que a quantidade efetivamente 
 administrada seja muito próxima de 100%, podendo ser 
 estimada em valores ligeiramente menores. Quando 
 comparada à via oral , a via endovenosa apresenta 
 perdas significativamente menores. Na administração 
 oral, as perdas são maiores devido à ação do suco 
 gástrico, metabolismo hepático e outras barreiras 
 fisiológicas. Outro conceito importante é o metabolismo 
 de primeira passagem , que ocorre principalmente após 
 administração por via oral . Nesse processo, parte do 
 fármaco é metabolizada no fígado antes de atingir a 
 circulação sistêmica. Já na administração por via 
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 endovenosa , esse fenômeno não ocorre da mesma 
 forma, pois o medicamento entra diretamente na 
 corrente sanguínea. 
 Absorção oral: esvaziamento gástrico 
 O tempo de esvaziamento gástrico também influencia 
 a absorção. De modo geral, quanto mais rápido ocorre o 
 esvaziamento do estômago, mais rapidamente o 
 medicamento alcança o intestino delgado, onde grande 
 parte da absorção ocorre. Assim, quanto mais rápido o 
 esvaziamento gástrico, mais rápida tende a ser a 
 absorção . Entretanto, isso não significa que todos os 
 medicamentos devam ser administrados em jejum. 
 Apenas aqueles cuja eficácia depende dessa condição 
 devem ser ingeridos antes das refeições. Outro aspecto 
 frequentemente discutido é a biodisponibilidade 
 associada ao volume de líquido ingerido junto com o 
 medicamento em jejum, nem todos os medicamentos 
 são melhor absorvidos dessa forma. Essa relação 
 também depende da forma farmacêutica . Quando um 
 comprimido é ingerido em jejum, o suco gástrico pode 
 dissolvê-lo rapidamente, o que pode levar à degradação 
 de parte do fármaco antes que ele seja absorvido. Já 
 formas farmacêuticas como cápsulas ou drágeas 
 podem atravessar o estômago com maior proteção e 
 alcançar o duodeno, onde ocorrerá a dissolução e 
 absorção mais eficiente do fármaco, então a forma 
 correta de se afirmar é que: Geralmente, a 
 biodisponibilidade do fármaco na forma de comprimido é 
 menor quando ingerido em jejum e com um grande 
 volume de líquido, já as formas em drágeas e cápsula é 
 maior. 
 Biodisponibilidade 
 A biodisponibilidade pode ser definida como a 
 velocidade e a extensão com que um fármaco 
 alcança a circulação sistêmica em sua forma 
 inalterada . Após a administração, a concentração do 
 medicamento no sangue aumenta progressivamente, 
 alcançando níveis capazes de produzir efeito 
 terapêutico ao atingir os locais de ação onde existem 
 receptores específicos. Após determinado período, 
 relacionado à meia-vida do medicamento , a 
 concentração começa a diminuir. Quando essa 
 concentração diminui abaixo do nível terapêutico, 
 torna-se necessário administrar uma nova dose , 
 restabelecendo a concentração adequada no 
 organismo. Esse processo se repete ao longo do 
 tratamento, conforme o intervalo de administração 
 estabelecido. 
 Fatores podem influenciar a biodisponibilidade dos 
 medicamentos 
 ● Via de administração 
 ● Características físico-químicas do 
 medicamento 
 ● Forma farmacêutica utilizada 
 ● Efeito de primeira passagem hepática 
 A via de administração influencia diretamente a 
 biodisponibilidade, pois cada via apresenta velocidades, 
 extensões e quantidades diferentes de absorção. 
 Embora todas as vias tenham como objetivo permitir 
 que o fármaco alcance a circulação sistêmica e exerça 
 seu efeito terapêutico, o modo como isso ocorre pode 
 variar significativamente entre elas. As características 
 do medicamento, bem como a forma farmacêutica 
 utilizada também exercem papel fundamental nesse 
 processo. Entre esses fatores, destaca-se novamente o 
 efeito de primeira passagem , fenômenoassociado 
 principalmente à via oral , no qual parte do 
 medicamento é metabolizada antes de alcançar a 
 circulação sistêmica. 
 Farmacocinética- DISTRIBUIÇÃO 
 Após a absorção, o medicamento já se encontra na 
 corrente sanguínea, independentemente da via pela 
 qual foi administrado. A partir desse momento, inicia-se 
 a fase de distribuição , que corresponde ao transporte 
 do fármaco pelo sangue e por outros fluidos até os 
 diferentes tecidos do corpo. A distribuição dos fármacos 
 envolve alguns fatores essenciais, entre eles a 
 concentração plasmática do fármaco , a 
 permeabilidade do endotélio , a ligação às proteínas 
 plasmáticas e a biodisponibilidade . Para que o 
 fármaco consiga alcançar seus locais de fração, é 
 necessário que sua concentração plasmática seja 
 adequada. Uma concentração suficiente permite que ele 
 atue nos receptores e produza os efeitos esperados. 
 Quando a concentração é muito baixa, a ação 
 farmacológica torna-se insuficiente, não sendo capaz de 
 desencadear a resposta terapêutica desejada. Outro 
 fator importante é a permeabilidade do endotélio dos 
 tecidos que o fármaco precisará atravessar. Essa 
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 permeabilidade varia de acordo com o local de ação. O 
 fármaco pode precisar atravessar, por exemplo, o tecido 
 pulmonar, o tecido cardíaco ou, no caso de 
 medicamentos que atuam no sistema nervoso central, 
 estruturas mais seletivas, como a barreira 
 hematoencefálica, até alcançar os receptores 
 específicos. 
 Formas de transporte 
 Além disso, a distribuição sofre grande influência da 
 ligação do fármaco às proteínas plasmáticas , 
 principalmente à albumina plasmática . Uma vez na 
 circulação, os fármacos podem se ligar às proteínas do 
 plasma, sendo que grande parte deles apresenta 
 afinidade pela albumina. De forma geral, pode-se 
 considerar que uma porção significativa do fármaco que 
 chega ao sangue liga-se à albumina, enquanto outra 
 permanece em sua forma livre . Pode-se imaginar, por 
 exemplo, que cerca de 80% do fármaco permaneça 
 ligado à albumina e uma parcela menor fique livre na 
 circulação. Além dessas duas frações, existe ainda uma 
 forma de depósito , que ocorre em situações 
 específicas, particularmente em pessoas obesas e em 
 indivíduos submetidos ao uso de anestésicos gerais. A 
 fração ligada à albumina plasmática funciona como 
 uma espécie de depósito circulante . A albumina 
 carrega o fármaco pelo sangue, mas essa fração não 
 produz efeito farmacológico, nem benéfico nem 
 maléfico. Enquanto está ligada à albumina, a molécula 
 do medicamento não é filtrada, não é metabolizada e 
 não é excretada. Ela permanece apenas como reserva, 
 circulando pelo organismo. 
 Cada fármaco apresenta um percentual próprio de 
 ligação às proteínas plasmáticas. Esse percentual varia 
 de um medicamento para outro, mas o princípio 
 permanece o mesmo: a parte ligada à albumina não 
 exerce ação direta, funcionando apenas como reserva 
 no plasma. Já a fração livre é a porção ativa do 
 medicamento. É essa parte que deixa a circulação, 
 alcança os tecidos, procura seus receptores e produz o 
 efeito farmacológico . Se o fármaco for seletivo para 
 receptores beta, por exemplo, poderá atuar no coração 
 ou nos brônquios. Se atuar em receptores muscarínicos, 
 exercerá seus efeitos em estruturas compatíveis com 
 esse tipo de receptor. Assim, é sempre a fração livre 
 que efetivamente chega ao local de ação e desencadeia 
 o efeito terapêutico. 
 Entretanto, essa fração livre não permanece ativa 
 indefinidamente. Após determinado tempo de ação, ela 
 se desliga dos receptores e segue em direção ao 
 fígado, onde será metabolizada. Quando isso acontece, 
 uma parte da fração que estava ligada à albumina se 
 desprende e passa a ocupar o lugar da fração livre que 
 acabou de deixar os receptores. 
 Desse modo, estabelece-se um equilíbrio dinâmico 
 entre a fração ligada e a fração livre. À medida que a 
 forma livre atua e posteriormente é removida para 
 metabolização, a albumina vai liberando novas 
 moléculas do fármaco, que passam a desempenhar o 
 papel terapêutico. Esse mecanismo mantém a ação do 
 medicamento ao longo do tempo. Esse equilíbrio 
 também depende da posologia correta . Quando o 
 medicamento é administrado nos intervalos adequados, 
 novas doses reabastecem o organismo, mantendo a 
 quantidade necessária de fármaco livre e permitindo 
 que a albumina continue funcionando como 
 reservatório. As moléculas livres que chegam com a 
 nova dose podem completar o que foi perdido, enquanto 
 parte delas permanece disponível para ação imediata e 
 parte pode voltar a compor a fração ligada. 
 Caso a posologia seja interrompida, o equilíbrio se 
 perde. As moléculas ligadas à albumina continuam 
 sendo liberadas gradualmente, e a fração livre continua 
 sendo consumida nos locais de ação e encaminhada ao 
 fígado para metabolização. Como não há reposição com 
 novas doses, chega um momento em que não restará 
 mais quantidade significativa nem na forma livre nem na 
 forma ligada. Quando isso acontece, o medicamento 
 deixa de exercer seu efeito no organismo. Portanto, a 
 fração livre tem a função de sair da corrente sanguínea 
 e alcançar os locais de ação para produzir o efeito 
 terapêutico esperado, seja ele antitérmico, 
 anti-inflamatório, analgésico ou qualquer outro. Já a 
 fração ligada à albumina não produz efeito direto; atua 
 apenas como um depósito plasmático , permanecendo 
 em circulação até que seja necessário liberar novas 
 moléculas ativas. 
 Além desse depósito ligado à albumina, existe também 
 a chamada forma de depósito extra , observada 
 principalmente em pessoas com grande quantidade de 
 tecido adiposo e em fármacos muito lipossolúveis, como 
 os anestésicos gerais . Os anestésicos possuem alta 
 lipossolubilidade , ou seja, têm grande afinidade por 
 gordura. Em indivíduos obesos, essa característica 
 favorece o acúmulo do fármaco no tecido adiposo, 
 formando um depósito adicional. Como a gordura retém 
 o anestésico por mais tempo, a eliminação torna-se 
 mais lenta, prolongando seus efeitos no organismo. 
 Esse fenômeno ajuda a explicar por que, em cirurgias 
 semelhantes, com o mesmo tempo de duração e 
 utilização do mesmo anestésico, pessoas com peso 
 corporal mais elevado tendem a despertar mais 
 lentamente do que pessoas com peso normal. Mesmo 
 após o término do procedimento e a administração de 
 medicamentos para reversão anestésica, o anestésico 
 ainda permanece retido no tecido adiposo, sendo 
 liberado lentamente. 
 Em consequência, pessoas mais magras costumam 
 recuperar-se da anestesia de forma mais rápida, 
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 enquanto pessoas obesas frequentemente permanecem 
 sonolentas por mais tempo no pós-operatório. Embora 
 despertem, podem apresentar recuperação mais lenta, 
 com menor capacidade imediata de levantar-se, 
 caminhar ou retomar plenamente suas atividades. Esse 
 mesmo princípio é observado em exames e 
 procedimentos que utilizam sedação, como 
 colonoscopia e endoscopia. Nesses casos, indivíduos 
 com maior quantidadede tecido adiposo também 
 podem demorar mais para se recuperar dos efeitos 
 anestésicos. 
 Fatores que afetam a distribuição: 
 Pessoas com maior quantidade de tecido adiposo 
 tendem a demorar mais para se recuperar da anestesia. 
 Esse fato se relaciona com os fatores que afetam a 
 distribuição dos fármacos , entre os quais se 
 destacam o débito cardíaco , a permeabilidade capilar 
 nos tecidos , a ligação às proteínas plasmáticas , a 
 concentração plasmática , o volume de distribuição , 
 as características físico-químicas do fármaco e as 
 condições do paciente. 
 Um dos fatores mais importantes é o débito cardíaco . 
 O débito cardíaco influencia diretamente a distribuição 
 porque determina a velocidade com que o sangue 
 circula pelo organismo. Quando uma pessoa apresenta 
 baixo débito cardíaco , o sangue circula mais 
 lentamente. Como consequência, o fármaco, mesmo já 
 presente na corrente sanguínea, terá sua distribuição 
 prejudicada, pois a fração livre precisará de mais tempo 
 para alcançar os tecidos e os locais de ação. Assim, a 
 redução da velocidade de condução sanguínea interfere 
 no início da ação do medicamento, já que dificulta sua 
 chegada aos receptores. 
 Outro fator essencial é a permeabilidade capilar nos 
 tecidos . Alguns medicamentos são produzidos 
 especificamente para atuar no sistema nervoso central, 
 como os benzodiazepínicos , os antiepilépticos , os 
 anticonvulsivantes e os antiparkinsonianos . No 
 entanto, mesmo quando apresentam lipossolubilidade, 
 certos fármacos não conseguem atravessar sozinhos a 
 barreira hematoencefálica com facilidade. Nesses 
 casos, podem necessitar de outras substâncias ou 
 associações farmacológicas que favoreçam esse 
 transporte. Portanto, a permeabilidade dos tecidos 
 constitui um fator determinante para a distribuição, pois 
 pode facilitar ou dificultar a chegada do medicamento ao 
 seu local de ação. A quantidade de líquido nos tecidos 
 também interfere nesse processo. Fármacos 
 lipossolúveis distribuem-se com maior facilidade em 
 meios compatíveis com suas características. Já 
 fármacos com menor afinidade por gordura ou maior 
 dificuldade de atravessar barreiras podem ter 
 distribuição mais lenta e limitada. Isso repercute 
 diretamente na biodisponibilidade, o que, por sua vez, 
 interfere na velocidade de chegada do medicamento ao 
 local de ação e no início do seu efeito. Dessa forma, 
 todos esses fatores permanecem interligados. 
 Outro elemento fundamental são as proteínas 
 plasmáticas , especialmente a albumina . Parte do 
 fármaco que entra na circulação permanece livre , 
 enquanto outra parte se liga à albumina plasmática. Em 
 alguns casos, pode-se considerar que 
 aproximadamente 95% do fármaco esteja ligado e cerca 
 de 5% permaneça livre. Ainda que a fração livre seja 
 pequena, ela é suficiente para produzir o efeito 
 farmacológico esperado. Nesses casos, o medicamento 
 continua eficaz, mas sua meia-vida pode ser mais 
 prolongada, podendo passar de seis horas para oito ou 
 até doze horas, por exemplo. Assim, a ligação às 
 proteínas plasmáticas também influencia a 
 distribuição. Quanto maior a ligação do fármaco à 
 albumina, menor será a quantidade imediatamente 
 disponível para alcançar os tecidos e atuar nos 
 receptores. Ainda assim, a fração livre existente pode 
 ser suficiente para o efeito terapêutico, enquanto a 
 fração ligada funciona como reservatório. 
 Concentração plasmática 
 A concentração plasmática é outro conceito central. 
 Ela indica o nível do medicamento no sangue e permite 
 avaliar se esse nível se encontra dentro da faixa 
 adequada. Quando a concentração está no intervalo 
 ideal, fala-se em nível terapêutico . Quando está abaixo 
 do necessário para produzir efeito, tem-se um nível 
 subterapêutico . Quando está excessivamente elevada, 
 entra-se na faixa de dose tóxica , capaz de intoxicar o 
 paciente. 
 A posologia tem justamente a função de manter a 
 concentração plasmática dentro do nível terapêutico , 
 evitando tanto concentrações insuficientes quanto 
 excessivas. Por isso, o medicamento deve ser tomado 
 nos horários corretos. Esse princípio é especialmente 
 importante em tratamentos com contraceptivos e 
 antibióticos . No caso dos antibióticos, o uso irregular 
 favorece a resistência bacteriana , pois a bactéria 
 passa a reconhecer o mecanismo de ação do 
 medicamento e ele pode deixar de ser eficaz em futuras 
 infecções. Dessa forma, se a prescrição é de oito em 
 oito horas, o uso deve seguir rigorosamente esse 
 intervalo; o mesmo vale para intervalos de seis em seis 
 ou de doze em doze horas. 
 Volume de distribuição 
 No estudo da distribuição, também se distinguem os 
 conceitos de volume real e volume aparente . O 
 volume real corresponde à distribuição do fármaco por 
 todos os líquidos do organismo, incluindo não apenas o 
 sangue, mas também outros compartimentos líquidos, 
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 como a linfa. Já o volume aparente corresponde à 
 relação entre a concentração do medicamento nos 
 tecidos e sua concentração no sangue. As drogas 
 lipossolúveis tendem a aumentar o volume aparente , 
 pois se distribuem com maior intensidade pelos tecidos. 
 Já as drogas ligadas à albumina plasmática tendem a 
 diminuir o volume aparente , porque permanecem 
 mais retidas na circulação e menos disponíveis para 
 penetração nos tecidos. 
 Variação do volume aparente 
 A variação do volume aparente dependente da droga 
 de diversas propriedades do fármaco, como a 
 lipossolubilidade, a polaridade, a ionização e o grau de 
 ligação às proteínas plasmáticas. Cada fármaco 
 apresenta um perfil próprio nessas características, o 
 que explica por que a distribuição varia de um 
 medicamento para outro. 
 Além das características do fármaco, a distribuição 
 também pode ser classificada como dependente do 
 paciente , como idade, peso e condições clínicas. Em 
 pacientes idosos e em pacientes debilitados, a 
 biodisponibilidade e a distribuição podem ocorrer de 
 forma mais lenta. Nesses casos, a posologia precisa ser 
 revista pelo médico, especialmente em situações de 
 descompensação clínica, como episódios de 
 hipertensão, para que o esquema terapêutico seja 
 ajustado temporariamente até a estabilização do 
 quadro. O peso corporal e o tamanho da molécula 
 também exercem influência. O tamanho das partículas 
 interfere na velocidade de dissolução e absorção do 
 medicamento. Essa diferença pode ser observada, por 
 exemplo, entre formas farmacêuticas utilizadas por via 
 oral e por via sublingual, nas quais partículas menores 
 tendem a facilitar absorção mais rápida. O peso também 
 se relaciona com o comportamento do medicamento no 
 organismo, especialmente em fármacos lipossolúveis, 
 devido à sua afinidade com o tecido adiposo. 
 A concentração de proteínas plasmáticas , 
 especialmente de albumina, exerce influência decisiva 
 na distribuição. A albumina é produzida pelo fígado e 
 desempenha papel fundamental ao se ligar aos 
 fármacos, permitindo que eles circulem sem serem 
 imediatamente metabolizados ou excretados. Em 
 pacientes com comprometimento hepático,a produção 
 de albumina pode estar reduzida. Nesses casos, a 
 capacidade de ligação dos fármacos às proteínas 
 plasmáticas também diminui, alterando sua distribuição 
 e aumentando a fração livre disponível, o que pode 
 modificar tanto a eficácia quanto o risco de toxicidade. 
 Em situações críticas, como em pacientes internados 
 em UTI , alterações no estado clínico e na função 
 hepática podem comprometer ainda mais a produção de 
 albumina e, consequentemente, a distribuição dos 
 medicamentos. Assim, o entendimento da distribuição 
 dos fármacos exige a análise conjunta da circulação, da 
 composição do sangue, dos tecidos, das características 
 do fármaco e das condições fisiológicas do paciente. 
 Alterações na Albumina, Penetração no Sistema 
 Nervoso Central e Meia-Vida dos Fármacos 
 Quando ocorre piora da função hepática, o fígado passa 
 a produzir menos albumina . Como o fígado 
 desempenha funções metabólicas essenciais, 
 produzindo enzimas, proteínas e participando de 
 numerosas reações químicas, qualquer 
 comprometimento importante de sua atividade repercute 
 diretamente na farmacocinética dos medicamentos. À 
 medida que a função hepática se deteriora, a produção 
 de albumina diminui progressivamente. Em quadros 
 mais graves, como na falência hepática , essa redução 
 torna-se intensa. Nessa situação, os medicamentos que 
 estão sendo administrados ao paciente podem passar a 
 agravar o quadro clínico, pois o organismo perde parte 
 importante de sua capacidade de metabolização. Além 
 disso, com a diminuição da produção de albumina, 
 reduz-se também a quantidade dessa proteína 
 disponível na corrente sanguínea. Como consequência, 
 a fração do fármaco que normalmente permaneceria 
 ligada à albumina passa a ficar livre . Assim, uma 
 grande quantidade de moléculas que antes estava 
 reservada no plasma torna-se subitamente disponível 
 para distribuição aos tecidos. 
 Esse aumento abrupto da fração livre provoca uma 
 chegada excessiva de fármacos aos locais de ação, 
 como se houvesse uma verdadeira sobrecarga de 
 moléculas nos tecidos e receptores. Em vez de produzir 
 apenas o efeito terapêutico esperado, o medicamento 
 passa a agir em intensidade excessiva. Se isso ocorrer, 
 por exemplo, em fármacos com ação cardíaca, a 
 concentração exagerada nos receptores do coração 
 pode desencadear efeitos graves, como arritmias . Esse 
 fenômeno ocorre porque, sem albumina suficiente, 
 deixa de existir o reservatório plasmático que controlava 
 a disponibilidade do medicamento. Em pacientes com 
 insuficiência hepática, esse problema pode se agravar 
 ainda mais pela presença de ascite , popularmente 
 conhecida como “barriga d’água”. Nesses casos, pode 
 ser necessária a realização de paracentese , 
 procedimento em que o líquido acumulado na cavidade 
 abdominal é drenado. Entretanto, quando a doença 
 hepática persiste, o líquido pode voltar a se acumular 
 em pouco tempo, em razão da disfunção do fígado. 
 Nessas circunstâncias, a administração de albumina 
 pode ser necessária não apenas para auxiliar na 
 manutenção da vida do paciente, mas também para 
 restaurar parcialmente a função de reservatório 
 plasmático dos fármacos. Sem albumina suficiente, 
 praticamente toda droga administrada tenderia a se 
 Júlia Brasileiro - ENF XVII 
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 distribuir livremente para os tecidos, como se o paciente 
 estivesse recebendo uma superdose, ainda que a dose 
 prescrita fosse a habitual. Isso demonstra que a 
 concentração plasmática também se relaciona com o 
 chamado volume aparente de distribuição . 
 Substâncias capazes de penetrar no sistema 
 nervoso central. 
 Para atravessar a barreira hematoencefálica, o fármaco 
 precisa reunir algumas características específicas. Em 
 geral, são necessários: 
 ● ausência de polaridade , ou seja, drogas 
 apolares; 
 ● lipossolubilidade elevada ; 
 ● tamanho molecular reduzido ; 
 ● coeficiente de partição óleo-água elevado . 
 O coeficiente de partição óleo-água expressa a 
 afinidade do fármaco por meios lipídicos em 
 comparação com meios aquosos. Como a barreira 
 hematoencefálica favorece a passagem de substâncias 
 com características lipossolúveis, apenas drogas com 
 essas propriedades conseguem penetrar 
 adequadamente no sistema nervoso central. Durante o 
 desenvolvimento de novos medicamentos, a indústria 
 farmacêutica e os farmacologistas avaliam justamente 
 essas características para determinar se determinada 
 substância pode ou não ser utilizada para atuar no 
 sistema nervoso central. Quando ela não apresenta 
 perfil adequado para essa finalidade, pode ser 
 direcionada para outro uso terapêutico. Alguns 
 fármacos, inclusive, podem ter sua utilidade 
 redescoberta com o tempo. Uma substância 
 inicialmente desenvolvida para uma aplicação 
 específica pode, anos depois, demonstrar eficácia em 
 outra condição clínica. Esse reaproveitamento 
 terapêutico mostra como o conhecimento farmacológico 
 evolui a partir da observação dos efeitos das drogas no 
 organismo. 
 Alterações farmacocinética na falência hepática 
 A falência relacionada a esse contexto farmacocinético 
 pode ser compreendida pela combinação de dois 
 fatores principais: diminuição da albumina e aumento 
 da fração livre do fármaco . A albumina exerce papel 
 de reservatório; quando ela diminui, essa função se 
 perde. Ao mesmo tempo, a fração livre aumenta, 
 alterando a farmacocinética do medicamento. Se esse 
 processo não for reconhecido e tratado, o paciente pode 
 evoluir com agravamento importante do quadro 
 hepático, uma vez que a redução da albumina é 
 consequência direta da diminuição da função do fígado. 
 Primeiro ocorre a piora funcional do fígado; em seguida, 
 reduz-se a produção de albumina e também de outras 
 substâncias importantes. Por isso, o manejo 
 farmacológico de pacientes hepatopatas exige extremo 
 cuidado. O médico deve calcular doses com atenção 
 especial, avaliar quais medicamentos dependem menos 
 do metabolismo hepático e reconsiderar a terapêutica à 
 luz da farmacologia clínica. 
 Meia-vida 
 A meia-vida indica o tempo necessário para que a 
 concentração do medicamento no organismo seja 
 reduzida à metade . Esse parâmetro é fundamental 
 porque está diretamente relacionado ao efeito 
 terapêutico , à duração do efeito e ao esquema 
 posológico . Após a administração de um medicamento, 
 sua concentração no sangue começa a aumentar. À 
 medida que essa concentração cresce, o fármaco 
 alcança a circulação, e a fração livre dirige-se aos 
 receptores, onde passa a produzir o efeito 
 farmacológico. Enquanto isso, a fração ligada 
 permanece circulando sem exercer efeito direto. 
 Quando o medicamento atinge os receptores, ele 
 produz o efeito esperado por determinado período. No 
 entanto, essa ação não é permanente. Com o passar do 
 tempo, as moléculas deixam os receptores, e a 
 concentração ativa começa a diminuir, pois o fármaco 
 segue para o fígado, onde será metabolizado, e 
 posteriormente será eliminado. 
 É exatamente nesse ponto que a meia-vida se torna 
 essencial para definir a nova administração da dose . 
 Antes que a concentração do medicamento caia a níveis 
 insuficientes,uma nova dose deve ser administrada 
 para manter o efeito terapêutico. Assim, a meia-vida 
 orienta o intervalo entre as doses e fundamenta a 
 construção do esquema posológico. Desse modo, a 
 concentração do medicamento sobe, o efeito é 
 produzido, depois a concentração cai e, antes que 
 desapareça totalmente, uma nova dose deve ser 
 oferecida. Esse ciclo se repete ao longo do tratamento e 
 garante a manutenção do efeito farmacológico dentro da 
 faixa terapêutica adequada. 
 A meia-vida corresponde sempre à metade da 
 quantidade inicial considerada como referência . Em 
 outras palavras, ela expressa a redução de 50% da 
 concentração anterior. Por isso, quando se fala em 
 meia-vida, o conceito central é sempre a ideia de 
 redução pela metade. Assim, o estudo da meia-vida 
 permite compreender por que os medicamentos 
 precisam ser administrados em intervalos regulares e 
 por que não basta apenas oferecer uma dose isolada. A 
 manutenção do efeito terapêutico depende da reposição 
 do medicamento antes que sua concentração caia 
 abaixo do nível necessário para produzir resposta 
 clínica.

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